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UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
PROJETO A VEZ DO MESTRE
A AÇÃO DA ARTE NA APRENDIZAGEM
POR: APARECIDA ANTÔNIA DA SILVA MEDEIROS
PROFESSORA ORIENTADORA: FABIANE MUNIZ DA SILVA
POSSE – GO
JULHO / 2008
2
UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
PROJETO A VEZ DO MESTRE
A AÇÃO DA ARTE NA APRENDIZAGEM
Monografia
apresentada
a
Título de Especialização Latu
Sensu
em
Arteterapia
em
Educação pela Universidade
Cândido Mendes do Rio de
Janeiro com orientação de
Projeto A Vez do Mestre.
POSSE – GO
JULHO / 2008
3
EPIGRAFE
“Somente
se
aproxima
da
perfeição, quem a procura com
constância,
sabedoria
e,
sobretudo humildade”.
(Jigoro Kano)
4
Dedico
este
trabalho
de
pesquisa aos meus alunos e
colegas de trabalho, com os
quais
aprendi.
pessoas
que
E
a
todas
contribuíram
direta ou indiretamente para a
elaboração deste trabalho.
5
Agradeço
primeiramente
a
Deus, pois sem ele nada é
possível.
Aos
meus
filhos:
Márcio, Laiane e Mayra, pelo
incentivo e apoio e aos meus
pais: Joaquim e Maura pelo
carinho e paciência que por
mim tiveram.
6
RESUMO
Este trabalho aborda questões importantes sobre a arte
na alfabetização e sua contribuição para formação de cidadãos
aptos a viver no mundo letrado e cheio de novidades tecnológicas
em que estamos inseridos. Em tempos de TV, computador, a arte
não perdeu seu valor e sua necessidade, o grande desafio é
conseguir mostrar isso. Abordamos assuntos pertinentes a uma
proposta de interdisciplinaridade e como a escola pode resgatar a
todas as formas de arte levando-a para a sala de aula de forma
criativa, alegre, descontraída, dinâmica, diversificada, promovendo
a interação da criança com a aprendizagem. Abordamos o fascínio
que
a
música,
os
contos,
a
dramatização
de
textos
contextualizados e cheios de significados exercem sobre a criança,
favorecendo a organização do pensamento, o desenvolvimento, a
inteligência e o conhecimento, e como podem se transformar em
ferramentas importantes para o desenvolvimento cognitivo das
crianças. Através da pesquisa realizada em torno da arte e seu
desenvolvimento,
montamos
um
capítulo
especial
com
diversificadas propostas para trabalhar a arte em sala de aula.
Ratificamos neste trabalho a importância de saber trabalhar as
diversificadas formas de expressar a arte no contexto atual bem
como a necessidade de elaborar o trabalho pedagógico voltado ao
interesse da criança.
Palavras-chave: arte e desenvolvimento, Educação infantil e Arte,
trabalho pedagógico.
7
METODOLOGIA
Este trabalho foi de suma importância e contribuiu para
melhorar os meus conhecimentos pedagógicos, pois a arte na
aprendizagem é um aparato para um mundo letrado onde as
crianças aprendem brincando.
Sabemos que a música, os contos e as dramatizações de
pequenos textos ou histórias, fábulas, exercem sobre as crianças o
prazer de aprender, o mundo contextualizado cheio de significados
para o saber favorecendo e organizando o pensamento das
crianças com gosto para o mundo letrado onde se transforma em
ferramenta
crianças.
importante
para
o
desenvolvimento
cognitivo
das
8
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ......................................................................... 09
CAPÍTULO I
A EDUCAÇÃO INFANTIL E A ARTE .......................................... 11
1.1. Enfoque da Arte na Constituição do Sujeito ...................... 11
1.2. A Arte do Brincar ............................................................ 12
1.3. A Prática Docente frente a utilização da Arte na
Educação Infantil ............................................................ 14
CAPÍTULO II
TIPOS DE MANIFESTAÇÕES NA ARTE .................................... 18
2.1. A Importância da música na Educação Infantil .................. 18
2.2. A Dança como expressão Infantil ..................................... 23
2.3. A Dramatização e o seu Papel na Educação Infantil .......... 27
2.4. Expressão Corporal e Desenvolvimento ............................ 29
CAPÍTULO III
PESQUISA DE CAMPO ............................................................ 31
3.1. Atividades Aplicadas na Escola ....................................... 31
3.2. Metodologia e Elaboração da Atividade ............................ 33
3.3. Resultados e Discussões ................................................ 34
CONCLUSÃO .......................................................................... 37
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................ 40
9
INTRODUÇÃO
O objetivo desse trabalho é a busca pelo saber como
a
ação
da
arte
pode
ser
um
importante
auxílio
na
aprendizagem do educando e de que formas e até que ponto
essa ação da arte pode contribuir na formação educacional.
A atual situação educacional está longe de favorecer
a criatividade. Manter um aluno sentado em uma carteira
durante três ou quatro horas seguidas, ouvindo o professor
que fala ou copiando o que ele escreve no quadro, estimula o
conformismo, a passividade, a imitação e a imitação do que
os
outros
fazem,
podendo
gerar
comportamentos
estereotipados.
Para
uma
educação
consolidada,
que
prepare
os
alunos a diversidade encontrada ao longo da vida escolar e
até
mesmo
criatividade,
após
fator
ela,
se
faz
necessário
fundamental
para
o
estimulá-lo
a
desenvolvimento
afetivo e cognitivo de uma criança e principalmente aguçar
curiosidade e tornar mais atrativa e desafiadora a prática
pedagógica.
Para que o aluno produza trabalhos criativos, invente
novas maneiras de estudar e aprender se faz necessária uma
preparação. Para isso organizar as programações escolares
é importante, abrindo assim, espaço para que os mesmos
desenvolvam
interesses,
atividades
capacidade
criativas,
de
e
etária.
faixa
acordo
Os
com
seus
principais
obstáculos à criatividade são a disciplina e ordem exagerada,
em prejuízo da iniciativa individual e da espontaneidade.
10
Partindo do exposto, é papel do educador encontrar e
integrar ao planejamento, práticas que envolvam as crianças e
desenvolvam sua criatividade e seu raciocínio. As atividades
lúdicas têm sido apontadas por muitos pesquisadores como um
caminho para aprendizagens significativas um trabalho agradável,
desmistificando a escola como um lugar cansativo, onde a principal
meta é a transmissão de conhecimentos, de atividades rotineiras
que não motivam o educando a aprendizagem.
A
escola
hoje
vem
inovando
seus
métodos
de
alfabetização levando em conta os meios em que o aluno vive, e
com isso a aprendizagem se torna cada dia mais prazerosa e
significativa. A arte-educação foi escolhida como instrumento de
mediação por se entender que esta favorece a expressão concreta
e particular de algo que se vive tanto no plano psíquico como no
plano
social.
