A RELAÇÃO ENTRE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO, NO CURSO DE SERVIÇO SOCIAL À DISTÂNCIA, NO ESTADO DO PARANÁ Laís de Oliveira Souza1 Ana Paula Gracindo2 RESUMO: O presente artigo tem como escopo estudar a relação entre Ensino, Pesquisa e Extensão, no curso de Serviço Social à Distância (EaD), no Estado do Paraná, no sentido de identificar se esta relação, que é um dos princípios da ABEPSS, está sendo apresentada nas grades curriculares. A abordagem desta pesquisa baseia-se na metodologia qualiquantitativa, a partir do mapeamento das Instituições de Ensino Superior (IES) no PR, que possuem curso de Serviço Social à Distância, no ano de 2012, utilizando o sistema “E-Mec”, presente na website do INEP, e posteriormente a análise das grades curriculares das IES. A contribuição deste estudo está em aprofundar a discussão acerca do Curso de Serviço Social na modalidade à distância, a qual tem apresentado um aumento significativo no país, no entanto, a discussão ainda encontra-se em processo incipiente, sobretudo acerca da indissociabilidade entre Ensino, Pesquisa e Extensão. PALAVRAS-CHAVE: Serviço Social. Ensino à distância. Pesquisa/Ensino/Extensão. INTRODUÇÃO O presente trabalho tem como objetivo identificar e analisar a relação entre Ensino, Pesquisa e Extensão no curso de Serviço Social, na modalidade à distância (EaD), no Estado do Paraná, no ano de 2012, tendo como parâmetro os princípios fundamentais das Diretrizes Curriculares da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS). A aproximação com o referido tema se deu a partir de discussões realizadas em aulas, bem como leitura de textos acerca do tema durante a graduação das autoras, no Curso de Serviço Social, pela Universidade Estadual de Londrina, no ano de 2012. Para a realização desta pesquisa, utilizou-se a metodologia qualiquantitativa. No que tange à pesquisa qualitativa, Minayo (2010, p.17) afirma que esta pesquisa “responde a questões muito particulares, [...] trabalha com o universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes”. A diferença entre abordagem quantitativa e qualitativa da realidade social é de natureza e não de escala hierárquica, uma vez que, a pesquisa quantitativa tem como enfoque as estatísticas e os modelos abstratos, já a pesquisa qualitativa busca compreender os significados. Partindo 1 Assistente Social do Instituto Fazer de Desenvolvimento Econômico e Social e, aluna da Pós-Graduação em Ensino de Sociologia, pela UEL. Contato: [email protected] 2 Assistente Social do Espaço Escuta e, aluna da Pós-Graduação em Ensino de Sociologia, pela UEL. Contato: [email protected]. deste pressuposto, considera-se que “os dois tipos de abordagens e os dados delas advindos não são incompatíveis” (MINAYO, 2010, p.22). Este estudo é composto por três etapas. Em um primeiro momento realizou-se um estudo bibliográfico acerca do tema, para obter um aprofundamento teórico, visando à sustentação de ideias. Em conseguinte, realizou-se a pesquisa quantitativa, por meio do levantamento do número de Instituições de Ensino Superior (IES) do curso de Serviço Social presencial e EaD no PR, utilizando o sistema E-Mec, presente na website do INEP, e a pesquisa documental, a partir do levantamento das grades curriculares do referido curso nas IES que possuem curso de Serviço Social na modalidade EaD. Na última etapa, analisou-se as grades curriculares, com o objetivo de identificar o tripé “ensino, pesquisa e extensão”, uma vez que esta relação é um princípio fundamental das Diretrizes Curriculares da ABEPSS, que tem como objetivo fomentar a dimensão investigativa e crítica na atuação profissional do assistente social. O CONTEXTO SÓCIO HISTÓRICO DO ENSINO À DISTÂNCIA NO BRASIL A partir da promulgação da Constituição Federal de 1988 (CF/88) institui-se um Estado Democrático de Direito, visando assegurar os direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos. De acordo com o Documento CFESS Manifesta “Seminário Nacional de Serviço Social na Educação” (2012), a C.F/88 em seu artigo 225 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) estabelecem acerca da responsabilização do Estado