PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL FACULDADE DE COMUNICAÇÃO SOCIAL HABILITAÇÃO EM RELAÇÕES PÚBLICAS RELAÇÕES PÚBLICAS: ADMINISTRANDO A COMUNICAÇÃO INTEGRADA NA PROMOÇÃO DE EVENTOS CRISTIANE ALVIM MARQUES Orientadora: Prof. Léa Denise Jacobus Monografia apresentada como requisito à conclusão do Curso de Relações Públicas Porto Alegre, dezembro de 2002 8 SUMÁRIO Introdução............................................................................................ 07 Capítulo I Comunicação Integrada......................................................................12 1.1 Áreas envolvidas.............................................................................................15 1.1.1 Relações Públicas..........................................................................................15 1.1.2 Publicidade e Propaganda............................................................................. 17 1.1.3 Jornalismo.......................................................................................................18 1.1.4 Marketing....................................................................................................... 19 1.2 A Importância da Integração das Áreas....................................................... 21 1.3 Composto de Comunicação........................................................................... 22 1.3.1 Comunicação Institucional.............................................................................. 22 1.3.2 Comunicação Mercadológica.......................................................................... 24 1.3.3 Comunicação Interna...................................................................................... 24 Capítulo II Evento.................................................................................................... 27 2.1 Organização do Evento................................................................................... 31 2.1.1 Planejamento.................................................................................................. 31 9 2.1.2 Divulgação...................................................................................................... 34 2.1.3 Realização...................................................................................................... 35 2.1.4 Atividades Finais e Avaliação dos Resultados.............................................. 36 2.2 Cerimonial, Protocolo e Etiqueta.................................................................. 37 Capítulo III Relações Públicas: Administrando a Comunicação Integrada na Promoção de Eventos............................................................................................ 39 Considerações Finais............................................................................................ 46 Referências Bibliográficas.................................................................................... 50 10 INTRODUÇÃO O presente estudo aborda o tema Relações Públicas: Administrando a Comunicação Integrada na Promoção de Eventos, tendo, como principal objetivo, o estudo da comunicação integrada, utilizando o evento como instrumento para mostrar sua importância e eficácia, e o profissional de relações públicas como administrador deste processo. Este cenário permite que se entenda esta nova perspectiva de comunicação social, onde o relações públicas destaca-se como profissional apto para coordenar tal projeto. Utiliza-se aqui de método monográfico (LAKATOS; MARCONI, 2001), através de pesquisa exploratória (GIL, 1996) que tem, como principal objetivo, o aprimoramento de idéias ou a descoberta de intuições. A técnica utilizada para a pesquisa será a bibliográfica, que é desenvolvida a partir de material já elaborado, como livros e artigos científicos. Assim, apresentaremos uma estrutura com três capítulos. No primeiro capítulo, definiremos a comunicação integrada, abordando, também as áreas que compõem sua base, como: relações públicas, publicidade e propaganda, jornalismo 11 e marketing, destacando a importância da integração entre as mesmas. Ainda neste capítulo, definiremos o composto de comunicação envolvido na comunicação integrada, sendo: comunicação institucional, comunicação mercadológica e comunicação interna. No segundo, buscaremos abordar a definição de evento e seu desenvolvimento, bem como todo o seu processo de organização, desde o planejamento, a divulgação, a realização e as atividades finais e avaliação dos resultados. Após, enunciaremos também, a definição de cerimonial, protocolo e etiqueta. No terceiro e último capítulo, utilizaremos a perspectiva da comunicação integrada para o desenvolvimento de um trabalho completo na promoção de eventos e o relações públicas como administrador do processo. A realização da presente pesquisa justifica-se pela necessidade de maior entendimento desse novo processo de comunicação que surge nos dias atuais. Essa nova proposta de estudo da comunicação integrada entre suas diferentes áreas apresenta-se como uma evolução de conceitos. A globalização não atingiu somente campos como a economia, ela se estende pelos mais diferentes campos de conhecimento, ampliando-se até a tecnologia da informação e da comunicação, e vai além, pois “está alterando completamente os comportamentos e funciona com um novo paradigma para 12 entender o mundo de hoje” (KUNSCH 1997:135). Para a autora, a comunicação será a mola propulsora que viabilizará um grande processo de mudanças. Nesse novo contexto, a comunicação também sofre modificações. Até pouco tempo atrás, a comunicação social era vista como uma grande área composta por outras subáreas que trabalhavam separadamente uma da outra, e, hoje, se compõe num processo de ação integrada. A comunicação social, hoje já é entendida por comunicação integrada que, segundo Kunsch (1997:115), “é aquela comunicação em que todas as subáreas atuam de forma sinérgica”. Assim, visões antes fragmentadas vão sendo agrupadas para atingir o objetivo comum, ou seja, a clareza de transmissões de mensagens, possibilitando a boa codificação do público-alvo, que nada mais é que a comunicação eficaz. Esse composto envolve diversas áreas, tendo como base as áreas de relações públicas, publicidade e propaganda, jornalismo e marketing. Assim, essas áreas formam um conjunto harmonioso, tendo, como objetivo a soma das atividades para a eficácia da comunicação. Existem autores que falam em comunicação organizacional (empresarial) integrada, que é algo muito amplo, com uma dimensão maior, onde envolve toda a estrutura pessoal da organização e não simplesmente as áreas de comunicação. Segundo Neves (2000) a comunicação organizacional engloba todas as funções que se relacionam com públicos ou que fazem algum tipo de comunicação. 