Convênio de Cooperação Técnico-Científica entre INPE e VALE Coordenador: Dr. Carlos A. Nobre Coordenador Adjunto: Dr. Gilvan Sampaio Projeto: Estudos de mudanças climáticas e vulnerabilidades nos Estados do Pará e Maranhão Relatório I Detalhamento e regionalização dos estudos de alterações climáticas, com base em modelos matemáticos, envolvendo caracterização do clima presente e cenários futuros de clima Jose A. Marengo Guillermo O. Obregon Roger R. Torres 1 SUMÁRIO Pág. 1 Introdução ......................................................................................................... 3 2 Objetivos ............................................................................................................ 4 3 Clima da região de estudo ................................................................................ 5 3.1 Características climáticas da região ............................................................. 5 3.2 Variabilidade interanual do clima na região de estudo ............................... 10 3.3 Variabilidade climática a longo prazo na região de estudo ......................... 13 4 Cenários de mudanças climáticas na região de estudo: uma revisão baseada na análise dos estudos do IPCC AR4 do Relatório de Clima do INPE......... 15 5 Dados e metodologia ........................................................................................ 18 5.1 Dados observacionais .................................................................................... 18 5.2 Detecção de mudanças climáticas e extremos climáticos 21 5.3 Modelos climáticos regionais e cenários regionalizados do clima futuro..... 23 6 Resultados ......................................................................................................... 26 6.1 Detecção de Mudanças climáticas 26 6.2 Extremos de mudanças climáticas observadas 31 6.3 Experiências de modelagem regional na região de estudo 36 6.4 Resultados das simulações dos modelos regionais para as regiões de estudo 37 6.4.1 Projeções de precipitação e temperatura sazonais e anuais dos 3 modelos regionais para 2071-2100 relativo a 1961-1990 37 6.4.2 Projeções de Precipitação menos Evaporação (P-E) sazonais e anuais dos 3 modelos regionais para 2071-2100 relativas ao período: 1961-1990 51 6.4.3 Projeções de extremos de chuva e temperatura 57 6.5 Projeções de precipitação e temperatura anuais e sazonais do modelo HadRM3P para os períodos de 2010-2040, 2041-2070 e 2071-2100 67 7 Sumário e conclusões ....................................................................................... 78 Referências Bibliográficas...................................................................................... 82 2 1 Introdução O Grupo de Pesquisa em Mudanças Climáticas do Centro de Ciências do Sistema Terrestre (CCST) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) têm desenvolvido estudos observacionais para caracterizar o clima do presente e sua variabilidade em longo prazo, assim como estudos de projeções de cenários climáticos futuros para caracterizar o clima para o final do Século XXI, utilizando vários cenários de emissões de gases de efeito estufa. Um desses estudos foi divulgado em 2007 e intitula-se: “Caracterização do clima atual e definição das alterações climáticas para o território brasileiro ao longo do Século XXI”. Tais estudos fazem parte do Relatório de Clima do INPE e representam a primeira tentativa de avaliar o clima das diferentes regiões do Brasil nos últimos 50 anos, assim como avaliar as projeções climáticas para o fim do Século XXI, gerados por modelos climáticos regionais com alta resolução espacial, utilizando cenários de altas emissões de gases de efeito estufa (A2) e cenários de baixas emissões (B2), segundo o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC). Os seis relatórios derivados deste projeto, assim como o Atlas de Cenários Climáticos Futuros estão disponíveis no sítio: www.cptec.inpe.br/mudancas-climaticas. Os resultados mais importantes deste projeto podem ser encontrados no Sumário Técnico publicado por Marengo et al. (2007). O projeto entre o INPE e a VALE tem o objetivo de detalhar os cenários climáticos para os Estados do Pará e Maranhão, na região Norte do Brasil, e analisar os efeitos econômicos, sociais e ambientais conseqüentes na região Amazônica (e algumas áreas adjacentes) como, por exemplo, os impactos na vegetação, na agricultura, na biodiversidade e capacidade de geração energética. Neste sentido, o Relatório I deste projeto constitui o alicerce para a discussão destes efeitos nos próximos relatórios a serem desenvolvidos. Destaca-se que no presente relatório, os estudos de variabilidade do clima e de extremos climáticos representam aspectos inéditos. 3 2 Objetivos A partir dos resultados do Relatório de Clima do INPE foi feito o aprofundamento dos estudos de cenários de vulnerabilidades para o Brasil e América Latina, especialmente para os estados do Norte e Nordeste do Brasil. Neste sentido, o objetivo deste projeto é aprimorar os estudos de vulnerabilidades e mudanças climáticas no Brasil através de uma parceria entre a VALE e o INPE/CCST. O projeto compreende a análise de cenários de mudanças climáticas para a região amazônica, com foco nos estados do Maranhão e do Pará. Os estudos de variabilidade do clima e de extremos climáticos para o presente e para longo prazo são baseados em observações meteorológicas, e representam aspectos inéditos, como a aplicação de modelos climáticos regionais a partir de uma maior disponibilidade de dados observados para a região, e a realização de novas projeções climáticas para três períodos de análise: 2010-2040, 2041-2070 e 2071-2100 usando o modelo HadRM3P. As projeções de extremos e as projeções da diferença P-E representam uma boa forma de avaliar o possível impacto da mudança do clima no curto, médio e longo prazos na hidrologia da região. As projeções de mudanças climáticas (cenários de temperatura, precipitação e extremos climáticos para duas condições opostas de emissão de gases do efeito estufa) são elaboradas com base nos modelos globais de clima utilizados no IPCC Fourth Assessment Report (IPCC AR4) desde o presente até o final do Século XXI. Estes resultados são refinados a partir da regionalização (“downscaling”) das projeções destes modelos usando modelos regionais climáticos de maior resolução espacial (50 km) sobre a área de interesse, onde as condições de fronteira (ou de contorno) laterais dos modelos regionais são provenientes do modelo climático global. Experiências similares em outros países têm demonstrado que para estudos de impactos, avaliação de vulnerabilidade e propostas de medidas de adaptação, são necessárias que as projeções do clima futuro tenham uma resolução espacial maior, para permitir um detalhamento no nível de municípios. 4 Com uma maior disponibilidade de dados observados e projeções de clima futuro para a região, este Relatório I estabelece as bases para a discussão nos próximos relatórios dos impactos econômicos, sociais e ambientais na região de análise. 3 Clima da região de estudo 3.1 Características climáticas da região A seguir será feita uma descrição do regime de precipitação no Brasil, com ênfase na distribuição espacial e temporal. Também serão abordados a variabilidade interanual e os mecanismos físicos responsáveis pela formação de chuva no país. Esta descrição é baseada em Marengo e Silva Dias (2006), no qual maiores detalhes estão apresentados. A Região Norte apresenta significativa heterogeneidade espacial e sazonal da pluviosidade. Esta é a região com maior total pluviométrico anual do país e da América do Sul, sendo que o maior volume é observado no litoral do Amapá, na foz do rio Amazonas e no setor ocidental da região, onde a precipitação excede 5.000 mm/ano. Analisando a Figura 3.1, encontramos na Região Norte quatro núcleos de precipitação abundante. O primeiro máximo de precipitação anual está localizado no noroeste da Amazônia, com valores superiores a 3.600 mm/ano. Este máximo está associado à condensação do ar úmido trazido pelos ventos de leste da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), que sofrem levantamento orográfico sobre os Andes. O segundo núcleo está localizado na parte central da Amazônia, em torno da latitude de 5ºS, com precipitação total anual de 2.400 mm, em uma banda zonalmente orientada, estendendo-se até a parte central da Amazônia. O terceiro centro localiza-se na parte leste da bacia Amazônica, próximo à região da Foz do Rio Amazonas e oeste do Maranhão, com precipitação anual superior a 3.000 mm. Este centro de máximo secundário deve-se, possivelmente, às linhas de instabilidade que se formam ao longo da costa durante o fim de tarde, forçado pela circulação de brisa. A região entre o estado do Pará e Maranhão exibe precipitação anual que varia entre 1200 e 1600 mm/ano. 5 Figura 3.1 Distribuição espacial da precipitação total anual (102 mm/ano) nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Fonte: Marengo, 1995. Na escala sazonal, o pico da estação chuvosa para o leste do Pará e norte do Maranhão ocorre no período de fevereiro a abril, enquanto que no sul dos estados do Pará e do Maranhão esse máximo acontece entre os meses de janeiro e março. Já a estação menos chuvosa ocorre de maneira mais irregular: entre setembro e novembro no norte do Maranhão e na Foz do Rio Amazonas, e relativamente mais cedo, entre os meses de agosto e outubro e de julho a agosto, na parte central e sul do Pará e Maranhão, respectivamente (Figura 3.2). 6 Figura 3.2 Trimestres mais e menos chuvosos para a região Norte e Nordeste do Brasil. Os símbolos correspondem às letras iniciais dos três meses consecutivos do ano com maior e menor acumulado pluviométrico. Fonte Rao e Hada 1990. 7 Entre os sistemas que produzem grandes quantidades de precipitação na região do Pará e Maranhão, têm-se as linhas de instabilidade. A origem desse sistema atmosférico está relacionada à circulação de brisa marítima na costa norte-nordeste da América do Sul, desde a Guiana até o estado do Maranhão, e podem ser facilmente visualizadas nas imagens do satélite geoestacionário GOES, como exemplificado na Figura 3.3. Algumas destas linhas de cumulonimbus propagam-se para o interior da Bacia Amazônica enquanto outras se dissipam próximo à costa. As principais características encontradas para as linhas de instabilidade são: • aquelas que se propagam continente adentro podem atingir o extremo oeste da Amazônia; • as linhas de instabilidade são observadas durante todo o ano, com maior freqüência entre os meses de abril e agosto; • a velocidade média de propagação das linhas é 14 m/s, enquanto o ciclo de vida é de 9 a 16 horas; • A dimensão média desses sistemas é de 1400 km de comprimento e 170 km de largura. As imagens apresentadas na Figura 3.3 mostram o ciclo de vida de uma linha de instabilidade que ocorreu durante um experimento de campo no leste da Amazônia em 2002. No dia 21 de abril de 2002, às 18 UTC (horário de Greenwich) é possível observar junto à costa atlântica a formação de uma linha instabilidade, cuja origem está associada à circulação de brisa marítima. Este sistema se propagou para o interior do continente paralelo à costa, e dissipou-se por volta das 07:15 UTC do dia seguinte (imagem não apresentada). 