ISSN: 2316-3992 ETNOGRAFIA DO CINEMA E CINEJORNAL NA SERRA DA BODOQUENA: HISTÓRIA E MEMÓRIA SOCIAL NAS CONSTRUÇÕES IDENTITÁRIAS DE JARDIM-MS1 2 ETHNOGRAPHY OF CINEMA AND NEWSREEL AT SERRA DA BODOQUENA: HISTORY AND SOCIAL MEMORY ON IDENTITY CONSTRUCTIONS OF JARDIM-MS Lairtes Chaves Rodrigues Filho³ e Daniele Cristiane Ota4 Resumo O presente trabalho desenvolve acerca do resgate e preservação da memória social dos cinemas e dos cinejornais presentes na região conhecida como Serra da Bodoquena. Os cinemas ganham importância na região quando consideramos sua instalação cerca de 20 anos antes da televisão e rádio nas cidades. As salas de cinema além de serem únicos meios de informação e relação com o global constituíam-se de espaços de encontro, lugares de vivência. Em todas as cidades pesquisadas os cinemas foram extintos, sendo o último em Jardim (MS) onde desenvolvemos a pesquisa etnográfica com descrição densa, observação participante, gravação e organização dos relatos para registro da narrativa e das mediações culturais no correr dos anos, presentes unicamente na memória da população. A memória social sobre os cinemas na cidade é patrimônio cultural imaterial, e registra nos processos de comunicação orais a história e desenvolvimento regional pelo ato de contar as experiências na mídia-lugar. Palavras-chave: Cinema, memória social, oralidade ABSTRACT This paper develops about the rescue and preservation of social memory of cinema and newsreels in the region known as Serra da Bodoquena. The cinemas in the region gain importance when considering its installation about 20 years before television and radio in cities. The movie theaters besides being the only means of information and relationship to the global, is constituted too as meeting places, places of living. All the cities surveyed had theaters abolished, the last being at Jardim (MS) where we developed ethnographic researching with thick description, participating observation, recording and organization of reports to record the narrative and cultural mediations over the years, present only on population’s memory. Social memory about cinemas in the city is intangible cultural heritage, and registers in communication processes, the oral history and regional development by telling of the experiences in the media-place. Keywords: Cinema, social memory, orality 1Relatório final da pesquisa de Iniciação Científica CNPq, na qual o plano de trabalho se intitulava “O Produto Audiovisual do Cinejornal e a representação social da realidade: Análise dos conteúdos informativos das grandes telas na formação sócio-política da região da Serra da Bodoquena”. 2Trabalho apresentado no 1º Encontro Centro-Oeste de História da Mídia – Alcar CO 2012, 31/10 e 01/11 2012, Unigram/ Dourados/ MS. Bolsista de Iniciação Científica CNPq – PIBIC 2011/2012. Graduando em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo na UFMS. E-mail: [email protected] Orientadora. Doutora em Ciências da Comunicação (USP). Professora Adjunta do Curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMS. E-mail: [email protected] Comunicação & Mercado/UNIGRAN - Dourados - MS, vol. 01, n. 02 – edição especial, p. 194-207, nov 2012 FILHO, Lairtes Chaves Rodrigues 195 INTRODUÇÃO O interesse no tema surge antes mesmo do estudo da comunicação de massa no curso de jornalismo. Ainda adolescente, tive contato com alguns relatos sobre uma época não muito distante em que cidade interiorana de Jardim – MS. Histórias sobre um cinema. Um cinema inaugurado em 1948 intitulado CineJardim de propriedade da Companhia de Estradas e Rodovias do Exército (CER-3) que mobilizou, até ser demolido em 1989, com filmes holliwoodanos, cinejornais governamentais e festivais de música e teatro, toda a formação de um município que foi território paraguaio antes da Guerra do Paraguai, que fora fazenda antes das expedições da companhia de estradas, que fora vila de militares, que fora estado de Mato Grosso, que hoje é Mato Grosso do Sul, e passou de duas famílias no começo do século a 42 mil habitantes em 68 anos de história (considerando que o estado de MS tem 35 anos). O conteúdo que passava na tela desse cinema foi objeto primeiro desse estudo durante a pesquisa de iniciação científica financiada pelo CNPq. O estudo procurava rever a presença dos cinejornais e de que forma eles influenciaram a formação da região da Serra da Bodoquena. Duas surpresas se fizeram presentes nos resultados. Diversas películas de cinejornais tinham imagens das pessoas, etnias e locais da região – a população que formou aquele espaço estava representada num meio de comunicação de veiculação nacional. E segundo; não havia registro algum sobre tal cinema, sobre os filmes e os cinejornais ali transmitidos. Tudo estava presente apenas, na memória das