www.brasileconomico.com.br mobile.brasileconomico.com.br João Laet TERÇA-FEIRA, 15 DE JUNHO, 2010 | ANO 2 | Nº 202 | DIRETOR RICARDO GALUPPO | DIRETOR ADJUNTO COSTÁBILE NICOLETTA Publicidade Martin Sorrell, diretor-geral da WPP, planeja novas aquisições no Brasil. ➥ P32 Seleção brasileira faz o primeiro jogo na Copa da África do Sul rumo ao hexa Aeroportos O Brasil precisa de R$ 30 bilhões para melhorar a infraestrutura até 2030. ➥ P15 R$ 3,00 Celulose Eldorado, da JBS, projeta três fábricas em MS com aportes de mais de R$ 10 bilhões. ➥ P33 Governo pode subir juros do BNDES para esfriar a economia Convencida de que o crescimento do PIB já deve ultrapassar os 7%, a equipe econômica estuda encarecer a taxa de crédito para a compra de máquinas pela indústria como medida para conter o superaquecimento. ➥ P4 Marcelo Regua/O Dia Dissídios vão injetar cerca de R$ 10 bilhões no consumo Negociações de reajustes das principais categorias de trabalhadores vão engordar em 30% a massa salarial no segundo semestre. Renda extra vai para consumo de bens e serviços, mas ainda não é vista como um fator de pressão inflacionária este ano. ➥ P12 Pão de Açúcar planeja lucrar também com fretes Henrique Manreza Rede varejista deve lançar, no segundo semestre, serviço de transporte para seus fornecedores. A ideia é usar a capacidade ociosa da frota para oferecer preços mais atraentes à indústria. Segundo Carlos Eduardo Botana, gerente-geral de distribuição do Pão de Açúcar, a empresa quer conquistar pelo menos 10% dos 1,8 mil fornecedores. Comprar caminhões ou fazer sinergia com a Casas Bahia estão em análise. ➥ P22 Equipe comandada pelo técnico Dunga enfrenta hoje, às 15h30, a Coreia do Norte, em Joanesburgo. Dúvidas no time durante o período de preparação, o meia Kaká, o goleiro Júlio César e o atacante Luis Fabiano estão confirmados entre os titulares na estreia do Brasil. ➥ P46 BM&FBovespa revisa fundo que indeniza investidor em caso de erro da corretora Bolsa contratou a FGV para determinar qual deve ser o patrimônio máximo do Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos. O fundo, cujos recursos vêm das corretoras, tem hoje R$ 356 milhões, mas pagou indenizações de apenas R$ 848 mil no ano passado inteiro. ➥ P36 INDICADORES ▼ ▼ ▲ ▲ ▼ ■ ▼ ▼ ▲ ▲ ▼ ▲ TAXAS DE CÂMBIO Dólar Ptax (R$/US$) Dólar comercial (R$/US$) Euro (R$/€) Euro (US$/€) Peso argentino (R$/$) JUROS Selic (a.a.) BOLSAS Bovespa Dow Jones Nasdaq FTSE 100 S&P 500 Hang Seng 14.6.2010 COMPRA VENDA 1,8030 1,8022 1,8080 1,8060 2,2081 2,2070 1,2247 1,2246 0,4596 0,4586 META EFETIVA 10,15% 10,25% VAR. % ÍNDICES -0,11 63.532,85 -0,20 10.190,89 0,02 2.243,96 5.202,13 0,74 1.089,63 -0,18 0,90 20.051,91 2 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 NESTA EDIÇÃO Henrique Manreza Em alta Aeroportos precisam de R$ 30 bilhões É o que revela estudo encomendado pelo BNDES à McKinsey & Company. Entre os 20 principais aeroportos brasileiros, 13 apresentam algum tipo de gargalo. ➥ P15 Henrique Manreza O atraente mercado da projeção digital Centauro Cinema, especializada em instalações de salas de exibição, entra na disputa pelo fornecimento de tecnologia digital aos cinemas de todo o país. ➥ P20 Editoras distribuem livro eletrônico Empresa de frete do Pão de Açúcar atenderá fornecedor A rede varejista irá oferecer o serviço a seus fornecedores, disponibilizando uma frota terceirizada de 1.350 caminhões que prestam serviços de entrega com exclusividade para o grupo. “É comum que um caminhão faça sua entrega e volte vazio para se abastecer novamente. Em vez de retornar sem mercadoria, pode passar em um fornecedor próximo e retornar abastecido”, exemplifica Carlos Eduardo Botana, gerente-geral de distribuição da rede. Ele acredita que a venda de frete para 180 fabricantes, do total de 1.800 que fornecem produtos para o grupo, já garantirá alguma rentabilidade. ➥ P22 Pré-sal pode provocar fusões na cadeia petrolífera APP projeta fábrica de celulose no país Divulgação Até agosto, Geraldo Ferreira, diretor-geral da Cathay, subsidiária no Brasil, apresenta o projeto aos executivos chineses. Posteriormente, haveria uma fábrica de papel. ➥ 28 Cidade Limpa não vale para candidatos Advogado Alberto Rollo, especialista em direito eleitoral, alerta que, por ser de âmbito municipal, a Lei Cidade Limpa perde para as legislações estadual e federal. ➥ P11 Dissídios injetam R$ 10 bi na economia Metalúrgicos, comerciários e bancários estão entre as categorias com reajuste no segundo semestre. Na construção civil, houve aumento real de 2,4%. ➥ P12 Estudo da consultoria Ernst & Young constata que boa parte dos negócios acontecerá entre companhias já presentes no mercado brasileiro, envolvendo fornecedores de bens e serviços, com a liderança das empresas estrangeiras interessadas em nacionalizar a produção. Carlos Alberto de Assis, especialista em energia da consultoria, lembra que o setor brasileiro de petróleo receberá investimentos diretos de US$ 190 bilhões até 2013, incluindo os desembolsos da Petrobras e demais petrolíferas do país e fornecedores de bens e serviços. Os negócios serão em menor número mas com maiores volumes de recursos. ➥ P16 Vivo, Suvinil, STB, Cavalera, Votorantim Cimentos e Tigre engrossam a lista de empresas patrocinadoras do projeto A gente transforma idealizado pelo arquiteto Marcelo Rosenbaum, e cuja primeira ação de grande porte será desenvolvida no Parque Santo Antônio, zona sul da capital paulista. Com a ajuda direta das empresas, estão sendo investidos R$ 1,8 milhão para pintar as casas da comunidade e construir uma biblioteca. “É uma ação coletiva rentável para todo mundo. Não queremos dar algo pronto, existe uma troca com as pessoas da comunidade, que expressam seus desejos”, explica Rosenbaum, que vê na iniciativa “um grande futuro”. ➥ P26 BM&FBovespa tenta atrair empresas Leandro Ferreira Meta, de acordo com Edemir Pinto, presidente da bolsa, é levar 200 novas empresas para o pregão em cinco anos, elevando em 43% o número atual de 467 listadas. ➥ P36 Uberaba terá fábrica de amônia A viabilização do empreendimento da Petrobras dependerá da construção de um gasoduto até a cidade do Triângulo Mineiro, pela estatal estadual Cemig. ➥ P25 Intelig e Diveo reforçam estratégia A operadora e a fornecedora de infraestrutura de telecomunicações têm como arma pacotes competitivos para conquistar a pequena e média empresa. ➥ P30 Antonio Milena Projeto A gente transforma inclui comunidade e empresas Objetiva, Sextante, Rocco e Planeta criam uma distribuidora de livros digitais e firmam o primeiro contrato com a Livraria Cultura, disponibilizando 100 títulos. ➥ P24 Softway a caminho do mercado externo WPP elege o Brasil como prioridade Criador, em 1996, da empresa de TI de gerenciamento de importação e exportação, o professor Israel Geraldi planeja aquisições e fortalecer vendas no exterior. ➥ P18 Com expansão de 2% em 2009, país foi um dos poucos em que a receita do grupo publicitário cresceu. Após comprar a Mídia Digital e i-Cherry, pensa em mais aquisições. ➥ P32 Lula deve vetar 7,7% para aposentados Cheques compensados com rapidez Presidente foi convencido pelos ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Paulo Bernardo, do Planejamento. O anúncio coincide com a estreia do Brasil na Copa. ➥ P14 A transmissão desses documentos de forma eletrônica entre instituições financeiras deve levar à redução dos prazos de compensação, que chegam a quatro dias. ➥ P41 Jochen Eckel/Bloomberg A FRASE “A Rússia precisa de uma nova glasnost” Mikhail Gorbachev, ex-primeiro-ministro soviético, responsável pela glasnost (abertura) do regime comunista na antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). O ex-líder acrescentou que, se o país não se tornar mais democrático, sua modernização não será bem-sucedida. Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 3 EDITORIAL Nacho Doce/Reuters GISELE BÜNDCHEN, MODELO Banho de água fria na economia superaquecida O rápido crescimento da economia brasileira começa a preocupar a equipe econômica do governo. Para amainar a recuperação e, principalmente, afastar a possibilidade de uma subida incômoda da inflação, o governo estuda algumas medidas, digamos, de desestímulo. Uma delas, segundo confidenciou ao BRASIL ECONÔMICO um representante do alto escalão da equipe econômica, é aumentar os juros cobrados pelo Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Criado em julho do ano passado, justamente como uma medida de estímulo para a economia, o PSI foi um sucesso. Com juros baratos, de 4,5% ao ano, a produção de máquinas e equipamentos, assim como a venda de caminhões, incluídos no programa como bens de capital, subiu bastante. No primeiro trimestre deste ano, a fabricação de máquinas e equipamentos cresceu 25,6% quando comparada à de igual período de 2009. As vendas de caminhões pesados e semipesados devem bater recordes este ano, estimam as montadoras. Criado em julho do ano passado como medida de estímulo, o PSI com juros de 4,5% foi um sucesso Os empresários, claro, opõem-se ao aumento dos juros, que devem subir acima dos 5,5% previstos para julho. “O melhor meio de combater o superaquecimento do consumo é aumentar o investimento”, diz Julio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda. “Pela primeira vez, o Brasil tem taxas semelhantes ao resto do mundo para financiar investimento”, afirma Carlos Nogueira, diretor de financiamentos da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). O governo, no entanto, tem mostrado sinais de que realmente está disposto a frear a economia. Eliminou as medidas que haviam relaxado os depósitos compulsórios, subiu duas vezes a taxa Selic e agora propõe mudar os juros do PSI. Sua expectativa, como publicamos a partir da página 4, é controlar o aumento da atividade econômica. Oficialmente, a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano ainda está em 5,5%, mas o Ministério da Fazenda já assumiu publicamente que deve chegar a 6,5%. ■ Garota-propaganda da Colcci, Gisele Bündchen foi a atração máxima da São Paulo Fashion Week no domingo. “Para não estagnar, estamos criando novos produtos, como a linha juvenil”, diz Alexandre Menegotti, dono da AMC Têxtil, detentora da marca Colcci. ➥ P34 Diretor de Redação Ricardo Galuppo Diretor Adjunto Costábile Nicoletta [email protected] BRASIL ECONÔMICO é uma publicação da Empresa Jornalística Econômico S.A. Presidente do Conselho de Administração Maria Alexandra Mascarenhas Vasconcellos Diretor-Presidente José Mascarenhas Diretor-Vice-Presidente Ronaldo Carneiro Diretores Executivos Alexandre Freeland e Ricardo Galuppo Redação, Administração e Publicidade Avenida das Nações Unidas, 11.633 - 8º andar, CEP 04578-901, Brooklin, São Paulo (SP), Tel. (11) 3320-2000. Fax (11) 3320-2158 Editores Executivos Arnaldo Comin, Fred Melo Paiva, Gabriel de Sales, Jiane Carvalho, Thaís Costa Produção Editorial Clara Ywata Editores Fabiana Parajara e Rita Karam (Empresas), Carla Jimenez (Brasil), Cristina Ramalho (Outlook e FS), Laura Knapp (Destaque), Marcel Salim (On-line), Márcia Pinheiro (Finanças) Subeditores Claudia Bozzo (Brasil), Estela Silva, Isabelle Moreira Lima (Empresas), Luciano Feltrin (Finanças), Maeli Prado (Projetos Especiais), Phydia de Athayde (Outlook e FS) Repórteres Amanda Vidigal, Ana Paula Machado, Ana Paula Ribeiro, Bárbara Ladeia, Carlos Eduardo Valim, Carolina Alves, Carolina Pereira, Cintia Esteves, Claudia Bredarioli, Conrado Mazzoni, Daniela Paiva, Denise Barra, Domingos Zaparolli, Dubes Sônego, Elaine Cotta, Fabiana Monte, Fábio Suzuki, Françoise Terzian, Gabriel Penna, João Paulo Freitas, Juliana Elias, Karen Busic, Luiz Henrique Ligabue, Luiz Silveira, Lurdete Ertel, Marcelo Cabral, Maria Luiza Filgueiras, Mariana Celle, Mariana Segala, Marina Gomara, Martha S. J. França, Michele Loureiro, Micheli Rueda, Natália Flach, Natália Mazzoni, Nivaldo Souza, Paulo Justus, Pedro Venceslau, Priscila Machado, Regiane de Oliveira, Ruy Barata Neto, Thais Folego, Vanessa Correia Brasília Simone Cavalcanti, Sílvio Ribas Rio de Janeiro Daniel Haidar, Ricardo Rego Monteiro Arte Pena Placeres (Diretor), Betto Vaz (Editor), Cassiano de O. Araujo, Evandro Moura, Letícia Alves, Maicon Silva, Paulo Argento, Renata Rodrigues, Renato B. 