Ações sustentáveis como forma de inovação em eventos turísticos
Savanna da Rosa Ramos 1
Pâmela Soares Salomão Santos 2
Filipe Rossato Silva3
Resumo: Inovar no campo turístico por meio de mudanças é adequá-lo a suas necessidades, portanto, é
considerável pensar em sustentabilidade aplicando-se em eventos turísticos. Este artigo tem por objetivo
principal expor como as ações sustentáveis vêm sendo trabalhadas no segmento de eventos na atualidade a
partir da busca por autores que abordam a temática. E para o alcance desse foi proposto verificar também
casos práticos de eventos e, explanar sobre conceituações dentro do turismo, tais como inovação e
sustentabilidade e a sua aplicação no segmento de eventos estabelecendo considerações quanto ao que ocorre
na realidade. Dessa forma, a metodologia consiste em um estudo exploratório, baseado em fontes secundárias
de dados (levantamento bibliográfico de autores que estudam atualmente o assunto). Espera-se que esse
estudo contribua com conhecimentos no meio acadêmico para o campo do turismo de eventos e venha
mostrar como a sustentabilidade e as suas ações pré-definidas se comportam no segmento eventos.
Palavras-chave: Eventos. Sustentabilidade. Turismo. Inovação.
Introdução
Atualmente, a prática de organizar eventos com caráter mais sustentável vem sendo muito
difundida e igualmente aceita dada as necessidades da sociedade e suas questões ambientais de
preservação da espécie humana. Esse fato deve-se à reflexão de que os bens e recursos que se
usufrui hoje, se não forem estrategicamente preservados, não perpetuarão para as nossas próximas
gerações. Considerando-se que a relação entre sociedade e espaços de eventos existe desde a
antiguidade e que apresenta diferenciais nos diversos períodos da história, a estrutura social de cada
época acaba determinando a construção de espaços para determinado fim, na busca por atender às
múltiplas determinações da sociedade (Canton, 2002; Santos, 1997), no caso dos eventos.
Melo Neto (1998, p.14) também comenta que “o evento amplia os espaços para a vida social
e pública e a participação conduz as pessoas para a experimentação conjunta de emoções,
desenvolvendo o seu senso crítico, aprimorando suas visões, prezando a liberdade e adquirindo
maior sensibilidade”. De acordo com a Ontario Trillium Foundation (2003), eventos têm impactos
que vão além do que poderia ser mensurado em termos econômicos, eles contribuem para a
qualidade de vida que vai além da cidade sede pelo fortalecimento das comunidades,
proporcionando atividades e eventos únicos, construindo a ciência de diversas culturas e
identidades, e atuando como uma fonte de orgulho comunitário. Já Canton (2002) considera que os
1
Professora Assistente do Curso de Turismo da Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” – UNESP/ Campus
de Rosana, SP; Mestre em Turismo e Hotelaria na Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, SC; Bacharel em Turismo na
Universidade de Santa Cruz do Sul, UNISC, RS; BRA. Contato: [email protected].
2
Graduanda do Curso de Turismo pela Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” – UNESP/ Campus de
Rosana, SP. Contato: [email protected].
3
Graduando do Curso de Turismo pela Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” – UNESP/ Campus de
Rosana, SP. Contato: [email protected].
1
eventos podem ser um instrumento de poder, o qual movimenta uma sociedade, manipula pessoas
e, por fim, acaba criando alterações no campo social, econômico e político desta sociedade.
Nesse sentido, os eventos, independentes dos lugares que ocorrem, sempre refletiram a
sociedade na qual acontece e, por outro lado, podem refletir sobre ela no momento que se tem a
consciência do quão manipulador ele é. Assim, os eventos não podem ser vistos como uma atividade
isolada do contexto social e cultural em que estão inseridos. Dentro do processo turístico, devem
estar integrados ao planejamento das cidades a partir de uma política de eventos, a qual compete
mobilizar os valores sociais autênticos da localidade, a fim de que estes sejam sustentáveis e
permanentes (Ramos, 2005).
Dessa forma, o presente artigo aborda, a partir de conceitos de inovação no turismo, como
vem se dando a aplicação da sustentabilidade em eventos como forma de inovação nesse mercado
promissor do século XXI. E tem como objetivo principal expor como a ações sustentáveis vem sendo
trabalhadas no segmento de eventos a partir da busca por autores que abordam a temática. E para o
alcance desse foi proposto verificar também casos práticos de eventos e explanar sobre
conceituações dentro do turismo, tais como inovação e sustentabilidade e a sua aplicação no
segmento de eventos e estabelecendo considerações quanto ao que ocorre na realidade.
A metodologia caracteriza-se por um estudo exploratório em fontes secundárias de dados
realizando um levantamento bibliográfico dos principais autores que estão a observar esta temática,
entre eles destacam-se Piccin e Mac Dowell (2009; 2011), Mastrobuono (2009), Silberberg (2010),
Matias e Mello (2011), Santos (2011) e Martin e Rogers (2011) para compreender o contexto atual.
A partir disso, espera-se o esclarecimento a respeito da definição de sustentabilidade
adequando-a num contexto ligado ao turismo e, indo mais além, mostrar como a sustentabilidade e
as suas ações pré-definidas se comportam no segmento eventos. Assim, será explanado sobre
conceituações no turismo, inovação e sustentabilidade e seu aproveitamento no segmento de
eventos.
