UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ
Curso de Graduação em Enfermagem
Dania Brocardo
Telma Scarsi
SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM APLICADA AO CLIENTE
SUBMETIDO A PROCEDIMENTOS INTERVENCIONISTAS E A SEUS FAMILIARES,
FUNDAMENTADA NA TEORIA DE CALLISTA ROY
Chapecó - SC, 2010
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DANIA BROCARDO
TELMA SCARSI
SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM APLICADA AO CLIENTE
SUBMETIDO A PROCEDIMENTOS INTERVENCIONISTAS E A SEUS FAMILIARES,
FUNDAMENTADA NA TEORIA DE CALLISTA ROY
Relatório de Prática Assistencial apresentado no
Curso de Enfermagem da UNOCHAPECÓ,
referente à disciplina de Enfermagem Assistencial
Aplicada II (estágio curricular II) como pré-requisito
para obtenção do título de Enfermeira, sob
orientação da Profª. Ivete Maroso Krauzer.
Chapecó-SC, jul. 2010
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Universidade Comunitária da Região de Chapecó
UNOCHAPECÓ
Curso de Graduação em Enfermagem
MEMBROS DA BANCA EXAMINADORA
_______________________________________________________________
Tania Maria Ascari
(Representante da Área de Ciências da Saúde)
_______________________________________________________________
Ivete Maroso Krauzer
(Orientadora)
_______________________________________________________________
Perla Rosset
(Enfermeira Supervisora)
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AGRADECIMENTOS
Neste momento em que minha vida faz algumas respostas e busca por outras perguntas
(tanto sobre o presente quanto sobre o futuro) gostaria de agradecer todas as conquistas que a
vida tem me proporcionado!
Inicialmente, a conclusão deste curso de graduação em um país onde apenas 11% dos
jovens na minha faixa etária freqüentam a Universidade, e em um contexto onde há
dificuldades financeiras e algumas pedras no meio do caminho.
Conquista essa incentivada, financiada e comemorada pela minha mãe, Roze, que me
garante todos os dias o privilégio de ser escolha em sua vida e de quem tenho muitos
exemplos para seguir, profissional e pessoalmente. “Eu amo você, manhê!!!”
Gostaria de agradecer também (e espero não esquecer ninguém):
Aos demais familiares, pelo suporte, às vezes de longe, às vezes de perto. E ao meu
primo Daniel por nos ajudar na elaboração do folder de orientações de alta (Fico “classudo”,
né, primo?).
As amigas, em especial Ina, Flavia, Taline e Bibi, com quem sempre dividi angústias,
sonhos, risadas e caminhos (não só aqueles onde buscávamos uma atividade física). E as
amigas-colegas, em especial Telma, Cláu e Clau, May, Ju, Tania D., Eli, Claudila e todas as
que não me tornei tão próxima ou íntima, ou das que me afastei ao longo do período, por
participarem de cada semestre na concretização deste objetivo. Participação que foi além dos
trabalhos em grupo, dos momentos teórico-práticos e da companhia na sala de aula. Pessoas
em quem eu valorizo muitas qualidades e que já fazem ou farão a enfermagem seguir suas
tradições e seus ideais. “Com vocês, meu mundo fica completo!”
A professora Ivete, nossa orientadora, que permitiu trabalharmos em nosso ritmo, pela
objetividade de suas observações e correções que contribuíram no desenvolvimento desse
projeto, que foi tão gratificante. “OK”.
A professora Tania, que chamou atenção para a minha falta de atenção, por observar e
registrar esse meu jeito “moleca” e por suas contribuições ao projeto dessa prática
assistencial.
A enfermeira Perla, por nos permitir atuar sob sua supervisão, com reconhecida
competência e responsabilidade. E em extensão, a equipe do Centro Cirúrgico, da SRPA e da
Hemodinâmica da Unimed, pelo acolhimento e por mostrar que o trabalho em equipe existe
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na prática, desde que existam profissionais comprometidas (os) com o cliente (ser humano) e
com a enfermagem como vocês.
A Deus, diretor maior, que permitiu que minha vida tivesse tão agradável roteiro,
capítulos tão complexos e desfechos tão impressionantes!
Sigo minha formação (pessoal e profissional) com um sentimento que compartilhei
quando li Patch Adams:
“Em busca de fé firme, trabalho apaixonado, ajuda voraz, dedicação delirante e confiança
perpétua”
Obrigada! Dania.
Ao término deste trabalho quero agradecer a Deus, pois o que seria de mim sem a
crença que tenho nele.
Em especial aos meus pais Telmo e Jacira e aos meus irmãos e a toda minha família
que, com muito carinho me apoiaram se medir esforços.
Neste momento agradeço a todas as pessoas que me acompanharam nessa trajetória,
dentre elas os amigos da faculdade, do hospital, as meninas do grupo D (Claudila, Eliane e
Tania), aos clientes que se mostraram sempre dispostos em colaborar com nosso trabalho.
À professora Ivete Krauzer pela paciência na orientação e incentivo que tornaram
possível a conclusão deste TCC.
Agradecer “Certos Amigos” às vezes torna se difícil, pois tornam se muito especiais
como você Dania que hoje considero minha irmã e neste momento só posso-te dizer
obrigado!
Obrigada! Telma.
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RESUMO
Esta prática assistencial foi desenvolvida com o objetivo de sistematizar a assistência de
enfermagem, fundamentada no referencial de Callista Roy, durante período perioperatório,
aos clientes submetidos a intervenções hemodinâmicas, incluindo o familiar no processo
adaptativo do cliente. Foi realizada no Setor de Hemodinâmica de um hospital privado do
oeste de Santa Catarina, no período de 24 de fevereiro a 19 de maio de 2010. Foram
acompanhados 52 clientes residentes na região oeste e extremo oeste do Estado, sendo 31
clientes residentes em Chapecó. Destes, 21 foram visitados no domicílio. As intervenções
cirúrgicas mais freqüentes realizadas no setor foram: cineangiocoronariografia, angioplastia,
angiografia (de aorta, artérias ilíacas e artérias de membros superiores e membros inferiores),
aortografia e estudos de eletrofisiologia. Os diagnósticos de enfermagem presentes em todos
os clientes foram: déficit de conhecimento sobre o procedimento cirúrgico relacionado à
intervenção; integridade tissular e de pele prejudicada associada à punção e evidenciada por
hematomas, equimoses, erupções, soluções de continuidade relacionadas ao procedimento,
punção com cateter venoso; risco de dor aguda, relacionada ao acesso venoso periférico; risco
de infecção, relacionada ao procedimento cirúrgico, evidenciada pelo acesso venoso
periférico; andar prejudicado e ansiedade associada ao déficit de conhecimento sobre o
procedimento. O estabelecimento de metas repousou sobre as possíveis reações tardias ao
contraste injetado, monitoramento do volume urinário, sinais vitais e nível de consciência do
cliente. Na atuação da enfermagem no pós-procedimento em cardiologia intervencionista, o
foco de atenção foi para as possíveis intercorrências no repouso do cliente. O plano de
intervenção consistiu na elaboração das prescrições prioritárias, de modo a manter o membro
puncionado em repouso, favorecendo a hemostasia da punção arterial, atentando para que
fossem realizados movimentos suaves da extremidade do membro. Quando o cliente
permanecia com compressão por peso, além de avaliação constante de possível presença de
sangramento, o paciente era orientado a manter o posicionamento deste sobre o local da
punção. Na avaliação, mantinha-se uma conversa com o cliente no pós procedimento e eram
realizadas orientações aos familiares que aguardavam na sala de espera. Antes de efetivar a
alta médica, o cliente recebia uma dieta leve e, geralmente, no término da assistência no
hospital, aconteciam às orientações para alta, tanto para o cliente quanto para o familiar. Nas
visitas domiciliares, além da agradável recepção, fruto do vínculo estabelecido com o cliente
durante a estadia no hospital foram registrados os cuidados realizados e a participação da
família, identificada a presença de dor, equimoses ou hematomas, a necessidade de nova
intervenção. A SAE aplicada aos clientes internados no Setor de Hemodinâmica possibilitou
identificar as alterações de adaptação e a resposta do cliente às intervenções realizadas no
período perioperatório. Pois, a ação não se limitava aos procedimentos técnicos, mas em
atender as necessidades do cliente, priorizando a ação humanística voltada para o indivíduo,
acolhendo-o de forma integral.
Palavras chave: Sistematização da Assistência de Enfermagem. Enfermagem Perioperatória.
Hemodinâmica
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ABSTRACT
This care practice was developed with the aim to systematize nursing care (SNC), based on
Callista Roy´s benchmark, during the perioperative period, to clients undergo hemodynamic
interventions, including the family in the adaptive process of the client. The technique was
performed in the Hemodynamic Division of a private hospital in the western region of Santa
Catarina, in the period from February 24 to May 19, 2010. The work were followed by 52
clients living in the west and far west of the State, with 31 clients living in Chapecó, that 21
were visited at home. Surgical procedures frequently performed in the sector were:
cineangiocoronariography, angioplasty, angiography (aortic, iliac arteries and arteries of
upper and lower limbs), aortography and electrophysiology studies. The nursing diagnoses
present on all the clients were: lack of knowledge about the surgical procedure related to the
intervention; tissue integrity associated with impaired skin puncture and evidenced by bruises,
rashes, continuity solutions related to the procedure, venous puncture; risk of acute pain
related to peripheral venous access, risk of infection related to surgery, evidenced by the
peripheral venous access; impaired walking and anxiety associated with lack of knowledge
about the procedure. The establishments of setting targets rested on possible delayed reactions
to the injected contrast, monitoring of urine output, vital signs and level of client awareness.
In the nursing activities of post-procedure in interventional cardiology, the focus of attention
was to the possible complications in the client's rest. The intervention plan was to draw up the
priority requirements in order to maintain the limb at rest punctured by promoting hemostasis
of arterial puncture, considering they made for smooth movement in the end of the member.
When the client remained with compression by weight, besides constant evaluation of the
possible presence of bleeding, the patient was instructed to maintain the placement of this on
the puncture site. In the evaluation, a conversation was kept up with the client in the post
procedure and guidelines were made to the families who waited in the waiting room. Before
effecting the discharge, the client received a light diet, and usually at the end of hospital care,
occurred the transmission of guidelines for patient discharge, both to client and his family. In
the visits at home, plus the nice reception, due to the ties established with the client during the
hospital stay, were registered the care provided and the participation of the family, identified
the presence of pain, bruises and the need for further intervention. The NCS applied to clients
admitted on Department of Hemodynamics enable to identify changes in adaptation and client
response to interventions in the perioperative period. The action was not limited to technical
procedures, but to meet clients needs, prioritizing the humanistic oriented action in a
individual way, welcoming him in full.
Key words: Systematize Nursing Care, Perioperative Nursing, Hemodynamic.
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LISTA DE FIGURAS
FIGURA 01 – Marco Conceitual ............................................................................................ 27
8
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 10
1.1 OBJETIVO GERAL .......................................................................................................... 12
1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ............................................................................................ 12
2 REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................................ 13
2.1 SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO CLIENTE EM
MONITORIZAÇÃO HEMODINÂMICA ........................................................................ 12
2.2 A ENFERMAGEM ASSISTINDO A FAMÍLIA ............................................................. 16
2.3 MONITORIZAÇÃO HEMODINÂMICA ........................................................................ 17
2.4 PATOLOGIAS VASCULARES PREDISPONENTES E INTERCORRÊNCIAS
CARDIOVASCULARES QUE NECESSITAM DE MONITORIZAÇÃO
HEMODINÂMICA ........................................................................................................... 19
2.5 INTERVENÇÕES TÉCNICAS MAIS FREQUENTES NO SETOR DE
HEMODINÂMICA DO HOSPITAL ................................................................................ 20
3 REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................................. 23
3.1 BIOGRAFIA, PRESSUPOSTOS E CONCEITOS DE CALLISTA ROY ....................... 23
3.1.1 Investigação ou Avaliação Comportamental .................................................................. 26
3.1.2 Diagnósticos de Enfermagem ......................................................................................... 26
3.1.3 Estabelecimento de Metas .............................................................................................. 27
3.1.4 Planos para Implementação ou Intervenção ................................................................... 27
3.1.5 Avaliação ........................................................................................................................ 27
4 MARCO CONCEITUAL ..................................................................................................... 28
5 METODOLOGIA DA PRÁTICA ASSISTENCIAL ........................................................... 30
5.1 CENÁRIO DA PRÁTICA................................................................................................. 30
5.1.1 Fluxo no Centro Cardiovascular e Hemodinâmica......................................................... 30
5.2 PERFIL DA CLIENTELA ................................................................................................ 31
5.2.1 Perfil dos Clientes do Hospital ....................................................................................... 31
5.3 DESENVOLVIMENTO DA PRÁTICA ASSISTENCIAL .............................................. 32
Objetivo 1 – Implantar o Processo de Enfermagem no perioperatório, de acordo
com a metodologia proposta pela teorista................................................................................32
Estratégia 1.1 - Programar os pressupostos do modelo conceitual de Roy a partir da
realização do processo de enfermagem................................................................................... 33
9
1.1.1 Realização da Investigação Comportamental (Acolhimento) dos Clientes.................... 33
1.1.2 Coleta de Dados do Cliente, Através do Instrumento de Aplicação da SAE ................. 34
1.1.3 Avaliação da Resposta Comportamental como Adaptativa ou Ineficiente .................... 37
1.1.4 Identificação de Estímulos Internos e Externos que Afetam o Comportamento do
Cliente................................................................................................................................. 38
1.1.5 Descrever o (s) Diagnóstico (s) de Enfermagem do Cliente .......................................... 38
1.1.6 Definição, Juntamente com o Cliente, dos Objetivos a serem Alcançados .................... 41
1.1.7 Definição e Realização da Prescrição de Enfermagem .................................................. 41
1.1.8 Estabelecer Metas de Cuidados Pós-alta ........................................................................ 43
1.1.9 Avaliação (Evolução) ..................................................................................................... 45
1.2 Avaliação do objetivo 1 ..................................................................................................... 47
Objetivo 2 – Garantir ações de enfermagem aos familiares durante o processo de adaptação
do cliente submetido ao procedimento intervencionista ......................................................... 48
Estratégia 2.1 Proporcionar a participação dos familiares na execução do plano de
cuidados do cliente e seu familiar. .......................................................................................... 48
2.1.1 Orientação o Familiar Quanto aos Cuidados Domiciliares Necessários ........................ 48
2.1.2 Realização Visita Domiciliar .......................................................................................... 50
2.1.3 Avaliações/Descrições das Visitas Domiciliares ............................................................ 51
2.2 Avaliação do objetivo 2 ..................................................................................................... 53
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................... 55
7 COMPROMISSO ÉTICO .................................................................................................... 57
8 REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 59
9 LISTA DE ILUSTRAÇÕES ............................................................................................... 64
10 APÊNDICES ..................................................................................................................... 69
10
1 INTRODUÇÃO
O presente relatório descreve a prática assistencial de enfermagem realizada para
cumprir os requisitos da disciplina de Enfermagem Assistencial Aplicada II (Estágio
Curricular II), ministrada no nono período do Curso de Enfermagem, da Universidade
Comunitária da Região de Chapecó – Unochapecó. Foi desenvolvida nos meses de fevereiro a
junho de 2010, correspondendo a 240 horas de assistência aos clientes que tiveram
intercorrências cardíacas e vasculares, e submeteram-se a procedimentos no Serviço de
Hemodinâmica de um hospital privado, de um município da região oeste de Santa Catarina.
O objetivo desta disciplina é desenvolver uma prática assistencial de enfermagem,
com fundamentação metodológica e teórica, seguindo as concepções e pressupostos de uma
teorista de enfermagem, de modo a possibilitar aos acadêmicos a aplicação dos
conhecimentos adquiridos no decorrer do curso de graduação.
A temática selecionada foi à aplicação da sistematização da assistência de enfermagem
aos clientes submetidos a procedimentos intervencionistas hemodinâmicos, extensiva aos seus
familiares. A opção por abordar tal assunto ocorreu, levando em consideração os índices
epidemiológicos alarmantes constatados nas fontes de informações oficiais. Observou-se que
as doenças cardiovasculares constituem a principal causa de mortalidade e morbidade no
Brasil e no mundo (BRASIL, 2009).
