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capítulo
Afuá
Alenquer
Almeirim
Breves
Cachoeira do Ararí
Curralinho
Curuá
Faro
Gurupá
Juruti
Monte Alegre
Muaná
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Óbidos
Oeiras do Pará
Oriximiná
Ponta de Pedras
Portel
Porto Móz
Prainha
Salvaterra
São Sebastião da Boa Vista
Soure
Terra Santa
Pará
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A Guascor no Pará
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Ilha de Marajó, saindo de Breves
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Pará
Guascor 10 anos
o império das águas
O
Pará faz divisa com o
Distribuídos em 11 reservas, eles ocupam mais
Amapá, Mato Grosso,
de 23 milhões de hectares. Aproximadamente
Amazonas, Tocantins,
um terço desta área encontra-se demarcada
Roraima e Maranhão, e
pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Os
fronteira com a Guiana
Andira-Marau, os Mundurukus e os Kayapós são
e o Suriname. De oeste a leste é atravessado
algumas das maiores comunidades.
pelo rio Amazonas, que desemboca no oceano
Na linha do Equador, a capital, Belém, é
Atlântico. Segundo maior Estado brasileiro –
menor apenas que o Amazonas –, a sua área
abrange 1.253.164,5 km², o que representa
14,65% de todo o território nacional. Pela sua
posição geográfica, no horário de verão o Pará
fica uma hora atrás do horário de Brasília.
uma das cidades mais desenvolvidas do
Norte e cerca de dois terços de seus 1.065
km² são constituídos de inúmeras ilhas. Não
obstante seus 1,6 milhão de moradores e da
paisagem urbana, a metrópole é salpicada
por centenários pés de mangas, o que lhe
Distribuída em 143 municípios, a população
rende o título de “cidade das mangueiras”.
paraense é estimada em 6.970.586 de habitantes,
Freqüentemente os transeuntes vêem a fruta
de acordo com dados do IBGE de 2005. Deste
despencar nas ruas, ocasionando pequenos
total, calcula-se que 60 mil sejam índios.
acidentes e algum alvoroço.
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A Guascor no Pará
Nas terras paraenses, a presença da água
hidrográficas amazônica, do Tocantins-
é uma constante. A navegação fluvial é o
Araguaia e do Nordeste espalham-se por
principal meio de transporte. São igarapés,
toda a superfície do Estado. Na margem
centenas de praias – tanto oceânicas quanto
direita do rio Amazonas chegam afluentes de
de água doce (presentes em quase todos os
grande porte, como o Tocantins, o Xingu e o
rios) –, rios, lagos e cachoeiras. As bacias
Tapajós.
Praia do Pesqueiro, em Soure
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Guascor 10 anos
A locomoção sobre rios
por Gilberto Oliveira, chefe do Centro de Operação e Manutenção da Guascor em Santarém
Boa parte da rotina da Guascor no Pará
acontece sobre as águas. É que as 23
localidades onde a empresa opera têm no
rio seu principal, e por vezes único, acesso.
A viagem de barco de Santarém para estas
cidades é longa e sempre revela curiosidades.
Alguns exemplos:
- Alenquer – 6 horas de trajeto. Ou 3 horas
de lancha rápida e 2 horas na época de cheia,
quando os igarapés funcionam como atalhos.
Os alenquerenses são conhecidos como
ximangos.
- Óbidos – 8 horas de trajeto. Está situada
na “garganta do rio Amazonas” ou “fivela do
rio”, como é chamado o trecho mais estreito e
profundo do rio. Os nativos, os obidenses, têm
o apelido de “chupa osso”.
- Curuá – 8 horas de trajeto. No período da
seca o percurso torna-se ainda mais difícil
e pode exigir o uso da catraia, que é uma
pequena embarcação.
- Prainha – 11 horas de trajeto. Possui sítio
arqueológico com arte rupestre de interesse
histórico e turístico. É uma das paradas dos
barcos de linha com destino a Macapá (AP).
- Oriximiná – 12 horas de trajeto. É um dos
municípios mais importantes da Calha Norte
e principal pólo de extração de minério do
mundo. Os nascidos ali são chamados de
“espoca bode”.
- Faro – 24 horas de trajeto. Localiza-se no
Baixo Amazonas e o natural de Faro é farense.
As embarcações viajam para lá somente duas
vezes por semana.
