A AUTO-EFICÁCIA: IMPLICAÇÕES EM CONTEXTO MILITAR O SUCESSO PRATICA-SE Mário Rui Pinto da Silva 1 e João Nogueira2 Resumo O presente estudo teve como objectivo perceber a que se deve o sucesso que têm tido os militares no cumprimento de Missões Internacionais no Afeganistão. Perante cenários de elevada intensidade, ao nível da adversidade e perigosidade, pretendemos identificar as características psicológicas que estariam na base do sucesso alcançado. Assim, procurou-se perceber qual a associação entre a percepção de Auto-Eficácia Geral, o Burnout (Mal-Estar), o Engagement (Engajamento) e a Coesão Militar dos soldados durante o cumprimento da missão. Um total de 135 militares a cumprir uma missão no Afeganistão completaram os 4 questionários. Os resultados indicam que os militares com maior percepção de AutoEficácia apresentam um maior Engajamento e percepcionam uma maior Coesão do grupo. Quanto mais coeso é o grupo, maior é o Engajamento. Quanto ao Mal-Estar, verificou-se uma associação significativa desta medida com uma menor percepção de Auto-Eficácia. 1 Tenente-Coronel de Artilharia, Psicólogo e Chefe do Gabinete de Estudos e Formação do Centro de Psicologia Aplicada do Exército 2 Professor Auxiliar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Investigador na Unidade de Investigação da Educação e Desenvolvimento CTRL+ALT+DEL A ORIENTAÇÃO E AS NOVAS TECNOLOGIAS Jorge Manuel Lopes Bastos 3 Resumo Os meios informáticos e de multimédia constituem uma das inovações tecnológicas mais importantes dos últimos anos, sendo hoje um instrumento muito comum e utilizado por todos, principalmente os jovens, que como principal cliente dos psicólogos e serviços/programas de Orientação e Desenvolvimento da Carreira vão cada vez mais “obrigar” e estimular o uso destas novas tecnologias na Psicologia da Orientação. O presente artigo pretende fornecer uma perspectiva geral desta temática e resulta, principalmente, de documentação elaborada pela Drª. Maria do Céu Taveira e fornecida durante o Seminário “O uso das novas tecnologias na Orientação Vocacional”. 3 Tenente-Coronel Psicólogo, Gabinete de Orientação, Centro de Psicologia Aplicada do Exército BEM-ESTAR E ADAPTAÇÃO PSICOLÓGICA EM CADETES DA ACADEMIA MILITAR Palma Rosinha4; Rute Abreu5; Marina Campos6 Resumo O presente trabalho aborda a temática da avaliação psicológica na fase de selecção e de ingresso dos cadetes no 1ºano da Academia Militar. Procura-se analisar as medidas psicológicas que melhor contribuem para a adaptação e sucesso académico dos alunos. Decorrente do processo de selecção relaciona-se os resultados obtidos pelas medidas de avaliação cognitivas e de personalidade com os resultados obtidos com a Escala de Sentido de Coerência, com o Questionário de Vivências Académicas e com o desempenho escolar. 4 5 Major, Chefe da Secção de Psicologia da Academia Militar, Licenciado em Psicologia, Doutorando em Psicologia Tenente RC, Psicóloga da Secção de Psicologia da Academia Militar, Licenciada em Psicologia, Mestre em Psicologia 6 Alferes RC, Psicóloga da Secção de Psicologia da Academia Militar, Licenciada em Psicologia ESTUDAR E VIVER NUMA ACADEMIA MILITAR: O PAPEL DO CONTRATO PSICOLÓGICO E DO COPING SOCIAL NO BEMESTAR DOS ESTUDANTES 8 Ana Simões9 Resumo O contexto do ensino superior militar, pressupõe a adaptação a uma cultura rígida, pouco flexível e regida por elevados padrões de conduta. Com o intuito de caracterizar os processos de adaptação dos cadetes ao ensino superior militar, neste estudo, adoptou-se como paradigma de referência o Modelo das Exigências e dos Recursos (Demerouti, Bakker, Nachreiner, Schaufeli, 2001). As opções tomadas foram: as Exigências operacionalizadas como stressores percebidos; os Recursos operacionalizados do ponto de vista social como contrato psicológico e do ponto de vista individual como coping social; e o Bem-estar operacionalizado como burnout. A amostra é constituída por 204 alunos, 71 da Academia da Força Aérea e 133 da Academia Militar do Exército. Foi possível constatar que as Exigências (Relações exteriores e a Sobrecarga) predizem significativamente os níveis de exaustão dos cadetes, mas não têm efeito sobre o cinismo; e que os alunos com mais recursos sociais (Contrato Relacional) têm níveis de cinismo menos acentuados, mas sentem-se igualmente exaustos. O Contrato Relacional modera a relação entre as Relações Exteriores e a Exaustão; e a estratégia de coping junção social atenua o impacto da sobrecarga sobre a exaustão. No entanto, os recursos individuais de coping não predizem o cinismo nem contribuem para a diminuição do mesmo. 