UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO FACULDADE DE ECONOMIA MESTRADO EM AGRONEGÓCIOS E DESENVOLVIMENTO REGIONAL Elizangela Beckmann ESTUDO DA CADEIA PRODUTIVA DO ARROZ DE MATO GROSSO: Impactos do Setor de Beneficiamento na Economia Regional em 2011 CUIABÁ - MT 2011 ii Elizangela Beckmann ESTUDO DA CADEIA PRODUTIVA DO ARROZ DE MATO GROSSO: Impactos do Setor de Beneficiamento na Economia Regional em 2011 Dissertação apresentada ao Curso de Pós Graduação Stricto Sensu da Universidade Federal de Mato Grosso como requisito parcial para a aprovação no Mestrado em Agronegócios e Desenvolvimento Regional. Orientador: Prof. Dr. Dilamar Dallemole CUIABÁ - MT 2011 iii B394e Beckmann, Elizangela. Estudo da cadeia produtiva do arroz de Mato Grosso: impactos do setor de beneficiamento na economia regional em 2011 / Elizangela Beckmann. – 2011. 100 f. : il. color. Orientador: Prof. Dr. Dilamar Dallemole. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Mato Grosso, Faculdade de Economia, Pós-Graduação em Agronegócios e Desenvolvimento Regional, 2011. Bibliografia: f. 86-89. Inclui anexos. 1. Arroz – Produção – Aspectos socioeconômicos. 2. Arroz – Cadeia produtiva – Mato Grosso. 3. Arroz – Beneficiamento. 4. Arroz – Comercialização – Mato Grosso. 5. Agroindústria do arroz – Mato Grosso. I. Título. CDU –338.439.4:633.18(817.2) Ficha elaborada por: Rosângela Aparecida Vicente Söhn – CRB-1/931 iv Elizangela Beckmann ESTUDO DA CADEIA PRODUTIVA DO ARROZ DE MATO GROSSO: Impactos do Setor de Beneficiamento na Economia Regional em 2011 Dissertação apresentada à Universidade Federal de Mato Grosso, como parte das exigências do Curso de Mestrado em Agronegócios e Desenvolvimento Regional, para a obtenção do título de Mestre. Aprovada em 20 de Dezembro de 2011. BANCA EXAMINADORA ____________________________________ Dr. Dilamar Dallemole Orientador ____________________________________ Dr. Alexandre Magno de Melo Faria Membro Examinador Interno ____________________________________ Dr. Alexandre Gonçalves Porto Membro Examinador Externo v AGRADECIMENTOS À Deus, por ser fonte de equilíbrio e inspiração em todos os momentos; À minha família, pelo apoio e incentivo incondicional; Às minhas amigas, em especial à Talita, Luciane e Marina, pelo por estarem presentes nos momentos de alegria e de dificuldade; À todas as agroindústrias beneficiadoras de arroz pela boa recepção e disponibilidade das informações, sem as quais não seria possível desenvolver a pesquisa; Ao professor Dr. Alexandre Magno de Melo Faria pela contribuição à minha formação profissional e sugestões à pesquisa; Ao professor Dr. Dilamar Dallemole pela orientação, confiança e disponibilidade durante o curso. vi RESUMO Diante da importância da orizicultura no Brasil e em Mato Grosso, o estudo da cadeia produtiva é relevante por permitir observar a maneira como ocorre a integração de atividades existentes em um mesmo local, com características em comum. Emerge a necessidade de um estudo que expresse a atual configuração da respectiva cadeia, seus desafios e potencialidades para a economia regional. Assim, especificamente, buscou-se descrever a cadeia produtiva do arroz, mencionando suas características quanto a aspectos socioeconômicos, relacionados à produção, comercialização e consumo, além de mapear os municípios especializados neste setor, seja na produção ou no seu beneficiamento. Também, foi avaliado o nível de organização, gestão, infraestrutura e competitividade da agroindústria do arroz matogrossense, por meio de 20 questionários aplicados nas agroindústrias beneficiadoras em diferentes municípios do estado. O questionário foi composto por 91 questões envolvendo informações básicas de identificação, produção, comercialização, organização, competitividade, engenharia, tecnologia e meio ambiente, permitindo a caracterização do setor na economia de Mato Grosso. A metodologia utilizada para identificar os municípios especializados na produção e no beneficiamento de arroz no estado foi o Índice de Concentração Normalizado (ICN) e a Análise Fatorial, utilizada por auxiliar na identificação dos fatores responsáveis pelo desenvolvimento da cadeia produtiva com base nas informações coletadas junto as agroindústrias. Os resultados do mapeamento demonstraram que a maioria dos municípios que apresentaram especialização na produção de arroz não são os mesmos que tem especialidade no beneficiamento e fabricação de seus produtos, sendo que apenas três têm ambos os elos em comum. Ainda, é possível perceber que a maioria dos municípios com especialização nestas atividades possuem extensão territorial relativamente pequena, com atividades econômicas pouco diversificadas, o que facilita a possibilidade de apresentarem especialização em um setor que está presente, mesmo este não sendo de muito destaque a nível estadual. Atualmente, são 33 beneficiadoras de arroz em funcionamento em Mato Grosso, sendo que a maioria são de pequeno porte e geridas pela família. A produção é distribuída em todo estado e cerca de 27% é comercializada com outros estados. Os fatores identificados foram relacionados a recursos humanos, negociação, produção, custos e competitividade. Todos os fatores demonstraram variáveis correlacionadas positivamente, ou seja, que contribuem para o desenvolvimento do setor de beneficiamento do arroz no estado, tais como, remuneração dos funcionários e preços pagos e recebidos, e variáveis negativamente correlacionadas, como treinamento e consultoria, estratégia de produto novo e gasto com produção, as quais precisam de mais atenção no setor. Os resultados alcançados demonstram a atual configuração da respectiva cadeia, seus desafios e potencialidades, demonstrando que há uma necessidade de maior integração da cadeia no estado. Palavras Chave: Arroz; Agroindústria; Análise Fatorial. vii ABSTRACT Given the importance of rice production in Brazil and Mato Grosso, the study of the production chain is important because it allows to observe the way is the integration of existing activities in one location, with common characteristics. Context, the necessity of a study that expresses the current configuration of its chain, and potential challenges to the regional economy. Thus, specifically, we sought to describe the rice production chain, citing its characteristics related to socioeconomic aspects related to production, marketing and consumption, and map the municipalities specialized in this sector, either in production or in its processing. Also, was measured the level of organization, management, infrastructure and competitiveness of agroindustry rice Mato Grosso through 20 questionnaires in agroindustries in different municipalities in the state. The questionnaire was composed for 91 issues involving basic identification information, production, marketing, organization, competitiveness, engineering, technology and environment, allowing the characterization of the sector in the economy of Mato Grosso. The methodology used to identify the municipalities specialize in production and processing of rice in the state was the Normalized Concentration Index (NCI) and factor analysis, used to help identify the factors responsible for the development of the production chain based on information collected from the agroindustries. The mapping results showed that the majority of the municipalities that had specialized in the production of rice are not the same that has specialized in processing and manufacturing of its products, and only three have in common both links. Still, it’s possible to see that the majority of municipalities with expertise in these activities are relatively small land area, with poorly diversified economic activities, which facilitates the opportunity to specialize in a sector that is present, even this is not very prominent at the state. Currently, are 33 rice processing operations in Mato Grosso, and most are small and managed by the family. The production is distributed in every state and about 27% is sold to other states. The factors identified were related to human resources, negotiation, production, costs and competitiveness. All studied variables positively correlated, in the other words, that contribute to the development of the rice processing industry in the state, such as compensation of employees and prices paid and received, and negatively correlated variables, such as training and consulting, product strategy spent on new production, which need more attention in the sector. The results obtained show the current configuration of its chain, its challenges and potentials, demonstrating that there is a need for greater integration of the state. Keywords: Rice, Agroindustry, Factor Analysis. viii LISTA DE FIGURAS Figura 1: Esquema da Cadeia Produtiva de Produto de Origem Vegetal – Metodologia Embrapa .............................................................................................................................. 31 Figura 2: Participação Percentual dos Sistemas de Plantio de Arroz na Área e Produção no Brasil em 2009 ..................................................................................................................... 46 Figura 3: Participação (%) dos Principais Estados Produtores de Arroz no Brasil, dez. de 2009............ ......................................................................................................................... 48 Figura 4: Formação das Beneficiadoras de Arroz em Mato Grosso em 2011 ....................... 52 Figura 5: Mercados à que se Destina o Arroz Beneficiado em Mato Grosso em 2011 .......... 54 Figura 6: Rentabilidade dos Produtos Comercializados pelas Beneficiadoras de Arroz em Mato Grosso em 2011 .......................................................................................................... 55 Figura 7: Dificuldade de Acesso à Matéria-Prima e ao Mercado em 2011 ........................... 56 Figura 8: Relação das Beneficiadoras com os Fornecedores e Compradores em 2011 ......... 57 Figura 9: Posição das Beneficiadoras no Lançamento de Novos Produtos em 2011 ............. 58 Figura 10: Motivos para Diferenciar e Diversificar a Produção de Arroz em 2011 .............. 58 Figura 11: Logística Utilizada pelas Beneficiadoras em Mato Grosso em 2011 ................... 59 Figura 12: Número de Funcionários das Beneficiadoras de Arroz em 2011 ......................... 60 Figura 13: Despesas Mensais das Beneficiadoras de Arroz de Mato Grosso em 2011 .......... 61 Figura 14: Situação Econômica das Beneficiadoras de Arroz de Mato Grosso nos Últimos Dois Anos ............................................................................................................................ 62 Figura 15: Acesso ao Crédito pelas Beneficiadoras de Arroz de Mato Grosso em 2011 ....... 63 Figura 16: Nível de Diferenciação e Diversificação em relação aos Concorrentes em 2011 . 64 Figura 17: Gestão das Empresas Beneficiadoras de Arroz em Mato Grosso em 2011 .......... 64 Figura 18: Municípios Especializados na Produção de Arroz em Mato Grosso. ................... 69 Figura 19: Municípios Especializados no Beneficiamento de Arroz e Fabricação de seus Produtos em Mato Grosso .................................................................................................... 73 Figura 20: Municípios Especializados na Produção de Arroz, no Beneficiamento de Arroz e Fabricação de seus Produtos ou em Ambas Atividades em Mato Grosso. ............................. 74 Figura 21: Gráfico dos Fatores........................................................................................................77 ix LISTA DE QUADROS E TABELAS Quadro 1: Principais Usos dos Subprodutos do Arroz........................................................................47 Tabela 1: Área, Produção, Produtividade, Valor da Produção e Preço do Arroz em Mato Grosso entre 1994 e 2010.......... ...................................................................................................................49 Tabela 2: Municípios Matogrossenses Especializados na Produção de Arroz ...................... 68 Tabela 3: Municípios Matogrossenses Especializados no Beneficiamento de Arroz e Fabricação de seus Produtos................................................................................................. 71 Tabela 4: Comunalidades para o segmento de agroindústrias beneficiadoras de arroz do Estado de Mato Grosso, 2011. ........................................................................................................... 76 Tabela 5: Variação total explicada para o segmento de agroindústrias beneficiadoras de arroz do Estado de Mato Grosso, 2011. ................................................................................................ 77 Tabela 6: Matriz de Componentes Rotacionados para o Segmento de Agroindústrias Beneficiadoras de Arroz do Estado de Mato Grosso, 2011. .............................................................78 x LISTA DE SIGLAS APL – Arranjo Produtivo Local CNM - Confederação Nacional dos Municípios CONAB - Companhia Nacional de Abastecimento CPA – Cadeia de Produção Agroindustrial EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária FIEMT - Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso IAA - Indústrias Agroalimentares IAD – Instituto de Desenvolvimento Alemão IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ICN – Índice de Concentração Normalizado IHH - Índice de Hirschman-Herfindahl MAPA - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimentos PIB – Produto Interno Bruto PR - Índice de Participação Relativa PRODEIC – Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso QL – Quociente Locacional RAIS - Relação Anual de Informações Sociais SAI - Sistema Agroindustrial SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SENAI - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SEPLAN – Secretaria de Estado de Planejamento e Coordenação Geral SIAMT - Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Alimentos SICME - Secretaria de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia SINDARROZ - Sindicato da Indústria do Arroz de Mato Grosso VBP – Valor Bruto da Produção xi SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 12 2. DESENVOLVIMENTO REGIONAL ........................................................................... 16 2.1 O Desenvolvimento por Encadeamentos ................................................................................22 2.2 Cadeia Produtiva......................................................................................................................25 2.2.1 Desempenho das Cadeias Produtivas ..................................................................................33 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS .................................................................. 36 3.1 Componentes Principais ..........................................................................................................38 3.1.1 Índice de Concentração Normalizado..................................................................................39 3.1.2 Análise Fatorial .....................................................................................................................41 4. A ORIZICULTURA NO ESTADO DE MATO GROSSO........................................... 45 4.1 A Importância do Arroz em Mato Grosso .............................................................................45 4.2 O Perfil das Beneficiadoras de Arroz em Mato Grosso.........................................................51 5. ANÁLISE LOCACIONAL E PRINCIPAIS FATORES DE DESEMPENHO DO SETOR ORIZÍCOLA EM MATO GROSSO ................................................................... 67 5.1 Municípios Especializados na Produção e Beneficiamento de Arroz em Mato Grosso ......67 5.2 Gestão, Eficiência e Competitividade na Agroindústria do Arroz em Mato Grosso ..........75 6. CONCLUSÃO ................................................................................................................ 83 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................. 86 ANEXOS ............................................................................................................................ 90 1. INTRODUÇÃO O setor orizícola1 tem destaque na pauta agrícola do estado de Mato Grosso. Entretanto, são inúmeras as dificuldades enfrentadas, seja no que diz respeito à organização da cadeia produtiva, ao desenvolvimento de novas tecnologias, à dificuldade de expansão de terras ou a comercialização e melhor aproveitamento do produto. Além de fatores sazonais, como clima ou preços, os quais são difíceis de prever. Dentre as diversas fases do setor agrícola na economia matogrossense, destaca-se na última década, a crise de 2004/2005, na qual todo o setor agrícola de Mato Grosso sofreu reflexos negativos. No setor orizícola, especificamente, pôde-se observar que houve perda da produção nas lavouras devido às chuvas e pragas. Além de uma queda brusca nos preços pelo excesso de produção e pela valorização do real na época, fatores estes que refletiram na queda da produção e da renda nos anos seguintes (IBGE, 2011). De acordo com Lastres (2004), um importante meio para superar as formas de competitividade espúria (baixos salários, exploração intensiva e exploratória dos recursos naturais e manipulação das taxas de juros e de câmbio) é investir nos processos de atuação coletiva. Estes processos podem ser de aprendizagem, cooperação e dinâmica inovativa dos conjuntos de empresas, e no caso do arroz, dos produtores e agroindústrias beneficiadoras. Por exigir poucos avanços tecnológicos na produção, o arroz foi muito utilizado em regiões de cerrado, na exploração de terras para a abertura de áreas nas fronteiras agrícolas, inclusive em Mato Grosso. Conforme Marta e Figueiredo (2009), no final da década de 1970 e início dos 1980, o arroz havia assumido como cultura hegemônica e quase exclusiva como atividade comercial em Mato Grosso, sendo entendida pelo Governo Federal como cultura de abertura da fronteira agrícola e “amansadora” de terra, tendo assim incentivos compatíveis com esse tratamento, ou seja, recebia a garantia de preços para proceder a esse processo. Porém, esse preço era suficiente somente para cobrir os custos, e já nos anos 1980, com avanços tecnológicos, a soja passou a ser um cultivo mais rentável no estado, ou seja, deixava-se de plantar arroz por soja. 1 Relativo à cultura do arroz, deriva do latim, oryza + colere. 13 Assim, para viabilizar a continuidade da produção de arroz no estado é necessário que cada segmento, produtores rurais, fornecedores de insumos, agroindústrias, instituições de ensino e pesquisa, entre outros, saibam seu papel dentro da cadeia produtiva do setor. O fortalecimento desta pode contribuir para que o setor como um todo se desenvolva com maior firmeza no estado, evitando prejuízos e queda na produção, tais como o ocorrido na crise de 2004/2005. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2011), a produção de arroz no estado de Mato Grosso na safra 2004 foi de 2 milhões de toneladas, sendo que a partir de então teve queda de mais de 50%. Sendo que, em 2008 a produção de arroz foi de 682,5 mil toneladas, em 2009 de 792,6 mil toneladas e em 2010 cerca de 687,1 mil toneladas. Tendo em vista que a maior parte da produção de Mato Grosso ainda é comercializada in natura, se houver uma maior ligação entre produtores e as agroindústrias, ou mesmo entre as próprias agroindústrias, seria possível melhor aproveitamento da produção, lembrando ainda que os subprodutos agregariam valor ao grão. A partir do grão produzido nas lavouras agrícolas é possível obter produtos para consumo humano e animal, seja beneficiando o grão ou os seus subprodutos. Do beneficiamento resultam o arroz polido e o parboilizado, restando os fragmentos de grão quebrado, o farelo e a casca, que podem ser transformados em outros subprodutos e utilizados como fonte de energia, o que evitaria desperdícios e diminuiria a poluição do meio ambiente nas regiões produtoras (LUDWIG, 2004). Apesar da crise e de ter diminuído a participação do arroz no cenário agrícola matogrossense, o cultivo ainda tem espaço entre os quatro principais produtos agrícolas do estado, o que demonstra que os produtores, mesmo com prejuízos, permaneceram produzindo (SEPLAN, 2011). Entretanto, verifica-se a falta de organização do setor no que diz respeito à integração de todos os envolvidos, o que dificulta o poder de negociação de preços na compra de insumos e na venda da produção final. Assim, torna-se necessário estudar a cadeia produtiva do arroz no estado, focando na agroindústria, a fim de verificar sua organização e apontar possibilidades que contribuam para a economia regional, fortalecendo aspectos econômicos, sociais e ambientais, dos locais potenciais, tanto no cultivo quanto no beneficiamento, Por meio de maior integração da cadeia produtiva do arroz pode-se buscar o avanço na introdução de novas tecnologias de produção, seja de novas variedades adaptadas ao clima 14 local, de melhoria na qualidade do grão, uso de técnicas de aproveitamento de resíduos e produção de subprodutos, ou no uso de maquinário mais eficiente, além de tecnologias de semente que tornem a produção viável em terras já cultivadas e naquelas ainda não cultivadas. Assim, evita-se o desmatamento, pois com as leis ambientais e a impossibilidade de expansão de terras, este setor enfrentará dificuldades para manter-se funcionando e suprir a demanda. Com a integração da cadeia produtiva para frente e para trás, torna-se possível a comercialização do produto e a compra de insumos com melhor poder de negociação por parte dos produtores rurais e consequentemente melhora-se a renda do setor. O estudo das cadeias produtivas tem se tornado cada vez mais relevante devido a uma necessidade de se observar a maneira como ocorre a integração de atividades existentes em um mesmo local, com características em comum, ou seja, ligadas ao mesmo setor e os impactos causados na socioeconomia local. Diante disso, o objetivo deste estudo é analisar a cadeia produtiva do arroz de Mato Grosso, principalmente o elo agroindustrial, com intuito de identificar suas contribuições para a economia regional. Especificamente, pretende-se descrever a cadeia produtiva do arroz no estado, mencionando suas características quanto aos aspectos socioeconômicos relacionados à produção, comercialização e consumo. Também, mapear os municípios especializados, seja na produção de arroz ou no seu beneficiamento e avaliar o nível de organização, gestão, infraestrutura e competitividade da agroindústria do arroz de Mato Grosso. Sabendo que no estado há um número significativo de empresas/produtores rurais que atuam em torno da produção e beneficiamento do arroz, subentende-se que uma melhor integração dos elos desta cadeia pode ampliar suas possibilidades de produção e comercialização. Justifica-se então a necessidade deste estudo, a fim de verificar seus desafios e potencialidades, sendo que é preciso analisar como os níveis de integração entre os elos da cadeia produtiva e sua organização interferem no desempenho de cada segmento e contribuem para a economia regional. A integração da cadeia possibilita uma dinâmica diferenciada em relação aos tradicionais instrumentos de política regional, devendo envolver diferentes esferas do poder público na sua consolidação e desenvolvimento. Do ponto de vista científico surge a necessidade de se elaborar um estudo sobre a cadeia produtiva do arroz no estado, focando nos principais municípios produtores e beneficiadores, a fim de demonstrar que a integração dos elos pode contribuir para a melhoria da economia regional, seja por meio da primeira transformação, pela produção de produtos 15 mais elaborados, ou mesmo pelo aproveitamento de resíduos como fonte de energia ou para produção de subprodutos. 16 2. DESENVOLVIMENTO REGIONAL No século XIX, mediante problemas sociais, surgiram as primeiras discussões sobre desenvolvimento. Para Furtado (1983), o processo de desenvolvimento ocorre por influência de fatores exógenos, ou seja, com a criação de um padrão mais elevado de consumo cria-se a necessidade de intercâmbio que, por sua vez, vai fortalecer a especialização geográfica e a divisão do trabalho. Nesse processo ocorre a criação, distribuição e acumulação dos excedentes por uma minoria. Entretanto, se o resultado do aumento da produtividade fosse distribuído com o conjunto da sociedade, não havendo acumulação de excedentes pela minoria, haveria apenas uma elevação no consumo e a economia passaria de um ponto estacionário a outro (FURTADO, 1983). Se os benefícios do desenvolvimento devem ser para todos os indivíduos, a localização destes, dos recursos naturais e de algumas atividades é fundamental, pois as localizações condicionam o desenvolvimento e este é condicionado pelas localizações. A partir dos estudos localizados é possível chegar às preocupações mais gerais das assimetrias regionais às escalas dos países (LOPES, 1995). Assim, pode-se dizer que as discussões sobre desenvolvimento regional ocorrem paralelamente às discussões de crescimento e desenvolvimento e que há uma inter-relação entre ambos. Conforme Schumpeter (1982), o desenvolvimento difere do crescimento por apresentar características qualitativas em seu processo. As formulações teóricas sobre desenvolvimento regional evoluíram levando em consideração duas tendências: a primeira, que faz com que as regiões deixem de ser vistas isoladamente e, a segunda, que considera e acrescenta uma abordagem multidisciplinar dos estudos. No estudo do desenvolvimento, é importante caracterizar o todo sem descaracterizar as partes, sendo que estas partes quando comparadas, revelam um conjunto de elementos semelhantes, entretanto, que diferirão em termos de escala e/ou hierarquia (LOPES, 1995). Assim, para compreender a Economia Regional é necessário esclarecer os conceitos de espaço, economia espacial e regiões. A economia espacial refere-se às questões como “o que”, “onde” e “por que”, estuda a especificidade de cada atividade econômica e sua localização em relação às demais atividades. Questiona problemas de proximidade, concentração de 17 atividades, dispersão, semelhanças e diferenças na distribuição geográfica destas atividades (HADDAD, 1989). É o que Perroux (1967) chama de espaços econômicos ou conjuntos abstratos formados por relações referentes aos fenômenos econômicos, sociais, institucionais e políticos, de maneira interdependente. São características do espaço econômico: i) definido por um plano ou programa de ação; ii) como um campo de forças e iii) como um agregado homogêneo. A análise espacial diferencia dentro do processo a análise locacional da análise regional. Para a primeira, dá-se um enfoque microeconômico, a partir de ferramentas marginalistas convencionais ou próprias, como o triângulo weberiano. Para a segunda o campo de operacionalidade é mais amplo, podendo até serem empregadas ferramentas macroeconômicas, bem como, estudar sistemas ou subsistemas inter-relacionados ou não entre regiões (HADDAD, 1989). Áreas geográficas ou subespaços nacionais são considerados subsistemas interrelacionados e constituem o objeto da análise regional. Esta, por conseguinte, pode tratar de questões estruturais regionais e inter-regionais complexas, englobando aspectos locacionais ou referentes à organização das estruturas espaciais (HADDAD, 1989). Assim, o elemento básico da análise regional aborda o conceito de região, que não possui uma definição universal aceita. Tal conceito deve ser dinâmico, pois as estruturas regionais modificam-se no tempo (HADDAD, 1989). Mas, uma definição de região aceita por muitos estudiosos diz que, a escolha de seus limites, estrutura interna e hierarquização dependem da proposta de análise e do problema a ser analisado (ISARD, 1960). Perroux (1967) define região a partir dos espaços econômicos e suas funções de polarização, planificação e homogeneidade estrutural. As relações econômicas entre os elementos econômicos definem o grau de integração dos espaços econômicos e são responsáveis pela formação de três diferentes tipos de região. Quando os espaços econômicos se apresentarem como conteúdo de um plano, há uma tendência de configuração de uma região plano ou planificada. Quando os espaços econômicos apresentarem-se como campos de força, emergirá uma região polarizada e quando estes espaços forem surgindo de forma homogênea, há uma tendência de que a região também seja homogênea (PERROUX, 1967). Conforme Richardson (1975), são três as categorias de regiões: i) regiões uniformes ou homogêneas, ii) regiões nodais e iii) regiões de programação e planejamento. A primeira delas 18 pode ser definida como “unidades espaciais separadas que podem ser reunidas porque mostram determinadas características uniformes”. Essa definição de região homogênea leva em consideração “que as áreas geográficas podem estar ligadas como uma região única quando partilham de características uniformes”. Tais características podem estar relacionadas à estrutura de produção, padrões de consumo, tipografia, clima, etc.. (RICHARDSON, 1973). Quanto às regiões nodais ou polarizadas, são analisadas a interdependência dos diferentes componentes dentro da região. Visualizam-se neste tipo de região, laços funcionais limitados e o fator distância é levado em consideração. Para muitos analistas as regiões nodais são as verdadeiras regiões da terra, pois, apesar de heterogêneas, estão intimamente relacionadas funcionalmente. Apresentam conexões claras dos fluxos populacionais, de bens, comunicações ou tráfego, que não ocorrem aleatoriamente, muito menos, uniformemente (RICHARDSON, 1975). Nas regiões nodais, os fluxos tendem a se concentrar nos grandes centros regionais, que passam a controlar e polarizar toda a região. Tais fluxos de polarização podem apresentar-se da seguinte forma: i) distribuição por atacado e varejo dos bens; ii) movimento de carga e de passageiros; iii) densidade das comunicações telefônicas; iv) área abrangida por serviços sociais; v) áreas de atração de mão-de-obra e/ou vi) domicílio de estudantes e instituições educacionais (RICHARDSON, 1975). A região denominada metropolitana é um exemplo importante de região nodal, pois apresenta um ou mais centros de controle, povoados distantes dos centros, bem como, vias de transportes que irradiam do centro. Em regiões mais distantes serão visualizadas comunidades satélites que terão uma relação com o centro, por exemplo, através do fluxo de trabalhadores (RICHARDSON, 1975). Na medida em que há crescimento econômico, há um aumento das relações entre as unidades da região, reforçando os fluxos já existentes, causando assim, uma ampliação da interdependência. Cabe lembrar, que em muitas vezes, quando a interação está abaixo do nível aceitável, os limites da região metropolitana dão lugar a zonas rurais e entre elas pode haver uma espécie de região de transição totalmente desligada de qualquer região nodal definida (RICHARDSON, 1975). Quanto à região de planejamento ou propagação, geralmente são definidas estrategicamente pelos governos como jurisdições políticas suficientemente flexíveis quanto 19 ao seu funcionamento. Desempenham tarefas específicas de caráter nacional ao mesmo tempo em que buscam organizar os órgãos administrativos regionais (RICHARDSON, 1975). Para evitar que sejam definidas inadequadamente, deve-se pensar a instituição destas de acordo com a sua composição natural, respeitando sua influência econômica e relações funcionais. Caso contrário, o planejamento pode se tornar ineficaz em áreas com maior grau de interdependência (RICHARDSON, 1975). O planejamento pode ocorrer tanto em regiões homogêneas quanto em nodais, dependendo da natureza da pesquisa, pois em ambas há fluxo de polarização entre os centros. Entretanto, deve-se tomar cuidado quando o sistema regional for desequilibrado, apresentando uma ou outra região muito grande e altamente desenvolvida, juntamente com outras menores e com grau inferior de desenvolvimento (RICHARDSON, 1975). Já foram especificados alguns dos principais problemas quanto à composição das regiões, entretanto, a escolha dos indicadores também requer certa atenção, pois em muitos casos o ideal passa a ser o possível. Existem duas maneiras de sistematizar indicadores: tomálos isoladamente ou em conjunto. Quando se trabalha apenas com um indicador a análise torna-se simplificada e de mais fácil manejo, entretanto, os resultados ficam validados apenas por este indicador. Para efeito de comparação é possível utilizá-lo como média, que pode ser relacionada com cada uma das regiões especificadas (LOPES, 1995). Uma ferramenta importante para a identificação da importância de um indicador dentro da região ou do conjunto de regiões é o Quociente de Localização - QL, que possui como valores mínimos e máximos 0 (zero) e 1 (um). Quando for igual a zero, denota-se a ausência do setor j na região i. Entretanto, esse valor é tido apenas como valor de referência, quanto mais próximo de um, maior o grau de localização do fenômeno na região (LOPES,1995). Isard (1956) trata a questão da concentração dentro da região, mencionando que as firmas, por meio da aglomeração, lucram a partir da exploração das relações industriais, através da poupança nos custos de transporte, pelo aumento do tamanho econômico e aquisição de matéria-prima. Isto ocorre pelo fato das economias serem maiores nestes centros e, por isso, existem facilidades comerciais, a partir de um mercado mais desenvolvido. O primeiro teórico que trabalhou a questão da aglomeração foi Weber, em 1909. Este autor examinou o referido fenômeno a partir das economias de localização de HOOVER, em que as escalas de produção são vistas como externas às firmas, porém, internas às indústrias (RICHARDSON, 1973). 20 Apesar de suas contribuições para o entendimento do processo de aglomeração, a teoria de Weber exclui fatores institucionais como juros, seguros, impostos, além de que, não é de fácil operacionalidade embora a função de aglomeração seja difícil de quantificar (RICHARDSON, 1973). Os custos de transporte são outro ponto importante na análise locacional e regional. Nas primeiras análises da teoria locacional, a localização considerada ótima, era aquela que minimizava os custos de transporte, entretanto, muitas vezes, eram parciais, porque ignoravam as variações nos demais custos de produção ou na demanda (RICHARDSON, 1975). Para Weber (1929), os custos com transporte são decisivos na determinação das preferências de localização. Considera que tais custos são provenientes de uma função que relaciona o peso físico a ser transportado com a distância a ser percorrida. Da mesma forma que Richardson, o ponto escolhido será aquele que minimiza os custos de transporte. Outro fator influente na localização, citado por Weber (1929), é a mão-de-obra. Existem centros onde os custos da mão-de-obra são mais favoráveis à produção de determinados produtos e, por isso, atraem indústrias; o faz paralelamente a custos totais de transportes mínimos a partir da localização desta mão-de-obra mais barata. Trata-se de uma reorientação industrial influenciada pela mão-de-obra sem que exceda o custo adicional de transporte que onera a empresa, quando ela sai do ponto de custo mínimo de transportes (WEBER, 1929). A análise de aglomeração feita por Weber (1929) considera os custos de produção relacionados à transporte e mão-de-obra como relevantes na determinação da localização das empresas, porém a diferença nos custos de produção pode não ser suficiente para tornar as empresas competitivas no mercado ou aglomerá-las em uma determinada região. Assim, é necessário se considerar outros fatores que podem influenciar a localização, tais como os aspectos relacionados às vantagens competitivas abordadas por Michael Porter, em sua obra “ A vantagem Competitiva das Nações” (PORTER, 1993). O autor ressalta que se deve levar em conta as diferentes fontes de vantagens competitivas e não depender de uma única fonte, como matéria-prima, mão-de-obra ou economias de escala, tendo por base somente os custos de produção. Com a globalização certas atividades ou cadeias de produção vão além das fronteiras nacionais, destacando outro ponto importante na competitividade: a diferenciação (PORTER, 1993). O autor explica como uma determinada atividade produtiva obtém êxito internacional a 21 partir da criação das vantagens competitivas. Trata-se da competitividade sistêmica, desenvolvida, inicialmente, pelo Instituto Alemão de Desenvolvimento (IAD) e, do diamante de Porter. A competitividade sistêmica é baseada em um polígono de interação, com níveis de competição denominados vértices: i) nível meta, determinado pelas estruturas básicas de organização jurídica, política e econômica, capacidade social de organização e integração e capacidade dos atores de interagirem estrategicamente; ii) nível macro, determinado por mercados de fatores eficientes, bens e capitais; iii) nível meso, determinado por políticas de apoio específico, formação de estruturas e articulação de processos de aprendizagem e iv) nível micro, determinado pela busca simultânea por parte das empresas da eficiência, qualidade, flexibilidade e rapidez de reação, em redes de colaboração. O diamante de Porter é definido a partir da interação entre quatro determinantes: i) condições de fatores, ii) condições da demanda, iii) indústrias correlatas de apoio e iv) estratégia, estrutura e rivalidade da empresa. Neste estudo, são mais relevantes as condições de fatores, condições de demanda e estratégia, estrutura e rivalidade da empresa. Para Porter (1993), os fatores mais importantes na geração das vantagens competitivas não são herdados e sim criados. Desta forma uma região que não tenha fatores indispensáveis à competitividade não está condenada a permanecer assim definitivamente. O autor considera que os fatores terra, trabalho e capital são muito amplos para explicarem a criação das vantagens competitivas. Tais fatores podem ser expressos de forma mais detalhada e agrupados nas seguintes categorias: Recursos humanos: engloba a quantidade, capacidade e custos com pessoal, recursos que podem estar divididos em categorias; Recursos Físicos: trata-se da qualidade, acessibilidade, abundância e custos dos recursos físicos, tais como água, terra, energia, dentre outros. Ainda são considerados a localização (influencia nos custos de transportes), o clima e o fuso horário; Recursos de Conhecimento: engloba o estoque de conhecimentos científicos, técnicos e relacionados ao mercado de bens e serviços, ou seja, todas as instituições e órgãos relacionados à difusão do conhecimento; Recursos de Capital: trata-se do custo e do total de capital disponível para financiar a indústria; 22 Infraestrutura: refere-se á quantidade e a qualidade da infraestrutura disponível, incluindo opções de lazer, atrativos turísticos da região, ou seja, fatores que afetem a qualidade de vida da população. O tipo, a qualidade e o valor de uso de uma infraestrutura interferem no nível de competição. As condições de demanda, segundo amplo determinante da vantagem competitiva, “determina o rumo e o caráter da melhoria e inovações pelas empresas do país”. A demanda pode ser interna ou externa, e possui três atributos significativos: a composição, o tamanho e o padrão de crescimento (PORTER, 1993). Da interação dinâmica entre os determinantes do diamante derivam as vantagens competitivas das firmas. Porter (1993) toma como eixo de análise as vantagens advindas das relações horizontais entre firmas (clientes comuns, tecnologia, serviços de apoio) localizadas em uma determinada região, com diversas possibilidades de criar vantagens competitivas locais. Este tipo de integração, ao contrário dos fatores tradicionais, geradores de vantagens comparativas estáticas é responsável pela geração de vantagens competitivas dinâmicas, baseadas em diferenciações que sejam realmente competitivas. Isto será determinante na geração do desenvolvimento das regiões, fruto das relações de produção, comércio e distribuição entre as empresas. Relações estas, geradoras de linkages capazes de integrar os diferentes elos de uma cadeia produtiva (PORTER, 1993). 