1 UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO A VEZ DO MESTRE A AÇÃO DA ARTE NA APRENDIZAGEM POR: APARECIDA ANTÔNIA DA SILVA MEDEIROS PROFESSORA ORIENTADORA: FABIANE MUNIZ DA SILVA POSSE – GO JULHO / 2008 2 UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO A VEZ DO MESTRE A AÇÃO DA ARTE NA APRENDIZAGEM Monografia apresentada a Título de Especialização Latu Sensu em Arteterapia em Educação pela Universidade Cândido Mendes do Rio de Janeiro com orientação de Projeto A Vez do Mestre. POSSE – GO JULHO / 2008 3 EPIGRAFE “Somente se aproxima da perfeição, quem a procura com constância, sabedoria e, sobretudo humildade”. (Jigoro Kano) 4 Dedico este trabalho de pesquisa aos meus alunos e colegas de trabalho, com os quais aprendi. pessoas que E a todas contribuíram direta ou indiretamente para a elaboração deste trabalho. 5 Agradeço primeiramente a Deus, pois sem ele nada é possível. Aos meus filhos: Márcio, Laiane e Mayra, pelo incentivo e apoio e aos meus pais: Joaquim e Maura pelo carinho e paciência que por mim tiveram. 6 RESUMO Este trabalho aborda questões importantes sobre a arte na alfabetização e sua contribuição para formação de cidadãos aptos a viver no mundo letrado e cheio de novidades tecnológicas em que estamos inseridos. Em tempos de TV, computador, a arte não perdeu seu valor e sua necessidade, o grande desafio é conseguir mostrar isso. Abordamos assuntos pertinentes a uma proposta de interdisciplinaridade e como a escola pode resgatar a todas as formas de arte levando-a para a sala de aula de forma criativa, alegre, descontraída, dinâmica, diversificada, promovendo a interação da criança com a aprendizagem. Abordamos o fascínio que a música, os contos, a dramatização de textos contextualizados e cheios de significados exercem sobre a criança, favorecendo a organização do pensamento, o desenvolvimento, a inteligência e o conhecimento, e como podem se transformar em ferramentas importantes para o desenvolvimento cognitivo das crianças. Através da pesquisa realizada em torno da arte e seu desenvolvimento, montamos um capítulo especial com diversificadas propostas para trabalhar a arte em sala de aula. Ratificamos neste trabalho a importância de saber trabalhar as diversificadas formas de expressar a arte no contexto atual bem como a necessidade de elaborar o trabalho pedagógico voltado ao interesse da criança. Palavras-chave: arte e desenvolvimento, Educação infantil e Arte, trabalho pedagógico. 7 METODOLOGIA Este trabalho foi de suma importância e contribuiu para melhorar os meus conhecimentos pedagógicos, pois a arte na aprendizagem é um aparato para um mundo letrado onde as crianças aprendem brincando. Sabemos que a música, os contos e as dramatizações de pequenos textos ou histórias, fábulas, exercem sobre as crianças o prazer de aprender, o mundo contextualizado cheio de significados para o saber favorecendo e organizando o pensamento das crianças com gosto para o mundo letrado onde se transforma em ferramenta crianças. importante para o desenvolvimento cognitivo das 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ......................................................................... 09 CAPÍTULO I A EDUCAÇÃO INFANTIL E A ARTE .......................................... 11 1.1. Enfoque da Arte na Constituição do Sujeito ...................... 11 1.2. A Arte do Brincar ............................................................ 12 1.3. A Prática Docente frente a utilização da Arte na Educação Infantil ............................................................ 14 CAPÍTULO II TIPOS DE MANIFESTAÇÕES NA ARTE .................................... 18 2.1. A Importância da música na Educação Infantil .................. 18 2.2. A Dança como expressão Infantil ..................................... 23 2.3. A Dramatização e o seu Papel na Educação Infantil .......... 27 2.4. Expressão Corporal e Desenvolvimento ............................ 29 CAPÍTULO III PESQUISA DE CAMPO ............................................................ 31 3.1. Atividades Aplicadas na Escola ....................................... 31 3.2. Metodologia e Elaboração da Atividade ............................ 33 3.3. Resultados e Discussões ................................................ 34 CONCLUSÃO .......................................................................... 37 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................ 40 9 INTRODUÇÃO O objetivo desse trabalho é a busca pelo saber como a ação da arte pode ser um importante auxílio na aprendizagem do educando e de que formas e até que ponto essa ação da arte pode contribuir na formação educacional. A atual situação educacional está longe de favorecer a criatividade. Manter um aluno sentado em uma carteira durante três ou quatro horas seguidas, ouvindo o professor que fala ou copiando o que ele escreve no quadro, estimula o conformismo, a passividade, a imitação e a imitação do que os outros fazem, podendo gerar comportamentos estereotipados. Para uma educação consolidada, que prepare os alunos a diversidade encontrada ao longo da vida escolar e até mesmo criatividade, após fator ela, se faz necessário fundamental para o estimulá-lo a desenvolvimento afetivo e cognitivo de uma criança e principalmente aguçar curiosidade e tornar mais atrativa e desafiadora a prática pedagógica. Para que o aluno produza trabalhos criativos, invente novas maneiras de estudar e aprender se faz necessária uma preparação. Para isso organizar as programações escolares é importante, abrindo assim, espaço para que os mesmos desenvolvam interesses, atividades capacidade criativas, de e etária. faixa acordo Os com seus principais obstáculos à criatividade são a disciplina e ordem exagerada, em prejuízo da iniciativa individual e da espontaneidade. 