UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
MARCELO LOPES RABELO ZUZA
GEOPROCESSAMENTO APLICADO A AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL DAS
TRILHAS DA RPPN DO PANGA
UBERLÂNDIA - MG
Uberlândia
2010
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
MARCELO LOPES RABELO ZUZA
GEOPROCESSAMENTO APLICADO A AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL DAS
TRILHAS DA RPPN DO PANGA
UBERLÂNDIA - MG
Trabalho Final de Graduação do curso de
bacharelado em Geografia da UFU
orientado pelo Profº Douglas Gomes dos
Santos
Uberlândia
2010
2
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
MARCELO LOPES RABELO ZUZA
GEOPROCESSAMENTO APLICADO A AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL DAS
TRILHAS DA RPPN DO PANGA
UBERLÂNDIA - MG
Aprovado pela Banca Examinadora em: ___/___/_____ Nota:____
____________________________________
Profº Dr. Douglas Gomes dos Santos
Presidente da Banca Examinadora
____________________________________
Profa. Msc. Kátia Gisele de Oliveira Pereira
Membro da Banca Examinadora
____________________________________
Profº Dr. Jorge Luis Brito Silva
Membro da Banca Examinadora
Uberlândia
2010
3
AGRADECIMENTOS
Agradeço em primeiro lugar à instituição pública, que me deu a oportunidade de estudar e
me formar como um pesquisador, e a qual eu tenho uma enorme dívida, que espero um dia quitá-la
através da minha atuação profissional destinada à população brasileira que me financiou.
Agradeço à minha mãe, minha eterna mentora, que em seus ensinamentos nunca idealizou a
ganância pelo sucesso, mas apenas a conquista da humildade de um eterno aprendiz.
Agradeço ao meu orientador Douglas que apesar das minhas diversas falhas como
orientando, acreditou no meu trabalho e nunca desistiu de me orientar.
Agradeço ao Laboratório de Cartografia e Sensoriamento Remoto do Instituto de Geografia
da UFU, juntamente com o professor Jorge Brito, que me deram grande suporte nesta pesqusisa.
Agradeço à PROEX pelo financiamento de bolsas durante parte da minha pesquisa.
Agradeço ao Laboratório de Cartografia e Sensoriamento Remoto por disponibilizar todo o
auxílio técnico e ferramentas necessárias para a execução deste trabalho.
Agradeço ao meu amigo Henrique que sempre me apoiou em momentos bons ou ruins,
sempre fazendo o possível para me ajudar em momentos difíceis.
Agradeço à minha amiga Mônica, minha conselheira diária, sempre presente a responder
meus inúmeros questionamentos sobre este mundo confuso.
Agradeço a minha amiga Sofia, por sempre me informar quando eu estou realmente
persistindo nos meus erros e me surpreender com idéias agradáveis.
4
RESUMO
O bioma dos Cerrados possui um número de áreas protegidas pouco representativa no Brasil,
comparando-se com a sua área total e com as áreas protegidas de outros biomas. A Reserva
Particular do Patrimônio Natural (RPPN) do Panga, é uma das poucas áreas protegidas de Cerrado
no Triangulo Mineiro. Localizada no município de Uberlândia, esta reserva pertence à Universidade
Federal de Uberlândia. Com mais de 25 anos de funcionamento, o Panga ainda não possui Plano de
Manejo que regulamente seu uso. Nesse contexto, é questionável o planejamento e gestão das
trilhas existentes, pelo fato de muitas apresentarem impactos facilmente visíveis em seus trajetos. O
objetivo deste projeto é executar um roteiro de Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) com o uso
de Sistemas de Informação Geográfica (SIGs), para identificar os impactos ambientais existentes,
para que possam ser, em futuras pesquisas, recuperados e as trilhas replanejadas para melhor uso,
assim contribuindo para um possível plano de Manejo para esta RPPN.
Palavras-chave: Unidade de Conservação, trilhas, Plano de Manejo, Avaliação de Impacto
Ambiental, SIG.
5
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO
9
2
OBJETIVOS
10
2.1
Objetivos Gerais
10
2.2
Objetivos Específicos
10
3
REFERENCIAL TEÓRICO
10
4
MATERIAIS E MÉTODOS
16
4.1
Aquisição E Processamento De Dados Espacias Referentes A Áreas De Estudo
17
4.1.1 Obtenção Dos Dados De Entrada Necessários Para Análise Da Área De Estudo Por
Geoprocessamento
4.1.2 Análise da vegetação na área de estudo, mapeamento das fitofisionomias existentes
17
18
4.1.3 Análise da Ocupação no Entorno Da RPPN, Elaboração de Mapa de uso do solo na
Escala De 1:25.000
23
4.2
Avaliação Qualitativa Das Trilhas Existentes Na Rppn Do Panga
27
4.3
Avaliação Quantitativa Das Trilhas Existentes Na Rppn Do Panga
30
5
RESULTADOS E DISCUSSÕES
31
5.1
Aquisição e processamento de dados espacias referentes a áreas de estudo
31
5.1.1 Análise da vegetação na área de estudo, mapeamento das fitofisionomias existentes
31
5.1.2 Análise da ocupação no entorno da RPPN, elaboração de mapa de uso do solo na
escala de 1:25.000
37
5.2
Avaliação Qualitativa das Trilhas existentes na RPPN do Panga
39
5.3
Avaliação Quantitativa das Trilhas existentes na RPPN do Panga
44
6
CONSIDERAÇÕES FINAIS
47
7
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
48
6
LISTA DE FIGURAS
Figura 1
Localização da Estação Ecológica do Panga e caracterização da vegetação
12
ocorrente
Figura 2
Carta Imagem da RPPN do Panga
22
Figura 3
Carta imagem Folha SE 22-Z-D-III-1-SO Ribeirão Panga
26
Figura 4
Esquema de aspectos para planejamento de trilhas aplicado ao PECJ
27
Figura 5
Proposta de Zoneamento para a Estação Ecológica do Panga
29
Figura 6
Mapa de fitofisionomias, topografia e trilhas da RPPN do Panga
32
Figura 7
Mapa das fisionomias e trilhas na RPPN do Panga
33
Figura 8
Mapa de Trilhas e topografia na RPPN do Panga
34
Figura 9
Perfil topográfico Trilha Vereda 1
35
Figura 10 Perfil topográfico Trilha vereda 2
36
Figura 11 Perfil topográfico Trilha Mata Mesofítica
36
Figura 12 Perfil topográfico Trilha Norte
36
Figura 13 Uso do solo Folha SE 22-Z-D-III-1-SO Ribeirão Panga
38
Figura 14 Trecho da Trilha da Entrada
39
Figura 15 Trecho da Trilha da Vereda 1
40
Figura 16 Trecho da Trilha da Vereda 2
41
Figura 17 Trecho representando as más condições da Trilha Norte
42
Figura 18 Trecho que ilustra uma das diversas fitofisionomias encontradas na Trilha
42
Norte
Figura 19 Processo erosivo em um trecho da margem do Ribeirão Panga proveniente de
43
ravinamento provocado pela trilha
7
LISTA DE QUADROS, TABELAS E GRÁFICOS
Quadro
Fontes de informação para o reconhecimento ambiental inicial da área e de seu
18
1
entorno
Quadro
Chave de Interpretação das fitofisionomias da RPPN do Panga
21
Chave de interpretação do mapeamento de uso do solo
25
2
Quadro
3
Tabela 1 Percentual de áreas públicas federais de acordo com os respectivos biomas
14
Tabela 2 Área referente às fitofisionomias do Panga em km²
35
Tabela 3 Valores de área referente so uso do solo em km²
37
Tabela 4 Matriz de impactos referentes às trilhas da RPPN do Panga
45
Gráfico 1 Percentual referente às fitofisionomias presentes no panga
35
Gráfico 2 Percentual referente ao uso do solo
37
8
1. INTRODUÇÃO
Dentro das perspectivas preservacionistas, a Unidade de Conservação é o melhor método de
se preservar patrimônios naturais, sendo o mais próximo de um modelo conservacionista possível.
