COMISSÃO DE SAÚDE PRESIDENTE DEPUTADA TELMA DE SOUZA - PT 12/08/14 1 EVENTO DEPUTADA TELMA DE SOUZA - PT BK CONSULTORIA E SERVIÇOS LTDA. 12/08/14 A SRA. PRESIDENTE TELMA DE SOUZA – PT – Boa tarde, senhoras e senhores. Deputado Neder, por favor, conosco. Estão todos me ouvindo? Estão todos me ouvindo? Havendo quórum legal, havendo número regimental, declaro aberta a 13a Reunião Ordinária da Comissão de Saúde da 4a Sessão Legislativa da 17a Legislatura. Gostaria de registrar as presenças das senhoras deputadas e dos senhores deputados. Welson Gasparini, Gerson Bittencourt, Telma de Souza, Heroilma Soares Tavares, Itamar Borges, Carlos Neder. Não pertence à comissão, mas nos prestigiando com sua presença, deputado Aldo Demarchi. Adriano, sente-se à mesa conosco. E também o deputado Adriano Diogo, a quem eu agradeço também o prestígio da presença. E eu tenho certeza que falo pela categoria pela categoria dos cirurgiões dentistas. Solicito à secretária a leitura da ata da reunião anterior. O SR. – Pela ordem, senhora presidente. A SRA. PRESIDENTE TELMA DE SOUZA – PT – Pela ordem, deputado. O SR. – Regimentalmente solicito a dispensa da leitura. A SRA. PRESIDENTE TELMA DE SOUZA – PT – É regimental o pedido de Vossa Excelência, estando os senhores deputados de acordo, está dispensada a leitura da ata, considerada, então, como aprovada. A presente reunião foi convocada com a finalidade de realizar audiência pública com intuito de analisar propostas visando a adoção e equiparação salarial em âmbito estadual entre as categorias profissionais de cirurgiões dentistas e médicos. Informo que estão presentes entre nós, e comporão a mesa, o senhor Dr. Marco Antônio Manfredini, representando o Conselho Regional de Odontologia de 2 São Paulo; o senhor Sílvio Jorge Cecchetto, presidente da Associação Brasileira de Cirurgiões Dentistas; a senhora Maria Ângela Marmo Favaro, Secretária-geral da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas e também a Dra. Maria Lúcia Portes, que é presidente do Grupo de Cirurgiões Dentistas e Funcionários Públicos Estaduais de São Paulo. Essas quatro pessoas farão parte da mesa, terão direito a 10 minutos à palavra, depois do que, os senhores que estão aqui presentes, e também os deputados, farão uso da palavra. Eu também declino a presença das seguintes pessoas ou representantes de entidades. A senhora Sara Akim, representando o Dr. Cláudio Yukio Miyake, da OAB, Sessão de São Paulo, Gabinete da Presidência. O Dr. Jairo Corrêa, presidente da Sociedade Paulista de Ortodontia. A Dra. (...), conselheira do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo. Associação dos Profissionais de Odontologia da Prefeitura de Guarulhos. O Sr. Paulo Silas Alvarenga de Melo, assessor da Diretoria do Conselho Regional de Farmácia. O Sr. Ivan Cáceres, assessor técnico do gabinete do vereador Gilberto Natalini. Dr. Rubens Orlandi, presidente da Associação Odontológica da Prefeitura de São Paulo. E eu deixo por último, por razões óbvias, porque ele vem de Santos, meu amigo pessoal, e isso não é nenhuma preferencia, meu querido Dr. Braz Antunes Mattos Neto, que foi meu colega quando fomos vereadores em Santos. E mais ainda, o pai dele e o meu pai também, foram vereadores em Santos. Como ele representa a dinastia dos Antunes Mattos, e eu a dos Souza – brincadeiras à parte – para começar mais leve a nossa sessão, eu quero declinar a sua presença; agradecer a presença, com certeza. Eu queria propor aos senhores e senhoras um determinado método de trabalho. Primeiro, o tempo de fala dos senhores e senhoras que vão fazer uso da palavra, antes dos senhores deputados, eu já declinei o nome dos quatro, e haverá uma situação a posterior, que é a seguinte, eu, sem saber que isso aconteceria, esta marcação, digamos assim, de audiência, já estávamos há três meses, ela chegou a mim através do deputado Carlos Neder, que pertence à nossa comissão, e nós tivemos que mudar várias vezes a data por uma série de razões que não valem a pena elencar, e ela foi finalmente ajustada para o dia de hoje. Ocorre que hoje, Santos, os senhores sabem, eu venho de lá, fui prefeita na cidade, recebe a visita para uma audiência pública também, alguns empresários locais do porto, do senhor ministro dos portos, da 3 Secretaria Especial dos Portos, como é a primeira vez que este novo ministro vai à Santos, eu teria um prazo de 15h:10, 15h:15 para me retirar da liderança dos trabalhos da presidência, mas evidentemente outro deputado assumirá o lugar e dará os encaminhamentos. A segunda questão, eu queria propor, eu já falei informalmente para o Dr. Manfredini, que também trabalhou comigo lá em Santos. Um trabalho belíssimo que ele fez lá em Santos. Lá se vão 25 anos, fala baixo! Eu gostaria de informar que nós gostaríamos que os quatro palestrantes pudessem, de alguma maneira, já declinar quais as modificações que gostariam de ver incluídas no projeto que, em determinado momento, irá a voto. Não acredito que seja durante a eleição, a Casa tem outro ritmo, o próprio governo também, mas se assim for, nós já teremos a ata da reunião para corroborar as modificações. A presença de vários deputados de vários partidos políticos que dá à nossa audiência um outro valor, uma outra consistência e ao fazerem o uso da palavra e declinarem quais as modificações que são necessárias ou que são reivindicações da categoria, nós já vamos fazer um apressamento da situação envolvendo a questão da modificação do projeto original em termos de substitutivo, de emendas, enfim, os deputados terão a liberdade para fazer. Eu quero saber se os palestrantes concordam com esse encaminhamento. Senhores e senhoras também? Assim sendo, vamos pelo tempo de 10 minutos começar com o Dr. Marco Manfredini. Por favor, Dr. Marcos. O SR. MARCO MANFREDINI – Boa tarde a todos e a todas. Eu queria, inicialmente, saudar, na presença da deputada Telma de Souza, todos os deputados estaduais que estão presentes aqui na nossa atividade. Agradecer em nome das entidades da área odontológica do estado. Essa presença e essa iniciativa e a presença de vários parlamentares aqui eu acho que reforça o nosso pleito à importância de que uma reivindicação salarial sejam encampada no âmbito legislativo de São Paulo. Queria agradecer enormemente aos colegas da Secretaria Estadual de Saúde que estão aqui presentes e que já vem se mobilizando há mais de um ano para reverter essa situação que nos foi trazida após a nova lei que criou a carreira dos médicos. Queria registrar também a presença de colegas de outras secretarias, lembrando aos senhores deputados que na realidade nós temos dois cirurgiões 4 dentistas não apenas na Secretaria de Estado da Saúde, mas também nós temos em outras secretarias, então é um aspecto importante essa questão até para ser incluída também no momento do projeto de lei. Os dentistas que representam ou que atuam em nível hospitalar, nós temos os colegas aqui do Hospital do Servidor Público Estadual também, que eu queria registrar a presença. E diversas lideranças da área odontológica, representantes distritais do Conselho Regional de Odontologia, da APCD, e da ABCD. E deixar bem claro que esse movimento que foi feito em conjunto pelo conselho com a ABCD e a APCD, ele já começa produzir alguns frutos. Na realidade, a demanda que foi colocada para que o Legislativo possa estar se posicionando, quando houve aprovação... Nós sempre tivemos os mesmos salários que os médicos no âmbito do estado. Quando houve a nova legislação salarial que criou a lei dos médicos e depois esta lei já foi alterada em outro projeto de lei que foi aprovada também por essa Casa, se introduziu uma disparidade na questão dos salários. Então nós tínhamos, inclusive o estado de São Paulo era até um exemplo para outros estados da federação, um salário similar entre o médico e o cirurgião dentista. Até porque, no desempenho das suas atribuições que são definidas que regulamenta o exercício profissional, o trabalho de um cirurgião dentista é similar ao trabalho de um médico. Cirurgião dentista faz funções diagnósticas, ele realiza procedimentos. Então, na realidade, não há por que termos uma remuneração diferenciada entre o médico e o cirurgião dentista. No âmbito privado nós temos uma legislação federal que ainda era da época do então ex-governador Franco Montoro, mas é uma legislação de 1961, que ela preconiza um salário similar para o médico e para o cirurgião dentista. Então no âmbito privado nós temos um piso salarial comum entre o médico e o cirurgião dentista. E também quando houve o debate sobre a questão do ato médico, quais seriam as atribuições do exercício do médico no seu cotidiano, o cirurgião dentista foi excluído daquela legislação. Então o próprio entendimento também... inclusive eu queria registrar que as entidades médicas apoiam o nosso pleito, porque muitas vezes pode parecer, “ah, mas vai fazer um novo projeto para o dentista”, então assim, há um apoio das entidades médicas ao nosso pleito, representantes dos sindicatos médicos compareceram a um ato público que nós realizamos no dia 5 de junho na avenida Paulista. 5 Nós temos tido também manifestações de dirigentes da Associação Paulista de Medicina, e do Conselho Regional de Medicina, apoiando a nossa reivindicação. Em janeiro do ano passado foi concedido esse ajuste diferenciado para os médicos. E a partir daí nós iniciamos um movimento no sentido de corrigir essa distorção. Ainda no início de 2013, o ex-presidente do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo, e ex-deputado dessa Casa, Dr. Emil Adib Razuk, manteve uma audiência com o governador Geraldo Alckmin e nessa audiência o governador Geraldo Alckmin assumiu o compromisso de que essa situação estaria sendo corrigida. Na posse da atual diretoria do Conselho, que se realizou em maio do ano passado no Palácio dos Bandeirantes, de novo o governador manifestou que haveria correção desta situação. Em dezembro do ano passado, em uma audiência mantida com o Secretário Estadual da Saúde, Dr. Davi Uip, ele assumiu o compromisso de que era favorável à equiparação salarial entre os médicos e cirurgiões dentistas. Em janeiro deste ano, na abertura do Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, que é o maior congresso de dentistas da América Latina, o secretário David Uip voltou a assumir o seu compromisso no sentido de que seria enviado a esta Casa um projeto de lei para recuperar, então, a questão da equiparação salarial dos cirurgiões dentistas aos médicos. Nós mantivemos, nesse período de janeiro até agora, várias reuniões, tanto no âmbito da Secretaria Estadual de Saúde, como também na Secretaria Estadual de Gestão, e eu queria destacar que nós tivemos, a partir de junho do ano passado, um movimento de organização autônomo dos cirurgiões dentistas que atuam na Secretaria do Estado da Saúde ou em outras secretarias, que começou a se reunir para lugar pela equiparação. Então esse movimento ele congregou já mais de 100 colegas que participaram de suas reuniões em vários momentos, e nessas reuniões, inclusive, nós temos aqui a presença da Dr. Maria Lúcia que depois até fará uso em nome da palavra desse conjunto de profissionais. Foi feito um abaixo-assinado pela internet que conta hoje com mais de duas mil assinaturas, e também nós temos já a subscrição da quase totalidade dos cirurgiões dentistas que atuam no âmbito do governo estadual hoje do estado de São Paulo, apoiando esta reivindicação. 