UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO
CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS
CURSO DE BIBLIOTECONOMIA
DIRETÓRIO ACADÊMICO DE BIBLIOTECONOMIA
XIV Encontro Regional de Estudantes de Biblioteconomia, Documentação, Ciência da Informação e
Gestão da informação
Os novos campos da profissão da informação na contemporaneidade
16 a 22 de janeiro de 2011
BIBLIOTECA SOCIAL: atividades biblioteconômicas voltadas para fazer do
acesso à informação um meio de inclusão social1
Asy Pepe Sanches Neto
RESUMO
Este trabalho tem por objetivo expor a informação sob um prisma social. No que diz
respeito a funções relacionadas aos fazeres biblioteconômicos e suas possibilidades
de aumento da qualidade de vida para parte da população que têm necessidades
especiais. Analisa o papel que a biblioteconomia tem contribuído neste processo,
concluindo que é pouco . Expõe como a pouca preocupação de grande parte das
bibliotecas em relação a deficientes visuais, auditivos e físicos pode limitar o acesso
a informação para os mesmos e como isso influencia em suas vidas. Critica a visão
puramente tecnicista que tanto alguns profissionais da área quanto algumas das
próprias escolas de biblioteconomia insistem em manter, e mostra que há prismas
diferentes pouco explorados e que tem a mesma ou mais necessidade de um
profissional qualificado. Fala sobre a especial necessidade de agilização da inserção
de materiais que possibilitem deficientes visuais de terem acesso direto a informação
em escolas e bibliotecas que lidam com pessoas em desenvolvimento de caráter,
para que não haja desnivelamento intelectual em um ambiente de ensino o que pode
influir negativamente em atitudes como bullying, diz que além desta função a
biblioteca também deve se comprometer na instrução de alunos que não possuem
necessidades especiais de forma à auxiliar no desenvolvimento de caráter o que a
médio prazo ajudará a reduzir atitudes descriminatórias, consciente que esta não
deve ser atividade que a biblioteca exerça sozinha. Conclui repensando o papel do
profissional de biblioteconomia e sugerindo mudanças para auxilio no processo de
inclusão social.
Palavras-chave: Acessibilidade. Inclusão social. Biblioteconomia.
1 INTRODUÇÃO
A minha observação, não só, enquanto um bibliotecário em potencial, mas,
1
Trabalho cientifico de comunicação oral. apresentado ao GT5 – Cultura e direito a informação.
Graduando em Biblioteconomia e documentação pela Universidade Federal Fluminense. E-mail para contato:
[email protected]
também como usuário final de bibliotecas me mostrou que há um vácuo na cultura
biblioteconômica no que diz respeito a dimensão social que as bibliotecas deveriam ocupar.
Parece que a satisfação profissional do bibliotecário se dá de forma magna ao catalogar fichas,
estipular qual classificação deve ser utilizada, e quantos dias um livro permanecerá sob a
posse de um usuário. Não é o meu objetivo ao escrever este trabalho desvalorizar a
importância que o processamento técnico têm no que diz respeito à recuperação da
informação, mas, relembrar qual o objetivo de se organizar à informação de forma a ser
recuperada.
Segundo dados mais recentes retirados do jornal O Globo(2007), no ano de 2007
existiam no Brasil aproximadamente um milhão e duzentas mil pessoas cegas, e o mais
preocupante não é isto, o que mais preocupa são os dados da Organização Mundial de Saúde,
que diz que deste número de pessoas 90% tem a renda baixa.
Não entrando muito neste mérito pois o trabalho tem outro enfoque, grande parte
destas pessoas hoje deficientes visuais teriam cura ou poderiam ter evitado adquirir está
deficiência. Realmente existem pessoas que tornam-se cegas ou nascem cegas, e este quadro
– pelo menos com o conhecimento que se tem hoje – é irreversível, mas, parte da população
cega de hoje tem cura como no caso da catarata que se operada, a visão é restabelecida,
também há os casos de glaucoma e retinopatia diabética que não tem cura mas tem prevenção.
O que será que falta para estas pessoas que ainda tem chance de cura se curarem e para outras
que tem chance de prevenirem-se não se tornarem cegas?
Eu respondo, e respondo sem dúvidas que o que falta é informação. Do que valem
bibliotecas cheias, abarrotadas de informação, de que valem fichas catalográficas bem
elaboradas respeitando todas as normas se o objetivo final que é atender o usuário, se o
objetivo de uso da informação não é respeitado? Não vale de nada.
