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Recicla-me
ou devoro-te
O volume de lixo gerado em São Paulo cresce cinco vezes mais
rápido do que a população. Os aterros sanitários estão à beira de um
colapso. Saiba por que a reciclagem e a coleta seletiva são a única
solução para esse oceano de detritos
Fotos
Texto
felipe gombossy
camilo vannuchi
lotação esgotada O aterro
São João, na Zona Leste, que
recebia metade do lixo de toda a
cidade, será desativado em maio
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Coletores iniciam o trabalho no Campo Limpo: por
dia, cada um percorre 22 km e recolhe 7 toneladas
D
omingo de sol em São Paulo. O dia convida para
um churrasco. Numa laje no Mandaqui ou num
casarão no Tatuapé, com picanha maturada ou
espetinho de gato, até vegetariano aceita o convite, interessado no papo com os amigos e, principalmente, na geladeira cheia. Ali, há latinhas
em profusão: verdes, vermelhas e prateadas, de
cerveja ou refrigerante, estupidamente geladas.
A primeira é consumida enquanto o dono da casa espalha sal grosso na carne. A segunda é esvaziada assim
que o fogo é aceso. Papo vai, papo vem, há quem beba
a quinta latinha antes da primeira rodada de linguiça.
Terminado o rega-bofe, para onde vai tanta lata? Sujas,
amassadas, algumas convertidas em cinzeiros, as latas
têm destinos diversos. Uma delas é lançada à sarjeta por
um jovem que, houvesse fiscalização, seria multado em
R$ 500 pela Prefeitura por jogar lixo em via pública. Outra lata descansa entre folhas de alface no cesto de lixo –
esse antro de promiscuidade onde materiais orgânicos
e recicláveis toleram-se uns aos outros. Uma terceira
latinha, de melhor sorte, vai dormir com 32 amigas em
um saco, pronta para ser entregue à coleta seletiva. Na
manhã seguinte, cada uma seguirá seu caminho.
São muitos os caminhos percorridos pelo lixo em
São Paulo. Líder nacional em geração de resíduos, a
cidade produziu em 2008 o recorde de 3.437.607 toneladas de lixo domiciliar, cifra 3% maior do que as
3.329.770 toneladas coletadas em 2007 pelas duas concessionárias que dividem esse “trabalho sujo”. O aumento de 3% é cinco vezes maior do que o da população paulistana, cujo crescimento tem sido de 0,6% ao
ano desde 2000, segundo a Fundação Seade. Fazendose as contas, são cerca de 10 mil toneladas ou 20 mil
metros cúbicos diários de lixo domiciliar (sem contar o
lixo industrial e o hospitalar), o bastante para, em uma
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semana, cobrir os 2,8 quilômetros da
Avenida Paulista – e seus 48 metros de
largura – com uma camada de 1 metro de altura. Em menos de seis meses, o Masp e o Hospital Santa Catarina estariam submersos. Em um ano, a
montanha esconderia um prédio de
16 andares. Esse cenário apocalíptico
só não virou realidade até hoje porque todo o lixo que a cidade produz é
lançado em aterros sanitários, e não
jogado a esmo entre o Paraíso e a Consolação.
Atualmente, há dois aterros em operação na cidade,
um público e um privado. Um terceiro, também privado, está situado em Caieiras, na Grande São Paulo. Hoje,
50% dos resíduos gerados na capital são “exportados”
para lá, enquanto 30% seguem para o CDR Pedreira, no
Tremembé (Zona Norte), e apenas 20% são absorvidos
pelo Sítio São João, o único aterro público em atividade,
localizado em São Mateus (Zona Leste).
até dois anos atrás, não era preciso “exportar” lixo
nem recorrer a aterros privados, o que implica o pagamento de taxas substanciais aos proprietários dos terrenos e contribui para encarecer o custo do nosso serviço
de coleta. A Loga­– concessionária que atua nas zonas
Oeste, Norte e Centro e absorve metade dos resíduos da
cidade – despejava seu lixo no aterro Bandeirantes, em
Perus (Zona Norte), enquanto a Ecourbis­– concessionária que opera nas zonas Sul e Leste e é responsável pela
outra metade dos resíduos – usava o Sítio São João. Em
2007, no entanto, o Bandeirantes teve sua capacidade esgotada e, na falta de um substituto local, todo o lixo recolhido pela Loga­passou a ser levado para Caieiras. Um
ano mais tarde, o São João, administrado pela Ecourbis,
entrou em estado de alerta por também beirar seu limite
e, em julho de 2008, passou a receber só 40% do volume
que recebia. O restante equivale a 30% do lixo paulistano e segue, hoje, para o CDR Pedreira, que, segundo a
Ecourbis, cobra R$ 4 milhões por mês pelo serviço. O
dinheiro, é claro, sai do bolso do contribuinte.
