Priscila Kelly Moreira Ireno
AVALIAÇÃO DA REDE DE AUTOMONITORAMENTO MANUAL E
CLASSIFICAÇÃO DA QUALIDADE DO AR DOS MUNICÍPIOS DO
VETOR NORTE DA RMBH
Relatório Final da Bolsa de Iniciação
Científica (BIC) referente ao período
de Novembro/2014 a Julho/2015,
apresentado à Fundação Estadual do
Meio Ambiente, como parte das
exigências da FAPEMIG.
ORIENTADOR: Flávio Daniel Ferreira
Belo Horizonte
Agosto/2015
Governador do Estado de Minas Gerais
Fernando Damata Pimentel
Secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável –
SEMAD
Luiz Sávio de Souza Cruz
Presidente da FEAM
Diogo Soares de Melo Franco
Diretora de Gestão da Qualidade Ambiental – DGQA
Irene Albernaz Arantes
Gerência de Monitoramento da Qualidade do Ar e Emissões – GESAR
Flávio Daniel Ferreira
AUTORES
Flávio Daniel Ferreira
Priscila Kelly Moreira Ireno
EQUIPE TÉCNICA
Afonso Henrique Ribeiro
Antônio Alves dos Reis
Gabriela Batista Agostinho
Jussara dos Santos Martins
Lucas Guimarães Viana
Márcia Cristina Ferreira da Costa
Nathalia Nascimento Coelho
Núbia Cristina Pinto
Ricardo Torres Nunes
Robson Fernando Justino
Rúbia Cecília Augusta Francisco
Ficha catalográfica elaborada pelo Núcleo de Documentação Ambiental
I66a
Ireno, Priscila Kelly Moreira.
Avaliação da rede de automonitoramento manual e
classificação da qualidade do ar dos municípios do vetor norte
da RMBH / Priscila Kelly Moreira Ireno. --- Belo Horizonte:
Fundação Estadual do Meio Ambiente, 2015.
72p. : il.
Relatório final da Bolsa de Iniciação Científica
Flávio Daniel Ferreira.
Coordenador:
1. Qualidade do ar. 2. Monitoramento ambiental.
3. Região Metropolitana de Belo Horizonte – Vetor Norte.
I. Fundação Estadual do Meio Ambiente. II. Título.
CDU: 614.71:504.06
SUMÁRIO
1.
INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 7
2.
MONITORAMENTO DA QUALIDADE DO AR .................................................... 8
2.1 Índice de Qualidade do Ar (IQAr) ...................................................................... 8
2.2 Padrões de qualidade do ar .............................................................................. 9
2.3 Locais de amostragem .................................................................................... 10
2.3.1 Santa Luzia ................................................................................................. 11
2.3.2 Vespasiano ................................................................................................. 12
2.3.3 São José da Lapa ....................................................................................... 14
2.3.4 Pedro Leopoldo ........................................................................................... 16
2.3.5 Matozinhos .................................................................................................. 18
2.4 Parâmetro monitorado ..................................................................................... 19
2.5 Equipamento de amostragem ......................................................................... 20
2.6 Frequência de amostragem ............................................................................. 22
2.7 Aspectos gerais dos amostradores descontínuos ....................................... 22
3.
RESULTADOS .................................................................................................. 24
3.1 Santa Luzia ....................................................................................................... 24
3.1.1 Ponto Rua Maria Augusta, nº 334 ............................................................... 25
3.1.2 Ponto Santa Rita, nº235 .............................................................................. 27
3.1.3 Ponto Rua Maria Augusta, nº170 ................................................................ 29
3.2 Vespasiano ....................................................................................................... 33
3.2.1 Ponto Célvia ................................................................................................ 33
3.2.2 Ponto Caieiras ............................................................................................ 37
3.3 São José da Lapa ............................................................................................. 42
3.3.1 Ical - Ponto Av. Transamazônica, nº192 ..................................................... 42
3.3.2 Ical Ponto Bairro Jardim Encantado ............................................................ 46
3.3.3 Belocal – Delegacia .................................................................................... 48
3.3.4 Belocal – Antiga Prefeitura.......................................................................... 50
3.4 Pedro Leopoldo ................................................................................................ 54
3.4.1 Mina Manoel Carlos .................................................................................... 54
3.4.2 Maria Cândida ............................................................................................. 57
3.4.3 Centro ......................................................................................................... 59
3.4.4 Portaria Fábrica........................................................................................... 61
3.5 Matozinhos ....................................................................................................... 64
3.5.1 Bairro Cruzeiro ............................................................................................ 65
3.5.2 Bairro Bom Jardim ...................................................................................... 67
4.
DISCUSSÕES DOS RESULTADOS ................................................................. 70
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 73
7
1.
INTRODUÇÃO
Nos dias atuais, em que o mundo encontra-se cada vez mais desenvolvido e as
atividades industriais cada vez mais intensas, é indispensável o monitoramento da
poluição do ar, a fim de controlar e preservar a saúde humana.
O monitoramento da poluição atmosférica pode ser dividido em monitoramento das
emissões e da qualidade do ar. O monitoramento das emissões consiste nos
poluentes que estão sendo emitidos para atmosfera por dutos e chaminés. Já o
monitoramento da qualidade do ar, visa quantificar as concentrações dos poluentes
presentes no ar ambiente (FRONDIZZI, 2008, p. 16).
Utilizam-se os monitoramentos da qualidade do ar, principalmente para medir o grau
de exposição dos receptores (seres humanos, animais, plantas e materiais) em
regiões propicias a um maior grau de concentração de poluentes, dos quais são
baseados nas concentrações máximas e mínimas definidas pela Resolução
CONAMA 03/90, que quando ultrapassadas poderão afetar a saúde e o bem estar
da população.
Para tanto, são realizados programas de monitoramento desenvolvidos pelos
estados, de acordo com as atribuições da legislação supracitada. E tem como
principais metas, identificar as possíveis tendências de poluição em uma região,
tomar medidas emergenciais em episódios críticos, de forma assegurar a saúde da
população exposta e garantir o controle dos poluentes tóxicos atmosféricos
introduzidos por atividades antrópicas.
Neste sentido, o presente relatório tem como finalidade apresentar a situação da
qualidade do ar nos municípios do Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo
Horizonte (RMBH), através dos monitoramentos procedidos por empresas de grande
porte ou de grande potencial poluidor, em cumprimento as condicionantes
estabelecidas pela Licença de Operação (LO) dos empreendimentos.
8
Diante da significância dos monitoramentos, torna-se necessário avaliar as
condições em que os dados são gerados e repassados aos órgãos competentes,
bem como os impactos causados pelos mesmos na população do entorno.
2.
MONITORAMENTO DA QUALIDADE DO AR
2.1
Índice de Qualidade do Ar (IQAr)
Com a finalidade de simplificar a divulgação de informações sobre o monitoramento
da qualidade do ar, foi desenvolvido pela Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos
Estados Unidos da América, o Índice de Qualidade do Ar (IQA). Uma importante
ferramenta que visa à transformação das concentrações de poluentes dispersos no
ar em um valor adimensional que viabiliza a comparação com os padrões
estabelecidos pelas legislações vigentes (DERISIO, 2012).
A transformação dessas concentrações em índices é obtida através de um cálculo
especifico que se trata de uma função linear segmentada, na qual os pontos de
inflexão representam os níveis de qualidade do ar (DERISIO, 2012, p. 139).
O cálculo referenciado é aplicado para cada poluente monitorado na estação, o valor
resultante será comparado com as faixas de concentração indicativas na tabela de
IQAr (TAB. 1), e a qualidade do ar será determinada pelo poluente que obter o maior
índice para o período considerado.
O grupo de poluentes considerados como indicadores de qualidade do ar e que
podem causar maiores danos à saúde pública são: dióxido de enxofre (SO2),
material particulado (PTS e PM10), fumaça, monóxido de carbono (CO), ozônio (O3)
e dióxidos de nitrogênio (NO2). A TAB 1 apresenta os limites de concentrações dos
mesmos e suas respectivas classificações, bem como as cores utilizadas para
ilustrar os índices de qualidade do ar.
9
TABELA 1 - Índices de Qualidade do Ar – IQAr
Qualificação
/Indíce
Boa
(0 - 50)
Regular
(51 - 100)
Inadequada
Nível de
Qualidade do
Ar
SO2
PTS
MP10
Fumaça
CO
O3
NO2
Média 24h
Média 24h
Média 24h
Média 24h
Média 8h
Média 1h
Média (1h)
µg/m 3
µg/m 3
µg/m 3
µg/m 3
ppm
µg/m 3
µg/m 3
50% PQAR
50
80(a)
50(a)
60(a)
4,5
80
100(a)
PQAR
365
240
150
150
9
160
320
ATENÇÃO
800
375
250
250
15
200
1130
(101 - 199)
Má
ALERTA
1600
625
420
420
30
800
2260
(200 - 299)
Péssima
EMERGÊNCIA
2100
875
500
500
40
1000
3000
(300 - 399)
Crítica
CRÍTICO
2620
1000
600
600
50
1200
3750
(> 400)
Os índices com classificação até (Regular), atedem ao Padrão de Qualidade do Ar Conama nº 03 de 1990.
(a) - anual
Fonte: Resolução Conama nº 03 de 28 de Junho de 1990.
Elaboração: Autora, 2015.
2.2
Padrões de qualidade do ar
Os padrões da qualidade do ar são definidos, pela Resolução CONAMA 03 de
agosto de 1990 no Art. 1° como, “[...] as concentrações de poluentes atmosféricos
que, ultrapassadas, poderão afetar a saúde, a segurança e o bem-estar da
população, bem como ocasionar danos à flora e à fauna, aos materiais e ao meio
ambiente em geral” (BRASIL, 1990 p. 480).
Para uma melhor compreensão das disposições da resolução, são definidos os
padrões primário e secundário como pode ser observado na TAB.2, sendo primárias
as concentrações que quando ultrapassadas, poderão afetar a saúde humana, e
secundárias as concentrações de poluentes abaixo das quais se prevê o mínimo
efeito adverso sobre o bem-estar da população.
10
TABELA 2 - Padrões primários e secundários para a qualidade do ar (Resolução CONAMA Nº03 de
28/06/90)
240
80
Padrão
Secundário
µg/m3
150
60
amostrador de
grandes volumes
24 horas 1
MAA3
150
50
150
50
separação
inercial/filtração
Fumaça
24 horas 1
MAA3
150
60
100
40
refletância
Dióxido de Enxofre
(SO2)
24 horas 1
MAA3
365
80
100
40
pararosanilina
Dióxido de
Nitrogênio (NO2)
1 hora 1
MAA3
320
100
190
100
quimiluminescência
Poluente
Tempo de
amostragem
Padrão Primário
µg/m3
Partículas Totais em
Suspensão (PTS)
24 horas 1
MGA2
Partículas Inaláveis
(PM10)
Método de
Medição
40000
40000
35ppm
35ppm
Infravermelho
Monóxido de
Carbono (CO)
10000
10000
não dispersivo
8 hora 1
9ppm
9ppm
1
Ozônio (O3)
1 hora
160
160
quimiluminescência
1
Não deve ser excedido mais de uma vez ao ano.2 Média geométrica anual.3 Média aritmética
anual.
1 hora 1
Fonte: CETESB, 2009, p.23.
2.3
Locais de amostragem
A definição dos locais de instalação, assim como as analises dos monitoramentos
nas estações, baseiam-se nos levantamentos das principais fontes de emissões de
poluentes atmosféricos, estudos de dispersão dos poluentes, dados meteorológicos
de direção e velocidade do vento, topografia, climatologia, índice de pluviosidade,
dados de uso e ocupação do solo, e dados estatísticos de reclamações da
população. Outro aspecto a ser considerado é a infraestrutura disponível para
implantação da rede de monitoramento, sendo o fator relevante sua localização na
preferencial dos ventos (DAMILIANO, 2006).
As principais fontes de emissões identificadas na região norte da RMBH são
provindas da exploração do calcário, justamente pelas atividades indústrias
relacionadas à fabricação de cimento juntamente com a fabricação de ferro e
11
produção de cal, executadas nos municípios de Santa Luzia, Vespasiano, São José
da Lapa, Pedro Leopoldo e Matozinhos.
A rede de automonitoramento manual desses municípios correspondem ao todo 15
pontos, sendo de responsabilidade dos empreendimentos que realizam a extração e
processamento do minério, efetuar o monitoramento dos poluentes presentes no ar,
provenientes em sua maioria, de suas atividades sobre os municípios onde estão
localizados. A seguir, faz-se uma apresentação dos municípios e das indústrias
responsáveis pelos pontos de monitoramento.
2.3.1 Santa Luzia
O município de Santa Luzia está situado a 27 Km de Belo Horizonte, ocupa uma
área de aproximadamente 235,327 Km2 e estimava-se uma população para o ano de
2014 de 214.830 habitantes (IBGE, 2015). Possui temperatura média variando no
entorno de 21,5º, e índice pluviométrico médio anual de aproximadamente
1.436,1mm (CLIMATE-DATA.ORG, 2015).
O monitoramento da qualidade do ar no município é realizado pela empresa Brasil
Beton S/A - Cimentos Lafarge, e possui como principal atividade a fabricação de
cimento. A mesma está vinculada ao monitoramento de PTS e PM10 pelo processo
COPAM 00289/2000/014/2007 da Licença de Operação 249/2009 em três pontos do
Bairro Santa Rita, sendo eles:

