VARIABILIDADE ESPACIAL DO FÓSFORO NO SISTEMA FERTIRRIGADO E
SEQUEIRO NA CAFEICULTURA TECNIFICADA DO CERRADO
Marcos André Silva Souza1, Douglas Ramos Guelfi Silva 2, Elias Nascentes Borges3
1
UFLA/ DCS – Doutor em Solos e Nutrição de Plantas, CP 3037- Lravas - MG, e-mail:
[email protected]
2
UFLA/ DCS - Mestre em Solos e Nutrição de Plantas, CP 3037- Lravas - MG, e-mail:
[email protected]
3
UFU/ ICIAG– Prof. Titular Manejo e Conservação do solo e da água – MG e-mail: [email protected]
Resumo- A cafeicultura ganhou novo impulso quando da sua expansão para áreas do cerrado
principalmente com a construção da fertilidade do solo. Dentre os vários nutrientes essenciais ao
desenvolvimento das plantas destaca-se, em especial o fósforo por sua grande fixação e baixa
disponibilidade em solos tropicais. Além disso, os solos apresentam uma variabilidade vertical e horizontal
em seus atributos. Essas variações observadas nos atributos químicos e físicos do solo interferem
diretamente na produtividade das lavouras cafeeiras. Atualmente uma grande ferramenta vem auxiliar os
métodos tradicionais de amostragem e análise aumentando a confiabilidade dos resultados atuais a
geoestatística, pois a amostragem simples é insuficiente para a caracterização dessas variabilidades. Dessa
forma, o presente trabalho teve o objetivo de avaliar a variabilidade espacial do fósforo no sistema
fertirrigado e sequeiro na região sob copa do cafeeiro em duas profundidades. Após coleta e quantificação
+
do fósforo e com auxílio do programa GS realizou-se a modelagem e krigagem onde verificou-se
independência espacial (amostragem ao acaso) para o sistema fertirrigado e sequeiro.
Palavras-chave: mapeamento, solo,
Área do Conhecimento: Agronomia
café
Introdução
O nutriente limitante a produtividade das
culturas nas regiões tropicais é o fósforo (NOVAIS
e SMYTH, 1999). Naturalmente esses solos
tropicais apresentam minerais com elevada
capacidade de adsorção especifica em especial
Fe e Al o que reduz em muito a sua
disponibilidade para as plantas. Técnicas
agrônomicas como a realização de calagem,
aplicação localizadas de fontes solúveis e
parcialmente soluveis e aumento da matéria
orgânica são utilizadas para amenizar a sua
fixação.
Além do conhecimento da fixação do fósforo no
solo é de fundamental importância saber da sua
distribuição espacial que pode ser influenciada
pela variabilidade nos atributos físicos e químicos
tanto horizontalmente quanto verticalmente
resultante de processos naturais de formação,
intemperização e principalmente pelo sistema de
manejo empregado quando já consolidado o
cultivo por vários anos.
Sendo assim, uma amostragem baseada em
média aritmética, pode não representar de forma
confiáveis as concentrações dos nutrientes no
solo, pois sua variabilidade pode ser ao acaso ou
apresentar dependência espacial.
Dessa forma, o objetivo desse trabalho foi
avaliar a variabilidade espacial do nutriente fósforo
na região da copa do cafeeiro “saia” no sistema
fertirrigado e sequeiro em duas profundidades.
Metodologia
O experimento foi conduzido em um Latossolo
Vermelho distrófico, Textura argilosa em relevo
suave ondulado na Fazenda Experimental do
Glória, pertencente à Universidade Federal de
Uberlândia, MG . O clima predominante na região
pela classificação de Koppem, é o Aw que
caracteriza-se como sendo tropical chuvoso (clima
de savana), megatérmico, com invernos seco. O
café (Coffea arabica) cultivado na área é o “Catuaí
Vermelho 99” com 2,5 anos de idade, plantado no
espaçamento de 3,5 x 1,0 m (uma planta por
cova). O manejo de adubação consta de
adubação de plantio, efetuada conforme resultado
da análise do solo e recomendação recomendada
a
pela 5 aproximação (CFSEMG) Comissão de
Fertilidade de Solos do Estado de Minas Gerais
(1999). A adubação de manutenção da cultura
inclui de fertirrigação e aplicação do granulado 2005-20, na área sob regime de sequeiro. Foram
demarcadas 2 malhas (talhões) contendo cada
uma 8 linhas de 5 x 48 m cada, contendo 5
pontos eqüidistantes de 12 x 3,5 m, os quais
foram georreferendados com o uso do Sistema de
Posicionamento Global (GPS). Para a marcação e
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o georeferenciamento, os pontos foram alocados
em seqüência, na região copa do cafeeiro “saia da
planta”. Uma malha foi submetida à irrigação pelo
sistema de gotejamento, realizado diariamente,
com quantidade baseada em suprir com 120% a
quantidade de água evaporada no tanque classe A
instalado na área. A outra malha foi submetida ao
regime de sequeiro, ou seja, o fornecimento de
água às plantas somente pela precipitação
pluviométrica local. Após georrefenciamento dos
pontos eqüidistantes de 12 m x 3,5m, foram
efetuadas as amostragens nas profundidades de
0-20 e 20-40 cm no sítio de amostragem
utilizando-se para a quantificação do fósforo a
metodologia preconizada pela EMBRAPA (1997).
