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UNIP UNIVERSIDADE PAULISTA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DO TRÂNSITO
MARIA LUIZA BENEDINI PAIOLA
PREVALÊNCIA DE MORBIDADE POR ACIDENTES DE TRÂNSITO
EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP
MACEIÓ - AL
2014
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MARIA LUIZA BENEDINI PAIOLA
PREVALÊNCIA DE MORBIDADE POR ACIDENTES DE TRÂNSITO EM SÃO
JOSÉ DOS CAMPOS/SP
Monografia apresentada à Universidade
Paulista/UNIP, como parte dos requisitos
necessários para a conclusão do Curso
de Pós-Graduação “Lato Sensu” em
Psicologia do Trânsito.
Orientador: Prof. Dr. Jorge Luís de Souza
Riscado
MACEIÓ - AL
2014
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MARIA LUIZA BENEDINI PAIOLA
PREVALÊNCIA DE MORBIDADE POR ACIDENTES DE TRÂNSITO EM SÃO
JOSÉ DOS CAMPOS/SP
Monografia apresentada à Universidade
Paulista/UNIP, como parte dos requisitos
necessários para a conclusão do Curso
de Pós-Graduação “Lato Sensu” em
Psicologia do Trânsito.
APROVADO EM ____/____/____
____________________________________
PROF. DR. JORGE LUÍS DE SOUZA RISCADO
ORIENTADOR:
_______________________________________________________
PROF. DR. LIÉRCIO PINHEIRO DE ARAÚJO
BANCA EXAMINADORA
________________________________________________________
PROF. ESP. FRANKLIN BARBOSA BEZERRA
BANCA EXAMINADORA
4
DEDICATÓRIA
Dedico esta monografia a Deus que em tudo tem um propósito para a minha
vida.
Ao meu marido que me deu a chance de aprender mais sobre mim mesma,
pelo apoio, amor, abdicação e pelas horas em que me fiz ausente.
Aos meus pais que me incentivaram sempre nos estudos e por isto hoje sou
realizada no que faço.
5
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus que esta ao meu lado me incentivando a correr riscos e assim
superar os meus limites. Ao meu marido por todos os momentos que
compartilhamos. Aos meus pais que, muitas vezes, renunciaram os seus sonhos
para que eu pudesse realizar os meus.
6
“Há pessoas que choram por saber que as rosas têm
espinho, Há outras que sorriem por saber que os
espinhos têm rosas!”
(Machado de Assis)
7
RESUMO
O trânsito mata mais do que muitas doenças, como a Aids e tuberculose, e mais que
a violência urbana – só perde para o câncer e as doenças do coração. Segundo o
Ministério da Saúde, 145.920 vítimas de acidentes foram internadas nos hospitais
conveniados ao SUS e houve 38 mil mortes, somente no ano passado. Cerca de
80% dos acidentados são com homens, a maioria com idade entre 20 e 39 anos.
Objetivamos definir um perfil da mortalidade por acidentes de trânsito na cidade de
São José dos Campos, São Paulo. A metodologia se configurou dentro de um
estudo na série histórica – 2000/2011, transversal de abordagem quantitativa. A
partir da consulta ao SIM do DATASUS, ao grupo CID-10 de óbitos por causas
externas, de acidentes de trânsito, ancorando as variáveis sexo, raça/cor, faixa
etária, causa de morte, ano de ocorrência e local de ocorrência. Os resultados
apontaram que os homens morrem mais que em relação às mulheres, a população
branca é a mais acometida, a predominância se deu na faixa etária (20 – 39 anos)
mais produtiva economicamente e estratégica para um País, que os motociclistas é
o segmento mais verificado. Conclui-se que a morbimortalidade por acidentes de
trânsito é um caso de saúde pública em São José dos Campos, São Paulo.
Palavras-chave: Acidentes de trânsito; Mortalidade; Óbitos.
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ABSTRACT
Traffic kills more than many diseases, such as AIDS and tuberculosis, and more than
urban violence – second only to cancer and heart disease. According to the Ministry
of Health, 145,920 accident victims were hospitalized in the SUS hospitals and there
were 38.000 deaths last year alone. About 80% of accidents are with men, most
aged between 20 and 39 years. We aimed to define a profile of mortality from traffic
accidents in the city of São José dos Campos, São Paulo. The methodology is set
within a study in historical series - 2000/2011 , cross-sectional quantitative approach.
From the consultation to the SIM DATASUS to ICD- 10, deaths from external causes
of traffic accidents group, anchoring the variables sex, race/color, age, cause of
death, year of occurrence and place of occurrence. The results showed that men die
more than in relation to women, the white population is the most affected, the
prevalence occurred in the age group (20-39 years) more productive and
economically strategic for a country that motorcyclists is the segment more checked.
We conclude that the morbimortalidade by traffic accidents is a matter of public
health in São José dos Campos, São Paulo.
Keywords : Traffic accidents ; Mortality ; deaths .
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LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Gráfico 1 – Distribuição de óbitos por acidentes de trânsito segundo sexo no
período 2000 a 2011. São José dos Campos/SP, 2013. ........................ 33
Gráfico 2 – Distribuição de óbitos por acidentes de trânsito segundo raça/cor no
período 2000 a 2011. São José dos Campos/SP, 2013. ........................ 34
Gráfico 3 – Distribuição de óbitos por acidentes de trânsito segundo faixa etária
no período 2000 a 2011. São José dos Campos/SP, 2013.................... 35
Gráfico 4 – Distribuição de óbitos por acidentes de trânsito segundo Grupo
CID-10 no período 2000 a 2011. São José dos Campos/SP, 2013. ...... 36
Gráfico 5 – Distribuição de óbitos por acidentes de trânsito segundo local de
ocorrência no período 2000 a 2011. São José dos Campos/SP,
2013. ...................................................................................................... 37
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SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 11
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................................................................. 15
2.1 Mortalidade e Acidentes no Trânsito em São José dos Campos e no
Brasil .................................................................................................................. 15
3 MATERIAIS E MÉTODOS .................................................................................... 31
3.1 Tipo de Pesquisa ............................................................................................... 31
3.2 Universo ............................................................................................................. 31
3.3 Amostra .............................................................................................................. 31
3.4 Instrumentos da Coleta..................................................................................... 31
3.5 Procedimentos de Coleta de Dados ................................................................ 32
3.6 Procedimentos de Análise dos Dados ............................................................ 32
3.7 Ética .................................................................................................................... 32
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................ 33
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 38
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 39
11
1 INTRODUÇÃO
O trânsito mata mais do que muitas doenças, como a Aids e tuberculose, e
mais que a violência urbana – só perde para o câncer e as doenças do coração.
Segundo o Ministério da Saúde, 145.920 vítimas de acidentes foram internadas nos
hospitais conveniados ao SUS e houve 38 mil mortes, somente no ano passado.
Cerca de 80% dos acidentados são com homens, a maioria com idade entre 20 e 39
anos.
Em São José, os levantamentos feitos pelas secretarias de Transportes e de
Saúde indicam que, na média dos últimos dez anos, as mortes por acidentes estão
diminuindo, apesar do aumento da quantidade de veículos nas ruas. Ainda assim, os
números são fortes: no ano passado, foram mais de 8.600 ocorrências, 52 mortes,
inúmeros feridos, e muitos ficaram com diversos tipos de deficiências. Quase
metade dos que morreram no trânsito no ano passado eram motociclistas ou seus
caronas (25), e a maioria jovens entre 18 e 29 anos. Em 64% dos casos, foram
falhas humanas que mais contribuíram para as ocorrências. Os estudos da
Secretaria de Transportes mostram que o excesso de velocidade e a conduta
inadequada de motoristas, motociclistas e pedestres são os principais fatores de
risco no trânsito.
São José dos Campos é um município brasileiro no interior do estado de São
Paulo. Pertence à Mesorregião do Vale do Paraíba Paulista e Microrregião de São
José dos Campos. É sede da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral
Norte, localizando-se a leste da capital do estado, distando desta cerca de 94 km.
Ocupa uma área de 1.099,6 km², sendo que 353,9 km² estão em perímetro urbano e
os 745,7 km² restantes constituem a zona rural. Em 2013 sua população foi
estimada pelo IBGE em 673.255 habitantes, sendo que em 2010 era o sétimo mais
populoso de São Paulo e o 28º de todo o país.