2.1 O Desenvolvimento por Encadeamentos Os locais que apresentem níveis mais elevados de renda atraem das regiões mais atrasadas, capital e trabalho qualificado, polarizando o processo de desenvolvimento e realimentando os desequilíbrios. Em contrapartida, os centros, por meio do chamado “gotejamento” redirecionavam parte da sua renda gerada para as regiões mais atrasadas – periferias (HIRSCHMAN, 1961). Esse fenômeno pode ser chamado de desenvolvimento polarizado, em que os efeitos de dispersão irradiam de pontos espacialmente localizados, transmitindo impulsos a outros 23 pontos com índices de crescimento inferiores. Pode ser considerado uma espécie de crescimento não balanceado que promoverá o desenvolvimento a partir de certos setoreschave, os quais são escolhidos com base na rede de encadeamentos e na lucratividade proporcionada por eles (HIRSCHMAN, 1961). A medida em que os encadeamentos forem sendo gerados, haverá resposta automática do mercado, de forma desequilibrada. Assim, o progresso econômico não ocorrerá de forma equilibrada, mas sim a partir de forças que promoverão a concentração espacial do desenvolvimento nos locais onde os primeiros investimentos ocorrerem (HIRSCHMAN, 1961). Então, surgirão centros regionais com níveis de renda mais elevados, implicando em diferentes níveis de crescimento e desenvolvimento entre as regiões, que embora gerem tensões ou pressões, são considerados cruciais para o processo de desenvolvimento. Todas as forças consideradas fundamentais para a geração de desenvolvimento tenderão a se alocar nas regiões privilegiadas, fazendo com que as demais enfraqueçam (HIRSCHMAN, 1961). Dentro dessa dinâmica, o sistema como um todo não tende para o equilíbrio e sim, faz com que a região pobre fique cada vez mais pobre e a região rica, cada vez mais rica, pois o movimento de capital tende a fomentar este processo acumulativo (MYRDAL, 1957). Nas regiões onde ocorrer esta expansão da atividade econômica haverá melhor infraestrutura, com o desenvolvimento mais acentuado dos serviços básicos, mão-de-obra qualificada e possibilidades de custos menores, fatores que favorecem o processo de acumulação e aumento na renda. Assim, sucessivamente, ocorrerão elevações na demanda, que por sua vez, atrai um novo ciclo de investimento (HIRSCHMAN, 1961). Nesse sentido, ocorre o que Hirschman (1961) denomina desenvolvimento não equilibrado, em que o progresso de algumas regiões pode gerar pressões sobre outras, podendo até promover o desenvolvimento subsequente. Se esta tendência levar em consideração os limites geográficos demarcados, ocorrerá uma subdivisão de uma economia em regiões progressistas ou atrasadas (HIRSCHMAN, 1961). Levando em consideração Myrdal (1957), as regiões mais progressistas tendem a se desenvolverem cada vez mais em cada ciclo, devido a sucessivos aumentos nas taxas de investimentos e, esta passa a ser o local preferido pelo capital, devido a sua capacidade logístico-operacional, consequência do próprio desenvolvimento. Trata-se de um círculo 24 virtuoso que dará a estas regiões progressistas o status de pólos de desenvolvimento (HIRSCHMAN, 1961). A definição de região polo foi elaborada por Perroux (1967) a partir dos espaços econômicos polarizados, dentre os quais existem campos de forças funcionais que emanam efeitos concentradores ou dispersores. Quando os efeitos concentradores são superiores há uma tendência de concentração da atividade econômica nestes espaços, os quais se tornarão regiões polos ou potenciais. Quando causam crescimento, há aumento da renda e estes espaços são caracterizados como polos de crescimento. E, quando ocorrem transformações estruturais em toda a região estes espaços são denominados de pólos de desenvolvimento (PERROUX, 1967). Surgem elos entre as regiões, baseados nas relações comerciais inter-regionais no processo produtivo, no fornecimento de mão-de-obra, bens e serviços, de modo que os impactos, positivos ou negativos, ocorridos nas regiões progressistas passam a afetar as regiões atrasadas e vice-versa (HIRSCHMAN, 1961). Isto ocorre devido à interligação das atividades econômicas regionais, analisado por Hirschman (1961) a partir do conceito de encadeamento. Trata-se do estudo das articulações de elos entre as atividades integrantes da estrutura produtiva de uma economia, bem como, das regiões. Para Hirschman (1961), existem dois tipos de efeitos em cadeia: o prospectivo e o retrospectivo. No efeito prospectivo, “toda atividade que, por sua natureza, não atenda exclusivamente às procuras finais, induzirá a tentativas de utilizar a produção como inputs em algumas atividades novas”. Significa que todo o bem produzido que não seja para consumo final, desencadeará um novo processo produtivo a posteriori e assim sucessivamente. Já para o efeito retrospectivo, “cada atividade econômica não-primária induzirá tentativas para suprir, através da produção interna, os inputs indispensáveis àquela atividade”. Este efeito é causado a partir de uma previsão de demanda, em que uma indústria instalada gera inputs regionais, beneficiando, ou até mesmo, estimulando o surgimento de empresas satélites, fornecedoras de insumos ou de logística (HIRSCHMAN, 1961). Os efeitos que novas atividades produtivas podem gerar em uma região são descritos por Haddad (1999) como: 25 Efeitos de encadeamentos para trás: a partir de uma nova atividade econômica há uma necessidade de determinadas quantidades de insumos para a produção de determinadas quantidades de produtos; Efeitos de encadeamentos para frente: a partir de uma nova atividade econômica originam-se novos produtos e os benefícios são originados por efeitos sobre as atividades que utilizam estes novos produtos como insumos em seus processos produtivos; Efeitos induzidos: incentivados pela demanda final de bens a partir do aumento da renda regional; Efeitos fiscais: incidem sobre as receitas tributárias a partir do aumento na circulação de mercadoria e expansão do setor terciário, fruto de uma nova atividade econômica com significativa capacidade de influencia sobre atividades satélites. Os níveis de importância dos setores somente poderão ser conhecidos a partir de seus estudos, já que a estrutura produtiva de uma economia ou região é composta por diversas cadeias, com diferentes articulações entre seus elos. Os efeitos causados por tais articulações são mais perceptíveis quando analisado o conjunto das indústrias e não cada uma isoladamente (HIRSCHMAN, 1961). 2.2 Cadeia Produtiva A agricultura propicia a oferta de produtos aos consumidores finais com a transformação de insumos e por meio de processos interligados, fazendo então parte do agrobusiness (agronegócio). Este, por sua vez compõe-se de cadeias produtivas, as quais possuem sistemas produtivos que operam em diferentes ecossistemas, além de um conglomerado de instituições de apoio (CASTRO, 2000). Dentre as mais importantes escolas que estudam as cadeias de prospecção para o desenvolvimento regional, estão as escolas americana e francesa. No estudo de cadeias de produção, a escola americana da Universidade de Harvard, representada por Ray Goldberg e 26 John Davis, construiu suas concepções a partir do conceito de Commodity System Approach – CSA, a qual está ligada ao conceito de agrobusiness, definido como a soma das operações de produção e distribuição de suprimentos agrícolas, da produção nas unidades agrícolas, do armazenamento, processamento e distribuição dos produtos agrícolas e itens produzidos a partir deles. A partir de então, a agricultura passa a ser abordada de maneira mais ligada aos demais agentes responsáveis pelas atividades que garantem produção, transformação e consumo de alimentos (DAVIS e GOLDBERG, 1957 Apud BATALHA, 2007). Na mesma linha está a escola francesa, com o conceito relacionado à filière, que significa “fio” e retrata sucessivas etapas do processo produtivo, que se inter-relacionam em um sistema industrial, englobando desde a obtenção da matéria-prima até a comercialização do produto final (BORGES, 1993 Apud JAPPUR, 2004). Outro conceito semelhante é apresentado por Parent (1979) Apud Jappur (2004), o qual define uma filière como a soma de todas as operações de produção e comercialização, desde o estágio de matéria-prima até o produto final. E, para Floriot (1982) Apud Jappur (2004), a filière trata-se de uma sucessão de operações de transformação, que, apesar de separadas, estão ligadas entre si por um encadeamento de processos e tecnologia. Há uma distinção de duas categorias de filière: as filières principais, que concorrem diretamente para a produção de bens para a satisfação dos consumidores e, as filières auxiliares, que concorrem indiretamente para a produção na medida que são meios necessários para a realização das funções da filière principal (RUPPENTHAL, 2001). Neste sentido, Porter (1997) complementa que a distinção entre fins (filière principal) e meios (filière auxiliar) é a base de toda reflexão estratégica. A cadeia de produção pode ser compreendida também, como um “conjunto de relações comerciais e financeiras que estabelecem, entre todos os estados de transformação, um fluxo de troca situado de montante a jusante, entre fornecedores e clientes” (BATALHA, 2007). Assim, com a percepção das inter-relações existentes entre os diferentes elos da cadeia de produção é possível a identificação de seus gargalos, sendo estes pontos chave para implementação de políticas de toda a cadeia, assim como a identificação das origens de suas causas, os pontos de estrangulamento da competitividade e também os pontos fortes (JAPPUR , 2004). Quanto à cadeia de produção agroindustrial (CPA), Batalha (2007) menciona que esta é definida a partir de um produto final, sendo encadeada, a montante (para trás) e a jusante 27 (para frente), às várias operações técnicas, comerciais e logísticas necessárias para produção. Pode ser segmentada de jusante a montante em três macrosegmentos: i) comercialização empresas que viabilizam o consumo; ii) industrialização - empresas ligadas a transformação da matéria-prima; iii) produção de matérias-primas - empresas que fornecem matérias-primas iniciais para outras. Nesta pesquisa o enfoque principal ocorrerá no segundo macrosegmento, a industrialização, dado que será verificada a situação socioeconômica das agroindústrias beneficiadoras de arroz em Mato Grosso. Além disso, pretende-se verificar as inter-relações da agroindústria com os elos a montante (produtor rural) e a jusante (atacadistas e varejistas), demonstrando os pontos fortes e as fragilidades do setor. No macrosegmento industrial existem empresas de primeira, segunda e terceira transformação, sendo que as empresas de primeira transformação são as responsáveis pelos primeiros processos de transformação da matéria-prima agropecuária. Os produtos desta primeira transformação podem ser fornecidos diretamente à comercialização, ou ainda, servir como matéria-prima para as indústrias usualmente denominadas de segunda e terceira transformação, as quais promovem a geração de produtos mais elaborados (BATALHA, 2007). No caso do arroz, a maioria das agroindústrias realizam apenas a primeira transformação do produto, que já é comercializado ao consumidor final. Porém, atualmente, devido à tecnologia e à necessidade de inovação assim como melhoria de hábitos alimentares, o arroz está sendo utilizado na elaboração de produtos com maior valor agregado, ou seja, está ocorrendo a segunda e terceira transformação, que geralmente ocorre na mesma planta industrial. Conforme Morvan (1991), citado em Batalha (2007), são três séries de elementos que estariam implicitamente ligados a uma visão em termos de cadeia de produção: 1. É uma sucessão de operações de transformação dissociáveis, capazes de ser separadas e ligadas entre si por um encadeamento técnico; 2. É um conjunto de relações comerciais e financeiras que estabelecem um fluxo de troca, situado de montante a jusante; 3. É um conjunto de ações econômicas que presidem a valoração dos meios de produção e asseguram a articulação das operações. 28 Para Batalha (2007), as principais aplicações do conceito de Cadeia de Produção Agroindustrial são: Metodologia de divisão setorial do sistema produtivo; Formulação e análise de políticas públicas e privadas; Ferramenta de descrição técnico-econômica; Metodologia de análise da estratégia das firmas; Ferramenta de análise das inovações tecnológicas e apoio à tomada de decisão tecnológica; Análises de competitividade. Como metodologia de divisão setorial do sistema produtivo utiliza-se de métodos estatísticos para tentar explicar a formação de ramos e setores, dentro do sistema produtivo. Já na formulação e análise de políticas públicas e privadas aplica-se o conceito de CPA a fim de identificar elos fracos de uma cadeia de produção e incentivá-los através de uma política adequada, além de identificar elos complementares da cadeia e estimular seu desenvolvimento através de mecanismos governamentais (FERRAZ et al., 1996 Apud BATALHA, 2007). Como ferramenta de descrição técnico-econômica, a análise de cadeia produtiva é utilizada para estudar além dos aspectos técnicos (operações de produção e passíveis a essas), as relações econômicas entre os agentes formadores da cadeia, ou seja, as transações dentro da estrutura técnica da mesma. Dentro desta forma técnico-econômica a filliére representa a soma de todas as operações de produção e comercialização que foram necessárias para passar da matéria-prima ao produto final (FERRAZ et al., 1996 Apud BATALHA, 2007). E, como metodologia de análise da estratégia das firmas, analisa-se a cadeia enquanto ferramenta de observação da concorrência, sendo que a estratégia adotada pelos atores da cadeia é maximizar lucros e se apropriar das margens dos demais atores presentes. A diversificação da empresa pode ocorrer dentro dos setores ligados às atividades existentes, ou pela penetração em uma cadeia de produção na qual a empresa está ausente (FERRAZ et al., 1996 Apud BATALHA, 2007). Como ferramenta de análise das inovações tecnológicas e apoio à tomada de decisão, o conceito de CPA é útil dado que a tecnologia é importante para explicar as estruturas industriais e o comportamento competitivo das firmas. São necessários mecanismos que permitam avaliar o impacto destas inovações sobre as atividades e a concorrência. E, por fim, na análise de competitividade, sendo esta definida como a capacidade de a empresa formular e 29 implementar estratégias concorrenciais que lhe permitam ampliar ou conservar de forma duradoura, uma posição sustentada no mercado (FERRAZ et al., 1996 Apud BATALHA, 2007). Dentro da cadeia de produção agroindustrial podem ser visualizados quatro mercados com características diferentes: 1) produtores de insumos e os produtores rurais; 2) produtores rurais e agroindústria; 3) agroindústria e distribuidores; 4) distribuidores e consumidores. Os mercados que serão foco neste estudo são o segundo e terceiro, ou seja, produtores rurais e agroindústrias e, agroindústrias e distribuidores. Um Sistema Agroindustrial (SAI) é definido por Batalha (2007) como um conjunto de atividades que concorrem para a produção agroindustrial, desde os insumos (sementes, adubos,...) até a chegada do produto final ao consumidor, sendo que não está associado a nenhuma matéria-prima ou produto final específico. O SAI é composto por seis atores: 1) Agricultura, pecuária e pesca; 2) Indústrias agroalimentares (IAA); 3) Distribuição agrícola e alimentar; 4) Comércio internacional; 5) Consumidor; 6) Indústrias e serviços de apoio. O enfoque sistêmico da produção agroindustrial é guiado por cinco conceitos chave: 1) verticalidade - as condições em um estágio são influenciadas pelas condições de outros estágios do sistema; 2) orientações de demanda - a demanda gera informações que determinam o fluxo de produtos e serviços através do sistema vertical; 3) coordenação dentro da cadeia – as relações verticais dentro dos canais de comercialização, incluindo contratos, mercado aberto, etc; 4) competição entre sistemas – um sistema pode envolver mais de um canal, exportação e mercado doméstico, por exemplo, sendo necessário entender a competição entre os canais para melhorar o desempenho econômico; 5) alavancagem – identificar pontos chaves no processo produção-consumo onde ações podem ajudar a melhorar a eficiência dos participantes da cadeia (SILVA e BATALHA, 1999). Já o complexo agroindustrial tem como ponto de partida determinada matéria-prima base, por exemplo, complexo da soja, da cana-de-açúcar, do arroz, do leite, e sua formação exige a participação de um conjunto de cadeias de produção, cada uma associada a um produto ou família de produtos. Um sistema, conforme Silva e Batalha (1999), se caracteriza pelos padrões de interações das partes e não apenas pela agregação destas. Os sistemas agroindustriais devem ser geridos de forma eficiente e eficaz, sendo a eficácia, a capacidade que ele possui de 30 atender às necessidades do consumidor, e a eficiência, a gestão interna dos agentes do sistema, disponibilizando produtos com nível adequado de qualidade e preço. Existem algumas especificidades dos Sistemas Agroindustriais, tais como sazonalidade de disponibilidade de matéria-prima, variações de qualidade de matéria-prima, perecibilidade da matéria-prima, sazonalidade de consumo e perecibilidade do produto final. E ainda, no gerenciamento de processos e especificidades dos sistemas agroindustriais de produção, entram fatores como: vigilância sanitária e de preços; problemas de uso e controle da terra; aspectos culturais, “somos o que comemos” e; impactos tecnológicos (BATALHA, 2007). No sistema agroindustrial do arroz as especificidades estão mais relacionadas à sazonalidade de matéria-prima, que acarreta em excesso ou falta de produto para agroindústria processar, tendo assim efeitos sobre os preços, favorecendo ora o produtor, ora a agroindústria. De acordo com a metodologia proposta pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), atuam no Sistema Agroindustrial cerca de cinco categorias de agentes, os quais são constituídos pelos atores destacados na Figura 1 (SCHULTZ, 2001 Apud SILVA, 2005). Os agentes participantes possuem as seguintes características: a) Fornecedores de Insumos: Referem-se às empresas que têm por finalidade ofertar produtos tais como: sementes, calcário, adubos, herbicidas, fungicidas, máquinas, implementos agrícolas e tecnologias de produção rural; b) Agricultores: são os agentes cuja função é proceder ao uso da terra para a produção de commodities tipo: madeira, cereais e oleaginosas. Estas produções são realizadas em sistemas produtivos como fazendas, sítios ou granjas; c) Processadores: são agroindústrias que podem pré-beneficiar, beneficiar, ou transformar produtos in natura. Exemplos: (a) Pré-beneficiamento: são as plantas encarregadas da limpeza, secagem e armazenagem de grãos; (b) Beneficiamento: são as plantas que padronizam e empacotam produtos, como: arroz, amendoim, feijão e milho pipoca; (c) Transformação: são as plantas que processam uma determinada matéria-prima e a transformam em produto acabado, tipo: óleo de soja, cereal matinal, polvilho, farinhas, álcool e açúcar. d) Comerciantes: os atacadistas são os maiores distribuidores que possuem por função abastecer redes de supermercados, postos de vendas e mercados exteriores. Enquanto 31 os varejistas constituem os pontos cuja função é comercializar os produtos junto aos consumidores finais. e) Mercado Consumidor: é o ponto final da comercialização constituído por grupos consumidores. Este mercado pode ser interno ou doméstico (localizado no país) ou externo (localizado fora do país). O mercado interno pode ainda ser subdividido em: nacional, regional e local. Figura 1: Esquema da Cadeia Produtiva de Produto de Origem Vegetal – Metodologia Embrapa Fonte: SCHULTZ (2001) Apud SILVA (2005) Conforme a Figura 1, os agentes (atores) de um sistema produtivo estão sujeitos a influências de dois ambientes: o institucional e o organizacional. O primeiro refere-se aos conjuntos de leis ambientais, trabalhistas, tributárias e comerciais, bem como, às normas e padrões de comercialização, sendo, portanto, os instrumentos que regulam as transações comerciais e trabalhistas. E, o ambiente organizacional é estruturado por instituições da área de influência da cadeia produtiva, tais como: agências de fiscalização ambiental, agências de crédito, universidades, centros de pesquisa e agências credenciadoras (SCHULTZ, 2001 Apud SILVA, 2005). No setor orizícola, o ambiente institucional traz normas relacionadas à padronização do grão, tais como umidade, quebrado, dentre outras, e o ambiente organizacional tem instituições de fiscalização, tais como o Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Alimentos 32 (SIAMT), o Sindicato da Indústria do Arroz de Mato Grosso (SINDARROZ), a Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (FIEMT), assim como agências de crédito que auxiliam o setor, seja com recursos para capital de giro ou para investimentos. A última instância em análise de cadeias produtivas é o modelo denominado Supply Chain Management, que é adequado quando se buscam medidas a serem implementadas pelas empresas integrantes do sistema para que se tornem mais competitivas (SILVA e BATALHA, 1999). Foi por volta de 1992, nos Estados Unidos, que surgiu esta nova concepção, aprimorada a partir da Gestão da Cadeia de Suprimentos – GCS. O Supply Chain Management retrata a integração dos processos, desde os usuários finais até os fornecedores originais, numa dinâmica de análise inversa às atuais, estudando atividades e fluxos alinhados e integrados que visam atender as demandas do mercado, com agregação de valor a bens e serviços (COOPER; LAMBERT; PAGH, 1997). Para Batalha (2007), a cadeia de suprimentos, é definida como uma estrutura que engloba todas as organizações com quem a firma se relaciona direta ou indiretamente, cujo objetivo é maximizar o lucro da empresa local e de todos os agentes envolvidos. A gestão da cadeia de suprimento - Supply Chain Management- SCM - pressupõe a interação de todas as atividades da cadeia mediante melhoria nos relacionamentos entre os diversos elos e agentes, buscando construir vantagens competitivas. Tem como objeto oferecer maior valor ao cliente, com o uso adequado de recursos disponíveis, com vistas a obter vantagens competitivas para toda a cadeia. De acordo com Wood e Zuffo (1998), Supply Chain Management pode ser definida como uma metodologia de estudo para alinhamento de atividades produtivas que apresentem sincronismo. Busca disponibilizar um gerenciamento mais adequado, visando redução de custos e maximização de receitas, bem como, romper barreiras que interferem no dinamismo da cadeia. O Supply Chain Management baseia-se na ideia de que a eficiência ao longo do canal de distribuição, ou seja, da produção de arroz até o consumidor final, pode melhorar com a troca de informações e com o planejamento conjunto entre os agentes. No estudo de cadeias produtivas esse conceito é importante, pois tem foco na coordenação e integração de atividades relacionadas ao fluxo de produtos, serviços e informações (BOWERSOX e CLOSS, 1996 Apud SILVA e BATALHA, 1999). 33 Neste estudo a referência conceitual está relacionada aos conceitos de fillière e cadeia produtiva das escolas americana e francesa, complementado pelos modelos denominados Commodity System Approach – CSA, ou seja, mais relacionado com a visão macro do sistema e as medidas de regulação do mercado, e pelo mais recente, Supply Chain Management, quando se mencionar mecanismos de coordenação da cadeia implementados por seus próprios integrantes. 