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Bittencourt GKGD, Beserra PJF, Nóbrega MML. Assistência de enfermagem a paciente com lupus
eritematoso sistêmico utilizando a CIPE. Rev Gaúcha Enferm., Porto Alegre (RS) 2008 mar;29(1):26-32.
ARTIGO
ORIGINAL
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM A PACIENTE
COM LUPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO UTILIZANDO A CIPEa
Greicy Kelly Gouveia Dias BITTENCOURTb
Patrícia Josefa Fernandes BESERRAc
Maria Miriam Lima da NÓBREGAd
RESUMO
Trata-se de um estudo de caso fundamentado na Teoria das Necessidades Humanas Básicas de Horta e na Classificação
Internacional das Práticas de Enfermagem (CIPE®), objetivando a sistematização da assistência de enfermagem a uma
paciente portadora de Lupus Eritematoso Sistêmico. Foi desenvolvido no Hospital Universitário da Universidade da
Paraíba. Para a coleta de dados, utilizou-se um instrumento contemplando as necessidades psicobiológicas, psicossociais
e psicoespirituais baseadas na Teoria de Horta. Foram identificados os diagnósticos de enfermagem utilizando a CIPE®
Versão Beta 2, estabelecendo-se os resultados esperados e as intervenções de enfermagem, que foram implementadas e
avaliadas. Os resultados obtidos demonstram que a assistência de enfermagem a esta paciente foi direcionada para a
prevenção de complicações decorrentes da doença e para a promoção da melhoria de qualidade de vida.
Descritores: Processos de enfermagem. Lupus eritematoso sistêmico. Diagnóstico de enfermagem. Classificação.
RESUMEN
Es un estudio de caso basado en la Teoría de las Necesidades Humanas Básicas de Horta y en la Clasificación Internacional
de las Prácticas de Enfermería (CIPE®), con el objetivo de sistematizar la atención de enfermería a un paciente portador de
Lupus Sistémico Eritematozo. El estudio fue desarrollado en el Hospital Universitario de la Universidad de Paraíba, Brasil.
Para la toma de datos se utilizó un instrumento que contemplara las necesidades psico-biológicas, psico-sociales y psicoespirituales basadas en la Teoría de Horta. Se identificaron los diagnósticos de enfermería utilizando CIPE® Versión Beta 2.
La aplicación de las etapas del proceso de enfermería permitió la identificación de los diagnósticos de enfermería, el
establecimiento de los resultados y de las intervenciones de enfermería que se llevaron a cabo y se evaluaron. Los resultados
obtenidos demuestran que la sistematización de la atención de enfermería a esta paciente, estuvo dirigida a la prevención de
complicaciones resultantes de la enfermedad y a la promoción de la mejora de calidad de vida.
Descriptores: Procesos de enfermería. Lupus eritematoso sistémico. Diagnóstico de enfermería. Clasificación.
Título: Atención de enfermería a una paciente portadora de lupus sistémico eritematoso, usando la ICNP.
ABSTRACT
It is a case study based on Horta’s Theory of the Basic Human Needs and on the International Classification of the Nursing
Practices (ICNP®), aimed a systematizing Nursing Care for a patient with lupus erythematous systemic. This study was carried
out at the Universidade da Paraíba University Hospital, a teaching hospital in the state of Paraíba, Brazil. Data collection
was conducted through an instrument that fulfilled the psychobiologic, psychosocial, and psychospiritual needs based on Horta’s
theory. Nursing diagnoses were identified using ICNP® Version Beta 2 establishing the expected outcomes and the nursing
interventions, which were implemented and appraised. The results demonstrate that Systematization of the Nursing Care for
this patient had the purpose of preventing disease complications and promoting the improvement of life quality.
Descriptors: Nursing process. Lupus erythematosus, systemic. Nursing diagnosis. Classification.
Title: Nursing care for a patient with lupus erythematosus systemic using ICNP.
a
b
c
d
Trabalho desenvolvido na disciplina “Processo de Cuidar em Enfermagem” do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PPGENF),
nível Mestrado, do Centro de Ciências da Saúde (CCS) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Escola de Enfermagem da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Brasil.
Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Docente da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança (FACENE), Paraíba, Brasil.
Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Docente
do Departamento de Enfermagem em Saúde Publica e Psiquiatria e do PPGENF do CCS da UFPB, Brasil.
Bittencourt GKGD, Beserra PJF, Nóbrega MML. Atención de enfermería a una paciente portadora de lupus sistémico eritematoso, usando
.
la ICNP [resumén]. Rev Gaúcha Enferm., Porto Alegre (RS) 2008
mar;29(1):26.
Bittencourt GKGD, Beserra PJF, Nóbrega MML. Nursing care for
.
a patient with lupus erythematosus systemic using ICNP [abstract].
Rev Gaúcha Enferm., Porto Alegre (RS) 2008 mar;29(1):26.
Bittencourt GKGD, Beserra PJF, Nóbrega MML. Assistência de enfermagem a paciente com lupus
eritematoso sistêmico utilizando a CIPE. Rev Gaúcha Enferm., Porto Alegre (RS) 2008 mar;29(1):26-32.
INTRODUÇÃO
O Lupus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma
doença inflamatória crônica, auto-imune sistêmica,
que se caracteriza por acometer múltiplos órgãos e
apresentar alterações da resposta imunológica, com
presença de auto-anticorpos dirigidos contra proteínas do próprio organismo. De etiologia desconhecida, o desenvolvimento da doença está associado à
predisposição genética e aos fatores ambientais como
a luz ultravioleta e alguns medicamentos. É uma
doença pouco freqüente que acomete principalmente
mulheres jovens, afetando 10 a 12 vezes a mulher
em relação ao homem e, embora possa ocorrer em
qualquer idade, é mais freqüente entre os 20 e 45
anos, com maior incidência próximo aos 30 anos(1).
A doença tem evolução crônica caracterizada
por períodos de atividade e remissões. As manifestações clínicas mais freqüentes são lesões de pele
denominadas de lesões em vespertílio, ou asa de
borboleta, em maçãs do rosto e dorso do nariz e as
lesões discóides que são bem delimitadas e profundas; dores nas articulações e edema, principalmente nas articulações das mãos; inflamação de
pleura ou pericárdio; inflamação no rim; alterações
sanguíneas como diminuição dos glóbulos vermelhos (anemia), glóbulos brancos (leucopenia), linfócitos (linfopenia) ou plaquetas (plaquetopenia);
inflamações de pequenos vasos (vasculites) podem
causar lesões eritematosas e dolorosas em palmas
da mão, planta dos pés, no palato ou nos membros;
queixas de febre na ausência de infecção, emagrecimento e fraqueza são comuns quando a doença está
ativa. Outras manifestações como oculares, aumento
do fígado, baço e gânglios também podem ocorrer
em fase ativa da doença(1).
Para estudar o caso em questão, utilizou-se a
aplicação do processo de enfermagem fundamentado
na Teoria das Necessidades Humanas Básicas de
Horta, que é entendido como uma forma sistemática
e dinâmica de prestar os cuidados de enfermagem
capaz de promover o cuidado humanizado, dirigido
a resultados e de baixo custo(2). O processo impulsiona as enfermeiras a avaliarem sua prática no
sentido de que podem examinar o que estão fazendo
e a estudar o que poderiam fazer melhor(3).
O processo de cuidar em enfermagem, ou o
processo de enfermagem, é um instrumento metodológico que possibilita identificar, compreender,
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descrever, explicar e/ou predizer como os pacientes
respondem aos problemas de saúde ou aos processos
vitais, e determinar que aspectos dessas respostas
exijam uma intervenção de enfermagem(4).
O uso do processo de enfermagem tem favorecido o desenvolvimento de sistemas de classificação
para a documentação da prática de enfermagem.
Nestes sistemas de classificação, três elementos são
componentes primários para a classificação da prática de enfermagem: diagnósticos, resultados e intervenções de enfermagem(5).
