1 UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ (UTP)
Patrícia Regina Wypych
A PROPAGANDA MEDIADA PELOS PRÓPRIOS USUÁRIOS
DENTRO DE FÓRUNS VIRTUAIS: FÓRUM CARROS DE RUA
Curitiba
2011
2 UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ (UTP)
Patrícia Regina Wypych
A PROPAGANDA MEDIADA PELOS PRÓPRIOS USUÁRIOS
DENTRO DE FÓRUNS VIRTUAIS: FÓRUM CARROS DE RUA
Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado
em Comunicação e Linguagem da Universidade
Tuiuti do Paraná (UTP), como requisito para
obtenção do título de Mestre em Comunicação e
Linguagem.
Orientador: Prof. Doutor Álvaro Larangeira
Curitiba
2011
3 TERMO DE APROVAÇÃO
A PROPAGANDA MEDIADA PELOS PRÓPRIOS USUÁRIOS
DENTRO DE FÓRUNS VIRTUAIS: FÓRUM CARROS DE RUA
Esta Dissertação foi julgada e aprovada para a obtenção do título de Mestre em
Comunicação e Linguagem pelo Programa de Mestrado e Doutorado em Comunicação e
Linguagem da Universidade Tuiuti do Paraná.
Curitiba, 07 de dezembro de 2011.
Orientador:
_______________________________________
Professor Doutor Álvaro Laranjeiras
Universidade Tuiuti do Paraná
________________________________________
Professora Gláucia Brito
Universidade Federal do Paraná
________________________________________
Professor Itanel Quadros
Universidade Federal do Paraná
4
“O sucesso na vida poderia ser definido com a expansão contínua da felicidade e realização progressiva de objetivos compensadores” Deepak Chopra 5
Agradeço primeiramente a Deus por me permitir estar aqui. Aos meus pais Roberto Wypych Junior e Nadia Maria Carelli Wypych por me ensinarem a nunca desistir dos meus sonhos. Às minhas irmãs Marina Wypych e Thaiz Wypych por estarem ao meu lado me dando força, incentivo e persistência para chegar até o fim. Ao Edi, um grande companheiro que me orientou e ajudou no momento mais importante em que eu mais precisei dele. Ao meu filho Arthur que chegou durante este momento da minha vida e que mesmo no meu ventre já me dava esperança para seguir até o fim. Aos professores Claudia Quadros, Sandra Rubia e Alexandre Tadeu, sempre muito atenciosos, colaborando de alguma forma para que eu concluísse esse trabalho. Às amigas Leticia Herrmann, Eliziane Capeleti, Louize Procópio, Maria Fernanda Incote e Patrice Costa por estarem ao meu lado, me ouvindo e dando força nos momentos mais complicados. E ao Professor e Orientador Álvaro Larangeira pelas contribuições acadêmicas que me permitiram alcançar a compreensão intelectual que possibilitou a transformação do que era pensamento e vontade de vencer, no estudo concreto que irei apresentar a seguir. 6
RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo abordar a propaganda mediada pelos
próprios usuários dentro da plataforma online, através da análise do Fórum “Carros
de Rua”, com a finalidade de perceber a importância da comunicação entre usuários
e a credibilidade que esses sujeitos dão para outros usuários presentes no mesmo
fórum virtual, por meio da interação mediada pelo computador. Para este estudo
foram utilizadas referências como Ong, Lévy, Lemos, Primo, Jenkins, Castells,
Santaella, Recuero entre outros, que tratam da oralidade, da comunicação, da
cibercultura, da tecnologia digital e das redes sociais na internet. Para a pesquisa
foi adotado o método netnográfico principalmente pela disponibilidade do Fórum
“Carros de Rua” no ambiente virtual. Para a conclusão, finaliza-se explicando a
importância da propaganda mediada pelos próprios usuários de fóruns virtuais,
gerando marketing espontâneo entre usuários, orientando na hora da compra de
determinado produto, fornecendo credibilidade para outros usuários e resultando em
uma interação mediada pelo computador.
Palavras-chave: Fórum Virtual; Ciberoralidade; Propaganda; Marketing Boca a
boca; Redes Sociais na Internet.
7
ABSTRACT
This study is intended examines the mediated propaganda by users in the online
platform, through the analysis of the "Carros de Rua’s" forum, in order to realize the
importance of communication between users and the credibility that these people
give to other users in the same virtual forum, through interaction mediated by
computer. For this study were used as references Ong, Levy, Lemos, Primo, Jenkins,
Castells, Santaella, Recuero among others, dealing with orality, communication,
cyberculture, digital technology and social networking on the Internet. For the
research method was adopted the netnography, mainly by the availability of "Carros
de Rua’s" forum in the virtual environment. For the conclusion, ends up explaining
the importance of the propaganda mediated by users of virtual’s forum, generating
spontaneous marketing between users, guiding when buying a particular product,
giving credibility to other users, resulting in an interaction mediated by computer.
Keywords: Virtual Forum, Orality; Ciberorality; Advertising, Word of Mouth
Marketing, Social Networking on the Internet.
8 SUMÁRIO
INTRODUÇÃO.....................................................................................................
13
1 DA ORALIDADE À CIBERORALIDADE........................................................
21
1.1 LINGUAGEM E ORALIDADE.........................................................................
21
1.2 ORALIDADE E ESCRITA..............................................................................
25
1.3 ORALIDADE SECUNDÁRIA.........................................................................
30
1.4 A ORALIDADE E O CIBERESPAÇO ............................................................
34
2 A WEB COMO FONTE DE RECOMENDAÇÕES...........................................
45
2.1 O CIBERESPAÇO E OS NOVOS PROCESSOS DE INTERAÇÃO..............
45
2.2 INTERAÇÕES NA WEB................................................................................
48
2.3 PROPAGANDA MEDIADA PELOS USUÁRIOS...........................................
54
2.4 A WEB E SUAS INTERFACES.....................................................................
60
3 COMUNIDADES VIRTUAIS E FÓRUNS VIRTUAIS......................................
80
3.1 COMUNIDADES VIRTUAIS..........................................................................
80
3.2 FÓRUNS VIRTUAIS......................................................................................
98
4 METODOLOGIA DE PESQUISA....................................................................
108
4.1 O ESTUDO DE REDES SOCIAIS.................................................................
113
4.2 COLETA DE DADOS.....................................................................................
118
4.3 DEFINIÇÃO DOS CRITÉRIOS DE ESTUDO................................................
123
4.4 CRONOGRAMA DE PESQUISA...................................................................
125
5 PESQUISA E ANÁLISE DO FÓRUM CARROS DE RUA...............................
129
5.1 CARROS DE RUA.........................................................................................
129
5.2 OBSERVAÇÃO E PARTICIPAÇÃO NO FÓRUM CARROS DE RUA...........
139
5.2.1 Aquisição dos dados...................................................................................
139
9
5.3 PESQUISA QUANTITATIVA.........................................................................
145
5.3.1 Resultados e conclusões...........................................................................
147
5.4 SELEÇÃO DE USUÁRIOS PARA ENTREVISTA E APLICAÇÃO DA
PESQUISA QUALITATIVA.........................................................................
158
5.5 ANÁLISE INTRAFÓRUM CARROS DE RUA................................................
173
5.5.1 A Interatividade entre os usuários...............................................................
174
CONCLUSÃO....................................................................................................
188
REFERÊNCIAS.................................................................................................
195
ANEXO I...........................................................................................................
206
ANEXO II...........................................................................................................
209
10
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1 -
Representação da Oralidade através do grafismo ...................
36
FIGURA 2 -
Representação da Oralidade através do discurso escrito .......
36
FIGURA 3 -
Interação entre usuários no Fórum Carros de Rua...................
52
FIGURA 4
Tópicos de posts.......................................................................
134
FIGURA 5 -
Página do perfil de um usuário.................................................
137
FIGURA 6 -
Diálogo virtual entre usuários do Fórum...................................
138
FIGURA 7 -
Post sobre os melhores e piores carros...................................
143
FIGURA 8 -
Dúvida do usuário dentro do fórum........................................... 143
FIGURA 9 -
Dúvida do usuário no momento de adquirir um automóvel....... 144
FIGURA 10 -
Pergunta de um usuário a outro usuário do fórum.................... 144
FIGURA 11 -
Faixa etária dos usuários…………………………………………
FIGURA 12 -
Grau de instrução...................................................................... 150
FIGURA13 -
Estado civil................................................................................
150
FIGURA 14 -
Renda familiar...........................................................................
150
FIGURA 15 -
Frequência de participação no fórum……………………………
151
FIGURA 16 -
O que inspira maior confiança na hora de comprar um
149
automóvel…………………………………………………………... 152
FIGURA 17 -
Motivos participação tópicos de discussão……………………..
FIGURA 18 -
Procura entrar nos tópicos de discussão……………………….. 153
FIGURA 19 -
Costume dos usuários…………………………………………….
153
FIGURA 20 -
Procura acompanhar o tópico até o fim…………………………
154
FIGURA 21 -
Grau de credibilidade……………………………………………... 154
152
11
FIGURA 22 -
Acredita na existência de marcas neste ambiente (Coletar
informações).............................................................................
FIGURA 23 -
155
Acredita na existência de marcas neste ambiente (divulgar
produtos....................................................................................
155
FIGURA 24 -
Divulgar modelo ou marca de automóvel.................................. 156
FIGURA 25 -
O que leva a acreditar em outros usuários do Fórum............... 157
FIGURA 26 -
Acredita em propaganda boca a boca pela internet.................
FIGURA 27 -
Membro pesquisado 1............................................................... 161
FIGURA 28 -
Membro pesquisado 2............................................................... 162
FIGURA 29 -
Membro pesquisado 3............................................................... 163
FIGURA 30 -
Tópicos MEMBRO 1.................................................................
175
FIGURA 31 -
Tópicos MEMBRO 2.................................................................
180
FIGURA 32 -
Tópicos MEMBRO 3.................................................................
183
FIGURA 33 -
Grafismo (boneco sorrindo)......................................................
185
157
12
LISTA DE QUADROS
QUADRO 1 -
QUADRO 2 -
Confronto entre os vários “produtos” da Web 1.0 e Web
2.0..............................................................................................
63
Etapas da pesquisa...................................................................
128
13
INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem como objetivo abordar a propaganda mediada pelos
próprios usuários dentro da plataforma online, através da análise do Fórum Carros
de Rua, para perceber a importância da comunicação entre os usuários e a
credibilidade que esses sujeitos dão para outros presentes no mesmo fórum virtual,
por meio de uma interação mediada pelo computador.
Para isso o trabalho será dividido em cinco capítulos. O primeiro capítulo irá
contemplar o desenvolvimento sobre a Oralidade Primária, Cultura Escrita e
Oralidade Secundária trazendo a oralidade inserida no contexto cibercultural, que no
presente estudo será denominada ciberoralidade, elucidando questões históricas,
neo-contemporâneas e contemporâneas, até chegar à cultura digital, vivida na
atualidade, que será abordada nos capítulos seguintes.
Trata também do desenvolvimento da informação e da cultura tecnológica,
que a partir de 1960 estava intimamente relacionado às Eras Culturais inserindo-se
nesse processo os meios de comunicação como: telefone, rádio, televisão e outros
equipamentos eletrônicos (ONG, 1998), cujo tipo de mídia se dissemina em uma
cultura altamente tecnológica, em que a tecnologia digital cresce progressiva e
exponencialmente.
Nos últimos anos, diferenças básicas foram descobertas entre as formas de
gerenciar o conhecimento e a verbalização em culturas orais primárias, ou seja, em
culturas com nenhum conhecimento sobre a escrita e em culturas profundamente
afetadas pelo uso da escrita.
Logo no início o homem lidava com formas distintas de linguagem – a
oralidade e a escrita que, embora primitivas, eram constituídas como gêneros
14
dedutivos de linguagem, com suas particularidades, eram notadas como técnicas de
comunicação autônomas. Hoje, de tudo o que foi pesquisado, debatido, reconhecido
e estudado, o mais importante é que linguagem oral e linguagem escrita acontecem
em condições diferentes de produção, isto é, dependem do contexto e dos
interlocutores da mensagem.
Porém, com o avanço da tecnologia, o advento da industrialização, o
surgimento dos meios de comunicação de massa e a Internet, o mundo sofreu
alterações culturais, sociais, políticas e econômicas em nível elevado, modificando
os hábitos pessoais e culturais, não somente nas relações interpessoais, mas
também nas relações de consumo.
A Internet tornou-se um ambiente promissor para o desenvolvimento, tanto
da oralidade, quanto da escrita e, por ser uma rede interativa provoca
transformações na cultura, na sociedade e no sujeito que utiliza, acrescenta ao novo
processo transformações que refletem na forma de agir, pensar e nas formas de
linguagem utilizadas até o momento. A cada acesso o internauta reestrutura o
pensamento, constrói e reconstrói a oralidade e a escrita.
No capítulo dois será tratado da web como fonte de recomendações
trazendo vasta abordagem sobre as interações na web. Trata ainda da propaganda
mediada pelos usuários, a web e suas interfaces.
No Brasil, em 1995, com a introdução da cultura de redes, emerge um maior
entendimento sobre as formações culturais, as quais passaram por mutações
diversas trazendo consequências sobre a “cultura de mídia”. Gradativamente, com
ideias mais ajustadas e atenção, não mais voltada à realidade empírica apenas, mas
fundamentada na teoria e na ciência se define a “cultura de mídia”.
15
A Internet proporcionou um novo espaço de comunicação, o ciberespaço,
onde surgem ferramentas de conversação formando grupos de discussões abertos a
pessoas que se interessam por assuntos análogos. Com isso, surge nova
comunidade virtual de consumidores, a partir daí, espectador e consumidor passam
a adquirir a função de mediador, iniciando um novo tipo de propaganda boca a boca
virtual, a qual pode ser encontrada nos fóruns virtuais.
As informações disponibilizadas em rede são acessíveis em qualquer ponto
do planeta, não existe distância entre clientes e marcas. A Internet, embora uma
rede complexa, com milhões de computadores interconectados em todo o mundo, é
reconhecida
como
indispensável
ao
homem
contemporâneo,
agregando
conhecimento sobre passado e presente, de todos os cantos do planeta, de forma
imediata e imperceptivelmente, tornando a cooperação em massa entre pessoas
econômica, temporal e geograficamente viável.
Atualmente, a população encontrada na web está estimada em pouco mais de
um bilhão de pessoas, cada qual com sua maneira individual de viver, suas ideias,
sonhos, desejos, opiniões, mas, principalmente, o desejo de compartilhar aspirações
semelhantes com outras pessoas. O desejo não pode ser ignorado quando a
Internet é o meio de comunicação que flui todo um aparato de elementos que
propicia interações virtuais entre sujeitos1.
Tal revolução foi apresentada pela tecnologia contemporânea para usuários e
empresas sob forma de ferramentas, incluindo websites, e-mails, blogs, pesquisas
de mercado, tendências, finanças e uma infinidade de outros meios, transformando
o fazer negócio das empresas, modificando sua relação com o cliente.
1
No Brasil, em 2005, constando uma população com cerca de 184.284.898 indivíduos, estima-se que
a população conectada era de 25.900.000. Já em todo o mundo, com uma população total de
6.499.697.060 indivíduos, a população conectada era cerca de 1.018.057.389 (CIPRIANI, 2010, p. 6).
16
Dentro da cultura digital aborda-se a web como fonte de recomendações e a
interação mediada por computador, além de suas interfaces, imprescindíveis para o
entendimento destas interações. Para finalizar o contexto teórico será tratado o
conceito de comunidades virtuais, necessário a compreensão do objeto de estudo
(Fórum Carros de Rua), amplamente abordado no presente estudo.
O capítulo três irá tratar de comunidades virtuais e os fóruns virtuais. Para
essa pesquisa, compreender os fóruns virtuais como forma de rede social na
Internet, instrumento que serve para inferir perguntas e respostas sobre produtos e
serviços, pelo consumidor virtual é de fundamental importância sob o enfoque
sociointerativo.
Os consumidores preferem se expressar por si próprios nos fóruns virtuais,
sem a presença de marcas ditando como devem se comportar ou agir. Muitas vezes,
a indicação de um amigo ou um desconhecido é mais relevante que a propaganda
em si. Por conta disso, indiretamente, os internautas passam a produzir informações
de consumo através de fóruns virtuais disponíveis em rede.
Muitos
tópicos
servem
para
conseguir
informações
relacionadas
a
determinado produto ou serviço específico, onde o emissor transmite uma
mensagem beneficiando o produto e o receptor entusiasmado adquire o produto. No
entanto, estima-se que nesse novo mundo virtual, dentro de um grande grupo de
pessoas, poucos indivíduos serão criadores de conteúdo, um grupo um pouco maior
irá interagir online e um grupo grande irá visualizar o conteúdo e suas consequentes
influências.
A percepção dos espaços virtuais, especialmente, dos fóruns virtuais
conduziu a pesquisadora a interpor-se nesse questionamento desejando saber por
que o usuário virtual acredita em algo sem proximidade dele, o que conduz a crer
17
em recomendações (respostas) feitas por outros usuários, sem mesmo conhecê-los,
em vez de dar credibilidade a pessoas próximas e confiáveis (família, empresa,
amigo), ou mesmo na publicidade.
O capítulo quatro irá tratar da metodologia selecionada para realizar esta
pesquisa, a netnografia, utilizada para pesquisas em ambientes virtuais, visto a
disponibilidade do Fórum Carros de Rua no ambiente virtual.
A netnografia considera as práticas do consumo midiático, os processos de
sociabilidade e os fenômenos comunicacionais que envolvem as representações do
homem dentro de comunidades virtuais, que se encontra em constante
transformação e se apresenta sob forma provisória, mas que na verdade ainda é um
fenômeno embrionário.
A netnografia permite o campo virtual tornar-se transponível sob o ponto de
vista do pesquisador, visualiza a virtualidade e seus similares face a face, mostra as
vantagens existentes, além de consumir menor tempo, não ser dispendiosa, ser
menos subjetiva e invasiva e por trata-se de uma “janela”, permitindo ao pesquisador
identificar porque e como ocorrem os comportamentos naturais de determinada
comunidade, dentro de um espaço não fabricado. Ao entrar no seu funcionamento
interfere no processo, conhecendo-o em detalhes (KOZINETS, 2002).
Por tratar-se de uma transposição de metodologia do espaço físico ao
espaço online, ao utilizar a netnografia, faz-se necessário inclui procedimentos
específicos acerca da tipologia dos objetos estudados.
A Análise de Redes Sociais deve ser estruturada, partir do princípio que ao
estudar as estruturas decorrentes de ações e interações entre atores sociais
diversos torna possível compreender muitos elementos acerca destes grupos e suas
generalizações com esse respeito (FRAGOSO et al., 2011).
18
A metodologia deste trabalho volta-se em analisar os usuários do Fórum
Carros de Rua, como uma rede social, estabelecido em um espaço virtual e se o
diálogo mantido entre esses usuários exerce alguma influência na decisão no
momento de adquirir determinado produto, entender a linguagem e a comunicação
utilizada no fórum, mensurar o grau de poder que esse relacionamento virtual exerce
na tomada de decisão dos usuários quando da aquisição de determinado produto no
mercado e o modo como os diálogos mantidos influencia na decisão desses
usuários.
Os consumidores têm buscado diferentes tecnologias para solucionar
dúvidas e buscam a interação entre consumidores imersos na luta pelo direito de
participar e extrair as vantagens que têm sido oferecidas pelas tecnologias,
considerando que são livres para interagir nos ambientes da Internet.
A proposta dessa metodologia é entender como se processa a propaganda
mediada pelos próprios usuários dentro de fóruns virtuais, qual a credibilidade
desenvolvida entre esses usuários e porque se interessam nos diálogos mantidos
nesses espaços, como essa tecnologia modifica a vida dos indivíduos que com
ela/nela interagem, qual a linguagem utilizada na Internet e porque essa oralidade
enquanto instrumento de comunicação, tem se especializado na mão desse público.
As redes sociais presentes na Internet apresentam comportamentos
emergentes, como: propagação, cooperação, adaptação e auto-organização,
surgimento de clusters, elementos estes que devem ser analisados pelo
pesquisador. Nesse contexto, é possível afirmar que o ambiente virtual é fortemente
integrado por usuários de todos os níveis, permitindo elevar quali-quantitativamente
os diálogos que ali se difundem interativamente.
19
Os dados registrados pelos usuários armazenam conhecimento, sendo
transferido de um usuário para outro, acessível por meio de aplicativos, cuja
arquitetura é amplamente relevante para o investigador que procura conhecer a
propaganda mediada pelos próprios usuários dentro dos fóruns virtuais, objeto de
pesquisa desta dissertação.
As variáveis estão relacionadas ao tipo de dúvidas que os usuários do
Fórum apresentam para outros usuários, incluindo: consumo; praticidade; qualidade;
reconhecimento do produto; funcionalidade; conhecimento sobre determinado
produto/serviço; credibilidade dada para perguntas/respostas dentro dos fóruns,
entre outros fatores, incluindo reclamações, críticas, lançamentos, novidades,
problemas mecânicos, compra de carros novos e tunning, cujos resultados serão
mostrados sob o formato de imagens e gráficos. As variáveis selecionadas buscam
responder se a interação entre indivíduos dentro desses fóruns exerce influência
para um questionamento que nem sempre a mídia responde.
Dentre os métodos utilizados nesta dissertação, a análise de conteúdo é
fundamental, bem como a análise descritiva. A análise de conteúdo procura
descobrir as relações entre o mundo exterior e o conteúdo do discurso onde os
operadores desempenham importante papel na análise.
No presente capítulo será apresentada uma breve análise do Fórum Carros
de Rua, pesquisas realizadas do próprio fórum, assim como dados obtidos
posteriormente à observação do material adquirido. A análise foi dividida em etapas
para facilitar o entendimento do leitor. As etapas optadas foram: observativa e
participativa; levantamento de dados já existentes; pesquisa quantitativa com
questionários dirigidos e seleção de usuários para entrevista dirigida e aplicação das
pesquisas online e offline.
20
O fórum escolhido para estudar nesta dissertação foi o Fórum “Carros de
Rua”, disponível no site <http://forum.Carrosderua.com.br/>, um site particular que
trata de automobilismo, criado por internautas, sem envolvimento isolado com uma
montadora ou marca específica, a fim de discutir assuntos de interesses comuns, na
verdade, sobre carros. A estrutura do Fórum compõe-se de: Área técnica, Hobbye;
Encontro e Eventos; Diversos, divididos em tópicos onde, cada um individualmente,
pode ser classificado por uma legenda de acordo com a popularidade de cada
assunto cuja classificação é dividida por “novos posts” e “sem novos posts”.
Para essa fase da pesquisa foi utilizado o método quantitativo, cujo objetivo
foi compreender de que forma ocorre a propaganda mediada pelo próprio usuário.
Os questionários foram aplicados através da plataforma do Google Docs, com envio
e recebimento dos dados e questões todos online. Para a pesquisa qualitativa foi
optado pela seleção de três membros que responderam à pesquisa quantitativa, que
possuíssem características como: interatividade e presença marcante no fórum. A
seleção baseou-se na quantidade de posts realizados, caracterizando uma alta
interação do usuário no fórum. Este tipo de pesquisa utilizou um método de
entrevista que teve como objetivo averiguar a opinião dos usuários em relação à
propaganda mediada por outros usuários, via computador.
21
1 DA ORALIDADE À CIBERORALIDADE
Este capítulo tem como finalidade dissertar o caminho percorrido entre a
oralidade, elucidando questões históricas sobre Oralidade Primária, Cultura Escrita e
Oralidade Secundária, explicando o curso percorrido até a “Oralidade no ambiente
virtual”. Neste trabalho, esta será denominada “Ciberoralidade” e engloba referenciais
de todos os tempos (dos primórdios da fala ao período digital-virtual).
1.1 LINGUAGEM E ORALIDADE
Ao observar a relação entre linguagem oral e linguagem escrita2, percebe-se
que nos primórdios da civilização vivia-se a “Oralidade Primária”, própria de
sociedades iletradas, cuja linguagem, inicialmente, dava-se apenas na forma oral.
Segundo Ong (1967) apud ONG (1998, p. 42):
Para saber o que é uma cultura oral primária e qual a natureza de nosso
problema em relação a uma cultura semelhante, convém refletir sobre a
natureza do próprio som como tal. Toda sensação ocorre no tempo, mas o
som não possui uma relação especial com ele, diferente da que existe em
outros campos registrados na sensação humana. [...] o som é
essencialmente evanescente e [por isso] percebido como evanescente [...].
Com o advento da escrita, a linguagem se tornou objeto de estudo, cuja
potencialidade a escrita aumenta, criando efeito reestruturador na forma de pensar e
convertendo os dialetos em grafoletos3 (Haugen, 1966; Hirsh, 1977 apud ONG, 1998).
2
De acordo com Lévy (1993, p. 92), a escrita é uma tecnologia intelectual. Camponeses educados
em cultura puramente oral não pensavam em classificar lenha, machado, entre outros, assim, não
possuíam lógica, mas ao se tornarem letradas aprenderam a raciocinar e a observar que a lenha não
é uma ferramenta. Testes de manipulações e psicólogos experimentais medem as capacidades de
raciocínio e de memória de batalhões de estudantes.
22
A linguagem tem como recurso um conjunto de palavras e seus utilizadores
(GALVÃO e BATISTA, 2006), que confere história à linguagem e permite conhecer a
evolução desta, dos significantes e seus significados; oferece possibilidade de serem
construídos contextos em que as palavras podem ser usadas; torna possível a
comunicação sem que ocorra no mesmo espaço e tempo; dá poder e capacidade de
retórica aos indivíduos se tornarem literatos (GALVÃO e BATISTA, 2006).
De acordo com Ong (1998, p. 42 - 43) para:
[...] qualquer pessoa com uma noção do que sejam as palavras em uma
cultura oral primária, ou uma cultura não muito distante da Oralidade Primária
[...] geralmente, a linguagem é um modo de ação e não simplesmente uma
confirmação do pensamento [...] a compreensão da psicodinâmica da
oralidade era virtualmente inexistente em 1923. Também não causa grande
surpresa que povos orais comumente – e talvez universalmente –
considerem que as palavras são dotadas de grande poder. [...] todo som –
especialmente, a enunciação oral, que vem de dentro dos organismos vivos
– é dinâmico.
A linguagem oral ganha importância nas sociedades letradas, permitindo a
literatura e seus movimentos, resultando na Cultura Escrita, consequentemente, na
Oralidade Secundária, em que os sujeitos falantes associam a palavra oral à palavra
escrita.
Segundo Pierre Lévy (1993, p. 77):
A Oralidade Primária remete ao papel da palavra antes que uma sociedade
tenha adotado a escrita, a Oralidade Secundária está relacionada a um
estatuto da palavra que é complementar ao da escrita, tal como o
conhecemos hoje. Na Oralidade Primária a palavra tem como função básica
a gestão da memória social e não apenas a livre expressão das pessoas ou
a comunicação prática cotidiana [...] o mundo da Oralidade Primária [...]
situa-se antes de qualquer distinção escrito/falado.
3
O grafoleto é uma linguagem transdialéctica, formada por profundo compromisso com a escrita.
Assim, a escrita dá poder ao grafoleto que excede de um dialeto oral, o grafoleto dá acesso a um
vocabulário com, pelo menos um milhão e meio de palavras, em relação às conhecidas não apenas
significados atuais, mas centenas de outros significados anteriores (ONG, 1998).
23
A oralidade busca produzir a escrita, necessária ao desenvolvimento das
ciências, formando uma literatura; esta constrói uma memória histórica, é usada para
reconstruir nos sujeitos uma consciência humana primitiva, moldurando-a em face a
uma cultura tecnológica que vem se expandindo.
Para Lévy (1993), em uma sociedade oral primária, o edifício cultural tem base
nas lembranças dos indivíduos, cuja inteligência é edificada pela memória, muito
especialmente, a auditiva.
Segundo Ong (1998), para compreender a cultura oral primária, é necessária
uma compreensão sobre o significado de oralidade. Na Oralidade Primária, não se tem
conhecimento da palavra escrita, diferenciando a compreensão das culturas com o
conhecimento da escrita e das culturas sem esse conhecimento.
De acordo com Lévy (1993, p. 84):
A persistência da Oralidade Primária nas sociedades modernas não se deve
tanto [ao o que está relacionado com a Oralidade Secundária], mas a forma
pela qual as representações e as maneiras de ser continuam a transmitir-se
independentemente dos circuitos da escrita e dos meios de comunicação
eletrônicos. A maior parte dos conhecimentos em uso em 1990 [...] nos foram
transmitidos oralmente, e a maior parte do tempo sob a forma narrativa
(história de pessoas, de famílias ou de empresas). Dominamos a maior parte
de nossas habilidades observando, imitando, fazendo e não estudando
teorias na escola ou princípios nos livros.
Para compreender a cultura oral primária é importante saber que determinadas
expressões têm em comum significado e existência visual para indivíduos de culturas
orais primárias, porém, são apenas sons. A palavra sem a escrita não têm presença
visual e a compreensão dessa realidade é perceber a “existência” do som.
A expressão oral exerce poder nas culturas orais primárias e secundárias
(GALVÃO e BATISTA, 2006). Na cultura oral, tanto a palavra como as formas de
expressão são processos de pensamento que dependem da comunicação, recordados
através do pensamento, de padrões mnemônicos, ritmados e repetitivos. As fórmulas
24
ajudam a executar o discurso ritmado, os padrões mnemônicos com expressões que
circulam na boca e no ouvido; a fórmula representa o conteúdo do pensamento das
culturas orais primárias.
Para compreender o pensamento oral, é indispensável conhecer primeiro as
características da oralidade. As culturas orais primárias têm padrões orais aditivos e
estruturas puramente pragmáticas. O pensamento e a expressão nas culturas orais
são características do sistema de escrita. Enquanto na escrita a informação pode ser
relembrada, no discurso oral não acontece; palavras, depois de proferidas, tendem a
desaparecer (HILGERT, 2006).
“O pensamento requer algum tipo de continuidade. A escrita estabelece no
texto uma linha de continuidade fora da mente [...]” (ONG, 1998, p. 50).
Em uma cultura oral primária, o conhecimento adquirido permanece (somente)
se repetido inúmeras vezes, porém, com a escrita, sua importância é reduzida em
função de novos investigadores. A escrita enquanto instrumento tecnológico permite
conservar o conhecimento registrado para gerações futuras, disponível para outras
descobertas e especulações. Nas culturas orais, o conhecimento não se distancia das
experiências vividas, mas é transmitido ao mundo social.
Numa cultura oral, a redução das palavras a sons determina não apenas os
modos de expressão, mas também os processos mentais. [...] Numa cultura
oral primária, para resolver efetivamente o problema da retenção e da
recuperação do pensamento cuidadosamente articulado é preciso exercê-lo
segundo padrões mnemônicos, moldados para uma pronta repetição oral.
[...]. O pensamento prolongado, quando fundado na oralidade [...] tende a ser
altamente rítmico [...] - (ONG, 1998, p. 44).
A cultura oral permite a aquisição de conhecimento pela observação e pela
prática, reduzindo a necessidade de explicação verbal. A oralidade incentiva a
argumentação situando o conhecimento em um contexto de esforço entre indivíduos.
25
As sociedades orais vivem o presente afastando memórias não relevantes,
apresentam pouca discrepância semântica por não utilizarem a escrita ou o dicionário
em busca de significados. O significado da palavra nas culturas orais é controlado pela
ratificação semântica, pelas situações da vida real no momento em que é utilizada.
Nas culturas orais, o significado das palavras tem um contexto que as envolve,
incluindo o gesto, a inflexão vocal, a expressão facial, entre outras, no momento em
que é falada a palavra.
As culturas orais podem produzir experiências e pensamentos organizados,
além de complexos e inteligentes. No entanto, para compreender como o fazem, é
necessário refletir sobre as operações da memória oral. De acordo com Ong (1998, p.
44): “uma cultura oral não possui textos. Como ela reúne o material organizado para
fins de comunicação? [...] o que ela faz para saber de uma forma organizada? [...] o
pensamento apoiado em uma cultura oral está preso à comunicação”.
A narrativa é um estilo da arte verbal, presente desde as culturas Orais
Primárias, (REIS et al., 2009). Para elaborar e exprimir um discurso devidamente
articulado, o orador tem que constituir em seu pensamento um registro memorizado
fluente no tempo e o enredo é a forma encontrada para lidar com o fluxo do tempo.
1.2 ORALIDADE E ESCRITA
A palavra escrita sempre vai existir, a leitura não conseguirá dispensar a
oralidade. A linguagem falada é um sistema primário de linguagem; a escrita, um
sistema secundário de modelação. A linguagem antes é oral, depois escrita. Para Ong
26
(1998), a escrita não reduz a oralidade, porém, alcança importância na oralidade ao
organizar os princípios e constituintes da oratória em uma arte científica.
A escrita é uma tecnologia adquirida, inata, porém, mais revolucionária que
qualquer outra até o presente, tendo em vista, na atualidade, utilizar-se de suportes
informáticos para transmitir mensagens entre interlocutores. Os processos mentais
humanos são resultantes da transformação provocada pela interiorização da escrita
(ONG, 1998).
A escrita é um processo lento (1/10 da velocidade do discurso oral), por isso,
permite interferir, reorganizar e eliminar redundâncias. A escrita promove abstrações
que separam o conhecimento da obscuridade do ser humano. Ela também separa o
conhecedor do conhecido, estabelece condições para a objetividade e separa a
distância do pessoal. Na oralidade, o conhecimento é atingido por chegar próximo de,
por haver empatia e identificação comum com o conhecido (ONG, 1998).
O surgimento da escrita alterou muitos elementos do processo, o registro
escrito encontra-se mais próximo da memória de curto prazo, apesar de as palavras
sobreviverem até o fim dos tempos. A capacidade de memória ficou mais leve e a
escrita passa a ser uma auxiliar da memória. A cultura oral manteve sua relevância no
contexto social e histórico após a invenção da escrita, do alfabeto e da imprensa,
visando manter qualidades na forma oral de transmissão do conhecimento (ONG,
1998).
No discurso, por mais que o texto seja refutado, a fala é autônoma, separada
do autor, provoca distanciamento entre autor e emissor – leitor e receptor. O discurso
escrito difere do discurso oral e não pode ser questionado. O discurso autônomo não é
exclusivo da cultura escrita. Nas culturas orais, existem formas diversas de discursos
autônomos. As profecias são mensagens transmitidas pelo enunciador, mas dele não
27
provém, por isso, não podem ser questionadas, já a palavra escrita adquire sentido de
verdade absoluta.
As pessoas imersas na cultura escrita apenas com grande esforço
conseguem imaginar como é uma cultura oral primária, ou seja, uma cultura
sem qualquer conhecimento da escrita ou sequer da possibilidade dela.
Tente imaginar uma cultura na qual ninguém jamais “procurou algo”. Em uma
cultura oral primária, a expressão “procurar algo” é vazia: não teria nenhum
significado concebível. Sem a escrita, as palavras em si não possuem uma
presença visual, mesmo que os objetos que elas representam sejam visuais
(ONG, 1998, p. 41- 42).
A escrita é uma tecnologia, embora ainda com difícil reconhecimento na cultura
brasileira, regida por regras abstratas afastadas do mundo real, cujo distanciamento
enriquece a mente e permite adquirir novas potencialidades.
Ong (1998) entende que a escrita está entre as mais importantes invenções
humanas, por isso, não pode ser considerada apêndice da fala apenas, por
transformar a fala, o pensamento e a consciência e reestruturar o mundo. A escrita é
um sistema pelo qual se pode determinar, com exatidão, as palavras que o escritor
pretende transmitir.
A informação oral é distribuída coletivamente e particularmente distingue uma
cultura letrada, a qual retém a informação privada. As palavras verbalizadas trazem
percepções; quando escritas, tornam-se conceitos isolados que precisam ser
combinadas com imagens para serem melhor compreendidas. Hipoteticamente, não
seria possível o leitor interpretar o significado ou o objetivo de um texto sem o auxílio
da pontuação (ONG, 1998). Na expressão oral, a interpretação da mensagem requer o
apoio da entonação, da pronúncia e do tom de voz.
No entendimento proposto por Ong (1998, p. 120-121), percebe-se que:
[...] para nos fazermos entender sem gestos, sem expressão facial, sem
entoação, sem um ouvinte real temos de prever cuidadosamente todos os
28
significados possíveis que uma afirmação possa ter para qualquer leitor
possível, em qualquer situação possível, e temos de fazer com que a nossa
linguagem funcione de modo a se tornar clara apenas por si, sem nenhum
contexto existencial.
No Ocidente, ocorreram dois grandes desenvolvimentos que derivam da
interação entre escrita-oralidade: a Retórica Acadêmica e o Latim Clássico. A retórica
consiste na arte de falar e persuadir, está ligada à linguagem falada, porém, é produto
da escrita, cuja transição da oralidade à cultura escrita foi lenta (ONG, 1998). As
culturas literatas pensam em uma narrativa arquitetada de maneira consciente e linear.
A escrita representa um acontecimento de importância no contexto das
invenções tecnológicas humanas, transpondo-se criticamente para novos mundos do
conhecimento, conquistada através da consciência humana. A escrita, acentuada pela
lentidão do processo, apresentação oral e isolamento do escritor, impulsionou o
crescimento da consciência para além do inconsciente (ONG, 1998).
O ser literato, cujo pensamento não se desenvolveu de forma natural, mas a
partir de arquétipos estruturados pela tecnologia artificial, transformou a consciência
humana. Ao analisar o discurso oral (natural), comparado com a escrita (artificial),
percebe-se que o escrever implica anos de dedicação, até chegar à obtenção de uma
melhor performance, conseguida a partir do momento em que o utilizador se apropria
de alguma tecnologia. No entanto, Ong (1998) entende que a artificialidade no ser
humano é natural, por enriquecer a psique e alargar o espírito.
Tanto escrita como leitura, enquanto atividades, envolvem a mente com um
pensamento interiorizado e individualizado, nascendo a sensibilidade da personagem
humana, interiorizada na motivação consistente (REIS et al., 2009).
Compreender a dinâmica da oralidade em relação à dinâmica da escrita
melhora o ensino das habilidades da escrita, particularmente, em culturas que se
movimentam para a total oralidade virtual.
29
Ong (1998) entende que tanto oralidade como escrita são privilegiadas, pois
sem o texto a oralidade não pode ser identificada e sem a oralidade o texto também se
apaga. Assim, para que se sobressaiam no mundo do conhecimento e das interações,
um depende do outro.
Em fases de interiorização da consciência não é possível alcançar a escrita,
não há disponibilidade de imergir em estruturas comuns. A interação entre oralidade e
tecnologia da escrita se relaciona com várias vertentes da mente. Em uma primeira
fase de vida, através da oralidade, um indivíduo consegue articular, conscientemente a
linguagem, organizando e estruturando-a, segundo regras. A escrita vai introduzir uma
espécie de divisão e alienação, em busca de maior unidade e intensificação do sentido
do “eu”, fomentando uma interação mais consciente entre pessoas. A escrita é o
despertar da consciência, transposto na forma de registro (ONG, 1998).
O
conhecimento
antropológico
(histórico)
não
permite
considerar
as
sociedades sem a escrita como sociedades inferiores, mas sociedades em constante
mudança (LÉVY, 1993).
A invenção da escrita provocou um salto na consciência e nas habilidades
cognitivas do sujeito, indo além de simples técnicas mnemônicas naturais, do
pensamento oral ao pensamento escrito. A técnica da escrita permite a construção de
raciocínios mais abrangentes e complexos, inaugura um modelo de pensamento
analítico, contrário ao da fala. Um texto escrito pode ser visto e corrigido inúmeras
vezes, a oralidade verbalizada não. Assim, palavras uma vez ditas dificilmente podem
ser retiradas, principalmente, se mencionadas em público (LÉVY, 1993).
A escrita enquanto técnica complexa é aprendida com dificuldade, por isso,
muitos adultos não conseguem dominá-la completamente ainda quando adultos,
embora em contato durante toda a vida. A escrita transformou o processo educativo,
30
incorporando como forma de produção e conservação do conhecimento a necessidade
de ensinar esse conhecimento que se torna mais amplo e complexo, requerendo,
primeiro, que seja ensinada a técnica da escrita (ONG, 1998).