De acordo com a Organização Mundial da Saúde - OMS (CARDIOVASCULAR,
2009), as doenças cardiovasculares causaram 17,1 milhões de mortes por ano em todo o
mundo, o que, em 2004, representou 29% das mortes globais. Nesse contexto, as doenças do
aparelho cardiocirculatório, embora apresentem queda nos últimos 16 anos, foram
responsáveis por 29,4% dos óbitos em nosso país, em 2006. Tais indicadores geram a
necessidade de os profissionais de enfermagem fundamentar-se quanto aos cuidados
prestados, bem como identificar os fatores predisponentes, que poderão ser prevenidos e
monitorados.
A importância deste trabalho está aliada, também, a implantação recente do serviço de
hemodinâmica e da Sistematização da Assistência de Enfermagem, no hospital em foco. Na
11
busca de referencial para justificar esta prática assistencial, nota-se que não existe na região
estudos sobre o tema.
Em dados disponibilizados pelo DATASUS (MORBIDADE, 2010), para as doenças
registradas no capítulo IX - Doenças do aparelho circulatório do CID 10, no período de março
de 2009 a março de 2010 foram realizadas 1.232.506 internações no Brasil, das quais 32.529
pessoas foram a óbito (2,63%). Em Santa Catarina (MORBIDADE, 2010), das 51.769
internações registradas, 3.351 pessoas foram a óbito (6,47%) por estas causas. Dessas
internações, 24.765 eram clientes do sexo masculino e 27.003 foram do sexo feminino. De
mortalidade encontrou-se 1.697 e 1654 casos, respectivamente. No município de Chapecó,
ocorreram 120 óbitos no mesmo período, registrando um percentual de 50%, se consideramos
o gênero.
A enfermagem deve preparar-se para atender estes clientes, não só pela importância
epidemiológica destes agravos, mas pela necessidade de fundamentar a sua prática, através da
sistematização. Nesse sentido, Roy e Andrews (1991) apud Lopes, Araújo e Rodrigues
(1999), afirmam que o processo de Enfermagem está constituído de fases que podem variar de
acordo com a teoria de Enfermagem a ser adotada.
A busca pela sistematização do conhecimento da enfermagem demanda o uso de uma
teoria que sirva de base para a prática da enfermagem, de modo a ser reconhecida como
ciência. Tannure e Gonçalves (2008) apud Krauzer (2009) apontam que a literatura sobre as
teorias teve grande impulso a partir de 1960, ensejando uma maior reflexão sobre o assunto.
Sendo assim, para a fundamentação teórica desta prática foi selecionada a teorista
Callista Roy. Sua teoria destaca o conceito de adaptação (ROY e ANDREWS apud
GALBREATH, 2000) e pressupõe que os estímulos recebidos pelo cliente são relacionados
em quatro modos de adaptação: fisiológico, autoconceito, função do papel e interdependência.
Esta inter-relação gera respostas que influenciarão o processo de retro alimentação, que torna
cíclico o processo.
Este modelo oferece diretrizes para a enfermeira na aplicação do processo de
enfermagem, que inclui, segundo Galbreath (2000), os seguintes elementos: Investigação
comportamental, Investigação de estímulos, Diagnósticos de Enfermagem, Estabelecimento
de metas, Planos para implementação e Avaliação.
Diante do exposto, considera-se relevante a presença do enfermeiro em serviços
hospitalares de alta complexidade, atuando no desenvolvimento da Sistematização da
Assistência de Enfermagem, embasado em modelo teórico-filosófico, que enfoque o bem
12
estar do cliente e de seu familiar. Igualmente, trata-se, do atendimento da legislação da
Enfermagem brasileira.
1.1 OBJETIVO GERAL
Garantir assistência de enfermagem ao cliente em monitorização hemodinâmica,
extensiva a seus familiares, à luz da teorista Callista Roy.
1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
a)
Implantar o processo de enfermagem no período perioperatório, de acordo com a
metodologia proposta pela teorista;
b)
Garantir ações de enfermagem aos familiares durante processo de adaptação do cliente
submetido ao procedimento intervencionista.
13
2 REVISÃO DE LITERATURA
Para o desenvolvimento deste trabalho, tornou-se necessário a revisão dos
fundamentos teóricos e filosóficos que norteiam a Sistematização da Assistência de
Enfermagem – SAE, identificando como esta deve ser elaborada e quais os passos que devem
ser seguidos, incluindo a visão do cliente como um todo. Abordou-se nesta revisão, a temática
da SAE, a família, o cliente, as principais intercorrências cardíacas que necessitam
intervenção e a monitorização hemodinâmica.
De um modo geral, utilizou-se a palavra cliente para designar o ser humano assistido.
Entretanto foi mantida a palavra paciente quando se referia à citação dos autores.
2.1 SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO CLIENTE EM
MONITORIZAÇÃO HEMODINÂMICA
A Sistematização da Assistência de Enfermagem – SAE teve início com Florence
Nightingale, baseada em uma prática de conhecimento científico. Ela foi à precursora da
enfermagem moderna, no século XIX. Especialmente, a partir da década de 1960, várias
outras teorias foram desenvolvidas com o intuito de organizar a assistência de enfermagem,
fornecendo subsídios para o trabalho e a realização do processo de enfermagem
(KLETEMBERG, 2004).
A SAE recebe várias definições, de acordo com muitos autores e teóricas de
enfermagem. Em cada teoria, ela segue um modelo específico e são fundamentados de acordo
com os conceitos, pressupostos e proposições próprios dessas teorias. Pode ser entendido
como a aplicação prática de uma teoria de enfermagem no cotidiano da assistência de
enfermagem (POKORSKI et al, 2009).
A resolução do Conselho Federal de Enfermagem n. 272/2002 (BRASIL, 2002), diz
que a Sistematização da Assistência de Enfermagem – SAE, sendo atividade privativa do
enfermeiro, utiliza método e estratégia de trabalho científico para a identificação das situações
14
de saúde/doença, subsidiando ações de assistência de Enfermagem que possam contribuir para
a promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde do indivíduo, família e
comunidade, considerando a institucionalização da SAE como prática de um processo de
trabalho adequado às necessidades da comunidade e como modelo assistencial a ser aplicado
em todas as áreas de assistência à saúde pelo enfermeiro.
Considerando importante estabelecer critérios teóricos e metodológicos para
desenvolver uma forma sistematizada do cuidado que deve ser prestado ao ser humano,
família e comunidade, Krauzer (2009) acredita que a valorização do trabalho da enfermagem
passa pela aplicação de uma metodologia.
Neste sentido, Schneider (2008) aponta que o acolher, primeiro momento do método,
permite o encontro, o estar presente, o relacionamento, a criação de vínculo entre a
família/cliente e trabalhadores da saúde gerando relações humanizadas entre quem cuida e
quem é cuidado, pois é uma ferramenta tecnológica imprescindível no cuidado em saúde.
Para Galvão, Sawada e Rossi (2002), o processo de enfermagem é uma atividade
deliberada, lógica e racional, por meio da qual a prática de enfermagem é desempenhada
sistematicamente. Como um método para organização da assistência, essa metodologia
compreende cinco passos inter-relacionados: coleta de dados, diagnóstico, planejamento,
implementação e avaliação.
Outros autores, a exemplo de Pokorski et al (2009) inferem que é necessário seguir
algumas etapas que permitem ver o cliente como um todo: consulta de enfermagem, histórico,
exame físico, diagnóstico de enfermagem, prescrição e evolução de enfermagem.
O planejamento e a implantação da assistência de enfermagem no perioperatório
proporcionará uma assistência integral e individualizada para o paciente cirúrgico e sua
família, possibilitando a implementação de intervenções que atendam às reais necessidades do
paciente, minimizando sua ansiedade e os riscos inerentes ao procedimento anestésico
cirúrgico (GALVÃO, SAWADA e ROSSI, 2002).
Doenges e Moorhouse (1999) citado por Krauzer (2009) enfatizam que o
planejamento escrito e utilizado é capaz de fornecer o rumo e a continuidade do cuidado,
facilitando a comunicação entre os integrantes da equipe. Naturalmente, isso demanda um
tempo maior dedicado ao cuidado, como aponta o estudo, porém, pode determinar uma
assistência mais qualificada.
O processo de enfermagem é um método sistemático e organizado para prestar
cuidados de enfermagem individualizados, enfocando as respostas humanas de uma pessoa ou
grupos, aos problemas de saúde reais ou potenciais. A realização de cada etapa dessa
15
metodologia de assistência implica a prática baseada em evidências, tanto no que se refere aos
dados coletados pelo enfermeiro quanto ao julgamento clínico realizado por esse profissional
para estabelecer os diagnósticos de enfermagem, planejar e avaliar as respostas à assistência
implementada.
Para complementar o exposto, Galdeano, Rossi e Pezzuto (2004) referem que o avanço
da cardiologia gerou maior desenvolvimento e expansão dos cuidados de enfermagem a
pacientes que se encontram no perioperatório cardíaco. Os cuidados de enfermagem passaram
a ser fundamentais para a recuperação do paciente, pois esta vem aprimorando seus
conhecimentos e propondo novas alternativas de assistência, desenvolvendo uma metodologia
própria de trabalho, fundamentada no método científico, isto é, fundamentada no processo de
enfermagem. A identificação dos diagnósticos de enfermagem possibilita o conhecimento das
respostas humanas alteradas, contribuindo para o desenvolvimento de intervenções
direcionadas e individualizadas.
A responsabilidade da enfermagem antes da realização dos procedimentos
intervencionistas, para Smeltzer e Bare (2005), consiste em: instruir ao cliente a não ingestão
de alimentos por 8 a 12 horas; solicitar acompanhante ou responsável para a alta do cliente
externo; orientar o cliente para a duração esperada do procedimento; e durante a realização
deste, ele deve estar preparado para experimentar determinadas sensações (como calor na
injeção de contraste), poderá sentir palpitações; ser solicitado a tossir e a respirar
profundamente; encorajar o cliente a expressar os medos e ansiedades; fornecer o ensino e a
tranquilização para reduzir a apreensão.
Estas autoras também alertam para a responsabilidade da enfermagem após
procedimentos, como: observar o acesso do cateter quanto a sangramento ou formação de
hematoma; avaliar os pulsos periféricos no membro afetado a cada 15 minutos durante a
primeira hora e depois, a cada uma e duas horas até que os pulsos estejam estáveis; avaliar a
temperatura e a coloração do membro afetado e qualquer queixa de dor, dormência ou
formigamento do cliente para determinar os sinais de insuficiência arterial; reportar as
alterações de imediato; monitorar quanto a disritmia; observar o monitor cardíaco ou avaliar
os pulsos apical e periférico para as alterações na freqüência rítmica; informar ao cliente que o
procedimento foi realizado por via percutânea, através de artéria femural, radial ou braquial;
manter em repouso no leito por duas a seis horas, com o membro reto e imóvel e a cabeceira
elevada; instruir o paciente no sentido de avisar imediatamente a dor torácica e o sangramento
ou desconforto súbito a partir dos locais de inserção do cateter; incentivar ingesta hídrica para
16
aumentar o débito urinário e eliminar o contraste; garantir a segurança ao cliente ao levantar
pela primeira vez do leito após o procedimento.
Orientações para a alta e cuidados domiciliares, segundo Smeltzer e Bare (2005):
durante as primeiras 24 horas o cliente não deve realizar esforços ou levantar objetos pesados;
conversar com o médico assistente sobre quando poderá retornar ao trabalho, dirigir veículos,
ou retornar as atividades extenuantes; comunicar ao médico quando ocorrer sangramento,
inchaço, nova equimose ou dor a partir do local da punção e temperatura acima de 38,6ºC;
orientar a conversa com médico assistente e enfermeira sobre alterações no estilo de vida para
diminuir o risco de problemas cardíacos adicionais ou futuros (abandono do fumo, diminuição
do colesterol; iniciar alterações na dieta; começar um programa de exercícios ou de perda de
peso).
A SAE aplicada no setor de Hemodinâmica proporciona ao enfermeiro a possibilidade
de identificar qualquer alteração que venha a prejudicar a adaptação do cliente no período
perioperatório. Pois a ação do enfermeiro não se limita aos procedimentos técnicos, mas em
atender as necessidades do cliente, priorizando a ação humanística voltada para o indivíduo,
acolhendo-o de forma integral.
2.2 A ENFERMAGEM ASSISTINDO A FAMÍLIA
A família ocupa um papel importante na recuperação do cliente e, muitas vezes, suas
necessidades são desconhecidas pelo enfermeiro (LESKE e MOLTER apud MORGON e
GUIRDARELLO, 2004).
Para Smeltzer e Bare (2005) uma avaliação da estrutura da família (membros, idades,
papéis), padrões de comunicação e a presença ou não de um sistema de apoio é uma parte
integrante do perfil do cliente. Afirmam que o apoio familiar promove a saúde e é visto como
um fator crítico na adaptação às situações de crise e doença, independente das necessidades de
cada cliente.
As necessidades são caracterizadas por Neabel, Fothergill-Bourrbonnais e Dunning
apud Morgon e Guirdarello (2004), como situações ou eventos de caráter físico e emocional,
que podem ser vivenciadas por familiares de pacientes com uma doença grave e inesperada,
que uma vez hospitalizados podem acarretar um desequilíbrio na estrutura familiar. Essas
necessidades podem ser exemplificadas por situações ou eventos como: saber quem pode dar
17
informação ao familiar, sentir que há esperança de melhora, saber qual tratamento médico está
sendo dado e ter orientações gerais sobre a internação, na primeira visita.
Morgon e Guirdarello (2004) referem que a enfermagem está em uma posição singular
para identificar essas necessidades, de maneira a implementar uma assistência com qualidade,
entendendo-se que a assistência ao cliente deve estender-se, também, ao seu familiar.
Os autores supracitados declaram que é muito difícil para os familiares, com pouca ou
nenhuma experiência, estar adequadamente preparados para uma situação de doença
inesperada, quando necessitam tomar decisões com relação ao cuidado de seu familiar,
contribuindo para que o impacto cumulativo de uma doença possa resultar no rompimento das
atividades diárias dos familiares.
Frente ao exposto, torna-se necessário a enfermagem manter uma relação efetiva com
o familiar ou acompanhante do cliente, assistido no perioperatório, estabelecendo vínculo,
disponibilizando informações e garantindo a atenção para que o familiar forneça suporte ao
cliente hospitalizado, e tenha apoio da enfermagem quando precisar. A família, neste período,
deve aprender ações de educação em saúde, auxiliando a minimizar os desconfortos referidos
pelo cliente na fase de recuperação.
2.3 MONITORIZAÇÃO HEMODINÂMICA
A cardiologia intervencionista teve seu início no ano de 1905, quando Fritz
Bleichroeder, ao dissecar as próprias veias, introduziu um cateter próximo ao coração sem
intercorrências. Em 1929, Waerner Forssman realizou o primeiro cateterismo cardíaco
utilizando o método de fluoroscopia. A primeira angiografia data de 1937, e em 1950 foi
realizado o primeiro cateterismo retrógado (CUNHA, 2007).
As contribuições da hemodinâmica e do cateterismo cardíaco têm sido significativos
no Brasil, desde 1946. No ano de 1966, o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São
Paulo, realizava a primeira cinecoronariografia no Brasil. Em 1971, pela primeira vez no
mundo, também no Brasil, Galiano e cols, realizaram uma recanalização mecânica de
coronária, passando um cateter diagnóstico de Sones por um trombo oclusivo localizado numa
coronária direita, melhorando o paciente que se encontrava em choque cardiogênico. A partir
da década de setenta houve uma verdadeira explosão de centros diagnósticos no Brasil, sendo
marcado como a década de desenvolvimento desta área (CUNHA, 2007).