No dia 18 de julho de 2000 foi estabelecida a Lei número 9.985 regulamentando o artigo 225 § 1º,
incisos I, II, III e IV da Constituição Federal, instituindo o Sistema Nacional de Unidades de
Conservação (SNUC).
Entende-se por Unidade de Conservação (UC) um espaço territorial e
seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com
características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder
Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime
especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de
proteção. (BRASIL, 2000).
Primack e Rodrigues (2001) afirmam que os Parques Nacionais são áreas que são
selecionadas por características de estética ambiental ou por potenciais ecológicos que necessitam
ser protegidos, constituem áreas com a possibilidade de uso científico, educacional e recreativo.
Não são habitualmente utilizados para extração comercial de recursos.
Morsello (2008) comenta que o preservacionismo na prática brasileira está extremamente
longe do que seria o ideal, levando em conta a dimensão de seu território nacional e o uso do solo, o
percentual de áreas protegidas é muito pequeno.
Segundo Moreno et al.(2008), no caso do estado de Minas Gerais, originalmente quase
metade de seu território era ocupado pelo bioma dos cerrados, desse total do bioma o que resta hoje
é apenas 25%. O bioma dos cerrados está sendo destruído rapidamente, e a política ambiental não
tem se preocupado o suficiente com isso.
A Estação Ecológica do Panga (EEP) é uma unidade de conservação na categoria Reserva
Particular do Patrimônio Natural (RPPN), na classe de Uso Sustentável (SNUC, 2000), pertencente
à Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e situada entre as coordenadas 19o09’20” e 19o11’10”
S, 48o23’20” e 48o24’35” W, distando aproximadamente 30 Km ao sul do centro urbano do
município de Uberlândia (Figura 1). A área da EEP é de 409,5 ha (SCHIAVINI; ARAÚJO, 1989),
com clima, segundo a classificação de Köppen, do tipo Aw Megatérmico, o que é característico dos
ambientes de Cerrado, com verões úmidos e invernos secos.
De acordo com Moreno et al. (2008), a área hoje ocupada pela RPPN do Panga era, até
1984, uma fazenda voltada para as atividades agropecuárias, e foi comprada, em 1985, pela UFU,
dando condições para a regeneração. Atualmente, conta com fitofisionomias campestres, savânicas
e florestais em toposequencia, constituindo-se em uma das poucas áreas preservadas com vegetação
9
nativa no município de Uberlândia/MG.
Desde a sua criação, o Panga não conta com o Plano de Manejo, instrumento fundamental
para o gerenciamento e o monitoramento das Unidades de Conservação, o que interfere diretamente
na visitação da UC, já que sem tal documento não há organização das potenciais atividades a serem
desenvolvidas na área protegida. Atualmente, não é possível a criação de uma RPPN sem a
existência do Plano de Manejo.
Dentro de toda essa questão, Man (1990) apud Decanini (2001) afirma que é necessário
enfatizar que a informação é uma ferramenta essencial no suporte às atividades de gerenciamento na
sociedade contemporânea, na qual as mudanças ambientais estão ocorrendo com rapidez singular. A
função intrínseca da informação é reduzir as incertezas no processo de tomada de decisão,
oferecendo várias alternativas, para que se possa escolher a solução ótima. O SIG é um caso
específico de sistemas de informação que manipula informações georreferenciadas. Assim,
Goodchild (1985) apud Decanini (2001) define um SIG como um sistema de informação que utiliza
uma base de dados espaciais para responder questões de natureza geográfica
2. OBJETIVOS
2.1. Gerais
•
Avaliar quantitativamente a qualidade ambiental das trilhas existentes na RPPN do Panga
2.2. Específicos
•
Criar um SIG com os dados exigidos para a execução adequada da AIA (Avaliação de
Impacto Ambiental)
•
Mapear as fitofisionomias existentes na reserva
•
Georreferenciar as trilhas existentes na reserva
•
Analisar a declividade existente nas trilhas
•
Elaborar matrizes de impacto ambiental de acordo com os dados gerados visando a análise
da situação ambiental que se encontram as trilhas existentes
•
Quantificar os dados elaborados como resultado da avaliação de impacto ambiental das
trilhas da RPPN do Panga.
10
3. REFERENCIAL TEÓRICO
Ressaltando a importância das Unidades de Conservação (UC) na proteção do patrimônio
natural, a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo (2009) afirma que, as UCs são a
pedra angular da conservação in situ da diversidade biológica, são importantes pelo seu papel na
preservação da diversidade biológica, do estoque genético representado pelos organismos vivos e na
manutenção de serviços essenciais dos ecossistemas em favor da qualidade de vida do ser humano.
Levando em conta a Reserva do Panga (Figura 1) especificadamente, que é classificada
como Reserva do Particular do Patrimônio Natural (RPPN), Ferreira et al. (2004) afirmam que as
RPPNs só passaram a ser reconhecidas como Unidades de Conservação (UC) com a decretação da
Lei 9.985/2000 (Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza - SNUC), na categoria
Unidades de Uso Sustentável que inclui os grupos: Área de Proteção Ambiental (APA); Área de
Relevante Interesse Ecológico (ARIE); Floresta Nacional (Flona); Reserva Extrativista (Resex);
Reserva de Fauna; Reserva do Desenvolvimento Sustentável; e Reserva Particular do Patrimônio
Natural (RPPN).
11
Fonte: MORENO et al. (2008)
12
Em relação às RPPN, diz o SNUC:
Art. 21. A Reserva Particular do Patrimônio Natural é uma área privada, gravada
com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica.
§ 1º O gravame de que trata este artigo constará de termo de compromisso
assinado perante o órgão ambiental, que verificará a existência de interesse
público, e será averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis.
§ 2º Só poderá ser permitida, na Reserva Particular do Patrimônio Natural,
conforme se dispuser em regulamento:
I – a pesquisa científica;
II – a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais;
§ 3º Os órgãos integrantes do SNUC, sempre que possível e oportuno, prestarão
orientação técnica e científica ao proprietário de Reserva Particular do
Patrimônio Natural para a elaboração de um Plano de Manejo ou de Proteção e
de Gestão da Unidade.
É importante destacar que, mesmo antes do SNUC-2000, quando as reservas particulares
eram consideradas áreas especialmente protegidas com o aval do Poder Público, com usos
relativamente restritos, já era deliberada a necessidade de plano de utilização (atualmente, Plano de
Manejo), que incluía seu zoneamento, e que o proprietário ficava sujeito a sanções administrativas
em caso de infração comprovada, porém sem prejuízo de responsabilidade civil ou penal
(FERREIRA et al., 2004).
De acordo com o que argumentado por MacArthur e Wilson (1967) apud Morsello (2008), a
primeira teoria sobre os métodos de proteção do patrimônio natural por parte de UCs surgiu na
década de 1960 com a Teoria do Equilíbrio de Biogeografia Insular, a qual afirma que o número de
espécies em ilhas com habitats semelhantes e na mesma latitude dependente do seu tamanho e do
seu grau de isolamento, além do balanço entre as taxas de imigração e as de extinção.