Falta a percepção que os bibliotecários devem romper os muros da biblioteca,
falta tomarem ciência que livros são apenas uma das formas de se obter informação. Quem
melhor que os bibliotecários, e mesmo as bibliotecas para promover campanhas que previnam
não só este, mas, qualquer tipo de doença que seja passível a prevenção?
A biblioteca infelizmente é o reflexo desta sociedade que não assume filhos feios,
nada além do que foi previamente estabelecido como dever dos bibliotecários deve ser
experimentado, sob o risco de parecer reinventar esta instituição histórica que é a biblioteca.
Há ainda hoje, essa inversão de grande parte dos profissionais bibliotecários no que diz
respeito a “tradição”, hoje não há mais espaço no mercado para este profissional tradicional,
velho, inadequado.
Na era, onde o acesso a informação por parte da população é rápido, dinâmico,
simples, e cade vez menos dispendioso, através da internet. Um mero depósito de livros não é
uma instituição visitada, procurada, e muito menos utilizada. Os nossos deveres não são tão
distantes do de um educador. Não proponho neste trabalho, nenhuma nova função aos
bibliotecários, embora, isso seja muito necessário, proponho revermos o nosso papel, os
nossos à fazeres, e principalmente pretendo mostrar que há uma sociedade marginalizada, que
cada vez menos tem acesso a informação, o que a leva a cada vez ter menos acesso a todo o
resto e como somos culpados por isso.
2 AS BIBLIOTECAS PÚBLICAS:
2.1Origem e desenvolvimento.
Tendo em vista que os seres vivos desenvolvem funções a partir de suas
necessidades, presume-se que primordialmente o processo da fala tenha sido gerado com
algum objetivo, que acredito ser o de comunicar-se. Posteriormente veio a necessidade de
registrar seus conhecimentos, seja com intuito de informar, contar ou mesmo vangloriar-se de
algo.
Das formas mais diversas o homem o fez, seja com pinturas em paredes,
madeira, argila, entre outros até chegar ao suporte, que hoje ainda fazemos grande uso: o
papel, foi eleito como o suporte principal por vários motivos, dentre eles, dois chamavam
muita atenção que era o seu baixo custo, e pela facilidade de transporte, bem diferente das
pesadas tabuletas de argila.
Consciente da necessidade de registrar,veio também o desejo de preservar estes
registros. Com esse intuito foi criada a biblioteca.
Cunha(2003), esclarece que desde o ano de 39 d.C. numa biblioteca localizada em
Roma começa a mentalidade de uso público, mesmo lembrando que nesta época o uso era
restrito aos poucos letrados existentes. Seguindo na linha do tempo, fala que :
Na idade Média a biblioteca pública acentua seu papel democrático. Nesse período
desenvolve-se a ideia de que o conhecimento preso ao livro, torna-se de pouco valor,
havendo a necessidade de disseminá-lo para gerar o enriquecimento intelectual dos
indivíduos e da coletividade. O foco deixa de ser o livro e se transfere para o leitor.
(CUNHA, 2003, p. 68)
A biblioteca foi criada com o objetivo de guarda da informação, mas, depois de
descoberto o valor da informação a biblioteca começou a ser vista com outros olhos, pelo
menos pelos países que tinham esta dimensão, vale ressaltar que estes países hoje são
conhecidos como os de primeiro mundo. A exemplo dos Estados Unidos e da Inglaterra.
Segundo Arruda (2000), Após a revolução industrial “houve a necessidade de
qualificar a mão-de-obra disponível, a fim de possibilitar o manuseio das máquinas, sendo que
para isso, fazia-se necessário o domínio junto à prática de leitura.”
A partir desta consciência a biblioteca começa a ter um novo objetivo, guardar
a informação é um, mas, disponibilizá-la de forma a atender não só os objetivos individuais, e
acadêmicos, como também arranjá-las de forma a serem utilizadas para maximizar a
produtividade da população assalariada era neste momento a principal atividade das
bibliotecas.
