FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE CULTURA DE PARANAGUÁ “NELSON DE FREITAS BARBOSA” Plano Municipal de Cultura de Paranaguá 2015 - 2025 PARANAGUÁ, 2014 Sumário 1 Introdução ............................................................................................................ 4 2 Definições e conceitos de cultura .................................................................... 5 3 Conceitos de Políticas Culturais ...................................................................... 8 3.1 Diretrizes Gerais ......................................................................................... 8 3.2 Cultura: fator de inclusão social. .............................................................. 9 História de Paranaguá ..................................................................................... 11 4 4.1 História de Paranaguá por Ivone Elias Marques ................................. 13 5 Nossos Símbolos .............................................................................................. 18 6 Diagnóstico da Cultura Parnanguara ............................................................ 21 6.1 Caracterização do Município .................................................................. 21 6.2 Educação ................................................................................................... 31 6.2.1 Histórico da educação ......................................................................... 31 6.2.2 A educação contemporânea............................................................... 32 6.2.3 Dados da educação municipal ........................................................... 33 6.3 Orçamento Municipal da Cultura ............................................................ 33 7 Legislação cultural municipal .......................................................................... 35 8 Desafios e Oportunidades ............................................................................... 37 9 Atividades Culturais No Município ................................................................. 39 9.1 Artesanato.................................................................................................. 39 9.2 Fandango ................................................................................................... 40 9.3 Festas populares ...................................................................................... 43 9.3.1 Festas Religiosas ................................................................................. 45 9.4 Patrimônios tombados ............................................................................. 48 9.5 Patrimônios sob responsabilidade da FUMCUL .................................. 59 10 Instancias de gestão da cultura...................................................................... 67 10.1 Fundação Municipal de Cultura .............................................................. 67 |1 10.2 Conselho Municipal de Cultura............................................................... 68 10.3 Gestão Democrática da Cultura ............................................................. 69 10.4 Conferência de Cultura ............................................................................ 70 10.5 Fórum Municipal Setorial de Cultura ..................................................... 72 10.6 Fórum Municipal de Cultura .................................................................... 73 11 Diretrizes da Cultura ........................................................................................ 74 11.1 No I Fórum Municipal Setorial de Cultura foram estabelecidas: ....... 74 11.2 Diretrizes Municipais Estabelecidas na II Conferência Municipal ..... 75 11.3 Diretrizes elaboradas em Plenária no II Fórum Municipal De Cultura De Paranaguá 76 12 Fomento e financiamento ................................................................................ 81 12.1 Orçamento Público ................................................................................... 81 12.2 Fundo Municipal de Cultura .................................................................... 81 12.3 Incentivo Fiscal ......................................................................................... 83 12.4 Investimento .............................................................................................. 84 13 Considerações sobre o Plano e a Gestão da Cultura ................................ 85 14 Bibliografia ......................................................................................................... 88 |2 “Na década de 1550, através de Ararapira e Superagüi, penetrando e navegando a vasta e bela baía de Paranaguá, as canoas vicentinas aportaram na ilha da Cotinga, próxima do continente. Admirados de ver em derredor muitas habitações de índios carijó, e receosos talvez de que lhe fizessem alguma traição, foram em direitura a ilha da Cotinga, para o lado do furado que a divide da ilha Rasa, onde principiaram as suas habitações. Primeira povoação foi na ilha da Cotinga, depois mudaram para o lugar da ribanceira onde ora está, talvez porque achassem o terreno mais apropriado para formarem a povoação, ser arenoso, ter uma formosa planície onde acharam uma fonte de água nativa e oferecendo o rio Taguaré um seguro fundeadouro, abrigado dos ventos e dos piratas em suas baías” ANTÔNIO VIEIRA DOS SANTOS, Memória Histórica de Paranaguá, Das Origens à Atualidade. |3 1 Introdução O Plano Municipal de Cultura é parte constituinte do Sistema Municipal de Cultura a fim de fortalecer as políticas culturais da União, Estados e Municípios, com a participação da sociedade, pensando a cultura através de três dimensões: - Simbólica – a cultura como produção simbólica da sociedade; - Cidadã – os direitos culturais são parte dos direitos humanos; - Econômica – geradora de trabalho e renda, parte da economia do conhecimento, sustentável e criativa. O Plano Municipal de Cultura tem como objetivo a implantação de políticas públicas de médio e longo prazo, que perpassem o período de um mandato, desenvolvendo no município um novo paradigma de gestão cultural, pautado na institucionalização de políticas públicas construídas de forma participativa, sistêmica e articulada com outros segmentos da ação governamental. O Plano é previsto para o período de 2015 a 2025, sendo avaliado de cinco em cinco anos. O Plano Municipal de Cultura, a partir de um diagnóstico da Cultura no Município, define os conceitos de Políticas Públicas Culturais no Município, formulando suas diretrizes gerais e estruturando a intervenção do Governo Municipal no setor. |4 2 Definições e conceitos de cultura Como parte do patrimônio universal da humanidade a cultura é um conjunto de traços distintivos e espirituais, intelectuais e afetivos que caracterizam um grupo social, que aproxima povos. A cultura abrange artes, letras, modos de vida, maneiras de viver em conjunto, sistema de valores, as crenças e as tradições. A cultura é onde nos sentimos protegidos, cultuamos aquilo que acreditamos, onde crescemos, construímos nossa identidade, atribuímos sentido à existência e temos sensação da permanência. Deste conjunto de fatores é de onde emana a cultura popular, fundada na tradição, ela é expressa por grupos que reconhecidamente respondem a expectativas da comunidade enquanto expressão da sua identidade cultural. A cultura é tudo que o ser humano elabora e produz simbólica e materialmente falando. Lévi-Strauss (1986 apud Ribeiro, 2000, p.28) argumenta que “a diversidade cultural, o grande patrimônio da humanidade, parece ser uma parte necessária da multiplicidade da experiência humana, ainda que sob fortes e hegemônicos sistemas centralizadores”. A cultura é a ferramenta que possibilita a qualidade de vida do indivíduo, quando respeitada a sua identidade. Ela é essencial na busca pelo desenvolvimento social já que dá autonomia para o indivíduo realizar em plenitude suas aspirações morais e espirituais, mediante o florescimento de suas faculdades criadoras. Para tanto é necessário considerar o homem dentro do seu contexto, para não cometer um erro de espaço, como afirma Zaoual, 2003. O modelo uniformizante do homo oeconomicus, é facilitado pela evolução das novas tecnologias que impulsionam o processo de globalização, e através destas tecnologias de comunicação, há em muitos momentos a supressão das culturas tradicionais em detrimento de um modelo massificado. Estas mesmas ferramentas criam condições para um diálogo renovado entre culturas e |5 civilizações embasando a construção de um modelo econômico fundado no saber, tendo a cultura no centro dos debates econômicos. As culturas são permeáveis, influenciando-se mutuamente. Nenhuma cultura é pura. Nenhuma sobrevive mantendo-se isolada e voltada sobre si mesma. O que caracteriza a produção humana são justamente a diversidade e a riqueza. Existem tantas culturas quanto são as sociedades forjadas pelos homens. A cultura se produz através da interação social dos indivíduos que elaboram seus modos de pensar e sentir, constroem seus valores, manejam suas identidades e diferenças e estabelecem rotinas. Cada povo tem direitos sobre sua cultura e sua adesão à ela pode perder o rigor sob influência da cultura industrializada difundida pelos meios de comunicação em massa. Ela deve ser conservada por e para o grupo do qual exprime a identidade. Esta conservação refere-se à proteção das tradições vinculadas à cultura tradicional e popular de seus portadores. Reconhecendo que as tradições evoluem, os Estados têm a necessidade de apoiarem a investigação, registro e salvaguarda dessas tradições. A Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura – UNESCO, começa a dar atenção à cultura imaterial, quando da criação desta distinção, propondo estudos para compreender num todo como as relações mundiais e locais se dão através da cultura. A cultura imaterial se torna material quando envolve processos criadores pessoais, tornados socialmente coletivos, comunitários. (LEAL e BORGES, 2012; UNESCO, 2003) A cultura deve ser entendida como algo ao mesmo tempo simbólico e público. Ela envolve processos interiores de saber, sentir e criar. E envolve também os seus produtos tidos como “imateriais”. Os próprios “saberes tradicionais” do fazer (as tecnologias produtivas) e do agir (as gramáticas da vida social). Envolve o feito, o vivido (as práticas) e o pensado (as representações). (Leal e Borges, 2012) Em 2002 a Unesco elabora a Declaração Universal Sobre a Diversidade Cultural e afirma que a diversidade cultural é para o gênero humano tão |6 necessária quanto a diversidade biológica para a natureza, e por isso deve ser reconhecida e consolidada em benefício das gerações presentes e futuras. Ainda na sua Constituição recomenda a ampla difusão da cultura e da educação da humanidade para a justiça, a liberdade e a paz que são indispensáveis para a dignidade do homem e constituem um dever sagrado que todas as nações devem cumprir com um espirito de responsabilidade e ajuda mútua. |7 3 Conceitos de Políticas Culturais 3.1 Diretrizes Gerais |8 A política cultural é uma ciência de organização das estruturas culturais, ela é um programa de intervenções realizadas pelo estado, com objetivo de satisfazer as necessidades culturais da população. Deve ser entendida como um conjunto de procedimentos, que organizações devem adotar no sentido de estimular e difundir a produção cultural. É um projeto de intervenção no processo cultural em que se define o que será atendido, onde, como, com que recursos, segundo que metas e com quem e para quem será feito. Não se trata de colocar a cultura ao alcance de todos, mas de fazer com que todos os grupos possam viver sua própria cultura. A busca pela democracia cultural tem por princípio favorecer a expressão de subculturas particulares e fornecer aos excluídos da cultura tradicional os meios de desenvolvimento para eles mesmos se cultivarem, segundo suas próprias necessidades e exigências. Ela pressupõe a existência não de um público, mas de públicos, no plural. A concepção de cultura adotada na Constituição de 1988 é que cultura não é somente a produção artística, mas tudo aquilo que é indicador e formador da identidade brasileira. Sendo o resultado da interação entre os vários grupos que aqui se encontravam e aqueles que aqui se estabeleceram, cuja hibridação formou essa diversidade espalhada por esse imenso território. Questões de democracia e de identidade nacional não se reduzem à defesa do popular entendido como prerrogativa do valor da autenticidade. Estão em jogo a circulação de várias formas de expressão e conhecimento, o uso de linguagens diversificadas e a promoção das formas de cultura permitam avançar tanto em termos de arte quanto de qualidade de vida. Nenhuma política que tenha como lema a democratização do acesso à cultura poderá produzir resultados sensíveis se for considerada isoladamente: sistema escolar embora não sendo o único determinante, é a ferramenta mais acessível de construção de um capital cultural, abrindo também a porta de alimentação desse capital. Uma política de democratização do acesso à cultura se conseguir ultrapassar as barreiras impostas pela ordem social – tem de ser pensada em longo prazo, no espaço de pelo menos duas ou três gerações, pois a construção de um capital cultural requer tempo para ser acumulado e também depende da bagagem cultura herdada dos pais. Para que a cultura, tomada numa dimensão antropológica seja atingida por uma política é preciso que haja uma reorganização das estruturas sociais e uma distribuição de recursos econômicos. A dimensão sociológica da cultura refere-se a um conjunto diversificado de demandas profissionais, institucionais, políticas e econômicas tendo portanto visibilidade em si própria. Trata-se de um circuito organizacional que estimula, por diversos meios, a produção a circulação e o consumo de bens simbólicos ou seja aquilo que o senso comum entende por cultura. Dando prioridade aos profissionais e descentralização de grandes equipamentos. 3.2 Cultura: fator de inclusão social. A cultura deve ser tratada como expressão do poder de criatividade de um povo, setor da economia, produtora de riqueza e fonte de renda é fator de inclusão social e construção da cidadania de um povo, proporciona qualidade de vida. As políticas públicas não devem ser elaboradas sem que a sociedade civil e os agentes de sua produção sejam ouvidos. Não cabe ao estado impor um projeto cultural ou estético à sociedade. Ela deve ser o incentivador das práticas culturais próprias da comunidade em que estão sediados. As políticas públicas devem expressar o que a sociedade entende, valoriza e pratica, e não as idiossincrasias de um grupo de cabeças bem pensantes. A sociedade deve ver-se refletida na política elaborada para alavancar sua própria produção. |9 Considera-se neste Plano, a cultura como o conjunto da experiência humana, produto da vida social e do trabalho humanos, suas normas, valores, tradições, crenças, culinária, a vida cotidiana, as obras de arte, os instrumentos de trabalho, padrões de comportamento, educação e o resultado da criatividade humana, designando o modo de vida de uma sociedade. É um processo que está sempre passando por constantes transformações pois é o modo de o homem firmar-se e construir sua história. Tal instrumento servirá de base para a construção de uma política municipal que proteja os direitos dos produtores e detentores dos conhecimentos e expressões das culturas populares e tradicionais e ofereça melhores condições sociais e materiais para a transmissão desses saberes e fazeres. O Plano Municipal de Cultura é o instrumento pelo qual se criarão diretrizes, programas e projetos norteadores das políticas culturais para os próximos 10 anos no município. | 10 4 História de Paranaguá A importância histórica de Paranaguá é bastante anterior ao que todos estamos acostumados a acreditar. Pernagoa era a sede (capital) da nação Carijó, caahijo – os filhos da mata, por ser ali naquelas altas ribanceiras a moradia do chefe e seus descendentes. Toda a costa, de Cananéia até a barra de São Francisco, pertencia então à nação Carijó, grupo tribal pertencente à família tupi-guarani. Muitas eram as tribos desta grande e poderosa gente, fixada pelas costa, ilhas e ribanceiras de rios. Cada tribo tinha seu cacique, mas todos prestavam obediência irrestrita o grande cacique, o chefe da nação. As grossas crostas dos sambaquis eram a pedra solarenga dos grão-caciques. O chefe supremo não era eleito como os caciques comuns, porque ele era a tradição. Os tambaquibas eram o livro aberto de sua genealogia e quanto mais camadas, mais nobre a estirpe. A vara de chefe passava de pai a filho numa perfeita dinastia, e o grão-cacique era sempre a voz Imagem 1: Planta Geral Sambaqui Guaraguaçú Fonte: Espirais do Tempo, IPHAN. do último conselho, a voz da sabedoria e da decisão, porque era voz da história Carijó. O Ytim-berê também lhe pertencia e só os da sua descendência podiam carijar naqueles mangais. Isso era sabido de todos, pois o nome já