UNIP UNIVERSIDADE PAULISTA CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DO TRÂNSITO MARTA GERUSA DE ARAÚJO ALVES AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA DO TRÂNSITO: Uma Visão da Realidade do Psicólogo do Trânsito no Estado da Paraíba - PB MACEIÓ-AL 2012 2 MARTA GERUSA DE ARAÚJO ALVES AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA DO TRÂNSITO: UMA VISÃO DA REALIDADE DO PSICÓLOGO DO TRÂNSITO NO ESTADO DA PARAÍBA - PB Monografia apresentada à Universidade Paulista/UNIP, como parte dos requisitos necessários para a conclusão do Curso de Pós-Graduação “Lato Sensu” em Psicologia do Trânsito. Orientador: Prof. Dr. Manoel Ferreira do Nascimento Filho MACEIÓ-AL 2012 3 MARTA GERUSA DE ARAÚJO ALVES AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA DO TRÂNSITO: UMA VISÃO DA REALIDADE DO PSICÓLOGO DO TRÂNSITO NO ESTADO DA PARAÍBA - PB Monografia apresentada à Universidade Paulista/UNIP, como parte dos requisitos necessários para a conclusão do Curso de Pós-Graduação “Lato Sensu” em Psicologia do Trânsito. APROVADO EM ____/____/____ ____________________________________ PROF.DR. MANOEL FERREIRA DO NASCIMENTO FILHO ORIENTADOR: ____________________________________ PROF. DR. LIÉRCIO PINHEIRO DE ARAÚJO BANCA EXAMINADORA ____________________________________ PROF. ESP. FRANKLIN BARBOSA BEZERRA BANCA EXAMINADORA 4 DEDICATÓRIA Em especial aos meus amados pais José Albérgio de Araújo e Antonieta Batista Almeida de Araújo, e Aos meus queridos filhos Príscilla Anny de Araújo Alves Flávio Antônio de Araújo Alves e Fábio Anderson de Araújo Alves 5 AGRADECIMENTOS Ao meu Deus Único e Poderoso e ao Nosso Senhor Jesus Cristo, dando-me eternas sortes de bênçãos celestiais para sobrevivência em todas as áreas da minha vida. Aos amigos que passearam junto comigo nesta caminhada e deram de certo modo um apoio físico, emocional, espiritual e intelectual. E em especial, ao amigo e meu supervisor, Prof. Dr. Manoel Ferreira do Nascimento Filho, pela atenção e orientação ministrada durante o estágio que ao lado dos professores, deixou registros de empatia, com a sua peculiaridade, no curso de Especialização em Psicologia do Trânsito. 6 “Aprender com a experiência é um dom raramente praticado”. (Barbara Tuchman) 7 RESUMO Este estudo visou abordar o atual perfil do desenvolvimento do trabalho do psicólogo do trânsito frente as suas condições legais para avaliação psicológica. Buscou-se retratar a qualidade nos serviços desenvolvidos pelos profissionais. A pesquisa é de natureza qualitativa e de caráter descritivo, com amostragem independente. Realizou-se a aplicação de um questionário estruturado com dez psicólogos do trânsito atuantes na área. As análises das respostas foram baseadas no aporte teórico-metodológico dos Estudos Críticos do Discurso. Os resultados encontrados revelaram uma maior necessidade de: construção da identidade profissional e científica; a uniformidade, a conscientização e a integração da atuação do psicólogo do trânsito; a dicotomia entre a centralização e descentralização operacional; e a dicotomia entre os testes psicológicos. Palavras-chave: Psicologia do Trânsito. Qualidade. Serviço. 8 ABSTRACT This study aimed to approach address the current development profile of the work of psychologist traffic ahead their legal conditions for psychological evaluation. It was been tried to portray the quality of the services developed by professionals. The research is a qualitative and descriptive in character, with independent sampling. It was been carried out the implementation of a structured questionnaire with ten psychologists working in the transit area. The analyzes of the responses were based on theoretical and methodological Critical Discourse Studies. The results showed a greater need for: building the scientific and professional identity, uniformity, integration and awareness of the psychologist traffic, the dichotomy between centralization and operational decentralization, and the dichotomy between the psychological tests. Keywords: Traffic Psychology. Quality. Service. 9 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO...................................................................................................... 10 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA............................................................................... 12 2.1 Breve Históricos sobre a Psicologia do Trânsito......................................... 12 2.2 A Atuação dos Psicólogos Peritos do Trânsito no Brasil............................ 16 2.3 A Importância e os Processos de Avaliação em Psicologia do Trânsito... 17 2.4 As Pesquisas em Psicologia do Transito...................................................... 18 3 MATERIAIS E MÉTODOS.................................................................................... 22 3.1 Ética.................................................................................................................. 22 3.2 Tipo de Pesquisa............................................................................................. 22 3.3 Universo........................................................................................................... 22 3.4 Sujeitos e Amostra........................................................................................... 22 3.5 Instrumento de Coleta de Dados.................................................................... 23 3.6 Procedimentos para Coleta de Dados............................................................ 23 3.7 Procedimentos para Análise dos Dados........................................................ 23 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO............................................................................ 24 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................. 30 REFERÊNCIAS........................................................................................................ 32 APÊNDICE............................................................................................................... 35 ANEXO..................................................................................................................... 