18
Em 1979, foi realizada a primeira angioplastia coronariana em Curitiba - PR, por
Costantino Costantini e cols, utilizando a técnica original de Gruentzig num paciente de 55
anos. Em 1981, iniciava-se a reperfusão coronariana no infarto agudo do miocárdio, com
injeção intracoronariana de estreptoquinase, em 1982, Carlos Gottschall e cols. apresentaram
o primeiro caso brasileiro, com sucesso, de recanalização por angioplastia de coronária
cronicamente concluída. Em 1983, foi efetivada pela primeira vez no Brasil, por Valmir F.
Fontes e cols, uma valvuloplastia pulmonar para tratamento da estenose pulmonar congênita
(CUNHA, 2007).
A partir da metade da década de oitenta, generalizou-se o uso da angioplastia
coronariana para recanalização mecânica e tratamento da fase aguda do infarto do miocárdio e
a realização de angioplastias de múltiplos vasos. Em 1986, Eduardo Souza e cols implantaram
pela primeira vez no Brasil, com sucesso, um stent de Palmaz-Schatz (CUNHA, 2007).
A radiologia intervencionista comporta intervenções diagnósticas e/ou terapêuticas
guiadas por acesso percutâneo ou outro acesso, executadas geralmente sob anestesia local
e/ou sedação, usando a imagem fluoroscópica para localizar a lesão ou o local de tratamento,
tendo a fluoroscopia as funções principais de monitorar o procedimento e controlar e
documentar a terapia (LUZ et al, 2007).
O aumento das doenças cardiovasculares contribuiu para o aprimoramento de estudos
realizados em laboratórios de hemodinâmica, como: cateterismo cardíaco, angioplastia
coronária com balão, com stent, aterectomias, valvoplastias com balão e atrioseptostomia,
dentre outros, abrindo caminhos fundamentais para estudos de anatomia, fisiologia, etiologia
e quadro clínico das doenças coronarianas, consideradas, uma epidemia, pelo número
crescente (FREITAS, OLIVEIRA, 2006).
Estes procedimentos são plenamente justificáveis, tanto para os clientes quanto para o
sistema de saúde, pois substitui cirurgias complicadas por procedimentos médicos mais
simples, diminuindo o risco, o tempo de internação para o cliente e o custo total do
procedimento (SILVA et al, 2008).
O serviço de hemodinâmica está em uma evolução contínua onde não apenas a equipe
médica se faz necessária, mas a equipe de enfermagem participa ativamente nesse serviço, ao
procurar saber a função da enfermagem no setor de hemodinâmica verifica-se que há poucos
estudos e que as graduações não contemplam, em sua grade curricular, este assunto.
Para Vieira et al (2009) o enfermeiro tem
a responsabilidade em gerenciar a equipe, que muitas vezes não
se limita somente à enfermagem, mas também a outros
profissionais como equipes da radiologia, médica, secretárias,
19
higiene e limpeza e da nutrição dietética. Outro grande desafio
é como manter equipe motivada e atualizada e ao mesmo
tempo gerenciar os recursos materiais.
O enfermeiro hemodinamicista precisa estar em constantes capacitações para poder
atender um setor de alta complexidade.
2.4 PATOLOGIAS VASCULARES PREDISPONENTES E
CARDIOVASCULARES
QUE
NECESSITAM
DE
HEMODINÂMICA
INTERCORRÊNCIAS
MONITORIZAÇÃO
Entende-se a arterioesclerose como a doença mais comum das artérias. Para Smeltzer
e Bare (2005) é um processo difuso por meio da qual as fibras musculares e o revestimento
endotelial das paredes das pequenas artérias e arteríolas tornam-se espessadas.
A doença das artérias periféricas - DAP ou arteriosclerose obliterante é a causa mais
comum da obstrução sintomática da árvore arterial periférica, a base fisiopatológica é a
mesma da arteriosclerose coronária (TOPOL, 2005)
A aterosclerose envolve um processo diferente, afetando a camada íntima das artérias
de grande é médio calibre. Essas alterações consistem no acúmulo de lipídios, cálcio,
componentes sanguíneos, carboidratos e tecidos fibrosos na camada íntima da artéria
(SMELTZER e BARE, 2005).
Outra patologia comum é a doença arterial periférica oclusiva caracterizada como
insuficiência arterial dos membros. As lesões obstrutivas são predominantemente confinadas
aos segmentos do sistema arterial que se estendem desde a aorta, abaixo as artérias renais, até
a artéria poplítea. Smeltzer e Bare (2005) afirmam que a doença oclusiva distal é
frequentemente notada nos clientes com diabetes mellitus e nos idosos.
Têm-se a ocorrência de trombose e embolia arterial que é caracterizada pela oclusão
vascular aguda que pode ser causada por um êmbolo ou trombose aguda. As oclusões arteriais
agudas podem resultar da lesão iatrogênica, a qual pode acontecer com a inserção de cateteres
invasivos, como trauma decorrente de fratura, lesão por esmagamento e feridas penetrantes
que rompem à camada íntima da artéria (SMELTZER e BARE, 2005).
Encontram-se, ainda, como intercorrências cardiológicas, as disritmias que
compreendem qualquer anormalidade ou alteração na seqüência de ativação normal do
miocárdio. Para Smeltzer e Bare (2005) as disritmias incluem as disritmias do nódulo sinusal,
20
atriais, juncionais e ventriculares e suas subcategorias, e podem alterar, além do traçado no
eletrocardiograma, o ritmo e a condução de impulsos cardíacos. Nesse sentido, elas podem
ocorrer a partir de um impulso com freqüência diferente ao normal do nódulo sinusal
(disritmias do nódulo sinusal), ou quando os impulsos ocorrem no átrio causando ritmos
diferentes ao miocárdio (disritmias atriais), podem ocorrer em nível de nódulo átrio
ventricular (disritmias juncionais) e quando o impulso tem origem em um ventrículo,
alterando ritmo e freqüência cardíaca.
O infarto agudo do miocárdio para Goldman e Ausiello (2005), é uma necrose do
miocárdio causada pela isquemia, uma condição caracterizada pela obstrução por coágulos e
rompimento das artérias coronárias gerando redução do fluxo sanguíneo e morte do tecido
cardíaco. A angina pectoris caracteriza-se como uma dor no peito devida ao baixo
abastecimento de oxigênio ao músculo cardíaco; geralmente, é devida à obstrução ou
espasmos das artérias coronárias. As doenças nas artérias coronárias, principal causa de
angina, são devidas à aterosclerose nas artérias cardíacas (GOLDMAN e AUSIELLO, 2005).
Os autores descrevem ainda a ocorrência de doenças valvares que causam estenose
valvar com obstrução do fluxo anterógrado ou insuficiência valvar com fluxo retrógrado. Para
eles a estenose valvar impõe uma sobrecarga de pressão sobre o ventrículo esquerdo ou
direito, pois essas câmeras precisam gerar uma pressão acima do normal para superar a
obstrução de modo de bombear para frente. O que impõe ainda em uma sobrecarga de volume
ao coração que precisa bombear um volume adicional para recompensar o que é regurgitado
Embolia pulmonar segundo Goldman e Ausiello (2005), refere-se à obstrução da
artéria pulmonar ou um de seus ramos por um trombo (ou trombos) originado em algum local
no sistema venoso ou no lado direito do coração. Os trombos podem ser coágulos sanguíneos,
aéreos, gordurosos, liquido amniótico e séptico. É um distúrbio comum, frequentemente
associado ao trauma, cirurgia, gestação, insuficiência cardíaca, idade acima de 50 anos e
imobilidade prolongada.
2.5 INTERVENÇÕES TÉCNICAS
HEMODINÂMICA DO HOSPITAL
MAIS
FREQUENTES
NO
SETOR
DE
Este hospital está capacitado para realizar cateterismo cardíaco, angioplastia,
angiografia, aortografia, eletrofisiologia e ablação, dissecção de aorta, inserção de marca-
21
passo e destruição de ateromas. Durante a prática acompanharam-se os seguintes
procedimentos, realizados na Hemodinâmica.
O cateterismo cardíaco ou cineangiocoronariografia é um procedimento diagnóstico
invasivo durante o qual cateteres arteriais e venosos radiopacos são introduzidos em vasos
sanguíneos dos lados direito e esquerdo do coração, é empregado para diagnosticar a doença
arterial coronariana - DAC, avaliar a permeabilidade da artéria coronária e determinar a
extensão da aterosclerose com base no percentual de obstrução da artéria coronária.
A angioplastia consiste da passagem de um fio guia na luz da artéria coronária que
uma vez posicionado na porção média da lesão é injetado contraste radiográfico, por esse
mesmo guia são introduzidos materiais terapêuticos como balões infláveis, stents e cateteres
de aterectomia são passados para dentro do segmento (GOLDMAN e AUSIELLO, 2005).
No Laboratório de Hemodinâmica foram realizadas as seguintes angioplastias durante
a prática:
a)
A angioplastia renal, que segundo Cunha et al (2007) foi realizada pela primeira vez
em 1978 e vem sendo usada com bons resultados no tratamento da estenose renal, no
tratamento da hipertensão renovascular, para preservação da função renal e de flash de
edema pulmonar.
b)
Angioplastia de carótida, sendo indicadas para clientes sintomáticos que apresentam
alto risco cirúrgico, cirurgias prévias na região do pescoço, lesões na carótida comum
intratorácica e bifurcação extremamente alta da artéria carótida (CUNHA et al, 2007).
Também são realizadas angioplastias de membros inferiores e das veias ilíaca;
c)
A angiografia é considerada, por Cunha et al, (2007), como padrão ouro clínico para
diagnóstico de doença arterial coronária, e por ser um procedimento invasivo com
riscos potencialmente graves deve ser realizado somente por profissionais capacitados.
Para o autor, a geração de imagem é semelhante ao do cateterismo cardíaco e sua
sensibilidade de revelar as irregularidades da luz do vaso é extremamente alta e
permite apontar a presença de obstruções arteriais;
d)
A aortografia é uma técnica descrita por Seldinger, em 1953, realizada por via
femoral em que é introduzido um cateter do tipo pigtail, inicialmente na raiz da aorta
e, a seguir no nível do diafragma para estudar a aorta abdominal (CUNHA et al,
2007). A aortografia é realizada com a injeção rápida de um grande volume de
contraste radiográfico na aorta, para avaliar: a competência da valva aórtica, a
anatomia da porção proximal da aorta e dos grandes vasos que suprem a cabeça e o
22
pescoço, e, ocasionalmente, a presença de anastomoses de enxerto de derivação que
foram impossíveis de canular seletivamente (TOPOL, 2005);
e)
A arteriografia coronária é empregada para avaliar o grau de arteriosclerose e orientar
a seleção do tratamento, ela também é utilizada para estudar a suspeitas de anomalias
congênitas das artérias coronárias (SMELTZER e BARE, 2005);
f)
O marca-passo temporário é um dispositivo eletrônico que fornece estímulos elétricos
para o músculo cardíaco. Em geral, o marca-passo é usado quando o cliente apresenta
uma formação de impulso menor que o normal ou distúrbio de condução que causa os
sintomas, também pode ser utilizado para controlar algumas taquidisritimias quando
não responde ao tratamento farmacológico. O marcapasso biventricular pode ser usado
para tratar insuficiência cardíaca avançada que não responde a terapia medicamentosa
(SMELTZER e BARE, 2005);
g)
A embolização ateromatosa refere-se à embolização de cristais de colesterol ou de
agregado de plaquetas e fibrina nas extremidades de um ou mais órgãos. Os êmbolos
ateromatosos geralmente originam-se de placas ateroscleróticas ulceradas ou
estenóticas ou aneurismas que se encontram primeiramente na aorta torácica ou
abdominal, artéria ilíaca ou carótida (GOLDMAN e AUSIELLO, 2005).
23
3 REFERENCIAL TEÓRICO
Este referencial teórico traz informações sobre a teoria de Callista Roy, que serviu de
base para a proposta de implantação desta prática assistencial. Consta da biografia sucinta da
autora, seus principais conceitos e pressupostos e a proposta de processo de enfermagem.
Na revisão de literatura, aponta-se que a nomenclatura SAE tem várias conotações,
entretanto, neste trabalho optou-se pelo uso da SAE e Processo de Enfermagem como
nomenclaturas sinônimas.
3.1 BIOGRAFIA, PRESSUPOSTOS E CONCEITOS DE CALLISTA ROY
Sister Callista Roy, membro da Congregação das Irmãs de São José de Carondelet,
nasceu em 14 de outubro de 1939, em Los Angeles, Califórnia. Em 1963, recebeu o título de
Bacharel em Artes na Enfermagem pela escola de Mount Saint Mary, em Los Angeles e, em
1966 o título de mestre de Ciências na Enfermagem pela Universidade da Califórnia, Los
Angeles (UCLA). Após concluir o curso de Enfermagem, estudou sociologia e recebeu, em
1973, o título de mestre em sociologia, e, em 1977, o de doutora em sociologia pela mesma
universidade (LEOPARDI, 2006).
O seu modelo conceitual foi desenvolvido quando cursava mestrado em Ciências na
Enfermagem, durante a participação em um seminário com Dorothy E. Johnson. Ela admitiu
que o conceito de adaptação pudesse constituir-se num eixo orientador da prática da
enfermagem. Segundo Mass (2006) tinha como objetivo desenvolver uma teoria que
demonstrasse o impacto da enfermagem no estado de saúde da população.
Silva (2009) destaca que Roy se apoiou nas abordagens do filósofo Von Bertalanffy,
sobre a Teoria Geral dos Sistemas e de Harry Helson sobre a Teoria do Nível de Adaptação
para escrever seus pressupostos, e como Borck (2007) complementa, seu marco filosófico é
pautado numa visão holística e humanística.
24
A teoria de Roy contém ainda pressupostos teóricos que abordam a dignidade dos
seres humanos e o papel do enfermeiro na promoção da integridade na vida e na morte
(LEOPARDI, 2006). Enfermeiro e o cliente devem esclarecer o que perturba esta adaptação
para escolher as ações mais adequadas.
Quanto aos seus principais conceitos, a teorista compreende meio ambiente como o
mundo interno e aquele ao redor da pessoa como um sistema adaptativo. De acordo com o
modelo, os sistemas humanos interagem com as mudanças ambientais e em conseqüência
resultam respostas adaptativas a esse ambiente (RODRIGUES, PAGLIUCA e SILVA, 2004).
A pessoa, para Galbreath (2000), é identificada como um receptor de cuidados de
enfermagem. Pode ser um indivíduo, uma família, comunidade ou a própria sociedade. Cada
um é considerado um sistema adaptativo holístico. Esse sistema fica melhor contextualizado
quando combina os conceitos de sistema e de adaptação.
É importante destacar que Roy conceitua sistema como aplicado a um indivíduo. Na
perspectiva holística, segundo Galbreath (2000), os aspectos individuais agem em conjunto
para formar um ser unificado, em constante interação com seu ambiente. As características de
um sistema incluem, ainda: entradas, saídas, controle e retro alimentação (feedback).
Adaptação representa o sistema adaptativo da pessoa, o qual possui entrada de
estímulos e nível de adaptação, saída como respostas comportamentais que servem como retro
alimentação e processos de controle conhecidos como mecanismos de enfrentamento (ROY e
ANDREWS, 1991, apud GALBREATH, 2000). As entradas podem vir do ambiente externo e
da pessoa.
Para Guimarães apud Silva (2009); Leopardi (2006); Galbreath (2000); Freitas e
Oliveira (2006), a teorista descreve três tipos de estímulos significativos em toda a adaptação
humana, que levam a pessoa à necessidade de ter respostas:
a)
Focais – são responsáveis diretos e imediatos pela produção de situações na vida do
indivíduo, ou seja, confrontam imediatamente a pessoa. Estão ligados a sentimentos e
sensações de dor ou perda, separação, entre outros;
b)
Contextuais – todos os outros estímulos, internos ou externos, que influenciam de
forma positiva ou negativa determinada situação; Como o próprio nome sugere
(SILVA, 2009) são todos os outros estímulos envolvidos na situação que contribuem
para o efeito do estímulo focal;
c)
Residuais – atitudes e experiências prévias, são as influências internas e externas que
já ocorreram na vida da pessoa e cujos efeitos na situação atual podem não ser
discernidos com muita clareza.