dizia: | 11 Y= rio; TIM= baixios; BERÊ= grande cacique. Isto é, rio de baixios pertencentes ao chefe da nação, daí o nome atual de Itiberê, legitimo e histórico. O grupo tribal carijó, que aqui se encontravam quando chegaram os colonizadores, habitavam a região há aproximadamente três séculos. Diferentemente dos grupos indígenas que construíram o sambaqui há mais de 3700 anos, tinham uma agricultura mais desenvolvida, menor obsessão pela guerra e não praticava a antropofagia. Não há documentos que comprovem, por isso até os dias atuais diz-se que o nosso Brasil foi descoberto, mesmo apesar de todos os indícios que mostram a intencionalidade de aqui chegar. Paranaguá está situada onde era a linha limítrofe do Tratado de Tordesilhas, estando em discussão de quem era seu verdadeiro domínio. Portugal considerava seu, todo o território até Laguna, Espanha dizia que a linha do Tratado se perdia no mar a partir da baía de Paranaguá ou “Baya de la Corona de Castilha”. Dom João III, o Colonizador, 15º rei de Portugal (1521-1557), em 1º de setembro de 1534, criou a capitania de Sant’Ana, de 40 léguas, que principiava a 40 léguas do sul de São Vicente, abrangendo todo o litoral de Paranaguá, em direção do sul. Assinando a carta de doação, naquele dia, para Pero Lopes de Sousa (1510 - 1539), que também recebeu as capitanias de Itamaracá e Santo Amaro. O povoamento do litoral começou, por volta de 1550, na Ilha da Cotinga, servindo mais de ponto referencial no processo de investigação e buscas auríferas. Duas décadas depois, os pioneiros, à frente Domingos Peneda conquistaram a margem esquerda do rio Taguaré (Itiberê) habitado pelo indígena Carijó. | 12 4.1 História de Paranaguá por Ivone Elias Marques Ivone Marques - parnanguara, professora – Patronesse da Cultura Na metade do século XVI | 13 As Vilas de São Vicente e Cananéia contavam com grande população e carência de alimentação. Não havia produção suficiente para o consumo dos habitantes. Com o objetivo de encontrar meios de sustento saem algumas canoas com os aventureiros Domingos Peneda e Diogo de Unhate e outros em direção ao sul. Costeiam praias de Ararapira e Superagui. Procuram um lugar de pouso e acercam-se da majestosa ilha fronteira ao continente. Constroem as primeiras habitações e fundam um núcleo ao sopé do morro... Permanecem na ilha quase vinte anos enfrentando dificuldades. Fundando o primeiro arraial, conquistaram a amizade da tribo carijó que habitava a margem esquerda do rio Taquaré, hoje Rio Itiberê. Foi na Cotinga que surgiu o primeiro povoado de brancos. Depois de 20 anos de lutas, passaram esses pioneiros à terra firme na costeira à direita da baía. Ocorre que a terra habitada por essa valente tribo já possuía o nome de Pernagoa (grande mar redondo) dado pela valente raça. Nome que ao transcorrer dos anos sofreu a corruptela de Paranaguá (Pernagoa – Parnagoa – Parnaguá – Paranaguá). Essa aldeia habitada por brancos e índios foi fundada na época da mineração e com ela modesta capelinha consagrada à Nossa Senhora do Rosário, em 1578. Os anos iam passando e Paranaguá, a povoação mais meridional, estendendo-se até ao Rio da Prata, possuía já sua Casa de Fundição. Assim, todo o ouro em bruto, para aqui convergia. Com a chegada do ano de 1640 a aldeia de Paranaguá recebeu um fidalgo de origem castelhana – Gabriel de Lara - que para aqui veio com a missão de ser o Capitão Povoador de terra carijó. Tomando as rédeas do Governo, como Capitão Povoador tratou de pedir e conseguiu o “foral” datado de 29 de julho dado pelo rei de Portugal - Dom João IV, elevando a aldeia de Paranaguá à categoria de Vila e jurisdição sobre todas as terras. Instalada oficialmente a Vila de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá o progresso aumentou, com a vinda de mais gente de Santos, São Vicente e Cananéia. Em 9 de janeiro de 1649, Gabriel de Lara criou a Vereança e mais outras seis. O sentimento nativista começa então a se formar. No setor econômico, a farinha de mandioca, principal produto da terra passa a ser exportada para o Rio de Janeiro. Com o passar do tempo o sentimento nativista foi criando corpo, e era natural, para o desenvolvimento da indústria e agricultura. Contava-se com o braço do imigrante europeu. Entretanto as condições climáticas e outros fatores não permitiram. Ficou Paranaguá somente com o elemento da terra, fazendo o que podia. Os três séculos passaram na marcha do tempo mas o caboclo do litoral não desanimou, continuou na luta, contra os ardores do nosso clima tropical. O tempo foi passando e, Paranaguá continuava se projetou pelo progresso desenvolvido pelos moradores. Em 1708 no mês de maio foi fundada a Casa dos Jesuítas com a chegada dos padres Antônio da Cruz e Tomás de Aquino. Essa data marcou a fundação da Casa Escolar quando os Jesuítas começarem a dar aulas muito antes de ficar pronto o Colégio dos Jesuítas, o qual só foi construído em 1738. A terra parnanguara sempre foi simples (embora com classe) a começar pelas suas igrejas. A Catedral (antiga Matriz); a igreja de São Benedito, a Igreja da Ordem III e a Igreja do Rosário. Relembrando os áureos tempos do Brasil Império, vemos que as Vilas do passado receberam o Foral da cidade, pelo seu progresso material e cultural, seu desenvolvimento na agricultura, indústria e comercio. Quanto a Paranaguá e Curitiba, foi outra a causa. Elas foram elevadas a esse predicamento pela dedicação e lealdade à Monarquia do 2º Império, mantendo-se contrários à Revolução Farroupilha, colocando-se ao lado do Imperados D. Pedro II. Paranaguá e Curitiba receberam então o Decreto baixado pelo Barão do Monte Alegre, elevando-as à categoria de cidades. Decreto esse de 5 de fevereiro de 1842. A vinda de D. Pedro II ao Paraná deve-se muito à companhia “Chemins de Fer Brésilieu”. Apesar de o Monarca desejar conhecer a terra dos pinheirais, por motivo particular, não se pode negar que foi a construção da Estrada de Ferro a “mola mestra para trazer sua Majestade ao Paraná e por conseguinte a Paranaguá. O Navio Imperial “Rio Grande” veio comboiado pela corveta “Guanabara” e fundeou no ancoradouro da Cotinga. Suas Majestades pisaram o solo paranaense à seis e meia da tarde, e Paranaguá os recebeu com respeito e carinho. Os habitantes de Paranaguá para mais de 2.500 pessoas acharam-se aglomerados em toda a extensão do cais, ovacionando os imperadores. A Câmara Municipal deu-lhes as boas vindas, entregando, nessa ocasião as “chaves da cidade”. Grande foi o entusiasmo durante o trajeto, pois além da honra, era um fato inédito essa visita imperial. No dia seguinte, as 7 horas da manhã os monarcas, com sua comitiva, visitaram a Matriz do Rosário, depois foram ao Paço da Câmara, à Alfandega (no Colégio do Jesuítas) à Fonte Velha, ao Largo do Mercado, ao local da Futura Estação da Estrada de Ferra. Depois de dois dias passados em Paranaguá seguiram os Monarcas à cidade de Antonina. Chegaram às 8 e meia da manhã em Antonina e partiram às 11 horas. Às 6 horas da manhã do dia 21, pôs-se a caminho a caravana imperial chegando a Curitiba às 3 horas da tarde. Em 1884 no dia 28 de novembro, Paranaguá recebeu a visita da Princesa Isabel e do Conde D’Eu. No largo da Estação Ferroviária, os ilustres príncipes foram recebidos com palmas pela população que, juntamente com a Banda Musical, os acompanhou até o Palacete Visconde de Nacar, onde ficaram hospedados. No ano de 1887 havia surgido em Paranaguá uma sociedade por nome – Voltijadores da Época. Foi em 1896 a inauguração da linha de bondes de Paranaguá ao Rocio. A população estava eufórica. Em todas as camadas sociais | 14 a euforia envolvia a todos. Como ia ser gostosa a viagem às novenas do Rocio. E essa alegria se estendeu por bom tempo. Foi no ano de 1895. Genuinamente parnanguara era a sociedade de então: não havendo outros divertimentos que não fossem os bailes, os saraus e o Teatro, reuniam-se as moças daquela época, aos domingos em casa de uma determinada família e aí passavam a tarde dançando e se divertindo com o jogo das prendas, brinquedo muito comum nos salões daquele tempo. Quem longe passar pela moderna praça Fernando Amaro, jamais poderá imaginar o que foi aquele logradouro público. Em tempos passados a praça não passava de um largo sem calçamento. Apenas um areal onde se armazenavam os circos que constantemente vinham a Paranaguá. A história da praça começou no ano de 1903, época em que foi instalada a luz elétrica na cidade. A Prefeitura mandou ajardinar a praça que depois recebeu o nome de Fernando Amaro. A praça ficou florida, o trabalho levou quatro anos. Foi inaugurada em 1907, pelo 50º aniversário de falecimento do primeiro poeta parnanguara Fernando Amaro de Miranda. Falando-se de artes voltemos nossa atenção ao folclore. A palavra vem de dois vocábulos saxônicos – folk - que significa povo, e lore – que quer dizer sabedoria. Segundo um historiador folclore é entrar numa verdadeira tradição oral. Assim sendo, sempre que se cante uma canção antiga de ninar, ou se dance certas danças antigas, aí estará o folclore dominando. Em Paranaguá temos hoje o célebre fandango. De origem espanhola é o fandango uma dança trazida pelos aventureiros espanhóis que, no passado espalharam-se pelos recôncavos do nosso litoral. O barreado é a verdadeira comida típica do litoral paranaense, que passou dos sítios dos pescadores através dos anos para a cidade. O Rio Itiberê, antigo Taquaré ou Rio da Vila, palavra posta em uso pelo querido Dr. Leocádio José Correia, por ter sido encontrado em Paranaguá, um antigo documento que provava ser essa palavra a primeira denominação do nosso lendário rio. O certo é que Dr. João Manoel da Cunha, antigo proprietário do prédio onde morava, era um brilhante pianista e esteta de valor. Esse advogado ilustre, fascinado pela alcunha do decantado rio, fez questão de acrescentar ao nome dos filhos a palavra mágica – Itiberê. E o velho solar com mais de 200 anos de existência foi desapropriado e restaurado, recebendo o nome de Casa Monsenhor Celso no dia 24 de julho de 1973. Ficou assim perpetuado na história de Paranaguá o Solar que serviu de berço a dois eminentes parnanguaras: Monsenhor Celso Itiberê da Cunha e Dr. Brasílio Itiberê da Cunha. Convém ressaltar que o Monsenhor Celso tinha pendores para a carreira eclesiástica. Rejeitou sempre vários cargos de alta categoria para não se afastar dos seus familiares. Foi um pastor que, com a brandura e suavidade de suas palavras, a todos cativava. O pensamento humano, as vezes se compraz na evocação do passado... a sabedoria sem sentimento é fonte sem água... Monsenhor Celso era a sabedoria com verdadeiro sentimento! Com relação ao Brasílio Itiberê da Cunha, ressaltamos ter sido ele um extraordinário artista. Fez estudos iniciais na sua terra Paranaguá. Em 1870, recebeu o grau de bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo. | 15 Serviu depois no Vaticano, em Paris e em Bruxelas, realizando memoráveis concertos na própria Embaixada. Deixou um vasto número de composições musicais, entre elas a “Sertaneja” com motivos folclóricos paranaenses. Paranaguá tem registradas na sua história ilustres parnanguaras que com talento e devotamento à sua terra nos legaram uma herança artística de imenso valor. Nestor Vitor dos Santos foi escritor, crítico literário e acima de tudo foi poeta legando a nós parnanguaras poemas e crônicas de incontestável beleza. Outro nome registrado na história de Paranaguá, Dr. Leocádio Correia foi médico, escritor e acima de tudo grande estimulador para o cultivo das artes entre os jovens. Outro nome que se destaca na história de Paranaguá é o do poeta Fernando Amaro de Miranda. Nos seus versos, ele queixava-se de não ter tido estudos, nem convívio que lhe fosse útil, dizendo que escrevia por gosto e não para passar por voto. Morreu ainda jovem deixando os seus tristes sentidos versos cheios de mágoa. Entre os seus poemas, destaca-se “Saudade da Pátria” no qual ele fala da sua terra natal, Paranaguá, das suas belezas e tradições. Outro nome que se destaca pela produção literária é o da poetisa Julia da Costa. Ela foi trovadora de alma delicada e sutil, em um de seus poemas ele revela o seu desapego à vida. Nascida em Paranaguá, aqui se criou e viveu feliz até a idade de 24 anos, quando seus pais a obrigaram a casar com um homem a quem ela nunca amou. Num dos seus poemas, intitulado “Medo e Pena” ela extravasa o que lhe vai na alma, o desespero de seu viver amargurado. Outro nome de destaque na cultura de Paranaguá é Leôncio Correia. Foi poeta e prosador. Seus trabalhos literários e poéticos, de muito valor, dizem bem do que foi o grande parnanguara. Leôncio Correia deu, em seus trabalhos literários um rumo todo seu, porque sendo, ao mesmo tempo parnasiano e lírico, seguir mais o ecletismo, por condizer com sua personalidade. Outro nome que avulta na história artística de Paranaguá é o de Ada Dias de Paiva Macaggi. Desde menina foi uma revelação: cantava, declamava e decorava tudo com facilidade. Aos 13 anos já escrevia poesias. Continuando a escrever crônicas, contos e poemas, conseguiu publicar em 1923 o seu primeiro livro de poesias intitulado “Vozes Efêmeras” Publicou livros de contos: “Águas paradas” e “Taça”. Na arte musical Paranaguá tem registrados na sua história músicos que com suas composições encantaram os parnanguaras no passado, cuja tradição chega até os tempos atuais. Entre os compositores do passado é justo registrar o nome de José Itiberê de Lima, o “Cazuza” como era conhecido por todos. Suas composições belíssimas, faziam as delícias da mocidade do seu tempo. Não havia quem não apreciasse as valsas de Cazuza. Onde o Maestro atingiu a culminância de sua inspiração artística foi no “Hino” que compôs em honra à Virgem Maria, sob a invocação de “Nossa Senhora do Rocio”. Nesse hino ele sintetizou tudo o que fez nos 30 anos de vida artística. Falando-se de personalidade que com dedicação e amor a Paranaguá, nos legaram obras imorredouras em todos os setores de arte, cumpre agora destaque a artistas que através da pintura retrataram Paranaguá. Entre esses | 16 emerge um nome de extraordinária competência: Iria Cândido Correia. Ela foi uma artista de raro valor. Seus inúmeros quadros, quase todos a óleo estão esparsos e, lamentavelmente, fora de Paranaguá. Iria Correia foi colega de Júlia da Costa da qual se tornou amiga. Ela foi grande pintora e a primeira do Paraná. Outro nome que se destaca pelo trabalho invulgar demonstrado em suas obras é o do pintor Alfredo Andersen, considerado o Pai da Pintura Paranaense. Nos 10 anos que permaneceu em nossa Paranaguá fez amigos, pintando dezenas de quadros, retratos de casais. O Instituto histórico e geográfico de Paranaguá guarda com carinho, várias telas – retratos de pessoas de destaque do passado. Convém a nós que amamos as artes, em todos os seus aspectos ressaltarmos outro nome de grande valor e talento, mestre na pintura: Rafael Lopes da Silva. Nasceu em Guaraqueçaba. Veio para Paranaguá com 12 anos de idade. Começou a desenhar quando criança, na Escola, com pendor próprio dos verdadeiros artistas. Impressionista clássico, pintou centenas de quadros, cuja maioria se acha fora da cidade. Nas suas telas ele retrata os mais belos aspectos de Paranaguá cuja beleza enche de orgulho a nós parnanguaras, por vivermos numa cidade com tão belas paisagens, eternizadas nas telas de Rafael. Na atualidade contamos com expressivos nove de cidadãos que cultivam as belas artes em todos os seus aspectos. Na Literatura são inúmeros os escritores que centralizam suas obras nas histórias e lendas brotadas da imaginação e inspirados em nossa história. Nas Artes Plásticas, na Música, nas Artes Cênicas, existe um grande elenco de artistas que brilham em suas apresentações, renovando o entusiasmo do nosso povo. É tão extenso o número de todos esses cultores das artes que preferimos não mencionar alguns nomes para não cometermos o grande erro da omissão, imperdoável face ao enorme elenco de artistas que fertilizam nossa imaginação com suas obras sempre que são apresentados. Ivone Elias Marques | 17 5 Nossos Símbolos Os símbolos da cidade de Paranaguá – o Brasão e a Bandeira – foram instituídos pela Lei nº 642, de 4 de setembro de 1967. O escudo sanifico, usado para representar o Brasão de Armas de Paranaguá, foi o primeiro estilo de escudo introduzido em Portugal, por influência francesa, mostrando aqui a raça latina colonizadora, que foi a principal formadora da nacionalidade brasileira. A coroa é o símbolo universal dos brasões do domínio, classifica a cidade que representa a Segunda grandeza, ou seja, sede da Comarca. O mar, a caravela e a cruz são um chamado ao passado, para lembrar a época de colonização, quando a baía de Paranaguá vieram aportar as caravelas lusitanas. O Escudo é formado pela coroa com oito torres de prata, um campo verde com uma caravela navegando sobre as ondas de prata na cor preta, ostentando nas velas a Cruz de Cristo, em vermelho e uma faixa em azul com o perfil de uma ilha, um sol, símbolo de glória, eternidade, fama, unidade e verdade, nascente em ouro, símbolo de poder, riqueza esplendor, grandeza