37 10 1. INTRODUÇÃO O trânsito1 é uma realidade necessária em nossa sociedade. O deslocamento de pessoas, de produtos e de informações é uma realidade que se encontra inserida no nosso cotidiano. Por mais que, a atualidade venha tentando suavizar a necessidade de trafegar, utilizando-se através da internet, para realizar compras, fazer cursos universitários e de capacitação, divertir-se, trabalhar e para comunicarse, ainda existe um grande fluxo populacional em trânsito. Com o advento da globalização ocorreu uma diminuição da necessidade do deslocar-se entre países, cidades, bairros e ruas; mas, mesmo tento ocorrido o amortecimento deste, estima-se que a perspectiva do aumento no nível de massa em deslocamento seja crescente, devido ao gradativa ampliação populacional, e consequentemente, a contínua necessidade de produtos e de bens de serviço. Portanto, pensar sobre o trânsito é uma questão inevitável e essencial para um bom funcionamento da circulação em uma sociedade. Assim como, é fundamental pensar nas conseqüências que este fenômeno trás, e como, se pode prevenir; amenizar e solucionar as problemáticas originadas do mesmo. Pois, este já se tornou uma questão de Saúde Pública e da Previdência Social, devido à gravidade dos acidentes, não apenas realizados de forma ativa, através de colisão com automóveis e motos, mas também, de maneira passiva, com o atropelamento de pedestres. Centros públicos que fornecem serviços fisioterápicos são ocupados com atendimentos temporários ou permanentes devido a acidentes como estes; pessoas tornam-se invalidas para trabalhar; leitos de hospitais, que poderiam atender situações mais urgentes, ficam ocupados; e os óbitos tornam-se freqüente, em particular, quando a choques envolvendo alta velocidade e álcool. Estes fatores levam a desestruturação do ser, abalam a estrutura familiar e trazem também problemas econômicos, tanto de ordem pessoal, quanto municipal, estadual e federal, porque além dos gastos relativos à saúde, existem ainda despesas com o reparo e construção de estruturas, que foram comprometidas. Além disso, há os gastos com as aposentadorias das pessoas e familiares que se 1 CTB. Art. 1º. § 1º Considera-se trânsito a utilização das vias por pessoas, veículos e animais, isolados ou em grupos, conduzidos ou não, para fins de circulação, parada, estacionamento e operação de carga ou descarga. 11 tornaram assegurados do INSS - Instituto Nacional do Seguro Social-, ou seja, agravam-se ainda mais o inchaço da folha de pagamento da Previdência. Deste modo, é essencial que ocorra uma seleção de pessoas para a concessão da Carteira Nacional de Motorista, realizadas através de exames e avaliações dos candidatos, assim como, elaborar programas voltados para a educação, conscientização e segurança no Trânsito, que devem ser instituídos já nos primeiros anos escolares. Sendo assim, a partir de um suporte teórico-metodológico: Estudos Críticos do Discurso, pesquisou-se sobre o atual perfil do trabalho do psicólogo de trânsito, através de questionários estruturados, aplicados com profissionais atuantes da área no estado da Paraíba. Tal pesquisa é de relevante importância, pois se propõem ampliar informações concernentes às instruções e aos instrumentos psicológicos que são utilizados como ferramentas de qualidade nos serviços da Avaliação Psicológica do Trânsito, assim como, ampliar informações que contribuam para o desenvolvimento da classe do profissional psicólogo. 12 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 Breve Histórico sobre a Psicologia do Trânsito A preocupação com o tráfego urbano, no Brasil, começou antes das primeiras frotas de carros serem trazidas a nação brasileira. Segundo Lagonegro (2008), desenvolveu-se no início das décadas do século passado, oriunda da necessidade de deslocamento em massa. Nessa época, a utilização de trens e bondes foi à forma encontrada para atender a população, assim como, para o escoamento de produtos através das regiões, que passavam por entre cidades e estados, com uma grande quantidade de material a ser transportado, principalmente, para ser despachada nos portos, pois neste momento, a economia brasileira era voltada para o mercado externo. É interessante frisar, a importância que a expansão cafeeira teve para se iniciar projetos voltados para o tráfego, devido à necessidade do escoamento da produção de café que se encontrava muito lento, pois era conduzido por meio dos lombos dos burros de carga. Portanto, ocorreu um desenvolvimento das estradas de ferro, que por vezes, passavam dentro das fazendas e levavam os produtos para as Casas Comissárias, que após o armazenamento seriam encaminhas aos portos do Rio de Janeiro e de Santos (ENCICLPÉDIA NOSSO SÉCULO, 1985). Em meio a estes desenvolvimentos, somando-se às problemáticas que começaram a surgir, em particular, os acidentes. O governo começou a preocuparse com este fenômeno, pois a sociedade não se encontrava preparada para tais acidentes, que em sua forma grave conduzia à invalidez e ao óbito. Dentro deste cenário, surgiu a Psicologia do Trânsito e a Medicina Tráfego, entre as décadas de 1940 e 1950, com o objetivo de realizar uma seleção de pessoas, que possuíam a capacidade de dirigir através de exames médicos e avaliações psicológicas (CÔRTES, 1952). A Psicologia que ainda pode ser tida como uma ciência recente, que se encontra em desenvolvimento, possui uma ampla área de conhecimento e estudos, desde época dos filósofos, na Grécia antiga. Após a Psicologia ter suas bases, princípios éticos e práticas regulamentadas como profissão passou a ser 13 desempenhada em quatro campos básicos: na clínica, em escolas, no setor industrial e no magistério. Sendo estes bastante ampliados e não correspondendo substancialmente ao foco de atuação do psicólogo no Brasil, no momento. Na atualidade, pesquisas vêm sendo elaboradas continuamente o que gerou um grande avanço nesse campo científico, gerando a necessidade de desenvolver novas expansões e subdivisões e interdisciplinaridade. Devido também à pressão do mercado de trabalho que passou a exigir a presença deste profissional em outras formas de atuação, tais como, a Psicologia Social, Psicologia Comunitária e a Psicologia do Trânsito. Sendo a nação brasileira uma das pioneiras no mundo, nesta última, no que se refere à construção dessa nova especialidade no campo do saber psicológico: definindo-a, delimitando-a e mostrando as suas prerrogativas dentro de uma perspectiva prática de atuação. De acordo com Côrtes (1952), no século passado, em meados as décadas 40-50, o Governo começou a pensar sobre a concessão para dirigir, ou seja, uma permissão concedida pela nação à pessoa, que deseja dirigir e que comprova ter a plena habilidade para tal, por meio de uma seleção. Assim, cogitaram-se quais seriam os critérios de triagem médicas e psicológicas que deveriam ser aplicados. E, também, sobre o tempo