10 Partindo do exposto, é papel do educador encontrar e integrar ao planejamento, práticas que envolvam as crianças e desenvolvam sua criatividade e seu raciocínio. As atividades lúdicas têm sido apontadas por muitos pesquisadores como um caminho para aprendizagens significativas um trabalho agradável, desmistificando a escola como um lugar cansativo, onde a principal meta é a transmissão de conhecimentos, de atividades rotineiras que não motivam o educando a aprendizagem. A escola hoje vem inovando seus métodos de alfabetização levando em conta os meios em que o aluno vive, e com isso a aprendizagem se torna cada dia mais prazerosa e significativa. A arte-educação foi escolhida como instrumento de mediação por se entender que esta favorece a expressão concreta e particular de algo que se vive tanto no plano psíquico como no plano social. Outro elemento destacado foram às relações interpessoais, que enfatiza a necessidade da sensibilização para o respeito entre os diversos atores presentes no espaço escolar. Esta pesquisa tem como objetivo verificar a integração entre crianças, analisando de forma significativa e demonstrando a arte e aprendizagens, como fonte contribuidora da aprendizagem de forma atraente, desenvolvimento que sem esquecer é educando, o o foco principal demonstrando que do a aprendizagem pode ser de forma agradável e eficaz através da arte bem como um elemento essencial do comportamento humano e também a atividade mais vital da infância. 11 CAPÍTULO I A EDUCAÇÃO INFANTIL E A ARTE 1.1. Enfoque da Arte na Constituição do Sujeito Vygotsky (1998) compreende a arte como um elemento significativo na constituição do sujeito, no momento em que ela atua sobre o plano emocional. Para Vygotsky (1998), a arte vive da interação, agregando os princípios da percepção sensorial, sentimento e imaginação todas as nossas vivencias fantásticas e irreais transcorrem, no fundo, numa base emocional absolutamente real. Deste modo vemos que o sentimento e a fantasia não são dois processos separados em si, mas, essencialmente o mesmo processo, e estamos autorizados a considerar a fantasia como expressão central da reação emocional (VYGOTSKY, 1998, p. 246). A arte nesta compreensão pode ser uma mediadora qualificada para se atingir num sujeito a sua vivência subjetiva. A arte possibilita, na compreensão de Vygotsky, (1998), a abertura para a expressão de sentimentos e compreensões do mundo que revelam aspectos da produção de sentidos de um sujeito que estão entrelaçados com sua objetividade. Aquilo que o sujeito produz como expressão artística estará de certo modo resgatando a compreensão que o mesmo tem de sua existência no plano da materialidade. A arte retrata a relação entre subjetividade e objetividade, uma vez que cria um campo de possibilidades em que a realidade pode ser transformada conseqüentemente o pela impacto percepção daquela singular sobre a revelando formação da 12 consciência de si e do outro. Em contextos educativos infantis, a arte pode contribuir para o desenvolvimento afetivo-emocional, para mediar a compreensão da criança de seu contexto, para favorecer o seu trânsito entre a realidade e a fantasia. A arte no âmbito da educação formal configura-se como um instrumento que oportuniza à criança o desenvolvimento de seu potencial criador e reflete sua convivência cultural, à medida que ao se relacionar com a arte, a criança internaliza e externaliza conhecimentos sobre o seu mundo. Na arte, a criança representa o seu mundo. Pela arte, a criança pode elaborar conceitos e expressar sua compreensão dos papéis sociais. Com a arte se pode instrumentalizar o processo de aprendizagem para que este esteja condizente com a capacidade cognitiva da criança. Capacidade cognitiva para elaborar conceitos, compreender sua posição no mundo, e se identificar com papéis sociais que desempenhará ao longo de sua vida. A A rt e é e n t ão um re c u rs o p e da gógic o , qu e n o â m b it o d a p s ic o lo gia p a ss a a se r u m d is pos it ivo qu e p o d e f ort a le c e r a re la ç ã o e n t re a apro p ria ç ã o d o co n he c im en t o , o d e s envo l vim e n t o das f u n ç õe s lin gu a ge m e p s ic o ló gic a s s u pe rio re s pe ns a m en t o, por (p e rc ep ç ã o, e xe m p lo ) e o a t en ç ã o, p roc e s s o de s o c ia liza ç ã o inf an til. 1.2. A Arte do Brincar Dentre as muitas tarefas urgentes colocadas hoje para a escola está o desafio de serem superadas as visões reducionistas e preconcebidas sobre a arte, bem como a de conferir ao trabalho de arte um estatuto a altura da sua importância no mundo 13 contemporâneo. A hipótese de que, utilizar a arte é de suma importância para o indivíduo, levando-o a desenvolver a aprendizagem de forma agradável e criativa através da sua ação, e descobrindo a aprendizagem com o uso da arte é o ponto de partida da nossa comunicação que se propõe a abordar o trabalho de arte na educação infantil. O ensino da Educação Infantil não se caracteriza pela prática da ludicidade, o que se torna um problema para o desenvolvimento do educando em todos os seus aspectos na educação infantil. Como também conhecimentos teóricos que ainda não estão bem esclarecidos dentre eles o conceito de infância. O professor de educação infantil deve conhecer teorias referentes ao desenvolvimento da infância para que facilite a sua criatividade no desenvolvimento de atividades educativas promovedoras do desenvolvimento em seus aspectos físicos, afetivos, cognitivos e sociais. Brincando a criança desenvolve as qualidades de observação, coragem, iniciativa, sociabilidade, disciplina, capacidade criativa, gentileza e enriquece os valores intelectuais e morais. Para Vygotsky (2003) o aprendizado precede o desenvolvimento das crianças e pode ser considerado como o motor propulsor de vários processos de desenvolvimento que, de outra maneira, seriam impossíveis de acontecer. Para o autor, há dois tipos de aprendizado: o pré-escolar e o escolar, estes que diferem significativamente. Segundo Vygotsky, o aprendizado escolar além de apresentar um caráter sistematizado, “produ z algo fundamentalmente desenvolvimento da criança” (Vygotsky; 2003; p. 95). novo no 14 O autor a c red ita va n is t o por co n s id e ra r qu e um p ro c e s s o d e en s ino b e m o rga n iza d o, c o m a m ed ia ç ão d e t o d o s os mem b ro s e n vo lvid o s , vo lt a -s e e s pe c if ica me n te p a ra as c a p a c ida d e s d o s su je it o s pa ra a ap ren d iza ge m , qu e s e gu n do e le, s ã o “f u n çõ e s nã o a m ad u re c ida s , qu e a in d a e st ã o e m p ro c e s s o de m a tu ra ç ã o, p re sen t em e nt e em e st a d o e mb rio n á rio”. Essas f u n ç õe s po d e riam s e r c h am ad a s de ‘b ro t o s ’ o u d e ‘f l o re s ’ d o d e s en vo lv im e n t o, ao in vé s de f ru t o s do d e se n vo lvim e n t o ”. (V y go t s k y; 2 0 0 3 ; p.97). A arte tem um papel muito importante nas áreas de estimulação desde a pré-escola e é uma das formas mais naturais da criança entrar em contato com a realidade. A arte faz parte do cotidiano das pessoas, e as crianças, em especial, são extremamente atraídas por todas as formas artísticas. Todas as manifestações em forma de arte, como o jogo, apresentam significados distintos, uma vez que pode significar desde os movimentos que a criança realiza nos primeiros anos de vida, agitando os objetos que estão ao seu alcance até as atividades mais ou menos complexas, como certos jogos tradicionais. Sendo um instrumento rico e estimulador da aprendizagem e do desenvolvimento social, cultural, físico-motor, cognitivo e afetivo da criança, pois exercita a inteligência e o seu raciocínio. 