Após os procedimentos analíticos das amostras,
realizou-se a análise geoestatística utilizando o
+
software GS (ROBERTSON, 1998).
Figura 2 – Modelo do semivariograma fósforo no sistema fertirrigado
na profundidade 20-40 cm.
Resultados
Tabela 1- Variabilidade espacial da concentração
do fósforo no sistema fertirrigado e
sequeiro em duas profundidades.
Tratame
ntos
Profundidade
(cm)
Modelo
Co
Co +
C
a
Sistema
fertirrigad
o
0 -20 cm
EPP
7,5509
7,55
-
Sistema
fertirrigad
o
20-40 cm
LSP
3,3766
4,69
-
Sistema
sequeiro
0- 20 cm
LSP
5,7085
6,78
-
Sistema
sequeiro
20- 40 cm
EPP
0,8302
0,83
-
Figura 3 – Modelo do semivariograma fósforo no sistema sequeiro na
profundidade 0-20 cm.
Figura 4 – Modelo do semivariograma fósforo no sistema sequeiro na
profundidade 20-40 cm.
Co- Efeito Pepita; Co + C – Patamar; a – alcançe (m)
Figura 5 – Distribuição espacial fósforo no sistema fertirrigado na
profundidade de 0-20 cm.
Figura 1 – Modelo do semivariograma fósforo no sistema fertirrigado
na profundidade 0-20 cm.
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usada para estudos e interpretações de
resultados, uma vez, que a variabilidade
apresentada foi ao acaso. Entretanto, isto não
quer dizer, que não exista variância, podendo a
dependência espacial ocorrer em uma distância
menor do que a amostrada (VIEIRA, 2000).
Figura 6 – Distribuição espacial fósforo no sistema fertirrigado na
profundidade de 20-40 cm
Já para o sistema fertirrigado na profundidade
de 0-20 cm e 20-40 cm, Figuras 2 e 3, o modelo
que melhor se ajustou foi o linear sem patamar
(LSP). Esse modelo indica um fenômeno
caracterizado por uma infinita capacidade de
dispersão, sendo o tamanho da malha insuficiente
para detectar tal dependência.
Conclusão
Independente do sistema de manejo adotado e
profundidade a distribuição espacial do fósforo na
área da copa do cafeeiro não apresentou
dependência espacial método clássicos podem ser
utilizados satisfatoriamente.
Referências
Figura 7 – Distribuição espacial da saturação de bases (%) no sistema
sequeiro na profundidade de 0-20 cm.
- DALAL, R. C. Soil organic phosphorus.
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- EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de
Solos. Manual de métodos de análise de solo. 2.
ed. rev. Atual. Rio de Janeiro, 1997. 212 p.
Figura 8 – Distribuição espacial da saturação de bases (%) no sistema
sequeiro na profundidade de 20-40 cm.
Discussão
A modelagem para o nutriente fósforo nos
diferentes sistemas de manejo e profundidade é
apresentada na Tabela 1. Observa-se na tabela
que para o sistema fertirrigado na profundidade
de 0-20 cm e sequeiro 20-40 cm o modelo que
melhor ajustou- se foi o efeito pepita (EPP)
Figuras 1 e 4 . Esse modelo indica uma tendência
geral de independência espacial não sendo
explicada pela distância amostral (McBRATNEY e
WEBSTER, 1986) Nesse caso, é possível inferir
que as metodologias tradicionais como a utilização
de médias e técnicas de amostragem pode ser
-GUIMARÃRES,
P.
C.;GARCIA,A.W.R.;
ALVAREZ, V.H; PREZOTTI, L.C.; VIANNA, A. S.;
MIGUEL,A. E.; MALAVOLTA, E.; CORRÊA, J. B.;
LOPES, A. S.; NOGUEIRA, D. D.; MONTEIRO,
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