6 O que nós esperamos da Assembleia Legislativa nesta tarde? Nós esperamos formalmente algumas providências. Desde o início, nós temos trabalhado com a orientação que este é o movimento que deve ser conduzido tanto no âmbito do Executivo, como no âmbito do Legislativo, então nós entendemos que um projeto de lei dessa natureza ele é elaborado pelo Executivo, até porque envolve um aumento em impacto no orçamento estadual. Só o governador é quem pode, portanto, ser autor dessa iniciativa parlamentar. E por outro lado nós dependemos dessa Casa por quê? Porque nós esperamos que assim que esse projeto de entrada, que essa tramitação seja feita o mais rápido possível para que esses nossos colegas possam recompor os seus salários. Nós esperamos também, além desse apoio, e é importante situar, esta comissão de cirurgiões dentistas, constituída, apoiada pelas entidades odontológicas, ela já esteve três vezes nessa Casa conversando com todos os deputados estaduais. Entregando documentos; fazendo, inclusive, na semana passada, um corpo a corpo, no sentido de convidar os parlamentares para estarem presentes aqui. E mais uma vez eu queria agradecer a todos os deputados que atenderam aos nossos convites. Isso, sem sombra de dúvida, será lembrado. Até porque nós, cirurgiões dentistas, hoje, representamos 78 mil dentistas do estado, e mais de 110 mil trabalhadores de saúde bucal. Então, muito embora o corpo de funcionários do estado seja um corpo, hoje, de aproximadamente 1300 a 1400 profissionais na ativa, mas as entidades odontológicas representam um conjunto muito maior e, com certeza também, esta luta que está sendo feita aqui na Assembleia Legislativa, e mais uma vez eu queria agradecer a deputada Telma de Souza pela sua iniciativa, e também será feita em outras câmaras municipais. Nós estamos aqui com a presença dos colegas da Associação Odontológica da Prefeitura de São Paulo, que tem uma demanda similar. E a prefeitura de São Paulo, nesse momento, está enviando um projeto de lei para a Câmara. Nós temos a situação dos colegas da prefeitura de Guarulhos também, que estão presentes. Que tem demanda similar. Então eu queria deixar bem claro, deputada, que sua iniciativa hoje é um marco na história desta luta no âmbito do estado de São Paulo, porque a partir do dia de hoje nós pretendemos, efetivamente, que esse movimento também seja levado nas câmaras municipais das cidades que ainda não adotam a equiparação. 7 O que nós demandamos nesse momento, então, dos senhores deputados? Um primeiro movimento no sentido de que eles possam fazer uma articulação junto ao governo estadual para que seja agilizado o envio o projeto de lei aqui para Assembleia Legislativa, então a nossa primeira demanda é agilização do envio do projeto de lei para Assembleia Legislativa, até porque o projeto de lei já passou pela Secretaria da Saúde, depois foi para Secretaria Estadual de Gestão e voltou para Secretaria Estadual de Saúde. E nós temos o compromisso, inclusive do secretário estadual de gestão, em uma audiência que foi mantida no mês de julho, que tão logo o projeto de lei sai da Secretaria Estadual de Saúde e chegue na Secretaria de Gestão, ele irá chamar uma reunião do colegiado dos cinco secretários que definem projetos de lei que dizem respeito aos servidores públicos. Então nós temos tanto um compromisso do secretário de gestão, no sentido da agilização da tramitação, mas na realidade, o projeto de lei ainda se encontra no âmbito da Secretaria de Estado da Saúde. Então seria muito importante uma manifestação da Comissão de Saúde, dirigida ao secretário estadual Davi Uip para que ele pudesse agilizar a tramitação e envio do projeto de lei para essa Casa. Como nós temos claro também que é muito pouco provável a aprovação desse projeto com vigência ainda para esse ano, uma segunda demanda que nós trazemos é para que no orçamento fiscal do estado de São Paulo para o ano de 2015 sejam já assegurados os recursos para pagamento da equiparação, até porque para que nós não possamos enfrentar uma situação similar que nós vivemos no município de São Paulo aonde a equiparação foi prometida, mas na hora do orçamento os recursos não foram colocados pelo então prefeito Gilberto Kassab, então, na realidade, nós esperamos também, e solicitamos, esse movimento duplo. Nós sabemos que até dia 30 de setembro o governador envia a peça orçamentária para essa Casa, de 30 de setembro a 31 de dezembro, essa Casa discute o orçamento para 2015, e nós queremos ter, dentro do orçamento do estado para 2015, a garantia dos recursos financeiros para o cumprimento da equiparação salarial. Por outro lado, as minutas iniciais as quais nós tivemos acesso elas ainda não abordam questão que, no nosso entendimento, são questões centrais. Quais são essas questões? A primeira dela é a garantia da inclusão de todos os servidores estaduais de todas as secretarias e que atuam também no Hospital do Servidor Público Estadual. Nós entendemos que o conjunto de dentistas ele deva ser incluído nesse projeto, e não apenas os cirurgiões dentistas que atuam no âmbito da Secretaria do Estado da Saúde. 8 Uma outra demanda diz respeito aos municipalizados. Isso porque nós temos vários cirurgiões dentistas que são municipalizados, e aí eu queria lembrar para os colegas que estão aqui presentes que a prefeita Telma de Souza foi a primeira prefeita no Brasil a pagar a equiparação salarial para os dentistas do estado. Quando ela foi prefeita em Santos, o senhor secretário era o David Capistrano, e Santos foi o primeiro município no Brasil a pagar equiparação salarial. Então vamos supor, deputada, se um dentista ganha hoje no estado 1500 reais e um dentista ganha hoje, num município, 3000 mil reais, alguns municípios pagam essas diferenças; outros, não. Então a minuta inicial que nós recebemos, os colegas municipalizados receberiam apenas 10% do incentivo que está previsto na nova lei, e nós entendemos que esse valor deveria ser de 100%. Uma outra questão também que nós queremos lembrar diz respeito à questão dos aposentados e pensionistas. Não da para se imaginar um projeto de lei desta natureza e só relembrando, o serviço público realizado no âmbito do estado de São Paulo, nós temos, hoje, vários profissionais, centenas de profissionais que dedicaram sua vida aí por 30, 40, 50 anos, e que estão recebendo salários, às vezes, de menos de 1000 reais por mês. Então nós entendemos também que esses profissionais aposentados e pensionistas devem estar sendo incluídos no âmbito do projeto de lei. Mas fundamentalmente nesse momento, a nossa principal demanda seria uma atuação conjunta da Comissão de Saúde, do conjunto dos parlamentares dessa Casa, junto ao executivo estadual para que houvesse uma agilização na tramitação desse projeto de lei e o envio dele o mais rápido possível a essa Casa. E a vitória da conquista da equiparação salarial no âmbito da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo seria um exemplo não só para os cirurgiões dentistas que atuam no estado, mas para os cirurgiões que atuam nas prefeituras e para todos cirurgiões dentistas brasileiros. Porque hoje, o Brasil inteiro está atento a essa audiência pública que está sendo realizada aqui. Participei na semana passada como representante do Conselho de Odontologia de São Paulo de uma reunião do Conselho Federal de Odontologia, e os 26 estados da federação e o Distrito Federal estão aguardando que irá sair dessa nossa audiência pública hoje aqui na Assembleia Legislativa. Então, na realidade, a responsabilidade que está colocada sobre essa Casa do Legislativo é enorme, e nós esperamos, da forma que nós vínhamos trabalhando, uma forma ordeira, pacífica, de reivindicação e de organização que essa Casa nos atenda e 9 cumpra efetivamente o resgate desta bandeira, que é a equiparação salarial do cirurgião dentista ao médico. Muito obrigado. A SRA. PRESIDENTE TELMA DE SOUZA – PT – Eu que agradeço as suas palavras, Dr. Manfredini, mas eu quero complementar principalmente a lembrança da nossa época lá em Santos, muito generosa da sua parte essa citação. Mas eu queria lembrar também que informalmente foi feito um pedido através do Dr. Carlos Neder, que é deputado, que é desta Comissão, para que nós tivéssemos esta possibilidade. Depois, o conjunto dos deputados entenderam que isso era correto e assim foi feito. Quero declinar a presença – antes de passar a palavra para a próxima depoente, digamos assim, palestrante – da Sr. Maria Lúcia Valeris, que é conselheira do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo. E o Dr. Carlos Eduardo Morales, representando o presidente do Conselho Regional dos Farmacêuticos de São Paulo. Eu deixei de declinar a presença de alguém? Por favor. Deputado Luciano Batista, da Baixada Santista, vindo lá dos lados de São Vicente. Obrigada pela presença, deputado. Em continuidade, eu queria, antes de passar a palavra para a próxima palestrante, dizer que eu resumi o seguinte, professora que sou, uma ação conjunta da Alesp, da Assembleia, ao Executivo apressar a vinda do projeto e que esse projeto que já passou por conversa com o Dr. Uip, que está na Secretaria de Saúde e que vai para Gestão, tenha, incluído nele, os cirurgiões dentistas, os dentistas, os municipalizados, os aposentados e pensionistas. Dentistas e outras secretarias. Então, estou aqui secretariando também, porque é bom para gente encaminhar depois. Então eu passo imediatamente a palavra para o senhor Sílvio Jorge Cecchetto, presidente da Associação Brasileira de Cirurgiões Dentistas. Por favor, pelo tempo de 10 minutos. O SR. SÍLVIO JORGE CECCHETTO – Boa tarde, senhoras e senhores. Eu quero agradecer a deputada Telma de Souza por essa iniciativa dessa audiência pública. Em seu nome, deputada, agradeço aos demais deputados presentes que compõem a nossa mesa de trabalho. Aos nossos dirigentes da ABCD e APCD presentes, Maria Ângela; o nosso tesoureiro geral da ABCD, (...). quero cumprimentar o Dr. Rubens Orlandi também, presidente da Associação Odontológica da Prefeitura. 