Ponto 01 (Rua Maria Augusta, nº 334): Monitora-se nesse ponto partículas
totais em suspensão (PTS), e está localizado na Rua Maria Augusta, nº 334,
sob as coordenadas geográficas em UTM (Universal Transversa de Mercator)
de longitude (0616514) e latitude (7809452).

Ponto 02 (Rua Santa Rita, nº 235): Situa-se na Rua Santa Rita, nº 235, sob
as coordenadas geográficas de longitude (0616522) e latitude (7809452), e
há o monitoramento de PTS.
12

Ponto 03 (Rua Maria Augusta, nº 170): Nesse ponto há o monitoramento de
partículas inaláveis (PM10). Está situado na Rua Maria Augusta, nº 170, sob
as coordenadas geográficas de longitude (0616494) e latitude (7809162).
A FIG.1 apresenta as localizações dos pontos em relação à empresa, levando em
consideração a preferencial dos ventos de sudeste para noroeste.
FIGURA 1 – Localização da empresa Lafarge em relação aos pontos de monitoramento.
Dir. vento
Fonte: GOOGLE EARTH, 2015.
2.3.2 Vespasiano
Está inserido na bacia do Ribeirão da Mata, localizado na região central de Minas
Gerais a 28 Km de Belo Horizonte, abrange uma área total de 70.98 Km2 e possuía
população estimada para 2014 de 116.506 habitantes (IBGE, 2015).
A temperatura média anual é de 21,1º, tendo a máxima absoluta já atingindo a
36,9ºC e a mínima absoluta de 3,1ºC. A sua umidade relativa média anual é alta,
correspondente a 72%, e ao longo dos meses acompanha proporcionalmente a
13
variedade das chuvas, que têm uma média acumulada no ano de 1.491,3 mm (IBI,
2005).
O município possui dois pontos de monitoramento inseridos nos bairros próximos a
empresa, de forma a correlatar os poluentes oriundos do processo de fabricação de
cimento, extração e beneficiamento de calcário e beneficiamento de resíduos
industriais, realizado pela empresa Cimentos Liz S/A. A mesma esta vinculada a
efetuar o monitoramento de PTS e PM10 pelo parecer técnico inscrito no processo
COPAM Nº001/1977/149/2008 da Licença de Operação nº 148/2008, dos quais
estão situados nos seguintes locais:

Ponto 01 (Célvia): Este ponto estava instalado no SESI (Serviço Social da
Indústria) e foi realocado para a Escola Estadual Padre José Senabre, situada
na Rua Piauí, 279 - Célvia, sob as coordenadas geográficas de longitude
(0612135) e latitude (7822683).

Ponto 02 (Caieiras): Localizado na Rua Coronel Joaquim Silva, nº13 –
Caieiras, sob as coordenadas geográficas de longitude (0613056) e latitude
(7822906).
A FIG.2 apresenta as localizações dos pontos em relação à empresa, levando em
consideração a preferencial dos ventos de sudeste para noroeste.
14
FIGURA 2 – Localização da empresa Cimentos Liz em relação aos pontos de monitoramento.
Dir. vento
Fonte: GOOGLE EARTH, 2015.
2.3.3 São José da Lapa
O
município
possui
área
territorial
de
47.930
Km²,
está
localizado
à
aproximadamente 30 Km de Belo Horizonte e estimava-se uma população para o
ano de 2014 de 21.905 habitantes (IBGE, 2015). O relevo é fortemente ondulado a
montanhoso e apresenta um dos principais domínios geomorfológicos, as regiões
calcárias. O clima é subtropical úmido, retratando períodos com temperaturas
superiores a 22ºC, sendo a média anual para a temperatura de 21,7ºC e
pluviosidade de 1335 mm (CLIMATE-DATA.ORG, 2015).
O monitoramento em São José da Lapa é realizado por duas empresas, das quais
são as principais fontes de emissão de material particulado no município, Mineração
Belocal Ltda e ICAL - Indústria de Calcinação Ltda. A Belocal é fabricante de cal
virgem hidratada ou extinta; explosivos, detonantes, munição para caça e desporto,
fósforo de segurança; britamento de pedras para construção inclusive mármore,
ardósia, granito e outras pedras, e a Ical também é fabricante de cal virgem
15
hidratada ou extinta; extração e beneficiamento de calcário; lavra a céu aberto ou
subterrâneo em áreas cársticas com ou sem tratamento.
Cada uma está condicionada ao automonitoramento de 2 pontos, pelos processos
COPAM Nº 046/2000/007/2007 – condicionante 09 da Licença de Operação nº 365
(BELOCAL) e COPAM Nº 002/1978/027/2005 - condicionante 05 da Licença de
Operação Corretiva 331 (ICAL), totalizando 4 pontos no município.

Belocal - Ponto 01 (Delegacia): Realiza o monitoramento de PM10 e está
localizado na Rua Coronel Virgílio Machado, nº303 - Centro, consta sob as
coordenadas geográficas de longitude (0608835) e latitude (7821193)

Belocal - Ponto 02 (Antiga Prefeitura): Realizava o monitoramento de PTS
e estava localizado na Rua Idalina Alves, nº179 – Centro, não encontra-se em
funcionamento desde outubro de 2014, e estava inserido sob as coordenadas
geográficas de longitude (0609158) e latitude (7821622).

Ical Ponto 01 (Av. Transamazônica): Localizado na Av. Transamazônica,
nº192, possui coordenadas geográficas de longitude (0608151) e latitude
(7820560), e monitora PM10.

Ical Ponto 02 (Bairro Jardim Encantado): Situava-se na Alameda
Potiguaras, nº220 – Jardim Encantado, não consta em funcionamento desde
julho de 2013, o local onde estava instalado possui coordenadas geográficas
de longitude (0608089) e latitude (7819543), e também monitorava PM10.
A FIG.3 apresenta as localizações dos pontos em relação às empresas, levando em
consideração a preferencial dos ventos de sudeste para noroeste.
16
FIGURA 3 - Localização das empresas Belocal e Ical em relação aos pontos de monitoramento.
Dir. vento
Fonte: GOOGLE EARTH, 2015.
2.3.4 Pedro Leopoldo
O município de Pedro Leopoldo está localizado na Mesorregião Metropolitana de
Belo Horizonte a uma distância de 46 Km, possui extensão territorial de 292.947 Km²
e estimava-se uma população para o ano de 2014 de 62.473 habitantes (IBGE,
2015).
Geologicamente, é formado por dois domínios, sendo o complexo gnáissico do
embasamento cristalino que abrange a área central e sul do município, e a LesteNordeste integra o domínio da Área Cárstica de Lagoa Santa. Esta área é
constituída de rochas calcárias, pertencentes ao grupo Bambuí (PRÓ-CITTA, 2014).
O monitoramento da qualidade do ar em Pedro Leopoldo é realizado em quatro
pontos do município pela empresa Intercement Brasil S/A fabricante de cimento, cal
e
argamassas,
por meio
da
condicionante
1
do
processo
COPAM
Nº
17
015/1978/070/2011 da Licença de Operação nº 083. Os pontos monitoram PM10 e
estão localizados nos seguintes endereços:

Ponto 01 (Portaria Fábrica): Localizado na Rua Coronel Juventino Dias, s/nº
- Centro, sob as coordenadas geográficas longitude (0601842) e latitude
(7829436);

Ponto 02 (Centro): - Localizado na Rua Ninico Barbela, nº99 - Centro, sob as
coordenadas geográficas longitude (0600989) e latitude (7829925);

Ponto 03 (Maria Cândida): Localizado na Rua José Pereira Fernandes,
nº327 - Maria Cândida, sob as coordenadas geográficas longitude (0601130)
e latitude (7831131);

Ponto 04 (Mina Manoel Carlos): Localizado na Rua Padre Augusto nº 26 Dr. Lund, sob as coordenadas geográficas longitude (0603956) e latitude
(7827419).
Observam-se na FIG. 4 os pontos de monitoramento em relação à empresa, onde
deve ser levado em consideração a direção dos ventos de sudeste para noroeste.
FIGURA 4 – Localização da empresa Intercement em relação aos pontos de monitoramento
Dir. vento
Fonte: GOOGLE EARTH, 2015.
18
2.3.5 Matozinhos
O município de Matozinhos está localizado a 47 Km de Belo Horizonte, possuía
população estimada para 2014 de 36.382 habitantes e área territorial de 252,280
Km2 (IBGE, 2015). A temperatura média anual varia no entorno de 21,6ºC e a
pluviosidade em torno de 1321 mm (CLIMATE-DATA.ORG, 2015).
O monitoramento da qualidade do ar no município é realizado pela empresa Lafarge
Brasil S/A, possui como principal atividade a fabricação de cimento. A mesma
também tem sede em Matozinhos e por este motivo está condicionada através da
Licença de Operação Corretiva-LOC nº 589, processo COPAM nº 042/1983/17/1999
a efetuar o monitoramento de PTS em 2 pontos, dos quais estão relacionados
abaixo:

Ponto 01 (Cruzeiro): Localizado na Rua Caxias, nº97 - Cruzeiro, sob as
coordenadas geográficas de longitude (596005) e latitude (7838672).

