Ação de Pesquisa e Extensão no Projeto Laboratório de Tecnologias Intelectuais 1 ‐ UFPB Isa Maria Freire 1(UFPB) Edvaldo Carvalho Alves 2 (UFPB) Julio Afonso Sá de Pinho Neto3 (UFPB) Marckson Roberto Ferreira de Souza4 (UFPB) Resumo Apresenta os primeiros resultados do Projeto Laboratório de Tecnologias Intelectuais (LTi ), em desenvolvimento mediante parceria entre o Departamento e o Programa de Pós‐ Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal da Paraíba. Visa promover ações para propiciar o acesso à informação e à formação de competências em informação, através da Internet, bem como a troca produtiva de conhecimentos e experiências entre pesquisadores, bolsistas e usuários do LTi . Propõe ações em níveis de pesquisa (o projeto em si), ensino (EAD) e extensão (cursos e tutoriais), abordando as tecnologias intelectuais e suas aplicações em um ambiente de compartilhamento de conhecimentos. Relata resultados já alcançados desde o início do Projeto LTi (2009), especialmente a experiência com a Oficina de Criatividade Científica, curso de extensão presencial com atividades on line, que proporciona aos participantes a oportunidade de conhecer e trabalhar as abordagens e metodologias do campo da Ciência da Informação. Palavras‐chave: Tecnologias intelectuais. Competências em informação. Regime de informação. Educação continuada. Ciência da Informação. Abstract This paper presents the first results of the Project in Intellectual´s Technologies Laboratory (LTi ), developed through a partnership between the Department and Graduate Program in Information Science at the Federal University of Paraíba. The LTi promotes actions to provide access to information and skills training in information on the Internet, 1 Com apoio da Capes, do CNPq e do Programa de Bolsas de Extensão da UFPB. Home Page: <http://dci.ccsa.ufpb.br/lti> and productive exchange of knowledge and experiences among researchers, scholars and users of LTi . Proposed actions on levels of research (the project itself), learning (ODL) and extension (courses and tutorials), sharing intellectual technologies and their applications in a collaborative environment. Show results since the beginning of the Project LTi (2009), especially the experience with Office of Scientific Creativity. An extension course with online activities that gives the opportunity to meet and work with methodologies in Information Science approaches to these participants. Key‐words: Intellectual technologies. Information skills. Information scheme. Continuing education. Information Science. 1 Introdução O presente trabalho visa descrever as ações de pesquisa e extensão desenvolvidas no Projeto Laboratório de Tecnologias Intelectuais ‐ LTi , com vistas ao desenvolvimento de atividades que facilitem o acesso livre à informação científica e tecnológica e, ao mesmo tempo, promovam competências em tecnologias intelectuais para produção e uso da informação. O LTi iniciou suas atividades em 2009, contando com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), através do edital 014/2009 Universal e do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), e do Programa de Bolsas de Extensão (PROBEX) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), mantido com recursos próprios da própria Universidade, e que tem o propósito de contribuir para a formação acadêmica dos estudantes dos cursos de graduação e das escolas técnicas, a partir da experiência em extensão universitária. No quadro de pesquisadores participantes, o LTi conta com um conjunto de 13 professores 2, doutores e mestres do Departamento e do Programa Pós‐ Graduação em Ciência da Informação do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da UFPB. A abordagem metodológica utilizada no LTi tem um caráter participativo, tanto em nível da articulação com o espaço sócio‐institucional quanto em nível da abordagem teórica. Nesse sentido, adotam‐se os modelos da responsabilidade social da Ciência da Informação, conforme Wersig e Neveling (1995) e Freire (2001), do regime de informação como proposto por González de Gómez (1999, 2002, 2003), das tecnologias intelectuais e da inteligência coletiva, ambos de Lévy (1993 e 2000, respectivamente), de competências em informação, conforme Hattschbach (2002) e Dudziak (2003), de projeto (Lück, 2001) e da pesquisa‐ação, como proposto por Thiollent (2000) experimentado por Freire (1998), Espírito Santo e Freire (2003) e Freire (2006 e 2009). Como urdidura para os fios do nosso relato, apresentamos, a seguir, a perspectiva a partir da qual propõe‐se promover uma integração entre pesquisa‐ ensino‐extensão, no escopo do LTi . Dessa forma, espera‐se ampliar a discussão sobre o valor da informação na sociedade contemporânea e a necessária democratização do acesso a fontes e a competências informacionais relevantes. 2 Contexto A Ciência da Informação surgiu em um contexto social onde a grande preocupação era organizar o enorme volume de informação produzida e disponibilizá‐la, utilizando os mecanismos e tecnologias acessíveis na época. Depois da Segunda Guerra Mundial, em decorrência da explosão documental, 2 Alba Lígia Silva, Bernardina Maria Juvenal Freire de Oliveira, Dulce Amélia de Brito Neves, Emeide Nóbrega Duarte, Edvaldo Carvalho Alves, Genoveva Batista do Nascimento, Guilherme Ataíde Dias, Gustavo Henrique de Araujo Freire, Isa Maria Freire (coordenadora geral), Julianne Teixeira e Silva, Julio Afonso Sá de Pinho Neto, Marckson Ferreira de Sousa, Meriane Vieira da Rocha, Patrícia Silva, Wagner Junqueira de Araujo. tornou‐se necessário gerenciar e controlar o grande volume de informação, estocar e caracterizar seu conteúdo, bem como priorizar o seu uso de acordo com as diferentes comunidades de usuários. As primeiras