UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE FISIOTERAPIA ERIC GOMES VAMERLATI INCIDÊNCIA DE FRATURAS EM MOTOCICLISTAS VÍTIMAS DE ACIDENTES DE TRÂNSITO NO ANO DE 2008 NO MUNICÍPIO DE CRICIÚMA-SC CRICIÚMA, NOVEMBRO DE 2009 ERIC GOMES VAMERLATI INCIDÊNCIA DE FRATURAS EM MOTOCICLISTAS VÍTIMAS DE ACIDENTES DE TRÂNSITO NO ANO DE 2008 NO MUNICÍPIO DE CRICIÚMA-SC Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para obtenção do grau de Bacharel no curso de Fisioterapia da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC. Orientador: Prof. MSc. Lee Gi Fan CRICIÚMA, NOVEMBRO DE 2009 ERIC GOMES VAMERLATI INCIDÊNCIA DE FRATURAS EM MOTOCICLISTAS VÍTIMAS DE ACIDENTES DE TRÂNSITO NO ANO DE 2008 NO MUNICÍPIO DE CRICIÚMA-SC Trabalho de Conclusão de Curso aprovado pela Banca Examinadora para obtenção do Grau de Bacharel, no Curso de Fisioterapia da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC, com Linha de Pesquisa em Ortopedia. Criciúma, 25 de novembro de 2009. BANCA EXAMINADORA Prof. MSc. Lee Gi Fan – Fisioterapeuta - (UNESC) - Orientador Prof. ..................-Titulação - (Instituição) Prof.................... - Titulação - (Instituição) Dedico esta monografia a minha família, da qual considero meu porto seguro, meu orgulho e minha fonte de alegria. AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus, por guiar meus passos sempre pelo caminho do bem. Aos meus pais, meus ídolos, Luiz Antônio Vamerlati e Maria Aparecida Gomes Vamerlati, por me educar com sabedoria, pela paciência nos momentos difíceis e principalmente por me amar incondicionalmente. Agradeço a vocês por conduzir essa família com respeito, dignidade e lealdade. Agradeço ao meu irmão, Rafael Gomes Vamerlati, pelo companheirismo em toda minha vida. Não tenho palavras para expressar o quanto eu o amo. Em especial a minha querida prima, Juliana Vamerlati, pelo carinho, pela dedicação em diversas situações como também para a conclusão desta monografia. Agradeço aos céus por me conceber uma prima assim como você. Agradeço a essas pessoas, Érika Christiano de Oliveira e Isabelle Menna de Lemos que me auxiliaram e muito para que este trabalho fosse concluído da melhor maneira. Obrigado pela consideração de vocês. Aos meus amigos em geral, amigos conquistados durante estes cinco anos e amigos de longa data. Amigos de verdade tornam-se presentes mesmo quando estão ausentes. Obrigado pelos bons momentos dos quais estão eternizados em minha memória. O que se leva da vida é a vida que se leva. Ao meu orientador Lee, pelas cobranças e dicas conduzindo meu trabalho com eficácia. Agradeço ao Comandante do 4º Batalhão de Bombeiros Militar, Ten Cel João Carlos Leão Correia, por permitir a coleta de dados das fichas Pré Hospitalares depositando em mim confiança para a realização deste trabalho. Agradeço aos meus amigos de farda pela ajuda na coleta de tais dados e pelo apoio constante. . “Uma pessoa é capaz de conseguir qualquer coisa se o seu entusiasmo não tiver limites”. (Charles Schwab) RESUMO Este estudo tem como tema: Incidência de Fraturas em Motociclistas Vítimas de Acidentes de Trânsito no Ano de 2008 no Município de Criciúma-SC. Partiu da necessidade de conhecer o perfil dos motociclistas vítimas de acidente de trânsito, verificando a região corpórea em que mais ocorreram as fraturas, a abordagem dos socorristas diante dos procedimentos para com estas vítimas e a atuação do fisioterapeuta no exercício de sua função. Os acidentes de trânsito no município de Criciúma-SC atingem a maior proporção dentre as mortes violentas, resultados de variantes, tais como aumento da frota, imprudência, evento de profissões associadas a este tipo de veículo, embriaguez, dentre outras levantadas e amplamente discutidas neste estudo. O objetivo geral levantado na pesquisa foi analisar a incidência de fraturas em motociclistas vítimas de trânsito no ano de 2008, no município de Criciúma-SC. A amostra utilizou como instrumentos de dados, uma ficha de identificação elaborada pelo autor constando 188 registros de vítimas de ocorrências com envolvimento em acidentes de motocicletas no período entre janeiro a dezembro de 2008. Tais dados foram obtidos das fichas Pré-Hospitalares utilizadas pelos socorristas do 4º Batalhão de Bombeiros Militar (4º BBM), localizado no município de Criciúma-SC. Concluiu-se que a maior incidência dos acidentes ocorreu no período vespertino (76), nos bairros Centro (23), Próspera (16); Rio Maina (13), Pinheirinho (11), Santa Bárbara e São Luiz (09), sendo a maioria do sexo masculino (158) e feminino (30), prevalecendo as fraturas fechadas (197) para as abertas (14). Verificou-se que os socorristas executaram procedimentos às vítimas, tais como: análise primária e secundária e condução ao hospital (188); uso de colar cervical (151); maca rígida longa (149); imobilizações das extremidades inferiores e superiores (128); limpeza no local do ferimento (94); oxigenoterapia (31); curativo simples (11); curativo compressivo (10); aspiração (04); cobertor (04), colete (01); desobstrução das vias aéreas (01). Considera-se, portanto, que as formas de aplicação da proposta da Fisioterapia em relação ao atendimento pré-hospitalar e o tratamento das fraturas em motociclistas causadas por acidentes de trânsito se fazem necessárias com vistas à atenção primária à saúde na melhoria da qualidade de vida. Os resultados obtidos estimulam a realização de estudos mais aprofundados dos fatores de risco nos acidentes de trânsito, para que medidas preventivas sejam tomadas. Palavras-chave: Acidente de trânsito; motociclista; fraturas; Fisioterapia. ABSTRACT This study has as its theme: Incidence of Fractures in Victims of Motorcycle Accidents in the Year 2008 in the city of Criciuma-SC. He started from the need to know the profile of motorcycle victims of traffic accidents by checking the body region where the highest number of fractures, the approach of first responders on the procedures for these victims and the role of the physiotherapist in the exercise of its function. Traffic accidents in Criciúma-SC reached the highest proportion among the violent deaths, results of variants, such as increased fleet, recklessness, event professionals associated with this type of vehicle, drunkenness, and others raised and widely discussed in this study. The overall objective raised in the research was to analyze the incidence of fractures in victims of transit riders in 2008, in CriciúmaSC. The sample used as instruments of data, a form of identification issued by the authorities are 188 records matching the victims involved in motorcycle accidents in the period from January to December 2008. These data were obtained from medical Prehospital used by rescuers from the 4th Battalion of Military Fire (4 º BBM), located in Criciúma-SC. It was concluded that the higher incidence of accidents occurred in the afternoon (76), in the neighborhoods Center (23), Prosperous (16), Rio Maina (13), Pinheirinho (11), Santa Barbara and St. Louis (09), and most males (160) and female (38), whichever closed fractures (197) to open (14). It was found that rescuers performed procedures for victims, such as analysis of primary and secondary driving to the hospital (188), use of cervical collar (151); litter rigid long (149), the fixed upper and lower extremities (128) , cleaning the site of injury (94), oxygen (31), simple dressing (11), dressing (10), aspiration (04), blanket (04), collect (01), airway clearance (01). It is, therefore, that the shapes of the proposed physical therapy compared to pre-hospital care and treatment of fractures caused by motorcycle accidents are necessary with a view to primary health care in improving the quality of life. The results provide a basis for further analysis of risk factors in traffic accidents, so that preventive measures are taken. Keywords: Traffic accident, motorcycle, fractures; Therapy. LISTA DE FIGURAS Figura 01 - Períodos de Ocorrências Envolvendo Fraturas de Janeiro a Dezembro de 2008....................................................................................................49 Figura 02 - Ocorrências por Bairro do Município de Criciúma-SC......................51 Figura 03 - Relação por Sexo das Vítimas com Fraturas no Período de Janeiro a Dezembro de 2008....................................................................................................53 Figura 04 – Incidência de Acidentes com Fratura por Idade no Período de Janeiro a Dezembro de 2008...................................................................................55 Figura 05 - Dados das Vítimas com Fraturas Abertas de Janeiro a Dezembro de 2008...........................................................................................................................60 LISTA DE QUADROS Quadro 01 - Dados das Vítimas com Fraturas Fechadas de Janeiro a Dezembro de 2008......................................................................................................................58 Quadro 02 - Tipos de Procedimentos Realizados as Vítimas no Período de Janeiro a Dezembro de 2008...................................................................................62 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 4º BBM – 4º Batalhão de Bombeiros Militar ABRAMED - Associação Brasileira de Medicina de Tráfego ADM – Amplitude de movimento APH - Atendimento pré-hospitalar CBMSC - Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina CIPE – Crítico, instável, potencialmente instável e estável CONTRAN - Conselho Nacional de Trânsito CTB - Código de Trânsito Brasileiro DETRAN - Departamento Estadual de Trânsito EPI - Equipamento de proteção individual HPS - Hospital de pronto socorro IML - Instituto Médico Legal IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada MI – Membro inferior MS – Membro Superior PL – Projeto de Lei TCE – Traumatismo Crânio-Encefálico SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................14 2 REFERENCIAL TEÓRICO.....................................................................................20 2.1 O Trânsito e o CTB ............................................................................................20 2.2 Direção Defensiva .............................................................................................22 2.3 Acidentes de Trânsito .......................................................................................24 2.3.1 Acidentes de Trânsito envolvendo Motociclistas........................................28 2.4 Prevalência de Lesões e os Mecanismos de Trauma nos Acidentes com Motociclistas............................................................................................................31 2.5 Atendimento Pré-Hospitalar (APH) ..................................................................36 2.6 Fisioterapia Preventiva .....................................................................................39 2.7 Nível Secundário e Nível Terciário de Atenção à Saúde................................41 3 MATERIAIS E MÉTODOS .....................................................................................45 3.1 Caracterização do Estudo ................................................................................45 3.2 Local e Caracterização da Amostra .................................................................45 3.3 Instrumentos para Coleta de Dados ................................................................46 3.4 Procedimentos para Coleta de Dados .............................................................46 3.5 Procedimentos para Análise de Dados ...........................................................47 4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS ...............................................................48 4.1 Ocorrências envolvendo Fraturas ...................................................................49 4.2 Ocorrências por Bairro .....................................................................................50 4.3 Relação por Sexo das Vítimas com Fraturas..................................................52 4.4 Incidência de Acidentes com Fratura por Idade.............................................55 4.5 Dados das Vítimas com Fraturas Fechadas ...................................................58 4.6 Dados das Vítimas com Fraturas Abertas.......................................................59 4.7 Tipos de Procedimentos realizados pelos Socorristas .................................61 4.8 Ocorrências das Vítimas sem Fratura .............................................................63 CONCLUSÃO ...........................................................................................................65 REFERÊNCIAS.........................................................................................................68 APÊNDICES .............................................................................................................75 ANEXOS ...................................................................................................................80 14 1 INTRODUÇÃO O trânsito é formado pela movimentação das pessoas do qual pode ser por uma simples caminhada ou por meio de veículos, animais, entre outros. A fiscalização do trânsito é realizado pela Polícia Militar e demais responsáveis pelo trânsito baseados nas leis do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) a fim de impor o respeito quanto a circulação de veículos (ROZESTRATEN & DOTTA, 1996). As normas e os sinais de trânsito têm o objetivo de promover a segurança na circulação, controlando o comportamento das pessoas e auxiliando por meio das placas de advertência quanto aos perigos e cuidados que devem ser incorporados. Porém, mesmo com todas estas precauções, os acidentes automobilísticos podem surgir, principalmente devido à negligência, imprudência ou imperícia dos condutores. Esses acidentes de trânsito giram em torno praticamente de dois problemas que são o despreparo dos condutores e o comportamento dos mesmos ao transitar (ROZESTRATEN & DOTTA, 1996). Os acidentes podem causar sérias enfermidades devido a vários fatores que estão envolvidos no momento da colisão, como a velocidade do veículo e o lado em que sofreu a colisão, a energia cinética envolvido no acidente, a região do corpo que sofreu o impacto, o formato do objeto que impactou, entre outros (JR et al., 1993). A possibilidade de ferimentos nos acidentes aumenta nos motociclistas envolvidos por causa de seu pouco equipamento de proteção individual (EPI) comparados aos ocupantes de veículos de quatro rodas. A chance de politraumatismos é maior nesses indivíduos, visto que toda a energia no momento da colisão é transferida ao seu corpo do qual está usando apenas capacete e vestimentas. Com isso seus corpos podem ser facilmente ejetados da motocicleta deparando-se com diferentes tipos de obstáculos. E dentre as diversas lesões que podem surgir temos as fraturas da qual “[...] a maioria ocorre como resultado de um episódio único por uma força suficientemente poderosa para fraturar osso normal [...]” (JR et al., 1993). Os profissionais responsáveis pelo Atendimento Pré-Hospitalar (APH) desses vitimados devem estar capacitados para identificar as características clínicas 15 das fraturas que nem sempre estão evidentes. Sinais e sintomas tais como: dor, perda da função, deformidade, mobilidade anormal, crepitação, entre outros (JR et al., 1993). No tratamento dessas fraturas deve haver a associação entre conceitos da reabilitação e da ortopedia. A fisioterapia pode atuar nas diferentes áreas de atenção a saúde e não apenas quando a deformidade já estiver instalada. Deve-se atuar com a prevenção ou quando não for possível, promover ações para o retorno do estado de equilíbrio do corpo humano (DELIBERATO, 2002). Várias são as disposições e leis sobre o trânsito nacional, abordando temas como a educação, sinalização, circulação dos veículos, bem como infrações e penalidades. Por isso é de extrema importância que todos conheçam o Código Nacional de Trânsito para compreender como este funciona e quais são os cuidados que devem aderir ao transitar. A incapacidade de educar e conscientizar as pessoas pode ser considerado um fator determinante de acidentes de trânsito. Acidentes dos quais podem envolver automóveis, caminhões, motocicletas, pedestres, entre outros. Há um aumento constante da frota de automóveis, ônibus, caminhões e motos nas ruas e estradas. E o número de motocicletas circulando no país é crescente devido principalmente ao seu baixo custo ou pela facilidade que apresentam para transitar (ABRACICLO, 2008). Qualquer tipo de acidente de trânsito traz alteração no quadro de saúde dos envolvidos, pois segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS): “saúde é o estado de completo bem-estar físico, mental, e social, e não simplesmente a ausência de moléstias ou enfermidade” (DELIBERATO, 2002, p.4). E nos acidentes mesmo os de menor gravidade ocorrerão alterações de um ou mais desses estados. As complicações físicas podem ser: lacerações, escoriações, amputações, eviscerações, Traumatismo Crânio Encefálico (TCE), fraturas e óbito. Estes traumas podem gerar complicações secundárias permanentes, desta forma exige-se a necessidade de prevenção de acidentes (RÜEDI & MURPHY, 2002). No tratamento das fraturas o principal objetivo é restaurar a função, força muscular, resistência e desempenho aos níveis anteriores ao trauma. A proposta da Fisioterapia nestes casos visa, no nível de atenção primária à saúde, melhorar a qualidade de vida conscientizando as pessoas que os acidentes traz inúmeras 16 conseqüências podendo levar, em situações mais graves, ao óbito (HOPPENFELD & MURTHY, 2001). Outro papel fundamental a partir da ocorrência desses incidentes é realizado por unidades de APH, onde prestam os primeiros socorros a vítima na tentativa de manter estável seu quadro clínico e impedir que a situação do mesmo se agrave até sua chegada aos hospitais, unidades como o Corpo de Bombeiros. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC), o APH é a prestação se Suporte Básico de Vida (SBV) para as vítimas de traumas ou emergências médicas. O CBMSC define ainda que os socorristas, atividade desenvolvida por bombeiros militares, tem como objetivo promover um SBV às vítimas oferecendo uma urgência/emergência até assistência sua continuada chegada ao desde a ambiente área de hospitalar (http://www.cb.sc.gov.br/). Existe um procedimento padronizado para os atendimentos às vítimas de acidentes de trânsito incorporado por esses profissionais. O problema é que sua ação nestes casos terá inicio somente quando uma situação de emergência já estiver instalada. Neste caso a Fisioterapia pode atuar de maneira a prevenir o surgimento de tais situações, educando e promovendo campanhas a respeito da importância dos cuidados que devemos ter ao transitar principalmente com motocicletas. Relatando ainda sobre as complicações que as pessoas estão sujeitas a sofrer nos acidentes, além das seqüelas que poderão surgir posteriormente. Os fisioterapeutas são capacitados para atuar nas diferentes áreas de atenção a saúde, com adequada formação científica. Atuam por meio da prevenção, avaliação, tratamento e reabilitação usando programas de orientação e promoção da saúde. Estes profissionais para agirem com ações preventivas devem ter conhecimentos relacionados aos fatores que desencadeiam lesões, objetivando eliminar ou minimizá-las (DELIBERATO, 2002). A partir da contextualização formulou-se a seguinte questão problema: Qual é a incidência de fraturas em motociclistas vítimas de acidentes de trânsito no ano de 2008 no município de Criciúma-SC? Nessa perspectiva, para nortear o estudo, foram elaboradas a partir da questão problema os seguintes pontos a investigar: Qual o perfil dos motociclistas que sofreram fraturas por acidentes de trânsito no município de Criciúma-SC? Qual é a região corpórea com maior incidência de fraturas nos motociclistas vítimas de 17 acidentes de trânsito? Qual a abordagem dos socorristas para com estes indivíduos? Qual é a atuação do fisioterapeuta nos diferentes níveis de atenção ao paciente vitimado nesses tipos de acidente? Em relação às repostas das questões norteadoras, as prováveis hipóteses seriam: Em um estudo com 599 motociclistas vítimas de acidentes de trânsito no perímetro urbano de Maringá-PR, constatou-se um predomínio das vítimas do sexo masculino que representou 83,5% do número total de vítimas, onde com relação a proporção masculino/feminino constou 5,0:1. E relacionado à faixa etária, as vítimas de maior freqüência foi o grupo de 20 a 29 anos que representou 54,4%, com situação semelhante entre o sexo masculino e o feminino. A soma da freqüência dos grupos entre 10 a 39 anos totalizou 89,0% dos acidentes, acometendo os adolescentes e adultos jovens (SOARES & SOARES, 2003). Estimase que o perfil dos motociclistas envolvidos nos acidentes de trânsito em CriciúmaSC, em sua maioria, seja do sexo masculino, dos quais estão situados entre 18 a 30 anos. Uma pesquisa realizada com motociclistas vítimas de acidentes de trânsito no período de junho, julho e agosto que tiveram que ficar internados no Hospital de Pronto-Socorro (HPS) de Porto Alegre-RS no ano de 2002 identificou-se as fraturas de membros e quadril como as mais freqüentes nos motociclistas que sobreviveram aos acidentes. Os dados apontam que 34% das lesões ocorreram nos membros inferiores, 22% nos membros superiores, 18% na cabeça, 9% no quadril, 6% no abdômen, 6% no tórax e apenas 5% na coluna. Esse estudo foi efetuado com 54 motociclistas internados na enfermaria e com a coleta de dados de 9 pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital citado (VERONESE et al., 2006). Provavelmente o tipo de fratura mais comum nos motociclistas acidentados no município de Criciúma-SC seja na região dos membros inferiores. Já que nas colisões laterais as extremidades inferiores estão mais expostas para serem comprimidas por outro veículo ou objeto. Nas colisões frontais as coxas da vítima podem bater no guidão da motocicleta causando uma fratura de fêmur e nos acidentes onde o corpo do motociclista é ejetado pode ocorrer os politraumatismos incluindo também membros inferiores. Os socorristas devem estar aptos a julgar e decidir quais ações e procedimentos devem executar na cena da ocorrência, agindo com eficiência durante todo o APH até a chegada da vítima ao hospital para ter o tratamento 18 definitivo. O atendimento destes profissionais é padronizado em etapas, ou seja, ao chegar à ocorrência, o socorrista deve realizar uma avaliação da cena, garantindo a segurança tanto da vítima quanto de si próprio analisando qual é a situação da ocorrência. Em seguida é realizado um exame primário onde o socorrista deve identificar e corrigir as alterações que estão oferecendo risco de vida, deve proceder por meio do conhecimento da fisiopatologia das lesões. Posteriormente é realizado o exame secundário que consiste em analisar o vitimado minuciosamente, identificando lesões ou problemas que não foram diagnosticados no exame primário. Na última etapa se faz o monitoramente e a reavaliação dos sinais vitais da vítima, repetindo o exame primário inúmeras vezes para prestar atenção se ocorre mudança significativa nas condiçoes clínicas do acidentado (NAEMT, 2007). Os fisioterapeutas podem atuar em três níveis de prevenção para com estes indivíduos que são: primário, secundário e terciário. No nível primário a finalidade é manter o organismo em equilíbrio com ausência de enfermidade, ou seja, fornecendo conhecimentos quantos aos riscos e lesões que estão sujeitos a sofrer em acidentes, principalmente em motociclistas onde a probabilidade de lesão é maior. No nível secundário realiza-se um diagnóstico precoce das alterações e promove o retorno do organismo ao estado de equilíbrio ou no mínimo evita a piora do quadro. Enquanto que no nível terciário o indivíduo portador da enfermidade passou pelos níveis anteriores, porém permaneceu com sequela residual e/ou incapacidades. Neste nível a intenção é estimular o retorno do indivíduo a sociedade de maneira a utilizar o máximo de suas capacidades residuais (DELIBERATO, 2002). Formulou-se o seguinte objetivo geral a investigar: analisar a incidência de fraturas em motociclistas vítimas de acidente de trânsito no ano de 2008 no município de Criciúma-SC. Citamos como objetivos específicos: avaliar o perfil dos motociclistas vítimas de acidentes de trânsito; verificar a região corpórea com maior incidência de fraturas em motociclistas envolvidos nos acidentes de trânsito; descrever a abordagem dos socorristas para com estes indivíduos; abordar a atuação do fisioterapeuta nos diferentes níveis de atenção ao paciente vitimado. Observa-se que acidentes de trânsito, em geral, são imprevisíveis e têm uma grande capacidade de causar alterações físicas. Alterações estas que muitas vezes necessitam de intervenções fisioterapêuticas, que normalmente são aplicadas no período pós-traumático, visando à reabilitação do acidentado. 19 O presente projeto de pesquisa abordará o tema “Incidência de fraturas em motociclistas vítimas de acidentes de trânsito no ano de 2008 no município de Criciúma-SC” e trará a tona dados sobre o assunto com o objetivo de mensurar sua incidência e constatar quais tipos de fraturas que mais decorrem destes acidentes. Tal constatação poderá estimular estudos dos fatores de risco nos acidentes de trânsito para que medidas preventivas sejam tomadas. Pode-se ainda com os dados coletados, como o perfil dos motociclistas acidentados, definir um grupo de foco para conscientização e educação no trânsito; com o local de maior sinistralidade envolvendo motociclistas pode-se sugerir soluções práticas a serem divulgadas aos órgãos públicos competentes de forma a melhorar o trânsito e reduzir a incidência de acidentes nesses locais; com os horários de maior freqüência de acidentes possibilita preparar as unidades de APH, bem como os agentes de trânsito para concentração de esforços nos horários mais críticos. A questão do motociclista será foco deste projeto de pesquisa devido à observância de um crescente número dos mesmos no trânsito em todo o país e à sua maior probabilidade de incidência de fraturas nos acidentes de trânsito, pois os mesmos estão com o corpo mais exposto se comparados aos ocupantes de outros veículos. No Brasil entre 40 mil acidentes com motocicletas, no ano de 1997, ocorreram 24 mil óbitos. Ainda de acordo com os dados de internação por grupos de causas relatam que foram internados, no ano de 1998, 15.232 motociclistas, vítimas de acidentes de trânsito. Em 2004 este índice subiu para 27.388, promovendo assim um aumento de 79,8% (SANTOS, 2008). A pesquisa será aplicada em Criciúma-SC, pois a cidade e suas delimitações fazem parte da região onde o autor atua como Bombeiro Militar e freqüentemente realiza o APH aos motociclistas envolvidos em acidentes. E os dados coletados na pesquisa representarão uma oportunidade de aperfeiçoamento dos métodos de trabalho existentes nestas unidades de atendimento de urgência/emergência. A Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC, está inserida nesta cidade e este fator estimula o interesse e aplicação dos dados coletados à sociedade regional. A viabilidade deste projeto decorre, portanto, do estudo da aplicação da Fisioterapia envolvendo a prevenção, o atendimento pré-hospitalar e o tratamento das fraturas em motociclistas decorrentes dos acidentes de trânsito. 20 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 O Trânsito e o CTB Segundo o Código de Trânsito Brasileiro: “Considera-se trânsito a utilização das vias por pessoas, veículos e animais, isolados ou em grupos, conduzidos ou não, para fins de circulação, parada, estacionamento e operação de carga ou descarga” (CTB, http://www.senado.gov.br). Logo todos os que se locomovem estão envolvidos no conteúdo da lei, seja por uma simples caminhada, por meio de veículos, animais ou mesmo utilizando as vias para conduzir animais de um local para o outro. A movimentação forma o trânsito independentemente da qualificação do local destinado ao deslocamento, por mais antigo, íngremes e distantes que sejam os pontos que se dê a utilização (RIZZARDO, 2008). Segundo os autores Rozestraten & Dotta (1996), em uma abordagem psicológica, a pessoa quando conduz um veículo mostra seu grau de sensibilidade e a sua satisfação ou insatisfação com a vida. O veículo fornece condições para que a pessoa se revele ou mostre como vive verdadeiramente. Pode revelar suas qualidades, como educação, inteligência, sensibilidade, porém pode expressar os seus defeitos e fraquezas. Logo, facilmente é possível deduzir se o veículo está sendo conduzido por uma pessoa sensata ou não. O motorista sensato dirige dentro das normas estabelecidas respeitando as sinalizações e o mal comportado dirige fora destas normas. Os sinais e normas de trânsito objetivam manter o condutor inserido em uma faixa razoável de segurança e tendem a controlar seu comportamento, já as placas de advertência avisam sobre situações de perigo imediato. Quando o condutor exceder os limites estabelecidos pela sinalização, caso ultrapassar os limites físicos do veículo e do ser humano (fadiga, cansaço), estará fornecendo riscos para si e para os outros (ROZESTRATEN & DOTTA, 1996). Os problemas de trânsito no Brasil giram em torno de duas questões fundamentais: despreparo dos condutores e comportamento no trânsito. A pessoa habilitada com conhecimentos insuficientes e superficiais torna-se um condutor 21 imprudente, descuidado e sem noção quanto às atitudes necessárias para visualizar situações de risco. As auto-escolas, responsáveis por habilitar as pessoas com toda experiência e competência que o trânsito exige, na sua grande maioria ensinam apenas a dirigir de forma muito precária não instruindo como realmente evitar os acidentes (ROZESTRATEN & DOTTA, 1996). Em relação ao comportamento é de extrema necessidade uma fiscalização rigorosa quanto às leis de trânsito proporcionando às pessoas, assim, condutas adequadas ao transitar. Para ser considerado um bom motorista deve-se ter conhecimentos técnicos e práticos sobre o veículo, legislação, direção defensiva, mecânica, primeiros socorros e engenharia de tráfego. Inserido nesse contexto é importante se ter uma boa relação humana para manter respeito e educação entre as pessoas (RIBEIRO, 1998). Segundo Ribeiro (1998, p.7): O trânsito hoje é encarado como uma questão de exercício de cidadania de extrema responsabilidade, e só se chegará a este ponto através de um povo educado e consciente de seus deveres e obrigações. O relacionamento humano no trânsito precisa ter um caráter maduro e responsável e, sobretudo, respeito entre seus participantes. Um bom motorista além de proporcionar um trânsito harmonioso, onde há educação e paciência entre as pessoas, traz a prevenção de acidentes, pois todos estarão conscientes de suas responsabilidades e obrigações, promovendo o respeito quanto às normas de trânsito. Uma das responsabilidades do Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) é constituir os regulamentos e normas no território nacional como também os padrões a serem adotados por todas as entidades e órgãos do Sistema Nacional de Trânsito. E deverá promover padrões para servir de referência aos órgãos ou entidades executivos de trânsito na formação de escolas públicas de trânsito, além de divulgar os temas e cronogramas a serem desenvolvidos por estes órgãos anualmente. Os Ministérios da Saúde, da Educação e do Desporto, do Trabalho, dos Transportes e da Justiça, com o auxílio do CONTRAN, irão estabelecer os programas voltados à prevenção dos acidentes. A quantia destinada à aplicação da prevenção destes acidentes será fornecida, conforme destaca o CTB (http://www.senado.gov.br): 22 O percentual de dez por cento do total dos valores arrecadados destinados à Previdência Social, do Prêmio do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Via Terrestre - DPVAT, de que trata a Lei nº 6.194, de 19 de dezembro de 1974, serão repassados mensalmente ao Coordenador do Sistema Nacional de Trânsito para aplicação exclusiva em programas de que trata este artigo (CTB, http://www.senado.gov.br). O CONTRAN, em 2008, priorizou a educação no trânsito para ajudar na conscientização dos condutores de veículos automotores, ciclistas e pedestres a respeito dos deveres e direitos. O mesmo regulamentou o trânsito como atividade extracurricular nas escolas de ensino médio e está adequando-se a promover conhecimento, também, ao ensino infantil e fundamental (RENAEST, 2008). Percebe-se que apesar dos avanços tecnológicos, investimentos em design, beleza e segurança dos veículos, nada pode deter sua característica destrutiva por ser algo em movimento. Um veículo em movimento assume a personalidade de seu condutor, sua inteligência e sensibilidade refletindo seu comportamento. O risco de acidentes de trânsito aumenta quando os motoristas, apesar de conhecerem todos esses riscos, passam a adotar a postura de admiti-los e aceitarem suas conseqüências, para terem adrenalina em detrimento de sua segurança. Segurança no trânsito é uma ação correta da mentalidade, ou seja, uma boa atitude comportamental. 