da validade desta seleção, pois fatores emocionais, sociais e físicos podem gerar uma situação de comprometimento da saúde, e consequentemente, afetar na global capacidade de dirigir como, por exemplo, a ocorrência de um AVC - Acidente Vascular Cerebral. Neste caso, houve a necessidade de se estabelecer diferentes categorias de seleção, baseada nos veículos que se pretendia dirigir, isso implica dizer, que os critérios aplicados a um motorista de carro, que seriam classificados no atual Código Brasileiro de Trânsito como B, seriam diferentes de um motorista que se propusesse a trabalhar como um caminhão de carga pesada, sendo este classificado na atualidade como, categoria E, contendo uma autorização para exercer atividade remunerada. Segundo Hoffmann (1995), esta forma de pensar, quais seriam os critérios de seleção, a validade da mesma e as diferentes formas de avaliar, baseado nas habilidades necessárias de cada tipo veículo, para estabelecer uma concessão do conduzir, seriam a composição embrionária para o Modelo Brasileiro de Habilitação. Um dos fatores chaves, para tal estrutura, consistiu em basear-se nos princípios das investigações sobre Psicologia Experimental e a Avaliação 14 Psicológica, que foram elaboradas e as que estavam sendo desenvolvidas no exterior. Inicialmente, estas foram essenciais para formar as bases do exame psicotécnico, devido à inexistência de instrumentos mensuração no Brasil, assim como, de profundos estudos sobre tal tema. Alguns países e nomes foram de significativa importância para esta construção: França, Espanha, Alemanha foram países proeminentes, desenvolvendo inúmeras pesquisas sobre temas concernentes à Psicologia do Trânsito. No final de dois séculos atrás, havia um grande nome em destaque no cenário da psicologia inglesa. Este era Francis Galton, que esteve em evidência em 1880. Segundo Pasquali (2001), ele focou seus estudos na mensuração das aptidões humanas, pois acreditava que estas deveriam ser mensuradas por estímulos sensórias e sua possível discriminação. Aquele pesquisador ficou bastante conhecido pelo desenvolvimento de escala de atitudes e criação de métodos estatísticos. E, posteriormente, na década de 1890, o psicólogo americano James M. Cattel, que influenciado pelo britânico Galton, adquiriu respeito no cenário científico e elaborou a sua tese na Alemanha, na cidade de Leipzig, cujo laboratório, criado recentemente – 1879, recebeu o mesmo nome. Segundo, Araújo (2009), este núcleo de pesquisa foi fundado pelo psicólogo experimental Wilhelm Wundt, e ficou também conhecido como o primeiro centro internacional de formação de psicologia. De acordo com Pasquali (2001), Cattell deu ênfase na investigação das medidas sensoriais, buscando averiguar as diferenças individuais, em particular, sobre o tempo de reação. O francês Binet também estudava sobre a aptidão humana. Todavia, possuía um ângulo de vista não consensual com os de Cattel e Galton, pois discordava com a demasiada estimação dos aspectos sensoriais, que tais investigadores davam aos seus estudos científicos. Ao invés disto, acreditava que se deveria dar uma maior relevância da averiguação das funções intelectuais, como por exemplo, a memória. Nos primeiros anos do século XX, Alfred Binet e o seu companheiro, Simon, elaboraram um teste contendo 30 itens, nos quais possuíam um aumento gradativo de dificuldade, cuja função era observar o nível de inteligência de crianças, jovens e adultos (GOODWIN, 2005). 15 Posteriormente, as adaptações deste testes somando-se as novas criações espelhadas em tais – sofreram grandes avanços, que se constituíram de forma rápida. De modo que, atende-se a nova necessidade vigente na época: a seleção de pessoas para servirem como soldados nas guerras mundiais. Na atualidade, os testes são utilizados para a seleção de empregos, orientação vocacional; avaliação clínica; orientação pedagógica; desenvolvimento de pesquisas; melhoramento da prática no desporto, em nível de competição; particularmente, no Brasil, para a concessão da CNH, Carteira Nacional de Motorista. Para o Brasil, a criação do primeiro Laboratório de Psicologia Experimental foi um dos primeiros passos para a consolidação da profissionalização do campo da psicologia no solo brasileiro, e consequentemente, a Psicologia do Trânsito também se beneficiou com a constituição e desenvolvimento de tal. Segundo Lourenço Filho (1955/1994) e Penna (1992), tal laboratório foi construído em 1906, no Pedagogium, local que era um ex-museu, mas que se tornou em 1897, em um centro difusor da cultura superior (PEREIRA E PEREIRA NETO, 2003). De acordo com os levantamentos de dados elaborados por Ancona-Lopez (1987), no Brasil, o primeiro instrumento que foi devidamente estruturado, segundo os padrões de validação da época, foi o Stanford-Binet. Tal padronização foi feito em menos de uma década, após o lançamento do teste. Para data, isso era considerado um grande avanço, haja vista, os recursos de comunicação existentes, que não proporcionavam um rápido intercâmbio de informações/publicações entre os centros produtores de conhecimento. De acordo com os pesquisadores Vieira e Campos (2001), em 1924, o médico José Joaquim de Campos da Costa Medeiros e Albuquerque escreveu o primeiro livro, no território brasileiro, denominado “Tests”. Tal volume como o próprio nome sugere debatia sobre os testes e foi considerado como uma obra de introdutória. Dois anos após o lançamento de Albuquerque, o pesquisador Isaias Alvez, ficou conhecido, por desenvolver pesquisas, no Estado da Bahia, tendo como base os feitos realizados por Binet e Simon. Um dos seus principais marcos consistiu no primeiro trabalho de adaptação de instrumentos psicométricos, no território brasileiro, (NORONHA E ALCHIERI, 2005). 