VIII SOBER Nordeste Novembro de 2013 Parnaíba- PI - Brasil AVALIAÇÃO E MONITORAMENTO DOS PROJETOS RURAIS DE INFRAESTRUTURA NOS TERRITÓRIOS DA CIDADANIA DO ESTADO DO CEARÁ David Jesse Vieira Souza (Faculdade de Tecnologia- Fatec) - [email protected] Tecnólogo em Agronegócio José Newton Pires Reis (Universidade Federal do Ceará) - [email protected] Engenheiro Agrônomo, Professor Associado do Departamento de Economia Agrícola - UFC Maria Antunízia Gomes (Inst Federal de Educação Ciência e Tecn ) - [email protected] Professora do IFCE Francisco Rosângelo Marcelino da Silva (CAI - Sertão Central) - [email protected] Bacharel em Direito - Faculdade Católica Rainha do Sertão José César Vieira Pinheiro (Universidade Federal do Ceará) - [email protected] Engenheiro Agrônomo, Professor Associado do Departamento de Economia Agrícola - UFC AVALIAÇÃO E MONITORAMENTO DOS PROJETOS RURAIS DE INFRAESTRUTURA NOS TERRITÓRIOS DA CIDADANIA DO ESTADO DO CEARÁ1 Grupo de pesquisa 6: Territórios, ruralidade e desenvolvimento RESUMO - O presente trabalho de avaliação e monitoramento dos projetos de infraestruturaProinfs foi realizado nos quatro territórios da cidadania do estado do Ceará, abrangendo um total de 83 projetos implantados no período compreendido entre os anos de 2003 a 2011, analisados através de 231 entrevistados, entre membros representantes do colegiado, proponentes, e membros representantes dos beneficiários. Foram avaliadas na pesquisa as fases de planejamento, execução, indícios de impactos e indicadores gerais de gestão dos projetos. Para os índices gerais de gestão, todos os territórios obtiveram classificação “Ruim” quando considerados que nesta categoria representam de 0,396, 0,365, 0,282, e 0,380 para os territórios Sertão Central, Sertões de Canindé, Sertão dos Inhamuns/Crateús e Vales do Curu/Aracatiaçu, respectivamente. Palavras-chave: Monitoramento, Avaliação, Desenvolvimento Rural, Território, Ceará. EVALUATION AND MONITORING OF RURAL INFRASTRUCTURE PROJECTS IN THE TERRITORIES CITIZENSHIP OF THE STATE OF CEARÁ Abstract: This work of evaluation and monitoring of infrastructure projects was conducted in the four territories citizenship of Ceará state, covering a total of 83 projects implemented in the period between the years 2003 to 2011, analyzed by 231 respondents between members representing the collegiate, proponents, and members representing the beneficiaries. Were evaluated in the research phases of planning, implementation, evidence of impact and general indicators of project management. To indexes general management, all territories were classified as "Poor" when considered that this category represent 0.396, 0.365, 0.282, and 0.380 for the territories Sertão Central, Sertões Caninde, Sertões of Inhamuns/Crateús and Valleys Curu and Aracatiaçu, respectively. Key words: Monitoring, Evaluation, Rural Development, Territory, Ceará. 1 Este trabalho é resultado de pesquisa vinculada ao Termo de Cooperação entre a Secretaria do Desenvolvimento Territorial do Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, por ocasião do Edital MDA/SDT/CNPq – Gestão de Territórios Rurais Nº. 05/2009. ________________________________________________________________________________1 Parnaíba, 06 a 08 de novembro de 2013, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural – VIII SBER Nordeste 1.INTRODUÇÃO O monitoramento e avaliação é uma ferramenta que vem cada vez mais, nos decorrer de anos de evolução, auferindo sítios na constituição estruturada da abordagem teórica de modelos documentais bem como nas ações participativas e operacionais de atuação nos projetos sociais de desenvolvimento rural. Este tem se constituído um instrumento impreterível para o processo de construção, posicionamento e redirecionamento das formas de implantação e gestão de projetos auferidos com base em programas formulados por planos estratégicos de desenvolvimento rural, cujo enfoque e abrangência tornam demandada uma forma de acompanhamento contínuo e de análises periódicas das ações e resultados desencadeados a luz da coerência ou não, entre planos realizados e atividades desenvolvidas. No que diz respeito a suas respectivas importâncias para a concretização de um programa de M&A, os termos “monitorar” e “avaliar” são paralelos, ou seja, ambos são necessariamente relevantes para o alcance de tal sucesso, no entanto, assumem papéis que embora se completem, são distintamente caracterizados, definidos, e consequentemente realizados. O “monitoramento” e a “avaliação” em si, são tratados como uma unificada no enquadro das etapas que constituem os projetos de desenvolvimento rural, no entanto apesar de, no enfoque de abordagem dos projetos atuarem articuladas e às vezes concomitantemente, estas não podem ser confundidas entre si, nem na sua fundamentação, que não deve, mas, pode ser mais comum, e principalmente no seu modo de atuação, um erro “túmido”. Nessa mesma ideologia, NETO, GEHLEN e OLIVEIRA, (2010, p.42) define que o monitoramento trata de algo que está ocorrendo, enquanto a avaliação tem seu foco no que já ocorreu, ou seja, o monitoramento trata do acompanhamento dos projetos em funcionamentos, com a finalidade de subsidiar as informações para as posteriores avaliações, enquanto que estas tratam de analisar informações, e avalia-las para conseguintes tomadas de decisões, que podem ser de direcionamento ou redirecionamento das políticas públicas em sua forma de atuação em relação a população alvo a ser beneficiada. Assim pode-se definir o M&A, como sendo a parte constituinte dos projetos de desenvolvimento rural, que coleta, analisa periódica e sistematicamente, informações que, da ________________________________________________________________________________2 Parnaíba, 06 a 08 de novembro de 2013, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural – VIII SBER Nordeste implantação, processo ou de resultados dos projetos, são necessariamente relevantes às tomadas de decisões no âmbito de suas gestões estratégicas. As instituições do primeiro e terceiro setor que atuam no âmbito do monitoramento e avaliação são induzidas à construção de sistemáticas específicas, tanto à luz dos objetivos dos projetos, como nas metodologias utilizadas, portanto