1.3. A Prática Docente frente a utilização da Arte na Educação Infantil Alguns teóricos, entre eles Freitas (2002), enfatizam que as reformas educativas atuais colocam os educadores em confronto com dois desafios: reinventar a escola como local de 15 trabalho e reinventar a si mesmo como pessoas e profissionais da educação. Isto é um indicativo de que os educadores precisam não apenas colocar em questão, o reinventar suas práticas educativas, no sentido de repensar suas atitudes, concepções, métodos e conhecimentos sobre o processo de aprendizagem do discente, como também reinventar suas relações profissionais que começa com a observação de sua postura em relação ao outro. A brincadeira é uma tendência instintiva do ser humano, é uma força da natureza, levando a infância ao desenvolvimento físico, ao crescimento mental e a adaptação social, influencia significativamente na construção do conhecimento infantil, pois são fontes de prazer e descoberta. A contribuição das atividades lúdicas no desenvolvimento da criança vai depender da concepção que se tem de arte. O professor deverá ter o papel de provocador da participação coletiva, levando os alunos ao desafio da busca da resolução dos problemas, despertando e incentivando a criança para o espírito de companheirismo e de cooperação. Apesar da brincadeira ser uma atividade espontânea nas crianças, isso não significa que o professor não necessite ter uma atitude ativa sobre ela, inclusive, uma atitude de observação que lhe permitirá conhecer muito sobre as crianças com que trabalha. O professor precisa estar atento à idade e às necessidades de seus alunos para selecionar e deixar à disposição materiais adequados. O material deve ser suficiente tanto quanto à quantidade, como pela diversidade, pelo interesse que despertam pelo material de que são feitos. Lembrando sempre da importância de respeitar e propiciar elementos que favoreçam a criatividade das crianças. 16 Brincar é um componente crucial do desenvolvimento, pois, através do brincar a criança é capaz de tornar manejáveis e compreensíveis os aspectos esmagadores e desorientadores do mundo. Na verdade, o brincar é um parceiro insubstituível do desenvolvimento, seu principal motor. Em seu brincar, a criança pode experimentar comportamentos, ações e percepções sem medo de represálias ou fracasso, tornando-se assim mais bem preparada para quando o seu comportamento 'contar'. (GARDNER , 1995) No processo da educação infantil o papel do professor é de suma importância, pois é ele quem cria os espaços, disponibiliza materiais, participa das brincadeiras, ou seja, faz a mediação da construção do conhecimento. A desvalorização do movimento natural e espontâneo da criança em favor do conhecimento estruturado e formalizado ignora as dimensões educativas da arte como forma rica e poderosa de estimular a atividade construtiva da criança. É urgente e necessário que o professor procure ampliar cada vez mais as vivências da criança com o ambiente físico, com brinquedos, brincadeiras e com outras crianças. NEGRINE (1994, p. 20), em estudos realizados sobre aprendizagem e desenvolvimento infantil, afirma que "quando a criança chega à escola, tra z consigo toda uma pré-história, construída a partir de suas vivências, grande parte delas através da atividade lúdica". Segundo o autor, é fundamental que os 17 professores tenham conhecimento do saber que a criança construiu na interação com o ambiente familiar e sociocultural, para formular sua proposta pedagógica. É preciso que os profissionais de educação infantil tenham acesso ao conhecimento produzido na área da educação infantil e da cultura em geral, para repensarem sua prática, se reconstruírem enquanto cidadãos e atuarem enquanto sujeitos da produção de conhecimento. E para que possam, mais do que "implantar" currículos ou "aplicar" propostas à realidade da creche/pré-escola em que atuam, efetivamente participar da sua concepção, construção e consolidação. (Kramer apud MEC/SEF/COEDI, 1996, p.19). O professor precisa estar atento à idade e às necessidades de seus alunos para selecionar e deixar à disposição materiais adequados. O material deve ser suficiente tanto quanto à quantidade, como pela diversidade, pelo interesse que despertam pelo material de que são feitos. Lembrando sempre da importância de respeitar e propiciar elementos que favoreçam a criatividade das crianças. A sucata é um exemplo de material que preenche vários destes requisitos. Vygotsky, citado por Lins (1999), classifica o brincar em algumas fases: durante a primeira fase a criança começa a se distanciar de seu primeiro meio social, representado pela mãe, começa a falar, andar e movimentar-se em volta das coisas. Nesta fase, o ambiente a alcança por meio do adulto e pode-se dizer que 18 a fase estende-se até em torno dos sete anos. A segunda fase é caracterizada pela imitação, a criança copia os modelos dos adultos. A terceira fase é marcada pelas convenções que surgem de regras e convenções a elas associadas. 