APRESENTAÇÃO Eu, Maria Laura Maciel da Silva, nascida em Ponte Nova/MG, filha de Geraldo Anatolio da Silva e Ezilda de Assis Maciel da Silva, atualmente residente a Rua Frei Candido, 73 apto 303, na cidade de São João DelRei/MG. Durante a trajetória de minha vida, realizei importantes atividades nas quais circularam: afetos, idéias, perspectivas e escolhas compartilhadas rumo a um novo olhar, a uma nova conquista sempre. Ingressei no curso de Licenciatura em Química pela Universidade Federal de São João Del-Rei no ano de 2008, a fim de percorrer novos caminhos dos saberes, partilhar experiências, conhecer pessoas, preparar-me para ser uma profissional. 5 OBJETIVO Refletir sobre minha história durante os meus 27 anos. Apresentando minhas histórias em família, com os amigos que fiz durante toda a vida, as escolas que estudei até os dias de hoje na Universidade e como bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência – Pibid. MEU NASCIMENTO No dia 17 de fevereiro de 1985 às 22 horas, em um domingo de carnaval, eu dava meu primeiro choro no Hospital Arnaldo Gavazza Filho em Ponte Nova/MG. Felicidade imensa para os meus pais, pois era primeira filha do casal. Fotografia dos meus primeiros meses de vida Meus primeiros passos foram à alegria dos meus pais e dos meus avós maternos, já que eu fui criada com eles para os meus pais trabalharem. Era a quarta neta, mas a que vivia constantemente entre meus avós e tios. Com certeza fui muito bajulada, sempre tinha um colinho para me carregar e fazer um carinho. Lembro que eu era nessa época a modelo da família, meus tios adoravam tirar fotos comigo no colo. 6 Eu fui crescendo, o trabalho foi aumentando e a vida de ir para a casa dos avós continuava, até eu me ingressar na escola, no mesmo ano que o meu irmão Cássio nasceu, para ser o novo xodó da família. Eu e meu irmão. VIDA ESCOLAR ENSINO FUNDAMENTAL – ATÉ A 4ª. SÉRIE Aos cinco anos minha mãe me matriculou em uma escola próxima ao meu bairro, era a Escola Estadual Governador Bias Fortes. Escola em que estudei até a 4ª. Série Foi um desespero, chorava todos os dias quando minha mãe me deixava na escola, não queria ficar por nada, queria voltar para a casa da minha avó. Até o dia em que descobri que minha mãe me deixava na escola e ficava escondida me olhando para ver se eu parava de chorar e assim eu fui me adaptando, conhecendo os amiguinhos e as professoras sempre muito dedicadas e compreensivas. 7 Primeiro foi a Tia Elza do Jardim I, que professora maravilhosa com ela aprendi as primeiras lições. Como fiz tarefas de ligue os pontos e colorir nessa época. Adorava o dia de brincar com as massinhas coloridas saía cada bonequinho engraçado! No mesmo ano por questões de idade e do meu desenvolvimento durante as aulas eu passei para a sala da Tia Márcia no Jardim II. Nessa época já dava para perceber que eu tinha interesse pelos estudos. A professora Márcia muito me elogiava para os meus pais e além de minha professora, era também minha vizinha. As suas aulas também eram muito produtivas, as atividades eram um pouco mais trabalhosas que as do Jardim I, mas eu sempre conseguia desenvolvê-las. Nessa época tínhamos muitos trabalhos para fazer em sala de aula, além de atividades culturais como: teatros, danças e desfiles. Apresentação dia do Índio Desfile na escola 8 Eu e a professora do Jardim II Sem contar os aniversários em sala de aula como era gostoso o dia das festinhas dos colegas, fazíamos uma bagunça bem gostosa. No ano de 1991 fui para o Pré-Escolar da professora Ana Virgínia, mas que todos chamavam carinhosamente de Tia Gininha, era uma professora muito exigente e que deixava alguns alunos com certo receio em suas aulas. Foi nessa época desenvolvi muito a leitura, pois tinha um caderno de leitura e toda semana a professora tomava a lição, que frio na barriga que me dava. Mas todos os alunos ficavam ansiosos para o dia da formatura, era uma alegria assinar o diploma e recebê-lo no dia da festa. Sempre