pesquisas campo da Ciência da Informação priorizavam a recuperação da informação, o que tornou possível o desenvolvimento de inúmeras aplicações em produtos, sistemas, redes e serviços de informação. Na década de 1970, o tema da recuperação da informação começou a abranger os processos de comunicação humana em si, passando a ser vista como um campo de “estudo do modo pelo qual as pessoas, criam, usam e comunicam informações” (SARACEVIC, 1996, p.48). No início da década de 1980, a área de administração de sistemas e serviços de informação foi acrescentada como mais uma de interesse para o campo da Ciência da Informação, e nos anos 1990 a Ciência da Informação foi definida por Saracevic (1996, p.48) como [...] um campo dedicado às questões científicas e às práticas profissionais voltadas para os problemas da comunicação do conhecimento e de seus registros entre os seres humanos, onde, no tratamento destas questões, são consideradas as modernas tecnologias informacionais. Destaca‐se, nesta definição, a função social da Ciência da Informação, que visualiza na socialização da informação o princípio básico para a produção do conhecimento científico. Nesse sentido, no início do século 21, González de Gómez (2003b, p. 61) entende a Ciência da Informação como o campo científico [...] que estuda fenômenos, processos, construções, sistemas, redes e artefatos de informação, enquanto ‘informação’ for definida por ações de informação as quais remetem aos atores que as agenciam aos contextos e situações em que acontecem e aos regimes de informação em que se inscrevem. (Grifo nosso) Nesta abordagem, a autora propõe que [...] as ações de pesquisa e as ações de informação integrarão um mesmo domínio de orientações estratégicas e, em conseqüência, a política e gestão da Informação formarão parte do mesmo plano decisional e prospectivo ao qual pertence a política e gestão da ciência e da tecnologia – agora reunidos em um só paradigma epistêmico‐ administrativo. (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2003b, p. 64, Grifos nossos) Nesse contexto, como propõe Freire (2006) caberia ao campo científico da informação produzir e compartilhar abordagens e tecnologias intelectuais para otimizar os recursos informacionais3, de modo a promover a inclusão de indivíduos e grupos na Sociedade da Informação. Uma das práticas bastante significativa neste conjunto é a gestão da informação. Segundo discutido no Departamento de Ciência e Gestão da Informação da Universidade Federal do Paraná, o termo gestão da informação significa “o planejamento, a construção, a organização, a direção, o treinamento e o controle associados com a informação” (DECIGI, 2004). O termo pode significar tanto a informação em si quanto os recursos relacionados, tais como pessoas, equipamentos, verbas de custeio e tecnologias. Nessa perspectiva, na Ciência da Informação a atividade de gestão pode ser considerada como [um] conjunto de processos que englobam atividades de planejamento, organização, direção, distribuição e controle de recursos de qualquer natureza, visando à racionalização e à efetividade de determinado sistema, produto ou serviço (PONJUÁN DANTE, 1998 citada em MARCHIORI, 2002). Para Marchiori (2002) existem pelo menos três recortes no contexto da gestão da informação que já se apresentam como realidades em cursos de graduação e pós‐graduação no Brasil: a) da administração de empresas, nos quais a gestão da informação 3 visa a incrementar a competitividade No Projeto LTi entendemos como recursos informacionais o conjunto de ações e/ou elementos englobados nas ações de produção, organização, acesso, comunicação e uso da informação. empresarial e os processos de modernização organizacional [...]; b) da tecnologia, onde a gestão da informação é vista como um recurso a ser otimizado via diferentes arquiteturas de hardware, software e de redes de telecomunicações adequadas aos diferentes sistemas de informação em especial aos empresariais; c) da Ciência da Informação, [considerando] a necessidade do gerenciamento de recursos de informação, o monitoramento, a localização, a avaliação, a compilação e a disponibilidade de fontes de informação [...] no âmbito de diferentes fluxos de informação [...]. Para González de Gómez cabe à gestão da informação o “planejamento, instrumentalização, atribuição de recursos e competências, acompanhamento e avaliação das ações de informação e seus desdobramentos em sistemas, serviços e produtos” (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 1999b, p.131). Na visão da autora, a gestão estabelece a mediação entre as políticas de informação de um setor e a ação informada dos atores envolvidos, sejam eles o Estado, o Governo, ou as comunidades usuárias de bens e serviços. Esse conjunto de regras, proposições, artefatos, ações e atores formam o contexto para a gestão da informação, em um dado regime de informação. 