A Secretaria de Transportes é responsável pelo controle e manutenção do
trânsito do município, desde a fiscalização das vias públicas e comportamento de
motoristas e pedestres até a elaboração de projetos de engenharia de tráfego,
pavimentação, construção de obras viárias e gerenciamento de serviços tais como
os de táxis, alternativos, ônibus, fretados e escolares.
A frota municipal no ano de 2010 era de 319.026 veículos, sendo 224.301
automóveis, 6.207 caminhões, 1.049 caminhões trator, 18.821caminhonetes, 10.134
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caminhonetas, 1.632 micro-ônibus, 44.549 motocicletas, 4.501 motonetas, 1.398
ônibus, 136 tratores de rodas,1.420 utilitários e 4.878 outros tipos de veículos. As
avenidas duplicadas e pavimentadas e diversos semáforos facilitam o trânsito da
cidade, mas o crescimento no número de veículos nos últimos dez anos está
gerando um tráfego cada vez mais lento de carros, principalmente na Sede do
município. Além disso, tem se tornado difícil encontrar vagas para estacionar no
centro comercial da cidade, o que vem gerando alguns prejuízos ao comércio.
A cidade conta com dezenas de linhas de ônibus urbano e interurbano,
ligando cidades vizinhas, como Taubaté, Jacareí, Caçapava, Monteiro Lobato,
Jambeiro, Paraibuna, Guararema, Santa Isabel e até Mogi das Cruzes. Atualmente
três empresas operam o sistema de ônibus urbano (Saens Peña, no lote 1; CS
Brasil, no lote 2 e Expresso Maringá, no lote 3). A integração total das linhas,
implantada em 2011 e disponível através da utilização do cartão eletrônico, tem
gerado uma maior adesão a este meio, contribuindo assim para a diminuição da
poluição do município que tem se agravado.
Acidentes de trânsito (AT) são a segunda principal causa da morte de jovens
até 29 anos e a terceira causa entre pessoas de 30 a 44 anos de idade. Este quadro
ainda deve se agravar nos países de baixa renda até 2020 (ONU/BRASIL, 2008).
O reconhecimento do trauma como uma epidemia não resolvida da sociedade
moderna deve ser aceito pelo público, governo e profissão médica. O trauma é caro
e envolve toda a sociedade e não somente a pessoa afetada. Não obstante, a
sociedade continua a resistir às leis e normas para prevenção dos acidentes
(MATTOX, 2005).
Segundo o “Relatório Mundial sobre Prevenção de Acidentes no Trânsito”, da
Organização Mundial da Saúde (OMS), realizado em 2005, os acidentes nas
estradas mataram um milhão e duzentas mil pessoas em todo o mundo, no período
de um ano, deixando 50 milhões feridas, cujos cuidados médicos custaram US$ 65
bilhões (ONU/BRASIL, 2008).
No Brasil, conforme dados do DENATRAN, a cada ano 33 mil pessoas
morrem e aproximadamente 400 mil pessoas ficam feridas ou inválidas devido aos
acidentes de trânsito. Na grande maioria dos casos o trauma atinge indivíduos
jovens no seu momento mais importante como força de trabalho. Sua incapacidade
ou morte traz para a sociedade um custo social altíssimo (FRANÇA, 2013).
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Quanto às estatísticas de morbidade a subnotificação é bastante relevante.
Embora a OMS recomende que se incluam nas estatísticas as mortes em
decorrência de AT ocorridas após trinta dias do acidente, alguns países só
consideram os óbitos até o sétimo dia. A Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT) recomenda que a morte seja registrada até três dias após o acidente. Sendo
assim, no Brasil, muitas das vítimas vão a óbito sem que este seja registrado como
consequência de AT (MARRIN, 2000).
O atendimento pré-hospitalar no caso de acidente de trânsito é realizado
conforme a gravidade, disponibilidade e acessibilidade ao local da ocorrência, sendo
efetuado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, SAMU, Corpo de
Bombeiros e Policia Rodoviária Federal ou Estadual.
No estudo foram considerados todos os óbitos relacionados com acidentes de
trânsito, ocorridos no período de janeiro 2000 a dezembro de 2011.
O objeto de pesquisa nesse trabalho se destaca pelo estudo da prevalência
de mortalidade por acidentes de trânsito, na cidade de São José dos Campos/SP.
Entende-se por prevalência a casuística de morbidade que se destaca por
seus valores maiores do que zero sobre os eventos de saúde ou não-doença. Tratase de um termo descritivo da força com que subsistem as doenças nas
coletividades.
Quanto à mortalidade, é a variável característica das comunidades de seres
vivos. Refere-se ao conjunto dos indivíduos que morreram num dado intervalo do
tempo. Representa o risco ou probabilidade que qualquer pessoa na população
apresenta de poder vir a morrer ou de morrer em decorrência de uma determinada
doença. Diversas vezes temos que medir a ocorrência de doenças numa população
através da contagem de óbito e para estudá-las corretamente; estabelecemos uma
relação com a população que está envolvida. É calculada pelas taxas ou
coeficientes de mortalidade. Representam o “peso” que os óbitos apresentam numa
certa população. Compreende-se pelos óbitos em acidentes de trânsito enquanto um
problema epidemiológico complexo cujo crescimento das estatísticas denota que as
medidas pontuais de intervenção tem tido pouca eficácia.
Este trabalho se justifica no sentido da relevância pelas milhares de pessoas
que diariamente perdem suas vidas ou permanecem com sequelas, gerando um
custo socioeconômico imensurável. Com um estudo aprofundado sobre o momento
e a causa das mortes, através de um levantamento estatístico retrospectivo de
14
dados, pode ser possível interferir nos índices atuais de morbimortalidade desta
população, modificando condutas técnicas e operacionais do primeiro atendimento
realizado no momento pré-hospitalar e hospitalar.
Quanto ao ineditismo, a escassez de estudos municipais que há nesta área,
denota a importância da presente pesquisa, que tem por proposito obter informações
que mostrem a prevalência dos acidentes de trânsito em São José dos Campos/SP.
Temos por Objetivo Geral determinar um perfil epidemiológico das vítimas
fatais de acidentes de trânsito, no período de 2000 a 2011, na região de São José
dos Campos/SP. Em relação aos objetivos específicos buscamos: a) caracterizar os
sujeitos segundo as variáveis sexo, faixa etária, raça/cor, causa de morte, ano de
ocorrência e local de ocorrência; b) descrever os acidentes de trânsito segundo os
transportes automotores
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2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Mortalidade e Acidentes no Trânsito em São José dos Campos e no Brasil
O estudo exploratório descritivo de Abreu et al. (2010) objetivou correlacionar
os níveis de alcoolemia, detectados nas vítimas fatais por acidentes de trânsito, na
cidade do Rio de Janeiro, a partir dos registros do Instituto Medico Legal -IML, com o
perfil da vítima e as características dos acidentes. Os dados foram levantados no
arquivo do IML, por meio dos prontuários de vítimas fatais por acidentes de trânsito,
compilados e tabulados por meio do programa estatístico SPSS, no período
compreendido entre janeiro e maio de 2005. Avaliaram-se 348 prontuários de
vítimas fatais por acidentes de trânsito. Desses, apenas 94 realizaram o exame de
alcoolemia, sendo que 83 apresentaram alcoolemia positiva e 60,2 por cento níveis
acima de 0,6g/l. Evidenciou-se o envolvimento do álcool com vítimas fatais nos
acidentes de trânsito em níveis acima e abaixo de 0,6g/l de álcool por litro de
sangue.
O estudo quantitativo descritivo de Oliveira et al. (2013) procurou determinar o
número de indivíduos vítimas de acidentes de trânsito atendidos em um setor de
emergência de um hospital municipal do Rio de Janeiro antes e depois da
implementação da “Lei Seca” e identificar o perfil dessa população e as
características dos acidentes de trânsito, estimando sua prevalência antes e após a
vigência da “Lei Seca”. Foram analisados 1.531 prontuários relativos aos acidentes
de trânsito ocorridos no ano de 2007 e 2009. Houve prevalência de adultos jovens
do sexo masculino, vítimas em sua maioria de atropelamento e acidentes
envolvendo motos nos dois períodos estudados. Sobre o impacto da “Lei Seca” não
foi observada grande redução no número de vítimas de acidentes de trânsito no
período de estudo. Contudo, salienta-se sobre a importância da Lei em caráter
permanente, pois esta é uma forte ferramenta para a prevenção de acidentes de
trânsito no país.