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Uma das ideias que começa a ser discutida dentro da área econômica é encarecer a linha de empréstimos para um patamar além dos 5,5% já previstos para julho. Atualmente o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) cobra juro 4,5% ao ano para financiamentos à produção e aquisição de bens de capital. Uma taxa negativa vez que a inflação oficial em 12 meses encerrados em maio é de 5,22%. Muito embora funcionem como injeção na veia para a ampliação da capacidade instalada e, consequentemente da produção –o que é fundamental para reduzir pressões inflacionárias – integrantes do governo julgam que a reação ao estímulo dado foi forte demais e a economia já está tremendo no ritmo atual. “Não dá para manter esse ritmo de aquecimento. Se pensarmos que é preciso arrefecer para chegar aos 6%, pois temos sérios gargalos de infraestrutura, ou vamos diminuir o financiamento ou aumentar mais um pouco o juro dele”, disse ao BRASIL ECONÔMICO integrante do primeiro escalão do governo para quem a capacidade ocupada da indústria está em um bom nível, o que significa que há um pouco de folga. “Ainda é possível usar o banco de horas ou aumentar os turnos de produção”. A alta de 9% no Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre do ano em relação ao mesmo período de 2009 surpreendeu a tal ponto a área econômica que fez o Ministério da Fazenda externar a projeção de expansão do produto de 6,5%. Esse percentual, até antes da divulgação das contas nacionais pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), era discutido apenas internamente. Alavanca forte Criado em julho do ano passado como parte de um conjunto de medidas para levantar a economia brasileira, que patinou em razão da crise financeira in- Integrantes do governo julgam que a reação ao estímulo dado foi forte demais e a economia já está tremendo no ritmo atual ternacional, o PSI foi um sucesso. O financiamento barato fez com que a produção de máquinas e equipamentos no Brasil se recuperasse de forma rápida e disseminada, crescendo 25,6% no primeiro trimestre de 2010 ante igual etapa de 2009. Os desembolsos do BNDES nos primeiros quatro meses do ano só para esse fim foram de R$ 15,6 bilhões, 133% a mais do que de janeiro a abril do ano passado. Um ponto que está sendo destacado por integrantes do governo e que também pode ser modificado é o financiamento para a compra de ônibus, caminhões, carretas e outros que, por força da conjuntura à época, também entraram no PSI para bens de capital. Pelo cronograma ajustado no início deste ano, a taxa de juro de 4,5% ao ano para esses tipos de empréstimos seguiria neste nível até o final de 2010. Hoje a avaliação é outra: “No caso de automóveis já passamos muito de simples recuperação. No de caminhões, A Mercedes-Benz está vendendo mais aqui do que na Alemanha”, observou a mesma fonte. As mudanças ainda serão discutidas com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, que estava fora do país até o final de semana passado. A conversa englobará também os integrantes do Tesouro Nacional, que equaliza os juros e ainda tem gerado o funding ao banco público. “O problema não é dinheiro. Isso tem para mais um tempo”, enfatiza um técnico do governo. “A questão é o aquecimento econômico que está muito forte”. ■ Governo avalia que país já passou da fase de recuperação e precisa ajustar o crédito para diminuir apetite das indústrias TRÊS PERGUNTAS A... Felipe Rau/AE dificilmente será impactado por medidas do governo, na avaliação do especialista Amir Khair. Para ele, mesmo a alta de juros conduzida pelo Banco Central terá pouco efeito, dado o aumento da confiança e da concorrência entre bancos. ...AMIR KHAIR Especialista em contas públicas Poucas saídas para conter o crescimento Por estar fortemente ligado ao consumo das famílias, o crescimento econômico brasileiro O que o governo pode fazer para reduzir o crescimento? É preciso reprimir a demanda, que é composta por 20% de investimentos e o restante em consumo. Quando se fala em investimento, 90% é privado e vem crescendo acima do PIB. Em se tratando de consumo, as famílias respondem por 75% e o restante é do governo. Do total gasto pelo governo, 57% vem da União, e o restante dos estados e municípios. A União tem pouca margem de manobra, porque 90% de seus gastos são praticamente engessados pela Constituição ou já contratados anteriormente. Então só restam 10% para cortar. Isso representaria1,4% da demanda do país e teria pouco efeito sobre o crescimento. É possível conter o consumo das famílias? Depende de dois fatores: massa salarial e oferta de crédito. Os salários crescem junto com a economia e dificilmente o governo deve abandonar a política de valorização salarial e a constituição estabelece a irredutibilidade dos salários. Já a oferta de crédito deve crescer 20% neste ano por causa da confiança dos bancos. Tudo contribui para o forte crescimento do consumo das famílias. Seria possível, ou até desejável, conter o crescimento baseado nas expectativas? É inevitável que o investimento cresça porque as empresas não vão perder essa oportunidade. Os estrangeiros estão entrando e tudo contribui para mais entrada de capital no país. Paulo Justus Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 5 LEIA MAIS A agricultura familiar continua contando com juros mais baixos que no PSI, o que motivou a Case IH, da Fiat, a nacionalizar a produção de tratores de baixa potência. No mercado, juros para a compra de máquinas estão na casa dos 20% ao ano. Para Abimaq, forte alta dos juros do PSI poderia derrubar retomada de investimento em produção. Montadoras devem bater recorde de vendas de caminhões, principalmente de pesados e semipesados. Um dos setores que puxaram a alta foi o de mineração. esfriar a indústria OUTRO LADO Henrique Manreza Empresas querem manutenção do benefício As taxas de juros mais amigáveis responderam por cerca de 20% do faturamento de R$ 70 bilhões do setor de máquinas e equipamentos no ano passado, segundo a Associação Brasileira da Industria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). O Programa de Sustentação do Investimento (PSI) contratou em um ano, até junho de 2010, R$ 62,2 bilhões para venda de máquinas, equipamentos, ônibus, caminhões e projetos de exportações, pesquisa e desenvolvimento, sendo que R$ 31,3 bilhões foram somente para bens de capital. Agora o governo pretende mudar o programa, e não é o que querem os empresários, que pedem sua prorrogação para além de 2010. O vice-presidente da Abimaq, Carlos Nogueira, disse que vai haver pressão para ampliar a duração do financiamento. “Nossa avaliação é que, se não houvesse o PSI, muitas empresas estariam em dificuldades muito sérias. Muitas estão investindo exclusivamente porque temos taxas de juros humanas”. Mas, como o juro do PSI chega a no máximo 9% ao ano, o governo paga mais caro para se endividar, já que a taxa Selic é de 10,25%. Teve de aumentar a emissão de títulos da dívida pública, atrelados à Selic, para custear os empréstimos do PSI. Mesmo com o consumo doméstico aquecido, os mecanismos para esfriar a demanda não são consenso. O economista Julio Gomes de Almeida, ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, diz que incentivar o investimento, como faz o PSI, é uma forma de combater a inflação, então não há razão para alterar esse benefício. “O melhor meio de combater o superaquecimento do consumo é aumentar o investimento”, diz. Estimativas para o PIB não param de subir Governo e mercado elevam suas projeções de crescimento O fim das medidas que haviam relaxado os depósitos compulsórios, as duas altas consecutivas da taxa Selic e a proposta de mudança no patamar de juro do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) são variações sobre o mesmo tema: a expectativa de controlar o aumento da atividade econômica, diante de uma inércia favorável ao consumo desde o ano passado. Embora a projeção oficial do governo - usada para estimar receitas e despesas da União em 2010- ainda seja de 5,5% de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o Ministério da Fazenda já assumiu publicamente 6,5%. O Banco Central, por sua vez, anunciou que também elevará sua estimativa, atualmente em 5,8%. Diante dos indicadores industriais que apontam para a utilização da capacidade instalada em 85%, e excesso de otimismo com o futuro por parte dos empresários, integrantes de outras pastas da área econômica já consideram até uma alta de 7% para o PIB em linha com analistas do mercado financeiro - ontem a pesquisa Focus elevou Integrantes do governo já falam em alta de 7%, enquanto pesquisa Focus aumenta pela 13ª vez sua estimativa, para 6,99% pela décima terceira vez a projeção de alta do PIB, para 6,99%. Carlos Eduardo Gonçalves, professor da FEA-USP, avalia que a alta de juros é insuficiente para atenuar o consumo acelerado. “Não é aí que precisa apertar o ‘torniquete’. É necessário retirar os estímulos excessivos ao crédito do BNDES, com juros até negativos”, diz. “É crédito barato que aquece a economia.” Os integrantes do governo ainda julgam como incertos alguns movimentos tanto internos quanto externos. Não se sabe ao certo qual o impacto de resfriamento que o fim das desonerações pode gerar, da mesma forma que, no ano passado, não era possível mensurar o potencial de reação que teria a injeção governamental na economia. Incerteza igual existe em relação à crise europeia e seus efeitos, quanto pode arrefecer as exportações. Seja como for, Gonçalves explica que o déficit externo, grande preocupação do mercado, é inevitável no contexto atual, quando os emergentes estão em crescimento e o resto do mundo, não. ■ C.J. e S. C. 6 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 DESTAQUE CONJUNTURA Trator mais barato para produtor familiar muda foco do grupo Fiat Com juros inferiores aos do PSI, programa Mais Alimentos respondeu por 60% das máquina vendidas no país em 2009 e motivou subsidiária Case IH a antecipar nacionalização de modelos de baixa potência Divulgação Luiz Silveira O Farmall 80 cavalos é o primeiro trator de pequeno porte nacionalizado pela Case IH: agricultura familiar passa à margem de mudanças no PSI porque já tinha taxas mais atraentes [email protected] Os programas de juros subsidiados para a compra de máquinas agrícolas pelos produtores familiares estão alterando as estratégias da Case IH, uma das marcas de máquinas agrícolas do grupo Fiat. Focada em grandes máquinas e tratores de alta potência, a companhia quer crescer no mercado de tratores pequenos. Não é para menos. No ano passado, o programa Mais Alimentos, que financia tratores de até 80 cavalos para a agricultura familiar, representou nada menos que 60% das unidades vendidas no país, pelas contas do gerente comercial da Case, César Di Luca. Foram 28 mil dos 47 mil tratores de 2009. Os juros do Programa de Sustentação de Investimento (PSI) foram atraentes para os grandes e médios produtores rurais, mas a agricultura familiar já contava com taxas de juros inferiores aos 4,5% oferecidos no PSI. O Mais Alimentos, por exemplo, tem taxa de 2% ao ano, com carência de até três anos e prazo de pagamento de até uma década. Considerando que as taxas de juros para a agricultura não sofrerão aumento, como garantiu no último dia 7 o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, o programa continua atrativo. “O aumento do juros do PSI não terá efeito nenhum sobre as compras da agricultura familiar e tende a afetar pouco o agronegócio”, prevê Di Luca. gir os 60% até o fim do ano. Apenas tratores de até 80 cavalos entram no programa. Divulgação Plano estratégico César Di Luca Gerente comercial da Case IH Avanço A Case, que até o ano passado só vendia tratores acima de 130 cavalos no Brasil, nacionalizou a produção da sua linha de potência inferior, a Farmall, para poder participar dessa festa dos juros baixos. No mês passado, o Farmall 80 cavalos foi aprovado no Mais Alimentos. “Nosso plano era nacionalizar a produção em dois anos, mas antecipamos para um ano ao perceber o aumento da participação dos tratores de baixa potência nas vendas do setor”, diz o executivo. Na realidade, o Farmall 80 ainda tem apenas 45% de índice de nacionalização, quando o mínimo exigido pelo Finame é de 60%. Mas a Case conseguiu se enquadrar no chamado Finame Progressivo, no qual começa a comercializar as máquinas dentro do Mais Alimentos agora, com o compromisso de atin- “Nosso trator foi aprovado no Mais Alimentos em maio e deve representar 30% das vendas em 2010. O mercado vendeu 28 mil tratores no programa em 2009, mas o universo é de 300 mil compradores” Entrar no segmento de tratores pequenos representa avançar em um mercado totalmente novo para a Case no Brasil, mas também no maior mercado de máquinas agrícolas do país. “Até agora atuávamos em apenas 30% do mercado de tratores, e agora temos produtos para 80% dele”, calcula Di Luca. A expectativa da Case IH é ampliar sua participação no mercado de tratores de 1,5% em 2009 para 2,5% em 2010. Só o Farmall 80 representará 30% das vendas da companhia. O plano estratégico de cinco anos da Case é ocupar 10% do mercado latino-americano de tratores até 2014. Hoje, essa participação é de apenas 3,5%. Nos tratores pequenos, a principal marca do grupo Fiat no Brasil até agora era a New Holland. Pela análise de Di Luca, o universo de potenciais compradores de trator na linha Mais Alimentos está entre 260 mil e 300 mil produtores familiares. “Ainda há muito mercado”, diz. ■ APOIO NEGÓCIO 2% ao ano é a taxa de juros do programa 30% é o que o Farmall 80 deverá Mais Alimentos, que tem carência de até 3 anos e prazo de 10 anos. representar nas vendas de tratores Case em 2010. EMPRÉSTIMO