13 Nisto estão envolvidos setores de marketing, vendas, recursos humanos, relações públicas, advogados, ombudsman, serviços de atendimento ao consumidor, telemarketing, lobistas, agências de publicidade e propaganda, relações com a imprensa e relações com a comunidade. Para o autor, o trabalho integrado se dá na sinergia de todas essas áreas. Com uma outra visão, Kunsch (1997), trata de comunicação organizacional e comunicação integrada como sinônimos. Sua visão está diretamente voltada para a integração dos setores de comunicação. Assim, a autora coloca a comunicação integrada como uma evolução do conceito de comunicação social especificamente. Tendo em vista, a confusão que se forma em torno do conceito de comunicação integrada e comunicação organizacional, aqui iremos trabalhar de acordo com a segunda autora, levando em consideração que esta trabalha com um conceito mais operacional e direcionado para a comunicação, indo ao encontro com o objetivo deste trabalho. Com as mudanças que atingem a comunicação, o profissional de relações públicas também deve sofrer um redimensionamento, para que possa se engajar de forma atualizada na nova visão de um trabalho total de comunicação. No início da década de 80, já existia uma preocupação com a contextualização do profissional de relações públicas no composto da comunicação integrada. Nesse processo, o profissional precisa, para uma comunicação eficaz, 14 “atuar em parceria com as outras subáreas da macroárea da comunicação” (KUNSCH 1997:115). Desta forma, para que a comunicação se efetive, existem diversos instrumentos e entre eles, o evento que “é um dos elementos mais poderosos na estratégia comunicacional”, conforme Giácomo (1997:47). O evento é, também, destacado por Neves (2000), como um emissor da comunicação. Assim, para a promoção de um evento, é necessário um composto completo de comunicação, que nada mais é que a união da comunicação institucional, comunicação mercadológica e comunicação interna, denominada hoje de comunicação integrada. Melo Neto (1999:21) reforça a idéia anterior quando afirma: “O sucesso do evento está diretamente direcionado às sensações geradas antes, durante e após a realização do evento”, ou seja, a comunicação agindo em conjunto, com ações planejadas e harmônicas que poderá dar a sustentação necessária a tal acontecimento. Baseando-se nos fatos acima, nota-se que a comunicação vem se adequando ao modelo de globalização. O trabalho integrado é, hoje, a maneira mais eficaz de se alcançar o objetivo comunicacional. 15 CAPÍTULO I COMUNICAÇÃO INTEGRADA Neste capítulo trataremos da comunicação integrada, bem como sua definição, as áreas envolvidas e o composto comunicacional. A comunicação integrada é, na realidade, a evolução do conceito de comunicação social que define a integralização de todas as suas áreas. Este conceito surgiu por uma exigência de mercado que sentiu a necessidade de serviços completos de comunicação e não mais apenas fragmentados. Prova disso é que, segundo Kunsch (1986), há dezesseis anos, no Brasil, as empresas de assessoria em relações públicas e agências de publicidade e propaganda, já ofereciam um mix de serviços de comunicação através de grupos especializados. 16 Para tanto, as principais áreas que compõem a comunicação integrada são: relações públicas, publicidade e propaganda, jornalismo e marketing. Essa relação vai além de independência linear e cronológica que se admite entre as áreas, destacando assim, a existência da necessidade de interposição e fusão na aplicação das funções das atividades. Nota-se aí, também uma complementação e cumplicidade entre as áreas, para que o trabalho de comunicação seja completo. É claro que o profissional de apenas uma das áreas de comunicação tem capacidade de desenvolver um bom trabalho, porém, existem lacunas que não serão preenchidas por se tratarem de especificidades profissionais. Além disso, a Associação Brasileira de Empresas de Relações Públicas (1984: 12) afirma que: “não acreditamos que haja na área de comunicação um profissional ecumênico”, ou seja, o trabalho será desenvolvido, porém sob uma só óptica da comunicação, e talvez não de forma tão eficaz como poderia ser. Assim, a integração das áreas resulta na eficiência da comunicação, por se tratar da soma de esforços para alcançar o mesmo objetivo. “Acreditamos na comunicação integrada, ou seja, na atuação conjugada de todos os profissionais da área. Não há conflitos entre as diversas atividades: há somatória em benefícios do cliente” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMORESAS DE RELAÇÕES PÚBLICAS 1984:12). 17 Com a união das áreas, temos a comunicação integrada que é composta pela comunicação institucional, comunicação mercadológica e comunicação interna que formam o composto da comunicação. Desta maneira, a comunicação integrada utiliza-se das subáreas específicas como ferramentas para o bom desempenho comunicacional. “A comunicação integrada permite que se estabeleça uma política global, em função de uma coerência maior entre os programas, de uma linguagem comum e de um comportamento homogêneo, além de se evitarem as sobreposições de tarefas” (KUNSCH 1997:115). Nesta afirmação, nota-se uma preocupação com um trabalho sincronizado, com uma linguagem comum entre a áreas, facilitando assim o processo de comunicação e padronizando o mesmo frente aos públicos para o qual se destina. Desta forma, tem-se uma comunicação mais clara, dirigida e homogênea, assim, cumprindo seu objetivo e fortalecendo conceitos institucionais, mercadológicos e corporativos da organização. Passaremos agora a definições, esclarecimentos e funções das áreas de relações públicas, publicidade e propaganda, jornalismo e marketing, e logo após, o composto comunicacional. 1.1 Áreas envolvidas 18 1.1.1 Relações Públicas O relações públicas não é um profissional isolado porque ele está inserido numa organização, envolvido na sua estrutura administrativa e de produção, seu produto ou serviço, sua dinâmica humana, bem como todo seu contexto social, político, econômico e cultural. Neste contexto, o relações públicas é um subsistema de apoio como muitos outros existentes numa organização, que prioriza o perfeito andamento do sistema de comunicação existente na mesma. Desta forma, a atividade de relações públicas caracteriza-se pelo trabalho de integração na relação públicos x organização, além da valorização, credibilidade e satisfação dos mesmos, como coordenador das estratégias comunicacionais. Segundo a Associação Brasileira de Relações Públicas (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE RELAÇÕES PÚBLICAS apud TORQUATO 1986:92), a definição de relações públicas é: “o esforço deliberado, planificado, coeso e contínuo, da alta administração para estabelecer e manter uma compreensão mútua entre organização pública e privada e seu pessoal, assim como entre essa organização e todos os grupos aos quais está ligada direta ou indiretamente”. 