neste dia havia teatro para a família, apresentações musicais, declamações de poesias e apresentações dos nossos melhores trabalhos feitos durante o ano. 9 Diploma do pré-escolar. Formatura do pré-escolar. Sou muito grata a Tia Gininha, assim como as Tias Elza e Márcia que foram sem dúvidas o início de tudo em minha vida escolar. Foi ali que aprendi a ler e a escrever, para dar continuidade aos estudos e chegar aos dias de hoje. Depois fui para a 1ª. série do Ensino Fundamental, onde comecei a aprofundar em meus estudos, aprendendo tabuada, interpretação de textos, um pouco de história e geografia, me dando cada vez mais conhecimento para seguir em frente com os meus estudos. O tempo foi passando e a cada ano eu adquiria mais conhecimento e minha mãe quando podia ir à reunião de pais sempre ouvia elogios a meu respeito e as notas eram ótimas. Estudei nesta escola até a 4ª. série do Ensino Fundamental e adorei fiz grandes amigos que tenho até hoje em meu convívio quando estou em 10 Ponte Nova, desenvolvi minha capacidade de raciocínio e fui às vezes até um pouco além do que os professores esperavam. ENSINO FUNDAMENTAL – 5ª a 8ª SÉRIE Devido ao meu desenvolvimento escolar, meus pais resolveram me matricular para a 5ª. série do Ensino Fundamental na Escola Municipal José Maria da Fonseca, por ser uma escola com maior disciplina em relação à primeira escola que estudei. Entrada da Escola Municipal José Maria da Fonseca E no início de fevereiro de 1996 eu comecei as minhas aulas no famoso “Municipal” como é chamada a escola em Ponte Nova. Era uma ansiedade tamanha, ter mais professores, colegas novos, novo uniforme e novo horários. Primeiramente estudei a 5ª e 6ª séries no período da tarde e a 7ª e 8ª séries no período da manhã, estudar na parte da manhã para mim foi espetacular eu achava diferente, pois sempre havia estudado no período da tarde. Na 5ª série me lembro muito bem das aulas de Português. Oh! Quanto aperto, a professora muito rigorosa, adorava arguição oral dos verbos, quanto aperto, ela sempre chamava pela numeração do diário e lá ia eu e mais três amigos que nunca sabiam responder corretamente e sempre sobrava pra eu responder. Mas, não pensem que eu respondia sempre corretamente era um frio na barriga, uma tremedeira que eu engasgava a toa até sair o que a professora solicitava e nem sempre totalmente correto. No primeiro bimestre perdi nota de Português e lá veio a minha primeira bronca em casa após a reunião de pais. Mas também foi 11 somente está nota perdida, depois recuperei, acostumei com o ritmo de estudos que era preciso para conseguir boas notas e ninguém mais me segurou. Adorava todos os meus professores inclusive a professora Elisa, me lembra muito bem de suas aulas, era uma professora amiga, dedicada, ensinava a disciplina de História como ninguém, era difícil encontrar alguém na escola que não gostava de suas aulas. Infelizmente no primeiro bimestre da 6ª série a perdemos e ela foi morar junto de DEUS, deixando uma saudade imensa em todos os alunos. Quando eu estudava na 6ª série comecei a participar de competições esportivas realizadas pela escola, foi quando disse quero ser professora de Educação Física. Eu jogava peteca, futsal e handebol, fui eleita a melhor jogadora de futsal da escola nos Jogos Internos de 1997 e com isso fui convocada para jogar no time de futsal da escola nos jogos escolares municipais. Não ganhamos, a escola foi eliminada na primeira fase, mas lembro muito bem que fiz um belo gol em nosso primeiro jogo e quando olhei para o lado vi meus pais no meio dos torcedores me vendo jogar, fiquei muito feliz e adorei a experiência como atleta. Na 7ª série foi a primeira vez que tive aulas de inglês era tudo novo, eu sempre quis aprender inglês achava diferente, chique. Mas a professora que tive não foi das melhores e foi nessa época que perdi o interesse em aprender inglês, estudava apenas para as provas. Adorava as aulas de Ciência com a professora Maura, aí