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A Guascor no Pará
O Jari, Trombetas e Jamundá são alguns
A fauna e a flora igualam-se à grandeza fluvial.
dos rios menores, à margem esquerda. Lagos
Ainda que falte muito a pesquisar, sabe-se
também são abundantes. Perto do território
que existem cerca de duas mil espécies de
amazonense estão os lagos Grande, Grande
peixes, 950 tipos de pássaros e 300 espécies
do Curuaí, o de Itandeua e o do Poção.
de mamíferos no Pará. Vários se encontram
Ao norte do Pará está a Ilha de Marajó.
ameaçados de extinção, especialmente pelo
Por si só ela já bastaria para exemplificar a
magnitude dos recursos hídricos da região.
Com 50 mil km², a ilha integra o maior
arquipélago flúvio-marítimo do mundo, que
desmatamento e pelas atividades de pesca e
caça predatórias. Tartarugas, ariranha, guará
e peixe-boi são alguns dos animais em risco
atualmente.
leva o mesmo nome. Marajó, o arquipélago,
compreende em torno de três mil ilhas e ilhotas
e suas riquezas naturais o elevaram à categoria
de Área de Proteção Ambiental (APA).
Não é por outro motivo que o Estado abriga
a segunda hidrelétrica do país em tamanho,
Tucuruí. A 389 km de Belém, a usina tem
potência instalada de 8.370 MW e possui
importante papel no Sistema Interligado
Nacional (SIN), atendendo o Pará, Maranhão
e Tocantins, além de exportar energia para os
sistemas Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste.
Mangal das Garças
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Guascor 10 anos
A biodiversidade é beneficiada pelo clima
foi invadida seguidas vezes durante o século
constantemente quente, sujeito a chuvas
16 por holandeses e ingleses.
intensas e pelos vários graus de umidade,
dependendo do local. A Floresta Amazônica
Para consolidar sua presença, os portugueses
faz-se presente em praticamente todo o
fundaram, em 1616, o Forte do Presépio, que
território, variando entre mata de terra firme e
marca o começo da ocupação da Amazônia
de várzea, que fica próxima aos rios e outros
e também a origem da cidade de Belém. A
curso d´água. Há também regiões serranas,
construção atualmente é chamada de Forte do
como a Serra dos Carajás, ao sul.
Castelo, sendo uma célebre atração turística às
As raízes históricas
margens da Baía de Guajará.
Na língua tupi guarani, o nome Pará deriva
Belém foi primeiramente denominada Santa
do termo Pa´ra, que significa rio-mar. Diz-se
Maria do Grão-Pará (grande Pará). Em 1751,
que os índios, muito apropriadamente, assim
como Santa Maria de Belém do Grão-Pará
chamavam o braço direito do rio Amazonas
tornou-se a capital do Maranhão e do Grão-
que, encorpado pelo Tocantins, adquire
Pará, então integrados em um único território
proporções oceânicas. Dada à sua vasta
que ocupava grande parte do Norte. A
extensão – de uma margem mal se avista a
integração foi desfeita em 1774.
oposta –, o rio mais se assemelhava a um mar
do que a qualquer outra formação fluvial.
A pecuária e a agricultura – com lavouras de
café, arroz, cana-de-açúcar, cacau e tabaco –
Com o descobrimento, a região ganhou
garantiram prosperidade ao Pará no século 17.
o nome de Feliz Luzitânia. Em busca de
A região se sobressaía como centro produtor
especiarias como pimenta, guaraná e urucum,
agrícola e várias localidades adquiriam a
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A Guascor no Pará
condição de vilas. O período de riqueza e
francesa sobre a elite local. O Theatro Nossa
crescimento perdurou até o final do século
Senhora da Paz, ou simplesmente Theatro da
seguinte.
Paz, com suas linhas neoclássicas e acústica
perfeita para apresentação de música erudita, é
Os mandos e desmandos lusitanos somados
um dos emblemas dos tempos áureos do látex.
