ESTRANHOS NO NINHO
Oposição cerrada a David Dequêch na assembléia
geral de 28 de dezembro de 1958, no primeiro confronto
de comerciantes e industriais pela direção. Numa ousadia
surpreendente, Lizandro de Almeida Araújo inscreve-se
candidato a presidente, contrariando os estatutos, pois
nem sócio era. Daí o título - para o capítulo - semelhante
ao do premiadhsimo filme de Milos Forman (Um Estranho no Ninho). A disputa teve desdobramentos que determinaram a intervenção judicial na Associagío.
Na entrevista para o livro, Igarassu Louzada contou
que entre os industriais cogitava-se criar associação específica, mas ele e Lizandro argumentavam que agrupar os
segmentos fortaleceria a ACL. Relembrando aquela ousadia, Liandro ponderou que David Dequêch fora "homem tão extraordinário" a ponto de pessoalmente assentar tijolos na construção da antiga sede, estimulando os
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associados à participação, porém a entidade converterase num "feudo", sempre com os mesmos dirigentes.
"Pelo meu jeito de atrevido, parecia líder. Mas não
era, eu era só atrevido." Autodefinição de Lizandro, que
chegou a Londrina na década de 50, ainda inspetor de
vendas da América Fabril. Ficou ficou impressionado com
a possibilidade de participar do desenvolvimento ao ver
a cidade tão nova e veloz. No início da década de 60 ele
abre a Organização São Jorge, revendedora de equipamentos escritório e agente exclusivo Olivetti; nos próximos anos implanta a Barão, fábrica de cofres e móveis de
aço. Havia revelado outras facetas: ator de novelas na
Rádio Londrina, colunista social da Folha de Londrina e
"palanqueiro"do candidato a governador Ney Braga, apresentando os comícios sem receber nada, apenas por acreditar que estava com o melhor. A participação na campanha exigiu a rápida naturalização brasileira de Lizandro,
antes que adversários acusassem Ney de ter no palanque
um estrangeiro denunciado pelo forte sotaque português.
Primeira demonstração de atrevimento na "city"
Lizandro dera ao vencer unia eleição para presidente do
Londrina Country Club, então com poucos sócios e vedado a solteiros, que havia motivado inventar o "Clube dos
50", com 25 solteiros e 25 solteiras, quem casasse saía.
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- P o d e r D r r e m I r ,m SerMO
lherme Alves Martins. O assessor jurídico, Alberto Zortéa,
considera a assembléia "nula de pleno direito por falhas
substanciais" e desrespeito aos estatutos, reforçando-se
com pareceres de Rui Ferraz de Carvalho e Ivan Luz, advogados de alto conceito na cidade. Indo tomar posse, a
diretoria eleita encontra a Associação fechada e se reúne
no Grêmio Recreativo.
Em assembléia a 24 de janeiro de 1959, o ex-promotor de Justiça Ruy Cunha é o mediador. Pondera que os
associados, sempre aceitando a orientação da "velha diretoria", responsável pelo prestfgio da entidade, permitiram negligência na assembléia da eleição, quando a diretoria não teve às mãos os elementos básicos para a votação (listas dos sócios quites, etc). Lamenta apenas "o modo
pouco elegante" em meio aos fatos.
Nova assembléia a 31 de janeiro. Após amplo debate, Ruy Cunha põe em votação a anulação ou não da
assembléia do dia 28 de dezembro. Por 92 votos a 1 a
assembléia é anulada. Convoca-se nova eleição. Reelegese David Dequêch - 69 votos; Ruy Cunha - vice presidente (85 votos); Odilon Fuganti - 2Qvice-presidente (85 votos); Francisco Pereira de Almeida Júnior - lQsecretário
(84 votos); Ernani Leite Mendes - 2" secretário (84 votos);
Saulo do Val Estwes de Aimeida - lQ tesoureiro (80 votos); José Schietti - 2Qtesoureiro f80 votos). Conselho consultivo: Joaquim Lopes Alho, Eduardo Benjamin Hosken,
Carlos de Aimeida, Mauro Bmm, Sebastião de Me10 Cezar
e Pedro Nolasco da Silva. Conselho fiscal: Olympio Nogueira Monteiro, Silvestre Sampieri, Aristides Maluf e
Orlando Mayrink Góes.
Ruy pede que seja desconsiderada a sua eleição e
substituido, alegando ser mais agricultor e advogado,
porém é aclamado e permanece.
Impasse: a disputa vai parar na Justiça, que desígna
o engenheiro Aristides de Souza Mello interventor. Em
fevereiro de 1960 Mello é substituído por Francisco Pereira de Aimeida Júnior para completar a intervenção. Porém consta em ata uma diretoria que teria sido escolhida
por consenso: presidente - Francisco Pereira de Almeida
Júnior; vice-presidente - Saulo do Val Esteves de Almeida;
2Qvice - Olympio Nogueira Monteiro; lQ secretário - Ernesto
Pinho Aranha; 2" secretário - Galdêncio Costa; l9 tesoureiro - Gilcênio Mortari; ZQ tesoureiro - Eugênio Ferrari.
Propõe-se votos de louvor e o título de presidente emérito
a Dequêch.
Em entrevista para este livro, José Schietti não se
lembrou do critério para a escolha dessa diretoria. Disse
que era comum sócios serem escolhidos para a diretoria
sem que fossem consultados. E isso chegou a acontecer
com ele, normalmente muito lembrado por causa da sociedade com Orestes Medeiros Pullin, assíduo participan-
te da ACL. Até o confundiam com o sócio, k vezes dando os nomes de ambos a um só, porque eram os titulares
da firma Pullin & Schietti, proprietária da tradicional Farm5cia Maria Izabel.
Retardada a conquista pelos industriais houve a ascensão dos "cafelistas" (representantes dos diversos segmentos da economia cafeeira). Almeida Júnior estava entre os veteranos do Rotary e assinava na Folha de Londrina crônicas sob o título "A Bola do Kiko", abordando
fatos do cotidiano. Na sua produção literária deixou a
letra do Hino a Londrina. "Fui como mata-juntas" - costumava dizer da sua gestão na ACL, onde queria criar departamentos para todas as atividades empresariais. Sentiu-se frustrado quando decidiram que o Centro do Comércio de Café seria criado sem vínculo com a Associação.
PULLIN E S C R I E T I I - O catarinense Orestes Medeiros
Pullin e o paulista José Schietti chegam a Londrina em
1938. E a 19 de junho de 1939 abrem farmácia na Avenida
Paraná, num dos armazéns na quadra onde está hoje a
filial de Lojas Americanas, de onde sairiam para prédio
próprio na Avenida Paraná, 431. A Farmácia "Maria Izabel"
- nome de uma filha do sócio miiiin - cresce junto com a
cidade e permanece a mais famosa do Norte do Paraná,
pela eficiência, seriedade e cortesia, até fechar 43 anos
depois, em 1982. Pullin havia morrido em 1966. Junto
com Schietti dera sociedade a seis empregados mais antigos. Aos 82 anos, Schietti deu entrevista para este livro e
recordoou a razão para o fim da sociedade: o varejo tornara-se insuficiente para assegurar a renda desejávei de
tantas famílias. E nos porões da Farmácia Maria Izabel
Schietti começou, em 1969, uma f i a para vendas no
atacado. Essa empresa transformou-se na Equipe Distribuidora de Medicamentos, Comércio e Representações
Ltda., ,coma notável estrutura na PR-445 pr6xima ao Catuaí
Shopping Center.
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Cap 10