19 Torna-se claro a partir dessa definição, que a atividade de relações públicas desempenha um papel como técnica de comunicação que tem por principal objetivo a interação e satisfação dos públicos, visando a fidelidade e reconhecimento. Sem uma boa imagem e sem credibilidade não adianta querer vender qualquer tipo de produto ou serviço porque faltará o mais importante na relação público – organização, a confiança. Neste direcionamento, são funções do profissional de relações públicas: criação, planejamento e execução de programas de integração interna e externa, coordenação de festivais para funcionários, atividades de cunho social, esportivo ou cultural, concursos, eventos, cerimonial e protocolo, elaboração de peças institucionais em conjunto com os profissionais de publicidade e propaganda e jornalismo e envio de mensagem a pessoas ou entidades. Além disso, cabe ao profissional a realização de pesquisas para conhecer opiniões, hábitos e atitudes dos públicos e principalmente participação na definição de estratégias globais de comunicação. Com essas funções e atribuições podemos notar a ampla atuação das relações públicas e sua relevante importância na comunicação integrada. Assim, os profissionais desta área, “propiciam uma forma de comunicação integrada, sendo, portanto, muito eficazes e muito mais abrangentes na criação de mecanismos de aceitação social”. (KUNSCH 1986:38). 20 Com isso, é possível afirmar que dentre as áreas da comunicação, o relações públicas é o profissional mais capacitado para visualizar a comunicação como um todo, podendo assim, coordenar o processo de comunicação integrada. Neste contexto, os profissionais de publicidade e propaganda, jornalismo e marketing possuem uma visão fragmentada da comunicação e o relações públicas tem por objetivo maior liderar o processo de comunicação total. Assim, num trabalho de comunicação integrada, o relações públicas tem como objetivo principal a formação de públicos e seus relacionamentos, além de administrar o processo, coordenando as áreas de forma simétrica e padronizada, garantindo à organização, uma comunicação de mão dupla, com clareza de informações e coerência entre as mensagens, tendo como retorno um feed back positivo. 1.1.2 Publicidade e Propaganda A publicidade e propaganda é uma atividade de comunicação que tem como principal objetivo a persuasão dos consumidores visando a venda direta de produtos ou serviços, gerando lucro. Segundo Torquato (1986:94) a publicidade e propaganda é um “subsistema de comunicação que coloca em relação produtores e consumidores por meio dos distribuidores e dos mass media”. 21 Dentro do processo de comunicação, são atribuições dos publicitários, criar e executar as peças publicitárias e de propaganda escolhendo os veículos mais adequados para sua difusão e as agências para intermediação, planejar, coordenar e administrar a publicidade, propaganda, publicidade legal, campanhas promocionais e estudos mercadológicos, além de participar na definição das estratégias de comunicação. Na comunicação integrada, a publicidade e propaganda desempenha um importante papel, levando em consideração sua objetividade na venda de produtos e serviços, atingindo direta e indiretamente o consumidor e persuadindo-o com objetivo de obter lucros frente aos concorrentes. 1.1.3 Jornalismo O jornalismo trabalha com a informação propriamente dita. Esta atividade fará da informação, um fato, repassando este aos consumidores, neste caso, leitores. Informar é uma das principais funções do jornalista, tendo em vista que lhes cabe também, administrar as informações jornalísticas e seu fluxo das fontes para os veículos e vice-versa, além de edição de boletins, jornais ou revistas. Neste contexto, a assessoria de imprensa é uma função própria de um jornalista. Assim, a assessoria de imprensa está, na maioria dos casos, relacionada “com a formação de opinião pública, na medida em que pretende atingir 22 um determinado número de pessoas com uma mensagem, influenciando o que pensam esses receptores” (KOPPLIN e FERRARETTO 2000:24). Com esse trabalho, o jornalista dissemina a informação a um grande número de pessoas, atingindo também os formadores de opinião, de forma que a mensagem deve ser verdadeira, clara e ir ao encontro da realidade da organização, pois estão tratando com a opinião do seu público em relação à imagem da mesma. Na comunicação integrada, o jornalismo possui a função de administrar a informação de modo que as outras áreas possam valer-se disso para o desenvolvimento do trabalho onde todas as mensagens estejam voltadas para o mesmo objetivo: a boa imagem da organização, sua valorização e credibilidade, conquista de uma ampla fatia de mercado e assim, revertendo isso em vendas e lucros. 1.1.4 Marketing Além de relações públicas, publicidade e propaganda e jornalismo, o marketing é hoje uma das principais ferramentas de comunicação, tendo em vista que o mercado ficou cada vez mais exigente e todo o cuidado pode ser pouco no momento de investir. Segundo Kotler (2000:30) marketing é “um processo social por meio do qual pessoas e grupos de pessoas obtêm aquilo de que necessitam e o que 23 desejam com a criação, oferta e livre negociação e produtos e serviços de valor com outros”. Na verdade, marketing nada mais é do que um estudo aprofundado de mercado, que orienta as estratégias de comunicação para suprir as necessidades e desejos dos consumidores, frente à concorrência. Dentre as áreas da comunicação, podemos asseverar que cabe aos profissionais de relações públicas e publicidade e propaganda a atividade de marketing, levando em conta suas capacidades e atribuições profissionais. Desta forma, a atividade de marketing também é importante no composto da comunicação integrada, pois ela direciona as estratégias de comunicação para o cumprimento de seu objetivo e proporciona uma visão ampla de negócios, possibilitando um estudo da concorrência, assim como da própria organização, sempre levando em consideração o mercado e seus públicos. Assim, a organização poderá valorizar-se e ocupar um lugar de liderança, sobressaindo-se junto aos concorrentes, com produtos e serviços atualizados e atendendo as necessidades e desejos dos consumidores, sem perder de vista seus objetivos, conseqüentemente, conquistando e mantendo um bom espaço num mercado que hoje, está bastante disputado. 