1 UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ (UTP) Patrícia Regina Wypych A PROPAGANDA MEDIADA PELOS PRÓPRIOS USUÁRIOS DENTRO DE FÓRUNS VIRTUAIS: FÓRUM CARROS DE RUA Curitiba 2011 2 UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ (UTP) Patrícia Regina Wypych A PROPAGANDA MEDIADA PELOS PRÓPRIOS USUÁRIOS DENTRO DE FÓRUNS VIRTUAIS: FÓRUM CARROS DE RUA Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado em Comunicação e Linguagem da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), como requisito para obtenção do título de Mestre em Comunicação e Linguagem. Orientador: Prof. Doutor Álvaro Larangeira Curitiba 2011 3 TERMO DE APROVAÇÃO A PROPAGANDA MEDIADA PELOS PRÓPRIOS USUÁRIOS DENTRO DE FÓRUNS VIRTUAIS: FÓRUM CARROS DE RUA Esta Dissertação foi julgada e aprovada para a obtenção do título de Mestre em Comunicação e Linguagem pelo Programa de Mestrado e Doutorado em Comunicação e Linguagem da Universidade Tuiuti do Paraná. Curitiba, 07 de dezembro de 2011. Orientador: _______________________________________ Professor Doutor Álvaro Laranjeiras Universidade Tuiuti do Paraná ________________________________________ Professora Gláucia Brito Universidade Federal do Paraná ________________________________________ Professor Itanel Quadros Universidade Federal do Paraná 4 “O sucesso na vida poderia ser definido com a expansão contínua da felicidade e realização progressiva de objetivos compensadores” Deepak Chopra 5 Agradeço primeiramente a Deus por me permitir estar aqui. Aos meus pais Roberto Wypych Junior e Nadia Maria Carelli Wypych por me ensinarem a nunca desistir dos meus sonhos. Às minhas irmãs Marina Wypych e Thaiz Wypych por estarem ao meu lado me dando força, incentivo e persistência para chegar até o fim. Ao Edi, um grande companheiro que me orientou e ajudou no momento mais importante em que eu mais precisei dele. Ao meu filho Arthur que chegou durante este momento da minha vida e que mesmo no meu ventre já me dava esperança para seguir até o fim. Aos professores Claudia Quadros, Sandra Rubia e Alexandre Tadeu, sempre muito atenciosos, colaborando de alguma forma para que eu concluísse esse trabalho. Às amigas Leticia Herrmann, Eliziane Capeleti, Louize Procópio, Maria Fernanda Incote e Patrice Costa por estarem ao meu lado, me ouvindo e dando força nos momentos mais complicados. E ao Professor e Orientador Álvaro Larangeira pelas contribuições acadêmicas que me permitiram alcançar a compreensão intelectual que possibilitou a transformação do que era pensamento e vontade de vencer, no estudo concreto que irei apresentar a seguir. 6 RESUMO O presente trabalho tem como objetivo abordar a propaganda mediada pelos próprios usuários dentro da plataforma online, através da análise do Fórum “Carros de Rua”, com a finalidade de perceber a importância da comunicação entre usuários e a credibilidade que esses sujeitos dão para outros usuários presentes no mesmo fórum virtual, por meio da interação mediada pelo computador. Para este estudo foram utilizadas referências como Ong, Lévy, Lemos, Primo, Jenkins, Castells, Santaella, Recuero entre outros, que tratam da oralidade, da comunicação, da cibercultura, da tecnologia digital e das redes sociais na internet. Para a pesquisa foi adotado o método netnográfico principalmente pela disponibilidade do Fórum “Carros de Rua” no ambiente virtual. Para a conclusão, finaliza-se explicando a importância da propaganda mediada pelos próprios usuários de fóruns virtuais, gerando marketing espontâneo entre usuários, orientando na hora da compra de determinado produto, fornecendo credibilidade para outros usuários e resultando em uma interação mediada pelo computador. Palavras-chave: Fórum Virtual; Ciberoralidade; Propaganda; Marketing Boca a boca; Redes Sociais na Internet. 7 ABSTRACT This study is intended examines the mediated propaganda by users in the online platform, through the analysis of the "Carros de Rua’s" forum, in order to realize the importance of communication between users and the credibility that these people give to other users in the same virtual forum, through interaction mediated by computer. For this study were used as references Ong, Levy, Lemos, Primo, Jenkins, Castells, Santaella, Recuero among others, dealing with orality, communication, cyberculture, digital technology and social networking on the Internet. For the research method was adopted the netnography, mainly by the availability of "Carros de Rua’s" forum in the virtual environment. For the conclusion, ends up explaining the importance of the propaganda mediated by users of virtual’s forum, generating spontaneous marketing between users, guiding when buying a particular product, giving credibility to other users, resulting in an interaction mediated by computer. Keywords: Virtual Forum, Orality; Ciberorality; Advertising, Word of Mouth Marketing, Social Networking on the Internet. 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO..................................................................................................... 13 1 DA ORALIDADE À CIBERORALIDADE........................................................ 21 1.1 LINGUAGEM E ORALIDADE......................................................................... 21 1.2 ORALIDADE E ESCRITA.............................................................................. 25 1.3 ORALIDADE SECUNDÁRIA......................................................................... 30 1.4 A ORALIDADE E O CIBERESPAÇO ............................................................ 34 2 A WEB COMO FONTE DE RECOMENDAÇÕES........................................... 45 2.1 O CIBERESPAÇO E OS NOVOS PROCESSOS DE INTERAÇÃO.............. 45 2.2 INTERAÇÕES NA WEB................................................................................ 48 2.3 PROPAGANDA MEDIADA PELOS USUÁRIOS........................................... 54 2.4 A WEB E SUAS INTERFACES..................................................................... 60 3 COMUNIDADES VIRTUAIS E FÓRUNS VIRTUAIS...................................... 80 3.1 COMUNIDADES VIRTUAIS.......................................................................... 80 3.2 FÓRUNS VIRTUAIS...................................................................................... 98 4 METODOLOGIA DE PESQUISA.................................................................... 108 4.1 O ESTUDO DE REDES SOCIAIS................................................................. 113 4.2 COLETA DE DADOS..................................................................................... 118 4.3 DEFINIÇÃO DOS CRITÉRIOS DE ESTUDO................................................ 123 4.4 CRONOGRAMA DE PESQUISA................................................................... 125 5 PESQUISA E ANÁLISE DO FÓRUM CARROS DE RUA............................... 129 5.1 CARROS DE RUA......................................................................................... 129 5.2 OBSERVAÇÃO E PARTICIPAÇÃO NO FÓRUM CARROS DE RUA........... 139 5.2.1 Aquisição dos dados................................................................................... 139 9 5.3 PESQUISA QUANTITATIVA......................................................................... 145 5.3.1 Resultados e conclusões........................................................................... 147 5.4 SELEÇÃO DE USUÁRIOS PARA ENTREVISTA E APLICAÇÃO DA PESQUISA QUALITATIVA......................................................................... 158 5.5 ANÁLISE INTRAFÓRUM CARROS DE RUA................................................ 173 5.5.1 A Interatividade entre os usuários............................................................... 174 CONCLUSÃO.................................................................................................... 188 REFERÊNCIAS................................................................................................. 195 ANEXO I........................................................................................................... 206 ANEXO II........................................................................................................... 209 10 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 - Representação da Oralidade através do grafismo ................... 36 FIGURA 2 - Representação da Oralidade através do discurso escrito ....... 36 FIGURA 3 - Interação entre usuários no Fórum Carros de Rua................... 52 FIGURA 4 Tópicos de posts....................................................................... 134 FIGURA 5 - Página do perfil de um usuário................................................. 137 FIGURA 6 - Diálogo virtual entre usuários do Fórum................................... 138 FIGURA 7 - Post sobre os melhores e piores carros................................... 143 FIGURA 8 - Dúvida do usuário dentro do fórum........................................... 143 FIGURA 9 - Dúvida do usuário no momento de adquirir um automóvel....... 144 FIGURA 10 - Pergunta de um usuário a outro usuário do fórum.................... 144 FIGURA 11 - Faixa etária dos usuários………………………………………… FIGURA 12 - Grau de instrução...................................................................... 150 FIGURA13 - Estado civil................................................................................ 150 FIGURA 14 - Renda familiar........................................................................... 150 FIGURA 15 - Frequência de participação no fórum…………………………… 151 FIGURA 16 - O que inspira maior confiança na hora de comprar um 149 automóvel…………………………………………………………... 152 FIGURA 17 - Motivos participação tópicos de discussão…………………….. FIGURA 18 - Procura entrar nos tópicos de discussão……………………….. 153 FIGURA 19 - Costume dos usuários……………………………………………. 153 FIGURA 20 - Procura acompanhar o tópico até o fim………………………… 154 FIGURA 21 - Grau de credibilidade……………………………………………... 154 152 11 FIGURA 22 - Acredita na existência de marcas neste ambiente (Coletar informações)............................................................................. FIGURA 23 - 155 Acredita na existência de marcas neste ambiente (divulgar produtos.................................................................................... 155 FIGURA 24 - Divulgar modelo ou marca de automóvel.................................. 156 FIGURA 25 - O que leva a acreditar em outros usuários do Fórum............... 157 FIGURA 26 - Acredita em propaganda boca a boca pela internet................. FIGURA 27 - Membro pesquisado 1............................................................... 161 FIGURA 28 - Membro pesquisado 2............................................................... 162 FIGURA 29 - Membro pesquisado 3............................................................... 163 FIGURA 30 - Tópicos MEMBRO 1................................................................. 175 FIGURA 31 - Tópicos MEMBRO 2................................................................. 180 FIGURA 32 - Tópicos MEMBRO 3................................................................. 183 FIGURA 33 - Grafismo (boneco sorrindo)...................................................... 185 157 12 LISTA DE QUADROS QUADRO 1 - QUADRO 2 - Confronto entre os vários “produtos” da Web 1.0 e Web 2.0.............................................................................................. 63 Etapas da pesquisa................................................................... 128 13 INTRODUÇÃO O presente trabalho tem como objetivo abordar a propaganda mediada pelos próprios usuários dentro da plataforma online, através da análise do Fórum Carros de Rua, para perceber a importância da comunicação entre os usuários e a credibilidade que esses sujeitos dão para outros presentes no mesmo fórum virtual, por meio de uma interação mediada pelo computador. Para isso o trabalho será dividido em cinco capítulos. O primeiro capítulo irá contemplar o desenvolvimento sobre a Oralidade Primária, Cultura Escrita e Oralidade Secundária trazendo a oralidade inserida no contexto cibercultural, que no presente estudo será denominada ciberoralidade, elucidando questões históricas, neo-contemporâneas e contemporâneas, até chegar à cultura digital, vivida na atualidade, que será abordada nos capítulos seguintes. Trata também do desenvolvimento da informação e da cultura tecnológica, que a partir de 1960 estava intimamente relacionado às Eras Culturais inserindo-se nesse processo os meios de comunicação como: telefone, rádio, televisão e outros equipamentos eletrônicos (ONG, 1998), cujo tipo de mídia se dissemina em uma cultura altamente tecnológica, em que a tecnologia digital cresce progressiva e exponencialmente. Nos últimos anos, diferenças básicas foram descobertas entre as formas de gerenciar o conhecimento e a verbalização em culturas orais primárias, ou seja, em culturas com nenhum conhecimento sobre a escrita e em culturas profundamente afetadas pelo uso da escrita. Logo no início o homem lidava com formas distintas de linguagem – a oralidade e a escrita que, embora primitivas, eram constituídas como gêneros 14 dedutivos de linguagem, com suas particularidades, eram notadas como técnicas de comunicação autônomas. Hoje, de tudo o que foi pesquisado, debatido, reconhecido e estudado, o mais importante é que linguagem oral e linguagem escrita acontecem em condições diferentes de produção, isto é, dependem do contexto e dos interlocutores da mensagem. Porém, com o avanço da tecnologia, o advento da industrialização, o surgimento dos meios de comunicação de massa e a Internet, o mundo sofreu alterações culturais, sociais, políticas e econômicas em nível elevado, modificando os hábitos pessoais e culturais, não somente nas relações interpessoais, mas também nas relações de consumo. A Internet tornou-se um ambiente promissor para o desenvolvimento, tanto da oralidade, quanto da escrita e, por ser uma rede interativa provoca transformações na cultura, na sociedade e no sujeito que utiliza, acrescenta ao novo processo transformações que refletem na forma de agir, pensar e nas formas de linguagem utilizadas até o momento. A cada acesso o internauta reestrutura o pensamento, constrói e reconstrói a oralidade e a escrita. No capítulo dois será tratado da web como fonte de recomendações trazendo vasta abordagem sobre as interações na web. Trata ainda da propaganda mediada pelos usuários, a web e suas interfaces. No Brasil, em 1995, com a introdução da cultura de redes, emerge um maior entendimento sobre as formações culturais, as quais passaram por mutações diversas trazendo consequências sobre a “cultura de mídia”. Gradativamente, com ideias mais ajustadas e atenção, não mais voltada à realidade empírica apenas, mas fundamentada na teoria e na ciência se define a “cultura de mídia”. 15 A Internet proporcionou um novo espaço de comunicação, o ciberespaço, onde surgem ferramentas de conversação formando grupos de discussões abertos a pessoas que se interessam por assuntos análogos. Com isso, surge nova comunidade virtual de consumidores, a partir daí, espectador e consumidor passam a adquirir a função de mediador, iniciando um novo tipo de propaganda boca a boca virtual, a qual pode ser encontrada nos fóruns virtuais. As informações disponibilizadas em rede são acessíveis em qualquer ponto do planeta, não existe distância entre clientes e marcas. A Internet, embora uma rede complexa, com milhões de computadores interconectados em todo o mundo, é reconhecida como indispensável ao homem contemporâneo, agregando conhecimento sobre passado e presente, de todos os cantos do planeta, de forma imediata e imperceptivelmente, tornando a cooperação em massa entre pessoas econômica, temporal e geograficamente viável. Atualmente, a população encontrada na web está estimada em pouco mais de um bilhão de pessoas, cada qual com sua maneira individual de viver, suas ideias, sonhos, desejos, opiniões, mas, principalmente, o desejo de compartilhar aspirações semelhantes com outras pessoas. O desejo não pode ser ignorado quando a Internet é o meio de comunicação que flui todo um aparato de elementos que propicia interações virtuais entre sujeitos1. Tal revolução foi apresentada pela tecnologia contemporânea para usuários e empresas sob forma de ferramentas, incluindo websites, e-mails, blogs, pesquisas de mercado, tendências, finanças e uma infinidade de outros meios, transformando o fazer negócio das empresas, modificando sua relação com o cliente. 1 No Brasil, em 2005, constando uma população com cerca de 184.284.898 indivíduos, estima-se que a população conectada era de 25.900.000. Já em todo o mundo, com uma população total de 6.499.697.060 indivíduos, a população conectada era cerca de 1.018.057.389 (CIPRIANI, 2010, p. 6). 16 Dentro da cultura digital aborda-se a web como fonte de recomendações e a interação mediada por computador, além de suas interfaces, imprescindíveis para o entendimento destas interações. Para finalizar o contexto teórico será tratado o conceito de comunidades virtuais, necessário a compreensão do objeto de estudo (Fórum Carros de Rua), amplamente abordado no presente estudo. O capítulo três irá tratar de comunidades virtuais e os fóruns virtuais. Para essa pesquisa, compreender os fóruns virtuais como forma de rede social na Internet, instrumento que serve para inferir perguntas e respostas sobre produtos e serviços, pelo consumidor virtual é de fundamental importância sob o enfoque sociointerativo. Os consumidores preferem se expressar por si próprios nos fóruns virtuais, sem a presença de marcas ditando como devem se comportar ou agir. Muitas vezes, a indicação de um amigo ou um desconhecido é mais relevante que a propaganda em si. Por conta disso, indiretamente, os internautas passam a produzir informações de consumo através de fóruns virtuais disponíveis em rede. Muitos tópicos servem para conseguir informações relacionadas a determinado produto ou serviço específico, onde o emissor transmite uma mensagem beneficiando o produto e o receptor entusiasmado adquire o produto. No entanto, estima-se que nesse novo mundo virtual, dentro de um grande grupo de pessoas, poucos indivíduos serão criadores de conteúdo, um grupo um pouco maior irá interagir online e um grupo grande irá visualizar o conteúdo e suas consequentes influências. A percepção dos espaços virtuais, especialmente, dos fóruns virtuais conduziu a pesquisadora a interpor-se nesse questionamento desejando saber por que o usuário virtual acredita em algo sem proximidade dele, o que conduz a crer 17 em recomendações (respostas) feitas por outros usuários, sem mesmo conhecê-los, em vez de dar credibilidade a pessoas próximas e confiáveis (família, empresa, amigo), ou mesmo na publicidade. O capítulo quatro irá tratar da metodologia selecionada para realizar esta pesquisa, a netnografia, utilizada para pesquisas em ambientes virtuais, visto a disponibilidade do Fórum Carros de Rua no ambiente virtual. A netnografia considera as práticas do consumo midiático, os processos de sociabilidade e os fenômenos comunicacionais que envolvem as representações do homem dentro de comunidades virtuais, que se encontra em constante transformação e se apresenta sob forma provisória, mas que na verdade ainda é um fenômeno embrionário. A netnografia permite o campo virtual tornar-se transponível sob o ponto de vista do pesquisador, visualiza a virtualidade e seus similares face a face, mostra as vantagens existentes, além de consumir menor tempo, não ser dispendiosa, ser menos subjetiva e invasiva e por trata-se de uma “janela”, permitindo ao pesquisador identificar porque e como ocorrem os comportamentos naturais de determinada comunidade, dentro de um espaço não fabricado. Ao entrar no seu funcionamento interfere no processo, conhecendo-o em detalhes (KOZINETS, 2002). Por tratar-se de uma transposição de metodologia do espaço físico ao espaço online, ao utilizar a netnografia, faz-se necessário inclui procedimentos específicos acerca da tipologia dos objetos estudados. A Análise de Redes Sociais deve ser estruturada, partir do princípio que ao estudar as estruturas decorrentes de ações e interações entre atores sociais diversos torna possível compreender muitos elementos acerca destes grupos e suas generalizações com esse respeito (FRAGOSO et al., 2011). 18 A metodologia deste trabalho volta-se em analisar os usuários do Fórum Carros de Rua, como uma rede social, estabelecido em um espaço virtual e se o diálogo mantido entre esses usuários exerce alguma influência na decisão no momento de adquirir determinado produto, entender a linguagem e a comunicação utilizada no fórum, mensurar o grau de poder que esse relacionamento virtual exerce na tomada de decisão dos usuários quando da aquisição de determinado produto no mercado e o modo como os diálogos mantidos influencia na decisão desses usuários. Os consumidores têm buscado diferentes tecnologias para solucionar dúvidas e buscam a interação entre consumidores imersos na luta pelo direito de participar e extrair as vantagens que têm sido oferecidas pelas tecnologias, considerando que são livres para interagir nos ambientes da Internet. A proposta dessa metodologia é entender como se processa a propaganda mediada pelos próprios usuários dentro de fóruns virtuais, qual a credibilidade desenvolvida entre esses usuários e porque se interessam nos diálogos mantidos nesses espaços, como essa tecnologia modifica a vida dos indivíduos que com ela/nela interagem, qual a linguagem utilizada na Internet e porque essa oralidade enquanto instrumento de comunicação, tem se especializado na mão desse público. As redes sociais presentes na Internet apresentam comportamentos emergentes, como: propagação, cooperação, adaptação e auto-organização, surgimento de clusters, elementos estes que devem ser analisados pelo pesquisador. Nesse contexto, é possível afirmar que o ambiente virtual é fortemente integrado por usuários de todos os níveis, permitindo elevar quali-quantitativamente os diálogos que ali se difundem interativamente. 19 Os dados registrados pelos usuários armazenam conhecimento, sendo transferido de um usuário para outro, acessível por meio de aplicativos, cuja arquitetura é amplamente relevante para o investigador que procura conhecer a propaganda mediada pelos próprios usuários dentro dos fóruns virtuais, objeto de pesquisa desta dissertação. As variáveis estão relacionadas ao tipo de dúvidas que os usuários do Fórum apresentam para outros usuários, incluindo: consumo; praticidade; qualidade; reconhecimento do produto; funcionalidade; conhecimento sobre determinado produto/serviço; credibilidade dada para perguntas/respostas dentro dos fóruns, entre outros fatores, incluindo reclamações, críticas, lançamentos, novidades, problemas mecânicos, compra de carros novos e tunning, cujos resultados serão mostrados sob o formato de imagens e gráficos. As variáveis selecionadas buscam responder se a interação entre indivíduos dentro desses fóruns exerce influência para um questionamento que nem sempre a mídia responde. Dentre os métodos utilizados nesta dissertação, a análise de conteúdo é fundamental, bem como a análise descritiva. A análise de conteúdo procura descobrir as relações entre o mundo exterior e o conteúdo do discurso onde os operadores desempenham importante papel na análise. No presente capítulo será apresentada uma breve análise do Fórum Carros de Rua, pesquisas realizadas do próprio fórum, assim como dados obtidos posteriormente à observação do material adquirido. A análise foi dividida em etapas para facilitar o entendimento do leitor. As etapas optadas foram: observativa e participativa; levantamento de dados já existentes; pesquisa quantitativa com questionários dirigidos e seleção de usuários para entrevista dirigida e aplicação das pesquisas online e offline. 20 O fórum escolhido para estudar nesta dissertação foi o Fórum “Carros de Rua”, disponível no site <http://forum.Carrosderua.com.br/>, um site particular que trata de automobilismo, criado por internautas, sem envolvimento isolado com uma montadora ou marca específica, a fim de discutir assuntos de interesses comuns, na verdade, sobre carros. A estrutura do Fórum compõe-se de: Área técnica, Hobbye; Encontro e Eventos; Diversos, divididos em tópicos onde, cada um individualmente, pode ser classificado por uma legenda de acordo com a popularidade de cada assunto cuja classificação é dividida por “novos posts” e “sem novos posts”. Para essa fase da pesquisa foi utilizado o método quantitativo, cujo objetivo foi compreender de que forma ocorre a propaganda mediada pelo próprio usuário. Os questionários foram aplicados através da plataforma do Google Docs, com envio e recebimento dos dados e questões todos online. Para a pesquisa qualitativa foi optado pela seleção de três membros que responderam à pesquisa quantitativa, que possuíssem características como: interatividade e presença marcante no fórum. A seleção baseou-se na quantidade de posts realizados, caracterizando uma alta interação do usuário no fórum. Este tipo de pesquisa utilizou um método de entrevista que teve como objetivo averiguar a opinião dos usuários em relação à propaganda mediada por outros usuários, via computador. 21 1 DA ORALIDADE À CIBERORALIDADE Este capítulo tem como finalidade dissertar o caminho percorrido entre a oralidade, elucidando questões históricas sobre Oralidade Primária, Cultura Escrita e Oralidade Secundária, explicando o curso percorrido até a “Oralidade no ambiente virtual”. Neste trabalho, esta será denominada “Ciberoralidade” e engloba referenciais de todos os tempos (dos primórdios da fala ao período digital-virtual). 1.1 LINGUAGEM E ORALIDADE Ao observar a relação entre linguagem oral e linguagem escrita2, percebe-se que nos primórdios da civilização vivia-se a “Oralidade Primária”, própria de sociedades iletradas, cuja linguagem, inicialmente, dava-se apenas na forma oral. Segundo Ong (1967) apud ONG (1998, p. 42): Para saber o que é uma cultura oral primária e qual a natureza de nosso problema em relação a uma cultura semelhante, convém refletir sobre a natureza do próprio som como tal. Toda sensação ocorre no tempo, mas o som não possui uma relação especial com ele, diferente da que existe em outros campos registrados na sensação humana. [...] o som é essencialmente evanescente e [por isso] percebido como evanescente [...]. Com o advento da escrita, a linguagem se tornou objeto de estudo, cuja potencialidade a escrita aumenta, criando efeito reestruturador na forma de pensar e convertendo os dialetos em grafoletos3 (Haugen, 1966; Hirsh, 1977 apud ONG, 1998). 2 De acordo com Lévy (1993, p. 92), a escrita é uma tecnologia intelectual. Camponeses educados em cultura puramente oral não pensavam em classificar lenha, machado, entre outros, assim, não possuíam lógica, mas ao se tornarem letradas aprenderam a raciocinar e a observar que a lenha não é uma ferramenta. Testes de manipulações e psicólogos experimentais medem as capacidades de raciocínio e de memória de batalhões de estudantes. 22 A linguagem tem como recurso um conjunto de palavras e seus utilizadores (GALVÃO e BATISTA, 2006), que confere história à linguagem e permite conhecer a evolução desta, dos significantes e seus significados; oferece possibilidade de serem construídos contextos em que as palavras podem ser usadas; torna possível a comunicação sem que ocorra no mesmo espaço e tempo; dá poder e capacidade de retórica aos indivíduos se tornarem literatos (GALVÃO e BATISTA, 2006). De acordo com Ong (1998, p. 42 - 43) para: [...] qualquer pessoa com uma noção do que sejam as palavras em uma cultura oral primária, ou uma cultura não muito distante da Oralidade Primária [...] geralmente, a linguagem é um modo de ação e não simplesmente uma confirmação do pensamento [...] a compreensão da psicodinâmica da oralidade era virtualmente inexistente em 1923. Também não causa grande surpresa que povos orais comumente – e talvez universalmente – considerem que as palavras são dotadas de grande poder. [...] todo som – especialmente, a enunciação oral, que vem de dentro dos organismos vivos – é dinâmico. A linguagem oral ganha importância nas sociedades letradas, permitindo a literatura e seus movimentos, resultando na Cultura Escrita, consequentemente, na Oralidade Secundária, em que os sujeitos falantes associam a palavra oral à palavra escrita. Segundo Pierre Lévy (1993, p. 77): A Oralidade Primária remete ao papel da palavra antes que uma sociedade tenha adotado a escrita, a Oralidade Secundária está relacionada a um estatuto da palavra que é complementar ao da escrita, tal como o conhecemos hoje. Na Oralidade Primária a palavra tem como função básica a gestão da memória social e não apenas a livre expressão das pessoas ou a comunicação prática cotidiana [...] o mundo da Oralidade Primária [...] situa-se antes de qualquer distinção escrito/falado. 3 O grafoleto é uma linguagem transdialéctica, formada por profundo compromisso com a escrita. Assim, a escrita dá poder ao grafoleto que excede de um dialeto oral, o grafoleto dá acesso a um vocabulário com, pelo menos um milhão e meio de palavras, em relação às conhecidas não apenas significados atuais, mas centenas de outros significados anteriores (ONG, 1998). 23 A oralidade busca produzir a escrita, necessária ao desenvolvimento das ciências, formando uma literatura; esta constrói uma memória histórica, é usada para reconstruir nos sujeitos uma consciência humana primitiva, moldurando-a em face a uma cultura tecnológica que vem se expandindo. Para Lévy (1993), em uma sociedade oral primária, o edifício cultural tem base nas lembranças dos indivíduos, cuja inteligência é edificada pela memória, muito especialmente, a auditiva. Segundo Ong (1998), para compreender a cultura oral primária, é necessária uma compreensão sobre o significado de oralidade. Na Oralidade Primária, não se tem conhecimento da palavra escrita, diferenciando a compreensão das culturas com o conhecimento da escrita e das culturas sem esse conhecimento. De acordo com Lévy (1993, p. 84): A persistência da Oralidade Primária nas sociedades modernas não se deve tanto [ao o que está relacionado com a Oralidade Secundária], mas a forma pela qual as representações e as maneiras de ser continuam a transmitir-se independentemente dos circuitos da escrita e dos meios de comunicação eletrônicos. A maior parte dos conhecimentos em uso em 1990 [...] nos foram transmitidos oralmente, e a maior parte do tempo sob a forma narrativa (história de pessoas, de famílias ou de empresas). Dominamos a maior parte de nossas habilidades observando, imitando, fazendo e não estudando teorias na escola ou princípios nos livros. Para compreender a cultura oral primária é importante saber que determinadas expressões têm em comum significado e existência visual para indivíduos de culturas orais primárias, porém, são apenas sons. A palavra sem a escrita não têm presença visual e a compreensão dessa realidade é perceber a “existência” do som. A expressão oral exerce poder nas culturas orais primárias e secundárias (GALVÃO e BATISTA, 2006). Na cultura oral, tanto a palavra como as formas de expressão são processos de pensamento que dependem da comunicação, recordados através do pensamento, de padrões mnemônicos, ritmados e repetitivos. As fórmulas 24 ajudam a executar o discurso ritmado, os padrões mnemônicos com expressões que circulam na boca e no ouvido; a fórmula representa o conteúdo do pensamento das culturas orais primárias. Para compreender o pensamento oral, é indispensável conhecer primeiro as características da oralidade. As culturas orais primárias têm padrões orais aditivos e estruturas puramente pragmáticas. O pensamento e a expressão nas culturas orais são características do sistema de escrita. Enquanto na escrita a informação pode ser relembrada, no discurso oral não acontece; palavras, depois de proferidas, tendem a desaparecer (HILGERT, 2006). “O pensamento requer algum tipo de continuidade. A escrita estabelece no texto uma linha de continuidade fora da mente [...]” (ONG, 1998, p. 50). Em uma cultura oral primária, o conhecimento adquirido permanece (somente) se repetido inúmeras vezes, porém, com a escrita, sua importância é reduzida em função de novos investigadores. A escrita enquanto instrumento tecnológico permite conservar o conhecimento registrado para gerações futuras, disponível para outras descobertas e especulações. Nas culturas orais, o conhecimento não se distancia das experiências vividas, mas é transmitido ao mundo social. Numa cultura oral, a redução das palavras a sons determina não apenas os modos de expressão, mas também os processos mentais. [...] Numa cultura oral primária, para resolver efetivamente o problema da retenção e da recuperação do pensamento cuidadosamente articulado é preciso exercê-lo segundo padrões mnemônicos, moldados para uma pronta repetição oral. [...]. O pensamento prolongado, quando fundado na oralidade [...] tende a ser altamente rítmico [...] - (ONG, 1998, p. 44). A cultura oral permite a aquisição de conhecimento pela observação e pela prática, reduzindo a necessidade de explicação verbal. A oralidade incentiva a argumentação situando o conhecimento em um contexto de esforço entre indivíduos. 25 As sociedades orais vivem o presente afastando memórias não relevantes, apresentam pouca discrepância semântica por não utilizarem a escrita ou o dicionário em busca de significados. O significado da palavra nas culturas orais é controlado pela ratificação semântica, pelas situações da vida real no momento em que é utilizada. Nas culturas orais, o significado das palavras tem um contexto que as envolve, incluindo o gesto, a inflexão vocal, a expressão facial, entre outras, no momento em que é falada a palavra. As culturas orais podem produzir experiências e pensamentos organizados, além de complexos e inteligentes. No entanto, para compreender como o fazem, é necessário refletir sobre as operações da memória oral. De acordo com Ong (1998, p. 44): “uma cultura oral não possui textos. Como ela reúne o material organizado para fins de comunicação? [...] o que ela faz para saber de uma forma organizada? [...] o pensamento apoiado em uma cultura oral está preso à comunicação”. A narrativa é um estilo da arte verbal, presente desde as culturas Orais Primárias, (REIS et al., 2009). Para elaborar e exprimir um discurso devidamente articulado, o orador tem que constituir em seu pensamento um registro memorizado fluente no tempo e o enredo é a forma encontrada para lidar com o fluxo do tempo. 1.2 ORALIDADE E ESCRITA A palavra escrita sempre vai existir, a leitura não conseguirá dispensar a oralidade. A linguagem falada é um sistema primário de linguagem; a escrita, um sistema secundário de modelação. A linguagem antes é oral, depois escrita. Para Ong 26 (1998), a escrita não reduz a oralidade, porém, alcança importância na oralidade ao organizar os princípios e constituintes da oratória em uma arte científica. A escrita é uma tecnologia adquirida, inata, porém, mais revolucionária que qualquer outra até o presente, tendo em vista, na atualidade, utilizar-se de suportes informáticos para transmitir mensagens entre interlocutores. Os processos mentais humanos são resultantes da transformação provocada pela interiorização da escrita (ONG, 1998). A escrita é um processo lento (1/10 da velocidade do discurso oral), por isso, permite interferir, reorganizar e eliminar redundâncias. A escrita promove abstrações que separam o conhecimento da obscuridade do ser humano. Ela também separa o conhecedor do conhecido, estabelece condições para a objetividade e separa a distância do pessoal. Na oralidade, o conhecimento é atingido por chegar próximo de, por haver empatia e identificação comum com o conhecido (ONG, 1998). O surgimento da escrita alterou muitos elementos do processo, o registro escrito encontra-se mais próximo da memória de curto prazo, apesar de as palavras sobreviverem até o fim dos tempos. A capacidade de memória ficou mais leve e a escrita passa a ser uma auxiliar da memória. A cultura oral manteve sua relevância no contexto social e histórico após a invenção da escrita, do alfabeto e da imprensa, visando manter qualidades na forma oral de transmissão do conhecimento (ONG, 1998). No discurso, por mais que o texto seja refutado, a fala é autônoma, separada do autor, provoca distanciamento entre autor e emissor – leitor e receptor. O discurso escrito difere do discurso oral e não pode ser questionado. O discurso autônomo não é exclusivo da cultura escrita. Nas culturas orais, existem formas diversas de discursos autônomos. As profecias são mensagens transmitidas pelo enunciador, mas dele não 27 provém, por isso, não podem ser questionadas, já a palavra escrita adquire sentido de verdade absoluta. As pessoas imersas na cultura escrita apenas com grande esforço conseguem imaginar como é uma cultura oral primária, ou seja, uma cultura sem qualquer conhecimento da escrita ou sequer da possibilidade dela. Tente imaginar uma cultura na qual ninguém jamais “procurou algo”. Em uma cultura oral primária, a expressão “procurar algo” é vazia: não teria nenhum significado concebível. Sem a escrita, as palavras em si não possuem uma presença visual, mesmo que os objetos que elas representam sejam visuais (ONG, 1998, p. 41- 42). A escrita é uma tecnologia, embora ainda com difícil reconhecimento na cultura brasileira, regida por regras abstratas afastadas do mundo real, cujo distanciamento enriquece a mente e permite adquirir novas potencialidades. Ong (1998) entende que a escrita está entre as mais importantes invenções humanas, por isso, não pode ser considerada apêndice da fala apenas, por transformar a fala, o pensamento e a consciência e reestruturar o mundo. A escrita é um sistema pelo qual se pode determinar, com exatidão, as palavras que o escritor pretende transmitir. A informação oral é distribuída coletivamente e particularmente distingue uma cultura letrada, a qual retém a informação privada. As palavras verbalizadas trazem percepções; quando escritas, tornam-se conceitos isolados que precisam ser combinadas com imagens para serem melhor compreendidas. Hipoteticamente, não seria possível o leitor interpretar o significado ou o objetivo de um texto sem o auxílio da pontuação (ONG, 1998). Na expressão oral, a interpretação da mensagem requer o apoio da entonação, da pronúncia e do tom de voz. No entendimento proposto por Ong (1998, p. 120-121), percebe-se que: [...] para nos fazermos entender sem gestos, sem expressão facial, sem entoação, sem um ouvinte real temos de prever cuidadosamente todos os 28 significados possíveis que uma afirmação possa ter para qualquer leitor possível, em qualquer situação possível, e temos de fazer com que a nossa linguagem funcione de modo a se tornar clara apenas por si, sem nenhum contexto existencial. No Ocidente, ocorreram dois grandes desenvolvimentos que derivam da interação entre escrita-oralidade: a Retórica Acadêmica e o Latim Clássico. A retórica consiste na arte de falar e persuadir, está ligada à linguagem falada, porém, é produto da escrita, cuja transição da oralidade à cultura escrita foi lenta (ONG, 1998). As culturas literatas pensam em uma narrativa arquitetada de maneira consciente e linear. A escrita representa um acontecimento de importância no contexto das invenções tecnológicas humanas, transpondo-se criticamente para novos mundos do conhecimento, conquistada através da consciência humana. A escrita, acentuada pela lentidão do processo, apresentação oral e isolamento do escritor, impulsionou o crescimento da consciência para além do inconsciente (ONG, 1998). O ser literato, cujo pensamento não se desenvolveu de forma natural, mas a partir de arquétipos estruturados pela tecnologia artificial, transformou a consciência humana. Ao analisar o discurso oral (natural), comparado com a escrita (artificial), percebe-se que o escrever implica anos de dedicação, até chegar à obtenção de uma melhor performance, conseguida a partir do momento em que o utilizador se apropria de alguma tecnologia. No entanto, Ong (1998) entende que a artificialidade no ser humano é natural, por enriquecer a psique e alargar o espírito. Tanto escrita como leitura, enquanto atividades, envolvem a mente com um pensamento interiorizado e individualizado, nascendo a sensibilidade da personagem humana, interiorizada na motivação consistente (REIS et al., 2009). Compreender a dinâmica da oralidade em relação à dinâmica da escrita melhora o ensino das habilidades da escrita, particularmente, em culturas que se movimentam para a total oralidade virtual. 29 Ong (1998) entende que tanto oralidade como escrita são privilegiadas, pois sem o texto a oralidade não pode ser identificada e sem a oralidade o texto também se apaga. Assim, para que se sobressaiam no mundo do conhecimento e das interações, um depende do outro. Em fases de interiorização da consciência não é possível alcançar a escrita, não há disponibilidade de imergir em estruturas comuns. A interação entre oralidade e tecnologia da escrita se relaciona com várias vertentes da mente. Em uma primeira fase de vida, através da oralidade, um indivíduo consegue articular, conscientemente a linguagem, organizando e estruturando-a, segundo regras. A escrita vai introduzir uma espécie de divisão e alienação, em busca de maior unidade e intensificação do sentido do “eu”, fomentando uma interação mais consciente entre pessoas. A escrita é o despertar da consciência, transposto na forma de registro (ONG, 1998). O conhecimento antropológico (histórico) não permite considerar as sociedades sem a escrita como sociedades inferiores, mas sociedades em constante mudança (LÉVY, 1993). A invenção da escrita provocou um salto na consciência e nas habilidades cognitivas do sujeito, indo além de simples técnicas mnemônicas naturais, do pensamento oral ao pensamento escrito. A técnica da escrita permite a construção de raciocínios mais abrangentes e complexos, inaugura um modelo de pensamento analítico, contrário ao da fala. Um texto escrito pode ser visto e corrigido inúmeras vezes, a oralidade verbalizada não. Assim, palavras uma vez ditas dificilmente podem ser retiradas, principalmente, se mencionadas em público (LÉVY, 1993). A escrita enquanto técnica complexa é aprendida com dificuldade, por isso, muitos adultos não conseguem dominá-la completamente ainda quando adultos, embora em contato durante toda a vida. A escrita transformou o processo educativo, 30 incorporando como forma de produção e conservação do conhecimento a necessidade de ensinar esse conhecimento que se torna mais amplo e complexo, requerendo, primeiro, que seja ensinada a técnica da escrita (ONG, 1998). De acordo com Ong (1998, p. 35-36): O pensamento e a expressão formular orais percorrem as profundezas da consciência e do inconsciente e não desaparecem assim que alguém que a eles se habilitou pegar em uma caneta. [...] A mente, não tem, inicialmente, recursos propriamente quirográficos. Rabiscam-se em uma superfície palavras que se imagina dizer em voz alta em uma situação oral imaginável. Apenas muito gradativamente a escrita torna-se composição escrita, um tipo de discurso – poético ou não – que é construído sem uma sensação de quem está escrevendo está realmente falando em voz alta [...]