MICOBIOTA ISOLADA DO SEDIMENTO DA LAGOA OLHO
D’ÁGUA, JABOATÃO, PE
Lima, V. H. M.(1); Fraccanabbia, M. R.(2); Correia, J. M. M.(2); Neves, R. O.(2);
Santos, I. P.(3); Lima, V. L. M(4); Cavalcanti, M. C.(5) [email protected]
(1)
Bolsista CAPES, Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciências
Biológicas, Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, Recife – PE, Brasil;
(2)
Discente do curso de Bacharelado em Ciências Biológicas, Universidade Federal de
Pernambuco – UFPE, Recife – PE, Brasil;
(3)
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas, Universidade
Federal de Pernambuco – UFPE, Recife – PE, Brasil;
(4)
Doutora, Professora Associado IV, Departamento de Bioquímica, Universidade
Federal de Pernambuco – UFPE, Recife – PE, Brasil;
(5)
Doutora, Professora Auxiliar IV, Departamento de Micologia, Universidade Federal
de Pernambuco – UFPE, Recife – PE, Brasil.
RESUMO
A micobiota do solo da lagoa Olho D’Água, Jaboatão Guararapes, estado de
Pernambuco, foi estudada em três pontos, no período seco e chuvoso. Após as coletas,
as amostras foram submetidas à suspensão sucessivas em água destilada e esterilizada
até a obtenção da diluição de (1:5000), posteriormente uma alíquota de 1mL foi
semeada em placa de Petri em triplicata, contendo meio Ágar-Sabouraud, acrescido de
cloranfenicol (50mL-1), e deixadas a temperatura ambiente (28 ± 2°C), durante 3 a 4
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dias para o desenvolvimento das colônias fúngicas. Em três amostras de solo foram
identificados 18 táxons, sendo os fungos anamórficos os mais representativos. O
maior número de espécies e unidades formadoras de colônias foi registrado na época
chuvosa. Observou-se influência sazonal na ocorrência dos fungos. Essa pesquisa é
relevante, uma vez que poderá contribuir para o conhecimento da micobiota desse
ecossistema, bem como servirá de subsídios para estudos futuros.
Palavras-chave: Fungos, Solo, Identificação.
INTRODUÇÃO
Os fungos são capazes de viver em diversos habitats como sapróbios,
parasitas e simbiontes (Christensen, 1989). Como sapróbios participam
na decomposição da matéria orgânica tanto no solo como na água
tornando os substratos mais palatáveis para os detritívoros (Butler &
Suberkropp, 1986). Nos ecossistemas terrestres são capazes de utilizar
íons e matéria orgânica, como fonte de carbono disponível no ambiente
(Sinsabaugh & Arthur, 1987).
Trabalhos relacionados à ecologia de fungos em ambientes aquáticos
têm sido desenvolvidos por vários pesquisadores (Francová, 1993;
Marano et al. 2010). Em Recife foram realizadas pesquisas sobre
fungos na praia de Boa Viagem (Pinto, 1989). Pinto (1989) isolou 68
espécies de fungos filamentosos da água do mar, com predominância de
Deuteromycota (86%). Em São Paulo, Schoenlen-Crusius et al. (1992)
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estudaram a decomposição de folhas de Quercus rubor L., Ficus
microcarpa L. e Alchornia triplinervea (Spreng) M. Arg. contidas em
bolsas de náilon e submersas em um ribeirão, numa reserva biológica
(Paranapiacaba); 31 táxons foram identificados, sendo 20 de fungos
zoospóricos.
Fungos potencialmente patogênicos ao homem e a outros animais foram
isolados de ambientes aquáticos e em áreas de contato, como areia e
lama (Khulbe et al. 1993). Dabrowa et al. (1964) sugeriram que a zona
interdital pode constituir um reservatório de fungos potencialmente
patógenos e que certas infecções fúngicas podem ser adquiridas pelo
contato com essas áreas.
Muitos são os meios de cultura e iscas usados para isolamento de
fungos de ambientes aquáticos. Howe et al. (1993) usaram, entre outros
componentes do meio, a farinha de milho, enquanto Shaumann &
Priebe (1994) empregaram o meio Sabouraud, com antibióticos, para o
isolar fungos de tecidos somáticos do salmão do Atlântico. Sabouraudágar, Czapec-dox-ágar e extrato de malte-ágar, com tetraciclina, foram
empregados por Franková (1993) para isolar Deuteromycota de solo e
água.
Em vista da importância dos fungos nos ecossistemas onde vivem e da
necessidade de caracterização da micobiota, procurou-se neste trabalho
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verificar a ocorrência e distribuição de fungos filamentosos e
leveduriformes nos períodos seco e chuvoso. Em decorrência da falta de
maiores estudos sobre a ocorrência de fungos do solo no ambiente de
manguezal no Brasil e principalmente em Pernambuco o presente
trabalho é de relevante importância para o conhecimento da micobiota
desse ecossistema, além de acrescentar subsídios para estudos de
preservação e ecologia. Tendo por objetivo realizar o levantamento e
identificação da micobiota do solo da lagoa Olho D’Água.