Na Europa, do século XIX, houveram manifestações por parte da população
em prol da educação e pelas bibliotecas. Dentre as exigências uma era a de direitos
igualitários na sociedade, após pressionada, a classe dominante constrói aos trabalhadores
bibliotecas públicas distribuídas pela Europa. Com o acesso às bibliotecas, a população tinha
acesso a informações que lhes permitiu ter consciência sobre os seus direitos, o que resultou
em mobilizações em defesa dos mesmos. Thompson(1989), Descreve “o radicalismo popular
daqueles anos como uma cultura intelectual.”
Não há altruísmo na construção de bibliotecas públicas. Como pôde ser percebido,
elas são importantes ferramentas tanto nas mãos da população assalariada quanto na mão dos
empregadores. Por mais que uma população “ignorante” seja mais facilmente influenciada, o
que se perde em termos de produtos/serviços é caríssimo.
2.2 Como instrumento para inclusão social.
A biblioteca deve atuar de acordo com as necessidades da população que a
cerca, neste sentido há de ser considerado que em uma sociedade não existem apenas pessoas
ricas, instruídas e sem necessidades especiais.
A biblioteca deve atuar ao lado da população, não excluindo nenhuma de suas
camadas, nem priorizar os ricos, nem os pobres, nem doutores, nem analfabetos, nem
videntes, nem cegos e etc. A população como um todo em algum momento vai precisar dos
serviços de uma biblioteca pública, em intensidades diferentes, o que muitas vezes acontece é
que nem a própria população sabe sobre os serviços prestados pela biblioteca.
Segundo o Manisfesto da UNESCO sobre as bibliotecas públicas:
A biblioteca pública é o centro local de informação, tornando prontamente acessíveis
aos seus utilizadores o conhecimento e a informação de todos os gêneros.
Os serviços da biblioteca pública devem ser oferecidos com base na igualdade de
acesso para todos, sem distinção de idade, raça, sexo, religião, nacionalidade, língua
ou condição social. Serviços e materiais específicos devem ser postos à disposição
dos utilizadores que, por qualquer razão, não possam usar os serviços e os materiais
correntes, como por exemplo minorias linguísticas, pessoas deficientes,
hospitalizadas ou reclusas.
Todos os grupos etários devem encontrar documentos adequados às suas
necessidades. (MANISFESTO UNESCO SOBRE BIBLIOTECAS PÚBLICAS,
1994)
Para que este manifesto seja cumprido a risca é necessário um ambiente que
não iniba a população, é necessário um lugar onde as pessoas sintam-se a vontade, não só para
perguntar e consultar como também para ensinar.
É necessário que a Dona de casa analfabeta, sinta-se a vontade de visitar a
biblioteca, para ouvir a receita de um bolo, que a biblioteca depois de cadastrar esta senhora, a
ofereça serviços quando disponíveis, por exemplo avise-a sobre uma escola que está
oferecendo curso de alfabetização para adultos. Neste sentido Milanesi fala:
A biblioteca pública, no rigor de sua denominação, deve estar aberta a todos os
públicos de uma determinada coletividade. Se ela se fixar em um, particularizará o
atendimento, especializando-se nele. Se, ao contrário voltar-se para a coletividade
como um todo, uma séries de problemas novos ocorrerá. Não se pode esquecer que o
estudante é público também, e que deve ter o seu espaço na biblioteca pública. Mas
ao seu lado existem vários segmentos da população que,mesmo não utilizando a
biblioteca, não deixam de ser um público em potencial. (MILANESI, 1989, p.11)
Não são necessárias grandes atitudes, mas, sem a percepção que a biblioteca
pública deve atuar no cotidiano de toda a população, e não em parte privilegiada da mesma,
medidas simples e que possivelmente tenham um bom impacto, como esta, proposta neste
trabalho nunca ocorreram. O simples, não vai ser feito por que não foi percebido.
A população quer ser informada, basta que alguém mobilize e faça algo a
respeito. A biblioteca deve auxiliar o posto de saúde, a escola, o corpo de bombeiros, a polícia
militar e etc. Mesmo quando não fazem parte organicamente destas instituições, numa esfera a
cima todas fazem parte do mesmo município, estado, país. E ainda que não façam. Estão
inseridas em um mesmo contexto e trabalhando com uma mesma população.
Deve ser perdido este emblema de Nobreza que muitas bibliotecas tem
“penduradas a porta” pois do contrário, cada vez mais, a população carente vai ver a
biblioteca como algo intangível, e por consequência irá distanciar-se por medo. A população
deve ver na biblioteca uma instituição popular que satisfaça seus desejos a respeito de
informação, entretenimento e também cultura.