2.2 Direção Defensiva Os acidentes de trânsito em sua maioria resultam de erros quanto à circulação, surgindo às infrações de trânsito, ou através das imperícias onde o condutor não domina corretamente seu veículo (ROZESTRATEN & DOTTA, 1996). Para prevenir tais situações é necessário que o motorista utilize a direção defensiva estando apto a evitar os acidentes, mesmo que outros motoristas ou pedestres cometam atos incorretos no trânsito ou quando o próprio condutor sofra algum tipo de imprevisto das condições adversas que o rodeia. O motorista adiantado quanto às práticas defensivas terá o domínio de cinco propriedades que 23 são: o conhecimento, a atenção, a previsão, a decisão e a habilidade (RIBEIRO, 1998). O conhecimento está relacionado quanto às leis de trânsito, ter noções básicas sobre as relações humanas no trânsito, noções sobre Primeiros Socorros, mecânica do veículo, regras de circulação e Engenharia de Tráfego. A atenção deve ser redobrada ao transitar para evitar acidentes e proporcionar um trânsito seguro e confiável onde não ocorram infrações e consequentemente os acidentes (RIBEIRO, 1998). De acordo com o CTB, “O condutor deverá, a todo momento, ter domínio de seu veículo, dirigindo-o com atenção e cuidados indispensáveis à segurança do trânsito” (CTB, http://www.senado.gov.br). Ainda, ser um motorista prevenido verificando sempre se o veículo está em dia quanto aos seus equipamentos e tomando as decisões de maneira racional ao reconhecer algum tipo de perigo, fornecendo segurança para si e as demais pessoas. Segundo RIZZARDO (2008, p.113-114): É dever do condutor assegurar o bom estado de conservação do seu veículo, para que possa circular com total segurança, principalmente no que diz respeito à existência e perfeito funcionamento dos equipamentos obrigatórios, o que muito influirá para que a circulação ocorra sem riscos. Quanto à habilidade, o motorista deve estar apto para manusear o veículo, tendo conhecimento sobre as técnicas de Direção Defensiva, do qual será o somatório do domínio teórico com a sua prática (RIZZARDO, 2008). Os acidentes de trânsito ocorrem, em sua maioria, pelas infrações humanas, porém as condições adversas, consideradas condições desfavoráveis ao trânsito, também geram acidentes. Condições tais como: luz, tempo, estrada, trânsito, veículo e motorista. A luminosidade pode gerar problemas como: ofuscamento e a penumbra. O ofuscamento ocorre quando há excesso de luz em direção aos olhos e a penumbra ocorre quando há falta de luz, diminuindo assim a acuidade visual (RIBEIRO, 1998). O tempo está relacionado às condições atmosféricas tais como: vento, chuva, neblina, granizo e neve. Estas condições reduzem a capacidade de visão dos condutores tornando difícil a visualização de outros veículos, pedestres e 24 obstáculos. Em consequência disso o motorista deve ter atenção especial ao se deparar com tais situações (ROZESTRATEN & DOTTA, 1996). As estradas das quais se tem bastante conhecimento torna-se mais fácil evitar acidentes, porém não se pode ter excesso de confiança porque isso diminui a atenção ao transitar. As condições adversas das estradas incluem: acostamento, largura da faixa de rolamento, curvas, aclives, declives, estradas margeadas por árvores, desníveis, lombadas, tipo de pavimentação da via ou quando a via não é pavimentada (RIBEIRO, 1998). A condição adversa de trânsito menciona à fluidez ou não do tráfego, velocidade permitida nas vias, número elevado de pedestres atravessando a mesma, presença de ciclistas, os tipos de veículos que estão circulando e a imprudência de outros motoristas e pedestres. Quanto aos veículos as condições adversas referem-se às condições que o mesmo se depara. Veículo bem conservado é sinônimo de segurança no trânsito e consequentemente previne acidentes (RIBEIRO, 1998). O motorista apresenta dois grupos de condições adversas denominadas as físicas e as mentais. Nas físicas temos o cansaço, sono, deficiência de visão e audição, pressa, sob efeito de bebida alcoólica, entorpecentes ou sob uso de medicamentos. Quanto às mentais temos as preocupações, medo, ansiedade e agressividade (ROZESTRATEN & DOTTA, 1996). Várias são as condições adversas que ao qual o indivíduo pode se deparar. Por isso é necessário, sempre, ter muita cuidado nestes casos para que se tenha respeito à vida e evite principalmente as possíveis alterações físicas e mentais caso ocorra acidentes. 2.3 Acidentes de Trânsito A partir da revolução industrial do século XX ocorreu um aumento global significativo da frota de veículos automotores transitando, principalmente após a Segunda Guerra Mundial onde os automóveis passaram a serem relacionados como um objeto de status social retratados, principalmente por meio das propagandas capitalistas. Como resultado desses aumentos de veículos em circulação e de 25 infrações no trânsito associados a uma vigilância insuficiente do trânsito, os acidentes tornaram-se uma causa importante de lesões e óbitos em todo o mundo (BARROS et al., 2003). Entre o ano de 1950 a 1995, houve um aumento 42 milhões na produção mundial anual de automóveis. A circulação de veículos automotores nos Estados Unidos da América-EUA aumentou de 1,78 trilhões de Km percorrido por veículos para 3,24 trilhões. O aumento do tráfego tem sido global e o problema é que, na maioria dos casos, o sistema viário e o planejamento urbano não acompanharam esse crescimento. Diante disso, a poluição tanto sonora quanto atmosférica, os engarrafamentos e a elevação no tempo de percurso tornaram-se um dos responsáveis pela agressividade e redução na qualidade de vida dos motoristas (MARÍN & QUEIROZ, 2000). Atualmente este problema urbano resultante do elevado número de veículos circulantes dificilmente será resolvido completamente, pois a tendência é aumentar cada vez mais tal índice. Infelizmente os acidentes de trânsito, que acompanham esse caos urbano, possuem uma alta mortalidade. E consequentemente é responsável por um custo elevado ao Sistema de Saúde e previdência. Para reduzir as perturbações e custos à nossa sociedade, os acidentes devem ser evitados. Teoricamente os acidentes de trânsito são considerados totalmente preveníveis. Os acidentes não ocorrem por acaso, porém podem ser resultantes das falhas das vias, dos veículos e principalmente devido às negligências humanas. A significativa diminuição do índice de acidentes e óbitos posterior a aprovação do novo Código Nacional de Trânsito (1998), comprova que é possível mudar o comportamento das pessoas ao transitar, além de propiciar a criação e execução de novos programas preventivos (BARROS et al., 2003). O trânsito brasileiro é considerado um dos mais perigosos do mundo, proporcionando o número de um acidente para cada lote de 410 veículos transitando. Enquanto esse número na Suécia foi de um para cada lote 21.200 veículos (BASTOS & ANDRADE, 2005). A alta mortalidade por acidentes representa um problema de saúde pública no Brasil, onde temos os grupos dos jovens e adultos, principalmente do sexo masculino com maior envolvimento em acidentes fatais. Segundo Andrade et al. (2003): 26 Os acidentes e violências — denominados causas externas de morbidade e mortalidade, de acordo com a Classificação Internacional de Doenças — correspondem a segunda principal causa de óbito da população brasileira em geral. No entanto, na faixa etária entre os 5 e os 39 anos, esses eventos representam a primeira causa de morte, sendo os homicídios e os acidentes de trânsito os grandes responsáveis por essa mortalidade. Os acidentes de trânsito são consequências da desobediência às leis de trânsito, visto que temos limitações a serem respeitadas tanto relacionadas ao CTB quanto ao estado físico e/ou psicológico que das pessoas. Os acidentes também são causados pelo despreparo e desinteresse por parte dos motoristas quanto às leis que conduzem o trânsito, devido à falta de prática e conhecimento adequado quanto à direção defensiva. O principal fator de causa é a baixa cobrança relacionada ao comportamento dos motoristas no trânsito (DOTTA, 2000). A tolerância dos riscos é uma das principais causas associadas aos acidentes, pois comumente prefere-se arriscar a sofrer as transgressões geradas após os acidentes. Portanto, as pessoas arriscam e cometem mais infrações quando compreendem que não sofrerão as devidas penalidades como, por exemplo, as multas. Os condutores geralmente dirigem com prudência quando percebem que estão diante de grandes riscos (RIBEIRO, 1998). Diante disso tudo fica claro que o bom desempenho do condutor está relacionado com as habilidades que possui, com as atitudes perceptivas, com seus conhecimentos, mas está, sobretudo ligado as motivações e as atitudes de aceitar riscos ou de rejeitar riscos (DOTTA, 2000, p.59). Os acidentes de trânsito, pela Organização Mundial da Saúde, são considerados causas de mortes não naturais, sendo do tipo causas externas na qual estão inseridas todos os tipos de acidentes, incluindo as lesões intencionais e as provocadas em circunstâncias de intencionalidade ignorada. Atualmente o principal fator de óbito não natural são os acidentes de trânsito constatados em várias regiões do mundo. As medidas de prevenção que são tomadas nos países ditos desenvolvidos favorecem a redução dessas taxas. Ao contrário dos países subdesenvolvidos em que as taxas aumentam consideravelmente. O Brasil, nos anos 80, alcançou seu auge de óbitos por causas externas e permanece com esta constatação até os dias de hoje (ANDRADE & JORGE, 2000). 27 As estatísticas de mortalidade mostram que, em 1988 para o Brasil, cerca de 12% dos óbitos são devidos as causas externas sendo que destes 30% são por acidentes de trânsito. Quando se comparam aos outros países, os dados referentes ao Brasil são sempre elevados (JORGE & LATORRE, 1994). O número de adolescentes e adultos jovens envolvidos em acidentes de trânsito é elevado, representando um grande dano social e econômico. Umas das justificativas dessa estatística é que a inexperiência, a busca pela emoção e prazer em experimentar sensações de risco, a impulsividade e principalmente o exagero no consumo de álcool e/ou drogas ilícitas são típicos da atual conduta dessa faixa etária. Conforme Andrade et al. (2003): (...) representa significativo impacto na economia do país, não só pelos altos custos com atendimento e internação das vítimas, como também por ser responsável pela morte de expressiva parcela da população economicamente ativa. Além disso, a prematuridade e, em geral, o modo repentino como essas mortes ocorrem geram enorme sofrimento e transtornos psicossociais às famílias envolvidas. As causas externas que incluem situações relacionadas à violência e acidentes de trânsito têm um papel relevante dentro do contexto epidemiológico dos padrões morbidade e mortalidade. A taxa por mortalidade por causas externas, no ano de 1977 a 1986, passou de 50 para 72 óbitos por 100 mil habitantes representando um aumento de 44%. A partir deste ano a taxa se estabilizou em torno de 70/100 mil, para alcançar um novo pico apenas em 1996, de 76/100 mil e até 1999 diminuiu novamente para próximo dos 70/100 mil. Entre o período 1977 a 1986, o índice de mortalidade por acidentes de trânsito passou de 16 para 22/100 mil, um aumento de 38%, próximo ao aumento global da taxa das causas externas. A partir disto, essa taxa balanceou em torno de 20/100, até 1999 (BARROS et al., 2003). O que chama atenção é que mesmo não se observando uma elevação no índice de mortalidade por acidentes de trânsito recentemente, tal se mantém praticamente estável, confrontando várias mudanças que deveriam diminuir tais índices. Essas mudanças seriam: a melhora da segurança dos veículos, o incremento da fiscalização eletrônica e o novo Código Nacional de Trânsito de 1998. A partir do momento que se colocar em prática ações que mudem as atitudes dos motoristas e das demais pessoas inseridas no trânsito tende-se a 28 reduzir o número dos acidentes, já que este é um problema previsível. Ações como: estratégias voltadas à infra-estrutura como programas de prevenção e conscientização, cumprimento do CTB com rigor, desenvolvimento de planos estratégicos quanto ao tráfego, conservação das vias e sinalização adequada. Os acidentes de trânsito podem estar inseridos num contexto mais amplo sendo originados por uma falha do condutor, até mesmo pelo tipo de formação que os mesmos apresentaram nas auto-escolas e a pela deficiente fiscalização das normas de trânsito pelos seus respectivos responsáveis. É necessário instruir as pessoas quanto às leis da física que se aplicam na condução de um veículo, nos casos de pista seca e molhada como trabalha a aderência dos pneus do veículo ao solo, a atuação da gravidade nas descidas, a força do impacto nas colisões e as lesões que as pessoas estão sujeitas a sofrer nos acidentes de trânsito (ROZESTRATEN & DOTTA, 1996). Percebe-se que um aprimoramento do grau de instrução dos futuros motoristas realizados pelo Departamento Estadual de Trânsito (DETRAN) associado ao “bom” motorista, do qual exerce a direção defensiva e tem boas relações humanas ao transitar, reduziria significativamente os acidentes de trânsito. 