Apologética – Mês da Educação Cristã 2013
Devo crer na Bíblia porque por ela Deus orienta toda a minha vida
Essa é a afirmação que deve servir de bússola para a vida de todo o cristão sincero e
comprometido com Deus e com a sua Palavra, a Bíblia Sagrada.
Primeiro porque Deus mesmo ordenou que a Bíblia fosse escrita, Êxodo 34.27-28. Em segundo
lugar, porque é a partir da revelação bíblica que tomo conhecimento dos termos da Aliança de Deus
com o Homem e, em especial, comigo, para a minha salvação.
A promessa dessa nova aliança é indicada em Jeremias 31.31-33, e essa nova aliança foi
selada com o sangue de Jesus, em seu sacrifício voluntário e sua morte expiatória por nós na cruz,
Mateus 26.28. Essa nova aliança é superior à antiga aliança, firmada em promessas futuras, com
símbolos e com sangue de animais, posto que Jesus alcançou, ou seja, realizou o ministério tanto
mais excelente, sendo o único Mediador de UM NOVO E MELHOR TESTAMENTO, uma Aliança ou um
Pacto, que é confirmada em melhores promessas, Hebreus 8.6, de salvação, perdão de pecados e
vida eternam João 3.36.
Em terceiro lugar, porque tudo o que foi escrito na Bíblia é para me ensinar, me orientar,
sobre todos os aspectos da minha vida, em especial para a minha salvação, Romanos 15.4.
Sobre esta afirmação de Romanos 15.4, podemos destacar o seguinte:
a)
A palavra “escrito” é um termo que tem na Bíblia, em Mateus 21.42, Atos 8.35, 2
Pedro 3.16 e Tiago 2.8, o sentido de Escrituras Sagradas, incluindo o Antigo Testamento, as Cartas de
Paulo, os Evangelhos e os versos bíblicos citados pelos profetas, pelos poetas, pelos escribas, por
Jesus, pelos apóstolos e pelos escritores inspirados por Deus, ou seja, a Bíblia em sua totalidade.
b)
O termo “ensinar” tem o sentido de instruir na doutrina como resultado uma ação
ministerial por parte daqueles que receberam o dom do Espírito Santo para o ensino, o Dom de
Mestre, na Igreja, e que têm a responsabilidade de ensinar aos demais irmãos para que adotem uma
conduta adequada à vida cristã e à salvação em Cristo.
Se assim cremos e entendemos, posto que assim nos revela a Bíblia Sagrada, podemos
entender a razão pela qual nós Batistas optamos pela posição doutrinária que assevera que a Bíblia é
a Revelação escriturística de Deus sobre Jesus Cristo, em linguagem humana, verdadeira, inerrante,
clara, necessária e suficiente para a nossa salvação e para a vida cristã autentica e biblicamente
orientada, visto que aponta para Jesus como o Salvador vindouro, no Antigo Testamento, e que, no
Novo testamento, nos revela Jesus Cristo como o salvador encarnado, que morreu por nós na cruz,
para a nossa salvação, sendo, por isso, a nossa única regra de fé, prática e conduta.
Porém, o que entendemos desta assertiva? O que significa para nós dizer que a Bíblia é
verdadeira, inerrante, clara, necessária e suficiente para a nossa salvação e para a vida cristã que nos
é exigida?
Vejamos:
1.
A Bíblia é Verdadeira: Tal assertiva indica que devemos julgar a fidedignidade da
Escritura Sagrada de acordo com aquilo que as afirmações nela contidas significavam no ambiente
cultural em que foram escritas. Devemos ler a Bíblia de acordo com as formas e os padrões de sua
própria cultura, pois as afirmações bíblicas são plenamente verdadeiras quando julgadas de acordo
com o propósito para o qual foram escritas. Devemos considerar o propósito do texto antes de
avaliarmos se ele é verdadeiro e inerrante, Salmo 119.160 e João 17.17.
2.
