XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE, Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006
A associação de idéias, por parte de trabalhadores, à implementação
de sistemas de informação do tipo ERP: evidências empíricas
Elizabeth Castelo Branco (UECE) [email protected]
Raquel Viana Gondim (UECE/FANOR) [email protected]
Francisco Roberto F. Guimarães Júnior (UECE/UFC) [email protected]
Samuel Façanha Câmara (UECE) [email protected]
Resumo
Sistemas de informação podem ser definido como um conjunto de componentes que se interrelacionam com o propósito de coletar, manipular, processar e disseminar dados e
informações e fornecer mecanismo de feedback, visando ao atendimento dos objetivos
organizacionais. O objetivo desta pesquisa é entender o processo de associação de idéias na
implementação de sistemas de informação do tipo Enterprise Resource Planning (ERP) por
parte dos trabalhadores de uma indústria alimentícia de médio porte localizada no Nordeste
do Brasil. A metodologia desta pesquisa é do tipo exploratória, bibliográfica e survey. O
instrumento de coleta de dados utilizado foi um questionário semi-estruturado, contendo
perguntas abertas e fechadas. Realizaram-se dois pré-teste, onde se verificou a dificuldade de
compreensão das questões. Para o tratamento dos dados foi aplicada a análise fatorial. Os
resultados obtidos sugerem que, para esses trabalhadores, tanto há o predomínio da visão
reducionista, determinística e instrumental quanto à utilização do sistema, como a renúncia
de seu diálogo entre o processo de conhecer o seu instrumento de trabalho e o próprio
instrumento. Como conclusão, sugere-se que novas pesquisas objetivadas em identificar
quais os direcionadores de valor das empresas e como os sistemas ERP podem contribuir
para o crescimento e desenvolvimento destes, sejam feitas.
Palavras-chave: Trabalho; Sistemas Integrados; Sustentabilidade.
1. Introdução
As organizações, de uma forma geral, vêem intensificando o uso das tecnologias de
informação com o objetivo de elevar a produtividade e a eficácia de suas ações. Estas
tecnologias demandam das pessoas que as utilizam uma série de competências específicas e
provocam, normalmente, uma série de mudanças que merecem ser investigadas. Tais
mudanças se manifestam nos indivíduos, nos grupos, nas lideranças, nos processos e no
conhecimento técnico, exigindo novos perfis profissionais, num ritmo cada vez mais
acelerado.
Desta forma, o objetivo desta pesquisa é entender o processo de associação de idéias na
implementação de sistemas de informação do tipo Enterprise Resource Planning (ERP) por
parte dos trabalhadores de uma indústria alimentícia de médio porte localizada no Nordeste do
Brasil. Assim, o trabalho pode contribuir de forma significativa para compreender as
mudanças percebidas pelas pessoas que trabalham em empresas que implementam
sistemáticas que visam integrar as várias áreas da organização. Este processo tem tido como
suporte sistemas de informação, desenvolvidos a partir de um padrão para determinados
segmentos e projetados para contemplar as particularidades dos processos de cada empresa. A
fase de implementação dos sistemas integrados de gestão merece ser investigada, assim como
os fatores que a afetam, pois é nessa fase que ocorre o primeiro contato formalizado dos
funcionários com o sistema.
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2. Trabalho e tecnologia
De acordo com Lobato (2004, p. 1-2), “o trabalho humano, enquanto atividade criadora e
produtiva, é gerador de objetos, relações de produção, estratégias de sobrevivência, [...], e,
nesta concepção, ao trabalho é atribuído significado, conferindo identidade e sentido ao
homem”. O conceito de significado do trabalho, sistematizado pelo Meaning of Working
International Research Team (MOW), que nos anos 80 conduziu uma pesquisa em oito
países, envolve três grandes domínios: a centralidade do trabalho, os resultados e objetivos
valorizados do trabalho e as normas societais do trabalho. Ressalta-se, neste artigo, a
centralidade do trabalho que representa “o grau de importância geral que o trabalho possui na
vida do trabalhador” (BASTOS; PINHO; COSTA, 1995, p. 23). Segundo o MOW, a
centralidade do trabalho define-se como “uma crença geral acerca do valor do trabalho na
vida do indivíduo, constituindo-se de dois componentes teóricos: (a) valorativo, o trabalho
como o papel desempenhado na vida; (b) orientação para decisão sobre as esferas de vida
preferidas” (MOW, 1987 apud BASTOS; PINHO; COSTA, 1995, p. 23).
