CENTRO UNIVERSITÁRIO FUNDAÇÃO SANTO ANDRÉ
Faculdade de Engenharia “Engº Celso Daniel”
Comparação de propriedades mecânicas em diferentes
ciclos de injeção do Polietileno
Pâmela da Silva
Orientador: Prof. Dr. Edvaldo Luis Rossini
SANTO ANDRÉ
SÃO PAULO - BRASIL
2013
Pâmela da Silva
Comparação de propriedades mecânicas em diferentes
ciclos de injeção do Polietileno
Projeto de Pesquisa apresentado
como requisito para obtenção de
Bolsa de Iniciação Científica do
Centro
Universitário
Fundação
Santo André - FAENG
Aluno: Pâmela da Silva
Orientador: Prof. Dr. Edivaldo Luis Rossini
SANTO ANDRÉ
SÃO PAULO - BRASIL
2013
ÍNDICE
1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 2
1.1. Polímero e Polimerização ..................................................................................... 2
1.2. Polietileno (PE) ..................................................................................................... 2
1.2.1. Propriedades de alguns dos Polietilenos mais consumidos no Brasil ............ 3
1.2.2. Propriedades do material a ser processado neste estudo .............................. 4
1.3. Resistência ao Impacto ......................................................................................... 5
1.4. Resistência à Abrasão .......................................................................................... 6
1.5. PEUAPM vs outros plásticos de engenharia ......................................................... 9
1.6. Processo de Injeção de Polímeros ...................................................................... 10
2. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS ............................................................................. 10
3. MATERIAIS E MÉTODOS ........................................................................................ 11
3.1. Materiais.............................................................................................................. 11
3.2. Métodos .............................................................................................................. 11
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES .............................................................................. 11
4.1. Análise de Resistência à Tração e ao Alongamento ........................................... 11
4.2. Análise de Resistência ao Impacto Charpy com entalhe .................................... 15
5. CONCLUSÕES ......................................................................................................... 16
6. REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 17
1. INTRODUÇÃO
1.1. Polímero e Polimerização [1]
Polímeros são grandes moléculas (macromoléculas), que surgiram na década de
30, através de reações de adição, produzindo um composto de alta massa molecular.
Estas moléculas são formadas por varias unidades de repetição chamadas meros
unidas por ligações covalentes. O reagente recebe o nome de monômero e a reação
de polimerização.
A partir de um monômero, isto é, uma molécula com apenas uma unidade de
repetição, que se obtém o polímero, o monômero utilizado vai classificar o polímero
em: Plásticos, Borrachas e Fibras.
A polimerização é uma reação de adição na qual tomam parte muitas moléculas
do reagente, esses compostos formam produtos de larga aplicação industrial, como os
plásticos e a borracha, os polímeros também entram na constituição do nosso corpo.
Por exemplo, o DNA, que contém o código genético que define as características das
pessoas e outros seres vivos, é um polímero. Também são polímeros as proteínas e o
amido nos alimentos. Há vários tipos de polímeros e de polimerização e o método
usado vai depender da origem do monômero [2].
1.2. Polietileno (PE) [3]
O PE é obtido industrialmente a partir da polimerização do etileno (eteno),
constituindo uma estrutura que consiste simplesmente de longas cadeias de carbono e
hidrogênio.
Quando as cadeias constituintes do PE não tiverem ramificações, tem-se o PE
linear ou PEAD, quando nas cadeias, alguns dos átomos de carbono, ao invés de
terem associados átomos de hidrogênio, tiverem associados grandes cadeias de
carbono, têm-se PE ramificado ou PEBD. O PE linear é muito mais forte que o PE
ramificado, porém o PE ramificado é mais barato e mais fácil de produzir.
O PE linear é produzido normalmente com massas molares numa faixa de 2.10 5
a 5.105 g/mol, podendo ser ainda maior, sendo que conforme a faixa e tipo recebem
diferentes designações (PEBD, PEBDL, PEMD, PEMDL e PEAD). Porém, o PE com
2
massas molares da ordem de três a seis milhões de g/mol é chamado de polietileno de
ultra-alto peso molecular. O UHMWPE pode ser utilizado para produzir fibras que são
tão resistentes que substituem o Kevlar (nome comercial atribuído a um polímero, ou
mais especificamente, a uma poliaramida, a qual consiste em , a qual consiste em um
tipo de fibra sintética constituída de longas cadeias poliméricas com orientação
paralela), quando ao seu uso em coletes à prova de bala. Chapas de UHMWPE podem
ser utilizadas no lugar do gelo para pistas de patins.
