VIII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO ESPECIAL Londrina de 05 a 07 novembro de 2013 - ISSN 2175-960X O BILINGUISMO EM ESCOLAS REGULARES DO MUNICIPIO DE SANTARÉM-PA Eleny Brandão Cavalcante1- UFOPA Liliane Viana Soares2 - UFOPA Patrícia Siqueira dos Santos3 - UFOPA Universidade Federal do Oeste do Pará Pró- Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação Tecnológica (PROPPIT) RESUMO Neste artigo abordamos o processo de implementação da educação de surdos em quatro escolas da rede de ensino do Município de Santarém, mediante as políticas educacionais que se movimentam no contexto atual. Para coletas de dados, realizou-se entrevistas com roteiro semiestruturado com cinco professores do ensino regular que atuam com alunos surdos. Os resultados mostram a partir da realidade destas instituições que a educação de surdos encontra-se em fase de adaptação, que os professores não foram “preparados” para receber esses alunos. Assim, compreendemos que “o acesso á escola regular como proposto pelas políticas de inclusão” não estão garantido aos sujeitos surdos condições necessárias a sua permanência nessas escolas. Palavras- Chave: Surdos; Ensino Regular; Bilinguismo. INTRODUÇÃO A presente pesquisa é financiada pela Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação Tecnológica (PROPPIT) da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), está vinculada ao Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação de Surdos (GEPES) e consiste em um recorte da pesquisa intitulada “A política de educação de surdos no Município de Santarém”, que tem como foco verificar como está sendo implantada a política de educação de surdos na rede regular municipal de ensino. A inclusão dos alunos surdos nas escolas do ensino regular vem sendo atualmente alvo de muitos debates não só no campo educacional, mas também no que se refere à perspectiva médico-clínico que vê a surdez como uma deficiência. A perspectiva cultural da surdez visa romper com velhos paradigmas de representações da comunidade surda, passando da deficiência a diferença que os distingue das demais comunidades, possuindo língua e cultura própria. Entre os diversos estudiosos que defendem a ideia dos surdos serem educados em ambientes bilíngues destaca-se, Lacerda (2000). Segundo essa autora, o desenvolvimento desses sujeitos 1 E-mail: elenycavalcante@hotmail Graduanda do Curso de Licenciatura em Pedagogia - E-mail: [email protected] 3 Graduanda do Curso de Licenciatura em Pedagogia - E-mail: [email protected] 2 622 VIII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO ESPECIAL Londrina de 05 a 07 novembro de 2013 - ISSN 2175-960X na escola, somente irá se efetivar se a língua de sinais for utilizada como a primeira língua dos sujeitos surdos, e a Língua Portuguesa como segunda língua em sua modalidade escrita. O que queremos neste sentido é discutir a proposta de educação bilíngue aplicada à educação de surdos no ensino regular. Um pouco da história do surdo A história da educação de surdos é marcada por três tendências: o oralismo, a comunicação total e o bilinguismo. Neste sentido abordaremos de maneira sucinta o que cada uma representou e representa no processo educativo desses sujeitos. O oralismo, como o próprio nome evidencia, trabalha dentro de uma perspectiva de alcançar o sucesso da língua oral, como “única” forma de comunicação entre as pessoas. Os surdos por não fazerem o uso da língua majoritária, eram condenados, vistos como pessoas incapazes, privados de manter qualquer relação com os ouvintes. O método oral foi definido como o modelo mais adequado para a educação de surdos, no Congresso Mundial de Surdos-Mudos realizado em Milão no final do século XIX. Proibiu o uso de sinais, com a justificativa de que a língua de sinais atrapalhava o desenvolvimento da língua oral. O oralismo considerado um dos modelos mais perversos na história da educação de surdos, deixou características de imposição, negação, da cultura ouvinte em relação aos surdos. A oralização deixou marcas profundas na vida da maioria dos surdos. Pode-se dizer que a busca desenfreada pela recuperação da audição e promoção do desenvolvimento da fala vocalizada pelo surdo são objetos que traduzem em vários sentimentos: desejo, dor, privação, aprovação, opressão, discriminação e frustração (GESSER, 2009, p.50). O método oral, de acordo a autora acima, se estabeleceu para muitos surdos como uma repressão por não considerar a língua de sinais, língua da comunidade surda e meio pela qual os mesmos pudessem se comunicar. Assim eram submetidos a tratamento de reabilitação para desenvolver a qualquer custo aquisição da língua da comunidade majoritária. O que certamente acarretou em muitas marcas