19 CAPÍTULO II TIPOS DE MANIFESTAÇÕES NA ARTE 2.1. A Importância da Música na Educação Infantil FARIA (2001) Define que a música é um importante fator de aprendizagem, pois a criança desde pequena já ouve música, a qual muitas vezes é cantada pela mãe ao dormir, conhecida como ‘cantiga de ninar’. Na aprendizagem a música é muito importante, pois o aluno convive com ela desde pequeno. Segundo Bréscia (2003), a música é uma linguagem universal, tendo participado da história da humanidade desde as primeiras civilizações. Conforme dados antropológicos, as primeiras músicas seriam usadas em rituais, como: nascimento, casamento, morte, recuperação de doenças e fertilidade. Com o desenvolvimento das sociedades, a música também passou a ser utilizada em louvor a líderes, como a executada nas procissões reais do antigo Egito e na Suméria. A t u a lm en t e e xis t e m d ive rs a s d ef in iç õ e s p a ra mú s ic a . Ma s , d e um mo do ge ra l, e la é c on s id e ra da c iê n c ia e a rt e , na m e d id a e m qu e as re la ç õ e s e nt re o s e lem en t o s mus ic a is s ã o re la ç õ e s m a te má t ic a s e f ís ic a s ; a a rte m an if e s ta -s e p e la e s c o lha d o s a rra n jo s e c om b ina ç õ e s. Ho u a is s a p u d B ré s c ia (2 0 03 , p . 25 ) c o n c e itu a a m ú sic a como “[ . . . ] c o m b in a ç ão h a rmo n io s a e e xp re s s iva d e s o n s e c o m o a a rte d e s e e xp rim ir p o r m e io de s o n s , s e gu in do regra s va riá ve is c o n f o rm e a é p o ca , a c ivi li za ç ã o e t c ”. 20 De acordo com W eigel (1988, p. 10) a música é composta basicamente por: • Som: são as vibrações audíveis e regulares de corpos elásticos, que se repetem com a mesma velocidade, como as do pêndulo do relógio. As vibrações irregulares são denominados ruídos. • Ritmo: é o efeito que se origina da duração de diferentes sons, longos ou curtos. • Melodia: é a sucessão rítmica e bem ordenada dos sons. • Harmonia: é a combinação simultânea, melódica e harmoniosa dos sons. Cada um dos aspectos ou elementos da música corresponde a um aspecto humano específico, ao qual mobiliza com exclusividade ou mais intensamente: movimento o ritmo corporal, a musical induz melodia estimula ao a afetividade; a ordem ou a estrutura musical (na harmonia ou na ativamente para restauração da forma a musical) afirmação ordem mental contribui ou para a no homem. (W ilhems apud Gainza (1988, p. 36) As atividades de musicalização permitem que a criança conheça melhor a si mesma, desenvolvendo sua noção de esquema corporal, e também permitem a comunicação com o outro. W eigel (1988) e Barreto (2000) afirmam que atividades podem contribuir de maneira indelével como reforço no desenvolvimento cognitivo/ lingüístico, psicomotor e sócio-afetivo da criança, da seguinte forma: 21 Desenvolvimento conhecimento da cognitivo/ criança são as lingüístico: a fonte situações que ela de tem oportunidade de experimentar em seu dia a dia. Dessa forma, quanto maior a riqueza de estímulos que ela receber melhor será seu desenvolvimento intelectual. Nesse sentido, as experiências rítmico musicais que permitem uma participação ativa (vendo, ouvindo, tocando) favorecem o desenvolvimento dos sentidos das crianças. Ao trabalhar com os sons ela desenvolve sua acuidade auditiva; ao acompanhar gestos ou dançar ela está trabalhando a coordenação motora e a atenção; ao cantar ou imitar sons ela esta descobrindo suas capacidades e estabelecendo relações com o ambiente em que vive. Desenvolvimento psicomotor: as atividades musicais oferecem inúmeras oportunidades para que a criança aprimore sua habilidade motora, aprenda a controlar seus músculos e mova-se com desenvoltura. O ritmo tem um papel importante na formação e equilíbrio do sistema nervoso. Isto porque toda expressão musical ativa age sobre a mente, favorecendo a descarga emocional, a reação motora e aliviando as tensões. Qualquer movimento adaptado a um ritmo é resultado de um conjunto completo (e complexo) de atividades coordenadas. Por isso atividades como cantar fazendo gestos, dançar, bater palmas, pés, são experiências importantes para a criança, pois elas permitem que se desenvolva o senso rítmico, a coordenação motora, fatores importantes também para o processo de aquisição da leitura e da escrita. Desenvolvimento sócio-afetivo: a criança aos poucos vai formando sua identidade, percebendo-se diferente dos outros e ao mesmo tempo buscando integrar-se com os outros. Nesse processo a auto-estima e a auto-realização desempenham um 22 papel muito importante. Através do desenvolvimento da autoestima ela aprende a se aceitar como é, com suas capacidades e limitações. As atividades musicais coletivas favorecem o desenvolvimento da socialização, estimulando a compreensão, a participação e a cooperação. Dessa forma a criança vai desenvolvendo o conceito de grupo. Além disso, ao expressar-se musicalmente em atividades que lhe dêem prazer, ela demonstra seus sentimentos, libera suas emoções, desenvolvendo um sentimento de segurança e auto-realização. Snyders (1992) comenta que a função mais evidente da escola é preparar os jovens para o futuro, para a vida adulta e suas responsabilidades. Mas ela pode parecer aos alunos como um remédio amargo que eles precisam engolir para assegurar, num futuro bastante indeterminado, uma felicidade bastante incerta. A música pode contribuir para tornar esse ambiente mais alegre e favorável à aprendizagem, afinal “propiciar uma alegria que seja vivida no presente é a dimensão essencial da pedagogia, e é preciso que os esforços dos alunos sejam estimulados, compensados e recompensados por uma alegria que possa ser vivida no momento presente” (SNYDERS, 1992, p. 14). Além de contribuir para deixar o ambiente escolar mais alegre, podendo ser usada para proporcionar uma atmosfera mais receptiva à chegada dos alunos, oferecendo um efeito calmante após períodos de atividade física e reduzindo a tensão em momentos de avaliação, a música também pode ser usada como um recurso no aprendizado de diversas disciplinas. O educador pode selecionar músicas que falem do conteúdo a ser trabalhado em sua área, isso vai tornar a aula 23 dinâmica, atrativa, e vai ajudar a recordar as informações. Mas, a música também deve ser estudada como matéria em si, como linguagem artística, forma de expressão e um bem cultural. A escola deve oportunizando ampliar a o conhecimento convivência com os musical diferentes do aluno, gêneros, apresentando novos estilos, proporcionando uma análise reflexiva do que lhe é apresentado, permitindo que o aluno se torne mais crítico. [...] uma das tarefas primordiais da escola é assegurar a igualdade de chances, para que toda criança possa ter acesso à música e possa educar-se musicalmente, qualquer que seja o ambiente sócio-cultural de que provenha. (MÁRSICO, 1982, p. 148) As