16 2.2 A Atuação dos Psicólogos Peritos do Trânsito no Brasil Segundo Rozestraten (1981) a psicologia do trânsito pode ser conceituada cientificamente como uma forma de estudo dos comportamentos que ocorrem durante o fenômeno trânsito, sendo este compreendido como um conjunto de deslocamento, no qual se encontra inserido em um sistema regulamentador. O psicólogo do trânsito observa o comportamento tanto de um motorista/motoqueiros/ciclistas, experiente ou não, quanto dos passageiros e dos pedestres, não levando em consideração questões como gênero ou condição sócioeconômica. De acordo com Silva (2010) o psicólogo deve enfocar as análises da avaliação psicológica de acordo com o cargo ou função que se deseja submeter. Na perspectiva da Psicologia do Trânsito, isso implica afirmar que mesmo levando em consideração os aspectos da subjetividade, não se deve traçar um perfil das funções patológicas ou os agravantes determinantes da insanidade mental, mas sim, procurar observar os aspectos pertinentes ao trânsito. Os comportamentos e processos cognitivos analisados são bastante amplos, sendo alguns destes: a) a memória de curto a longo; b) o tempo de reação; c) a capacidade de aprendizagem; d) o processo de detecção; e) o processo de diferenciação; f) a tomada de decisão; g) os diferentes tipos de atenção. Uma vez que tais aptidões são necessárias para poder conduzir um veículo; aprender as normas regulamentadoras e segui-las; distinguir entre os símbolos; ter destreza para frear rapidamente mediante o surgimento de um estímulo inusitado; prever atitudes de condutores/pedestres a fim de prevenir acidentes. Em suma, há uma grande complexidade de fatores - e por esta razão não é tão facilmente estudado – que consiste no campo de investigação/atuação do psicólogo do trânsito (ROZESTRATEN, 1981). Portanto, devido aos estudos realizados pelos psicólogos do trânsito estarem mais voltadas para a conduta do usuário em vias urbanas e rodovias, haja vista, esta área possuir uma maior concentração de profissionais que trabalham com este fenômeno; a mesma também observa como se manifestam as relações existentes em diferentes tipos de tráfegos. Seja este aéreo, marítimo, fluvial, ferroviário. Sendo que, esta subárea da Psicologia brotou em meio às diversas investigações em vários institutos; com laboratórios; centros de pesquisa, com diferentes enfoques investigativos, nas últimas duas décadas. Tendo suas 17 explanações baseadas em inúmeras indagações, às vezes, até mesmo com embasamentos polares como a Psicanalista e a Teoria do Condicionamento Operante. E, ao mesmo tempo, se relaciona intimamente com outras especialidades da Psicologia, tais como, a Psicologia Social, a Psicologia Experimental, a Psicofísica, a Psicofisiologia, a Psicopedagogia, a Psicologia da Aprendizagem, Psicologia Criminal. Deste modo, o psicólogo do trânsito desenvolve trabalhos mediante a interdisciplinaridade conjuntamente com o Direito; as Engenharias; a Pedagogia; a Criminologia; Estatística; a Fisioterapia; a Medicina, assim como, diferentes instâncias da sociedade, tais como, a Polícia Militar, a Polícia Rodoviária, a Assistência Social e Previdenciário, Centros de Reabilitação Locomotores. 2.3 A Importância e os Processos de Avaliação em Psicologia do Trânsito Na atualidade, a Avaliação Psicologia no Brasil é regida pelo Código de Trânsito Brasileiro – CTB, no qual no art. 7º nomeia o CONTRAN - Conselho Nacional do Trânsito, como coordenador do Sistema e Órgão Máximo Normativo e Consultivo. Os primeiros passos voltados à avaliação psicológica surgiram de maneira evidenciada na Res. 51/98 e na Res. 80/98 que, respectivamente, foram revogadas pela Resolução do 267/08 que dispõe sobre a avaliação psicológica. Tal resolução enfatiza em seu art. 5º os processos psíquicos. Estes, por sua vez, devem ser aferidos por métodos e técnicas psicológicas, de acordo como cita o anexo XIII, onde se obtém informações pertinentes à: A) tomada de informação; B) processamento de informação; C) tomada de decisão; D) comportamento; E) autoavaliação do comportamento; e F) traços de personalidade. Cita ainda a referida resolução, no seu art.6º que o psicólogo ao realizar a avaliação psicológica, deverá obter informações salutares através de técnicas e instrumentos, conseguidos através de: 1) entrevista diretas e individuais, - conforme descrições contidas no anexo XIV; 2) testes psicológicos em vigência com as concordância da resolução do Conselho Federal de Psicologia; 3) dinâmica de grupos e 4) escuta e intervenções verbais. Seu parágrafo único salienta que a avaliação psicológica deverá fazer cumprir as diretrizes firmadas no Manual de Elaboração de Documentos Escritos instituído pelo Conselho Federal de Psicologia. 18 Já a Resolução 283/80 que altera a Resolução 267/08, no art.18º torna ciente a informação sobre o título de Especialista em Psicologia do Trânsito, abordando diretrizes necessárias para o credenciamento de empresas voltadas a prestação de serviços psicológicos. Segundo o CFP (2000, 2011) os psicólogos responsáveis pela área do trânsito, no campo da avaliação psicológica, devem conseguir maiores condições buscando ampliar o seu campo de ação desenvolvendo novas metodologias a fim de ter um embasamento teórico mais apropriado. Portanto, devem-se aprofundar os conhecimentos sobre a diversidade dos testes, de modo que, possa ser construir baterias de testes que se proponham a mensurar de maneira apropriada a cada situação. Além disso, é mister que o psicólogo do trânsito busque trabalhar a interdisciplinaridade. Construindo redes com outras áreas do saber para que ocorram trabalhos também voltados para segurança e promoção da saúde no trânsito. Somando-se a isso, é necessária que se tenha uma postura crítica frente à estrutura vigente do fenômeno trânsito, assim como, desenvolver uma postura de neutralidade no tocante a avaliação psicológica (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, 2000). 2.4 As Pesquisas em Psicologia do Trânsito Um fator significativo, que de ser desenvolvido, nesse novo campo do saber da Psicologia do Trânsito é a área das pesquisas científicas. Somando-se a isso, também se deve enfocar na criação de acervos teóricos, para dar mais fundamentação a este novo ramo da ciência. A psicóloga Cecília Cristina de Oliveira Bellina (2005) e o psicólogo Ernesto Santos (2008) produziram materiais sobre o medo de dirigir, nos quais os autores abordam programas de tratamento terapêuticos voltados para pessoas que já possuem a CNH, porém se encontram paralisadas devido ao medo, fobia ou transtorno do pânico. Gouveia (2002) questiona sobre quais comportamentos poderiam servir como norteador para distinguir com precisão os bons dos maus condutores, ou seja, qual seria um perfil adequado para o motorista. E ainda sugere que: 19 “... seria possível relacionar os resultados dos exames psicológicos de cada condutor com o seu desempenho em situação real no trânsito. Isto geraria um modelo explicativo o qual ajudaria a traçar um perfil do bom condutor, e auxiliaria na seleção dos instrumentos psicológicos mais adequados neste contexto...” (GOUVEIA,2002). Também se deve dar ênfase aos estudos voltados para saúde pública, principalmente sobre o ácool, pois o consumo deste constitui-se como uma atividade cada vez mais freqüente nas