VALE
Teleconferência e webcast
Resultados do 3o trimestre 2013
08 de novembro
Português: 10:00 a.m. (Horário do RJ)
Introdução
Operadora: Bom dia senhoras e senhores. Sejam bem vindos à teleconferência da Vale, onde
serão discutidos os resultados do terceiro trimestre de 2013.
No momento, todos os participantes estão conectados apenas como ouvintes. Mais tarde será
aberta a sessão de perguntas e respostas, quando então serão dadas as instruções para
participarem desta sessão. Caso seja necessária a ajuda de um operador durante a
teleconferência, basta teclar asterisco zero.
Cabe lembrar que está teleconferência está sendo gravada. A gravação estará disponível no
website da empresa no endereço, www.Vale.com, seção investidores. O replay desta
teleconferência estará disponível por meio do telefone (55 11) 4688-6312, código de acesso:
3034059 SUSTENIDO. Essa teleconferência está sendo transmitida simultaneamente pela
internet, também com acesso pelo site da empresa www.Vale.com, seção investidores. Ou
ainda através do site www.prnewswire.com.br.
Antes de prosseguir, gostaria de esclarecer que eventuais declarações que possam ser feitas
durante essa teleconferência, relativas às perspectivas e aos negócios da Companhia, bem
como projeções, constituem-se em previsões baseadas nas expectativas da administração em
relação ao futuro da Vale. Essas expectativas estão sujeitas às condições macroeconômicas,
riscos de mercado e outros fatores.
Conosco, hoje, estão:
•
Sr. Murilo Ferreira – Diretor Presidente;
•
Sr. Luciano Siani – Diretor Executivo de Finanças e Relações com Investidores;
•
Sr. José Carlos Martins - Diretor Executivo de Ferrosos e Estratégia;
•
Sra. Vania Somavilla – Diretora Executiva de Recursos Humanos, Saúde e Segurança,
Sustentabilidade e Energia;
•
Sr. Galib Chaim – Diretor Executivo de Implantação de Projetos de Capital.
•
Sr. Peter Poppinga – Diretor Executivo de Metais Básicos e TI
•
Sr. Roger Downey – Diretor Executivo de Fertilizantes e Carvão
•
Sr. Clovis Torres – Consultor Geral
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Inicialmente o senhor Murilo Ferreira fará os comentários sobre o desempenho da Vale no
terceiro trimestre de 2013, logo após estará disponível para responder as questões que
eventualmente sejam formuladas.
Agora gostaria de passar a palavra ao Sr. Murilo Ferreira. Por favor, pode prosseguir.
Murilo Ferreira: Bom dia a todos, ontem a noite nós tivemos a oportunidade de divulgar os
nossos resultados relativo ao terceiro trimestre de 2013 e como todos puderam observar de
ponta a ponta os indicadores financeiros, nós tivemos um desempenho bastante bom.
Conforme nós havíamos dito nos trimestres anteriores e nós tivemos um problema de
comunicação no final do ano passado, que mostrava que nós íamos ter no decorrer deste ano
uma movimentação de volume diferente dos anos anteriores, procurando aproveitar muito mais
as sazonalidades decorrentes das condições climáticas na produção. Então, conforme foi dito
anteriormente, nós tivemos uma recuperação na nossa produção de minério de ferro e isso
levou um a numero bastante expressivo em relação aos embarques de minério de ferro em
Pelotas né, e que chegamos aí 83,6 milhões de toneladas no terceiro trimestre, que foi o
terceiro maior na nossa historia. Nós também queremos destacar que o custo do minério de
ferro se nós levarmos em consideração a mina, as plantas, a ferrovia o porto e depois os
royalties, nós chegamos a um numero de US$ 22,10. Então nós também podemos destacar
fortemente em relação aos metais básicos o ramp up de Salobo I, que está indo muito bem.
Nós tivemos um ótimo desempenho em relação ao cobre e nós já estamos trabalhando acima
de 70% da nossa capacidade nominal e esperamos atingir os 100% até o final do ano. Nós
também podemos destacar aí o nosso continuo esforço no sentido de austeridade e
simplicidade, procurando trazer mais eficiência à empresa de tal forma que isso se traduza em
custos menores. Nós verificamos que os custos, eles continuam apresentando reduções tanto
os custos gerais, nós estamos referindo aos custos comerciais, de despesas comerciais,
administrativas, assim como os de pesquisa e desenvolvimento. As despesas gerais de vendas
e administrativas nós conseguimos quase 42% de economia no curso de 2013. Em relação à
pesquisa e desenvolvimento nós superamos 47%, então é um esforço muito grande do nosso
time no sentido de fazer as coisas da melhor forma, da forma mais competitiva dentro da nossa
visão que nós sempre precisamos ter ativos no primeiro quartil da indústria. Nós também
podemos dizer que o nosso EBITDA dos nove primeiros meses totalizaram US$ 16 bilhões,
quase 9% maior, ano a ano, se você verificar. E ele é muito decorrente desse grande esforço
de redução de custos e despesas que foram independentes inclusive, de preços que nós
tivemos uma redução de US$ 828 milhões nas receitas gerais da empresa né. Nós
continuamos trabalhando muito, muito forte em todas as áreas fertilizantes, no carvão temos
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muitos desafios ainda em a Moçambique em relação a ferrovia, mas já apresentamos
melhorias no passado recente. Em termos de transportes estamos confiantes que isso ganhará
mais consistência no quarto trimestre e no curso do ano de 2014 enquanto o corredor Nacala
ainda não fica pronto. A nossa política de desinvestimento de ativos non core continuam.
