.e UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE – UERN CAMPUS AVANÇADO PROF.ª MARIA ELISA DE ALBUQUERQUE MAIA- CAMEAM DEPARTAMENTO DE ECONOMIA - DEC ANA CLECIA DE QUEIROZ FERNANDES A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS EM PAU DOS FERROS/RN: ASPECTOS ESPACIAIS, IMPASSES E CONTROVÉRSIAS. PAU DOS FERROS 2014 ANA CLECIA DE QUEIROZ FERNANDES A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS EM PAU DOS FERROS/RN: ASPECTOS ESPACIAIS, IMPASSES E CONTROVÉRSIAS. Monografia apresentada ao Departamento de Economia (DEC), do Campus Avançado Prof.ª Maria Elisa de Albuquerque Maia (CAMEAM), da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), como requisito para conclusão do Curso de Ciências Econômicas. Orientadora: Profª. Me. Sousa Barreto Silva. PAU DOS FERROS 2014 Franciclézia de Catalogação da Publicação na Fonte. Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. – - - - Bibliotecária: Elaine Paiva de Assunção CRB 15 / 492 ANA CLECIA DE QUEIROZ FERNANDES TERMO DE APROVAÇÃO A QUESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS EM PAU DOS FERROS/RN: ASPECTOS ESPACIAIS, IMPASSES E CONTROVÉRSIAS. Monografia apresentada ao Departamento de Economia (DEC), do Campus Avançado Prof.ª Maria Elisa de Albuquerque Maia (CAMEAM), da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), como requisito para conclusão do Curso de Ciências Econômicas. Aprovada em: ____/____/____ BANCA EXAMINADORA _______________________________________________ Profª. Ma. Franciclézia de Sousa Barreto Silva Presidente da Banca _______________________________________________ Prof. Me. Flaubert Fernandes Torquato Lopes Membro da Banca ___________________________________________ Profª. Ma. Sidnéia Maia de Oliveira Rêgo Membro da Banca ________________________________________________ Ana Clecia de Queiroz Fernandes Orientanda DEDICATÓRIA Ao meu porto seguro (Família), pelo Apoio, Compreensão e Dedicação. AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar a Deus, pela Força, Foco e Fé. A Professora e orientadora, Franciclézia de Souza Barreto Silva, em primeiro lugar pela paciência, empenho e dedicação diante dos ensinamentos, e auxílio importante na discussão do trabalho, dosando as críticas com comentários de incentivo. À minha família; Maria das Neves de Queiroz Fernandes, Francisco de Assis Fernandes Bessa, (meus pais), Ana Cleide de Queiroz Fernandes, Ana Cláudia de Queiroz Fernandes (minhas irmãs), pelas palavras de motivação, força e carinho dedicados cada dia de minha vida. Aos meus cunhados e a colega de trabalho Damares Gonçalves pela generosidade e solidariedade. Aos meus amigos, da faculdade presentes nas horas boas e ruins, Ana Paula, Ana Valéria, Audene Peixoto, Graça Moreira, Rafaela Sonally, Francisco Filho, José Alves e todos os professores do curso de Ciência Econômicas, cada um teve seu papel de suma importância quanto aos ensinamentos aplicados durante todo esse tempo de aprendizado. Enfim agradeço a todos àqueles que estiveram diretamente ou indiretamente ligados com a realização desse trabalho monográfico. O meu muito OBRIGADA! Ana Clécia de Queiroz Fernandes “O Lixo é como um Diamante de diversas faces” (Pólita Gonçalves) FERNANDES, A. C. Q. A questão dos resíduos sólidos em Pau dos Ferros/RN: aspectos espaciais, impasses e controvérsias. Pau dos Ferros, 2014, 76 p. Monografia (Bacharelado em Ciências Econômicas). Departamento de Economia. “ b ” Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). RESUMO O trabalho aborda a problemática dos resíduos sólidos urbanos, os aspectos espaciais, impasses e controvérsias na cidade de Pau dos Ferros/RN. Ao longo dos anos a referida cidade tem sido observada em crescimento, tanto populacional, quanto espacial e de influência, na medida em que abrange e mobiliza uma população flutuante advinda de diversas cidades circunvizinhas. Ao mesmo tempo em que cresce, Pau dos Ferros incorpora problemáticas vivenciadas por cidades grandes, entre as existentes cita-se: a grande produção de resíduos e seu desfecho inadequado. Tal realidade interfere nas condições do meio ambiente e na qualidade de vida da população flutuante. A pesquisa foi embasada teoricamente em autores que contribuíram com a temática proposta, a saber: a questão dos resíduos sólidos, produção, consumo e descarte. Trata-se de um estudo de caso, que se subsidiou em pesquisa bibliográfica, por permitir o contato do pesquisador com o principal assunto da pesquisa, e em trabalho de campo. O estudo caracteriza-se também como exploratório e descritivo, por descrever aspectos de uma localidade em crescimento e de sua população. A pesquisa revelou diversos problemas, envolvendo aspectos econômicos, ambientais e sociais, estes últimos a partir da constatação das condições de trabalho dos coletores e catadores de materiais reciclados na cidade. Foi possível também averiguar o trato dado pelos órgãos públicos à problemática, a exemplo da Prefeitura Municipal, percebeu-se que os desafios são enormes e que as ações desenvolvidas ainda se encontram no nível do discurso. Palavras-chave: Resíduos sólidos; Gerenciamento; Coletores e Catadores. FERNANDES, A. C. Q. The subject of the solid residues in Pau dos Ferros/RN: space aspects, impasses and controversies. Pau dos Ferros, 2014, 76 p. Monograph (Baccalaureate in Economical Sciences). Department of Economy. Advanced Campus "Profª Maria Elisa of Albuquerque Maia" (CAMEAM), of the University of the State of Rio Grande do Norte (UERN). ABSTRACT The work approaches the problem of the urban solid residues, the space aspects, impasses and controversies in the city of Pau dos Ferros/RN. Along the years referred her city has been observed in growth, so much population, as space and of influence, in the measure in that it includes and it mobilizes a population flotation arising of several adjacent cities. At the same time in that it grows, Pau dos Ferros incorporates problems lived by big cities, among the existent ones it is mentioned: the great production of residues and his/her inadequate ending. Such reality interferes in the conditions of the environment and in the quality of life of the flotation population. The research was based theoretically in authors that contributed with the theme proposal, to know: the subject of the solid residues, production, consumption and discard. It is treated of a case study, that it was subsidized in bibliographical research, for allowing the researcher's contact with the main subject of the research, and in field work. The study is also characterized as exploratory and descriptive, for describing aspects of a place in growth and its population. The research revealed several problems, involving economic aspects, environmental and social, these last ones starting from the verification of the conditions of work of the collectors and scavengers of materials recycled in the city. It was possible also to discover the treatment given by the public organs to the problem, to example of the Municipal City hall, it was noticed that the challenges are enormous and that the actions developed meet still in the level of the speech. Word-key: Solid residues; Administration; Collectors and Scavengers. LISTA DE FOTOGRAFIAS Fotografia 01 / Fotografia 02 - Pau dos Ferros/RN: Coletores de Resíduos Domiciliares Urbanos ................................................................................................ 43 Fotografia 03 / Fotografia 04 - Pau dos Ferros/RN: Coleta de Resíduos Domiciliares Urbanos ................................................................................................ 45 Fotografias 05, 06, 07, 08 - Pau dos Ferros/RN: Resíduos acumulados nos Bairros, Manoel Domingos, Princesinha do Oeste, Centro e Nações Unidas ........................ 48 Fotografia 09 - Pau dos Ferros/RN: Diferentes tipos de resíduos acumulados no lixão ........................................................................................................................... 49 Fotografia 10 - Pau dos Ferros/RN: Lixão da cidade ............................................... 50 Fotografia 11 - Pau dos Ferros/RN: Realidade dos Catadores de materiais recicláveis no lixão da cidade .................................................................................... 52 Fotografia 12 - Pau dos Ferros/RN: Foto dos Catadores de materiais recicláveis, em meio à realização de suas atividades ........................................................................ 53 Fotografia 13 - Pau dos Ferros/RN: Catadores da Associação, separando os materiais recicláveis .................................................................................................. 58 Fotografia 14 - Pau dos Ferros/RN: Resíduos recicláveis, de um dia de trabalho separados e acondicionados ..................................................................................... 59 Fotografia 15 - Pau dos Ferros/RN: Resíduos sólidos de saúde - RSS ................... 60 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 01- Faixa etária dos catadores de materiais recicláveis .............................. 54 Gráfico 02 - Nível de escolaridade dos catadores de materiais recicláveis .............. 55 LISTA DE MAPAS Mapa 01 - Iniciativa de coleta seletiva nos municípios em 2012 - regiões e Brasil ... 34 LISTA DE TABELAS Tabela 01 - Geração de resíduos sólidos urbanos – RSU ........................................ 23 Tabela 02 - Quantidades de municípios por tipo de destinação adotada em 2012... 25 Tabela 03 - Coleta e geração de resíduos sólidos urbanos no Estado do Rio Grande do Norte .................................................................................................................... 42 Tabela 04 - Transportes usados na coleta dos RSU na cidade de Pau dos Ferros.. 47 Tabela 05 - Estado civil dos catadores de resíduos sólidos ..................................... 54 Tabela 06 - Tempo que os coletores exercem a atividade ....................................... 55 Tabela 07 - Faixa de renda familiar, incluindo todos os rendimentos existentes ...... 56 LISTA DE SIGLAS ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas ABRELPE – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária CL – Coletores de Lixo CNEN- Comissão Nacional de Energia Nuclear CNUMAD- Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento EPI´s - Equipamento de Proteção Individual IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística NR – Norma Regulamentadora ONU- Organização das Nações Unidas PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente RCD – Resíduos de Construção e Demolição RS – Resíduos Sólidos RSI – Resíduos Sólidos Industriais RSS – Resíduos de Serviços de Saúde RSU – Resíduos Sólidos Urbanos SEMARH – Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos SEINFRA – Secretaria de Infraestrutura SINMETRO – Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial SISNAMA – Sistema Nacional do Meio Ambiente SNVS – Sistema Nacional de Vigilância Sanitária SUASA – Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 14 2 RESÍDUOS SÓLIDOS: PRODUÇÃO, CONSUMO E DESCARTE ....................... 18 3 GESTÃO E GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NO BRASIL E A POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS – PNRS ..................................... 28 4 ASPECTOS ESPACIAIS DO GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NA CIDADE DE PAU DOS FERROS - EM BUSCA DA APREENSÃO DO OBJETO DE ESTUDO ................................................................................................................... 36 4.1 PAU DOS FERROS: DINÂMICA URBANA E SUA EXPANSÃO ...................... 36 4.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA................................... 39 4.3 RESULTADOS E DISCUSSÕES ........................................................................ 41 4.3.1 Aspectos da produção, coleta, transporte e desfecho final dos resíduos urbanos ..................................................................................................................... 41 4.3.2 Perfil dos catadores de produtos recicláveis: revelando aspectos no âmbito social ........................................................................................................................ 