sociedades, em particular, durante as comemorações ou festividades. Historiadores conjecturam através de achados arqueológicos, que Idade da Pedra (cerca de 10 mil anos atrás), havia a produção do hidromel, uma mistura de mel fermentado com condimentos de seiva ou frutas. Já, no século XIX, a sua utilização estava associada: ao fim religioso, a nutrição, como forma de remédios e em ocasiões sociais (MORRIS E MAISTO, 2004). Atualmente, o álcool vem sendo utilizado de maneira recreativa. Entretanto, a forma e a intensidade de como esta substância vêm sendo consumida causa polêmicas e controvérsias, afetando o seu utente tanto de forma intra, quanto inter social. Apesar de uma parcela da população não compreender o álcool como uma droga, essa é uma substância que afeta o sistema nervoso central e periférico gerando modificações da condução comportamental e nos estados emocionais e cognitivos. As implicações do abuso deste psicotrópico, da classe dos psicolépticos, trás problemáticas econômicas graves na área da saúde pública, haja vista, que muitos dos seus agraves são decorrentes dos acidentes automobilísticas que geram significativos gastos assistencialistas das vítimas. Os desrespeitos dessa lei vêm gerando fortes agravos. De acordo com Abreu e colaboradores (2006), a Saúde Publica vem sofrendo forte prejuízo econômico, devido ao crescente descontrole da violência urbana. No qual, pode-se observar o destaque dos acidentes envolvidos com o trânsito, por apresentarem um elevado índice de proporcionalidade. A mortalidade é um dos fatores presente nestes acidentes com o trânsito, no qual pode se observar um significativo aumento, em particular, com os jovens. Refletindo honorários dispendiosos com tratamentos hospitalares e pós-hospitalares, que são retirados, em sua maioria, dos cofres públicos. 20 Abreu et al. (2006) trazem dados do Departamento Nacional do Transporte, dos Estados Unidos da América, referente ao ano de 2002 que afirma: “Nos Estados Unidos, segundo dados do Relatório sobre o impacto socioeconômico dos acidentes de trânsito, apresentado pelo Departamento Nacional de Trânsito, os acidentes de trânsito são responsáveis por cerca de 41.000 mortes / ano, correspondendo a prejuízos de cerca de U$ 230.6 bilhões. Nesse Relatório, a influência do álcool responde por 40% de mortes, ou seja, cerca de 16.000 vítimas fatais, o que representa gastos em torno de U$ 50 bilhões”. As vítimas com acidentes de trânsito são, genericamente, dividas em dois grupos: as que sofreram atropelamento e as que estavam inseridas nas colisões. Os dados estatísticos revelam que um terço está classificado como sendo deste último grupo. Portanto, pode-se ver que a maioria, dois terço, são vítimas passivas que sofreram atropelamento de pessoas. E, a ingestão de álcool geralmente, encontrase atrelada a este índice de atropelamento (ABREU et al., 2006). E, são constatados, aproximadamente 1,2 milhões de mortes envolvidas com o trânsito, anualmente. O que representa um índice de 2,3% do número total de mortes no mundo. Sendo considerado como a décima causa de mortalidade mundial. De acordo com o CISA (2011), estudos epidemiológicos de 2002, sobre o envolvimento de álcool, nos Estados Unidos da América, mostram que indivíduos do sexo masculino possuem maior probabilidade (78%) de sofrerem acidentes automobilísticos, dos quais 46% destes foram fatais e estão relacionados à utilização do etanol. Tais acidentes fatais (77%), geralmente, ocorrem nos fins de semana e a noite\madrugada, entre as 18hs e 6hs, e possuem relações diferenciadas com alcoolemia. Jovens com 0,2 g/L de álcool possuem 1,5 vezes a mais de chances de sofrer acidentes com vítimas fatais. Entretanto, esse índice já se eleva para 2,5 vezes para as demais faixas. E, aumenta seis vezes a mais em comparação ao condutor sóbrio. Já no Brasil, de acordo com o CISA (2004), observar-se a existência de uma associação direta entre a condução automobilística e o ato de beber, em 38 % dos adultos que possuem a autorização do DETRAN para carteira de motorista e possuem o hábito de beber. Também, apresentam conformidade com as pesquisas dos EUA, em que o comportamento masculino está mais susceptível as fatalidades. De acordo com as estatísticas do Departamento Nacional de Trânsito, do Ministério dos Transportes, em 2000, houve no Brasil 324.222 acidentes com vítimas 21 de trânsito. Dentre estas, diagnosticou-se que 22.102 pessoas morreram e 408.070 ficaram feridos (ABREU et al., 2006). Estudos fundamentados nas autópsias de óbitos no trânsito, desde 1999, no Instituto de Medicina Legal (IML) na cidade de São Paulo, revelaram em metade dos falecimentos a presença do álcool. Sendo este, a segunda causa (21,96%) mais freqüente de morte. Entretanto, em pesquisa de levantamento de dados no Instituto Brasileiro de Medicina Legal do Rio de Janeiro, no período de três meses, entre dezembro de 2001 a fevereiro de 2002, aconteceram 267 prontuários de vítimas fatais relacionadas ao trânsito. 22 3 – MATERIAIS E MÉTODOS 3.1 - Ética A presente pesquisa segue as exigências éticas e científicas fundamentais conforme determina o Conselho Nacional de Saúde – CNS nº 196/96 do Decreto nº 93933 de 14 de janeiro de 1987 – a qual determina as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos: A identidade dos sujeitos da pesquisa segue preservada, conforme apregoa a Resolução 196/96 do CNS-MS, visto que, não foi necessário identificar-se ao responder o questionário. Todos assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). 3.2 - Naturezas da Pesquisa A Pesquisa de natureza Qualitativa, de caráter descritivo, com amostragem independente. Na concepção de Godoy (1995) a abordagem qualitativa enquanto um estudo voltado a pesquisa não indica uma proposta rígida estruturada, haja a possibilidade de haver permissão de que a imaginação e a criatividade conduzam os investigadores a propor trabalhos que explorem novos enfoques. É neste escope que o estudo ora proposto se enquadra. 3.3 - Universo Psicólogos Peritos em Psicologia no Trânsito, do Estado da Paraíba. 3.4 - Sujeitos da Amostra Participaram desta pesquisa dez psicólogos, todos Perito em Psicologia do Trânsito, atuantes, e que se encontram realizando o curso de Especialização na área. A média de idade dos participantes foi de 46 anos de idade. A média de tempo de atuação como psicólogo foi de 21 anos e a média de atuação como psicólogo do trânsito foi de 16 anos. 23 3. 