8 21 de abril de 2002 as 18 UTC 21 de abril de 2002 as 21 UTC 22 de abril de 2002 as 00 UTC 22 de abril de 2002 as 03 UTC Figura 3.3 – Ciclo de vida de uma linha de instabilidade através das imagens realçadas do satélite geoestacionário GOES-8 no canal infravermelho. Fonte: CPTEC/INPE. 9 3.2 Variabilidade interanual do clima na região de estudo Considerando a variabilidade interanual de chuva na Amazônia, ou seja, os efeitos dos fenômenos El Niño e La Niña, a Figura 3.4 mostra as tendências de chuva na Amazônia-Tocantins durante anos de El Niño, La Niña, Atlântico Tropical Norte mais quente (ou Atlântico Tropical Sul mais frio), e Atlântico Tropical Norte mais frio (ou Atlântico Tropical Sul mais quente). É possível observar condições de redução de chuva na região que vai do leste da Amazônia até a bacia do Tocantins durante episódios de El Niño e Atlântico Tropical Norte mais quente, onde a redução de chuvas parece ser mais intensa no leste da Amazônia e no norte da bacia do Tocantins. Durante episódios de La Niña e Atlântico Tropical Sul mais quente, a chuva é acima do normal no leste da Amazônia e na bacia do Tocantins. Estes resultados corroboram outros já publicados (veja lista de referências de Trembert et al. 2007) sobre os efeitos do El Niño e La Niña na variabilidade climática da Amazônia. Todos estes estudos sugerem que a Amazônia central, oeste e leste é afetada pelos fenômenos El Niño e La Niña, com reduções (aumentos) de chuva durante episódios de El Niño (La Niña) em áreas próximas a Amazônia central e leste, gerando eventos de seca como em 1926, 1983 e 1998. Porém, nem sempre secas na Amazônia estão associadas à ocorrência do fenômeno El Niño. Outro aspecto importante da variabilidade interanual do clima na região de estudo é o gradiente de temperatura da superfície do mar no Oceano Atlântico Tropical. A Figura 3.5 mostra as anomalias de chuva na Amazônia durante a seca de 2005. As áreas afetadas incluem o sudoeste da Amazônia e regiões do Pará e Maranhão em Dezembro 2004-Fevereiro 2005, e na costa de Maranhão em Março-Maio 2005. A seca ocorrida na Amazônia em 2005 (Marengo et al. 2008 a, b, Cox et al 2008) não correspondeu aos padrões típicos de El Niño supracitados. As anomalias negativas de precipitação ocorreram na região sudoeste da Amazônia (Figura 3.6), não se estendendo até a Amazônia central e leste, como foram observados em outros anos de El Niño como os de 1983 e 1998. Durante esta seca, a falta prolongada de chuvas nas 10 calhas dos rios Solimões, Amazonas, Madeira e em Rondônia, fez baixar o nível da água, deixando várias cidades da região praticamente isoladas. Mesmo assim, esta seca não afetou a região próxima ao Amapá, porém teve forte impacto nas vazões dos Rios Madeira (não mostrado), Solimões e Mamoré. Figura 3.4. Anomalias de chuva durante anos de El Niño, La Niña, Atlântico Tropical Norte mais quente (ou Atlântico Tropical Sul mais frio) e Atlântico Tropical Norte mais frio (ou Atlântico Tropical Sul mais quente). Os círculos em azul escuro indicam aumento de precipitação, e em vermelho indicam redução. O tamanho dos círculos mostra a intensidade do aumento ou redução, como indicado na parte inferior direita do mapa. Os círculos com cores intensas indicam significância estatística e aqueles com cores mais claras representam baixa significância (Ronchail et al., 2002). 11 Figura 3.5 Anomalias de precipitação (%) sobre a Amazônia nos períodos de dezembro de 2004 a fevereiro de 2005 e de março a maio de 2005, com relação à média climatológica de 1961 a 1990 (Marengo et al 2008a). Figura 3.6 Tendências nos níveis (cm) e vazões (m3/s) dos Rios Solimões em Tabatinga e Fonte Boa, Acre em Rio Branco e Mamoré em Puerto Varador. A linha contínua representa a média de longo termo (LTM) e a linha tracejada, os valores de 2004 a 2005 (Marengo et al. 2008a). 12 3.3 Variabilidade climática a longo prazo na região de estudo Estudos observacionais realizados na Amazônia identificaram variações decadais e tendências de chuva e vazões (Dias de Paiva e Clarke, 1995; Chu et al. 1995, Zhou e Lau 2001; Matsuyama et al. 2002, Marengo 2004, Botta et al. 2002, Chen et al. 2003, Chu et al. 1995), caracterizadas por mudanças sistemáticas de chuva e circulação atmosférica, com aumentos/reduções sistemáticas da convecção e chuva sobre o Sul/Norte da Amazônia a partir de 1975. A variabilidade nos registros hidrológicos das bacias dos Rios Negro e Solimões (noroeste da bacia Amazônica) não apresentam aumentos ou reduções sistemáticas e, as análises de vazões de outros rios na região Amazônica (rios Uatuma, Jamari, Araguari, Curua-Una, Tocantins e Xingu) também não apresentam tendências unidirecionais (Marengo et al., 1998). O transporte de umidade para a bacia Amazônica desde o Atlântico apresenta variabilidade interdecadal e tendência climática. A direção da tendência depende muito do período de informação utilizada, provavelmente devido às oscilações interdecadais ou maiores. Por exemplo, Costa e Foley (1999) detectaram uma redução no transporte de umidade no período 1979-96, enquanto que Curtis e Hastenrath (1999) detectaram uma tendência positiva no período 1950-99 e, Marengo (2004) identificou que desde finais de 1920, a chuva na Amazônia global apresenta ligeira tendência positiva, que não é estatisticamente significativa. Porém, o resultado mais importante deste estudo é o comportamento contrastante da variabilidade interdecadal da chuva em escala regional entre as bacias norte e sul da Amazônia (Figura 3.7). Nesta escala regional, a variabilidade interdecadal de chuva na Amazônia mostra mudanças de fase ou “climate shifts” em meados da década de 1940 e 1970. E após meados da década de 1970, o Norte/Sul da Amazônia apresenta relativamente menos/mais chuva, quando comparada ao período anterior. Esta mudança de regime está associada a mudanças nos campos de circulação atmosférica e oceânica no Pacífico Central que ocorreu entre 1975-76 e, aparentemente, está associada com a fase positiva da Oscilação Decadal do Pacífico (PDO em inglês). Durante este período, após 1975, ocorreram eventos do fenômeno El Niño mais freqüentes e intensos (1982-83, 1986-87, 13 1990-94, 1997-98). E a causa física da tendência positiva linear do aumento de chuva no sul da Amazônia pode ser atribuída a um aumento na atividade das perturbações extratropicais durante alguns anos do El Niño. As mudanças de fase observadas por Marengo (2004) parecem estar relacionadas com as oscilações de 24-28 anos identificados nas análises de Botta et al., (2002) e Foley et al. (2002) e, também, observados na variabilidade nas vazões dos rios Amazonas e Tocantins (Coe et al., 2003). Estudos desenvolvidos por Obregon e Nobre (2003) têm também identificado a mudança de regime de precipitação em 1975-76 em estações no nordeste da Amazônia e no Sul do Brasil. Figura 3.7. Anomalias normalizadas de chuva para o norte (a) e do sul (b) da Amazônia desde 1929 a 1997 (Fonte: Marengo, 2004). Assim, as análises observacionais do clima presente não apontam para uma tendência de redução de chuvas na Amazônia (devido ao desmatamento). O que se observa são variações interdecadais de períodos relativamente mais secos ou chuvosos na Amazônia e no Nordeste no Brasil. Do mesmo modo, nas vazões dos rios não foram observadas tendências sistemáticas a longo prazo de condições mais secas ou chuvosas na Amazônia, Pantanal e Nordeste. Ressalta-se que, o que se observa é a importância 14 das variações interanuais e interdecadais, associadas à variabilidade natural do clima nas mesmas escalas temporais da variabilidade dos fenômenos interdecadais dos Oceanos Pacífico e Atlântico Tropicais. 4 Cenários de mudanças climáticas na região de estudo: Uma revisão baseada na análise dos estudos do IPCC AR4 do Relatório de Clima do INPE As projeções de aumento da temperatura média do ar à superfície para o Brasil indicam que os valores podem chegar a 4?C acima da média climatológica em 2100, ou mais, em relação ao período de 1961 a 1990, dependendo do cenário de emissão de gases de efeito estufa e dos modelos climáticos globais do IPCC AR4. Os aumentos de temperatura projetados apresentam considerável variação regional. Por exemplo, na Amazônia o aquecimento pode atingir 6 ?C no cenário mais pessimista. As projeções de mudança nos regimes e distribuição de chuva para climas mais quentes no futuro, derivadas dos modelos globais do IPCC AR4, não são conclusivas, e as incertezas ainda são grandes, pois dependem dos modelos e regiões consideradas. Para Amazônia e Nordeste, ainda que alguns modelos apresentem reduções drásticas de precipitação, outros apresentam aumento. A média de todos os modelos, por outro lado, indica maior probabilidade de redução de chuva nestas regiões como conseqüência do aquecimento global (Meehl et al. 2007). Existem incertezas nas tendências observadas da variabilidade de extremos climáticos no Brasil (excetuando talvez a Região Sul), devido principalmente à falta de dados confiáveis de longo prazo ou ao acesso restrito a este tipo de informação para grandes regiões, como, por exemplo, Amazônia e Pantanal. No entanto, as projeções de extremos para a segunda metade do Século XXI mostram em geral aumento nos extremos de temperatura, como noites mais quentes e ondas de calor, e nos indicadores de eventos extremos de chuva e de períodos secos consecutivos. Para maiores detalhes sugere-se revisar o estudo de Trenberth et al (2007) sobre as projeções dos modelos globais do IPCC AR4. 15 As projeções climáticas para a segunda metade do Século XXI derivadas de modelos regionais com resolução horizontal de 50 km apresentadas no Relatório de Clima do INPE (Ambrizzi et al. 2007, Marengo et al. 2007) fornecem mais detalhes sobre a distribuição e intensidade das mudanças da temperatura e precipitação no Brasil e América do Sul. Porém, as incertezas ainda são grandes, pois a regionalização, ou “downscaling” dos cenários climáticos futuros apresentados nesse relatório utilizam somente um modelo global e três modelos regionais. O Anexo 1 apresenta projeções dos modelos de IPCC AR4 para a região em estudo. As projeções médias para o período 2071-2100 na região Amazônica variam entre um aquecimento de 4-8 ?C para o cenário pessimista de altas emissões (A2) e 35?C para o cenário otimista de baixas emissões (B2), com grande variação espacial (Figura 4.1). Para o Nordeste, o aquecimento pode chegar até 4 ?C no cenário A2 e de 23?C no cenário B2. No cenário A2, o aquecimento no centro-oeste e sudeste pode alcançar até 4-6 ?C, enquanto o cenário B2 apresenta valores entre 2 e 3 ?C. No sul, o cenário A2 indica um aquecimento da ordem de 3-4 ?C no cenário A2 e de 2-3 ºC no cenário B2 (Figura 4.1). Ainda que o aquecimento projetado pelos vários modelos regionais utilizados seja maior na região tropical da América do Sul, as projeções destes modelos diferem sobre onde se dará o maior aquecimento (acima de 8 ?C): na Amazônia oriental ou na Amazônia ocidental, dependendo do modelo regional utilizado. A área de estudo, na parte oriental da Amazônia, é a mais vulnerável a mudanças de clima, e certamente o impacto destas mudanças na hidrologia, biodiversidade ou vento na região podem ser maiores que aquelas esperadas no Sul e Sudeste do Brasil. 