Os principais tipos de PE e suas principais características são apresentados na
tabela 1.
Tabela 1 - Principais tipos de PE e suas principais aplicações características [4]
Tipos
Características
Apresenta cadeias com alto grau de ramificação, sendo a versão mais leve e
PEBD
flexível do PE, transparente e impermeável.
Apresenta menor incidência de ramificações, as quais se apresentam de
PEBDL
forma mais regular e são mais curtas que o PEBD. Suas propriedades
mecânicas são ligeiramente superiores ao PEBD em termos de resistência
mecânica.
Apresenta cadeias praticamente sem ramificações. É um plástico rígido, com
boa resistência à tração, moderada resistência ao impacto, resistência
PEAD
química e a solventes, baixo custo, baixo coeficiente de atrito macio flexível
de fácil processamento possui excelentes propriedades isolantes, é atóxico e
inodoro.
Alta inércia química, alta resistência à abrasão e ao impacto, baixo
UHMWPE
coeficiente de atrito, alta maciez e praticamente infusível, processado com
grande dificuldade, geralmente pelo processo de sinterização.
1.2.1. Propriedades de alguns dos polietilenos mais consumidos no Brasil
É importante ressaltar que as propriedades dos materiais plásticos dependem,
principalmente, da estrutura, do tamanho das cadeias poliméricas e do processo de
produção. Na tabela 2 são apresentados os valores característicos para alguns dos
Polietilenos mais consumidos no Brasil.
3
Tabela 2 – Valores característicos de alguns Polietilenos mais consumidos no Brasil [5].
Propriedades (unidade)
PEBD
PEAD
Grau de polimerização (DP)
50000 a 200000
200000 a 500000
Densidade (g/cm3)
0,91 a 0,94
0,94 a 0,97
Tensão máxima (MPa)
10 a 17
15 a 29
Tensão de ruptura (MPa)
6 a 26
14 a 42
Deformação na tensão máxima (%)
...
...
Deformação na tensão de ruptura (%)
150 a 1000
900 a 1700
Módulo de elasticidade (MPa)
...
...
Dureza Shore D (ShD)
45 a 60
53 a 66
90 a 250
73 a 834
78 a 117
116 a 129
Temperatura de transição vítrea (°C)
-130 a -110
-125 a -130
Temperatura de fusão cristalina (°C)
28 a 125
130 a 140
Resistência
ao
impacto
Charpy
(kJ/m2)
Temperatura de amolecimento Vicat
(°C)
1.2.2. Propriedades do material a ser processado neste estudo.
O material em questão é o GUR 5113, grade de UHMW-PE processável por
injeção, fornecido pela empresa Ticona. Na Tabela 4 estão descritas as propriedades
típicas deste material.
4
Tabela 4 – Propriedades do material GUR 5113, grade de UHMW-PE processável por
injeção e produzido pela Ticona. [8]
Propriedades
Norma
Unidade
Valores
Densidade
ISO 1183, Método A
g/cm³
≥0,933
Número de Viscosidade
ISO 1628, Parte 3
mg/l
2000
Densidade Aparente
DIN 53466
g/cm³
≥0,5
Módulo de Elasticidade na Tração
ISO 527, Parte 1 e 2
MPa
750
Resistência a Tração no escoamento
ISO 527, Parte 1 e 2
MPa
≥17
Resistência a Tração na Ruptura
ISO 527, Parte 1 e 2
MPa
≥30
Resistência ao impacto Charpy c/ entalhe
ISO 11542, Parte 2
kJ/m²
≥150
1.3.
Resistência ao Impacto [6]
A resistência ao impacto e uma das propriedades mais requisitadas para a
especificação do comportamento mecânico dos polímeros. Isto ocorre devido ao fato
de que durante seu emprego os polímeros muitas vezes são submetidos a solicitações
mecânicas de impacto, aplicadas em tempos muito curtos, ou seja, de forma repentina
e brusca.
A resistência ao impacto depende de um numero significativo de variáveis,
dentre elas a temperatura do ensaio, a velocidade de impacto durante o teste, a
sensibilidade a entalhes padronizados, a forca com que o corpo de prova sofre o
impacto, a geometria, as condições de fabricação desses corpos de prova e as
condições ambientais do ensaio.