10 E os demais aqui, Luciano, Roque também, Secretário da Saúde. E o Braz Antunes, enfim. E agradecer ao deputado Aldo Demarchi, por gentilmente ceder o seu lugar para que nós pudéssemos fazer parte da mesa, deputado. Eu acho que o Dr. Manfredini foi bastante claro no seu resumo, nas suas observações e nas nossas reivindicações. A Associação Brasileira de Cirurgiões Dentistas, apesar de ser uma entidade nacional, ela tem como APCD, a Associação Paulista, a sua maior seção na federação. E nós que lá transitamos por quatro anos antes de assumirmos aqui a Nacional, sabemos exatamente o que aflige a nossa odontologia, o que aflige o nosso cirurgião dentista. Apesar de passar pela presidência da ABCD, nós clinicamos, nós trabalhamos já há 37 anos, diariamente, no consultório. E sabemos exatamente o quão difícil é o colega não ter o brilho nos olhos, não ter o compromisso profissional de trabalhar, mas não ter a alegria de estar trabalhando em função da remuneração, eu diria, indigna que hoje recebem. Eu vejo, talvez seja uma palavra um pouco forte, eu vejo um descaso em relação ao governo federal, estadual, municipal, em relação às nossas remunerações, senhores. E nós não pedimos nada do que é justo. As nossas reivindicações são honestas, são simples e são sinceras. Na verdade, nós não queremos ganhar mais que ninguém, nem talvez, igual a ninguém, nós queremos ganhar o que nós merecemos. O que a odontologia merece, até pela responsabilidade que ela tem nos cuidados com a saúde bucal da população. A saúde começa pela boca. Não tem como se dissociar tudo isso. E nós trabalhamos juntos, nós somamos na área da saúde. Eu digo que é um momento importante, está aqui o Dr. Otelo, da Associação Paulista de Medicina, nós que estamos sempre juntos lá, mensalmente participando, e o Dr. Otelo sabe que nós queremos um trabalho que venha dignificar a odontologia, o cirurgião dentista e mais do que isso, senhores e senhoras, a saúde da nossa população. É esse o cuidado que nós temos, é essa preocupação que nós temos, e é essa atitude que nós exigimos das nossas autoridades. Muito obrigado. A SRA. PRESIDENTE TELMA DE SOUZA – PT – Obrigada, Dr. Sílvio. O senhor fez considerações gerais ressaltando a necessidade da justiça do salário. Só para resumir. Eu estou secretariando aqui, uma nova função. Eu queria também declinar a presença do Dr. Otelo Chino, do Conselho Regional de Medicina, que também está entre nós. Muito obrigada pela presença. 11 Eu passo imediatamente a palavra, pelo tempo de 10 minutos, a Dr. Maria Ângela Marmo Favaro, Secretária-geral da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas. Por favor. A SRA. MARIA ÂNGELA MARMO FAVARO – Boa tarde a todos. Senhora deputada Telma de Souza, em nome da APCD, Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas, agradeço este momento que nos foi proporcionado e cumprimento todos os membros da mesa, os deputados que nos recebem, todos que já foram citados pelo Dr. Sílvio, pelo Dr. Manfredini. Tenho a dizer para vocês que a Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas mantém uma luta constante, totalmente batalhadora neste momento da odontologia e como o Dr. Sílvio falou, ele falou em 31 anos, eu trabalho há 43 anos no consultório e realmente o que a gente mais sente é isso, a nossa profissão precisa ser dignificada. Nós realmente trabalhamos sério. O dentista não pode mais ser encarado como a pessoa que faz uma obturaçãozinha, “bituração”, como o povo fala. Desculpem o meu palavreado, é que, Dr. Telma, às vezes eu quebro protocolo, sabe? Eu fico muito à vontade para falar, para dizer para vocês que a nossa luta junto do CRO, da ABCD, Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas, é muito, muito engajada com todos esses problemas. E eu digo para vocês, eu mesma falo para os meus pacientes, a odontologia é de extrema importância. Tudo entra pela boca. É assim mesmo que se faz, e que se fala. A odontologia só passa a ter valor quando as pessoas estão com câncer bucal, com uma periodontite terrível, quando as coisas estão acontecendo assim com muita seriedade. Eu estive na abertura do Congresso da ANAD, e depois no encontro de Psoríase e Vitiligo. Cada vez mais a gente sente também a necessidade dos médicos terem a odontologia do lado deles. Agora, como que os dentistas podem ter este ânimo, este brilho de trabalhar, como o Dr. Sílvio falou, e muita coisa que o Dr. Manfredini já citou, se a profissão da odontologia é tão desqualificada? Então é assim, “ah, faz um concurso, fica lá e pronto. E espera até acabar a profissão e acabou-se”. Isto não existe mais. E a nossa luta é realmente para que a gente tenha um respaldo do governo estadual, do federal e a gente fica muito feliz que a deputada Telma de Souza tenha agarrado essa nossa luta, bem como todos os outros deputados. 12 Então, gente, eu falo de uma forma muito simples e de coração, eu falo como cirurgiã dentista, mãe, avó, um monte de coisa aí, sabe? Mas a nossa profissão precisa sair daqui com a certeza de que a nossa luta vai ser levada a sério. Não é só para vir todo mundo aqui e falar que estamos aqui em uma reunião fantástica. Não. Vamos conseguir que realmente todos os governos olhem para a nossa profissão, mais uma vez eu repito, com dignidade. Muito obrigada. A SRA. PRESIDENTE TELMA DE SOUZA – PT – Obrigada, Dr. Maria Ângelo Marmo Favaro. Eu passo, imediatamente, a palavra para Dr. Maria Lúcia Portes. Por favor. A SRA. MARIA LÚCIA PORTES – Obrigada, deputada, por nos proporcionar essa chance inédita para gente poder, mais uma vez, tentar a valorização da odontologia, e inédita que eu digo, para tentarmos melhorar as condições do funcionário público. Diferente dos outros, eu vou ler o meu discurso. Desculpa, eu estou um pouquinho nervosa. Antes, eu gostaria de agradecer a todos os deputados que nos apoia, todos que estão aqui presentes e os que também não puderam estar presentes conosco hoje. Agradecer a presença de todos os colegas que estão aqui, que deixaram seus trabalhos, consultórios, para estar aqui presente com a gente. Tem vários colegas de outras cidades do interior que puderam estar aí com a gente. O dia de hoje é de grande importância para o serviço público odontológico, pois temos a oportunidade de discutir o principal item da valorização do cirurgião dentista funcionário público, que é a questão salarial. Nossa reivindicação é o restabelecimento da equiparação salarial com os médicos, pois antigamente, a ampliação do plano de carreira médico, em 2013, as duas categorias tinham o mesmo salário, havendo, hoje, uma diferença significante. Além da equiparação salarial, queremos também a criação do plano de carreira odontológico. A equiparação salarial entre essas duas categorias já é adotada por grande parte dos municípios e também alguns estados da federação. Tais melhorias justificam-se pela especificidade e similaridade entre essas categorias nas áreas de diagnóstico, prescrição e tratamento, que como o Dr. Manfredini falou, a lei do ato médico exclui o dentista, graças a Deus! 13 A nossa batalha teve início com a formação de um grupo de trabalho formado por alguns dentistas... Desculpa, saiu daqui. A SRA. PRESIDENTE TELMA DE SOUZA – PT – Deixa eu dar uma ajuda para ela. Deixa eu falar um segredo para você. Nós todos aqui erramos e acertamos. Se você me der uma broca para colocar na boca de alguém, eu juro para você que eu vou desmaiar de medo pela pessoa. Então você fique bem à vontade porque a vida é assim. Cada coisa é uma coisa. Ta bom, querida? A SRA. MARIA LÚCIA PORTES – Obrigada. A gente vai aprendendo. Então teve início, então, com a formação do nosso grupo de trabalho formado por alguns dentistas e esse grupo tentou ser formado outras vezes, mas por desincentivo de algumas pessoas, de algumas entidades, atrasou um pouquinho a formação desse grupo. Mas em 2013, com o apoio do Conselho Regional de Odontologia, que foi o primeiro que abriu os braços para nós, nós formamos esse grupo. Esse grupo começou de verdade motivado por uma publicação de um boletim informativo do CRO – Conselho Regional de Odontologia, que continha a matéria onde o governador Geraldo Alckmin se comprometia a tratar pessoalmente da isonomia salarial, estava escrito bem em letras garrafais “pessoalmente”, entre os médicos e os dentistas, que como o Manfredini já falou, esse compromisso foi assumido pelo governador com o ex-presidente da CRO, o Dr. Emil Razuk no Palácio dos Bandeirantes, no dia 26 de março de 2013. Nós temos tudo isso bem documentado. No dia 30 de janeiro de 2014, na cerimonia de abertura do 32o Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, o secretário de saúde, Dr. Davi Uip anunciou que o governador propôs a realização de estudos para alteração da lei 1157/2011, que trata de vencimentos, salários e planos de cargos para os servidores da saúde. Desculpe, para todos os servidores de todo o estado, não só a Secretaria da Saúde, como outras categorias. Conseguimos o primeiro passo, e desde então estamos em contato com o RH da Secretaria da Saúde verificando as possíveis alterações na referida lei, pelo que pudemos ter acesso, teremos alguns benefícios como em questão de valores de 14 salário-base, porém, não seremos contemplados com a carreira odontológica como foram os médicos. Outra coisa que teremos em comum a eles é a redução do prêmio de produtividade para os profissionais municipalizados que receberão apenas 10% do valor, além da não revisão dos aposentados e pensionistas. E, além disso, esse prêmio de produtividade, que é o que nós recebemos hoje como prêmio incentivo, também não contempla os profissionais das outras secretarias, como Administração Penitenciária e das autarquias. Então nós queremos igualdade entre todos. Estamos reivindicando melhorias a todos os cirurgiões dentistas, e entendemos que dentro de uma classe profissional não deva ter diferenças, e o mesmo vale para dentistas que exercem suas funções fora da Secretaria da Saúde, como eu falei anteriormente. Pois bem, é por esse motivo que estamos aqui hoje, para expormos as nossas principais questões, como equiparação, casos municipalizados, aposentados, e das demais secretarias. Agradeço em nome dos cirurgiões dentistas funcionários públicos do estado a oportunidade de estarmos fazendo essa reunião e também eu agradeço, eu, Lúcia, a todos os nossos colegas que estão nessa batalha, a gente larga os nossos empregos, os nossos consultórios, para fazermos reuniões no CRO, fazemos abaixo-assinado, a gente vem até aqui à Assembleia falar com os deputados, vamos atrás do Davi Uip em tudo quanto é cerimônia do estado que tem, para gente pegar uma palavrinha dele, e agradeço a todos vocês. Muito obrigada. Eu agradeço principalmente ao nosso querido amigo Manfredini. E ao Cláudio Miyake também. A SRA. PRESIDENTE TELMA DE SOUZA – PT – Eu queria pedir um favor, Maria Lúcia, se você poderia nos passar para a Comissão a íntegra da sua fala, porque você pontuou algumas reivindicações. Está certo? Eu vou ter que me retirar agora, e eu de comum acordo com os deputados que estão perto de mim, eu gostaria de passar os trabalhos – por uma razão óbvia – para o deputado Carlos Neder, porque foi ele que intermediou toda essa situação em relação à comissão. 