SALGADO Mercado cobra 20% de juros, diz Abimaq Um pequeno aumento nos juros do PSI/Finame, de um ponto percentual, teria impacto limitado na demanda por financiamentos do BNDES para a compra de máquinas e equipamentos. O retorno aos níveis pré-PSI, porém, poderia derrubar no Brasil os investimentos em ampliação de capacidade instalada. É a avaliação de Carlos Nogueira, diretor de financiamentos da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), do que poderia acontecer em uma eventual alta dos juros cobrados pelo BNDES para investimentos em bens de capital. “Nenhum país paga 15% ao ano, como era o Finame, antes do PSI. Isso não é taxa viável para financiar investimento”, diz. A Abimaq atribui ao PSI/Finame boa parte da recuperação das vendas registradas no primeiro quadrimestre deste ano. No ano passado, o faturamento do setor ficou 20% abaixo do de 2008. Não à toa, segundo Nogueira, a Abimaq já teria planos de se mobilizar pra estender o PSI até 2011. “Pela primeira vez, o Brasil tem taxas semelhantes ao resto do mundo para financiar investimento”, diz o dirigente. Ele afirma que hoje cerca de metade das vendas de máquinas no país são financiadas pelo BNDES. A outra metade ou é feita com recursos próprios ou de terceiros tomado no mercado nacional a juros de 20%. É possível captar lá fora, mas normalmente apenas para importação de máquinas. Dubes Sonego e Daniel Haidar Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 7 8 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 DESTAQUE CONJUNTURA Vendas da Scania no Brasil devem superar 2009, o melhor ano para a companhia sueca no mercado local Economia e juros baixos aquecem vendas da Scania, Iveco e Mercedes Montadoras registram até maio números melhores que os de 2009 e preveem recorde no ano Ana Paula Machado [email protected] As medidas de incentivo do governo às vendas de máquinas e caminhões estimularam — e muito — o comércio. De janeiro a maio, as vendas de veículos comerciais dispararam, com 66,72 mil caminhões comercializados, ante 39,89 mil unidades em 2009, com crescimento de 67,2%. O que puxou essa reação foi o segmento de pesados e semipesados, com 21,16 mil e 21,23 mil unidades respectivamente. O crescimento foi tão bom que a Scania, que obteve participação de 28,2% no mercado, prevê recorde de vendas para este ano, superando o desempenho de 2009, o melhor ano para a montadora no país. “Vamos crescer muito. O mercado está muito aquecido, todos os setores da economia demandam caminhões”, afirmou o diretor de vendas para o Brasil, Roberto Leoncini. Segundo dados da Scania, de janeiro a maio foram comercializadas 5.959 unidades. Em 2009, durante todo o ano, as vendas da empresa totalizaram 8.324 caminhões. Roberto Leoncini Diretor de vendas para o Brasil da Scania “Hoje, a compra não é mais sazonalizada. Tanto o agronegócio está demandando mais caminhões como o setor industrial. Por isso, as vendas dispararam nos cinco meses deste ano” “Hoje, a compra já não é mais sazonalizada. Tanto o agronegócio está demandando mais como o setor industrial. Por isso, as vendas dispararam nos cinco meses deste ano”, acrescentou Leoncini. Outra montadora que acredita que este ano deve ser o melhor para o segmento é a Iveco Latin America. O vice-presidente da empresa, Antonio Dadalti, diz que em 2010 as vendas devem chegar a 150 mil unidades. A companhia estima que a sua participação deverá ser de 10%. “O segmento de caminhões é um termômetro da economia. Observamos que o crescimento do país esta acelerado, o que causa uma demanda forte”, disse Dadalti. Segundo dados da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), de janeiro a maio as vendas de caminhões da Iveco totalizaram 4.676 unidades, crescimento de 78,7% no comparativo com o mesmo período do ano passado. Como na Scania, o que puxou o bom desempenho da marca no mercado interno foi o segmento de pesados. No período, a Iveco vendeu 1.940 caminhões deste tipo, um aumento de 82,7% no comparativo com as vendas de janeiro a maio em 2009. “As grandes obras de infraestrutura demandam muitos equipamentos e isso tem impulsionado as vendas de caminhões pesados. No segundo semestre, esperamos trabalhar com nossa capacidade máxima de produção.”A empresa prevê fabricar 20 mil caminhões neste ano. A Mercedes-Benz também aumentou suas vendas nos cinco meses do ano. No período foram comercializados 18.963 veículos. Segundo o vice-presidente de vendas, Joachim Maier, a manutenção do ritmo crescente da economia do país reflete positivamente nas vendas de caminhões. Apesar da economia aquecida, qualquer aumento nas taxas de juros do Programa de Sustentação de Investimento (PSI) afetarão negativamente as vendas de caminhões, avalia o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Sérgio Reze. “Trata-se de um produto muito mais sensível aos juros do que os automóveis”, afirma. Segundo o dirigente,a projeção de 150 mil unidades neste ano fica “prejudicada” com a mudança na taxa do PSI. ■ PRODUÇÃO TOTAL PESADOS SEMIPESADOS 73,4 mil é o volume de caminhões 24,14 mil foi a produção de veículos 23,7 mil é o volume produzido produzido de janeiro a maio deste ano pelas montadoras instaladas no país. O crescimento foi de 67%. pesados no acumulado do ano, segundo dados da Anfavea. No período, o avanço foi de 105%. de caminhões semipesados de janeiro a maio deste ano. O crescimento no período foi de 63,3%. Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 9 Fotos: Divulgação Mineradoras podem renovar 40% da frota em 18 meses A frota de caminhões pesados das minas, de 8x4, é de cerca de 1,2 mil unidades Um dos setores que mais demandaram o crescimento das vendas de caminhões foi a mineração. Atualmente, segundo o diretor de vendas da Scania, Roberto Leoncini, há nas mineradoras brasileiras cerca de 1,2 mil caminhões da categoria 8x4 em operação, e entre 30% e 40% dessa frota deve ser renovada nos próximos 18 meses. “Com isso, abre-se um mercado enorme para a empresa. As negociações já começaram e entramos forte nesse segmento”, disse Leoncini. A Scania tem pesada atuação nessa área. Segundo o executivo, grande parte da frota de caminhões 8x4 que roda dentro das minas brasileiras são da montadora. As entregas desse tipo de caminhão ocorrem entre dois a três anos depois da realização do pedido. As mineradoras estão trocando sua frota de caminhões fora de estrada pelos veículos com tração 8x4 em função da possibilidade de revenda. Os modelos fora de estrada não podem rodar nas rodovias brasileiras, já que são veículos com dimensões superiores às estabelecidas pela legislação do país. “Esses caminhões têm capacidade para tracionar até 50 toneladas. É um modelo com valor de revenda, que não será descartado ao final de sua vida útil.” Operação 24 horas por dia Na operação em uma mina de extração de minério de ferro, os caminhões trabalham 24 horas por dia e sua vida útil é de aproximadamente 18 mil horas, o que representa cerca de três anos de utilização intensiva, segundo informa o executivo. “A negociação com as montadoras não implica somente na venda do caminhão. Vendemos também serviços e soluções para as empresas, isso porque temos que instalar uma unidade de manutenção onde são usados esses equipamentos. São luga- OPERAÇÃO MINERAL ● Cada caminhão 10x4 pode custar cerca de R$ 1 milhão, sendo R$ 850 mil relativos ao cavalo e R$ 150 mil à carroceria. ● Como o equipamento não pode rodar nas estradas, segundo a legislação, a solução é dar uma segunda vida a ele dentro na operação de mina. ● Uma das alternativas para o 10x4 é utilizá-lo como caminhão-tanque para molhar a pista das minas de minério. res geralmente de difícil acesso e que não contam com concessionárias Scania por perto”, afirmou o executivo. Dentro desta estratégia de venda de soluções, a Scania desenvolveu um modelo específico para as operações da mineradora Vale do Rio Doce. São caminhões com tração 10x4, cuja capacidade de transporte supera as 50 mil toneladas. O desenvolvimento do equipamento aconteceu em 2008. A Scania, segundo Leoncini, fez a entrega de 20 unidades do modelo para a mineradora em 2008. “Estamos entregando o segundo lote de 33 caminhões, que deve entrar em operação em pelo menos 20 dias”, disse o executivo, acrescentando que os caminhões são específicos para operações fora de estrada. “Já apresentamos o caminhão em feiras internacionais e a aceitação foi tamanha que estamos negociando a exportação para pelo menos três países.” ■ A.P.M. 10 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 OPINIÃO Michel Temer Murillo de Aragão Antonio Carlos Guimarães Presidente da Câmara dos Deputados Cientista político, advogado, doutor em sociologia pela UnB e presidente da Arko Advice Pesquisas Presidente da Syngenta Proteção de Cultivos América Latina As respostas da ética Melhor em 2011 Novo modelo para 2050 Para Aristóteles, a virtude é uma questão de hábito, tem de ser cultivada para gerar bons frutos. O cidadão que trata os outros eticamente e aplica normas morais à sua vida pessoal, tende a repetir este procedimento em sua atividade profissional. Na busca de consolidar posturas éticas, independente do potencial individual de seus funcionários, muitas empresas forjam códigos internos de conduta, nos quais estabelecem regras separando os campos do lícito e do ilícito. Essa preocupação está alicerçada no fato de que o procedimento ético de um profissional acaba se refletindo na empresa onde trabalha, na comunidade, na cidade etc. Tanto no mundo dos negócios como na política, a evolução vem sendo respaldada por padrões éticos. Vem se forjando na ética a solução para muitos problemas da humanidade. Este postulado está presente em toda a história, consagrando modelos universais de conduta, lastreados por alguns princípios básicos, como a observância da lei e as opções éticas fundamentadas em conceitos subjetivos, como justiça, honestidade, lealdade, responsabilidade, credibilidade, integridade, entre outros. A ética se manifesta no campo privado, mas há quem reconheça na democracia uma forma pública de expressão da ética. O Brasil, através de dois episódios da CPI do PC e CPI do Orçamento, agudizou uma demanda social por mais ética na esfera política. Não se pode negar que, nesse período, o país evoluiu eticamente. A cada denúncia e apuração de fraudes, os brasileiros deram um passo à frente no campo da moralidade pública. A corrupção no Estado prejudica a todos os cidadãos. A falta de ética nas corporações privadas tem um efeito igualmente devastador. Mesmo o mais amargo dos críticos deve reconhecer que o Brasil vive um importante ciclo de desenvolvimento econômico, fundamentado na credibilidade econômica e fiscal, carga tributária alta, complexa e injusta e expansão do crédito e do mercado interno. O Estado brasileiro, em especial na era Lula, foi protagonista. Mas não o único destaque, como muitos pensam. O setor privado foi importante para alavancar o ciclo de desenvolvimento que estamos vivendo, assim como o sistema financeiro público e privado e a boa gestão do Banco Central. Para 2011, temos boas perspectivas. Não apenas na economia, mas também em dois outros vetores relevantes: a política e a sociedade. Não devemos esperar que estes últimos avancem no mesmo ritmo da economia. Continuaremos a ver os índices de aperfeiçoamento desta pontificando sobre os demais. Porém, não podemos deixar de considerar avanços significativos. O aumento contínuo da população mundial, a evolução das economias emergentes como China e Índia e a demanda por biocombustíveis criaram um cenário no qual a demanda por alimentos é crescente. Hoje já somos 6,8 bilhões de pessoas no mundo e a previsão da FAO (Food and Agriculture Organization) é que seremos 9 bilhões em 2050. Em 40 anos, portanto, a população mundial será 30% maior e, se não mudarmos a forma que produzimos alimentos hoje, serão necessários dois planetas Terra para que tenhamos água, solo e clima adequados para atender à demanda por alimentos, ração e energia. O lado bom é que esse crescimento vai gerar bilhões de consumidores que vão demandar alimentos, imóveis, carros e energia. O risco é que essa aceleração econômica pode impactar os recursos naturais, alterando o clima e limitando a capacidade da população manter os padrões de conforto atuais. A conclusão faz parte do relatório “Visão 2050: A Nova Agenda Para o Negócio”, elaborado pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) — entidade que reúne 29 empresas de 14 setores diferentes e situadas em 20 países. Representantes dessas companhias dialogaram com as instituições públicas e governos para analisar como será a vida em 2050. Como os recursos naturais não crescerão em proporção à demanda, o relatório alerta para a necessidade de mudanças no modelo econômico. O princípio básico será explorar os recursos com racionalidade e investir em fontes renováveis de energia. Estudiosos apontam que o século que se finda foi dominado pela técnica e que o próximo será marcado