pessoas que vivenciaram a existência desse cinema. Foi necessário para completar a pesquisa levantar as pessoas que tiveram essa experiência e entrevistar cada uma delas para fazer a leitura dessa memória audiovisual. Considerando as mudanças com o encontro desses novos fatores, foi necessário repensar o objeto e alterar o direcionamento. O conhecimento do conteúdo dos cinejornais precisou ser resgatado a partir na memória e das experiências das pessoas no cinema, que passa a ser compreendido então como mídia-lugar, considerando que ao mesmo tempo é meio de comunicação de massa e espaço de encontro. O resgate da memória oral centrado em um espaço de convivência o qual a população tem vínculos afetivos, possibilitou uma visão diversificada e policêntrica da história da cidade e as mudanças na sua identidade cultural, as implicações visíveis da globalização e ao mesmo tempo, a intimidade que a população tem com os aspectos relacionados à oralidade (considerando desde já que as principais mídias da cidade são o rádio, televisão e carros de som – mais evidentemente o rádio, como na maioria das cidades do interior). O vínculo afetivo (PICHÓN-RIVIÈRE, 1998) da população com seu espaço/território está presente na narrativa oral, nas múltiplas expressões sonoras e pausas, no código, na transparência da intenção da fala, constituintes do relato de memória. Emoções de satisfação, raiva, fé, saudade, tristeza, são incluídas na narrativa sem o filtro da escrita. A oralidade garante até certo ponto, maior riqueza de detalhes na palavra, à medida que dá valor semântico e discursivo e dimensões de percepção que a palavra escrita não é capaz de oferecer, exceto por por hipertexto, com as tecnologias da informação. Comunicação & Mercado/UNIGRAN - Dourados - MS, vol. 01, n. 02 – edição especial, p. 194-207, nov 2012 FILHO, Lairtes Chaves Rodrigues 196 Mapear estruturas de percepção e processos de comunicação nos espaços urbanos com centro na oralidade presente em determinada região torna-se a continuidade de uma contribuição acadêmica, que permite identificar territórios e identidades culturais e suas alteridades frente à sociedade em rede e as implicações nas chamadas geografias da comunicação . Quanto a relação de cidade, espaço midiático e memória, Nestor Garcia Canclini (2002) afirma: Mesmo onde não foram destruídos os centros históricos, as praças, os lugares que mantinham viva a memória e permitiam o encontro das pessoas, sua força diminui frente à remodelação dos imaginários operada pelos meios de comunicação. Os relatos mais influentes sobre o que significa a cidade emergem agora da imprensa, do rádio e da televisão. No tumulto heterogêneo e disperso de signos de identificação e referência, os meios não propõem tanto uma nova ordem, mas sim oferecem um espetáculo reconfortante. Mais do que estabelecer novos lugares de pertencimento e de identificação de raízes, o importante para as mídias é oferecer certa intensidade de experiências. Em vez de oferecer informações que orientem o indivíduo na crescente complexidade de interações e conflitos urbanos, os meios de comunicação ajudam a imaginar uma sociabilidade que relaciona as comunidades virtuais de consumidores midiáticos: os jovens com outros jovens; as mulheres com suas iguais; os que se interessam por algum esporte com outros praticantes em diferentes lugares da mesma cidade e do mundo; os gordos com os gordos; os que gostam de salsa ou bolero ou rock com outros que têm as mesmas preferências. As comunidades organizadas pela mídia substituiriam então os encontros nas praças, os estádios ou os salões de baile pelos não-lugares das redes audiovisuais. Analisar os discursos e as representações culturais e políticas nos cinejornais da região da Serra da Bodoquena passa primeiramente pelo conhecimento das condições de discurso e na construção histórica e do desenvolvimento das regiões pela memória da experiência das pessoas. A memória coletiva neste sentido e o relato oral (e logo a oralidade) são elementos de identidade cultural das cidades no tempo-espaço. A identidade cultural está intimamente ligada à memória social, na qual o espaço midiático é agente de encontros e experiências mediadas, principalmente na construção informativa e nos valores transmitidos pelo produto audiovisual, na representação das comunidades locais, como o sertanejo, o pantaneiro, o indígena e o sul-mato-grossense. A identidade étnica ou cultural do grupo parece condicionada a certa aderência de sua memória coletiva ao espaço (território ou lugar); sem o qual a sua marca subjetiva corre o risco de se diluir no continuum temporal, desprovido de referenciais perenes e imutáveis. Nossos processos mnemônicos seriam acionados e desencadeados por signos espaciais externos que transformam gestos anódinos