e mando. Como suporte temos à esquerda uma haste de cana, e à direita um galho de café entrecruzados na ponta, sobre os quais está uma faixa em vermelho, contendo em letras de prata o nome " Paranaguá" contornados pela data de " 29 de julho de 1648". O mar significa ira freada, benignidade ou liberdade; e a caravela, " ânimo forte" - que resiste aos mais graves perigos da guerra e à adversidade da vida. A Bandeira do Município tem a forma de uma cruz, composta por retângulos iguais em verde, tendo uma cruz de Cristo em vermelho ao fundo, constituídos por outras faixas amarelas que surgem de um losango branco central, onde está localizado o brasão. | 18 Na bandeira de Paranaguá o brasão governo ao centro representa o Municipal (executivo e legislativo), e o losango a própria cidade sede do município. Os quartéis simbolizam as propriedades rurais, e as faixas, a irradiação do poder municipal a todos os quadrantes do território. As cores simbolizam a vitória, honra, cortesia, civilidade e alegria (Verde), amizade, equidade, paz, trabalho, inocência e pureza (Prata), justiça, nobreza, perseverança, zelo e lealdade (Azul), coragem, audácia e valentia (Vermelho). Dr. Caetano Munhoz da Rocha (1879 -1944), Prefeito de Paranaguá em 1910, solicitou aos senhores Capitão Domingos Virgílio do Nascimento e maestro João Gomes Raposo que escrevessem e compusessem a letra e a melodia do Hino de Paranaguá, apresentando-o à Câmara Municipal, no dia 25 de Julho do mesmo ano, e sendo adotado pela mesma. Tanto Hino, Brasão e Bandeira foram apresentados na solenidade de inauguração do Palácio Visconde de Nacar como sede da Câmara de Vereadores. A Lei nº 188 instituída em 29 de julho de 1910, adota o Hino, a abandeira e o Brasão de armas do município; | 19 HINO DE PARANAGUÁ Música de João Gomes Raposo. Letra de Domingos Virgílio do Nascimento. Aos nossos mares vieram dantes, | 20 Altivas naus, velas possantes, Sejamos pela liberdade Inflando à brisa de monção... Ao lado da fraternidade, E, a voz dos lusos pioneiros, Em fortes elos da união, O Itiberê viu os primeiros Que o nosso orgulho e a nossa Sinais de civilização. glória Têm uma página da história Côro Do Paraná e da Nação! Salve! Salve! Berço amado Do Paraná sempre êxul! Côro Pórtico todo encantado Aos sertanejos do Sul! Seja a grandeza nosso Norte A paz e o amor - numa coorte Hulhas éreis de cataratas, De bênçãos sempre a nos Onde rebrilham tantas pratas! sorrir Terras verdes dos pinheirais! E à luz da estrela do civismo Talvez não fosseis Paraná Entre canções de patriotismo Sem lusas quilhas vindo cá, Eia! Marchemos ao porvir! Em busca de ouro e de cristais... Côro Côro 6 Diagnóstico da Cultura Parnanguara Neste diagnóstico trataremos de analisar os dados sócio econômicos do município para perceber como todos os fatores da cidade influenciam no comportamento e no desenvolvimento da cultura local. Queremos aqui deixar registrado o agradecimento ao Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá, por compartilhar, para o desenvolvimento deste diagnóstico e deste plano, os seus conhecimentos e o seu acervo. O trabalho do IHGP tem notório destaque nas ações de preservação da cultura e do patrimônio material e imaterial da cidade e do Litoral. 6.1 Caracterização do Município Paranaguá é um município do litoral Paranaense, banhado pela baía de Paranaguá, onde chegaram os primeiros colonizadores do estado. O clima subtropical úmido, mesotérmico com verão fresco, com alta incidência pluviométrica. No complexo estuarino na baía de Paranaguá, as áreas de manguezais são responsáveis pela grande população de algumas espécies que nele vivem. As condições ambientais influenciam sobremaneira a cultura da população local. O Município de Paranaguá tem uma área territorial (ITCG) de 806,225 km², tendo 96,38% de seu território urbanizado. Abrigava em 2010 uma população de 140.469 habitantes, segundo dados do Censo Demográfico do IBGE, em 2013 o órgão estimava a população em 148.232. A densidade demográfica do município segundo o IPARDES no ano de 2013 era de 183,86 hab/km². (IBGE, 2014) No gráfico que apresentamos na Imagem 2 é possível observar a variação da densidade demográfica nos últimos 10 anos em Paranaguá e na Imagem 3, o gráfico apresenta o número aproximado da população de 2003 a 2013. Através deles podemos caminhar para o entendimento de como funciona a dinâmica populacional no Município. No ano de 2003 a densidade demográfica estava no patamar de 204,14 habitantes por quilômetro quadrado, sofrendo brusca queda nos anos consecutivos, até alcançar | 21 183,66 hab/km² em 2013. Já o número absoluto da população sofreu um acréscimo de 123% no mesmo período. Paranaguá - Densidade Demográfica (hab/km²) | 22 210 200 204,14 190 180 175,68 179,6 183,86 183,49 175,48 172,1 173,4 174,23 170 176,69 165,66 160 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Imagem 2. Densidade Demográfica do Município de Paranaguá (2003 – 2013) Fonte: IPARDES, 2013. Números que significam a expansão da cidade em números de habitantes, migrantes que adotaram a cidade e a descentralização da moradia. Nos últimos anos percebe-se em Paranaguá que há mobilidade do centro para a periferia. A população cresce mas não vive mais concentrada nos mesmos bairros, centrais, que antes, expandindo para periferia, surgem, inclusive, novos conjuntos habitacionais, vilas e bairros. Evolução Populacional em Paranaguá - 2003 - 2013 148.232 147.934 144.797 142.452 141.635 138.748 139.796 140.450 135.923 133.756 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Imagem 3: Evolução Populacional em Paranaguá – 2003 – 2013. Fonte: IBGE - Censo Demográfico – 2010, 2014. 2010 2012 2013 Na Imagem 4 vemos uma representação espacial da densidade demográfica, elaborado e disponibilizado pela nova ferramenta do IBGE, Sinopse do Censo Demográfico, onde é possível visualizar a maior incidência de pessoas por setores censitários no ano de 2010. No mapa verifica-se que as áreas onde há maior densidade demográfica (cores mais escuras) estão afastadas do centro da cidade, demostrando a existência de densos núcleos habitacionais em diversas regiões. Dado isto, reafirmamos a importância da descentralização das atividades culturais. Imagem 4. Sinopse do Censo 2010 – Densidade Demográfica Preliminar - Paranaguá. Fonte: IBGE, Sinopse por setores, 2014. O Índice de Desenvolvimento Humano é uma ferramenta que avalia o modo como vivem as pessoas nas diversas nações do mundo. A abordagem do desenvolvimento humano procura olhar para as pessoas e suas oportunidades e capacidades, o foco desta ferramenta de análise de desenvolvimento é o ser humano. O conceito de desenvolvimento humano também parte do pressuposto de que para aferir o avanço na qualidade de vida de uma população é preciso ir além do viés puramente econômico e considerar outras características sociais, culturais e políticas que influenciam a qualidade de vida humana. (PNUD, 2012). | 23 O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de Paranaguá em 2010 estava em 0,750 (Tabela 1). O município está situado na faixa de Desenvolvimento Humano Alto (IDHM entre 0,7 e 0,799). ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO (IDH-M) – 2010 INFORMAÇÃO ÍNDICE Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) 0,750 IDHM - Longevidade 0,852 Esperança de vida ao nascer 76,12 IDHM - Educação 0,676 Escolaridade da População Adulta 0,59 Fluxo Escolar da População Jovem (Frequência 0,72 Escolar) IDHM - Renda 0,733 Renda per capita 765,85 Classificação na unidade da federação 32 Classificação nacional 551 Tabela 1: índice de desenvolvimento humano (IDH-M) – 2010. UNIDADE anos R$ 1,00 FONTE: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil (2013) - PNUD, IPEA, FJP. NOTA: Os dados utilizados, para o cálculo do índice, foram extraídos dos Censos Demográficos do IBGE. O índice varia de 0 (zero) a 1 (um) e apresenta as seguintes faixas: 0,000 a 0,499 muito baixo; 0,500 a 0,599 - baixo; 0,600 a 0,699 - médio; 0,700 a 0,799 - alto; e 0,800 e mais muito alto. Em Paranaguá a população declara-se maioritariamente branca e parda, apenas 3% da população declara-se negra (Tabela 2). Estes dados refletem a história da colonização do município. A população branca é originária dos portugueses que aqui, chegaram e desenvolveram seu povoado, e também a pedido do Rei de Portugal, houve grande chegada de portugueses para que assim a coroa pudesse controlar a cidade que era limítrofe do Tratado de Tordesilhas. A população branca é composta ainda por imigrantes italianos e poloneses que vieram ao Brasil em função das I e II Guerras Mundiais. A população parda, conhecida no litoral paranaense como caiçara é a miscigenação de portugueses que aqui chegaram e indígenas que aqui viviam anteriormente. Paranaguá foi durante várias décadas o maior porto importador de escravos e quando houve a proibição da prática, continuou a recebê-los | 24 ilegalmente. Estas pessoas negras, que miseravelmente foram trazidas a nosso país, aportavam em Paranaguá e se dirigiam a outras regiões para o trabalho em plantações e lavouras, por isto o reduzido número da população negra aqui, também devido à miscigenação, o número de negros é reduzido em detrimento do número de pardos. A população indígena que aqui vive é parte da etnia carijó, que antes da colonização dominava todo o território que hoje compreende o sul do Brasil. Esta etnia é nômade e por considerar a vastidão do seu território não permanecem por muito tempo em apenas uma cidade. Esta é uma das razões do pequeno número da população indígena em Paranaguá, sem falar do extermínio que ocorreu durante a colonização portuguesa. COR / RAÇA Branca Preta Amarela Parda Indígena População 65% 3% 1% 31% 0,2% Tabela 2. Cor e raça da população parnanguara. Fonte: IBGE, 2014 – Censo Demográfico, 2010. A pirâmide etária parnanguara apresentada na Imagem 5 é mais ampla em sua base (IBGE, 2014). A faixa mais densa é dos 10 aos 14 anos seguida diretamente pela faixa dos 15 aos 19 anos, em ambos os sexos. Isso quer dizer que boa parte da população são crianças e jovens, que estão em idade escolar, apesar de a soma das outras faixas etárias ser bastante superior. Em se pensando a longo prazo, essa população envelhecerá e entrará em idade economicamente ativa, e as pessoas de meia idade entrarão na terceira idade, alterando a configuração da pirâmide etária. | 25 | 26 Imagem 5. Pirâmide etária da população de Paranaguá – 2010. Fonte: IBGE, 2014 – Censo Demográfico, 2010. Do total de habitantes, no ano de 2010, 66.849 pessoas eram economicamente ativas, mas apenas 60.828 pessoas estavam ocupadas. A vocação econômica municipal é maioritariamente portuária, historicamente o porto foi criado em Paranaguá pela segurança que baía proporcionava. O porto de Paranaguá converteu-se em um dos maiores centros de contrabando de escravos no Brasil, durante o período escravocrata, atualmente o porto é o maior exportador de granéis do Brasil, responsável pelo escoamento de grande parte da produção de soja do país e de vizinhos. A história de Paranaguá está ligada ao seu porto. As águas que a cercam e a sua privilegiada posição geográfica favoreceu a ligação com outras regiões do Paraná e do Brasil, desde a chegada dos primeiros colonizadores. A vida econômica na cidade ainda funcionou em torno do porto, que é o responsável pela movimentação de milhares de toneladas de cargas ao ano e por empregos diretos e indiretos oferecidos através da faixa portuária e da infraestrutura em torno da prestação de serviços. (CARDOZO, 2007, p.8) O Porto é tão antigo quanto a cidade que o nomina. O porto foi a porta de entrada dos primeiros povoadores do Paraná. Suas atividades passam a ter destaque após o esgotamento do ciclo do ouro no que ainda era um vilarejo. Surgiu como atracadouro na Ilha da Cotinga e às margens do Rio Itiberê. (ABRAHÂO, 2011) A configuração do território parnanguara, desde o século XIX, é marcada pelo fundamento de redes territoriais, assim como em diversas cidades brasileiras e latino-americanas, que se internacionalizaram em função dos fluxos de exportação, bem como o tráfico de escravos. (ABRAHÂO, 2011, APPA, 2014) Com o desmembramento e criação do estado do Paraná, sendo estabelecida Curitiba como capital da província, Paranaguá sofre um esvaziamento e perde espaço na organização política da região sul. Esta transição de cidade mais importante da província à função portuária causa em Paranaguá a perda da força política, econômica, demográfica e sobretudo cultural. Ainda assim, são o porto e a vida cultural que já estava estabelecida que mantém a cidade. (ABRAHÂO, 2011) Em meados da década de 1930, a transferência das atividades portuárias do Rio Itiberê – área central – para a Ponta do Gato – área inabitada – separa fisicamente o porto e a cidade. O processo de transição, estruturação e construção do novo porto foi moroso, o que provocou ainda mais a decadência econômica da cidade. (ABRAHÂO, 2011) Com a influência da economia cafeeira, a necessidade de escoamento desta produção, o Porto de Paranaguá retoma sua intensa atividade a partir dos anos 50. Para o escoamento desta produção a atividade portuária passa a demandar mão-de-obra (não qualificada maioritariamente), que não sendo suprida pela oferta local, atrai intenso fluxo migratório para a cidade. (ABRAHÂO, 2011) Nos anos 70 o governo planeja os corredores de exportação. No Paraná, o Corredor Paraná influencia a especialização do porto parnanguara em exportação graneleira. Característica que se estende até os dias atuais onde se | 27 percebe que mesmo os setores que mais gerem emprego sejam os de serviços, transporte e comunicação, administração pública direta e indireta são dependentes da economia portuária para a geração de riqueza. (RAIS, 2009, apud ABRAHÂO, 2011). Dessa forma perpetua-se a dependência da atividade portuária, em detrimento da capacidade de geração de empregos nos outros setores da economia local. Levando a pouca incorporação da riqueza gerada pelo Porto no próprio local. O porto é local de confluência e interligação de lugares e pessoas, por vias marítimas, terrestres, fluviais e aerovias. Atualmente o Porto é um dos mais importantes centros de comércio marítimo e do mundo, unindo localização estratégica e infra-estrutura. (ABRAHÂO, 2011, APPA, 2014) Contemporaneamente em Paranaguá percebe-se uma divergência entre o lado portuário, moderno e industrializado e de outro lado, o setor histórico e as ilhas da Baía de Paranaguá, que demonstram arcaísmo e tradições prémodernas. O ministério do trabalho elabora anualmente uma relação do número de estabelecimentos e empregos segundo as atividades econômicas. Dentre as atividades econômicas listadas, apenas duas se relacionam indiretamente com atividades culturais (Transporte e comunicações; e Serviços de alojamento, alimentação, reparo, manutenção, radiodifusão e televisão), porém contam com uma diversidade de atividades dentro da categoria que não refletem a situação das atividades culturais especificamente. Em 2009 as atividades relacionadas direta e indiretamente com a cultura em Paranaguá empregavam 508 pessoas formalmente segundo dados do Cadastro Central de empresas do IBGE (IBGE, 2014). Através dos dados do IBGE podemos perceber que há uma grande rotatividade em algumas atividades, o que pode ser reflexo da fraca oferta de cursos de capacitação em áreas afins da cultura, apesar de haver um curso de Licenciatura em Artes oferecido pela UFPR no município vizinho de Matinhos. A categoria de Professor de Artes do Ensino Médio é a que tem a maior rotatividade de contratação e possui a terceira menor média de salarial. | 28 Salário Médio – Saldo ADMISSÕES – DEMISSÕES CBO 2002 Professor de Dança Fotografo Salário Médio Adm. Admissão 390,17 400 6 2 Desligamento 4 4 Saldo 2 2 Professor de Artes no 417,18 34 29 5 Ensino Médio Camareira de Teatro 512,6 5 10 -5 Operador de Gravação de 548 1 0 1 Radio Técnico em Sonorização 550 2 2 0 Operador de Projetor 583,24 25 20 5 Cinematográfico Operador de Áudio de 625 2 0 2 Continuidade (Radio) Artista (Artes Visuais) 628 3 3 0 Produtor de Radio 698 1 1 0 Musico Interprete 700 3 3 0 Instrumentista Produtor de Teatro 750 4 1 3 Locutor de Rádio e 764,45 31 36 -5 Televisão Laboratorista Fotográfico 792,5 4 5 -1 Técnico em 812 1 0 1 Biblioteconomia Auxiliar de Biblioteca 939,57 7 2 5 Musico Interprete Cantor 1.006,75 4 1 3 Jornalista 1.032,83 6 9 -3 Operador de Câmera de 1.369,83 6 4 2 Televisão Comentarista de Rádio e 1.373,00 1 1 0 Televisão Repórter de Rádio e 2.418,00 3 0 3 Televisão Tabela 3: Média de salário mensal das profissões relacionadas com a Cultura – Saldo: admissões – demissões. Fonte: MTE, 2014. Em comparação com o rendimento médio da população, em todos os outros setores da economia no município essa média é bastante inferior à estimativa do total da população que girava em torno de R$1.793,00 em 2012 (Imagem 6) | 29 RENDIMENTO MÉDIO POPULAÇÃO POR SEXO PARANAGUÁ 6000 1.332,84 5000 1.172,22 4000 3000 679,71 537,9 2000 1000 592,67 1.246,36 1.019,81 1.091,57 877,49 729,13 789,23 834,31 945,03 1.015,21 938,81 1.951,85 2.033,18 1.476,83 1.411,82 1.566,15 1.348,81 1.371,33 1.413,35 1.380,62 1.167,76 1.189,60 1.231,46 1.298,92 1.253,65 944,12 1.081,60 1.685,37 1.793,48 0 2002 2003 2004 2005 Total (R$1,00) 2006 2007 2008 Masculino (R$1,00) 2009 2010 2011 2012 Feminino (R$1,00) Imagem 6: Rendimento médio da população por sexo em Paranaguá. Fonte: IBGE, 2014. Paranaguá está entre os maiores PIBs do estado, contribui com de 3,74% do total (Imagem 7). Mesmo estando entre os maiores PIBs do estado, a capacidade de retenção de riqueza em Paranaguá se demonstra menos efetiva que nos outros municípios listados, tendo em vista a concentração espacial do capital e da tecnologia nos mesmos. (ABRAHÃO, 2011) PARTICIPAÇÃO NO PIB ESTADUAL (%) Outros municípios Pinhais Cascavel Ponta Grossa Foz do Iguaçu Paranaguá Maringá Londrina Araucária São José dos Pinhais Curitiba 42,07 1,29 2,54 2,68 3,19 3,74 4,06 4,5 5,52 6,15 24,27 0 10 20 30 Imagem 7: Participação dos Municípios no PIB estadual. Fonte: Ipardes, 2013. 