Em maio próximo, o aterro São João deixará de operar,
repetindo o que aconteceu com o Bandeirantes em 2007.
O lixo produzido a cada
semana na cidade seria
suficiente para cobrir a
Avenida Paulista com
uma camada de 1 metro
Até lá, um novo aterro público deve ser instalado em um
terreno vizinho, já desapropriado pela Prefeitura. Os diretores da Ecourbis­, que têm a atribuição contratual de
conduzir os estudos para a viabilização da área, aguardam a licença de instalação para dar início às obras. O
processo segue emperrado nos corredores da Cetesb­,
órgão de tecnologia e saneamento ligado à Secretaria
do Meio Ambiente do Estado. “Já obtivemos a licença
ambiental, mas precisamos da licença de instalação para
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Antes de seguir para o aterro, parte do lixo da
Zona Sul passa pelo transbordo de Vergueiro
mexer no local”, diz Leonardo Tavares, superintendente
de aterros da concessionária. As obras, depois de iniciadas, devem levar cerca de quatro meses. “Infelizmente,
é provável que o novo aterro ainda não esteja pronto
quando o São João for fechado”, afirma.
Prorrogar o prazo de desativação do aterro seria a
melhor saída, não fosse esta uma opção inexequível.
Após 16 anos de atividade, o São João é hoje uma espécie de enorme pirâmide maia com 35 taludes (os degraus), 450 mil metros quadrados de base e 150 metros
de altura – na qual não há mais onde enfiar resíduos.
Antes de chegar ali, o lixo cumpre um longo roteiro,
que tem início na coleta residencial.
Um caminhão compactador comporta pouco mais
de 10 toneladas de lixo e costuma ficar cheio após três
horas de uso. Em um turno normal, as equipes enchem
o caminhão duas vezes. Do Campo Limpo (Zona Sul),
onde atua, Rogério Nascimento segue até a estação de
transbordo de Santo Amaro (Zona Sul), onde o veículo é esvaziado para retomar o giro pelas ruas. Estações
de transbordo são entrepostos do lixo, locais onde os
resíduos são despejados pelos caminhões que operam
longe demais dos aterros. Numa cidade congestionada
como São Paulo, se todas as equipes tivessem de seguir
até um dos aterros para esvaziar o veículo, perderiam
mais tempo no trânsito do que na lida. Em razão disso,
o lixo proveniente da Zona Sul é despejado
no transbordo de Santo Amaro
a saga das latinhas 1: Logo cedo, quando a faxineira leva o saco de lixo para
fora, um calafrio percorre a superfície metálica da primeira lata, que passou a noite imer- e no transbordo de Vergueiro. Depois,
sa em resíduos orgânicos. Triste sina, a dela. Jogar uma latinha no mesmo cativeiro que segue dali para os aterros em carresobras de churrasco é condená-la a um futuro cruel, sem perspectivas. Na calçada, cada tas com capacidade para transportar
segundo se estende por séculos. Em meia hora, um tropel faz-se ouvir e três rapazes de ma- 25 toneladas, otimizando o tempo de
cacão passam correndo. O saco é levantado às pressas e despenca em um buraco escuro. trabalho. Na Zona Norte, um transborA realidade fede no caminhão. Presa entre tufos de papel higiênico e cascas de banana, a do na Ponte Pequena recebe parte do
latinha pressente seu destino e tenta se desvencilhar. Mas não consegue. Passará o resto lixo destinado a Caieiras. A temporada
do lixo nos transbordos dura poucos
de seus dias em um aterro, até se decompor por completo, daqui a 200 anos.