A Classificação Internacional das Práticas de
Enfermagem (CIPE®) é um sistema de classificação
composto por três elementos: fenômeno, resultado e
ação de enfermagem. O uso desse sistema de classificação estabelece padrões de cuidados, que podem
ser utilizados em qualquer parte do mundo, como
também impulsiona uma padronização da linguagem
de enfermagem e, conseqüentemente, permite uma
melhoria na qualidade da assistência, por meio da
sistematização, registro e quantificação do que os
componentes da equipe de enfermagem produzem(6).
Esse sistema de classificação iniciou em 1991
com a realização de um levantamento bibliográfico
na literatura da Enfermagem e de uma pesquisa
junto às associações membros do Conselho Internacional de Enfermeiros (CIE) para identificar, em
âmbito internacional, os sistemas de classificação
usados pelas enfermeiras(6). Em dezembro de 1996,
o CIE apresentou a Classificação Internacional para
a Prática de Enfermagem – Um Marco Unificador
– Versão Alfa, constituída de Classificações de
Fenômenos de Enfermagem e de Intervenções de
Enfermagem, com o objetivo de estimular a discussão e comentários, observações, críticas e recomendações de melhoria, a fim de se obterem subsídios
para as próximas versões dessa classificação(7). Em
sua evolução foi construída a Versão Beta, que foi
apresentada em julho de 1999 e, em janeiro de 2002,
o CIE disponibilizou, via Internet, a Versão Beta com
correções editoriais(6).
Os objetivos iniciais da CIPE®, delineados na
Versão Alfa, foram revistos pelo Comitê de Avaliação da CIPE® em 2000. Alguns deles são: a) estabelecer uma linguagem comum para descrever a
prática de enfermagem, facilitando a comunicação
entre os enfermeiros e dos enfermeiros com os outros profissionais da saúde; b) representar conceitos
usados na prática local, em diferentes linguagens e
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eritematoso sistêmico utilizando a CIPE. Rev Gaúcha Enferm., Porto Alegre (RS) 2008 mar;29(1):26-32.
áreas de especialidades; c) descrever mundialmente
a prestação do cuidado de enfermagem prestado às
pessoas (indivíduo, famílias e comunidades); d) estimular a pesquisa de enfermagem através de ligações entre os dados disponíveis e os sistemas de
informação de saúde dentre outros(7).
Após correções editoriais na CIPE® Versão
Beta, é publicada a Versão Beta 2. As definições contidas na Classificação de Fenômenos de Enfermagem são organizadas numa abordagem multiaxial,
formada pelos seguintes eixos: Foco da prática de
enfermagem, Julgamento, Freqüência, Duração,
Topologia, Localização anatômica, Probabilidade,
Portador. Na Versão Beta2, “Fenômeno de enfermagem” é definido como um fator que influencia o
estado de saúde e constitui o objeto das ações de
enfermagem, e, “Diagnósticos de Enfermagem”,
como um título dado pela enfermeira para uma decisão sobre um fenômeno de enfermagem, que é o
foco das intervenções de enfermagem(7).
A Classificação de Ações de Enfermagem é
constituída de oito eixos: Tipo de ação, Alvo, Meios,
Tempo, Topologia, Localização, Via e Beneficiário.
Nessa versão, Ação de Enfermagem é definida como
o comportamento desempenhado pelas enfermeiras
na prática assistencial, e, as Intervenções de Enfermagem referem-se à ação realizada em resposta a
um diagnóstico de enfermagem visando à obtenção
de um resultado de enfermagem. Na CIPE® Versão
Beta 2, Resultado de Enfermagem é definido como
a medida ou o estado de um diagnóstico de enfermagem, em um determinado período, após a intervenção de enfermagem(7).
A CIPE® Versão 1.0 foi divulgada e, segundo
o CIE, sua utilização na prática profissional apresentará algumas vantagens, como o fácil entendimento
e correção de problemas existentes na CIPE ®
Versão Beta 2, como a duplicação e a ambigüidade
de termos nos diferentes eixos, através da utilização
do Modelo dos 7 eixos, na elaboração dos diagnósticos, das intervenções e dos resultados de enfermagem(8).