O estudo de Oliveira e Souza (2003) caracterizou motociclistas, vítimas de
acidentes de trânsito, residentes em Maringá-Paraná e atendidos em centros de
referência para tratamento do trauma, segundo gravidade do trauma, partes do
corpo afetadas e região corpórea da lesão mais grave, além de identificar, dentre
essas vítimas, possíveis diferenças na qualidade de vida daqueles que
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apresentaram trauma crânio-encefálico. O Injury Severity Score foi utilizado para
análise de gravidade do trauma, e o instrumento genérico Medical Outcomes Study
36-Item Short-Form Health Survey para avaliação da qualidade de vida das vítimas.
Quanto à gravidade das lesões, predominaram as vítimas de trauma leve, 73,14 por
cento. A maioria (59,70 por cento) sofreu lesões nos membros inferiores, seguidos
pelos membros superiores (58,21 por cento) e cabeça (31,34 por cento). Os
membros destacaram-se entre as demais regiões como os segmentos corpóreos
mais gravemente lesados. Na comparação da qualidade de vida após trauma das
vítimas, com e sem trauma crânio-encefálico, não se evidenciaram diferenças.
A pesquisa descritiva de Abreu et al. (2012) buscou verificar a frequência da
mortalidade por acidentes de trânsito no município do Rio de Janeiro do mês de
julho de 2007 comparada à do mês de julho de 2008, além de caracterizar os
acidentes e o perfil sociodemográfico de suas vítimas fatais relativos ao último
período citado. Os dados das vítimas fatais foram coletados de seus prontuários no
Instituto Médico Legal do município do Rio de Janeiro e os dados populacionais
foram coletados do DATASUS, sendo ambos compilados e tabulados no programa
estatístico Epi-Info 2000. Observou-se redução da mortalidade por acidentes de
trânsito de 12,9% em julho de 2008 quando comparada a do mês de julho de 2007,
considerando a taxa bruta da população no período. Esse resultado alerta para a
importância de medidas preventivas e ainda de fiscalização contínua e efetiva para o
cumprimento da lei todo o tempo
Atualmente, os acidentes de trânsito matam em todo o mundo mais de um
milhão de pessoas por ano e deixam feridas entre 20 milhões e 50 milhões de
pessoas. Os jovens representam a maioria das vítimas, que, muitas vezes,
apresentarão sequelas pelo resto da vida (DETRAN/RS, 2007). Neste contexto, o
objetivo do estudo de Vedovato (2013) foi estudar os acidentes de trânsito com
vítimas na área urbana de Rio Claro no ano de 2008 e buscar os fatores que se
configuram como risco nas ocorrências de acidentes. Para o desenvolvimento deste
trabalho foram utilizadas técnicas de geoprocessamento e estatística espacial
multivariada. Uma análise local foi realizada nas áreas com maiores ocorrências de
acidentes para melhor compreensão dos atributos locais. Os resultados indicam um
padrão de localização de acidentes e as variáveis que contribuem para isto são
grande fluxo de veículos na zona central e avenidas de trânsito rápido. O perfil dos
envolvidos demonstra predominância de pessoas do sexo masculino com faixa
17
etária entre 18 e 30 anos. Quanto ao tipo de veículos há um predomínio de carros, a
seguir as motos e as bicicletas foram os mais envolvidos em acidentes. A maior
parte das ocorrências aconteceu entre 9 e 18 horas, com tempo em boas condições.
Estes resultados colaboram para a compreensão dos fatores que contribuem para
as ocorrências de acidentes de trânsito na área urbana de Rio Claro e podem
subsidiar na implantação de políticas públicas e programas nas áreas da saúde, de
trânsito e segurança para a comunidade no sentido de minimizar as ocorrências e
seus impactos.
O estudo de Lima et al. (2013) foi analisar a tendência da mortalidade por
acidentes de motocicleta (AM) no período de 1998 a 2009, no Estado de
Pernambuco, Brasil, segundo sexo e Regiões de Desenvolvimento (RD). Em sua
metodologia optou por um estudo ecológico de série temporal dos óbitos por AM de
residentes em Pernambuco registrados entre 1998 e 2009; para a análise da
tendência dos coeficientes de mortalidade por AM, utilizaram-se modelos de
regressão polinomial. Resultados: no período, ocorreram 3.110 óbitos por AM; o
coeficiente médio de mortalidade por AM foi de 2,81 (por 100 mil habitantes);
observou-se sobremortalidade masculina em toda a série estudada; a tendência da
mortalidade revelou um crescimento médio anual de 0,3 óbitos por 100 mil hab.
(p=0,001); a média anual de crescimento foi maior no sexo masculino e nas RD de
Sertão do Araripe, Sertão Meridional e Sertão do Pajeú. Concluiu que a tendência da
mortalidade por AM foi crescente; recomenda-se implementar intervenções amplas e
multissetoriais para o enfrentamento desse problema.
A investigação de Galvão et al. (2013) teve por objetivo analisar os casos de
morte nos acidentes com bicicleta ocorridos em Pernambuco entre 2001 e 2010.
Este estudo quantitativo analisou dados secundários. A amostra consistiu de todas
as Declarações de Óbitos registradas no Sistema de Informação de Mortalidade do
Banco de Dados do Sistema Único de Saúde que relataram acidentes de bicicleta
entre 2001 e 2010. Medidas descritivas foram determinadas para todas as variáveis.
As sociodemográficas foram cruzadas com a causa básica de morte em busca de
correlação estatística. Em Pernambuco, no citado sistema de informação, foram
registradas 517 Declarações de Óbitos decorrentes de acidentes de bicicleta, sendo
nestes sinistros a participação mais frequente de homens, entre 25-59 anos, pardos,
solteiros e de escolaridade ignorada. A idade média foi de 36,82 anos (desvio
padrão = 17,026), sendo a idade mínima e a máxima, respectivamente, 4 e 86 anos.
18
Os achados apontam para a necessidade da criação de infraestrutura adequada e
de medidas legais efetivas para prevenir acidentes de tráfego envolvendo este tipo
de veículo, apoiando-se na evidência de distribuição de casos na maioria dos
municípios de Pernambuco.
Acidentes que ocorrem entre duas motocicletas têm sido esquecidos na
imensidão dos acidentes de trânsito no Brasil, carecendo de serem melhor
analisados. Esta pesquisa de Golias e Caetano (2013) buscou analisar
epidemiologicamente
os
acidentes
que
ocorrem
entre
duas
motocicletas,
comparando com os outros tipos, a partir de dados do estado do Paraná. Foram
capturadas informações do sítio eletrônico da Corporação de Bombeiros relativas ao
período de um ano (julho/2010 a junho/2011), sobre o número e tipo de acidente, dia
da semana, período do dia, número de vítimas, gênero, idade e gravidade das
lesões. Ocorrências moto x moto representaram 3,4% do total de acidentes de
trânsito registrados e 6,2% dos acidentes envolvendo motocicleta; as vítimas deste
tipo de acidente corresponderam, respectivamente, a 4,4% do total de vitimados e a
8,5% daquelas em acidentes com motocicleta. Acidentes ocorridos aos sábado,
sexo masculino e idade entre 20 a 29 anos foram mais frequentes neste tipo de
eventos. Dentre as dez cidades mais populosas do estado, algumas se destacaram
pelo alto índice destes acidentes, que parece guardar relação com o índice de
motorização de motos das localidades. Assim, torna-se fundamental a constante
avaliação destes índices e a implantação de medidas que visem proporcionar um
trânsito mais seguro.
Os estudiosos Rocha e Schor (2013) buscaram caracterizar os acidentes de
trânsito com motocicleta, suas vítimas e o crescimento da frota, comparado-os às
ocorrências com os demais tipos de veículo, em Rio Branco, Acre. Trata-se de um
estudo, descritivo e transversal. Abrangeu os acidentes ocorridos entre 2005 e 2008
notificados pelo Departamento Estadual de Trânsito do Estado do Acre. No
quadriênio foram observados 3.582 acidentes com motocicleta e 3.768 vítimas. A
frota de motocicletas teve um crescimento de 72,8%, com uma taxa de envolvimento
em acidentes com um aumento de 42,2%, enquanto os demais tipos de veículo
tiveram uma elevação de apenas 9,2%. Quanto às vítimas, há predominância do
sexo masculino, os grupos etários de 20 a 29 e de 30 a 39 anos foram os de taxas
mais elevadas. Quanto às características dos acidentes, o período da tarde
destacou-se com 1.162 (32,4%), seguido da manhã com 1.046 (29,2%) e noite com
19
1.035 (28,9%). O sábado se apresentou com 657 (18,3%) e domingo com 563
(15,7%). As colisões/abalroamento foram o tipo de acidente mais comum, com 3.036
(84,8%) registros. São primordiais a efetivação contínua de programas preventivos e
maior integralidade entre as instituições envolvidas, com planejamento e execuções,
capazes de modificar o cenário atual.