Ponto 02 (Bom Jardim): Localizado na Rua Níquel, nº71 - Bom Jardim, sob
as coordenadas geográficas de longitude (596387) e latitude (7838628).
Pode-se verificar na FIG.5, os pontos de monitoramento, dos quais constam na
direção preferencial dos ventos.
19
FIGURA 5 – Localização da empresa Lafarge em relação aos pontos de monitoramento.
Dir. vento
Fonte: GOOGLE EARTH, 2015
2.4
Parâmetro monitorado
Os principais poluentes resultantes das diversas operações e atividades dos
empreendimentos localizados na região são o grupo dos materiais particulados.
Podem ser definidos, como pequenas partículas (sólidas ou líquidas) em variados
tamanhos, classificados como partículas totais em suspensão (PTS) os que
possuem diâmetros menores que 100 μm (micrômetro), e partículas inaláveis (PM10),
dos quais os diâmetros são inferiores a 10 μm (FEAM, 2015).
As Partículas Totais em Suspensão (PTS) além de serem provenientes de
processos industriais, também são emitidas por veículos motorizados (exaustão),
queima de biomassa, ou por fontes naturais como o pólen, aerossol marinho e solo e
podem causar danos à saúde humana e também à vegetação, deterioração da
visibilidade e contaminação do solo (FRONDIZI, 2008).
20
Já as Partículas Inaláveis (PM10) podem ser oriundas do processo de combustão
(indústrias e veículos), aerossol secundário (formado na atmosfera) e causam
graves efeitos à saúde humana, devido ao menor tamanho das partículas,
aumentando atendimentos hospitalares e mortes prematuras (FRONDIZI, 2008).
Em atendimento a Resolução CONAMA 03/90, admite-se a utilização dos
Amostradores de Grande Volume para o processo de amostragem das partículas
totais em suspensão, e Separação Inercial/Filtração ou Equivalente para as
partículas inaláveis.
No entanto, a metodologia de determinação da concentração mássica desse
material particulado total e inalável, são padronizadas pelas normas da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). A NBR 9547 aborda a metodologia para PTS
e a NBR 13412 para PM10.
2.5
Equipamento de amostragem
Os amostradores de grande volume (AGV), também conhecidos como hivol, são
utilizados para a medição de Partículas Totais em Suspensão (PTS) e Partículas
Inaláveis (PM10) presentes no ar ambiente. Adotam-se estes equipamentos como
ação integrante no controle da poluição do ar e como condicionante para o sistema
de licenciamento de atividades poluidoras em atendimento as legislações vigentes.
De acordo com a Resolução CONAMA 03/90, os amostradores são estabelecidos
como métodos de amostragem e análise dos poluentes atmosféricos. No caso, das
partículas inaláveis empregam-se o método de separação inercial.
Dessa forma, existem dois tipos de hivol, os que monitoram PTS e PM10, eles
diferem um do outro em relação à entrada de ar e ao controle da vazão. O AGV
PTS, não tem controle da vazão e o AGV PM10 possui vazão controlada, sua entrada
de ar é muito mais específica, pois ocorre a separação inercial das partículas.
De acordo com a NBR 9547, o funcionamento do AGV PTS consiste no processo de
21
aspiração de certa quantidade de ar ambiente através de um filtro, como
demonstrado na FIG.6. O equipamento admite a passagem de ar de 1,1 a 1,7
m³/min em um tempo de amostragem de 24 horas. A vazão do ar depende das
condições do vento, sendo permitido a passagem de partículas de 25μm - 50μm.
FIGURA 6 - AGV PTS
A)
B)
Fonte: ENERGÉTICA, 2014.
Ainda segundo a norma supracitada, para determinar a concentração do material
particulado no ar, o filtro é pesado antes da passagem do ar, e depois para obter o
ganho de massa no mesmo. A partir disso é determinada a concentração, que é a
divisão da massa coletada pelo volume do ar amostrado.
Já o equipamento utilizado para o monitoramento de PM10, se difere do PTS por
possuir uma cabeça separadora, como pode ser observado na FIG.7. Essa é
responsável pela capacidade de controlar precisamente a entrada das partículas,
possibilitando a coleta apenas de partículas inferiores a 10 μm, atendendo as
conformidades da NBR 13412.
22
FIGURA 7 - AGV PM10
A)
B)
Fonte: ENERGÉTICA, 2014.
2.6
Frequência de amostragem
Com base nas normas norte-americanas Environmental Protection Agency (EPA), e
nacionais editadas pela ABNT, e também com base na legislação brasileira, a
frequência de amostragem utilizada para o monitoramento de material particulado
por hivol são de 6 em 6 dias, abrangendo assim, todos os dias da semana. Ou seja,
a cada 6 dias são realizadas amostragens durante um período de 24 horas
(DERISIO, 2012, p.136).
A determinação dessa frequência é uma forma de obrigar que os monitoramentos
sejam realizados em dias alternados, de maneira que haja uma melhor
representatividade das amostragens ao longo do ano (FRONDIZI, 2008).
2.7
Aspectos gerais dos amostradores descontínuos
No geral, os pontos de monitoramento devem estar localizados em ambientes
previamente estudados, de forma a coletar dados o mais representativo possível do
ar circundante das fontes emissoras.
23
Cabe às fabricantes determinarem o posicionamento ideal dos seus equipamentos,
para uma monitoração efetiva e eficaz. Porém em alguns casos, como o da
fabricante Energética, adotam-se as exigências da Agência de Proteção Ambiental
dos Estados Unidos (US EPA). Segue abaixo as exigências mínimas de localização
dos AGV PM10 e PTS.
AGV MP10 (PM10)
1. O amostrador deve ficar afastado em no mínimo 20m de árvores, edifícios ou
outros grandes obstáculos. Uma regra geral é que o amostrador fique
afastado de um osbtáculo em no mínimo duas vezes a altura do obstáculo
com relação à entrada do amostrador.
2. A entrada do amostrador deve ficar de 2 a 7m do solo.
3. O fluxo de ar em redor do amostrador deve ficar livre pelo 270° de qualquer
obstrução.
4. A entrada do amostrador deve ficar no mínimo 2m da entrada de qualquer
outro amostrador de grande volume (AGV). Para amostradores colocados
(por exemplo, para amostradores simuntâneas, com o objetivo de avaliações
comparativas), as entradas devem ficar a no máximo 4m umas das outras.
5. Não coloque o amostrador diretamente no solo.
6. Não coloque amostrador perto de chaminés ou exaustores.
7. Caso as amostras tenham que ser analisadas quimicamente (por exemplo,
com espectômentro de massa), avalie o potencial de contaminação no local.
AGV PTS
1. O amostrador deve ficar afastado em no mínimo 20m de árvores, edifícios ou
outros grandes obstáculos. Uma regra geral é que o amostrador fique
afastado de um osbtáculo em no mínimo duas vezes a altura do obstáculo
com relação à entrada do amostrador.
2. A entrada do amostrador deve ficar de 2 a 15m do solo.
3. O fluxo de ar em redor do amostrador deve ficar livre de qualquer obstrução.
24
4. A entrada do amostrador deve ficar no mínimo 2m da entrada de qualquer
outro amostrador de grande volume (AGV). Para amostradores colocados
(por exemplo, para amostradores simuntâneas, com o objetivo de avaliações
comparativas), as entradas devem ficar a no máximo 4m umas das outras.
5. Não coloque o amostrador diretamente no solo.
6. Não coloque amostrador perto de chaminés ou exaustores.
7. Caso as amostras tenham que ser analisadas quimicamente (por exemplo,
com espectômentro de massa), avalie o potencial de contaminação no local.
Para o relatório em questão, serão utilizadas essas determinações como parâmetros
no processo de avaliação dos pontos de monitoramento.
3.
RESULTADOS
Neste capítulo serão discutidos os resultados dos monitoramentos realizados nos
municípios de Santa Luzia, Vespasiano, São José da Lapa, Pedro Leopoldo e
Matozinhos, obtidos entre os anos de 2010 a 2015.
Os poluentes monitorados nas estações são: Partículas Inaláveis (PM10) e Partículas
Totais em Suspensão (PTS).
3.1
Santa Luzia
A qualidade do ar no município de Santa Luzia é monitorada em três pontos pela
empresa Lafarge desde 2012. Os pontos estão localizados no bairro Santa Rita, na
Rua Maria Augusta, nº 334, Rua Santa Rita, nº235 e Rua Maria Augusta nº170.
Nos anos monitorados foram observadas ultrapassagens aos padrões estabelecidos
pela Resolução CONAMA 03/90, tanto em relação á média diária quanto a anual.
25
3.1.1 Ponto Rua Maria Augusta, nº 334
No ponto situado na Rua Maria Augusta, nº 334, onde há o monitoramento de
partículas totais em suspensão – PTS foram registradas 36 amostras obtidas em
fevereiro e de julho a dezembro no ano de 2012, 58 amostras em 2013 e 61 em
2014 que compreenderam todos os meses do ano, e 20 em 2015 que correspondem
até o mês de abril.
O Índice de Qualidade do Ar - IQAr foi classificado como BOA na maior parte dos
anos, exceto em 2012 que indicou REGULAR, correspondendo a 56% das
amostragens como pode ser observado no GRAF.1-A, sendo a menor concentração
identificada de 30,3 µg/m3 e a maior de 224,5 µg/m3. Quanto às ultrapassagens
diárias foram registradas somente em 2013, sendo uma em abril e a outra em
agosto, que evidenciaram condição inadequada e péssima de qualidade do ar
conforme demostrado pelo GRAF.1-B.
O limite máximo estabelecido pela Resolução CONAMA 03/90 para média anual de
PTS é 80 µg/m3, nesse caso apenas o ano de 2012 excedeu o limite com média
geométrica de 87,55 µg/m3, provavelmente pela falta de dados no período
mencionado acima.
GRÁFICO 1 – Campanhas de amostragem de PTS no período de 2012 a 2015.
A)
B)
Campanha de Amostragem PTS - ano
2012 R. Maria Augusta, 334
Campanha de Amostragem PTS - ano
2013 R. Maria Augusta, 334
Boa
Boa
Regular
44%
56%
Inadequada
31%
Regular
2% 2%
Inadequada
Má
Má
Péssima
Crítica
65%
Péssima
Crítica
26
C)
D)
Campanha de Amostragem PTS - ano
2015 Jan-Abr R. Maria Augusta, 334
Campanha de Amostragem PTS - ano
2014 R. Maria Augusta, 334
Boa
Boa
Regular
28%
72%
Regular
10%
Inadequada
Inadequada
Má
Má
Péssima
90%
Crítica
Péssima
Crítica
Fonte: GESAR/FEAM, 2015.
As visitas aos pontos de monitoramento de Santa Luzia foram realizadas no dia
12/05/2015 na parte da manhã acompanhado pelo responsável técnico da empresa
Lafarge. Foi possível verificar que o equipamento instalado na Rua Maria Augusta,
nº334 está bem localizado, no entanto apresenta paredes ao redor do equipamento
como pode ser observado na FIG.8 que provocam mínima interferência na
circulação dos ventos. A entrada de ar do equipamento está acima dos empecilhos,