16 Figura 4.1. Média das simulações dos modelos regionais HadRM3P, RegCM3 e Eta de anomalias anuais de precipitação (mm/dia) (painel superior) e temperatura (?C) (painel superior), no período de 2071 a 2100 em relação a 1961-1990, para os cenários A2 (esquerda) e B2 (direita). Fonte: Marengo et al. (2007) e Ambrizzi et al. (2007). Estudos utilizando simulações do balanço hídrico para as regiões do Brasil, considerando as projeções de temperatura e precipitação dos cenários regionais climáticos, sugerem que para a Amazônia, o período de excesso de água durante a estação chuvosa observado no clima atual pode reduzir significativamente em climas futuros mais quentes, associado a um aumento de temperatura e evaporação e uma redução das chuvas (Salati et al. 2007). Em relação à seca de 2005 na Amazônia, a probabilidade de ocorrer novamente eventos similares na região pode aumentar dos atuais 5% (uma forte estiagem a cada 20 anos) para 50% em 2030 e até 90% em 2100 (Cox et al 2008). 17 5 Dados e Metodologia 5.1 Dados observacionais Estudos mais detalhados sobre variabilidade climática durante os últimos 50 anos foram desenvolvidos para a região em estudo usando dados de estações meteorológicas disponíveis, bem como dados climáticos elaborados em base a observacionais de satélites, publicados na literatura internacional (Trenberth et al., 2007 e referências listadas, e Magrin e Gay, 2007 e, referências listadas). Porém, a base de dados observacionais utilizados na maior parte dos estudos climáticos na Amazônia são observações dispersas, localizadas principalmente ao longo dos principais rios. A pouca densidade de observações e os registros relativamente curtos destas observações é o principal problema para realizar estudos relativos à detecção de mudanças e extremos climáticos. No presente estudo a informação pluviométrica diária foi fornecida pela Agência Nacional das Águas (ANA) e as informações de pluviometria e de temperaturas diárias foram fornecidas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Estas instituições têm seus próprios sistemas de controle de qualidade, mas é necessário homogeneizar as respectivas séries de dados. O controle de qualidade das séries diárias de precipitação e temperaturas se restringiu a determinar a heterogeneidade através de métodos gráficos e estatísticos (Peterson e Easterling, 1994; Easterling e Peterson, 1995), seguindo os seguintes procedimentos: a) Análise da evolução temporal da variável mediante um gráfico, b) Análises de médias parciais e desvios acumulativos da média e, c) comparação de evolução temporal das estatísticas calculadas (item b). A remoção da heterogeneidade, quando observada, consiste na correção e/ou descarte do dado errôneo. Na maioria dos casos a heterogeneidade dos dados de temperaturas parece ser devida à consistência interna (erros sistemáticos de digitação), mas que aleatórios, e poucos dados foram descartados. No caso dos dados de precipitação, se descartaram aqueles que não apresentaram padrões similares às estações adjacentes, quando era o caso ou aquelas observações que apresentavam valores acima de três vezes o desvio padrão da sua série 18 temporal. Da ANA escolheram-se dez estações pluviométricas (Tabela I) que cumpriram com a continuidade temporal e permitem a melhor distribuição espacial para o presente estudo. Em relação aos dados do INMET, foram descartadas duas estações (Santarém e Bacabal) que apresentaram muita descontinuidade de informação, ficando com 26 estações (Tabela II). TABELA I. Estações da Agência Nacional de Águas – ANA (Precipitação diária) CÓDIGO 00051002 00157000 00344004 00351000 00353000 00644003 00655001 00744000 00746006 0950001 NOME MACAPÁ CACH DA PORTEIRA - CONJ 1 CANTANHEDES GRANJA GAZELA URUARA COLINAS KM 1027 DA BR-163 SÃO FELIX DE BALSAS BALSAS BARREIRA DO CAMPO LON. LAT. -51.40 -0.40 -57.05 -1.09 -44.38 -3.63 -51.26 -3.42 -53.55 -3.68 -44.25 -6.03 -55.26 -7.51 -44.81 -7.08 -46.03 -7.52 -50.21 -9.23 A partir dos dados diários determinaram-se os totais mensais de precipitação e as médias mensais das temperaturas. Os dados mensais faltantes não foram completados porque, após uma análise detalhada de toda a informação conjunta e, levando em conta o requisito indispensável de homogeneidade temporal de todas as séries para o tipo de análises, determinou-se o período comum de 1977 a 2007 (31 anos) para todas as séries. Assim, este período, onde a maioria das séries apresenta poucas falhas, é a base para os estudos de caracterização de mudanças e extremos climáticos sobre a região de estudo. Também, selecionaram-se duas estações: Belém (PA) e Conceição de Araguaia (PA), com informações de boa qualidade e poucas falhas entre 1961-2007 (47 anos), para a realização das análises temporais dos extremos climáticos. 19 TABELA II. Estações do Instituto Nacional de Meteorologia – INMET (Precipitação e Temperaturas diárias) CÓDIGO 82141 82145 82178 82181 82184 82188 82191 82198 82246 82263 82280 82353 82361 82376 82382 82445 82476 82562 82564 82571 82668 82676 82765 82768 82861 82970 NOMES LON. LAT. SOURE 0043 4833 TRACUATEUA (BRAGANCA). 0105 4656 OBIDOS 0155 5531 MONTE ALEGRE 0200 5405 PORTO DE MOZ 0144 5214 BREVES 0140 5029 BELÉM 0127 4828 TURIACU 0143 4524 BELTERRA 0238 5457 CAMETA 0215 4930 SAO LUIS 0232 4418 ALTAMIRA 0312 5212 TUCURUI 0343 4943 ZE DOCA 0343 4532 CHAPADINHA 0344 4321 ITAITUBA 0416 5559 CAXIAS 0452 4321 MARABA 0521 4909 IMPERATRIZ 0532 4730 BARRA DO CORDA 0530 4516 SAO FELIX DO XINGU 0638 5159 COLINAS 0603 4415 CAROLINA 0720 4728 BALSAS 0732 4602 CONCEICAO DO ARAGUAI 0815 4917 ALTO PARNAIBA 0907 4557 20 5.2 Detecção de mudanças climáticas e extremos climáticos As variáveis climáticas consideradas nas análises observacionais de mudanças climáticas foram: temperatura máxima e mínima, e precipitação total mensal. A ferramenta utilizada na detecção de mudanças climáticas é o cálculo das tendências climáticas. A metodologia utilizada no cálculo da estimativa da magnitude das tendências, denominada inclinação (taxa da variável por unidade de tempo) é um procedimento muito simples, desenvolvido por Sen (1968) e estendido por Hisch et al. (1982), baseado no cálculo da combinação de todas as possíveis inclinações de série temporal. A inclinação da tendência é obtido a partir do cálculo das N'=n(n-1)/2 inclinações estimadas através de: S = e x j − xi j −i , Onde: xj e xi são os valores dos dados no tempo j e i, respectivamente, onde j > i e; N' é o número de pares de dados nas quais j > i. A mediana destes N' valores de Se é o valor estimado da inclinação denominada como inclinação de Sen. Para se ter uma idéia mais adequada da distribuição espacial das tendências de precipitação, devido fundamentalmente a sua alta variabilidade interanual, neste relatório apresenta-se a magnitude percentual das tendências lineares em relação à media climática. Este parâmetro foi calculado do seguinte modo: TL = ts * na * 100 med Onde: ts é a inclinação estimada pelo método de Sen, med é a média climática da precipitação ou para o período e na é o número de anos considerados, de 1977-2007 (31) anos. No caso da tendência das temperaturas, devido às unidades de inclinação são pequenas, utilizam-se as unidades da inclinação multiplicadas por 10 (oC/ década). O teste não-paramétrico de Mann-Kendall é utilizado na determinação da significância estatística das tendências, porque tem a vantagem de utilizar a magnitude 21 relativa dos valores da série, filtrando valores extremos, ao invés dos valores reais. Porém, há necessidade de que os dados sejam variáveis aleatórias, independentes e identicamente distribuídas (iid). Assim, as características deste teste são importantes quando aplicado às séries climatológicas, como na precipitação e temperaturas, para séries totais anuais ou séries de um determinado mês considerado como independentes. No presente trabalho as tendências são consideradas estatisticamente significativas quando ultrapassam o limiar de 95% de confiança. Esta metodologia foi utilizada na determinação das tendências de precipitação no extremo noroeste da Amazônia e no sul do Brasil (Obregón e Nobre 2003), tendências de precipitações e temperaturas sobre todo o Brasil (Marengo e Obregón 2007). No cálculo dos extremos climáticos, são considerados os dados diários da temperatura máxima, temperatura mínima e precipitação. Os índices de extremos climáticos usados neste estudo foram definidos por Frisch et al (2002) e são os mesmos utilizados no Relatório do IPCC AR4 (Trenberth et al. 2007) para definir variações dos extremos em clima do presente e futuro. Os índices usados são: CDD: dias secos consecutivos (Consecutive Dry Days); R10 mm: número de dias com precipitação maior que 10 mm (chuva moderada); R95p: parte da precipitação total devida aos eventos maiores que o 95? percentil em relação à climatologia (ocorrência de dias muito chuvosos); RX5day: máxima precipitação acumulada em 5 dias (podem produzir inundações); TN10p: porcentagem anual em que a temperatura mínima é menor que o 10? percentil em relação à climatologia (Noites Frias); TN90p: porcentagem anual em que a temperatura mínima é maior que o 90? percentil em relação à climatologia (Noites Quentes); TX10p: porcentagem anual em que a temperatura máxima é menor que o 10? percentil em relação à climatologia (Dias Frios); 22 TX90p: porcentagem anual em que a temperatura máxima é maior que o 90? percentil em relação à climatologia (Dias Quentes). Estes índices não representam extremos considerados como raros, os quais poderiam afetar o tratamento estatístico e a significância das tendências devido ao pequeno número de eventos como estes registrados nos recordes históricos. Alguns desses índices são baseados em um valor limiar fixo, possibilitando um fácil entendimento dos seus impactos. Outros são baseados em percentil, o que permite comparações entre estações. Os índices extremos de temperatura e chuva foram calculados para o clima do presente baseados em observações, e do futuro em cenários regionalizados derivados dos modelos RegCM3 e HadRM3P, os quais forneceram projeções para o período de 2071-2100. O modelo Eta CCS não foi utilizado devido a não disponibilidade de temperaturas máximas e mínimas, necessárias para o cálculo de extremos de temperatura. 5.3 Modelos climáticos regionais e cenários regionalizados do clima futuro Os modelos climáticos são usados como ferramentas para projeções de mudanças do clima, como conseqüência de futuros cenários de forçantes climáticas (gases de efeito estufa e aerossóis). Sabe-se que existe um grau de incerteza do futuro cenário climático do planeta, e que essa incerteza torna-se muito maior quando se deseja projetá-los para regiões. Isto se deve principalmente às diferenças observadas nas saídas dos vários modelos climáticos utilizados nas projeções para o século XXI pelo IPCC AR4 em 2007. Os resultados dos modelos climáticos globais (acoplados atmosfera-oceano) contém informações sobre os cenários de clima futuro em baixa resolução espacial (da ordem de 300 km) para vários cenários de emissão de gases de efeito estufa (Nakicenovic et al. 2000). Entre os vários cenários disponíveis, dois foram escolhidos para este projeto: cenário A2 (alta concentração de emissões de gases de efeito estufa) e B2 (baixa concentração de emissões de gases de efeito estufa, considerando a hipótese de que todos os países ratificaram o protocolo de Kyoto). 