Relatos de Dezembro e Janeiro em Montalegre... às galinholas! Fica aqui contado sobre várias galinholas em Montalegre, mais concretamente da Serra do Barroso, zona esta onde irei caçar para o ano, como já te tinha dito. O meu Amigo Sr. José Manuel, um aficionado e incontestável caçador de galinholas, sempre que pode não perde uma caçada às galinholas lá em cima, ou seja, em plena Serra do Barroso. Quase com 10.000 h de reserva de caça, bem podes imaginar o tamanho da zona de caça! Caça por estas paragens à mais de 15 anos, sendo actualmente membro da direcção da reserva de caça que se prolonga desde Salto, até Atilhó já em plena Serra do Barroso. Já em Dezembro, quando eu andava por perto, lá fomos falando de vez em quanto, pois tal como eu, gostamos de caçar bicudas. Em Dezembro os abates foram bons, várias aves avistadas e de vez enquanto lá matava uma ou duas, isto assim em Dezembro. Penso, que no total matou em Dezembro quatro a seis pássaros, já em Janeiro, ele tem três pássaros mortos, um do feriado e dois do domingo, mas como vários avistamentos! Eu, naturalmente não fico indiferente, pois é como tu sabes para mim este ano já terminou! Fico ou mesmo tempo contente, pois tenho falado com ele com alguma regularidade e sempre que vai a caça vê e mata algumas. Na sua opinião, este ano é de facto bom, já há muito tempo que não havia muitos pássaros por estas paragens, visto em relação a anos anteriores, embora sempre fosse razoavelmente bom todos os anos, este particularmente é bom, diz ele. Eu também concordo, realmente vi e ele continua a ver bastantes pássaros. Tem um braco alemão, um excelente caçador, só como exemplo, este fim de semana passado, viu três pássaros e matou dois, isto porque o cão as encontrou inteligentemente, fazendo belas paragens, inclusive várias vezes na primeira galinhola, " lindo de se ver, parecia um felino ". Espero que por esses lados tenhas continuado a ver alguns pássaros como de costume, pois e meu ver, isto ainda promete muito! Um abraço, Luis Novais – Guimarães 3 Pássaros a voar ... Com o decorrer dos dias em Dezembro, é cada vez mais evidente a chegada de pássaros cá por cima. Nada de admirar, pois como Tu sabes e temos falado, estes em Novembro não chegaram a Montalegre, ou melhor, foram vistos um aqui, outro ali, etc. Logo pela manhã, mesmo ao chegar ao meu local de crença, avistei uma galinhola enorme que se cruzou em frente ao carro, a qual Chinela apontou com os braços e abateu logo ao primeiro tiro! “ Isto promete, uma já está, dizia Ele!” Eu ria-me da situação, mas de satisfação, pois era bom sinal! Chegado ao local, paramos para pensar como deveríamos bater os giestais e os carvalhães. Sugeri então começarmos pelos giestais, pois desta forma, algumas tendem a voar par dentro de carvalhães serrados e estes seriam batidos no final. Assim foi. Belo, como habitual corria lá para dentro e Tia ao meu lado, como estivesse à espera de cobrar a peça como já é costume! Chinela caminhava por cima dos cabeços, eu por baixo nos lameiros, pelo nosso meio ião os cães. Belo, dentro dos giestais, cheira algo de certeza, pois a sua cauda abanava de tal maneira, que mais parecia uma bandeira ao vento. Tinha que ser alguma. Aviso Chinela pelo rádio, fico atento mas...nada! De certeza que esta, já se tinha esquivado para outro lado. A caçada continua, e a cena volta a repetir-se no cimo da serra onde os giestais, dobrados pela neve que tinha caído, eram negros e densos, mas nada... Parei lá em cima, chamei pelo Chinela e enquanto fumava um cigarro, disse “ vais agora Tu por baixo ao encontro daqueles carvalhães, que eu descerei por este lado até lá.” Pelo caminho, Belo marra de tal maneira que eu disse: “ mais uma!” Mas não, era um melro ratado de baixo de uns ramos tombados ao pé das giestas e o meu coração quase me sai pela boca. Nisto, continuo a descer, a descer até ao ribeiro, onde tive dificuldade em