Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 A INFLUÊNCIA DE ADSTRATOS DO ESPANHOL NO LÉXICO DA LÍNGUA PORTUGUESA Patricia Damasceno Fernandes (UEMS)1 [email protected] Miguél Eugenio Almeida (UEMS)2 [email protected] Natalina Sierra Assêncio Costa (UEMS)3 [email protected] RESUMO: Ao compararmos a língua portuguesa em dado período com a língua atual, verifica-se que ela passou por processos de transformação e mudança, tais processos são constantes e fundamentais para a renovação do léxico da língua. Os fatores desencadeadores de renovação partem diretamente das características e necessidades da sociedade. Quando línguas distintas ficam em contato, originando graus de influência diferenciados, nascem os denominados estratos, existindo três tipos: substrato, superestrato e adstrato. A presente pesquisa irá ater-se apenas aos adstratos que é quando duas línguas coexistindo num mesmo espaço geográfico ou em espaços contíguos, se influenciam mutuamente, mas de forma superficial e nenhuma delas é assimilada pela outra, mantendo suas individualidades. A língua portuguesa conviveu e ainda convive com a língua espanhola, uma vez que nossos países vizinhos são falantes do espanhol. É possível verificar a influência de palavras de origem espanhola no vocabulário da língua portuguesa em vários âmbitos, sendo que em nosso trabalho selecionamos os verbos para ilustrar tal influência. Pretende-se fazer uma abordagem histórica da língua portuguesa e espanhola, tratar sobre os empréstimos linguísticos adotados do espanhol para o português e o processo de integração de palavras estrangeiras em nossa língua. Por último, apresentamos uma análise de 100 adstratos da língua espanhola que foram incorporados pela língua portuguesa com suas respectivas definições, explorando critério fonológico de integração dos adstratos da amostra. Para isso utilizaremos os dicionários Houaiss (2001), Machado (1987) e Corominas (1980). A pesquisa se fundamentará em: Alves (1984), Coutinho (1976) e Câmara Jr. (1975), entre outros. Através de nossa pesquisa temos a intenção de contribuir para área de lexicologia, demonstrando que a renovação de uma língua é algo imprescindível para a sua própria manutenção e sobrevivência. PALAVRAS- CHAVE: Adstratos; Espanhol; Português; Perspectiva histórica. ABSTRACT: Comparing the Portuguese language in a given period with the current language, it turns out that she went through processes of transformation and change, such processes are constant and central to the renewal of the language lexicon. The triggers of renovation directly depart the characteristics and needs of society. When different languages are in contact, resulting in different degrees of influence, called strata are born, existing three types: substrato, superestrato and adstrato. This research will stick only to adstratos which is when two languages coexist in the same geographical area or in adjacent spaces, influence each other, but in a superficial way and none of them is assimilated by the other while maintaining their individuality. The Portuguese lived and still lives with the Spanish language, since our neighbors are Spanish speakers. You can check the influence of words of Spanish origin in the vocabulary 1 Mestranda em Letras pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) Docente do Programa de Mestrado da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) 3 Docente do Programa de Mestrado da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) 2 1 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 of the Portuguese language in various fields, and in our work selected to illustrate verbs such influence. It is intended to make a historical approach of the Portuguese and Spanish, handle on the loanwords adopted from Spanish to Portuguese and the process of integration of foreign words in our language. Finally, we present an analysis of 100 adstratos the Spanish language that have been incorporated by the Portuguese with their respective definitions, exploring phonological criterion of integrating adstratos sample. For this we will use the dictionaries Houaiss (2001), Machado (1987) and Corominas (1980). The research will build on: Alves (1984), Coutinho (1976) and Hall Jr. (1975), among others. Through our research we intend to contribute to lexicology area, demonstrating that the renewal of a language is something essential for their own maintenance and survival. KEYWORDS: Adstratos; Spanish; Portuguese; Historical perspective. 1. Introdução A língua e cultura do Império Romano foi levada para a Europa por motivos de caráter geográficos e bélicos. A cada nova região dominada pelos romanos permanecia por certo período o bilinguismo, ou seja, “situação linguística na qual os falantes são levados a utilizar alternadamente, segundo os meios ou situações, duas línguas diferentes” (DUBOIS, 1997, p.87). Esse bilinguismo foi dando espaço aos poucos a uma relação de substrato, em que o latim foi gradativamente se sobrepondo às línguas faladas nas regiões antes da dominação, o que resultou na formação das línguas modernas como: o português, o espanhol, o francês, o italiano etc. Apesar do português e do espanhol terem como origem a mesma língua mãe, o latim, são bem distintas uma da outra e isso se deve a fatores culturais, geográficos e sociais. O português e o espanhol foram línguas em contato na Península Ibérica e na América do Sul, o que motivou o surgimento de empréstimos vocabulares, principalmente nas regiões fronteiriças. Os empréstimos vocabulares de línguas em contato podem ser incorporados aos dicionários sem que haja uma sobreposição entre as línguas, e os vocábulos passam a fazer parte do acervo lexical de ambas, formando os adstratos. Primeiramente se abordará sobre a metodologia da pesquisa, onde se descreverá 2 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 aspectos quanto à natureza e tipologia da mesma, os fundamentos teóricos, o corpus e procedimentos realizados. Dando continuidade, será tratado sobre a história da língua portuguesa e da língua espanhola de forma breve, de seu surgimento até a chegada dos portugueses e espanhóis no continente americano. Em seguida, se discorrerá sobre os empréstimos linguísticos e os níveis de influências de línguas em contato com os chamados: substratos, superestratos e adstratos. Depois serão apresentados os critérios de integração necessários para que elementos estrangeiros possam ser incorporados pela língua portuguesa, sendo eles: o morfossintático, o fonológico e o semântico. E por fim, uma análise será realizada a partir do corpus, apresentando primeiramente o adstrato (palavra) em língua portuguesa, após em espanhol e finalmente o significado em português, explorando o critério fonológico de integração na amostra da pesquisa. 