em atos simbólicos passíveis de reconstituir a experiência ritualística existencial do grupo de origem, enriquecê-la e religar (não é mais preciso lembrar que, etimologicamente, a religião é um modo de religar - religare) as gerações presentes e futuras às antepassadas. (ELHAJJI, 2011) Comunicação & Mercado/UNIGRAN - Dourados - MS, vol. 01, n. 02 – edição especial, p. 194-207, nov 2012 FILHO, Lairtes Chaves Rodrigues 197 Políticas de Cultura e Patrimônio Cultural Rodrigues Filho & Vianna (2012) explicitam o compromisso do profissional e pesquisador da comunicação social nos termos da Lei n° 12.343, de 2 de dezembro de 2010, que institui o Plano Nacional de Cultura - PNC, cujos princípios são: I - liberdade de expressão, criação e fruição; II - diversidade cultural; III - respeito aos direitos humanos; IV - direito de todos à arte e à cultura; V - direito à informação, à comunicação e à crítica cultural; VI - direito à memória e às tradições; VII - responsabilidade socioambiental; VIII - valorização da cultura como vetor do desenvolvimento sustentável; IX - democratização das instâncias de formulação das políticas culturais; X - responsabilidade dos agentes públicos pela implementação das políticas culturais; XI - colaboração entre agentes públicos e privados para o desenvolvimento da economia da cultura; XII - participação e controle social na formulação e acompanhamento das políticas culturais. O jornalismo como agente construtor da realidade (TRAQUINA, 2005), tem por função social o registro dos fatos e a difusão especializada do conhecimento. Por outro lado, a imprensa e os meios de comunicação tendem a se preocupar com a rotina e as informações correntes dos critérios de noticiabilidade, como atualidade, periodicidade, verossimilhança (WOLF, 1999), deixando falhas no que compete à memória nem tão recente. Nesse contexto de atribuições, princípios, função social da universidade e do jornalismo na preservação do patrimônio cultural brasileiro, decorre um objeto de pesquisa fundamental: a presença e influência dos cinejornais e dos cinemas no estado. O cinema chega no Brasil e, especificamente em Mato Grosso do Sul cerca de 50 anos da chegada da televisão, que se consagrou como meio de comunicação de massa popular, depois da década de 80. Da mesma forma, os telejornais, principal veículo informacional e noticioso da população, surge em consequência do nascimento da televisão. Mas como se dava o acesso à informação noticiosa no país e no estado antes disso? As telas e salas de cinema eram o principal recurso audiovisual de transmissão em massa das informações, daí a origem dos cinejornais. Nessas grandes telas onde jornalismo e cinema aproximavam-se em arte, mediados pelo projeto das grandes salas, registraram-se fatos, momentos históricos e formas de representação social e cultural únicas da população local; as quais, a própria população não tem acesso, senão pela narrativa oral dos habitantes mais velhos para os mais novos. Cabe aos pesquisadores da comunicação pelos instrumentos técnicos do jornalismo, a busca, levantamento, registro, preservação e principalmente, a difusão da memória e cultura local, como elemento essencial da formação da regionalidade e bases futuras para estudos da representação social nas primeiras mídias pelos cinejornais do Estado. Comunicação & Mercado/UNIGRAN - Dourados - MS, vol. 01, n. 02 – edição especial, p. 194-207, nov 2012 ETNOGRAFIA DO CINEMA E CINEJORNAL NA SERRA DA BODOQUENA 198 Em conformidade com o PNC, as pesquisas de análise e presença dos cinejornais deve buscar reconhecer e valorizar a diversidade cultural, étnica e regional brasileira, pelo resgate e preservação dos registros e relatos da população sul-mato-grossense pela pesquisa da presença e impactos históricos dos cinejornais no estado, como forma de narrar parte da história do jornalismo local, e proteger o patrimônio histórico e artístico material e imaterial da cultura sul-mato-grossense. A preservação do patrimônio histórico e da memória passou a ser valorizada com mais evidência a partir da década de 1930, mais especificamente com a criação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, no governo Getúlio Vargas (Lei nº 378, de 13 de Janeiro de 1937). Com esse estímulo, passaram a surgir um maior número de Centros de Documentação, em sua maioria a partir dos anos de 1970. Memória Social e Cultura A preservação da memória e seu resgate, considera o levantamento e consciência da população de seu patrimônio cultural, do desenvolvimento de seu território e das formações das múltiplas identidades. A conceituação dessa memória é algo que tem se alterado no passar do tempo. Para Lowenthal (1989), a memória pode ser entendida como um processo que colabora na projeção de um futuro, balizado pelos contextos