23 A regionalização, ou downscaling, das projeções dos modelos globais através do uso de modelos climáticos regionais de alta resolução sobre a área de interesse é a técnica mais aceita para traduzir a relativamente baixa resolução espacial dos modelos climáticos globais para escalas mais refinadas. Na técnica de downscaling, os modelos regionais utilizam como condições de fronteira (ou de contorno) nas laterais do domínio geográfico, dados provenientes do modelo climático global. Essa técnica tem sido usada para previsões sazonais de clima em vários centros climáticos do Brasil (CPTEC/INPE, FUNCEME, SIMEPAR) e do exterior. A técnica de regionalização acima descrita também é conhecida como downscaling dinâmico, para diferenciá-la do downscaling estatístico, que utiliza funções ortogonais empíricas ou de transferência para o refinamento da grade. O downscaling dinâmico tem sido usado para projeções do clima futuro há mais de 5 anos na Europa e América do Norte, e desde 2007 no Brasil (veja Marengo et al. 2007, Ambrizzi et al. 2007 e Salati et al 2007). O IPCC, no seu último relatório (2007), enfatizou que cenários de clima para desenvolvimento de opções de adaptação devem ter alta resolução espacial e o downscaling dinâmico tem sido a melhor metodologia para gerar cenários com tais características. Estudos desenvolvidos na Europa e na China (discutidos em Christiansen et al., 2007) destacam a grande utilidade do uso de cenários derivados de modelos regionais de clima em estudos de impactos e vulnerabilidade. Exemplos são estudos que mostram o aumento da freqüência de eventos extremos como ondas de calor e frio na Europa, extremos de chuva na China, e aumento da altura e intensidade das ondas como conseqüência de aumento na velocidade do vento no Mar do Norte da Europa em cenários de clima mais quente para o fim do Século XXI. A Figura 5.1 apresenta o esquema operacional da regionalização utilizada no Relatório de Clima do INPE, cujos cenários são utilizados neste estudo. Na primeira parte deste relatório foram usadas as projeções para o Brasil derivadas de vários modelos regionais (Eta CCS, RegCM3 e HadRM3P) cujas simulações utilizaram as 24 mesmas condições de contorno do modelo global atmosférico HadAM3P. Maiores detalhes dos modelos regionais podem ser encontrados em Marengo et al. (Marengo et al., 2007). Primeiramente, os três modelos regionais foram integrados para o período de 1961-1990 (presente) com o intuito de avaliar sua capacidade de representar o clima presente e sua variabilidade para a América do Sul, especialmente para o Brasil. Após constatar-se que houve um desempenho satisfatório neste teste, eles foram utilizados para os cálculos de projeções dos cenários climáticos futuros regionalizados. Os modelos foram integrados separadamente para os cenários A2 e B2, no período de 2071-2100 (futuro), e as anomalias de temperatura média e precipitação foram calculadas entre o futuro e o presente (futuro - presente). Uma média dos 3 modelos regionais também foi calculada para o período. Figura 5.1. Esquema operacional da regionalização (downscaling) utilizando os modelos do IPCC para os modelos regionais Eta, RegCM3 e HadRM3 (Marengo et al. 2007, Ambrizzi et al. 2007). 25 Numa segunda parte deste relatório, somente para o modelo HadRM3P, aplicando a metodologia estatística desenvolvida pelo INPE em colaboração com o Hadley Centre do Reino Unido, as variáveis precipitação e temperatura dos cenários A2 e B2 foram interpoladas linearmente entre os períodos 1961/90 e 2071/100, possibilitando o cálculo dos períodos intermediários 2010-2040 e 2041-2070. As escalas de tempo sazonal (dezembro-janeiro-fevereiro (DJF), março-abril-maio (MAM), junhojulho-agosto (JJA) e setembro-outubro-novembro (SON)) e anual foram utilizadas nesse estudo. 6 Resultados 6.1 Detecção de Mudanças climáticas As distribuições espaciais das tendências climáticas da precipitação total anual (Fig. 6.1) e sazonal (Fig. 6.2) em %, em relação à média para o período de 1977-2007, mostram a deficiência da densidade espacial de informação sobre a Amazônia, particularmente sobre o noroeste e todo o sul de Pará. Os valores máximos das tendências anuais são similares e alcançam de -50% até +40%. Já os valores máximos das tendências sazonais apresentam valores praticamente que se duplicam nos meses de Outono e triplicam nas demais estações do ano. As tendências das precipitações totais anuais (Fig. 6.1) mostram duas regiões com variabilidade climática de longo prazo opostas: uma com tendências negativas, que se estende nas proximidades do Oceano Atlântico, e a outra com tendências positivas que abarca as regiões relativamente afastadas da influência do Oceano Atlântico. Valores negativos das tendências das localidades de Breves e Bragança são estatisticamente significativos. Analisando a Figura 6.2, das distribuições espaciais das tendências das precipitações sazonais, observa-se que ao longo do ano as distribuições das tendências mostram padrões espaciais muito diferenciados, inclusive muito diferentes dos totais anuais. Na primavera (SON) observa-se um incremento das precipitações sobre a maior parte das estações utilizadas, com valores significativos na parte central do Pará e no 26 centro-leste do Maranhão. Durante o verão (DJF) as tendências positivas acentuam-se, particularmente sobre o sul do Pará e Maranhão onde há predomínio de tendências estatisticamente significativas, com exceção do posto localizado em São Félix do Xingu, onde a tendência é negativa e estatisticamente significativa. Na estação de Outono (MAM) o predomínio de tendências positivas incrementase, com valores estatisticamente significativos dispersos sobre quase todas as áreas onde há informação. A localidade de São Félix do Xingu continua apresentando o valor negativo estatisticamente significativo. Nos meses de inverno (JJA) anomalias positivas são observadas na maior parte dos postos pluviométricos localizados nas partes central e oeste do Pará e valores negativos são mais freqüentes nas partes central e leste do Maranhão. A distribuição espacial das tendências das temperaturas máximas médias anuais (Fig. 6.3) mostra certo tipo de regionalização das tendências, porém, diferente dos padrões dos totais anuais. Os valores máximos alcançam valores de ± 0.2 oC / década. Valores de tendências positivas se localizam no norte do Maranhão e parte central leste do Pará. Sobre as demais regiões observam-se tendências com valores negativos e valores estatisticamente significantes se localizam ao longo do rio Amazonas na parte central e oeste do Pará. Os padrões sazonais de temperaturas máximas médias anuais (Fig. 6.4) mostram valores predominantemente positivos, com valores estatisticamente significantes sobre praticamente todas as regiões. As tendências máximas são observadas durante os meses de primavera, quando estas atingem valores entre 1 oC /década e 1,2 oC / década. Valores de tendência positivos, relativamente baixos, são observados na primavera e no outono no oeste e sul do Pará. Os únicos valores com tendências negativas muito pequenas são registrados em Soure, no outono, e em Óbidos, no inverno. 27 Figura 6.1 - Distribuição da magnitude da inclinação da tendência linear da precipitação total anual em percentagem relativo à media (1977-2007). Tendências estatisticamente significativas ao nível de 95% no teste de Mann-Kendall são indicadas por círculos pretos. Figura 6.2 - Distribuição da magnitude da inclinação da tendência linear das precipitações totais sazonais em percentagem relativo à media (1977-2007). Primavera (superior esquerda), Verão (superior direita), Outono (inferior esquerda) e, Inverno (inferior direita). Tendências estatisticamente significativas ao nível de 95% no teste de Mann-Kendall são indicadas por círculos pretos. 28 Figura 6.3 - Distribuição da magnitude da inclinação da tendência linear das temperaturas máximas médias anuais. Valores das tendências encontram-se em oC / década. Tendências estatisticamente significativas ao nível de 95% no teste de Mann-Kendall são indicadas por círculos pretos. Figura 6.4 - Distribuição da magnitude da inclinação da tendência linear das temperaturas máximas médias sazonais. Primavera (superior esquerda), Verão (superior direita), Outono (inferior esquerda) e, Inverno (inferior direita). Valores das tendências encontram-se em oC / década. Tendências estatisticamente significativas ao nível de 95% no teste de Mann-Kendall são indicadas por círculos pretos. 29 A Figura 6.5 mostra a distribuição das tendências das temperaturas mínimas médias anuais com valores entre -0.4 oC/ década e +0.2 oC/década. Observa-se predomínio de tendências positivas distribuídas sobre todas as regiões. Os valores positivos estatisticamente significativos se localizam em Bragança e Breves no Pará, e na parte leste de Maranhão. Valores negativos intensos, todos com significância estatística, são observados em São Félix do Xingu e em duas estações no Maranhão. Os padrões sazonais espaciais de tendências destas temperaturas (Fig. 6.6) mostram valores extremos intensos que alcançam até +1.0 oC/ década, durante quase todo o ano, com exceção dos meses de verão (DJF) que atinge +0.8 oC/ década. Durante a primavera, valores estatisticamente significativos cobrem praticamente todas as regiões. Este comportamento é observado também nos verãos e invernos, diminuindo bastante nos meses de outono (MAM). Ainda que o valor da tendência negativa seja muito pequeno, esta se registrou na localidade de Bragança durante as quatro estações. Figura 6.5 - Distribuição da magnitude da inclinação da tendência linear das temperaturas mínimas médias anuais. Valores das tendências encontram-se em oC / década. Tendências estatisticamente significativas ao nível de 95% no teste de Mann-Kendall são indicadas por círculos pretos. 30 Figura 6.6 - Distribuição da magnitude da inclinação da tendência linear das temperaturas mínimas médias sazonais. Primavera (superior esquerda), Verão (superior direita), Outono (inferior esquerda) e, Inverno (inferior direita). Valores das tendências encontram-se em oC / década. Tendências estatisticamente significativas ao nível de 95% no teste de Mann-Kendall são indicadas por círculos pretos. 6.2 Extremos de mudanças climáticas observadas A base das análises dos extremos climáticos da precipitação é a partir de dados diários, registrados em 26 estações pluviométricas e climatológicas. Já a base das temperaturas extremas: máximas e mínimas é a partir de dados diários de 16 estações climatológicas. As séries de duas estações (Belém e Conceição do Araguaia) serviram para realizar as análises temporais dos extremos climáticos. A distribuição das tendências do número de dias secos consecutivos (CDD) mostra predominância de valores positivos sobre a maior parte da região de estudo (Fig. 6.7, superior direita). Valores estatisticamente significativos são observados sobre a 31 parte sul dos dois estados e nas adjacências do Oceano Atlântico e alcançam até 3,5 dias/ ano. Poucas tendências negativas dispersas são observadas no centro e oeste do Pará. Já nas proximidades do rio Amazonas e no sul do Pará (São Félix do Xingu) se observa tendência negativa significativa. A Figura 6.7 (superior direita) mostra a tendência da precipitação acumulada em cindo dias (R5day). O padrão espacial é muito parecido ao do CDD. Tendências positivas estatisticamente significativas são observadas sobre quase todo Maranhão, sul do Pará. Tendências negativas, relativamente baixas encontram-se dispersas nas adjacências do rio Amazonas e nordeste do Maranhão, porém em São Félix de Xingu se observa uma tendência negativa estatisticamente significativa, indicando uma diminuição intensa de precipitação acumulada em cinco dias. A distribuição espacial das tendências do número de dias com precipitação maiores que 10 mm (R10 mm) mostram valores positivos sobre quase toda a região de estudo. Valores estatisticamente significativos registraram-se na parte sul dos dois estados e no centro-oeste do Pará. Aqui novamente, na localidade de São Félix do Xingu, se registrou tendência positiva estatisticamente significativa. O mesmo comportamento das tendências dos extremos climáticos R5day e R10 mm é observado nos eventos extremos de precipitação (R95p). Este índice calculou-se com base na climatologia de 1981-2005. 