1 UNIP UNIVERSIDADE PAULISTA CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DO TRÂNSITO MARIA LUIZA BENEDINI PAIOLA PREVALÊNCIA DE MORBIDADE POR ACIDENTES DE TRÂNSITO EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP MACEIÓ - AL 2014 2 MARIA LUIZA BENEDINI PAIOLA PREVALÊNCIA DE MORBIDADE POR ACIDENTES DE TRÂNSITO EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP Monografia apresentada à Universidade Paulista/UNIP, como parte dos requisitos necessários para a conclusão do Curso de Pós-Graduação “Lato Sensu” em Psicologia do Trânsito. Orientador: Prof. Dr. Jorge Luís de Souza Riscado MACEIÓ - AL 2014 3 MARIA LUIZA BENEDINI PAIOLA PREVALÊNCIA DE MORBIDADE POR ACIDENTES DE TRÂNSITO EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP Monografia apresentada à Universidade Paulista/UNIP, como parte dos requisitos necessários para a conclusão do Curso de Pós-Graduação “Lato Sensu” em Psicologia do Trânsito. APROVADO EM ____/____/____ ____________________________________ PROF. DR. JORGE LUÍS DE SOUZA RISCADO ORIENTADOR: _______________________________________________________ PROF. DR. LIÉRCIO PINHEIRO DE ARAÚJO BANCA EXAMINADORA ________________________________________________________ PROF. ESP. FRANKLIN BARBOSA BEZERRA BANCA EXAMINADORA 4 DEDICATÓRIA Dedico esta monografia a Deus que em tudo tem um propósito para a minha vida. Ao meu marido que me deu a chance de aprender mais sobre mim mesma, pelo apoio, amor, abdicação e pelas horas em que me fiz ausente. Aos meus pais que me incentivaram sempre nos estudos e por isto hoje sou realizada no que faço. 5 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus que esta ao meu lado me incentivando a correr riscos e assim superar os meus limites. Ao meu marido por todos os momentos que compartilhamos. Aos meus pais que, muitas vezes, renunciaram os seus sonhos para que eu pudesse realizar os meus. 6 “Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho, Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!” (Machado de Assis) 7 RESUMO O trânsito mata mais do que muitas doenças, como a Aids e tuberculose, e mais que a violência urbana – só perde para o câncer e as doenças do coração. Segundo o Ministério da Saúde, 145.920 vítimas de acidentes foram internadas nos hospitais conveniados ao SUS e houve 38 mil mortes, somente no ano passado. Cerca de 80% dos acidentados são com homens, a maioria com idade entre 20 e 39 anos. Objetivamos definir um perfil da mortalidade por acidentes de trânsito na cidade de São José dos Campos, São Paulo. A metodologia se configurou dentro de um estudo na série histórica – 2000/2011, transversal de abordagem quantitativa. A partir da consulta ao SIM do DATASUS, ao grupo CID-10 de óbitos por causas externas, de acidentes de trânsito, ancorando as variáveis sexo, raça/cor, faixa etária, causa de morte, ano de ocorrência e local de ocorrência. Os resultados apontaram que os homens morrem mais que em relação às mulheres, a população branca é a mais acometida, a predominância se deu na faixa etária (20 – 39 anos) mais produtiva economicamente e estratégica para um País, que os motociclistas é o segmento mais verificado. Conclui-se que a morbimortalidade por acidentes de trânsito é um caso de saúde pública em São José dos Campos, São Paulo. Palavras-chave: Acidentes de trânsito; Mortalidade; Óbitos. 8 ABSTRACT Traffic kills more than many diseases, such as AIDS and tuberculosis, and more than urban violence – second only to cancer and heart disease. According to the Ministry of Health, 145,920 accident victims were hospitalized in the SUS hospitals and there were 38.000 deaths last year alone. About 80% of accidents are with men, most aged between 20 and 39 years. We aimed to define a profile of mortality from traffic accidents in the city of São José dos Campos, São Paulo. The methodology is set within a study in historical series - 2000/2011 , cross-sectional quantitative approach. From the consultation to the SIM DATASUS to ICD- 10, deaths from external causes of traffic accidents group, anchoring the variables sex, race/color, age, cause of death, year of occurrence and place of occurrence. The results showed that men die more than in relation to women, the white population is the most affected, the prevalence occurred in the age group (20-39 years) more productive and economically strategic for a country that motorcyclists is the segment more checked. We conclude that the morbimortalidade by traffic accidents is a matter of public health in São José dos Campos, São Paulo. Keywords : Traffic accidents ; Mortality ; deaths . 9 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Gráfico 1 – Distribuição de óbitos por acidentes de trânsito segundo sexo no período 2000 a 2011. São José dos Campos/SP, 2013. ........................ 33 Gráfico 2 – Distribuição de óbitos por acidentes de trânsito segundo raça/cor no período 2000 a 2011. São José dos Campos/SP, 2013. ........................ 34 Gráfico 3 – Distribuição de óbitos por acidentes de trânsito segundo faixa etária no período 2000 a 2011. São José dos Campos/SP, 2013.................... 35 Gráfico 4 – Distribuição de óbitos por acidentes de trânsito segundo Grupo CID-10 no período 2000 a 2011. São José dos Campos/SP, 2013. ...... 36 Gráfico 5 – Distribuição de óbitos por acidentes de trânsito segundo local de ocorrência no período 2000 a 2011. São José dos Campos/SP, 2013. ...................................................................................................... 37 10 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 11 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................................................................. 15 2.1 Mortalidade e Acidentes no Trânsito em São José dos Campos e no Brasil .................................................................................................................. 15 3 MATERIAIS E MÉTODOS .................................................................................... 31 3.1 Tipo de Pesquisa ............................................................................................... 31 3.2 Universo ............................................................................................................. 31 3.3 Amostra .............................................................................................................. 31 3.4 Instrumentos da Coleta..................................................................................... 31 3.5 Procedimentos de Coleta de Dados ................................................................ 32 3.6 Procedimentos de Análise dos Dados ............................................................ 32 3.7 Ética .................................................................................................................... 32 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................ 33 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 38 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 39 11 1 INTRODUÇÃO O trânsito mata mais do que muitas doenças, como a Aids e tuberculose, e mais que a violência urbana – só perde para o câncer e as doenças do coração. Segundo o Ministério da Saúde, 145.920 vítimas de acidentes foram internadas nos hospitais conveniados ao SUS e houve 38 mil mortes, somente no ano passado. Cerca de 80% dos acidentados são com homens, a maioria com idade entre 20 e 39 anos. Em São José, os levantamentos feitos pelas secretarias de Transportes e de Saúde indicam que, na média dos últimos dez anos, as mortes por acidentes estão diminuindo, apesar do aumento da quantidade de veículos nas ruas. Ainda assim, os números são fortes: no ano passado, foram mais de 8.600 ocorrências, 52 mortes, inúmeros feridos, e muitos ficaram com diversos tipos de deficiências. Quase metade dos que morreram no trânsito no ano passado eram motociclistas ou seus caronas (25), e a maioria jovens entre 18 e 29 anos. Em 64% dos casos, foram falhas humanas que mais contribuíram para as ocorrências. Os estudos da Secretaria de Transportes mostram que o excesso de velocidade e a conduta inadequada de motoristas, motociclistas e pedestres são os principais fatores de risco no trânsito. São José dos Campos é um município brasileiro no interior do estado de São Paulo. Pertence