15 Então assim que eu me retirar eu gostaria que o senhor pudesse continuar os trabalhos. Eu conversei aqui ao meu lado com o deputado Gerson Bittencourt. E quero agradecer também a presença dos vários deputados que estiveram entre nós, como o Welson Gasparini, do PSDB; o próprio Gerson Bittencourt, do PT, e eu, que continuo aqui; o Itamar Borges, do PMDB; o Carlos Neder, do PT; o Adriano Diogo, do PT; a Heroilma Tavares, da PTB; o Luciano Batista, do PTB; e o deputado, eu acho que ele já se retirou, deputado Aldo Demarchi, do DEM. Antes de me retirar eu queria falar algo muito rapidamente para os senhores e para senhoras. Eu anotei, porque é um jeito de ser, é um jeito de existir, eu gravo por duas vezes. E eu vou estar junto com todos os deputados que aqui vieram fazer essas tratativas. Se vamos ganhar todas, algumas, eu não sei, mas a luta haverá, viu, Marcos? Você pode ter certeza. Mas mais do que isso, eu queria aqui fazer, viu, Gerson? Viu, Heroílma? Uma singela colocação, e Braz, enfim, colegas lá da cidade, eu tive uma mãe que teve piorreia, e esta mãe ficou profundamente... nem sei se chama isso, chama isso agora? A minha mãe teve periodontite e ela ficou profundamente... ela era uma mulher bastante vaidosa, enfim, como mulheres que nós somos, e eu fiquei muito, eu não digo traumatizada, mas eu fiquei muito marcada com esta ação que minha mãe teve na vida, e quando eu me tornei prefeita a gente fez um programa chamado “Santos de Sorriso Novo”, lembra, Marcos? E eu sempre pensava, você disse informalmente, doutora, que você quebrava os padrões, mas a boca é realmente o lugar de tudo, por onde você come, por onde você beija, bom, enfim, é também o aparelho respiratório, por vezes, mas a boca é antes de mais nada, é um espaço por onde a gente fala. Existem alguns estudos da época medieval que diziam que a classe dominante começou, eu não sei se isso vale, eu não sou um expert no setor, comia com talheres porque não queriam mostrar os dentes que são verdadeiramente as ferramentas de ataque e agressividade que o ser humano tem. Pode não ser totalmente errado, eu li isso em um livro de um prêmio Nobel que eu, sinceramente, não lembro agora. E eu acho que não há ser humano que possa estar insensível à questão da odontologia. Alguém que não pode sorrir é dramático. Não estou nem falando naquilo que você engole, como impurezas, bactérias, tal, tal, tal. Eu penso que quando estamos aqui, estamos fazendo uma reivindicação que é salarial, que é da própria categoria, é pela valorização da categoria, eu ouvi essa palavra várias vezes, e o salário é assim que são as relações de troca em uma sociedade como a nossa. Não 16 quero dizer se é justo ou injusto, eu quero dizer que vocês pontuaram muitas injustiças e nós vamos atrás. Nem tudo eu acho que conseguiremos, mas alguma coisa nós vamos conseguir, não é, Gerson? Não é possível que não seja assim. Então eu queria que os senhores soubessem que realmente eu me retiro, mas deixo deputados experientes, sensíveis, que estão permanecendo conosco até agora para gente fazer essa luta. E termino falando algo, é uma coincidência que essa reunião tenha acontecido no meio do pleito. Não foi intenção de nenhum destes deputados que isso acontecesse. Foi injunção com os senhores quando houve reivindicação, o tempo, depois a gente ia fazer no primeiro semestre, achamos melhor, não, porque achamos que a questão da Copa poderia desmobilizar. Então eu quero deixar bem claro aos senhores e senhoras que nós estamos em um momento que acaba sendo oportuno para todos, isso pressiona os deputados e deputadas, isso pressiona o poder, o Executivo, o governador, mas eu queria dizer que isso não foi intencional, para que não paire nenhum tipo de dúvidas sobre essa situação. Isso colocado, eu queria, eu vou passar, parece que ele foi gravar na televisão, eu queria dizer que é uma luta que é uma luta que eu fiz de outra maneira 25 anos atrás. Eu não tive periodontite, mas eu tenho a solidariedade daqueles que não tem essa possibilidade e daqueles que precisam dos senhores e das senhoras para viverem em um mundo melhor, do ponto de vista da sanidade bucal, do ponto de vista da alegria de viver, do ponto de vista da sexualidade como beijo, e tudo aquilo que a doutora já falou antes de mim. Então, eu quero agradecer a presença dos senhores. A audiência vai continuar, eu peço mil desculpas, eu não esperava que o ministro César fosse a Santos hoje e eu deixo aqui, além da minha solidariedade, a nossa capacidade de luta através dessa Comissão, que reúne todos os partidos desta Casa para gente ir à busca desse projeto, emendá-lo antes que ele venha à votação, e sempre fazendo contraponto e um contato com os senhores e com as senhoras. Muito obrigada. Tenham um bom fim de reunião. Obrigada. O SR. PRESIDENTE CARLOS NEDER – PT – Eu assumo a presidência e vou passar a palavra para os deputados que compõem a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, iniciando pelo deputado Gerson Bittencourt. 17 O SR. GERSON BITTENCOURT – PT – Boa tarde a todos e a todas. Queria cumprimentar os meus colegas deputados, deputadas, todos os representantes das categorias, vocês que vieram no dia de hoje aqui discutir, sobretudo, apresentar demandas, reivindicações, que são fruto do trabalho de vocês, da trajetória de vocês como profissionais e, obviamente, das organizações que todos vocês participam. Fiquei atento nas colocações que foram feitas, na sistematização da nossa presidente da Comissão de Saúde, a deputada Telma, e queria dizer duas coisas em função disso. Primeiro, eu acho que está correta a posição de vocês de trabalhar nesse processo de elaboração do projeto de lei que deve chegar a esta Casa nas duas frentes, a frente do Legislativo, como nós estamos trabalhando aqui, inclusive de forma preventiva, vamos dizer assim, de trazer contribuições, colocações antes mesmo do projeto de lei chegar à essa Casa. Eu acho isso muito importante, em primeiro lugar, porque nos informa daquilo que é reivindicação, daquilo que é proposta que vocês trazem aqui. Em segundo lugar, porque aqui vocês também encontram aliados, aliados que não podem ser de um ou de outro partido. Aliados tem que ser os deputados de uma forma geral, com os seus partidos, suas bancadas e assim por diante. Então eu acho correta e oportuna, eu diria assim, a iniciativa de vocês, e obviamente, a iniciativa do nosso presidente agora aqui da Comissão, deputado Carlos Neder. Então eu parabenizo por essa iniciativa. Obviamente que isso não pode fazer em momento nenhum vocês baixarem a guarda com essa primeira frente, que é o espaço do Legislativo. Eu acho que é importante, assim que o projeto chega aqui, vocês fazerem novamente, assim, com o projeto detalhado, o mesmo tour, o mesmo roteiro de visita dos deputados, e, obviamente, a necessidade de estabelecer também mais uma audiência pública para que aí nós possamos discutir à luz já do que o executivo enviar à essa Casa. Então eu acho importantíssimo essa iniciativa. Nem vejo problema eleitoral, nós temos que trabalhar na eleição ou fora da eleição. As nossas atividades acontecem da mesma forma. Seria até ruim se nós paralisássemos, não é, Neder? As nossas atividades em função do processo eleitoral. Elas diminuem a intensidade aqui nessa Casa, mas elas não acabam; muito pelo contrário. A segunda frente, e eu observei aí as colocações de vocês, que é ainda, especialmente nesse momento que vocês estão vivendo, as iniciativas no sentido de discutir com o Poder Executivo. Eu lembro, eu sou agrônomo, eu sou da área de 18 transportes agora, e lembro que quando a gente queria alguma coisa a ser aprovada, a ser conquistado, a gente seguia atrás do prefeito, do governador, em todos os momentos – de forma educada, evidentemente – mas em todos os momentos onde o governador, o prefeito, secretário, seus diretores estiverem, eu acho importante vocês estarem. Podem ter certeza absoluta. Eu estou falando isso, isso tem um peso indescritível. Esse trabalho é um peso indescritível porque muitas vezes o governante até esquece, ou não recorda totalmente, das reuniões que participa, a gente anota tudo. Pelo menos eu anoto tudo e tal. Mas a gente não esquece esse tipo de abordagem que vocês disseram que estão fazendo. Não esquece! Pode ter certeza disso. Então eu acho que isso ajuda, nesse âmbito do Executivo, fazer esse tipo de “pressão”, no bom sentido. E também nos espaços institucionais da Secretaria, não só no Departamento de Recursos Humanos, mas na Secretaria que cuida disto porque as demandas que vocês trazem aqui elas são demandas, na minha opinião... eu tenho irmão que é dentista também, meu irmão mais novo, em Santa Catarina, até fiz esse comentário aqui anteriormente. Então eu acho justa as reivindicações que vocês trazem aqui. E não são reinvindicações fora de um contexto, de uma realidade, de um estado que tem orçamento de quase 200 bilhões de reais ao ano. É o segundo orçamento do Brasil, do Poder Público do Brasil, ficando só atrás do orçamento federal, do orçamento da União. Então não vejo problemas. Eu quero trazer aqui a nossa posição da bancada do PT em solidariedade, em apoio. E obviamente, em compromisso de buscar junto com vocês os demais colegas das outras bancadas, avançar de forma significativa naquilo que vocês estão trazendo aqui de forma antecipada, inclusive. Podem ter certeza, eu não sei em que vamos avançar, mas nós podemos garantir aqui para vocês que nós vamos batalhar, nós vamos lutar junto com vocês para todos fazerem esse projeto, avançar o máximo possível e, de preferência, obviamente, dentro daquilo que os senhores e as senhoras estão trazendo para nós e estão também discutindo com o Executivo. Então é a nossa solidariedade, o nosso apoio, e o compromisso de continuarmos juntos nessa batalha, nessa trajetória, que a gente possa ter esse plano aprovado ainda neste ano, conforme já dito aqui pelos expositores anteriores. Então muito obrigado e parabéns pela iniciativa. 19 O SR. PRESIDENTE CARLOS NEDER – PT – Agradeço a participação do deputado Gerson Bittencourt. Em seguida, passo a palavra à deputada Heroílma Tavares. A SRA. HEROÍLMA SOARES – PTB – Boa tarde a todos. Quero ser breve. Estão me chamando para fazer quórum aqui. Eu faço parte de uma CPI, já está começando, mas eu não poderia de deixar de falar aqui, gente, como é importante esse momento. Também quero cumprimentar à mesa, como a doutora ficou nervosa; doutora, todas nós ficamos nervosas aqui. Dizer para vocês como é importante essa reivindicação de todos vocês, parabenizar o momento desse, como foi dito aqui pelo meu colega, o deputado Gerson, a importância de cada um que estão aqui, não só vocês, profissionais da área, mas nós, deputados. Eu acho que aqui não tem partido, deputado. Eu sou PTB, mas eu acredito que o meu líder aqui não está. Mas com certeza o meu colega aqui do partido vai estar falando após a minha fala, e vai fazer, com certeza, mais menção da importância dessa reivindicação de vocês, equipara, sim, eu não sou dentista, como o senhor acabou de dizer, tem um irmão que é dentista. Mas nós sabemos a valorização da classe. E acredito que do que depender de mim, da deputada Heroílma, juntamente com a minha bancada, nós vamos estar apoiando quando aqui chegar. Como foi dito para senhora, o tempo que foi dito que estaria tomando algumas providências, e que fique atento à reivindicações de vocês, que seja o mais rápido possível. Então estou à disposição de cada um, e dizer, aproveitar aqui o ensejo, como a nossa deputada Telma de Souza, presidente da Comissão da Saúde falou, a questão que aconteceu com a mãe dela. Aproveito aqui o momento e digo para vocês, exatamente agora dia 20 de agosto faz dois anos que eu tirei um tumor, eu não sei exatamente o nome, mas não sei do que lá do acústico, e foi através do exame feito com o meu dentista, se eu me recordo o nome, um pedido que ele me fez, uma tomografia com a boca aberta e com a boca fechada. Acho que foi exatamente com esse exame que foi pedido pelo meu dentista. Já tinha ido no otorrino, já tinha ido em vários outros médicos, profissionais e ninguém descobriu. Então foi através do exame do meu dentista que foi descoberto esse tumor. Estava com dois centímetros por 1,70. Infelizmente, como disse, agora dia 20 de 20 agosto faz dois anos que eu retirei esse tumor. Infelizmente, perdi a audição do lado esquerdo, perdi totalmente, ressecou as minhas lágrimas do olho esquerdo. Praticamente, infelizmente, estou perdendo a visão do lado esquerdo. E foi através de um profissional, como vocês, que descobriu que eu poderia, infelizmente, perder várias outras