O trauma por acidentes de trânsito é a principal causa de morte em jovens.
Avaliar as características acidentes de trânsito com vítimas fatais na região do Alto
Vale do Itajaí-SC, Fev et al (2012) se debruçaram por analisar a cena e o meio
ambiente onde ocorreu o acidente. Foram avaliadas deforma retrospectiva 238
vítimas fatais de acidente de trânsito na região do Alto Vale do Itajaí, a partir de
dados obtidos dos boletins de ocorrência da polícia rodoviária federal, estadual e
municipal de Rio do Sul/SC. Condutores, retas, pista seca, boas condições
meteorológicas, pleno dia e finais de semana foram situações predominantes neste
trabalho. Colisão frontal e envolvimento de 1 a 4 pacientes também foram
preponderantes. O uso de dispositivo de segurança esteve presente na maioria dos
pacientes. Das 283 vítimas, obtivemos a alcoolemia de 155, a qual esteve presente
em 41,22% destes, em que, para cada condutor etilizado notamos o envolvimento
de 4,86 pacientes. A maioria dos óbitos envolveu condutores durante colisões
frontais. A cena do acidente e as condições meteorológicas não interferiram no
desfecho destas ocorrências.
Para identificar fatores associados ao óbito em motociclistas envolvidos em
ocorrências de trânsito, em Maringá-PR, Oliveira e Souza (2012) realizam um estudo
retrospectivo que incluia os motociclistas envolvidos em acidentes no ano de 2004.
As fontes de dados foram os registros da Polícia Militar, do SIATE e do Instituto
Médico Legal. Foram realizadas análises bivariadas e regressão logística binária.
Identificaram-se 2.362 motociclistas nos Boletins de Ocorrência e, destes, 1.743
tinham registros nos Relatórios de Atendimento do Socorrista. As vítimas fatais
diferiram das demais quanto à faixa etária, ao local de residência, ao tempo de
habilitação e as suas condições fisiológicas na cena da ocorrência. No modelo final
permaneceram as seguintes variáveis: Escala de Coma de Glasgow (ECGl), Revised
Trauma Score (RTS), pulso e saturação de O2 no sangue. As condições fisiológicas
das vítimas na cena do acidente se destacaram no modelo final e a ECGl superou o
RTS na associação com óbito.
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Na investigação de Schoeller et al. (2011) caracterizou-se os usuários vítimas
de acidentes de moto atendidos em um centro de reabilitação de referência estadual
do sul do Brasil. É parte de pesquisa voltada ao trauma raquimedular - TRM. Estudo
descritivo e quantitativo. Foram investigadas em 207 prontuários: procedência,
idade, sexo, data e causa da lesão. Constatou-se que as vítimas de acidentes
motociclísticos são homens (81.09%) jovens, dos quais, 10% menores de 18 anos.
Metade dos usuários tiveram lesões extremamente ou muito graves - TRM,
traumatismo crânio encefálico e amputação de membros inferiores. O coeficiente de
mortalidade por acidentes motociclísticos no Brasil e em Santa Catarina cresceu
250% no período de 2000 a 2009, enquanto o crescimento populacional foi de 16%.
Os acidentes motociclísticos constituem-se grave problema de saúde pública pelo
número cada vez maior de pessoas atingidas e gravidade das lesões. Urge
estabelecer políticas públicas - educação, segurança pública e saúde, objetivando
inverter esta tendência.
Em seu estudo, Rios e Mota (2013) descreveram a evolução temporal da
mortalidade por acidentes de trânsito em regiões da Bahia, Brasil, entre 1996 e
2007, a partir de dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade. Foram
calculadas taxas globais de mortalidade por acidentes de trânsito e específicas por
tipo de vítima. A evolução foi analisada por meio de correlação entre essas taxas e
os anos do estudo, além de modelos de regressão polinomial para avaliar tendência.
No período, as regiões estudadas concentraram 60% das mortes por acidentes de
trânsito ocorridas no estado. Foram observados sobre mortalidade masculina e
maior percentual de óbitos em indivíduos jovens. No geral, a evolução das taxas
globais mostrou decréscimo a partir de 1998, mas teve retomada de crescimento em
2000, sem revelar tendência. As diferenças regionais foram mais marcantes quando
as taxas foram analisadas segundo tipos de vítima, no entanto, na maioria dos
locais, foi observada tendência crescente para taxas de acidentes com motociclistas,
sustentando, com outros achados, as preocupações com a conjuntura atual das
mortes envolvendo motocicletas no país.
Soares et al. (2012) caracterizaram as vítimas de acidentes de trânsito (AT) e
investigar a distribuição espacial desses eventos. Em suas metodologias optou por
um estudo ecológico, incluindo todas as vítimas de AT atendidas pelo Serviço de
Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em João Pessoa-PB, Brasil, em 2010; os
dados foram coletados nas Fichas de Regulação Médica do SAMU. Em seus
21
resultados foram atendidas 4.514 vítimas, a maioria do sexo masculino (75,45 por
cento) com idade entre 20 e 39 anos (60,0 por cento); o mecanismo mais frequente
do trauma foi motocicleta (63,0 por cento); a região corpórea mais frequentemente
atingida, os membros (62,5 por cento); a análise espacial identificou o centro da
cidade com risco relativo dez vezes maior que o do município. Concluíram que os
dados do SAMU foram considerados fonte de informações para identificar áreas de
maior risco e grupos mais expostos aos AT, sendo essas informações fundamentais
para o planejamento do atendimento a emergências no município.
Trevisol, Bohm e Vinholes (2012) descreveram o perfil dos pacientes vítimas
de acidente de trânsito atendidos no serviço de emergência do Hospital Nossa
Senhora da Conceição, em Tubarão, SC. Na metodologia, realizaram um estudo que
incluía todos os pacientes vítimas de acidente de trânsito atendidos no serviço de
emergência do Hospital Nossa Senhora da Conceição, no período de dezembro de
2010 a fevereiro de 2011. Nos resultados, a amostra foi constituída de 101
pacientes, com média de idade de 35,3±14,9 anos e 78,2% do sexo masculino. Os
homens tiveram aproximadamente 40% mais risco de acidente com veículos
motorizados do que as mulheres, sendo que a motocicleta foi o meio de transporte
mais envolvido nos acidentes (74,3%). As partes do corpo mais atingidas durante os
acidentes foram as extremidades (68,3%) e os principais diagnósticos foram entorse,
luxação e contusão, com 44,6% dos casos. Alta hospitalar foi o desfecho para 68,3%
das vítimas. Concluíram que os resultados mostraram a necessidade de medidas
preventivas e de controle para um trânsito com menor risco. Essas medidas devem
ser direcionadas principalmente aos jovens do sexo masculino condutores de
motocicletas.
Morais Neto et al, em seus estudos, analisaram a tendência temporal da
mortalidade por Acidentes de Transporte Terrestre (ATT) e identificaram a existência
e a localização de aglomerados de alto risco de mortes por ATT. Optaram por um
estudo descritivo de tendência da mortalidade por ATT, pedestre, ocupante de
motocicleta e de veículo, de 2000 a 2010 e análise espacial para 2000 e 2010. Os
dados foram obtidos do Sistema de Informações sobre Mortalidade; calcularam-se
as taxas padronizadas por idade, para Unidades Federadas (UF) e municípios por
porte populacional. Em seus resultados, verificaram que a taxa de mortalidade por
ATT entre 2000 e 2010 variou de 18 para 22,5 óbitos/100 mil habitantes. O risco de
morte para pedestre reduziu, os de ocupantes de veículos e de motocicletas
22
apresentaram crescimento. O maior risco de morte por ATT ocorreu nos municípios
com até 20 mil habitantes e nos de 20 a 100 mil. A análise espacial mostrou os
aglomerados de risco para ATT e para ocupantes de motocicletas com aumento
destes entre 2000 e 2010 e ampliação das áreas com maior risco na região
Nordeste. Em suas conclusões, identificaram que o aumento das taxas de
mortalidade por ATT principalmente na região Nordeste, faz-se necessário uma
atuação coordenada do Governo, da sociedade civil e dos próprios cidadãos no
enfretamento desta realidade.