A taxa de imigração deve, supostamente, diminuir com o aumento do isolamento entre ilhas,
e a taxa de extinção deve aumentar com a redução do tamanho das ilhas. A partir disso foram
elaboradas três noções principais sobre esta teoria, que determinam o número de espécies em uma
ilha: 1) a noção de tamanho desta ilha; 2) a noção de distância entre ilhas e destas ao continente; 3)
o equilíbrio entre extinções e imigrações.
Morsello (2008) comenta que o preservacionismo na prática brasileira está extremamente
longe do que seria o ideal, levando em conta a dimensão de seu território nacional e o uso do solo, o
percentual de áreas protegidas é muito pequeno. Segundo Moreno et al (2008), no caso do estado de
13
Minas Gerais, originalmente quase metade de seu território era ocupado pelo bioma dos cerrados,
desse total do bioma o que resta hoje é apenas 25%. O bioma dos cerrados está sendo destruído
rapidamente, e a política ambiental não tem se preocupado o suficiente com isso, o que é justificado
pela Tabela 1.
Tabela 1 – Percentual de áreas públicas federais de acordo com os respectivos biomas
Domínio
Amazônico
Mata Atlântica
Cerrado
Caatinga
Planalto Brasileiro
Áreas Marítimas
Zonas de Transição (Pantanal)
% de área protegida em relação à
superfície ocupada por cada
bioma
7,6
2,0
0,9
0,1
1,1
0,8
0,7
Fonte: MORSELLO, 2008 (modificado).
O Cerrado constitui um dos diversos biomas existentes no território brasileiro, e assim como
os outros tem sua área ameaçada pelo uso e ocupação do solo desordenado. De acordo com Jepson
(2005), o Cerrado é uma savana tropical ocorrente no território brasileiro, ocupando 22% de sua
área, totalizando aproximadamente 1.783 milhões de km². Além do fato de toda sua importância
ecológica, a área ocupada pelo bioma Cerrado possui as origens de seis das oito maiores bacias
hidrográficas do Brasil, Bacia Araguaia-Tocantins, Bacia Paraná-Paraguai e Bacia do São
Francisco, o que é apresentado por Watzen (2006).
É importante ressaltar que a vegetação do Cerrado está adaptada ao longo período de
estiagem. O clima característico desse bioma possui duas estações bem definidas, uma seca e outra
chuvosa. As chuvas concentram-se principalmente entre os meses de outubro a abril, prevalecendo
o clima seco nos demais meses. (ASSAD, 1994 apud MASCARENHAS et al, 2009).
De acordo com Eintein (1972) apud Mascarenhas et al (2009), a forma com que as
fitofisionomias se distribuem no caso deste bioma, são referentes a três aspectos: 1) a fertilidade e o
correlacionado teor de alumínio (mais alumínio, menos fertilidade); 2) a profundidade do solo; 3) o
grau de duração de saturação da camada superficial ou subsuperficial do solo. O fogo também é um
agente modificador das paisagens, seja antrópico ou natural, tornando menos densa e baixa a
camada lenhosa (caule grosso). Segundo estes autores, as fitofisionomias do Cerrado são
classificadas como:
14
•
Cerradão: composto de árvores de grande porte, como estrato arbóreo geralmente entre 10 e
12 metros, com abertura fechada ou semiaberta
•
Cerrado strictu sensu: apresentado por dois estratos, um arborescente, que pode atingir até 6
metros, e um estrato baixo bem desenvolvido, formado pro gramíneas, subarbustos e
algumas ervas.
•
Campo Cerrado: forma mais pobre em estrutural florístico, onde os indivíduos do estrato
arborescente são mais esparsados, menores e retorcidos, com estrato baixo mais destacado.
•
Campo sujo: constituído por um estrato herbáceo bem desenvolvido, composto
principalmente de gramíneas, onde se distribuem, de maneira mais esparsa, alguns arbustos
e pequenas árvores.
•
Campo limpo: composto por um único estrato, constituído, principalmente por gramíneas.
Na região do Triângulo Mineiro a ameaça do bioma dos Cerrados também está presente,
justificada pelo grande crescimento das atividades agropecuárias que são responsáveis pela retirada
da vegetação, causando a destruição de vários ecossistemas. De acordo com Silva (2000), a região
do Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba constituiu-se nos anos 1970 uma fronteira que necessitava ser
ocupada pelo capital.
Isso tanto pelo fato de sua posição geográfica, próxima aos mercados
consumidores, quanto também por suas características físico-ambientais, que propiciavam a
expansão da produção agropecuária nos padrões da nova agricultura moderna, baseada no pacote
tecnológico da “Revolução Verde”.
Porém não é apenas a destruição da vegetação que gera impactos negativos ao ambiente,
existem outras formas menos expressivas que geram diversos danos. De acordo com o artigo 1º da
Resolução CONAMA 001/86:
(... )considera-se impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas,
químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria
ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente,
afetam:
I - a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
II - as atividades sociais e econômicas;
III - a biota;
IV - as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente;
15
V - a qualidade dos recursos ambientais.
De acordo com o SNUC (2000), art 2º, parágrafo XVII, para melhor qualidade das UCs é
necessário que tenham um documento que regularize suas atividades, nesse caso o Plano de
Manejo. Entende-se por plano de manejo: documento técnico mediante o qual, com fundamento nos
objetivos gerais de uma unidade de conservação, se estabelece o seu zoneamento e as normas que
devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implantação das
estruturas físicas necessárias à gestão da unidade.
Dessa forma, ressaltando a Geografia como ciência que tem, cada vez mais, desenvolvido
pesquisas na área de planejamento e gestão de UCs, surge a necessidade de novos métodos a serem
aplicados para melhor resultados das pesquisas desenvolvidas. Fitz (2008) diz que o avanço
tecnológico que tem causado maior influência na pesquisa geográfica está relacionado ao advento
das geotecnologias, com especial destaque para os Sistemas de Informações Geográficas (SIGs) e
os avanços na área de Sensoriamento Remoto. Burrough e Mcdonnell (1998) apud Fitz (2008)
afirmam que os Sistemas de Informação Geográfica constituem um poderoso conjunto de
ferramentas para coleta, armazenamento, recuperação, transformação e visualizarão de dados
espaciais do mundo real para um conjunto de propósitos específicos.
Desta forma, Rosa (1989) define Sensoriamento Remoto como o processo de se obter
informações espectrais sobre um objeto sem o contato físico com o mesmo, este processo envolve
coleta, processamento e análise da radiação eletromagnética refletida ou emitida pelos alvos da
superfície. Nesse Sentido, é necessário que os geógrafos busquem conhecer em detalhe esta
tecnologia, avaliando os aspectos práticos e teóricos de sua utilização.
4. MATERIAIS E MÉTODOS
Dentro da perspectiva do planejamento ambiental, para execução deste trabalho, optou-se
pela utilização do método de Avaliação de Impacto Ambiental aliado a técnicas de Cartografia,
Geoprocessamento, Sensoriamento Remoto, para melhor facilidade e execução dos objetivos
propostos.
A partir da proposta metodológica de Sánchez (2008), que consiste num roteiro
metodológico de avaliação de impacto ambiental, o qual define aspectos de meio físico, biótico e
16
humano, que primeiramente são analisados de forma qualitatica. Em seguida os dados coletados e
analisados, através de uma matriz de impactos ambientais, são cruzados e avaliados de forma
quantitativa, atribuindo valores numéricos aos impactos identificados, e demonstrando seu grau de
intensidade, para que por fim possa ser feito um veredito. Dessa forma, a execução do trabalho foi
realizada em três etapas:
- Aquisição e processamento de dados espaciais referentes a áreas de estudo.