em garantir a educação como um direito de todos os brasileiros. Para Koike, a partir da década de 1990 o Brasil passa a ser mediado pela: [...] supressão dos direitos sociais historicamente conquistados; abertura dos mercados nacionais ao capital especulativo; geração do superávit primário para a garantia de pagamento dos juros da dívida; privatização do patrimônio público e de atividades de reconhecida atribuição do Estado, como as políticas sociais públicas. Medidas que deterioram estes países, sobretudo as condições de vida das classes subalternizadas. (KOIKE 2009, p. 203). Segundo Giolo (2010, p. 1277), em meados dos anos de 1990, na América Latina e no Brasil, houve o surgimento e também a acelerada expansão da Internet como meio de comunicação e informação, havendo também, novas perspectivas educacionais, sendo uma destas, a modalidade do ensino à distância. O advento deste novo modo educacional tem por base o Ministério da Educação e foi desenvolvido com o intuito de garantir universalização da educação e preparação dos cidadãos para o mercado de trabalho. O conjunto CFESS-CRESS (2012, p.2) aponta ainda, dados do estudo realizado por Larissa Dahmer, em 2009, e, afirma que de 332 cursos de Serviço Social existentes no Brasil, mais de 205, ou seja, (61,7%) foram autorizados a funcionar entre 2003 e 2009, sendo 91,7% privados. Assim, observa-se que há a massificação do ensino, sendo que esta promoverá um impacto na formação profissional, uma vez que o EaD fere princípios e diretrizes estabelecidos pela ABEPSS. Segundo Dall’Acqua e Vitaliano (2010, p. 21), a questão da qualidade do ensino é um grande desafio no Brasil, pois ainda há um grande número de evasão nas escolas e, de acordo com os dados do INEP, um pequeno número de brasileiros possuem nível superior. Essa política de exclusão social, principalmente no que diz respeito ao direito a educação, faz com que os cidadãos a financiem duplamente, visto que há o abatimento de impostos e pelo fato de muitas vezes não terem outra opção a não ser às universidades privadas de ensino, assim como apontam as pesquisas, enquanto o sistema educacional de ensino público encolheu 6% nos anos de 2007 a 2010, o sistema privado cresceu aproximadamente 18% em todo país, conforme o CFESS (2012). A MERCANTILIZAÇÃO DO ENSINO SUPERIOR Koike (2009, p. 206) aponta que a “parafernália infraconstitucional”, empurra a universidade pública, o corpo docente e administrativo, o ensino de graduação, a pesquisa, a extensão e a pós-graduação para o âmbito mercantil. Segundo Castro (2006 apud Koike, 2009, p.207), o ensino on-line que move o ensino à distância, no nível da graduação, apresenta um discurso da democratização do acesso, favorecendo assim a expansão desordenada da educação superior de baixo custo. Para Koike (2009, p.208), quando se transforma a educação em mero objeto mercantil, o aluno em cliente consumidor e, a universidade responsável pela emissão de diplomas banais, esta reforma esvazia a dimensão emancipadora da educação e, retira o caráter universalista da instituição de ensino superior. Deste modo, Pereira (2008, p.194, apud Silva, 2012) afirma que a formação do profissional de Serviço Social está inserida nos tempos atuais em meio à realidade social, e para apreendermos esta formação na modalidade à distância, é de fato necessário, entendermos as mudanças sociais, culturais, econômicas, políticas e também ideológicas que perpassam o nosso cotidiano enquanto cidadão, levando-nos a reflexão em relação às demandas e dinâmicas do mundo do trabalho, com uma perspectiva contemporânea. A Lei das Diretrizes e Bases - LDB de 1980 incentiva e estimula o ensino a distância em todas as modalidades de ensino, sendo hoje no país, uma realidade garantida pela formação em um curto espaço de tempo, e consequentemente respondendo ao mercado e a lógica do capital explica Silva (2012). Sendo assim, a LDB acaba por fazer a promoção e sucateamento da educação pública no país, uma das comprovações desta afirmativa é justamente o acelerado crescimento dos cursos à distância na educação superior. Segundo Melim (2011, apud Silva 2012), ao analisar a modalidade