Outro
elemento
destacado
foram
às
relações
interpessoais, que enfatiza a necessidade da sensibilização para o
respeito entre os diversos atores presentes no espaço escolar.
Esta pesquisa tem como objetivo verificar a integração
entre crianças, analisando de forma significativa e demonstrando a
arte e aprendizagens, como fonte contribuidora da aprendizagem
de
forma
atraente,
desenvolvimento
que
sem
esquecer
é
educando,
o
o
foco
principal
demonstrando
que
do
a
aprendizagem pode ser de forma agradável e eficaz através da
arte bem como um elemento essencial do comportamento humano
e também a atividade mais vital da infância.
11
CAPÍTULO I
A EDUCAÇÃO INFANTIL E A ARTE
1.1. Enfoque da Arte na Constituição do Sujeito
Vygotsky (1998) compreende a arte como um elemento
significativo na constituição do sujeito, no momento em que ela atua
sobre o plano emocional. Para Vygotsky (1998), a arte vive da
interação,
agregando
os
princípios
da
percepção
sensorial,
sentimento e imaginação todas as nossas vivencias fantásticas e
irreais transcorrem, no fundo, numa base emocional absolutamente
real. Deste modo vemos que o sentimento e a fantasia não são dois
processos
separados
em
si,
mas,
essencialmente
o
mesmo
processo, e estamos autorizados a considerar a fantasia como
expressão central da reação emocional (VYGOTSKY, 1998, p. 246).
A
arte
nesta
compreensão
pode
ser
uma
mediadora
qualificada para se atingir num sujeito a sua vivência subjetiva. A arte
possibilita, na compreensão de Vygotsky, (1998), a abertura para a
expressão de sentimentos e compreensões do mundo que revelam
aspectos
da
produção
de
sentidos
de
um
sujeito
que
estão
entrelaçados com sua objetividade. Aquilo que o sujeito produz como
expressão artística estará de certo modo resgatando a compreensão
que o mesmo tem de sua existência no plano da materialidade.
A arte retrata a relação entre subjetividade e objetividade,
uma vez que cria um campo de possibilidades em que a realidade
pode
ser
transformada
conseqüentemente
o
pela
impacto
percepção
daquela
singular
sobre
a
revelando
formação
da
12
consciência de si e do outro. Em contextos educativos infantis, a
arte pode contribuir para o desenvolvimento afetivo-emocional,
para mediar a compreensão da criança de seu contexto, para
favorecer o seu trânsito entre a realidade e a fantasia.
A arte no âmbito da educação formal configura-se como
um instrumento que oportuniza à criança o desenvolvimento de seu
potencial criador e reflete sua convivência cultural, à medida que
ao se relacionar com a arte, a criança internaliza e externaliza
conhecimentos sobre o seu mundo. Na arte, a criança representa o
seu mundo. Pela arte, a criança pode elaborar conceitos e
expressar sua compreensão dos papéis sociais. Com a arte se
pode instrumentalizar o processo de aprendizagem para que este
esteja
condizente
com
a
capacidade
cognitiva
da
criança.
Capacidade cognitiva para elaborar conceitos, compreender sua
posição no mundo, e se identificar com papéis sociais que
desempenhará ao longo de sua vida.
A A rt e é e n t ão um re c u rs o p e da gógic o , qu e n o â m b it o
d a p s ic o lo gia p a ss a a se r u m d is pos it ivo qu e p o d e f ort a le c e r a
re la ç ã o e n t re a apro p ria ç ã o d o co n he c im en t o , o d e s envo l vim e n t o
das
f u n ç õe s
lin gu a ge m
e
p s ic o ló gic a s
s u pe rio re s
pe ns a m en t o,
por
(p e rc ep ç ã o,
e xe m p lo )
e
o
a t en ç ã o,
p roc e s s o
de
s o c ia liza ç ã o inf an til.
1.2. A Arte do Brincar
Dentre as muitas tarefas urgentes colocadas hoje para a
escola está o desafio de serem superadas as visões reducionistas
e preconcebidas sobre a arte, bem como a de conferir ao trabalho
de arte um estatuto a altura da sua importância no mundo
13
contemporâneo. A hipótese de que, utilizar a arte é de suma
importância
para
o
indivíduo,
levando-o
a
desenvolver
a
aprendizagem de forma agradável e criativa através da sua ação, e
descobrindo a aprendizagem com o uso da arte é o ponto de
partida da nossa comunicação que se propõe a abordar o trabalho
de arte na educação infantil.
O ensino da Educação Infantil não se caracteriza pela prática
da ludicidade, o que se torna um problema para o desenvolvimento do
educando em todos os seus aspectos na educação infantil. Como
também conhecimentos teóricos que ainda não estão bem esclarecidos
dentre eles o conceito de infância. O professor de educação infantil
deve conhecer teorias referentes ao desenvolvimento da infância para
que facilite a sua criatividade no desenvolvimento de atividades
educativas promovedoras do desenvolvimento em seus aspectos
físicos, afetivos, cognitivos e sociais.
Brincando
a
criança
desenvolve
as
qualidades
de
observação, coragem, iniciativa, sociabilidade, disciplina, capacidade
criativa, gentileza e enriquece os valores intelectuais e morais.
Para
Vygotsky
(2003)
o
aprendizado
precede
o
desenvolvimento das crianças e pode ser considerado como o
motor propulsor de vários processos de desenvolvimento que, de
outra maneira, seriam impossíveis de acontecer.
Para o autor, há dois tipos de aprendizado: o pré-escolar
e
o
escolar,
estes
que
diferem
significativamente.
Segundo
Vygotsky, o aprendizado escolar além de apresentar um caráter
sistematizado,
“produ z
algo
fundamentalmente
desenvolvimento da criança” (Vygotsky; 2003; p. 95).
novo
no
14
O
autor
a c red ita va
n is t o
por
co n s id e ra r
qu e
um
p ro c e s s o d e en s ino b e m o rga n iza d o, c o m a m ed ia ç ão d e t o d o s
os
mem b ro s
e n vo lvid o s ,
vo lt a -s e
e s pe c if ica me n te
p a ra
as
c a p a c ida d e s d o s su je it o s pa ra a ap ren d iza ge m , qu e s e gu n do e le,
s ã o “f u n çõ e s nã o a m ad u re c ida s , qu e a in d a e st ã o e m p ro c e s s o de
m a tu ra ç ã o,
p re sen t em e nt e
em
e st a d o
e mb rio n á rio”.
Essas
f u n ç õe s po d e riam s e r c h am ad a s de ‘b ro t o s ’ o u d e ‘f l o re s ’ d o
d e s en vo lv im e n t o,
ao
in vé s
de
f ru t o s
do
d e se n vo lvim e n t o ”.