. A temporalidade e a distância são mudanças trazidas pela escrita, a qual é conservada no suporte físico (papel, computador), enquanto a fala desaparece instantaneamente (ressalta que na atualidade nem mesmo a fala desaparece, podendo permanecer registrada por meio de gravação ou filmagem). O que não é memorizado em uma cultura oral é perdido, tendo em vista a ausência de registro da história passada. Na cultura escrita há um deslocamento sobre a importância da memória para a habilidade de interpretar o que está registrado (ONG, 1998). 1.3 ORALIDADE SECUNDÁRIA De acordo com Ong (1998), semelhante ao telefone, o rádio, a televisão e diferentes tipos de registros sonoros, desenvolvidos através dos tempos, também, a tecnologia eletrônica conduziu a humanidade à Era da Oralidade Secundária, caracterizada por uma nova oralidade, com semelhanças notáveis à Era Antiga, favorecendo um sentido comunal, mas concentrado na atualidade, nessa Nova Era. A Oralidade Secundária se constitui em uma oralidade mais autoconsciente, 31 fundamentada no uso da escrita e da impressão, essencial à manufatura e operação do equipamento tecnológico e seu respectivo uso. Os novos meios de comunicação, incrementados pela tecnologia digital permitiram o surgimento da Oralidade Secundária, apresentando semelhanças com a Oralidade Primária. Porém, baseada no uso da escrita e da impressão (REIS et al., 2009). Nesta Oralidade Secundária, agrupam-se indivíduos em uma “aldeia global”, criando novos hábitos de socialização e comunicação social (REIS et al., 2009). Ressalta-se que impressão e escrita estão presentes na Oralidade Secundária em importância menor. Para Ong (1998), a mudança da oralidade para literatura permitiu o desenvolvimento social, tal como na organização política, desenvolvimento religioso, intercâmbio cultural e inclusão dos gêneros verbais, contribuindo para determinar a narrativa ao longo do tempo, passagem que produziu efeitos significativos. O advento da impressão intensificou o registro escrito e proporcionou submissão da palavra ao processo maquinal com um emprego mais cômodo e generalizado. A escrita e a impressão não eliminaram a personagem plana, porém, as novas tecnologias da palavra reforçam e ao mesmo tempo transformam as culturas da escrita, gerando personagens abstratas (ONG, 1998). Os trabalhos literários insistem na autonomia de trabalhos individuais, de arte textual, onde a escrita passa a denominar o discurso autônomo, em contraste com a dicção oral, ocorrendo mudança de mentalidade oral, para mentalidade textual (LÉVY, 1993). A oralidade e a crescente tendência da literatura, fora da oralidade, é fundamentalmente necessária à evolução da consciência humana. Assim, a passagem da oralidade para a escrita é importante, pois em grande parte as mudanças da vida 32 humana ocorrem nas trocas comerciais, na organização política, não sendo causa única, sendo estes eventos influenciados pela mudança da oralidade para a literácia. Tanto oralidade como literácia envolvem inúmeras questões, incluindo a evolução moderna da consciência, que contempla as dinâmicas da oralidade e da literácia, conduzindo a uma maior interiorização e abertura. No decorrer da história da humanidade a oralidade tem sido a principal tecnologia intelectual utilizada no processo de construção do pensamento. Sem a escrita, a educação dos sujeitos se faria apenas por vias práticas e os conhecimentos seriam transmitidos através das gerações, pela fala (LÉVY, 1993). Contrária à escrita, a fala está incorporada no homem e por isso pode ser aprendida pela criança, apesar de complexa. O texto escrito pode alcançar distância ilimitada e poder inestimável quando comparado à distância do alcance da voz do orador. A escrita permite que os pensamentos sejam registrados e transmitidos na sua forma fiel, independente de tempo e espaço. Processo semelhante acontece no uso da máquina de calcular e do computador, desaparecendo as razões que deram sentido ao saber algo decorado. Com isso, habilidades tidas como importantes nas culturas oral e escrita são substituídas por novas tecnologias, como imprensa, telefone, rádio, telex, fax, televisão, o computador, acelerando o processo de transmissão da mensagem. De acordo com Ong (1998, p. 39): “o meio é a mensagem, exprimiu sua consciência aguda da importância da oralidade, por meio da cultura escrita e da impressão, para a mídia eletrônica”. A invenção da imprensa produziu muitas transformações tornando a cópia de manuscritos eficiente e produtiva. A imprensa transformou o livro em produto barato, permitindo gerar cópias idênticas, consumando a ideia dos manuscritos, de serem 33 obras fechadas, terminadas e datadas. Nesse processo, a imprensa marca ruptura entre um pensamento com resquícios de oralidade para o pensamento analítico nascido da escrita (GALVÃO & BATISTA, 2006). A fala faz sentido quando o sujeito está na presença de seus pares, é uma atividade eminentemente social e interativa. Na leitura é diferente, pois o livro impresso tem uma característica introspectiva da escrita. Até o momento que não estava totalmente incorporada no pensamento humano, a prática da leitura era realizada em voz alta para um grupo, transmudando para uma atividade silenciosa, onde o leitor vive o mundo dos personagens. O surgimento da imprensa e consequente industrialização de obras escritas fizeram com que milhões de pessoas tivessem acesso ao conteúdo de um mesmo texto simultaneamente. Porém, até o período de invenção dessa tecnologia, poucas pessoas possuíam cópias de manuscritos, sendo raras as que existiam. Com o surgimento da obra impressa, houve a expansão de bibliotecas e escolas. O uso de material impresso permitiu o surgimento do diálogo virtual (online), cuja prática, hoje, é sedimentada em larga reprodução e disseminação do conhecimento (ONG, 1998). Nesse compasso, a Oralidade Secundária é parte integrante e necessária, quando não funciona quase que como uma totalitária de recursos para comunicar ou informar aos povos contemporaneamente, pelo surgimento da ciberoralidade. O estilo da oralidade de uma cultura intocada pelo conhecimento escrito se insere na Oralidade Primária. No entanto, paulatinamente, contrasta com a Oralidade Secundária, que tem como base o uso da tecnologia da cultura atual, sendo a nova oralidade sustentada por veículos como o telefone, rádio, televisão e aparelhos electrônicos diversos, que para sua existência e funcionamento dependem da escrita e da impressão. 34 Para Ong (1998), nem todos os acadêmicos enveredaram para esse caminho. Muitos entendem que, para ser compreendida, deve ganhar a mesma importância da linguagem oral, requerendo explicar dois aspectos: a linguagem oral ganha importância nas sociedades literatas, mas nas sociedades não literatas nunca perdeu sua importância. Entre dezenas de milhares de línguas existentes na história da humanidade, apenas 106 desenvolveram uma escrita que permitisse ter uma literatura; o que ocorre não é um regresso à “Oralidade Primária”, própria das sociedades intocadas pela escrita, mas, sim, o desenvolvimento de uma “Oralidade Secundária”, em que os sujeitos falantes associam a palavra oral à forma escrita, ou seja, uma “literatura oral”, designação com a qual discorda, mas considera difícil de eliminar. Convém indagar quais os reais efeitos que teve a escrita na forma de pensar, compreender e explicar o mundo por parte dos indivíduos da Oralidade Secundária (GALVÃO & BATISTA, 2006). Com os novos meios de comunicação, tais como o telefone, rádio, televisão, entre outros, surge a Era da Oralidade Secundária, apresentando semelhanças com a Era Antiga. Porém, mais deliberada e autoconsciente, utilizando também a escrita e a impressão, essenciais à sua utilização (REIS et al., 2009). 1.4 A ORALIDADE E O CIBERESPAÇO Esta abordagem tem como finalidade tratar dos diversos tipos de cultura oral e escrita trazendo assim a ciberoralidade (oralidade dentro de ambientes virtuais), a qual envolve todos os itens mencionados anteriormente que se encontram inseridos no 35 ciberespaço, além do surgimento da cibercultura, imprescindível para entender o ciberespaço. O termo ciberoralidade se insere no contexto de uma oralidade virtual, na qual o computador enquanto instrumento tecnológico permite a interação virtual entre massas, originada na oralidade primária e secundária, e na utilização da escrita para a comunicação. Com a troca de informação mais ágil e mais eficiente, oriunda da Internet, o desenvolvimento e a integração da oralidade e da escrita acontecem em diversos ambientes virtuais, os quais promovem o diálogo virtual e contribuem para que o internauta use sua oralidade, uma vez que os temas são diversificados e os usuários ou interlocutores são distintos. Todos os ambientes virtuais promovem ligação entre oralidade e escrita no ciberespaço. Deste modo, textos orais e escritos aproveitam o mesmo suporte, produzindo um tipo de documento que congrega diversos recursos causadores de possibilidades, como escrita, oralidade, som e imagem, de forma que o internauta torna-se autônomo para usar e abusar desses recursos disponíveis e assim explanar seus pensamentos. É uma linguagem que causa transformações na composição linguística e nos modos de interação, e é essa interação e oralidade que encontramos entre os usuários do Fórum Carros de Rua. Sobre esse mesmo assunto, Soares (2002, p. 146) comenta: [...] estamos vivendo, hoje, a introdução, na sociedade, de novas e incipientes modalidades de práticas sociais de leitura e de escrita, propiciadas pelas recentes tecnologias de comunicação eletrônica – o computador, a rede (a web), a Internet. As formas de escrita virtual reproduzem a linguagem falada pelo homem para comunicar-se entre seus pares, além de utilizar o grafismo, o qual representa as 36 emoções e sentimentos dos sujeitos envolvidos no diálogo, cria um gênero discursivo marcado pela oralidade, abreviações e transmissão de sentimentos e emoções, recursos que surgiram a partir das necessidades do homem, de comunicar-se com qualquer pe,ssoa em qualquer lugar. Uma das formas perceptíveis da ciberoralidade, presente no Fórum Carros de Rua é no afeto quando substituído por um recurso gráfico que represente essa afeição, neste caso a representação de um piscar de olhos dando boas vindas ao novo membro da rede, como se pode observar na figura 1. Figura 1: Representação da Oralidade através do grafismo Fonte: <http://forum.Carrosderua.com.br> Da mesma forma, a representação de alegria também é marcada pelo diálogo no momento em que o usuário escreve “hehehehe”, representando o que poderia ser uma risada no discurso oral (figura 2). Figura 2: Representação da Oralidade através do discurso escrito Fonte: <http://forum.Carrosderua.com.br> De acordo com Costa et. al (2005, p. 7): A afetividade, presente nos traços orais, perpassou fronteiras objetivas e subjetivas, penetrou na matéria, no espírito, no interior e exterior, no real e no 37 virtual, no individual e no coletivo, abrindo-se à incompletude do texto, do diálogo, da vida. A criação da Internet, a partir da Arpanet concebida em 19694, desencadeou um novo modelo de comunicação no qual a mensagem é ubíqua e os usuários assumem o papel de produtores de conteúdo, inclusive de linguagens próprias ao meio, à rede. Em 1975, após testes nos Estados Unidos, a Agência de Comunicação e Defesa ganha o controle da Arpanet, rede nacional de computadores, servindo para comunicação emergencial caso os Estados Unidos fossem atacados por outro país. A troca de dados teve crescimento exponencial, chegando a novos usuários e, principalmente, para pesquisadores universitários com trabalhos na área de segurança e defesa. No final da década de 1980, muitos computadores estavam interligados em todo o mundo, abrangendo um alcance de rede em cerca de 80 países, inclusive o Brasil, dando início à difusão da Internet em seu território a partir de 1990, por meio da Rede Nacional de Pesquisas. Nessa época, entre os consumidores potenciais que aderiram à novidade, estavam, preferencialmente, instituições de ensino/instituições educacionais. A invenção do computador, seus produtos e a imprevisível inovação transformaram a Informática em um meio de massa à criação, comunicação, simulação 4 As origens da Internet são encontradas na Arpanet, uma rede de computadores montada pela Advanced Research Projects Agency (ARPA), em setembro de 1969. A ARPA foi formada em 1958, pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, com a missão de mobilizar recursos de pesquisa (oriundos do mundo universitário), com o objetivo de alcançar tecnologia militar em relação à União Soviética no lançamento do primeiro Sputniuk, em 1957. A Arpanet consistia em um pequeno programa que surgiu de um dos Departamentos da ARPA, o Information Processing Techniques Office, fundado em 1962, com base em uma unidade preexistente. [...] Para montar uma rede interativa de computadores, o IPTO valeu-se de uma tecnologia revolucionária de transmissão de telecomunicações, a comunicação por pacote, desenvolvida independentemente, por Paul Bran, na Rand Corporation (empresa que trabalhava para o Pentágono) e por Donald Davies no British National Physycal Laboratory (CASTELLS, 2003, p. 14-15). 38 de dados, informações ou imagens (LÉVY, 1999) – assim, a ciberoralidade, representada pela escrita na Internet, torna-se um meio de interação muito eficaz. A expansão de usuários via Internet no planeta tornou-se inevitável frente às múltiplas facilidades ofertadas aos consumidores que, através da comunicação, tanto oral como escrita, viabilizaram a aceitação de um serviço em âmbito mundial. Nesse processo, o número de computadores conectados subiu de 1,7 milhões em 1993 para 20 milhões em 1997. Em 1996, havia 56 milhões de usuários em todo o mundo, grande maioria concentrada apenas nos Estados Unidos, local de origem da Internet, permitindo à cultura cyberpunk uma espécie de ciberoralidade, que utiliza o computador e a escrita para intercomunicar-se entre vários usuários, possibilitando que uma multidão de sujeitos conheça o pensamento do outro em relação a determinado ponto de vista, produto ou serviço (LÉVY, 1999). De acordo com Lemos (2008), o cyberpunk marca a cybercultura, cibercultura na grafia em português, cujo termo tem suas origens no movimento harmônico de ficção-científica, caracterizada por uma visão distópica em relação às possibilidades abertas pelas novas tecnologias, que associa tecnologias digitais, psicodelismo, tecnomarginais, cyberespaço, cyborgs, poder midiático, político e econômico dos grandes conglomerados multinacionais. O cyberpunk caracteriza-se como: [...] um modo de vida centrado em torno das tecnologias computacionais, música hardcore e agressividade adolescente. O cyberpunk nos dá a habilidade de ser livre. A tecnologia pertence ao jovem e deve ser explorada em seu proveito. Esta é a nova Era [...] - (LEMOS, 2008, p. 171). A popularização da cultura cyberpunk é creditada à mídia em massa, tal como os jornais ou revistas, pois, além dos livros de ficção-científica, as revistas tornam-se responsáveis pela disseminação desse imaginário tecnológico. 39 A Revista Mondo 2000 é a bíblia dos cyberpunks, figurando como uma das primeiras a mostrar o vínculo entre a ficção científica e a vida real. O primeiro editorial dessa Revista propôs-se em levar a cibercultura às pessoas num período onde as drogas já estavam obsoletas, pois o ato de plugar-se à tecnologia para o fortalecimento pessoal e jogos de entretenimento convida os sujeitos a tornarem-se biônicos. Assim, o poder está nas mãos dos cyberpunks, podendo desenvolver sua própria literatura, música, televisão e uma vida peculiar, o mais importante, sua própria realidade (LEMOS, 2008). A cibercultura se origina em um mundo hiperqualificado e hiper-racionalista, que busca integrar e traduzir, não mais representar a natureza por meio da tecnologia digital, condição técnica em que a cibercultura é consequência, resultante do progresso das ciências reunidas a partir do Século XVII. “A microinformática é o berço da cibercultura” (LEMOS, 2002, p. 116). Lemos (2002) define a cibercultura como a popularização da atitude dos cyberpunks; a regra que orienta os rebeldes da cibercultura é o desafio às normas estéticas e culturais. Os cyberpunks usam a tecnologia como arma de sobrevivência na sociedade. A Revista Mondo 2000 busca convencer o leitor de que se está à frente de uma revolução cultural sem precedentes, que une, de modo inédito, a jovem cultura urbana e as tecnologias digitais, definida como a cultura do caos e as novas tecnologias. A cibercultura é uma revolução de história, uma nova forma de fronteira eletrônica, a new age naturalista e espiritualista. Ela torna-se herdeira da contracultura, não sendo mais antitecnológica ou nostálgica, celebra as novas possibilidades com as tecnologias eletrônicas. 40 Para Lemos (2002, p. 2020), no ciberespaço, “a informação deve ser livre, o acesso aos computadores [...] ilimitado e total”. As redes de computadores representam o centro nervoso da vida social no futuro do presente e no futuro do futuro, uma verdadeira odisseia. A ficção científica cyberpunk aparece nos anos 80, especialmente, com o sucesso de Neuromancer, de Willian Gibson, publicado em 1984, no qual mistura literatura policial, tecnologias, tribos, pessimismo e caos urbano. O termo cyberpunk é usado para designar o movimento da ficção científica dos anos 80 que, antes de ser reconhecido, foi chamado ‘herdeiro da New Age’ dos anos 60 e 70, aparecendo na onda da década de 80, quando o ambiente é saturado por altas tecnologias e caos urbano. Sob o ponto de vista de Felinto (2007, p. 4), o conceito de cibercultura tem sido entendido em quatro sentidos fundamentais, ou seja, que se trata de um projeto utópico com interfaces culturais da sociedade de informação, como prática cultural, como um estilo de vida e, finalmente, uma teoria da nova mídia. No primeiro caso, está relacionado com o momento histórico do surgimento, marcado pelas subculturas hacker e cyberpunk, entre as quais se desenvolveu a cibercultura como promessa futurística. No segundo, relaciona uma compreensão chave do conceito cibercultural. No terceiro, o conceito se estende às práticas e problemas antropológicos ligados às tecnologias digitais. No último, estão envolvidas questões da reflexologia. O ambiente tecno-urbano e caótico, unindo-se a uma visão distópica do futuro e altas tecnologias, caracteriza o imaginário cyberpunk. A tecnologia torna-se o dispositivo pelo qual os piratas de dados atingem seus objetivos, ou seja, penetram sistemas, introduzem vírus, destroem dados sensíveis, entre outros (LEMOS, 2002). Nos anos 80, nasce um novo estilo de ficção científica. Sintonizados com os humores da época, surgem o computador pessoal, redes telemáticas, telefones 41 portáteis, engenharia genética, problemas ecológicos, crises dos sistemas políticos, fundamentalismo religioso, entre outros. Na visão de alguns atores como Gibson (1986) apud LEMOS (2002, p. 204): “um futuro com múltiplas facetas, complexo, integrado em uma visão global [...] da cibernética, da biotecnologia, das redes de comunicação [...]”. As personagens são frutos dos princípios de incerteza da modernidade, são anti-heróis que buscam, no dia a dia, encontrar soluções para seus problemas existenciais. O cyberpunk retrata as sociedades pós-industriais avançadas, nas quais economia, cultura e saber foram traduzidos em informações binárias. Desse momento em diante, o “poder” fundamenta-se no saber, na informação presente em redes interligadas que tecem uma teia telemática ao redor do globo. O estilo cyberpunk é a apoteose do pós-moderno, um representante do imaginário da cibercultura dos anos 80, em que interações virtuais entre humanos ocorrem a todo segundo. Neste contexto, o termo ciber representa a ciência do estudo do controle dos processos de comunicação entre homens-máquinas, homens-homens e máquinasmáquinas, enquanto o termo punk revela a atitude, força no que há de mais trágico e violento. O vocábulo “cyberpunk” é representado por criminosos e visionários da tecnologia, encarnado na ficção e na vida real dessa comunidade, é uma espécie de atitude de “vitalista” da tecnologia. A década de 80, especificamente 1984, foi representada por promessas de modernidade tecnocrática. Dois importantes eventos marcam esse período: o Neuromancer, de Willians Gibson, e o Macintosh5 (computador pessoal e interativo que 5 Macintosh é o computador pessoal desenvolvido na Apple Computers, por Steve Jobs e sua equipe, que contemplava a utilização de uma interface gráfica do usuário controlada/manuseada por um mouse. A interface gráfica popularizou a utilização de computadores e posteriormente da Internet com a apresentação da World Wide Web em 1993 por Tim Berners-Lee, desenvolvida no CERN entre 1989 e 1992. 42 proporciona a apropriação técnica e simbólica e social da Informática, que até então era de propriedade privada de uma elite científica e industrial). Assim, 1984 é uma espécie de encantamento da tecnologia contemporânea. Cabe citar os comentários presentes na obra de Ong (1998, p. 53): As culturas orais [...] não carecem de originalidade própria. A originalidade da narrativa reside não na construção de novas histórias, mas na administração de uma interação especial com sua audiência, em sua época – a cada narração, deve-se dar à história, de uma maneira única, uma situação singular, pois nas culturas orais o público deve ser levado a reagir, muitas vezes intensamente. A cultura cyberpunk enquanto modalidade de vida representa, para o usuário, uma evolução extensora, que mediada pela linguagem escrita - e hoje, também, pela linguagem falada - permite ao indivíduo interações comunicacionais amplamente difundidas entre uma infinidade de usuários – nas comunidades de redes sociais da Internet, nas quais dados pessoais, imagens, fotos, o pensamento individual (linguagem oral e escrita), entendimento e aceitação sobre determinada coisa, lei, produto ou serviço são divulgados utilizando a rede como meio e “o outro”, por sua vez, age, reage e interage com as informações disponibilizadas, seja no formato de dados ou de imagens Segundo Lemos (2002), o hipertexto mundial é o ciberespaço, o qual induziu produtores culturais a mudarem a concepção dos conteúdos de seus produtos. Se o usuário não interagir com os hipertextos, a ação não se concretiza, diferente da ação proporcionada pela TV ou rádio, em que o usuário assiste ao que passa na tela e ouve o que é emitido por estes meios de comunicação. No ciberespaço, é possível navegar sem a obrigatoriedade de um percurso pré-concebido ou pré-determinado. Todavia, no limite de opções oferecidas ao usuário, a leitura não é mais linear, transformando-se em um estado de atenção-navegação- 43 interação, cujo percurso é potencialmente multilinear e infinito. O ciberespaço é um hipertexto interativo de acesso universal em que cada qual pode adicionar, retirar e modificar partes dessa estrutura telemática, como um texto vivo, um organismo autoorganizante rumo à concretização. A navegação hipertextual ou hipermidiática problematiza a relação entre autorusuário e escritor-leitor. Segundo Lemos (2002, p. 130), as publicações eletrônicas prometem produzir efeitos na cultura atual, particularmente, na literatura, educação, na crítica e ensino, tão radicalmente quanto os efeitos produzidos pelo tipo móvel de Gutemberg. A Web é um exemplo popular de hipertexto, sendo este parte da multimídia da Internet, em que o usuário pode navegar de informação em informação, de um site para outro, navegar entre países, em tempo real, através de interfaces (LEMOS, 2002). A leitura exige atenção para surfar na Web, cuja diferença situa-se no fato de que no ciberespaço a conexão é em tempo real, imediata, permitindo passar de uma referência para outra conexão imediatamente disponível (LEMOS, 2002). O hipertexto planetário (ciberespaço) é interessante e sua prática também, por permitir navegação hipertextual. A prática do cibernauta é um rearranjo do espaço através de um modelo de conexão generalizada e descentralizada. Os hipertextos não significam apenas suportes para a informação, mas problematizam as formas de conceber a produção e apreensão da informação e do conhecimento, simultaneamente, em um arranjo do espaço. Tecnicamente, o hipertexto é uma forma de organização da informação, possibilitada pelo avanço da Informática (LEMOS, 2002), traduzida em um conjunto de nós, ligados por conexões que permitem a exploração por meio do processo de leitura 44 e navegação não linear e associativa, advinda da possibilidade de tradução, transformação e passagens através de conexões múltiplas em velocidade. O capítulo seguinte tem como finalidade abordar a web como fonte de recomendações, gerando assim a propaganda mediada pelos usuários no ciberespaço, sendo este um novo espaço de interação entre internautas e interações que ocorrem na web, além de abordar a web e suas interfaces. 45 2 A WEB COMO FONTE DE RECOMENDAÇÕES Esta abordagem traz à luz a Internet como fonte de recomendações, no que tange a propaganda “boca a boca”, sendo este um processo de interação entre usuários, no sentido de compreender como e por que acontece, trata das interações presentes na web e da propaganda mediada pelos usuários dentro da tecnologia digital. 2.1 O CIBERESPAÇO E OS NOVOS PROCESSOS DE INTERAÇÃO A interatividade incorpora pressupostos informacionais e valoriza a possibilidade de escolha entre as alternativas disponíveis. A interatividade ocorre a partir do número de escolhas que o programador coloca à disposição do usuário e entre os momentos que este pode reagir, nos quais, obtendo rápida acolhida reage, seleciona entre alternativas, elegendo uma ou mais para si (PRIMO, 2008). Os textos sobre interatividade recorrem às características técnicas que a máquina e a rede exige, tal como velocidade do chip e do clock, RAM, espaço do HD, taxa de transferência da rede, velocidade do modem e dos programas, das linguagens e dos bancos de dados empregados, como Director, Flash, HTML, Javascript, Java, Perl, ASP, SQL, entre outros (PRIMO, 2008). O cérebro da rede digital se localiza em quatro pólos funcionais, substituindo antigas distinções, hoje, se encontra fundado em suportes, modelados na imprensa, edição, editoração, gravação musical, rádio, cinema, televisão, telefone, computador e outras multimídias (LÉVY, 1993). 46 Os mencionados pólos funcionais fundamentam-se na produção ou composição de dados, em programas ou representações audiovisuais; na seleção, recepção e tratamento de dados, dos sons ou imagem, por meio de terminais de recepção inteligente; na transmissão, por rede digital, de serviços integrados e em mídias densas como discos óticos; no armazenamento em banco de dados, bancos de imagem ou outras modalidades (LÉVY, 1993). Os pólos funcionam como complexos de interfaces e a codificação digital é um princípio de interface. A principal tendência no domínio da informatização é a digitalização que atinge todas as técnicas de comunicação e de processamento de informações6. A tecnologia digital suporta metamorfoses, revestimentos e deformações. É um fluído numérico composto por membranas vibrantes, sendo cada bit uma interface capaz de mudar o estado do circuito, passando do “sim” para o “não”, segundo circunstâncias requeridas. A imagem e o som são pontos de apoio para as novas tecnologias intelectuais que, uma vez digitalizadas(os) pode ser decomposta, recomposta, indexada, reindexada, ordenada, comentada, associada no interior de hiperdocumentos e multimídias. De acordo com Lévy (1993, p. 121), “um modelo digital não é lido ou interpretado como um texto clássico [...] geralmente, é explorado de formas interativas”. Segundo Primo (2008), a capacidade de um canal de comunicação deve ser descrita em termos de quantidade de informação que possa transmitir, ou melhor, em termos de quantidade de sua capacidade de transmitir aquilo que é produzido a partir de uma informação dada. Ainda nos dias atuais a interatividade mútua não 6 Ao progredir, a digitalização se conecta no centro de um mesmo tecido eletrônico, ou seja, das tecnologias (cinema, radiotelevisão, jornalismo, edição, música, telecomunicações e informática. O suporte da informação se torna leve, móvel e maleável. 47 consegue ultrapassar o mero tecnicismo e vislumbrar a complexidade das interações mútuas mediadas por computador, como é o caso das paixões que ocorrem nos chats, as acaloradas discussões que ocorrem nas vídeos-conferência, listas de discussões e relacionamentos que são construídos por meio de programas de mensagens instantâneas. Para Lapolli e Gauthier (2008), as tecnologias da informação, os meios de comunicação e as telecomunicações estão sendo direcionadas para a linguagem digital, convergindo dados, imagens, vídeos e som, que podem ser transportados e disponibilizados em uma infra-estrutura de rede. Os equipamentos, na modernidade presente e futura, estão sendo preparados para decodificar esses dados e informações digitalizados, permitindo que um usuário possa acessá-los através de um mesmo equipamento, de forma integrada e interativa. A convergência digital elimina barreiras entre mídias e linguagens, distanciando a linguagem oral primária, aproximando a linguagem oral secundária, denominada linguagem escrita. Nesse passo, oferece uma infinidade expressiva de novos serviços e aplicações com a conveniência do melhor meio de comunicação, adequando-se ao conteúdo. A maneira de o usuário relacionar-se com o ambiente se torna mais integrada e sincrônica e essa nova relação está criando hábitos de comportamento e consumo, que devem ser considerados pela propaganda para que continue mantendo seu discurso persuasivo adequado, quanto aos objetivos mercadológicos dos anunciantes, se é que pretendem manter-se no mercado (LAPOLLI e GAUTHIER, 2008). 48 2.2 INTERAÇÕES NA WEB A “Interatividade é uma atividade entre dois organismos, que proveja respostas adequadas às necessidade informativas de ambos” (Roderick Sims, 1997 apud BARRÉRE e ESPERANÇA, 2010). De acordo com Lapolli e Gauthier (2008, p. 43): “o conceito interatividade7, frequentemente é confundido e utilizado como sinônimo de interação”. Segundo Lemos (1997), a interatividade está associada às novas tecnologias digitais, enquanto a interação está associada às tecnologias tradicionais e analógicas8. Lemos (1997, online), argumenta sobre a interação técnica digital: [...] através dela o usuário pode interagir não apenas com o objeto (computador ou sistema), mas com a informação, isto é, com o conteúdo. Esta interação pressupõe “uma ação dialógica entre o homem e a técnica”, em que o primeiro pode interferir no conteúdo das emissões em tempo real. A interface passa a ser não mais do que o espaço de negociação, de articulação do diálogo, seja entre homens, homem-sistema ou entre sistemas. A interatividade conduz a um estado de potência, virtualização, abertura de um campo problematizado e interação que, por sua vez, conduzem à atualização e a um acontecimento novo. A interação9 é um conceito bem mais antigo comparado à 7 O termo interatividade surgiu nos anos 60 e é derivado do neologismo inglês interactivity. Denomina o que os pesquisadores da área de informática entendiam como uma nova qualidade da computação interativa, presumindo a incorporação de dispositivos de entrada e saída como o teclado e as teleimpressoras. Enfatiza a diferença, e significativa melhora, na qualidade da relação usuáriocomputador, pela substituição dos anteriores cartões perfurados e controladores elétricos, pelos novos dispositivos disponibilizados. 8 Os Níveis de Interatividade são discutidos em virtude das seguintes dimensões: sistema: conjunto de objetos ou entidades que se inter-relacionam formando um todo (sistema aberto x sistema fechado); processo: acontecimentos que geram mudanças no tempo (negociação x estímuloresposta); operação: a relação entre a ação e a transformação (cooperação x ação e reação); fluxo: curso ou seqüência da relação (dinâmico x linear); throughput: tempo de resposta (interpretação x reflexo); relação: o encontro, a conexão, as trocas entre elementos ou sub-sistemas (construção negociada x casual); Interface (virtual x potencial). 9 Relaciona interatividade, à extensão do quanto um usuário pode participar ou influenciar, na modificação imediata da forma e do conteúdo de um ambiente computacional. A interatividade se 49 interatividade, é utilizado nas mais variadas ciências, influenciando em dois ou mais fatores, permitindo que cada fator altere o outro, à si e também na relação existente entre eles (LAPOLLI e GAUTHIER, 2008). Diante da explanação elucidada pelos pesquisadores, constata-se que a tecnologia tem proporcionado grande alcance em múltiplos aspectos, elevando a possibilidade de realização em múltiplos sentidos: A tecnologia digital, que surgiu para suprir a demanda da troca de informações foi rapidamente integrada ao cotidiano de pessoas e instituições, mudando a maneira de se fazer negócios, criando uma oportunidade para as empresas de estreitar laços de suas marcas com consumidores, tornando-se acessório indispensável e propiciando novas formas de comunicação e relacionamento. Tudo isso com uma velocidade e alcance especuladores, favorecendo a mudança de um conjunto de etapas mecanizadas para processos automatizados (LAPOLLI e GAUTHIER, 2008, p. 42). As novas tecnologias são classificadas como meios interativos delimitados pela grande capacidade de resposta. A comunicação por computador (e-mail), vídeo-texto, teleconferência, boletim online, TV interativa, entre outros meios, são considerados de elevado grau de interatividade, podendo ser denominada “comunicação em massa”. A linguagem desses meios é totalmente diferente da linguagem das mídias de massa (imprensa, rádio, televisão, cinema) nas quais, ao invés de um convencimento unilateral, a conquista é realizada no “clique” por “clique”, a fim de manter o usuário interessado no assunto. Para Thompson (1999): [...] o uso dos meios de comunicação implica no desenvolvimento de novas formas de ação e interação no mundo social. Em outras palavras, a criação de ferramentas colaborativas mudou a forma de como se desenvolvem as ações criativas; mudou, também, a forma como os indivíduos interagem com a propaganda. diferenciaria de termos como engajamento e envolvimento, sendo uma variável direcionada pelo estímulo e determinada pela estrutura tecnológica do meio. 50 Na comunicação há a indiscutível relação entre emissor-mensagemreceptor. Primo (2008) salienta a necessidade de lançar um novo olhar sobre a comunicação, sobretudo, no momento em que possibilita a interação mediada pelo computador. As “Teorias Tradicionais de Comunicação” não dão conta da comunicação mediada, na qual o modelo emissor–mensagem–receptor ganhou uma via em sentido contrário, que é o da interatividade entre o indivíduo e o computador. A interatividade produz mudança no esquema clássico da comunicação, que se fundamenta na ligação unilateral em que o receptor é o ponto final de uma comunicação. Assim, o emissor não mais emite como habitualmente entende. Não propõe mais uma mensagem fechada, mas oferece um leque de opções que coloca no mesmo nível, conferindo a elas um mesmo valor. A mensagem somente toma seu significado por meio da intervenção do próprio usuário. A mensagem pode ser recomposta, reorganizada, modificada permanentemente sob o impacto cruzado das intervenções do receptor e dos ditames do sistema, perdendo o estatuto de mensagem. Segundo Montez e Becker (2005, p. 48): [...] interatividade está relacionada à extensão de quanto um usuário pode participar ou influenciar modificação imediata, na forma e no conteúdo de um ambiente computacional. [...] Configurando-se num espaço aberto para conexões possíveis, essa tecnologia permite ampla liberdade para navegar, fazer permutas ou conexões em tempo real, podendo o usuário transitar de um ponto para outro instantaneamente, sem a necessidade de passar por pontos intermediários [...]. A primeira geração da Web é marcada pela agilidade na recuperação de informações e pela simplicidade na publicação e disponibilização de dados em rede, típicos dessa fase da Web são os portais, home-pages e álbuns de fotos online 51 (LÉVY, 2002)10. Contudo, essas páginas digitais ofereciam limitações à interação, pois foram sendo construídas para “o apontar e clicar”, ou seja, para processos de ação e reação. No entanto, portais e páginas da primeira geração da Web caracterizam-se pela interação reativa (PRIMO, 2008). De acordo com Primo (2008), as interações reativas dependem da previsibilidade e da automatização nas trocas, conquanto que as reações mútuas se desenvolvem em virtude da negociação relacional durante o processo de troca. A interação remete à relação entre dois ou mais indivíduos em uma dada situação, na qual adaptam seus comportamentos uns aos outros, quando os indivíduos estão próximos fisicamente e inseridos em um mesmo contexto social (PRIMO, 2008). O sentido sociológico de interação serve para julgar a relação dos indivíduos com os produtos dos meios de comunicação de massa. A interação é tida como potencialmente mais democrática na medida em que há distancia fixada entre emissores e receptores e em que o sentido do contexto é negociado entre parceiros, em vez de ser imposto pela mídia (PRIMO, 2008). Na informática, a interação se refere à relação do indivíduo com o computador, na qual o primeiro, como sujeito, teria controle sobre o uso da máquina. Na comunicação, porém, o conceito de interação é usado para fazer referência às ações dos receptores em relação ao conteúdo da mídia (PRIMO, 2008). Um exemplo de interação pode ser encontrada no Fórum Carros de Rua, no qual dois ou mais membros discutem um assunto em comum, neste caso carros, estando os dois ou mais indivíduos no mesmo contexto como no caso da figura 3, 10 Segundo o artigo denominado Blog Comparativo (2010, online): “nossa tecnologia passou à frente de nosso entendimento e a nossa inteligência desenvolveu-se mais do que a nossa sabedoria”. 52 em que a pesquisadora solicita a opinião dos outros usuários em relação a uma campanha veiculada na mídia, seguida de respostas de outros usuários. Figura 3: Interação entre usuários do Fórum Carros de Rua Fonte: <http://forum.Carrosderua.com.br> De acordo com Lapolli e Gaulthier (2008), a interatividade permitiu ao consumidor liberdade de escolha sobre a informação que deseja acessar, momento e sequência de apresentação, além da possibilidade de compartilhar imagens. Na comunicação, com altíssimo poder, os consumidores passam a ter audiência própria 53 e a tomar decisões muito mais inteligentes em relação aos produtos e serviços que necessitam comprar. A linguagem publicitária das mídias digitais exige apelo para atrair a atenção do público que é bombardeado com informações todos os dias e ocorre devido à grande quantidade de anúncios veiculados, dissolvendo a eficiência da mensagem, tornando o consumidor mais resistente, consequentemente, fazendo com que a captação seja mais difícil. Dessa forma, a segmentação da mensagem, além de ser uma necessidade é também uma oportunidade (LAPOLLI e GAULTHIER, 2008). A propaganda de contato direto com o consumidor, através de sites, e-mails e outros meios faz com que as empresas, no momento da escolha, compra e póscompra disponham de mais ferramentas para facilitar e induzir o comportamento do consumidor a aceitar a marca, as reclamações ou elogios em relação ao produto adquirido. Com isso, as empresas ganham mais agilidade na resolução de eventuais problemas, para realizar a pesquisa de nível de satisfação ou buscar informações com o objetivo de aprimorar seus produtos ou serviços (LAPOLLI e GAULTHIER, 2008). É importante saber que para combater a perda de clientes é fundamental que as empresas estimulem as pessoas a falarem sobre o que está as incomodando e invistam em soluções para suas reclamações. 54 2.3 PROPAGANDA MEDIADA PELOS USUÁRIOS A propaganda mediada pelos usuários é um processo de comunicação relacional entre usuários, e algumas vezes consumidor e empresa, em que ambos interagem com informações, dados, compartilhamento de ideias, imagens e afins. Na propaganda mediada pelos usuários a interatividade possibilita que o conteúdo produzido por milhares de indivíduos seja entregue para outros milhares de indivíduos, não substituindo o método de propaganda convencional, mas trata da reunião de fatos que a tecnologia potencializa nas mediações, ou seja, nas interações convergentes entre usuários (internautas ou nós). De acordo com Muniz (2009), a publicidade e a propaganda, embora apresentem objetivos incomuns, tem pontos comuns quanto à técnica e ao veículo que utilizam. A propaganda é definida como uma atividade que influencia o homem, com objetivos religiosos, políticos ou cívicos, é a difusão de ideias sem finalidade comercial. A publicidade é persuasiva e tem objetivo comercial. A publicidade é a arte de despertar no público o desejo de compra conduzindo-o à ação, porém, a propaganda não conduz à ação, seu objetivo é estimular as vendas, no entanto, ambas utilizam os mesmos veículos de divulgação. [...] a propaganda é ideológica, grátis, dirigida ao indivíduo e apela para os sentimentos morais, cívicos, religiosos, políticos [...] a publicidade é comercial, paga pelo consumidor, dirigida à massa e apela para o conforto, prazer, instinto de conservação [...] - (MUNIZ, 2009, p. 3). A propaganda faz adeptos, converte pessoas a determinadas opiniões, produz seguidores, ao passo que a publicidade vende bens/serviços, divulga mercadorias, ganha consumidores. Assim, a propaganda influencia a opinião e a conduta da sociedade de modo que adotem uma opinião ou uma conduta. 