negativas para estes sujeitos. Decorrente desse modelo foi o fracasso que se obteve na educação desses sujeitos. Pois, durante a proibição da utilização dos sinais, foi visível comprovar que o modelo oral não correspondia como o meio mais adequado para educar os surdos, já que este método não obteve resultado quanto a sua proposta que era de desenvolver de maneira satisfatória a língua oral e fazer com que os surdos chegassem o mais próximo possível da condição dos ouvintes. Dessa maneira, a filosofia oralista de acordo com Lopes (2011) se defrontou diante de muitos questionamentos: Muitas foram e têm sido as críticas feitas ao oralismo, inclusive de ele ter sido uma das concepções que mais contribuíram para o fracasso da educação de surdos e do projeto de incluí-los na sociedade ouvinte. Devido ao limite da comunicação, pela impossibilidade surda de conseguir apropriar-se da língua portuguesa, os sujeitos surdos foram vistos incapazes e considerados pessoas que, devido à surdez, apresentavam déficit cognitivo e dificuldade de socialização (LOPES, 2011, p.59). 623 VIII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO ESPECIAL Londrina de 05 a 07 novembro de 2013 - ISSN 2175-960X Diante dessas críticas, passou-se a entender que o oralismo não favorecia no desenvolvimento cognitivo dos surdos, e também dos estudos em relação à língua de sinais que vieram confronta-se com o modelo oralista. Essas consequências negativas do oralismo permitiu a emergência de outra tendência, que pudesse “considerar” a forma de comunicação dos surdos. Assim tem-se a Comunicação Total - CT no final do século XIX, que permitia o uso de sinais, trazendo mudanças no cenário educacional dos surdos. A comunicação total era vista como uma forma mais aberta e flexível de comunicação surda, pois permitia “o uso de múltiplos meios de comunicação, buscando trazer para a sala de aula, os sinais utilizados pelas comunidades de pessoas surdas” (GÓES, 1996 apud LOPES, 2011, p. 63). Tal filosofia se sustentava por não omitir que os sinais fossem utilizados na educação dos surdos, contrapondo-se ao modelo oralista. A comunicação total trabalhava dentro de uma perspectiva em que fazia uso de todo recurso possível para obter a comunicação com os surdos, usava gestos, mímicas, entre outros meios. A priori essa abordagem se “mostrava a favor” do uso de sinais, como meio legal para a comunicação entre os surdos, mas não descartava o ensino do português. Conforme Lopes (2011) O que se colocava como argumento a favor da CT é que esta seria uma filosofia que não se oporia á diferença surda, mas que possibilitaria aos indivíduos acesso a várias formas de aprendizagem e de interlocução linguística, ou seja, os surdos aprenderiam não apenas o português, mas também a língua de sinais (LOPES, 2011, p.63). Entretanto passou-se a questionar como se daria a utilização de duas línguas para os surdos, pois mesmo sendo empregada a língua de sinais, prevalecia o ensinamento da língua oral, desenvolvido ao mesmo tempo. Fato este que não poderia acontecer, visto que a língua oral ocorre por meio do canal oral-auditivo enquanto a língua de sinais acontece por meio do canal visuo-espacial. Assim, não poderia acontecer de maneira simultânea o emprego de duas línguas, caso isso ocorresse acarretaria em prejuízo de uma para o benefício de outra, o que certamente trazia consequências para a língua de sinais. Portanto, não dava importância para o aprendizado da mesma, mas utilizava os sinais para o ensinamento da língua majoritária (LOPES, 2011). Dessa maneira, se tornava difícil para o surdo, aprender as duas línguas ao mesmo tempo, resultando assim, certa insatisfação quanto ao modelo regente por não se alcançar de forma positiva e esperada a língua falada. Essa proposta tornou-se alvo de críticas quanto a sua proposta na educação de surdos, pois não se aprendia o português e tampouco a língua de sinais. O que pôs tal filosofia em questionamento, necessitando pensar assim outra concepção, que de fato levasse em consideração e respeitasse a língua de sinais como língua e meio de comunicação da comunidade surda. Emergia a proposta do Bilinguismo como saída para as lacunas das propostas anteriores. O Bilinguismo no panorama atual é destacado como proposta “mais viável” para a educação de surdos, visando modificar as abordagens educacionais que nortearam a educação de surdos 624 VIII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO ESPECIAL Londrina de 05 a 07 novembro de 2013 - ISSN 2175-960X durante um longo período da história (oralismo e comunicação total) que de certo modo, ainda se fazem presente na educação dos mesmos. Brito (1986) propõe uma educação pautada na valorização da língua de