O principal parâmetro para quantificar a resistência ao impacto e a energia de
impacto. Métodos de ensaio utilizam o principio da absorção de energia a partir de uma
energia potencial de um pendulo ou da queda de peso sobre a amostra. Vários modos
de impacto podem ser utilizados: teste de impacto IZOD ou CHARPY; teste de impacto
por queda livre de dardo, e teste de impacto sob tração. No primeiro caso, a amostra e
entalhada e submetida ao impacto de um pendulo. A queda de dardo usa a amostra na
forma de placas e um peso ajustável e deixado cair sobre elas de uma altura fixa. O
peso que quebrar 50% dos corpos de prova pode ser considerado como a resistência
5
ao impacto. O teste de impacto sob tração faz com que o pendulo deforme a amostra
como se fosse um ensaio de tração a elevadas velocidades. [9]
Devido a elevada resistência ao impacto o PEUAPM e um bom substituto para
materiais que são submetidos a atividades com impactos repentinos, golpes fortes,
frequentes ou constantes. Os materiais mais tradicionais se agridem, ou simplesmente
apresentam fadiga. O PEUAPM e o único plástico de engenharia que, quanto mais se
golpeia, fica mais duro. [10]
Na Figura 1 pode-se observar a comparação do PEAUPM e outros plásticos de
engenharia em relação a resistência ao teste de impacto Charpy com entalhe.
Figura 1 - Resistência ao Impacto Charpy com entalhe (ISO 179): UHMW-PE em
relação aos outros materiais (Fonte: Ticona, 2013)
1.4. Resistência à abrasão [6]
Abrasão pode ser definida como a operação de remoção de partículas de um
material pelo seu atrito com outro material, que devera ser, quase sempre, mais duro
do que o primeiro. As ferramentas utilizadas neste processo de abrasão são: oxido de
6
alumínio, carbeto de silício e oxido de alumínio e zircônio. Os grãos abrasivos, no
processo de abrasão, realizam a remoção de material da peca em trabalho, mas se
desgastam durante o trabalho e perdem a sua capacidade de remoção.
A principal consequência da abrasão e o desgaste que, de uma forma geral,
pode ser definido como sendo a degradação superficial de um material submetido a
uma forca de atrito, levando a perda não desejada e a geração de partículas (ABNTMB3379).
O desgaste de um componente e governado por três leis fundamentais:
a) o aumento de carga normal sobre o mesmo aumenta o volume desgastado;
b) o aumento da distancia de deslizamento aumenta o desgaste e;
c) a maior dureza do componente reduz o seu desgaste.
A resistência ao desgaste por abrasão e uma propriedade marcante do
PEUAPM. Isto faz com que o mesmo seja adequado para substituir metais em
aplicações que exijam uma alta resistência a abrasão, além disso, as pecas de
PEUAPM são mais leves do que as pecas de metal. [7]
Como discutido anteriormente a resistência ao desgaste por abrasão faz com
que o PEUAPM seja adequado para substituir metais em aplicações que exijam uma
alta resistência a abrasão, tornando suas pecas mais leves quando comparado com as
pecas construídas de metal. [7] A Figura 2 compara o PEAUPM com outros materiais
usados em aplicações de alta abrasão, nas indústrias em geral.
7
Figura 2- Abrasão Relativa dos diferentes tipos de materiais em relação ao PEUAPM
(Fonte: Ticona, 2013).
O PEUAPM e bastante utilizado para confecção de guias de corrente, sobretudo
onde a lubrificação e insuficiente, ou quando o lubrificante pode contaminar os produtos
manufaturados (alimentos, bebidas, tecidos, papeis, etc.), ou em casos em que a
lubrificação e difícil devido a longos trechos ou quando o acesso e difícil. Além disso,
outras propriedades como: resistência química, resistência ao impacto, redução de
vibrações e ruídos, fazem do PEUAPM um material ideal para a confecção dessas
guias.