55 A publicidade tem como tarefa informar as características deste ou daquele produto ou serviço, promovendo a venda. A publicidade motiva o consumo em massa sobre os produtos, a propaganda, com sentido ideológico atribui valor para o serviço ou produto. Ao percorrer o terreno da economia verifica-se que as empresas podem explorar visando obter competitividade e crescimento. Dentre esses modelos figuram o peering11, as ideágoras12, as comunidades prosumers13, ciência colaborativa14, plataformas de participação15, o chão de fábrica16 ou locais de trabalho que, isolados ou reunidos viabilizam nova forma de competir, permite a utilização do conhecimento, dos recursos e dos talentos externos, pelas empresas, em uma escala impossível anteriormente (TAPSCOTT e WILLIAMS, 2007). Os quatro princípios elaborados por Tapscott e Williams (2007) fundamentam-se na abertura, peering, compartilhamento e ação global. Os princípios de Wikinomics17 representam uma força propulsora para muitos gerentes, à inovação e criação de valor em uma escala sem precedentes. Podem transformar a maneira pela qual a ciência é conduzida, criar uma cultura, mostrar como o ser humano é criado, educado e como uma nação ou comunidade é governada. Para que isso ocorra é necessário o descarte de parte da sabedoria convencional, que faz com que as empresas permaneçam atoladas no raciocínio do 11 Através desse meio os produtores aplicam princípios do Código Aberto para criar produtos feitos de bits, desde sistemas operacionais a enciclopédias. 12 Dão acesso à um mercado global de ideias. 13 Podem ser uma fonte de inovação se as empresas fornecerem aos clientes as ferramentas necessárias à criação de valor. 14 Reduz o custo e acelera o ritmo do progresso tecnológico em seus setores. 15 Criam um palco global, no qual, grandes comunidades de parceiros podem criar valor, inserindo novas empresas em um ecossistema altamente sinérgico. 16 Usam o poder do capital humano. 17 O chamado mundo “Wiki” possui o princípio da colaboração voluntária e da participação em massa. A expressão Wiki é derivada da palavra havaiana Wiki Wiki, cujo significado é rápido, veloz. Wiki na Internet é uma página viva onde qualquer um pode editar ou modificar conteúdos. Inicialmente, associado à produção de software livre\código aberto. O conceito wiki ultrapassa as fronteiras do conhecimento e atinge diversas outras áreas, da Medicina ao Direito. 56 Século XX, tendo em vista que empresas que ainda lideram esse pensamento serão colocadas de lado, melhor dizendo, refutadas. Contudo, cabe a cada hierárquico conduzir essa ideia avante, introduzindo-a em sua organização e torná-la uma força em favor de mudanças. Enfatiza os autores que no mundo wikinomics praticamente todos podem tornar-se líderes (TAPSCOTT e WILLIAMS, 2007). De acordo com Anderson (2006), se a propaganda mediada pelos usuários funciona ou não, a resposta está no “fazer online” que, explorando as formas de propaganda boca a boca, tem substituído o marketing tradicional na criação da demanda, tentando descobrir como extrair os melhores resultados dessa nova fonte. A crença desenvolvida pelo homem, pela propaganda e pelas instituições que pagam via esse meio, vagarosamente está reduzindo, conquanto a crença na propaganda feita pelos próprios indivíduos encontra-se em ascensão. A mesma inversão de poder está mudando o jogo do marketing, tanto em produtos e serviços, quanto em pessoas. No momento, o coletivo controla a mensagem, não é mais uma empresa. Para uma geração de clientes acostumados a fazer suas pesquisas de compra por meio de softwares de busca, a marca de uma empresa não é o que diz ser, mas, sim o que o Google diz ser. Os novos formadores de preferência são os novos clientes. Agora, a propaganda boca a boca é um diálogo público, desenvolvido nos comentários dos blogs e nas resenhas de clientes, comparadas e avaliadas de maneira exaustiva (ANDERSON, 2006). Um grande número (milhões) de pessoas consideradas “comuns” (inseridas no meio social) representa os novos formadores de preferência. Algumas atuam como indivíduos, outras, participam de grupos organizados em torno de interesses 57 comuns. Porém, outras, são simplesmente rebanhos de consumidores monitorados automaticamente por software que observam seus comportamentos. Historicamente, diante da tecnologia, pela primeira vez, indivíduos tornaramse capazes de medir os padrões de consumo, as inclinações e preferência de todo um mercado de consumidores, em tempo real, com a mesma rapidez, ajustando-se a tais condições para melhor atender esse público. Ocorre que esses novos formadores de opinião não se caracterizam como super-elites, cujos componentes não são melhores que “eu”, “você” ou “ele” (ANDERSON, 2006). Estamos saindo da Era da Informação e entrando na Era da Recomendação. Hoje, é [...] fácil obter informações, praticamente se tropeça nelas nas ruas. A coleta de informações não é mais a questão [...]. As recomendações servem como atalho no emaranhado de informações, da mesma maneira como o dono de minha loja de vinhos me orienta entre as prateleiras de obscuros vinhos franceses para que eu desfrute do melhor com minhas pastas (ANDERSON, 2006, p. 105). [Grifo dGráfico elaborado pela autora] A propaganda boca a boca é a manifestação da inteligência coletiva explora o sentimento dos consumidores e liga oferta-demanda. Nesse processo, há a democratização da produção e distribuição que ajuda as pessoas a encontrarem o que buscam na abundância de variedades e entra em ação o potencial de mercado (LAPOLLI e GAULTIER, 2008). Os novos formadores de preferência são pessoas cujas opiniões são respeitadas e influenciam no comportamento de outras, encorajando-as, na tentativa de conseguir novidades, que do contrário, não experimentariam. Alguns dos formadores de preferências são os profissionais tradicionais, incluindo críticos de cinema e música, editores e testadores de produtos ou serviços (ANDERSON, 2006). 58 A linguagem publicitária nas mídias digitais exige apelo para atrair a atenção do público bombardeado com informações no dia a dia que, ancorada em transformações tecnológicas, sociais, econômicas e culturais viabiliza novas formas de divulgar. Atualmente, o foco das empresas está mais voltado ao produto e passa a atenção às necessidades mutáveis do consumidor. Hoje, a comunicação volta-se para um público mais segmentado e se torna cada vez mais individualizada formulando algo denominado convergência, representada por um novo modo dos sujeitos sociais encararem as relações com as mídias, conquistada por meio da interação da cultura e das habilidades adquiridas. Atualmente, vive-se em uma Era de convergência que, para Jenkins (2009, p. 51) essa nova etapa: [...] representa uma mudança no modo como encaramos nossas relações com as mídias. Estamos realizando essa mudança, primeiro, por meio de nossas relações com a cultura popular, mas as habilidades adquiridas [...] tem implicações no modo como aprendemos, trabalhamos, participamos do processo político e nos conhecimentos com pessoas de outras partes do mundo. Castells apud SAAD (2003, p. 71) afirma que “não estamos mais vivendo numa aldeia global, mas em cabanas individualizadas, espalhadas globalmente e distribuídas localmente”. Primo (2008, p. 117-118) entende que nos relacionamentos: Não se pode pensar [...] que duas pessoas, ao interagirem, permanecem em constante consenso [...] compartilhando as mesmas opiniões e expondo-se totalmente. Pelo contrário [...] para que compreenda a comunicação interpessoal vale pensar como um processo de negociação. [...] Tais relacionamentos, podem, inclusive, se tornar muito íntimos, dependendo de quanto de si os interagentes revelam, da intensidade e recorrência das mensagens, entre outros fatores. 59 A interação mútua é dinâmica, não se pode pensar em apenas um movimento. A ideia de relacionamento contempla relações meramente causais e lineares. A interação mútua é conjunta, mais que mero movimento ou reação determinada. O relacionamento não é algo dependente do contexto cultural e temporal e cada uma em si é diferente, mesmo frente a estímulos equivalentes (PRIMO, 2008). A interação mútua promove a invenção conjunta de soluções temporais aos problemas durante a interação em virtude fatores contextuais envolvidos. Já a interação reativa depende das fórmulas previstas, ou seja, não se trata de uma relação negociada, percorre o trilho demarcado (PRIMO, 2008). A interação física do mercado passa a ser virtual e oferece aos clientes a acessibilidade total a produtos e serviços a qualquer hora ou local, possibilitando ao cliente efetuar compras personalizadas, tanto em volume quanto em formato de produto, disponibilizando informações em tempo real sobre o produto consumido e acesso a uma central de pós-vendas de maneira eficiente (LAPOLLI e GAULTHIER, 2009). Quando duas pessoas interagem as ações de cada uma ocorrem em função de ações manifestadas pela outra, de como percebem e do próprio relacionamento. Ora, no próprio relacionamento tem uma forma afeta “do como” as pessoas se comportam diante dos outros participantes. Segundo Fisher (1987 p. 197) apud Primo (2008, p. 117) e Primo (2008, p. 117): [...] um relacionamento nunca é apenas: ele está constantemente mudando, [...] então, é continuar modificando-o. [...] as relações têm consequências [...] elas afetam os participantes da relação. [...] são qualitativos. Cada relação tem características criadas pelos integrantes que a diferenciam de outras. 60 Um relacionamento pode ser considerado uma negociação aberta, de intensidade e recorrência de mensagens, intencionalmente, sendo a Internet o meio pelo qual o internauta pode falar com o colega e vice versa, com mensagens enviadas privativamente ou coletivamente, cujo relacionamento está em permanente negociação. Cada interato redefine o relacionamento, embora ele mesmo não seja o tema do diálogo. 2.4 A WEB E SUAS INTERFACES A web, desde sua criação, passou por diferentes fases, sendo a Web 1.0, 2.0 e 3.0, a última também conhecida como Web Semântica, caracterizadas por interfaces que gradativamente sofreram modificações visando melhorar a comunicação e interatividade entre internautas. A Internet enquanto tecnologia se diferencia em fases, e para definir a diferença entre Web 1.0, Web 2.0 e Web 3.0 fazem-se necessário entender que estas possuem características intrínsecas e múltiplas, diferenças básicas e tecnológicas, por permitir ou não a interação entre usuários sociais, referente ao surgimento de comunidades virtuais, além de uma estrutura diferenciada. A convergência é um processo que tanto pode ser corporativo, como referirse ao consumidor. No primeiro caso se coaduna com a convergência alternativa, ou seja, muitas empresas de mídia buscam celeridade nos conteúdos de mídia nos canais de distribuição visando aumentar as oportunidades de lucro, ampliar mercados e consolidar compromissos, auxiliada, primeiro, pela Web 1.0, posteriormente, pela Web 2.0 e rumo a Web 3.0 se consolida em importante 61 instrumento de interação entre usuários-usuários e usuários-empresa. No segundo caso refere-se à interação entre usuários que irremediavelmente tem atingido um público não mais possível de controlar seu crescimento (JENKINS, 2009). A principal diferença está na abordagem, ou seja, enquanto o usuário Web 1.0 é mero consumidor de conteúdo, incapaz de alterar ou produzir novas versões, o usuário Web 2.0 tem como objetivo construir conteúdos, ou seja, os usuários contribuem no alastramento da World Wide Web (www). Embora seja complexo definir a Web 1.0, primeiro, porque a Web 2.0 não se refere a um avanço específico na tecnologia da Web, mas a um conjunto de técnicas para design e execução de páginas Web. Algumas dessas técnicas existem desde que a World Wide Web foi lançada, tornando impossível separar a Web 1.0 e Web 2.0 em termos cronológicos. No entanto, a definição de Web 1.0 depende da definição da Web 2.0. Ora, se a Web 2.0 caracteriza-se como a segunda geração de navegação ou ainda uma coleção de abordagens efetivas na www, desta forma, a Web 1.0 inclui o restante dos aportes. Quanto ao significado do termo, Tim O'Reilly comenta que fornece ao usuário uma experiência envolvente, que propicia desejo de retorno à página no futuro. O surgimento de grandes portais como AOL, UOL e Yahoo marcou a chegada da Web 1.0, a primeira geração de Internet comercial. Em 1994 existiam apenas pouco mais de 10 mil websites e, somente os responsáveis por uma página podiam colocar informação na Web. Seu principal produto é a quantidade imensa de informações disponíveis, porém, de conteúdo pouco interativo. O usuário, enquanto mero espectador não detinha autorização para alterar seu conteúdo. Na primeira fase da Web a troca de informação, por e-mail e instant messanges foi a atração principal da rede no mundo dos negócios. 62 De acordo com Antoun (2008), a Web 2.0 é a segunda geração de serviços online, caracteriza-se por potencializar as formas de publicação, compartilhamento e organização de informações, além de ampliar os espaços à interação entre os participantes do processo. Para Olicshevis (2009), a Web 2.0 viabiliza a interatividade entre usuários, termo este que surgiu em 2004, democratizando a produção de conteúdo digital, mas, além disso, possibilita que cada usuário ou internauta possa criar seu próprio conteúdo, disponibilizando-o para toda a comunidade digital18. A Wikipédia é uma enciclopédia criada de maneira colaborativa, ninguém tem sua propriedade, é escrita por dezenas de milhares de entusiastas conhecedores de algum tipo de assunto (TAPSCOTT & WILLIAMS, 2007). Mas caracterizar um site como 1.0 ou 2.0 nem sempre é uma tarefa fácil. A Amazon.com nasceu com o tipo de ferramenta 1.0, adicionando outras com o passar dos anos. Em reunião inicial de brainstorming realizada entre O'Reilly Media e MediaLive International formulou-se a Web 2.0. O Quadro 1 mostra este comparativo entre a Web 1.0 e Web 2.0. 18 A Web 2.0 foi pensada essencialmente para o usuário, tem como objetivo desenvolver estruturas e plataformas que abordem a convergência das mídias, promovendo a interação. Sua essência é permitir que os usuários sejam mais que meros espectadores. Assim, surgiram novas tecnologias, como: Mashups, Ajax, além de sites como: Facebook e Myspace. Os sites são ferramentas para que internautas gerem conteúdo, criem comunidades e interajam. Alguns, como a Wikipédia possibilitam a construção coletiva do conhecimento. A Wikipédia tornou-se símbolo dessa transformação. É uma enciclopédia em que verbetes são criados e editados pelos próprios usuários. O YouTube é outro exemplo. Os internautas postam seus vídeos, podendo comentá-los. A sabedoria das massas transformou-se chave na rede, recebendo um novo nome Web 2.0. Outro exemplo é FlickR, onde qualquer pessoa pode publicar fotos. Nesse contexto, surgiram as famosas Tags, espécies de etiquetas ou índex, entre as quais os usuários podem classificar o tipo de conteúdo produzido e assim facilitar a navegação. A partir dos tags fica mais fácil encontrar uma informação na Web. 63 QUADRO 1 – Confronto entre os vários “produtos” da Web 1.0 e Web 2.0 Fonte: Disponível em <www.oreillynet.com/pub/a/oreilly/tim/news/2005/09/30/what-isweb-20.html>. Acesso em 5 jan 2010. O confronto entre os vários produtos da Web 1.0 e outros diversos produtos da Web 2.0 permite perceber a interatividade entre os usuários durante a conexão. [...] os vínculos de hipertexto constituem os alicerces da Web. A medida que os usuários agregam novo conteúdo e novas páginas Web [...] se enlaçam com a estrutura da “www” graças a outros usuários que descobrem tal conteúdo e se envolvem também com ele. De forma muito parecida à sinapse do cérebro, onde as associações se tornam mais fortes através da repetição ou da intensidade, a rede de conexões cresce organicamente como resultado da atividade coletiva de todos os usuários da Web (PRIMO, 2009, online). O hipertexto é um alicerce presente na web e agrega conteúdo às páginas que, por sua vez, estão entrelaçadas na estrutura da www, semelhante às sinapses que ocorrem no cérebro humano, que se fortalecem através da intensidade de interações que ocorrem. Então, como muitos conceitos importantes, a Web 2.0 não tem uma fronteira clara, é mais um núcleo gravitacional, pode ser visualizado como um sistema de princípios e práticas que configuram um verdadeiro sistema solar de sites e podem exibir alguns ou todos esses princípios. Primo (2007, p. 3) destaca as formas de publicação e circulação de informações na Web 2.0: 64 [...] apresenta um processo coletivo para a organização e recuperação de documentos eletrônicos: o social bookmarking. Trata-se do registro de links de “favoritos” (bookmarks) em sites como del.icio.us e Technorati. Porém, o que diferencia estes serviços da mera listagem de apontadores em uma página on-line é o processo de geração de metadados (ou seja, dados sobre dados) através da associação de tags (etiquetas) a referências e materiais. No tagging, em vez do cadastramento padronizado de informações como “autor” e “ano de publicação”, os internautas ao incluírem um novo link em sua lista pública de bookmarks podem registrar quaisquer palavras que julgarem ser associadas à um certo material. Esse processo vem sendo chamado de “folksonomia”, neologismo criado pelo arquiteto de informação Thomas Vander Wal a partir dos termos folk e taxonomia. Ou seja, em vez de uma categorização por especialistas que segue rígidos padrões taxonômicos, a folksonomia seria uma classificação social de ‘baixo para cima. Por outro lado, conforme relata Primo, atualmente, é impossível demarcar as fronteiras atingidas pela Web 2.0, o fato é que nesse ambiente, quanto mais se usa, mas eficiente se torna esse serviço: [...] não há como demarcar precisamente as fronteiras da Web 2.0. Trata-se de um núcleo ao redor do qual gravitam princípios e práticas que aproximam diversos sites que os seguem. Um desses princípios fundamentais é trabalhar a Web como uma plataforma, isto é, viabilizando funções online que antes só poderiam ser conduzidas por programas instalados em um computador. Porém, mais do que o aperfeiçoamento da “usabilidade”, O’Reilly enfatiza o desenvolvimento do que chama de arquitetura de participação: o sistema informático incorpora recursos de interconexão e compartilhamento. Por exemplo, nas redes peer-to-peer (P2P), voltadas para a troca de arquivos digitais, cada computador conectado à rede torna-se tanto “cliente” (que pode fazer download de arquivos disponíveis na rede) quanto um “servidor” (oferta seus próprios arquivos para que outros possam baixá-lo). Dessa forma, quanto mais pessoas na rede, mais arquivos se tornam disponíveis. Isso demonstra, segundo O’Reilly, um princípio chave da Web 2.0: os serviços tornam-se melhores quanto mais pessoas os usarem (PRIMO, 2007, p. 2). A Web 2.0 não é a simples combinação de técnicas informáticas, incluindo os serviços Web, linguagem Ajax, Web syndication, entre outras, refere-se a determinado período tecnológico, um conjunto de novas estratégias mercadológicas e processos de comunicação mediados por computador (ANTOUN, 2008). Tem importantes repercussões sociais que potencializam os processos de trabalho coletivos, de trocas afetivas, produção e circulação de informações, construção 65 social de conhecimento apoiado pela Informática, cujas formas interativas são mais que simples conteúdos produzidos ou especificações tecnológicas, devendo ser discutidas e entendidas adequadamente (ANTOUN, 2008)19. Há certa preocupação com a aplicação acrítica de métodos e conceitos sobre a Análise de Redes Sociais (ARS) na investigação dos fenômenos originados da Web 2.0. O estudo de redes sociais na Internet é representado por uma compilação de métodos que traduzem as premissas da ARS. É um estudo de cunho estruturalista, parte do princípio que estudar estruturas decorrentes de ações e interações entre atores sociais torna possível compreender elementos a respeito desses grupos e suas generalizações. Fragoso et al. (2011) entendem que uma rede social é uma metáfora estrutural. No entanto, quando focada em determinado grupo sob o formato de rede caracteriza-se como uma estrutura que, por um lado, estão os nós (ou nodos), por outro, as arestas ou conexões. Os nós, geralmente, são representados pelos atores envolvidos ou representações na Internet. As conexões são interações construídas entre atores, proporcionadas e mantidas pelo sistema. A ARS surgiu em meio a estudos sociológicos do início do século XX confundindo-se com o surgimento da Sociometria, através de estudos e mapeamento de relações sociais e de como essas relações influenciavam os sistemas sociais. Wasserman e Faust (1994, p. 4) entendem que: A Análise de Redes Sociais é [...] uma empreitada interdisciplinar. Seus conceitos foram desenvolvidos por um propício encontro da teoria social e da aplicação da Matemática formal, da Estatística e dos métodos computacionais (apud FRAGOSO et al., 2011, p. 115). 19 [...] potencializar as formas de publicação, compartilhamento e organização de informações, além de ampliar os espaços para a interação entre os participantes do processo. [...] Web 2.0 refere-se não apenas a uma combinação de técnicas informáticas (serviços Web, linguagem Ajax, Web syndication, etc.), mas também a um determinado período tecnológico, a um conjunto de novas estratégias mercadológicas e a processos de comunicação mediados pelo computador (PRIMO, 2007, online). 66 Apesar do poder das métricas o uso desses procedimentos e o deslumbre com as ilustrações de redes sociais trivializam o fenômeno social, deixando de lado fatores como cultura, discurso, ideologias e aspectos relacionais que evidentemente se inter-relacionam entre si. Diante do exposto, em relação à Análise de Redes Sociais existem críticas enquanto método, o qual pretende ser uma teoria (ANTOUN, 2008). Convém ressaltar que esta análise se ocupa do estudo das relações entre os pontos de uma rede (BARABÁSI, 2003). De acordo com Recuero (2009), os sites e diferenciam das redes sociais. Ora, sites são espaços utilizados para a expressão das redes sociais na Internet. Os sites de redes sociais são sistemas que permitem a construção de uma persona através de um perfil ou página pessoal, a interação através de comentários, a exposição pública da rede social de cada ator. Segundo Recuero (2009), os sites de redes sociais se constituem em uma categoria do grupo de softwares sociais, com aplicação direta à comunicação mediada por computador, cujos elementos, embora focados em uma estrutura de sistemas que permite a construção de uma página pessoal, o foco de atenção está na busca de autores pela formação de redes sociais por meio de novas conexões. Os sites de redes sociais atuam como suporte para interações, constituindo as próprias redes sociais. Assim, não são redes sociais, mas também não são apenas sistemas, são, pois, os atores que utilizam essas redes que constituem as redes em si. A diferença nos sites de redes sociais e outras formas de comunicação mediada pelo computador é o modo como permitem a visibilidade e a articulação das redes sociais, a manutenção dos laços estabelecidos no espaço offline. Nessa categoria encontram-se os fotologs, weblogs, orkut e facebook, os quais possuem 67 mecanismos de individualização, possibilitando construir interações nesses sistemas. Assim, tanto a apropriação como o sistema permite criar divisas entre este e outros tipos de comunicação. A apropriação refere-se ao uso de ferramentas pelos atores, através de interações expressas em determinado tipo de site de rede social. A estrutura tem duplo aspecto, por um lado, tem a rede social expressa pelos autores na sua lista de amigos, conhecidos ou seguidores. Por outro, há uma rede social viva por meio de trocas conversacionais dos atores, aquela que a ferramenta auxilia a manter. As conexões decorrentes destas listas, normalmente, estão associadas a um link, uma adição ou uma filiação preestabelecida pela estrutura do sistema. Na análise que O’Reilly (2009, online) fez ao comparar o Double click com o Google Adsense e o ¡Yahoo! Search Marketing (antes Overture) expôs a forma como a propaganda se apresenta na Web 2.0. Segundo seu entendimento, o conceito de web refere-se a uma publicação e não uma participação onde o consumidor domina20. Um estudo desenvolvido por Granovetter (1973) propõe a tipologia de “laços fortes e fracos”, tornando-se influente no estudo de redes sociais. O autor demonstra empiricamente a importância que os laços fracos podem ter na indicação de outros potenciais empregos. Afirma que não apenas amigos íntimos (que tenham laços 20 [...] como Google, DoubleClick é um filho da Era da Internet. Oferece software como um serviço, tem uma competência básica de gestão de dados e foi um pioneiro em web services muito antes desse nome ser adotado. De qualquer forma, o DoubleClick se viu limitado pelo seu modelo de negócio, defendeu nos anos 90 o conceito que a web tratava de publicação e não de participação; que os publicitários e não os consumidores deveriam ser os que decidem; que o tamanho importava, e que a Internet estava cada vez mais dominada por páginas web mais importantes – segundo estatísticas de MediaMetrix e outras empresas que mediam o desempenho dos anúncios na www. [...] O sucesso de Overture e do Google foi fruto da compreensão do que Chris Anderson cita como the long tail’ (A cauda longa), o poder coletivo dos sites pequenos que conformam a grande maioria do conteúdo da www. As ofertas de DoubleClick requerem um contrato formal de venda, limitando seu mercado a uns poucos milhares de sites grandes. Overture e Google permitiram a colocação de anúncios em praticamente qualquer página web. E evitaram os formatos de publicidade preferidos pelos publicitários e pelas agências, como banners e popups, em favor dos anúncios com texto, minimamente intrusivos, sensíveis ao contexto e amigáveis para o consumidor. 68 fortes) são importantes nas relações sociais, que cada laço social, seja forte ou fraco desempenha funções diferenciadas em cada contexto (apud ANTOUN, 2008). O problema reside na apropriação superficial que alguns estudos fazem da Análise de Redes Sociais a partir do trabalho desenvolvido por Granovetter (1973) apud ANTOUN (2008). Geralmente, um entendimento imaturo resulta em conclusões impensadas e antecipadas sobre as interações em redes sociais online. Após o mapeamento de redes de blogs são gerados gráficos que demonstram qual blogueiro aponta o link para quem. Após analisar a direção desses links e verificar que são recíprocos em dado instante define-se qual a intensidade da relação entre seus interagentes. Tal procedimento, no limite, acaba por considerar como laços fortes a simples troca automatizada de links recíprocos em blogs gerados por mecanismos informáticos de spam. Segundo Recuero (2009), a popularidade se relaciona aos comentários e à audiência adquirida por um blogueiro, que neste caso, em busca de popularidade costuma engajar-se em atividade como troca de comentários e links, buscando visibilidade social, entre outros fatores. A popularidade pode ser medida pela quantidade de pageviews ou de visitas únicas em cada blog. É evidente que as relações de poder entre os atores sociais são reduzidas ao número de links que uma pessoa recebe e, nessa perspectiva, pergunta-se: quando alguém interage com muitas pessoas de forma recorrente esse mesmo sujeito adquire alto poder de persuasão? Mediante a interação diária a primeira pessoa pode transformar-se em amigo íntimo de outras? Para explicar tal questionamento convém reformular a pergunta para que haja adequado entendimento, ou seja, um nó com muitos links pode ser considerado um poderoso influenciador na rede? Links recíprocos e recorrentes revelam laços fortes ou não? 69 De acordo com Recuero (2009), entre os principais valores construídos nas redes sociais está a reputação, sendo está relacionada às informações recebidas pelos atores sociais sobre o comportamento dos demais e o uso dessas informações no sentido de decidir como irá comportar-se. Assim, a reputação se refere a percepção construída de alguém pelos demais atores, que implicam em três elementos: o eu, o outro e a relação entre ambos. Assim, o conceito de reputação implica no fato que há informações sobre quem somos e o que pensamos, que auxiliam outros a construir suas interpretações sobre nós. Ora, frente a tais questionamentos hipoteticamente, assemelham-se às interações que ocorrem em um porteiro de um grande prédio, ou seja, cumprimenta os moradores diariamente, guarda e entrega encomendas, resolve problemas ao ser solicitado, entre outras diversas atividades (PRIMO, 2007). Segundo Recuero (2009), um ator é um nó que articula nos sites de redes sociais utilizados para a interação pelo indivíduo. As conexões permeiam vários sites e conexões, que são exclusivas de determinados sites. Assim, é possível obter uma visão do que realmente vem a ser uma rede social. Assim, questionam-se quais os valores construídos nos sites de redes sociais e como podem influenciar esses atores? A primeira mudança que os sites proporcionam se refere ao capital social relacional, em se tratando das conexões construídas, mantidas e amplificadas no ciberespaço. Os sites de redes sociais conduzem os atores a aumentarem suas conexões sociais. No entanto, não são iguais às conexões offline, referem-se a conexões mantidas pelo sistema e não pelas interações. Embora haja contatos diários informais entre porteiro-condômino, esse mesmo porteiro ao discutir futebol com alguns dos condôminos não se toma amigo 70 íntimo de todos os moradores do prédio, nem mesmo passa a ser convidado para jantares ou festas de aniversário. Da mesma forma, a probabilidade de os condôminos manterem interações mútuas diárias com o porteiro, no sentido de discutir problemas familiares, sentimentais ou dificuldades na relação de trabalho é mínima e ainda que tais circunstâncias ocorram são exceções (LÉVY, 1999). Partindo desse exemplo constata-se que interações recorrentes não garantem laços fortes entre os interagentes, sendo a ilustração válida para as redes sociais online. Considerar qualquer par de blogueiros que incluam links recíprocos em seus blogrolls21 como bons amigos é tornar comum uma forma relacional (a amizade) a um simples intercâmbio de links (PRIMO, 2008). No entanto, quantificar qualquer fenômeno é característico do imaginário cibercultural, a qual, por sua vez, promoveu a informatização radicalizada do mundo - uma visão na qual toda a natureza, incluindo a subjetividade humana, pode ser compreendida como padrões informacionais, passíveis de digitalização em sistemas computadorizados (LÉVY, 1999). Uma metáfora possibilita representar algo real e, nesse caso, a comunicação humana pode ser comparada às epidemias virais22. As críticas realizadas não se voltam contra a ciência de redes, mas alertam que estudos contemporâneos sobre redes sociais online tornam comum o fenômeno social, reduzindo a historicidade 21 Os blogrolls representam um excelente meio para observar os interesses e preferências do blogueiro dentro da blogosfera; os blogueiros tendem a utilizar seus blogrolls para ligar outros blogs que compartilham os mesmos interesses. Disponível em <http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20071024233630AAoo8hb>. Acesso em 10 mar 2011. 22 Para Alhures apud PRIMO (2007, p. 139), a transmissão de uma epidemia, diferentemente do fenômeno conversacional é um processo aditivo: um sujeito, depois de ter contraído o vírus, pode retransmití-Io a outras pessoas, que [...] podem passar para outras e assim por diante. O processo de comunicação humana não segue a mesma lógica. [...] minha conversa com um físico nuclear durante um jantar (portanto, com o estabelecimento de links recíprocos) não me converte em um novo colega da área. Mesmo que [...] busque explicar didaticamente seu atual projeto de pesquisa nada garante que eu consiga compreender o que [...] diz. 71 relacional, a subjetividade, o processo discursivo e as relações de poder ao número de links apontados apenas (LÉVY, 1999). A Web 2.0 começou quando o usuário da Web passa a mudar sua maneira de usar a Web em seu dia-a-dia. As principais tendências que marcaram essa evolucao incluem o compartilhamento de conteúdo, a criatividade, segmentação, componentes sociais e outras funcionalidades. Algumas das funcionalidades adicionadas é peer-to-peer (partilhamento de arquivos), fácil comunicação em redes de vários sites de Marketing social, partilhamento de vídeos e blogs. Os diretórios da Web evoluiram à identificação social, sites pessoais transformados em blogs e as versões online de enciclopédias que deu origem ao Wikipédia. No termo Web 2.0, colaboração em redes sociais e compartilhamento de informações ajudam a moldar a tendência de forma relativamente rápida23. A Web 2.0 abriu as portas para um grande número de opções e, através da programação Web 2.0 os desenvolvedores foram capazes de obter vantagens quando se fala em conceber suas aplicações Web para fornecer serviços aos consumidores de outros serviços. Devido à inovação e as mudanças na arquitetura, projetos flexíveis, criatividade em aplicações de reúso, atualizações mais fáceis podem ser empregadas (HERRYS, 2008). Quando se fala em programação da Web 2.0 diz-se que é um negócio em usar a Internet como uma plataforma homogênea. Por isso, em Programação Web 23 As tags vêm sendo usadas não apenas para conferir significado para a quantidade de textos na Web, mas também para facilitar o registro e recuperação de imagens. O site de publicação de fotos Flickr oferece o mesmo sistema classificatório, permitindo que cada pessoa “etiquete” suas imagens digitais a partir de livres associações (e não de um vocabulário controlado, como na taxonomia). Por exemplo, uma foto do pôr-do-sol em uma praia na Tailândia pode ser arquivada no site com as tags “praia”, “Tailândia”, mas também “beleza”, “férias” e até mesmo “vermelho”. A partir dessas tags outro internauta buscando fotos de tons avermelhados para a produção de um site sobre turismo poderá recuperar tal imagem. [...] Os usuários agregam valor. Porém, somente uma pequena porcentagem de usuários se dedicará a agregar valor a sua aplicação utilizando meios explícitos. Portanto, as empresas Web 2.0 usam métodos participativos para reunir dados do usuário e geram valor como efeito colateral do uso ordinário da aplicação (PRIMO, 2007, online). 72 os desenvolvedores devem estar cientes das ferramentas e conhecimentos que precisam, que permita criar aplicações Web 2.0, que utilizam componentes essenciais e fundamentais. A flexibilidade na escolha dos componentes-chave é necessária para que qualquer aplicativo que um desenvolvedor crie seja aplicável a qualquer ambiente do desenvolvedor que o usuário ou o cliente irão utilizar (HERRYS, 2008). Tim O`Reilly define a Web 2.0 em um momento em que muitas pessoas a tomam como um instrumento fora de contexto, mas antes foi sentida. No entanto, devido a O'Reilly uma definição de trabalho foi desenvolvida (HERRYS, 2008). A partir da Conferência, em 2004, foi definida como plataforma usada pela Internet, ligada com a revolução de negócios que existe na indústria de computadores. Assim, a Web 2.0 se torna uma tendência, significando a mais nova adição nos sites que utilizam a Web 2.0 para criar, desenvolver e projetar seu Web site completo. As empresas e organizações tem esgotado os benefícios que a Web 2.0 poderia proporcionar, por isso, quando a Web 2.0 chegou à Internet, sendo esta imediatamente aceita pelos usuários e pelo público quase em geral, que não pertence ao âmbito de influência, pode ser considerada a grande revolução da Web 2.0 Startup. Ressalta-se que não existe uma definição única à Web 2.0, mas um número grande de visões distintas sobre o termo. Geralmente, refere-se à uma rede mundial atual para maior funcionalidade e utilização da Internet, volta-se à valorização da criatividade e compartilhamento de informações. Assim, enquanto instrumento 73 facilitou o desenvolvimento de vídeo e compartilhamento de fotos, redes sociais, blogs, entre outros24. Tim O'Reilly comenta que a Web 2.0 diz respeito aos negócios referentes ao desenvolvimento na Internet como nova plataforma, tirando proveito dos benefícios que traz e ganha exposição global. A Web 2.0 se tornou popular devido ao boom (explosão) da tecnologia da informação e, refere-se às mudanças e tendências no mundo da tecnologia Wide Web e Web design. Não é apenas sobre a partilha de informação e colaboração, também, sobre o reforço da criatividade (HERRYS, 2008). A Web 1.0 é um antigo modo de World Wide Web, qualquer site projetado ou estilizado antes do fenômeno Web 2.0 são considerados parte da Web 1.0. assim, a Web 1.0 se refere aos sites antes da explosão do uso da Internet através de sites de comunidades. Nesse intervalo de tempo a Web 2.0 é descrita como a evolução do feito à tecnologia da Word Wide Web e seu projeto Web. 2.0. A Web tem como objetivo desenvolver a criatividade, colaboração, funcional e compartilhamento de informações da Web. O desenvolvimento da Web 2.0 tem colaborado à evolução de diferentes comunidades, baseadas na Web, como sites de redes sociais e blogs (HERRYS, 2008). 24 Sobre a crescente importância da blogosfera na Web 2.0 O’Reilly apud PRIMO (2007, online) comenta: [...] uma das características mais apregoadas da Era da Web 2.0 é o auge do blogging. As páginas pessoais existem desde o começo da Web e os jornais e a colunas diárias de opinião são ainda mais antigas. Por que então tanto alvoroço? [...] Uma das coisas que marcou a diferença foi uma tecnologia chamada RSS. RSS é o avanço mais significativo da arquitetura básica da web desde que os primeiros hackers se deram conta que o CGI podia ser utilizado para criar websites baseados em bases de datos. O RSS permite que alguém não só se enlace com uma página, más subscrevase a ela e receba notificações cada vez que a página é atualizada. [...] rss significa também que o navegador Web não é o único meio para ver uma página Web. Enquanto os agregadores de rss, como Bloglines, são aplicações Web, outros são clientes de escritório, e outros permitem ainda que os usuários de dispositivos portáteis subscrevam-se ao contenido permanentemente atualizado. 74 Existem elementos de design que podem ser utilizadas para a Web 1.0 apenas, não na Web 2.0. Uma delas consiste nas páginas estáticas em relação ao conteúdo dinâmico gerado pelo usuário na outra versão. A Web 1.0 também usa molduras e marcas que foram introduzidas durante a guerra dos navegadores, também dispõe de livros de visitas online e botões GIF. O tamanho típico da Web 1.0 é 88x31 pixels (HERRYS, 2008). Os usuários são autorizados a possuir determinados dados na Web e ter controle sobre eles com o uso da Web 2.0. Há casos que a Web 2.0 permite que outras pessoas, admissíveis, modifiquem algumas configurações no site do proprietário e seu conteúdo, sendo fácil de se fazer com a interface de usuário. Normalmente, sites sob Web 2.0 podem incluir diversas técnicas ou novas funcionalidades, incluído à encontram-se os cascading style sheets, microformatos, folksonomias, APIs baseadas em XML ou JSON, REST, use válida de HTML e XHTML, o uso de aplicações incrementadas na Web, ferramentas e publicação de blogs, wikis, fóruns, privacidade na Internet, uso de Atom ou RSS. A Web 2.0 descreve tendências em desenvolvimento sobre como usar o Word Wide Web, reforçando a partilha de informação, criatividade, funcionalidade e colaboração. A plataforma Web 2.0 fez caminhos para muitos desenvolvimentos sobre o uso da Internet. Todavia, alguns são as comunidades baseadas na Web como sites de redes sociais, wikis, folksonomias, blogs e sites de compartilhamento de vídeo. Frente a gama de possibilidades que a tecnologia fornece, surge a Web 3.0, conhecida como Web Semântica. Herrys (2008) mostra que o avanço tecnológico trouxe diversas aplicações na atual posição, adquirindo reconhecimento na 75 Informática, juntamente com o impulso que a Web 2.0 experimenta no processo de desenvolvimento. Melhorar o sistema Web 2.0 com tecnologias Web Semântica é uma estratégia adequada para perceber visões associadas à Web Semântica (FLORIDI, 2008)25. A maioria dos sistemas Web 2.0 tornam seus serviços disponíveis via Web, pois descrever essas interfaces semanticamente pode ser viável (THOMAS et al., 2009). Segundo Grecco (2010), o Marketing na versão 3.0 descreve o próximo sinal, gerando mudança na Web 2.0, os fatores determinantes para o Marketing na versão 3.0 incluem hábitos de navegação, métodos inteligentes de informação e experiência na abertura da Web. Na atualidade, os blackberrys, iPhones e os portais na Web 3.0 dominam. A Web 3.0 é o Marketing de convergência das novas tecnologias e tendências de compra dos consumidores, ocorre em mudança rápida26 (MATTHEWS, 2005). De acordo com Jenkins (2009, p. 46), essa convergência é: [...] tanto um processo corporativo [...] quanto um processo de consumidor [...]. a convergência corporativa coexiste com a convergência alternativa. Empresas de mídia estão aprendendo a acelerar o fluxo de conteúdo de mídia pelos canais de distribuição para aumentar as oportunidades de lucro, ampliar mercados e consolidar seus compromissos com o público. Consumidores estão aprendendo a utilizar as diferentes tecnologias para ter um controle mais completo sobre o fluxo da mídia e para interagir com outros consumidores. As promessas desse novo ambiente provocaram expectativas de um fluxo mais livre de ideias e conteúdos. Inspirados por 25 A GroupMe! demonstra os benefícios da combinação de Web 2.0 e tecnologias da Web Semântica. O GroupMe! traz a Web 2.0 e as tecnologias da Web Semântica em conjunto, revelando os benefícios da combinação de duas técnicas . Assim, agrega descrições semânticas sobre recursos, captura a semântica da interação do usuário, ilustrando como as relações semânticas entre recursos adquiridas pelo contexto do grupo, melhora da pesquisa e estratégias de classificação (STANKOVIÉ e JOVANOVIÉ, 2010). 