históricos do passado. Memória, história e relíquias para o autor constituem metáforas mútuas, ou seja, fontes de conhecimento. Para Zilda Kessel (2011): O conceito de memória vem se modificando e se adequando às funções, às utilizações sociais e à sua importância. A invenção da imprensa, com tipos móveis, e a urbanização, com mudanças fundamentais na organização e nas relações sociais, nas atividades, papéis e percepções do indivíduo, trarão mudanças importantes para a memória individual e coletiva. De uma sociedade baseada na transmissão oral dos saberes necessários ao trabalho e à vida em grupo, novas ocupações relacionadas ao comércio e à vida nas cidades demandam registros de operações, de listas, de transações. Desenvolvem-se, a partir daí, artifícios cada vez mais sofisticados para guardar e disseminar a memória em textos e imagens. Este processo culmina com o computador, capaz de guardar grandes quantidades de informações e abarcar todos os meios inventados anteriormente para registrar e armazenar a memória. Le Goff (1994) compartilha essa linha teórica explicando que a memória coletiva tem a função de contribuir para o sentimento de pertinência a um grupo de passado comum, que compartilha memórias. Ela garante o sentimento de identidade do indivíduo calcado numa memória compartilhada não só no campo histórico, do real, mas, sobretudo no campo simbólico. Sobremaneira a idéia de memória está no ato de contar histórias ou lembranças. O ato de relembrar de acordo com Ecléa Bosi (1987), é uma ato de narrar experiências. A memória social neste sentido tem a função social de transmitir informações na especificidade da oralidade e, portanto, é essencialmente parte de um processo de comunicação Comunicação & Mercado/UNIGRAN - Dourados - MS, vol. 01, n. 02 – edição especial, p. 194-207, nov 2012 ETNOGRAFIA DO CINEMA E CINEJORNAL NA SERRA DA BODOQUENA 199 Regina Zilberman (2006), estudiosa dos aspectos gerais e comunicativos da oralidade, elenca em seu trabalho sobre a obra de Walter Benjamin nos estudos sobre as narrativas, pontos gerais que explicitam as razões pelas quais Benjamin privilegia a memória, de que depende a capacidade de narrar e a que associa a oralidade. Na linguagem, e em especial na oralidade, desembocam as preocupações de Walter Benjamin. O ato de nomeação extrai a natureza das coisas, fazendo com que a palavra as imite, podendo passar por elas. Ao mesmo tempo em que o substantivo manifesta, por mimetismo, o ser do objeto que expressa, pode substituí-lo. Palavras e coisas se identificam, conforme um sentimento mágico de que são exemplos algumas religiões, conforme as quais se proíbe o uso de determinados vocábulos para não atrair a atenção de seus portadores. A oralidade é o modo mais notório da relação entre o nome e a coisa, mas a escrita, originalmente, não tem como objetivo romper essa unidade. A oralidade é igualmente expressão mais credenciada da memória, conforme o estudo sobre o narrador, aproximando não apenas as palavras e os seres, mas também as pessoas, falantes e ouvintes. (ZILBERMAN, Op. Cit.) Se considerarmos tal como Zilberman ao ler Benjamin, que “a oralidade é a expressão mais cadenciada da memória”, podemos afirmar que A modernidade se caracteriza pelo rompimento da unidade primitiva, nostalgicamente recuperada por Benjamin. É igualmente o tempo da escrita individual e do isolamento do leitor, apontando para a dissociação, irrecuperável, entre a dicção e a redação, que o pensador diagnostica e lamenta. Entende-se por que Benjamin prefere valorizar a memória, em detrimento do inconsciente, valendo-se da realização literária alcançada por Marcel Proust, que lida com o que chama de “memória involuntária”. Esta, fundada na suspensão da consciência e na abolição da temporalidade, enquanto fluxo cronológico, faculta o retorno do tempo, a apreensão do passado, a recuperação dos momentos primordiais. Constitui experiência absolutamente pessoal, tal como a regressão aos momentos traumáticos, possibilitada pela terapia psicanalítica; mas as experiências recobradas pela memória involuntária não sãonecessariamente penosas, basta que tenham sido decisivas para o sujeito que as vivencia. Benjamin está interessado em diagnosticar o mal do século, caracterizado pela perda da experiência, que obstrui a linguagem e cala o homem. Baudelaire recupera essa capacidade pelo que Benjamin chama de “experiência do choc”, e Proust, de memória involuntária. Nestes casos, trata-se de valorizar a memória, com a conseqüente expressão lingüística que está na base da comunicação. Seu fundamento é o tripé experiência-memória-oralidade. A escrita vem depois, mas, para se adequar ao projeto benjaminiano, não pode perder a natureza mimética, comprovada historicamente, se lembramos que os primeiros