Obtenção dos dados de entrada necessários para análise da área de estudo por
Geoprocessamento
Análise da vegetação na área de estudo, mapeamento das fitofisionomias existentes.
Análise da ocupação no entorno da RPPN, elaboração de mapa de uso do solo na escala de
1:25.000
- Avaliação Qualitativa das Trilhas existentes na RPPN do Panga.
- Avaliação Quantitativa das Trilhas existentes na RPPN do Panga.
A partir disso serão apresentadas de forma detalhada os procedimentos realizados em cada
etapa citada.
4.1. Aquisição E Processamento De Dados Espaçais Referentes A Áreas De Estudo.
4.1.1. Obtenção Dos Dados De Entrada Necessários Para Análise Da Área De Estudo Por
Geoprocessamento
Os dados obtidos na execução desta etapa são referentes ao que é sugerido na proposta
metodológica de Sánchez (2008), no qual se deve utilizar dados para que se tenha um amplo
conhecimento sobre a área de estudo e o que a rodeia. Dessa forma o Quadro 1 faz a relação dos
dados obtidos.
17
DADOS
NECESSÁRIOS
DADOS UTILIZADOS
Folha Topográfica
Carta
SO
Fotografias Aéreas
Não utilizadas
SE.22-Z-D-III-1- Exército Brasileiro
Imagens de Satélite Imagens Satélite IRS-1
Dados Vetoriais
FONTE
Limites da RPPN
DESCRIÇÃO
Carta Intitulada “Bacia
Ribeirão Panga” na
escala de 1:25.000
-
-
INPE
Imagens do Sensor
LISS 3, com resolução
espacial de 20m
MORENO et al. 2008
Dado obtido a partir do
mapeamento realizado
pelo autor
Quadro 1 – Fontes de informação para o reconhecimento ambiental inicial da área e de seu entorno
Fonte – SÁNCHEZ, 2008 (modificado)
Estes dados citados foram suficientes para a obtenção dos resultados desejados e
reconhecimento da área de estudo em questão, que será abordado nas etapas seguintes.
4.1.2. Análise da vegetação na área de estudo, mapeamento das fitofisionomias existentes.
O processo de análise da vegetação e mapeamento das fitofisionomias existentes, foi
executado utilizando-se métodos de sensoriamento remoto e processamento de imagens digitais.
Dessa forma, a seguir são especificados os Materiais utilizados e os procedimentos operacionais
para a obtenção do mapeamento.
•
Materiais
Para a realização do presente trabalho foram utilizados documentos cartográficos,
equipamentos e softwares:
Documentos:
Foram utilizadas folhas topográficas e imagens do satélite Indian Resource Satellite 1(IRS1) sensor LISS 3
•
Folha Topográfica: Foi utilizada a folha topográfica Córrego do Panga, SE.22-Z-D-III-1SO em formato digital, na escala de 1:25.000, elaborada pelo exército brasileiro, a qual foi
utilizada para georreferenciar as imagens de satélite utilizadas.
•
Imagens do sensor LISS3, satélite IRS-1: Foram utilizadas as imagens da área de interesse
nas bandas 3 (vermelho, 0,62-0,68), banda 4 (infravermelho próximo, 0,77-0,86) e banda 5
18
(infravermelho médio, 1,55-1,70), obtidas em 16 de julho de 2010, com uma resolução
espacial de 20 metros. As imagens foram adquiridas gratuitamente na página do INPE
(Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)
Equipamentos:
◦ Microcomputador Intel Pentium T4400 duo core 2.2ghz, 4gb ram, hd 320gb
◦ GPS (Global Position System) de Navegação Garmin Etrex
Software Utilizado:
•
SPRING 5.1.6 – Distribuído gratuitamente pela página do INPE, o Spring é um sistema
para processamento em ambiente UNIX e Windows, que inclui um banco de dados
geográficos, o qual permite adquirir, armazenar, combinar, analisar e recuperar informações
codificadas espacial ou não, ou seja, é um sistema que combina funções de processamento
de imagens, análise espacial e modelagem numérica do terreno, em um único software.
- Procedimentos Operacionais
Elaboração da Base Cartográfica e Carta-Imagem:
Primeiramente foi criado um Banco de Dados e um projeto na interface do SPRING,
utilizando o Datum de referência SAD69 (South American 1969) por ser comum aos dados de
entrada, e o sistema de referências UTM (Sistema Universal Transverso de Mercator) pela sua
praticidade, levando em conta que toda a área de interesse está dentro do fuso 22.
A folha topográfica Córrego do Panga em formato digital foi georreferenciada no SPRING
utilizando os pontos conhecidos presentes na mesma, como pontos de controle, posteriormente as
imagens IRS-1 foram georreferenciadas com base na folha topográfica, utilizando principalmente
cruzamento de estradas como pontos de controle. É de extrema importância o georreferenciamento
das imagens de satélite, a fim de obter uma melhor precisão e realizar correção geométrica nas
imagens.
Foi montada uma composição de imagens com as bandas 3 na cor vermelha, 4 na cor verde
e 5 na cor azul. O contraste utilizado foi o padrão “máximo/mínimo”, disponível pelo SPRING, que
reduz o histograma para as tonalidades mais representativas, facilitando assim a interpretação das
feições na imagem.
A partir do mapeamento de Moreno et al. (2008), foi possível criar um arquivo vetorial
SHAPEFILE (modelo de representação vetorial criado pela empresa ESRI, sendo o mais utilizados
pelos SIGs) com os limites georreferenciados da RPPN do Panga. Este arquivo vetorial foi utilizado
como máscara para recorte da área de interesse, para que só as áreas do Panga fossem processadas.
19
Mapeamento das Fitofisionomias:
Para entender o procedimento de mapeamento de fitofisionomias de Cerrado aplicado à
RPPN Panga, é necessário ter conhecimento sobre como elas se apresentam na Reserva, e como se
comportam perante os sensores remotos.
Através de visitas de campo à área de estudo foi possível observar e identificar as
fitofisionomias de Cerrado representativas no Panga, as quais pode-se citar: Campo Sujo, Veredas,
Cerrado Strictu Sensu, Cerradão, Mata Mesofítica. De acordo com Einten (1972) apud
Mascarenhas et al (2009), as fitofisionomias são apresentadas como:
Campo Sujo: constituído por estrato herbáceo bem desenvolvido, composto principalmente
de gramíneas, onde se distribuem, de maneira mais esparsa, alguns arbustos e pequenas árvores.
Veredas: Uma unidade de vegetação composta de faixas paralelas com três tipos de
vegetação diferentes, lado a lado: campo úmido, brejo permanente graminoso e buritizal. Os buritis
formam uma faixa estreita ao longo da parte mais baixa do vale, que é
coberta com brejo
permanente graminoso.
Cerrado Strictu Sensu: Apresenta 3 estratos: um arbóreo, que pode atingir até 6 metros, e
um baixo bem desenvolvido, um arbustivo e outro herbáceo.
Cerradão: Composto por árvores de grande porte, com estrato arbóreo geralmente entre 10
e 12 metros, com cobertura fechada e semiaberta.
Mata Mesofítica: Composto predominante por estrato arbóreo, é a fitofisionomia com a
maior densidade vegetal, com indivíduos que podem chegar até 30 metros aproximadamente.