Na Indústria de Bebidas e Cerâmica tem-se aproximadamente 200 diferentes
tipos de perfis guia de PEUAPM, guias laterais de PEUAPM, guias de tombo em
PEUAPM e guias de correias feitas em PEUAPM. Sem falar que PEUAPM inibe a
proliferação de bactérias. [11]
8
As aplicações deste material na área biomédica em próteses cirúrgicas sejam
elas ortopédicas ou odontológicas estão sendo intensamente estudadas devido as suas
excelentes propriedades de resistência ao desgaste. Este polímero cumpre com as
regulamentações da FDA (Food and Drug Administration), para ser usado em processo
de produtos alimentícios e farmacêuticos.
1.5. PEUAPM vs outros plásticos de engenharia [6]
O PEUAPM e um material de engenharia de excelentes propriedades que o
qualifica a ser empregado nas mais diversas operações onde são exigidos materiais de
elevado desempenho.
A comparação de algumas das propriedades do PEUAPM e outros plásticos de
engenharia podem ser observadas na Tabela 5.
Tabela 5 – Comparação das propriedades do PEUAPM vs outros plásticos de
engenharia. [6]
Propriedades
Densidade
Unidades
PEUAPM
PTFE
Nylon 6,6
PEAD
g/cm3
0,93
2,18
1,41
0,95
100
360
155
430
Abrasão (UHMW=100)
Temperatura de Fusão
°C
133
327
260
133
Tensão de Escoamento
Mpa
>17
30
55
25
Alongamento de Ruptura
%
>200
250
80
>800
J/M
NB
160
112
800
Dureza
Shore-D
64
55
85
65
Dureza
Rockwell-R
62
90
Resistência ao Impacto IZOD
HDT at 0,45MPa
°C
79
135
210
85
%/°C
0,015
0,016
0,009
0,015
%
0,01
0
8,5
0
Resistência Química
Excep
Excep
Média
Bom
Temperatura de Operação
Ampla
Ampla
Média
Estreita
Coeficiente de Dilatação Linear
Absorção de Água
9
1.6. Processo de Injeção de Polímeros
A moldagem por injeção permite a confecção de utensílios plásticos em geral,
tais como: bacias, tampas, caixas, para-choques, calotas entre outros.
O processo de injeção utiliza-se uma injetora e consiste na introdução do
plástico em um molde fechado e frio ou pouco aquecido, por intermédio de pressão
fornecida por um êmbolo.
O material preenche as cavidades do molde e o artefato é posteriormente
extraído. Em geral, pode-se observar na base da peça plástica uma “cicatriz”, que é o
ponto de injeção do material plástico dentro do molde.
2. ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
Nº
Atividades
1
Injeção dos corpos-de-prova
2
Moagem dos corpos-de-prova
3
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
Injeção dos corpos-de-prova do
plástico moído
4
Realização dos ensaios de tração
5
Realização dos ensaios de impacto
6
Tratamento dos dados
7
Elaboração do relatório parcial
8
Entrega do relatório parcial
9
Atualização bibliográfica
10
Meses
Preparação para participação no
SAPEX
11
Simpósio de IC - SAPEX
12
Elaboração do relatório final
13
Entrega do relatório final
10
3. MATERIAIS E MÉTODOS
3.1 Materiais
O polímero utilizado como matriz neste trabalho é o GUR 5113, natural, grade de
UHMW-PE processável por injeção, fornecido pela empresa Ticona Polymers, cuja
massa molar numérica média é de 2,5x106 g/mol.
3.2 Métodos
Os corpos-de-prova de todas as amostragens foram confeccionados no
laboratório da Ticona Polymers seguindo as normas necessárias de acordo com o
ensaio a ser realizado (ASTM D638). Na confecção dos corpos-de-prova o polímero
granulado foi moldado em uma injetora SANDRETTO série SB UNO 430/110, força de
fechamento de 110 toneladas e capacidade de 430 gramas, diâmetro da rosca de 45
mm, L/D 21:1, taxa de compressão 3,5:1. A temperatura de moldagem variou entre 220
e 230°C e o ciclo de injeção foi de 35 segundos. Após a primeira injeção foi separada
10 unidades dos corpos-de-prova e o restante foi moído em um moinho de martelos,
que permitiu a redução dos corpos de prova em grânulos pequenos, bem parecidos
com os pellets do polímero. E novamente os pellets ou grânulos pequenos obtidos no
processo de moagem foram moldados, conforme descrito acima, até que o ciclo de
separação de 10 amostragens de 10 unidades dos corpos-de-prova fosse cumprido.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
4.1. Análise de Resistência à Tração e ao Alongamento
Na tabela 6 são apresentados os resultados da análise de resistência à tração e
ao alongamento.