alfabetos, como os dos sumérios, por exemplo, tinham pendor ideográfico, como é, até o presente, o dos chineses. O Ocidente estilizou a escrita, tornando-a crescentemente convencional, assim como o significado dos signos, entendido pela Lingüística como arbitrário.20 O processo, deplorado por Benjamin, separou memória e linguagem, colocando-se a escrita como divisor entre as duas e sublinhador das diferenças. (Ibidem) A narrativa constitui, pois, o “espaço em que a memória se manifesta, tomando toda recordação a forma de um relato retrospectivo” (BENJAMIN,1985). Representa a fonte do contar, logo, a origem da narração, exposição Comunicação & Mercado/UNIGRAN - Dourados - MS, vol. 01, n. 02 – edição especial, p. 194-207, nov 2012 ETNOGRAFIA DO CINEMA E CINEJORNAL NA SERRA DA BODOQUENA 200 primitivamente oral de um sujeito para um grupo de ouvintes, com o qual compartilha interesses e expectativas. Segundo Ota; Rodrigues Filho & Negruny (2012), a memória e sua transmissão oral permitem que a narrativa histórica modifique a escrita de estórias centralizada em grupos de poder, tornando protagonistas personagens que vivenciaram as histórias muitas vezes não presentes nos livros, grupos de personagens estes que exigem reconhecimento social e que lançam mão da memória coletiva como catalisadora e mediadora de um sentimento de pertencimento e identidade. Para Tedesco (2004), “os elementos mediadores da memória, sejam objetais, de consciência coletiva e individual, de políticas de lembrança e de esquecimento, etc., servem de suporte à cultura, à identidade social e étnica, à tradição”. A formação cultural e os aspectos mais profundos da regionalidade estão diretamente ligados à forma como a memória e a oralidade da região é registrada e reproduzida como elemento da identidade cultural e do sentimento de pertença ao território geográfico. Partindo da concepção de que toda memória, mesmo quando individualizada, é coletiva e de que apenas um pequeno grupo na sociedade (notadamente os que estão no poder e os que aspiram alcançá-lo) se preocupa em difundir, preservar ou negar a memória, podemos adentrar na noção de enquadramento, na qual também se inscrevem as tradições inventadas. De acordo com Hobsbawn (2008), essas tradições “são reações a situações novas ou que assumem a forma de referência a situações anteriores, ou estabelecem seu próprio passado através da repetição quase que obrigatória”. A incorporação dessas invenções à memória coletiva depende de um esforço lento, custoso, de convencimento, de manipulação do passado, mas que, entretanto, são legitimadas pelas necessidades contemporâneas ao contexto em que são criadas – de rupturas, de necessidade de preservação. Segundo Picolli (2010), nesta perspectiva, Podemos inferir ser a memória – ancorada pelo suporte da oralidade – um sistema cognitivo complexo, no qual, a cada recurso à rememoração, se desenha uma ressemantização de símbolos e de experiências em narrativas que assentam as identidades (e que por estas são enquadradas). Entretanto, a palavra memória pode ser associada a um sistema simplório de junção de lembranças intactas, imóveis, desvinculadas de contextos específicos, numa perspectiva ahistórica. “Memória e história são complementares”. A história escrita e sua reprodução não podem permitir o esvaziamento da pessoalidade e da identidade marcada pela experiência dos integrantes do processo histórico. METODOLOGIA Em primeiro lugar é importante destacar o a escolha pela Será da Bodoquena, formada pelos municípios de Jardim, Guia Lopes da Laguna, Bonito e Bodoquena, vista sua importância histórica para o estado, na ocasião da Retirada da Laguna no século 19 e, a convalidação das diversas etnias e minorias presentes na região. Comunicação & Mercado/UNIGRAN - Dourados - MS, vol. 01, n. 02 – edição especial, p. 194-207, nov 2012 ETNOGRAFIA DO CINEMA E CINEJORNAL NA SERRA DA BODOQUENA 201 Abrigando populações indígenas como Terenas, Kadiwéu e Guarani, além de paraguaios residentes, fazendeiros e peões, e o pantaneiro como homem histórico, entender o processo de construção imagética e mítica da realidade e imaginário nessa região partir de como essas minorias se vêem e reproduzem em comportamento as informações agregadas dos valores impostos nas grandes telas é fundamental para narrar posteriormente a formação pós-moderna dessas populações e o desenvolvimento da narrativa jornalística e audiovisual no estado. Foram encontradas quatro salas de cinema na região– duas em Jardim, uma em Guia Lopes da Laguna e uma em Bonito. Das quatro o cinema de maior destaque foi o CineJardim, no primeiro município. O trabalho correu num primeiro momento sob o levantamento bibliográfico e documental para reunir os cinejornais e a listagem dos cinemas na região. Com a ausência de