A RELAÇÃO ENTRE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO, NO CURSO DE SERVIÇO
SOCIAL À DISTÂNCIA, NO ESTADO DO PARANÁ
Laís de Oliveira Souza1
Ana Paula Gracindo2
RESUMO: O presente artigo tem como escopo estudar a relação entre Ensino, Pesquisa
e Extensão, no curso de Serviço Social à Distância (EaD), no Estado do Paraná, no
sentido de identificar se esta relação, que é um dos princípios da ABEPSS, está sendo
apresentada nas grades curriculares. A abordagem desta pesquisa baseia-se na
metodologia qualiquantitativa, a partir do mapeamento das Instituições de Ensino Superior
(IES) no PR, que possuem curso de Serviço Social à Distância, no ano de 2012, utilizando
o sistema “E-Mec”, presente na website do INEP, e posteriormente a análise das grades
curriculares das IES. A contribuição deste estudo está em aprofundar a discussão acerca
do Curso de Serviço Social na modalidade à distância, a qual tem apresentado um
aumento significativo no país, no entanto, a discussão ainda encontra-se em processo
incipiente, sobretudo acerca da indissociabilidade entre Ensino, Pesquisa e Extensão.
PALAVRAS-CHAVE: Serviço Social. Ensino à distância. Pesquisa/Ensino/Extensão.
INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem como objetivo identificar e analisar a relação entre
Ensino, Pesquisa e Extensão no curso de Serviço Social, na modalidade à distância
(EaD), no Estado do Paraná, no ano de 2012, tendo como parâmetro os princípios
fundamentais das Diretrizes Curriculares da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa
em Serviço Social (ABEPSS). A aproximação com o referido tema se deu a partir de
discussões realizadas em aulas, bem como leitura de textos acerca do tema durante a
graduação das autoras, no Curso de Serviço Social, pela Universidade Estadual de
Londrina, no ano de 2012.
Para a realização desta pesquisa, utilizou-se a metodologia qualiquantitativa.
No que tange à pesquisa qualitativa, Minayo (2010, p.17) afirma que esta pesquisa
“responde a questões muito particulares, [...] trabalha com o universo dos significados,
dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes”. A diferença entre
abordagem quantitativa e qualitativa da realidade social é de natureza e não de escala
hierárquica, uma vez que, a pesquisa quantitativa tem como enfoque as estatísticas e os
modelos abstratos, já a pesquisa qualitativa busca compreender os significados. Partindo
1
Assistente Social do Instituto Fazer de Desenvolvimento Econômico e Social e, aluna da Pós-Graduação
em Ensino de Sociologia, pela UEL. Contato: [email protected]
2
Assistente Social do Espaço Escuta e, aluna da Pós-Graduação em Ensino de Sociologia, pela UEL.
Contato: [email protected].
deste pressuposto, considera-se que “os dois tipos de abordagens e os dados delas
advindos não são incompatíveis” (MINAYO, 2010, p.22).
Este estudo é composto por três etapas. Em um primeiro momento realizou-se
um estudo bibliográfico acerca do tema, para obter um aprofundamento teórico, visando à
sustentação de ideias. Em conseguinte, realizou-se a pesquisa quantitativa, por meio do
levantamento do número de Instituições de Ensino Superior (IES) do curso de Serviço
Social presencial e EaD no PR, utilizando o sistema E-Mec, presente na website do INEP,
e a pesquisa documental, a partir do levantamento das grades curriculares do referido
curso nas IES que possuem curso de Serviço Social na modalidade EaD.
Na última etapa, analisou-se as grades curriculares, com o objetivo de
identificar o tripé “ensino, pesquisa e extensão”, uma vez que esta relação é um princípio
fundamental das Diretrizes Curriculares da ABEPSS, que tem como objetivo fomentar a
dimensão investigativa e crítica na atuação profissional do assistente social.
O CONTEXTO SÓCIO HISTÓRICO DO ENSINO À DISTÂNCIA NO BRASIL
A partir da promulgação da Constituição Federal de 1988 (CF/88) institui-se um
Estado Democrático de Direito, visando assegurar os direitos sociais e individuais, a
liberdade, a segurança, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade
fraterna, pluralista e sem preconceitos.
De acordo com o Documento CFESS Manifesta “Seminário Nacional de Serviço
Social na Educação” (2012), a C.F/88 em seu artigo 225 e a Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (LDB) estabelecem acerca da responsabilização do Estado em
garantir a educação como um direito de todos os brasileiros.