2. Metodologia Esta pesquisa é de natureza qualitativa e do tipo bibliográfica que utiliza como instrumentos para geração de dados a leitura de dicionários de língua portuguesa e língua espanhola e também dicionários etimológicos. A fundamentação teórica desta pesquisa se dará: aos empréstimos linguísticos com Câmara Junior (1975); aos aspectos históricos da língua portuguesa com Coutinho (1976) e Castilho (2009); aos aspectos históricos da língua espanhola com Resnick (1981) e Lapesa (1980); e quanto ao processo de integração de palavras estrangeiras utilizaremos Alves (1984). O corpus da pesquisa foi selecionado por meio dos seguintes dicionários: Houaiss (2001), Machado (1987) e Corominas (1980). Para explicitar as influências que a língua espanhola deixou no acervo lexical da língua portuguesa, foi selecionada uma amostra de 3 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 100 verbos dos dicionários listados acima. O procedimento inicial foi a leitura dos dicionários. Em seguida, fizemos uma seleção para que nosso corpus não ficasse muito extenso e então sistematizamos a amostra colocando as palavras em português, depois em espanhol e seus respectivos significados dicionarizados em língua portuguesa. Por fim, fizemos uma análise quanto ao critério fonológico no que diz repeito ao processo de integração dos verbos de língua espanhola à língua portuguesa. 3. Breve Histórico da Língua Portuguesa e Espanhola 3.1 Língua portuguesa De acordo com Coutinho (1976), nossa história começa com o Latim em Roma, quando o idioma passa a ser utilizado como instrumento literário e adquire duas novas vertentes: o Clássico e o Vulgar. É importante destacar que essas duas vertentes não eram línguas diferentes, mas formas diferentes de realização da mesma. Contemporaneamente, podemos dizer que o Latim Clássico era a variante de prestígio: usada pela elite, estudiosos e escritores importantes. Já o Latim Vulgar era a variante popular, usado pela grande massa que não possuía escolarização e bens. As duas modalidades do Latim eram denominadas pelos romanos respectivamente como: sermo urbanus e sermo vulgaris. Coutinho assim conceitua as duas vertentes do Latim: Diz-se Latim Clássico a língua escrita, cuja imagem está perfeitamente configurada nas obras dos escritores latinos. Caracteriza-se pelo apuro do vocabulário, pela correção gramatical, pela elegância do estilo, numa palavra, por aquilo que Cícero chamava, com propriedade, a urbanitas. [...]. Chama-se Latim Vulgar o Latim falado pelas classes inferiores da sociedade romana, inicialmente e depois de todo o Império Romano. Nestas classes estava compreendida a imensa multidão das pessoas incultas que eram de todo indiferentes às criações do espírito, que não tinham preocupações artísticas e literárias, que encaravam a vida pelo lado prático, objetivamente. (COUTINHO, 1976, p. 29-30). 4 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 Após a ruína do Império Romano, o Latim Vulgar se expande livremente pelos domínios das hordas bárbaras e é adotado como idioma comum de povos diversos, originando diferentes romances e depois várias línguas neolatinas. As línguas neolatinas são todas originadas do Latim, a relação entre aquelas e este resultou em modificações regionais do Latim, das quais surgiram as línguas Românicas. As línguas Românicas são as línguas que conservaram em seu vocabulário, morfologia e sintaxe, vestígios de filiação ao Latim. Sendo elas: o português, o espanhol, o catalão, o francês, o italiano, o reto-romano, o dalmático, o romeno e o sardo. A Língua Portuguesa veio do Latim Vulgar introduzido na Lusitânia pelos romanos, região localizada ao ocidente da Península Ibérica. Coutinho nos explica a Língua Portuguesa da seguinte forma: Pode-se afirmar, com mais propriedade, que o português é o próprio Latim modificado. É licito concluir, portanto, que o idioma falado pelo povo romano não morreu, como erradamente se assevera, mas continua a viver transformado, no grupo de línguas românicas ou novilatinas. (COUTINHO, 1976, p 46). Para saber sobre a origem do português é preciso conhecer sobre a história da Península Ibérica. 1.1.1 A romanização da Península Ibérica Por volta de 218 a.C os romanos invadem a Península Ibérica, que era habitada por povos autóctones como: celtas, iberos, púnico-fenícios, lígures e gregos. O episódio ficou conhecido como Guerras Púnicas e visava o controle do acesso ao Mediterrâneo que até então pertencia aos cartagineses. 5 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 Após a invasão e a derrota dos púnicos, o poder dos romanos e consequentemente do Latim, passam a ser quase predominante. A região foi dividida a princípio em duas partes: ao oriente da península, a Hispania Citerior e ao seu ocidente, a Hispania Ulterior. Formou-se uma cultura citadina, mais desenvolvida economicamente, e mais isolada de Roma: para viajar à capital do Império, só de navio. Em consequência, desenvolveu-se nessa região uma modalidade conservadora do Latim Vulgar, particularmente na Bética, em que iria surgir o Galego-Português. Esta língua românica, portanto, seria mais conservadora no vocabulário, na fonética e na sintaxe, transformando menos o Latim Vulgar. (CASTILHO, 2009, p. 06). Diante desta mescla entre romanos e os povos que já viviam na Península, o Latim fica cada vez mais distante do que era inicialmente o Latim imperial. 