e a aproximadamente 12m do solo, estando abaixo do limite máximo de 15m
estabelecido pela fabricante para o AGV PTS. Dessa forma, conclui-se que as
amostragens realizadas pelo equipamento são representativas do ar circundante.
FIGURA 8 - Ponto de monitoramento localizado na Rua Maria Augusta, nº334 – Santa Luzia.
A)
B)
27
C)
D)
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
3.1.2
Ponto Santa Rita, nº235
No ponto localizado na Rua Santa Rita, nº235 também há o monitoramento de PTS,
e foram realizadas 51 amostras no ano de 2012, compreendendo o período de 6 em
6 dias em todos os meses, com exceção do mês de janeiro onde houve apenas uma
amostragem. Em 2013 foram analisados 60 amostras, 54 em 2014 e 19 até o mês
de abril de 2015. De acordo com o GRAF.2-A, também houve a predominância da
qualidade REGULAR no ano de 2012, apresentando alguns episódios bons e um
inadequado que viabilizou a ultrapassagem diária com concentração de 247,1 µg/m3
em relação ao limite máximo de 240 µg/m3, e consequentemente o padrão anual
com média de 92,21 µg/m3. Os demais anos não apresentaram excedentes diários e
nem anuais.
GRÁFICO 2 - Campanhas de amostragem de PTS no período de 2012 a 2015.
A)
B)
Campanha de Amostragem PTS - ano
2012 R. Santa Rita, 235
Campanha de Amostragem PTS - ano
2013 R. Santa Rita, 235
Boa
Boa
27%
71%
Regular
Regular
2%
Inadequada
Má
38%
Inadequada
62%
Má
Péssima
Péssima
Crítica
Crítica
28
C)
D)
Campanha de Amostragem PTS - ano
2014 R. Santa Rita, 235
Campanha de Amostragem PTS - ano
2015 Jan-Abr R. Santa Rita, 235
Boa
Boa
Regular
Regular
21%
Inadequada
48%
52%
Má
Inadequada
79%
Má
Péssima
Péssima
Crítica
Crítica
Fonte: GESAR/FEAM, 2015.
No caso da visita ao ponto Rua Santa Rita, nº235 foi identificado uma árvore (ver
FIG.9-C) de aproximadamente 5m de altura e a 10m de distância do equipamento,
porém está a sotavento em relação à empresa, ou seja, ao lado oposto dos ventos
que passam pela mesma e se direcionam ao amostrador. De acordo com a
fabricante, o equipamento deve estar afastado de um obstáculo em no mínimo duas
vezes a altura do obstáculo com relação à entrada do amostrador, que nesse caso
atende totalmente as exigências. A entrada do amostrador está 5,20m em relação
ao chão e não possui outro empecilho mais próximo como pode ser observado na
FIG.9.
FIGURA 9 – Ponto de monitoramento localizado na Rua Santa Rita, nº235 – Santa Luzia.
A)
B)
29
C)
D)
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
3.1.3 Ponto Rua Maria Augusta, nº170
No ponto localizado na Rua Maria Augusta, nº170, há o monitoramento de partículas
inaláveis, e foram realizadas 27 amostras no ano de 2012 referentes ao período de
junho a dezembro, os demais anos as amostragens compreenderam o período
anual, exceto em 2015 que foram analisadas 19 amostras até abril de 2015.
Conforme os outros pontos pode-se verificar também uma predominância do índice
REGULAR no ano de 2012, correspondendo a 63% das amostragens como
demonstrado no GRAF.3-A. Nesse ano não houve ultrapassagens diárias, contudo
excedeu a média anual apresentado uma média aritmética de 66,3 µg/m3, sendo que
o limite máximo estabelecido pela resolução é de 50 µg/m3 para partículas inaláveis.
No entanto foram realizadas apenas 27 amostras compreendidas do dia 26/06/2012
a 29/12/2012, sendo a maior parte delas no período de estiagem onde há evidências
de maiores concentrações, devido a atmosfera apresentar períodos de estagnação e
baixos índices de pluviosidade que favorecem os resultados obtidos.
30
Ao longo do ano de 2013 a qualidade do ar de acordo com o processo de
amostragem foi divida entre REGULAR e BOA como pode ser observado no
GRAF.3-B, e indicou ultrapassagem da média anual, registrando um valor de 54,4
µg/m3. Já em 2014, exibido no GRAF.3-C, apesar de apresentar na maior parte do
ano a qualidade boa, evidenciou um episódio inadequado no dia 14/10/2014, e
consequentemente assim como em 2013, também houve a ultrapassagem da média
anual com 51,1 µg/m3.
Em 2015, evidencia-se até o mês de abril o índice de qualidade do ar como BOA,
com uma taxa inferior de REGULAR, indicando 21% das amostragens.
GRÁFICO 3 - Campanhas de amostragem de PI no período de 2012 a 2015.
A)
B)
Campanha de Amostragem PI - ano
2013 R. Maria Augusta, 170
Campanha de Amostragem PI - ano
2012 R. Maria Augusta, 170
37%
Boa
Boa
Regular
Regular
Inadequada
Inadequada
50%
Má
63%
50%
Má
Péssima
Péssima
Crítica
Crítica
C)
D)
Campanha de Amostragem PI - ano
2014 R. Maria Augusta, 170
Campanha de Amostragem PI - ano
2015 Jan-Abr R. Maria Augusta, 170
Boa
Boa
Regular
2%
Regular
21%
Inadequada
38%
Inadequada
Má
60%
Péssima
Crítica
Má
79%
Péssima
Crítica
Fonte: GESAR/FEAM, 2015.
A visita à estação apresentou semelhança ao do ponto Santa Rita, nº 235, pois
também há a presença de uma árvore de aproximadamente 8m de altura, a cerca de
10m do equipamento e a sotavento em relação à empresa, não representando um
obstáculo a coleta de amostras representativas da mesma conforme demostrado na
31
FIG 10-D. O mesmo está instalado a 2m da base ao solo e a 3m contando da
entrada do amostrador. Dessa forma verifica-se que a diferença entre a entrada do
amostrador e a copa da árvore é de 5m, e assim certifica-se o atendimento aos
limites estabelecidos pela fabricante.
Nesse sentido, é possível constatar que todos os pontos de monitoramento da
empresa Lafarge estão em conformidade com as exigências mínimas da fabricante.
FIGURA 10 – Ponto de monitoramento localizado na Rua Maria Augusta, nº170 – Santa Luzia.
A)
B)
C)
D)
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
32
Com base nos resultados dos monitoramentos realizados nas estações, a avaliação
da qualidade do ar no município de Santa Luzia pode ser verificada nos GRAF.4 e 5,
onde demonstram a sua evolução ao longo dos últimos 3 anos, uma vez que a
análise dos dados relacionados a 2015, ainda não foi concluída. Os resultados foram
comparados com o padrão de qualidade do ar – PQAr, para obter o grau anual de
exposição dos receptores. Pela análise do GRAF.4 observa-se que no ponto Rua
Maria Augusta, nº334 as concentrações de PTS permaneceram maiores que as do
Ponto Santa Rita, nº235, e em ambas houve o enquadramento no padrão após o
ano de 2012, onde obteve concentrações acima do limite estabelecido.
Já o GRAF.5 aponta que a média aritmética das concentrações de PM 10 obtidas
durante o período estudado não se enquadraram em nenhum dos anos, porém é
possível observar um decréscimo das concentrações apresentando tendência ao
atendimento aos limites da resolução.
GRÁFICO 4 – Evolução da concentração de partículas totais em suspensão (PTS) em Santa Luzia
comparada ao PQAr.
PTS - Evolução das concentrações médias anuais - Santa Luzia
92,21
100
80
87,55
71,88
60
78,16
68,03
66,25
40
20
0
2012
2013
R. Maria Augusta, nº 334
LIMITE RESOLUÇÃO CONAMA 03/90 - PTS
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
2014
R. Santa Rita, nº 235
33
GRÁFICO 5 – Evolução da concentração de partículas inaláveis (PM 10) em Santa Luzia comparada
ao PQAr.
PM10 - Evolução das concentrações médias anuais - Santa Luzia
75
66,3
54,4
51,1
2013
2014
50
25
0
2012
LIMITE RESOLUÇÃO CONAMA 03/90 - PI
R. Maria Augusta, nº 170
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
3.2
Vespasiano
No município de Vespasiano monitora-se a presença de partículas totais em
suspensão e inaláveis no ar ambiente em dois pontos desde 2005, com a finalidade
de avaliar a interferência da empresa Cimentos Liz na qualidade do ar no entorno da
sua área de abrangência. Entretanto, o presente relatório restringe-se aos dados
gerados nos últimos 5 anos, ou seja, a partir de 2010.
Os pontos de monitoramento estão localizados nos bairros Célvia e Caieiras, sendo
que no Célvia houve uma mudança de logradouro no inicio de 2015, do SESI
(Serviço Social da Indústria) para a Escola Estadual Padre José Senabre, situada na
Rua Piauí, nº 279 que consta em fase de instalação até a data de fechamento deste
relatório.
3.2.1 Ponto Célvia
Foram registrados no ponto Célvia dados compreendidos de 6 em 6 dias entre 2010
a 2014 e foram analisadas de 55 a 62 amostras nesse período. Através do GRAF.6
pode se observar que a maioria dos anos aponta uma maior proporção da qualidade
BOA para o parâmetro PM10 e REGULAR para o PTS em praticamente todos os
34
anos, com exceção de 2014, que também indicou alguns episódios de qualidade
inadequada e má responsáveis pelas ultrapassagens diárias em todos os anos
exceto em 2013.
A menor concentração identificada durante esses anos para o parâmetro PTS foi de
12,5 µg/m3 registrada no dia 25/12/2013 e a maior de 412 µg/m3 em 22/08/2014,
ambas registradas em períodos propícios para tais concentrações, sendo a menor
evidenciada na época chuvosa (verão) e a maior na estiagem (inverno). Já o
parâmetro PM10 a menor concentração foi de 2,5 µg/m3 evidenciada em 25/12/2013
e a maior de 173 µg/m3 em 20/09/2012.
As médias anuais excederam o limite estabelecido tanto para PTS quanto PM 10.
Sendo que PTS excedeu de 2010 a 2012 e PM10 em 2010 e 2014.
GRÁFICO 6 - Campanhas de amostragem de PTS e PM10 no período de 2010 a 2015.
A) PTS
B) PM10
Campanha de Amostragem PTS ano 2010 Bairro Célvia
2%
27%
Campanha de Amostragem PI - ano
2010 Bairro Célvia
Boa
Boa
Regular
Regular
Inadequada
71%
Inadequada
45%
55%
Má
Péssima
Crítica
Crítica
C) PTS
D) PM10
Campanha de Amostragem PTS ano 2011 Bairro Célvia
Campanha de Amostragem PI - ano
2011 Bairro Célvia
Boa
Boa
Regular
3%
Inadequada
52%
Má
Péssima
45%
Regular
36%
Inadequada
Má
Péssima
Crítica
Má
64%
Péssima
Crítica
35
E) PTS
F) PM10
Campanha de Amostragem PTS ano 2012 Bairro Célvia
Campanha de Amostragem PI - ano
2012 Bairro Célvia
Boa
Boa
Regular
3%
40%
Inadequada
33%
2%
Regular
Inadequada
Má
Má
57%
65%
Péssima
G) PTS
Péssima
Crítica
Crítica
H) PM10
Campanha de Amostragem PTS ano 2013 Bairro Célvia
Campanha de Amostragem PI - ano
2013 Bairro Célvia
Boa
Boa
Regular
Inadequada
50%
50%
Regular
35%
Inadequada
Má
Má
65%
Péssima
Crítica
I) PTS
Péssima
Crítica
J) PM10
Campanha de Amostragem PTS ano 2014 Bairro Célvia
Campanha de Amostragem PI - ano
2014 Bairro Célvia
Boa
Boa
Regular
2%
Regular
2%
Inadequada
Inadequada
45%
53%
Má
48%