A Bíblia é Inerrante – a Inerrância das Escrituras Sagradas: No estudo sobre a
inerrância das Escrituras Sagradas devemos ter em mente que as dificuldades de se explicar o texto
bíblico não devem ser prejulgadas como indícios de erros, mas sim devem nos servir de incentivo
para prosseguirmos no estudo bíblico, buscando elucidar com a maior precisão as possíveis tensões
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surgidas em nossa compreensão e proclamação bíblicas. De acordo com o testemunho da própria
Escritura Sagrada, a forma verbal e o registro escrito da revelação bíblica e da mensagem apostólica
são integralmente verdadeiros e isentos de erros, e são apresentados na própria Bíblia Sagrada, tanto
no Antigo como no Novo Testamento, como Palavra de Deus escrita e dotada de autoridade. Assim
sendo, a inerrância das Escrituras significa que a Bíblia, nos seus manuscritos originais, não afirma
nada que seja contrário aos fatos revelados por Deus e inspirados pelo Espirito Santo, bem como
nada que seja contrário ao caráter de Deus. O termo inerrância aponta para a infalibilidade e a
fidedignidade do Texto Sagrado, Salmo 19.7-11, 1 Coríntios 1.18-25.
3.
A Bíblia é Clara – a Clareza das Escrituras Sagradas: Tal declaração quer dizer que a
Bíblia foi escrita de tal modo que todas as coisas necessárias para a salvação, para a vida cristã e para
o nosso crescimento espiritual são nela demonstradas com clareza e que, por isso, ao nos revelar o
caráter de Deus e suas leis morais, ela se faz necessária para conhecermos o verdadeiro Evangelho e
a vontade de Deus para as nossas vidas, Salmo 119.105 e Lucas 24.44-45.
A Bíblia é Necessária: O se afirma com essa assertiva é que a Bíblia foi escrita de tal
4.
modo que todas as coisas necessárias para a salvação, para a vida cristã e para o nosso crescimento
espiritual são nela demonstradas com clareza e que, por isso, ao nos revelar o caráter de Deus e suas
leis morais, ela é necessária para conhecermos o verdadeiro Evangelho e a vontade de Deus para as
nossas vidas, Salmo 119.9-11, 97-100 e 130, João 5.30-40.
5.
A Bíblia é Suficiente – A Suficiência das Escrituras Sagradas: A Bíblia não só nos revela
Deus, suas leis morais, Jesus Cristo e seus propósitos para a restauração da Criação e para a nossa
salvação e regeneração. Ela, por si só, é suficiente como Palavra de Deus e nos revela todas as
palavras que Deus mesmo pretendia que conhecêssemos em sua revelação progressiva sobre o plano
de salvação em Jesus Cristo. A Bíblia nos revela tudo o que precisamos que Deus nos diga para a
nossa salvação, para confiarmos e crermos nele, para que o obedeçamos e para que sejamos bemsucedidos em todas as áreas da nossa vida e em todos os níveis de relacionamentos, metapessoal1,
com Deus, intrapessoal, comigo mesmo, e interpessoal, com o próximo, Salmo 119.9 e 96, 2 Timóteo
3.15.
Face ao exposto, não há exagero em afirmar que quem não crê na Bíblia como Palavra de
Deus Inspirada, verdadeira, inerrante, clara, necessária e suficiente para nos revelar o caráter de
Deus, suas leis morais, o propósito de salvação em Jesus Cristo e o tipo de vida, de conduta, que
devemos adotar como cristãos verdadeiramente salvos, não tem salvação.
Tal afirmação se justifica na própria Bíblia Sagrada. Paulo, em Gálatas 3.24, assevera que a Lei
de Deus é o nosso tutor, παιδαγωγὸς, o nosso pedagogo, até chegarmos a Cristo, para que sejamos
justificados pela fé.
Penso que neste caso, a melhor versão é a da Bíblia King James, onde lemos: “Desse modo, a
Lei se tornou nosso tutor, παιδαγωγὸς, pedagogo, a fim de nos conduzir a Cristo, para que por
intermédio da fé fôssemos justificados”, Gl 3.24.