40 50 | 30 As formas de disseminação da cultura têm sofrido incremento em Paranaguá, graças ao investimento em novas tecnologias. Em 2010, surge a primeira emissora de televisão analógica no município, atualmente já são 4 as emissoras de televisão digital. As emissoras de Rádio FM passaram de 3 em 1994 a 4 em 2014, esta informação pode ser vista na Imagem 8 (IPARDES, 2014). Emissoras de Televisão - Paranaguá 8 8 5 6 4 2 1 0 1 0 1 1 2012 2013 0 2010 2011 Emissoras de Televisão Analógica Emissoras de Televisão Digital Emissoras de Televisão Analógica Emissoras de Televisão Digital Imagem 8. Emissoras de Televisão no Município de Paranaguá. Fonte: Ipardes, 2013. 6.2 Educação A educação e a cultura estão intimamente relacionadas. Ambas são capazes de empodeirar o indivíduo, fazendo-o identificarse enquanto cidadãos e agentes de mudança e desenvolvimento. 6.2.1 Histórico da educação | 31 Os primeiros registros da ocorrência da transmissão da escolaridade vêm do período da colonização. Apesar de Portugal dificultar a divulgação da cultura entre os colonizadores, os povoadores de Paranaguá eram pessoas de certa educação intelectual, moral e religiosa. Gabriel de Lara, trazendo o máximo para o desenvolvimento da vida em áreas despovoadas. Os povoadores transmitiram essa escolaridade aos demais habitantes, silvícolas e carijós, por volta de 1949, mesmo não havendo registros de escolas régias. Em 1690 começaram as negociações para a construção do colégio dos jesuítas, de forma regular, a ser divulgado o ensino primário. Provisoriamente instalados na capela de Nossa Senhora das Mercês, de 1708 a 1741, quando inauguram o Colégio da Ribanceira. Este foi mantido até 1759, quando houve a expulsão dos jesuítas dos domínios portugueses. A partir deste momento, tornase precária a situação do ensino em Paranaguá. Em 1730 a Câmara expõe a situação de Paranaguá à rainha Dona Maria I, que nomeia um professor. A partir de 1826 a educação ganha novo folego com a nomeação de outros professores, e a abertura de classes de primeiras letras, utilizando os espaços do Colégio dos Jesuítas. Posteriormente, iniciam algumas atividades de ensino particular, entretanto com grande destaque ao ensino público. 6.2.2 A educação contemporânea A Educação Básica de responsabilidade dos municípios, abrange crianças dos 6 aos 11 anos de idade, inseridas do 1º ao 5º ano. Sendo que dentre esse número tem professores de inglês, música, educação física, pedagogo coordenador e pedagogo orientador. Estas classes não têm como obrigatoriedade a oferta da disciplina de Artes. Esta disciplina é apenas ofertada nas escolas de período integral, em oficinas no contra turno. A proposta programática da disciplina de história para as turmas do 3º ao 5º ano, abrange no 3º ano as diferentes manifestações | 32 culturais e sociais no município (Como é o lugar onde eu moro?, Conhecendo as cidades, As diferentes atividades que as pessoas realizam, Quem governa?, Meios de transportes, Meios de comunicação) no 4º ano estudam-se os primeiros habitantes e os Direitos e Deveres Constitucionais. No 5º ano a história do Paraná no Brasil Colônia, o Brasil Império, o Paraná no Brasil República, Questões de Terras no Brasil, nos Diferentes Contextos Históricos (Ocupação, Êxodo rural, Conflitos sociais, hoje e em outros tempos) Questões Ambientais no Brasil, nos Diferentes Contextos Históricos e em Outros Tempos. Transformações Tecnológicas de Ontem e Hoje (Meios de transporte, Meios de comunicação, Instrumentos cotidianos (consumismo)) e os Impactos Produzidos pelas Transformações Tecnológicas na Sociedade Brasileira, em Diferentes Tempos e Espaços. 6.2.3 Dados da educação municipal Segundo dados da Secretaria Municipal de Educação, em 2014 a rede municipal de educação conta com 30 instituições de ensino, atuando na educação infantil, pré-escola, 1º ao 5º ano do ensino fundamental e uma parcela do 6º ao 9º ano, educação especial e Ensino de Jovens e Adultos (EJA). Este total de instituição atende 9.951 mil alunos, sendo deste total 3,12% na zona rural. Em parceria com o Governo Federal e o Instituto Federal do Paraná, acontece em Paranaguá o Curso de Conservação do Patrimônio histórico. 6.3 Orçamento Municipal da Cultura Até o ano de 2010 as finanças da Fundação de Cultura estavam centralizadas na Prefeitura, sendo o orçamento monitorado pela mesma. A partir do referido ano, houve a descentralização das Fundações. A Fumcul passa a ter autonomia sobre suas despesas. | 33 Despesas Municipais R$ (reais) 2012 2011 2013 Orçamento Municipal 295.489.000,00 153.714,98 699.400,00 Lei de Incentivo 1.342.312,75 Tabela 4: Despesas municipais por função. Fonte: Sistema interno 1.000.000,00 Orçamento com cultura 2010 791.100,00 683.961,78 1.000.000,00 1.000.000,00 O Orçamento Público do Município, estabelecido na Lei Orçamentária Anual (LOA) tem como competência o apoio as manifestações da cultura local. Podendo manter convênios de cooperação financeira, adotar incentivos fiscais a empresas privadas para um investimento na produção cultural, artística e preservação do acervo. DESPESAS MUNICIPAIS POR FUNÇÃO - 2012 TIPO DE FUNÇÃO VALOR (R$1,00) (reais) TOTAL (Exceto intraorçamentária) 236.113.923,68 Essencial à justiça 224.438,73 Administração 73.801.672,64 Segurança pública 3.476.185,48 Assistência social 1.474.292,52 Previdência social 5.900.784,77 Saúde 40.774.069,06 Trabalho 1.028.953,75 Educação 72.107.893,68 Direitos da cidadania 10.857,34 Urbanismo 18.637.439,12 Saneamento 9.653,60 Gestão ambiental 542.208,99 Agricultura 162.975,40 Comunicações 88.164,32 Transporte 1.050.610,46 Encargos especiais 16.823.723,82 TOTAL GERAL 236.113.923,68 Tabela 5. Despesas Municipais por função. Fonte: Ipardes, 2013. NOTA: Despesas Municipais por Função - correspondem ao nível máximo de agregação das ações desenvolvidas na esfera municipal, para a consecução dos objetivos de governo. | 34 7 Legislação cultural municipal O Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado de Paranaguá, instituído pela Lei Complementar nº 060, de 23 de agosto de 2007, garante a gestão democrática com a participação da população no processo de desenvolvimento da cidade, a preservação, recuperação e valorização do ambiente e patrimônio natural e cultural. A função social da cidade se dá, entre outros, pelo pleno direito à cultura e ao lazer. A preservação do patrimônio natural e cultural do município deve estar incorporada ao processo de planejamento e ordenação do território, assim como viabilidade da gestão, conscientização da população sobre a necessidade de proteção e recuperação de valores culturais. Dentro das diretrizes da política urbana, está a promoção do direito à cultura e ao lazer, para as presentes e futuras gerações. A política municipal do Patrimônio tem como objetivo identificar, valorizar, proteger e conservar os bens naturais e culturais, atendendo as diretrizes de valorização através de ações de salvaguarda do patrimônio; considerando o Centro Histórico, o Porto, o Rocio, Alexandra, o Casario, as manifestações culturais e outras. Busca ainda integrar as políticas de preservação, conservação e valorização do patrimônio natural e cultural do município àquelas estabelecidas pelos poderes federal e estadual. Capacitar equipe técnica, estabelecer programas de incentivo, valorização, preservação e conservação de patrimônio cultural. Conta com o apoio da comunidade para preservação e manutenção de escolas e bandas musicais. Trata ainda do desenvolvimento de políticas de preservação e valorização do patrimônio cultural. | 35 A Lei Orgânica de Paranaguá prevê a promoção à proteção do patrimônio histórico, cultual, artístico, turístico e paisagístico local, observada a legislação e a ação fiscalizadora Federal e estadual. Promover ainda a cultura e a recreação. Delegando à Câmara Municipal a tarefa de proteger documentos e outros bens de valor histórico. | 36 8 Desafios e Oportunidades A partir do diagnóstico da cultura, podemos verificar ‘onde estamos’ com relação à política e às práticas culturais no nosso município. Localizando-nos dentro de um contexto sociocultural, temos condições de também identificar quais são nossas principais dificuldades com relação às políticas e às práticas culturais. Dos principais desafios que identificamos dentro do campo político cultural na nossa região, estão o desenvolvimento da cultura em todos os seus campos como expressão e afirmação de identidade. A democratização ao acesso e a descentralização das ações culturais devem ser feitas num movimento de mão dupla centro-periferia / periferia-centro. A cultura deve ser vista também como uma fonte geradora e distribuidora de renda, e portanto, inclusa no processo econômico. A política e a gestão cultural devem ser implementadas dentro de um processo de gestão, transparente e democrática, que incentive a participação popular, ampla e integrada no espaço metropolitano. Bem como a democratização do acesso aos instrumentos de produção, criação e aprendizado de atividades culturais. O exercício da cidadania e a autoestima dos sujeitos, estimulados através da cultura, dá aos jovens uma perspectiva de futuro com dignidade. Para dar visibilidade, estimular e valorizar a produção cultural local, promove-se e reconhece-se as tradições caiçaras como patrimônio cultural de Paranaguá, além de criar condições para a preservação da cultura material e imaterial do município. Tendo em vista os desafios citados no item anterior, neste item, tentaremos analisar de que forma, quais são os nossos recursos atuais, as vocações e as potencialidades da atividade e da política cultural local, de modo a percebê-las como oportunidades. | 37 Alguns espaços em Paranaguá são institucionalizados para a realização de atividades culturais, como: a) Casa Cecy – sede administrativa da FUMCUL, conta com um hall de exposições e auditório para 60 pessoas. b) Casa da Cultura Monsenhor Celso – espaço onde são realizadas exposições artísticas e cursos como pintura e artesanato. c) Casa da Música Brasílio Itiberê – espaço voltado para o estudo das artes musicais. d) Teatro Municipal Rachel Costa – teatro municipal onde acontecem espetáculos, festivais e oficinas. e) Mercado do Artesanato – espaço onde artesãos locais podem expor e comercializar sua produção; há grande visitação pelos turistas. f) Biblioteca Mário Lobo – Primeira sucursal da Biblioteca Pública do Paraná no Estado, instalado em prédio histórico que anteriormente abrigava a Santa Casa. Além destes espaços vinculados com a fundação de cultura, acontecem ainda bailes de fandango no Mercado Municipal do Café, e feiras ao ar livre em praças da cidade. | 38 9 Atividades Culturais No Município Após o diagnóstico de Paranaguá, iniciamos uma análise das atividades culturais no município. Para isso, elencamos as principais atividades culturais, festas e patrimônios do município. 9.1 Artesanato O Artesanato é a capacidade e destreza manual do homem, de imprimir característica própria e criativa, refletindo a personalidade do artesão e a relação deste, com o contexto sociocultural do qual emerge. Os últimos remanescentes da atividade artesanal em Paranaguá, são: Dona Senhorinha, já falecida, mas que tem seu acervo de panelas preservado em coleção particular e exposto na Casa Cecy. Ainda são produzidos instrumentos e tamancos utilizados no fandango, bem como cestos e balaios de cipó. Na culinária a produção de farinha de mandioca é típica e também está relacionada aos frutos do mar e ao barreado. O artesanato em sua maioria ocorre como uma atividade repassada pela família, além de ser uma alternativa de renda ao desemprego, também é visto como uma atividade artística. A estimativa das receitas geradas pelo artesanato não ultrapassa os 2500 reais por artesão, em poucos casos, quando o artesão tem controle sobre suas entradas e saídas, ou dedica seu tempo em exclusividade à pratica artesanal. Os itens artesanais comumente confeccionados são objetos decorativos e utilitários. As técnicas utilizadas são: Fios e tecidos (crochê, bordado, costura), cerâmica (modelagem manual), madeira (entalhe, pintura a mão-livre). As peles e couro são compradas para sua modelagem e costura. A cestaria é item de | 39 destaque no artesanato local, utilizando as fibras naturais: cipó Imbé, taquara, bananeira, taboa e timbopeva. Os artesãos produzem em casa e quase metade deles com matériaprima retirada do meio ambiente, o que precisa ser investido provém de recurso próprio ou proveniente de outras atividades. A comercialização e o acesso à matéria-prima são os maiores problemas vividos pelos artesãos. Ou fator agravante é a falta de apoio na produção, e a baixa valorização do artesanato pelo próprio artesão, ainda que haja apoio da Prefeitura Municipal de Paranaguá, por meio da Fundação Municipal de Cultura. A seguir apresentamos uma tabela onde são resumidas as oportunidades e dificuldades percebidas com relação ao artesanato local: Oportunidades Riqueza de referências culturais na cidade; Participação de parceiros importantes do município para o projeto; Existências de artesanato tradicional e de referência cultural; Fluxo turístico comprovado; Grande conhecimento de técnicas e qualidade de produção para a maioria dos artesãos. A maioria cita como maior dificuldade a comercialização, isso gera a oportunidade de atender esta demanda com a realização deste projeto. A realização de ações de divulgação do turismo comunitário pode gerar futuramente novas possibilidades de venda aos produtores mais afastados nas ilhas. Dificuldades Distância entre algumas localidades (ilhas) e o continente para a realização de atividades em grupo. Produção predominante de manualidades sem referências culturais. Faixa etária alta podendo comprometer os resultados a longo prazo; Perfil do turista predominante masculino; Qualidade técnica do artesanato comprometida para alguns produtores; O turismo comunitário ainda não gera demanda suficiente para a comercialização do artesanato localmente nas ilhas, necessitando que seja levada a polos com maiores possibilidades de comercialização. 