2.3.1 Acidentes de Trânsito Envolvendo Motociclistas A cada ano aumenta-se o número de motocicletas em circulação nas vias devido ao baixo valor de compra comparado a outros tipos de veículos, ao seu baixo consumo de combustível, bem como a sua agilidade e facilidade de locomoção no trânsito. Este alto índice de motorização reflete-se no perfil de mortalidade do país. O grande problema é que a motocicleta torna-se mais suscetível a riscos no trânsito comparados aos automóveis, ainda mais que o trânsito no Brasil está cada vez mais tenso. A maioria dos acidentes motociclísticos é causada pelos erros ou desobediência às leis de trânsito (ANDRADE, 2006). A maioria dos acidentes com envolvimento de motocicletas acontece em boas condições climáticas mostrando assim que grande parte destes acidentes são resultados da própria negligência e imprudência dos condutores. Outros fatores seriam: transitar sob efeito de bebidas alcoólicas e/ou outros entorpecentes, realizar 29 ultrapassagens perigosas, dirigir em alta velocidade, a falta de educação e preparo para dirigir as motocicletas. Ou seja, o desrespeito à legislação do trânsito resulta no aumento dos riscos para acidentes (FRANÇA, http://www.ssp.se.gov.br). No Brasil, dos acidentes de trânsito, 26% existem o envolvimento de motociclistas, conforme Andrade (2006). No Brasil entre 40 mil acidentes com motocicletas, no ano de 1997, ocorreram 24 mil óbitos e de acordo com os dados de internação por grupos de causas relatam que foram internados, no ano de 1998, 15.232 motociclistas vítimas de acidentes de trânsito. Em 2004 este índice aumentou para 27.388, ocorrendo assim, uma elevação de 79,8% (SANTOS et al., 2008). Além das possíveis lesões que podem surgir dos acidentes de trânsito a questão se agrava devido aos gastos financeiros gerados. Por exemplo, nas internações pelo SUS, das lesões causadas pelos acidentes, o custo médio praticamente dobrou alterando de 315,34 reais para 781,62 reais nos anos de 1998 a 2006 (OLIVEIRA & JORGE, 2008). Como a prevenção é um fator primordial para evitar os acidentes percebese a necessidade de uma direção cada vez mais defensiva. Para alcançar isto, a formação dos motociclistas pelas auto-escolas devem estar mais aptos a educar teoricamente e, sobretudo, na prática relacionado ao trânsito. Isso resultará diretamente em condutores mais responsáveis e preventivos. De acordo com Andrade: [...] há preocupação de criar um curso especializado e não um simples condutor, principalmente o motociclista profissional. “O que desejamos e esperamos que a lei estabeleça é que a formação do motociclista tem que ser também específica, como é a do automóvel, e a pilotagem defensiva seja um treinamento adequado para motocicleta realmente” (ANDRADE, 2006). Atualmente as auto-escolas estão muito voltadas para condutores de automóveis, quando deveriam também estar direcionadas aos motociclistas. Porém para as auto-escolas atingirem este grau de preparação, os próprios instrutores devem estar mais aperfeiçoados para que junto aos principiantes desenvolvam um trânsito mais seguro. Outro item significativo para redução do número de acidentes de trânsito, especialmente com o envolvimento de motos, é aumentar o número de blitz 30 realizada pela Polícia Militar com o objetivo de orientar e reprimir as negligências, imprudências, alta velocidade, dirigir alcoolizado, e tudo que desrespeita as legislações e normas referentes ao trânsito. A Secretaria das Cidades divulgou que, só em Pernambuco-PE, o número de 4,8 mil veículos abordados e 165 infrações por álcool em uma avaliação das blitz realizada pelo DETRAN-PE, entre o tempo de 20 a 25 de fevereiro no ano de 2009 (DETRAN-PE, 2009). O estado de embriaguez causa diminuição no domínio das capacidades físicas e mentais. O álcool no organismo provoca queda do estado de alerta, da acuidade visual, do nível de consciência e causa o retardo dos reflexos. A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMED) em um estudo realizado em 2005, juntamente como Instituto Médico de São Paulo-SP, indica que dos 3.042 óbitos nos acidentes de trânsito no Estado, 44% desses mortos haviam ingerido álcool em uma quantidade entre 1,7 a 2,4 decigramas de álcool por litro de sangue. Além disso, a ABRAMED divulga que as taxas acima de 0,4 g/l nos seres humanos são suficientes para elevar as chances de envolvimento em acidentes e acima de 0,8 as chances são ainda mais altas, mostrando que é extremamente perigoso dirigir sob tal efeito (MONTAL & ALMQVIST, 2008). De acordo com a Lei nº 11.275, de 07/02/2006, os condutores de veículos sob suspeita de embriaguez envolvidos em acidentes de trânsito ou que estejam sendo fiscalizados por alguma blitz, serão solicitados a realizar os testes de bafômetro, exames clínicos, perícia ou outro tipo de exame que confirma o efeito do álcool. Quando o condutor negar a realização de tais testes, o agente de trânsito responsável poderá confirmar a influência do álcool através dos sinais de embriaguez evidentes apresentado pelo condutor, como excitação ou torpor (http://www.senado.gov.br). A alta incidência de ocorrência de acidentes acometendo jovens pode ser esclarecida pela inexperiência na condução dos veículos e motocicletas, também por agir no impulso e pela necessidade de auto-afirmação perante os demais colegas e grupos. Para agravar a situação, os jovens consomem mais bebidas alcoólicas e outros tipos de entorpecentes que os adultos. No Brasil as taxas de acidentes, em especial entre os jovens e adolescentes, cresceu. No período entre 1980 a 1995 aumentou em 33% a mortalidade nos acidentes de trânsito entre os homens jovens de 15 a 19 anos e nas mulheres jovens subiu para 28% na mesma faixa etária (OLIVEIRA & JORGE, 2008). 31 Os condutores de motocicletas, ciclomotores e motonetas, de acordo com o CTB, devem utilizar capacete de segurança com viseira ou óculos protetores, dirigir com as duas mãos no guidão e usar roupas de proteção específicas de acordo com o CONTRAN. E os passageiros dos mesmos deverão posicionar-se em assentos atrás do motorista ou em carroceria lateral conectados nas motocicletas, além da obrigação de usarem capacetes e roupas apropriadas como os condutores. Ao transitar os motociclistas estão extremamente proibidos em fazer ultrapassagens entre os veículos de filas próximas ou entre a calçada e a fila de veículos (CTB, http://www.senado.gov.br). Os ciclomotores devem ser conduzidos pela direita da pista de rolamento, preferencialmente no centro da faixa mais à direita ou no bordo direito da pista sempre que não houver acostamento ou faixa própria a eles destinada, proibida a sua circulação nas vias de trânsito rápido e sobre as calçadas das vias urbanas. Parágrafo único. Quando uma via comportar duas ou mais faixas de trânsito e a da direita for destinada ao uso exclusivo de outro tipo de veículo, os ciclomotores deverão circular pela faixa adjacente à da direita (CTB, http://www.senado.gov.br). A probabilidade de ocorrer lesões provocadas por acidentes com motos são maiores em comparação aos acidentes com veículos automobilísticos, sendo que há pouca proteção no sentido de amenizar o impacto. Nesse momento o corpo do motociclista é facilmente ejetado, tornando-se um objeto em movimento que poderá se deparar com diversos obstáculos, agravando então a situação da vítima e levando talvez ao óbito. 2.4 Prevalência de Lesões e os Mecanismos de Trauma nos Acidentes com Motociclistas A lesão pode ser descrita como uma alteração de algum tecido podendo comprometer diferentes níveis e tipos de células. Ocorre devido a uma disfunção tanto fisiológica quanto mecânica causada por um trauma direto ou indireto, pelo excesso de uso de algum segmento corporal ou até mesmo por um movimento brusco realizado de maneira incorreta. A interação de energia entre o meio e o corpo humano pode provocar alterações fisiológicas e estruturais constituindo o trauma (BATISTA et al., 2006). 32 Alguns tipos de energia, como mecânicas, elétricas ou térmicas provenientes do meio externo podem causar alterações estruturais fisiológicas caracterizando também o trauma. “Cada vítima tem sua própria característica, sua própria lesão, porém possui métodos similares de traumatismos, o que possibilita ao médico socorrista um rápido diagnóstico, através de métodos visuais usuais” (SANTOS, 2007, p.58). A mecânica do trauma pode ser explicada através de Leis e Princípios da Física. Segundo o Princípio da Inércia, um corpo parado tende a permanecer parado e um corpo em movimento tente em permanecer em movimento a menos que uma força atue sobre o mesmo, como é o caso das colisões de trânsito onde os corpos dos ocupantes tendem a continuar o movimento que apresentavam, pois conservam a mesma velocidade do veículo. O princípio fundamental da dinâmica, determina que a força de um corpo é igual a sua massa multiplicada por sua aceleração. Logo quanto maior a força, maior é a aceleração e quanto menor a força menor a aceleração. Isso significa que um veículo em alta velocidade tem mais força que um veículo de baixa velocidade. O princípio da ação e reação relata que toda a ação corresponde a uma reação, de mesma força, intensidade e direção, porém de sentido contrário (APH-B, 2008). Relacionando aos acidentes de trânsito, a força que um veículo aplica sobre um obstáculo ao colidir, volta ao veículo em mesma proporção de força, intensidade com sentido oposto. Segundo a Lei de Conservação de Energia, a energia não pode ser criada nem destruída, apenas transformada em outro tipo de energia com a mesma quantidade. Constata-se que a energia envolvida nos acidentes não se perde, mas sim se transforma (APH-B, 2008). A energia proveniente do movimento é denominada energia cinética. Todos os corpos ou objetos em movimento possuem energia, logo estão sujeitos a deformações. A energia cinética depende da massa e da velocidade do corpo. Em cálculos verifica-se que em ocupantes de veículos envolvidos em acidentes de alta velocidade haverá uma probabilidade de lesões de maior gravidade do que naqueles acidentes de baixa velocidade (APH-B, 2008). Existem vários tipos de lesões no corpo humano dos quais podem comprometer os sistemas tegumentar, muscular, ósseo, sistema nervoso, circulatório, respiratório, entre outros. Tais lesões, relacionando aos acidentes 33 automobilísticos, podem-se destacar as escoriações, lacerações, amputações, luxações e as fraturas. As urgências/emergências que tem grande destaque na área da saúde são os traumatismos. Os mais comuns são: o traumatismo abdominal, de tórax, craniano, de extremidades corporais, raquimedular e o traumatismo de face (BATISTA et al., 2006). Os traumatismos abdominais são graves, pois podem mascarar lesões viscerais, complicando assim o quadro da vítima que pode, conseqüentemente, levar ao óbito. Esse trauma pode ser classificado em aberto ou fechado. Porém o trauma fechado, decorrente na maioria das vezes de acidentes de trânsito, é mais grave que os traumas abdominais abertos, pois a lesão torna-se oculta e de difícil constatação. Nesses casos a vítima apresenta sintomas como dor na região abdominal da qual aumenta ao ser manipulado e pode estar associado a sinais clínicos como sudorese, tremores de extremidades, cianose de extremidades, pulso rápido e fino, hipotensão, rigidez do abdômen, entre outros. Os traumatismos torácicos também são graves e irão afetar todo o trabalho respiratório, comprometendo assim as trocas gasosas e a complacência estática e dinâmica dos pulmões (SANTOS, 2007). No caso de traumatismo crânio-encefálico (TCE), que são lesões conseqüentes de traumas na região do encéfalo, deve haver um rápido atendimento de emergência devido ao grau de complexidade e importância dessa estrutura relacionada ao corpo humano. Essas lesões podem ser classificadas em leves, intermediárias e graves. Nas leves, denominadas de concussões, são caracterizadas pela queda da consciência com rápida amnésia, da qual dura pouco tempo e o quadro clínico pode estar associado à ansiedade, tontura e mal-estar generalizado. Nas lesões intermediárias, caracterizadas por perda da consciência por períodos médios, podem ocorrer sinais e sintomas tais como: sonolência, agitação, tontura e cefaléia. E nos casos mais graves, caracterizada pela inconsciência profunda, apresentam edema ou hemorragia cerebral da qual pode ser detectada pela tomografia cerebral (CRENSHAW, 1996). O TCE é uma das principais causas de óbitos nos acidentes de trânsito. O exame físico imediato pode revelar sinais clínicos bem característicos como: rinorréia, otorréia, olhos de guaxinim caracterizados por hematoma periorbital, sinal de Battle que é uma equimose ou hematoma na região do mastóide e o sinal de 34 duplo anel caracterizado pela presença de líquor e sangue no nariz e/ou nos ouvidos (SANTOS, 2007). Os traumatismos de extremidades são divididos em fraturas, luxação e entorse. As fraturas são a perda da continuidade óssea, caracterizadas por hematoma no local, dor intensa, deformidade e perda da função do membro atingido podendo ser expostas ou não. As fechadas são aquelas aonde não ocorre à lesão do tecido e as abertas ocorrem à lesão do tecido e o contato do osso com o meio externo, expondo assim esse indivíduo a infecções. As luxações consistem na perda do contato das extremidades ósseas com as articulações conseqüentes, geralmente, de um forte estiramento. Os sinais e sintomas das luxações são semelhantes aos das fraturas. Já as entorses, são caracterizadas pela lesão das articulações podendo lesionar os ligamentos de forma parcial ou total, resultante de um movimento brusco ou inesperado do membro (CRENSHAW, 1996). As lesões quando acometerem a coluna vertebral e/ou medula espinhal são consideradas um traumatismo raquimedular. Tais lesões podem ser desde uma concussão transitória até uma transecção completa da medula desencadeando possivelmente uma alteração sensorial e motora no nível abaixo da lesão. A maioria desses traumas é causada por acidentes automobilísticos, queda de nível, traumas ao mergulhar e ferimentos por arma de fogo (SANTOS, 2007). Outro tipo de trauma que os motociclistas estão sujeitos é o trauma de face dos quais podem acometer o encéfalo, olhos, nariz, boca e dentes. Nesse tipo de lesão a vítima pode ter conseqüências emocionais visto que deformidades na face podem estar presentes. A obstrução das vias aéreas é comum nesse tipo de trauma (SANTOS, 2007). Nos acidentes envolvendo os motociclistas torna-se evidente a exposição do corpo ao meio ambiente porque não há proteções semelhantes aos das pessoas ocupantes de um veículo de quatro rodas. Logo em um acidente de motocicleta os ocupantes irão absorver por inteiro a energia gerada no momento do impacto tornando-se assim muito mais susceptíveis ao surgimento de tais lesões. Ocorrem três tipos de impacto nos acidentes. Há o impacto do veículo contra outro veículo ou agentes externos como objetos ou obstáculos provenientes do meio ambiente, o impacto do corpo humano contra o interior de um veículo de quatro rodas ou partes de uma motocicleta como exemplo o guidão e o impacto das estruturas internas 35 (órgãos vitais) do corpo humano contra as paredes internas das cavidades corporais ou mesmo outros órgãos (APH-B, 2008). Segundo Batista et al., (2006) “o evento responsável pelo trauma possui relação direta com a vulnerabilidade da região corpórea acometida”. A energia cinética envolvida no momento do acidente, o local de impacto no corpo, a forma do objeto que impactou caracterizam a gravidade da lesão que a vítima irá sofrer no acidentes. Por isso nota-se a importância dos conhecimentos relacionados aos mecanismos de trauma para traçar adequadamente as condutas, prever o prognóstico e promover ações preventivas para serem aplicadas na prática. Na colisão frontal o motociclista pode ser projetado sobre o guidão causando assim lesões na cabeça, tórax, abdômen ou membros inferiores. No impacto angular, quando a motocicleta é atingida lateralmente, os membros inferiores são as estruturas de maior acometimento, pois nesses impactos as pernas da vítima são facilmente comprimidas entre o veículo e a motocicleta. Freqüentemente causa lesões de tíbia, fíbula, fêmur e pés. Nos acidentes onde ocorre ejeção do motociclista seus corpos irão permanecer em movimento até que sua cabeça, membros superiores, tórax, ou membros inferiores atinjam um obstáculo (APH-B, 2008). Nos acidentes com motociclistas os membros inferiores são extremidades altamente vulneráveis a sofrer lesão, visto que se colidirem contra automóveis o pára-choque dianteiro está aproximadamente na altura das pernas dos ocupantes, principalmente a tíbia e fíbula. Nestes acidentes o motociclista pode ser lançado ao chão sofrendo assim lesões que afetam a integridade da pele das quais, às vezes, necessitam de tratamento de longa data. Essas vítimas quando arremessados ao chão podem bater a cabeça com alta energia de impacto provocando traumatismos no crânio, na face e podem até levar a morte dependendo da gravidade do local acometido. Os movimentos bruscos gerados no momento do acidente podem causar, nos motociclistas, estiramentos ou rupturas de estruturas moles. O grau de comprometimento dessas vítimas que estão desprotegidos comparados aos ocupantes de veículos de quatro rodas, que têm a opção de usar cinto de segurança, pode ser explicado pela energia transferida ao corpo no momento do impacto. O tempo de internação, o tipo de tratamento e a probabilidade de seqüela após alta hospitalar é influenciada pela natureza das lesões. A maioria dos 36 motociclistas vítimas de acidentes possivelmente terá sequelas residuais provenientes das fraturas e suas complicações. Isto pode, em alguns casos, afastar os adultos do mercado de trabalho devido a suas incapacidades geradas (VERONESE et al., 2006). 