Dessa forma, observa-se como se apresentam estas fitofisionomias, de forma que mata
mesofítica e cerradão se apresentam como as formações predominantemente arbóreas, sendo a
primeira com uma densidade vegetal e umidade do solo e das folhas maior que a segunda; Cerrado
Strictu Sensu se apresenta como uma paisagem de transição, com a ocorrência de estratos arbóreos
e herbáceos e umidade reduzida comparada com os anteriores; Campo Sujo se apresenta com
formações predominantemente herbáceas e pequena presença de estrato arbustivo; Campo úmido se
apresenta com a ocorrência predominante do estrato herbáceo, também há a presença do estrato
arbóreo, porém com alta umidade no solo.
O procedimento identificação e mapeamento das fitofisionomias vai seguir dois critérios de
reflectância dos alvos: umidade contida nas folhas e no solo; e densidade vegetal. A partir destes
critérios que se escolheu a composição colorida formada pelas bandas 3,4 e 5, de forma que a banda
5, faixa do infravermelho médio, tem uma boa reflectância da vegetação, a banda 4 do
20
infravermelho próximo tem boa reflectância na umidade da vegetação e do solo, e banda 3 foi
utilizada para dar contraste para a composição colorida.
CLASSE
COLORAÇÃO
TEXTURA
Azul escuro demonstra área com Lisa
Campo Sujo
grande
concentração
de
indicíduos herbáceos
Campo
Úmido/ Azul claro demonstra área com Lisa,
Veredas
poucos
indivíduos
indicando
poucos
arbóreos, indivíduos arbóreos.
porém a umidade do solo dá a
tonalidade clara ao azul.
Campo Cerrado
Entre o azul e o verde, indicando Mediamente
lisa,
indivíduos
presença de indivíduos arbóreos e arbóreos e herbáceos.
herbáceos.
Cerradão
Verde, indicando a predominância Mediamente
de indivíduos arbóreos, porém predominância
mais esparsados.
Mata Mesofítica
Verde
Claro,
Área Antrópica
de
indivíduos
arbóreos.
demonstrando Rugosa, demonstrando grande
grande quantidade de umidade em quantidade
alvos arbóreos.
rugosa,
de
indivíduos
arbóreos agrupados
Branco, alta reflectância em todas lisa
as bandas
Quadro 2 – Chave de Interpretação das fitofisionomias da RPPN do Panga.
21
Figura 2 – Carta Imagem da RPPN do Panga
22
De acordo com a chave de interpretação estabelecida, através do SPRING, foi
realizado o processo de classificação supervisionada, segmentando a imagem com os critérios
de Similaridade 6 e Área de Pixels 10. Posteriormente foi feito o processo de treinamento,
aonde se cria as classes de interesse e retira amostras de segmentos referentes a cada classe,
indicando os critérios de classificação. O método de classificação utilizado foi o de
BHATTACHARYA, disponível no SPRING, o qual a partir das amostras coletadas, agrupa os
segmentos das imagens de acordo com a semelhança as amostras adquiridas de cada classe
respectiva.
As classes obtidas como resultado do processamento das imagens, foram comparadas
com as imagens originais, para a verificação se o resultado faz sentido com a realidade
apresentada. Algumas áreas de difícil interpretação, como por exemplo áreas de campo úmido
que em parte se confundiam com áreas de campo sujo, foi necessário visitas de campo, para
que alvos fossem georreferenciados com o uso do GPS, e utilizados como identificadores de
áreas de classes.
4.1.3. Análise da Ocupação no Entorno Da RPPN, Elaboração de Mapa de uso do solo
na Escala De 1:25.000
O processo de análise da ocupação no entorno da RPPN e elaboração de um mapa de
uso do solo na escala de 1:25.000, foi executado utilizando-se métodos de sensoriamento
remoto e processamento de imagens digitais. Dessa forma, a seguir são especificados os
materiais utilizados e os procedimentos operacionais para a obtenção do mapeamento.
O processo de mapeamento do uso do solo no entorno da RPPN do Panga, foi
executado utilizando-se métodos de sensoriamento remoto e processamento de imagens
digitais. Dessa forma, a seguir são especificados os Materiais utilizados e os procedimentos
operacionais para a obtenção do mapeamento.
Os materiais, softwares, documentos e equipamentos utilizados neste mapeamento,
foram os mesmo utilizados na etapa anterior.
- Procedimentos Operacionais
Elaboração da Base Cartográfica e Carta-Imagem:
Primeiramente foi criado um Banco de Dados e um projeto na interface do SPRING,
utilizando o Datum de referência SAD69 (South American 1969) por ser comum aos dados
23
de entrada, e o sistema de referências UTM (Sistema Universal Transverso de Mercator) pela
sua praticidade, levando em conta que toda a área de interesse está dentro do fuso 22.
A folha topográfica Córrego do Panga em formato digital foi georreferenciada no
SPRING utilizando os pontos conhecidos presentes na mesma, como pontos de controle,
posteriormente as imagens IRS-1 foram georreferenciadas com base na folha topográfica,
utilizando principalmente cruzamento de estradas como pontos de controle. É de extrema
importância o georreferenciamento das imagens de satélite, a fim de obter uma melhor
precisão e realizar correção geométrica nas imagens.
Foi montada uma composição de imagens com as bandas 3 na cor azul, 4 na cor
vermelho e 5 na cor verde. O contraste utilizado foi o padrão “máximo/mínimo”, disponível
pelo SPRING, que reduz o histograma para as tonalidades mais representativas, facilitando
assim a interpretação das feições na imagem.
A folha topográfica SE.22-Z-D-III-1-SO foi utilizada para delimitar a imagem de
satélite à um folha de 1:25.000, dessa forma a imagem foi recortada para corresponder com a
escala citada, de forma que apenas esta área foi processada.
MAPEAMENTO DE USO DO SOLO
Um mapeamento de uso do solo tem o objetivo de identificar os tipos de ocupação e
uso de uma determinada área. Existem diversos tipos de mapeamento de uso do solo, variando
a escala de representação e detalhamento da área de estudo. No caso deste pesquisa, o
mapeamento de uso do solo foi realizado com o objetivo de identificar as áreas remanescentes
restantes no entorno da área de estudo e identificar as áreas de uso antrópico. Sendo assim,
caracteriza-se como um estudo de pouco detalhamento, identificando áreas de atividades
antrópicas e áreas naturais. As classes utilizadas neste mapeamento são: Cerrado ou vegetação
natural, áreas agropastoris e áreas de silvicultura. O Quadro 3 mostra a chave de interpretação
das imagens analisadas
24
CLASSE
Cerrado
COLORAÇÃO
TEXTURA
Vermelho Claro e Verde, ambas Rugosa
heterogêneas
Áreas
agropastoris Vários tons de verde claro
Lisa
(pastagens e áreas
agrícolas)
Silvicultura
Vermelho escuro homogêneo
Lisa
Quadro 3 – chave de interpretação do mapeamento de uso do solo
25
Figura 3 – Carta imagem Folha SE 22-Z-D-III-1-SO Ribeirão Panga
26
4.2. Avaliação Qualitativa Das Trilhas Existentes Na RPPN Do Panga.
A execução desta etapa foi feita em três partes distintas. A primeira foi a pesquisa
bibliográfica referente ao planejamento de estruturas de visitação e geoprocessamento
aplicado a esta temática, com ideais preservacionistas, minimizando os impactos ambientais;
coleta de dados em campo e avaliação das condições da estrutura de visitação, incluindo
qualidade das trilhas, sinalização e acesso à reserva; criar uma proposta de visitação, visando
a iniciativas de educação ambiental de adultos e crianças de diversos níveis de ensino e, dessa
forma, conciliar a preservação com a educação ambiental.