1.1.2 Os germânicos invadem a Península Em 409 d.C. os romanos sofrem ataques de povos de origem germânica: Vândalos, Suevos e Alanos, sendo somente os Alanos os que sobreviveram por muito tempo e acabaram originando o reino da Gallaecia. [...] com a chegada dos povos germânicos à península a nomeadamente os suevos à Galiza visse como o Latim vai tornar realmente numa língua franca entre galaicos-romanos (provavelmente bilíngues em Latim e galaico-lusitano) e suevos com a língua trazida do centro da Germânia, que distante entre si buscassem no Latim o seu ponto de encontro. (BARBOSA, 2005. p. 3). Os suevos são derrotados pelos visigodos e incorporam a Península a seu território. Enquanto isso o Latim vai passando por mais transformações. A contribuição dos visigodos para a Língua Portuguesa foi basicamente relacionada a nomes próprios de pessoas e lugares. Após a invasão germânica formou-se um sentimento nacional como nos diz 6 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 Castilho: A grande importância linguística da invasão germânica está em que seu domínio libertou as potencialidades diferenciadoras da península em relação a Roma, não mais considerada como metrópole. Formouse um sentimento nacional, e entre os sécs. VI e IX o Latim Vulgar Hispânico, matizado pelos germanismos, começou a dialetar-se nos diversos Romances de que surgiriam a partir do séc. X as línguas românicas ibéricas. (CASTILHO, 2009, p. 19). 1.1.3 Os Árabes invadem a Península Em 711 a Península foi invadida pelos árabes também chamados de mouros, que derrotaram os visigodos. Após o ocorrido surge na região o desenvolvimento da ciência e da arte. O desenvolvimento literário foi muito intenso, a ponto de pensarem alguns historiadores da literatura que a poesia lírica medieval da Península Ibérica seja de origem árabe. Estudos linguísticos foram cultivados, para as explicações do Alcorão. (CASTILHO, 2009, p. 22). A herança árabe deixada para a Língua Portuguesa e espanhola foi a introdução de inúmeras palavras para designar novos conhecimentos. A dinastia de origem árabe Omíada comandou por muito tempo, sendo derrubada em 1031, o que em 1117 resultou na invasão dos Almohadas. Em seguida os Mouros foram sendo expulsos aos poucos para o Sul da Península, possibilitando a formação de Portugal (séc. VII), Aragão e Castela até 1492. Quando Castela derrotou o último estado árabe, se juntou com Aragão e formou a Espanha. 1.1.4 Galego-Português Os cristãos foram para o Sul da Península para tomar a região dos Mouros que lá estavam refugiados. O processo de invasão moura e derrota dos mesmos foram responsáveis pela formação de três línguas peninsulares: o galego-português, a Oeste; o 7 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 castelhano, no centro; e o catalão, a Leste. Nasce então, um Reino independente: Portugal. Adotada pelos moçárabes do país, por todos os elementos alógenos participantes do repovoamento, assim como pelos muçulmanos que aí haviam ficado, esta língua galego-portuguesa do Norte vai sofrer uma evolução gradativa e transformar-se no português. (TEYSSIER, 2007. p. 7). As regiões tomadas dos mouros pelos cristãos ficavam despovoadas, então os conquistadores cristãos as povoavam com pessoas vindas do Norte difundindo ainda mais o Galego-Português por toda a parte central e meridional do território de Portugal. O Galego-Português foi utilizado no território português desde sua consolidação no início do séc. XII, quando se isolou do reino de Leão e Galícia. 1.1.5 Separação entre Portugal e Galícia Portugal se torna cada vez mais consolidada e o Rei D. Afonso III se instala em Lisboa. O centro cultural e político do país passa a girar em torno de Lisboa e Coimbra. O isolamento entre Galícia e Portugal foi devido à fronteira entre os Reinos de Leão e Castela, aumentando ainda mais com a expulsão dos mouros em 1249 e a derrota dos castelhanos em 1385. Com essa separação então Portugal e Galícia, Portugal se torna independente dando oportunidade para a fixação definitiva do português, fortificando a unidade nacional. Foi de grande ajuda as traduções feitas por religiosos que já tinham entendido que agora o Latim estava restringido a ser conhecido apenas pelo clérigo, ajudando a promover o português pelo país. Em 1290, D. Denis torna a Língua Portuguesa, a língua oficial do território. Levou tempo para que se tomasse consciência do Português como 8 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 uma nova língua. Tiveram importância nesse ofício duas instituições, que agiram como centros irradiadores de cultura na Idade Média: os mosteiros, onde se levavam a cabo traduções de obras latinas, francesas e espanholas (Mosteiros de Santa Cruz e Alcobaça) e a Corte, para a qual convergiam os interesses nacionais. Escreviam ali fidalgos e trovadores, aprimorando a língua literária. (CASTILHO, 2009. p. 34) A Língua Portuguesa no Brasil Entre os séculos XV e XVI tem início o período das grandes navegações, a colonização portuguesa começa efetivamente em 1532 quando a Língua Portuguesa começa a ser transportada para o Brasil. Aqui ela entra em contato com as línguas dos povos nativos que já viviam em nosso país, os índios. De acordo com Guimarães (2005) pode-se dividir em quatro etapas a relação da língua portuguesa com as outras línguas praticadas no Brasil. A primeira se refere ao início da colonização até 1654 quando os holandeses saíram de nosso país. Assim a Língua Portuguesa convive com as línguas indígenas que eram cerca de 1175 conforme McCleary (2007), com as línguas gerais e com o holandês. As línguas gerais eram línguas tupis, que tinham a função de uma língua franca. Eram faladas pela maioria da população e serviam para facilitar a comunicação entre índios de tribos diferentes, entre índios e portugueses e seus descendentes. A Língua Portuguesa efetivamente era usada apenas em documentos oficiais e praticada pelas pessoas que estavam ligadas a administração da colônia. A segunda etapa vai da saída dos holandeses do Brasil até a chegada da família real no Brasil. “A saída dos holandeses muda o quadro de relações entre línguas no Brasil na medida em que o português não tem mais a concorrência de outra língua de Estado (o holandês)”. (GUIMARÃES, 2005, p.24). A partir de agora a Língua Portuguesa irá concorrer com as línguas indígenas, em especial, e as línguas africanas que vieram para o nosso país com os escravos nos navios negreiros. 