(V y go t s k y; 2 0 0 3 ; p.97).
A arte tem um papel muito importante nas áreas de
estimulação desde a pré-escola e é uma das formas mais naturais
da criança entrar em contato com a realidade. A arte faz parte do
cotidiano
das
pessoas,
e
as
crianças,
em
especial,
são
extremamente atraídas por todas as formas artísticas.
Todas as manifestações em forma de arte, como o jogo,
apresentam significados distintos, uma vez que pode significar desde
os movimentos que a criança realiza nos primeiros anos de vida,
agitando os objetos que estão ao seu alcance até as atividades mais
ou menos complexas, como certos jogos tradicionais. Sendo um
instrumento rico e estimulador da aprendizagem e do desenvolvimento
social, cultural, físico-motor, cognitivo e afetivo da criança, pois
exercita a inteligência e o seu raciocínio.
1.3. A Prática Docente frente a utilização da Arte na
Educação Infantil
Alguns teóricos, entre eles Freitas (2002), enfatizam que
as
reformas
educativas
atuais
colocam
os
educadores
em
confronto com dois desafios: reinventar a escola como local de
15
trabalho e reinventar a si mesmo como pessoas e profissionais da
educação. Isto é um indicativo de que os educadores precisam não
apenas colocar em questão, o reinventar suas práticas educativas,
no sentido de repensar suas atitudes, concepções, métodos e
conhecimentos sobre o processo de aprendizagem do discente,
como também reinventar suas relações profissionais que começa
com a observação de sua postura em relação ao outro.
A brincadeira é uma tendência instintiva do ser humano, é
uma força da natureza, levando a infância ao desenvolvimento
físico, ao crescimento mental e a adaptação social, influencia
significativamente na construção do conhecimento infantil, pois
são fontes de prazer e descoberta.
A contribuição das atividades
lúdicas no desenvolvimento da criança vai depender da concepção
que se tem de arte.
O
professor
deverá
ter
o
papel
de
provocador
da
participação coletiva, levando os alunos ao desafio da busca da
resolução dos problemas, despertando e incentivando a criança
para o espírito de companheirismo e de cooperação.
Apesar da brincadeira ser uma atividade espontânea nas
crianças, isso não significa que o professor não necessite ter uma
atitude ativa sobre ela, inclusive, uma atitude de observação que
lhe permitirá conhecer muito sobre as crianças com que trabalha.
O professor precisa estar atento à idade e às necessidades de
seus alunos para selecionar e deixar à disposição materiais
adequados.
O
material
deve
ser
suficiente
tanto
quanto
à
quantidade, como pela diversidade, pelo interesse que despertam
pelo material de que são feitos. Lembrando sempre da importância
de respeitar e propiciar elementos que favoreçam a criatividade
das crianças.
16
Brincar
é
um
componente
crucial
do
desenvolvimento, pois, através do brincar a criança
é capaz de tornar manejáveis e compreensíveis os
aspectos
esmagadores
e
desorientadores
do
mundo. Na verdade, o brincar é um parceiro
insubstituível do desenvolvimento, seu principal
motor.
Em
seu
brincar,
a
criança
pode
experimentar comportamentos, ações e percepções
sem medo de represálias ou fracasso, tornando-se
assim mais bem preparada para quando o seu
comportamento 'contar'. (GARDNER , 1995)
No processo da educação infantil o papel do professor é de
suma importância, pois é ele quem cria os espaços, disponibiliza
materiais, participa das brincadeiras, ou seja, faz a mediação da
construção do conhecimento.
A desvalorização do movimento natural e espontâneo da
criança em favor do conhecimento estruturado e formalizado ignora
as dimensões educativas da arte como forma rica e poderosa de
estimular
a
atividade
construtiva
da
criança.
É
urgente
e
necessário que o professor procure ampliar cada vez mais as
vivências da criança com o ambiente físico, com brinquedos,
brincadeiras e com outras crianças.
NEGRINE (1994, p. 20), em estudos realizados sobre
aprendizagem e desenvolvimento infantil, afirma que "quando a
criança chega à escola, tra z consigo toda uma pré-história,
construída a partir de suas vivências, grande parte delas através
da atividade lúdica". Segundo o autor, é fundamental que os
17
professores
tenham
conhecimento
do
saber
que
a
criança
construiu na interação com o ambiente familiar e sociocultural,
para formular sua proposta pedagógica.
É preciso que os profissionais de educação
infantil
tenham
acesso
ao
conhecimento
produzido na área da educação infantil e da
cultura em geral, para repensarem sua prática,
se reconstruírem enquanto cidadãos e atuarem
enquanto sujeitos da produção de conhecimento.
E para que possam, mais do que "implantar"
currículos ou "aplicar" propostas à realidade da
creche/pré-escola em que atuam, efetivamente
participar
da
sua
concepção,
construção
e
consolidação. (Kramer apud MEC/SEF/COEDI,
1996, p.19).
O
professor
precisa
estar
atento
à
idade
e
às
necessidades de seus alunos para selecionar e deixar à disposição
materiais adequados. O material deve ser suficiente tanto quanto à
quantidade, como pela diversidade, pelo interesse que despertam
pelo material de que são feitos. Lembrando sempre da importância
de respeitar e propiciar elementos que favoreçam a criatividade
das crianças. A sucata é um exemplo de material que preenche
vários destes requisitos.
Vygotsky, citado por Lins (1999), classifica o brincar em
algumas fases: durante a primeira fase a criança começa a se
distanciar de seu primeiro meio social, representado pela mãe,
começa a falar, andar e movimentar-se em volta das coisas. Nesta
fase, o ambiente a alcança por meio do adulto e pode-se dizer que
18
a fase estende-se até em torno dos sete anos. A segunda fase é
caracterizada pela imitação, a criança copia os modelos dos
adultos. A terceira fase é marcada pelas convenções que surgem
de regras e convenções a elas associadas.
19
CAPÍTULO II
TIPOS DE MANIFESTAÇÕES NA ARTE
2.1. A Importância da Música na Educação Infantil
FARIA (2001) Define que a música é um importante fator
de aprendizagem, pois a criança desde pequena já ouve música, a
qual muitas vezes é cantada pela mãe ao dormir, conhecida como
‘cantiga de ninar’. Na aprendizagem a música é muito importante,
pois o aluno convive com ela desde pequeno.
Segundo Bréscia (2003), a música é uma linguagem
universal, tendo participado da história da humanidade desde as
primeiras
civilizações.
Conforme
dados
antropológicos,
as
primeiras músicas seriam usadas em rituais, como: nascimento,
casamento, morte, recuperação de doenças e fertilidade. Com o
desenvolvimento das sociedades, a música também passou a ser
utilizada em louvor a líderes, como a executada nas procissões
reais do antigo Egito e na Suméria.