50%
Má
Péssima
Péssima
Crítica
Crítica
Fonte: GESAR/FEAM, 2015.
As visitas aos pontos de monitoramento de Vespasiano foram realizadas no dia
24/03/2015 na parte da manhã acompanhado pelo responsável técnico da empresa
Cimentos Liz. Não foi possível verificar o local onde os equipamentos estavam
instalados no Ponto SESI do bairro Célvia, bem como as possíveis interferências
devido a sua relocação. Mas baseado nas imagens contidas nos relatórios enviados
pela empresa conforme demonstrado na FIG.11, verifica-se que os equipamentos
estão com uma proximidade inferior ao estabelecido pela fabricante que é de 2m de
distância, podendo prejudicar o processo de amostragem de ambos já que um hivol
pode receber em algum momento o ar filtrado pelo outro, e assim possivelmente
registrar menos concentrações que o adequado.
36
Também é perceptível que os equipamentos estão com altura aproximada a do muro
e distância adequada para a diferença mínima de altura que há entre eles e o solo
que correspondem aos critérios, no entanto, a árvore pode ser um empecilho devido
a sua altura e proximidade.
FIGURA 11 – Ponto de monitoramento localizado no SESI
bairro Célvia – Vespasiano.
Fonte: CIMENTOS LIZ S/A, 2015, p.03.
O local proposto para a instalação dos equipamentos é na parte frontal da Escola
Padre José Senabre com vista para a empresa que está demarcada de vermelho na
FIG.12. Porém será necessário o corte do coqueiro para que não haja interferências
nas amostragens.
37
A instalação do equipamento na escola será de grande relevância para o
monitoramento da empresa, pois será possível avaliar as condições do ar que os
alunos estão respirando.
FIGURA
12
–
Local
pretendido
para
instalação
dos
equipamentos de monitoramento da qualidade do ar.
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
3.2.2 Ponto Caieiras
Já no ponto Caieiras, nos anos de 2010 a 2014 foram registradas entre 55 a 61
amostras e 20 até abril de 2015. E ao contrário do ponto Célvia, o Caeiras
apresentou ao longo dos últimos 5 anos as menores concentrações tanto para PTS
38
quanto para PM10, como pode ser observado no GRAF.7. Evidenciou episódios
regulares em todos os anos e inadequados em alguns deles, e também houve
registros de MÁ qualidade em 2013 e PÉSSIMA em 2014 para o parâmetro PTS. E
mesmo retratando ultrapassagens diárias, não excedeu o limite da média anual em
nenhum dos anos analisados.
GRÁFICO 7 - Campanhas de amostragem de PTS e PM10 no período de 2010 a 2015.
A) PTS
B) PM10
Campanha de Amostragem PTS - ano
2010 Bairro Caieiras
Campanha de Amostragem PI - ano
2010 Bairro Caieiras
Boa
2% 2%
Boa
Regular
Regular
17%
Inadequada
34%
Inadequada
Má
62%
Má
83%
Péssima
Crítica
C) PTS
Crítica
D) PM10
Campanha de Amostragem PTS - ano
2011 Bairro Caieiras
Campanha de Amostragem PI - ano
2011 Bairro Caieiras
Boa
25%
Boa
Regular
2%
73%
Regular
20%
Inadequada
Inadequada
Má
Má
Péssima
80%
Crítica
E) PTS
Péssima
Crítica
F) PM10
Campanha de Amostragem PTS - ano
2012 Bairro Caieiras
Campanha de Amostragem PI - ano
2012 Bairro Caieiras
Boa
26%
Péssima
Regular
3%
Boa
19%
Regular
3%
Inadequada
Inadequada
Má
71%
Péssima
Crítica
Má
78%
Péssima
Crítica
39
G) PTS
H) PM10
Campanha de Amostragem PTS - ano
2013 Bairro Caieiras
Campanha de Amostragem PI - ano
2013 Bairro Caieiras
Boa
1% 2%
Regular
27%
70%
Boa
Regular
4%
21%
Inadequada
Inadequada
Má
Má
Péssima
75%
Crítica
I) PTS
Crítica
J) PM10
Campanha de Amostragem PTS - ano
2014 Bairro Caieiras
Campanha de Amostragem PI - ano
2014 Bairro Caieiras
Boa
31%
Péssima
Boa
Regular
2% 2%
Inadequada
Regular
2%
24%
Inadequada
Má
65%
Má
Péssima
74%
Crítica
K) PTS
Péssima
Crítica
L) PM10
Campanha de Amostragem PTS - ano
2015 Jan-Abr Bairro Caieiras
Campanha de Amostragem PI - ano
2015 Jan-Abr Bairro Caieiras
Boa
Boa
Regular
40%
Regular
10%
Inadequada
Inadequada
60%
Má
Má
Péssima
Crítica
90%
Péssima
Crítica
Fonte: GESAR/FEAM, 2015.
Uma das possíveis justificativas pela maioria das amostragens apontarem como
BOA a qualidade do ar é devido o ponto não estar instalado na preferencial dos
ventos, sendo que em alguns dias obtiveram-se concentrações maiores que indicam
os períodos de mudança da direção dos mesmos, viabilizando a coleta do ar
provindo da empresa.
Na visita ao local de monitoramento foi possível identificar duas interferências ao
processo de amostragem, trata-se da distância de 1m entre os amostradores e a
cortina arbórea que os cercam, como pode ser visualizado na FIG.13. A distância
40
como informado anteriormente, diminui a representatividade das amostras, sendo o
recomendado pela fabricante a distância de 2m. No caso da cortina arbórea, há a
filtração do ar no contato deste com as galhas e folhas, e o desvio da direção dos
ventos no local, dificultando assim a coleta das concentrações reais que estão
presentes no ar ambiente.
No caso da altura, entre as entradas dos amostradores e o solo são de 3,40m,
correspondendo às exigências mínimas de instalação, levando em consideração que
o mínimo tanto para PM10 quanto para PTS são 2m de altura.
FIGURA 13 – Ponto de monitoramento localizado no bairro Caeiras – Vespasiano.
A)
B)
C)
D)
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
Uma das formas de se verificar a qualidade do ar é através das médias anuais
intituladas pela Resolução CONAMA 03/90, visando demostrar as situações médias
41
predominantes das dispersões dos poluentes e o grau de exposição da população
num longo período de tempo.
Nesse sentido, os GRAF.8 e 9 apontam a evolução de PTS e PM 10 entre 2010 a
2014, de forma a evidenciar a tendência da qualidade do ar em melhorar ou piorar.
Pela analise do GRAF.8, observa-se que no bairro Célvia houve um declínio das
concentrações de PTS e enquadramento no limite padronizado pela legislação
apenas nos anos 2013 e 2014, ao contrário do parâmetro PM 10 demonstrado no
GRAF.9, que indicou variação nas médias e também excedeu em dois anos, sendo
em 2010 e 2014.
No caso do bairro Caieiras em nenhum dos anos excedeu os limites dos parâmetros
PTS e PM10 como pode ser observado nos GRAF.8 e 9, no entanto o monitoramento
de PTS evidenciou um aumento das concentrações ao longo dos anos, de mesmo
modo, porém mais razoavelmente o PM10 que somente em 2014 apresentou um
declínio na evolução.
GRÁFICO 8 - Evolução da concentração de partículas totais em suspensão (PTS) em Vespasiano
comparada ao PQAr.
PTS - Evolução das concentrações médias anuais - Vespasiano
120
105,25
100
85,7
82,41
77,77
80
69,63
60
40
64,96
60,85
40,19
20
47,56
48,06
2012
2013
0
2010
Célvia
2011
Caieras
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
2014
LIMITE ANUAL RESOLUÇÃO CONAMA 03/90 - PTS
42
GRÁFICO 9 - Evolução da concentração de partículas inaláveis(PM 10) em Vespasiano comparada ao
PQAr.
PM10 - Evolução das concentrações médias anuais - Vespasiano
60
53,1
50
42
40
30
36,22
34,52
34,92
2010
2011
45,22
46,83
43,6
51,02
39,92
20
10
0
Célvia
Caieras
2012
2013
2014
LIMITE ANUAL RESOLUÇÃO CONAMA 03/90 - PI
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
3.3
São José da Lapa
Os monitoramentos de partículas totais em suspensão e inaláveis no município de
São José da Lapa são realizados pelas empresas Ical e Belocal, as mesmas são
responsáveis por quatro pontos com a finalidade de avaliar a interferência das suas
atividades sobre a comunidade do entorno.
Os pontos de monitoramento relacionados à empresa Ical estão localizados no
Bairro Jardim Encantado e na Av. Transamazônica, já os da Belocal estão na
Delegacia e na antiga Prefeitura. Atualmente constam em funcionamento somente
os pontos Av. Transamazônica e Delegacia, os demais foram desativados devido à
instalação de monitoramentos automáticos. Desse modo será discutida a qualidade
do ar exibida por cada ponto até a data do seu encerramento.
3.3.1 Ical - Ponto Av. Transamazônica, nº192
No ponto localizado na Av. Transamazônica, nº192, monitora-se PM10, e a
realização das analises compreenderam entre 55 a 61amostras de 2010 a 2014 e 20
até abril de 2015. De acordo com o GRAF.10 constatam-se variadas condições de
43
qualidade do ar, sendo os menores índices os de BOA qualidade, sobressaindo as
regulares, inadequadas e más evidentes em todos os anos, acrescido de péssima
nos anos de 2012 e 2013.
O limite anual determinado pela Resolução CONAMA para PM10 é de 50 µg/m3,
entretanto as médias aritméticas no período estudado ultrapassaram o limite de
duas a três vezes ao valor estabelecido, ou seja, 178% acima do padrão
estabelecido. Demonstrando assim, condições alarmantes a exposição da
população a partículas inferiores a 10 µg/m3 a um longo período de tempo.
GRÁFICO 10 - Campanhas de amostragem de PM10 no período de 2010 a 2015.
A)
B)
Campanha de Amostragem PI - ano
2010 Av. Transamazonica
Campanha de Amostragem PI - ano
2011 Av. Transamazonica
Boa
18%
Boa
Regular
5%
9%
22%
Regular
Inadequada
39%
38%
Inadequada
Má
Má
42%
27%
Péssima
Crítica
C)
Péssima
Crítica
D)
Campanha de Amostragem PI - ano
2012 Av. Transamazonica
Campanha de Amostragem PI - ano
2013 Av. Transamazonica
Boa
27%
4% 2% 5%
Boa
Regular
5% 5%
Inadequada
10%
Inadequada
22%
Má
62%
Má
Péssima
58%
Crítica
E)
Regular
Péssima
Crítica
F)
Campanha de Amostragem PI - ano
2014 Av. Transamazonica
Campanha de Amostragem PI - ano
2015 Jan-Abr Av. Transamazonica
Boa
25%
Boa
Regular
6% 3%
Inadequada
30%
5%
10%
Inadequada
Má
66%
Péssima
Crítica
Fonte: GESAR/FEAM, 2015.
Regular
Má
55%
Péssima
Crítica
44
As visitas aos pontos de monitoramento de São José da Lapa foram realizadas no
dia 24/03/2015 com os representantes das empresas Ical e Belocal. Inicialmente
foram procedidas às visitas aos pontos vinculados à empresa Ical, o primeiro foi o
ponto localizado na Av. Transamazônica, nº192, onde evidenciou-se que o
equipamento obedece as exigências tanto para obstáculos quanto para altura da
entrada do amostrador ao solo como exposto na FIG.14, pois não há a presença de
obstáculos e a altura encontra-se a 4,20m. No entanto, consta no local uma oficina
de lanternagem (ver FIG.14-F) a 5 anos, do qual possui em dias esporádicos pintura
de automóveis, precedidos na maioria das vezes pela retirada da tinta atual através
do lixamento, emitindo assim pequenas partículas que podem interferir no processo