1 A inovação e o turismo de eventos
Inovar vem sendo uma forma de contribuir para a vida no planeta. Fazer a diferença para a
sustentabilidade, aproveitando as oportunidades de mudanças é fundamental para a manutenção
dos recursos existentes hoje, a fim de criar um futuro com condições plenamente habitáveis e
(re)utilizáveis. A ênfase em querer buscar soluções a partir de diferentes meios vem a ser um dos
caminhos da atividade turística para o século XXI.
As inovações começam a existir de inúmeras formas, dando-se muitas vezes por meio de
processos simples, de menor custo econômico e conveniente para empresas e órgãos e utilizando-se
2
de pequenos princípios, ocasionando assim a transformação do produto. Nesse sentido, Beni (2008)
apresenta características que resultam na inovação turística, que pode ser a própria sofisticação do
produto oferecido, a partir da combinação com mais produtos existentes, do aperfeiçoamento de
suas características, dando uma nova roupagem e despertando outros olhares. A capacitação de mão
de obra especializada também contribui nas inovações para que os serviços oferecidos sejam
eficazes e satisfatórios, isso vem a ajudar na melhoria e manutenção dos serviços que são oferecidos,
atrelado a um suporte técnico atuante; além disso, a capacidade de oferecer um produto com mais
atributos, porém com o mesmo valor, ou com o mínimo de acréscimo de custo contribui no processo
inovador. Ademais, uma dessas formas de inovar é pensar por meio da sustentabilidade, tendo-se ai
uma nova tendência para o setor turístico.
O que mais vem se destacando nos países receptores é a inovação no turismo; que de
acordo com Beni, (2008) ainda representa uma imagem que possui uma ramificação dominante para
a estrutura econômica voltada para a indústria e a produção material,considerando que, o Turismo
passa por uma etapa de transição, mas ainda é mal definido, por faltar instrumentos de aferição e
delimitação do próprio campo turístico, em função de variáveis que o compõe e o explica.
Rogers e Martin (2011) mostram que centros de eventos inserem no mercado novos
produtos e serviços, atendendo e se harmonizando com as necessidades que a sociedade apresenta,
por meio do desenvolvimento de sistemas que sejam ecologicamente corretos. Além disto, ainda
sobre previsões e tendências aplicadas a eventos, os mesmos autores apontam que:
o próprio dinamismo da indústria significa que a mudança é uma de suas
características, o que torna muito difícil a comparação de um fator com outro, visto
que os parâmetros mudam consideravelmente em um espaço relativamente curto
de tempo. (Rogers; Martin, 2011, p.130)
Com isso, novas tendências estão a revelar estratégias de um novo tipo de oferta turística,
dando vazão à sustentabilidade, mais precisamente em eventos, que de forma estratégica vem tendo
repercussão
em
vários
âmbitos
de
sua
realização,
desde
pequenas
empresas
até
megaempreendimentos para o turismo de eventos. Nesse sentido, Getz (1990) já salientava que o
segmento de eventos é alvo de discussões sobre os impactos ambientais, sociais e culturais, no
entanto, a relação custo-benefício mostra claramente em favor dos benefícios e progresso regional.
Nas vantagens do custo-benefício da área de eventos, somadas a outras, Ruschmann (1999) escreve
que para a atividade turística está incluída a construção da imagem da cidade e região, e também, a
sua contribuição para o desenvolvimento sustentável, a partir de ações promocionais e publicitárias
empreendidas coletivamente, que tanto contribui na diminuição dos gastos como na possibilidade da
utilização de profissionais especializados.
3
A essa constatação da autora, estabelece-se uma relação com a atividade turística de
eventos nas localidades que optam por essa prática, aonde diversas empresas vêm buscando, a
partir dos princípios da inovação, melhorar a forma de oferecer os seus serviços e ressaltar a sua
qualidade; para isto, investem na inovação dos seus produtos. Isso vem a ser uma estratégia de
garantia no mercado competitivo de eventos que cresce a cada dia e ganha visibilidade internacional
como um novo segmento a fazer parte da economia globalizada.
2 Eventos sustentáveis como forma de inovação no turismo
A partir dos primeiros registros de eventos que datam 776 a. C. tem-se que seus primórdios
foram os Jogos Olímpicos da Era Antiga, que ocorriam na Grécia, já de quatro em quatro anos; nesse
período não se podia travar nenhum tipo de combate, já que os eventos possuíam um caráter
religioso dignificando os deuses do Olimpo. A partir daí, outras cidades gregas começaram a
organizar eventos como: jogos, concursos, entre outras atrações, assim os eventos da antiguidade
foram evoluindo e tomando forma, enquanto outros tipos foram surgindo, mas cada um com seu
próprio contexto (Matias, 2007). A autora ainda destaca que “a civilização antiga deixou de herança
para o turismo e para o turismo de eventos o espírito de hospitalidade, a infraestrutura de acesso e
os primeiros espaços de eventos.” (Matias, 2007, p.4).
Para compreender melhor o significado dos eventos, parte-se à sua conceituação onde
Matias (2007) e Giácomo (1993) expõem que um evento é, por definição, algo temporário,
passageiro, com duração determinada e que são componentes do mix da comunicação. Assim, um
evento é composto por várias idéias e ações com o propósito de envolver pessoas e transmitir uma
determinada mensagem ao público alvo perante pesquisas e planejamento. As áreas de eventos
seguem as mais variadas tipologias, cada uma com seu enfoque, estabelecendo uma gama de
eventos, onde é bastante complexo classificar como um todo, pois cada tipo de evento possui suas
peculiaridades e estratégias.