minutos. Tão logo ele é despejado em
Em São Paulo, 2.500 coletores, 700 motoristas e 350 grandes valas, uma garra gigante guiada por um técnicaminhões compactadores circulam todos os dias pe- co transfere os resíduos para as carretas. De uma forma
las ruas e, em poucos minutos, fazem desaparecer das ou de outra, o destino é sempre o aterro: essa pirâmide
calçadas os milhares de sacos deixados por nós. Cole- repleta de cascas de banana, tufos de papel higiênico,
tores caminham, em média, 22 quilômetros por dia e potes de iogurte, vidros de requeijão e... latinhas.
jogam para dentro do caminhão mais de 20 toneladas
de lixo em um turno de oito horas. Cada equipe é for- estima-se que quase um terço do lixo paumada por um motorista e três lixeiros (ops, coletores­!), listano seja formado por materiais que não precisariam
de forma que, grosso modo, cada um levanta 7 tone- estar ali, como alumínio, plástico e papel. Na falta crôladas diárias no muque. Maratonistas e halterofilistas nica de áreas para descarte, para evitar o colapso anunde ocasião, eles enfrentam não apenas o mau cheiro e ciado da destinação do lixo, é necessário reduzir o desa habitual impaciência dos paulistanos – em especial perdício, reaproveitar e, principalmente, reciclar o que
quando o caminhão atravanca o tráfego –, mas tam- for possível. “O país ainda não faz um aproveitamento
bém cães e cacos de vidro. “Facilitaria se as pessoas eficiente da maioria dos produtos recicláveis, mas, no
enrolassem em jornal tudo o que é cortante e man- segmento das latinhas, é campeão mundial pelo sexto
tivessem os cachorros presos”, diz o coletor Rogério ano consecutivo”, diz o coordenador da Comissão de
Honorato do Nascimento, de 38 anos, que já levou três Reciclagem da Associação Brasileira do Alumínio (Abal),
mordidas em 14 anos de profissão. Latinhas, ele diz, é Henio­de Nicola­. “Hoje, 96,5% delas são recicladas”, afirraro encontrar, uma vez que muita gente já aprendeu ma, apoiando-se em estatísticas oficiais do setor.
Um relatório publicado no ano passado pela Organia vendê-las para centrais de reciclagem. Em época de
Réveillon­ou Carnaval­, no entanto, ele descobre muitas zação Internacional do Trabalho mostra que as diferentes etapas da coleta seletiva empregam 500 mil pessodelas misturadas ao lixo.
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as no Brasil, das quais 170 mil atuam a saga das latinhas 2: A segunda lata, jogada na sarjeta, quase não prega o
na reciclagem de alumínio. A despei- olho durante a noite. Seu sono é agitado. Latinha-camaleão, vira bola de futebol quando
to do que acontece com outros mate- passa criança pela rua e se transforma em navio quando há enxurrada. De manhã, a seriais, a cultura do reaproveitamento gunda latinha é mais uma vez arrastada, dessa vez por uma vassoura. Mas ninguém a
das latas vem se disseminando forte- pega. Os mesmos garis que recolhem toneladas de folhas secas e bitucas de cigarro fingem
mente na população paulistana. Tan- que não é com eles quando cruzam com a latinha. Humilhada, desenxabida, largada ao
to que, aqui, os garis estão proibidos relento, a lata não inspira compaixão sequer no gari, esse soldado da limpeza pública. Seu
de recolhê-las. “Se um catador perce- destino é esperar, até que um catador se comova com sua desgraça.
be que tem uma latinha no saco de
lixo, ele rasga”, afirma o varredor Francisco de Assis
Como os urubus e os garis, catadores são aves de rapiPereira, de 52 anos, 20 deles como varredor. Das 6h às na disciplinadas que fazem desaparecer o que não que14h, entre a Praça Ramos e a Praça da Bandeira, ele per- remos ver amontoado diante de nossas casas. Há pelo
corre os calçadões do Centro e, na companhia de um menos 35 mil carroceiros em atividade na capital e uma
colega, com quem se reveza na condução do carrinho, porção de cooperativas especializadas em receber esse
enche mais de dez sacos de lixo por dia – e abandona material e encaminhá-lo para a indústria. Contribui para
na calçada todas as latinhas que encontra.