A t u a lm en t e e xis t e m d ive rs a s d ef in iç õ e s p a ra mú s ic a .
Ma s , d e um mo do ge ra l, e la é c on s id e ra da c iê n c ia e a rt e , na
m e d id a e m qu e as re la ç õ e s e nt re o s e lem en t o s mus ic a is s ã o
re la ç õ e s m a te má t ic a s e f ís ic a s ; a a rte m an if e s ta -s e p e la e s c o lha
d o s a rra n jo s e c om b ina ç õ e s. Ho u a is s a p u d B ré s c ia (2 0 03 , p . 25 )
c o n c e itu a
a
m ú sic a
como
“[ . . . ]
c o m b in a ç ão
h a rmo n io s a
e
e xp re s s iva d e s o n s e c o m o a a rte d e s e e xp rim ir p o r m e io de
s o n s , s e gu in do regra s va riá ve is c o n f o rm e a é p o ca , a c ivi li za ç ã o
e t c ”.
20
De acordo com W eigel (1988, p. 10) a música é composta
basicamente por:
• Som: são as vibrações audíveis e regulares de corpos
elásticos, que se repetem com a mesma velocidade, como
as do pêndulo do relógio. As vibrações irregulares são
denominados ruídos.
• Ritmo: é o efeito que se origina da duração de diferentes
sons, longos ou curtos.
• Melodia: é a sucessão rítmica e bem ordenada dos sons.
• Harmonia:
é
a
combinação
simultânea,
melódica
e
harmoniosa dos sons.
Cada um dos aspectos ou elementos da música
corresponde a um aspecto humano específico,
ao qual mobiliza com exclusividade ou mais
intensamente:
movimento
o
ritmo
corporal,
a
musical
induz
melodia
estimula
ao
a
afetividade; a ordem ou a estrutura musical (na
harmonia
ou
na
ativamente
para
restauração
da
forma
a
musical)
afirmação
ordem
mental
contribui
ou
para
a
no
homem.
(W ilhems apud Gainza (1988, p. 36)
As atividades de musicalização permitem que a criança
conheça
melhor
a
si
mesma,
desenvolvendo
sua
noção
de
esquema corporal, e também permitem a comunicação com o
outro. W eigel (1988) e Barreto (2000) afirmam que atividades
podem
contribuir
de
maneira
indelével
como
reforço
no
desenvolvimento cognitivo/ lingüístico, psicomotor e sócio-afetivo
da criança, da seguinte forma:
21
Desenvolvimento
conhecimento
da
cognitivo/
criança
são
as
lingüístico:
a
fonte
situações
que
ela
de
tem
oportunidade de experimentar em seu dia a dia. Dessa forma,
quanto maior a riqueza de estímulos que ela receber melhor será
seu desenvolvimento intelectual. Nesse sentido, as experiências
rítmico musicais que permitem uma participação ativa (vendo,
ouvindo, tocando) favorecem o desenvolvimento dos sentidos das
crianças. Ao trabalhar com os sons ela desenvolve sua acuidade
auditiva; ao acompanhar gestos ou dançar ela está trabalhando a
coordenação motora e a atenção; ao cantar ou imitar sons ela esta
descobrindo suas capacidades e estabelecendo relações com o
ambiente em que vive.
Desenvolvimento
psicomotor:
as
atividades
musicais
oferecem inúmeras oportunidades para que a criança aprimore sua
habilidade motora, aprenda a controlar seus músculos e mova-se
com desenvoltura. O ritmo tem um papel importante na formação e
equilíbrio do sistema nervoso. Isto porque toda expressão musical
ativa age sobre a mente, favorecendo a descarga emocional, a
reação
motora
e
aliviando
as
tensões.
Qualquer
movimento
adaptado a um ritmo é resultado de um conjunto completo (e
complexo) de atividades coordenadas. Por isso atividades como
cantar
fazendo
gestos,
dançar,
bater
palmas,
pés,
são
experiências importantes para a criança, pois elas permitem que
se desenvolva o senso rítmico, a coordenação motora, fatores
importantes também para o processo de aquisição da leitura e da
escrita.
Desenvolvimento sócio-afetivo: a criança aos poucos vai
formando sua identidade, percebendo-se diferente dos outros e ao
mesmo
tempo
buscando
integrar-se
com
os
outros.
Nesse
processo a auto-estima e a auto-realização desempenham um
22
papel muito importante. Através do desenvolvimento da autoestima ela aprende a se aceitar como é, com suas capacidades e
limitações.
As
atividades
musicais
coletivas
favorecem
o
desenvolvimento da socialização, estimulando a compreensão, a
participação
e
a
cooperação.
Dessa
forma
a
criança
vai
desenvolvendo o conceito de grupo. Além disso, ao expressar-se
musicalmente em atividades que lhe dêem prazer, ela demonstra
seus
sentimentos,
libera
suas
emoções,
desenvolvendo
um
sentimento de segurança e auto-realização.
Snyders (1992) comenta que a função mais evidente da
escola é preparar os jovens para o futuro, para a vida adulta e
suas responsabilidades. Mas ela pode parecer aos alunos como
um remédio amargo que eles precisam engolir para assegurar, num
futuro bastante indeterminado, uma felicidade bastante incerta. A
música pode contribuir para tornar esse ambiente mais alegre e
favorável à aprendizagem, afinal “propiciar uma alegria que seja
vivida no presente é a dimensão essencial da pedagogia, e é
preciso
que
os
esforços
dos
alunos
sejam
estimulados,
compensados e recompensados por uma alegria que possa ser
vivida no momento presente” (SNYDERS, 1992, p. 14).
Além de contribuir para deixar o ambiente escolar mais
alegre, podendo ser usada para proporcionar uma atmosfera mais
receptiva à chegada dos alunos, oferecendo um efeito calmante
após períodos de atividade física e reduzindo a tensão em
momentos de avaliação, a música também pode ser usada como
um recurso no aprendizado de diversas disciplinas.
O
educador
pode
selecionar
músicas
que
falem
do
conteúdo a ser trabalhado em sua área, isso vai tornar a aula
23
dinâmica, atrativa, e vai ajudar a recordar as informações. Mas, a
música também deve ser estudada como matéria em si, como
linguagem artística, forma de expressão e um bem cultural. A
escola
deve
oportunizando
ampliar
a
o
conhecimento
convivência
com
os
musical
diferentes
do
aluno,
gêneros,
apresentando novos estilos, proporcionando uma análise reflexiva
do que lhe é apresentado, permitindo que o aluno se torne mais
crítico.
[...] uma das tarefas primordiais da escola é
assegurar a igualdade de chances, para que toda
criança possa ter acesso à música e possa
educar-se musicalmente, qualquer que seja o
ambiente
sócio-cultural
de
que
provenha.