pelo império da ética Se a ética é fundamental na política, é igualmente importante em qualquer outro campo profissional. Os administradores de empresas, por exemplo, tomam decisões com impactos morais, porque elas irão se refletir sobre a vida de um universo de pessoas. Um profissional ético busca sempre mensurar quais são suas responsabilidades para com sua empresa, seus clientes, fornecedores, distribuidores e a comunidade onde trabalha. Toda empresa que busca o lucro justo, paga salários dignos, garante a segurança e formação de seu pessoal e arca com os impostos está tendo um procedimento ético. Um profissional ético busca sempre orientar toda tomada de decisão com base em valores morais. É com a argamassa da ética que vimos consolidando os alicerces da confiabilidade, sem a qual as relações econômicas, sociais e políticas não perduram. Estudiosos apontam que o século que se finda foi dominado pela técnica e o próximo, que se aproxima, será marcado pelo império da ética, quando se buscarão respostas éticas para todos os grandes problemas humanos, principalmente os de cunho social. Esse é um discurso que deverá ser pregado à exaustão sempre que os políticos retornam à arena política no período eleitoral. A ética nunca deve ser deixada de lado. E neste momento político faz-se essencial. ■ Os vetores de avanços são positivos e devem apontar para um país melhor em 2011, mesmo que ainda convivamos com inconsistências No campo da política, apesar da profusão de escândalos que marcou o cenário nacional, temos avanços: ação do Poder Judiciário sobre os políticos de comportamento inadequado; maior rigor na aplicação das normas de fidelidade partidária e as regras do Ficha Limpa. Outros dois aspectos merecem nota. No âmbito da Câmara, uma nova interpretação reduziu a possibilidade de medidas provisórias travarem as pautas de votação. Outra iniciativa, também de Michel Temer, foi a de limitar o contrabando de temas estranhos no corpo das medidas provisórias. O entendimento entre PT e PMDB — no segundo mandato de Lula – apontou para um modelo de coalizão mais claro e de corresponsabilidade na gestão pública. Comparando com o modelo anterior de mensalão, onde a compra de apoio no varejo prevalecia, a situação representa um avanço. Em um país como o Brasil, a existência de coalizões claras é um imperativo para a estabilidade. Ainda que tenha como efeito colateral a diluição das plataformas presidenciais para contemplar a média do pensamento da aliança. No campo da sociedade, as novidades positivas decorrem tanto do crescimento e melhor distribuição de renda quanto do avanço de práticas de interação com a sociedade civil. A emergência de uma nova classe C é uma realidade auspiciosa. Não é o fim do processo, mas uma etapa importante na construção de uma sociedade mais justa. Em termos de participação da sociedade, sou testemunha de um processo interessante. Participo do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e lá presencio atores relevantes do capital e do trabalho debatendo o interesse público. Divergindo, como é natural. Mas, sobretudo, construindo consensos. Vejo avanços no campo da informação. Embora a mídia ainda seja superficial, vemos a internet como um processo saudável de ampliação dos horizontes da informação. Combinando tudo, os vetores de avanços são positivos e devem apontar para um país melhor em 2011. Mesmo que ainda convivamos com inconsistências e contradições típicas de um país paradoxal como o nosso. ■ Precisamos pensar na demanda global de alimentos e nos meios de produzi-los em quantidade suficiente para que sejam acessíveis A necessidade de aumento de produção agrícola terá que coexistir com um novo modelo de negócio sustentável. Esse é um desafio para o setor e uma oportunidade para governos, indústrias e pesquisadores. Nesse aspecto, o Brasil vem cumprindo seu papel, preparando uma agricultura forte e respeitando o meio ambiente para “produzir mais com menos recursos naturais”. Para isso, a indústria está focando em inovação e alcançando produtos de altos níveis tecnológicos. Novas técnicas, sementes mais produtivas e fertilizantes mais eficientes são iniciativas que se tornarão frequentes. Se a produção agrícola não acompanhar o aumento da demanda por alimentos, os preços subirão e mais pessoas passarão fome. Hoje já há 1 bilhão de pessoas subnutridas no mundo. Muitos países olham para a agricultura no curto prazo, dificultando a inserção de novas tecnologias. Outros taxam as exportações, impedindo que os agricultores se capitalizem e produzam mais. Por fim, há governos que não valorizam a propriedade intelectual, reduzindo os incentivos para a indústria. Cada um destes governos acaba focando os desafios imediatos dos habitantes, esquecendo que somos parte de um planeta que, em apenas 40 anos, necessitará dobrar a sua produção. Precisamos pensar na demanda global de alimentos e nos meios de produzi-los em quantidade suficiente para que sejam baratos e acessíveis. Assim, em um mundo globalizado como vivemos hoje, o preço dos alimentos será condizente em todos os países de economia aberta. ■ Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 11 André Lessa/AE Número de eleitores passa de 134 milhões As eleições de outubro deste ano devem ter mais de 134 milhões de eleitores, um número mais de 7% maior do que o registrado há quatro anos, em abril de 2006. A data-limite para o alistamento eleitoral foi o último dia 5 de maio. Os dados são do site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). São 30 milhões inscritos em São Paulo (22,4% do total), 14,3 milhões de eleitores em Minas Gerais (10,7%) e 11,4 milhões no Rio de Janeiro (o equivalente a 8,5% do total de inscritos). Henrique Manreza CIDADE LIMPA, ASSEMBLEIA SUJA No dia seguinte à convenção do PSDB, na Assembleia Legislativa de São Paulo, uma faixa ainda permanecia na frente do prédio, lembrança da invasão de propaganda eleitoral feita no local no domingo. As ruas próximas amanheceram sujas de folhetos. Apesar desse tipo de ação ser autorizada durante convenções (a propaganda eleitoral será liberada somente a partir do próximo dia 6), a limpeza já deveria ter sido feita. “Quando os faxineiros chegam, começam pela limpeza interna e depois passam para a limpeza externa. Agora já está tudo limpo”, garantiu, durante a tarde de ontem, Antônio Denardi, diretor de Comunicação Social da casa. “A rigor é propaganda antecipada”, afirmou Augusto Eduardo de Souza Rossini, do Ministério Público Eleitoral. “Mas precisamos ser razoáveis. Esperamos que a limpeza seja feita até amanhã [hoje]”, disse. A assessoria de imprensa do PSDB informou que o partido não tem conhecimento da faixa. “De qualquer maneira, [o partido] vai providenciar a retirada de faixas levadas pela militância e que eventualmente tenham ficado no local.” ENTREVISTA ALBERTO ROLLO Advogado especializado em direito eleitoral Lei eleitoral se sobrepõe à Cidade Limpa Determinação que proíbe faixas e cartazes em São Paulo não vale no caso de propaganda política Maeli Prado [email protected] A Lei Cidade Limpa, que entrou em vigor na cidade de São Paulo em 2007 e que proíbe faixas e cartazes nas ruas, não vale para a distribuição de folhetos e afixação de faixas, já que é “sobreposta” pela legislação eleitoral federal. Apesar disso, a propa- ganda no prédio da Assembleia Legislativa de São Paulo (veja foto acima), permitida por conta da convenção do PSDB, já deveria ter sido retirada hoje, observa o advogado Alberto Rollo, especialista em direito eleitoral. O que prevê a legislação eleitoral para propagandas como as realizadas na Assembleia? É permitido fazer propaganda nos gabinetes, sempre do lado de dentro. Ou seja, o gabinete pode ser usado para fazer cam- Divulgação “Em São Bernardo a prefeitura proibiu outdoors, mas como a lei é federal a proibição caiu” panha sem problemas. Só não pode do lado de fora, nos corredores, enfim, nas áreas comuns. No dia da convenção a propaganda pode ser feita também fora do prédio. Hoje [ontem] isso já deveria ter sido limpo, já que a convenção ocorreu no domingo? Sim. Como todos os partidos têm o mesmo direito, todos precisam comunicar o presidente da Assembleia solicitando que a limpeza seja feita. A obrigação de limpar o prédio é da Assembleia. O deputado pode sujar, mas não tem que limpar. A autorização da legislação eleitoral não esbarra na Lei Cidade Limpa? A Cidade Limpa é uma lei municipal, e perde para a legislação estadual e federal. Para você ter ideia, em São Bernardo do Campo [Grande ABC] a prefeitura proibiu a instalação de outdoors, mas como a legislação é federal essa proibição caiu. ■ 12 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 BRASIL Dissídios vão injetar R$ 10 bi na economia Negociações das principais categorias apontam para injeção de 30% extra da massa salarial até o fim do ano Elaine Cotta e Marcelo Cabral [email protected] Os trabalhadores da construção civil foram os primeiros da fila: conseguiram um reajuste salarial de 8%, que está em vigor desde 1º de maio e que representa um aumento real de 2,4%, além da inflação. Mas ainda faltam os metalúrgicos, os comerciários e os bancários, para citar outras três categorias que apenas começaram a negociar quanto terão de reajuste salarial a partir do segundo semestre deste ano. Se cada uma delas, numa estimativa conservadora, conseguir repor a inflação e obter 1% de reajuste real no salário, significa que serão injetados cerca de R$ 1,6 bilhão por mês na economia até o final do ano. A projeção foi calculada pelo B RASIL E CONÔMICO e levou em consideração qual seria o impacto de uma reposição inflacionária sobre o rendimento médio real dos trabalhadores no mês de abril, calculado pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Só nos primeiros quatro meses do ano, também com base em dados do IBGE, já foram injetados R$ 2 bilhões na economia — fruto do aumento médio da renda registrado no período, mais os salários que são resultado das novas contratações. Mas, é importante levar em consideração que boa parte dos dissídios entra em vigor no final de terceiro trimestre — o dissídio dos bancários, por exemplo, é a partir de 1º de setembro. Em 2009, de acordo com o Dieese, 80% das negociações salariais realizadas por 692 categorias de trabalhadores brasileiros ou 553 instrumentos firmados conquistaram aumento real de salários e outros 88 (quase 13% do total) asseguraram, no mínimo, a reposição da inflação com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do IBGE. Os reajustes salariais foram pouco afetados pela crise econômica in- Expectativa é que pelo menos 80% das negociações sejam bem-sucedidas com aumento real de salários, a exemplo do ano passado ternacional deflagrada nos últimos meses de 2008. Mesmo com o Produto Interno Bruto (PIB) apresentando variação negativa de -0,2% — fruto do desaquecimento econômico do último trimestre de 2008 e dos primeiros meses de 2009 — a proporção de categorias com reajustes salariais no mínimo equivalentes ao INPC-IBGE atingiu 93%. “Foi a sexta vez consecutiva que no mínimo 80% das categorias conquistaram reajustes em percentual no mínimo igual à inflação oficial”, afirma José Silvestre Prado de Oliveira, coordenador de Relações Sindicais do Dieese. Ele lembra que há duas variáveis importantes nas negociações. Do lado positivo, temos um PIB forte, crescendo a cerca de 6%, maior do que no ano passado, quando houve recuo de 0,2%. Mas do negativo, a inflação também deve ser um pouco mais elevada que no ano passado. “Mesmo assim, o primeiro fator deve pesar mais que o segundo, então acredito que em 2010 a tendência seja que tenhamos mais categorias com ganho real, que deve ficar acima dos cerca de 1,5% do ano passado”, conclui. Projeção para 2011 O impacto dos reajustes salariais na economia e consumo virá, de fato, a partir de 2011. Considerando os reajustes já efetuados e os que poderão vir, a estimativa é que a partir de dezembro de 2010 sejam injetados cerca de R$ 21,6 bilhões extras isso sem considerar novas contratações. Se a geração de novos postos de trabalho seguir no mesmo ritmo da média dos últimos 12 meses, devem ser injetados pelo menos R$ 12 bilhões na economia ao longo do ano que vem — considerando que sejam contratados mais 670 mil trabalhadores até dezembro de 2010. Seriam R$ 31,6 bilhões a mais para estimular o consumo, o crescimento e, elevar as pressões sobre a inflação. ■ Crédito farto Aumentos salariais vão estimular consumo de bens e serviço, mas não representam grandes pressões inflacionárias A injeção de mais dinheiro na economia que virá com os reajustes salariais já está entre as preocupações do governo e de alguns economistas do mercado financeiro. “Seguramente, esse aumento na renda irá estimular o consumo de bens e de serviços, o que pode sim ter impactos sobre a inflação neste e no próximo ano”, afirma Ricardo Denadai, economistasenior do banco Santander. Fábio Romão, da LCA Consultoria, acredita que a econo- mia