registros nas cidades e a dificuldade financeira encontrada em fazer a gravação dos cinejornais; o foco da pesquisa foi direcionada para o material local disponível para o levantamento: a memória social. Ao incluir no modus operandi o contato e a entrevista com as pessoas, foi necessário reduzir o corpus da pesquisa. Restringimos o espaço para o município de Jardim por ser pólo na região e por ter o principal cinema registrado, o CineJardim, de onde originaram-se fluxos de migração em seu tempo de outras cidades para assistir os filmes dele. Para resgatar a memória sobre o cinema e cinejornais na cidade, escolheu-se a perspectiva antropológica da etnografia conforme o descrito por Geertz (1998), na qual o pesquisador realiza uma descrição densa dos elementos culturais e dos comportamentos sociais para entender os contextos da memória. Depois foram realizadas 45 entrevistas em profundidade, com uma única pergunta-chave: “O que você se lembra e do que tem saudade com relação aos cinemas em Jardim?”. O entrevistador não interferiu nas respostas que surgiam livremente conforme o entrevistado lembrava. Como resultado, tivemos relatos não-lineares no que se refere ao tempo cronológico, e conseguimos o desejado: relatos com carga afetiva, experiência no espaço, fatos histórico, descrição, tudo a partir do que o entrevistado considerava mais importante e portanto, lembranças que com o qual desenvolve vínculos afetivos. Os entrevistados foram voluntários. Após divulgação nos meios de comunicação da cidade (rádio, jornal e sites) e cartas-convite pregadas em todos os locais públicos, foi marcado um local de fácil acesso onde as pessoas interessadas em ceder suas memórias poderiam ir e efetuar a gravação. Em outro momento, procuramos reuniões de encontro de pessoas idosas para resgatarmos as memórias mais antigas da história do cinema, de onde tiramos verdadeiramente as narrativas de origem e desenvolvimento da cidade. Todos os relatos foram gravados digitalmente em mp3 e decupados na íntegra de modo a incluir as emoções nos relatos no texto escrito. A descrição densa dos aspectos culturais da cidade e o registro integral das memórias nos relatos orais permitiu o desenvolvimento da pesquisa etnográfica, de campo, exploratória. Comunicação & Mercado/UNIGRAN - Dourados - MS, vol. 01, n. 02 – edição especial, p. 194-207, nov 2012 ETNOGRAFIA DO CINEMA E CINEJORNAL NA SERRA DA BODOQUENA 202 Há o apelo popular de todas as gerações ouvidas do retorno no cinema que muitos consideravam patrimônio cultural de Jardim (e de fato o era). Na verdade, com a extinção do espaço-mídia, o patrimônio cultural volta-se a memória social que registra as alteridades e identidades culturais a partir das relações e processos de comunicação no espaço-mídia. RESULTADOS E DISCUSSÃO Enquanto objeto de estudo, os cinejornais representam a mística e técnica do cinema, na preocupação e compromisso do jornalismo do início do século, ainda que utilizado em sua maior parte como aparelho ideológico de formação de opinião pelos governos. A integração primária de áudio, imagem e a técnica cinematográfica de unir elementos do real com as produções com fins representativos, como elemento documental, permitiu o registro histórico e social das populações e identidades culturais mutantes durante o século que devem ser resgatadas e estudadas, para entender os comportamentos e realidades construídas da atualidade. Durante o trabalho, evidenciou-se a ausência de qualquer registro acerca da presença dos próprios cinemas nas cidades. Algumas plantas e escrituras de terreno da década de 70 surgiram como registros materiais únicos. A matéria prima e objeto principal do estudo estabeleceram-se então apenas pelo uso do relato acerca da história das cidades, dos cinemas e depois, dos cinejornais enfim. Em Guia Lopes da Laguna encontraram-se relatos e registro de planta de um cinema, desativado no começo dos anos 90. Em Bonito relata-se a presença de um cinema entre 1980 e 1986. Bodoquena não teve cinemas ou salas de exibição. Jardim teve dois cinemas, um iniciado na década de 60, logo após a fundação da cidade, destruído por ordem do comando militar em 1989 (o CineJardim) e, outro comercial, falido pela falta de público e período desconhecido. Os dados históricos não puderam ser conhecidos por registros, mas pela memória das pessoas que vivenciaram essa história. O relato oral por si configurava uma narrativa rica em detalhes e descrição de cenários e personagens, que por si permitiam o entendimento de contextos e formação sócio-política das cidades. A pessoalidade e entendimento, bem como os boatos e interpretação de acontecimentos locais e nacionais estão presentes e todos os objetos, de modo que ao cruzar relatos, é possível encontrar elementos de repetição – como partes