9.2 Fandango O fandango surge entre o litoral sul de São Paulo e o Litoral Norte do Paraná, região colonizada por portugueses que vieram em busca de ouro, | 40 trouxeram seus costumes, provindos das classes eruditas e ricas, populares de suas vilas e regiões; Roderjan, 79, afirma que o fandango paranaense esteve relacionado com o fandango existente em Açores, porém essa afirmação é falsa. Existem registros de prática do fandango antes mesmo da chegada dos colonizadores na região no século XIX (PIMENTEL; GRAMANI; COORÊA, 2006) O fandango era aceito como baile ou função nas casas decentes do Brasil Colonial, porém as ordenações Reais e a Igreja o consideravam lascivo e atentatório aos bons costumes, levando-o a censura e à proibição. As primeiras manifestações de censura foram registradas em Paranaguá para preservar o caráter religioso da Festa do Santíssimo Sacramento em 1792. No final do século XIX o fandango é liberado, desde que sob autorização policial, com sua ocorrência predominante em comunidades rurais. Sendo distinguido pela elite cultural como prática dessas populações, vinculadas ao calendário agrícola. No século XVIII os funcionários coloniais portugueses descreviam as populações locais como desordeiros, devassos, preguiçosos ou desobedientes. À época da independência as primeiras gerações de fazendeiros instruídos quanto a pequena burguesia eram compostos de recém conversos a valores e práticas culturais da burguesia europeia. Sua afirmação cultural passava pela negação de velhos costumes. Os vereadores de Curitiba auto imbuídos do papel civilizador, propondo por decreto um povo portados de hábitos morigerados em 1829 resolve combater o jogo a dinheiro, o porte de armas e os bailes populares (batuques ou fandangos). A ação dos vereadores parece ser pautada por uma forte rejeição à cultura do povo. O principal móvel das proibições dos fandangos foi a nova moral burguesa adotada por classes dominantes locais. Ao proibirem as danças os senhores também procuravam impedir que seus escravos gastassem energia em atividades não produtivas. | 41 A partir de 1850 o fandango começa a ser liberado no Paraná, talvez por promover a comunidade entre indivíduos de facções rivais, não anulando as diferenças, mas ensinando a conviver polidamente na urbanidade, clima inverso ao que acontecia anteriormente. Ao descrever sua passagem pelo Paraná em 1858, Avé Lallemant não pareceu ter sentido formas muito radicais de estranhamento, quanto aos costumes e hábitos dos senhores e senhoras nos bailes da capital. O ambiente em geral das festas eram os mesmos que ele estava acostumado no Rio de Janeiro e na Europa. A nova burguesia morigerada, compartilhava – ou copiava – dos costumes ‘civilizados’ europeus, o que se introduz também nos bailes mais populares, já que as autorizações para que ocorressem ressaltavam a importância de se conservar a ordem e evitar abusos. Os batuques e fandangos se tornam festas eminentemente rurais quando as classes mais baixas urbanas adotam a maneira urbana de dançar. Nas comunidades agrícolas o trabalho era dividido entre homens, mulheres e crianças de uma família. Quando eram necessários mais exaustivos o dono da lavoura convocava um mutirão de trabalho entre os vizinhos para realizar a tarefa e ao final do dia oferecia um baile de fandango. Este mutirão que sempre acabavam com um fandango tinha um caráter de socialização, sendo considerado festa de família e quem não fosse convidado não entrava. Os homens iniciavam e comandavam as danças, caso houvesse tumulto, o agente ficava mal visto e era afastado do local, preservando o clima de respeito. Além da função produtiva, o fandango era acima de tudo para o divertimento da comunidade, facilitava o contato entre vizinhos, estreitando os laços sociais e dele derivavam namoros e casamentos, servindo também como pagamento pelo trabalho no mutirão. Nas cidades, os fandangos aconteciam em locais específicos, em festas de entrudo, dando origem ao carnaval, ou em festas de casamento e | 42 aniversários. Os fandangos eram também lugares onde a violeiros e contadores podiam apresentar seus talentos. As festas populares eram controladas por acontecerem nas camadas mais proletárias para preservar a racionalidade fabril, evitando que trabalhadores desperdiçassem suas energias em festas. No início do século 20 a polícia reprimia bailes populares e industriais exigiam que fora da fábrica seus funcionários não se envolvessem em práticas que comprometessem a sua atividade produtiva no dia seguinte. (PEREIRA, 1996, p. 176) A popularização das religiões evangélicas influencia na diminuição da ocorrência dos bailes de fandango. Mendonça propõe que o cristianismo é um fenômeno de caráter normativo que influi e condiciona as ações humanas. ‘O indivíduo convertido era um homem regenerado, nascido de novo. Morrera o homem velho com seus vícios pecaminosos e nascera o homem novo, disciplinado e útil À sociedade’. Direcionando toda a força mundana dos prêmios religiosos para o estímulo do trabalho segundo os critérios de maior desempenho e eficiência possíveis. O desempenho compreendido como atributo da graça divina e um fim em si. 9.3 Festas populares Carnaval Atração de tradicional destaque no litoral paranaense, Paranaguá festeja os 05 (cinco) dias de folia com desfile das tradicionais escolas de samba; desfile de blocos carnavalescos; Imagem 9. Banho à Fantasia Fonte: IHGP, 2014. desfile de blocos de sujos e foliões; Os tradicionais bailes do | 43 “vermelho e preto” e do vermelho e branco reúnem foliões nos clubes da cidade; além dos animados bailes públicos na Avenida do Samba, são animados por bandas e trios elétricos. No mercado do café, durante as 05 noites do carnaval, são realizadas apresentações de grupos de fandango e em seguida baile aberto de fandango. Uma semana antes do carnaval, no domingo precedente, acontece o banho à fantasia, onde os foliões começam seu trajeto no centro da cidade e caminham, festejando até o Rio Itiberê. Tradicionalmente no Banho à Fantasia, todos os homens da cidade se transvestem de mulher. O que importa não é se estarão bonitos ou não, mas sim se divertir e se preparar para a folia carnavalesca. Aniversário da Cidade Na comemoração do aniversário de Paranaguá integra a programação de aniversário: Feira de Artesanato, Feira das Nações, Festival de Cultura, exposição de pinturas, lançamento de livros de autores parnanguaras, competições esportivas, desfile festivo, shows musicais, show pirotécnico e outras atrações em comemoração ao aniversário do município dia 29 (vinte e nove) de julho. Festa da Tainha A Festa de Tainha é um dos componentes da tradicional "Festa do Pescador" das ilhas do município. Objetiva a confraternização dos pescadores em comemoração ao seu dia (29 de Junho). Realizam-se corrida de canoas a remo e a motor, shows artísticos, parque de diversões e venda da tradicional tainha recheada, assada e frita, além de frutos do mar. Acontece de 27 de junho a 13 de julho na Praça de Eventos 29 de Julho. | 44 9.3.1 Festas Religiosas | 45 Nossa Senhora do Rocio Os relatos mais antigos da Virgem do Rocio datam de 1648, período que Vieira dos Santos relata a ocorrência da Peste da Bicha, em que os locais rezaram a Santa para que a peste deixasse a Vila. Dentre as várias versões sobre o aparecimento da Virgem do Rocio, todas elas relacionam a participação dos pescadores. Estes encontraram a imagem da Virgem nas margens da baía de Paranaguá, uma versão diz encontrada que como a imagem uma foi estrela brilhante em meio às rosas coloridas, Imagem 10. Pintura de Ciro Matoso. Fonte: IHGP, 2014 outra versão conta que a imagem foi pescada e então colocada em um altar na casa do pescador que a encontrou, recebendo a partir de então preces e agradecimentos à Divina Providência que intercedeu através da Santa. Do dia 06 ao dia 15 do mês de novembro, ocorre uma festa em sua homenagem. No dia 15 de Novembro é o dia de celebração da Virgem. Acontecem novena, procissão, atraindo romeiros de outras cidades. Além das comemorações religiosas, a festa conta ainda com atividades no mercado popular, gastronomia, apresentações artísticas e grande show pirotécnico. Nossa Senhora dos Navegantes No município há ocorrência de outra celebração mariana, em homenagem a Nossa Senhora dos Navegantes. A fé na santa chegou ao Brasil com os portugueses, que pediam proteção no mar, que retornassem para suas casas. A Festa de Nossa Senhora dos Navegantes é dividida em duas partes: a festa religiosa, com novenas, procissão marítima e luminosa, e a festa popular, com barracas de comidas típicas, shows com artistas locais, fandango, encontro de violas e show pirotécnico. É Festa religiosa e artística, com novenas e procissão luminosas pelas trilhas e procissão marítima, barracas com comidas típicas, artesanato, bingos, forro caiçara, shows e apresentação de fandango O evento acontece de 24 de janeiro a 02 de fevereiro na Praça da Matriz Ciro Abalém na Ilha dos Valadares e é realizada pela Paróquia de Nossa Senhora dos Navegantes, no Trapiche de Nova Brasília e Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes. Nossa Senhora do Rosário “Foi com autorização pois do Bispado do Rio de Janeiro que se construiu em Paranaguá a primeira Igreja dedicada ao culto de N. Senhora do Rosário no Brasil, e posteriormente levantadas as Igrejas de N. Senhora das Mercês na Cotinga em 1677; a de Nossa Senhora das Mercês na Gamboa em 1700; a do Bom Jesus dos Perdões, em 1711; a de N. Senhora do Terço, em 1739 e a de São Francisco das Chagas, em 1741, construída no local onde existia a Ermida de N. Sra. do Bom Sucesso”. Em homenagem à Padroeira do município (07 de | 46 outubro), é celebrada a festa religiosa com novenas e procissão pelas ruas da cidade. Festa de São Francisco das Chagas Descrição do evento: Dez dias de festa em louvor a São Francisco de Assis, que também é conhecido como São Francisco das Chagas. A novena começa na 6ª feira do fim de semana anterior a festa e a quermesse acontece as sextas, sábados e domingos dos dois finais de semana da festa, na lateral da Igreja e conta com a presença de instituições de caridade de Paranaguá, que administram barracas de alimentação, artesanato e brincadeiras. Acontece de 5 a 14 de setembro, na Igreja de São Francisco das Chagas – Rua XV de Novembro, s/nº. Paixão de Cristo Na Sexta-Feira Santa, no centro histórico, a encenação acontece ao ar livre, e conta com a participação dos artistas locais, grupos de teatros, corais e grupos folclóricos. Num espirito ecumênico, integra pela fé comunidades católicas e evangélicas, retratando a Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. Congresso de Missões e Evangelismo – MECRI O evento é um grande referencial de pregação do evangelho em todo o Estado do Paraná e Sul do Brasil. Tem como objetivo principal das transformações que a sociedade necessita e despertar vidas para a obra missionária. Ao longo dos anos vem ganhando credibilidade e conduzindo | 47 milhares de pessoas para a vida religiosa conta com a presença de cantores e conferencistas renomados de várias regiões do Brasil e do exterior, em um amplo espaço com tendas, área de alimentação, palco e estacionamento. Acontece de 5 a 12 de outubro na Praça de 29 de Julho. | 48 Natal Em dezembro a cidade se enche de luz para a celebração do Natal. O Projeto Natal Para Todos, realizado pela FUMCUL, é atrativo para adultos e crianças cuja intenção é conduzir uma série de atividades culturais voltadas para a valorização das tradições natalinas e recreações infantis, de forma descentralizada e participativa, buscando integrar os bairros e ilhas de Paranaguá. 9.4 Patrimônios tombados O Centro Histórico de Paranaguá foi tombado como patrimônio nacional no dia 3 de dezembro de 2009. O Tombamento estadual aconteceu em 1990. A área abrange desde a Igreja de São Benedito até a Rua Visconde de Nacar. O destaque arquitetônico são os casarios de quem detinha o poder econômico. Os sobrados eram Imagem 11. Planta Hipotética da Vila de Paranaguá, 1808. Fonte: Kato, 2010 divididos ao comércio e depósito de mercadorias e escravos, no piso térreo, e à moradia. Sua grande importância portuária, seu contato com o Rio de Janeiro e também outros países, causou influência neoclássica nas edificações. A ocupação inicial do município ainda pode ser vista pelos casarios que compõe o centro histórico. Das casas que ainda resistem, praticamente como foram construídas, delinearam a povoação e o arruamento da vila. Até hoje são pontos de referência e de localização. Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas Localizada na Rua XV de Novembro esquina com a Rua Presciliano Correa. Sua construção começou no ano 1770. A construção muito simples em estilo barroco, em alvenaria e em pedra, sua estrutura sofreu várias alterações durante as décadas seguintes. Em decorrência de um incêndio perdeu várias de suas características artísticas e em madeira. Passou por restauros de 1965 a 1968 e também em 1983 e 1984. Foi utilizado pela Prefeitura durante longo período, a serviço de atividades culturais, tendo recentemente retornado às atividades sacras há alguns anos. Foi tombado em 04/11/1962, sob o processo nº222-01/62, tem a Inscrição no tombo 01-II. Imagem 12. Igreja de São Francisco das Chagas Fonte: IHGP, 2014. | 49 Igreja da Irmandade de São Benedito Esta edificação teve sua construção iniciada Inscrição Tombo 02-II em 1784 no mesmo local onde, desde 1701, ficava a Processo nº 222-02/62 igreja de Nossa Senhora das Mercês, com material Data: 04/11/62 proveniente da demolição da primitiva igreja da Rua Conselheiro Sinumbu mesma invocação, que localizava-se na Ilha da cotinga desde 1677. Este seria o católico terceiro da templo cidade. A devoção a São Benedito era popular entre escravos e libertos, este seria o primeiro templo a permitir a entrada de negros. À época da construção contava Paranaguá com habitantes, 5 sendo mil 20% Imagem 13. Igreja da Irmandade de São Benedito Fonte: IHGP, 2014. escravos e 13% negros. Fonte Velha Por volta de 15501560 os bancos colonizadores, chegaram à Ilha da Cotinga, passando mais tarde ao continente, assentaram-se nas redondezas do primeiro olho d’água “uma fonte de água Imagem 14. Fonte Velha Fonte: IHGP, 2014. | 50 nativa que brotava em meio a formosa planície e que, por falta de represamento, se escoava na direção do mar”. A 10 de abril de 1655, quando a Câmara resolveu “limpar o caminho da fonte de beber. Na época o local da fonte era chamado Fonte de Gamboa, corruptela de camboa, designação dada pelos Carijós. Feita a “limpeza” do caminho - ao longo do que é hoje a rua Conselheiro Sinimbú -, os vereadores, na sessão do dia 4 de abril de 1657, resolveram que “se providenciasse o represamento da água para consumo da população”. Hoje conhecido como a Fonte-Velha, ou Fontinha, foi o pilar de construção da cidade de Paranaguá. O monumento mais antigo de Paranaguá, logo também do Paraná foi tombado em 26/01/64 sob o processo nº 222-04/64, tem a inscrição no tombo 04-II. Palacete Visconde de Nácar O Comendador Manoel Antônio Guimarães, Barão e Visconde de Nacar foi o negociante mais importante do litoral da província e o mais ativo e importante exportador de erva-mate, segundo Carneiro, 53. Segundo a tradição oral, o Visconde de Nacar construíra o Palacete, para abrigar o Palácio do Governo, quando supostamente, Paranaguá seria escolhida capital da Província, fato que acabou não se concretizando. Não existem registros do início e fim da obra, apenas a data de 1856, no frontispício do prédio, da qual se desconhece seu significado. A construção contou com mão-de-obra escrava e materiais de fácil aquisição. Em 1880, chegou a receber a ilustre visita de D. Pedro II. | 51 Inscrição no Tombo 18-II Processo nº 18/67 Data: 22/12/66 Rua Visconde de Nácar, 33 Com a morte do Visconde, foi dividido por herança a seus filhos e em 1910 vendido a Prefeitura, que se instala no local junto com a Câmara. Na data de 22/12/1966, foi inscrito no tombo 18-II, com o processo nº18/67. Em 1986, foi totalmente restaurado, apesar de atualmente estar abandonado e sem uso, a estrutura está bastante depreciada. Imagem 15. Palacete Visconde de Nacar Fonte: IHGP, 2014. Igreja Nossa Senhora do Santíssimo Rosário – Matriz Foi a primeira em solo paranaense e primeira dedicada a Nossa Senhora do Rosário no Brasil. Vieira dos Santos afirma que a Igreja foi construída no período de 1575-1578, porém sua origem é de difícil precisão. Ermelino de Leão afirma que nos mapas da cidade de 1663 havia uma capela no local, onde hoje é a matriz. | 52 Kato, 2010, elabora uma planta hipotética da Vila de Paranaguá, por volta do ano de 1808, baseada em registros históricos, e no que ainda existe no centro histórico do Município. Saint-Hillaire passou em 1820 por Paranaguá e afirmou em seus relatos que a Igreja Matriz possuía “a nave mais comprida que já havia visto em todo o país”. E a Catedral Diocesana, tendo sido tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná em 20/10/67 sob o processo nº 18/67 Inscrição Tombo 18-II Processo nº 18/67 Data: 20/10/67 Centro sendo sua inscrição no Tombo 18-II. Imagem 16: Igreja de Nossa Senhora do Rosário - Paranaguá – 1893 Fonte: Site – O Virtuoso. | 53 Antigo Colégio dos Jesuítas No ano de 1704 a Câmara, em nome do povo, faz doação à Companhia de Jesus de cem braças de terreno, no sitio da Ribanceira, fronteiro ao mar, para que Inscrição Tombo 37-II Processo nº 18/72 Data: 20/10/72 ali se construísse o Colégio do Jesuítas. Em 1708, chegam a Paranaguá os padres Antônio da Cruz e Tomás Aquino, e efetivamente se funda a Casa Escolar, não onde hoje é o Colégio, que começa a ser construído apenas em 1738, sendo oficialmente inaugurado em 19 de março de 1755. O Marquês de Pombal expulsa os jesuítas da Vila em 1759 e fecha o Colégio. Em 1760 seus bens foram sequestrados. Em 1938, já em avançado estado de depredação, foi tombado pelo IPHAN, sendo restaurado de 1958 a 1959, em 1962 foi entregue à UFPR e transformado em museu. Imagem 17. Colégio dos Jesuítas Fonte: IHGP, 2014. | 54 Estação Ferroviária de Paranaguá | 55 Imagem 18: Estação Ferroviária de Paranaguá. Fonte: IHGP, 2014 A 5 de junho de 1880, na presença de Suas Majestades Imperiais, (Dom Pedro e Princesa Izabel, foi iniciada a construção da estrada de ferro de Paranaguá à Curitiba. Os estudos para construção da estrada de ferro datam de 1875; esta foi a primeira no estado do Paraná. A obra, uma obra-prima da engenharia, teve que vencer os obstáculos da Serra do Mar. Apenas um pequeno e modesto prédio que por volta de 1920 foi substituído por uma imponente construção, que foi entregue em 1922 sem nenhuma cerimônia à população de Paranaguá. Mercado Municipal do Café | 56 Sua construção foi iniciada no governo de Afonso Camargo e concluída no Governo de Caetano Munhoz da Rocha. Um misto de art-noveau com classicismo, todo em ferro fundido trabalhado em arco e rendilhados. Contemporâneo do mercado do artesanato, abriga hoje um centro gastronômico de frutos do mar e Imagem 19. Mercado do Café Fonte: IHGP, 2014 comida típica do litoral. Acredita-se