continuará crescendo, mas num ritmo menos acelerado do que o verificado no primeiro semestre. “Houve alguma antecipação de consumo no início do ano pela facilidade que havia com a redução da alíquotas de impostos”, diz, lembrando que por isso a tendência é de consumo mais baixo nos próximos meses, o que deve segurar um aumento mais agudo da inflação. “Os reajustes salariais impactam o custo de vida, mas não é algo desmedido”, conclui. Pressões extras O economista Hélio Zylberstajn, presidente do Instituto Brasilei- Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 13 Marcela Beltrão Menos imposto para aço A Câmara de Comércio Exterior (Camex) deve decidir na reunião marcada para quinta-feira a redução do imposto de importação para alguns tipos de aço. A equipe econômica está monitorando a elevação dos preços domésticos e deve sugerir zerar o imposto para dois ou três tipos de aço. O governo quer evitar que o reajuste dos preços, provocado pelo aumento internacional do minério de ferro, seja abusivo a ponto de provocar uma pressão inflacionária. FIA: O MBA com a marca do conhecimento. A referência em escola de negócios Tel.: 11 3732-3535 • www.fia.com.br Agencia Petrobras Petroleiros negociam reajuste para o segundo semestre NEGOCIAÇÕES Metalúrgico Os metalúrgicos tiveram em 2009 reajuste real de 2,26% mais a reposição da inflação do período. Neste ano, os metalúrgicos do estado do Mato Grosso do Sul, que têm data-base em maio, conseguiram fechar um reajuste de 6,45%. Esse deve ser o parâmetro das negociações no segundo semestre. Construção A construção civil chegou a um acordo de reajuste de 8% dos salários com validade a partir de 1º de maio. Descontada a inflação de 5,49% em 12 meses até abril, a categoria conseguiu um ganho real de 2,39%. O reajuste contemplou em torno de 300 mil trabalhadores em todo o Brasil. Bancários A categoria dos bancários, com data-base no mês de setembro, reivindica reposição da inflação acumulada nos últimos 12 meses, mais um reajuste real de salário. Em 2009, os bancários conseguiram negociar 2% de aumento real, além da reposição das perdas acumuladas no período. Comerciários Os comerciários têm data-base em setembro e devem reivindicar aumento real de salário mais as perdas da inflação acumulada no período. Em 2009, a categoria conseguiu 3% de aumento real mais a reposição de perdas. Esse deve ser o parâmetro das discussões com os empregadores no segundo semestre. pressiona mais inflação que reajustes ro de Relações de Emprego e Trabalho (Ibret) não vê os reajustes salariais como risco inflacionário. “Os gastos do governo pressionam mais os preços do que o reajuste salarial dos trabalhadores”, diz. Rogério de Souza, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Indústria (Iedi) complementa: “mais que os salários, as facilidades de acesso ao crédito são um fator de pressão inflacionária muito maior que a melhora da renda”, diz. Para Souza, somente elevar juros não resolve. “A Selic maior não necessariamente segura o consumo, pois boa parte dos traba- Apesar dos ganhos salariais, consumo deve ser mais baixo nos próximos meses, devido à antecipação das compras de bens de consumo lhadores acaba optando por pagar mais juros, desde que a prestação caiba no bolso. O risco de altas agressivas na taxa de juros é o um possível desestímulo do investimento. E é o investimento que vai garantir que se tenha oferta para atender esse aumento da demanda que pode surgir com a injeção de novos recursos na economia”, afirma Souza. Sazonalidade “Não há risco dos aumentos salariais alimentarem a inflação. Se isso fosse verdadeiro, já teri acontecido em anos anteriores”, lembra Clemente Ganz, diretor técnico do Dieese, lem- brando que os reajustes salariais acima da inflação não são uma novidade e que aconteceram também nos últimos anos. Romão da LCA diz que o número de categorias com reajuste acima da inflação deve crescer neste ano, mas o ganho real médio deve ser mais reduzido. Para este ano, a estimativa da consultoria é que o ganho real dos salários deve ficar em torno de 1,9%, enquanto a massa salarial total deve crescer porque o estoque de ocupados também está aumentando bastante graças à acentuada redução da taxa de desemprego registrada nos últimos anos — veja quadro ao lado. ■ E.C. e M.C. QUEDA Em 2010, desemprego deve ser menor do que no período pré-crise 10,0 10% 9,3% 8,8 7,9% 8,1% 7,6 7% 6,4 5,2 4,0 2006 2007 2008 Fonte: Banco Santander 2009 *projeção 2010* 14 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 BRASIL Igo Estrela OPERAÇÃO PLUTO PÚBLICO PF reprime saques fraudulentos de precatórios, com 10 casos em Minas Gerais Ministério da Cultura lança consultas para a revisão da Lei de Direitos Autorais Agentes da PF em Minas realizaram ontem a Operação Pluto, para cumprir 10 mandados de busca e apreensão, visando reprimir saques fraudulentos de precatórios creditados na CEF principalmente em Juiz de Fora. Os precatórios podiam ser sacados em qualquer agência da Caixa no país e seus valores variam entre R$ 200 mil e R$ 700 mil, já havendo, notícias de tentativas de saque de precatórios de mais de R$ 1 milhão. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, disse que a lei de direitos autorais não atende às necessidades da sociedade brasileira, por não garantir o direito do autor e não dialogar com o mundo digital. “Não é suficiente, é um entrave para o desenvolvimento cultural do Brasil, um entrave para a economia da cultura e não atende o objetivo principal, que é o direito do autor”, disse o ministro, ao lançar a consulta pública para a revisão da lei. Governo avisa que não se deixará seduzir por extravagâncias em ano eleitoral, sinalizando que o reajuste dos aposentados estará mais próximo dos 6,14% Lula vetará reajuste a aposentado de Convencido pelos ministros da área econômica, presidente vai anunciar hoje que decidiu rejeitar o reajuste Sílvio Ribas, de Brasília [email protected] O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá anunciar hoje, dia da estreia do Brasil na Copa do Mundo, seu veto ao reajuste concedido pelo Congresso de 7,72% para 8 milhões de aposentadorias e pensões acima de um salário mínimo. Convencido pelos ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Guido Mantega (Fazenda), Lula vai editar em seguida medida provisória (MP) que concede no lugar do aumento um abono de 6,14%, índice proposto originalmente pelo governo e acordado com as centrais sindicais. A diferença entre os dois percentuais representa impacto extra de R$ 1,6 bilhão por ano nas contas da União, além dos R$ 7 bilhões garantidos. Em defesa da política fiscal, o presidente deverá também vetar o fim do fator previdenciário, aprovado pela Câmara no começo de maio. “Não pensem que me deixarei seduzir por qualquer extravagância por conta do processo eleitoral”, disse Lula ontem, em Queluzito (MG), onde inaugurou um gasoduto. Ele garantiu que a decisão sobre o aumento Ceder ao embalo do calendário eleitoral e confirmar o índice inflado por deputados e senadores geraria despesa anual extra de mais R$ 1,6 bilhão aos cofres da União dos aposentados e o fim do fator previdenciário já estava tomada, para ser anunciada hoje, dia limite para tomar posição, depois de vários adiamentos. Ainda assim, o presidente tem marcada a última reunião com os ministros da Previdência, Planejamento e Fazenda para tratar do assunto. Ele avalia que não terá prejuízos nas urnas com os vetos nem “estragará” suas relação com os aposentados, porque faz “o que for melhor para o Brasil” no longo prazo. “O reajuste de 6,14% significa reposição da inflação, mais 2,6% de aumento real. Ninguém pode dizer que o governo está maltratando os velhinhos”, afirmou Bernardo no fim de semana. Lula planeja assistir à partida da Seleção Brasileira, às 15h30, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede provisória da Presidência. No mesmo embalo do Mundial da África do Sul, a Câmara tentará colocar em votação na tarde de hoje, numa sessão extraordinária — uma forma de driblar o trancamento da pauta por MPs —, minutos após o jogo Brasil e Coreia do Norte, o polêmico projeto de distribuição igualitária dos royalties do pe- Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 15 Patricia Santos/AE PESQUISA MBA em IFRS (Normas Internacionais de Contabilidade) Rio de Janeiro é a cidade mais cara para se viver no continente americano O Rio é a cidade mais cara para se viver no continente americano, diz pesquisa divulgada ontem em Paris pela consultoria britânica ECA, segundo a qual Tóquio é a mais cara do mundo para os estrangeiros. O estudo mede os preços de bens de consumo e serviços como moradia, alimentação, transporte, vestimenta, lazer, etc. A grande surpresa foi Londres, que ficou em 78º lugar não está entre as 50 cidades mais caras. E uma grade completa de cursos de Especialização e MBA para multiplicar o sucesso da sua carreira. Telefone: (11) 2184-2020 www.fipecafi.org Uanderson Fernandes/O Dia Aeroportos precisam de R$ 30 bilhões Estudo encomendado pelo BNDES mostra que 13 dos 20 principais terminais do país apresentam gargalos 7,7% dado pelo Congresso tróleo, vindo do Senado. Apesar da pressão do governo de votar a matéria, a expectativa dos próprios deputados é de que só amanhã o funcionamento do Congresso se normalize. Há ainda o risco de obstrução dessa votação liderada pela bancada do Rio, em protesto às perdas de receita com royalties. Lula sinalizou ontem que deverá vetar. Pela manhã, está prevista ainda a discussão e votação na Câmara do parecer do relator, deputado Aldo Rebelo (PCdoBSP), do também polêmico projeto de lei que muda o código florestal. ■ Com agências O Brasil deverá investir cerca de R$ 30 bilhões em sua infraestrutura aeroportuária até 2030. Quem aponta isso é o Estudo do Setor Aéreo do Bra- sil realizado pela McKinsey & Company e encomendado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo o levanta- DESAFIOS DO BRASIL 1 2 3 Preparação para Copa e Olimpíada Guerra fiscal no combustível Superaeroporto de Viracopos De acordo com o estudo da McKinsey&Company, os eventos esportivos deverão aumentar em 2% a 4% a demanda de passageiros no Brasil. No ano passado, pelos 20 principais aeroportos do Brasil passaram 110 milhões de passageiros. Hoje, a capacidade desses terminais é de 120 milhões de pessoas por ano. “O sistema já esta saturado, por isso a necessidade de mais investimentos e melhoria da capacidade desses aeroportos.” O diferencial de alíquotas de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre combustível — por exemplo, 25% em São Paulo, contra 3% em Minas Gerais e 4% no Rio de Janeiro, leva as empresas aéreas a prática de abastecerem as aeronaves em locais onde o imposto é menor. Com isso, essa operação os custos para as companhias aumentam e isso poderia ser reduzido se se praticasse tarifa única de ICMS. Com o trem ligando São Paulo a Campinas, Viracopos será uma alternativa viável, segundo o estudo. O terceiro aeroporto na capital não é a medida mais acertada, pois não há locais para se implantar um aeroporto com capacidade para mais de 30 milhões de passageiros por ano. Viracopos é o único lugar com espaço para contemplar as mudanças propostas pelo estudo. Em 2009, em Viracopos passaram 4 milhões de passageiros. mento, com esse valor os 20 principais aeroportos do país terão capacidade para movimentar 310 milhões de passageiros por ano em 2030. Conforme dados da pesquisa, no mercado brasileiro são realizadas em média 50 milhões de viagens por ano. O coordenador do estudo, Arlindo Eira Filho, explica que o trabalho contemplou os 20 principais aeroportos do país, e verificou que 13 já estão com algum tipo de gargalo, seja ele em pista ou terminal de passageiros. “A pior situação é realmente em São Paulo. Os três maiores aeroportos do estado, Congonhas, Guarulhos e Viracopos, em Campinas, carecem de investimentos emergenciais para melhorar a operação”, disse. De acordo com o levantamento, hoje, nos três principais aeroportos de São Paulo, em um determinado horário do dia a capacidade já está saturada e por isso, há propostas do governo de reduzir os slots (espaços para pousos e decolagens). “E um dos impactos imediatos seria o aumento das passagens e a falta de oferta de assentos nesses horários mais concorridos em São Paulo”, ressaltou o coordenador. No curto prazo, o estudo aponta para obras emergenciais em 2010 e 2011 como mais tótens de check-in, o que diminuiria as filas nos balcões das companhias. Além disso, há também propostas estruturantes, como a construção de terminais de passageiros provisórios que poderiam aumentar a capacidade dos aeroportos. Em Guarulhos já há intenção de se construir essas estruturas para dar mais vazão ao aeroporto até que o terceiro terminal de passageiros saia realmente do papel. Pela proposta da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), concluídas as obras em Cumbica, a capacidade do aeroporto seria aumentada para até 35 milhões. Hoje, são