2.2.1 Desempenho das Cadeias Produtivas O desempenho das cadeias produtivas como mencionado por Batalha (2007), está relacionado dentre outros fatores à competitividade, sendo esta definida de diferentes formas por diversos autores. Para Farina (1999), do ponto de vista das teorias de concorrência, a competitividade pode ser definida como a capacidade de sobreviver e, de preferência, crescer em mercados correntes ou novos mercados. A evolução da participação no mercado, os custos, a produtividade e a inovação em produto e processo para atender exigências dos consumidores, são fatores que demonstram a eficiência e explicam o desempenho na competitividade. E, a competitividade futura, por sua vez é determinada pela capacidade de ação estratégica e pelos investimentos em inovação de processo e de produto, marketing e recursos humanos, uma vez que estão associados à preservação, renovação e melhoria das vantagens competitivas dinâmicas. No caso do agronegócio existem especificidades que resultam na definição de um espaço diferente de análise dos convencionais admitidos em estudos de competitividade, a cadeia de produção agroindustrial, na qual a competitividade não pode ser dada apenas pela soma da competitividade individual dos seus agentes. Devem ser considerados ganhos de coordenação na análise de competitividade do conjunto do sistema (SILVA e BATALHA, 1999). A cadeia de produção agroindustrial orizícola tem sua competitividade mais focada na localização, seja próximo do consumidor final ou da matéria-prima, e no marketing, pois a consolidação da marca pode garantir à agroindústria ser mais competitiva e ter maior espaço 34 no mercado. Já a inovação como determinação para competitividade no setor orizícola, apesar de contribuir, ainda é menos importante, dado que o produto apesar de oferecer possibilidades de agregação de valor e produção de produtos diferenciados, tem o custo da inovação elevado e o número de consumidores pequeno. A competitividade pode ser vista sob dois aspectos. Primeiro, considerando que é o desempenho de uma empresa ou produto, sendo o principal indicador a participação do produto ou empresa no mercado (Market Share), e, segundo, a vêem como eficiência, ou seja, trata-se de medir o potencial de competitividade de uma empresa ou setor pelas suas decisões estratégicas. Assim, estes autores colocam como conceito de competitividade “a capacidade da empresa formular e implementar estratégias concorrenciais que lhe permitam ampliar ou conservar, de forma duradoura, uma posição sustentável no mercado” ( FERRAZ et al, 1996 Apud SILVA e BATALHA, 1999). A análise da competitividade de um setor deve se concentrar nas cinco forças básicas que atuam em uma indústria: a ameaça de novos entrantes, a ameaça de produtos substitutos, o poder de negociação dos fornecedores, o poder de negociação dos compradores e a intensidade da rivalidade dentro do setor. A análise destas forças auxiliam no diagnóstico dos pontos fortes e fracos em termos de ameaças e oportunidades (PORTER,1997). Destas cinco forças de Porter, são pertinentes para a análise da competitividade no setor orizícola a ameaça de novos entrantes, o poder de negociação de fornecedores e de compradores e a rivalidade, já a ameaça de substitutos não faz sentido ser considerada, já que o produto não possui similar próximo. No modelo de competitividade, citado por Porter (1997), são duas as formas de vantagem competitiva para as empresas se diferenciarem de seus concorrentes: diferenciação e baixos custos. Mas, pode-se ainda ligar a competitividade a outros fatores, tais como a economia de escala e escopo, ou seja, a gama de segmentos de mercado visados pela empresa, à intensidade e adaptação de tecnologias ao negócio da firma, às condições de obtenção dos insumos e à fatores externos, como outras formas de vantagem na competitividade (HARRISON e KENNEDY, 1997 Apud SILVA e BATALHA, 1999). Junto com o conceito de competitividade industrial, Porter traz o conceito de cadeia de valor na empresa, um modelo que orienta a formulação de estratégias específicas de competitividade para a oferta de produtos de valor agregado aos clientes. Assim, uma empresa é competitiva quando o valor que ela impõe aos clientes é superior aos custos necessários para 35 a produção do bem ou serviço, e, a vantagem competitiva de uma organização não depende apenas das relações internas, mas também das interações com fornecedores e clientes (TRICHES, 2007). No caso das cadeias produtivas agropecuárias, devem-se distinguir produtos com valor agregado daqueles do tipo commodities, dado que a vantagem competitiva para cada um é diferente. Nas cadeias produtivas de commodities, devido a não diferenciação, a competitividade é estabelecida por baixos custos, já nas cadeias de produtos de valor agregado, a vantagem competitiva é estabelecida a partir da qualidade e da imagem de diferenciação. Para Farina (1999) o desempenho das firmas está condicionado também à provisão de um conjunto de bens públicos ou privados, sobre os quais a empresa não tem, individualmente, controle, sendo a logística um exemplo, já que depende de infraestrutura de transportes adequada. Tanto para empresas cujo negócio está associado a commodities, como para firmas com posicionamento estratégico em produtos diferenciados, a logística pode eliminar ou magnificar suas vantagens competitivas. Neste estudo, o foco está relacionado à competitividade da cadeia produtiva do arroz no estado de Mato Grosso, mas principalmente visando analisar a competitividade do setor de beneficiamento, onde há agregação de valor ao arroz produzido no estado. A competitividade será analisada conforme informações de comercialização, padrões de diferenciação e diversificação da produção, estratégias de mercado, relação com fornecedores e com os concorrentes, dentre outras. 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Este estudo da cadeia produtiva do arroz em Mato Grosso considerou dados secundários e informações oficiais do governo do estado e dos municípios, de livros e artigos de periódicos nacionais e estaduais, além de matérias de jornais e internet. A pesquisa quantitativa foi baseada em dados secundários de órgãos como a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Sindicato da Indústria do Arroz de Mato Grosso (SINDARROZ), além de dados obtidos por meio de entrevistas com representantes de agroindústrias de arroz. Estes dados serão apresentados sob a forma de gráficos e tabelas que comprovem, de acordo com o perfil agrícola do estado, a necessidade de maior integração da cadeia produtiva do arroz. Já a pesquisa descritiva qualitativa será utilizada na interpretação dos dados relativos à caracterização do setor, a fim de dar consistência e embasamento teórico ao estudo. Devido ao elevado número de municípios do estado e à dificuldade de acesso a alguns, fez-se necessário a estimativa de uma amostragem probabilística aleatória simples para as agroindústrias beneficiadoras de arroz, obtida após o levantamento do número de estabelecimentos junto ao SINDARROZ. De acordo com este órgão existem, em Mato Grosso, 33 agroindústrias que beneficiam arroz em 2011. Para o cálculo da amostra utilizou-se a técnica de amostragem proposta por Toledo, Martins e Fonseca (1985), para assim estimar um grupo destas empresas capazes de representar o universo informado, considerando um erro amostral de até 10% para um nível de confiança de 95%. A referida técnica é determinada a partir da seguinte expressão matemática: ( ) Em que: N = total de beneficiadoras de arroz em Mato Grosso; p = porcentagem com a qual o fenômeno se verifica; 37 q = complemento de p; z = nível de confiança escolhido; e = erro amostral permitido; n = número de beneficiadoras à entrevistar. Os cálculos para a amostragem determinaram uma amostra de 20 empresas, considerando os parâmetros informados como suficientes para explicar o universo de informantes. Os questionários foram elaborados de acordo com o perfil dos entrevistados, os representantes de agroindústrias beneficiadoras de arroz, contemplando questões relacionadas à produção, comercialização, engenharia e tecnologia, inovação e meio ambiente, visando mensurar a situação econômica, social e ambiental do setor no estado. O questionário contém 91 questões, subdivididas em 11 blocos e pode ser visualizado no Apêndice. O primeiro bloco, com 17 perguntas, contempla a identificação das beneficiadoras de arroz, detalhando a formação das empresas, tempo no mercado, localização, evolução, etc. O segundo, denominado Indicadores de Produção, contém seis questões que definem quantidade e origem da matéria-prima, dificuldades para produzir, dentre outras. O terceiro bloco, Linha de Produtos, é formado por nove questões, onde são indicados os produtos que cada empresa trabalha e questões relacionadas às estratégias de inovação e diferenciação da produção. No quarto bloco são nove questões sobre quantidade comercializada, preço, destino da produção e logística, sendo assim denominado Indicadores de Comercialização. O quinto bloco, Indicadores Sociais, têm questões sobre o número de funcionários, remuneração e qualificação. O sexto bloco, Indicadores Organizacionais e de Competitividade, contempla 14 questões sobre inovação, ação cooperada, capacitação e treinamento, gestão, dificuldades de comercialização e relação com fornecedores. No sétimo bloco, são verificadas as preferências dos consumidores e dificuldade da agroindústria neste sentido, sendo chamado de Necessidades dos Consumidores. O oitavo bloco traz três questões de Engenharia, tais como capacidade produtiva e equipamentos. No nono bloco as quatro perguntas são sobre as fontes de tecnologia e possíveis projetos de inovação das empresas na estrutura, equipamentos novos, etc. O décimo contempla 13 perguntas sobre o ambiente institucional, sendo assim denominado, pois possibilita informações sobre o tipo de gestão, relação entre os elos da cadeia, apoio do governo e problemas gerais verificados no setor. O último bloco trata de 38 questões relativas ao meio ambiente, sendo possível verificar em nove questões, se há resíduos e como estes são tratados pelas empresas. Os questionários foram aplicados no mês de abril de 2011, sendo que são de suma importância para esta pesquisa, uma vez que darão suporte ao estudo de caracterização da cadeia e verificação dos pontos críticos à integração. Assim, a técnica de componentes principais foi utilizada tanto para verificar os espaços especializados quanto para averiguar os pontos fortes e fracos no desenvolvimento da cadeia produtiva do arroz no estado. 3.1 Componentes Principais Conforme Crocco et al. (2003) a análise dos componentes principais toma p variáveis X1, X2..., Xp e encontra combinações lineares das mesmas produzindo os componentes Z1, Z2..., Zp: que variam tanto quanto possível para os indivíduos , sujeito à condição: O objetivo dos componentes principais é explicar a estrutura de variância e covariância de um vetor aleatório encontrando combinações lineares das variáveis originais. Para encontrar as variâncias associadas a cada componente, como os coeficientes das combinações lineares, a técnica dos componentes principais utiliza-se da matriz de covariância. De acordo com Crocco et al. (2003), a matriz de covariância apresenta-se da seguinte forma: 39 A soma dos autovalores (α) é igual à soma dos elementos da diagonal principal da matriz de covariância : Sendo cii a variância de Xi,, e αi a dos Zi,, a soma das variâncias de todas as variáveis originais é igual a de todos os componentes (CROCCO et al., 2003). A técnica de componentes principais foi utilizada por ter como objetivo obter um pequeno número de combinações de um conjunto de variáveis. No caso do cálculo do Índice de Concentração Normalizado, para identificar entre os 141 municípios do estado àqueles em que há maior especialização das atividades de produção e beneficiamento de arroz e, no caso da Análise Fatorial, para agrupar as variáveis em fatores capazes de demonstrar potencialidades e fragilidades do setor de beneficiamento. 3.1.1 Índice de Concentração Normalizado A metodologia utilizada para identificar os municípios especializados na produção de arroz no estado de Mato Grosso foi o Índice de Concentração Normalizado (ICN), pois de acordo com Crocco et al. (2003), o ICN é capaz de captar: “ [...] (1) a especificidade de um setor dentro de uma região; (2) o seu peso em relação à estrutura industrial da região; (3) a importância do setor nacionalmente; e (4) a escala absoluta da estrutura industrial local”. O ICN é calculado com base em três parâmetros: Quociente Locacional- QL, Índice de Hirschman-Herfindahl - IHH e o Índice de Participação Relativa – PR, sendo que são calculados pesos específicos para cada um destes por meio de um método multivariado, a análise dos componentes principais. Para Santana (2004), o Quociente Locacional – QL, permite identificar o nível de especialização de certa atividade no município em questão, e é definido pela seguinte expressão matemática: 40 ( ) Em que: Eij– número de empregos/valor da produção da atividade em questão no município j; Ej– emprego/valor da produção de todas as atividades que constam no município j; EiA - total de empregos/valor da produção da referida atividade em Mato Grosso; EA – emprego/valor da produção de todas as atividades que constam em Mato Grosso. Existirá a especialização no município se o QL for maior do que um, porém este parâmetro tem suas limitações, por isto não pode ser o único utilizado para identificar uma aglomeração (CROCCO et al., 2003). Para diminuir estes problemas utiliza-se ainda no ICN o Índice de HirschmanHerfindahl – IHH, representado pela equação: [( ) ( )] O IHH possibilita a comparação do peso da atividade i do município j no setor i de Mato Grosso em relação ao peso da estrutura produtiva do município j na estrutura do estado. Se o resultado da equação for positivo, a atividade i do município j em Mato Grosso está mais concentrada neste local, tendo maior poder de atração econômica, devido ao seu nível de especialização (SANTANA, 2004). Um terceiro indicador do ICN trata da participação relativa do setor no emprego/valor da produção total do setor no estado de Mato Grosso. Pode variar entre zero e um, sendo que quanto mais próximo de um, maior a representatividade da atividade no estado. ( ) Assim, o ICN é expresso por: Em que, são os pesos de cada um dos indicadores, que serão determinados pelo método de análise de componentes principais. 41 Através da matriz de correlação das variáveis, esta metodologia, permite que se conheça qual o percentual da variância da dispersão total de uma nuvem de pontos é explicado por cada um dos três parâmetros utilizados (CROCCO et al, 2003). Os estudos empregam o número de empregos formais para o cálculo deste indicador estatístico, ou utilizam o Valor da Produção e PIB. Especificamente, para este estudo, foram utilizados dados do valor de produção do arroz, PIB municipal e estadual para identificar a concentração espacial da produção, além de dados de empregos formais para a classe da CNAE- Classificação Nacional de Atividades Econômicas - 10.61-9, a qual se refere ao Beneficiamento de Arroz e Fabricação de Produtos de Arroz, para identificar a concentração da atividade de beneficiamento no espaço regional. Para o cálculo do ICN utilizou-se o software SPSS, que fornece os dados da matriz de covariância necessários para se obter os pesos e enfim verificar em quais municípios há especialização da atividade, sendo considerados especializados todos aqueles que tiverem ICN acima da média. Depois de identificados os espaços especializados, a análise fatorial irá permitir aprofundar a análise do beneficiamento de arroz, por meio da qual serão apontados os pontos fortes e fracos deste elo da cadeia. 3.1.2. Análise Fatorial A utilização da análise fatorial, nesta pesquisa, se fez necessária devido à necessidade de aprofundar os estudos acerca das agroindústrias beneficiadoras de arroz, por ser esse um segmento importante e em constante desenvolvimento na cadeia, com significativa influência sobre os demais. Além da análise quantitativa dos dados primários, a análise fatorial apontou os fatores mais eficientes e, consequentemente, os que precisam de uma maior atenção no segmento. A análise fatorial é um conjunto de métodos estatísticos que auxilia a explicação do comportamento de variáveis observadas em termos de um número relativamente pequeno de variáveis latentes ou fatores. É entendida como uma técnica estatística exploratória destinada a resumir as informações contidas em um conjunto de variáveis em um conjunto de fatores, 42 com o número de fatores sendo geralmente bem menor que o número de variáveis observadas (REZENDE; FERNANDES; SILVA, 2007). De acordo com Santana (2005), a análise fatorial busca condensar informações em uma espécie de resumo, o qual possui capacidade de explicar uma estrutura como um todo. Os fatores são capazes de explicar dimensões isoladas de uma determinada estrutura de dados ou uma dimensão do todo. Para Hair et al. (2005), no modelo de análise fatorial, cada uma das variáveis pode ser definida como uma combinação linear dos fatores comuns que irão explicar a parcela da variância de cada variável, mais um desvio que resume a parcela da variância total não explicada por estes fatores. A parcela explicada pelos fatores comuns recebe o nome de comunalidade, e a parcela não explicada é chamada de especificidade. As comunalidades podem variar de 0 a 1, sendo que valores próximos de 0 indicam que os fatores comuns não explicam a variância e valores próximos de 1 indicam que todas as variâncias são explicadas pelos fatores comuns. O modelo de análise fatorial expressa cada variável em termos de fatores comuns. É representado algebricamente por: Em que: = são as variáveis (i = 1, 2,..., p); = são os coeficientes relacionados a cada fator (i = 1,..., p; j = 1,..., q); FCj = são os fatores comuns (j = 1, 2,..., q); ei = são os fatores específicos. Entretanto, o modelo básico de fatores é comumente representado na forma matricial: ou, 43 [ ] [ ] [ [ ] ] Em que: X = é o p-dimensional vetor de variáveis originais, X’ = (x1, x2, ..., xp); F = é o q-dimensional de fatores comuns, F’ = (f1, f2,..., fq); E = é o p-dimensional de fatores únicos E’ = (e1, e2,...ep); = é a matriz (p, q) de constantes desconhecidas. Como parâmetro para o modelo de análise fatorial foi utilizado o método de rotação Varimax, pois conforme Hair et al. (2005) este é o método comumente utilizado, o qual minimiza o número de variáveis, com altas cargas sobre o fator, reforçando a interpretabilidade dos fatores. O número de fatores foi determinado livremente pelo modelo para que os mesmos fossem capazes de explicar de forma mais completa os dados coletados. O teste de Bartlett possibilita testar a hipótese nula de que as variáveis são independentes contra a hipótese alternativa de que as variáveis são correlacionadas entre si, sendo determinado pela seguinte expressão matemática: [ ( )] | | Em que: = o determinante da matriz de correlação da amostra; = o número de observações; = o número de variáveis. Se a significância do Teste de Bartlett for próxima de zero a hipótese nula será rejeitada e a análise pode ser realizada (HAIR et al, 2005 e MINGOTI, 2005). E, segundo Mingoti (2005), para que os resultados da análise fatorial sejam considerados válidos é necessário que todas as comunalidades sejam superiores a 0,5 e que os fatores estimados expliquem, pelo menos, 60% da nuvem de dados. O cálculo dos fatores deste estudo foi feito com base em 13 variáveis do questionário, sendo elas: funcionários, treinamento e consultoria, gasto com folha de pagamento, 44 remuneração dos funcionários, preço de compra da tonelada de arroz em casca, preço de venda da tonelada de arroz beneficiado, estratégia de produto novo, idade dos equipamentos, comercialização de outros produtos, gasto com produção, consulta às preferências dos consumidores, ociosidade da planta e crescimento da empresa. Para isto, utilizou-se o software SPSS, que fornece os dados do teste de Bartlett, a Tabela de Comunalidades, a Variação Total Explicada e os Componentes da Matriz, onde foram especificados os fatores responsáveis pelo desenvolvimento do segmento agroindustrial da cadeia produtiva do arroz em Mato Grosso. 45 4. A ORIZICULTURA NO ESTADO DE MATO GROSSO O setor da orizicultura tem lugar de destaque no agronegócio nacional, pois o arroz é o segundo alimento mais consumido pelos brasileiros, sendo um cereal de suma importância na dieta alimentar da população brasileira, fornecendo calorias e proteínas de grande valor nutritivo (ALMEIDA, 2003). O estado de Mato Grosso está entre os principais produtores de arroz no país, sendo que o arroz foi o terceiro produto agrícola mais produzido no estado no ano de 2009 (SEPLAN, 2011). Assim, nas seções que seguem serão apresentadas informações qualitativas e quantitativas sobre o setor, sendo que a primeira descreve uma visão geral da orizicultura matogrossense, e a segunda, apresenta informações a respeito da agroindústria beneficiadora de arroz no estado no ano de 2011. 