EaD, constatou-se uma série de irregularidades, como: apostilas com conteúdo didático superficial, carga horária limitada de aula presencial, ausência de supervisão direta de estágio e avaliações que não eram presenciais. Assim, esta formação não prepara o estudante para exercer a profissão, pois não exige o contato com o usuário, bem como a dimensão investigativa, a pesquisa e a extensão. A EXPANSÃO DO CURSO DE SERVIÇO SOCIAL PRESENCIAL E À DISTÂNCIA NO PR: ALGUMAS REFLEXÕES Ao realizar a leitura de textos e pesquisas realizadas em IES que possuem curso de Serviço Social na modalidade Presencial e EaD, no Brasil, identificou-se a necessidade de também realizar o levantamento das IES do PR, com o objetivo de identificar o número atualizado de IES de natureza jurídica pública e privada, conforme o quadro abaixo. Quadro 01- Curso de Serviço Social Presencial no Estado do PR IES Nº de Município Vagas Natureza Jurídica Início do funcionamento do Curso Centro Universitário de Maringá (CESUMAR) 50 Maringá Privada com fins lucrativos 2003 Faculdade Centro Oeste (FACEOPAR) 150 Laranjeiras do Sul Privada com fins lucrativos 2009 Faculdade de Ampére (FAMPER) 100 Ampére Privada com fins lucrativos 2008 Faculdade de Ciências Aplicadas de Cascavel (FACIAP) 100 Cascavel Privada com fins lucrativos 2006 Faculdade de Educação, Administração e Tecnologia de Ibaiti (FEATI) 50 Ibaiti Privada sem fins lucrativos Não consta Faculdade de Educação Superior do Paraná (FESPPR) 100 Curitiba Privada sem fins lucrativos 2008 Faculdade de Ensino Superior do Centro do Paraná (UCP) 100 Pitanga Privada com fins lucrativos 2004 Faculdade do Noroeste Paranaense (FANP) 50 Nova Esperança Privada com fins lucrativos 2004 Faculdade Educacional de Medianeira (FACEMED) 100 Medianeira Privada com fins lucrativos 2001 Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana (FECEA) 50 Apucarana Pública Estadual 2002 Faculdade Estadual de Educação, Ciências e Letras de Paranavaí (FAFIPA) 50 Paranavaí Pública Estadual 2002 Faculdade Guairacá (FAG) 50 Guarapuava Privada com fins lucrativos 2006 Faculdade Ingá 100 Maringá Privada sem fins lucrativos 2007 Faculdade Metropolitana de Maringá 200 Maringá Privada com fins lucrativos 2009 Faculdade São Judas Tadeu de Pinhais (FAPI) 100 Pinhais Privada sem fins lucrativos 2005 Faculdades Integradas do Brasil (FACBRASIL) 100 Curitiba Privada com fins lucrativos 2005 Faculdades Integradas do Vale do Iguaçu 100 União da Vitória Privada com fins lucrativos 2004 Faculdades Integradas Espírita (FIES) 150 Curitiba Privada sem fins lucrativos 1975 Faculdade Itecne de Cascavel (ITECNE) 100 Cascavel Privada com fins lucrativos 2006 Faculdade União das Américas 100 Foz do Iguaçu Privada com fins lucrativos 2002 Faculdade União de Campo Mourão 80 Campo Mourão Privada com fins lucrativos 2010 Faculdade UNILAGOS 40 Mangueirinha Privada sem fins lucrativos Não consta Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) 60 Curitiba Privada sem fins lucrativos 1945 Universidade Estadual de Londrina (UEL) 80 Londrina Pública Estadual 1972 matutino 1994 noturno Universidade Estadual de Maringá (UEM) 40 Ivaiporã Pública Estadual 2010 Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) 44 Ponta Grossa Pública Estadual 1974 Universidade Estadual do Centro Oeste (UNICENTRO) 40 Guarapuava Pública Estadual 2001 Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) 40 Toledo Pública Estadual 1986 Universidade Federal do Paraná (UFPR) 35 Matinhos Pública Estadual 2006 87 Francisco Beltrão Umuarama Pública Estadual 2006 Universidade Paranaense (UNIPAR) 65 2006 Fonte: Elaboração das autoras, a partir dos dados do E-MEC (2012). Diante dos dados apresentados no quadro acima, observa-se que no corrente ano há 30 IES que oferecem curso de Serviço Social Presencial. Deste total de IES, apenas 09 ou 30% são de natureza Pública Estadual: FECEA, FAFIPA, UEL, UEM, UEPG, UNICENTRO, UNIOESTE, UFPR e UNIPAR. Em relação ao número de vagas das IES supracitadas, somando as vagas anuais de todas as IES, há o total de 531. Este total é extremamente baixo, considerando que as IES de natureza com fins lucrativos e sem fins