realizadas 25 milhões de viagens. No longo prazo, para equalizar o gargalo em São Paulo, o estudo propõe que sejam investidos R$ 5 bilhões em Viracopos, para torná-lo um “superaeroporto”, com capacidade para 60 milhões de passageiros por ano em 2030. ■ Ana Paula Machado 16 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 BRASIL Daniel Acker/Bloomberg IMPORTAÇÕES ANP Balança comercial tem déficit de US$ 166 milhões na segunda semana de junho Etanol tem preço competitivo em relação à gasolina em 13 estados e no DF A balança comercial brasileira registrou um déficit de US$ 166 milhões na semana de 7 a 13 de junho, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). As exportações somaram US$ 3,767 bilhões no período e as importações, US$ 3,933 bilhões. Com o resultado da semana, o superávit acumulado no mês caiu para US$ 979 milhões. As exportações somam US$ 6,969 bilhões, aumento de 26,4% ante 2009. Os preços do etanol aumentaram sua competitividade nos postos para 13 estados e também no Distrito Federal em relação à gasolina, de acordo com a Agência Nacional de Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na semana encerrada a 11 de junho. O etanol está competitivo em Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Rio, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, São Paulo e Tocantins, além do DF. Onda de parcerias do pré-sal atrairá US$ 190 bilhões Litoral de Macaé, uma das cidades produtoras de petróleo: oportunidades de investimentos Estudo da Ernst & Young projeta uma série de fusões, aquisições e joint ventures entre empresas do setor até 2013 Ricardo Rego Monteiro, do Rio [email protected] Praticamente aprovado o novo marco regulatório do pré-sal, o Brasil deverá assistir já nos próximos meses uma nova onda de fusões, aquisições, joint ventures e parcerias em toda cadeia do setor. Estudo da consultoria Ernst & Young sobre as perspectivas da indústria petrolífera brasileira revela que boa parte dos negócios se dará entre as companhias já presentes no mercado brasileiro, mas uma fatia significativa das fusões e aquisições ocorrerá entre fornecedores de bens e serviços, que precisam se qualificar para atender as exigências de conteúdo local do país. Para o especialista em Energia da Ernst & Young, Carlos Alberto de Assis, o processo, entre os fornecedores, será liderado por companhias estrangeiras com interesse em nacionalizar a produção. Embora evite projetar um volume total de recursos envolvidos nas fusões, Assis lembra que o setor brasileiro de petróleo deverá receber investimentos diretos de US$ 190 bilhões até 2013. Tal volume, projeta o executivo, inclui não só os desembolsos previstos pela Petrobras e demais petroleiras no país, mas também de fornecedoras de bens e serviços. Com periodicidade trimestral, o levantamento engloba o primeiro trimestre deste ano. Não leva em consideração, portanto, episódios recentes da indústria petrolífera mundial, como o vazamento no Golfo do México da plataforma Deepwater Horizon, operada pela Transocean a serviço da British Petroleum (BP), do Reino Unido. De qualquer forma, o executivo avalia que o acidente, no curto prazo, deverá ter impacto sobre os investimentos do setor, que deverão ser elevados como consequência do encarecimento dos custos com seguros e novas normas de se- Uma característica identificada pelo estudo nesse novo processo é que, ao contrário de outros ciclos semelhantes, desta vez os negócios serão menos numerosos, mas deverão envolver um volume maior de recursos gurança. Entre 2015 e 2012, pondera Assis, esses mesmos custos deverão se estabilizar. Para o executivo, independentemente do impacto do acidente no Golfo, as transações no Brasil deverão se intensificar nos próximos meses, como consequência direta de definições como o novo marco regulatório do pré-sal. “Embora ainda persista uma certa insegurança quanto aos rumos da regulação brasileira, a aprovação do novo marco abre uma perspectiva positiva para as empresas interessadas”, avalia o executivo, ao lembrar que, embora o novo sistema de partilha não represente o melhor modelo para os investidores, muito pior seria a indefinição de regras. Além das reservas do pré-sal, que são muito grandes comparativamente com outras províncias petrolíferas, a atratividade também se justifica, de acordo com o executivo, por um conjunto de fatores resumido por estabilidade econômica, segurança institucional e respeito às regras. Assis lembra, no entanto, que o tamanho das reservas amplia proporcionalmente a quantidade de oportunidades para novas empresas no país. Para a Ernst & Young, os negócios deverão ocorrer em duas etapas. Na primeira, por meio de associações entre petrolíferas estrangeiras e a Petrobras, com objetivo de explorar as reservas do pré-sal. Paralelamente, uma segunda frente de negócios será aberta por meio de parcerias e fusões, tanto por fornecedoras estrangeiras quanto nacionais, em busca de adequação aos padrões nacionais de conteúdo local. “Uma característica identificada pelo estudo nesse novo processo de fusões e aquisições é que, ao contrário de outros ciclos semelhantes, desta vez os negócios serão menos numerosos, mas deverão envolver um volume maior de recursos”, avalia Assis. ■ Mão de obra e “Velhos gargalos”, como tributo excessivo e burocracia, são alguns dos obstáculos listados Apesar das boas perspectivas abertas pelo pré-sal, nem tudo são flores no setor brasileiro de petróleo. Logo após voltar de encontro com investidores americanos em Houston, no Texas, o sócio de Advisory Services da Ernst & Young, Carlos Alberto de Assis revela que muitos empresários manifestaram preocupação com alguns dos velhos problemas do país. Além dos gargalos logísticos, também foram enumeradas a carência de mão-de-obra qualificada e a barafunda de impostos e contribuições como alguns obstáculos para o bom andamento dos negócios no Brasil. “A questão tributária do país é crítica para os investimentos”, afirma Assis. “Durante encontro com investidores, em Houston, muitos se mostraram preocupados com a complexidade do sistema tributário brasileiro. Esse, no entanto, não é o único motivo para a dor de cabeça no Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 17 DISPUTA TRABALHO Publicadas as diretrizes do leilão de energia produzida por fontes alternativas Amorim discursa na OIT e defende mercado interno e comércio Sul-Sul O Ministério de Minas e Energia publicou ontem portaria com as diretrizes e a sistemática do leilão de energia produzida por fontes alternativas, que o governo realizará nos dias 18 e 19 de agosto. Participarão da disputa centrais eólicas, usinas de biomassa e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). Os empreendimentos eólicos vencedores, por exemplo, poderão ampliar o parque gerador instalado para reduzir o risco contratual. O Brasil valoriza o fortalecimento do mercado interno e o comércio Sul-Sul para avançar no desenvolvimento, disse ontem em Genebra o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em discurso na Conferência Internacional do Trabalho (OIT). “E os trabalhadores não são apenas promotores da justiça social, mas também instrumentos de correção dos desequilíbrios da globalização”, afirmou o ministro Amorim. NA BDO O QUE É IMPORTANTE PARA VOCÊ É IMPORTANTE PARA NÓS. AUDIT TAX ADVISORY (11) 3138-5314 www.bdobrazil.com.br Carlos Rosa/O Dia ROYALTIES STF Municípios fluminenses ameaçam entrar com mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal contra a decisão do Senado sobre a partilha dos royalties, que muda a dinâmica de repartição dos recursos do petróleo – e das áreas a serem concedidas com o pré-sal. A mudança reduz os ganhos dos estados produtores. A expectativa é que o mandado seja expedido entre hoje e amanhã. PESSIMISMO Sem volta O prefeito de Armação dos Búzios, Mirinho Braga, diz que é impossível reverter na Câmara uma decisão que foi tomada pelo Senado – o projeto voltou para a Câmara depois do Senado ter aprovado a mudança na partilha. A expectativa, segundo ele, é de que qualquer decisão favorável ao estado do Rio de Janeiro, terá de ser tomada por meios judiciais. PRESIDENTE Veto Ainda há a chance de o presidente Lula vetar a decisão do Senado. E mesmo que ele seja favorável à emenda Ibsen, sempre há possibilidade de derrubada do veto pela Câmara. Prefeitos de municípios fluminenses entendem que o presidente está se comprometendo a vetar a emenda Ibsen. A decisão em ano eleitoral complica o cenário dos dois lados. logística preocupam investidores setor. Também podem ser listados os gargalos logísticos e a carência de mão-de-obra.” Embora tais fatores representem o que o executivo classifica de “grande preocupação para investidores”, a Ernst & Young trabalha com uma perspectiva de crescimento médio do país, até 2030, de 4% ao ano. Em um cenário de longo prazo, projetado por outro estudo da consultoria – dessa vez voltado para o setor energético como um todo -, o país deverá apresentar um crescimento da demanda de energia Expectativa da consultoria é de crescimento de 3,3%ao ano da demanda de energia no Brasil até 2030 de 3,3% ao ano, na média, nesse mesmo período. Ao decompor tal indicador, o estudo projeta um aumento do consumo médio de petróleo de 2,5% ao ano; 4,4% ao ano de eletricidade; e 3,6% ao ano de carvão e biocombustíveis. Assis reconhece as dificuldades de traçar cenários de tão longo prazo, mas nem por isso deixa de recorrer ao estudo para prever, que até 2030, os preços do barril de petróleo no mercado internacional deverão manter-se em uma média de US$ 65 a US$ 70. Tal projeção, explica o executivo, embute picos de alta e oscilações para baixo nas cotações, ao longo do tempo, influenciadas por fatores macroeconômicos e pontuais. O estudo já leva em conta, por exemplo, a crise europeia, mas Assis lembra que também considera contrapartidas como o provável bom desempenho dos Brics, nos próximos anos, impulsionado principalmente pelo crescimento da China. Diante de tais perspectivas, não precisa ser especialista em petróleo para saber que os garga- los não inviabilizam os investimentos no setor, mas reduzem os ganhos não só das empresas, mas do país como um todo. Ao reduzir a produtividade da economia brasileira, obstáculos de ordem logística e tributária diminuem a renda potencial do setor. O cenário se agrava com a escassez de mão-de-obra. Além de contribuir para atrasar projetos, leva o país a exportar parte da renda gerada pelo setor - ao obrigar empresas a contratar engenheiros e outros profissionais especializados no exterior. ■ R.R.M. 18 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 INOVAÇÃO & EMPREENDEDORISMO QUARTA-FEIRA QUINTA-FEIRA GESTÃO SUSTENTABILIDADE Intuição leva professor a exportar Licenciado da PUC-Campinas, Israel Geraldi criou a Softway em 1996. Seu objetivo agora é crescer com aquisições João Paulo Freitas [email protected] A Softway, que tem como principais produtos sistemas que ajudam companhias a gerenciar suas atividades de importação e exportação, deu seus primeiros passos em 1996, quando Israel Geraldi , professor licenciado do curso de Análise de Sistemas e Engenharia de Computação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, convidou quatro de seus melhores alunos para trabalhar com ele em um novo empreendimento. No ano passado, o negócio faturou de R$ 40 milhões, montante que, caso as previsões de Geraldi se confirmem, chegará a R$ 45 milhões neste ano. O valor não leva em consideração as aquisições que a empresa planeja fazer ainda este ano. O resultado significativo diz pouco sobre o início do empreendimento, quando o objetivo era oferecer treinamento em banco de dados e desenvolver pequenos sistemas. O fato é que logo Geraldi percebeu, graças a sua atuação como consultor, que muitas empresas necessitavam de uma solução para lidar com seus processos de importação e exportação. A percepção virou negócio quando o empreendedor ofereceu um sistema com essa finalidade à unidade brasileira da americana HP, que fabrica equipamentos eletrônicos como calculadoras e notebooks. A solução satisfez a companhia, que a levou para suas operações em outros países latino-americanos, como México e Colômbia. Nascia ali o principal negócio da Softway, que hoje responde por 95% do seu faturamento. Oportunidade O empreendedor conseguiu fisgar a HP porque havia prestado alguns serviços de consultoria à multinacional. Em uma de suas visitas à companhia, notou que o gerenciamento das informações de comércio exterior precisava ser melhorado. Foi então que decidiu oferecer um sistema à empresa. “Naquela época, não tínhamos um grande cliente. Mesmo assim, a HP apostou no nosso trabalho, até porque o segmento de gerenciamento de importação era pouco explorada pelo mercado”, afirma Geraldi. “Mas havia um enorme potencial. A própria Receita Federal estava se informatizando. No começo dos anos 1990 havia lançado o Siscomex [Sistema Integrado de Comércio Exterior]. Antes, tudo era feito com papel”, conta. A iniciativa gerou frutos. Hoje, a Softway atende Motorola, Volkswagen, “ As faculdades, em geral, são muito carentes no que diz respeito ao ensino do empreendedorismo. Nunca tive nenhuma disciplina sobre o tema. Na Softway, usei a minha intuição GM, Embraer, Honda, Toyota e Volvo, entre outros. A lista conta com cerca de 220 clientes. Aquele primeiro sistema, desenvolvido para a HP, lidava apenas com gerenciamento de importações. Em seguida, a empresa criou outras soluções voltadas para exportações, operações de câmbio e ao Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado, o Recof. Cautela Geraldi conta que não fazia o tipo do empreendedor destemido, que larga tudo para perseguir uma ideia No início na Softway, manteve seu emprego de professor e sua atuação como consultor. “Fui conservador. Mas a empresa dobrava de tamanho anualmente. Fui então me dedicando cada vez mais ao negócio”, afirma. “Eu imaginava que pudesse ter um negócio um dia, mas jamais do porte da Softway”, acrescenta. Hoje, o empreendedor está mais agressivo. Além de adquirir empresas este ano, a Softway abrirá, até outubro, uma filial em Buenos Aires. A expansão conta com o respaldo do aporte de capital que a empresa recebeu do Fundo de Participação e Consolidação (Fipac), em março do ano passado, quando a gestora DGF Investimentos passou a controlar cerca de 30% do empreendimento. O valor do negócio não foi revelado. ■ RESULTADO R$ 40 mi foi quanto a Softway faturou em 2009. As soluções de comércio exterior da empresa são responsáveis por 95% desse total. A meta é atingir neste ano R$ 45 milhões. EQUIPE 380 É o total de funcionários da empresa. Com sede em Campinas, a Softway possui filiais em Jaguariúna, São José dos Campos, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte e planeja abrir neste ano outras três. Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 19 SEXTA-FEIRA SÁBADO SEGUNDA-FEIRA TECNOLOGIA EDUCAÇÃO ENGENHARIA MARA SAMPAIO software Psicóloga e especialista em cultura empreendedora e fortalecer as vendas ao exterior Leandro Ferreira Geraldi: conservadorismo deu lugar a metas de crescimento mais agressivas Rumo à Copa de 2014, o futuro é agora DESENVOLVIMENTO Empresa investiu cerca de R$ 1,5 milhão em sistema de rastreamento Em 2003, Israel Geraldi, presidente da Softway, vislumbrou uma nova oportunidade de negócio e iniciou o desenvolvimento de um sistema de rastreamento de bovino. Ele conta que a solução não decolou inicialmente devido a resistências dos pecuaristas, mas que ao poucos eles têm aceitado mais essa exigências do mercado. Hoje, a Softway tem informações de cerca de 3 milhões de cabeças de gado armazenadas no seu datacenter. “É preciso procurar oportunidades sempre. Não havia muitos sistemas de rastreamento. As pessoas estavam preocupadas com a parte do hardware, não com o software”, conta. Em 2006, a Softway foi contemplada com cerca R$ 500 mil em subvenção econômica da Financiadora de Projetos (Finep) para continuar desenvolvendo seu sistema de rastreamento. Além do recurso governamental, a empresa já investiu cerca de R$ 1,5 milhão na solução. O objetivo é controlar 80% desse mercado no Brasil em um prazo de quatro a cinco anos. Com a abertura da Copa do Mundo, na semana passada, jornais e audiência não falam de outra coisa. Mas, diferentemente do restante do público e da mídia, os empreendedores não querem saber deste mundial. Eles só pensam na Copa de 2014. Algumas reuniões que ocorreram no último fim de semana não tiveram por finalidade assistir aos jogos nem fazer apostas. A meta era identificar oportunidades para a edição brasileira do evento: o que pode gerar novos negócios? Que estratégias adotar para ampliar as atividades? Como conquistar novos mercados para a próxima Copa? Para as pessoas que possuem atitude empreendedora, o futuro se antecipa. Elas são capazes de se projetar anos à frente, delinear o que desejam e o que pretendem como resultado, além de estipular um prazo para cumprir o plano. Em seguida, fazem um caminho de volta ao presente: começam a montar a operação e colocar a empresa para se mover em busca do objetivo traçado. Por isso, os empreendedores são chamados de visionários. Outra característica importante de um empreendedor é a capacidade de identificar, agarrar uma oportunidade e transformá-la em um negócio. Quando ela se une a uma paixão nacional como futebol, o cenário só pode ser de muitos negócios, ainda mais diante das condições socioeconômicas em que o Brasil se encontra, de massa salarial em alta e muitos investimentos. E, como os brasileiros, os estrangeiros também não param de pensar nas oportunidades que aparecem dentro das nossas fronteiras. Belo Horizonte, Goiânia, Cuiabá e as outras cidades que irão sediar os jogos de futebol de 2014 viraram ponto de encontro de empreendedores italianos, portugueses e de outros países. Todos estão atrás de uma boa oportunidade, de um negócio inovador e rentável. Identificar oportunidades faz parte do “pacote empreendedor”, não importa a nacionalidade. Ela se caracteriza pela predisposição de uma pessoa em estar atenta aos desejos e necessidades de um determinado grupo de consumidores, existente ou potencial. É enxergar algo novo, onde ninguém viu uma chance de ter lucro ou sucesso. Ter ideias novas que possam se transformar em produtos desejados e que satisfaçam o público acaba sendo um dos grandes diferenciais das pessoas com atitude empreendedora. O álbum de figurinhas da Copa de 2010, lançado pela Editora Panini, sintetiza bem todas essas características. Uma ideia simples que se transformou em uma excelente oportunidade de negócios. Completar um álbum de figurinha, principalmente de futebol, faz parte da cultura nacional. Em todo mundial, a venda de figurinhas é expressiva no país. Este ano, porém, o fenômeno conquistou, além de crianças e adolescentes, homens e mulheres de todas as idades, que reviveram uma parte muito prazerosa da infância. As vendas surpreenderam e o álbum virou febre. Não foram poucos os colecionadores que tiveram de percorrer muitas bancas de jornais em São Paulo para conseguir completar o seu álbum. A questão agora é: qual será a boa ideia para a próxima Copa? O futuro é agora. É hora de colocar as chuteiras e entrar em concentração rumo a 2014. ■ Para as pessoas com atitude empreendedora, o futuro se antecipa. Elas são capazes de se projetar anos à frente, delinear o que desejam e o que pretendem como resultado 20 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 ENCONTRO DE CONTAS LURDETE ERTEL Pascal Guyot/AFP Digitais no escurinho Febre da vez no mercado de cinema, a projeção digital (incluindo 3D) deve ganhar novo foco no Brasil. A Centauro Cinema®, tradicional empresa nacional de serviços e instalações de cinema, está colocando em cartaz uma dobradinha comercial com a gigante global Barco, fabricante de equipamentos de projeção digital. Com 74 anos e 500 salas de cinema e teatro no portfólio, a Centauro é a única empresa em atividade que produziu projetores cinematográficos no mercado brasileiro. Agora, a companhia entra na briga pelo fornecimento de tecnologia digital a exibidores e donos de salas no país — um mercado estimado em 1,2 mil projetores nos próximos quatro anos. Turismo em pétalas Gramado, cartão-postal da serra gaúcha, prepara nova munição na disputa com Campos do Jordão, no interior de São Paulo, pela preferência dos turistas. A cidade está regando uma nova — e belíssima - atração: um parque temático de orquídeas. O primeiro passo para a criação do empreendimento foi dado neste mês com a assinatura da escritura de uma área no centro da cidade, que passou para propriedade da prefeitura. Orquídeas já são estrelas do turismo de Gramado há alguns anos, com a realização de exposições itinerantes. Com cerca de 30 mil espécies diferentes, a orquídea é considerada das flores mais belas da natureza. Abençoado por sua flora, o Brasil tem a sorte de ser um dos países mais ricos na quantidade e diversidade desta família de plantas. Já foram registradas cerca de 2,3 mil variedades da flor em território brasileiro. Miguel Medina/AFP Malas prontas Ruim para os europeus, bom para os brasileiros. A depressão da cotação do euro que veio no rastro da crise financeira deflagrada pela Grécia está gerando uma corrida de turistas do Brasil à Europa. O site de viagens Mundi verificou um crescimento de 37% na busca de brasileiros por voos para países europeus desde maio. O aumento diz respeito à comparação com a média de buscas dos primeiros quatro meses do ano - que também já não foi pequena. Camarão às pencas O Ceará deve passar o Rio Grande do Norte e se tornar o maior produtor de camarão do Brasil neste ano. O Estado projeta para 2010 um aumento de 36% na produção do crustáceo em cativeiro. Existem mais de 180 fazendas de cultivo de camarão no Ceará, que devem produzir 40 mil toneladas. Recorde na cabeça Um lance anônimo, por telefone, fez soar ontem a maior cifra já desembolsada em um leilão de arte na França. O recorde foi para a escultura Cabeça (foto), do artista Amedeo Modigliani, vendida pela Christie’s de Paris por US$ 52,8 milhões. Foi também o valor mais alto já pago por uma obra de Modigliani. Mais famoso por suas pinturas do que pelas esculturas, o italiano viveu entre 1884 e 1920 e, depois de trocar a Itália pela França, se tornou um dos principais integrantes da famosa Escola de Paris. Esculpida entre 1910 e 1912, a peça de 65 centímetros de altura mostra uma cabeça alongada com olhos amendoados e cabelos soltos. A obra fazia parte da coleção reunida por Gaston Levy, empresário que fundou a rede Monoprix. “Da mesma forma que a visão sobre nossas vulnerabilidades e nossa política externa foi profundamente moldada pelo 11 de Setembro, eu acredito que esse desastre vá moldar a maneira como pensamos sobre o meio ambiente e a energia por muitos anos” Barack Obama, dimensionando os efeitos do vazamento de petróleo no Golfo do México Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 21 Reprodução MARCADO Máquina de PVC O artista austríaco Hannes Langeder recriou o modelo GT3 Ferdinand RSX, em tamanho natural, com tubos de plástico, papel alumínio e fita adesiva. Para construir o carro amigo da natureza, Hannes trabalhou cerca de mil horas, ao longo de dois anos e meio. A construção básica é feito de aço, a carroceria é feita de tubos de plástico PVC e a pintura exterior é feita com fita dourada. O veículo se movimenta através de pedais. ● Será dia 17, em São Paulo, o evento Cultura Organizacional impactando nos resultados das empresas, realizado pela Torres Associados. Carolyn Taylor, uma das melhores especialistas do mundo no assunto, já confirmou presença. [email protected] Fo tos :d ivu lga çã o Banana boat GIRO RÁPIDO O grupo turístico espanhol Loro Parque está jogando âncora no Rio Grande do Norte. Dona da mais assediada atração turística das Ilhas Canárias, a empresa planeja investir US$ 80 milhões na construção de um parque aquático de 18 hectares no litoral norte do estado. O endereço ainda está sendo definido. Tiro longo Maior fabricante de armas do Brasil, a Taurus já engatilhou investimentos de calibre para a demanda por segurança a ser gerada pelas Olimpíadas Militares de 2011, pela Copa de 2014 e pela Olimpíada de 2016. A empresa está desenvolvendo uma nova plataforma para fabricação de armas semiautomáticas, que devem ser as mais procuradas pela segurança nacional. Para produzir os novos produtos, a Taurus prepara desembolso de de R$ 14 milhões. Prato cheio Com os incentivos tributários do governo do estado do Rio de Janeiro, que reduziram a zero o ICMS para carne, aves, pescado e todos os seus derivados, a indústria Landim inaugurou em Barra do Piraí, no sul fluminense, uma fábrica de carne processada. A nova unidade terá capacidade de produção de 200 toneladas por mês e vai gerar 300 empregos diretos. A agropecuária no estado é responsável pela geração de mais de 700 mil empregos. Energia em Copa Plástico dos pés à cabeça A Aggreko está fornecendo 3,6 MW de energia para o palco brasileiro do Internacional Fifa Fan Fest, na praia de Copacabana. Ao todo estão sendo utilizados cerca de 10 mil metros de cabos e 100 mil litros de biodiesel. A empresa possui contrato de US$ 45,3 milhões para fornecer 30 MW de energia para a Copa do Mundo Fifa 2010. O casal Peter e Charlotte Fiell lança mundialmente, em julho, o Plastic Dreams, a primeira publicação sobre as melhores criações do mundo em design de plástico. A marca brasileira Melissa brilha entre as 120 peças selecionadas. O modelo Ultra Coral, a sapatilha Zig Zag dos irmãos Campana e as co-criações de Zaha Hadid e Karim Rashid aparecem em destaque. Além de ser a responsável pela sobrecapa exclusiva do livro, a marca brasileira também inspirou o título da publicação, já que Plastic Dreams faz parte do slogan da campanha internacional da marca, veiculada em mais de 30 países. Na cidade de Gaudí O Bankpime, do Banif, acaba de inaugurar uma sede