25
Saúde para Roy é um conceito associado aos outros dois anteriores, tendo em vista
que esta depende da adaptação da pessoa ao ambiente que está constantemente em mudança.
É um processo como um estado de ser e tornar-se uma pessoa integrada e total
(RODRIGUES, PAGLIUCA e SILVA, 2004). A saúde é o estado de adaptação que é
manifestado na energia que é liberada para lidar com estímulo. É um processo de promoção
da integridade.
Enfermagem é a ciência prática de expandir habilidades adaptativas para
transformação da pessoa e do meio ambiente. Silva (2009) descreve que a enfermagem se
esforça para manter as respostas adaptativas, apoiando a pessoa para enfrentar a situação. O
objetivo da enfermagem, então, é promover a adaptação de indivíduos e grupos, nos quatro
modos de adaptação, contribuindo para a saúde, qualidade de vida e com o morrer com
dignidade. Isto é feito pela compreensão dos comportamentos e fatores que influenciam as
habilidades adaptativas e pela intervenção para expandir tais habilidades na interação com o
meio.
Neste enfoque, o objetivo principal de enfermagem é a promoção da adaptação do
cliente nos quatro modos adaptativos, que são segundo Leopardi (2006) e Monge (2008):
a)
O Modo Adaptativo Fisiológico, que compreende as respostas físicas aos estímulos e
as manifestações das atividades fisiológicas; contempla cinco necessidades básicas
(oxigenação, eliminação, nutrição, atividade e repouso e integridade da pele) e os
processos de regulação (sentido, hidroeletrolítico, função endócrina e função
neurológica);
b)
O Modo Adaptativo de Auto Conceito ou Identidade Grupal, onde são
considerados os aspectos psicológicos, morais e espirituais da pessoa. É o conjunto de
crenças, valores, convicções e sentimentos de uma pessoa em determinado momento.
Se expressa por integridade psíquica, o „eu‟ físico, o „eu‟ consistente, o „eu‟ esperado,
além de aprendizagem e auto-estima;
c)
Modo Adaptativo de Função do Papel ou de desempenho de papel é de natureza
social e compreende os papéis que a pessoa desempenha na sociedade;
d)
Modo Adaptativo de Interdependência, segundo o modelo de Roy, descrito por
Rodrigues, Pagliuca e Silva (2004), é definido como relações estreitas entre as
pessoas. Estas relações envolvem o querer e habilidade de amar, respeitar e valorizar,
aceitar e responder ao amor, respeito e valor dados por outros. É um modo social
porque suas necessidades são satisfeitas através da interação social. De acordo com o
modelo de Roy, as necessidades interdependentes são atendidas através de
26
relacionamentos com outros. Relações com diferentes pessoas têm diferentes
significados para o indivíduo.
O modelo Roy oferece diretrizes para a enfermeira na aplicação do processo de
enfermagem, que propicia a avaliação do nível adaptação do indivíduo (SILVA, 2009), e
compreende as fases citadas a seguir, conforme Galbreath (2000); Monge (2008) e Silva
(2009):
Investigação ou Avaliação Comportamental
A investigação comportamental é a fase onde são coletados os dados, nada mais do
que a realização da entrevista (MONGE, 2008). É apresentada em dois tipos de avaliação,
segundo Silva (2009): na primeira, a enfermeira realiza a coleta de respostas ou de
comportamentos de saída da pessoa, em relação a cada um dos modos adaptativos.
Na segunda, observa se existe uma resposta comportamental adaptativa ou ineficiente.
Nesta avaliação, conforme descreve Roy apud Silva (2009) importam os dados referentes aos
estímulos presentes, que podem afetar a adaptação da pessoa.
Diagnósticos de Enfermagem
Roy propõe três métodos para realizar o diagnóstico de enfermagem, descritos a seguir
conforme Silva (2009) e Galbreath (2000). O primeiro é o diagnóstico por levantamento de
problemas, onde há o uso de uma tipologia de diagnóstico (criada pela própria teorista) que
relaciona os quatro modos adaptativos.
O segundo faz um diagnóstico relatando a resposta observada de modo conjunto aos
estímulos mais influentes. No terceiro, ocorre um resumo das respostas em um ou mais modos
adaptativos relacionados com o mesmo estímulo.
Utilizando qualquer um desses métodos, Monge (2008) reforça que o enfermeiro
consegue traçar um plano de cuidados para a pessoa.
27
Estabelecimento de metas
As metas são os comportamentos finais que a pessoa deve atingir. São registradas
como comportamento do cliente indicativos de resolução do problema de adaptação. Para
Monge (2008), inclui mudanças esperadas e a estrutura de tempo pode ser longo ou curto
prazo. Sempre que possível, elas são estabelecidas mutuamente com a pessoa, respeitando os
privilégios e os direitos do indivíduo.
Planos para Implementação ou Intervenção
As intervenções de enfermagem são planejadas com a finalidade de alterar ou
controlar os estímulos focais ou contextuais. A implementação também pode focar a
ampliação da capacidade de enfrentamento da pessoa ou seu nível de adaptação, de forma que
os estímulos totais permaneçam na capacidade de adaptação.
Para Roy (1984) apud Borck (2007), inclui a seleção e aplicação de atividades ou
cuidados de enfermagem para promover a adaptação, modificando os estímulos ou fatores
influentes no fortalecimento dos processos de enfrentamento.
Avaliação
É a readaptação das metas e das intervenções, feita com base nos dados de adaptação.
Também denominado Evolução, para Oliveira et al (2002) é feito o julgamento da eficácia da
intervenção de enfermagem, em relação ao comportamento do sistema humano. Para Roy
(1984) apud Borck (2007) esta avaliação realiza-se com a pessoa, analisando o alcance das
metas propostas.
28
4 MARCO CONCEITUAL
Figura 01 – Marco Conceitual.
O desenvolvimento deste marco conceitual inicia com a fala do Dr. Adair Soares dos
Santos, em 2009, reafirmada em 2010 (CONGRESSO, 2010), que apresenta o Homem
Vitruviano de Da Vinci como um “ser que possui ciclos”. Encontra-se uma representação
visual para o Cliente (que em Roy pode ser a pessoa, a família ou a comunidade) que se
29
localiza no centro de um meio holístico e seus aspectos individuais agem em conjunto para
formar um ser unificado, em constante interação com seu ambiente.
O cliente manifesta sua adaptação em quatro modos: o fisiológico, que são as
respostas aos estímulos do ambiente; o autoconceito, que são as crenças e sentimentos que
possui sobre si mesmo; o de desempenho de papéis, onde é identificada a interação social da
pessoa; e por fim o de interdependência, que envolve a interação com outras pessoas,
focalizando os relacionamentos íntimos.
Neste processo, a enfermagem fornecerá suporte para o processo adaptativo, avaliando
estímulos (focais, contextuais e residuais) que geram respostas e a retro alimentação
(feedback). O meio ambiente, pode ser o mundo interno e aquele ao redor do Cliente, é
presença constante na adaptação, com o qual é preciso interagir, e a saúde, depende da
adaptação da pessoa e é manifestado na energia liberada para lidar com o estímulo. Tudo está
interligado e em ciclo.
30
5 METODOLOGIA DA PRÁTICA ASSISTENCIAL
5.1 CENÁRIO DA PRÁTICA
Esta prática assistencial realizou-se com clientes internados no hospital da Unimed de
Chapecó que se submeteram as intervenções cardiovasculares, no período de fevereiro a junho
de 2010.
A Unimed Chapecó – Cooperativa de Trabalho Médico da Região Oeste Catarinense
foi criada e constituída legalmente no ano de 1992, com 86 médicos sócios fundadores. Foi
inaugurado em dezembro de 1998, nas antigas instalações do Hospital Santo Antonio, após
reforma e reestruturação. Atualmente, disponibiliza 78 leitos de internação, dispõe de 208
médicos associados e cerca de 547 colaboradores.
Fundada, em 1975, a Confederação Nacional das Cooperativas Médicas - Unimed do
Brasil tem como missão “representar, integrar e orientar a atuação das cooperativas médicas e
empresas do Sistema, defendendo, fortalecendo e consolidando a marca Unimed” (UNIMED,
2001). Possui ainda os seguintes valores: adesão e desligamento livres e espontâneos; gestão
democrática e voto singular; neutralidade política, religiosa, social e racial; participação
proporcional nos resultados, positivos ou negativos; e incentivo à educação e à integração
cooperativista.
5.1.1 Fluxo no Centro Cardiovascular e Hemodinâmica
O Centro Cardiovascular e Hemodinâmico é um serviço recentemente disponibilizado
pelo hospital à comunidade de Chapecó e região. O primeiro atendimento no Centro foi
realizado em maio de 2008 (UNIMED, 2010). Está localizado dentro do centro cirúrgico (CC)
do hospital e são disponibilizados cinco leitos da recuperação para atender os clientes no pós operatório.
31
Este centro atende, em média, 60 clientes por mês. É um serviço avançado de
tecnologia complexa. Compreende, além dos equipamentos, uma equipe especializada,
formada por médicos hemodinamicistas e equipe de enfermagem capacitada em
procedimentos intervencionistas. Os procedimentos mais frequentemente realizados são os
cateterismos cardíacos ou cineangiocoronariografia e as angiografias e angioplastias
periféricas (membros inferiores, aorta, carótidas).
O fluxo de atendimento ocorre quando o cliente, ao chegar para realizar o
procedimento, é recepcionado no vestiário do Centro Cirúrgico, pela secretária do centro,
onde esta realiza uma breve entrevista, registra altura e peso do cliente e o encaminha para a
troca da roupa. Na seqüência este é encaminhado para a Sala de Recuperação Pós-Anestésica
(SRPA) onde é preparado e recebe orientações sobre o procedimento. Em seguida, ele será
encaminhado para sala de hemodinâmica e ao término do procedimento retorna para o mesmo
local.
A permanência na sala de recuperação depende do procedimento que o mesmo
realizou e o local da punção. Clientes externos permanecem em recuperação em média de três
a oito horas. Caso, o cliente tenha como orientação médica ficar em observação, devido o
procedimento, a permanência no hospital é de 24 à 48 horas e não há no hospital uma unidade
específica para receber esses clientes.
A equipe de profissionais está dividida em cardiológica, formada por quatro médicos
intervencionistas, onde um exerce a função de coordenação do setor e uma equipe vascular
composta por dois médicos. O corpo de enfermagem é composto por uma enfermeira, que
também exerce função de coordenação do bloco cirúrgico, juntamente com a hemodinâmica e
duas técnicas de enfermagem.
5.2 PERFIL DA CLIENTELA
5.2.1 Perfil dos Clientes do Hospital
O Centro Cardiovascular Unimed atende clientes particulares e convênios de toda a
região oeste e extremo oeste catarinense, prevalecendo o sexo masculino. A faixa etária dos
clientes que realizam procedimentos está descrita no gráfico a seguir:
32
Percebe-se que o número maior de atendimentos ocorreu com clientes com a faixa
etária a partir dos 60 anos, que vem de encontro com a justificativa de Caetano et al (2008)
sobre a necessidade de avaliar periodicamente os idosos, no intuito de detectar problemas de
saúde e fatores de risco relacionados com as alterações cardiovasculares. Entre esses fatores,
as autoras destacam: a idade, o sexo, a raça, os antecedentes familiares, a hipertensão arterial,
a obesidade, o estresse, a vida sedentária, o álcool, o tabaco, os anticoncepcionais, a
alimentação rica em sódio e gordura. Fatores aos quais foi dedicada atenção especial durante
toda a prática assistencial.
Dos 52 clientes atendidos durante a prática, 31 residiam no município de Chapecó,
enquanto o restante residia na região. A grande maioria declarou ter vindo ainda criança do
Rio Grande do Sul para uma região que era considerada promissora e não querem mais voltar
para terra natal. Quanto ao estado civil, 36 clientes são casados, sete são viúvos, seis
divorciados e três solteiros. No quesito escolaridade, 34 clientes possuem ensino fundamental
incompleto, dez, o ensino médio completo e oito completaram o ensino superior. Quanto à
ocupação, dez são comerciantes, doze exercem outra ocupação e trinta deles são aposentados.
5.3 DESENVOLVIMENTO DA PRÁTICA ASSISTENCIAL
Objetivo 1 – Implantar o Processo de Enfermagem no perioperatório, de acordo com a
metodologia proposta pela teorista.
33
O processo de Enfermagem, de acordo com Lopes, Araújo e Rodrigues (1999)
necessitam de constante avaliação e se faz necessário, na medida em que o avançar da
profissão exige a análise de seu desempenho diário, objetivando a melhoria da mesma. Além
do trabalho processual, o uso de teorias que visam definir a enfermagem enquanto ciência
apresenta-se como necessária para compreender questões inerentes ao cliente, ao ambiente, e
à meta da enfermagem. Questões estas que são fundamentais para o desenvolvimento de um
cuidado de qualidade.
Este primeiro objetivo da prática assistencial foi desenvolvido através de uma
estratégia, didaticamente dividida em nove ações que são descritas a seguir.
Estratégia 1.1
Programar os pressupostos do modelo conceitual de Roy a partir da realização do processo de
enfermagem.
A proposta de processo de Sister Callista Roy (ROY & ANDREWS, 1991 apud
LOPES, ARAÚJO E RODRIGUES, 1999) inclui as seguintes fases: Avaliação de
comportamento, Avaliação de estímulos, Diagnóstico de Enfermagem, Estabelecimento de
Metas, Intervenção, e Avaliação. Nesta prática, as duas primeiras etapas constituem o
levantamento de dados, considerando que este é um passo necessário para a delimitação de
diagnósticos de Enfermagem. Na seqüência desse processo, são realizadas as intervenções de
enfermagem, a avaliação e posterior orientação de alta, para que o cliente retorne ao lar
seguro dos cuidados necessários para sua melhora e retorno às atividades diárias.
Para atender a este objetivo, optou-se por descrever as ações realizadas em cada uma
das fases do modelo de Roy.
1.1.1 Realização da Investigação Comportamental (Acolhimento) dos clientes
34
O momento que antecede o procedimento é muito importante na investigação do
cliente. Este se encontra com a atenção voltada para o ambiente, para a atitude dos
profissionais que o acompanham e para a manutenção da sua privacidade ao vestir o avental
do centro cirúrgico. A complexidade da manifestação das respostas do cliente frente à
situação fica maior quando este não fez nenhuma intervenção anterior.
Com a maioria dos clientes, o primeiro contato ocorria no vestiário do CC, onde era
realizada a explicação sobre o que consistia a prática assistencial e solicitada assinatura do
termo de consentimento livre e esclarecido - TCLE (APÊNDICE II). O cliente era
encaminhado para a SRPA e preparado para o procedimento, com a realização da tricotomia
dos locais possíveis de serem utilizados para a punção arterial, necessária para a introdução de
cateteres, e punção de acesso venoso periférico, que era mantido heparinizado ou com
fluidoterapia de soro fisiológico a 0,9%.
1.1.2 Coleta de dados do cliente, através do Instrumento de Aplicação da SAE
Para a abordagem ao cliente foi utilizado um roteiro, que continha questões objetivas e
subjetivas. Este roteiro foi fruto de uma adaptação de um instrumento de coleta de dados
proposto por Galbreath (2000), que foi desenvolvido através do referencial teórico de Roy, e
um instrumento de entrevista pré-operatória já existente no Centro de Hemodinâmica. Este
roteiro adaptado possui espaço para explorar os quatro modos adaptativos do cliente
(APÊNDICE I).
Foram acompanhados 52 clientes entre 24 de fevereiro e 12 de maio de 2010,
totalizando 47,27% dos clientes assistidos no setor, nesse período. Dos quais, 24 eram do sexo
feminino (46,15%) e 28 do sexo masculino (53,85%).