começou a minha vocação para a área de Ciências Naturais. Ás vezes fazia experimentos no laboratório, eu nunca havia entrado em um laboratório de Ciências de uma escola antes. Lembro que o primeiro experimento que fiz, foi sobre separação de misturas e em um pequeno vidro transparente foi colocado água e óleo, era observado e depois tudo era anotado no caderno de laboratório. Nesse experimento lembro que o nome do experimento escolhido pelo meu grupo foi “A mistura dos que não se misturaram”. Em seguida, foi feito café para aprender sobre a filtração e foi uma loucura o laboratório ficou uma sujeira de pó de café, mas com certeza muito dessa aula eu aprendi e me marcou muito, senão talvez nem lembrasse mais desse acontecido. A segunda aula no laboratório foi para sobre ácido-base, onde foi feito indicadores com beterraba e papel de filtro e foi testado em substâncias do cotidiano como suco de limão, detergente, xampu entre outros que não lembro no momento. Durante as aulas de laboratório minha turma era bem comportada, era uma pena 12 não ter sempre aulas desse tipo, talvez tivesse incentivado mais alunos para a área de Ciências Naturais. A 8ª. série foi sem dúvidas para ficar na história, uma turma que estudava desde a 5ª. série juntos e em ano de formatura, foi uma maravilha. Muitas festinhas para arrecadar dinheiro para o fundo de formatura e uma ansiedade no rosto de todos. Dancei quadrilha na escola, participei de gincanas, trabalhei na barraca de doces, vendi convites para a entrada das festas, com certeza esse ano me dediquei muito a eventos com os meus amigos, quantas risadas, brincadeiras, enfim como foi divertida essa época. Até o dia da tão esperada formatura, onde a professora Maura foi a paraninfa da turma, primeiramente tivemos uma missa com a entrega dos certificados e em seguida uma festa para os professores e alunos formandos. Recebendo o certificado de conclusão da 8ª. Série A festa maravilhosa foi a primeira vez que bebi e fiquei meio alterada. Mas só tenho a elogiar a formatura de 8ª. série e até hoje tenho uma saudade imensa dos colegas e professores da escola “Municipal”. ENSINO MÉDIO Como na escola “Municipal” não havia o Ensino Médio a minha turma de 8ª. série separou e cada aluno foi para uma escola diferente. Eu fui estudar no Colégio Equipe de Ponte Nova, uma escola particular e com o ensino totalmente voltado para o vestibular, por isso minha mãe me matriculou nessa escola. E em fevereiro de 2000 eu fui para mais uma etapa de minha vida, colegas novos mais uma vez e 13 professore jamais conhecidos, pois a maioria dos professores do Colégio Equipe é da cidade de Viçosa/MG. Colégio Equipe de Ponte Nova O sistema de ensino totalmente desconhecido do que eu já havia visto, fiquei perdida, mas aos poucos fui me adaptando. O colégio adota apostilas elaboradas pelos próprios professores e a cada bimestre era duas apostilas imensas, sendo uma de teoria e outra de exercícios, além das disciplinas de Química, Física, Biologia e Matemática serem divididas entre três professores e todo dia havia seis aulas. Tive que ter o hábito de estudar todos os dias, porque toda semana fora do horário de aula era realizado o famoso “testinho” onde tinha uma questão de cada professor para ser resolvida e ao final ser entregue para quem estava aplicando o teste. Ao final de cada bimestre havia a semana do provão, que era realizado a cada duas ou três disciplinas por dia, onde havia apenas questões de múltipla escolha. Estudar no Colégio Equipe com certeza foi um grande desafio para mim, tudo muito diferente do mundo em que eu vivia pessoas, métodos de ensino e modelos de provas. Mas gostei do desafio e mais uma vez o superei, fiz grandes amigos e dei muitas gargalhadas com eles. Lembro-me muito bem das músicas em sala de aula para insultar os colegas que o Dudu e o Samuel faziam, e as bolinhas de papel e pedaços de giz que os meninos jogavam durante as aulas para irritar Bárbara Kelly e Paloma. Sem contar da vez em que pegaram minha caneta novinha e meu prendedor de cabelo e eu fiquei com muita raiva, pois não sabia com quem estava e parecia que todos sabiam e não queriam me dizer. 