Nesta perspectiva, a introdução da tecnologia tem representado um aspecto significativo de
modificação na organização do trabalho, gerando mudanças paradigmáticas nas práticas
administrativas, ao longo da história (BETZ; KEYS; KHALIL; SMITH, 1997). Desde os anos
50, ocorrem alterações nos modelos de gestão, movidas pela oferta de inúmeros programas
para computador e ferramentas de comunicação, distribuídos internamente nas empresas
como meio de informação e controle.
Consideradas em conjunto, essas mudanças tecnológicas, em produtos e processos, inclusive
os ERP’s vêem, na lógica do sistema capitalista, para contribuir com o aumento da
produtividade nas organizações, constituindo-se em instrumento para viabilização do “sistema
de controle, pelo capital, sobre o processo de trabalho, em geral e sobre o trabalhador, em
particular” (FARIA, 2004a, p. 57). Os trabalhadores, de maneira gradual, desde o modelo
artesanal de produção, onde tinham total autonomia sobre o conteúdo de seus trabalhos, aos
modelos tayloristas e fordistas, vêem perdendo esse controle; é a apropriação do controle do
trabalho, pelo capital, “retirando-o das mãos do trabalhador” (FARIA, 2004b, p. 210). Os
trabalhadores tendem a aceitar esta situação como natural, concebendo-se como
“colaboradores que devem realizar suas tarefas como lhes é determinado” (FARIA, 2004c, p.
65). Este alheamento do trabalhador para com o conteúdo de seu trabalho pode afetar sua
subjetividade, causando-lhe sofrimento e alterações nas relações psicossociais que ocorrem
nas organizações (FARIA, 2004c), observados, também, nos estudos do MOW (1987) sobre o
trabalho humano enquanto objeto definidor da identidade e fundador da forma de se
posicionar e de se validar na sociedade (ARENDT, 1981 apud LOBATO, 2004).
3. Sistemas de informação e ERP’s integrados
Adotando a caracterização de Faria (2004a), entende-se por tecnologia a integração entre
tecnologia física e de gestão. Tecnologia física, por definição, é o “agregado de máquinas,
equipamentos, peças, instalações e métodos, geralmente informacionais, utilizados direta ou
indiretamente no processo produtivo” (FARIA, 2004a, p. 56), e tecnologia de gestão
compreende:
técnicas estratégicas de racionalização do trabalho; estudos de tempo e movimento;
disposição racional de máquinas e equipamentos na unidade produtiva; seqüência de
etapas de produção [...]; organização sistemas e métodos, [...] chamadas em seu
conjunto de técnicas de ordem instrumental (FARIA, 2004a, p. 54-55).
Com o avanço da Tecnologia da Informação (TI), fomentou-se, nas empresas, o uso de
sistemas computacionais como suporte às suas atividades. De uma maneira geral, vários
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sistemas são desenvolvidos para atender a requisitos específicos das diversas unidades de
negócio das empresas. A informação se apresenta nesse ambiente de maneira fragmentada,
dificultando a obtenção de informações consolidadas, podendo ocasionar inconsistência nos
dados, uma vez que estão armazenados em mais de um sistema (PITASSI; LEITÃO, 2002).
Sistema de informação em TI pode ser definido como um conjunto de componentes
(hardware, software, banco de dados, telecomunicações, rede, internet, pessoas e
procedimentos) que se inter-relacionam com o propósito de coletar, manipular, processar e
disseminar dados e informações, além de fornecer mecanismo de feedback, visando, em
conjunto, ao atendimento dos objetivos organizacionais (STAIR; REYNOLDS, 2002).