de texto – em todas as narrativas. O projeto de preservação da memória e do patrimônio histórico e cultural sul-mato-grossense pelos cinejornais tem como referenciais teóricos estudos desenvolvidos por autores como Lowenthal (1989) e Le Goff (1994), que desenvolvem pesquisas quanto à história e a memória coletiva, respectivamente. Para Lowenthal, a memória pode ser entendida como um processo que colabora na projeção de um futuro, balizado pelos contextos históricos do passado. Memória, história e relíquias para o autor constituem metáforas mútuas, ou seja, fontes de conhecimento. Comunicação & Mercado/UNIGRAN - Dourados - MS, vol. 01, n. 02 – edição especial, p. 194-207, nov 2012 ETNOGRAFIA DO CINEMA E CINEJORNAL NA SERRA DA BODOQUENA 203 Le Goff também compartilha essa linha teórica explicando que a memória coletiva tem a função de contribuir para o sentimento de pertinência a um grupo de passado comum, que compartilha memórias. Ela garante o sentimento de identidade do indivíduo calcado numa memória compartilhada não só no campo histórico, do real, mas, sobretudo no campo simbólico. Entendeu-se nessa pesquisa a necessidade de se conservar documentos, depoimentos, imagens e áudio; “a existência de um suporte material é imprescindível, pois permite registrar o pensar, o sentir, a história, os saberes de uma comunidade em determinado período” (RODRIGUES FILHO; VIANNA, 2012). A pesquisa da influência dos cinejornais (produtos culturais-informativos) culminou obrigatoriamente na presença dos cinemas (espaços físicos), possuem transversalmente um ponto de encontro que é base para qualquer estudo de mídia audiovisual na região: a memória audiovisual e sua reprodução carecem de registros e só subsiste nas condições culturais e hereditárias da oralidade. O texto oral não é apenas fonte histórica única, mas patrimônio cultural imaterial e deve ser preservado à medida que conserva em suas especificidades a narrativa do desenvolvimento e da formação cultural, identitária e de território das cidades por meio de sua população. Os relatos das pessoas Dona Gregória, foi uma das voluntárias na pesquisa e muito contribuiu na compreensão do funcionamento do cinema na cidade. Ao contar uma situação engraçada, expõe nas suas lembranças a morosidade com que as películas dos cinejornais chegavam até Jardim. Ainda assim, fica evidente a importância da mídia-espaço para a identificação do jardinense como brasileiro, recebendo noticias dos acontecimentos no território nacional. “Deixa eu te contar, esse de Medeiros que era apaixonado pela atriz, era tenente do Exército e morava no Rio. Estava terminando a escola no Rio, e era noivo em Natal, ela em Natal e ele no Rio. Ai quando chegou a minha mãe e telefonou para ela que não podia ir porque ele tava terminando umas provas. Depois do carnaval, se encontraram, se casaram e vieram para Bela Vista. Ai nisso, dois meses depois do casamento, assistindo lá o cinejornal, mas também como estou te falando, dois, três meses depois... Carnaval no Rio de Janeiro, a primeira coisa que ela viu, foi ele. O noivo. Disse que estava fazendo prova a primeira briga do casal. Dois, três meses depois do casamento, entendeu? Era assim os jornais. Então a gente sempre tinha as noticias mas sempre atrasadas.” Maria Rosa, também contou sobre sua vivência no espaço-mídia. Em seu relato fica exposto o CineJardim como ponto de referência para compreensão de memórias sobre comportamentos, outros pontos de encontro, atividades de grupos sociais, etc. “A gente assistia os filmes que eram importantes, assistia documentários que vinham, mas praticamente era filme de faroeste, que eu lembro, alguns romances, filmes de Tarzan, esse eu acho que assisti todos com meu irmão. Porque, o que acontecia, meu irmão como era menor eu acompanhava ele na sessão das seis, e depois eu ia na sessão das oito, e as vezes era o mesmo filme. Entendeu? Mas ai a gente fazia aquilo como um momento de lazer, de ter companheiros, as amizades. Em frente ao cinema tinha uma pracinha, que normalmente quando a gente saia dali, a gente ficava um pouquinho ali na pracinha, que era um ponto mais elevado do que o cinema.” Comunicação & Mercado/UNIGRAN - Dourados - MS, vol. 01, n. 02 – edição especial, p. 194-207, nov 2012 ETNOGRAFIA DO CINEMA E CINEJORNAL NA SERRA DA BODOQUENA 204 Outro relato interessante na compreensão da cultura é a de Seu Elias Cristaldo, ou Seu Lobão, como é conhecido. Morador na cidade desde antes da fundação, pode acompanhar a vida do Cinema desde sua inauguração até a demolição. Destacamos em seu relato as memórias dos conflitos de grupos e territoriais presentes da fronteira dos municípios Guia Lopes da Laguna-Jardim. Tinha trilheiro pra chegar na porta [do cinema], caminho que a turma fala. Então quando eu comecei a vir