atividades musicais realizadas na escola não visam a formação de músicos, e sim, através da vivência e compreensão da linguagem musical, propiciar a abertura de canais sensoriais, facilitando a expressão de emoções, ampliando a cultura geral e contribuindo para a formação integral do ser. A esse respeito Katsch e Merle-Fishman apud Bréscia (2003, p.60) afirmam que “[...] a música pode melhorar o desempenho e a concentração, além de ter um impacto positivo na aprendizagem de matemática, leitura e outras habilidades lingüísticas nas crianças”. Gainza (1988) afirma que as atividades musicais na escola podem ter objetivos profiláticos, nos seguintes aspectos: • Físico: oferecendo atividades capazes de promover o alívio de tensões devidas à instabilidade emocional e fadiga; 24 • Psíquico: promovendo processos de expressão, comunicação e descarga emocional através do estímulo musical e sonoro; • Mental: proporcionando situações que possam contribuir para estimular e desenvolver o sentido da ordem, harmonia, organização e compreensão. Para Bréscia (2003, p. 81) “[...] o aprendizado de música, além de favorecer o desenvolvimento afetivo da criança, amplia a atividade cerebral, melhora o desempenho escolar dos alunos e contribui para integrar socialmente o indivíduo”. Através perceber das quais principalmente os atividades pontos quanto à musicais fortes e capacidade o fracos de educador pode das crianças, memória auditiva, observação, discriminação e reconhecimento dos sons, podendo assim vir a trabalhar melhor o que está defasado. Bréscia (2003) ressalta que os jogos musicais podem ser de três tipos, correspondentes às fases do desenvolvimento infantil: • Sensório-Motor (até os dois anos): São atividades que relacionam o som e o gesto. A criança pode fazer gestos para produzir sons e expressar-se corporalmente para representar o que ouve ou canta. Favorecem o desenvolvimento da motricidade. • Simbólico (a partir dos dois anos): Aqui se busca representar o significado da música, o sentimento, a expressão. O som tem função de ilustração, de sonoplastia. Contribuem para o desenvolvimento da linguagem. • Analítico ou de Regras (a partir dos quatro anos) : São jogos que envolvem a estrutura da música, onde são necessárias a socialização e organização. Ela precisa escutar a si mesma e aos outros, esperando sua vez de 25 cantar ou tocar. Ajudam no desenvolvimento do sentido de organização e disciplina. A duração das atividades deve variar conforme a idade da criança, dependendo de sua atenção e interesse. Além disso, vale lembrar que é preciso respeitar a forma de expressão de cada um, mesmo que venha a parecer repetitivo ou sem sentido. É importante que a criança sinta-se livre para se expressar e criar. 2.2. A Dança como Expressão Infantil A E du c a ç ão Inf a nt il d e s em pe n ha um p a pe l p rim o rd ia l no desenvolvimento integral da criança. Lugar onde se oportuniza situações desafiadoras, as quais permitam que as crianças possam encontrar respostas por si mesmas, para suas indagações, tornando-se pessoas autônomas e críticas. A dança tem uma função pedagógica específica na escola que se traduz na criação de movimentos criativos e de livre expressão da criança. Uma das finalidades da dança na escola é permitir a criança evoluir em relação ao domínio de seu corpo, assim desenvolverá e aprimorará suas possibilidades de movimentação, descobrindo novos espaços, formas, superação de suas limitações e condições para enfrentar novos desafios quanto aspectos motores, sociais, afetivos e cognitivos (BARRETO, 2002). Enquanto um processo educacional, a dança não se resume 26 em aquisição de habilidades, mas sim, contribui para o aprimoramento de habilidades básicas, no desenvolvimento das potencialidades humanas e sua relação com o mundo. Segundo os PCNs ( 2003), a dança é uma forma de integração e expressão tanto individual quanto coletiva, em que o aluno exercita a atenção, a percepção, a colaboração e a solidariedade. P a ra le lam en t e à s o u t ra s a rt e s, a d an ç a d e se n vo lve u m a e xt e n s a á rea d a c a p a c ida d e in t e le c t u a l, qu e p ro po rc io n a às c ria n ç a s u m m od o e s p e c ia l de u s a r s u a im a gin a çã o p a ra e xp lo ra r suas e xp e riê n c ia s no m u ndo , d an d o -lhe s s e n t id o. E vid e n t e me n te , o p rof e s s o r d e ve t e r c o n s c iê n c ia de qu e , em bo ra s e e n c on t re p a ra c a d a a t ivid a de d e d a n ça u ma d e te rm in a ç ã o de id a d e c ro no ló gic a , is t o n ã o po d e s er le va d o ao " p é da le t ra" , é a p en a s um ind ic at ivo , u m a ve z qu e a ma t u ra çã o é o p ro c e s s o qu e s u b s id ia m u it a s pe rf o rma n ce s e n ã o o c o rre de ma ne ira a b s o lut am e nt e igua l e nt re a s c ria nç a s . No s so c o rpo mo ve -s e como no s s a m en t e se m o ve . As qu a lid a de s de qu a lqu e r m o vim e nt o s ão a s m an if e s ta ç õ e s d e c o mo a m en t e é e xp re s s a a t ra vé s d o co rp o qu e e st á e m mo vim e n t o . O aprendizado da Dança educativa integra o conhecimento intelectual e a habilidade corporal e criativa do aluno. Isto leva o professor a estar sempre em contato com o envolvimento, o compromisso e a responsabilidade em conduzir o aluno. A alfabetização é um processo pelo qual a criança codifica e decodifica o mundo que a cerca, processo que não atinge somente o aspecto cognitivo do aluno, mas o aluno como um todo: emocional, social e corporal. Um único movimento, ou uma seqüência de movimentos deve revelar, ao mesmo tempo, o caráter de quem o realiza, o fim pretendido, os obstáculos exteriores e os conflitos interiores que nascem deste esforço. 