Para o CIE, a CIPE® é um instrumento de
informação para descrever a prática de enfermagem
e, conseqüentemente, prover dados que representem essa prática nos sistemas de informação em
saúde. Essa Classificação pode ser usada para tornar
a prática de enfermagem visível nos sistemas de
informação da saúde, a fim de que, dessa forma,
pesquisadores, educadores e gerentes possam, a
partir desses dados, identificarem a contribuição da
Enfermagem no cuidado da saúde e, ao mesmo
tempo, assegurar a qualidade na prática de enfermagem ou promover mudanças nessa prática, através
da educação, administração e pesquisa(7).
Na tentativa de sistematizar a assistência de
enfermagem a uma paciente portadora de Lupus
Eritematoso Sistêmico objetivou-se, neste estudo,
aplicar o processo de enfermagem utilizando a
CIPE® Versão Beta 2.
METODOLOGIA
Este trabalho foi estruturado na abordagem
estudo de caso, que se trata de um tipo de pesquisa
qualitativa cujo objeto é uma unidade, que pode ser
o indivíduo, que se analisa de maneira detalhada e
profunda(9).
Foi desenvolvido com a participação de uma
mulher portadora de Lupus Eritematoso Sistêmico
internada na Clínica Médica do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW) da Universidade
Federal da Paraíba (UFPB). Atendendo às exigências contidas na Resolução 196/96 do Conselho
Nacional de Saúde sobre pesquisas envolvendo seres
humanos(10), este estudo foi encaminhado ao Comitê
de Ética em Pesquisa do HULW, recebendo parecer
favorável para sua publicação. Além disso, solicitouse o consentimento da paciente para participar do
estudo, sendo-lhe assegurado sigilo de identidade.
Para a coleta de dados, utilizou-se um instrumento contemplando as necessidades psicobiológicas, psicossociais e psicoespirituais baseadas na
Teoria de Horta(2). A partir dessa coleta de dados,
foram identificados os diagnósticos de enfermagem
utilizando a CIPE® Versão Beta 2, estabelecendose os resultados esperados e as intervenções de
enfermagem para uma posterior avaliação.
Para a elaboração dos diagnósticos de enfermagem foram utilizados os seguintes passos: após
a leitura do caso, os dados significativos foram sublinhados; posteriormente fez-se uma leitura atenta
das informações sublinhadas; após essa interpretação, fez-se o agrupamento das informações; em
seguida, para a denominação desse agrupamento
utilizaram-se as orientações constantes na CIPE®
para a construção de um diagnóstico de enfermagem, ou seja, foram incluídos, como obrigatórios,
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eritematoso sistêmico utilizando a CIPE. Rev Gaúcha Enferm., Porto Alegre (RS) 2008 mar;29(1):26-32.
um termo do eixo Foco e outro termo do eixo Julgamento, podendo ser incluídos termos adicionais
dos outros eixos. Para a construção das intervenções de enfermagem também se utilizou as regras
da CIPE®, ou seja, como obrigatórios, um termo
do eixo Ação e outro termo do eixo Foco, podendo
ser incluídos termos adicionais dos outros eixos.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Após o levantamento de dados, elaborou-se o
histórico de enfermagem da paciente. Em seguida,
foram estabelecidos os diagnósticos de enfermagem
e os resultados esperados utilizando a Classificação
de Fenômenos de Enfermagem da CIPE®. Para a
elaboração das intervenções de enfermagem,
utilizou-se a Classificação de Ações de Enfermagem
da CIPE®.
Histórico de enfermagem
J.M.P., 34 anos, sexo feminino, 1º grau incompleto, casada, doméstica, católica. Admitida na
Clínica Médica queixando-se de edema nos lábios
e no membro inferior esquerdo, manchas avermelhadas e pruriginosas por todo o corpo, fraqueza
generalizada, falta de apetite e dores nas articulações.
Encontra-se no 16º dia de internação hospitalar, apresentando estado geral estável, consciente,
orientada, deambulante. Relata tomar 1 banho/dia
(manhã) devido à temperatura baixa da água, escova
os dentes após as refeições e ao dormir (3 vezes/
dia), apresenta falhas dentárias, porém não usa
prótese. Dorme 8h por noite e repousa após o almoço. Relata não gostar da alimentação do hospital
por ser hipossódica e pastosa, porém ela procura
fazer seis refeições diárias por entender que precisa
se recuperar. Ingere pouca água (dois copos/dia).