24 1.2 A importância da integração das áreas A comunicação é muito ampla, por isso é dividida em diferentes áreas, de acordo com forma de atuação. Porém, existe uma ambigüidade em certas tarefas, no que diz respeito ao limite das áreas, assim, sem se saber ao certo, qual o profissional adequado para o desenvolvimento de determinados trabalhos. Devido a isso, a melhor maneira de se utilizar a comunicação e suas técnicas, de forma completa, é integrando os profissionais de relações públicas, publicidade e propaganda, jornalismo e marketing. Para que isso se torne mais claro, segue abaixo um quadro que, segundo Kunsch (1997:116) traduz o conceito da comunicação integrada com a integração total das áreas da comunicação social. Comunicação integrada Composto da comunicação Comunicação organizacional Comunicação institucional Comunicação institucional • • Relações Públicas Comunicação interna Comunicação administrativa • Fluxos Marketing 25 Analisando o quadro acima, percebe-se a reorganização da comunicação por áreas afins denominando-as de composto da comunicação. Esse composto subdivide-se em comunicação institucional, comunicação mercadológica e comunicação interna (administrativa), que estão todas interligadas para o cumprimento de um único objetivo em prol da organização, a sincronia, eficiência e clareza da comunicação. Todas as áreas da comunicação social contribuem, de alguma forma, para cada subdivisão, porém, umas com mais ênfase que as outras, conforme sua especificidade. Desta maneira, a importância da integração das áreas, se dá, a partir do momento que o objetivo de um trabalho integrado é a comunicação harmônica e sem lacunas, tendo em vista que isso só é alcançado através da interligação das partes, abrangendo todos os pontos da comunicação. 1.3 Composto de Comunicação 1.3.1 Comunicação Institucional A comunicação institucional, como o próprio nome diz, se propõe a tornar pública uma instituição, agregando valores e projetando-a junto a seus públicos. Este tipo de comunicação não vende um serviço ou produto, mas sim a instituição em si, credibilizando-a junto à sociedade. 26 Quanto a isso, Torquato (TORQUATO apud KUNSCH 1986:111) afirma que “a comunicação institucional objetiva conquistar simpatia, credibilidade e confiança, realizando, como meta finalista, a influência político-social”. Neste sentido a comunicação institucional está voltada à conquista de conceitos positivos para a organização, junto aos públicos aos quais está ligada direta ou indiretamente, mantendo a boa relação e satisfação entre as partes. Para isso, a comunicação institucional utiliza técnicas de relações públicas, marketing, publicidade e propaganda e jornalismo, dando maior ênfase às relações públicas. “As relações públicas têm um importante papel a desenvolver no contexto da comunicação integrada, tendo em vista que terão sob sua responsabilidade, principalmente, a comunicação institucional, que deverá usar todos os meios possíveis para criar e construir uma identidade corporativa da organização perante a opinião pública e a sociedade em geral” (KUNSCH 1997:118). Observa-se que o relações públicas trabalha com uma das partes mais delicadas do composto comunicacional, pois é de sua responsabilidade a imagem da organização junto a seus públicos e é disso que depende todo o resto. Como neste caso a comunicação está voltada para a boa imagem da instituição e sua relação com os públicos e sociedade, em termos de valores, o trabalho realizado é de âmbito social, cultural, institucional e corporativo, sem, a princípio, objetivar lucros e sim, a aprovação da organização junto à sociedade a que está inserida. 27 1.3.2 Comunicação Mercadológica A comunicação mercadológica está direcionada para a venda direta de produtos e serviços, tendo como principal finalidade, o lucro. Assim, Torquato (TORQUATO apud KUNSCH 1986:111) destaca que a comunicação mercadológica “objetiva promover a troca de produtos e/ou serviços entre produtor e consumidor”. Neste caso as áreas envolvidas diretamente são: marketing e publicidade e propaganda, com uma visão totalmente voltada para as vendas, caracterizando a relação de troca entre organização e o seu público alvo, o consumidor. É claro que as relações públicas também fazem parte desse processo, porém de forma administrativa, coordenando e orientando para que a sincronia da comunicação seja mantida. 1.3.3 Comunicação Interna (Administrativa) Aqui estamos tratando da fase mais teórica da comunicação. Conforme Andrade (1978:19) a comunicação interna é definida como “o intercâmbio de informação dentro de uma empresa ou repartição, tendo em vista sua eficácia”. Entende-se aí o porquê de tratarmos a comunicação interna como administrativa, afinal se trata de algo estritamente político da organização. 28 A comunicação administrativa é o que rege a prática das outras, de forma que é com ela que se estabelece que tipo de comunicação à organização irá adotar. De acordo com Thayer (1976:121) a comunicação administrativa é “o sistema de comunicação que serve (ou poderia servir) àqueles que preenchem as funções administrativas da organização”. Analisando o descrito acima, fica evidente que, quando falamos de comunicação administrativa estamos tratando de fluxos, redes e veículos de comunicação escolhidos pela cúpula para serem utilizados pela organização. O fluxo é a maneira como os mecanismos de comunicação se movimentam dentro da organização, e esta pode ser de forma descendente, ascendente e lateral com direção vertical e horizontal. É no ajustamento desses fluxos que se tem o equilíbrio da comunicação. Existem também duas redes que permeiam a comunicação de uma organização, sendo elas: formal e informal. A primeira ocupa-se das manifestações oficiais e legitimadas pelo poder burocrático e a segunda das manifestações espontâneas da coletividade. Além disso, temos os veículos que são instrumentos pelos o quais a comunicação é expressa, sendo eles: visuais, auditivos e visuais/auditivos. São os veículos que levam a informação do emissor para o receptor e vice-versa, caracterizando-se assim, a comunicação propriamente dita. 29 Assim, Kunsch (1997:118) destaca que “relações públicas é o caminho formal pelo qual as organizações se comunicam com seus públicos de forma planejada – ou administrativa”. De acordo com isso percebemos que os profissionais de relações públicas planejam e executam a comunicação como um todo, administrando o movimento de mensagens para dentro e para fora da organização, com criatividade e clareza, cuidando sempre para que as outras áreas da comunicação não percam a sincronia do trabalho proposto. Nesse direcionamento, o relações públicas é o profissional de maior importância nesta etapa, tendo em vista que este possui uma função política dentro da organização, porém não se pode deixar de enfatizar a importância das outras áreas na decisão, de qual será o melhor caminho em termos de comunicação a ser seguido pela empresa, afinal, estamos falando de um trabalho integrado. 30 CAPÍTULO II EVENTO Este capítulo trata do evento, bem como suas definições e sua organização, passando pelas fases de planejamento, divulgação e realização, indo até as atividades finais e avaliação dos resultados. Ainda aqui, envolve conceitos de cerimonial, protocolo e etiqueta, como fatores importantes de um evento. Numa sociedade, os homens sempre tiveram a necessidade de se comunicar e assim, segundo Dias (1996), o evento origina-se de rituais como o casamento, o enterro, as eleições de líderes, etc., sendo essas, comemorações civis e religiosas. Esses eventos eram feitos por instinto, de maneira precária, mas de qualquer forma, já precisavam de uma certa ordem e normas para que sua realização fosse possível. 