Com isso, a ideia de organizar eventos sustentáveis parte do principio de que cada vez este
tema está sendo familiarizado em nossa sociedade, o que se pode dizer que houve a necessidade de
se adequar a paradigmas que nos induzam a pensar como se pode ter qualidade de vida no presente
e no futuro, já que esta é a finalidade. Por isso recorre-se a sustentabilidade.
A prática da sustentabilidade, ou de ações sustentáveis mais precisamente, é uma forma que
busca a manutenção de ambientes e minimizar os impactos negativos do meio em que se vive, já que
nos últimos séculos as ações do homem têm causado um aumento na concentração dos gases de
efeito estufa (GEE) que cobrem a atmosfera desmatamentos de áreas verdes, degradação dos solos,
perda de identidade local com a globalização, entre outros.
4
No entanto, o termo sustentabilidade ainda remete a um contexto de contínuo e durável,
para resultados futuros; sendo que a visão de sustentabilidade vai além de simplesmente ter a
função de reduzir, reutilizar ou reciclar. É preciso pensar não somente em ações sustentáveis
voltadas pra a questão ambiental, mas também nas formas que são causados os impactos sociais,
econômicos e culturais, pois, embora o desenvolvimento sustentável seja suprir as necessidades do
presente de forma a não comprometer o futuro, por conseguinte pensando na qualidade de vida das
próximas gerações, para que não haja o esgotamento dos recursos no decorrer dos anos.
O desenvolvimento sustentável, processo da sustentabilidade, não é em si o crescimento
econômico, e não pode ser confundido, já que é uma maneira de se evoluir economicamente, mas
levando em consideração os recursos naturais, os quais a própria economia também desfruta, se faz
necessário reconhecer que os recursos naturais do qual a humanidade depende pra sua
sobrevivência são finitos (Veiga, 2010). Desse modo, Santos (2011) destaca que as formas de
sustentabilidade são várias e que se deve não apenas analisar os impactos negativos em questão ao
meio ambiente, mas também, economicamente, socialmente e culturalmente para eventos,
considerando que:
um evento que seja ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente
justo e culturalmente aceito, isto é, que busca sustentabilidade, deve levar em
consideração, em seu processo de planejamento e realização, os impactos
ambientais, desde a mensuração até a destinação dos resíduos gerados em sua
realização, o consumo de energia elétrica e a neutralização das emissões de gás
carbônico (CO2), geradas durante o evento, por meio do plantio de árvores nativas
(Santos, 2011, p.200).
Dada a gravidade das mudanças climáticas e o uso indevido dos recursos naturais que
atualmente se possui, destaca-se um alerta para a segmentação de eventos, assim a autora remete
às empresas que estão mais atentas a inovar a maneira de participação e patrocínio em eventos,
tanto na forma de minimizar impactos quanto na recuperação de áreas degradadas, por meio do
plantio de mudas, e outras responsabilidades sociais.
A Figura 1 abaixo é uma representação de que, a sustentabilidade, somente pode agir de
forma plena, quando engloba quatro fatores principais, a saber: ambientais, econômicos, sociais e
culturais.
Esses fatores podem ser considerados elementos que vão convergir para a viabilização de
muitas atividades, entre elas a de eventos. O fator social representa o caráter desenvolvimentista
que cerca toda a sociedade, com base no indivíduo; questões culturais: são os reflexos identificados a
partir da fusão de culturas distintas – aculturação; o fator ambiental, sendo impactos no meio
ambiente natural e físico, reconhecido pela população que utiliza desse recurso, e o fator econômico,
5
que corresponde às transações econômicas realizadas durante todo esse processo, reverberando
também nas populações integradas a esse meio.
Figura 1. Fatores que influenciam a sustentabilidade
Fonte: Silberberg; Mac Dowell, 2010. (adaptado)
Esta mobilização a favor da sustentabilidade vem tomando grandes dimensões na atualidade
devido à própria necessidade de pensar no controle da extração dos recursos naturais, e assim está
envolvendo as mais variadas áreas que se relacionam com a sustentabilidade e modelando a
necessidade de estudos para compor ações que sejam efetivas. Maneiras aplicadas que são pensadas
em sustentabilidade agregam bastante valor ao produto em si e formula um marketing positivo, além
de ser o caminho para a sobrevivência de algumas empresas e instituições.
Além do que, existem demandas a serem exploradas; formular novos eventos que
ultrapassem a vontade de simplesmente oferecer um evento tradicional, implica no papel do
organizador do evento promover desde o início de sua organização, ações sustentáveis. Um evento
deste, de alguma maneira reforça a credibilidade e garante qualidade e responsabilidade.
Os eventos sustentáveis não são somente uma forma de contribuir com o futuro do meio
ambiente, mas também uma nova configuração bastante eficaz de conscientizar todos os envolvidos
no acontecimento, proporcionando também reflexões que serão exercidas no cotidiano (Barbosa,
2009).
6
3 Aplicações de ações sustentáveis nos eventos
A sustentabilidade em eventos aparece principalmente com aplicações, a partir de ações
ecológicas, as quais vêm estimulando o crescimento do turismo sustentável na área de eventos e da
mesma maneira valorizando e cuidando dos próprios recursos que são dominados pelo turismo.
O Quadro 1 abaixo vem mostrar a análise de alguns dados que indicam como o produto
sustentável é visto pelos consumidores brasileiros, de acordo com a pesquisa realizada por agencias
de publicidade e comentadas por Rogers e Martin (2011), autores do livro onde a pesquisa foi
divulgada.