Para Koike, a partir da década de 1990 o Brasil passa a ser mediado pela:
[...] supressão dos direitos sociais historicamente conquistados; abertura
dos mercados nacionais ao capital especulativo; geração do superávit
primário para a garantia de pagamento dos juros da dívida; privatização do
patrimônio público e de atividades de reconhecida atribuição do Estado,
como as políticas sociais públicas. Medidas que deterioram estes
países, sobretudo as condições de vida das classes subalternizadas.
(KOIKE 2009, p. 203).
Segundo Giolo (2010, p. 1277), em meados dos anos de 1990, na América
Latina e no Brasil, houve o surgimento e também a acelerada expansão da Internet como
meio de comunicação e informação, havendo também, novas perspectivas educacionais,
sendo uma destas, a modalidade do ensino à distância. O advento deste novo modo
educacional tem por base o Ministério da Educação e foi desenvolvido com o intuito de
garantir universalização da educação e preparação dos cidadãos para o mercado de
trabalho.
O conjunto CFESS-CRESS (2012, p.2) aponta ainda, dados do estudo
realizado por Larissa Dahmer, em 2009, e, afirma que de 332 cursos de Serviço Social
existentes no Brasil, mais de 205, ou seja, (61,7%) foram autorizados a funcionar entre
2003 e 2009, sendo 91,7% privados. Assim, observa-se que há a massificação do ensino,
sendo que esta promoverá um impacto na formação profissional, uma vez que o EaD fere
princípios e diretrizes estabelecidos pela ABEPSS.
Segundo Dall’Acqua e Vitaliano (2010, p. 21), a questão da qualidade do
ensino é um grande desafio no Brasil, pois ainda há um grande número de evasão nas
escolas e, de acordo com os dados do INEP, um pequeno número de brasileiros possuem
nível superior. Essa política de exclusão social, principalmente no que diz respeito ao
direito a educação, faz com que os cidadãos a financiem duplamente, visto que há o
abatimento de impostos e pelo fato de muitas vezes não terem outra opção a não ser às
universidades privadas de ensino, assim como apontam as pesquisas, enquanto o
sistema educacional de ensino público encolheu 6% nos anos de 2007 a 2010, o sistema
privado cresceu aproximadamente 18% em todo país, conforme o CFESS (2012).
A MERCANTILIZAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR
Koike (2009, p. 206) aponta que a “parafernália infraconstitucional”, empurra a
universidade pública, o corpo docente e administrativo, o ensino de graduação, a
pesquisa, a extensão e a pós-graduação para o âmbito mercantil. Segundo Castro (2006
apud Koike, 2009, p.207), o ensino on-line que move o ensino à distância, no nível da
graduação, apresenta um discurso da democratização do acesso, favorecendo assim a
expansão desordenada da educação superior de baixo custo.
Para Koike (2009, p.208), quando se transforma a educação em mero objeto
mercantil, o aluno em cliente consumidor e, a universidade responsável pela emissão de
diplomas banais, esta reforma esvazia a dimensão emancipadora da educação e, retira o
caráter universalista da instituição de ensino superior.
Deste modo, Pereira (2008, p.194, apud Silva, 2012) afirma que a formação do
profissional de Serviço Social está inserida nos tempos atuais em meio à realidade social,
e para apreendermos esta formação na modalidade à distância, é de fato necessário,
entendermos as mudanças sociais, culturais, econômicas, políticas e também ideológicas
que perpassam o nosso cotidiano enquanto cidadão, levando-nos a reflexão em relação
às demandas e dinâmicas do mundo do trabalho, com uma perspectiva contemporânea.
A Lei das Diretrizes e Bases - LDB de 1980 incentiva e estimula o ensino a
distância em todas as modalidades de ensino, sendo hoje no país, uma realidade
garantida pela formação em um curto espaço de tempo, e consequentemente
respondendo ao mercado e a lógica do capital explica Silva (2012). Sendo assim, a LDB
acaba por fazer a promoção e sucateamento da educação pública no país, uma das
comprovações desta afirmativa é justamente o acelerado crescimento dos cursos à
distância na educação superior.
Segundo Melim (2011, apud Silva 2012), ao analisar a modalidade EaD,
constatou-se uma série de irregularidades, como: apostilas com conteúdo didático
superficial, carga horária limitada de aula presencial, ausência de supervisão direta de
estágio e avaliações que não eram presenciais. Assim, esta formação não prepara o
estudante para exercer a profissão, pois não exige o contato com o usuário, bem como a
dimensão investigativa, a pesquisa e a extensão.