sinais, como fator de desenvolvimento e integração dos surdos na sociedade. As línguas gestuais-visuais são a única modalidade de língua que permite aos surdos desenvolver plenamente seu potencial linguístico e, portanto, seu potencial cognitivo, oferecendo-lhes, por isso mesmo, possibilidade de libertação do real concreto e de socialização que não apresentaria defasagem em relação àquela dos ouvintes. São o meio mais eficiente de integração social do surdo (BRITO,1986, p. 21). Na década de 80 já eram expostas as primeiras ideias em prol da língua de sinais como a primeira língua a ser adquirida pelos surdos. Atualmente, a possibilidade dos educandos receberem uma educação em sua língua materna esta apoiada no decreto nº 5.626 de 22 de dezembro de 2005 que regulariza seu uso, como descrito em seu Art. 22 § 1º “São denominadas escolas ou classes de educação bilíngue aquelas em que a Libras e a modalidade escrita da Língua Portuguesa sejam línguas de instrução utilizadas no desenvolvimento de todo o processo educativo” (BRASIL, 2005, p. 8). Através deste decreto elucidamos que as escolas de ensino regular devem respaldar aos educandos surdos acesso a sua língua natural de maneira que possam usufruir das informações passadas no contexto escolar. Em relação á educação bilíngue Skliar (2001) discorre Não defino a educação bilíngue para surdos como desenvolvimento de habilidades linguísticas em duas ou mais línguas, como é comum definir-se quando se fala de crianças e adultos ouvintes... A educação bilíngue para surdos... não deve reproduzir a ideia errada e perigosa de que saber e/ou utilizar corretamente a língua oficial é indispensável para o surdo ser como os demais - ouvintes -, como a norma – ouvinte (SKLIAR,2001,p.92). A proposta bilíngue para este autor vai além do acesso a duas línguas distintas (língua de sinais e língua portuguesa em sua modalidade escrita), reconhece o surdo em suas características, não como deficiente, mas contempla a diferença surda. Nesse modelo, o que se propõe é que sejam aprendidas duas línguas, a língua de sinais e, secundariamente, a língua do grupo ouvinte majoritário. Para que as interações possam fluir, a criança surda é exposta o mais cedo possível à língua de sinais, aprendendo a sinalizar tão rapidamente quanto as crianças ouvintes aprendem a falar. Ao sinalizar, a criança desenvolve sua capacidade e sua competência linguística, numa língua que lhe servirá depois para aprender a língua falada, do grupo majoritário, como segunda, tornando-se bilíngue, numa modalidade de bilinguismo sucessivo (LACERDA, 2000, p.73). A autora enfatiza a importância do surdo entrar em contato o mais cedo possível com a língua de sinais a fim de o indivíduo desenvolver-se em sua totalidade, obtendo através desta o conhecimento dentro e fora da escola. O Bilinguismo permite a pessoa ter acesso a duas culturas diferentes: cultura surda e ouvinte, devendo ambas serem respeitadas e utilizadas em momentos específicos. A maioria dos debates em torno das questões bilíngues realizam-se com o intuito de haver progressão no trabalho pedagógico realizado dentro da sala regular, os professores quando 625 VIII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO ESPECIAL Londrina de 05 a 07 novembro de 2013 - ISSN 2175-960X tem conhecimento dessa proposta para a educação de surdos pensam que o bilinguismo se processa apenas o acesso a duas línguas, conforme destaca SKLIAR (2001, p.91): Se a tendência contemporânea é fugir - intencional e/ou ingenuamente – de todo debate que exceda o plano estrito das línguas, corre-se o risco de transformar a proposta bilíngue em... mais uma grande narrativa educacional que conserva as mesmas representações sobre a surdez e os surdos...a educação bilíngue pode se transformar numa 'metodologia' positivista, não histórica e despolitizada. Neste sentido, o bilinguismo visa propiciar aos surdos uma educação de qualidade, respeitando sua condição linguística-cultural. Defender uma proposta bilíngue para surdos, não condiciona apenas numa perspectiva do alcance a duas línguas diferentes, mas visa também a consideração de uma cultura, identidade que politicamente precisam ser reconhecida. Uma educação bilíngue para Lopes (2011) não significa tomar o bilinguismo como métodos de ensino que precisam ser usados para educar os alunos surdos, mas deve ser sistematizado e fortalecido por um viés da constituição da diferença surda. 