9 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 Logo os colonizadores tomam medidas para estreitar ainda mais o uso de línguas diversas na colônia e acabam com o uso das línguas gerais. Neste momento ficam em nosso país um grande número de índios, portugueses vindos de diversas regiões de Portugal e os escravos africanos. “Para se ter uma ideia, no século XVI foram trazidos para o Brasil 100 mil negros. Este número salta para 600 mil no século XVII e 1,3 milhão no século XVIII”. (GUIMARÃES, 2005, p.24). As línguas gerais foram proibidas nas escolas sendo permitido usar exclusivamente a língua portuguesa. Em 1757 foi criado o Diretório do índio por Marquês de Pombal que na época era ministro de Dom José I, proibindo o uso de língua geral na colônia, somando tudo isso ao grande contingente de portugueses que chegavam ao país, à língua portuguesa foi ficando cada vez mais predominante. A terceira etapa começa com a chegada da família real ao Brasil devido a Guerra com a França e vai até nossa independência. Em 1826 a questão da língua nacional do Brasil foi criada no Parlamento brasileiro. A chegada da família real ao nosso país possibilitou a realização de fatos importantes, como a oficialização do Rio de Janeiro como capital do império, a criação da imprensa e da Biblioteca nacional (mudando o quadro cultural brasileiro) e também a grande circulação da Língua Portuguesa tanto escrita quanto falada. A quarta etapa irá transformar a língua portuguesa em língua nacional, pois em 1827 realizaram-se várias discussões em torno do ensino da língua, sugerindo que os professores ensinassem a ler e escrever usando a gramática da língua nacional. Foi proposto que os diplomas dos médicos no Brasil fossem redigidos em linguagem nacional. Língua espanhola A história da língua espanhola possui muitos pontos em comum a história da língua portuguesa, a começar pela origem, pois o espanhol também é oriundo do latim 10 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 vulgar trazido pelos romanos na conquista da Península Ibérica. Antes da chegada dos romanos, a Península Ibérica era povoada por diferentes comunidades, os primeiros habitantes modernos da Península são chamados Iberos. Según una teoria, puesta en duda por muchos investigadores, pueblos invasores obligaron a los iberos a retirarse a la relativa seguridad de las montañas pirenaicas, donde sus descendientes los vascongados permacen en la actualidad. Su lengua, el vasco o vascuence, no es lengua indoeuropea. A pesar de los muchos esfuerzos por parte de los linguístas y los historiadores para descubrir sus orígenes y establecer una relación genética entre el vasco y otras lenguas del mundo, casi nada se sabe de su prehistória. El origen de los vascos y su lengua, y de los iberos, sigue un mistério. (RESNICK, 1981, p. 5) No sul da Península os nativos estabeleciam relações comerciais com os fenícios. No século VII a.C. os Celtas provenientes do Sul da Alemanha, invadiram a península dominando a região de Galícia e Portugal e se misturaram com os Iberos formando os Celtíberos, que se mantiveram no poder até a invasão dos cartagineses em 237 a.C.. Posteriormente os cartagineses forma expulsados pelos Romanos que iniciaram sua conquista em 218 a.C.. A paz na Península é quebrada em 409 d.C. com a invasão de duas tribos germânicas: a dos Vândalos e dos Suevos. Vinte anos depois tiveram que ceder a outra tribo Germânia: a dos Visigodos. Os últimos acabaram por adotar a superior cultura romana e a língua latina. A última invasão estrangeira foi a dos árabes na península 711 d.C. ficando no poder até1492 quando a ocorreu a reconquista. La reconquisa empezó en el norte, en el território del dialecto romance castellano. En el proceso de retomar España, los catellanos diseminaron por casi toda España tanto su idioma castellano como su influencia militar, desplazando a otros dialectos romances como el asturiano e el mozarabe. (RESNICK, 1981, p. 6). 11 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 Com o desenvolvimento da guerra de reconquista, os diferentes reinos participantes do combate conseguiram reduzir a presença dos muçulmanos e conquistar novas terras que trouxeram muitas riquezas para tais reinos. Em 1469, a presença árabe (muçulmana) estava restrita ao Reino Mouro de Granada. No mesmo ano, os territórios do Reino de Castela e Aragão foram unificados devido ao casamento entre os monarcas cristãos, Isabel de Castela e Fernando de Aragão. Depois disso, novos exércitos expulsaram os muçulmanos definitivamente e tomaram o reino de Granada, no ano de 1492. A partir de então, o Reino unificado passou a se fortalecer com o incentivo ao comércio marítimo. Tem início então as expansões marítimas e para conseguir alcançar os mercados como as lucrativas especiarias orientais, na Índia, os espanhóis precisavam encontrar uma rota alternativa à dos portugueses. Para isso, os Reis Católicos contrataram o navegante genovês Cristóvão Colombo. A língua espanhola na América O espanhol da América também foi trazido por meio da colonização. Os espanhóis chegaram à América no ano de 1492. O continente ficou isolado do velho mundo por milhares de anos. Porém havia sociedades e civilizações na América vivendo sua própria história, até a chegada dos navios de Cristóvão Colombo, como os astecas, maias e incas. Todas foram conquistas pelos espanhóis. A viagem de Colombo tinha por objetivo o enriquecimento e descobrir um novo caminho para as Índias. Após a conquista, começa a colonização da América e com isso a língua espanhola passa a estar em contato com línguas indígenas dos povos que viviam lá antes da chegada dos espanhóis. A partir daí o espanhol influenciou as línguas indígenas de povos nativos. “Existen fenômenos y problemas de superstrato, influjo de la lengua dominante sobre la dominada; en nuestro caso, penetración