Vocês conhecem o curso da transação VLI com o desinvestimento que nós já fizemos. Ainda
existe uma tranche que nós já estamos em fase final para a celebração dos contratos, de tal
forma que nós passaremos a ter uma participação inferior a 40% na VLI. Nós também estamos
trabalhando muito forte, será um trimestre de muitos desafios de um trabalho muito forte em
relação à esse assunto de desinvestimento. Serão feitos alguns anúncios de trabalhos que nós
estamos realizando tiverem sucesso e para isso nós estamos muito focados. Isso suporta com
que a empresa fique com uma divida bastante controlada e permitiu inclusive uma ampliação
na distribuição de dividendo de 2013. Um outro ponto que eu sei que é do interesse de vocês
refere-se à discussão sobre a controladas e coligadas no exterior e os impostos atinentes a
este assunto. Dizer que nós continuamos aguardando uma definição da nova lei que poderá
vigorar a partir de 2014, que para nós tão ou mais importante que verificar o passado, é saber
em que condições esse assunto vai prevalecer para o futuro. Temos convicção que isso será
definido nas próximas semanas e vamos conseguir trabalhar, se não, na mesma
competitividade das empresas americanas e empresas europeias, mas que não seja uma coisa
tão distante como nós nos encontramos hoje. É muito importante nós salientarmos que toda
essa discussão em relação à nova legislação de controladas e coligadas no exterior, ela tem
como único foco restaurar uma competitividade em relação aos nossos competidores. Então
eram esses os pontos principais que eu gostaria de abordar no início da nossa conversa,
agradecer a todos que estão nos ouvindo e aí nós podemos passar para as perguntas e
respostas. Bom dia, obrigado.
Operadora: Obrigada, senhoras e senhores iniciaremos agora a sessão de perguntas e
respostas exclusiva para analistas e investidores. Para fazer uma pergunta, por favor, digitem
asterisco um. Para retirar a sua pergunta da lista, digitem asterisco dois. As perguntas serão
limitadas em duas por vez.
Operadora: Nossa primeira pergunta vem do Sr. Rodolfo Angeli, JP Morgan.
Rodolfo Angeli: Bom dia, minhas duas perguntas, são as seguintes. Primeiro, eu queria
conversar um pouquinho sobre ramp up do +40. Essa discussão de volumes para Vale tem
sido sempre um ponto critico né, e na verdade não só para a Vale, mas para todas as de
minérios de ferro. Eu queria, se vocês pudessem falar um pouquinho de como é que a gente
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deve ver o ramp up desse projeto entrando aí principalmente para o ano que vem. E a outra
pergunta é sobre ainda no minério de ferro, sobre frete. A gente viu o preço de frete spot
subindo e a Vale mostrou um custo de frete pra baixo. Se vocês pudessem falar um pouquinho
porque que isso aconteceu, um pouquinho sobre a estratégia de frete. É isso. Obrigado.
Murilo Ferreira: Rodolfo, obrigado ai pelas suas perguntas. Eu vou passar para o Martins para
que ele possa responder as suas duas perguntas, mas antes dizendo que eu sei que você é
uma pessoa muito inteligente e já colocou as coisas para a gente talvez oferecer alguma dica
sobre o volume de 2014. Mas nós deixamos esse assunto para o Vale Day em Nova Iorque.
Mas Martins, por favor.
Martins: Bom dia Rodolfo. Em relação a questão do + 40, como o Murilo comentou, a nossa
idéia é fazer essa apresentação sobre o volume na reunião do Vale Day em Nova Iorque. Mas
eu posso assegurar que o ramp up do +40 está indo muito bem, o equipamento está atingindo
rapidamente os volumes previstos de capacidade e nós acreditamos que uma vez as obras da
logística ferroviárias sejam concluídas, ele vai poder mostrar aí todo o potencial de trazer essa
produção adicional pra Vale. Com relação a frete, na realidade o frete spot subiu. Quer dizer,
você tem que olhar em primeiro lugar o seguinte: tem o frete spot, tem o frete de contrato e tem
o frete a longo prazo. Como a Vale está praticamente hedgeada na questão do frete, nós
temos aí grande parcela das nossas vendas CIF já contratadas com frete de longo prazo, a
gente acaba não sendo afetado por essas variações do frete, principalmente quando ele sobe.
O problema maior é quando ele desce, aí fica uma diferença grande entre o frete que a gente
contratou de longo prazo e o frete spot. Nós acreditamos que esse mecanismo daqui pra
frente, a elevação eventual do frete no mercado spot, ela acaba sendo favorável pra Vale uma
vez que nos temos uma grande parte da frota já contratada de longo prazo, e também navios
de grande porte que tem um custo mais baixo do que o custo médio de navios médios, que a
gente chama de cape size normal. Então, esse resultado que você esta vendo ele já reflete,
vamos dizer, os bons resultados da nossa estratégia de transporte. Estratégia que é de longo
prazo. Nós não estamos querendo ganhar no frete todo mês. Quer dizer, o que nós queremos
é ter grande parte da nossa produção vendida na condição CIF, com frete otimizados. Essa é a
característica principal da nossa estratégia de shipping.
Rodolfo Angeli: Ok. Obrigado.
Operadora: Com licença, a nossa próxima pergunta vem do Sr. Karel Luketic, Merill Lynch:
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Karel Luketic: Bom dia a todos, obrigado pela pergunta. A minha primeira pergunta em
relação à produção de Carajás. Se vocês pudesse ajudar a gente entender como o problema
de Cavernas tem afetado ou pode afetar o volume de Carajás nos próximos anos, se impacta
de alguma maneira. E a segunda pergunta, se puder, é com relação ao código mineral. A gente
vê alguns artigos recentes falando de pequenas mudanças feitas, nada muito relevante com
relação à proposta inicial e que isso poderia ser aprovado no curto prazo. Não sei se vocês tem
algum update com relação a isso.