de amostragem.
Nesse caso, não há como confirmar a interferência de tal atividade nas
amostragens, devido à distância de 4,20m da entrada do amostrador ao solo onde
localiza-se a oficina, bem como a dispersão dessas partículas no meio. Entretanto
conforme exposto na FIG.14-F, há certas barreiras para a dispersão do poluente
como o telhado da casa e as paredes que provavelmente se tornam um empecilho
para que o mesmo chegue até o amostrador.
Dessa forma, presumivelmente não se obtém amostras representativas no ponto,
sendo necessária a realocação do equipamento para que haja a confiabilidade dos
dados gerados, ou um estudo da intervenção das atividades realizadas no local.
Ressalta-se a importância de uma ação imediata, em virtude das altas
concentrações identificadas pelo amostrador, onde foram evidenciadas entre 18 a 34
ultrapassagens diárias, apresentando a maior concentração de 452,6 µg/m3
registrada em 28/08/2013.
Destaca-se uma concentração de 341,3 µg/m3 registrada num domingo dia
29/04/2013 quando não há atividades na residência, demostrando má qualidade do
ar na região e possivelmente o real impacto dos empreendimentos de calcinação.
45
FIGURA 14 – Ponto de monitoramento localizado na Av. Transamazonica, nº192 – São José da
Lapa.
A)
B)
C)
D)
E)
F)
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
46
3.3.2 Ical Ponto Bairro Jardim Encantado
Neste ponto realizava-se o monitoramento de PM10 e seu encerramento foi em julho
de 2013 do qual foram analisados 30 amostras, e 51 a 59 nos anos anteriores. O
mesmo não estava instalado na preferencial dos ventos, sendo possível avaliar a
qualidade do ar na maioria dos dias com mínima interferência das empresas.
Nesse caso, observam-se através do GRAF.11 faixas maiores da qualidade BOA e
menores da REGULAR em todos os anos. A maior concentração obtida foi de
165,92 µg/m3 registrada em março de 2013, evidenciando um dia inadequado de
qualidade do ar. As médias anuais não foram ultrapassadas em nenhum dos anos
estudados.
GRÁFICO 11 - Campanhas de amostragem de PM10 no período de 2010 a 2013.
A)
B)
Campanha de Amostragem PI - ano
2010 Jardim Encantado
Campanha de Amostragem PI - ano
2011 Jardim Encantado
Boa
Boa
Regular
12%
Regular
22%
Inadequada
Inadequada
Má
88%
Má
78%
Péssima
Crítica
C)
Péssima
Crítica
D)
Campanha de Amostragem PI - ano
2012 Jardim Encantado
Campanha de Amostragem PI - ano
2013 Jardim Encantado
Boa
Regular
10%
Boa
20%
Regular
3%
Inadequada
Inadequada
Má
Má
90%
Péssima
Crítica
77%
Péssima
Crítica
Fonte: GESAR/FEAM, 2015.
A visita ao ponto de monitoramento destacou irregularidades, pois o equipamento
encontrava-se em local inapropriado devido à proximidade inferior a 2m do muro,
47
altura de 1,50m da entrada do equipamento ao solo que também é inferior ao
estabelecido pela fabricante que é de 2 a 7m, plantas e árvores ao redor que
inviabilizam a coleta de dados representativos do ar conforme exposto na FIG.15-B.
De fato, as árvores e plantas á dois anos atrás eram menores, no entanto de acordo
com a FIG.15-A é possível verificar uma árvore ao lado direito do equipamento.
Portanto, o local de amostragem deveria ter sido redimensionado na época de
operação. Conforme a visita in loco e a figura do equipamento pode-se perceber que
o local é amplo e adequado à instalação do amostrador, contudo não foram
respeitadas as exigências mínimas de localização do equipamento, como a distância
da entrada do mesmo ao solo, dos muros e das árvores, que nesse caso uma base
com uma altura maior que os impedimentos, atenderia as exigências do fornecedor.
FIGURA 15 - Ponto de monitoramento localizado no bairro Jardim
Encantado – São José da Lapa.
A)
48
B)
Fonte: A) ICAL INDÚSTRIA CALCINAÇÃO LTDA, 2012, p.05, B)
Elaborado pela autora, 2015.
3.3.3 Belocal – Delegacia
Como o ponto anterior, na Delegacia Militar também realiza o monitoramento de
PM10, e foram registradas entre 59 a 63 amostras nos anos de 2010 a 2014 e 20 até
abril de 2015.
Conforme o GRAF.12 o ponto evidencia faixas menores da qualidade BOA, ou seja,
concentrações menores que 50 µg/m3, e maiores da REGULAR, que apresenta
concentrações entre 51 a 150 µg/m3. No ano de 2010 houveram 8 ultrapassagens
diárias correspondendo a 13% das amostras como pode ser observado no
GRAF.12-A. As médias anuais foram ultrapassadas em todos os anos, com o
mínimo de 60,6 µg/m3 em 2011 e máximo de 97,41 em 2014.
49
GRÁFICO 12 - Campanhas de amostragem de PM10 no período de 2012 a 2015.
A)
B)
Campanha de Amostragem PI - ano
2011 Delegacia
Campanha de Amostragem PI - ano
2010 Delegacia
Boa
14%
27%
Boa
Regular
32%
Inadequada
Inadequada
Má
Má
68%
Péssima
59%
Péssima
Crítica
Crítica
C)
Regular
D)
Campanha de Amostragem PI - ano
2013 Delegacia
Campanha de Amostragem PI - ano
2012 Delegacia
Boa
Boa
11%
Regular
16%
Inadequada
Inadequada
Má
Má
Péssima
84%
Péssima
89%
Crítica
Crítica
E)
Regular
F)
Campanha de Amostragem PI - ano
2014 Delegacia
3%
Campanha de Amostragem PI - ano
2015 Jan-Abr Delegacia
Boa
Boa
Regular
Regular
Inadequada
Má
97%
40%
60%
Inadequada
Má
Péssima
Péssima
Crítica
Crítica
Fonte: GESAR/FEAM, 2015.
Por meio da visita in loco, verificou-se que o equipamento está com uma altura
adequada da sua entrada ao solo, apresentando 2,40m. Porém existe um empecilho
ao monitoramento, que se trata de uma árvore como pode ser visto na FIG.16-A e B,
a mesma encontra-se a 7,30m de distância do amostrador e tem aproximadamente
7m de altura, sendo 20m a distância mínima exigida pelo fornecedor ou que o
mesmo esteja a uma distância de duas vezes a altura do empecilho em relação à
entrada do amostrador, que nesse caso deveria estar afastado no mínimo 9,20m, já
que a diferença de altura entre ambos é 4,60m.
50
Salienta-se que a cortina arbórea ao redor do local de amostragem, provavelmente
filtra o ar que chega ao amostrador, pois se tornam uma barreira à sua passagem.
Levando em consideração que a empresa Belocal responsável pelo monitoramento
localiza-se próximo a cortina arbórea, como demostradas na FIG.16-D, entende-se
que ela cumpre sua função de barreira, mas o equipamento deve seguir as
exigências mínimas de localização e ser instalado em uma distância adequada desta
e detectar a concentração de poluentes que não são barrados pelas árvores.
FIGURA 16 – Ponto de monitoramento localizado na Delegacia – São José da Lapa.
A)
B)
D)
E)
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
3.3.4 Belocal – Antiga Prefeitura
O ponto situado na Antiga Prefeitura no bairro Centro foi desativado em outubro de
2014 e realizou entre 40 a 61 amostras no período estudado. O mesmo realizava o
51
monitoramento de PTS e conforme exibido no GRAF.13 apresenta em todos os anos
faixas maiores do índice REGULAR e menores da qualidade BOA. Não houveram
excedentes diários, porém ultrapassaram o limite da média anual de 80 µg/m3
estabelecido pela Resolução CONAMA 03/90, sendo o mínimo de 97,15 µg/m3 em
2013 e 142,2 µg/m3 em 2014.
GRÁFICO 13 - Campanhas de amostragem de PTS no período de 2010 a 2014.
A)
B)
Campanha de Amostragem PTS - ano
2010 Prefeitura Municipal
Campanha de Amostragem PTS - ano
2011 Prefeitura Municipal
Boa
25%
Boa
Regular
20%
Inadequada
Inadequada
Má
75%
Má
80%
Péssima
Péssima
Crítica
C)
Regular
Crítica
D)
Campanha de Amostragem PTS - ano
2012 Prefeitura Municipal
Campanha de Amostragem PTS - ano
2013 Prefeitura Municipal
Boa
34%
Boa
Regular
33%
Inadequada
Inadequada
Má
66%
Péssima
Crítica
Regular
Má
67%
Péssima
Crítica
E)
Campanha de Amostragem PTS - ano
2014 Prefeitura Municipal
Boa
9%
Regular
Inadequada
Má
91%
Péssima
Crítica
Fonte: GESAR/FEAM,2015.
Durante a visita, verificou-se que o equipamento encontrava-se em local totalmente
adequado ao monitoramento como pode ser observado na FIG.17. O mesmo
atendia as exigências para altura apresentando 4m entre a base da estrutura ao solo
52
e 1,20m da base à entrada de ar no equipamento, e para os empecilhos por meio da
estrutura que também proporcionou uma melhor posição na parte frontal da indústria
(ver FIG.17-D).
FIGURA 17 – Ponto de monitoramento localizado na Antiga Prefeitura do município de São José da
Lapa.
A)
B)
C)
D)
Fonte: A) MINERAÇÃO BELOCAL LTDA, 2014, p.04; B)C)D) Elaborado pela autora, 2015.
Sendo assim, a avaliação da qualidade do ar no município de São José da Lapa
pode ser verificada nos GRAF.14 e 15 que exibem a evolução de partículas inaláveis
e totais em suspensão ao longo dos anos de 2010 a 2014. Os gráficos demonstram
que a população do entorno estão expostas a elevadas concentrações tanto de PM10
quanto de PTS, dos quais é possível observar também que na maioria dos pontos
há variações, apresentando anos com médias maiores e outros com médias
53
menores. Exceto o ponto situado na Av. Transamazônica que se manteve constante
na maioria dos anos. Apenas o ponto Bairro Jardim Encantado se enquadrou no
limite da Resolução CONAMA 03/90 como pode ser visualizado no GRAF.14.
GRÁFICO 14 - Evolução da concentração de partículas inaláveis (PM10) em São José da Lapa
comparada ao PQAr.
PM10 - Evolução das concentrações médias anuais - São José da
Lapa
200
175
168,76
165,8
150
125
100
94,34
75
139,2
140,7
142,3
94,72
83,81
97,41
60,57
50
25
33,1
33,79
32,11
39,38
2010
2011
2012
2013
0
2014
Ical - Av. Transamazônica
Ical - Bairro Jardim Encantado
Belocal - Delegacia
LIMITE RESOLUÇÃO CONAMA 03/90 - PI
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
GRÁFICO 15 - Evolução da concentração de partículas totais em suspensão (PTS) em São José da
Lapa comparada ao PQAr.
PTS - Evolução das concentrações médias anuais - São José da Lapa
160
140
120
100
80
60
40
20
0
142,2
127,67
109,57
2010
2011
Belocal - antiga Prefeitura
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
108,19
97,15
2012
2013
2014
LIMITE RESOLUÇÃO CONAMA 03/90 - PTS
54
3.4
Pedro Leopoldo
A empresa Intercement é a responsável pelo monitoramento de PM10 em quatro
pontos do município de Pedro Leopoldo, sendo eles: Portaria Fábrica, Centro, Maria
Cândida e Mina Manoel Carlos. Dos quais serão descritos abaixo, as observações
da qualidade do ar registradas no período de 2010 a 2015 de acordo com a
Resolução CONAMA 03/90 e da localização de cada ponto em comparação com as
exigências da fabricante.