à Mesorregião do Vale do Paraíba Paulista e Microrregião de São José dos Campos. É sede da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, localizando-se a leste da capital do estado, distando desta cerca de 94 km. Ocupa uma área de 1.099,6 km², sendo que 353,9 km² estão em perímetro urbano e os 745,7 km² restantes constituem a zona rural. Em 2013 sua população foi estimada pelo IBGE em 673.255 habitantes, sendo que em 2010 era o sétimo mais populoso de São Paulo e o 28º de todo o país. A Secretaria de Transportes é responsável pelo controle e manutenção do trânsito do município, desde a fiscalização das vias públicas e comportamento de motoristas e pedestres até a elaboração de projetos de engenharia de tráfego, pavimentação, construção de obras viárias e gerenciamento de serviços tais como os de táxis, alternativos, ônibus, fretados e escolares. A frota municipal no ano de 2010 era de 319.026 veículos, sendo 224.301 automóveis, 6.207 caminhões, 1.049 caminhões trator, 18.821caminhonetes, 10.134 12 caminhonetas, 1.632 micro-ônibus, 44.549 motocicletas, 4.501 motonetas, 1.398 ônibus, 136 tratores de rodas,1.420 utilitários e 4.878 outros tipos de veículos. As avenidas duplicadas e pavimentadas e diversos semáforos facilitam o trânsito da cidade, mas o crescimento no número de veículos nos últimos dez anos está gerando um tráfego cada vez mais lento de carros, principalmente na Sede do município. Além disso, tem se tornado difícil encontrar vagas para estacionar no centro comercial da cidade, o que vem gerando alguns prejuízos ao comércio. A cidade conta com dezenas de linhas de ônibus urbano e interurbano, ligando cidades vizinhas, como Taubaté, Jacareí, Caçapava, Monteiro Lobato, Jambeiro, Paraibuna, Guararema, Santa Isabel e até Mogi das Cruzes. Atualmente três empresas operam o sistema de ônibus urbano (Saens Peña, no lote 1; CS Brasil, no lote 2 e Expresso Maringá, no lote 3). A integração total das linhas, implantada em 2011 e disponível através da utilização do cartão eletrônico, tem gerado uma maior adesão a este meio, contribuindo assim para a diminuição da poluição do município que tem se agravado. Acidentes de trânsito (AT) são a segunda principal causa da morte de jovens até 29 anos e a terceira causa entre pessoas de 30 a 44 anos de idade. Este quadro ainda deve se agravar nos países de baixa renda até 2020 (ONU/BRASIL, 2008). O reconhecimento do trauma como uma epidemia não resolvida da sociedade moderna deve ser aceito pelo público, governo e profissão médica. O trauma é caro e envolve toda a sociedade e não somente a pessoa afetada. Não obstante, a sociedade continua a resistir às leis e normas para prevenção dos acidentes (MATTOX, 2005). Segundo o “Relatório Mundial sobre Prevenção de Acidentes no Trânsito”, da Organização Mundial da Saúde (OMS), realizado em 2005, os acidentes nas estradas mataram um milhão e duzentas mil pessoas em todo o mundo, no período de um ano, deixando 50 milhões feridas, cujos cuidados médicos custaram US$ 65 bilhões (ONU/BRASIL, 2008). No Brasil, conforme dados do DENATRAN, a cada ano 33 mil pessoas morrem e aproximadamente 400 mil pessoas ficam feridas ou inválidas devido aos acidentes de trânsito. Na grande maioria dos casos o trauma atinge indivíduos jovens no seu momento mais importante como força de trabalho. Sua incapacidade ou morte traz para a sociedade um custo social altíssimo (FRANÇA, 2013). 13 Quanto às estatísticas de morbidade a subnotificação é bastante relevante. Embora a OMS recomende que se incluam nas estatísticas as mortes em decorrência de AT ocorridas após trinta dias do acidente, alguns países só consideram os óbitos até o sétimo dia. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) recomenda que a morte seja registrada até três dias após o acidente. Sendo assim, no Brasil, muitas das vítimas vão a óbito sem que este seja registrado como consequência de AT (MARRIN, 2000). O atendimento pré-hospitalar no caso de acidente de trânsito é realizado conforme a gravidade, disponibilidade e acessibilidade ao local da ocorrência, sendo efetuado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, SAMU, Corpo de Bombeiros e Policia Rodoviária Federal ou Estadual. No estudo foram considerados todos os óbitos relacionados com acidentes de trânsito, ocorridos no período de janeiro 2000 a dezembro de 2011. O objeto de pesquisa nesse trabalho se destaca pelo estudo da prevalência de mortalidade por acidentes de trânsito, na cidade de São José dos Campos/SP. Entende-se por prevalência a casuística de morbidade que se destaca por seus valores maiores do que zero sobre os eventos de saúde ou não-doença. Tratase de um termo descritivo da força com que subsistem as doenças nas coletividades. Quanto à mortalidade, é a variável característica das comunidades de seres vivos. Refere-se ao conjunto dos indivíduos que morreram num dado intervalo do tempo. Representa o risco ou probabilidade que qualquer pessoa na população apresenta de poder vir a morrer ou de morrer em decorrência de uma determinada doença. Diversas vezes temos que medir a ocorrência de doenças numa população através da contagem de óbito e para estudá-las corretamente; estabelecemos uma relação com a população que está envolvida. É calculada pelas taxas ou coeficientes de mortalidade. Representam o “peso” que os óbitos apresentam numa certa população. Compreende-se pelos óbitos em acidentes de trânsito enquanto um problema epidemiológico complexo cujo crescimento das estatísticas denota que as medidas pontuais de intervenção tem tido pouca eficácia. Este trabalho se justifica no sentido da relevância pelas milhares de pessoas que diariamente perdem suas vidas ou permanecem com sequelas, gerando um custo socioeconômico imensurável. Com um estudo aprofundado sobre o momento e a causa das mortes, através de um levantamento estatístico retrospectivo de 14 dados, pode ser possível interferir nos índices atuais de morbimortalidade desta população, modificando condutas técnicas e operacionais do primeiro atendimento realizado no momento pré-hospitalar e hospitalar. Quanto ao ineditismo, a escassez de estudos municipais que há nesta área, denota a importância da presente pesquisa, que tem por proposito obter informações que mostrem a prevalência dos acidentes de trânsito em São José dos Campos/SP. Temos por Objetivo Geral determinar um perfil epidemiológico das vítimas fatais de acidentes de trânsito, no período de 2000 a 2011, na região de São José dos Campos/SP. Em relação aos objetivos específicos buscamos: a) caracterizar os sujeitos segundo as variáveis sexo, faixa etária, raça/cor, causa de morte, ano de ocorrência e local de ocorrência; b) descrever os acidentes de trânsito segundo os transportes automotores 15 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 Mortalidade e Acidentes no Trânsito em São José dos Campos e no Brasil O estudo exploratório descritivo de Abreu et al. (2010) objetivou correlacionar os níveis de alcoolemia, detectados nas vítimas fatais por acidentes de trânsito, na cidade do Rio de Janeiro, a partir dos registros do Instituto Medico Legal -IML, com o perfil da vítima e as características dos acidentes. Os dados foram levantados no arquivo do IML, por meio dos prontuários de vítimas fatais por acidentes de trânsito, compilados e tabulados por meio do programa estatístico SPSS, no período compreendido entre janeiro e maio de 2005. Avaliaram-se 348 prontuários de vítimas fatais por acidentes de trânsito. Desses, apenas 94 realizaram o exame de alcoolemia, sendo que 83 apresentaram alcoolemia positiva e 60,2 por cento níveis acima de 0,6g/l. Evidenciou-se o envolvimento do álcool com vítimas fatais nos acidentes de trânsito em níveis acima e abaixo de 0,6g/l de álcool por litro de sangue. O estudo quantitativo descritivo de Oliveira et al. (2013) procurou determinar o número de indivíduos vítimas de acidentes de trânsito atendidos em um setor de emergência de um hospital municipal do Rio de Janeiro antes e depois da implementação da “Lei Seca” e identificar o perfil dessa população e as características dos acidentes de trânsito, estimando sua prevalência antes e após a vigência da “Lei Seca”. Foram analisados 1.531 prontuários relativos aos acidentes de trânsito ocorridos no ano de 2007 e 2009. Houve prevalência