(MÁRSICO, 1982, p. 148)
As atividades musicais realizadas na escola não visam a
formação de músicos, e sim, através da vivência e compreensão
da linguagem musical, propiciar a abertura de canais sensoriais,
facilitando a expressão de emoções, ampliando a cultura geral e
contribuindo para a formação integral do ser. A esse respeito
Katsch e Merle-Fishman apud Bréscia (2003, p.60) afirmam que
“[...] a música pode melhorar o desempenho e a concentração,
além de ter um impacto positivo na aprendizagem de matemática,
leitura e outras habilidades lingüísticas nas crianças”.
Gainza (1988) afirma que as atividades musicais na
escola podem ter objetivos profiláticos, nos seguintes aspectos:
• Físico: oferecendo atividades capazes de promover o
alívio de tensões devidas à instabilidade emocional e
fadiga;
24
• Psíquico:
promovendo
processos
de
expressão,
comunicação e descarga emocional através do estímulo
musical e sonoro;
• Mental: proporcionando situações que possam contribuir
para
estimular
e
desenvolver
o
sentido
da
ordem,
harmonia, organização e compreensão.
Para Bréscia (2003, p. 81) “[...] o aprendizado de música,
além de favorecer o desenvolvimento afetivo da criança, amplia a
atividade cerebral, melhora o desempenho escolar dos alunos e
contribui para integrar socialmente o indivíduo”.
Através
perceber
das
quais
principalmente
os
atividades
pontos
quanto
à
musicais
fortes
e
capacidade
o
fracos
de
educador
pode
das
crianças,
memória
auditiva,
observação, discriminação e reconhecimento dos sons, podendo
assim vir a trabalhar melhor o que está defasado. Bréscia (2003)
ressalta
que
os
jogos
musicais
podem
ser
de
três
tipos,
correspondentes às fases do desenvolvimento infantil:
• Sensório-Motor (até os dois anos): São atividades que
relacionam o som e o gesto. A criança pode fazer gestos
para produzir sons e expressar-se corporalmente para
representar
o
que
ouve
ou
canta.
Favorecem
o
desenvolvimento da motricidade.
• Simbólico
(a
partir
dos
dois
anos):
Aqui
se
busca
representar o significado da música, o sentimento, a
expressão. O som tem função de ilustração, de sonoplastia.
Contribuem para o desenvolvimento da linguagem.
• Analítico ou de Regras (a partir dos quatro anos) : São
jogos que envolvem a estrutura da música, onde são
necessárias a socialização e organização. Ela precisa
escutar a si mesma e aos outros, esperando sua vez de
25
cantar ou tocar. Ajudam no desenvolvimento do sentido
de organização e disciplina.
A duração das atividades deve variar conforme a idade da
criança, dependendo de sua atenção e interesse. Além disso, vale
lembrar que é preciso respeitar a forma de expressão de cada um,
mesmo
que
venha
a
parecer
repetitivo
ou
sem
sentido.
É
importante que a criança sinta-se livre para se expressar e criar.
2.2. A Dança como Expressão Infantil
A E du c a ç ão Inf a nt il d e s em pe n ha um p a pe l p rim o rd ia l no
desenvolvimento integral da criança. Lugar onde se oportuniza
situações desafiadoras, as quais permitam que as crianças possam
encontrar
respostas
por
si
mesmas,
para
suas
indagações,
tornando-se pessoas autônomas e críticas.
A dança tem uma função pedagógica específica
na
escola
que
se
traduz
na
criação
de
movimentos criativos e de livre expressão da
criança. Uma das finalidades da dança na escola
é permitir a criança evoluir em relação ao domínio
de seu corpo, assim desenvolverá e aprimorará
suas
possibilidades
de
movimentação,
descobrindo novos espaços, formas, superação
de suas limitações e condições para enfrentar
novos desafios quanto aspectos motores, sociais,
afetivos e cognitivos (BARRETO, 2002).
Enquanto um processo educacional, a dança não se resume
26
em
aquisição
de
habilidades,
mas
sim,
contribui
para
o
aprimoramento de habilidades básicas, no desenvolvimento das
potencialidades humanas e sua relação com o mundo. Segundo os
PCNs ( 2003), a dança é uma forma de integração e expressão
tanto individual quanto coletiva, em que o aluno exercita a
atenção, a percepção, a colaboração e a solidariedade.
P a ra le lam en t e à s o u t ra s a rt e s, a d an ç a d e se n vo lve u m a
e xt e n s a á rea d a c a p a c ida d e in t e le c t u a l, qu e p ro po rc io n a às
c ria n ç a s u m m od o e s p e c ia l de u s a r s u a im a gin a çã o p a ra e xp lo ra r
suas
e xp e riê n c ia s
no
m u ndo ,
d an d o -lhe s
s e n t id o.
E vid e n t e me n te , o p rof e s s o r d e ve t e r c o n s c iê n c ia de qu e , em bo ra
s e e n c on t re p a ra c a d a a t ivid a de d e d a n ça u ma d e te rm in a ç ã o de
id a d e c ro no ló gic a , is t o n ã o po d e s er le va d o ao " p é da le t ra" , é
a p en a s um ind ic at ivo , u m a ve z qu e a ma t u ra çã o é o p ro c e s s o
qu e s u b s id ia m u it a s pe rf o rma n ce s e n ã o o c o rre de ma ne ira
a b s o lut am e nt e igua l e nt re a s c ria nç a s . No s so c o rpo mo ve -s e
como
no s s a
m en t e
se
m o ve .
As
qu a lid a de s
de
qu a lqu e r
m o vim e nt o s ão a s m an if e s ta ç õ e s d e c o mo a m en t e é e xp re s s a
a t ra vé s d o co rp o qu e e st á e m mo vim e n t o .
O
aprendizado
da
Dança
educativa
integra
o
conhecimento intelectual e a habilidade corporal e criativa do
aluno. Isto leva o professor a estar sempre em contato com o
envolvimento, o compromisso e a responsabilidade em conduzir o
aluno. A alfabetização é um processo pelo qual a criança codifica
e decodifica o mundo que a cerca, processo que não atinge
somente o aspecto cognitivo do aluno, mas o aluno como um todo:
emocional,
social
e
corporal.
Um
único
movimento,
ou
uma
seqüência de movimentos deve revelar, ao mesmo tempo, o
caráter de quem o realiza, o fim pretendido, os obstáculos
exteriores e os conflitos interiores que nascem deste esforço.