Na primeira parte de execução do projeto, foram estudas metodologias a serem
aplicadas à avaliação da estrutura de visitação da Estação Ecológica do Panga, dentre as quais
destaca-se o trabalho realizado por Decanini (2001), foi aplicado ao Parque Estadual de
Campos do Jordão (PECJ), demonstrada pela figura 4.
Figura 4 - Esquema de aspectos para planejamento de trilhas aplicado ao PECJ
Fonte: DECANINI, 2001
27
Este esquema demonstra o método que define o caráter hierárquico das condicionantes
a serem analisadas em uma UC para o planejamento de trilhas de forma sustentável.
Primeiramente são identificadas áreas onde existem nascentes e cursos d’água, que
correspondem a situações mais delicadas e menos propícias a serem percorridas pelas trilhas.
Depois são levados em conta aspectos de hidrografia e declividade, de forma que as trilhas
não percorram Áreas de Preservação Permanente (APP) como matas ciliares e áreas com
declividades acima de 45°, além de que estas trilhas devem ser elaboradas com um
direcionamento perpendicular às ravinas e redes de drenagem, assim amenizando o
escoamento superficial nas vertentes; aspectos de zoneamento, para que as trilhas sejam
estabelecidas apenas dentro da zona destinada à pesquisa e uso público.
Após esta parte de análise, deve-se elaborar uma base cartográfica temática juntamente
com dados numéricos, representando altimetria e outros dados necessários a partir do que for
analisado. Esta base cartográficas servirá para delimitar o GeoCampo, que se refere às áreas
com possibilidade de suportar trilhas e visitação. É feita uma avaliação das áreas que integram
o GeoCampo levando em conta onde seria melhor estabelecer as trilhas, atendendo interesses
específicos de objetos de estudo e áreas de interesse na zona de visitação criando a
GeoRegião, finalizando então o planejamento das trilhas de uma Unidade de Conservação.
Levando em conta a metodologia de Decanini (2001), juntamente com o plano de
zoneamento para a RPPN proposto por Santos e Borges (2009) representado pela figura 5, foi
feita uma avaliação em campo das condições em que se encontrava a estrutura de visitação da
Reserva Panga, contemplada na segunda etapa do projeto.
28
Figura 5 - Proposta de Zoneamento para a Estação Ecológica do Panga.
Fonte: SANTOS; BORGES, 2009
A segunda parte constituiu-se na avaliação da Estrutura de Visitação da RPPN, na qual
foram levadas em conta as condições das trilhas, o acesso à estação e a sinalização
disponibilizada aos visitantes. Em relação ao estado de conservação, as trilhas foram
categorizadas como: Boa; Média; Ruim, levando em conta se as trilhas estão adequadamente
roçadas e limpas, possibilitando seu uso sem dificuldades; se as trilhas estão de alguma forma
gerando algum impacto negativo visível em seu trajeto; e se há alguma trilha em localização
irregular, em áreas de APP ou fora da zona de visitação, conforme a proposta de zoneamento
29
de Santos e Borges (2009) representado pela figura 5.
Dessa forma, durante o trabalho de campo, foi feita uma observação e análise das
estruturas citadas anteriormente. Foram percorridas todas as trilhas trafegáveis existentes,
assim como apresentado pelo mapeamento de Moreno et al. (2008), que também está
disponível em uma placa na sede da RPPN.
Com utilização de um GPS (Geographic Position System), ferramenta para
georreferenciamento de dados espaciais, foram criados trajetos em dados vetoriais das trilhas
que ainda eram possíveis de serem percorridas, a serem acrescentados a um SIG (Sistema de
Informações Geográficas), para a criação de uma base cartográfica, posteriormente. Por fim
foi feita uma análise e avaliação qualitativa das trilhas da Reserva do Panga, a partir do que
foi observado em campo levando em conta os critérios citados anteriormente na metodologia.
4.3. Avaliação Quantitativa Das Trilhas Existentes Na RPPN Do Panga.
Nesta etapa final do projeto, foi analisado todo banco de dados elaborado ao decorrer
das etapas anteriores com o objetivo de estabelecer um resultado final quantificado em relação
a qualidade ambiental que se encontram as trilhas existentes na RPPN do Panga. As etapas
anteriores foram de extrema importância para um reconhecimento detalhado das condições
ambientais em que a área de estudo se encontra.
A elaboração da matriz de interações de impactos nas trilhas da RPPN do Panga, é
totalmente dependente dos dados obtidos, os quais foram utilizados para contemplar as 3
categorias principais, as quais são : Meio Natural, Meio Físico e Meio Humano. Dessa forma,
as categorias são definidas da seguinte forma: Meio Natural refere-se a possíveis impactos
que afetem fauna e flora de alguma forma; Meio Físico refere-se a possíveis impactos
referentes a erosão dos solos e danos aos corpos hídricos; Meio Humano refere-se a possíveis
danos nas trilhas que comprometam seu uso por visitantes, além de trilhas que necessitem
manutenção e limpeza.
A partir destes critérios estabelecidos, a avaliação dos impactos foi feita com três
critérios de avaliação, nulo, pouco representativo, mediamente representativo e muito
representativo. apresentado em escala de cores referentes ao verde amarelho e vermelho.
Cada cor tem uma correspondência numérica que varia de 0 a 3, que refere-se à
intensidade do impacto analisado em cada respectivo quesito.
Com somatória do resultado da avaliação de cada trilha na matriz, será possível
30
identificar as trilhas com impactos representativos e quais tipos de impactos apresentam,
assim será possível estabelecer um diagnostico final relativo aos impactos existentes.
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES
5.1. Aquisição e processamento de dados espaciais referentes a áreas de estudo.
5.1.1. Análise da vegetação na área de estudo, mapeamento das fitofisionomias existentes
O estudo da vegetação presente na RPPN do Panga e análise das fitofisionomias
existentes resultou em um mapa temático. Este mapa resultante foi de grande importância
para identificar o tipo de estrutura vegetal é apresentado em cada trecho das trilhas, levando
em conta fragilidade e riscos apresentados por cada fitofisionomia. Além disso, os dados das
fitofisionomias foram cruzados com os dados altimétricos da carta topográfica utilizada,
assim pode-se fazer uma análise de declividade existente ao decorrer das trilhas cruzando-os
com a fragilidade ambiental apresentada por cada fitofisionomia.
Os mapas resultantes são representados pelas figuras 6, 7 e 8, e o gráfico e os dados
espaciais referentes as fitofisionomias são representados pelo gráfico 1 e a tabela 2.
31
Figura 6 - Mapa de fitofisionomias, topografia e trilhas da RPPN do Panga
32
Figura 7 - Mapa das fisionomias e trilhas na RPPN do Panga
33
Figura 8 - Mapa de Trilhas e topografia na RPPN do Panga
34
Tabela 2 – Área referente às fitofisionomias do Panga em ha
Mata mesofítica
87.382620
Cerrado Strictu Sensu
82.839155
148.719094
Campo Sujo
Cerradão
96.749724
Campo Úmido / Veredas
17.131113
1.397951
Área Antrópica
0%
4%
Mata mesofítica
20%
Cerrado Strictu Sensu
22%
Campu Sujo
Cerradão
19%
Campo Úmido /
Veredas
Área Antrópica
35%
Gráfico 1 – percentual referente às fitofisionomias presentes no panga
A partir dos dados topográficos obtidos foi possível criar perfis topográficos, identificando os
níveis de declividade existentes em cada trilha.