de hispanismos en el nahua, 12 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 en zapoteco, en el quéchua, en guarani.” (LAPESA, 1980, p. 539-540). Houve também problemas de adstrato, existindo uma mútua influência das línguas coexistentes. O processo de adstrato ocorreu de duas formas: pelo bilinguismo que existia inicialmente na América espanhola e posteriormente por questões de fronteira com outras áreas. “Entran aquí desde el simple trasvase de elementos, fonéticos, morfosintácticos, o léxicos de uma lengua a outra, hasta la formación de lenguas híbridas.” (LAPESA, 1980, p. 540). As influências que a língua portuguesa teve da língua espanhola estão inseridas nos adstratos principalmente por questões de fronteira, e esse contato entre as línguas fronteiriças se deve a questões comerciais, políticas e históricas. Mais um fator de semelhança do português e do espanhol é que em ambos podese verificar a influência de línguas indígenas devido aos povos colonizados. Nesse processo de línguas em contato, faz-se necessário ressaltar que muitas línguas indígenas tanto da América espanhola quanto a portuguesa sofreram o processo de substrato, ou seja, muitas línguas indígenas foram extintas. No entanto influenciaram o idioma eliminador, no caso o português e o espanhol. Empréstimos linguísticos De acordo com Dubois, assim pode-se conceituar os empréstimos linguísticos: “Há empréstimo linguístico quando um falar A usa e acaba por integrar uma unidade ou um traço linguístico que existia precedentemente num falar B e que A não possuía; a unidade ou traço empregado são, por sua vez, chamados empréstimos.”(DUBOIS, 1997, p 209). Câmara Junior, em seu Dicionário de linguística e gramática (1977, p. 111) define empréstimos linguísticos: “ação de traços linguísticos diversos dos do sistema tradicional”. Câmara Junior (1977) ainda nos diz que a condição para existirem esses 13 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 empréstimos é social, neste caso, o contato entre povos de línguas diferentes, podendo ser por coincidência ou contiguidade geográfica e ainda a distância (por intercâmbio cultural). De acordo com Bloomfield (1933 apud Câmara Junior, 1977 p. 104-105) a coincidência e a contiguidade geográfica constitui os empréstimos íntimos que vão gerar às línguas a que é feito o empréstimo o substrato, superstrato e o adstrato. Já os a distância, por intercambio cultural, constituem os empréstimos externos. Câmara Junior (1975, p. 198) sistematiza os níveis de influências das línguas: Substrato: “quando uma população conquistada adquire a língua dos dominadores”; Superstrato: “quando os dominadores adotam a língua dos vencidos”; Adstrato: “quando duas línguas coexistem lado a lado e criam um constante bilinguismo”. A partir disso, verifica-se que o nível mais harmônico é o adstrato, pois nenhuma das línguas que estão em contato é absorvida pela outra, existindo influência mútua. Elas passam a compartilhar palavras que começam a fazer parte do léxico tanto de uma como de outra. Processo de integração de palavras estrangeiras Alves (1984) afirma que ocorre empréstimo linguístico quando um elemento estrangeiro passa a ser utilizado numa dada língua e a ser codificado por ela. Em seu artigo A integração dos neologismos por empréstimo ao léxico português, Alves utiliza os pressupostos de Guilbert (1971) que distingue o elemento externo à língua em dois tipos: um estrangeirismo ou um empréstimo. Um estrangeirismo seria nomes próprios, patronímicos, termos que exprimem realidades sem correspondência na língua receptora. Já os empréstimos, os elementos já 14 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 integrados pelo sistema linguístico adotante. Alves ressalta que existe um processo de transição, chamada peregrinismo, em que em certo período de difusão o elemento estrangeiro será adotado ou não pelo idioma receptor. A adoção deve obedecer alguns critérios que são: morfossintático, semântico e fonológico. Morfossintático: Quando o lexema estrangeiro constitui a base de uma derivação ou de uma composição de acordo com a morfossintaxe de uma língua, ele está se integrando ao léxico desse sistema. Assim, podemos afirmar que um termo emprestado faz parte de uma comunidade linguística desde que seja susceptível de derivação e de composição, tal como os elementos autóctones. (ALVES, 1984, p.121). Ou seja, para que um elemento estrangeiro se integre ao sistema da língua adotante ele precisa ser suscetível a derivação ou composição assim como os elementos naturais já pertencentes à língua adotante. Semântico: “Segundo critério semântico, a instalação do termo estrangeiro ocorre quando tal elemento introduzido na língua receptora com um único significado torna-se polissêmico.” (Alves, 1984, p.123). Logo, neste critério, o elemento estrangeiro é incorporado com apenas um sentido e com o passar do tempo pode passar a adquirir novos. Fonológico: Segundo este critério, um termo estrangeiro começa a fazer parte do léxico de uma língua à medida que se integra fonologicamente a ele. Na verdade, o elemento estrangeiro tende a adaptar-se ao sistema fonemático da língua receptora. (Alves, 1984, p.124). Assim, o empréstimo recebe uma pronúncia de acordo com o sistema fonológico desse idioma adotante. 15 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 Além de se adequar a algum desses critérios, de acordo com Alves (1984), a inserção de uma palavra ao acervo lexical de uma dada língua irá depender da aceitação dessa palavra pela sociedade e essa aceitação é evidenciada pelo seu uso por parte dos falantes. Além disso, há todo um trabalho feito por uma equipe de lexicógrafos que irão decidir se determinada palavra pode ou não ser incorporada ao idioma. No entanto eles analisam exatamente a relação de uso da palavra pela sociedade falante desse idioma. A consagração da inserção de palavras a uma determinada língua é feita então a partir do momento que essa palavra passa a constar no dicionário dessa língua. Nesta pesquisa, utilizamos palavras dicionarizadas, isto é, que já foram incorporadas e consagradas pelo uso dos falantes da língua, mesmo que pertencentes a períodos diferentes dos da atualidade. Certo dia entendeu-se que tais vocábulos deveriam fazer parte da língua portuguesa devido ao grande uso por parte da sociedade. Análise dos dados A tabela abaixo contêm a relação de verbos encontrados em nossa pesquisa e seus respectivos significados: Verbo Significado abarrotar [esp. abarrotar.] V. t. d. Encher de barrotes. Encher em demasia. abichar [esp. Plat. abichar.] V. int. Bras. Criar bicheira (o animal). abombar [esp. plat. abombar.] V. t. d. por imperícia. V. t. ind. Suspender. Bras. S. e GO. Fatigar (o animal) por falta de habilidade ao fazê-lo marchar, trotar ou correr. 