4.1 A Importância do Arroz em Mato Grosso Segundo a Embrapa (1999) Apud Ludwig (2004), no Brasil, o arroz pode ser plantando em quase todas as regiões, devido ao clima e ao solo adequado. Os métodos de plantio mais utilizados são o de arroz de terras altas e o arroz irrigado. O sistema de produção de arroz de terras altas é mais utilizado nos estados do Mato Grosso e Maranhão, e caracteriza-se pelo desbravamento de terras. A menor produtividade desse sistema vem sendo superada pelos constantes avanços tecnológicos na melhoria da qualidade do grão e também pelo menor custo de implantação da lavoura. Já o sistema de arroz irrigado, praticado no sul do país, utiliza-se de alta tecnologia de insumos e irrigação, obtendo melhores resultados de produtividade (LUDWIG, 2004). A Figura 2 demonstra a participação percentual dos sistemas de plantio de arroz em termos de área e produção no Brasil em 2009, permitindo observar que o arroz irrigado é mais representativo quanto à produção, o que se justifica por ser mais produtivo e por ser o tipo de arroz cultivado no Rio Grande do Sul, maior produtor nacional. Já o arroz de sequeiro, 46 destaque-se em extensão de área, porém com menor produção, justamente por ter menor produtividade. Figura 2: Participação Percentual dos Sistemas de Plantio de Arroz na Área e Produção no Brasil em 2009 90 78 80 70 60 50 50 49 ÁREA COLHIDA (%) 40 30 PRODUÇÃO (%) 21 20 10 1 1 0 SEQUEIRO IRRIGADO VÁRZEA Fonte: Embrapa Arroz e Feijão (2010). O setor orizícola apresenta algumas possibilidades de diversificação, dado que a partir do grão produzido nas lavouras agrícolas é possível obter produtos para consumo humano e animal, seja beneficiando o grão ou os seus subprodutos. Do beneficiamento do grão resultam o arroz polido, integral e o parboilizado, restando os fragmentos de grão quebrado, o farelo e a casca, que podem ser transformados em outros subprodutos e/ou utilizados como fonte de energia (LUDWIG, 2004). A casca corresponde ao subproduto do arroz de maior volume e é utilizada para produção de energia, empregada para queima nas fornalhas dos secadores e autoclaves do engenho, ou para geração de vapor. A fumaça da casca de arroz não é poluente e a cinza, rica em sílica, pode ser utilizada para produzir material refratário e cimento resistente à corrosão (ÝUFERA, 1998 Apud LUDWIG, 2004). Quanto ao farelo de arroz desengordurado, obtido após a extração do óleo, este pode ser utilizado para formulação de ração, por conter proteínas, fibras e minerais importantes para o desenvolvimento dos animais (MASSARO e PINTO, 2004 Apud LUDWIG, 2004). E, 47 quanto aos fragmentos de grão de arroz beneficiado, classificados em duas categorias, quebrado e quirera, o primeiro pode ser utilizado para fabricação de farinha de arroz, leite de arroz, snaks, arroz instantâneo, pet food, dentre outros, e a quirera, é empregada na fabricação de ração animal e fermentação de cerveja (LUDWIG, 2004). As utilizações dos três principais subprodutos do arroz são resumidas no Quadro 1: Quadro 1: Principais Usos dos Subprodutos do Arroz Subproduto Uso Produção de Energia; Geração de vapor; Fabricação de Casca material refratário; Fabricação de cimento. Alimentação animal; Óleo; Indústria cosmética e Farelo farmacêutica. Fragmentos Farinha de Arroz; Leite de arroz; Snacks; Arroz instantâneo; Ração Animal; Fermentação de cerveja. Fonte: LUDWIG (2004) De acordo com Ludwig (2004), para agregar valor ao arroz in natura, pode-se ainda industrializá-lo em biscoitos ou bolachas de arroz, arroz com sabor, arroz pré-pronto entre outras inovações. A Figura 3 demonstra os principais estados produtores de arroz no Brasil em 2009. Pode-se observar no mapa que o estado que mais produz arroz no Brasil é o Rio Grande do Sul, com 62,7%, seguido de Santa Catarina, com 8,2% da produção nacional e, em terceiro lugar, com 6,3% da produção, o estado de Mato Grosso. O arroz no cenário nacional tem um comércio bastante limitado, sendo a maior parte da produção destinada ao mercado interno. No caso de Mato Grosso, o comércio é feito a nível estadual e nacional, sendo que este cultivo não faz parte da pauta de exportações estaduais, porém o estado é o principal produtor do centro-oeste e o terceiro maior nacional, conforme pode ser observado na Figura 3. 48 Figura 3: Participação (%) dos Principais Estados Produtores de Arroz no Brasil, dez. de 2009. Fonte: Embrapa Arroz e Feijão (2010). De maneira geral a produção de arroz em Mato Grosso interage mais com a pecuária, com seu uso voltado a recuperação de pastagens e abertura de áreas, sendo em menor intensidade voltada para rotação de cultura, especialmente, com a soja. Por isso a área de arroz varia muito, pois muitos produtores plantam esporadicamente (VILLAR e FERREIRA, 2005). A Tabela 1 apresenta a área, a produção, o valor da produção e o preço do arroz entre os anos de 1994 e 2010. A área cultivada e a produção de arroz tiveram seus picos nos anos de 2000, 2004 e 2005, sendo produzidas mais de 1 milhão de toneladas em cerca de 700.000 hectares em cada ano e, a partir de 2005 tanto a área quanto a produção tiveram queda de mais de 50%. Já o valor da produção e o preço apresentaram um aumento ao longo do período demonstrado. 49 Tabela 1: Área, Produção, Produtividade, Valor da Produção e Preço do Arroz em Mato Grosso entre 1994 e 2010 Ano Área (hectares) Produção (ton) 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 TGC 476.542 422.803 430.822 355.231 364.270 731.232 700.533 451.096 436.134 439.867 739.012 855.067 287.974 275.728 239.808 280.707 235.287 -3,30% 812.439 762.327 721.793 694.904 776.502 1.727.339 1.851.517 1.151.816 1.181.340 1.253.363 2.177.125 2.262.863 720.834 707.167 682.506 792.671 687.137 -0,10% Produtividade (ton/hec) 1,70 1,80 1,68 1,96 2,13 2,36 2,64 2,55 2,71 2,85 2,95 2,65 2,50 2,56 2,85 2,82 2,92 3,31% Valor da Produção Preço (R$/ton) (R$) 113.426 139,61 90.295 118,45 108.360 150,13 120.985 174,1 158.197 203,73 351.923 203,74 358.632 193,7 255.941 222,21 320.265 271,1 506.453 404,08 1.187.088 545,25 697.311 308,15 212.775 295,18 239.767 339,05 295.944 433,61 417.434 526,62 316.091 460,01 8,87% 8,98% Fonte: IBGE (2011) Analisando a taxa geométrica de crescimento 2, verifica-se que entre os anos de 1994 e 2010, a área apresentou um decrescimento de 3,3% e a produção de 0,10%. Já o valor da produção cresceu em 8,87%, o que está relacionado ao aumento no preço, que foi de 8,98%. Mesmo com aumento no preço, é possível observar que houve queda na área e na produção no estado, o que pode estar relacionado à migração dos produtores rurais para outras culturas ainda mais rentáveis, tais como a soja e o algodão. Apesar dos picos de produção, percebe-se que o arroz é uma cultura agrícola que sempre esteve presente na pauta de produção matogrossense. O estado de Mato Grosso sempre esteve entre os quatro maiores produtores de arroz no país, porém de acordo com dados do IBGE (2011), a área e produção entre 2000 e 2010 teve queda, sendo que a produção passou de mais de 1,8 milhões toneladas para 687,1 mil toneladas, enquanto a área passou de 700,5 mil hectares para 235,2 mil hectares. Já a produtividade teve aumento, passou de 2,64 2 TGC – demonstra a variação da série de dados no período analisado, sendo calculada por meio de logaritmo neperiano devido a ocorrência de variação negativa. Ver: Hoffmann e Vieira (1987). 50 em 2000 para 2,92 toneladas por hectare em 2010, apresentando uma taxa geométrica de crescimento de 3,31%. Apesar de queda na área pode-se observar aumento de produtividade entre 1994 e 2010, podendo este aumento estar relacionado a evolução nas tecnologias utilizadas no plantio. Quanto ao registro de empregos formais no estado, segundo Ministério do Trabalho e Emprego, em 2009 foram 622,4 mil empregos, sendo que destes, o setor de beneficiamento de arroz e fabricação de seus produtos representou 0,16%, ou seja, foram 1.055 empregos formais (RAIS, 2010). Conforme Almeida (2003) estimativas do IRRI – International Rice Research Institute (1994), em 2025 serão necessárias 760 milhões de toneladas para abastecer a população mundial, assim é necessário estimular a produção por meio de mecanismos de comercialização, instrumentos de crédito rural, novas tecnologias de produção e pesquisa e extensão rural. Em 2008, conforme dados da FAO3, a produção mundial foi de 674 milhões de toneladas (FAO, 2011). Diante deste aumento de consumo mundial e da importância do arroz na alimentação humana e de suas diversas possibilidades de subprodutos, há a necessidade de se instigar o aumento da produção e produtividade desta gramínea no estado de Mato Grosso e verificar os espaços em que a produção está concentrada a fim de fortalecer os diversos elos da cadeia produtiva, principalmente as agroindústrias, setor que transforma os produtos agrícolas, agregando valor, diversificando e gerando novos produtos e mercados (ALMEIDA, 2003). Sabe-se que as políticas públicas são uma forma de auxiliar na correção de gargalos em diversos setores, porém, em Mato Grosso, as políticas públicas direcionadas ao setor de arroz ainda se resumem apenas em incentivo fiscal e aporte de recursos financeiros, o que não garante ao setor melhorias de gestão, tecnologia, empreendedorismo, ou qualquer processo que traga melhorias à cadeia produtiva (FARIA et al., 2010). O Arranjo Produtivo Local do Arroz em Mato Grosso é gerido pela SIAMT, e cujos municípios apoiados são Cuiabá, Primavera do Leste, Rondonópolis, Sapezal, Sinop, Sorriso, Tangará da Serra e Várzea Grande. Possui apoio de cerca de 13 instituições, dentre elas estão a Secretaria de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia (SICME) , a CONAB, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimentos (MAPA), entre outras, as quais são responsáveis, desde o fomento, com a 3 Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. 51 liberação de recursos financeiros, até trabalhos com palestras, buscando expandir a competitividade e produtividade das empresas (FARIA et al., 2010). O Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (PRODEIC), pretende além de proporcionar incentivos fiscais, contribuir para a expansão, modernização e diversificação das atividades econômicas, estimulando a realização de investimentos, a inovação tecnológica das estruturas produtivas e o aumento da competitividade estadual, com ênfase na geração de emprego e renda e na redução das desigualdades sociais (SICME, 2011). Entretanto, devido às exigências complexas que as empresas devem cumprir para aderir ao PRODEIC, no caso das agroindústrias beneficiadoras de arroz, ainda não são todas que participam do programa, e para estas não há outra política econômica que auxilie nas fragilidades, demonstrando assim a falta de políticas públicas direcionadas ao setor orizícola do estado. 4.2 O Perfil das Beneficiadoras de Arroz em Mato Grosso Conforme o SINDARROZ existem operando em 2011 no estado, 33 agroindústrias beneficiadoras de arroz, sendo que este número já foi cerca de três vezes maior antes da crise de 2004/2005, cuja queda da produção de arroz culminou, consequentemente, no fechamento de diversas agroindústrias do setor nos últimos anos, principalmente por falta de produto. Das 33 agroindústrias beneficiadoras de arroz em funcionamento no ano de 2011, foram aplicados questionários em 20, ou seja, 60%, as quais estão distribuídas nas Mesorregiões Norte, Centro Sul e Sudoeste de Mato Grosso, e mais especificamente, nos municípios de Sinop, Sorriso, Colíder, Matupá, Guarantã do Norte, Cuiabá, Várzea Grande, Mirassol D’Oeste e Tangará da Serra. Foi possível verificar o perfil das beneficiadoras em três cenários distintos: àquelas agroindústrias que estão próximas ao mercado consumidor; àquelas que estão próximas à matéria-prima e; àquelas onde não existe matéria-prima próxima e o mercado consumidor é relativamente reduzido. A maioria das agroindústrias se localizam no distrito industrial de cada município e todas podem ser consideradas micro e pequenas empresas, conforme classificação do 52 SEBRAE.4 Por serem empresas de menor porte, 65% dos entrevistados foram os proprietários das empresas, 30% os gerentes e 5% funcionários do administrativo, os quais estão em média oito anos na empresa. O nível de escolaridade dos entrevistados está entre Ensino Fundamental e Pós-Graduação, sendo que 40% têm curso Superior ou Pós-Graduação, 55% Ensino Médio e 5% Ensino Fundamental. No setor de beneficiamento de arroz no estado 85% das empresas são independentes e 15% são parte de um grupo de empresas. Todas atuam no mercado em média a oito anos, sendo que das 20 empresas, nove estão no mercado entre um e dez anos, sete entre onze e vinte anos e quatro a mais de vinte anos. A mais antiga está estabelecida no estado desde 1984 e a mais recente desde 2008. Todas as empresas têm capital regulador nacional e, conforme a Figura 4, que demonstra a formação das beneficiadoras de arroz no estado, 70% são empresas familiares5, 15% são sociedade, 10% Sociedade Anônima e 5% tem formação mista, ou seja, familiar e sociedade. Apenas 20% possuem filial, as quais estão localizadas nos estados do Ceará, Amazonas, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Alagoas, Bahia, Maranhão, Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Pernambuco. Figura 4: Formação das Beneficiadoras de Arroz em Mato Grosso em 2011. Fonte: Dados Primários Coletados Junto às Empresas Beneficiadoras de Arroz, 2011. 4 Conforme SEBRAE (2011) são consideradas microempresas, indústrias com até 19 funcionários, e pequena empresa, àquelas que empregam entre 20 e 99 funcionários. 5 Neste caso, são consideradas familiares àquelas empresas cuja administração ocorre apenas por membros da família. 53 Quanto às informações relacionadas à produção das beneficiadoras, são adquiridas, em média mensalmente, cerca de 1 mil toneladas por empresa, totalizando 33,9 mil toneladas mensais no setor. O preço pago por tonelada é, em média, R$ 477,32, o qual varia dependendo da localização da empresa, estando entre R$ 415,00 e R$ 541,00 reais a tonelada de arroz em casca. Apenas 10% das empresas realizam ação cooperada na compra de matériaprima. O arroz beneficiado pela maioria das agroindústrias tem origem no próprio município e em outras regiões do estado, sendo que a principal região fornecedora da matéria-prima é a Região Norte, onde está a maior concentração da produção, como pôde ser observado na análise locacional, conforme Figura 18 (pg.69). Quando o estado não possui matéria-prima suficiente, as beneficiadoras compram dos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul e, raramente, de outros países. A respeito de suas limitações produtivas, 60% das empresas mencionaram ser a falta de matéria-prima, principalmente no segundo semestre do ano, já que a produção de Mato Grosso às vezes torna-se insuficiente para atender toda a demanda, o que obriga as beneficiadoras a reduzirem a produção, ou a buscar matéria-prima fora do estado. Outras limitações mencionadas foram a baixa lucratividade, preço alto da matéria-prima, limitações na capacidade produtiva e concorrência com empresas do estado e com as do Rio Grande do Sul. Mensalmente são comercializadas cerca de 29,4 mil toneladas no setor sendo, em média, 891 toneladas por empresa, cujo destino é o próprio município onde se localiza a beneficiadora, municípios próximos e, ainda, outras regiões do país, mais precisamente Nordeste, Sudeste e Norte. O destino do arroz beneficiado é demonstrado na Figura 5. É possível perceber que a maior parte do arroz fica em Mato Grosso, ou seja, 73% do arroz beneficiado é comercializado no próprio município onde é embalado, na região próxima à beneficiadora ou vai para outros pontos do estado. Apenas 27% da produção é comercializada a nível nacional e, conforme informado, a maior parte do arroz que sai do estado é de tipo inferior ao comercializado internamente. 54 Figura 5: Mercados à que se Destina o Arroz Beneficiado em Mato Grosso em 2011. 12% 27% 28% 33% Regional Municipal Estadual Nacional Fonte: Dados Primários Coletados Junto às Empresas Beneficiadoras de Arroz, 2011. Como o arroz é um produto com pouco fluxo de comercialização externa, das beneficiadoras visitadas em Mato Grosso, apenas 10% exportam o produto industrializado, cujos destinos são Europa, Japão, Ásia e África. As demais empresas comercializam apenas a nível nacional. Quanto à importação da matéria-prima, arroz em casca, 5% afirmaram importar e as demais não costumam fazer, entretanto, já fizeram em épocas de queda na produção do país, sendo que a origem do arroz é geralmente da Argentina e do Paraguai. As beneficiadoras recebem, em média, R$ 1.168,47 por tonelada e os principais clientes são as redes de supermercados e atacadistas, sendo que poucas empresas, geralmente as menores, comercializam com minimercados, restaurantes e diretamente com o consumidor. De acordo com as empresas, o tratamento com supermercados e atacadistas é pouco diferenciado, somente algumas mencionaram diferenciar no preço devido ao volume maior de comercialização. E, quanto às dificuldades em lidar com atacadista, as principais são a concorrência, os preços e a bonificação solicitada por parte dos mesmos para que a empresa consiga espaço no estabelecimento. Todas as beneficiadoras têm marca própria de arroz para comercialização, sendo que algumas tem até mais de uma marca para diferenciar os tipos de arroz, ou seja, a qualidade, e apenas 15% produzem a marca de algum supermercado. Mensalmente no setor são adquiridos cerca de 55.060 kg de embalagem e, conforme a conversão informada pelos entrevistados, são cerca de 56 embalagens por quilo, o que resultaria então em 3.083.388 unidades de 55 embalagem, as quais são adquiridas a um preço médio de R$ 8,99 o quilo. A origem das embalagens é diversa e em Mato Grosso são adquiridas em Cuiabá e Rondonópolis. Quando compradas de fora do estado, os principais fornecedores são Goiás, São Paulo, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Paraná. A maioria das empresas matogrossenses que beneficiam arroz trabalham com outros produtos, sejam do arroz, como quirera e farelo, ou mesmo linhas diferentes, cujas principais observadas foram o feijão e o milho. Entretanto, em termos de representatividade, em todas, o arroz é considerado o principal produto. No que diz respeito aos subprodutos do arroz, todas as empresas vendem, seja para fábricas de ração, de cerâmica, de cerveja ou de briquetes. E, no caso da casca, quando não é queimada na própria empresa para gerar energia ou produzir o arroz parboilizado, é doada ou mesmo vendida para adubação em hortas e forragem de aviários. A Figura 6 demonstra o faturamento das empresas por tipo de produto comercializado, podendo-se observar que 60% do faturamento é obtido com a comercialização de arroz, outros 12% advém de seus subprodutos e 28% com outros produtos, nos quais se incluem feijão, milho, trigo, etc.. Figura 6: Rentabilidade dos Produtos Comercializados pelas Beneficiadoras de Arroz em Mato Grosso em 2011. 28% 60% 12% ARROZ SUBPRODUTOS DO ARROZ OUTROS PRODUTOS Fonte: Dados Primários Coletados Junto às Empresas Beneficiadoras de Arroz, 2011. 56 Em geral, a linha de produtos das empresas não sofreu alterações nos últimos dois anos, sendo que apenas em 30% delas ocorreu alguma modificação, seja na retirada ou inserção de marca nova, ou a inserção de outro tipo de produto à linha trabalhada. São poucas as empresas de Mato Grosso que têm produtos inovadores disponíveis no mercado, sendo que apenas 15% trabalham com produtos prontos ou pré-prontos e produtos diferenciados, tais como macarrão de arroz, farinha de arroz e arroz pré-pronto. Conforme a Figura 7, na obtenção de matéria-prima, 70% das beneficiadoras têm dificuldades, principalmente, pela sazonalidade da oferta de produto no estado, sendo que no segundo semestre do ano a escassez de arroz em casca é maior. Já no acesso ao mercado, metade das empresas não tem dificuldade e a outra metade coloca como principal limite a concorrência de marcas já consagradas. Figura 7: Dificuldade de Acesso à Matéria-Prima e ao Mercado em 2011. Fonte: Dados Primários Coletados Junto às Empresas Beneficiadoras de Arroz, 2011. A relação com os fornecedores é, na maioria das vezes, verbal, em 55% das empresas, enquanto a relação contratual é feita apenas por 10%. As demais 35% tem relação verbal e contratual com seus fornecedores, como pode-se observar na Figura 8. Os critérios que as empresas utilizam para selecionar os fornecedores, por ordem de importância, são qualidade, preço, logística e prazo, sendo que 55 % das empresas disseram não ter fidelidade dos fornecedores. Apenas 10% financiam produtores rurais, com pacotes de auxílio na produção, os quais incluem sementes, defensivos, insumos e combustível, e as demais que não o fazem, 57 na maioria das vezes, é por falta de interesse e por não acharem necessário aos negócios da empresa. Já na relação com os compradores, 60% das empresas informaram ter apenas relação verbal, sendo que na maioria das vezes é feito apenas um pedido simples da mercadoria, sem muita formalidade. Então, observando a Figura 8, é possível perceber que, tanto na compra de matéria-prima como na venda do produto industrializado, a maior parte das negociações é realizada de maneira verbal. Quando contratual, é geralmente com pedido simples. Figura 8: Relação das Beneficiadoras com os Fornecedores e Compradores em 2011. Fonte: Dados Primários Coletados Junto às Empresas Beneficiadoras de Arroz, 2011. As estratégias para inserção de produtos novos também não são muito presentes no setor. Conforme observado, 40% das beneficiadoras pretendem lançar inovações, sejam de novas marcas, novos tipos de produto, ou mesmo, trabalhar com os subprodutos. A Figura 9 demonstra que 70% das empresas beneficiadoras de arroz se consideram seguidoras e apenas 30% inovadoras no lançamento de novos produtos. Ainda, a maioria desconhece qualquer produto inovador a nível mundial relacionado ao arroz e, àquelas que conhecem, mencionaram leite de arroz, bolachas de arroz e arroz aromático como possíveis produtos promissores. 