2 Método O presente artigo foi embasado em pesquisa de campo com abordagem qualitativa buscando compreender e interpretar o fenômeno no seu contexto natural, que segundo Brandão (2003, p.186) pesquisa qualitativa “é uma escolha fundada em uma leitura teórica, é um estilo de relacionamento, é uma abordagem de fenômenos (de pessoas, da sociedade, da história, da cultura, da vida)”. Iniciamos então definindo nosso campo de pesquisa, para tanto, selecionamos quatro escolas do ensino fundamental, da rede pública do Município de Santarém. Um critério essencial para a escolha das instituições era que tivessem alunos surdos matriculados no ensino regular. O instrumento utilizado para a coleta de dados foi aplicação de entrevista com roteiro semiestruturado para cinco professores de diferentes níveis de ensino visando depreender das falas dos participantes sua visões sobre o processo educacional dos surdos na escola regular. Neste estudo as entrevistas foram gravadas em áudio e transcritas na integra e organizadas e tabelas para posterior análise dos dados coletados, fundamentada em categorias. Para a análise procuramos estabelecer articulações entre os dados e os referencias teóricos trabalhados nesta pesquisa abrindo caminhos para discorrer sobre as questões da temática na busca de alcançar seus objetivos. Dessa maneira, analisamos as entrevistas estabelecendo quatro categorias: Concepção de Educação de Surdos; Concepção de Língua de Sinais, Incentivo da libras nas escolas e Discursos dos professores sobre a inclusão dos surdos. As escolas foram definidas por E1, E2, E3, e E4 para os professores foram criados nomes fictícios no anonimato de suas identidades. Assim temos na: E1 professora Helena, E2 professora Taila, E3 professora Regina e E4 professores Letícia e Luiz. 3 Resultados e Discussões A realidade escolar dos alunos surdos incluídos nessas escolas parece está condicionada as imposições das políticas de inclusão preconizando que estes sejam e estejam no mesmo ambiente que os ouvintes, mas como garantir sucesso no desenvolvimento para esses alunos 626 VIII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO ESPECIAL Londrina de 05 a 07 novembro de 2013 - ISSN 2175-960X quando sequer têm acesso a sua língua. Diante disso, os dados demonstram que esse processo de inclusão precisa oportunizar a esses educandos igualdades de ensino para que participem do ensino e aprendizado. 3.1 Concepção de Educação de Surdos Procuramos através desta categoria, compreender como os professores entrevistados entendem e discutem a educação de surdos na prática pedagógica. Para isso questionamos: Qual concepção de educação de surdo você adota? Mediante as respostas evidenciamos que os professores participantes em sua maioria, mostram de forma superficial a importância de se trabalhar com os alunos surdos por meio de praticas que favoreça seu entendimento em sala de aula. Como nos apontam os entrevistados: Quadro 1- Trechos sobre a visão dos professores em relação á concepção de educação de surdos Escola (E1) Escola (E2) Escola (E3) Escola (E4) Escola (E4) Concepção de educação de surdos Como eles não ouvem, eu trabalho muito o ilustrativo, através de vídeos e materiais concreto. A minha aprendizagem ainda é muito lenta. Então eu faço através de desenho em algumas atividades e sempre trabalhando dentro do daquele como que chama o ABC deles. É a libras No contexto escolar, língua de sinais para a comunicação do aluno no ambiente. Comunicação total, porque a maioria dos professores não tem conhecimento da Libras, mesmo por que não é tanto desenvolvido quanto deveria ser. No entanto, colocar sempre na frente para ter mais atenção e facilitar para ele. Trato como alunos normais. Professora Helena Professora Taila Professora Regina Professora Letícia Professor Luis Fonte: elaborado pelas autoras baseado nas entrevistas. Perante os discursos de alguns professores inferi-se que estes trabalham dentro de uma tendência que se aproxima de uma concepção bilíngue ao valorizar a percepção visual do aluno por meio de materiais concretos e através do alfabeto datilológico. Entende-se que é importante utilizar esses recursos na educação de surdos, bem como os professores fazerem uso da Língua de Sinais na sala de aula, como se pode perceber na descrição feita no documento elaborado pelo MEC no ano de 1997 sobre a Educação Especial e Educação de surdos “Adotar a língua Brasileira de Sinais – Libras no processo ensino aprendizado e avaliativo, além de material escrito, computador entre outros recursos” (BRASIL, 1997, p.28). Nesta linha, acredita-se que embora esses professores não afirmarem uma concepção que se volte para o bilinguismo, acabam realizando em suas práticas pedagógicas métodos que possam de alguma maneira contribuir para o aprendizado desses alunos. 