à miséria do povo paraense desencadearam
Encerrado o ciclo da borracha, o Pará
a resistência civil às autoridades imperiais.
voltou-se mais uma vez para a agricultura,
A partir de 1835 desenrolou-se, então, o
pesca e pecuária.
mais conhecido fato histórico do Estado, o
movimento da Cabanagem. Os cabanos –
A riqueza mineral
índios, negros e mestiços que moravam em
Nos anos 1950, investimentos públicos foram
cabanas em vilarejos ribeirinhos – lutaram por
direcionados à Amazônia, com o intuito
sucessivos anos contra o domínio de Portugal
de atrair a iniciativa privada e promover a
e chegaram a colocar representantes no poder.
ocupação e integração efetiva da região ao
Foram derrotados, porém, em 1840.
restante do país. A construção de rodovias e a
descoberta de reservas minerais em solo paraense
Do final do século 19 às primeiras décadas do
consolidaram, em certa medida, os esforços do
século 20 a economia ganhou novo impulso,
governo. As novas oportunidades estimularam a
com a exploração da borracha. A onda de
imigração, sobretudo de nordestinos e sulistas, e
desenvolvimento refletia-se especialmente em
o surgimento de municípios.
Belém. A capital, mais próxima de Paris do
que da capital da República, o Rio de Janeiro,
Na década de 1970 a extração de minério
adquiriu visíveis toques europeus. Na moda, na
despontou como principal atividade
arquitetura e na cultura sentia-se a influência
econômica. A Serra dos Carajás persiste até os
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Guascor 10 anos
dias de hoje como um dos símbolos máximos
15% do PIB estadual. Outra lucrativa fonte de
da riqueza mineral do país. Seu potencial foi
renda vem da extração vegetal, principalmente
revelado em 1967 e a maior jazida de ferro
de madeira. Conforme dados do IBGE, o
do mundo é explorada pela Companhia Vale
Pará respondia por 54% do volume total
do Rio Doce (CVRD) desde meados dos
da produção do país em 2001. Naquele ano
anos 1980. As suas reservas também incluem
era também o principal produtor nacional
manganês, níquel, alumínio e ouro.
de carvão vegetal. Os números envolveram,
entretanto, a derrubada de milhares de
Em Serra Pelada, a 800 km de Belém,
toneladas de árvores e evoca um amplo
funcionou o maior garimpo a céu aberto
debate acerca do equilíbrio entre progresso e
do globo. Nas décadas de 1980 e 1990 a
preservação ambiental.
corrida pelo ouro foi um chamariz para
brasileiros de toda parte e chegou a reunir
A pecuária, diversificada, inclui a produção de
100 mil homens no local. As condições sub-
bovinos, suínos, aves, eqüinos e bubalinos – o
humanas e ecologicamente incorretas levou ao
Pará detém o maior rebanho de búfalos do
fechamento da jazida pelo governo em 1992
Brasil. A agricultura predomina no nordeste
e à reabertura em 2006, com a promessa de
e alguns dos principais produtos são: laranja,
melhorias para os garimpeiros.
cana-de-açúcar, milho, pimenta-do-reino,
mandioca e cacau. O cultivo de soja tem
Minérios, madeira e castanha-do-pará
aumentado nos últimos anos, especialmente no
integram a pauta de exportação do Pará e
sudoeste do território.
constituem os atuais pilares econômicos do
Estado. A extração mineral mantém seu posto
A exuberância natural e cultural do Pará faz
hegemônico e representa aproximadamente
do turismo um negócio em ascensão. Dados
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A Guascor no Pará
da Companhia Paraense de Turismo (Paratur)
Lá também se aprecia os rios Amazonas,
indicam que 50% do turismo da Amazônia
barrento, e Tapajós, esverdeado, que correm
se concentra no Estado. Motivos e vocação
juntos por quilômetros sem se misturar. Na
não faltam. No Baixo Amazonas, a oeste, há
Ilha de Marajó, praias, búfalos caminhando
praias fluviais paradisíacas, entre elas Alter
pelas ruas e atividades de ecoturismo constam
do Chão, apelidada de “Caribe Amazônico”.
na programação para os visitantes.
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Guascor 10 anos
A Veneza brasileira
Afuá /PA
Afuá, na ilha do Marajó, é um dos
melhores exemplos de Sistema Isolado.
Conhecida como Veneza marajoara, a
cidade foi construída sobre palafitas, por
cima do rio Marajó. Os 40 mil habitantes
circulam de bicicleta, único meio de
locomoção permitido sobre as estruturas
de madeira. Em busca das praias, rios e
ilhas afuaenses, os turistas usam bicitáxis.
Invenção local, trata-se de um veículo
de quatro rodas não motorizado, feito a
partir da junção de duas bicicletas.