58 Figura 9: Posição das Beneficiadoras no Lançamento de Novos Produtos em 2011. 30% 70% Seguidora Inovadora Fonte: Dados Primários Coletados Junto às Empresas Beneficiadoras de Arroz, 2011. Quando questionadas a respeito da motivação para diferenciar e diversificar a produção, conforme Figura 10, 30% informaram serem motivadas pela concorrência, 20% pelo faturamento, 20% pela tecnologia e 25% por mais de uma destas alternativas (5% não responderam). Figura 10: Motivos para Diferenciar e Diversificar a Produção de Arroz em 2011. 5% 30% 25% 20% Concorrência Tecnologia 20% Faturamento Mais de um motivo Não responderam Fonte: Dados Primários Coletados Junto às Empresas Beneficiadoras de Arroz, 2011. 59 Percebe-se então, que a concorrência é o principal impulsionador à inovação e diferenciação no mercado de beneficiamento de arroz em Mato Grosso, o que pode se justificar pelo fato do arroz não ter muitas propriedades e ser um produto homogêneo a qualquer empresa, ou seja, todas comercializam o mesmo produto e para se destacarem e superar os concorrentes precisam ter algum diferencial. Quanto à logística utilizada para comercialização do produto, demonstrada na Figura 11, 35% é terceirizada, 30% é frota própria, 30% utilizam ambas, própria e terceirizada e 5% não informaram. Todas as empresas consideram a logística utilizada como sendo a ideal, seja pelo custo baixo, ou pela eficiência na entrega. Figura 11: Logística Utilizada pelas Beneficiadoras em Mato Grosso em 2011. 5% 30% 30% 35% Própria Terceirizada Amabas Não Informaram Fonte: Dados Primários Coletados Junto às Empresas Beneficiadoras de Arroz, 2011. O setor agroindustrial orizícola emprega aproximadamente 777 funcionários em 2011, e conforme a Figura 12, 753 são registrados, ou seja, 97%. Entre todas as empresas são apenas 65 funcionários terceirizados e 34 familiares, sendo que todas as empresas possuem vendedores e representantes das marcas, os quais fazem as vendas externas e tem contato direto com os clientes. A remuneração média dos funcionários é de cerca de R$ 958,89 e, dos vendedores e representantes, a média salarial é mais alta, aproximadamente R$2.000,00. 60 Figura 12: Número de Funcionários das Beneficiadoras de Arroz em 2011. 457 500 400 300 200 40 100 21 0 Registrados Terceirizados Familiares Fonte: Dados Primários Coletados Junto às Empresas Beneficiadoras de Arroz, 2011. Quanto à escolaridade, nenhuma empresa sabia informar exatamente o grau de instrução dos funcionários, mas a maioria tem ensino médio e fundamental, dado que a mãode-obra contratada para trabalhar no beneficiamento não necessita de muita qualificação. Assim, os funcionários com ensino superior e pós-graduação são em menor número e trabalham no setor administrativo das empresas. A respeito da capacidade produtiva, apenas 25% trabalham com a capacidade máxima. As demais, 75%, trabalham com capacidade ociosa, principalmente, nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro, quando há escassez de matéria-prima no estado. A energia utilizada é fornecida pela companhia elétrica estadual e a água utilizada em 70% das empresas é de poço artesiano e 30% fornecida pela companhia de saneamento local. Nenhuma empresa utiliza produtos químicos na produção e os resíduos gerados, casca e quebrado, são todos vendidos, ou seja, não há dejetos líquidos nem sólidos no processo produtivo de beneficiamento de arroz. O gasto mensal das agroindústrias beneficiadoras de arroz com folha de pagamento, matéria-prima e outras despesas de funcionamento totaliza cerca de R$ 19.624.011,00. De acordo com o demonstrado na Figura 13, 91% são com a compra de matéria-prima, 4% com pagamento dos funcionários e 5% com outras despesas, como energia, contabilidade e manutenção da indústria. Em média, o gasto mensal de cada empresa está em torno de R$ 594.667,00. 61 Figura 13: Despesas Mensais das Beneficiadoras de Arroz de Mato Grosso em 2011. 5% 4% 91% Despesa com Pessoal Despesa com Produção Outras Despesas Fonte: Dados Primários Coletados Junto às Empresas Beneficiadoras de Arroz, 2011. A mediana6 da margem de lucro mencionada pelas empresas foi de 7 % ao mês. A variação da taxa de lucro mencionada foi desde zero à 15% de rentabilidade mensal, sendo que a maioria das empresas tem lucro abaixo de 10%. Nos últimos dois anos 65% das empresas do setor apresentaram crescimento, 25% mantiveram-se estáveis e 10% retraíram. As que cresceram, informaram que foi devido à investimentos em publicidade, demanda de mercado positiva, investimentos com capital próprio, maior diversificação de produtos, compra de novas marcas, melhoras no produto, inserção de novas atividades e mudanças internas na administração. Àquelas que retraíram especificaram como motivos a concorrência, o aumento nos custos de produção e a perda de mercado. Já as que se mantiveram estáveis, justificaram ser devido à retração do mercado, ao pouco tempo de atuação ou devido à falta de matéria-prima para beneficiar. A Figura 14 demonstra a evolução econômica das empresas nos últimos dois anos. 6 Utilizou-se a mediana por ter a vantagem de não ser tão influenciada por valores individuais, dado que é a medida de localização do centro da distribuição de dados, ou seja, metade dos elementos são menores que 7% e metade são maiores. As informações obtidas não foram suficientes para afirmar a lucratividade do setor. 62 Figura 14: Situação Econômica das Beneficiadoras de Arroz de Mato Grosso nos Últimos Dois Anos. 65% 25% 10% Cresceram Retrairam Estáveis Fonte: Dados Primários Coletados Junto às Empresas Beneficiadoras de Arroz, 2011. A maioria, em torno de 70%, das empresas participam do SINDARROZ. As demais alegaram não participar por não terem interesse ou por nunca terem sido convidadas. Em sua maioria, as agroindústrias se consideram bem representadas pelos órgãos de classe, apenas colocam a necessidade de ações mais efetivas deste sindicato junto ao governo. As inovações são pouco presentes no setor, sendo que 55% das empresas não introduziram inovações nos últimos dois anos e as 45% que introduziram alguma inovação, foram ligadas ao processo produtivo, ou seja, maquinário novo para empacotamento, informatização, software financeiro e troca de máquinas. As dificuldades encontradas na implantação de inovação são o treinamento da mão-de-obra, financiamento e os custos altos. Quanto ao acesso ao crédito, demonstrado na Figura 15, cerca de 75% das empresas acessam crédito e destas, 40% utilizam para capital de giro e 60% utilizam para capital de giro e investimentos na empresa. A maioria das empresas não tem dificuldades de acesso ao crédito. Já as 27%, que possuem dificuldade, mencionam ser a burocracia, os juros altos e a falta de recursos disponíveis os principais entraves para adquirir crédito. 63 Figura 15: Acesso ao Crédito pelas Beneficiadoras de Arroz de Mato Grosso em 2011. Fonte: Dados Primários Coletados Junto às Empresas Beneficiadoras de Arroz, 2011. Quando questionadas a respeito de acesso a entidades de treinamento, consultoria e pesquisa, 65% disseram que buscaram auxílio do SENAI/SEBRAE ou de empresas privadas que prestam este tipo de serviço, principalmente na busca de treinamento e capacitação de funcionários e segurança no trabalho. Quanto à técnicas de gestão, mudanças na estrutura organizacional, estratégias de marketing e prospecção de mercado, 70% das empresas tiveram ações nestes aspectos, principalmente relacionadas a estratégias de marketing para consolidação da marca no mercado. Identificar as preferências dos consumidores é uma preocupação das beneficiadoras de arroz, sendo que 55% delas buscam se informar sobre as mesmas. As principais dificuldades encontradas com os consumidores ocorrem principalmente na inserção da marca no mercado, seja na aceitação da marca nova ou no preço, devido à marcas já consolidadas e cuja preferência é difícil de ser superada. As fontes de tecnologia das empresas são os fornecedores, outras indústrias, centros de tecnologia e, algumas vezes, da própria empresa (filiais). Os equipamentos tem em média 2 anos, sendo que variam entre dois e 19 anos de uso e 55% das empresas não tem projetos para comprar novos equipamentos, alegando que a principal dificuldade são os custos altos. Nos quesitos diferenciação e diversificação, a maioria das empresas, 55%, se considera no mesmo nível dos concorrentes, sendo que 15% se consideram inferiores e 30% superiores aos concorrentes, conforme demonstrado na Figura 16. 64 Figura 16: Nível de Diferenciação e Diversificação em relação aos Concorrentes em 2011. 15% 55% 30% Mesmo Nível Superior Inferior Fonte: Dados Primários Coletados Junto às Empresas Beneficiadoras de Arroz, 2011. A gestão das empresas beneficiadoras de arroz é demonstrada na Figura 17, identificando que em 50% dos casos é centralizada, e os demais se dividem em participativa e departamentalizada. 7Justifica-se a centralização da gestão, provavelmente, devido ao fato de as empresas serem de pequeno porte e em sua maioria, gerenciadas pela família. Figura 17: Gestão das Empresas Beneficiadoras de Arroz em Mato Grosso em 2011. 25% 50% 25% Centralizada Participativa Departamentalizada Fonte: Dados Primários Coletados Junto às Empresas Beneficiadoras de Arroz, 2011. 7 De acordo com Chiavenato (1999), a centralização ocorre quando a autoridade é retida e circunscrita nas mãos do executivo máximo da organização. E, a descentralização permite que as decisões sejam tomadas pelas unidades situadas nos níveis mais baixos da organização, ou seja, nos diversos departamentos, proporcionando um considerável aumento de eficiência. Já a gestão participativa é orientada para os recursos humanos da empresa, ou seja, todas as decisões organizacionais devem ser tomadas através do consenso, com participação das pessoas. 65 Apenas uma empresa entrevistada tem integração vertical 8 na produção do arroz que beneficia. As demais não integram nenhuma parte do processo produtivo e também não tem interesse em fazê-lo. O fluxo de informação entre a empresa e os demais elos da cadeia produtiva é considerado “bom” pela maioria e algumas empresas mencionaram que tem pouco contato com alguns elos, sendo que o principal contato é feito com corretores e representantes. O elo com quem as empresas mais se relacionam é o produtor rural e o considerado mais difícil de se relacionar é o atacadista. Os principais entraves à expansão apontados pelas beneficiadoras foram as dificuldades de financiamento, concorrência, sazonalidade do fornecimento de matéria-prima, crescimento de mercado, limitação física, demanda e falta de mão-de-obra qualificada. A maioria das empresas mencionam ter dificuldades para obter financiamento ou mesmo auxílio pelo PRODEIC, devido a questões burocráticas e à exigências de parametrizações na indústria, que as vezes tem custo elevado e tornam inviável a busca por auxílio financeiro do governo. Quanto à sazonalidade de matéria-prima, sabe-se que no estado de Mato Grosso a produção de arroz é instável a cada ano e acaba então sendo insuficiente para atender todas as agroindústrias. Quando é suficiente, em períodos entre safra, há a dificuldade de preços altos. A falta de mão-de-obra qualificada também é um entrave à expansão, principalmente quando as empresas investem em equipamentos novos de tecnologia mais avançada e acabam não tendo mão-de-obra para operar as máquinas, sendo que as equipes especializadas estão na capital do estado e o acesso torna-se limitado para capacitar e treinar os funcionários. Outro problema apontado foi a dificuldade em concorrer com o arroz beneficiado no Rio Grande do Sul, que tem entrada livre em Mato Grosso. Ainda existe a dificuldade de logística, tanto para obter a matéria-prima, como para comercializar o produto já beneficiado, o que impede muitas vezes de expandirem a produção. As empresas consideram que o governo poderia intervir mais no setor, principalmente regulamentando melhor o preço mínimo, tanto para o arroz em casca como para o beneficiado, além de criar barreiras à importação interestadual. Com isto, seria possível fortalecer o mercado interno, já que uma das principais dificuldades é a concorrência com o arroz beneficiado do Rio Grande do Sul. Somente com a ação governamental, com políticas 8 A integração vertical consiste na empresa atuar em mais de uma etapa do processo produtivo. É utilizada para obter maior controle sobre o processo produtivo e melhorar os lucros, pois possibilita maior eficiência, consiste no maio controle dos negócios (MALAFAIA et al, 2007). 66 públicas alinhadas em benefício das empresas locais será possível um setor forte e consolidado, evitando o fechamento de agroindústrias no estado como ocorreu em 2004/2005. 67 5. ANÁLISE LOCACIONAL E PRINCIPAIS FATORES DE DESEMPENHO DO SETOR ORIZÍCOLA EM MATO GROSSO Saber a localização das atividades no espaço é essencial para identificar as dificuldades regionais e poder buscar soluções que contribuam para a economia regional. Além disso, é importante mensurar os pontos fracos e fortes de cada atividade localizada no espaço, para que as ações sejam mais eficazes. Assim, pretende-se na primeira seção definir os espaços onde estão especializadas a produção e o beneficiamento de arroz em Mato Grosso e, na segunda, tratar dos principais fatores responsáveis pelo desenvolvimento do segmento de beneficiamento de arroz em Mato Grosso e, consequentemente, da cadeia produtiva, além de avaliar cada categoria identificada. 5.1 Municípios Especializados na Produção e Beneficiamento de Arroz em Mato Grosso O valor da produção de arroz em Mato Grosso no ano de 2009 totalizou 417,4 milhões de reais, dos quais os municípios de Paranatinga, Querência, Sinop, Porto dos Gaúchos, Nova Ubiratã, Água Boa, Marcelândia, Sapezal, Novo Mundo e Campo Novo dos Parecis, tiveram valor da produção superior a 10 milhões de reais por município, sendo que estes juntos representaram em 2009 45% do valor arrecadado com a produção de arroz no estado (IBGE, 2011). Pelo cálculo do ICN, a média entre os 141 municípios foi de 0,636981, sendo que os municípios acima desta média apresentam-se como locais de atividade mais concentrada, sendo um total de 37, como pode ser observado na Tabela 2. Conforme os resultados do ICN apresentados na Tabela 2, os municípios em que a produção de arroz está mais especializada em mais de seis vezes acima da média são: Santa Carmem, Planalto da Serra, União do Sul, Porto dos Gaúchos e Novo Mundo. 68 Tabela 2: Municípios Matogrossenses Especializados na Produção de Arroz. MUNICÍPIO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 VBP 20099 Santa Carmem Planalto da Serra União do Sul Porto dos Gaúchos Novo Mundo Santa Cruz do Xingu Paranatinga Canabrava do Norte Cláudia Itaúba Marcelândia Porto Alegre do Norte Nova Brasilândia Novo Santo Antônio Feliz Natal Querência Santo Afonso Gaúcha do Norte São F. do Araguaia Alto Boa Vista Serra Nova Dourada Nova Maringá Água Boa Itanhangá São José do Xingu Nova Ubiratã Ribeirão Cascalheira Vera Tabaporã Nova Canaã do Norte Nova Bandeirantes Luciara Ribeirãozinho Brasnorte Matupá Nova Guarita Vila Rica 10 Valor Bruto da Produção. Dados do IBGE em mil reais. Produto Interno Bruto. Dados do IBGE em mil reais. ICN 24.750,00 4.688,00 8.078,00 17.680,00 10.800,00 3.888,00 28.060,00 4.714,00 9.900,00 5.800,00 11.907,00 5.499,00 104.922,57 29.746,01 55.034,01 125.772,83 83.756,90 35.278,61 281.849,02 58.549,12 124.367,24 75.004,91 162.591,91 79.841,14 7,4291 4,9425 4,6096 4,4318 4,0558 3,4572 3,1650 2,5287 2,5090 2,4308 2,3128 2,1655 2.723,00 1.043,00 8.700,00 24.960,00 1.654,00 5.592,00 6.930,00 2.651,00 689,00 8.200,00 14.193,00 4.248,00 3.000,00 14.850,00 3.087,00 6.400,00 6.023,00 3.960,00 2.700,00 441,00 813,00 9.713,00 4.968,00 928,00 4.800,00 39.632,73 15.204,87 129.237,50 415.179,37 32.078,70 109.932,50 140.822,98 54.187,83 15.790,76 195.880,82 352.072,20 108.088,80 81.551,10 428.310,05 93.280,66 217.336,10 205.237,11 140.336,67 101.608,50 17.235,10 32.024,69 402.356,16 210.861,03 44.146,59 232.102,06 2,1556 2,1494 2,1221 1,9233 1,6170 1,6016 1,5519 1,5360 1,3672 1,3236 1,2844 1,2371 1,1564 1,1082 1,0408 0,9314 0,9277 0,8893 0,8359 0,8017 0,7960 0,7695 0,7446 0,6594 0,6539 Fonte: Elaborada pela autora a partir dos dados do IBGE (2011).. 9 PIB 200810 69 De acordo com dados da Secretaria de Planejamento de Mato Grosso (SEPLAN, 2011), os dez municípios que mais produziram arroz no ano de 2009 foram, em ordem crescente: Paranatinga, Santa Carmem, Querência, Sinop, Nova Ubiratã, Porto dos Gaúchos, Água Boa, Sapezal, Campo Novo do Parecis e Cláudia. Assim, observando os dados da Tabela 2, pode-se verificar que cinco dos municípios com ICN elevado, ou seja, onde a produção de arroz é uma atividade especializada, estão também entre os maiores produtores de arroz do estado, sendo eles: Santa Carmem, Querência, Nova Ubiratã, Porto dos Gaúchos e Cláudia. A Figura 18 apresenta o mapa dos municípios com ICN acima da média, ou seja, especializados na produção de arroz. Pode-se observar que a produção em termos espaciais está concentrada em sua maioria em municípios de pequena extensão territorial, sendo que está mais presente no Norte e Nordeste do estado. Figura 18: Municípios Especializados na Produção de Arroz em Mato Grosso. Fonte: Elaborada pela autora utilizando GEODA. 70 Dos municípios cujo ICN foi mais elevado, Santa Carmem produziu cerca de 49,5 mil toneladas em 2009, já em União do Sul a produção foi de 11,8 mil toneladas e, no município de Planalto da Serra produziu-se 9,5 mil toneladas de arroz. Há uma diferença razoável entre a quantidade produzida de cada um, o que se deve à área disponível para produção, pois a maioria dos municípios são pequenos, tanto em área quanto em população, mas que tem o arroz como um dos principais produtos agrícolas cultivados (IBGE , 2011). Na Figura 18 é possível observar duas regiões que se apresentam interligadas, em virtude da proximidade dos municípios. A região da esquerda do mapa ficou demarcada com nove municípios, sendo eles: Porto dos Gaúchos, Novo Mundo, Itaúba, Nova Maringá, Tabaporã, Nova Canaã do Norte, Nova Bandeirantes, Brasnorte e Nova Guarita. E, a região à direita aglomerou 21 municípios, sendo eles: Santa Cruz do Xingu, Paranatinga, Canabrava do Norte, Porto Alegre do Norte, Nova Brasilândia, Novo Santo Antônio, Feliz Natal, Querência, Santo Afonso, Gaúcha do Norte, São Felix do Araguaia, Alto Boa Vista, Serra Nova Dourada, Água Boa, Itanhangá, São José do Xingu, Ribeirão Cascalheira, Luciara, Ribeirãozinho e Vila Rica. Os municípios em que as duas regiões se interceptam foram: Santa Carmem, União do Sul, Cláudia, Marcelândia, Nova Ubiratã, Vera e Matupá. Devido a semelhança de clima, relevo, extensão territorial, tipos de produtos agrícolas produzidos, mercado consumidor relativamente reduzido, dentre outras, estas regiões podem ser caracterizadas como homogêneas. Quanto à concentração da atividade de beneficiamento de arroz e fabricação de seus produtos, pelo cálculo do ICN a média entre os 141 municípios foi de 0,2318, e os municípios onde a atividade é mais especializada são um total de 23, e estão demonstrados na Tabela 3. Conforme os dados apresentados na Tabela 3, os quatro municípios em que o beneficiamento de arroz e fabricação de seus produtos é mais especializado são: Alto Boa Vista, Água Boa, Sapezal e Canarana. Pode-se verificar que a maioria dos municípios com ICN elevado, ou seja, especializados no beneficiamento e fabricação de arroz não são os maiores produtores de arroz do estado, o que pode ser justificado pelo fato de que o arroz produzido em certos municípios pode ser processado em outros. 71 Tabela 3: Municípios Matogrossenses Especializados no Beneficiamento de Arroz e Fabricação de seus Produtos Município 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 Alto Boa Vista Agua Boa Sapezal Canarana Porto A. do Norte Carlinda Confresa Arenápolis Várzea Grande Sinop Alta Floresta Sorriso Guarantã do Norte Rosário Oeste Primavera do Leste Diamantino Nova Xavantina Colíder Barra do Garças Matupá Nova Mutum Peixoto de Azevedo Rondonópolis Empregos no 11 Setor 14 63 66 31 6 7 13 6 232 137 51 70 12 6 40 19 5 11 27 6 19 3 48 Total de Emprego 12 ICN 408 3.633 5.831 2.988 638 756 1.420 854 38.718 25.469 9.571 16.098 2.818 1.465 13.069 6.371 1.937 4.499 11.613 2.742 10.337 1.812 41.066 6,7243 3,4318 2,2539 2,0485 1,8440 1,8162 1,7992 1,3784 1,2990 1,1259 1,0701 0,8868 0,8395 0,8046 0,6174 0,5923 0,5073 0,4831 0,4659 0,4306 0,3662 0,3250 0,2372 Fonte: Elaborada pela autora a partir dos dados da RAIS (2010). No município de Alto Boa Vista, com cerca de 6 mil habitantes, o setor de beneficiamento de arroz e fabricação de seus produtos representou em 2009 mais de 3,4% do total de empregos municipais, e dos 1.055 empregos gerados no setor em Mato Grosso, o município representou 1,32%. Justifica-se ainda este município ter alto índice de especialização, já que o mesmo possui poucas atividades econômicas, e de acordo com dados da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), em termos de lavoura temporária tem o arroz como principal cultura. 