O pedagogo era o escravo que acompanhava as crianças à escola e que cuidava apenas da
pedagogia, do ensino, agindo como mestre e professor, o tutor educacional, da criança, para todas as
áreas de sua vida.
Além de ser o nosso tutor, o nosso Mestre para a salvação, a Lei de Deus, ou seja, as Escrituras
Sagradas, a Bíblia Sagrada é Inspirada por Deus, é verdadeira, inerrante, clara, necessária e suficiente,
como bem nos alerta o apóstolo Paulo em 2 Timóteo 3.16-17.
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Neologismo que uso para me referir ao nosso relacionamento com Deus, que é espiritual, transcendente e sobrenatural,
mas que é também, ao mesmo tempo, imanente, pessoal, racional e emocional, Romanos 12.1-2.
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Paulo, movido pelo espírito Santo, escreve: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o
ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus
seja apto e plenamente preparado para toda boa obra”, 2Tm 3.16-17.
Neste alerta de Paulo a Timóteo e a nós hoje, Igreja de Jesus Cristo, fica evidente que toda a
Escritura, isto é, Bíblia inteira, é inspirada por Deus e útil para:
i.
Ensinar – Para a prática do dom de Mestre dado pelo Espírito Santo.
ii.
Repreender – Que é a reprovação imposta ao infrator e que gera nele a convicção de
culpa, de erro e de pecado.
iii.
Corrigir – Correção neste caso é a reprimenda, a disciplina ou o castigo que se impõe
ao rebelde e contumaz, visando aprimorar o seu caráter e a sua restauração espiritual,
mora, social e eclesial.
i.
Instruir na justiça – Instrução neste verso é a educação que a pessoa recebe do
pedagogo, como um treinamento disciplinar rígido e rigoroso para a vida como um
todo, assim como se fazia com as crianças.
ii.
Preparar – O conceito do termo no verso é o de qualificar, preparar, tornar capaz,
completo e proficiente, ou seja, competente e eficiente no que faz, e capaz, preparado
e conhecedor de suas tarefas, e que alcança bom aproveitamento em tudo o que
realiza na vida, no trabalho, na sociedade, na família, na Igreja e para Deus (veja
Deuteronômio 28.1-14, Josué 1.8, Marcos 12.24 e Atos 17.11-12).
Ou seja, a Bíblia é útil, ὠφέλιμος, ôfélimos, para ensinar, repreender, corrigir e para instruir
na justiça de Deus. O conceito de utilidade expresso no texto é profundo e tem o sentido de auxílio e
ajuda que trazem benefício e que agregam valor à existência, à espiritualidade, à vida, à moral e a
vivencia na em família, na sociedade e na Igreja Local.
Tal utilidade da Bíblia Sagrada não só justifica a leitura diária devocional da bíblia e o seu
estudo cognoscitivo, na EBD, e hermenêutico, doutrinário e teologal, em grupos de capacitação ou
pela prédica de sermões, como também ressalta a relevância da afirmação de que a Bíblia é útil para
que sejamos cristãos aptos e plenamente preparados para toda boa obra e para vida.
Se você não lê a Bíblia e se não crê que ela é a Palavra de Deus Inspirada, verdadeira,
inerrante, clara, necessária e suficiente, e se não a considera, para a sua vida pessoal, em todos os
aspectos, útil para te ensinar, repreender, corrigir, instruir e te tornar apto, ou seja, capacitado e
plenamente preparado para a espiritualidade, existência e vida pessoal, para os relacionamentos, a
família, a integração eclesial e comunhão cristã em amor, e para a salvação e testemunho cristão
digno, puro, santo e verdadeiro, você está com um grande problema; você precisa se converter, na
verdade.
Deus te ajude e nos bençoe.
Amém.
Pr. Fernando Fernandes
PIB em Penápolis, 21 de abril de 2013
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