VITÓRIA, ES, QUINTA-FEIRA, 04 DE OUTUBRO DE 2012 ATRIBUNA 3 Reportagem Especial ANDRESSA CARDOSO -21/12/2011 DIREITOS TRABALHISTAS Sindicatos divididos sobre proposta do governo o Estado, as mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) defendidas pelo governo federal, deixaram os sindicatos divididos. O presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio do Espírito Santo, Jakson Andrade, por exemplo, defende a redução da jornada de trabalho semanal de 44 horas para 40 horas, sem redução de salários. No entanto, ele é contrário ao fracionamento das férias. “Isso já ocorre nas férias coletivas.” Destacando que a cobrança por produtividade está cada vez maior, o coordenador-geral do Sindicato dos Bancários do Estado, Carlos N Pereira de Araújo, quer a redução na carga horária, passando de 30 horas semanais para 25 horas, sem redução nos salários. Mas ele é contra as alterações nas férias. O presidente da Federação do Comércio do Estado, José Lino Sepulcri, é favorável a fracionar o período de férias. Porém, é contrário à redução da carga horária de 44 horas para 40 horas semanais. Sobre a liberdade em definir os períodos de cumprimento da jornada de trabalho, ele saiu em defesa. “Isso irá permitir que o trabalhador possa estudar, se qualificar.” Em virtude das diferentes características setoriais, o vice-presiARQUIVO/AT JUIZ LUÍS CLÁUDIO BRANCO: “Precisamos de sindicatos fortes, o que infelizmente não é a nossa realidade” dente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Lucas Izoton, aprova uma melhor data para as férias, desde que haja acordo entre ambas as partes. Mas no caso da redução de carga horária, considera um retrocesso. Ao comentar o projeto de flexibilização da CLT sugerido pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) João Oreste Dalazen disse que é uma forma de agilizar a solução dos conflitos, diminuir a litigiosidade e atenuar o rigor da CLT, que gera hoje situações desconcertantes. Já o juiz titular da 10ª Vara do Trabalho de Vitória e membro da Comissão Legislativa da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Luís Cláudio Branco, fez algumas ressalvas ao falar sobre o projeto de flexibilização. “O problema é como iremos conviver com esse tipo de projeto na prática. Para isso, precisamos de sindicatos fortes, o que infelizmente não é a nossa realidade. Hoje os sindicatos não estão organizados de tal forma que a gente possa pegar aquele projeto e disseminá-lo pelo País.” O QUE ELES DIZEM FERNANDO RIBEIRO/AT É uma forma de agilizar a solução dos conflitos, diminuir a litigiosidade e atenuar o rigor da CLT “ ” João Oreste Dalazen, ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) ARQUIVO/AT ARQUIVO/AT A lei deveria Nossa principal permitir acordos luta é a redução da entre empresas e jornada de 44 horas para profissionais, definindo a 40 horas semanais, sem melhor data das férias redução de salários “ ” Lucas Izoton, vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria ARQUIVO/AT “ ” Jakson Andrade, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio do Estado ARQUIVO/AT JOSÉ CARLOS RIZK FILHO: trabalhador tem necessidade de ter o seu lazer “País será mais produtivo” Para especialistas, as propostas serão convertidas em melhoria da autoestima e, consequentemente, tornar o País mais produtivo. O advogado e professor de Direito do Trabalho, José Carlos Rizk Filho, salientou que a realidade de hoje é bem diferente de 1943, quando a CLT entrou em vigor. “Esse projeto de lei, que prevê a redução de 44 para 40 horas semanais, é muito válido. A sociedade brasileira tem de refletir sobre isso, pois na Europa já houve redução. O trabalhador tem necessidade de ter o seu lazer. Assim, ele irá conquistar melhores resultados.” O presidente da Federação das Indústrias do Estado (Findes), Marcos Guerra, ressaltou que com a falta de pessoas capacitadas, especial- mente nos cargos de gestão, muitas vezes é necessário postergar as férias até o prazo permitido por lei. “Flexibilizando as férias, você busca um melhor relacionamento entre o empregador e o trabalhador. Todo mundo quer férias no recesso escolar, mas hoje a maioria concede no final do ano, principalmente a indústria. A partir do momento que é feito acordo, a autoestima melhora, aumenta a produção.” José Lino Sepulcri, presidente da Federação do Comércio do Estado, acredita que o segredo do sucesso não é só pensar em capitalismo. “O empresário deve tratar o funcionário com respeito e carinho, oferecendo oportunidade dele se aperfeiçoar. Dessa forma, ele estará investindo em seu patrimônio.” ARQUIVO/AT ANÁLISE “Pode-se criar uma dinâmica maior nas relações do trabalho” O trabalhador precisa de férias contínuas para relaxar e descansar. Isso ocorre a partir do 14º dia “ ” Carlos Pereira de Araújo, coordenador geral do Sindicato dos Bancários do ES Essa liberdade é importante para que acordos não sejam revistos e cancelados depois pela Justiça “ ” Alexandro Martins Costa, presidente da Força Sindical-ES O fracionamento das férias é bemvindo, pois contempla os interesses do trabalhador e do empregador “ ” José Lino Sepulcri, presidente da Federação do Comércio do Estado “O governo tem buscado, por uma questão de competitividade – principalmente com países emergentes como a China e Índia, onde os direitos trabalhistas são incipientes – formas de reduzir o custo da mão de obra no Brasil. Por isso, iniciativas que venham flexibilizar alguns procedimentos trabalhistas como férias, banco de horas, horas extras, bônus e comissões, suspensão de contrato de trabalho, salários diferenciados, dentre outros, considero sempre bem-vindas, desde que não firam Marcelo Loyola Fraga, economista e coordenador geral da Faculdade Pio XII conquistas importantes e legítimas dos empregados. Para o desenvolvimento do País é fundamental, uma vez que se pode criar uma dinâmica maior nas relações do trabalho que atualmente estão emperradas. Para o empresário é bom, pois pode otimizar melhor a sua estrutura produtiva e mão de obra. E para o trabalhador também é bem-vindo, pois pode, por meio da negociação, conquistar maiores ganhos que hoje estão emperrados pela legislação.”