27 A dança na escola não deve priorizar a execução de movimentos corretos e perfeitos dentro de um padrão técnico imposto, gerando a competividade entre alunos. Deve partir do pressuposto de que o movimento é uma forma de expressão e comunicação do aluno, objetivando torná-lo um cidadão crítico, participativo e responsável, desenvolvendo a auto-expressão e aprendendo a pensar em termos de movimento. Promover a construção do conhecimento, com as histórias de vida de cada um e, na relação dialogal, construir um saber que se traduz na conscientização dos modos como o homem se relaciona com o mundo, na sua concretude histórico-social, na produção da sua existência. A dança é a mais completa das artes e deve estar em perfeita e constante associação com a prática da escola, por que a dança não é resposta apenas de cultura artística, de gosto, de refinamento, mas meio de expressão poderosa. O movimento tem uma relação absolutamente direta com a imagem corporal. É formada através de um processo ininterrupto de incorporações, resultante de laços afetivos visíveis e invisíveis, por isso, decorrente da história pessoal de cada um, conclama para a necessidade do respeito ao movimento livre, sem compromisso de compulsões repetitivas. Liberdade de movimento é binômia de amor que se expressa. Ele diz que "a liberdade é conquistada desde o interior, é daí que o movimento nasce livre para expressar-se fora". Ao referir-se às práticas de fins educativos, apregoa que os educadores não fiquem somente ao nível do corpo que escuta, que sente, que grava, mas que fale através de sinais, símbolos, de caracteres. 28 O reconhecimento da estrutura básica das aulas de dança, sendo que essa estrutura, considerada por uns como esquema de exercícios (...), pode ser ampliada para o sentido global da dança com a integração de elementos expressivos e de processos de desenvolvimento da criatividade. Criatividade na dança significa demonstrar a qualidade de experimentar. Existem no processo quatro aspectos importantes que parecem explicar a criatividade: estar o indivíduo aberto à sua própria experimentação; focalizar sua experimentação; disciplinar suas ações e levar a tarefa a uma conclusão: Se efetivamente a criatividade é isso, identifica-se facilmente a presença dessas características na criança. 2.3. A Dramatização e o seu Papel na Educação Infantil As primeiras relações sociais da criança ocorrem na educação infantil. Muitos estudos indicam que a qualidade do relacionamento que estabelecem com os pais, é fundamental no desenvolvimento social da criança. A atenção e o afeto recebidos na infância, tanto dos pais quanto dos professores e demais adultos com os quais convive, ajudam-na a ver o mundo de forma positiva e a acreditar que a convivência com os outros também será agradável. Na verdade, as crianças precisam de bons modelos para desenvolver habilidades sociais. Ao iniciar a sua adaptação na Educação Infantil, a criança vive um momento de muitas mudanças de uma só vez. Afasta-se parcialmente do convívio familiar e cria novas relações afetivas. Para que essas mudanças sejam incorporadas de maneira tranqüila pelas crianças, nós temos o cuidado de envolver os pais 29 nesse processo de adaptação, pois permanecendo na escola e vivenciando a formação de vínculos de afeto com o professor e com os demais colegas de seu filho, assim como observando a implantação da rotina pelo grupo, acreditamos que os pais ficam seguros e naturalmente passam essa segurança para as crianças: • Querem descobrir, conhecer, investigar o mundo que as rodeia; • Tem os sentidos aguçados: toca tudo o que vêem; • Sentem, cheiram, são atentas aos ruídos, sons ritmados, movimentos. • Percebem e identificam as cores e as formas; • Habilidades soluções para simples colher e às informações, vezes para fantásticas buscar para os histórias na problemas; • Tem grande capacidade de preservar memória... • Querem saber os por quês de tudo! Por que será? • A imaginação e a fantasia ocupam grande parte de suas brincadeiras! • Nos jogos dramáticos, exercitam o comportamento de imitar ações, revelando a sua criatividade e assim vão entendendo como as coisas são na realidade. As brincadeiras são muito mais do que momentos de diversão descompromissados. Com o estímulo certo, ajudam a criança a entender melhor o mundo. Entendemos que a recreação tem papel fundamental no desenvolvimento infantil. Uma criança que se distrai empurrando uma caixa, acaba descobrindo a força de seu corpo e aprende a noções de causa e efeito. Quando brinca, mesmo sozinha, ela ordena o pensamento, estimula a criatividade e aperfeiçoa a capacidade de resolver 30 problemas. As atividades lúdicas também ajudam a criar e a consolidar a auto-estima. As histórias de faz-de-conta representam experiências da vida real e acabam trazendo à tona os desejos, as preocupações e os medos infantis. Os jogos desenvolvem a linguagem e as habilidades sociais, pois levam as crianças a negociar com os colegas as regras e a divisão de papéis. Em relação à formação de atitudes, desde cedo é possíve l ensinar regras de conduta que os acompanharão por toda a vida. Dar o exemplo, nesse caso, é tão importante quanto falar. As crianças adquirem atitudes adequadas imitando os adultos que tem como referência. A educação deve incluir não só o que se diz, mas, sobretudo o que se faz. Dramatizar a realidade é apropriar-se dela para poder entender a vida, os diferentes papéis sociais e as relações entre eles. O teatro na Educação Infantil trata-se mais de um grande jogo dramático, onde brincando exercitam outros tons de voz, testam a autoridade ou a submissão, a coragem e o medo. Fantoches, marionetes, fantasias e maquiagens contribuem para esse exercício de faz de conta e também compõem esse delicioso cenário. 2.4. Expressão Corporal e Desenvolvimento A e s t im u la ç ã o E xp re s s ã o da s Co rp o ra l c o n s is te p o t e n c ia lid a de s em c ria t iva s e um t ra ba lh o d e e xp re s s iva s da c ria n ç a (n o c a s o , a s d e a p ro xim a dam e nt e 7 a no s d e id a de ) p o r m e io da lin gu a ge m d o c o rp o. Nã o s e lim it a a c o d if ic a çã o d e 31 m o vim e nt o s , m a s s im , pe rm it e a e xp re s s ã o d e ind ivid u a lid a de s . “A d ic o t o mia e n t re c o rp o e ap re n d i za g e m c o g n it iv a p ra t ic a da na e s c o la , co lo c a a cria n ç a e m u m mu n d o d ife re n te , n o qu a l e la n ão p a rt ic ip a e nã o a pre e n de d e ma n e ira in t e g rad a “. (G ONÇA L V E S, 1 9 94 , p. 32 ). Conectar o aprendizado teórico transmitido pela escola tradicional no processo de alfabetização com a vivência prática concebida pela ação motora possibilita à criança um desenvolvimento mais integral de suas possibilidades. Para tanto a consciência do corpo, da individualidade, o desenvolvimento da criatividade, da sensibilidade e o entendimento das relações humanas, são fundamentais. Os conteúdos trabalhados tais como: consciência corporal, noções rítmicas, relações espaciais, relação com o outro e em grupo associados à (coletividade) são brincadeiras, aplicados jogos e de maneira elementos lúdica, presentes no cotidiano e aprendizado escolar das crianças. Utiliza-se ainda, recursos que estimulem os sentidos e a percepção como instrumentos musicais, histórias infantis, imagens e objetos. A criação por parte dos alunos é um dos aspectos fundamentais, estimulado nos desenhos, pinturas e trabalhos com argila e materiais diversos. 