frisa-se, a metodologia aqui abordada é específica do programa de monitoramento e avaliação do programa “territórios da cidadania” do ministério do desenvolvimento agrário-MDA. Esta se trata de uma “avaliação mista”, pois conforme oque afirma, BARBOSA (2001, p.44) procura unir as avaliações do tipo interna e externa, isto é, esta avaliação é feita de forma que os avaliadores externos desenvolvam a avaliação com a participação e em contínuo contato com os membros do projeto a ser avaliado. É ainda considerada uma “avaliação de participação”, que conforme ainda descreve o autor, este tipo de avaliação caracteriza-se pela participação dos beneficiários no processo de avaliação, minimizando a distância entre estes e os avaliadores. Estes tipos de avaliações realizadas pelo MDA são de fundamental importância, no intuito de diminuir o distanciamento entre os pesquisadores, organizações participantes e beneficiários, e ainda envolver no processo avaliativo todos os agentes que, a partir óticas diferentes podem mencionar suas necessidades e indagar-se quanto as reais dificuldades por eles enfrentadas. Outra forma de caracterização do M&A aqui abordado é quanto ao enfoque dentre as fases, a “avaliação de resultados”, que permite conforme diz SEPLAN/SGA, (2005, p. 14) analisar em que grau o programa vem produzindo os benefícios e transformações a que se propõe. É vital a imprescindível relevância de uma “avaliação de resultados”, como ferramenta estratégica, quando no ciclo de gestão das políticas públicas esta se situa sistematicamente como precursora de possíveis reformulações, expansões, redução ou encerramento de projetos, onde sendo este o primeiro dos dois ciclos do M&A, esta tem o objetivo de fomentar junto às demandas dos agentes, possível reformulações nas formas de gestão. Assim o primeiro ciclo desta pesquisa de M&A trata-se de uma avaliação ex-post, que em consonância com o que disse BARBOSA (2001, p.42) é realizada em projetos em ________________________________________________________________________________3 Parnaíba, 06 a 08 de novembro de 2013, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural – VIII SBER Nordeste andamento e/ou concluídos, pode definir a continuidade no desenvolvimento de um projeto assim como a mudança no seu direcionamento. Como se sabe da organização hierárquica das ações do governo na sociedade, nas quais, de planos de intervenção na sociedade, elaboram-se programas, que dão origem a diversos projetos, cabe aqui ressaltar que este programa de M&A se restringe aos projetos em sua materialização, firmados nos eixos de apoio à infraestrutura, neste caso possibilitado através da implantação de projetos estruturantes, tanto nas unidades de produção e comercialização como de veículos de entrega de produtos e para assistência técnica. SEPLAN/SGA, (2005, p. 12) relata diante de tal organização política das ações de intervenção do governo, que as avaliações de programas e projetos são utilizadas para determinar se os objetivos, formato e resultados do programa ou projeto estão adequados, assim como seu grau de eficiência, eficácia e efetividade na aplicação dos recursos. O universo do programa de M&A do MDA no Brasil, é descrita por Filgueiras et al, (2012), Esse programa conta com o Sistema de Gestão Estratégica (SGE) para monitorar e avaliar as ações que executa, além de sistematizar e divulgar informações que subsidiam a Gestão Territorial. A operacionalização do SGE nos Territórios Rurais (TR’s) ocorre a partir de uma parceria do Programa com 27 Universidades públicas, que constituíram Células de Acompanhamento e Informação (CAI’s) abrangendo 37 TR’s. Parte do trabalho das CAIS é fazer a coleta de dados que serão utilizados em pesquisas realizadas. A construção e disponibilização dos dados apreendidos constituem-se em ferramentas imprescindíveis aos órgãos de gestão das políticas públicas. No estado do Ceará a referida pesquisa é fruto da parceria entre o Ministério de Desenvolvimento Agrário MDA e a Universidade Federal do Ceará-UFC, a qual através de suas respectivas CAI’s, tem sido realizada em quatro territórios do estado, os quais são objetos de análise desta pesquisa, os territórios, Sertão Central, Sertão dos Inhamuns/Crateús, Sertões de Canindé e vale do Curu/Aracatiaçu. O programa de M&A do qual se trata acima, é realizado com a finalidade de se reconhecer e ajustarem-se as ações em torno dos territórios às premissas em que se fundamentam os elevados investimentos em projetos de desenvolvimento rural pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário-MDA, no enfocado “territórios da cidadania”, a saber: a inclusão produtiva das populações pobres dos territórios; Busca da universalização de programas básicos de cidadania; Planejamento e integração de políticas públicas e Ampliação da participação social. Sobre o que, Barbosa (2001, p.50) afirma: ________________________________________________________________________________4 Parnaíba, 06 a 08 de novembro de 2013, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural – VIII SBER Nordeste Esta participação deve se dar de forma efetiva, baseada no diálogo entre os atores, desde sua elaboração, identificando prioridades, levantando informações, até o momento do monitoramento e avaliação final, porque, são os atores locais, beneficiários diretos do projeto, quem mais conhece a sua realidade. A proximidade das informações por eles fornecidas com a realidade é algo que deve ser considerado em qualquer projeto de desenvolvimento. Quanto às ações pleiteadas que através da participação devem representar a coerência em cada uma das fases dos projetos o SGE (2011) diz que: A fase de planejamento engloba a definição da área de intervenção, diagnóstico e formulação de propostas. A fase de execução preocupa-se em identificar as ações para garantir uma boa gestão do projeto, já os indícios de impacto preocupam-se em identificar a abrangência dos resultados, atividades promovidas, nível de funcionamento do projeto, gerenciamento do empreendimento e comparação entre os resultados previstos e alcançados por eles. Portanto assim como no primeiro ciclo do programa de M&A dos estruturantes do MDA, com base no que se diz acima o objetivo deste trabalho está estruturado em quatro eixos centrais os quais são: Avaliação da Fase de Planejamento do Projeto; Avaliação da Fase de Execução do Projeto; Indícios de Impactos; e, Indicadores Gerais de Gestão do Projeto, verificando em cada uma delas os possíveis empasses e erros que podem levar estruturas dos mesmos a um funcionamento com capacidade ociosa. 