02 A Palavra do Pastor Entre Irmãos-Diocese de Coxim-Boletim Informativo-Ano 2010- Fevereiro - III Série- nº 78 Somos um povo escolhido por Deus! “O Senhor teu Deus te escolheu entre todos os povos da terra, para seres o seu povo preferido. O Senhor vos escolheu, porque vos amou” Queridos irmãos e irmãs, o primeiro número do nosso boletim coincide com o início da Quaresma e do novo Ano Pastoral. E o início de toda atividade humana é sempre cheio de esperança. Nós também queremos testemunhar ao mundo que Jesus é o nosso único Salvador e dirige a nossa história. No segundo semestre do ano passado, aconteceram vários fatos que – como um terremoto – podiam abalar a nossa fé. Mas, graças a Deus, estamos saindo do ‘inverno’ para saborear a beleza da primavera. Deus está conosco! Mas não podemos deixar cair em vão o convite da Quaresma: “Convertei-vos; reconciliai-vos com Deus e com os irmãos”. RECONCILIAÇÃO Eu acho que, neste momento, todos precisamos disso. Antes de tudo, aceitar o que tantas vezes cantamos: “Somos povo santo e pecador”, mas somos também povo escolhido por Deus. As palavras de Moisés, antes de morrer, são oportunas para nós: “O Senhor teu Deus te escolheu entre todos os povos da terra, para seres o seu povo preferido. O Senhor vos escolheu, porque vos amou”. E como o povo pode retribuir o mesmo amor? Sempre Moisés ensina: “E agora, Israel, o que é que o Senhor teu Deus te pede? Apenas que o temas e Andes em seus caminhos; que ames e sirvas ao Senhor teu Deus, com todo o teu coração e com toda a tua alma”. Na revelação do N.T. sabemos que o amor a Deus se demonstra com o amor ao próximo. Ponto de partida para uma verdadeira reconciliação é aceitar os limites: próprios e dos outros. A perfeição não existe na terra: só Deus é perfeito. A sinceridade e a coragem da clareza são também fundamentais para um autêntico relacionamento fraterno. Esconder-se no anonimato é velhacaria. Atirar pedras nos outros é inconsciência e soberba: “Quem estiver sem pecado, atire a primeira pedra”. Entre as Fábulas de Esopo, tem uma com o título: “Os dois sacos” e diz: “Quando Prometeu fez o homem, deu-lhe dois sacos para carregar: um com os defeitos alheios, o outro com os defeitos próprios. Os homens levam o primeiro na frente e o segundo atrás. Eis por que sempre estamos prontos a ver os defeitos dos outros, mas nunca percebemos os nossos”. Qual é, então, a atitude melhor de amor à Igreja e de compromisso concreto na construção do Reino? “O amor é paciente, o amor é prestativo; não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Cor.13,4-7). É assim que estamos amando? Não temos nada para mudar no nosso comportamento? Como podemos concretizar, nesta Quaresma, a conversão e a reconciliação? Pensando, agora, na nossa agenda pastoral, é com esperança que queremos entrar nas Santas Missões Populares. O 2009 serviu de preparação: a setorização, os grupos de famílias, as Missas nas casas, a procura de novas lideranças (coordenadores de setor e de quadra, animadores de grupos) foram todas iniciativas que vão servir de base para o trabalho futuro. Então, com a Quaresma, retomamos os grupos de Novena, para acompanhar a caminhada da Igreja no Brasil. “Economia e vida” é o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, com o lema: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”. Uma iniciativa tradicional, de muito agrado ao nosso povo, é a Via Sacra. Sugiro de celebrá-la nas ruas, nos setores. É uma iniciativa missionária, um testemunho da nossa fé para quem não vai à Igreja, um envolvimento das pessoas dos setores, preparando o pequeno altar com o quadro da Via Sacra. O primeiro Retiro Diocesano, programado para os dias 26 a 28 de fevereiro, em São Gabriel, será a iniciativa mais importante no início deste ano. Depois, cada paróquia fará o seu retiro e o encontro com as crianças e adolescentes. Invoco a Graça de Deus para que nos assista, dirija e impulsione o nosso caminho de discípulos-missionários. “In nomine Domini, procedamus in pace”. Dom Antonino Migliore. Agentes Pastorais Assassinados Como habitualmente, a Agência Fides publica no fim do ano a lista de agentes pastorais que perderam a vida de modo violento nos últimos 12 meses. Segundo informações da Agência, em 2009 foram assassinados 37 agentes pastorais: 30 sacerdotes, 2 religiosas, 2 seminaristas, 3 voluntários leigos. Ou seja, quase o dobro em relação ao ano anterior: é o número mais elevado nos últimos dez anos. Analisando a lista por