A semana começou com manifestações em todo estado por causa da morte
do eletricista José Itamar da Silva, da empreiteira Protop, que presta serviços para
a empresa na Região Leste do Estado. O
acidente fatal elevou para cinco o número de trabalhadores que morreram este
ano a serviço da Cemig.
Em Belo Horizonte, trabalhadores da
Cemig participaram, na manhã da última
segunda-feira, dia 9, de um ato público e
da celebração de um culto ecumênico,
no Anel Rodoviário, organizado pelo Sindieletro com a presença do Frei Gilvander Moreira e do Pastor Mário Moreira.
Indignado e bastante emocionado, antes
de começar o culto, Frei Gilvander leu em
voz alta o nome dos cinco eletricitários mortos este ano e disse que o sangue dos trabalhadores clama por justiça. Gilvander citou o
Versículo 8 do Evangelho de São João que
diz que “A verdade liberta, a mentira escraviza”. Ele criticou a campanha publicitária da
empresa. “Como a Cemig pode ser a melhor energia do Brasil se está encharcada
pelo sangue do trabalhador?” O Pastor Mário Moreira disse que a sociedade não pode
concordar com os baixos salários e com as
mortes provocadas pela terceirização na
Cemig. “Lutar contra as mortes é lutar por
justiça”, destaca o reverendo.
O coordenador geral do Sindieletro, Jairo Nogueira Filho, questionou a
atual gestão da empresa que só visa lucros. Para ele, a Cemig está totalmente
dependente das empreiteiras que impõem metas abusivas de produtividade
para os trabalhadores, elevando os riscos de acidentes. “O Governo do Estado, como acionista majoritário, é o responsável pelos acidentes na estatal”,
destacou Jairo Nogueira. O coordenador
também criticou a postura da direção da
empresa que não discute a política de
segurança com os trabalhadores.
O deputado estadual Rogério Correia
(PT), que também participou do ato, afirmou que será realizada uma audiência
pública da Comissão de Assuntos Municipais, na Assembleia Legislativa, no dia
19, para discutir as condições da rede elétrica nos municípios mineiros e a condição de trabalho dos eletricitários. O deputado, que também é líder do Bloco Minas Sem Censura, frisou que as denúncias do Sindieletro têm que ‘romper a blin-
dagem do governo de Minas e ganhar a
mídia e as ruas’. O protesto também contou com a participação do presidente da
Cut Minas, Marco Antônio de Jesus.
Mais um acidente gravíssimo
Dois dias após a morte do eletricista,
José Itamar da Silva, a terceirização na
Cemig fez mais uma vítima. No dia 5 de
maio, o eletricista da empreiteira Engeluz, Clemente Andrade Pardinho, de 40
anos, foi atingido por uma descarga elétrica e teve queimaduras de terceiro
grau, consideradas muito graves. Ele
está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital João XXIII, em
Belo Horizonte e corre risco de perder
as duas pernas.
Anel repudia autoritarismo da IP
No dia 9 de maio, os trabalhadores do
Anel Rodoviário protestaram contra a Instrução de Pessoal 8.3, divulgada nos últimos dias pela Cemig. Os eletricitários repudiaram o caráter punitivo das medidas
e só aceitaram sair para o trabalho de
campo após informação da empresa de
que vai alterar o conteúdo da IP.
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CEMIG S
A Luta está só começando
SINDIELETRO COBRA FIM DA DISCRIMINAÇÃO E GARANTIA DE EMPREGO DE QUALIDADE. PARA SINDICATO,
TODOS SÃO ELETRICITÁRIOS, TRABALHAM PARA O GRUPO CEMIG E MERECEM DIREITOS IGUAIS
Os trabalhadores recém contratados
para a Cemig Serviços estão em treinamento e em breve vão assumir seus postos na empresa. Mas, antes mesmo de
exercerem as atividades para as quais foram admitidos, por concurso, como fiscalizar padrões, expedir e entregar conta de
luz e apurar irregularidades nos medidores, eles terão muito trabalho para garantir
a igualdade de direitos com os demais eletricitários.
O primeiro desafio já está colocado, que
é o de impedir que a Cemig interfira na
livre organização sindical dos novos empregados. Depois de tentar depreciar a
imagem do Sindieletro durante o treinamento de um grupo de trabalhadores concursados, em Sete Lagoas, a Cemig abriu
espaço no curso para um político de Uberlândia ligado à Força Sindical, no local
onde é feito o treinamento. Para o Sindicato, no entanto, o acesso não foi permitido.
O coordenador geral do Sindieletro, Jairo
Nogueira Filho, diz que, diante dessa postura, a pergunta que se faz é: qual o verdadeiro interesse da Cemig?
Para Jairo, o que está em jogo é a dignidade dos novos trabalhadores, visto que
eles vão começar a trabalhar para o Grupo Cemig sem equiparação salarial e sem
as mesmas conquistas dos demais empregados, como Forluz, plano de saúde, Pla-
...Terceirização
custa vidas
A indignação, revolta e pesar marcaram o protesto contra as mortes
de trabalhadores da Cemig e pelo
fim da terceirização, na portaria do
Anel Rodoviário, em Belo Horizonte.
