UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE CURSO DE FISIOTERAPIA MARIANA SCHUBERT REGIANI PEREIRA BIGUAÇU (SC) 2011 MARIANA SCHUBERT REGIANI PEREIRA UM PROGRAMA PREVENTIVO DA INCIDÊNCIA DE LESÕES MÚSCULOESQUELÉTICAS EM ATLETAS DE REMO Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Fisioterapia da Universidade do Vale do Itajaí, Centro de Ciências da Saúde, Campus Biguaçu (SC) Orientadora: MSc. Angelise Mozerle BIGUAÇU (SC) 2011 AGRADECIMENTOS As nossas mães Clara e Gorete por todo apoio prestado nessa longa caminhada; As orientadoras Claudia Thofehrn, Juliana Vidotto e Angelise Mozerle pela paciência e as contribuições prestadas ao nosso trabalho; Á professora Aline Moreira pela compreensão na última etapa do estágio hospitalar; Ao professor Felipe Lacerda pelo apoio e incentivo na realização dessa pesquisa; Ao Eduardo Machado Ceara, técnico e preparador físico dos atletas do Clube Náutico Francisco Martinelii que acreditou na proposta da pesquisa e abriu a oportunidade de implementar, junto aos atletas, mais esse trabalho; Aos atletas participantes do estudo, pela seriedade com que enfrentaram o desafio; Ao Leandro Jorge, namorado da acadêmica Mariana Schubert, por todo apoio prestado, dedicação, compreensão e paciência para que ela pudesse percorrer com mais suavidade essa difícil trajetória; Aos colegas de sala, pelo carinho e apoio que tiveram conosco; Aos amigos da acadêmica Regiani Pereira: Patricia Serpa, Tania Regina Vanelli, Suiani Rocha, as primas Mery Alessandra Martinenghi, Mileise Aline Martinenghi e ao irmão Rafael Pereira, por todo carinho, compreensão, incentivo, acolhimento e segurança para a realização de mais esta etapa; Ao nosso amigo Matheus Silverio pela colaboração com a confecção do banner. RESUMO A prática esportiva eleva o risco da ocorrência de lesões. Os atletas estão sujeitos a sofrerem lesões, seja em fase de treinamento ou em competição. Essas lesões estão diretamente relacionadas a fatores predisponentes intrínsecos e extrínsecos, e à ausência de um programa preventivo. O presente estudo objetivou verificar a incidência das lesões entre os atletas de remo no Clube Náutico Francisco Martinelli e diante disso elaborar um programa preventivo. Na coleta dos dados foi aplicado um questionário com 26 atletas e com a obtenção e análise dos dados, foi possível caracterizar as principais regiões anatômicas mais acometidas. Dentre os resultados obtidos destacamse a predominância do sexo masculino, com média de idade de 26 anos, exercendo o esporte em média de 91 meses, e de treino 13 horas semanal, sendo que os maiores números de leões foram em treinamento. Em relação ao incômodo dos segmentos mencionados no questionário, os atletas relataram um índice maior em coluna lombar (n=17), ombros (n=12) e coluna dorsal (n=9). Nas lesões a maior incidência foi em coluna lombar (n=9), pernas-joelhos (n=7) e punho-mão (n=4). Diante desses resultados, criou-se um programa através de uma palestra e um banner indicando os alongamentos adequados para as regiões mais afetadas. ABSTRACT The sports increases the risk of occurrence of injuries. Athletes are subject to be injured, either in training or competition. These lesions are directly related to intrinsic and extrinsic risk factors, and the absence of a preventive program. This study aimed to determine the incidence of injuries among athletes rowing in Martinelli Francisco Yacht Club and at that prepare a preventive program. In the data collection was a questionnaire with 26 athletes and obtaining and analyzing data, it was possible to characterize the main anatomical regions most affected. Among the results obtained highlight the predominance of males, mean age 26 years, playing sports an average of 91 months training and 13 hours weekly, with the largest numbers of lions were in training. In relation to the annoyance of segments mentioned in the questionnaire, the athletes reported a higher rate in the lumbar spine (n = 17), shoulders (n = 12) and spine (n = 9). In the lesions was the highest incidence in the lumbar spine (n = 9), legs, knees (n = 7) and wrist-hand (n = 4). Given these results, we created a program through a lecture and a banner indicating the stretches suitable for the most affected regions. LISTA DE ILUSTRAÇÕES FIGURA 1 – Finca pé FIGURA 2 – Carrinho FIGURA 3 – Forqueta FIGURA 4 – Single Skiff FIGURA 5 – Doble Skiff FIGURA 6 – Four Skiff FIGURA 7 – Dois sem timoneiro FIGURA 8 – Dois com timoneiro FIGURA 9 – Quatro sem timoneiro FIGURA 10 – Quantro com timoneiro FIGURA 11 – Oito com timoneiro LISTA DE TABELAS TABELA 1 – Peso, idade, quantidade de horas e tempo de treinamento TABELA 2 – Fadiga, desconforto ou dor em coluna cervical TABELA 3 – Fadiga, desconforto ou dor em ombros TABELA 4 – Fadiga, desconforto ou dor punhos e mãos TABELA 5 – Fadiga, desconforto ou dor em coluna lombar TABELA 6 – Fadiga, desconforto ou dor em coxas TABELA 7 – Fadiga, desconforto ou dor em perna e joelhos TABELA 8 – Lesão em cervical TABELA 9 – Lesão em punhos e mãos TABELA 10 – Incidência de lesões em coluna dorsal TABELA 11 – Incidência de lesões em coluna lombar LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1 – Quantidade de homens e mulheres CNFM GRÁFICO 2 – Como aconteceu a lesão GRÁFICO 3 – Desempenho nas regatas GRÁFICO 4 – Fadiga, desconforto ou dor em cotovelos GRÁFICO 5 – Fadiga, desconforto ou dor em coluna dorsal GRÁFICO 6 – Fadiga, desconforto ou dor em tornozelos e pés GRÁFICO 7 – Atletas lesioanados em ombro GRÁFICO 8 – Lesões em cotovelos GRPAFICO 9 – Incidência de lesões em membros inferiores SIGLAS CNFM – Clube Náutico Francisco Martinelli CBR – Confederação Brasileira do Remo SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .........................................................................................................11 2 OBJETIVOS ..............................................................................................................13 2.1 Objetivos gerais ........................................................................................................13 2.2 Objetivos específicos ................................................................................................13 3. EMBASAMENTO TEÓRICO ................................................................................14 3.1 Definição e biomecânica do remo ............................................................................14 3.2 Lesões músculo-esqueléticas ....................................................................................20 3.2.1 Fadiga muscular .....................................................................................................21 3.2.2 Dor..........................................................................................................................21 3.2.3 Prevenção ...............................................................................................................22 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ............................................................24 4.1 Delineamento do estudo ...........................................................................................24 4.2 Delimitação do estudo ..............................................................................................24 4.3 Instrumentos e procedimentos da coleta de dados ....................................................25 4.3.1 Pimeira etapa: Triagem inicial com os sujeitos da pesquisa e determinação dos parcipantes.......................................................................................................................25 4.3.2 Segunda etapa: Protocolo de estudo ......................................................................26 4.3.3 Aplicação do instrumento de pesquisa dos atletas do Clune Náutico Francisco Martinelli ........................................................................................................................26 4.4 Procedimentos de análise de dados .........................................................................27 5 RESULTADOS ................................................. ........................................................28 5.1 Resultados das questoes ............................................................................................28 6 DISCUSSÃO ..............................................................................................................39 