Dados sobre a sustentabilidade:
60% dos brasileiros acreditam que as marcas adotam esta idéia para uma melhor imagem;
23% acreditam que essa “responsabilidade sustentável” na busca de soluções deve vir do governo;
90% das pessoas respeitam empresas sustentáveis;
48% pagam um valor a mais por um produto que é considerado sustentável;
70% relacionam sustentabilidade à integridade, saúde, oportunidade e futuro.
Quadro 1: Pesquisa realizada pelas agencias de publicidade Z+, Media Contacts e Mobext, (2010) Fonte:
Adaptado de Rogers e Martin (2011, p.141).
Interpretando esses dados, pode-se constatar que a intervenção do marketing em questões
sustentáveis, age de maneira eficaz, pois produz novas reflexões e atitudes, não somente para os
consumidores, mas também para empresas. A partir disto, empresas podem produzir um produto de
maneira simples a classificá-lo como socialmente correto e principalmente ecologicamente
responsável. Com embasamento em estratégias de marketing, é possível demonstrar que várias
formas de sustentabilidade podem se aderidas na rotina das pessoas, considerando que nessa
amostra teve-se 70% que relacionam sustentabilidade à integridade, saúde, oportunidade e futuro e
além da questão da credibilidade atribuída às empresas sustentáveis com 90%
Considera-se também que, o fato de que somente 48% das pessoas despendem um maior
valor por um produto sustentável, revela que a sustentabilidade deve acontecer concomitantemente
com a economia, visto que, nitidamente em países com economias frágeis como o Brasil, alguns
grupos ainda vivem em condições precárias de sobrevivência, não abrindo mão de um produto mais
econômico, deixando o “agredir menos” a natureza como motivo secundário. Dessa forma, vê-se que
a idéia de “eventos mais sustentáveis”, vai além do que policiar para a preservação, mas sim cercar
de todas as formas possíveis de planejamento, na elaboração de um evento.
Piccin e Mac Dowell (2011) apresentam alguns aspectos que podem ser seguidos para a
elaboração de eventos sustentáveis:
7

Atender e procurar por empresas que respeitam diretrizes e normas técnicas legais, fiscais,
trabalhistas e ambientais;

Escolhas de materiais e serviços que devem repensar os processos, produtos e tecnologias,
reduzindo o uso de materiais e recursos naturais (água, energia), reutilizando tudo o que for
possível e, por fim reciclando os materiais não reutilizados - regra dos quatro Rs.

Minimizar impactos que serão gerados pelo evento e compensar os que não puderam ser
minimizados;

Escolha por serviços e produtos locais ou regionais, e dessa forma investir em melhorias que
permaneçam no local após o evento além de contribuir e incentivar uma economia positiva
para a localidade;

Envolver assiduamente todas as empresas, funcionários, organizadores, patrocinadores,
comunidade do entorno e participantes em busca de sustentabilidade.

A partir desses aspectos, observa-se que eventos com caráter sustentável devem obedecer a
uma série de regras normativas, contemplando além do fator econômico, o social, cultural e
principalmente o ambiental. Dessa forma, os eventos tendem a ser financeiramente menos
viável, olhando sob o prisma econômico, porém correto, se forem tomadas todas essas
medidas prospectando o futuro.
Na sustentabilidade, com a visão do desenvolvimento sustentável a tendência
socioambiental, cada vez mais ganha importância em eventos se atendido a pequenas diretrizes
como: pensar em acessibilidade, movimentar a economia local e estabelecer atitudes proativas, a fim
de diminuir impactos – além de contribuir para um comércio justo, gera um relevante feedback
financeiro (Barbosa, 2009).
Como foi apresentado, sobre como elaborar eventos sustentáveis, para se chegar aos
benefícios dos eventos e minimizar impactos, os municípios receptores devem adotar políticas que
contemplem estratégias para o desenvolvimento sustentável, dando valor ao equilíbrio no meio
ambiente (Mastrobuono, 2010).
Também preocupados com os impactos ambientais que a execução de um evento gera, a
ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) está buscando instituir, ainda no primeiro semestre
de 2012, a norma ISO 20121, que prevê diretrizes para eventos sustentáveis. Sobre o objetivo que
essa norma pretende atingir, Zan (2012), comenta que se faz necessário:
oferecer uma atenção para os profissionais de todos os setores envolvidos com
conferências e outros encontros, através de diretrizes que possam ser
implementadas nas etapas do processo de produção [...] Isso significa um
gerenciamento que busque a redução dos impactos, levando em conta não só o
lado ambiental, mas também social e econômico.
8
Com isso, para ter validade, a empresa deve se autodeclarar que está em conformidade com
a norma, para, num segundo momento passar por uma auditoria externa, e finalmente ser
reconhecido o termo como verdade. Zan (2012) ainda salienta sua perspectiva de que funcione no
Brasil, dizendo que “espera que a norma possa estar realmente adequada à realidade brasileira, um
país com imensa diversidade cultural, social e econômica [...] considerando as diversas regiões do
país”.