A implantação da usina Guascor na
cidade exigiu manobras criativas,
especialmente no transporte de
equipamentos que pesam toneladas.
E foi precedida por três recusas de
empreiteiras – o desafio de construir
sobre as águas parecia por demasiado
irreal. A saída foi aprender com as
tradições da comunidade. “Observamos
a igreja, que era de alvenaria, o ginásio,
de concreto, e fizemos a usina sobre
uma laje de concreto armado, suspensa
e apoiada em tocos que ficam na parte
mais firme do solo”, conta Luiz Carlos
Bastos, gerente da filial Pará.
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A Guascor no Pará
Em Belém, as opções para o turista também
um amplo complexo de lazer, cultura e
são muitas. Nos arredores do Forte do
gastronomia.
Presépio, local que originou a cidade, estão
construções históricas como a Casa das
A cidade abriga, ainda, o Mangal das
Onze Janelas, a Catedral da Sé, o Complexo
Garças, um parque em área de várzea,
de Santo Alexandre, a igreja de São João
palecetes e palácios, o Museu de Gemas e
e o Museu de Arte Sacra, considerado
outras atrações que foram revitalizadas nos
um dos mais significativos do país. No
últimos anos com o intuito de dinamizar o
famoso mercado Ver-o-Peso há peixes,
turismo. Mas Belém ainda deve muito de
artesanato, frutas, perfumes, temperos,
sua fama ao tradicional Círio de Nazaré,
quitutes, utensílios domésticos, entre outros
realizado no segundo domingo de outubro.
itens, em um sem fim de barraquinhas
Uma das maiores manifestações de fé
que revelam com fidelidade o espírito
do mundo católico, a procissão reúne
amazônico.
centenas de milhares de pessoas em um
trajeto de quatro quilômetros, pelo qual
O Museu Emílio Goeldi traz para o cenário
uma pequena imagem da Virgem de Nazaré
urbano um pouco da floresta. Em meio à
é transportada da Catedral de Belém à
densa e refrescante vegetação, com 800
Basílica de Nossa Senhora de Nazaré.
espécies de plantas nativas, estão animais
como cutias, preguiças, peixes ornamentais,
Durante o percurso são feitas homenagens
pássaros e onças. O espaço possui o maior
com queima de fogos e romeiros vindo de
acervo de objetos indígenas do Brasil.
todo o país participam do festejo. O Círio
À beira do rio Guamá fica a Estação das
é tido como o “Natal paraense”, dado seu
Docas, área portuária transformada em
forte significado. Embora a procissão seja o
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Guascor 10 anos
é preparada com vários meses de antecedência.
A presença da Guascor
na região
A devoção a Nossa Senhora de Nazaré surgiu
A filial Pará é histórica. Marca o início
nos primórdios da colonização portuguesa.
das atividades da Guascor do Brasil. O
Foi um caboclo de Belém, contudo, que a
seu surgimento remonta a 3 de outubro
popularizou ao construir um oratório para
de 1997, quando ocorreu a assinatura do
santa em sua própria casa, no século 18.
contrato entre a empresa e a Celpa (Centrais
ápice da celebração, a festa dura quinze dias e
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A Guascor no Pará
Elétricas do Pará), então estatal responsável
O acordo previa a geração ininterrupta
pela geração, transmissão e distribuição de
para comunidades isoladas que careciam
energia elétrica. Naquela data, a Guascor
deste direito desde sempre. Exigia, ainda,
foi incumbida de assumir integralmente a
equipamentos novos. Quanto às instalações,
operação de 23 termelétricas paraenses no
a escolha de usar as já existentes, da Celpa,
prazo de um ano.
ou construir, ficava a critério da Guascor. Em
18 usinas prevaleceu a segunda opção. Foram
adquiridos terrenos maiores, para comportar a
ampliação da planta, se necessário.
Os obstáculos durante a implantação das
usinas não foram poucos. “A verdade é que
fizemos algo inédito e, como em todo projeto
pioneiro, houve inúmeros imprevistos a serem
contornados”, conta Luiz Carlos Bastos,
gerente da filial Pará.