2. MATERIAIS E MÉTODOS A metodologia do presente trabalho divide-se em duas partes, das quais a primeira está voltada a ações de seleção da amostragem em relação ao âmbito dos projetos rurais de infraestrutura espreitados pelo programa territórios da cidadania no estado do Ceará como um todo, a partir da seleção dos territórios de seus respectivos relatórios analíticos a serem analisados. A segunda detém-se a explicitar as metodologias específicas do MDA, como a escolha da amostragem nos territórios e por projetos de infraestrutura neles instalados, as ferramentas utilizadas para o desenvolvimento de tal M&A, as metodologias de abordagem das mesmas, bem como o foco de análise, para a posterior caracterização e identificação sistêmica do funcionamento dos projetos. 2.1 A NATUREZA DA FONTE DE DADOS ________________________________________________________________________________5 Parnaíba, 06 a 08 de novembro de 2013, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural – VIII SBER Nordeste Pelo fato da amostra do projeto no âmbito estadual ser formada através da articulação entre a célula de acompanhamento e informação do território Sertão Central e as demais células colaboradoras, considera-se que a natureza dos dados são de fontes secundárias obtidas de forma indireta através dos relatórios analíticos das aludidas CAI’s. 2.2. A AMOSTRA NO ÂMBITO ESTADUAL Sendo o universo da pesquisa os projetos de infraestrutura implantados através do programa territórios da cidadania do Ministério de Desenvolvimento Agrário - MDA no estado do Ceará, foi empregada para escolha da amostra a técnica de “amostragem sistemática”, utilizada quando os elementos de uma população já se acham ordenados e, portanto não necessitam da construção de um sistema de referência. Apesar de tais projetos apresentarem-se através de ações diversas de intervenção, que podem ser desde os serviços de apoio a produção e comercialização de produtos agropecuários bem como à assistência técnica, pode-se considerar a perfeita e coerente ordenação dos projetos, quando se restringe somente as ações básicas de suporte à infraestrutura, os chamados segundo definição do MDA, “projetos estruturantes”. Dos 13 territórios de planejamento rural do estado do Ceará, 4 pertencem às delimitações dos projetos de desenvolvimento sustentável do MDA, sendo em concordância com o programa, chamados de territórios da cidadania, os quais são objetos de pesquisa deste trabalho, os quais são: os territórios, Sertão central, Sertões de Canindé, Sertão dos Inhamuns/Crateús, e Vale do Cucu/Aracatiaçu. No âmbito de abordagem citado a cima a pesquisa avaliativa, expandiu-se entre os quatro territórios abrangendo um total de 83 projetos de infraestrutura implantados no período compreendido entre os anos de 2003 a 2011, analisados através de 231 questionários aplicados. Esse número, no universo que se inserem, é sem dúvida uma representativa da atual configuração da gestão de projetos de desenvolvimento rural implantados pelo ministério do desenvolvimento agrário no estado do Ceará. 2.3. A AMOSTRA NO ÂMBITO TERRITORIAL A amostra do território conforme metodologia no MDA é obtida a partir da aplicação de três questionários por cada um dos projetos de infraestrutura implantados nos territórios, ________________________________________________________________________________6 Parnaíba, 06 a 08 de novembro de 2013, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural – VIII SBER Nordeste aos quais se submetem um membro representante do colegiado, um representante dos proponentes e um representante dos beneficiários dos projetos. A técnica de amostragem seguida pelas equipes das células de acompanhamento informação-CAI, devem ser as mesmas em todos os territórios, sendo a amostra definida a partir da técnica de “amostragem proporcional estratificada”, quando no coletar de informações, sob a ótica de cada um dos agentes, beneficiário, proponente e membro do colegiado participante dos projetos se torna mais representativa a amostra e confiáveis os dados. 2.4. FERRAMENTA DE COLETA DE DADOS A pesquisa foi realizada pelas CAI´s em seus respectivos territórios por meio do questionário de avaliação e monitoramento de projetos de infraestruturas-Q5, o qual é aplicado a um representante do colegiado, a um representante dos beneficiários e a um representante dos executores, por projeto avaliado do Território. O Q5 é composto por 62 perguntas onde, além das nove primeiras que correspondem a identificação da entrevista, ha vinte e duas que correspondem ao planejamento do projeto, quatorze a execução e dezessete a avaliação dos indícios de impactos do projeto, que, não caracterizando as entrevistas realizadas como semiestruturadas, procura abranger em sua estrutura, todos os aspectos intrínsecos as fases dos projetos bem como as possíveis casualidades que podem ter ocorrido no tocante a condução do mesmo, ou no ato das entrevistas, como no caso de perguntas aos quais não se aplicam ou que não souberam responder, procurando-se assim evitar vieses nas informações aferindo maior confiabilidade aos dados coletados. 