de adultos jovens do sexo masculino, vítimas em sua maioria de atropelamento e acidentes envolvendo motos nos dois períodos estudados. Sobre o impacto da “Lei Seca” não foi observada grande redução no número de vítimas de acidentes de trânsito no período de estudo. Contudo, salienta-se sobre a importância da Lei em caráter permanente, pois esta é uma forte ferramenta para a prevenção de acidentes de trânsito no país. O estudo de Oliveira e Souza (2003) caracterizou motociclistas, vítimas de acidentes de trânsito, residentes em Maringá-Paraná e atendidos em centros de referência para tratamento do trauma, segundo gravidade do trauma, partes do corpo afetadas e região corpórea da lesão mais grave, além de identificar, dentre essas vítimas, possíveis diferenças na qualidade de vida daqueles que 16 apresentaram trauma crânio-encefálico. O Injury Severity Score foi utilizado para análise de gravidade do trauma, e o instrumento genérico Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey para avaliação da qualidade de vida das vítimas. Quanto à gravidade das lesões, predominaram as vítimas de trauma leve, 73,14 por cento. A maioria (59,70 por cento) sofreu lesões nos membros inferiores, seguidos pelos membros superiores (58,21 por cento) e cabeça (31,34 por cento). Os membros destacaram-se entre as demais regiões como os segmentos corpóreos mais gravemente lesados. Na comparação da qualidade de vida após trauma das vítimas, com e sem trauma crânio-encefálico, não se evidenciaram diferenças. A pesquisa descritiva de Abreu et al. (2012) buscou verificar a frequência da mortalidade por acidentes de trânsito no município do Rio de Janeiro do mês de julho de 2007 comparada à do mês de julho de 2008, além de caracterizar os acidentes e o perfil sociodemográfico de suas vítimas fatais relativos ao último período citado. Os dados das vítimas fatais foram coletados de seus prontuários no Instituto Médico Legal do município do Rio de Janeiro e os dados populacionais foram coletados do DATASUS, sendo ambos compilados e tabulados no programa estatístico Epi-Info 2000. Observou-se redução da mortalidade por acidentes de trânsito de 12,9% em julho de 2008 quando comparada a do mês de julho de 2007, considerando a taxa bruta da população no período. Esse resultado alerta para a importância de medidas preventivas e ainda de fiscalização contínua e efetiva para o cumprimento da lei todo o tempo Atualmente, os acidentes de trânsito matam em todo o mundo mais de um milhão de pessoas por ano e deixam feridas entre 20 milhões e 50 milhões de pessoas. Os jovens representam a maioria das vítimas, que, muitas vezes, apresentarão sequelas pelo resto da vida (DETRAN/RS, 2007). Neste contexto, o objetivo do estudo de Vedovato (2013) foi estudar os acidentes de trânsito com vítimas na área urbana de Rio Claro no ano de 2008 e buscar os fatores que se configuram como risco nas ocorrências de acidentes. Para o desenvolvimento deste trabalho foram utilizadas técnicas de geoprocessamento e estatística espacial multivariada. Uma análise local foi realizada nas áreas com maiores ocorrências de acidentes para melhor compreensão dos atributos locais. Os resultados indicam um padrão de localização de acidentes e as variáveis que contribuem para isto são grande fluxo de veículos na zona central e avenidas de trânsito rápido. O perfil dos envolvidos demonstra predominância de pessoas do sexo masculino com faixa 17 etária entre 18 e 30 anos. Quanto ao tipo de veículos há um predomínio de carros, a seguir as motos e as bicicletas foram os mais envolvidos em acidentes. A maior parte das ocorrências aconteceu entre 9 e 18 horas, com tempo em boas condições. Estes resultados colaboram para a compreensão dos fatores que contribuem para as ocorrências de acidentes de trânsito na área urbana de Rio Claro e podem subsidiar na implantação de políticas públicas e programas nas áreas da saúde, de trânsito e segurança para a comunidade no sentido de minimizar as ocorrências e seus impactos. O estudo de Lima et al. (2013) foi analisar a tendência da mortalidade por acidentes de motocicleta (AM) no período de 1998 a 2009, no Estado de Pernambuco, Brasil, segundo sexo e Regiões de Desenvolvimento (RD). Em sua metodologia optou por um estudo ecológico de série temporal dos óbitos por AM de residentes em Pernambuco registrados entre 1998 e 2009; para a análise da tendência dos coeficientes de mortalidade por AM, utilizaram-se modelos de regressão polinomial. Resultados: no período, ocorreram 3.110 óbitos por AM; o coeficiente médio de mortalidade por AM foi de 2,81 (por 100 mil habitantes); observou-se sobremortalidade masculina em toda a série estudada; a tendência da mortalidade revelou um crescimento médio anual de 0,3 óbitos por 100 mil hab. (p=0,001); a média anual de crescimento foi maior no sexo masculino e nas RD de Sertão do Araripe, Sertão Meridional e Sertão do Pajeú. Concluiu que a tendência da mortalidade por AM foi crescente; recomenda-se implementar intervenções amplas e multissetoriais para o enfrentamento desse problema. A investigação de Galvão et al. (2013) teve por objetivo analisar os casos de morte nos acidentes com bicicleta ocorridos em Pernambuco entre 2001 e 2010. Este estudo quantitativo analisou dados secundários. A amostra consistiu de todas as Declarações de Óbitos registradas no Sistema de Informação de Mortalidade do Banco de Dados do Sistema Único de Saúde que relataram acidentes de bicicleta entre 2001 e 2010. Medidas descritivas foram determinadas para todas as variáveis. As sociodemográficas foram cruzadas com a causa básica de morte em busca de correlação estatística. Em Pernambuco, no citado sistema de informação, foram registradas 517 Declarações de Óbitos decorrentes de acidentes de bicicleta, sendo nestes sinistros a participação mais frequente de homens, entre 25-59 anos, pardos, solteiros e de escolaridade ignorada. A idade média foi de 36,82 anos (desvio padrão = 17,026), sendo a idade mínima e a máxima, respectivamente, 4 e 86 anos. 18 Os achados apontam para a necessidade da criação de infraestrutura adequada e de medidas legais efetivas para prevenir acidentes de tráfego envolvendo este tipo de veículo, apoiando-se na evidência de distribuição de casos na maioria dos municípios de Pernambuco. Acidentes que ocorrem entre duas motocicletas têm sido esquecidos na imensidão dos acidentes de trânsito no Brasil, carecendo de serem melhor analisados. Esta pesquisa de Golias e Caetano (2013) buscou analisar epidemiologicamente os acidentes que ocorrem entre duas motocicletas, comparando com os outros tipos, a partir de dados do estado do Paraná. Foram capturadas informações do sítio eletrônico da Corporação de Bombeiros relativas ao período de um ano (julho/2010 a junho/2011), sobre o número e tipo de acidente, dia da semana, período do dia, número de vítimas, gênero, idade e gravidade das lesões. Ocorrências moto x moto representaram 3,4% do total de acidentes de trânsito registrados e 6,2% dos acidentes envolvendo motocicleta; as vítimas deste tipo de acidente corresponderam, respectivamente, a 4,4% do total de vitimados e a 8,5% daquelas em acidentes com motocicleta. Acidentes ocorridos aos sábado, sexo masculino e idade entre 20 a 29 anos foram mais frequentes neste tipo de eventos. Dentre as dez cidades mais populosas do estado, algumas se destacaram pelo alto índice destes acidentes, que parece guardar relação com o índice de motorização de motos das localidades. Assim, torna-se fundamental a constante avaliação destes índices e a implantação de medidas que visem proporcionar um trânsito mais seguro. Os estudiosos Rocha e Schor (2013) buscaram caracterizar os acidentes de trânsito com motocicleta, suas vítimas e o crescimento da frota, comparado-os às ocorrências com os demais tipos de veículo, em Rio Branco, Acre. Trata-se de um estudo, descritivo e transversal. Abrangeu os acidentes ocorridos entre 2005 e 2008 notificados pelo Departamento Estadual de Trânsito do Estado do Acre. No quadriênio foram observados 3.582 acidentes com motocicleta e 3.768 vítimas. A frota de motocicletas teve um crescimento de 72,8%, com uma taxa de envolvimento em acidentes com um aumento de 42,2%, enquanto os demais tipos de veículo tiveram uma elevação de apenas 9,2%. Quanto às vítimas, há