31 Assim, o evento, como toda a forma de comunicação, foi se modernizando e é hoje, “considerado a grande estratégia da persuasão na concorrência de mercado, produto, demanda e procura” (DIAS, 1996:16). Hoje existem diversas definições para evento, onde Dias (1996:15) define o mesmo como uma “estratégia gerencial da modernidade que tem o objetivo de conquistar os públicos de interesse de uma organização persuadindo-os e atraindoos através do exercício do poder que a legitima”. Já Simões (1995:170) afirma que o evento é um instrumento misto de relações públicas, sendo “um acontecimento criado com a finalidade específica de alterar a história da relação organização-público, em face das necessidades observadas”. Neste contexto, Giácomo (1997:54) analisa o evento como componente do mix da comunicação e define-o como um “acontecimento previamente planejado, a ocorrer num mesmo tempo e lugar, como forma de minimizar esforços de comunicação, objetivando o engajamento de pessoas a uma idéia ou ação”. As definições de evento são muitas, porém, analisando as três citadas acima, nota-se que, embora distintas, elas possuem pontos em comum. Qualquer uma das definições aborda o evento pelo ponto de vista da comunicação e estabelecem com ele uma relação entre a organização, sua imagem e interesses, e o seu público. 32 Além disso, Cesca (1997:163) diz que “os eventos são, também, uma atividade que contribui para manter a opinião pública favorável, objetivo de toda organização que deseja se manter na ativa”. Nesse direcionamento, a autora fala de opinião pública, ou seja, atingir o público de interesse de forma positiva, que é o principal objetivo de uma organização com a realização de um evento. Ao tratarmos do evento como propulsor da relação entre organizaçãoimagem-público de forma planejada, falamos do trabalho do relações públicas como coordenador de um evento. Assim sendo, Giácomo (1997:47) afirma que “o evento é um instrumento de comunicação e um dos elementos mais poderosos na estratégia comunicacional”. De acordo com isso, podemos dizer que o evento deseja comunicar e informar, transformando-se assim num acontecimento especial que pretende de certa forma modificar comportamentos ou decorrer idéias. Mais uma vez estamos tratando do trabalho de relações públicas que, por sua formação é o profissional qualificado e adequado para coordenar um evento. Este, conta também com a operacionalidade dos outros profissionais da comunicação para alcançar o retorno esperado. 33 Como um instrumento de comunicação, o evento tem seus próprios objetivos que, conforme Dias (1996), são: promover um acontecimento favorável à imagem de uma empresa e seu produto perante os públicos de seu interesse; atingir determinados públicos com a finalidade ostensiva de vender uma boa imagem; integrar de forma a sintonizar os interesses dos diferentes públicos de uma comunidade, organização ou grupo de pessoas; informar às pessoas o sentido promocional do acontecimento, despertando nelas o interesse pelo produto, a preferência pela marca e a participação da organização na vida da comunidade; instituir um canal de comunicação direta e permanente, que indique ao seu dirigente o que dele espera o corpo funcional de seu interesse; relacionar a potencialidade do ser humano com sua capacidade de realização e por último, criar o fato à inteligência e o exercício do poder são parte da estratégia do evento, pois através deles é criado o fato em benefício de uma organização ou uma pessoa. Assim Kunsch (1986:102) atesta que “a importância da realização de um evento está, sobretudo, no aproveitamento do instante, do ambiente ou da presença de pessoas, pois dessa atitude resulta a impressão final”. Com esses objetivos e importância, sendo, principalmente, um instrumento de comunicação que deseja atingir de forma eficaz um determinado público, o evento não é mais feito de forma instintiva como antigamente, hoje, precisando de uma organização prévia para sua realização. 34 2.1 Organização do Evento Para que o evento alcance seu objetivo é preciso uma organização detalhada e planejada antecipadamente, que passa por diversas etapas. Assim como o conceito de evento, as etapas de sua organização recebem distintas nomenclaturas pelos autores. Desta maneira, para Dias (1996) as fases são: preparação, instalação, realização e atividades finais. Já Giácomo (1997) define essas fases como: pré-evento e pós-evento. Analisando esses dois autores acima citados e direcionando de acordo com o objetivo desse trabalho, iremos definir essas etapas como: planejamento, divulgação, realização e atividades finais e avaliação dos resultados. 2.1.1 Planejamento Como vimos anteriormente, o evento é direcionado a um público e deve ser planejado para que seus resultados sejam positivos, pois este “acontece ao vivo, e qualquer falha comprometerá o conceito/imagem da organização para a qual é realizado” (CESCA, 1997:41). Uma das principais etapas da organização de um evento é o planejamento, pois este irá guiar os procedimentos da realização do mesmo, sendo, um planejamento, a forma teórica do evento antes de sua prática. 35 Assim, segundo Dias (1996:57), “planejar significa projetar”, ou seja, desenvolver um guia prático para dirigir os passos de um trabalho, que, quando criterioso e detalhado pode garantir o sucesso de um evento. Conforme os autores acima mencionados, notamos que um bom planejamento deve conter, além de todos os passos que ocorrerão no evento, os mínimos detalhes que possam, no decorrer o processo, evitar as surpresas e imprevistos que em muitos casos, geram uma crise. Para isso, existem alguns passos a seguir no desenvolver de um planejamento, que são denominados de forma distinta por cada autor. Segundo Dias (1996) esses passos são: estabelecimento dos objetivos, elaboração do projeto, verificação das providências a serem tomadas, planejamento do desenvolvimento do evento e aprovação do projeto. Conforme Cesca (1997) essas etapas são: objetivos, públicos, estratégias, recursos, implementação, fatores condicionantes, acompanhamento e controle, avaliação e orçamento. De acordo com Giácomo (1997) é no planejamento que se define o que ela denomina de fatores estruturais, comuns e específicos sendo: local, data, tema, clima, identificação e análise dos participantes, estratégias de comunicação, planejamento de recursos materiais e financeiros, serviços e equipamentos, esforços de vendas, transporte, recepção, hospedagem, etc. 36 Apesar das distintas etapas apresentadas pelos autores, o planejamento deve conter tudo que seja relevante para quem o produz e quem irá executá-lo, porque o evento quando bem planejado e executado, criará fatalmente, um conceito positivo para organização que o promove. Mais uma vez, nota-se que o importante não está na nomenclatura das etapas do planejamento e sim, na sua competência, porque este não deve pecar pela falta de informação. O que é inútil na teoria, poderá ser útil na prática e garantir o sucesso. Ressaltamos aqui a importância do bom planejamento porque o evento é uma atividade dinâmica, onde cada caso sempre revela alguma coisa nova, que até então ninguém havia feito, seja num pequeno detalhe ou algo que previna um futuro desastre. Sendo assim, o planejamento nada mais é que um “documento que receberá a aprovação da diretoria onde se atua ou do cliente para o qual se presta os serviços” (CESCA 1997:46) que contém o esboço da realização do evento. Após o planejamento e já definidos todos os itens que o compõe, passa-se a colocá-lo em prática, iniciando uma das fases mais importante desse trabalho, a divulgação. 