A EXPANSÃO DO CURSO DE SERVIÇO SOCIAL PRESENCIAL E À DISTÂNCIA NO
PR: ALGUMAS REFLEXÕES
Ao realizar a leitura de textos e pesquisas realizadas em IES que possuem curso
de Serviço Social na modalidade Presencial e EaD, no Brasil,
identificou-se a
necessidade de também realizar o levantamento das IES do PR, com o objetivo de
identificar o número atualizado de IES de natureza jurídica pública e privada, conforme o
quadro abaixo.
Quadro 01- Curso de Serviço Social Presencial no Estado do PR
IES
Nº de
Município
Vagas
Natureza
Jurídica
Início do
funcionamento
do Curso
Centro Universitário de Maringá
(CESUMAR)
50
Maringá
Privada com
fins lucrativos
2003
Faculdade Centro Oeste (FACEOPAR)
150
Laranjeiras do
Sul
Privada com
fins lucrativos
2009
Faculdade de Ampére (FAMPER)
100
Ampére
Privada com
fins lucrativos
2008
Faculdade de Ciências Aplicadas de
Cascavel (FACIAP)
100
Cascavel
Privada com
fins lucrativos
2006
Faculdade de Educação, Administração e
Tecnologia de Ibaiti (FEATI)
50
Ibaiti
Privada sem
fins lucrativos
Não consta
Faculdade de Educação Superior do
Paraná (FESPPR)
100
Curitiba
Privada sem
fins lucrativos
2008
Faculdade de Ensino Superior do Centro
do Paraná (UCP)
100
Pitanga
Privada com
fins lucrativos
2004
Faculdade do Noroeste Paranaense
(FANP)
50
Nova
Esperança
Privada com
fins lucrativos
2004
Faculdade Educacional de Medianeira
(FACEMED)
100
Medianeira
Privada com
fins lucrativos
2001
Faculdade Estadual de Ciências
Econômicas de Apucarana (FECEA)
50
Apucarana
Pública
Estadual
2002
Faculdade Estadual de Educação,
Ciências e Letras de Paranavaí (FAFIPA)
50
Paranavaí
Pública
Estadual
2002
Faculdade Guairacá (FAG)
50
Guarapuava
Privada com
fins lucrativos
2006
Faculdade Ingá
100
Maringá
Privada sem
fins lucrativos
2007
Faculdade Metropolitana de Maringá
200
Maringá
Privada com
fins lucrativos
2009
Faculdade São Judas Tadeu de Pinhais
(FAPI)
100
Pinhais
Privada sem
fins lucrativos
2005
Faculdades Integradas do Brasil
(FACBRASIL)
100
Curitiba
Privada com
fins lucrativos
2005
Faculdades Integradas do Vale do Iguaçu
100
União da
Vitória
Privada com
fins lucrativos
2004
Faculdades Integradas Espírita (FIES)
150
Curitiba
Privada sem
fins lucrativos
1975
Faculdade Itecne de Cascavel (ITECNE)
100
Cascavel
Privada com
fins lucrativos
2006
Faculdade União das Américas
100
Foz do Iguaçu
Privada
com
fins lucrativos
2002
Faculdade União de Campo Mourão
80
Campo
Mourão
Privada
com
fins lucrativos
2010
Faculdade UNILAGOS
40
Mangueirinha
Privada
sem
fins lucrativos
Não consta
Pontifícia Universidade Católica do Paraná
(PUC-PR)
60
Curitiba
Privada
sem
fins lucrativos
1945
Universidade Estadual de Londrina (UEL)
80
Londrina
Pública
Estadual
1972 matutino
1994 noturno
Universidade Estadual de Maringá (UEM)
40
Ivaiporã
Pública
Estadual
2010
Universidade Estadual de Ponta Grossa
(UEPG)
44
Ponta Grossa
Pública
Estadual
1974
Universidade Estadual do Centro Oeste
(UNICENTRO)
40
Guarapuava
Pública
Estadual
2001
Universidade Estadual do Oeste do Paraná
(UNIOESTE)
40
Toledo
Pública
Estadual
1986
Universidade Federal do Paraná (UFPR)
35
Matinhos
Pública
Estadual
2006
87
Francisco
Beltrão
Umuarama
Pública
Estadual
2006
Universidade Paranaense (UNIPAR)
65
2006
Fonte: Elaboração das autoras, a partir dos dados do E-MEC (2012).