2.5 Atendimento Pré-Hospitalar O APH consiste na prestação de suporte básico ou avançado de vida no ambiente extra-hospitalar, isto é, fora do ambiente hospitalar para vítimas de traumas ou emergências médicas. Uma equipe habilitada e capacitada é que pode realizar o APH com a finalidade de avaliar e tratar as vítimas, objetivando estabilizar o quadro clínico e/ou minimizar as suas sequelas. O próximo passo seria encaminhá-las para a unidade hospitalar compatível ao seu quadro, garantindo um transporte seguro e rápido para que possam receber um tratamento definitivo (SANTOS, 2007). O APH é realizado por profissionais treinados, como enfermeiros, técnicos de enfermagem, médicos, militares do Corpo de Bombeiros, sendo que estes últimos podem ser denominados socorristas. A equipe de SBV, composta pelos socorristas, apresenta como característica principal prestar um atendimento sem intervenção de procedimentos médicos invasivos. Enquanto que o Suporte Avançado de Vida (SAV) podem atender de maneira invasiva, no suporte ventilatório e/ou circulatório nas vítimas independente de seu prognóstico. A equipe de SAV deve ser formada somente por médicos e/ou enfermeiros qualificados (SANTOS, 2007). O socorrista tem a função de realizar um atendimento eficiente que impeça o agravamento do quadro clínico da vítima no local da ocorrência até a sua chegada ao pronto socorro. Suas ações podem influenciar de forma positiva nas taxas de mortalidade nas emergências/urgências (PEREIRA & LIMA, 2006). É de grande relevância realizar o atendimento adequado considerando o tempo decorrido entre o acidente e a entrada da vítima no ambiente hospitalar para diminuir a mortalidade consequente das lesões causadas pelos acidentes. O atendimento pré-hospitalar no caso norte-americano consiste na chegada à vítima no menor tempo possível com o intuito de satisfazer uma remoção e transporte 37 rápido, constituindo o princípio denominado hora de ouro – golden hour. Este princípio é considerado o tempo crítico, a primeira hora (60 minutos) após a ocorrência do trauma e no transcorrer desse tempo o APH poderá alterar o prognóstico do vitimado. O golden hour deve ser realizado com os procedimentos adequados e cuidados necessários, já que 40% dos óbitos ocorrem na fase préhospitalar (LADEIRA, 2007). Os Bombeiros Militares, ao atuarem nos APH’s dos acidentes de trânsito, realizam um protocolo de atendimento padronizado. Na área de socorro pré-hospitalar, o trabalho de avaliação deverá ser realizado de forma ágil, segura e meticulosa, através da coleta sistemática (passo a passo) de dados para determinar o estado de saúde do paciente, identificar quaisquer problemas efetivos ou potenciais e implementar as ações de socorro necessárias ao suporte básico de vida do mesmo. Esta avaliação deverá ser, sempre que possível, realizada em equipe, buscando primeiramente identificar e corrigir de imediato os problemas que ameaçam a vida a curto prazo (APH-B, 2008, p. 56). Este protocolo dos bombeiros inicia primeiramente com a avaliação do local da ocorrência. Esta rápida avaliação inclui o uso de equipamentos e medidas de proteção individual; analisar as condições de segurança do local, da equipe, vítima e de terceiros presentes no local; verificar os mecanismos de trauma envolvidos no momento do acidente, observar o número de vítimas e a necessidade de acionar outros recursos, como por exemplo, a Polícia, Centrais Elétricas e a Defesa Civil. Posteriormente, os bombeiros deverão controlar os possíveis perigos envolvidos na ocorrência através de medidas como: controle do tráfego, sinalização do local, desligar os motores dos veículos, entre outros (APH-B, 2008). Em seguida os socorristas deverão realizar uma avaliação inicial da vítima para corrigir de imediato as alterações que ameacem a vida em curto prazo. É nessa fase onde se avalia o nível de consciência da vítima, a integridade das vias aéreas e da coluna vertebral, a eficácia da respiração e circulação, observando se há presença de pulso palpável e grandes hemorragias e então tomar a decisão quanto à prioridade de transporte dessa vítima, de acordo com a gravidade de suas lesões, através da escala CIPE (APH-B, 2008). A classificação da crítico - C; aquelas onde escala CIPE é constituída por vítimas em estado estão sofrendo uma parada respiratória ou cardiorrespiratória. Vítimas instáveis - I; aquelas que estão inconscientes, com 38 choque descompensado e/ou comprometimento respiratório severo e lesão grave na cabeça ou tórax. Vítimas potencialmente instáveis - P; aqueles com choque compensado, portadores de lesão isolada importante ou lesão de extremidade com considerável acometimento circulatório ou neurológico. E vítimas estáveis - E; aquelas com lesões menores que não ofereçam risco de vida, sem comprometimento respiratório e sinais vitais normais e estáveis (SANTOS, 2007). As vítimas devem ser conduzidas, nos casos críticos e instáveis, de forma imediata, na qual as próximas avaliações serão feitas na viatura durante o seu transporte. Em relação às vítimas potencialmente instáveis e estáveis, os bombeiros deverão continuar com as avaliações seguintes, estabilizando a vítima. Sugere-se que o tempo de APH no local da ocorrência às vítimas C e I seja realizado em um intervalo de 3 a 5 minutos e às vítimas P e E ocorra em um prazo entre 10 a 12 minutos, garantindo um atendimento integral, respeitando o princípio do Golden Hour (APH-B, 2008). Seguindo o protocolo realiza-se a avaliação dirigida, onde se consegue obter maiores informações da vítima quanto às lesões ou alterações que, se não observados, poderão oferecer risco de vida. Na primeira etapa se faz uma entrevista à vítima, familiares e/ou testemunhas presentes na tentativa de colher um breve histórico da ocorrência. Posteriormente aferem-se os sinais vitais da vítima e realizase um exame físico direcionado para fazer os curativos nas lesões e estabilizar as possíveis fraturas e luxações, portanto minimizando os riscos que comprometam a integridade da sua saúde. Este exame é feito mediante a inspeção visual e a palpação para a identificação de lesões mais graves (APH-B, 2008). A próxima avaliação é o físico detalhado, onde o socorrista deve examinar de maneira ordenada e sistemática todo o corpo da vítima a fim de verificar outras lesões não observadas na fase anterior. Finalizando com a avaliação continuada, onde os socorristas deverão avaliar periodicamente a vítima, conferindo seus sinais vitais e se ocorre mudanças nos aspectos gerais da vítima, reavaliando as vias aéreas, a respiração, a circulação e o nível de consciência até a sua chegada ao hospital (APH-B, 2008). 39 2.6 Fisioterapia Preventiva O fisioterapeuta é um profissional indispensável na área da saúde que muitas vezes é visto como um reabilitador, não observando uma de suas principais funções que é atuar de maneira preventiva e praticar a promoção à saúde, configurando o nível primário (TRELHA et al., 2007). Foram fatores preponderantes para o surgimento da Fisioterapia no mundo: as mudanças na área da saúde, o aumento do número de casos de poliomielite, dos sequelados das grandes guerras mundiais, da complexidade em ciência e tecnologia e a necessidade de distribuir funções e atribuições a outros profissionais da saúde (BARROS, 2003). As grandes guerras impulsionaram a formação desse profissional que direcionou suas atividades para tratar as pessoas fisicamente lesadas. No entanto, a própria origem da Fisioterapia conduziu suas atribuições para o âmbito de reabilitação. A Fisioterapia no Brasil atuando de forma direcionada para a reabilitação fez com que a sua função fosse interpretada como apenas de assistência reabilitadora, esquecendo assim sua importância em relação à prevenção e promoção à saúde (BOTOMÉ & REBELATTO, 1999). A prevenção e educação em saúde são fundamentais para melhorar a qualidade de vida da população. Em relação aos motociclistas, as intervenções fisioterapêuticas no nível primário podem produzir um impacto positivo na interação desses indivíduos com o meio, físico e social. Isto se deve ao conhecimento específico do fisioterapeuta quanto à fisiologia humana, fisiopatologia, cinesiologia, entre outros. Os fisioterapeutas são profissionais aptos a orientar a classe dos motociclistas quanto aos riscos e lesões que estão sujeitos em casos de acidentes de trânsito. O curso de Graduação em Fisioterapia tem como perfil do formando egresso/profissional o fisioterapeuta com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva, capacitados a atuar em todos os níveis de atenção em saúde, com base no rigor científico e intelectual. (RESOLUÇÃO CNE/CES 4, 2002). 40 O objeto de estudo da Fisioterapia é o movimento humano em todas as suas formas de expressão e potencialidades, nas alterações patológicas, cinéticofuncionais, com a intenção de preservar e restaurar a integridade de órgãos, sistemas e funções. A resolução, do Conselho Nacional de Educação, que institui as diretrizes curriculares nacionais do curso de Fisioterapia, no seu artigo 6º determina que os conteúdos essenciais para o curso de graduação em Fisioterapia devem estar relacionados com todo o processo saúde-doença do indivíduo, da família e da comunidade (RESOLUÇÃO CNE/CES 4, 2002). Com esta formação o fisioterapeuta está apto a educar e conscientizar os motociclistas, bem como a população em geral da importância de se prevenir acidentes de trânsito. Tal preparação também permite a tomada de decisões, liderança, trabalho em equipe, gerenciamento e educação permanente que deverá ser sempre atualizada constantemente. O fisioterapeuta é um profissional que exerce suas atividades isoladamente ou em equipe em todos os níveis de atenção à saúde, incluindo a prevenção, tratamento e recuperação da saúde nos indivíduos. (BARROS, 2003). A resolução nº 10 do COFFITO de 03 de julho de 1978 criou o Código de Ética Profissional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, determinando que estes profissionais prestam assistência ao ser humano nos três níveis de atenção à saúde: promoção, tratamento e recuperação. O fisioterapeuta tem que utilizar seus conhecimentos específicos para reduzir ou prevenir o sofrimento das pessoas, mas deve também participar dos programas de assistência à comunidade (COFFITO, 1978). O nível primário consiste em ser: “o primeiro contato da comunidade com o Sistema Nacional de Saúde e constitui (...) um conjunto de medidas, ações médicas, sociais, variáveis em complexidade de acordo com os determinantes econômicos e sócioculturais da comunidade, mas sempre eficazes e eficientes, postas à disposição dos indivíduos, da família e da comunidade, para promover, manter e recuperar a saúde” (ROUQAYROL, 1988, p.442). Portanto promover saúde é educar, informar, conscientizar, participar, buscar formas alternativas de melhorar os diversos níveis de atenção a saúde, através da coletividade para a garantia de uma assistência integral aos usuários dos sistemas de saúde do Brasil. 41 Considerando os hábitos de vida dos motociclistas, os fisioterapeutas podem atuar conferindo-os toda a responsabilidade para uma mudança nos comportamentos de risco. Porém, o poder de escolha, os estilos de vida, as necessidades, valores de cada individuo é que são muitas vezes as causas de enfermidades. Com isso a educação em saúde passa a ser mais que um ponto de atenção primária, pois exerce a função de apoio para que as pessoas assumam maior controle sobre sua saúde e vida (VASCONCELOS, 2001). A educação básica é o ponto de partida para a prevenção de acidentes. Nessa situação, é a população adulta quem deve ser inicialmente instruída, se realmente desejarmos diminuir a incidência alarmante de casos de acidente domésticos, escolares, no trabalho, ou na comunidade, que ocorrem em nosso país. São os adultos, desde que devidamente instruídos, que irão identificar as situações de risco e elaborar medidas de prevenção contra acidentes, além de orientar adequadamente as crianças para a efetiva adoção dessas medidas. [...]. A educação básica é fundamental, pois somente é possível prevenir aquilo que se conhece (DELIBERATO, 2002, p.11). O papel do fisioterapeuta na educação em saúde aos motociclistas é ajudar na conscientização e no crescimento da solidariedade quanto aos riscos que os motociclistas estão oferecendo a si mesmos e a terceiros ao transitar com negligência, imprudência ou imperícia. Ressaltando sempre a importância da utilização da proteção específica, que nesse caso, seria a utilização do EPI. É essencial saber os fatores de risco de forma aprofundada para então tomar as medidas de prevenção mais eficientes. 2.7 Nível Secundário e Nível Terciário de Atenção à Saúde Quando o corpo humano encontra-se com alguma enfermidade real é onde o nível secundário de prevenção pode atuar. Nesta situação deve-se então propor ações que visem um diagnóstico precoce da doença para indicar os procedimentos fisioterapêuticos adequados. Os dois itens, diagnóstico e fisioterapia, se realizadas com sucesso, possibilitarão a cura parcial ou completa ou pelo menos estabilizará o quadro do indivíduo. O nível terciário é aquele na qual o indivíduo permaneceu com algum tipo de incapacidade e/ou sequela residual após o período 42 de enfermidade. Nesta etapa tais alterações necessitam ser diminuídas para que não ocorra a invalidez do mesmo. A volta do indivíduo ao seu meio social com o máximo de suas capacidades residuais é no que consiste a principal finalidade deste nível (DELIBERATO, 2002). O risco de fraturas nas situações em que envolve motociclistas em acidentes de trânsito é constante e irá depender do mecanismo de trauma, da energia cinética no momento da colisão, do local do corpo onde a força é concentrada, entre outros. Após uma fratura como nestas condições, o tratamento inicial dependerá do conhecimento do ambiente onde a pessoa sofreu o acidente, para descartar a possibilidade de infecções no local da fratura. Outros fatores que poderão influenciar no tratamento são: os danos aos músculos e tendões, comprometimento da integridade da pele, grau de lesão no corpo, as alterações neurológicas e o estado físico e mental da vítima antes do trauma (CRENSHAW, 1996). Ressalta-se que independente do tratamento ser cirúrgico ou conservador, ambos terão seus pontos positivos e negativos. As desvantagens do tratamento conservador podem ser: atrofia muscular e óssea, retração ligamentar e capsular, rigidez articular e as alterações do retorno circulatório, tudo isto ocasionados pela imobilidade prolongada necessária no paciente. A imobilidade causa outras alterações como: fraqueza do tecido conectivo, degeneração da cartilagem articular e formação de contraturas (GABRIEL et al., 2001). Quanto às cirurgias destacam-se as chance de infecções e a formação de trombo-embolismo pulmonar como as possíveis complicações decorrentes do tratamento cirúrgico. Comparando o tratamento cirúrgico com o conservador, no primeiro tem a vantagem de uma recuperação física precoce, possibilitando a prática de exercícios ativos no pós-operatório anulando as complicações causadas pela imobilidade prolongada (GABRIEL et al., 2001). A descontinuidade traumática do osso rompe os vasos sangüíneos dentro e ao redor dele. Agentes químicos espontaneamente liberados auxiliam na indução da consolidação óssea. Em fraturas recentes, esses agentes são muito eficazes e raramente precisam de algum estímulo. O papel da cirurgia deve ser o de guiar e apoiar o processo de consolidação (RÜEDI & MURPHY, 2002, p.8). 