2.5. A ABORDAGEM METODOLÓGICA Existem diferentes matizes as quais levam a metodologias variadas quanto ao enfoque de avaliação nos programas de M&A, sobre que NETO, GEHLEN e OLIVEIRA, (2010, p.42) dizem que algumas das quais dão maior ênfase ao controle e prestação de contas e outras que salientam o processo de aprendizagem social e organizacional. Diante do exposto pode-se considerar que a metodologia de abordagem do M&A do MDA, está fundamentada em matizes que não se restringe às formas específicas em detrimentos de outras, mas, sim conforme CAI sertão central/MDA (2011, p.72), considera ________________________________________________________________________________7 Parnaíba, 06 a 08 de novembro de 2013, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural – VIII SBER Nordeste não só processo de aprendizagem social e organizacional como fator de análise, mas, também analisa a devida aplicação dos investimentos financeiros realizados. A explanação está estruturada a partir dos quatro eixos centrais do Q5, os quais são: Avaliação da Fase de Planejamento do Projeto; Avaliação da Fase de Execução do Projeto; Indícios de Impactos; e, Indicadores Gerais de Gestão do Projeto; e para complementar os eixos foi feita uma avaliação sobre a eficácia e efetividade dos investimentos financeiros em projetos de investimentos, com o objetivo de analisar os seus efeitos em tais projetos da SDT. A utilização de indicadores representativos é de fundamental importância para a correta quantificação de valores referentes aos projetos e suas fases. Compilados do sistema de gestão estratégica (SGE) obedecem aos critérios conforme a legenda da Tabela 1. Tabela 1: Legenda dos indicadores de desempenho. Índices numéricos 0,80-1,00 0,60-0,80 0,40-0,60 0,20-0,40 0,00-0,20 Legenda Ótimo Bom Regular Ruim Crítico Fonte: CAI Sertão Central (2010), Modificada. 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO Como ponto de partida abordar-se-á a situação dos projetos de infraestrutura no que diz respeito aos percentuais referentes às suas capacidades de funcionamento, os quais se constituirão parâmetros por meio de quê se atestará a necessidade de análise de suas fases, de modo a identifica-las numa visão analítica de causas e efeitos na situação verificada. 3.1. CAPACIDADE DE FUNCIONAMENTO DAS ESTRUTURAS O estado de funcionamento das estruturas dos projetos é direta e indiretamente influenciado pela capacidade de planejamento, execução e gestão que se tem sobre os mesmos, uma vez que havendo inconsistência no modo de realização de apenas umas destas, o acarretado será uma forma de influencia contínua no decorrer das conseguintes e consequentemente no adequado funcionamento de tais projetos. ________________________________________________________________________________8 Parnaíba, 06 a 08 de novembro de 2013, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural – VIII SBER Nordeste Assim conforme se vê na Tabela 2, as estruturas dos projetos encontram-se com um elevado percentual de apontamentos positivos no que diz respeito ao seu funcionamento com capacidade ociosa, pois embora alguns em menos de 30%, ainda podem ser considerados valores não plausíveis mediante a metodologia do planejamento participativo e a ótica central do programa que auferindo abordagens no âmbito territorial objetiva evitar tais ocorrências. Tabela 2: Estruturas funcionando com capacidade e Equipamentos não utilizados Sertão central Sertões de Canindé Sertão dos Vale do Inhamuns/Crateús Curu/Aracatiaçu Total de projetos 19 10 18 avaliados Nº de 54 29 48 questionários Capacidade 61% 45% 31, 25% ociosa% *Equipamentos 42, 6% 45% 52, 08 não funcionando Fonte: CAI’s do MDA-Ceará 2010, alterada e modificada. 36 99 35% 40% *este dado se refere às pessoas que os afirmaram o não funcionamento de equipamentos em relação a todos os projetos, e não em relação aos que estão funcionando com capacidade ociosa. Conforme se observa não ha uma direta relação do número de projetos avaliados com o percentual de estruturas funcionando com capacidade ociosa, quando os dados em evidência estão interpolados com base no número de respostas positivas dos entrevistados e não a cada um dos projetos, pois apesar de haver uma adequada proporção do número de entrevistados (3) por cada projeto, as respostas podem variam entre estes quando por proeminência ou não alguns usufruem e outros não dos mesmos, e/ou pela falta de aplicabilidade para alguns membros como no caso de apoio aos órgãos de assistência técnica, oque explica a falta de exatidão quando o numero de questionários aplicados não vem a corresponder ao triplo do numero de projetos avaliados. Outro fator de elevada relevância nesse contexto, e que pode explicar a disparidades de valores na relação da capacidade ociosa e números de projetos, é o “não funcionamento” de tais estruturas, pois, quando as mesmas não se encontram em funcionamento, seja por dimensionamento e implantação inadequada ou por desgaste e gestão imprópria, ao mesmo tempo em que se diminuem o número de projetos com funcionamento ocioso, se revela que muitos destes, podem não terem funcionado e que outros podem ter deixado de funcionar adequadamente no decorrer dos processos de execução e/ou gestão ou que pode não ter ________________________________________________________________________________9 Parnaíba, 06 a 08 de novembro de 2013, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural – VIII SBER Nordeste ocorrido um adequado planejamento e dimensionamento dos projetos, oque salienta com fulgor a necessidade de análise sistêmica dos projetos com foco em cada uma de suas fases. Antes de analisarmos cada uma das fases, cabe aqui salientar que, ainda existe outro fator que elucida a falta da correspondência que deveria ocorrer entre o numero de projetos implantados em um território com os percentuais de assertivas referentes ao seu não ou mau funcionamento, que é o percentual de funcionamento dos projetos em cada um dos territórios, pois como se pode ver na tabela 1, o território sertão dos Inhamuns estando com 18 projetos avaliados, apresenta apenas metade do percentual de capacidade ociosa de funcionamento para 19 projetos avaliados no território sertão central, desta forma como se vê na tabela 3, este funcionamento pode ser incipiente. Tabela 3: Proporção da capacidade instalada com que estão operando os projetos Sertão Sertões de Sertão dos Vale do Central Canindé Inhamuns Curu 19% 3, 45% 25, 00% 15, 2% Menos 40 % De 40 a 60 % 15% 10, 34% 20, 83% 13, 1% De 60 a 80 % 23% 27, 59% 12, 50% 9, 1% De 80 a 100 % 17% 6, 90% 27, 08% 7, 1% 100%-ampliar 6% 0, 00% 6, 25% 21, 2% Não se aplica 11% 34, 48% 6, 25% 8, 1% Não sabe 9% 0, 00% 2, 08% 26, 3% Fonte: CAI’s do estado Ceará MDA- 2010, alterada e modificada. Vê-se ainda em relação aos entrevistados que há um percentual de 11% e 6, 25% dos que não sabem, e de 9% e 2, 08% para os não se aplicam as respostas, nos território sertão central e sertão dos Inhamuns respectivamente, revelando que a ausência da participação destes membros no resultado, pode comprometer o percentual de estruturas funcionando com capacidade ociosa, quando os projetos dos quais não houve tais respostas poderiam estrar em pleno ou parcial funcionamento. No entanto, oque se vê é que diante de todas as hipóteses levantadas, a respostas podem ser encontradas através da análise sistemática de cada uma das fases dos projetos. 