52 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 62 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 65 APÊNDICES ANEXO 14 1 INTRODUÇÃO O processo de industrialização associado à concentração demográfica nas cidades ao longo de décadas tem acarretado certos desdobramentos, entre os quais é possível citar o ritmo de urbanização das cidades, hoje mais acentuado. Sposito “ (2004, p. 57) com os países não industrializados, ou em início de industrialização, seus produtos ” de maior va relações de troca. Nesse ínterim, o desenvolvimento capitalista e os inúmeros ‘ b ’ b rápida industrialização contribuíram para que o lixo urbano se tornasse um problema, agravado pela lógica do modo de produção capitalista, hoje sob bases de um consumo “ ” problemas relacionados à forma inadequada de disposição dos resíduos urbanos gerados nas cidades. No mundo cuja população ultrapassa os 7 bilhões de habitantes, maioria que vive nos grandes centros urbanos, questionamentos em torno dos impactos da crescente urbanização, surgem pertinentemente. Esse crescimento urbano agregado ao desenvolvimento das tecnologias e as diversidades de produtos nos mercados mundiais tem impulsionado a produção de resíduos. É muito lixo sendo produzido e essa temática vem sendo discutida com frequência em virtude dos sérios problemas sociais, ambientais, econômicos e sanitários decorrentes. Na sociedade contemporânea as pessoas compram coisas que necessariamente não precisam. Considerando a pouca durabilidade, são jogadas rapidamente no lixo e destinadas a lixões muitas vezes a céu aberto. Grandes quantidades de lixo são geradas diariamente, e esses resíduos precisam ser acondicionados, coletados, transportados de forma adequada para que haja assim um menor dano ao meio ambiente e ao homem. Essa é mais uma das contradições existentes na sociedade moderna, desenvolver e/ou criar soluções apropriadas para a destinação de seus rejeitos. E esse tem sido um dos grandes desafios das administrações públicas na atualidade. Os serviços de limpeza pública urbana são de responsabilidade das prefeituras, assim como a destinação adequada aos Resíduos Sólidos Urbanos – RSU. No entanto, a sociedade tem que se conscientizar quanto à separação dos 15 seus resíduos domiciliares. Gonçalves (2003, p.20) aborda que o lixo não é apenas “ tudo aquilo que não presta, x há não desperdício, da separação na fonte e do fomento à cadeia produtiva da ” x a classificação, considerando “[ ] recicláveis (ou reutilizáveis) aqueles resíduos que constituem interesse de transformação, que possuem mercado ou processo que viabilize sua ” Diante disso, a problemática dos resíduos sólidos urbanos envolve não somente o lado econômico e ambiental, mas integra, também, o fator social quando se constata que existem pessoas sobrevivendo do que recolhem e vendem dos lixões, aquilo que é descartado, divide muitas vezes o mesmo espaço com os animais, sujeiras, fumaças, entre outros. A Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), regulamentada em dezembro de 2010, reúne um conjunto de diretrizes, metas e ações adotadas pelo Governo Federal. De acordo com a Lei 12.305, foram constituídos dois prazos para os Estados e Municípios propendendo à gestão integrada e o gerenciamento adequado dos resíduos sólidos: o primeiro foi a elaboração dos planos de gestão integrada, estadual, distrital e municipal, elaborada em 02 de agosto de 2012; e o segundo, trata-se do desfecho final ambientalmente adequado dos resíduos sólidos em aterros sanitários, implementação da coleta seletiva e da extinção dos lixões ou aterros controlados1, até 02 de agosto de 2014. (GESTÃO INTEGRADA DE RESÍDUOS SÓLIDOS, 2011). Diante do exposto, o presente trabalho se propõe a abordar a temática resíduos sólidos urbanos na cidade de Pau dos Ferros/RN. O objetivo é identificar e analisar a gestão integrada dos resíduos sólidos urbanos na cidade, no lócus da pesquisa, em meio às limitações existentes e diante dos desafios impostos pela Lei da Política Nacional dos Resíduos Sólidos – PNRS. Mais que isso, a pesquisa b õ x “ ” á á coleta e desfecho final dos resíduos, na medida em que busca averiguar o dia a dia dos agentes envolvidos, abordando com isso aspectos sociais e econômicos da atividade de coleta de resíduos na cidade. Ou seja, revelar os impasses e 1 Aterro controlado é uma forma de se confinar tecnicamente o lixo coletado sem poluir o ambiente externo, porém sem promover a coleta e o tratamento do chorume e a coleta e a queima do biogás. 16 controvérsias dos envolvidos desde a coleta de resíduos urbanos até seu desfecho final, as condições de trabalho dos coletores de resíduos domiciliares, bem como dos catadores de materiais recicláveis: os que participam da Associação e os que não fazem parte da mesma. Metodologicamente optou-se por se realizar pesquisa bibliográfica, documental e de campo. O estudo é embasado teoricamente em autores que contribuem com a temática proposta, citamos aqui as contribuições de: Minayo et al (2002); Gil (2007); Bezerra (2013); Giagomini Filho (2008); Gonçalves (2002, 2011), entre outros. Trata-se, portanto, de estudo de caso, cuja base inicial foi pesquisa bibliográfica e documental, por permitir o contato do pesquisador com o principal assunto da pesquisa e subsidia o trabalho de campo realizado e delimitado à cidade de Pau dos Ferros/RN. O trabalho caracteriza-se como exploratório e descritivo. Segundo Gil (2007), “ pesquisa exploratória tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, tornando-o x b ” Não é possível esquecer o caráter qualitativo da pesquisa, além de quantitativo. Segundo Minayo et al (2002, p. 21-22), “a pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado” Trabalha com o universo de significados, “[ ] motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis”. A pesquisa de campo será detalhada no momento em que forem expostos os procedimentos nela utilizados, em tópico específico. O trabalho no todo foi estruturado da seguinte forma: na introdução, expõe-se a problemática, objetivos, metodologia e estrutura do trabalho. Em seguida, são abordados os aspectos teóricos e conceituais sobre Resíduos Sólidos, bem como sua produção, consumo e descarte. Fez-se uso do embasamento conceitual bibliográfico, definido com base em material já elaborado em livros e artigos acadêmicos sobre o tema, aumentando o contato do pesquisador com o principal assunto da pesquisa, e melhoria em suas discussões dos resultados do trabalho em campo. 17 Na seção 3, aborda-se a gestão e o gerenciamento dos resíduos sólidos no Brasil, incluindo a implementação da Lei 12.305 da Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), implementada em 02 de agosto de 2010, especificando suas metas, diretrizes, objetivos e ações envolvidos no seu método de implantação do programa de coleta seletiva, em meio a suas limitações e desafios impostos diante dos impasses gerados em relação à produção de mais e mais resíduos numa sociedade de consumo. Na sequência, aborda-se a questão dos aspectos espaciais que envolvem os impasses e controvérsias quanto à gestão dos resíduos sólidos urbanos na cidade de Pau dos Ferros/RN, tópico específico direcionado a pesquisa de campo; nele se encontra a caracterização da cidade escolhida como lócus da pesquisa, os procedimentos metodológicos da pesquisa e os resultados e análise do trabalho de campo. Na etapa final, apresentam-se as considerações finais do estudo, síntese da problemática dos resíduos sólidos urbanos na cidade de Pau dos Ferros/RN, o que verdadeiramente se apreendeu desse estudo, os aspectos sociais econômicos e ambientais, os desafios impostos por essa problemática diante do atual contexto socioeconômico brasileiro. 18 2 RESÍDUOS SÓLIDOS: DEFINIÇÃO, PRODUÇÃO, CONSUMO E DESCARTE. “ x ” já constituía problemas, naquela época os homens eram nômades, habitavam em cavernas, viviam da caça da pesca, produziam suas vestimentas de peles de animais, mudavam de lugares constantemente e o principal motivo dessas mudanças era a busca por alimentos, os lixos deixados nessas locais eram poucos e eram rapidamente decomposto pela ação do tempo, diferentemente dos dias atuais. Com o avançar dos séculos os homens passaram a produzir suas próprias ferramentas de trabalho e a construir suas moradias, fixando-se aos poucos em determinados locais e, a produção de lixo foi se intensificando, mas ainda não causavam tantos impactos ambientais. Somente a partir da Revolução Industrial no século XVIII, é que os impactos ambientais se tornam mais visíveis, diante das inovações tecnológicas que surgem; o consumo cresce em função da produção de novos produtos e do próprio crescimento populacional, traços característicos da acumulação capitalista desde então. Assim sendo; A industrialização trouxe consigo materiais a serem descartados, assim como o aumento do consumo atrelado ao crescimento populacional gera também cada vez mais lixo para ser descartado. O fato de o homem existir traz consigo a existência do lixo na mesma proporção. O primeiro tipo de lixo que geramos é a fralda descartável que um dia usamos. Já nascemos gerando descarte (GRIPPI 2006. p.4). Portanto, é nítido que a partir da Revolução Industrial, agregada ao crescimento populacional, o mundo passa por uma reestruturação, e essa reestruturação torna-se responsável pelo impulso na produção de bens de consumo, intensificando a problemática da geração e descarte de Resíduos Sólidos (RS) no mundo. Segundo os termos da lei n. 12.305/10, as pessoas físicas e jurídicas, de direito públicos ou privadas são responsáveis direta ou indiretamente pela geração de resíduos sólidos, caracterizando a definição de resíduos sólidos, contida no artigo XVI, como; 19 Material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólidos ou semissólidos, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d´água, ou exijam para isso soluções técnicas ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível (MILARÉ, ÉDIS; MILARÉ, TAMER; FRANCO, 2012, p. 212). õ “[ ] muitas vezes chamados de lixo, sendo considerados pelos geradores como algo inútil, indesejável ou descartável; compõem, portanto os restos das atividades h ” (MANO; PACHECO; BONELLI, 2005, p.99). Poderíamos definir lixo de várias maneiras, comumente ouve-se falar de lixo como se fosse “ ú ” valor perante a sociedade, sujeiras, materiais que são jogados fora, ou melhor, no lixo, oriundos das atividades humanas. De acordo com Rodrigues e Cavinatto (2003, p. “ x x ” Recorrendo a uma linguagem técnica, os autores descrevem como “[...] sinônimo de resíduos sólidos e h ” â b discussão conceitual, é possível corroborar com Gonçalves (2003, p.19), quando ele afirma: “ x á x á . Todos os processos geram resíduos, desde o mais elementar processo metabólico de uma célula até o mais complexo processo de produção industrial ” Nesse ínterim, é importante destacar que a produção e o consumo estão “ interligados. Karl Marx (1859, p. 06) explica há o; mas sem consumo, também não há produção, pois, nesse caso, a produção seria ú ” j “ ao consumo a sua matéria, o seu objeto. Consumo sem objeto não é consumo; ” Marx (1859) ressalta também neste sentido, a p x “ consumo produtivo ou coletivo - o consumo individual, o consumo de luxo, embora se constitua, também, num tipo de consumo individual, extrapola as necessida bá ” Denotam-se, assim, traços do capitalismo de consumo que veem sendo postos a frente das economias de “ ” h . Em suma, a produção, motiva o consumo, culminando uma espécie de necessidade, de desejo e de relações de vontade procedentes da capacidade de consumo. Segundo 20 h 8 5 “ b b ” Nesse contexto verifica-se que quanto mais uma sociedade consume, maior será a produção de lixo, visto que, o consumo e o lixo estão interligados. Diante desse cenário surgem outros tipos de consumo; Consumo alienado, aquele influenciado pelas mídias e pela publicidade, são produzidos com intuito de convencer as pessoas a comprar determinados produtos. Consumo compulsório, é o tipo de consumo que as pessoas são obrigadas a realizar para satisfazer suas necessidades, seja por falta de dinheiro ou de alternativa. Consumo para o bem viver, ocorre quando as pessoas não se deixam levar pelas artimanhas publicitárias. Consumo solidário é aquele praticado em função não apenas do próprio bem estar social, mas também do bem viver coletivo. Consumo Crítico, aquele de origem em movimentos ecológicos e de defesa dos consumidores. Consumo Verde, àqueles que não agridam o meio ambiente. Consumo sustentável abrange ações individuais de consumo, mudanças políticas, econômicas e institucionais (GONÇALVES, 2011 p. 17-23). Vivencia-se uma cultura em que o consumo desenfreado, ou consumo extravagante, está associado a uma prática de ações desrespeitosas causadas por ações humanas e suas atitudes, em que os indivíduos ou grupos, são induzidos cada vez mais ao descarte de resíduos sólidos, acarretando efeitos negativos a sustentabilidade da vida no planeta. Frente a um consumismo exacerbado adotado h “ ” -se obsevado o agravamento de um dos maiores problemas da atualidade, o aumento contínuo e exagerado da quantidade de resíduos produzidos. Desse modo, Giacomini h 8 “ consumo quando distorcido gera o consumismo, que por sua vez, tem origem nas pessoas, influenciadas por ” De acordo com Giacomini Filho (2008): Consumismo refere“ ú ” á qualidade de compra ou pelo usufruir de bens, tornando-se inadequado aos indivíduos, à coletividade e aos padrões de sustentabilidade. Nesse sentido, o consumo pode ser caracterizado como conspícuo, supérfluo, fútil e prejudicial. O consumismo pode tronar-se alienante e mal direcionado na medida em que se desvia do sentido de consumo para atender propósitos legítimos (GIACOMINI FILHO 2008, p.73). 21 Tal problemática instiga os seguintes questionamentos: Das coisas que se compram, quais são realmente necessárias? Compra-se na maioria das vezes por impulsos desnecessários, porque somos estimulados/induzidos pela simples ilusão de que possuir certas coisas nos remete a felicidade e status, pela influência diária da propaganda? Na abordagem de Barbosa (2004, p. 07), “consumir, seja para fins de ‘ bá h ’ ‘ ’, é uma atividade presente em ” Sociedade de Consumo define-se como aquela na qual as pessoas compram produtos, isso difere do ato de consumo de produtos supérfluos, não necessários à subsistência. A esse último atribui-se o termo “ ” lgumas pessoas não compram por satisfação, mas sim por insatisfação, ansiedades, pelo prazer da compra, pensam no consumo final, h “ ”. Campbell (apud BARBOSA, 2004, p. 49), esclarece que “ -se primeiro, pelo lugar ocupado pela emoção e pelo desejo na nossa subjetividade, e á ” Ou seja, “o que caracteriza a ” sociedade de consumo é a instabilidade do acesso e direito de escolha, compram produtos de rápida descartabilidade. Trata-se de uma lógica da reprodução capitalista, cuja dinâmica tem se modificado ao longo dos anos e, tem sido guiada por processos produtivos f “ ” j durabilidade de tempo dos produtos, forma de dinamizar a produção e a circulação de mercadorias. O foco é: Intensificar o movimento de circuito produtivo, para que assim se possa aumentar a rapidez da produção de valores de troca. (ANTUNES, 1999, p.50). De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), em publicação conjunta com o Centro GRID-Arendal (Unep, 2006), A vida útil média de vários produtos está diminuindo. Cerca de 80% do que é fabricado é descartado em até seis meses após a produção. Os produtos contêm mais componentes de curta vida útil e estes em geral têm uma biodegrabilidade mais difícil do que antes. Tudo isso complica a forma como os produtos são processados quando se tornam resíduos (SILVA FILHO, 2012, cap.15, p.376). 