43 O tratamento das fraturas procura obter uma consolidação adequada restabelecendo a função da extremidade afetada na sua máxima capacidade. A técnica utilizada nas situações onde é obrigatória a cirurgia deverá causar o menor número de lesões aos tecidos moles e ósseos, além dos já sofridos (CRENSHAW, 1996). A reabilitação é um termo que trás divergências de utilização nesses dois níveis. Devido ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado pertencentes ao nível secundário, é mais correto utilizar atualmente o termo reabilitação no nível secundário e terciário já que tais objetivos fazem parte do contexto da reabilitação. E quando surgir sequelas residuais e/ou incapacidades as atividades também podem ser consideradas reabilitativas. Para alcançar os melhores resultados quanto ao tratamento, a reabilitação deve ser iniciada precocemente (DELIBERATO, 2002). O quanto antes realizar um diagnóstico fisioterapêutico nas fraturas mais fácil será o retorno do estado de equilíbrio físico ou então a minimização das possíveis sequelas residuais. Tal diagnóstico deve conter a localização e gravidade da fratura, tipo de tratamento médico executado, a medicação administrada e o estado clínico do paciente. Averiguar, também, a musculatura envolvida no trauma e a amplitude de movimento articular (ADM). E na articulação analisar se há presença de edema, inflamação, pontos dolorosos ou creptação. É imprescindível nesta avaliação comparar com o lado não afetado. Observar se existem deformidades e atos compensatórios do indivíduo. É também de extrema importância uma avaliação funcional contendo informações relacionadas às atividades de vida diária (AVD’s). Finalizando é essencial consultar os exames radiológicos para observar como se comporta a cicatrização da fratura e a localização dos fixadores internos ou externos (GABRIEL et al., 2001). Os objetivos no período de imobilização, denominada de fase aguda são: diminuir a inflamação, ou seja, a dor e edema; reduzir as consequências da imobilização prolongada já citados; aumentar ou manter a força e ADM dos principais grupos musculares; manter a integridade articular e propiciar uma reeducação funcional. Na fase de proteção máxima pertencente ao período pósoperatório, as metas são: reduzir a dor, edema e espasmos pós-operatórios; prevenir complicações cardiorrespiratórias, rigidez articular e contraturas em tecidos moles; diminuir a atrofia muscular do segmento corporal imobilizado; manter ou 44 aumentar o trofismo e a ADM nas regiões acima e abaixo da fratura e manter a funcionalidade do local fraturado (KISNER & COLBY, 1998). Na fase de mobilização controlada pós-operatório, chamada de proteção moderada possuem tais intuitos: restabelecimento da mobilidade do tecido mole e da articulação; fortalecimento dos tecidos adjacentes à fratura; melhoria da estabilidade articular e manutenção da integridade corporal como um todo. Por fim, as metas na fase de retorno a função ou proteção mínima são: reduzir a dor caso, ainda, presente; favorecer a ADM do músculo e da articulação; aumentar força global, equilíbrio muscular entre os agonistas e antogonistas e a resistência muscular, bem como favorecer a autonomia funcional do indivíduo. Em todas essas fases é necessário recomendar ao paciente quanto às posições e movimentos que devem ser evitados para não agravar o quadro clínico (KISNER & COLBY, 1998). A consolidação satisfatória da fratura é importante, porém a restauração da função é essencial porque esta propicia o retorno da pessoa à sociedade utilizando o máximo de suas capacidades. Quanto maior o grau de função preservado durante todas as fases do tratamento da fratura, mais fácil será para repor a sua funcionalidade. Com isto, a reabilitação deve ser iniciada logo após a lesão, continuando com os devidos tratamentos até que seja restaurado o máximo da função que o indivíduo permita. É necessário que o fisioterapeuta durante o tratamento leve em consideração alguns fatores que interferem na consolidação óssea. Cita-se: o tipo de osso, esponjoso ou cortical e planos ou longos, a fragmentação, a intervenção de estruturas moles na fratura, as alterações circulatórias, a infecção, a estabilidade da fratura e a idade da vítima (GABRIEL et al., 2001). Deve-se deixar claro que a redução, alinhamento e imobilização para a cicatrização de uma fratura não são procedimentos fisioterapêuticos. Como é necessária a imobilização para a consolidação óssea, o ideal é a realização da mobilização precoce respeitando sempre a tolerância do local da fratura para que não ocorra recidivas. Essa mobilização é feita pelos fisioterapeutas podendo ser trabalhados por meio de exercícios que não prejudiquem o alinhamento ósseo (KISNER & COLBY, 1998). Existem vários protocolos de atendimento nos casos de fratura, diversas modalidades da Fisioterapia que podem ser utilizados, independente se as pessoas apresentaram ou não sequelas residuais e/ou incapacidades. Os procedimentos 45 para alcançar tais objetivos se realizam através de exercícios terapêuticos básicos e fundamentais, tais como: alongamentos, exercícios passivos, ativos, ativo-assistidos, resistidos, aeróbicos e proprioceptivos. E para tratar a dor, favorecendo a analgesia, pode-se utilizar da termoterapia, crioterapia, eletro-estimulação, entre outros. Todavia deve-se respeitar cada fase de recuperação em que o indivíduo se encontra, pois existem considerações específicas para cada fase de recuperação quanto à modalidade, intensidade e tempo de sua aplicação (HOPPENFELD & MURTHY, 2001). 3 MATERIAIS E MÉTODOS 3.1 Caracterização do Estudo Esta pesquisa caracteriza-se como de natureza básica, em relação ao problema é caracterizada como quantitativa e aos objetivos como de natureza descritiva. Por fim, é caracterizada em relação aos procedimentos como de levantamento de dados, documental e retrospectiva (LUCIANO, 2001). 3.2 Local e Caracterização da Amostra O presente estudo foi realizado no período de maio a setembro de 2009. O mesmo constou do levantamento de dados documentais que se encontram arquivados por ordem cronológica no 4º Batalhão de Bombeiros Militar (4ºBBM), localizados na cidade de Criciúma-SC. Como critérios de inclusão foram coletados os dados das fichas pré-hospitalares que constaram acidentes de trânsito envolvendo motociclistas dos quais apresentaram sinais clínicos de fraturas no período de janeiro a dezembro de 2008. O total de vítimas que apresentrama fratura no período referido foi de 188 motociclistas. A fratura foi utilizada como objeto deste estudo pois o seu local estava bem evidenciada nas fichas pré-hospitalares quando 46 comparados com outros tipos de lesões. Como critérios de exclusão, vítimas que apresentaram óbito no local da ocorrência, que não apresentaram sinais clínicos de fraturas e que sofreram acidentes em localidades das quais não pertencem ao município de Criciúma. 3.3 Instrumentos para Coleta de Dados Para esse estudo foi utilizado uma ficha elaborada pelo próprio autor (APÊNDICE A) e validada pelos professores para coletar e organizar os dados que satisfazem os objetivos da pesquisa, são eles: idade, sexo, horários e locais dos acidentes, presença e tipos de fratura e o número de motociclistas vítimas de acidentes de trânsito. Tais dados estão disponíveis nas fichas de atendimento pré-hospitalar do Corpo de Bombeiros (ANEXO C) as quais são preenchidas como parte da rotina de trabalho das corporações após cada atendimento realizado. Esses documentos são utilizados como a única forma de registro dos serviços prestados por estes profissionais e são arquivados por ordem de data na corporação de origem de forma a serem facilmente acessados quando necessárias. 3.4 Procedimentos para Coleta de Dados A coleta de dados desta pesquisa foi dividida em etapas. Inicialmente o projeto foi encaminhado ao Comitê de Ética para avaliação e autorização para proceder à pesquisa. Após aprovação sob parecer 81/2009 (ANEXO A), foi feito o contato com o comandante do 4ºBBM para apresentação do projeto de pesquisa e solicitação de aplicação da mesma nas fichas pré-hospitalares arquivadas nesta unidade. Mediante autorização (ANEXO B) o autor deste projeto iniciou a coleta de dados dando início à próxima etapa, selecionando as fichas pré-hospitalares as quais constam apenas os acidentes de trânsito envolvendo motociclistas. As fichas estão armazenadas por ordem cronológica separadas por mês em caixas que se 47 localizam em uma sala específica, denominada B3 na corporação citada. O acesso a sala pode ser feito apenas em horário de expediente que compreende das 13h00min as 19h00min de segunda a sexta-feira, sendo estes o único período em que a pesquisa pode ser realizada. Por questão da ordem de arquivamento das fichas, a pesquisa teve suas coletas extraídas semanalmente, onde a cada semana foram separados e coletados os dados correspondentes a um mês de ocorrências. Primeiramente foram separadas todas as fichas dos acidentes envolvendo motociclistas do mês pesquisado. Em seguida foram transcritos manualmente os dados relevantes à pesquisa para o instrumento de pesquisa. Ao final deste procedimento semanal com todos os instrumentos preenchidos, deu-se início a etapa de análise dos dados. 3.5 Procedimentos para Análise de Dados Após obter-se o material com os dados, foi iniciado o processo de tabulação através da ferramenta Microsoft Excel®/Windows XP que dispõe de funcionalidades que facilitam a etapa de tabulação dos dados. A fase da análise é o período em que se examina e se transforma os dados em elementos fundamentais para que as proposições sejam ou não comprovadas (BARROS e LEHFELD, 1986). A apresentação dos mesmos foi, em sua maioria, com tabelas e gráficos de coluna, pois permitem melhor visualização dos resultados em percentuais “que servem para dar forma numérica às características qualitativas” (MARCONI e LAKATOS, 2002, p.181). Os resultados foram discutidos com base na literatura pesquisada e em sua maioria com representação escrita na qual “[...] consiste em apresentar os dados coletados em forma de texto”, como define Oliveira (1999, p. 228). 48 4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS Apresentam-se neste capítulo os dados coletados durante a realização da pesquisa, bem como a análise dos resultados obtidos. Muitos são os fatores que contribuem para ocorrência de acidentes de trânsito com motociclistas; os números apresentados estatisticamente no país são alarmantes. O número excessivo de transportes urbanos como carros, motos e outros, que veiculam no trânsito, como forma de transporte para a movimentação das pessoas, pode desencadear inúmeros acidentes, dos mais leves aos mais graves prejudicando a qualidade de vida do ser humano. Por isso, a partir do problema levantado e as questões que nortearam esta investigação, se elencou algumas hipóteses e objetivos que elucidassem, por meio dos dados, a incidência de acidentes de motociclistas nos locais transitados, os tipos de fraturas que mais ocorreram nas vítimas e quais os procedimentos utilizados no atendimento e encaminhamento relacionado a esta questão. Portanto, apresenta-se nesta análise de dados, o número de acidentes de motociclistas registrados pelo 4º Batalhão de Bombeiros Militares (4º BBM), do município de Criciúma-SC, durante o ano de 2008. A amostra envolve 188 motociclistas vítimas de acidente de trânsito que apresentaram incidência de fraturas durante o referido período. Para melhor compreensão dos dados, dividiram-se os registros em dois períodos: diurno e noturno. O período diurno corresponde ao horário das 6h às 18h59min, onde o vespertino está inserido, compreendendo das 12h ás 17h59min. O período noturno, das 18h ás 5h59min, subdividindo-se entre o horário das 18h ás 23h59min e da 00h ás 5h59min. Este último horário corresponde ao período da madrugada. Neste contexto, optou-se por apresentar em gráficos os registros coletados objetivando analisá-los à luz do referencial teórico para se obter uma leitura mais aprofundada sobre esta pesquisa. Seguem abaixo, as análises sobre os dados coletados e seus respectivos gráficos. 49 4.1 Ocorrências envolvendo Fraturas O gráfico abaixo descreve os períodos de ocorrência com fraturas de janeiro a dezembro de 2008, apontando o período vespertino com 76 incidências de acidentes para um contingente de 188 vítimas; o período noturno com 59; o período matutino com 39 e no período da madrugada apresentou 14. Figura 01 - Períodos de Ocorrências Envolvendo Fraturas de Janeiro a Dezembro de 2008 Fonte: Dados da Pesquisa. Analisa-se, então, que é no período vespertino que ocorre a maior parte de acidentes de trânsito com motociclistas no município de Criciúma, mesmo diante da significativa melhoria na segurança dos veículos, como a fiscalização eletrônica e o novo Código de Trânsito Nacional. Marín & Queiroz (2000), mencionam que os acidentes de trânsito não ocorrem "por acaso", mas são decorrentes de deficiências das vias, dos veículos e, principalmente, das falhas humanas. Os autores prosseguem afirmando que: [...] a fadiga, o estresse e a sobrecarga emotiva podem ter relação com a tomada de decisões inadequadas no trânsito, como fazer ultrapassagens arriscadas, mudança de pista sem a devida atenção etc, e assim aumentar o risco para acidentes, o que pode explicar grande parte dessa diferença na ocorrência de acidentes entre trabalhadores que realizam ou não dupla jornada de trabalho. Além disso, a maior exposição no trânsito entre trabalhadores com mais de um local de trabalho também pode levar à maior chance de acidentes (2000, p. 7). 50 Os pedestres, ciclistas e motociclistas, são as vítimas mais vulneráveis dos acidentes de trânsito brasileiro, representando mais de 50% dos óbitos no trânsito (OLIVEIRA & SOUZA, 2002, p 11). Observa-se, atualmente, um aumento crescente de acidentes de trânsito envolvendo motocicletas, sendo atribuído a diversos fatores: a agilidade que a motocicleta tem ao transitar, seu preço mais acessível e o baixo custo de manutenção. Também, destaca-se que o uso da motocicleta atingiu a estatística de milhões de motos circulando no país, em 2004 (FIGUEIREDO, 2005). As cidades do Sul e Sudeste figuram entre as que mais utilizam motocicleta, sendo responsáveis pela compra de quase 60% da produção nacional desse tipo de veículo (RODRIGUES, 2004, p. 104). A vulnerabilidade dos condutores de motocicletas os coloca em maior exposição corpórea, portanto “estão mais propensos a lesões de maior gravidade e, conseqüentemente, óbito, durante os acidentes” (LIBERATTI & ANDRADE, 2003, p. 13). Os acidentes de trânsito não são eventos ocorridos somente nas grandes cidades, mas, também são frequentes em todas elas, de maior ou menor porte, por isso ainda há muito que se fazer para que ocorra a redução dos acidentes de trânsito neste país, independente do tipo de veículo utilizado pelas pessoas. 4.2 Ocorrências por Bairro Apresenta-se neste gráfico a relação dos bairros do município de Criciúma, onde ocorreram os acidentes com motociclistas. Ocorreram 23 acidentes no Centro da cidade; 16 no bairro Próspera; 13 no bairro Rio Maina; 11 no bairro Pinheirinho; 9 nos bairros São Luiz e Santa Bárbara. Ressaltando que as demais ocorrências situadas em outros bairros, caso analisados separadamente, os seus respectivos valores dos índices não ultrapassam os índices dos acidentes dos bairros citados. 