3.4.1 Mina Manoel Carlos
No ponto localizado no bairro Dr. Lund, denominado como Mina Manoel Carlos,
apresentou de 46 a 56 amostras entre os anos de 2010 a 2014 e 20 até abril de
2015.
Por meio do GRAF.16 observa-se melhora na qualidade do ar no período de 2010 a
2015, apresentando um decréscimo dos índices regulares e aumento gradativo dos
bons, indicando índices inadequados apenas nos dois primeiros anos. As médias
anuais também diminuíram gradativamente a partir de 2011, visto que neste ano
obteve-se 6 ultrapassagens diárias e em 2010 apenas 1. Portanto a maior média
anual foi identificada em 2011 com 75,6 µg/m3 e a menor em 2014 com 39,6 µg/m3.
GRÁFICO 16 - Campanhas de amostragem de PM10 no período de 2010 a 2015.
A)
B)
Campanha de Amostragem PI - ano
2010 Estação Mina Manoel Carlos
Campanha de Amostragem PI - ano
2011 Estação Mina Manoel Carlos
Boa
Boa
2%
Regular
42%
56%
Má
Regular
11%
Inadequada
43%
46%
Inadequada
Má
Péssima
Péssima
Crítica
Crítica
55
C)
D)
Campanha de Amostragem PI - ano
2012 Estação Mina Manoel Carlos
Campanha de Amostragem PI - ano
2013 Estação Mina Manoel Carlos
Boa
Boa
Regular
Regular
22%
Inadequada
43%
57%
Inadequada
Má
Má
78%
Péssima
E)
Péssima
Crítica
Crítica
F)
Campanha de Amostragem PI - ano
2014 Estação Mina Manoel Carlos
Campanha de Amostragem PI - ano
2015 Jan-Abr Estação Mina Manoel
Carlos
Boa
Boa
Regular
24%
Regular
10%
Inadequada
76%
Inadequada
Má
Péssima
Má
90%
Crítica
Péssima
Crítica
Fonte: GESAR/FEAM, 2015.
As visitas aos pontos de monitoramento de Pedro Leopoldo foram realizadas no dia
31/03/2015 acompanhado pelo representante da empresa Intercement. Pode-se
observar no primeiro ponto visitando, que nesse caso se trata do Ponto Mina Manoel
Carlos, a presença de um AGV PTS não condicionado atuando juntamente com o
PM10 na última campanha do mês (ver FIG.18-B). Havendo uma proximidade entre
os dois inferior aos 2m estabelecido pela fabricante.
O PM10 está com uma altura de 4m entre a entrada do amostrador e a base, e 10,5m
do solo. Já o PTS, está a uma distância 1,20m da sua entrada a base e a 7m do
solo. O mesmo está em um espaço estreito entre duas paredes, como pode ser
observado nas FIG.18-B,D e F.
Dessa forma, verificamos que o AGV PM10, encontra-se acima da altura máxima
indicada pela fabricante (ver item 2 – AGV PM10) e com a uma amostragem
comprometida devido à presença do outro amostrador. Já o AGV PTS, está dentro
dos conformes em questão de altura, porém existem vários obstáculos ao redor do
equipamento, que estão fora das exigências de localização da fabricante.
56
FIGURA 18 – Ponto de monitoramento localizado no bairro Dr. Lund– Pedro Leopoldo.
A)
B)
C)
D)
E)
F)
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
57
3.4.2 Maria Cândida
Já o ponto Maria Cândida apresentou bastantes dados omissos, principalmente nos
anos de 2012 com 33 e 2013 com 17. Dessa forma, foram registrados de 28 a 59
amostras entre 2010 a 2014 e 20 até abril de 2015.
Nesse ponto é possível observar a incidência de menores concentrações de PM10,
sobressaindo o índice de boa qualidade do ar em todos os anos expostos no
GRAF.17. Houve apenas uma ultrapassagem diária, correspondente à concentração
de 181 µg/m3 registrada em setembro de 2011, e as médias anuais permaneceram
abaixo dos limites estabelecidos pela Resolução CONAMA 03/90.
GRÁFICO 17 - Campanhas de amostragem de PM10 no período de 2010 a 2015.
A)
B)
Campanha de Amostragem PI - ano
2011 Maria Cândida
Campanha de Amostragem PI - ano
2010 Maria Cândida
Boa
Boa
9%
Regular
Regular
2%
34%
Inadequada
Inadequada
Má
91%
64%
Má
Péssima
Péssima
Crítica
Crítica
C)
D)
Campanha de Amostragem PI - ano
2012 Maria Cândida
Campanha de Amostragem PI - ano
2013 Maria Cândida
Boa
18%
Regular
82%
Boa
16%
Regular
Inadequada
Inadequada
Má
Má
Péssima
Crítica
84%
Péssima
Crítica
58
E)
F)
Campanha de Amostragem PI - ano
2014 Maria Cândida
Campanha de Amostragem PI - ano
2015 Jan-Abr Maria Cândida
Boa
Boa
Regular
22%
78%
Regular
10%
Inadequada
Inadequada
Má
Má
Péssima
90%
Crítica
Péssima
Crítica
Fonte: GESAR/FEAM, 2015.
Durante a visita ao local de monitoramento, constatou-se que o equipamento
instalado no bairro Maria Cândida, está a 3,60m de altura entre a entrada do
amostrador e o solo, 70cm do telhado e a 30x40cm das paredes, como pode ser
observado na FIG.19-C. Nesse caso o ponto possui dois tipos interferências
mencionadas pela fabricante nos itens 1 e 3 do AGV PM10, não possui o
afastamento de 20m das paredes adjacentes e há obstrução da passagem de ar ao
redor do amostrador em mais de 270º, ficando livre apenas 90º aproximadamente
para o monitoramento, que dessa forma comprometem o processo de amostragem e
torna os dados gerados menos significativos.
FIGURA 19 – Ponto de monitoramento localizado no bairro Maria Cândida – Pedro Leopoldo.
A)
B)
59
C)
D)
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
3.4.3 Centro
Já o ponto Centro foram analisadas entre 52 a 61 amostras no período de 2010 a
2014 e 18 até abril de 2015.
Verifica-se que no Centro do município há a incidência de maiores concentrações de
partículas inaláveis, sobressaindo o índice regular em todos os anos, como pode ser
observado no GRAF.18. Não foram registradas ultrapassagens diárias, no entanto
as médias anuais foram excedidas em todos os anos, devido a maior taxa dos
índices regulares.
GRÁFICO 18 - Campanhas de amostragem de PM10 no período de 2010 a 2015.
A)
B)
Campanha de Amostragem PI - ano
2010 Centro
30%
Boa
Boa
Regular
Regular
Inadequada
Má
70%
Campanha de Amostragem PI - ano
2011 Centro
46%
54%
Inadequada
Má
Péssima
Péssima
Crítica
Crítica
60
C)
D)
Campanha de Amostragem PI - ano
2012 Centro
45%
Campanha de Amostragem PI - ano
2013 Centro
Boa
Boa
Regular
Regular
Inadequada
49%
Má
55%
Inadequada
Má
51%
Péssima
Péssima
Crítica
Crítica
E)
F)
Campanha de Amostragem PI - ano
2014 Centro
38%
62%
Campanha de Amostragem PI - ano
2015 Jan-Abr Centro
Boa
Boa
Regular
Regular
Inadequada
Má
44%
56%
Inadequada
Má
Péssima
Péssima
Crítica
Crítica
Fonte: GESAR/FEAM, 2015.
A visita ao local de monitoramento evidenciou que o ponto está bem localizado, com
6,5m da entrada do amostrador ao solo e acima da árvore que pode ser observado
na FIG.20-B. Porém o AGV PM10, está a 30 cm de distância do AGV PTS (ver
FIG.20-C e D), sendo que as exigências definem que devem estar no mínimo a 2m
um do outro (item 3 – AGV PM10 e item 4 – AGV PTS).
O AGV PTS não está condicionado à empresa, e a mesma o opera por conta própria
uma vez por mês na última campanha do PM10. Prejudicando assim, a amostragem
do equipamento condicionado. A solução proposta para que as amostragens sejam
devidamente significativas, seria reposicionar um dos amostradores em 2m de
distância, já que não possui outros empecilhos e permite que a empresa continue
realizando seu monitoramento particular.
61
FIGURA 20 – Ponto de monitoramento localizado no bairro Centro – Pedro Leopoldo.
A)
B)
C)
D)
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
3.4.4 Portaria Fábrica
Como no ponto Centro o Portaria Fábrica também apresenta maiores ocorrências de
concentrações na faixa que compreende o índice REGULAR ao longo dos últimos 5
anos, entretanto como exposto no GRAF.19 houveram índices inadequados nos
anos de 2012 e 2014 e até abril do presente ano a qualidade do ar encontra-se
BOA. No ano de 2010 e 2011 houveram apenas 21 e 50 amostras respectivamente,
pois a portaria da fábrica encontrava-se em reforma entre maio de 2010 a março de
2011, e observa-se que mesmo o monitoramento ter sido realizado no período mais
úmido de 2010, há registros de maiores concentrações. Os demais anos foram
registrados de 56 a 58 amostras, exceto em 2015 que obteve 20.
62
GRÁFICO 19 - Campanhas de amostragem de PM10 no período de 2010 a 2015.
A)
B)
Campanha de Amostragem PI - ano
2010 Portaria
Campanha de Amostragem PI - ano
2011 Portaria
Boa
Boa
Regular
33%
Regular
34%
Inadequada
Má
67%
Inadequada
Má
66%
Péssima
Péssima
Crítica
Crítica
C)
D)
Campanha de Amostragem PI - ano
2012 Portaria
Campanha de Amostragem PI - ano
2013 Portaria
Boa
Boa
Regular
2%
28%
Regular
41%
Inadequada
Má
70%
Inadequada
Má
59%
Péssima
Péssima
Crítica
Crítica
E)
F)
Campanha de Amostragem PI - ano
2014 Portaria
Campanha de Amostragem PI - ano
2015 Jan-Abr Portaria
Boa
Boa
Regular
2%
26%
Inadequada
Má
72%
Regular
30%
Inadequada
70%
Má
Péssima
Péssima
Crítica
Crítica
Fonte: GESAR/FEAM, 2015.
Através da visita ao ponto de monitoramento, verificou-se que a entrada do
amostrador está a 2,5m do solo, a uma distância de 5,90m do prédio que possui
aproximadamente 4m de altura, e a 3,60m da árvore (ver FIG.21-B). Diante dos
dados citados acima, constata-se que o amostrador está a uma altura adequada da
entrada ao solo, porém não está de acordo com o item 1 das exigências da
fabricante, pois não possui o distanciamento necessário entre o prédio e a árvore. A
árvore nesse caso representa um empecilho ainda maior, devido as galhas estarem
cobrindo as entradas do amostrador que possivelmente se torna uma barreira a
63
entrada do ar representativo, promovendo assim uma filtragem do particulado. Vale
ressaltar que o equipamento está instalado próximo ao estacionamento da empresa,
sendo que a movimentação diária de carros no local também influência na
amostragem em consequência da suspensão de particulado.
FIGURA 21 – Ponto de monitoramento localizado na portaria da empresa Intercement – Pedro
Leopoldo.
A)
B)
C)
D)
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
Por meio das médias anuais é possível verificar o grau de exposição da população
aos níveis de poluentes, que nesse caso se trata do material particulado abaixo de
10 µg/m3 de diâmetro. O GRAF.20 expõe as médias anuais registradas em cada
ponto nos anos de 2010 a 2014, do qual pode-se observar variações nas médias e a
64
maioria acima do limite estabelecido pela Resolução CONAMA 03/90 que é de 50
µg/m3 anuais, apenas o ponto Maria Cândida manteve-se abaixo do limite em todos
anos e Mina Manoel Carlos que apresentou um declínio e se enquadrou no limite
nos anos de 2013 e 2014.
GRÁFICO 20 - Evolução da concentração de partículas inaláveis (PI) em São José da Lapa
comparada ao PQAr.
PM10 - Evolução das concentrações médias anuais - Pedro Leopoldo