5 – Instrumentos de Coleta de Dados Os instrumentos que foram utilizados se constituem de um questionário (apêndice I) contendo dez perguntas contemplando informações de caráter pessoal/profissional, tais como, idade e tempo de atuação; assim como, perguntas abertas sobre a Psicologia do Trânsito para a coleta de dados. Acompanhado do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) que garante a proteção dos direitos humanos básicos dos participantes da pesquisa, baseados na resolução 196/96 enunciando pontos como o respeito à autonomia do participante da pesquisa, garantia de anonimato, desconforto e riscos possíveis. 3. 6 - Procedimentos para Coleta de Dados Todos os participantes estavam em seus respectivos locais de trabalho, quando os mesmos foram convidados a responder individualmente o questionário e assinar o termo de consentimento (anexo I) após a condução da avaliação psicológica dos candidatos. 3. 7 – Procedimentos para Análise dos Dados Nessa pesquisa, foi utilizado como aporte teórico metodológico o Construcionismo Social que tem como premissa básica considerar a linguagem como forma de ação no mundo, pelo fato de construir diversas realidades, além de compreender como os discursos são empregados nas relações de poder. Dentro dessa perspectiva, os Estudos Críticos do Discurso – ECD - foram utilizados com o fim de melhor compreensão crítica acerca das produções discursivas de relevantes temas sociais (Nogueira, 2008; Magalhães Neto, 2008). Para além de uma teoria e método a ECD se configura como um movimento que tem por objetivo compreender o papel da linguagem e como essa influencia na vida social e psicológica dos indivíduos, como também se preocupa como o discurso pode refletir em processos sociais mais amplos, de legitimação e poder (Nogueira, 2008; Magalhães Neto, 2008). A metodologia aplicada nessa investigação concentrou-se nas relações entre a estrutura social e a estrutura discursiva (Van Dijk, 2008) 24 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram construídas categorias de respostas para cada uma das perguntas abertas contidas nos questionários aplicados com os psicólogos do trânsito. Na tabela 01 podem-se encontrar elaborações de discursos sobre como se realiza o desenvolvimento da avaliação psicológica no contexto do trânsito na Paraíba. Tabela 01: Categorização de respostas sobre como são desenvolvidas a avaliação psicológica no contexto do trânsito. 2012. Quantidade de Categorias de Resposta Categorias 1º Dicotomia entre a centralização e descentralização 2º Dicotomia entre os testes Na primeira categoria de resposta denominada “Dicotomia entre a centralização e descentralização”, pontuou-se sobre o desenvolvimento atual que ocorre na avaliação psicológica no DETRAN-PB, no qual está ocorrendo uma atual adaptação do órgão, devido ao início das implantações das clínicas psicológicas credenciadas, neste ano. Haja vista, que a avaliação psicológica era conduzida, em toda a extensão do Estado, unicamente, pelos profissionais que foram efetivados pelo DETRAN ou pelos que estavam à disposição neste. Tais profissionais possuíam o curso de perito em psicologia do trânsito e, na atualidade, encontram-se fazendo o curso de especialização na área. A necessidade de locomoção gerava tanto um orçamento dispendioso, quanto conduzia a um desfalque nos serviços desenvolvidos na Capital. Portanto, foi instituído o sistema de credenciamento de clínicas para a avaliação psicológica no interior do Estado. Com isso, ocorreu a descentralização do poder no modo operatório. Associando-se a isso ocorreu uma busca por mais qualidade nos atendimentos, buscando dar peculiaridade as necessidades e as individualidades de cada um dos candidatos em atendimento. 25 Houve, também, a ampliação de serviços prestados, tais como, a realização da entrevista individual e a entrevista devolutiva. Sendo esta uma ferramenta de extrema importância para o candidato, evitando com frequência, que o mesmo não abandone o processo que foi dado entrada no DETRAN. Adicionando-se a isso, ocorreu a centralização das decisões. Fazendo com que alguns setores desempenhassem também uma função normativa e gerenciadora. Essa decisão por parte do DETRAN-PB trouxe benefícios para os candidatos, para o órgão e para os profissionais do mesmo. Porque além de solucionar o problema do acúmulo de atendimentos que necessitavam ser realizados, com urgência e cujos números só cresciam. Desenvolveu-se a agilidade, destes atendimentos, conjuntamente com a integração da qualidade que visa o individualizar dos atendimentos. Outra dicotomia que foi encontrada consiste na segunda categoria de resposta “Dicotomia entre os testes”, nessa observou-se a presença de uma amplitude adequada de quantidade de instrumentos que visam mensurar a atenção. Todavia, referente aos testes que buscam avaliar a inteligência, o raciocínio lógico, o raciocínio abstrato esse algarismo diminui significativamente. Restringindose a um, quando se fala da quantidade de testes aplicados para avaliar a personalidade. Na tabela 02, podem-se observar quais os instrumentos de testes que são utilizados, no Estado da Paraíba, durante a avaliação psicológica no contexto do trânsito. Usualmente, são aplicados três tipos de provas, para avaliar três tipos de processos psíquicos: Atenção, Personalidade e Inteligência. Um dos principais impasses que a avaliação psicológica no contexto do trânsito passa na Paraíba, consiste em obter instrumentos para avaliar a personalidade. Tabela 02: Principais instrumentos de mensuração da Avaliação Psicológica do Trânsito no Estado da Paraíba. 2012. Processos Psíquicos Instrumentos de teste Atenção AC, bateria BFM (por exemplo, TACOM, TADIS, TADIM). Inteligência R1, Raven, G 36. Personalidade Palográfico. 26 Esses instrumentos devem ser capazes de serem: utilizados em larga escala, aplicados coletivamente, tenham instruções que possam ser facilmente compreendidas pelos candidatos, não seja de extensa aplicação (pois os testes de inteligência, geralmente, os são) e cuja correção não demande muito tempo, pois são dez candidatos por dia. Tabela 03: Categorização de respostas sobre a atuação do Psicólogo do Trânsito na Paraíba. 