22 Nessa “onda” de consumismo, os produtos que antes duravam muitos anos, hoje tem pouca durabilidade nas mãos do consumidor. Nesse ínterim, a questão da geração de lixo está diretamente vinculada ao incentivo do consumo, não existe mais o “consertar ”, vivenciamos a era do descartável, e é com o descartar que surge um dos problemas mais sérios e de fortes impactos ambientais. Abordando a temática Gonçalves (2011, p. 09) destaca que “ õ de produção e consumo estão cada vez mais insustentáveis, a julgar pelo nosso x x ” Segundo a abordagem e análise empreendida pela autora, conjectura-se a vivência de uma espécie de obsolescência programada, nome dado à vida curta de um bem ou produto projetado para funcionar apenas por um período reduzido. Trata-se de “[ ] 9 ” conhecidos com 9 Ç LV Packard (apud Giacomini Filho, 2008), explica que o conceito de obsolescência planejada nos anos 1960, por obsolescência de função, de qualidade e de desejabilidade: “[ ] por função, quando um produto melhor substitui outro; pela qualidade, quando o produto se quebra ou gasta em determinado prazo; e pela já desejabilidade, ” j qual for o termo adotado, fica claro que essa comunhão de visões de produção e consumo reflexos da expansão capitalista, contribui para a geração dos Resíduos “ ” Na descrição de Netto (2010, p. 2 “[ ] incorpora as características próprias da mercadoria no tardo-capitalismo: sua obsolescência b ” “sociedade do consumo” x inevitável, e as excessivas quantidades de resíduos gerados, constituem-se em um dos grandes problemas da sociedade moderna e que ameaça os espaços no planeta. ”[ ] h b é cada vez maior, causando desequilíbrio em seus ecossistemas, afetando, inclusive, a biodiversidade de espécies”. “ falta de avaliação de 23 impactos ambientais para a instalação de aterros contribui e omite este grave b ” Diante disso, O problema da geração de lixo está essencialmente agregado aos atuais modos de produção e consumo, uma espécie de causa e efeito que tenta desencadear o crescimento econômico, mesmo que programados ao processo consumista, onde tudo fica ultrapassado, antiquado, impróprio em um curto período de tempo tendo como consequências a enorme geração de resíduos. Nas áreas urbanas o jogar o lixo em qualquer lugar tem aumentando o volume de resíduos em locais inadequados. Segundo a Agenda 21, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) no Rio de J 99 9 “ x 5 hõ doenças relacionadas com o lixo. Metade da população urbana dos países em desenvolvimento não tem serviços de de j x ” (RIBEIRO; MORELLI, 2009, p. 05). No Brasil é nítido o crescimento de resíduos sólidos. De acordo com o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, elaborado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe, 2012), no Brasil a Geração de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU), cresceu 1,3%, de 2011 para 2012, enquanto à taxa de crescimento populacional urbano no país, obteve índice inferior de 0,9%, no mesmo período. Como é possível observar na tabela 01 abaixo; Tabela 01 – Geração de RSU Fonte: Pesquisa ABRELPE, 2012. 24 Nos moldes desse entendimento é necessário pensarmos sobre a maneira que consumismo e sobre as consequências do consumo desenfreado. É oportuno Corroborar Giacomini Filho (2008, p. 73), quando ele afirma: “ j necessidades projeta um consumo que poderia ser menor se não fosse fomentado pelo número excessivo de ofertas comerciais, diversidade em embalagens e ” Na verdade, constata-se o estilo de vida da profusão de sociedade contemporânea, em seus atos de consumo sejam eles necessários ou supérfluos. Diante do abordado, o desafio se faz presente: gerenciar esses resíduos de forma adequada, haja vista que eliminar a produção não é possível. Silva Filho 9 x à “ 1990, e o primeiro passo para essa concepção foi classificar os serviços relacionados com a gestão desse resíduo como públicos, que passaram a ser h b ” Em se tratando dos Serviços de Limpeza urbana no Brasil, Silva Filho (2012, p. 370), descreve como sendo: “ j instalações operacionais de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destino final do lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de logradouros e vias úb ” Por esses e outros motivos denota-se o quanto o lixo urbano é considerado um problema grave desde sua produção até seu destino final. É notório que a produção de lixo nas cidades é um problema inevitável, que ocorre diariamente dos resultados de nossas ações em meio as mais diversificadas produções de bens de consumo, e em composições acoplado ao tamanho da população e do seu desenvolvimento econômico. Segundo Grippi (2006), tais fatores são: “ ú h b município; Poder aquisitivo da população; Condições climáticas predominantes; Háb ” lixo provoca danos aos municípios e sua população. Assim, “[ ] ento do grande desafio hoje em dia para prefeituras lidarem com esse problema sanitário e de saúde pública” -se afrontoso em decorrência de que a grande parte dos municípios brasileiros não dispõe de aterros sanitários, e em sua maioria, o desfecho final dos resíduos sólidos é despejado em vazadouros e lixões a céu-aberto. De acordo com o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil (Abrelpe, 2012); observa-se 25 na tabela 02, que dos 1.794 municípios dos noves Estados da região nordeste 839, destinaram os resíduos sólidos para lixões, enquanto que apenas 450, foram destinados a aterros sanitários. Tabela 02 – Quantidade de municípios por Tipo de Destinação Adotada – 2012 Fonte: Pesquisa ABRELPE, 2012. Torna-se evidente com isso que a disposição inadequada de resíduos sólidos causa efeitos indesejáveis bastante graves, tanto para a saúde da população como para o meio ambiente através do descarte irregular. Silva Filho (2012, p. 376) “ b -sucedida gestão de resíduos sólidos nos centros urbanos é um dos que mais demandam medidas da sociedade, cuja existência ainda á b ” Diante do abordado, constata-se a relevância dos serviços de limpeza urbana. Mesmo sendo uma tarefa de grandes desafios, deve ser priorizada no âmbito das gestões públicas municipais. Quaisquer atividades humanas geram resíduos sólidos, e a questão da limpeza pública se faz necessária, em virtude da quantidade de lixo recolhido, diariamente, pelo Brasil a fora. Silva Filho destaca que: Os serviços de limpeza urbana constituem um dos mais visíveis e sensíveis serviços públicos urbanos, sendo uma das tarefas-chave dos municípios, que têm sofrido crescente pressão para serem mantidos cada vez mais limpos. A qualidade desses serviços, que devem abranger toda a extensão territorial das cidades e atender à totalidade da população, está intrinsecamente relacionada à percepção dos cidadãos acerca da administração municipal como um todo, ou seja, os serviços de limpeza urbana são um importante indicador para a avaliação e gestão de uma cidade (SILVA FILHO, 2012, p. 377). 26 5 Segundo á x h “ a do lixo é uma tarefa úb ” x b h “ ” á pela coleta domiciliar e encarregados de manter a cidade limpa; são, pois, indispensáveis no processo de coleta e despejo final dos resíduos. Na projeção dos autores supracitados, se o Estádio do Morumbi no Estado de São Paulo, por exemplo, fosse usado como um local para o destino final dos seus lixos descartados, ele ficaria totalmente cheio em apenas uma semana, considerando o fato de que é acumulado por dia, nessa cidade, em média 12 mil toneladas de lixo (RODRIGUES; CAVINATTO 2003). Dessa forma, vislumbra-se um dos grandes e crônicos problemas, no Brasil, que é a existência de inúmeros lixões a céu aberto, decorrente do enorme descarte de lixo nessas áreas inadequadas. Surge, então, um dos grandes desafios para vários municípios brasileiros: concretizar a gestão e o gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos, e organizar a coleta, transporte e disposição final desses resíduos, o que não é uma tarefa fácil, e úb “ ” que envolvem questões sociais, ambientais, sanitárias, legais e econômicas que rodeiam essa problemática dos lixões e aterros sanitários. b á “ ” universo do lixo: os catadores. Mesmo diante dos obstáculos, desafios e precariedades vivenciadas por esse tipo de trabalho, os catadores surgem desenvolvendo a função de separador dos resíduos recicláveis em cena, misturando-se e confundindo-se pelas marcas oriundas de gente e lixo. Os catadores ou trabalhadores que exercem a atividade de separação de resíduos sólidos, na maioria das vezes, são tratados como pessoas excluídas da sociedade, ou comparadas a mendigos, devido às suas condições precárias de vida. Por não contarem, geralmente, com utensílios adequados para exercerem suas funções, dividem seus espaços juntamente com insetos e animais de várias espécies, pondo em risco muitas vezes a saúde, em virtude da necessidade de sobrevivência. Nesse contexto do descompasso da produção de resíduos atrelado ao crescimento das cidades, e às facilidades do mundo moderno, surge uma estratégia intensificada através da regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS – L 5 ú “ 27 objetivos, instrumentos, diretrizes, metas, ações que serão adotadas pelos Estados e Municípios visando à gestão integrada e o gerenciamento ambientalmente ” (GESTÃO INTEGRADA SÓLIDOS). Abordagem, com detalhamento, no capítulo a seguir. DE RESÍDUOS 28 3 GESTÃO E GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NO BRASIL E A POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS – PNRS. Diante do entendimento de que resíduos sólidos consistem em tudo que é descartado, em consequência das atividades sociais humanas, a produção de lixo é um processo inevitável; no entanto, torna-se fundamental um gerenciamento adequado. Todos produzem lixo, independente da posição social, não importando cor, raça, cultura todos contribuem direta ou indiretamente para a produção de lixo. Atualmente, as pessoas desfazem-se “ j ” a rapidez incrível, superlotam as lixeiras com tudo que é considerado inútil. A busca pela praticidade e rapidez diante das transformações ocorridas desde a Revolução Industrial tem feito as pessoas adotarem um ritmo de vida acelerado, tanto quanto as inovações tecnológicas, embora em proporções diferentes. Em síntese a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT 2004), resíduos sólidos são aqueles: [...] resíduos nos estados sólido e semissólido, que resultam de atividades da comunidade de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lados provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos d`água, ou exijam para isso soluções técnica e economicamente inviáveis, em face à melhor tecnologia disponível (RIBEIRO; MORELLI, 2009, p. 19). Segundo uma pesquisa da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE), em 2007, foram gerados no Brasil, cerca de 174,4 milhões de toneladas de resíduos sólidos (quase 1 tonelada por habitante). Destes, 61,5 milhões de toneladas (Mton) são urbanos (RSU), 400 mil toneladas são provenientes de serviços de saúde (RSS), 86 Mton são industriais (RSI) e 26,5 Mton são de construção e demolição (RCD). (RIBEIRO; MORELLI, 2009). Observa- “ ” x stente entre toneladas e toneladas de resíduos sólidos por espaços nos lixões, em outros casos em lixeiras 29 “ b ” qualidade de vida de bilhões de pessoas no mundo, e tudo em decorrência do crescimento excessivo dos resíduos, sobretudo nos países em desenvolvimento. Na descrição de Ribeiro e Morelli (2009, p.20-22), os resíduos podem ser classificados como apresentado no quadro a seguir; Quadro 01 – Classificação dos Resíduos Sólidos Quanto à sua composição física Secos Papéis, plásticos, metais, e etc. Molhados Restos de alimentos, casca de bagaços de frutas e verduras e etc. Quanto à sua composição química Orgânicos Restos de alimentos, cascas de bagaços de frutas e verduras, etc. Vidros, borrachas, metais, lâmpadas, pedras, cerâmicas e etc. Quanto à origem, o lixo pode ser; Inorgânicos Urbanos (RSU) Gerados das atividades humanas que advém em centros urbanos, classificados como: Domiciliares, comerciais, serviços públicos e serviços de saúde. Domiciliares Originados das residências (restos de alimentos, jornais, embalagens em geral, fralda descartáveis e etc). Comerciais São aqueles oriundos dos diversos estabelecimentos comerciais e serviços (papéis, plásticos entre outros). Serviços Públicos São todos os resíduos de varrição das vias públicas, limpeza de praias, galerias, restos de podas de plantas e etc. Serviços de Saúde (RSS) São os lixos descartados por hospitais, farmácias, clínicas veterinárias (algodão, agulhas, restos de remédios, luvas e etc). Industriais (RSI) São aqueles procedentes nos diferentes ramos das atividades da indústria, tais como: o metalúrgico, o químico, e etc. São Classificados como: Radioativos Resíduos provenientes da atividade nuclear, só devem ser manuseados com equipamentos adequados e sob a tutela da Comissão De Energia Nuclear (CNEN). Agrícolas Oriundos das atividades agrícola e pecuária como a ração, restos de colheita, etc. Resíduos da Construção Oriundos das demolições e restos de obras, solos de Civil (RCD). escavações. Fonte: Dados disponíveis em Ribeiro e Morelli (2009). 30 Ainda segundo os autores Ribeiro e Morelli (2009, p.26), “[...] a classificação dos resíduos envolve a identificação do processo ou atividade que lhes deu origem e ” acordo com a NBR 10.004/2004 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) em classes: Classe I – Perigosos; São aqueles que em função de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxidade ou patogenicidade, apresentam riscos a saúde e ao meio ambiente. Classe II – Não perigosos; Classe II A – Não inertes. Apresentam características de combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade apresenta riscos à saúde e ao meio ambiente, não se enquadram na classe I. Classe II B – Inertes: São aqueles que podem apresentar características intrínsecas, não oferecem riscos à saúde e que não apresentam constituintes solúveis (ABNT, 2004). Os resíduos sólidos podem ser classificados de diversas formas. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), os resíduos dividem-se em classes: Classe A – são os Resíduos Potencialmente Infectantes; agentes biológicos, sangue e hemoderivados, que apresentam risco a saúde pública e ao meio ambiente; Classe B – Resíduos químicos; resíduos que contém substâncias químicas que põem em risca a saúde pública e o meio ambiente, por exemplo, medicamentos contaminados, vencidos, impróprios ao consumo; Classe C – Rejeitos Radioativos; materiais radionuclídeos superior aos limites especificados pela norma da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN); Classe D – Resíduos Comuns, todos os resíduos gerados nos serviços e que não precisam de processos diferenciados para o acondicionamento; Classe E– Perfurocortantes; são instrumentos ou objetos que são capazes de cortar ou perfurar, tais como, lâminas, agulhas, bisturis, etc. Essa questão do lixo urbano resultante das atividades humanas torna-se cada vez mais preocupante em decorrência das disposições finais que lhe são impostas, quando esses rejeitos são conduzidos para um mesmo local, sem a separação adequada, e, por conseguinte a maioria deles são colocados em locais adequados, 31 como os aterros sanitários, mas lugares totalmente inadequados como os lixões ou depósito a céu aberto. “ Segundo Leite á b â para o mercado com variedades muito grandes e com ciclos de vida cada vez menores resulta em quantidades de produtos cada vez maiores que se tornam b ” O fato é que essas diversificadas produções de resíduos existentes no mundo, na concepção de Grippi (2006, p.21), é que “[ ] h b a Terra é cada vez maior, causando desequilíbrio em seus ecossistemas, afetando, b ” “ impactos ambientais para a instalação de aterros contribui e omite este grave b ” h “ esíduos Sólidos Urbanos (RSU), é essencialmente uma atribuição local e, em geral representa o conjunto mais importante de atividades sob-responsabilidade dos municí ” j á b “[ ] um processo e, como tal, é composta de sistemas conectados, que só funcionam ” adequadamente quan 5 “ conjunto de ações voltadas para a busca de soluções para os resíduos sólidos, de õ b ” (SILVA FILHO, 2012 p. 371). Atualmente, um dos problemas mais sérios enfrentados pela sociedade é a inevitável produção de resíduos. Esse problema se relaciona diretamente com o crescimento populacional e econômico de um país, aliado ao estilo de vida das pessoas, exigindo mais produção de alimentos e industrialização de matérias-primas, contribuindo, assim, para o aumento dos resíduos sólidos. Yoshida (2012, p.10), explica que “ b pela gestão e gerenciamento dos resíduos sólidos entre os poderes estatais dos ” A autora ressalva que a PNRS procura auxiliar e impulsionar o sistema ambientalmente adequado dos resíduos sólidos, “[ ] mediante a mobilização e participação direta e efetiva da sociedade, instituindo a responsabilidade compartilhada, entre todos os 32 ” pode-se definir; O gerenciamento de resíduos sólidos como o componente operacional da gestão de resíduos sólidos e inclui as etapas de segregação, coleta, transporte, tratamentos e disposição final. O gerenciamento integrado é feito ao se considerar uma variedade de alternativas para atingir, entre outros propósitos, a minimização dos resíduos sólidos, com base nos eixos da gestão (4 Rs). A gestão de resíduos sólidos compreende o conjunto das decisões estratégicas e das ações voltadas à busca de soluções para resíduos sólidos, envolvendo políticas, instrumentos e aspectos institucionais e financeiros. A gestão é atribuição de todos, sendo, no caso do Estado, executada pelas três esferas de governo: federal, estadual e municipal (CADERNO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL 2010, p.28). Após anos de inúmeros debates, diversos comissões foram aprovada e regulamentada em 2010 a Lei 12.305 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) que reúne princípios, meta, objetivos, diretrizes, ações que serão adotados pela União, Estados e Município tendo em vista a gestão integrada dos resíduos sólidos regulamentada pelo Decreto 7.404, em 23 de dezembro de 2010. A Lei n. 12.305, constitui importante instrumento que possibilita o avanço necessário ao país em decorrência dos impactos ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo impróprio dos resíduos sólidos. Segundo Yoshida (2012, p.14), a PNRS “preocupa-se em estruturar um sistema de gestão e de gerenciamento integrado ” b b “ b prevenção e a redução na geração de resíduos, tendo como proposta a prática de hábitos e consumo sustentável, visando o aumento da reciclagem e da reutilização ” Com a aprovação da Lei nº 12.305/10 institui que; 33 A Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece princípios, objetivos, instrumentos e diretrizes para a gestão e gerenciamento dos resíduos sólidos, as responsabilidades dos geradores, do poder público, e dos consumidores, bem como os instrumentos econômicos aplicáveis. Ela consagra um longo processo de amadurecimento de conceitos: princípios como o da prevenção e precaução, do poluidor-pagador, da ecoeficiência, da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto, do reconhecimento do resíduo como bem econômico e de valor social, do direito à informação e ao controle social, entre outros (PORTAL RESÍDUOS SÓLIDOS – RETROSPECTIVA 2013). De acordo com a Jacob Gorender (1997) “ gestão integrada e sustentável dos resíduos sólidos. Propõe medidas de incentivos à úb ” bj expandir a capacidade de gestão das administrações municipais, por meio do sistema de coleta seletiva, tratamento e destinação final adequada dos resíduos. A gestão integrada e o gerenciamento dos resíduos sólidos é responsabilidade do poder público, dos consumidores e dos geradores, que se tornam responsáveis dos seus atos perante a participação dos seus ideais perante a geração de resíduos na sociedade. Um dos principais desafios das cidades urbanas e a crescente geração de resíduos sólidos, o lixo domiciliar, os das indústrias, serviços de saúde etc. Seria esse, o grande desafio da Política Nacional de Resíduos Sólidos, diminuir a quantidade de resíduos que se tornam cada vez mais nítidos na atualidade. Na descrição de Yoshida, (2012, p. 10), a Política Nacional de Resíduos Sólidos “agrupa um conjunto de princípios, objetivos, metas e ações seguidas pelo Governo Federal, isoladamente ou em cooperação com Estados, Municípios ou Particulares”. A PNRS se articula com a PNEA e incorpora a educação ambiental como um de seus instrumentos, estabelecendo que à gestão integrada de resíduos promovam programas e ações ambientais, como a não geração, a reutilização e a reciclagem desses resíduos (YOSHIDA, 2012). Diante disso, verifica-se que a gestão de resíduos tem por objetivos: a redução, a reciclagem, o tratamento dos resíduos desde a coleta até seu desfecho final adequado. O instrumento segundo a PNRS dar-se através da coleta seletiva, da separação nos locais onde são gerados. Pelo sistema de logística reversa ou em ações, procedimentos e meios de coleta dos resíduos e o que pode ser reaproveitado e reciclado voltam-se ao mercado empresarial. Portanto, o sistema de gestão e gerenciamento de resíduos envolve a participação de todos os segmentos 34 da sociedade, inclusive dos atores econômicos e sociais os catadores de produtos recicláveis, que enfatizam o sistema de logística reversa, que é definida como: Fluxo de produtos, embalagens ou outros materiais, desde o ponto de consumo até o local de origem, possibilitando o retorno deste material descartado à cadeia produtiva, como matéria-prima reciclável. O retorno das garrafas de vidro para as fábricas de bebidas, a coleta de resíduos recicláveis e o recolhimento de pilhas, pneus e lâmpadas fluorescentes são exemplos de logística reversa (GONÇALVES, 2011, p. 63). Diante disso, Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), em 2012, “cerca de 60% dos municípios registraram alguma iniciativa de coleta seletiva”, como mostra o mapa 01. Ainda que expressiva o número de municípios com iniciativas de coleta seletiva, “[ ] convém salientar que muitas vezes estas atividades resumem-se à disponibilização de pontos de entrega voluntária ou convênios com cooperativas de catadores, que não abrangem a totalidade do território ou da população do município”. Mapa 01 - Iniciativa de Coleta Seletiva nos Municípios em 2012 – Regiões e Brasil. Fonte: Pesquisa ABRELPE, 2012. 35 Na análise empreendida por Besen (2012, p.389), a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e sua regulamentação “trazem um novo marco de referência para a gestão integrada e sustentável de resíduos sólidos no país e novos desafios para a implantação e o aprimoramento da prestação de coleta ” Tendo em vista que com a aprovação dessa Lei Federal, que determina a extinção dos lixões ou aterros controlados, até agosto do ano de 2014, fazendo com que o destino final dos resíduos sólidos dos municípios seja ambientalmente adequado em aterros sanitários (RIBEIRO, 2012). b 558 “ L da PNRS, menor será o objeto dos serviços públicos de manejo de resíduos sólidos, porque caberá ao próprio gerador reciclar ou dar destinação adequada ao papel, á ” “[ ] Estado, os resíduos serão um custo da economia, dos processos de produção e de ” E daí o porquê da Lei da PNRS ressalta precedências como; redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos e destinação final em locais apropriados aos rejeitos. 36 4 ASPECTOS ESPACIAIS DO GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS NA CIDADE DE PAU DOS FERROS - EM BUSCA DA APREENSÃO DO OBJETO DE ESTUDO. 4.1 PAU DOS FERROS: DINÂMICA URBANA E SUA EXPANSÃO. Pau dos Ferros é um município brasileiro no interior do estado do Rio Grande do Norte situado mais ou menos a quatrocentos quilômetros da capital do estado, Natal. A sua população é de 27 745 habitantes (IBGE, 2010). Com uma enorme representatividade socioespacial na região, abrangendo as cidades circunvizinhas, e influencias de cidades localizadas na fronteira com os estados da Paraíba e o Ceará. A predominância da cidade de Pau dos Ferros prossegue sob o aumento das atividades de (comércio e serviço) e pelo aumento da demanda habitacional, o que gerou uma concentração populacional. De acordo com Sposito (2004, p. 51 “ s cidades, como formas espaciais produzidas socialmente, mudam efetivamente, recebendo reflexos e dando sustentação a essas transformações estruturais que ” Com isso, a estavam ocorrendo em nível do modo de produção capi predominância do espaço rural foi e está sendo substituída pelo urbano, o limite entre o campo e a cidade está deixando de ser visível e a população do campo vem decrescendo a cada ano. A cidade de Pau dos Ferros recebe diariamente um número significativo de pessoas oriundas das cidades vizinhas. Esse fato advém da centralidade que a cidade exerce na microrregião do Alto Oeste Potiguar, na oferta de comércios e serviços variados. Em se tratando de serviços por falar em serviços o IBGE (2010), apresenta esse setor representando 86% do PIB municipal, demonstrando suma “ importância para a economia local. grande atividade econômica e a organização espacial na qual as pequenas cidades se encontram fazem faz com que a cidade de Pau dos Ferros se apresente como b ” 37 Pau dos Ferros, nesse contexto torna-se a cidade mais importante da região por apresentar uma função central baseada no alcance máximo de procedência dos consumidores, de sua acessibilidade através das vias e transporte e da comparação do tamanho das cidades subordinadas. A cidade possui uma série de equipamentos urbanos de porte superior às demais cidades da região, caracterizada por um setor terciário desenvolvido, com serviços de saúde, rede bancária, educação em seus vários níveis, que atrai pessoas das cidades circunvizinhas, e de cidades localizadas na fronteira com os estados do Ceará e da Paraíba (BEZERRA, 2013, p.11). Diante de uma expansão urbana e redução da população da zona rural na cidade de Pau dos Ferros, e os aumentos crescentes provenientes das atividades econômicas principalmente do setor de serviços, surge à problemática da produção de lixo, desde sua geração até o desfecho final. Trata-se de um aspecto que infelizmente tem acompanhado de uma maneira negativa o “ “ melhores condições para o desenvolvimento d ” ú ” E, portanto, é nela que se concentra a força de trabalho e os meios necessários à produção em larga escala (SPOSITO, 2004). Com essas mudanças advindas, do crescimento populacional e do (sub) desenvolvimento regional, surge também o crescimento da geração de resíduos “ sólidos, b ” h mundo. Conforme GRIPPI, O lixo é um problema crônico em nossa sociedade e muitas vezes seu mau gerenciamento acaba propiciando verdadeiras mazelas ambientais dentro dos municípios brasileiros, além de comprometer a qualidade de vida da população. É um grande desafio hoje em dia para prefeituras lidarem com esse problema sanitário e de saúde pública. Outro agravante é que grande parte dos municípios brasileiros não operam adequadamente em aterros sanitários, e saem em vazadouros e lixões a céu-aberto, em sua maioria (GRIPPI, 2006, p. 91). O município de Pau dos Ferros apresenta em decorrência de sua população, e característica socioeconômica, uma quantidade expressiva de geração de 38 resíduos sólidos, oriundos de diversas atividades, pode destacar os seguintes resíduos; Resíduos de limpeza Urbana Resíduos Domiciliares Resíduos Comerciais Resíduos de Construção Civil Resíduos Sólidos de Saúde Resíduos Agrícolas À medida que a cidade, cresce e passa a se desenvolver, modificam-se também as formas de produção e consumo e o modo de destinar os restos desses resíduos. Devido ao crescimento da geração de resíduos sólidos, sobretudo nos países, Estado e cidades em desenvolvimento, observam-se ao longo dos últimos “ ” xõ nas ruas, em lixões e em outros locais, afetando a qualidade de vida de bilhões de pessoas no mundo. O lixo urbano é considerado um problema grave desde sua produção até seu destino final. Segundo dados da ABRELPE (2012, p. 39), os RSU tiveram desfechos inadequados em regiões e estados brasileiros “[...] e 3.352 municípios, correspondentes a 60,2% do total, ainda fizeram uso em 2012 de locais impróprios para destinação final dos resíduos coletados”. E dos nove estados da região Nordeste, que correspondem a 1.794 municípios, geraram em 2012, “[ ] quantidade de 51.689 toneladas/dia de RSU, das quais 77,43% foram coletadas. Os dados indicam crescimento de 2,4% no total coletado e aumento de 1,4% na geração de RSU em relação ao ano anterior”. Esse é o ponto categórico da PNRS, “ h b h ” j somos encarregados de dar destinação correta ao lixo produzido, abrange desde, as prefeituras, os governos estaduais e federais, as empresas e o próprio consumidor. Tais práticas irão amenizar os problemas urbanos causados pelo excesso de resíduos decorrentes de uma sociedade de consumo. 