Após ser preparado para o procedimento (figura 1), enquanto o cliente não era
encaminhado para a sala de hemodinâmica, acontecia a entrevista. Nesse sentido, as ações
1.1.1 e 1.1.2 foram realizadas simultaneamente. Os clientes eram entrevistados ou no vestiário
próprio para eles, que possui um espaço destinado à espera, ou na SRPA (figura 2), onde são
preparados para o procedimento e ficam aguardando por ele, conforme a demanda do setor.
Neste momento, realizavam-se também as orientações sobre o procedimento. Alguns clientes
já haviam passado pelo setor, e retornavam para complementar o diagnóstico ou para outra
intervenção após a identificação de alguma alteração.
35
O fornecimento de informações e explicações, frente ao problema e ao procedimento
foi muito importante na fase pré-procedimento, porque, para Freitas e Oliveira (2006),
conforta o cliente, proporciona-lhe segurança, diminui a confusão, ajuda-o a enfrentar a
situação e lhe possibilita melhor desempenho do seu papel de doente. Para estas autoras, o
procedimento invasivo ao coração exacerba todos os temores do cliente, que vê o risco de um
diagnóstico ou de restrições que poderão alterar o seu esquema de vida.
Em relação ao histórico de patologias dos clientes, encontra-se o seguinte:
Os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, já identificados por
diversos estudos epidemiológicos, incluem o tabagismo, a hipertensão arterial e a
hipercolesterolemia seguidos por diabetes, obesidade e inatividade física (FANNING, 2004
apud MOREIRA et al, 2006; CAETANO et al, 2008). Nesta prática, um total de 31 clientes
apresentou hipertensão como patologia associada, que corresponde a 59,61% dos clientes
atingidos.
Quando relacionado a diabetes, foram atendidos oito clientes e ao consumo de cigarro,
doze clientes, e esses percentuais caem para 15,38 e 23,07%, respectivamente. O baixo
percentual foi uma surpresa, já que muitos clientes não possuíam fatores de risco
comprovados/descritos na literatura para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, e
mesmo assim alguma doença se desenvolvia.
36
Os clientes foram questionados também sobre o consumo de cafeína e foram
registrados 22 clientes (42,30%). Esse dado torna-se relevante na medida em que, o consumo
exagerado gera um risco maior para alterações nos valores da pressão arterial, segundo
Caetano et al (2008).
Obteve-se o registro do Índice de Massa Corporal (IMC) quando foi possível registrar
peso e altura dos clientes. Os resultados para esse dado foram os seguintes, de acordo com os
limites descritos por Farret (2005):
Nenhum cliente assistido nessa prática apresentou obesidade de grau III (mórbida).
Dos clientes acompanhados, a maioria apresentava alteração do IMC, declaravam ter
uma vida sedentária e não costumavam a cuidar de sua alimentação. A partir desta realidade,
constata-se a necessidade de uma adaptação no estilo de vida dessas pessoas, pois através
desse cuidado é possível prevenir e controlar as enfermidades diminuindo o índice de doenças
crônicas não transmissíveis.
Clientes já acompanhados pelas acadêmicas e que retornaram para novos
procedimentos (diagnósticos ou terapêuticos) não entraram no percentual total de
atendimentos, e não foram incluídos nesta prática assistencial os que realizaram estudos eletro
fisiológicos e ablação. No mesmo período, o setor realizou 159 procedimentos de radiologia
intervencionista.
37
Transmitir-lhe segurança emocional, atenção e apoio, é função da equipe, que com
isso estará proporcionando meios para desenvolver mecanismos de enfrentamento positivo
para o seu bem estar (FREITAS E OLIVEIRA, 2006). Neste sentido, sempre que o cliente
manifestava preocupação, medo ou ansiedade, era realizada uma conversa, aliada a orientação
terapêutica, para que este entendesse a importância do procedimento, que visava à resolução
de alguma patologia ou problema em sua saúde.
1.1.3 Avaliação da resposta comportamental como adaptativa ou ineficiente
A resposta comportamental foi avaliada por meio de respostas verbais, não-verbais, e a
observação do cliente. As respostas comportamentais ineficientes foram descritas em
clientes que manifestavam medo em relação ao procedimento, mesmo que não fosse à
primeira intervenção na qual se submetiam (por conhecerem os riscos existentes, ou por ter
ocorrido alguma intercorrência em procedimentos anteriores); insegurança com a equipe
médica (principalmente em clientes que foram encaminhados de outros municípios e não
conheciam a equipe que realizaria o procedimento). Incluíram-se nessa avaliação também os
clientes que, apesar de alterações diagnosticadas, não tiveram mudanças em hábitos de vida
que eram conhecidos como prejudiciais (tabagismo, alimentação inadequada, estresse,
inatividade física).
Respostas comportamentais adaptativas foram identificadas em clientes que
realizaram procedimentos diagnósticos e, após estes, iniciaram mudanças positivas em seu
comportamento, que, aliado os procedimentos terapêuticos, ajudariam na melhoria de sua
qualidade de vida (restrição do consumo de álcool, diminuição da ingesta de sal e gordura
animal, prática de exercício físico).
Quanto ao comportamento do cliente, Freitas e Oliveira (2006), descrevem que este,
quando relacionado aos seus modos e a manifestação do nível adaptativo da pessoa, reflete o
uso dos mecanismos de enfrentamento. E reforçam que, por meio da observação dos
comportamentos da pessoa, em relação aos modos adaptativos, a enfermeira pode identificar
respostas adaptativas ou ineficientes em situações tanto de saúde ou de doença.
38
1.1.4 Identificação de estímulos internos e externos que afetam o comportamento do
cliente
A identificação dos estímulos foi uma ação que gerou dificuldades no início da prática
assistencial. Na elaboração do projeto a definição correta do conceito tornou-se um obstáculo
para a descrição destes durante ou após a assistência ao cliente. Percebeu-se que era
necessário aprofundar a teoria.
Na busca por referenciais, esse empecilho não era exclusivo a essa prática. Conforme
discutem Mesquita Melo et al (2009), a dificuldade na identificação está na complexidade do
modelo teórico. Elas levam em conta que muitas vezes um estímulo que era categorizado
como um tipo em determinada situação, pode se transformar em outro, numa situação
diferente. Descrevem que há também diferenças na interpretação dos significados dos
estímulos, estas podem estar claramente sujeitas a fonte utilizada em cada trabalho pesquisado
(como a tradução própria ou assimilação de definições de outros autores).
É importante ressaltar que as mudanças das circunstâncias podem alterar o significado
do estímulo, ou seja, um estímulo pode ser contextual em um momento específico e tornar-se
focal em outro, podendo acontecer o mesmo ao contrário, o que pode acabar ocasionando
dúvidas na utilização do modelo.
Mesmo sendo parte do ser assistido e de seu ambiente, e presente no desenvolvimento
do processo de enfermagem da teorista utilizada, os estímulos não foram sistematicamente
descritos nesta prática assistencial, o que não prejudica o processo de enfermagem como um
todo. Fizeram se necessário, neste momento, a definição e a caracterização dos tipos de
estímulo para a continuidade da assistência, porém o nível de adaptação da pessoa foi julgado
nos diagnósticos de enfermagem. Faltou, como referem os autores, „consistência e
uniformidade‟.
1.1.5 Descrever o (s) Diagnóstico (s) de Enfermagem do Cliente
Após as etapas iniciais da SAE, eram identificados os diagnósticos de enfermagem.
Geralmente quando o cliente já estava preparado para o procedimento, depois de realizado o
preparo para o procedimento, identificávamos os diagnósticos. Optamos, após a leitura de
alguns referenciais, como pode ser observado no apêndice I, listar os diagnósticos mais
39
comuns para que estes pudessem ser marcados, separados em diagnósticos presentes no pré e
no pós-operatório, e foi reservado também um espaço para descrição de diagnósticos que não
estavam previstos, assim pretendíamos dar mais eficiência a esta etapa.
É importante destacar que essa alteração foi feita no Instrumento Piloto de Aplicação
da SAE a partir do nono cliente assistido, o que para efeito de resultados e porcentagem,
altera o número de clientes, nestes dados, para 44.
Para a formulação dos diagnósticos de enfermagem do cliente acompanhado no setor,
foi utilizada a tipologia da NANDA, pois, conforme referem Lopes, Araújo e Rodrigues
(1999), apesar de algumas diferenças entre a tipologia de Roy e a de NANDA, há uma forte
relação entre as mesmas, o que pode ser fruto da participação de Callista Roy como membro
da NANDA desde os primeiros trabalhos dessa associação.
No pré-operatório, os diagnósticos que foram descritos em todos os clientes foram:
a)
Déficit de conhecimento;
b)
Integridade tissular e de pele prejudicada, caracterizada por: hematomas, equimoses,
erupções, soluções de continuidade relacionadas ao procedimento, punção com cateter
venoso;
c)
Risco de dor aguda, relacionada ao acesso venoso periférico;
d)
Risco de infecção, relacionada à internação, ao acesso venoso periférico.
Foram descritos também:
a)
Andar prejudicado, em 10 clientes;
b)
Ansiedade relacionada à morte, em 11 clientes;
c)
Ansiedade/Medo caracterizada por verbalização do cliente relacionado a déficit de
conhecimento, 27 vezes;
d)
Comportamento de busca de saúde, relacionado às mudanças de hábitos pessoais que
promovam a qualidade de vida, 20 vezes descrito em clientes que estavam
conscientizados e realizaram mudanças em seus hábitos de vida (como parar de fumar,
e mudanças importantes na dieta) em período anterior ao exame;
e)
Comportamento de saúde propenso a risco, em oito clientes. Descrito principalmente
em clientes que não realizavam mudanças para melhorar a qualidade de vida;
f)
Déficit de recreação, em três clientes;
g)
Dentição alterada, descrito em 24 clientes, pelo uso de pontes, próteses na arcada
superior e/ou inferior, presença de implantes, capas ou coroas;
h)
Disposição para conhecimento aumentado, em oito clientes.
40
Alguns diagnósticos foram citados uma vez, como: Comunicação prejudicada,
relacionada à acuidade auditiva diminuída, Mobilidade no leito prejudicada, Privação do
sono, relacionada à ansiedade causada pela realização do procedimento, Enfretamento
familiar comprometido.
Houve um atendimento de uma cliente com seqüelas importantes de AVC, obteve-se o
consentimento do filho para a realização da assistência. O questionário foi realizado na visita
domiciliar, onde estavam presentes alguns filhos que auxiliaram na continuidade da
assistência. E por fim, uma cliente cega, cujo termo foi assinado pela filha.
Já no pós-operatório imediato, os diagnósticos de enfermagem comuns a todos os
clientes foram:
a)
Déficit de conhecimento, relacionado ao procedimento, aos cuidados pós-operatórios;
b)
Integridade tissular e de pele prejudicada, caracterizada por: hematomas, equimoses,
erupções, soluções de continuidade relacionadas ao procedimento, punção com cateter
venoso;
c)
Risco de dor aguda, relacionada à punção arterial para introdução de cateteres;
d)
Risco de inibição da cascata de coagulação relacionado ao fator de risco: uso de
anticoagulante e antiagregante plaquetário prévio e durante o procedimento;
e)
Risco para alteração na PA, FC, ritmo cardíaco, relacionado ao fator de risco:
obstrução arterial, trombo, alteração no sistema de condução cardíaca e uso de
medicação antiarrítmica;
f)
Risco para diminuição da perfusão tissular renal, relacionada ao contraste;
g)
Risco para infecção, relacionado ao procedimento;
h)
Risco para temperatura corporal alterada, relacionada à climatização da sala de
hemodinâmica.
Para os demais diagnósticos, foram descritos:
a)
13 clientes com Andar prejudicado, relacionado a clientes cuja punção foi realizada na
região inguinal;
b)
17 clientes onde se verificou Capacidade de transferência prejudicada, relacionada à
punção na região inguinal e/ou peso para compressão aliado aos diagnósticos de
Deambulação prejudicada e Mobilidade no leito prejudicada;
c)
Intolerância a atividade em quatro clientes;
d)
Retenção urinária em três clientes, nos quais foi necessário cateterização vesical de
alívio;
41
e)
Dois clientes com Perfusão tecidual prejudicada, relacionada à oximetria de pulso com
valores menores ou iguais a 93%, nos quais foi instalado oxigenioterapia por cateter
tipo óculos.
Concorda-se com Freitas e Oliveira (2006) quando descrevem que a identificação dos
diagnósticos de enfermagem que enfocam os aspectos psicossociais e sua análise,
fundamentados na teoria de Callista Roy, possibilita o reconhecimento e a elaboração das
ações pertinentes ao desenvolvimento do cuidar, visando à obtenção de respostas positivas
dos clientes.
1.1.6 Definição, juntamente com o cliente, dos objetivos a serem alcançados
No geral, os acordos realizados com o cliente estavam relacionados ao plano de alta,
que deveria ser seguido de maneira correta para que ele retornasse as suas atividades diárias.
Muitos dos idosos atendidos não referiam realizar atividades de lazer. Para estes foi
sugerido buscar em sua comunidade por grupos de terceira idade, onde pudesse fazer novas
amizades, realizar atividade física, alimentação saudável e receber orientação/atendimento de
saúde, garantindo assim o direito de uma vida social saudável.
1.1.7 Definição e realização da prescrição de enfermagem
Essa etapa ocorreu pra contemplar as ações onde se previam as intervenções de
enfermagem, podendo também ser denominada de plano para implementação de intervenções.
Assim como refere Mesquita Melo et al (2009), que a partir dos diagnósticos estabelecidos
pela associação dos modos adaptativos, comportamentos e estímulos, são elaboradas as
intervenções de enfermagem. E estas possuem o intuito de ajudar os clientes a promover
respostas adaptativas.
Em estudo sobre a enfermagem na SRPA, Popov e Peniche (2009) descrevem que
compete ao enfermeiro prestar assistência segura, racional, e individualizada, dando suporte
ao cliente durante seu retorno ao estado fisiológico normal. Para Miyake et al (2002) apud as
autoras acima citadas a SRPA é o local destinado a receber pacientes em pós-operatório
42
imediato submetido às anestesias geral e/ou locorregional onde são implementados cuidados
intensivos, até o momento que o paciente tenha alta. Para tanto, são necessários recursos
técnicos e recursos humanos especializados que dêem suporte para prevenção, detecção e
implementação precoce dos cuidados específicos (MIYAKE et al 2002 apud POPOV;
PENICHE, 2009).
Silva e Marcucci em Cunha et al (2007), descrevem sobre a atuação da enfermagem
no pós-procedimento em cardiologia intervencionista, onde o foco de atenção da enfermeira é
para as possíveis intercorrências no repouso do cliente. Na seqüência da SAE, após a
definição dos diagnósticos de enfermagem, as intervenções são descritas e implantadas para
que o cliente tenha assistência de qualidade. Para as autoras, o atendimento sistematizado
promove e facilita o seu trabalho e o da equipe, em qualquer área de atuação do enfermeiro.
Isto é um pouco do que propomos com essa prática assistencial: um planejamento e uma
seqüência do atendimento aos clientes que passam por procedimento na Hemodinâmica do
Hospital.
Quando o cliente retornava do procedimento, ele já estava acomodado em um leito que
possuía lençol térmico, mantido aquecido enquanto ele permaneceu no procedimento. Esta
ação o auxiliava no retorno à temperatura corporal normal, após permanecer, pelo menos,
trinta minutos em ambiente climatizado, em temperatura de 18 a 20ºC. Iniciava-se o controle
e registro de sinais vitais, conforme preconizado em SRPA.
Os clientes acompanhados foram submetidos aos seguintes procedimentos:
a)
Uma angioplastia vertebral;
b)
Duas angioplastias de coronária E;
c)
Uma angioplastia de aorta e ilíaca;
d)
Uma angioplastia com stend em artéria renal E;
e)
Uma angioplastia de MMII;
f)
Uma angiografia cerebral;
g)
Quatro angiografias de carótidas e vertebrais e duas angiografias de carótidas;
h)
26 cineangiocoronariografias;
i)
Três aortografias e uma aortografia abdominal;
j)
Uma colocação de filtro de veia cava;
k)
Uma angiografia de aorta e ilíaca;
l)
Uma angiografia de MSD;
m)
Uma angiografia de MIE;
n)
Duas angiografias de MID.