O estudo de Silva (2012) aborda a morte por acidente de motocicleta em
Pernambuco, um problema epidemiológico complexo cujo crescimento das
estatísticas denota que as medidas pontuais de intervenção têm tido pouco
resultado benéfico. Está estruturado em três artigos: o primeiro é um estudo espacial
da mortalidade por acidente de moto entre 2000 e 2005 que identifica as áreas de
conglomerados onde a mortalidade é maior e conclui que o risco de morrer por
acidente de motocicleta é maior nas áreas de conglomerado em regiões fora do eixo
metropolitano. O segundo relaciona essas mortes aos processos de reprodução
social, concluindo que o caráter complexo dos acidentes de moto é emblemático do
modelo de desenvolvimento que considera apenas o crescimento econômico
orientado por uma globalização que ignora os mínimos padrões de cidadania e
direitos. O terceiro apresenta um modelo explicativo de caráter ecossistêmico,
baseado nos dois anteriores, que se propõe a representar a complexidade do
problema para subsidiar políticas de prevenção. Inclui a guisa de esclarecimentos
considerações sobre a teoria da reprodução social. Critica a abordagem hegemônica
da sistêmica da dinâmica do trânsito, para a explicação dos acidentes reduzida à
tríade: homem-veículo-via, que tem como característica reduzir os fenômenos
complexos às suas partes, sem lhes devolver significado no contexto dos fenômenos
que lhes dão origem. No problema em questão, isto não é suficiente para sua
compreensão e para nortear as práticas de prevenção, não atentando para a busca
de mudanças políticas, culturais, cognitivas e tecnológicas que promovam impactos
benéficos nos perfis epidemiológicos. Essa forma de pensar remete as ações à outra
tríade, educação, fiscalização e engenharia de tráfego, mobilizadas de forma
acrítica, pressupondo que a simples obediência a procedimentos normativos serão
suficientes para prevenir acidentes de trânsito, o que, ao final, apenas favorecem os
interesses de mercado e transformam a vítima em culpada.
23
Lesões fatais em crianças causadas por acidentes de trânsito representam
um problema em muitos países. O estudo de Loffredo e Loffredo (2012) analisou a
taxa de mortalidade em crianças passageiras de automóveis menores de 10 anos de
idade no Brasil, entre 1997 e 2005. Para isso, o número de mortes foi obtido
diretamente no banco de dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM)
e os dados da população são projeções intercensitárias a partir censo demográfico
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) disponíveis pelo site do
DATASUS. Foram calculadas, para os triênios compreendidos no período em
estudo, as taxas de mortalidade por acidente de trânsito entre crianças passageiras
de automóveis segundo faixa etária (menor que 1 ano, 1 a 4 e 5 a 9) e região
geográfica. Os resultados mostraram taxas de mortalidade de 5,68, 7,32 e 6,78 (por
1.000.000), respectivamente, para os períodos 1997-1999, 2000-2002 e 2003-2005
para todo o Brasil. Crianças menores de 1 ano de idade apresentam ta xa de
mortalidade de 10,18 (por 1,000,000), maior que as observadas para as outras
faixas etárias. Para o período 1997-2005, as maiores taxas foram observadas nas
regiões Centro-Oeste e Sul, representando, respectivamente, 13,88 e 11,47 (por
1.000.000). Tais resultados mostram a situação de risco da criança em relação a
acidentes de trânsito como passageiras de automóveis e contribuem para a
elaboração de campanhas educativas de prevenção de lesões.
Acidente de trânsito em Goiânia é um problema grave, com grande impacto
na morbimortalidade da população, cuja taxa de mortalidade específica está entre as
mais altas do país, além de trazer transtornos às famílias envolvidas, à vida social e
econômica. Tem sido assim nas quatro últimas décadas. Este tipo de violência é
preocupante para a maioria dos países de média e baixa rendas per capita.
Iniciativas para enfrentamento do mesmo acontecem há 50 anos, primeiramente nos
países de alta renda, onde baixaram a taxa de mortalidade para atuais cinco óbitos
por 100.000 habitantes, na grande parte. A partir da última década, o Sistema ONU
e algumas organizações não governamentais vem delineando estratégias e
induzindo os demais países a implantarem políticas públicas que diminuam a taxa
de mortalidade, que se encontra em torno de 20 óbitos por 100.000 habitantes/ano.
Dayer realizou um estudo descritivo, seccional e propositivo sobre acidentes de
trânsito com vítimas em Goiânia, a partir de um banco de dados desenvolvido para o
estudo, reuniu informações de todos os órgãos envolvidos e organizado pelo Detran
de Goiás. Os dados foram analisados sob três aspectos: o acidente em si, o
24
condutor envolvido e a vítima. A Capital goiana permanece com indicadores
elevados, estando em destaque os acidentes com motocicletas. As vítimas são
jovens na grande maioria, bem como os condutores, sendo que 40% destes têm
menos de cinco anos de habilitação. Goiânia necessita sem demora de
posicionamento político dos governos, da sociedade e da academia para que seja
estabelecido um observatório unificado sobre trânsito. Por conseguinte, formular
ações permanentes, integradas e intersetoriais de promoção/prevenção que
interfiram no comportamento dos cidadãos, estejam estes condutores ou pedestres.
A utilização da motocicleta como meio de trabalho vem contribuindo para o
aumento no número dos acidentes de trânsito e se constituindo em acidentes de
trabalho para os mototaxistas. O objetivo do estudo de Amorim et al. (2012) foi
estimar a incidência anual de acidentes de trabalho entre mototaxistas cadastrados
em Feira de Santana, BA. Tratou-se de um estudo de caráter descritivo e censitário.
Foram entrevistados 267 profissionais dos 300 cadastrados na Secretaria Municipal
de Transporte e Trânsito - SMTT, através de questionário estruturado. Procederam a
análise descritiva e foram estimadas incidências anuais de acidentes de trabalho
segundo as variáveis de interesse. Calcularam-se os riscos relativos e, como medida
de significância estatística, utilizou-se o teste de qui-quadrado de Pearson e o teste
exato de Fisher, adotando-se p < 0,05. Utilizaram a regressão logística no intuito de
realizar a análise simultânea das variáveis estudadas. Observaram uma incidência
anual de acidentes de trabalho de 10,5 por cento. Ocorreram lesões leves,
principalmente ferimentos (48,7 por cento), sendo necessário afastamento das
atividades laborais para 27 por cento dos profissionais. Na análise de regressão
logística verificou-se associação entre quantidade de dias de trabalho por semana,
presença de fadiga em membros inferiores e queixa musculoesquelética e os
acidentes de trabalho. O conhecimento acerca das condições de trabalho e dos
acidentes envolvidos nessa atividade pode ser de grande importância para a adoção
de políticas de educação no trânsito, com vistas à prevenção de acidentes e
melhoria das condições de trabalho e de vida desses profissionais.
A área de urgência e emergência constitui-se um importante componente da
assistência à saúde. Os acidentes de trânsito se configuram como um dos casos
que necessitam do atendimento pré-hospitalar para o transporte de vítimas
potencialmente suspeitas de trauma. Objetivo do estudo de Souza-Aguilar, SilvaSilva e Caritá-Edilson (2010) caracterizou os acidentes de trânsito notificados em um
25
serviço de atendimento pré-hospitalar da cidade de Passos-MG/Brasil. Material e
métodos: estudo descritivo, de cunho quantitativo, realizado na 2a Companhia de
Bombeiros Militar de cidade Passos-MG/Brasil. A coleta de dados ocorreu de 01
janeiro de 2008 a 01 de janeiro de 2009, através de 682 relatórios de atendimento
pré-hospitalar relacionados com acidentes de trânsito. Em seus resultados, o trauma
com maior incidência foi com motos, envolvendo sujeitos do sexo masculino (47 por
cento), as faixas etárias de maior envolvimento em acidentes de trânsito incluem
indivíduos de 21 a 25, 16 a 20 e 26 a 30 anos; respectivamente, de ambos os sexos,
96 por cento dos sujeitos foram removidos ao hospital após o acidente; no horário
noturno ocorreu maior número de acidentes; os acidentes, acidentes de moto
tiveram maior incidência nos meses mais quentes do ano. Concluíram que seja
possível mudar o comportamento no trânsito por meio da união das diferentes
esferas da sociedade. O trabalho do Corpo de Bombeiros de Passos-MG/Brasil tem
sido eficaz e resolutivo nos atendimentos de ocorrências pré-hospitalares, na
ausência de equipes completas e especializadas em atendimento pré-hospitalar.