2.1 A perspectiva do regime de informação Na sua abordagem da sociedade informacional, González de Gómez (1999; 2002; 2003; 2004) trabalha com o conceito de ‘regime de informação’, que designa o modo de produção informacional numa formação social, no qual ficaria estabelecido quem são os sujeitos, as organizações, as regras e as autoridades normativas no campo da informação. Trata‐se do conjunto de determinações onde estão definidos os elementos que compõem o fluxo estrutural da produção, organização, comunicação e transferência de informações em um dado espaço social. Um regime de informação é definido por González de Gómez (1999a, p.24; 2002, p. 34) como [um] conjunto mais ou menos estável de redes sociocomunicacionais formais e informais nas quais informações podem ser geradas, organizadas e transferidas de diferentes produtores, através de muitos e diversos meios, canais e organizações, a diferentes destinatários ou receptores, sejam estes usuários específicos ou públicos amplos. [Este conjunto] está configurado, em cada caso, por complexos de relações plurais e diversas: intermediáticas; interorganizacionais e intersociais. [Sendo constituído, assim,] pela figura combinatória de uma relação de forças, definindo uma direção e arranjo de mediações comunicacionais e informacionais dentro de um domínio funcional (saúde, educação, previdência, etc.), territorial (município, região, grupo de países) ou de sua combinação. Neste modelo, enquanto Ação de Informação, a informação refere‐se a um conjunto de estratos heterogêneos e articulados, que se manifestam através de três modalidades: a) ação de mediação: quando a ação está atrelada aos fins e orientação de uma outra ação, como nas parcerias com educação; b) ação formativa: quando a ação está orientada à informação não como um meio, mas como sua finalização, como nos programas de pós‐ graduação; c) ação relacional: quando a ação busca intervir em uma outra ação para obter direção e fins, como na inclusão social (GONZALEZ DE GOMEZ, 2003a). São, também, constituintes de um regime de informação: · os Dispositivos de informação, que podem ser considerados um mecanismo operacional, ou um conjunto de meios composto de regras de formação e de transformação desde o seu início, ou, como González de Gómez (1999a, p. 63) exemplifica, “um conjunto de produtos e serviços de informação e das ações de transferência de informação”. · os Atores sociais, “[...] que podem ser reconhecidos por suas formas de vida e constroem suas identidades através de ações formativas existindo algum grau de institucionalização e estruturação das ações de informação”. (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2003a, p. 35). · os Artefatos de informação, que são os modos tecnológicos e materiais de armazenagem, processamento e de transmissão de dados, mensagem, informação. (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2002, 2003a). Nesse modelo teórico‐operativo, é possível propor‐se uma ação que possibilite a união desses elementos em um espaço social onde cientistas da informação possam desenvolver ações com vistas à gestão de recursos informacionais para promover a inclusão na Sociedade da Informação. Com esta abordagem, é possível argumentar que o campo da Ciência da Informação pode proporcionar recursos teóricos, tecnológicos e metodológicos que promovam as competências necessárias para a socialização da informação. Essa perspectiva traz a escola para campo de atuação da Ciência da Informação, pois no contexto cultural [...] a escola é [...] um espaço de informação ou de exercício da comunicação e de acesso às informações produzidas socialmente. [...] o campo social escola é assim um lócus privilegiado para o estudo das praticas informacionais e por aí para uma visão da institucionalização e funcionamento do nosso mundo cultural. (MARTELETO, 1992. Em itálico, no original) E contextualiza uma ação de informação desenvolvida na escola como um entrelaçamento teórico‐metodológico entre os campos da Educação e da Ciência da Informação. Nesse contexto, conforme Pereira e Freire (1998, p.32), a informação pode ser abordada na perspectiva “[da] transmissão de conhecimento para aqueles que dele necessitam, atividade que tem uma responsabilidade social que Wersig e Neveling sugerem ser o fundamento em si para a ciência da informação”. Nessa perspectiva, o projeto LTi assume a função social de oferecer um espaço de mediação na transferência da informação entre um estoque de conhecimento, acumulado universitários) que e disponível necessitam de na sociedade conhecimento e no usuários seu (alunos processo de desenvolvimento pessoal e social. Aos fios desse contexto, entrelaçam‐se o de uma área que vem adquirindo relevância para as ações de informação, principalmente no que diz respeito à capacitação para o uso de tecnologias intelectuais e digitais para produção, busca, recuperação e propagação da informação por diversos grupos, na sociedade. 2.2 As competências em informação Deve‐se a Paul Zurkowski, bibliotecário norte‐americano, a introdução da expressão Information Literacy.4 Quando presidente da Information Industry Association, em 1974, Zurkowski apresentou um relatório à National Commission on Libraries and Information Science recomendando aos Estados Unidos um programa nacional para aquisição de ‘competências em informação’ em uma década. Depois de 15 anos, o Comitê Presidencial da American Library Association (ALA) publicou um Relatório sobre Information Literacy, reconhecendo a importância desta área 4 Traduzido por Hattschbach (2002) como “competências em informação”, termo que adotamos. para a manutenção de uma sociedade democrática. Neste documento, descrevem‐ se os critérios que definem como ‘competentes em informação’ pessoas capazes [...] de reconhecer quando a informação é necessária e [têm] a habilidade de localizar, avaliar e usar efetivamente esta informação [Essas pessoas] aprenderam como aprender. Elas sabem como aprender porque sabem como a informação é organizada, como encontrá‐la e como usar a informação de forma que os outros também possam aprender com ela. (AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION, 1989) Logo em seguida, Kuhlthau (1991) contribuiu para a fundamentação teórica da Information Literacy com um estudo sobre o comportamento dos estudantes, concluindo que não se trata apenas de possuir habilidades, mas, sobretudo, de uma maneira de aprender: “a busca de informação é um processo de construção que envolve a experiência de vida, os sentimentos, bem como os pensamentos e as atitudes de uma pessoa” (KUHLTHAU, 1991, p. 