3 O DEFICIENTE VISUAL E O PROFISSIONAL BIBLIOTECARIO.
Como foi anteriormente exposto, a concepção de que o objetivo final da
informação é estar organizada em um livro, organizado em uma estante foi vencida na Idade
Média. Trato aqui o bibliotecário não como organizador de prateleiras, mas, como
profissional capaz de recuperar a informação e disponibilizá-la, de forma a auxiliar quaisquer
cidadão a evoluir intelectual e profissionalmente.
Espera-se, que assim como a biblioteca adaptou-se às necessidades da
população em dados momentos, o profissional que nela atua também tenha desenvolvido suas
funções neste processo. Infelizmente a verdade não é tão lógica quanto se espera. Neste
pequeno contato que tenho como crítico no mundo das bibliotecas, lamento que por muitas
vezes a manutenção do acervo tenha sido mais valorizado do que a disponibilização da
informação.
Enquanto há cada vez mais investimentos de tempo, pessoal e dinheiro em
métodos antifurto que protejam o acervo de possíveis roubos, e no processamento técnico, há
cada vez menos investimento para dar acesso alternativo ao acervo, cada vez menos contratase leitores de livros para crianças e deficientes visuais. Tendo que cada vez mais contar com
a boa vontade de pessoas que doam seu tempo para fazer tal serviço.
Em muitos textos encontrei uma espécie de “conscientização” para ledores de
livros para cegos, enfim, não digo que sou contra, pois acredito que até que uma nova política
seja instaurada esta é uma boa medida paliativa, mas, pelo menos acredito eu que os
deficientes visuais não querem benfeitores nem esmola.
Quando peço conscientização quanto as bibliotecas em relação a deficientes
visuais,digo no sentido de que contratem pessoas, paguem os direitos autorais, não acredito
que sentir pena de alguém seja a solução. Os livros impressos são pagos, os falados também
devem ser.
Machado e Ohira(1996) dizem que:
Ao nos defrontarmos no dia a dia com deficientes visuais, temos a sensação de pena,
de querer fazer as coisas para eles. Podemos até pensar que esses cidadãos são
pessoas incapazes. No entanto, o deficiente visual é um ser capaz, dotado de
capacidade intelectual e racional, de senso crítico, igual a qualquer pessoa. Contudo
existem barreiras, preconceitos e desinformações que o impedem de uma efetiva
socialização e reintegração na sociedade. (MACHADO; OHIRA, 1996)
Não só os deficientes, como qualquer pessoas que não esteja enquadrado no
modelo que o mercado exige, acaba sendo excluído do mesmo. Este preconceito por si só já é
um grande empecilho, (sobretudo a pessoas mais pobres) mesclado ao fato de que não só a
maioria das bibliotecas públicas, como também a maioria das escolas públicas, ainda hoje,
encontram-se inadequadas para o uso de deficientes visuais, isto, torna-se quase uma
calamidade.
Felizmente há iniciativas que dão suporte informacional a esta parte da população
que tem sido por anos excluída deste processo, tanto escolas quanto bibliotecas especializadas
ajudam os deficientes a evoluir neste sentido.
Para mim, este é outro problema. Claro que assim como muitas outras coisas é um
bom métodos paliativo, mas só. Muitos deficientes tem apoio em casa, a família é consciente
que não deve haver protecionismo exacerbado nem vergonha, no caso de haver uma criança
deficiente,mas, muitas não são.
Muitos pais superprotegem seus filhos do mundo ou simplesmente os escondem
em escolas especiais. E isto, é um problemas muito grave. Problema por dois principais
motivos.
Primeiramente os deficientes não conhecem pessoas em situações que não a
mesma que a deles, o que os faz por muitas vezes temer o contato com o mundo que existe
fora da “casca”. Não sou especialista, nem pretendo parecer, mas isto, pode gerar problemas
seríssimos de integração social posteriormente. Quando for lançado no mundo onde não há
mais áreas especializadas.
E olhando sob um outro prisma, a lógica mantem-se a mesma. Quando uma
criança por exemplo vidente, tem contato com outras crianças videntes e cegas no mesmo
grupo, acredito que, a probabilidade desta não ter preconceitos ou superprotecionismo quando
adulta é muito maior.