14 Turma do 3º. Ano do Ensino Médio Sem contar das aulas de Redação do professor Jaderson, onde ele corrigia as redações em voz alta em sala de aula. Lembro-me do dia em que escrevi “seje” e ele havia dito que era errado na aula anterior, meu Deus que vergonha me senti uma burra, voada que não prestava a atenção na aula, mas até hoje me lembro desse erro e tenho a certeza que vou lembrar para sempre e jamais vou errar. Não posso ficar triste com isso, pois minhas redações sempre foram elogiadas pelo Jaderson. Não posso esquecer-me do professor Marco Antônio da biologia e suas aulas espetaculares, tudo que não podia ser esquecido para o vestibular, ele dava um murro no quadro que assustava a todos. E as aulas de Literatura com o André Lazarotti quantas risadas, quanta história engraçada ele contava em sala de aula. Mas o que marcou e vai ficar para sempre na minha vida são as aulas de Química do professor Emerich, sem dúvida o melhor professor de química de todos os tempos, ensinava como ninguém e foi a partir daí que me apaixonei pela química e procurei cada vez mais estudar e a me interessar pela área. Com certeza minha profissão foi escolhida no finalzinho do segundo ano do ensino médio, só pensava em fazer algo na área, procurei saber mais sobre outras profissões, como Agronomia e Farmácia, mas sempre procurava saber se estudava a disciplina de química em seus conteúdos. Estudar no Colégio Equipe me ajudou a escolher a minha profissão e a ser uma boa profissional e até hoje me espelho nas aulas do professor Emerich quando vou lecionar. Só tenho a agradecer a família Equipe por tudo. 15 Formatura 3º. Ano – Ensino Médio POR AÍ COM OS AMIGOS Sempre fui dedicada aos estudos, mas nunca deixei de uma vida social com os amigos do meu bairro e com a minha família, sem contar nos namoricos que sempre aconteciam principalmente dos 13 aos 17 anos. Desde os meus seis anos brincava na praça do meu bairro com os meus amigos, era sempre uma bagunça. Eu tinha uma lousa onde adorava brincar de professora – “professora desde pequenina”, escrevia na lousa e meus amigos eram os alunos que iam copiando, escrevia o que aprendia na escola, era uma maneira de estudar o que havia aprendido em sala de aula. Eu fui crescendo e as brincadeiras foram mudando, passei a brincar então de queimada era uma alegria, principalmente nos dias em que a aula acabava mais cedo. Pique mamãe da rua também era uma das minhas brincadeiras favoritas, a vizinhança ficava irritada, pois eram muitos gritos e um “corre corre” tremendo. Tanto os vizinhos reclamaram que eu e meus amigos por volta dos 12 anos resolvemos entrar na era do patins e a confusão foi formada. Era barulho de patins o tempo todo, fim de semana os vizinhos diziam impossível escutar a televisão devido ao barulho, quantos tombos nessa época vivia com o joelho e os braços esfolados. 16 Andando de patins no meu bairro. Como é tipo de criança fazer uma travessura, comigo não podia ser diferente, um belo domingo fui para a casa de uma amiga, onde o quintal de sua casa fazia divisa com o Rio Piranga – rio que corta a cidade de Ponte Nova/MG resolvemos ir nadar juntamente com outros amigos, a tia da minha amiga viu e logo telefonou para o meu pai, que foi até o local e me deu boas varadas, apanhei demais, mas aprendi que era errado e que nadar neste rio é muito perigoso e que eu poderia pegar alguma doença. Adorava as festas juninas e do dia das crianças no meu bairro, sempre participava de danças e teatros. Já fui noiva da festa junina duas vezes, a primeira vez com sete anos, casei com um colega que todos diziam meu namorado e não é que esta história rendeu. Poucos anos depois fomos convidados a apresentar um teatro no bairro sobre a turma do Chaves e logo o casal teve que ser par romântico – eu de D.Florinda e ele de Professor Girafales. Esse teatro foi uma graça todos gostaram muito, os ensaios super divertidos e o melhor foi o dia da apresentação com todos caracterizados e eu estava lá cheia de rolinhos na cabeça, dei tapa na cara do Seu Madruga e ao final recebi um lindo buquê de rosas vermelhas do Professor Girafales. 