De acordo com Ong (1998, p. 35-36):
O pensamento e a expressão formular orais
percorrem as profundezas da consciência e do inconsciente e não
desaparecem assim que alguém que a eles se habilitou pegar em uma
caneta. [...] A mente, não tem, inicialmente, recursos propriamente
quirográficos. Rabiscam-se em uma superfície palavras que se imagina dizer
em voz alta em uma situação oral imaginável. Apenas muito gradativamente
a escrita torna-se composição escrita, um tipo de discurso – poético ou não –
que é construído sem uma sensação de quem está escrevendo está
realmente falando em voz alta [...].
A temporalidade e a distância são mudanças trazidas pela escrita, a qual é
conservada no suporte físico (papel, computador), enquanto a fala desaparece
instantaneamente (ressalta que na atualidade nem mesmo a fala desaparece, podendo
permanecer registrada por meio de gravação ou filmagem). O que não é memorizado
em uma cultura oral é perdido, tendo em vista a ausência de registro da história
passada. Na cultura escrita há um deslocamento sobre a importância da memória para
a habilidade de interpretar o que está registrado (ONG, 1998).
1.3 ORALIDADE SECUNDÁRIA
De acordo com Ong (1998), semelhante ao telefone, o rádio, a televisão e
diferentes tipos de registros sonoros, desenvolvidos através dos tempos, também, a
tecnologia eletrônica conduziu a humanidade à Era da Oralidade Secundária,
caracterizada por uma nova oralidade, com semelhanças notáveis à Era Antiga,
favorecendo um sentido comunal, mas concentrado na atualidade, nessa Nova Era. A
Oralidade
Secundária
se
constitui
em
uma
oralidade
mais
autoconsciente,
31
fundamentada no uso da escrita e da impressão, essencial à manufatura e operação
do equipamento tecnológico e seu respectivo uso.
Os novos meios de comunicação, incrementados pela tecnologia digital
permitiram o surgimento da Oralidade Secundária, apresentando semelhanças com a
Oralidade Primária. Porém, baseada no uso da escrita e da impressão (REIS et al.,
2009). Nesta Oralidade Secundária, agrupam-se indivíduos em uma “aldeia global”,
criando novos hábitos de socialização e comunicação social (REIS et al., 2009).
Ressalta-se que impressão e escrita estão presentes na Oralidade Secundária em
importância menor.
Para Ong (1998), a mudança da oralidade para literatura permitiu o
desenvolvimento social, tal como na organização política, desenvolvimento religioso,
intercâmbio cultural e inclusão dos gêneros verbais, contribuindo para determinar a
narrativa ao longo do tempo, passagem que produziu efeitos significativos.
O advento da impressão intensificou o registro escrito e proporcionou
submissão da palavra ao processo maquinal com um emprego mais cômodo e
generalizado. A escrita e a impressão não eliminaram a personagem plana, porém, as
novas tecnologias da palavra reforçam e ao mesmo tempo transformam as culturas da
escrita, gerando personagens abstratas (ONG, 1998).
Os trabalhos literários insistem na autonomia de trabalhos individuais, de arte
textual, onde a escrita passa a denominar o discurso autônomo, em contraste com a
dicção oral, ocorrendo mudança de mentalidade oral, para mentalidade textual (LÉVY,
1993).
A oralidade e a crescente tendência da literatura, fora da oralidade, é
fundamentalmente necessária à evolução da consciência humana. Assim, a passagem
da oralidade para a escrita é importante, pois em grande parte as mudanças da vida
32
humana ocorrem nas trocas comerciais, na organização política, não sendo causa
única, sendo estes eventos influenciados pela mudança da oralidade para a literácia.
Tanto oralidade como literácia envolvem inúmeras questões, incluindo a
evolução moderna da consciência, que contempla as dinâmicas da oralidade e da
literácia, conduzindo a uma maior interiorização e abertura.
No decorrer da história da humanidade a oralidade tem sido a principal
tecnologia intelectual utilizada no processo de construção do pensamento. Sem a
escrita, a educação dos sujeitos se faria apenas por vias práticas e os conhecimentos
seriam transmitidos através das gerações, pela fala (LÉVY, 1993). Contrária à escrita,
a fala está incorporada no homem e por isso pode ser aprendida pela criança, apesar
de complexa.
O texto escrito pode alcançar distância ilimitada e poder inestimável quando
comparado à distância do alcance da voz do orador. A escrita permite que os
pensamentos sejam registrados e transmitidos na sua forma fiel, independente de
tempo e espaço. Processo semelhante acontece no uso da máquina de calcular e do
computador, desaparecendo as razões que deram sentido ao saber algo decorado.
Com isso, habilidades tidas como importantes nas culturas oral e escrita são
substituídas por novas tecnologias, como imprensa, telefone, rádio, telex, fax,
televisão, o computador, acelerando o processo de transmissão da mensagem.
De acordo com Ong (1998, p. 39): “o meio é a mensagem, exprimiu sua
consciência aguda da importância da oralidade, por meio da cultura escrita e da
impressão, para a mídia eletrônica”.
A invenção da imprensa produziu muitas transformações tornando a cópia de
manuscritos eficiente e produtiva. A imprensa transformou o livro em produto barato,
permitindo gerar cópias idênticas, consumando a ideia dos manuscritos, de serem
33
obras fechadas, terminadas e datadas. Nesse processo, a imprensa marca ruptura
entre um pensamento com resquícios de oralidade para o pensamento analítico
nascido da escrita (GALVÃO & BATISTA, 2006).
A fala faz sentido quando o sujeito está na presença de seus pares, é uma
atividade eminentemente social e interativa. Na leitura é diferente, pois o livro impresso
tem uma característica introspectiva da escrita. Até o momento que não estava
totalmente incorporada no pensamento humano, a prática da leitura era realizada em
voz alta para um grupo, transmudando para uma atividade silenciosa, onde o leitor vive
o mundo dos personagens.
O surgimento da imprensa e consequente industrialização de obras escritas
fizeram com que milhões de pessoas tivessem acesso ao conteúdo de um mesmo
texto simultaneamente. Porém, até o período de invenção dessa tecnologia, poucas
pessoas possuíam cópias de manuscritos, sendo raras as que existiam. Com o
surgimento da obra impressa, houve a expansão de bibliotecas e escolas. O uso de
material impresso permitiu o surgimento do diálogo virtual (online), cuja prática, hoje, é
sedimentada em larga reprodução e disseminação do conhecimento (ONG, 1998).
Nesse compasso, a Oralidade Secundária é parte integrante e necessária,
quando não funciona quase que como uma totalitária de recursos para comunicar ou
informar aos povos contemporaneamente, pelo surgimento da ciberoralidade.
O estilo da oralidade de uma cultura intocada pelo conhecimento escrito se
insere na Oralidade Primária. No entanto, paulatinamente, contrasta com a Oralidade
Secundária, que tem como base o uso da tecnologia da cultura atual, sendo a nova
oralidade sustentada por veículos como o telefone, rádio, televisão e aparelhos
electrônicos diversos, que para sua existência e funcionamento dependem da escrita e
da impressão.
34
Para Ong (1998), nem todos os acadêmicos enveredaram para esse caminho.
Muitos entendem que, para ser compreendida, deve ganhar a mesma importância da
linguagem oral, requerendo explicar dois aspectos: a linguagem oral ganha
importância nas sociedades literatas, mas nas sociedades não literatas nunca perdeu
sua importância. Entre dezenas de milhares de línguas existentes na história da
humanidade, apenas 106 desenvolveram uma escrita que permitisse ter uma literatura;
o que ocorre não é um regresso à “Oralidade Primária”, própria das sociedades
intocadas pela escrita, mas, sim, o desenvolvimento de uma “Oralidade Secundária”,
em que os sujeitos falantes associam a palavra oral à forma escrita, ou seja, uma
“literatura oral”, designação com a qual discorda, mas considera difícil de eliminar.
Convém indagar quais os reais efeitos que teve a escrita na forma de pensar,
compreender e explicar o mundo por parte dos indivíduos da Oralidade Secundária
(GALVÃO & BATISTA, 2006).
Com os novos meios de comunicação, tais como o telefone, rádio, televisão,
entre outros, surge a Era da Oralidade Secundária, apresentando semelhanças com a
Era Antiga. Porém, mais deliberada e autoconsciente, utilizando também a escrita e a
impressão, essenciais à sua utilização (REIS et al., 2009).
1.4 A ORALIDADE E O CIBERESPAÇO
Esta abordagem tem como finalidade tratar dos diversos tipos de cultura oral e
escrita trazendo assim a ciberoralidade (oralidade dentro de ambientes virtuais), a qual
envolve todos os itens mencionados anteriormente que se encontram inseridos no
35
ciberespaço, além do surgimento da cibercultura, imprescindível para entender o
ciberespaço.
O termo ciberoralidade se insere no contexto de uma oralidade virtual, na qual
o computador enquanto instrumento tecnológico permite a interação virtual entre
massas, originada na oralidade primária e secundária, e na utilização da escrita para a
comunicação.
Com a troca de informação mais ágil e mais eficiente, oriunda da Internet, o
desenvolvimento e a integração da oralidade e da escrita acontecem em diversos
ambientes virtuais, os quais promovem o diálogo virtual e contribuem para que o
internauta use sua oralidade, uma vez que os temas são diversificados e os usuários
ou interlocutores são distintos.
Todos os ambientes virtuais promovem ligação entre oralidade e escrita no
ciberespaço. Deste modo, textos orais e escritos aproveitam o mesmo suporte,
produzindo um tipo de documento que congrega diversos recursos causadores de
possibilidades, como escrita, oralidade, som e imagem, de forma que o internauta
torna-se autônomo para usar e abusar desses recursos disponíveis e assim explanar
seus pensamentos. É uma linguagem que causa transformações na composição
linguística e nos modos de interação, e é essa interação e oralidade que encontramos
entre os usuários do Fórum Carros de Rua.
Sobre esse mesmo assunto, Soares (2002, p. 146) comenta:
[...] estamos vivendo, hoje, a introdução, na sociedade, de novas e
incipientes modalidades de práticas sociais de leitura e de escrita,
propiciadas pelas recentes tecnologias de comunicação eletrônica – o
computador, a rede (a web), a Internet.
As formas de escrita virtual reproduzem a linguagem falada pelo homem para
comunicar-se entre seus pares, além de utilizar o grafismo, o qual representa as
36
emoções e sentimentos dos sujeitos envolvidos no diálogo, cria um gênero discursivo
marcado pela oralidade, abreviações e transmissão de sentimentos e emoções,
recursos que surgiram a partir das necessidades do homem, de comunicar-se com
qualquer pe,ssoa em qualquer lugar.
Uma das formas perceptíveis da ciberoralidade, presente no Fórum Carros de
Rua é no afeto quando substituído por um recurso gráfico que represente essa afeição,
neste caso a representação de um piscar de olhos dando boas vindas ao novo
membro da rede, como se pode observar na figura 1.
Figura 1: Representação da Oralidade através do grafismo
Fonte: <http://forum.Carrosderua.com.br>
Da mesma forma, a representação de alegria também é marcada pelo diálogo
no momento em que o usuário escreve “hehehehe”, representando o que poderia ser
uma risada no discurso oral (figura 2).
Figura 2: Representação da Oralidade através do discurso escrito
Fonte: <http://forum.Carrosderua.com.br>
De acordo com Costa et. al (2005, p. 7):
A afetividade, presente nos traços orais, perpassou fronteiras objetivas e
subjetivas, penetrou na matéria, no espírito, no interior e exterior, no real e no
37
virtual, no individual e no coletivo, abrindo-se à incompletude do texto, do
diálogo, da vida.
A criação da Internet, a partir da Arpanet concebida em 19694, desencadeou
um novo modelo de comunicação no qual a mensagem é ubíqua e os usuários
assumem o papel de produtores de conteúdo, inclusive de linguagens próprias ao
meio, à rede.
Em 1975, após testes nos Estados Unidos, a Agência de Comunicação e
Defesa ganha o controle da Arpanet, rede nacional de computadores, servindo para
comunicação emergencial caso os Estados Unidos fossem atacados por outro país. A
troca de dados teve crescimento exponencial, chegando a novos usuários e,
principalmente, para pesquisadores universitários com trabalhos na área de segurança
e defesa.
No final da década de 1980, muitos computadores estavam interligados em
todo o mundo, abrangendo um alcance de rede em cerca de 80 países, inclusive o
Brasil, dando início à difusão da Internet em seu território a partir de 1990, por meio da
Rede Nacional de Pesquisas. Nessa época, entre os consumidores potenciais que
aderiram à novidade, estavam, preferencialmente, instituições de ensino/instituições
educacionais.
A invenção do computador, seus produtos e a imprevisível inovação
transformaram a Informática em um meio de massa à criação, comunicação, simulação
4
As origens da Internet são encontradas na Arpanet, uma rede de computadores montada pela
Advanced Research Projects Agency (ARPA), em setembro de 1969. A ARPA foi formada em 1958,
pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, com a missão de mobilizar recursos de pesquisa
(oriundos do mundo universitário), com o objetivo de alcançar tecnologia militar em relação à União
Soviética no lançamento do primeiro Sputniuk, em 1957. A Arpanet consistia em um pequeno
programa que surgiu de um dos Departamentos da ARPA, o Information Processing Techniques
Office, fundado em 1962, com base em uma unidade preexistente. [...] Para montar uma rede
interativa de computadores, o IPTO valeu-se de uma tecnologia revolucionária de transmissão de
telecomunicações, a comunicação por pacote, desenvolvida independentemente, por Paul Bran, na
Rand Corporation (empresa que trabalhava para o Pentágono) e por Donald Davies no British
National Physycal Laboratory (CASTELLS, 2003, p. 14-15).
38
de dados, informações ou imagens (LÉVY, 1999) – assim, a ciberoralidade,
representada pela escrita na Internet, torna-se um meio de interação muito eficaz.
A expansão de usuários via Internet no planeta tornou-se inevitável frente às
múltiplas facilidades ofertadas aos consumidores que, através da comunicação, tanto
oral como escrita, viabilizaram a aceitação de um serviço em âmbito mundial. Nesse
processo, o número de computadores conectados subiu de 1,7 milhões em 1993 para
20 milhões em 1997. Em 1996, havia 56 milhões de usuários em todo o mundo,
grande maioria concentrada apenas nos Estados Unidos, local de origem da Internet,
permitindo à cultura cyberpunk uma espécie de ciberoralidade, que utiliza o
computador e a escrita para intercomunicar-se entre vários usuários, possibilitando que
uma multidão de sujeitos conheça o pensamento do outro em relação a determinado
ponto de vista, produto ou serviço (LÉVY, 1999).
De acordo com Lemos (2008), o cyberpunk marca a cybercultura, cibercultura
na grafia em português, cujo termo tem suas origens no movimento harmônico de
ficção-científica, caracterizada por uma visão distópica em relação às possibilidades
abertas pelas novas tecnologias, que associa tecnologias digitais, psicodelismo, tecnomarginais, cyberespaço, cyborgs, poder midiático, político e econômico dos grandes
conglomerados multinacionais.
O cyberpunk caracteriza-se como:
[...] um modo de vida centrado em torno das tecnologias computacionais,
música hardcore e agressividade adolescente. O cyberpunk nos dá a
habilidade de ser livre. A tecnologia pertence ao jovem e deve ser explorada
em seu proveito. Esta é a nova Era [...] - (LEMOS, 2008, p. 171).
A popularização da cultura cyberpunk é creditada à mídia em massa, tal como
os jornais ou revistas, pois, além dos livros de ficção-científica, as revistas tornam-se
responsáveis pela disseminação desse imaginário tecnológico.
39
A Revista Mondo 2000 é a bíblia dos cyberpunks, figurando como uma das
primeiras a mostrar o vínculo entre a ficção científica e a vida real. O primeiro editorial
dessa Revista propôs-se em levar a cibercultura às pessoas num período onde as
drogas já estavam obsoletas, pois o ato de plugar-se à tecnologia para o
fortalecimento pessoal e jogos de entretenimento convida os sujeitos a tornarem-se
biônicos. Assim, o poder está nas mãos dos cyberpunks, podendo desenvolver sua
própria literatura, música, televisão e uma vida peculiar, o mais importante, sua própria
realidade (LEMOS, 2008).
A cibercultura se origina em um mundo hiperqualificado e hiper-racionalista,
que busca integrar e traduzir, não mais representar a natureza por meio da tecnologia
digital, condição técnica em que a cibercultura é consequência, resultante do
progresso das ciências reunidas a partir do Século XVII. “A microinformática é o berço
da cibercultura” (LEMOS, 2002, p. 116).
Lemos (2002) define a cibercultura como a popularização da atitude dos
cyberpunks; a regra que orienta os rebeldes da cibercultura é o desafio às normas
estéticas e culturais. Os cyberpunks usam a tecnologia como arma de sobrevivência
na sociedade.
A Revista Mondo 2000 busca convencer o leitor de que se está à frente de
uma revolução cultural sem precedentes, que une, de modo inédito, a jovem cultura
urbana e as tecnologias digitais, definida como a cultura do caos e as novas
tecnologias.
A cibercultura é uma revolução de história, uma nova forma de fronteira
eletrônica, a new age naturalista e espiritualista. Ela torna-se herdeira da contracultura,
não sendo mais antitecnológica ou nostálgica, celebra as novas possibilidades com as
tecnologias eletrônicas.
40
Para Lemos (2002, p. 2020), no ciberespaço, “a informação deve ser livre, o
acesso aos computadores [...] ilimitado e total”.
As redes de computadores representam o centro nervoso da vida social no
futuro do presente e no futuro do futuro, uma verdadeira odisseia. A ficção científica
cyberpunk aparece nos anos 80, especialmente, com o sucesso de Neuromancer, de
Willian Gibson, publicado em 1984, no qual mistura literatura policial, tecnologias,
tribos, pessimismo e caos urbano. O termo cyberpunk é usado para designar o
movimento da ficção científica dos anos 80 que, antes de ser reconhecido, foi
chamado ‘herdeiro da New Age’ dos anos 60 e 70, aparecendo na onda da década de
80, quando o ambiente é saturado por altas tecnologias e caos urbano.
Sob o ponto de vista de Felinto (2007, p. 4), o conceito de cibercultura tem sido
entendido em quatro sentidos fundamentais, ou seja, que se trata de um projeto
utópico com interfaces culturais da sociedade de informação, como prática cultural,
como um estilo de vida e, finalmente, uma teoria da nova mídia. No primeiro caso, está
relacionado com o momento histórico do surgimento, marcado pelas subculturas
hacker e cyberpunk, entre as quais se desenvolveu a cibercultura como promessa
futurística. No segundo, relaciona uma compreensão chave do conceito cibercultural.
No terceiro, o conceito se estende às práticas e problemas antropológicos ligados às
tecnologias digitais. No último, estão envolvidas questões da reflexologia.
O ambiente tecno-urbano e caótico, unindo-se a uma visão distópica do futuro
e altas tecnologias, caracteriza o imaginário cyberpunk. A tecnologia torna-se o
dispositivo pelo qual os piratas de dados atingem seus objetivos, ou seja, penetram
sistemas, introduzem vírus, destroem dados sensíveis, entre outros (LEMOS, 2002).
Nos anos 80, nasce um novo estilo de ficção científica. Sintonizados com os
humores da época, surgem o computador pessoal, redes telemáticas, telefones
41
portáteis, engenharia genética, problemas ecológicos, crises dos sistemas políticos,
fundamentalismo religioso, entre outros.
Na visão de alguns atores como Gibson (1986) apud LEMOS (2002, p. 204):
“um futuro com múltiplas facetas, complexo, integrado em uma visão global [...] da
cibernética, da biotecnologia, das redes de comunicação [...]”.
As personagens são frutos dos princípios de incerteza da modernidade, são
anti-heróis que buscam, no dia a dia, encontrar soluções para seus problemas
existenciais. O cyberpunk retrata as sociedades pós-industriais avançadas, nas quais
economia, cultura e saber foram traduzidos em informações binárias. Desse momento
em diante, o “poder” fundamenta-se no saber, na informação presente em redes
interligadas que tecem uma teia telemática ao redor do globo. O estilo cyberpunk é a
apoteose do pós-moderno, um representante do imaginário da cibercultura dos anos
80, em que interações virtuais entre humanos ocorrem a todo segundo.
Neste contexto, o termo ciber representa a ciência do estudo do controle dos
processos de comunicação entre homens-máquinas, homens-homens e máquinasmáquinas, enquanto o termo punk revela a atitude, força no que há de mais trágico e
violento. O vocábulo “cyberpunk” é representado por criminosos e visionários da
tecnologia, encarnado na ficção e na vida real dessa comunidade, é uma espécie de
atitude de “vitalista” da tecnologia.
A década de 80, especificamente 1984, foi representada por promessas de
modernidade tecnocrática. Dois importantes eventos marcam esse período: o
Neuromancer, de Willians Gibson, e o Macintosh5 (computador pessoal e interativo que
5
Macintosh é o computador pessoal desenvolvido na Apple Computers, por Steve Jobs e sua equipe,
que contemplava a utilização de uma interface gráfica do usuário controlada/manuseada por um
mouse. A interface gráfica popularizou a utilização de computadores e posteriormente da Internet
com a apresentação da World Wide Web em 1993 por Tim Berners-Lee, desenvolvida no CERN entre
1989 e 1992.
42
proporciona a apropriação técnica e simbólica e social da Informática, que até então
era de propriedade privada de uma elite científica e industrial). Assim, 1984 é uma
espécie de encantamento da tecnologia contemporânea.
Cabe citar os comentários presentes na obra de Ong (1998, p. 53):
As culturas orais [...] não carecem de originalidade
própria. A originalidade da narrativa reside não na construção de novas
histórias, mas na administração de uma interação especial com sua
audiência, em sua época – a cada narração, deve-se dar à história, de uma
maneira única, uma situação singular, pois nas culturas orais o público deve
ser levado a reagir, muitas vezes intensamente.
A cultura cyberpunk enquanto modalidade de vida representa, para o usuário,
uma evolução extensora, que mediada pela linguagem escrita - e hoje, também, pela
linguagem falada - permite ao indivíduo interações comunicacionais amplamente
difundidas entre uma infinidade de usuários – nas comunidades de redes sociais da
Internet, nas quais dados pessoais, imagens, fotos, o pensamento individual
(linguagem oral e escrita), entendimento e aceitação sobre determinada coisa, lei,
produto ou serviço são divulgados utilizando a rede como meio e “o outro”, por sua
vez, age, reage e interage com as informações disponibilizadas, seja no formato de
dados ou de imagens
Segundo Lemos (2002), o hipertexto mundial é o ciberespaço, o qual induziu
produtores culturais a mudarem a concepção dos conteúdos de seus produtos. Se o
usuário não interagir com os hipertextos, a ação não se concretiza, diferente da ação
proporcionada pela TV ou rádio, em que o usuário assiste ao que passa na tela e ouve
o que é emitido por estes meios de comunicação.
No ciberespaço, é possível navegar sem a obrigatoriedade de um percurso
pré-concebido ou pré-determinado. Todavia, no limite de opções oferecidas ao usuário,
a leitura não é mais linear, transformando-se em um estado de atenção-navegação-
43
interação, cujo percurso é potencialmente multilinear e infinito. O ciberespaço é um
hipertexto interativo de acesso universal em que cada qual pode adicionar, retirar e
modificar partes dessa estrutura telemática, como um texto vivo, um organismo autoorganizante rumo à concretização.
A navegação hipertextual ou hipermidiática problematiza a relação entre autorusuário e escritor-leitor. Segundo Lemos (2002, p. 130), as publicações eletrônicas
prometem produzir efeitos na cultura atual, particularmente, na literatura, educação, na
crítica e ensino, tão radicalmente quanto os efeitos produzidos pelo tipo móvel de
Gutemberg. A Web é um exemplo popular de hipertexto, sendo este parte da
multimídia da Internet, em que o usuário pode navegar de informação em informação,
de um site para outro, navegar entre países, em tempo real, através de interfaces
(LEMOS, 2002).
A leitura exige atenção para surfar na Web, cuja diferença situa-se no fato de
que no ciberespaço a conexão é em tempo real, imediata, permitindo passar de uma
referência para outra conexão imediatamente disponível (LEMOS, 2002).
O hipertexto planetário (ciberespaço) é interessante e sua prática também, por
permitir navegação hipertextual. A prática do cibernauta é um rearranjo do espaço
através de um modelo de conexão generalizada e descentralizada.
Os hipertextos não significam apenas suportes para a informação, mas
problematizam as formas de conceber a produção e apreensão da informação e do
conhecimento, simultaneamente, em um arranjo do espaço.
Tecnicamente, o hipertexto é uma forma de organização da informação,
possibilitada pelo avanço da Informática (LEMOS, 2002), traduzida em um conjunto de
nós, ligados por conexões que permitem a exploração por meio do processo de leitura
44
e navegação não linear e associativa, advinda da possibilidade de tradução,
transformação e passagens através de conexões múltiplas em velocidade.
O capítulo seguinte tem como finalidade abordar a web como fonte de
recomendações,
gerando
assim
a
propaganda
mediada
pelos
usuários
no
ciberespaço, sendo este um novo espaço de interação entre internautas e interações
que ocorrem na web, além de abordar a web e suas interfaces.
45
2 A WEB COMO FONTE DE RECOMENDAÇÕES
Esta abordagem traz à luz a Internet como fonte de recomendações, no que
tange a propaganda “boca a boca”, sendo este um processo de interação entre
usuários, no sentido de compreender como e por que acontece, trata das interações
presentes na web e da propaganda mediada pelos usuários dentro da tecnologia
digital.
2.1
O CIBERESPAÇO E OS NOVOS PROCESSOS DE INTERAÇÃO
A interatividade incorpora pressupostos informacionais e valoriza a
possibilidade de escolha entre as alternativas disponíveis. A interatividade ocorre a
partir do número de escolhas que o programador coloca à disposição do usuário e
entre os momentos que este pode reagir, nos quais, obtendo rápida acolhida reage,
seleciona entre alternativas, elegendo uma ou mais para si (PRIMO, 2008).
Os textos sobre interatividade recorrem às características técnicas que a
máquina e a rede exige, tal como velocidade do chip e do clock, RAM, espaço do
HD, taxa de transferência da rede, velocidade do modem e dos programas, das
linguagens e dos bancos de dados empregados, como Director, Flash, HTML,
Javascript, Java, Perl, ASP, SQL, entre outros (PRIMO, 2008).
O cérebro da rede digital se localiza em quatro pólos funcionais, substituindo
antigas distinções, hoje, se encontra fundado em suportes, modelados na imprensa,
edição, editoração, gravação musical, rádio, cinema, televisão, telefone, computador
e outras multimídias (LÉVY, 1993).
46
Os mencionados pólos funcionais fundamentam-se na produção ou
composição de dados, em programas ou representações audiovisuais; na seleção,
recepção e tratamento de dados, dos sons ou imagem, por meio de terminais de
recepção inteligente; na transmissão, por rede digital, de serviços integrados e em
mídias densas como discos óticos; no armazenamento em banco de dados, bancos
de imagem ou outras modalidades (LÉVY, 1993).
Os pólos funcionam como complexos de interfaces e a codificação digital é
um princípio de interface. A principal tendência no domínio da informatização é a
digitalização que atinge todas as técnicas de comunicação e de processamento de
informações6.
A
tecnologia
digital
suporta
metamorfoses,
revestimentos
e
deformações. É um fluído numérico composto por membranas vibrantes, sendo cada
bit uma interface capaz de mudar o estado do circuito, passando do “sim” para o
“não”, segundo circunstâncias requeridas.
A imagem e o som são pontos de apoio para as novas tecnologias
intelectuais que, uma vez digitalizadas(os) pode ser decomposta, recomposta,
indexada,
reindexada,
ordenada,
comentada,
associada
no
interior
de
hiperdocumentos e multimídias.
De acordo com Lévy (1993, p. 121), “um modelo digital não é lido ou
interpretado como um texto clássico [...] geralmente, é explorado de formas
interativas”.
Segundo Primo (2008), a capacidade de um canal de comunicação deve ser
descrita em termos de quantidade de informação que possa transmitir, ou melhor,
em termos de quantidade de sua capacidade de transmitir aquilo que é produzido a
partir de uma informação dada. Ainda nos dias atuais a interatividade mútua não
6
Ao progredir, a digitalização se conecta no centro de um mesmo tecido eletrônico, ou seja, das
tecnologias (cinema, radiotelevisão, jornalismo, edição, música, telecomunicações e informática. O
suporte da informação se torna leve, móvel e maleável.
47
consegue ultrapassar o mero tecnicismo e vislumbrar a complexidade das interações
mútuas mediadas por computador, como é o caso das paixões que ocorrem nos
chats, as acaloradas discussões que ocorrem nas vídeos-conferência, listas de
discussões e relacionamentos que são construídos por meio de programas de
mensagens instantâneas.
Para Lapolli e Gauthier (2008), as tecnologias da informação, os meios de
comunicação e as telecomunicações estão sendo direcionadas para a linguagem
digital, convergindo dados, imagens, vídeos e som, que podem ser transportados e
disponibilizados em uma infra-estrutura de rede. Os equipamentos, na modernidade
presente e futura, estão sendo preparados para decodificar esses dados e
informações digitalizados, permitindo que um usuário possa acessá-los através de
um mesmo equipamento, de forma integrada e interativa.
A convergência digital elimina barreiras entre mídias e linguagens,
distanciando a linguagem oral primária, aproximando a linguagem oral secundária,
denominada linguagem escrita. Nesse passo, oferece uma infinidade expressiva de
novos serviços e aplicações com a conveniência do melhor meio de comunicação,
adequando-se ao conteúdo.
A maneira de o usuário relacionar-se com o ambiente se torna mais
integrada e sincrônica e essa nova relação está criando hábitos de comportamento e
consumo, que devem ser considerados pela propaganda para que continue
mantendo seu discurso persuasivo adequado, quanto aos objetivos mercadológicos
dos anunciantes, se é que pretendem manter-se no mercado (LAPOLLI e
GAUTHIER, 2008).
48
2.2 INTERAÇÕES NA WEB
A “Interatividade é uma atividade entre dois organismos, que proveja
respostas adequadas às necessidade informativas de ambos” (Roderick Sims, 1997
apud BARRÉRE e ESPERANÇA, 2010).
De acordo com Lapolli e Gauthier (2008, p. 43): “o conceito interatividade7,
frequentemente é confundido e utilizado como sinônimo de interação”. Segundo
Lemos (1997), a interatividade está associada às novas tecnologias digitais,
enquanto a interação está associada às tecnologias tradicionais e analógicas8.
Lemos (1997, online), argumenta sobre a interação técnica digital:
[...] através dela o usuário pode interagir não apenas com o objeto
(computador ou sistema), mas com a informação, isto é, com o conteúdo.
Esta interação pressupõe “uma ação dialógica entre o homem e a técnica”,
em que o primeiro pode interferir no conteúdo das emissões em tempo real.
A interface passa a ser não mais do que o espaço de negociação, de
articulação do diálogo, seja entre homens, homem-sistema ou entre
sistemas.
A interatividade conduz a um estado de potência, virtualização, abertura de
um campo problematizado e interação que, por sua vez, conduzem à atualização e a
um acontecimento novo. A interação9 é um conceito bem mais antigo comparado à
7
O termo interatividade surgiu nos anos 60 e é derivado do neologismo inglês interactivity. Denomina
o que os pesquisadores da área de informática entendiam como uma nova qualidade da computação
interativa, presumindo a incorporação de dispositivos de entrada e saída como o teclado e as
teleimpressoras. Enfatiza a diferença, e significativa melhora, na qualidade da relação usuáriocomputador, pela substituição dos anteriores cartões perfurados e controladores elétricos, pelos
novos dispositivos disponibilizados.
8
Os Níveis de Interatividade são discutidos em virtude das seguintes dimensões: sistema: conjunto
de objetos ou entidades que se inter-relacionam formando um todo (sistema aberto x sistema
fechado); processo: acontecimentos que geram mudanças no tempo (negociação x estímuloresposta); operação: a relação entre a ação e a transformação (cooperação x ação e reação); fluxo:
curso ou seqüência da relação (dinâmico x linear); throughput: tempo de resposta (interpretação x
reflexo); relação: o encontro, a conexão, as trocas entre elementos ou sub-sistemas (construção
negociada x casual); Interface (virtual x potencial).
9
Relaciona interatividade, à extensão do quanto um usuário pode participar ou influenciar, na
modificação imediata da forma e do conteúdo de um ambiente computacional. A interatividade se
49
interatividade, é utilizado nas mais variadas ciências, influenciando em dois ou mais
fatores, permitindo que cada fator altere o outro, à si e também na relação existente
entre eles (LAPOLLI e GAUTHIER, 2008).
Diante da explanação elucidada pelos pesquisadores, constata-se que a
tecnologia tem proporcionado grande alcance em múltiplos aspectos, elevando a
possibilidade de realização em múltiplos sentidos:
A tecnologia digital, que surgiu para suprir a demanda da troca de
informações foi rapidamente integrada ao cotidiano de pessoas e
instituições, mudando a maneira de se fazer negócios, criando uma
oportunidade para as empresas de estreitar laços de suas marcas com
consumidores, tornando-se acessório indispensável e propiciando novas
formas de comunicação e relacionamento. Tudo isso com uma velocidade e
alcance especuladores, favorecendo a mudança de um conjunto de etapas
mecanizadas para processos automatizados (LAPOLLI e GAUTHIER, 2008,
p. 42).
As novas tecnologias são classificadas como meios interativos delimitados
pela grande capacidade de resposta. A comunicação por computador (e-mail),
vídeo-texto, teleconferência, boletim online, TV interativa, entre outros meios, são
considerados de elevado grau de interatividade, podendo ser denominada
“comunicação em massa”. A linguagem desses meios é totalmente diferente da
linguagem das mídias de massa (imprensa, rádio, televisão, cinema) nas quais, ao
invés de um convencimento unilateral, a conquista é realizada no “clique” por
“clique”, a fim de manter o usuário interessado no assunto.
Para Thompson (1999):
[...] o uso dos meios de comunicação implica no desenvolvimento de novas
formas de ação e interação no mundo social. Em outras palavras, a criação
de ferramentas colaborativas mudou a forma de como se desenvolvem as
ações criativas; mudou, também, a forma como os indivíduos interagem
com a propaganda.
diferenciaria de termos como engajamento e envolvimento, sendo uma variável direcionada pelo
estímulo e determinada pela estrutura tecnológica do meio.
50
Na comunicação há a indiscutível relação entre emissor-mensagemreceptor. Primo (2008) salienta a necessidade de lançar um novo olhar sobre a
comunicação, sobretudo, no momento em que possibilita a interação mediada pelo
computador. As “Teorias Tradicionais de Comunicação” não dão conta da
comunicação mediada, na qual o modelo emissor–mensagem–receptor ganhou uma
via em sentido contrário, que é o da interatividade entre o indivíduo e o computador.
A interatividade produz mudança no esquema clássico da comunicação,
que se fundamenta na ligação unilateral em que o receptor é o ponto final de uma
comunicação. Assim, o emissor não mais emite como habitualmente entende. Não
propõe mais uma mensagem fechada, mas oferece um leque de opções que coloca
no mesmo nível, conferindo a elas um mesmo valor. A mensagem somente toma
seu significado por meio da intervenção do próprio usuário.
A
mensagem
pode
ser
recomposta,
reorganizada,
modificada
permanentemente sob o impacto cruzado das intervenções do receptor e dos
ditames do sistema, perdendo o estatuto de mensagem.
Segundo Montez e Becker (2005, p. 48):
[...] interatividade está relacionada à extensão de quanto um usuário pode
participar ou influenciar modificação imediata, na forma e no conteúdo de
um ambiente computacional. [...] Configurando-se num espaço aberto para
conexões possíveis, essa tecnologia permite ampla liberdade para navegar,
fazer permutas ou conexões em tempo real, podendo o usuário transitar de
um ponto para outro instantaneamente, sem a necessidade de passar por
pontos intermediários [...].
A primeira geração da Web é marcada pela agilidade na recuperação de
informações e pela simplicidade na publicação e disponibilização de dados em rede,
típicos dessa fase da Web são os portais, home-pages e álbuns de fotos online
51
(LÉVY, 2002)10. Contudo, essas páginas digitais ofereciam limitações à interação,
pois foram sendo construídas para “o apontar e clicar”, ou seja, para processos de
ação e reação. No entanto, portais e páginas da primeira geração da Web
caracterizam-se pela interação reativa (PRIMO, 2008).
De acordo com Primo (2008), as interações reativas dependem da
previsibilidade e da automatização nas trocas, conquanto que as reações mútuas se
desenvolvem em virtude da negociação relacional durante o processo de troca.
A interação remete à relação entre dois ou mais indivíduos em uma dada
situação, na qual adaptam seus comportamentos uns aos outros, quando os
indivíduos estão próximos fisicamente e inseridos em um mesmo contexto social
(PRIMO, 2008).
O sentido sociológico de interação serve para julgar a relação dos indivíduos
com os produtos dos meios de comunicação de massa. A interação é tida como
potencialmente mais democrática na medida em que há distancia fixada entre
emissores e receptores e em que o sentido do contexto é negociado entre parceiros,
em vez de ser imposto pela mídia (PRIMO, 2008).
Na informática, a interação se refere à relação do indivíduo com o
computador, na qual o primeiro, como sujeito, teria controle sobre o uso da máquina.
Na comunicação, porém, o conceito de interação é usado para fazer referência às
ações dos receptores em relação ao conteúdo da mídia (PRIMO, 2008).
Um exemplo de interação pode ser encontrada no Fórum Carros de Rua, no
qual dois ou mais membros discutem um assunto em comum, neste caso carros,
estando os dois ou mais indivíduos no mesmo contexto como no caso da figura 3,
10
Segundo o artigo denominado Blog Comparativo (2010, online): “nossa tecnologia passou à frente
de nosso entendimento e a nossa inteligência desenvolveu-se mais do que a nossa sabedoria”.
52
em que a pesquisadora solicita a opinião dos outros usuários em relação a uma
campanha veiculada na mídia, seguida de respostas de outros usuários.
Figura 3: Interação entre usuários do Fórum Carros de Rua
Fonte: <http://forum.Carrosderua.com.br>
De acordo com Lapolli e Gaulthier (2008), a interatividade permitiu ao
consumidor liberdade de escolha sobre a informação que deseja acessar, momento
e sequência de apresentação, além da possibilidade de compartilhar imagens. Na
comunicação, com altíssimo poder, os consumidores passam a ter audiência própria
53
e a tomar decisões muito mais inteligentes em relação aos produtos e serviços que
necessitam comprar.
A linguagem publicitária das mídias digitais exige apelo para atrair a atenção
do público que é bombardeado com informações todos os dias e ocorre devido à
grande quantidade de anúncios veiculados, dissolvendo a eficiência da mensagem,
tornando o consumidor mais resistente, consequentemente, fazendo com que a
captação seja mais difícil. Dessa forma, a segmentação da mensagem, além de ser
uma necessidade é também uma oportunidade (LAPOLLI e GAULTHIER, 2008).
A propaganda de contato direto com o consumidor, através de sites, e-mails
e outros meios faz com que as empresas, no momento da escolha, compra e póscompra disponham de mais ferramentas para facilitar e induzir o comportamento do
consumidor a aceitar a marca, as reclamações ou elogios em relação ao produto
adquirido. Com isso, as empresas ganham mais agilidade na resolução de eventuais
problemas, para realizar a pesquisa de nível de satisfação ou buscar informações
com o objetivo de aprimorar seus produtos ou serviços (LAPOLLI e GAULTHIER,
2008).
É importante saber que para combater a perda de clientes é fundamental
que as empresas estimulem as pessoas a falarem sobre o que está as incomodando
e invistam em soluções para suas reclamações.
54
2.3 PROPAGANDA MEDIADA PELOS USUÁRIOS
A propaganda mediada pelos usuários é um processo de comunicação
relacional entre usuários, e algumas vezes consumidor e empresa, em que ambos
interagem com informações, dados, compartilhamento de ideias, imagens e afins.