Murilo Ferreira: Bem Karel, é o Murilo. Obrigado aí pela sua pergunta. A respeito do código
mineral, esse assunto está sendo discutido na comissão especial que foi designada, recebeu
uma série enorme de emendas e seu relator esta analisando. A última informação que eu tive é
que esse parecer deve sair daqui 10 ou 15 dias, mas isso tudo depende de um calendário
interno lá da Câmara dos Deputados, no caso. Nós não temos ainda uma visibilidade e tal que
permita nos assegurar qual será o conteúdo desse oferecido pelo relator, então seria uma
especulação muito grande da nossa parte dizer. Nós sabemos muitas vezes essas coisas até
no momento da votação lá elas são ajustadas. Então, realmente nós não sabemos é como é
que vai ser feito, como é que vai ficar a posição final do relator na Câmara dos Deputados,
lembrando que depois ela ainda tem que ter a votação no próprio plenário, ser remetido para o
senado e fazer o mesmo circuito, através de uma comissão e de depois do plenário do Senado.
Então, não temos. O Martins vai responder em relação às cavernas mais eu só gostaria de
mencionar uma hierarquia de eventos que nós precisamos entender, né. Quando nós aqui
chegamos nós tivemos que fazer um trabalho muito intenso em relação a N5 Sul. Esse trabalho
foi desenvolvido com sucesso nós tivemos a licença ambiental, nós em seguida fomos
trabalhar o assunto da Serra Sul, S11D, esse era um assunto mais complexo ainda porque
envolvia licença ambiental na parte de logística. Você sabe que na parte de logística, inclusive,
nós tínhamos o projeto de 150 milhões de toneladas, acabou se transformando em 128 milhões
naquela fase da logística por falta de licenças ambientais no passado. Mas, felizmente hoje,
nós temos todas as licenças em relação a Serra Sul, o projeto S11D em mãos. O projeto está
bastante acelerado conforme vocês puderam ver pelos números distribuídos ontem a noite e
nós estamos completamente comprometidos agora, terceiro assunto da pauta, que era a pauta
desses três principais temas, vamos dizer, com o assunto das cavernas, no qual o Martins
poderá dar o esclarecimento.
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Martins: Bom com relação às cavernas, como vocês sabem, existe uma legislação especifica
de proteção ambiental das cavernas. As cavernas são consideradas propriedades do país e
elas têm que ser feita um estudo detalhado em cada caverna pra definir sua relevância. Este
estudo demora, em média, um ano para ser feito porque ele tem que ser feito nas quatro
estações do ano para determinar a sua relevância. Depois de determinada a sua relevância é
que então nós conseguimos definir o que, que nós podemos explorar em termos de minerais
na região. Então nós estamos nesse processo, evidentemente que ele cria algum
constrangimento no desenvolvimento da produção. Mas nós estamos confiantes que nós
vamos resolver à medida que a gente conclui esse estudo de relevância das cavernas e
consiga determinar as áreas que possam ser mineradas. Até que esse estudo seja concluído e
a relevância das cavernas seja determinada, efetivamente a gente não pode fazer nenhum
movimento. Nós estamos concluindo esse trabalho e a nossa expectativa é que já pra quando
a gente tiver a reunião do Vale Day, a gente possa informar alguma coisa de forma mais
positiva sobre o assunto.
Thiago Lofiego: Muito Obrigado.
Operadora: Com licença, nossa próxima pergunta vem do Sr. Marcos Assumpção do Itaú BBA.
Marcos Assumpção: Muito bom dia a todos. Minha primeira pergunta com relação a VNC.
Nos nove primeiros meses do ano vocês tiveram despesas pré-operacionais de quase US$ 440
milhões e no terceiro tri já foi um pouco mais baixo. Se vocês puderem falar um pouco das
estratégias pra tornar a operação rentável o que vocês estão esperando para 2014 e mesmo
tornando a operação rentável, dado o Capex, que foi feito lá se existe algum risco de write-off
nos próximos anos. E uma segunda pergunta pro Martins, dado que vocês estão um pouco
mais otimistas com a produção industrial no mundo e a produção de aço também no resto do
mundo, se você tem alguma expectativa que pudesse compartilhar com a gente sobre a
produção de aço na China e no resto do mundo para 2014. Obrigado.
Murilo Ferreira: Eu gostaria primeiro de passar para o Luciano Siani que vai falar sobre a
evolução dos números da VNC e em seguida pro Peter Poppinga para esclarecer de como é
que ele esta vendo a produção final e em seguida pro Martins.
Luciano Siani: Marcos, bom dia. Obrigado pela sua pergunta. Nós tivemos um desempenho
de despesas pré-operacionais um pouco mais alto que esperávamos pra VNC esse ano, em
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razão que tivemos que fazer, em abril, uma parada que não era prevista. Imaginávamos fazer
todas as paradas agora no segundo semestre e tivemos que fazer algumas correções. Nossa
expectativa é que a partir do ano que vem a gente chega mesmo com preço de níquel mais
deprimidos a um equilíbrio de cash flow na VNC. Nós temos aí um volume geral de gastos
dentro da empresa de US$ 650 milhões, aproximadamente. Uma parte esse ano já foi
“offsetada” por receitas, então o que vocês veem como despesas operacionais é menor. E uma
boa parte desses US$ 650 milhões ele é custos fixos, então a competitividade do projeto vai
depender muito da nossa capacidade de atingir as metas de produção de 57 mil toneladas que
o Peter vai comentar mais adiante. Fora isso, nós temos um programa de redução de custos
em curso em VNC com o objetivo de baixar esses custos. A gente quer levar isso ai para um
patamar cerca de US$ 550 milhões mais ou menos. Então, se nós formos bem sucedidos em
fazer isso, nossas expectativas, nossos planos de negócios, tem aí um EBITDA de US$ 500 ou
US$ 600 milhões, aí depende da hipótese que você fizer de preço. Conseguindo atingir essa
performance nós temos aí base para justificar os valores de livro que nos temos aí em VNC e
não teria necessidade de write-off. Agora tudo depende fundamentalmente da evolução das
perspectivas da produção que eu peço o Peter para detalhar.