A manifestação vai se repetir nos
próximos dias, quando serão realiFoto: Benedito Maia
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no de Carreira e Remuneração (PCR),
Participação nos Lucros e Resultados,
tíquete alimentação no mesmo valor
dos demais eletricitários, auxílio-educação, reembolso de creche e horas extras pagas com índices acima dos previstos na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), entre outras.
“O futuro dos trabalhadores da Cemig S é incerto, pois eles entram na
empresa sem um acordo coletivo,
com salário de aproximadamente R$
800 e contando apenas com os direitos da CLT. Mas eles podem reverter
a situação com disposição para a organização junto ao Sindicato e com
muita mobilização”, aposta Jairo Nogueira Filho.
Na avaliação do coordenador do Sindieletro, se depender da Cemig, os novos trabalhadores vão continuar no ‘bloco dos sem-nada’. “A empresa está fazendo de tudo para isso, como tentar
depreciar a imagem do Sindicato, enrolar e não responder às perguntas dos
trabalhadores sobre seus direitos , além
de facilitar a infiltração de pessoas ligadas à Força Sindical no ambiente de treinamento”, enfatiza. Jairo ressalta que os
eletricitários sempre lutaram muito para
a realização do concurso público na
Cemig e pelo acordo coletivo de trabalho único. Agora chegou a hora dos trabalhadores se mobilizarem pela garantia de emprego digno e decente.
zados novos atos no Estado.
Vimos durante o ato eletricitários constrangidos por constatarem que a morte
de trabalhadores de empreiteiras na Cemig não tem fim. O acidente fatal com o
eletricista José Itamar da Silva, da empreiteira Protop, foi o quinto este ano e o
estopim para a indignação dos eletricitários diante de tantas tragédias.
A notícia de outro acidente grave, no
último dia 5, envolvendo o eletricista da
empreiteira Engeluz, Clemente Andrade
Pardinho, que trabalhava na rede da Cemig, em Águas Formosas, tornou a comoção ainda maior.
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Sabemos que a vida perdida de um
trabalhador não retornará, mas, os protestos deixam bem claro que a omissão e a irresponsabilidade da Cemig
diante da vida do trabalhador já fizeram mais vítimas do que nós, eletricitários, e a sociedade podemos suportar.
Fica mais uma vez o alerta do Sindieletro: a terceirização das atividades
fim é a principal causa de morte de
trabalhadores na Cemig. Mesmo sabendo disso a empresa descumpre o
acordo coletivo de trabalho e se recusa a discutir com seriedade a primarização de atividades-fim.
IRRESPONSABILIDADE
Motoqueiros no trabalho isolado
EM NOME DA “REDUÇÃO DE IMPRODUTIVIDADE”, CEMIG ADOTA TRABALHO ISOLADO PARA O
CORTE DE ENERGIA, NO POSTE. JOGARAM NO LIXO A LEI, A ÉTICA E O RESPEITO À VIDA?
Alguns gestores da Cemig
têm adotado, de forma irresponsável e à revelia dos trabalhadores, procedimentos de
trabalho que desconsideram a
legalidade e, principalmente, o
respeito á vida. Em nome da
produtividade e do lucro fácil,
e preocupados em “mostrar
serviço”, eles mudam – sem
pensar nas conseqüências
para a saúde e segurança procedimentos adotados há
décadas.
Dessa vez, o mau exemplo
veio do documento que circulou no Norte de Minas, de autoria da Gerência de Coordenação dos Serviços de Distribuição, que anuncia mudanças de procedimentos na poda
de árvore e corte de energia
na rede. A decisão mais grave é a de implantação do serviço de moto-corte. Ou seja, o
trabalhador vai, de moto e sozinho, até o local onde a energia do consumidor inadimplente deverá ser cortada, no
poste. Ainda sozinho, ele deve
usar uma vara com um cabeçote de corte para executar a
tarefa. Apesar da atividade de
risco, a empresa ainda estipulou ganho de produtividade
para os trabalhadores.
Os novos procedimentos,
segundo a Gerência de Coordenação de Serviços, foram
determinados pela Diretoria de
Distribuição e Comercialização. Outras regiões, como a
Leste, Triângulo e Grande BH,
também estariam cotadas para
adotar as novas medidas. A
gerência de Relações Sindicais
(RH/RS) foi procurada para justificar as mudanças e informar
se o serviço moto-corte já foi
colocado em prática, mas não
retornou as ligações.
O coordenador do Sindieletro na Regional Norte, Alex Fabiano Amorim, está indignado
pelo descumprimento da Norma Regulamentadora 10 (NR
10), que proíbe terminantemente o trabalho isolado do
eletricitário em atividades no
Sistema Elétrico de Potência
(SEP). “A irresponsabilidade
dos criadores das novas normas é enorme, pois estão impondo procedimentos ilegais e
desumanos”, alerta.
O dirigente do Sindieletro
avisa que o Sindicato não ficará alheio às irregularidades.