funções. Então eu estou aqui exatamente, como disse, para apoiar no que for possível como deputada. Gente, uma boa tarde a todos. Peço desculpa, mas tenho que me ausentar. Boa sorte para todos vocês. O SR. PRESIDENTE CARLOS NEDER – PT – Obrigado, deputada Heroílma Tavares, uma lutadora. Sempre presente, assídua a todos os trabalhos da Comissão e nós queremos aqui, hipotecar a nossa solidariedade, sempre acompanhando e torcendo para uma pronta recuperação da deputada. Antes de conceder a palavra ao deputado Adriano Diogo, eu informo que nós estamos abrindo cinco inscrições, inicialmente, do plenário. Então o pessoal do auxílio à mesa pode já estar registrando os primeiros pedidos. Deputado Adriano Diogo. O SR. ADRIANO DIOGO – PT – Boa tarde. Eu queria cumprimentá-lo, deputado Neder, por solicitar essa audiência tão importante, tão bem organizada pelo Dr. Manfredini, seu grande amigo, seu grande colega e todas as entidades do setor público nessa luta pela equiparação dos cirurgiões da área de odontologia aos cirurgiões médicos. O que eu tenho a dizer nessa breve saudação, antes das intervenções, é que o governo do estado de São Paulo tem uma enorme dificuldade em se relacionar com a Assembleia Legislativa e com a sociedade. Infelizmente, apesar da paralisia e desídia dessa dinastia que governa o estado de São Paulo desde 1983, com diferentes governantes, é a mesma escola. E apesar da inércia, eles se acostumaram tanto com o poder, que infelizmente nós temos muito pouco a oferecer para o nosso povo aqui em São Paulo. Eu sinto vergonha, em um estado tão importante ser dirigido por gente que não tem a mínima apetência para o setor público. Recentemente, eles fizeram aprovar um projeto de lei aqui que praticamente põe na mão das organizações sociais toda a 21 área de saúde, toda área do Iamspe e outras áreas importantes, como gestão de parques estaduais, toda Fundação Casa. Então, como diz o ditado popular, eles querem entregar tudo, tudo, tudo, para a iniciativa privada. Então eu admiro demais esse esforço, confesso que é um período difícil esse segundo semestre, mas o importante é não perder a esperança, continuar circulando com essa tenacidade que o Manfredini tem, com essa capacidade de organização e todos os seus colegas. Parabéns, e estamos aqui para apoiá-los. Obrigado. O SR. PRESIDENTE CARLOS NEDER – PT – Obrigado, deputado Adriano Diogo, uma referência na luta pelo Sistema Único de Saúde, e já como vereador, durante muito tempo, acompanhou esse debate e a importância de nós termos uma ação do Poder Público mais adequada nessa questão dos direitos trabalhistas e de uma igualdade maior. Sobretudo considerando o pessoal de nível superior. Vocês sabem que o trabalho de vocês vai demandar ações de outras categorias profissionais. Mas isso está previsto e o fato de nós caminharmos para o atendimento entre cirurgiões dentistas e médicos não impede que outras categorias o façam também. Eu vou passar a palavra agora ao deputado Luciano Batista, e depois nós teremos as intervenções do plenário. O SR. LUCIANO BATISTA – PTB – Obrigado, presidente Carlos Neder; deputado Gerson Bittencourt; deputado Adriano Diogo. Senhores colegas da mesa. Senhoras e meus senhores. Companheiro Braz. Eu queria rapidamente, presidente, só para colaborar. Eu gostei muito de todas as falas, mas eu queria pegar aqui um gancho na fala do deputado Gerson Bittencourt, que de fato a pressão, no bom sentido, em cima dos governantes será importante para o sucesso desse projeto. É uma pressão que terá que ser feita diuturnamente, é uma luta que não vai ser fácil de se conseguir o resultado positivo, mas é possível, é possível, sim, se nós nos mobilizarmos, se a categoria conseguir juntar mais, fazer reuniões regionais, audiências regionais, procurar todos os deputados, todos os 94 deputados e deputadas 22 que compõem essa Casa de leis, além do pessoal do governo, para que possamos juntos, fazer essa pressão positiva. A luta é muito justa, não há o que falar, não é? Só quem passa por um dentista que sabe como é que é o sufoco do medo. A Medicina Odontológica está, talvez, mais avançada do que as outras Medicinas. Hoje você reconstrói uma boca de maneira absurda. Bucomaxilo. Então os tratamentos odontológicos estão super avançados. E eu queria deixar uma dica, nós precisamos descobrir aqui quem é o dentista do governador, porque a gente poderia pedir para ele nos ajudar. Na hora que o Alckmin deitar na cadeira, na poltrona que ele ligar o motorzinho, ele já cobra o governador, “governador, não é uma boa ideia?”, “a propósito, governador, nós precisamos da sua ajuda”. A dentista da Lu Alckmin também. É para ajudar. Não é para fazer uma anestesia errada, não. É só para ajudar, de fato, a fazer uma pressão, uma pressão no bom sentido para que ele compreenda e faça os estudos necessários. Inclusive, nós podemos até fazer aqui o estudo impacto, o impacto financeiro de quanto vai custar isso. O deputado Gerson falou do orçamento do estado, 200 bilhões de reais, então é um orçamento grande, mas nós temos que estar organizado, mostrar para o governador, “olha, o impacto é esse, vai dar um impacto de X% no orçamento. Totalmente possível”. Então nós temos que nos organizarmos para obter sucesso. É uma caminhada, eu diria, homeopática. É longa. Mas eu acho que o sucesso é iminente. Basta a gente acreditar e todo mundo se empenhar. Não da para deixar só para regional da capital, para regional lá da baixada. Tem que todo mundo se mobilizar, chamar os outros dentistas para participarem; as dentistas. Todo mundo que está no meio da odontologia aí poder participar. Eu acho que o sucesso é possível, sim. E eu, modestamente, posso ajudá-los com o meu voto, com a minha persistência, falando, conversando, falando com os deputados do meu partido, de outros partidos, para que a gente possa juntar forças e aprovar. Aprovamos tantos projetos importantes aqui, de outras categorias que equipararam os salários, tantas! Ano passado eu acho que foram oito ou nove em 2013, categorias que a gente conseguiu ajustar o plano de cargos e salários. Então, vai ser mais uma, mas a união vai fazer realmente a força. Contem conosco. 23 O SR. PRESIDENTE CARLOS NEDER – PT – Obrigado, deputado. Deputado Luciano Batista, a Vossa Excelência fica incumbida de descobrir quem é o dentista do governador. Nós temos aqui vários municípios representados e eu solicitei ao Marco Manfredini, segundo ele me informa, temos Presidente Prudente, São José do Rio Preto, Santos, Caraguatatuba, São Paulo, Guarulhos. Esquecemos de alguém ou não? São Roque. Então vamos completar a lista aqui para mostrar a representatividade dessa reunião. Claro que todos gostariam de se pronunciar, eu pedi, inicialmente, cinco inscrições, vieram sete, mas nós temos que administrar o tempo também, porque nós temos sessão no plenário. Eu vou, inicialmente, passar a palavra à Dr. Elenita. Então nós estamos incluindo aqui também São Roque, Mogi das Cruzes, Osasco, Jundiaí. A SRA. ELENITA – Boa tarde. Eu vou me identificar e dizer por que eu estou aqui, além da solidariedade a vocês. É o seguinte, eu sou médica do Hospital do Servidor Público e eu já sou meio jurássica porque eu tenho muitos anos de Hospital do Servidor Público Estadual. E fui por duas vezes presidente da Associação Médica do Hospital do Servidor. Inclusive, quando foi criada a primeira carreira médica. E nessa primeira carreira médica, quando era presidente da Associação Médica do Iamspe, nós conseguimos a inclusão dos dentistas do Hospital do Servidor. Foram os primeiros a serem equiparados aos médicos. Em seguida, foram os do Hospital das Clínicas, dois meses depois, e a partir daí, os médicos do estado. Então eu tenho esse histórico do qual eu fui testemunha, e eu trouxe esse histórico aqui e como ele é mais ou menos curto, eu vou pedir para pedir para ler em vez de eu me estender muito. Que é o seguinte, vou pôr os óculos, não esqueçam que eu sou jurássica. O SR. PRESIDENTE CARLOS NEDER – PT – Dr. Elenita, caso queira se sentar para fazer a leitura... 24 A SRA. ELENITA – Eu não preciso. Olha só, eu coloquei isso e vocês vão ver que isso aqui tem uma feição um pouco mais interna porque este histórico eu entreguei há um ano e quatro meses atrás ao superintendente do Iamspe, assim que foi decretada a lei de 2013. Imediatamente nós fomos, junto com a Associação dos Médicos, Dr. Otelo ali, entregar isto, por isso tem essa feição mais interna do Iamspe, mas diz respeito a todos, que é o seguinte, no segundo semestre de 1983, no governo André Franco Montoro, por determinação do então secretário de planejamento da época, José Serra, foi criada uma comissão para elaborar carreira médica do estado de São Paulo. Desta comissão, faziam parte seu chefe de gabinete Paulo Renato, já falecido, o representante do Secretário da Saúde, João Iunes, os funcionários do Núcleo de Planejamento da então Secretaria de Administração, antes da Secretaria de Gestão, representantes de entidades médicas de São Paulo, sindicato dos médicos, CRM; Associação dos Médicos do Iamspe; Associação dos Médicos do Hospital das Clínicas e alguns deputados estaduais, entre eles, guardem isso, o governador Geraldo Alckmin, fazia parte daquela comissão. A conclusão dos trabalhos da referida comissão culminou com a criação da carreira médica no estado de São Paulo, através da lei complementar, eu não vou citar o número das leis porque fica chata, da lei tal que está aqui, eu vou deixar esse histórico com vocês. Da lei tal, aprovada pela Assembleia Legislativa e promulgada pelo governador da época, André Franco Montoro, em 6 de janeiro de 1984, na sequência, foi publicado o decreto para poder instituir as séries de carreira. No intervalo entre a publicação da lei complementar e daquele decreto, a Associação dos Médicos do Iamspe e a Associação Médica do HC levaram em conjunto ao governo do estado a justa demanda sobre a inclusão da carreira médica dos cirurgiões bucomaxilofaciais das duas instituições, sob o argumento e demonstração efetiva de que tanto o Iamspe, quanto no HC, esses profissionais exerciam as mesmas funções e atividades dos demais cirurgiões contemplados na carreira, por exemplo, quando no pronto socorro era atendido um paciente acidentado com lesões graves de cabeça e face, o seu atendimento era feito conjuntamente pelos cirurgiões de neurocirurgia, cabeça e pescoço e bucomaxilofacial. Da mesma forma, esses últimos, participavam das cirurgias oncológicas mutiladoras da face e arcada dentária, bem como plano de reconstrução das mesmas. Como resultado dessa discussão, por isonomia e fazendo-lhes justiça, os cirurgiões 25 bucomaxilofaciais foram incluídos na carreira médica. Os do Iamspe, no próprio decreto, 21.953, de fevereiro de 1984, e os do HC, através da resolução 2759, da Reitoria da Universidade de São Paulo, em 4 de setembro. Quer dizer, os do Iamspe foram os primeiros. Foi em 10 de fevereiro de 1984. Após a publicação desse decreto do Iamspe, foi instituído pelo seu então superintendente da época, chama-se Dr. Sérgio Trevisan, uma comissão interna para promover enquadramento dos profissionais contemplados por aquela lei nas respectivas classes de médicos 1, 2, 3 e 4 e de cirurgião bucomaxilofacial 1, 2, 3 e 4. O que foi feito no decorrer daquele ano, desde o enquadramento nas respectivas classes, a remuneração salarial e gratificações de ambas as classes se correspondiam, e os seus valores eram rigorosamente os mesmos. Esta situação perdurou pacificamente e jamais foi alterada ou questionada até janeiro deste ano, que é 2013, quando foi alterada pela interpretação da nova lei. Não havia sido modificada nem mesmo após e na vigência de uma lei recente que tinha acontecido que regulamentou as atividades dos plantões médicos e odontológicos. Foi mantido no âmbito da Secretaria da Saúde e nas autarquias. A nova lei da carreira médica promulgada em 2013, no seu conteúdo, ou nas disposições transitórias, não revoga especificamente esta situação de direito adquirido de quase 30 anos. E consequentemente, no nosso entender, a inclusão dos cirurgiões bucomaxilofaciais no seu contexto precisaria apenas de um decreto específico e isso para o Iamspe. E para os demais, no âmbito do estado e das outras secretarias, um decreto específico para todos ou a modificação da lei. Esta providência reconheceria, sem dúvida, a natureza igualitária de funções equivalentes e preservaria a situação de isonomia que sempre tivemos na nossa instituição, além de ser uma medida mais do que legítima e absolutamente justa. Observação: como representante da diretoria da Iamspe naquela época, participei da comissão que elaborou a lei dos médicos lá em 1983 e a seguir das discussões com o governo para inclusão dos cirurgiões bucomaxilofaciais na sua regulamentação. Segundo, posteriormente, fui designada naquela época pelo então superintendente para presidir a Comissão que elaborou o enquadramento de todos esses profissionais dentro das suas classes. 