aqui, que eu estudei em Guia Lopes, em escola particular, eu morava na casa de um professor, mas nós não vínhamos para assistir filme. Nós vínhamos para sacanagem (risos). Porque a “gurizada” de Guia Lopes e a “gurizada” daqui brigavam. No tapa mesmo, soco, laço, feio mesmo. Então, nós juntávamos o grupo lá do nosso colégio e outros da cidade, e vínhamos, ai quando chegava ali na ponte, era um caminhão da (...) que chegava ali, o motorista parava o caminhão e ia cobrar as passagens. Nós pulávamos para baixo do caminhão, ele cobrava de todos que estavam lá em cima, dos bobões que estavam lá em cima.Quando o caminhão funcionava para ir embora, nós pulávamos pra dentro. A esperteza, as atividades, os grupos sociais, os fluxos migratórios, os conflitos sociais, todos recontados por quem vivenciou a partir de um eixo comum (ou lugar comum). O cinema passa a ser entendido como um espaço-mídia que centraliza as memórias da população e forma uma identidade cultural, que descreve ao mesmo tempo a história das pessoas e do território ocupado. A etnografia desse movimento possibilita o mapeamento da cultura na cidade no espaço-tempo de modo complexo e com centro no personagem-narrador. Foram utilizados aqui fragmentos de apenas três relatos dentre 45. A dimensão de pesquisa alcançada no cruzamento das informações como um todo são a cartografia de uma cidade que tem sua memória social centrada num cinema extinto no espaço, presente nas histórias contadas. CONCLUSÕES Como registrar essa memória sem perder a subjetividade e aspectos de contextualização da narrativa? Apenas o registro histórico feito através da narrativa pode expressar a realidade vivida pela sociedade em outro período. Nesse caso, o registro oral por áudio ou vídeo, torna a narrativa mais fidedigna a vivência dos personagens fontes. Através de tal registro, é possível enriquecer e manter todas as emoções, experiências e opinião sem a interferência de um segundo narrador, que pode sem intenção subtrair todos os sentimentos vividos pelas fontes. Tais sentimentos permitem a valorização da regionalidade, identidade e fontes, que comumente são esquecidas na narrativa histórica que não repassa a vivência da sociedade na época. A multiplicidade de vozes unidas para resgatar a história de um elemento cultural a partir das memórias orais, permitiu que, cruzados, os relatos de vida passados de alguma forma próximo ao cinema, formassem uma narrativa não-linear, esférica e interligada a cada um dos personagens, expondo consciente e inconscientemente, os comportamentos, ideologias, medos, preconceitos, instrumentos de poder, crenças e suas mudanças em função do tempo, da vinda de novas pessoas, de novos media, e de novas tecnologias. Comunicação & Mercado/UNIGRAN - Dourados - MS, vol. 01, n. 02 – edição especial, p. 194-207, nov 2012 ETNOGRAFIA DO CINEMA E CINEJORNAL NA SERRA DA BODOQUENA 205 A memória oral e a narrativa que trata da experiência dos personagens que construíram as cidades e vivenciaram de forma direta a ação dos produtos culturais, é fundamental para o entendimento do desenvolvimento de sua região. A identidade cultural é marca de seus relatos tanto quanto a cidade é testemunha por si do crescimento de suas atividades e população. A perda da oralidade pode representar num cenário pessimista não apenas a perda definitiva da história audiovisual não registrada, mas a perda de marcas de um patrimônio cultural imaterial. Independentemente do meio de comunicação estudado ou analisado, o objeto de pesquisa nesses casos protagoniza no âmbito da oralidade e da memória coletiva que é dinâmica, exclusiva e perecível à medida que com o fim da vida dos personagens, encerra-se a narração dos acontecimentos. O trabalho se mostrou demasiado complexo para a iniciação científica e está tendo continuidade como trabalho de conclusão de curso da graduação, na qual busca-se produzir uma radionovela, que conte a história desse cinema perdido, na voz dos personagens que viveram a história da cidade (que também é a história de suas vidas) na sala de exibição. Comunicação & Mercado/UNIGRAN - Dourados - MS, vol. 01, n. 02 – edição especial, p. 194-207, nov 2012 ETNOGRAFIA DO CINEMA E CINEJORNAL NA SERRA DA BODOQUENA 206 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUIAR, S. Geografias e economia política da comunicação: diálogos de fronteira. In: Revista Eletrónica Internacional de Economía Política de las Tecnologías de la Información y Comunicación. V. 13, n. 3. 2011. Disponível em: <http://www.seer.ufs.br/index.php/eptic/issue/view/19>. Acesso em 12 jul 12. BENJAMIN, W. O narrador. Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov. In: _____. Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 1985. BOSI, E. 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