627 VIII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO ESPECIAL Londrina de 05 a 07 novembro de 2013 - ISSN 2175-960X Em uma perspectiva mais objetiva em relação à educação de surdos, tivemos a percepção que somente a professora Regina da escola E3 deixa claro fazer uso da Língua de Sinais para se comunicar e assim desenvolver seu trabalho em sala de aula com este aluno. Dessa maneira, o discurso dela nos possibilita entender que a mesma tem uma visão mais especifica do que seria a proposta bilíngue no contexto do ensino para alunos surdos dentro da escola regular, pois muitos professores, inclusive os que foram entrevistados não têm essa mesma percepção quanto a importância do uso da Libras. Embora o bilinguismo seja considerado a proposta mais viável para a educação de surdos, parece não ser empregado no ambiente escolar de forma que traga a esses alunos autonomia para sua permanência na escola, como pode ser constatada na fala da professora Letícia escola E4, quando menciona não ter domínio da Libras. Tal situação poderia ser amenizada se a escola ou órgãos competentes oferecessem formação continuada para os professores atuarem com alunos surdos, de forma á melhorar sua prática proporcionando resultados satisfatórios no processo de ensino-aprendizagem para esses educandos. Entretanto, a docente Regina da escola E4 afirma ser adepta da comunicação total para estabelecer uma relação com o aluno surdo. Diante disso problematizamos que dentro da filosofia da comunicação total se faz uso de toda e qualquer ferramenta para diminuir as barreiras entre surdo e ouvinte, como a leitura labial, o uso de gestos entre outros meios (SILVA, 2008). Neste sentido, temos a percepção de que a professora pelo fato de não se apropriar da Libras, parece não perceber a importância da mesma na educação de surdos e ao colocar esse aluno na frente pensa que vai conseguir que ele assimile os conteúdos passados em sala de aula de forma integral. Dentro de uma perspectiva mais sistemática, professor Luis E4 afirma tratar a todos seus alunos de forma homogênea. Isso nos deixa claro que o professor não distingue o aluno surdo do aluno ouvinte. Que cada um tem seu modo peculiar em aprender, e para o aluno surdo é essencial utilizar a Libras para o desenvolvimento e apropriação do conhecimento. Sobre isso Capovilla (2011) argumenta que Espalhar as crianças surdas em escolas comuns despreparadas para compreendê-las e ensiná-las em sua língua, é instruir essas escolas comuns a tratar as crianças surdas como se fossem ouvintes ou, na melhor das hipóteses, deficientes auditivas, ao arrepio dos direitos humanos, dos direitos da criança a uma educação adequada às suas necessidades, e à especificidade linguística da Libras, reconhecida em lei federal (CAPOVILLA, 2011, p.85). O autor acima nos demonstra as consequências possíveis que se pode ter quanto á inclusão dos alunos surdos nas escolas de ensino regular que muitas vezes se encontram despreparadas para garantir seu ingresso e permanência nesses ambientes. E tratar todos os alunos como “normais”, como nos informa o professor Luis se torna um ponto positivo, entretanto não reconhece o surdo em sua diferença cultural e linguística. Quanto às respostas dos professores, de maneira minuciosa compreendemos que os mesmos têm visões bastante diversificadas referentes á concepção que adotam em relação à educação de surdos, que de certa forma influencia em suas práticas pedagógicas realizadas com esses alunos. 628 VIII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO ESPECIAL Londrina de 05 a 07 novembro de 2013 - ISSN 2175-960X 3.2 Concepção de Língua de Sinais Essa concepção teve como objetivo verificar a opinião que os docentes têm em relação à língua de sinais. De acordo com Honora e Frizanco (2009): As línguas de sinais são naturais, pois surgiram do convívio entre as pessoas. Elas podem ser comparadas á complexidade e á expressividade das línguas orais, pois pode ser passado qualquer conceito, concreto ou abstrato, emocional ou racional, complexo ou simples por meio delas. Trata-se de línguas organizadas e não de simples junção de gestos. Por este motivo, por terem regras e serem totalmente estruturadas, são chamadas de LÍNGUAS (HONORA & FRIZANCO, 2009, p. 41). Diante disso buscamos trabalhar essa concepção com os professores entrevistados a partir do seguinte questionamento: A língua de sinais é uma língua? Por quê? O que você entende por língua? Dos cincos professores participantes da entrevista, a maioria adotam a língua de sinais, como língua e o meio pelo qual os surdos se comunicam. Como demonstra os seguintes docentes no quadro a seguir. Quadro 2 - Relatos dos entrevistados sobre a concepção de Língua de Sinais Escola (E1) Escola (E2) Escola (E3) Escola (E4) Escola (E4) Concepção de língua de sinais Libras é uma língua porque possui toda uma estrutura, e através da Libras os surdos se comunicam, e é a língua própria