A autora ainda especifica sobre a dualidade que é promover eventos mais sustentáveis, pelo
alto custo que traz, em comparação com qualquer outro evento, destacando o retorno que essas
atitudes podem trazer à empresa (visibilidade, maior valor no mercado sobre outras empresas do
mesmo setor) por mais que a ação não seja rentável no momento de sua realização. E ainda,
segundo Silberberg e Mac Dowell (2010), a média de aumento no custo do orçamento do evento fica
cerca de 30% a 50%. No entanto, isto se torna redução de custos em uma escala de curto prazo com
os serviços sustentáveis prestados. “Além disso, a utilização de material reaproveitado economiza os
recursos e elementos da natureza, e isso traz feitos econômicos e ambientais positivos para toda a
sociedade” (Silberberg; Mac Dowell, 2010 p.743)
Para exemplificar com ações concretas, trar-se-á alguns exemplos de eventos tanto os que
adotaram idéias e práticas sustentáveis, quanto os que estabeleceram diretrizes, com a intenção do
desenvolvimento sustentável; ambos em favor e em contribuição com o meio ambiente,
fortalecendo também parcerias com os meios social, cultural e econômico. As informações sobre os
eventos foram retiradas dos próprios endereços eletrônicos dos eventos ou gestores dos mesmos.
Em 11 e 12 de Abril de 2011, o Congresso da Associação Brasileira de Private Equity &
Venture Capital (ABVCAP), reuniu 500 gestores de fundos nacionais e internacionais dos mais
variados ramos, ademais de muitos segmentos econômicos que procuravam tomar dimensão e
ciência de como está se comportando o mercado. O evento ocorreu no Sheraton São Paulo WTC
Hotel e discutiu assuntos que contemplavam os temas responsabilidade socioambiental e
sustentabilidade. O tema do evento era: O Brasil na Rota do crescimento sustentável: é Hora de
investimentos de longo prazo. O foco era o planejamento de ações que pudessem dar diretrizes de
eventos sustentáveis. Tinha como objetivo debater a posição do Brasil na década em que se vive, a
mesma em que o país deixou de ser o “País do Futuro”, e tornou-se a oitava economia mundial.
A XI Convenção – Quadro das Nações Unidas Sobre Mudança do Clima, também denominada
Protocolo de Kyoto, realizada no ano de 2005, teve a atuação do Governo do Canadá, que adotou
algumas medidas de preservação, tais como distribuição de passes livres de trânsito para as pessoas,
escolha de meios de hospedagem que facilitassem ao participante do evento uma caminhada a pé,
9
bolsas de lona e lembranças funcionais para a diminuição de resíduos, entre outros; além de
envolver totalmente em questão o meio ambiente na discussão.
Eventos que seguem estes modelos, como o descrito acima, tendem a custar um maior valor,
a partir de tais ações, porém geram uma maior visibilidade e menos consumo. O poder público
juntamente com os promotores deve programar o crescimento dos eventos, para que este ocorra de
maneira ordenada, praticando atos sustentáveis, pela conservação do meio ambiente (Mastrobuono,
2010).
Como exemplo tem-se o São Paulo Fashion Week (SPFW), que desde o ano de 2007 vem
adotando medidas em favor da sustentabilidade, sendo sinônimo da última tendência de moda no
Brasil e no mundo, esse grande evento também traz a preocupação com o meio ambiente e as
mudanças climáticas. Os materiais utilizados durante o evento são reaproveitados ano após ano, e
dentro do programa carbon free, foram plantadas mais de 7.000 árvores de espécies que são nativas
da Mata Atlântica, na cidade de Lorena – SP. Além disso, foram utilizadas lâmpadas de LED, que
reduzem o consumo de energia. Estilistas traziam em suas peças, produtos artesanais, materiais
reciclados, como forma de contribuição para a sustentabilidade e também responsabilidade
socioambiental. (SPFW, 2009 apud Barbosa, 2009)
Já o evento Fashion Rio Inverno 2011, realizado de 11 a 15 de janeiro, contou com atitudes
sustentáveis, por meio do Instituto Coca Cola Brasil. O evento, que aconteceu no estado do Rio de
Janeiro, possibilitou que a Organização não-governamental (ONG) Doe Seu Lixo, levasse até o local
do evento pessoas responsáveis para fazer a coleta de todo o material reciclável de espaço. As
camisas dos catadores foram confeccionadas de tecido PET reciclado. Também, haviam jóias de ouro
e PET sendo feitas na hora. As pessoas participantes eram instruídas e motivadas a jogar o lixo nas
latas correspondentes. Até mesmo a decoração interna do evento foi pensada de maneira
sustentável: isto podia ser claramente visto no mobiliário do espaço. As tintas usadas também no
processo de decoração eram feitas á base de água, o que é menos poluente. O material descartável
arrecadado foi gentilmente doado às cooperativas aliadas ao Instituto. Reafirma-se que a partir da
idéia de inovação no turismo atrelado ao desenvolvimento sustentável é trazido o fortalecimento
dos produtores e prestadores de serviços do entorno. Isso diminui custos com transporte e
beneficiam a população local, que se encontra próxima ao evento, neste caso, as cooperativas da
cidade (Coleta Seletiva no Fashion Rio, 2011)
Também na cidade do Rio de Janeiro, outro evento, que ocorreu no segundo semestre de
2011 com grande destaque nacional e internacional, se utilizou de alguns princípios da
sustentabilidade, foi o Rock in Rio. No total, foram sete dias de evento, com um grande público tanto
nacional quanto internacional. Foi criado um documento chamado Plano de Sustentabilidade Rock in
10
Rio 2011, que previu a redução de impactos ambientais aliado aos benefícios sociais para a
localidade receptora do evento. Dentre algumas ações executadas destacam-se: a destinação dos
resíduos em lugares corretos, e a distribuição de 520 lixeiras, para o depósito de materiais recicláveis
e não recicláveis; também os incentivos ao uso do transporte público, sendo destinados corredores
exclusivos para automóveis em favor do evento; rampas de acesso para pessoas com mobilidade
reduzida, assim como banheiros adaptados, para um melhor deslocamento desse público, que hoje
em dia compõe uma parcela importante da sociedade. Também atrações ditas sustentáveis, como a
EcoPista, que foi uma pista de dança capaz de produzir energia limpa, e as EcoBikes, que transformou
a energia mecânica, produzida pelo movimento de pedalar, em eletricidade, e automaticamente
permitiu que a roda gigante se movimentasse (Spitzcovksy, 2011)
Iniciativas como a desses eventos, certamente influenciam o público participante, iniciando a
conscientização individual, e a associação com os propósitos ambientais que o evento propõe. Além
disso, é de extrema importância ressaltar que, ao participar e contribuir de alguma forma com o
evento e o que ele traz como inovação, aciona-se a memória de um coletivo que vai passar os
princípios adiante, para as gerações seguintes.