39 4.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA A pesquisa a que nos proposto realizar, além de uma revisão bibliográfico/documental, contou também com um trabalho de campo, considerado de suma importância na apreensão do objeto estudado. Foi realizada inicialmente uma observação sistemática, considerada de grande importância por permitir desvelar condições físicas, comportamentos não b b “ h ” como esclarece Vergara (2009). Portanto, foram realizadas visitas sistemáticas ao lixão municipal e a algumas ruas de maior movimento da cidade, no período de novembro a dezembro de 2013, o objetivo foi identificar localidades e a atividade dos agentes envolvidos na coleta de resíduos domiciliares, além da busca de identificação de aspectos que caracterizassem o dia a dia dos catadores no lixão. Nessas visitas programadas foi possível construir um banco fotográfico de alguns bairros da cidade de Pau dos Ferros: Manoel Domingos, Princesinha do Oeste, Nações Unidas e o Centro. E no lixão da cidade em lócus. Procedeu-se em seguida, o processo das entrevistas principal instrumento de coleta de campo, já que como afirma V 9 8 “ tal como a coletiva deve obedecer a um propósito: obter dados e informações, ” Diante disso, a mesma foi aplicada em três situações/momentos, junto aos catadores, coletores e prefeitura municipal (secretaria de Meio Ambiente e de Infraestrutura). A mesma envolveu perguntas de livre escolha, fechadas e abertas, moldadas ao momento da entrevista, o que significa dizer que algumas informações adicionais foram possíveis de se identificar e coletar no ato da aplicação. O primeiro momento envolveu as entrevistas com os catadores de produtos recicláveis individuais e aqueles vinculados à Associação (Ahmenon) que existe no município de Pau dos Ferros, que se localiza a cerca de 4 km do bairro São Geraldo e 3 km do rio Apodi/Mossoró, situada na zona rural da cidade, localizada no sítio Malhada da Areia. A entrevista foi aplicada e envolveu algumas questões , seguindo uma ordem lógica para facilitar a interação entrevista/entrevistador. Como esclarece Vergara (2009). 40 A sequência de perguntas deve ter uma ordem lógica que permita ao entrevistado, sem esforço, passar de uma resposta a outra. Também, em geral, é prudente que um roteiro comece com as questões mais gerais, ou questões mais fáceis e as vá tornando específicas depois (VERGARA, 2009, p.12). Importante ressaltar que a pesquisa considerou todo o universo dos catadores, não extraiu amostra. Foram 16 (dezesseis) catadores identificados a partir de informação repassada pelo vice-presidente da Associação e averiguada no período de observação sistemática. Dos dezesseis, dez estariam ligados a Associação e, seis atuando individualmente. No entanto, no período escolhido para entrevista, dezembro de 2013 só pode ser efetivada entrevista com 12 (doze), 09 catadores da associação e 3 (três) que não atuam via Associação. Infelizmente no momento escolhido para entrevista 04(quatro) catadores não se encontravam no local. Esta primeira entrevista objetivou esboçar o perfil dos catadores de materiais recicláveis, maneira pela qual querem ser chamados, como analisar suas condições de trabalho. Igualmente importante foi averiguar como se dá a organização dos trabalhos dos catadores, da catadores da Associação e os que exercem seus trabalhos fora da Associação, como é a jornada de trabalho, tipos de funções, enfim os desafios e as dificuldades enfrentadas nesse ramo de atividade. O segundo momento foi direcionado aos coletores de resíduos domiciliares: são 55 garis ao todo, subdividindo-se em funções distintas como coleta de resíduos domiciliares, sistema de podas, de varrição entre outras, informação repassada Pela Secretaria de Infraestrutura (SEINFRA). Foi possível, em muitos momentos, acompanhar o trabalho dos coletores e dialogar acerca do exercício da função no dia a dia. Infelizmente não foi possível utilizar o mesmo instrumento de coleta usado com os catadores, a entrevista individual. Algumas situações limitaram esse processo: o fato de os mesmos estarem em constante movimento e, no momento do descanso, quando se agrupam, o receio dos mesmos em aceitarem repassar informações individuais e disso implicar o emprego deles, pesou muito. Sendo assim, foi necessária a permanência no nível da conversa coletiva em meio ao desempenho da atividade dos mesmos, o que tornou possível captar algo, mesmo diante da limitação de que as respostas tendiam a serem as mesmas; um falava e 41 os outros concordavam muitas vezes com a cabeça, ocasionando respostas iguais/repetidas. A conversa, dentre os limites já citados, envolveu apenas informações de 04 (quatro) coletores, número pequeno, mas algumas informações repassadas foram possíveis de serem identificadas visualmente. Para ampliar as informações no que se refere à coleta do lixo na cidade, foi direcionada entrevista aos órgãos públicos do município de Pau dos Ferros: a Secretaria de Infraestrutura (SEINFRA) e a Secretaria do Meio Ambiente. Vergara (2009, p. 15) x “ h semiaberta e aberta” , adotou-se uma estrutura aberta, já que o propósito era explorar de maneira ampla a situação. A entrevista com a Secretária de Infraestrutura acorreu no fim do mês de novembro, e a da Secretária do Meio Ambiente ocorreu em meados de dezembro de 2013. O objetivo foi coletar informações mais direcionadas à problemática da produção de resíduos sólidos, abordando a questão da coleta, do transporte e desfecho final dos RSU, entre outras coisas, as quais serão mais bem delineadas nos resultados. Nessa pesquisa, optou-se pela análise de conteúdo, seguindo as etapas traçadas por Minayo et al (2002, p. 65), como “ b compreensão, confirmar ou não os pressupostos da pesquisa, expansão do material õ b ” resultados, seja da pesquisa bibliográfica como da de campo, deu-se na forma de gráficos, tabelas, texto e fotografias. 4.3 RESULTADOS E DISCUSSÕES DO ESTUDO DE CAMPO 4.3.1 Aspectos da Produção, Coleta, Transporte e Desfecho Final dos Resíduos Urbanos. Como já destacado ao longo do trabalho, o Lixo urbano é um problema grave, e o modo como se consume e as consequências do consumo desenfreado contribuem para agravar ainda mais esse problema, expandindo a criação de resíduos sólidos. No entanto, a produção de lixo é inevitável, e as excessivas 42 quantidades de resíduos gerados, constituem-se em um dos grandes problemas da sociedade moderna e que ameaça os espaços no planeta causados por atos irresponsáveis. A geração de RSU no Brasil cresceu 1,3%, de 2011 para 2012, índice que é superior à taxa de crescimento populacional urbano no país no período, que foi de 0,9 (ABRELPE, 2012). A região Nordeste que compõem nove estados que abrange um total de 1.794 municípios gerou, em 2012, a quantidade de 51.689 toneladas/dia de RSU, das quais 77,43% foram coletadas. Os dados indicam crescimento na coleta e aumento na geração de RSU em relação ao ano anterior (ABRELPE, 2012, p. 55). Tabela 03 – Coleta e Geração de RSU no Estado do Rio Grande do Norte Fonte: Pesquisa ABRELPE, 2012. h 9 “ ara a limpeza das h ” V que, os responsáveis pelos serviços de limpeza pública eram as pessoas mais pobres da sociedade, e essas pessoas não eram ressarcidas pelo trabalho que úb pr à “[ ] início dos nos 1990, e para programar essa concepção classificaram os serviços relacionados com a gestão desses resíduos como públicos, que passaram a ser chamados de serviç b ” Em Pau dos Ferros, não é diferente, salvo algumas particularidades. O serviço de limpeza urbana do município é de responsabilidade da prefeitura municipal. A coleta dos resíduos urbanos é feita regularmente, sendo dividida por setores: bairros e centro, em dias alternados. No centro, a coleta é feita três vezes por semana, pelo carro compactador e pelas caçambas, já nos bairros periféricos onde não existe pavimentação, a coleta é feita em caçambas duas vezes por 43 semana. É aí que surgem “ acordo com Santos (1999, p. 16), se ” ixo ou gari, que de “ b h coleta de lixo domiciliar, geralmente trabalham em equipes compostas por outros elementos (um motorista e quatro col ” Seguem realizando seu trabalho de recolher os lixos postos nas calçadas ou nas portas das residências, como se pode observar nas fotografias 01 e 02; Fotografias 01 e 02 – Pau dos Ferros/RN: Coletores de Resíduos Domiciliares Urbanos. Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. Os envolvidos no trabalho de limpeza urbana são de essencial importância tantos para os aspectos ambientais, como sociais, principalmente se tratando da relação com a saúde pública. A impressão que esse trabalho dos Coletores de Resíduos (CR), transmite é, 44 De uma corrida constante estabelecida em uma linha divisória, bastante j “ x ” porque não vencer a se mesmo. A cada instante, um trabalhador ultrapassa na sua corrida outro colega e recolhendo nas calçadas, ruas, mais e mais sacos de lixos que são jogados dentro do caminhão (SANTOS, 1999, p. 52). b h “[ ] trabalho imprevisível, que se faz na diversidade de situação e na ambiguidade de ; b à b ” Esses coletores estão diariamente sujeitos a riscos constantes, diante dos desafios enfrentados para a realização dos seus trabalhos. Os garis enfrentam diariamente, calor, frio, poeira, trânsitos de outros veículos, ruídos excessivos, doenças por estarem em contatos diretamente com objetos cortantes, o mau cheiro dos restos dos resíduos orgânicos, a posturas forçadas e constantes aos quais são submetidos constantemente. Ou seja, devido às condições inadequadas de trabalho, principalmente quando não se têm os Equipamentos de Proteção Individual - EPI´s corretos, e pelo montante de lixo mal acondicionado esses trabalhadores expõem a saúde diariamente. Além disso, muitas vezes são poucos recompensados, digamos que não tem o reconhecimento necessário pelos órgãos administrativos, e pela população, são “j ” e por muitas vezes estarem sujos, são tratados por muitos como pessoas excluídas da sociedade. Exercer esse trabalho não é uma tarefa fácil, pois lindam diariamente com os restos, sobras e produtos descartados, de uma sociedade de consumo. Quanto aos uniformes dos trabalhadores, os mais adequados é que tenham cores fortes, sejam vibrantes, com coletes de listras fosforescentes para a segurança do trabalho, principalmente à noite ou nas madrugadas que são os horários em que a maioria das cidades dos municípios brasileiros recolhe seus entulhos de construções civis e resíduos nas rodovias mais movimentadas. Soma-se a isso o uso de chapéus, luvas, protetor solar e botas de borracha. Em Pau dos Ferros no total são 55 garis, destinados a coleta de resíduos urbanos na cidade, divididos em funções. O sistema conta com 1 operador de máquina e 2 motoristas, e outros dois motoristas da empresa terceirizada ( Compact Construtora Ltda), da cidade de Sousa no estado da Paraíba ( SEINFRA, 2013). Trata-se de um número extremamente baixo em se tratando de uma cidade que 45 ocupa uma área de 259,959 km² (IBGE 2010). Seria esse o motivo de tantos resíduos sólidos acumulados x “ b ” uma maneira negativa e afetando a qualidade de vida das pessoas, em decorrência do crescimento da produção de lixo excessivo, que infelizmente tem acompanhado “ ” As fotos a seguir retratam as diferentes realidades evidenciadas pelos garis. Fotografias 03 e 04 – Pau dos Ferros/RN: Coleta de resíduos domiciliares urbanos na cidade de Pau dos Ferros/RN. Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. As fotografias 03 e 04 revelam os momentos durante o carregamento de resíduos sólidos domiciliares na cidade de Pau dos Ferros. Observa-se que alguns garis não estão usando os equipamentos necessários, os (EPI´s), como as roupas sinalizadoras, utilização de calçados apropriados (botas), bem como os acessórios indispensáveis quanto as luvas e máscaras. Evidencia-se também a quantidade de resíduos coletados, e o risco para esses coletores que tentam se equlibrar em meio a diferentes tipos de resíduos, pondo em risco sua saúde. Por isso é de suma importância o uso dos equipamentos por essa classe trabalhadora, e também que a 46 população adote medidas, como: acondicionar de forma correta seu lixo, separandoo e ensacando-o devidamente. Não existe um horário específico para coleta, começam os trabalhos depois das 06 horas da manhã e a atividade se estende até a noite, inclusive a retirada dos entulhos das construções são feitas nas madrugadas e, por vezes, aos domingos. De acordo com a secretária de Obras e Serviços Urbanos, a retirada dos entulhos provenientes das construções civis não é de responsabilidade da Prefeitura, cada um tem de se responsabilizar pela retirada dos próprios Resíduos da Construção Civil, inclusive a prefeitura irá fazer um trabalho de conscientização quanto a isso. Informou que o lixo hospitalar proveniente das clínicas é coletado todas as quintas feiras à tarde. A coleta de RSS do Hospital Regional da cidade de Pau dos Ferros não é feita pela prefeitura, mas por uma empresa do estado, e os serviços prestados por essa empresa são pagos pelo próprio estado. Questionada sobre a fiscalização no ato das atividades dos coletores de resíduos sólidos, a mesma foi enfática em dizer que é preciso fiscalizar, orientar os mesmos em alguns aspectos, em decorrência da cidade em crescimento constante o que contribui para a geração de resíduos dos mais variados tipos, e sem contar que existem poucos garis, para uma cidade como Pau dos Ferros. Segundo a Secretária há uma espécie de acompanhamento do dia a dia dos coletores de resíduos, inclusive uma maior fiscalização quando se tratam dos EPI´s, vestuários e proteção (fardas e luvas), dos coletores, visto que alguns não querem usar, o que podemos comprovar nas fotos acima. A secretaria enfatizou que todos recebem fardamentos adequados, seus salários e cestas básicas. Apesar das informações, é importante ressaltar que em nenhum momento sequer da realização da pesquisa foi observado os coletores de resíduos sólidos, usando todos os EPI´s específicos para os riscos que essa profissão oferece principalmente as máscaras, que auxiliam contra os odores, fumaças, poeiras e mau cheiro. O custo da limpeza da cidade nos últimos dois anos aumentou consideravelmente, inclusive com os carros usados para a limpeza pública urbana. De acordo com a secretária teve aumento cerca de 20%, principalmente com os combustíveis usados para abastecer os carros das limpezas urbanas. Segundo a Secretária de Infraestrutura (SEINFRA), o serviço de coleta de lixo da cidade é próprio, mas já foi terceirizado, no período entre 2005 e 2007, no 47 primeiro mandato do ex-prefeito Leonardo Rêgo. O motivo da terceirização nesses anos que o mesmo sucedeu a prefeitura, segundo informações repassadas pela secretaria de Infraestrutura (SEINFRA), foi em decorrência da grande quantidade de lixo espalhados na cidade, “decorrentes da antiga gestão”, e só um serviço terceirizado resolveria o problema na época, portanto o serviço de limpeza pública hoje não é mais terceirizado. Abaixo, o destaque dos transportes usados para os serviços, de limpeza urbana. Tabela 04 – Transportes usados na coleta dos RSU na cidade de Pau dos Ferros. Descrição dos Carros Números Caçambas 04 Caminhão carroceria 01 F.4000 01 Caminhão Compactador 01 Enchedeira 01 Total 08 Fonte: SEINFRA, 2013. Das quatro caçambas usadas na coleta de resíduos sólidos na cidade de Pau dos Ferros, três delas são terceirizadas de uma empresa de Souza do estado da Paraíba; dessa forma, somente uma caçamba pertence a Pau dos Ferros, bem como o caminhão de carroceria, usado para transportar as podas das árvores e dos rosso (mato que cresce a lado das estradas e ruas); a F4. 000, usada para o transporte de materiais restantes das construções civis e de podas de árvores também, o caminhão compactador, usado para transporte de resíduos sólidos domiciliares e por último a enchedeira que auxilia nos serviços em geral, e principalmente dos resíduos da construção civil. Diariamente esses carros transportam até o lixão toneladas e mais toneladas de resíduos, para registrar dados mais específicos informados pela própria Secretaria, a capacidade de cada caçamba equivale a, aproximadamente, 3.000kg; e as mesmas fazem um trajeto de três vezes ao dia até o lixão, o que corresponde a 36 toneladas de lixo até seu despejo final todos os dias. O Caminhão Compactador tem capacidade para 15.000 kg de resíduos, ou seja, transporta diariamente cerca 48 de 45 toneladas de lixo até o seu destino final. Portanto, são coletados diariamente em Pau dos Ferros, cerca de 81 toneladas de lixo. As fotografias abaixo mostram as quantidades de resíduos acumulados em determinados pontos da cidade. Fotografias 05, 06, 07, 08 – Pau dos Ferros/RN: Resíduos acumulados nos Bairros, Manoel Domingos, Princesinha do Oeste, Centro e Nações Unidas. Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. Os lixões ou vazadouros são lugares distantes das cidades, onde são depositados no solo, a céu aberto, os mais diferentes tipos de resíduos existentes coletados em uma cidade, não tendo nenhum sistema de tratamento. Essa é uma forma imprópria de desfecho final dos resíduos que ocasionam impactos ao meio ambiente em decorrência da contaminação dos solos. Como é possível observar na fotografia 09. 49 Fotografia 09 – Pau dos Ferros/RN: Diferentes tipos de resíduos acumulados no lixão. Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. De acordo com a ABRELPE (2012, p. 31), no Brasil “a quantidade de RSU destinada inadequadamente cresceu em relação ao ano anterior, totalizando 23,7 milhões de toneladas que seguiram para lixões ou aterros controlados”. A destinação desses resíduos em aterro controlado é menos maléfico do que em lixões, difere somente porque os resíduos dispostos no solo são recobertos com terra a cada fim da jornada de trabalho, e isso reduz a poluição no local, no entanto, não é a melhor forma de evitar os impactos ambientais. Em Pau dos Ferros esses resíduos são dispostos em um lixão inadequadamente, que localiza-se a cerca de 4 km do bairro São Geraldo e 3 km do rio Apodi/Mossoró. Define-se lixão como uma forma inadequada de disposição final dos resíduos sólidos; no entanto, esses depósitos de lixo sem tratamento estão com os dias contados segundo a Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que prevê a extinção de todos os lixões até agosto de 2014. visualiza-se o lixão de Pau dos Ferros. Na fotografia 10 50 Fotografia 10 – Pau dos Ferros/RN: Lixão da Cidade. Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. Indagou-se à Secretária do Meio Ambiente da cidade de Pau dos Ferros, por ocasião de uma entrevista sobre o tema abordado, se era possível terminar com os lixões até em 2014, conforme o previsto pela Política Nacional dos Resíduos Sólidos, ou se seria necessária a prorrogação do prazo. A Secretária respondeu que a lei prevê o prazo até agosto de 2014, e espera-se que com o andamento burocrático da consultoria da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH) do consórcio, as expectativas e metas sejam atendidas. Quando questionada acerca da Política Nacional de Resíduos Sólidos, se após ser implantada em 2010, a mesma já trouxe algum resultado positivo para o município, a Secretária respondeu que sim, citando alguns pontos relatados. Estudo da Secretaria Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH), para o processo de regionalização e a construção do Aterro Sanitário no município. Assinatura do Protocolo de Intenções entre Estado e Município em Eleição da Diretoria do Consórcio, cujo atual presidente é o atual 2013; prefeito Fabrício Torquato. 51 Aprovação do estatuto e sua reformulação; além do processo de desapropriação da área do aterro no município, de Pau dos Ferros, próximo ao Perímetro Irrigado. Dessa forma, entende-se que a criação do consórcio irá oportunizar a organização de vários municípios, em prol de um único objetivo, destinação adequada aos rejeitos, abolindo de vez os lixões. Sobre a implementação do consórcio, segundo a secretária do meio ambiente, existirá um cadastro, que será realizado através da secretaria de Ação Social, e os comércios também iram participar em parceria com a prefeitura, para destinação dos resíduos diretamente para a associação. Existe um protocolo de intenções que rege as questões burocráticas do consórcio, dos municípios que se consorciarem. Dos 44 municípios, 35 já estão consorciados, a Secretária do Meio Ambiente enfatiza que os demais municípios ainda não estão consorciados por falta de interesse dos gestores municipais dessas cidades. Resta aguardar e ver se realmente esse consórcio, esse aterro sanitário, enfim essa Associação de coleta seletiva se efetiva e põe em prática o planejado. Notadamente para que essa coleta seletiva seja realmente concretizada e saia do papel é preciso que a Prefeitura do município auxilie e capacite essa associação, organizando-os e destacando a união dos mesmos tanto na questão social quanto cultural. Com a implementação de um programa de coleta seletiva que oportuniza a inclusão de catadores, espera-se que o município auxílios e deem suporte através de distribuição dos Equipamentos para Proteção Individual - EPI´S, para o melhoramento dos trabalhos realizados por eles. Visto que a realidade de hoje vivenciadas pelos catadores de materiais recicláveis no lixão é bastante diferente, pois os mesmo não dispõem desses equipamentos para a realização dos seus trabalhos, como observamos na fotografia 11; 52 Fotografia 11 – Pau dos Ferros/RN: Realidade dos Catadores de materiais recicláveis no lixão da cidade. Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. A partir dessas colocações, no tópico seguinte será desvelada a realidade existente a céu aberto, na cidade de Pau dos Ferros. Serão apontados alguns pontos do trabalho e retratada a realidade da Associação juntamente com os catadores e, ainda, os desafios encontrados diante dos diversos tipos de resíduos existentes. 4.3.2 Perfil dos catadores de produtos recicláveis: revelando aspectos do âmbito social. Definem-se catadores de materiais recicláveis como “trabalhadores que atuam com a coleta, classificação e destinação dos resíduos, permitindo o seu retorno à cadeia produtiva”. É através do trabalho que os mesmos desenvolvem que “[ ] aumenta a vida útil dos aterros sanitários, diminui a demanda por recursos 53 naturais, e fomenta a cadeia produtiva das indústrias recicladoras com geração de trabalho” (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE). Fotografia 12 – Pau dos Ferros/RN: Foto dos catadores de materiais recicláveis, em meio à realização de suas atividades. Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. Começando a análise do perfil dos catadores, de acordo com o questionário aplicado, se subdividem em 9 homens e 3 mulheres, com idades que variam entre 18 a 59 anos, conforme o gráfico a seguir; 54 Gráfico 01 – Faixa etária dos catadores de materiais recicláveis da cidade de Pau dos Ferros. 8% 8% 18-24 25-29 30-39 34% 42% 40-49 50-59 8% Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. De acordo com o gráfico 34% dos catadores entrevistados possui faixa etária entre 30 a 39 anos. Enquanto que 42% estão entre 25 a 29 anos. E 8% dos entrevistados variam entre 18 a 24, e de 30 a 59 anos. Quanto ao estado civil dos 12 catadores obteve-se os seguintes resultados como mostra o quadro 02; Tabela 05 – Estado civil dos catadores de resíduos sólidos. Estado Civil dos Catadores de Resíduos Sólidos Casados 08 Solteiros 02 Divorciado 01 União Estável 01 Viúvo - Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. Os catadores foram averiguados quanto aspecto domiciliar, 7 residem em casa própria e os outros 5 em casa alugada. Dessas residências próprias, 4 delas localizam-se no Sítio Malhada da Areia, onde o lixão está localizado, as outras 6 estão localizadas no bairro Manoel Deodato, e as 2 restantes no bairro São Benedito. Quanto ao nível de escolaridade dos catadores, o gráfico 02 revela que; 55 Gráfico 02 – Nível de escolaridade dos catadores de materiais recicláveis da cidade de Pau dos Ferros. 18% Analfabeto 18% Ens. Fund.Completo Ens. Fund.Incompleto 9% 9% Ens. Médio.Incompleto Ens.Médio Completo 46% Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. Diante disso, verifica-se qual ao nível de escolaridade dos catadores entrevistados, dos 12 catadores entrevistados, 2 deles são analfabetos, o que corresponde a 9%, os que não terminaram o ensino fundamental são 5 o que corresponde a um percentual de, 46% deles, e 1 terminou o ensino fundamental e outro o ensino médio, o que corresponde a um percentual de 18% cada. Tabela 06 – Tempo que exercem a atividade de catação. Tempo na Atividade Menos de 1 ano Número de Catadores 02 01 a 02 anos - 02 a 03 anos 01 04 a 05 anos 03 Acima de 05 anos 06 Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. Dos 12 entrevistados, 50% deles responderam que se tivessem uma oportunidade deixariam essa atividade, os demais se dizem felizes na realização de suas atividades. É importante frisar que a maioria dos catadores (sete), começou a 56 exercer a atividade de catação por não haver outro trabalho ou uma oportunidade de emprego. Dos 12 entrevistados, somente 5 recebem algum benefício do governo federal, como bolsa família, bolsa estiagem, entre outras, já os outros 7, afirmaram não receber nenhum auxílio, em suma a maior parte, os rendimentos dos catadores é provenientes, da catação de materiais recicláveis. Na tabela 06, incluindo todos os rendimentos existentes, como por exemplo, a criação de animais, benefício do governo federal, membros da família que exercem outra profissão, como mostrou a entrevista, dos 12 entrevistados, 5 tem algum familiar que trabalha em outras atividades, já os outros sete afirmaram que a única renda sai da catação de materiais recicláveis, como podemos verificar na tabela abaixo, que expõem os dados dos rendimentos constatados dos catadores. Tabela 07 – Faixa de renda familiar, incluindo todos os rendimentos existentes. Número de Salários Número de Catadores Até 1 Salário Mínimo 07 01 a 02 Salários Mín. 04 02 a03 Salários Mín. 01 04 a 05 Salários Mín. - Acima de 05 Salários Mín. - Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. Como se observa na tabela 07, dos 12 entrevistados, 7 afirmaram que o rendimento é de até 1 salário mínimo, enquanto apenas 4 chegam a ter seu rendimento mensal de 1 a 2 salários, e 1 que consegue um rendimento mensal entre 2 e 3 salários. A maioria dos catadores de materiais recicláveis, entrevistados, depende da atividade que exercem, e os 12 entrevistados ressaltaram que destinam 100%, de suas rendas para a renda familiar. Independente do sexo, de sua idade e do seu grau de escolaridade, cada um tem um ideal, uma busca pela sobrevivência. Quando indagado aos (catadores) se eles seriam a favor da implantação de um aterro sanitário para o desfecho final dos resíduos sólidos coletados na cidade, três declararam que não acham a ideia boa, eles não se mostraram interessados em 57 b h õ “ ” implementação do aterro no prazo determinado pela Lei da PNRS, de acabar com os lixões até agosto de 2014. Observou-se que os que não se mostraram a favor da implementação do aterro sanitário na cidade, são os que não fazem parte da Associação; já os outros nove catadores se dizem a favor da implementação do aterro, otimistas em