51 Figura 02 - Ocorrências por Bairro do Município de Criciúma-SC Fonte: Dados da Pesquisa. Analisa-se que no Centro da cidade prevalece o maior número de ocorrências com acidentes de motociclistas que apresentaram fraturas, seguido dos bairros Próspera, Rio Maina, Pinheirinho e São Luiz. Portanto, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em 2003, diante do crescimento populacional e, por sua vez, das dimensões territoriais das cidades, os bairros aumentaram consideravelmente, e por conta deste cenário, observa-se que a frota de veículos e, especificamente, de motociclistas também aumentaram, fazendo-os as principais vítimas do trânsito. Esta afirmativa pode ser comprovada a partir de uma pesquisa elaborada em Londrina-PR, sul do Brasil, em 2005, com 74 motociclistas, sendo 51 do sexo masculino e 23 do sexo feminino, observando-se que os motociclistas configuram-se em uma das principais vítimas de acidentes de trânsito, com óbito ou não. Segundo dados do IPEA (2003): Esse atual contexto vem demandando um melhor conhecimento da ocorrência de certos comportamentos que aumentam os riscos para acidentes de trânsito. Conhecer quem é vulnerável e quais são os fatores que interferem na ocorrência desses acidentes é imperioso para a adoção de medidas que minimizem o impacto individual e social desses eventos. Nesta visão, os acidentes de trânsito correspondem a uma importante parcela de vítimas com fraturas. Espera-se que este quadro sirva de embasamento para programas específicos que objetivem a reversão dos atuais índices. (JORGE & LATORRE, 1994) O município de Criciúma-SC, neste contexto, insere-se nesta mesma realidade, necessitando de programas que conscientizem a população em relação 52 ao trânsito. Dentre os fatores apontados pela Delegacia Regional de Polícia, a embriaguez e as imprudências são os principais fatores para o número elevado de mortes no trânsito. Segundo o delegado Regional de Criciúma: [...] Nada mais que a inconseqüência dos motoristas que abusam da alta velocidade e do álcool. Falta educação, solidariedade e conscientização dos motoristas. [...] O crescimento desordenado da frota de veículos em Criciúma e a precariedade do sistema viário da cidade também são apontados como principais agravantes O sistema viário de Criciúma foi projetado há mais de 40 anos e não foram criadas novas alternativas para facilitar a vida diária dos motoristas. A Lei Seca criada no ano passado está fazendo com que o número de mortes por acidente diminua (ATRIBUNA, 2009, p. 1) Segundo Marin & Queiroz (2000, p.17), explica-se tais atitudes perigosas, de alto risco e sem reflexão como uma atitude de auto-afirmação. Portanto, essas atitudes devem ser analisadas amplamente, já que se configuram em um meio de violência. “Os mesmos autores afirmam que os comportamentos inadequados no trânsito constituem categoria difícil de ser mudada, e que esforço, tempo e dinheiro devem ser empreendidos para que essas atitudes sejam inibidas” (MARIN & QUEIRÓZ, 2000, p. 17). Diante desse cenário e considerando-se o número de acidentes e as repercussões destes para o ser humano e sociedade, é fundamental a identificação das circunstâncias que expõem a população a esse tipo de acidente. 4.3 Relação por Sexo das Vítimas com Fraturas Quanto aos acidentes envolvendo motociclistas, em relação ao sexo das vítimas de janeiro a dezembro de 2008, observa-se que o gráfico aponta 158 sujeitos do sexo masculino e 30 do sexo feminino. 53 Figura 03 - Relação por Sexo das Vítimas com Fraturas no Período de Janeiro a Dezembro de 2008 Fonte: Dados da Pesquisa. Os resultados mostram uma diferença significativa entre os dois sexos, sendo que o sexo masculino predomina em relação às mulheres. Sobre este resultado, Veronese e Oliveira (2006), enfatizam que a predominância do sexo masculino pode estar justamente ligada à profissão de motoboy e profissões diversas, tais como: [...] prestador de serviços técnicos, vendedor, agricultor, balconista, eletricista, frentista, porteiro, soldado da Brigada Militar, entre outros. A maioria dos acidentes pode ser caracterizado como acidente de trabalho, já que ocorreram no trajeto de ida e volta do trabalho ou durante o turno do mesmo. Pesquisa realizada no ano de 2004 com o objetivo de conhecer os pontos de vista dos motoboys sobre os riscos do acidente de trânsito, sugere que a urgência exigida na profissão de motoboy é um dos principais fatores para que estes profissionais se arrisquem no trânsito, abusando da velocidade e realizando manobras imprudentes (VERONESE & OLIVEIRA, 2006). Diante deste contexto, os autores reforçam as estatísticas apresentadas no trânsito do município de Criciúma-SC. Entretanto, os acidentes também ocorrem por outros motivos, como dirigir embriagado, em alta velocidade, realizar manobras perigosas (ANDRADE et al., 2003). Ainda na referida pesquisa realizada em Londrina-PR (2005), o estudo contabilizou que 43,1% motociclistas do sexo masculino já foram multados, o que reflete na maior incidência destes também em relação a comportamentos arriscados no trânsito. 54 As sociedades, em todo o mundo, não tem alcançado índices altos do conhecimento em relação ao trânsito, por que se houvesse, não haveria acidentes nem contradições tão apropriadas à criação da falta de segurança. A indústria automobilística no mundo inteiro fabrica automóveis de modo geral, com capacidade de desenvolver até mais de 300 km por hora e nossas estradas permitem esses mesmos automóveis, desenvolverem no máximo 120 km por hora. [...] No Brasil, um dos campões em mortes por acidentes de trânsito, as rodovias são de péssima qualidade. É, sem dúvida nenhuma, a falta de educação para o trânsito uma das grandes responsáveis por acidentes com morte, mas com certeza é preciso uma conscientização da indústria automobilística para rever esses parâmetros, entre a velocidade permitida e a potência dos motores (AUGUSTO, 2004, p. 1). Observa-se, cotidianamente, nos jornais brasileiros, fotos de automóveis acidentados pelo excesso de velocidade e pela falta de segurança no trânsito. Diante do alarmante índice de acidentes de trânsito com morte no país, se torna urgente uma ação governamental mais eficiente na melhoria desse cenário tão caótico. A Lei do trânsito no Brasil deve ser cumprida e respeitada por todos, pois é de opinião geral que o Código de Trânsito tem um ótimo nível operacional, e se for cumprido poderá dar maior segurança no transito, evitando assim o recebimento de mensagem de amigos expressando pesar pela morte de parentes. Portanto, como cita Augusto (2004, p. 1) a questão da educação é um princípio básico do desenvolvimento de uma sociedade: Apontar o caminho da Educação para o trânsito, como solução para o aprimoramento da segurança deste, para também evitar os acidentes, deve ser igualmente priorizada por nossos Governantes, Ministros e Secretários de transportes espalhados pelo país inteiro. Nossos motoristas precisam manter o máximo de seu desempenho no trânsito, melhorando suas técnicas de condução, aprimorando sua prevenção e reação contra terceiros. É fundamental que o condutor de motocicletas se conscientize de que ao dirigir um veículo ele está dividindo um espaço de convivência social, devendo, respeitar pedestres, ciclistas, sinais de trânsito, limites de velocidade, e observar tudo o que estiver ao seu alcance para a maior segurança no trânsito. E que sua mensagem de vida, seja pela preservação da integridade física tanto sua como das demais pessoas que circulam por ruas e estradas. 55 4.4 Incidência de Acidentes com Fratura por Idade Dos 188 acidentes de trânsito registrados, o gráfico abaixo dá a exata dimensão dos problemas de trânsito em relação à incidência de fratura por idade, no período de janeiro a dezembro de 2008, no município de Criciúma. A maior incidência é na faixa etária entre 15 e 24, com 94 ocorrências; na faixa etária entre 25 e 34 anos, 52 ocorrências; na faixa etária entre 35 e 44 anos, 29 ocorrências; na faixa etária de 45 a 54 anos, 07 ocorrências; nas faixas etárias entre 55 a 64 com 04 ocorrências, e entre 04 a 14 anos com apenas 02 ocorrências. Figura 04 – Incidência de Acidentes com Fratura por Idade no Período de Janeiro a Dezembro de 2008 Fonte: Dados da pesquisa. O resultado sobre o gráfico revela que os motociclistas jovens são as maiores vítimas deste tipo de acidente. Mesmo assim, as demais faixas etárias se envolvem também, possivelmente devido à necessidade de ir e vir da vida cotidiana, ressaltando-se que não são apenas os motociclistas que se acidentam, mas aqueles que ocupam o veículo juntamente a ele. Diante do exposto pelo gráfico relacionado aos acidentes no município de Criciúma, observou-se que estes correspondem a alguns estudos mencionados na fundamentação teórica, como o de Maringá-PR, quando apontou que a maior incidência de acidentes de motociclistas ocorre em sujeitos jovens. Isto se deve a 56 uma série de fatores já mencionados, tais como situações de uso de drogas, o caos do trânsito, evento de novas profissões cujo veículo é a motocicleta, número maior desta população, entre outros. Dentro deste contexto, salienta-se que como em qualquer outro país em desenvolvimento, no Brasil há uma visível transição epidemiológica, há uma redução de doenças infecciosas em detrimento de causas externas, como por exemplo, os acidentes de trânsito. Os índices são tão significativos das causas externas, que num contingente de 362 milhões de recursos destinados a estas causas, 30% foi aplicado em assistência às vítimas de acidentes de trânsito, que são bastante elevados. É certo afirmar que os acidentes de trânsito variam significativamente por conta da “[...] idade, o sexo, o tipo de personalidade e a cultura dos indivíduos nele envolvidos.” (VERONESE & OLIVEIRA, 2006, p. 831). Também tem que se considerar nos acidentes de trânsito, o estilo de vida, que nas sociedades atuais exigem a rapidez para acompanhar as mudanças sociais e demandas de sistemas políticos. Neste sentido, as motocicletas são veículos que, por serem velozes e de baixo custo, são utilizadas também para o trabalho após o evento das novas profissões, como motoboys e moto taxi, além de outras várias que o referido veículo atende perfeitamente. Os Ministérios do Transporte e da Saúde e o Departamento Nacional de Trânsito, afirmam que os números registrados de ocorrências de acidentes no trânsito são superiores a uma guerra violenta, sem final. De cada cinco jovens mortos no Brasil um é vítima de acidentes de trânsito. [...] São mais de 350 mil acidentes com vítima, 450 mil pessoas feridas e 35 mil mortes, por ano. Muito mais que simples números, que só fazem crescer, são milhares de vidas perdidas, projetos de vida interrompidos, deixando a marca da direção irresponsável na vida de muitas famílias (ROSIS, 2008, p. 1). Verifica-se que muitas vidas são perdidas e muitos jovens ficam com sequelas irreparáveis. A negligência no trânsito, muitas vezes, os leva a passar a vida inteira em uma cadeira de rodas ou deitados em uma cama. Assim, motoristas irresponsáveis perdem a vida e acabam matando inocentes, causando sérios transtornos. Todo motorista passa por um processo de habilitação, sendo responsável por seus atos no volante. “Amenizar essa responsabilidade, não fiscalizar nem punir 57 severamente, é ser conivente com as milhares de mortes que acontecem anualmente, é desvalorizar o valor da vida” (ROSIS, 2008, p. 1). Acidentes de trânsito, segundo o autor citado, geram custos altíssimos aos cofres públicos. De acordo com a Associação Nacional de Transportes Públicos, os custos anuais de acidentes de trânsito ficam em R$ 28 bilhões, sendo R$ 22 bilhões com acidentes nas rodovias e R$ 6 bilhões nas cidades. Precisa-se de uma legislação mais dura, com medidas que reprimam o motorista a dirigir irresponsavelmente. Precisa-se de melhorias nas estradas e fiscalização severa, não somente em finais de semana prolongados, feriados ou datas comemorativas. Mais policiais rodoviários, treinados para reprimir e orientar. Menos radares móveis, pois não educam ninguém (ROSIS, 2008, p. 1). Salienta-se que a falta de educação no trânsito, a impunidade, o baixo investimento em rodovias, vias públicas de qualidade e educação no trânsito, legislação inadequada, a tolerância excessiva em relação às infrações de trânsito, entre outras razões, o uso de álcool no volante, possibilita o espírito de aventura dos jovens no Brasil, aumentando consideravelmente os números de acidentes de trânsito. Nesse sentido, é pertinente mencionar que a opinião pública tem papel essencial na mudança desse cenário. “A sociedade civil precisa ganhar mais consciência e cobrar de forma dura as ações dos órgãos públicos. Mas não basta falar. A única forma de reverter-se esse quadro é trabalhar em ações efetivas para coibir e reduzir esses acidentes” (ROSIS, 2008, p. 1). Assim, a educação para o trânsito é imprescindível no processo de conscientização diante dos cuidados e da prevenção de acidentes que ocorrem, principalmente com os jovens, como apontou a pesquisa. 4.5 Dados das Vítimas com Fraturas Fechadas Sobre os dados das vítimas com fraturas fechadas de janeiro a dezembro de 2008, o gráfico demonstra que dos 188 motociclistas acidentados, 53 tiveram fratura na perna; 24 na coxa; 20 no antebraço; 19 no pé; 18 na clavícula, 17 no 58 braço; 12 na mão; 10 no tórax; 09 no joelho; 06 crânio; 06 face; 02 na pelve; 01 no punho. Quadro 01 - Dados das Vítimas com Fraturas Fechadas de Janeiro a Dezembro de 2008 Local das fraturas 01 Perna 02 Coxa 03 Antebraço 04 Pé 05 Clavícula 06 Braço 07 Mão 08 Tórax 10 Crânio 11 Face 12 Pelve 13 Punho Total Quantidades de fraturas 53 24 20 19 18 17 12 10 06 06 02 01 188 Fonte: Dados da Pesquisa. Analisando o quadro observa-se que as fraturas fechadas aparecem com maior incidência na perna, seguido da coxa, e os outros membros do corpo. Provavelmente pelo tipo de queda que o motociclista sofre no momento do acidente. Neste contexto, Batista e Baccani (2006) afirmam que cerca de 60 milhões de pessoas são vítimas de traumatismo de algum tipo, representando uma em cada seis internações hospitalares. Veronese (2006, p. 832) define trauma como um “ferimento causado por uma força externa, presente nas situações de violência que incluem, entre outras situações, os acidentes de trânsito. Em qualquer tipo de lesão com fraturas fechadas, além de sofrer o traumatismo físico, a vítima pode ter consequências de ordem emocional, pois este é considerado realmente um momento traumático. Cadille et al. (2004, p. 1), define que “O fenômeno patológico mais comum nos traumatismos é a ruptura dos ossos, comumente chamada fratura.” Santos (2007) afirma que as fraturas correspondem à perda da continuidade óssea, caracterizadas por diversos sintomas, tais como: hematoma no 59 local, intensa dor, a possibilidade de deformidade e/ou perda da função do membro atingido. “Há dois tipos de fraturas: fechadas e abertas. Fraturas fechadas: são aquelas em que o osso quebrado não aparece na superfície, isto é, quando não ocorre ruptura das partes moles superficiais, apenas sentindo-se o desnível e o movimento anormal dos ossos” (CADILLE et al., 2004, p. 1). Para Santos (2006), fraturas fechadas são aquelas aonde não ocorre à lesão do tecido. Este tipo de lesão é mais comum nos acidentes com motociclistas, pois ao ser atingido lateralmente, os membros inferiores são os mais acometidos durante o impacto, sendo que as pernas da vítima, ao se comprimirem, podem receber lesões de tíbia, fíbula, fêmur e pés (APH-B, 2008). Por isso, o profissional de Fisioterapia pode fazer, além de seu trabalho específico, uma contribuição para a redução e prevenção do sofrimento humano. Em relação ao trabalho do Fisioterapeuta, a Rebelatto & Batomé (1999, p. 12) menciona que: A Fisioterapia é campo de atuação profissional na área da saúde que se responsabiliza principalmente pela prevenção e tratamento das disfunções do movimento humano. O objetivo da Fisioterapia é intervir no movimento corporal humano e, por meio do próprio movimento e outros recursos físicos minorarem as disfunções e desconfortos ocorrentes, ou impedir o aparecimento destes. Assim, o perfil do fisioterapeuta comprometido, inclui uma forte sensibilidade social e sólido conhecimento teórico e prático sobre as disfunções mais recorrentes. O profissional deverá ter conhecimento das ciências básicas, das possibilidades de prevenir o aparecimento de anormalidades, reconhecer a disfunção, diagnosticar, tratar e manter a saúde. Este profissional também tem a função social de buscar a saúde integral do ser humano. 