Na propaganda mediada pelos usuários a interatividade possibilita que o
conteúdo produzido por milhares de indivíduos seja entregue para outros milhares
de indivíduos, não substituindo o método de propaganda convencional, mas trata da
reunião de fatos que a tecnologia potencializa nas mediações, ou seja, nas
interações convergentes entre usuários (internautas ou nós).
De acordo com Muniz (2009), a publicidade e a propaganda, embora
apresentem objetivos incomuns, tem pontos comuns quanto à técnica e ao veículo
que utilizam. A propaganda é definida como uma atividade que influencia o homem,
com objetivos religiosos, políticos ou cívicos, é a difusão de ideias sem finalidade
comercial. A publicidade é persuasiva e tem objetivo comercial.
A publicidade é a arte de despertar no público o desejo de compra
conduzindo-o à ação, porém, a propaganda não conduz à ação, seu objetivo é
estimular as vendas, no entanto, ambas utilizam os mesmos veículos de divulgação.
[...] a propaganda é ideológica, grátis, dirigida ao indivíduo e apela para os
sentimentos morais, cívicos, religiosos, políticos [...] a publicidade é
comercial, paga pelo consumidor, dirigida à massa e apela para o conforto,
prazer, instinto de conservação [...] - (MUNIZ, 2009, p. 3).
A propaganda faz adeptos, converte pessoas a determinadas opiniões,
produz seguidores, ao passo que a publicidade vende bens/serviços, divulga
mercadorias, ganha consumidores. Assim, a propaganda influencia a opinião e a
conduta da sociedade de modo que adotem uma opinião ou uma conduta.
55
A publicidade tem como tarefa informar as características deste ou daquele
produto ou serviço, promovendo a venda. A publicidade motiva o consumo em
massa sobre os produtos, a propaganda, com sentido ideológico atribui valor para o
serviço ou produto.
Ao percorrer o terreno da economia verifica-se que as empresas podem
explorar visando obter competitividade e crescimento. Dentre esses modelos figuram
o peering11, as ideágoras12, as comunidades prosumers13, ciência colaborativa14,
plataformas de participação15, o chão de fábrica16 ou locais de trabalho que, isolados
ou reunidos viabilizam nova forma de competir, permite a utilização do
conhecimento, dos recursos e dos talentos externos, pelas empresas, em uma
escala impossível anteriormente (TAPSCOTT e WILLIAMS, 2007).
Os
quatro
princípios
elaborados
por
Tapscott
e
Williams
(2007)
fundamentam-se na abertura, peering, compartilhamento e ação global. Os
princípios de Wikinomics17 representam uma força propulsora para muitos gerentes,
à inovação e criação de valor em uma escala sem precedentes. Podem transformar
a maneira pela qual a ciência é conduzida, criar uma cultura, mostrar como o ser
humano é criado, educado e como uma nação ou comunidade é governada.
Para que isso ocorra é necessário o descarte de parte da sabedoria
convencional, que faz com que as empresas permaneçam atoladas no raciocínio do
11
Através desse meio os produtores aplicam princípios do Código Aberto para criar produtos feitos de
bits, desde sistemas operacionais a enciclopédias.
12
Dão acesso à um mercado global de ideias.
13
Podem ser uma fonte de inovação se as empresas fornecerem aos clientes as ferramentas
necessárias à criação de valor.
14
Reduz o custo e acelera o ritmo do progresso tecnológico em seus setores.
15
Criam um palco global, no qual, grandes comunidades de parceiros podem criar valor, inserindo
novas empresas em um ecossistema altamente sinérgico.
16
Usam o poder do capital humano.
17
O chamado mundo “Wiki” possui o princípio da colaboração voluntária e da participação em massa.
A expressão Wiki é derivada da palavra havaiana Wiki Wiki, cujo significado é rápido, veloz. Wiki na
Internet é uma página viva onde qualquer um pode editar ou modificar conteúdos. Inicialmente,
associado à produção de software livre\código aberto. O conceito wiki ultrapassa as fronteiras do
conhecimento e atinge diversas outras áreas, da Medicina ao Direito.
56
Século XX, tendo em vista que empresas que ainda lideram esse pensamento serão
colocadas de lado, melhor dizendo, refutadas. Contudo, cabe a cada hierárquico
conduzir essa ideia avante, introduzindo-a em sua organização e torná-la uma força
em favor de mudanças. Enfatiza os autores que no mundo wikinomics praticamente
todos podem tornar-se líderes (TAPSCOTT e WILLIAMS, 2007).
De acordo com Anderson (2006), se a propaganda mediada pelos usuários
funciona ou não, a resposta está no “fazer online” que, explorando as formas de
propaganda boca a boca, tem substituído o marketing tradicional na criação da
demanda, tentando descobrir como extrair os melhores resultados dessa nova fonte.
A crença desenvolvida pelo homem, pela propaganda e pelas instituições
que pagam via esse meio, vagarosamente está reduzindo, conquanto a crença na
propaganda feita pelos próprios indivíduos encontra-se em ascensão. A mesma
inversão de poder está mudando o jogo do marketing, tanto em produtos e serviços,
quanto em pessoas. No momento, o coletivo controla a mensagem, não é mais uma
empresa.
Para uma geração de clientes acostumados a fazer suas pesquisas de
compra por meio de softwares de busca, a marca de uma empresa não é o que diz
ser, mas, sim o que o Google diz ser. Os novos formadores de preferência são os
novos clientes. Agora, a propaganda boca a boca é um diálogo público,
desenvolvido nos comentários dos blogs e nas resenhas de clientes, comparadas e
avaliadas de maneira exaustiva (ANDERSON, 2006).
Um grande número (milhões) de pessoas consideradas “comuns” (inseridas
no meio social) representa os novos formadores de preferência. Algumas atuam
como indivíduos, outras, participam de grupos organizados em torno de interesses
57
comuns. Porém, outras, são simplesmente rebanhos de consumidores monitorados
automaticamente por software que observam seus comportamentos.
Historicamente, diante da tecnologia, pela primeira vez, indivíduos tornaramse capazes de medir os padrões de consumo, as inclinações e preferência de todo
um mercado de consumidores, em tempo real, com a mesma rapidez, ajustando-se
a tais condições para melhor atender esse público. Ocorre que esses novos
formadores de opinião não se caracterizam como super-elites, cujos componentes
não são melhores que “eu”, “você” ou “ele” (ANDERSON, 2006).
Estamos saindo da Era da Informação e entrando na Era da
Recomendação. Hoje, é [...] fácil obter informações, praticamente se
tropeça nelas nas ruas. A coleta de informações não é mais a questão [...].
As recomendações servem como atalho no emaranhado de informações, da
mesma maneira como o dono de minha loja de vinhos me orienta entre as
prateleiras de obscuros vinhos franceses para que eu desfrute do melhor
com minhas pastas (ANDERSON, 2006, p. 105). [Grifo dGráfico elaborado
pela autora]
A propaganda boca a boca é a manifestação da inteligência coletiva explora
o sentimento dos consumidores e liga oferta-demanda. Nesse processo, há a
democratização da produção e distribuição que ajuda as pessoas a encontrarem o
que buscam na abundância de variedades e entra em ação o potencial de mercado
(LAPOLLI e GAULTIER, 2008).
Os novos formadores de preferência são pessoas cujas opiniões são
respeitadas e influenciam no comportamento de outras, encorajando-as, na tentativa
de conseguir novidades, que do contrário, não experimentariam. Alguns dos
formadores de preferências são os profissionais tradicionais, incluindo críticos de
cinema e música, editores e testadores de produtos ou serviços (ANDERSON,
2006).
58
A linguagem publicitária nas mídias digitais exige apelo para atrair a atenção
do público bombardeado com informações no dia a dia que, ancorada em
transformações tecnológicas, sociais, econômicas e culturais viabiliza novas formas
de divulgar. Atualmente, o foco das empresas está mais voltado ao produto e passa
a atenção às necessidades mutáveis do consumidor.
Hoje, a comunicação volta-se para um público mais segmentado e se torna
cada vez mais individualizada formulando algo denominado convergência,
representada por um novo modo dos sujeitos sociais encararem as relações com as
mídias, conquistada por meio da interação da cultura e das habilidades adquiridas.
Atualmente, vive-se em uma Era de convergência que, para Jenkins (2009,
p. 51) essa nova etapa:
[...] representa uma mudança no modo como encaramos nossas relações
com as mídias. Estamos realizando essa mudança, primeiro, por meio de
nossas relações com a cultura popular, mas as habilidades adquiridas [...]
tem implicações no modo como aprendemos, trabalhamos, participamos do
processo político e nos conhecimentos com pessoas de outras partes do
mundo.
Castells apud SAAD (2003, p. 71) afirma que “não estamos mais vivendo
numa aldeia global, mas em cabanas individualizadas, espalhadas globalmente e
distribuídas localmente”.
Primo (2008, p. 117-118) entende que nos relacionamentos:
Não se pode pensar [...] que duas pessoas, ao interagirem, permanecem
em constante consenso [...] compartilhando as mesmas opiniões e
expondo-se totalmente. Pelo contrário [...] para que compreenda a
comunicação interpessoal vale pensar como um processo de negociação.
[...] Tais relacionamentos, podem, inclusive, se tornar muito íntimos,
dependendo de quanto de si os interagentes revelam, da intensidade e
recorrência das mensagens, entre outros fatores.
59
A interação mútua é dinâmica, não se pode pensar em apenas um
movimento. A ideia de relacionamento contempla relações meramente causais e
lineares. A interação mútua é conjunta, mais que mero movimento ou reação
determinada. O relacionamento não é algo dependente do contexto cultural e
temporal e cada uma em si é diferente, mesmo frente a estímulos equivalentes
(PRIMO, 2008).
A interação mútua promove a invenção conjunta de soluções temporais aos
problemas durante a interação em virtude fatores contextuais envolvidos. Já a
interação reativa depende das fórmulas previstas, ou seja, não se trata de uma
relação negociada, percorre o trilho demarcado (PRIMO, 2008).
A interação física do mercado passa a ser virtual e oferece aos clientes a
acessibilidade total a produtos e serviços a qualquer hora ou local, possibilitando ao
cliente efetuar compras personalizadas, tanto em volume quanto em formato de
produto, disponibilizando informações em tempo real sobre o produto consumido e
acesso a uma central de pós-vendas de maneira eficiente (LAPOLLI e GAULTHIER,
2009).
Quando duas pessoas interagem as ações de cada uma ocorrem em função
de ações manifestadas pela outra, de como percebem e do próprio relacionamento.
Ora, no próprio relacionamento tem uma forma afeta “do como” as pessoas se
comportam diante dos outros participantes.
Segundo Fisher (1987 p. 197) apud Primo (2008, p. 117) e Primo (2008, p.
117):
[...] um relacionamento nunca é apenas: ele está constantemente mudando,
[...] então, é continuar modificando-o. [...] as relações têm consequências
[...] elas afetam os participantes da relação. [...] são qualitativos. Cada
relação tem características criadas pelos integrantes que a diferenciam de
outras.
60
Um relacionamento pode ser considerado uma negociação aberta, de
intensidade e recorrência de mensagens, intencionalmente, sendo a Internet o meio
pelo qual o internauta pode falar com o colega e vice versa, com mensagens
enviadas privativamente ou coletivamente, cujo relacionamento está em permanente
negociação. Cada interato redefine o relacionamento, embora ele mesmo não seja o
tema do diálogo.
2.4 A WEB E SUAS INTERFACES
A web, desde sua criação, passou por diferentes fases, sendo a Web 1.0,
2.0 e 3.0, a última também conhecida como Web Semântica, caracterizadas por
interfaces
que
gradativamente
sofreram
modificações
visando
melhorar
a
comunicação e interatividade entre internautas.
A Internet enquanto tecnologia se diferencia em fases, e para definir a
diferença entre Web 1.0, Web 2.0 e Web 3.0 fazem-se necessário entender que
estas possuem características intrínsecas e múltiplas, diferenças básicas e
tecnológicas, por permitir ou não a interação entre usuários sociais, referente ao
surgimento de comunidades virtuais, além de uma estrutura diferenciada.
A convergência é um processo que tanto pode ser corporativo, como referirse ao consumidor. No primeiro caso se coaduna com a convergência alternativa, ou
seja, muitas empresas de mídia buscam celeridade nos conteúdos de mídia nos
canais de distribuição visando aumentar as oportunidades de lucro, ampliar
mercados e consolidar compromissos, auxiliada, primeiro, pela Web 1.0,
posteriormente, pela Web 2.0 e rumo a Web 3.0 se consolida em importante
61
instrumento de interação entre usuários-usuários e usuários-empresa. No segundo
caso refere-se à interação entre usuários que irremediavelmente tem atingido um
público não mais possível de controlar seu crescimento (JENKINS, 2009).
A principal diferença está na abordagem, ou seja, enquanto o usuário Web
1.0 é mero consumidor de conteúdo, incapaz de alterar ou produzir novas versões, o
usuário Web 2.0 tem como objetivo construir conteúdos, ou seja, os usuários
contribuem no alastramento da World Wide Web (www).
Embora seja complexo definir a Web 1.0, primeiro, porque a Web 2.0 não se
refere a um avanço específico na tecnologia da Web, mas a um conjunto de técnicas
para design e execução de páginas Web. Algumas dessas técnicas existem desde
que a World Wide Web foi lançada, tornando impossível separar a Web 1.0 e Web
2.0 em termos cronológicos. No entanto, a definição de Web 1.0 depende da
definição da Web 2.0. Ora, se a Web 2.0 caracteriza-se como a segunda geração de
navegação ou ainda uma coleção de abordagens efetivas na www, desta forma, a
Web 1.0 inclui o restante dos aportes. Quanto ao significado do termo, Tim O'Reilly
comenta que fornece ao usuário uma experiência envolvente, que propicia desejo de
retorno à página no futuro.
O surgimento de grandes portais como AOL, UOL e Yahoo marcou a
chegada da Web 1.0, a primeira geração de Internet comercial. Em 1994 existiam
apenas pouco mais de 10 mil websites e, somente os responsáveis por uma página
podiam colocar informação na Web. Seu principal produto é a quantidade imensa de
informações disponíveis, porém, de conteúdo pouco interativo. O usuário, enquanto
mero espectador não detinha autorização para alterar seu conteúdo. Na primeira
fase da Web a troca de informação, por e-mail e instant messanges foi a atração
principal da rede no mundo dos negócios.
62
De acordo com Antoun (2008), a Web 2.0 é a segunda geração de serviços
online, caracteriza-se por potencializar as formas de publicação, compartilhamento e
organização de informações, além de ampliar os espaços à interação entre os
participantes do processo.
Para Olicshevis (2009), a Web 2.0 viabiliza a interatividade entre usuários,
termo este que surgiu em 2004, democratizando a produção de conteúdo digital,
mas, além disso, possibilita que cada usuário ou internauta possa criar seu próprio
conteúdo, disponibilizando-o para toda a comunidade digital18. A Wikipédia é uma
enciclopédia criada de maneira colaborativa, ninguém tem sua propriedade, é escrita
por dezenas de milhares de entusiastas conhecedores de algum tipo de assunto
(TAPSCOTT & WILLIAMS, 2007).
Mas caracterizar um site como 1.0 ou 2.0 nem sempre é uma tarefa fácil. A
Amazon.com nasceu com o tipo de ferramenta 1.0, adicionando outras com o passar
dos anos. Em reunião inicial de brainstorming realizada entre O'Reilly Media e
MediaLive International formulou-se a Web 2.0. O Quadro 1 mostra este comparativo
entre a Web 1.0 e Web 2.0.
18
A Web 2.0 foi pensada essencialmente para o usuário, tem como objetivo desenvolver estruturas e
plataformas que abordem a convergência das mídias, promovendo a interação. Sua essência é
permitir que os usuários sejam mais que meros espectadores. Assim, surgiram novas tecnologias,
como: Mashups, Ajax, além de sites como: Facebook e Myspace. Os sites são ferramentas para que
internautas gerem conteúdo, criem comunidades e interajam. Alguns, como a Wikipédia possibilitam a
construção coletiva do conhecimento. A Wikipédia tornou-se símbolo dessa transformação. É uma
enciclopédia em que verbetes são criados e editados pelos próprios usuários. O YouTube é outro
exemplo. Os internautas postam seus vídeos, podendo comentá-los. A sabedoria das massas
transformou-se chave na rede, recebendo um novo nome Web 2.0. Outro exemplo é FlickR, onde
qualquer pessoa pode publicar fotos. Nesse contexto, surgiram as famosas Tags, espécies de
etiquetas ou índex, entre as quais os usuários podem classificar o tipo de conteúdo produzido e assim
facilitar a navegação. A partir dos tags fica mais fácil encontrar uma informação na Web.
63
QUADRO 1 – Confronto entre os vários “produtos” da Web 1.0 e Web 2.0
Fonte: Disponível em
<www.oreillynet.com/pub/a/oreilly/tim/news/2005/09/30/what-isweb-20.html>. Acesso em 5 jan 2010.
O confronto entre os vários produtos da Web 1.0 e outros diversos produtos
da Web 2.0 permite perceber a interatividade entre os usuários durante a conexão.
[...] os vínculos de hipertexto constituem os alicerces da Web. A medida que
os usuários agregam novo conteúdo e novas páginas Web [...] se enlaçam
com a estrutura da “www” graças a outros usuários que descobrem tal
conteúdo e se envolvem também com ele. De forma muito parecida à
sinapse do cérebro, onde as associações se tornam mais fortes através da
repetição ou da intensidade, a rede de conexões cresce organicamente
como resultado da atividade coletiva de todos os usuários da Web (PRIMO,
2009, online).
O hipertexto é um alicerce presente na web e agrega conteúdo às páginas
que, por sua vez, estão entrelaçadas na estrutura da www, semelhante às sinapses
que ocorrem no cérebro humano, que se fortalecem através da intensidade de
interações que ocorrem.
Então, como muitos conceitos importantes, a Web 2.0 não tem uma fronteira
clara, é mais um núcleo gravitacional, pode ser visualizado como um sistema de
princípios e práticas que configuram um verdadeiro sistema solar de sites e podem
exibir alguns ou todos esses princípios. Primo (2007, p. 3) destaca as formas de
publicação e circulação de informações na Web 2.0:
64
[...] apresenta um processo coletivo para a organização e recuperação de
documentos eletrônicos: o social bookmarking. Trata-se do registro de links
de “favoritos” (bookmarks) em sites como del.icio.us e Technorati. Porém, o
que diferencia estes serviços da mera listagem de apontadores em uma
página on-line é o processo de geração de metadados (ou seja, dados
sobre dados) através da associação de tags (etiquetas) a referências e
materiais. No tagging, em vez do cadastramento padronizado de
informações como “autor” e “ano de publicação”, os internautas ao incluírem
um novo link em sua lista pública de bookmarks podem registrar quaisquer
palavras que julgarem ser associadas à um certo material. Esse processo
vem sendo chamado de “folksonomia”, neologismo criado pelo arquiteto de
informação Thomas Vander Wal a partir dos termos folk e taxonomia. Ou
seja, em vez de uma categorização por especialistas que segue rígidos
padrões taxonômicos, a folksonomia seria uma classificação social de ‘baixo
para cima.
Por outro lado, conforme relata Primo, atualmente, é impossível demarcar as
fronteiras atingidas pela Web 2.0, o fato é que nesse ambiente, quanto mais se usa,
mas eficiente se torna esse serviço:
[...] não há como demarcar precisamente as fronteiras da Web 2.0. Trata-se
de um núcleo ao redor do qual gravitam princípios e práticas que
aproximam diversos sites que os seguem. Um desses princípios
fundamentais é trabalhar a Web como uma plataforma, isto é, viabilizando
funções online que antes só poderiam ser conduzidas por programas
instalados em um computador. Porém, mais do que o aperfeiçoamento da
“usabilidade”, O’Reilly enfatiza o desenvolvimento do que chama de
arquitetura de participação: o sistema informático incorpora recursos de
interconexão e compartilhamento. Por exemplo, nas redes peer-to-peer
(P2P), voltadas para a troca de arquivos digitais, cada computador
conectado à rede torna-se tanto “cliente” (que pode fazer download de
arquivos disponíveis na rede) quanto um “servidor” (oferta seus próprios
arquivos para que outros possam baixá-lo). Dessa forma, quanto mais
pessoas na rede, mais arquivos se tornam disponíveis. Isso demonstra,
segundo O’Reilly, um princípio chave da Web 2.0: os serviços tornam-se
melhores quanto mais pessoas os usarem (PRIMO, 2007, p. 2).
A Web 2.0 não é a simples combinação de técnicas informáticas, incluindo
os serviços Web, linguagem Ajax, Web syndication, entre outras, refere-se a
determinado período tecnológico, um conjunto de novas estratégias mercadológicas
e processos de comunicação mediados por computador (ANTOUN, 2008). Tem
importantes repercussões sociais que potencializam os processos de trabalho
coletivos, de trocas afetivas, produção e circulação de informações, construção
65
social de conhecimento apoiado pela Informática, cujas formas interativas são mais
que simples conteúdos produzidos ou especificações tecnológicas, devendo ser
discutidas e entendidas adequadamente (ANTOUN, 2008)19.
Há certa preocupação com a aplicação acrítica de métodos e conceitos
sobre a Análise de Redes Sociais (ARS) na investigação dos fenômenos originados
da Web 2.0. O estudo de redes sociais na Internet é representado por uma
compilação de métodos que traduzem as premissas da ARS. É um estudo de cunho
estruturalista, parte do princípio que estudar estruturas decorrentes de ações e
interações entre atores sociais torna possível compreender elementos a respeito
desses grupos e suas generalizações.
Fragoso et al. (2011) entendem que uma rede social é uma metáfora
estrutural. No entanto, quando focada em determinado grupo sob o formato de rede
caracteriza-se como uma estrutura que, por um lado, estão os nós (ou nodos), por
outro, as arestas ou conexões. Os nós, geralmente, são representados pelos atores
envolvidos ou representações na Internet. As conexões são interações construídas
entre atores, proporcionadas e mantidas pelo sistema. A ARS surgiu em meio a
estudos sociológicos do início do século XX confundindo-se com o surgimento da
Sociometria, através de estudos e mapeamento de relações sociais e de como
essas relações influenciavam os sistemas sociais. Wasserman e Faust (1994, p. 4)
entendem que:
A Análise de Redes Sociais é [...] uma empreitada interdisciplinar. Seus
conceitos foram desenvolvidos por um propício encontro da teoria social e
da aplicação da Matemática formal, da Estatística e dos métodos
computacionais (apud FRAGOSO et al., 2011, p. 115).
19
[...] potencializar as formas de publicação, compartilhamento e organização de informações, além
de ampliar os espaços para a interação entre os participantes do processo. [...] Web 2.0 refere-se não
apenas a uma combinação de técnicas informáticas (serviços Web, linguagem Ajax, Web syndication,
etc.), mas também a um determinado período tecnológico, a um conjunto de novas estratégias
mercadológicas e a processos de comunicação mediados pelo computador (PRIMO, 2007, online).
66
Apesar do poder das métricas o uso desses procedimentos e o deslumbre
com as ilustrações de redes sociais trivializam o fenômeno social, deixando de lado
fatores como cultura, discurso, ideologias e aspectos relacionais que evidentemente
se inter-relacionam entre si. Diante do exposto, em relação à Análise de Redes
Sociais existem críticas enquanto método, o qual pretende ser uma teoria (ANTOUN,
2008). Convém ressaltar que esta análise se ocupa do estudo das relações entre os
pontos de uma rede (BARABÁSI, 2003).
De acordo com Recuero (2009), os sites e diferenciam das redes sociais.
Ora, sites são espaços utilizados para a expressão das redes sociais na Internet. Os
sites de redes sociais são sistemas que permitem a construção de uma persona
através de um perfil ou página pessoal, a interação através de comentários, a
exposição pública da rede social de cada ator.
Segundo Recuero (2009), os sites de redes sociais se constituem em uma
categoria do grupo de softwares sociais, com aplicação direta à comunicação
mediada por computador, cujos elementos, embora focados em uma estrutura de
sistemas que permite a construção de uma página pessoal, o foco de atenção está
na busca de autores pela formação de redes sociais por meio de novas conexões.
Os sites de redes sociais atuam como suporte para interações, constituindo
as próprias redes sociais. Assim, não são redes sociais, mas também não são
apenas sistemas, são, pois, os atores que utilizam essas redes que constituem as
redes em si. A diferença nos sites de redes sociais e outras formas de comunicação
mediada pelo computador é o modo como permitem a visibilidade e a articulação
das redes sociais, a manutenção dos laços estabelecidos no espaço offline. Nessa
categoria encontram-se os fotologs, weblogs, orkut e facebook, os quais possuem
67
mecanismos
de
individualização,
possibilitando
construir
interações
nesses
sistemas. Assim, tanto a apropriação como o sistema permite criar divisas entre este
e outros tipos de comunicação. A apropriação refere-se ao uso de ferramentas pelos
atores, através de interações expressas em determinado tipo de site de rede social.
A estrutura tem duplo aspecto, por um lado, tem a rede social expressa pelos
autores na sua lista de amigos, conhecidos ou seguidores. Por outro, há uma rede
social viva por meio de trocas conversacionais dos atores, aquela que a ferramenta
auxilia a manter. As conexões decorrentes destas listas, normalmente, estão
associadas a um link, uma adição ou uma filiação preestabelecida pela estrutura do
sistema.
Na análise que O’Reilly (2009, online) fez ao comparar o Double click com o
Google Adsense e o ¡Yahoo! Search Marketing (antes Overture) expôs a forma
como a propaganda se apresenta na Web 2.0. Segundo seu entendimento, o
conceito de web refere-se a uma publicação e não uma participação onde o
consumidor domina20.
Um estudo desenvolvido por Granovetter (1973) propõe a tipologia de “laços
fortes e fracos”, tornando-se influente no estudo de redes sociais. O autor demonstra
empiricamente a importância que os laços fracos podem ter na indicação de outros
potenciais empregos. Afirma que não apenas amigos íntimos (que tenham laços
20
[...] como Google, DoubleClick é um filho da Era da Internet. Oferece software como um serviço,
tem uma competência básica de gestão de dados e foi um pioneiro em web services muito antes
desse nome ser adotado. De qualquer forma, o DoubleClick se viu limitado pelo seu modelo de
negócio, defendeu nos anos 90 o conceito que a web tratava de publicação e não de participação;
que os publicitários e não os consumidores deveriam ser os que decidem; que o tamanho importava,
e que a Internet estava cada vez mais dominada por páginas web mais importantes – segundo
estatísticas de MediaMetrix e outras empresas que mediam o desempenho dos anúncios na www. [...]
O sucesso de Overture e do Google foi fruto da compreensão do que Chris Anderson cita como the
long tail’ (A cauda longa), o poder coletivo dos sites pequenos que conformam a grande maioria do
conteúdo da www. As ofertas de DoubleClick requerem um contrato formal de venda, limitando seu
mercado a uns poucos milhares de sites grandes. Overture e Google permitiram a colocação de
anúncios em praticamente qualquer página web. E evitaram os formatos de publicidade preferidos
pelos publicitários e pelas agências, como banners e popups, em favor dos anúncios com texto,
minimamente intrusivos, sensíveis ao contexto e amigáveis para o consumidor.
68
fortes) são importantes nas relações sociais, que cada laço social, seja forte ou fraco
desempenha funções diferenciadas em cada contexto (apud ANTOUN, 2008).
O problema reside na apropriação superficial que alguns estudos fazem da
Análise de Redes Sociais a partir do trabalho desenvolvido por Granovetter (1973)
apud ANTOUN (2008). Geralmente, um entendimento imaturo resulta em
conclusões impensadas e antecipadas sobre as interações em redes sociais online.
Após o mapeamento de redes de blogs são gerados gráficos que demonstram qual
blogueiro aponta o link para quem. Após analisar a direção desses links e verificar
que são recíprocos em dado instante define-se qual a intensidade da relação entre
seus interagentes. Tal procedimento, no limite, acaba por considerar como laços
fortes a simples troca automatizada de links recíprocos em blogs gerados por
mecanismos informáticos de spam.
Segundo Recuero (2009), a popularidade se relaciona aos comentários e à
audiência adquirida por um blogueiro, que neste caso, em busca de popularidade
costuma engajar-se em atividade como troca de comentários e links, buscando
visibilidade social, entre outros fatores. A popularidade pode ser medida pela
quantidade de pageviews ou de visitas únicas em cada blog.
É evidente que as relações de poder entre os atores sociais são reduzidas
ao número de links que uma pessoa recebe e, nessa perspectiva, pergunta-se:
quando alguém interage com muitas pessoas de forma recorrente esse mesmo
sujeito adquire alto poder de persuasão? Mediante a interação diária a primeira
pessoa pode transformar-se em amigo íntimo de outras? Para explicar tal
questionamento
convém
reformular
a
pergunta
para
que
haja
adequado
entendimento, ou seja, um nó com muitos links pode ser considerado um poderoso
influenciador na rede? Links recíprocos e recorrentes revelam laços fortes ou não?
69
De acordo com Recuero (2009), entre os principais valores construídos nas redes
sociais está a reputação, sendo está relacionada às informações recebidas pelos
atores sociais sobre o comportamento dos demais e o uso dessas informações no
sentido de decidir como irá comportar-se. Assim, a reputação se refere a percepção
construída de alguém pelos demais atores, que implicam em três elementos: o eu, o
outro e a relação entre ambos. Assim, o conceito de reputação implica no fato que
há informações sobre quem somos e o que pensamos, que auxiliam outros a
construir suas interpretações sobre nós.
Ora, frente a tais questionamentos hipoteticamente, assemelham-se às
interações que ocorrem em um porteiro de um grande prédio, ou seja, cumprimenta
os moradores diariamente, guarda e entrega encomendas, resolve problemas ao ser
solicitado, entre outras diversas atividades (PRIMO, 2007).
Segundo Recuero (2009), um ator é um nó que articula nos sites de redes
sociais utilizados para a interação pelo indivíduo. As conexões permeiam vários sites
e conexões, que são exclusivas de determinados sites. Assim, é possível obter uma
visão do que realmente vem a ser uma rede social. Assim, questionam-se quais os
valores construídos nos sites de redes sociais e como podem influenciar esses
atores? A primeira mudança que os sites proporcionam se refere ao capital social
relacional, em se tratando das conexões construídas, mantidas e amplificadas no
ciberespaço.
Os sites de redes sociais conduzem os atores a aumentarem suas conexões
sociais. No entanto, não são iguais às conexões offline, referem-se a conexões
mantidas pelo sistema e não pelas interações.
Embora haja contatos diários informais entre porteiro-condômino, esse
mesmo porteiro ao discutir futebol com alguns dos condôminos não se toma amigo
70
íntimo de todos os moradores do prédio, nem mesmo passa a ser convidado para
jantares ou festas de aniversário. Da mesma forma, a probabilidade de os
condôminos manterem interações mútuas diárias com o porteiro, no sentido de
discutir problemas familiares, sentimentais ou dificuldades na relação de trabalho é
mínima e ainda que tais circunstâncias ocorram são exceções (LÉVY, 1999).
Partindo desse exemplo constata-se que interações recorrentes não
garantem laços fortes entre os interagentes, sendo a ilustração válida para as redes
sociais online. Considerar qualquer par de blogueiros que incluam links recíprocos
em seus blogrolls21 como bons amigos é tornar comum uma forma relacional (a
amizade) a um simples intercâmbio de links (PRIMO, 2008).
No entanto, quantificar qualquer fenômeno é característico do imaginário
cibercultural, a qual, por sua vez, promoveu a informatização radicalizada do mundo
- uma visão na qual toda a natureza, incluindo a subjetividade humana, pode ser
compreendida como padrões informacionais, passíveis de digitalização em sistemas
computadorizados (LÉVY, 1999).
Uma metáfora possibilita representar algo real e, nesse caso, a comunicação
humana pode ser comparada às epidemias virais22. As críticas realizadas não se
voltam contra a ciência de redes, mas alertam que estudos contemporâneos sobre
redes sociais online tornam comum o fenômeno social, reduzindo a historicidade
21
Os blogrolls representam um excelente meio para observar os interesses e preferências do
blogueiro dentro da blogosfera; os blogueiros tendem a utilizar seus blogrolls para ligar outros blogs
que compartilham os mesmos interesses. Disponível em
<http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20071024233630AAoo8hb>. Acesso em 10 mar
2011.
22
Para Alhures apud PRIMO (2007, p. 139), a transmissão de uma epidemia, diferentemente do
fenômeno conversacional é um processo aditivo: um sujeito, depois de ter contraído o vírus, pode
retransmití-Io a outras pessoas, que [...] podem passar para outras e assim por diante. O processo de
comunicação humana não segue a mesma lógica. [...] minha conversa com um físico nuclear durante
um jantar (portanto, com o estabelecimento de links recíprocos) não me converte em um novo colega
da área. Mesmo que [...] busque explicar didaticamente seu atual projeto de pesquisa nada garante
que eu consiga compreender o que [...] diz.
71
relacional, a subjetividade, o processo discursivo e as relações de poder ao número
de links apontados apenas (LÉVY, 1999).
A Web 2.0 começou quando o usuário da Web passa a mudar sua maneira
de usar a Web em seu dia-a-dia. As principais tendências que marcaram essa
evolucao incluem o compartilhamento de conteúdo, a criatividade, segmentação,
componentes sociais e outras funcionalidades. Algumas das funcionalidades
adicionadas é peer-to-peer (partilhamento de arquivos), fácil comunicação em redes
de vários sites de Marketing social, partilhamento de vídeos e blogs. Os diretórios da
Web evoluiram à identificação social, sites pessoais transformados em blogs e as
versões online de enciclopédias que deu origem ao Wikipédia. No termo Web 2.0,
colaboração em redes sociais e compartilhamento de informações ajudam a moldar
a tendência de forma relativamente rápida23.
A Web 2.0 abriu as portas para um grande número de opções e, através da
programação Web 2.0 os desenvolvedores foram capazes de obter vantagens
quando se fala em conceber suas aplicações Web para fornecer serviços aos
consumidores de outros serviços. Devido à inovação e as mudanças na arquitetura,
projetos flexíveis, criatividade em aplicações de reúso, atualizações mais fáceis
podem ser empregadas (HERRYS, 2008).
Quando se fala em programação da Web 2.0 diz-se que é um negócio em
usar a Internet como uma plataforma homogênea. Por isso, em Programação Web
23
As tags vêm sendo usadas não apenas para conferir significado para a quantidade de textos na
Web, mas também para facilitar o registro e recuperação de imagens. O site de publicação de fotos
Flickr oferece o mesmo sistema classificatório, permitindo que cada pessoa “etiquete” suas imagens
digitais a partir de livres associações (e não de um vocabulário controlado, como na taxonomia). Por
exemplo, uma foto do pôr-do-sol em uma praia na Tailândia pode ser arquivada no site com as tags
“praia”, “Tailândia”, mas também “beleza”, “férias” e até mesmo “vermelho”. A partir dessas tags outro
internauta buscando fotos de tons avermelhados para a produção de um site sobre turismo poderá
recuperar tal imagem. [...] Os usuários agregam valor. Porém, somente uma pequena porcentagem
de usuários se dedicará a agregar valor a sua aplicação utilizando meios explícitos. Portanto, as
empresas Web 2.0 usam métodos participativos para reunir dados do usuário e geram valor como
efeito colateral do uso ordinário da aplicação (PRIMO, 2007, online).
72
os desenvolvedores devem estar cientes das ferramentas e conhecimentos que
precisam, que permita criar aplicações Web 2.0, que utilizam componentes
essenciais e fundamentais. A flexibilidade na escolha dos componentes-chave é
necessária para que qualquer aplicativo que um desenvolvedor crie seja aplicável a
qualquer ambiente do desenvolvedor que o usuário ou o cliente irão utilizar
(HERRYS, 2008).
Tim O`Reilly define a Web 2.0 em um momento em que muitas pessoas a
tomam como um instrumento fora de contexto, mas antes foi sentida. No entanto,
devido a O'Reilly uma definição de trabalho foi desenvolvida (HERRYS, 2008).
A partir da Conferência, em 2004, foi definida como plataforma usada pela
Internet, ligada com a revolução de negócios que existe na indústria de
computadores. Assim, a Web 2.0 se torna uma tendência, significando a mais nova
adição nos sites que utilizam a Web 2.0 para criar, desenvolver e projetar seu Web
site completo.
As empresas e organizações tem esgotado os benefícios que a Web 2.0
poderia proporcionar, por isso, quando a Web 2.0 chegou à Internet, sendo esta
imediatamente aceita pelos usuários e pelo público quase em geral, que não
pertence ao âmbito de influência, pode ser considerada a grande revolução da Web
2.0 Startup.
Ressalta-se que não existe uma definição única à Web 2.0, mas um número
grande de visões distintas sobre o termo. Geralmente, refere-se à uma rede mundial
atual para maior funcionalidade e utilização da Internet, volta-se à valorização da
criatividade e compartilhamento de informações. Assim, enquanto instrumento
73
facilitou o desenvolvimento de vídeo e compartilhamento de fotos, redes sociais,
blogs, entre outros24.
Tim O'Reilly comenta que a Web 2.0 diz respeito aos negócios referentes ao
desenvolvimento na Internet como nova plataforma, tirando proveito dos benefícios
que traz e ganha exposição global. A Web 2.0 se tornou popular devido ao boom
(explosão) da tecnologia da informação e, refere-se às mudanças e tendências no
mundo da tecnologia Wide Web e Web design. Não é apenas sobre a partilha de
informação e colaboração, também, sobre o reforço da criatividade (HERRYS,
2008).
A Web 1.0 é um antigo modo de World Wide Web, qualquer site projetado ou
estilizado antes do fenômeno Web 2.0 são considerados parte da Web 1.0. assim, a
Web 1.0 se refere aos sites antes da explosão do uso da Internet através de sites de
comunidades.
Nesse intervalo de tempo a Web 2.0 é descrita como a evolução do feito à
tecnologia da Word Wide Web e seu projeto Web. 2.0. A Web tem como objetivo
desenvolver
a
criatividade,
colaboração,
funcional
e
compartilhamento
de
informações da Web. O desenvolvimento da Web 2.0 tem colaborado à evolução de
diferentes comunidades, baseadas na Web, como sites de redes sociais e blogs
(HERRYS, 2008).
24
Sobre a crescente importância da blogosfera na Web 2.0 O’Reilly apud PRIMO (2007, online)
comenta: [...] uma das características mais apregoadas da Era da Web 2.0 é o auge do blogging. As
páginas pessoais existem desde o começo da Web e os jornais e a colunas diárias de opinião são
ainda mais antigas. Por que então tanto alvoroço? [...] Uma das coisas que marcou a diferença foi
uma tecnologia chamada RSS. RSS é o avanço mais significativo da arquitetura básica da web desde
que os primeiros hackers se deram conta que o CGI podia ser utilizado para criar websites baseados
em bases de datos. O RSS permite que alguém não só se enlace com uma página, más subscrevase a ela e receba notificações cada vez que a página é atualizada. [...] rss significa também que o
navegador Web não é o único meio para ver uma página Web. Enquanto os agregadores de rss,
como Bloglines, são aplicações Web, outros são clientes de escritório, e outros permitem ainda que
os usuários de dispositivos portáteis subscrevam-se ao contenido permanentemente atualizado.
74
Existem elementos de design que podem ser utilizadas para a Web 1.0
apenas, não na Web 2.0. Uma delas consiste nas páginas estáticas em relação ao
conteúdo dinâmico gerado pelo usuário na outra versão. A Web 1.0 também usa
molduras e marcas que foram introduzidas durante a guerra dos navegadores,
também dispõe de livros de visitas online e botões GIF. O tamanho típico da Web
1.0 é 88x31 pixels (HERRYS, 2008).
Os usuários são autorizados a possuir determinados dados na Web e ter
controle sobre eles com o uso da Web 2.0. Há casos que a Web 2.0 permite que
outras pessoas, admissíveis, modifiquem algumas configurações no site do
proprietário e seu conteúdo, sendo fácil de se fazer com a interface de usuário.