4 Análise da sustentabilidade em eventos turísticos – aspectos teóricos
A partir das abordagens teóricas tratadas, é apresentado no Quadro 2, as considerações
sobre sustentabilidade em eventos procurando definir em que aspecto se enquadra de acordo com
os aspectos citados pelos autores. Desse modo, buscou-se reunir as principais abordagens dos
autores escolhidos para análise, de forma que esclareça a compreensão dessas teorias.
As abordagens propostas pelos autores vêm refletir sobre os fatores que influenciam as
questões culturais, econômicas, sociais e ambientais, e que estão intrinsecamente ligados à
sustentabilidade.
Autores
Mello e Matias
(2011)
Mastrobuono
(2010)
ECONÔMICA
Buscar usufruir
dos serviços da
localidade ou
região para
movimentar a
própria
economia.
FATORES DE INFLUÊNCIA DA SUSTENTABILIDADE
AMBIENTAL
CULTURAL
SOCIAL
Algo temporário
com duração
determinada.
Eventos demandam
planejamento para
que sejam aceitos.
Adoção de políticas
que abrangem
técnicas em favor do
meio ambiente,
promovendo o
As crenças e
costumes da
localidade são
reafirmados a
partir dos eventos
Localidades
receptoras dos
eventos devem
aderir políticas que
considerem
11
equilíbrio do mesmo.
fixos.
Os custos dos
Destacar
Propõe o uso de
eventos
empresas que
tecnologias mais
sustentáveis
valorizam a
limpas, por meio de
ficaram mais
cultura brasileira,
Piccin e Mac
geradores de
altos, porém é
busca por
Dowell (2011)
energia, recomendauma visão de
produtos locais e
se o combustível
curto prazo.
regionais.
biodiesel para os
Investimento a
Envolvimento da
geradores.
longo prazo
comunidade.
A diminuição de
impactos
Consumo consciente
Conhecer os
ambientais
e responsável dos
costumes do
passou a ser
Santos
recursos naturais,
público alvo do
vista como
(2011)
como forma de
evento, e a partir
marketing
preservação.
disto inserir ações
positivo pela
dirigidas.
economia
mundial
Os eventos
geram divisas
para as
localidades
Rogers e Martin
receptoras,
(2011)
além de
investimentos
por parte das
empresas.
Quadro 2: Análise das abordagens teóricas sobre sustentabilidade em eventos.
Fonte: Elaboração própria.
estratégias para o
desenvolvimento
sustentável.
Oferecer infra
estrutura adequada
aos participantes,
que não gere
incômodos aos
moradores locais.
Atentar- se a
cooperativas que
tomem conta da
coleta e destinação
dos resíduos, como
forma de inclusão
social.
Inserir nos eventos a
inclusão social por
meio do melhor
atendimento á
pessoas com
mobilidade
reduzida.
Santos (2011) aborda que, no aspecto ambiental, deve ser considerado um local para
destinação de resíduos, assim como foi feito em 2011 no Rock in Rio. Diante disso, nos aspectos
sociais e econômicos, considera que o planejamento seja essencial dada a comunidade onde irá
ocorrer determinado evento, pois não bastam somente ações de ordem ambiental, mas a
comunidade tem que estar ciente de todo o processo para que nem uma das partes seja prejudicada
e o evento possa realmente movimentar a economia.
Já a autora Mastrobuono (2009), aborda sobre o planejamento como base de qualquer
estrutura de organização para seu funcionamento, englobando a importância e preocupação com os
desdobramentos que a sustentabilidade abarca, como caso da criação de políticas públicas que a
localidade receptora aceite para com isso haver um equilíbrio harmonioso no território. Ainda, faz
menção à importância do aspecto cultural, quando considera que a partir dos costumes de
determinada sociedade, apontem positivamente para um evento se tornar periódico ou fixo. Nesse
caso, as questões de sustentabilidade foram debatidas no evento citado Protocolo de Kyoto já em
12
2005, enfatizando principalmente as questões ambientais, vindo a reforçar o aporte social e os
critérios para ações sustentáveis no território internacional. Aí vemos um fator positivo dos efeitos
da globalização, quando se tratam de normas que deverão reger determinado local para sua
conciliação com entre os meios social, ambiental, cultural e sua exploração econômica.
Por sua vez Santos (2011) considera que a questão ambiental funciona como um marketing
positivo para a rentabilidade do setor da economia e no turismo, conseqüentemente. Pode-se fazer
um contraponto com o evento Fashion Rio 2011, que usou da marca Coca Cola, que é um nome
influente no mercado, para promover ações sustentáveis, que foi a arrecadação dos materiais
reciclados gerados durante o acontecimento do evento. Ela também faz referência à inserção de
comunidades multiplicadoras nesse processo, nesse caso, as cooperativas, que muito podem ajudar
nos eventos a serem viáveis e sustentáveis, e também auxilia na própria comunidade, já que se trata
de uma via de mão dupla. Reflete-se aí a questão da responsabilidade socioambiental que cada
indivíduo tem com o meio em que vive, sua consciência agindo a favor as sociedades, podendo ser
esse meio, um evento a participar.