362). Em 1994, Doyle publicou um trabalho que traça a história, o desenvolvimento e a importância da Information Literacy como aspecto significante para a organização e o desenvolvimento da sociedade contemporânea, além de fazer um estudo das competências requeridas dos estudantes, a partir da análise de currículos escolares americanos das áreas sociais, exatas e biológicas. O estudo apresenta um levantamento dos atributos para uma pessoa ser considerada information literate. De acordo com a autora, esses atributos são os seguintes: • reconhecer que uma informação precisa e correta é a base para uma tomada de decisão inteligente; • reconhecer a necessidade de informação; • formular questões baseadas em necessidades de informação; • identificar fontes potenciais de informação; • desenvolver estratégias de pesquisa bem sucedidas; • saber acessar diversas fontes de informação, incluindo o computador e outras tecnologias; • avaliar a informação; • organizar a informação para aplicação prática; • integrar informações novas a conhecimentos já adquiridos; • utilizar a informação de uma forma crítica e para a resolução de problemas (cf. DOYLE, 1994). Hatschbach (2002) entende como competências em informação a habilidade e a capacidade em utilizar a informação e o conhecimento sobre a sistemática e o movimento da informação. Além da capacitação no uso das ferramentas para a recuperação da informação, esse conjunto inclui o conhecimento de fontes, o pensamento crítico, a formulação de questões, a avaliação, a organização e a utilização da informação. O que nos traz, certamente, para o ambiente universitário. A autora coloca a importância da consciência em desenvolver habilidades específicas de informação junto aos estudantes universitários, para melhor desempenho de suas atividades acadêmicas, na política educacional e também como tema de interesse de educadores e pesquisadores. O aprender e o recriar permanentemente, ou aprender a aprender, conceito pedagógico derivado dos novos desafios da sociedade contemporânea, é o marco norteador para construir metodologias criativas no trabalho docente. Nesse sentido, pode‐se observar que as competências em informação constituem uma temática relevante no contexto educacional, indo ao encontro das orientações e práticas pedagógicas contemporâneas. Em seu trabalho sobre a questão da educação na Sociedade da Informação, Belluzzo afirma que a “gestão da informação nos diferentes níveis ― pessoais, organizacionais e sociais ―, é o grande desafio dos tempos atuais, constituindo‐se no próximo estágio de alfabetização do homem” (BELLUZZO, 2001). A autora também destaca a Information Literacy dentre as competências em que o processo de ensino‐aprendizagem deve estar centrado: “constitui‐se na fluência científica e tecnológica e no saber utilizar a informação, criando novo conhecimento” (BELLUZZO, 2001). É nesse contexto que situam‐se as tecnologias de organização, processamento e busca da informação relevante para um dado grupo de usuários, na sociedade. Seguindo o modelo de Lèvy (1993, p. 42), consideram‐se tecnologias intelectuais [...] tanto as formas de expressão simbólica [...] quanto as tecnologias de informação em si mesmas (p.ex., a escrita em tabuinhas de barro, as iluminuras medievais, a imprensa e os computadores). Podemos chamá‐las, também, de ‘tecnologias soft’ em contraponto às tecnologias de produção material (que evoluíram, p.ex., desde o machado de pedra até os satélites de comunicação). Ainda de acordo com Lévy (1993, p. 42), essas tecnologias intelectuais [...] situam‐se fora dos sujeitos cognitivos, como este computador sobre minha mesa ou este [texto] em suas mãos. Mas elas também estão entre os sujeitos como códigos compartilhados, textos que circulam, programas que copiamos, imagens que imprimimos e transmitimos por via hertziana. [...] As tecnologias intelectuais estão ainda nos sujeitos, através da imaginação e da aprendizagem. O autor destaca as tecnologias intelectuais em suporte digital, as quais “favorece(m), ainda, o desenvolvimento e manutenção da inteligência coletiva, pois exteriorizando uma parte de nossas operações coletivas as tornam [...] públicas e partilháveis”; destarte, as tecnologias intelectuais “aumentam e modificam nossas capacidades cognitivas” (LÉVY, 2001 citado por GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2004, p.55). Nesse contexto, entendemos como intelectuais as tecnologias digitais de organização, processamento e busca de informações relevantes para um dado grupo social, na sociedade. Essa perspectiva propicia a abordagem das competências em tecnologias intelectuais e digitais de informação através de projeto para desenvolvimento e experimentação de um modelo de ação para competências em informação no âmbito universitário, integrado às atividades de pesquisa, ensino e extensão do Departamento de Ciência da Informação e do Programa de Pós‐Graduação em Ciência da Informação do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da UFPB. 2.3 O acesso livre O LTi não poderia deixar de desenvolver ações voltadas para o Open Access (OA), ou “Acesso Livre”, como é chamado no Brasil. Tal iniciativa diz respeito à disponibilização, na rede mundial de computadores, de trabalhos voltados para a produção de conhecimento científico, oriundos de pesquisas realizadas em universidades e institutos de pesquisa. Tem com objetivo viabilizar o livre acesso de qualquer pesquisador aos conteúdos de tais trabalhos. A ideia é permitir, além da consulta, a livre reprodução e distribuição – na íntegra ou em parte – de artigos ou outras diferentes fontes de informação científica. Parte‐se do pressuposto que as tecnologias de informação e comunicação são um instrumento essencial para o