26 Atualmente, se está frente a uma transição da Web 2.0 à Web 3.0. Porém, algumas empresas começam a desenvolver aplicativos para a Web 4.0, dentre estas empresas podemos citar a Microsoft e Google, ambas estão desenvolvendo sistemas operacionais que futuramente poderão rodar somente nas nuvens, embora que está tecnologia provavelmente só será realidade em 2020 a 2030. Web 4.0. Web 4.0 – Sistemas Operacionais nas Nuvens. (08/07/09). Raynner em rede. Disponível em <http://www.designrdm.com/category/web-4-0/>. Acesso em 11 mar 2011. . 76 esses ideais os consumidores estão lutando pelo direito de participar mais plenamente de sua cultura. Os streaming de vídeo ao vivo superam os vídeo estáticos, como Twitter, Plurk, Jaiku crescem muito mais rapidamente, se comparado-as de Blogger, WordPress ou TypePad. O mundo do Marketing Web 3.0 é onde a informação e personalização inteligente estão disponíveis, ao alcance dos usuários, em qualquer dispositivo, de qualquer lugar do mundo (GRECCO, 2010). Segundo Stankovié e Jovanovié (2010), a Web Semântica retira o fardo de intercâmbio de dados e processamento destes elementos do usuário final. Atualmente, os motores são capazes de representar a semântica das trocas de dados, compreendendo o significado dos dados, envolvendo raciocinando sobre o assunto. No sistema de avaliação de possibilidades da Web Semântica, na representação e troca de dados limita-se ao fato que o usuário final precise cuidar dos dados (JOVANOVIC, 2010). O principal problema na criação do sistemas de avaliação moderno sobre a Web Semântica é como trocar e enriquecer o conhecimento, fornecendo o caminho à avaliação do conhecimento. O uso de um raciocinador DL (Descrição Lógica) permite o processamento de perguntas abertas (FLORIDI, 2008), que é a novidade que pode ser aplicado no padrão IMS QTI. Além disso, este é o caminho para a aplicação de um quadro à partilha de dados e a reutilização em aplicações heterogêneas, o que é o núcleo da Web Semântica (STANKOVIÉ e JOVANOVIÉ, 2010). O sistema de exploração e utilização da Web é uma espécie de aplicação de algoritmos de data em logs de acesso ao servidor Web para obter melhor compreensão do comportamento do usuário (MATTHEWS, 2005). Além dos logs de 77 acesso, os metadados que descrevem os recursos da Web e seu conteúdo são conceitualmente úteis à análise da exploração de dados (THOMAS et al., 2009). A utilização de metadados é dependente de sua organização e forma como pode ser combinado com as entradas de log (FLORIDI, 2008). Nos últimos anos as áreas de pesquisa Web semântica e mineração da Web se tornaram mais importantes, fundindo-se em um novo campo de pesquisa chamada exploração da Web Semântica, um campo que tem sido profundamente analisado (THOMAS et al., 2009). Em particular, o uso de exploração Web Semântica, uma subcategoria da exploração da Web Semântica permite o acompanhamento do comportamento do usuário em um nível conceitual (GRECCO, 2010). A Web Semântica visa proporcionar um ambiente no qual os seres humanos e agentes de software podem determinar sem ambiguidade o significado dos recursos e fazer melhor uso deles. Além disso, os dados armazenam o conhecimento em um recurso facilmente acessível através de aplicativos, empresas e comunidade vinculadas (THOMAS et al., 2009). Em arquiteturas tradicionais da area de trabalho semântica, aplicativos são isolados do local com os seus próprios dados, desconhecendo dados relacionados e relevantes em outras aplicações (STANKOVIÉ e JOVANOVIÉ, 2010). Existe heterogeneidade nos formatos de documentos específicos solicitados que mantêm os dados em elementos de um programa específico que não permite a interoperabilidade de dados entre as aplicações. De maneira similar, não há arquitetura padronizada de interoperação e troca de dados entre o computador e sua integração perfeita com outros recursos da Web Semântica, o primeiro passo é a organização da área de trabalho local como RDF completo e ambientes baseados em ontologias (THOMAS et al., 2009). Isso traz a noção de area de trabalho 78 semântica - o paradigma de condução para computação de desktop na área da Web Semântica. Em outras palavras, a área de trabalho local deve tornar a Web Semântica para um único usuário (STANKOVIÉ e JOVANOVIÉ, 2010) . Por outro lado, documentos da área de trabalho digital (Word, PDF e Power Point) detêm parte significativa de dados e conhecimentos armazenados nos computadores locais. Portanto, desempenham papel importante na visão da área de trabalho Semântica e da Web Semântica (GRECCO, 2010). Para fornecer serviços avançados, com personalização e uma melhor utilização do conteúdo disponível as máquinas precisam tornar-se semanticamente simétricas (FLORIDI, 2008). E, para tornar a Web um lugar de conteúdo semanticamente enriquecido, que confie em ontologias, se tornou a missão de uma promessa da Web Semântica (THOMAS et al., 2009). A visão da Web Semântica inspirou os esforços despendidos dos meios da investigação a desenvolverem e padronizarem formatos de representação de metadados semanticamente intenso (GRECCO, 2010). Os metadados intensamente representados nesta tecnologia dariam máquinas de conhecimento sobre o conteúdo, aumentando suas possibilidades, além da simples manipulação de dados, aproximando-os da possibilidade de processar o conteúdo de forma mais semelhante à humana (THOMAS et al., 2009). Além disso, a ideia de metadados semanticamente intenso originou os agentes de softwares inteligentes, capazes de realizar muitas ações hoje desenvolvidas pelos seres humanos (STANKOVIÉ e JOVANOVIÉ, 2010). Apesar de evidentes diferenças entre a abordagem formal da Web Semântica e uma abordagem mais pragmática da Social Web, conduz a pensar nessa tecnologia como de sentidos opostos, de detectar o avanço da Web atual. O 79 potencial da Web podem surgir a partir da fusão destas duas abordagens (THOMAS et al., 2009). Para trazer mais próxima com o nível necessário de interoperabilidade descritos pelas tecnologias da Web Semântica várias abordagens têm sido sugeridas para aumentar sua riqueza semântica (THOMAS et al., 2009). Além disso, à interposição de metadados de marcação ao seu pleno potencial, é necessário para superar a atual falta de cooperação entre repositórios de tags e encontrar uma maneira de tornar as máquinas parceiros no processo de anotações (GRECCO, 2010). Assim sendo, dir-se-ía que as três fases pelas quais passou a Web foram fundamentais ao progresso da comunicação, deixando a oralidade de ser apenas verbal (Oralidade Primária), propiciando maior interatividade entre usuários, estando presente a emoção e interesse dos internautas, viabilizando um nível de comunicação mais acentuado e a formação de fóruns virtuais, onde usuário-usuário, interagem simultaneamente, propiciando a propaganda mediada pelos usuários e, por meio de comunidades virtuais socializam o conhecimento em território puramente virtual, cujo assunto será tratado no capítulo seguinte. 80 3 COMUNIDADES VIRTUAIS E FÓRUNS VIRTUAIS Este capítulo tem como finalidade abordar os fóruns e as comunidades virtuais, trazendo alguns conceitos e definições que possam mostrar a importância desses elementos no contexto da comunicação interativa informacional que, enquanto redes sociais, aproxima os internautas, formalizando um diálogo entre os usuários. 3.1 COMUNIDADES VIRTUAIS As comunidades são ambientes compostos por diversos sujeitos sitiados por outros invisíveis que ora invadem ou ora preenchem o ciberespaço. De acordo com McLuhan (1964), o processo de expansão das interações sociais teve início com o surgimento dos meios de transporte e de comunicação. O começo da aldeia global é também o início da desterritorialização dos laços sociais. As redes sociais iniciaram quando várias pessoas, de diversas partes do mundo escreviam-se umas as outras, à distância, por carta. Embora o procedimento não fosse direcionado para grupos, mas para indivíduos, era possível interagir em grupo (RECUERO, 2003, p. 135). A mudança no sentido de lugar é amplificada pela Internet. Para Castells (2003, p. 106), o desaparecimento do lugar geográfico como forma de sociabilidade não é recente, mas não é exclusivo da Internet. Segundo Primo (2008), neste ambiente falta uma autoridade central, instrumento que possibilita a interação anônima, mas também existe dificuldade para que sejam impostas sanções físicas ou monetárias. Recuero (2003) entende que todos os ambientes comunicacionais de rede constituem o ciberespaço e são formas culturais e socializadoras, hoje, 81 denominadas comunidades virtuais, onde grupos de pessoas estão globalmente interconectadas com base em interesses e afinidades semelhantes, ao invés de conexões acidentais ou geográficas. De acordo com Brenda Laurel (1990, p. 93), as comunidades virtuais são: “as novas e vibrantes aldeias de atividades dentro das culturas mais amplas do computador”, compõem-se de agrupamentos de pessoas que poderão se encontrar face-a-face, que trocam mensagens e ideias através da medição das redes de computador. No ciberespaço, segundo Rheingold (1996, p. 414), discute-se, conversa-se e as pessoas engajam-se em intercursos intelectuais, realizam ações comerciais, trocam conhecimentos, compartilham emoções, desenvolvem planos, trazem ideias, fofocam, brigam, apaixonam-se, encontram amigos, perdem, jogam, flertam, criam arte e desafiam diálogos. A cibermídia ou as aldeias virtuais permitem as pessoas realizarem “praticamente” tudo o que as pessoas fazem quando se encontram, porém, fazem na tela do computador, deixando os corpos para trás. Milhares de nós já construíram comunidades, entre as quais, as identidades individuais se misturam e interagem eletronicamente, independentemente de tempo e local (RECUERO, 2003). A cibermídia, um povo em constante construção, ou seja, as comunidades virtuais designam as novas espécies de associações fluidas e flexíveis de pessoas, ligadas por meio de fios invisíveis das redes que se cruzam pelos quatro campos do globo, permitindo que usuários se organizem para contar piadas, procurar companhia ou apenas olhar (como voyeurs), os jogos sociais que acontecem nas redes (RECUERO, 2003). 82 De acordo com Raquel Recuero (2009, p. 135): [...] uma das primeiras mudanças importantes detectadas pela comunicação mediada por computador nas relações sociais é a transformação da noção de localidade geográfica das relações sociais, embora a internet tenha sido a primeira responsável por esta transformação. Os elementos formadores da comunidade virtual seriam as discussões públicas, as pessoas que se encontram e reencontram ou que ainda mantêm contato por meio da Internet (que conduzem a discussão adiante), o tempo e o sentimento. De acordo com Mark Smith (1999): “as comunidades virtuais são comunidades simbólicas cujos membros “estão conectados primariamente pelas trocas simbólicas (no caso, eletrônicas), mais do que pela interação face a face” (apud RECUERO, 2003, p. 137). Os laços sociais estão sendo amplificados pelo desenvolvimento dos meios de comunicação e transporte. Agora, não mais restrito a pequenos vilarejos e grupos, os laços sociais seriam mais fluídos, menos fortes e mais amplos. Para Mark Smith (1999, p. 195) apud RECUERO (2003, p. 136): “o ciberespaço está mudando a física social da vida humana, ampliando os tamanhos e poderes da interação social”. A Internet é semelhante a uma viagem, embora causal, pelo ciberespaço, que revela evidências de hostilidade, egoísmo, quando não, ausência de sentido. No entanto, a interação e cooperação são significativas, embora haja tensão no ambiente. O conflito é próprio do ser humano, a partir da comunicação em massa são ignorados e um passa a não mais perceber o outro. Desta forma, costumes, atitudes, gostos, desejos e ações passam despercebidos pelos integrantes. Desta 83 forma, a Internet enquanto veículo de produção de interações humanas nem sempre é promotor de um intercâmbio consensual (PRIMO, 2008). Partindo de Azevedo (2002, p. 29) é possível afirmar que: “[...] na Sociologia a distinção entre comunidade e sociedade é fundamental para o avanço das ciências sociais”. Tal proposição se apoia na ideia que determinada diferenciação possibilite a um grupo que, agregado por interesses semelhantes, use a ferramenta de comunicação web-based e evolua para formar comunidades, apresentando as características dessa forma de organização social, porém, uma organização totalmente sem território. A liberdade de expressão é defendida na comunicação. Pedir a colaboração do usuário requer minuciosa análise sobre as possibilidades de retorno para que não haja a necessidade em censurar opiniões que possam migrar para outros suportes dentro da rede, por exemplo, blogs e comunidades virtuais (CIPRIANI, 2010). Para melhor conhecer os conceitos clássicos de comunidades requer um entendimento das bases conceituais clássicas, como o conceito de comunidade de Ferdinand Tönies, que definiu que a comunidade encontra-se em oposição à sociedade. No entanto, esse conceito foi questionado por Durkheim, que propôs seu próprio entendimento acerca de comunidades (apud MATTHEWS, 2005). O conceito que orienta esta abordagem é de Weber (1987), que uma comunidade baseia-se na orientação da ação social, fundamenta-se em qualquer tipo de ligação emocional, afetiva ou tradicional: [...] chamamos de comunidade a uma relação social na medida em que a orientação da ação social, na média ou no tipo ideal baseia-se em um sentido de solidariedade: o resultado de ligações emocionais ou tradicionais dos participantes (WEBER, 1987, p. 19). 84 O primeiro requisito da comunidade virtual é ser um grupo de pessoas que estabelecem, entre si, relações sociais. Essas relações "são construídas através da interação mútua" (PRIMO, 1998) entre os indivíduos, em um período de tempo, tendo a permanência - entendida como espaço temporal contínuo de relacionamento - entre seus requisitos fundamentais. O comunitarismo virtual tem sido insignificante, não suporta os efeitos da globalização econômica que, embora compensador, as redes dotam o ser humano com poder de virtualmente, atravessar o planeta de ponta a ponta em fração de segundos, na medida em que as comunicações se multiplicam e intercruzam, correm o risco de se tornarem mais aéreas, frágeis e efêmeras. “Porque nossas máquinas nos dão o poder de esvoaçar pelo universo, nossas comunidades crescem em fragilidade, volatilidade e efemeridade na medida mesma em que nossas conexões se multiplicam” (SANTAELLA, p. 2003, p. 123). Palácios (1998, p. 39) enumera os elementos que caracterizariam uma comunidade: “o sentimento de pertencimento, a territorialidade, a permanência, a ligação entre o sentimento de comunidade, caráter corporativo e emergência de um projeto comum, e a existência de formas próprias de comunicação". O sentimento de pertencimento ou "pertença" seria a noção que o indivíduo tem - que integra e é parte de um todo, coopera para uma finalidade comum com os demais membros (caráter corporativo, sentimento de comunidade e projeto comum) - (LÉVY, 1999), a territorialidade, o locus da comunidade; permanência, condição essencial para o estabelecimento das relações sociais. Segundo Lévy (1999); Palloff e Pratt (1999) apud (MATTHEWS, 2005), uma comunidade virtual é formada a partir da afinidade de interesses, conhecimentos, projetos mútuos e valores de troca, estabelecidos em um processo de plena 85 cooperação. Não são baseadas em lugares e filiações institucionais ou "obrigações", seja o tipo que for. De acordo com Recuero (2003), com a tecnologia virtual é possível os sujeitos viajarem, fazer novos amigos e viver novas experiências sociais. Assim, o retorno ao comuntarismo, em formato de rede proporciona um sistema de relações centrado no indivíduo, não mais no grupo, tornando possível acreditar que a mediação pelo computador, no contexto da globalização e da sociedade em rede proporciona uma mudança essencial na sociabilidade dos sujeitos envolvidos. Rheingold é um dos primeiros autores a utilizar o termo comunidade virtual e a define da seguinte maneira: As comunidades virtuais são agregados sociais que surgem da Rede (Internet), quando uma quantidade suficiente de gente leva adiante essas discussões públicas durante um tempo suficiente, com suficientes sentimentos humanos, para formar redes de relações pessoais no ciberespaço (apud RECUERO, 2003, p. 137). Porém, segundo Lemos (2002), comunidades virtuais eletrônicas se caracterizam como agregações em torno de interesses comuns, independentemente de fronteiras ou demarcações territoriais fixas, com interesse comum e fim demarcado. Lévy (1999) afirma que nas comunidades virtuais de aprendizagem, as relações onlline estão muito longe de serem frias, não excluem as emoções. Entre os participantes de comunidades virtuais também se desenvolve um forte conceito de "moral social". Uma espécie de código de conduta, um conjunto de leis não escritas que governam suas relações, principalmente, com relação à pertinência das informações que circulam na comunidade (LÉVY, 1999). Ou seja, não é 86 necessário impor o que "pode" e o que "não pode" em uma comunidade, ela mesma se auto-regula, se organiza, se assim não for não é uma comunidade. A "moral" de uma comunidade virtual é a pujante reciprocidade, ou seja, algo é aprendido com a leitura das trocas de mensagens, é preciso expressar o conhecimento que se tem quando uma situação-problema ou questionamento é formulado (MATTHEWS, 2005). A responsabilidade de cada sujeito envolvido no processo, a opinião pública e seu julgamento aparecem naturalmente (claramente) no ciberespaço. Pois durante os processos de interação os participantes ativos constroem e expressam competências, passando a ser reconhecidas e valorizadas de imediato pela própria comunidade. Líderes surgem naturalmente, papeis são assumidos claramente (MATTHEWS, 2005). Há internautas “implicantes”, “contestadores” ou “meigos” e esses papeis, indubitavelmente, em essência, fazem parte e constituem a comunidade virtual (LÉVY, 1999). As listas de discussão são datadas do início da Internet e o mailing lists (lista de discussão) aos grupos web-based debatem certo tema/assunto, via e-mail (correio eletrônico). As listas de discussão caracterizam-se como: “ferramentas de comunicação virtual, baseadas na Internet, que tem funcionamento simples”. A operação técnica de uma lista de discussão ocorre através de um software que, automaticamente, distribui a mensagem para todos os membros inscritos na lista os e-mails remetidos por um de seus membros. É eficiente e funcional, possibilita agilizar, estimular e democratizar o fluxo de informações sobre determinado assunto (LÉVY, 1999). No pensamento de Raquel Recuero (2003), as comunidades passaram a mudar de grupos para redes anteriormente ao avento da Internet. Logo no início as pessoas acreditavam que a industrialização e a burocratização colocaria fim aos 87 grupos comunitários e deixaria os sujeitos alienados. No entanto, alguns pesquisadores descobriram que as comunidades continuaram, porém, como conexões mais esparsas, com maior dispersão espacial, diferente dos grupos densos, locais, semelhantes a vilarejos. Conforme mencionado nesta dissertação, as comunidades permitiram o usuário viajar, fazer novos amigos e viver experiências sociais novas, ímpar. Nesta dissertação as mensagens serão objeto de estudo no capítulo da metodologia visando que fique clara a importância dos fóruns Carros de Rua e a interação entre usuário-usuário, consequentemente, da troca de informações sobre produtos, que irá ajudar na tomada de decisão dos clientes-usuários, dentro destes fóruns. Com o passar do tempo e disseminação do uso, consolidou-se o importante papel de “formadoras de relacionamentos” e, até, como ferramenta de formação de comunidades (MATTHEWS, 2005). Segundo Haegel (1999), comunidades virtuais podem ser de “interesses pessoais, demográficas e geográficas e comunidade de negócios entre empresas (business to business)” e para Rojo (2000, p. 39), os benefícios de se participar de comunidades virtuais de discussão, são: Travar contato com ideias correntes, lançamentos e eventos no campo de estudo; ter a oportunidade de obter rapidamente respostas de qualidade; conseguir materiais de valor, ou ponteiros para estes materiais; aprender sobre o meio em si; adquirir o sentimento de fazer parte de uma comunidade de interesse; ter a oportunidade de expressar ideias e sentimentos; ter a oportunidade de intensificar contatos com pessoas e compartilhando interesses similares. Nesta dissertação o objeto de estudo principal caracteriza-se pela análise do Fórum Carros de Rua, à percepção se as interações que ocorrem no campo virtual 88 (fóruns virtuais) entre usuários exercem preponderância na escolha do produto ou não. Desta forma, travar contato por meio de ideias de diferentes (inteligências) usuários, oportunizar respostas e mesmo o feedback, ter sentimento de pertencimento da comunidade e poder expressar ideias viabiliza maior intensidade de contatos com pessoas. Um ponto importante a ressaltar é a necessidade de garantir total liberdade de opinião, que deve ser ampla e igualmente distribuída a todos os participantes de uma comunidade. No entanto, as regras que regulam as interações devem ser construídas na coletividade, não representando censura, pelo contrário, deve possibilitar o surgimento de novas formas de opinião pública (LÉVY, 1999). Os conflitos integram a vida de uma comunidade virtual, principalmente, quando um dos participantes ofende ou transgride regras acordadas pela comunidade (MATTHEWS, 2005). Castells (2009) afirma que nas comunidades virtuais também: [...] constroem-se afinidades, parcerias e alianças intelectuais, sentimentos de amizade e outros, que se desenvolvem nos grupos de interação, da mesma forma como acontece entre pessoas que se encontram fisicamente para conversar. A personalidade de cada participante acaba sendo expressa através do estilo de escrita, competências, tomadas de posição, evidenciadas nas relações humana presentes nas interações. Também, dessa forma, as comunidades não estão livres de manipulações e enganações, assim como em qualquer outro espaço de interação social. Uma comunidade que sustente uma efetiva rede de comunicação aprende com seus próprios erros, pois estes são difundidos por toda a rede e voltarão à sua origem ao longo de laços de realimentação. Devido a isso, a comunidade pode corrigir seus erros, se auto-regulando e auto-organizando (CASTELLS, 2004). Esse é o mais difícil dos desafios, quando se fala em comunidades virtuais, são autônomas, devem ter organização própria, serem auto-suficientes. Devem ter 89 vida social ativa, pois é essa vida social que proporciona os laços, importantes para a criação e manutenção da sensação de pertencimento, que é o que virá a motivar a participação e comportamento ativo de ação. Mas, infelizmente, muitos dos sujeitos têm que aprender a lidar com isso. É uma tendência querer controlar, impor ou encaminhar, julgando-se conhecedores de tudo. A evolução de uma lista de discussão para se tornar uma comunidade, se deve, em grande parte, a forma de orientar as participações e a postura do(s) moderador(es) - (MATTHEWS, 2005). A forma de orientar se baseia no princípio de interferir somente em questão de pendências técnicas (por orientações particulares) e, em caso de “flames”, com conversas sempre em ambiente reservado, jamais pela lista (LÉVY, 1999). Nesse mesmo raciocínio, entende-se que a interação que ocorre entre usuário-usuário dentro dos fóruns virtuais é fundamental e contribui para a tomada de decisão do usuário quando da aquisição de determinado produto, pois a escolha, em parte, é feita com base no que outro usuário compartilha no ciberespaço, como no caso dos dois fóruns estudados. Outro princípio importante a ser observado é a forma de lidar com o “poder”. A administração feita pelo(s) moderadore(s) deve ser baseada em acordos de conduta prévios, entre os participantes, dentro de objetivos planejados para aquele grupo. Isso torna a administração, apesar de descentralizada, liberal e, principalmente, sem imposição de normas de comportamento rígidas que podem não ser adequadas ao grupo. Este fato, extremamente simples e diminui a possibilidade de imposições de ‘vontades individuais’ de moderadores menos flexíveis e/ou preparados para a liderança. É interessante destacar que as normas devem ser consideradas e discutidas por todos e posto em votação para os membros da lista aprovarem ou não, quando 90 se têm interesses em conseguir ambientes comunitários, pois isso dá livre espaço aos membros para manifestarem suas necessidades, dúvidas, e, até mesmo, brincadeiras (GONÇALVES, 2008). Estes últimos itens se mostram, pela prática, extremamente importantes a uma comunidade e propiciam, aos membros, a sensação de pertencerem ao grupo. Tudo isto deve acontecer num mesmo ambiente e fazendo parte da dinâmica do grupo (LÉVY, 1999). Comunidades virtuais são organismos vivos em constante mutação. No entanto, a tendência à dispersão é grande, requer dos moderadores e planejadores uma atitude atenta, mas difícil de ser mantida quando se trata de grupos de origens diversificados quanto aos públicos de listas de discussão onde, o elo de ligação dos participantes é, inicialmente, um tópico acadêmico ou uma área de conhecimento. Contudo, essa experiência mostrou-se adequada a todos os grupos estudados, já tendo sido repetida, com sucesso, em vários outros grupos, de temáticas variadas, reafirmando, na prática, o que diz Simon (2000), quando se refere à prática de comunidades em rede, afirmando que "basicamente todas as atividades na rede se desenvolvem em torno de alguma comunidade virtual". A metodologia de trabalho proposta e aplicada na administração e desenvolvimento de comunidades virtuais apresenta-se eficaz e possível de ser repetida em ambientes virtuais (LÉVY, 1999). Como ferramenta tecnológica, as redes sociais podem ajudar uma empresa ou um site obter contatos, clientes e maior sensibilização do público (GONÇALVES, 2008). Mesmo empresários que dirigem pequenas empresas a partir de escritórios e residências podem tirar proveito desse recurso para criar presença global e extrair o máximo das redes sociais. No entanto, é importante entender o conceito de redes sociais e como pode ser aplicada para ajudar o negócio ou o cidadão. 91 No caso de Daniely, na qualidade de usuária, que utilizou as redes sociais para fazer valer seus direito, quando em 2007, seu Mégane zero quilômetro recémcomprado apresentou falhas no motor e se tornou inutilizável. Insatisfeita com a falta de solução - a assistência técnica não localiza o problema, acionou a montadora na Justiça. A perícia constatou (2008) que o problema era propulsão no motor, que fazia o carro perder a aceleração repentinamente. No laudo a concluiu-se que o veículo não era seguro. A Justiça, na época foi favorável à Daniely, porém, a Renault recorreu alegando falhas processuais. A montadora aceitou devolver o dinheiro apenas, porém, após o caso ganhar repercussão nacional. Em fevereiro de 2011, quando o problema com o carro fez quatro anos, Daniely resolveu montar o site www.meucarrofalha.com.br, em que relatava o episódio e compartilhava sua indignação, ressaltando a indiferença da montadora perante a usuária e cliente. Um contador mostra há quanto tempo o carro estava sem uso. Em pouco mais de um mês o site teve quase 740 mil acessos. As páginas no Orkut e no Facebook e o perfil do Twitter também ficaram populares. A advogada criou um canal no YouTube, postando dois vídeos em que mostra o carro na garagem da sua casa. Juntos, os vídeos tiveram mais de 112 mil visualizações. É importante frisar que a usuária utilizou seus direitos para fazer pontuações sobre o produto, resultando em significativo número de seguidores para o caso de Daniely, tornando o trabalho e o site elaborado muito pertinente socialmente no campo virtual, com reflexo na esfera prática, jurídica, no ambiente virtual e fora dele. Registros históricos indicam que mesmo antes de existir a Internet as redes sociais já existiam (relacionamento dentro das comunidades, da sociedade, dos grupos, das tribos, entre outros laços sociais), é quando uma pessoa usa contatos já existentes para conhecer novas pessoas com potenciais vínculos sociais ou de 92 negócios, ligações estas que ajudam a expandir ligações outras futuras (HOF et al., 1997). De acordo com Castell (2009), a Internet apropriou-se pela prática social e sua diversidade. A representação de papeis e a construção de uma identidade como base de interação online representa uma proporção (minúscula) da sociabilidade com base na Internet, prática esta que se concentra entre os adolescentes. De acordo com Jenkins (2009, p. 347): O surgimento da rede de computadores e as práticas sociais que cresceram ao seu redor expandiram a capacidade do cidadão médio de expressar suas ideias, de fazê-las circular diante de um público maior e compartilhar informações, na esperança de transformar nossa sociedade. Para isso, entretanto, temos de aplicar habilidades que adquirimos através de nossas brincadeiras com a cultura popular e dirigi-las para os desafios da democracia participativa. Os adolescentes estão envolvidos no processo de descobrir sua identidade e fazer experiências, desvendar quem realmente são - quem gostariam de ser, sair em busca de um campo de pesquisa para compreender a construção de sua própria identidade e revelar-se como homem, conhecer quem se tornarão no futuro (CASTELLS, 2004). As redes são montadas pelas escolhas estratégicas de atores sociais, sejam de indivíduos, famílias ou grupos sociais. A grande transformação da sociabilidade ocorrida em sociedades mais complexas se deu pela substituição de comunidades espaciais por redes como formas fundamentais de sociabilidade. No caso da iniciativa de montagem do site por Daniely, com base no interesse criado em torno do assunto, pelo diálogo entre usuária e empresa, em nível nacional, formou-se uma rede de indivíduos usuários de fóruns, movidos pelo desejo de saber como terminaria o fato, tanto nos Tribunais como na mídia. Tais colocações são 93 verdadeiras quando se reconhece as amizades, no tocante a laços de parentesco ou não, na medida em que a extensa família ou rede social (indivíduos ligados por algum tipo de laço) seleciona os meios de comunicação, tornando possível manter contato à distância com pequeno número de familiares ou usuários (CASTELLS, 2009). Atualmente, Jenkins (2009, p. 52) afirma que: “estamos entrando no mundo da convergência”, que trata tanto do processo corporativo, quanto do processo do usuário. A convergência corporativa coexiste em conjunto com a convergência alternativa. O usuário está aprendendo a utilizar diferentes tecnologias na obtenção de controle do fluxo da mídia à interação entre outros usuários, exigindo que as empresas repensem no papel da mídia. O padrão de sociabilidade evoluiu rumo ao cerne de sociabilidade construído em torno da família nuclear em casa, a partir de onde as redes de laços seletivos são formadas segundo interesses e valores de cada membro da família (CASTELLS, 2009). Os sites de redes sociais são criados para ajudar na criação de redes online, geralmente, referem-se a comunidades criadas para apoiar um tema em comum. Desde a criação de sites de redes sociais como o MySpace, LinkedIn e Facebook, as pessoas dispõem de oportunidade para conhecer novas pessoas e amigos em sua própria comunidade e também em todo o mundo. Ao fazer isso indivíduos de diferentes partes do mundo podem tornar-se "amigos" ou "fãs" do perfil, sendo atualizado sobre acontecimentos atuais, especiais e outras informações essenciais da empresa que gostaria de compartilhar. Nas redes sociais pode trabalhar online como faria se estivesse a fazê-lo em pessoa, o membro é ativo na comunidade ou no site. Assim como o encontro face a 94 face, a primeira impressão é duradoura. No entanto, ao criar uma página deve refletir a atmosfera do negócio. A definição tradicional de comunidade caracteriza-se como uma entidade geográfica circunscrita (bairros, vilas, território, lugarejo, entre outros). As comunidades virtuais, geralmente, são dispersas geograficamente e, portanto, não são comunidades na sua definição original. Algumas comunidades offline estão ligadas geograficamente, conhecidas como sites de comunidades. No entanto, se considerar as comunidades que simplesmente possuem algum tipo de fronteiras entre membros e não membros, então, uma comunidade virtual é uma comunidade. As comunidades virtuais se assemelham a vida real de comunidades sociais, no sentido que ambas oferecem apoio, informação, amizade e aceitação entre estranhos. As comunidades virtuais são utilizadas para uma variedade de grupos sociais e de profissionais. Lemos (2002) menciona que o ciberespaço é um ambiente de circulação de discussões pluralistas, reforça competências diferenciadas e potencializa o ambiente de troca. O ciberespaço é mais que um fenômeno técnico, é um fenômeno social no qual as pessoas se reúnem por interesses comuns, para bater papo, trocar arquivos, fotos, músicas e correspondências, incluindo-se na lista tutoriais de animação em 3D de Ibele (LEMOS, 2002). Para Lévy (1996), os grupos sociais [ciberespaços] são mais inteligentes, instruídos, sábios e imaginativos que os indivíduos que os compõem. No entanto, como é possível que as inteligências se multipliquem ao invés de se excluírem umas às outras? A resposta reside na inevitável planificação hierárquica dos indivíduos onde uma boa regra de organização e de escuta mútua valoriza a inteligência dos 95 pequenos grupos. O autor sugere normas e regras que regeriam o mundo da cultura. Jenkins (2009) entende que há certa ligação entre o consumidor-usuário, hoje, são ativos, migratórios e declinantes às redes e aos meios de comunicação. No entanto, o consumidor antigo permanecia onde quer queiram que ficassem, caracterizavam-se como indivíduos isolados, os novos usuários são conectados socialmente. Porém, não significa que haja forte ligação entre membros, apesar de Howard Rheingold mencionar que as comunidades virtuais se formam quando as pessoas carregam discussões públicas, por tempo suficiente e suficiente sentimento humano, para formar teias de relações pessoais. Uma lista de distribuição de e-mail pode ter centenas de membros e a comunicação que ocupa lugar pode ser meramente informativa (perguntas e respostas são publicadas), porém, os membros podem ficar estranhos e a taxa de rotatividade de adesão pode ser elevada, segundo a utilização do termo comunidade liberal (LÉVY, 1996). A Internet enquanto fenômeno social possibilita o surgimento do coletivo no ciberespaço, que é formado por seus pares, alavancando um fenômeno denominado propaganda (LÉVY, 1996). A difusão explosiva da Internet, desde meados da década de 1990 promoveu a proliferação de comunidades virtuais, sob a forma de serviços de redes sociais e comunidades online. A natureza dessas comunidades é diversificada e os benefícios que Rheingold previa não são necessariamente realizados ou perseguidos por muitos. Ao mesmo tempo, é bastante comum ver histórias de alguém que precisa de ajuda especial ou em busca de uma comunidade que beneficiem da utilização da Internet. 96 As comunidades virtuais podem sintetizar Web 2.0 tecnologias com a comunidade e, portanto, têm sido descritas como Comunidade 2.0, apesar de fortes laços comunitários foram forjados em linha desde o início dos anos 1970 sobre os sistemas de timeshare. As comunidades online dependem da interação social e troca entre usuários online e isto enfatiza a reciprocidade, elemento do contrato social entre os membros da comunidade. De acordo com Castells (2009), a atual revolução tecnológica é caracterizada não pela centralidade de conhecimentos e informações circulantes, mas sim pelo fluxo entre desenvolvimento tecnológico e inovação no uso27. A incorporação da comunidade virtual nas experiências do cotidiano, seu reflexo e influência sobre as práticas de comunicação e os padrões de formação da identidade faz uma comunidade online da empresa, para pesquisa em larga escala, requerendo investigação contínua e teorização. As relações online não são tão valiosas quanto às relações offline, por haver menor socialização28. A preocupação com esse tipo de interação inclui agressões verbais e inibições, promoção ao suicídio e problemas com a privacidade de dados ou informações. As redes sociais sempre existiram, mas os desenvolvimentos tecnológicos recentes nas comunicações permitiram seu advento como forma dominante de organização social. Hoje, as pessoas não estão mais organizadas em torno de redes sociais, mas em torno de redes mediadas por computador. Desta forma, não é a 27 Segundo Witziki (2008, p. 19), a difusão da tecnologia amplifica seu poder à medida que as pessoas se apropriam dela e a redefinem. Com o poder de propagação das comunidades virtuais, que compartilham, entre outros, informações, produtos e arte, Ibele e o seu vídeo da “Sony” marcaram o surgimento de um novo fenômeno que introduziu uma nova forma de agir entre os usuários que atuam na Internet. É a redefinição do efeito de Ibele em um fenômeno que, com o tempo, ganhou milhares de adeptos, muitas vezes motivados por grandes corporações em campanhas de publicidade. 28 De acordo com Castells (2009, p. 107), a maior parte dos laços mantidos elas pessoas são laços fracos, mas nem por isso, desprezíveis. São fontes de informação, trabalho, desempenho, comunicação, envolvimento cívico e divertimento. Esses laços fracos são em sua maioria independentes de proximidades espacial e precisam ser mediados por algum meio de comunicação. A Internet desempenha um papel positivo na manutenção de laços fortes à distância. 97 Internet que cria um padrão de individualismo em rede, mas seu desenvolvimento fornece um suporte material apropriado para a difusão do individualismo em rede como forma dominante de sociabilidade (CASTELLS, 2009). No conceito de Raquel Recuero (2003, p. 143), as redes sociais são compostas por interesses, desejos e aspirações individuais e pela comunicação mediada por computador: [...] centra-se em atores sociais [...] indivíduos com interesses, desejos e aspirações, que tem papel ativo na formação de suas conexões sociais [...] na sua comunicação mediada por computador, as pessoas trocam não apenas informações, mas bens, suporte emocional e companheirismo [...] a comunicação mediada por computador é capaz de suportar laços especializados multiplexos, que são essenciais para o surgimento de laços fortes [...] o capital de rede consiste na capacidade da rede prover recursos, tangíveis ou intangíveis (por exemplo, suporte e apoio ou dinheiro, informação, sentimento de estar conectado, etc.). Faz-se necessário entender que estudar a Internet é conhecer uma possível rede social que exista na vida concreta de um indivíduo, porém, que apenas utilizase da comunicação mediada pela tecnologia (computador) para manter ou criar laços novos. Na atualidade, a comunicação mediada por computador corresponde a forma prática e amplamente utilizada para estabelecer laços sociais, porém, não corresponde a dizer que esses laços permaneçam restritos ou mantidos apenas no ciberespaço, vai além deste, permitindo interatividade na vida real (RECUERO, 2003). As comunidades são os núcleos mais densos na rede social, constituindo laços fortes, capital social de segundo nível. A comunidade é uma característica da rede social e associada a uma maior densidade, assim, pode-se mencionar que há forte característica de agregação nas comunidades. No entanto, essa agregação apresenta limites físicos, que se refere a capacidade de investimento dos atores sociais e da manutenção das conexões da rede. 98 O estudo levou a concluir que as comunidades virtuais são indispensáveis para a interação entre sujeitos, troca de produto, oferta de serviços, seleção e aquisição de produtos que, por meio da propaganda, promove trocas e crescimento contínuo, especialmente, mediante a globalização de mercado e interatividade entre usuários. 3.2 FÓRUNS VIRTUAIS O fórum virtual é um local onde os sujeitos discutem pensamentos ou ideias sobre diversos temas, trata-se de um centro de conversação, tanto reativas quanto interativas. Por “fórum virtual” ou “fórum”, como é conhecido, entende-se como sendo um espaço de discussão pública ou restrita a determinado grupos de pessoas, utilizado na Internet onde, geralmente, é colocada uma dúvida, um questionamento, ponderação ou opinião que possa ser comentada por quem se interesse pela mesma. Não obstante, quem desejar poderá ler opiniões e acrescentar conteúdos (INTERNET GLOSSÁRIO, 2006). O fórum virtual é um espaço para a construção do conhecimento, troca de ideias e informações em ambiente virtual, é uma estrutura de rede que permite o encontro não presencial de pessoas de todo o mundo, ressaltando o caráter global do Fórum Cultural Mundial (FCM). Do imaginário social convocante a um imaginário social compartilhado, factível, possível, o processo auto-reflexivo iniciado e caracterizado presencialmente pela convenção global que terá longa jornada de identificação, re-sinergização, catalogação, pesquisa e desenvolvimento. De forma quase incontrolável esta 99 jornada se conecta aos diversos fazeres objetivos e cotidianos, nas diversas dimensões (SCHNEIDER et al., 2009). O fórum virtual é um espaço de elaboração de ideias, aberto para participação da sociedade, tem como objetivo aprofundar o debate sobre o conceito de determinados assuntos, apreciar, recomendar, sugerir, opinar ou valorar certos produtos ou serviços, por parte do usuário, consumidor ou não, ou seja, caracterizase como um espaço para discussão pública. Um fórum virtual também pode ser entendido com uma rede social. Segundo Recuero (2009), uma rede social é constituída por um conjunto que contém atores, representados por pessoas, instituições ou grupos, chamados nós da rede e suas conexões, representadas pelas interações ou laços sociais. De acordo com Gráfico elaborado pela autora, estas redes não conectam apenas computadores, mas, conectam principalmente pessoas, para entender esse fenômeno é preciso observar suas partes em interações. Assim, “estudar redes sociais, portanto, é estudar os padrões de conexões expressos no ciberespaço” (RECUERO, 2009, p. 22). Quanto se fala de um fórum virtual, entende-se com sendo um espaço para troca de ideias e informações em um ambiente virtual. Tratase de um local em que pessoas discutem pensamentos sobre diversos temas, um centro de conversação. Para estudar as redes faz-se necessário estudar seus elementos, os quais constituem a rede, fazendo com que exista. E o primeiro deles são os atores, representados por nós (ou nodos), “trata-se de pessoas envolvidas na rede que se analisa” (RECUERO, 2009, p. 25). Ao tratar de redes sociais na Internet, a construção dos atores é distinta, ocorrendo pelo distanciamento entre os integrantes da rede. Um ator pode ser 100 representado por um nó, sendo este mantido por um ou por vários atores, como é o caso de um blog, podendo existir vários autores para um mesmo blog. As ferramentas (blogs) não são atores sociais propriamente, mas representações do mesmo. Caracterizam-se como espaços para falas onde ocorrem interações sociais. “Os atores no ciberespaço podem ser compreendidos como os indivíduos que agem através de seus fotologs, weblogs e páginas pessoais, bem como através de seus nicknames”. Assim, “todo tipo de representação de pessoas pode ser tomado como um nó na rede social” (RECUERO, 2009, p. 28). Um fórum virtual é constituído por atores, os quais são representados por seus nicknames e são esses atores que iniciam as conexões, principal foco de estudo das redes sociais. A partir do momento que existe um espaço de fala (os fóruns virtuais), esses atores criam tópicos, sendo o mesmo respondido por outros atores sociais (o início de uma conexão). Segundo Recuero (2009, p. 30), em uma rede social as conexões são constituídas por laços sociais, os quais são formados através de interações sociais entre atores. Sendo assim, “essas interações são [...] fadadas a permanecer no ciberespaço, permitindo ao pesquisador a percepção das trocas sociais mesmo distantes no tempo e no espaço, de onde foram realizadas” (RECUERO, 2009, p. 30). A partir dos pressupostos elencados chega-se ao o que Maia (2002) denomina como sendo uma “arena conversacional”, onde o espaço se desdobra em novas conversações e discussões, podendo seguir seu curso em forma de conexão “coletiva”. “Isso ocorre desde a troca de e-mails numa base cidadão-cidadão, chats, grupos eletrônicos e listas de discussão sobre questões específicas até conferências virtuais amplas. 