Rogers e Martin (2011) complementam a discussão, principalmente no fator econômico da
sustentabilidade, alerta que eventos ambientalmente corretos tendem a trazer divisas para a
localidade, o que é naturalmente satisfatório e estimulante, retomando o caso do São Paulo Fashion
Week 2011, que já atrai pessoas do mundo todo pela temática que aborda, e hoje em dia vem
adotando idéias sustentáveis, que agregam mais valor ao produto e ao evento propriamente dito.
Esse é um tipo de evento que, na época em que acontece, movimenta não só o segmento de eventos
na área de turismo, mas a maioria dos setores em que o turismo faz parte (hotelaria, alimentos e
bebidas, entretenimento, principalmente). Com isso, deve-se atentar ao fato de que, por se tratar de
um evento com uma proporção mundial, vários turistas internacionais vêm participar do evento.
Piccin e Mac Dowell (2011) sugerem o uso da tecnologia em favor das ações sustentáveis,
como o caso do evento Rock in Rio 2011, onde se teve a EcoPista, e as EcoBikes, para compor parte
da infra estrutura, voltada ao núcleo social, sendo os resultados observados, a curto prazo, os
investimentos devem considerar “Plano de Sustentabilidade Rock in Rio 2011” gerido pelo evento a
longo prazo. Assim, ter-se-á o legado propriamente dito do evento. Considera-se que ao destacar as
empresas que valorizam a cultura brasileira, haverá uma busca maior por produtos locais e regionais,
ao mesmo tempo em que gera um envolvimento da comunidade e do trade turístico associado. Estas
autoras ainda elucidam sobre o assunto basal que se trata, explanam e propiciam equilíbrio entre os
principais fatores que influenciam na sustentabilidade, representados na figura 1. Este equilíbrio
entre os fatores da sustentabilidade resultam de forma direta e eficaz em um turismo sustentável,
13
mais especificadamente nos ramos que se estabelece relação com eventos. Como se pode observar
no Quadro 2.
Dessa forma, considera-se que para ocorrer a sustentabilidade em um evento, ela deve
perpassar pelos fatores que a influenciam diretamente. Esses fatores devem fazer parte do
planejamento, o qual é essencial para a engrenagem das ações, e consequentemente para a
satisfação do organizador e do público-participante do evento.
Portanto sabe-se que, a cada dia que passa o processo de sustentabilidade aplicada aos
eventos turísticos caminham em busca de adaptação no próprio meio, assim evoluindo e se
concretizando; como se observa nos eventos destacados considera-se um início de um novo
paradigma, mas que conforme toda análise teórica feita a partir das obras dos autores, não basta
contemplar somente um aspecto da sustentabilidade, seja social, cultural, econômico ou ambiental,
deve-se prezar o máximo possível pelo equilíbrio dentre os próprios, o que na realidade se tem muito
a avançar.
A partir dos eventos tratados aqui se percebe sua importância para o campo turístico,
quando se pensa no seu efeito multiplicador que proporciona no local-sede, ao tempo que alegam e
divulgam os aspectos de influencia da sustentabilidade. No entanto, presume-se que ainda deixam
implícito, impactos negativos não abordados nessa pesquisa e que com certeza merecem um estudo
dirigido e crítico.
Conclusões
Diante do exposto pode-se considerar a que a prática da inovação no turismo de eventos é
proveniente das próprias necessidades que os eventos demonstram. Estes, que desde a antiguidade
vêm sendo estruturados, apresentam hoje em sua essência uma determinada versatilidade, que
permite serem incorporados vários conceitos para fins de uma melhor estruturação.
Entre eles, está o conceito de sustentabilidade, que se tornou relevante já que tem uma
maior preocupação com questões ligadas à gestão ambiental e a responsabilidade social. No entanto,
pode-se observar que a sustentabilidade não diz respeito somente aos recursos naturais, mas
também, aos desdobramentos que se interligam a eles, os fatores sociais, econômicos e culturais,
que estão muito presentes na atividade de eventos. Esses fatores, sendo atrelados ao
desenvolvimento sustentável, vêm necessitando de uma maior atenção, na atuação prática do
mercado de eventos tanto em âmbito internacional como no nacional.
No Brasil, percebeu-se que os eventos sustentáveis trazem consigo a conservação dos
recursos naturais atrelados à organização que envolve a realização do evento como: gestores,
empresas, grupos e a população local; de forma a unir e resultar em incentivos e benefícios ao
14
evento. Estes eventos dão exatamente margem a diversas reflexões sobre o desenvolvimento
sustentável, especialmente no fator social, quando se pensa na aceitação da comunidade local em
sua realização.
De acordo com o objetivo proposto, é possível apreender como a sustentabilidade reafirmase com poder, pela criação de normas regulatórias no território, e o apelo social para o mercado de
eventos, pela força do marketing empreendido nas ações diante da relevância que é pensar e
prospectar ações planejadas e efetivamente conscientes para o bem comum, embora muitas vezes,
isso nem sempre aconteça. Cabe frisar a verificação feita no caso dos eventos discutidos: Congresso
da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital, Protocolo de Kyoto, São Paulo Fashion
Week 2007, Fashion Rio Inverno, 2011 e Rock in Rio 2011.Nota-se que se retoma ao tema referente
explanado.