Segundo Laudon e Laudon (2001), um sistema de informação além de dar suporte ao processo
de tomada de decisões e controlar a organização, pode contribuir na análise de problemas,
visualização de assuntos complexos e criação de novos produtos. Para Davis e Olson (1985
apud CLEGG; HARDY; NORD, 2004, p. 320), sistemas de informação constituem-se em:
uma federação de subsistemas funcionais, cada um dividido em quatro importantes
componentes de processamento de informação: processamento da transação, apoio
ao sistema de informação e controle operacional, apoio ao sistema de informação e
controle gerencial e apoio ao sistema de informação de planejamento estratégico.
A partir da década de 1990, com a evolução do uso da TI nas organizações, surgiu um modelo
específico de sistemas, o sistema de informação integrado, denominado, inicialmente, pelo
Gartner Group como ERP (Enterprise Resource Planning). Este tipo de sistema é composto
por um conjunto de atividades executadas por um software multimodular, utilizado em
conjunto por membros de diferentes departamentos de uma mesma organização, cujas
funcionalidades suportam as atividades dos diversos processos de negócio das empresas
(SOUZA, 2000; TEIXERA JÚNIOR; OLIVEIRA, 2003), tendo como proposta o apoio à
tomada de decisão e resolução dos desafios empresariais
através da integração dos processos de negócios em uma única arquitetura integrada
de informação disponível, automaticamente, a todos que dela dependam, o que exige
mudanças na estrutura da organização, no processo de gerenciamento, na plataforma
tecnológica e na capacidade de negócios” (AUDY; ANDRADE; CIDRAL, 2005, p.
125).
A idéia central do modelo é o total controle sobre todas as operações das organizações
(SOUZA, 2000), que Faria (2004a), distingue enquanto ampliação do controle sobre o
processo de trabalho, por parte do capital; e de sua abrangência física, podendo estar com
muitos representantes do capital, dentro das organizações.
4. Implementação de ERP e mudanças na organização
A introdução e os avanços da tecnologia da informação, em particular de um sistema de
informação de gerenciamento dos processos, levaram as organizações a se defrontarem com
variadas mudanças. Percebe-se, na literatura ligada à TI, que as preocupações em torno destas
mudanças organizacionais são encaradas sob a ótica da razão instrumental e pelo paradigma
funcionalista (NEGROPONTE, 1995 apud PITASSI; LEITÃO, 2002), onde as
transformações superficiais de estrutura, comportamento e processos são mais relevantes que
as questões em torno de uma implementação de um sistema de informação. Estas
transformações podem acarretar para as organizações produtivas, a deformação da natureza da
informação, da linguagem e da comunicação (PITASSI; LEITÃO, 2002). A relação
determinística que o desenvolvimento da tecnologia, por si só, é capaz de transformar o
modelo de gestão das organizações pressupõe uma visão reducionista e equivocada da
percepção dos gestores sobre a “responsabilidade das organizações pela produção de um bemestar social e equilíbrio ecológico do planeta” (PITASSI; LEITÃO, 2002, p. 78).
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Para Davenport e Prusak (1998), a introdução de um sistema integrado de gestão em uma
organização implica em mudanças nos processos e na cultura da organização em relação à
informação que é compreendida como o “padrão de comportamento e atitudes que expressam
a orientação informacional de uma empresa” (DAVENPORT; PRUSAK, 1998, p. 110). Na
perspectiva de uma gestão em TI, o sujeito, na apreensão de uma nova realidade, está em
interação dialética com outros sujeitos e com aquilo a ser conhecido, no caso, o ERP
(LEFEBVRE, 1979 apud PITASSI; LEITÃO, 2002). Sob tal aspecto, as mudanças
possibilitadas por TI devem ser orientadas pela razão substantiva voltada a entender a
natureza e o ser humano, sendo, portanto, crítica (PITASSI; LEITÃO, 2002). É da relação
dialética entre o sujeito que elabora o pensamento e o objeto a ser apreendido, que à TI será
dada a condição de atuar responsavelmente a serviço da organização e da sociedade,
utilizando-se do conhecimento acumulado da humanidade e, não limitada a uma capacidade
de coleta, armazenamento, interpretação e compartilhamento de informações (PITASSI;
LEITÃO, 2002; AUDY; ANDRADE; CIDRAL, 2005).