avanço e a difusão do conhecimento. A disponibilização dos acervos – sem qualquer tipo de ônus – via bibliotecas digitais, repositórios, cursos a distância em plataformas digitais de livre acesso é uma atribuição inerente a um laboratório voltado para gerar competências em ensino e aprendizagem a partir das tecnologias intelectuais e digitais de informação. Contudo, o papel relevante da academia diante desse processo está especialmente voltado para desencadear uma mudança de perspectiva no que diz respeito ao ensino, aliada a uma postura crítica, com o compromisso de transformação, no que tange aos novos saberes ligados à utilização das TIC e em especial no que diz respeito às possibilidades ao livre acesso ao conhecimento que a Internet hoje torna possível. É preciso que utilizem a web para a exposição de competências e permuta contínua de informações. Assim estarão praticando um exercício de inconformismo que divide uma era de conhecimento de outra. [...] Essa busca permanente de eficiência não é um procedimento empresarial, como alguns pensam. É antes de tudo um procedimento acadêmico, em sentido estrito. (MARKOVITCH, 2002). O LTi tem o interesse em familiarizar a comunidade acadêmica e demais usuários com os instrumentos de livre acesso já existentes no Brasil. À frente de várias iniciativas nesse sentido, encontram‐se os projetos desenvolvidos pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), tais como o Programa de Informação e Comunicação para a Pesquisa (PROSSIGA), o portal Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) e ainda o Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER). Tudo isso acrescido de um grande número de softwares livres já existentes que têm como finalidade contribuir para a consecução do tão almejado objetivo de disponibilizar livremente o acesso a conteúdos informações de empresas ou organizações, como o DSPACE, também disponível gratuitamente pelo IBICT. Outras inúmeras instituições brasileiras fazem coro a tais iniciativas, dentre as quais podem ser citadas a Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). O SCIELO (Scientific Eletronic Library Online) e o Portal de Periódicos da CAPES são dois exemplos pujantes de instrumentos desenvolvidos com o objetivo de viabilizar o Open Access pelas instituições citadas. Um dos papéis preponderantes da academia deve ser o de preparar os usuários da informação para que estes possuam competências para lidar com as tecnologias da informação. No bojo de tais competências reside a necessidade primordial de educar tais usuários a partir de uma perspectiva crítica e analítica. Para Barreto (1994), o objetivo precípuo da informação deve ser promover o desenvolvimento do indivíduo, de seu grupo e da sociedade. Para que o livre acesso à informação, disponível através das TIC, possa realmente vir a provocar uma verdadeira inclusão digital, fundamentada na promoção da cidadania. É necessário que este processo de Information Literacy seja organizado tendo em vista o estímulo à reflexão, à análise e crítica, sem os quais é impossível atingir tal objetivo. Um bom exemplo dessa panorâmica é o excesso de informação hoje existente na rede mundial de computadores, que enfrenta, segundo alguns, a ameaça tornar‐se um espaço de culto ao amadorismo (KEEN, 2006), corroborando para agravar a crise política e ideológica contemporânea. Segundo estudos realizados por Lawrence (2001, citado por BOMFÁ; BLATTMANN; CASTRO, 2010), o índice de citações nas publicações eletrônicas é preponderantemente maior que em similares impressas. Conforme a pesquisa, as publicações eletrônicas contam com 7,03%, enquanto que nas impressas esse percentual de citações cai para 2,74%. Resta, assim, a indagação sobre a qualidade, legitimidade e confiabilidade de tais conteúdos. Ou seja, como assegurar igual legitimidade e confiabilidade nos trabalhos disponibilizados em nesses diferentes suportes materiais da informação? “Aprender a aprender” requer poder contar com o exercício da crítica necessário para conceber a tecnologia como um instrumento que não prescinde de démarches políticas, culturais, econômicas ou ideológicas (PINHO NETO, 2008), fortalecendo um entendimento e uso dos seus processos que discorda, ao mesmo tempo, das concepções excessivamente funcionalistas que apostam no simples uso ou aquisição de novos gadgets como a solução para todos os males da humanidade. O interagir humano com a técnica não diz respeito somente ao uso, mas a questões políticas, sociais, econômicas e culturais, onde há sempre um espaço para criar outras possibilidades de interagir com tecnologia e assim plasmar novas formas de ensino e aprendizagem. 3 A rede de projetos dO lti O Laboratório de Tecnologias Intelectuais (LTi ) está sendo implementado através de uma rede de projetos, em correspondência às atividades acadêmicas da UFPB e em conformidade com o “método de projeto”, considerado por Lück (2001, p. 13) como uma “ferramenta básica do gestor, que [...] fundamenta, direciona e organiza a ação de sua responsabilidade [e] possibilita o seu monitoramento e avaliação”. Nesta perspectiva, projeto é definido como [...] um conjunto organizado e encadeado de ações de abrangência e escopo definidos, que focaliza aspectos específicos a serem abordados num período determinado de tempo, por pessoas associadas e articuladoras das condições promotoras de resultados. (LÛCK, 2001, p.27) A rede de projetos do LTi é constituída por propostas de ações de informação no âmbito de cada uma das linhas de atuação universitária: ensino, pesquisa, extensão. Professores do Departamento de Ciência da Informação (DCI) e do Programa de Pós‐Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) da UFPB participam da rede, através de projetos