17 Teatro Turma do Chaves Infelizmente eu cresci e as diversões foram mudando, quando fiz 14 anos já não queria mais brincar, queria sair para festas e shows na cidade com minhas amigas e era difícil, para sair à mãe de alguma amiga sempre tinha que ir, não podíamos ir sozinhas. O point era “Sexta na Avenida” adorava, arrumava toda com certeza para ver aquele rapazinho que fazia meu coração bater mais forte. E assim o tempo foi passando e as opções de festas também foram mudando, terminei o terceiro ano do ensino médio não passei no vestibular e fui para Viçosa fazer curso pré-vestibular. Morar em Viçosa foi uma experiência única em minha vida, amadureci muito, aprendi a conviver com pessoa de costumes diferentes dos meus, foram dois anos de muito aprendizado, não passei no vestibular. Também era complicado, morar em Viçosa, primeira vez que saí de casa e não aproveitar todas as festas que tinha na cidade. Fiz amizades, curti muito, mas estudar confesso que foi pouco por isso não consegui passar no vestibular que em 2002 a 2004 era muito mais concorrido do que nos dias de hoje para o curso que eu me candidatei. AULAS PARTICULARES Não conseguindo ser aprovada no vestibular voltei a morar em Ponte Nova com os meus pais. E precisava arrumar alguma maneira de ganhar dinheiro, resolvi então dar aulas particulares. Essas aulas aconteciam em minha casa, cada aluno 18 tinha seu horário, alguns eu ajudava a fazer as lições de casa de todas as disciplinas e fazia acompanhamento durante todo o ano, outro ensinava matemática e química em semanas de provas. Infelizmente muitos alunos somente procuravam aulas particulares quando suas notas já estavam muito ruins. Tem uma aluna que achei muito interessante, ela estava com notas abaixo da média de praticamente todas as disciplinas, estudava em uma escola particular da cidade de Ponte Nova e sua mãe desesperada pediu que eu estudasse com ela tudo que ela precisasse – pensei que não ia dar conta, mas no final deu tudo certo. Marcamos aula até aos domingos, estudamos geografia, literatura brasileira, matemática e química, durante dois meses. Na semana das provas acho que fiquei mais ansiosa que a própria aluna, mas no final ela conseguiu passar de todas as disciplinas e isto me fez ficar muito alegre, pois na época dois alunos que tive de matemática haviam sido reprovados e estava pensando em parar de dar aulas, pois os pais só elogiam e fazem propaganda do professor quando seus filhos são aprovados. Mas não desisti de dar aulas, pois além de precisar do dinheiro eu gostava muito do que fazia e também ocupava meu tempo. Foi uma fase de minha vida que me mostrou o caminho certo a seguir o da licenciatura, eu vi que tinha o dom para lecionar. Porém o ano acabou e no inicio do ano seguinte não apareceram mais alunos, pois a maioria somente procura aula particular a partir do meio do ano. TRABALHANDO COM O MEU PAI Resolvi ir trabalhar com o meu pai em sua loja de material de limpeza, no ano de 2006 e novamente estava no meio da química do dia a dia da dona de casa. Trabalhava de 8 horas da manha às 18 horas da noite. Fazia de tudo um pouco, trabalhava no caixa, embalava, fazia serviço de banco e entregas. Com certeza mais uma experiência em minha vida que me ajudou a decidir estudar Química. Vendo de perto a necessidade de ter um químico presente na loja do meu pai e o valor altíssimo que os profissionais da área estavam cobrando não tive mais dúvidas, resolvi fazer química para poder dar aulas e também levar a diante a empresa da família. 