3.2. AVALIAÇÃO DAS FASES DOS PROJETOS ________________________________________________________________________________10 Parnaíba, 06 a 08 de novembro de 2013, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural – VIII SBER Nordeste Como os dados indicadores aqui utilizados foram compilados do sistema de gestão estratégia-SGE alimentado com dados fornecidos pelas CAI’s, as dados aqui apresentados são resultados de fórmulas que, sendo próprias do sistema estão fundamentadas e estruturadas conforme as representações descritas na legenda do quadro que se segue: Quadro 1: legenda para algarismos das fórmulas do SGE Q= Questionário 2 P= Pergunta R= Item de resposta Fonte: Sistema de gestão estratégica-SGE, 2011, alterado e modificado. Para melhor compreensão, o referente questionário pode ser encontrado através do site do sistema de gestão estratégica-SGE a partir do link: http://sge.mda.gov.br/report/quest_jr/q_r1?formato=pdf&quest=q5 3.2.1. Avaliação da fase de planejamento dos projetos Desta forma para cálculo dos indicados da avaliação da fase de planejamento e suas respectivas classificações são utilizadas pelo sistema as seguintes fórmulas divididas pelo total de fatores para a obtenção da média: P1 {[(Σ(Q5_P10_R3)/3)+Σ(Q5_P12_Rn)+Σ(Q5_P13_Rn)+Σ(Q5_P24_Rn)]/4} + P2 {[Σ(Q5_P21_Rn)+Σ(Q5_P22_Rn)+Σ(Q5_P28_Rn)+Σ(Q5_P29_Rn) +Σ(Q5_P30_Rn) + Σ(Q5_P31_Rn)]/5} + P3 {[Σ(Q5_P19_Rn)+Σ(Q5_P27_Rn)]/2} + P4 {[Σ(Q5_P25_Rn)+Σ(Q5_P26_Rn)]/2} + P5 {(Q5_P16_Rn) } 5 Onde conforme oque se vê na tabela 4, correspondem aos fatore que compõem a equação para a formação da média geral da fase de planejamento. Tabela 4: Quadro de indicadores da avaliação da fase de planejamento dos projetos Sertão S. dos S. de Vale do Central Inhamuns Canindé Curu P1-Participação dos beneficiários 0, 259 0, 287 0, 237 0, 283 P2-Capacidade de planejamento 0, 464 0, 420 0, 280 0, 474 2 Obs.: Os itens de respostas podem ser específicos, p.e, (R3 - item 3 das opções de respostas), ou, o número total dos itens de respostas disponíveis (Rn). Neste caso, soma-se o número de itens respondidos pelos entrevistados, em cada pergunta. ________________________________________________________________________________11 Parnaíba, 06 a 08 de novembro de 2013, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural – VIII SBER Nordeste P3-Atividades atendidas nos projetos 0, 216 0, 254 0, 263 0, 227 P4-Papeis das organizações locais 0, 466 0, 422 0, 326 0, 475 P5-Organizações locais apoiadas 0, 278 0, 198 0, 034 0, 222 Índice geral da fase de planejamento 0, 336 0, 316 0, 228 0, 336 Classificação Ruim Ruim Ruim Ruim Fonte: Sistema de gestão estratégica-SGE, 2011, alterada e modificada. Para o índice geral de avaliação da fase de planejamento, todos os territórios tiveram como resultado a classificação “ruim”, sendo que dos componentes desta fase somente alguns tiveram classificação “regular”, oque, conforme metodologia de cálculo do sistema, não possibilitam melhorias nos significativas nos resultados, quando estando os dados entrelaçados são intimamente influenciados entre si. Observa-se para o papel das organizações locais na fase de planejamento, que a maioria dos territórios está em condição “regular” ao mesmo tempo em que a participação dos beneficiários se deu como classificação “ruim”, oque esclarece que nesta fase a participação dos beneficiários foi incipiente e que o processo de planejamento e construção dos PTDRS, ocorreu quase que exclusivamente pelas organizações locais. Assim ocorrendo, ha um comprometimento das demais fases do projeto bem como dos objetivos do programa, o qual fundamenta o processo de construção do plano a partir da metodologia de planejamento participativo. Ainda deve-se salientar que o plano territorial de territorial de desenvolvimento rural sustentável constitui-se a principal ferramenta de planejamento do programa territórios da cidadania, o qual não sendo alimentado segundo as visões e necessidades de todos os agentes, não está sendo utilizadas da forma adequadamente objetivada. Quando os atores não participam das decisões e planejamentos que ocorrem nesta fase, vem a ocorrer que estes, além de não exporem as suas particularidades e necessidades, não estarão sendo corresponsabilizados pelas decisões tomadas, oque por este motivo ou pelo inadequado dimensionamento das estruturas, haja vista a sua ausência, ocorrerá uma falta de comprometimento dos mesmos nas fases posteriores. A falta de participação dos beneficiários na fase de planejamento dos projetos fere intimamente aos princípios dos programas e projetos sociais, sendo que neste caso específico ________________________________________________________________________________12 Parnaíba, 06 a 08 de novembro de 2013, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural – VIII SBER Nordeste no que se trata dos projetos de infraestrutura, a falta da plena participação de todos os agentes nesta fase, acarretará no mau ou não funcionamento das mesmas, com evidência de deficiência na sua forma de implantação, execução e controle, não atingindo assim os objetivos esperados pelo programa. 