16 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 achicar [esp. achicar.] V. t. d. Bras. RS. Tornar pequeno; diminuir. acoquinar [esp. plat. acoquinar.] V. t. d. e pron. Bras. S. Intimidar-(se); acovardar(se). alambrar [esp. plat . alambrar.] V. t. d. Cercar com arame. alumbrar [esp alumbrar.] V. t. d. e pron. Iluminar-(se); deslumbrar-(se); maravilhar-(se); inspirar-(se). amistar [esp. amistar.] V. t. d. e pron. Tornar-(se) amigo; conciliar-(se). anonadar [esp. plat. anonadar.] V. t. d. Reduzir a nada; aniquilar. apanhar [esp. apañar.] V. t. d. Colher, recolher; tomar; segurar. Roubar, furtar. Contrair doença. Levar pancada; perder em luta. aperar [esp. plat. aperar.] V. t. d. Bras. S. Por os aperos. Encilhar com bons arreios. Vestir-se bem. aplastar [esp. aplastar.] V. t. d. e pron. Fatigar-(se); cansar-(se); esfalfar-(se). apressurar [esp. apresurar.] V. t. d . e Pron. apressar-(se). aquerenciar [esp. amer. aquerenciar.] V. t. d. Bras. RS. Acostumar o animal a determinado lugar que não é seu pouso habitual. V. Pron. Habituar-se (animal ou pessoa) a certo lugar. arranhar [esp. arañar.] V. t. d. Raspar de leve. Ferir de leve. Conhecer pouco uma língua. Tocar mal um instrumento. Ferir alguém com as unhas. arreglar [esp plat. arreglar.] V. t. d. Bras. RS. Ajustar, combinar, concertar. Pôr em ordem. arrinconar [esp. plat. arrinconar.] v. t. d. e pron. Bras. Arrincoar; pôr em lugar 17 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 estreito e sem saída; acantoar-se. arrocinar [esp. plat. arrocinar.] V. t. d. Bras. S. Tirar as manhas do cavalo; preparando-o para o serviço. assolear [esp. plat. asolearse.] V. int. e pron. Bras. S. Cansar-se o animal e, por extensão, a pessoa, por haver andado muito ao sol. atochar [esp. atochar.] V. t. d. e int. Fazer entrar com força; encher com excesso; atulhar. blasonar [esp. blasonar.] V. t d. e int. ostentar; alardear. bojar [esp. bojar.] V.t. d. Tornar bojudo; enfunar. Int. Apresentar bojo. bolear [esp. plat. bolear.]. V. t. d. Dar forma de bola; arredondar. carchear [esp plat. carchear.] V. t. d. Bras. RS. Roubar; Apropriar-se indevidamente de animais ou coisas a pretexto de guerra. cargosear [esp. plat. Cargosea .] V. int. Bras. RS. Discutir; teimar; gabar-se. carnear [esp. plat. carnear.] V. int. Bras. S. Abater o gado e preparar as carnes para secar; charquear. V. t. d. Abater o boi e esquartejá-lo cerdear [esp. plat. cerdear.] V. t. d. Bras. RS. Tosquiar. chairar [esp. plat. chairar.] V. t. d. Bras. S. Afiar com chaira. changar [esp. plat. changar.] V. t. d. Bras. RS Fazer changa. charquear [esp. plat. charquear.] V. t. d. e int. Bras. Preparar a carne para o charque. cinchar [esp. plat. cinchar.] V. t. d. Bras. S. Prender o animal pelo laço à cincha. courear [esp. plat. cuerear.] V. t. d. Bras. RS. Extrair couro dos animais. 18 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 desarrolhar [esp. desarrollar.] V. t. d. Bras. RS. Espalhar o gado que se acha arrolhado. deslumbrar [esp. deslumbrar.] V. t. d. Ofuscar. Int. Causar deslumbramento. desmoronar [esp. desmoronar.] V. t. d. Fazer vir abaixo; derribar, demolir. Pron. Vir abaixo; desabar. despojar [esp. despojar.] V. t. d. Roubar; saquear; privar da posse. embromar [esp. plat. embromar.] V. t. d. Bras. Protelar. Bras. Calotear. Bras. Zombar. Int. Bras. Contar falsidades; blasonar. Bras. Prometer muito e não cumprir. Andar devagar. empacar [esp. empacar.] V. t. d. P. us. Empacotar. Bras. Emperrar (o cavalo ou o burro). Bras. Fam. Não continuar, não conseguir. empalar [esp. empalar.] V. t. d. Submeter ao suplício da empalação. empaquetar-se [esp. empaquetarse.] V. pron. Bras. RS. Vestir-se com luxo; endomingar-se. empardar [esp. plat. empardar.] V. t. d. Bras. S. Reunir em parelhas ou pares; igualar; irmanar. empilchar [esp. plat. empilchar.] V. t. d. Bras. RS. Cobrir de pilchas ou adornos. empolhar [esp. empollar.] V. t. d. Chocar (o ovo). Fazer germinar. empurrar [esp. empujar.] V. t. d. impelir com violência; empuxar. ; impingir. encalhar [esp. encallar.] V. t. d e int. Fazer dar em seco a embarcação. Não ter seguimento. Bras. Não vender, não ter saída. Bras. Pop. Ficar solteiro por não ter achado casamento, ficar para tia. 19 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 ençampar [esp. enzampar] V. t. d. Bras. MG e SP. Pop. Enganar; lograr; embair; intrujar. enfrenar [esp. enfrenar.] V. t. d. Bras. S. Enfrear. escarchar [esp. escarchar.] V. t. d. Cobrir com escarcha. Adoçar com muito açúcar até cristalizar. Tornar áspero. escodar [esp. escodar.] V. t. d. lavrar e alisar com a escoda. escorchar [esp. escorchar.] V. t. d. Tirar a casca, tirar a pele; roubar, despojar; cobrar preço exorbitante; onerar; esfolar. escovilhar [esp. escobillar.] V. t. d. Limpar de impurezas (ouro ou prata). esquilar [esp. plat. esquilar.] V. t. d. Bras. RS. Tosquiar. garrar [esp. garrar.] V. int. Soltar-se da âncora a embarcação. gozar [esp. gozar.] V. t. d. Desfrutar; fruir. Bras. Achar graça; rir de alguém. Bras. Chulo. Atingir o orgasmo. granear [esp. plat. granear.] V. int. Bras. RS. Granar; criar grão o trigo. guapear [esp. plat. guapear.] V. int. Bras. RS. Mostrar-se guapo; demonstrar ânimo, ousadia. lunanquear [esp. plat. lunanquear.] V. int. Bras. RS. Tornar-se lunanco. V. t. d. Causar esse defeito. machucar [esp. machucar.] V. t. d. Esmagar, triturar, esmigalhar. Amarrotar; Amarfanhar; Melindrar; Ofender; Ferir. manear [esp. plat. manear.] V. t. d. Bras. Prender com