5. Metodologia da Pesquisa
A metodologia deste trabalho é do tipo exploratória, pois o trabalho foi desenvolvido no
sentido de proporcionar uma visão geral do objeto de estudo (GIL, 1999). Quanto aos
procedimentos é uma pesquisa do tipo bibliográfica, isto é, explica-se o problema a partir de
referenciais teóricos já publicados (livros e artigos científicos) (GIL, 1999) e survey, a qual
Rigsby (1987, p. 49) diz que “os investigadores que realizam a pesquisa tipo survey coletam
seus dados através de respostas a questões predeterminadas feitas a maioria ou a todos os
sujeitos de pesquisa”.
O instrumento de coleta de dados utilizado foi um questionário semi-estruturado contendo
perguntas abertas e fechadas. Foram realizados dois pré-testes: um com 40 alunos da
disciplina de Sistemas de Informação do curso de Administração de uma faculdade privada e
outro com 6 especialistas da área, onde se verificou a dificuldade de compreensão das
questões. O questionário é compreendido de três grupos de questões. O primeiro, por meio de
questões fechadas, propõe um gradiente, na percepção de dos trabalhadores, da relação que as
127 palavras ou expressões extraídas da literatura têm com o sistema; o segundo, composto
das questões abertas, visando a identificação dos dez constructos que mais se relacionam com
o sistema e o dez menos se relacionados, além de abrir um espaço para, se necessário, o
respondente acrescentar palavras ou expressões que não aparecem na lista, mas que, na sua
visão, relacionam-se com a implementação do sistema; o terceiro, é formado por perguntas
relacionadas às características gerais dos respondentes (gênero, idade, escolaridade, setor que
trabalha na empresa, função que exerce, tempo de empresa e tempo de uso do sistema).
Para o tratamento dos dados foi aplicada a análise fatorial: uma técnica estatística de análise
multivariada para redução e sumarização de dados. A análise fatorial é uma técnica que faz
parte do conjunto de métodos estatísticos que tem como objetivo estudar as relações de
interdependência que existem entre um conjunto de variáveis ou indivíduos (AAKER;
KUMAR; DAY, 2004). Segundo Hair Jr. et al (2005), pode haver um grande número de
variáveis, sendo a maioria delas correlacionadas, e que devem ser reduzidas a um nível
gerenciável. Com a análise fatorial, estudaram-se as relações entre as variáveis da pesquisa,
representando-as em termos de fatores fundamentais (HAIR JR. et al, 2005).
Esta pesquisa foi realizada em uma indústria alimentícia de médio porte localizada no Distrito
Industrial da cidade de Eusébio CE, e teve como critério de amostragem a amostra por
conveniência, onde os elementos da população são selecionados conforme a sua
disponibilidade para o estudo, ou por conveniência do pesquisador (CORRAR; TEÓPHILO,
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2004).
6. Análise dos dados e interpretação dos resultados
A principal inferência estatística a ser observada na análise fatorial é a medida de
adequacidade de Kaiser-Meyer-Olkin (KMO): índice usado para avaliar a adequacidade da
análise fatorial. O valor do índice KMO varia dentro do intervalo fechado de 0,0 a 1,0. A
análise fatorial é apropriada, se 0,5 ≤ KMO ≤ 1,0. Valores de KMO < 0,5 indicam que a
análise fatorial pode ser inadequada. Após a avaliação do KMO, observa-se o teste de
esfericidade de Bartlett, que é uma estatística usada para examinar a hipótese de que as
variáveis não sejam correlacionadas na população, ou seja, verifica a inexistência de
multicolinearidade. A análise deste teste é através do valor da significância, onde os valores
Sig. ≤ 0,05 são apropriados. (HAIR JR. et al, 2005). A Tabela 1 apresenta essas estatísticas.