Normalmente, sites sob Web 2.0 podem incluir diversas técnicas ou novas
funcionalidades, incluído à encontram-se os cascading style sheets, microformatos,
folksonomias, APIs baseadas em XML ou JSON, REST, use válida de HTML e
XHTML, o uso de aplicações incrementadas na Web, ferramentas e publicação de
blogs, wikis, fóruns, privacidade na Internet, uso de Atom ou RSS.
A Web 2.0 descreve tendências em desenvolvimento sobre como usar o
Word Wide Web, reforçando a partilha de informação, criatividade, funcionalidade e
colaboração. A plataforma Web 2.0 fez caminhos para muitos desenvolvimentos
sobre o uso da Internet. Todavia, alguns são as comunidades baseadas na Web
como sites de redes sociais, wikis, folksonomias, blogs e sites de compartilhamento
de vídeo.
Frente a gama de possibilidades que a tecnologia fornece, surge a Web 3.0,
conhecida como Web Semântica. Herrys (2008) mostra que o avanço tecnológico
trouxe diversas aplicações na atual posição, adquirindo reconhecimento na
75
Informática, juntamente com o impulso que a Web 2.0 experimenta no processo de
desenvolvimento.
Melhorar o sistema Web 2.0 com tecnologias Web Semântica é uma
estratégia adequada para perceber visões associadas à Web Semântica (FLORIDI,
2008)25. A maioria dos sistemas Web 2.0 tornam seus serviços disponíveis via Web,
pois descrever essas interfaces semanticamente pode ser viável (THOMAS et al.,
2009).
Segundo Grecco (2010), o Marketing na versão 3.0 descreve o próximo
sinal, gerando mudança na Web 2.0, os fatores determinantes para o Marketing na
versão 3.0 incluem hábitos de navegação, métodos inteligentes de informação e
experiência na abertura da Web.
Na atualidade, os blackberrys, iPhones e os portais na Web 3.0 dominam. A
Web 3.0 é o Marketing de convergência das novas tecnologias e tendências de
compra dos consumidores, ocorre em mudança rápida26 (MATTHEWS, 2005).
De acordo com Jenkins (2009, p. 46), essa convergência é:
[...] tanto um processo corporativo [...] quanto um processo de consumidor
[...]. a convergência corporativa coexiste com a convergência alternativa.
Empresas de mídia estão aprendendo a acelerar o fluxo de conteúdo de
mídia pelos canais de distribuição para aumentar as oportunidades de lucro,
ampliar mercados e consolidar seus compromissos com o público.
Consumidores estão aprendendo a utilizar as diferentes tecnologias para ter
um controle mais completo sobre o fluxo da mídia e para interagir com
outros consumidores. As promessas desse novo ambiente provocaram
expectativas de um fluxo mais livre de ideias e conteúdos. Inspirados por
25
A GroupMe! demonstra os benefícios da combinação de Web 2.0 e tecnologias da Web Semântica.
O GroupMe! traz a Web 2.0 e as tecnologias da Web Semântica em conjunto, revelando os
benefícios da combinação de duas técnicas . Assim, agrega descrições semânticas sobre recursos,
captura a semântica da interação do usuário, ilustrando como as relações semânticas entre recursos
adquiridas pelo contexto do grupo, melhora da pesquisa e estratégias de classificação (STANKOVIÉ
e JOVANOVIÉ, 2010).
26
Atualmente, se está frente a uma transição da Web 2.0 à Web 3.0. Porém, algumas empresas
começam a desenvolver aplicativos para a Web 4.0, dentre estas empresas podemos citar a
Microsoft e Google, ambas estão desenvolvendo sistemas operacionais que futuramente poderão
rodar somente nas nuvens, embora que está tecnologia provavelmente só será realidade em 2020 a
2030. Web 4.0. Web 4.0 – Sistemas Operacionais nas Nuvens. (08/07/09). Raynner em rede.
Disponível em <http://www.designrdm.com/category/web-4-0/>. Acesso em 11 mar 2011. .
76
esses ideais os consumidores estão lutando pelo direito de participar mais
plenamente de sua cultura.
Os streaming de vídeo ao vivo superam os vídeo estáticos, como Twitter,
Plurk, Jaiku crescem muito mais rapidamente, se comparado-as de Blogger,
WordPress ou TypePad. O mundo do Marketing Web 3.0 é onde a informação e
personalização inteligente estão disponíveis, ao alcance dos usuários, em qualquer
dispositivo, de qualquer lugar do mundo (GRECCO, 2010).
Segundo Stankovié e Jovanovié (2010), a Web Semântica retira o fardo de
intercâmbio de dados e processamento destes elementos do usuário final.
Atualmente, os motores são capazes de representar a semântica das trocas de
dados, compreendendo o significado dos dados, envolvendo raciocinando sobre o
assunto.
No sistema de avaliação de possibilidades da Web Semântica, na
representação e troca de dados limita-se ao fato que o usuário final precise cuidar
dos dados (JOVANOVIC, 2010). O principal problema na criação do sistemas de
avaliação moderno sobre a Web Semântica é como trocar e enriquecer o
conhecimento, fornecendo o caminho à avaliação do conhecimento.
O uso de um raciocinador DL (Descrição Lógica) permite o processamento
de perguntas abertas (FLORIDI, 2008), que é a novidade que pode ser aplicado no
padrão IMS QTI. Além disso, este é o caminho para a aplicação de um quadro à
partilha de dados e a reutilização em aplicações heterogêneas, o que é o núcleo da
Web Semântica (STANKOVIÉ e JOVANOVIÉ, 2010).
O sistema de exploração e utilização da Web é uma espécie de aplicação de
algoritmos de data em logs de acesso ao servidor Web para obter melhor
compreensão do comportamento do usuário (MATTHEWS, 2005). Além dos logs de
77
acesso, os metadados que descrevem os recursos da Web e seu conteúdo são
conceitualmente úteis à análise da exploração de dados (THOMAS et al., 2009).
A utilização de metadados é dependente de sua organização e forma como
pode ser combinado com as entradas de log (FLORIDI, 2008). Nos últimos anos as
áreas de pesquisa Web semântica e mineração da Web se tornaram mais
importantes, fundindo-se em um novo campo de pesquisa chamada exploração da
Web Semântica, um campo que tem sido profundamente analisado (THOMAS et al.,
2009). Em particular, o uso de exploração Web Semântica, uma subcategoria da
exploração da Web Semântica permite o acompanhamento do comportamento do
usuário em um nível conceitual (GRECCO, 2010).
A Web Semântica visa proporcionar um ambiente no qual os seres humanos
e agentes de software podem determinar sem ambiguidade o significado dos
recursos e fazer melhor uso deles. Além disso, os dados armazenam o
conhecimento em um recurso facilmente acessível através de aplicativos, empresas
e comunidade vinculadas (THOMAS et al., 2009). Em arquiteturas tradicionais da
area de trabalho semântica, aplicativos são isolados do local com os seus próprios
dados, desconhecendo dados relacionados e relevantes em outras aplicações
(STANKOVIÉ e JOVANOVIÉ, 2010).
Existe heterogeneidade nos formatos de documentos específicos solicitados
que mantêm os dados em elementos de um programa específico que não permite a
interoperabilidade de dados entre as aplicações. De maneira similar, não há
arquitetura padronizada de interoperação e troca de dados entre o computador e sua
integração perfeita com outros recursos da Web Semântica, o primeiro passo é a
organização da área de trabalho local como RDF completo e ambientes baseados
em ontologias (THOMAS et al., 2009). Isso traz a noção de area de trabalho
78
semântica - o paradigma de condução para computação de desktop na área da Web
Semântica. Em outras palavras, a área de trabalho local deve tornar a Web
Semântica para um único usuário (STANKOVIÉ e JOVANOVIÉ, 2010) .
Por outro lado, documentos da área de trabalho digital (Word, PDF e Power
Point) detêm parte significativa de dados e conhecimentos armazenados nos
computadores locais. Portanto, desempenham papel importante na visão da área de
trabalho Semântica e da Web Semântica (GRECCO, 2010).
Para fornecer serviços avançados, com personalização e uma melhor
utilização do conteúdo disponível as máquinas precisam tornar-se semanticamente
simétricas (FLORIDI, 2008). E, para tornar a Web um lugar de conteúdo
semanticamente enriquecido, que confie em ontologias, se tornou a missão de uma
promessa da Web Semântica (THOMAS et al., 2009). A visão da Web Semântica
inspirou os esforços despendidos dos meios da investigação a desenvolverem e
padronizarem formatos de representação de metadados semanticamente intenso
(GRECCO, 2010).
Os metadados intensamente representados nesta tecnologia dariam
máquinas de conhecimento sobre o conteúdo, aumentando suas possibilidades,
além da simples manipulação de dados, aproximando-os da possibilidade de
processar o conteúdo de forma mais semelhante à humana (THOMAS et al., 2009).
Além disso, a ideia de metadados semanticamente intenso originou os agentes de
softwares inteligentes, capazes de realizar muitas ações hoje desenvolvidas pelos
seres humanos (STANKOVIÉ e JOVANOVIÉ, 2010).
Apesar de evidentes diferenças entre a abordagem formal da Web
Semântica e uma abordagem mais pragmática da Social Web, conduz a pensar
nessa tecnologia como de sentidos opostos, de detectar o avanço da Web atual. O
79
potencial da Web podem surgir a partir da fusão destas duas abordagens (THOMAS
et al., 2009).
Para trazer mais próxima com o nível necessário de interoperabilidade
descritos pelas tecnologias da Web Semântica várias abordagens têm sido
sugeridas para aumentar sua riqueza semântica (THOMAS et al., 2009). Além disso,
à interposição de metadados de marcação ao seu pleno potencial, é necessário para
superar a atual falta de cooperação entre repositórios de tags e encontrar uma
maneira de tornar as máquinas parceiros no processo de anotações (GRECCO,
2010).
Assim sendo, dir-se-ía que as três fases pelas quais passou a Web foram
fundamentais ao progresso da comunicação, deixando a oralidade de ser apenas
verbal (Oralidade Primária), propiciando maior interatividade entre usuários, estando
presente a emoção e interesse dos internautas, viabilizando um nível de
comunicação mais acentuado e a formação de fóruns virtuais, onde usuário-usuário,
interagem simultaneamente, propiciando a propaganda mediada pelos usuários e,
por meio de comunidades virtuais socializam o conhecimento em território
puramente virtual, cujo assunto será tratado no capítulo seguinte.
80
3 COMUNIDADES VIRTUAIS E FÓRUNS VIRTUAIS
Este capítulo tem como finalidade abordar os fóruns e as comunidades
virtuais, trazendo alguns conceitos e definições que possam mostrar a importância
desses elementos no contexto da comunicação interativa informacional que,
enquanto redes sociais, aproxima os internautas, formalizando um diálogo entre os
usuários.
3.1 COMUNIDADES VIRTUAIS
As comunidades são ambientes compostos por diversos sujeitos sitiados por
outros invisíveis que ora invadem ou ora preenchem o ciberespaço. De acordo com
McLuhan (1964), o processo de expansão das interações sociais teve início com o
surgimento dos meios de transporte e de comunicação. O começo da aldeia global é
também o início da desterritorialização dos laços sociais. As redes sociais iniciaram
quando várias pessoas, de diversas partes do mundo escreviam-se umas as outras,
à distância, por carta. Embora o procedimento não fosse direcionado para grupos,
mas para indivíduos, era possível interagir em grupo (RECUERO, 2003, p. 135). A
mudança no sentido de lugar é amplificada pela Internet. Para Castells (2003, p.
106), o desaparecimento do lugar geográfico como forma de sociabilidade não é
recente, mas não é exclusivo da Internet. Segundo Primo (2008), neste ambiente
falta uma autoridade central, instrumento que possibilita a interação anônima, mas
também existe dificuldade para que sejam impostas sanções físicas ou monetárias.
Recuero (2003) entende que todos os ambientes comunicacionais de rede
constituem o ciberespaço e são formas culturais e socializadoras, hoje,
81
denominadas comunidades virtuais, onde grupos de pessoas estão globalmente
interconectadas com base em interesses e afinidades semelhantes, ao invés de
conexões acidentais ou geográficas.
De acordo com Brenda Laurel (1990, p. 93), as comunidades virtuais são:
“as novas e vibrantes aldeias de atividades dentro das culturas mais amplas do
computador”, compõem-se de agrupamentos de pessoas que poderão se encontrar
face-a-face, que trocam mensagens e ideias através da medição das redes de
computador.
No ciberespaço, segundo Rheingold (1996, p. 414), discute-se, conversa-se
e as pessoas engajam-se em intercursos intelectuais, realizam ações comerciais,
trocam conhecimentos, compartilham emoções, desenvolvem planos, trazem ideias,
fofocam, brigam, apaixonam-se, encontram amigos, perdem, jogam, flertam, criam
arte e desafiam diálogos. A cibermídia ou as aldeias virtuais permitem as pessoas
realizarem “praticamente” tudo o que as pessoas fazem quando se encontram,
porém, fazem na tela do computador, deixando os corpos para trás. Milhares de nós
já construíram comunidades, entre as quais, as identidades individuais se misturam
e interagem eletronicamente, independentemente de tempo e local (RECUERO,
2003).
A cibermídia, um povo em constante construção, ou seja, as comunidades
virtuais designam as novas espécies de associações fluidas e flexíveis de pessoas,
ligadas por meio de fios invisíveis das redes que se cruzam pelos quatro campos do
globo, permitindo que usuários se organizem para contar piadas, procurar
companhia ou apenas olhar (como voyeurs), os jogos sociais que acontecem nas
redes (RECUERO, 2003).
82
De acordo com Raquel Recuero (2009, p. 135):
[...] uma das primeiras mudanças importantes detectadas pela comunicação
mediada por computador nas relações sociais é a transformação da noção
de localidade geográfica das relações sociais, embora a internet tenha sido
a primeira responsável por esta transformação.
Os elementos formadores da comunidade virtual seriam as discussões
públicas, as pessoas que se encontram e reencontram ou que ainda mantêm
contato por meio da Internet (que conduzem a discussão adiante), o tempo e o
sentimento.
De acordo com Mark Smith (1999): “as comunidades virtuais são
comunidades simbólicas cujos membros “estão conectados primariamente pelas
trocas simbólicas (no caso, eletrônicas), mais do que pela interação face a face”
(apud RECUERO, 2003, p. 137).
Os laços sociais estão sendo amplificados pelo desenvolvimento dos meios
de comunicação e transporte. Agora, não mais restrito a pequenos vilarejos e
grupos, os laços sociais seriam mais fluídos, menos fortes e mais amplos. Para Mark
Smith (1999, p. 195) apud RECUERO (2003, p. 136): “o ciberespaço está mudando
a física social da vida humana, ampliando os tamanhos e poderes da interação
social”.
A Internet é semelhante a uma viagem, embora causal, pelo ciberespaço,
que revela evidências de hostilidade, egoísmo, quando não, ausência de sentido. No
entanto, a interação e cooperação são significativas, embora haja tensão no
ambiente.
O conflito é próprio do ser humano, a partir da comunicação em massa são
ignorados e um passa a não mais perceber o outro. Desta forma, costumes,
atitudes, gostos, desejos e ações passam despercebidos pelos integrantes. Desta
83
forma, a Internet enquanto veículo de produção de interações humanas nem sempre
é promotor de um intercâmbio consensual (PRIMO, 2008).
Partindo de Azevedo (2002, p. 29) é possível afirmar que: “[...] na Sociologia
a distinção entre comunidade e sociedade é fundamental para o avanço das ciências
sociais”. Tal proposição se apoia na ideia que determinada diferenciação possibilite
a um grupo que, agregado por interesses semelhantes, use a ferramenta de
comunicação web-based e evolua para formar comunidades, apresentando as
características dessa forma de organização social, porém, uma organização
totalmente sem território.
A liberdade de expressão é defendida na comunicação. Pedir a colaboração
do usuário requer minuciosa análise sobre as possibilidades de retorno para que não
haja a necessidade em censurar opiniões que possam migrar para outros suportes
dentro da rede, por exemplo, blogs e comunidades virtuais (CIPRIANI, 2010).
Para melhor conhecer os conceitos clássicos de comunidades requer um
entendimento das bases conceituais clássicas, como o conceito de comunidade de
Ferdinand Tönies, que definiu que a comunidade encontra-se em oposição à
sociedade. No entanto, esse conceito foi questionado por Durkheim, que propôs seu
próprio entendimento acerca de comunidades (apud MATTHEWS, 2005). O conceito
que orienta esta abordagem é de Weber (1987), que uma comunidade baseia-se na
orientação da ação social, fundamenta-se em qualquer tipo de ligação emocional,
afetiva ou tradicional:
[...] chamamos de comunidade a uma relação social na medida em que a
orientação da ação social, na média ou no tipo ideal baseia-se em um
sentido de solidariedade: o resultado de ligações emocionais ou tradicionais
dos participantes (WEBER, 1987, p. 19).
84
O primeiro requisito da comunidade virtual é ser um grupo de pessoas que
estabelecem, entre si, relações sociais. Essas relações "são construídas através da
interação mútua" (PRIMO, 1998) entre os indivíduos, em um período de tempo,
tendo a permanência - entendida como espaço temporal contínuo de relacionamento
- entre seus requisitos fundamentais.
O comunitarismo virtual tem sido insignificante, não suporta os efeitos da
globalização econômica que, embora compensador, as redes dotam o ser humano
com poder de virtualmente, atravessar o planeta de ponta a ponta em fração de
segundos, na medida em que as comunicações se multiplicam e intercruzam,
correm o risco de se tornarem mais aéreas, frágeis e efêmeras.
“Porque nossas máquinas nos dão o poder de esvoaçar pelo universo,
nossas comunidades crescem em fragilidade, volatilidade e efemeridade na medida
mesma em que nossas conexões se multiplicam” (SANTAELLA, p. 2003, p. 123).
Palácios (1998, p. 39) enumera os elementos que caracterizariam uma
comunidade: “o sentimento de pertencimento, a territorialidade, a permanência, a
ligação entre o sentimento de comunidade, caráter corporativo e emergência de um
projeto comum, e a existência de formas próprias de comunicação".
O sentimento de pertencimento ou "pertença" seria a noção que o indivíduo
tem - que integra e é parte de um todo, coopera para uma finalidade comum com os
demais membros (caráter corporativo, sentimento de comunidade e projeto comum)
- (LÉVY, 1999), a territorialidade, o locus da comunidade; permanência, condição
essencial para o estabelecimento das relações sociais.
Segundo Lévy (1999); Palloff e Pratt (1999) apud (MATTHEWS, 2005), uma
comunidade virtual é formada a partir da afinidade de interesses, conhecimentos,
projetos mútuos e valores de troca, estabelecidos em um processo de plena
85
cooperação. Não são baseadas em lugares e filiações institucionais ou "obrigações",
seja o tipo que for.
De acordo com Recuero (2003), com a tecnologia virtual é possível os
sujeitos viajarem, fazer novos amigos e viver novas experiências sociais. Assim, o
retorno ao comuntarismo, em formato de rede proporciona um sistema de relações
centrado no indivíduo, não mais no grupo, tornando possível acreditar que a
mediação pelo computador, no contexto da globalização e da sociedade em rede
proporciona uma mudança essencial na sociabilidade dos sujeitos envolvidos.
Rheingold é um dos primeiros autores a utilizar o termo comunidade virtual e
a define da seguinte maneira:
As comunidades virtuais são agregados sociais que surgem da Rede
(Internet), quando uma quantidade suficiente de gente leva adiante essas
discussões públicas durante um tempo suficiente, com suficientes
sentimentos humanos, para formar redes de relações pessoais no
ciberespaço (apud RECUERO, 2003, p. 137).
Porém, segundo Lemos (2002), comunidades virtuais eletrônicas se
caracterizam como agregações em torno de interesses comuns, independentemente
de fronteiras ou demarcações territoriais fixas, com interesse comum e fim
demarcado.
Lévy (1999) afirma que nas comunidades virtuais de aprendizagem,
as relações onlline estão muito longe de serem frias, não excluem as emoções.
Entre os participantes de comunidades virtuais também se desenvolve um forte
conceito de "moral social". Uma espécie de código de conduta, um conjunto de leis
não escritas que governam suas relações, principalmente, com relação à pertinência
das informações que circulam na comunidade (LÉVY, 1999). Ou seja, não é
86
necessário impor o que "pode" e o que "não pode" em uma comunidade, ela mesma
se auto-regula, se organiza, se assim não for não é uma comunidade.
A "moral" de uma comunidade virtual é a pujante reciprocidade, ou seja, algo
é aprendido com a leitura das trocas de mensagens, é preciso expressar o
conhecimento que se tem quando uma situação-problema ou questionamento é
formulado (MATTHEWS, 2005). A responsabilidade de cada sujeito envolvido no
processo, a opinião pública e seu julgamento aparecem naturalmente (claramente)
no ciberespaço. Pois durante os processos de interação os participantes ativos
constroem e expressam competências, passando a ser reconhecidas e valorizadas
de imediato pela própria comunidade. Líderes surgem naturalmente, papeis são
assumidos
claramente
(MATTHEWS,
2005).
Há
internautas
“implicantes”,
“contestadores” ou “meigos” e esses papeis, indubitavelmente, em essência, fazem
parte e constituem a comunidade virtual (LÉVY, 1999).
As listas de discussão são datadas do início da Internet e o mailing lists
(lista de discussão) aos grupos web-based debatem certo tema/assunto, via e-mail
(correio eletrônico). As listas de discussão caracterizam-se como: “ferramentas de
comunicação virtual, baseadas na Internet, que tem funcionamento simples”. A
operação técnica de uma lista de discussão ocorre através de um software que,
automaticamente, distribui a mensagem para todos os membros inscritos na lista os
e-mails remetidos por um de seus membros. É eficiente e funcional, possibilita
agilizar, estimular e democratizar o fluxo de informações sobre determinado assunto
(LÉVY, 1999).
No pensamento de Raquel Recuero (2003), as comunidades passaram a
mudar de grupos para redes anteriormente ao avento da Internet. Logo no início as
pessoas acreditavam que a industrialização e a burocratização colocaria fim aos
87
grupos comunitários e deixaria os sujeitos alienados. No entanto, alguns
pesquisadores descobriram que as comunidades continuaram, porém, como
conexões mais esparsas, com maior dispersão espacial, diferente dos grupos
densos, locais, semelhantes a vilarejos. Conforme mencionado nesta dissertação,
as comunidades permitiram o usuário viajar, fazer novos amigos e viver experiências
sociais novas, ímpar.
Nesta dissertação as mensagens serão objeto de estudo no capítulo da
metodologia visando que fique clara a importância dos fóruns Carros de Rua e a
interação entre usuário-usuário, consequentemente, da troca de informações sobre
produtos, que irá ajudar na tomada de decisão dos clientes-usuários, dentro destes
fóruns.
Com o passar do tempo e disseminação do uso, consolidou-se o importante
papel de “formadoras de relacionamentos” e, até, como ferramenta de formação de
comunidades (MATTHEWS, 2005).
Segundo Haegel (1999), comunidades virtuais podem ser de “interesses
pessoais, demográficas e geográficas e comunidade de negócios entre empresas
(business to business)” e para Rojo (2000, p. 39), os benefícios de se participar de
comunidades virtuais de discussão, são:
Travar contato com ideias correntes, lançamentos e eventos no campo de
estudo; ter a oportunidade de obter rapidamente respostas de qualidade;
conseguir materiais de valor, ou ponteiros para estes materiais; aprender
sobre o meio em si; adquirir o sentimento de fazer parte de uma
comunidade de interesse; ter a oportunidade de expressar ideias e
sentimentos; ter a oportunidade de intensificar contatos com pessoas e
compartilhando interesses similares.
Nesta dissertação o objeto de estudo principal caracteriza-se pela análise do
Fórum Carros de Rua, à percepção se as interações que ocorrem no campo virtual
88
(fóruns virtuais) entre usuários exercem preponderância na escolha do produto ou
não. Desta forma, travar contato por meio de ideias de diferentes (inteligências)
usuários, oportunizar respostas e mesmo o feedback, ter sentimento de
pertencimento da comunidade e poder expressar ideias viabiliza maior intensidade
de contatos com pessoas.
Um ponto importante a ressaltar é a necessidade de garantir total liberdade
de opinião, que deve ser ampla e igualmente distribuída a todos os participantes de
uma comunidade. No entanto, as regras que regulam as interações devem ser
construídas na coletividade, não representando censura, pelo contrário, deve
possibilitar o surgimento de novas formas de opinião pública (LÉVY, 1999).
Os conflitos integram a vida de uma comunidade virtual, principalmente,
quando um dos participantes ofende ou transgride regras acordadas pela
comunidade (MATTHEWS, 2005). Castells (2009) afirma que nas comunidades
virtuais também:
[...] constroem-se afinidades, parcerias e alianças intelectuais, sentimentos
de amizade e outros, que se desenvolvem nos grupos de interação, da
mesma forma como acontece entre pessoas que se encontram fisicamente
para conversar. A personalidade de cada participante acaba sendo
expressa através do estilo de escrita, competências, tomadas de posição,
evidenciadas nas relações humana presentes nas interações. Também,
dessa forma, as comunidades não estão livres de manipulações e
enganações, assim como em qualquer outro espaço de interação social.
Uma comunidade que sustente uma efetiva rede de comunicação aprende
com seus próprios erros, pois estes são difundidos por toda a rede e voltarão à sua
origem ao longo de laços de realimentação. Devido a isso, a comunidade pode
corrigir seus erros, se auto-regulando e auto-organizando (CASTELLS, 2004).
Esse é o mais difícil dos desafios, quando se fala em comunidades virtuais,
são autônomas, devem ter organização própria, serem auto-suficientes. Devem ter
89
vida social ativa, pois é essa vida social que proporciona os laços, importantes para
a criação e manutenção da sensação de pertencimento, que é o que virá a motivar a
participação e comportamento ativo de ação. Mas, infelizmente, muitos dos sujeitos
têm que aprender a lidar com isso. É uma tendência querer controlar, impor ou
encaminhar, julgando-se conhecedores de tudo.
A evolução de uma lista de discussão para se tornar uma comunidade, se
deve, em grande parte, a forma de orientar as participações e a postura do(s)
moderador(es) - (MATTHEWS, 2005). A forma de orientar se baseia no princípio de
interferir somente em questão de pendências técnicas (por orientações particulares)
e, em caso de “flames”, com conversas sempre em ambiente reservado, jamais pela
lista (LÉVY, 1999). Nesse mesmo raciocínio, entende-se que a interação que ocorre
entre usuário-usuário dentro dos fóruns virtuais é fundamental e contribui para a
tomada de decisão do usuário quando da aquisição de determinado produto, pois a
escolha, em parte, é feita com base no que outro usuário compartilha no
ciberespaço, como no caso dos dois fóruns estudados.
Outro princípio importante a ser observado é a forma de lidar com o “poder”.
A administração feita pelo(s) moderadore(s) deve ser baseada em acordos de
conduta prévios, entre os participantes, dentro de objetivos planejados para aquele
grupo. Isso torna a administração, apesar de descentralizada, liberal e,
principalmente, sem imposição de normas de comportamento rígidas que podem
não ser adequadas ao grupo. Este fato, extremamente simples e diminui a
possibilidade de imposições de ‘vontades individuais’ de moderadores menos
flexíveis e/ou preparados para a liderança.
É interessante destacar que as normas devem ser consideradas e discutidas
por todos e posto em votação para os membros da lista aprovarem ou não, quando
90
se têm interesses em conseguir ambientes comunitários, pois isso dá livre espaço
aos membros para manifestarem suas necessidades, dúvidas, e, até mesmo,
brincadeiras (GONÇALVES, 2008). Estes últimos itens se mostram, pela prática,
extremamente importantes a uma comunidade e propiciam, aos membros, a
sensação de pertencerem ao grupo. Tudo isto deve acontecer num mesmo ambiente
e fazendo parte da dinâmica do grupo (LÉVY, 1999).
Comunidades virtuais são organismos vivos em constante mutação. No
entanto, a tendência à dispersão é grande, requer dos moderadores e planejadores
uma atitude atenta, mas difícil de ser mantida quando se trata de grupos de origens
diversificados quanto aos públicos de listas de discussão onde, o elo de ligação dos
participantes é, inicialmente, um tópico acadêmico ou uma área de conhecimento.
Contudo, essa experiência mostrou-se adequada a todos os grupos estudados, já
tendo sido repetida, com sucesso, em vários outros grupos, de temáticas variadas,
reafirmando, na prática, o que diz Simon (2000), quando se refere à prática de
comunidades em rede, afirmando que "basicamente todas as atividades na rede se
desenvolvem em torno de alguma comunidade virtual".
A metodologia de trabalho proposta e aplicada na administração e
desenvolvimento de comunidades virtuais apresenta-se eficaz e possível de ser
repetida em ambientes virtuais (LÉVY, 1999).
Como ferramenta tecnológica, as redes sociais podem ajudar uma empresa
ou um site obter contatos, clientes e maior sensibilização do público (GONÇALVES,
2008). Mesmo empresários que dirigem pequenas empresas a partir de escritórios e
residências podem tirar proveito desse recurso para criar presença global e extrair o
máximo das redes sociais. No entanto, é importante entender o conceito de redes
sociais e como pode ser aplicada para ajudar o negócio ou o cidadão.
91
No caso de Daniely, na qualidade de usuária, que utilizou as redes sociais
para fazer valer seus direito, quando em 2007, seu Mégane zero quilômetro recémcomprado apresentou falhas no motor e se tornou inutilizável. Insatisfeita com a falta
de solução - a assistência técnica não localiza o problema, acionou a montadora na
Justiça. A perícia constatou (2008) que o problema era propulsão no motor, que
fazia o carro perder a aceleração repentinamente. No laudo a concluiu-se que o
veículo não era seguro. A Justiça, na época foi favorável à Daniely, porém, a
Renault recorreu alegando falhas processuais. A montadora aceitou devolver o
dinheiro apenas, porém, após o caso ganhar repercussão nacional. Em fevereiro de
2011, quando o problema com o carro fez quatro anos, Daniely resolveu montar o
site www.meucarrofalha.com.br, em que relatava o episódio e compartilhava sua
indignação, ressaltando a indiferença da montadora perante a usuária e cliente. Um
contador mostra há quanto tempo o carro estava sem uso. Em pouco mais de um
mês o site teve quase 740 mil acessos. As páginas no Orkut e no Facebook e o
perfil do Twitter também ficaram populares. A advogada criou um canal no YouTube,
postando dois vídeos em que mostra o carro na garagem da sua casa. Juntos, os
vídeos tiveram mais de 112 mil visualizações.
É importante frisar que a usuária utilizou seus direitos para fazer pontuações
sobre o produto, resultando em significativo número de seguidores para o caso de
Daniely, tornando o trabalho e o site elaborado muito pertinente socialmente no
campo virtual, com reflexo na esfera prática, jurídica, no ambiente virtual e fora dele.
Registros históricos indicam que mesmo antes de existir a Internet as redes
sociais já existiam (relacionamento dentro das comunidades, da sociedade, dos
grupos, das tribos, entre outros laços sociais), é quando uma pessoa usa contatos já
existentes para conhecer novas pessoas com potenciais vínculos sociais ou de
92
negócios, ligações estas que ajudam a expandir ligações outras futuras (HOF et al.,
1997).
De acordo com Castell (2009), a Internet apropriou-se pela prática social e
sua diversidade. A representação de papeis e a construção de uma identidade como
base de interação online representa uma proporção (minúscula) da sociabilidade
com base na Internet, prática esta que se concentra entre os adolescentes.
De acordo com Jenkins (2009, p. 347):
O surgimento da rede de computadores e as práticas sociais que cresceram
ao seu redor expandiram a capacidade do cidadão médio de expressar suas
ideias, de fazê-las circular diante de um público maior e compartilhar
informações, na esperança de transformar nossa sociedade. Para isso,
entretanto, temos de aplicar habilidades que adquirimos através de nossas
brincadeiras com a cultura popular e dirigi-las para os desafios da
democracia participativa.
Os adolescentes estão envolvidos no processo de descobrir sua identidade
e fazer experiências, desvendar quem realmente são - quem gostariam de ser, sair
em busca de um campo de pesquisa para compreender a construção de sua própria
identidade e revelar-se como homem, conhecer quem se tornarão no futuro
(CASTELLS, 2004).
As redes são montadas pelas escolhas estratégicas de atores sociais, sejam
de indivíduos, famílias ou grupos sociais. A grande transformação da sociabilidade
ocorrida em sociedades mais complexas se deu pela substituição de comunidades
espaciais por redes como formas fundamentais de sociabilidade. No caso da
iniciativa de montagem do site por Daniely, com base no interesse criado em torno
do assunto, pelo diálogo entre usuária e empresa, em nível nacional, formou-se uma
rede de indivíduos usuários de fóruns, movidos pelo desejo de saber como
terminaria o fato, tanto nos Tribunais como na mídia. Tais colocações são
93
verdadeiras quando se reconhece as amizades, no tocante a laços de parentesco ou
não, na medida em que a extensa família ou rede social (indivíduos ligados por
algum tipo de laço) seleciona os meios de comunicação, tornando possível manter
contato à distância com pequeno número de familiares ou usuários (CASTELLS,
2009).
Atualmente, Jenkins (2009, p. 52) afirma que: “estamos entrando no mundo
da convergência”, que trata tanto do processo corporativo, quanto do processo do
usuário. A convergência corporativa coexiste em conjunto com a convergência
alternativa. O usuário está aprendendo a utilizar diferentes tecnologias na obtenção
de controle do fluxo da mídia à interação entre outros usuários, exigindo que as
empresas repensem no papel da mídia.
O padrão de sociabilidade evoluiu rumo ao cerne de sociabilidade construído
em torno da família nuclear em casa, a partir de onde as redes de laços seletivos
são formadas segundo interesses e valores de cada membro da família (CASTELLS,
2009).
Os sites de redes sociais são criados para ajudar na criação de redes online,
geralmente, referem-se a comunidades criadas para apoiar um tema em comum.
Desde a criação de sites de redes sociais como o MySpace, LinkedIn e Facebook,
as pessoas dispõem de oportunidade para conhecer novas pessoas e amigos em
sua própria comunidade e também em todo o mundo. Ao fazer isso indivíduos de
diferentes partes do mundo podem tornar-se "amigos" ou "fãs" do perfil, sendo
atualizado sobre acontecimentos atuais, especiais e outras informações essenciais
da empresa que gostaria de compartilhar.
Nas redes sociais pode trabalhar online como faria se estivesse a fazê-lo em
pessoa, o membro é ativo na comunidade ou no site. Assim como o encontro face a
94
face, a primeira impressão é duradoura. No entanto, ao criar uma página deve
refletir a atmosfera do negócio.
A definição tradicional de comunidade caracteriza-se como uma entidade
geográfica circunscrita (bairros, vilas, território, lugarejo, entre outros). As
comunidades virtuais, geralmente, são dispersas geograficamente e, portanto, não
são comunidades na sua definição original. Algumas comunidades offline estão
ligadas geograficamente, conhecidas como sites de comunidades. No entanto, se
considerar as comunidades que simplesmente possuem algum tipo de fronteiras
entre membros e não membros, então, uma comunidade virtual é uma comunidade.
As comunidades virtuais se assemelham a vida real de comunidades sociais, no
sentido que ambas oferecem apoio, informação, amizade e aceitação entre
estranhos.
As comunidades virtuais são utilizadas para uma variedade de grupos
sociais e de profissionais. Lemos (2002) menciona que o ciberespaço é um
ambiente
de
circulação
de
discussões
pluralistas,
reforça
competências
diferenciadas e potencializa o ambiente de troca.
O ciberespaço é mais que um fenômeno técnico, é um fenômeno social no
qual as pessoas se reúnem por interesses comuns, para bater papo, trocar arquivos,
fotos, músicas e correspondências, incluindo-se na lista tutoriais de animação em 3D
de Ibele (LEMOS, 2002).
Para Lévy (1996), os grupos sociais [ciberespaços] são mais inteligentes,
instruídos, sábios e imaginativos que os indivíduos que os compõem. No entanto,
como é possível que as inteligências se multipliquem ao invés de se excluírem umas
às outras? A resposta reside na inevitável planificação hierárquica dos indivíduos
onde uma boa regra de organização e de escuta mútua valoriza a inteligência dos
95
pequenos grupos. O autor sugere normas e regras que regeriam o mundo da
cultura.
Jenkins (2009) entende que há certa ligação entre o consumidor-usuário,
hoje, são ativos, migratórios e declinantes às redes e aos meios de comunicação.
No entanto, o consumidor antigo permanecia onde quer queiram que ficassem,
caracterizavam-se como indivíduos isolados, os novos usuários são conectados
socialmente. Porém, não significa que haja forte ligação entre membros, apesar de
Howard Rheingold mencionar que as comunidades virtuais se formam quando as
pessoas carregam discussões públicas, por tempo suficiente e suficiente sentimento
humano, para formar teias de relações pessoais. Uma lista de distribuição de e-mail
pode ter centenas de membros e a comunicação que ocupa lugar pode ser
meramente informativa (perguntas e respostas são publicadas), porém, os membros
podem ficar estranhos e a taxa de rotatividade de adesão pode ser elevada,
segundo a utilização do termo comunidade liberal (LÉVY, 1996).
A Internet enquanto fenômeno social possibilita o surgimento do coletivo no
ciberespaço, que é formado por seus pares, alavancando um fenômeno denominado
propaganda (LÉVY, 1996).
A difusão explosiva da Internet, desde meados da década de 1990
promoveu a proliferação de comunidades virtuais, sob a forma de serviços de redes
sociais e comunidades online. A natureza dessas comunidades é diversificada e os
benefícios que Rheingold previa não são necessariamente realizados ou
perseguidos por muitos. Ao mesmo tempo, é bastante comum ver histórias de
alguém que precisa de ajuda especial ou em busca de uma comunidade que
beneficiem da utilização da Internet.
96
As comunidades virtuais podem sintetizar Web 2.0 tecnologias com a
comunidade e, portanto, têm sido descritas como Comunidade 2.0, apesar de fortes
laços comunitários foram forjados em linha desde o início dos anos 1970 sobre os
sistemas de timeshare. As comunidades online dependem da interação social e
troca entre usuários online e isto enfatiza a reciprocidade, elemento do contrato
social entre os membros da comunidade.
De acordo com Castells (2009), a atual revolução tecnológica é
caracterizada não pela centralidade de conhecimentos e informações circulantes,
mas sim pelo fluxo entre desenvolvimento tecnológico e inovação no uso27.
A incorporação da comunidade virtual nas experiências do cotidiano, seu
reflexo e influência sobre as práticas de comunicação e os padrões de formação da
identidade faz uma comunidade online da empresa, para pesquisa em larga escala,
requerendo investigação contínua e teorização. As relações online não são tão
valiosas quanto às relações offline, por haver menor socialização28. A preocupação
com esse tipo de interação inclui agressões verbais e inibições, promoção ao
suicídio e problemas com a privacidade de dados ou informações.
As redes sociais sempre existiram, mas os desenvolvimentos tecnológicos
recentes nas comunicações permitiram seu advento como forma dominante de
organização social. Hoje, as pessoas não estão mais organizadas em torno de redes
sociais, mas em torno de redes mediadas por computador. Desta forma, não é a
27
Segundo Witziki (2008, p. 19), a difusão da tecnologia amplifica seu poder à medida que as
pessoas se apropriam dela e a redefinem. Com o poder de propagação das comunidades virtuais,
que compartilham, entre outros, informações, produtos e arte, Ibele e o seu vídeo da “Sony”
marcaram o surgimento de um novo fenômeno que introduziu uma nova forma de agir entre os
usuários que atuam na Internet. É a redefinição do efeito de Ibele em um fenômeno que, com o
tempo, ganhou milhares de adeptos, muitas vezes motivados por grandes corporações em
campanhas de publicidade.
28
De acordo com Castells (2009, p. 107), a maior parte dos laços mantidos elas pessoas são laços
fracos, mas nem por isso, desprezíveis. São fontes de informação, trabalho, desempenho,
comunicação, envolvimento cívico e divertimento. Esses laços fracos são em sua maioria
independentes de proximidades espacial e precisam ser mediados por algum meio de comunicação.