Diante dos dados apresentados no quadro acima, observa-se que no corrente ano
há 30 IES que oferecem curso de Serviço Social Presencial. Deste total de IES, apenas 09
ou 30% são de natureza Pública Estadual: FECEA, FAFIPA, UEL, UEM, UEPG,
UNICENTRO, UNIOESTE, UFPR e UNIPAR.
Em relação ao número de vagas das IES supracitadas, somando as vagas anuais
de todas as IES, há o total de 531. Este total é extremamente baixo, considerando que as
IES de natureza com fins lucrativos e sem fins lucrativos, possuem um total de 1930 vagas,
sendo 1.380 das IES com fins lucrativos e 550 sem fins lucrativos.
O
número de vagas ofertadas em IES de natureza privada com e sem fins
lucrativos, pode prejudicar a qualidade didática e pedagógica, pois geralmente as salas
possuem grande quantidade de alunos, dificultando assim as discussões em sala de aula,
o esclarecimento de dúvidas de muitos alunos.
Outro fator importante a ser ressaltado é a expansão das IES Privadas com e sem
fins lucrativos. Nota-se que a PUC-PR foi a pioneira no Estado, tendo início o curso de
Serviço Social em 1945, e a FIES, em 1975. O referido curso teve grande expansão após o
ano de 2000, sobretudo no ano de 2006.
Além da expansão significativa das IES com e sem fins lucrativos, que ofertam o
Curso de Serviço Social no PR, em detrimento do Ensino Público, e, as consequências e
desafios para a categoria profissional de assistentes sociais, outro fator preocupante é o
aumento do número de IES que ofertam o referido curso na modalidade EaD. Assim sendo,
por meio do banco de dados do E-MEC, realizou-se o levantamento do número de IES que
ofertam curso de Serviço Social EaD, conforme o quadro a seguir:
Quadro 02- Curso de Serviço Social (EaD) no Estado do PR
Nº de Polos no
Paraná
Início do
funcionamento do
Curso
Nº de Vagas no
Brasil
Centro Universitário Claretiano
(CEUCLAR)
01
2009
900
Centro Universitário da Grande Dourados
(UNIGRAN)
01
2008
3.000
Centro Universitário do Instituto do
Ensino Superior (COC)
02
Não consta
5.000
Centro Universitário Leonardo da Vinci
(UNIASSELVI)
02
2008
1.300
Universidade Anhanguera (UNIDERP)
12
2007
16.800
Universidade Braz Cubas (UBC)
03
Não consta
400
Universidade Luterana do Brasil (ULBRA)
20
2008
4.000
Universidade Norte do Paraná
(UNOPAR)
26
2007
21.150
Universidade Paulista (UNIP)
26
2008
60
IES
Fonte: Elaboração das autoras, a partir dos dados do E-MEC (2012).
Embora os dados do sistema E-MEC apresentados no quadro acima, aponte que
há nove IES que possuem curso de Serviço Social EaD, ao acessar a website de casa
IES, identificou-se que o Centro Universitário da Grande Dourados (UNIGRAN) não
possui o curso de Serviço Social.
No que tange aos municípios que as IES possuem pólos no PR, observa-se que o
Centro Universitário Claretiano (CEUCLAR), possui pólo apenas em Curitiba. Já o Centro
Universitário do Instituto do Ensino Superior (COC), possui pólos em Curitiba e em Foz do
Iguaçu. O Centro Universitário Leonardo da Vinci, possui pólos em Curitiba e Maringá. A
Universidade Anhanguera (UNIDERP), possui doze pólos: Abatiá; Arapongas; Castro;
Curitiba; Foz do Iguaçu; Guaíra; Icaraína; Londrina; Maringá; Palmas; Telêmaco Borba e
Umuarama.
Em relação à Universidade Braz Cubas (UBC), os três pólos estão situados em:
Araucária; Curitiba e São José dos Pinhais. Já a Universidade Luterana do Brasil
(ULBRA), possui vinte pólos: Apucarana; Araucária; Cambará; Cascavel; Cianorte;
Curitiba; Guarapuava; Guaratuba; Imbituva; Irati; Jandaia do Sul; Londrina; Maringá;
Palotina; Pato Branco; Ponta Grossa; Quedas do Iguaçu; Santa Tereza do Oeste; São
José dos Pinhais e Vera Cruz do Oeste.
