Março – Gramática – 2ª Série
Querido (a) aluno (a),
Esta é a nossa primeira dica mensal. Nela você encontrará informações complementares sobre o conteúdo e,
também, atividades de aplicação do conhecimento. Faça uma leitura atenta de todo o material e responda às
questões de forma completa. Confiamos em seu sucesso!
Um abraço!
Aurélia e César
Para começar, analise o seguinte texto de campanha comunitária:
Você deve ter percebido que o objetivo desse texto é a divulgação de uma ideia – por isso é considerado como
pertencente ao gênero campanha comunitária. Há, nesse tipo de texto, uma imagem sugestiva e frases que
procuram persuadir o leitor.
Releia a seguinte construção presente no texto:
“Seja amigo de um estudante.”
Apesar de ser uma estrutura curta, essa construção transmite uma mensagem ao leitor – por isso, é considerada
uma frase. Há uma forma verbal (“seja”) que faz dessa frase também um período. Como sabemos, quando há uma
forma verbal na frase, detecta-se a presença de uma oração (que sempre corresponde ao número de verbos ou
locuções verbais). Assim, o enunciado transcrito do texto constitui: uma frase verbal, um período simples, com
uma oração.
Note que o verbo no modo imperativo é fundamental para a persuasão do leitor! “Seja” não é uma ordem e, sim,
uma sugestão ou um pedido direcionado ao leitor.
Atenção: uma frase nem sempre apresenta verbo, como é o caso de “Posto de coleta aqui”. Mesmo sem um verbo
explícito, é possível compreender sua mensagem (pode-se subentender, por exemplo, o verbo HAVER). Trata-se,
portanto, de uma frase nominal.
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Considerando as informações anteriores, responda às seguintes questões:
01. Analise este outro texto de campanha comunitária:
a) Explique por que a frase de efeito do texto também estrutura um período.
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b) Leia a primeira orientação dada ao leitor e especifique o número de frases, orações e períodos.
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c) Na última orientação, há duas frases. A segunda é introduzida pelo conector SE. Qual é a relação semântica
estabelecida por esse conector?
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Agora, vamos responder às questões seguintes, relacionadas ao estudo do SUJEITO e do PREDICADO.
02. Leia o fragmento de uma canção do grupo Kid Abelha:
Nada Sei (apneia)
Kid Abelha
Nada sei dessa vida
Vivo sem saber
Nunca soube, nada saberei
Sigo sem saber...
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Que lugar me pertence
Que eu possa abandonar
Que lugar me contém
Que possa me parar...
Sou errada, sou errante
Sempre na estrada
Sempre distante
Vou errando
Enquanto tempo me deixar
Errando
Enquanto o tempo me deixar...
(...)
a) No verso “Sou errada, sou errante” observa-se uma mesma estrutura sintática. Especifique essa estrutura,
destacando e classificando seus elementos.
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b) Comente a relação que os versos analisados na questão anterior mantêm com o título da música e a
personalidade que se pode supor desse eu lírico.
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03. Leia os seguintes contextos e analise-os, de acordo com o que for solicitado.
I.
“Primeiro zoológico do Estado será inaugurado em abril” (A Gazeta)
Foi utilizada, na estrutura dessa manchete, qual voz verbal? Nesse caso, o que se evidencia?
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II.
Classifique o sujeito do texto verbal da placa.
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III.
O título do filme – “Não há vagas” – apresenta que tipo de sujeito? Reescreva-o, substituindo o verbo HAVER por
EXISTIR, fazendo as adaptações necessárias e classifique o sujeito da forma reescrita.
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GABARITO DAS QUESTÕES:
01. a) A frase de efeito “Participe da campanha Medicamento seguro” possui sentido completo e uma forma verbal
(“participe”).
b) Há uma frase, com duas orações, estruturando um período composto.
c) Estabelece uma relação de condição.
02. a) A estrutura sintática é a mesma: Sujeito (implícito) + verbo de ligação + predicativo do sujeito.
“Sou errada” – sujeito simples (implícito – eu)
verbo de ligação – sou
predicativo do sujeito – errada
“Sou errante” – sujeito simples (implícito – eu)
verbo de ligação – sou
predicativo do sujeito – errante
b) O título da canção – “Nada sei” – denota a ideia de que o eu lírico encontra-se desajustado ou sem uma
definição de vida, fato reforçado pelo primeiro verso (“Nada sei dessa vida”). O verso “Sou errada, sou errante”
complementa essa ideia, uma vez que o eu lírico afirma que está em busca de uma nova forma de viver. Sendo
assim, considera-se alguém que erra durante essa busca.
