AEL Jeanne Figueiredo Bilich Apresentação de posse na Academia Espírito-santense de Letras Álvaro José Silva Os professores dos cursos dos primeiros anos da vida das pessoas, jardins de infância ou nível primário, costumam fazer perguntas aos alunos e alunas para receber respostas com o mesmo nível da idade destas. E foi talvez pensando assim que a professora do Colégio Sacré-Coeur de Marie de Belo Horizonte, onde a menina Jeanne Figueiredo Bilich fez o curso primário entre os anos de 1955 e 1960, esperou pela resposta da criança de três anos perguntada sobre o que gostaria de ser quando crescesse. A menina parou um pouco, pensou e respondeu: - Quero ser escritora. Não apenas a vida providenciou à menina que realizasse seu sonho de primeiros anos, como está proporcionando a ela agora, entre parentes, amigos e eleitores, que tome posse em uma das cadeiras da Academia Espíritosantense de Letras. E por um único motivo: mérito. Afinal, se a obra literária de Jeanne hoje se resume a três títulos de livros excelentes, ao longo da vida, na maior parte do tempo dedicada ao jornalismo de jornal, revista, rádio, televisão e internet, sua atuação foi das mais profícuas. Afinal, poucas pessoas, como Jeanne, conseguiram administrar na vida os tempos de vinhos e vinagres, sem misturar os dois, mas convivendo com ambos. E como uma prova final de que as pessoas convictas, determinadas, não permitem que a vida as mude de caminho a menos que elas o desejem realmente, nem mesmo o Colégio Sacré-Coeur de Marie de Belo Horizonte ou o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora de Vitória, conhecido por nós como Colégio do Carmo, conseguiram fazer com que essa agnóstica convicta, capaz de despejar argumentos e mais argumentos sobre quem quiser discutir o tema com ela, mudasse de opinião a esse respeito. E isso se deu quando ainda existia no Carmo um corredor que terminava em uma parede onde, acima, ficava um relógio tristemente famoso. As alunas faltosas tinham que ficar em pé debaixo daquela peça que então passava a ter a finalidade de marcar o tempo do castigo. E também de marcar, por humilhação, essas faltosas junto às demais companheiras de educandário. Jeanne nasceu no Rio de Janeiro em 12 de outubro de 1948, filha de Miroslav Bilich e Jocondina Figueiredo Bilich. O pai, um croata fugido de um campo de concentração do ditador Josef Tito na II Guerra Mundial veio viver e constituir família no Brasil onde conheceu Jocondina Figueiredo, a Dona Jô. Nas idas e vindas da vida, foram do Rio para Belo Horizonte onde viveram por algum tempo, onde nasceram depois os filhos mais novos, Miriam e Mirko, e onde um dia o comerciante Miroslav sentiu-se mal. O médico julgou o mal como um tumor no cérebro e o operou logo. Não encontrou tumor algum, mas condenou o pobre chefe de família a passar um ano no leito, em coma, antes de morrer. Na verdade, o que havia no crânio de Miroslav era um estilhaço de mina na qual pisara e se ferira gravemente ao fugir hollywoodianamente de um campo de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. O fugitivo de guerra chegaria ao Brasil sem lenço e sem documentos, graças a um passaporte provisório do Vaticano. Os documentos definitivos ele só conseguiria ao se casar e ter a primeira filha. Durante os tempos difíceis de doença e depois de viuvez, a irmã de Dona Jô, Filomena, que na vida religiosa era conhecida por Irmã Maria Luíza, convenceu a família de que era melhor Jeanne vir para Vitória e para o Colégio do Carmo onde estudaria e seria tutelada pela tia. Isso quando ela tinha 13 anos. E lá veio a menina para o internato, supervisionada pela tia, deixando para trás a mãe e os irmãos mais novos Miriam e Mirko, ambos em Minas Gerais. Lá estava