relação à data para a extinção dos lixões. Em se tratando da Associação, houve oportunidade de entrevistar o vicepresidente. Foi questionado a respeito do surgimento da Associação dos catadores da cidade de Pau dos Ferros, e este ressaltou que o surgimento deu-se a partir dos próprios catadores, quando participaram de uma conferência do meio ambiente realizada na cidade de Pau dos Ferros, no ano de 2013. A partir desta conferência, foi sugerida a criação de uma Associação ou Cooperativa, e os mesmo optaram por uma Associação, em virtude de que para se formar uma Cooperativa precisava-se de vinte e três catadores, sendo que no lixão só existem dezesseis realizando a atividade de catação. Antes da implementação da Associação, existiam trinta catadores de materiais recicláveis no lixão do município, só que houve uma rejeição por parte de alguns catadores quanto à criação da Associação e alguns não quiseram participar. Questionado sobre os motivos, a resposta foi que esses catadores pensavam que a Associação tratava-se de um trabalho fixo, com carteira assinada, o que na verdade não é, pois o salário é consolidado através do trabalho dos mesmos; em virtude do mau entendimento, deixaram o trabalho de catação de materiais recicláveis, por iniciativa própria. Poderiam exercer o trabalho de catação sem fazer parte da Associação, como catadores individuais, como alguns fazem, mas não quiseram, preferiram seguir outro caminho fora do lixão. Também foi questionado se existia algum incentivo por meio dos órgãos públicos. Ele respondeu que não tem nenhum incentivo ou apoio por parte da Prefeitura e de suas Secretarias. Compreende-se, então, como é importante que o poder público municipal, apoie e venha a oferecer melhores condições de trabalho para esses catadores visto que desenvolvem seu trabalho corajosamente em meio a tantas contendas ambientais e sociais. É nítido que o mercado de materiais recicláveis está aumentando em decorrência, principalmente, do aumento na geração de resíduos, o que torna o 58 problema mais grave, e em meio a essas tempestades de mais e mais produtos sendo lançados no mercado, faz-se necessário o incentivo direto a esses trabalhadores, uma vez que os resíduos que eles recolhem e separam como os plásticos, cobre vidro, alumínio, borrachas, papel, amenizam os impactos causados ao meio ambiente. Nas entrevistas foi possível identificar algumas dificuldades no âmbito do desenvolvimento de suas tarefas, “ ” por trabalharem com lixo, a falta de reconhecimento do poder municipal e da sociedade, o desgaste físico, e as chuvas no inverno. Uma das maiores dificuldades esta relacionada à venda dos diferentes tipos de resíduos que são coletados e separados, e são vendidos a quem chegar primeiro, não tem uma empresa responsável pela compra desses materiais. O vice-presidente da Associação, indagou que estão trabalhando para resolver esse impasse. Os materiais que são separados e acondicionados são vendidos diariamente, vende-se cerca de uma tonelada e meia de materiais recicláveis por dia, informação do nosso entrevistado. Na fotografia 13, podemos observar o processo de separação dos materiais no próprio lixão. Fotografia 13 – Pau dos Ferros/RN: Catadores da Associação separando os materiais recicláveis. Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. 59 Analisando a fotografia acima constata-se que não houve a utilização de nenhum tipo de Equipamento de Proteção Individual- EPI´s, a não ser uma quantidade mínima que estavam usando bonés, o que ficou dectado que esses equipamentos não foram distribuidos, seja pela associação, ou por órgão públicos. Ou se foram não estão sendo utilizados. Fotografia 14 – Pau dos Ferros/RN: Resíduos recicláveis, de um dia de trabalho separados e acondicionados. Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. Os materiais que não podem ser reciclados são queimados no lixão mesmo. Os resíduos oriundos da construção civil são dispostos no lixão da cidade. Já o desfecho final, dos resíduos sólidos de saúde dar-se a sessenta metros do lixão, onde os mesmo são colocados em valas (covas) e queimados, como podemos averiguar na fotografia 15. 60 Fotografia 15 – Pau dos Ferros/RN: Resíduos Sólidos de Saúde – RSS Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. Entrevistou-se também, um catador que não faz parte da Associação, ao qual se perguntou, inicialmente, por que não faz parte da Associação? Ele afirmou “ b h ” h utilizado, na tentativa de fixar o entendimento de algumas palavras a mais que remetessem a uma resposta, reformulou-se a pergunta e foi então que o trabalhar de graça foi decifrado. De acordo com o 2 º entrevistado, os preços dos materiais recicláveis na Associação ficam com um valor bem mais baixo daquele que eles revendem para outras pessoas, e o que todos recolhem é somado e dividido entre eles. Segundo o entrevistado, isso foi o que levou vários catadores a abandonarem o lixão, e assim se resume a decisão de não fazer parte da Associação. Diante disso, observa-se uma atitude um tanto quanto individualista, percebe-se que em qualquer atividade/profissão existem suas contradições, controvérsias e problemas impulsionados pela lógica de mercado. Indagou-se sobre os materiais que mais recolhiam, e quais eram considerados os mais caros; e, ainda, se houvesse oportunidade, deixaria a atividade de catação de materiais recicláveis? Eis as respostas obtidas: o material 61 recolhido era o cobre, o vidro, papelão, resíduos orgânicos para a criação de seus animais. O material considerado mais caro é o cobre. E em se tratando da questão se houvesse oportunidade deixaria a atividade, á a “ ” das afirmações, indagou-se sobre a Lei da PNRS, que tem por objetivo as desativações dos lixões municipais de todas as cidades do Brasil, inclusive o lixão de Pau dos Ferros, até agosto de 2014. Em um tom um tanto irônico e desafiador, “ b h ” x há morará até morrer, foi lá que construiu sua casa e comprou seu transporte, e tem plena convicção de que essa lei é só mais uma perante tantas outras já aprovadas e que não foram cumpridas. Diante dessas análises, resta aguardar o desfecho da implementação da Lei da PNRS e a desativação desses lixões que tanto geram impactos ao meio ambiente, como também afetam a saúde das pessoas que vivem e sobrevivem da catação desses materiais recicláveis. Espera-se que esses trabalhadores sejam, de alguma forma, recompensados e motivados a exercerem esse trabalho de suma importância. 62 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A pesquisa que resultou no trabalho de conclusão de curso em Ciências Econômicas CAMEAM/UERN evidenciou que, com o crescimento populacional e avanços tecnológicos, oriundos da industrialização desde o século XVIII, tem se b á “ ” descarte ocorre de maneira inadequada implicando a degradação do meio ambiente e afetando a vida de bilhões de pessoas no planeta. Vive-se numa sociedade cujo cenário permite esse contexto, haja vista os incentivos e consequente indução ao consumo constante e eminente. O resultado, então, é previsível: a excessiva produção de lixo. O estudo de caso na cidade de Pau dos Ferros/RN enfocou os principais impasses que envolvem a problemática dos resíduos sólidos urbanos, visto sob a responsabilidade dos órgãos públicos, privados e da sociedade em geral. Nesse contex b “ ” resíduos e os catadores de materiais recicláveis, que lidam diariamente com a problemática e são desafiados pelas dificuldades oriundas do exercício da profissão. A pesquisa de campo revelou não somente o processo de coleta e desfecho final dos resíduos na cidade, como também identificou a precarização no âmbito dos serviços de limpeza urbana e os desafios dos coletores de resíduos domiciliares e dos catadores de materiais recicláveis existentes no lixão da cidade de Pau dos Ferros/RN. Em se tratando dos coletores de resíduos domiciliares, observou-se que os mesmos lidam diariamente com o desgaste físico oriundo do excesso de trabalho, decorrência da falta de mão de obra em quantidade adequada para exercício do trabalho, vez que são muitos bairros para poucos coletores. Soma-se a isso, a prática da profissão de gari, sem proteção adequada; apesar dos órgãos responsáveis advogarem a importância do uso de equipamentos e de afirmarem fiscalizar o uso de tais equipamentos, foi verificado que em alguns momentos os coletores exerciam suas funções com o mínimo de equipamentos necessários, por ’s. 63 Durante o curso da pesquisa de campo não foi possível entrevistar os coletores de resíduos domiciliares, individualmente, como já relatado anteriormente, alguns por receios de perder o emprego, outros por alegarem falta de tempo; os poucos que aceitaram ser entrevistados, responderam que estavam exercendo suas funções, e que os desafios e impasses eram constantes como em qualquer outra profissão; que recebem seus salários e equipamentos tudo conforme a lei. Foram perceptíveis as repetidas e poucas frases entre os garis e que, mesmo diante de tais õ “ ” eles não usavam os equipamentos, configurando assim condições de riscos durante a coleta dos resíduos urbanos. Em relação ao questionamento da pouca mão de obra para a coleta desses materiais na cidade, a entrevista junto à Secretaria do SEINFRA comprovou tal fato e necessidade. A Secretária, inclusive, relatou que já havia solicitado isso ao prefeito e que aguardava resposta ao pleito. A mesma foi enfática ainda em relatar que alguns coletores de resíduos exercem seus trabalhos desestimulados, apresentando pouco empenho. Apesar de não aprofundar a questão, acredita-se que o ponto forte é a sobrecarga de trabalho, ademais, é perceptível que em alguns bairros como Nações Unidas e Chico Cajá, essa coleta se dá de forma precária, revelando o problema existente de falta de mão de obra. Sobre os catadores de materiais recicláveis, a pesquisa revelou o dia a dia dos mesmos e a forma precária de trabalho. Igualmente importante foi revelar o lado econômico/ “ ” x â b os problemas adicionais de funcionamento da Associação. As transações comerciais desses materiais foram tidas como não satisfatórias pelos informantes, já que a venda não se dá diretamente a uma empresa específica de reciclagem. O ato da “ ” atividade, muitas vezes com preços bem abaixo do que realmente valem. A existência do lixão a céu aberto na cidade aponta a problemática e revela os desafios frente às exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos, além de reforçar a preocupação em decorrência do destino final inadequado dos resíduos sólidos. Entre as medidas sinalizadas pela Prefeitura para enfrentar o problema, está a implementação do plano da construção do aterro sanitário na cidade, sinalizado para se efetivar em agosto deste ano (2014). No entanto, é primordial revelar aqui a 64 preocupação que tal projeto fique em nível do discurso como tantos outros, apreensão compartilhada pelos próprios catadores de materiais recicláveis. Diante do exposto, é evidente que a destinação inadequada desses resíduos constitui um grande desafio para os países em desenvolvimento, bem como para os gestores municipais que precisam incrementar meios, assumir atitudes que acarretem sensibilização por parte da população a fim de extinguir esta problemática. Essa abordagem se torna relacionada à reflexão de Giacomini Filho (2008, p.14): “ h “ ” “ ” rários deste planeta, e que a h e de longo prazo”. Trata-se de “[ ] ”. Dessa forma, é nítido que as pessoas compram coisas que necessariamente não precisam, fazendo com que as coisas mais antigas percam a validade rapidamente, e sejam jogadas fora, descartadas indo para a lata do lixo e tendo, muitas vezes, um destinado inadequado, como os lixões a céu aberto. Considerando os resultados adquiridos em campo, considera-se que é preciso mudar os hábitos excessivos de consumo e que o plano de gerenciamento de resíduos urbanos vem em meio à conscientização de que é preciso adotar os 3 ’ Reduzir, Reutilizar e Reciclar, ou Repensar, Refletir e Reaproveitar em meio à era do descartável. 65 REFERÊNCIAS ABRELPE. Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2012. Disponível em: www.abrelpe.org.br/Panorama/panorama2012.pdf. Acesso em: 23 Dez. 2013. ANTUNES, R. (Org). Os Sentidos do Trabalho. São Paulo: Boitempo, 1999. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. (ABNT, 2004): Resíduos sólidos – classificação. Disponível em: www.abnt.org.br/imagens/notatecnicaconsolidadofinal.pdf. Acesso em 24 Jul. 2013. BARBOSA, L. Sociedade de Consumo – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004. BRASIL. Lei 12.305, de 02 de agosto de 2010. Disponível www.planalto.gov.br/...2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 21. Jan. 2014. em: BESEN, G. R. A questão da coleta seletiva. In: JARDIM, A; YOSHIDA, C; FILHO, J. V. M. Política Nacional, Gestão e Gerenciamento de Resíduos Sólidos. 1ª ed. – São Paulo: Manole, 2012. BEZERRA, J. A. Capítulos de geografia do Rio Grande do Norte: Capítulo 3: Urbanização Regional: As cidades de Mossoró e Pau dos Ferros no Oeste Potiguar. Fundação José Augusto, 2013. CADERNO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL: Resíduos Sólidos - Secretaria do Meio Ambiente - Disponível em: www.ambiente.sp.gov.br/wp.../6-ResiduosSolidos.pdf. Acesso em: 19 Dez. 2013. GESTÃO INTEGRADA DE RESÍDUOS SÓLIDOS: Lei 12.305/10 Política Nacional de Resíduos Sólidos Disponível em: www.bb b L 5 5 . Acesso em 13 Dez. 2013. GIACOMINI F. G. Meio Ambiente e consumismo. Editora Senac- São Paulo-SP. 2008. GIL, A. C. Como Elaborar Projetos de Pesquisas. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2007. GONÇALVES, P. A cultura do Supérfluo: lixo e desperdício na sociedade de Consumo. Rio de Janeiro: Garamond, 2011. ________ A Reciclagem Integradora dos Aspectos Ambientais, Sociais e Econômicos. Rio de Janeiro: DP&A: Fase, 2003. GORENDER, J. Estudos avançados, Vol. 11. no 29. São Paulo 1997. Disponível em: www.scielo.br/scielo. php?pid=S0103...script=scielo. Acesso em 18. Fev. 2014. 66 GRIPPI, S. Lixo Reciclagem e Sua História: Guia para as prefeituras brasileiras. 