43
De acordo com a prescrição médica, eram administradas as medicações e instalada a
fluidoterapia. Orientava-se o cliente a manter o membro puncionado em repouso, para que
fosse possível a hemostasia da punção arterial, atentando para realização de movimentos
suaves da extremidade do membro. Quando o cliente permanecia com compressão por peso,
além de avaliação constante de possível presença de sangramento, era orientado a manter o
posicionamento do mesmo sobre o local da punção.
Nos cuidados pós-intervenção, deve-se observar as reações tardias à administração de
contraste iodado, monitorar volume urinário, providenciar a realização de exames
laboratoriais pós-procedimento, observarem elevação precoce das taxas de uréia e creatinina,
além de estimular a ingestão hídrica, visando à eliminação do contraste infundido, como
prescrições de enfermagem citadas por Juchem e Dall'Agnol (2007) e Hamada e Brito (2003)
apud Camerini e Cruz (2008). Além disso, os autores chamam a atenção para a quantidade de
contraste iodado injetado, pois quanto maior a quantidade de contraste, maior a probabilidade
de nefrotoxicidade. No setor onde foi realizada a prática assistencial, a monitorização das
taxas de uréia e creatinina, e a solicitação de exames laboratoriais não são uma rotina.
Mantinha-se uma conversa com o cliente no pós-procedimento, enquanto este não
adormecia, e também era realizado o retorno ao(s) familiares na sala de espera. Freitas e
Oliveira (2006) relatam que o medo, a apreensão e a insegurança podem diminuir quando
ocorre o estabelecimento de um diálogo compreensível, tendo o paciente oportunidade para
expressar suas necessidades e receber informações sobre o procedimento em que estará
envolvido. E consideram, neste contexto, que dentre as intervenções de enfermagem mais
importantes, está à orientação ao paciente, que realizada com calor humano, ajudará na
superação deste momento difícil e incerto, proporcionando alivio e conforto.
Antes de efetivar a alta, o cliente também recebia uma dieta leve e geralmente o
término da assistência no hospital acontecia com as orientações para alta, tanto para o cliente
quanto para o familiar que estava a sua espera.
1.1.8 Estabelecer metas de cuidados pós-alta
Para todos os clientes, internos ou externos, foram realizadas as orientações de alta,
preconizadas conforme local da punção e exame realizado. Salienta-se que os clientes sem
44
complicações receberam alta no mesmo dia de realização do exame, após uma média de seis
horas de repouso, ainda na SRPA.
Quando a punção era realizada na fossa cubital ou radial, os clientes receberam as
seguintes orientações:
a)
Caminhar normalmente, para Silva et al (2007), é importante que após término do
repouso sejam tomadas precauções para não ocorrer hipotensão postural. E para elas é
importante que o cliente relate qualquer sensação dolorosa, que pode indicar o
hematoma;
b)
Não levantar peso até uma semana após exame, para que não ocorra formação de
hematoma ou sangramento. Era orientado a voltar a dirigir somente após 24 horas da
realização do procedimento;
c)
Poderá tomar banho normalmente, tomando cuidado para não fazer esforço com o
braço que foi puncionado;
d)
Retirar o curativo após 6 horas e proteger o local com um pequeno curativo durante
dois dias;
e)
Poderá retornar as atividades sexuais após 48 horas;
f)
Retornar ao trabalho que não exija esforço físico após 24 horas. Se for trabalho
pesado, retornar após 72 horas;
g)
Tomar metformina/glifage apenas 48 horas após o exame. Esse cuidado se justifica
pelo risco que o cliente possui de desenvolver acidose lática. Deve ser interrompido
nas 48 horas que antecedem a realização do exame, devendo ser usada insulina caso
seja necessário o controle da glicemia (METFORMINA, 200-; SAFIAN e FREED
apud CUNHA et al, 2007).
Aumentar a ingestão de líquidos nas primeiras 24 horas para eliminar o medicamento
utilizado no exame, pois a hidratação oral auxilia na proteção contra a Insuficiência Renal,
normalmente decorrente da necrose que o contraste pode causar nas células tubulares
(CAMERINI e CRUZ, 2008). Esta medida não deve ser tomada caso haja contra-indicação.
Retornar ao médico que solicitou o exame para que ele possa fazer o
acompanhamento.
Para o exame realizado por punção na região inguinal, o cliente deveria seguir os
seguintes cuidados:
a)
Evitar ou caminhar o mínimo possível nas primeiras 12 a 24 horas; Evitar subir
escadas, se necessário deverá ser feito vagarosamente; Evitar exercícios físicos
45
durante uma semana; Dirigir após 24 horas; Cuidados esses que devem ser tomados
para que não tenha a formação de hematomas no local da punção, ou sangramento;
b)
Tomar banho normalmente;
c)
Retirar o curativo após 8 horas e proteger o local com um pequeno curativo durante
dois dias;
d)
Retornar ao trabalho que não exija esforço físico após 24 horas. Se for trabalho
pesado, retornar após 72 horas;
e)
Tomar metformina/glifage apenas 48 horas após o exame, pelo mesmo motivo da
orientação para punção na radial;
f)
Aumentar a ingestão de líquidos nas primeiras 24 horas para eliminar o medicamento
utilizado no exame;
g)
Retornar ao médico que solicitou o exame para que ele possa fazer o
acompanhamento, e avaliar a o quadro;
Para atender a esta ação foi elaborado um folder com orientações de alta (APÊNDICE
III), a partir do material disponível no setor. Alerta-se que estava previsto, no projeto, a
elaboração de folder como ação do segundo objetivo desta prática, porém este fica
adequadamente situado neste momento, possibilitando ao cliente levar para sua residência a
orientação dos cuidados que devem ser realizados para sua recuperação.
1.1.9 Avaliação (Evolução)
A fase de Avaliação, prevista no processo de enfermagem de Roy (Galbreath, 2000)
não foi uma ação prevista no projeto, porém ocorreu concomitantemente a realização da
sistematização da assistência de enfermagem. A seguir, exemplifica-se como foi realizada e
registrada a Avaliação de dois clientes atendidos.
Cliente A
09:40h Recebo cliente, feminina, branca, 88 anos, casada, católica, aposentada,
procedente da Colônia Cella, acompanhada pela filha ao setor de hemodinâmica para realizar
angioplastia de MID, com os médicos Hélio e Claudiomar. Apresenta-se ansiosa,
comunicativa, deambulando com auxilio de bengala. Realizada entrevista de admissão,
46
explicando como será o preocedimento. Refere ter realizado um cateterismo diagnóstico há
oito dias. Ao exame físico, realizada ausculta cardíaca com freqüência e ritmo normal, na
ausculta pulmonar murmúrios vesiculares bilaterais e na ausculta abdominal RHA (+) em
todos os quadrantes. Apresenta úlcera varicosa em região tibial em MIE há nove anos.
Encaminhada para a SRPA, puncionado AVP nº. 20 em antebraço E, mantido
heparinizado, realizada tricotomia na região inguinal D e em seguida encaminhada para
procedimento. Às 11:20h, o cliente retorna para a SRPA, em pós angioplastia de MIE, com
anestesia local; apresenta-se calma, refere sentir-se bem, sinais vitais estáveis, mantém
curativo oclusivo e compressivo em região inguinal D. Orientada a não forçar o membro
puncionado, a qualquer desconforto comunicar a equipe. Às 12:30h foi liberado dieta branda,
com boa aceitação. Permanecerá internada.
Cliente apresenta-se em processo adaptativo prejudicado e este se relaciona a
ansiedade quanto ao procedimento (estímulo focal), e pela necessidade de internação
(estímulo contextual). A presença da filha lhe garante segurança e inclui a família como fator
predominante na sua recuperação.
Acd Enf Dania e Telma
Cliente B
16:30h Interna cliente branco, 46 anos, casado, representante de vendas, procedente de
Chapecó, para realizar angioplastia coronária E. Apresenta-se ansioso, referindo medo do
procedimento. Relata que há aproximadamente 30 dias sente-se cansado a pequenos esforços
e dor no peito, realizou cineangiocoronariografia há uma semana e apresentou obstrução da
artéria coronária E. Realizada admissão, e em seguida tricotomia na região inguinal e radial D
+ punção de AVP com cateter nº. 20 em dorso de mão esquerda, instalado fluidoterapia.
Encaminhado para a sala de hemodinâmica às 17:10h.
Às 18:10h, o cliente retorna para a sala de recuperação em PO de angioplastia
coronária E, com implante de stend através da radial D, com anestesia local. Mantém curativo
oclusivo e compressivo em radial D, permanecerá internado, conforme orientação médica será
necessária retornar para nova angioplastia.
Cliente apresenta processo adaptativo prejudicado, relacionado ao medo expressado
em entrevista “ao mexer em algo tão delicado no corpo humano”.
Acd Enf Dania e Telma
47
1.2 Avaliação do objetivo 1
No projeto, a avaliação deste objetivo previa o atendimento, pelas acadêmicas, de
100% dos clientes. Entretanto, o acompanhamento foi feito com 47,27% dos clientes
internados no período. Não foi possível atender a todos, devido à ocorrência de atendimentos
de emergência, bem como atendimentos realizados em períodos que já estavam marcadas as
visitas domiciliares.
Outra forma de avaliação prevista foi aprofundar teoricamente toda a vivência do
Processo de Enfermagem, identificando as dificuldades e as sanando na medida do
desenvolvimento da prática. Isto ocorreu através da escrita do diário de campo, que
possibilitou a busca constante por fundamentação atualizada sobre as temáticas que surgiam
no decorrer da prática.
Foi elaborado um folder ao final da prática assistencial (APÊNDICE III), para atender
as avaliações deste objetivo usando como fonte o material já disponibilizado no setor, porém
com um trabalho de arte gráfica elaborado em parceria com um acadêmico do curso de
Publicidade e Propaganda desta Universidade. O folder possibilitará ao cliente, ter acesso já
em sua residência, a um material que reforce os cuidados repassados no momento da alta.
O uso da teoria de Calista Roy foi totalmente válido, pois proporcionou a visualização
de um ser holístico, que está inserido em um contexto social, e interagindo com o meio.
Quando avaliado pelo Modelo de Análise de Barnum em Lira e Lopes (2010), ele respeita o
critério de clareza, e proporcionam benefícios para o cliente, o enfermeiro e a instituição,
quando direciona a assistência para as necessidades de cada cliente e fornecendo meios de
propor intervenções de responsabilidade do enfermeiro.
Uma dificuldade na compreensão da teoria, para as autoras, está no conceito dos
termos de estímulos (contextual e residual) embora isso não comprometa diretamente a
aplicação do processo, tendo em vista que a etapa de intervenção está baseada no estímulo
focal.
Considera-se que este objetivo foi parcialmente alcançado porque não se conseguiu
assistir 100% dos clientes, mas foi muito proveitoso pelo vínculo estabelecido com todos
aqueles que fizeram parte da prática assistencial e pela possibilidade de aprender sobre o
modelo de Roy e aplicar o processo de enfermagem, de forma diferenciada.
48
Objetivo 2 – Garantir ações de enfermagem aos familiares durante o processo de
adaptação do cliente submetido ao procedimento intervencionista.
A enfermagem é considerada, desde os tempos de Florence, como responsável pelos
cuidados dos pacientes. Esta profissão vem conquistando mais espaço, pois a enfermeira
administra uma unidade, seja ela clínica, cirúrgica ou de recuperação. Além de fazer a gestão
de pessoas e da unidade, presta assistência ao paciente e ao familiar, garantindo a segurança e
manutenção da continuidade do serviço.
Neste sentido, destaca-se a importância do familiar no processo de adaptação do
cliente, onde serão necessários cuidados e suporte para o retorno as atividades diárias.
Estratégia 2.1
Proporcionar a participação dos familiares na execução do plano de cuidados do cliente e seu
familiar.
Em 1985, foi proposto um modelo assistencial denominado de Sistema de Assistência
de Enfermagem Perioperatória (SAEP) com o propósito de promover a assistência integral,
continuada, participativa, individualizada, documentada e avaliada, no qual o paciente é
singular e a assistência de enfermagem é uma intervenção conjunta, que promove a
continuidade do cuidado, além de proporcionar a participação da família do paciente e
possibilitar a avaliação da assistência prestada (CASTELHANO apud FONSECA,
PENINCHE, 2009).
Para proporcionar a participação do familiar, elaboraram-se duas ações que visavam a
orientação do familiar no cuidado com o cliente no retorno ao seu domicílio, as quais
descrevem-se a seguir.
2.1.1 Orientação do familiar quanto aos cuidados domiciliares necessários
49
Durante a prática realizou-se a assistência de forma organizada, disponibilizando
tempo para as orientações ao cliente e ao familiar que chegavam ao Setor. Estes,
invariavelmente, chegavam ansiosos, com medo do procedimento e também do ambiente, que
pouco conheciam.
No decorrer da prática percebeu-se várias dúvidas dos clientes e familiares, e sabendo
que a capacidade de assimilação é diferente, coube a nós/aos profissionais de enfermagem, ter
a sensibilidade de atender as expectativas dos mesmos. Nesse momento, conversava-se e
solicitava-se que relatassem o que sabiam sobre o procedimento e quem havia explicado.
Constatou-se que a grande maioria não sabia como era realizado o exame e o pouco que
sabiam foi passado pelo médico ou eram repassados por pessoas que já haviam realizado o
procedimento. Referiam como sendo “um exame que iria desobstruir a veia” ou ainda por
acesso às informações disponíveis em sites da internet.
Após realizar a admissão, seguindo o apêndice I analisava-se o nível de conhecimento
de cada cliente. Era explicado ao familiar e ao cliente sobre a sala onde este ficaria durante o
perioperatório, informava-se o procedimento e o tempo estimado em que permaneceriam no
hospital. O familiar era incluído no diálogo, transmitindo segurança e apoio para o cliente, e
essa interação era essencial para a equipe prestar assistência ao mesmo. O familiar deveria
permanecer tranqüilo e preparado para ajudar o cliente no período pós - operatório, onde este
passaria por um processo de adaptação e cuidados e consequentemente o familiar terá que se
adaptar simultaneamente. Estas informações foram importantes para aliviar a ansiedade e
tranqüilizar o familiar que ficavam na sala de espera.
A enfermeira consegue através da admissão do cliente identificar e observar as
diversas manifestações do cliente e com isso elaborar um plano de ação que possa tranqüilizar
e esclarecer as dúvidas do mesmo. Atender a essas necessidades expressas pelo paciente
provocou um redirecionamento nas atividades assistenciais de enfermagem, possibilitando a
seus profissionais atuar como mediadores entre a objetividade da técnica tecnológica e a
subjetividade humana, tornando o exercício de prática, uma verdadeira arte de cuidar
(FREITAS e OLIVEIRA, 2006).
Durante o tempo que o cliente permanecia no período perioperatório manteve-se
contato com o familiar para passar as informações do mesmo, e aproveitávamos para saber
mais sobre o cotidiano do cliente, a fim de elaborarmos o plano de alta.
No momento da alta do cliente voltava-se a ter contado com o familiar para explicar os
cuidados que o mesmo deveria seguir em casa. As orientações eram explicadas para o cliente
50
e em seguida para seu familiar. Nessa ocasião, os familiares pediam para reforçar os cuidados
aos clientes.
Para incluir a participação do cliente e de seus familiares durante o plano de cuidados
foi necessário avaliar o comportamento relacionado aos seus modos e a manifestação do nível
adaptativo da pessoa que refletisse o uso dos mecanismos de enfrentamento. Freitas e Oliveira
(2006) abordam que por meio da observação dos comportamentos da pessoa, em relação aos
modos adaptativos, a enfermeira pode identificar respostas adaptativas ou ineficientes em
situações de saúde e doença.
Após a realizar o processo de enfermagem com alguns clientes observou-se que a
grande maioria apresentava os mesmos sintomas e os procedimentos repetiam-se. Dessa
maneira, orientávamos o cliente e o familiar, enfatizando o que era específico para cada um,
utilizando o material que era disponibilizado pelo hospital.