A Internet desempenha um papel positivo na manutenção de laços fortes à distância.
97
Internet que cria um padrão de individualismo em rede, mas seu desenvolvimento
fornece um suporte material apropriado para a difusão do individualismo em rede
como forma dominante de sociabilidade (CASTELLS, 2009).
No conceito de Raquel Recuero (2003, p. 143), as redes sociais são
compostas por interesses, desejos e aspirações individuais e pela comunicação
mediada por computador:
[...] centra-se em atores sociais [...] indivíduos com interesses, desejos e
aspirações, que tem papel ativo na formação de suas conexões sociais [...]
na sua comunicação mediada por computador, as pessoas trocam não
apenas informações, mas bens, suporte emocional e companheirismo [...] a
comunicação mediada por computador é capaz de suportar laços
especializados multiplexos, que são essenciais para o surgimento de laços
fortes [...] o capital de rede consiste na capacidade da rede prover recursos,
tangíveis ou intangíveis (por exemplo, suporte e apoio ou dinheiro,
informação, sentimento de estar conectado, etc.).
Faz-se necessário entender que estudar a Internet é conhecer uma possível
rede social que exista na vida concreta de um indivíduo, porém, que apenas utilizase da comunicação mediada pela tecnologia (computador) para manter ou criar
laços novos. Na atualidade, a comunicação mediada por computador corresponde a
forma prática e amplamente utilizada para estabelecer laços sociais, porém, não
corresponde a dizer que esses laços permaneçam restritos ou mantidos apenas no
ciberespaço, vai além deste, permitindo interatividade na vida real (RECUERO,
2003).
As comunidades são os núcleos mais densos na rede social, constituindo
laços fortes, capital social de segundo nível. A comunidade é uma característica da
rede social e associada a uma maior densidade, assim, pode-se mencionar que há
forte característica de agregação nas comunidades. No entanto, essa agregação
apresenta limites físicos, que se refere a capacidade de investimento dos atores
sociais e da manutenção das conexões da rede.
98
O estudo levou a concluir que as comunidades virtuais são indispensáveis
para a interação entre sujeitos, troca de produto, oferta de serviços, seleção e
aquisição de produtos que, por meio da propaganda, promove trocas e crescimento
contínuo, especialmente, mediante a globalização de mercado e interatividade entre
usuários.
3.2 FÓRUNS VIRTUAIS
O fórum virtual é um local onde os sujeitos discutem pensamentos ou ideias
sobre diversos temas, trata-se de um centro de conversação, tanto reativas quanto
interativas. Por “fórum virtual” ou “fórum”, como é conhecido, entende-se como
sendo um espaço de discussão pública ou restrita a determinado grupos de
pessoas, utilizado na Internet onde, geralmente, é colocada uma dúvida, um
questionamento, ponderação ou opinião que possa ser comentada por quem se
interesse pela mesma. Não obstante, quem desejar poderá ler opiniões e
acrescentar conteúdos (INTERNET GLOSSÁRIO, 2006).
O fórum virtual é um espaço para a construção do conhecimento, troca de
ideias e informações em ambiente virtual, é uma estrutura de rede que permite o
encontro não presencial de pessoas de todo o mundo, ressaltando o caráter global
do Fórum Cultural Mundial (FCM).
Do imaginário social convocante a um imaginário social compartilhado,
factível, possível, o processo auto-reflexivo iniciado e caracterizado presencialmente
pela convenção global que terá longa jornada de identificação, re-sinergização,
catalogação, pesquisa e desenvolvimento. De forma quase incontrolável esta
99
jornada se conecta aos diversos fazeres objetivos e cotidianos, nas diversas
dimensões (SCHNEIDER et al., 2009).
O fórum virtual é um espaço de elaboração de ideias, aberto para
participação da sociedade, tem como objetivo aprofundar o debate sobre o conceito
de determinados assuntos, apreciar, recomendar, sugerir, opinar ou valorar certos
produtos ou serviços, por parte do usuário, consumidor ou não, ou seja, caracterizase como um espaço para discussão pública.
Um fórum virtual também pode ser entendido com uma rede social. Segundo
Recuero (2009), uma rede social é constituída por um conjunto que contém atores,
representados por pessoas, instituições ou grupos, chamados nós da rede e suas
conexões, representadas pelas interações ou laços sociais.
De acordo com Gráfico elaborado pela autora, estas redes não conectam
apenas computadores, mas, conectam principalmente pessoas, para entender esse
fenômeno é preciso observar suas partes em interações. Assim, “estudar redes
sociais, portanto, é estudar os padrões de conexões expressos no ciberespaço”
(RECUERO, 2009, p. 22). Quanto se fala de um fórum virtual, entende-se com
sendo um espaço para troca de ideias e informações em um ambiente virtual. Tratase de um local em que pessoas discutem pensamentos sobre diversos temas, um
centro de conversação.
Para estudar as redes faz-se necessário estudar seus elementos, os quais
constituem a rede, fazendo com que exista. E o primeiro deles são os atores,
representados por nós (ou nodos), “trata-se de pessoas envolvidas na rede que se
analisa” (RECUERO, 2009, p. 25).
Ao tratar de redes sociais na Internet, a construção dos atores é distinta,
ocorrendo pelo distanciamento entre os integrantes da rede. Um ator pode ser
100
representado por um nó, sendo este mantido por um ou por vários atores, como é o
caso de um blog, podendo existir vários autores para um mesmo blog.
As ferramentas (blogs) não são atores sociais propriamente, mas
representações do mesmo. Caracterizam-se como espaços para falas onde ocorrem
interações sociais. “Os atores no ciberespaço podem ser compreendidos como os
indivíduos que agem através de seus fotologs, weblogs e páginas pessoais, bem
como através de seus nicknames”. Assim, “todo tipo de representação de pessoas
pode ser tomado como um nó na rede social” (RECUERO, 2009, p. 28).
Um fórum virtual é constituído por atores, os quais são representados por
seus nicknames e são esses atores que iniciam as conexões, principal foco de
estudo das redes sociais. A partir do momento que existe um espaço de fala (os
fóruns virtuais), esses atores criam tópicos, sendo o mesmo respondido por outros
atores sociais (o início de uma conexão).
Segundo Recuero (2009, p. 30), em uma rede social as conexões são
constituídas por laços sociais, os quais são formados através de interações sociais
entre atores. Sendo assim, “essas interações são [...] fadadas a permanecer no
ciberespaço, permitindo ao pesquisador a percepção das trocas sociais mesmo
distantes no tempo e no espaço, de onde foram realizadas” (RECUERO, 2009, p.
30).
A partir dos pressupostos elencados chega-se ao o que Maia (2002)
denomina como sendo uma “arena conversacional”, onde o espaço se desdobra em
novas conversações e discussões, podendo seguir seu curso em forma de conexão
“coletiva”. “Isso ocorre desde a troca de e-mails numa base cidadão-cidadão, chats,
grupos eletrônicos e listas de discussão sobre questões específicas até conferências
virtuais amplas.
101
Um exemplo dessas arenas conversacionais são os fóruns de discussão
desenvolvidos na Internet entendidos como:
[...] um espaço de discussão pública. No fórum geralmente é colocada uma
questão, uma ponderação ou uma opinião que pode ser comentada por
quem se interessar. Quem quiser pode ler as opiniões e pode acrescentar
algo, se desejar. Existem fóruns sobre todo o tipo de assunto
(<http://www.cultura.ufpa.br/dicas/net1/int-glo.htm> Acesso 11 out 2010.)
O fórum na Internet é um espaço de discussão pública, aberto a quem se
interessar, cuja participação é democrática se dá de forma efetiva, haja vista que
“todos” tomam conhecimento do ponto de vista de “todos”. Cada indivíduo
participante pode se posicionar de forma livre e espontânea, não sendo coagidos a
contribuir, dependendo principalmente da motivação de cada cidadão em participar.
A efetividade de participação não se dá apenas porque o fórum é aberto e público. É
preciso também que os participantes possuam oportunidade e capacidades
comunicativas para se engajarem na discussão.
A utilização de arenas conversacionais na Internet permite vislumbrar a
participação do cidadão nos negócios públicos, na tomada de decisão política e até
mesmo, em alguns casos, em fazer com que a própria esfera civil (simbolizada na
figura das redes de cidadãos) participe da elaboração de decisões e soluções a
respeito de problemas de interesse coletivo e que, até então, estavam restritas à
esfera institucional formal (simbolizada na figura do governo).
Os centros de conversação (online) permitem ao usuário escolher qual o
segmento de discussão que gostaria de ler, participar, discutir ou contribuir. Um
usuário que queira iniciar uma discussão para fazer uma postagem em uma lista de
discussão o faz nos fóruns virtuais. Outros usuários que optarem por responder as
mensagens postadas podem acompanhar a discussão adicionando seu próprio post
102
no segmento selecionado. Nos fóruns as respostas não necessariamente precisam
ter lugar imediato, sempre que o usuário revisite a placa da mensagem pode
responder. Ao contrário de um diálogo virtual, paineis de mensagens não têm uma
resposta imediata e requerem que usuários ativos sejam conduzidos ao local para
verificar as respostas29.
De acordo com Jenkins (2009, p. 45): “quando as pessoas assumem o
controle das mídias, os resultados podem ser maravilhosamente criativos; podem
ser também uma má notícia para todos os envolvidos”.
Um quadro de mensagens é único, as pessoas podem optar em participar e
fazer parte de comunidade virtual, mesmo que não optar por contribuir com suas
ideias e pensamentos. Os utilizadores registrados podem simplesmente exibir as
várias linhas ou contribuir, se quiser. Os fóruns podem acomodar um número quase
infinito de usuários, algo que uma sala de bate-papo é limitada para abrigar tanto
usuários simultaneamente. As organizações virtuais consistem de pessoas e
recursos distribuídos, conectados pela rede, situados em domínios administrativos
diferentes, compartilhando recursos com os mesmos objetivos, é dinâmico e o
sistema de gerência é tolerante, mas pode haver falhas (ALBUQUERQUE et al.,
2006).
Utilizadores da Internet pedem para conversar e achegar-se a estranhos
online, opondo-se a encontros na vida real, onde as pessoas estão, muitas vezes,
dispostas a intervir para ajudar estranhos. Estudos têm mostrado que as pessoas
estão mais propensas a intervir em situação única. Com paineis de mensagens da
29
Solove (2007) apud WITZIKI (2008, p. 25): [...] a liberdade de expressão se coloca à frente da
defesa da individualidade. [...] a reputação [é] fator decisivo na propagação de conteúdos que
denigrem a imagem de uma pessoa ou corporação na rede. [...] quando a CNN transmite alguma
mensagem que, mais tarde, é diagnosticada como falsa, retratações e correções seriam feitas. Ao
contrário, quando um indivíduo denigre a imagem de uma empresa ou de outro indivíduo num blog
ou, de forma colaborativa num site, sem a ligação a um órgão de imprensa ou objetivo profissional,
isso não ocorre. Não há uma reputação a ser defendida.
103
Internet, um usuário presente interagir com outro, realizar um diálogo e obter o que
deseja. Outra possível razão para isso é que as pessoas podem denunciar uma
situação muito mais fácil, por ser online, simplesmente clicando em sair ou fazendo
logoff, enquanto teria que encontrar uma saída física e lidar com repercussões na
tentativa de sair de uma situação inconveniente, tal como na vida real. A falta de
status, mas que também pode ser apresentada com uma identidade online também
pode incentivar as pessoas, porque se o sujeito optar por manter-se privado não há
rotulagem de sexo, idade, etnia, raça ou estilo de vida associado a si mesmo.
Logo após o aumento do interesse em fóruns virtuais as pessoas passam a
querer uma forma de comunicar-se com suas "comunidades", em tempo real. A
desvantagem para as placas da mensagem é que um usuário deve aguardar até que
o outro responda sua postagem, entretanto, os nós conectados com outros nós de
todo o mundo, em diferentes escalas de tempo, pode levar algum tempo para receba
a resposta. O desenvolvimento da linha de chat permite às pessoas conversarem
com quem estiver online simultaneamente. Desta forma, as mensagens são
enviadas e os usuários online respondem imediatamente, dando retorno rápido
(ALBUQUERQUE et al., 2006).
No entendimento de Jenkins (2009, p. 45): “o ambiente da mídia está sendo
moldado por tendências contraditórias que, por um lado, se inserem as novas
tecnologias,
reduzindo
custos
operacionais,
de
produção
e
distribuição”,
expandindo-se ao raio de ação dos canais de distribuição disponíveis, permitindo
que usuários comentem conteúdos inseridos por eles mesmos, apropriando-se
destes em um campo incrivelmente circulável. Por outro lado há a concentração de
propriedades dos grandes meios de comunicação comercial, com um conglomerado,
104
embora
pequeno,
porém,
dominando
todos
os
setores
da
indústria
do
entretenimento.
O desenvolvimento de sistemas de hospedagem permite usuários
conversarem entre si em tempo real e estes optarem por temas ou pessoas diversas
para conversas ou compartilhamento de interesses semelhantes (ALBUQUERQUE
et al., 2006).
Lipnack & Stamps (1997) e Mowshowitz (1997) apontam como comunidades
virtuais podem funcionar através do espaço, tempo e fronteiras organizacionais.
Lipnack e Stamps (1997) menciona um propósito comum, e Lee et al. (2001)
introduzem a desestatização, que significa haver menos interação com os humanos
em ambientes tradicionais, por exemplo, o aumento na socialização virtual.
A Informática exerce influência negativa sobre a interação offline entre
indivíduos, pois o mundo virtual domina o indivíduo, cria personalidades diferentes
na pessoa, nas comunidades e nos grupos.
Recentemente, Mitch Parsell (2008) sugeriu que as comunidades virtuais,
especialmente, que utilizam recursos da Web 2.0 podem ser perniciosas, levando à
polarização da atitude e aumento progressivo do preconceito, permitindo que
indivíduos doentes se entreguem nessas comunidades deliberadamente (PARSELL,
2008).
As comunidades da Internet têm a vantagem da troca de informações
instantâneas, que não é possível em uma comunidade da vida real. Isso permite que
as pessoas se envolvam em atividades diversas de sua casa, tais como: comprar
produtos, pagar contas ou ainda buscar outras informações específicas. Os usuários
de comunidades online também têm acesso a milhares de grupos de discussão
específicos, em que se pode formar relacionamentos especializados e acesso à
105
informação em categorias como: política, assistência técnica, atividades sociais,
perguntas ao consumidor, recreativas e de prazer. As comunidades virtuais
fornecem um meio ideal para esses tipos de relacionamentos, pois a informação
pode ser facilmente colocada e o tempo de resposta pode ser muito rápido. Outra
vantagem é que esse tipo de comunidades pode dar aos usuários o sentimento de
pertença e os usuários podem dar e receber apoio, é simples e barato de usar
(BLANCHARD e MARKUS, 2004).
Economicamente, as comunidades virtuais podem ser comercialmente bemsucedidas, ganhar dinheiro através de taxas de adesão, inscrições, taxas de
utilização e comissões de propaganda. Os consumidores em geral se sentem muito
confortáveis fazendo transações online, desde que o vendedor tem uma boa
reputação na comunidade. As comunidades virtuais também oferecem a vantagem
da desintermediação nas transações comerciais, o que elimina os vendedores e
compradores se conecta diretamente aos fornecedores (ROTHAERMEL e
SUGIYAMA, 2001), eliminando o mark-ups e permite uma linha direta de contato
entre o consumidor e o fabricante.
A Internet dispõe de comunicação instantânea e acesso é rápido, isso
significa que a informação é enviada para fora sem ser revista para correção,
tornando difícil a escolha de fontes confiáveis, por não haver um editor que analise
cada posto e garanta a qualidade. Assim, o texto vem escrito sem filtro entre as
partes, podendo reproduzir-se com desajuste (Smith apud JOHN-STEINER et al.,
1999).
As identidades podem ser mantidas anônimas, seria comum se as pessoas
utilizassem a comunidade virtual para viver fantasmagoricamente como outra/outras.
Os usuários devem ser cautelosos com as informações provenientes da linha,
106
devem ter cuidado em duplicar os fatos de seleção com os profissionais (CORREIA
e NUNES, 2002).
A informação online difere da informação discutida em uma comunidade da
vida real, está permanentemente disponível online (SCHNEIDER et al., 2009). Como
resultado, os usuários devem acautelar-se com o que divulgam sobre si mesmos
para garantir que não sejam facilmente identificáveis, por razões de segurança.
As transformações decorrentes da valorização da informação, sendo este o
principal recurso de comunicação das sociedades contemporâneas, na última
década a humanidade assiste ao desenvolvimento do ciberespaço, ou seja, do
terreno virtual, de comunicação e interação global que transcende fronteiras e
desafia a capacidade de intervenção e controle de seus administradores
(GONÇALVES, 2003, online).
Segundo Jane Mansbridge (1999), a proposta deliberativa aproxima
diferentes atores sociais - como governantes e governados, é capaz de colocar em
marcha processos que auxiliam aos cidadãos a entenderem melhor os problemas
coletivos, que os leva a engajarem-se em conversações cotidianas e recíprocas,
buscando não apenas soluções para tais problemas, mas novos modos de entendêlos ou enfrentá-los. Segundo Mansbridge (1999, p. 1):
[...] um sistema deliberativo, em sua potência, assim como todos os
sistemas de participação democrática, auxilia seus participantes a
entenderem melhor a si mesmos e seu ambiente. Ele também os auxilia a
mudar a si mesmos e aos outros através de formas que são melhores para
eles e para a sociedade como um todo – embora às vezes esses objetivos
entrem em conflito.
Dessa forma, o estudo dedica-se em explorar as potencialidades da Internet
como uma arena conversacional, facilitando o acesso do cidadão. Uma arena
caracteriza-se como um espaço disputado entre digladiadores, conhecidos neste
107
trabalho como usuários corajosos de diferentes partes do país ou do mundo onde,
cada qual, com desejos, necessidades e intenções diferentes movimentam o
ambiente virtual, denominados nós.
De acordo com Lúcia Santaella (2003, p. 202), um nó é um usuário distinto.
Assim sendo, os usuários ou os nós:
[...] se encontram os ciborgs interfaceados no ciberespaço. São os usuários
que se movem no ciberespaço enquanto seus corpos ficam plugados no
computador para a entrada e saída de fluxos de informação. Quando os
corpos estão plugados eles sempre representam um nível de imersão. [...] A
imersão é, portanto, a posição interna de um indivíduo experiencialmente
dentro de um lugar, distinta de um autosider que visualmente consome uma
paisagem recortada pela sua moldura.
Nessa mesma abordagem, Lúcia Santaella (2003, p. 202-203) afirma que:
[...] quanto mais um sistema técnico for capaz de cativar os sentidos do
usuário e bloquear os estímulos que vêm do mundo exterior, mais o sistema
é considerado imersivo. [...] Nesse tipo de corpo – o corpo é plugado – os
níveis de interfaces variam, desde o nível mais superficial [...] quando se
usa o computador simplesmente para escrever um texto, até o nível mais
imersivo que se dá nas cavernas de realidade virtual. [...] esse tipo de corpo
se subdivide em uma gana de cinco graus de intensidade crescente, como
segue [imersão por conexão, imersão através de avatares, imersão híbrida,
telepresença, ambientes virtuais].
Dado ao caráter imediato e acesso direto do sistema, com base em
Mansbridge (1999) entende-se que a conversação cotidiana e sua contribuição no
processo de tomada de decisão na esfera pública, política, social, educacional, entre
outras, onde cidadãos devem discutem problemas comuns, a fim de preparar o
caminho às decisões governamentais, particulares, profissionais, à tomada de
decisões coletivas, gestadas a partir dos processos informais de discussão é
fundamental no processo evolutivo.
108
4 METODOLOGIA DE PESQUISA
A escolha e utilização do método netnográfico nesta pesquisa deu-se frente
à disponibilidade do fórum no ambiente virtual, ou seja, na plataforma online. De
acordo com Amaral et al. (2008), a netnografia considera as práticas de consumo
midiático, os processos de sociabilidade e os fenômenos comunicacionais que
envolvem as representações do homem dentro de comunidades virtuais, em
constante transformação, apresentando-se em formas provisórias, além de
representarem um fenômeno embrionário.
A netnografia, como transposição virtual das formas de pesquisa face a face
e similares, apresenta vantagens explícitas como: consumir menos tempo, ser
menos dispendiosa e menos subjetiva, além de menos invasiva, uma vez que pode
comportar-se como uma “janela” ao olhar do pesquisador, sobre comportamentos
naturais de uma comunidade durante seu funcionamento, fora de um espaço
fabricado para pesquisa, sem que interfira diretamente no processo como
participante fisicamente presente (KOZINETS, 2002). Por outro lado, perde em
termos gestuais e de contato presencial off-line, que pode revelar nuances no texto
escrito ou outros recursos (AMARAL et al., 2008).
Para construir a metodologia foram levantadas referências sobre pesquisas
etnográficas online, virtual e netnográfica. No entanto, foi empregado o método
netnográfico, com a busca de informações em plataformas virtuais.
O vocábulo “netnografia“ foi definido na década de 90, por Kozinets (2006),
incorpora procedimentos da etnografia no ambiente online. A netnografia é um
método de pesquisa qualitativa, de natureza interpretativa, facilmente adaptável no
estudo sobre comunicação, em técnicas de pesquisa etnográfica pessoal da
109
Antropologia Social, para o estudo de culturas e comunidades online que forma o
pensamento mediado pelo computador.
A metodologia etnográfica ganhou espaço pela necessidade de conhecer
novas práticas da comunicação online, em 1990. A partir de então, passou a ser
abordada por vários pesquisadores da área e tornou-se amplamente difundida com
repercussão entre cientistas e pesquisadores, mundialmente.
O método netnográfico apresenta todas as orientações necessárias para que
o pesquisador possa observar os participantes nos ambientes virtuais. Nesse
processo de investigação o trabalho possibilita investigar os possíveis locais do
campo online, interpretar o fazer cultural desses indivíduos que interagem nesses
ambientes, coletar e analisar dados, garantir interpretações confiáveis, realizar
pesquisas que envolvem e relacionem a ética, finalmente, oportunizar um feedback
dos membros da cultura pesquisada (KOZINETS, 2006, p. 281).
De acordo com Braga (2007) apud AMARAL et al. (2009, p. 35): “a
netnografia também leva em conta as práticas de consumo midiático (BRAGA, 2007)
e Moscovici (2006, p. 78) apud AMARAL (2009, p. 35) pressupõe:
[...] os processos de sociabilidade e os fenômenos comunicacionais que
envolvem as representações do homem dentro de comunidades virtuais,
faz-se necessário ressaltar que [...] estão em constante transformação,
apresentando-se em formas constantemente provisórias, além de
representarem um fenômeno embrionário.
É importante enfatizar que o método netnográfico é simplificado e prático
para seu uso, comparativamente aos demais disponíveis, por ser discreto e requer
investimento inferior aos métodos convencionais. A etnografia virtual pode ser usada
em estudos de pesquisa etnográfica em plataformas online, por fornecer respostas
frente às necessidades que se interpõem quando se estudam comunidades que
110
usam a comunicação eletrônica. Porém, a imersão e o engajamento do pesquisador
em estudos de plataformas online são fundamentais.
Há que considerar os apontamentos propostos por Kozinets (2006), ao
sugerir o método netnográfico como instrumento utilizado em pesquisas sobre
publicidade, permitindo o pesquisador seguir o pensamento do consumidor nos
ambientes virtuais e sua relação com o mercado. O modelo auxilia na identificação
de pontos favoráveis ou contra determinadas marcas, produtos ou serviços,
facilitando o planejamento de estratégias publicitárias pelas empresas investigadas.
De acordo com Nogueira Fino (2010, p. 1):
[...] a etnografia deve ser entendida como a descrição de uma cultura, que
pode ser a de um pequeno grupo tribal, numa terra exótica, ou a de uma
turma de uma escola dos subúrbios, sendo a tarefa do investigador
etnográfico compreender a maneira de viver do ponto de vista dos nativos
da cultura em estudo.
Estudos netnográficos ou etnografia virtual fundamentam-se em premissas
de pesquisas etnográficas, as quais procuram compreender o pensamento do
consumidor nas atividades cotidianas e analisar a rotina e o estilo vivenciado pelas
culturas imersas.
O etnógrafo não é um simples voyeur ou um observador desengajado, mas
é, em certo sentido, um participante compartilhando algumas das
preocupações, emoções e compromissos dos sujeitos pesquisados. Essa
forma estendida depende também da interação, em um constante
questionamento do que é possuir uma compreensão etnográfica do
fenômeno (HINE, 2000, p. 47).
Entender os relacionamentos humanos e suas práticas com base na
comunicação desenvolvida entre indivíduos e seus atos de consumo é fundamental
nesta dissertação. Os motivos que conduzem um sujeito a selecionar o que usar,
vestir, qual veículo dirigir, quem selecionar para executar determinado serviço de
111
reparo ou ainda conhecer detalhes de certas produções e suas vantagens é
facultado aos usuários de fóruns, de comportamento investigativo, instilam uns nos
outros a necessidade de interação para sanar dúvidas, levantar questionamentos e
resolver problemas. Pois, experiências vivenciadas nesses ambientes estão
intimamente relacionadas com a área de Publicidade. Os fóruns virtuais são
ambientes que a Publicidade investiga para compreender o sujeito e sua relação
com o ambiente social em rede.
A abordagem etnográfica parte do modelo comunicacional que considera o
contexto e as culturas que nela se desenvolvem, multifacetadas por conversações,
práticas e negociações simbólicas em que a observação sistemática e interpretativa
contribui para decompor e desvendar padrões de comportamento sociocultural.
Na perspectiva didática de Angrosino (2009, p. 30): “a etnografia é a arte e a
ciência de descrever um grupo humano – suas instituições, seus comportamentos
interpessoais, suas produções materiais e suas crenças”. Conforme mencionado, a
netnografia, cunhada em 1990, mostra-se como um método de análise de redes
sociais, segundo Fragoso et al. (2011):
A metodologia de uma etnografia é inseparável dos contextos nos quais [...]
é empregada e é uma abordagem adaptativa que floresce na reflexidade
sobre o método. A abordagem etnográfica [...] tem como objetivo fazer
justiça à riqueza e complexidade da Internet e também defender a
experimentação dentro do gênero como uma resposta a novas situações.
A etnografia deve ser compreendida no seu caráter qualitativo, em que a
análise da Internet pode ser avaliada sob duas óticas em seus efeitos enquanto
cultura e artefato cultural.
A utilização do termo demarca e pontua algumas diferenças que o método
etnográfico sofre quando adaptado aos ambientes digitais, seja sob a forma de
112
coleta de dados, seja em termos de ética de pesquisa e análise. A pesquisa
qualitativa tem sido agraciada com inúmeras técnicas e vantagens, umas
relacionadas às outras sendo a etnografia uma delas.
A netnografia mantém as premissas básicas da tradição etnográfica (SÁ,
2002, p. 159) a partir dos trabalhos desenvolvidos por Geertz (2001) e nessa
relação: inicialmente, mantém uma postura de estranhamento do pesquisador em
relação ao objeto; considera a subjetividade e os resultados como interpretações de
segunda e terceira mão; finalmente, considera o relato etnográfico como sendo de
textualidades múltiplas.
Por tratar-se de uma transposição de metodologia do espaço físico ao
espaço online, ao utilizar a netnografia, faz-se necessário inclui procedimentos
específicos acerca da tipologia dos objetos estudados.
Primeiramente, ressaltam-se os critérios de confiabilidade frente à filtragem
dos informantes dentro das comunidades virtuais para que se analisem questões
contextualizadas no objeto. Dentre as diversas maneiras de aferir essa
confiabilidade destacam-se os critérios utilizados por Kozinets (1997, p. 9), para a
escolha dos informantes e grupos estudados:
(1) indivíduos familiarizados entre eles; (2) comunicações que sejam
especificamente identificadas e não anônimas; (3) grupos com linguagens,
símbolos, e normas específicas e; (4) comportamentos de manutenção do
enquadramento dentro das fronteiras de dentro e fora do grupo.
Segundo Kozinets (2002): “a intenção da utilização desses quatro critérios
garante que se está de fato estudando uma cultura ou uma comunidade, [...] e não
simplesmente examinando uma reunião temporária”. A partir da validação da
comunidade e seus informantes, Kozinets (2007) recupera quatro procedimentos
básicos de metodologia, que são específicos, transpondo da etnografia para a
113
netnografia: “entrée cultural30; coleta e análise dos dados; ética de pesquisa e,
finalmente; feedback checagem de informações com os membros do grupo”. As
etapas não acontecem de forma estática e os pesquisadores trabalham indo e vindo
por entre elas, apontando vivência de “sobreposições e interferências (positivas),
onde os procedimentos acontecem de forma interligada” (AMARAL, 2008).
4.1 O ESTUDO DE REDES SOCIAIS
A totalidade de redes virtuais é composta pelos mesmos elementos básicos
(nós e conexões) e compartilham diversas propriedades estruturais e de base.
Bogdan e Taylor (1975) apud NOGUEIRA FINO (2010) definiram a observação
participante como um tipo de investigação que se caracteriza por um período de
interações sociais intensas, entre o investigador e os sujeitos (no meio destes)
durante a fase em que os dados são recolhidos de forma sistemática.
Para Georges Lapassade (1991, 1992, 2001) apud NOGUEIRA FINO (2010,
p. 4), a expressão “observação participante” tende designar o trabalho de campo no
seu conjunto, desde a chegada do investigador ao campo a ser investigado, quando
inicia as negociações que darão acesso, até o momento em que abandona a área
de estudo, depois de longa estada ali. Enquanto presente, o observador imerge
pessoalmente na vida dos locais investigados, partilhando suas experiências.
De acordo com Fragoso et al. (2011), o método de Análise das Redes
Sociais (ARS) na Internet não se fundamenta apenas em um único método, mas em
30
A entrée cultural é uma etapa previamente delimitada pelo pesquisador, como preparação para o
trabalho de campo. Para começar um procedimento netnográfico o pesquisador precisa preparar-se,
levantando quais tópicos e quais as questões deseja analisar; em que tipo de comunidades, fóruns e
grupos pode obter respostas satisfatórias e pertinentes à pesquisa. Os participantes atuantes nestas
comunidades são de grande importância, quando estudados individualmente e, através de
ferramentas de busca e pesquisa online pode-se chegar a resultados efetivos para o encontro de
informações específicas.
114
uma compilação de métodos que traduzem parte da perspectiva que se baseiam as
premissas de construção da Análise de Redes Sociais.
Segundo Wasserman e Faut (1994, p. 10):
A Análise de Redes Sociais (ARS) é inerentemente a uma empreitada
interdisciplinar. Seus conceitos foram desenvolvidos por um propício
encontro da Teoria Social e da aplicação da Matemática formal, da
Estatística e dos métodos computacionais (apud FRAGOSO et al., 2011, p.
115).
A ARS deve ser estruturada a partir do princípio que ao estudar as
estruturas decorrentes de ações e interações entre atores sociais diversos torna
possível
compreender
muitos
elementos
acerca
destes
grupos
e
suas
generalizações com esse respeito (FRAGOSO et al., 2011).
Uma rede social, por sua própria natureza, é composta de estruturas e ao
focar determinado grupo como uma rede o pesquisador está analisando sua
estrutura, que, por um lado analisa os nodos (nós), por outro as arestas (conexões).
Geralmente, os “nós” são representados pelos atores envolvidos e suas
representações na Internet (um blog é um ator) e suas interações são
compreendidas como interações construídas entre atores (comentários em um blog
ou mensagens trocadas no Twitter), proporcionadas e mantidas pelo sistema
(FRAGOSO et al., 2011).
O Twitter é uma rede mantida pelo sistema, exceto, que alguém delete um
“nó” ou uma conexão, o blog é uma rede mantida pela interação entre atores. O
estudo das redes sociais é retomado após o surgimento dos sites de redes sociais
na Internet, caracterizados pela construção de um perfil com características
identitárias (atores sociais) e apresentação de novas conexões entre perfis (arestas
na rede social) - (FRAGOSO et al., 2011).
115
Quando houver mais que um modelo de relação entre indivíduos a conexão
é multiplexa, devendo ser considerado seus limites, difícil para determinar frente a
estrutura de construção ser característica. No Orkut a forma como as pessoas estão
interconectadas torna impossível uma coleta de dados para estudos focados. Nesse
caso, é indispensável que o pesquisador decida qual tipo de abordagem deseja
realizar, refere-se a rede inteira (p. ex. comunidade do Orkut, grupo de weblogs ou
condomínio) ou a rede ego (rede traçada a partir de determinado ator), que no caso
deve escolher um ator para iniciar o traçado de rede e a partir dele traçar a rede
para estudo (FRAGOSO et al., 2011).
A metodologia do presente estudo volta-se em analisar os usuários do fórum
Carros de Rua como uma rede social, estabelecido em um espaço virtual e,
também, se o diálogo mantido entre esses usuários exerce alguma influência na
decisão no momento de adquirir determinado produto, entender a linguagem e a
comunicação utilizada no fórum, mensurar o grau de poder que esse relacionamento
virtual exerce na tomada de decisão dos usuários quando da aquisição de
determinado produto no mercado e o modo como os diálogos mantidos influenciam
na decisão desses usuários.
No dizer de Gutierrez (2009, p. 1):
O ciberespaço, espaço criado pela rede comunicacional formada por meios
eletrônico-computacionais da qual a internet é parte, tensiona as noções de
espaço, tempo e lugar. Sua geografia não coincide com a das redes
comunicacionais que se desenham no território físico, mas nem por isso
constitui uma dimensão estanque da realidade. Ao contrário, as redes se
interpenetram e dialeticamente se constroem e reconstroem. Assim, as
práticas sociais e culturais produzidas neste não lugar, a cibercultura, além
de criar modos de ser e estar específicos, integra as culturas dos demais
espaços e as transforma, sendo por elas, também, transformada.
116
No entendimento de Lemos (2003, p. 11-12), o termo cibercultura é regado
de sentidos, é uma forma social e cultural, de larga aderência da população mundial,
nasceu da relação simbiótica entre sociedade, cultura e tecnologias de base
microeletrônica, resultantes da convergência das telecomunicações que se
emergiram na década de 70, do Século XX.
De acordo com Amaral (2009, p. 37):
Sendo o ciberespaço um meio rico para a comunicação, a partir do aumento
no número de usuários, as novas tecnologias ampliaram a questão da
multiplexidade metodológica, por transpor a discussão da evolução
tecnológica em si, para as questões de sociabilidade e apropriação [...] o
agente de mudança não é a tecnologia em si e sim os usos e as
construções de sentido ao redor dela. [...] a utilização da etnografia é
transposta ao ciberespaço como metodologia para suprir o espaço de
estudo das práticas cotidianas em torno da Internet.
Com visão semelhante, para Jenkins (2009, p. 46), a covergência
corporativa tem profunda ligação com a covergência alternativa e ressalta que:
Empresas de mídia estão aprendendo a acelerar o fluxo de conteúdo de
mídia pelos canais de distribuição para aumentar as oportunidades de lucro,
ampliar mercados e consolidar seus compromissos com o público.
Consumidores estão aprendendo a utilizar as diferentes tecnologias
para ter um controle mais completo sobre o fluxo da mídia e para
interagir com outros consumidores. As promessas desse novo ambiente
provocaram expectativas de um fluxo mais livre de ideias e conteúdos.
Inspirados por esses ideais os consumidores estão lutando pelo
direito de participar mais plenamente de sua cultura [negocial].
Os consumidores têm buscado diferentes tecnologias para solucionar
dúvidas; por meio da interação com outros consumidores, estão verdadeiramente
imersos na luta pelo direito de participar e extrair as vantagens oferecidas pelas
novas tecnologias, especialmente, porque são livres para interagir nos ambientes da
Internet.
De acordo com Amaral (2009, p. 36):
117
[...] as Tecnologias de Comunicação e Informação (TICs) se apresentam
como “artefatos culturais”, passíveis [elas mesmas] de dificuldades acerca
da acessibilidade do pesquisador mediante as interfaces adjacentes aos
objetos no campo virtual [...]. Como artefatos culturais, [...] são apropriados
pelos usuários e constituídos através de marcações e motivações. Além
disso, perceber os blogs[fóruns] como artefatos,indica também [...] que são
eles o repositório das marcações culturais de determinados grupos e
populações no ciberespaço, nos quais é possível, também, recuperar seus
traçados culturais. [...] Os traçados culturais demarcados pela interação nas
comunidades, fóruns, blogs, plataformas são as pistas seguidas pelos
pesquisadores em sua análise.
A proposta dessa metodologia é entender como se processa a propaganda
mediada pelos próprios usuários dentro de fóruns virtuais, qual a credibilidade
desenvolvida entre esses usuários e porque se interessam nos diálogos mantidos
nesses espaços, como essa tecnologia modifica a vida dos indivíduos que com
ela/nela interagem, qual a linguagem utilizada na Internet e porque essa oralidade
enquanto instrumento de comunicação.
Nesse contexto, Gutierrez (2009) afirma que a cibercultura não é composta
de uma direção ou dominação do contexto sociocultural pela tecnologia, mas se
constrói na emergência das ações de um público, reações, sociabilidades,
hegemonias e movimentos que derivam das marcas que a tecnologia deixa na
sociedade contemporânea.
Ao investigar esse espaço de fluxos é possível perceber que é constituído
pela sociedade da informação, semelhante ao mergulho do sujeito em um espaço
antropológico, porém, interpenetrado por outros espaços antropológicos que diluem
fronteiras e transformam limites em pontos de referência. Nessa seara, o trabalho do
pesquisador é mapear algo inapreensível que se manifesta nas relações sociais que
se emergem formando redes sociotécnicas, cuja afinidade que compõem a trama de
relações sociais é determinada e determinante do que o sujeito é ou virá a ser, dos
rumos que segue enquanto humanidade (LEVY, 1999; CASTELLS, 2003).
118
4.2 COLETA DE DADOS
A coleta de dados teve como base os atores (nós) interconectados pelas
arestas (conexões formais e informais31), devendo o pesquisador decidir o que
realmente foi importante no seu trabalho, incluindo tipo de pergunta, tipo de
resposta, pergunta ou resposta pertinente a alguma das variáveis selecionadas,
sexo, idade, segmento, tamanho, tipo de diálogo mantido entre os internautas, entre
outros (FRAGOSO et al., 2011).
As redes sociais são sistemas dinâmicos, resultante da interação entre os
atores, sujeitas a processos de ordem, caos, agregação, desagregação ou ruptura.
Cada fórum possui propriedades peculiares, devendo ser analisado segundo sua
estrutura, características, composição e qualidade das conexões. A coleta de dados
pode considerar a composição (laços sociais ou capital social) ou estrutura (grau de
conexão, densidade, centralidade ou centralização) - (FRAGOSO et al., 2011).
As redes sociais na Internet apresentam comportamentos emergentes, como
propagação, cooperação, adaptação e auto-organização, surgimento de clusters,
elementos que devem ser analisados pelo pesquisador. Nesse contexto, é possível
afirmar que o ambiente virtual é fortemente integrado por usuários de todos os
níveis, permitindo elevar quali-quantitativamente os diálogos que ali se difundem
interativamente.
Nesse ambiente esta pesquisa se insere no sentido de buscar os motivos
que induzem o usuário a participar dos debates de fóruns, os pontos de credibilidade
que devem ser considerados para a continuidade desse consumidor nesses
31
Formais – subordinação em uma empresa; Informais – interações ou laços sociais.
119
espaços. Para isso, utiliza-se da netnografia, um método que permite estudar as
redes sociais e as inúmeras variáveis das quais é composta.
A etnografia ou netnografia, de acordo com Gutierrez (2009, p. 4):
[...] é um processo que se desenvolve a partir da ação do pesquisador, de
suas escolhas dentro do contexto pesquisado [...] não tem uma estrutura
rígida, pois depende do que vem do campo de pesquisa. Deste modo, parte
de uma visão dialética da cultura, na qual esta se movimenta entre as
estruturas sociais e as práticas sociais dos sujeitos históricos. Abordagens
etnográficas não são novidade na pesquisa na Internet, considerando o
ciberespaço como um espaço sociocultural. Porém, mesmo a descrição
profunda e atenta pode resultar incompleta frente a complexidade
crescente.