A Universidade Norte do Paraná (UNOPAR) e a Universidade Paulista (UNIP),
possuem o maior número de pólos no Estado do PR, sendo que cada uma abrange 26
municípios. A UNOPAR possui pólos nos seguintes municípios: Arapongas; Assaí;
Bandeirantes; Campo Mourão; Cascavel; Cornélio Procópio; Curitiba; Foz do Iguaçu;
Francisco Beltrão; Guarapuava; Ibaiti; Ivaiporã; Loanda; Londrina; Manoel Ribas; Maringá;
Matinhos; Paranavaí; Rio Negro; Rosário do Ivaí; São José dos Pinhais; São Mateus do
Sul; Toledo; Umuarama e Wenceslau Braz.
Já a UNIP, possui pólos em: Almirante Tamandaré; Altônia; Assis Chateaubriad;
Bela Vista do Paraíso; Campo Largo; Campo Mourão; Cascavel; Colombo; Curitiba; Foz
do Iguaçu; Goioerê; Guaíra; Guarapuava; Itaipulândia; Ivaiporã; Londrina; Marechal
Cândido Rondon; Maringá; Medianeira; Palotina; Pinhais; Ponta Grossa; São Miguel do
Iguaçu; Terra Roxa e Toledo.
Diante do exposto, observa-se que as IES que ofertam o Curso de Serviço Social
EaD, abrangem várias regiões do Estado do Paraná e, em relação ao número de vagas
no Brasil, observa-se que há um grande número de vagas por ano, o oposto do que
ocorre nas IES Públicas.
O curso de Serviço Social EaD no Centro Universitário do Instituto do Ensino
Superior (COC), atualmente é realizado em parceira com a UNISEB interativo. Na website
da UNISEB consta que os assistentes sociais formados por esta IES, estão munidos do
conhecimento teórico, metodológico, ético e político e, finalizam afirmando que estes
requisitos são fundamentais para a atuação do profissional. No entanto, o assistente
social além de articular as dimensões teórico-metodológica, ético-política, também deve
articular a dimensão técnico-operativa.
De acordo com a grade curricular da referida IES, há a disciplina de Pesquisa em
Serviço Social, mas o que chama a atenção é a quantidade de horas-aula, pois apresenta
um total de 200 horas, sendo apenas 34 horas para aulas interativas e 166 horas para
auto-estudo. A IES não apresenta na website os Projetos de Pesquisa e Extensão que
desenvolve, apontando apenas Cursos de Extensão EaD. Assim, observa-se que como
muitas instituições que ofertam o curso EaD, não há a possibilidade do aluno participar de
projetos de pesquisa e extensão, os quais fornecem um conhecimento que o aluno não
adquire em sala de aula, contribui de forma significativa para a formação acadêmica e
profissional.
Segundo a website do Centro Universitário Leonardo da Vinci (UNIASSELVI), o
curso de Serviço Social tem como objetivo formar o profissional com a sólida formação
acadêmica com as dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa.
Em relação a grade curricular do Curso, é apresentada a disciplina de Pesquisa Social,
porém, no que tange à projetos de pesquisa e extensão, não foi encontrada informação
na website.
Em relação a Universidade Anhanguera (UNIDERP), de acordo com as
informações da website desta IES, o assistente social precisa compreender o significado
da profissão, identificar as demandas e fragilidades, de modo que realize a intervenção
focada no enfrentamento da questão social. No entanto, também afirma que o curso
“privilegia a formação de um profissional aberto às mudanças com visão empreendedora”
(UNIDERP, 2013), mas sempre consciente da importância da atuação do profissional na
sociedade e o compromisso ético com os usuários. A disciplina de Pesquisa Social é
apresentada na grade curricular. Porém, em relação à Projetos de Pesquisa e Extensão,
não foi encontrada nenhum informação na website.
Comparando os objetivos das instituições UNIP – UBC – ULBRA - UNOPAR em
relação ao EaD em Serviço Social, com foco no ensino, pesquisa e extensão, observa-se
que todas as instituições possuem em sua grade curricular a disciplina de pesquisa em
Serviço Social, porém somente uma das instituições em seus meios de comunicação
demonstra quais projetos de pesquisa e extensão possui, enquanto as demais não citam
em nenhum momento se existem tais projetos e a importância dos mesmos para a
formação deste profissional/pesquisador.