32 Figura 6.7 - Distribuição da magnitude da inclinação da tendência linear dos extremos climáticos da precipitação. Dias secos consecutivos - CDD (superior esquerda), Máxima precipitação acumulada em 5 dias- R5day (superior direita), Número de dias com precipitação maior que 10 mm – R10 mm (inferior esquerda) e, Precipitação total devida a eventos maiores que o 950 percentil (inferior direita), que foi calculado em relação à climatologia de 1981-2005. Valores das tendências encontram-se em oC / década. Tendências estatisticamente significativas ao nível de 95% no teste de MannKendall são indicadas por círculos pretos. As séries temporais de 1961 a 2007 de dias secos consecutivos registrados em Belém e C. do Araguaia são mostradas na figura 6.8. Em C. de Araguaia observa-se alta variabilidade interanual e uma ligeira tendência positiva. Já, em Belém o número de dias consecutivos secos é constante e inferior a 20 dias. O extremo climático – RX5day, que indica a precipitação máxima acumulada em cinco dias, mostra tendências positivas com alta variabilidade interanual nas duas localidades. A variabilidade interanual não parece estar modulada por alguma oscilação com período maior. O extremo climático que mede o número de dias com precipitação maior que 10 mm (R10 mm) apresenta tendência positiva significativa em Belém e em C. do Araguaia, que é 33 constante, ao redor de 50 dias. Os eventos com precipitação extrema (R95p) apresentam tendências significativas nas duas localidades. Estas tendências não apresentam sinais de serem moduladas por oscilações maiores. Figura 6.8 - Distribuição temporal das séries dos extremos climáticos da precipitação observadas em Belém e C. do Araguaia. Dias secos consecutivos – CDD (superior esquerda), Máxima precipitação acumulada em 5 dias- R5day (superior direita), Numero de dias com precipitação maior que 10 mm – R10 mm (inferior esquerda), e precipitação total devida a eventos maiores que o 950 percentil – R95p (inferior direita). O extremo climático R95p calculou-se em relação à climatologia de 1981-2005. Valores das tendências são indicados entre parênteses. O asterisco significa que a tendência e estatisticamente significativa ao nível de 95% no teste de Mann-Kendall. As distribuições das tendências das noites frias –TN10P (Fig. 6.9, superior esquerdo) e dias frios – TX10p (Fig. 6.9, inferir esquerdo) são similares. O mesmo padrão também se observa entre as tendências de noites quentes - TN90p (Fig. 6.9, superior direito) e as tendências de dias quentes – TX90p (Fig. 6.9, inferior esquerdo). As tendências negativas, estatisticamente significantes de noites frias se dispersam ao longo dos rios Amazonas e Tocantins, enquanto que as tendências positivas de noites quentes se dispersam sobre todas as regiões. Estações com valores positivos de noites quentes encontram-se dispersos ao sul de Maranhão e perto da foz do rio Amazonas. O 34 padrão espacial de tendências de dias frios mostra valores significativos muito dispersos igual a distribuição de dias quentes. Figura 6.9 - Distribuição da magnitude da inclinação da tendência linear dos extremos climáticos das temperaturas extremas. Noites frias – TN10p (superior esquerda), Noites quentes – TN90p (superior direita), Dias frios – TX10p (inferior esquerda) e, Dias quentes – TX90p (inferior direita). Valores das tendências foram calculados em relação à climatologia de 1981-2005. Tendências estatisticamente significativas ao nível de 95% no teste de Mann-Kendall são indicadas por círculos pretos. Círculos em branco são estações onde falta informação para o cálculo dos extremos As séries temporais das noites frias (Fig. 6.10) mostram altos valores antes da década de 1980, logo são praticamente nulos. Esta característica indica como resultado uma tendência negativa muito baixa. Já as séries temporais das noites quentes mostram tendências positivas monotônicas estatisticamente significativas, com alguma modulação no último qüinqüênio dos anos 1990. Por outro lado, as séries temporais dos dias frios e noites quentes apresentam tendências opostas e estatisticamente 35 significativas. Também, estas séries apresentam certas modulações, aparentemente interdecadais, com sinais opostos durante todo o período de estudo. Figura 6.10 - Distribuição temporal dos extremos climáticos das temperaturas extremas Noites frias – TN10p (superior esquerda), Noites quentes – TN90p (superior direita), Dias frios – TX10p (inferior esquerda) e, Dias quentes – TX90p (inferior direita). Valores das tendências são indicados entre parênteses. O asterisco indica tendências estatisticamente significativas ao nível de 95% no teste de Mann-Kendall. 6.3 Experiências de modelagem regional na região de estudo Resultados para Amazônia em escala anual desenvolvidos por Marengo e Ambrizzi (2006), Ambrizzi et al. (2007) e Marengo et al. (2007) são apresentados na Figura 6.11. As projeções de precipitação e temperatura média anual para a Amazônia foram elaboradas para os cenários A2 e B2 do período 2071-2100 em relação a 19611990. Estas projeções representam a média de 3 modelos regionais (Eta CCS do INPE, RegCM3 da USP e HadRM3P do Hadley Centre do Reino Unido). Analisando a Figura 6.11, observamos que as projeções de precipitação apontam para um clima mais seco, particularmente no setor leste da Amazônia, onde as reduções de chuva podem chegar a mais de 60% próximo à foz do rio Amazonas no cenário A2. Em geral, o oeste da Amazônia apresenta reduções de precipitação entre 1020%, a área central 20-40% e o leste acima de 40%. 36 As projeções de temperatura média no período 2071-2100 para Amazônia variam de 4-8 ?C para o cenário A2, e 3-5 ?C para o cenário B2, com grande variação espacial. Ainda que o aquecimento seja maior na região tropical da América do Sul para os vários modelos regionais utilizados, as projeções diferem sobre onde se dará o maior aquecimento (acima de 6 ?C). Alguns modelos indicam que esse maior aquecimento ocorrerá na Amazônia oriental, outros na Amazônia ocidental. Figura 6.11. Anomalias anuais de chuva (%) (painéis superiores) e temperatura (ºC) (painéis inferiores) para Amazônia, período 2071-2100 em relação a 1961-1990, para os cenários A2 e B2. As projeções representam a média aritmética dos cenários produzidos pelos modelos regionais (50 km) Eta CCS, RegCM3 e HadRM3P. Fonte: J. Marengo, INPE. 6.4 Resultados das simulações dos modelos regionais para as regiões de estudo 6.4.1 Projeções de precipitação e temperatura sazonais e anuais dos 3 modelos regionais para 2071-2100 relativo a 1961-1990 Nesta seção são apresentados detalhes temporais e regionais das projeções de precipitação e temperatura para a área de estudo, estendendo-se a discussão para o estado do Maranhão, que não apareceu nas análises da Figura 6.11. Os 3 modelos 37 regionais são tratados individualmente para as escalas de tempo sazonal e anual, e para os cenários A2 e B2. Analisando a anomalia anual de precipitação média para o período de 20712100 em relação ao clima presente (Figura 6.12), observa-se que o modelo HadRM3P indica para a região entre Roraima, todo o estado do Pará até o Nordeste, reduções de chuva próximas a 40% no cenário A2 e 20-40% para o cenário B2, sendo maiores as reduções no norte do Pará próximo a foz do Rio Amazonas e na região entre Maranhão e Piauí. Aumentos na chuva são detectados nos estados de Rondônia, sul do Amazonas e do Mato Grosso. Nos modelos RegCM3 e Eta CCS a tendência de redução de chuvas para o período 2071-2100 também aparecem nas projeções para os dois cenários, porém com intensidade maior, chegando a 60% em toda a região entre 4 ?N a 6 ?S, que inclui Roraima, Amapá, a maior parte do Pará e Amazonas, e todos os estados do Nordeste. Na Figura 6.13 é apresentada a anomalia anual de temperatura para 2071-2100 relativo a 1961-1990, para os cenários A2 e B2. Observa-se que todos os modelos projetam aquecimento na área de estudo. No caso do modelo HadRM3P, o aquecimento pode chegar até 7 ?C na área entre Pará, Maranhão e o norte de Piauí no cenário A2, enquanto que no cenário B2 o aumento de temperatura pode chegar a 4-5 ?C. No modelo RegCM3, o aquecimento no cenário A2 chega a 7 ?C também na mesma área que no modelo HadRM3P, porém no cenário B2, o aquecimento é menor, ficando em aproximadamente 2-3 ?C. No modelo Eta CCS, um aquecimento acima de 7 ?C é detectado em Amazonas e Rondônia. No norte do Pará e Maranhão o aumento de temperatura varia entre 2-4 ?C no cenário A2 e 1-3 ?C no cenário B2. Para o verão no Hemisfério Sul (DJF) (e inverno no Hemisfério Norte) as projeções do HadRM3P mostram reduções sistemáticas de chuva de até 40% no norte do Pará na região da Foz do Amazonas e na costa do Maranhão, enquanto que no cenário B2 o padrão é similar, porém com reduções menores (Figura 6.14). Nos outros modelos regionais as projeções no Pará e Maranhão sugerem reduções de chuva que vai além de 60% no cenário A2 e até 40% no cenário B2, especialmente no modelo Eta 38 CCS. No RegCM3 e HadRM3P, a parte sul dos estados do Pará e Maranhão tendem a mostrar aumentos de chuva de até 20% no período de 2071-2100 (Figura 6.14). HadRM3P RegCM3 Eta CCS Figura 6.12 – Anomalia anual da precipitação média (%) para os cenários A2 (esquerda) e B2 (direita), simulada pelos modelos HadRM3P (superior), RegCM3 (centro) e Eta (inferior), para o período de 2071 a 2100. 39 HadRM3P RegCM3 Eta CCS Figura 6.13 – Anomalia anual da temperatura (?C) para os cenários A2 (esquerda) e B2 (direita), simulada pelos modelos HadRM3P (superior), RegCM3 (centro) e Eta CCS (inferior), para o período de 2071 a 2100. 