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................45 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................46 APÊNDICES .................................................................................................................52 APÊNDICE A: Termo de consentimento livre e esclarecido .........................................52 ANEXO ..........................................................................................................................53 ANEXO A: Questionário ................................................................................................52 ANEXO B: FOLDER .....................................................................................................57 1 1 INTRODUÇÃO Desde o surgimento de atividades físicas com a finalidade de competição até aos grandes espetáculos dos dias atuais, o esporte viveu inúmeras transformações, acompanhando par e passo as transformações que ocorrem na sociedade, refletindo em seu ambiente os avanços científicos, tecnológicos e os valores criados e desenvolvidos pelos indivíduos (SILVA & RUBIO, 2003). Os mesmos autores alegam que o ambiente esportivo altamente competitivo criou uma condição absoluta e inquestionável de valorização excessiva da vitória. Uma das grandes motivações de qualquer atleta que participa hoje de importantes competições nacionais ou internacionais está não somente na vitória, mas justamente na luta pela conquista do recorde. A luta do atleta não é tanto contra o adversário, ―mas contra o cronômetro‖. Segundo DaCosta (2005), o remo assim como a roda, é um dos instrumentos fundadores da civilização humana. E como tal, o barco a remo estava presente na expansão e desenvolvimento dos antigos egípcios, gregos e romanos. Mas como esporte, o remo se origina na Inglaterra quando esta atividade encontrou outro significado além do transporte, exploração e conquista. Quem trouxe a modalidade para o Brasil, em 1880, foram os imigrantes alemães do Rio Grande do Sul e, posteriormente, italianos do Estado de São Paulo (GERASIMENKO, 2002). Foi em Santos, com a fundação do Clube de Regatas Santistas, no século XIX, que oficialmente surgiu o remo (DUARTE, 2003). Esta modalidade foi introduzida nos jogos Olímpicos desde sua primeira edição, em 1896. O remo como qualquer desporto olímpico, é caracterizado por intensa competitividade, conjugando força e sincronia dos movimentos, características fundamentais na incessante busca da obtenção de melhores resultados. O principal objetivo para os atletas desta modalidade é obter melhor desempenho físico e técnico, visando superar um determinado trecho em menor tempo em que seus adversários (OLIVEIRA, 2006). Na maioria dos esportes ocorrem lesões. Elas são aceitas como inevitáveis, por conseqüência da prática esportiva intensa. Entretanto, a maioria delas possivelmente será evitada, se o atleta procurar auxílio no momento em que perceber que algo não vai bem, em vez de esperar que os sintomas se agravem a tal ponto que a continuação do treinamento se torne impossível (BLACK e REEBERG, [199-?]). 11 Sabe-se que na prática de esporte em geral existem sistemas de classificação para garantir uma competição justa. No remo há classes para homens e mulheres, peso leve e pesado, para juniores e seniores (NAKATU e TSUKAMOTO, 2007). Diversos aspectos estão relacionados ao desempenho no remo, podendo ser destacados: as capacidades condicionais, coordenativas e as características morfológicas, como as mais importantes para o alcance de resultados na modalidade (MAIA, OLIVEIRA e SOARES, 2003). Durante a remada, a musculatura dos membros inferiores é responsável por aproximadamente 75% da potência gerada no deslocamento do barco, ficando o restante para a musculatura de membros superiores e do tronco (HAGERMAN, 1994). As lesões musculares ou distensões musculares são aquelas onde há ruptura de fibras musculares, na junção músculo-tendão, no tendão ou na inserção óssea de uma unidade músculo-tendínea (PINTO e CASTILLO, 1998). No Remo, um grande número de lesões pode ocorrer enquanto o atleta se prepara fisicamente para remar, e não por causa da prática em si. Melhor dizendo, elas são causadas por excesso de treinamento ou por uma técnica errônea. Uma lesão por excesso de treinamento é devida à repetição estereotipada de um movimento padrão, que compromete os tecidos. Este tipo de problema ocorre com freqüência em certos momentos, como por exemplo, na preparação para uma competição importante, ou após retornar de férias ou períodos de doença, quando o atleta julga que precisa fazer treinos extras para recuperar o nível de performance anterior (BLACK e REEBERG, [199-?]). Segundo os mesmos autores, provavelmente são de maior ocorrências, as dores e lesões lombares. Não significam, necessariamente, o fim da carreira do atleta, pois na maioria dos casos podem ser corrigidas com exercícios de flexibilidade e alongamento da musculatura ou melhoria da técnica. Porém, se não forem tratadas, podem piorar e causar danos irreparáveis a longo prazo. Tendo em vista a dificuldade de encontrar estudos direcionados à atletas do remo em Florianópolis o presente estudo procura identificar as principais lesões músculo-esqueléticas em atletas de remo do Clube Náutico Francisco Martinelli, afim de realizar um programa preventivo na rotina de treinamento, para que os mesmos possam obter um melhor rendimento com o mínimo de lesões. 12 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivo Geral Verificar a incidência das lesões músculo- esqueléticas entre os atletas de remo no Clube Náutico Francisco Martinelli e elaborar um programa preventivo. 2.2 Objetivos Específicos Especificamente esse trabalho se propõe: Investigar as principais lesões músculo-esqueléticas que acometem esses indivíduos; Verificar a rotina de treinamento dos atletas do Clube Náutico Francisco Martinelli; Verificar a rotina de exercícios de apoio dos atletas do Clube Náutico Francisco Martinelli. 13 3 EMBASAMENTO TEÓRICO 3.1 Definição e biomecânica do remo Remo é o ato de deslocar um barco, com ou sem timoneiro, pela força muscular de um ou mais remadores, usando remos como alavancas do segundo gênero e sentados de costas para a direção do movimento do barco (http://www.cbr- remo.com.br/files/sobre_remo_barcos.asp). O remo é um esporte de ―exercício físico‖, termo-chave usado pelos que defendiam e propagavam os benefícios dessa prática. É o esporte da saúde, do desafio contra o outro e contra o mar, que educa o músculo e a moral (MELO, 2006). Segundo Machado e Richa ([200-?]), barco é composto por elementos básicos como Finca Pé, Carrinho e a Forqueta. Finca Pé: é uma pequena plataforma com um tênis fixo para que o remador fique fixo ao barco e possa utilizar o carrinho na remada (FIGURA 1). FIGURA 1 – Finca pé. FONTE: MAIO, 2006. Carrinho: Utilizado para aumentar a potência da remada, desliza sobre dois trilhos, faz com que as pernas possam ser utilizadas durante a remada (FIGURA 2). FIGURA 2 – Carrinho. FONTE: MAIO, 2006. 14 Forqueta: local onde o remo é encaixado deve ser regulado de acordo com cada remador para facilitar a remada. FIGURA 3 – Forqueta. FONTE: MAIO, 2006. Quanto aos remos existem dois tipos de remos que são os remos simples aonde cada remador conduz um remo com ambas às mãos, esse remo mede cerca de 3 metros e 75 centímetros. E o remo duplo onde cada remador segura dois remos cada um com uma mão, esse remo mede aproximadamente 2 metros e 90 centímetros. O remo do lado esquerdo do remador é o boreste e do lado direito é chamado de bombordo. Seu material de fabricação varia desde os remos de madeira até os de fibra de carbono mais usados atualmente (FEDERAÇÃO DE REMO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, 2008). De acordo com Carr (1998), a biomecânica pode ser definida como a aplicação das leis e princípios mecânicos aos organismos vivos. O estudo da biomecânica no remo torna-se importante para entendermos como acontecem os movimentos, facilitando assim a compreensão do esporte, e para podermos explicar alguns mecanismos de lesões. As embarcações a princípio são largas e pesadas, foram aperfeiçoadas por uma técnica que permitiu a obtenção de resultados cada vez melhores, pela rapidez com que deslizavam na água. Com o passar dos tempos os barcos de regatas foram sendo construídos com outro tipo de material, sendo os mais modernos de fibra de carbono (SANTINONI e SOARES, 2006). A evolução do esporte implicou a classificação das provas de acordo