03. I. Foi utilizada a voz passiva analítica, evidenciando assim a informação e não o agente da ação verbal.
II. Trata-se de um sujeito indeterminado (verbo na 3ª pessoa do singular + índice de indeterminação do sujeito).
III. Apresenta sujeito inexistente (ou oração sem sujeito). A forma reescrita seria: Não existem vagas. Nesse caso, o
sujeito seria “vagas”, classificado como sujeito simples.
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ATENÇÃO: PARA FACILITAR O ESTUD, INSERIMOS A NOSSA AVALIAÇÃO DE 2013.
QUESTÃO 01
Para responder à questão proposta, analise com atenção os seguintes textos:
TEXTO 01
13/02/2013-10h19
Procuram-se mulheres de verdade
Há um projeto fotográfico que roda o país procurando a beleza de mulheres nuas e normais. Normais significa
que não seguem o padrão estético das modelos.
A disseminação dessas imagens pode ter um impacto na saúde pública – e na felicidade de muita gente. Comento
esse projeto, batizado de "Nu Project", estimulado pelo Carnaval.
O Carnaval ajuda a divulgar as vistosas mulheres que, para ter aquele corpo, são obrigadas a malhar muitas horas
por dia e a comer pouco e, não raro, são esfaqueadas em cirurgias plásticas. Algo quase desumano.
Esses corpos esculturais servem para alimentar a baixa autoestima (e muitas vezes complexos) de quem tem um
corpo normal, e saudável, mas vítimas da ditadura da estética, cultuada pelos meios de comunicação.
Nada contra – pelo contrário – à beleza escultural. O que deveria incomodar é a perversidade de se achar que
aquilo é o padrão, o que vem gerando uma sensação de desconforto generalizado, ainda mais nas adolescentes.
Um desconforto que, como vemos nas estatísticas, produz riscos à saúde.
O projeto mostra que é possível ser feliz e desejável (e saudável) com o corpo normal.
(Disponível em www.folhauol.com.br, acesso em 13/02/2013)
TEXTO 02
Observa-se a presença da partícula SE, tanto na manchete da notícia quanto no texto do panfleto. Tendo como
parâmetro os estudos realizados e a estrutura dos dois textos, pode-se afirmar que, em ambos os contextos,
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explora-se o mesmo tipo de sujeito? Justifique a sua resposta, fundamentando-a a partir da regra gramatical.
Especifique a classificação da partícula SE em sua resposta. (2,0 pontos)
Resposta:
No texto I, a partícula SE é apassivadora, responsável pela construção de uma frase com sujeito simples –
“mulheres de verdade”. Nota-se, portanto, o uso da voz passiva sintética, na qual sujeito e verbo mantêm uma
relação de concordância. Já no texto II, a partícula SE é um índice de indeterminação do sujeito, o que determina a
ocorrência de um sujeito indeterminado. Nesse caso, o verbo sempre permanece na 3ª pessoa do singular (“de
vendedores” é o objeto indireto do verbo “precisar”).
QUESTÃO 02
Os fragmentos a seguir pertencem a duas belas composições musicais. Leia-os para responder às questões
propostas.
Fragmento 01:
Quase sem querer
Legião Urbana
“Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Estou tão tranquilo e tão contente.”
Fragmento 02:
Por onde andei
Nando Reis
“Desculpe,
Estou um pouco atrasado
Mas espero que ainda dê tempo
De dizer que andei
Errado e eu entendo
As suas queixas tão justificáveis
E a falta que eu fiz nessa semana
Coisas que pareceriam óbvias
Até pra uma criança
Por onde andei
Enquanto você me procurava?
Será que eu sei
Que você é mesmo
Tudo aquilo que me faltava?”
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Nos dois fragmentos, o verbo andar foi destacado (“tenho andado” e “andei”, respectivamente).
Considerando a aplicação desse verbo no contexto,
a) especifique o sentido que ele assume no primeiro fragmento e indique o tipo de predicado que estrutura.