40 Os mapas de projeção de temperatura para DJF do modelo HadRM3P (Figura 6.15) mostram que pode haver um aquecimento de até 6-7 ?C no norte do Pará e Maranhão-Piauí no cenário A2. Para o cenário B2, este aquecimento tende a ser menor, chegando a 6 ?C no norte do Pará. Similar ao comportamento anual, o RegCM3 mostra intenso aquecimento na região de estudo de até 8 ?C no cenário A2, e um aumento de temperatura muito menor (menos de 3 ?C) no cenário B2 (Figura 6.15). No modelo Eta CCS, o maior aquecimento é detectado nos estados do Amazonas e Rondônia, enquanto que na área de estudo esse aquecimento vai de 3 a 4 ?C no cenário A2 e 1 a 2 ?C no cenário B2 (Figura 6.15). O outono (MAM) corresponde à estação mais chuvosa no clima presente para o leste do Pará e Maranhão. A Figura 6.16 indica reduções no volume de chuvas na parte leste do Pará, Amapá e do Maranhão, que pode chegar até a 20% no cenário A2 para o modelo HadRM3P. As reduções tendem a ser maiores nos cenários gerados pelo modelo RegCM3, chegando a 40-50% menos chuva no leste do Pará e Maranhão, no cenário A2, e de 20-30% no cenário B2. No modelo Eta CCS, assim como no verão, a redução de chuva pode chegar a 40-50 % em toda a região que vai desde a Amazônia central até o Nordeste, nos dois cenários. Os mapas de projeção de temperatura para os três modelos regionais nos meses de MAM (Figura 6.17), apontam um aquecimento no cenário A2 que pode chegar a 6 ?C nos estados do Pará e Maranhão, e de até 4 ?C no cenário B2 para as mesmas regiões. No modelo Eta CCS, o aumento de temperatura poderá vir a ser de até 5 ?C na área de estudo, mas os máximos de aquecimento (maiores a 7-8 ?C) até 2100 acontecem no estado do Amazonas. A estação JJA corresponde aos meses de menor precipitação no clima atual para o leste do Pará e Maranhão. Na Figura 6.18, a redução de chuvas durante a estação de estiagem projetada pelo modelo HadRM3P poderá chegar a 40-60% no Maranhão, enquanto que no leste da Amazônia este valor é de 20-30%, para os dois cenários analisados. No modelo RegCM3 a situação muda um pouco em relação ao HadRM3P. Para o cenário A2 o modelo projeta reduções de 20% no norte do Pará e de 40% no sul do Pará e Maranhão, juntamente com aumento de chuva de até 40% na costa do 41 Maranhão. No cenário B2, as anomalias positivas de precipitação chegam a cobrir do norte do Pará até a costa do Maranhão, com excessos de até 60% em relação ao presente. Já o modelo Eta mostra reduções de 40-60% no volume de chuva em toda a região Amazônica e Nordeste para os dois cenários. Em relação à temperatura do ar (Figura 6.19), quase todos os modelos sugerem aquecimento entre 3 e 5 ?C nos dois cenários. Apenas no cenário B2 do modelo RegCM3 é projetado um resfriamento de até 1 ?C no norte do Pará e Maranhão, consistente com aumentos de chuva nesta região. Os meses de setembro, outubro e novembro (SON) correspondem ao início da estação chuvosa em boa parte da região tropical e subtropical da América do Sul. Na Figura 6.20, quase todos os modelos mostram reduções de chuva até 2100 em áreas que vão desde o leste do Pará até o Nordeste, sendo as anomalias maiores no cenário A2 (chegando até 40-60%) e menores em B2 (20-40%). O modelo Eta CCS é aquele que apresenta reduções mais drásticas, enquanto que o RegCM3 no cenário B2 apresenta aumentos de chuva no centro e sul do Pará e Maranhão de mais de 40%. Em relação à temperatura do ar (Figura 6.21) os modelos HadRM3P e RegCM3 apresentam aquecimento nas áreas de estudo variando entre 5 e 6 ?C no cenário A2 e entre 3 e 4 ?C no cenário B2. No modelo Eta CCS, o aquecimento tende a ser menor sobre o Pará e Nordeste (2-4 ?C), enquanto que os máximos valores ocorrem no estado do Amazonas. Em resumo, as projeções de mudanças climáticas para o período de 2071-2100 geradas pelos 3 modelos regionais na área compreendida entre os estados do Pará, Maranhão e áreas circunvizinhas, sugerem reduções de precipitação nas áreas leste do Pará (próximos a Foz do Rio Amazonas) e norte do Maranhão, que podem chegar a 4060% no cenário A2 e até 20-40% no cenário B2. A temperatura deve aumentar em toda a região leste do Pará até o Nordeste, chegando a 5-7 ?C nas regiões do leste da Amazônia e no norte do Maranhão no cenário A2, sendo o aquecimento menor (3-4 ?C) no cenário B2. O aquecimento é observado na média anual e nos meses de verão e inverno, e têm algumas variações entre os modelos. Enquanto o HadRM3P e RegCM3 mostram o maior aquecimento na região entre o leste da Amazônia (Pará) e os estados do Nordeste, o modelo Eta CCS apresenta o maior aquecimento no oeste da Amazônia, no estado do Amazonas. 42 HadRM3P RegCM3 Eta CCS Figura 6.14 – Anomalia para o verão (DJF) da precipitação média (%) dos cenários A2 (esquerda) e B2 (direita), simulada pelos modelos HadRM3P (superior), RegCM3 (centro) e Eta CCS (inferior), para o período de 2071 a 2100. 43 HadRM3P RegCM3 EtaCCS Figura 6.15 – Anomalia para o verão (DJF) da temperatura média (?C) dos cenários A2 (esquerda) e B2 (direita), simulada pelos modelos HadRM3P (superior), RegCM3 (centro) e Eta CCS (inferior), para o período de 2071 a 2100. 44 HadRM3P RegCM3 Eta CCS Figura 6.16 – Anomalia para o outono (MAM) da precipitação média (%) dos cenários A2 (esquerda) e B2 (direita), simulada pelos modelos HadRM3P (superior), RegCM3 (centro) e Eta CCS (inferior), para o período de 2071 a 2100. 45 HadRM3P RegCM3 Eta Figura 6.17 – Anomalia para o outono (MAM) da temperatura média (?C) dos cenários A2 (esquerda) e B2 (direita), simulada pelos modelos HadRM3P (superior), RegCM3 (centro) e Eta CCS (inferior), para o período de 2071 a 2100. 46 HadRM3P RegCM3 Eta CCS Figura 6.18 – Anomalia para o inverno (JJA) da precipitação média (%) dos cenários A2 (esquerda) e B2 (direita), simulada pelos modelos HadRM3P (superior), RegCM3 (centro) e Eta CCS (inferior), para o período de 2071 a 2100. 47 HadRM3P RegCM3 Eta CCS Figura 6.19 – Anomalia para o inverno (JJA) da temperatura média (?C) dos cenários A2 (esquerda) e B2 (direita), simulada pelos modelos HadRM3P (superior), RegCM3 (centro) e Eta CCS (inferior), para o período de 2071 a 2100. 48 HadRM3P RegCM3 Eta CCS Figura 6.20 – Anomalia para a primavera (SON) da precipitação média (%) dos cenários A2 (esquerda) e B2 (direita), simulada pelos modelos HadRM3P (superior), RegCM3 (centro) e Eta CCS (inferior), para o período de 2071 a 2100. 49 HadRM3P RegCM3 Eta CCS Figura 6.21 – Anomalia para a primavera (SON) da temperatura média (?C) dos cenários A2 (esquerda) e B2 (direita), simulada pelos modelos HadRM3P (superior), RegCM3 (centro) e Eta CCS (inferior), para o período de 2071-2100. 50 6.4.2 Projeções de Precipitação menos Evaporação (P-E) sazonais e anuais dos 3 modelos regionais para 2071-2100 relativas ao período: 1961-1990 As projeções de P-E podem ser consideradas como indicadores do balanço hídrico e de condições de climas mais secos que o presente, assim como indicadores de reduções nas vazões dos rios e do conteúdo de umidade do solo. Na escala anual, os modelos HadRM3P e Eta CCS apontam para valores negativos de P-E de mais de 2 mm/dia no norte do Pará, e valores entre 0.5 a 1 mm/dia no restante do Pará, Maranhão e em todos os outros estados do Nordeste. As reduções são ligeiramente maiores no cenário A2 comparado com B2. Para o modelo RegCM3, valores negativos entre 1 e 2 mm/dia aparecem na região do litoral do Amapá, Pará e Maranhão e na região entre Amazonas e Oeste do Pará, para ambos os cenários. Uma região positiva de P-E aparece no nordeste do Pará e nos estados do Nordeste do Brasil. A análise das projeções de P-E para 2071-2100 relativo a 1961-1990 sugere que, de fato, uma redução da chuva e aumento da temperatura na área de estudo, especialmente no norte do Pará e Maranhão, gera tendências de P-E negativas. Isto significa que no futuro as mudanças climáticas projetadas para a região podem aumentar a evaporação e evapotranspiração, criando desbalanços no ciclo hidrológico atmosférico e continental. No caso da atmosfera, essas mudanças podem torná-la mais seca e menos chuvosa, levando a um clima futuro diferente do clima atual, ou seja, menos chuvoso e tropical. No caso do ciclo hidrológico continental, P-E negativo pode implicar na redução da umidade armazenada no solo e também na diminuição das vazões dos rios da região. Isto tem sido comprovado por Milly et al. (2005), que mostra que para o ano 2090 as vazões de rios, tais como o Parnaíba, e outros no leste da Amazônia, projetadas pelos modelos globais do IPCC AR4, podem diminuir em até 20% devido ao aquecimento global. As Figuras 6.22 a 6.26 apresentam os mapas de P-E anuais e sazonais. 51 HadRM3P RegCM3 Eta Figura 6.22 – Anomalia anual de precipitação - evaporação (mm dia-1) para os cenários A2 (esquerda) e B2 (direita), simulada pelos modelos HadRM3P (superior), RegCM3 (centro) e Eta (inferior), para o período de 2071 a 2100. 52 HadRM3P RegCM3 Eta Figura 6.23 – Anomalia de precipitação - evaporação (mm dia-1) para o verão (DJF) dos cenários A2 (esquerda) e B2 (direita), simulada pelos modelos HadRM3P (superior), RegCM3 (centro) e Eta (inferior), para o período de 2071 a 2100. 53 HadRM3P RegCM3 Eta Figura 6.24 – Anomalia de precipitação - evaporação (mm dia-1) para o outono (MAM) dos cenários A2 (esquerda) e B2 (direita), simulada pelos modelos HadRM3P (superior), RegCM3 (centro) e Eta (inferior), para o período de 2071 a 2100. 54 HadRM3P RegCM3 Eta Figura 6.25 – Anomalia de precipitação - evaporação (mm dia-1) para o inverno (JJA) dos cenários A2 (esquerda) e B2 (direita), simulada pelos modelos HadRM3P (superior), RegCM3 (centro) e Eta (inferior), para o período de 2071 a 2100. 55 HadRM3P RegCM3 Eta Figura 6.26 – Anomalia de precipitação - evaporação (mm dia-1) para a primavera (SON) dos cenários A2 (esquerda) e B2 (direita), simulada pelos modelos HadRM3P (superior), RegCM3 (centro) e Eta (inferior), para o período de 2071 a 2100. 56 6.4.3 Projeções de extremos de chuva e temperatura Os extremos de temperatura para 2071-2100 relativo a 1961-90 para o modelo HadRM3P (TN90p, TN10p, TX90p e TX10p) mostram em geral uma tendência de aquecimento, caracterizados por um aumento na freqüência de noites e dias quentes, e uma redução na freqüência de noites frias, para ambos os cenários utilizados (Figuras 6.27 e 6.29). As tendências mais intensas são encontradas no cenário A2 e abrangem o Maranhão e o centro e sul do Pará, especificamente para os índices TN90 e TX90 (Figura 6.27). As projeções de extremos de chuvas intensas derivadas do modelo HadRM3P (índices R10mm, R95p e Rx5day) indicam uma redução na freqüência e intensidade de extremos de chuva na região litoral do Pará, Amapá e Maranhão, e um aumento no centro e sul dos estados do Amazonas e Pará. As tendências têm praticamente a mesma distribuição geográfica nos cenários A2 e B2, mas com maior intensidade no cenário de altas emissões A2 (Figuras 6.28 e 6.30). As projeções das tendências do índice CDD (dias secos consecutivos) apontam para um aumento na freqüência de períodos secos intensos em toda a região Nordeste e nos estados do Pará e Amapá. Os valores chegam a 20 dias no cenário B2 e 30 dias no A2 para as regiões norte do Pará, Amapá e centro e norte do Maranhão (Figuras 6.28 e 6.30). As projeções do modelo RegCM3 mostram um comportamento diferente para as projeções de extremos de temperatura (Figuras 6.31 e 6.32). Para o cenário A2, o modelo projeta tendências de reduções na freqüência de noites e dias quentes em boa parte dos estados do Maranhão e Pará, mas com tendências de aumento no norte do Pará. Para noites e dias frios, a tendência é de redução somente na foz do rio Amazonas, para ambos os cenários, sendo que no cenário A2 as magnitudes das mudanças são maiores. Os índices de chuva apresentam maior concordância com as projeções do modelo HadRM3P. Eles indicam aumento na freqüência e intensidade de extremos de chuva na região do Amapá, e no litoral e centro dos estados do Pará e Maranhão, com 57 maior intensidade para o cenário A2. O índice CDD projeta no cenário A2 um aumento na freqüência de dias secos consecutivos de até 30 dias para o norte e centro do Pará (similar às projeções do modelo HadRM3P) e na parte central do Maranhão. Comparando as projeções dos modelos HadRM3P e RegCM3, os índices extremos de chuva tendem a apresentar uma maior concordância que os de temperatura. Os cenários de mudanças de extremos derivados dos modelos globais do IPCC (Tebaldi et al. 2006) mostram que a média dos 22 modelos globais na região de estudo apontam para um aumento na freqüência de extremos de chuva e na freqüência de dias secos consecutivos, assim como reduções na freqüência de noites e dias frios, e aumento na freqüência de noites e dias quentes, para a segunda metade do Século XXI. Estes resultados são consistentes com o cenário projetado pelo modelo regional HadRM3P para a região de estudo. Tudo isso é consistente com um clima futuro mais seco que o atual, com chuvas intensas concentradas em períodos curtos, seguidos de períodos longos sem chuva, e com altas temperaturas diurnas e noturnas. Isso alteraria o balanço hidrológico, ocasionando períodos de deficiência hídrica futura que não existem no clima atual, afetando a vegetação nativa e a agricultura regional. 