com o número de remadores, surgindo competições que variavam de um a oito homens, com 15 ou sem timoneiro (ou patrão), que é o tripulante encarregado de orientar o barco e os atletas nos barcos (SANTINONI e SOARES, 2006). Um homem não pode timonear um barco feminino e vice-versa, exceto em provas de másteres, salvo se a entidade organizadora da regata permitir. As categorias competitivas estão divididas em masculina e feminina. Cada uma destas está subdividida em peso livre e peso leve. O termo peso livre define que não existe limite de massa corporal para que os atletas competem nessa categoria; contrariamente o termo peso leve, define que nesta categoria há restrição do peso máximo que um remador pode ter individualmente, ou em caso de barcos com mais de um remador, restringe-se o peso médio de uma guarnição. Na categoria peso leve masculina competem remadores com massa corporal máxima de 72,5 kg, no Esquife, e média de 70,0 kg em guarnições de conjunto; já na categoria feminina o limite de massa corporal é de 59,0 kg, para o Esquife, e 57,0 kg de média para guarnições de conjunto (FISA, 2005a). Exemplificando: poderíamos ter uma guarnição no Duplo Esquife masculino peso leve com um remador de 67,5 kg e o outro pesando 72,5 kg o que resultaria em um valor média de 70,0 kg para a massa corporal dos atletas (MAIA, 2006). A seguir os tipos de barcos utilizados atualmente pelos remadores descritos em Maio (2006) e na CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE REMO (http://www.cbrremo.com.br/files/sobre_remo_barcos.asp): SINGLE SKIFF (1X) COMPRIMENTO: 8,20m FIGURA 4 – Single Skiff. FONTE: CBR; MAIO, 2006. DOUBLE SKIFF (2X) COMPRIMENTO: 10,40m 16 FIGURA 5 - Doble Skiff. FONTE: CBR; MAIO, 2006. FOUR SKIFF (4X) COMPRIMENTO: 13,40m FIGURAFFFFIGURA 6 - Four Skiff. FONTE: CBR; MAIO, 2006. SEM TIMONEIRO (2-) COMPRIMENTO: 10,40m FIGURA 7 – Dois sem timoneiro. FONTE: CBR; MAIO, 2006. FIGURA DOIS COM TIMONEIRO (2+) COMPRIMENTO: 10,40m FIGURA 8 – Dois com timoneiro. FONTE: CBR; MAIO, 2006. 17 QUATRO SEM TIMONEIRO (4-) COMPRIMENTO: 13,40m FIGURA 9 – Quatro sem timoneiro. FONTE: CBR; MAIO, 2006. QUATRO COM TIMONEIRO (4+) COMPRIMENTO: 13,70m FIGURA 10 – Quatro com timoneiro. FONTE: CBR; MAIO, 2006. OITO COM TIMONEIRO (8+) COMPRIMENTO: 19,90 m FIGURA 11 – Oito com timoneiro. FONTE: CBR; MAIO, 2006. As provas oficiais são realizadas em uma distância de dois mil metros onde até seis barcos competem simultaneamente separados por raias com um traçado retilíneo. Numa regata os remadores realizam um volume de remadas que varia de duzentos a duzentos e quarenta e quatro remadas aproximadamente que são realizadas em um ritmo 18 (voga) médio entre trinta e quatro a trinta e oito de remadas por minuto (SECHER, 1992). A modalidade está no programa das olimpíadas da era moderna desde a sua primeira edição e atualmente é composto de 14 provas sendo 8 masculinas e 6 femininas, sendo desde a olimpíada de Atlanta, 1996, implantada a categoria peso leve em duas provas no masculino e uma prova no feminino (CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE REMO, 2008). O ciclo da remada pode ser dividido em duas fases: a fase de propulsão e a de recuperação. A técnica correta do movimento da remada respeita uma seqüência de movimentos onde os membros inferiores são os primeiros atuantes seguidos pelo tronco e membros superiores, respectivamente na fase de propulsão e inversamente na fase de recuperação (OLIVEIRA, 2006). Durante o treino, o ritmo das remadas variam entre 15 e 40 remadas por minuto, o passo que durante a competição do barco individual (single-skiff) esse ritmo varia entre 32 e 38 remadas por minuto. O barco com oito remadores o ritmo pode alcançar 48 remadas por minuto na largada (STEINACKER, 1993). A remada básica é uma ação muscular coordenada que requer aplicação de força repetitiva de maneiras fortes e suaves. Cada grupo grande de músculo irá contribuir para essa ação, pois é um esporte que utiliza movimentos de empurrar e puxar, aplicando força continuamente, ao longo de toda a amplitude de movimento. Se o atleta deseja aplicar força máxima a uma resistência pesada, ele utiliza, simultaneamente, o maior número de segmentos corporais que possam ser aplicados na tarefa, que são: pernas, costas, tórax, ombros e braços (CARR, 1998). Os remadores puxam os remos por menos de seis minutos em uma competição. Ao longo da competição, esses atletas mudam a intensidade e o período de tempo em que aplicam força com seus músculos. No início, os atletas, usam mais batidas por minuto quando aceleram do que, posteriormente, no trajeto. Cada puxada no remo é rápida, potente, mas sobre uma curta distância (CARR, 1998). Segundo o mesmo autor, nos jogos olímpicos, remadores desejam manter o curso o mais reto possível. Para isso, eles tentam eliminar quaisquer forças que possam desviá-los do caminho. Um barco de oito remos (por exemplo), peso-pesado, disparando para a chegada, tem uma tremenda estabilidade linear. Coletivamente, os oito remadores e seu barco compõem uma grande massa. A forma longa e estreita do barco, combinada com as remadas, propelem-nos a uma alta velocidade, em uma linha 19 reta. A oposição, tentando tirá-los de seu curso reto, vem do vento, das ondas e do atrito gerado pelo movimento através do ar e da água. 3.2 Lesões músculo-esqueléticas e atenção primária (programa de prevenção) Lesão foi definida por Chen et al (2005) como, todo o problema físico durante a prática ou a competição em que resultou em um efeito ou em uma ausência da prática ou da competição seguinte. Rose, Tadiello e Junior (2006) definem lesão como sendo um dano causado por traumatismo físico sofrido pelos tecidos do corpo. Segundo Rose, Tadiello e Junior (2006) a prática esportiva eleva o risco da ocorrência de lesões. Os atletas estão sujeitos a sofrerem lesões, seja em fase de treinamento ou em competição. Essas lesões estão diretamente relacionadas a fatores predisponentes intrínsecos e extrínsecos, e à ausência de um programa preventivo. É importante saber que o mecanismo de lesão, definido por Whiting e Zernick (2001), como sendo, ―o processo físico fundamental responsável por uma determinada ação, reação ou resultado.‖ Em outras palavras mecanismo de lesão é como ocorreu a lesão, que pode ter sido por trauma direto ou indireto. Na área desportiva saber identificar o mecanismo de lesão é fundamental para um bom diagnóstico e a partir disso, elaborar um plano de tratamento eficaz, permitindo que o atleta volte a sua capacidade física satisfatória o mais rápido possível (SILVA et al, 2005). Segundo Whiting e Zernick (2001), cada lesão é impar, embora seja muitas vezes semelhante às outras lesões, ela nunca de fato é exatamente igual a anterior. A gravidade da lesão está relacionada ao grau de dano sofrido pelo tecido. Por exemplo, nas lesões leves e moderadas, existe tipicamente uma ruptura parcial da estrutura tecidual. O tecido lesionado ainda pode suportar carga de treinamento, porém em menor quantidade. Nos casos de lesões graves com ruptura total de estruturas, não há continuidade do tecido, ou seja, em um determinado ponto ele se encontra interrompido e isso não permite que uma carga de treinamento seja imposta e aceita pelo organismo. As lesões do esporte são causadas por traumas de diferentes níveis. Para simplificar dividi-se as lesões em traumáticas, causadas por grandes forças, e síndromes por uso excessivo. Lesões traumáticas agudas são comuns em atletas. A causa e a gravidade são geralmente óbvias. O atleta sentirá uma dor súbita, com desenvolvimento de edema, que normalmente leva algumas horas para atingir o seu grau máximo. Já a síndrome por uso excessivo são de difíceis diagnóstico e tratamento. Essas lesões se 20 tornaram mais comuns com o aumento da prática de esportes em geral, com a maior intensidade e a duração dos treinamentos (PERTERSON e RENSTRÖM, 2001). Mas para Pochini, Runco, Lasmar (2004), as lesões musculares podem ser classificadas em traumáticas e atraumáticas. Entre as traumáticas, estão o estiramento, a contusão e a laceração (ou ruptura, sendo esta parcial ou total). Entre as atraumáticas, estão a câimbra e a dor muscular tardia. Podemos encontrar ainda outras classificações, com relação ao tempo de lesão (agudas ou crônicas) e à ocorrência, lesão primária ou recidivante, levando-se em conta se esta ocorreu pela primeira vez naquele determinado músculo ou não. Segundo Hensel, Perroni, Junior (2008), as lesões esportivas causam normalmente alterações no desempenho dos atletas, com um possível afastamento dos treinos e competições. Por isso é importante o papel na prevenção dessas lesões, exercendo um programa de atenção primária, para diminuir sua ocorrência e minimizar sua intensidade, melhorando assim, o desempenho do atleta. Tendo como base, Oliveira, Simões e Andrade (2008), uma vez que a Atenção Primária à Saúde (APS) baseia-se na promoção à saúde e na prevenção de agravos, esse nível assistencial tem potencial para impactar os níveis superiores de atenção, reduzindo a necessidade da interrupção dos treinos. 