predominância do sexo masculino, os grupos etários de 20 a 29 e de 30 a 39 anos foram os de taxas mais elevadas. Quanto às características dos acidentes, o período da tarde destacou-se com 1.162 (32,4%), seguido da manhã com 1.046 (29,2%) e noite com 19 1.035 (28,9%). O sábado se apresentou com 657 (18,3%) e domingo com 563 (15,7%). As colisões/abalroamento foram o tipo de acidente mais comum, com 3.036 (84,8%) registros. São primordiais a efetivação contínua de programas preventivos e maior integralidade entre as instituições envolvidas, com planejamento e execuções, capazes de modificar o cenário atual. O trauma por acidentes de trânsito é a principal causa de morte em jovens. Avaliar as características acidentes de trânsito com vítimas fatais na região do Alto Vale do Itajaí-SC, Fev et al (2012) se debruçaram por analisar a cena e o meio ambiente onde ocorreu o acidente. Foram avaliadas deforma retrospectiva 238 vítimas fatais de acidente de trânsito na região do Alto Vale do Itajaí, a partir de dados obtidos dos boletins de ocorrência da polícia rodoviária federal, estadual e municipal de Rio do Sul/SC. Condutores, retas, pista seca, boas condições meteorológicas, pleno dia e finais de semana foram situações predominantes neste trabalho. Colisão frontal e envolvimento de 1 a 4 pacientes também foram preponderantes. O uso de dispositivo de segurança esteve presente na maioria dos pacientes. Das 283 vítimas, obtivemos a alcoolemia de 155, a qual esteve presente em 41,22% destes, em que, para cada condutor etilizado notamos o envolvimento de 4,86 pacientes. A maioria dos óbitos envolveu condutores durante colisões frontais. A cena do acidente e as condições meteorológicas não interferiram no desfecho destas ocorrências. Para identificar fatores associados ao óbito em motociclistas envolvidos em ocorrências de trânsito, em Maringá-PR, Oliveira e Souza (2012) realizam um estudo retrospectivo que incluia os motociclistas envolvidos em acidentes no ano de 2004. As fontes de dados foram os registros da Polícia Militar, do SIATE e do Instituto Médico Legal. Foram realizadas análises bivariadas e regressão logística binária. Identificaram-se 2.362 motociclistas nos Boletins de Ocorrência e, destes, 1.743 tinham registros nos Relatórios de Atendimento do Socorrista. As vítimas fatais diferiram das demais quanto à faixa etária, ao local de residência, ao tempo de habilitação e as suas condições fisiológicas na cena da ocorrência. No modelo final permaneceram as seguintes variáveis: Escala de Coma de Glasgow (ECGl), Revised Trauma Score (RTS), pulso e saturação de O2 no sangue. As condições fisiológicas das vítimas na cena do acidente se destacaram no modelo final e a ECGl superou o RTS na associação com óbito. 20 Na investigação de Schoeller et al. (2011) caracterizou-se os usuários vítimas de acidentes de moto atendidos em um centro de reabilitação de referência estadual do sul do Brasil. É parte de pesquisa voltada ao trauma raquimedular - TRM. Estudo descritivo e quantitativo. Foram investigadas em 207 prontuários: procedência, idade, sexo, data e causa da lesão. Constatou-se que as vítimas de acidentes motociclísticos são homens (81.09%) jovens, dos quais, 10% menores de 18 anos. Metade dos usuários tiveram lesões extremamente ou muito graves - TRM, traumatismo crânio encefálico e amputação de membros inferiores. O coeficiente de mortalidade por acidentes motociclísticos no Brasil e em Santa Catarina cresceu 250% no período de 2000 a 2009, enquanto o crescimento populacional foi de 16%. Os acidentes motociclísticos constituem-se grave problema de saúde pública pelo número cada vez maior de pessoas atingidas e gravidade das lesões. Urge estabelecer políticas públicas - educação, segurança pública e saúde, objetivando inverter esta tendência. Em seu estudo, Rios e Mota (2013) descreveram a evolução temporal da mortalidade por acidentes de trânsito em regiões da Bahia, Brasil, entre 1996 e 2007, a partir de dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade. Foram calculadas taxas globais de mortalidade por acidentes de trânsito e específicas por tipo de vítima. A evolução foi analisada por meio de correlação entre essas taxas e os anos do estudo, além de modelos de regressão polinomial para avaliar tendência. No período, as regiões estudadas concentraram 60% das mortes por acidentes de trânsito ocorridas no estado. Foram observados sobre mortalidade masculina e maior percentual de óbitos em indivíduos jovens. No geral, a evolução das taxas globais mostrou decréscimo a partir de 1998, mas teve retomada de crescimento em 2000, sem revelar tendência. As diferenças regionais foram mais marcantes quando as taxas foram analisadas segundo tipos de vítima, no entanto, na maioria dos locais, foi observada tendência crescente para taxas de acidentes com motociclistas, sustentando, com outros achados, as preocupações com a conjuntura atual das mortes envolvendo motocicletas no país. Soares et al. (2012) caracterizaram as vítimas de acidentes de trânsito (AT) e investigar a distribuição espacial desses eventos. Em suas metodologias optou por um estudo ecológico, incluindo todas as vítimas de AT atendidas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em João Pessoa-PB, Brasil, em 2010; os dados foram coletados nas Fichas de Regulação Médica do SAMU. Em seus 21 resultados foram atendidas 4.514 vítimas, a maioria do sexo masculino (75,45 por cento) com idade entre 20 e 39 anos (60,0 por cento); o mecanismo mais frequente do trauma foi motocicleta (63,0 por cento); a região corpórea mais frequentemente atingida, os membros (62,5 por cento); a análise espacial identificou o centro da cidade com risco relativo dez vezes maior que o do município. Concluíram que os dados do SAMU foram considerados fonte de informações para identificar áreas de maior risco e grupos mais expostos aos AT, sendo essas informações fundamentais para o planejamento do atendimento a emergências no município. Trevisol, Bohm e Vinholes (2012) descreveram o perfil dos pacientes vítimas de acidente de trânsito atendidos no serviço de emergência do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão, SC. Na metodologia, realizaram um estudo que incluía todos os pacientes vítimas de acidente de trânsito atendidos no serviço de emergência do Hospital Nossa Senhora da Conceição, no período de dezembro de 2010 a fevereiro de 2011. Nos resultados, a amostra foi constituída de 101 pacientes, com média de idade de 35,3±14,9 anos e 78,2% do sexo masculino. Os homens tiveram aproximadamente 40% mais risco de acidente com veículos motorizados do que as mulheres, sendo que a motocicleta foi o meio de transporte mais envolvido nos acidentes (74,3%). As partes do corpo mais atingidas durante os acidentes foram as extremidades (68,3%) e os principais diagnósticos foram entorse, luxação e contusão, com 44,6% dos casos. Alta hospitalar foi o desfecho para 68,3% das vítimas. Concluíram que os resultados mostraram a necessidade de medidas preventivas e de controle para um trânsito com menor risco. Essas medidas devem ser direcionadas principalmente aos jovens do sexo masculino condutores de motocicletas. Morais Neto et al, em seus estudos, analisaram a tendência temporal da mortalidade por Acidentes de Transporte Terrestre (ATT) e identificaram a existência e a localização de aglomerados de alto risco de mortes por ATT. Optaram por um estudo descritivo de tendência da mortalidade por ATT, pedestre, ocupante de motocicleta e de veículo, de 2000 a 2010 e análise espacial para 2000 e 2010. Os dados foram obtidos do Sistema de Informações sobre Mortalidade; calcularam-se as taxas padronizadas por idade, para Unidades Federadas (UF) e municípios por porte populacional. Em seus resultados, verificaram que a taxa de mortalidade por ATT entre 2000 e 2010 variou de 18 para 22,5 óbitos/100 mil habitantes. O risco de morte para pedestre reduziu, os de ocupantes de veículos e de motocicletas 22 apresentaram crescimento. O maior risco de morte por ATT ocorreu nos municípios com até 20 mil habitantes e nos de 20 a 100 mil. A análise espacial mostrou os aglomerados de risco para ATT e para ocupantes de motocicletas com aumento destes entre 2000 e 2010 e ampliação das áreas com maior risco na região Nordeste. Em suas conclusões, identificaram