atravessar, pois levava muita água devido ao degelo das montanhas mas lá consegui passar. Já junto aos carvallhães, chamei pelo Chinela para se pôr do outro lado, pois eu entraria pelo meio. Novamente Belo, numa correria para aqui e para ali, pressente algo, mas nada, mais um falso alarme. Nisto ao chegar ao topo, avistou num deslumbre rapidíssimo o vulto negro a dobrar o cabeço, que só me deu tempo para erguer a arma, pois nem se quer tive tempo de apontar, só me restava de ouvir o tiro no Chinela no outro lado, mas....nada! Viro para a direita, Belo e Tia desta vez trabalham em conjunto no rasto de alguma, e zaplazapzalapla..... nem deu tempo para Belo marrar, pois estava quase lá a chegar bem perto dela, no entanto, consigo os dois tiros, mas a bicuda desvia-se com uma mestria e rapidez que só visto! Vejo onde ela pousou, acendo mais um cigarro e espero um pouco. Chamo o Chinela, e rumo até lá. Conto-lhe o que aconteceu, pergunto-lhe se não viu a primeira e fomos até lá devagar. Os cães, já lá estavam, Belo dentro do sujo, desliza para a minha esquerda para fora na mancha em direcção ao lameiro que passava no fundo! Eu espantado, chamo por ele, mas ele nem se quer me quis ouvir! Dei uma correria para junto dele e mesmo ao chegar à descida do lameiro, Belo denunciava a sua presença do rasto trabalhando de um lado para o outro. Mais uma vez, zaplazaplazapla, mais um tiro e desta vez caiu, pensei eu, pois deixei de a ver voar ao mesmo tempo que atiro pelo meio dos carvalhães. Chamo pela Tia, e Belo desce até lá baixo primeiro! “Busca Tia, cobra, cobra. Após dez longos minutos, pensava para mim... não pode ser... falhei outra vez....quando vejo Belo já no cabeço em frente, cheio de giestas, em cima dela outra vez. Chamo a Tia, o Chinela e mais uma vez vou em cima dela. Nisto a Deusa, a misteriosa, a bicuda, a enganadora, a manhosa, faz o “ salto do peixe “ dentro das giestas, mais uma vez nem deu tempo para nada, só ver.... Chamo os cães, eles entram no rasto, para um lado para outro lado e nada, nada mesmo.... “ Que se passa agora, estou bem posicionado tu não sais, desta vez apanho-te !!! Pois é Jorge, foi assim, três passámos, zero abate, ou melhor o Chinela é que levou a melhor quando “matou aquela que lhe passou à frente ainda dentro do carro !!! ” Para a semana há mais, errei ajustar contas com elas ao mesmo local. Um braço, Luis Novais Montalegre, 11/12/2008 Lembras-te de te falar o cachorro novo (Belo)? Um cruzamento de Setter com Pointer!?Com certeza que sim. Mais uma vez uma galinhola, desta vez bem marrada por ele. Simplesmente magnifico e lindo de se ver. Foi assim : Rumo a Montalegre no dia 11 Dezembro, ia bater um local onde fiz dois levantes ao mesmo pássaro no domingo passado e tinha falhado no abate. Lá chegado, comecei por entrar por cima do cabeço, mas os cães não indicavam sinal de galinholas. Eu admirado, não queria acreditar, pois nesse local, tinha falhado aquela manhosa que me enganou por duas vezes, finalizando com o "salto de peixe" no meio dum giestal majestoso e impenetrável. Bem, então e agora? Vou bater um carvalhal enorme do outro lado a ver se encontro uma bicuda. Lá entrei, Belo e Tia ao meu lado a trabalharem lindamente. Mesmo na entrada, Tia faz-me uma paragem a qual Belo ao vê-la também marra junto dela. Não sei o que se passou, talvez algum pássaro já tenha estava mesmo ali e levantado sem que me tenha notado, pois não seria de admirar visto Belo caçar sempre um pouco afastado de mim, um defeito dele, mas ainda é novo. Mais a frente deixo de ver Belo, que numa correria entra para dentro de um sujo mas não o consegui acompanhar, pois não consegui passar. Já no final do carvalhal e com saldo negativo, avisto junto ao ribeiro um lindo conjunto de árvores serradas e fechadas, então pensei com instinto de galinhola: " se fosse galinhola este seria um bom sítio para mim ". Rumei até lá, quando Belo, já quase lá a