Os objetivos do estudo de Oliveira e Souza (2003) foram caracterizar as
ocorrências de trânsito com motocicleta, segundo condições locais, dados
relacionados ao tipo de acidente, data e hora, além de identificar, entre essas
variáveis, aquelas que se associaram à morte das vítimas. Como método foi usado o
estudo retrospectivo, utilizando dados dos Boletins de Ocorrência de Trânsito,
referentes ao ano 2004, e os registros de óbito do Instituto Médico Legal. Tiveram
como resultados que 99,4 por cento das ocorrências aconteceram em área urbana,
em locais onde as condições de luminosidade (87,4 por cento), condição
meteorológica (80,6 por cento) e sinalização (70,6 por cento) eram satisfatórias.
Predominou a colisão de motocicleta com carro ou caminhonete (55,5 por cento) e
as quedas de motocicleta foram a seguir as mais frequentes (18,0 por cento). No
tipo de impacto, o maior percentual foi observado na categoria abalroamento
transversal (35,2 por cento). O grupo de mortos diferiu em relação aos sobrevi
ventes quanto à área e luminosidade do local da ocorrência, além do tipo de
acidente e impacto. Concluíram que as condições locais, tipos de acidente e impacto
destacam-se entre as múltiplas dimensões que envolvem a gravidade das
ocorrências com motociclistas.
Propondo descrever características sociodemográficas e analisar a tendência
temporal da mortalidade de motociclistas traumatizados em acidentes de transporte,
26
Montenegro et al. (2011) utilizaram como métodos estudo de séries temporais com
dados de 580 óbitos de motociclistas do Distrito Federal, de 1996 a 2007, obtidos do
Sistema de Informações sobre Mortalidade. Calcularam as taxas de mortalidade
específicas segundo idade e sexo, as taxas padronizadas (método direto) e a razão
de óbitos por frota (motocicletas). A média móvel centralizada da taxa padronizada
de mortalidade de homens foi calculada para o período de três anos e um modelo de
regressão linear foi construído para estudar a evolução temporal da mortalidade.
Para calcular o incremento anual da taxa de mortalidade padronizada utilizou-se o
método joinpoint (ponto de inflexão). Nos resultados, A maior parte dos motociclistas
mortos era do sexo masculino, (94,3 por cento), pardo (71,0 por cento) e tinha entre
20 e 39 anos (73,8 por cento). A taxa padronizada de mortalidade de motociclistas
(homens) residentes foi de 1,9 para 7,2 óbitos/100 mil homens entre 1996 e 2007.
Entre 1998 e 2007, a razão de óbitos por frota passou de 2,0 óbitos/10 mil
motocicletas para 10,0 óbitos/10 mil motocicletas entre os homens. Estimou-se
incremento anual de 0,48 óbito/100 mil homens (IC95 por cento 0,31;0,65; p <
0,001). O incremento percentual anual da taxa padronizada de mortalidade para o
sexo masculino foi de 36,2 por cento no período 1998-2007 (IC 95 por cento 21,2
por cento;53,2 por cento; p < 0,05). Em suas conclusões, a taxa de mortalidade de
motociclistas decorrente de acidentes de transporte aumentou expressivamente.
Esse aumento é explicado apenas em parte pelo aumento da frota de motocicletas.
Características individuais dos condutores, bem como as condições locais do
tráfego, necessitam ser investigadas para o planejamento de políticas preventivas.
Silva (2010) objetivou descrever o perfil de mortalidade por acidentes de
trânsito (AT) no município de Jequié – Bahia entre os anos 2000 e 2007. Seus
métodos foram o estudo epidemiológico descritivo, utilizando dados provenientes
dos laudos de perícia médica do Instituto Médico Legal (IML) de Jequié, dos Boletins
de Ocorrência (BO) da Polícia Civil, do SIM e IBGE. Estudou os óbitos por acidentes
de trânsito segundo ocorrência e residência no município. As variáveis relacionadas
aos acidentes de trânsito e sociodemográficas das vítimas foram estudadas após
relacionamento entre os bancos de dados do SIM e IML/BO, através do cálculo das
proporções e distribuição espacial dos óbitos segundo ocorrência dos acidentes e
residência das vítimas. Foram utilizados os indicadores: Anos Potenciais de Vida
Perdidos (APVP), mortalidade específica por AT, índice de motorização, mortalidade
por frota de veículos e mortalidade proporcional por AT. A análise dos dados foi feita
27
utilizando o programa Stata®. Em seus resultados, os atropelamentos foram o tipo
de acidente mais frequente (43,7%),seguidos pelas colisões (40,1%). Mais da
metade dos AT ocorreram em rodovias, onde as vítimas predominantes foram os
ocupantes de veículo. O maior percentual dos atropelamentos ocorreu em área
urbana (72,3%), onde também as maiores vítimas foram pedestres (71,2%) e
motociclistas (67,6%). O local de ocorrência do óbito mais frequente foi o hospital
(65,2%). A maior parte dos AT com vítimas fatais ocorreu durante o dia (52,3%) e
nos fins de semana. As vítimas eram, em geral, homens, solteiros, na faixa etária
entre 25 e 50 anos, de cor pardo-preta. A pequena escolaridade e ocupações de
baixa qualificação predominaram entre as vítimas. O maior APVP foi calculado para
o sexo masculino, na faixa etária de 20 a 39 anos, sendo que as mulheres morrem
mais jovens que os homens. Houve, no período de 2001 a 2007, um aumento do
índice de motorização com redução da mortalidade por frota.
O objetivo do estudo de Galvão e Marin (2010) foi descrever as
características das vítimas de ATT, por meio da técnica de mineração, dos dados
relacionados do município de Cuiabá-MT, 2006. Método: Estudo exploratório das
bases de dados secundários, em que foram relacionados três bancos de dados: da
Secretaria de Justiça e Segurança Pública, do SIH-SUS e do SIM com utilização do
software RecLink. Foram obtidos 139 pares verdadeiros, aos quais foi aplicada a
tecnologia de mineração de dados pelo software WEKA. Obtiveram como
resultados, 139 vítimas de acidentes de Cuiabá-MT, 80,6% eram do sexo masculino,
na faixa etária de 20-29 anos (41,7%). O tipo de vítima que predominou foi condutor
do veículo (35,3%), o meio de transporte da vítima foi à motocicleta (33,1%). A
maioria das vítimas teve assistência e cada vítima ficou hospitalizada cinco dias, em
média. Concluíram com estes resultados, pode-se estabelecer programas de
prevenção para os acidentes transporte, destacando que a tecnologia de mineração
de dados é uma ferramenta importante de análise de dados secundários para
subsidiar o processo de tomada de decisões.
Gomes et al. (2010) identificou que o trauma é a principal causa de óbitos em
indivíduos entre 18 e 44 anos de vida no Brasil. Por mais de um século, o álcool tem
sido reconhecido como um dos principais fatores de risco para acidentes fatais,
desempenhando um importante papel na etiologia do trauma. O objetivo deste
estudo foi comparar o diagnóstico de alcoolemia entre mortos por acidentes de
trânsito e outras causas externas (afogamento, homicídio e suicídio). Métodos: Foi
28
realizado um estudo transversal onde se utilizaram dados secundários do
Departamento de Medicina Legal de Porto Alegre no período de janeiro a dezembro
de 2001. As variáveis estudadas foram o nível de alcoolemia e óbitos por causas
externas. Como resultados, foram analisados 1.588 óbitos. Os homicídios ocorreram
na faixa etária entre 19 e 45 anos, representando 80% dos casos. As causas
externas ocorrem com mais frequência em homens e a maior causa de óbitos entre
mulheres foi por acidente de trânsito, com menor alcoolemia. Os pacientes que
apresentam alcoolemia positiva tiveram uma razão de prevalência de 1,18 (IC
95%:1,05 a 1,32) em relação ao óbito por acidente de trânsito em comparação ao
suicídio. Concluíram que o estudo demonstra que o álcool é fator contribuinte de
morte por causas externas, especialmente aquelas causadas por acidentes de
trânsito e homicídio.