que estão em desenvolvimento, ou em elaboração, ou em fase de discussão, em uma das linhas de atuação da UFPB e integrados a programas institucionais. Nos três níveis de atividades do projeto LTi , essa rede visa alcançar os seguintes objetivos específicos: i. na pesquisa [inovação e desenvolvimento] • Proposição de modelo de ação de informação na perspectiva da universidade • Implementação de projeto‐piloto [experimentação e avaliação do modelo] • Comunicação científica [oficinas, seminários, comunicações em eventos, artigos] ii. no ensino [apoio e complementação] • realização de oficinas de tecnologias intelectuais [fundamentação teórica e metodológica para pesquisa científica, EAD – Competências em informação] • realização de oficinas de tecnologias intelectuais digitais [introdução à informática, sistemas de processamento e recuperação da informação, softwares livres] iii. na extensão [responsabilidade social] • realização de oficinas de acesso a fontes acadêmicas de informação na Internet [portal de periódicos científicos, portais de informação científica] e EAD – Qualidade do trabalho acadêmico, EAD – Competências em informação Dessa forma, as ações possibilitam o desenvolvimento entre os participantes de uma sinergia para o trabalho a ser empreendido, além de gerar comprometimento com a efetiva construção de condições para sua realização, com o propósito de promover benefícios às pessoas e organizações. Nesse contexto, o projeto justifica sua implantação e implementação efetivas, visando novas ações e realidades. A seguir, na Figura 1 é apresentado o diagrama da rede de projetos do LTi , conforme explicitadas acima. Figura 1 : Diagrama da rede de projetos do LTi na perspectiva do regime de informação. Dispositivos Políticas de informação Projeto LTi Colegiado DCI Edital CNPq Laboratório de Tecnologiasi ntelectuais Ensino Ensino Virtual: Fundamentos em CI Políticas de informação Recuperação da informação Tecnologiasda Informação Fundamentos de Arquivologia Legislação Arquivística Pesquisa Na trilha do futuro Janelas da cultura local Revista PBCIB O tesouro de conhecimentos da comunidade Ator es Professores PPGCI Professores DCI Participantes Extensão Monitoria Virtual Oficina de Criativi dade Científica Competências em Informaçãoon line Apoio à Gestão Acadêmica Ações Projetos Ar tefatos Resultados FREIRE. 2010. Notas de trabalho. Considerando a finalidade deste artigo, qual seja, a de relatar a abordagem e estrutura do Projeto LTi no diz respeito ao desenvolvimento de um modelo de ação para competências em informação, em especial nossa experiência com a integração entre pesquisa e extensão universitária, não serão abordados aqui os projetos iniciados em 2010 e dos quais ainda não dispomos de avaliação dos resultados. A seguir, descrevemos uma ação de extensão do LTi e da qual estamos realizando a segunda edição em 2010. 3.1 Ação de extensão: oficina de criatividade científica A Oficina de Criatividade Cientifica no campo da informação tem sua origem motivada, simultaneamente, por dois fatores: 1) a percepção da necessidade de capacitação, no campo da ciência da informação e da metodologia da pesquisa, de um conjunto significativo de candidatos a mestrandos do Programa de Pós‐ Graduação em Ciência da Informação, oriundos das mais diversas áreas do conhecimento; 2) o desejo de contribuir, através de ações de informação, para o desenvolvimento de competências informacionais capazes de alterar trajetórias de vidas. No que se refere à estrutura, metodologia e funcionamento, a Oficina foi estruturada, inicialmente, em 30h/aula, distribuídas em 10 encontros semanais e seqüenciais de 3 h/aula, no período de maio a agosto de 2009. Os encontros foram desenvolvidos mediante aulas expositivas, conduzidas com dinâmicas de grupo, envolvendo exercícios intelectuais e de integração social e afetiva, exercícios extraclasse e palestras5, com vista à aplicação e fixação do conteúdo programático6. O público atendido se caracterizou, principalmente, por uma heterogeneidade no que se refere à biografia individual, no entanto, eram, em sua maioria, profissionais com certo tempo de atuação em suas áreas de competência e alunos de graduação em fase de conclusão de curso que desejavam fazer a seleção para o Mestrado do PPGCI da UFPB.7 Na intenção de atender um número maior de inscritos, foi decidido que seriam realizadas, em 2009, duas edições da oficina, cada uma com 25 participantes. Em relação à avaliação, para realizá‐la, decidiu‐se trabalhar com dois conjuntos de dados de naturezas diferentes: 1) dados quantitativos referentes aos percentuais de sucesso dos participantes da oficina que se submeteram ao processo de seleção do PPGCI/UFPB em 2009; e 2) dados qualitativos referentes à percepção dos participantes quanto ao funcionamento e à contribuição da Oficina nas suas trajetórias de vida e sugestões para a melhoria do projeto. 5 Na edição 2010 da Oficina, que iniciou suas atividades em abril, aumentouse o numero de palestras realizadas, tanto sobre pesquisas na Ciência da Informação quanto sobre mecanismos de busca na web. 6 Todo o material didático utilizado está disponibilizado em um grupo de discussão no Google Grupos. Nesse espaço também são compartilhadas e discutidas questões, dúvidas, comentários e sugestões, entre os professores e os participantes, e publicado o MURAL da Oficina de Criatividade Científica. 