As orientações e informações repassadas durante o perioperatório atingiram o
percentual de 90% dos familiares acompanhantes. Esse atendimento não foi feito a 10% dos
familiares por não acompanharem o cliente ou por não aguardarem no hospital durante o
procedimento. Dos clientes externos, todos receberam orientações de alta, e no momento que
saíam da sala de recuperação, essas orientações eram reforçadas.
2.1.2 Realização da visita domiciliar
Durante a entrevista de internação identificavam-se vários diagnósticos e com o
decorrer dos cuidados o cliente era avaliado como um todo, observando e analisando quais
seriam as dificuldades que os mesmos encontrariam em se adaptar a um novo estilo de vida,
com regras e cuidados.
Nesse sentido, a realização da visita domiciliar que ocorria entre quinze e vinte dias
após o procedimento, foi de grande importância para a análise de sua adaptação. Dos 52
clientes assistidos, 31 clientes residiam no município de Chapecó. Foram realizadas 21 visitas
domiciliares de clientes que moravam no perímetro urbano, totalizando 67,74%, do total. Em
quase todas as visitas, fomos bem recebidas devido ao vínculo de confiança que estabeleceu=se no hospital.
No início da prática assistencial o cliente era orientado que seria acompanhado durante
sua permanência no hospital e que após 15 dias entrar-se-ia em contato através do telefone
51
para agendar uma visita domiciliar, em acompanhamento do pós - operatório e o que mudou
no seu estilo de vida. Todos se apresentaram dispostos e privilegiados em receber a visita,
para saber como estavam após o procedimento.
Em apenas uma visita sentiu-se desconforto com a situação, pois a cliente demorou a
chegar, e referiu pressa para outro compromisso. Em outra situação, ao chegar-se a casa do
cliente uma familiar informou que não se encontrava em casa, em contato por telefone o
cliente referiu que havia esquecido o compromisso. Em uma terceira situação, percebeu-se
que o cliente não entendeu a importância da visita domiciliar, já que toda vez que se tentou
contato, sua secretária referia que estava fora da cidade.
Durante a visita domiciliar, seguindo o roteiro desenvolvido (APÊNDICE VI), era
avaliado como ficou o local da punção após o procedimento, se o mesmo apresentou
hematoma ou equimose, se a família esteve presente no plano de cuidados, se os hábitos de
vida estavam sendo modificados, como enfrentavam essa nova fase da vida e se seria
necessário retornar para realizar um novo procedimento.
A maioria dos clientes relatou ter o apoio da família e que aos poucos modificavam
seus hábitos de vida, como diminuir a ingestão de sal e gordura ou praticar exercícios físicos.
Nessas avaliações verificava-se a pressão arterial (figura 3) e conversava-se com o cliente e
familiar (figura 4). Neste momento identificavam-se os diagnósticos de enfermagem e as
dificuldades encontradas pela família.
Os diagnósticos mais freqüentes foram:
a)
Adaptação prejudicada;
b)
Comportamento de busca de saúde, relacionado às mudanças de hábitos pessoais que
promovam a qualidade de vida;
c)
Controle eficaz do regime terapêutico: individuo;
d)
Controle ineficaz do regime terapêutico: família;
e)
Desobediência;
f)
Disposição para comunicação aumentada;
g)
Disposição para controle aumentado do regime terapêutico;
h)
Disposição para enfretamento familiar aumentado;
i)
Disposição para o autoconceito;
j)
Dor;
k)
Estratégias de resolução familiar: potencial para crescimento;
l)
Estratégias ineficazes de resolução individual (caso o cliente demonstre dificuldade de
apresentar comportamentos adaptativos);
52
m)
Intolerância a atividade;
n)
Recuperação cirúrgica retardada;
o)
Recusa.
Para atingir o objetivo de garantir ações de enfermagem aos familiares durante o
processo de adaptação do cliente submetido ao procedimento intervencionista, foi oportuna a
realização do primeiro objetivo, de implantar o processo de enfermagem no período
perioperatório, de acordo com a metodologia proposta pela teorista. A sistematização de
enfermagem ajudou para organizar o tempo, de forma que se possibilita atender não apenas a
parte técnica, mas em especial o cliente e o familiar, que estão em um lugar desconhecido,
desprotegido e vulnerável.
Durante as entrevista com os clientes, ainda no hospital, observou-se o interesse do
familiar envolvido, e no momento que o cliente estava em procedimento foi possível
acompanhar a expectativa e a insegurança do familiar. Nesta hora realizaram-se orientações e
aproveitou-se para saber um pouco mais do cliente, de modo a identificar quais eram suas
dificuldades e assim incluir o familiar no plano de cuidados para que na próxima etapa do
trabalho a visita domiciliar os mesmos pudessem expor suas dificuldades e o que houve de
adaptação durante o período.
Ilustra-se esta ação através de dois relatos de visitas domiciliares a seguir:
Visita domiciliar 1:
Após ter passado vinte dias fomos até a casa de R.A., onde marcamos a visita por
contato telefônico. Chegando a sua residência, a mesma encontrava-se capinando o jardim.
Apresentava-se calma, comunicativa, relatou ser hiperativa. A paciente realizou uma
angiografia cerebral aonde foi diagnosticado um aneurisma cerebral, realizou avaliação com
um neurologista e no decorrer desses vinte dias fez embolização e angiografia digital seletiva
de carótida interna esquerda, na cidade de Blumenau.
Declarou ter se cuidado parcialmente e estar afastada do emprego por sessenta dias.
Não foi possível realizar o procedimento por punção na radial e após duas tentativas foi
necessário realizar outra punção de inguinal, esta com sucesso. Apresentou hematoma e dor
no braço por uma semana. Também relatou que sua família está lhe ajudando e cuidando de
seus hábitos alimentares, já que a mesma é hipertensa. Confessou que sentiu medo após saber
o que realmente tinha e o ambiente hospitalar assustava também e elogiou a equipe que a
atendeu e que agora pretende mudar seus hábitos e ter uma vida mais saudável.
53
Nesta visita identificamos uma adaptação prejudicada no momento em que descobriu
seu diagnóstico e ansiedade que sentiu no ambiente hospitalar e como adaptação eficiente foi
o apoio de seus familiares em busca de sua recuperação.
Acd Enf Dania e Telma.
Visita domiciliar 2:
Relata-se também uma segunda visita a um cliente que havia realizado uma
cineangiocoronariografia e após aproximadamente trinta dias uma angioplastia com stent
nesta ocasião permaneceu dois dias internado. Apresentava se calmo, comunicativo, feliz por
ter conseguido emagrecer oito quilos, sentia falta de uma “cervejinha e de um churrasco
gordo”, mas relatava ser necessário se cuidar e que havia começado a realizarem caminhadas.
Apresentou hematoma durante duas semanas no braço e sentiu dor durante esse
período também. Estava preocupado com o fato de realizar mais um procedimento no dia
seguinte, mas sabia que era necessário. Relatou que sua família está com proteção exagerada
pois não deixam ele “nem dirigir”.
Acad. de Enfer. Dania e Telma.
Sem dúvidas as visitas foram essenciais para avaliar a adaptação do cliente e sua
família no caso do cliente citado acima sua adaptação foi eficiente, pois trouxe novos hábitos
no seu dia a dia.
2.2 Avaliação do objetivo 2
Para avaliar este objetivo, previu-se avaliar a adaptação do cliente e de seu familiar,
que foi manifestada ou identificada em todos os clientes visitados, mesmo que não em
totalidade, pois se entende que cada cliente tem seu tempo para mudar os aspectos que não lhe
garantem uma qualidade de vida, como hábitos de alimentação, uso de cigarro, inatividade
física, mas que esses se esforçavam para mudá-los. Quando se relacionava aos cuidados no
pós-operatório, embora com presença de hematomas e dor, o cliente referia seguir as
orientações passadas. O é avaliado como ação alcançada, já que cliente e familiar entenderam
a importância dos cuidados domiciliares no pós operatório em sua recuperação.
54
Realizou-se a entrevista com familiar ou acompanhante durante ou após a admissão do
cliente. Percebeu-se o quanto sabia sobre o procedimento, e orientou-se sobre o que não
sabiam.
A visita domiciliar foi prevista para os clientes que moravam em Chapecó, e realizadas
em sua maioria. Sente-se muito por não acompanhar todos os clientes, pois cada um trazia
consigo peculiaridades no seu modo de vida. A recepção em suas residências foi satisfatória,
sendo que os clientes organizavam-se para receber a visita, e a família participava
respondendo aos questionamentos. Da mesma maneira que se percebeu que o cuidado
continuava quando eles saíam do hospital, também se deixaram pontos positivos em cada
cliente atendido.
55
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com a realização deste trabalho tornou-se possível conviver com a realidade e a rotina
do ser enfermeiro, demonstrando a importância do trabalho sistematizado na melhoria da
qualidade da assistência de enfermagem, tornando-se possível prestar cuidados aos clientes
submetidos a procedimentos intervencionistas e facilitando a intervenção da enfermagem.
Uma limitação desta prática encontra-se no entendimento da teoria que norteou o
trabalho, especialmente na identificação dos estímulos manifestados pelo cliente. Com o uso
contínuo da teoria, o reconhecimento e a influência destes nos modos adaptativos do cliente
proporcionarão intervenções específicas.
É importante ressaltar outra dificuldade encontrada, a escassez de materiais e estudos
que envolviam a enfermagem no serviço de hemodinâmica, e que as matrizes curriculares dos
cursos de graduação pouco contemplam essa temática, dificultando o interesse e o acesso por
esse tema.
Observaram-se insuficientes publicações sobre o assunto e o que se encontrava
contemplava de maneira escassa a enfermagem, sensibilizando-se a trabalhar a Sistematização
da Assistência de Enfermagem no período perioperatório de intercorrências cardiovasculares.
Realizar esse trabalho em um novo serviço disponibilizado na região é um ponto
positivo. Considera-se importante a realização deste trabalho em um hospital onde a SAE é
parcialmente implantada. Pois a sensibilização e o conhecimento da equipe com esta dinâmica
das anotações de enfermagem facilitam o trabalho.
O acompanhamento dos clientes nos período perioperatório possibilitou o
desenvolvimento da SAE através do processo de enfermagem fundamentado na teoria de
Callista Roy, sendo possível através das visitas domiciliares identificar as adaptações
ocorridas com cada cliente onde a família estava sempre presente neste processo.
A SAE vem organizar e qualificar o trabalho de enfermagem onde a mesma consegue
agrupar os conhecimentos teóricos e filosóficos. Todo esse processo demonstra o crescimento
da profissão possibilitando autonomia ao enfermeiro.
56
Espera-se com este estudo não apenas atender o objetivo, mas despertar o interesse
para novos trabalhos realizados com a equipe de enfermagem no setor de hemodinâmica, e ter
uma equipe hábil e capaz de desenvolver não apenas cuidados técnicos, mas também os
cuidados complexos registrando todo o seu desenvolvimento.
Recomenda-se este estudo para todos os profissionais da saúde para que estes
conheçam um novo campo de atuação da enfermagem e que o qual desperte o interesse para o
desenvolvimento de novos trabalhos que venham melhorar e qualificar o trabalho da
enfermagem, em um serviço recente o qual traz muita insegurança para quem irá coordenar.
57
7 COMPROMISSO ÉTICO
O profissional de Enfermagem tem como um de seus princípios fundamentais,
descritos no Código de Ética profissional (BRASIL, 2007), atuar na promoção, prevenção,
recuperação e reabilitação da saúde, com autonomia e em consonância com os preceitos éticos
e legais.
Para garantir o início das atividades do estágio de observação da disciplina de
Enfermagem Assistencial Aplicada I foi encaminhado um ofício para o Hospital Unimed
juntamente com uma prévia do projeto da Prática Assistencial.
Elaboramos o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido seguindo o modelo do
Comitê de Ética da Unochapecó, que foi disponibilizado e explicado aos clientes. Havendo
concordância foi coletada a assinatura, garantindo o que prevê o Código de Nuremberg e a
Declaração de Helsinque sobre experimentação humana.
O consentimento voluntário do ser humano é absolutamente essencial.
Isso significa que as pessoas que serão submetidas devem ser
legalmente capazes de dar consentimento (NUREMBERG apud
PESSINI, 2007, p. 485). Essas pessoas devem exercer o livre direito
de escolha sem qualquer intervenção; os sujeitos devem ser
voluntários e participantes informados do projeto [...]; deverá ser
informado da liberdade de se abster de participar do estudo ou de
retirar seu consentimento para sua participação (HELSINQUE apud
PESSINI, 2007, p. 487).
A Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde descreve princípios para o
respeito à dignidade humana durante as pesquisas em área da saúde, colaborando com o
movimento histórico em que a bioética surge “como norte para o desenvolvimento de
pesquisas com seres humanos, numa perspectiva de promover e defender a dignidade humana
e a qualidade de vida” (PESSINI e BARCHIFONTAINE, 2007).
Consideramos imprescindível adquirir o consentimento dos participantes, tendo em
vista que atuamos na recuperação e reabilitação da saúde, através da realização da assistência
58
de Enfermagem. Concordamos com Mendes (2009) que considera os princípios éticos como
uma referência importante, servindo de linha orientadora na atuação de toda a equipe.
O projeto desta prática assistencial foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da
UNOCHAPECÓ e aprovado em reunião do referido Comitê com registro n. 067/10.
59
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POPOV, Débora Cristina Silva; PENICHE, Aparecida de Cássia Giani. As intervenções do
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RODRIGUES, Dafne Paiva; PAGLIUCA, Lorita M .F; SILVA, Raimunda M. da.. Modelo de
Roy na enfermagem obstétrica: análise sob a óptica de Meleis. Rev Gaúcha Enferm, Porto
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63
SCHNEIDER, Dulcinéia Ghizoni et al. Acolhimento ao paciente e familia na unidade
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SILVA, Leonardo Peres da (et al). Avaliação da exposição dos médicos à radiação em
procedimentos hemodinâmicos intervencionistas. Radiol Bras. v. 41, n. 5, p. 319 – 323,
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Tratado de Enfermagem Médico Cirúrgica. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
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Cardiologia. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 2005. 2 v.
UNIMED
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[S.l.],
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Disponível
em:
http://www.unimed.com.br/pct/index.jsp?cd_canal=49146&cd_secao=49105. Acesso em: 02
nov. 2009.
UNIMED.
Centro
cardiovascular.
[S.l.],
2010.
Disponível
em:
http://www.unimed.com.br/pct/index.jsp?cd_canal=52220&cd_secao=52237. Acesso em: 15
jun. 2010.
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Hemodinâmica e Angiografia. Arq Cienc Saude. São Paulo: São José do Rio Preto. v. 16. n.
1. p. 21 - 25, 2009. Disponível em: http://www.cienciasdasaude.famerp.br/racs_ol/vol-161/v16-1.htm. Acesso em: 15 jun. 2010.