3.2.2. Avaliação da fase de execução dos projetos Conforme oque corresponde os itens E1, E2 e E3, Para a avaliação da fase de execução dos projetos de infraestrutura, o sistema de gestão estratégica- SGE submete os dados referentes tabela 6 ao seguinte cálculo: E1 {[Σ(Q5_P33_Rn)+Σ(Q5_P34_Rn)+Σ(Q5_P39_R3)+(Σ(Q5_P42_R4))/4]/4} + E2 {[Σ(Q5_P35_Rn)+Σ(Q5_P36_Rn)+Σ(Q5_P37_Rn)+Σ(Q5_P41_Rn) +Σ(Q5_P59_Rn)]/6} + E3 {[Σ(Q5_P43_Rn)+Σ(Q5_P44_Rn)+(Σ(Q5_P54_RN))/5]/3} 3 Segundo os dados da tabela 5 confirmam, pode-se observar que para a fase de execução tanto para índice geral como para os itens que a compõem, obteve como resultado a classificação “regular”, para a maioria dos territórios. Tabela 5: Quadro de indicadores da avaliação da fase de execução dos projetos Sertão S. dos S. de Vale do Central Inhamuns Canindé Curu E1-Participação dos beneficiários 0, 570 0, 464 0, 378 0, 507 E2-Capacidade de execução 0, 445 0, 454 0, 428 0, 456 E3-Nível de funcionamento 0, 407 0, 584 0, 265 0, 518 Índice geral da fase de execução 0, 474 0, 501 0, 357 0, 494 Regular Regular Ruim Regular Classificação Fonte: Sistema de gestão estratégica-SGE, 2011, alterada e modificada. Como já dito anteriormente, para o sucesso destes projetos e consequente alcance dos objetivos do programa, a participação dos beneficiários, assim como dos demais membros devem ser plena em todas as fases, bem como na referida execução, no entanto mesmo havendo “regular” participação neste aspecto, a incoerência verificada quando comparada a fase de planejamento, prediz que, provavelmente a maioria de seus executores não planejou tais ações. ________________________________________________________________________________13 Parnaíba, 06 a 08 de novembro de 2013, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural – VIII SBER Nordeste O índice regular para a participação dos beneficiários na execução dos projetos é um fator que contribui diretamente, quando comparado a sua participação no planejamento, para que as estruturas dos mesmos estejam funcionando com capacidade ociosa, pois ao se partir deste princípio, considera-se que o acarretado pode ser tanto, a falta de afinidade dos mesmos, pois não planejaram tais projetos e por isso podem não estar sendo satisfatoriamente atendidos, como a falta de comprometimento, pois se não planejam, também não se tornam corresponsabilizados pelas ações que foram tomadas. A elevada participação das organizações locais no planejamento, e dos beneficiários somente na fase de execução, pode levar a ineficiente determinação das partes gestores principalmente dos projetos do cunho comunitário, como no caso das ensiladeiras móveis, kítis de inseminação, tanques de resfriamento de leite entre outros, que não havendo uma administração proba, resultará em projetos mal conduzidos e estruturas com o funcionamento comprometido. Somente o território sertões de Canindé teve classificação “ruim” para a fase de execução, oque se deve principalmente ao baixo índice de funcionamento aferido para este, no enteando deve-se ter atenção ainda que 34,48%, dos entrevistados na fase de planejamento alegaram que não se aplicavam a tais respostas, oque se por lógica se reflete na safe de execução, pode influenciar significativamente tal resultado, quando as mesmas poderiam ser positivas. 3.2.3. Indícios de impacto Esta fase preocupa-se em identificar a abrangência do resultado a partir do previsto e do que foi alcançado, para oque, o sistema de gestão estratégica-SGE, se utiliza do cálculo a partir das variáveis tabeladas, conforme se descreve abaixo: I1 {[Σ(Q5_P16_Rn) + Σ(Q5_P48_Rn) + Σ(Q5_P49_Rn)]/3} + I2 {[Σ(Q5_P47_Rn) + Σ(Q5_P51_Rn) + Σ(Q5_P56_Rn)]/3} + I3 {[Σ(Q5_P55_Rn) + Σ(Q5_P57_Rn)]/2} + I4 {[Σ(Q5_P52_Rn) + Σ(Q5_P53_Rn)]/2} 4 Os valores de 0,291, 0,331, 0,332, 0,356, para públicos atendidos pelos projetos nos territórios do Sertão Central, S. dos Inhamuns, S. de Canindé e Vale do Curu respectivamente, deve ser em primeira abordagem, intendido não como ineficiente no que diz respeito ao ________________________________________________________________________________14 Parnaíba, 06 a 08 de novembro de 2013, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural – VIII SBER Nordeste atendimento ocorrido com ocasião dos projetos, mas, antes se deve considerar que, determinadas regiões podem ou não apresentar percentual elevado de determinado público, oque seria explicativo, quando através de seus PTDRS, verifica-se a homogeneidade de público como trabalhadores autônomos da agricultura familiar. No entanto, conforme se vê na tabela 6, apesar desta justificativa ainda há de se frisar que, para quase todos os territórios houve classificação “ruim” para Tamanho do mercado coberto pelos projetos, oque induz a compreensão de que mesmo havendo propensão ao atendimento do público de autônomos, a média de públicos atendidos pelos projetos poderia ter sido mais diversificada se tal abrangência tivesse ocorrido de forma mais aberta. Tabela 6: Quadro de indícios de impacto dos projetos Sertão S. dos Central Inhamuns 0, 291 0, 331 S. de Canindé 0, 332 I1-Públicos atendidos pelos projetos I2-Impactos positivos na qualidade de 0, 555 0, 472 0, 303 vida dos beneficiários I3-Tamanho do mercado coberto pelo 0, 474 0, 313 0, 234 projeto I4-Impactos positivos nas condições 0, 428 0, 372 0, 231 socioeconômicas Índice geral de impacto dos projetos 0, 412 0, 372 0, 275 Regular Ruim Ruim Classificação Fonte: Sistema de gestão estratégica-SGE, 2011, alterada e modificada. Vale do Curu 0, 356 0, 472 0, 339 0, 364 0, 383 Ruim Segundo o que se observa na tabela, a classificação é “regular” para os Impactos positivos na qualidade de vida dos beneficiários na maioria dos territórios, os quais alegaram que de 35 a 100% houve determinada melhoria neste aspecto, pelo que, mesmo não sendo uma classificação esperada e não havendo efetiva participação dos mesmos nas fases avaliadas anteriormente, denota-se que, os objetivos do programa foram parcialmente alcançados. Parcialmente, pois, sendo os objetivos do programa melhorar a qualidade de vida dos beneficiários e fomentar atividades diversas que propulsione a melhoria das relações socioeconômicas em torno do território, verifica-se com base na classificação obtida como “ruim” para os valores de 0, 428, 0, 372, 0, 231, 0, e 364 dos Impactos positivos nas condições socioeconômicas nos territórios do Sertão Central, S. dos Inhamuns, S. de Canindé ________________________________________________________________________________15 Parnaíba, 06 a 08 de novembro de 2013, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural – VIII SBER Nordeste e Vale do Curu respectivamente, que a abrangência dos projetos se deu somente quase que completamente de modo vertical em torno do território. Quando se fala em impactos horizontais, diz-se que indiretamente, as pessoas que não são beneficiárias diretas dos projetos, seriam favorecidas através das relações desenvolvidas no território, tanto através das atividades produtivas, como pelo apoio a assistência técnica e infraestrutura de bem comunitário como passagens molhadas entre outros que mediante ao índice obtido, revelam que não houve significativo desenvolvimento no que diz respeitos as possibilidades de formação de alianças, a saber, entre as instituições do Território e a comunidade; entre os diversos atores do Território; entre os produtores; entre instituições locais e estaduais e de acordos entre os distintos interesses. 