lucrativos, possuem um total de 1930 vagas, sendo 1.380 das IES com fins lucrativos e 550 sem fins lucrativos. O número de vagas ofertadas em IES de natureza privada com e sem fins lucrativos, pode prejudicar a qualidade didática e pedagógica, pois geralmente as salas possuem grande quantidade de alunos, dificultando assim as discussões em sala de aula, o esclarecimento de dúvidas de muitos alunos. Outro fator importante a ser ressaltado é a expansão das IES Privadas com e sem fins lucrativos. Nota-se que a PUC-PR foi a pioneira no Estado, tendo início o curso de Serviço Social em 1945, e a FIES, em 1975. O referido curso teve grande expansão após o ano de 2000, sobretudo no ano de 2006. Além da expansão significativa das IES com e sem fins lucrativos, que ofertam o Curso de Serviço Social no PR, em detrimento do Ensino Público, e, as consequências e desafios para a categoria profissional de assistentes sociais, outro fator preocupante é o aumento do número de IES que ofertam o referido curso na modalidade EaD. Assim sendo, por meio do banco de dados do E-MEC, realizou-se o levantamento do número de IES que ofertam curso de Serviço Social EaD, conforme o quadro a seguir: Quadro 02- Curso de Serviço Social (EaD) no Estado do PR Nº de Polos no Paraná Início do funcionamento do Curso Nº de Vagas no Brasil Centro Universitário Claretiano (CEUCLAR) 01 2009 900 Centro Universitário da Grande Dourados (UNIGRAN) 01 2008 3.000 Centro Universitário do Instituto do Ensino Superior (COC) 02 Não consta 5.000 Centro Universitário Leonardo da Vinci (UNIASSELVI) 02 2008 1.300 Universidade Anhanguera (UNIDERP) 12 2007 16.800 Universidade Braz Cubas (UBC) 03 Não consta 400 Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) 20 2008 4.000 Universidade Norte do Paraná (UNOPAR) 26 2007 21.150 Universidade Paulista (UNIP) 26 2008 60 IES Fonte: Elaboração das autoras, a partir dos dados do E-MEC (2012). Embora os dados do sistema E-MEC apresentados no quadro acima, aponte que há nove IES que possuem curso de Serviço Social EaD, ao acessar a website de casa IES, identificou-se que o Centro Universitário da Grande Dourados (UNIGRAN) não possui o curso de Serviço Social. No que tange aos municípios que as IES possuem pólos no PR, observa-se que o Centro Universitário Claretiano (CEUCLAR), possui pólo apenas em Curitiba. Já o Centro Universitário do Instituto do Ensino Superior (COC), possui pólos em Curitiba e em Foz do Iguaçu. O Centro Universitário Leonardo da Vinci, possui pólos em Curitiba e Maringá. A Universidade Anhanguera (UNIDERP), possui doze pólos: Abatiá; Arapongas; Castro; Curitiba; Foz do Iguaçu; Guaíra; Icaraína; Londrina; Maringá; Palmas; Telêmaco Borba e Umuarama. Em relação à Universidade Braz Cubas (UBC), os três pólos estão situados em: Araucária; Curitiba e São José dos Pinhais. Já a Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), possui vinte pólos: Apucarana; Araucária; Cambará; Cascavel; Cianorte; Curitiba; Guarapuava; Guaratuba; Imbituva; Irati; Jandaia do Sul; Londrina; Maringá; Palotina; Pato Branco; Ponta Grossa; Quedas do Iguaçu; Santa Tereza do Oeste; São José dos Pinhais e Vera Cruz do Oeste. A Universidade Norte do Paraná (UNOPAR) e a Universidade Paulista (UNIP), possuem o maior número de pólos no Estado do PR, sendo que cada uma abrange 26 municípios. A UNOPAR possui pólos nos seguintes municípios: Arapongas; Assaí; Bandeirantes; Campo Mourão; Cascavel; Cornélio Procópio; Curitiba; Foz do Iguaçu; Francisco Beltrão; Guarapuava; Ibaiti; Ivaiporã; Loanda; Londrina; Manoel Ribas; Maringá; Matinhos; Paranavaí; Rio Negro; Rosário do Ivaí; São José dos Pinhais; São Mateus do Sul; Toledo; Umuarama e Wenceslau Braz. Já a UNIP, possui pólos em: Almirante Tamandaré; Altônia; Assis Chateaubriad; Bela Vista do Paraíso; Campo Largo; Campo Mourão; Cascavel; Colombo; Curitiba; Foz do Iguaçu; Goioerê; Guaíra; Guarapuava; Itaipulândia; Ivaiporã; Londrina; Marechal Cândido Rondon; Maringá; Medianeira; Palotina; Pinhais; Ponta Grossa; São Miguel do Iguaçu; Terra Roxa e Toledo. Diante do exposto, observa-se que as IES que ofertam o Curso de Serviço Social EaD, abrangem várias regiões do