11 12 Dados da RAIS 2009. Dados da RAIS 2009. 72 No município de Confresa, o arroz está entre as quatro culturas de maior destaque, acompanhado da cana-de-açúcar, do milho e da mandioca. O município tem forte presença da criação de bovinos, o que pode justificar a produção de arroz na abertura de terras para posterior uso como pastagem. Em Sapezal, apesar de o arroz não ser a cultura de maior destaque, ele está entre as quatro principais, e sua especialização no beneficiamento de arroz e fabricação de seus produtos pode ser justificada pela possível presença de agroindústrias beneficiadoras. E ainda, dentre os municípios cujo ICN calculado demonstrou especialização no beneficiamento de arroz e fabricação de seus produtos, sabe-se que Sinop tem diversas agroindústrias neste ramo, sendo inclusive uma delas de destaque nacional. Dentre os 23 municípios, a maioria dos que apresentaram especialização neste setor são relativamente pequenos, tanto em termos de extensão territorial quanto no número de habitantes, e cuja economia é pouco diversificada, o que facilita a possibilidade de apresentarem alto ICN em um setor que está presente mesmo este não sendo destaque a nível estadual. Na Figura 19, apresentada a seguir, estão mapeados os municípios matogrossenses que são especializados no beneficiamento arroz e fabricação de seus produtos com base ICN calculado. Observa-se que os municípios com especialização no beneficiamento de arroz e fabricação de seus produtos estão mais dispersos pelo estado. Esta dispersão se vista isoladamente, do ponto de vista teórico não é um ponto positivo para o setor de beneficiamento, já que a questão da concentração das empresas é tratada pelos teóricos como um ponto importante, pois é a partir da aglomeração e das relações industriais que as empresas lucram, devido às vantagens em custos de transporte, aquisição de matériaprima e de insumos para produção. Porém observando a Figura 20, ou seja, o setor como um todo, produção e beneficiamento, verifica-se que há uma certa aglomeração que pode trazer benefícios se os agentes da cadeia souberem interagir. Observam-se três regiões distintas: a mais ao norte do mapa é composta por seis municípios, sendo eles: Peixoto de Azevedo, Matupá, Guarantã do Norte, Colíder, Alta Floresta e Carlinda. A região ao nordeste do mapa aglomerou quatro municípios: Água Boa, Canarana, Barra do Garças e Nova Xavantina e na região central estão oito municípios: Arenápolis, Várzea Grande, Sinop, Sorriso, Rosário Oeste, Primavera do Leste, Diamantino e Nova Mutum. Os demais ficaram em pontos mais distantes isolados do mapa. 73 Figura 19: Municípios Especializados no Beneficiamento de Arroz e Fabricação de seus Produtos em Mato Grosso Fonte: Elaborada pela autora utilizando GEODA. As regiões localizadas ao Norte e Nordeste do mapa podem ser definidas como homogêneas por serem aglomeração de municípios de mercado consumidor reduzido e por terem maior volume de produção de arroz. Já a região que se forma ao centro pode ser definida como nodal, pois os municípios que fazem parte desta têm características heterogêneas. Há diferenças no tamanho do mercado consumidor de cada um, nos fluxos de comercialização, além de alguns serem mais representativos em termos de produção agrícola do que os outros. A Figura 20 demonstra o mapa com a identificação dos municípios que são especializados na produção de arroz, no beneficiamento de arroz e fabricação de seus produtos, ou em ambas as atividades, de acordo com a legenda. Assim, é possível verificar que os municípios em que há presença especializada dos dois elos da cadeia são: Água Boa, Alto Boa Vista, Matupá e Porto Alegre do Norte, ou seja, 74 são especializados tanto na produção de arroz, como no beneficiamento e fabricação de seus produtos. Figura 20: Municípios Especializados na Produção de Arroz, no Beneficiamento de Arroz e Fabricação de seus Produtos ou em Ambas Atividades em Mato Grosso. Fonte: Elaborada pela autora utilizando GEODA. A concentração espacial dos municípios no setor orizícola, seja na produção ou no beneficiamento, ocorre principalmente nas regiões Centro, Leste e Nordeste do estado, sendo que é possível observar que a maioria dos municípios estão próximos geograficamente, o que justifica o fato de alguns terem a produção como destaque e outros, apesar de também produzirem, apenas serem especializados no beneficiamento de arroz e fabricação de seus produtos. A concentração da atividade orizícola, seja na produção ou no beneficiamento, faz com que estas regiões se desenvolvam, a medida que a atividade econômica já instalada induz o surgimento de empresas satélites, fornecedoras de insumos ou de logística. Assim, fomentase o comércio local, com mais empregos e renda para população, além de tornar a região um foco de investimentos em infraestrutura. 75 Pode-se considerar que com a existência de agroindústrias beneficiadoras de arroz, no chamado encadeamento para trás, os produtores rurais do estado são incentivados a produzirem para suprir a demanda das indústrias, fazendo com que a produção do estado não decline e seja suficiente para suprir a demanda interna e ainda comercializar o excedente com outros estados. Dos 37 municípios com ICN acima da média na produção de arroz, nenhum é apoiado pelo arranjo, e dos 23 especializados no beneficiamento de arroz e fabricação de seus produtos, apenas seis são apoiados pelo APL do Arroz, dos quais apenas Sapezal, Sinop e Várzea Grande apresentaram ICN acima da média e maior que um. Os municípios de Tangará da Serra e Cuiabá são apoiados sem qualquer indício de especialização na produção ou no beneficiamento de arroz. Assim verifica-se a incapacidade das instituições governamentais de identificarem os municípios a serem apoiados e consequentemente de gerirem o Arranjo Produtivo Local. Sabendo as regiões onde a atividade orizícola vem se expandindo, é possível investir em melhorias de infraestrutura e no desenvolvimento de serviços básicos, além de atividades relacionadas à qualificação de mão-de-obra. Assim, contribui-se com o processo de acumulação, o que eleva a demanda e atrai novos investimentos, promovendo o desenvolvimento. 5.2 Gestão, Eficiência e Competitividade da Agroindústria do Arroz em Mato Grosso A aplicação da análise fatorial às informações levantadas auxilia na definição dos principais fatores responsáveis pelo desenvolvimento do segmento de beneficiamento de arroz em Mato Grosso e, consequentemente, da cadeia produtiva, além de avaliar cada categoria identificada. Após a estimativa dos dados no software SPSS, o teste de Bartlett avaliou a significância geral da matriz de correlação e apresentou valor de 152,641, indicando que as correlações são significantes ao nível de 1% de probabilidade, ou seja, que a matriz de 76 correlação não é diagonal. Este resultado valida o uso desta técnica para a extração dos fatores e a mensuração das variáveis relevantes ao desempenho competitivo deste segmento. Teste de Bartlett Teste de Esfericidade de Bartlett Qui-quadrado 152,641 DF. 78 Significância 0,000 Conforme os dados apresentados na Tabela 4 obtiveram-se todas as comunalidades acima de 0,5, valor mínimo aceitável para que as variáveis em questão não sejam desconsideradas pela referida técnica. Tabela 4: Comunalidades para o segmento de agroindústrias beneficiadoras de arroz do Estado de Mato Grosso, 2011. Comunalidades Inicial Extração Estratégia de Produto Novo 1,000 0,844 Funcionários 1,000 0,877 Remuneração dos Funcionários 1,000 0,677 Treinamento e Consultoria 1,000 0,739 Consulta às Preferências dos Consumidores 1,000 0,652 Ociosidade da Planta 1,000 0,759 Idade dos Equipamentos 1,000 0,734 Preço Pago 1,000 0,844 Preço Recebido 1,000 0,598 Gasto com Folha de Pagamento 1,000 0,951 Gasto com Produção 1,000 0,855 Comercialização de Outros Produtos 1,000 0,806 Crescimento da Empresa 1,000 0,659 Fonte: Saída do SPSS. A Tabela 5 apresenta os cinco fatores que explicam 76,89% da variação total da nuvem de dados, um valor satisfatório aceito pelo critério da porcentagem da variância é a 77 partir de 60%. O primeiro fator possui maior destaque, explicando 19,09% da nuvem de dados, seguido dos demais pela ordem com 15,6%, 14,9%%, 14,3% e 12,7%. Tabela 5: Variação total explicada para o segmento de agroindústrias beneficiadoras de arroz do Estado de Mato Grosso, 2011. % Cumulativo % da Variância Total Valores Rotacionados % Cumulativo % da Variância Total Valores Extraídos % Cumulativo % da Variância Fatores Valores Iniciais Total Componentes 1 3,056 23,505 23,505 3,056 23,505 23,505 2,483 19,099 19,099 2 3 4 5 2,640 1,760 1,370 1,171 20,308 13,535 10,535 9,008 43,813 57,348 67,883 76,891 2,640 1,760 1,370 1,171 20,308 13,535 10,535 9,008 43,813 57,348 67,883 76,891 2,033 1,949 1,869 1,662 15,637 14,992 14,376 12,787 34,736 49,728 64,104 76,891 Fonte: Saída do SPSS. A Figura 21 demonstra que os cinco fatores fornecidos pelo modelo explicam todas as variáveis consideradas, sendo àqueles que estão acima de um no gráfico. Figura 21: Gráfico dos Fatores. Fonte: Saída do SPSS. 78 Todos os parâmetros do modelo de análise fatorial estão de acordo pela nuvem de dados em questão, o que permite considerar adequadas as variáveis que compuseram cada fator, expressos na matriz de componentes rotacionados. É, portanto, sustentada a composição e análise de cada fator, assim como, são respaldadas as conclusões obtidas a partir do referido modelo. As variáveis que compõem cada fator são determinadas a partir da carga fatorial apresentada. Desta forma a composição de cada fator ficou distribuída de acordo com a Tabela 6. Tabela 6: Matriz de Componentes Rotacionados para o Segmento de Agroindústrias Beneficiadoras de Arroz do Estado de Mato Grosso, 2011. Variáveis Fator Recursos Humanos Fator de Negociação Fator de Produção Fator de Custos Fator de Competitividade Gasto com Folha de Pagamento Funcionários Treinamento e Consultoria 0,959 0,922 0,165 -0,075 -0,048 -0,029 0,001 -0,083 -0,036 -0,119 -0,594 -0,053 -0,062 0,591* 0,175 Remuneração dos Funcionários Preço Pago 0,415 0,163 0,613 0,824 -0,116 0,223 0,174 -0,186 0,292 0,231 Preço Recebido -0,150 0,734 0,050 -0,012 -0,186 0,093 -0,322 -0,769 0,369 0,060 0,162 0,337 0,691 0,191 0,284 -0,115 -0,274 0,791 0,299 0,053 0,032 -0,025 -0,117 -0,916 0,022 0,157 0,305 -0,293 -0,446 * -0,500 -0,032 0,074 -0,024 0,114 0,860 0,254 -0,110 -0,286 0,367 -0,605 Estratégia de Produto Novo Idade dos Equipamentos Comercialização de Outros Produtos Gasto com Produção Consulta às Preferências dos Consumidores Ociosidade da Planta Crescimento da Empresa Fonte: Saída do SPSS. * - variáveis que têm cargas próximas, podendo explicar mais de um fator. 79 O primeiro fator foi composto pelas variáveis gasto com folha de pagamento, funcionários e treinamento e consultoria. Estas variáveis estão relacionadas ao processo de gestão de funcionários da empresa, portanto, pode-se denominá-lo como Fator Recursos Humanos. A carga fatorial destes componentes apresentou indicadores entre 0,6 e 0,9, sendo que dois deles, funcionários e gasto com folha de pagamento, se correlacionam positivamente, tendo uma importância mais significativa no desempenho das empresas. A variável treinamento e consultoria apresentou correlação negativa no processo de gestão de recursos humanos e necessita de maior atenção por parte das empresas, dado que o treinamento e capacitação de funcionários pode não estar sendo realizado a contento no processo de gestão, interferindo negativamente na eficiência das empresas. Isso pode ser justificado pelo fato de nos municípios menores não serem tão presentes instituições públicas ou privadas que realizam este tipo de serviço, ou mesmo pela dificuldade de acesso. E ainda, pode-se considerar a falta de preparo destas instituições para cumprir a função a que se destinam, já que a capacitação dos profissionais muitas vezes não é específica para atender ao setor agroindustrial. Pode-se dizer que este fator, por agrupar informações relacionadas à qualidade, quantidade, capacidade e custos com pessoal, é um fator de competitividade do setor de beneficiamento de arroz, enquadrado nas categorias recursos humanos e recursos de conhecimento definidas por Porter. Mediante suas características demonstra que o setor é competitivo quanto à quantidade de funcionários e capacidade de remunerar, mas precisa melhorar o treinamento dos funcionários para atingir melhor nível de competitividade. O segundo fator foi composto por três variáveis, remuneração dos funcionários, preço pago e preço recebido pela tonelada de arroz, todas com carga fatorial acima de 0,6. A partir das variáveis agrupadas pode-se denominá-lo como Fator de Negociação, onde ambas estão correlacionados positivamente, contribuindo com o desenvolvimento do segmento de agroindústrias beneficiadoras de arroz. Mesmo sabendo das constantes reivindicações por melhores preços no setor, e que o preço da saca de arroz tanto em casca quanto beneficiado oscila durante o ano, ainda assim pode-se considerar que o setor remunera bem a produção, pois a lucratividade em geral foi positiva no ano de 2011. A única política de preço direcionada ao arroz é a Política de Preços Mínimos, regulamentados pela CONAB (2010), a qual garante a diferença no preço, quando o 80 preço do mercado estiver abaixo do preço mínimo estipulado. Entretanto, a fixação de preços da saca de arroz depende do mercado, ou seja, da oferta e da demanda pelo produto, por isso há uma grande oscilação na entre safra. A remuneração dos funcionários presente neste fator pode ter ligação com os preços no sentido de que se o setor é bem remunerado pelo produto que comercializa, consequentemente os salários pagos aos seus funcionários também poderão ser. E ainda, a carga positiva desta variável pode estar indicando que o salário pago é a favor do setor, dado que a renda obtida é gasta no comércio local, e consequentemente com a compra de arroz, um dos produtos principais da cesta básica das famílias. O terceiro fator foi composto por três variáveis: estratégia de produto novo, idade dos equipamentos e comercialização de outros produtos. Ambas as variáveis estão relacionadas à produção, por isso, pode-se denominá-lo como Fator de Produção. As variáveis idade dos equipamentos e comercialização de outros produtos estão correlacionadas e variando positivamente, justificando a importância e o uso de novas alternativas de produto na empresa, assim como a renovação dos equipamentos. Sua correlação positiva pode estar indicando que alguns equipamentos podem ser utilizados para mais de um produto, o que contribui para o retorno financeiro da empresa na medida em que não são necessários novos investimentos. E ainda, a variável relacionada à equipamentos pode ser associado ao fator de recursos físicos, definido por Porter como um dos fatores responsáveis pela geração de vantagens competitivas, sendo neste caso analisada positivamente já que apresentou carga fatorial de 0,691. O fator estratégia de produto novo está correlacionado negativamente, deixando claro que o setor é falho neste sentido, ou seja, é um fator que precisa ser melhorado, com um leque maior de produtos diferenciados a partir do arroz. Isto é visível no setor, dado que o arroz tem poucas possibilidades de diversificação e que o custo para produtos mais elaborados e a demanda relativamente baixa, fazem com que as empresas deixem de investir e diferenciar. O quarto fator engloba apenas uma variável em sua composição: o gasto com produção, sendo denominado Fator de Custos. A correlação negativa desta variável de carga - 0,9, indica que o gasto com produção de arroz está contribuindo negativamente no segmento. Analisando a competitividade, esta variável, enquadrada no fator recursos de capital de Porter, apresenta- 81 se no setor de beneficiamento como um entrave à competitividade, já que sua carga é negativa. Sendo importante para a lucratividade da empresa, é necessário que se dê atenção especial aos custos de produção, que podem estar elevados demais, pois conforme análise em 2011 a produção demandou cerca de 91 % do total dos gastos do setor. Estes gastos elevados podem estar relacionados à questão logística e aos custos elevados do frete, pois as agroindústrias em sua maioria estão distantes dos polos produtivos de arroz no estado. E ainda, deve-se considerar que a embalagem, único insumo utilizado para produção de arroz polido, é na maioria das empresas adquirida de outros estados, o que automaticamente encarece o gasto com produção. Neste sentido que é importante o fomento à produção nas diversas regiões do estado, para facilitar a compra da matéria-prima, além da instalação de empresas satélites que deem suporte ao segmento. Neste mesmo fator é possível observar que as variáveis treinamento e consultoria e consulta às preferências dos consumidores tem cargas com valores próximos ao do fator em que foram alocadas no modelo (Fator Recursos Humanos e Fator Competitividade), mas podem estar indicando neste fator custos, que quanto mais treinamento e consultoria a empresa tiver menores serão seus custos e, quanto menos estiver interessada em saber as preferências dos consumidores, maiores poderão ser seus custos. O quinto e último fator finaliza o grupo de componentes com sua composição feita pelas seguintes variáveis: consulta às preferências dos consumidores, ociosidade da planta e crescimento da empresa, cujas cargas fatoriais estão entre 0,5 e 0,8. As variáveis correspondentes a este fator se referem à análise de mercado, capacidade produtiva da empresa e crescimento, denominando-o de Fator de Competitividade. As variáveis, consulta às preferências dos consumidores e crescimento da empresa, estão correlacionadas negativamente, ou seja, demonstrando que é necessária atenção maior a estas, dado que podem estar contribuindo negativamente ao desenvolvimento do setor. Sabese que a maioria das empresas não fazem pesquisas com consumidores para saber de suas preferências, seja devido aos custos elevados ou mesmo porque acreditam ser mais interessante investir na marca do que em pesquisas de preferências, pois o arroz é considerado homogêneo. O fato de o crescimento se apresentar negativo pode ser justificado pelas mudanças que vem ocorrendo no setor, as quais fizeram muitas empresas fecharem e estabilizarem, sem muitas evoluções no mercado. 82 A variável ociosidade da planta se apresentou positiva, o que pode indicar que o setor tem possibilidades de expansão da produção, dado que algumas plantas operam em capacidade ociosa. Do ponto de vista dos fatores de competitividade, a ociosidade se apresenta como fator de infraestrutura, sendo neste caso uma vantagem competitiva do setor, dado que há possibilidade de expansão do mesmo. E ainda, pode-se considerar que manter a ociosidade no setor é uma maneira de evitar a entrada de novos concorrentes, ou seja, a ociosidade também pode ser vista como uma barreira à entrada. Algumas variáveis incluídas nos fatores obtidos com a análise fatorial representam as categorias de vantagens de competitividade apresentadas por Porter, comprovando que o modelo apresentado indica a capacidade competitiva do setor de beneficiamento de arroz no estado. Esta etapa da análise indica quais os principais fatores responsáveis pelo desempenho do segmento de agroindústrias da cadeia produtiva do arroz, assim como, os locais onde este, juntamente com a produção, está concentrado e especializado. Assim, se sabe como desenvolver este segmento chave, gerando inputs a toda a cadeia, ao mesmo tempo em que se sabe o local de origem destes inputs. 