3.2.4. Indicadores gerais de gestão dos projetos Conforme SGE (2011, p.34), a avaliação da fase de gestão trata-se de um grupo de indicadores que agrega resultados dos anteriores e foca-se em quatro variáveis chaves para a gestão territorial de projetos: participação, capacidade de gestão, público atendido e impactos positivos do projeto, assim conforme demostra-se a partir de escrituração da metodologia de cálculo para a avaliação da fase de gestão dos projetos. G1 {(Participação dos Beneficiários na Fase de Planejamento do Projeto +Participação dos Beneficiários na Fase de Execução do Projeto) / 2} + G2 {(Capacidade de execução do Projeto + Capacidade de execução do Projeto) / 2} + G3 {(Organizações Locais apoiadas pelos Projetos + Públicos Atendidos pelos Projetos + Tamanho do Mercado Coberto pelo Projeto) / 3} + G4 {(Atividades socioeconômicas atendidas pelo projeto + Impactos Positivos na Qualidade de Vida dos Beneficiários + Impactos Positivos nas Condições Sócio-Politico-Econômicas Territoriais) / 3} 4 Mediante o cálculo acima se pode perceber no item G1 e G2 (que na tabela 7 corresponde à avaliação da participação dos beneficiários e Capacidade de gestão dos projetos), que a avaliação da gestão está baseada na integração entre as fases de planejamento e de execução dos projetos, confirmando a ideia de que bons gestores de projetos com foco na participação são aqueles que não só executam como também participam do processo de planejamentos dos projetos. Tabela 7: Quadro de indicadores da avaliação da gestão dos projetos Sertão S. dos Central Inhamuns S. de Canindé Vale do Curu ________________________________________________________________________________16 Parnaíba, 06 a 08 de novembro de 2013, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural – VIII SBER Nordeste G1-Participação dos beneficiários G2-Capacidade de gestão G3-Variação do público atendido G4-Impactos positivos para o desenvolvimento territorial 0, 415 0, 454 0, 314 0, 375 0, 434 0, 281 0, 308 0, 354 0, 200 0, 395 0, 465 0, 306 0, 400 0, 366 0, 266 0, 355 0, 396 0, 365 0, 282 0, 380 Indicador geral da gestão Ruim Ruim Ruim Ruim Classificação Fonte: Sistema de gestão estratégica-SGE, 2011, alterada e modificada. Já com base nos os itens G3 e G4, verifica-se que a baixa classificação do público atendido, bem como dos impactos ocasionados pelos projetos, traduzem-se em uma má capacidade de gestão dos projetos, principalmente no que diz respeito ao sei modo de planejamento, denotando-se de baixa de inclusão social tanto no próprio processo, quando nas relações objetivadas em torno do território. Quanto ao modo de execução dos projetos pode-se atestar com base nos índices anteriores, que apesar de exercer total influencia na capacidade ociosa de funcionamento dos projetos, quando executando os projetos os beneficiários não tiveram participação expressiva em seu planejamento, este não possui influência negativa na classificação da avaliação dos itens G1, G2, G3 e G4 da tabela 8. Desta forma para se explicar a classificação “ruim” obtida na avaliação geral da fase de gestão dos projetos em todos os territórios, é salutar a observação da tabela 8, na qual se observa que mesmo quando a fase de execução é considerada regular, a forma com que se deu o planejamento dos projetos, compromete não só o indicador da gestão, mais também confirma que uma esta sendo realizada de modo aleatório, teve grande influencia no comprometimento da capacidade de funcionamento de parte dos projetos de infraestrutura. A tabela 8 abaixo mostra a comparação da classificação geral dos indicadores para cada uma das fases dos projetos, e demonstra que a classificação sugerida pelo sistema foi “ruim” para quase todas elas. Tabela 8: Quadro de classificação geral dos indicadores Sertão S. dos S. de Vale do Central Inhamuns Canindé Curu Ruim Ruim Ruim Ruim Avaliação do planejamento Regular Regular Ruim Regular Avaliação da execução Ruim Ruim Ruim Ruim Avaliação da gestão Regular Ruim Ruim Ruim Indícios de impactos Fonte: Fonte: Sistema de gestão estratégica-SGE, 2011, alterada e modificada. ________________________________________________________________________________17 Parnaíba, 06 a 08 de novembro de 2013, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural – VIII SBER Nordeste Há neste momento, de se voltar a atenção para a fase de execução, pois esta demostra aspectos relevantes no âmbito do monitoramento dos projetos, como por exemplo, aa maneira de como a forma com que havendo incoerência entre esta e o planejamento, torna explícita a deficiente gestão realizada sobre os projetos. O outro fator é que, quando a execução dos projetos classifica-se como regular, e por outro lado a um percentual elevado de estrutura funcionando com capacidade ociosa nos territórios, certifica-se de que a capacidade de executar os projetos era tão incipiente para os beneficiários, quanto a classificação geral da fase de gestão. A problemática referente as baixas classificações das fases, indícios de impactos bem como a gestão realizadas nos projetos de infraestrutura visualizada para o estado do Ceará não se apresenta de forma particular, quando pode-se verificar numa análise comparativa do estado do Ceará com os demais estados do nordeste, que não há uma diferença significativa entre estes em termos de classificação geral. Assim para todas as classificações observadas abaixo na tabela 9, se verifica apenas a classificação “boa” para o estado de maranhão referente a fase de execução, oque reforça a ideia de incoerência entre esta e a fase de planejamento, com efeito em sua gestão, a qual se apresenta classificada como “ruim”. Tabela 9: Comparativa entre os Índices e classificações