Estado do Paraná e, em relação ao número de vagas no Brasil, observa-se que há um grande número de vagas por ano, o oposto do que ocorre nas IES Públicas. O curso de Serviço Social EaD no Centro Universitário do Instituto do Ensino Superior (COC), atualmente é realizado em parceira com a UNISEB interativo. Na website da UNISEB consta que os assistentes sociais formados por esta IES, estão munidos do conhecimento teórico, metodológico, ético e político e, finalizam afirmando que estes requisitos são fundamentais para a atuação do profissional. No entanto, o assistente social além de articular as dimensões teórico-metodológica, ético-política, também deve articular a dimensão técnico-operativa. De acordo com a grade curricular da referida IES, há a disciplina de Pesquisa em Serviço Social, mas o que chama a atenção é a quantidade de horas-aula, pois apresenta um total de 200 horas, sendo apenas 34 horas para aulas interativas e 166 horas para auto-estudo. A IES não apresenta na website os Projetos de Pesquisa e Extensão que desenvolve, apontando apenas Cursos de Extensão EaD. Assim, observa-se que como muitas instituições que ofertam o curso EaD, não há a possibilidade do aluno participar de projetos de pesquisa e extensão, os quais fornecem um conhecimento que o aluno não adquire em sala de aula, contribui de forma significativa para a formação acadêmica e profissional. Segundo a website do Centro Universitário Leonardo da Vinci (UNIASSELVI), o curso de Serviço Social tem como objetivo formar o profissional com a sólida formação acadêmica com as dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa. Em relação a grade curricular do Curso, é apresentada a disciplina de Pesquisa Social, porém, no que tange à projetos de pesquisa e extensão, não foi encontrada informação na website. Em relação a Universidade Anhanguera (UNIDERP), de acordo com as informações da website desta IES, o assistente social precisa compreender o significado da profissão, identificar as demandas e fragilidades, de modo que realize a intervenção focada no enfrentamento da questão social. No entanto, também afirma que o curso “privilegia a formação de um profissional aberto às mudanças com visão empreendedora” (UNIDERP, 2013), mas sempre consciente da importância da atuação do profissional na sociedade e o compromisso ético com os usuários. A disciplina de Pesquisa Social é apresentada na grade curricular. Porém, em relação à Projetos de Pesquisa e Extensão, não foi encontrada nenhum informação na website. Comparando os objetivos das instituições UNIP – UBC – ULBRA - UNOPAR em relação ao EaD em Serviço Social, com foco no ensino, pesquisa e extensão, observa-se que todas as instituições possuem em sua grade curricular a disciplina de pesquisa em Serviço Social, porém somente uma das instituições em seus meios de comunicação demonstra quais projetos de pesquisa e extensão possui, enquanto as demais não citam em nenhum momento se existem tais projetos e a importância dos mesmos para a formação deste profissional/pesquisador. A instituição que possui os dados dos projetos os quais promove, identifica-os como projetos permanentes de extensão tendo por base a responsabilidade social dos envolvidos, sejam eles profissionais ou alunos, porém nestes projetos não consta a especificidade de cada área de atuação. Vale ressaltar que os alunos que cursam Serviço Social EaD nesta instituição, de fato participam ativamente destes projetos, visto que este está vinculado a somente um dos pólos da instituição referenciada, consequentemente o mesmo não está ao alcance da totalidade dos indivíduos em processo de formação. Há no país hoje aproximadamente 2.281 IES, porém apenas 8% destes institutos estão inseridos em ambiente universitário, e somente estes inseridas em ambiente universitário, devem como aponta Pimenta (2009, p. 42), “[...] por obrigação legal, realizar ensino, pesquisa e extensão, contar com um terço de doutores e mestres em seu quadro docente e com um terço de seus professores contratados em regime de tempo integral, de acordo com o artigo 52 da LDB de 1996”. Essa nova reconstrução acerca do ensino, pesquisa e