ela novamente estudando entre santos, batinas, demais paramentos e missas, preparando-se para a vida adulta. Conheci Jeanne já como uma profissional. Adulto também era eu. E o conhecimento só poderia acontecer no meio jornalístico onde ingressamos jovens, não apenas ela e eu, mas uma grande quantidade de pessoas de nossa época, de uma geração marcada pelos Beatles e pela ditadura militar. Éramos tanto capixabas de várias regiões do Espírito Santo, quanto de fora daqui, os que vieram de outros estados e adotaram o Espírito Santo como seu local de vida. De sonhos. Muito antes de mim, quem conheceu bem a irmã mais velha foi Miriam, que também se tornaria jornalista e viria para nosso Estado. Ela considera a primogênita da família uma pessoa querida, “uma benção para mim”, usando o termo apesar de também não professar religião. A Jeanne irmã de Miriam é uma desbravadora dos caminhos e que lia os clássicos da literatura ainda muito jovem. Por isso Mirinha, como é chamada por nossa nova acadêmica, confessa que observava os caminhos que a irmã mais velha percorria para ver quais deles davam certo. Pelos que não davam ela não transitava. Nessa história de vida, além de ter perdido o pai muito cedo, os Figueiredo Bilich ficaram primeiro em Belo Horizonte onde o conservadorismo local condenava as pessoas que, após a viuvez, se casavam logo, como aconteceu com Dona Jô após reencontrar um antigo noivo, o advogado criminalista Vinícius Bittencourt, com quem se casaria um ano após perder Miroslav. Fugindo da tradicional sociedade mineira, lá foi a família de volta para o Rio de Janeiro de onde a mulher já havia vindo, casada e com Jeanne Bilich no colo, ainda muito nova. Permaneceram lá por mais algum tempo até Vinícius sentir necessidade de viver num lugar menos turbulento, mais aprazível e onde ele pudesse principalmente estudar. Isso o interessava sobremaneira. Vieram ver Vitória, o advogado gostou da cidade que Jocondina já conhecia e, dentre as várias opções de residência foram parar em Santo Antônio, numa rua de nome Dom Benedito, no número cinco e que acabava quase ao lado do Cais do Avião. Jeanne tinha 16 anos quando chegou à casa da qual se lembra até hoje. Foi lá, naquele lugar e na casa que muitos consideravam estranha e fincada num final de rua, que acabaram morando próximos à família de Amylton de Almeida, criado com os três irmãos pela avó. A proximidade criaria após um encontro fortuito entre livros, uma amizade que só a morte interromperia. E seria a raiz para que, no futuro, nascesse o livro “As Múltiplas Trincheiras de Amylton de Almeida: o cinema como mundo, a arte como universo”. A obra que talvez para ela tenha dado mais prazer escrever. Um prazer também misto de saudade e declaração de amor à amizade que os unira ainda bastante jovens. E nesse livro Jeanne conseguiu mostrar, de forma clara, seu texto limpo, culto, quase erudito. Em Santo Antônio, a ainda não jornalista ela passaria aqueles que talvez tenham sido seus melhores e piores anos. Num domingo de visita ao local, foi reconhecida, depois de tanto tempo, por amigos que não via fazia alguns anos. Os sorrisos se abriam de um lado a outro do rosto. Todos a abraçaram, todos conversaram com ela, relembraram o passado. E até o morador mais antigo ainda vivo, após relutar, perguntou: “É Jeanne?”