3.2.1 Fadiga Muscular A fadiga muscular (FM) é definida como qualquer redução na capacidade do sistema neuromuscular de gerar força, é um fenômeno comum em esportes de resistência. O início da atividade muscular voluntária envolve muitos processos que começam com o controle cortical no cérebro e terminam com a formação das pontes cruzadas dentro da fibra muscular. A fadiga muscular pode, portanto, ocorrer como resultado da falha de qualquer um dos processos envolvidos na contração muscular (SILVA, MARTINEZ, PACHECO e PACHECO, 2006). 3.2.2 Dor A dor é uma experiência sensorial e emocional desagradável e vivida por cada um de forma diferente. Pode ser aguda, de curta duração, ou crônica, quando persiste por mais de 3 meses. A dor no atleta tem duas origens, uma decorrente do próprio 21 treinamento e a outra, causada por lesões musculoesqueléticas que geralmente se prolongam no tempo gerando, desta forma, as dores crônicas (THURM, 2007). E para Bonfim et al (2010) a dor é um mecanismo de proteção do organismo, contra uma agressão tecidual, e pode ser desencadeada por vários tipos de agentes, que estimulam terminações nervosas livres presentes em toda a superfície corporal (nociceptores). Esportes de alto nível determinam posturas corporais que muitas vezes extrapolam a linha da saúde. Essas particularidades, em longo prazo, resultam em desconforto corporal (dor), que pode estar associado a alterações posturais, evoluindo posteriormente para processos deletérios que, em muitos casos, podem até limitar a prática da modalidade esportiva (DETANICO et al, 2008). 3.2.3 Prevenção A base de todas as teorias envolvidas no trabalho de prevenção das lesões leva em conta a capacidade de se avaliar adequadamente as limitações de quem pratica o esporte associada ao conhecimento da magnitude e tipo de sobrecarga que a prática do esporte gera. Atletas bem condicionados sofrem um menor número de lesões (PARREIRA, 2007). É muito importante a educação do participante na prevenção de possíveis complicações médicas ou lesões, além de promover uma atitude saudável e positiva em relação ao treinamento. Os exercícios devem se tornar uma recompensa e não uma punição. O treinador é o principal responsável na prevenção da fadiga, e não se limita unicamente a acompanhar o treinamento. Na verdade, ele deve a todo instante conhecer seu atleta o mais intimamente possível, pois dessa forma é possível perceber alterações assintomáticas ocorridas no atleta (LIPPO e SALAZAR, 2007). Por isso que as lesões musculoesqueléticas têm urgência especial para os atletas, principalmente para com os de alto nível, torna-se, portanto, fundamental a participação da fisioterapia em entidades desportivas, a fim de evitar o afastamento do atleta, aumentar-lhe o entendimento do gesto desportivo e para implantar medidas preventivas de lesão; e não somente a realização de tratamento pós-lesão (VIEIRA et al, 2007). O alongamento é um termo geral usado para descrever qualquer manobra fisioterapêutica elaborada para aumentar a mobilidade os tecidos moles e subsequentementes melhorar a ADM por meio de alongamento (aumento do 22 comprimento) de estruturas que tiveram encurtamento adaptativo e tornaram-se hipomóveis com o tempo (KISNER e COLBY, 2005). E a mobilidade pode ser definida pelos mesmos autores acima citado, como habilidade as estruturas ou dos seguimentos do corpo de se moverem ou serem movidas de modo a permitir a presença de movimentos amplos para as atividades funcionais (ADM funcional). Ainda definida como habilidade de um indivíduo iniciar, controlar ou manter movimentos ativos do corpo para desempenhar tarefas motoras simples ou complexas (mobilidade funcional). A flexibilidade é a capacidade de uma articulação mover-se com facilidade em sua amplitude de movimento e refere-se ao grau de mobilidade passiva do corpo com restrição própria da unidade músculo-tendínea ou de outros tecidos corporais. Clinicamente flexibilidade é a máxima amplitude articular e representa o maior comprimento muscular (JUNIOR, 2007). Hipomobilidade é a mobilidade diminuída, restrita ou limitada. Muitos fatores podem contribuir para a hipomobilidade e a rigidez dos tecidos moles, perda potencial da ADM e o desenvolvimento de contraturas (KISNER e COLBY, 2005). A contratura é uma contração muscular duradoura, que causa dor local. Deformidade provocada por partes moles, o que impede a extensão de uma articulação (GUERGOLET E LOPES (200-?]). De acordo com Kisner e Coby (2005) a contratura é definida como uma perda quase completa de movimento, enquanto o termo encurtamento é usado para denotar perda parcial de movimento. Os atletas irão realizar o alongamento de forma ativa, que é estabelecido pela atividade muscular do próprio indivíduo envolvido na ação, sem ajuda externa (BAGRICHEVSKY, 2005). Em relação à intensidade de uma força de alongamento é determinada pela carga colocada sobre os tecidos moles à medida que eles são alongados. E a duração do alongamento refere-se ao período de tempo no qual uma força é aplicada e os tecidos encurtados são mantidos na posição alongada (KISNER e COLBY, 2005). 23 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 4.1 Delineamento do Estudo Essa pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa de Seres Humanos da UNIVALI (349/9). Para Köche (1999) a pesquisa é definida como descritiva a partir de seus objetivos, servindo para proporcionar uma visão do problema, o que aproxima das pesquisas exploratórias. A proposta do estudo segue o Método Hipotético-Dedutivo, pois primeiramente é necessário compreender o método científico como a descrição e a discussão de quais critérios básicos são utilizados no processo de investigação científica. Esses critérios porém não são apresentados como prescrições dogmáticas, mas elementos que se somam à imaginação crítica ou à criatividade, já que os cientistas ―trabalham muito perto da fronteira entre o espanto e a compreensão‖ (KÖCHE, 1999). Esse método apresenta duas alternativas: H0 = apresenta negação, ou seja, rejeita as locações de hipóteses de pesquisa (BARROS e LEHFELD, 1998); H1 = o pesquisador trabalha com uma hipótese que pretende comprovar hipótese alternativa (MARCONI e LAKATOS, 2007). O estudo investigou as lesões nos atletas do CNFM, e assim elaborou as hipóteses alternativas, deduzindo um melhor plano de educação e prevenção para os atletas participantes. 4.2 Delimitação do Estudo O presente estudo foi realizado com os atletas do Clube Náutico Francisco Martinelli (CNFM), na cidade de Florianópolis - Santa Catarina, nos dias 10 de novembro de 2009, 17 de abril de 2010, 14 e 15 de outubro de 2011. Para a composição da amostra serão considerados os seguintes critérios de inclusão para os indivíduos: a) Ambos os sexos; b) Com idade mínima de 16 anos; c) Atletas do Clube Náutico Francisco Martinelli; 24 d) Atletas que participam de competições a nível estadual e nacional; e) Atletas que treinam aproximadamente três vezes por semana; f) Que concordem e possuam disponibilidade em participar da pesquisa, através da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice A). Como critério de exclusão será considerado: Idade inferior a 16 anos; Presença de doença mental; Qualquer outro fator de impedimento e de compreensão para realização da entrevista; Que não assinarem o termo de consentimento livre e esclarecido. 4.3 Instrumentos e Procedimentos de Coleta de dados Para atender os objetivos específicos serão desenvolvidas as seguintes atividades de coleta de dados: triagem inicial com os sujeitos, determinação dos participantes, aplicação do instrumento de pesquisa nos atletas do Clube Náutico Francisco Martinelli. Depois de formuladas as hipóteses, comenta Köche (1999) que não é conveniente afirmar ―a hipótese foi aceita‖, ou confirmada, pois jamais um experimento a confirma, ou a valida em sentido positivo, por maior severidade, controle e rigor que tenham sido adotados. Deve-se afirmar ―a hipótese não foi rejeitada‖, isto é, a partir das provas de não se ter encontrado algo em contrário quando submetida a testes de falseabilidade e confrontada com o resultado de outras teorias, ela passa a proporcionar uma aceitação temporariamente válida. Sendo assim, se durante o projeto, as deduções não tiverem dando resultados positivos, as hipóteses vão ter que ser analisadas novamente. 