KMO e teste de esfericidade de Bartlett
Medida de adequacidade de Kaiser-Meyer-Olkin
Teste de
esfericidade
de Bartlett
0,610141
Qui-quadrado
332,586
Grau de liberdade
210
Sig.
1,42E-07
Fonte: Cálculo dos autores.
Tabela 1 – Medida de adequacidade e teste de esfericidade
Através destes resultados, verifica-se que a análise fatorial feita é adequada e confiável, pois o
valor da estatística KMO = 0,61 (> 0,5) e a significância do teste de esfericidade = 1,42 x 10-7
(< 0,05). Confirmada a adequacidade e a significância da análise, parte-se para a
identificação, análise e interpretação dos fatores extraídos. Ao todo foram extraídos 14
fatores, capazes de explicar 75% da variância total. As Tabelas 2, 3 e 4 mostram os fatores
extraídos com suas respectivas variáveis explicativas. Os números que se encontram ao lado
das variáveis são suas cargas rotadas, as quais facilitam a análise e interpretação destes.
1
Eficiência no Trabalho
DINAMICIDADE
0,885200
SISTEMA
0,850287
VELOCIDADE
0,806605
TRABALHO
0,731879
REESTRUTURAÇÃO 0,712887
ESTRUTURA
0,674302
INDEPENDÊNCIA
0,668399
DECISÃO
0,650513
FATORES EXTRAÍDOS
2
Trabalho em Equipe
COOPERAÇÃO
0,775008
SOLUÇÃO
0,749955
MODELO
0,636382
RELACIONAMENTO 0,626338
INFORMAÇÃO
0,609855
MÉTODO
0,601724
TRANSFORMAÇÃO
0,600701
INTERAÇÃO
0,591408
3
Retorno do Invest. em TI
VEICULO COMUNIC. 0,865953
RED. BARREIRAS
0,813474
MELH. CONTÍNUA
0,807634
VANT. COMPETIT.
0,795589
BENEFÍCIO
0,625810
RETORNO
0,558860
CAPITAL
0,532100
DEMOC. INFORM.
0,480886
4
Conformação no trabalho
STRESS
0,756299
DESGASTE
0,743733
SACRIFÍCIO
0,721573
PRISÃO
0,678326
TURBULÊNCIA
0,677789
CONFLITO
0,660199
OBEDIÊNCIA
0,550591
5
Conflito de Interesses
PROMESSA
0,739309
IMPREVISIBILIDADE 0,706227
ACOMODAÇÃO
0,664926
COMODIDADE
0,661432
INCERTEZA
0,568491
ENTRAVES
0,549673
SUTILEZA
0,516366
6
Eficiência da Informação
EFICIÊNCIA
0,816788
USABILIDADE
0,659151
DEMOC. INFORM.
0,653046
INSTRUMENTO
0,594030
PROJEÇÃO
0,567763
DISSEMINAÇÃO
0,557891
NOVOS MÉTODOS
0,515883
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IMPACTO
0,497846
Fonte: Cálculo dos autores.
FRUSTRAÇÃO
0,469588
SIG. COMPART.
0,503813
Tabela 2 – Fatores extraídos através da análise fatorial
7
Eficácia do Sistema
CICLO
0,692350
VARIEDADE
0,673226
LIB. PESSOAS
0,615281
ELEMENTO
0,578892
SIMPLICIDADE
0,534095
DECISÃO
0,445519
ENTRAVES
0,403163
NOVAS IDÉIAS
0,391540
10
Espraiamento do Controle
FLEXIBILIDADE
0,691233
FACILIDADE
0,608266
MANIPULAÇÃO
0,568209
APRENDIZAGEM
0,557482
SIMPLICIDADE
0,467578
NOVAS IDÉIAS
0,327289
DIALOGO
0,321175
COMPREENSÃO
0,306747
Fonte: Cálculo dos autores.