2ª ed. - Rio de Janeiro: Interciência, 2006. IBGE - ISTITUTUO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATISTICA. Canais cidades@: Rio Grande do Norte, Pau dos Ferros. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm1>. Acesso em: 18 Jul. 2013. LEITE, P. R. Logística reversa na atualidade. In: JARDIM, A; YOSHIDA, C; FILHO, J. V. M. Política Nacional, Gestão e Gerenciamento de Resíduos Sólidos. 1ª ed. – São Paulo: Manole, 2012. MANO, E. B. PACHECO, Élen Beatriz Acordi Vasques; BONELLI, Cláudia Maria Chagas. Meio Ambiente, Poluição e Reciclagem. 2ª ed. – São Paulo: Edgard Blücher, 2005. MARX, K. 1859. INTRODUÇÃO À CONTRIBUIÇÃO PARA A CRÍTICA DA ECONOMIA POLÍTICA- Produção, Consumo, Distribuição, Troca (Circulação). Disponível em: www.marxists.org/portugues/marx/1859/contcriteconpoli/introducao.htm. Acesso 05 Set.2013. MILARÉ, E; MILARÉ, L. T; FRANCO, R. M. B. A responsabilidade por ações desconformes à Política Nacional de Resíduos Sólidos. In: JARDIM, A; YOSHIDA, C; FILHO, J. V. M. Política Nacional, Gestão e Gerenciamento de Resíduos Sólidos. 1ª ed. – São Paulo: Manole, 2012. MINAYO, M. C. S. (Org.); DESLANDES, S. F.; CRUZ N.O. ; GOMES, R. Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2002. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE - Catadores de Materiais Recicláveis. Disponível em: www.mma.gov.br/.../catadores-de-materiais-reciclaveis. Acesso em: 28 Dez. 2013. NETTO, J. P. Capitalismo e Barbárie Contemporânea. Disponível em: periodicos.ufes.br/argumentum/article/viewFile/2028/2717. Acesso em: 04 Set.2013. PORTAL RESÍDUOS SÓLIDOS: Retrospectiva 2013. Disponível www.portalresiduossolidos.com/tag/pnrs. Acesso 05 Jan. 2014. em: PNRS – POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS- Ministério do Meio Ambiente. Disponível em: www.mma.gov.br/política-de-resíduos-sólidos. Acesso em 20 de julho de 2013. RODRIGUES, F. L. ; CAVINATTO, V. M. Lixo de Onde Vem? Para Onde Vai? - 2ª ed. Reform.- São Paulo: Moderna, 2003 – ( Coleção Desafios). RIBEIRO, D. V. ; MORELLI, M. R. Resíduos sólidos: problema ou oportunidade? Rio de Janeiro: Interciência, 2009. 67 SANTOS, T. L. F. COLETORES DE LIXO: A Ambiguidade do Trabalho na Rua. Mestrado em psicologia social, 199. Disponível em: Coletores de Lixo - CPLP. Acesso em: 08 de Jan. 2014. SILVA F. C. R. V. Os serviços de limpeza urbana e a PNRS. In: JARDIM, A; YOSHIDA, C; FILHO, J. V. M. Política Nacional, Gestão e Gerenciamento de Resíduos Sólidos. 1ª ed. – São Paulo: Manole, 2012. SPOSITO, M. E. B. CAPITALISMO E URBANIZAÇÃO. 14. Ed. – São Paulo: Contexto, 2004. VERGARA, S. C. Métodos de Coleta de Dados no Campo. Editora Atlas - São Paulo-SP. 2009. YOSHIDA, C. Competência e as diretrizes da PNRS: conflitos e critérios de harmonização entre as demais legislações e normas. In: JARDIM, A; YOSHIDA, C; FILHO, J. V. M. Política Nacional, Gestão e Gerenciamento de Resíduos Sólidos. 1ª ed. – São Paulo: Manole, 2012. APÊNDICES A - ENTREVISTA CATADORES Esta é uma entrevista semi-estruturada que tem como objetivo coletar informações acerca de das condições de trabalho dos catadores de produtos recicláveis. O objetivo é revelar as condições de trabalho, mas também desvelar os riscos ambientais e de saúde dos mesmos e para o meio ambiente. Contemplam alguns dos objetivos específicos desse trabalho. Trata-se de um trabalho acadêmico e destina-se a fins científicos, daí a garantia de anonimato das pessoas que emitirem suas opiniões. O sucesso deste trabalho depende da cooperação do entrevistado. Agradecemos a colaboração voluntária. CARACTERIZAÇÃO DO CATADOR 1. Sexo 1.1 ( ) M 1.2 ( ) F 2. Qual a sua idade? 2.1 ( 2.2 ( 2.3 ( 2.4 ( 2.5 ( 2.6 ( 2.7 ( ) 14 a 17 ) 18 a 24 ) 25 a 29 ) 30 a 39 ) 40 a 49 ) 50 a 59 ) acima de 60 anos 3. Qual é seu grau de escolaridade? 3.1 ( 3.2 ( 3.3 ( 3.4 ( 3.5 ( 3.6 ( 3.7 ( ) Analfabeto ) Fundamental incompleto ) Fundamental completo ) Médio Incompleto ) Médio completo ) Superior incompleto ) Superior completo 4. Qual é seu estado civil? 4.1. ( 4.2. ( 4.3. ( 4.4. ( ) Solteiro (a) ) Casado (a) ) Divorciado (a) ) Viúvo (a) 4.5. Outros___________________________________ 5. Onde você reside? (localidade) ____________________________________________ 6. A residência onde mora é: 5.1 ( ) própria 5.2 ( ) alugada 5.3 ( ) Outra 6. A família recebe algum tipo de benefício social? [Ex.: Bolsa Família, cesta básica ou outro]. 6.1 ( ) Não. 6.2 ( ) Sim. 7. Alguém da Família trabalha em outra atividade? 7.1 ( ) Não 7.2 ( ) Sim. Qual?______________________________ 9. Qual a faixa de renda familiar da residência? [incluindo todos os rendimentos existentes]. 7.1 ( ) Até 1 sal. Mín. 7.2 ( ) 1 a 2 sal. mín. 7.3 ( ) 2 a 3 sal. mín. 7.4 ( ) 3 a 4 sal. mín. 7.5 ( ) 4 a 5 sal. mín. 7.6 ( ) 5 a 6 sal. mín. 7.7 ( ) acima de 6 sal. mín. 10. A renda dessa atividade, quanto contribui para a renda familiar? 4.1 ( ) entre 10 % a 15% 4.2 ( ) entre 15% a 25% 4.3 ( ) entre 25% a 50% 4.4 ( ) entre 50% a 75% 4.5 ( ) entre 75% a 100% 4.6 ( ) 100% da renda II – INFORMAÇÕES SOBRE A ATIVIDADE 1. Há quanto tempo você exerce essa função de catadores de produtos recicláveis? 1.1 ( ) Menos de 1 ano 1.2 ( ) De 1 a 2 anos 1.3 ( ) De 2 a 3 anos 1.4 ( ) De 4 a 5 anos 1.5 ( ) Acima de 5 anos 2. O que o motivou a exercer essa atividade? 2.1 ( ) Desemprego 2.2 ( ) Falta de escolaridade 2.4 ( ) Maiores rendimentos 2.5 Outros _________________________________________________________ 4. Como se dá a venda do que foi recolhido? A forma de organização a renda. 5. Quais resíduos são mais valorizados? Mais caros. 6. Quem compra? Explique o processo de compra e venda. 7. Que contribuições recebem dos órgãos públicos, como a prefeitura? Alguma orientação para a atividade ou mesmo visitas da assistência social? 8. Se tiver oportunidade, sairia da atividade? Por quê? APÊNDICES B - ENTREVISTA ASSOCIAÇÃO Esta é uma entrevista semi-estruturada que tem como objetivo coletar informações de como se dá a coleta de lixo na cidade de Pau dos Ferros, qual origem deste lixo, o destino dado a ele; os transportes envolvidos e as condições de trabalho das pessoas envolvidas na limpeza e coleta de resíduos urbanos. Envolvem alguns dos objetivos específicos desse trabalho. A entrevista será realizada junto à associação e/ou cooperativa de catadores de produto recicláveis. Trata-se de um trabalho acadêmico e destina-se a fins científicos, daí a garantia de anonimato das pessoas que emitirem suas opiniões. O sucesso deste trabalho depende da cooperação do entrevistado. Agradecemos a colaboração voluntária. INFORMAÇÕES SOBRE A ASSOCIAÇÃO E A ATIVIDADE Soube da existência de uma associação de catadores de resíduos recicláveis na cidade. É a única existente na cidade? ( ) Sim ( ) Não Gostaria de saber algumas informações da mesma: 1. Como surgiu essa associação e/ou cooperativa a qual o senhor é representante? 2. Há quanto tempo existe? A mesma é formalizada? É regida por algum estatuto? 3. Quantos associados existem no presente momento? 4. Qual a forma de ingresso? 5. Que relações à associação e/ou cooperativa estabelece com a prefeitura? Recebe algum incentivo? Acompanhamento? Qual? 6. Que ações realizadas por parte dos Órgãos Públicos estariam beneficiando a associação e/ou cooperativa? Ou quais ações gostariam que os mesmos desenvolvessem? 7. Quais os benefícios trazidos pelo trabalho em uma associação? 8. Relate aspectos positivos e negativos, dificuldades desde a implementação dessa associação? 9. Para o catador, o que melhorou? Quais as vantagens de ser um associado? 10. Há preocupação com a divisão dos resíduos? Como se dá a divisão? Classificar. 11. Como se dá a venda do que foi recolhido? 12. Qual a base cálculo para a venda? 13. Quem compra? Explique o processo de compra e venda. APÊNDICES C - ENTREVISTA SECRETARIA DE INFRAESTRUTURA -SEINFRA Esta é uma entrevista que tem como objetivo coletar informações de como se dá a coleta de lixo na cidade de Pau dos Ferros, qual origem deste lixo, o destino dado a ele; os transportes envolvidos e as condições de trabalho das pessoas envolvidas na limpeza e coleta de resíduos urbanos. Município: Pau dos Ferros Nome da Secretária de Infraestrutura SEINFRA I- SERVIÇOS DE LIMPEZA URBANA 1. Como é feita a coleta de lixo na Cidade? 2. O serviço de coleta de lixo no município é próprio ou terceirizado? Em caso de terceirizado, qual empresa? 3. Números de carros utilizados na coleta da limpeza pública e capacidade de carga. Vezes de circulação diária, semanal. 4. A quantidade de trabalhadores envolvidos na atividade de limpeza pública (garis, motoristas...). Desde do recolhimento até o despejo final? II – COLETA DE RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIAR: 5. Quais horários das coletas de resíduos sólidos, em áreas residenciais? 6. Existe fiscalização no ato das atividades dos coletores de resíduos sólidos? 7. O custo da limpeza da cidade. (nos últimos dois anos aumentou ou diminui)? 8. A média da quantidade de resíduos produzidos diariamente. APÊNDICES D - ENTREVISTA SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE Esta é uma entrevista que tem como objetivo coletar informações de como se dá a coleta de lixo na cidade de Pau dos Ferros, qual origem deste lixo, o destino dado a ele; e sobre a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos PNRS, na cidade de Pau dos Ferros/RN. Município: Pau dos Ferros Secretaria do Meio Ambiente 1. O lixo urbano é responsável por impactos ambientais, sociais e econômicos. Seria esse um grande desafio para a administração pública? 2. Estão sendo realizadas ações para a temática dos resíduos sólidos em Pau dos Ferros no RN? 3. Depois de implantada em 2010, a Política Nacional de Resíduos Sólidos já trouxe algum resultado positivo? 4. Há algum trabalho de conscientização no município, na questão de coleta seletiva do lixo? 5. Qual é o destino do lixo produzido em Pau dos Ferros? 6. Será possível terminar com os lixões até 2014, conforme o previsto pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, ou será necessário prorrogar os prazos? 7. O município dispõe de espaço físico para construir aterros? 8. Existe alguma iniciativa de coleta seletiva na cidade? De quem partiu a ação e qual instituição coordenam os trabalhos? Existe fiscalização? 9. Com a extinção dos lixões, o que acontecerá com os catadores de produtos recicláveis? Anexo A - Lei nº 12.305/10 e Decreto nº 7.404/10 O Decreto 7.404 de dezembro de 2010, regulamentada a Lei nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), criou o comitê orientador para implantação dos sistemas de logística reversa (PORTAL DOS RESÍDUOS SÓLIDOS, 2013). Art. 1º Esta lei institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, dispondo sobre seus princípios, objetivos e instrumentos, bem como sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos, incluída os perigosos, às responsabilidades dos geradores e do poder público e aos instrumentos econômicos aplicáveis. § 1º Estão sujeitas à observância desta lei as pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, responsáveis, direta ou indiretamente, pela geração de resíduos sólidos e as que desenvolvam ações relacionadas à gestão integrada ou ao gerenciamento de resíduos sólidos. § 2º Esta lei não se aplica aos rejeitos radioativos, que são regulados por legislação específica. Art. 2º Aplicam-se aos resíduos sólidos, além do disposto nesta lei, nas Leis nos 11.445, de 5 de janeiro de 2007, 9.974, de 6 de junho de 2000, e 9.966, de 28 de abril de 2000, as normas estabelecidas pelos órgãos do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa) e do Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Sinmetro). Art. 3º Para os efeitos desta lei entende-se por: I – acordo setorial: ato de natureza contratual firmado entre o poder público e fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes, tendo em vista a implantação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto; II – área contaminada: local onde há contaminação causada pela disposição, regular ou irregular, de quaisquer substâncias ou resíduos; III – área órfã contaminada: área contaminada cujos responsáveis pela disposição não sejam identificáveis ou individualizáveis; IV – ciclo de vida do produto: série de etapas que envolvem o desenvolvimento do produto, a obtenção de matérias-primas e insumos, o processo produtivo, o consumo e a disposição final; V – coleta seletiva: coleta de resíduos sólidos previamente segregados conforme sua constituição ou composição; entre outras. (POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS, 2012, p. 09- 18). A PNRS, no Art. 4º, estabelece princípios, instrumentos, metas e diretrizes para gestão e gerenciamento dos resíduos sólidos. No Art. 5º a PNRS, associa a Política Nacional de Meio ambiente articulando-se com a Política Nacional de Educação Ambiental (POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS, 2012). O Art. 6º são os princípios da Política Nacional dos Resíduos sólidos; o Art. 7º, trata dos objetivos e no Art. 8º aborda os instrumentos da PNRS entre outros; No Art. 9º abrange a gestão e o gerenciamento dos resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem, não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada desses resíduos. No Art. 10, compete ao Distrito Federal e aos municípios e a gestão integrada dos resíduos sólidos nos referentes territórios. Art. 11, ressaltam-se as diretrizes e demais decisões postas nesta Lei e em seu regulamento, incumbe aos Estados: Art. 12. “ manterão, de forma conjunta, o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir), articulado com ” (BRASIL. LEI 12.305, DE 02 DE AGOSTO DE 2010). E, assim, os confins principais da Política Nacional de Resíduos Sólidos salientam-se de outros artigos, ao quais não estão inseridos no anexo, mas dentro da qual cabe salientar a importância dos mesmos como instrumentos da implementação dos sistemas de logística reversa, que espera-se, colocar na prática os princípios e objetivos da Política, acarretando para uma ação responsável e integrada com o Poder Público.