MATERIAL E MÉTODOS
As coletas foram efetuadas na Lagoa Olho D’Água, no Município de
Jaboatão dos Guararapes, PE, nos períodos seco (fevereiro de 2013) e
chuvoso
(julho
de
2013)
em
três
pontos
equidistantes
(aproximadamente 3 metros), tomando como referência o Conjunto
Residencial Dom Helder Câmara. A lagoa situa-se entre as coordenadas
geográficas de 8°12’00.94”S e 34°56’28.11”W, (Global Positioning
System) Garmin. (Figura 1).
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Figura 1. Localização das estações de coleta do
solo da lagoa Olho D’Água. (Google Map,
2010).
Sua vegetação atual é composta principalmente de pequenos
remanescentes de manguezais. A lagoa está praticamente cercada por
áreas residenciais não planejadas, responsáveis pelo despejo de esgoto
em sua bacia causando prejuízos principalmente para a comunidade
ribeirinha.
Após as coletas, as amostras foram encaminhadas ao Laboratório de
Fungos Aquático do Departamento de Micologia da Universidade
Federal de Pernambuco (UFPE), onde foram submetidas à técnica de
(Warcup, 1967) modificada, que consistiu em peneirar 25g de solo, em
seguida foi suspenso em 225 mL de água destilada e esterilizada até a
obtenção de uma diluição de 1:5000 da suspensão final foi retirado 1mL
e semeada em placas de Petri em triplicata, contendo meio Ágar5
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Sabouraud adicionado de cloranfenicol (50mL-1), e deixadas à
temperatura ambiente (28 ± 2°C), durante 3 a 4 dias para o
desenvolvimento das colônias. Após crescimento foram transferidas
para tubos de ensaio contendo o meio Batata-Dextrose-Ágar (BDA),
acrescido de cloranfenicol (50mL-1), sempre que necessário as colônias
foram transferidas para meio específico de acordo com a carência
nutricional de cada táxon. A identificação das espécies foi baseada em
características macro e microestruturais e análise comparativa com
parâmetros estabelecidos pela literatura especializada. Foi utilizado o
índice de Bray Curtis (Legendre & Legendre, 1998) para verificar a
similaridade entre os períodos de coleta seco e chuvoso.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram isolados 18 táxons do solo da lagoa Olho D’Água, no Município
de Jaboatão dos Guararapes, PE, dos quais, 12 no período seco, 17 no
período chuvoso. Aspergillus niger Tiegh. e Penicillium simplicissimum
(Oudem.) Thom predominou em ambos os períodos (seco e chuvoso)
com (21,5% e 26,2%) e (17,4% e 23,2%), respectivamente. (Figura 2).
O gênero Aspergillus foi o mais frequente, seguido de Penicillium e
Acremonium.
Alguns
gêneros
não
apresentaram
diferenças
significantiva p>0,05 nos percentuais quando comparados os períodos.
O período chuvoso foi o que demonstrou maior variedade de espécie e
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frequência de fungos, sendo semelhante ao que foi apresentado por
Bernardi et al. (2006), onde os fatores climáticos foram responsáveis
pela variação na frequência dos fungos. A grande ocorrência dos
gêneros Aspergillus, Penicillium e Acremonium em detrimento a outros,
pode indicar elevados índices de poluição por agrotóxicos e/ou metais
pesados segundo os estudos de Colla et al. (2008), que isolaram fungos
de solo contaminado por herbicidas. Solos contaminados por metais
pesados apresentam uma significante redução na diversidade de fungos
sendo, exceção os gêneros aqui citados, de acordo com Shoenlein et al.
(2008) indicando que algumas espécies são resistentes a poluição. Os
resultados diferem dos obtidos por Grandi & Silva (2003) que
investigaram Hyphomycetes sobre folhas em decomposição.
Figura 2. Percentual dos fungos isolados no período seco e chuvoso.
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O número reduzido de táxos no período seco pode estar associada a
concentração de poluentes, o que explicaria a pouca incidência nos dois
períodos. No entanto, o próprio ambiente e suas variáveis abióticas
possivelmente podem ser fatores limitantes a variedade de espécies. Os
gêneros Aspergillus, Penicillium e Acremonium são mais abundantes
em ambientes perturbados por ação antrópica e possuem grande
resistências as variáveis ambientais, resultados semelhantes foram
apresentados por Gomes et al. (2008) isolaram fungos filamentosos de
solo e água de praias em Olinda.
A similaridade entre os períodos estudados foi de 29.57%
demonstrando uma acentuada influência e diferenciação da micobiota
pelos fatores climáticos ou por variações na concentração de
substâncias poluentes devido ao aumento e diminuição das chuvas nos
períodos estudados.
CONCLUSÃO
Os gêneros mais frequentes no estudo foram Aspergillus e Penicillium.
Algumas espécies não apresentaram diferença significativa entre os
períodos estudados.
Índice de similaridades entre as estações foi baixo (29.57%), o que
demonstra uma modificação em decorrência da mudança climática.
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Também é possível sugerir que o ambiente sofre com a ação antrópica
com os efluentes domésticos e agroindustriais.
AGRADECIMENTOS
Agradeçemos a CAPES pela concessão da bolsa de Pesquisa e a equipe
do Laboratório de Fungos Aquáticos da Universidade Federal de
Pernambuco pelo desprendimento no auxílio nas coletas.
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