FATORES EXTRAÍDOS (continuação)
8
9
Lucro e Controle
Sublimação
AGREG. VALOR
0,709035
CONFORTO
MONITORAMENTO
0,667736
AGENTE
COMPLEXIDADE
0,630312
NECESSIDADE
REDUÇ. DE CUSTO
0,541591
ADOÇÃO
INSTRUMENTO
0,536340
ABERTURA
REVOLUÇÃO
0,417684
FLUXO
VANT. COMPETIT.
0,407170
MUNDO NOVO
LUCRO
0,399254
ESCOLHA
11
Mudança Organizacional
INTEGRAÇÃO
0,753908
INOVAÇÃO
0,749570
DIALOGO
0,633306
REVOLUÇÃO
0,483489
ESTABILIDADE
0,465438
MUDANÇA
0,438245
SISTEMA
0,378836
SIG. COMPART.
0,370203
0,750592
0,692842
0,670434
0,654783
0,415142
0,412686
0,405253
0,394226
12
Sofrimento no Trabalho
OPRESSÃO
0,732455
INEFICIÊNCIA
0,658521
FRUSTRAÇÃO
0,449230
INTIMIDAÇÃO
0,433337
LIMITAÇÃO
0,425523
CONSCIÊNCIA
0,344469
CONVERGÊNCIA
0,277123
NOVAS IDÉIAS
0,265868
Tabela 3 – Fatores extraídos através da análise fatorial
FATORES EXTRAÍDOS (continuação)
13
14
Instituição de Novo Padrão
Controle
PADRONIZAÇÃO
0,610534
CONFIABILIDADE
VINCULO
0,556401
PARTICIPAÇÃO
MÉTODO
0,518148
AUTONOMIA
PADRÃO
0,415074
REGRAS
NOVAS IDÉIAS
0,338456
ESTABILIDADE
METAMORFOSE
0,328222
RETORNO
MECANISMO
0,325684
PROCESSO
HARMONIA
0,321528
INFORMAÇÃO
Fonte: Cálculo dos autores.
0,781972
0,382305
0,379403
0,331993
0,330909
0,327318
0,309134
0,299402
Tabela 4 – Fatores extraídos através da análise fatorial
Os nomes atribuídos aos fatores foram sugeridos pelos autores, interligando e interpretando o
significado dos 8 constructos que compõe cada fator, apreendidos pela associação, por parte
dos trabalhadores, das idéias relacionadas à implementação do sistema ERP na empresa X.
Observa-se que, de acordo com o agrupamento das variáveis e pela compreensão qualitativa
das relações sugeridas por estes 14 fatores, um reagrupamento destes em 5 grupos de
categorias parece emergir.
Para esses trabalhadores, os fatores que emergiram indicam que a implementação do sistema
ERP possibilitou uma melhoria qualitativa no desempenho de suas atividades, a qual foi
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identificada com o surgimento dos fatores: (1) Eficiência no trabalho; (2) Trabalho em equipe;
(6) Eficiência da informação. Um segundo grupo, formado pelos fatores (3) Retorno do
investimento em TI e (7) Eficácia do sistema, sugere a compreensão de que, para esses
trabalhadores, o sistema ERP é, também, eficaz e justifica-se enquanto investimento em
tecnologia da informação, por conta dos retornos auferidos nas variáveis: veículo de
comunicação, redução de barreiras, vantagem competitiva, benefício e retorno no fator (3).
Um terceiro grupo de fatores sugere a emergência da categoria controle, podendo significar
que os trabalhadores entendem que o ERP amplia as possibilidades de controle da
administração da empresa, mas também, que os trabalhadores podem controlar uns aos outros,
no desenvolvimento de suas atividades, aumentando a confiança interna no trabalho, sugerida
pelo valor da carga da variável confiabilidade. Esta percepção se deu pela observação dos
fatores: (8) Lucro e controle; (10) Espraiamento do controle; (14) Controle.