37 2.1.2 Divulgação Consideramos esta uma das fases mais importante para esse trabalho, porque é nesta etapa que se tem o trabalho prático dos profissionais envolvidos e assim, onde a comunicação integrada se torna pública. O trabalho de comunicação se dá a partir do momento em que se decide utilizar o evento como instrumento, porém, as etapas descritas até aqui, são de responsabilidade de um profissional de relações públicas e é na divulgação que o composto da comunicação se faz importante para o sucesso. É nesta etapa que se coloca em prática a estratégia de comunicação antes planejada, assim como a veiculação das mensagens, a relação com a imprensa e a distribuição do material informativo e promocional. Neste sentido, a divulgação de um evento, nada mais é do que informar ao público de interesse que este irá realizar-se, bem como de que forma, onde e quando irá acorrer. Para tanto, a comunicação deve ser clara e persuasiva de modo que sua eficácia garanta bons resultados para o acontecimento. De acordo com isso, Dias (1996) destaca que o sucesso do evento está diretamente ligado à sua divulgação, que, como tudo o que se segue, deve estar previamente definido no planejamento. 38 Na divulgação, estão contidos todos os materiais visuais, impressos, audiovisuais do evento, definindo assim a “cara” do mesmo (DIAS, 1996:76), ou seja, se colocam em prática as estratégias de comunicação definidas anteriormente para a promoção do evento. Assim, é nesta etapa onde ocorre a união dos profissionais da área de comunicação para um trabalho integrado, caracterizando a comunicação integrada na promoção de eventos, assunto que iremos trabalhar melhor no terceiro capítulo. 2.1.3 Realização A realização de um evento é o desenvolvimento do mesmo, na prática conforme seu planejamento, ou seja, isso é a ação propriamente dita. Durante a realização do evento, o organizador deve prestar atenção em alguns detalhes que, segundo Dias (1996), são: zelar pela manutenção dos horários estabelecidos na programação; cuidar para a manutenção de um bom clima; dar às autoridades o tratamento de protocolo; cuidar das autoridades convidadas; acompanhar as atividades operacionais; sinalizar o local; cuidar do cerimonial na troca de mesas e dos participantes de cada uma; cuidar das alterações de viagem; providenciar material a ser utilizado pelo palestrante; entregar os recibos, pastas e crachás aos participantes; distribuir folhas de perguntas; reproduzir e distribuir o programa e cuidar do bom funcionamento dos equipamentos utilizados no evento. 39 Nesta fase, o evento está acontecendo e o que resta a fazer é zelar para o que tudo aconteça conforme o planejado. Após o término da ação, inicia-se a última fase do evento, sendo, as atividades finais e avaliação dos resultados. 2.1.4 Atividades Finais e Avaliação dos Resultados Após o término do evento propriamente dito, é preciso ocorrer o último contato com o público participante do evento, de forma a finalizar as atividades comunicacionais do mesmo. Assim os profissionais de comunicação, após o evento, realizarão as últimas atividades como: relatórios, clipagem, certificados e cartas de agradecimento (GIÁCOMO, 1997). Além disso, deve-se verificar se o objetivo proposto foi alcançado, o que sucedeu fora dos planos, o que é preciso melhorar para o próximo, o que teve êxito, em fim, se a ação teve sucesso significativo. Neste enfoque, Giácomo (1997) destaca que esta é a etapa onde acontecem todas as atividades de avaliação e comunicações finais. Estas atividades acontecem simultaneamente, ou seja, ao mesmo tempo em que estão sendo feitos os últimos contatos com o público, a avaliação ocorrendo. 40 Assim, “a determinação do sucesso ou fracasso de um evento está na relação estreita e direta com a precisão com que seus objetivos foram alcançados” (DIAS 1996:116) e será verificado através dos critérios para avaliação estabelecidos anteriormente no planejamento. A avaliação é feita após o término do evento e em forma de relatório que será entregue à diretoria da organização e, somente após os resultados dessa avaliação, pode-se considerar o evento como finalizado. Partimos agora para a definição de algo que é de extrema importância no decorrer de um evento, ou seja, o cerimonial, protocolo e etiqueta. 2.1 Cerimonial, Protocolo e Etiqueta Em todo e qualquer evento, formal ou informal, existem regras e normas a serem cumpridas para que este ocorra de forma organizada. Estas normas e regras são em forma de cerimônia, leis e até comportamento. Assim segundo Dias (1996:106) “em todas as solenidades deve existir um cerimonial que tenha a finalidade de dar ritmo a um evento, organizar sua programação e com isto evitar situações inesperadas”. Germani (GERMANI apud DIAS 1996:122) define cerimonial da seguinte forma: “é a rigorosa observância de certas formalidades em eventos oficiais (públicos) e particulares (privados), entre autoridades nacionais ou estrangeiras”. 41 Pierry (PIERRY apud DIAS 1996:122) afirma que protocolo é “a ordem hierárquica que determina as regras de conduta aos governos e seus representantes em ocasiões oficiais ou dos participantes particulares de um evento”. Nesse direcionamento, Dias define cerimonial e protocolo como sendo “aspectos de ordem e de hierarquia que devem ser absolutamente obedecidos em solenidades e que representam o ponto nevrálgico das relações humanas de um evento” (1996:123). As definições são muitas, porém, cerimonial e protocolo estão diretamente ligados; sendo o cerimonial o conjunto de formalidades que se devem seguir num ato solene ou festa pública e o protocolo a legislação que coordena o cerimonial. Segundo Nunes, (1999:17) “ao lado do cerimonial e do protocolo, a etiqueta se ampara nos costumes da época e nos hábitos de cada região do mundo, o que significa que é transitória, variável, e, muitas vezes, cíclica”. Junto ao cerimonial e protocolo que regem o evento, temos a etiqueta que é o fenômeno da cultura popular com características de cordialidade e hospitalidade ligadas às normas de comportamento pessoal requintado, ou seja, regem o comportamento das pessoas que participam do evento. Assim, se caracteriza um evento, e sendo ele qual for, ocorre de forma ordenada de acordo com o tipo, lugar e público onde está sendo realizado. 