101 Um exemplo dessas arenas conversacionais são os fóruns de discussão desenvolvidos na Internet entendidos como: [...] um espaço de discussão pública. No fórum geralmente é colocada uma questão, uma ponderação ou uma opinião que pode ser comentada por quem se interessar. Quem quiser pode ler as opiniões e pode acrescentar algo, se desejar. Existem fóruns sobre todo o tipo de assunto (<http://www.cultura.ufpa.br/dicas/net1/int-glo.htm> Acesso 11 out 2010.) O fórum na Internet é um espaço de discussão pública, aberto a quem se interessar, cuja participação é democrática se dá de forma efetiva, haja vista que “todos” tomam conhecimento do ponto de vista de “todos”. Cada indivíduo participante pode se posicionar de forma livre e espontânea, não sendo coagidos a contribuir, dependendo principalmente da motivação de cada cidadão em participar. A efetividade de participação não se dá apenas porque o fórum é aberto e público. É preciso também que os participantes possuam oportunidade e capacidades comunicativas para se engajarem na discussão. A utilização de arenas conversacionais na Internet permite vislumbrar a participação do cidadão nos negócios públicos, na tomada de decisão política e até mesmo, em alguns casos, em fazer com que a própria esfera civil (simbolizada na figura das redes de cidadãos) participe da elaboração de decisões e soluções a respeito de problemas de interesse coletivo e que, até então, estavam restritas à esfera institucional formal (simbolizada na figura do governo). Os centros de conversação (online) permitem ao usuário escolher qual o segmento de discussão que gostaria de ler, participar, discutir ou contribuir. Um usuário que queira iniciar uma discussão para fazer uma postagem em uma lista de discussão o faz nos fóruns virtuais. Outros usuários que optarem por responder as mensagens postadas podem acompanhar a discussão adicionando seu próprio post 102 no segmento selecionado. Nos fóruns as respostas não necessariamente precisam ter lugar imediato, sempre que o usuário revisite a placa da mensagem pode responder. Ao contrário de um diálogo virtual, paineis de mensagens não têm uma resposta imediata e requerem que usuários ativos sejam conduzidos ao local para verificar as respostas29. De acordo com Jenkins (2009, p. 45): “quando as pessoas assumem o controle das mídias, os resultados podem ser maravilhosamente criativos; podem ser também uma má notícia para todos os envolvidos”. Um quadro de mensagens é único, as pessoas podem optar em participar e fazer parte de comunidade virtual, mesmo que não optar por contribuir com suas ideias e pensamentos. Os utilizadores registrados podem simplesmente exibir as várias linhas ou contribuir, se quiser. Os fóruns podem acomodar um número quase infinito de usuários, algo que uma sala de bate-papo é limitada para abrigar tanto usuários simultaneamente. As organizações virtuais consistem de pessoas e recursos distribuídos, conectados pela rede, situados em domínios administrativos diferentes, compartilhando recursos com os mesmos objetivos, é dinâmico e o sistema de gerência é tolerante, mas pode haver falhas (ALBUQUERQUE et al., 2006). Utilizadores da Internet pedem para conversar e achegar-se a estranhos online, opondo-se a encontros na vida real, onde as pessoas estão, muitas vezes, dispostas a intervir para ajudar estranhos. Estudos têm mostrado que as pessoas estão mais propensas a intervir em situação única. Com paineis de mensagens da 29 Solove (2007) apud WITZIKI (2008, p. 25): [...] a liberdade de expressão se coloca à frente da defesa da individualidade. [...] a reputação [é] fator decisivo na propagação de conteúdos que denigrem a imagem de uma pessoa ou corporação na rede. [...] quando a CNN transmite alguma mensagem que, mais tarde, é diagnosticada como falsa, retratações e correções seriam feitas. Ao contrário, quando um indivíduo denigre a imagem de uma empresa ou de outro indivíduo num blog ou, de forma colaborativa num site, sem a ligação a um órgão de imprensa ou objetivo profissional, isso não ocorre. Não há uma reputação a ser defendida. 103 Internet, um usuário presente interagir com outro, realizar um diálogo e obter o que deseja. Outra possível razão para isso é que as pessoas podem denunciar uma situação muito mais fácil, por ser online, simplesmente clicando em sair ou fazendo logoff, enquanto teria que encontrar uma saída física e lidar com repercussões na tentativa de sair de uma situação inconveniente, tal como na vida real. A falta de status, mas que também pode ser apresentada com uma identidade online também pode incentivar as pessoas, porque se o sujeito optar por manter-se privado não há rotulagem de sexo, idade, etnia, raça ou estilo de vida associado a si mesmo. Logo após o aumento do interesse em fóruns virtuais as pessoas passam a querer uma forma de comunicar-se com suas "comunidades", em tempo real. A desvantagem para as placas da mensagem é que um usuário deve aguardar até que o outro responda sua postagem, entretanto, os nós conectados com outros nós de todo o mundo, em diferentes escalas de tempo, pode levar algum tempo para receba a resposta. O desenvolvimento da linha de chat permite às pessoas conversarem com quem estiver online simultaneamente. Desta forma, as mensagens são enviadas e os usuários online respondem imediatamente, dando retorno rápido (ALBUQUERQUE et al., 2006). No entendimento de Jenkins (2009, p. 45): “o ambiente da mídia está sendo moldado por tendências contraditórias que, por um lado, se inserem as novas tecnologias, reduzindo custos operacionais, de produção e distribuição”, expandindo-se ao raio de ação dos canais de distribuição disponíveis, permitindo que usuários comentem conteúdos inseridos por eles mesmos, apropriando-se destes em um campo incrivelmente circulável. Por outro lado há a concentração de propriedades dos grandes meios de comunicação comercial, com um conglomerado, 104 embora pequeno, porém, dominando todos os setores da indústria do entretenimento. O desenvolvimento de sistemas de hospedagem permite usuários conversarem entre si em tempo real e estes optarem por temas ou pessoas diversas para conversas ou compartilhamento de interesses semelhantes (ALBUQUERQUE et al., 2006). Lipnack & Stamps (1997) e Mowshowitz (1997) apontam como comunidades virtuais podem funcionar através do espaço, tempo e fronteiras organizacionais. Lipnack e Stamps (1997) menciona um propósito comum, e Lee et al. (2001) introduzem a desestatização, que significa haver menos interação com os humanos em ambientes tradicionais, por exemplo, o aumento na socialização virtual. A Informática exerce influência negativa sobre a interação offline entre indivíduos, pois o mundo virtual domina o indivíduo, cria personalidades diferentes na pessoa, nas comunidades e nos grupos. Recentemente, Mitch Parsell (2008) sugeriu que as comunidades virtuais, especialmente, que utilizam recursos da Web 2.0 podem ser perniciosas, levando à polarização da atitude e aumento progressivo do preconceito, permitindo que indivíduos doentes se entreguem nessas comunidades deliberadamente (PARSELL, 2008). As comunidades da Internet têm a vantagem da troca de informações instantâneas, que não é possível em uma comunidade da vida real. Isso permite que as pessoas se envolvam em atividades diversas de sua casa, tais como: comprar produtos, pagar contas ou ainda buscar outras informações específicas. Os usuários de comunidades online também têm acesso a milhares de grupos de discussão específicos, em que se pode formar relacionamentos especializados e acesso à 105 informação em categorias como: política, assistência técnica, atividades sociais, perguntas ao consumidor, recreativas e de prazer. As comunidades virtuais fornecem um meio ideal para esses tipos de relacionamentos, pois a informação pode ser facilmente colocada e o tempo de resposta pode ser muito rápido. Outra vantagem é que esse tipo de comunidades pode dar aos usuários o sentimento de pertença e os usuários podem dar e receber apoio, é simples e barato de usar (BLANCHARD e MARKUS, 2004). Economicamente, as comunidades virtuais podem ser comercialmente bemsucedidas, ganhar dinheiro através de taxas de adesão, inscrições, taxas de utilização e comissões de propaganda. Os consumidores em geral se sentem muito confortáveis fazendo transações online, desde que o vendedor tem uma boa reputação na comunidade. As comunidades virtuais também oferecem a vantagem da desintermediação nas transações comerciais, o que elimina os vendedores e compradores se conecta diretamente aos fornecedores (ROTHAERMEL e SUGIYAMA, 2001), eliminando o mark-ups e permite uma linha direta de contato entre o consumidor e o fabricante. A Internet dispõe de comunicação instantânea e acesso é rápido, isso significa que a informação é enviada para fora sem ser revista para correção, tornando difícil a escolha de fontes confiáveis, por não haver um editor que analise cada posto e garanta a qualidade. Assim, o texto vem escrito sem filtro entre as partes, podendo reproduzir-se com desajuste (Smith apud JOHN-STEINER et al., 1999). As identidades podem ser mantidas anônimas, seria comum se as pessoas utilizassem a comunidade virtual para viver fantasmagoricamente como outra/outras. Os usuários devem ser cautelosos com as informações provenientes da linha, 106 devem ter cuidado em duplicar os fatos de seleção com os profissionais (CORREIA e NUNES, 2002). A informação online difere da informação discutida em uma comunidade da vida real, está permanentemente disponível online (SCHNEIDER et al., 2009). Como resultado, os usuários devem acautelar-se com o que divulgam sobre si mesmos para garantir que não sejam facilmente identificáveis, por razões de segurança. As transformações decorrentes da valorização da informação, sendo este o principal recurso de comunicação das sociedades contemporâneas, na última década a humanidade assiste ao desenvolvimento do ciberespaço, ou seja, do terreno virtual, de comunicação e interação global que transcende fronteiras e desafia a capacidade de intervenção e controle de seus administradores (GONÇALVES, 2003, online). Segundo Jane Mansbridge (1999), a proposta deliberativa aproxima diferentes atores sociais - como governantes e governados, é capaz de colocar em marcha processos que auxiliam aos cidadãos a entenderem melhor os problemas coletivos, que os leva a engajarem-se em conversações cotidianas e recíprocas, buscando não apenas soluções para tais problemas, mas novos modos de entendêlos ou enfrentá-los. Segundo Mansbridge (1999, p. 1): [...] um sistema deliberativo, em sua potência, assim como todos os sistemas de participação democrática, auxilia seus participantes a entenderem melhor a si mesmos e seu ambiente. Ele também os auxilia a mudar a si mesmos e aos outros através de formas que são melhores para eles e para a sociedade como um todo – embora às vezes esses objetivos entrem em conflito. Dessa forma, o estudo dedica-se em explorar as potencialidades da Internet como uma arena conversacional, facilitando o acesso do cidadão. Uma arena caracteriza-se como um espaço disputado entre digladiadores, conhecidos neste 107 trabalho como usuários corajosos de diferentes partes do país ou do mundo onde, cada qual, com desejos, necessidades e intenções diferentes movimentam o ambiente virtual, denominados nós. De acordo com Lúcia Santaella (2003, p. 202), um nó é um usuário distinto. Assim sendo, os usuários ou os nós: [...] se encontram os ciborgs interfaceados no ciberespaço. São os usuários que se movem no ciberespaço enquanto seus corpos ficam plugados no computador para a entrada e saída de fluxos de informação. Quando os corpos estão plugados eles sempre representam um nível de imersão. [...] A imersão é, portanto, a posição interna de um indivíduo experiencialmente dentro de um lugar, distinta de um autosider que visualmente consome uma paisagem recortada pela sua moldura. Nessa mesma abordagem, Lúcia Santaella (2003, p. 202-203) afirma que: [...] quanto mais um sistema técnico for capaz de cativar os sentidos do usuário e bloquear os estímulos que vêm do mundo exterior, mais o sistema é considerado imersivo. [...] Nesse tipo de corpo – o corpo é plugado – os níveis de interfaces variam, desde o nível mais superficial [...] quando se usa o computador simplesmente para escrever um texto, até o nível mais imersivo que se dá nas cavernas de realidade virtual. [...] esse tipo de corpo se subdivide em uma gana de cinco graus de intensidade crescente, como segue [imersão por conexão, imersão através de avatares, imersão híbrida, telepresença, ambientes virtuais]. Dado ao caráter imediato e acesso direto do sistema, com base em Mansbridge (1999) entende-se que a conversação cotidiana e sua contribuição no processo de tomada de decisão na esfera pública, política, social, educacional, entre outras, onde cidadãos devem discutem problemas comuns, a fim de preparar o caminho às decisões governamentais, particulares, profissionais, à tomada de decisões coletivas, gestadas a partir dos processos informais de discussão é fundamental no processo evolutivo. 108 4 METODOLOGIA DE PESQUISA A escolha e utilização do método netnográfico nesta pesquisa deu-se frente à disponibilidade do fórum no ambiente virtual, ou seja, na plataforma online. De acordo com Amaral et al. (2008), a netnografia considera as práticas de consumo midiático, os processos de sociabilidade e os fenômenos comunicacionais que envolvem as representações do homem dentro de comunidades virtuais, em constante transformação, apresentando-se em formas provisórias, além de representarem um fenômeno embrionário. A netnografia, como transposição virtual das formas de pesquisa face a face e similares, apresenta vantagens explícitas como: consumir menos tempo, ser menos dispendiosa e menos subjetiva, além de menos invasiva, uma vez que pode comportar-se como uma “janela” ao olhar do pesquisador, sobre comportamentos naturais de uma comunidade durante seu funcionamento, fora de um espaço fabricado para pesquisa, sem que interfira diretamente no processo como participante fisicamente presente (KOZINETS, 2002). Por outro lado, perde em termos gestuais e de contato presencial off-line, que pode revelar nuances no texto escrito ou outros recursos (AMARAL et al., 2008). Para construir a metodologia foram levantadas referências sobre pesquisas etnográficas online, virtual e netnográfica. No entanto, foi empregado o método netnográfico, com a busca de informações em plataformas virtuais. O vocábulo “netnografia“ foi definido na década de 90, por Kozinets (2006), incorpora procedimentos da etnografia no ambiente online. A netnografia é um método de pesquisa qualitativa, de natureza interpretativa, facilmente adaptável no estudo sobre comunicação, em técnicas de pesquisa etnográfica pessoal da 109 Antropologia Social, para o estudo de culturas e comunidades online que forma o pensamento mediado pelo computador. A metodologia etnográfica ganhou espaço pela necessidade de conhecer novas práticas da comunicação online, em 1990. A partir de então, passou a ser abordada por vários pesquisadores da área e tornou-se amplamente difundida com repercussão entre cientistas e pesquisadores, mundialmente. O método netnográfico apresenta todas as orientações necessárias para que o pesquisador possa observar os participantes nos ambientes virtuais. Nesse processo de investigação o trabalho possibilita investigar os possíveis locais do campo online, interpretar o fazer cultural desses indivíduos que interagem nesses ambientes, coletar e analisar dados, garantir interpretações confiáveis, realizar pesquisas que envolvem e relacionem a ética, finalmente, oportunizar um feedback dos membros da cultura pesquisada (KOZINETS, 2006, p. 281). De acordo com Braga (2007) apud AMARAL et al. (2009, p. 35): “a netnografia também leva em conta as práticas de consumo midiático (BRAGA, 2007) e Moscovici (2006, p. 78) apud AMARAL (2009, p. 35) pressupõe: [...] os processos de sociabilidade e os fenômenos comunicacionais que envolvem as representações do homem dentro de comunidades virtuais, faz-se necessário ressaltar que [...] estão em constante transformação, apresentando-se em formas constantemente provisórias, além de representarem um fenômeno embrionário. É importante enfatizar que o método netnográfico é simplificado e prático para seu uso, comparativamente aos demais disponíveis, por ser discreto e requer investimento inferior aos métodos convencionais. A etnografia virtual pode ser usada em estudos de pesquisa etnográfica em plataformas online, por fornecer respostas frente às necessidades que se interpõem quando se estudam comunidades que 110 usam a comunicação eletrônica. Porém, a imersão e o engajamento do pesquisador em estudos de plataformas online são fundamentais. Há que considerar os apontamentos propostos por Kozinets (2006), ao sugerir o método netnográfico como instrumento utilizado em pesquisas sobre publicidade, permitindo o pesquisador seguir o pensamento do consumidor nos ambientes virtuais e sua relação com o mercado. O modelo auxilia na identificação de pontos favoráveis ou contra determinadas marcas, produtos ou serviços, facilitando o planejamento de estratégias publicitárias pelas empresas investigadas. De acordo com Nogueira Fino (2010, p. 1): [...] a etnografia deve ser entendida como a descrição de uma cultura, que pode ser a de um pequeno grupo tribal, numa terra exótica, ou a de uma turma de uma escola dos subúrbios, sendo a tarefa do investigador etnográfico compreender a maneira de viver do ponto de vista dos nativos da cultura em estudo. Estudos netnográficos ou etnografia virtual fundamentam-se em premissas de pesquisas etnográficas, as quais procuram compreender o pensamento do consumidor nas atividades cotidianas e analisar a rotina e o estilo vivenciado pelas culturas imersas. O etnógrafo não é um simples voyeur ou um observador desengajado, mas é, em certo sentido, um participante compartilhando algumas das preocupações, emoções e compromissos dos sujeitos pesquisados. Essa forma estendida depende também da interação, em um constante questionamento do que é possuir uma compreensão etnográfica do fenômeno (HINE, 2000, p. 47). Entender os relacionamentos humanos e suas práticas com base na comunicação desenvolvida entre indivíduos e seus atos de consumo é fundamental nesta dissertação. Os motivos que conduzem um sujeito a selecionar o que usar, vestir, qual veículo dirigir, quem selecionar para executar determinado serviço de 111 reparo ou ainda conhecer detalhes de certas produções e suas vantagens é facultado aos usuários de fóruns, de comportamento investigativo, instilam uns nos outros a necessidade de interação para sanar dúvidas, levantar questionamentos e resolver problemas. Pois, experiências vivenciadas nesses ambientes estão intimamente relacionadas com a área de Publicidade. Os fóruns virtuais são ambientes que a Publicidade investiga para compreender o sujeito e sua relação com o ambiente social em rede. A abordagem etnográfica parte do modelo comunicacional que considera o contexto e as culturas que nela se desenvolvem, multifacetadas por conversações, práticas e negociações simbólicas em que a observação sistemática e interpretativa contribui para decompor e desvendar padrões de comportamento sociocultural. Na perspectiva didática de Angrosino (2009, p. 30): “a etnografia é a arte e a ciência de descrever um grupo humano – suas instituições, seus comportamentos interpessoais, suas produções materiais e suas crenças”. Conforme mencionado, a netnografia, cunhada em 1990, mostra-se como um método de análise de redes sociais, segundo Fragoso et al. (2011): A metodologia de uma etnografia é inseparável dos contextos nos quais [...] é empregada e é uma abordagem adaptativa que floresce na reflexidade sobre o método. A abordagem etnográfica [...] tem como objetivo fazer justiça à riqueza e complexidade da Internet e também defender a experimentação dentro do gênero como uma resposta a novas situações. A etnografia deve ser compreendida no seu caráter qualitativo, em que a análise da Internet pode ser avaliada sob duas óticas em seus efeitos enquanto cultura e artefato cultural. A utilização do termo demarca e pontua algumas diferenças que o método etnográfico sofre quando adaptado aos ambientes digitais, seja sob a forma de 112 coleta de dados, seja em termos de ética de pesquisa e análise. A pesquisa qualitativa tem sido agraciada com inúmeras técnicas e vantagens, umas relacionadas às outras sendo a etnografia uma delas. A netnografia mantém as premissas básicas da tradição etnográfica (SÁ, 2002, p. 159) a partir dos trabalhos desenvolvidos por Geertz (2001) e nessa relação: inicialmente, mantém uma postura de estranhamento do pesquisador em relação ao objeto; considera a subjetividade e os resultados como interpretações de segunda e terceira mão; finalmente, considera o relato etnográfico como sendo de textualidades múltiplas. Por tratar-se de uma transposição de metodologia do espaço físico ao espaço online, ao utilizar a netnografia, faz-se necessário inclui procedimentos específicos acerca da tipologia dos objetos estudados. Primeiramente, ressaltam-se os critérios de confiabilidade frente à filtragem dos informantes dentro das comunidades virtuais para que se analisem questões contextualizadas no objeto. Dentre as diversas maneiras de aferir essa confiabilidade destacam-se os critérios utilizados por Kozinets (1997, p. 9), para a escolha dos informantes e grupos estudados: (1) indivíduos familiarizados entre eles; (2) comunicações que sejam especificamente identificadas e não anônimas; (3) grupos com linguagens, símbolos, e normas específicas e; (4) comportamentos de manutenção do enquadramento dentro das fronteiras de dentro e fora do grupo. Segundo Kozinets (2002): “a intenção da utilização desses quatro critérios garante que se está de fato estudando uma cultura ou uma comunidade, [...] e não simplesmente examinando uma reunião temporária”. A partir da validação da comunidade e seus informantes, Kozinets (2007) recupera quatro procedimentos básicos de metodologia, que são específicos, transpondo da etnografia para a 113 netnografia: “entrée cultural30; coleta e análise dos dados; ética de pesquisa e, finalmente; feedback checagem de informações com os membros do grupo”. As etapas não acontecem de forma estática e os pesquisadores trabalham indo e vindo por entre elas, apontando vivência de “sobreposições e interferências (positivas), onde os procedimentos acontecem de forma interligada” (AMARAL, 2008). 4.1 O ESTUDO DE REDES SOCIAIS A totalidade de redes virtuais é composta pelos mesmos elementos básicos (nós e conexões) e compartilham diversas propriedades estruturais e de base. Bogdan e Taylor (1975) apud NOGUEIRA FINO (2010) definiram a observação participante como um tipo de investigação que se caracteriza por um período de interações sociais intensas, entre o investigador e os sujeitos (no meio destes) durante a fase em que os dados são recolhidos de forma sistemática. Para Georges Lapassade (1991, 1992, 2001) apud NOGUEIRA FINO (2010, p. 4), a expressão “observação participante” tende designar o trabalho de campo no seu conjunto, desde a chegada do investigador ao campo a ser investigado, quando inicia as negociações que darão acesso, até o momento em que abandona a área de estudo, depois de longa estada ali. Enquanto presente, o observador imerge pessoalmente na vida dos locais investigados, partilhando suas experiências. De acordo com Fragoso et al. (2011), o método de Análise das Redes Sociais (ARS) na Internet não se fundamenta apenas em um único método, mas em 30 A entrée cultural é uma etapa previamente delimitada pelo pesquisador, como preparação para o trabalho de campo. Para começar um procedimento netnográfico o pesquisador precisa preparar-se, levantando quais tópicos e quais as questões deseja analisar; em que tipo de comunidades, fóruns e grupos pode obter respostas satisfatórias e pertinentes à pesquisa. Os participantes atuantes nestas comunidades são de grande importância, quando estudados individualmente e, através de ferramentas de busca e pesquisa online pode-se chegar a resultados efetivos para o encontro de informações específicas. 114 uma compilação de métodos que traduzem parte da perspectiva que se baseiam as premissas de construção da Análise de Redes Sociais. Segundo Wasserman e Faut (1994, p. 10): A Análise de Redes Sociais (ARS) é inerentemente a uma empreitada interdisciplinar. Seus conceitos foram desenvolvidos por um propício encontro da Teoria Social e da aplicação da Matemática formal, da Estatística e dos métodos computacionais (apud FRAGOSO et al., 2011, p. 115). A ARS deve ser estruturada a partir do princípio que ao estudar as estruturas decorrentes de ações e interações entre atores sociais diversos torna possível compreender muitos elementos acerca destes grupos e suas generalizações com esse respeito (FRAGOSO et al., 2011). Uma rede social, por sua própria natureza, é composta de estruturas e ao focar determinado grupo como uma rede o pesquisador está analisando sua estrutura, que, por um lado analisa os nodos (nós), por outro as arestas (conexões). Geralmente, os “nós” são representados pelos atores envolvidos e suas representações na Internet (um blog é um ator) e suas interações são compreendidas como interações construídas entre atores (comentários em um blog ou mensagens trocadas no Twitter), proporcionadas e mantidas pelo sistema (FRAGOSO et al., 2011). O Twitter é uma rede mantida pelo sistema, exceto, que alguém delete um “nó” ou uma conexão, o blog é uma rede mantida pela interação entre atores. O estudo das redes sociais é retomado após o surgimento dos sites de redes sociais na Internet, caracterizados pela construção de um perfil com características identitárias (atores sociais) e apresentação de novas conexões entre perfis (arestas na rede social) - (FRAGOSO et al., 2011). 115 Quando houver mais que um modelo de relação entre indivíduos a conexão é multiplexa, devendo ser considerado seus limites, difícil para determinar frente a estrutura de construção ser característica. No Orkut a forma como as pessoas estão interconectadas torna impossível uma coleta de dados para estudos focados. Nesse caso, é indispensável que o pesquisador decida qual tipo de abordagem deseja realizar, refere-se a rede inteira (p. ex. comunidade do Orkut, grupo de weblogs ou condomínio) ou a rede ego (rede traçada a partir de determinado ator), que no caso deve escolher um ator para iniciar o traçado de rede e a partir dele traçar a rede para estudo (FRAGOSO et al., 2011). A metodologia do presente estudo volta-se em analisar os usuários do fórum Carros de Rua como uma rede social, estabelecido em um espaço virtual e, também, se o diálogo mantido entre esses usuários exerce alguma influência na decisão no momento de adquirir determinado produto, entender a linguagem e a comunicação utilizada no fórum, mensurar o grau de poder que esse relacionamento virtual exerce na tomada de decisão dos usuários quando da aquisição de determinado produto no mercado e o modo como os diálogos mantidos influenciam na decisão desses usuários. No dizer de Gutierrez (2009, p. 1): O ciberespaço, espaço criado pela rede comunicacional formada por meios eletrônico-computacionais da qual a internet é parte, tensiona as noções de espaço, tempo e lugar. Sua geografia não coincide com a das redes comunicacionais que se desenham no território físico, mas nem por isso constitui uma dimensão estanque da realidade. Ao contrário, as redes se interpenetram e dialeticamente se constroem e reconstroem. Assim, as práticas sociais e culturais produzidas neste não lugar, a cibercultura, além de criar modos de ser e estar específicos, integra as culturas dos demais espaços e as transforma, sendo por elas, também, transformada. 116 No entendimento de Lemos (2003, p. 11-12), o termo cibercultura é regado de sentidos, é uma forma social e cultural, de larga aderência da população mundial, nasceu da relação simbiótica entre sociedade, cultura e tecnologias de base microeletrônica, resultantes da convergência das telecomunicações que se emergiram na década de 70, do Século XX. De acordo com Amaral (2009, p. 37): Sendo o ciberespaço um meio rico para a comunicação, a partir do aumento no número de usuários, as novas tecnologias ampliaram a questão da multiplexidade metodológica, por transpor a discussão da evolução tecnológica em si, para as questões de sociabilidade e apropriação [...] o agente de mudança não é a tecnologia em si e sim os usos e as construções de sentido ao redor dela. [...] a utilização da etnografia é transposta ao ciberespaço como metodologia para suprir o espaço de estudo das práticas cotidianas em torno da Internet. Com visão semelhante, para Jenkins (2009, p. 46), a covergência corporativa tem profunda ligação com a covergência alternativa e ressalta que: Empresas de mídia estão aprendendo a acelerar o fluxo de conteúdo de mídia pelos canais de distribuição para aumentar as oportunidades de lucro, ampliar mercados e consolidar seus compromissos com o público. Consumidores estão aprendendo a utilizar as diferentes tecnologias para ter um controle mais completo sobre o fluxo da mídia e para interagir com outros consumidores. As promessas desse novo ambiente provocaram expectativas de um fluxo mais livre de ideias e conteúdos. Inspirados por esses ideais os consumidores estão lutando pelo direito de participar mais plenamente de sua cultura [negocial]. Os consumidores têm buscado diferentes tecnologias para solucionar dúvidas; por meio da interação com outros consumidores, estão verdadeiramente imersos na luta pelo direito de participar e extrair as vantagens oferecidas pelas novas tecnologias, especialmente, porque são livres para interagir nos ambientes da Internet. De acordo com Amaral (2009, p. 36): 117 [...] as Tecnologias de Comunicação e Informação (TICs) se apresentam como “artefatos culturais”, passíveis [elas mesmas] de dificuldades acerca da acessibilidade do pesquisador mediante as interfaces adjacentes aos objetos no campo virtual [...]. Como artefatos culturais, [...] são apropriados pelos usuários e constituídos através de marcações e motivações. Além disso, perceber os blogs[fóruns] como artefatos,indica também [...] que são eles o repositório das marcações culturais de determinados grupos e populações no ciberespaço, nos quais é possível, também, recuperar seus traçados culturais. [...] Os traçados culturais demarcados pela interação nas comunidades, fóruns, blogs, plataformas são as pistas seguidas pelos pesquisadores em sua análise. A proposta dessa metodologia é entender como se processa a propaganda mediada pelos próprios usuários dentro de fóruns virtuais, qual a credibilidade desenvolvida entre esses usuários e porque se interessam nos diálogos mantidos nesses espaços, como essa tecnologia modifica a vida dos indivíduos que com ela/nela interagem, qual a linguagem utilizada na Internet e porque essa oralidade enquanto instrumento de comunicação. Nesse contexto, Gutierrez (2009) afirma que a cibercultura não é composta de uma direção ou dominação do contexto sociocultural pela tecnologia, mas se constrói na emergência das ações de um público, reações, sociabilidades, hegemonias e movimentos que derivam das marcas que a tecnologia deixa na sociedade contemporânea. Ao investigar esse espaço de fluxos é possível perceber que é constituído pela sociedade da informação, semelhante ao mergulho do sujeito em um espaço antropológico, porém, interpenetrado por outros espaços antropológicos que diluem fronteiras e transformam limites em pontos de referência. Nessa seara, o trabalho do pesquisador é mapear algo inapreensível que se manifesta nas relações sociais que se emergem formando redes sociotécnicas, cuja afinidade que compõem a trama de relações sociais é determinada e determinante do que o sujeito é ou virá a ser, dos rumos que segue enquanto humanidade (LEVY, 1999; CASTELLS, 2003). 118 4.2 COLETA DE DADOS A coleta de dados teve como base os atores (nós) interconectados pelas arestas (conexões formais e informais31), devendo o pesquisador decidir o que realmente foi importante no seu trabalho, incluindo tipo de pergunta, tipo de resposta, pergunta ou resposta pertinente a alguma das variáveis selecionadas, sexo, idade, segmento, tamanho, tipo de diálogo mantido entre os internautas, entre outros (FRAGOSO et al., 2011). As redes sociais são sistemas dinâmicos, resultante da interação entre os atores, sujeitas a processos de ordem, caos, agregação, desagregação ou ruptura. Cada fórum possui propriedades peculiares, devendo ser analisado segundo sua estrutura, características, composição e qualidade das conexões. A coleta de dados pode considerar a composição (laços sociais ou capital social) ou estrutura (grau de conexão, densidade, centralidade ou centralização) - (FRAGOSO et al., 2011). As redes sociais na Internet apresentam comportamentos emergentes, como propagação, cooperação, adaptação e auto-organização, surgimento de clusters, elementos que devem ser analisados pelo pesquisador. Nesse contexto, é possível afirmar que o ambiente virtual é fortemente integrado por usuários de todos os níveis, permitindo elevar quali-quantitativamente os diálogos que ali se difundem interativamente. Nesse ambiente esta pesquisa se insere no sentido de buscar os motivos que induzem o usuário a participar dos debates de fóruns, os pontos de credibilidade que devem ser considerados para a continuidade desse consumidor nesses 31 Formais – subordinação em uma empresa; Informais – interações ou laços sociais. 119 espaços. Para isso, utiliza-se da netnografia, um método que permite estudar as redes sociais e as inúmeras variáveis das quais é composta. A etnografia ou netnografia, de acordo com Gutierrez (2009, p. 4): [...] é um processo que se desenvolve a partir da ação do pesquisador, de suas escolhas dentro do contexto pesquisado [...] não tem uma estrutura rígida, pois depende do que vem do campo de pesquisa. Deste modo, parte de uma visão dialética da cultura, na qual esta se movimenta entre as estruturas sociais e as práticas sociais dos sujeitos históricos. Abordagens etnográficas não são novidade na pesquisa na Internet, considerando o ciberespaço como um espaço sociocultural. Porém, mesmo a descrição profunda e atenta pode resultar incompleta frente a complexidade crescente. Os dados registrados pelos usuários armazenam conhecimento, sendo transferido de um usuário para outro, acessível por meio de aplicativos, cuja arquitetura é amplamente relevante para o investigador que procura conhecer a propaganda mediada pelos próprios usuários dentro dos fóruns virtuais, objeto de pesquisa desta dissertação. A Internet vem passando por um processo de desenvolvimento jamais conquistado ao longo de toda a história da humanidade e da tecnologia, um ambiente. A Web 2.0 forneceu tendências (em constante desenvolvimento) sobre como usar o Word Wide Web, reforçou o partilhamento de informações, criatividade, interação, funcionalidade e colaboração entre usuários. Nesse mesmo ambiente os usuários interagem, o Marketing se estabelece de forma voluntária, criativa e promissora. Enquanto plataforma (Web 2.0) produziu caminhos sobre o uso da Internet (ex. comunidades baseadas na Web como sites de redes sociais, wikis, folksonomias, blogs e sites de compartilhamento de vídeo). Entretanto, a plataforma 2.0 não tem sido mais suficiente para atender as demandas de navegação e interatividade entre usuários, requerendo o surgimento de novas tecnologias, como a Web 3.0 (Web Semântica), que segundo Herrys 120 (2008), trouxe avanço tecnológico significativo com uma infinidade de aplicações contemporâneas, reconhecida e valorizada pela informática mundial, impulso que a Web 2.0 necessitava para dar continuidade ao processo de desenvolvimento exigente pelo qual tem passado. De acordo com Hammersley and Atkinson (1983, p. 2) apud HILE (1983): […] the ethnographer participates, overtly or covertly, in people’s daily lives for an extended period of time, watching what happens, listening to what is said, asking questions; in fact collecting whatever data are available to throw light on the issues with which he or she is concerned. This type of ethnography, this ethnography I have characterized as conventional, therefore gives centre stage to the human actors, to the sense which people make of the world. The role of the ethnographer is to observe, document, and analyze these practices, to present them in a new light. The study of cultural artifacts, of documents where appropriate, is a somewhat secondary 32 device in which they are examined as “social products” . De acordo com Hile (1983), é um dilema comum entre etnógrafos sentir que a ação entre usuários acontece em outro lugar, especialmente, porque um ambiente virtual não é tocável, somente argumentos oriundos de teorias possibilitam que os informantes expliquem porque recorrem ao teclado interativamente com outros usuários para conhecer ou inteirar-se sobre determinados fatos, produtos ou serviços. Em sentido acadêmico, o “virtual” significa que ainda está por acontecer. Desta forma, como deve proceder um pesquisador diante do campo virtual, uma vez que não sabe se as ações, pensamentos, decisões e conclusões confabuladas no diálogo mantido no ambiente já aconteceram ou não? Obviamente, pela natureza da tarefa é possível afirmar que o pesquisador deverá investigar o, ora transponível, ora 32 O etnógrafo participa, aberta ou veladamente, na vida diária das pessoas por um período prolongado de tempo, observando o que acontece, ouvindo o que é dito, fazendo perguntas, na verdade, coleta todos os dados que estão disponíveis para trabalhar com questões com as quais está estudando. Esse tipo de etnografia é caracterizada como um método convencional, o centro do palco é dado à atores humanos, pessoas fazem o mundo. O papel do etnógrafo é observar, documentar e analisar tais práticas, para apresentá-las sob uma nova luz. O estudo da cultura de artefatos, de documentos sempre que necessário, é um dispositivo pouco secundário examinado como "produtos sociais". (em tradução livre). 121 instransponível, ora difuso, diálogo para identificar o que supostamente ocorreu entre os atores de redes sociais interativas. Os etnógrafos sentem que algo essencial falta no momento da pesquisa porque o ambiente é exclusivamente virtual, ninguém dá a prova de sua existência, ou seja, não existe pessoa alguma nesse espaço para confirmar a veracidade da informaçao alocada, apenas o resultado de suas ações, formalizadas sob forma de comentários, pensamentos, sentimentos, desejos, reclamações, críticas construtivas ou não, que se estabelecem por meio da oralidade escrita, característica essencial do trabalho de pesquisa etnográfica. A impressão percebida é de que o etnógrafo encontra-se isolado no sentido da invisibilidade. Sobre a análise netnográfica Kozinets (2007, p. 15) apud AMARAL (2009, p. 37) comenta: “[...] pode variar ao longo de um espectro que vai desde ser intensamente participativa até ser completamente não obstrutiva e observacional”. Complementa Hine (2000) apud AMARAL (2009, p. 37): [...] o etnógrafo habita numa espécie de mundo intermediário, sendo simultaneamente um estranho e um nativo, tendo que cercar-se suficientemente tanto da cultura que estuda para entender seu funcionamento, como manter uma distância necessária para dar conta de seu estudo. É fundamental que o pesquisador realize uma análise no ambiente estudado para perceber novas mudanças e o que realmente cada membro informou de novo, possibilitando auferir dados de pesquisa para junção, segundo uma ordem de prioridade, na compilação de dados. Enquanto etnógrafo, a análise de progresso permite tornar o trabalho invisível em um trabalho visível, embora os membros da comunidade nada percebam o relatório implica em dados qualitativos de pesquisa. 