a redução do volume de lixo – como os catadores e os
Francisco de Assis Pereira é um dos 800 varredores urubus – o morador que separa os materiais recicláveis
contratados pela Construfert­, uma das cinco empresas e os entrega às cooperativas. Em 80%
de varrição que atuam em São Paulo. Em toda a cidade, da cidade, não é preciso sequer sair de
são 3,5 mil varredores, que trabalham 24 horas por dia, casa para fazer sua parte. Basta separar
em três turnos, e recolhem 200 toneladas diárias de re- o lixo seco do lixo úmido e entregar
síduos – a maioria jogada por boçais, de gravata, chine- tudo o que não é orgânico ao serviço
lo ou salto alto, que não se comovem com o avanço do de coleta seletiva da Prefeitura.
lixo sobre São Paulo. O resultado de todo esse trabalho
Desde 2003, 15 centrais de triagem
segue para o CDR Pedreira, o mesmo aterro que divi- selecionadas pelo Departamento de
de com o São João o lixo coletado nas zonas Sul e Leste. Limpeza Urbana (Limpurb­) atuam de
Nesses sacos, no entanto, não há latinhas. Abandonadas modo a receber o lixo seco e separar
nas ruas, as latinhas são recolhidas pelos catadores.
os resíduos de acordo com o material
de que é feito. Tanto a Loga quanto a
Ecourbis dedicam parte de sua frota
a esse serviço, feito uma vez por semana em cada bairro e estendido a 74
distritos de São Paulo – falta chegar a
22 para atender todos os 96 distritos
do município. Outros 50 caminhões,
doados pela Prefeitura, são operados
pelas 15 cooperativas em suas respectivas regiões. “Até o fim do ano, outras
oito cooperativas serão incluídas no
programa, que receberá recursos do
PAC”, afirma o diretor da Limpurb­,
Weber­Ciloni­, referindo-se ao Progra-
ma de Aceleração do Crescimento do Governo Federal.
“Até 2014, serão 17 novas centrais de triagem”, diz.
por enquanto, apenas 35 mil toneladas de
material reciclável são recuperadas por ano pelo serviço municipal de coleta seletiva. Isso representa apenas 1% de todo o lixo domiciliar recolhido na cidade
– um índice capaz de constranger as autoridades acostumadas a lidar com o assunto, principalmente quando se sabe que 30% de tudo o que é jogado nos aterros
poderia ser reciclado. “Falta conscientizar e envolver
a população”, diz Flávio Leandro de Souza, presidente
da cooperativa Sem Fronteiras, uma das 15 centrais de
triagem que atuam na cidade. Instalada num galpão no
Jaçanã (Zona Norte), a Sem Fronteiras recebe 230 toneladas mensais de resíduos, que são dispostos em uma
esteira e triados por 85 cooperados. Na concepção de
Souza, são 85 “agentes ambientais”. “O pessoal que trabalha com reciclagem desempenha uma atividade de
ecologista. É pena que muitos se sintam constrangidos
com a profissão e prefiram mudar de emprego quando
surge uma oportunidade. Isso não aconteceria se eles
entendessem que essa montanha não é feita de lixo,
mas de matérias-primas reutilizáveis”, diz.
Toda essa matéria-prima reunida no galpão da cooperativa Sem Fronteiras é comprada por empresas
que a utilizam na fabricação de produtos novos. A Suzano, por exemplo, é a maior compradora de papel,
enquanto funcionários da Tetrapack visitam o galpão com frequência para adquirir caixinhas de leite
e suco. Garrafas PET e latinhas de alumínio vão para
empresas que as revendem à indústria, entre elas a
Aleris, a maior fabricante de alumínio reciclado do
Brasil. O lucro é totalmente revertido à cooperativa.
Embora 30% do lixo seja
composto por materiais
recicláveis, apenas 1% é
recuperado pela coleta
seletiva da Prefeitura
Varredores em ação no Anhangabaú: São Paulo
tem um “exército” de 3,5 mil homens nessa função
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O Brasil recicla
96,5% das latas
de alumínio. Falta
fazer o mesmo
com o plástico,
o vidro, o papel...