Os dados registrados pelos usuários armazenam conhecimento, sendo
transferido de um usuário para outro, acessível por meio de aplicativos, cuja
arquitetura é amplamente relevante para o investigador que procura conhecer a
propaganda mediada pelos próprios usuários dentro dos fóruns virtuais, objeto de
pesquisa desta dissertação.
A Internet vem passando por um processo de desenvolvimento jamais
conquistado ao longo de toda a história da humanidade e da tecnologia, um
ambiente. A Web 2.0 forneceu tendências (em constante desenvolvimento) sobre
como usar o Word Wide Web, reforçou o partilhamento de informações, criatividade,
interação, funcionalidade e colaboração entre usuários. Nesse mesmo ambiente os
usuários interagem, o Marketing se estabelece de forma voluntária, criativa e
promissora. Enquanto plataforma (Web 2.0) produziu caminhos sobre o uso da
Internet (ex. comunidades baseadas na Web como sites de redes sociais, wikis,
folksonomias, blogs e sites de compartilhamento de vídeo).
Entretanto, a plataforma 2.0 não tem sido mais suficiente para atender as
demandas de navegação e interatividade entre usuários, requerendo o surgimento
de novas tecnologias, como a Web 3.0 (Web Semântica), que segundo Herrys
120
(2008), trouxe avanço tecnológico significativo com uma infinidade de aplicações
contemporâneas, reconhecida e valorizada pela informática mundial, impulso que a
Web 2.0 necessitava para dar continuidade ao processo de desenvolvimento
exigente pelo qual tem passado.
De acordo com Hammersley and Atkinson (1983, p. 2) apud HILE (1983):
[…] the ethnographer participates, overtly or covertly, in people’s daily lives
for an extended period of time, watching what happens, listening to what is
said, asking questions; in fact collecting whatever data are available to throw
light on the issues with which he or she is concerned. This type of
ethnography, this ethnography I have characterized as conventional,
therefore gives centre stage to the human actors, to the sense which people
make of the world. The role of the ethnographer is to observe, document,
and analyze these practices, to present them in a new light. The study of
cultural artifacts, of documents where appropriate, is a somewhat secondary
32
device in which they are examined as “social products” .
De acordo com Hile (1983), é um dilema comum entre etnógrafos sentir que
a ação entre usuários acontece em outro lugar, especialmente, porque um ambiente
virtual não é tocável, somente argumentos oriundos de teorias possibilitam que os
informantes expliquem porque recorrem ao teclado interativamente com outros
usuários para conhecer ou inteirar-se sobre determinados fatos, produtos ou
serviços. Em sentido acadêmico, o “virtual” significa que ainda está por acontecer.
Desta forma, como deve proceder um pesquisador diante do campo virtual, uma vez
que não sabe se as ações, pensamentos, decisões e conclusões confabuladas no
diálogo mantido no ambiente já aconteceram ou não? Obviamente, pela natureza da
tarefa é possível afirmar que o pesquisador deverá investigar o, ora transponível, ora
32
O etnógrafo participa, aberta ou veladamente, na vida diária das pessoas por um período
prolongado de tempo, observando o que acontece, ouvindo o que é dito, fazendo perguntas, na
verdade, coleta todos os dados que estão disponíveis para trabalhar com questões com as quais está
estudando. Esse tipo de etnografia é caracterizada como um método convencional, o centro do palco
é dado à atores humanos, pessoas fazem o mundo. O papel do etnógrafo é observar, documentar e
analisar tais práticas, para apresentá-las sob uma nova luz. O estudo da cultura de artefatos, de
documentos sempre que necessário, é um dispositivo pouco secundário examinado como "produtos
sociais". (em tradução livre).
121
instransponível, ora difuso, diálogo para identificar o que supostamente ocorreu
entre os atores de redes sociais interativas.
Os etnógrafos sentem que algo essencial falta no momento da pesquisa
porque o ambiente é exclusivamente virtual, ninguém dá a prova de sua existência,
ou seja, não existe pessoa alguma nesse espaço para confirmar a veracidade da
informaçao alocada, apenas o resultado de suas ações, formalizadas sob forma de
comentários, pensamentos, sentimentos, desejos, reclamações, críticas construtivas
ou não, que se estabelecem por meio da oralidade escrita, característica essencial
do trabalho de pesquisa etnográfica. A impressão percebida é de que o etnógrafo
encontra-se isolado no sentido da invisibilidade.
Sobre a análise netnográfica Kozinets (2007, p. 15) apud AMARAL (2009, p.
37) comenta: “[...] pode variar ao longo de um espectro que vai desde ser
intensamente participativa até ser completamente não obstrutiva e observacional”.
Complementa Hine (2000) apud AMARAL (2009, p. 37):
[...] o etnógrafo habita numa espécie de mundo intermediário, sendo
simultaneamente um estranho e um nativo, tendo que cercar-se
suficientemente tanto da cultura que estuda para entender seu
funcionamento, como manter uma distância necessária para dar conta de
seu estudo.
É fundamental que o pesquisador realize uma análise no ambiente estudado
para perceber novas mudanças e o que realmente cada membro informou de novo,
possibilitando auferir dados de pesquisa para junção, segundo uma ordem de
prioridade, na compilação de dados. Enquanto etnógrafo, a análise de progresso
permite tornar o trabalho invisível em um trabalho visível, embora os membros da
comunidade nada percebam o relatório implica em dados qualitativos de pesquisa.
122
Acrescenta Amaral (2009, p. 38) que: “por se tratar de uma transposição de
metodologia do espaço físico ao espaço on-line, ao utilizar a netnografia faz-se
necessário incluir procedimentos específicos acerca da tipologia dos objetos
estudados”, que neste caso é o diálogo mantido nos fóruns, entre usuários, visando
identificar se a propaganda mediada pelos proprios usuários exerce influência no
momento da aquisiçao de certo produto ou serviço disponível no mercado.
Para empreender a pesquisa, destacam-se os critérios de confiabilidade,
adotados por Kozinets (1997, p. 9), para filtrar os informantes e importância dada ao
diálogo mantido entre usuários, dentro das comunidades virtuais e efetuar a análise
de questões contextualizadas com seu objeto. Nesse caso, dentre as diversas
maneiras de aferir essa confiabilidade destacamos os critérios utilizados por
Kozinets (1997, p.9) para a escolha de seus informantes e grupos estudados:
(1) indivíduos familiarizados entre eles;
(2) comunicações que sejam especificamente identificadas e não anônimas;
(3) grupos com linguagens, símbolos, e normas específicas e;
(4) comportamentos de manutenção do enquadramento dentro das
fronteiras de dentro e fora do grupo.
[...]
A intenção da utilização desses quatro critérios garante que se está de fato
estudando uma cultura ou uma comunidade, [...] e não simplesmente
examinando uma reunião temporária [de indivíduos].
Meirinhos (2009) entende que as redes sociais são uma realidade atual,
presente na vida da população mundial, em larga escala no Século XXI, cuja
importância e impacto gerado não pode mais ser ignorado, tanto pelo pesquisador,
pelas autoridades governamentais ou privadas, pelo indivíduo ou pela sociedade,
por influenciar na forma como os sujeitos estalecem as relações com seus pares,
sejam eles virtuais ou não. Reflete na forma como os sujeitos reconhecem-se à si
próprios e ao(s) outro(s), fenômeno que tem crescido tão intensamente, atraindo o
interesse para a pesquisa por parte de investigadores nas múltiplas ciências,
123
especialmente, nas últimas duas décadas, para analisar como ocorrem os
relacionamentos nessas redes, permitindo revelar o que há de interessante nesses
espaços.
Henri e Lundgren-Cayrol (2001) apud MEIRINHOS (2009) apontam os
fóruns como ferramentas fundamentais à interação e colaboração no seio das
comunidades virtuais.
4.3 DEFINIÇÃO DOS CRITÉRIOS DE ESTUDO
O estudo etnográfico partiu da necessidade de entender a propaganda
mediada pelos próprios usuários dentro dos fóruns virtuais, com foco centrado no
fórum Carros de Rua. A etnografia, como tipo de pesquisa de abordagem qualitativa,
sob a forma de netnografia ou etnografia virtual tem sido usada para pesquisar redes
sociais on-line que interagem em diversos suportes, cujo método pode perfeitamente
ser empregado para estudar o fórum selecionado para esta pesquisa (GUTIERREZ,
2009).
As variáveis de pesquisa se relacionam ao tipo de dúvidas que os membros
do fórum apresentam aos outros membros, incluindo: consumo; praticidade;
qualidade; reconhecimento do produto; funcionalidade; conhecimento sobre
determinado produto/serviço; credibilidade dada para perguntas/respostas dentro
dos fóruns, entre outros fatores, incluindo reclamações, críticas, lançamentos,
novidades, problemas mecânicos, compra de carros novos e tunning, cujos
resultados serão mostrados sob o formato de imagens e gráficos.
124
As variáveis selecionadas buscam responder se a interação entre indivíduos
dentro desses fóruns exerce influência para um questionamento que nem sempre a
mídia responde. Embora a ciberoralidade esteja carregada de recursos que
viabilizem respostas ao pesquisador, somente por meio de uma análise estruturada
visualiza detalhes arguidos em uma produção científica de natureza semelhante a
esta.
Diante da importância do assunto na contemporaneidade, para atingir os
resultados traçados adotou-se como primeiro passo a seleção do fórum virtual
(Carros de Rua), sendo o método de eleição para fóruns: número de indivíduos;
idade;
gênero;
tipo
de
discussão
e
de
produto;
teor
do
comentário
(pergunta/resposta) a ser investigada e o tratamento de dados estatísticos. Por outro
lado, foi desenvolvida uma análise intrafórum para detectar a interação entre
usuários e sua relação com uma marca, produto ou serviço.
Primo (2008) menciona que existe uma interação dinâmica, ou seja, um
movimento interativo entre indivíduos que se relacionam, pois o primeiro requisito da
comunidade virtual é ser um grupo de pessoas que estabelecem relações sociais
entre si, "construídas através da interação mútua" (PRIMO, 2008). Os usuários
inseridos nos espaços virtuais estudados estão presentes por tratar de assuntos que
envolvem os demais usuários e essa interação faz com que estes tenham liberdade
para duvidar, questionar, obter uma ou mais respostas de seus pares.
O presente estudo tem como foco de pesquisa entender, detalhadamente,
os pormenores, peculiaridades e forma pela qual a propaganda mediada pelo
próprio usuário, utilizando-se da oralidade escrita enquanto instrumento de
comunicação, tem contribuído no contexto virtual (Internet); como o Marketing, de
forma subliminar, utiliza a propaganda para divulgar produtos ou serviços nesse
125
ambiente; como ocorre a interação entre usuários ainda desconhecidos, porque dão
credibilidade a opiniões de terceiros em um contexto de redes sociais e porque não
buscam opiniões em meio à realidade que vivem, com seus familiares, com as
próprias empresas que fabricam produtos ou vendem determinado serviço; qual o
real significado dessa ferramenta na vida desses usuários; quem são os promotores
desse movimento calado, sem voz, mas ativo, intermitente e reconhecido
mundialmente.
4.4 CRONOGRAMA DE PESQUISA
O fórum é uma ferramenta disponibilizada no ciberespaço, é um suporte
técnico de comunicação entre os usuários no qual, a temática selecionada trata da
representação do conteúdo no fórum, cujos registros foram extraídos no início de
2011.
No intuito de estabelecer uma compreensão sobre os dados coletados,
responder as questões formuladas e ampliar o conhecimento, a pesquisa foi
norteada para a análise de conteúdo, tendo como ponto de partida o diálogo entre
os usuários em se tratando a linguagem escrita, simbólica, gestual, silenciosa,
figurativa, documental ou provocada.
Dentre os métodos utilizados na presente pesquisa, a análise de conteúdo é
fundamental, bem como a análise descritiva, por descrever, com base no
pensamento de V. Laurence Bardin (1977; 1997; 2002), que entende que a pesquisa
descritiva busca descrever os fatos, como, porque e quando acontecem, os quais
devem ser devidamente registrados em relatórios, pelo pesquisador, no momento da
coleta, para posterior análise de conteúdo.
126
A análise de conteúdo procura descobrir as relações entre o mundo exterior
e o conteúdo do discurso, cuja técnica envolve operações de desmembramento e
classificação das unidades de registro, incluindo a classificação semântica, sintática
e lógica, em que os operadores desempenham importante papel na análise.
A análise de conteúdo é uma forma de tratamento de dados em pesquisa.
Registros históricos mostram que esse tipo de pesquisa nasceu nos Estados Unidos,
na década de 1960, como instrumento de análise das comunicações, compreendida
como a arte de interpretar textos de natureza mais complexa. Porém, no início
procurava-se apenas interpretar textos hermeneuticamente e nesse entendimento
Bardin (1977) comenta que a análise de conteúdo tem como finalidade:
A inferência de conhecimentos relativos às condições de produção (ou,
eventualmente de recepção), inferência esta que recorre a indicadores
(quantitativos ou não).
[...]
Se a descrição (a enumeração das características do texto, resumida após
tratamento) é a primeira etapa necessária e se a interpretação (a
significação concedida a estas características) é a última fase, a inferência é
o procedimento intermediário que vem permitir a passagem explícita e
controlada de uma à outra.
Para Bardin (1977), a análise de conteúdo é uma busca de outras realidades
através das mensagens. Assim sendo, as interpretações a que levam as inferências
buscam compreender as entrelinhas da aparente realidade, em busca do significado
do discurso, intenções do conteúdo, tanto no modo profundo como aparentemente
superficiais.
É um método de tratamento da informação semântica dos textos [...] que
pretende, por um processo de normatização da diversidade superficial de
um grande conjunto de documentos, expressos em linguagem verbal (como
pesquisas de opinião, corpora de textos jornalísticos ou de discursos
políticos) torná-los compatíveis, abrindo caminho ao emprego de técnicas
estatísticas e, mais tarde, computacionais (Pinto, 1999 apud QUARESMA,
2001, p. 3).
127
O conteúdo de discurso é determinado pelas próprias condições de
produção e pelo sistema linguístico ao qual está submetido. Assim sendo, é possível
compreender que no processo de produção de um discurso há sempre um referente,
um emissor, tanto em relação à posição do emissor nas relações de força como na
relação com o receptor (BARDIN, 1977).
A análise de conteúdo possibilita uma leitura profunda das comunicações.
No presente estudo, o papel do pesquisador (analista) é compreender o conteúdo da
fala de um terceiro personagem (o usuário do fórum). No entanto, para isso, requer
uma compreensão em que se fundamenta o pensamento e a motivação humana.
No sentido de contribuir com a pesquisa, também foi selecionado como
método a netnografia, o qual sugere seguir alguns passos para auxiliar o
pesquisador a chegar aos resultados finais. Primeiro, o trabalho teve início com um
mapeamento dos fóruns virtuais no ambiente web. Após observar detalhadamente
alguns fóruns pré-selecionados e fazer o levantamento em relação à interação dos
usuários nestes fóruns foi estabelecido que o fórum a ser investigado então seria o
Fórum “Carros de Rua”.
Após a seleção do fórum, foi realizado um mapeamento desta rede, dividindo
a pesquisa em itens, para ser trabalhada de maneira mais organizada à otimização
de tempo. Desta forma, conforme o Cronograma (Quadro 2), a pesquisa
fundamentou-se na utilização dos métodos quanti-qualitativos, a fim de entender as
práticas de seus participantes perante a influência de outros usuários.
128
Quadro 2 – Etapas da pesquisa
ETAPAS DA PESQUISA
1. Observação do fórum
2. Aquisição de dados existentes
3. Interação com os usuários
4. Seleção dos usuários para pesquisa
quantitativa e aplicação da pesquisa
5. Seleção dos usuários para pesquisa
qualitativa e aplicação da pesquisa
DATAS
INÍCIO
FIM
08/04/11
30/10/11
27/05/11
29/05/11
27/05/11
-
TIPO DE
PESQUISA
Observativa
Observativa
Participativa
01/06/11
27/09/11
Quantitativa
01/10/11
30/10/11
Qualitativa
Fonte: Quadro elaborado pela autora
Para a pesquisa quantitativa, foi enviado um questionário (Anexo 1) aos
integrantes mais ativos do fórum. A pesquisa qualitativa contou com um questionário
dirigido a 1634 usuários selecionados de acordo com análises realizadas
anteriormente.
129
5 PESQUISA E ANÁLISE DO FÓRUM CARROS DE RUA
No presente capítulo será apresentada uma breve análise do Fórum Carros
de Rua, pesquisas realizadas do próprio fórum, assim como dados obtidos
posteriormente à observação do material adquirido. O capítulo foi dividido com base
na metodologia de pesquisa e aplicação cronológica. A análise foi dividida em
etapas para facilitar o entendimento do leitor. As etapas optadas foram: observativa
e participativa; levantamento de dados já existentes; pesquisa quantitativa com
questionários dirigidos e seleção de usuários para entrevista dirigida e aplicação das
pesquisas online e off-line.
As análises de cada etapa de pesquisa foram descritas dentro dos
respectivos subcapítulos para facilitar o acompanhamento e compreensão dos
leitores.
5.1 CARROS DE RUA
Para compreender o mercado automobilístico é importante, inicialmente,
abordar um breve histórico sobre o mundo no qual esses usuários estão inseridos
(fórum virtual), o qual trata do mercado automobilístico, ambiente esse onde ocorre o
diálogo entre usuários.
O primeiro motor de combustão interna foi inventado pelo alemão Nikilaus
Otto, em 1876, e o primeiro automóvel foi criado por Gottlieb Daimler e Wilhelm
Mayback, em 1889, mas foi Henry Ford, o homem quem criou a linha de montagem,
que possibilitou a fabricação de carros mais rapidamente e mais baratos
130
mundialmente. Ford construiu seu primeiro automóvel em 1893, em sua casa, em
Detroit, Estados Unidos. Com 28 mil dólares fundou a Companhia de Motores Ford
em 1903, e no mesmo ano lançou o Ford Modelo A (BILL, 2004).
Até aquela época, os automóveis eram em sua maioria feitos sobre
encomenda e cada máquina era diferente das demais. O primeiro
automóvel produzido em quantidade foi o Curved Dash Oldsmobile,
construído em 1901 por Ransom E. Olds (1964-1950), outro mecânico de
Detroit. Seus Oldsmobiles [...] eram feitos um a um e muito lentamente
(BILL, 2004, p. 176).
De acordo com Sávio (2003), para compreender o fascínio e a legendária
difusão que esse veículo teve no Brasil relata-se que: “desde sua invenção, na
Europa, no final do Século XIX, o automóvel percorreu o mundo, dominou as
cidades e se transformou em protagonista da vida cotidiana” (GIUCCI, 2004, p. 11).
O primeiro a chegar ao país foi desenvolvido pela família Dumont. Entretanto, hoje,
circula pelas ruas e avenidas uma civilização, cuja marca registrada é o próprio
indivíduo em movimento e suas relações com o mundo, ou seja, uma interatividade
que converge para a virtualidade (GIUCCI, 2004).
O automóvel está na base das transformações do capital e, portanto,
transita pelos diferentes meios de comunicação. Nenhum tabu do objeto, a
não ser a dificuldade inicial dos artistas para representar temas
tecnológicos. Nenhuma proibição o exclui do social. Em muitos casos, ele é,
até mesmo, associado à representação do “eu” na vida cotidiana (GIUCCI,
2004, p. 14).
De acordo com Sávio (2003), quando se fala de automóvel, logo, deduz que
se trata de um artefato técnico, criado por longas pesquisas e extenso caminho,
desenvolvido pelo desencadeamento de uma série de ideias que se tornaram
factíveis frente a Revolução Científico-Tecnológica.
131
Esse artefato técnico não nos remete apenas a sua utilidade imediata como
simples meio de locomoção, mas a toda uma rede de relações que
constituem um modelo de conhecimento, não apenas no mundo natural,
mas de uma forma harmoniosa de organização da sociedade (SÁVIO, 2003,
p. 45).
Além disso, Sávio aponta que:
Um automóvel é muito mais do que um mero meio de locomoção. Antes
disso [...] é um artefato de um modelo de sociedade e desenvolvimento que
se difundiu através de um modelo técnico-científico que abarca todas as
instâncias da sociedade e tem como modelo primário as sociedades
industriais europeias. O artefato técnico é o grande símbolo de um modelo
social (SÁVIO, 2003, p. 46).
A relação de grande parte da humanidade com o mundo tornou-se
cada vez mais mediada no curso do Século passado, por uma única
máquina – “o carro” (MILLER, 2001). É através dessa devoção com o automóvel que
o consumidor procurou o ambiente virtual submetido à análise.
O
fórum
escolhido
para
(http://forum.Carrosderua.com.br/),
pesquisa
proveniente
foi
do
o
“Carros
de
Rua”
site
“Carros
de
Rua”
(http://www.Carrosderua.com.br), um site particular sobre automobilismo, criado por
internautas, sem envolvimento isolado com uma montadora ou marca específica, a
fim de discutir assuntos de interesses comuns, na verdade, sobre automóveis. A
população selecionada para pesquisa é exatamente a desses usuários que,
entusiastas e afeiçoados por automóveis dos mais diversos tipos farão parte da
pesquisa, sendo toda esta paixão importante à análise do objeto de estudo.
Para prosseguir com a pesquisa, nesta dissertação é essencial explicar a
estrutura do fórum, assim como sua dinâmica que, apesar de ser integrado ao site
Carros de Rua, possui independência própria. O fórum é dividido em quatro áreas
temáticas que se subdividem em vários fóruns e subfóruns, sendo:
132
1. Área técnica:

Fórum Carros de Rua: Fórum destinado aos debates sobre
assuntos relacionados ao mundo dos carros. Também, possui o
subfórum Legislação e Seguros;

Mecânica: Fórum destinado à troca de informações e dúvidas
sobre mecânica e manutenção automotiva;

Preparação: Fórum destinado à dúvidas sobre como melhorar o
desempenho de um carro;

Automobilismo:
Fórum
destinado
à
notícias,
resultados
e
informações sobre competições automotivas, também possui o
subfórum Virtual Grand Prix;

Motociclismo: Fórum destinado à pessoas relacionadas a motos,
triciclos e quadriciclos;

Som Automotivo: Fórum destinado à discussão relacionada a som
automotivo;

Técnicas e dicas de Conservação: Fórum destinado à técnicas e
dicas de conservação de carros, como: parte elétrica, estofamento,
iluminação, personalização, pintura, reparação, revestimento e
vidros. Também possui o subfórum Matérias & Faça você mesmo;

Clubes: Fórum destinado à discussão isolada de diversas marcas
de automóveis, nacionais e importadas. Nesse espaço encontramse os subfóruns: Muscle Cars, Ford4ever, Clube FIAT, Clube GM,
Clube do VW e Audi, Clube Renault, Clube da PickUp, Clube
Carros Orientais e Clube Peugeot.
133
2. Hobbye:
 Fotos & Vídeos: Fórum destinado à compartilhar fotos e vídeos
relacionados a carros, conta com os subfóruns Tuning Virtual &
Manga Cars e Garage CDR;
 Miniatura & Rádio-controlados: Fórum destinado a tratar sobre
miniaturas e R/C. Como fazer, como customizar, qual comprar,
onde encontrar, entre outros. Conta com o subfórum Classificados
Miniaturas e R/C;
 Games & Diversão: Fórum destinado à discussão sobre jogos de
carros (qualquer plataforma, seja PC, Game Clube, PlayStation
entre outros).
3. Encontro e Eventos:
 Encontro e Eventos: Fórum destinado a encontros, eventos,
exposições e campeonatos. Contém o subfórum CDR-RS/Rio
Grande do Sul.
4. Diversos:
 Classificados: Fórum destinado a quem deseja vender, trocar ou
comprar produtos no mundo automotivo;
 CDR Grils: Fórum destinado à mulheres que frequentam o
fórum;
 Off-Topic: Fórum destinado à troca de mensagens diversas,
contendo também com o subfórum Pérolas CDR;
 Ajuda, Dicas & Sugestões sobre o Fórum CDR: Fórum destinado
à dúvidas e sugestões relacionadas ao Fórum Carros de Rua.
134
Cada tópico pode ser classificado por uma legenda de acordo com a
popularidade de cada assunto (Figura 4), cuja classificação pode ser dividida por
“novos posts” e “sem novos posts”, “tópicos quentes (com novos posts)” e “tópico
quente (sem novos posts)”, “enquetes (com novos posts)” e “enquete (sem novos
posts)” e “tópico fechado” quando por algum motivo o moderador do fórum encerra o
tópico e ninguém, a não ser o moderador, pode adicionar novos posts ao tópico e
“tópico movido”, quando o tópico é retirado e nenhum outro participante pode
visualizá-lo.
Figura 4: Tópicos de posts
Fonte: Disponível em: <http://forum.Carrosderua.com.br>
No fórum Carros de Rua caso o usuário queira participar como membro,
primeiro, faz-se necessário cadastrar-se, porém, é possível apenas observar sem o
devido cadastro no fórum. Assim que o usuário completa seu cadastro, para
prosseguir com o mesmo, deve concordar com as regras do fórum, válidas para
todos os membros, incluindo: moderadores, administradores, moderador clube,
organizadores de eventos, parceiros e colaboradores, cujo desrespeito às regras,
todos os membros sem exceção, estarão sujeitos a advertência, sob observação da
Equipe Técnica (Moderação e Administração). Entretanto, se mesmo após a
135
advertência ocorrer reincidência na infração o membro é passivo de suspensão e
total banimento da comunidade Carrosderua.com.br.
A Equipe Técnica (Moderação e Administração) reserva-se ao direito de
tomar as providências cabíveis, quanto a adequar o Tópico segundo as regras, sem
o prévio aviso, podendo movê-los, fechá-los, apagá-los, editar assinaturas e
avatares, conforme segue:
 Não é permitido o post de Vídeos ou Fotos onde seja desrespeitada a
legislação penal e de trânsito brasileira, seja em território nacional ou
não (proibido manobras perigosas, realizadas em via pública);
 Não é permitida, em hipótese alguma, qualquer forma de
discriminação quanto à condição social, raça, naturalidade ou
doença;
 Apologia a drogas de qualquer espécie é crime [...] de maneira
nenhuma será tolerado esse tipo de atitude;
 Fotos e Vídeos devem ser postados em sua seção correta (Fórum
Fotos & Vídeos);
 O Fórum Classificados é para uso exclusivo de membros CDR
comprarem e venderem artigos pessoais. Não será permitido
anúncios pertencentes à lojas sem antes obter a aprovação da
Equipe Técnica;
 De maneira nenhuma será permitido o Flood em qualquer seção do
Fórum (definição de Flood: Posts sucessivos sem conteúdo ao
Tópico, como: Smiles, Emoticons, Risos, etc.);
 Não será permitido Posts com o objetivo de promover outro site ou
Fórum sem antes obter a aprovação da Equipe Técnica;
 Não são toleradas ofensas a membros ou palavras de baixo calão;
 Assinaturas e Avatares com conteúdo erótico ou conteúdo de
propaganda de outros fóruns, sites, exceto, que sejam parceiros) e
produtos não são permitidas;
 Posts com conteúdo pornográfico estão proibidos, ficando permitidos
apenas conteúdo sensual (sem nenhuma espécie de nudez) e com a
inscrição [+18] no título do Tópico, devendo ser postados sempre no
Off-Topic;
 Antes de iniciar um novo Tópico, verifique através do mecanismo de
busca se não existe um Tópico com o mesmo assunto já aberto, caso
contrário o Tópico será fechado;
 Enquetes e Tópicos sem propósito serão removidos pela Equipe
Técnica;
 Evite ter seu Tópico movido, procure sempre a seção correta do
Fórum para postá-lo;
 Evite discussões com outros membros, consequentemente,
advertências e até mesmo a suspensão;
 Contribua com o Fórum, denunciando Tópicos ou Membros que não
se enquadrem nas regras acima [...].
(Disponível em www.forum.Carros de Rua.com, 2011) [SIC]
136
Cada usuário possui um perfil (Figura 5). Esse perfil é essencial para que se
forme uma rede social. Segundo Recuero (2009), os sites de redes sociais são
sistemas que permitem a construção de uma persona através de um perfil ou página
pessoal, a interação através de comentários, a exposição pública da rede social de
cada ator. Além disso, os sites de redes sociais na Internet são caracterizados pela
construção de um perfil com características identitárias (atores sociais) e
apresentação de novas conexões entre perfis (arestas na rede social) - (FRAGOSO
et al., 2011).
“Os atores no ciberespaço podem ser compreendidos como os indivíduos
que agem através de seus fotologs, weblogs e páginas pessoais, bem como através
de seus nicknames”. Assim, “todo tipo de representação de pessoas pode ser
tomado com um nó na rede social” (RECUERO, 2009, p. 28).
Geralmente, os nós são representados pelos atores envolvidos ou
representações na Internet. As conexões são interações construídas entre atores,
proporcionadas e mantidas pelo sistema. De acordo com Recuero (2003), todos os
ambientes comunicacionais da rede se constituem em formas culturais e
socializadoras do ciberespaço, hoje, denominado comunidades virtuais, ou o mesmo
que grupos de pessoas globalmente interconectadas, com base em interesses e
afinidades semelhantes, ao invés de conexões acidentais ou geográficas (Figura 5).
137
Figura 5: Página do perfil de um usuário
Fonte: Disponível em <http://forum.Carrosderua.com.br>
As conexões entre estes usuários acontecem dentro do fórum a partir do
momento em que estes conseguem discutir assuntos análogos, como mostra a
Figura 6, em que os usuários conversam sobre qual carro comprariam no valor de
R$ 100.000,00 (cem mil reais).
Como visto anteriormente, Recuero (2009) afirma que em uma rede social
as conexões são constituídas por laços sociais, formados através de interações
sociais entre atores. Assim: “essas interações são [...] fadadas a permanecer no
138
ciberespaço, permitindo ao pesquisador a percepção das trocas sociais mesmo
distantes no tempo e no espaço, de onde foram realizadas” (RECUERO, 2009, p.
30), indicando o que Maia (2002) nomeou como sendo uma “arena conversacional”,
na qual o espaço se distende em novas conversações e discussões, podendo seguir
seu curso em forma de conexão “coletiva” (Figura 6).
Figura 6: Diálogo virtual entre usuários do Fórum
Fonte: <http://forum.Carrosderua.com.br >
5.2 OBSERVAÇÃO E PARTICIPAÇÃO NO FÓRUM CARROS DE RUA
A observação e participação no Fórum Carros de Rua foi uma etapa de
familiarização com o tema do grupo e os usuários do fórum, assim como de recursos
disponíveis na plataforma. Utilizaram-se apenas as ferramentas oferecidas no
139
próprio fórum, buscando todas as opções oferecidas pelo site, com o intuito de
conhecer a dinâmica das práticas cultivadas pelo grupo.
Nesta etapa não houve interação ou comunicação do observador com os
usuários, serviu, portanto, para registrar o comportamento dos participantes, a fim de
obter informações sobre dados de peculiar interesse (MALHOTRA, 2006).
5.2 OBSERVAÇÃO E PARTICIPAÇÃO NO FÓRUM CARROS DE RUA
A observação e participação no Fórum Carros de Rua foi uma etapa de
familiarização com o tema do grupo e os usuários do fórum, assim como de recursos
disponíveis na plataforma. Utilizaram-se apenas as ferramentas oferecidas no
próprio fórum, buscando todas as opções oferecidas pelo site, com o intuito de
conhecer a dinâmica das práticas cultivadas pelo grupo.
Nesta etapa não houve interação ou comunicação do observador com os
usuários, serviu, portanto, para registrar o comportamento dos participantes, a fim de
obter informações sobre dados de peculiar interesse (MALHOTRA, 2006).
5.2.1 Aquisição dos dados
Nesta fase foi realizada a classificação das principais características do
grupo, focando a participação de seus usuários como determinação do objeto a ser
pesquisado.
Os dados foram coletados em 27 de maio de 2011 no Fórum Carros de Rua
140
(no ambiente virtual), com o objetivo de examinar, tanto quantitativamente, quanto
qualitativamente, os usuários do fórum e os assuntos que despertassem maior
interesse.
De acordo com Malhorta (2006), a pesquisa qualitativa caracteriza-se por
não ser estruturada, assim, de natureza exploratória; fundamenta-se em pequenas
amostras, utilizando-se de técnicas de grupo, com foco em entrevistas, solicitando
aos entrevistados que indiquem respostas como fonte de estímulo e entrevistas
analíticas, por meio de entrevistas individuais que sondem, em detalhe, o
pensamento dos entrevistados. Para Malhorta (2006, p. 66), a pesquisa qualitativa é:
“uma metodologia de pesquisa exploratória e não-estruturada que se baseia em
pequenas amostras com o objetivo de prover percepções e compreensão do
problema”.
A pesquisa qualitativa proporciona melhor visão e compreensão do contexto
do problema ao pesquisador, conquanto que a pesquisa quantitativa procura
quantificar os dados, normalmente, aplica-se uma forma de análise estatística. A
pesquisa quantitativa deve ser precedida da pesquisa qualitativa apropriada, sendo
está última utilizada para explicar os resultados obtidos na pesquisa quantitativa, no
entanto, não devem ser utilizados como dados conclusivos no estudo.
O presente estudo utilizou o método quali-quantitativo, considerando que há
complementaridade entre eles e a possibilidade de encaminhar estratégias de
integração na prática da investigação, sendo necessário identificar as características
e especificidades de cada abordagem.
A pesquisa qualitativa busca compreender os fenômenos, efetuando uma
análise sobre o comportamento humano, sob o ponto de vista do ator enquanto
sujeito de pesquisa, com a utilização de uma observação naturista e controlada. Os
141
fenômenos são subjetivos, estão perto dos dados, orientados ao descobrimento, são
de caráter exploratório, descritivos e indutivos, norteados para um processo que
assume uma realidade dinâmica; não generalizáveis, por isso, não dispensam um
olhar cuidadoso da pesquisadora sobre o sujeito e o fenômeno – objetos de estudo.
Na pesquisa quantitativa o pesquisador se inspira em mostrar como os
procedimentos adotados se inscrevem em um modelo científico, uniforme e
amplamente compartilhado.
O método qualitativo, na presente pesquisa, subentende uma compreensão
ampla dos fenômenos, com uma análise pormenorizada sobre o comportamento do
usuário na propaganda mediada pelo próprio consumidor nos fóruns virtuais; já o
método quantitativo busca transformar a compressão desses dados em resultados
estatísticos, ou seja, em dados literalmente científicos, passíveis de leitura científica
e também dinâmica.
Desse modo, em princípio foi pesquisado na ferramenta de busca
disponibilizada pelo fórum as tags33 “propaganda”, “indicar” e “sugestão” durante o
período de 01 de janeiro de 2011 até a data presente (mês de outubro do mesmo
ano), a fim de analisar e averiguar a quantidade de posts, o diálogo dos usuários e
credibilidade dada às informações ofertadas nos tópicos observados, vale ressaltar
que apesar das datas serem entre 1 de janeiro de 2011 a 27 de maio de 2011,
muitos tópicos foram criados antes desta data, porém, a data pesquisada equivale
sempre a data da última atualização. A escolha das supracitadas tags se deu frente
ao objetivo de analisar a propaganda destes usuários perante outros integrantes e
indicações e sugestões feitas. A palavra “propaganda” retornou 139 resultados, a
33
Tags aqui significa palavra chave, uma etiqueta que classifica e categoriza definindo referência aos
assuntos abordados no Fórum Carros de Rua. Alex Primo (2006, p.4) trata sobre tags para imagens
descrevendo que estas, "[...] vêm sendo usadas não apenas para conferir significado para a
quantidade de textos na Web, mas também para facilitar o registro e recuperação de imagens.”
142
palavra “indicar” retornou apenas os primeiros 200 resultados e a palavra “sugestão”
retornou apenas os primeiro 200 resultados. Após os resultados adquiridos foi
possível uma breve análise dos usuários a serem pesquisados.
Em um dos resultados da palavra “propaganda”, notou-se na Figura 7, que o
membro postou o título “os melhores e os piores carros” no qual o usuário comenta
sua opinião sobre o segmento de carros “populares” e “compactos”, quais modelos
mais o agradam, quais não o agradaram e os motivos. Depois de várias discussões
em relação à opinião do membro, outro usuário explica que não recomenda o
modelo 1.0 do automóvel Fiesta, mas sim o modelo 1.6, seguindo da resposta de
outro usuário (Figura 4), que explana sua opinião quanto aos carros da marca JAC
Motors e explica que as pessoas vão “muito” na opinião de propaganda (publicidade
veiculadas na televisão) e que não se pode dar credibilidade a propaganda, que são
campanhas “ruins” e “enganosas”. Assim, pode-se perceber qual é a credibilidade
nula que este membro dá a propaganda e qual a credibilidade aferida aos usuários
do fórum, principalmente, por estar dentro deste ambiente para discutir o produto, ou
seja, parte do princípio que se o usuário está no fórum discutindo sobre determinado
produto e solicitando a opinião de outros membros, é porque existe credibilidade em
relação aos outros membros (Figuras 7 e 8).
143
Figura 7: Post sobre os melhores e piores carros
Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br/>
Figura 8: Dúvida do usuário dentro do fórum
Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br/ >
No quesito “indicar”, segundo a Figura 9, a dúvida de um usuário na hora de
adquirir um automóvel, sua opinião e o questionamento a outros usuários,
144
conduzindo a várias discussões posteriores em relação a qual automóvel deveria
comprar e o motivo que deveria levar em consideração na hora de adquirir um novo
automóvel (Figura 9).
Figura 9: Dúvida do usuário no momento de adquirir um automóvel
Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br/ >
No quesito “sugestões” pode-se perceber, de acordo com a Figura 7 o local
onde o membro criou um tópico com o título “Carros parecido com Eclipse” e explica
que sempre sonhou ter um carro modelo Eclipse, mas percebeu a dificuldade em
relação a peças e manutenção do carro, pergunta se algum outro usuário tem
alguma sugestão de carro com um valor determinado, que tivesse o design
semelhante ao modelo Eclipse. Mais uma vez se percebe a procura destes atores
pela opinião alheia na hora de adquirir um produto novo, mesmo sendo um produto
caro, não entrando no quesito de produtos comprados por impulso (Figura 10).
Figura 10: Pergunta de um usuário a outro usuário do fórum
Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br>
145
5.3 PESQUISA QUANTITATIVA
Na etapa da pesquisa quantitativa apresenta-se a continuidade do contato
com os membros do fórum, a fim de questionar sobre os itens observados na etapa
anterior. Para essa fase da pesquisa foi utilizado o método quantitativo, cujo objetivo
foi compreender de que forma ocorre a propaganda mediada pelo próprio usuário.
Os questionários foram aplicados através da plataforma do Google Docs, com envio
e recebimento dos dados e questões todos online.
Para o envio da pesquisa foi realizada uma seleção com membros que
possuam um número maior do que 200 posts e que a última visita no fórum deveria
ter acontecido uma semana antes de iniciar a distribuição dos questionários, a fim de
selecionar apenas usuários participativos para responder o formulário de pesquisa
(Anexo 1). Como o fórum possui um campo para refinar este tipo de busca, auxiliou
na otimização de tempo, porém, foi necessário enviar uma mensagem para cada
usuário selecionado, sendo um total de 1.634 usuários34. O retorno dos
questionários respondidos foi de apenas 155, ou seja, um índice de 0,46% sobre o
total da rede. De acordo com o fórum, as estatísticas apontam que atualmente o site
possui cerca de 33.170 membros com um total de 912.767 posts. O fórum conta
com uma estrutura pela qual detecta os usuários que estão ativos, sendo o recorde
de usuários online de 1.443, em 6 de maio de 201035. Foi enviado também, via
fórum, durante a pesquisa qualitativa, o questionário quantitativo a fim de aumentar
o número de questionários respondidos, porém, o método não foi muito bem aceito
pelos usuários presentes.
34
35
Dados selecionados no dia 03 de junho de 2011.