6. CONCLUSÃO Analisando a localização espacial da produção e beneficiamento de arroz foi possível verificar que estão mais concentradas no Centro, Leste e Nordeste do estado, sendo que se pode observar que a maioria dos municípios estão próximos geograficamente, o que justifica o fato de alguns terem a produção como destaque e outros, apesar de também produzirem, apenas serem especializados no beneficiamento de arroz e fabricação de seus produtos. Dos 141 municípios de Mato Grosso, 37 foram considerados especializados na produção de arroz e 23 no beneficiamento, sendo que em apenas quatro municípios ambas as atividades mapeadas são destaque: Água Boa, Alto Boa Vista, Porto Alegre do Norte e Matupá. Pode-se verificar que o setor orizícola no estado vem afunilando cada vez mais o número de empresas beneficiadoras de arroz, principalmente devido a queda na produção nos últimos anos. Porém, as empresas que permaneceram atuando no mercado estadual vêm se solidificando e o arroz matogrossense está sendo mais consumido no estado. Atualmente são 33 beneficiadoras em funcionamento, sendo que a maioria são de pequeno porte e geridas pela família. Juntas, comercializam 17,8 mil toneladas, que são distribuídas em todo estado de Mato Grosso e cerca de 27% vão para outros estados. Os funcionários totalizam 471, dos quais 97% são registrados, e a maioria com ensino fundamental ou médio, cuja remuneração está em torno de R$ 958,00. Os principais entraves à expansão apontados pelas beneficiadoras foram a falta de matéria-prima, principalmente na entre safra, a baixa lucratividade, a concorrência de marcas já consolidadas no mercado, principalmente do arroz do Rio Grande do Sul, a falta de mãode-obra qualificada, a demanda limitada, além da logística do estado que desfavorece às agroindústrias instaladas e a falta de incentivo governamental. O volume produzido e comercializado no estado nem sempre é suficiente para suprir a demanda interna, então, sabendo que há capacidade ociosa nas agroindústrias locais, o fomento a produção agrícola pode fazer com que o setor de beneficiamento seja impulsionado, gerando ainda mais empregos, o que consequentemente pode melhorar a renda da população e fomentar a demanda em outras atividades. Estas, por sua vez, gradualmente, podem ser incentivadas a investir aumentando a arrecadação do estado, o que reverte em 84 melhorias em saúde, educação, cultura, infraestrutura, melhorando o bem estar da população matogrossense. A integração dos elos da cadeia produtiva do arroz no estado existe, porém ainda é bastante incipiente. No caso da agroindústria, a maioria das empresas trabalham individualmente, sendo que poucas se unem de forma cooperada na compra de matéria-prima ou até mesmo na aquisição de inovações tecnológicas, afim de melhorar seu poder de negociação. Àquelas que participam do sindicato que representa a classe, buscam benefícios em comum para o setor junto ao governo estadual, seja no preço, na isenção de impostos ou outros aspectos que apresentem-se como dificuldades para o bom desempenho das empresas dentro do estado. No seu relacionamento à montante, ou seja, com o produtor rural, a maioria das agroindústrias têm pouco contato com os mesmos, porém quando o tem é de maneira satisfatória, apenas mencionaram a falta de fidelidade, que se justifica também por não serem fiéis a uma única cultura em suas lavouras e, ainda, a falta de conhecimento de mercado por parte de alguns, o que dificulta a negociação do preço, por exemplo. Já no relacionamento a jusante, a maioria das agroindústrias tem o atacadista como principal cliente, com o qual a maior dificuldade está na conquista de espaço e também na negociação de preços. Os fatores identificados na análise fatorial foram relacionados à recursos humanos, negociação, produção, custos e competitividade. Todos os fatores demonstraram variáveis correlacionadas positivamente, ou seja, que contribuem para o desenvolvimento da cadeia produtiva do arroz no estado e, variáveis negativamente correlacionadas, as quais precisam de mais atenção no setor. As variáveis funcionários, remuneração dos funcionários e gasto com folha de pagamento tiveram carga positiva, indicando que contribuem para o desenvolvimento do setor no estado. Os preços, pago e recebido, na tonelada do arroz em casca e beneficiado também são variáveis que influem positivamente, sugerindo que está havendo boa remuneração e lucratividade. A idade dos equipamentos e a comercialização de outros produtos influem positivamente, a medida que os equipamentos ainda são adequados ao beneficiamento sendo que novas aquisições são feitas em um intervalo de tempo maior, e ainda que a presença de outros produtos no portfólio da empresa contribui ainda mais para sua lucratividade. A ociosidade da planta apresentada com sinal positivo indica que há capacidade para processar mais arroz no estado, além de indicar uma barreira à entrada de novos concorrentes. 85 Daquelas cuja carga se apresentou negativa, a questão do treinamento e consultoria, pode ser considerada um ponto fraco do elo agroindustrial, já que a maioria das empresas se situam no interior do estado, onde nem sempre há a presença de órgão como SENAI e SEBRAE, que são capacitados para este tipo de atividade. Quanto à estratégia de produto novo, esta também deixa a desejar na agroindústria orizícola do estado, já que a maioria das empresas trabalham apenas com a primeira transformação do arroz, alegando que o custo/benefício de produtos diferenciados ainda é negativo para o mercado consumidor de Mato Grosso. O gasto com produção também foi negativo, o que denota atenção do setor, pois este influi na lucratividade da empresa e consequentemente no seu crescimento no mercado, sendo que poderia ser solucionado com maior cooperativismo entre as empresas na aquisição da matéria-prima para beneficiar, o que reduziria o preço pago devido ao maior volume. O crescimento da empresa, correlacionada negativamente, pode estar ligado a estes altos custos de produção e, também, ao fechamento de muitas empresas do setor que fez com que as que permaneceram se mantivessem estáveis no mercado sem muitos avanços. A consulta aos consumidores apresentou carga negativa, justificando-se pelo fato de não ser uma prática das beneficiadoras fazer pesquisa de preferências, já que consideram o arroz como um produto homogêneo, sendo mais importante o marketing relacionado à marca. A pesquisa identificou que além de incentivos fiscais, mais nada está sendo feito por parte do poder público, além de incentivos fiscais e, pouco está sendo feito por parte das empresas, as quais deveriam buscar uma articulação para melhorar a interação entre os elos, já que isto tenderia a melhorar, pelo menos, as receitas dos segmentos. Somente com a ação governamental, com políticas econômicas alinhadas em benefício das empresas locais será possível um setor forte e consolidado, evitando o fechamento de agroindústrias no estado como ocorreu em 2004/2005. Se a cadeia produtiva estiver organizada, terá melhor desempenho e induzirá o estabelecimento de setores auxiliares e atividades terciárias, que trarão benefícios econômicos e sociais ao estado. Sabendo onde se produz e se beneficia arroz em Mato Grosso e identificados os pontos fortes e fracos do segmento agroindustrial da cadeia, é possível o governo intervir com políticas que estejam além de incentivos fiscais, sejam na melhoria de infraestrutura logística, aumento do número de centros qualificadores de mão-de-obra, incentivos à inovação em produtos, com pesquisas de instituições públicas sendo mais difundidas às empresas, para que as ponham em prática, dentre outras possibilidades. 86 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, Paulo nazareno Alves. Fontes de Crescimento e Sistema Produtivo da Orizicultura no Mato Grosso. Piracicaba: 2003. BATALHA, Mário Olavo, Gestão Agroindustrial – Vol. 1. São Paulo: Atlas, 2007. CASTRO, Antônio Maria Gomes de. 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( ) Empresa familiar ( ) Sociedade anônima ( ) Cooperativa ( ) Outra A empresa possui Filial? ( ) Não ( ) Sim Quantas? ___________ Onde?______________________________________________________________________ A empresa realiza exportação? ( ) Não ( ) Sim Para onde?___________________________ Qual o percentual do faturamento? ______________ A empresa realiza importação? ( ) Não ( ) Sim De onde?____________________________ Qual o percentual da matéria-prima? ______________ Acesso ao Crédito: ( ) Capital de Giro ( ) Investimento ( ) Não Acessou Crédito Problemas: _________________________________________________________________ 92 Gasto Médio Mensal da Empresa: Gasto com Pessoal: __________________Serviços de Terceiros: _____________________ Matéria-Prima: ______________________Aluguel, Energia, Impostos: ________________ A empresa apresentou crescimento nos últimos anos? ( ) Sim ( ) Manteve-se estável ( ) Retraiu Se cresceu, quais os principais motivos apontados? ( ) Menores custos de produção ( ) Maior diversificação de produtos ( ) Menor concorrência ( ) Demanda de mercado positiva ( ) Melhor planejamento ( )Investimentos em publicidade ( ) Conquista de novos mercados ( ) Outros_________________________________________ Se retrai ou manteve-se estável, quais os principais motivos? ( ) Falta de planejamento ( ) Perda de mercado ( ) Retração do mercado ( ) Maior concorrência ( ) Aumento dos custos de produção ( ) Aumento dos insumos ( ) Outros_________________ Quais os principais entraves à expansão da empresa? ( ) Escala ( )Financiamento ( ) Crescimento de mercado ( ) Insumos ( ) Concorrência ( ) Outros_________________________________________________________________ INDICADORES DE PRODUÇÃO Total de Toneladas Adquiridas (mensal): _________________ Preço Pago (ton):_______ Origem do Arroz: Do Próprio Município _________Outros Municípios da Região ________ Outras Regiões do Estado __________ Outros Estados ______Outros Países __________ Locais:____________________________________________________________________ Capacidade Instalada: ________________ Identificação: ( ) Marca Própria Margem de Lucro (%): ________________ ( ) Marca Coletiva ( ) Não Tem Marca Principais Insumos Utilizados no Processo Produtivo (média mensal): Nome: ________________ Quantidade: _________ Preço: ________ Origem:___________ Nome: _________________ Quantidade: _________ Preço: ________ Origem: __________ Nome: _________________ Quantidade: _________ Preço: ________ Origem: __________ Nome: _________________ Quantidade: _________ Preço: ________ Origem: __________ Nome: _________________ Quantidade: _________ Preço: ________ Origem: __________ 93 Nome: _________________ Quantidade: _________ Preço: ________ Origem: __________ Nome: _________________ Quantidade: _________ Preço: ________ Origem: __________ A empresa enfrenta alguma limitação produtiva? Qual?______________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ LINHA DE PRODUTOS Quais produtos fazem parte do portfólio da empresa? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Destes produtos, qual a representatividade (em %) de cada um deles no faturamento da empresa? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Ocorreu alguma mudança significativa (inclusão/retirada) na linha de produtos da empresa nos últimos anos? ( ) Não ( ) Sim Quais? Porquê?____________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ Dentre os produtos derivados de arroz que a empresa produz, qual é considerado mais inovador? Por quê? ___________________________________________________________________________ Há algum produto promissor, que represente uma aposta em termos da estratégia da empresa? ______________________________________________________________________ No lançamento de novos produtos a empresa se considera: ( ) inovadora ( ) seguidora Quais produtos a nível mundial, que vocês têm conhecimento, a partir do arroz que poderiam estar sendo comercializados aqui no Brasil? Por que não o são?_______________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 94 Quais as motivações que a empresa tem para diferenciar e diversificar sua produção? ( ) Faturamento ( )Tecnologia ( ) Concorrência ( ) Outros O que é feito com os subprodutos do beneficiamento (casca, grão quebrado e farelo)? ( ) Queima ( ) Farinha de Arroz ( ) Reciclagem ( Briquete) ( ) Energia ( ) Ração ( )Outro _______________________________________________________ INDICADORES DE COMERCIALIZAÇÃO Total de Arroz Comercializado (média mensal): Preço Recebido (ton):_____ Destino do Arroz: Próprio Município _________Outros Municípios da Região ___________ Outras Regiões do Estado __________ Outros Estados ________Outros Países ________ Locais: _____________________________________________________________________ Dentre os mercados em que a empresa atua, qual o % de vendas para cada um deles? Regional: ___________ Estadual:___________ Municipal:___________ Nacional:__________ Outros:_____________________________ Quais os principais clientes da empresa? ( ) Atacadistas ( ) Redes de Supermercados ( ) Mini-mercados ( ) Restaurantes ( )Outros ______________________________ Como são tratadas as grandes redes de supermercados a atacadistas pela empresa? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ A empresa produz a marca própria de alguma rede de supermercado / atacadista? ( ) Não ( ) Sim Qual a vantagem? Quais as principais dificuldades para lidar com o setor atacadista? ___________________________________________________________________________ Qual a logística utilizada pela empresa? E Qual a ideal? 95 INDICADORES SOCIAIS Total de Pessoas que Trabalham na Empresa: Registrados: _______ Terceirizados: _______ Temporários: _______Familiares: _______ Remuneração Média Mensal dos Empregados: Registrados: ________________________ Terceirizados: _________________________ Temporários: ________________________ Familiares: ___________________________ Nível de Qualificação: Pós-graduados: _________ Graduados/Técnicos: ____________Ensino Médio: ________ Outros:_________________________ INDICADORES ORGANIZACIONAIS E DE COMPETITIVIDAD E Introduziu Inovações Recentemente 2009/2010 (processo-produto-gestão): ( ) Não ( ) Sim, quais: __________________________________________________ Já Existe no Mercado: Valor Gasto com Inovações em 2009/2010:_________ ___________________ ( ) Não ( ) Sim, na Região ( )Sim no País ( ) Sim, no Exterior ___________________ ( ) Não ( ) Sim, na Região ( )Sim no País ( ) Sim, no Exterior ___________________ ( ) Não ( ) Sim, na Região ( ) Sim no País( ) Sim, no Exterior Principal Dificuldade: ____________________________________________________________ Realiza Alguma Ação Cooperada: ( ( ) Melhoria de Gestão ( ( ) Fabricação ( ) Não ( ) Sim, indicar: ) Compra de Matéria-Prima ( ) Pesquisa e Inovação Tecnológica ( ) Comercialização ) Outras:______________ Participa de Alguma Organização Coletiva: ( ) Não ( ) Sim, quais: __________________ Acessou Algum tipo de Entidade Prestadora: ( ) Não ( ) Sim, indicar: ( ) Treinamento e/ou Capacitação – Finalidade: ________________________________ ( ) Consultoria e Melhoria de Gestão – Finalidade: ______________________________ ( ) Institutos de Pesquisa ou Centros Tecnológicos – Finalidade: __________________ ( ) Outras - Finalidade: ______________________________________________________ Realizou nos Últimos 3 Anos Alguma das Atividades Relacionadas: ( ) Implementação de Técnicas Avançadas de Gestão: 96 _______________________________ ( ) Mudanças Significativas na Estrutura Organizacional: _________________________ ( ) Mudanças Significativas nas Estratégias de Marketing: _______________________ ( ) Estudo de Prospecção do Mercado: ________________________________________ Dificuldades na Aquisição de Matéria-Prima: ( ) Não ( ) Sim, Indicar: M-P: _________________ Dificuldade: ___________________________________________ M-P: _________________ Dificuldade: ___________________________________________ M-P: _________________ Dificuldade: ___________________________________________ Dificuldades de Acesso ao Mercado: ( ) Não ( ) Sim, Indicar: Produto: _____________ Dificuldade: ___________________________________________ Produto: _____________ Dificuldade: ___________________________________________ Produto: _____________ Dificuldade: ___________________________________________ Relação com Fornecedores: RC = Contratual VE = Verbal CO = Cooperada VL = Vertical Produto: ________________________________________ ( ) RC ( ) VE ( ) CO ( ) VL Produto: ________________________________________ ( ) RC ( ) VE ( ) CO ( ) VL Produto: ________________________________________ ( ) RC ( ) VE ( ) CO ( ) VL Produto: ________________________________________ ( ) RC ( ) VE ( ) CO ( ) VL Produto: ________________________________________ ( ) RC ( ) VE ( ) CO ( ) VL Qual o critério para seleção de fornecedores? ( ) Preço ( ) Qualidade ( ) Prazo ( ) Logística ( ) Outros _____________________________________________________ Existe fidelidade dos fornecedores? ( ) Sim ( ) Não Quais as principais dificuldades para lidar com o produtor rural? ___________________________________________________________________________ A empresa financia produtores rurais? ( ) Não ( ) Sim De que forma? ___________________________________________________________________________ Relação com Compradores: RC = Contratual VE = Verbal CO = Cooperada VL = Vertical Produto: ________________________________________ ( ) RC ( ) VE ( ) CO ( ) VL Produto: ________________________________________ ( ) RC ( ) VE ( ) CO ( ) VL Produto: ________________________________________ ( ) RC ( ) VE ( ) CO ( ) VL 97 Produto: _________________________________________ ( ) RC ( ) VE ( ) CO ( ) VL Produto: _________________________________________ ( ) RC ( ) VE ( ) CO ( ) VL Como a empresa se vê em relação aos concorrentes sob o aspecto da diferenciação e diversificação? ( ) Mesmo nível ( ) Superior ( ) Inferior ( ) Outros_______________ NECESSIDADES DO CONSUMIDOR A empresa obtém informações sobre as preferências dos consumidores? ( ) Sim ( ) Não Quais as principais dificuldades para a obtenção de informações dos consumidores? ___________________________________________________________________________ Quais as principais dificuldades para lidar com o consumidor?________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ INFORMAÇÕES DE ENGENHARIA Qual é a capacidade produtiva da empresa?____________________________________ Existe ociosidade? ( ) Não ( ) Não Os produtos diferenciados e diversificados que a empresa produz utilizam o mesmo equipamento utilizado para o beneficiamento do arroz? ( ) Sim ( ) Não NECESSIDADES TECNOLÓGICAS Quais as fontes de tecnologia da empresa? ( ) Clientes ( Universidades ) Outras Indústrias ( ( ) Centros de Tecnologia ( ) Fornecedores ( ) ) A própria empresa ( ) Outros ____________________ Qual a idade média dos equipamentos da empresa? A empresa possui algum projeto para compra de novos equipamentos? ( ) Não( ) Sim _______________________________ Qual a maior dificuldade para evolução tecnológica da empresa? ( ) Custos ( ) 98 Acesso ( )Outros__________________________________________ AMBIENTE INSTITUCIONAL Atualmente como é o processo de gestão da empresa? ( ) Centralizado ( ) Departamentalizado ( ) Participativo Outro_______________________ A empresa possui integração vertical em alguma etapa de seu processo? ( ) Não ( ) Sim, qual_________________________________________________________ Por que a empresa resolveu adotar esta medida? ( )Qualidade no produto final ( )Garantia de entrega ( )Redução de custos ( ) Outros Está respondendo as expectativas? ( ) Não ( ) Sim Por quê?___________________________________________________________________ A empresa pensa em integrar mais algum processo na sua industrialização? ( ) Não ( ) Sim, qual_______________________________________________________ Como funciona o fluxo de informações entre a empresa e os demais elos da cadeia produtiva? ______________________________________________________________________ Qual o elo que apresenta maior entrosamento com a empresa? ( ) Produtor ( ) Atacadista ( ) Varejista ( )Consumidor Outro______________________________________________________________________ Por quê? ________________________ Com qual elo a empresa apresenta mais dificuldade para lidar? ( ) Produtor ( ) Atacadista ( ) Varejista ( ) Consumidor Outro________________________ Por quê? _________________________________________________ Em relação às políticas públicas, como pode ser avaliada a intervenção governamental no setor? 99 __________________________________________________________________________ A empresa possui algum apoio governamental? ( ) Financeiro ( ) Tecnológico ( ) Incentivo Fiscal ( ) Outro________________________________________________ De quais órgãos parte esta ajuda? _______________________________________________ Como a empresa se sente representada pelos órgãos de classe, como FIEMT, APA, ABIAP, SINDARROZ, entre outros? _____________________________________________________ Quais os principais problemas encontrados no setor?________________________________ ___________________________________________________________________________ INDICADORES AMBIENTAIS Origem e Insumos Utilizados no Processo Produtivo: ( ) Energia: ____________ ( ) Água: ____________ ( ) Outros: __________ Utilização de Produtos Químicos na Produção: ( ) Não Utiliza ( ) Utiliza Semanalmente ( ) Utiliza Diariamente Tratamento dos Produtos Químicos: ( ) Não Trata ( ) Trata em Parte ( ) Trata Total Destino dos Produtos Químicos: ( ) Fossa/Reservatório ( ) Curso D’água ( ) Céu Aberto ( _____________ Custo Total para Tratamento dos Produtos Químicos (mensal): _________________________ Quantidade de Resíduos Orgânicos Gerados (média diária/mensal): _____________________ Tratamento dos Resíduos Orgânicos: ( ) Não Trata ( ) Trata em Parte ( ) Trata Total ) Outros: 100 Destino dos Resíduos Orgânicos: ( ) Fossa/Reservatório ( ) Curso D’água ( ) Céu Aberto ( ) Outros: _____________ Custo Total para Tratamento dos Resíduos Orgânicos (mensal): _________________________ Possui Área Adequada para Construção de Reservatórios: ( ) Sim ( ) Não ( ) Não Custo de Manutenção do(s) Reservatório(s) em R$: ___________________________________ Possibilidade de Reaproveitamento dos Dejetos: ( ) Sim ( ) Não Sabe Investimentos Necessários (R$): ____________ Processo: ______________________________ Tem conhecimento sobre os possíveis subprodutos da cinza proveniente da queima da casca do arroz? ( ) Sim ( )Não