Já fez uso de diclofenaco sódico, e durante o tratamento apresentou edema de face. Relata que, ao usar
Soro Glicosado, apresenta edema nos lábios e nos
olhos e dor na garganta.
Diagnóstico médico: Lupus Eritematoso Sistêmico (LES).
Ao exame físico apresenta: Temperatura axilar (Tax) = 36,5°C, Pulso (P) = 78 bpm, Respiração
(R) = 19 irpm, Pressão Arterial (PA) = 120x80 mmHg,
Freqüência Cardíaca (FC) = 80 bpm, pele ressecada
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com turgor e elasticidade diminuídos, mucosas hipocoradas, lesões eritematosas planas não pruriginosas
nos membros superiores, petéquias no membro
superior esquerdo e na coxa do membro inferior
esquerdo. Em corticoterapia, apresentando alopecia e
discreto edema de face. Presença de sangramento
conjuntival. Eupnéica, ritmo cardíaco regular em 2T,
abdome semigloboso indolor à palpação, ruídos
hidroaéreos presentes, eliminações vesicais e intestinais com características e freqüência normais.
Os exames laboratoriais revelam: Tempo de
Sangria = 45s, valor de referência (VR): até 5 min;
Tempo de coagulação = 7 min, VR: até 12 min; Plaquetas = 116.000/mm³, VR: 150 a 450 mil/mm³.
Hemácias = 3,2 milhões/mm³, VR: 3,6 a 5,0 milhões/mm³; Hemoglobina = 9,1g/dl, VR: 12 a 16
g/dl; Hematócrito = 28,1%, VR: 36 a 48%; Leucócitos = 2100 mm³, VR: 5000 a 10.000 mm³. A
paciente é bastante comunicativa e demonstra
satisfação com o tratamento recebido, porém está
muito ansiosa pela alta hospitalar devido à saudade
que sente dos 2 filhos e do marido, além de demonstrar preocupação com seus afazeres domésticos.
Planejamento da assistência de enfermagem
O ensino do autocuidado ao paciente portador
de LES é um aspecto essencial da assistência de
enfermagem por promover maior independência ao
indivíduo no momento de lidar com alterações relacionadas ao distúrbio, ao regime terapêutico, às
reações adversas de medicamentos e à sua segurança em casa(11).
Os problemas mais comuns nos pacientes com
LES incluem fadiga, integridade cutânea prejudicada,
distúrbio da imagem corporal e falta de conhecimento
para as decisões sobre o autotratamento. A assistência
de enfermagem deve ser voltada ao fornecimento de
informações sobre a doença, os cuidados de controle
diário e suporte social, além de atentar para a exposição
solar ou ultravioleta pela capacidade de aumentar ou
exacerbar a atividade da doença(11).
Neste estudo, os diagnósticos de enfermagem
identificados foram: Integridade da pele comprometida, Sistema imune comprometido, Retenção de
líquidos e Ansiedade moderada (Quadro 1). Observa-se que os diagnósticos de enfermagem estão
relacionados, principalmente, às alterações orgânicas acarretadas pela doença crônica e auto-imune
Bittencourt GKGD, Beserra PJF, Nóbrega MML. Assistência de enfermagem a paciente com lupus
eritematoso sistêmico utilizando a CIPE. Rev Gaúcha Enferm., Porto Alegre (RS) 2008 mar;29(1):26-32.
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(LES). O diagnóstico de Ansiedade moderada aparece como um aspecto peculiar da alta permanência
no hospital.
Algumas intervenções de enfermagem foram
realizadas junto à paciente, que, no momento da
Diagnóstico
de enfermagem
Resultado
esperado
coleta de dados, encontrava-se com uma necessidade
visível de verbalizar seus sentimentos e toda sua
trajetória antes de ser admitida na Clínica Médica
onde foi confirmado o diagnóstico de Lupus
Eritematoso Sistêmico (Quadro 1).