4.3.1 Primeira etapa: Triagem inicial com os sujeitos e determinação dos participantes A pré-seleção dos sujeitos que compôs a amostra dessa pesquisa foi realizada inicialmente, com base nos critérios de inclusão e não apresentaram nenhum dos critérios de exclusão mencionados. 25 4.3.2 Segunda etapa: Protocolo de estudo a) Estudo de campo: O estudo de campo procura muito mais o aprofundamento das questões propostas do que a distribuição das características da população segundo determinadas variáveis. Como conseqüência, o planejamento do estudo de campo apresenta muito maior flexibilidade, podendo ocorrer mesmo que seus objetivos sejam reformulados ao longo do processo da pesquisa (GIL, 1999). 4.3.3 Aplicação do instrumento de pesquisa nos atletas do Clube Náutico Francisco Martinelli Para tal procedimento foi utilizado o instrumento que foi elaborado pelos pesquisadores (ANEXO A), a partir de versões adaptadas do questionário nórdico músculos-esqueléticas de Kuorinka et al (1987), e do questionário de lesão de Perroni (2007), auxiliando na investigação da incidência das lesões. Foram usados dois questionários, pois um contemplava mais sobre o incômodo, fadiga e dor e outro a respeito das lesões músculo-esqueléticas, como este estudo objetiva verificar a incidência das lesões entre os atletas de remo no Clube Náutico Francisco Martinelli e assim elaborar um programa educativo preventivo. Foi aplicado um questionário como instrumento de coleta de dados, nessa coleta constou dados pessoais e perguntas relacionadas ao remo: tempo e freqüência da prática do esporte, incômodos e lesões no remo e suas regiões, como aconteceu e como afetou o seu desempenho devido a lesão. De acordo com Ruiz (1996) na entrevista o informante fala na técnica do questionário, o informante escreve ou responde por escrito a um elenco de questões cuidadosamente elaboradas. Seu anonimato pode representar uma segunda vantagem muito apreciável sobre a entrevista. Deve apresentar todos os seus itens com a maior clareza, sem ambigüidade. É importante que haja explicações iniciais sobre a seriedade da pesquisa, sobre a importância da colaboração dos que foram selecionados para participar do trabalho como informantes e, principalmente, sobre a maneira correta de preencher o questionário e de devolvê-lo. 26 4.4 Procedimentos de Análise dos Dados Os dados qualitativos e quantitativos coletados serão armazenados em forma de planilha eletrônica, por meio do programa Microsoft Excel (Microsoft Corporation TM) para que seja favorecida a compreensão e a análise estatística. Os resultados serão apresentados em gráficos e tabelas. A partir do instrumento de pesquisa, as respostas abertas do instrumento de pesquisa serão analisadas qualitativamente. O método qualitativo difere do quantitativo à medida que não emprega um instrumental estatístico como base do processo de análise de um problema (RICHARDSON, 1999). De acordo com Rudio (2000), os dados obtidos qualitativamente utilizam palavras para descrever o fenômeno, enquanto os dados obtidos de maneira quantitativa são expressos através de símbolos numéricos. A abordagem qualitativa de um problema, além de ser uma opção do investigador, justifica-se, sobretudo, por ser uma forma adequada para entender a natureza de um fenômeno social, e a quantitativa representa, em princípio, a intenção de garantir a precisão dos resultados, evitar distorções de análise e interpretação, possibilitando, conseqüentemente, uma margem de segurança quanto às inferências (RICHARDSON, 1999). Após a realização do estudo foi elaborada uma palestra e deixado no local um banner contendo informações para auxiliá-los na rotina de treinamento e competições. Esses fatores irão variar de acordo com as incidências e o risco de eventuais lesões. Esclarecemos que os dados obtidos serão analisados apenas em caráter científico, e sendo assim, o nome dos sujeitos não irá ser divulgado quando apresentado os resultados da pesquisa. 27 5 RESULTADOS Com base nos atletas que treinavam no Clube Náutico Francisco Martinelli (CNFM) foram selecionados vinte e seis atletas (22 sexo masculino e 4 sexo feminino), idade média aproximadamente 26 anos, aonde a aplicação do instrumento foi realizada. A pesquisa foi realizada no Clube Náutico Francisco Martinelli, foi explicado os procedimentos da pesquisa e verificado quais os atletas atendiam aos critérios de inclusão e não apresentavam nenhum dos critérios de exclusão mencionados. Após a concordância dos indivíduos em participarem da pesquisa, os mesmos assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. Os participantes responderam o questionário de forma auto-aplicável (ANEXO 1). 5. 1 Resultados das questões A questão 1: O questionário foi aplicado em dias diferentes para poder contemplar o número de 26 atletas (10-11-2009, 4 atletas, 17-04-2010, 9 atletas, 14-102011, 3 atletas, 15-10-2011 10 atletas). Sobre a questão 2 conforme o gráfico 1, dos vinte e seis atletas selecionados, todos atendiam aos critérios de inclusão da pesquisa, dentre os quais o sexo masculino prevaleceu com 22 (85%) atletas e do sexo feminino 4 (15%) atletas, constatando assim que a maioria dos indivíduos do CNFM são do sexo masculino. SEXO 15% Sexo masculino Sexo feminino 85% GRÁFICO 1 – Quantidade de homens e mulher no CNFM. 28 Abaixo segue a tabela 1, que esta correlacionando os itens 3, 4, 5, 7, 8, a idade média dos atletas que participaram da pesquisa foi de 26 anos, o peso dos mesmos de 74 kg, a altura foi de 1,77 cm, o tempo de treinamento 91meses, e a média de horas de treinamento por semana são de 13h. Número Mínimo Máximo Média Desvio Padrão Idade 26 16,00 52,00 26,4615 10,85995 Peso 26 59,00 98,00 74,3462 9,28630 Altura 25 161,00 192,00 177,8000 7,30297 Tempo de treinamento 26 11,00 466,00 91,2308 108,32629 25 2,00 24,00 13,0400 6,35400 (meses) Horas de Treinamento Tabela 1: Peso, idade, quantidade de horas e tempo de treinamento. O item 6 destaca uma característica do atleta, se o mesmo é destro ou canhoto. Dos 26 atletas que responderam ao questionário 23 (88,46%) são destros, 2 (7,69%) canhotos e 1 (3,84%) ambidestro. Na questão 9, nota-se que o maior número de (n= 10) atletas lesionados que ocorreu em treinamento e 10 atletas sem lesões (GRÁFICO 2). Número de atletas COMO ACONTECEU A LESÃO 12 10 8 6 4 2 0 Onde ocorreu a lesão GRÁFICO 2 - Como aconteceu a lesão. 29 O item 10 relata o desempenho que os atletas tiveram nas regatas em relação a não ter lesão, se o retirou da competição, continuou com redução do desempenho e se perturbou sua concentração, houve destaque que 38,46% dos atletas tiveram alteração no seu desempenho e concentração, dos quais 26,92% não conseguiram prosseguir na competição. LESÃO E DESEMPENHO NAS REGATAS Retirou da competição 27% Continuou a competição, porém com redução de desempenho 38% Pertubou a concentração, mas não afetou as possibilidades não resultou qualquer alteração do desempenho 23% GRÁFICO 3 - Desempenho nas regatas. 4% 8% sem lesão A questão 11 respondidas por todos os remadores, refere-se às alterações durante os últimos 12 meses como fadiga, desconforto ou dor nos seguintes seguimentos. COLUNA CERVICAL Respostas Porcentagem Frequência Porcentagem acumulativa NÃO 19 73,1 73,1 SIM, INSUPORTÁVEL 2 7,7 80,8 SIM, INTENSA 2 7,7 88,5 SIM, MODERADA 3 11,5 100,0 Total 26 100,0 TABELA 2 – Fadiga, desconforto ou dor em coluna cervical. Pode-se constatar pela tabela 2, que a maioria dos atletas não referiram queixas em cervical, porém 7 atletas relataram dor nessa região. 30 OMBROS Resposta Frequência Porcentagem Porcentagem acumulativa NÃO 14 53,8 53,8 DIR. DOR INTENSA E 1 3,8 57,6 DIR. E ESQ. DOR MODERADA 3 11,5 69,1 DIR. DOR INTENSA 2 7,7 76,8 DIR. DOR MODERADA 2 7,7 84,5 DIR. E ESQ. DOR LEVE 2 7,7 92,2 ESQ. DOR MODERADA 1 3,8 96,0 ESQ. DOR LEVE 1 3,8 100,0 Total 26 100,0 ESQ. DOR MODERADA TABELA 3 – Fadiga, desconforto ou dor em ombros. Apesar de 14 atletas não relatarem dor em ombros, 6 referiram dor em ombro direito e esquerdo, e a maioria destes não sentem incômodo intenso nesses segmentos (TABELA 3). Conforme no gráfico 4, apenas 1 (4%) dos 26 atletas sente dor em cotovelo. 