“Buscaremos medidas cabíveis para responsabilizar não
só a Cemig, como todas as
pessoas que estão inventando e implantando os novos procedimentos”, afirmou. Para
Alex Fabiano, a empresa, mais
uma vez, insiste na gestão com
foco voltado para a produtividade e os resultados, sem pensar na vida dos trabalhadores.
O diretor do Sindicato, Vicente Ferreira Nascimento,
lembra que o desligamento de
energia diretamente no poste
sempre foi feito por duplas de
trabalhadores, para garantir
procedimentos de segurança
como o isolamento e sinalização da área, análise de riscos
e até socorro à vítima de um
eventual acidente. “O que a
Cemig está fazendo é o absurdo dos absurdos. Ficam perguntas como, se o trabalhador
levar um choque elétrico,
quem vai socorrê-lo? E se
estiver em zona ru- ral?
A Cemig vai se
responsabilizar pelos acidentes”?
Moto equipada com vara telescópica
ISSO QUE É
CIDADANIA!
O morador de Araguari, Paulo Peters, deu um
ótimo exemplo de cidadania. Ele esperou por dois
meses e 10 dias para que a Cemig atendesse o
pedido de substituição de lâmpadas queimadas
em dois postes situados em frente à sua casa, que
fica na esquina. Cansado de esperar, o morador
usou a criatividade para protestar contra o descaso da empresa. De forma bem-humorada, Peters
colocou os postes “à venda”, e ainda tirou foto.
Em tempo: durante os dois meses de espera, o
consumidor recebeu religiosamente a conta de luz,
com a cobrança da taxa de iluminação.
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MAL ESTAR E INSEGURANÇA
Autoritarismo não
evita acidentes
CEMIG BAIXA MEDIDAS PUNITIVAS, CRIANDO CALVÁRIO PARA ELETRICITÁRIOS
MAS DEIXA DE COMBATER VERDADEIRAS CAUSAS DE ACIDENTES
Ao mesmo tempo em que mantém a terceirização e o trabalho isolado, principal causa de mortes no
setor elétrico, e se recusa a debater
o trabalho seguro, a Cemig comete
mais erros em nome da ‘meta de acidente zero’. Em vez da busca coletiva por formas de reduzir acidentes,
a empresa publicou, no último dia
12, a Instrução de Pessoal 8.3, cujo
caráter autoritário e contraditório
aparece logo no título: Responsabilizações e Penalidades pelo Descumprimento da Política de Segurança, Saúde e Bem-estar.
As regras, diz a Diretoria de Gestão empresarial (DGE), entrarão em
vigor em de 1º de setembro. As penalidades são muito graves e vão
da advertência por escrito à suspensão de até 30 dias, podendo
chegar à demissão por justa causa.
Para os gerentes, a pena máxima é
a perda do cargo gratificado, sem
risco de demissão. Os chefes serão
penalizados, principalmente quando não punirem o trabalhador que
cometeu ‘irregularidades’.
Na avaliação do Sindieletro, a instrução amplia poderes de superintendentes e gerentes, que julgarão a gra-
vidade do caso e aplicarão penas,
gerando mais tensão e risco de acidente de trabalho. “A Cemig segue
uma política de recursos humanos totalmente autoritária e equivocada.
Um RH que não tem diálogo nenhum
com os trabalhadores”, critica o coordenador geral do Sindieletro, Jairo
Nogueira Filho.
Em vários setores, trabalhadores
estão revoltados como que chamam
de ‘política de conseqüência’ . O assessor de Formação do Sindieletro,
José Luiz Fazzi, também aponta os
equívocos da instrução. “Não dá
para falar em bem-estar e em penalidades ao mesmo tempo. Esse documento mostra que a democracia
ainda não entrou para as relações
de trabalho da empresa”. Para ele,
nada do que a instrução traz pode
ser chamado de educativo, pois não
visa a conscientização, único caminho para a mudança. “O que a Cemig chama de medida técnica-educativa é mera punição, porque não
é resultado de decisão coletiva,
onde trabalhador ou entidade sindical tenha participado, e não favorece novos comportamentos”.
A assessora da Saúde do Traba-
lhador do Sindieletro, Ana Lúcia Murta, também alerta que, por decretos, a empresa nunca chegará à avaliação séria da relação entre o modelo de gestão da Cemig e os acidentes de trabalho e continuará perdendo trabalhadores. “Sabemos
que gerentes e supervisores não serão punidos porque a análise de acidentes da Cemig não avalia o processo de trabalho e o
eletricitário será sempre penalizado”.
Telefone (31) 3238.5000
Site: www.sindieletromg.org.br
E-mail: [email protected]
Rua Mucuri, 271 - Bairro Floresta - Belo Horizonte/MG - CEP: 30.150-190 - Fax: (31) 3238.5049
Diretor responsável: Arcângelo Queiroz - Edição: Rosana Zica - Redação: Mariângela Castro, Rosana Zica e Benedito Maia
Diagramação: Vinícius Avelar - Central de Informações: Nízio Fernandes - Impressão: Bigráfica/9.000 exemplares
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