Comente a relação entre esse tipo de predicado e postura do eu lírico nos versos. (1,5 ponto)
Resposta:
No primeiro fragmento, o verbo andar assume uma ideia de estado – andar é equivalente a estar. Nesse caso,
então, trata-se de um verbo de ligação, responsável pela estruturação de um predicado nominal. É valido destacar
a presença do predicativo do sujeito “distraído”. O eu lírico encontra-se perdido, confuso quanto aos seus
sentimentos e isso é evidenciado pelo predicado nominal, uma vez que os predicativos presentes nos versos
permitem perceber exatamente esse perfil.
b) classifique o predicado que o verbo andar estrutura no segundo fragmento e justifique a sua resposta. (1,5
ponto)
Resposta:
Andar, nesse contexto, assume uma ideia de ação – “Por onde andei” seria equivalente a “Em qual lugar eu
estava?”. Dessa forma, o predicado por ele estruturado é classificado como verbal.
QUESTÃO 03
“Fomos passar a noite no Flamengo, os dois casais e mais o José e a prima. Sucedeu uma coisa que me
pareceu muito grave. Vou refletir sobre ela e depois decidirei o que fazer. Não tenho com quem discutir o
ocorrido visto que envolve meu marido e minha melhor amiga. Por isso, após uma noite sem sono e antes de
seguir para minhas orações na missa das nove, recorro agora a estas páginas, único desabafo possível. Não
tenho dúvidas do que vi ontem – os segredos ao canto da janela, os suspiros, os olhares a se buscar durante
toda a noite (ele à janela, ela ao pé do piano) o gesto de Santiago a ponto de beijar a testa de Sancha quando
os surpreendi, o modo como ele mirava seus braços, a despedida lânguida, num aperto de mão demorado e
esquecido... Não foram intrigas, ninguém me contou. Eu mesma vi, de repente. Não sei há quanto tempo isso
já ocorre sem que eu visse ou suspeitasse. Meu coração ficou tumultuado como os vagalhões do mar bravio
batendo lá fora. Não sei que fazer, se finjo que nada sei, se busco uma explicação com um deles ou com
ambos. [...]
No momento, só logro sentir. Raiva, desespero. Vontade de matar, de morrer...”
Machado, Ana Maria. A audácia dessa mulher. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. p. 152-153
LEIA O FRAGMENTO, EXTRAÍDO DO LIVRO A AUDÁCIA DESSA MULHER, DA ESCRITORA ANA MARIA MACHADO E
DESENVOLVA A QUESTÃO PROPOSTA.
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“Não foram intrigas, ninguém me contou. Eu mesma vi, de repente. Não sei há quanto tempo isso já ocorre sem
que eu visse ou suspeitasse. Meu coração ficou tumultuado como os vagalhões do mar bravio batendo lá fora.
Não sei que fazer, se finjo que nada sei, se busco uma explicação com um deles ou com ambos.”
Separe as orações presentes no período sublinhado e classifique o sujeito de cada uma delas. (2,0
pontos)
/Não sei/ há quanto tempo/ isso já ocorre/ sem que eu visse/ ou suspeitasse/. Os sujeitos das orações são,
respectivamente, eu (oculto), oração sem sujeito, isso (simples), eu (simples), eu (oculto- esse sujeito é recuperado
pelo contexto e não pela desinência verbal).
QUESTÃO 04
Texto 1
QUINO. Toda Mafalda – da primeira à última tira. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
Texto 2
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DA FELICIDADE
Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!
Mario Quintana
a) Ao ler os textos com atenção, nota-se que há uma temática comum: a felicidade. Explique a diferença de
abordagem do cartunista Quino e do escritor Mario Quintana ao trabalhar com tal temática. (1,5 ponto)
Mafalda se dirige a um chaveiro para que ele faça a chave da felicidade, eis que se surpreende ao saber que
precisaria de um modelo. A ideia dessa tirinha é que cada um deve ser capaz de construir a própria chave da
felicidade. No texto de Quintana, percebemos o mesmo, já que buscamos olhar sempre para fora em busca da tão
sonhada felicidade quando, na verdade, ela está próxima como “óculos na ponta do nariz”. Nessa busca por algo
que está tão junto de nós é que os textos se aproximam.
b) Na placa de entrada do chaveiro está escrito: “Fazem-se chaves”. Pode-se afirmar que esse tipo de construção
está de acordo com a norma culta? Justifique a sua resposta. (1,5 ponto)
A frase de entrada do chaveiro está correta, já que se trata de uma oração na voz passiva sintética cujo sujeito é
“chaves”, portanto o verbo deve, sim, estar no plural.
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