Peter Poppinga: Marcos, obrigado pela sua pergunta. Realmente as despesas préoperacionais estão em queda e eu considero o terceiro trimestre que nós tivemos, muito bom
operacionalmente, e eu vou explicar por que. Nós produzimos quase seis mil toneladas de
níquel e no mês de setembro mais de dois, isso daí dá 40% da capacidade da planta. Então, se
você tirar fora aí uma ou duas semanas onde tivemos fortes chuvas e tivemos aí uma parada
de uns equipamentos periféricos que não são core, se você excluir isso, nós tivemos no
trimestre praticamente atingindo 50% da capacidade da planta. E pela primeira vez nós
conseguimos rodar com três autoclaves. Isso foi um break through tremendo porque mostrou
que nós conseguimos chegar nas operatings design rating. Então, eu considero, compartilhei
com meus colegas, eu considero que apesar da produção ainda tá um pouco baixa eu
considero que nós vencemos a batalha tecnológica e sabemos que todos os circuitos
funcionam e agora nós temos que concentrar o foco em aumentar a disponibilidade da planta.
Vamos fazer aí em torno de 20 mil este ano, ano que vem está previsto ir para em torno de 40
mil que é mais ou menos a sua pergunta, que é mais ou menos dados considerando preços
similares deste ano, mais eu acredito que eles vão ser um pouco maior, mais dados aí preços
similares esses 40 mil vão nos levar a uma posição de fluxo de caixa neutro. Então eu estou
bastante, depois desse trimestre agora, eu estou bastante mais otimista em relação ao VNC,
estamos indo pelo bom caminho.
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Martins: Bom, com relação à questão da produção, quer dizer, nós estamos vendo aí
claramente uma melhora do clima na Europa certo ainda não teve um impacto grande nas
demandas de aço na Europa, mas há sinal de confiança maior dos clientes. Alguns até se
posicionando um pouco melhor em relação à demanda por minério. Mas, enfim, eu não vejo a
Europa como uma grande fonte de crescimento de demanda de aço no futuro. Quer dizer, acho
que é um mercado maduro, é um mercado que sofreu bastante com essa crise de 2008 e a
recuperação será muito lenta. A gente ainda está aí quase 20% abaixo do nível pré-crise,
certo? Eu acredito que parte disso será recuperado, mais totalmente acredito que vai ser muito
difícil de recuperar. A Ásia tem surpreendido favoravelmente com a China, mas o Japão está
com uma boa performance, esse ano a China que a gente esperava o crescimento na faixa de
3% da produção de aço a produção esta crescendo aí na faixa de 8%, quer dizer, muito acima
do que os mais otimistas esperavam. A China tem essa característica, ela quebra a cara dos
pessimistas e surpreende os otimistas. Pro ano que vem, eu voltei recentemente lá da China,
passei 15 dias lá visitando uma série de clientes, está todo mundo bastante otimista com
relação ao ano que vem. A expectativa é que vai haver um novo crescimento da produção de
aço que nós estamos estimando aí na faixa de 3% pro ano que vem, em função de que esse
ano o crescimento foi realmente muito acima do esperado com esse numero de 8%. A China
continua fazendo muitas obras em infraestrutura, eu tive a oportunidade de visitar lá várias
províncias e pude ver que continua, quer dizer, um grande número de obras de infraestrutura
conduzidas pelo governo, seja federal, seja provincial, seja municipal. A parte de home
building, quer dizer, construção civil, também bastante acelerada e aí aparentemente existe
uma certa preocupação com uma bolha porque o volume ainda é muito grande. Você vê muitas
obras sendo tocadas por toda a China na parte de construção civil. E há aí um questionamento
sobre isso. Mas o fato é que enquanto a conta de capital na China permanecer fechada as
pessoas que tem poupança e não quiserem deixar dinheiro nos bancos vão investir em
construção civil. Então isso é uma distorção do sistema, mas eu acredito que enquanto a conta
de capital não se abrir e permitir que os poupadores chineses possam mandar o dinheiro para
fora, esse fenômeno vai continuar acontecendo. O que eu chamo de antecipação de
investimento. Quer dizer, na realidade o que ocorre é a construção de prédios residenciais e
industriais e comerciais é feita na frente da demanda, quer dizer, a demanda vai crescendo vai
ocupando isso aí, mas essa poupança sempre está se antecipando. Esse é um fenômeno
positivo para a indústria do aço, é positivo para nós e eu não acredito que esse fenômeno seja
coibido do dia pra noite. Acho que ainda vai demorar muito que esse tipo de investimento
antecipado na China seja coibido. De toda forma, ele é uma parcela relativamente pequena do
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investimento global. É importante, principalmente nessa parte de aço vergalhão, que vai muito
para a construção civil, mas ela não é assim dentro de um volume de investimento que a China
faz de quase 50% do PIB todo ano é esse volume de construção residencial, deve estar na
faixa aí de uns 10%. Portanto, é uma questão para o futuro mais nós não vemos, enquanto
eles realmente não abrirem a conta de capital, nós não vemos como que esse fenômeno vai
paralisar. Eu vou à China há mais de 10 anos e há mais de 10 anos eu vejo esse fenômeno
ocorrer. Quer dizer, a construção residencial, comercial e industrial construção de prédios
sempre na frente da demanda e aí vem as histórias de cidades fantasmas, essa coisa toda.
Porque eles realmente constroem na frente, e como na china você não deixa as pessoas
mudarem do campo para a cidade enquanto elas não tiverem emprego, você acaba tendo um
descompasso. Mas, mesmo assim você verifica que os preços dos imóveis residenciais
continuam num nível muito acima daquilo que o governo gostaria. Portanto eu não vejo uma
grande mudança nesse cenário, continuo vendo a China com uma performance positiva em
termos siderúrgicos e também significando demanda maior pra questão de minério. O que
pode afetar esse balanço de oferta e procura é realmente a oferta aumentar acima da
demanda. Esse trimestre agora, esse último trimestre do ano que a gente esperava que
haveria um crescimento oferta de minério acima da demanda esse fenômeno não esta
ocorrendo quer dizer, nós continuamos vendo o comportamento do preço do minério bastante
positivo o que significa que o mercado continua absorvendo a produção adicional de minério
que tem chegado ao mercado.