32 CAPÍTULO III LITERATURA E ATIVIDADE 3.1. Histórico da Literatura O impulso de contar histórias deve ter nascido no homem, no momento em que ele sentiu necessidade de comunicar aos outros alguma experiência sua, que poderia ter significação para todos. A célula máter da Literatura Infantil encontra-se na Novelística Popular Medieval que tem suas origens na Índia. Descobriu-se que desde essa época a palavra impôs-se ao homem como algo mágico, como um poder misterioso, que tanto poderia proteger, como ameaçar, construir ou destruir. São, também, de caráter mágico ou fantasioso, as narrativas conhecidas, hoje, como literatura primordial. Nelas foi descoberto o fundo fabuloso das narrativas orientais, que surgiram séculos antes de Cristo e difundiram-se por todo o mundo, através da tradição oral. A primeira obra realmente direcionada ao público infantil foi uma coletânea de cantigas infantis publicada por Mary Cooper em 1744. O seu sugestivo título era: Para todos os pequenos senhores e senhoritas, para ser cantado para eles por suas babás até que possam cantar sozinhos. Uma segunda coletânea era intitulada Melodia da Mamãe Gansa, provavelmente do livreiro John Newbery - 1760, por isso ele é considerado o precursor na descoberta e exploração do mercado de livros para crianças. A literatura infantil permite inter-relacionar diferentes disciplinas estudadas em sala de aula. Dependendo do tema da 33 história e das metas do professor, propicia o desenvolvimento de um ensino interdisciplinar. A obra literária infantil trabalha com a vida. Enquanto tal apresenta-se como recurso de ensino não limitado ao ensino da língua; daí a possibilidade de sua utilização integradora no ensino de diferentes disciplinas. A interação poderá ocorrer com ciências, matemática e principalmente com a Arte. É na relação lúdica e prazerosa da criança coma obra literária que se forma o leitor; é na exploração simbólica da fantasia e da imaginação que desabrocha o ato criador e se intensifica a comunicação entre texto e leitor. A l i t e ra t u r a in f a n t i l é u m d o s s u p o rt e s b á s i c o s p a ra o d e s e n v o l v i m e n t o d o p r o c e s s o c r i a t i v o , p o i s e la o f e r e c e a o le i t o r uma bagagem de c o n h e c im e n t o s provocar uma ação criadora. e i n f o rm a ç õ e s capaz de No c o n t a t o c o m h i s t ó r ia s l i d a s o u ouvidas, a criança vai adquirindo novas experiências. Daí a i m p o r t â n c ia d e le r e c o n t a r h i s t ó r ia s p a ra c r i a n ç a s d e s d e s e u s p r i m e i r o s a n o s d e v i d a e e s t im u l a r a le i t u ra p a ra q u e , a lé m d e l e r e d e s f ru t a r d o p ra z e r d e le r , e l a s a d q u i r a m o s r e c u r s o s importantes p a ra o desenvolvimento de sua f a n t a s ia e criatividade. 3.2. Atividades Aplicadas na Escola Ouvir histórias pode estimular o desenhar, o musicar, o sair, o ficar, o pensar, o teatrar, o imaginar, o brincar, o ver o livro, o escrever, o querer ouvir de novo (a mesma história ou outra). Afinal, tudo pode nascer partido de um texto. 34 Ouvir histórias além de ser uma excelente oportunidade para exercitar a arte, é viver um momento de gostosura de prazer, de divertimentos dos melhores. É encantamento, sedução... O livro da criança que ainda não lê é a história contada. Pensando assim, foi preparado uma roda de histórias com os alunos do primeiro ano do Ensino Fundamental da Escola estadual..................., onde a turma é composta por vinte e quatro alunos, todos oriundos de famílias de classe média baix e que tem pouco acesso a livros. Explorado em forma de projeto, apresentando a cada dia uma modalidade diferente de literatura. No primeiro dia, a professora nos cedeu o primeiro horário, de 13h00min até as 14: 00 h, onde selecionei o conto de fadas conhecido dos alunos, chamado de Branca de Neve. Organizamos a roda e com o avental de leitura contei a história apresentando os personagens e colando no avental para que ficasse exposto. conheciam a Após, história, conversando quem com costuma alunos, conta-la, se eles sobre já os personagens e em seguida como escribas fomos reescrevendo-a conforme os alunos recontavam. No segundo dia com o horário marcado após o recreio, entrei na sala com uma caixa embrulhada para presente deixando um espaço para que os alunos fizessem adivinhações sobre o que estaria dentro. Passei então a dar detalhes: • É um personagem conhecido; • Faz parte de uma lenda; • Tem um programa de televisão onde ele aparece; 35 • É muito traquino; • Vive na floresta; • Assusta os caçadores... Q u a nd o d e s c ob rira m qu e e ra o s a c i p e re rê , já e s ta va m e s t im u la d o s a e s cu t a r a le n da , e n t ão t ire i d a c a ixa s urp re s a uma f igu ra gra n d e d o s a c i e c o le i n a p are d e p a ra c om e çar a le r u m t e xt o o n d e t ra zia a le n d a do s a ci p e re rê . E mb o ra t o d o s a c o n he c e s s em , p o is f o i t ra ba lh ad a n a s em an a d o f olc l o re e m a go s t o , e s cu t a ram c o m o se f o s se à p rim e ira ve z. Co m o a t u rm a a o f ina l d o an o let ivo já e s t á le n do , en t re gu e i um t e xt o p a ra c ada c o la r n o c a d e rno e le r e m c a s a t a m bém p a ra o s p a is . P a ra t e rm ina r a a t ivid a d e c o nf e c c io na mos u m a do b ra du ra d o s a c i. T od o s e s t a va m e uf ó ric o s c o m a a t ivid a d e e in te re s s a dos e m le r o t e xt o qu e e n t re gam o s m e sm o d e po is d e c on t a r-mo s a le n d a p a ra e le s . Constata-se com as atividades desenvolvidas na sala que a maneira como uma história, um texto, entre outros é oferecido para as crianças, ajuda a desenvolver o prazer pela leitura através da arte. 3.3. Resultados e Discussões Na escola pode ser feito um trabalho para levar a