122 Acrescenta Amaral (2009, p. 38) que: “por se tratar de uma transposição de metodologia do espaço físico ao espaço on-line, ao utilizar a netnografia faz-se necessário incluir procedimentos específicos acerca da tipologia dos objetos estudados”, que neste caso é o diálogo mantido nos fóruns, entre usuários, visando identificar se a propaganda mediada pelos proprios usuários exerce influência no momento da aquisiçao de certo produto ou serviço disponível no mercado. Para empreender a pesquisa, destacam-se os critérios de confiabilidade, adotados por Kozinets (1997, p. 9), para filtrar os informantes e importância dada ao diálogo mantido entre usuários, dentro das comunidades virtuais e efetuar a análise de questões contextualizadas com seu objeto. Nesse caso, dentre as diversas maneiras de aferir essa confiabilidade destacamos os critérios utilizados por Kozinets (1997, p.9) para a escolha de seus informantes e grupos estudados: (1) indivíduos familiarizados entre eles; (2) comunicações que sejam especificamente identificadas e não anônimas; (3) grupos com linguagens, símbolos, e normas específicas e; (4) comportamentos de manutenção do enquadramento dentro das fronteiras de dentro e fora do grupo. [...] A intenção da utilização desses quatro critérios garante que se está de fato estudando uma cultura ou uma comunidade, [...] e não simplesmente examinando uma reunião temporária [de indivíduos]. Meirinhos (2009) entende que as redes sociais são uma realidade atual, presente na vida da população mundial, em larga escala no Século XXI, cuja importância e impacto gerado não pode mais ser ignorado, tanto pelo pesquisador, pelas autoridades governamentais ou privadas, pelo indivíduo ou pela sociedade, por influenciar na forma como os sujeitos estalecem as relações com seus pares, sejam eles virtuais ou não. Reflete na forma como os sujeitos reconhecem-se à si próprios e ao(s) outro(s), fenômeno que tem crescido tão intensamente, atraindo o interesse para a pesquisa por parte de investigadores nas múltiplas ciências, 123 especialmente, nas últimas duas décadas, para analisar como ocorrem os relacionamentos nessas redes, permitindo revelar o que há de interessante nesses espaços. Henri e Lundgren-Cayrol (2001) apud MEIRINHOS (2009) apontam os fóruns como ferramentas fundamentais à interação e colaboração no seio das comunidades virtuais. 4.3 DEFINIÇÃO DOS CRITÉRIOS DE ESTUDO O estudo etnográfico partiu da necessidade de entender a propaganda mediada pelos próprios usuários dentro dos fóruns virtuais, com foco centrado no fórum Carros de Rua. A etnografia, como tipo de pesquisa de abordagem qualitativa, sob a forma de netnografia ou etnografia virtual tem sido usada para pesquisar redes sociais on-line que interagem em diversos suportes, cujo método pode perfeitamente ser empregado para estudar o fórum selecionado para esta pesquisa (GUTIERREZ, 2009). As variáveis de pesquisa se relacionam ao tipo de dúvidas que os membros do fórum apresentam aos outros membros, incluindo: consumo; praticidade; qualidade; reconhecimento do produto; funcionalidade; conhecimento sobre determinado produto/serviço; credibilidade dada para perguntas/respostas dentro dos fóruns, entre outros fatores, incluindo reclamações, críticas, lançamentos, novidades, problemas mecânicos, compra de carros novos e tunning, cujos resultados serão mostrados sob o formato de imagens e gráficos. 124 As variáveis selecionadas buscam responder se a interação entre indivíduos dentro desses fóruns exerce influência para um questionamento que nem sempre a mídia responde. Embora a ciberoralidade esteja carregada de recursos que viabilizem respostas ao pesquisador, somente por meio de uma análise estruturada visualiza detalhes arguidos em uma produção científica de natureza semelhante a esta. Diante da importância do assunto na contemporaneidade, para atingir os resultados traçados adotou-se como primeiro passo a seleção do fórum virtual (Carros de Rua), sendo o método de eleição para fóruns: número de indivíduos; idade; gênero; tipo de discussão e de produto; teor do comentário (pergunta/resposta) a ser investigada e o tratamento de dados estatísticos. Por outro lado, foi desenvolvida uma análise intrafórum para detectar a interação entre usuários e sua relação com uma marca, produto ou serviço. Primo (2008) menciona que existe uma interação dinâmica, ou seja, um movimento interativo entre indivíduos que se relacionam, pois o primeiro requisito da comunidade virtual é ser um grupo de pessoas que estabelecem relações sociais entre si, "construídas através da interação mútua" (PRIMO, 2008). Os usuários inseridos nos espaços virtuais estudados estão presentes por tratar de assuntos que envolvem os demais usuários e essa interação faz com que estes tenham liberdade para duvidar, questionar, obter uma ou mais respostas de seus pares. O presente estudo tem como foco de pesquisa entender, detalhadamente, os pormenores, peculiaridades e forma pela qual a propaganda mediada pelo próprio usuário, utilizando-se da oralidade escrita enquanto instrumento de comunicação, tem contribuído no contexto virtual (Internet); como o Marketing, de forma subliminar, utiliza a propaganda para divulgar produtos ou serviços nesse 125 ambiente; como ocorre a interação entre usuários ainda desconhecidos, porque dão credibilidade a opiniões de terceiros em um contexto de redes sociais e porque não buscam opiniões em meio à realidade que vivem, com seus familiares, com as próprias empresas que fabricam produtos ou vendem determinado serviço; qual o real significado dessa ferramenta na vida desses usuários; quem são os promotores desse movimento calado, sem voz, mas ativo, intermitente e reconhecido mundialmente. 4.4 CRONOGRAMA DE PESQUISA O fórum é uma ferramenta disponibilizada no ciberespaço, é um suporte técnico de comunicação entre os usuários no qual, a temática selecionada trata da representação do conteúdo no fórum, cujos registros foram extraídos no início de 2011. No intuito de estabelecer uma compreensão sobre os dados coletados, responder as questões formuladas e ampliar o conhecimento, a pesquisa foi norteada para a análise de conteúdo, tendo como ponto de partida o diálogo entre os usuários em se tratando a linguagem escrita, simbólica, gestual, silenciosa, figurativa, documental ou provocada. Dentre os métodos utilizados na presente pesquisa, a análise de conteúdo é fundamental, bem como a análise descritiva, por descrever, com base no pensamento de V. Laurence Bardin (1977; 1997; 2002), que entende que a pesquisa descritiva busca descrever os fatos, como, porque e quando acontecem, os quais devem ser devidamente registrados em relatórios, pelo pesquisador, no momento da coleta, para posterior análise de conteúdo. 126 A análise de conteúdo procura descobrir as relações entre o mundo exterior e o conteúdo do discurso, cuja técnica envolve operações de desmembramento e classificação das unidades de registro, incluindo a classificação semântica, sintática e lógica, em que os operadores desempenham importante papel na análise. A análise de conteúdo é uma forma de tratamento de dados em pesquisa. Registros históricos mostram que esse tipo de pesquisa nasceu nos Estados Unidos, na década de 1960, como instrumento de análise das comunicações, compreendida como a arte de interpretar textos de natureza mais complexa. Porém, no início procurava-se apenas interpretar textos hermeneuticamente e nesse entendimento Bardin (1977) comenta que a análise de conteúdo tem como finalidade: A inferência de conhecimentos relativos às condições de produção (ou, eventualmente de recepção), inferência esta que recorre a indicadores (quantitativos ou não). [...] Se a descrição (a enumeração das características do texto, resumida após tratamento) é a primeira etapa necessária e se a interpretação (a significação concedida a estas características) é a última fase, a inferência é o procedimento intermediário que vem permitir a passagem explícita e controlada de uma à outra. Para Bardin (1977), a análise de conteúdo é uma busca de outras realidades através das mensagens. Assim sendo, as interpretações a que levam as inferências buscam compreender as entrelinhas da aparente realidade, em busca do significado do discurso, intenções do conteúdo, tanto no modo profundo como aparentemente superficiais. É um método de tratamento da informação semântica dos textos [...] que pretende, por um processo de normatização da diversidade superficial de um grande conjunto de documentos, expressos em linguagem verbal (como pesquisas de opinião, corpora de textos jornalísticos ou de discursos políticos) torná-los compatíveis, abrindo caminho ao emprego de técnicas estatísticas e, mais tarde, computacionais (Pinto, 1999 apud QUARESMA, 2001, p. 3). 127 O conteúdo de discurso é determinado pelas próprias condições de produção e pelo sistema linguístico ao qual está submetido. Assim sendo, é possível compreender que no processo de produção de um discurso há sempre um referente, um emissor, tanto em relação à posição do emissor nas relações de força como na relação com o receptor (BARDIN, 1977). A análise de conteúdo possibilita uma leitura profunda das comunicações. No presente estudo, o papel do pesquisador (analista) é compreender o conteúdo da fala de um terceiro personagem (o usuário do fórum). No entanto, para isso, requer uma compreensão em que se fundamenta o pensamento e a motivação humana. No sentido de contribuir com a pesquisa, também foi selecionado como método a netnografia, o qual sugere seguir alguns passos para auxiliar o pesquisador a chegar aos resultados finais. Primeiro, o trabalho teve início com um mapeamento dos fóruns virtuais no ambiente web. Após observar detalhadamente alguns fóruns pré-selecionados e fazer o levantamento em relação à interação dos usuários nestes fóruns foi estabelecido que o fórum a ser investigado então seria o Fórum “Carros de Rua”. Após a seleção do fórum, foi realizado um mapeamento desta rede, dividindo a pesquisa em itens, para ser trabalhada de maneira mais organizada à otimização de tempo. Desta forma, conforme o Cronograma (Quadro 2), a pesquisa fundamentou-se na utilização dos métodos quanti-qualitativos, a fim de entender as práticas de seus participantes perante a influência de outros usuários. 128 Quadro 2 – Etapas da pesquisa ETAPAS DA PESQUISA 1. Observação do fórum 2. Aquisição de dados existentes 3. Interação com os usuários 4. Seleção dos usuários para pesquisa quantitativa e aplicação da pesquisa 5. Seleção dos usuários para pesquisa qualitativa e aplicação da pesquisa DATAS INÍCIO FIM 08/04/11 30/10/11 27/05/11 29/05/11 27/05/11 - TIPO DE PESQUISA Observativa Observativa Participativa 01/06/11 27/09/11 Quantitativa 01/10/11 30/10/11 Qualitativa Fonte: Quadro elaborado pela autora Para a pesquisa quantitativa, foi enviado um questionário (Anexo 1) aos integrantes mais ativos do fórum. A pesquisa qualitativa contou com um questionário dirigido a 1634 usuários selecionados de acordo com análises realizadas anteriormente. 129 5 PESQUISA E ANÁLISE DO FÓRUM CARROS DE RUA No presente capítulo será apresentada uma breve análise do Fórum Carros de Rua, pesquisas realizadas do próprio fórum, assim como dados obtidos posteriormente à observação do material adquirido. O capítulo foi dividido com base na metodologia de pesquisa e aplicação cronológica. A análise foi dividida em etapas para facilitar o entendimento do leitor. As etapas optadas foram: observativa e participativa; levantamento de dados já existentes; pesquisa quantitativa com questionários dirigidos e seleção de usuários para entrevista dirigida e aplicação das pesquisas online e off-line. As análises de cada etapa de pesquisa foram descritas dentro dos respectivos subcapítulos para facilitar o acompanhamento e compreensão dos leitores. 5.1 CARROS DE RUA Para compreender o mercado automobilístico é importante, inicialmente, abordar um breve histórico sobre o mundo no qual esses usuários estão inseridos (fórum virtual), o qual trata do mercado automobilístico, ambiente esse onde ocorre o diálogo entre usuários. O primeiro motor de combustão interna foi inventado pelo alemão Nikilaus Otto, em 1876, e o primeiro automóvel foi criado por Gottlieb Daimler e Wilhelm Mayback, em 1889, mas foi Henry Ford, o homem quem criou a linha de montagem, que possibilitou a fabricação de carros mais rapidamente e mais baratos 130 mundialmente. Ford construiu seu primeiro automóvel em 1893, em sua casa, em Detroit, Estados Unidos. Com 28 mil dólares fundou a Companhia de Motores Ford em 1903, e no mesmo ano lançou o Ford Modelo A (BILL, 2004). Até aquela época, os automóveis eram em sua maioria feitos sobre encomenda e cada máquina era diferente das demais. O primeiro automóvel produzido em quantidade foi o Curved Dash Oldsmobile, construído em 1901 por Ransom E. Olds (1964-1950), outro mecânico de Detroit. Seus Oldsmobiles [...] eram feitos um a um e muito lentamente (BILL, 2004, p. 176). De acordo com Sávio (2003), para compreender o fascínio e a legendária difusão que esse veículo teve no Brasil relata-se que: “desde sua invenção, na Europa, no final do Século XIX, o automóvel percorreu o mundo, dominou as cidades e se transformou em protagonista da vida cotidiana” (GIUCCI, 2004, p. 11). O primeiro a chegar ao país foi desenvolvido pela família Dumont. Entretanto, hoje, circula pelas ruas e avenidas uma civilização, cuja marca registrada é o próprio indivíduo em movimento e suas relações com o mundo, ou seja, uma interatividade que converge para a virtualidade (GIUCCI, 2004). O automóvel está na base das transformações do capital e, portanto, transita pelos diferentes meios de comunicação. Nenhum tabu do objeto, a não ser a dificuldade inicial dos artistas para representar temas tecnológicos. Nenhuma proibição o exclui do social. Em muitos casos, ele é, até mesmo, associado à representação do “eu” na vida cotidiana (GIUCCI, 2004, p. 14). De acordo com Sávio (2003), quando se fala de automóvel, logo, deduz que se trata de um artefato técnico, criado por longas pesquisas e extenso caminho, desenvolvido pelo desencadeamento de uma série de ideias que se tornaram factíveis frente a Revolução Científico-Tecnológica. 131 Esse artefato técnico não nos remete apenas a sua utilidade imediata como simples meio de locomoção, mas a toda uma rede de relações que constituem um modelo de conhecimento, não apenas no mundo natural, mas de uma forma harmoniosa de organização da sociedade (SÁVIO, 2003, p. 45). Além disso, Sávio aponta que: Um automóvel é muito mais do que um mero meio de locomoção. Antes disso [...] é um artefato de um modelo de sociedade e desenvolvimento que se difundiu através de um modelo técnico-científico que abarca todas as instâncias da sociedade e tem como modelo primário as sociedades industriais europeias. O artefato técnico é o grande símbolo de um modelo social (SÁVIO, 2003, p. 46). A relação de grande parte da humanidade com o mundo tornou-se cada vez mais mediada no curso do Século passado, por uma única máquina – “o carro” (MILLER, 2001). É através dessa devoção com o automóvel que o consumidor procurou o ambiente virtual submetido à análise. O fórum escolhido para (http://forum.Carrosderua.com.br/), pesquisa proveniente foi do o “Carros de Rua” site “Carros de Rua” (http://www.Carrosderua.com.br), um site particular sobre automobilismo, criado por internautas, sem envolvimento isolado com uma montadora ou marca específica, a fim de discutir assuntos de interesses comuns, na verdade, sobre automóveis. A população selecionada para pesquisa é exatamente a desses usuários que, entusiastas e afeiçoados por automóveis dos mais diversos tipos farão parte da pesquisa, sendo toda esta paixão importante à análise do objeto de estudo. Para prosseguir com a pesquisa, nesta dissertação é essencial explicar a estrutura do fórum, assim como sua dinâmica que, apesar de ser integrado ao site Carros de Rua, possui independência própria. O fórum é dividido em quatro áreas temáticas que se subdividem em vários fóruns e subfóruns, sendo: 132 1. Área técnica: Fórum Carros de Rua: Fórum destinado aos debates sobre assuntos relacionados ao mundo dos carros. Também, possui o subfórum Legislação e Seguros; Mecânica: Fórum destinado à troca de informações e dúvidas sobre mecânica e manutenção automotiva; Preparação: Fórum destinado à dúvidas sobre como melhorar o desempenho de um carro; Automobilismo: Fórum destinado à notícias, resultados e informações sobre competições automotivas, também possui o subfórum Virtual Grand Prix; Motociclismo: Fórum destinado à pessoas relacionadas a motos, triciclos e quadriciclos; Som Automotivo: Fórum destinado à discussão relacionada a som automotivo; Técnicas e dicas de Conservação: Fórum destinado à técnicas e dicas de conservação de carros, como: parte elétrica, estofamento, iluminação, personalização, pintura, reparação, revestimento e vidros. Também possui o subfórum Matérias & Faça você mesmo; Clubes: Fórum destinado à discussão isolada de diversas marcas de automóveis, nacionais e importadas. Nesse espaço encontramse os subfóruns: Muscle Cars, Ford4ever, Clube FIAT, Clube GM, Clube do VW e Audi, Clube Renault, Clube da PickUp, Clube Carros Orientais e Clube Peugeot. 133 2. Hobbye: Fotos & Vídeos: Fórum destinado à compartilhar fotos e vídeos relacionados a carros, conta com os subfóruns Tuning Virtual & Manga Cars e Garage CDR; Miniatura & Rádio-controlados: Fórum destinado a tratar sobre miniaturas e R/C. Como fazer, como customizar, qual comprar, onde encontrar, entre outros. Conta com o subfórum Classificados Miniaturas e R/C; Games & Diversão: Fórum destinado à discussão sobre jogos de carros (qualquer plataforma, seja PC, Game Clube, PlayStation entre outros). 3. Encontro e Eventos: Encontro e Eventos: Fórum destinado a encontros, eventos, exposições e campeonatos. Contém o subfórum CDR-RS/Rio Grande do Sul. 4. Diversos: Classificados: Fórum destinado a quem deseja vender, trocar ou comprar produtos no mundo automotivo; CDR Grils: Fórum destinado à mulheres que frequentam o fórum; Off-Topic: Fórum destinado à troca de mensagens diversas, contendo também com o subfórum Pérolas CDR; Ajuda, Dicas & Sugestões sobre o Fórum CDR: Fórum destinado à dúvidas e sugestões relacionadas ao Fórum Carros de Rua. 134 Cada tópico pode ser classificado por uma legenda de acordo com a popularidade de cada assunto (Figura 4), cuja classificação pode ser dividida por “novos posts” e “sem novos posts”, “tópicos quentes (com novos posts)” e “tópico quente (sem novos posts)”, “enquetes (com novos posts)” e “enquete (sem novos posts)” e “tópico fechado” quando por algum motivo o moderador do fórum encerra o tópico e ninguém, a não ser o moderador, pode adicionar novos posts ao tópico e “tópico movido”, quando o tópico é retirado e nenhum outro participante pode visualizá-lo. Figura 4: Tópicos de posts Fonte: Disponível em: <http://forum.Carrosderua.com.br> No fórum Carros de Rua caso o usuário queira participar como membro, primeiro, faz-se necessário cadastrar-se, porém, é possível apenas observar sem o devido cadastro no fórum. Assim que o usuário completa seu cadastro, para prosseguir com o mesmo, deve concordar com as regras do fórum, válidas para todos os membros, incluindo: moderadores, administradores, moderador clube, organizadores de eventos, parceiros e colaboradores, cujo desrespeito às regras, todos os membros sem exceção, estarão sujeitos a advertência, sob observação da Equipe Técnica (Moderação e Administração). Entretanto, se mesmo após a 135 advertência ocorrer reincidência na infração o membro é passivo de suspensão e total banimento da comunidade Carrosderua.com.br. A Equipe Técnica (Moderação e Administração) reserva-se ao direito de tomar as providências cabíveis, quanto a adequar o Tópico segundo as regras, sem o prévio aviso, podendo movê-los, fechá-los, apagá-los, editar assinaturas e avatares, conforme segue: Não é permitido o post de Vídeos ou Fotos onde seja desrespeitada a legislação penal e de trânsito brasileira, seja em território nacional ou não (proibido manobras perigosas, realizadas em via pública); Não é permitida, em hipótese alguma, qualquer forma de discriminação quanto à condição social, raça, naturalidade ou doença; Apologia a drogas de qualquer espécie é crime [...] de maneira nenhuma será tolerado esse tipo de atitude; Fotos e Vídeos devem ser postados em sua seção correta (Fórum Fotos & Vídeos); O Fórum Classificados é para uso exclusivo de membros CDR comprarem e venderem artigos pessoais. Não será permitido anúncios pertencentes à lojas sem antes obter a aprovação da Equipe Técnica; De maneira nenhuma será permitido o Flood em qualquer seção do Fórum (definição de Flood: Posts sucessivos sem conteúdo ao Tópico, como: Smiles, Emoticons, Risos, etc.); Não será permitido Posts com o objetivo de promover outro site ou Fórum sem antes obter a aprovação da Equipe Técnica; Não são toleradas ofensas a membros ou palavras de baixo calão; Assinaturas e Avatares com conteúdo erótico ou conteúdo de propaganda de outros fóruns, sites, exceto, que sejam parceiros) e produtos não são permitidas; Posts com conteúdo pornográfico estão proibidos, ficando permitidos apenas conteúdo sensual (sem nenhuma espécie de nudez) e com a inscrição [+18] no título do Tópico, devendo ser postados sempre no Off-Topic; Antes de iniciar um novo Tópico, verifique através do mecanismo de busca se não existe um Tópico com o mesmo assunto já aberto, caso contrário o Tópico será fechado; Enquetes e Tópicos sem propósito serão removidos pela Equipe Técnica; Evite ter seu Tópico movido, procure sempre a seção correta do Fórum para postá-lo; Evite discussões com outros membros, consequentemente, advertências e até mesmo a suspensão; Contribua com o Fórum, denunciando Tópicos ou Membros que não se enquadrem nas regras acima [...]. (Disponível em www.forum.Carros de Rua.com, 2011) [SIC] 136 Cada usuário possui um perfil (Figura 5). Esse perfil é essencial para que se forme uma rede social. Segundo Recuero (2009), os sites de redes sociais são sistemas que permitem a construção de uma persona através de um perfil ou página pessoal, a interação através de comentários, a exposição pública da rede social de cada ator. Além disso, os sites de redes sociais na Internet são caracterizados pela construção de um perfil com características identitárias (atores sociais) e apresentação de novas conexões entre perfis (arestas na rede social) - (FRAGOSO et al., 2011). “Os atores no ciberespaço podem ser compreendidos como os indivíduos que agem através de seus fotologs, weblogs e páginas pessoais, bem como através de seus nicknames”. Assim, “todo tipo de representação de pessoas pode ser tomado com um nó na rede social” (RECUERO, 2009, p. 28). Geralmente, os nós são representados pelos atores envolvidos ou representações na Internet. As conexões são interações construídas entre atores, proporcionadas e mantidas pelo sistema. De acordo com Recuero (2003), todos os ambientes comunicacionais da rede se constituem em formas culturais e socializadoras do ciberespaço, hoje, denominado comunidades virtuais, ou o mesmo que grupos de pessoas globalmente interconectadas, com base em interesses e afinidades semelhantes, ao invés de conexões acidentais ou geográficas (Figura 5). 137 Figura 5: Página do perfil de um usuário Fonte: Disponível em <http://forum.Carrosderua.com.br> As conexões entre estes usuários acontecem dentro do fórum a partir do momento em que estes conseguem discutir assuntos análogos, como mostra a Figura 6, em que os usuários conversam sobre qual carro comprariam no valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais). Como visto anteriormente, Recuero (2009) afirma que em uma rede social as conexões são constituídas por laços sociais, formados através de interações sociais entre atores. Assim: “essas interações são [...] fadadas a permanecer no 138 ciberespaço, permitindo ao pesquisador a percepção das trocas sociais mesmo distantes no tempo e no espaço, de onde foram realizadas” (RECUERO, 2009, p. 30), indicando o que Maia (2002) nomeou como sendo uma “arena conversacional”, na qual o espaço se distende em novas conversações e discussões, podendo seguir seu curso em forma de conexão “coletiva” (Figura 6). Figura 6: Diálogo virtual entre usuários do Fórum Fonte: <http://forum.Carrosderua.com.br > 5.2 OBSERVAÇÃO E PARTICIPAÇÃO NO FÓRUM CARROS DE RUA A observação e participação no Fórum Carros de Rua foi uma etapa de familiarização com o tema do grupo e os usuários do fórum, assim como de recursos disponíveis na plataforma. Utilizaram-se apenas as ferramentas oferecidas no 139 próprio fórum, buscando todas as opções oferecidas pelo site, com o intuito de conhecer a dinâmica das práticas cultivadas pelo grupo. Nesta etapa não houve interação ou comunicação do observador com os usuários, serviu, portanto, para registrar o comportamento dos participantes, a fim de obter informações sobre dados de peculiar interesse (MALHOTRA, 2006). 5.2 OBSERVAÇÃO E PARTICIPAÇÃO NO FÓRUM CARROS DE RUA A observação e participação no Fórum Carros de Rua foi uma etapa de familiarização com o tema do grupo e os usuários do fórum, assim como de recursos disponíveis na plataforma. Utilizaram-se apenas as ferramentas oferecidas no próprio fórum, buscando todas as opções oferecidas pelo site, com o intuito de conhecer a dinâmica das práticas cultivadas pelo grupo. Nesta etapa não houve interação ou comunicação do observador com os usuários, serviu, portanto, para registrar o comportamento dos participantes, a fim de obter informações sobre dados de peculiar interesse (MALHOTRA, 2006). 5.2.1 Aquisição dos dados Nesta fase foi realizada a classificação das principais características do grupo, focando a participação de seus usuários como determinação do objeto a ser pesquisado. Os dados foram coletados em 27 de maio de 2011 no Fórum Carros de Rua 140 (no ambiente virtual), com o objetivo de examinar, tanto quantitativamente, quanto qualitativamente, os usuários do fórum e os assuntos que despertassem maior interesse. De acordo com Malhorta (2006), a pesquisa qualitativa caracteriza-se por não ser estruturada, assim, de natureza exploratória; fundamenta-se em pequenas amostras, utilizando-se de técnicas de grupo, com foco em entrevistas, solicitando aos entrevistados que indiquem respostas como fonte de estímulo e entrevistas analíticas, por meio de entrevistas individuais que sondem, em detalhe, o pensamento dos entrevistados. Para Malhorta (2006, p. 66), a pesquisa qualitativa é: “uma metodologia de pesquisa exploratória e não-estruturada que se baseia em pequenas amostras com o objetivo de prover percepções e compreensão do problema”. A pesquisa qualitativa proporciona melhor visão e compreensão do contexto do problema ao pesquisador, conquanto que a pesquisa quantitativa procura quantificar os dados, normalmente, aplica-se uma forma de análise estatística. A pesquisa quantitativa deve ser precedida da pesquisa qualitativa apropriada, sendo está última utilizada para explicar os resultados obtidos na pesquisa quantitativa, no entanto, não devem ser utilizados como dados conclusivos no estudo. O presente estudo utilizou o método quali-quantitativo, considerando que há complementaridade entre eles e a possibilidade de encaminhar estratégias de integração na prática da investigação, sendo necessário identificar as características e especificidades de cada abordagem. A pesquisa qualitativa busca compreender os fenômenos, efetuando uma análise sobre o comportamento humano, sob o ponto de vista do ator enquanto sujeito de pesquisa, com a utilização de uma observação naturista e controlada. Os 141 fenômenos são subjetivos, estão perto dos dados, orientados ao descobrimento, são de caráter exploratório, descritivos e indutivos, norteados para um processo que assume uma realidade dinâmica; não generalizáveis, por isso, não dispensam um olhar cuidadoso da pesquisadora sobre o sujeito e o fenômeno – objetos de estudo. Na pesquisa quantitativa o pesquisador se inspira em mostrar como os procedimentos adotados se inscrevem em um modelo científico, uniforme e amplamente compartilhado. O método qualitativo, na presente pesquisa, subentende uma compreensão ampla dos fenômenos, com uma análise pormenorizada sobre o comportamento do usuário na propaganda mediada pelo próprio consumidor nos fóruns virtuais; já o método quantitativo busca transformar a compressão desses dados em resultados estatísticos, ou seja, em dados literalmente científicos, passíveis de leitura científica e também dinâmica. Desse modo, em princípio foi pesquisado na ferramenta de busca disponibilizada pelo fórum as tags33 “propaganda”, “indicar” e “sugestão” durante o período de 01 de janeiro de 2011 até a data presente (mês de outubro do mesmo ano), a fim de analisar e averiguar a quantidade de posts, o diálogo dos usuários e credibilidade dada às informações ofertadas nos tópicos observados, vale ressaltar que apesar das datas serem entre 1 de janeiro de 2011 a 27 de maio de 2011, muitos tópicos foram criados antes desta data, porém, a data pesquisada equivale sempre a data da última atualização. A escolha das supracitadas tags se deu frente ao objetivo de analisar a propaganda destes usuários perante outros integrantes e indicações e sugestões feitas. A palavra “propaganda” retornou 139 resultados, a 33 Tags aqui significa palavra chave, uma etiqueta que classifica e categoriza definindo referência aos assuntos abordados no Fórum Carros de Rua. Alex Primo (2006, p.4) trata sobre tags para imagens descrevendo que estas, "[...] vêm sendo usadas não apenas para conferir significado para a quantidade de textos na Web, mas também para facilitar o registro e recuperação de imagens.” 142 palavra “indicar” retornou apenas os primeiros 200 resultados e a palavra “sugestão” retornou apenas os primeiro 200 resultados. Após os resultados adquiridos foi possível uma breve análise dos usuários a serem pesquisados. Em um dos resultados da palavra “propaganda”, notou-se na Figura 7, que o membro postou o título “os melhores e os piores carros” no qual o usuário comenta sua opinião sobre o segmento de carros “populares” e “compactos”, quais modelos mais o agradam, quais não o agradaram e os motivos. Depois de várias discussões em relação à opinião do membro, outro usuário explica que não recomenda o modelo 1.0 do automóvel Fiesta, mas sim o modelo 1.6, seguindo da resposta de outro usuário (Figura 4), que explana sua opinião quanto aos carros da marca JAC Motors e explica que as pessoas vão “muito” na opinião de propaganda (publicidade veiculadas na televisão) e que não se pode dar credibilidade a propaganda, que são campanhas “ruins” e “enganosas”. Assim, pode-se perceber qual é a credibilidade nula que este membro dá a propaganda e qual a credibilidade aferida aos usuários do fórum, principalmente, por estar dentro deste ambiente para discutir o produto, ou seja, parte do princípio que se o usuário está no fórum discutindo sobre determinado produto e solicitando a opinião de outros membros, é porque existe credibilidade em relação aos outros membros (Figuras 7 e 8). 143 Figura 7: Post sobre os melhores e piores carros Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br/> Figura 8: Dúvida do usuário dentro do fórum Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br/ > No quesito “indicar”, segundo a Figura 9, a dúvida de um usuário na hora de adquirir um automóvel, sua opinião e o questionamento a outros usuários, 144 conduzindo a várias discussões posteriores em relação a qual automóvel deveria comprar e o motivo que deveria levar em consideração na hora de adquirir um novo automóvel (Figura 9). Figura 9: Dúvida do usuário no momento de adquirir um automóvel Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br/ > No quesito “sugestões” pode-se perceber, de acordo com a Figura 7 o local onde o membro criou um tópico com o título “Carros parecido com Eclipse” e explica que sempre sonhou ter um carro modelo Eclipse, mas percebeu a dificuldade em relação a peças e manutenção do carro, pergunta se algum outro usuário tem alguma sugestão de carro com um valor determinado, que tivesse o design semelhante ao modelo Eclipse. Mais uma vez se percebe a procura destes atores pela opinião alheia na hora de adquirir um produto novo, mesmo sendo um produto caro, não entrando no quesito de produtos comprados por impulso (Figura 10). Figura 10: Pergunta de um usuário a outro usuário do fórum Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br> 145 5.3 PESQUISA QUANTITATIVA Na etapa da pesquisa quantitativa apresenta-se a continuidade do contato com os membros do fórum, a fim de questionar sobre os itens observados na etapa anterior. Para essa fase da pesquisa foi utilizado o método quantitativo, cujo objetivo foi compreender de que forma ocorre a propaganda mediada pelo próprio usuário. Os questionários foram aplicados através da plataforma do Google Docs, com envio e recebimento dos dados e questões todos online. Para o envio da pesquisa foi realizada uma seleção com membros que possuam um número maior do que 200 posts e que a última visita no fórum deveria ter acontecido uma semana antes de iniciar a distribuição dos questionários, a fim de selecionar apenas usuários participativos para responder o formulário de pesquisa (Anexo 1). Como o fórum possui um campo para refinar este tipo de busca, auxiliou na otimização de tempo, porém, foi necessário enviar uma mensagem para cada usuário selecionado, sendo um total de 1.634 usuários34. O retorno dos questionários respondidos foi de apenas 155, ou seja, um índice de 0,46% sobre o total da rede. De acordo com o fórum, as estatísticas apontam que atualmente o site possui cerca de 33.170 membros com um total de 912.767 posts. O fórum conta com uma estrutura pela qual detecta os usuários que estão ativos, sendo o recorde de usuários online de 1.443, em 6 de maio de 201035. Foi enviado também, via fórum, durante a pesquisa qualitativa, o questionário quantitativo a fim de aumentar o número de questionários respondidos, porém, o método não foi muito bem aceito pelos usuários presentes. 34 35 Dados selecionados no dia 03 de junho de 2011. Dados tirados do próprio fórum, em 20 de outubro de 2011. 146 O questionário foi composto por 21 questões de múltipla escolha (Anexo 1), com a finalidade de verificar o perfil, hábitos e costumes dos usuários do fórum. O questionário foi desenvolvido direcionado para o objetivo de estudo, que busca compreender a propaganda mediada pelos próprios usuários, o grau de importância da comunicação e credibilidade que esses usuários dão para os indivíduos presentes no fórum, através da interação mediada pelo computador, feito por meio de levantamento. O survey (levantamento) foi realizado para identificar o potencial do diálogo mantido dentro do fórum e as características desse diálogo. A pesquisa sobre os fóruns virtuais e sobre a propaganda mediada pelo computador incluiu a identificação, coleta, análise, disseminação e uso de informações do próprio fórum, ou seja, do ambiente onde os usuários interagem, sendo cada fase fundamental para a pesquisa. Malhota (2006) afirma que os dados devem ser coletados pelo método mais adequado, posteriormente, devem ser analisados e interpretados, procedendo à pesquisadora as devidas inferências quanto à estatística. Pesquisas que apliquem o método survey possibilitam identificar problemas, pois informam acerca do ambiente virtual para diagnosticar os problemas ou soluções presentes nesse meio virtual. Por exemplo, para que uma empresa faça parte de um mercado em declínio ou ascensão, muito provavelmente terá mais ou menos problemas para atingir as metas de crescimento, por analogia, haverá mais problemas para crescer ou não. Assim, o reconhecimento de tendências econômicas, tecnológicas, sociais ou culturais, como mudanças no comportamento dos consumidores poderá sinalizar problemas ou oportunidades subjacentes. Nesse cenário, os resultados obtidos serão utilizados na tomada de decisão e resolução do 147 problema, que neste estudo busca entender o comportamento do usuário frente a propaganda mediada pelo próprio usuário nos fóruns virtuais. Para concluir essa etapa foi utilizado o método survey, que auxiliou no desenvolvimento e formulação de um questionário modelo, com perguntas dirigidas, para o exame dos fenômenos presentes no ambiente virtual, para identificar como esses sujeitos se comportam e interagem entre si, como ocorre o diálogo entre eles, o que conduz ao levantamento de percepções, cujo instrumento metodológico buscou explicar o fenômeno pesquisado, ou seja, a propaganda mediada pelo próprio usuário dentro do fórum. O questionário respondido pelos 155 membros do fórum possuiu uma identificação estabelecida por cada entrevistado. É importante ressaltar que essa identificação é sigilosa, porém, todos os usuários que responderam aos questionários foram informados sobre o objetivo a que se propunha, ou seja, que as respostas fariam parte da pesquisa de um estudo de cunho científico. 5.3.1 Resultados e conclusões O objetivo do questionário foi pesquisar quantitativamente o perfil dos usuários do Fórum Carros de Rua, utilizando perguntas que apresentassem opiniões sobre a propaganda mediada pelo usuário do fórum através de indicações de produtos, de serviços e opiniões e de hábitos de consumo conduzindo a uma segmentação maior para a próxima etapa da pesquisa. Após a análise dos dados foi possível selecionar os usuários para o questionário dirigido na etapa qualitativa, que considera a característica da participação na rede através de posts. 148 A hipótese desta pesquisa propõe que os usuários são influenciados pela indicação de outros usuários através do fórum - uma rede social - por meio de consumidores engajados com a marca e defensores de seus produtos, que será constatada após o mapeamento das respostas quantitativas. As questões foram divididas em perguntas que trataram do perfil dos usuários, opinião e atitude de cada entrevistado. A quantidade de questões foi determinada de acordo com a necessidade de entendimento dos membros do fórum, sendo de maior interesse analisar o comportamento desses usuários em relação à indicação de outros usuários, ou seja, a propaganda mediada nesse fórum (objeto de estudo da pesquisa). A amostra será apresentada na ordem em que o questionário foi aplicado. Não obstante, é importante lembrar que esta pesquisa foi necessária, pois os dados disponíveis no Fórum Carros de Rua mostraram-se insuficientes para fundamentar a resposta para a qual se busca, ou seja, identificar se o usuário de fóruns virtuais realmente influencia na compra de determinado produto ou não. De acordo com Muniz (2009), a propaganda faz adeptos, converte pessoas à determinadas opiniões, produz seguidores, ao passo que a publicidade vende bens/serviços, divulga mercadorias, ganha consumidores. Assim, é correto afirmar que a propaganda influencia a opinião e a conduta da sociedade de modo que adotem uma opinião ou uma conduta. Nesse sentido, também é correto afirmar que os integrantes do Fórum Carros de Rua são mediados pela propaganda do próprio fórum, tendo em vista a influência que o ambiente exerce sobre cada um individualmente, por meio do diálogo Carros de Rua mantido, da linguagem utilizada e de como os internautas reagiram quando foi encaminhado o questionário postado 149 no fórum, conforme pode ser percebido a partir da discussão apresentada na sequência. Após a tabulação e análise da pesquisa concluiu-se que o perfil dos membros do fórum foi 100% masculino, apenas para ressalvar que existe o público feminino no fórum, inclusive, existe um subfórum dedicado apenas às mulheres, mas como a interação é muito baixa este público acabou não considerado na amostra. A faixa etária predominante de 66% encontra-se entre 21 e 30 anos, seguido da faixa etária de 31 a 40 anos com 24% (Figura 11). No entanto, em torno de 65% dos usuários do fórum possuem graduação completa (Figura 12), 71% são solteiros, contra 24% casados (Figura 13), a renda varia entre 4 a 10 (38%) e 10 a 20 (38%) salários mínimos (Figura 14). Um índice de 38% dos usuários frequentam o fórum todos os dias, contra 29% que acessam duas vezes ou mais na semana (Figura 15). Figura 11: Faixa Etária do usuários Fonte: Gráfico elaborado pela autora 150 Figura 12: Grau de Instrução Fonte: Gráfico elaborado pela autora Figura 13: Estado Civil Fonte: Gráfico elaborado pela autora Figura 14: Renda Familiar Fonte: Gráfico elaborado pela autora 151 Figura 15: Frequência de participação no fórum Fonte: Gráfico elaborado pela autora No quesito opinião, 52% dos usuários buscam informações na Internet (sites de marcas, revistas online, etc.) contra 38% que buscam informações via fórum na hora de comprar um carro novo (Figura 16). Os motivos que levam os usuários à participar do tópico de discussão: 47% entram para sanar alguma dúvida e 48% para expressar sua opinião (Figura 17), porém, 72% explicam que procuram entrar nos tópicos de discussão tanto para observar, quanto para discutir (Figura 18). Outros 71% costumam participar de tópicos já existentes, contra 29% que criam seus próprios tópicos (Figura 19) e 95% acompanham o tópico até o fim (Figura 20). 152 Figura 16: O que inspira maior confiança na hora de comprar um automóvel Fonte: Gráfico elaborado pela autora Figura 17: Motivos para participação nos tópicos de discussão Fonte: Gráfico elaborado pela autora 153 Figura 18: Procura entrar nos tópicos de discussão Fonte: Gráfico elaborado pela autora Figura 19: Costume dos usuários Fonte: Gráfico elaborado pela autora 154 Figura 20: Procura acompanhar o tópico até o fim Fonte: Gráfico elaborado pela autora No quesito credibilidade, 33% dos usuários conferem muita credibilidade aos outros usuários do fórum contra 57% que aferem credibilidade “média” (Figura 21), o mais interessante foi que nenhum dos entrevistados optou pela resposta “nenhuma credibilidade”, ou seja, de alguma forma todos conferem credibilidade aos outros usuários do fórum. Quando foi questionado se os usuários acreditam na existência de marcas neste ambiente, 71% responderam que sim, tanto para coletar informações, quanto para divulgar seus produtos (Figura 22 e 23). Figura 21: Grau de credibilidade Fonte: Gráfico elaborado pela autora 155 Figura 22: Acredita na existência de marcas neste ambiente (Coletar informações) Fonte: Gráfico elaborado pela autora Figura 23: Acredita na existência de marcas neste ambiente (divulgar produtos) Fonte: Gráfico elaborado pela autora Atualmente, a troca de informação é muito mais ágil e eficiente, oriunda da Internet, cujo ambiente possibilita o desenvolvimento e a integração da oralidade e da escrita, não apenas no Fórum analisado, mas em diversos ambientes virtuais, os quais promovem o diálogo virtual e contribuem para que o internauta utilize a oralidade, em temas diversificados e entre comportamentos e atitudes nem sempre esperadas. distintos interlocutores, com 156 No quesito atitude, 76% dos usuários têm o costume de divulgar um modelo ou marca de automóvel que o interessa (Figura 24). Em relação aos motivos que os levam a acreditar em outros usuários, 52% explicaram que acreditam por causa da experiência e 43% pelas informações que acredita que o outro usuário possua (Figura 25), mais uma vez vale ressaltar que nenhum dos usuários optou pela resposta de que não acredita nos demais usuários. Na opção em que são inquiridos sobre acreditar na propaganda “boca a boca”, 81% dos usuários declarou que acredita (Figura 26). Figura 24: Divulgar modelo ou marca de automóvel Fonte: Gráfico elaborado pela autora 157 Figura 25: O que leva à acreditar em outros usuários do Fórum Fonte: Gráfico elaborado pela autora Figura 26: Acredita em propaganda boca a boca pela internet Fonte: Gráfico elaborado pela autora Todos os usuários desses ambientes virtuais efetuam ligações entre oralidade e escrita no espaço virtual Fórum Carros de Rua. Assim, textos orais e escritos, elaborados pelos internautas aproveitam o mesmo suporte e produzem um tipo de documento que congrega diversos recursos causadores de possibilidades, como escrita, oralidade, som e imagem, de forma que o internauta se torne autônomo para usar esses recursos disponíveis e explanar seus pensamentos, desejos e 158 experiência, sejam boas ou ruins. É uma linguagem que causa transformações na composição linguística e nos modos de interação desses internautas. 