da comunidade surda. Não! Ela se torna língua porque é uma forma da gente se comunicar com aquela criança, e ela só entende através desses sinais, para eles é uma língua, não é verbalizada, mas é sinalizada, porque tem que falar diretamente com ele, colocar ele na frente de preferência, tem que ter o tempo voltado pra eles, falando, articulando, era bom se tivesse um tradutor, quando o professor tivesse explicando porque não dá de fazer as duas coisas falar e sinalizar. Sim, porque através da língua de sinais, podemos nos comunicar. Sim é... Acho que sim porque é através dessa linguagem que eles entendem o que nós falamos Comunicação. Professora Helena Professora Taila Professora Regina Professora Letícia Professor Luis Fonte: elaborado pelas autoras baseado nas entrevistas. Observa-se que a língua de sinais mencionada pelos professores se constitui como a língua da comunidade surda, tornando o meio pelo qual estes sujeitos interagem e relacionam entre seus pares e se organiza com estrutura gramatical própria, assim destacada por Honora & Frizanco (2009, p.41) “As línguas de sinais possuem mecanismos morfológicos, sintáticos e semânticos”. De acordo com as autoras esses elementos caracterizam sua existência e legitimação ao se diferenciar das demais línguas e também por se utilizada na modalidade visuo espacial. 629 VIII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO ESPECIAL Londrina de 05 a 07 novembro de 2013 - ISSN 2175-960X Sob essa questão professor Luis escola E4 é bem direto ao responder tal situação, quando afirma que a língua de sinais se sistematiza como “comunicação”, quanto a isso problematizamos que essa comunicação definida por este professor seja o meio, pelo qual os surdos possam se expressar. Paralelo a isso o relato da professora Taila escola E2 mostra que ao mesmo tempo em que não considera a língua de sinais uma língua, acredita que esta só adquire status linguístico por que se institui como única forma de estabelecer comunicação com a criança surda. Entretanto, enfatiza que a ausência de um tradutor na sala de aula acaba gerando impasses no processo educativo para esse sujeito, pois não há como falar e sinalizar simultaneamente. Nessa via, percebe-se a importância de um profissional que seja fluente em Libras, para traduzir o conteúdo de uma língua para outra. Respeitando a condição linguística do surdo, propiciando equidade de direito quanto ao acesso às informações por meio dos sinais. Diante da percepção dos professores, entende-se que o reconhecimento da língua de sinais, enquanto língua com característica própria, assim como as línguas orais, parece ser de conhecimento desses profissionais que instituíram sendo a forma de comunicação dos surdos. 3.3 Incentivo da LIBRAS nas escolas Esta categoria buscou através das entrevistas problematizar quanto ao incentivo da Libras nas escolas, fazendo esta indagação: O uso da LIBRAS é incentivado na escola? Se sim de que maneira é incentivado se não por quê? Com as respostas dos docentes questionados, constatamos que os mesmos afirmam que em parte há incentivo, outros por sua vez, dizem que só há estímulo quando tem apresentações ou quando os professores do Atendimento Educacional Especializado - AEE fazem alguma atividade em que os alunos estejam envolvidos. Essas questões podem ser observadas no quadro abaixo através das falas dos sujeitos entrevistados: Quadro 3- Percepção dos professores quanto o incentivo da Libras na escola Escola (E1) Escola (E2) Escola (E3) Escola (E4) Escola (E4) Incentivo da Libras nas escolas Sim, quase todas as salas tem o alfabeto datilológico, desde a educação infantil quando ela trabalha o alfabeto a gente trabalha também com nossos alunos e eles interagem bem. É incentivado nas apresentações. Quando tem oportunidade a gente faz cartazes em Libras. Sim, através do apoio da professora do AEE e do instrutor de libras. Bem pouco, é incentivado sim, mas não é com frequência. Penso que eles são inclusos, caso contrário teria exclusão. Professora Helena Professora Taila Professora Regina Professora Letícia Professor Luis Fonte: elaborado pelas autoras baseado nas entrevistas. 