31 COTOVELOS Não Dir. dor moderada 4% 96% GRÁFICO 4 – Fadiga, desconforto ou dor em cotovelos. PUNHOS E MÃOS Resposta Frequência Porcentagem Porcentagem acumulativa NÃO 18 69,2 69,2 DIR. LEVE 2 7,7 76,9 DIR. INTENSA 1 3,8 80,7 ESQ. MODERADA 1 3,8 84,5 ESQ. INTENSA 1 3,8 88,3 DIR. E ESQ. 2 7,7 96,0 1 3,8 100 26 100,0 MODERADA DIR. E ESQ. INTENSA Total TABELA 4 - Fadiga, desconforto ou dor em punhos e mãos. Observa-se na tabela 4 que a maioria doa atletas (69,2%) do CNFM não tiveram problemas nesses seguimentos nos últimos 12 meses, porém 3 relataram fadiga, desconforto ou dor de forma intensa em punho e mão. 32 Número de atletas COLUNA DORSAL 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 Não Leve Moderada Intensidade do incômodo GRÁFICO 5 - Fadiga, desconforto ou dor em coluna dorsal. Intensa No gráfico 5, dos 26 atletas 9 relataram alterações em coluna dorsal, sendo destes 4 queixaram-se de um intenso incômodo. COLUNA LOMBAR Respostas Frequência Porcentagem Porcentagem acumulativa NÃO 9 34,6 34,6 LEVE 3 11,5 46,1 MODERADA 4 15,4 61,5 INTENSA 7 26,9 88,4 3 11,5 100,0 26 100,0 IINSUPORTÁVEL Total TABELA 5 – Fadiga, desconforto ou dor em coluna lombar. Foi possível observar que na coluna lombar 26,9% dos indivíduos do clube referiram algum tipo de alteração de alta intensidade, sendo que dos 26 atletas 11,5% relataram desconforto ou dor insuportável (TABELA 5). 33 COXAS Respostas Frequência Porcentagem Porcentagem Acumulativa NÃO 20 76,9 76,9 LEVE 3 11,5 88,5 MODERADA 3 11,5 100,0 Total 26 100,0 TABELA 6 – Fadiga, desconforto ou dor em coxas. De acordo com a tabela acima 20 atletas afirmaram não ter alterações em coxofemural e 6 atletas sentem fadiga, desconforto ou dor de intensidade leve a moderada. PERNAS E JOELHOS Respostas Frequência Porcentagem Porcentagem acumulativa LEVE 3 11,5 11,5 MODERADA 4 15,4 27,0 INTENSA 3 11,5 38,5 INSUPORTÁVEL 1 3,8 42,3 NÃO 15 57,7 100,0 Total 26 100,0 TABELA 7 - Fadiga, desconforto ou dor em pernas e joelhos. Conforme mencionado na tabela 7, 42,3% dos indivíduos relataram algum problema de leve a insuportável nesses segmentos, porém 57,7% (a maior parte dos atletas) não afirmaram alterações em pernas e joelhos. Embora 4 dos entrevistados afirmarem ter problemas em tornozelos e pés, 22 atletas não apresentaram alterações nos últimos 12 meses (GRÁFICO 6). 34 TORNOZELOS E PÉS Número de atletas 25 20 15 10 5 0 Não Leve GRÁFICO 6 – Fadiga, desconforto ou dor em tornozelos pés. Moderado Intensidade do incômodo Na mesma questão 11 continuaram a responder somente os atletas que tiveram lesões nos últimos 12 meses ou últimos dias. CERVICAL Resposta Frequência Porcentagem Porcentagem acumulativa NÃO 24 92,3 92,3 NOS 2 7,7 7,7 26 100,0 100,0 ÚLTIMOS 12 MESES Total TABELA 8 – Lesão em cervical. Dos atletas entrevistados pode-se observar que 92,3% não mencionaram lesões nos últimos dias e 12 meses e um número mínimo de indivíduos tiveram lesões na cervical (TABELA 8). 35 Não Dir, últimos dias 96% 4% Não Dir, últimos dias GRÁFICO 7- Atletas lesionados em ombro. No gráfico 7 se observa que os atletas do CNFM não lesionaram ombro, compondo 96% da amostra, e apenas 4% lesionaram o ombro direito nos últimos dias. No presente estudo confirma-se que não há lesões em cotovelos dos 26 atletas entrevistados (GRÁFICO 8). GRÁFICO 8 – Lesões em cotovelo. 36 PUNHOS E MÃOS Resposta Frequência Porcentagem Porcentagem acumulativa NÃO 22 84,6 84,6 ESQ. NOS 1 3,8 88,4 1 3,8 92,2 2 7,7 100,0 26 100,0 ÚLTIMOS DIAS DIR. E ESQ. NOS ÚLTIMOS DIAS E MESES NOS ÚLTIMOS 12 MESES Total TABELA 9 – Lesões em punhos e mãos. Novamente observamos um alto índice de atletas que não possuem lesões em punhos e mãos, pois apenas 7,6% afirmaram lesões nos últimos dias e meses (TABELA 9). Pode-se observar na tabela 10 que a maioria dos atletas não apresentaram lesões na coluna dorsal, sendo apenas 7,7% lesionados nos últimos 12 meses. COLUNA DORSAL Resposta Frequência Porcentagem Porcentagem acumulativa NÃO 24 92,3 92,3 NOS ÚLTIMOS 2 7,7 100,0 26 100,0 12 MESES Total TABELA 10 – Incidência de lesões na coluna dorsal. 37 LOMBAR Resposta Frequência Porcentagem Porcentagem acumulativa NOS ÚLTIMOS DIAS 1 3,8 3,8 NOS ÚLTIMOS 4 15,4 19,2 4 15,4 34,6 NÃO 17 65,4 100,0 Total 26 100,0 12 MESES NOS ÚLTIMOS DIAS E 12 MESES TABELA 11 – Incidência de lesões em coluna lombar. Observa-se na tabela acima que as lesões acometem diversos locais, entretanto houve predomínio na região de coluna lombar com 34,6% das respostas apresentadas, mesmo assim muitos não referem lesão nesse local (65,4%). GRÁFICO 9 – Incidência de lesões em membros inferiores. Entre os segmentos apresentados acima, o maior índice de lesões encontra-se em pernas e joelhos. E dos 26 atletas entrevistados, 25 não possuem lesões em coxa e tornozelos - pés. 38 DISCUSSÃO O aumento da demanda de exercícios modernos e competitivos provocou o aumento simultâneo no risco de lesões, causando preocupações para treinadores e atletas de todas as esferas de rendimento. E isso pode interromper o processo evolutivo de adaptações sistemáticas impostas pelo treinamento. As ocorrências das lesões desportivas (LD) são resultados de exercícios realizados de maneira extenuante e, ainda, inapropriadamente, sendo subestimadas a prevalência e incidência de lesões devido à ausência de notificação em todo o universo esportivo (PASTRE et al, 2005). No presente estudo realizado, a prevalência foi do sexo masculino com 84,61% dos atletas e do sexo feminino de 15,38%. Segundo Soares (2008), no ano de 2003 o remo do Brasil possuía 1820 atletas federados, sendo que, desses 246 eram mulheres. Estimativa também confirmada na pesquisa de Martins e Rocha (2010), sobre características antropométricas e consumo alimentar em atletas do remo, sendo sua amostra constituída por 6 atletas do sexo feminino e 19 do sexo masculino. A maioria dos atletas pesquisados tem idade entre 16 e 52 anos, porém o remo é dividido em várias categorias, conforme idade e peso. Até os 13 anos o remador pertence à categoria infantil dos 14 aos 15 anos, à categoria juvenil; dos 16 aos 18 anos pertence à categoria Junior, a partir dos 19 anos ingressa na categoria sênior, sendo esta dividida em sênior B (dos 19 a 22 anos) e a categoria sênior A (a partir dos 23 anos). Nesta última não há limite de idade para competir, o atleta pode optar por participar em competições da categoria máster a partir dos 27 anos (SOUSA, 2010). Na pesquisa devido aos critérios de exclusão os atletas com idade inferior a 16 anos não participaram do estudo. Dos 26 atletas, 7 eram da categoria Junior; 6 da categoria Sênior B; 4 sênior A; e 9 das categorias Sênior A e Máster. No remo existem duas categorias por peso e divide-se entre peso leve e peso pesado. O peso leve compete masculino com o limite de 72, 5 Kg para o barco single skiff, que é o barco individual, e com média de 70 Kg para as demais embarcações. No single skiff feminino o peso leve fica até 59 Kg e para os demais barcos 57,5 Kg na média de peso das remadoras. O peso pesado não tem limite de peso e os atletas de peso leve podem correr no peso pesado sem problemas (SOUZA, 2010). De acordo com essas informações 30,36 % dos indivíduos do sexo masculino do CNFM se enquadram na categoria leve, e nenhuma das atletas podem competir na categoria peso leve. 39 No presente estudo a estatura dos atletas variou entre 1,61 a 1,92 cm, sendo a média 1,77 cm. Consta na literatura que atletas de remo tendem a ter estatura acima da média da população, músculos desenvolvidos e grande envergadura, sendo características vantajosas para a modalidade, pois garantem uma amplitude de remada considerada competitiva, aumentando o setor de aplicaçnão de força (HAGERMAN, 1994). Atletas de elite no remo tendem a ser mais altos e mais pesados que outros atletas de modalidades de resistência e, por terem membros mais longos, apresentam positiva influência biomecânica que permite um contato mais prolongado de aplicação de força (CONNOLLY, 2005). A pesquisa realizada com os atletas do CNFM é semelhante ao estudo realizado por Fonseca et al (2006), na cidade de Florianópolis, SC. Foram avaliados 12 atletas de remo adultos, do sexo masculino, integrantes de equipes que competem em regatas a nível nacional, entre 18 e 42 anos. Os sujeitos apresentaram como resultado médio da estatura um valor igual a 