chegar, o pássaro sai-me do outro lado, nem esperou por nós, aponto mas como vai larga não atiro, acompanho o voo e vejo-a entrar numa marrada de giestas baixas a uns 300 metros. Belo a correr a trás dela, Tia a mesma coisa, chego ao local já cansado deixando de ver Belo, mas Tia sempre a minha beira como de costume. Lentamente e atento ando para frente, para trás pois só passado 10 minutos é que belo a marra junto a um muro, salta por cima do cão e por cima de mim, deixou-a alargar um pouco e cai ao primeiro tiro. Tia cobra primeiro que Belo, mas como recompensa para Belo deixa-a cair e Belo faz-me o cobro. Simplesmente Belo e magnifico. Um abraço, Luis Novais Montalegre, 18 Dezembro 2008 Jorge, 3 passámos, zero abates, mas valeu a pena! Nesta quinta-feira, valeu a pena e muito, um espectáculo de paragens à Dama dos Bosques para os cachorros. Com Tia e Belo a fazerem belas paragens a um pássaro que me fugiu inteligentemente. Num dos meus locais de costume, mal sai do carro, pedi a Chinela que se descolasse para o outro lado na mancha de carvalhães, mas mal entro pela parte de baixo, vejo Belo a correr a grande velocidade para dentro de um maralhado de carvalhos baixos e lenha velha. A bicuda sai-me com rapidez e mestria sem me dar possibilidade de tiro! Aviso Chinela, mas não foi preciso, pois ele já a tinha visto, larga... fomos então ver o local onde pousou. Batemos o terreno como deve ser, mas quase na extrema do giestal a Dama sai-nos novamente mas larga sem dar hipóteses de tiro novamente depois e nada..., nem rasto dela, com terrenos dobrados, carvalhães densos e giestais majestosos, nunca mais a vimos. Na próxima e se calhar vamos à “ paisana “, como Tu dizes! Continuam a busca, já em outro local, novamente peço ao Chinela que se desloque para o final do carvalhal, bato o mesmo sem qualquer rasto de bicudas, mas... já no final uma outra sai-me sem contar e vejo onde ela pousa! Belo logo de imediato a localiza mas falho a galinhola, ao mesmo tempo Tia e Belo tentam a encontrar mais à frente. Nisto ouço outro chocalho, e penso deve andar mais aqui alguém. Um setter veio ao meu encontro e o respectivo dono. Parei a conversar um pouco e resolvemos os dois ir atrás dessa... O companheiro novo por de baixo e eu ao meio do carvalhal, mal passo um muro de pedra, vejo Tia marrada a uns 15 metros, zaplazapla e arranca-me por de trás dos carvalhães rasteiros e pequenos, mas falho-a de novo... parei um pouco e pensei...”não pode ser...até me saiu bem...”. Belo fica marrado no rasto quente onde ela estava... lindo de se ver....esperei um pouco, pois poderia estar uma outra mas nada. Mais à frente, já no final do carvalhal, Belo sai a um caminho, vejo-o marrado e mal dou um paço em frente, a dama sai-me por de trás de um carvalho grosso, tento me desviar dele e vejo Tia e Belo numa correria caminho a baixo e a galinhola quase por cima deles a voar, atiro mas larga e falho-a de novo, aviso a outro companheiro que também a falha... falo com ele, e mais a frente novo levante, desta vez ele, mas falhou de novo dizendo “ esta ja nem merece morrer “ e tinha razão... não morreu. A jornada continuo, mas só Chilena viu mais uma longe, bem longe...mas não fomos atrás dela fica para outro dia. Resumindo : Um excelente dia de caça para Belo com três paragens, Tia com uma paragem lindíssima e zero abates. Há, vimos ainda um corço e um coelho...da próxima será ainda melhor. Um abraço para o companheiro de Vila do Conde que fiquei a conhecer, que certamente nos encontraremos um dia e um Bom Natal para Ti e para os Teus Jorge. Luis Novais – Guimarães ________________________________________________________________________________ A propósito lembro-me disto: Cintando : Sou um bom caçador de galinhola! Certo dia nas matas de Guiães O meu cão (sem fervor o rei dos cães!) Assim como quem abre uma gaiola, Citou-me uma manhosa a bom cariz, Mesmo a ventar-me as abas