26 Então, eu quero trazer este testemunho porque eu tenho impressão que a hora que vocês fizerem essa lei, que vocês apresentarem esse projeto de lei, é necessário fazer, resgatar esse histórico, porque não foi do nada que isso surgiu. Isso surgiu há mais de 30 anos atrás. E não é possível que uma simples lei feita exatamente por um governador que participou da elaboração daquela lei lá atrás, 30 anos quando era deputado, vocês desapareçam dessa lei. E é preciso dizer que a lei não revoga, em nenhum lugar está revogado a presença dos cirurgiões dentistas na lei da carreira médica. Não revoga. Portanto, eu trago isso como uma contribuição e esperando profundamente que vocês tenham o maior sucesso. O SR. PRESIDENTE CARLOS NEDER – PT – Obrigado, Dr. Elenita. Agradeço a sua contribuição. Liderança histórica da Iamspe, tendo sido presidente. Vou propor à deputada Telma de Souza, na condição de presidente da Comissão que faça publicar em Diário Oficial ou a íntegra desse documento. Passo agora a palavra ao Dr. Braz. O SR. BRAZ ANTUNES MATTOS NETO – Boa tarde a todos. Eu gostaria de ser breve, mas não tenho como deixar de cumprimentar o presidente em exercício da sessão da audiência pública, deputado Carlos Neder, deputado Gerson, deputado Adriano, e o deputado meia esquerda lá do meu time, o Luciano Batista. E também a deputada Telma de Souza, que demonstrou um carinho porque o pai foi vereador junto com o meu pai, foi cassado. A mãe se elegeu junto com o meu pai. Então nós temos uma afinidade, uma relação muito boa, embora sempre estivemos em campos políticos diferentes, mas ela é uma pessoa que marcou época na história de Santos como a deputada que transformou a área de saúde. É só a gente olhar aí nos anais. Gostaria de representar as pessoas representantes da classe a qual eu pertenço, a Maria Ângela da APCD, o Manfredini, do CRO, o Sílvio Cecchetto da ABCD, e a Maria Lúcia dos funcionários daqui. E também fazer uma menção especial ao Jairo Corrêa, que está sentado aí na plateia, presidente da Sociedade Paulista de Ortodontia. Eu me sinto muito à vontade para falar e também queria dizer o motivo que eu vim aqui. Eu não sou funcionário público municipal e nem estadual e nem federal. 27 Entretanto, sofri muito com essa questão, quando vereador na cidade de Santos, com a questão da diferença salarial. Muitos prefeitos, e aqui eu falo do âmbito municipal, usam do artifício da produtividade para tirar a equiparação salarial em muitas cidades que já existem. Em Santos já aconteceu isso, eu lutei muito. Não conseguimos. Lá em São Vicente nós conseguimos com ajuda do Luciano Batista quando era presidente da Câmara e eu, presidente da APCD da Baixada Santista. Então isso é uma tônica. Esse desrespeito com a nossa classe. E a gente não aguenta mais mesmo porque é uma coisa já amplamente difundida. Eu gostaria até de pedir ao presidente Carlos Neder que esse depoimento de uma pessoa totalmente alheia à classe odontológica, que foi a deputada Heroílma, que fosse amplamente divulgado, porque ela deu um depoimento aqui muito forte, de uma doença séria, diagnosticada por um cirurgião dentista, isso demonstra a importância que nós temos na sociedade civil, a nossa profissão tem, a odontologia. E eu gostaria de dizer que em abril, mais ou menos, o Manfredini e o Cláudio Miyake me procuraram no sentido de ligar para o então deputado, secretario de gestão do governo Alckmin, Davi Zaia, na qual somos do mesmo partido e o projeto que nós estamos discutindo hoje estava na mão dele, na Secretaria a qual ele era o secretário, e para minha surpresa, eu acho que nossa também, um ponto positivo que o projeto partia do Executivo e não tinha vício de inconstitucionalidade. Entretanto, tinha muito vício de erros jurídicos e erros de redação legislativa, que eu, na realidade, não li o projeto, mas o Manfredini viu, o CRO esteve bem a par dessa situação. Eu estive hoje mais cedo, cheguei mais cedo aqui no gabinete do deputado, ele tem acesso à Secretaria, então esse projeto que o Manfredini falou, está na Secretaria de Saúde, na qual o Davi Zaia pertencia, para as correções pertinentes. Eu vim de Santos somente para hipotecar o meu apoio a vocês, eu não sou candidato a nada, fui vereador, mas a vocês que são funcionários públicos, porque quando se fala em odontologia, e eu tenho provas disso lá em Santos, eu esqueço o partido político, eu falo bem, defendo daqueles políticos que defendem a classe a qual eu pertenço, a qual eu tenho a honra de pertencer. Então eu só vim aqui para declinar o meu apoio a vocês, as entidades que estão defendendo, e dar o meu testemunho que isso é uma coisa complicada, mas eu queria, até os deputados sabem muito melhor, claro, eu fui vereador, não deputado, 28 mas o Manfredini falou uma coisa em detalhes que eu acho que os deputados poderiam nos ajudar a divulgar ou a trabalhar isso dentro da Assembleia, que já se comprometeram, todos que passaram por aqui, mas o importante, dia 30 de setembro é a entrega, a data máxima da lei orçamentária do estado de São Paulo. E que a entrega é o Poder Executivo, é o governador do estado. Lá ele vai sinalizar se realmente esse projeto é para valer ou se nós estamos vivendo um momento político eleitoral. Esse momento é um momento político eleitoral. E que não tem nada, como a deputada Telma falou, foi coincidência ao acaso, até porque não é um projeto dos deputados. Mas dia 30 de setembro é uma data que eu acho que a nossa categoria, Manfredini, Sílvio, Maria Lúcia, Maria Ângela, deveria divulgar muito maciçamente nas redes sociais, nos jornais, nas revistas, porque é uma forma também de mostrar que nós estamos atentos à data. Não adianta nada, depois o projeto e a Assembleia com a boa vontade dos deputados votarem favoravelmente e não tem verba no orçamento para isso. Então não vai dar em nada. Perdeu o nosso tempo aqui. Então depende muito agora do Executivo, do governador do estado colocar no orçamento o seu dedo, a sua verba, para que vocês sejam contemplados. Obrigado. O SR. PRESIDENTE CARLOS NEDER – PT – Obrigado, Dr. Braz Antunes. Quero anunciar a presença do deputado Alencar Santana, convidando-o a compor a mesa, se possível. Passo a palavra, em seguida, ao Dr. João Elísio. O SR. JOÃO ELÍSIO – Deputado Carlos Neder, boa tarde. Antes de mais nada, eu não sou doutor, eu sou apenas sociólogo. Boa tarde a todos. Enquanto representante da Associação dos Aposentados e Pensionistas da Assembleia Legislativa, e também quanto representante da Comissão Consultiva Mista do Iamspe, que recebeu na sua última reunião, o Dr. Fernando Regioli, que nos informou sobre a situação real do cirurgião dentista no Iamspe e também no estado de São Paulo. Então nós viemos aqui em solidariedade à luta de vocês. Por quê? Antes de mais nada, oficialmente, as nossas entidades são solidárias e no que for possível, vamos batalhar juntos. 29 Em segundo lugar, oficiosamente, eu sou irmão de cirurgião dentista e fui paciente do bucomaxilar do Iamspe, sofri uma cirurgia muito séria, e fui muito bem, obrigado. Nós que já passamos para aquela idade onde a terceira dentição é muito importante, hoje com implante, nós temos que cuidar muito da boca. Então nós estamos aqui representando entidades da Casa e dizendo que tudo que for necessário na luta a favor do cirurgião dentista é absolutamente necessária. É necessária porque é uma vergonha todos vocês terem tantos anos de trabalho, tantos anos de estudos, porque continuam estudando, vão até o fim da vida se especializando e não sendo valorizados pelo patrão, que é o governo do estado. Eu acho que é uma luta justa, necessária, e também o que foi dito aqui sobre o orçamento do estado que é importante que se trabalhe sobre isso aqui na Casa para que tenha o espaço necessário a essa reivindicação. É só isso. Falo em nome da Aspal e em nome da CCM e do Iamspe. Felicidade nessa luta é o que nós queremos. Boa tarde. O SR. PRESIDENTE CARLOS NEDER – PT – Obrigado, João Elíseo. Todos foram gravados aqui como doutores, então sinta-se doutor também, adepto à equiparação salarial. Dra. Alzira em seguida, e depois o Dr. Otelo, do Conselho Regional de Medicina. A SRA. ALZIRA – Boa tarde a todos e a todas. Muito obrigada pela oportunidade. Eu sou cirurgiã dentista municipalizada, eu sou concursada, como vários colegas meus, eu sou do concurso de 1989, alguns colegas que são do concurso depois de 1990, então muitos de nós já trabalhamos em torno de 15, 20 anos para o sistema SUS – Sistema Único de Saúde. Então o nosso trabalho é muito dedicado, é muito sério. Todos os profissionais foram concursados, portanto, se inteiram muito do Sistema Único de Saúde e toda essa dedicação por todos esses anos nunca nos foi, então, realmente valorizada. O nosso salário, atualmente, no nosso holerite, eu vou citar isso porque eu acho importante. Nós conversamos entre nós e é uma realidade. O nosso salário-base é R$736,12. Nós temos, depois, algumas gratificações, equiparações, que às vezes mudam de nome, às vezes, uns tem tal equiparação; outros, tem a gratificação. Outros mudam de nome e não tem. 30 Há, inclusive, diferença com os dentistas municipais. Há muita diferença com os dentistas das OS. Então há muita desvalorização para o cirurgião dentista do estado de São Paulo. Então nós somos concursados. Nós fazemos jus a isso. Então, planos de carreira nunca tiveram e não temos. As nossas gratificações que ficam sempre em haver, pelo que eu comuniquei, está breve, muitos de nós temos 15 a 20 anos de profissão. Como ficará a nossa aposentadoria com este salário-base? Então é a nossa interrogação e é isso que nós viemos, então, apoiar aqui nas nossas reivindicações. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE CARLOS NEDER – PT – Muito obrigado, Dra. Alzira. Ouviremos agora o Dr. Otelo, do Conselho Regional de Medicina. O SR. OTELO CHINO – Boa tarde a todos. Eu represento também o Sindicato dos Médicos de São Paulo. O que não é compreensível é essa evolução que aconteceu com os nossos companheiros dentistas. Quer dizer, é inacreditável que isso tinha acontecido. Nós fizemos uma discussão nessa carreira do estado que começou em 2011 com a promessa, já foi dito aqui, de que o dentista estaria incluído e quando foi lançada essa carreira foi demonstrada e lançada para a imprensa, o que se observou, na época o Dr. Emil Razuk estava presente, o dentista nem citado foi. Foi uma questão, eu achei, humilhante, em relação à essa nobre profissão. Então, eu sou daqueles que entendem que a saúde começa pela boca, e é pura verdade, porque tudo que tem depois começou lá em cima. Então não é possível que a gente não tenha isso. Sou também do Hospital do Servidor. A Dr. Elenita já fez um apanhado aqui bastante importante e profundo em relação ao que aconteceu. Eu participei daquela discussão também na formação da carreira. E hoje, de repente, a coisa desapareceu. Quer dizer, o que tinha, não foi retirado do escrito e, no entanto, não está valendo, não pagam aquilo que é mantido na lei. Então é uma coisa incompreensível. Não foi só no estado. Essa questão no estado é complicada, mas tivemos uma discussão mais atrás, na época da prefeita Marta Suplicy, que fez uma discussão importante em relação à discussão de carreira. Mas, infelizmente, o mandato 31 terminou. Ela fez as carreiras iniciais, que eram as que estavam mais necessitadas e quando chegou no nível superior, ela foi. A primeira coisa que o prefeito José Serra fez foi acabar com a mesa de negociação que a gente tinha. Acabou com a mesa de negociação. E daí foi de embrulho a carreira. Quer dizer, já foi dito aqui algumas circunstâncias dos nossos políticos, e a gente lamenta que isso acontece. Não da para isso continuar nesse mesmo trilho. Então, entendemos que essa questão tem que ser modificada, a luta tem o apoio integral dos médicos, nós apoiamos desde sempre. Eu participei dessa comissão que a gente se reuniu por praticamente um ano e meio, e de repente acabaram-se todas as discussões e depois engolimos todo aquele evento que o Dr. Emil Razuk estava presente e aconteceu o que aconteceu. Então, dentro da carreira do médico teve uma modificação recente agora, que acrescentou muito pouca coisa, perdeu-se uma série de vantagens que se tinha, os nossos dentistas do Iamspe eles perderam praticamente a possibilidade dos plantões, o plantão ficou lá no chão, e isso trouxe, realmente, uma deficiência salarial bastante importante com repercussões significativas. Dentro do Iamspe a gente tem uma postura que é dada pelo superintendente, o superintendente e outros, eles são contra a manutenção do corpo de dentista na Casa. Já foi dito aqui que eles faziam parte do atendimento de urgência e emergência, com uma situação que era ímpar no estado, poucos hospitais tinham essa estrutura, alguns da prefeitura do estado, mais um ou outro, mas que tinha essa estrutura de atendimento de urgência e emergência. Infelizmente, isso está mudado. O que eu queria comentar era isso, a gente lamenta que isso aconteça, pedimos aos deputados e que façam esse esforço concentrado, terá o nosso apoio, o Conselho de Medicina, o Sindicato dos Médicos também apoia nesse sentido e a Amiamspe nem precisa dizer, que estão no caminho dessa plena luta de valorização do serviço profissional do odontólogo, a gente chama de dentista. Eu não sei se vocês gostam disso, mas é aquela palavra antiga que significa tudo. E realmente é isso. Então é essa a questão. O SR. PRESIDENTE CARLOS NEDER – PT – Agradeço a participação, Dr. Otelo Chino. Importante a solidariedade médica à essa luta. Penúltimo inscrito, o Dr. Rubens Orlandi, que é o presidente da Associação Odontológica da Prefeitura do Município de São Paulo. 32 O SR. RUBENS ORLANDI – Senhores membros da mesa, deputados, Dr. Neder, presidente. Meus colegas. Nós, na prefeitura, estamos no fim de uma lutazinha, começo de outra; nós ficamos 15 anos brigando quando o Maluf criou o QPS e acabou com o cargo largo que tinha o mesma piso salarial para todo nível superior da saúde. Certo? Ele deu duas carreias a mais para o médico e o dentista. Na noite de votação passaram uma rasteira no dentista e o médico ficou as duas carreiras. Por quê? Porque o médico dentista e o médico veterinário são as carreiras de 20 horas, as outras carreiras são 30, 36, 40 horas. Certo? Então assim mesmo o dentista, que não é médico, e nem é psicólogo, nem é fisioterapeuta, ficou junto com as outras carreiras, mas com o mesmo piso salarial. Era uma porcaria, mas era o mesmo piso salarial, R$740, que é o que a menina está com ele até hoje aí. Nós conseguimos, depois, que o piso fosse para 900 e depois, com o Kassab, chegou a 1040. Mas, com o Serra, veio o plano de cargos e carreira e salário, eles deram valorização à carga-horária. Então, o cirurgião dentista, e eu disse isso para o secretário da saúde, ficou o lavador de banheiro da saúde, porque ele era J20, já estava ganhando 16% menos que o médico, passou a ganhar 40% menos que o médico e ganhar metade do farmacêutico. Farmacêutico era J40, teve 100% de aumento. Então, nós ficamos os miseráveis da saúde na prefeitura. O Kassab, para compensar isso, porque o Kassab, eu acho que todo mundo sabe, ele era tocado na saúde pelo Serra, e o Januário disse para nós, quando ele apresentou o plano de cargos e carreira, malfadado plano de cargos e carreira que destruiu a saúde, falou para Manfredini, eu e o Emil, “eu estou aqui por ordem do Serra para acabar com a saúde no funcionalismo público. 50% já é organizações sociais. E até o fim do mandato do Kassab, 100% será organizações sociais”, que iam colocar aquelas abas de assistência odontológica para todo mundo, fizeram uma roubalheira lá e aconteceu aquilo. Aquilo não foi implantado e a gente ficou naquela situação. O Kassab passou seis anos prometendo a nossa equiparação, em público, na APCD, no congresso da APCD, nos concursos de saúde bucal. Ele falava para público, quando ele recebeu a comenda Tiradentes, ele disse: “eu vou dar a equiparação”. E chegou no fim do mandato, ele colocou na lei orçamentária que poderá ser dada a equiparação, e não carimbou a verba como dizia o Manfredini para mim, “O Rubens não carimbou a verba”. Fui falar com o Emil, “não, o Rubens disse 33 que carimbou a verba”. A secretária da prefeitura de RH falou: “ele falou que carimbou? Então pode ter certeza que ele não carimbou, porque a ordem era não dar”. Nós levamos seis anos lutando e não conseguimos. Agora o prefeito atual já fez um concurso para a saúde. Quer dizer, acabar com a saúde só daqui 35 anos agora, porque vão entrar 1000 médicos, 200 cirurgiões dentistas. Então nós conseguimos com a nossa luta que não acabassem com o serviço público de odontologia e fosse só organizações sociais, porque se o Serra tivesse ganho, negócio ia acabar mesmo. O governo atual, eu não sou membro do PT e nem sou petista, ele é mais para o SUS do que as organizações sociais. Certo? Interessa para o funcionário público é o SUS. Interessa é que os funcionários sejam remunerados dignamente. E isso foi a palavra do secretário para nós: “queremos remunerar dignamente os funcionários da saúde”. Nós estamos tendo não é um plano de saúde, nós estamos tendo uma recomposição salarial, e nessa recomposição salarial no projeto inicial, não tem a nossa equiparação, nós continuamos no balaio do cargo largo ganhando menos que todo mundo. Mas essa recomposição salarial vem dar aos funcionários que estão na ativa, e aos que estão aposentados, aqueles penduricalhos que chama produtividade, gratificação de saúde, vai ser dado por subsídio, porque no orçamento da prefeitura não tem verba para dar aumento nunca, porque o seu Maluf fez descer para 40% a porcentagem que tinha para a saúde, quando era para 58 no tempo do Jânio. Então eu não sou contra o cargo largo, mas o cargo largo que o Jânio tinha dado. Nível superior 1, 2, 3, 4. A, B, C, D para todo mundo do nível superior da saúde. Piso salarial igual. Não é isonomia que nós pedimos. Nós pedimos equiparação. Equiparação é similar de carreira, não é ordenado que prejudica o cirurgião dentista. O que é horrível para gente é você ganhar menos que todo mundo porque houve uma valorização, nos ofereceram J40, “você quer fazer J40?”, “mas fazer J40 eu não posso, porque a minha carreira é J20, como é que eu vou fazer J40?”. Os meus colegas, para fazer J40, prestam dois concursos públicos e aí eles fazem J40. J20 mais J20. E passa a ganhar a partir daquele momento que fez o segundo concurso, o ordenado. Nós estávamos com 1044, porque conseguimos dois aumentos, saímos com 700. 34 Então, no nosso piso que vai mandar agora, tinha que ser maior do que foi anunciado para dentista e médico. Porque tinha sido anunciado para dentista até 2600, inicial de carreira. E para o médicos, um pouco mais, três e não sei quanto. E o nosso piso era 1044, como é que eles vão admitir os que entraram agora? Porque nós tínhamos 1044 e o Kassab deu 100% de produtividade para nós, como os médicos tinham. Os médicos tinham 100% de produtividade. E as outras carreiras, 40. Agora, quando eles nos apresentaram o plano, eles nos apresentaram o mesmo J20 e para as outras carreiras, eu falei, “e a produtividade nossa que era maior?”. E aí eles incluíram nesses que vão ser admitidos, a produtividade a mais e ficou com 3040, o inicial. Então nós conseguimos, nessa “brigaiada” de um ano e meio, três aumentos já. É que não tem mais. Agora já vai ser uma reunião e acabou. Então eu queria dar a minha solidariedade para o pessoal, mas atender para o fato que eles colocaram na LDO e não puseram a verba. Se vocês quiserem, tem que sair até 30 de setembro escrito no orçamento que tem uma verba de X, quando nós recebemos a produtividade a mais, saiu o decreto com a importância em dinheiro que ia ser dada, senão, não passa. Não tem validade legal. Certo? Novamente, a Associação está com vocês e a sua luta, a luta de vocês é a nossa. Nós começamos com essa briga aqui desde o tempo do Maluf. E vamos brigar até morrer, porque depois que for aprovado isso nós vamos continuar brigando pela equiparação, certo? E vamos fazer uma na prefeitura. O SR. PRESIDENTE CARLOS NEDER – PT – Obrigado, Dr. Rubens Orlandi. Parabéns por sua luta e de todos que acompanham, informando que o senhor participa também das mesas de negociação, não é isso? Em âmbito do município e do estado. Para nós encerarmos essa atividade, e respeitando o horário, eu passo a palavra ao deputado Alencar Santana e depois nós faremos alguns encaminhamentos. O SR. ALENCAR SANTANA BRAGA – PT – Obrigado, presidente. Eu só vou fazer, então, uma breve saudação. Cumprimentar a todos aqui presentes, cumprimentar o deputado Carlos Neder, presidente dessa audiência. Parabenizá-lo também pela iniciativa dela, eu acho um debate importante. 