maneia ou corda. manguear [esp. plat. manguear.] V. t. d. Bras. RS. Guiar o gado para passar um rio a 20 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 nado. Tentar enganar com manhas e artifícios. manotear [esp. plat. manotear.] V. t. d. e int. Bras. RS. Dar manotaços (o cavalo). maturranguear [esp. plat. maturranguear.] V. int. Bras. RS. Fazer coisa de maturrango. medrar [esp. medrar.] V. int. Crescer. mermar [esp. plat. mermar.] V. t. d. e int. Bras. S e ant. Perder em valor; diminuir. necear [esp. necear.] V. int. Dizer necedades; tolices. palear [esp. plat. palear.] V. int. Trabalhar com pá. patalear [esp. plat. patalear.] V. int. Bras. RS. Dar com as patas; patear; espernear. pealar [esp. plat. pealar.] V. t. d. Bras. RS. Prender animais atirando-lhes o pealo. Fig. Armar cilada; enganar. pechar [esp. plat. pechar.] V. t. d. e int. Bras. S. Dar encontrão; abalroar. Pedir dinheiro. Esbarrar; encontrar-se. pelear [esp. plat. pelear.] V. int. Bras. SC, RS. Brigar; lutar; pelejar. pertrechar [esp. pertrechar.] V. t. d. Prover de pertrechos; preparar aparelhos; aperceber. picanear [esp. plat. picanear.] V. t. d. Bras. RS. Ferir o boi com a picana; aguilhoar; aferretear. pinchar [esp. pinchar.] V. t. d. e int. Impelir; empurrar, derrubar; arremessar; atirar; lançar com força; saltar; pular. pujar [esp. pujar.] V. t. d. Superar; suplantar; subrepujar. putear [esp. plat. putear.] V. t. d. Bras. RS. Chulo. Descompor com palavras obcenas, em geral ofensivas à mãe da vítima. 21 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 quinchar [esp. plat. quinchar.] V. t. d. Bras. RS. Fazer cobertura ou quincha. rajar [esp. rayar.] V. t. d. Estriar, listrar, raiar. rebusnar [esp. rebuznar.] V. int. Des. Zurrar. regozijar [esp. regocijar.] V. t. d. e int. Causar regozijo a; alegrar; alegrar-se; congratular-se. relumbrar [esp. relumbrar.] V. int. Resplandecer; reluzir. remanchar [esp. remanchar.] V. t. d. Fazer borda com o maço na bigorna em fundo de panela ou semelhante. renguear [esp. plat. renguear.] V. int. Bras. S. Tornar-se rengo ou coxo (o cavalo); claudicar; coxear. repechar [esp. plat. repechar.] V. t. d. e int. Bras. PR e RS. Galgar (uma ladeira, um cerro. Elevar-se. reslumbrar [esp. reslumbrar.] V. int. Dar passagem à luz; transparecer; transpirar; transluzir. resvalar [esp. resbalar.] V. t. d. e ind. Escorregar; fazer escorregar ou cair. retouçar [esp. retozar.] V. int. Correr; fazer travessuras; traquinar. Pastar. retovar [esp. plat. retobar.]. V. t. d. Bras. RS. Cobrir com retovo. revisar [esp. revisar.] V. t. d. Visar novamente. Fazer inspeção ou revisão. Tip. Ler prova tipográfica. rumbear [esp. plat. rumbear.] V. int. Bras. S. Rumar. sampar [esp. plat. zampar.] V. t. d. e i. Bras. S. Arremessar; atirar; aplicar. 22 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 saludar [esp. saludar.] V. t. d. .Curar por meio de rezas. Benzer para curar. sangrar [esp. sangrar.] V. t. d. e int. Tirar sangue; tirar líquido; esvaziar; esgotar; extorquir; tirar à força; enfraquecer. Tip. Recolher. Bras. N.E. Entalhar madeira para produzir ressaltos. Pop. Pedir dinheiro emprestado, sem intenção de pagar. Aceder a pedido de dinheiro. sofrenar [esp. plat. sofrenar.] V. t. d. Sofrear o cavalo para fazê-lo parar ou recuar. temblar [esp. templar ‘moderar, temperar’, confundido com temblar ‘tremer’.] V. t. d. Bras. Afinar uns instrumentos pelos outros. tosquiar [esp. ant. tosquilar, hoje trasquilar.] V. t. d. Cortar rente pêlo, lã ou cabelo; tonsurar. trampear [esp. plat. trampear.]. V int. Bras. RS e ant. Trapacear; calotear. tronchar [esp. tronchar.] V. t. d. Cortar rente; mutilar. vislumbrar [esp. vislumbrar.] V. t. d. Alumiar frouxamente; entrever; conjeturar; começar a surgir. zampar [esp. zampar.] V. t. d. Comer muito com pressa e voracidade. Encher muito o estômago. zumbar [esp. zumbar.] V. int. Fazer grande ruído; zoar; zumbir. Abreviaturas e siglas: ant. = antigo bras. = brasilerismo esp. = espanhol fam.= familiar GO = Goiás int. = intransitivo 23 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 lus. = lusitanismo MG = Minas Gerais N.E. = Nordeste (Brasil) plat. = platino pop. = popular PR = Paraná pron. = pronome prov. = provincianismo p. us. = pouco usado RS = Rio Grande do Sul S. = Sul (Brasil) SC = Santa Catarina SP = São Paulo t. d. = transitivo direto t. d. e ind. = transitivo direto e indireto t. ind. = transitivo indireto Tip. = Tipografia v. = verbo Ao analisar a tabela acima é possível verificar que muitos verbos conhecidos como: vislumbrar, tosquiar, revisar, arranhar etc., são oriundos do espanhol e incorporados pela língua portuguesa. Há verbos que por outro lado parecem estranhos, no entanto, isso se justifica, porque são verbos restritos a alguns estados, se referindo a atividades particulares. A amostra também apontou que há verbos oriundos do espanhol da América e do espanhol da Europa. Isso acontece, porque em todas as línguas está presente essa diferenciação diatópica, ou seja, “variantes regionais ou normas regionais”. (CARVALHO, 1998, p.15). Quanto ao critério fonológico de integração dessas palavras de origem espanhola à língua portuguesa, pôde-se verificar que algumas palavras tiveram modificações formais para serem integradas a língua portuguesa, já outras permaneceram intactas. 