42 CAPÍTULO III RELAÇÕES PÚBLICAS: ADMINISTRANDO A COMUNICAÇÃO INTEGRADA NA PROMOÇÃO DE EVENTOS O trabalho de comunicação se dá desde o início, quando o relações públicas junto com os outros profissionais, decidem utilizar o evento como instrumento de comunicação. Conforme vimos no primeiro capítulo, a comunicação integrada é a união de todos os profissionais da comunicação social para um trabalho único e sincronizado em prol de um mesmo objetivo. Conforme Hunt e Grunig (1997:7) “comunicação e gerenciamento” são dois elementos comuns em todas as definições de relações públicas. Neste sentido, estes autores vêem as relações públicas como uma profissão apta a gerenciar o seu foco de trabalho, a comunicação total. Além disso, Kunsch (1986:115) afirma: 43 “Uma das características das relações públicas é que elas envolvem uma forma administrativa de agir, levando a acionar as forças e coordenar adequadamente os trabalhos em torno dos necessidades objetivos propostos organizacionais, e das atentando-se sempre para as reações dos públicos e da opinião pública mediante um planejamento adequado das ações”. Desta forma, a comunicação institucional, principal responsabilidade do relações públicas, deve estar conectada com a comunicação mercadológica e com a comunicação interna, com uma boa administração para que se alcance a excelência comunicacional como resultado principal. Como vimos no segundo capítulo, o evento é um instrumento de comunicação de caráter aproximativo, que deve ser previamente planejado para que a comunicação integrada não se desvie com objetivos distintos entre as áreas. Segundo Dias (1996:34) o evento serve como: “Elemento de divulgação, como canal de comunicação empresa/comunidade, como informação de um produto e de sua qualidade e utilidade, como estratégia gerencial para 44 solução de problemas de imagem, como embalagem de uma filosofia de trabalho, como um golpe de mestre para mostrar poder e prestígio junto a seus concorrentes e demais integrantes da comunidade”. Na afirmação acima citada sobre o papel do evento, percebe-se que nele, utiliza-se a comunicação integrada, tendo em vista que o evento atinge diversos públicos, credibiliza a organização e sua imagem, vende produtos e serviços, é notícia e eleva a organização frente a seus concorrentes de mercado. Além disso, utilizando o evento como instrumento de comunicação, a organização busca a ampliação de produção, uma boa imagem e ainda, um prestígio institucional, além de atrair a atenção do público e da imprensa para si. Assim, Giácomo (1997:12) afirma que “o evento é mais uma das muitas linguagens que a função de relações públicas utiliza – e divide com as atividades irmãs”. Nesse sentido, cada profissional da comunicação tem seu papel específico no desenrolar de um evento, objetivando motivar, envolver e conquistar as pessoas a ponto de levá-las a agir no sentido que é desejado, para que sejam persuadidas pelo encontro, ou seja, a participarem do evento. 45 Porém, até então, o trabalho integrado se deu somente na decisão de utilizar o evento como estratégia de comunicação, pois é o relações públicas, como planejador do mesmo que executa o restante do trabalho. Após o planejamento, passamos à execução, e assim, o trabalho integrado se caracteriza na prática, com a divulgação. Para a divulgação de um evento, é necessário um trabalho de imprensa com releases, programas, entrevistas, informações, mídia e publicações; de publicidade com promoção visual, sinalização, lançamento e manutenção na mídia; de relações públicas com a organização, coordenação, execução e acompanhamento, além do cerimonial e protocolo que envolvem convites, brindes, decoração, atendimento a autoridades, solenidades e discursos; por último o marketing trabalha com estudos de mercado e sua abrangência estratégica nos meios de comunicação. Assim, segundo Dias (1996), nesta etapa cabem as seguintes atribuições a cada profissional de comunicação: Relações Públicas: além de coordenador geral e organizador, com tarefas de planejamento, acompanhamento, implantação, execução e avaliação de um evento, na etapa da divulgação, cabe ao profissional: dar andamento às etapas programadas pelos outros segmentos, cuidando para que sejam executadas; manter a sala de imprensa; distribuir crachás aos jornalistas credenciados; cuidar das alimentações e hospedagem; distribuir o material da programação visual; convites; 46 cartazes; folders, inscrição, sinalização, faixas, banners, brindes e para o cerimonial, os hinos, bandeiras e decorações. Além disso, cuidar do bem-estar das autoridades especiais e convidados palestrantes. Publicidade: tem a tarefa de dar cara ao evento, sua embalagem e promover a identificação do mesmo, vendendo-o. Isso inclui a realização de um briefing das quais surgirão propostas de ação para a programação visual. Após, fica a cargo do publicitário: a aparência visual e programação do aspecto visual como função de qualificação; despertar o desejo de envolvimento do usuário nos fatos ocorridos e propostas no evento como função de persuasão; servir de instrumento mercadológico com intenções comunicativas; agregar credibilidade e possibilidades; criar uma marca ou logotipia que caracterize ou identifique um evento; proporcionar estímulos que desencadeiem ações de adesão; lançar o evento; manter o evento na mídia; proporcionar o reconhecimento a cada edição; elaborar, desenhar e lançar as peças publicitárias do evento; identificar o evento; elaborar, desenvolver e implantar as peças de divulgação como: convites, folhetos, cartazes, banners, galhardes, faixas, bandeiras, troféus, placas e brindes personalizados e estande em feiras, além de manter o canal com o patrocinador que, com o promotor, aprovará as peças de divulgação. Jornalistas: o trabalho de imprensa, fazendo do evento uma notícia. Isso inclui: manter atualizada a resenha ou taxação das notícias do evento; manter articulações junto à Secretaria Geral e Coordenação Geral para permanecer informado; organizar, redigir notícias, textos, releases e encaminhá-los aos órgãos de imprensa; redigir informações aos participantes; redigir os textos dos forlders e 47 programas; providenciar equipamentos audiovisuais para as sessões, bem como a gravação das palestras e comunicações; recepcionar e acompanhar os jornalistas que vierem fazer a cobertura do evento; reservar local especial para os elementos da imprensa no evento; manter um canal permanente de comunicação da direção do evento com os meios de comunicação; montar a sala de imprensa e coordenar seu funcionamento durante o mesmo; manter na mídia as personalidades que darão nome e força a ele; criar ganchos de reportagem em cima dos conteúdos das