A instituição que possui os dados dos projetos os quais promove, identifica-os
como projetos permanentes de extensão tendo por base a responsabilidade social dos
envolvidos, sejam eles profissionais ou alunos, porém nestes projetos não consta a
especificidade de cada área de atuação. Vale ressaltar que os alunos que cursam Serviço
Social EaD nesta instituição, de fato participam ativamente destes projetos, visto que este
está vinculado a somente um dos pólos da instituição referenciada, consequentemente o
mesmo não está ao alcance da totalidade dos indivíduos em processo de formação.
Há no país hoje aproximadamente 2.281 IES, porém apenas 8% destes institutos
estão inseridos em ambiente universitário, e somente estes inseridas em ambiente
universitário, devem como aponta Pimenta (2009, p. 42), “[...] por obrigação legal, realizar
ensino, pesquisa e extensão, contar com um terço de doutores e mestres em seu quadro
docente e com um terço de seus professores contratados em regime de tempo integral,
de acordo com o artigo 52 da LDB de 1996”.
Essa nova reconstrução acerca do ensino, pesquisa e extensão, surge a partir da
LDB de 1996, mais especificamente em seu artigo 43 que “não reafirma o princípio da
indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão de serviços à comunidade”
(PIMENTA, 2009, p. 43).
No Brasil 66% das IES que estão devidamente credenciadas a realizar o curso de
Serviço Social em EaD, são caracterizadas como ambientes universitários, ou seja, este
fator seria interessante pelo fato destas serem obrigadas a realizarem ensino, pesquisa e
extensão perante legislação, porém é impossível a realização de pesquisa e extensão
dentro dos moldes no qual é desenvolvido o EaD, pois os encontros geralmente
acontecem somente uma vez por semana no nível presencial, ou até mesmo
mensalmente, sendo todas as demais atividades realizadas em âmbito virtual, destaca
Pimenta (2009).
Outra questão bastante instigante em relação ao tema abordado, diz respeito ao
instrumental de avaliação de cada um desses cursos, que muitas vezes não estão em
consonância com as legislações. Tecedor, aponta quais instrumentais seriam esses:
[...] o projeto pedagógico do curso na sua concepção de currículo e
avaliação; atividades acadêmicas articuladas à formação e à prática
profissional como o estágio, o Trabalho de Conclusão de Curso – TCC – e
as atividades complementares; o corpo docente, o corpo discente e o
corpo técnico-administrativo e operativo, estruturas físicas, bibliotecas,
instalações especiais e laboratórios. (TECEDOR, 2009, p. 59).
Observa-se na fala da autora o quanto é importante para a formação de um
profissional, as atividades complementares que seriam justamente as atividades de
pesquisa e extensão, bem como todo o aparato que esse aluno necessita enquanto cursa
a graduação, como por exemplo, um corpo docente qualificado, que no momento da
graduação serão à base deste aluno.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Constatou-se com a referida pesquisa e análise da mesma, que o sucateamento
da educação é claramente defendido pelo Estado, por meio de ações que promovem o
acelerado crescimento do setor privado frente a esta política, no qual deveria ser
garantida e entendida por todos os cidadãos como um direito social, respaldado na CF/88.
Desta forma, nos é evidente o quanto é prejudicial à formação de todo e qualquer
profissional, que escolha para a sua formação os moldes do ensino à distância, visto que
estes Institutos de Educação Superior que oferecem esta modalidade de ensino,
geralmente estão preocupados na quantidade de profissionais que se formarão para o
mercado de trabalho, ao invés da qualidade destes como apontou esta pesquisa.
Não obstante a análise das instituições que promovem o ensino a distancia no
Paraná, nos mostra justamente o quanto esta modalidade de ensino é defasada em
relação às demais instituições que promovem o ensino presencial, visto que o “tripé”
ensino, pesquisa e extensão, enquanto condição mínima a formação de um profissional
crítico frente à realidade social, não é pensado e realizado de forma indissociável, visto
que na maioria destas, não existem tais projetos, focando apenas no ensino que muitas
vezes torna-se fragmentado diante das condições de viabilização deste.
A realidade aqui apresentada leva-nos a pensar que esta discussão acerca do
tema abordado se encontra em processo incipiente, sendo necessário refletirmos a
importância desta, permeando não somente os impactos promovidos pelo EaD à
formação destes futuros profissionais/pesquisadores, mas também nos indagarmos de
como será o reflexo da emergência de nossa classe profissional frente as demandas dos
usuários das políticas públicas, tendo em vista o ensino à distância.
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