Nas (infelizmente) poucas escolas onde há estimulo à integração entre videntes e
deficientes visuais, os profissionais responsáveis incluindo os bibliotecários devem ter
cuidados dobrados, no que diz respeito ao comentado protecionismo. Não ajuda, se as outras
crianças sentirem raiva do deficiente pois elas o invejam.
– É claro que dependendo da deficiência, a criança precisará de tratamento
especial e isso absolutamente não está sendo contestado neste trabalho. –
Além disso, a arquitetura da escola/biblioteca deve ter sido previamente
modificada para receber estes novos alunos/usuário, sobre este assunto Silva e Oliveira(200-?)
citam Mantoam(2005) que diz.
[...]Além de fazer adaptações físicas, a escola precisa oferecer atendimento
educacional especializado paralelamente às aulas regulares, de preferência no
mesmo local. Assim, uma criança cega, por exemplo, assiste às aulas com os
colegas que enxergam e, no contraturno, treina mobilidade, locomoção, uso da
linguagem braile e de instrumentos como o soroban, para fazer contas. Tudo isso
ajuda na sua integração dentro e fora da escola. (MANTOAN, 2005)
E as próprias autoras também indagam “qual qualidade que está sendo oferecida a
esses alunos deficientes?” e afirmam “...Pois, não resolve o problema matriculando e
inserindo o aluno deficiente nas escolas públicas, isso não é inclusão escolar” esclarece que há
alguns critérios, a serem estabelecidos para que de fato haja a tão esperada inclusão.
Neste universo aqui exposto, existe ainda um profissional bibliotecário, que se
formou estimulado ao trabalho técnico e que por muitas vezes não sabe como lhe dar com este
tipo de situação que exige um profissional muito qualificado para que não existam problemas
posteriores.
Se a pessoa é consciente e percebe que o trabalho foge aos seus conhecimentos,
não há nenhum problema, mas, se levado por motivos dos mais diversos este profissional não
qualificado permanece como bibliotecário de uma instituição deste tipo, pode botar a perder o
trabalho de muitos outros profissionais.
Apesar de ter melhorado e muito, a grade das escolas de biblioteconomia como
um todo, algumas continuam mantendo em suas ementas somente disciplinas técnicas,
gerenciais, e históricas, menosprezando a face social onde a biblioteconomia também se
insere. E isso acarreta problemas óbvios.
Vencidos os problemas: do profissional (des)qualificado, da localização
(in)adequada, há de se pensar no desenvolvimento da coleção, qual estratégia será seguida
para que o acervo dos videntes não fique inferior ao dos cegos nem o contrário. Pois, grandes
desnivelamentos de conhecimento acadêmico podem gerar atitudes descriminatórias que
talvez surjam em forma de brincadeira, mas que geram sérios transtornos para o(s)
agredido(s). O conhecido bullying atinge a todas as minorias e os cegos não passariam ilesos
a isto.
Infelizmente algumas pessoas gostam de alimentar seus egos as custas do bemestar de outras pessoas, e neste sentido os cegos são muito perseguidos. Segundo Silva e
Oliveira(200-?) coagir este tipo de atitude é a única forma deste problema não se tornar
caótico e o pior generalizado dentro de um estabelecimento de ensino.
O que também não pode acontecer é: aumentar o número de motivos pelos quais
os deficientes visuais sejam ofendidos, pois, isto os separa ainda mais da sociedade vidente e
pode acabar causando danos irreversíveis, quanto ao convívio em sociedade. Por isso o
processo de seleção do acervo, e boa distribuição da compra entre livros que atendam aos dois
tipos de usuário é essencial.
Além disso, o bibliotecário pode preocupar-se em pensar formas de estar
interagindo cegos com videntes. Por motivos óbvios, qualquer atitude que vá ser tomada tem
que ser previamente analisada por especialistas.
Os bibliotecários tem forte potencial em suas mãos e não o utiliza. Há uma técnica
de de terapia a partir dos livros, conhecida como biblioterapia e o seu intuito é o de
entrosamento em grupo e o de leitura direta. Há várias definições para biblioterapia, a eleita
foi retirado do artigo de Calvin, que cita Louis Gottschalk (apud SHRODES, 1949),
[...] constituem objetivos da biblioterapia: auxiliar o paciente a entender melhor suas
reações psicológicas e físicas de frustração e conflito; ajudar o paciente a conversar
sobre seus problemas; favorecer a diminuição do conflito pelo aumento da autoestima ao perceber que seu problema já foi vivido por outros; prestar auxílio ao
paciente na análise do seu comportamento; proporcionar experiência ao leitor sem
que o mesmo passe pelos perigos reais; reforçar padrões culturais e sociais
aceitáveis, e, estimular a imaginação. (LOUIS GOTTSCHALK apud SHRODES,
1949).