2012. Quantidade de Categorias de Resposta Categorias 1º Integração Profissional 2º Uniformidade Na tabela 03, encontram-se as duas categorias de respostas criadas sobre a atuação do psicólogo do trânsito. Na primeira categoria, conceituada como “integração profissional”, relaciona-se com a necessidade que há entre os psicólogos da área em estabelecer comunicação e, consequentemente, redes de trabalho. Além da distância geográfica que alguns profissionais possuem, atuando sozinhos, sem que haja um intercâmbio direto de informações, existe uma acirrada competição no meio, a fim de que, novas clínicas não sejam criadas, fazendo com que o espírito corporativista da classe seja perdido. Somando-se a isso, ainda existem alguns CRP´s - Conselho Regional de Psicologia – que apresentam uma postura rígida e arcaica, que visa apenas fiscalizar e notificar as clínicas. Gerando assim, um clima desfavorável ao diálogo, ao invés de, promover maiores esclarecimentos e medidas de integração entre os profissionais na área da Psicologia do Trânsito, de diferentes Estados. Embora, o pensamento do Conselho Federal de Psicologia seja diferente destes, buscando almejar uma integração entre os sistemas de conselhos regionais, afim de que, os mesmos atuem com ética em defesa da classe profissional. Na segundo categoria de resposta, denominada “Uniformidade” questiona-se sobre as diferentes formas de se conduzir a Avaliação Psicológica no contexto do 27 Trânsito que existe entre diferentes regiões e, até no mesmo, entre profissionais do ambiente de trabalho. Existe uma necessidade de estabelecer uma uniformidade na construção de diferentes baterias de testes, para diferentes tipos de finalidade no trânsito. Incluindo, também a igualdade nas formas de pagamento das clínicas. Em particular, no estado da Paraíba, no qual além de ser o local que menos se paga, no Brasil, por prova realizada, ainda teve uma significativa diminuição dos honorários, somando-se ainda, a criação de novos impostos estaduais específicos. Com a taxa de pagamento tão baixa, torna-se implexa a possibilidade de se ter: 1) Uma ampla variedade de testes, para serem aplicados nos participantes; 2) Uma qualificação e reciclagem contínuas, pois além dos cursos dessa natureza serem onerosos, não os há no Estado da Paraíba; 3) Proporcionar mais conforto para os candidatos, na estrutura física da clínica, pois isso se refletiriam em mais despesas, que as clínicas não conseguiriam manter. Na tabela 04, encontram-se as categorias de respostas relativas às ações de compreensão da Psicologia do Trânsito na Paraíba. Na primeira categoria denominada “Identidade Científica”, remete a necessidade de se construir uma identidade no próprio âmbito da Psicologia. Tabela 04: Categorização de respostas sobre as ações de compreensão da Psicologia do Trânsito na Paraíba. 2012. Quantidade de Categorias de Resposta Categorias 1º Identidade Científica 2º Conscientização Assim como, existe a Psicologia Cognitiva, a Psicologia Organizacional, a Psicologia Educacional, também se faz imperativo, a existência de uma Psicologia do Trânsito, com suas delimitações bem demarcadas, composta por um acervo teórico consistente, com metodologia desenvolvida. Só apenas sabendo quais são os seus cenários e as amplitudes de práticas é que se pode pensar na: constituição de uma identidade científica entre os profissionais que atuam com a Psicologia do Trânsito. Para então, poder-se 28 “desenvolver um espaço dentro da própria psicologia, pois geralmente os profissionais, das demais áreas deste saber, encontram-se a par do que tange a compreensão e amplitude da Psicologia do Trânsito” (Entrevistando 2). Isso implica dizer que só a partir de uma elaboração da identidade própria e divulgação da mesma no campo da Psicologia é que se pode buscar desenvolver relações de interdisciplinaridade e diálogo com outras áreas necessárias para o Trânsito, tais como, a Engenharia do Tráfego, Direito do Trânsito, Medicina do Tráfego. Já na segunda categoria: “Conscientização”, busca-se pelo o desenvolvimento da conscientização tanto dos candidatos, quanto dos próprios profissionais. No primeiro caso, remete ao “diálogo e um trabalho pedagógico de conscientização de que a Carteira de Habilitação Nacional não é um mero documento que todos os cidadãos podem ter, como por exemplo, identidade ou CPF, mas que para possuir tal, necessita-se de componentes cognitivos, que nem todos possuem, como tempo de reação e atenção adequados ao trânsito” (Entrevistando 3). Concernente à conscientização dos profissionais, ressalta-se a busca pelo envolvimento com maior senso de responsabilidade profissional, ético e de humanização. Ter atitudes maduras e traçar metas de melhoramento, conjuntamente, com os psicólogos do trânsito e áreas afins, que podem ser elaborados através da participação dos Conselhos de Psicologias Regionais, Conselho Federal de Psicologia, em Congressos/Simpósios. Assim como, desenvolver trabalho com outros profissionais do fenômeno Trânsito. Quando se averigua informações sobre o futuro da Psicologia do trânsito na Paraíba, pode ver na tabela 05, a categoria “Instrumentos”, no qual abrange a ideia de que se precisam ampliar os números de testes; investir nas pesquisas nessa área, assim como; desenvolver novos estudos de adaptação destes instrumentos já existente, a fim de adaptá-los a cultura local, tornando-se dessa forma os resultados mais fidedignos. 29 Tabela 05: Categorização de respostas sobre o futuro da Psicologia do Trânsito na Paraíba. 2012. Quantidade de Categorias de Resposta Categorias 1º Instrumentos 2º Educação para o Trânsito Além disso, a renovação dos testes é imprescindível porque “com a falta de ação ética dos psicólogos que ensinam ilegalmente como os candidatos devem proceder durante a realização da avaliação psicológica para serem considerados aptos” (Entrevistando 2). Ao mesmo tampo, há o fato de que o trânsito é um cenário que se encontra em contínua mudança, devido a sua natureza dinâmica e também a formação do perfil do motorista ainda se encontra em um estado de construção. Ao falarmos da segunda categoria de resposta “Educação para o Trânsito” busca-se pensar sobre uma conscientização pedagógica da educação para o trânsito, no qual “deve-se esclarecer para a sociedade que a Avaliação no Trânsito não é apenas uma mera formalidade para se obter a carteira de nacional de habilitação, mas que a mesma tem a finalidade de promover a segurança no trânsito, por meio da seleção de pessoas que possuem a capacidade de conduzir” (Entrevistando 2). Assim como, também se deve estabelecer uma pedagogia de sensibilização da direção defensiva com os motoristas, pretendentes a CNH, e também, com os pedestres. A fim de que se tenha um Trânsito mais tranquilo e seguro, para nossa geração e para as vindouras. 