64
9 LISTA DE ILUSTRAÇÕES
65
66
67
68
69
INTERDEPENDÊNCIA - PAPEL FUNCIONAL - AUTOCONCEITO
APÊNDICE I
Instrumento de aplicação da SAE
INSTRUMENTO DE APLICAÇÃO DA SAE, ADAPTADO A PARTIR DO REFERENCIAL DE CALLISTA ROY,
MODIFICADO PARA O EXERCÍCIO DA PRÁTICA ASSISTENCIAL NO SERVIÇO DE HEMODINÂMICA DO
HOSPITAL DA UNIMED, CHAPECÓ - SC
Nome:
Data
□ Masc
Recebido de:
___/___/____
□ Fem
Idade
anos
□PA
□C
□UI
□Outro - Qual: ___________
T:
ºC
PA:
mmHg
Hora
Altura:
m
Peso
kg
IMC:
Kg/m²
____:____
R:
mrpm
P:
bpm
PVC □ Não □ Sim
Tipo P: □ Filiforme □ Cheio
Dor presente □ Não □ Sim
Intensidade
Início
Dor controlada em casa por
Localização
1 (leve) - 10 (severa)
Tipo
Irradiação □ Não □ Sim
Alergia (descrever reação) □ nenhum □ medicação □ alimentação □ outra - Descrever:__________________________
História pregressa do cliente
Nâo Sim
Não Sim
□ □ Doenças vasculares
□ □ Doença cardíaca
□ □ DM
□ □ HAS
□ □ Doença da tireóide
□ □ Respiratória (asma, enfisema, bronquite)
□ □ Convulsões/Desmaios
□ □ Renal (cálculo, infecção, hemodiálise)
□ □ Doenças do musculoesqueléticas
□ □ Hepático
□ □ Doença mental/Depressão
□ □ Câncer
□ □ Abuso álcool ou drogas
□ □ Distúrbios sanguíneos
□ Outro - Descrever: ______________________
Cirurgias anteriores □ Sim □Não
Reações a anestesia □ Não □ NS □ Sim Qual?__________________________
Descrever__________________________________
Hospitalizações anteriores □ Nenhuma
Raio X recentes □ Não □ Sim ___________________
□Sim - Motivo:__________________________
Exames laboratoriais recentes □ Não □ Sim - Qual:
__________________________________________________________________
____________________________________________________
Medicações utilizadas (anotar última dose ingerida)
_______________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________
Os medicamentos foram tomados como prescritos □ Sim □ Não □ NS
Situação domiciliar
Estado civil: □ Solteiro □ Casado □Viúvo □ Divorciado/Separado
Filhos □ Não □ Sim __________
Ocupação:
História social: (educação, religião, hobbies, cidade...)
Estado emocional: □ Calmo □ Ansioso □ Irritado □ Quieto □ Falante □ Triste □ Agitado □ Outro ______________
Preocupação pessoal manifestada:
NUTRIÇÃO
70
NPO há _____ horas
Ingesta hídrica diária: □500ml □1000ml □1500ml □ 2000ml ou mais
Alteração no peso nos últimos 6 meses: □Não □Sim - Descreva: _______________________________________________
Cafeína: □Não □Sim - Quantidade _________________
Álcool: □Não □Sim - Quantidade _________________
Distúrbios alimentares: □Nenhum □Náusea □Êmese □Dificuldade mastigar/deglutir □Dor na boca
□Alteração no paladar □Indigestão □Eritema □Outro - Descrever________________________________
Dentição: Superior □Completa □Incompleta □Ausente Inferior □Completa □Incompleta □Ausente
SENSO
Estado mental: □ Alerta □ Orientado □ Desorientado □ Inquieto □ Sonolento □ Amnésia
ELIMINAÇÃO
Problemas de visão: □ não □ sim
□ Óculos/lentes de contato □ Olho artificial □ Catarata
□ Glaucoma □ Cego □ D □ E
NEUROLOGICO
□Coroas □Pontes □Capas □Aparelho Ortodôntico □Outro - Descrever: ___________________________________________
Problemas de audição: □ não □ sim
□ Surdez parcial □ Surdez total □ Aparelho de surdez
Fala: □ Clara □Pronúncia incompreensível □ Distorcida □ Afásico □ Rouquidão
Pupilas □ Reativa □ Não reativa
Habilidade de mover as extremidades
Esquerda _____ mm
0 - sem movimento 1 - fraco
2 - forte
Direita _____ mm
MSD: ____ MSE: ____ MID: ____ MIE: ____
Abdome: □Sem alterações □ Firme □ Distendido □ Massa palpável - Local ____________
Ausculta abdominal: RHA □(+) □(--) ___ quadrante
Última evacuação: Características
Eliminações intestinais: □ Sem alterações □ Diarréia □ Constipação há ____ dias □ Melena
□ Enema □ Laxativo □ Outro - Descrever_______________________
Eliminações vesicais: □ Sem alterações □ Ardência □ Incontinência □ Enurese □ Dificuldade para iniciar fluxo
□ Frequentes □ Hematúria □ Outro - Descrever_______________________________________
OXIGENAÇÃO - INTEGRIDADE
DA PELE
ATIVIDADE - SONO
Catéteres/Drenos: □ SVD □ SVA □ Ostomia □ Penrose □ Outro - Descrever ____________________________________
Sono: ______ horas diárias
Problemas de sono: □ nenhum □ cansaço ao acordar □ insônia □ pesadelos □ outro _______________________
Habilidade de autocuidado
Atividade
Comida/Bebida
Banho
Vestir/Arrumar
Banheiro
Roupa de cama
Transferência
Ambulatorial
Subir escadas
Compras
Cozinhar
Manutenção da casa
0 1 2 3 4 5
0 - Independente
1 - Dispositivos de assistência
2 - Assistência de pessoas
3 - Assistência de pessoas e
equipamentos
4 - Dependente/Incapaz
5 - Substituiu na última semana
Dispositivos de assistência: □nenhum □muleta □cômodo de cama □andador □bengala □tala □cadeira de rodas □prótese □outro
_________________________________
Atividades de tolerância: □ sem problema □ vertigem □ andar firme □ angina □ dispnéia ao dormir □ outro
Pele
Cor da pele
□ Fria □ Morna □ Quente □ Seca □ Úmida
□Normal □Pálida □Cianótica □Ictérica □Ruborizada
Edema: □nenhum □sim - Local: ____________________________ □+ □++ □+++ □++++
Pulsos pediais: □presente □anormal - explique: __________________________________
Perfusão tecidual: □ Reduzida □Normal
Lesões na pele (marque o local da lesão da pele pelo número no diagrama)
□Nenhuma □Cicatriz(1) □Erupção(2) □Ferida ou área aberta(3) □Contusão(4) □Incisão(5) □Suturas/Grampos(6) □Abrasões(7) □Outro
Descrever: _________________________________________________
Respirações: □Dificultosa □Não-dificultosa □Rápida □Profunda
Ausculta pulmonar: □Murmúrios vesiculares □Anormal - Descrever: ____________________________
71
Tosse: □Ausente □Presente □Produtiva □Não-produtiva
Oxigênioterapia: □Não □Sim - Método/Quantidade por minuto
Tabagismo: □Não □Sim _____/dia □ Parou
há ______ anos
Ausculta cardíaca: □Audível □Anormal
Fluidoterapia: □Não □Sim - Solução/Gotejo: ____________________________________________________
ENDÓCRINO
Acesso venoso: □Abocath - n°___ □Scalp - n°___ □Intracath
□NSA
DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM
CARDIOVASCULAR
□NSA
Último período menstrual: ____/____/____
Descrever alterações:
MAC:
Menopausa há _______ anos
Hiper/Hipotireoidismo □Não □Sim
Último exame retal:
Último exame PSA:
Hiper/Hipotireoidismo □Não □Sim
Localização:______________________________
Realiza AEM □não □sim - frequência:___________
Realiza CP □não □sim - Último:
Realiza mamografia □não □sim - Última:
Há quanto tempo possui essa doença/diagnóstico? ________________________
Algum familiar possui (ou possuía) essa doença? □ Não □ Sim E outro problema de coração? □ Não □ Sim
Realiza exercício físico? □ Não □ Sim. Com que frequência?
ASSINALAR PRIMEIRA COLUNA DE ( ) PARA PRÉ-OPERATÓRIO E SEGUNDA COLUNA DE ( ) PARA PÓS-OPERATÓRIO
( ) ( ) Andar prejudicado
( ) ( ) Ansiedade relacionada a morte
( ) ( ) Ansiedade/Medo caracterizada por verbalização do paciente relacionado a déficit do conhecimento
( ) ( ) Capacidade de transferência prejudicada, relacionada a punção na região inguinal e/ou peso para compressão
( ) ( ) Comportamento de busca de saúde, relacionado a mudanças de hábitos pessoais que promovam a qualidade de vida
( ) ( ) Comportamento de saúde propenso a risco
( ) ( ) Deambulação prejudicada
( ) ( ) Déficit de conhecimento
( ) ( ) Déficit de recreação
( ) ( ) Dentição alterada
( ) ( ) Disposição para conhecimento aumentado
( ) ( ) Disposição para controle aumentado do regime terapêutico
( ) ( ) Disposição para enfretamento familiar aumentado
( ) ( ) Enfrentamento familiar comprometido
( ) ( ) Enfrentamento familiar incapacitado
( ) ( ) Enfrentamento ineficaz
( ) ( ) Integridade tissular e de pele prejudicada, caracterizada por: hematomas, equimoses, erupções, soluções de continuidade da pele
relacionada ao procedimento, reação alérgica ao adesivo e ao cateter venoso
( ) ( ) Intolerância a atividade
( ) ( ) Mobilidade física prejudicada temporária na alimentação, eliminação e na higiene caracterizada pela inabilidade de levar o alimento até a
boca, chegar ao banheiro, relacionada ao repouso absoluto e a extensão do membro
( ) ( ) Mobilidade no leito prejudicada
( ) ( ) Nutrição alterada: risco para mais do que as necessidades corporais
( ) ( ) Nutrição alterada: risco para menos do que as necessidades corporais
( ) ( ) Privação do sono, relacionada a ansiedade causada pela realização do procedimento
( ) ( ) Retenção urinária
( ) ( ) Risco de arritmia relacionado ao uso de cateteres, drogas, cauterização do feixe anômalo, estimulação por marcapasso
( ) ( ) Risco de diminuição da perfusão tissular cardiaca ou cerebral relacionado a interrupção do fluxo arterial ou venoso por trombos, embolos
ou espasmo arterial
( ) ( ) Risco de diminuição da perfusão tissular periférica relacionado a interrupção do fluxo arterial ou venoso por trombos, embolos ou
espasmo arterial
( ) ( ) Risco de dor aguda
( ) ( ) Risco de inibição da cascata de coagulação relacionado ao fator de risco: uso de anticoagulante e antiagregante plaquetário prévio e
durante o procedimento
( ) ( ) Risco para alteração na PA, FC, ritmo cardíaco, relacionado ao fator de risco: obstrução arterial, trombo, alteração no sistema de condução
cardíaca e uso de medicação antiarrítmica.
( ) ( ) Risco para diminuição da perfusão tissular renal, relacionada ao contraste iodado.
( ) ( ) Risco para infecção, relacionado a internação, ao procedimento
( ) ( ) Risco para temperatura corporal alterada, relacionada a climatização da hemodinãmica
( ) ( ) _______________________________________________________________________________________
( ) ( ) _______________________________________________________________________________________
( ) ( ) _______________________________________________________________________________________
( ) ( ) _______________________________________________________________________________________
ACOMPANHANTE
72
Nome:
Idade:
Grau de parentesco:
Conhecimento sobre o procedimento:
Foi orientado quanto aos cuidados que devem ser realizados após alta (por outro profissional)?
□Não □Sim Descrever quais:
SRPA
Orientações realizadas:
Procedimento: __________________________________________________
HORA
Chegada
15´
30´
45´
Entrada: ___:___h
Saída: ___:____h
1h
□ Cardiologia
T°
□ Vascular
FC
PA
FR
SO2 %
EVOLUÇÃO DE ENFERMAGEM
Intercorrências: ______________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________________________
____________
Fonte: Modelo de Roy modificado
73
APÊNDICE II
UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ – UNOCHAPECÓ
ÁREA DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
CURSO DE ENFERMAGEM
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Você está sendo convidado (a) para participar, como voluntário, em uma prática assistencial
de enfermagem. Após ser esclarecido (a) sobre as informações a seguir, no caso de aceitar
fazer parte do estudo, assine no final deste documento, que está em duas vias. Uma delas é
sua e outra é das acadêmicas.
Título: Prática assistencial de enfermagem em procedimentos intervencionistas no setor de
hemodinâmica aplicada ao cliente e seus familiares fundamentada na teoria de Callista Roy
Acadêmicas: Dania Brocardo e Telma Scarsi
Telefone para contato: (049) 8818-6940 ou 8824-8688
Orientador: Ivete Maroso Krauzer
Telefone: (049) 3321-8204
O objetivo desta pesquisa é desenvolver o processo de enfermagem aos clientes que passam
por procedimentos de radiologia intervencionista em cardiologia ou cardiovascular na
Hemodinâmica do Hospital da Unimed.
A sua participação no projeto consiste em, inicialmente, responder um questionário que será
realizado por uma das acadêmicas, sem qualquer prejuízo ou constrangimento para a sua
pessoa. Na seqüência, permitir o acompanhamento na sala onde o procedimento será
realizado, e também na sala de recuperação pós-anestésica. Para finalizar a assistência, será
importante a realização de uma visita domiciliar, para avaliar o processo.
Os procedimentos aplicados por esta assistência não oferecem risco a sua integridade moral,
física, mental ou efeitos colaterais. As informações obtidas através da coleta de dados serão
utilizadas para alcançar o objetivo acima proposto, e para a composição do relatório da prática
assistencial, resguardando sempre sua identidade. Caso não queira mais fazer parte da
pesquisa, favor entrar em contato pelos telefones acima citados.
CONSENTIMENTO DA PARTICIPAÇÃO DA PESSOA COMO SUJEITO
Eu, _______________________________________________, RG nº ______________ e
CPF nº _____________________, abaixo assinado, concordo em participar do estudo como
sujeito. Fui devidamente informado e esclarecido pela acadêmica de enfermagem
______________________ sobre a pesquisa e, os procedimentos nela envolvidos, bem como
74
os benefícios decorrentes da minha participação. Foi me garantido que posso retirar meu
consentimento a qualquer momento.
Local:_________________________________________ Data: ____/____/______
Assinatura do sujeito:
______________________________________________________________
UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ – UNOCHAPECÓ
ÁREA DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
CURSO DE ENFERMAGEM
Título: Prática assistencial de enfermagem em procedimentos intervencionistas no setor de
hemodinâmica aplicada ao cliente e seus familiares fundamentada na teoria de Callista Roy
Acadêmicas: Dania Brocardo e Telma Scarsi
Telefone para contato: (049) 8818-6940 ou 8824-8688
Eu, ____________________________________________, permito que as acadêmicas acima
relacionadas obtenham fotografia, filmagem ou gravação de minha pessoa para fins de prática
de enfermagem.
Concordo que o material e as informações obtidas relacionados a minha pessoa possam ser
publicadas em aulas, congressos, eventos científicos, palestras ou periódicos científicos.
Porém, minha pessoa não deve ser identificada, tanto quanto possível, por nome ou qualquer
outra forma.
As fotografias, vídeos e gravações ficarão sobre a propriedade da dupla de acadêmicas
pertinentes ao estudo e sob sua guarda.
_________________________________
Assinatura
75
APÊNDICE III
Folder para orientações de alta
76
VISITA DOMICILIAR
APÊNDICE VI
Instrumento para Avaliação da Visita Domiciliar
Data:
Hora:
Observações: __________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________________________
DIAGNÓSTICOS DE ENFERMAGEM VD
______________________________________________________________________________________________________
( ) Adaptação prejudicada
( ) Comportamento de busca de saúde, relacionado a mudanças de hábitos pessoais que promovam a qualidade de vida
( ) Controle eficaz do regime terapêutico: individuo
( ) Controle ineficaz do regime terapêutico: família
( ) Controle ineficaz do regime terapêutico: individuo
( ) Desobediência
( ) Disposição para comunicação aumentada
( ) Disposição para controle aumentado do regime terapêutico
( ) Disposição para enfretamento familiar aumentado
( ) Disposição para o autoconceito
( ) Dor
( ) Enfretamento familiar comprometido
( ) Enfretamento familiar incapacitado
( ) Enfretamento ineficaz
( ) Estratégias de resolução familiar: potencial para crescimento
( ) Estratégias ineficazes de resolução familiar: comprometedoras
( ) Estratégias ineficazes de resolução familiar: incapacidade.
( ) Estratégias ineficazes de resolução individual (caso o cliente demonstre dificuldade de apresentar comportamentos
adaptativos)
( ) Intolerância a atividade
( ) Manutenção ineficaz da saúde
( ) Recuperação cirúrgica retardada
( ) Recusa
( ) _______________________________________________________________________________________
( ) _______________________________________________________________________________________
( ) _______________________________________________________________________________________
( ) _______________________________________________________________________________________
Download

UNIVERSIDADE COMUNITÁRIA DA REGIÃO DE CHAPECÓ Curso