que o aumento das taxas de mortalidade por ATT principalmente na região Nordeste, faz-se necessário uma atuação coordenada do Governo, da sociedade civil e dos próprios cidadãos no enfretamento desta realidade. O estudo de Silva (2012) aborda a morte por acidente de motocicleta em Pernambuco, um problema epidemiológico complexo cujo crescimento das estatísticas denota que as medidas pontuais de intervenção têm tido pouco resultado benéfico. Está estruturado em três artigos: o primeiro é um estudo espacial da mortalidade por acidente de moto entre 2000 e 2005 que identifica as áreas de conglomerados onde a mortalidade é maior e conclui que o risco de morrer por acidente de motocicleta é maior nas áreas de conglomerado em regiões fora do eixo metropolitano. O segundo relaciona essas mortes aos processos de reprodução social, concluindo que o caráter complexo dos acidentes de moto é emblemático do modelo de desenvolvimento que considera apenas o crescimento econômico orientado por uma globalização que ignora os mínimos padrões de cidadania e direitos. O terceiro apresenta um modelo explicativo de caráter ecossistêmico, baseado nos dois anteriores, que se propõe a representar a complexidade do problema para subsidiar políticas de prevenção. Inclui a guisa de esclarecimentos considerações sobre a teoria da reprodução social. Critica a abordagem hegemônica da sistêmica da dinâmica do trânsito, para a explicação dos acidentes reduzida à tríade: homem-veículo-via, que tem como característica reduzir os fenômenos complexos às suas partes, sem lhes devolver significado no contexto dos fenômenos que lhes dão origem. No problema em questão, isto não é suficiente para sua compreensão e para nortear as práticas de prevenção, não atentando para a busca de mudanças políticas, culturais, cognitivas e tecnológicas que promovam impactos benéficos nos perfis epidemiológicos. Essa forma de pensar remete as ações à outra tríade, educação, fiscalização e engenharia de tráfego, mobilizadas de forma acrítica, pressupondo que a simples obediência a procedimentos normativos serão suficientes para prevenir acidentes de trânsito, o que, ao final, apenas favorecem os interesses de mercado e transformam a vítima em culpada. 23 Lesões fatais em crianças causadas por acidentes de trânsito representam um problema em muitos países. O estudo de Loffredo e Loffredo (2012) analisou a taxa de mortalidade em crianças passageiras de automóveis menores de 10 anos de idade no Brasil, entre 1997 e 2005. Para isso, o número de mortes foi obtido diretamente no banco de dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e os dados da população são projeções intercensitárias a partir censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) disponíveis pelo site do DATASUS. Foram calculadas, para os triênios compreendidos no período em estudo, as taxas de mortalidade por acidente de trânsito entre crianças passageiras de automóveis segundo faixa etária (menor que 1 ano, 1 a 4 e 5 a 9) e região geográfica. Os resultados mostraram taxas de mortalidade de 5,68, 7,32 e 6,78 (por 1.000.000), respectivamente, para os períodos 1997-1999, 2000-2002 e 2003-2005 para todo o Brasil. Crianças menores de 1 ano de idade apresentam ta xa de mortalidade de 10,18 (por 1,000,000), maior que as observadas para as outras faixas etárias. Para o período 1997-2005, as maiores taxas foram observadas nas regiões Centro-Oeste e Sul, representando, respectivamente, 13,88 e 11,47 (por 1.000.000). Tais resultados mostram a situação de risco da criança em relação a acidentes de trânsito como passageiras de automóveis e contribuem para a elaboração de campanhas educativas de prevenção de lesões. Acidente de trânsito em Goiânia é um problema grave, com grande impacto na morbimortalidade da população, cuja taxa de mortalidade específica está entre as mais altas do país, além de trazer transtornos às famílias envolvidas, à vida social e econômica. Tem sido assim nas quatro últimas décadas. Este tipo de violência é preocupante para a maioria dos países de média e baixa rendas per capita. Iniciativas para enfrentamento do mesmo acontecem há 50 anos, primeiramente nos países de alta renda, onde baixaram a taxa de mortalidade para atuais cinco óbitos por 100.000 habitantes, na grande parte. A partir da última década, o Sistema ONU e algumas organizações não governamentais vem delineando estratégias e induzindo os demais países a implantarem políticas públicas que diminuam a taxa de mortalidade, que se encontra em torno de 20 óbitos por 100.000 habitantes/ano. Dayer realizou um estudo descritivo, seccional e propositivo sobre acidentes de trânsito com vítimas em Goiânia, a partir de um banco de dados desenvolvido para o estudo, reuniu informações de todos os órgãos envolvidos e organizado pelo Detran de Goiás. Os dados foram analisados sob três aspectos: o acidente em si, o 24 condutor envolvido e a vítima. A Capital goiana permanece com indicadores elevados, estando em destaque os acidentes com motocicletas. As vítimas são jovens na grande maioria, bem como os condutores, sendo que 40% destes têm menos de cinco anos de habilitação. Goiânia necessita sem demora de posicionamento político dos governos, da sociedade e da academia para que seja estabelecido um observatório unificado sobre trânsito. Por conseguinte, formular ações permanentes, integradas e intersetoriais de promoção/prevenção que interfiram no comportamento dos cidadãos, estejam estes condutores ou pedestres. A utilização da motocicleta como meio de trabalho vem contribuindo para o aumento no número dos acidentes de trânsito e se constituindo em acidentes de trabalho para os mototaxistas. O objetivo do estudo de Amorim et al. (2012) foi estimar a incidência anual de acidentes de trabalho entre mototaxistas cadastrados em Feira de Santana, BA. Tratou-se de um estudo de caráter descritivo e censitário. Foram entrevistados 267 profissionais dos 300 cadastrados na Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito - SMTT, através de questionário estruturado. Procederam a análise descritiva e foram estimadas incidências anuais de acidentes de trabalho segundo as variáveis de interesse. Calcularam-se os riscos relativos e, como medida de significância estatística, utilizou-se o teste de qui-quadrado de Pearson e o teste exato de Fisher, adotando-se p < 0,05. Utilizaram a regressão logística no intuito de realizar a análise simultânea das variáveis estudadas. Observaram uma incidência anual de acidentes de trabalho de 10,5 por cento. Ocorreram lesões leves, principalmente ferimentos (48,7 por cento), sendo necessário afastamento das atividades laborais para 27 por cento dos profissionais. Na análise de regressão logística verificou-se associação entre quantidade de dias de trabalho por semana, presença de fadiga em membros inferiores e queixa musculoesquelética e os acidentes de trabalho. O conhecimento acerca das condições de trabalho e dos acidentes envolvidos nessa atividade pode ser de grande importância para a adoção de políticas de educação no trânsito, com vistas à prevenção de acidentes e melhoria das condições de trabalho e de vida desses profissionais. A área de urgência e emergência constitui-se um importante componente da assistência à saúde. Os acidentes de trânsito se configuram como um dos casos que necessitam do atendimento pré-hospitalar para o transporte de vítimas potencialmente suspeitas de trauma. Objetivo do estudo de Souza-Aguilar, SilvaSilva e Caritá-Edilson (2010) caracterizou os acidentes de trânsito notificados em um 25 serviço de atendimento pré-hospitalar da cidade de Passos-MG/Brasil. Material e métodos: estudo descritivo, de cunho quantitativo, realizado na 2a Companhia de Bombeiros Militar de cidade Passos-MG/Brasil. A coleta de dados ocorreu de 01 janeiro de 2008 a 01 de janeiro de 2009, através de 682 relatórios de atendimento pré-hospitalar relacionados com acidentes de trânsito. Em seus resultados, o trauma com maior incidência foi com motos, envolvendo sujeitos do sexo masculino (47 por cento), as faixas etárias de maior envolvimento em acidentes de trânsito incluem indivíduos de 21 a 25, 16 a 20 e 26 a 30 anos; respectivamente, de ambos os sexos, 96 por cento dos sujeitos foram removidos ao hospital após o acidente; no horário noturno