Marcos Assunpção: Está ótimo, Obrigado.
Operadora: Com licença, nossa próxima pergunta vem do Sr. Renato Antunes, Brasil Plural
Renato Antunes: Bom dia a todos. Obrigado pela pergunta. E a primeira voltando ao tema dos
impostos sobre subsidiárias lá fora, o Murilo já comentou no começo do call, e eu entendo que
é um tema difícil de comentar, se vocês pudessem só nos ajudar um pouco a entender mesmo
que qualitivamente qual a visão da Vale sobre o assunto, tanto passado quanto futuro, enfim,
quais são os pontos críticos que na visão de vocês hoje seria importante ficarem esclarecidos e
eventualmente se vocês pudessem nos ajudar a estimar o que seria uma alíquota de imposto
de renda realizada da Vale, consolidada pra frente, assumindo que as regras futuras fiquem
claras. Essa é a primeira pergunta. A segunda, seguindo um pouco na linha do que o Martins
comentou recentemente, se você pudesse comentar um pouco sobre o prêmio de qualidade de
minério de alto teor, a gente tem ouvido de alguns, de algumas pessoas um indicio de
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recuperação nesse premio por ferro de alto teor, o que seria muito positivo pra Vale, eu queria
entender um pouco de vocês se de fato isso já está sendo sentido no mercado e como vocês
enxergam isso pela frente. Obrigado.
Murilo Ferreira: Bem, em relação aos impostos no exterior eu vou passar para o Clovis, ele
participa ativamente das reuniões do IEDI, deixar bem claro que o IEDI através do seu
Presidente, Pedro Passos, tem liderado todo um grupo de empresas, faz parte dessa
discussão com Ministro da Fazenda e com todas as autoridades a ele subordinadas, né. Então,
nós não temos a minuta final em relação a esse assunto, nós temos, no entanto alguns pontos
que foram objetos de discussão em relação a essa futura lei para que ele possa alinhavar aqui
pra vocês, o Clovis por favor.
Clovis Torres: Bom dia Renato, bom dia a todos. Bem, as discussões através do IEDI com as
fazendas tem encaminhado aí, como devem ser, nos interesses de cada uma das partes, mas
pensando sem dúvida num ponto maior que é a competitividade da indústria brasileira quando
sai do País e vai competir no exterior. Então, todos os pontos que nós temos buscado, de certa
forma, buscam em ser coerentes com nossos competidores lá fora. Como vocês devem saber,
a Inglaterra, por exemplo, ela não tributa os resultados no exterior de suas empresas. Os
Estados Unidos tributa num sistema de caixa. E nós, hoje, no Brasil, tributamos no sistema de
competência. Nesse sentido, eu não creio que isso vá mudar, nós temos buscado uma
possibilidade de haver, por exemplo, uma consolidação vertical de lucros e perdas no exterior
antes de trazer e de oferecer a tributação aqui no Brasil. Temos buscado um prazo pra que
efetivamente o tributo seja recolhido no país e o mais importante também é o que se paga lá
fora não seja pago duas vezes. Então que haja um crédito do tributo pago. Então essas são as
discussões as principais, os pontos principais da nova legislação que entra em discussão e nós
esperamos que a MP seja publicada ai nas próximas semanas, senão nos próximos dias.
Murilo Ferreira: Bem, vamos ao Martins.
Martins: Efetivamente isso está ocorrendo, como vocês sabem, tem havido um aumento
constante da oferta de minério ferro e oferta de minério de menor qualidade. Isso faz com que
os minérios de maior qualidade, principalmente, o minério de Carajás, que ainda mantém um
diferencial grande de qualidade em relação aos outros minérios venha sendo precificado muito
melhor. A nossa expectativa é que isso, esse fenômeno continue embora o fato fundamental é
que enquanto o preço do carvão metalúrgico continuar deprimido a grande fonte de valorização
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dos minérios de melhor qualidade é redução do consumo de carvão e nos últimos dois anos
houve uma grande queda no preço do carvão e isso deteriorou muito os ganhos de qualidade.
Mas, principalmente em relação aos minérios de Carajás, a gente já vem sentindo essa
melhoria em termos de qualidade ainda não voltou quer dizer ainda tá longe de atingir os níveis
que atingiu em 2010, quando cada 1% de ferro chegou a equivaler US$ 7 a mais no preço
então se você bota aí US$ 2 ou US$ 3, 2% ou 3% de ferro a mais pode chegar a U$ 20 de
prêmio. Hoje esse número está na faixa de US$ 2,20 a US$ 2,30 o que praticamente os 3%
antes estão cobrindo apenas 1%, aliás 1% anterior cobra apenas, 3% agora cobre 1% que era
anteriormente. Então esse fator ainda não retornou, embora a gente já tem seguido precificar
Carajás com preço de US$ 5 a US$ 6 acima do prêmio habitual. Então é um fenômeno que
vem ocorrendo e é positivo pra Vale e a medida que a gente consiga, vamos dizer, deslanchar
a produção de Carajás os benefícios serão ainda maiores por causa do volume.
Renato Antunes: Obrigado.
Operadora: Com licença, nossa próxima pergunta vem do Sr. Marcelo Aguiar, Goldman Sachs.
Marcelo Aguiar: Obrigado pela oportunidade, parabéns pelos resultados. Minha primeira
pergunta seria: continua aí um pouco em relação Refis, Murilo que parece que saiu umas
reportagens na imprensa dizendo que a Vale esperava uma mudança na MP615. Você tem
focado muito em relação ao futuro, o que é importante, mas o mercado também tem focado
bastante no potencial amortização desse liability que vocês teriam, mas não está provisionado.
Então se você pudesse ainda discutir um pouco mais a medida da MP615, da forma que ela
está hoje e se vier o futuro conforme vocês planejam, a medida MP615 seria enfim atrativa pra
vocês assumirem o pagamento nos próximos R$ 29 bilhões ou não? Queria entender um
pouco o que esta na mesa até o momento, pelo menos em relação ao passado. Essa seria
minha primeira pergunta.