27
A dança na escola não deve priorizar a execução de
movimentos corretos e perfeitos dentro de um padrão técnico imposto,
gerando a competividade entre alunos. Deve partir do pressuposto de
que o movimento é uma forma de expressão e comunicação do aluno,
objetivando torná-lo um cidadão crítico, participativo e responsável,
desenvolvendo a auto-expressão e aprendendo a pensar em termos
de movimento. Promover a construção do conhecimento, com as
histórias de vida de cada um e, na relação dialogal, construir um
saber que se traduz na conscientização dos modos como o homem se
relaciona com o mundo, na sua concretude histórico-social, na
produção da sua existência.
A dança é a mais completa das artes e deve estar em
perfeita e constante associação com a prática da escola, por que a
dança não é resposta apenas de cultura artística, de gosto, de
refinamento, mas meio de expressão poderosa.
O movimento tem uma relação absolutamente direta com
a imagem corporal. É formada através de um processo ininterrupto
de incorporações, resultante de laços afetivos visíveis e invisíveis,
por isso, decorrente da história pessoal de cada um, conclama
para
a
necessidade
do
respeito
ao
movimento
livre,
sem
compromisso de compulsões repetitivas. Liberdade de movimento
é binômia de amor que se expressa. Ele diz que "a liberdade é
conquistada desde o interior, é daí que o movimento nasce livre
para expressar-se fora".
Ao referir-se às práticas de fins educativos, apregoa que
os educadores não fiquem somente ao nível do corpo que escuta,
que sente, que grava, mas que fale através de sinais, símbolos, de
caracteres.
28
O reconhecimento da estrutura básica das aulas de
dança, sendo que essa estrutura, considerada por uns como
esquema de exercícios (...), pode ser ampliada para o sentido
global da dança com a integração de elementos expressivos e de
processos de desenvolvimento da criatividade.
Criatividade na dança significa demonstrar a qualidade de
experimentar. Existem no processo quatro aspectos importantes
que parecem explicar a criatividade: estar o indivíduo aberto à sua
própria experimentação; focalizar sua experimentação; disciplinar
suas ações e levar a tarefa a uma conclusão: Se efetivamente a
criatividade é isso, identifica-se facilmente a presença dessas
características na criança.
2.3. A Dramatização e o seu Papel na Educação Infantil
As primeiras relações sociais da criança ocorrem na
educação infantil. Muitos estudos indicam que a qualidade do
relacionamento que estabelecem com os pais, é fundamental no
desenvolvimento social da criança. A atenção e o afeto recebidos
na infância, tanto dos pais quanto dos professores e demais
adultos com os quais convive,
ajudam-na a ver o mundo de forma
positiva e a acreditar que a convivência com os outros também
será
agradável.
Na
verdade,
as
crianças
precisam
de
bons
modelos para desenvolver habilidades sociais.
Ao iniciar a sua adaptação na Educação Infantil, a criança
vive um momento de muitas mudanças de uma só vez. Afasta-se
parcialmente do convívio familiar e cria novas relações afetivas.
Para
que
essas
mudanças
sejam
incorporadas
de
maneira
tranqüila pelas crianças, nós temos o cuidado de envolver os pais
29
nesse processo de adaptação, pois permanecendo na escola e
vivenciando a formação de vínculos de afeto com o professor e
com os demais colegas de seu filho, assim como observando a
implantação da rotina pelo grupo, acreditamos que os pais ficam
seguros e naturalmente passam essa segurança para as crianças:
• Querem descobrir, conhecer, investigar o mundo que as
rodeia;
• Tem os sentidos aguçados: toca tudo o que vêem;
• Sentem, cheiram, são atentas aos ruídos, sons ritmados,
movimentos.
• Percebem e identificam as cores e as formas;
• Habilidades
soluções
para
simples
colher
e
às
informações,
vezes
para
fantásticas
buscar
para
os
histórias
na
problemas;
• Tem
grande
capacidade
de
preservar
memória...
• Querem saber os por quês de tudo! Por que será?
• A imaginação e a fantasia ocupam grande parte de suas
brincadeiras!
• Nos jogos dramáticos, exercitam o comportamento de
imitar ações, revelando a sua criatividade e assim vão
entendendo como as coisas são na realidade.
As brincadeiras são muito mais do que momentos de
diversão descompromissados. Com o estímulo certo, ajudam a
criança a entender melhor o mundo. Entendemos que a recreação
tem papel fundamental no desenvolvimento infantil.
Uma criança que se distrai empurrando uma caixa, acaba
descobrindo a força de seu corpo e aprende a noções de causa e
efeito. Quando brinca, mesmo sozinha, ela ordena o pensamento,
estimula a criatividade e aperfeiçoa a capacidade de resolver
30
problemas. As atividades lúdicas também ajudam a criar e a
consolidar a auto-estima.
As histórias de faz-de-conta representam experiências da
vida real e acabam trazendo à tona os desejos, as preocupações e
os medos infantis. Os jogos desenvolvem a linguagem e as
habilidades sociais, pois levam as crianças a negociar com os
colegas as regras e a divisão de papéis.
Em relação à formação de atitudes, desde cedo é possíve l
ensinar regras de conduta que os acompanharão por toda a vida.
Dar o exemplo, nesse caso, é tão importante quanto falar. As
crianças adquirem atitudes adequadas imitando os adultos que tem
como referência. A educação deve incluir não só o que se diz,
mas, sobretudo o que se faz.
Dramatizar a realidade é apropriar-se dela para poder
entender a vida, os diferentes papéis sociais e as relações entre
eles. O teatro na Educação Infantil trata-se mais de um grande
jogo dramático, onde brincando exercitam outros tons de voz,
testam a autoridade ou a submissão, a coragem e o medo.
Fantoches, marionetes, fantasias e maquiagens contribuem para
esse exercício de faz de conta e também compõem esse delicioso
cenário.
2.4. Expressão Corporal e Desenvolvimento
A
e s t im u la ç ã o
E xp re s s ã o
da s
Co rp o ra l c o n s is te
p o t e n c ia lid a de s
em
c ria t iva s
e
um
t ra ba lh o d e
e xp re s s iva s
da
c ria n ç a (n o c a s o , a s d e a p ro xim a dam e nt e 7 a no s d e id a de ) p o r
m e io da lin gu a ge m d o c o rp o. Nã o s e lim it a a c o d if ic a çã o d e
31
m o vim e nt o s , m a s s im , pe rm it e a e xp re s s ã o d e ind ivid u a lid a de s .
“A d ic o t o mia e n t re c o rp o e ap re n d i za g e m c o g n it iv a p ra t ic a da na
e s c o la , co lo c a a cria n ç a e m u m mu n d o d ife re n te , n o qu a l e la n ão
p a rt ic ip a e nã o a pre e n de d e ma n e ira in t e g rad a “. (G ONÇA L V E S,
1 9 94 , p. 32 ).