9 Psicóloga, Centro de Psicologia da Força Aérea A VALIDAÇÃO DE UM INSTRUMENTO DE MEDIDA DA AUTOEFICÁCIA DO PROFESSOR10 Ana Margarida Cândido de Matos 11 e João Nogueira 12 Resumo Este estudo tem como objectivo a validação da escala OSTES (Ohio State Teacher Efficacy Scale) para aplicação a professores estagiários. Esta escala de auto-eficácia do professor foi adaptada para língua portuguesa e aplicada a grupo de estagiários (N=80). Os resultados mostram correlações significativas com a escala de eficácia do professor (TES) e a realização pessoal do Inventário de Mal-estar de Maslach (MBI) e correlações negativas com a exaustão emocional (MBI). Os dados da análise factorial para a constituição de sub-escalas são menos estáveis. A validade foi ainda apoiada por entrevistas qualitativas a casos extremos. Do ponto de vista da garantia, a escala tem uma excelente consistência interna (α=0.95) e uma boa correlação teste-reteste (0,63). _____________________________________________________________________ ____ 11 Professora de Português e de Alemão do Ensino Básico (3.º Ciclo) e do Ensino Secundário, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa 12 Professor Auxiliar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa e Investigador na Unidade de Investigação de Educação e Desenvolvimento. UTILIZAÇÃO DE REDES NEURONAIS, ANÁLISE DISCRIMINANTE E REGRESSÃO LOGÍSTICA COMO SISTEMAS CLASSIFICATÓRIOS NA SELECÇÃO DE PILOTOS MILITARES 13 Patrícia Gomes14, Rui Bártolo-Ribeiro15 & João Maroco16 Resumo O principal objectivo deste artigo consistiu na validação de dois conjuntos de provas (Pilapt Aptitude e Aircrew Aptitude Testing), utilizados na selecção de Pilotos-Aviadores para a Academia da Força Aérea, com base em diferentes métodos classificatórios (Análise Discriminante, Redes Neuronais, e Regressão Logística), e com uma amostra conjunta de candidatos ao curso de Pilotagem Aeronáutica da Academia da Força Aérea de 2001 a 2006. Os sistemas classificatórios Análise Discriminante e Regressão Logística apresentaram resultados classificatórios idênticos (85.7% e 83.9% de classificações correctas, respectivamente) e ligeiramente superiores às Redes Neuronais (78.6%). Contudo as Redes Neuronais foram o único método com especificidade superior a 50%. A análise de significância e a sensibilidade identificaram a prova de Coordenação Motora e o Voo3 como os melhores preditores do sucesso no Estágio de Selecção de Voo. 14 Alferes/RHL, Psicóloga do Centro de Psicologia da Força Aérea (CPsiFA) 15 Tenente-Coronel, Psicólogo da FAP na situação de reserva / Assistente Convidado do ISPA 16 Professor Associado, Instituto Superior de Psicologia Aplicada STRESSE, COPING E INCIDENTES CRÍTICOS NO CONTROLO DO TRÁFEGO AÉREO (CTA) MILITAR: CARACTERIZAÇÃO E ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO Paulo Mota Marques18, Sandra Arvelos19, Ana Antunes20, João Cruz Dias21, Ana Gomes22 e Drª Mónica Duque23 Resumo O presente estudo procura caracterizar as principais fontes de stresse, situações críticas e as estratégias de coping, inerentes ao desempenho da função de controlo de tráfego aéreo em contexto militar na Força Aérea Portuguesa (FAP). O programa CISM (Critical Incident Stress Management) apresenta-se como uma estratégia de coping organizacional e está implementado na FAP para a especialidade de controlador de tráfego aéreo com intuito de minimizar o impacto psicológico de eventos/incidentes críticos, promovendo o desenvolvimento de uma cultura de segurança e o desempenho operacional dos seus