11
Tabela 6 - Resultados da análise de resistência à tração e ao alongamento das
amostras de UHMWPE reprocessadas.
Resistência a
Amostra
Tração no
escoamento
(MPa)
Resistência a
Tração na
ruptura (MPa)
Alongamento no
Alongamento
escoamento (%) na ruptura (%)
1° Ciclo (Virgem)
22,4
16,0
16,8
46,4
2° Ciclo
23,6
18,5
19,9
72,4
3° Ciclo
21,8
15,9
19,5
85,7
4° Ciclo
21,4
17,1
22,1
95,4
5° Ciclo
20,9
14,8
21,7
91, 7
A partir dos resultados de resistência à tração no escoamento e na ruptura
observou-se um decréscimo em razão do aumento do número de ciclos de injeção e
moagem. Fato oposto, aos resultados de alongamento no escoamento e na ruptura,
que apresentou um acréscimo em razão do aumento do número de ciclos de injeção e
moagem. Comportamentos que estão associados à redução da massa molar em razão
do aumento do número de ciclos de injeção (cisalhamento e temperatura) e moagem
(cisalhamento), aumentando assim, a mobilidade das cadeias poliméricas.
Segundo Aurrekoetxea et al. (2001) [12], ao submeter o
polipropileno
homopolímero a dez ciclos de injeção, observaram aumentos do módulo de
elasticidade, índice de fluidez e cristalinidade em função do número de ciclos. Os
autores também relataram aumentos no índice de fluidez a partir do quinto ciclo de
reprocessamento e a manutenção da estrutura química do polipropileno homopolímero,
indicando que o principal mecanismo de degradação foi por cisão de cadeias.
Stromberg & Karlsson, (2009) [13] observaram comportamentos semelhantes para o
PP quando submetidos a seis ciclos de injeção.
Nas figuras 3, 4, 5 e 6 são mostrados em esquemas gráficos os valores
encontrados no ensaio de tração para cada uma das propriedades em questão com os
seus respectivos desvios padrões e linha de tendência.
12
Figura 3 – Esquema gráfico dos resultados de resistência à tração no escoamento das
amostras de UHMWPE reprocessadas.
Figura 4 – Esquema gráfico dos resultados de resistência à tração na ruptura das
amostras de UHMWPE reprocessadas.
13
Figura 5 – Esquema gráfico dos resultados do percentual de alongamento no
escoamento das amostras de UHMWPE reprocessadas.
Figura 6 – Esquema gráfico dos resultados do percentual de alongamento na ruptura
das amostras de UHMWPE reprocessadas.
14
4.2.
Análise de Resistência ao Impacto Charpy com entalhe
Na tabela 7 são apresentados os resultados da análise de resistência ao impacto
Charpy com entalhe.
Tabela 7 - Resultados da análise de resistência ao impacto Charpy com entalhe a 23°C
das amostras de UHMWPE reprocessadas.
Amostra
Resistência ao Impacto
Charpy com entalhe (kJ/m²)
Desvio Padrão (kJ/m²)
1° Ciclo (Virgem)
95,1
2,6
2° Ciclo
86,3
5,1
3° Ciclo
91,1
2,6
4° Ciclo
98,0
2,1
5° Ciclo
111,6
4,9
Seguindo a tendência de aumento, os valores de resistência ao impacto Charpy
com entalhe a 23°C apresentaram significativo incremento ao longo dos ciclos. A
redução do valor apontado no 2° ciclo indica uma provável oscilação no método de
análise, uma vez que elevou o desvio padrão e não seguiu a tendência dos demais
pontos.
Na figura 7 é mostrado em esquema gráfico, os valores encontrados no ensaio
de impacto Charpy com entalhe das amostras de UHMWPE com os seus respectivos
desvios padrões e linha de tendência. Observa-se que as amostras apresentaram uma
capacidade de absorção ao impacto superior à do 1° ciclo em aproximadamente 17%
em relação ao 5° ciclo, um resultado já esperado, já que as amostras sofreram o efeito
do reprocessamento (injeção e moagem), que devido à natureza semicristalina do
polietileno, tem a sua quantidade de ramificações, peso molecular, grau de orientação
dos cristais e taxa de cristalização alterada, promovendo o aumento de tenacidade
(HAN e LEE, 1999) [14].