Conectar o aprendizado teórico transmitido pela escola
tradicional no processo de alfabetização com a vivência prática
concebida
pela
ação
motora
possibilita
à
criança
um
desenvolvimento mais integral de suas possibilidades. Para tanto a
consciência do corpo, da individualidade, o desenvolvimento da
criatividade, da sensibilidade e o entendimento das relações
humanas, são fundamentais.
Os
conteúdos
trabalhados
tais
como:
consciência
corporal, noções rítmicas, relações espaciais, relação com o outro
e
em
grupo
associados
à
(coletividade) são
brincadeiras,
aplicados
jogos
e
de
maneira
elementos
lúdica,
presentes
no
cotidiano e aprendizado escolar das crianças. Utiliza-se ainda,
recursos
que
estimulem
os
sentidos
e
a
percepção
como
instrumentos musicais, histórias infantis, imagens e objetos. A
criação por parte dos alunos é um dos aspectos fundamentais,
estimulado nos desenhos, pinturas e trabalhos com argila e
materiais diversos.
32
CAPÍTULO III
LITERATURA E ATIVIDADE
3.1. Histórico da Literatura
O impulso de contar histórias deve ter nascido no homem,
no momento em que ele sentiu necessidade de comunicar aos
outros alguma experiência sua, que poderia ter significação para
todos.
A
célula
máter
da
Literatura
Infantil
encontra-se
na
Novelística Popular Medieval que tem suas origens na Índia.
Descobriu-se que desde essa época a palavra impôs-se ao homem
como algo mágico, como um poder misterioso, que tanto poderia
proteger, como ameaçar, construir ou destruir. São, também, de
caráter mágico ou fantasioso, as narrativas conhecidas, hoje, como
literatura primordial. Nelas foi descoberto o fundo fabuloso das
narrativas orientais, que surgiram séculos antes de Cristo e
difundiram-se por todo o mundo, através da tradição oral.
A primeira obra realmente direcionada ao público infantil
foi uma coletânea de cantigas infantis publicada por Mary Cooper
em 1744. O seu sugestivo título era: Para todos os pequenos
senhores e senhoritas, para ser cantado para eles por suas babás
até que possam cantar sozinhos. Uma segunda coletânea era
intitulada Melodia da Mamãe Gansa, provavelmente do livreiro
John Newbery - 1760, por isso ele é considerado o precursor na
descoberta e exploração do mercado de livros para crianças.
A literatura infantil permite inter-relacionar diferentes
disciplinas estudadas em sala de aula.
Dependendo do tema da
33
história e das metas do professor, propicia o desenvolvimento de
um ensino interdisciplinar.
A obra literária infantil trabalha com a vida. Enquanto tal
apresenta-se como recurso de ensino não limitado ao ensino da
língua; daí a possibilidade de sua utilização integradora no ensino
de diferentes disciplinas. A interação poderá ocorrer com ciências,
matemática e principalmente com a Arte.
É na relação lúdica e prazerosa da criança coma obra
literária que se forma o leitor; é na exploração simbólica da
fantasia e da imaginação que desabrocha o ato criador e se
intensifica a comunicação entre texto e leitor.
A l i t e ra t u r a in f a n t i l é u m d o s s u p o rt e s b á s i c o s p a ra o
d e s e n v o l v i m e n t o d o p r o c e s s o c r i a t i v o , p o i s e la o f e r e c e a o le i t o r
uma
bagagem
de
c o n h e c im e n t o s
provocar uma ação criadora.
e
i n f o rm a ç õ e s
capaz
de
No c o n t a t o c o m h i s t ó r ia s l i d a s o u
ouvidas, a criança vai adquirindo novas experiências.
Daí a
i m p o r t â n c ia d e le r e c o n t a r h i s t ó r ia s p a ra c r i a n ç a s d e s d e s e u s
p r i m e i r o s a n o s d e v i d a e e s t im u l a r a le i t u ra p a ra q u e , a lé m d e
l e r e d e s f ru t a r d o p ra z e r d e le r , e l a s a d q u i r a m o s r e c u r s o s
importantes
p a ra
o
desenvolvimento
de
sua
f a n t a s ia
e
criatividade.
3.2. Atividades Aplicadas na Escola
Ouvir histórias pode estimular o desenhar, o musicar, o
sair, o ficar, o pensar, o teatrar, o imaginar, o brincar, o ver o livro,
o escrever, o querer ouvir de novo (a mesma história ou outra).
Afinal, tudo pode nascer partido de um texto.
34
Ouvir histórias além de ser uma excelente oportunidade
para exercitar a arte, é viver um momento de gostosura de prazer,
de divertimentos dos melhores. É encantamento, sedução... O livro
da criança que ainda não lê é a história contada.
Pensando assim, foi preparado uma roda de histórias com
os alunos do primeiro ano do Ensino Fundamental da Escola
estadual..................., onde a turma é composta por vinte e quatro
alunos, todos oriundos de famílias de classe média baix e que tem
pouco acesso a livros.
Explorado em forma de projeto, apresentando a cada dia
uma modalidade diferente de literatura.
No primeiro dia, a professora nos cedeu o primeiro
horário, de 13h00min até as 14: 00 h, onde selecionei o conto de
fadas
conhecido
dos
alunos,
chamado
de
Branca
de
Neve.
Organizamos a roda e com o avental de leitura contei a história
apresentando os personagens e colando no avental para que
ficasse
exposto.
conheciam
a
Após,
história,
conversando
quem
com
costuma
alunos,
conta-la,
se
eles
sobre
já
os
personagens e em seguida como escribas fomos reescrevendo-a
conforme os alunos recontavam.
No segundo dia com o horário marcado após o recreio,
entrei na sala com uma caixa embrulhada para presente deixando
um espaço para que os alunos fizessem adivinhações sobre o que
estaria dentro. Passei então a dar detalhes:
• É um personagem conhecido;
• Faz parte de uma lenda;
• Tem um programa de televisão onde ele aparece;
35
• É muito traquino;
• Vive na floresta;
• Assusta os caçadores...
Q u a nd o d e s c ob rira m qu e e ra o s a c i p e re rê , já e s ta va m
e s t im u la d o s a e s cu t a r a le n da , e n t ão t ire i d a c a ixa s urp re s a uma
f igu ra gra n d e d o s a c i e c o le i n a p are d e p a ra c om e çar a le r u m
t e xt o o n d e t ra zia a le n d a do s a ci p e re rê . E mb o ra t o d o s a
c o n he c e s s em , p o is f o i t ra ba lh ad a n a s em an a d o f olc l o re e m
a go s t o , e s cu t a ram c o m o se f o s se à p rim e ira ve z. Co m o a t u rm a
a o f ina l d o an o let ivo já e s t á le n do , en t re gu e i um t e xt o p a ra c ada
c o la r n o c a d e rno e le r e m c a s a t a m bém p a ra o s p a is . P a ra
t e rm ina r a a t ivid a d e c o nf e c c io na mos u m a do b ra du ra d o s a c i.