Figura 9 - perfil topográfico Trilha Vereda 1
35
Figura 10 - perfil topográfico Trilha vereda 2
Figura 11 - perfil topográfico Trilha Mata Mesofítica
Figura 12 - perfil topográfico Trilha Norte
36
5.1.2. Análise da ocupação no entorno da RPPN, elaboração de mapa de uso do solo na escala
de 1:25.000
A análise da ocupação e uso do solo no entorno da RPPN do Panga é de extrema importância
para identificação de possíveis impactos gerados à área protegida. Invasão de espécies exóticas,
perda da qualidade das águas e contaminação dos solos, são exemplos de possíveis impactos gerados
pela ocupação das áreas de entorno.
A tabela 3 e o gráfico 2 representam os valores referentes ao uso do solo na bacia do Panga, e
o mapa resultante dessa análise é representado pela figura 13.
Tabela 3 – Valores de área referente ao uso do solo em ha
Cerrado
Agropastoris
66,702292
139,186171
Silvicultura
17
8%
30%
Cerrado
Agropastoris
Silvicultura
62%
Gráfico 2 – Percentual referente ao uso do solo
37
Figura 13 - Uso do solo Folha SE 22-Z-D-III-1-SO Ribeirão Panga
38
5.2. Avaliação Qualitativa das Trilhas existentes na RPPN do Panga.
Dentro do que foi proposto pela pesquisa, levando em conta o tempo para sua execução (12
meses), obteve-se resultados que só confirmam mais ainda a falta de estrutura e gestão que sofre a
Estação Ecológica do Panga, assim como grande parte das Unidades de Conservação no Brasil, tal
como a necessidade urgente da elaboração do Plano de Manejo.
Como resultado final de toda coleta de dados desta pesquisa, foi elaborada uma base
cartográfica (figura 4) que tem como objetivo facilitar a ilustração das trilhas e das fitofisionomias
identificadas na Estação.
Foram identificadas cinco trilhas que percorrem diversos trechos da RPPN. Dentre elas,
apenas duas foram classificadas como estruturalmente bem adequadas para serem utilizadas, porém
nenhuma das cinco possui algum tipo de sinalização, o que dificulta bastante a orientação durante o
percurso. A seguir (Figuras 14, 15, 16, 17, 18 e 19) uma breve descrição das trilhas identificadas:
Trilha da Entrada: Com aproximadamente 380m, é a menor da RPPN, ligando a entrada principal
à sede. É bem larga o que possibilita a passagem de veículos grandes, inclusive ônibus, e está bem
conservada e aparentemente não possui nenhum indicador de dano ambiental grave. Esta trilha
apresenta pequena quantidade de espécies herbáceas exóticas.
Figura 14 - Trecho da Trilha da Entrada
39
Trilha da Vereda 1: Possui aproximadamente 1,6km de extensão, liga a sede a um campo úmido no
extremo sul da Estação Ecológica, passando em partes pela borda da Unidade de Conservação. Seu
nível de conservação é bom, possui uma largura adequada para a passagem de veículos, porém não
possui sinalização alguma. Neste caso, por seu trajeto ser simples, não é necessária a utilização de
placas sinalizando a trajetória da trilha, porém por passar por diversas fitofisionomias, seria
interessante a sinalização das fronteiras de conjuntos paisagísticos para sensibilizar os visitantes
sobre essas diferenciações. Impactos representativos apresentados nesta trilha são relativos à
ocorrência de espécies exóticas, devido à largura desta trilha, sendo uma área de solo exposto, e pelo
fato de se localizar nas fronteiras da RPPN.
Figura 15 - Trecho da Trilha da Vereda 1
Trilha Vereda 2: Possui aproximadamente 910m de extensão, com o acesso a partir de um trecho da
Trilha da Vereda 1. Esta trilha segue até outro campo úmido a leste da RPPN. Por ser pouco
utilizada, as suas condições estão péssimas, de forma que é extremamente difícil achar onde ela se
inicia. Vários trechos foram ocupados pela vegetação, tornando a passagem, em alguns trechos,
possível apenas com o corte da vegetação. Enfim, esta trilha está quase desaparecendo no meio da
vegetação, e seu grau de conservação é péssimo.
40
Figura 16 - Trecho da Trilha da Vereda 2
Trilha Norte: Possui aproximadamente 2,2 km, sendo a maior das trilhas, liga a sede ao norte da
Estação Ecológica. Esta trilha é extremamente interessante, pois passa por diversas fitofisionomias
de cerrado, podendo ser uma boa ferramenta para estudo e educação ambiental, caso tivesse
sinalizações educativas em diversos trechos. Porém se caracteriza um tanto problemática, de forma
que em diversos trechos ela simplesmente desaparece no meio da vegetação, em várias situações
deixando os visitantes perdidos, o que é justificado pela falta de manutenção. Além disso, esta trilha
apresenta alguns trechos de sérios ravinamentos e erosão dos solos, em uma área de campo úmido,
confirmando a fragilidade desta fitofisionomia. Os ravinamentos além de comprometerem o solo,
também destroem espécies herbáceas naturais e dificultam muito o deslocamento dos visitantes.
41
Figura 17 - Trecho representando as más
Figura 18 - Trecho que ilustra uma das
condições da Trilha Norte
diversas fitofisionomias encontradas na
Trilha Norte
Trilha da Mata Mesofítica: Possui aproximadamente 580m de extensão, e se diferencia das outras
primeiramente por estar fora da zona de visitação do parque, prevista pelo plano de zoneamento de
Santos e Borges (2009), e também não tem um fim definido, de forma que ao percorrer seu trajeto,
em determinado momento a trilha some no meio da vegetação. É caracterizada, em grande parte, por
seu percurso seguir paralelamente as margens do ribeirão Panga, onde foram identificados vários
tipos de processos erosivos, de forma que a trilha tem funcionado como um potencializador do
ravinamento e do assoreamento, sendo um eixo de escoamento preferencial da água da chuva,
intensificando o transporte de material sedimentar para dentro do rio. Esta trilha também possui
certos trechos perigosos, os quais estão bem próximos das margens do rio e são extremamente
escorregadios, além de ser uma região ambientalmente frágil, o que impossibilitaria sua utilização
por grupos grande de visitantes. Além de todos estes aspectos negativos, esta trilha também se
encontra em uma área de proteção permanente.
42
Figura 19: Processo erosivo em um trecho da margem do Ribeirão Panga proveniente de ravinamento
provocado pela trilha
A partir do que foi argumentado sobre as trilhas, e possível analisar a deficiência de
manutenção presente na RPPN. Nos dias atuais, a Estação conta apenas com um funcionário, que é
responsável por todas as funções da UC, desde recepção dos pesquisadores até o monitoramento. O
que se percebe é que não há grande direcionamento de verbas para gestão da Estação Ecológica, o
que dificulta qualquer tipo de iniciativa de Pesquisa, Educação e Extensão. Dessa forma, o que esta
pesquisa vem propor é uma iniciativa de Educação Ambiental tanto para estudantes quanto para
moradores de comunidades no entorno da reserva. Porém isso apenas será possível com uma
manutenção geral de todo o sistema que envolve a Estação Ecológica.
Antes de qualquer atividade a ser realizada em uma UC, esta deve pelo menos cumprir sua
função primária, que é de preservar um determinado patrimônio natural, caso sua função secundária
for a visitação, seja para lazer ou fins acadêmicos e educacionais, esta deve apresentar estruturas
favoráveis para a execução dessas atividades, mas sem interferir em sua função primária. Conclui-se
que na perspectiva da metodologia de Decanini (2001), em geral o planejamento das trilhas
identificadas na Estação Ecológica é bom, dentro de um bom padrão de sustentabilidade, a não ser
pelo caso da Trilha da mata mesofítica.