Rocha e Schor (2013) propuseram caracterizar os acidentes de trânsito com
motocicleta, suas vítimas e o crescimento da frota, comparado-os às ocorrências
com os demais tipos de veículo, em Rio Branco, Acre. Trata-se de um estudo,
descritivo e transversal. Abrangeu os acidentes ocorridos entre 2005 e 2008
notificados pelo Departamento Estadual de Trânsito do Estado do Acre. No
quadriênio foram observados 3.582 acidentes com motocicleta e 3.768 vítimas. A
frota de motocicletas teve um crescimento de 72,8%, com uma taxa de envolvimento
em acidentes com um aumento de 42,2%, enquanto os demais tipos de veículo
tiveram uma elevação de apenas 9,2%. Quanto às vítimas, há predominância do
sexo masculino, os grupos etários de 20 a 29 e de 30 a 39 anos foram os de taxas
mais elevadas. Quanto às características dos acidentes, o período da tarde
destacou-se com 1.162 (32,4%), seguido da manhã com 1.046 (29,2%) e noite com
1.035 (28,9%). O sábado se apresentou com 657 (18,3%) e domingo com 563
(15,7%). As colisões/abalroamento foram o tipo de acidente mais comum, com 3.036
(84,8%) registros. São primordiais a efetivação contínua de programas preventivos e
maior integralidade entre as instituições envolvidas, com planejamento e execuções,
capazes de modificar o cenário atual.(
Em seu estudo, Diniz, Assunção e Lima (2005) identificaram que o trabalho
dos motociclistas profissionais constitui o foco investigativo do presente estudo, que
fornece elementos para subsidiar os atores sociais nas negociações relativas à
melhoria das condições de trabalho da categoria. Adotando-se a abordagem teóricometodológica da escola da ergonomia da atividade, foi possível conhecer os
29
constrangimentos vivenciados e as estratégias construídas pelos motociclistas
profissionais em face dos principais fatores socioeconômicos que geram pressão
temporal no desenvolvimento da atividade. Os resultados obtidos foram analisados
considerando-se o modo de funcionamento das unidades de produção em suas
articulações com as instituições da cidade e a rede de serviços que garantem a meta
de produzir mais em menor tempo. Finalmente, o estudo permitiu descrever os
fatores acidentogênicos, ligando o plano macroeconômico e suas leis de mercado à
rede técnico-organizacional que sustenta as unidades produtivas, gerando o
comportamento do tempo zero. É nesta encruzilhada que o motociclista profissional
elabora as suas estratégias para garantir as metas de produção, a satisfação do
cliente e a sua autoproteção, nem sempre bem-sucedida, contra os acidentes no
trânsito
A pesquisa de Iwamoto, Oliveira, Barbosa e Barichello (2009), de natureza
descritivo-exploratória, foi realizada com o objetivo de descrever a ocorrência de
acidentes de trânsito e identificar a presença de comportamentos de risco entre os
estudantes ingressantes e concluintes dos cursos de graduação de uma
universidade pública. Os 125 entrevistados, cuja idade média era 20,7 anos, eram,
em sua maioria, oriundos de famílias com renda de mais de cinco salários mínimos
(60%),mulheres (75,2%), e tinham a Carteira Nacional de Habilitação (51,2%). Em
torno de 30% dos estudantes já haviam sido vítimas de acidentes de trânsito, a
maioria considerava como maior causa de acidentes a imprudência do condutor, e
50% deles “sempre” usavam cinto de segurança ao dirigir. Os resultados evidenciam
a presença de comportamentos de risco em relação aos acidentes de trânsito, entre
os universitários e a necessidade de maior divulgação da importância da prevenção
de acidentes.
A perspectiva do estudo de Soares, Mathias, Silva e Andrade (2011) foii
conhecer características dos acidentes de trânsito ocorridos com motoboys nos
municípios de Londrina e Maringá, Estado do Paraná. Nos métodos foram
considerados 327 motoboys que relataram, em 2005/2006, acidentes de motocicleta
nos 12 meses anteriores à pesquisa (147 de Londrina e 180 de Maringá). Em seus
resultados, dos entrevistados, 39,6 por cento relataram mais de um acidente de
trânsito. Os acidentes foram percebidos como graves por 21,4 por cento dos
motoboys e 56,3 por cento relataram conhecer motoboy afastado do trabalho por
acidente. A maioria dos acidentes (82,9 por cento) ocorreu durante o trabalho.
30
Foram observadas diferenças significativas, entre os municípios, para condições
climáticas (p=0,013), período do dia (p=0,002), atendimento pré-hospitalar (p=0,032)
e necessidade de internação hospitalar.
O estudo de Bacchieri e Barros (2011) descreveu a situação dos acidentes de
trânsito no Brasil, desde a implementação do Código de Trânsito Brasileiro de 1998
até o ano de 2010. Foram realizadas análises dos principais trabalhos científicos e
publicações não acadêmicas nacionais. A revisão de literatura incluiu periódicos
indexados, não indexados, relatórios técnicos, busca específica por autores,
referências bibliográficas de artigos e contato com pesquisadores. Os principais
problemas do trânsito brasileiro identificados foram aumento do número absoluto de
mortos e das taxas de mortalidade, ampliação da frota de motocicletas e o uso de
álcool. Foram identificados autores influentes e ilhas de produção de conhecimento
nas áreas pesquisadas. Os autores apresentam algumas possíveis soluções e
sugerem que o poder público não tem assumido a responsabilidade que lhe cabe no
controle e redução dos acidentes de trânsito.
31
3 MATERIAIS E MÉTODOS
3.1 Tipo de Pesquisa
A presente pesquisa foi um estudo epidemiológico, descritivo, transversal,
quantitativo, tendo como a base de dados do SIM do DATASUS do Ministério da
Saúde, sobre mortes por acidentes de trânsito.
3.2 Universo
Dados do DATASUS referentes à prevalência de mortalidade em acidentes de
trânsito na cidade de São José dos Campos/SP.
3.3 Amostra
Deu-se por conveniência na série histórica de 2000 a 2011, circunscrevendo
as variáveis sexo, faixa etária, raça/cor, causa de morte, ano de ocorrência e local
de ocorrência.
3.4 Instrumentos da Coleta
Construiu-se um inquérito cujas variáveis a serem observadas no banco de
dados do DATASUS, incluíam gênero, faixa etária, raça/cor, causa de morte, ano de
ocorrência e local de ocorrência. Foram selecionadas para investigação junto ao
DATASUS as declarações de óbitos referentes ao intervalo de tempo – 2000 a 2011
– codificadas como eventos no CID-10 e os acidentes de trânsito no CID-10 foram:
Motociclista traumat em um acidente de transpo; Ocupante automóvel traumat
acidente transporte; Ocupante caminhonete traumat acidente transpor; Ocupante
veíc transp pesado traumat acid trans; Ocupante ônibus traumat acidente de
transporte; Outros acidentes de transporte terrestre
32
3.5 Procedimentos de Coleta de Dados
A partir do acesso ao site do DATASUS, buscou-se utilizar o Sistema de
Informações de Mortalidade (SIM) do estado de São Paulo, acessando o município
de São José dos Campos, quando foram cruzadas as variáveis ano de óbito e sexo,
ano de óbito e faixa etária, ano de óbito e raça/cor, ano de óbito e causa de morte e
ano de óbito e local de ocorrência.
3.6 Procedimentos de Análise dos Dados
Foram analisados dados sobre mortalidade por causas externas ocorridos no
período de janeiro de 2000 a dezembro de 2011 utilizando-se dados do Sistema de
Informação de Mortalidade (SIM). A análise foi feita com a utilização do programa
TABWIN, software e desenvolvido pelo DATASUS que facilita a construção de
indicadores de mortalidade. Para transformar essas tabelas em gráficos, utilizou-se
o software Microsoft Excel.
3.7 Ética
Embora tenhamos conhecimento da Resolução 196/96 do Conselho Nacional
de Saúde sobre ética em pesquisa com seres humanos o presente levantamento por
tratar-se de dados secundários, publicizados pelo Ministério da Saúde, a partir do
DATASUS, não verificou-se a necessidade de submeter este estudo a um Comitê de
Ética de Pesquisa com Seres Humanos.