Os municípios atendidos pela Guascor
concentram-se no Baixo Amazonas,
à margem esquerda do rio, uma área
praticamente intocada. Entre a planta
situada nos extremos oeste e leste do Estado
a distância é de 1.000 km, percurso que
demanda de sete a dez dias de balsa. As 23
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Guascor 10 anos
usinas são cercadas por água e floresta – a
diversificação do maquinário dificultava
única alternativa de transporte é o fluvial. Em
as tarefas de operação e manutenção. E
nenhuma, vale frisar, se chega por estrada.
tinha graves reflexos sobre a vida das
Além disso, de janeiro a junho é a temporada
comunidades. Há cerca de 20 anos, Óbidos,
de chuvas, o que complicava o projeto
município a noroeste do Estado, chegou
durante seis meses.
a ficar semanas sem energia elétrica. Os
moradores protestaram fechando o rio
Compor o quadro de colaboradores que deu
Amazonas com seus barcos, para que
origem à empresa no Brasil exigiu agilidade.
fossem tomadas providências. Em Afuá,
A formação da equipe aconteceu em paralelo
ao norte da Ilha de Marajó, a penúria no
ao andamento dos trabalhos. “Contratamos
escuro durou meses e levou à depredação
profissionais do Centro Diesel da Amazônia
de usinas no final da década de 1980.
e da Marinha Mercante, que treinaram a parte
técnica na Espanha por três meses”, lembra
Soure, estância balneária situada em Marajó,
Bastos. Boa parte do pessoal da Celpa foi
foi o primeiro município a ter uma planta
aproveitada e também participou de programas
comandada pela Guascor. A cidade apresenta
de integração e reciclagem.
o perfil típico das demais localidades
paraenses onde a empresa atua. Está a 80
A renovação e padronização dos motores
km de Belém, a capital, mas a viagem até
– todos Guascor – foi estratégica.
lá pode levar de 3 a 4 horas. Isto porque se
As companhias estatais lidavam com
trata de um estuário banhado pelo oceano
equipamentos de diferentes fabricantes
Atlântico e pelos rios Amazonas e Tocantins.
devido a restrições legais aplicadas
O acesso é somente por balsa e a duração da
à compra de produtos e serviços. A
viagem depende da influência da maré.
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A Guascor no Pará
Curiosidades da pioneira
Por ter sido a primeira, a Guascor paraense
guarda peculiaridades. Ela é a única filial
que abriga, além dos departamentos
administrativos e técnicos, mais duas áreas:
a Diretoria de Operações e a Divisão de Meio
Ambiente. Ambas coordenam atividades em
Rondônia e no Acre.
O escritório central, em Belém, acaba
servindo como ponto de encontro para
colegas que vêm de fora. Ali eles se reúnem
para assistir ao Círio de Nazaré, uma das
mais tradicionais manifestações religiosas do
Norte. Ao alto de uma das maiores avenidas
da cidade e corredor principal por onde
passa a procissão, o escritório oferece vista
privilegiada para o festejo.
A filial conta, ainda, com um representante
vindo da Guascor espanhola. Nascido na
Galícia, ao norte da Espanha, o engenheiro
de manutenção Gerardo Serafim Lafuente
Aboy ocupa o cargo há dez anos. Ele é
responsável pelo alinhamento tecnológico
da fábrica com as necessidades dos Sistemas
Isolados no Brasil. As altas temperaturas e
umidade típicas do Pará, Rondônia e Acre
requerem motores e equipamentos com
características especiais.
Com base na sua experiência em campo, a
matriz redesenhou o sistema de refrigeração
dos cabinados, de modo que suportassem
melhor o calor nortista. Os manuais de
operação e manutenção dos grupos geradores
também foram adaptados tendo em vista a
carga horária de funcionamento no Brasil,
que é bem superior à da Espanha. “São
cuidados que fazem todas as usinas Guascor,
não só as do Pará, operarem com eficiência e
segurança para o colaborador, a comunidade
e o meio ambiente”, observa Bastos.
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Guascor 10 anos
A geração em Soure começou em 1998,
aquela época, o clima favorável aliado às
justamente no período de pico, ou seja,
férias escolares conduz turistas de todo o
quando o consumo aumenta. “Era julho,
Brasil para este pequeno paraíso. Tal fato
nossa estação de verão, que é marcada
aumentava ainda mais a responsabilidade
por pouca chuva”, recorda Bastos. Desde
de realizar uma “estréia” perfeita. E
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A Guascor no Pará
assim se deu. O fornecimento de energia
imediatamente tornou-se regular e em nove
anos a produção da usina saltou de 692
MWh para 1.057 MWh, tomando como
referência os meses de julho.