T od o s e s t a va m e uf ó ric o s c o m a a t ivid a d e e in te re s s a dos e m le r o
t e xt o qu e e n t re gam o s m e sm o d e po is d e c on t a r-mo s a le n d a p a ra
e le s .
Constata-se com as atividades desenvolvidas na sala que
a maneira como uma história, um texto, entre outros é oferecido
para as crianças, ajuda a desenvolver o prazer pela leitura através
da arte.
3.3. Resultados e Discussões
Na escola pode ser feito um trabalho para levar a criança
a se interessar pelo tema da leitura através de canções, expressão
corporal, dança observação, contato com a realidade.
Como
exemplo desta última sugestão, temos que: se a história fala em
água, é possível, em sala de aula, conversar sobre a água, sua
utilidade.
Se
a
história
fala
em
animais,
pode-se
levantamento dos animais que as crianças conhecem...
fazer
um
36
Através
professores
da
atividade
necessitam
de
aplicada,
percebeu-se
metodologias
que
apropriadas
os
para
despertar o interesse pelas diversas áreas da Arte e nos leitores
que queremos formar. Estes métodos estão ligados ao professor,
mas não na perspectiva de ficar apenas nele, o docente é apenas
o mediador, as crianças têm que estar concentradas no que ele
explica.
Por
isso,
o
professor
tem
de
provocar,
colocar
o
pensamento do educando em movimento, propiciar que o aluno
pense sobre o assunto estudado e/ou proposto. Propor atividades
de conhecimento, por exemplo, após a leitura de um livro infantil,
fazer
uma
busca
de
todas
as
palavras
desconhecidas
e,
novamente ler o livro, para que as crianças fixem o significado da
palavra, interpretar através do teatrar, desenvolver a expressão
corporal partindo de um tema lido. Assim, estará dispondo de
elementos
e
situações
novas,
isso
possibilita
uma
melhor
interpretação da obra e no desenvolvimento do potencial criativo
dos alunos. Mas também, é necessário que o professor, saiba
interagir com as crianças.
A prática do professor em sala de aula é tão importante.
Esse talvez seja o momento do professor rever a metodologia
utilizada para ensinar seu aluno, através de métodos ou atividades
que envolvam a prática da Arte, ele poderá inclusive detectar
dificuldades de aprendizagem, evitando os rótulos muitas vezes
colocados erroneamente, que prejudicam a criança trazendo-lhe
várias
conseqüências,
como
a
baixa-estima
e
até
mesmo
o
abandono escolar.
O papel do professor é tão importante. Suas atitudes para
com
os
alunos
podem
influenciar
de
maneira
decisiva
na
construção da auto-imagem dos mesmos, ou na sua maneira de ver
a si mesmo.
37
Cabe ao professor estimular o crescimento emocional de
seus alunos todos os dias, existem diversas maneiras que podem
contribuir nesse processo, a maneira como ensinar, as atitudes, o
jeito de relacionar-se com cada aluno, o interesse e o carinho que
demonstram
até
sem
querer
influenciam
no
afetivo e no processo de aprendizagem da criança.
desenvolvimento
38
CONCLUSÃO
Antes de escrever, o homem usou a arte como forma de
expressão.
Nas
cavernas,
dissolveu
pigmentos
e
pintaram
mamutes (elefantes), bisões, cervos. As imagens e os objetos
produzidos
simbólica
retrataram
desses
a
sensibilidade
artistas
de
visual e
ultrapassarem
a
a
capacidade
realidade
e
expressarem o seu conhecimento e a percepção do mundo.
As imagens tinham um significado mágico e já refletiam a
tendência inventiva do homem, ou seja, a sua capacidade de
conhecer, interpretar e expressar a realidade circundante. O
homem, portanto, utiliza sistemas de representação para elaborar
e objetivar seus pensamentos e ordenar e dar sentido ao mundo a
sua volta.
A Arte é uma forma de linguagem composta por outras
linguagens específicas: visual, musical, cênica e a dança, porém,
ainda é ato costumeiro tratar a arte sendo apenas a decoração da
escola
para
datas
comemorativas
e
festivas
e
trazer
essa
provocação à luz da reflexão tornou-se oportuno e pertinente como
foco de pesquisa para o estágio em Educação Infantil.
A infância é uma época de descobertas, aventuras e
magia para as crianças. É nesta fase, durante a educação infantil,
que elas terão seus primeiros contatos com as linguagens da arte,
cabendo ao professor valorizar os conhecimentos e a criatividade
que elas trazem para a sala de aula e compreender a importância
existente no ato de elas explorarem, pesquisarem e criarem coisas
novas. O que realmente importa a elas é o brincar aprendendo, é
esperar curiosamente pelo inesperado, estar envolvida com o
39
lúdico e com a possibilidade de sonhar, pois assim, ela aprende se
sentindo mais realizada e mais feliz.
As crianças sentem prazer em desenhar, pintar, rabiscar,
cortar e criar; é assim que elas se expressam. Elas utilizam sua
imaginação para inventar ou transformar desenhos, criando sempre
o inusitado, o novo, o diferente.
As
crianças
desvelam-se
e
revelam-se
por
meio
de
manifestações expressivas, cabendo as instituições de educação
infantil e aos professores, oportunizar a elas momentos de criação,
compreensão, imaginação e significação. Sendo fundamental que o
professor observe os limites da criança na arte de desenhar, e
compreenda também, a importância de a criança criar seu desenho
e
titulá-lo
livremente,
determinados,
evitando
sem
se
assim,
basear
que
esses
em
modelos
modelos
pré-
prontos
interfiram no imaginário da criança.
Devemos considerar ainda, que a arte e seus elementos
estão presentes em nosso dia-a-dia; não devendo ser vista como
meio
de
oportunizar
prazer
às
crianças,
para
trabalhar
a
coordenação motora ou para enfeitar as salas de aulas, mas ao
contrário, deve-se trabalhar a arte como contribuição para a
construção do conhecimento sensível da criança, já que contribui
também, para a educação do olhar desta, e ajuda a ampliar suas
leituras de mundo.
Esses são alguns dos motivos pelos quais pesquisei sobre os
assuntos abordados neste trabalho, para levantar a importância de
o professor agitar-se no movimento de mudanças e descobertas,
assim como, argumentar, criticar e fazer-se presente nas
40
mudanças, movimentando-se no sentido de oportunizar ao aluno
um melhor ambiente de trabalho e aprendizagem, ajudando-o a
ampliar suas visões de mundo e a não restringir suas idéias a
estereótipos.
41
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NOME: APARECIDA ANTÔNIA DA SILVA MEDEIROS