que tenha sido edificado no largo onde outrora fora o logradouro em que estava o Pelourinho, símbolo do poder real na cidade desde sua fundação em 29 de julho de 1648. Localiza-se na Rua General Carneiro no Centro Histórico. Palácio Mathias Böhn Situado na rua da praia foi construído no final do Século XVIII. Teve sua fachada reformada no estilo historicista na final do século XIX, para se tornar o Palacete Mathias Böhn. Atualmente abriga a Estação Náutica. Localiza-se na Rua General Carneiro, 258 no Centro Histórico. Imagem 20. Palácio Mathias Böhn Fonte: IHGP, 2014. Prédio da Alfândega A pedra fundamental do edifício da nova Alfandega foi lançada em 1903, na zona do Porto Dom Pedro II. O engenheiro responsável foi o arquiteto Rudolf Lenge e o Engenheiro construtor foi João Carlos Gutierrez. Tratava-se de um prédio de arquitetura do fim Imagem 21. Prédio da Alfandega Fonte: IHGP, 2014. do século XIX e início do século XX, ou seja, arquitetura eclética, predominantemente do estilo RomanoRenascentista. Em 10 de abril de 1910 instalou-se provisoriamente, ocorrendo o ato oficial só em 28 de outubro de 1911. | 57 Foi sede da Casa do Homem do Mar e da Sociedade da Marinha do Paraná. Atualmente retornou as suas funções aduaneiras. Foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná em 1999. Localiza-se na Avenida Coronel José Lobo, na faixa do cais. Rua da Praia Imagem 22. Vista da Rua da Praia Fonte: IHGP, 2014. A Rua General Carneiro, ou Da Praia, é o local onde se encontra a maior concentração de sobrados coloniais. Estes seculares casarios mostram as linhas e formas de colonização portuguesa. Os casarões coloridos abrigam museus, espaços culturais e mercados, como o de Artesanato, em estilo neoclássico; Muitos foram e alguns estão sendo restaurados. A Rua da Praia é também espaço onde os jovens se reúnem nos finais de semana para sua confraternização. Há alguns anos a Rua da Praia foi revitalizada, tendo a instalação de quadras de esportes de areia (vôlei e futebol) brinquedos para as crianças e criação de trapiches para as barcas que circulam pelo litoral. | 58 9.5 Patrimônios sob responsabilidade da FUMCUL Casa onde moraram Brasílio Itiberê e Monsenhor Celso | 59 Imagem 23: Casas Brasílio Itiberê e Monsenhor Celso Fonte: Arquivo FUMCUL. O sobrado, de linhas simples, segundo o arquiteto e professor José La Pastina Filho, é ampliação de casa térrea erguida no século XVIII e irmã gêmea da edificação ao lado (Casa Brasílio Itiberê). Na planta da antiga vila já consta, àquela época, a referida edificação na quadra “situada entre o Largo da Matriz, a rua do Rosário (hoje Professor Cleto), a rua da Baixa (atual João Reais) e a do Ouvidor (agora Faria Sobrinho) ”. A casa, construção do século XVIII, destinava-se a fins comerciais (parte fronteira) e residenciais (fundos), uma vez que em sua fachada existiam, ainda, os primitivos requadros em cantaria das quatro portas que se abriam para o Largo da Matriz e das duas para a antiga Rua João Alfredo, para onde se abriam, igualmente, quatro janelas. Estava em ruínas e dela somente restavam as paredes externas quando o Departamento de Patrimônio Histórico e Artístico da Diretoria de Assuntos Inscrição Tombo 39-II Processo nº 40/72 Data: 01/03/72 Praça da Matriz Culturais da SEEC e a Prefeitura Municipal de Paranaguá iniciariam as obras de restauração. A casa havia sido tombada pelo Patrimônio do Paraná e, posteriormente, desapropriada pela Prefeitura Municipal de Paranaguá, que vendo sua importância no contexto histórico-cultural da cidade custeando toda a obra de restauração, executada sob a responsabilidade do arquiteto Cyro Corrêa de Oliveira Lyra, em 1973. Pelo Decreto n° 693, de 18 de janeiro de 1973, foi dada a denominação de Casa de Monsenhor Celso ao próprio incorporado ao patrimônio municipal, e o Decreto n° 694 o destinou para sede do Conselho Municipal de Cultura. Casa Elfrida Lobo Elfrida Marcondes Lobo, nasceu em Paranaguá no dia 31 de janeiro de 1911, filha de Jorge Marcondes de Albuquerque e Elfrida Pereira Marcondes. Bastante jovem Contraiu matrimonio com o Dr. Victor branco Lobo, também filho de tradicional família parnanguaras e recém-formado em Medicina pela Universidade do Brasil no Rio de Janeiro. Teve três filhos: Antônio José, Carlos Eduardo e Mário, e enviuvou precocemente aos 34 anos. Foi Professora de inúmeras gerações de parnanguaras, tendo se aposentado após mais de vinte anos de magistério. Sempre teve participação ativa nos movimentos cívicos, religiosos e filantrópicos da cidade. Na segunda Guerra Mundial serviu como voluntária na | 60 Legião Brasileira de Assistência – LBA. Em todas as manifestações e trabalhos, sua liderança se fez sentir. Na esquina das ruas Dr. Leocádio e Fernando Simas, situa-se essa casa construída na passagem do século XIX para o XX. De 1930 a 1970, foi residência da família Lobo. Imagem 24: Casa Elfrida Lobo Fonte: Acervo FUMCUL. Após esse período, foi adquirida pela Prefeitura Municipal que lhe conferiu o nome de “Casa Elfrida”, como forma de homenagem à última de seus proprietários. Sua arquitetura é característica do final do século XIX, quando os imóveis, embora mantivessem a implantação tradicional luso-brasileira de disposição no alinhamento frontal do terreno, apresentavam um tratamento plástico eclético, com emprego de ornamentos extraídos de repertórios formais de origens diversas. | 61 Em seu interior são notáveis os detalhes de acabamento das esquadrias, de madeira, dos forros e assoalhos, bem como as pinturas parietais importância de Paranaguá no contexto do Patrimônio Cultural do Paraná. | 62 Casa Dacheux Imagem 25: Casa da Cheux. A casa da família Dacheux, referência da arquitetura histórica a cidade, foi restaurada pelo poder público e transformada em Casa da Memória, espaço cultural para exposições, e restaurante escola. Cine Teatro | 63 Imagem 26: Foto do atual Teatro Rachel Costa Fonte: IHGP, 2014. Solar típico do século XIX, construído com pedras de uma antiga fortaleza da região. A casa foi propriedade particular por mais de um século, sendo adquirido pela Prefeitura Municipal foi restaurado e ampliado para a instalação do Teatro Municipal de Paranaguá. Localiza-se na Rua XV de Novembro, s/nº - Centro Histórico. Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres (ou da Barra) na Ilha do Mel | 64 Imagem 27: Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres A obra da Fortaleza teve início em 19 de Janeiro de 1767, a mando d’El Rei de Portugal o Senhor D. Jozé I. Construída entre 1767 e 1770, na parte norte da Ilha do Mel, a fortaleza insere-se no grupo das chamadas fortificações orgânicas por não obedecer a uma forma rígida e por adaptar-se às condições topográficas do terreno. O morro que anteriormente era denominado a baleia, hoje tem o mesmo nome da Fortaleza Desenvolve-se em cinco lanços de espessas muralhas de alvenaria de pedra de 10 metros de altura. Os recursos para a obra foram fornecidos pela Junta da fazenda da Capitania de São Paulo e, em maior parte pela população da Vila de Paranaguá, que também contribuiu com mão-de-obra, materiais e mantimentos. Ao final da obra a fortaleza foi armada com 12 peças de artilharia e um pequeno destacamento militar. Era a Fortaleza, que protegia o livre transito das embarcações de transporte do governo imperial pelo Canal Sueste – o único navegável para barcos de maior calado. Com o invento da navegação a vapor, este armamento tornou-se obsoleto. As novas embarcações podiam navegar mais rapidamente e conseguiam fugir do alcance de antigos canhões, munidos pela boca. Biblioteca Mario Lobo – BPML | 65 Imagem 28: Biblioteca Mário Lobo Fonte: Portal da Prefeitura de Paranaguá, 2014. A Biblioteca Pública Mário Lobo (BPML), localizada em Paranaguá, iniciou suas atividades em agosto de 2013. Primeira sucursal da Biblioteca Pública do Paraná no Estado, a BPML foi instalada em um edifício histórico, que até 2007 abrigava a Santa Casa da cidade. O novo espaço recebeu um acervo de 10 mil volumes, que inclui livros de Literatura, Artes Visuais, História e Geografia, entre outras aéreas do conhecimento. O prédio foi completamente reformado, ganhou mobiliário, equipamentos para informática, auditório e espaço para exposições. A biblioteca possui área interna de 850 m² e foi concebida para ser um espaço de convivência, leitura, pesquisa e interação com a comunidade. Para isso, disponibiliza o "Espaço Cidadão", que oferece aos usuários serviços de referência digital. Possui ainda uma sala com títulos infantojuvenis e uma hemeroteca (jornais e revistas atuais). | 66 O projeto da Biblioteca Pública Mário Lobo foi realizado pela Associação dos Amigos da Biblioteca Pública do Paraná e viabilizado pelo Ministério da Cultura, via Lei Roaunet com patrocínio da Renault do Brasil, Copel e Terminal de Contêineres de Paranaguá. Mercado do Artesanato Construção em estilo neorrenascentista era o antigo mercado de peixes da cidade e servia a comunidade de pescadores que ali vinham comercializar os seus pescados. Funcionava sempre de madrugada e ao anoitecer. Foi recuperado para servir como ponto de venda do artesanato típico da região. Imagem 29. Mercado do Artesanato Fonte: IHGP, 2014. 10 Instancias de gestão da cultura 10.1 Fundação Municipal de Cultura | 67 A Fundação Municipal de Cultura "Nelson de Freitas Barbosa", integrante da Administração Indireta da Prefeitura Municipal de Paranaguá, tem por objetivo formular a política cultural de Paranaguá, articulando-se com órgãos das demais instancias de governo, promovendo intercâmbios culturais, assegurando a coordenação e a execução de programas de qualquer iniciativa, auxiliar o desenvolvimento de ações de instituições culturais do município, promover espetáculos, exposições, conferencias, debates destinados a integração social da população com vistas a elevação do nível cultural e artístico. Por finalidade fomentar o desenvolvimento e difusão cultural. São atribuições da Fundação: promover o desenvolvimento de programas e projetos de valorização da cultura local parnanguara; articular e executar ações de difusão da cultura local; estabelecer estratégias para busca e captação de parcerias e recursos para ações de preservação do patrimônio histórico de Paranaguá; apoiar o desenvolvimento sócio cultural e econômico através do fortalecimento da cultura local. Fazem parte da sua estrutura organizacional básica: I - Gabinete do Presidente; II - Assessoria de Projetos; II - Casa da Memória "Monsenhor Celso"; III - Mercado do Artesanato IV – Departamento de Gestão do Teatro Municipal; V - Departamento Administrativo e Financeiro; VI - Departamento de Projetos e Ação Cultural VII - Divisão de Projetos Culturais São órgãos da Fundação: I – Diretoria Executiva; Composta por: Presidente, Diretor Administrativo e Financeiro e Diretor de Ação Cultural. II – Controle Fiscal; III – Conselho Municipal de Cultura. | 68 À Diretoria compete executar os planos de ação da áreas de cultura, aprovados pelo Conselho de Cultura e plano financeiro. Ao Conselho Fiscal compete fiscalizar e fazer cumprir os atos e deveres dos diretores, opinando sobre o relatório administrativo anual. O quadro de funcionários da Fundação deve ser preenchido, sempre que possível, por servidores municipais, sem ônus para a Fundação. A Fundação não distribuirá lucros e/ou bonificações a seus funcionários, conselheiros e diretores, de forma nenhuma. 10.2 Conselho Municipal de Cultura O Conselho Municipal de Cultura, instituído pela Lei Municipal nº 1.850, de 19 de dezembro de 1994, está vinculado à Fundação Municipal de Cultura "Dr. Nelson de Freitas Barbosa" com órgão colegiado, de caráter consultivo, normativo, deliberativo e fiscalizador, tendo por finalidade a participação na formulação de políticas públicas de cultura do Município de Paranaguá. O Conselho Municipal de Cultura constitui-se por membros titulares e respectivos suplentes, sendo integrantes do poder público e da sociedade civil, paritariamente representados, nomeados por Decreto do Poder Executivo, e eleitos democraticamente pelos seus setores culturais. Para tanto uma referência para a escolha são os Fóruns Temáticos, onde poderão ser eleitos os representantes da sociedade civil no órgão colegiado. O número de participantes do Conselho Municipal de Políticas Culturais é definido pelo número de representantes eleitos pela sociedade civil, uma vez que o número de representantes do poder público não pode ultrapassar o número de representantes da sociedade civil. Ao Conselho Municipal de Cultua compete deliberar sobre assuntos de interesse cultural e artístico da cidade, em prol da promoção da defesa do patrimônio histórico e artístico do Município de Paranaguá, supervisionar as aplicações do Fundo de Cultura, e concessão ou incentivo fiscal a instituições culturais. 10.3 Gestão Democrática da Cultura Qual o papel do estado e o seu espaço de atuação na formulação de políticas de cultura? O Ministério da Cultura afirma na estruturação do Sistema Nacional de Cultura, que é papel do estado o planejamento e fomento das atividades culturais, na preservação e valorização do patrimônio cultural material e imaterial do país e no estabelecimento de marcos regulatórios para a economia da cultura, sem interferência no processo criativo e considerando em primeiro plano o interesse público e o respeito à diversidade cultural. A missão do Ministério da Cultura é garantir a todos os cidadãos brasileiros o pleno exercício dos seus direitos culturais, o Governo Federal cada vez mais reforça a necessidade de participação de todos os entes governamentais e não governamentais, para a construção de uma política pública de cultura que promova a inclusão e o desenvolvimento social, tendo a cultura como um instrumento de transformação social. A sensibilização e mobilização de todos os atores da cena cultural, é a estratégia para garantir institucionalmente as bases legais e assegurar politicamente a implementação do Sistema Nacional de Cultura, fortalecendo-o e divulgando em uma atuação conjunta, da sociedade civil e do governo. | 69 O Sistema Nacional de Cultura, cresce como um meio de articulação das instâncias governamentais dos três entes federados, com ampla participação da sociedade, para de forma racional e organizada, implementar as políticas públicas de cultura, assegurando, a sua continuidade como políticas de estado. A Prefeitura de Paranaguá por meio da Fundação Municipal de Cultura solicitou a integração do Município ao SNC em 02/04/2014, sendo o acordo publicado no dia 30/07/2014 no Diário Oficial da União. Em Paranaguá ocorreram duas edições da Conferência municipal, duas edições do Fórum Municipal, sendo uma delas setorial, e a segunda transversal. 10.4 Conferência de Cultura De acordo com o Ministério da Cultura, o Sistema Nacional de Cultura constitui-se em um processo de articulação, gestão e de promoção conjunta de políticas. As Conferências de Cultura (municipais, intermunicipais, estaduais e nacional), mobilizaram o setor cultural em todo o país, sendo estas, elementos constitutivos da arquitetura do Sistema Nacional de Cultura, devendo ser instituída pelos entes federados. A Conferência de Cultura é um espaço de participação social, democrático, aberto pelo poder público para que junto com a sociedade civil possam avaliar as políticas públicas culturais, buscando o aperfeiçoamento das mesmas em todos os ambientes governamentais. A realização das conferencias municipais, estaduais e distrital ao longo de 2009 e, em março de 2010, da 2ª Conferência Nacional de Cultura, possibilitou que houvesse um grande debate e a mobilização da sociedade para impulsionar a aprovação desses instrumentos legais, e, principalmente, para implementar, além do nacional, os sistemas estaduais e municipais de Cultura. E especialmente, promover a criação ou reestruturação dos conselhos de Política Cultural, com a sua democratização e constituição como peças centrais | 70 nesse processo, pois são os elementos que darão legitimidade e garantirão a participação e o controle social nos sistemas de cultura. No ano de 2005 o Minc e a Secretaria de Cultura do Estado do Paraná indicaram a necessidade de os gestores municipais aderirem voluntariamente ao Sistema Nacional de Cultura, através do protocolo de intenções firmado entre município e a União, que tem por objetivo estabelecer as condições e orientar a instrumentalização necessária para a implementação do SNC. - Conferências Municipais A I Conferencia de Cultura realizada em 22 de outubro de 2009, previamente à Conferencia estadual, para que nela pudessem ser eleitos os delegados parnanguaras na conferência estadual. Os objetivos da I Conferência eram discutir a cultura e a construção de políticas e promover o debate entre os agentes culturais. Teve como tema central “Cultura, Diversidade, Cidadania e Desenvolvimento”. Os trabalhos foram debatidos em grupos de discussão nos eixos: I – Produção simbólica e diversidade cultural; II – Cultura, cidade e cidadania; III – Cultura e desenvolvimento sustentável; IV – Cultura e Economia Criativa; e V – Gestão e institucionalidade da cultura. A II Conferência de Cultura aconteceu em 03 de agosto de 2013, teve como tema geral “ Uma política de estado para a cultura: desafios do Sistema Nacional de Cultura”. Nela também foram eleitos os delegados para a Conferência Estadual e elaboradas propostas e diretrizes culturais por eixos temáticos. Durante o encontro do dia 27 de agosto, onde reuniram-se representantes dos segmentos de diversas manifestações artística de Paranaguá e ficou estabelecido que a FUMCUL coordenaria Fóruns Setoriais | 71 para a partir dessas ações conhecer e saber o que como cidadãos, artistas e poder público desejamos para a Cultura local. Estas propostas foram defendidas junto à Conferência Estadual de Cultura, em Guarapuava. O desejo expresso na ocasião pelos participantes dos Fóruns Setoriais foi o de participar, acompanhar e cobrar do poder público o bom desempenho de suas ações. 