. E se derreteu em alegria depois de saber que sim e se recordar de fatos antigos. A pedra onde ela subia juntamente com Amylton de Almeida os irmãos dele e os seus, e que para tanto era necessário ultrapassar um pequeno braço de mar, não existe mais como era. Hoje sobre ela fizeram o Cais das Barcas. Até mesmo uma antiga recordação dos moradores daquela região de Santo Antônio, o flutuante do Cais do Avião, desatracado e tentado levar ao meio da baia, acabou adernando e hoje faz parte da estrutura de sustentação do cais. Jeanne se recorda do hospital dos tuberculosos. Da Rua Dom Benedito ainda dá para ver as ruínas dele. Da mesma forma, é possível ver a ilha doutor Américo ou doutor Tabajara, tanto faz, com uma pequena praia para onde a garotada nadava e tomava banho de sol jogando conversa fora enquanto driblava a vigilância do caseiro, isso embora quase todos tivessem seu barquinho para tomar banho de sol, conversar e se deslocar. Ela chegou a rir ao se recordar do matadouro do outro lado da baia, no atual Porto de Santana, de onde alguns bois que imaginavam a morte por vir, nadavam desesperadamente até Santo Antônio. Recolhidos pela Prefeitura eram enviados de volta. Seu destino estava mesmo do outro lado. Muito da personalidade de Jeanne seria forjada nesses tempos de idas e vindas familiares, do triângulo Rio de Janeiro/Belo Horizonte/Vitória e de seus primeiros círculos de amizade definitivos. Além dos reais, aqueles feitos de carne e osso, Jeanne tinha amigos imaginários. De bem com a vida, sempre alegre, confiante, aplicada e perfeccionista, às vezes conversava com seus amigos que só existiam em sua mente. Dona Jô, mãe autoritária, criticava a filha pelo hábito que, segundo ela, seria o de falar sozinha dentro de seu universo particular em vez de se aprimorar nos estudos. Os tempos de Santo Antônio, apesar dos pesares, foram muito felizes. Claro que havia o inconveniente de todos terem de tirar os sapatos para atravessar o lamaçal em que a rua sem calçamento se transformava no trecho final para depois lavar os pés em casas de vizinhos antes de sair para ir a qualquer lugar em dias de chuva. Mas isso era o de menos. Os vizinhos, ou “a comunidade”, como ela diz, era, sobretudo amiga, solidária. Jeanne se casou muito cedo e, o casamento não deu certo. A família foi de novo para Belo Horizonte, ela ficou com a casa, mas depois decidiu ir também para Minas com a filha Daphne ainda pequena. Ao final de algum tempo, todos retornaram a Vitória e à residência de Santo Antônio, referência daqueles tempos, que seria vendida depois. A turma formada pela proximidade das residências e afinidade entre todos era ótima. Jeanne, que havia simpatizado com Amylton de Almeida – e o restante da família dele – logo que os dois se conheceram, passava horas e horas conversando com ele, os irmãos dela e dele, na tal pedra que ficava próxima ao final da rua onde moravam todos, ao lado do mar, naquele final de pedaço de mundo bucólico, vizinho do Cais do Avião. E de onde era preciso, além de pular para chegar, também sair sempre que as marés altas se mostravam, pois então a água alcançava a todos. O afastamento do grupo de amigos de Santo Antônio foi apenas temporário e motivado pela distância. Voltaram, Jeanne e Amylton, a ser muito mais próximos após a separação dela e essa cumplicidade foi levada até mesmo à UTI do Hospital Santa Rita de Cássia, onde Jeanne acompanhou Amylton em seus últimos dias, aos 49 anos, vitimado que estava sendo por um câncer que os médicos não conseguiram derrotar. Recordo-me de um dia ter ido ao hospital tentar ver Amylton. Nós nos dávamos bem apesar de algumas rusgas esporádicas, todas elas de cunho político. Não consegui. Cheguei justamente num instante em que o estado de saúde dele piorava. Naquele corre-corre que sempre antecede mortes em hospitais, preferi ir embora. É importante registrar um fato que pode parecer banal, mas tem muita importância: quando Amylton morreu e a notícia chegou à redação de A Gazeta, o então Diretor de Redação do jornal, Paulo Eduardo Torre, para homenagear e definir o colega que ia embora escreveu um artigo publicado no dia