4.6 Dados das Vítimas com Fraturas Abertas Em relação às 188 vítimas, as que apresentaram fraturas abertas no período de janeiro a dezembro de 2008, destas 08 ocorreram na perna; 03 no pé; 01 na mão; 01 no antebraço e 01 na face. 60 Figura 05 - Dados das Vítimas com Fraturas Abertas de Janeiro a Dezembro de 2008 Fonte: Dados da Pesquisa. Analisa-se, a partir do gráfico, que a maior incidência das fraturas abertas ocorreu na perna. Percebe-se, também, que tanto nas fraturas fechadas quanto nas abertas, a perna é a região mais afetada. Nas fraturas abertas ocorre a lesão dos tecidos e o contato do osso com o meio externo expondo o acidentado a infecções. As fraturas abertas são decorrentes de um impacto, assim como nas fechadas, que atinge o indivíduo no momento do acidente (SANTOS, 2007). “Fraturas abertas são aquelas nas quais a fratura comunica-se com o meio externo. A pele é rasgada ou aberta pela mesma força que quebrou o osso ou pela força que faz o osso perfurar a pele.” (LEICHTWEIS & ROCHA, 2009, p. 1) As fraturas abertas produzem hemorragias externas e dependendo da quantidade de sangue perdido, pode haver também choque hipovolêmico, quadro comum, por exemplo, nas fraturas de fêmur. As fraturas abertas correm o perigo de infecção. A gravidade da lesão depende da energia cinética associada ao local de impacto no corpo e do objeto ocupado no momento pelo condutor do veículo e/ou possíveis ocupantes. As fraturas abertas também ocasionam o traumatismo físico e emocional das vítimas (APH-B, 2008). 61 Em caso da ocorrência de hemorragia abundante, é sinal de que houve, além de fratura, ruptura de vasos. Devendo, portanto, adotar-se os seguintes procedimentos: conter a hemorragia por meio de compressão direta sobre o foco da fratura, elevação da extremidade afetada e compressão do ponto arterial acima do local da fratura. Depois deve-se imobilizar o membro e conduzir a vítima ao hospital (CADILLE et al., 2004). Os cuidados efetuados pelos socorristas às vítimas de acidentes de motocicletas procedendo com todos os cuidados necessários é um trabalho importante para os demais profissionais da área da saúde. Vale mencionar, também, que as intervenções fisioterapêuticas podem promover impactos positivos na reabilitação dos motociclistas acidentados, tanto na ordem física quanto social. Rebelatto & Batomé (1987, p. 1) assegura que é “[...] o profissional da área de Saúde, a quem compete executar métodos e técnicas fisioterápicas, com a finalidade de restaurar, desenvolver e conservar a capacidade física do paciente.” A Fisioterapia, atualmente um lugar de destaque entre as inúmeras profissões da área de saúde. Poucas tiveram um desenvolvimento tão rápido e significativo nos últimos dez anos. De acordo com Rebelatto & Batomé (1987, p. 1): A profissão ganhou espaço em empresas privadas, associações esportivas, centros de saúde, clínicas particulares, e principalmente em hospitais, onde o fisioterapeuta mantinha-se timidamente circunscrito a situações bem menos complexas do que as atualmente desenvolvidas. Passou a ser reconhecido em sua relevância profissional, tornando-se presença obrigatória no atendimento hospitalar, de todas as especialidades clínicas e cirúrgicas, além dos serviços de urgência e de terapia intensiva, minimizando, sobremaneira, as complicações decorrentes dos longos períodos de internação. A Fisioterapia vem se aprimorando gradativamente, desenvolvendo, a cada dia, novos métodos de tratamento, o que tem levado seus profissionais a buscar uma melhor qualificação e maior participação no ensino e pesquisa. 4.7 Tipos de Procedimentos realizados pelos Socorristas Quanto aos tipos de procedimentos realizados no período de janeiro a dezembro de 2008, os 188 motociclistas receberam análise primária/secundária e 62 foram encaminhadas ao hospital; 151 deles receberam os procedimentos de colar cervical; 149 maca rígida longa; foram procedidos 128 imobilizações do membros superiores e inferiores (MS/MI); 94 receberam procedimento de limpeza no local do ferimento; 31 receberam procedimento de oxigenoterapia; 11 receberam procedimento de curativo simples; 10 tiveram curativo compressivo; e os outros acidentados receberam os seguintes procedimentos: 04 aspiração; 04 cobertor, 01 colete e 01 desobstrução das vias aéreas. Percebeu-se que os procedimentos variaram de acordo com o grau de fraturas das vítimas. Quadro 02 - Tipos de Procedimentos realizados as Vítimas no Período de Janeiro a Dezembro de 2008 Tipos de Procedimentos Análise Primária Encaminhamento da vítima Colar Cervical Maca Rígida Longa Imobilização dos MMSS/MMII Limpeza no local Oxigenioterapia Curativo Simples Curativo Compressivo Aspiração Cobertor Colete Desobstrução das vias aéreas Quantidades de Procedimentos 188 188 159 149 128 94 31 11 10 04 04 01 01 Fonte: Dados da Pesquisa. Todas as vítimas foram encaminhadas para o hospital, após os procedimentos dos socorristas. De acordo com os dados obtidos e demonstrados na tabela, percebe-se que os procedimentos de rotina prestados pelos socorristas do 4º BBM, foram decisivos para salvar a vida dos motociclistas, vítimas de acidentes de trânsito. Analisou-se nessa pesquisa também, que em todas as ocorrências atendidas não houve registro de óbito no local. 63 Os procedimentos dos socorristas são de extrema importância, segundo Batista e Bacani (2006) nos momentos que antecedem a chegada do acidentado ao hospital. Há a necessidade dos socorristas avaliar muito bem a gravidade do trauma, bem como proceder às manobras iniciais para a manutenção da vida. O APH deve ser exercido por equipes de atendimento devidamente treinadas com competência para realizar uma avaliação fisiológica focando a abordagem inicial do paciente e servindo como instrumento de auxílio para a triagem das vítimas. Entende-se que o atendimento pré-hospitalar não é um tratamento de caráter definitivo, mas sim temporário com o objetivo de tentar manter o equilíbrio até haver a possibilidade da realização do tratamento adequado. Ao prestar auxílio, os socorristas impedem o agravamento do quadro clínico do motociclista acidentado até a chegada ao hospital, onde receberá o tratamento definitivo. O APH prestado pelos socorristas, no caso dos Bombeiros Militares, relacionados aos acidentes de trânsito, realizam um protocolo de atendimento padronizado para identificar os procedimentos necessários às vítimas (APH–B, 2008). O socorrista é o profissional mais presente no momento da prestação dos primeiros socorros. Segundo Cadille et al. (2004, p.1) “um socorrista nunca deve tentar recolocar os ossos fraturados no lugar, não pode virar a vítima de lado e durante a condução ao hospital evitar paradas bruscas ou movimentos abruptos do veículo”. Desta forma, os socorristas ao procederem uma avaliação rápida e eficaz, conseguem minimizar os riscos que podem comprometer a vida do acidentado. 4.8 Ocorrências das Vítimas sem Fratura Foram analisados também os acidentes sem envolvimento de fratura sendo que constaram 401 motociclistas entre janeiro a dezembro de 2008. Descreve-se que 322 indivíduos são do sexo masculino e 79 do sexo feminino. Percebe-se que os motociclistas do sexo masculino lideram realmente as estatísticas de acidentes de trânsito com ou sem fraturas. 64 Apesar das distinções entre os motociclistas e dos seus diferentes interesses ao dirigirem suas motocicletas, sejam estes homens ou mulheres, todos estão expostos ao risco de acidente de trânsito. Dentro destas considerações: Identificar as vítimas dos acidentes de motocicleta é imprescindível para a elaboração de propostas no campo da prevenção destes acidentes. Um outro argumento que justifica a relevância da caracterização das vítimas de acidentes de motocicleta é que isto poderá servir de subsídio para o planejamento e implementação [...] a prevenção de complicações decorrentes destes acidentes (VERONESE E OLIVEIRA, 2006, p. 381). A violência no trânsito, portanto, gera e redimensiona processos mórbidos com repercussão individual e coletiva, independente do sexo. O município de Criciúma possui uma população de 187 mil habitantes, de acordo com o senso do IBGE do ano de 2008, perfazendo, assim, um percentual aproximado de 2% de motociclistas vítimas de acidentes de trânsito. A violência do trânsito afeta a sociedade de várias maneiras, bem como a estrutura e o funcionamento do sistema de saúde. Também produz um impacto sobre os indicadores de saúde que absorve recursos que poderiam ser direcionados para ações preventivas (VERONESE & OLIVEIRA, 2006). A complexidade do problema dos acidentes de trânsito requer que múltiplos setores da sociedade colaborem com sua análise e prevenção. De acordo com Izidório (2002), foi apresentado ao Executivo, o Projeto de Lei (PL), que autoriza o Executivo municipal de Criciúma, elaborar e distribuir aos motoristas e usuários de veículos automotores, Cartilha de Primeiros Socorros específica sobre acidentes de Trânsito, ainda em vigor, tendo por objetivo exemplos práticos de como prestar primeiros socorros em caso de acidentes. A Cartilha tem uma linguagem clara e objetiva, tornando-se uma ferramenta poderosa para cidadãos que foram afetados e que estão sujeitos a sinistros dessa natureza. Nela constará ainda, o telefone da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Policia Rodoviária Estadual e Federal e Hospitais da cidade. A Cartilha mostra a preocupação com a questão do trânsito no município, como forma de desenvolver um trabalho de conscientização para a população, com o objetivo de reduzir as ocorrências de acidentes de trânsito. 65 CONCLUSÃO O estudo permitiu aprimorar os conhecimentos relacionado aos problemas de trânsito brasileiro, cujas pesquisas mostram que independentemente do porte da cidade, estes acontecem, já que as causas são, invariavelmente, as mesmas em qualquer município. Segundo o Ministério da Saúde, os acidentes e violências representam importantes problemas de saúde pública, que atinge países do mundo inteiro. O Brasil, nas últimas décadas, foi, aos poucos colocando-se entre os primeiros em nível de acidentes de trânsito. Em 2002, as violências e os acidentes representaram o terceiro maior grupo de causas de óbitos no país. Sabe-se, porém que a mortalidade corresponde a um número ainda maior. Em relação, especificamente, aos acidentes de trânsito com motociclistas, destaca-se o advento das profissões associadas ao veículo, como a de motoboy e moto taxi; bem como o baixo custo em relação aos automóveis e facilidade de locomoção, o que evidenciou um aumento considerável da frota do referido veículo. Assinala-se que existem outros fatores os quais geram acidentes de modo geral, como embriaguez, imprudência, entre outros. Os resultados da pesquisa mostraram que, historicamente o trânsito no município de Criciúma-SC foi planejado há 40 anos, sem considerar o aumento de volume de veículos como conseqüência do aumento populacional, o que causa freqüentes transtornos em função de novas obras para tentar melhorar o fluxo dos veículos. A pesquisa foi realizada junto aos socorristas do 4º Batalhão de Bombeiros Militar, localizado no município de Criciúma-SC, de janeiro a dezembro de 2008, respondendo ao problema, e alcançando os objetivos e as questões norteadoras levantadas. Observou-se portanto, a partir dos dados levantados que a maior incidência dos acidentes ocorreu no período vespertino (76), nos bairros Centro (23), Próspera (16); Rio Maina (13), Pinheirinho (11), Santa Bárbara e São Luiz (09), sendo a maioria do sexo masculino (160) e feminino (38), prevalecendo as fraturas fechadas (197) para as abertas (14). Das vítimas analisadas, 188 receberam 66 procedimentos dos socorristas: análise primária e secundária e foram encaminhadas ao hospital; colar cervical (151); maca rígida longa (149); imobilizações membros superiores e inferiores (128); limpeza no local do ferimento (94); oxigenoterapia (31); curativo simples (11); curativo compressivo (10); aspiração (04); cobertor (04), colete (01); desobstrução das vias aéreas (01). Notou-se que a maior incidência de fraturas, tanto expostas quanto fechadas, se deu nos membros inferiores na região da perna, correspondendo um total de 61 fraturas. Tal fato pode ser explicado por esta região ser facilmente comprimida por outros veículos pois encontram-se mais expostas no momento da colisão e apresentam-se praticamente na altura dos para choques dos automóveis. Em relação à idade das vítimas, prevaleceu à população jovem e adulta jovem, compreendido entre 15 a 34 anos com predomínio de sexo masculino. Analisou-se em geral, a partir desses dados que a maior incidência dos acidentes com motociclistas ocorreu no período vespertino, no bairro Centro, prevalecendo às fraturas fechadas, em sua maioria na região das pernas, sendo que todas as 188 vítimas receberam os primeiros procedimentos realizados pelos socorristas e foram encaminhadas ao hospital nos acidentes ocorridos de janeiro a dezembro do ano de 2008. Tal constatação está de acordo com as hipóteses levantadas na introdução desse trabalho satisfazendo as expectativas. Apesar da grande incidência de acidentes de trânsito com motociclistas, a sociedade pode contar com os diversos tipos de profissionais que atuam prestando socorros aos motoristas, sempre que necessário. Do mesmo modo, dentre os profissionais da área da saúde, o Fisioterapeuta destaca-se pelo tratamento a longo prazo que caracteriza sua função. Este profissional está destinado a contribuir com a sociedade na conscientização das pessoas para o trânsito, visto todo o conhecimento específico que apresentam em sua formação facilitando, desta maneira, o processo de educar a população quanto aos riscos que estão sujeitos ao transitar. Conhecimentos específicos a respeito da anatomia humana, fisiologia, fisiopatologia, entre outros, dos quais possibilitam a prática da fisioterapia preventiva, atuando com ações para reduzir esses índices alarmantes que prejudicam a saúde do ser humano. O fisioterapeuta pode administrar corretamente estas atribuições com base em toda a sua formação teórica e prática. 67 Espera-se que essa pesquisa contribua com os profissionais da Fisioterapia, e ao mesmo tempo configure-se em um suporte para outras investigações na área. 68 REFERÊNCIAS ABRACICLO, Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e similares. Citação extraída do site: http://www.abraciclo.com/ Acesso em 14/09/2008 às 19h30min ANDRADE, Juliana, repórter da Agência Brasil. Motociclistas estão envolvidos em 26% dos acidentes de trânsito no país, diz técnico. Citação extraída da entrevista da Agência Brasil, em 19/09/2006. Ver site: http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2006/09/19/materia.2006-09 19.0759304760/view Acesso em 22/03/2009 às 16h40min. ANDRADE, Selma Maffei; JORGE, Maria Helena P de Mello. Características das vítimas por acidentes de transporte terrestre em município da Região Sul do Brasil. Rev. 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Dados da vítima Sexo da vítima: M Número de fraturas fechadas: 1 Número de fraturas abertas: 1 F 2 2 Idade da vítima: _________ 3 3 4 ou mais 4 ou mais Local das fratura(s): Local das fratura(s): -Crânio -Clavícula -Pelve -Face -Braço -Coxa -Tórax -Antebraço -Joelho -Coluna -Punho -Perna -Mão -Pé -Crânio -Clavícula -Pelve -Face -Braço -Coxa -Tórax -Antebraço -Joelho -Coluna -Punho -Perna -Mão -Pé ............................................................................................................................................................................................................ Procedimentos efetuados pelos socorristas Análise primária/secundária Cobertor Desobstrução das vias aéreas Maca rígida longa Respiração artificial Limpeza do local do ferimento Ressuscitação cardiopulmonar Curativo Simples Colar cervical Curativo compressivo Imobilização MS/MI Aspiração Colete de imobilização dorsal Oxigenoterapia Encaminhamento da vítima Hospital Recusa de atendimento Óbito no local 78 APÊNDICE B – TERMO DE COMPROMISSO PARA UTILIZAÇÃO DE DADOS 79 80 ANEXOS 81 ANEXO A – APROVAÇÃO DO COMITÊ DE ÉTICA E PESQUISA 82 83 84 85 ANEXO B - APROVAÇÃO DO LOCAL DE REALIZAÇÃO DA PESQUISA 86 87 88 ANEXO C – FICHA DE ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR DO 4ºBBM 89 90 91