Um quarto grupo de fatores parece sugerir a ocorrência de um processo de aculturação dos
funcionários, percebido através dos fatores (11) Mudança organizacional e (13) Instituição de
novos padrões, pois estes indicam o surgimento de novas rotinas aplicadas no desempenho
das atividades com o apoio do sistema ERP, representadas pelas variáveis: integração,
inovação, mudança, padronização, vínculo, método e padrão. Os fatores relacionados no
quinto grupo sugerem a emergência da categoria Sofrimento no Trabalho, percebida pelos
fatores: (4) Conformação no trabalho; (5) Conflito de interesses; (9) Sublimação e (12)
Sofrimento no trabalho.
Comparando a análise feita das palavras ou expressões extraídas da literatura com a
identificação dos principais constructos, feita pelos funcionários, verifica-se que, o sistema
ERP, quando de sua implementação na empresa, transforma sua essência, uma vez que este,
segundo os funcionários, agrega valor ao trabalho e “às pessoas”. Estas assertivas parecem ir
ao encontro do que afirma Orlikowski (1992 apud CLEGG; HARDY; NORD, 2004, p. 326),
sobre a personalização assumida pela tecnologia: “a tecnologia é produto da ação humana (...)
[mas], uma vez desenvolvida e desdobrada, a tecnologia tende a se tornar personalizada e
institucionalizada, perdendo sua conexão com os agentes humanos que a construíram e lhe
conferiram significado”.
7. Considerações finais
Da análise fatorial das respostas dos questionários emergiram 14 fatores. Estes foram
agrupados em 5 grupos afins. A partir de uma visão macro destes 5 grupos, pode-se sintetizálos em 2 grandes grupos por assuntos relacionados. As respostas obtidas da compreensão dos
trabalhadores das palavras e expressões relacionadas à implementação do sistema ERP na
empresa X sugerem a existência de fatores inibidores na organização advindos da análise dos
dois grupos de fatores.
No primeiro grande grupo, formado pela união dos grupos 1, 2 e 3, estão relacionados os
fatores que representam a posição do indivíduo na perspectiva do alinhamento estratégico da
organização em relação ao ERP. Idéias como o retorno do investimento, lucro, controle da
informação e do trabalho, eficácia e eficiência do sistema demonstram que há o predomino da
visão reducionista, determinística e instrumental quanto à utilização do sistema pelos
trabalhadores. O segundo grande grupo, composto pelos grupos 4 e 5, apresenta os fatores
relacionados ao impacto percebido pelos indivíduos da organização quanto à “nova”
ferramenta de trabalho. Os trabalhadores parecem demonstrar nas suas associações de idéias
uma passiva compreensão da necessidade do controle da informação para o seu bem-estar e o
da organização. A mudança ocorrida com a implementação do ERP converge a uma questão
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de adaptação. Assim, os fatores do segundo grupo sugerem que o indivíduo, no processo de
adaptação a TI, renuncie seu diálogo dialético (LEFEBVRE, 1979 apud PITASSI; LEITÃO,
2002) entre o processo de conhecer o seu instrumento de trabalho e o próprio instrumento.
Estes fatores inibidores resultam do confronto do primeiro e segundo grupo. Tais fatores são
decorrentes da modificação aparente do comportamento dos trabalhadores para se adequarem
à expectativa da organização, onde a aceitação do ERP representa uma pseudo-garantia da
empregabilidade no mercado. A crença de que o ERP implantado é a solução redentora dos
problemas da empresa pode ser representada nos conflitos entre os objetivos dos indivíduos e
os da empresa sugerindo que a conformação, o sofrimento e a sublimação do trabalho no
espaço produtivo são sentimentos camuflados no discurso organizacional.
Então, visto que a tecnologia da informação é amplamente acessível, de fácil replicação e
adaptação e, no que se refere ao capital humano, recurso que gera valor agregado, estes
sistemas não permitem uma resposta que direcione valor de longo prazo, como as empresas
podem manter vantagem competitiva e duradoura embasada nesta tecnologia? Sugere-se que
novas pesquisas objetivadas em identificar quais os direcionadores de valor das empresas e
como os sistemas ERP podem contribuir para o crescimento e desenvolvimento destes
direcionadores, sejam feitas.
Referências
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