A central de coleta do Parque Novo Mundo paga
R$ 2 por quilo de lata e envia 600 t por mês à indústria
a saga das latinhas 3: A terceira lata – que após o churrasco foi deitar com
outras 32 latas – dormiu feito pedra. Em alguns momentos, parecia que ela estava em um
acampamento de férias, cercada de amigas. De manhã, um caminhão da coleta seletiva
veio buscá-las e, como se fosse um ônibus de excursão, levou todas para um parque de diversões chamado “central de triagem”. Ali, as latas vivem um dia de festa. A pilha de recicláveis se transforma em tobogã e a esteira vira pista de patinação no gelo. Após experimentar todos os brinquedos, as latas são levadas à empresa de reciclagem, onde a terceira
latinha, já exausta, encontra uma velha conhecida – a mesma que, na véspera, havia sido
abandonada no meio-fio. Latas de sorte, em breve elas voltarão a ser latas.
A Aleris processa 9 mil toneladas de alumínio por mês
a partir de 10,3 mil toneladas de latinhas recuperadas:
um aproveitamento de 88%. A empresa tem hoje dez
centros de coleta, de Recife a Curitiba­. No maior deles,
localizado no Parque Novo Mundo (Zona Norte), é possível trocar 1 quilo de latinhas por uma cédula de R$
2. “Recebemos 600 toneladas de material por mês e o
transformamos em grandes fardos de alumínio com-
pactado antes de encaminhá-lo às duas plantas industriais mantidas pela empresa em Pindamonhangaba”,
diz Eduardo Fiaschi, coordenador do centro de coleta.
Nas plantas industriais, os fardos são retalhados e os
fragmentos de metal passam por uma peneira, em que
canudinhos e outras impurezas são eliminados. Dali, o
metal segue para um forno, no qual a tinta é dissolvida e, finalmente, é fundido a 870ºC. O alumínio é en-
caminhado ainda líquido à Novelis, a única fabricante
de lâminas para a produção de latas da América Latina, também em Pindamonhangaba. Estima-se que a
Aleris seja responsável por 60 mil das 172 mil toneladas de alumínio recuperado que foram utilizadas no
Brasil em 2008.
O país nunca produziu tanta lata. No ano passado, o
setor acusou um crescimento de 8,5% sobre 2007, abastecendo o mercado com 13,3 bilhões de latinhas, 1 bi-
lhão a mais do que em 2007, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade.
Uma das causas desse aumento é a mudança de comportamento desencadeada pela Lei Seca. O recrudescimento da fiscalização e das leis que proíbem a condução de veículo motorizado após a ingestão de álcool
tem estimulado a população a comprar mais cerveja
(em lata) no supermercado para tomar em casa.
O aumento do poder aquisitivo do brasileiro também
tem contribuído para o crescimento
a saga das latinhas 4: O sonho de toda lata é ser lata de novo. Enquanto al- do consumo de latinhas – e, de magumas jazem no triste e escuro aterro sanitário, consumidas pouco a pouco até se desin- neira geral, de todo tipo de produto
tegrar e desaparecer por completo, há as bem-aventuradas que celebram a caminho da (o que promove um crescimento do
reciclagem. Em breve, elas voltarão às prateleiras, novamente jovens, côncavas e belas, descarte não apenas de alumínio, mas
cheias de viço e graça. Reencarnarão donzelas, como se lhes devolvessem o sopro, ávidas também de papel, plástico, papelão e
por mãos sedentas que lhes arrebatem novamente o desejo e as consumam outra vez em outras embalagens). A festa do consurepetido sacrifício. As latas cumprem, dessa forma, sua inesgotável saga de alumínio. Res- mo, infelizmente, estimula o desperdício e mascara o que é matéria-prisurreição de material reciclado é milagre rotineiro e factível. A cidade precisa disso.
ma sob a forma de resíduos sólidos,
atingindo em cheio o meio ambiente
e o futuro da cidade. É preciso reciclar,
Na cooperativa Sem Fronteiras, no Jaçanã, 85
antes que São Paulo seja engolida pelo
“agentes ambientais” fazem a triagem do lixo
lixo e se transforme em um grande – e
faminto – aterro sanitário.
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O volume de lixo gerado em São Paulo cresce cinco vezes mais