Esta definição mostra o objetivo que eu enxergo como essencial ao processo de
inclusão social a partir da biblioterapia. Fora esta técnica existem outras já descobertas e
muitas outras a serem. Se as crianças cegas crescem incluídas socialmente, uma grande
barreira já é rompida, se os videntes crescem sabendo que não há diferenças entre eles e os
cegos, a não ser o fato de um possuir visão e o outro não. Eu acredito que as coisas vão mudar
positivamente.
4 CONCLUSÃO
O profissional da informação tem se acomodado nos serviços técnicos, por vezes
restringindo a área a isto. E isso de qualquer forma e prejudicial. Seja para o bibliotecário que
cada vez mais tem seu trabalho menosprezado, seja para o usuário final que não sabe da real
função da biblioteca.
A informação é peça fundamental para o processo de inclusão social, e quando o
bibliotecário não trabalha de forma a facilitar este processo, ele está apoiando a desigualdade
social, menosprezando as pessoas que de alguma forma fogem ao normatismo esperado, e
principalmente, mantem um sistema onde tanto o progresso do indivíduo quanto o da nação é
entravado.
Os deficientes visuais por muitas vezes são excluídos de processos seletivos por
ignorância dos empregadores, assim como, por muitas vezes estes cegos poderiam estar
seguindo uma vida não deficiente, caso tivessem acesso a informação certa na hora certa.
Nós bibliotecários que deveríamos
levar para população a nossa volta à
informação, dignidade e perspectiva de um futuro melhor, muitas vezes optamos por nos
trancar em nossas salas e ignorar um mundo que existe na parte de fora. O que destrói
qualquer justificativa que explique os quatro anos que o profissional bibliotecário leva para se
formar como tal.
O caminho pode ser mais longo do que o desejado, mas, são anos de dívida que
temos com a população, é hora de pagarmos, ou, o fim da biblioteconomia desponta.
Profissionais técnicos com salários altos? Isso não existe. A população não quer pagar
impostos para manter um depósito de livros que grande parte dela nunca utilizou, as vezes
nem sabe que pode utilizar.
Devemos ser profissionais dinâmicos, atentos as necessidades da população. Que
sabemos a quem recorrer para sanar uma dificuldade e estamos encabeçando campanhas
públicas. Não adianta pedir para que os médicos, professores, motoristas, bancários, Donas de
casa, caseiros e etc. Nos vejam como profissionais graduados se nós, só nos vemos como
balconistas, se não enxergamos nada a ser feito quanto aos rumos da nossa profissão estamos
fadados a esta eterna imagem menosprezada que a população tem de bibliotecários e das
bibliotecas.
LIBRARY SOCIAL library sciences activities aimed at making access to
information through a social inclusion
ABSTRACT
This paper aims at presenting information in a social perspective. With regard to
functions related to the doings librarian and your chances of improving quality of
life for the population who have special needs. Examines the role that the library has
helped this process, concluding that it is little. Exposes how little concern of most
libraries for the visually impaired, hearing and physical can limit access to
information for them and how it influences their lives. Criticizes the purely technical
view that both professionals and some of the very few library schools insist on
keeping, and shows that there is little explored and different angles that have equal
or greater need of a qualified professional. Talk about the special need to expedite
the insertion of materials that allow visually impaired people to have direct access to
information in libraries and schools that deal with people in character development,
so there is no intellectual unevenness in a teaching environment which can
negatively influence in attitudes such as bullying, says that beyond this role the
library should also undertake the instruction of students who do not have special
needs in order to assist in the development of character which in the medium term
will help to reduce discriminatory attitudes, conscious that this should not be activity
that carries the library alone. We conclude by rethinking the role of the professional
library and suggesting changes to help in the process of social inclusion.
Keywords: Accessibility. Social inclusion. Librarianship.
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BIBLIOTECA SOCIAL: atividades biblioteconômicas voltadas