7 Um fato que chamou a atenção dos coordenadores na Oficina 2009 foi a significativa participação de servidores técnico administrativos da UFPB, especialmente oriundos da PróReitoria de Administração. No tocante aos dados quantitativos, que possibilitam a obtenção de um indicador numérico do sucesso da Oficina, dos 50 participantes inscritos nas duas turmas 26% não concluíram a carga horária mínima exigida8 – em sua maioria devido à impossibilidade de conciliação de seus horários de trabalho com o horário de funcionamento da Oficina9. Tabela 1 – Quantidade de participantes da Oficina Número de Qtde. (%) Número de participantes evasão de participantes inscritos participantes concluintes 50 (100,0) 13 (26,0) 37 (74,0) Fonte: Pesquisa Direta Dos 74% que conseguiram completar a carga horária e concluir a oficina, 59,4% (vinte e dois participantes) se submeteram ao processo seletivo do PPGCI/UFPB 2009. Desse total, 54,5% conseguiram ser aprovados na fase de análise dos pré‐projetos de pesquisa, o que representa um percentual bastante significativo, principalmente se consideramos o fato de que a melhor nota dos pré‐ projetos (9,8) foi de uma participante da oficina. No entanto, desses 54,5% que conseguiram aprovação na etapa de análise dos pré‐projetos, 50% não atingiram a média necessária para a sua aprovação na prova escrita sendo, portanto, eliminados do processo seletivo10. Dos outros 50% que continuaram no processo, 8 Correspondendo a 75% das aulas. A Oficina funcionou, e continua a funcionar, às terçasfeiras, das 14:00 às 17:00. Este foi um dos motivos que levou os coordenadores a introduzir mudanças na edição 2010 da Oficina, tanto na carga horária quanto na dinâmica dos encontros, com vistas a desenvolver nos participantes a familiaridade com as tecnologias intelectuais utilizadas no campo da Ciência da Informação. 9 10 41% (cinco participantes) completaram o processo seletivo sendo aprovados no PPGCI/UFPB. Tabela 2 – Participantes da Oficina na Seleção PPGCI 2010 Número de Qtde. (%) Qtde. (%) participantes candidatos candidatos candidatos aprovados na aprovados na etapa do Turma 2010 projeto 22 (100,0) 12 (54,0) 5 (23,0) Fonte: Pesquisa Direta Desta forma, a partir da interpretação das informações desses dados, pode‐ se inferir que, em termos quantitativos, a Oficina foi um sucesso no sentido de dotar os participantes de competências em tecnologias intelectuais, uma vez que conseguiu ser responsável direta na aprovação de cinco candidatos no PPGCI/UFPB, o que representa 20% do total de candidatos aprovados na seleção 2010 do Programa. Para conhecer como os participantes perceberam a Oficina, foi solicitado, no final da edição 2009, que os mesmos enviassem, via e‐mail, seus comentários sobre o processo e também suas sugestões para a melhoria do projeto em sua edição 2010. Através da análise dos conteúdos dos e‐mails, tanto dos participantes aprovados na seleção do PPGCI como daqueles que não foram aprovados, foi possível perceber uma regularidade em termos de percepção a respeito do ineditismo do projeto, de sua relevância e do quanto à Oficina conseguiu modificar significativamente sua consciência a respeito do fazer/produzir ciência e da dinâmica do mundo acadêmico, em nível da pós‐graduação. Como fica claro pelas declarações abaixo: Acredito que a Oficina de Criatividade Científica é um projeto pioneiro de incentivo e direcionamento para aqueles que desejam adentrar no meio científico, partindo para o mestrado. O quanto a Oficina me ajudou ]...], despertou‐me o interesse e me encaminhou para o primeiro passo da conquista de uma vaga no Mestrado em Ciência da Informação, o que sou muito grata. [...] Os resultados esperados não poderiam ter sido melhores [...] (Participante aprovado no processo seletivo do PPGCI Turma 2010). Foi de suma importância para meu retorno acadêmico, superou minhas expectativas, uma vez que, foi capaz de despertar e disciplinar a minha curiosidade científica e acadêmica (Participante não aprovado no processo seletivo do PPGCI Turma 2010). Gostaria de dizer que passei na seleção do mestrado e que a Oficina foi fundamental para isso, pois me fez voltar a acreditar no mestrado, pois tentei em 2007 e fiquei na fila de espera. Acredito que a Oficina é importante e que deve ser repetida, pois é uma experiência inédita (Participante aprovado no processo seletivo do PPGCI Turma 2010). Também foi bastante significativa a visão de um dos participantes, no que diz respeito à metodologia de ensino e as práticas pedagógicas utilizadas na Oficina, que na sua visão incorpora as tendências mais atuais da pedagogia e das concepções sobre o processo de ensino‐aprendizado, pautado, principalmente, na idéia de autonomia, caráter ativo e participativo do educando, uma vez que o objetivo maior do processo seria possibilitar a construção de competências e habilidades que o favoreçam a aprender a aprender – uma exigência, que se pode dizer, sine qua non do atual contexto sócio‐econômico e cultural, denominado de sociedade da informação. Esta preocupação foi uma constante e orientou todas as ações desenvolvidas na Oficina, pois possibilita romper com idéias e valores cristalizados e inibidores das práticas que podem ter um efeito multiplicador de transformação social. Vista sob a ótica das modernas teorias da educação, essa experiência sinaliza uma inovação metodológica nos processos formais de ensino universitário, um dos pontos críticos do ensino superior brasileiro. Outro diferencial da Oficina é a identificação e visão do mundo dos docentes responsáveis e sua articulação com outras ciências ou saberes no trabalho cotidiano com os alunos. Trocar idéias de forma lúdica, articular conceitos e opiniões com o universo dos participantes, disseminar processos de construção de projetos potencializando as qualidades individuais articulando‐as com os interesses da Ciência da Informa, isso faz da Oficina um espaço prazeroso de construção de novos conhecimentos individual e coletivo (Participante aprovado no processo seletivo do PPGCI Turma 2010). Tendo em vista o reconhecimento de que a ação humana, quando