164,4cm. Dez indivíduos do CNFM se lesionaram durante os treinos e conforme o estudo de Silva (2005) há uma predominância no número de lesões em treinos em relação aos jogos. Essa elevação ocorre devido a vários fatores, como por exemplo, o tempo de treinamento é proporcionalmente maior que o tempo de competição. Sendo que nos treinos ocorrem com uma frequência maior de movimentos e de exigência para com o atleta, em relação aos jogos. Segundo Rose, Tadiello e Junior ([200-?]), a prática esportiva eleva o risco da ocorrência de lesões. Os atletas estão sujeitos a sofrerem lesões, seja em fase de treinamento ou em competição. Essas lesões estão diretamente relacionadas a fatores predisponentes intrínsecos e extrínsecos, e à ausência de um programa preventivo. Para Oliveira ([entre 2003 e 2004]) nos fatores intrínsecos, estão a estrutura do indivíduo, o crescimento, o tipo de atividade física e o treinamento de resistência. Já nos extrínsecos, percebe-se uma maior dependência na organização esportiva, nas alterações das regras, nos equipamentos de segurança, na supervisão médica e do treinamento, nas sessões de treinamento e também na interferência dos pais. Dos 26 atletas, 10 se lesionaram e destes, 7 retiraram-se da competição, 6 continuaram a competição porém com redução do desempenho, 2 atletas a lesão perturbou a concentração e 1 não resultou qualquer perturbação no desempenho. Uma lesão desportiva é uma lesão física contraída durante a participação em atividades desportivas de caráter competitivo ou recreativo, que supõe uma disfunção do 40 organismo que produz dor e leva à interrupção ou limitação de uma atividade desportiva. Num estudo realizado por Negão (1996), citado por Carvalho (2009), com 31 jogadores de futebol profissional, foram observadas 79 lesões que obrigavam à interrupção do treino físico, sendo 48, 38% destas lesões suficientemente severas para afastar os atletas da competição durante cerca de sete dias, e 22, 58% das lesões impediram os atletas de competir de oito a catorze dias. Cerca de metade dos atletas de desporto de competição sofrem uma lesão que impossibilita a sua participação desportiva, e cerca de 25% destas lesões requerem, pelo menos, uma semana de repouso. A dor pode ser temporária e desaparecer em pouco tempo ou pode tornar-se crônica e continuar por tempo indeterminado (PIRES, 2009). Oliveira e Celestino (2010) defendem que cargas intensas de treino e competições aliadas a um descanso inadequado podem instalar sinais de fadiga e exaustão. Dos atletas entrevistados do CNFM, queixaram-se de incômodo em coluna cervical (n=7), dorsal (n=9) e lombar (n=17). Michele e Allison (1999) observaram que, de 142 atletas de elite na Suécia, a incidência de dor lombar variou de 5 a 85%, dependendo do esporte. O estudo de Detanico et al (2008) verificou em 41 indivíduos alterações posturais, desconforto corporal e lesões em atletas das seleções brasileiras de hóquei sobre a grama, 8 atletas refiram desconforto em lombar. Não foram encontrados na literatura estudos sobre desconforto em região de cervical e dorsal. Na pesquisa realizada por Maurer (2009), um dos esportes de maior repercussão sobre a coluna vertebral é o remo. Modalidades como o remo e a ginástica artística se caracterizam por manobras de flexão e extensão da coluna vertebral associado a intensas forças axiais e rotacionais sobre a coluna lombar. Durante o ciclo da remada o atleta permanece a maior parte do tempo com postura em flexão. A combinação de forças compressivas associada à flexão foi identificada como um mecanismo de lesão das estruturas da coluna lombar. Além disso, a modalidade se caracteriza por movimentos repetitivos e geralmente sem impacto, o que torna o remador mais suscetível a lesões crônicas da coluna lombar. Dos 26 atletas entrevistados, 2 relataram lesão coluna cervical, 2 coluna dorsal e 9 coluna lombar. Wajchemberg et al (2002) comenta que 15% de todas as lesões esportivas acometem esse segmento, poucos estudos encontrados mostram detalhadamente a incidência de lesões especificas e sua relação com os diversos tipos de esportes. No estudo de Junior (1999) que apresenta também estatística de 20 anos de 41 atendimento de lesões em atletas de alto nível em clube poliesportivo de São Paulo, observou 11,26% de lesões na coluna vertebral. Lesões na coluna torácica são raras nos atletas. Na maioria das vezes elas ocorrem nos esportes com alta velocidade e impacto (http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/traumato/lesoes_colun a_esportes.htm, 2005). O que mais acomete os atletas do CNFM já mencionado é a lombar e com isso pode-se afirmar no estudo de Smoljanovic apud Maurer (2009) que realizou um trabalho retrospectivo na China, durante o Campeonato Mundial de Remo Junior em 2007. E foram relatadas 393 lesões em remadores das quais 32,3% eram na região lombar. Estes resultados são semelhantes aos encontrados em estudo prospectivo recente que acompanhou 20 remadores durante 12 meses consecutivos, verificando 31,8% de lesões na coluna lombar. A queixa de dor nos ombros é frequente em inúmeras modalidades esportivas, como voleibol, judô, natação e ginástica olímpica, essa incidência diminui o rendimento esportivo e pode determinar o afastamento do atleta (PIRES, 2009). No CNFM 12 indivíduos apresentaram incômodo em ombros. Ao contrário do estudo de Detanico et al (2008) que verificou em 41 indivíduos alterações posturais, desconforto corporal e lesões em atletas das seleções brasileiras de hóquei sobre a grama, teve como resultados dos quais 4 atletas referiram desconforto em ombro. Em relação ao ombro 4% dos atletas apresentaram lesões. Porém para Ejnisman (2001) ombro é sede frequente de lesões nos esportes competitivos. Na literatura revisada a incidência varia de 8 a 13% de todas as lesões atléticas. Pires (2009) ainda comenta que a queixa de dor nos ombros são frequentes em inúmeras modalidades esportivas, como voleibol, judô, natação e ginástica olímpica, essa incidência diminui o rendimento esportivo e pode determinar o afastamento do atleta. Em uma pesquisa sobre lesões realizada por Perroni (2005) com 60 atletas de triathlon. Dos dados encontraram um total de 70 lesões, o ombro constituiu a terceira área mais acometida com 21,42% do total de lesões, sendo a natação a modalidade com maior prevalência (38,46%). No presente estudo com os remadores do CNFM, o índice de atletas que relataram lesão em ombros teve uma incidência baixa, contradizendo com a literatura. Poucos estudos foram encontrados com remadores, tendo assim a necessidade de mais pesquisas publicadas neste campo. Cotovelo é uma região que os atletas do CNFM não relataram lesões e somente 1 relatou incômodo, esse último não foi encontrado estudos relacionados ao remo. Uma 42 pesquisa realizada por Vieira et al ([entre 2006 e 2007]) com 18 atletas, sobre a incidência de lesões do voleibol do sexo masculino, que também realizam movimentos repetitivos com os membros superiores. O autor concluiu que o local anatômico menos afetado foi o cotovelo com 4% dos atletas lesionados. Semelhante ao estudo de Lopes et al (2008) sobre os atendimentos realizados pelo serviço de fisioterapia do Comitê Olímpico Brasileiro durante os XV Jogos Pan-americanos, dos 434 atendidos 28 (5,3%) sofreram lesões em cotovelo. Em punhos e mãos dos 26 atletas apenas 8 relataram lesões nessas regiões e 8 queixaram-se de fadiga, desconforto ou dor. Daher ([entre 1999 e 2001]) realizou um estudo comparativo com 128 atletas da Seleção Brasileira do Handebol, e constatou que 15 indivíduos tiveram lesões nesses segmentos. Resultado confirmado também por Franco, Lucheta e Teixeira (2011) em um projeto para prevenir lesões de ombro nos atletas de voleibol, com 12 atletas, sendo que destes apenas 1 teve lesão em punhos e mãos. Não foi encontrado literatura para incômodo em punhos e mãos em atletas desportistas. Em relação aos membros inferiores, os atletas referiram incômodo maior em pernas e joelhos (n=11), seguidos das coxas (n=6) e tornozelos e pés (n=4). Detanico et al (2008) verificou em 41 indivíduos alterações posturais, desconforto corporal e lesões em atletas das seleções brasileiras de hóquei sobre a grama, e teve como resultados dos quais 12 atletas referiram desconforto em coxa, e 1 em tornozelo. Silva et al (2008) realizou uma pesquisa com 19 atletas de ginástica rítmica sobre avaliação da flexibilidade e análise postural e constatou que as queixas álgicas em joelhos foram