do chapéu (Isto é verdade ou eu não seja eu!) A um palmo, se tanto, do nariz! Sou atirador certeiro – nunca falho! Mas acendi-lhe um tanto ao atrapalho E a ladina fintou-me a pontaria! O cão ladrou injúrias, descorçoado! E eu lhe tornei: “Também já tens falhado!” Baixou o rabo e seguimos caçaria! Luís Novais PARA MIM FAÇO O BALANÇO DA ÉPOCA 2008/09 Guimarães, 29 Dezembro de 2008 Caro Amigo, Infelizmente Jorge, este ano para mim acabou de terminar na caça às Galinholas! Desde Novembro tenho andado atrás da Dama do Bosque como Tu sabes, mas, e como os dias na Municipal de Montalegre chegaram ao fim, embora se possa caçar em Janeiro e Fevereiro, decidi terminar este ano, não só por não ter mais dias comprados, bem como a partir de agora, cada dia custa 30 euros, lamentável a meu ver, acho demasiado caro! Mas a principal razão, leva-me a pensar, pois o meu companheiro de caça “ Chinela “ merece ir um pouco os tordos, caça que ele adora muito. Por isso, ficou combinado caçarmos aos tordos até final desta época de caça. Ele merece, não só por ter sido até agora um bom companheiro, bem como na sua impossibilidade de caçar a outras espécies, pois teve um enfarte há bem pouco tempo, a vida é assim Jorge. Caçar é muito mais que matar e distribuir euros a municipais mal geridas, ou seja, com fins monetários, sem uma gestão adequada, sem fiscalização e pouca caça, ou melhor, muita caça e ilegal! Convém variar um pouco a ajudar o meu parceiro de caça, pois ele merece mesmo. Montalegre, terra do saudoso Padre Domingos Barroso, que lá caçou a muitos anos, com os seus Perdigueiros “ Turco “ e “ Beleza “, quando havia de facto perdizes, lebres, entre outras espécies cinegéticas, tem sem dúvida muita potencialidade, não só em termos cinegéticos, como no ramo dos produtos regionais e hotelaria, umas das regiões do País mais ricas neste aspecto. Como exemplo tem a segunda serra mais alta do País, a serra do Larouco, tem o único parque nacional, “ Peneda Gerês”, tem ainda as albufeiras do Rabagão, Lindoso, Paradela, Sezelhe, Venda Nova, entre outras, de salientar o fumeiro tradicional e a vitela barrosã. De tudo um pouco, até cogumelos e trufas, alcateias de lobos tem. É de facto uma admirável e única beleza toda esta região. Em relação à Galinhola, terrenos estes demasiados bons para esta espécie, só tenho pena de seres de longe, pois, e caso contrário poderias ver com os teus próprios olhos! Aqui esta espécie abunda mesmo. O facto de se caçar tão poucas aves, deve-se ao terreno ser demasiado grande, cerca de 40.000 h de zona de caça. Só para teres uma ideia, a caça aqui, chega ao ponto de procurares uma galinhola no teu carvalhal habitual tirado a papel químico de um da Roménia ou Hungria, lá encontrares uma ou três pássaros e no fim de semana a seguir, estes já não estarem lá. Isto porque, aqui há muitos caçadores de coelhos, estes caçam tudo menos coelhos, até corços matam! Serras dobradas e giestas enormes, regatos serpenteando por todo lado e cães novos, vêm de certa forma complicar a caça a esta espécie. Bem, tenho saudades do velho cão “ Xanana “ e do terreno livre, onde cacei muitas em Vila Pouca de Aguiar, Cabeceiras de Basto, Viana do Castelo, Aveiro, Paredes de Coura, Caminha, entre outras regiões. Para o ano, mude-me de vez, para uma reserva associativa em Montalegre, para a Serra do Barroso. Penso ser uma excelente zona de caça, conheço pouco, mas tenho boas informações de Galinhola, perdiz, rola, codorniz e rola. No final desta época lá irei conhecer melhor a nova zona de caça, pois estou cansado da zona de caça municipal...entre outras. Bem, Jorge no que diz respeito a balanço este ano é o seguinte: Uma palavra para os meus cães, Belo e Tia. Um Pointer, fruto de um cruzamento com Setter, e uma cadela perdigueira portuguesa. Este merecem tudo do mim, penso que até lhes dou pouco em relação ao que merecem. Cumprimentos, Luís Novais – Guimarães