extensão, surge a partir da LDB de 1996, mais especificamente em seu artigo 43 que “não reafirma o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão de serviços à comunidade” (PIMENTA, 2009, p. 43). No Brasil 66% das IES que estão devidamente credenciadas a realizar o curso de Serviço Social em EaD, são caracterizadas como ambientes universitários, ou seja, este fator seria interessante pelo fato destas serem obrigadas a realizarem ensino, pesquisa e extensão perante legislação, porém é impossível a realização de pesquisa e extensão dentro dos moldes no qual é desenvolvido o EaD, pois os encontros geralmente acontecem somente uma vez por semana no nível presencial, ou até mesmo mensalmente, sendo todas as demais atividades realizadas em âmbito virtual, destaca Pimenta (2009). Outra questão bastante instigante em relação ao tema abordado, diz respeito ao instrumental de avaliação de cada um desses cursos, que muitas vezes não estão em consonância com as legislações. Tecedor, aponta quais instrumentais seriam esses: [...] o projeto pedagógico do curso na sua concepção de currículo e avaliação; atividades acadêmicas articuladas à formação e à prática profissional como o estágio, o Trabalho de Conclusão de Curso – TCC – e as atividades complementares; o corpo docente, o corpo discente e o corpo técnico-administrativo e operativo, estruturas físicas, bibliotecas, instalações especiais e laboratórios. (TECEDOR, 2009, p. 59). Observa-se na fala da autora o quanto é importante para a formação de um profissional, as atividades complementares que seriam justamente as atividades de pesquisa e extensão, bem como todo o aparato que esse aluno necessita enquanto cursa a graduação, como por exemplo, um corpo docente qualificado, que no momento da graduação serão à base deste aluno. CONSIDERAÇÕES FINAIS Constatou-se com a referida pesquisa e análise da mesma, que o sucateamento da educação é claramente defendido pelo Estado, por meio de ações que promovem o acelerado crescimento do setor privado frente a esta política, no qual deveria ser garantida e entendida por todos os cidadãos como um direito social, respaldado na CF/88. Desta forma, nos é evidente o quanto é prejudicial à formação de todo e qualquer profissional, que escolha para a sua formação os moldes do ensino à distância, visto que estes Institutos de Educação Superior que oferecem esta modalidade de ensino, geralmente estão preocupados na quantidade de profissionais que se formarão para o mercado de trabalho, ao invés da qualidade destes como apontou esta pesquisa. Não obstante a análise das instituições que promovem o ensino a distancia no Paraná, nos mostra justamente o quanto esta modalidade de ensino é defasada em relação às demais instituições que promovem o ensino presencial, visto que o “tripé” ensino, pesquisa e extensão, enquanto condição mínima a formação de um profissional crítico frente à realidade social, não é pensado e realizado de forma indissociável, visto que na maioria destas, não existem tais projetos, focando apenas no ensino que muitas vezes torna-se fragmentado diante das condições de viabilização deste. A realidade aqui apresentada leva-nos a pensar que esta discussão acerca do tema abordado se encontra em processo incipiente, sendo necessário refletirmos a importância desta, permeando não somente os impactos promovidos pelo EaD à formação destes futuros profissionais/pesquisadores, mas também nos indagarmos de como será o reflexo da emergência de nossa classe profissional frente as demandas dos usuários das políticas públicas, tendo em vista o ensino à distância. REFERÊNCIAS CAPELO, Maria Regina Clivati; AMARAL, Wagner Roberto do. Diversidade, escola e os diferentes sujeitos: o que dizer do currículo? 2013. CFESS. CFESS Manifesta: Seminário Nacional de Serviço Social na Educação. Junho de 2012. Disponível em: <http://www.cfess.org.br/arquivos/CFESS-MANIFESTA_SEMEDUCA-Site.pdf>. DAGNINO, Evelina. Sociedade civil, participação e cidadania: de que estamos falando?. In: MATO, Daniel (Coord.), Políticas de cuidadania y sociedad civil em tiempos de globalización. 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