Dados tirados do próprio fórum, em 20 de outubro de 2011. 146
O questionário foi composto por 21 questões de múltipla escolha (Anexo 1),
com a finalidade de verificar o perfil, hábitos e costumes dos usuários do fórum. O
questionário foi desenvolvido direcionado para o objetivo de estudo, que busca
compreender a propaganda mediada pelos próprios usuários, o grau de importância
da comunicação e credibilidade que esses usuários dão para os indivíduos
presentes no fórum, através da interação mediada pelo computador, feito por meio
de levantamento.
O survey (levantamento) foi realizado para identificar o potencial do diálogo
mantido dentro do fórum e as características desse diálogo. A pesquisa sobre os
fóruns virtuais e sobre a propaganda mediada pelo computador incluiu a
identificação, coleta, análise, disseminação e uso de informações do próprio fórum,
ou seja, do ambiente onde os usuários interagem, sendo cada fase fundamental
para a pesquisa.
Malhota (2006) afirma que os dados devem ser coletados pelo método mais
adequado, posteriormente, devem ser analisados e interpretados, procedendo à
pesquisadora as devidas inferências quanto à estatística.
Pesquisas que apliquem o método survey possibilitam identificar problemas,
pois informam acerca do ambiente virtual para diagnosticar os problemas ou
soluções presentes nesse meio virtual. Por exemplo, para que uma empresa faça
parte de um mercado em declínio ou ascensão, muito provavelmente terá mais ou
menos problemas para atingir as metas de crescimento, por analogia, haverá mais
problemas para crescer ou não. Assim, o reconhecimento de tendências
econômicas, tecnológicas, sociais ou culturais, como mudanças no comportamento
dos consumidores poderá sinalizar problemas ou oportunidades subjacentes. Nesse
cenário, os resultados obtidos serão utilizados na tomada de decisão e resolução do
147
problema, que neste estudo busca entender o comportamento do usuário frente a
propaganda mediada pelo próprio usuário nos fóruns virtuais.
Para concluir essa etapa foi utilizado o método survey, que auxiliou no
desenvolvimento e formulação de um questionário modelo, com perguntas dirigidas,
para o exame dos fenômenos presentes no ambiente virtual, para identificar como
esses sujeitos se comportam e interagem entre si, como ocorre o diálogo entre eles,
o que conduz ao levantamento de percepções, cujo instrumento metodológico
buscou explicar o fenômeno pesquisado, ou seja, a propaganda mediada pelo
próprio usuário dentro do fórum.
O questionário respondido pelos 155 membros do fórum possuiu uma
identificação estabelecida por cada entrevistado. É importante ressaltar que essa
identificação é sigilosa, porém, todos os usuários que responderam aos
questionários foram informados sobre o objetivo a que se propunha, ou seja, que as
respostas fariam parte da pesquisa de um estudo de cunho científico.
5.3.1 Resultados e conclusões
O objetivo do questionário foi pesquisar quantitativamente o perfil dos
usuários do Fórum Carros de Rua, utilizando perguntas que apresentassem opiniões
sobre a propaganda mediada pelo usuário do fórum através de indicações de
produtos, de serviços e opiniões e de hábitos de consumo conduzindo a uma
segmentação maior para a próxima etapa da pesquisa. Após a análise dos dados foi
possível selecionar os usuários para o questionário dirigido na etapa qualitativa, que
considera a característica da participação na rede através de posts.
148
A hipótese desta pesquisa propõe que os usuários são influenciados pela
indicação de outros usuários através do fórum - uma rede social - por meio de
consumidores engajados com a marca e defensores de seus produtos, que será
constatada após o mapeamento das respostas quantitativas.
As questões foram divididas em perguntas que trataram do perfil dos
usuários, opinião e atitude de cada entrevistado. A quantidade de questões foi
determinada de acordo com a necessidade de entendimento dos membros do fórum,
sendo de maior interesse analisar o comportamento desses usuários em relação à
indicação de outros usuários, ou seja, a propaganda mediada nesse fórum (objeto
de estudo da pesquisa).
A amostra será apresentada na ordem em que o questionário foi aplicado.
Não obstante, é importante lembrar que esta pesquisa foi necessária, pois os dados
disponíveis no Fórum Carros de Rua mostraram-se insuficientes para fundamentar a
resposta para a qual se busca, ou seja, identificar se o usuário de fóruns virtuais
realmente influencia na compra de determinado produto ou não.
De acordo com Muniz (2009), a propaganda faz adeptos, converte pessoas
à determinadas opiniões, produz seguidores, ao passo que a publicidade vende
bens/serviços, divulga mercadorias, ganha consumidores. Assim, é correto afirmar
que a propaganda influencia a opinião e a conduta da sociedade de modo que
adotem uma opinião ou uma conduta. Nesse sentido, também é correto afirmar que
os integrantes do Fórum Carros de Rua são mediados pela propaganda do próprio
fórum, tendo em vista a influência que o ambiente exerce sobre cada um
individualmente, por meio do diálogo Carros de Rua mantido, da linguagem utilizada
e de como os internautas reagiram quando foi encaminhado o questionário postado
149
no fórum, conforme pode ser percebido a partir da discussão apresentada na
sequência.
Após a tabulação e análise da pesquisa concluiu-se que o perfil dos membros
do fórum foi 100% masculino, apenas para ressalvar que existe o público feminino
no fórum, inclusive, existe um subfórum dedicado apenas às mulheres, mas como a
interação é muito baixa este público acabou não considerado na amostra.
A faixa etária predominante de 66% encontra-se entre 21 e 30 anos, seguido
da faixa etária de 31 a 40 anos com 24% (Figura 11). No entanto, em torno de 65%
dos usuários do fórum possuem graduação completa (Figura 12), 71% são solteiros,
contra 24% casados (Figura 13), a renda varia entre 4 a 10 (38%) e 10 a 20 (38%)
salários mínimos (Figura 14). Um índice de 38% dos usuários frequentam o fórum
todos os dias, contra 29% que acessam duas vezes ou mais na semana (Figura 15).
Figura 11: Faixa Etária do usuários
Fonte: Gráfico elaborado pela autora
150
Figura 12: Grau de Instrução
Fonte: Gráfico elaborado pela autora
Figura 13: Estado Civil
Fonte: Gráfico elaborado pela autora
Figura 14: Renda Familiar
Fonte: Gráfico elaborado pela autora
151
Figura 15: Frequência de participação no fórum
Fonte: Gráfico elaborado pela autora
No quesito opinião, 52% dos usuários buscam informações na Internet (sites
de marcas, revistas online, etc.) contra 38% que buscam informações via fórum na
hora de comprar um carro novo (Figura 16). Os motivos que levam os usuários à
participar do tópico de discussão: 47% entram para sanar alguma dúvida e 48% para
expressar sua opinião (Figura 17), porém, 72% explicam que procuram entrar nos
tópicos de discussão tanto para observar, quanto para discutir (Figura 18). Outros
71% costumam participar de tópicos já existentes, contra 29% que criam seus
próprios tópicos (Figura 19) e 95% acompanham o tópico até o fim (Figura 20).
152
Figura 16: O que inspira maior confiança na hora de comprar um automóvel
Fonte: Gráfico elaborado pela autora
Figura 17: Motivos para participação nos tópicos de discussão
Fonte: Gráfico elaborado pela autora
153
Figura 18: Procura entrar nos tópicos de discussão
Fonte: Gráfico elaborado pela autora
Figura 19: Costume dos usuários
Fonte: Gráfico elaborado pela autora
154
Figura 20: Procura acompanhar o tópico até o fim
Fonte: Gráfico elaborado pela autora
No quesito credibilidade, 33% dos usuários conferem muita credibilidade aos
outros usuários do fórum contra 57% que aferem credibilidade “média” (Figura 21), o
mais interessante foi que nenhum dos entrevistados optou pela resposta “nenhuma
credibilidade”, ou seja, de alguma forma todos conferem credibilidade aos outros
usuários do fórum. Quando foi questionado se os usuários acreditam na existência
de marcas neste ambiente, 71% responderam que sim, tanto para coletar
informações, quanto para divulgar seus produtos (Figura 22 e 23).
Figura 21: Grau de credibilidade
Fonte: Gráfico elaborado pela autora
155
Figura 22: Acredita na existência de marcas neste ambiente (Coletar informações)
Fonte: Gráfico elaborado pela autora
Figura 23: Acredita na existência de marcas neste ambiente (divulgar produtos)
Fonte: Gráfico elaborado pela autora
Atualmente, a troca de informação é muito mais ágil e eficiente, oriunda da
Internet, cujo ambiente possibilita o desenvolvimento e a integração da oralidade e
da escrita, não apenas no Fórum analisado, mas em diversos ambientes virtuais, os
quais promovem o diálogo virtual e contribuem para que o internauta utilize a
oralidade,
em
temas
diversificados
e
entre
comportamentos e atitudes nem sempre esperadas.
distintos
interlocutores,
com
156
No quesito atitude, 76% dos usuários têm o costume de divulgar um modelo
ou marca de automóvel que o interessa (Figura 24). Em relação aos motivos que os
levam a acreditar em outros usuários, 52% explicaram que acreditam por causa da
experiência e 43% pelas informações que acredita que o outro usuário possua
(Figura 25), mais uma vez vale ressaltar que nenhum dos usuários optou pela
resposta de que não acredita nos demais usuários. Na opção em que são inquiridos
sobre acreditar na propaganda “boca a boca”, 81% dos usuários declarou que
acredita (Figura 26).
Figura 24: Divulgar modelo ou marca de automóvel
Fonte: Gráfico elaborado pela autora
157
Figura 25: O que leva à acreditar em outros usuários do Fórum
Fonte: Gráfico elaborado pela autora
Figura 26: Acredita em propaganda boca a boca pela internet
Fonte: Gráfico elaborado pela autora
Todos os usuários desses ambientes virtuais efetuam ligações entre oralidade
e escrita no espaço virtual Fórum Carros de Rua. Assim, textos orais e escritos,
elaborados pelos internautas aproveitam o mesmo suporte e produzem um tipo de
documento que congrega diversos recursos causadores de possibilidades, como
escrita, oralidade, som e imagem, de forma que o internauta se torne autônomo para
usar esses recursos disponíveis e explanar seus pensamentos, desejos e
158
experiência, sejam boas ou ruins. É uma linguagem que causa transformações na
composição linguística e nos modos de interação desses internautas.
5.4 SELEÇÃO DE USUÁRIOS PARA ENTREVISTA E APLICAÇÃO DA
PESQUISA QUALITATIVA
Para esta etapa da pesquisa optou-se pela seleção de três membros entre os
que responderam à pesquisa quantitativa, que possuíssem características como:
interatividade e presença marcante no fórum. A seleção baseou-se na quantidade de
posts realizados, caracterizando uma alta interação do usuário no fórum. Este tipo
de pesquisa utilizou um método de entrevista que teve como objetivo averiguar a
opinião dos usuários em relação à propaganda mediada por outros usuários, via
computador.
A opção de pesquisa qualitativa no presente estudo deve-se ao pensamento
de Spencer (1993) apud NOGUEIRA-MARTINS e BORGUS (2004, p. 1), expressa
que:
Os métodos qualitativos produzem explicações contextuais para um
pequeno número de casos, com uma ênfase no significado (mais que na
frequência) do fenômeno. O foco é centralizado no específico, no peculiar,
almejando sempre a compreensão do fenômeno estudado, geralmente
ligado a atitudes, crenças, motivações, sentimentos e pensamentos da
população estudada. As técnicas qualitativas podem proporcionar uma
oportunidade para as pessoas revelarem seus sentimentos (ou a
complexidade e intensidade dos mesmos); o modo como falam sobre suas
vidas é importante; a linguagem usada e as conexões realizadas revelam o
mundo como é percebido por elas.
Trivinõs (1997) comenta que a pesquisa qualitativa originou-se no final do
Século XIX, ganhando espaço a partir de 1980, viabilizando aumento no número de
trabalhos utilizando a abordagem qualitativa, muito especialmente, no Brasil.
159
Qualitativa, porque se contrapõe ao esquema quantitativista de pesquisa
(que divide a realidade em unidades passíveis de mensuração, estudandoas isoladamente), defendendo uma visão holística dos fenômenos, isto é,
que leve em conta todos os componentes de uma situação, suas
interações e influências recíprocas (TRIVINÕS, 1997, p. 29).
A abordagem qualitativa se insere no contexto das significações, tais como
percepções, pontos de vista, perspectivas, vivências, experiências de vida, entre
outros aspectos diversos com esse mesmo sentido. Nesta etapa da pesquisa,
utilizando-se desse método, os membros foram identificados como MEMBRO 1,
MEMBRO 2 e MEMBRO 3, para preservar o anonimato à pesquisa.
Após as respostas obtidas com o questionário procurou-se analisar os itens
que pudessem apresentar características relacionadas às categorias pesquisadas
anteriormente. Além disso, este tópico foi estratificado como parte das respostas e a
comparação do posicionamento dos entrevistados à atuação na página do Fórum
Carros de Rua.
As perguntas da pesquisa se referiram ao perfil, presença do usuário no
Fórum, publicidade, propaganda, o boca a boca virtual, indicações feitas por outros
usuários, consumo, relacionamento com outros membros do Fórum. Para a
abordagem foi realizada uma mescla entre as respostas e seus rastros postados na
rede.
Após a seleção das entrevistas foi questionado, por mensagem interna, a
possibilidade de participarem da pesquisa qualitativa. Com o aceite foram enviados
os questionários via e-mail e a resposta também chegou por e-mail. O questionário
foi desenvolvido com questões abertas, pelas quais cada entrevistado pode
expressar sua ideia em relação ao tema pautado, a propaganda mediada pelos
usuários. Após os três entrevistados encaminharem seus respectivos questionários
160
respondidos foram analisadas todas as respostas juntamente com o conteúdo
destes usuários dentro do Fórum.
O primeiro membro pesquisado, denominado neste trabalho MEMBRO 1 é
estudante, com 21 anos no período da pesquisa, estando na faixa do perfil de 66%
da idade dos usuários. Frequenta o Fórum há cerca de dois anos, possui 1810
posts, com uma média de 2.35 posts por dia, é o mais ativo no subfórum Carros de
Rua com 1406 posts, atua apenas como membro do grupo, não faz parte de
nenhum outro grupo específico do Fórum. Quando foi questionado qual era o tipo de
perfil dele no Fórum, explicou que depende muito da época, mas ultimamente não
está muito participativo por conta da “vida corrida” (Figura 27).
161
Figura 27: Membro pesquisado 1
Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br/index.php?showuser=61513>
O segundo membro pesquisado, denominado MEMBRO 2, é Analista de
Sistemas, tem 38 anos. Frequenta o Fórum há oito anos, possui 1585 posts, com
uma media de 0,59 posts por dia, é mais ativo no subfórum Carros de Rua, com
1137 posts, atua apenas como membro do grupo, também não faz parte de nenhum
outro grupo específico do Fórum. Quando foi questionado qual era o tipo de perfil
162
dele no Fórum, explicou que é participativo, pois procura colaborar com as
discussões (Figura 28).
Figura 28: Membro pesquisado 2
Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br/index.php?showuser=61513>
O terceiro membro pesquisado, denominado MEMBRO 3, é Advogado e dono
de uma agência de carros, tem 28 anos. Frequenta o Fórum há dois anos, possui
896 posts, com uma média de 1,6 posts por dia, é mais ativo no subfórum Carros de
Rua, com 670 posts, atua apenas como membro do grupo, também não faz parte de
nenhum outro grupo específico do Fórum. Quando foi questionado qual era o tipo de
163
perfil dele no Fórum, explicou que é atuante, “pois estou sempre buscando
compartilhar minhas experiências e trazer informações novas e preciosas ao grupo
da cdr” (MEMBRO 3, 2011) – (Figura 29).
Figura 29: Membro pesquisado 3
Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br/index.php?showuser=61513>
Ao avaliar as respostas colhidas por meio do questionário qualitativo (Anexo
3) foi observado que os membros do Fórum são usuários virtualmente ativos, pois
164
ao serem questionados sobre qual o meio de comunicação em que costumam
buscar informações e que acessam com maior frequência, a resposta foi unânime, a
Internet, “pois é mais prática”, elencou o MEMBRO 2. Ao questionar se utilizam
algum outra rede social na Internet, a resposta foi Facebook e Orkut “para poder
ficar em contato com as pessoas que infelizmente não vejo há algum tempo”
(MEMBRO 1), e Facebook e Twitter, “pois possuem opiniões de usuários”
(MEMBRO 2). E o MEMBRO 3 explica que usa o twitter e MSN, inclusive comenta
que usa o twitter todos os dias. Já na questão: “se acompanha algum site de
notícias”, o MEMBRO 1 disse que acompanha o G136, quando questionado sobre o
motivo, explica que “sem nenhum motivo específico, só é o primeiro que me vem à
cabeça”, já o MEMBRO 2 explica que acompanha “diversos como G1, Jalopnik,
Folha, Revista Torque, para acompanhar as novidades”. Já o MEMBRO 3 diz
acompanhar o Portal Terra, Folha e Estadão.
Na relação com o objeto do Fórum, o automóvel, foi questionado qual a
finalidade do automóvel na vida de cada um dos entrevistados. De acordo com o
MEMBRO 1: “automóveis são minha paixão, eles não tem finalidade, não são
somente meios de transporte como para muitos”, o que pode explicar um dos
motivos pelo qual o usuário faz parte do Fórum, já o MEMBRO 2 explica que a
finalidade é para entretenimento e hobby, e o MEMBRO 3 explica que automóvel é
utilizado para “Hobby, prazer, transporte e fonte de renda” (MEMBRO 3, 2011).
Quanto ao acesso ao produto/automóvel na hora da compra, os usuários são
questionados como se dá o acesso ao produto/automóvel antes de efetuar a compra
do mesmo, o MEMBRO 1 afirma que geralmente tenta olhar o de um amigo ou vai
até a concessionária fazer um testdrive, já o MEMBRO 2 explica que faz pesquisa
36
Portal de notícia http://g1.globo.com
165
na Internet e em campo, ou seja, mesmo que a Internet exerça alguma influência na
hora de adquirir o produto, procuram analisar pessoalmente, até por ser um produto
caro, e o MEMBRO 3 explica “trabalho num local onde posso ver, andar e entrar em
90% da frota disponível para venda no Brasil” (MEMBRO 3, 2011). Quando
questionados se costumam utilizar acessórios diferenciados em seu automóvel, o
MEMBRO 1 explica que “gostaria, mas o carro que uso não é meu. Quem sabe
quando comprar o meu faça modificações”, já o MEMBRO 2 afirma que “sim, som,
rodas, detalhes para deixar mais bonito e diferenciado” e o MEMBRO 3 comenta que
tem apenas sensor de ré e câmera GO pro para filmar em HD de vez em quando,
porém, este mesmo Membro diz que possui um “Volkswagen Golf GTI VR6 2003
numerado por ser série limitada (só fabricaram 99 deles no Brasil)”, afirmando de
que os três membros gostariam de um automóvel exclusivo. Foi questionado o que
os entrevistados levam em consideração na hora de adquirir um automóvel, para o
MEMBRO 1 “Preço, qualidade de construção, ajustes de chassis/suspensão/direção,
motor (desempenho, tecnologia, economia), posição de dirigir confortável,
capacidade do freio entre outras coisas”, já o MEMBRO 2 explica que o que mais
leva em consideração na hora de comprar um automóvel é preço, design e potencia
e o MEMBRO 3 explica que “performance e tecnologia “mecânica” aliadas ao design
que mais se encaixe no meu gosto”. É possível perceber a admiração que os
membros do Fórum possuem em relação ao objeto de consumo automobilístico.
De acordo com Chamovitz (2008), o Marketing boca a boca, as sugestões de
amigos e as opiniões de outros consumidores que circulam na Internet mostram-se
como formas confiáveis de propaganda global37. Nesse processo, é possível afirmar
37
Uma pesquisa de consumidor desenvolvida pela Nielsen Online, no primeiro semestre de 2009,
com 25.000 consumidores da Internet, em 50 países enfatizou que de cada 10 mil consumidores de
Internet no mundo, nove confiam em sugestões de pessoas conhecidas, enquanto 7 em confiam na
opinião de consumidores online.
166
que as redes sociais vêm sendo muito utilizadas, especialmente, os fóruns virtuais,
assumindo um papel exponencial na realidade das pessoas, quando vão adquirir
algum produto ou serviço, agregando valor à organização, atividades operacionais
tornam-se um ativo intangível (CHAMOVITZ, 2008). Entretanto, em termos de
Publicidade, quando os Membros 1 e 3 responderam foram enfáticos ao afirmar que
as propagandas não são sérias, que as empresa buscam apenas vender o produto,
sem atentar à satisfação do cliente, conforme segue comentários.
No quesito Publicidade e marcas, os usuários mostraram-se com opiniões
distintas, quando questionados qual é a relação com a Publicidade, o MEMBRO 1
explicou que olha mas nunca acredita nelas, “pois ultimamente não são confiáveis,
aprenderam que mentir é que dá dinheiro pois tem muita gente que acredita”
(MEMBRO 1, 2011) e na hora de comprar um carro novo a importância da
publicidade não é muita, pois segundo o MEMBRO 1: “não me iludo com
propagandas”. O MEMBRO 2 explica que a admira a Publicidade, mas que não é
decisiva na hora da compra, e quanto questionado novamente qual é a importância
dela na hora de adquirir um produto/automóvel novo, explica que é pouca. Já o
MEMBRO 3 explica que atua diretamente no comércio de vendas, então, sua
relação é verbal: “no momento em que estou apresentando ou vendendo um carro”
(MEMBRO 3, 2011), mas que na hora de adquirir um produto/automóvel novo
explica que a credibilidade em relação a publicidade é “quase nenhuma, pois elas
geralmente só querem vender seu peixe, ao invés de serem sinceras com o
consumidor, esse é o mal de toda publicidade” (MEMBRO 3, 2011).
A interatividade produz mudança no esquema clássico da comunicação, que
se fundamenta na ligação unilateral em que o receptor é o ponto final de uma
comunicação. Thompson, em 1999, já afirmou que o uso dos meios de comunicação
167
implica no desenvolvimento de novas formas de ação e interação no mundo social.
A criação de ferramentas colaborativas mudou a forma de como se desenvolvem as
ações criativas, no processo, mudou também a forma como os indivíduos interagem
com a propaganda, justificando a reação dos Membros 1, 2 e 3.
Quanto a frequência no Fórum Carros de Rua, o MEMBRO 1 costuma
frequentar de 10 a 20 vezes por semana, geralmente, para comentar sobre tópicos
existentes e raramente cria um tópico novo. O MEMBRO 2 “frequentava diariamente,
mas agora apenas eventualmente”, costuma criar tópicos novos semanalmente e
comenta sobre os tópicos existentes “sempre que pertinente”. Já o MEMBRO 3 entra
“todos os dias, várias vezes ao dia”, costuma criar tópicos novos, “pelo menos uma
vez por quinzena” e costuma comentar tópicos existentes, “todos os dias, em quase
todos os tópicos existentes, talvez, umas de 5 a 10 vezes ao dia” (MEMBRO 3,
2011).
Outro tema abordado se refere ao relacionamento dentro do Fórum Carros de
Rua, o MEMBRO 1 comenta que os membros do Fórum são como uma família, mas
os amigos feitos através da rede social são somente amigos online – nada vivido na
realidade prática do dia a dia, por conta da distância entre eles nunca convidou
ninguém para participar do Fórum, pois é o único do círculo de amigos que gosta de
carros. Ao questionar o MEMBRO 2, sobre o relacionamento de amizade intrafórum,
explicou que já fez colegas no ambiente virtual, ressaltando que não são amigos,
mas sim colegas, mas que já encontrou diversos membros offline também. Já o
MEMBRO 3 diz que já fez amigos pelo Fórum, “mas que apenas um se tornou amigo
pessoal, o resto é amigo online” (MEMBRO 3, 2011). É importante ressaltar a ideia
que o MEMBRO 3 tem dos colegas de Fórum, que são “amigos online”.
168
Quando questionado se já convidou alguém para participar do Fórum explicou
que sim, “para aprenderem algum assunto em discussão” (MEMBRO 2, 2011). Já o
MEMBRO 3 diz que já convidou pessoas de fora para participarem do Fórum, “pois
lá tem muita informação boa, gente boa e trocas de experiências reais. Além disso, é
um Fórum sério, de gente adulta, não tem tanto moleque causando na cdr como em
outros fóruns de carros” (MEMBRO 3, 2011). Desta forma, percebe-se que há
interatividade virtual, a qual se transfere para a vida prática e cotidiana dos
integrantes do Fórum Carros de Rua, como no caso do MEMBRO 2 e 3.
De acordo com Montez e Becker (2005), a interatividade está relacionada
com a extensão de quanto um usuário pode participar ou influenciar a modificação
imediata, na forma e no conteúdo de um ambiente computacional. O Fórum é um
espaço aberto para conexões possíveis, composto de uma tecnologia que permite
ampla liberdade para navegar, fazer permutas ou conexões em tempo real, onde o
usuário pode transitar de um ponto para outro, instantaneamente, sem passar por
pontos intermediários. Assim, a mensagem pode ser recomposta, reorganizada e
modificada com as intervenções do receptor e das regras que comandam o sistema.
Ao reporta-se à pesquisa novamente, no quesito interação os usuários
mostraram-se com opiniões semelhantes em muitos aspectos, como no caso da
colaboração com outros membros, na questão “o que os leva a dar opiniões para
outros usuários no Fórum”, o MEMBRO 1 diz que: “gosto de ajudar as pessoas com
o quê posso” (MEMBRO 1, 2011), o MEMBRO 2 explica que ao dar sua opinião a
um outro membro do Fórum, está colaborando com estas pessoas para que gostem
mais do seu automóvel, já o MEMBRO 3 diz que “é plantando o bem que se colhe o
bem, é uma troca de ‘favores’. Além disso, não há nada mais gostoso do que falar
do que você ama com quem ama a mesma coisa que você”. Sendo assim, percebe-
169
se que a colaboração mútua está presente no Fórum. Esta colaboração também
pode ser percebida por outros usuários quando se direcionam em busca de alguma
informação importante, conseguida com outros membros. A interação mútua
proporciona invenção conjunta, de soluções temporais, para problemas que surjam
durante essas interações em virtude dos fatores contextuais envolvidos. A interação
reativa depende das fórmulas previstas, não é negociada, percorre um trilho
previamente estabelecido (PRIMO, 2008).
Segundo Primo (2008), um relacionamento nunca é exclusivo (ou único), os
relacionamentos estão em constante mudança, continuam modificando os
ambientes e os sujeitos da relação e adjacências. Nota-se então que as relações
têm consequências, afetam todos os participantes da relação, são qualitativos. Cada
relação, individualmente, apresenta características criadas pelos integrantes que as
diferenciam de outras relações.
Um relacionamento é uma negociação aberta, de intensidade e recorrência
de mensagens, intencionalmente, sendo a Internet o meio pelo qual o internauta
pode falar com o colega e vice versa, com mensagens enviadas privativamente ou
coletivamente, cujo relacionamento está em permanente negociação. Cada interato
redefine o relacionamento, embora ele mesmo não seja o tema do diálogo.
Em relação a credibilidade, segundo o MEMBRO 1 (2011(: “eu dou muita
credibilidade ao que alguns falam, não todos, pelo fato de algumas pessoas não
gostarem realmente de carros ao meu ver”, mas que “a experiência, o conhecimento
técnico e a vontade de ajudar de todos no Fórum” (MEMBRO 1, 2011) são
importantes para dar credibilidade à outros membros do Fórum, que tentam sempre
ser coerentes e ter algum conhecimento técnico agregado ao que escrevem, e
apesar de acreditar que sim, não tem certeza se a sua opinião gera algum efeito em
170
outros usuários. O MEMBRO 2 diz confiar nas informações divulgadas desde que
sejam claras e coerentes, que “resultados de testes e experiências dos usuários
agregam as discussões e da credibilidade as informações” [SIC] (MEMBRO 2, 2011)
e se o MEMBRO 2 acredita que sua opinião gera algum efeito, ele comenta que:
“sem dúvida, os tópicos ensinando a fazer manutenção estimulam o aprendizado”.
Já o MEMBRO 3 explica que para alguns ele dá “credibilidade 100%”, para outros
não, mas decide isso de acordo com os posts “a longo prazo de cada membro, pois
só depois de muitos posts que conhecemos um pouco mais de cada membro, a
ponto de saber qual tem credibilidade e qual não tem” (MEMBRO 3, 2011), contudo
o mais importante é “a coerência, humildade, verdade e sinceridade em cada post”.
Trata-se de uma linguagem que causa transformações na composição linguística e
nos modos de interação entre os usuários.
Os ambientes virtuais promovem verdadeira conexão entre a oralidade e a
escrita no mundo virtual. Os textos orais e escritos se aproveitam do suporte
tecnológico para produzir uma espécie de arena virtual que congrega diversos
recursos regados a possibilidades, incluindo a escrita, a oralidade e a imagem,
quando não o som também, de modo que o internauta se torna autônomo, mediante
a interação com o meio e as informações que lhe são transmitidas via tecnologia, ou
seja, pelos recursos disponibilizados, explanando seus pensamentos e visualizando
a explanação do pensamento de outros usuários.
Quanto à importância do Fórum na hora de escolher um automóvel, o
MEMBRO 1 diz que a: “opinião de alguns conta muito, de outros nem tanto. Pois são
pessoas que realmente entendem de carro e gostam, dessas pessoas a opinião é
muito importante” (MEMBRO 1, 2011). O MEMBRO 2 explica que o Fórum tem toda
a importância na hora de escolher um carro: “pois mostra a vivência de outros donos
171
e relacionamentos com a marca” (MEMBRO 2, 2011). Já o MEMBRO 3 explica que
“ler a opinião de ex-proprietários e assim conhecer um pouco mais o carro que
deseja comprar” são quesitos importantíssimos na hora de adquirir um carro novo
(MEMBRO 3, 2011).
A troca de informações, a integração entre oralidade e escrita acontece em
diversos ambientes virtuais, de forma ágil e eficiente, promove o diálogo virtual e
contribui para que o internauta use sua oralidade nos mais diversificados temas,
permite ao usuário interagir e acreditar no diálogo de seus pares virtuais.
Na sequência foi perguntado aos entrevistados se já haviam percebido algum
anunciante no Fórum, tanto o MEMBRO 1, o MEMBRO 2 quanto o MEMBRO 3
explicam que já perceberam a presença de anunciantes. Porém o MEMBRO 1 disse
que simplesmente o ignorou, o MEMBRO 2, bem diferente do MEMBRO 1, disse
que os respeita, que já comprou produtos de anunciantes no Fórum devido a
disponibilidade de contato. O MEMBRO 3 disse que “quando eles fazem posts em
local errado não dá nem tempo de responder e a moderação já migrou o post para o
local certo, ou então bloqueou o acesso e então não dá mais para responder nada
para o cara naquele post/tópico” (MEMBRO 3, 2011), explica que existe um lugar no
Fórum apenas para estas empresas, que se não se enquadrarem no Fórum são
bloqueados.
O último tópico de perguntas questionou-se a utilização do “boca a boca” para
a propagação de ideias, cujas respostas dos três membros demonstraram a
utilização deste tipo de comunicação. O MEMBRO 1 comenta que é “um meio eficaz
de obter dados reais e opiniões do dono sobre o carro que tem” (MEMBRO 1) o
MEMBRO 2 diz que o “boca a boca” dentro do Fórum é excelente. Já o MEMBRO 3
diz que “acha muito boa para os membros que realmente aproveitam Fórum”.
172
Anderson (2006) concorda com os usuários ao enfatizar que a propaganda
mediada pelos próprios usuários realmente funciona e a resposta dessa interação
está no “fazer online” que, ao explorar formas de propaganda boca a boca,
frequentemente, são substituídas pelo Marketing tradicional, com a criação de uma
demanda virtual e extrai resultados otimizados dessa tecnologia.
Comenta que a crença desenvolvida, pelo homem, com relação à propaganda
e pelas instituições que ainda pagam a propaganda, vagarosamente está reduzindo,
conquanto a crença na propaganda feita pelos próprios indivíduos em ambientes
virtuais encontra-se em plena ascensão. A mesma inversão de poder está mudando
em relação ao Marketing, tanto em produtos como em serviços e também em
relação às pessoas. Atualmente, quem controla a mensagem não é mais a empresa,
mas a coletividade. (Anderson, 2006)
Para a geração de clientes que está acostumada a fazer pesquisas de
compra com softwares de busca, a marca de uma empresa não é o que diz ser, a
marca é o que está no Google. Assim, os novos formadores de preferência são os
novos clientes do mercado. A propaganda boca a boca é uma espécie de diálogo
público, desenvolvido nos blogs e nas resenhas dos clientes que são
constantemente comparadas e avaliadas (ANDERSON, 2006).
Para finalizar esta etapa da pesquisa foi disponibilizado um espaço para que
os respondentes pudessem complementar sua opinião em relação ao Fórum. O
MEMBRO 1 explica que: “este Fórum é como uma grande família que se apoia e
ajuda”, que pode auxiliar as outras pessoas a gostarem e entenderem, pelo menos o
básico sobre automóveis, uma “família de aficcionados por carros” [sic] (MEMBRO
1, 2011). O MEMBRO 2 comenta que: “o Fórum é um lugar para aprender e ensinar,
para colaborar com o desenvolvimento da paixão dos amantes por automobilismo”, e
173
que o Fórum é uma “excelente fonte de conhecimento e entretenimento”. Entretanto,
o MEMBRO 3 diz que “a troca de experiências e vivências é melhor do que qualquer
propaganda ou Marketing!!! Não acredite no que você vê na TV ou escuta do
vendedor de carro, acredite no testemunho e na opinião de quem já teve o carro que
você quer ter” (MEMBRO 3, 2011), e finaliza explicando que acha o Fórum um lugar
“sério, respeitoso e com membros de alto nível de conhecimento no assunto carros”
(MEMBRO 3, 2011)
Diante do que já foi exposto, utilizando-se do pensamento de Kozinets
(1997) afirma-se que entre as diversas formas de aferir a confiabilidade destacam-se
os critérios utilizados para a escolha de seus informantes e grupos estudados, que
se referem a indivíduos familiarizados com um ambiente virtual, que se comunicam
por meio de símbolos, linguagens e normas, mostrando um comportamento de
utilização e manutenção de relações e interações virtuais que se congregam e
garantem uma reunião temporária entre indivíduos, mesmo que sendo a distância.
5.5 ANÁLISE INTRAFÓRUM CARROS DE RUA
Nesta etapa será observado o perfil (interações e rastros) destes membros
dentro do Fórum. Para isso, optou-se por analisar o conteúdo das postagens e
conversas com outros usuários e observar apenas os itens que pudessem
apresentar resultados dentro da finalidade deste estudo, referente a participação dos
membros por meio do “boca a boca” virtual. Todos os dados foram coletados através
das interações ocorridas com o MEMBRO 1, MEMBRO 2 e MEMBRO 3.
174
5.5.1 A Interatividade entre os usuários
Neste próximo passo o objetivo da pesquisa foi analisar a interação e a
dinâmica entre os membros da rede social Fórum Carros de Rua, principal objeto de
estudo. A interação entre usuários de redes sociais, além de mútua, tem um curso
dinâmico, não ocorre apenas em movimentos isolados, mas proporciona integração,
encontro entre sujeitos díspares, diálogo, cooperação de informação e dados, sobre
objetos, equipamentos, bens mobiliários ou não, sobre tarefas, benefícios ou
vantagens (PRIMO, 2008).
Assim, virtualmente, embora a interação entre sujeitos contemple ou não
relacionamentos meramente causais ou lineares, é verdade que a relação pode ou
não estender-se para além da tela virtual.
Uma interação mútua é conjunta, é mais que um movimento simplista ou uma
reação determinada. O relacionamento entre usuários não depende do contexto
cultural e temporal, pois obviamente cada contexto é diferente, embora haja
estímulos semelhantes para casos específicos (PRIMO, 2008).
Para esta análise foram utilizados os mecanismos de busca oferecidos pelo
Fórum para facilitar a aquisição dos dados a serem analisados. Primeiramente,
foram selecionados os tópicos mais recentes, criados pelos membros pesquisados
(de dezembro de 2010 até a atual data de coleta de dados) para a análise, e filtradas
as discussões mais relevantes percebidas. Após a seleção dos tópicos foram
selecionados os posts em tópicos criados por outros usuários do Fórum, filtrados
apenas os conteúdos mais importantes para esta pesquisa (Figura 30).
175
Figura 30: Tópicos MEMBRO 1
Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br/index.php?showuser=61513>
O MEMBRO 1 possui sete tópicos, sendo quatro no Fórum Carros de Rua,
dois no Fórum Fotos & Vídeos e um no Fórum Automobilismo. De acordo com os
conteúdos publicados em cada post e classificação de cada assunto, foram
selecionados para análise apenas três “tópicos quentes (sem novos posts)” do
Fórum Carros de Rua, pelo número de interação e pelo assunto abordado.
Todos os demais membros analisados nesta pesquisa, quando necessário,
foram tratados com os respectivos apelidos de Membros A, B, C, D, E, entre outros.
Diferenciando-os dos membros selecionados para a pesquisa.
O primeiro tópico do MEMBRO 1 selecionado trata-se do lançamento de um
novo motor da marca Fiat. Ressalta-se, porém, que a transcrição do conteúdo foi
feita na íntegra, justificando eventuais erros de ortografia que irão aparecer na
sequência.
Conforme sugere a literatura, para que uma pesquisa retrate as reais
vivências e culturas dos povos, a linguagem e a forma de escrita devem ser
preservados. Nesse sentido, a extração do tópico do Fórum Carros de Rua tem o
seguinte conteúdo:
176
Após estrear no Punto, a Fiat anunciou hoje, 22/07, que os novos motores E.torQ
passam a equipar também a família Palio. A marca diz que eles têm menores níveis
de ruído (em comparação aos 1.8 da GM que equipavam as versões anteriores) e,
além de beber menos, são menos poluentes e possuem excelente torque em baixas
rotações.
A versão 1,6-litro 16V do E.torQ gera 117 cv de potência (etanol). O torque - com o
mesmo combustível - é de 16,8 mkgf. Com gasolina no tanque, o novo motor 1.6
rende 115 cv e 16,2 mkgf.
A versão 1.8 gera 132 cv com etanol e 130 cv com gasolina. O torque, nesta ordem
de
combustíveis,
é
de
18,9
e
18,4
mkgf,
respectivamente.
Além dos novos motores, a família Palio também ganhou novos tecidos nos bancos.
Confira a lista dos recém-chegados:
Palio Essence 1.6 16V E.torQ;
Siena Essence 1.6 16V E.torQ;
Palio Weekend Adventure Locker 1.8 16V E.torQ;
Strada Adventure 1.8 16V cabine estendida/dupla E. torQ;
Outra novidade é que as novas versões podem ser equipadas com o câmbio
automatizado Dualogic.
A Fiat também divulgou os preços das novas versões. Veja a lista:
Palio Essence 1.6 16V flex 4P - R$ 37.990
Palio Essence 1.6 16V flex 4P Dualogic - R$ 40.330
Siena Essence 1.6 16V flex 4P - R$ 41.820
Siena Essence 1.6 16V flex 4P Dualogic - R$ 44.160
Palio Weekend Adventure Locker 1.8 16V flex - R$ 57.330
Palio Weekend Adventure Locker 1.8 16V flex Dualogic - R$ 59.300
Strada Adventure Locker 1.8 16V flex cabine estendida - R$ 47.670
Strada Adventure Locker 1.8 16V flex cabine dupla - R$ 49.870
Fonte: Car and Drive.
Fiquei realmente de decepcionado com a Fiat agora, poderiam ter colocado o 1.8 no
R. E aumentar um pouco a carga das molas e amortecedores, colocar umas barras
estabilizadoras mais grossas, mas preferiram tirar a versão a fazer um carro que
poderia ser algo mais divertido de guiar. E que não fosse somente adesivos e rodas.
(MEMBRO 1, 2011).