10.5 Fórum Municipal Setorial de Cultura No Fórum Setorial foram estabelecidas as diretrizes e as principais demandas dos setores artísticos municipais. O Fórum Setorial de TEATRO aconteceu no dia 03 de setembro; o Fórum de ARTES VISUAIS, 04 de setembro; O Fórum de DANÇA 05 de setembro; MÚSICA, no dia 10 de setembro às 19h e o Fórum Setorial de ARTESANATO, dia 11 de setembro. Após a realização dos Fóruns Setoriais, de acordo com todos os segmentos culturais, foi estabelecido que para a conservação histórica será necessária a criação de um museu com a finalidade de preservar a memória, que conte com espaços para exposições permanentes de itens históricos, e espaços diversos para a realização de arte contemporânea cursos, oficinas, palestras e eventos. A criação da Lei de Proteção da Memória. A criação s dentro do Sistema de Bibliotecas o registro da história oral, relatado pelos habitantes mais antigos da região. | 72 10.6 Fórum Municipal de Cultura As diretrizes estabelecidas por este plano, foram elaboradas pela sociedade civil quando da realização do II Fórum Municipal de Cultura de Paranaguá, ocorrido em 2014, dentro de Grupos de Trabalho interdisciplinares, onde os integrantes dos setores culturais dialogaram e proporem suas ideias, de como seria a melhor maneira de vivenciar a cultura no município. O primeiro Plano de Cultura de Paranaguá, tem como principal foco a preservação da memória, da história e das tradições parnanguaras. A intenção do II Fórum era causar a confluência de ideias, com os setores reunidos dialogando nas temáticas: Diversidade, descentralização, direitos e intercâmbio cultural Economia da Cultura Patrimônio Cultural Material e Imaterial e Arquitetura Gestão Pública e Formação Cultural. Dentro destes espaços, cada setor ao relatar sua vivencia diária, seus problemas, demandas e benefícios, pode ver que estes, não são exclusivos de seus setores, e que portanto, poderiam unir-se em prol das mesmas causas, e do benefício da cultura em Paranaguá. | 73 11 Diretrizes da Cultura 11.1 No I Fórum Municipal Setorial de Cultura foram estabelecidas: | 74 TEATRO Criação de um festival de teatro amador voltado para grupos dos alunos das escolas do município; Ofertar oficinas de atores com instrutores de fora; Reestruturar e informatizar os espaços culturais. ARTES VISUAIS Ofertar curso de cerâmica; Promover a capacitação e incentivar a produção Estabelecer parcerias com outras instituições culturais; Convocar e convidar artistas, para realização de exposições nos espaços da FUMCUL; Criar ateliê de gravura; Proporcionar aos artistas visitas a exposições, bienais, museus e feiras em outras cidades. Informar o sistema de cultura. Criar cadastro de artistas. Reformular o Conselho Municipal de Cultura; Instituir o Conselho Municipal de Políticas Culturais; Incentivar a participação da sociedade civil e entes governamentais; Instituição do Fundo Municipal de Cultura; Promover a descentralização das ações culturais. DANÇA Criar um espaço adequado para ensaio, sendo uma sala de 8x8 com espelhos e barras no local indicado sendo: Complexo Esportivo Educacional Fernando Charbub Farah. Incentivar e divulgar a dança no município. CULTURA POPULAR Instituir fóruns permanentes para discutir os problemas que afetam a cultura parnanguara; Definir fóruns temáticos de acordo com a demanda cultural; Criar mecanismos para capacitação dos gestores governamentais, não governamentais, do Conselho de Políticas Culturais e dos Produtores Culturais. Criar centros culturais fixos em parceria com as administrações regionais e itinerantes para percorrer os bairros e ilhas com apresentações culturais e oficinas, incluindo de dança típica para a terceira idade. Criar, apoiar e manter a Casa do Fandango na Ilha dos Valadares para apresentações das manifestações culturais como forma de preservar os costumes e a memória, abrangendo também a criação de um núcleo de pesquisa e estudo da cultura e costumes caiçaras. Estimular a associação de grupos de fandango e a realização do Festival de Fandango. Disponibilizar um Espaço para apresentações da Cultura Popular nas festas municipais. MUSICA Criar uma lei para incentivar e beneficiar artistas locais; Instituir o Dia da Música em Paranaguá; Realizar mapeamento musical; Organizar Fóruns Permanentes. ARTESANATO Promover a proteção e o resgate do artesanato típico da região com objetivo de preservação da memória e identidade; Retomar o Projeto Artesanato em Bagagem; Definir o mercado do artesanato como local específico para ação do projeto; Organizar feiras de artesanato; Promover cursos de capacitação em Gestão, Fibra de Bananeira, Tintas orgânicas, Design, Inglês. Promover cursos de idiomas para melhorar o atendimento ao turista; Oferecer Suporte para participação nas feiras ao ar livre nas Praças: Eufrásio Correia (Dos Leões), 29 de julho, e feiras itinerantes nos bairros. 11.2 Diretrizes Municipais Estabelecidas na II Conferência Municipal Eixo 1 – Implementação do sistema nacional 1. Instituir Fóruns permanentes de discussão dos problemas que afetam a cultura parnanguara, definido fóruns temáticos de acordo com a demanda cultural. 2. Instituir o Fundo Municipal de Cultura e rever e reativar o Fundo Municipal de defesa e preservação do Patrimônio Histórico – Cultural de Paranaguá, conforme Lei nº1815 de 24 de janeiro de 1994 3. Criar Mecanismo para capacitação dos gestores governamentais e não governamentais, do conselho de políticas culturais e dos produtores culturais. 4. Criar um sistema de informação cultural – criar um banco de dados. Eixo 2 – Produção Simbólica e Diversidade Cultural 1. Criar centros culturais fixos em parcerias com as administrações regionais e itinerantes para percorrer os bairros e ilhas com apresentações culturais e oficinais. 2. Construir, apoiar e manter a Casa do Fandango na Ilha dos Valadares para apresentações das manifestações culturais como forma de preservação dos costumes e memória e criar um núcleo de pesquisa e estudo da cultura e costumes caiçaras. 3. Estabelecer intercâmbios culturais com entidades congêneres com a finalidade de divulgar os artistas dos diversos segmentos locais. 4. qualificação da gestão cultural através de concursos específicos para dar sustentabilidade das ações culturais a serem desenvolvidas. Eixo 3 – Cidadania e Direitos Culturais 1. apoiar as manifestações culturais com atenção para a diversidade étnica e racial das já existentes no município. 2. Dar sustentabilidade aos espaços oferecidos próprios e adequados para oficinas e apresentações visando o desenvolvimento das diversas atividades e suas potencialidades artísticas. 3. Destinar verbas específicas para equipar e manter os espaços culturais existentes no município. 4. proteção e resgate do artesanato típico da região com objetivo de preservação da memória e identidade retomando o projeto Artesanato na Bagagem. Definindo o Mercado do Artesanato como local especifico para ação do projeto. Eixo 4 – Cultura e desenvolvimento 1. Atualização do mapeamento para as cadeias produtivas de todos os seguimentos culturais. | 75 2. Proporcionar feiras culturais itinerantes que viabilizem trocas de experiências e comercialização de produtos culturais. 3. Apoiar projetos e empreendimentos nos seguimentos culturais: patrimônio natural e cultural, espetáculos e celebrações, artes visuais, livros e periódicos, audiovisual e mídias interativas e design e serviços criativos. 4. Qualificação e promoção de bens e serviços criativos através de parcerias com outras instituições de serviços e apoio a pequenas empresas. 11.3 Diretrizes elaboradas em Plenária no II Fórum Municipal De Cultura De Paranaguá Diretriz 1. Criar e desenvolver um Censo Geral da Cultura Meta 1. Levantar e catalogar anualmente, dados e informações acerca da diversidade cultural, do município de Paranaguá; identificar a vocação cultural do município, suas fragilidades e necessidades, bem como, suas riquezas e fortalezas. 2. Criação de um banco de dados culturais, a ser publicado no site da Fundação Municipal de Cultura. 3. Estabelecer vínculos entre saberes formais e não formais. 4. Mapeamento Cultura em prol da criação do SNIIC. Ação a. Realizar pesquisa de campo em todas as regiões do município de Paranaguá, junto à população geral sobre as tendências culturais do município, suas necessidades e demandas. b. Promover e estimular o auto registro através da internet, por meio de cadastro apropriado. c. Cadastramento de todos os artistas de todos os segmentos em até seis meses. d. Disponibilizar a informação do cadastramento para consulta pública. e. Criar ferramenta informatizada para cadastramento público e online dos artistas do município e região. f. Após cadastramento, promover isenção de 5 anos de alvará de funcionamento. Dando uma contrapartida de um evento anual fiscalizado pelo órgão gestor. g. Criar, manter e atualizar anualmente o cadastro de artistas, associações, grupos artísticos, centros culturais, preservação do patrimônio material/ imaterial, acervo, comércio, serviços e tendências culturais. h. Criação do mapa cultural da cidade de Paranaguá com suas características, tendências demandas e carências; mapear atividades, lugares, grupos e fazeres culturais material e imaterial; diagnosticar as necessidades culturais, carências de ações, manutenção e criação de dispositivos. i. Fornecer informações para bancos de dados estaduais e federais, gerando integração e intercambio. j. Ação da área transferida para a área econômica. k. Mapeamento específico por área de atuação (grupos artísticos, artistas visuais, atores, músicos e etc.) obtendo dados técnicos e registros para se criar uma biblioteca de pesquisa de artistas da cidade tendo como função primordial a memória artística de Paranaguá aos moldes do SNIIC. | 76 Diretriz 2. Criação, revitalização e manutenção de estruturas físicas e administrativas de espaços culturais Meta 5. Criação da Casa do Fandango 6. Criação de um museu histórico e cultural para salvaguardar a memória, administrado pelo poder público municipal 7. Criar lei municipal de tombamento do patrimônio público e respectivas áreas de entorno. 8. Promover a formação inicial e continuada, e aperfeiçoamento nas áreas Artísticas e de Gestão Cultural de agentes / gestores culturais Ação a. Um espaço próprio para a divulgação e preservação dessa manifestação cultural de grande relevância com o intuito de formar uma geração de fandangueiros. b. Realização de estudo específico para a elaboração de um projeto adequado à demanda dos grupos de fandango local, atendendo também suas necessidades de acomodação de materiais e exposição de títulos, fotos, exposições de objetos e etc. c. Contratação de luthiers capacitados e adaptados a luteria caiçara para a realização de oficinas de construção e aperfeiçoamento dos instrumentos e formação de mão de obra para a demanda. d. Contratação dos mestres para a realização das atividades de repasse de dança e música tradicional, recepção de turistas, pesquisadores e interessados na cultura local. e. Confecção de folders e material de divulgação dos grupos de fandango para distribuição no espaço. f. Criar edital de seleção pública para apoiar espaços culturais que tradicionalmente promovam atividades ligadas ao repasse de tradições da cultura popular como escolas de samba, casas de fandango, entre outras. g. Criar programas de salvaguarda, que assegurem a continuidade da música tradicional em todos os seus aspectos, considerando a construção dos instrumentos, repasse da musicalidade e pesquisa. h. Realizar o tombamento do patrimônio pelo poder público municipal i. Construir e adaptar espaços para a comercialização de produtos culturais, como também a realização das práticas culturais, em espaço apropriado, aumentando a oportunidade de fruição e estímulo. j. Criar um museu que congregue o acervo histórico do município e conservo o mesmo. k. Utilizá-lo como espaço de pesquisa histórico e sociocultural. 3.2.3 Utilizá-lo para a capacitação da sociedade em geral em temas artístico-culturais. l. Fomentar dentro deste espaço a criação de uma incubadora de projetos culturais que promova a cultura parnanguara. m. Incentivar o desenvolvimento cultural da população parnanguara em novas técnicas, possibilidades e atualizações em inovações tecnológicas que favoreçam as pesquisas nas áreas culturais como cinema, vídeo, informática e web design. n. Criar condições de fomentar a cultura presente visando um futuro promissor para seu desenvolvimento. o. Criação de lei que disponha sobre a preservação do patrimônio natural e cultural do Município p. Criação do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural q. Instituição do Fundo de Proteção do Patrimônio Cultural de Paranaguá | 77 Diretriz 3. Valorizar o artista e a arte Meta 9. Fomento à circulação, difusão e divulgação dos produtos culturais e dos grupos artísticos populares/tradicionais de Paranaguá 10. Descentralização das práticas culturais (ir para os bairros), visando trabalhar na valorização das diversas camadas culturais com a intenção de expandir a cultura local nacional e internacionalmente. Ação a. Divulgação, mobilidade para o público ter acesso aos eventos. b. Disponibilização de uma equipe técnica para produção artística e elaboração e acompanhamento de todo processo. c. Criação de documentos e encaminhamentos da sociedade civil juntamente com órgão gestor e Conselho Municipal de Cultura para avaliação jurídica e aprovação na Câmara Municipal de Vereadores, assegurando o compromisso do município em proteger, conservar, salvaguardar e difundir o patrimônio cultural imaterial do município o qual contribui no mapa da diversidade brasileira, principalmente os que têm reconhecimento e registro nacional. d. Criação de editais específicos para a circulação de grupos em eventos que se configurem importantes para a divulgação da cultura local e que contribuam na formação do mapa da diversidade brasileiro. e. Apoio financeiro para a confecção de figurinos, adereços, fantasias, e etc. f. Elevar o volume de recursos orçamentários destinados às culturas populares, equiparando-o àqueles destinados a outras áreas de expressão. Diretriz 4. Garantir a sustentabilidade econômica dos processos culturais Meta 11. Destinar no mínimo 1% do orçamento municipal para aplicação em fundos e projetos culturais; 12. Elevar o volume de recursos orçamentários destinados à cultura, integralmente para ações de fomento e fundo; 13. promover ações políticas de desenvolvimento sustentável que dialoguem com as cadeias produtivas locais; 14 Alcançar como premissa básica de todas as discussões relativas ao estabelecimento do Sistema Municipal de Cultura, respeitando as características de cada segmento e garantir políticas públicas de cultura para o desenvolvimento e fomento cultural e artístico nos bairros, de modo descentralizado, criando editais, regulamentando e desburocratizando o processo de formulação. Ação a. Gerar subsídios para o planejamento financeiro a fim de fomentar os projetos em relação à demanda de manutenção, incentivo, criação e intercâmbio cultural. b. criação de plano de manejo ambiental para construção de instrumentos e artefatos artesanais de usos múltiplos. c. Incentivar as melhorias na gestão, promover a organização dos agentes culturais através da cooperação, associação e organização de Arranjos Produtivos Locais. Diretriz 5. Fomentar, conscientizar e sensibilizar a população parnanguara quanto à Educação patrimonial, material e imaterial. Meta 15. Inserir a Educação Patrimonial como conteúdo no ensino fundamental nas Ação a. Elaboração participativa de programas, conteúdos e materiais didáticos a serem elaborados junto a entidades | 78 escolas integrantes da rede municipal de ensino. 16. Informar e comunicar à comunidade parnanguara, quanto a sua própria história, cultura e sociabilidade. 