30 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A Psicologia encontra-se completando 50 anos de atuação como profissão, no Brasil. Nessa caminhada buscou solidificar-se como ciência, desenvolver pesquisas, ampliar e delimitar a sua demanda, assim como, desvendar novos horizontes. Um destes consiste na Psicologia do Trânsito. Esta por sua vez, vem trilhando metas concretas com a finalidade de prevenir e promover uma maior segurança no Trânsito. Apesar dos passos serem curtos, devido às limitações iniciais, a mesma vem se firmando como parte necessária nessa conjectura. O Psicólogo do Trânsito vem lutando, inicialmente, para consolidar-se não apenas nas esferas do âmbito do trânsito, mas também dentro do próprio campo do saber da Psicologia, pois ainda hoje, há grandes desconhecimentos por parte dos companheiros da profissão, haja vista, que não existem poucas disciplinas que são ministradas nos centros formadores de conhecimentos, que abrangem esse tema. A realidade do estado da Paraíba se encontra ainda mais agravada, pois além das universidades não ministrarem essa temática durante a graduação, os profissionais que se desejavam adentrar nesta área tinham que buscar capacitações nos estados circunvizinhos. Atualmente, houve a abertura de um centro formador. Todavia, ainda não há turmas que concluíram, de modo que respaldem tais centros. Somando-se a isso, existem poucas ofertas de emprego na área dentro do Estado. Concentrando-se nos estabelecimentos do DETRAN-PB a maioria dos profissionais que trabalham com esse segmento, pois além de não haver concursos para o órgão, existem poucas clínicas credenciadas. Tais clínicas possuem dificuldades de contratar outros funcionários, uma vez que, o valor recebido por candidato atendido ser baixo (R$ 23,00, o menor valor pago no Brasil), estando bem inferior ao valor da média brasileira. E como as clínicas foram abertas apenas no interior, não existe como sustentar os deslocamentos e demais despesas desses profissionais. Além disso, existe a dificuldade de se manter aberta as clínicas, pois a demanda de candidatos, em algumas cidades, é inferior ao total de gasto que uma clínica teria para se manter aberta de acordo com os parâmetros exigidos pelo DETRAN e pelo Conselho Federal de Psicologia, resolução 007/2009. 31 Por tais razões é necessário que ocorra uma integração dos profissionais da área, para que ocorra uma uniformidade nas condições da atuação do Psicólogo do Trânsito. A fim de que tais possam aprofundar seus conhecimentos; realizar workshops sobre as atualizações dos testes, realizar novas capacitações com novos testes; utilizar uma bateria de teste mais ampla; proporcionando-se dessa forma uma maior qualificação tanto do profissional, quanto do serviço prestado aos candidatos. Consequentemente, é importante que o profissional de psicologia nesta área exerça sua função com censo crítico, baseando seu trabalho no respeito à dignidade do indivíduo como ser humano; promovendo o bem-estar da pessoa e da humanidade; com compromisso pelo aperfeiçoamento de suas vivências morais; de seus conhecimentos e procedimentos éticos e ainda, na melhoria de suas competências nas áreas científicas e técnicas, conforme celebra o Código de Ética Profissional. 32 REFERÊNCIAS ABREU, M. M. A., LIMA, J. M. B., ALVES, T. A. O impacto do álcool na mortalidade em acidentes de trânsito: uma questão de saúde pública. Escola Anna Nery R Enfermagem. 10 (1): 87-94, 2006. ÁLCOOL e Trânsito. Centro de Informação sobre saúde e álcool, Cisa. Disponível em: <http://www.cisa.org.br/categoria.html>. Acessado em: 25 de set. 2012. ARAÚJO, F. S. Wilhmelh Wundt e a fundação do primeiro centro internacional de psicólogos. Temas em Psicologia. Vol.17. n.1. 09-14, 2009 BELLINA, C. C. de O. 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( ) SIM ( )NÃO 5) Você tem o título de especialização em psicologia do trânsito? ( ) SIM ( )NÃO 6) Caso sua resposta tenha sido não, você encontra-se fazendo ou pretende fazer? ( ) SIM, estou cursando ( ) SIM, pretendo fazer ( )NÃO 7 – Como é desenvolvida a avaliação psicológica no contexto do trânsito no seu Estado? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 36 8 - Como você avalia a atuação do psicólogo do trânsito no seu Estado? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 9 – Como e quais ações podem ser desenvolvidas para melhorar a compreensão da avaliação psicológica no contexto do trânsito? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 10 - Como você avalia o futuro da Avaliação Psicológica do Trânsito? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Agradecemos por sua colaboração nesta pesquisa! 37 ANEXO TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Pesquisadora: Marta Gerusa de Araújo Alves Título da Pesquisa: AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA DO TRÂNSITO: UMA VISÃO PANORÂMICA DA REALIDADE ATUAL DO PSICÓLOGO DO TRÂNSITO Caro participante, Gostaríamos de convidá-lo a participar como voluntário da pesquisa intitulada Avaliação Psicológica do Trânsito: Uma visão Panorâmica da realidade atual do Psicólogo do Trânsito, que refere-se a um projeto de Trabalho de Especialização, o qual pertence ao curso da Universidade Paulista. Os objetivos deste estudo é abordar o atual perfil de desenvolvimento do trabalho do psicólogo do trânsito frente as suas condições legais para avaliação psicológica. Sua forma de participação consiste em responder um questionário. Seu nome não será utilizado em qualquer fase da pesquisa o que garante seu anonimato. Não será cobrado nada; não haverá gastos nem riscos na sua participação neste estudo; não estão previstos ressarcimentos ou indenizações; não haverá benefícios imediatos na sua participação. Os seus resultados contribuirão para a construção da Psicologia do Trânsito. Gostaríamos de deixar claro que sua participação é voluntária e que poderá se recusar a participar ou retirar seu consentimento, ou ainda descontinuar sua participação se assim, o preferir. Desde já agradecemos sua atenção e participação e colocamo-nos à disposição para maiores informações. Em caso de dúvida(s) e outros esclarecimentos sobre esta pesquisa você poderá entrar em contato com a responsável Marta Gerusa de Araújo Alves pelo telefone 88829-9940. Eu confirmo que Marta Gerusa de Araújo Alves explicou-me os objetivos desta pesquisa, bem como, a forma de participação. As alternativas para minha participação também foram discutidas. Eu li e compreendi este termo de consentimento, portanto, eu concordo em dar meu consentimento para participar como voluntário desta pesquisa. João Pessoa, ________de ___________________de 2012. _____________________________________________________ (Assinatura do participante)