Intervenções de enfermagem
Integridade da pele
comprometida
Integridade da pele
melhorada
• Examinar diariamente a pele;
• Ensinar quanto à limpeza das lesões com sabonete antibacteriano;
• Orientar quanto ao uso de sabonete alcalino sobre a pele;
• Orientar quanto à aplicação de emolientes à área afetada;
• Orientar quanto ao uso de proteção durante exposição ao sol.
Sistema imune
comprometido
Sistema imune menos
comprometido
• Monitorar sinais e sintomas sistêmicos e locais de infecção;
• Monitorar a contagem de glóbulos brancos;
• Orientar quanto à necessidade de ingestão protéica adequada
com redução de sal, de lipídios e de carboidratos;
• Ensinar a paciente às formas de evitar infecção: boa higiene
corporal, lavagem das mãos ao usar o banheiro e antes das refeições, manterem as unhas limpas e cortadas.
Retenção de fluidos
Retenção de fluidos
reduzida
•
•
•
•
Ansiedade moderada
Ansiedade reduzida
• Oferecer informações sobre a doença e o tratamento;
• Encorajar a paciente a ouvir música, envolver-se em conversa,
relatar um acontecimento ou história;
• Encorajar a verbalização de sentimentos, percepções e medo;
• Ouvir atentamente a paciente.
Observar sinais de edema nos membros inferiores e na face;
Verificar os sinais vitais (T, P, R e PA) três vezes ao dia;
Fazer controle da ingestão de líquidos;
Explicar as reações adversas da corticoterapia.
Quadro 1 – Planejamento da assistência de enfermagem a uma paciente portadora de Lupus Eritematoso
Sistêmico. João Pessoa, 2006.
Legenda: T: temperatura; P: pulso; R: respiração; PA: pressão arterial.
O portador de LES necessita de constante
vigilância na tentativa de manter a remissão da
doença. O LES difere de outras doenças crônicas por
apresentar fases assintomáticas, existindo a tendência, por parte do paciente, de negligenciar nos cuidados com a saúde frente às medidas de prevenção
secundária. A necessidade de controlar-se é uma
preocupação, exigindo cuidados de saúde que oscilam
entre momentos de aflição e de descuido(12).
Como a paciente apresentava um estado geral
estável, as intervenções de enfermagem implementadas foram aquelas voltadas para a prevenção de
complicações decorrentes da doença e para a pro-
moção de uma melhoria na qualidade de vida da
paciente, uma vez que, a partir daquele momento,
ela precisaria conhecer sobre a doença, a terapia
medicamentosa e os cuidados que deveria ter para
a recuperação de sua saúde.
Num estudo desenvolvido numa região de clima
tropical, as manifestações cutâneas foram as mais
freqüentes entre os pacientes com LES, o que revela
a influência da radiação solar ainda maior nos meses
de verão(13). Neste estudo, discorre-se sobre a preocupação com a educação em saúde, no sentido de incentivar a adequada proteção solar da população, em
especial dos pacientes portadores de LES.
Bittencourt GKGD, Beserra PJF, Nóbrega MML. Assistência de enfermagem a paciente com lupus
eritematoso sistêmico utilizando a CIPE. Rev Gaúcha Enferm., Porto Alegre (RS) 2008 mar;29(1):26-32.
Na paciente em estudo, a integridade da pele
comprometida foi considerada o problema prioritário, por isso, os cuidados com os problemas dermatológicos mostraram-se essenciais na assistência de
enfermagem. O uso de agentes antimicrobianos mata ou impede o crescimento de organismos infecciosos. O tratamento do ressecamento da pele faz-se
necessário, uma vez que a pele seca pode produzir
áreas de dermatite com rubor, prurido, descamação,
edema, formação de bolhas, rachaduras e exsudação.
Além disso, o cuidado com a hidratação efetiva da
pele é importante porque evita o comprometimento
da camada de barreira da pele(11).
Na tentativa de minimizar o comprometimento do sistema imune, fez-se necessária a orientação
sobre uma nutrição balanceada com ingestão de
proteínas, redução de sal, de lipídios e de carboidratos. A nutrição adequada é essencial para o
funcionamento ótimo do sistema imune. A ingesta
inadequada de vitaminas e proteínas pode levar à
deficiência protéico-calórica e, conseqüentemente,
à função imune prejudicada. A depleção de reserva
protéica resulta em atrofia dos tecidos linfóides, depressão da resposta de anticorpos, redução do número de células T circulantes, o que pode aumentar
a susceptibilidade à infecção(11).