5.4 SELEÇÃO DE USUÁRIOS PARA ENTREVISTA E APLICAÇÃO DA PESQUISA QUALITATIVA Para esta etapa da pesquisa optou-se pela seleção de três membros entre os que responderam à pesquisa quantitativa, que possuíssem características como: interatividade e presença marcante no fórum. A seleção baseou-se na quantidade de posts realizados, caracterizando uma alta interação do usuário no fórum. Este tipo de pesquisa utilizou um método de entrevista que teve como objetivo averiguar a opinião dos usuários em relação à propaganda mediada por outros usuários, via computador. A opção de pesquisa qualitativa no presente estudo deve-se ao pensamento de Spencer (1993) apud NOGUEIRA-MARTINS e BORGUS (2004, p. 1), expressa que: Os métodos qualitativos produzem explicações contextuais para um pequeno número de casos, com uma ênfase no significado (mais que na frequência) do fenômeno. O foco é centralizado no específico, no peculiar, almejando sempre a compreensão do fenômeno estudado, geralmente ligado a atitudes, crenças, motivações, sentimentos e pensamentos da população estudada. As técnicas qualitativas podem proporcionar uma oportunidade para as pessoas revelarem seus sentimentos (ou a complexidade e intensidade dos mesmos); o modo como falam sobre suas vidas é importante; a linguagem usada e as conexões realizadas revelam o mundo como é percebido por elas. Trivinõs (1997) comenta que a pesquisa qualitativa originou-se no final do Século XIX, ganhando espaço a partir de 1980, viabilizando aumento no número de trabalhos utilizando a abordagem qualitativa, muito especialmente, no Brasil. 159 Qualitativa, porque se contrapõe ao esquema quantitativista de pesquisa (que divide a realidade em unidades passíveis de mensuração, estudandoas isoladamente), defendendo uma visão holística dos fenômenos, isto é, que leve em conta todos os componentes de uma situação, suas interações e influências recíprocas (TRIVINÕS, 1997, p. 29). A abordagem qualitativa se insere no contexto das significações, tais como percepções, pontos de vista, perspectivas, vivências, experiências de vida, entre outros aspectos diversos com esse mesmo sentido. Nesta etapa da pesquisa, utilizando-se desse método, os membros foram identificados como MEMBRO 1, MEMBRO 2 e MEMBRO 3, para preservar o anonimato à pesquisa. Após as respostas obtidas com o questionário procurou-se analisar os itens que pudessem apresentar características relacionadas às categorias pesquisadas anteriormente. Além disso, este tópico foi estratificado como parte das respostas e a comparação do posicionamento dos entrevistados à atuação na página do Fórum Carros de Rua. As perguntas da pesquisa se referiram ao perfil, presença do usuário no Fórum, publicidade, propaganda, o boca a boca virtual, indicações feitas por outros usuários, consumo, relacionamento com outros membros do Fórum. Para a abordagem foi realizada uma mescla entre as respostas e seus rastros postados na rede. Após a seleção das entrevistas foi questionado, por mensagem interna, a possibilidade de participarem da pesquisa qualitativa. Com o aceite foram enviados os questionários via e-mail e a resposta também chegou por e-mail. O questionário foi desenvolvido com questões abertas, pelas quais cada entrevistado pode expressar sua ideia em relação ao tema pautado, a propaganda mediada pelos usuários. Após os três entrevistados encaminharem seus respectivos questionários 160 respondidos foram analisadas todas as respostas juntamente com o conteúdo destes usuários dentro do Fórum. O primeiro membro pesquisado, denominado neste trabalho MEMBRO 1 é estudante, com 21 anos no período da pesquisa, estando na faixa do perfil de 66% da idade dos usuários. Frequenta o Fórum há cerca de dois anos, possui 1810 posts, com uma média de 2.35 posts por dia, é o mais ativo no subfórum Carros de Rua com 1406 posts, atua apenas como membro do grupo, não faz parte de nenhum outro grupo específico do Fórum. Quando foi questionado qual era o tipo de perfil dele no Fórum, explicou que depende muito da época, mas ultimamente não está muito participativo por conta da “vida corrida” (Figura 27). 161 Figura 27: Membro pesquisado 1 Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br/index.php?showuser=61513> O segundo membro pesquisado, denominado MEMBRO 2, é Analista de Sistemas, tem 38 anos. Frequenta o Fórum há oito anos, possui 1585 posts, com uma media de 0,59 posts por dia, é mais ativo no subfórum Carros de Rua, com 1137 posts, atua apenas como membro do grupo, também não faz parte de nenhum outro grupo específico do Fórum. Quando foi questionado qual era o tipo de perfil 162 dele no Fórum, explicou que é participativo, pois procura colaborar com as discussões (Figura 28). Figura 28: Membro pesquisado 2 Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br/index.php?showuser=61513> O terceiro membro pesquisado, denominado MEMBRO 3, é Advogado e dono de uma agência de carros, tem 28 anos. Frequenta o Fórum há dois anos, possui 896 posts, com uma média de 1,6 posts por dia, é mais ativo no subfórum Carros de Rua, com 670 posts, atua apenas como membro do grupo, também não faz parte de nenhum outro grupo específico do Fórum. Quando foi questionado qual era o tipo de 163 perfil dele no Fórum, explicou que é atuante, “pois estou sempre buscando compartilhar minhas experiências e trazer informações novas e preciosas ao grupo da cdr” (MEMBRO 3, 2011) – (Figura 29). Figura 29: Membro pesquisado 3 Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br/index.php?showuser=61513> Ao avaliar as respostas colhidas por meio do questionário qualitativo (Anexo 3) foi observado que os membros do Fórum são usuários virtualmente ativos, pois 164 ao serem questionados sobre qual o meio de comunicação em que costumam buscar informações e que acessam com maior frequência, a resposta foi unânime, a Internet, “pois é mais prática”, elencou o MEMBRO 2. Ao questionar se utilizam algum outra rede social na Internet, a resposta foi Facebook e Orkut “para poder ficar em contato com as pessoas que infelizmente não vejo há algum tempo” (MEMBRO 1), e Facebook e Twitter, “pois possuem opiniões de usuários” (MEMBRO 2). E o MEMBRO 3 explica que usa o twitter e MSN, inclusive comenta que usa o twitter todos os dias. Já na questão: “se acompanha algum site de notícias”, o MEMBRO 1 disse que acompanha o G136, quando questionado sobre o motivo, explica que “sem nenhum motivo específico, só é o primeiro que me vem à cabeça”, já o MEMBRO 2 explica que acompanha “diversos como G1, Jalopnik, Folha, Revista Torque, para acompanhar as novidades”. Já o MEMBRO 3 diz acompanhar o Portal Terra, Folha e Estadão. Na relação com o objeto do Fórum, o automóvel, foi questionado qual a finalidade do automóvel na vida de cada um dos entrevistados. De acordo com o MEMBRO 1: “automóveis são minha paixão, eles não tem finalidade, não são somente meios de transporte como para muitos”, o que pode explicar um dos motivos pelo qual o usuário faz parte do Fórum, já o MEMBRO 2 explica que a finalidade é para entretenimento e hobby, e o MEMBRO 3 explica que automóvel é utilizado para “Hobby, prazer, transporte e fonte de renda” (MEMBRO 3, 2011). Quanto ao acesso ao produto/automóvel na hora da compra, os usuários são questionados como se dá o acesso ao produto/automóvel antes de efetuar a compra do mesmo, o MEMBRO 1 afirma que geralmente tenta olhar o de um amigo ou vai até a concessionária fazer um testdrive, já o MEMBRO 2 explica que faz pesquisa 36 Portal de notícia http://g1.globo.com 165 na Internet e em campo, ou seja, mesmo que a Internet exerça alguma influência na hora de adquirir o produto, procuram analisar pessoalmente, até por ser um produto caro, e o MEMBRO 3 explica “trabalho num local onde posso ver, andar e entrar em 90% da frota disponível para venda no Brasil” (MEMBRO 3, 2011). Quando questionados se costumam utilizar acessórios diferenciados em seu automóvel, o MEMBRO 1 explica que “gostaria, mas o carro que uso não é meu. Quem sabe quando comprar o meu faça modificações”, já o MEMBRO 2 afirma que “sim, som, rodas, detalhes para deixar mais bonito e diferenciado” e o MEMBRO 3 comenta que tem apenas sensor de ré e câmera GO pro para filmar em HD de vez em quando, porém, este mesmo Membro diz que possui um “Volkswagen Golf GTI VR6 2003 numerado por ser série limitada (só fabricaram 99 deles no Brasil)”, afirmando de que os três membros gostariam de um automóvel exclusivo. Foi questionado o que os entrevistados levam em consideração na hora de adquirir um automóvel, para o MEMBRO 1 “Preço, qualidade de construção, ajustes de chassis/suspensão/direção, motor (desempenho, tecnologia, economia), posição de dirigir confortável, capacidade do freio entre outras coisas”, já o MEMBRO 2 explica que o que mais leva em consideração na hora de comprar um automóvel é preço, design e potencia e o MEMBRO 3 explica que “performance e tecnologia “mecânica” aliadas ao design que mais se encaixe no meu gosto”. É possível perceber a admiração que os membros do Fórum possuem em relação ao objeto de consumo automobilístico. De acordo com Chamovitz (2008), o Marketing boca a boca, as sugestões de amigos e as opiniões de outros consumidores que circulam na Internet mostram-se como formas confiáveis de propaganda global37. Nesse processo, é possível afirmar 37 Uma pesquisa de consumidor desenvolvida pela Nielsen Online, no primeiro semestre de 2009, com 25.000 consumidores da Internet, em 50 países enfatizou que de cada 10 mil consumidores de Internet no mundo, nove confiam em sugestões de pessoas conhecidas, enquanto 7 em confiam na opinião de consumidores online. 166 que as redes sociais vêm sendo muito utilizadas, especialmente, os fóruns virtuais, assumindo um papel exponencial na realidade das pessoas, quando vão adquirir algum produto ou serviço, agregando valor à organização, atividades operacionais tornam-se um ativo intangível (CHAMOVITZ, 2008). Entretanto, em termos de Publicidade, quando os Membros 1 e 3 responderam foram enfáticos ao afirmar que as propagandas não são sérias, que as empresa buscam apenas vender o produto, sem atentar à satisfação do cliente, conforme segue comentários. No quesito Publicidade e marcas, os usuários mostraram-se com opiniões distintas, quando questionados qual é a relação com a Publicidade, o MEMBRO 1 explicou que olha mas nunca acredita nelas, “pois ultimamente não são confiáveis, aprenderam que mentir é que dá dinheiro pois tem muita gente que acredita” (MEMBRO 1, 2011) e na hora de comprar um carro novo a importância da publicidade não é muita, pois segundo o MEMBRO 1: “não me iludo com propagandas”. O MEMBRO 2 explica que a admira a Publicidade, mas que não é decisiva na hora da compra, e quanto questionado novamente qual é a importância dela na hora de adquirir um produto/automóvel novo, explica que é pouca. Já o MEMBRO 3 explica que atua diretamente no comércio de vendas, então, sua relação é verbal: “no momento em que estou apresentando ou vendendo um carro” (MEMBRO 3, 2011), mas que na hora de adquirir um produto/automóvel novo explica que a credibilidade em relação a publicidade é “quase nenhuma, pois elas geralmente só querem vender seu peixe, ao invés de serem sinceras com o consumidor, esse é o mal de toda publicidade” (MEMBRO 3, 2011). A interatividade produz mudança no esquema clássico da comunicação, que se fundamenta na ligação unilateral em que o receptor é o ponto final de uma comunicação. Thompson, em 1999, já afirmou que o uso dos meios de comunicação 167 implica no desenvolvimento de novas formas de ação e interação no mundo social. A criação de ferramentas colaborativas mudou a forma de como se desenvolvem as ações criativas, no processo, mudou também a forma como os indivíduos interagem com a propaganda, justificando a reação dos Membros 1, 2 e 3. Quanto a frequência no Fórum Carros de Rua, o MEMBRO 1 costuma frequentar de 10 a 20 vezes por semana, geralmente, para comentar sobre tópicos existentes e raramente cria um tópico novo. O MEMBRO 2 “frequentava diariamente, mas agora apenas eventualmente”, costuma criar tópicos novos semanalmente e comenta sobre os tópicos existentes “sempre que pertinente”. Já o MEMBRO 3 entra “todos os dias, várias vezes ao dia”, costuma criar tópicos novos, “pelo menos uma vez por quinzena” e costuma comentar tópicos existentes, “todos os dias, em quase todos os tópicos existentes, talvez, umas de 5 a 10 vezes ao dia” (MEMBRO 3, 2011). Outro tema abordado se refere ao relacionamento dentro do Fórum Carros de Rua, o MEMBRO 1 comenta que os membros do Fórum são como uma família, mas os amigos feitos através da rede social são somente amigos online – nada vivido na realidade prática do dia a dia, por conta da distância entre eles nunca convidou ninguém para participar do Fórum, pois é o único do círculo de amigos que gosta de carros. Ao questionar o MEMBRO 2, sobre o relacionamento de amizade intrafórum, explicou que já fez colegas no ambiente virtual, ressaltando que não são amigos, mas sim colegas, mas que já encontrou diversos membros offline também. Já o MEMBRO 3 diz que já fez amigos pelo Fórum, “mas que apenas um se tornou amigo pessoal, o resto é amigo online” (MEMBRO 3, 2011). É importante ressaltar a ideia que o MEMBRO 3 tem dos colegas de Fórum, que são “amigos online”. 168 Quando questionado se já convidou alguém para participar do Fórum explicou que sim, “para aprenderem algum assunto em discussão” (MEMBRO 2, 2011). Já o MEMBRO 3 diz que já convidou pessoas de fora para participarem do Fórum, “pois lá tem muita informação boa, gente boa e trocas de experiências reais. Além disso, é um Fórum sério, de gente adulta, não tem tanto moleque causando na cdr como em outros fóruns de carros” (MEMBRO 3, 2011). Desta forma, percebe-se que há interatividade virtual, a qual se transfere para a vida prática e cotidiana dos integrantes do Fórum Carros de Rua, como no caso do MEMBRO 2 e 3. De acordo com Montez e Becker (2005), a interatividade está relacionada com a extensão de quanto um usuário pode participar ou influenciar a modificação imediata, na forma e no conteúdo de um ambiente computacional. O Fórum é um espaço aberto para conexões possíveis, composto de uma tecnologia que permite ampla liberdade para navegar, fazer permutas ou conexões em tempo real, onde o usuário pode transitar de um ponto para outro, instantaneamente, sem passar por pontos intermediários. Assim, a mensagem pode ser recomposta, reorganizada e modificada com as intervenções do receptor e das regras que comandam o sistema. Ao reporta-se à pesquisa novamente, no quesito interação os usuários mostraram-se com opiniões semelhantes em muitos aspectos, como no caso da colaboração com outros membros, na questão “o que os leva a dar opiniões para outros usuários no Fórum”, o MEMBRO 1 diz que: “gosto de ajudar as pessoas com o quê posso” (MEMBRO 1, 2011), o MEMBRO 2 explica que ao dar sua opinião a um outro membro do Fórum, está colaborando com estas pessoas para que gostem mais do seu automóvel, já o MEMBRO 3 diz que “é plantando o bem que se colhe o bem, é uma troca de ‘favores’. Além disso, não há nada mais gostoso do que falar do que você ama com quem ama a mesma coisa que você”. Sendo assim, percebe- 169 se que a colaboração mútua está presente no Fórum. Esta colaboração também pode ser percebida por outros usuários quando se direcionam em busca de alguma informação importante, conseguida com outros membros. A interação mútua proporciona invenção conjunta, de soluções temporais, para problemas que surjam durante essas interações em virtude dos fatores contextuais envolvidos. A interação reativa depende das fórmulas previstas, não é negociada, percorre um trilho previamente estabelecido (PRIMO, 2008). Segundo Primo (2008), um relacionamento nunca é exclusivo (ou único), os relacionamentos estão em constante mudança, continuam modificando os ambientes e os sujeitos da relação e adjacências. Nota-se então que as relações têm consequências, afetam todos os participantes da relação, são qualitativos. Cada relação, individualmente, apresenta características criadas pelos integrantes que as diferenciam de outras relações. Um relacionamento é uma negociação aberta, de intensidade e recorrência de mensagens, intencionalmente, sendo a Internet o meio pelo qual o internauta pode falar com o colega e vice versa, com mensagens enviadas privativamente ou coletivamente, cujo relacionamento está em permanente negociação. Cada interato redefine o relacionamento, embora ele mesmo não seja o tema do diálogo. Em relação a credibilidade, segundo o MEMBRO 1 (2011(: “eu dou muita credibilidade ao que alguns falam, não todos, pelo fato de algumas pessoas não gostarem realmente de carros ao meu ver”, mas que “a experiência, o conhecimento técnico e a vontade de ajudar de todos no Fórum” (MEMBRO 1, 2011) são importantes para dar credibilidade à outros membros do Fórum, que tentam sempre ser coerentes e ter algum conhecimento técnico agregado ao que escrevem, e apesar de acreditar que sim, não tem certeza se a sua opinião gera algum efeito em 170 outros usuários. O MEMBRO 2 diz confiar nas informações divulgadas desde que sejam claras e coerentes, que “resultados de testes e experiências dos usuários agregam as discussões e da credibilidade as informações” [SIC] (MEMBRO 2, 2011) e se o MEMBRO 2 acredita que sua opinião gera algum efeito, ele comenta que: “sem dúvida, os tópicos ensinando a fazer manutenção estimulam o aprendizado”. Já o MEMBRO 3 explica que para alguns ele dá “credibilidade 100%”, para outros não, mas decide isso de acordo com os posts “a longo prazo de cada membro, pois só depois de muitos posts que conhecemos um pouco mais de cada membro, a ponto de saber qual tem credibilidade e qual não tem” (MEMBRO 3, 2011), contudo o mais importante é “a coerência, humildade, verdade e sinceridade em cada post”. Trata-se de uma linguagem que causa transformações na composição linguística e nos modos de interação entre os usuários. Os ambientes virtuais promovem verdadeira conexão entre a oralidade e a escrita no mundo virtual. Os textos orais e escritos se aproveitam do suporte tecnológico para produzir uma espécie de arena virtual que congrega diversos recursos regados a possibilidades, incluindo a escrita, a oralidade e a imagem, quando não o som também, de modo que o internauta se torna autônomo, mediante a interação com o meio e as informações que lhe são transmitidas via tecnologia, ou seja, pelos recursos disponibilizados, explanando seus pensamentos e visualizando a explanação do pensamento de outros usuários. Quanto à importância do Fórum na hora de escolher um automóvel, o MEMBRO 1 diz que a: “opinião de alguns conta muito, de outros nem tanto. Pois são pessoas que realmente entendem de carro e gostam, dessas pessoas a opinião é muito importante” (MEMBRO 1, 2011). O MEMBRO 2 explica que o Fórum tem toda a importância na hora de escolher um carro: “pois mostra a vivência de outros donos 171 e relacionamentos com a marca” (MEMBRO 2, 2011). Já o MEMBRO 3 explica que “ler a opinião de ex-proprietários e assim conhecer um pouco mais o carro que deseja comprar” são quesitos importantíssimos na hora de adquirir um carro novo (MEMBRO 3, 2011). A troca de informações, a integração entre oralidade e escrita acontece em diversos ambientes virtuais, de forma ágil e eficiente, promove o diálogo virtual e contribui para que o internauta use sua oralidade nos mais diversificados temas, permite ao usuário interagir e acreditar no diálogo de seus pares virtuais. Na sequência foi perguntado aos entrevistados se já haviam percebido algum anunciante no Fórum, tanto o MEMBRO 1, o MEMBRO 2 quanto o MEMBRO 3 explicam que já perceberam a presença de anunciantes. Porém o MEMBRO 1 disse que simplesmente o ignorou, o MEMBRO 2, bem diferente do MEMBRO 1, disse que os respeita, que já comprou produtos de anunciantes no Fórum devido a disponibilidade de contato. O MEMBRO 3 disse que “quando eles fazem posts em local errado não dá nem tempo de responder e a moderação já migrou o post para o local certo, ou então bloqueou o acesso e então não dá mais para responder nada para o cara naquele post/tópico” (MEMBRO 3, 2011), explica que existe um lugar no Fórum apenas para estas empresas, que se não se enquadrarem no Fórum são bloqueados. O último tópico de perguntas questionou-se a utilização do “boca a boca” para a propagação de ideias, cujas respostas dos três membros demonstraram a utilização deste tipo de comunicação. O MEMBRO 1 comenta que é “um meio eficaz de obter dados reais e opiniões do dono sobre o carro que tem” (MEMBRO 1) o MEMBRO 2 diz que o “boca a boca” dentro do Fórum é excelente. Já o MEMBRO 3 diz que “acha muito boa para os membros que realmente aproveitam Fórum”. 172 Anderson (2006) concorda com os usuários ao enfatizar que a propaganda mediada pelos próprios usuários realmente funciona e a resposta dessa interação está no “fazer online” que, ao explorar formas de propaganda boca a boca, frequentemente, são substituídas pelo Marketing tradicional, com a criação de uma demanda virtual e extrai resultados otimizados dessa tecnologia. Comenta que a crença desenvolvida, pelo homem, com relação à propaganda e pelas instituições que ainda pagam a propaganda, vagarosamente está reduzindo, conquanto a crença na propaganda feita pelos próprios indivíduos em ambientes virtuais encontra-se em plena ascensão. A mesma inversão de poder está mudando em relação ao Marketing, tanto em produtos como em serviços e também em relação às pessoas. Atualmente, quem controla a mensagem não é mais a empresa, mas a coletividade. (Anderson, 2006) Para a geração de clientes que está acostumada a fazer pesquisas de compra com softwares de busca, a marca de uma empresa não é o que diz ser, a marca é o que está no Google. Assim, os novos formadores de preferência são os novos clientes do mercado. A propaganda boca a boca é uma espécie de diálogo público, desenvolvido nos blogs e nas resenhas dos clientes que são constantemente comparadas e avaliadas (ANDERSON, 2006). Para finalizar esta etapa da pesquisa foi disponibilizado um espaço para que os respondentes pudessem complementar sua opinião em relação ao Fórum. O MEMBRO 1 explica que: “este Fórum é como uma grande família que se apoia e ajuda”, que pode auxiliar as outras pessoas a gostarem e entenderem, pelo menos o básico sobre automóveis, uma “família de aficcionados por carros” [sic] (MEMBRO 1, 2011). O MEMBRO 2 comenta que: “o Fórum é um lugar para aprender e ensinar, para colaborar com o desenvolvimento da paixão dos amantes por automobilismo”, e 173 que o Fórum é uma “excelente fonte de conhecimento e entretenimento”. Entretanto, o MEMBRO 3 diz que “a troca de experiências e vivências é melhor do que qualquer propaganda ou Marketing!!! Não acredite no que você vê na TV ou escuta do vendedor de carro, acredite no testemunho e na opinião de quem já teve o carro que você quer ter” (MEMBRO 3, 2011), e finaliza explicando que acha o Fórum um lugar “sério, respeitoso e com membros de alto nível de conhecimento no assunto carros” (MEMBRO 3, 2011) Diante do que já foi exposto, utilizando-se do pensamento de Kozinets (1997) afirma-se que entre as diversas formas de aferir a confiabilidade destacam-se os critérios utilizados para a escolha de seus informantes e grupos estudados, que se referem a indivíduos familiarizados com um ambiente virtual, que se comunicam por meio de símbolos, linguagens e normas, mostrando um comportamento de utilização e manutenção de relações e interações virtuais que se congregam e garantem uma reunião temporária entre indivíduos, mesmo que sendo a distância. 5.5 ANÁLISE INTRAFÓRUM CARROS DE RUA Nesta etapa será observado o perfil (interações e rastros) destes membros dentro do Fórum. Para isso, optou-se por analisar o conteúdo das postagens e conversas com outros usuários e observar apenas os itens que pudessem apresentar resultados dentro da finalidade deste estudo, referente a participação dos membros por meio do “boca a boca” virtual. Todos os dados foram coletados através das interações ocorridas com o MEMBRO 1, MEMBRO 2 e MEMBRO 3. 174 5.5.1 A Interatividade entre os usuários Neste próximo passo o objetivo da pesquisa foi analisar a interação e a dinâmica entre os membros da rede social Fórum Carros de Rua, principal objeto de estudo. A interação entre usuários de redes sociais, além de mútua, tem um curso dinâmico, não ocorre apenas em movimentos isolados, mas proporciona integração, encontro entre sujeitos díspares, diálogo, cooperação de informação e dados, sobre objetos, equipamentos, bens mobiliários ou não, sobre tarefas, benefícios ou vantagens (PRIMO, 2008). Assim, virtualmente, embora a interação entre sujeitos contemple ou não relacionamentos meramente causais ou lineares, é verdade que a relação pode ou não estender-se para além da tela virtual. Uma interação mútua é conjunta, é mais que um movimento simplista ou uma reação determinada. O relacionamento entre usuários não depende do contexto cultural e temporal, pois obviamente cada contexto é diferente, embora haja estímulos semelhantes para casos específicos (PRIMO, 2008). Para esta análise foram utilizados os mecanismos de busca oferecidos pelo Fórum para facilitar a aquisição dos dados a serem analisados. Primeiramente, foram selecionados os tópicos mais recentes, criados pelos membros pesquisados (de dezembro de 2010 até a atual data de coleta de dados) para a análise, e filtradas as discussões mais relevantes percebidas. Após a seleção dos tópicos foram selecionados os posts em tópicos criados por outros usuários do Fórum, filtrados apenas os conteúdos mais importantes para esta pesquisa (Figura 30). 175 Figura 30: Tópicos MEMBRO 1 Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br/index.php?showuser=61513> O MEMBRO 1 possui sete tópicos, sendo quatro no Fórum Carros de Rua, dois no Fórum Fotos & Vídeos e um no Fórum Automobilismo. De acordo com os conteúdos publicados em cada post e classificação de cada assunto, foram selecionados para análise apenas três “tópicos quentes (sem novos posts)” do Fórum Carros de Rua, pelo número de interação e pelo assunto abordado. Todos os demais membros analisados nesta pesquisa, quando necessário, foram tratados com os respectivos apelidos de Membros A, B, C, D, E, entre outros. Diferenciando-os dos membros selecionados para a pesquisa. O primeiro tópico do MEMBRO 1 selecionado trata-se do lançamento de um novo motor da marca Fiat. Ressalta-se, porém, que a transcrição do conteúdo foi feita na íntegra, justificando eventuais erros de ortografia que irão aparecer na sequência. Conforme sugere a literatura, para que uma pesquisa retrate as reais vivências e culturas dos povos, a linguagem e a forma de escrita devem ser preservados. Nesse sentido, a extração do tópico do Fórum Carros de Rua tem o seguinte conteúdo: 176 Após estrear no Punto, a Fiat anunciou hoje, 22/07, que os novos motores E.torQ passam a equipar também a família Palio. A marca diz que eles têm menores níveis de ruído (em comparação aos 1.8 da GM que equipavam as versões anteriores) e, além de beber menos, são menos poluentes e possuem excelente torque em baixas rotações. A versão 1,6-litro 16V do E.torQ gera 117 cv de potência (etanol). O torque - com o mesmo combustível - é de 16,8 mkgf. Com gasolina no tanque, o novo motor 1.6 rende 115 cv e 16,2 mkgf. A versão 1.8 gera 132 cv com etanol e 130 cv com gasolina. O torque, nesta ordem de combustíveis, é de 18,9 e 18,4 mkgf, respectivamente. Além dos novos motores, a família Palio também ganhou novos tecidos nos bancos. Confira a lista dos recém-chegados: Palio Essence 1.6 16V E.torQ; Siena Essence 1.6 16V E.torQ; Palio Weekend Adventure Locker 1.8 16V E.torQ; Strada Adventure 1.8 16V cabine estendida/dupla E. torQ; Outra novidade é que as novas versões podem ser equipadas com o câmbio automatizado Dualogic. A Fiat também divulgou os preços das novas versões. Veja a lista: Palio Essence 1.6 16V flex 4P - R$ 37.990 Palio Essence 1.6 16V flex 4P Dualogic - R$ 40.330 Siena Essence 1.6 16V flex 4P - R$ 41.820 Siena Essence 1.6 16V flex 4P Dualogic - R$ 44.160 Palio Weekend Adventure Locker 1.8 16V flex - R$ 57.330 Palio Weekend Adventure Locker 1.8 16V flex Dualogic - R$ 59.300 Strada Adventure Locker 1.8 16V flex cabine estendida - R$ 47.670 Strada Adventure Locker 1.8 16V flex cabine dupla - R$ 49.870 Fonte: Car and Drive. Fiquei realmente de decepcionado com a Fiat agora, poderiam ter colocado o 1.8 no R. E aumentar um pouco a carga das molas e amortecedores, colocar umas barras estabilizadoras mais grossas, mas preferiram tirar a versão a fazer um carro que poderia ser algo mais divertido de guiar. E que não fosse somente adesivos e rodas. (MEMBRO 1, 2011). O tópico foi logo respondido por outro membro do Fórum, cuja opinião revela o pensamento desse integrante: “o brabo é pagar 60 mil num carro derivado de compacto popular e antigo, quando podemos comprar com esse valor carros médios e bem mais modernos como Focus, i30, C4 etc.”. (MEMBRO A, 2011), e seguido de outra resposta em relação aos carros da Fiat: “só pode ser piada mesmo NE [...] 70k num carro velho e cheio de plástica, ou melhor, plástico mesmo [...]” (MEMBRO B, 2011). Aí começa a discussão sobre o alto valor dos automóveis da marca Fiat, e que não vale o custo-benefício na hora de comprar um carro novo da marca, destacado pelo MEMBRO 1: “o pior que tem gente que compra” (MEMBRO 1, 2011). Mesmo com opiniões diversas, o Fórum é encerrado com 46 respostas e 3.179 visualizações. 177 Já no segundo tópico selecionado comenta: “enquanto aqui temos o Cruze, na Europa a Opel lança o novo Astra”. Em relação à isso, extraí-se que. A alemã Opel apresenta, agora por inteiro, a nova geração do hatch de três portas Astra GTC. Com estilo quase igual ao do conceito GTC Paris mostrado no ano passado no salão francês, ele não compartilha qualquer elemento de carroceria com o Astra de cinco portas e usa rodas de 17 até 20 pol para um ar mais esportivo. É diferente também nas medidas, com mais 10 mm na distância entre eixos, 40 e 30 mm nas bitolas dianteira e traseira (na ordem) e 15 mm a menos na altura de rodagem. Com interior de desenho inspirado, o modelo traz recursos modernos como monitor de distância até o carro à frente, leitura de placas de trânsito e farois com nova tecnologia para ajustar o facho às condições de uso, que consideram até mesmo a distância até o veículo adiante. São oferecidos quatro opções de motores: turbo de 1,4 litro com 120 e 140 cv, turbo de 1,6 litro com 180 cv e turbodiesel de 2,0 litros com 165 cv. O mais potente leva o GTC a 240 km/h. A linha contará com uma versão mais potente, a OPC, no próximo ano. Comentários: Bem que a gente poderia ter um carro realmente bonito como esse e com essa gama de motores e com essa tecnologia que é aplicada nesse carro. Mas é esperar demais de uma marca que vende corsa B sedã (Classic), corsa B hatch (Agile) e Corsa B Pickup (Montana MKII) em 2011. Texto retirado do Best cars. (MEMBRO 1, 2011). O interessante é destacar que, apesar da fonte não ser original do MEMBRO 1 (o próprio usuário cita a fonte), assim como no tópico anterior, o objetivo da divulgação do produto foi eficiente, pois o Fórum é finalizado com 20 respostas, gerando 676 visualizações, mesmo assim nem todas as respostas são favoráveis a sugestão do autor da mensagem. Nota-se no comentário de outro internauta do Fórum: “Feio! Prefiro o Astra brasileiro atual”. Pode-se perceber também que quando o assunto do tópico trata-se de uma crítica a alguma marca ou produto, a interação é muito maior. O terceiro tópico selecionado é mais importante para esta pesquisa, trata-se de um pedido de conselho do MEMBRO 1, para os outros usuários do Fórum Carros de Rua: Bom pessoal, meu cunhado quer trocar seu carro (Gol GII 1.0 8v 98) por um mais novo e mais equipado. Ele pode gastar de 27 a 33 mil reais no carro, 178 pode ser 0 km ou seminovo (até uns 30 mil km), já dei algumas ideias para ele, mas queria a ajuda do pessoal aqui. Ele quer os seguintes itens: - Barato de manter; - Econômico; - Com Ar condicionado e Direção Hidráulica; - Bom de motor (ele viaja de mês em mês); - Confortável. Nessa ordem,pensei nos seguintes carros: - Chevrolet Prisma 1.4 LT: Também somente seminovo, mas pode ser entre 2009 e 2010. - Fiat Siena 1.4: Com os equipamentos pedidos somente Seminovo entre 2009 e 2010. - Peugeot 207 XR 1.4: Consegue-se comprar 0 km com choro. - Renault Symbol 1.6 8v Expression: É seminovo com ano entre 2009 e 2010. - VW Gol 1.6: Com os equipamentos requisitados somente 2009. - Fiat Palio 1.4: Pode-se achar nos anos de 2009 a 2010. - Renault Sandero 1.6 8v: Também encontrado seminovo entre 2009 e 2010. - Ford Fiesta 1.6 Class: Encontrado seminovo entre 2009 a 2011. O quê vocês comprariam tendo em mente as necessidades deles, e porquê? Qualquer comentário coerente será bem vindo. Os anos e faixa de preço são com base na FIPE do carro. Abraço a todos e agradeço desde já a cooperação (MEMBRO 1, 2011). Apesar do tópico obter 26 respostas (diferente do primeiro tópico conter 46), e 1.030 visualizações, ficou comprovado que o objetivo inicial surtiu o efeito desejado. Neste mesmo entendimento, verificou-se que após várias respostas ao MEMBRO 1, um dos usuários respondentes do tópico comentou o seguinte: [...] com essa faixa de preço, com uma boa procura, é possível comprar um Honda Civic do modelo antigo, completão e tem vários em bom estado, pois são "carro de velho", com todas as manutenções feitas na autorizada, etc. Esse aí atende "quase" todos os requisitos: barato de manter (as revisões caras ocorrem a cada 40.000km), confortável (pega um automático e com banco de couro), econômico (se aí a gasolina compensar), seguro (abs, airbag) e com seguro viável. O problema é o modelo desatualizado e ano defasado. Esse eu falo com conhecimento de causa, minha mãe tem um 2002 tirado zero, com baixa km e em estado de zero. Eu frequento a autorizada honda e vira e mexe aparece um bem zerado do modelo antigo. Meu tio tem desde zero um 2001 que é usado sem dó e sem cuidados de manutenção preventiva (fica quase 30.000km sem trocar o óleo). Até hoje, só deu pau no câmbio automático. Hoje deve estar na casa de uns 250.000km. Meu tio não é de correr, anda na moral, mas não está nem aí para o carro. Diz q não se importa [...]. Claro que não recomendaria um desses para vc, mas demonstra a resistência. Fica a dica ao seu cunhado, saindo um pouco do padrão (MEMBRO C, 2011). 179 Em seguida, o MEMBRO 1 responde ao Membro C: Pessoal, muito obrigado pelas dicas. Gostei da ideia do Civic, não tinha pensado nisso Membro C, é realmente um ótimo carro, e atende perfeitamente ele, e acho que se procurar bem acha um pouco rodado, e provavelmente ele vai se apaixonar se dirigir um, assim como o Focus. Vou conversar com o meu cunhado e mostrar o tópico para ele, perguntar qual lhe chamou atenção. Vou conversar com ele para saber o quê ele acha do Civic e do Focus. E se que ele gostar vou procurar e pedir para ele procurar mais informações sobre a manutenção dos dois. Se tiverem mais ideia, algo que queiram discutir ou mais alguma informação sintam-se a vontade de postar. Abraço a todos (MEMBRO 1, 2011). Quando duas pessoas interagem as ações de cada uma ocorrem em função de ações ou reações manifestadas pela outra, do como percebem e também do próprio relacionamento. Os relacionamentos de redes sociais apresentam formas distintas de como as pessoas se comportam diante de outros participantes (PRIMO, 2008). Depois de outras opiniões o MEMBRO 1 comenta novamente: “pessoal, agradeço as opiniões. Já mostrei ao meu cunhado e ele gostou muito da ajuda do pessoal. A medida que for andando a compra dele, vou atualizando aqui para nós”, (MEMBRO 1, 2011), demonstrando assim a importância da opinião do grupo em relação ao objetivo inicial, a compra do automóvel. Convém lembrar que o MEMBRO 1, segundo as respostas do questionário qualitativo, não conhece nenhum dos membros offline, toda sua interação com o grupo é totalmente online, mesmo assim a credibilidade que ele confere ao discurso dos amigos é de extrema importância. As interações, segundo Primo (2008), também ocorrem nos ambientes virtuais, mas ostensivo para fora deles, quando duas pessoas interagem, permanecem em constante consenso, compartilham opiniões e expõem suas ideias. Acrescenta que para compreender a comunicação interpessoal o indivíduo deve 180 valer-se do processo de negociação, cujos relacionamentos podem se tornar muito íntimos, dependendo do quanto os interagentes revelam de si, da intensidade e da recorrência das mensagens. Nos discursos que acontecem por meio da troca de informações que a Internet proporciona há a integração e harmonia entre a oralidade e a escrita, assunto estudado anteriormente na literatura de Primo (2008) e também no primeiro capítulo do presente trabalho, o qual trata do diálogo virtual que favorece a abertura para que estes internautas usem tanto da oralidade, da simbologia, como da escrita e da fala, utilizando a palavra, o som e a imagem, quando a tecnologia permite. Para a análise do MEMBRO 2, através do mecanismo de busca que o Fórum oferece os tópicos existentes, os tópicos existentes também foram pesquisados . Como resultado foram obtidos oito tópicos, sendo quatro no Fórum Carros de Rua, dois no Fórum Off-topic e dois no Fórum Fotos & Vídeo. Assim como o MEMBRO 1, também foram selecionados apenas os “tópicos quentes (sem novos posts)” e apenas tópicos com conteúdos relevantes para esta primeira análise (Figura 31). Figura 31: Tópicos MEMBRO 2 Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br/index.php?showuser=61513> 181 O primeiro tópico selecionado, com 30 respostas e 823 visualizações, intitulado “Pequena Dúvida – Qual comprar?”, nas suas palavras e linguagem própria o MEMBRO 2 explica: Vou trocar de carro e me bateu uma dúvida atroz, que é melhor que uma dúvida atrás!! hehehehe Quero um carro até 50K e que tivesse pelo menos ABS ou airbags. Surgiram: 1- New Fiesta: com abs só, branco, 50K. Prós: estilo, motor condizente e o fato de ser novidade. 2- Focus GL: só airbags. 50K também. Prós: o bom e velho Focus de sempre, espaço interno, etc. Contra: motor 1.6 que não sei se dará conta do recado com o peso do carro. 3- Mégane Grand Tour Dynamique 1.6: completaça, 49K. Prós: espaço interno e preço. Contras: estilo antiquado, mico na revenda e motor fraco. 4- Cielo hatch: completo, 44K. Prós: preço, estilo e equipamentos. Contra: tudo que pode acontecer de ruim com um chinês, como desvalorização, problemas, etc. To indo mais nessa ordem mesmo, pois o Fiesta tem segurança ativa e o Focus passiva. Então? Que fariam, só com essas opções. Nada de usados ou outras opções. Abraços! (MEMBRO 2, 2010). Seguido de várias respostas feitas por outros internautas, usuários do Fórum Carros de Rua, porém, apesar de várias opiniões de outros membros, o tópico acabou finalizando sem nenhuma resposta, apenas com o seu último post comentando os prós e contras de vários modelos/marcas de automóveis. Entretanto, foi só no próximo tópico que se percebe que o MEMBRO 2 acabou tomando uma decisão diferente da recomendada pelos colegas do Fórum já no título do tópico: “Vou ser Cobaia – Comprei um Chery Tiggo”. Buscando um carro novo pra patroa, me vi em uma sinuca de bico. Haviam poucas opções, já que só compro carro zero, ela queria um estilo jipinho e que coubessem nossa família e tralhas, e o teto teria que ser 60k no máximo. Fomos ver o Aircross. Era pequeno pra nossa família e caro (60K o GLX sem ABS). Parti pro Tucson. Servia, mas o preço era a partir de 67 com cambio manual. Ficou acima do meu teto. Ecosport não dá por causa do tamanho diminuto. Daí me lembrei do Tiggo. Fomos lá ver. Minha mulher se apaixonou. 