35 Cumprimentar os demais membros da mesa, provavelmente aqui representantes da categoria. Saudar o Graco, que é da Associação lá de Guarulhos, colega nosso que também faz a luta lá na cidade pela equiparação e valorização profissional dos cirurgiões dentistas. Estamos juntos, Graco, sabemos de toda sua luta lá. Eu acho que o corpo humano é um só, dentre ele, é constituído da boca. Se o médico recebe X por cuidar da saúde humana no seu serviço, é mais do que justo que profissional dentista tem sua equiparação. Afinal de contas, está cuidando do mesmo ser humano do que o profissional médico, de uma outra parte do corpo. Então a gente apoia a luta de vocês, de todos os profissionais. Eu acho que no estado de São Paulo, se vocês tiverem essa vitória, eu acho que vai ser uma vitória importante que com certeza depois terá efeitos nos municípios, que terão também que se adaptar, de uma certa maneira. A pressão provavelmente dos profissionais vão aumentar, os municípios, de uma certa maneira, vão ter que se adequar, o seu orçamento, toda sua situação financeira, se esse for o problema, para poder, de uma certa maneira, também fazer a devida comparação e por que não avançar também em um plano de carreira? Uma outra coisa importante que nós também temos que destacar que no caso do profissional dentista, qual a população que ele atende principalmente? É a população carente que muitas vezes, se não tiver, às vezes o atendimento do cirurgião dentista público, não consegue, em determinadas situações, ser atendido no consultório. Então isso também nós estamos lidando com a parcela da população a valorizar esses profissionais que precisa desse atendimento e de um bom atendimento. E essa população que acaba eventualmente, ao longo do tempo, se não tiver o devido atendimento, sofrer as consequências da saúde bucal. Então eu quero aqui, deputado Carlos Neder, presidente dessa Comissão, e a todos aqui presente, manifestar o nosso apoio da luta de vocês, naquilo que a gente puder ajudar estamos à disposição aqui na Assembleia. E no caso de Guarulhos, estamos lá sempre; o Graco batalhando e a gente tem conversado em diversas ocasiões e manifestado apoio. Mais uma vez aqui eu ratifico isso, Graco. Obrigado, eu não vou poder ficar no restante da audiência, eu vim de uma outra comissão, vou para uma outra agenda. Mas, enfim, está dado aqui o nosso apoio. Obrigado e parabéns. 36 O SR. PRESIDENTE CARLOS NEDER – PT – Obrigado, deputado Alencar Santana. Os demais deputados que aqui estiveram e se ausentaram em razão de outras comissões e do plenário, razão pela qual nós precisamos cumprir o horário de encerramento dessa audiência pública. Eu informo que tivemos a representação de 14 municípios, Presidente Prudente, São José do Rio Preto, Santos, Caraguatatuba, Guarulhos, São Vicente, Osasco, Jundiaí, Mogi das Cruzes, São Roque, Ribeirão Preto, Bauru, São Bernardo e São Paulo. Ainda falta Taubaté. O meu assessor aqui cometeu um pequeno deslize. Eu quero elogiar a atuação da Comissão de Cirurgiões Dentistas que organizou esse evento, com a participação das quatro entidades nominadas e outras que não compuseram a mesa. Agradecer a participação da Dra. Maria Lúcia, do Dr. Sílvio Cecchetto, Dr. Manfredini, da Dra. Maria Ângela. Informar que desde o dia 20 de março quando eu propus a realização dessa audiência pública por sugestão da Comissão, nós tivemos vários percalços, dificuldades na agenda, só cinco meses depois foi possível realizar essa audiência. E algumas dúvidas surgiram nesse caminho. Primeiro, se a realização de uma audiência pública dificultaria a tramitação do projeto no âmbito do Executivo. Eu acho que todos nós estamos convencidos de que foi acertada a decisão de fazer a audiência pública, de que em nada isso prejudica a tramitação do projeto e ao contrário, vocês conseguiram aqui, hoje, vários agentes políticos, deputados ou não, que se colocam também na mesma trincheira para que o projeto seja o mais rapidamente possível. Segundo, houve uma entidade, um sindicato, que lançou mão de um argumento estapafúrdio que a realização de uma audiência pública não poderia acontecer durante o período eleitoral, o que é uma bobagem. Cabe ao parlamento estadual realizar debates públicos como este aqui, ouvindo a sociedade civil e nós não podemos confundir atribuições do Poder Executivo e do Poder Legislativo. Poder Legislativo tem a obrigação de mesmo no período eleitoral, no exercício da plenitude dos mandatos, de ouvir, por iniciativa de deputados, por iniciativa de comissões ou mesmo de plenário, a sociedade, os setores interessados, para o aprimoramento do marco legal existente, por exemplo, na questão trazida aqui pelas senhoras e senhores. 37 Por outro lado, o Poder Executivo pode, sim, dar reajuste durante o período eleitoral desde que não suplante, desde que não exceda, desde que não vá além da variação inflacionária no período. Portanto, o que ele não pode dar nesse momento são ganhos reais de salários porque isso poderia caracterizar uma ação no sentido de interferir, de influenciar no resultado das eleições. Mas recompor, repor perdas salariais é perfeitamente possível. E de qualquer forma, o que nós estamos discutindo aqui não é nenhuma solução imediata, nós estamos pedindo que se agilizem os procedimentos para que o projeto de lei saia, finalmente, da Secretaria de Estado da Saúde e seja encaminhado pelo atual governador para Assembleia Legislativa, lembrando que o seu mandato permite que ainda neste ano o projeto de lei seja encaminhado e que se o projeto for encaminhado em regime de urgência, ele tem uma tramitação muito rápida e certamente vocês contarão com o apoio da Assembleia Legislativa. A deputada Telma de Souza, à medida em que as intervenções foram sendo feitas, fez um resumo das sugestões. Nós tomaremos as providencias correspondentes a todas as sugestões feitas. Eu quero informar que as notas taquigráficas desta sessão estão à disposição de todas as entidades que aqui participaram, bem como o material produzido pela TV Assembleia. E aqui foram gravados depoimentos, foram gravadas intervenções do plenário. E, portanto, as entidades dos cirurgiões dentistas, odontológicas e médicas, entre outras, tem toda a liberdade em tornar públicas as intervenções mesmo no chamado período eleitoral, porque aqui nós tivemos um ato legítimo da Assembleia Legislativa, e não há nada que impeça a divulgação daquilo que foi aqui discutido. Portanto, na foi uma atividade clandestina. Por fim, eu gostaria de informar que haverá uma reunião da Comissão dos Cirurgiões Dentistas e demais entidades interessadas na próxima segunda-feira, dia 25 de agosto, 17h:00, na sede do Conselho Regional de Odontologia. Avenida Paulista, 688, no sétimo andar. Pergunto aos componentes da mesa se há mais algum informe a ser dado. O SR. MARCO MANFREDINI – Eu queria, em nome das entidades e da representação presente, mais uma vez manifestar o nosso apreço pelo esforço que foi desenvolvido, inicialmente, pelo deputado Carlos Neder e depois por vários outros parlamentares dessa Casa. 38 A presença de 10 deputados estaduais aqui hoje deve ser saudada. Nós temos certeza também que os deputados que por ventura não puderam comparecer pessoalmente, mas estão inteirados da nossa causa. E eu acho que uma questão muito importante é a necessidade da nossa unidade na luta. Então eu acho que a forma como esse movimento vem sendo construído, com a participação horizontalizada, respeitando as pessoas que dele participam, ela mostra, efetivamente, que sem luta e sem organização os avanços sociais não são conseguidos. E eu queria sugerir que a gente pudesse até, ao término dessa atividade, realizar uma foto conjunta da mesa, com todas as pessoas que estão aqui na tarde de hoje. Até porque eu entendo, deputado Neder, que quando nós realizamos o nosso ato público na Avenida Paulista no dia 5 de junho, haviam muitas dúvidas também. E o ato público saiu. Quando nós discutíamos se faríamos ou não a reunião, está aqui o Daniel na minha frente. Nós também tivemos a dúvida e a reunião foi um sucesso. Mais de 100 colegas presentes, 10 deputados estaduais em um período que a gente sabe que a Casa encontra-se em um período pré-eleitoral. Então eu queria saudar vocês, cirurgiões dentistas, que vieram na tarde de hoje. Vocês são a razão da nossa luta. E podem contar que junto conosco a gente vai conseguir essa vitória. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE CARLOS NEDER – PT – Muito obrigado, Dr. Marco Manfredini. O SR. SÍLVIO JORGE CECCHETTO – É só quero registrar os nossos agradecimentos, deputado Carlos Neder. A deputada Telma, que é de Santos. Braz, lembrando que há questão de dois meses tivemos a campanha de exame precoce ao câncer bucal em aproximadamente 100 pacientes. Isso é valorização da odontologia, mais de 100 pacientes examinados. Mais de 10 casos de lesões pré-cancerígenas encaminhadas às universidades. Então, fica aí registrado a importância do cirurgião dentista no cuidado na saúde da população. Espero que as nossas autoridades vejam com carinho, com responsabilidade, o que a odontologia, o que os nossos cirurgiões dentistas merecem. Muito obrigado. 39 O SR. PRESIDENTE CARLOS NEDER – PT – Muito obrigado. Maria Lúcia? A SRA. MARIA LÚCIA PORTES – Eu queria agradecer a presença de todos. Desculpem o meu nervoso na hora do discurso. Só queria dizer o seguinte, que caso a gente não consiga alterar os detalhezinhos da lei que a gente está querendo alterar, a nossa luta não vai parar por aqui. A nossa ideia, se a gente não conseguir reverter os 10% dos municipalizados, se a gente não conseguir a revisão dos aposentados, pena que o nosso colega médico já saiu, mas nós queremos nos unir aos médicos para, juntos, podermos batalhar com 10%. A gente não vai deixar os municipalizados de lado. Muito obrigado. O SR. PRESIDENTE CARLOS NEDER – PT – Muito obrigado. Parabéns a todos os cirurgiões dentistas. Nós estamos encerrando a audiência pública. A SRA. – É só uma sugestão rápida. A lei de responsabilidade fiscal diz que para haver qualquer equiparação salarial tem que haver o estudo do impacto econômico e financeiro. Então a sugestão é que a Comissão de Saúde possa fazer um requerimento pedindo esse estudo de impacto econômico e financeiro ao Executivo até porque quando vier inserida a verba no orçamento tem essa ideia. Porque sem a ideia do impacto econômico e financeiro não sabe o montante da verba, muito obrigado. O SR. PRESIDENTE CARLOS NEDER – PT – Muito obrigado. É obrigatório que o Poder Executivo faz-se acompanhar o projeto desse estudo. Mas de qualquer forma nós insistiremos para que ele não deixe de tomar essa providência. Então está encerrada a audiência... A SRA. – Desculpe, deputado. Só para complementar, já estão sendo feitos esses estudos. No início, quando o Dr. Davi Uip anunciou que a lei seria estudada ele falou em torno de 80 milhões. Só que quando nós fomos a última vez na Secretaria da Saúde, no RH, eles falaram que estariam sendo feitos esses estudos e que cada um tem um valor. Então é o salário-base, cada um tem a sua gratificação, tem o seu 40 quinquênio. Então eles estavam analisando um por um. Então esse estudo já está sendo feito. O SR. PRESIDENTE CARLOS NEDER – PT – Exatamente assim que se faz. A gente tem que analisar a situação de cada profissional e cada um implica em um valor diferenciado. Então nós vamos encerrar a audiência pública e atendendo a sugestão do Marco Manfredini, faremos uma foto aqui com todos que queiram participar, inclusive, poderíamos trazer essas faixas muito elucidativas feitas por vocês. Muito obrigado. * * *