submetida a um processo de reflexão, pode ser aperfeiçoada e melhor dirigida, evitando, assim, perda de tempo e minimização dos custos afetivos, emocionais e materiais na consecução dos objetivos propostos, as ações desenvolvidas na Oficina foram submetidas a um escrutínio, tendo como instrumento para realizar tal tarefa, as opiniões e sugestões dos participantes. Como pode ser percebido depoimentos descritos na seqüência, os participantes demonstraram uma certa regularidade em relação as suas sugestões para melhoria do projeto em sua edição 2010. A maioria ressaltou dois pontos em geral, ambos relacionados com o tempo destinado ao tratamento de alguns pontos do conteúdo programático da Oficina. O primeiro ponto diz respeito ao aumento da carga horária destinada à discussão sobre os fundamentos teóricos e principais temáticas trabalhadas no campo da Ciência da Informação, como pode ser percebido abaixo pelas falas dos participantes: [...] Ofertar, além da discussão sobre o planejamento, organização, sistematização e redação dos projetos pesquisa, conteúdos que sejam embasadores para uma compreensão mais acurada sobre o campo da Ciência da Informação. O segundo ponto ressaltado pelos participantes, também se refere a uma questão temporal, mas especificamente, ao tempo destinado a discussão da metodologia adequada a um projeto de pesquisa no campo da CI: [...] acho que a Oficina é uma proposta excelente, mas que pode sempre ser melhorada, assim, acredito que poderia ser destinado um tempo maior para [...] a metodologia [que] é um processo árduo [pelo menos para mim] e se tivéssemos tido mais tempo talvez nossos projetos teriam sido melhor construídos. [...] Gostaria que a oficina tivesse um número maior de aulas, principalmente de metodologia. Com base nas experiências, pesquisas e estudos que vêm sendo realizados no Laboratório de Tecnologias Intelectuais, busca‐se mapear os princípios norteadores para a organização de um ambiente que facilite e, ao mesmo tempo, incentive o aprendizado na área de Ciência da Informação. 4 Considerações Finais No Laboratório de Tecnologias Intelectuais – LTi , a idéia é caminhar para a noção de conjunto utilizando‐se uma rede, onde a ênfase é na relação entre os elementos, na forma como se entrelaçam, se complementam e se modificam. Enfim, as tecnologias intelectuais podem se misturar, se interceptar e/ou se separar, dependendo das atividades desenvolvidas e das interações realizadas. Com base nos depoimentos dos participantes do LTi e nas experiências vividas durante as atividades, existe uma aprendizagem cooperativa, cujas atitudes e práticas são interdisciplinares, considerando‐se também a grande versatilidade tecnológica que pode auxiliar no desenvolvimento das atividades e projeção de expansão para contextos sociais mais amplos. Nesse sentido, a proposta do Laboratório de Tecnologias Intelectuais – LTi representa uma contribuição à política de inclusão digital da Universidade Federal da Paraíba, que tem como finalidade promover o acesso dos alunos à rede Internet, propiciando‐lhes oportunidades de adquirir competências para buscar, organizar e utilizar a informação científica no processo de formação universitária. A dinâmica de desenvolvimento e análise dos projetos considerados no LTi , possibilitam a busca por informações a respeito de temas de interesse para a sociedade, além de evidenciar a presença de diferentes áreas do conhecimento no processo, promovendo a interdisciplinaridade existente na própria Ciência da Informação. Destarte, o LTi se propõe a educar para o uso dos meios digitais segundo aspectos éticos e morais, priorizando a concepção de que tais recursos tecnológicos devem – antes de tudo – dar suporte a um processo de ensino e aprendizagem comprometido com a educação para a cidadania. Para isto, deve lançar mão de ações e projetos orientados para fomentar o trabalho colaborativo, capaz de suscitar uma verdadeira inteligência coletiva. Somente assim conseguirá atingir o objetivo de formar competências em informação; algo extremamente necessário lidar com o excesso, dispersão e superficialidade dos conteúdos informacionais hodiernos. O Laboratório de Tecnologias Intelectuais ‐ LTi representa, também, uma oportunidade e um espaço de trabalho para os pesquisadores tecerem, no tear da Ciência da Informação, um padrão que (re)una informação e computação em nível da integração entre pesquisa, ensino e extensão, na práxis acadêmica. Referências Bibliográficas AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION. Presidential Committee on Information Literacy. Chicago: ALA, 1989. Final report. Disponível em: http://www.ala.org/acrl/nili/ilit1st.html. Acesso em 2001. BARRETO, Aldo de Albuquerque. A questão da informação. São Paulo em Perspectiva, Fundação Seade. São Paulo, v. 8, n. 4. 1994. BELLUZZO, R.C.B. A information literacy como competência necessária à fluência centífica e tecnológica na sociedade da informação: uma questão de educação. In: SIMPÓSIO DE ENGENHARIA DA PRODUÇÃO DA UNESP, 7., 2001. Anais. São Paulo: UNESP, 2001. Disponível em: http://www.simpep.feb.unesp.br/ana8.html. Acesso em 2002. 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Universidade Federal da Paraíba ( UFPB) Departamento de Ciência da Informação [email protected] 2 Edvaldo Carvalho Alves2 (Prof. Dr.) Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Departamento de Ciência da Informação [email protected] 3 Julio Afonso Sá de Pinho Neto 3 (Prof. Dr.) Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Departamento de Comunicação Social [email protected] 4 Marckson Roberto Ferreira de Souza4 (Prof. Dr.) Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Departamento de Ciência da Informação [email protected]