58 Figura 6.27 – Diferença entre as tendências projetadas pelo modelo regional HadRM3P nos períodos 2071 – 2100 e 1961 - 1990, cenário A2, para os índices extremos: noites quentes (TN90p), noites frias (TN10p), dias quentes (TX90p) e dias frios (TX10p). 59 Figura 6.28 – Diferença entre as tendências projetadas pelo modelo regional HadRM3P nos períodos 2071 – 2100 e 1961 - 1990, cenário A2, para os índices extremos: dias com chuvas maiores que 10 mm (R10mm), dias com chuvas acima do 95? percentil (R95p), eventos de chuva intensa durante 5 dias consecutivos (Rx5 day) e dias secos consecutivos (CDD). 60 Figura 6.29 – Diferença entre as tendências projetadas pelo modelo regional HadRM3P nos períodos 2071 – 2100 e 1961 - 1990, cenário B2, para os índices extremos: noites quentes (TN90p), noites frias (TN10p), dias quentes (TX90p) e dias frios (TX10p). 61 Figura 6.30 – Diferença entre as tendências projetadas pelo modelo regional HadRM3P nos períodos 2071 – 2100 e 1961 - 1990, cenário B2, para os índices extremos: dias com chuvas maiores que 10 mm (R10mm), dias com chuvas acima do 95? percentil (R95p), eventos de chuva intensa durante 5 dias consecutivos (Rx5 day) e dias secos consecutivos (CDD). 62 Figura 6.31 – Diferença entre as tendências projetadas pelo modelo regional REGCM3 nos períodos 2071 – 2086 e 1961 - 1990, cenário A2, para os índices extremos: noites quentes (TN90p), noites frias (TN10p), dias quentes (TX90p) e dias frios (TX10p). 63 Figura 6.32 – Diferença entre as tendências projetadas pelo modelo regional REGCM3 nos períodos 2071 – 2086 e 1961 - 1990, cenário A2, para os índices extremos: dias com chuvas maiores que 10 mm (R10mm), dias com chuvas acima do 95? percentil (R95p), eventos de chuva intensa durante 5 dias consecutivos (Rx5 day) e dias secos consecutivos (CDD). 64 Figura 6.33 – Diferença entre as tendências projetadas pelo modelo regional REGCM3 nos períodos 2071 – 2086 e 1961 - 1990, cenário B2, para os índices extremos: noites quentes (TN90p), noites frias (TN10p), dias quentes (TX90p) e dias frios (TX10p). 65 Figura 6.34 – Diferença entre as tendências projetadas pelo modelo regional REGCM3 nos períodos 2071 – 2086 e 1961 - 1990, cenário B2, para os índices extremos: dias com chuvas maiores que 10 mm (R10mm), dias com chuvas acima do 95? percentil (R95p), eventos de chuva intensa durante 5 dias consecutivos (Rx5 day) e dias secos consecutivos (CDD). 66 6.5 Projeções de precipitação e temperatura anuais e sazonais do modelo HadRM3P para os períodos de 2010-2040, 2041-2070 e 2071-2100 Nesta seção é feita uma análise das projeções de temperatura e precipitação geradas pelo modelo regional HadRM3P para o período de 1961 a 2100, em toda a área de estudo e para uma média nos estados do Maranhão (Figuras 6.35 e 6.36) e Pará (Figuras 6.37 e 6.38), utilizando os cenários de emissões A2 e B2. As anomalias são estimadas com base no período de 1961 a 1990. Em ambos os estados, as temperaturas tendem a aumentar até o final do Século XXI. No Maranhão, o aquecimento é maior no cenário pessimista A2 quando comparado com o cenário otimista B2. O aumento de temperatura até 2100 pode chegar a 6 ?C no cenário A2, e 4.5 ?C no cenário B2. No início do Século XXI os dois cenários não são muito diferentes, porém, a partir de 2030-2040, as anomalias no cenário A2 começam a crescer mais que no B2. Analisando a precipitação, os dois cenários apresentam anomalias negativas, chegando a 1.5 mm/dia em 2100 no cenário A2 e 1.0 mm/dia no cenário B2. Tanto na precipitação quanto na temperatura observa-se uma forte variabilidade interanual. Tendências similares são observadas no estado do Pará, onde os aumentos de temperatura podem chegar a 6.5 ?C em 2100 no cenário A2, e 4.5 ?C no cenário B2. Assim como no Maranhão, as maiores diferenças entre os dois cenários aparecem após 2040. As reduções de chuva no Pará podem chegar a 1.3 mm/dia no cenário A2, e 1 mm/dia no cenário B2, com uma alta variabilidade interanual. Assim como nos modelos globais do IPCC AR4, as maiores mudanças de temperatura e chuva na região tropical entre os dois cenários de emissão aparecem a partir do ano 2040 e se intensificam até 2100. 67 Maranhão o Anomalia de Temperatura ( C) 12 10 8 Cenário A2 Cenário B2 σA2 = +/- 2,1 σB2 = +/- 1,4 6 4 2 0 2000 2020 2040 2060 2080 2100 Figura 6.35 – Série temporal de anomalia de temperatura média (?C) no estado do Maranhão, para os cenários A2 (vermelho) e B2 (azul). As retas em vermelho e azul representam a regressão linear dos cenários A2 e B2, respectivamente. Maranhão -1 Anomalia de Precipitação (mm dia ) 1,0 0,5 0,0 -0,5 -1,0 -1,5 -2,0 -2,5 -3,0 -3,5 Cenário A2 Cenário B2 σA2 = +/- 0,6 σB2 = +/- 0,5 2000 2020 2040 2060 2080 2100 Figura 6.36 – Série temporal de anomalia de precipitação média (mm dia-1) no estado do Maranhão, para os cenários A2 (vermelho) e B2 (azul). As retas em vermelho e azul representam a regressão linear dos cenários A2 e B2, respectivamente. 68 Pará o Anomalia de Temperatura ( C) 12 10 8 Cenário A2 Cenário B2 σA2 = +/- 2,2 σB2 = +/- 1,5 6 4 2 0 2000 2020 2040 2060 2080 2100 Figura 6.37 – Série temporal de anomalia de temperatura média (?C) no estado do Pará, para os cenários A2 (vermelho) e B2 (azul). As retas em vermelho e azul representam a regressão linear dos cenários A2 e B2, respectivamente. Pará -1 Anomalia de Precipitação (mm dia ) 1,0 0,5 0,0 -0,5 -1,0 -1,5 -2,0 -2,5 -3,0 -3,5 Cenário A2 Cenário B2 σA2 = +/- 0,6 σB2 = +/- 0,5 2000 2020 2040 2060 2080 2100 Figura 6.38 – Série temporal de anomalia de precipitação média (mm dia-1) no estado do Pará, para os cenários A2 (vermelho) e B2 (azul). As retas em vermelho e azul representam a regressão linear dos cenários A2 e B2, respectivamente. 69 As projeções do modelo HadRM3P até 2100 indicam aumento na temperatura média anual em toda a região leste do Pará até o Nordeste, chegando até 7 ?C nas regiões do leste da Amazônia e no norte do Maranhão no cenário A2, e a 3-4 ?C no cenário B2 (Figura 6.40). Para as mesmas regiões, o modelo indica reduções de chuva que variam entre 40-60% no cenário mais pessimista e 20-40% no cenário otimista (Figura 6.39). A redução da chuva apresentada pelo modelo HadRM3P é gradativa desde o início do Século XXI. No período de 2011-2040, a redução estimada é de 5 a 10% e em 2041-2070 é de até 10-20% entre o leste do Pará e o estado do Maranhão, para os cenários A2 e B2 (Figura 6.39). As diferenças se tornam maiores no final do Século XXI, sugerindo que as reduções mais drásticas na precipitação só aparecem na segunda metade do Século XXI. Os campos de anomalias de temperatura também apresentam pouca diferença entre os dois cenários para os períodos de 2011-2040 e 2041-2070 (Figura 6.40). As anomalias na área de estudo podem chegar até a 1-2 ?C mais quente na área que abrange o leste do Pará até o Maranhão entre 2010-2040, e até 3-4 ?C mais quente que no presente em 2041-2070. Em 2071-2100, o aquecimento pode alcançar entre 6 e 7 ?C no Pará, leste do Amazonas, Maranhão e norte do Tocantins. No verão austral (DJF), as projeções do modelo HadRM3P até 2100 para a região de estudo indicam reduções de chuva que variam entre 40 e 60% no cenário mais pessimista, e entre 20 e 40% no cenário otimista, especialmente na região próxima ao litoral desde o leste do Pará, Amapá até a foz do Amazonas e norte do Maranhão. No sul destes estados as reduções são um pouco menores (Figuras 6.41 e 6.42). As reduções na precipitação projetadas pelos dois cenários são menores na primeira metade do século XXI, chegando a 20% para o período de 2011 a 2040 e um valor um pouco mais elevado em 2041-2070. As mudanças na temperatura até 2100 para as regiões leste da Amazônia e norte do Maranhão podem chegar a 7 ?C no cenário A2, sendo o aquecimento menor (3-4 ?C) no cenário B2. Em 2011-2040 o aumento na temperatura 70 desde o norte do Pará até o Maranhão pode chegar a 2 ?C em 2011-2040 para ambos os cenários, e até 4 ?C no período de 2041-2070 para o cenário A2. Para o outono (MAM) (Figuras 6.43 e 6.44), as projeções indicam reduções de chuva que variam entre 20 e 40%, tanto no cenário A2 quanto no B2, com pequenas diferenças na distribuição geográfica das anomalias. As anomalias de chuva parecem se intensificar a partir de 2040, estendendo-se desde o leste de Pará até o Nordeste do Brasil. Este resultado é muito importante para o Nordeste, pois a estação chuvosa no norte desse estado acontece nesta época do ano. As anomalias na temperatura até 2100 chegam a 4-6 ?C em todo o estado do Pará e os estados do Nordeste no cenário A2, enquanto que no cenário B2 os aumentos são menos intensos, chegando a 3-4 ?C na foz do Rio Amazonas, no leste do Pará e em todo o Nordeste. No período de 2011-2040, o aquecimento é menos intenso nos dois cenários, ficando entre 1 e 2 ?C. Em 2041-2070 esse valor chega a 2-3 ?C, porém o maior aumento acontece no final do século XXI. Para o período de inverno (JJA) (Figuras 6.45 e 6.46), que corresponde à estação de estiagem na região de estudo, as projeções para 2100 sugerem reduções de chuva que variam entre 20-40% em grandes áreas do Pará, Amapá e os estados do Maranhão e Piauí nos cenários A2 e B2, com pequenas diferenças na distribuição geográfica das anomalias para ambos os cenários. Analisando as anomalias de temperatura para o final do século XXI (Figura 6.46), um aquecimento de 5 a 7 ?C é projetado para o cenário A2 na região que se estende desde o leste do Amazonas até o Maranhão. No cenário B2 este aumento varia entre 3 e 5 ?C, com as áreas mais quentes localizadas entre o Pará e o Maranhão. Nos períodos de 2011-2040 e 2041-2070, o aquecimento nos dois cenários varia entre 1-2 ?C e 2-3 ?C, respectivamente. Para a primavera (SON) (Figuras 6.47 e 6.48), que corresponde à estação de início das chuvas na região, as projeções para 2100 indicam uma redução de precipitação de aproximadamente 40-60% em grandes áreas do Pará, Amapá e nos estados do Nordeste, para ambos os cenários. As anomalias de chuva nos períodos de 2011-2040 e 2041-2070 indicam reduções de 20 a 30% no interior do Pará e Maranhão, enquanto que no litoral destes estados e no Amapá, o modelo HadRM3P projeta um 71 aumento de chuva que pode chegar a 20% nos dois cenários. Estes aumentos de precipitação, similares aos observados em SON no sul do Pará e Maranhão, possivelmente se devem a erros na interpolação numérica. Os mapas de anomalias de temperatura para 2100 mostram no cenário A2 aumentos de até 6-7 ?C na região entre o estado de Roraima e sul do Maranhão, com um aquecimento relativamente menor (3-4 ? C) no litoral do Pará e Maranhão. O cenário B2 projeta um padrão similar, porém com um aquecimento relativamente menor (4-6 ?C). Nas projeções para o início e meio do Século XXI (2011-2040 e 2041-2070), o aquecimento no cenário A2 varia entre 2-3 ?C e 4-5 ?C, respectivamente. No cenário B2 o aquecimento é 1-2 ?C menor que no cenário A2, porém possuindo a mesma distribuição espacial. 