Murilo Ferreira: Bem Marcelo, o assunto como você mesmo disse é muito complexo. Então
nós não conseguimos analisar isoladamente, pegando alguns tópicos e chegar a alguma
conclusão. Nós temos que levar isso a deliberação do conselho de administração. Como eu
disse anteriormente, é importantíssimo a regra que nós vamos ter para o futuro assim como as
condições desse parcelamento e vis-à-vis também as nossas tese. Existem alguns comentários
em relação a esse tema, nós precisamos analisar o pacote como um todo para ver os méritos e
os deméritos de uma decisão. Em relação a MP615, ela já contempla uma serie de elementos
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que podem trazer motivação para as empresas tomarem decisão. Nós consideramos, no
entanto, que ainda alguns elementos deveriam compor para que a gente tivesse uma
possibilidade de fazer uma avaliação mais ampliada. Então eu considero que ainda não atingiuse, pelo menos em relação ao Refis, aquilo que nós consideramos necessário. Mas, de novo,
nós não podemos analisar as coisas isoladamente, nós temos que analisar todo o assunto de
uma forma única. A decisão será tomada pelo conselho de uma forma única. É uma decisão
muito importante e ela contempla valores muitos expressivos e portanto ela não pode ser feita
apenas considerando alguns pontos. Elas vão ter os seus méritos e os seus deméritos
profundamente analisados em cada aspecto. O mais importante é que o ministério da fazenda
tem se mostrado aberto a discussão com o IEDI e eu acho que isso é uma situação muito
virtuosa. Talvez em 2001, se a gente tivesse tido um dialogo muito intenso com a receita, as
empresas brasileiras não estivessem numa encrenca desse tamanho. É muito importante que
se mantenha a competitividade das empresas brasileiras no exterior, como o Clovis falou
anteriormente. Esse é o ponto chave de toda essa discussão. Então pra gente manter essa
competitividade a gente precisa resolver essas pendências inclusive em relação ao passado.
Obrigado Marcelo.
Marcelo Aguiar: Ok. A segunda pergunta seria em relação ao business de minério na verdade
dois subpontos aí. Um, eu queria ouvir um pouco a opinião do Martins. A gente viu um forte
rebound ao longo dos últimos anos de exportadores não tradicionais pra China , e que hoje são
tão grandes quanto e estão chegando próximo ao volume de vocês. Se você tem a visão
Martins, desse volume que chega pra China, Vietnã, Iran, Peru e vários outros, o que seria
custo médio deles, pelo menos no primeiro quartil deles aí. E dentro do mesmo ponto, olhando
pro business de minério, comentar um pouco sobre a questão da licença N4W Sul. Em que pé
que estamos aí com este processo.
Murilo Ferreira: Bem, eu vou pedir pro Martins responder essa sua primeira pergunta e a
Vania, que é responsável pelo processo de licenciamento, complementar em relação a
licenciamento.
Martins: Bom, estes produtores aí que a gente chama de marginais, quer dizer o custo deles é
equivalente ao custo do minério chinês entendeu. Esse pessoal precisa de preços ai de minério
acima de U$ 120 para poder competir. São produções pequenas, produções quase sempre de
forma artesanal, sem logística dedicada, quer dizer, o fato de não ter logística encarece muito o
custo desses minérios. Nós não vemos esses produtores ai como competidores. Competidores
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nossos realmente são os australianos, que tem uma estrutura um pouco mais baixa, tem uma
logística muito mais competitiva e para grandes volumes. A tendência do mercado ao longo
prazo é concentrar ainda mais eu acho que a medida em que o tempo avança, a tendência da
produção brasileira e também da Austrália, é crescer como parcela da oferta global de minério.
Acredito que esse número que andou ai muito tempo na faixa de 65% a 70% da oferta global
deve se deslocar ai para próximo de 80% a hora que os novos projetos, principalmente da Vale
entrar em operação. Então esses competidores são até positivos pra definição de uma faixa de
preço mais rentável. Mas nós não vemos eles como competidor no longo prazo. Devem, na
medida em que a produção dos minérios mais competitivos , se faça, esses produtores serão
deslocados. Você tem custo ai na faixa superior próximo dos U$ 100 U$ 110 por tonelada.
Murilo Ferreira: Por favor, Vania.
Vania Somavilla: Sim, boa tarde. É que eu estou na Suiça, desculpa. Na verdade é o seguinte:
com relação a questão ao licenciamento de cavidade pras áreas novas como por exemplo
S11D, a legislação ela é mais clara então é um processo mais simples de se negociar. A área
já licenciada, como a gente tem hoje na região na nossa operação atual em Carajás, exigiam
uma negociação pra se compreender porque a legislação não era exatamente clara para as
áreas licenciadas abrangendo principalmente áreas novas. Então é o que o Martins disse no
começo, há necessidade de alguns estudos que demoraram um ano por causa de
sazonalidade e ai as vezes tem que fazer isso região por região, mas isso hoje está totalmente
dentro do cronograma a gente esta conseguindo as liberações. Acreditamos ai que não vamos
ter problemas não. Houve ai um entendimento do que seria a metodologia para se obter isso é
uma fase inicial de negociação com o órgão, entender qual a metodologia para se negociar
essa questão das licenças, das cavidades, porque você tem toda uma serie de estudos que
abrange desde a hidrogeologia, a biologia e também a questão física. Então hoje há um
consenso de metodologia os documentos vão sendo entregues na medida também em que a
gente vai precisando das deliberações, ou seja, um processo em andamento e a gente está
otimista que isto está funcionando bem.
Murilo Ferreira: Obrigado Marcelo.