19 Trabalhei um bom tempo na loja do meu pai, aprendi muito, conheci muitas pessoas e passei alguns apertos quando ficava sozinha na loja, mas sempre consegui sobressair. No mês de agosto de 2007 resolvi que no final do ano iria prestar vestibular para o curso de química novamente. Inscrevi-me para as vagas de química da Universidade Federal de São João Del-Rei e para Universidade Federal de Viçosa, passando na UFSJ e ficando excedente e não sendo chamada para a UFV. Foi uma felicidade tamanha para todos de minha família, o curso Química Licenciatura, tudo que eu queria naquele momento e mais uma vez minha vida sofre uma reviravolta, larguei o emprego na loja do meu pai e fiz minha mudança para São João Del-Rei. MORANDO EM SÃO JOÃO DEL-REI Cheguei a São João Del-Rei no dia 16 de fevereiro de 2008, primeiramente fui morar com duas colegas da minha cidade que também haviam passado no vestibular para o curso de química. No dia 18 de fevereiro as aulas começaram o primeiro dia de aula confesso que deu um frio na barriga, pois era tudo novo. No primeiro dia o professor Valdir Mano apresentou o Departamento de Ciências Naturais para os calouros de química, em seguida houve o trote onde conheci vários veteranos do meu curso e fiquei totalmente suja de ovo e farinha. No inicio do meu curso fiz poucas amizades, mas aos poucos fui conhecendo melhor todas da turma e fazendo grandes amigos. 20 Amigas do curso de química Passei muitos apertos no inicio, principalmente com Física I que foi a minha primeira reprovação na UFSJ. O tempo foi passando e eu tinha muita vontade de trabalhar em algum projeto que fosse voltado para a área de educação, a principio não encontrei nenhuma área de pesquisa no Departamento que me interessasse. Até o dia em que um amigo do curso de física me falou sobre o processo seletivo que estava acontecendo para o Pibid e eu me candidatei. O tempo foi passando e fui me interessando muito mais pelo curso, e me adaptando em São João Del-Rei. Não foi fácil ficar longe de casa, a saudade da família era grande. Cheguei pensar em desistir, mas não poderia largar esse sonho para trás, então segui em frente, reprovei em algumas disciplinas, mas também fui muito bem em outras. Confesso que ficava triste quando era reprovada em alguma disciplina, mas nunca desistia. Isso me deixou atrasada em relação a minha turma, mas quando se busca um ideal nada é totalmente fácil, só não podemos desistir e meu lema foi: “desistir jamais.” Participei da formatura com a minha turma mesmo estando atrasada em algumas disciplinas e ainda estou na faculdade terminando essas disciplinas e completando meu curso com o bacharelado. 21 Formandos Química e Física 2011. Pretendo em breve ter o meu diploma em mãos e poder trabalhar no que tanto gosto – dar aulas de química e ser a química da empresa do meu pai. E quem sabe mais na frente fazer também um mestrado. PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSA DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA PIBID Como já comentei fiquei sabendo do Pibid por um amigo do curso de física, então procurei saber mais sobre o projeto e me candidatei a uma vaga enviando email para o coordenador do Pibid, que me retornou marcando uma entrevista. Ao ser entrevistada fiquei ansiosa esperando o resultado, infelizmente não fui selecionada, pois eu estava ainda no segundo período e os meus concorrentes que já estavam a mais tempo no curso foram selecionados. Porém, uma pessoa escolhida desistiu então o professor Paulo César Pinheiro me chamou para fazer parte do grupo. Aos poucos fui aprendendo cada dia mais com cada um do grupo, fui amadurecendo, me envolvendo mais com a escola em que fui selecionada para trabalhar a Escola Estadual Governador Milton Campos, onde fui muito bem recebida por todos. Primeiramente trabalhei juntamente com a Anna Célia na turma do primeiro ano do Ensino Médio, onde desenvolvemos várias atividades com a supervisão da professora Eliane Ramos. 