militares. _____________________________________________________________________ ___ 18 Tenente-Coronel, Psicólogo, Director do Centro de Psicologia da Força Aérea (CPSIFA), membro da equipa CISM da Força Aérea 19 Tenente, Psicóloga, Departamento de Psicologia Aeronáutica, Centro de Psicologia da Força Aérea, membro da 20 Tenente, Psicóloga, Departamento de Psicologia Militar e Desenvolvimento Organizacional, Centro de Psicologia da 21 Tenente, Psicólogo, Departamento de Psicologia Clínica e Educacional, Centro de Psicologia da Força Aérea, 22 Alferes, Psicóloga, Departamento de Psicologia Militar e Desenvolvimento Organizacional, Centro de Psicologia da 23 Psicóloga, TEN/RHL na disponibilidade, ex-membro da equipa CISM da Força Aérea equipa CISM da Força Aérea Força Aérea, membro da equipa CISM da Força Aérea membro da equipa CISM da Força Aérea Força Aérea PTSD EM FAMÍLIAS DE VETERANOS DE GUERRA Carlos Manuel Anunciação24 Resumo Realizou-se uma abordagem teórica, de natureza exploratória, sobre as famílias de veteranos de guerra com a doença crónica (Perturbação de Stresse Pós Traumático). Constatou-se que em muitos estudos realizados, em diferentes tempos e teatros de operações (II Guerra Mundial, Guerra do Vietname, Guerra Israelo-árabe, Guerra do Líbano, Guerra do Golfo e Guerra Colonial Portuguesa), o tipo de problemáticas existentes a nível familiar, eram similares. Deste modo, verificou-se que muitas das famílias dos veteranos de guerra apresentavam perturbação significativa, em diferentes áreas da sua vida pessoal, familiar, profissional e social. Contudo, seria necessário uma abordagem mais abrangente em amostras de veteranos com PTSD, usando-se a mesma metodologia e instrumentos, para se poder definir, se os estudos continuam na mesma linha que o anteriormente realizado ou seja, se apresentam disfuncionalidade ao nível pessoal, familiar, profissional e social. O autor sugere que seria importante, a criação de uma estrutura de apoio (gabinete) no sentido de poder dar respostas, à ansiedade/depressão dos cônjuges e filhos que ficam na retaguarda, aquando dos deslocamentos dos militares para as diversas missões. 24 Capitão, Psicólogo Clínico no Serviço de Psiquiatria do Hospital Militar Principal, Mestre em Psicologia, área de Stresse e Bem-Estar pela FPCEUL FORMAR JORNALISTAS EM ZONA DE CONFLITO Mário Rui Pinto da Silva 25, Mafalda Morgado Rodrigues 26 e Luís Miguel Pinheiro 27 Resumo O presente estudo erigiu-se na validação do Curso de Jornalistas em Zonas de Conflito 2008 (CJZC/2008), e teve como objectivo testar a adaptação dos jornalistas às diferentes acções a que foram sujeitos e consequentemente o impacto psicológico destas nos indivíduos. Foram aplicados diferentes instrumentos, em dois momentos distintos (inicio e final do curso), aos 14 jornalistas participantes: Escala de percepção de auto – eficácia geral – traduzida e adaptada por Renato Nunes, Ralf Schwarzer & Mathias Jerusalém, 1999; Escala de Coesão de grupo – dimensão horizontal – PIT, adaptada pelo Centro de Psicologia Aplicada do Exercito (CPAE) do Royal Netherland’s Army; Escala de satisfação – nas dimensões – tarefas, colegas e desempenho – desenvolvida pelo CPAE e a Escala de Perfil de Estados de Humor – POMS – (Profile of Mood States) – desenvolvida por McNair, Loor & Droppleman. Os resultados indicam que houve um aumento significativo relativamente à percepção de auto eficácia individual, bem como da coesão de grupo. As diferenças encontradas para as outras variáveis não se mostraram significativas. 