ocorreu maior número de acidentes; os acidentes, acidentes de moto tiveram maior incidência nos meses mais quentes do ano. Concluíram que seja possível mudar o comportamento no trânsito por meio da união das diferentes esferas da sociedade. O trabalho do Corpo de Bombeiros de Passos-MG/Brasil tem sido eficaz e resolutivo nos atendimentos de ocorrências pré-hospitalares, na ausência de equipes completas e especializadas em atendimento pré-hospitalar. Os objetivos do estudo de Oliveira e Souza (2003) foram caracterizar as ocorrências de trânsito com motocicleta, segundo condições locais, dados relacionados ao tipo de acidente, data e hora, além de identificar, entre essas variáveis, aquelas que se associaram à morte das vítimas. Como método foi usado o estudo retrospectivo, utilizando dados dos Boletins de Ocorrência de Trânsito, referentes ao ano 2004, e os registros de óbito do Instituto Médico Legal. Tiveram como resultados que 99,4 por cento das ocorrências aconteceram em área urbana, em locais onde as condições de luminosidade (87,4 por cento), condição meteorológica (80,6 por cento) e sinalização (70,6 por cento) eram satisfatórias. Predominou a colisão de motocicleta com carro ou caminhonete (55,5 por cento) e as quedas de motocicleta foram a seguir as mais frequentes (18,0 por cento). No tipo de impacto, o maior percentual foi observado na categoria abalroamento transversal (35,2 por cento). O grupo de mortos diferiu em relação aos sobrevi ventes quanto à área e luminosidade do local da ocorrência, além do tipo de acidente e impacto. Concluíram que as condições locais, tipos de acidente e impacto destacam-se entre as múltiplas dimensões que envolvem a gravidade das ocorrências com motociclistas. Propondo descrever características sociodemográficas e analisar a tendência temporal da mortalidade de motociclistas traumatizados em acidentes de transporte, 26 Montenegro et al. (2011) utilizaram como métodos estudo de séries temporais com dados de 580 óbitos de motociclistas do Distrito Federal, de 1996 a 2007, obtidos do Sistema de Informações sobre Mortalidade. Calcularam as taxas de mortalidade específicas segundo idade e sexo, as taxas padronizadas (método direto) e a razão de óbitos por frota (motocicletas). A média móvel centralizada da taxa padronizada de mortalidade de homens foi calculada para o período de três anos e um modelo de regressão linear foi construído para estudar a evolução temporal da mortalidade. Para calcular o incremento anual da taxa de mortalidade padronizada utilizou-se o método joinpoint (ponto de inflexão). Nos resultados, A maior parte dos motociclistas mortos era do sexo masculino, (94,3 por cento), pardo (71,0 por cento) e tinha entre 20 e 39 anos (73,8 por cento). A taxa padronizada de mortalidade de motociclistas (homens) residentes foi de 1,9 para 7,2 óbitos/100 mil homens entre 1996 e 2007. Entre 1998 e 2007, a razão de óbitos por frota passou de 2,0 óbitos/10 mil motocicletas para 10,0 óbitos/10 mil motocicletas entre os homens. Estimou-se incremento anual de 0,48 óbito/100 mil homens (IC95 por cento 0,31;0,65; p < 0,001). O incremento percentual anual da taxa padronizada de mortalidade para o sexo masculino foi de 36,2 por cento no período 1998-2007 (IC 95 por cento 21,2 por cento;53,2 por cento; p < 0,05). Em suas conclusões, a taxa de mortalidade de motociclistas decorrente de acidentes de transporte aumentou expressivamente. Esse aumento é explicado apenas em parte pelo aumento da frota de motocicletas. Características individuais dos condutores, bem como as condições locais do tráfego, necessitam ser investigadas para o planejamento de políticas preventivas. Silva (2010) objetivou descrever o perfil de mortalidade por acidentes de trânsito (AT) no município de Jequié – Bahia entre os anos 2000 e 2007. Seus métodos foram o estudo epidemiológico descritivo, utilizando dados provenientes dos laudos de perícia médica do Instituto Médico Legal (IML) de Jequié, dos Boletins de Ocorrência (BO) da Polícia Civil, do SIM e IBGE. Estudou os óbitos por acidentes de trânsito segundo ocorrência e residência no município. As variáveis relacionadas aos acidentes de trânsito e sociodemográficas das vítimas foram estudadas após relacionamento entre os bancos de dados do SIM e IML/BO, através do cálculo das proporções e distribuição espacial dos óbitos segundo ocorrência dos acidentes e residência das vítimas. Foram utilizados os indicadores: Anos Potenciais de Vida Perdidos (APVP), mortalidade específica por AT, índice de motorização, mortalidade por frota de veículos e mortalidade proporcional por AT. A análise dos dados foi feita 27 utilizando o programa Stata®. Em seus resultados, os atropelamentos foram o tipo de acidente mais frequente (43,7%),seguidos pelas colisões (40,1%). Mais da metade dos AT ocorreram em rodovias, onde as vítimas predominantes foram os ocupantes de veículo. O maior percentual dos atropelamentos ocorreu em área urbana (72,3%), onde também as maiores vítimas foram pedestres (71,2%) e motociclistas (67,6%). O local de ocorrência do óbito mais frequente foi o hospital (65,2%). A maior parte dos AT com vítimas fatais ocorreu durante o dia (52,3%) e nos fins de semana. As vítimas eram, em geral, homens, solteiros, na faixa etária entre 25 e 50 anos, de cor pardo-preta. A pequena escolaridade e ocupações de baixa qualificação predominaram entre as vítimas. O maior APVP foi calculado para o sexo masculino, na faixa etária de 20 a 39 anos, sendo que as mulheres morrem mais jovens que os homens. Houve, no período de 2001 a 2007, um aumento do índice de motorização com redução da mortalidade por frota. O objetivo do estudo de Galvão e Marin (2010) foi descrever as características das vítimas de ATT, por meio da técnica de mineração, dos dados relacionados do município de Cuiabá-MT, 2006. Método: Estudo exploratório das bases de dados secundários, em que foram relacionados três bancos de dados: da Secretaria de Justiça e Segurança Pública, do SIH-SUS e do SIM com utilização do software RecLink. Foram obtidos 139 pares verdadeiros, aos quais foi aplicada a tecnologia de mineração de dados pelo software WEKA. Obtiveram como resultados, 139 vítimas de acidentes de Cuiabá-MT, 80,6% eram do sexo masculino, na faixa etária de 20-29 anos (41,7%). O tipo de vítima que predominou foi condutor do veículo (35,3%), o meio de transporte da vítima foi à motocicleta (33,1%). A maioria das vítimas teve assistência e cada vítima ficou hospitalizada cinco dias, em média. Concluíram com estes resultados, pode-se estabelecer programas de prevenção para os acidentes transporte, destacando que a tecnologia de mineração de dados é uma ferramenta importante de análise de dados secundários para subsidiar o processo de tomada de decisões. Gomes et al. (2010) identificou que o trauma é a principal causa de óbitos em indivíduos entre 18 e 44 anos de vida no Brasil. Por mais de um século, o álcool tem sido reconhecido como um dos principais fatores de risco para acidentes fatais, desempenhando um importante papel na etiologia do trauma. O objetivo deste estudo foi comparar o diagnóstico de alcoolemia entre mortos por acidentes de trânsito e outras causas externas (afogamento, homicídio e suicídio). Métodos: Foi 28 realizado um estudo transversal onde se utilizaram dados secundários do Departamento de Medicina Legal de Porto Alegre no período de janeiro a dezembro de 2001. As variáveis estudadas foram o nível de alcoolemia e óbitos por causas externas. Como resultados, foram analisados 1.588 óbitos. Os homicídios ocorreram na faixa etária entre 19 e 45 anos, representando 80% dos casos. As causas externas ocorrem com mais frequência em homens e a maior causa de óbitos entre mulheres foi por acidente de trânsito, com menor alcoolemia. Os pacientes que apresentam alcoolemia positiva tiveram uma razão de prevalência de 1,18 (IC 95%:1,05 a 1,32) em relação ao óbito por acidente de trânsito em comparação ao suicídio. Concluíram que o estudo demonstra que o álcool é fator contribuinte de morte por causas externas, especialmente aquelas causadas por acidentes de trânsito e homicídio. Rocha e Schor (2013) propuseram caracterizar os acidentes de trânsito com motocicleta, suas vítimas e o crescimento da frota, comparado-os às ocorrências com os demais tipos de veículo, em Rio Branco, Acre. Trata-se de um estudo, descritivo e transversal. Abrangeu os acidentes ocorridos entre 2005 e 2008 notificados pelo Departamento Estadual de Trânsito do Estado do Acre. No quadriênio foram observados 3.582 acidentes com motocicleta e 3.768 vítimas. A frota de motocicletas teve um crescimento de 72,8%, com uma taxa de envolvimento em acidentes com um aumento de 42,2%, enquanto os demais tipos de veículo tiveram uma elevação de apenas 9,2%. Quanto às vítimas, há predominância do sexo masculino, os grupos etários de 20 a 29 e de 30 a 39 anos foram os de taxas mais elevadas. Quanto às características dos acidentes, o período da tarde destacou-se com 1.162 (32,4%), seguido da manhã com 1.046 (29,2%) e noite com 1.035 (28,9%). O sábado se apresentou com 657 (18,3%) e domingo com 563 (15,7%). As colisões/abalroamento foram o tipo de acidente mais comum, com 3.036 (84,8%) registros. São primordiais a efetivação contínua de programas preventivos e maior integralidade entre as instituições envolvidas, com planejamento e execuções, capazes de modificar o cenário atual.