33
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os dados configurados abaixo com as respectivas representações gráficas,
na característica linear procuram trazer uma conformidade para a possibilidade de
se visualizar o fenômeno se comportando no campo e a permanente evidência ao
longo de mais de uma década.
Ao aprofundamos nosso olhar para a composição desse fenômeno
circunscrito nas variáveis diversas eleitas, somos capazes de relatar que se trata de
uma questão de saúde pública.
A seguir segue o Gráfico 1 que composto das variáveis óbitos, sexo e ano do
evento.
Gráfico 1 – Distribuição de óbitos por acidentes de trânsito segundo sexo no período 2000 a
2011. São José dos Campos/SP, 2013.
120
100
80
60
40
20
0
2000
2001
2002
2003
2004
2005
Masculino
2006
2007
2008
2009
2010
2011
Feminino
Fonte: DATASUS. 2013.
Identificado no gráfico acima, há uma predominância do sexo masculino nos
óbitos por acidentes de trânsito que, devido ao aumento do fluxo de veículos houve
um crescente número de acidentes de trânsito na cidade de São José dos
Campos/SP. Observamos também que o sexo feminino houve um pequeno aumento
a partir do ano de 2010. Andrade et al. (2003) relatam que a falta de atenção, o
desrespeito à sinalização e excesso de velocidade, foram os fatores mais citados
34
como determinantes para a ocorrência do último acidente, sem diferenciação entre
os sexos. O estudo de Macedo, Camargo, Almeida e Rosa (2007) também
apontaram que a predominância ocorre, também, no sexo masculino.
Gráfico 2 – Distribuição de óbitos por acidentes de trânsito segundo raça/cor no período 2000
a 2011. São José dos Campos/SP, 2013.
120
100
80
60
40
20
0
2000
2001
2002
2003
2004
Branca
2005
2006
Preta/Parda
2007
2008
2009
2010
2011
Amarela
Fonte: DATASUS. 2013.
O gráfico acima demonstra que os óbitos têm acontecido com mais frequência
nos indivíduos que constituem a população branca e embora tenha um declíneo a
partir de 2008, seguido pela população preta/parda e amarela, subsequentemente,
contrariando o estudo de Silva (2010) em que apresentava a população negra como
maior acidentada.
35
Gráfico 3 – Distribuição de óbitos por acidentes de trânsito segundo faixa etária no período
2000 a 2011. São José dos Campos/SP, 2013.
60
50
40
30
20
10
0
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
1 a 4 anos
5 a 9 anos
10 a 14 anos
15 a 19 anos
20 a 29 anos
30 a 39 anos
40 a 49 anos
50 a 59 anos
60 a 69 anos
70 a 79 anos
80 anos e mais
Fonte: DATASUS. 2013.
Podemos verificar no gráfico acima que há uma predominância na faixa etária
entre 20 a 29 anos e de 30 a 39 anos nos óbitos por acidentes de trânsito, Soares &
soares (2003) também encontraram a mesma faixa etária em sua investigação, mas
que diferentemente do estudo de Silva (2010) que aponta a faixa etária
predominante entre 25 e 50 anos. Já no resultados de Rocha (2009) identificaram
que os óbitos em acidentes de trânsito ocorreram entre 30 a 39 anos. Macedo,
Camargo, Almeida e Rosa (2007), em sua investigação apontou que os óbitos
ocorreram na faixa etária de 21 a 40 anos. Mas devemos considerar que nesses
estudos há uma intersecção na faixa etária que é predominante nessa pesquisa, ou
seja, a juventude, período entre 15 a 29 anos conforme apregoa a Organização
Internacional de Juventude, está mais vulnerável aos acidentes de trânsito.
Possivelmente isso esteja também atrelado por acometer em maior numero o
36
gênero a perspectiva identitária hegemônica de masculinidade, conforme Riscado
(2012)
Gráfico 4 – Distribuição de óbitos por acidentes de trânsito segundo Grupo CID-10 no período
2000 a 2011. São José dos Campos/SP, 2013.
140
120
100
80
60
40
20
0
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
. Acidentes de transporte
... Pedestre traumatizado em um acidente de transp
... Ciclista traumatizado em um acidente de transp
... Motociclista traumat em um acidente de transpo
... Ocupante automóvel traumat acidente transporte
... Ocupante veíc transp pesado traumat acid trans
... Outros acidentes de transporte terrestre
Fonte: DATASUS. 2013.
Podemos identificar no gráfico acima que há uma ocorrência maior com
outros acidentes de transporte terrestre, seguido por pedestres traumatizados em
um acidente de transporte, assim como também, os ocupantes de automóvel
traumatizados em acidentes de trânsito, na cidade de São José dos Campos/SP. O
estudo de Silva (2102) identificou que o risco de morte por acidente de motocicleta é
maior nas áreas de conglomerado em regiões fora do eixo metropolitano. Rocha
(2009) apontou esse meio de transporte como peça chave nos envolvimentos de
acidentes de trânsito, e identificam que por ter grande facilidade de movimentar-se
durante o trânsito caótico das grandes cidades. Nascimento & Matos, (2010),
assinala que os acidentes de motocicletas, quando não causam mortes, provocam
37
fraturas expostas nas vítimas acidentadas. Durante a pesquisa de Oliveira & Souza
(2011), os autores identificaram que predominavam a colisão de motocicleta com
carro e as quedas de motocicleta eram muito frequentes e concluiu que as
condições locais, tipos de acidente e impacto destacam-se entre as múltiplas
dimensões que envolvem a gravidade das ocorrências com motociclistas.
Gráfico 5 – Distribuição de óbitos por acidentes de trânsito segundo local de ocorrência no
período 2000 a 2011. São José dos Campos/SP, 2013.
80
70
60
50
40
30
20
10
0
2000
2001
2002
Hospital
2003
2004
2005
2006
Outro estabelecimento de saúde
2007
2008
Domicílio
2009
2010
2011
Via pública
Fonte: DATASUS. 2013.
O gráfico acima representa o lugar de ocorrência do óbito, por acidentes de
trânsito, na cidade de São José dos Campos/SP. Podemos verificar que há uma
maior incidência desses óbitos em hospitais até o ano de 2006, mas que após este
ao os óbitos em vias públicas se tornou mais visível, enquanto que o estudo de Silva
(2010) apontou que o local de ocorrência de óbitos ocorreu na sua grande maioria
no hospital. Podemos inferir que muitas das vezes, na gravidade do caso, a
ocorrência do óbito dá-se no próprio local ou no imediato trajeto para o hospital ou
até mesmo na entrada hospitalar. Nesse último caso, o indivíduo pode ainda
permanecer hospitalizado, mas diante da gravidade do caso possa vir a óbitos dias
após. Esses casos, muitas vezes dá espaço para uma sub-notificação, não
pautando assim as estatísticas.
38
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com os resultados acima descritos, apontamos haver uma predominância do
sexo masculino nos óbitos por acidentes de trânsito acontecendo com mais
frequência nas pessoas de cor branca, na faixa etária entre 20 a 29 e de 30 a 39
anos, entre pedestres e maior incidência desses óbitos em vias públicas.
Concluiu-se que a partir deste estudo os acidentes de trânsito constituem uma
importante causa de morbimortalidade em São José dos Campos/SP, exigindo que
medidas preventivas mais efetivas sejam adotadas, principalmente, no que se refere
aos acidentes por colisão e atropelamento.
A melhoria de qualidade das informações de mortalidade por causas externas
pode contribuir para o monitoramento da violência, como base à tomada de decisões
para sua redução e a necessidade de maior investimento preventivo dos órgãos
governamentais, adotando medidas preventivas e melhorando a qualidade de
assistência às vítimas de acidentes de trânsito e formulando ações permanentes,
integradas e intersetoriais de promoção à saúde, prevenção que interfiram no
comportamento dos cidadãos, estejam estes condutores ou pedestres.
A estratégia para a redução desses acidentes está baseada na educação
para trânsito. Há uma série de ações permanentes para o controle do tráfego e
orientação aos que utilizam as vias públicas. A fiscalização conta com agentes de
treinados, com lombadas eletrônicas e radares fixos e móveis colocados
estrategicamente nas vias com maior índice de acidentes ou onde é preciso inibir
excessos. E inúmeras campanhas projetos orientam pedestres, motoristas,
motociclistas e ciclistas.
39
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unip universidade paulista maceió - al