palestras; despertar, através de releases, o interesse do público de interesse; publicar anúncios elaborados pela programação visual; avaliar pelo espaço que ocupou na mídia a dimensão do evento e preparar os anais. Marketing: neste caso é uma modalidade de marketing promocional que objetiva criar ambientes interativos onde o negócio do patrocinador se junta a consumidores potenciais, promove a marca e aumenta as vendas. Assim o marketing na divulgação do evento deseja: valorizar a marca do patrocinador, maximizar a sua divulgação, reforçar a sua imagem e tornar a marca mais conhecida. Conforme Dias (1996: 108) “com todos esses profissionais em ação, ao mesmo tempo e em torno de um único objetivo, impossível um evento não ser exitoso”. Além disso, o trabalho de relações públicas não se limita ao que lhe cabe como parte integrante do composto da comunicação; as atribuições do profissional 48 como organizador são bem mais amplas com uma visão administrativa como coordenador do processo. Assim, a comunicação integrada que canaliza a sinergia nessa área só será possível se baseada num bom planejamento estratégico, que caberá ao relações públicas exercê-lo, pela natureza de suas atividades e pela própria formação profissional. Para tanto o trabalho do relações públicas é um dos mais importantes, pois é ele quem executa o planejamento no seu todo, operacionalizando as etapas programadas por cada elemento do sistema de divulgação, sendo assim, o elo de ligação entre os integrantes do sistema e o seu canal de comunicação com os demais participantes. Neste sentido, tem-se cada profissional no seu posto, conhecendo sua área de atuação, cumprindo sua programação, porém num trabalho conjunto coordenado pelo relações públicas para que a comunicação seja completa, sincrônica, clara, eficaz e atinja o público positivamente, aproximando-o da organização, criando conceitos, fortalecendo a marca, vendendo seus produtos e serviços e principalmente, com a opinião pública favorável. Alcançando estes objetivos, e atingindo as metas propostas pela comunicação com a realização do evento, tem-se o sucesso do trabalho integrado que valeu-se das habilidades de cada profissional para promover um evento 49 significativo que, a curto e longo prazo trará retorno para a organização, em todos os sentidos, tanto público como lucrativo. 50 CONSIDERAÇÕES FINAIS Cada vez mais se evidencia o fato de que a comunicação integrada como um todo, incluindo a institucional, a mercadológica e a interna, é o melhor caminho para formar e consolidar um conceito empresarial. A comunicação integrada passa a ser uma arma estratégica para a sobrevivência e o desempenho de uma organização numa realidade complexa e que se altera de forma muito rápida. Hoje em dia, não é possível mais pensar em trabalhos de imprensa, em peças publicitárias, em estudos de mercado e principalmente, em realizações de eventos bem sucedidos, sem o envolvimento de todas as subáreas da comunicação social. Com a integralidade das áreas, os resultados são mais abrangentes, pois atingem o público de forma mais eficaz, com mensagens claras, coesas e criativas, com muito mais competência e qualidade no trabalho. 51 Além disso, fica claro que a natureza de um evento é bastante complexa, tendo em vista que os objetivos que lhe dão origem são múltiplos e atendem à busca de minimização de esforços de comunicação, abandonando seu traço amador e assim tornando-se um trabalho profissional que deve ser cuidadosamente planejado, se desejar atingir o sucesso. Nesse sentido, verificamos que existe uma relação entre os profissionais de relações públicas e a organização de eventos, pois esta pode representar uma negociação, solução de problemas e conflitos, projeção de imagem favorável junto à opinião pública, conquistando assim, os públicos de interesse da organização. Desta forma, constatamos que organização de um evento é um dos instrumentos de relações públicas. Isso se dá, porque esta é a profissão que tem como fundamento a conquista da imagem favorável junto a um público, em benefício de um produto, de uma organização ou de uma pessoa ou grupo de pessoas e essa imagem pode ser trabalhada através da realização de um evento. Assim, podemos afirmar que o relações públicas é o profissional que tem como responsabilidade técnica a realização de um evento , adquirindo assim, a função de um agente social de dimensões políticas novas, na medida em que sua tarefa de organizar pessoas em torno de um objetivo comum pode se concretizar efetivamente. Além de organizador de eventos, o relações públicas tem sob sua responsabilidade a administração da comunicação como um todo, tendo em vista 52 que seu planejamento propicia abordar a organização e seu universo de públicos de forma sistematizada e abrangente, contribuindo significativamente para a eficácia da comunicação integrada. A organização deve identificar-se perante a opinião pública, cabendo ao relações públicas, definir os melhores caminhos para que ela atinja mais eficazmente os diversos públicos, graças a ações perfeitamente integradas do composto da comunicação. Na promoção de eventos, fica evidente que a comunicação integrada se dá no momento da decisão de utilizar o evento como instrumento para atingir um número significativo de público da organização, porém, é na divulgação que essa se caracteriza na prática, tendo em vista que é de um bom trabalho integrado e da boa divulgação que depende o sucesso e o comprimento dos objetivos de um evento. Assim, verificamos que a ação conjugada das diversas áreas da comunicação permitirá que as organizações ao utilizem o evento como instrumento de comunicação não só racionalizem suas atividades nesse campo, como também por meio de uma linguagem comum, se relacionem melhor com seus diferentes públicos, mediante uma política de comunicação integrada. Através da análise realizada no desenvolvimento desse trabalho, concluímos que o relações públicas é um profissional que deve ser criativo, planejador, com ampla visão do processo comunicacional, e com capacidade 53 administrativa que possibilita a harmonia e sincronia de toda a equipe de profissionais envolvidos no processo. Assim sendo, as relações públicas, pelo processo histórico de sua formação, tem por obrigação estar mais apta para administrar a comunicação integrada, sendo essa, uma tendência do mercado atual. Desta forma, verificamos que hoje o profissional de relações públicas deve ampliar seus horizontes profissionais e adequar-se ao sistema globalizado, trabalhando com a comunicação integrada para atender todas as necessidades das organizações, que por sua vez, também devem sair da fragmentação para a globalização da comunicação. 54 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE, Cândido Teobaldo de Souza. Curso de relações públicas. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 1994. 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