100
75,6
75
50
25
65,2
64,6
61,7
53,5
52,3
34,9
71,2
71,2
64,2
54,2
51,5
50,3
35,1
35,8
35,4
39,4
2012
2013
2014
52,3
44,5
39,6
0
2010
2011
Mina Manoel Carlos
Bairro Maria Cândida
Centro
Portaria
LIMITE RESOLUÇÃO CONAMA 03/90 - PI
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
3.5
Matozinhos
O município de Matozinhos possui dois pontos de monitoramento de material
particulado localizados nos bairros Cruzeiro e Bom Jardim, a realização das
amostragens são desenvolvidas pela empresa Lafarge, que está condicionada ao
monitoramento de PTS, a fim de repassar ao órgão público responsável o
acompanhamento de particulados presentes no ar ambiente e que podem vir a
causar maiores danos a saúde pública.
65
3.5.1 Bairro Cruzeiro
No ponto localizado no bairro Cruzeiro, foram gerados entre 56 a 60 dados
amostrais de 2010 a 2014 e 18 até abril de 2015. Por meio destes dados que estão
representados no GRAF.21, pode se verificar a predominância de concentrações na
faixa de 81 a 240 µg/m3 correspondentes ao índice regular do parâmetro PTS, e
nota-se também a presença de índices inadequados de 2011 a 2014, sendo o maior
percentual evidenciado em 2011 onde obteve 13% das amostras analisadas. Os
índices inadequados viabilizaram as ultrapassagens diárias em todos os anos das
quais foram registrados, e em virtude dos inúmeros índices regulares e inadequados
as médias anuais também foram ultrapassadas, onde a menor concentração anual
foi de 91,4 µg/m3 em 2010 e a maior de 108,9 µg/m3 em 2014.
Em 2015 até o mês de abril o índice de qualidade do ar consta parcialmente entre
BOA e REGULAR, podendo sobressair o índice regular devido ao período de
estiagem que procede ao mês de Abril, que geralmente resulta na piora dos
resultados através da estagnação da atmosfera.
GRÁFICO 21 - Campanhas de amostragem de PTS no período de 2010 a 2015.
A)
B)
Campanha de Amostragem PTS - ano
2010 Bairro Cruzeiro
Campanha de Amostragem PTS - ano
2011 Bairro Cruzeiro
Boa
Boa
Regular
Regular
41%
59%
Inadequada
13%
Crítica
Inadequada
Má
Má
Péssima
35%
52%
Péssima
Crítica
66
C)
D)
Campanha de Amostragem PTS - ano
2013 Bairro Cruzeiro
Campanha de Amostragem PTS - ano
2012 Bairro Cruzeiro
Boa
Boa
3%
Regular
Regular
26%
10%
Inadequada
35%
Má
Má
71%
55%
Péssima
Péssima
Crítica
Crítica
E)
Inadequada
F)
Campanha de Amostragem PTS - ano
2014 Bairro Cruzeiro
7%
30%
Boa
Boa
Regular
Regular
Inadequada
Inadequada
Má
63%
Campanha de Amostragem PTS - ano
2015 Jan-Abr Bairro Cruzeiro
50%
50%
Má
Péssima
Péssima
Crítica
Crítica
Fonte: GESAR/FEAM, 2015.
A visita ao ponto de monitoramento foi realizada no dia 31/03/2015, com intuito de
verificar as condições em que o equipamento opera e as possíveis interferências ao
processo de amostragem. Conforme exposto na FIG.22 a altura do amostrador está
de acordo com as exigências da fabricante, pois o mesmo está a 5,50m entre a
entrada do amostrador e o solo. Constatou-se também durante a visita a presença
de uma árvore, que através do Google Earth foi possível verificar a distância de 7m
aproximadamente que há entre eles. A árvore possui em cerca de 8m de altura, e a
diferença de altura entre ela e a entrada do amostrador é 2,50m, assim certifica-se
que o mesmo está com uma distancia adequada do obstáculo.
67
FIGURA 22 – Ponto de monitoramento localizado no bairro Cruzeiro – Matozinhos.
A)
B)
C)
D)
Fonte: Elaborado pela Autora, 2015
3.5.2 Bairro Bom Jardim
Já no bairro Bom Jardim também evidencia altas concentrações de particulado,
apresentando faixas significativas de condições regulares e inadequadas de
qualidade do ar e apenas pequenas faixas de índices bons como pode ser visto no
GRAF.22. Exceto no ano de 2010, onde o índice de boa qualidade foi maior em 56%
das amostragens realizadas. O GRAF.22 também demonstra episódios de péssima
e má qualidade do ar, registradas em 14/07/2011 com concentração de 624 µg/m3 e
68
26/07/2012 com concentração de 397 µg/m3 ambas em período de estiagem. Vale
ressaltar que em 2013 houveram 18 dados omissos, a maioria nos meses de
setembro a dezembro. As ultrapassagens diárias foram identificadas em todos os
anos de monitoramento e as médias anuais consequentemente não se enquadraram
no padrão de qualidade do ar.
GRÁFICO 22 - Campanhas de amostragem de PTS no período de 2010 a 2015.
A)
B)
Campanha de Amostragem PTS - ano
2010 Bairro Bom Jardim
Campanha de Amostragem PTS - ano
2011 Bairro Bom Jardim
Boa
Boa
Regular
3%
12%
Inadequada
45%
52%
Regular
2%
35%
Má
Má
51%
Péssima
Péssima
Crítica
C)
Inadequada
Crítica
D)
Campanha de Amostragem PTS - ano
2013 Bairro Bom Jardim
Campanha de Amostragem PTS - ano
2012 Bairro Bom Jardim
Boa
Boa
Regular
Regular
3%2%
37%
14%
Inadequada
46%
Má
58%
Inadequada
Má
40%
Péssima
Péssima
Crítica
Crítica
E)
F)
Campanha de Amostragem PTS - ano
2014 Bairro Bom Jardim
Campanha de Amostragem PTS - ano
2015 Jan-Abr Bairro Bom Jardim
Boa
Boa
Regular
11%
33%
Má
56%
Fonte: GESAR/FEAM, 2015.
Regular
Inadequada
47%
53%
Inadequada
Má
Péssima
Péssima
Crítica
Crítica
69
Verifica-se através da visita ao ponto de monitoramento, conforme exposto na
FIG.23-D, que a empresa fica bem próximo do ponto, e como o mesmo realiza o
monitoramento de partículas maiores, e estas sedimentam mais rapidamente, é
possível que o mesmo identifique amostras mais representativas do ar provido da
empresa. Além dessas observações, o equipamento obedece às exigências para
altura, pois possui 4,20m entre a entrada do amostrador e o solo, porém apresenta
uma árvore como empecilho, sendo necessário aumentar a altura do amostrador ou
podar a árvore, desse modo não é necessário que o mesmo seja realocado para
outra residência.
FIGURA 23 – Ponto de monitoramento localizado no bairro Bom Jardim – Matozinhos.
A)
B)
C)
D)
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
Como dito anteriormente as médias anuais são de grande relevância para a
avaliação do grau de exposição da população ao um determinado tipo de poluente,
70
sendo um instrumento para órgãos públicos em tomadas de decisão, ou seja,
aumentar a fiscalização em locais com dados alarmantes e persistentes. No caso de
Matozinhos, o GRAF.23 aponta altas concentrações médias anuais em todos os
anos estudados. O ponto Bairro Cruzeiro apresenta uma tendência à evolução das
concentrações entre 91,4 µg/m3 em 2010 a 108 µg/m3 em 2014, ao contrário do
ponto Bairro Bom Jardim que há uma grande variação. Ambas constam acima do
limite estabelecido.
GRÁFICO 23 - Evolução da concentração de partículas totais em suspensão (PTS) em
Matozinhos comparada ao PQAr.
PTS - Evolução das concentrações médias anuais - Matozinhos
120
100
80
91,4
81,58
108,16
103,69
103,5
102,7
104,7
108,9
102,59
91,21
60
40
20
0
2010
Bairro Cruzeiro
2011
2012
Bairro Bom Jardim
2013
2014
LIMITE RESOLUÇÃO CONAMA 03/90 - PTS
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
4.
DISCUSSÕES DOS RESULTADOS
Os resultados obtidos neste trabalho permitiram avaliar detalhadamente a qualidade
do ar e a rede de automonitoramento manual nos municípios de Santa Luzia,
Vespasiano, São José da Lapa, Pedro Leopoldo e Matozinhos pertencentes ao
Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), através dos
relatórios de monitoramento enviados pelas empresas, atualização do banco de
dados da GESAR/FEAM e visitas aos pontos de monitoração.
71
Em virtude dos resultados, possibilitou-se as comparações dos poluentes
monitorados com os padrões estabelecidos pela Resolução CONAMA 03/90, e
avaliar a conformidade da disposição e localização dos pontos de monitoramento,
identificando assim, possíveis interferências que podem invalidar ou tornar as
amostras menos representativas.
A qualidade do ar nos municípios foi classificada para a maioria do período avaliado,
entre boa e regular, com registros de episódios com classificação de índices
inadequados, maus e péssimos que podem estar relacionados com a falta de
controle das emissões atmosféricas por parte das empresas, bem como, com as
condições desfavoráveis a dispersão de poluentes nos dias de amostragem.
Os piores índices evidenciados foram nos municípios de São José da Lapa, Pedro
Leopoldo e Matozinhos que obtiveram altas concentrações de particulado durante o
período avaliado, tornando-se necessária uma maior atenção por parte dos setores
responsáveis pela regularização ambiental dos empreendimentos localizados
nesses municípios, no que tange o controle das emissões atmosféricas.
Constatou-se também, que dos 15 equipamentos instalados no vetor norte da RMBH
apenas 5 atendem as exigências mínimas de instalação, sendo os três pontos
localizados em Santa Luzia de responsabilidade da empresa Lafarge, um da Belocal
em São José da Lapa que se trata do ponto antiga Prefeitura e o ponto localizado no
bairro Cruzeiro da empresa Lafarge em Matozinhos.
Os demais equipamentos apresentaram falhas na instalação principalmente no
distanciamento
entre
árvores,
prédios e
entre
outros
equipamentos,
que
possivelmente causam queda de representatividade dos dados nas amostras
geradas.
As falhas de instalação dos equipamentos demonstraram a dificuldade de se
encontrar pontos estratégicos e sem obstáculos, porém em alguns casos
evidenciou-se o descuido das empresas em relação à proximidade excessiva entre
72
os hivols, evidenciando falta de conhecimento para instalação e operação dos
mesmos.
Portanto, ressalta-se a importância de tais monitoramentos ocorrerem em
conformidade com as exigências mínimas de localização e com as normas da ABNT
para que haja dados confiáveis e o mais representativos possível, de forma a evitar
registros de concentrações inferiores aos que estão presentes no ar ambiente, vindo
a prejudicar a saúde, o bem estar da população e a degradação do meio ambiente
sem o devido conhecimento do órgão público responsável.
Para que se tenha confiabilidade dos dados, é essencial que se imponha ao
empreendimento a instalação dos equipamentos em conformidade com as
exigências mínimas do fabricante e a realização de fiscalizações rotineiras aos
pontos de monitoramento e as fontes emissoras de poluentes para atmosfera.
73
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76
Download

Avaliação da Rede de Automonitoramento Manual e Classificação