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Guascor 10 anos
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A Guascor no Pará
Evolução em conjunto
A evolução da Guascor paraense caminha
junto com o desenvolvimento das
comunidades. A energia gerada no primeiro
ano de operação, em 1998, ficou em
30.578 MWh e em 2007 chegou a 223.000
MWh, ou seja, 7,5 vezes mais. O resultado
sobressai-se mesmo se comparado ao do
mercado nacional. Enquanto a produção da
empresa em 2007 superou em 12% a do ano
anterior, a média de crescimento do setor
elétrico foi de 3,7% no mesmo período,
de acordo com estatísticas do Operador
Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Desde 2003 a geração da Guascor vem
Em Curuá, no oeste do Pará, não havia luz
até 1999, quando a Guascor ali se instalou.
A usina dobrou a produção em oito anos. É
que o fornecimento atraiu gente para o local,
originando uma nova vila, chamada Flechal.
A comunidade recém-criada é atendida
por meio de uma linha de transmissão com
aproximadamente 35 km, construída pela
Celpa. “No dia da inauguração da planta
ouvi uma declaração da qual jamais me
esquecerei. Um jovem, em seus 30 anos,
me disse que pela primeira vez poderia
experimentar um sorvete.”
Movida pela pesca, Curuá assistiu ao
nascimento de fábricas de gelo. O gelo
ajuda a conservar o produto nas viagens de
aumentando e em ritmo cada vez mais
barco e, deste modo, foi possível alcançar
acelerado. “Este movimento indica que
destinos mais distantes, ampliar as vendas
conquistamos a confiança da população
e incrementar o negócio e a renda de
paraense ao longo dos anos e hoje ela sabe
pescadores. É todo um ciclo produtivo que
que pode contar com energia elétrica”,
ganha dinamismo e proporciona melhor
avalia Bastos.
qualidade de vida à população.
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Guascor 10 anos
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A Guascor no Pará
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Guascor 10 anos
Usinas da Guascor no Pará
Óbidos
Terra Santa
Prainha
Afuá
Alenquer Gurupá
Oriximiná
Faro
Juriti
Monte
Alegre
Soure
Salvaterra
Cach. Arari
Breves
Ponta de Pedras
Muaná
São Sebastião Boa Vista
Curralinho
Oeiras do Pará
Curuá
Almerim Portel
Porto de Moz
Orgulho e vitória
Ararí, Curralinho, Curuá, Faro, Gurupá,
Atualmente, a potência instalada das
Juruti, Monte Alegre, Muaná, Óbidos,
plantas da Guascor paraense é de 62 mil
Oeiras do Pará, Oriximiná, Ponta de Pedras,
KW, o que corresponde a 4,3% do total
Portel, Porto Móz, Prainha, Salvaterra, São
consumido no Estado – o restante advém da
Sebastião da Boa Vista, Soure e Terra Santa.
usina hidrelétrica de Tucuruí. As 23 usinas
Há dois Centros de Operação e Manutenção
assumidas em 1998 continuam as mesmas,
no Pará, um em Belém, que atende Marajó,
compreendendo os municípios de Afuá,
e outro em Santarém, responsável por nove
Alenquer, Almeirim, Breves, Cachoeira do
usinas do Baixo Amazonas.
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A Guascor no Pará
Ao longo da última década o número
Para os colaboradores, a maior prova do sucesso
de colaboradores pouco mudou. São
veio na forma de uma renovação contratual.
aproximadamente 150 profissionais, sendo
O acordo com a Celpa era de seis anos mas,
que mais de cem ficam nas usinas e os
no meio do caminho, a estatal foi privatizada,
demais, em outros setores. “É uma equipe
ocasionando dúvidas e tensão a respeito do
antiga, altamente comprometida e muito
futuro da filial paraense. Vencido o contrato,
competente. Graças ao conceito de operador
entretanto, uma excelente notícia. A Celpa, já
mantenedor, temos cerca de um mecânico
sob os auspícios da iniciativa privada, estendeu
para cada dez motores e um eletricista para
a parceria com a Guascor paraense até 2013.
cada 30 motores, o que é motivo de orgulho
“É uma vitória muito importante, pois atesta a
para todos nós”, explica Bastos.
excelência do serviço que prestamos”, conclui.
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Carimbó na praia de Joanes, em Salvaterra
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31/10/2008 12:26:11
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Capítulo 5 Pará, o império das águas