24 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 Quanto aos processos dentro do critério analisado podemos destacar que: Em geral as palavras que são escritas com “c” antes de “e” e “i” no espanhol, quando passam para o português o “c” será substituído pelo “z” como, por exemplo: regocijar (esp)~ regozijar (port) onde ocorreu um vozeamento/ sonorização na troca do fonema /s/ pelo /z/, o mesmo fenômeno ocorre também com sampar (port)~ zampar (esp). Palavras estritas com, “ç” em português quando passam para o espanhol são substituídas do “z” como em: retozar (esp.) ~ retouçar (port), ocorrendo justamente o contrário do exemplo anterior um desvozeamento/surdorização na troca do fonema /z/ pelo /s/. A palavra apañar (esp) ~ apanhar (port) não diferencia na pronúncia das palavras no espanhol e no português, mas quanto à representação gráfica sim, em espanhol se utiliza o “ñ” e em português o “nh”, a representação fonética é igual para ambas às línguas /ɲ/ sendo um fonema português e espanhol, nasal palatal sonoro. Em espanhol não temos o dígrafo “ss” então em palavras como: Asolearse (esp) ~ assolear (port), a palavra em espanhol perde um “s”, ocorrendo uma redução. Algumas vezes o “y” espanhol corresponde o “j” no português, “y” junto a vogais possui som semelhante “j”, podemos observar isso com a palavra rayar (esp) ~ rajar (por). Há situações em que a pronúncia das palavras é a mesma no espanhol e no português, no entanto a grafia se modifica como em: empollar (esp) ~ empolhar (port), neste caso o fonema / λ / representa o ll no espanhol e lh no português, sendo oral, lateral aproximante, sonoro e palatal. A troca da fricativa “v” pela oclusiva “b” do espanhol para português também é comum como podemos verificar em: retobar (esp) ~ retovar (port) e resbalar (esp) ~ resvalar (port). Há palavras em que a pronúncia do “j” em espanhol é igual à pronúncia do / ṝ/ em português, por isso algumas palavras como: empujar (esp) ~ empurrar (port), é feita 25 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 a troca do “j” pelo “rr”, no entanto o fonema representante é o /R/ para as duas línguas. Observa-se que em muitos dos verbos da amostra a grafia das palavras é a mesma no português e no espanhol, porém, mesmo assim o critério fonológico continua agindo sobre as palavras, porque apesar de serem escritas da mesma forma, existe uma diferenciação na pronúncia dos fonemas do português para espanhol, logo, pode ocorrer um aportuguesamento das palavras, sem que para isso seja necessário mudanças formais. Assim, pode-se afirmar, em se tratando de fonologia, na passagem do espanhol para o português, algumas palavras são grafadas igualmente e podem ter pronúncias diferentes e ainda ser grafadas de maneira diferente e ter a mesma pronúncia. Considerações Finais Por meio da presente pesquisa, verificou-se, com o pequeno recorte de 100 verbos, as influências de palavras da língua espanhola no léxico da língua portuguesa. Procurou-se explorar apenas essa classe gramatical; no entanto, é importante dizer que não apenas verbos foram incorporados ao português, mas também substantivos e adjetivos. Os acréscimos à língua são motivados pelas próprias necessidades da sociedade. Então, se o falante precisar nomear novas realidades, objetos ou situações e não encontrar no acervo de sua língua materna um vocábulo adequado, ele com certeza buscará nos empréstimos algo que se encaixe perfeitamente dentro desse contexto. Através da trajetória desta pesquisa, conheceu-se sobre a história da língua portuguesa e espanhola na Península Ibérica e também na América, entendendo-se, dentro da perspectiva da história das línguas, as influências que espanhol exerce sobre a língua portuguesa. Devido ao contato entre os povos, nenhuma das línguas foi dominada pela outra, formando os adstratos. Quanto ao processo de integração dos empréstimos linguísticos, foram 26 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 apresentados quais são os possíveis critérios a que os termos estrangeiros devem se submeter para serem incorporados pela língua adotante. E para a amostra desta pesquisa o critério predominante foi o fonológico. Com a análise dos processos fonológicos de alguns verbos, conclui-se que podem ocorrer mudanças formais ou não na passagem do espanhol para o português e que muitas vezes mesmo não ocorrendo mudanças formais, a pronúncia pode se modificar de uma língua para outra. E finalmente, pode-se compreender que estudar os adstratos espanhóis na língua portuguesa possui um rico campo de estudo, mostrando para a sociedade o quão fundamental são os empréstimos linguísticos para as línguas. Referências ALVES, I. M. A integração dos neologismos por empréstimo ao léxico português. Alfa: Revista de Linguística (UNESP. São José do Rio Preto. Impresso), São Paulo, v. 28, n. Supl, p. 119-126, 1984. BARBOSA, J. M. Unha história da língua. Disponível em: < http://agalgz.org/faq/lib/exe/fetch.php?media=contributos-pgl:uma_historia_da_lingua.pdf~. Acesso em: 19 de março de 2015. CÂMARA JUNIOR, Joaquim Matoso. História e Estrutura da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro. Padrão. 1975. ________________ Dicionário de linguística e gramática. Petrópolis: Vozes, 1977. CASTILHO, A. Como, onde e quando nasceu a Língua Portuguesa?. in: Museu da Língua Portuguesa. 2009. p. 06, 19, 22, 34. Disponível em: < http://www.museudalinguaportuguesa.org.br/files/mlp/texto_9.pdf ~. Acesso em: 17 de março de 2015. COROMINAS. Joan. Breve Diccionario Etimológico de la Lengua Castellana. 3. ed. muy rev. y mej. Madrid: Gredos, 1980. COUTINHO, Ismael de Lima. Gramática Histórica: linguística e filologia. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1976. DUBOIS, Jean. Dicionário de lingüística. São Paulo, Cultrix, 1997. GUIMARÃES, E. A Língua Portuguesa no Brasil. Cienc. Cult. vol.57 no.2 São Paulo Apr/June 2005. Disponível em: <http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid= S0009 6725 2005000200015&script=sci_arttext~ acesso em: 01 de abril de 2015. 27 Web-Revista SOCIODIALETO • www.sociodialeto.com.br Núcleo de Pesquisa e Estudos Sociolinguísticos, Dialetológicos e Discursivos • NUPESDD-UEMS Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande ISSN: 2178-1486 • Volume 6 • Número 16 • Jul ho 2015 HOUAISS, Antonio. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro. Editora Objetiva, 2001. LAPESA, Rafael. Historia de la Lengua Espanhola. Madrid. Editora Gredos. 1981. MACHADO, José Pedro. Dicionário etimológico da língua portuguesa. 4. ed. Lisboa: Livros Horizonte, 1987. 5.v. MCCLEARY, L. Curso de Licenciatura em Letras-Libras. – UFSC. 2007. RESNICK, Melvyn C. Introducción a la historia de la lengua española. Georgetown University Press.1981. TEYSSIER, P. História da Língua Portuguesa. Tradução de Celso Cunha. São Paulo: Martins Fontes. 1997. Recebido Para Publicação em 28 de junho de 2015. Aprovado Para Publicação em 10 de setembro de 2015. 28