das fases dos projetos dos estados do nordeste R. G. do Alagoas Bahia Ceará Pernambuco Paraíba Maranhão * Norte 0,410 0,403 0,304 0,343 0,262 0,274 0,381 P Regular Regular Ruim Ruim Ruim Ruim Ruim 0,480 0,513 0,456 0,578 0,577 0,651 0,356 E Bom Regular Regular Regular Regular Regular Ruim 0,274 0,368 0,360 0,471 0,356 0,339 0,161 I Ruim Ruim Ruim Regular Ruim Ruim Crítico 3, 00 0,439 0, 355 0,419 0,360 0,323 0,330 G Ruim Regular Ruim Regular Ruim Ruim Ruim Fonte: Sistema de gestão estratégica-SGE, 2011, alterada e modificada. *P-Avaliação do planejamento, E-Avaliação da execução, I- Indícios de impactos, GAvaliação da gestão. Verifica-se então que a região nordeste apresenta apenas um estado com classificação “ruim” para a fase de execução dos projetos, ao mesmo tempo em que a sua baixa classificação para a fase de planejamento e menor ainda para os indícios de impactos que chegando a “crítico”, demostram a inconsistência de sua gestão e testificam da veridicidade ________________________________________________________________________________18 Parnaíba, 06 a 08 de novembro de 2013, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural – VIII SBER Nordeste dos resultados de classificação “ruim” dos índices gerais de gestão para a maioria dos estados nordestinos. 4. CONCLUSÃO Verifica-se que o território sertão de Canindé tenha sido o único que obteve classificação “ruim” para todos os seus indicadores, e que o território sertão central apresentase como o que obteve melhores resultados com classificação regular para duas de suas fases, no entanto para todos os territórios avaliados não se verificou “boa” ou “ótima” classificação para as fases analisadas. Pode-se dizer no que diz respeito ao Empoderamento e inclusão social da população beneficiada, que os objetivos dos programas não foram em partes cumpridos, quando se observa a forma aleatória com que se deu a gestão dos projetos, nem ainda a possibilitou melhorias significativas das relações socioeconômicas de impactos indiretos em todos os territórios através das atividades desencadeadas na execução dos projetos. No entanto no que diz respeito à melhoria da qualidade de vida da população beneficiária, pode dizer que os objetivos do programa tem sido também em partes alcançados pois os entrevistados alegaram que de 35 a 100% houve melhoria na qualidade de vidas dos beneficiários por ocasião dos projetos. Conclui-se com base nas análises realizadas anteriormente que, a falta da plena participação dos beneficiários em todas as fases, compromete a gestão, bem como capacidade de funcionamento de suas estruturas dos projetos. Verifica-se ainda que a metodologia de planejamento participativo constitui-se como primordial para o sucesso em suas fases conseguintes, pois é nesta fase, que as partes tomam conhecimento de suas responsabilidades e da importância de seu comprometimento na gestão dos projetos. Assim, o necessário não é que sejam inseridas novas metodologias de planejamento e abordagem social do programa, mas sim que sejam cumpridas por parte do colegiado territorial e demais membros participantes, o que através da integração de agentes venha a sanar tais necessidades, e possibilitar que sejam atingidos os objetivos primordiais do programa. Desta forma, ainda há de se frisar que, o Estado do Ceará, sendo objeto de análise desta presente pesquisa, demonstra resultados de avaliação que, apesar de insatisfatórios, não são particularmente diferentes aos demais estados nordestinos. ________________________________________________________________________________19 Parnaíba, 06 a 08 de novembro de 2013, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural – VIII SBER Nordeste REFERÊNCIAS BRACAGIOLI NETO, Alberto, GEHLEN, Ivaldo, OLIVEIRA, Valter Lúcio de. Planejamento e Gestão para o Desenvolvimento Rural. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2010. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/cursopgdr/downloadsSerie/derad013.pdf>. Acesso em: 26 de jun. de 2013. BARBOSA, Ricardo Machado. Monitoramento e avaliação de projetos sociais. 2001. 54 f. Trabalho de Conclusão (Especialização) - Curso de Desenvolvimento Rural e Agroecologia, Departamento de Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Rural, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2001. Disponível em: <http://www.emater.tche.br/site/arquivos_pdf/teses/mono_ricardo_barbosa.pdf>. Acesso em: 05 de jun. 2013. CEARÁ. Célula de Acompanhamento e Informação – CAI/SDT/MDA/CNPq/UFC. Relatório analítico: A realidade do território Inhamuns/Crateús - CEARÁ. Crateús, 2011. 140 p. CEARÁ. Célula de Acompanhamento e Informação – CAI/ SDT/MDA/ CNPq/UFC. Relatório analítico: primeiro ciclo da pesquisa no território sertões de Canindé Ceará. Canindé, 2011. 251 p. CEARÁ. Célula de Acompanhamento e Informação – CAI/ SDT/MDA/CNPq/UFC. Relatório analítico: primeiro ciclo da pesquisa no território Sertão Central - Ceará. Quixadá, 2011. 170 p. CEARÁ. Célula de Acompanhamento e Informação – CAI/SDT/MDA/CNPq/UFC. Relatório analítico: Território Vales do Curu e Aracatiaçu. Fortaleza, 2011. 260 p. FILGUEIRAS, Araguacy Paixão Almeida et al. Avaliação e monitoramento de projetos de investimento: análise comparativa entre territórios rurais cearenses. In: SOBER NORDESTE, 7., 2012, Ilhéus. Políticas publicas, agricultura e meio ambiente. Ilhéus: SOBER, 2012. v. 1, p. 1 17. Disponível em: <http://sge.mda.gov.br/bibli/documentos/tree/doc_78-13-11-2012-16-23-327936.pdf. Acesso em: 10 de maio de 2013. BRASIL. Ministério do desenvolvimento Agrário. Secretaria de desenvolvimento territorial. Relatório de Avaliação de Projetos de Investimento: Território: Inhamuns Crateús - CE. Crateús CE. 3 p. Disponível em: <http://sge.mda.gov.br/report/ind_jr/ind_r12?&formato=pdf&aval_abrangencia=T®=2&uf =CE&ter=49>. Acesso em: 10 de abr. de 2013. SECRETARIA DO DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL-SDT/MDA, SISTEMA DE GESTÃO ESTRATÉGICA. MDA/SDT. Disponível em: http://sge.mda.gov.br/sge/index.html (Acesso contínuo). ________________________________________________________________________________20 Parnaíba, 06 a 08 de novembro de 2013, Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural – VIII SBER Nordeste