22 Em 2010 o Paulo César me deu a brilhante idéia de trabalhar com a bolsista Bruna Marina e desenvolver um projeto sobre medicamentos nas turmas do 2º. ano. Desenvolvi juntamente com a Bruna um excelente projeto para ser aplicado em cinco aulas. Umas das aulas foi um vídeo feito nas ruas de São João Del-Rei, onde populares eram entrevistados e diziam o que achavam sobre a automedicação e quais medicamentos eles costumavam usar. A filmagem desse vídeo foi muito legal, a Anna Célia filmou, enquanto eu e a Bruna entrevistávamos as pessoas. Recebemos muitos “nãos”, pois o pessoal tinha vergonha de ser entrevistados. Mas não desistimos e no final de uma manhã conseguimos algumas entrevistas que muito colaborou para o nosso trabalho. O vídeo foi editado e apresentado para os alunos. O projeto sobre medicamentos foi muito elogiado pelos funcionários da escola onde trabalhamos principalmente pela professora Eliane, que um dia me elogiou e fiquei tão feliz que fui para a casa com a chave do laboratório da escola. Quando cheguei em casa recebi uma ligação dela, perguntando pela chave, foi quando percebi que estava com ela no bolso. Então pedi a um moto-taxi para entregá-la na escola para mim. O sucesso do projeto sobre medicamentos e os riscos da automedicação foi grande, eu e o Paulo César escrevemos um artigo para a revista Química Nova na Escola e também o apresentei no Simpósio de Educação Química em 2011 oralmente e em painel, onde mais uma vez fui elogiada pelo trabalho. Posso dizer que o Pibid foi fundamental para a minha formação como professora de química, pois aprendi muito com o projeto, principalmente com Paulo César Pinheiro e a Eliane. INSTITUTO AUXILIADORA Não posso deixar de relatar aqui minha experiência como monitora do laboratório da Escola Instituto Auxiliadora durante 3 meses em 2011. Com certeza aprendi muito auxiliando os professores no laboratório, preparando práticas, fazendo soluções, testando os microscópicos e organizando o laboratório em geral. Durante o tempo em que trabalhei no IA eu lecionei Ciências para turmas de 5ª. E 6ª. séries, os alunos eram muito eufóricos fizeram uma bagunça não paravam 23 sentados, eu pensei que não daria conta, com muito custo consegui que eles prestassem atenção no que eu tinha a dizer e comecei a passar a matéria no quadro, como a professora havia me pedido. Eles copiaram e infelizmente não consegui passar toda a matéria, devido ao tempo em que perdi tentando acalmá-los. Durante o período que fui monitora do laboratório do IA ocorreu a Feira de Ciências, onde ajudei os alunos a testar seus experimentos e a organizar o laboratório antes, durante e após o evento. Foi uma loucura, pois os alunos toda a hora me procuravam querendo um reagente ou uma vidraria, no final praticamente todas as vidrarias estavam sujas, demorei a colocar o laboratório em ordem novamente, mas adorei a experiência, sou encantada por aulas em laboratório. Para ser professor não basta apenas querer dar aulas, deve haver o dom, satisfação e o prazer em lecionar. “É poder mostrar o caminho, mas deixar que o aluno caminhe com seus próprios pés.” É preciso ter conhecimento e saber transmiti-lo, é levar para a sala de aula a química do cotidiano dos alunos e ver que eles estão aprendendo e participando das aulas, é poder ensinar fórmulas, reações e também conscientizar cada um sobre questões do meio ambiente. Com certeza ser professor de Química para mim é a realização de um sonho. 24 ANEXOS Atendendo a proposta desse trabalho, apresentei para a turma do 3º. ano do ensino médio da Escola Estadual Senador Antônio Martins em Ponte Nova, esse portfólio. Escola onde apresentei meu portfólio. A turma prestou atenção em minha apresentação e ao final responderam o que a seguinte questão: “O que é ser estudante de Química para você?” Alunos respondendo a questão. Após responderem a questão solicitada, recolhi para anexar nesse trabalho, agradeci a todos e distribui algumas balas para eles. 25 Apresentam-se a seguir as respostas dos alunos entrevistados. Foram selecionadas as respostas mais coerentes. 26 27 28 29