continentes, o primeiro lugar este ano é reservado, com um número bastante alto: a América, banhada pelo sangue de 23 agentes pastorais (18 sacerdotes, 2 seminaristas, 1 religiosa e 2 leigos), seguida pela África, onde perderam a vida de modo violento 9 sacerdotes, 1 religiosa e 1 leigo; pela Ásia, com 2 sacerdotes assassinados, e enfim, pela Europa, com um sacerdote assassinado. A contagem elaborada pela Fides não se refere apenas aos missionários ad gentes em sentido restrito, mas a todos os agentes pastorais mortos de forma violenta. Propositalmente, não utilizamos o termo “mártir”, a não ser em seu significado etimológico de “testemunha”, para não entrar no mérito do juízo que a Igreja pode eventualmente atribuir a alguns deles e também por causa da escassez de dados que na maior parte dos casos, são difíceis de obter, sobre sua vida e até mesmo sobre as condições de sua morte. Como disse o Santo Padre Bento XVI, no dia do protomártir Santo Estevão, “O testemunho de Estevão, como o dos mártires cristãos, indica aos nossos contemporâneos muitas vezes distraídos e desorientados, em que devam depor a sua confiança para dar sentido à vida. De fato, o mártir é aquele que morre com a certeza de saber que Deus o ama e, nada antepondo ao amor de Cristo, sabe que escolheu a melhor parte. Configurando-se plenamente com a morte de Cristo, está consciente de ser germe fecundo de vida e de abrir no mundo veredas de paz e de esperança. Hoje, apresentando-nos o diácono Santo Estevão como modelo, a Igreja indica-nos, de igual modo, no acolhimento e no amor aos pobres, um dos caminhos privilegiados para viver o Evangelho e testemunhar de modo credível aos homens o Reino de Deus que há de vir”. (Angelus de 26 de dezembro de 2009) Nas breves notas biográficas destes irmãos e irmãs assassinados, podemos ler a oferta generosa e incondicionada à grande causa do Evangelho, sem omitir os limites da fragilidade humana: é o que os uniu na vida e também na morte violenta, apesar das situações e contextos profundamente diferentes nos quais se encon- Expediente Boletim Informativo Entre Irmãos Mitra Diocesana de Coxim Rua Viriato Bandeira, 834 – Centro – C.P. 60 CEP-79400-000-COXIM–MS-fone/fax(67)32911928 Dom Antonino (67) 9963-3475 [email protected] www.diocesedecoxim.com.br Equipe Comunicação Diretor :- Dom Antonino Migliore Colaboradores: Pastorais e Movimentos - Alexandre Diagramação:- Folha do Pantanal [email protected] Tiragem :- 2.000 (dois mil) Exemplares. travam. Para anunciar o amor de Cristo, morto e ressuscitado para a salvação do homem, testemunhando-o em obras concretas de amor aos irmãos, não hesitaram em colocar cotidianamente suas vidas em risco, em contextos de sofrimento, de pobreza extrema, de tensão, de violência generalizada, para oferecer a esperança de um amanhã melhor e tentar salvar tantas vidas, sobretudo de jovens, do degrado e da espiral de delinqüência, acolhendo aqueles que a sociedade rejeita e marginaliza. Alguns foram vítimas justamente da violência que estavam combatendo, ou da disponibilidade em ir ao socorro dos próximos, colocando em segundo plano sua própria segurança. Muitos foram mortos em tentativas de furto ou de seqüestro; surpresos em suas habitações por bandidos em busca de imaginários tesouros, mas que na maioria das vezes contentaramse de velhos automóveis ou telefoneis celulares, levando consigo, porem, seu tesouro mais precioso, uma vida doada por Amor. Outros foram eliminados somente porque, em nome de Cristo, opunham o amor ao ódio, a esperança ao desespero, o diálogo à contraposição violenta, o direito ao abuso. Recordar os muitos agentes pastorais mortos no mundo e rezar em sua memória “é um dever de gratidão para toda a Igreja e um estimulo para cada um de nós a testemunhar de modo cada vez mais corajoso a nossa fé e a nossa esperança n’Aquele que na Cruz, venceu para sempre o poder do ódio e da violência com a onipotência de seu amor”. (Bento XVI, Regina Coeli, 24 de março de 2008). A esta lista provisória, elaborada anualmente pela Agência Fides, devem ainda ser acrescentadas muitas outras pessoas, das quais talvez jamais tenhamos notícia, que sofrem e pagam com suas vidas a fé em Cristo em tantos lugares do planeta. São a “nuvem de soldados anônimos da grande causa de Deus” – segundo a expressão de Papa João Paulo II – a quem olhamos com gratidão e veneração, sem conhecermos os rostos, sem os quais a Igreja e o mundo seriam muito mais pobres”. Fonte - Agência FIDES