Operadora: Com licença, senhoras e senhores, lembrando que para fazer perguntas basta
digitar asterisco 1. Nossa próxima pergunta vem do Sr. Leonardo Corrêa, HSBC:
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Leonardo Corrêa: Bom dia a todos, obrigado. Minha primeira pergunta é com relação ao
business de não ferrosos. A gente viu algumas notícias sobre uma parceria em Sudbury, enfim.
Isso a gente já ouviu no passado. Em 2005/2006 falava-se muito de uma fusão entre
Falconbridge e Inco, então eu só queria entender de vocês se as negociações com a Glencore
estão em andamento, quais as perspectivas, por favor. Essa é a primeira pergunta e a
segunda, Murilo, é para você com relação à venda de ativos. Se você pode, enfim, dar um
pouco mais de cor se existem outros business, outros ativos a serem vendidos e se uma
possível adesão aí ao Refis poderia acelerar esse programa de desinvestimento e até colocar
novas frentes aí de desinvestimentos na mesa. Muito obrigado, são as duas perguntas.
Murilo Ferreira: Obrigado, Leonardo. Não, na realidade nossa decisão, aliás, a nossa
recomendação ao Conselho em relação ao desinvestimento de alguns ativos ela não está
relacionada, de forma alguma, ao assunto do Refis. Você tem observado no nosso balanço que
nós temos sido muito prudentes, muito cautelosos ao endividamento da Empresa. Tem sido um
ponto que a gente tem tomado todo o cuidado. Exatamente porque nós temos tido, pelo menos
estávamos observando no passado, uma grande volatilidade dos preços no curto prazo,
embora em base anuais eles tinham se mantido basicamente estáveis. Você viu, nos últimos
anos, a gente ficou aí sempre ao redor de US$ 130. Mas ele, no curso do ano, ele trouxe muita
volatilidade para o fluxo de caixa. Tanto é que em setembro do ano passado nos chegamos a
ver abaixo de US$ 90. Também chegamos a ver no início deste ano quase US$ 160. Então o
fluxo de caixa, com uma volatilidade dessa, nós temos que trabalhar olhando para a
implantação desses projetos de alto montante de dispêndio, como é o S11D, como é a parte de
logística do S11D e temos também a mina Moçambique, o corredor Nacala, o Porto em Nacala.
Os investimentos são muito altos. Então, a gente tem que ter essa prudência toda em relação
ao fluxo de caixa. Agora, a definição dos assuntos com os quais nós íamos realizar esse
desinvestimento foi feita com os acionistas no momento apropriado. O que nós fizemos foi
escalonar uma série de temas. Nós temos alguns que estão quase maduros para serem
submetidos agora sob a forma de um negócio ao Conselho, e assim será feito. Eu acredito que
nós teremos aí um final de ano bastante, com muito trabalho, assim como o início de 2014.
Mas eu não quero antecipar nada, porque essa antecipação teria que ser precedida de uma
confirmação do negócio. E nós só estamos realizando as coisas que sob o ponto de vista de
longo prazo, interessam à Vale. Já que nós temos este endividamento prudente, como eu
chamo, então não está relacionado ao Refis, definitivamente. Em relação ao não ferrosos, o
assunto lá de Sudbury, o Peter vai ter a oportunidade de esclarecer, mas eu posso dizer à você
que nós não estamos, nesse momento, trabalhando com a hipótese de ter uma joint venture
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em Sudbury. Nós sempre trabalhamos com a possibilidade de ter uma unincorporeted join
venture em Sudbury. Isso não é de hoje, como você bem disse, isso já era praticado, tentado
pela antiga Inco e antiga Falconbridge. Ela foi discutido ao final de 2006, logo após a aquisição,
quando eu pessoalmente estava no Canadá. E nós encontramos agora um ambiente, na
Glencore, um ambiente saudável para este tipo de discussão, a qual eu peço ao Peter para
fazer algumas considerações.
Peter Poppinga: Sim, Leonardo, obrigado pela pergunta que já anteriormente era esperada,
dada aí as notícias na imprensa. Mas é isso mesmo, o Murilo colocou bem. Nós estamos indo,
a forma seria uma, explorando sinergias na unincorporated joint venture. Nós estamos falando
aí de mina, das usinas e da parte de smelting, da parte de fundição. Não seriam incluídas as
refinarias. Tudo faz sentido, porque as minas, principalmente, quando você olha para a
distribuição de minérios e de acessos que são os chás, Ora uma empresa tem minério mas não
tem o acesso, ora outra empresa tem o acesso e não tem o minério e vice versa. Então,
estamos aí fortemente discutindo e estamos aí finalizando a fase de mapeamento do que faz
sentido e o que está na mesa fazer. E as negociações em si, provavelmente, terão início final
desse ano e início do ano que vem. Agora, só queria lembrar à todos que na verdade que
essas sinergias que a gente tem, elas são analisadas e exploradas quase que todo ano, só que
não numa escala grande. Por exemplo, ano passado nós tivemos e nós concluímos um acordo
operacional de uma pequena mina específica, onde um lado tinha o minério e o outro lado tinha
o acesso e nós fizemos o acordo que não foi muito divulgado, mas fizemos um acordo. E
estamos aí cooperando constantemente. Mas, essa, digamos assim, essa operação maior seria
para, a negociação seria para o ano que vem. Obrigado.
Leonardo Corrêa: Muito obrigado. Se eu pudesse fazer só uma pergunta final, se a gente
pudesse trazer o Roger para a discussão com relação à Moçambique e Moatize, já que
ninguém perguntou. Queria só ver de vocês como está a visão atual do projeto, a gente está
vendo um cenário um pouco complicado. A Rio Tinto mandando alguns funcionários embora,
algumas questões de segurança e, obviamente, preço do carvão um pouco mais baixo
recentemente. Então se você pudesse, Roger, dar um update pra gente de Moatize de como
anda a confiança com o projeto e investimento em Nacala, enfim, isso ajudaria bastante.
Obrigado.