A partir dos embasamentos explorados e já com a ocorrência de eventos sustentáveis em
muitas localidades, transpõe-se a teoria, percebendo-se como a sustentabilidade vem sendo
trabalhada no sistema de mercado de eventos, para os eventos sustentáveis, e o que vem pesar são
as suas peculiaridades para com as estratégias empreendidas.
Espera-se que essa pesquisa contribua para estudos futuros dentro da área acadêmica e sirva
como fonte de pesquisa em outras áreas aliadas ao turismo. Assim, sendo um conceito recente e que
merece ser explorado, que possa não somente auxiliar como base de conhecimento para
investigação turística, por meio de pesquisas in loco nos eventos, sugerindo-se a análise da
sustentabilidade nos megaeventos que estão para ser realizados no país, como a Copa do Mundo
FIFA 2014 e os Jogos Olímpicos 2016.
Referências
ABVCAP abre inscrição para Congresso 2011. Disponível em:
http://www.anprotec.org.br/publicacao.php?idpublicacao=1848
Barbosa, Admilson Clayton. Princípios do desenvolvimento sustentável na gestão de eventos. Intercom –
Sociedade brasileira de estudos interdisciplinares da comunicação. XXXII Congresso de Ciências da
Comunicação, 2009.
Beni, Mario Carlos. Globalização do turismo: megatendências do setor e a realidade brasileira. São Paulo:
Aleph, 2003.
Canton, Marisa. Eventos. In: Trigo, L.G.G. (org). Como aprender, como ensinar. v.2, 2ª ed., São Paulo: SENAC,
2002. p.305-329.
Coleta Seletiva no Fashion Rio. Acesso em 06/ 05/12. Disponível em:
http://www.institutococacola.org.br/not_fashionrio2011.htm
Getz, Donald. Festival, specials events and tourism. New York: Nostrand Reinhold, 1990.
Giácomo, Cristina. Tudo acaba em Festa. São Paulo: Summus, 1993.
Mastrobuono, Flavia. Dimensionamento de eventos turísticos e sustentabilidade: In: Philippi Jr., Arlindo;
Ruschmann, Dóris Van de Menne. Gestão Ambiental e sustentabilidade no turismo /,Barueri, SP: Manole,
2009.- (Coleção Ambiental, v.9).
15
Matias, Marlene. Organização de eventos: procedimentos e técnicas.4 ed. Ver. e ampl.- Barueri, SP: Manole,
2007. (p.203-213).
MELO NETO, F. P. de. Criatividade em eventos. 2ª ed. Campinas, São Paulo: Papirus, 1998.
Piccin, Ana Carolina; Dowell, Daniella Mac. Eventos mais sustentáveis. In: Matias, Marlene (org). Planejamento,
organização e sustentabilidade em eventos culturais, sociais e esportivos. Barueri. SP: Manole, 2011 (p.203221).
Ontario Trillium Foundation, Ontario Arts Council e Ontario Cultural Attractions Fund. Economic impacts of 97
festivals and events - fact sheet 1: Overall economic impacts. Ontário: Hill Strategies, abr/2003. Disponível em:
<http://www.trilliumfoundation.org/OTFEnglish/downloads/files/research/festivals_ontario_overall_impact.pdf.
O que é Desenvolvimento Sustentável? Acesso em: 23/04/12. Disponível em:
http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/desenvolvimento_sustentavel/
Ramos, S. R. Turismo de eventos: análise nos empreendimentos hoteleiros na cidade de Balneário Camboriú –
SC. Dissertação. Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI/Balneário Camboriú, BRA, 2005.
Rogers, Tony; Martin, Vanessa, - Eventos: planejamento, organização e mercados. [trad. Ana Paula Spolon] Rio
de Janeiro: Elsevier, 2011.
Ruschmann, Doris V. Marketing turístico: Um Enfoque Promocional. 3ª ed. Campinas, São Paulo: Papirus, 1999.
Santos, Meire dias dos. Eventos verdes. In: Matias, Marlene (org) Planejamento, organização e sustentabilidade
em eventos culturais, sociais e esportivos. Barueri, SP: Manole, 2011.
Santos, Milton. Espaço & Método. São Paulo: Nobel, 1997.
Silberberg, Carolina P.; Mac Dowell, Daniella. Gestão ambiental e responsabilidade social em eventos. In:
Philippi Jr., Arlindo; Ruschmann, Dóris Van de Menne. Gestão Ambiental e sustentabilidade no turismo. Barueri,
SP: Manole, 2009. Cap. 32 (p.735-754).
Spitzcovksy, Débora. A Sustentabilidade no Rock in Rio 2011. Acesso em: 20/04/12 Disponível em:
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/cultura/sustentabilidade-rock-in-rio-2011-impacto-ambientalsocial-641019.shtml
SPFW, São Paulo Fashion Week SPFW – Carbon Free. Disponível
Em <http://www.spfw.com.br/noticia_det.php?c=2748> acesso em:< junho de 2009>
Veiga, José Eli da. Sustentabilidade: A legitimação de um novo valor. São Paulo: SENAC, 2010.
Zan, Rosana. Iso para sustentabilidade em eventos. 06 Mar 2012. Acesso em: 23/ 04/ 2012 Disponível em:
http://www.contafio.com.br/marketing-propaganda/sustentabilidade/iso-para-sustentabilidade-em-eventos182.html.
16
Download

Ações sustentáveis como forma de inovação em eventos turísticos