72 Anomalia de Precipitação Anual A2 B2 Figura 6.39 – Anomalia anual de precipitação (%) para os cenários A2 (superior) e B2 (inferior) simulada pelo modelo HadRM3P para os períodos de 2011-2040, 2041-2070 e 2071-2100, relativos a 1961-90. Anomalia de Temperatura Anual A2 B2 Figura 6.40 – Anomalia anual de temperatura do ar (?C) para os cenários A2 (superior) e B2 (inferior) simulada pelo modelo HadRM3P para os períodos de 2011-2040, 20412070 e 2071-2100, relativos a 1961-1990. 73 Anomalia de Precipitação DJF A2 B2 Figura 6.41 – Anomalia de Dezembro-Janeiro-Fevereiro (DJF) de precipitação (%) para os cenários A2 (superior) e B2 (inferior) simulada pelo modelo HadRM3P para os períodos de 2011-2040, 2041-2070 e 2071-2100, relativos a 1961-1990. Anomalia de Temperatura DJF A2 B2 Figura 6.42 – Anomalia para Dezembro-Janeiro-Fevereiro (DJF) de temperatura do ar (?C) para os cenários A2 (superior) e B2 (inferior) simulada pelo modelo HadRM3P para os períodos de 2011-2040, 2041-2070 e 2071-2100, relativos a 1961-1990. 74 Anomalia de Precipitação MAM A2 B2 Figura 6.43 – Anomalia para Março-Abril-Maio (MAM) de precipitação (%) para os cenários A2 (superior) e B2 (inferior) simulada pelo modelo HadRM3P para os períodos de 2011-2040, 2041-2070 e 2071-2100, relativos a 1961-1990. Anomalia de Temperatura MAM A2 B2 Figura 6.44 – Anomalia para Março-Abril-Maio (MAM) de temperatura do ar (?C) para os cenários A2 (superior) e B2 (inferior) simulada pelo modelo HadRM3P para os períodos de 2011-2040, 2041-2070 e 2071-2100, relativos a 1961-1990. 75 Anomalia de Precipitação JJA A2 B2 Figura 6.45 – Anomalia para Junho-Julho-Agosto (JJA) de precipitação (%) para os cenários A2 (superior) e B2 (inferior) simulada pelo modelo HadRM3P para os períodos de 2011-2040, 2041-2070 e 2071-2100, relativos a 1961-1990. Anomalia de Temperatura JJA A2 B2 Figura 6.46 – Anomalia para Junho-Julho-Agosto (JJA) de temperatura do ar (?C) para os cenários A2 (superior) e B2 (inferior) simulada pelo modelo HadRM3P para os períodos de 2011-2040, 2041-2070 e 2071-2100, relativos a 1961-1990. 76 Anomalia de Precipitação SON A2 B2 Figura 6.47 – Anomalia para Setembro-Outubro-Novembro (SON) de precipitação (%) para os cenários A2 (superior) e B2 (inferior) simulada pelo modelo HadRM3P para os períodos de 2011-2040, 2041-2070 e 2071-2100, relativos a 1961-1990. Anomalia de Temperatura SON A2 B2 Figura 6.48 – Anomalia para Setembro-Outubro-Novembro (SON) de temperatura do ar (?C) para os cenários A2 (superior) e B2 (inferior) simulada pelo modelo HadRM3P para os períodos de 2011-2040, 2041-2070 e 2071-2100, relativos a 1961-1990. 77 7 Sumário e conclusões A detecção das mudanças climáticas mediante as análises das tendências da precipitação e temperaturas extremas se vê reduzida ante a falta de informações de períodos longos e da baixa densidade de postos observacionais, principalmente sobre o estado do Pará. Estas informações precisam ser homogêneas e consistentes, tanto temporalmente quanto espacialmente para se ter um conhecimento mais real da variabilidade climática regional e para a detecção de mudanças climáticas com maior confiabilidade. As análises apresentadas sobre as tendências da precipitação anual sugerem o controle de certos fatores regionais, tais como, o efeito do oceano Atlântico nas áreas adjacentes, e prováveis fatores de grande escala associados a padrões remotos oceânicos. Tais fatores parecem modular a variabilidade interanual, uma vez que as tendências sazonais mais intensas e estatisticamente significativas seguem o ciclo anual dos períodos chuvosos, enquanto que as séries temporais dos extremos climáticos não apresentam modulações em escalas maiores que a escala interanual. As tendências das temperaturas máximas médias anuais apresentam valores bastante baixos e aparentemente também parecem responder a fatores muito regionais, como é o caso das tendências negativas ao longo do rio Amazonas. Porém, é necessário esclarecer que estes valores são representativos dos últimos 31 anos. Fato muito diferente é observado durante as estações do ano, onde se observa predominância de tendências positivas, estatisticamente significativas, com valores bastante intensos, sobre toda a área de estudo. Similares comportamentos são apresentados pelas tendências das temperaturas mínimas anuais e sazonais. Destaca-se que a localidades de São Félix de Xingu apresenta tendências contrastantes nas tendências de precipitação, em relação às estações mais próximas. Este mesmo comportamento é observado nas tendências de temperaturas máximas e mínimas anuais. 78 As análises de extremos de precipitação são coerentes com as tendências climáticas das precipitações anuas e sazonais. Observa-se que o incremento de precipitação sobre a área de estudo parece estar relacionado, mais com os extremos climáticos que com alguma modulação de longa escala, como observados nas tendências das precipitações acumuladas em 5 dias e dos dias com precipitação maior que 10 mm. Porém, estas variações não apresentam modulações de longos períodos, mas alta variabilidade interanual. Por outro lado, os extremos das temperaturas mostram claramente o aquecimento sobre toda a região de estudo. Ressalta-se que as séries temporais dos extremos das temperaturas mínimas mostram tendências monotônicas, com alta variabilidade interanual, diferente dos extremos das temperaturas máximas que apresentam também tendências lineares, mas que são moduladas por oscilações de escalas maiores Os modelos regionais RegCM3, HadRM3P e Eta CCS apontam, para a segunda metade do Século XXI, clima mais quente (até 6ºC no cenário de altas emissões A2) e reduções de chuva que podem chegar até 2-4 mm/dia, quando comparado ao clima presente para a região de estudo (que segundo o Relatório de Clima do INPE pode chegar até 40-50%). Isto também é projetado pelos modelos globais do IPCC AR4. As projeções de extremos climáticos para a região, simuladas pelos modelos globais do IPCC AR4 e pelos modelos regionais, são consistentes com um aumento na freqüência e intensidade de extremos de chuva e no aumento da freqüência de dias secos consecutivos. O aumento na freqüência de noites e dias quentes e a redução na freqüência de noites e dias frios são projetados pelos modelos globais do IPCC AR4 e estão em concordância apenas com o modelo regional HadRM3P. Uma análise qualitativa dos impactos climáticos na região aparece na Tabela III, onde são resumidas as mudanças nas variáveis climáticas e de extremos climáticos, assim como as suas tendências para a segunda metade do Século XXI. 79 Esses resultados levam a concluir que a área de estudo apresenta uma vulnerabilidade climática muito alta, comparável ao semi-árido do Brasil, consistente com um clima futuro mais seco que o atual. Algumas áreas receberão chuvas intensas concentradas em períodos curtos, seguidos de longos períodos sem a ocorrência de chuva e com altas temperaturas diurnas e noturnas. Nestas condições, o balanço hidrológico poderá sofrer alterações, ocorrendo períodos de deficiência hídrica futura, inexistentes no clima atual, o que pode conseqüentemente afetar a vegetação nativa e a agricultura regional. Este Relatório I constitui a primeira parte do estudo de vulnerabilidades para a região Amazônica, e norteará os relatórios subseqüentes sobre os efeitos econômicos, sociais e ambientais nesta região. 80 Tabela III. Sumário das projeções climáticas para os cenários A2 e B2 derivadas dos modelos globais do IPCC AR4, e dos modelos regionais HadRM3P e RegCM3. As variáveis são temperatura e precipitação sazonal de verão e inverno, e P-E (Precipitação menos Evaporação). As projeções correspondem ao período 2071-2100. +/- sugere aumento/redução, ++/-- sugere aumentos/reduções com maior intensidade nas mudanças. A confiabilidade é definida baseada na consistência qualitativa entre as três fontes. Confiabilidade Alta: as três fontes coincidem; Média: 2 das 3 fontes coincidem; Baixa: 2 das 3 fontes não coincidem. Variável Cenário B2 Cenário A2 Tendência Confiabilidade Temperatura Verão (NDEF) Inverno (MJJA) Aumento (+) Aumento (+) Aumento (++) Aumento (++) Aumento Aumento Alta Alta Precipitação Verão (NDEF) Inverno (MJJA) Redução (-) Redução (-) Redução (-) Redução (-) Redução Redução Alta Alta P-E Verão (NDEF) Inverno (MJJA) Redução (-) Redução (-) Redução (--) Redução (--) Redução Redução Média Média Extremos de temperatura Noites Frias Noites Quentes Dias Frios Dias Quentes Redução (-) Aumento (+) Redução (-) Aumento (+) Redução (--) Aumento (++) Redução (--) Aumento (++) Redução Aumento Redução Aumento Alta Alta Alta Média Extremos de chuva Dias Secos Consecutivos Freqüência de Chuvas Extremas Redução (-) Redução (-) Redução Alta Aumento (+) Aumento (++) Aumento Média É importante relembrar que os cenários futuros do clima são derivados de modelos globais ou regionais, e que são apenas projeções de prováveis mudanças que possam vir a acontecer, como produto do aumento nas concentrações dos gases de efeito estufa. O nível de incerteza ainda é grande em relação ao que de fato acontecerá. Um aprimoramento nas diferentes parametrizações de convecção, topografia, processos de superfície, entre outras, estará diretamente relacionado a uma diminuição das incertezas. 81 Referências Bibliográficas Ambrizzi, T., R. Rocha, J. A., Marengo, I. Pisnitchenko, L. and Alves, (2007) Cenários regionalizados de clima no Brasil para o Século XXI: Projeções de clima usando três modelos regionais. Relatório 3, MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE - MMA, SECRETARIA DE BIODIVERSIDADE E FLORESTAS –SBF, DIRETORIA DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE – DCBio Mudanças Climáticas Globais e Efeitos sobre a Biodiversidade - Sub projeto: Caracterização do clima atual e definição das alterações climáticas para o território brasileiro ao longo do Século XXI. Brasília, Fevereiro 2007. Botta A, Ramankuttym N, Foley J. A. 2003: Long-term variations of climate and carbon fluxes over the Amazon Basin. Geophysical Research Letters 29. 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Modelo Global País de Origem 1) CNRM_CM3 FRANÇA 2) CSIRO_MK3.0 AUSTRÁLIA 3) ECHAM5/MPI-OM ALEMANHA 4) GFDL-CM2.1 EUA 5) GISS-ER EUA 6) UKMO-HADCM3 REINO UNIDO 7) IPSL-CM4 FRANÇA 8) MIROC3.2 (medres) JAPÃO 9) MRI-CGCM2.3.2 JAPÃO 86 ANUAL DJF MAM JJA SON Figura Ann-1 – Média das simulações de nove modelos globais utilizados no IPCC AR4 de anomalias de precipitação (%) anual e sazonal, no período de 2071 a 2099, para os cenários A2 (esquerda) e A1B (direita). 87 ANUAL DJF MAM JJA SON Figura Ann-2 – Média das simulações de nove modelos globais utilizados no IPCC AR4 de anomalias de temperatura (?C) anual e sazonal, no período de 2071 a 2099, para os cenários A2 (esquerda) e A1B (direita). 88