Roger Downey: Nós estamos monitorando de perto essa situação em Moçambique, claro. Mas
a gente vem também, como parte desse monitoramento consultando embaixada e outros
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corpos diplomáticos e oficiais do governo em Moçambique. E a situação lá, inspira atenção,
mas não prevê escalada para conflito. Então por enquanto é só monitorar mesmo. Nossas
operações em Moatize seguem normalmente, na ferrovia também sem nada para registrar. E
no projeto os 10 mil empregados continuam trabalhando todos os dias sem interrupção maior.
Então, business as usual lá.
Operadora: Com licença, nossa próxima pergunta vem do Sr. Ivano Westin, Credit Suisse
Ivano Westin: Bom dia a todos, obrigado pela pergunta. O primeiro ponto é sobre a redução
de custos. Vocês reportaram uma forte redução de 2 bilhões, nos primeiros nove meses do
ano, com foco em SG&A e P&D. Queria que vocês comentassem onde será esse foco,
principalmente, no ano de 2014. Se vocês podem ajudar-nos a quantificar o que vocês
esperam em termos de redução adicional. A minha segunda pergunta é sobre Rio Colorado,
vocês reportaram essa despesa de 213 milhões no terceiro tri. O que a gente pode esperar no
quarto tri e, principalmente, no ano de 2014. Muito Obrigado.
Murilo Ferreira: Bem, eu vou passar para o Luciano, mas já adiantando que realmente este
trimestre foi porque muitos contratos precisavam ser desfeitos na Argentina, você toma um
tempo para isso e em seguida que você entra na parte de celebrar os acordos, os aditivos
contratuais e fazer, executar os pagamentos. Então, essa defasagem é uma defasagem natural
vis-à-vis a contratação. Mas, Luciano, por favor, em relação à redução de custos e os outros
aspectos desse montante.
Luciano Siani: Se eu puder só acrescentar, a gente certamente no quarto trimestre vai ter um
valor menor de despesas pré-operacionais do Rio Colorado e se sobrar alguma coisa para o
primeiro tri do ano que vem deve ser muito pouco. A gente espera que o impacto se concentra
agora um pouco mais no quarto tri e no primeiro tri muito, realmente, muito marginal, se houver.
No que diz respeito à redução de custos, nós temos aí, a nossa visão é que a gente, acho que
já podemos afirmar que temos oportunidades ainda para reduzir mais o SG&A pro ano que
vem. Acho que já temos clareza quanto a este ponto. Eu acho que o P&D, o nível que vocês
viram nos primeiros nove meses do ano, de 539 milhões, ele é, na verdade, a gente não deve
esperar que ele estabilize nesse ritmo. Nós certamente vamos ter um quarto trimestre aí, um
P&D parecido com o terceiro. E o nível que a gente está trabalhando, nós estamos orçando
para o ano que vem abaixo do que nós planejávamos para este ano, mas a gente não deve
esperar que esses 539 milhões de nove meses sejam representativos de uma tendência. Se
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você multiplicar isso aí e fizer uma proporção você daria cerca de US$ 700 milhões, isso teria
realmente um valor muito baixo. O grande oportunidade para a redução de custos do ano que,
sem dúvida alguma, vem das despesas pré-operacionais de parada, a gente não terá os efeitos
do Rio Colorado. Nós estamos agora, com o início da produção em Onça Puma, prevendo
também que vamos ter valores, em relação à Onça Puma. VNC nós já discutimos também,
quer dizer, um grande ofensor destes custos esse ano com a previsão de produção acima de
40 mil toneladas, esperamos uma baixa expressiva. Devemos ter ainda alguma coisa de Long
Harbour, que vocês estão vendo ai também sendo reportada a cada trimestre e os projetos de
minério de ferro, mas que tem valores ai muito mais baixos do que esses primeiros que eu
mencionei. Então acho que uma alavanca importante é, são as despesas pré operacionais. No
que diz respeito aos custos nos queremos, estamos estabilizando os ganhos que tivemos até
aqui. Continuamos ai com um conjunto muito extenso de iniciativas para capturar ganhos
adicionais. Temos ai um otimismo grande em relação aos negócios fora de minérios de ferro.
No caso especifico do minério de ferro a gente vai ter que conviver durante alguns meses e
trabalhar duro para “offsetar” uma tendência natural ai de um pequeno contribuição para
aumentar os custos. Eu diria ai em torno U$ 0.50 a U$ 1 por tonelada da entrada de novos
projetos. Quer dizer, na medida em que o +40 e o Concessão Itaberitos comecem a ter custos
associáveis, pessoal e a produção ainda não permite uma diluição completa desses custos,
quando você fizer um calculo de custo por tonelada deve ter uma pressão ai em torno de U$
0.50, que a gente vai estar buscando fortemente “offsetar” pra permitir que a gente consiga
manter os números que a gente conseguiu atingir nesse trimestre e, olhando pra longo prazo,
continuar reduzindo. A grande oportunidade que nos temos de continuar numa redução agora
mais forte de custo do minério de ferro é realmente a ampliação do volume, a medida em que a
gente consiga produzir com o +40, superar estas restrições que a Vania mencionou e ter
soluções para liberações de novas áreas, palavra e também colocar os projetos de Itabiritos
para funcionar, nós vamos ter certamente ai em 14 e 15, mais uma oportunidade de ter mais
uma queda estrutural de custos. E ai, finalmente de 2016 em diante, com o S11D, mais um
tombo ai. Então a gente continua confiante de que essa jornada de redução de custos e
despesas é uma jornada ai de médio a longo prazo.
Murilo Ferreira: Bem, e como nós estamos terminando aqui a nossa conversa eu queria
agradecer ai as palavras de estímulos foram feitas para todo o time da Vale e também dizer
que nós prestamos muita atenção também nos alertas que foram mencionados por vocês para
que a gente esteja cada dia mais vigilante em todos os aspectos da empresa. Obrigado.
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Operadora: A áudio conferencia da Vale está encerrada. Agradecemos a participação de todos
e tenham um bom dia. Obrigada.
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