( Em seu estudo, Diniz, Assunção e Lima (2005) identificaram que o trabalho dos motociclistas profissionais constitui o foco investigativo do presente estudo, que fornece elementos para subsidiar os atores sociais nas negociações relativas à melhoria das condições de trabalho da categoria. Adotando-se a abordagem teóricometodológica da escola da ergonomia da atividade, foi possível conhecer os 29 constrangimentos vivenciados e as estratégias construídas pelos motociclistas profissionais em face dos principais fatores socioeconômicos que geram pressão temporal no desenvolvimento da atividade. Os resultados obtidos foram analisados considerando-se o modo de funcionamento das unidades de produção em suas articulações com as instituições da cidade e a rede de serviços que garantem a meta de produzir mais em menor tempo. Finalmente, o estudo permitiu descrever os fatores acidentogênicos, ligando o plano macroeconômico e suas leis de mercado à rede técnico-organizacional que sustenta as unidades produtivas, gerando o comportamento do tempo zero. É nesta encruzilhada que o motociclista profissional elabora as suas estratégias para garantir as metas de produção, a satisfação do cliente e a sua autoproteção, nem sempre bem-sucedida, contra os acidentes no trânsito A pesquisa de Iwamoto, Oliveira, Barbosa e Barichello (2009), de natureza descritivo-exploratória, foi realizada com o objetivo de descrever a ocorrência de acidentes de trânsito e identificar a presença de comportamentos de risco entre os estudantes ingressantes e concluintes dos cursos de graduação de uma universidade pública. Os 125 entrevistados, cuja idade média era 20,7 anos, eram, em sua maioria, oriundos de famílias com renda de mais de cinco salários mínimos (60%),mulheres (75,2%), e tinham a Carteira Nacional de Habilitação (51,2%). Em torno de 30% dos estudantes já haviam sido vítimas de acidentes de trânsito, a maioria considerava como maior causa de acidentes a imprudência do condutor, e 50% deles “sempre” usavam cinto de segurança ao dirigir. Os resultados evidenciam a presença de comportamentos de risco em relação aos acidentes de trânsito, entre os universitários e a necessidade de maior divulgação da importância da prevenção de acidentes. A perspectiva do estudo de Soares, Mathias, Silva e Andrade (2011) foii conhecer características dos acidentes de trânsito ocorridos com motoboys nos municípios de Londrina e Maringá, Estado do Paraná. Nos métodos foram considerados 327 motoboys que relataram, em 2005/2006, acidentes de motocicleta nos 12 meses anteriores à pesquisa (147 de Londrina e 180 de Maringá). Em seus resultados, dos entrevistados, 39,6 por cento relataram mais de um acidente de trânsito. Os acidentes foram percebidos como graves por 21,4 por cento dos motoboys e 56,3 por cento relataram conhecer motoboy afastado do trabalho por acidente. A maioria dos acidentes (82,9 por cento) ocorreu durante o trabalho. 30 Foram observadas diferenças significativas, entre os municípios, para condições climáticas (p=0,013), período do dia (p=0,002), atendimento pré-hospitalar (p=0,032) e necessidade de internação hospitalar. O estudo de Bacchieri e Barros (2011) descreveu a situação dos acidentes de trânsito no Brasil, desde a implementação do Código de Trânsito Brasileiro de 1998 até o ano de 2010. Foram realizadas análises dos principais trabalhos científicos e publicações não acadêmicas nacionais. A revisão de literatura incluiu periódicos indexados, não indexados, relatórios técnicos, busca específica por autores, referências bibliográficas de artigos e contato com pesquisadores. Os principais problemas do trânsito brasileiro identificados foram aumento do número absoluto de mortos e das taxas de mortalidade, ampliação da frota de motocicletas e o uso de álcool. Foram identificados autores influentes e ilhas de produção de conhecimento nas áreas pesquisadas. Os autores apresentam algumas possíveis soluções e sugerem que o poder público não tem assumido a responsabilidade que lhe cabe no controle e redução dos acidentes de trânsito. 31 3 MATERIAIS E MÉTODOS 3.1 Tipo de Pesquisa A presente pesquisa foi um estudo epidemiológico, descritivo, transversal, quantitativo, tendo como a base de dados do SIM do DATASUS do Ministério da Saúde, sobre mortes por acidentes de trânsito. 3.2 Universo Dados do DATASUS referentes à prevalência de mortalidade em acidentes de trânsito na cidade de São José dos Campos/SP. 3.3 Amostra Deu-se por conveniência na série histórica de 2000 a 2011, circunscrevendo as variáveis sexo, faixa etária, raça/cor, causa de morte, ano de ocorrência e local de ocorrência. 3.4 Instrumentos da Coleta Construiu-se um inquérito cujas variáveis a serem observadas no banco de dados do DATASUS, incluíam gênero, faixa etária, raça/cor, causa de morte, ano de ocorrência e local de ocorrência. Foram selecionadas para investigação junto ao DATASUS as declarações de óbitos referentes ao intervalo de tempo – 2000 a 2011 – codificadas como eventos no CID-10 e os acidentes de trânsito no CID-10 foram: Motociclista traumat em um acidente de transpo; Ocupante automóvel traumat acidente transporte; Ocupante caminhonete traumat acidente transpor; Ocupante veíc transp pesado traumat acid trans; Ocupante ônibus traumat acidente de transporte; Outros acidentes de transporte terrestre 32 3.5 Procedimentos de Coleta de Dados A partir do acesso ao site do DATASUS, buscou-se utilizar o Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) do estado de São Paulo, acessando o município de São José dos Campos, quando foram cruzadas as variáveis ano de óbito e sexo, ano de óbito e faixa etária, ano de óbito e raça/cor, ano de óbito e causa de morte e ano de óbito e local de ocorrência. 3.6 Procedimentos de Análise dos Dados Foram analisados dados sobre mortalidade por causas externas ocorridos no período de janeiro de 2000 a dezembro de 2011 utilizando-se dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM). A análise foi feita com a utilização do programa TABWIN, software e desenvolvido pelo DATASUS que facilita a construção de indicadores de mortalidade. Para transformar essas tabelas em gráficos, utilizou-se o software Microsoft Excel. 3.7 Ética Embora tenhamos conhecimento da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde sobre ética em pesquisa com seres humanos o presente levantamento por tratar-se de dados secundários, publicizados pelo Ministério da Saúde, a partir do DATASUS, não verificou-se a necessidade de submeter este estudo a um Comitê de Ética de Pesquisa com Seres Humanos. 33 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO Os dados configurados abaixo com as respectivas representações gráficas, na característica linear procuram trazer uma conformidade para a possibilidade de se visualizar o fenômeno se comportando no campo e a permanente evidência ao longo de mais de uma década. Ao aprofundamos nosso olhar para a composição desse fenômeno circunscrito nas variáveis diversas eleitas, somos capazes de relatar que se trata de uma questão de saúde pública. A seguir segue o Gráfico 1 que composto das variáveis óbitos, sexo e ano do evento. Gráfico 1 – Distribuição de óbitos por acidentes de trânsito segundo sexo no período 2000 a 2011. São José dos Campos/SP, 2013. 