criança a se interessar pelo tema da leitura através de canções, expressão corporal, dança observação, contato com a realidade. Como exemplo desta última sugestão, temos que: se a história fala em água, é possível, em sala de aula, conversar sobre a água, sua utilidade. Se a história fala em animais, pode-se levantamento dos animais que as crianças conhecem... fazer um 36 Através professores da atividade necessitam de aplicada, percebeu-se metodologias que apropriadas os para despertar o interesse pelas diversas áreas da Arte e nos leitores que queremos formar. Estes métodos estão ligados ao professor, mas não na perspectiva de ficar apenas nele, o docente é apenas o mediador, as crianças têm que estar concentradas no que ele explica. Por isso, o professor tem de provocar, colocar o pensamento do educando em movimento, propiciar que o aluno pense sobre o assunto estudado e/ou proposto. Propor atividades de conhecimento, por exemplo, após a leitura de um livro infantil, fazer uma busca de todas as palavras desconhecidas e, novamente ler o livro, para que as crianças fixem o significado da palavra, interpretar através do teatrar, desenvolver a expressão corporal partindo de um tema lido. Assim, estará dispondo de elementos e situações novas, isso possibilita uma melhor interpretação da obra e no desenvolvimento do potencial criativo dos alunos. Mas também, é necessário que o professor, saiba interagir com as crianças. A prática do professor em sala de aula é tão importante. Esse talvez seja o momento do professor rever a metodologia utilizada para ensinar seu aluno, através de métodos ou atividades que envolvam a prática da Arte, ele poderá inclusive detectar dificuldades de aprendizagem, evitando os rótulos muitas vezes colocados erroneamente, que prejudicam a criança trazendo-lhe várias conseqüências, como a baixa-estima e até mesmo o abandono escolar. O papel do professor é tão importante. Suas atitudes para com os alunos podem influenciar de maneira decisiva na construção da auto-imagem dos mesmos, ou na sua maneira de ver a si mesmo. 37 Cabe ao professor estimular o crescimento emocional de seus alunos todos os dias, existem diversas maneiras que podem contribuir nesse processo, a maneira como ensinar, as atitudes, o jeito de relacionar-se com cada aluno, o interesse e o carinho que demonstram até sem querer influenciam no afetivo e no processo de aprendizagem da criança. desenvolvimento 38 CONCLUSÃO Antes de escrever, o homem usou a arte como forma de expressão. Nas cavernas, dissolveu pigmentos e pintaram mamutes (elefantes), bisões, cervos. As imagens e os objetos produzidos simbólica retrataram desses a sensibilidade artistas de visual e ultrapassarem a a capacidade realidade e expressarem o seu conhecimento e a percepção do mundo. As imagens tinham um significado mágico e já refletiam a tendência inventiva do homem, ou seja, a sua capacidade de conhecer, interpretar e expressar a realidade circundante. O homem, portanto, utiliza sistemas de representação para elaborar e objetivar seus pensamentos e ordenar e dar sentido ao mundo a sua volta. A Arte é uma forma de linguagem composta por outras linguagens específicas: visual, musical, cênica e a dança, porém, ainda é ato costumeiro tratar a arte sendo apenas a decoração da escola para datas comemorativas e festivas e trazer essa provocação à luz da reflexão tornou-se oportuno e pertinente como foco de pesquisa para o estágio em Educação Infantil. A infância é uma época de descobertas, aventuras e magia para as crianças. É nesta fase, durante a educação infantil, que elas terão seus primeiros contatos com as linguagens da arte, cabendo ao professor valorizar os conhecimentos e a criatividade que elas trazem para a sala de aula e compreender a importância existente no ato de elas explorarem, pesquisarem e criarem coisas novas. O que realmente importa a elas é o brincar aprendendo, é esperar curiosamente pelo inesperado, estar envolvida com o 39 lúdico e com a possibilidade de sonhar, pois assim, ela aprende se sentindo mais realizada e mais feliz. As crianças sentem prazer em desenhar, pintar, rabiscar, cortar e criar; é assim que elas se expressam. Elas utilizam sua imaginação para inventar ou transformar desenhos, criando sempre o inusitado, o novo, o diferente. As crianças desvelam-se e revelam-se por meio de manifestações expressivas, cabendo as instituições de educação infantil e aos professores, oportunizar a elas momentos de criação, compreensão, imaginação e significação. Sendo fundamental que o professor observe os limites da criança na arte de desenhar, e compreenda também, a importância de a criança criar seu desenho e titulá-lo livremente, determinados, evitando sem se assim, basear que esses em modelos modelos pré- prontos interfiram no imaginário da criança. Devemos considerar ainda, que a arte e seus elementos estão presentes em nosso dia-a-dia; não devendo ser vista como meio de oportunizar prazer às crianças, para trabalhar a coordenação motora ou para enfeitar as salas de aulas, mas ao contrário, deve-se trabalhar a arte como contribuição para a construção do conhecimento sensível da criança, já que contribui também, para a educação do olhar desta, e ajuda a ampliar suas leituras de mundo. Esses são alguns dos motivos pelos quais pesquisei sobre os assuntos abordados neste trabalho, para levantar a importância de o professor agitar-se no movimento de mudanças e descobertas, assim como, argumentar, criticar e fazer-se presente nas 40 mudanças, movimentando-se no sentido de oportunizar ao aluno um melhor ambiente de trabalho e aprendizagem, ajudando-o a ampliar suas visões de mundo e a não restringir suas idéias a estereótipos. 41 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVES, Magda. Como Escrever Teses e Monografias. Rio de Janeiro: Campus, 2003. ALMEIDA, Paulo Nunes de. Dinâmica Lúdica: técnicas e jogos pedagógicos. São Paulo: Loyola, 1978. ______. Educação Lúdica: técnicas e jogos pedagógicos. 5 ed. São Paulo: Loyola, 1987. BARRETO, Sidirley de Jesus. Psicomotricidade: educação e reeducação. 2. ed. Blumenau: Acadêmica, 2000. BARRETO, Sidirley de Jesus; SILVA, Carlos Alberto da. Contato: Sentir os sentidos e a alma: saúde e lazer para o dia-a dia. Blumenau: Acadêmica, 2004. 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