seguinte com o título “Antena da Raça”. Ironia do destino: oito dias depois o coração traia matava Paulo. Esse acadêmico que hoje apresenta a todos a confrade – não vou usar o termo confreira até mesmo em respeito às convicções não religiosas de minha amiga – nunca teve uma grande proximidade com ela em serviço. Jamais trabalhamos juntos, mesa com mesa em num único setor, embora tenhamos nos encontrado na mesma empresa. No máximo, uma época estávamos ambos no jornal a Gazeta, mas em setores diversos e noutra eu continuava no jornal e ela foi ser apresentadora de um dos jornais da TV Gazeta. No meu caso, a redação ficava no primeiro andar do prédio da Rua General Osório. No dela, no último. Um elevador nos separava. E foi justamente ao longo desse relacionamento próximo/distante que marcou minha amizade com Jeanne que percebi nela outra virtude muito importante: a solidariedade para com os amigos. Talvez herança de Santo Antônio, o bairro. Essa constatação começou pelo fato de que um dia fiquei em dificuldades financeiras por ter me associado a uma tal Associação Capixaba de Mutuários, Ascam, por impossibilidade de pagar o financiamento imobiliário que havia sofrido reajuste extorsivo autorizado pelo Governo num ano que não recordo mais. Foi ela quem me indicou os caminhos ao final dos quais consegui um acordo que permitiu sanar a dívida com o banco na época do já falecido BNH e não perder o imóvel. Em outra oportunidade, numa coluna de esportes que mantinha em A Gazeta, chamei um ladrão de ladrão. Poucos dias depois um oficial de Justiça me entregou um documento no jornal. Eu estava sendo processado por calúnia, injúria e difamação. Procurei Jeanne. Expliquei o caso grosso modo a ela e disse que precisava de um bom advogado criminalista, posto que os do Sindicato eram especialistas em Direito do Trabalho. Ela indicou-me Vinícius Bittencourt. “Eu não tenho dinheiro para pagar esse profissional”, disse eu a ela. E a reposta foi a de que ele cobraria apenas e tão somente o que eu tinha disponível no banco para essa finalidade e nada mais. Assim foi feito. Lembro-me como se fosse hoje do Vinícius, não mais vivendo na casa de Santo Antônio, que nem cheguei a conhecer antes do domingo da visita junto com ela, mas numa outra da Avenida César Helal, em Bento Ferreira. Leu com grande atenção o documento com a inicial do processo e me disse que sempre fazia isso em busca de falhas dos seus colegas. Mas o profissional em questão, novo, havia tomado todos os cuidados necessários. - O que você quer fazer, Álvaro? Perguntou ele. Coloquei em cima da mesa uma pasta de documentos e disse que queria dizer ao Juiz do processo que aquele homem que estava me processando era ladrão mesmo e que as provas estavam ali diante dele. Recordo-me do sorriso que Vinícius deu antes de tomar um gole de café e me perguntar: “Você sabe o que significa exceptio veritatis?”. Eu disse que não, não tinha a menor ideia. “Mas vai saber. E esse cidadão aqui da inicial, também”, completou ele. Vinícius não era apenas um advogado conceituado em Vitória. Aquele velho militante comunista era quem os filhos de Dona Jocondina ouviam sempre com grande respeito e que havia sido, também por conta disso, um dos alvos felizmente não alcançados pela ditadura militar de 1964, no Brasil. Cito esses dois fatos apenas para terminar de traçar um perfil da Jeanne não jornalista, mas também advogada criminalista que, ou atendia os amigos ou os enviava a alguma fera da área. Só a propósito, relato que muito tempo depois vim a saber que meu desafeto ladrão cobrou muito do advogado dele uma solução para o processo até ser perguntado: “Fulano, você já teve pela frente um Vinícius Bittencourt em condições de provar em Juízo as suas falcatruas?”