630 VIII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO ESPECIAL Londrina de 05 a 07 novembro de 2013 - ISSN 2175-960X Problematizando as falas acima, verifica-se a importância do papel do professor do AEE e do instrutor de Libras diante do processo de inclusão do aluno surdo, em incentivar o uso e a difusão da libras na escola, como meio de valorização da cultura e identidades surdas. Porém, tais ações não são suficientes a garantir subsídios necessários para que o aluno se desenvolva de maneira intergral nas escolas de ensino regular, pois como declara professora Letícia E4 o incentivo em relação a Libras não se constitui em um processo contínuo, dando a entender que só é realizado quando há necessidade. Segundo o decreto 5.626 de 2005 que dispõe sobre a “Libras e outras providências”, este propõe que seja difundido o uso da Libras como descrito em seu Art.14 § V “ apoiar, na comunidade escolar, o uso e a difusão de Libras entre professores, alunos, funcionários, direção da escola e familiares, inclusive por meio da oferta de cursos” (BRASIL, 2005,p.5). A redação expressa neste documento ressalta o uso da Libras no cotidiano escolar, entre todos os membros da escola assim como, envolver a participação da família, para que juntos, nesse processo propagem e utilizem a Libras nos diferentes espaços sociais. Na percepção do professor Luis E4, não fica claro qual sua posição quanto esta concepção, pois através de seu relato não descreve o que foi proposto, o que não permitiu que fizéssemos uma análise mais consistente. O incentivo da Libras na visão dos professores entrevistados se debruçam em ocasiões “limitadas” no espaço escolar, o que se esperar das escolas inclusivas frente à educação desses alunos? Percebe-se que a Língua de Sinais acaba ficando em segundo plano, enquanto a cultura ouvintista tende a prevalecer nas práticas educativas. Mediante essas questões entendem-se que os discursos em relação ao reconhecimento e a valorização da língua de sinais no ambiente escolar, como importante fator para a interação e relação neste local, são poucos as iniciativas que estão á frente desse processo e ainda não se reverteram nas práticas das escolas regulares de ensino nas realidades pesquisadas. 3.4 Discurso dos professores sobre a inclusão dos surdos Nesta categoria o objetivo foi analisar os pontos positivos e negativos da inclusão. Ao expressarem sua opinião em relação à inclusão dos surdos no ensino regular os professores abordaram vários aspectos, de acordo com a seguinte pergunta contida no roteiro de entrevista: Como você avalia a inclusão do aluno surdo no ensino regular? De modo geral, os professores consideram a inclusão como uma boa proposta para a educação, porém, quando é realizada com responsabilidade, conforme mostra o quadro a seguir: Quadro 4- O olhar dos entrevistados sobre a inclusão dos surdos Discurso dos professores sobre a inclusão dos surdos Escola (E1) Escola (E2) Eu avalio que deveria ter um olhar mais específico, um olhar especial para eles, porque muitas vezes é inclusão, o aluno surdo esta ali, mas se o professor não tiver força Professora Helena de vontade de aprender, de desenvolver um trabalho com essa criança então em vez de incluir acaba excluindo. Ela não tá 100%, mas tá satisfatório, tá melhorando cada Professora Taila 631 VIII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO ESPECIAL Londrina de 05 a 07 novembro de 2013 - ISSN 2175-960X Escola (E3) Escola (E4) Escola (E4) vez mais. Em minha opinião acredito que ainda falta sensibilidade e responsabilidade por parte de alguns dos profissionais da educação, em fazer valer um direito que é garantido a Professora Regina todos os alunos para um ensino de qualidade preparando o indivíduo para agir e interagir dentro e fora da escola. Eu acho que é muito importante, por que ele só é surdo, mas enxergar percebe, e é muito importante para ele essa Professora Letícia inclusão. Pelo menos em matemática, eles fazem, às vezes até Professor Luis melhor que os ditos normais não especiais. Fonte: elaborado pelas autoras baseado nas entrevistas. O quadro acima nos revela que os docentes avaliam a inclusão desses alunos no ensino regular de diferentes formas, focando seus comentários na inclusão em si. Destacam os avanços e retrocessos perante esta proposta, que embora se sistematize como um processo de “aceitação” nem sempre acontece de modo satisfatório, de forma que esse aluno acaba tornando-se mais um elemento figurativo em sala de aula. Em relação a isso Skliar (1997) corrobora com esta ideia ao propor uma inclusão não somente física, mas que categorize os princípios filosóficos, ideológicos e pedagógicos da educação. Em outro viés percebemos que dentre os entrevistados, professor Luis E4 tem uma visão relacionada mais a deficiência, como se estes alunos não fossem capazes de processar as informações necessárias na sala de aula, como se quisesse igualar ou comparar aos alunos ouvintes. Desse modo a realidade que subjaz a inclusão de surdos no ensino regular precisa ter um olhar mais específico para a educação desses sujeitos, com propostas que saiam do papel e sejam concretizadas. Pois somente seu ingresso não se torna o bastante para atender suas diferenças. Assim o processo de inclusão dos alunos surdos no ensino regular, não