O grande problema que presente no Panga é a falta de Gestão e manutenção da estrutura de
visitação, que se refere à limpeza periódica das trilhas, sinalização destas referentes ao seu trajeto,
43
por se trataram de trilhas autoguiadas, e informações para serem utilizadas em atividades de
educação ambiental. Além disso, é necessário que se faça um questionamento sobre a Trilha da mata
mesofítica, levando em conta suas peculiaridades, além de se localizar na área de APP do Ribeirão
Panga.
Dessa forma, seria necessário que a Universidade destinasse periodicamente funcionários ao
Panga com o objetivo de limpeza e manutenção das trilhas, para que possam ser utilizadas por
diversos grupos de pessoas durante o ano todo, assim como estabelecer uma política de gestão e
manejo, realizando o replanejamento de algumas trilhas, principalmente a Trilha da mata mesofítica
como já citado, de forma que conservem melhor o patrimônio natural e consigam abranger mais
áreas, expandindo possibilidade de ensino e pesquisa. Por fim, é fundamental que a UFU elabore,
seguindo o roteiro metodológico proposto por Ferreira et al. (2004), o Plano de Manejo da RPPN.
5.3. Avaliação Quantitativa das Trilhas existentes na RPPN do Panga.
A avaliação Quantitativa das Trilhas foi realizada com o objetivo de quantificar os danos
observados na avaliação qualitativa, para que se possa nivelar, criar prioridades e questionar a
existência das trilhas. Os impactos são apresentados e são cruzados de acordo com a ocorrência em
cada trilha específica. As cores definem o nível de representatividade dos impactos em cada trilha,
de forma que cada cor possui um valor numérico, e o total referente aos danos de cada trilha será
analisado para a elaboração de um veredicto.
44
Trilha
Trilha
Entrada Norte
Meio Físico
Meio Biótico
Meio Humano
Valores totais de
danos
Trilha Mata
Mesofítica
Trilha
Trilha
Vereda 1 Vereda 2
Erosão dos Solos
Ravinamentos
Voçorocas
Perda de indivíduos
vegetais
Alteração de Dossel
Invasão de Exóticas
Falta de qualidade no
deslocamento
Falta de Manutenção
1
Tabela 4 – Matriz de impactos referentes às trilhas da RPPN do Panga
7
10
LEGENDA
nulo
pouco representativo
mediamente
representativo
muito representativo
45
2
6
VALOR DE DANOS
0
1
2
3
A partir de tudo que foi discutido, conclui-se esta Avaliação de Impacto Ambiental com os
seguintes comentários sobre cada trilha específica:
Trilha Entrada: Com a menos pontuação em relação a danos ambientais, obtendo apenas 1 ponto,
esta trilha em geral possui boas condições de uso, mas é necessário que se realize um estudo de
espécies invasoras, pois é algo bem comum na RPPN do Panga.
Trilha Vereda 1: Com 2 pontos relativos a danos ambientais, esta trilha também se apresenta em
boas condições de uso. Em relação ao planejamento, está muito bem estruturada, o visitante não
encontra dificuldades ao transitar por esta trilha, além de poucos danos ambientais observados. O
único problema observado ao decorrer desta trilha é a presença de espécies invasoras, por esta ser
uma trilha que percorre parte das fronteiras do Panga, é mediamente representativa a presença de
espécies exóticas. Assim como citado anteriormente, deve-se direcionar pesquisas relativas a análise
de espécies invasoras.
Trilha Vereda 2: Com 6 pontos relativos a danos ambientais, essa trilha carece de estrutura para
visitação. Possui uma grande deficiência de manutenção, de forma que dependendo da época do ano,
se torna inacessível. Para esta trilha, assim como outras, se torna totalmente necessária a manutenção
periódica das trilhas existentes, de forma que sejam limpas e sua qualidade ambiental avaliada.
Trilha Norte: É uma trilha extremamente complicada pela sua enorme extensão, e pela diversidade
de fitofisionomias que cruza. Com 7 pontos relativos a danos ambientais, esta trilha apresenta
impactos nos três meios analisados na matriz. Impactos como: erosão dos solos, falta de manutenção
e perda de indivíduos vegetais, estão presentes nesta. É uma trilha que corta áreas de matas ciliares e
campos úmidos, que são áreas frágeis e situação de declividade representativa, alem de sua grande
extensão que dificulta sua manutenção. Para esta trilha torna-se necessário o replanejamento de
alguns trechos onde erosão dos solos é freqüente, para que estes impactos sejam amenizados. Além
disso, esta trilha assim como outras, carece de manutenção periódica, limpeza da trilha e etc.
Trilha Mata mesofítica: Constitui-se a trilha mais problemática, com 10 pontos relativos a danos.
Quase todo trajeto desta trilha está em área de APP, possui grande dificuldade de deslocamento e
existem vários processos erosivos em seu trajeto. Para esta trilha aconselha-se o fechamento desta,
pois apresenta problemas excessivos, além do fato de ser pouco utilizada.
46
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O que se conclui sobre esta avaliação de ambiental é que as trilhas da RPPN do Panga
apresentam diversos problemas, a maioria justificados pela falta de atenção e manutenção
direcionada à reserva. O pouco interesse da universidade em direcionar verbas para a reserva tem
impossibilitado uma manutenção periódica adequada. Além disso, poucas são realizadas pesquisas
com a temática dos Cerrados, dessa forma, pouco se sabe sobre as dinâmicas deste bioma, como se
regenera e como se recupera impactos ambientais.
Além disso, deve-se ressaltar a importância do Planejamento e da Gestão, neste caso ligados
à questões ambientais, práticas que são pouco observadas nas políticas nacionais, aonde a ausência
destas tem causado diversos danos e prejuízos que poderiam ter sido evitados.
Assim, esta pesquisa não tem apenas o intuito de apontar os danos existentes no Panga, mas
também ser um direcionamento para futuras pesquisas de planejamento de trilhas e recuperação de
áreas degradadas.
47
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AB’SÁBER, A. N. Os Domínios de Natureza no Brasil: Potencialidades Paisagísticas. 4ª ed. São
Paulo: Ateliê Editorial, 2003
ANDERSON, P.S. Fundamentos para fotointerpretação. Rio de Janeiro: Sociedade Brasileira de
Cartografia, 1982.
BRASIL. Lei nº 9985, de 18 de Julho de 2000. Institui o Sistema Nacional de Unidades de
Conservação da natureza – SNUC, estabelece critérios e normas para a criação, implementação e
gestão das unidades de conservação. Brasília, DF: Congresso Nacional, 2000.
CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resoluções CONAMA 1986-1991. Brasília:
IBAMA, 1992
DECANINI, M. M. S. Sig no Planejamento de trilhas no Parque Estadual de Campos do Jordão. In:
Revista Brasileira de Cartografia, Nº 53, pp. 97-110, dezembro 2001.
FERREIRA, L. M.; CASTRO, R.G.S.; CARVALHO, S.H.C. Roteiro Metodológico para
Elaboração de Plano de Manejo para Reservas Particulares do Patrimônio Natural. Brasília:
MMA/IBAMA, 2004.
FITZ, P.R. Geoprocessamento sem complicação. São Paulo: Oficina de Textos, 2008
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geoprocessamento aplicado a avaliação de impacto ambiental das