A corticoterapia acarreta, em curto prazo, algumas complicações, como retenção de líquidos,
retenção de sódio, perda de potássio e hipertensão.
Por esse motivo, foi essencial a atenção aos sinais
de edema, bem como os cuidados com os sinais vitais
da paciente.
Na busca da redução da ansiedade demonstrada pela paciente, fez-se necessário oferecer informação sobre a doença e o tratamento a que estava
submetida. Oferecer informações ao paciente, ouvir
atentamente, avaliar seus medos e suas preocupações proporciona ao profissional de saúde a oportunidade para neutralizar a ansiedade indevida e
restaurar a realidade da situação, isto porque, apoiar
os esforços de um paciente num momento de
adaptação pode ser valioso na promoção da autoaceitação e socialização(11).
Implementadas as intervenções mencionadas,
observou-se que a paciente apreendeu as orientações
repassadas, bem como verbalizou seus sentimentos,
relatou toda sua trajetória vivenciada antes da internação na Clínica Médica e demonstrou interesse em
adotar condutas que antes não faziam parte de sua
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rotina, como o uso de protetor solar durante a exposição ao sol e a ingestão de uma dieta hipossódica.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A aplicação do processo de enfermagem fundamentado na Teoria das Necessidades Humanas
Básicas de Horta(2) direciona a assistência de enfermagem na busca de soluções para o atendimento
das necessidades afetadas do paciente. É importante
mencionar que, através do processo de enfermagem,
os cuidados prestados são individualizados e direcionados aos problemas de saúde do paciente que
requerem a assistência de enfermagem.
A utilização dos diagnósticos de enfermagem
na prática de enfermagem possibilita o aperfeiçoamento e a atualização dos conhecimentos de enfermeiras, proporcionando raciocínio clínico e visão
crítica sobre a temática. Além disso, permite o registro do trabalho da Enfermagem, resultando em
maior visibilidade profissional(14).
O emprego da CIPE® Versão Beta 2 possibilitou o planejamento da assistência de enfermagem
através da identificação dos diagnósticos de enfermagem, que necessitavam de intervenções de enfermagem, de forma que os padrões de cuidados estabelecidos permitiram a operacionalização do processo
de enfermagem. Acredita-se que o uso da CIPE® na
prática profissional estabelece uma melhoria na qualidade da assistência, bem como promove uma maior
visibilidade da atuação da enfermagem através do
registro das atividades implementadas.
Apesar da cultura do cuidado centrar-se no
domínio da técnica e do conhecimento das ciências
biológicas, é possível tratar o paciente como ser
humano em sua complexidade com determinantes
culturais, ambientais, familiares e emocionais(15).
Neste estudo, os resultados obtidos demonstram que
a assistência de enfermagem a uma paciente portadora
de Lupus Eritematoso Sistêmico foi direcionada para
a prevenção de complicações decorrentes da doença e
para a promoção da melhoria de qualidade de vida. A
paciente demonstrou uma boa apreensão no que se
refere às intervenções de enfermagem estabelecidas e
verbalizou os seus sentimentos. Acredita-se que um
fato importante para o alcance dos resultados foi o
relacionamento empático entre o ser que cuida e o ser
que é cuidado, visto que promoveu uma relação de
respeito mútuo e de confiança.
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Bittencourt GKGD, Beserra PJF, Nóbrega MML. Assistência de enfermagem a paciente com lupus
eritematoso sistêmico utilizando a CIPE. Rev Gaúcha Enferm., Porto Alegre (RS) 2008 mar;29(1):26-32.
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Endereço da autora / Dirección del autor /
Author’s address:
Greicy Kelly Gouveia Dias Bittencourt
Av. Cristóvão Colombo, 4105, ap. 902B, Higienópolis
90560-005, Porto Alegre, RS
E-mail: [email protected]
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Recebido em: 15/08/2007
Aprovado em: 31/01/2008
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