. O homem disse que não e ouviu em seguida: “Nem queira...” Eu também jamais ouvi falar daquele processo. Jeanne tem registro profissional como jornalista, radialista e advogada. Além disso, é mestre em História Social das Relações Políticas pela UFES, tendo-se pós-graduado em 2005. Antes, havia sido aluna do Colégio Estadual do Espírito Santo e obteve diploma de Advogada pela União de Escolas de Ensino Superior Capixaba, a UNESC, de Colatina, entre 1971 e 1975. Iniciou a carreira como jornalista em 1974 na Editoria de Cidade do jornal A Gazeta como repórter. No ano seguinte, formou-se em Direito, passando a exercer simultaneamente as atividades de jornalista e advogada. Estreou ema televisão em setembro de 1976, quando da inauguração da TV Gazeta. Era a primeira apresentadora do telejornalismo da emissora, o “Jornal Hoje”, edição local. Ainda em 76, foi convidada para implantar a Assessoria de Comunicação da Empresa Capixaba de Turismo, Emcatur, para onde foi e permaneceu até 1978, passando então a integrar o jornalismo da TV Educativa do Espírito Santo – TVE, emissora estreante no nosso Estado. Lá no novo endereço profissional foi produtora, apresentadora de telejornais e mediadora de programas culturais e de debates políticos. Em 1988 aceitou convite feito pela direção da TV Vitória – Rede Record, canal 6 e assumiu o comando do programa “Espaço Local”, revista jornalística diária, apresentada ao meio-dia, onde exerceu a função de âncora por dez anos consecutivos, ou seja, de 1988 a 1998. A estréia no rádio havia ocorrido antes, em 1978, a convite da direção da Rádio Espírito Santo, onde seria apresentadora dos principais noticiários da emissora. Em 1983, quando foi inaugurada a Rádio Gazeta AM, terminou convidada para ancorar programas diários, tendo permanecido no ar por nove anos consecutivos na emissora. Durante esse tempo idealizou, no gênero entretenimento, o programa “Correio do Amor/Namoro no Rádio”, apresentado inicialmente na Rádio Gazeta e, dois anos depois, transferido para a Rádio Espírito Santo. Esse programa se consolidaria como a atração de maior audiência do rádio capixaba no horário vespertino. Em decorrência desse sucesso, o programa permaneceu por 10 anos consecutivos no ar. O “Correio do Amor/Namoro no Rádio” foi alvo de um documentário de nome “Cupido no Ar”, produção e direção do jornalista amigo Amylton de Almeida. Ele seria, como Jeanne gosta de dizer, a gênese do primeiro filme longa-metragem capixaba, “O Amor está no Ar”, exibido em 1997 em circuito nacional, também com roteiro, produção e direção desse mesmo jornalista e crítico de cinema. Infelizmente para o diretor, que havia morrido dois anos antes, a edição da obra precisou ser feita por outras pessoas. Trabalhou como Assessora de Comunicação para diversos governos estaduais e Secretarias de Estado, em diferentes gestões e períodos. Em 1999, estreou como âncora no “Jornal da TV Vitória”, usando o mesmo estilo adotado pelo jornalista Boris Casoy, do “Jornal da Record”, edição nacional, com quem estagiou na sede daquela emissora, em São Paulo. Em 2000 foi convidada pela Rádio CBN, que integra o Sistema Gazeta de Rádio para colocar no ar a “CBN Revista”, programa/revista jornalístico das manhãs de sábado, maratona que ia das 08 às 12 horas e produzida sob sua responsabilidade, o que significa dizer pauta, produção e apresentação. Em 2003 e 2004 voltou a trabalhar no mesmo veículo, no quadro “Bate e Rebate”. Então como comentarista. Atuou também como colunista diária do jornal eletrônico Século Diário, assinando reportagens especiais para a Revista Século, edição impressa de publicação mensal. Em 2001 voltou à TV Vitória/Rede Record e assumiu como Editora-Chefe. No