se assume somente ao acesso a esses ambientes, decorre também das instituições fazerem uma reestruturação pedagógica, rompendo com paradigmas excludentes, dando oportunidades para que estes alunos usufruam do processo educacional. Porém para Sá (2011) a inclusão dos surdos na escola regular não atende suas diferenças. Defendo a ideia de que a inclusão de surdos na escola regular, a despeito de ser uma alternativa possível, não é a melhor alternativa para eles. A escola regular para surdos não é “a melhor escola”, nem se tratando da perspectiva pedagógica, nem se tratando da perspectiva psicológica, nem em se tratando da perspectiva sociocultural, nem se tratando da perspectiva científica (SÁ, 2011, p. 18, grifos da autora). A autora defende que a melhor escola para os surdos é aquela em que estes compartilham, vivenciam e trocam experiências utilizando sua língua natural de maneira que sejam compreendidos. Portanto a escola regular, não se torna o meio favorável para possibilitar trocas significativas para sua vivência nas diferentes perspectivas, como afirma a autora. 632 VIII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO ESPECIAL Londrina de 05 a 07 novembro de 2013 - ISSN 2175-960X A partir da visão dos professores percebe-se que o processo inclusivo dos alunos surdos nas instituições regulares se situa numa perspectiva de melhorias frente às propostas que norteiam sua inclusão nas escolas de ensino comum. 4 Considerações finais Os dados revelaram que as práticas realizadas no cotidiano escolar têm restringido os surdos de terem acesso à educação plena. A atuação da práxis dos professores na sala regular tem ocultado formas excludentes de ensino, que não discute a educação voltada para o grupo majoritário. Porém, vale ressaltar que não queremos culpar esses profissionais sobre os reais efeitos da inclusão. Mas acreditamos que as políticas educacionais que norteiam a educação de surdos no sistema regular de ensino, se implementadas de forma a garantir seu sucesso educacional nestas instituições em que sua língua seja valorizada, talvez seja possível estar no mesmo ambiente que os alunos ouvintes. Entre as políticas de inclusão que hoje se movimentam na sociedade no que concerne a inclusão dos alunos surdos na escola regular, estas são importantes, mas parece não garantir condições necessárias a sua permanência nestas instituições de forma que sua língua seja o meio viável de comunicação no ambiente escolar. Neste sentido, compreendemos que o processo educacional desses alunos nas escolas regulares está condicionado somente ao seu ingresso como forma de cumprir as políticas de inclusão sem a devida consideração quanto a sua especificidade linguística. Portanto, enfatizamos que a realidade das escolas pesquisadas no Município de Santarém, referentes à educação de surdos, encontra-se em meios às circunstâncias em fase de implementação, precisando ser encarada com mais atenção por todos os envolvidos no processo educacional desses alunos, visto que os professores não são os únicos responsáveis por essa educação. E que se as políticas educacionais fossem empregadas a serviço de todos os educandos sem distinção, provavelmente teria inclusão e educação acessível a esses alunos. Referência BRASIL, Secretaria de Educação Especial. A educação dos surdos. Brasília: MEC/SEESP, 1997. _____. Decreto nº 5. 626. Brasília, 22 de dezembro de 2005. BRANDÃO, Carlos Rodrigues. A Pergunta a várias mãos: a experiência da pesquisa no trabalho do educador. São Paulo: Cortez, 2003. BRITO, L.F. Integração social do surdo. In: Trabalhos em Linguística Aplicada, nº 7, p.1322, 1986. CAPOVILLA, Fernando C. Sobre a falácia de tratar as crianças ouvintes como se fossem surdas, e as surdas, como se fossem ouvintes ou deficientes auditivas: pelo reconhecimento do 633 VIII ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PESQUISADORES EM EDUCAÇÃO ESPECIAL Londrina de 05 a 07 novembro de 2013 - ISSN 2175-960X status linguístico especial da população escolar surda. In: SÁ, Nídia Regina Limeira de. (Org). Surdos qual escola?Manaus: Editora Valer e Edua, 2011.p. 77-96. GESSER, Audrei. Libras? que língua é essa? : crenças e preconceitos em torno da língua de sinais e da realidade surda. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. HONORA, Márcia; FRIZANCO, Mary Lopes Esteves. Livro ilustrado de Língua Brasileira de Sinais: desvendando a comunicação usada pelas pessoas com surdez. São Paulo: Ciranda Cultural, 2009. KARNOPP, L; KLEIN, M. A Língua na Educação do Surdo. Secretaria Estadual de Educação, Governo do Estado, 2005.Vol.1. LACERDA, C.B.F. A prática pedagógica mediada (também) pela língua de sinais. 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