17. Salvaguardar elementos da cultura material e imaterial de Paranaguá, assim como seu reconhecimento e valorização local. culturais/educacionais. Garantindo a transversalidade dos conhecimentos como ferramentas essenciais para reafirmar a identidade cultural. b. Elaboração de plano de comunicação em mídias diversas, informando, catalogando e proporcionando acessibilidade as ferramentas culturais, associações, conjuntos arquitetônicos e demais locais de interesse. c. Criar um GT (grupo de trabalho) envolvendo secretarias de Cultura, Educação Turismo, Obras, Meio ambiente e departamento jurídico para a construção de novas diretrizes e bases para a inserção, promoção, organização, salvaguarda e divulgação de grupos e mestres de expressões culturais nas atividades desenvolvidas no espaço escolar como também na conservação e restauração do patrimônio edificado, acervos e etc. d. Reconhecer com título de notório saber aos mestres das expressões culturais tradicionais e lideranças étnicas através de parcerias com universidades para a promoção da utilização dos espaços escolares como equipamento cultural de difusão de saberes populares, expressões culturais e na divulgação da história e da identidade parnanguara. Diretriz 6. Respeitar o processo e o cumprimento das normas do Sistema Nacional de Cultura Meta 18. Transparência nos processos de seleção dos projetos apresentados a fundação de cultura. 19. Buscar a ética nos processos de criação de editais e seleção de projetos Ação a. A apresentação de projetos artístico-culturais deverá ser encaminhada única e exclusivamente por meio de editais públicos. b. Todo edital deverá ser publicado em diário oficial e em mídias de grande circulação. c. Os projetos aprovados deverão apresentar resultados coerentes à proposta e ao orçamento, podendo o órgão gestor, fiscalizar a utilização de recursos transferidos e penalizar os projetos irregulares, havendo aplicabilidade de sanções. d. Membros do conselho, durante o exercício da função não poderão ser beneficiados com financiamentos direcionados pelos editais. Diretriz 7. Buscar maior qualificação artística, estética e técnica e nas ações do órgão gestor. Meta 20. Valorizar tecnicamente as atividades culturais a equipe Ação a. Convocação de processo seletivo para composição de equipe técnica curatorial. | 79 técnica especializada para a análise técnica, artística, curatorial e viabilidade executiva dos projetos da Cultura. b. Criação de um grupo de trabalho permanente para constituição de consultoria técnica especializada para auxiliar os artistas locais quanto a produção de projetos. Diretriz 8. Valorização e capacitação do quadro funcional do órgão gestor da cultura Meta 21. Revisão estatutária / regimentaria do órgão gestor da cultura do município Ação a. Constituir um quadro funcional para o órgão gestor da cultura b. Promover a capacitação dos funcionários gestores da cultura Diretriz 9. Promover incentivo à significação dos valores culturais locais . Meta 22. Aproximar ou reaproximar a população parnanguara dos elementos da arte e cultura em geral. 23. Estimular o empoderamento cultural pela população municipal. Ação a. Fomentar o acesso e espaços de cultura nas diferentes localidades do município. b. Incentivar a formulação de roteiros culturais alternativos visando a discussão da identidade em Paranaguá. | 80 12 Fomento e financiamento No Brasil está em tramitação a proposta de Ementa à Constituição (PEC) nº150/2003, que propõe a destinação de 2% da arrecadação da União, 1,5% da arrecadação dos estados e 1% da arrecadação dos estados e 1% da arrecadação dos municípios para a área da cultura, visando assegurar, por meio do mecanismo de vinculação constitucional de receitas, o montante mínimo necessário para os investimentos em cultura e o funcionamento do SNC, que deste total, 0,5% seja destinado diretamente aos municípios, através de repasse de fundo a fundo. Fazem parte do Sistema Municipal de Cultura, o Conselho Municipal de Política Cultural, o Plano Municipal de Cultura e o Sistema Municipal de Financiamento à Cultura. Este último pode ser composto de financiamentos reembolsáveis e não-reembolsáveis. O Sistema de Financiamento pode ser contemplados por quatro mecanismos: 12.1 Orçamento Público Recursos estabelecidos pela Lei Orçamentária Anual (LOA), podendo ocorrer, geralmente é aplicado sem previsão de retorno. Este recurso é aplicado na execução de projetos culturais no município ou escolhidos por meio de seleção pública. 12.2 Fundo Municipal de Cultura Recursos de origem orçamentária são aplicados democraticamente em projetos realizados pela sociedade, escolhidos por meio de seleção pública. | 81 No Sistema Nacional de Cultura o os fundos têm por objetivo proporcionar recursos e meios para financiar a execução de programas, projetos ou ações culturais. O Fundo Municipal de Cultura – FMC se constitui no principal mecanismo de financiamento das políticas públicas de cultura no município, com recursos destinados a programas, projetos e ações culturais implementados de forma descentralizada, em regime de colaboração e co-financiamento com a União e com o Governo do Estado do Paraná, sendo vedada a utilização de recursos do Fundo Municipal de Cultura - FMC com despesas de manutenção administrativa dos Governos Municipal, Estadual e Federal, bem como de suas entidades vinculadas. Constituem as receitas do Fundo Municipal de Cultura dotações consignadas na Lei Orçamentária Anual (LOA) do Município de Paranaguá e seus créditos adicionais; transferências federais e/ou estaduais à conta do Fundo Municipal de Cultura - FMC; contribuições de mantenedores; produto do desenvolvimento de suas finalidades institucionais, tais como: arrecadação dos preços públicos cobrados pela cessão de bens municipais, o resultado da venda de ingressos de espetáculos ou de outros eventos artísticos e promoções, produtos e serviços de caráter cultural; doações e legados nos termos da legislação vigente; subvenções e auxílios de entidades de qualquer natureza, inclusive de organismos internacionais; reembolso das operações de empréstimo porventura realizadas por meio do Fundo Municipal de Cultura FMC, a título de financiamento reembolsável, observados critérios de remuneração que, no mínimo, lhes preserve o valor real; retorno dos resultados econômicos provenientes dos investimentos porventura realizados em empresas e projetos culturais efetivados com recursos do Fundo Municipal de Cultura FMC; resultado das aplicações em títulos públicos federais, obedecida a legislação vigente sobre a matéria; empréstimos de instituições financeiras ou outras entidades; saldos não utilizados na execução dos projetos culturais financiados com recursos dos mecanismos previstos no Sistema Municipal de Financiamento à Cultura - SMFC; devolução de recursos determinados pelo não cumprimento ou desaprovação de contas de projetos culturais custeados pelos | 82 mecanismos previstos no Sistema Municipal de Financiamento à Cultura SMFC; saldos de exercícios anteriores; e outras receitas legalmente incorporáveis que lhe vierem a ser destinadas. O Fundo Municipal de Cultura - FMC será administrado pela Fundação Municipal de Cultura na forma estabelecida na Lei do Sistema Municipal de Cultura, e apoiará projetos culturais não-reembolsáveis, para apoio a projetos culturais apresentados por pessoas físicas e pessoas jurídicas de direito público e de direito privado, com ou sem fins lucrativos, preponderantemente por meio de editais de seleção pública; e reembolsáveis, destinados ao estímulo da atividade produtiva das empresas de natureza cultural e pessoas físicas, mediante a concessão de empréstimos. 12.3 Incentivo Fiscal Segundo consta no portal do Ministério da Cultura, Incentivo Fiscal (Renúncia Fiscal) é um dos mecanismos do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), instituído pela Lei Rouanet (Lei 8.313/1991). É uma forma de estimular o apoio da iniciativa privada ao setor cultural. O proponente apresenta uma proposta cultural ao Ministério da Cultura (MinC) e, caso seja aprovada, é autorizado a captar recursos junto às pessoas físicas pagadoras de Imposto de Renda (IR) ou empresas tributadas com base no lucro real para a execução do projeto. O apoio a um determinado projeto pode ser revertido no total ou em parte para o investidor do valor desembolsado deduzido do imposto devido, dentro dos percentuais permitidos pela legislação tributária. Para empresas, até 4% do imposto devido; para pessoas físicas, até 6% do imposto devido. Podem apresentar propostas pessoas físicas com atuação na área cultural (artistas, produtores culturais, técnicos da área cultural etc.); pessoas jurídicas públicas de natureza cultural da administração indireta (autarquias, fundações culturais etc.); e pessoas jurídicas privadas de natureza cultural, com | 83 ou sem fins lucrativos (empresas, cooperativas, fundações, ONG's, organizações culturais etc.). Proponentes pessoas físicas podem ter até dois projetos. Já os proponentes da pessoa jurídica podem inscrever até cinco projetos ativos no Sistema de Apoio às Lei de Incentivo (Salic), compreendidos entre a apresentação de proposta e do relatório final de cumprimento do objeto. Acima deste limite e até o número máximo de quatro projetos para pessoa física e 10 projetos para pessoa jurídica, somente serão admitidas propostas para o proponente que tiver liberação da movimentação dos recursos captados em pelo menos 33% das propostas apresentadas, considerado o número de propostas apresentadas nos últimos três anos. No Município de Paranaguá a Lei 2.392 de 20 de agosto de 2003 modifica a Lei nº 1973 de 1996, que dispõe sobre o Programa Municipal de Incentivo à Cultura. Este programa terá seu limite global estabelecido pelo Poder Executivo, em cada Exercício Financeiro, reduzidos para 8% (oito por cento) e 1,5% (um e meio por cento), respectivamente, sobre o total das receitas arrecadadas no exercício anterior, provenientes do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza _ ISSQN e do Imposto Predial e Territorial Urbano -IPTU. 12.4 Investimento Recursos aplicados com vistas a um retorno do capital investido, destinado a projetos sustentáveis, com possibilidade de retorno comercial, e é realizado por intermédio de agentes financeiros credenciados. | 84 13 Considerações sobre o Plano e a Gestão da Cultura Paranaguá é uma cidade que tem uma grande história e com muita importância na história do país e na formação do estado. A diversidade cultural sempre foi presente no município, que recebeu vários imigrantes oriundos de Portugal e Espanha (colonizadores), africanos (escravos), e migrantes brasileiros de diversas regiões, em ciclos econômicos que variam desde a mineração à atividade portuária. O Porto de Paranaguá sempre foi destaque na dinâmica do município e na economia local. Por suas origens históricas, a importância de Paranaguá na região Sul desde a colonização é notória. Dada esta importância, muitas pessoas e investimentos foram, em diversas áreas, atraídas até Paranaguá, como saneamento, infraestrutura, educação e cultura. Em sua história, Paranaguá tem o prazer de ser terra natal de vários expoentes da cultura e das artes. Desde a emancipação do Paraná e a adoção de Curitiba como Capital da Província e posteriormente do Estado, ocorre um processo de esvaziamento na cidade, populacional e econômico, e decadência da sua importância política. A cidade começa a se recuperar economicamente em meados do século XX, quando a economia cafeeira impulsiona as atividades portuárias, e também traz muitos migrantes de várias regiões do país para trabalhar no porto. Responsável por gerar parte das riquezas no município, ainda emprega grande número da população, outras atividades econômicas aparecem como secundárias no perfil econômico do município. A migração para a cidade gera uma nova interação cultural e, até mesmo, a mudança de alguns comportamentos culturais presentes no município. Com a migração que ocorre para a cidade as pessoas que para cá se destinam desconhecem o passado histórico e as tradições culturais locais, não valorizando-os. As atividades culturais como o artesanato local perde espaço para produtos asiáticos importados que tem valor de mercado infinitamente menor, a | 85 partir da abertura comercial do país nos anos 90, o fandango deixa de ser valorizado em detrimento da importância dada para músicas e danças populares provenientes de outras regiões como o sertanejo e o samba, devido a disseminação comercial dessas informações e práticas. Atualmente, mesmo com a existência de duas novas instituições de ensino federais, o IFPR – Campus Paranaguá e a UFPR – Setor Litoral, em Matinhos, culturalmente se percebe a desvalorização da cidade por parte da população local, ao ver que parte desta ainda prefere enviar seus filhos para estudar em outras cidades, principalmente a capital e também preferem consumir lá, relegando a Paranaguá apenas um papel de exploração de riqueza, porém de poucos investimentos. Com isto os jovens vêem a cultura local como a de um passado histórico que já não faz mais parte de suas realidades informatizadas e conectadas com o mundo em um clique na tela do celular. Inclusive na educação, apenas uma das séries iniciais tem espaço reservado para a cultura local. Voltando ao nosso passado histórico, é possível visualizar como ocorreu a colonização em Paranaguá através do casario histórico que ainda é preservado na cidade. O micro centro da cidade, denominado Centro Histórico, apresenta grande número de casas do período colonial em estilo neoclássico ainda muito bem conservadas, algumas em processo de restauração, e outras que precisam ser restauradas, para isso, existe na legislação municipal o apoio e o incentivo a preservação dos patrimônios históricos. Além da diversificação cultural, ainda é preciso pensar na cultura de uma forma descentralizada. Com o fluxo migratório intenso e o crescimento populacional, a habitação no município foi se descentralizando e expandindo para a periferia, surgindo novos bairros e núcleos habitacionais. Estas pessoas precisam ser inseridas dentro das políticas de cultura, de maneira que suas práticas culturais sejam respeitadas. A cultura precisa alcançar essas pessoas sem que elas percam sua noção de pertencimento. A intenção da política governamental com a adesão ao Sistema Nacional de Cultura é a implementação do Sistema Municipal de Cultura e a criação de | 86 um Plano Municipal de Cultura, para que a cultura histórica de Paranaguá não seja esquecida, e que também a diversidade cultural que é a realidade atual também seja valorizada. Estas políticas se exercitam para entrar em consonância com as principais demandas dos Fóruns e Conferencias Municipais e Setoriais de Cultura, realizadas com a participação da sociedade civil atuante na área cultural, que percebem que um diagnóstico cultural é necessário para levar a uma melhora na gestão da cultura e a busca da transparência na destinação de recursos provindo de lei de incentivo fiscal. Existe demanda ainda pela valorização e capacitação dos artistas e através disso garantir a sustentabilidade econômica das suas práticas. Percebe-se ainda a defasagem na disseminação da educação cultural e artística para os jovens, que como visto na pirâmide etária elaborada pelo IBGE, presente no diagnóstico é uma faixa etária de destaque e em crescimento. As novas intencionalidades da política cultural foram beneficiadas em Paranaguá com a desmembramento do orçamento cultural do orçamento geral da prefeitura. A gestão cultural autônoma possibilita um direcionamento eficiente dos seus recursos financeiros e humanos, bem como o controle efetivo dos mesmos. Entre os desafios da cultura está o convencimento quanto à importância da cultura como instrumento de valorização da cidade e da população por e para a população. As práticas culturais podem ainda contribuir com a quebra da dependência econômica do porto, gerando uma forma de produção econômica criativa e sustentável, trazendo novas perspectivas, com a geração de renda capaz de gerar sustentabilidade dos grupos hoje relegados à marginalidade, valorizando a cultura para que deixe de ser apenas uma atividade secundária. Para alcançar os desafios da cultura e superar nossas dificuldades é preciso articular órgãos governamentais, instituindo uma gestão participativa, consolidada através do diálogo. A promoção da mudança depende do entendimento e aceitação da cultura como fator de transformação para o empoderamento e a cidadania cultural. | 87 14 Bibliografia ABRAHÃO, Cinthia Maria De Sena. Porto De Paranaguà: Transformações Espaciais Decorrentes Do Processo De Modernização Capitalista E Integração Territorial Entre Os Anos 1970 E 2010. 2011. 298 f. Tese (Doutorado) - Curso de Programa de Pós-graduação em Geografia, Departamento de Setor de Ciências da Terra, Ufpr, Curitiba, 2011. Anníbal Ribeiro Filho, Igreja de Nossa Senhora do Rosário, Diocese de Paranaguá, 1978, p. 1. ANTÔNIO VIEIRA DOS SANTOS, Memória Histórica de Paranaguá, Das Origens à Atualidade, V. II, Curitiba, Vicentina, 2001, p. 59. Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013 – Perfil do Município de Paranaguá, PR – Disponível em: <http://www.atlasbrasil.org.br/2013/pt/perfil/paranagua_pr> BOTELHO, Isaura. Dimensões da Cultura e Políticas Públicas. São Paulo em Perspectiva, 15(2)2001. 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