53K completo de tudo. Com mais 1800 me deram couro, frisos, estribos, protetor de carter e IPVA. Pensei na desvalorização. Lembrei que os meus dois carros se desvalorizaram muito, mesmo sem serem chineses (Picasso e Sentra). Pensei em possíveis defeitos. Lembrei que já tive problemas graves com GM e VW, e leves com todos os outros fabricantes. Li sobre ele na Internet, vi os comparativos. Nada que 182 desabonasse totalmente. Eu iria dar o Picasso. O máximo que me ofereceram, mesmo na Citroen, foi 26K. Um zero se compra por 52K. Em 3 anos, perdi 50%. Então, mico por mico, dessa vez eu tento outro. Sendo que o Tiggo tá vendendo mais que muitos carros e com pequena rede de concessionárias, ainda. O que vocês acham? Arriscariam, como fiz? Sei que vai mudar o modelo, mas isso não vai ser tão rápido. Sei que vai desvalorizar. Sei que muitos vão me chamar de louco por dar 53K num chinês. Lembro só que não adianta querer dizer que dava pra comprar Soul, Focus, Cerato e outros. Estes não serviam pra minha patroa e é muito melhor ver ela feliz com o Tiggo do que infeliz com todos os outros. Mas digo uma coisa: estão vendendo e vão vender muito mais desses chineses. Nas vezes que estive na concessionária haviam muitas pessoas olhando os carros e outras fechando negócio. E digo uma coisa: compraria um Cielo facilmente. O carro é muito legal e bem acabado (MEMBRO 2, 2011). Seguindo de várias respostas, inclusive da resposta do MEMBRO 1, que parabeniza o MEMBRO 2 pela compra do carro: “Parabéns [...] por sua coragem [...] você deixou a patroa feliz e não precisa se preocupar com o carro caso dê algum problema, pois vc tem 2 e nunca ficarão sem carro” (MEMBRO 1, 2011). O interessante é destacar a alta interação que o tópico produziu, apresentando 69 respostas e 3.398 visualizações, principalmente, porque os outros usuários gostariam de saber o retorno do MEMBRO 2, em relação a um carro novo no mercado, do pressuposto que integrantes que apenas visualizaram o tópico também tiveram interesse em saber a opinião de quem o comprou. Para a análise do MEMBRO 3, através do mecanismo de busca que o Fórum oferece, os tópicos existentes também foram pesquisados. Como resultado, foram obtidos doze tópicos, sendo sete no Fórum Carros de Rua, dois no Fórum Offtopic, dois no Fórum Automobilismo e um no Fórum Preparação. Assim como para o MEMBRO 1 e 2 também foram selecionados apenas os “tópicos quentes (sem novos posts)” e apenas tópicos com conteúdos relevantes à análise (Figura 32). 183 Figura 32: Tópicos MEMBRO 3 Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br> O primeiro tópico selecionado, entre os que apresentam as maiores interações até o momento, contou com 124 respostas e 5.274 visualizações, intitulado “Golf Iv GTI ou Audi S3 – Dúvida Persistente” no qual o MEMBRO 3 explica: Fala pessoal, [...] Recentemente um amigo meu que acompanhou toda a trajetória do meu Audi A3 me fez uma oferta IRRECUSÁVEL nele, pois já está procurando um A3 Turbo mecânico desde outubro e só acha porcaria por aí ou então não confia no carro pra pagar o que pedem. Como ele sabe da qualidade do meu A3, e o quanto eu cuido do carro ele fez questão de me convencer ($$$) a vender pra ele!!! [...] Diante disso, estou a pé e à procura de um novo bolido de rua que me satisfaça, ou seja, ESPORTIVO!!! Comecei a procurar e já fui ver praticamente todos os anunciados no mercado e continuo com dúvidas, por isso queria saber a opinião do pessoal e se tiverem experiências pra somar ou conselhos para me dar, eu fico muito agradecido! [...] o Golf VR6 estou achando eles muito mais inteiros e conservados por isso são mais fáceis de encontrar na faixa de 50k! Além disso são numerados o que faria a valorização do carro ser muito subjetiva mediante ao estado dele, por isso uma possível revenda daqui alguns anos seria muito mais rentável do que a do S3. Isso sem contar que é um NUMERADO, exclusivo no meio de 99 produzidos na AMERICA LATINA inteira! [...] Queria saber se alguém já fez ou teve a chance de vivenciar um VR6 com o Chip da FUNARI para me dizer as impressões e diferenças quanto ao standard de fábrica! 184 Por fim, a questão que mais me deixa na dúvida é a retomada de velocidade!rsrsrs Com os 150cv e 24kgmf no A3 a retomada para andar no transito de SP principalmente nas marginais era excelente pois vinha a 80km/h a 2mil rpm de 5marcha e era so cutucar para ultrapassar de quinta levando o giro de 2mil para 3000 e poko num piscar de olhos fazendo que a velocidade fosse de 80km/h para 110km fácil fácil sem ao menos exigir redução de marcha! Qual dos dois candidatos vai me satisfazer mais nessas situações de retomada urbana? Grande abraço a todos (MEMBRO 3, 2011). Neste comentário o MEMBRO 3 expõe sua dúvida em relação ao automóvel que pretende adquirir, em que apresenta dois modelos pré-selecionados, colocando os prós e contras de cada modelo. Depois de algumas discussões e opiniões o MEMBRO 1 comenta: Sei que não está na lista, mas um Impreza 2.0~2.5 WRX não te agrada? Pois tem tração permanente com diferencial central motor boxer de 210~220 cvs, o único, porém, é o cambio de "somente" 5 marchas, o de 6 marchas é da versão STI, e o interior que não é tão bom quanto o do Audi, mas está em pé de igualdade com o do Golf. E pelo preço que você está disposto a pagar dá para pegar um e ele é consideravelmente mais fácil de achar inteiro que o Audi. E tem um conjunto mais refinado que o VW. (MEMBRO 1, 2011) Seguido da resposta do MEMBRO 3. Puts [...] não me fale em WRX ou STI, são sonhos de consumo !!! rs Mas infelizmente ainda não eh o momento de ter um! Esse sim tem manutenções mais do que pesadas [...] sem chance de manter no momento! So jogo de pastilhas eh mais de 1k!!! E por ai vai!!! Não tem mto o que falar do conjunto desses carros [...] so o fato do WRX/STI Hatch ter 7 reservatórios de gasolina espalhados por baixo do carro para o peso ser sempre igual em todos os lados já demonstra a altíssima tecnologia empregada no projeto!! REALMENTE UM SONHO! O S3 continua mesmo sendo a opção pessoal, mas o "negocio" eh q vai fazer a escolha por mim! To em negociações e pesquisa... (MEMBRO 3, 2011) O MEMBRO 2 também da sua opinião perguntando se não é possível adquirir um automóvel da marca Subaru com o valor pretendido, porém o MEMBRO 3 explica que não, pois todos eles passam do valor que o usuário pretende gastar. 185 Apesar da discussão ter gerado 124 posts, o discurso do MEMBRO 3 não relatou a decisão de qual carro iria comprar, porém, a maioria dos posts indicaram que o usuário deveria comprar o modelo Golf, ao invés do modelo Audi. Assim, pode-se constatar que as sugestões fizeram efeito, pois na pesquisa qualitativa o MEMBRO 3 relatou que possui este veículo preferido pela maioria das respostas. Outro tópico interessante, desta vez com o intuito de divulgar um produto, foi o “Será que a Renault sabe fazer carro bom? – Isso que é teste de marca” conforme Figura 33. Figura 33: Grafismo (boneco sorrindo) Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br> Valer-se do grafismo usado na mensagem é um recurso de linguagem que, utilizando-se do símbolo de um boneco sorrindo, representa uma comunicabilidade concordante, de acordo, transmite alegria, representa um sorriso, característica utilizada pelos membros através da Internet para demonstrar a oralidade dentro deste ambiente virtual. Verifica-se nos argumentos já descritos, que a interação física do mercado torna-se virtual, oferece acessibilidade total ao cliente, para produtos e serviços, em 186 qualquer hora/local, possibilita efetuar compras personalizadas, certas e valoradas, tanto em volume, quanto em formato de produto ou serviço, disponibilizando informações em tempo real sobre o produto consumido e acesso a uma central de pós-vendas de maneira eficiente (LAPOLLI e GAULTHIER, 2009). Para a segunda parte da análise foram selecionados alguns posts em tópicos criados por outros usuários diversos, a fim de afirmar a resposta no questionário qualitativo, sobre a importância de oferecer ajuda a todos no Fórum e demonstrar sua opinião em relação ao produto/automóvel. Pode-se perceber o interesse mútuo no tópico, em que um membro questiona sobre qual é o melhor carro a adquirir, se um 307 Feline ou um Sentra S1. A interação dos dois Membros foi unânime com a resposta do MEMBRO 2: “Sentra, com certeza! Até por ser um carro mais atual. 307 sai de linha agorinha [...]” (MEMBRO 2, 2011) e o comentário do MEMBRO 1 finaliza a ideia: “eu iria de Sentra SL, é um projeto mais moderno, tem um câmbio maravilhoso, o interior achei muito bonito e bem acabado” (MEMBRO 1, 2011). Da mesma forma, o interesse em ajudar outros usuários é percebido no Tópico “Carro de até 100K (Mulher) – Colega quer trocar de carro”, no qual o internauta comenta que uma colega solteira, proprietária de um Ecosport quer trocar de carro e pode gastar até, no máximo, R$: 100.000,00, pede sugestões a outros membros e o MEMBRO 2 comenta: “Tiguan, ASX, Sportage ou IX35. Sorento eh mto grande”. Outro importante comentário que deve ser ressaltado é a critica mútua feita pelos usuários, os quais, com opinião semelhante, manifestam quando se sentem prejudicados por um motivo qualquer, ou o apoio mútuo que dão aos colegas quando algum deles se sente prejudicado. Pode-se perceber esse tipo de prática no 187 Tópico “Caoa tenta enganar os consumidores mais uma vez. Agora com o Veloster” no qual o usuário fica indignado com a empresa que diz vender uma coisa, mas na hora de comprar o produto/automóvel, o que prometeram, não vem com os detalhes divulgados pela campanha publicitária. O primeiro a responder o tópico foi o MEMBRO 1 e explicou que se a pessoa se sente enganada não deve comprar o automóvel. Só dou uma dica pras pessoas que se sentem enganadas. NÃO COMPREM!! É só encalhar nas vendas que eles mudam de postura, mas ficam reclamando e todo semestre batendo recorde de vendas, joinha pra eles. Cant, vc pagaria 70 mil num carro 1.6 com 130 cvs e que ainda não vem com os itens que são anunciados na propaganda? Se é pra ficar na CAOA pelo menos compre um empresa. Tem tantas outras opções como um Focus Titanium, Bravo T-jet e C4, exclusive. Com qualquer um deles vc terá o mesmo com mais motor e menos enganação (MEMBRO 1, 2010). Já o MEMBRO 2, ao compartilhar criticamente sobre o produto comenta o seguinte: “Sacanagem! De onde arrumaram esse motor? É o mesmo do Cerato e Soul? E com IPI alto, esse carro vai micar total! Vai subir uns 25%!” (MEMBRO 2, 2010). 188 CONCLUSÃO Este dissertação teve como objetivo final estudar a propaganda mediada pelos próprios usuários dentro de fóruns virtuais e, mediante os diversos autores consagrados, na área da oralidade falada e escrita, comunicação, tecnologia e ciências afins, levou a concluir que: Inicialmente, com a Oralidade Primária e Secundária, a comunicação mostrou-se íngreme, embora atendendo as necessidades dos sujeitos, povos, comunidades e grupos, nas diferentes épocas, evolui para uma comunicação mais centrada e tecnológica, assessorada por símbolos, som, imagem, tecnologia eletroeletrônica, informática, sinais e codificação, enriquecendo as formas de transmitir a mensagem e também os conteúdos nela presentes, permitindo que o leitor compreendesse com maior qualidade, velocidade, integridade e eficácia – levando com que a mensagem entre emissor e receptor se torne um instrumento de extrema importância sobre o foco da Comunicação, Marketing, Publicidade, Propaganda, no campo da Administração, das Ciências Humanas e das Letras, entre outros. Em meio à abordagem de sucessivos acontecimentos e invenções é possível afirmar que o desenvolvimento dos múltiplos processos que permitiram o surgimento da Oralidade Primária, transpondo-se à Cultura Escrita até chegar à Oralidade Secundária, trazendo em seu bojo a oralidade em si. Qual seja, do diálogo, da conversa, da mensagem verbalizada, da escrita, da virtualidade, transmitida por símbolos ou com o auxílio de imagens e campos eletrônicos, som e cores, gradativamente se inseriram no contexto cibercultural, cujo espaço, ambiente ou o local onde acontece a comunicação entre os usuários de redes sociais, nesta 189 pesquisa, foi denominado ciberoralidade, entendido como a mescla entre o campo virtual, globalizado, da comunicação em tempo real e a oralidade. Entretanto, antes, as citadas fases históricas, bem como as fases neocontemporâneas e contemporâneas permitiram chegar à uma cultura digital, vivida na atualidade, no cotidiano, em que a mensagem é emitida e distribuída em massa, em curto espaço de tempo, de um lado para outro do mundo, com propriedades e velocidade jamais atingidas anteriormente, nem mesmo imaginada pelo homem que vivia há algumas décadas. Nesse contexto, a percepção dos espaços virtuais, muito especialmente dos fóruns virtuais abriu questionamentos sobre a eficácia desse instrumento de comunicação entre sujeitos ou usuários, sendo o mesmo. Dentre eles, este estudo procurou saber por que o usuário virtual acredita em algo sem proximidade dele, o que conduz esse sujeito a acreditar em recomendações ou respostas postadas em fóruns virtuais, feitas por outros usuários ou integrantes de comunidades virtuais, sem mesmo conhecê-los, ao passo que poderia dar credibilidade em pessoas próximas e mais confiáveis, tal como membros da família, empresa ou amigos próximos, ou mesmo na publicidade que circula pelas diversas mídias, como televisão, jornal, revistas, rádio, mensagens via telefone ou via celulares, entre outros recursos disponíveis às empresas que procuram divulgar seus produtos ou serviços. Para esse questionamento, esta pesquisa, por meio do estudo e análise, utilizando-se da netnografia enquanto técnica de pesquisa e análise de conteúdo tornou possível responder tais inquietações ao final destas considerações. Através da análise do Fórum Carros de Rua, principal objeto de estudo deste trabalho ficou claro que os integrantes de redes sociais participam e interagem no contexto virtual à uma escala que não foi projetada pelo homem que nasceu há 190 algumas dezenas de anos. Tal movimento se apresenta sob forma de propaganda virtual mediada, pois abordam, discutem, perguntam, questionam, avisam, recomendam, sugerem ou alertam seus pares virtuais e toda a rede, por meio da participação integrada, sobre qualidade, marca, performance, vantagens e desvantagens de determinado produto, serviço ou empresa. Assim, pode ser considerada um tipo de propaganda mediada, sobre produtos, serviços ou empresas. E, caso os integrantes dos fóruns estejam abertos à discussão, participando ativamente de debates e interajam com outros usuários, a comunicação pode ser aberta, clara, funcional, livre e fluente, servindo para que os usuários integrantes do Fórum transportem essas informações para a vida prática, no momento da compra de um automóvel, por exemplo, estando alerta em termos de preço de mercado, qualidade, funcionalidade, estética, potencial de motor, entre outros. Entretanto, caso permaneçam omissos ou neutros frente aos comentários sobre produtos ou serviços ofertados, talvez, invalidem o recurso enquanto instrumento de eficácia no meio comunicacional, especialmente, em torno do mercado para o qual o Fórum é dirigido. Entretanto, neste estudo, o que se percebeu no comportamento desses integrantes foi que frente à compra ou à venda de um produto ou serviço mostraram-se esclarecidos, cujas dúvidas foram sanadas por outros usuários do mesmo Fórum virtual, no caso, o Fórum Carros de Rua. O diálogo mantido entre os integrantes de redes sociais exerce preponderante influência na decisão e na aquisição de determinado produto ou serviço, ou ainda na contratação, na vida prática de grande maioria desses sujeitos, pois ao compreenderem a linguagem e a comunicação utilizada na rede beneficiam a si e beneficiam aos demais que ali circulam em busca de respostas, como ficou muito claro no presente estudo. 191 O problema de pesquisa levantado - que tratou de analisar se o diálogo mantido entre os usuários de fóruns virtuais contribui na tomada de decisão da compra de automóveis, pelo usuário, em redes automobilísticas ou de particulares levou a compreender que esses sujeitos realmente são beneficiados pelo diálogo mantido, especialmente, porque são alertados antecipadamente quando à eventuais problemas operacionais, mecânica, estética, tamanho, conforto, preço, condições e prazos, quando de sua aquisição, ou ainda na fase de pesquisa, evitando que caiam em armadilhas de empresas ou de pessoas mal intencionadas, que procuram lesar os sujeitos que circulam pelo mercado de produtos ou serviços. Assim, através do que foi colocado por outros usuários nos fóruns, o usuário poderá ser antecipadamente avisado pelos demais, ocorrendo aí o processo de mediação (interação), de modo que os usuários exercem influência na aquisição de um produto ou serviço, fato que pode ser confirmado no site Carros de Rua. O que se pôde constatar foi que em relação ao Marketing boca a boca, as sugestões de amigos e as opiniões de outros consumidores que circulam na Internet mostram-se como meios confiáveis de propaganda global e muito mais, por ser uma propaganda mediada. O diálogo mantido por meio de redes sociais vem sendo muito utilizado, especialmente, entre fóruns virtuais, assumindo um papel exponencial na vida cotidiana dos sujeitos que, ao adquirir um produto ou serviço, mediante diálogo virtual travado, agregam valor ao bem e à organização. Embora as empresas tentem apenas vender determinado produto, o consumidor atual está de sobre alerta, no sentido de evitar cair em golpes ou fraudes. Dessa forma, as empresas devem atentar para satisfação do cliente. 192 Em relação aos resultados do Fórum Carros de Rua é possível concluir que o usuário participa e interage no contexto virtual utilizando a propaganda mediada, cuja participação pode ser considerada um tipo de propaganda sobre produtos ou serviços e os integrantes dos fóruns estão abertos para discussão, participam dos debates com outros usuários. Contudo, em alguns casos, permanecem omissos ou neutros frente aos comentários sobre produtos ou serviços ofertados. De igual forma, outros pontos foram percebidos, como: i. As conexões entre os usuários acontecem dentro do Fórum a partir do momento que conseguem discutir assuntos análogos; ii. Os usuários “quase” não conferem credibilidade à publicidade e sim aos usuários do Fórum, principalmente, por estar dentro desse ambiente para discutir o produto, ou seja, se o usuário está no Fórum discutindo sobre determinado produto e solicitando a opinião de outros membros é porque existe credibilidade em relação aos outros membros; iii. Existe forte procura em relação à opinião de outros membros, em se tratando da aquisição de um produto novo; iv. Também existe uma opinião muito forte quando há preocupação com o outro ator (nó) ou membro para que faça a melhor escolha, já que não quer enganar a si próprio, não quer que os colegas também o sejam; v. Apesar da pesquisa quantitativa falar que apenas 38% frequentam o Fórum todos os dias, em busca informações via Fórum, durante a pesquisa qualitativa percebeu-se que o 193 usuário busca de modo intensivo a opinião de seus colegas de Fórum; vi. Finalmente, conclui-se que a observação, dentro dos Fóruns é mais comum, comparativamente à interação, que é variável de acordo com o número de visualização nos tópicos existentes. Assim, volta-se à ideia que poucos indivíduos são criadores de conteúdos. Apenas um grupo um pouco maior interage online. Outro grupo apenas visualiza o conteúdo e suas consequentes influências, porém, não posta mensagem no Fórum; vii. Na pesquisa, os dados mostraram que 71% costumam participar de tópicos já existentes, contra 29% que criam seus próprios conteúdos. Assim, as visualizações são sempre muito maiores que o total de posts no Fórum, conforme os resultados da pesquisa qualitativa mostraram; viii. As pessoas procuram sempre divulgar um produto de interesse próprio, quando é positivamente útil, econômico, tecnológico ou confortável, muitas vezes a interação é baixa, porém, quando é para “falar mal” de um produto, a interação é muito maior; Conclui-se, finalmente, que os usuários entram no Fórum em busca de informações sobre pessoas que já utilizaram determinado produto, fato que dá maior credibilidade no momento de consumir ou adquirir certo produto. Pois se as pessoas que já usaram o produto podem expressar sua opinião faz com que exerçam influência para a melhor escolha possível, dentro de um contexto de propaganda mediada pelo computador, uma vez que a publicidade, enquanto método para atrair o cliente, tem sido considerado um recurso enganoso para muitos dos usuários e 194 uma infinidade de outros clientes extra-fórum. Ademais, afirma-se como derradeiro que a propaganda boca a boca é muito forte neste ambiente, tendo grande poder na tomada de decisão do consumidor. 195 REFERÊNCIAS ALBUQUERQUE, Marcelo Portes de; ALVES, Nilton; GIOVANNI, Marcelo. Computação Distribuída de Alto Desempenho. Aula 2. Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas. VI Escola do CBPF, Rio de Janeiro. 17 a 28 de julho de 2006. AMARAL, A. Autonetnografia e inserção online. O papel do pesquisador-insider nas subculturas da web. In: Anais do GT Comunicação e Sociabilidade do XVII Encontro Anual da Compos. São Paulo, 2009. Disponível em: http://www.compos.org.br/data/biblioteca_315.pdf Acesso em 15 out 2011. AMARAL, Adriana; NATAL, Geórgia; VIANA, Lucina. Netnografia como aporte metodológico da pesquisa em comunicação digital. Porto Alegre, n. 20, dezembro 2008, p. 34. 40, Famecos, RS. ANGROSINO, M.; FLICK, U. (Coord.). Etnografia e observação participante. Porto Alegre: Artmed, 2009. ANDERSON, Chris. A cauda longa: A nova dinâmica de marketing e vendas: como lucrar com fragmentações dos mercados. 6ª Edição. Rio de Janeiro: Elsevier / Campos, 2006. ANTOUN, Henrique. Web 2.0. Participação e vigilância na era da comunicação distribuída. Rio de Janeiro: Mauad X, 2008. AZEVEDO, W. E-Learning como elemento de integração no processo educacional. Fórum Internacional de Tecnologia para Gestão de Pessoas como parte da programação do XXVII Congresso Nacional da Associação Brasileira de Recursos Humanos. (2002). Disponível em <http://www.aquifolium.com.br/educacional/artigos/palestra.html>. Acesso em 20 out. 2010 Bardin, L. Análise de Conteúdo. Lisboa, Portugal: Edições 70, 1977. BRESSAN, Flávio. O método do estudo de caso. Prática, pesquisa, ensino. Vol. 1, n. 11, janeiro/fevereiro/Março, 2000. FEA-USP. BARABÁSI, Albert. Linked. How Everything is Connected to Everything else and What it means for Business. Science and Everydai Life. Cambridge: Plume, 2003. 196 BARRÉRE, Eduardo; ESPERANÇA, Cláudio. Interatividade: definições e desafios (2010). Disponível em: < orion.lcg.ufrj.br/seminarios/interatividade.ppt >. Acesso em 13 mar 2011. BILL, Yenne. 100 homens que mudaram a história do mundo. São Paulo: Ediouro, 2004. BLANCHARD, A.; MARKUS, M. L. Sense of virtual community – Maintaining the experience of belonging. Retrieved 11, march, 2004. CAVALLI, Janaina. Catarinense usa redes sociais para cobrar Renault e consegue acordo. (2011). Depois que seu carro zero parou de funcionar Daniely Argenton criou o site Meu carro falha. Disponível em <http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&local=18§ion= Geral&newsID=a3249773.xml>. Acesso em 22 mar 2011. CASTELLS, M. The power of identity: the informations age: economy, society and culture Oxford: Blankwell, 2004, v. 2. CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede: A era da informação: economia, sociedade e cultura. 12. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2009. CHAMOVITZ I. Fórum de discussão: Ativo Intangível Utilizado No Apoio a Atividades em Processos De Produção e Implantação De Software. XV Simpósio de Engenharia de Produção (SIMPEP). 10-12 de novembro, 2008. Bauru, São Paulo, Brasil. CIPRIANI, Fabio. Blog corporativo (2010). http://www.blogcorporativo.net>. Acesso em 13 out 2010. Disponível em CORREIA, Ana Isabel Pinto; NUNES, Sérgio Sobral. Semantic Web. (2002). Disponível em: http://paginas.fe.up.pt/~mgi01016/ari/mcr_final.pdf COSTA, Janete Santer; MEHLECKE, Querte; REICHERT, Clóvis Leopoldo. Movimentos da Oralidade nas interações escritas em um ambiente virtual de aprendizagem: Novos efeitos de sentido e autoria. (2005) 197 FLORIDI, Luciano. Web 2.0 vs. the Semantic Web: a philosophical assessment. (2008). Disponível em <http://www.philosophyofinformation.net/publications/pdf/w2vsw.pdf>. Acesso em 20 dez. 2010 FELINTO, Erick. Sem mapas para esses territórios: a cibercultura como campo do conhecimento. In: FREIRE FILHO, João e HERSCHMANN, Micael (orgs). Novos rumos da cultura da mídia. Indústrias, produtos, audiências. Rio de Janeiro: Mauad, 2007. FRAGOSO, Suely; RECUERO, Raquel; AMARAL, Adriana. Métodos de pesquisa para internet. Porto Alegre: Sulina, 2011. GALVÃO, Ana Maria de Oliveira; BATISTA, Antônio Augusto Gomes. Oralidade e escrita: uma revisão. Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. Cadernos de Pesquisa, v. 36, n. 128, p. 403-432, maio/ago. 2006. GEERTZ, C. Nova luz sobre a antropologia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. GIL, A.C. Estudo de caso. São Paulo: Atlas, 2009. GIUCCI, Guillermo. A vida cultura do automóvel: percursos da modernidade cinética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004. GONÇALVES, Maria Eduarda. Direito da informação: novos direitos e formas de regulação na sociedade da informação. Coimbra/Portugal: Almedina, 2003. GONÇALVES, Nuno João Fragueiro. Semantic Web. (2008). Disponível em: <http://nunojfg.angelfire.com/Artigo_SemanticWeb_44371.pdf>. Acesso 21 jan 2011. GRECCO, Alexandro. O que esperar do futuro da Internet. Ano 2, 2ª Edição. Publicação do Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2010. HAEGEL, J.; Marketplace. Net Gain: Expanding markets through virtual communities. Journal of Interactive Marketing, Volume 13, Number I, winter 1999. p. 57. 198 HERRYS, Daniel. Web 2.0 evoluation into the intelligent Web 3.0: 100 Most asked question on transformation, ubiquitous connectivity, network computing, open technologies, open identity. Distributed Databases and Intelligent Applications. Australia: Emereo Publishing, 2008. HILGERT, José Gaston. A construção do texto "falado" por escrito: a conversação na internet. 6. ed. São Paulo: Humanitas, 2006, p. 17-55. Vol. 4 NURC/SP – Núcleo USP. HINE, Christine. Virtual Ethnography. Thousand Oaks, CA: SAGE Publications, 2000. HINE, C. Virtual Methods and the Sociology of CyberSocial-Scientific Knowledge. In: C. HINE (org). Virtual Methods. Issues in Social Research on the Internet. Oxford: Berg, 2005. Internet Glossário. Disponível em http://www.cultura.ufpa.br/dicas/net1/intglo.htm>. Acesso em 15 out 2010. < JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. São Paulo: Aleph, 2009. JOVANOVIC, J. Semantic Web - State of the Art and Future Directions, Informatics Belgrade, Serbia (in Serbian) (invited speech), 2010 KOZINETS, R. V. On netnography: Initial Reflections on Consumer Research Investigations of Cyberculture. Evanston, Illinois, 1997. KOZINETS, Robert V.(2006) Netnography. Doing Ethnography research online. London: Sage. Disponível em: < http://books.google.com.br/books?hl=ptBR&lr=&id=QNDaeutR9v4C&oi=fnd&pg=PR6&dq=%23+Netnography+Kozinets,+Ro bert+V. +%28Sage,+London,+2006%29&ots=w4vPnyhPSn&sig=1yXOxOv3KqqhjL2aZ_B1tr zBWE#v= onepage&q=%23%20Netnography%20Kozinets%2C%20Robert%20V.%20%28Sage %2C%20L ondon%2C%202006%29&f=false>. Acesso em: Agosto/ 2011. KOZINETS, Robert V. Netnography 2.0. In: R. W. BELK, Handbook of Qualitative Research Methods in Marketing . Edward Elgar Publishing, 2007. 199 KOZINETS, Robert V. On netnography: Initial Reflections on Consumer Research Investigations of Cyberculture. Evanston, Illinois, 1997. KOZINETS, Robert V. The Field Behind the Screen: Using Netnography for Marketing Research in Online Communities. 2002. Acesso em 05/08/2011, disponível em http://www.marketingpower.com/content18255.php LAPOLLI, Mariana; GAUTHIER, Fernando Álvaro Ostuni. Publicidade na era digital: um desafio para hoje. Florianópolis: Pandion, 2008 LEE, Berners T.; HENDLER, J.; LASSILA, O. The Semantic Web. Scientific American, may, 2001. LEMOS, André. A apropriação, desvio e despesa na cibercultura. In: MARTINS, Francisco Menezes; SILVA, Juremir Machado (orgs.). A genealogia do virtual: Comunicação, Cultura e Tecnologias do Imaginário. 2. ed. Porto Alegre: Sulina, 2008, p. 171 – 189 ______, André. Anjos interativos e retribalização do mundo: sobre a interatividade e interfaces digitais, 1997. Disponível em: <http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/lemos/interativo.pdv>. Acesso em: 15 de janeiro de 2011. ______, André. Cibercultura: tecnologia e vida social na cultura contemporânea. Porto Alegre: Sulina, 2002. LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Edição 34, 1999. _____. O que é o virtual? São Paulo: Edição 34, 1996. _____. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro: 34, 1993. LIPNACK, R. J.; STAMPS J. Virtual teams: reaching across space, time and organizations with technology. New York: John and Sons, 1997. MAIA, Rousiley C. M. Redes Cívicas e Internet: Do ambiente informativo denso às condições da deliberação pública. In: EISENBERG, JOSÉ; CEPIK, Marco. (orgs.) 200 Internet e política: Teoria e Prática da Democracia Eletrônica. Belo Horizonte: UFMG, 2002. MALHORTA, Naresh K. Pesquisa de Marketing: uma orientação aplicada. 4. ed. São Paulo: Bookman, 2006. 720p. Disponível em <http://books.google.com.br/books?id=FtdIFOgTP8UC&printsec=frontcover&source= gbs_v2_summary_r&cad=0> Acesso em 10 jul 2009. MANSBRIDGE, Jane. A conversação cotidiana no sistema deliberativo. In MACEDO, Stephen (ed.). Deliberative Politics: essays on democracy and disagreement. Trad. Ângela Marques. Oxford: Oxford University Press, 1999, p. 211-239. MATTHEWS, Brian. Semantic Web Technologies. (2005). Disponível em: <http://www.jisc.ac.uk/uploaded_documents/jisctsw_05_02bpdf.pdf.> Acesso em 07 out. 2010. MEIRINHOS, M.; Osório, António J. 2009. "Las comunidades virtuales de aprendizage: el papel central de la colaboración", PixelBit. Revista de Medios y Educación, 35: 45 - 60. MILLER, Daniel. Car Cultures. Oxford: Berg, 2001. MILLER, Daniel; SLATER, Don. Etnografia on e off-line: Cibercafés em Trinidad. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, ano 10, n. 21, p. 41-65, jan./jun. 2004. MONTEZ, Carlos; BECKER, Valdecir. TV digital interativa: conceitos, desafios e perspectivas para o Brasil. 2. ed. Florianópolis: UFSC, 2005. MOWSHOWITZ, A. A virtual organization. Communication of the ACM, v. 40, n. 9, p. 30-37, 1997. MUNIZ, Eloa. Publicidade e propaganda origens históricas. (2009). Disponível em <http://www.eloamuniz.com.br/arquivos/1188171156.pdf>. Acesso em 3 mai 2011. FINO, C. N. Investigação e inovação (em educação). In Carlos Nogueira Fino & Jesus Maria Sousa (org.). Pesquisar para mudar (a educação). Funchal: Universidade da Madeira, 2010. 201 NOGUEIRA-MARTINS, M. C. F.; BÓRGUS, C. M. Considerações sobre a metodologia qualitativa como o recurso para o estudo das ações de humanização em saúde. Saúde e Sociedade, v. 13, n.3, p. 44-57. 2004. OLICSHEVIS, Giovana. Web 1.0 e Web 2.0: as principais diferenças (2009). Disponível em <http://jornalismoeradigital.blogspot.com/2009/05/web-10-e-web-20as-principais.html>. Acesso em 18 out 2010. ONG, Walter. Oralidade e cultura escrita: a tecnologização da palavra. Campinas: Papirus, 1998. O'REILLY, Tim. What is Web 2.0: Design Patterns and Business Models for the Next Generation of Software (2009). Disponível em <www.oreillynet.com/pub/a/oreilly/tim/news/2005/09/30/what-is-web-20.html>. Acesso em 13 dez 2010. PALACIOS, M. Cotidiano e sociabilidade no cyberespaço: apontamentos para discussão. (1998). Disponível em: <http://facom/ufba/br/pesq/cyber/palacios/cotidiano.html>. Acesso em 23 out. 2010. PALLOFF, R. M.; PRATT, K. Building learning communities in cyberspace: effective strategies for the on-line classroom. São Francisco: JosseyBass Publishers, 1999. PARSELL, Mitch. Pernicious virtual communities: Identity, polarization and the Web 2.0. Ethics and information Technology, 10:41-56, 2008 PRIMO, Alex. Interação mediada por computador. 2ª Ed. Porto Alegre: Sulina, 2008. ______, Alex. O aspecto relacional das interações na web 2.0. In: XXIX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, 2006, Brasília. Anais, 2006. ______, Alex. O aspecto relacional das interações na web 2.0. Revista E-Compos (Brasilia), v.9. p. 1-21, 2007. ______, Alex. Interação mútua e interação reativa. Teoria da Comunicação para apresentação do XXI Congresso da Intercom, Recife/PE, de 9-12 de setembro de 1998. Disponível em: http://www.psico.ufrgs.br/aprimo/pb/intera.htm 202 ______, Alex; SMANIOTTO, Ana Maria Reczek. Blogs como espaços de conversação: interações conversacionais na comunidade de blogs insanus. e Compos, v. 1, n. 5, p. 1-21, 2006. REIS, Alcenir Soares dos; MOURA, Maria Aparecida; RIBAS, Claudia S. da Cunha. Oralidade, mediações e digital storytelling: potencialidades e a afirmação das narrativas do sujeito. Perspect. Ciênc Inf, vol.14 n.spe Belo Horizonte, 2009. Disponível em <http://www.enancib.ppgci.ufba.br/artigos/GT3--190.pdf>. Acesso em 19 dez 2010. ROBSON, Willian. Web 1.0 vs Web 2.: uma mudança de comportamento. (2009). Disponível em <http://offsetdoispontozero.blogspot.com/2009/05/web-10-vs-web-20uma-mudanca-de.html>. Acesso em 8 jan 2010. ROJO, A. Participation in scholarly electronic forums. [Tese]. University of Toronto, 2000. Disponível em: <http://www.oise.on.ca/~arojo/tabcont.html>. Acesso em 15 jan 2011. ROJO, R. H. R. Gêneros do discurso e gêneros textuais: questões teóricas e aplicadas. In: MUERER, J. L. BONINI A. & MOTTA – ROTH D. (org.). Gêneros: teorias, métodos, debates. São Paulo: Parábola Editorial, 2005. P. 184 – 207. ROTHAERMEL, F.; SUGIYAMA, S. Virtual Internet Communities and Commercial Success: Individual and Community-Level Theory Grounded in the Atypical Case of TimeZone.com. Journal of Management (JofM), 27(3), 297-312, 2004. RECUERO, Raquel (2009). Cibercultura x Cultura de massa. Depoimento gravado no documentário Cibercultura. In: BUCHAUL, Luiza. Cibercultura. Trabalho de Conclusão de Curso de Luiza Buchaul, Rio de Janeiro. RECUERO, Raquel. A Conversação Mediada pelo Computador e as redes sociais na internet. Congresso da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura (ABCiber), São Paulo, 2008. RECUERO, Raquel. Redes Sociais na Internet. Porto Alegre: Sulina, 2009. RECUERO, R. (2006). Dinâmicas de redes sociais no O r k u t e c a p i t a l s o c i a l. D i s p o n í v e l e m h t t p : /pontomidia.com.br/raquel/alaic2006.pdf Acesso em 20/08/2011. 203 SÁ, S. P. Netnografias nas redes digitais. In: PRADO, J.L. Crítica das práticas midiáticas. São Paulo: Hacker editores, 2002. SÁVIO, Marco Antônio Cornacioni. A modernidade sobre rodas: tecnologia automotiva, cultura e sociedade. São Paulo, Educ, 2003. SANTAELLA, Lucia. Culturas e artes do pós-humano: da cultura das mídias à cibercultura. São Paulo: Paulus, 2003. SAAD, Beth. Estratégias para a Mídia Digital: Internet, informação e Comunicação. São Paulo: Senac, 2003. SCHNEIDER, Jodi; PASSANT, Alexandre; GROZA, Tudor; BRESLIN, John G. Argumentation 3.0 - how Semantic Web technologies can improve argumentation modeling in Web 2.0 environments. 2009. Disponível em: <http://jodischneider.com/pubs/comma2010.pdf> Acesso em 20 out 2010. SIMON, Imre. O Impacto das redes: estudos de Informação e Comunicação (EdIC). Disponível em: <http://www.usp.br/iea/infocom.html>. Acessado em: 20 de dezembro de 2010 SMITH, L. W. An interactionist approach to the analysis of similarities and differences between spoken and written language. In: JOHN-STEINER, V.; PANOFSKY, C.P.; SMITH, L. W. (ed.). Sociocultural approaches to language and literacy: an interactionist perspective. Cambridge: Cambridge University Press, 1999. p.43-81. SOARES, Magda. Novas práticas de leitura e escrita: Letramento na Cibercultura. Educ. Soc., Campinas, vol. 23, n. 81, p. 143-160, dez 2002. SOARES, Ismar de Oliveira. Educomunicação: um campo de mediações. Comunicação e Educação. São Paulo: CCA/ECA-USP/Segmento. Ano VII, set/dez 2000, p. 12-24. SPENCER, J. C. The usefulness of qualitative methods in rehabilitation: issues of meaning, of context and of change. Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, v.74, p.119-126, 1993. 204 STANKOVIÉ, Milan; JOVANOVIÉ, Jelena. TagFusion: a system for integration and leveranging of collaborative tags. In: DEVEDZIC, Vladan; GASEVIC, Dragan. Web semantic 2.0 & Semantic Web. Annals of Information Systems. New York: Springer, 2010, p. 3 – 24. TAPSCOTT, Don; WILLIAMS, Anthony D. Wikinomics: Como a colaboração em massa pode mudar o seu negócio. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007. TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução a pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1997. THOMAS, Edward; PAN, J. Z.; TAYLOR, Stuart; RENO, Yuan, JEKJANTUK; Nophadol; ZHAO, Yuting. Semantic Advertising for Web 3.0. (2009). Disponível em: <http://www.abdn.ac.uk/~csc280/pub/TPTJ*09.pdf>. Acesso em 15 out. 2010 THOMPSON, John. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia. Petrópolis – RJ: Editora Vozes, 1999. TÖTO, P. Ferdinand. Tönies, um Racionalista Romântico. In: MIRANDA, Orlando. Para ler Ferdinand Tönies. São Paulo: EDUSP, 1995. YIN, Robert K. Estudo de caso, planejamento e métodos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001. YIN, Robert K. Case Study Research. Design and Methods. Sage Publications Inc., USA, 1989. WEBER, Max. Conceitos básicos de sociologia. São Paulo: Moraes, 1987. WITZKI, Fabio Luiz. Entre a produção do consumidor e o desafio do profissional na publicidade colaborativa. Universidade Tuiuti Do Paraná. Curitiba\PR, 2008. Sites: Disponível em: <www.meucarrofalha.com.br> Acesso 19 mar 2011 205 Disponível em <http://www.cultura.ufpa.br/dicas/net1/int-glo.htm> Acesso 11 out 2010. Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Blog.> Acesso em 10 mar 2011. Disponível em: <http://forum.carrosderua.com.br> 206 ANEXO I QUESTIONÁRIO QUANTITATIVO Olá, Sou mestranda e pesquisadora do Programa de Mestrado e Doutorado em Comunicação e Linguagem pela Universidade Tuiuti do Paraná (http://www.utp.br/ppgcom) e gostaria de alguns minutos da sua atenção. Estou desenvolvendo minha pesquisa sobre Fóruns Virtuais e ao me deparar com o fórum Carros de Rua encontrei um ótimo objeto de estudo para a minha dissertação. Sua colaboração é muito importante para o desenvolvimento da pesquisa e gostaria de contar com sua participação respondendo com franqueza esta pesquisa. Agradeço muito a sua atenção e contribuição, Patrícia Regina Wypych 1. Nome (Opcional, mas pode ser apenas o primeiro nome, apelido ou pseudônimo, se preferir) 2. Sexo: ( ) Feminino ( ) Masculino 3. Idade: ( ) 15 a 20 ( ) 21 a 30 ( ) 31 a 40 ( ) 41 a 50 ( ) 51 ou mais 4. Grau de instrução: ( ) Fundamental ( ) Médio ( ) Graduação ( ) Pós-Graduação ( ) Mestrado ( ) Doutorado 5. Estado civil: ( ) Solteiro(a) ( ) Casado(a) ( ) Separado(a) ( ) Divorciado(a) ( ) Viúvo(a) ( ) Amasiado(a) 6. Renda Familiar: ( ) Até 01 salário mínimo 207 ( ( ( ( ) 01 a 03 salários mínimos ) 04 a 10 salários mínimos ) 10 a 20 salários mínimos ) Acima de 20 salários mínimos 7. Qual a faixa de preço do seu automóvel? ( ) Não possuo automóvel ( ) De R$10.000,00 à R$20.00,00 ( ) De R$21.000,00 à R$30.00,00 ( ) De R$31.000,00 à R$40.00,00 ( ) De R$41.000,00 à R$50.00,00 ( ) De R$51.000,00 à R$100.000,00 ( ) De R$101.000,00 à R$200.000,00 ( ) Acima de R$201.000,00 8. Se você for comprar um automóvel nos próximos seis meses, que tipo de automóvel você daria preferência? ( ) Usado ( ) Novo ( ) Não pretendo comprar automóveis nos próximos 6 meses 9. O que te inspira maior confiança na hora de comprar um automóvel? ( ) Opinião de conhecidos ( ) Vendedor automotivo ( ) Informações na Internet (sites das marcas, revistas online etc.) ( ) Propaganda ( ) Indicações via fórum 10. Qual a frequência que você participa do fórum Carros de Rua? ( ) Todos os dias ( ) Duas vezes ou mais na semana ( ) Uma vez por semana ( ) Duas vezes ou mais por mês ( ) Uma vez por mês ( ) Eventualmente 11. Quais os seus motivos para participar de um tópico de discussão? ( ) Curiosidade ( ) Sanar alguma dúvida ( ) Dar sua opinião 12. Na maioria das vezes você procura entrar nos tópicos de discussão apenas para: ( ) Observar ( ) Discutir ( ) Os dois 13. Você costuma: ( ) Criar seus próprios tópicos ( ) Participar de tópicos já existentes 14. Quando você participa de um tópico, procura acompanhá-lo até o fim? ( ) Sim ( ) Não 208 15. Dentro do fórum, você costuma divulgar algum modelo ou marca de automóvel que te agrade? ( ) Sim ( ) Não 16. Qual o grau de credibilidade que você dá aos usuários do fórum carros de rua? ( ) Nenhuma ( ) Pouca ( ) Media ( ) Bastante 17. O que te leva a acreditar nos usuários de um fórum pela internet? ( ) Seriedade ( ) Experiência ( ) Informação ( ) Não acredita 18. Você acredita em propaganda boca a boca pela internet? ( ) Sim ( ) Não 19. Você acredita que existam marcas escondidas como membros para conseguir informações sobre seus automóveis, consumidores e/ou concorrentes? ( ) Sim ( ) Não 20. E para divulgar algum produto? ( ) Sim ( ) Não 21. Se você respondeu sim a alguma das duas perguntas anteriores, qual a credibilidade que você da a estes supostos usuários ( ) Nenhuma ( ) Pouca ( ) Media ( ) Bastante Agradeço imensamente a sua atenção 209 ANEXO II QUESTIONÁRIO QUALITATIVO PESQUISA SOBRE O FÓRUM CARROS DE RUA: O tema deste questionário refere-se a propaganda feita por usuários de fóruns virtuais e este estudo estará presente da dissertação de mestrado de Patrícia Regina Wypych. Apenas para você entender, o fórum é classificado como uma forma de rede social, por existir interação entre as pessoas. E é dessa forma que o fórum será tratado. 1. Nome Completo: 2. Apelido: 3. Idade? 4. Profissão? 5. Quantas vezes costuma criar um tópico novo? E comentar tópicos existentes? 6. Qual é o meio de comunicação em que costuma buscar informações e que acessa com maior frequência. Porque? 7. Você usa alguma rede social na internet (facebook, twitter, Orkut, linkedin, formspring etc.). Se sim, quais e porque? 8. Você acompanha algum site de noticias? Qual? 9. Como você descreveria o seu perfil no fórum (atuante, participativo, líder etc.) e porque? 10. Você já fez algum amigo no fórum? 11. Se fez estes amigos são apenas online ou também se tornaram offline? 12. Já convidou alguém para participar do fórum? Porque? 13. Já participou de algum evento feito pelo ou dentro do fórum? 14. Me explique em poucas palavras o que você acha do fórum carros de rua. 15. Em poucas palavras me explique o que te leva a acreditar nos usuários do fórum? 16. Você acredita que a sua opinião dada a outros usuário no fórum geram algum efeito? Se sim, porque? 17. Qual é a importância do fórum na hora de escolher um carro? E porque? 18. E qual é a importância da publicidade na hora de escolher um carro? 210 19. Qual a sua relação com a publicidade e propaganda? 20. Qual a finalidade de um automóvel na sua vida? 21. Antes de comprar um carro novo, o que você leva em consideração? 22. Você já percebeu algum anunciante dentro do fórum? 23. Se sim, como percebeu e como lidou com a situação? 24. O que você acha da propaganda “boca a boca”dentro do fórum? 25. Deixe alguma mensagem que você acha bacana a respeito do fórum e que possa contribuir com este trabalho. Agradeço mais uma vez a sua participação.