ano seguinte a emissora conquistou o 1º lugar na categoria Telejornalismo no “8º Prêmio Capixaba de Jornalismo”, com a exibição da série “Corpo: Objeto de Consumo”, roteiro, produção e direção da chefia do jornalismo. Em março de 2003, demitiu-se do cargo de Editora-Chefe da emissora para dedicar-se ao Mestrado de História Social das Relações Políticas da Universidade Federal do Espírito Santo, estudo este concluído com a defesa de dissertação, em 24 de junho de 2005. Explica, com orgulho, o que aconteceu: “os deuses, mais uma vez sorriem cúmplices! Em março de 2003, a veterana jornalista, aos 54 anos, resgata um estilo de vida quase esquecido: o de estudante em tempo integral. Caleidoscópio existencial a girar, partículas multicoloridas a formatar novo desenho. Prazer em sala de aula, novos conhecimentos e laços de amizade”. O curso seria concluído com a defesa da dissertação de mestrado, em 24 de junho de 2005. Quatro meses depois, o trabalho acadêmico foi lançado em livro já citado de, com o título “As Múltiplas Trincheiras de Amylton de Almeida: o cinema como mundo, a arte como universo”. Jeanne, também o ensaio biográfico do jornalista Amylton de Almeida, constante do livro “A Múltipla Presença”, organizado pela professora Deny Gomes e editado em 1996, pela Prefeitura Municipal de Vitória. Nossa nova acadêmica é autora de artigos e ensaios publicados em livros, coletâneas e revistas, além de ministrar palestras em instituições de ensino superior, empresas e entidades governamentais, versando sobre temas ligados à área da Comunicação. Escreveu de junho de 2005 até março de 2007 - quando do falecimento do diretor-proprietário da publicação, Xerxes Gusmão Neto - entrevistas especiais para a revista (impressa) mensal “ESSA Espírito Santo Sociedade Aberta”. No período de abril de 2004 a março de 2012 foi Assessora de Comunicação da FCAA - Fundação Ceciliano Abel de Almeida – entidade de apoio à Universidade Federal do Espírito Santo e, desde julho de 2007, convidada pelo então editor do Caderno Dois do jornal A Gazeta, jornalista e escritor José Roberto Santos Neves, passou a escrever crônicas quinzenais para o jornal, atividade mantida até o momento. Em 25 de agosto de 2009, lançou seu segundo livro, intitulado “Zeitgeist - Espírito do Tempo”, reunião das crônicas publicadas no jornal A Gazeta de julho de 2007 a agosto de 2009. Em setembro de 2013, está lançando o terceiro livro com o título “Viajantes da Nave Tempo”, coletânea de crônicas publicadas no jornal A Gazeta e agora abrangendo o período de agosto de 2009 a julho de 2013. Este, por sinal, é o trabalho literário que está sendo apresentado por ela a todos nós hoje e aqui nesta Biblioteca Pública do Estado do Espírito Santo que sempre recebe os escritores e intelectuais de outras áreas com tanto carinho e respeito. Durante a carreira Jeanne recebeu inúmeras premiações, dentre elas o Título de Cidadã Vitoriense; a Comenda João Santos Filho, categoria Imprensa; o Diploma de Honra ao Mérito, da Câmara Municipal de Vitória. Em 30 de setembro de 2011 foi eleita como Jornalista Homenageada no “17º Prêmio Capixaba de Jornalismo”; e, em 30 de março de 2012, figurou entre as personalidades homenageadas no evento “Essas Mulheres Especiais”, categoria Imprensa, ao lado de colegas jornalistas como Mirian Leitão, da O Globo e Rede Globo de Televisão e Suzana Holzmeister. Na vida privada tem como paixões os livros, desde criança por sinal, imprensa, cinema, música erudita, fotografia e o gato persa, Nietzsche – cujas fotos estavam escondidas no livro “Escritos do Espírito Santo”, que me auxiliou nessa apresentação – além das muitas viagens internacionais já feitas. Bem vinda seja, minha dileta amiga. E obrigado a todos.