O tópico foi logo respondido por outro membro do Fórum, cuja opinião revela
o pensamento desse integrante: “o brabo é pagar 60 mil num carro derivado de
compacto popular e antigo, quando podemos comprar com esse valor carros médios
e bem mais modernos como Focus, i30, C4 etc.”. (MEMBRO A, 2011), e seguido de
outra resposta em relação aos carros da Fiat: “só pode ser piada mesmo NE [...] 70k
num carro velho e cheio de plástica, ou melhor, plástico mesmo [...]” (MEMBRO B,
2011). Aí começa a discussão sobre o alto valor dos automóveis da marca Fiat, e
que não vale o custo-benefício na hora de comprar um carro novo da marca,
destacado pelo MEMBRO 1: “o pior que tem gente que compra” (MEMBRO 1, 2011).
Mesmo com opiniões diversas, o Fórum é encerrado com 46 respostas e 3.179
visualizações.
177
Já no segundo tópico selecionado comenta: “enquanto aqui temos o Cruze,
na Europa a Opel lança o novo Astra”. Em relação à isso, extraí-se que.
A alemã Opel apresenta, agora por inteiro, a nova geração do hatch de três
portas Astra GTC. Com estilo quase igual ao do conceito GTC Paris
mostrado no ano passado no salão francês, ele não compartilha qualquer
elemento de carroceria com o Astra de cinco portas e usa rodas de 17 até
20 pol para um ar mais esportivo. É diferente também nas medidas, com
mais 10 mm na distância entre eixos, 40 e 30 mm nas bitolas dianteira e
traseira (na ordem) e 15 mm a menos na altura de rodagem. Com interior de
desenho inspirado, o modelo traz recursos modernos como monitor de
distância até o carro à frente, leitura de placas de trânsito e farois com nova
tecnologia para ajustar o facho às condições de uso, que consideram até
mesmo a distância até o veículo adiante. São oferecidos quatro opções
de motores: turbo de 1,4 litro com 120 e 140 cv, turbo de 1,6 litro com
180 cv e turbodiesel de 2,0 litros com 165 cv. O mais potente leva o
GTC a 240 km/h. A linha contará com uma versão mais potente, a OPC,
no próximo ano. Comentários: Bem que a gente poderia ter um carro
realmente bonito como esse e com essa gama de motores e com essa
tecnologia que é aplicada nesse carro. Mas é esperar demais de uma marca
que vende corsa B sedã (Classic), corsa B hatch (Agile) e Corsa B Pickup
(Montana MKII) em 2011. Texto retirado do Best cars. (MEMBRO 1, 2011).
O interessante é destacar que, apesar da fonte não ser original do MEMBRO
1 (o próprio usuário cita a fonte), assim como no tópico anterior, o objetivo da
divulgação do produto foi eficiente, pois o Fórum é finalizado com 20 respostas,
gerando 676 visualizações, mesmo assim nem todas as respostas são favoráveis a
sugestão do autor da mensagem. Nota-se no comentário de outro internauta do
Fórum: “Feio! Prefiro o Astra brasileiro atual”. Pode-se perceber também que quando
o assunto do tópico trata-se de uma crítica a alguma marca ou produto, a interação é
muito maior.
O terceiro tópico selecionado é mais importante para esta pesquisa, trata-se
de um pedido de conselho do MEMBRO 1, para os outros usuários do Fórum Carros
de Rua:
Bom pessoal, meu cunhado quer trocar seu carro (Gol GII 1.0 8v 98) por um
mais novo e mais equipado. Ele pode gastar de 27 a 33 mil reais no carro,
178
pode ser 0 km ou seminovo (até uns 30 mil km), já dei algumas ideias para
ele, mas queria a ajuda do pessoal aqui.
Ele quer os seguintes itens:
- Barato de manter;
- Econômico;
- Com Ar condicionado e Direção Hidráulica;
- Bom de motor (ele viaja de mês em mês);
- Confortável.
Nessa ordem,pensei nos seguintes carros:
- Chevrolet Prisma 1.4 LT: Também somente seminovo, mas pode ser entre
2009 e 2010.
- Fiat Siena 1.4: Com os equipamentos pedidos somente Seminovo entre
2009 e 2010.
- Peugeot 207 XR 1.4: Consegue-se comprar 0 km com choro.
- Renault Symbol 1.6 8v Expression: É seminovo com ano entre 2009 e
2010.
- VW Gol 1.6: Com os equipamentos requisitados somente 2009.
- Fiat Palio 1.4: Pode-se achar nos anos de 2009 a 2010.
- Renault Sandero 1.6 8v: Também encontrado seminovo entre 2009 e
2010.
- Ford Fiesta 1.6 Class: Encontrado seminovo entre 2009 a 2011.
O quê vocês comprariam tendo em mente as necessidades deles, e
porquê? Qualquer comentário coerente será bem vindo. Os anos e faixa de
preço são com base na FIPE do carro.
Abraço a todos e agradeço desde já a cooperação (MEMBRO 1, 2011).
Apesar do tópico obter 26 respostas (diferente do primeiro tópico conter 46), e
1.030 visualizações, ficou comprovado que o objetivo inicial surtiu o efeito desejado.
Neste mesmo entendimento, verificou-se que após várias respostas ao MEMBRO 1,
um dos usuários respondentes do tópico comentou o seguinte:
[...] com essa faixa de preço, com uma boa procura, é possível comprar um
Honda Civic do modelo antigo, completão e tem vários em bom estado, pois
são "carro de velho", com todas as manutenções feitas na autorizada, etc.
Esse aí atende "quase" todos os requisitos: barato de manter (as revisões
caras ocorrem a cada 40.000km), confortável (pega um automático e com
banco de couro), econômico (se aí a gasolina compensar), seguro (abs,
airbag) e com seguro viável.
O problema é o modelo desatualizado e ano defasado.
Esse eu falo com conhecimento de causa, minha mãe tem um 2002 tirado
zero, com baixa km e em estado de zero. Eu frequento a autorizada honda
e vira e mexe aparece um bem zerado do modelo antigo.
Meu tio tem desde zero um 2001 que é usado sem dó e sem cuidados de
manutenção preventiva (fica quase 30.000km sem trocar o óleo). Até hoje,
só deu pau no câmbio automático. Hoje deve estar na casa de uns
250.000km. Meu tio não é de correr, anda na moral, mas não está nem aí
para o carro. Diz q não se importa [...]. Claro que não recomendaria um
desses para vc, mas demonstra a resistência.
Fica a dica ao seu cunhado, saindo um pouco do padrão (MEMBRO C,
2011).
179
Em seguida, o MEMBRO 1 responde ao Membro C:
Pessoal, muito obrigado pelas dicas.
Gostei da ideia do Civic, não tinha pensado nisso Membro C, é realmente
um ótimo carro, e atende perfeitamente ele, e acho que se procurar bem
acha um pouco rodado, e provavelmente ele vai se apaixonar se dirigir um,
assim como o Focus.
Vou conversar com o meu cunhado e mostrar o tópico para ele, perguntar
qual lhe chamou atenção. Vou conversar com ele para saber o quê ele acha
do Civic e do Focus. E se que ele gostar vou procurar e pedir para ele
procurar mais informações sobre a manutenção dos dois.
Se tiverem mais ideia, algo que queiram discutir ou mais alguma informação
sintam-se a vontade de postar.
Abraço a todos (MEMBRO 1, 2011).
Quando duas pessoas interagem as ações de cada uma ocorrem em função
de ações ou reações manifestadas pela outra, do como percebem e também do
próprio relacionamento. Os relacionamentos de redes sociais apresentam formas
distintas de como as pessoas se comportam diante de outros participantes (PRIMO,
2008).
Depois de outras opiniões o MEMBRO 1 comenta novamente: “pessoal,
agradeço as opiniões. Já mostrei ao meu cunhado e ele gostou muito da ajuda do
pessoal. A medida que for andando a compra dele, vou atualizando aqui para nós”,
(MEMBRO 1, 2011), demonstrando assim a importância da opinião do grupo em
relação ao objetivo inicial, a compra do automóvel. Convém lembrar que o MEMBRO
1, segundo as respostas do questionário qualitativo, não conhece nenhum dos
membros offline, toda sua interação com o grupo é totalmente online, mesmo assim
a credibilidade que ele confere ao discurso dos amigos é de extrema importância.
As interações, segundo Primo (2008), também ocorrem nos ambientes
virtuais, mas ostensivo para fora deles, quando duas pessoas interagem,
permanecem em constante consenso, compartilham opiniões e expõem suas ideias.
Acrescenta que para compreender a comunicação interpessoal o indivíduo deve
180
valer-se do processo de negociação, cujos relacionamentos podem se tornar muito
íntimos, dependendo do quanto os interagentes revelam de si, da intensidade e da
recorrência das mensagens.
Nos discursos que acontecem por meio da troca de informações que a
Internet proporciona há a integração e harmonia entre a oralidade e a escrita,
assunto estudado anteriormente na literatura de Primo (2008) e também no primeiro
capítulo do presente trabalho, o qual trata do diálogo virtual que favorece a abertura
para que estes internautas usem tanto da oralidade, da simbologia, como da escrita
e da fala, utilizando a palavra, o som e a imagem, quando a tecnologia permite.
Para a análise do MEMBRO 2, através do mecanismo de busca que o Fórum
oferece os tópicos existentes, os tópicos existentes também foram pesquisados .
Como resultado foram obtidos oito tópicos, sendo quatro no Fórum Carros de Rua,
dois no Fórum Off-topic e dois no Fórum Fotos & Vídeo. Assim como o MEMBRO 1,
também foram selecionados apenas os “tópicos quentes (sem novos posts)” e
apenas tópicos com conteúdos relevantes para esta primeira análise (Figura 31).
Figura 31: Tópicos MEMBRO 2
Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br/index.php?showuser=61513>
181
O primeiro tópico selecionado, com 30 respostas e 823 visualizações,
intitulado “Pequena Dúvida – Qual comprar?”, nas suas palavras e linguagem
própria o MEMBRO 2 explica:
Vou trocar de carro e me bateu uma dúvida atroz, que é melhor que uma
dúvida atrás!! hehehehe Quero um carro até 50K e que tivesse pelo menos
ABS ou airbags. Surgiram:
1- New Fiesta: com abs só, branco, 50K. Prós: estilo, motor condizente e o
fato de ser novidade.
2- Focus GL: só airbags. 50K também. Prós: o bom e velho Focus de
sempre, espaço interno, etc. Contra: motor 1.6 que não sei se dará conta do
recado com o peso do carro.
3- Mégane Grand Tour Dynamique 1.6: completaça, 49K. Prós: espaço
interno e preço. Contras: estilo antiquado, mico na revenda e motor fraco.
4- Cielo hatch: completo, 44K. Prós: preço, estilo e equipamentos. Contra:
tudo que pode acontecer de ruim com um chinês, como desvalorização,
problemas, etc.
To indo mais nessa ordem mesmo, pois o Fiesta tem segurança ativa e o
Focus passiva. Então? Que fariam, só com essas opções. Nada de usados
ou outras opções. Abraços! (MEMBRO 2, 2010).
Seguido de várias respostas feitas por outros internautas, usuários do Fórum
Carros de Rua, porém, apesar de várias opiniões de outros membros, o tópico
acabou finalizando sem nenhuma resposta, apenas com o seu último post
comentando os prós e contras de vários modelos/marcas de automóveis. Entretanto,
foi só no próximo tópico que se percebe que o MEMBRO 2 acabou tomando uma
decisão diferente da recomendada pelos colegas do Fórum já no título do tópico:
“Vou ser Cobaia – Comprei um Chery Tiggo”.
Buscando um carro novo pra patroa, me vi em uma sinuca de bico. Haviam
poucas opções, já que só compro carro zero, ela queria um estilo jipinho e
que coubessem nossa família e tralhas, e o teto teria que ser 60k no
máximo. Fomos ver o Aircross. Era pequeno pra nossa família e caro (60K o
GLX sem ABS). Parti pro Tucson. Servia, mas o preço era a partir de 67
com cambio manual. Ficou acima do meu teto. Ecosport não dá por causa
do tamanho diminuto. Daí me lembrei do Tiggo. Fomos lá ver. Minha mulher
se apaixonou. 53K completo de tudo. Com mais 1800 me deram couro,
frisos, estribos, protetor de carter e IPVA. Pensei na desvalorização.
Lembrei que os meus dois carros se desvalorizaram muito, mesmo sem
serem chineses (Picasso e Sentra). Pensei em possíveis defeitos. Lembrei
que já tive problemas graves com GM e VW, e leves com todos os outros
fabricantes. Li sobre ele na Internet, vi os comparativos. Nada que
182
desabonasse totalmente. Eu iria dar o Picasso. O máximo que me
ofereceram, mesmo na Citroen, foi 26K. Um zero se compra por 52K. Em 3
anos, perdi 50%. Então, mico por mico, dessa vez eu tento outro. Sendo
que o Tiggo tá vendendo mais que muitos carros e com pequena rede de
concessionárias, ainda. O que vocês acham? Arriscariam, como fiz? Sei
que vai mudar o modelo, mas isso não vai ser tão rápido. Sei que vai
desvalorizar. Sei que muitos vão me chamar de louco por dar 53K num
chinês. Lembro só que não adianta querer dizer que dava pra comprar Soul,
Focus, Cerato e outros. Estes não serviam pra minha patroa e é muito
melhor ver ela feliz com o Tiggo do que infeliz com todos os outros. Mas
digo uma coisa: estão vendendo e vão vender muito mais desses chineses.
Nas vezes que estive na concessionária haviam muitas pessoas olhando os
carros e outras fechando negócio. E digo uma coisa: compraria um Cielo
facilmente. O carro é muito legal e bem acabado (MEMBRO 2, 2011).
Seguindo de várias respostas, inclusive da resposta do MEMBRO 1, que
parabeniza o MEMBRO 2 pela compra do carro: “Parabéns [...] por sua coragem [...]
você deixou a patroa feliz e não precisa se preocupar com o carro caso dê algum
problema, pois vc tem 2 e nunca ficarão sem carro” (MEMBRO 1, 2011).
O interessante é destacar a alta interação que o tópico produziu,
apresentando 69 respostas e 3.398 visualizações, principalmente, porque os outros
usuários gostariam de saber o retorno do MEMBRO 2, em relação a um carro novo
no mercado, do pressuposto que integrantes que apenas visualizaram o tópico
também tiveram interesse em saber a opinião de quem o comprou.
Para a análise do MEMBRO 3, através do mecanismo de busca que o Fórum
oferece, os tópicos existentes também foram pesquisados. Como resultado, foram
obtidos doze tópicos, sendo sete no Fórum Carros de Rua, dois no Fórum Offtopic,
dois no Fórum Automobilismo e um no Fórum Preparação. Assim como para o
MEMBRO 1 e 2 também foram selecionados apenas os “tópicos quentes (sem
novos posts)” e apenas tópicos com conteúdos relevantes à análise (Figura 32).
183
Figura 32: Tópicos MEMBRO 3
Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br>
O primeiro tópico selecionado, entre os que apresentam as maiores
interações até o momento, contou com 124 respostas e 5.274 visualizações,
intitulado “Golf Iv GTI ou Audi S3 – Dúvida Persistente” no qual o MEMBRO 3
explica:
Fala pessoal, [...] Recentemente um amigo meu que acompanhou toda a
trajetória do meu Audi A3 me fez uma oferta IRRECUSÁVEL nele, pois já
está procurando um A3 Turbo mecânico desde outubro e só acha porcaria
por aí ou então não confia no carro pra pagar o que pedem.
Como ele sabe da qualidade do meu A3, e o quanto eu cuido do carro ele
fez questão de me convencer ($$$) a vender pra ele!!! [...]
Diante disso, estou a pé e à procura de um novo bolido de rua que me
satisfaça, ou seja, ESPORTIVO!!!
Comecei a procurar e já fui ver praticamente todos os anunciados no
mercado e continuo com dúvidas, por isso queria saber a opinião do
pessoal e se tiverem experiências pra somar ou conselhos para me dar, eu
fico muito agradecido! [...] o Golf VR6 estou achando eles muito mais
inteiros e conservados por isso são mais fáceis de encontrar na faixa de
50k! Além disso são numerados o que faria a valorização do carro ser muito
subjetiva mediante ao estado dele, por isso uma possível revenda daqui
alguns anos seria muito mais rentável do que a do S3. Isso sem contar que
é um NUMERADO, exclusivo no meio de 99 produzidos na AMERICA
LATINA inteira! [...] Queria saber se alguém já fez ou teve a chance de
vivenciar um VR6 com o Chip da FUNARI para me dizer as impressões e
diferenças quanto ao standard de fábrica!
184
Por fim, a questão que mais me deixa na dúvida é a retomada de
velocidade!rsrsrs Com os 150cv e 24kgmf no A3 a retomada para andar no
transito de SP principalmente nas marginais era excelente pois vinha a
80km/h a 2mil rpm de 5marcha e era so cutucar para ultrapassar de quinta
levando o giro de 2mil para 3000 e poko num piscar de olhos fazendo que a
velocidade fosse de 80km/h para 110km fácil fácil sem ao menos exigir
redução de marcha! Qual dos dois candidatos vai me satisfazer mais
nessas situações de retomada urbana? Grande abraço a todos (MEMBRO
3, 2011).
Neste comentário o MEMBRO 3 expõe sua dúvida em relação ao automóvel
que pretende adquirir, em que apresenta dois modelos pré-selecionados, colocando
os prós e contras de cada modelo. Depois de algumas discussões e opiniões o
MEMBRO 1 comenta:
Sei que não está na lista, mas um Impreza 2.0~2.5 WRX não te agrada?
Pois tem tração permanente com diferencial central motor boxer de
210~220 cvs, o único, porém, é o cambio de "somente" 5 marchas, o de 6
marchas é da versão STI, e o interior que não é tão bom quanto o do Audi,
mas está em pé de igualdade com o do Golf. E pelo preço que você está
disposto a pagar dá para pegar um e ele é consideravelmente mais fácil de
achar inteiro que o Audi. E tem um conjunto mais refinado que o VW.
(MEMBRO 1, 2011)
Seguido da resposta do MEMBRO 3.
Puts [...] não me fale em WRX ou STI, são sonhos de consumo !!! rs
Mas infelizmente ainda não eh o momento de ter um! Esse sim tem
manutenções mais do que pesadas [...] sem chance de manter no
momento! So jogo de pastilhas eh mais de 1k!!! E por ai vai!!!
Não tem mto o que falar do conjunto desses carros [...] so o fato do
WRX/STI Hatch ter 7 reservatórios de gasolina espalhados por baixo do
carro para o peso ser sempre igual em todos os lados já demonstra a
altíssima tecnologia empregada no projeto!! REALMENTE UM SONHO!
O S3 continua mesmo sendo a opção pessoal, mas o "negocio" eh q vai
fazer a escolha por mim! To em negociações e pesquisa... (MEMBRO 3,
2011)
O MEMBRO 2 também da sua opinião perguntando se não é possível adquirir
um automóvel da marca Subaru com o valor pretendido, porém o MEMBRO 3
explica que não, pois todos eles passam do valor que o usuário pretende gastar.
185
Apesar da discussão ter gerado 124 posts, o discurso do MEMBRO 3 não relatou a
decisão de qual carro iria comprar, porém, a maioria dos posts indicaram que o
usuário deveria comprar o modelo Golf, ao invés do modelo Audi. Assim, pode-se
constatar que as sugestões fizeram efeito, pois na pesquisa qualitativa o MEMBRO
3 relatou que possui este veículo preferido pela maioria das respostas.
Outro tópico interessante, desta vez com o intuito de divulgar um produto, foi
o “Será que a Renault sabe fazer carro bom? – Isso que é teste de marca” conforme
Figura 33.
Figura 33: Grafismo (boneco sorrindo)
Fonte: <http://forum.carrosderua.com.br>
Valer-se do grafismo usado na mensagem é um recurso de linguagem que,
utilizando-se do símbolo de um boneco sorrindo, representa uma comunicabilidade
concordante, de acordo, transmite alegria, representa um sorriso, característica
utilizada pelos membros através da Internet para demonstrar a oralidade dentro
deste ambiente virtual.
Verifica-se nos argumentos já descritos, que a interação física do mercado
torna-se virtual, oferece acessibilidade total ao cliente, para produtos e serviços, em
186
qualquer hora/local, possibilita efetuar compras personalizadas, certas e valoradas,
tanto em volume, quanto em formato de produto ou serviço, disponibilizando
informações em tempo real sobre o produto consumido e acesso a uma central de
pós-vendas de maneira eficiente (LAPOLLI e GAULTHIER, 2009).
Para a segunda parte da análise foram selecionados alguns posts em tópicos
criados por outros usuários diversos, a fim de afirmar a resposta no questionário
qualitativo, sobre a importância de oferecer ajuda a todos no Fórum e demonstrar
sua opinião em relação ao produto/automóvel.
Pode-se perceber o interesse mútuo no tópico, em que um membro questiona
sobre qual é o melhor carro a adquirir, se um 307 Feline ou um Sentra S1. A
interação dos dois Membros foi unânime com a resposta do MEMBRO 2: “Sentra,
com certeza! Até por ser um carro mais atual. 307 sai de linha agorinha [...]”
(MEMBRO 2, 2011) e o comentário do MEMBRO 1 finaliza a ideia: “eu iria de Sentra
SL, é um projeto mais moderno, tem um câmbio maravilhoso, o interior achei muito
bonito e bem acabado” (MEMBRO 1, 2011).
Da mesma forma, o interesse em ajudar outros usuários é percebido no
Tópico “Carro de até 100K (Mulher) – Colega quer trocar de carro”, no qual o
internauta comenta que uma colega solteira, proprietária de um Ecosport quer trocar
de carro e pode gastar até, no máximo, R$: 100.000,00, pede sugestões a outros
membros e o MEMBRO 2 comenta: “Tiguan, ASX, Sportage ou IX35. Sorento eh
mto grande”.
Outro importante comentário que deve ser ressaltado é a critica mútua feita
pelos usuários, os quais, com opinião semelhante, manifestam quando se sentem
prejudicados por um motivo qualquer, ou o apoio mútuo que dão aos colegas
quando algum deles se sente prejudicado. Pode-se perceber esse tipo de prática no
187
Tópico “Caoa tenta enganar os consumidores mais uma vez. Agora com o Veloster”
no qual o usuário fica indignado com a empresa que diz vender uma coisa, mas na
hora de comprar o produto/automóvel, o que prometeram, não vem com os detalhes
divulgados pela campanha publicitária. O primeiro a responder o tópico foi o
MEMBRO 1 e explicou que se a pessoa se sente enganada não deve comprar o
automóvel.
Só dou uma dica pras pessoas que se sentem enganadas. NÃO COMPREM!!
É só encalhar nas vendas que eles mudam de postura, mas ficam reclamando e
todo semestre batendo recorde de vendas, joinha pra eles. Cant, vc pagaria 70 mil
num carro 1.6 com 130 cvs e que ainda não vem com os itens que são anunciados
na propaganda? Se é pra ficar na CAOA pelo menos compre um empresa. Tem
tantas outras opções como um Focus Titanium, Bravo T-jet e C4, exclusive. Com
qualquer um deles vc terá o mesmo com mais motor e menos enganação (MEMBRO
1, 2010).
Já o MEMBRO 2, ao compartilhar criticamente sobre o produto comenta o
seguinte: “Sacanagem! De onde arrumaram esse motor? É o mesmo do Cerato e
Soul? E com IPI alto, esse carro vai micar total! Vai subir uns 25%!” (MEMBRO 2,
2010).
188
CONCLUSÃO
Este dissertação teve como objetivo final estudar a propaganda mediada
pelos próprios usuários dentro de fóruns virtuais e, mediante os diversos autores
consagrados, na área da oralidade falada e escrita, comunicação, tecnologia e
ciências afins, levou a concluir que:
Inicialmente, com a Oralidade Primária e Secundária, a comunicação
mostrou-se íngreme, embora atendendo as necessidades dos sujeitos, povos,
comunidades e grupos, nas diferentes épocas, evolui para uma comunicação mais
centrada e tecnológica, assessorada por símbolos, som, imagem, tecnologia
eletroeletrônica, informática, sinais e codificação, enriquecendo as formas de
transmitir a mensagem e também os conteúdos nela presentes, permitindo que o
leitor compreendesse com maior qualidade, velocidade, integridade e eficácia –
levando com que a mensagem entre emissor e receptor se torne um instrumento de
extrema importância sobre o foco da Comunicação, Marketing, Publicidade,
Propaganda, no campo da Administração, das Ciências Humanas e das Letras,
entre outros.
Em meio à abordagem de sucessivos acontecimentos e invenções é possível
afirmar que o desenvolvimento dos múltiplos processos que permitiram o surgimento
da Oralidade Primária, transpondo-se à Cultura Escrita até chegar à Oralidade
Secundária, trazendo em seu bojo a oralidade em si. Qual seja, do diálogo, da
conversa, da mensagem verbalizada, da escrita, da virtualidade, transmitida por
símbolos ou com o auxílio de imagens e campos eletrônicos, som e cores,
gradativamente se inseriram no contexto cibercultural, cujo espaço, ambiente ou o
local onde acontece a comunicação entre os usuários de redes sociais, nesta
189
pesquisa, foi denominado ciberoralidade, entendido como a mescla entre o campo
virtual, globalizado, da comunicação em tempo real e a oralidade.
Entretanto, antes, as citadas fases históricas, bem como as fases neocontemporâneas e contemporâneas permitiram chegar à uma cultura digital, vivida
na atualidade, no cotidiano, em que a mensagem é emitida e distribuída em massa,
em curto espaço de tempo, de um lado para outro do mundo, com propriedades e
velocidade jamais atingidas anteriormente, nem mesmo imaginada pelo homem que
vivia há algumas décadas.
Nesse contexto, a percepção dos espaços virtuais, muito especialmente dos
fóruns virtuais abriu questionamentos sobre a eficácia desse instrumento de
comunicação entre sujeitos ou usuários, sendo o mesmo. Dentre eles, este estudo
procurou saber por que o usuário virtual acredita em algo sem proximidade dele, o
que conduz esse sujeito a acreditar em recomendações ou respostas postadas em
fóruns virtuais, feitas por outros usuários ou integrantes de comunidades virtuais,
sem mesmo conhecê-los, ao passo que poderia dar credibilidade em pessoas
próximas e mais confiáveis, tal como membros da família, empresa ou amigos
próximos, ou mesmo na publicidade que circula pelas diversas mídias, como
televisão, jornal, revistas, rádio, mensagens via telefone ou via celulares, entre
outros recursos disponíveis às empresas que procuram divulgar seus produtos ou
serviços. Para esse questionamento, esta pesquisa, por meio do estudo e análise,
utilizando-se da netnografia enquanto técnica de pesquisa e análise de conteúdo
tornou possível responder tais inquietações ao final destas considerações.
Através da análise do Fórum Carros de Rua, principal objeto de estudo deste
trabalho ficou claro que os integrantes de redes sociais participam e interagem no
contexto virtual à uma escala que não foi projetada pelo homem que nasceu há
190
algumas dezenas de anos. Tal movimento se apresenta sob forma de propaganda
virtual mediada, pois abordam, discutem, perguntam, questionam, avisam,
recomendam, sugerem ou alertam seus pares virtuais e toda a rede, por meio da
participação integrada, sobre qualidade, marca, performance, vantagens e
desvantagens de determinado produto, serviço ou empresa. Assim, pode ser
considerada um tipo de propaganda mediada, sobre produtos, serviços ou
empresas. E, caso os integrantes dos fóruns estejam abertos à discussão,
participando ativamente de debates e interajam com outros usuários, a comunicação
pode ser aberta, clara, funcional, livre e fluente, servindo para que os usuários
integrantes do Fórum transportem essas informações para a vida prática, no
momento da compra de um automóvel, por exemplo, estando alerta em termos de
preço de mercado, qualidade, funcionalidade, estética, potencial de motor, entre
outros. Entretanto, caso permaneçam omissos ou neutros frente aos comentários
sobre produtos ou serviços ofertados, talvez, invalidem o recurso enquanto
instrumento de eficácia no meio comunicacional, especialmente, em torno do
mercado para o qual o Fórum é dirigido. Entretanto, neste estudo, o que se
percebeu no comportamento desses integrantes foi que frente à compra ou à venda
de um produto ou serviço mostraram-se esclarecidos, cujas dúvidas foram sanadas
por outros usuários do mesmo Fórum virtual, no caso, o Fórum Carros de Rua.
O diálogo mantido entre os integrantes de redes sociais exerce preponderante
influência na decisão e na aquisição de determinado produto ou serviço, ou ainda na
contratação, na vida prática de grande maioria desses sujeitos, pois ao
compreenderem a linguagem e a comunicação utilizada na rede beneficiam a si e
beneficiam aos demais que ali circulam em busca de respostas, como ficou muito
claro no presente estudo.
191
O problema de pesquisa levantado - que tratou de analisar se o diálogo
mantido entre os usuários de fóruns virtuais contribui na tomada de decisão da
compra de automóveis, pelo usuário, em redes automobilísticas ou de particulares
levou a compreender que esses sujeitos realmente são beneficiados pelo diálogo
mantido, especialmente, porque são alertados antecipadamente quando à eventuais
problemas operacionais, mecânica, estética, tamanho, conforto, preço, condições e
prazos, quando de sua aquisição, ou ainda na fase de pesquisa, evitando que caiam
em armadilhas de empresas ou de pessoas mal intencionadas, que procuram lesar
os sujeitos que circulam pelo mercado de produtos ou serviços.
Assim, através do que foi colocado por outros usuários nos fóruns, o usuário
poderá ser antecipadamente avisado pelos demais, ocorrendo aí o processo de
mediação (interação), de modo que os usuários exercem influência na aquisição de
um produto ou serviço, fato que pode ser confirmado no site Carros de Rua.
O que se pôde constatar foi que em relação ao Marketing boca a boca, as
sugestões de amigos e as opiniões de outros consumidores que circulam na Internet
mostram-se como meios confiáveis de propaganda global e muito mais, por ser uma
propaganda mediada.
O diálogo mantido por meio de redes sociais vem sendo muito utilizado,
especialmente, entre fóruns virtuais, assumindo um papel exponencial na vida
cotidiana dos sujeitos que, ao adquirir um produto ou serviço, mediante diálogo
virtual travado, agregam valor ao bem e à organização.
Embora as empresas tentem apenas vender determinado produto, o
consumidor atual está de sobre alerta, no sentido de evitar cair em golpes ou
fraudes. Dessa forma, as empresas devem atentar para satisfação do cliente.
192
Em relação aos resultados do Fórum Carros de Rua é possível concluir que o
usuário participa e interage no contexto virtual utilizando a propaganda mediada,
cuja participação pode ser considerada um tipo de propaganda sobre produtos ou
serviços e os integrantes dos fóruns estão abertos para discussão, participam dos
debates com outros usuários. Contudo, em alguns casos, permanecem omissos ou
neutros frente aos comentários sobre produtos ou serviços ofertados.
De igual forma, outros pontos foram percebidos, como:
i.
As conexões entre os usuários acontecem dentro do Fórum a
partir do momento que conseguem discutir assuntos análogos;
ii.
Os usuários “quase” não conferem credibilidade à publicidade e
sim aos usuários do Fórum, principalmente, por estar dentro
desse ambiente para discutir o produto, ou seja, se o usuário
está no Fórum discutindo sobre determinado produto e
solicitando a opinião de outros membros é porque existe
credibilidade em relação aos outros membros;
iii.
Existe forte procura em relação à opinião de outros membros,
em se tratando da aquisição de um produto novo;
iv.
Também existe uma opinião muito forte quando há preocupação
com o outro ator (nó) ou membro para que faça a melhor
escolha, já que não quer enganar a si próprio, não quer que os
colegas também o sejam;
v.
Apesar da pesquisa quantitativa falar que apenas 38%
frequentam o Fórum todos os dias, em busca informações via
Fórum, durante a pesquisa qualitativa percebeu-se que o
193
usuário busca de modo intensivo a opinião de seus colegas de
Fórum;
vi.
Finalmente, conclui-se que a observação, dentro dos Fóruns é
mais comum, comparativamente à interação, que é variável de
acordo com o número de visualização nos tópicos existentes.
Assim, volta-se à ideia que poucos indivíduos são criadores de
conteúdos. Apenas um grupo um pouco maior interage online.
Outro grupo apenas visualiza o conteúdo e suas consequentes
influências, porém, não posta mensagem no Fórum;
vii.
Na pesquisa, os dados mostraram que 71% costumam participar
de tópicos já existentes, contra 29% que criam seus próprios
conteúdos. Assim, as visualizações são sempre muito maiores
que o total de posts no Fórum, conforme os resultados da
pesquisa qualitativa mostraram;
viii.
As pessoas procuram sempre divulgar um produto de interesse
próprio, quando é positivamente útil, econômico, tecnológico ou
confortável, muitas vezes a interação é baixa, porém, quando é
para “falar mal” de um produto, a interação é muito maior;
Conclui-se, finalmente, que os usuários entram no Fórum em busca de
informações sobre pessoas que já utilizaram determinado produto, fato que dá maior
credibilidade no momento de consumir ou adquirir certo produto. Pois se as pessoas
que já usaram o produto podem expressar sua opinião faz com que exerçam
influência para a melhor escolha possível, dentro de um contexto de propaganda
mediada pelo computador, uma vez que a publicidade, enquanto método para atrair
o cliente, tem sido considerado um recurso enganoso para muitos dos usuários e
194
uma infinidade de outros clientes extra-fórum. Ademais, afirma-se como derradeiro
que a propaganda boca a boca é muito forte neste ambiente, tendo grande poder na
tomada de decisão do consumidor.
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Sites:
Disponível em: <www.meucarrofalha.com.br> Acesso 19 mar 2011
205
Disponível em <http://www.cultura.ufpa.br/dicas/net1/int-glo.htm> Acesso 11 out
2010.
Disponível em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Blog.> Acesso em 10 mar 2011.
Disponível em: <http://forum.carrosderua.com.br>
206
ANEXO I
QUESTIONÁRIO QUANTITATIVO
Olá,
Sou mestranda e pesquisadora do Programa de Mestrado e Doutorado em Comunicação e
Linguagem pela Universidade Tuiuti do Paraná (http://www.utp.br/ppgcom) e gostaria de
alguns minutos da sua atenção.
Estou desenvolvendo minha pesquisa sobre Fóruns Virtuais e ao me deparar com o fórum
Carros de Rua encontrei um ótimo objeto de estudo para a minha dissertação.
Sua colaboração é muito importante para o desenvolvimento da pesquisa e gostaria de
contar com sua participação respondendo com franqueza esta pesquisa.
Agradeço muito a sua atenção e contribuição,
Patrícia Regina Wypych
1. Nome (Opcional, mas pode ser apenas o primeiro nome, apelido ou pseudônimo, se
preferir)
2. Sexo:
( ) Feminino
( ) Masculino
3. Idade:
( ) 15 a 20
( ) 21 a 30
( ) 31 a 40
( ) 41 a 50
( ) 51 ou mais
4. Grau de instrução:
( ) Fundamental
( ) Médio
( ) Graduação
( ) Pós-Graduação
( ) Mestrado
( ) Doutorado
5. Estado civil:
( ) Solteiro(a)
( ) Casado(a)
( ) Separado(a)
( ) Divorciado(a)
( ) Viúvo(a)
( ) Amasiado(a)
6. Renda Familiar:
( ) Até 01 salário mínimo
207
(
(
(
(
) 01 a 03 salários mínimos
) 04 a 10 salários mínimos
) 10 a 20 salários mínimos
) Acima de 20 salários mínimos
7. Qual a faixa de preço do seu automóvel?
( ) Não possuo automóvel
( ) De R$10.000,00 à R$20.00,00
( ) De R$21.000,00 à R$30.00,00
( ) De R$31.000,00 à R$40.00,00
( ) De R$41.000,00 à R$50.00,00
( ) De R$51.000,00 à R$100.000,00
( ) De R$101.000,00 à R$200.000,00
( ) Acima de R$201.000,00
8. Se você for comprar um automóvel nos próximos seis meses, que tipo de automóvel você
daria preferência?
( ) Usado
( ) Novo
( ) Não pretendo comprar automóveis nos próximos 6 meses
9. O que te inspira maior confiança na hora de comprar um automóvel?
( ) Opinião de conhecidos
( ) Vendedor automotivo
( ) Informações na Internet (sites das marcas, revistas online etc.)
( ) Propaganda
( ) Indicações via fórum
10. Qual a frequência que você participa do fórum Carros de Rua?
( ) Todos os dias
( ) Duas vezes ou mais na semana
( ) Uma vez por semana
( ) Duas vezes ou mais por mês
( ) Uma vez por mês
( ) Eventualmente
11. Quais os seus motivos para participar de um tópico de discussão?
( ) Curiosidade
( ) Sanar alguma dúvida
( ) Dar sua opinião
12. Na maioria das vezes você procura entrar nos tópicos de discussão apenas para:
( ) Observar
( ) Discutir
( ) Os dois
13. Você costuma:
( ) Criar seus próprios tópicos
( ) Participar de tópicos já existentes
14. Quando você participa de um tópico, procura acompanhá-lo até o fim?
( ) Sim
( ) Não
208
15. Dentro do fórum, você costuma divulgar algum modelo ou marca de automóvel que te
agrade?
( ) Sim
( ) Não
16. Qual o grau de credibilidade que você dá aos usuários do fórum carros de rua?
( ) Nenhuma
( ) Pouca
( ) Media
( ) Bastante
17. O que te leva a acreditar nos usuários de um fórum pela internet?
( ) Seriedade
( ) Experiência
( ) Informação
( ) Não acredita
18. Você acredita em propaganda boca a boca pela internet?
( ) Sim
( ) Não
19. Você acredita que existam marcas escondidas como membros para conseguir
informações sobre seus automóveis, consumidores e/ou concorrentes?
( ) Sim
( ) Não
20. E para divulgar algum produto?
( ) Sim
( ) Não
21. Se você respondeu sim a alguma das duas perguntas anteriores, qual a credibilidade
que você da a estes supostos usuários
( ) Nenhuma
( ) Pouca
( ) Media
( ) Bastante
Agradeço imensamente a sua atenção
209
ANEXO II
QUESTIONÁRIO QUALITATIVO
PESQUISA SOBRE O FÓRUM CARROS DE RUA:
O tema deste questionário refere-se a propaganda feita por usuários de fóruns virtuais e
este estudo estará presente da dissertação de mestrado de Patrícia Regina Wypych.
Apenas para você entender, o fórum é classificado como uma forma de rede social, por
existir interação entre as pessoas. E é dessa forma que o fórum será tratado.
1. Nome Completo:
2. Apelido:
3. Idade?
4. Profissão?
5. Quantas vezes costuma criar um tópico novo? E comentar tópicos existentes?
6. Qual é o meio de comunicação em que costuma buscar informações e que acessa com
maior frequência. Porque?
7. Você usa alguma rede social na internet (facebook, twitter, Orkut, linkedin, formspring
etc.). Se sim, quais e porque?
8. Você acompanha algum site de noticias? Qual?
9. Como você descreveria o seu perfil no fórum (atuante, participativo, líder etc.) e porque?
10. Você já fez algum amigo no fórum?
11. Se fez estes amigos são apenas online ou também se tornaram offline?
12. Já convidou alguém para participar do fórum? Porque?
13. Já participou de algum evento feito pelo ou dentro do fórum?
14. Me explique em poucas palavras o que você acha do fórum carros de rua.
15. Em poucas palavras me explique o que te leva a acreditar nos usuários do fórum?
16. Você acredita que a sua opinião dada a outros usuário no fórum geram algum efeito? Se
sim, porque?
17. Qual é a importância do fórum na hora de escolher um carro? E porque?
18. E qual é a importância da publicidade na hora de escolher um carro?
210
19. Qual a sua relação com a publicidade e propaganda?
20. Qual a finalidade de um automóvel na sua vida?
21. Antes de comprar um carro novo, o que você leva em consideração?
22. Você já percebeu algum anunciante dentro do fórum?
23. Se sim, como percebeu e como lidou com a situação?
24. O que você acha da propaganda “boca a boca”dentro do fórum?
25. Deixe alguma mensagem que você acha bacana a respeito do fórum e que possa
contribuir com este trabalho.
Agradeço mais uma vez a sua participação.
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a propaganda mediada pelos proprios usuarios dentro de - 1