25 Tenente-Coronel Artilharia, Psicólogo e Chefe do Gabinete de Estudos e Formação no Centro de Psicologia Aplicada do Exército 26 Tenente, Psicóloga no Gabinete de Estudos e Formação no Centro de Psicologia Aplicada do Exército 27 Tenente, Psicólogo no Gabinete de Estudos e Formação no Centro de Psicologia Aplicada do Exército TUDO VALE A PENA? A IMPORTÂNCIA DO TREINO E INTEGRAÇÃO MILITAR NA CONSTRUÇÃO DE SIGNIFICADO E NO RECONHECIMENTO DE BENEFÍCIOS NO CONFRONTO COM A GUERRA POR PARTE DOS EX-COMBATENTES DA GUERRA COLONIAL PORTUGUESA 28 Sandra Sendas29 , Ângela da Costa Maia30 Resumo A investigação tem mostrado que a exposição ao stress de guerra tem como potencial consequência a perturbação de stress pós-traumático. Apesar da psicopatologia ser uma das principais consequências da exposição à adversidade, esta não é a única possibilidade. No contexto do paradigma construtivista é aceite que os seres humanos utilizam as suas experiências pessoais e a interacção dialógica com os outros para construírem um sistema pessoal original de significados para as suas auto-narrativas. A investigação tem vindo a mostrar que quanto maior a capacidade de atribuir significado e encontrar benefícios no confronto com o trauma, menor a intensidade de sintomas psicopatológicos manifestados. Neste trabalho explorámos as diferenças entre ex-combatentes com significados positivos versus negativos para a experiência de combate, mediante as percepções (1) da qualidade do treino militar recebido; (2) da integração na unidade de combate e (3) de haver retirado benefícios da experiência de participação na guerra colonial. Os 314 veteranos da Guerra Colonial Portuguesa deste estudo fizeram parte de um estudo epidemiológico de âmbito nacional (cf. Maia et al., 2006) e responderam, entre outros, a questionários sobre exposição durante a guerra, sintomas actuais e significado da guerra. Comparativamente aos sujeitos que actualmente atribuem significados negativos, o grupo dos que elaboraram significados positivos avaliou de modo mais positivo a qualidade do equipamento e treino militares recebido, manifestou maior acordo com as estratégias de combate implementadas, maior intensidade de sentimentos de empenho e orgulho por pertencer à unidade e pela missão cumprida e, curiosamente, foram estes quem mais sentimentos de culpa manifestaram durante as missões. Relativamente às percepções actuais da experiência de combate verificámos que foram os indivíduos com significados positivos aqueles que enunciaram mais benefícios no confronto com a guerra. ____________________________________________________________________________________ _____ 29 Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho 30 Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho A APRENDIZAGEM, O TREINO E O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS DA LIDERANÇA: A EMPATIA Aurélio V. M. Pamplona 31 Resumo Em “Liderança em Tempos de Mudança” publicado nos últimos dois números desta Revista, foi ressaltada a importância de educar, instruir e treinar os futuros líderes no exercício da liderança através duma maior consciência dos comportamentos de liderança, por serem susceptíveis de conduzir a uma maior performance por parte dos seguidores. Defendia-se a utilização de um tipo de liderança a que chamei de humanista, mais virada para as pessoas e não só de valorização do rendimento, da eficácia e da produção, para além do conhecimento das diferentes teorias e práticas sobre o mesmo tema. A ideia implícita era que ter um determinado cargo ou posto não implica necessariamente possuir todas as necessárias qualificações para o exercer, nomeadamente face aos diferentes papéis, responsabilidades e riscos que caracterizam hoje o “mundo militar”. Neste trabalho e de acordo com os desenvolvimentos que a teoria e prática psicológica tem trazido à educação, à saúde e ao trabalho, expande-se um pouco mais o tema e introduz-se o treino de empatia, um dos muitos treinos de competências que se justificam quando o líder para cumprir a missão necessita dos seguidores, habitualmente com múltiplas necessidades, desejos e motivos e sujeitos a situações difíceis, contraditórias ou conflituosas, como sejam as das acções das Forças Militares ou Militarizadas. O desenvolvimento e o uso da empatia pelo líder reflecte-se positivamente nas situações, comportamentos, atitudes e valores, facilita o crescimento e minimiza as resistências. _______________________________________________________________________________________________ _____ 31 Coronel de Infantaria na Reforma. Ex-Director do Centro de Psicologia Aplicada do Exército e Mestre em Psicologia da Saúde.