120 100 80 60 40 20 0 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Masculino 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Feminino Fonte: DATASUS. 2013. Identificado no gráfico acima, há uma predominância do sexo masculino nos óbitos por acidentes de trânsito que, devido ao aumento do fluxo de veículos houve um crescente número de acidentes de trânsito na cidade de São José dos Campos/SP. Observamos também que o sexo feminino houve um pequeno aumento a partir do ano de 2010. Andrade et al. (2003) relatam que a falta de atenção, o desrespeito à sinalização e excesso de velocidade, foram os fatores mais citados 34 como determinantes para a ocorrência do último acidente, sem diferenciação entre os sexos. O estudo de Macedo, Camargo, Almeida e Rosa (2007) também apontaram que a predominância ocorre, também, no sexo masculino. Gráfico 2 – Distribuição de óbitos por acidentes de trânsito segundo raça/cor no período 2000 a 2011. São José dos Campos/SP, 2013. 120 100 80 60 40 20 0 2000 2001 2002 2003 2004 Branca 2005 2006 Preta/Parda 2007 2008 2009 2010 2011 Amarela Fonte: DATASUS. 2013. O gráfico acima demonstra que os óbitos têm acontecido com mais frequência nos indivíduos que constituem a população branca e embora tenha um declíneo a partir de 2008, seguido pela população preta/parda e amarela, subsequentemente, contrariando o estudo de Silva (2010) em que apresentava a população negra como maior acidentada. 35 Gráfico 3 – Distribuição de óbitos por acidentes de trânsito segundo faixa etária no período 2000 a 2011. São José dos Campos/SP, 2013. 60 50 40 30 20 10 0 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 1 a 4 anos 5 a 9 anos 10 a 14 anos 15 a 19 anos 20 a 29 anos 30 a 39 anos 40 a 49 anos 50 a 59 anos 60 a 69 anos 70 a 79 anos 80 anos e mais Fonte: DATASUS. 2013. Podemos verificar no gráfico acima que há uma predominância na faixa etária entre 20 a 29 anos e de 30 a 39 anos nos óbitos por acidentes de trânsito, Soares & soares (2003) também encontraram a mesma faixa etária em sua investigação, mas que diferentemente do estudo de Silva (2010) que aponta a faixa etária predominante entre 25 e 50 anos. Já no resultados de Rocha (2009) identificaram que os óbitos em acidentes de trânsito ocorreram entre 30 a 39 anos. Macedo, Camargo, Almeida e Rosa (2007), em sua investigação apontou que os óbitos ocorreram na faixa etária de 21 a 40 anos. Mas devemos considerar que nesses estudos há uma intersecção na faixa etária que é predominante nessa pesquisa, ou seja, a juventude, período entre 15 a 29 anos conforme apregoa a Organização Internacional de Juventude, está mais vulnerável aos acidentes de trânsito. Possivelmente isso esteja também atrelado por acometer em maior numero o 36 gênero a perspectiva identitária hegemônica de masculinidade, conforme Riscado (2012) Gráfico 4 – Distribuição de óbitos por acidentes de trânsito segundo Grupo CID-10 no período 2000 a 2011. São José dos Campos/SP, 2013. 140 120 100 80 60 40 20 0 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 . Acidentes de transporte ... Pedestre traumatizado em um acidente de transp ... Ciclista traumatizado em um acidente de transp ... Motociclista traumat em um acidente de transpo ... Ocupante automóvel traumat acidente transporte ... Ocupante veíc transp pesado traumat acid trans ... Outros acidentes de transporte terrestre Fonte: DATASUS. 2013. Podemos identificar no gráfico acima que há uma ocorrência maior com outros acidentes de transporte terrestre, seguido por pedestres traumatizados em um acidente de transporte, assim como também, os ocupantes de automóvel traumatizados em acidentes de trânsito, na cidade de São José dos Campos/SP. O estudo de Silva (2102) identificou que o risco de morte por acidente de motocicleta é maior nas áreas de conglomerado em regiões fora do eixo metropolitano. Rocha (2009) apontou esse meio de transporte como peça chave nos envolvimentos de acidentes de trânsito, e identificam que por ter grande facilidade de movimentar-se durante o trânsito caótico das grandes cidades. Nascimento & Matos, (2010), assinala que os acidentes de motocicletas, quando não causam mortes, provocam 37 fraturas expostas nas vítimas acidentadas. Durante a pesquisa de Oliveira & Souza (2011), os autores identificaram que predominavam a colisão de motocicleta com carro e as quedas de motocicleta eram muito frequentes e concluiu que as condições locais, tipos de acidente e impacto destacam-se entre as múltiplas dimensões que envolvem a gravidade das ocorrências com motociclistas. Gráfico 5 – Distribuição de óbitos por acidentes de trânsito segundo local de ocorrência no período 2000 a 2011. São José dos Campos/SP, 2013. 80 70 60 50 40 30 20 10 0 2000 2001 2002 Hospital 2003 2004 2005 2006 Outro estabelecimento de saúde 2007 2008 Domicílio 2009 2010 2011 Via pública Fonte: DATASUS. 2013. O gráfico acima representa o lugar de ocorrência do óbito, por acidentes de trânsito, na cidade de São José dos Campos/SP. Podemos verificar que há uma maior incidência desses óbitos em hospitais até o ano de 2006, mas que após este ao os óbitos em vias públicas se tornou mais visível, enquanto que o estudo de Silva (2010) apontou que o local de ocorrência de óbitos ocorreu na sua grande maioria no hospital. Podemos inferir que muitas das vezes, na gravidade do caso, a ocorrência do óbito dá-se no próprio local ou no imediato trajeto para o hospital ou até mesmo na entrada hospitalar. Nesse último caso, o indivíduo pode ainda permanecer hospitalizado, mas diante da gravidade do caso possa vir a óbitos dias após. Esses casos, muitas vezes dá espaço para uma sub-notificação, não pautando assim as estatísticas. 38 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com os resultados acima descritos, apontamos haver uma predominância do sexo masculino nos óbitos por acidentes de trânsito acontecendo com mais frequência nas pessoas de cor branca, na faixa etária entre 20 a 29 e de 30 a 39 anos, entre pedestres e maior incidência desses óbitos em vias públicas. Concluiu-se que a partir deste estudo os acidentes de trânsito constituem uma importante causa de morbimortalidade em São José dos Campos/SP, exigindo que medidas preventivas mais efetivas sejam adotadas, principalmente, no que se refere aos acidentes por colisão e atropelamento. A melhoria de qualidade das informações de mortalidade por causas externas pode contribuir para o monitoramento da violência, como base à tomada de decisões para sua redução e a necessidade de maior investimento preventivo dos órgãos governamentais, adotando medidas preventivas e melhorando a qualidade de assistência às vítimas de acidentes de trânsito e formulando ações permanentes, integradas e intersetoriais de promoção à saúde, prevenção que interfiram no comportamento dos cidadãos, estejam estes condutores ou pedestres. A estratégia para a redução desses acidentes está baseada na educação para trânsito. Há uma série de ações permanentes para o controle do tráfego e orientação aos que utilizam as vias públicas. A fiscalização conta com agentes de treinados, com lombadas eletrônicas e radares fixos e móveis colocados estrategicamente nas vias com maior índice de acidentes ou onde é preciso inibir excessos. E inúmeras campanhas projetos orientam pedestres, motoristas, motociclistas e ciclistas. 39 REFERÊNCIAS Abreu, Ângela Maria Mendes; Jomar, Rafael Tavares; Thomaz, Renata Glaucy Fernandes; Guimarães, Raphael Mendonça; Lima, José Mauro Braz de; Figueirò, Rachel Ferreira Savary. Impacto da Lei seca na mortalidade por acidentes de trânsito. Rev. enferm. UERJ; 20(1): 21-26, jan.-mar. 2012. Abreu, Ângela Maria Mendes; Lima, Jose Mauro Braz de; Matos, Ligia Neres; Pillon, Sandra Cristina.Uso de álcool em vítimas de acidentes de trânsito: estudo do nível de alcoolemia. Rev Lat Am Enfermagem; 18(spe): 513-520, maio-jun. 2010. Amorim, Camila Rego; Araújo, Edna Maria de; Araújo, Tânia Maria de; Oliveira, Nelson Fernandes de. Acidentes de trabalho com mototaxistas. Rev. bras. epidemiol;15(1):25-37, mar. 2012. Bacchieri, Giancarlo; Barros, Aluísio J D. Acidentes de trânsito no Brasil de 1998 a 2010: muitas mudanças e poucos resultados. 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