15
Figura 7 – Esquema gráfico dos resultados de resistência ao impacto Charpy com
entalhe das amostras de UHMWPE reprocessadas.
5. CONCLUSÕES
Os resultados dos testes de resistência à tração no escoamento e na ruptura
demonstraram decréscimo, enquanto que os resultados de alongamento no
escoamento e na ruptura apresentaram um acréscimo em razão do aumento do
número de ciclos de injeção e moagem.
O UHMWPE apresentou um aumento da resistência ao impacto Charpy com
entalhe a 23°C ao longo dos cinco ciclos, promovendo um aumento de tenacidade.
De acordo com os resultados obtidos neste estudo, verificou-se que o UHMWPE
pode ser utilizado em até 5° ciclos de reprocessamento (injeção e moagem), no
entanto, deve-se se levar em consideração o comprometimento das suas propriedades
mecânicas iniciais na qualidade do produto final.
Em relação a sua reciclagem, apesar de não ter sido realizada pelos métodos
convencionais, pode-se afirmar que é viável, demonstrando assim que este material
16
tem condições de ser reciclado por até cinco ciclos de injeção e moagem, minimizando
possíveis impactos ambientais e acúmulo de material em aterros e lixões.
6. REFERÊNCIAS
[1] GORNI, Antonio. Introdução aos Plásticos. São Paulo, abril. 2005. Disponível em
<www.gorni.eng.br/intropol.html> Acesso em 18 agosto 2012.
[2] CANEVAROLO, Sebastião. Ciências dos Polímeros: Um texto Básico para
Tecnólogos e Engenheiros. São Paulo: Artliber, 2002.
[3] ROSSINI, Edvaldo L.. Obtenção da Blenda Polimérica PET/PP/PE/EVA a partir de
“Garrafas PET” e Estudo das modificações provocadas pela radiação ionizante. 2005.
44p. Dissertação (Tese de Doutorado) – Instituto de Pesquisas Energéticas e
Nucleares, São Paulo.
[4] ROSSINI, Edvaldo L.. Obtenção da Blenda Polimérica PET/PP/PE/EVA a partir de
“Garrafas PET” e Estudo das modificações provocadas pela radiação ionizante. 2005.
46p. Dissertação (Tese de Doutorado) – Instituto de Pesquisas Energéticas e
Nucleares, São Paulo.
[5] ROSSINI, Edvaldo L.. Obtenção da Blenda Polimérica PET/PP/PE/EVA a partir de
“Garrafas PET” e Estudo das modificações provocadas pela radiação ionizante. 2005.
54p. Dissertação (Tese de Doutorado) – Instituto de Pesquisas Energéticas e
Nucleares, São Paulo.
[6] SANTOS, Ana Cecília Correia. Avaliação das propriedades e aplicações do
PEUAPM. 32 f. il. 2011. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização) – Escola
Politécnica, Universidade Federal da Bahia, Salvador.
17
[7]
POLIETILENO.
Disponível
em
<http://www.braskem.com.br/site/portal_braskem/pt/produtos_e_servicos/boletin
s/pdf_catalogos/UTEC.pdf> Acesso em 08 de novembro de 2012.
[8] TICONA Polymers, Literatura Técnica: Polietileno. Março, 2013.
[9] CANEVAROLO JR, S. V.; Ciência dos Polímeros: Um texto básico para tecnólogos
e engenheiros, Artliber Editora Ltda., (2002).
[10] ROSÁRIO, Salmo Cordeiro. Estudo do Efeito da Radiação Ionizante por Feixe de
Elétrons sobre o Polietileno de Ultra Alto Peso Molecular Virgem e Reciclado Industrial.
2006, 62 f. Dissertação (Mestrado), Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares USP, São Paulo.
[11]
VEDAPAR
Vedações
Paraná
Ltda.
Disponível
em
<http://www.vedapar.com.br/sitemap.html> Acesso em 26 de Abril de 2013.
[12] AURREKOETXEA, J.; SARRIONANDIA, I.; URRUTIBEASCOA, J.; Material
Science. 2001, 36, 2607.
[13] STROMBERG, S., KARLSSON, J., Appl. Polym. Sci. 2009, 112, 1835.
[14] O.S. Han, W.D. Lee, H.O. Polymer Degradation and Stability, 1999.
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