presentes em 10 das atletas avaliadas. O índice de lesões nessas mesmas regiões foram maiores em pernas e joelhos (n=7), em coxa (n=1) e tornozelos-pés (n=1) sendo ainda um índice baixo, pois consta na literatura, afirmado por Constante (2005) que observou 90% das lesões esportivas são nas extremidades inferiores. Em um estudo citado pelo mesmo autor, com 1280 lesões relacionados com esportes, 45% apresentaram lesão no joelho e 9,8% no tornozelo, constatando assim que o joelho é a região mais comum de comprometimento nos esportes. Diante desses resultados, o programa preventivo foi elaborado através um banner (ANEXO B) e de uma palestra para explicar a importância do alongamento e como realizá-lo. 43 Barba (2006) afirma que os atletas quando mantêm um grau satisfatório de flexibilidade, ficam menos suscetíveis a certas lesões musculares. A importância do alongamento muscular já é bastante descrita na literatura. Os indivíduos com boa flexibilidade tendem a sofrer menos dores e lesões musculares e articulares, particularmente na região lombar. O hábito de alongar periodicamente pode aliviar a rigidez muscular e eliminar alguns tipos de desconfortos musculares. Em conformidade com vários autores encontrados na literatura, a duração do alongamento varia entre 15 a 30 segundos, realizando uma série, antes e depois dos treinamentos e competições. 44 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS Pode-se constatar e investigar que, a maior incidência de lesões foi em coluna lombar, correspondendo 65,38% (n=17) da amostra; a maioria dos atletas treina em média 13 horas semanais; e os exercícios de apoio que os atletas utilizam são alongamentos, estes nem sempre são realizados antes e após os treinos e competições, e de forma correta. Foi realizada uma palestra no dia 03-12-2011, para todos os atletas do CNFM sobre a importância do alongamento e foi deixado no local um banner contendo apenas os alongamentos das regiões mais acometidas. Remo é um esporte de elite que exige um alto desempenho dos atletas, e estes não utilizam o esporte como meio específico de melhorar a saúde, mas se tornam profissionais do esporte sujeitos a todas as demandas exigidas de qualquer outra área de atuação, em consequência disso apresentam um maior risco de lesões. Sugerimos a realização de novas pesquisas referente às lesões em atleta do remo, pois há poucos estudos descritos na literatura. 45 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BAGRICHEVSKY, M. Revista virtual EFArtigos. O desenvolvimento da flexibilidade: uma análise teórica de mecanismos neurais intervenientes. Natal, v 02, n 20, 2005. BARBA, M. M. Análise comparativa dos métodos tradicionais de alongamentos musculares. Dissertação (graduação em fisioterapia) – Curso de Fisioterapia, Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis, 2006. BARROS, A. J. P; LEHFELD, N. A. S. Projeto de pesquisa: propostas metodológicas. 7 ed. Petrópolis: Ediroa Vozes, 1998. BLACK, A, M.S; REEBERG, W. 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Acessado em: 20 de novembro de 2001. 51 APÊNDICES APÊNDICE A - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Nome: Sr (ou Sra)..............................................................................................................., Idade:................................Sexo:..............................Naturalidade:...................................... Endereço:........................................................................................................................... Profissão:....................................... Identidade:................................................................. Fui informado detalhadamente sobre a pesquisa intitulada: “Verificação da incidência das lesões entre os atletas de remo no Clube Náutico Francisco Martinelli: um programa educativo-preventivo”. O senhor foi plenamente esclarecido de que será submetido a um questionário anônimo que pretende obter informações sobre a sua sintomatologia músculo-esquelética e está ciente de que o referido estudo será realizado no Clube Náutico Francisco Martinelli. Pelo fato desta pesquisa ter única e exclusivamente interesse científico, a mesma foi aceita espontaneamente pelo senhor, que no entanto, poderá desistir a qualquer momento da mesma, inclusive sem nenhum motivo, bastando para isso informar, da maneira que achar mais conveniente, a sua desistência. Por ser voluntária e sem interesse financeiro, o senhor não terá direito a nenhuma remuneração. Os dados referentes ao senhor serão sigilosos e privados, e a divulgação do resultado visará apenas mostrar os possíveis benefícios obtidos pela pesquisa em questão, sendo que o senhor poderá solicitar informações durante todas as fases desta pesquisa, inclusive após a publicação da mesma. Todos os participantes da pesquisa serão beneficiados, uma vez que obtidos os resultados da pesquisa, será elaborado e apresentado um plano de prevenção, através de uma palestra e da distribuição de folders. Biguaçu, de de 20 . Assinatura (de acordo) ____________________________________________________ ______________________________________________________________________ 52 ANEXO A – QUESTIONÁRIO Este questionário é anônimo e pretende obter informações sobre a sua sintomatologia músculo-esquelética. Seja, POR FAVOR, o mais coerente possível nas suas respostas. 1. Data do inquérito: _____/_____/2009 2. Sexo (desenhe um círculo à volta da resposta correta): 1 Feminino 2 Masculino 3. Em que ano nasceu? ..................... 4. Qual o seu peso? .............. kg. 5. Qual a sua altura? ................. cm 6. É destro ou canhoto — (desenhe um círculo à volta da resposta correta)? 1 Destro 2 canhoto 3 Ambidestro 7. Há quantos anos e meses treina? ................. anos + ............ meses 8. Em média, quantas horas treina por semana? ................ horas por semana Quanto a lesão: se caso não tem nenhuma lesão ou nunca teve, passe para a pergunta 11. 9. Como aconteceu? ( ) competição ( ) aquecimento ( ) participação em outra atividade ( ) fora da atividade esportiva ( ) treinamento 10. Como a lesão afetou o seu desempenho nas regatas? ( ) retirou-me da competição ( ) continuei a competição, porém com redução de desempenho ( ) pertubou minha concentração mas não afetou as minhas possibilidades ( ) não resultou qualquer alteração do meu desempenho 11. Preencha a tabela seguinte, assinalando com uma cruz o quadrado correspondente ao seu estado de incômodo, lesão, fadiga ou dor, em função dos segmentos corporais considerados. No caso de sentir desconforto, refira qual a intensidade do mesmo, de acordo com a escala seguinte. Intensidade do incômodo/dor: 53 1 — Leve 2 — Moderado 3 — Intenso 4 — Insuportável Para responder apenas pelos Para responder por todos os remadores que tenham lesões remadores Teve algum problema durante os Teve alguma lesão Nos últimos 12 meses últimos durante os últimos esteve impedido de dias? realizar o seu treino 12 meses (fadiga, desconforto ou dor) nos seguintes segmentos? Se sim, refira qual a sua ou competição intensidade, assinalando-a com um normal devido a este círculo. problema? 1 Coluna cervical 2 Coluna cervical Não �Sim � 1 3 2 4 4 Ombros Não � Sim �No direito Não �Sim � 5 Ombros 1 3 2 Coluna cervical 2 4 Não �Sim � 6 Ombros Não � Sim �No direito Sim �No esquerdo Sim �No esquerdo Sim �Nos dois Sim �Nos dois Não �Sim � 54 7 Cotovelos Cotovelos Não � Não � Sim �No direito 1 2 Sim �No direito Sim �No esquerdo 3 4 Sim �No esquerdo Sim �Nos dois Sim �Nos dois 10 Punhos/mãos 11 Punhos/mãos Não � Sim �No direito 1 3 2 Não � 4 Sim �No direito 9 Cotovelos Não �Sim � 12 Punhos/mãos Não �Sim � Sim �No esquerdo Sim �No esquerdo Sim �Nos dois Sim �Nos dois 13 Coluna dorsal 14 Coluna dorsal 15 Coluna dorsal Não �Sim � Não �Sim � 17 Coluna lombar 18 Coluna lombar Não �Sim � Não �Sim � 20 Ancas/coxas 21 Ancas/coxas Não �Sim � Não �Sim � 23 Pernas/joelhos 24 Pernas/joelhos Não �Sim � Não �Sim � 26 Tornozelos/pés 27 Tornozelos/pés Não �Sim � Não �Sim � 1 Não �Sim � 3 2 4 16 Coluna lombar 1 Não �Sim � 3 2 4 19 Ancas/coxas 1 Não �Sim � 3 2 4 22 Pernas/joelhos Não �Sim � 1 2 3 4 25 Tornozelos/pés Não �Sim � 1 2 3 4 55 Exemplo da marcação de intensidade: (KUORINKA, 1987 e PERRONI, 2007) 56 ANEXO A – FOLDER EDUCATIVO-PREVENTIVO Alongamento para musculatura de punhos e mãos. Alongamento para a musculatura ombros. Alongamentos para musculatura da lombar. Alongamento para musculatura de pernas e joelhos. 56