corporativa em Barcelona. A localização representa o início de uma nova etapa para o banco catalão. Selecionada Depois de passar por um processo seletivo, que durou três meses, a Fábrica Comunicação Dirigida foi a escolhida pela BlackRock, para cuidar do marketing direto no Brasil. Selecionada Rasante histórico Depois de quase dois anos de obras de ampliação, o Museu da Tam, em São Carlos (SP), está voltando a embarcar visitantes. O empreendimento reabriu ao público com mais do dobro da área original projetada pelos irmãos comandantes Rolim e João Francisco Amaro em 1993. Maior museu mantido por uma empresa aérea na América Latina, o endereço tem no acervo 96 aeronaves históricas, das quais 72 estão expostas. Entre as estrelas está o Lockheed L-049 Constellation da Panair do Brasil, primeiro a ligar continentes. Quase metade dos aviões expostos está em condições de voo. A Samsung vai oferecer para o público do show de lançamento do novo álbum do Capital Inicial, no dia 19, no Rio de Janeiro, um card de download MusicTicket+. O cartão permite que o usuário escolha cinco músicas do novo disco da banda, Das Kapital, e uma versão acústica exclusiva de Depois da meia-noite para serem baixadas por meio da Samsung Music Store. Com Karen Busic [email protected] 22 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 EMPRESAS Pão de Açúcar inova com frete Nos Estados Unidos, o Walmart também transportará mercadorias de seus fabricantes Cintia Esteves [email protected] Nos últimos anos, o grupo Pão de Açúcar tem demonstrado ao mercado seu apetite por aquisições. Junto com a vocação de colecionar empresas, nada impede a companhia de enxergar oportunidades em criar unidades de negócios internamente, aproveitando sua escala de negócios. Foi assim, por exemplo, com a GPA Mall & Properties, braço imobiliário. Agora é a vez de a logística atrair os olhares do grupo. Atualmente, 1,35 mil caminhões de 153 transportadoras prestam serviços com exclusividade ao Pão de Açúcar. A ideia é esta frota também se encarregar de transportar as mercadorias dos fabricantes até a varejista nos horários em que ficaria ociosa. “Temos condições de cobrar do “ O transporte colaborativo, ou seja, quando as empresas cooperam entre si para melhorar a eficiência na logística, é uma tendência Maria Fernanda Hijjar, diretora do Ilos fornecedor um frete menor do que ele pagaria no mercado”, diz Carlos Eduardo Botana, gerente geral de distribuição do Pão de Açúcar. “É comum um caminhão fazer sua entrega e voltar vazio para ser carregado novamente. Em vez de retornar sem mercadoria, ele pode passar em outro fornecedor e voltar abastecido”, diz o executivo. Levantamento feito pelo Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) revela que no Brasil os caminhões circulam 30% do tempo vazios ou com espaços livres. “Uma empresa consegue economizar até 8% no total gasto com transporte se realizar uma gestão eficiente como, por exemplo, compartilhar a frota com outras companhias”, afirma Maria Fernanda Hijjar, diretora de inteligência de mercado do Ilos. De um total de 1,8 mil fornecedores, o estudo comandado por Botana concluiu ser rentável vender frete a 180 fabricantes. “Esta é a quantidade de indústrias que estão nas rotas já feitas Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 23 Divulgação Passaportes terão chip eletrônico A partir de dezembro, os passaportes comuns emitidos pela Polícia Federal terão chip eletrônico, tecnologia já adotada por países da União Europeia, Japão, Austrália e Estados Unidos. O novo documento será mais seguro que o atual, emitido desde dezembro de 2006. Por dia, a Casa da Moeda emite de 5 mil a 6 mil passaportes comuns. O passaporte com chip vai custar quase o dobro para a PF, segundo o gerente de logística, Rogério Galoro. Henrique Manreza CIRCULAÇÃO 1,3 mil caminhões de 153 diferentes transportadoras fazem as entregas do grupo Pão de Açúcar, cuja operação logística abrange 16 estados. TRANSPORTE 55 mil reboques e 6,5 mil caminhões compõem a frota própria do Walmart, nos Estados Unidos. No Brasil, a varejista terceiriza o transporte. FROTA 3,5 mil veículos próprios cuidam das entregas da Casas Bahia que, desde dezembro do ano passado, negocia fusão com o grupo Pão de Açúcar. ATACADO 936 veículos próprios e outros 560 terceirizados são responsáveis pelas entregas do Martins, maior atacadista de distribuição do Brasil. “ É comum um caminhão fazer sua entrega e voltar vazio para ser carregado novamente. Em vez de retornar sem mercadoria, ele pode passar em outro fornecedor e voltar abastecido Carlos Eduardo Botana, gerente-geral de distribuição do Pão de Açúcar compartilhado por nossos caminhões.” Ele acrescenta que a empresa está trabalhando com 32 fornecedores para o compartilhamento do frete e tem condições de vender este serviço ao mercado. Ainda sem nome, a nova empresa, chamada por Botana de “filial transportadora”, deve sair do papel neste segundo semestre. A aquisição de uma frota própria de caminhões está sendo avaliada, bem como uma possível utilização de veículos da Casas Bahia, cuja negociação de fusão com o Pão de Açúcar continua em andamento. “Existe a possibilidade de comprarmos caminhões ou de fazermos uma sinergia com os veículos da Bahia, mas ainda não há nada certo. Esta é uma questão estratégica do grupo”, diz o executivo. A Casas Bahia é uma exceção entre as grandes varejistas brasileiras. Enquanto a maioria prefere trabalhar com frota terceirizada, a rede dos Klein mantém 3,5 mil veículos próprios para transportar mercadorias. “O trans- porte colaborativo, ou seja, quando as empresas cooperam entre si para melhorar sua eficiência logística, é uma tendência”, diz Maria Fernanda, do Ilos. Nos Estados Unidos, a rede Walmart vai usar a mesma estratégia, segundo a Bloomberg BusinessWeek . Dono de 6,5 mil caminhões e 55 mil reboques, o varejista está conversando com seus fornecedores para assumir a entrega dos produtos em troca de redução nos preços pagos por eles. ■ Pontualidade é desafio do grupoMartins Compartilhar a frota de caminhões traz às empresas um aumento da eficiência, além de demonstrar preocupação com o meio ambiente, diz Maria Fernanda Hijjar, diretora de inteligência de mercado do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos). No entanto, a especialista alerta para as dificuldades que este tipo de estratégia pode acarretar às empresas. “Trata-se de uma operação muito complexa, pois é necessário ter informações sobre a logística de diversas companhias”, diz. “A dificuldade está, justamente, em combinar estas informações”, afirma. O Martins, maior atacadista de distribuição do país, conhece bem as pedras deste caminho. A empresa usa sua frota própria de 936 veículos mais 560 terceirizados para transportar mercadorias de cerca de 10% de seus 600 fornecedores. “Fazemos este transporte há alguns anos, mas não pensamos em ampliá-lo. Nosso foco não é logística e, sim, venda de alimentos”, diz Flávio Borges Martins, diretor da empresa que, apesar do sobrenome coincidir, é profissional contratado pela companhia. “Matematicamente é bastante interessante. Mas na prática não é tão fácil”, diz. O executivo explica que o principal desafio desta estratégia é o risco de atrasar as entregas aos clientes. “Quando meu caminhão volta vazio, ele retorna para o centro de distribuição pronto para ser reabastecido e, na sequência, seguir para o próximo cliente. Se ele voltar cheio, primeiro precisa descarregar para depois receber novas mercadorias e fazer a entrega ao varejista”, afirma Martins. “ Fazemos o transporte compartilhado há alguns anos, mas não pensamos em ampliá-lo. Nosso foco é a venda de alimentos Flávio Martins, diretor do Martins GANHOS 8% de economia no total gasto com transporte é quanto uma empresa pode ganhar compartilhando seus veículos com outras companhias. OCIOSIDADE Mercado Maria Fernanda, do Ilos, explica que quando uma empresa vende frete para um fornecedor ela consegue cobrar um preço menor do que uma transportadora. “De qualquer forma, o caminhão iria fazer uma viagem sem carga. Então, se a empresa cobrar, por exemplo, metade do valor gasto com combustível naquele trajeto, ela já estará lucrando”. O problema, diz ela, é que algumas transportadoras que trabalham na rota poderiam quebrar, pois não suportariam uma concorrência tão desigual. ■ C.E. 30% de seu tempo é quanto, em média, cada caminhão que circula no Brasil fica vazio ou com algum espaço vago durante suas viagens. INDÚSTRIA 1,8 mil é a quantidade de fornecedores do grupo Pão de Açúcar, maior varejista do país. O Martins, primeiro no ranking atacadista, trabalha com 600 fabricantes. 24 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 EMPRESAS Jack Plunkett/Bloomberg RECICLAGEM INVESTIGAÇÃO Brasil é líder no descarte de embalagens de agrotóxicos AT&T vai cooperar com investigação de falha de segurança no iPad No período de 2002 a 2008, a cadeia produtiva agrícola nacional retirou do meio ambiente 108 mil toneladas de embalagens de defensivos agrícolas ou agrotóxicos. O Brasil é, atualmente, líder mundial no processo de descarte correto desse tipo de embalagens, considerado um centro de excelência e está se tornando referência, afirmou o presidente do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias. A AT&T afirmou no sábado (12) que vai cooperar com autoridades dos Estados Unidos em qualquer investigação sobre a violação de segurança do iPad, da Apple, que expôs informações pessoais de usuários do equipamento que são clientes da operadora. A AT&T disse, em carta, que “os infratores serão processados em toda extensão da lei”. Na semana passada, o FBI abriu um inquérito para investigar a falha de segurança. Editoras investem em e-books Distribuidora de livros digitais (DRD) firma primeiro contrato de distribuição com a Livraria Cultura Ruy Barata Neto [email protected] A distribuidora de livros digitais (DRD), constituída por joint venture entre as editoras Objetiva, Sextante, Record, Rocco e Planeta, firmou ontem seu primeiro contrato de fornecimento de títulos para o mercado brasileiro com a Livraria Cultura. A distribuidora, cujo sócios faturam em média R$ 50 milhões no ano, deverá disponibilizar no mercado cerca de 100 títulos digitais nos próximos 30 dias, segundo o presidente da Objetiva, Roberto Feith. A expectativa dos editores é investir R$ 1,6 milhão na plataforma até o final de 2011 e lucrar com a cobrança pela prestação de serviço de distribuição no formato para outras editoras que ainda não entraram no mundo digital. O custo médio de digitalização de um livro é de R$ 400 e este mercado, ainda em formação, não garante retorno. O diretor comercial da Livraria Cultura, Fabio Herz, diz que o preço do livro digital é 30% menor que o físico, mas as vendas no país ainda são incipientes. “Este mercado só irá deslanchar com a massificação de e-books”, diz. Record, Sextante e Objetiva lideram a joint venture que terá R$ 1,6 milhão de investimentos até 2011 Os editores e varejistas estão agindo rápido para garantir espaço. Com o acordo, a Cultura vai disponibilizar um total de 800 livros digitais nacionais, adquiridos também por um serviço próprio de digitalização de títulos, e mais 120 mil importados, vendidos por conta de uma parceria com a distribuidora americana Over Drive. No Brasil, a editora Jorge Zahar, principal parceria da loja on-line Gato Sabido, deverá concorrer com a DLD com uma plataforma de distribuição a ser anunciada. A Companhia das Letras ainda não tem um projeto e por enquanto distribui seus e-books por meio da Livraria Cultura e da Saraiva. ■ Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 25 Paulo Fridman/Bloomberg EXPLORAÇÃO 1 EXPLORAÇÃO 2 Lupatech e Petrobras assinam contrato de cinco anos no valor de R$ 123 milhões Estatal fecha acordo para monitoramento sísmico em Jubarte, na Bacia de Campos O contrato abrange serviços de preservação e reparo geral de equipamentos, de ferramentas e de materiais destinados às operações de completação de poços, wireline, de avaliação, de perfuração e para serviços especiais. Os serviços serão executados pela subsidiária integral da companhia, Lupatech Equipamentos e Serviços para Petróleo (antiga Gasoil Serviços), nas bases onshore da Petrobras. O acordo foi fechado entre a Petrobras e a Petroleum Geo-Services (PGS). Segundo os termos do negócio, a PGS deverá fornecer e instalar seu sistema de fibra óptica “OptoSeis” e realizar o registro sísmico e processamento de dados. O projeto inicial abrange uma parte do campo de Jubarte de cerca de 245 quilômetros quadrados, em águas com profundidade entre 1.240 e 1.350 metros. Uberaba terá fábrica da Petrobras Lula anunciou cidade mineira como sede da nova unidade da estatal para produção de amônia Ricardo Rego Monteiro, do Rio [email protected] O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que a fábrica de amônia que será construída pela Petrobras ficará na cidade de Uberaba, Minas Gerais, e que para viabilizá-la a Cemig vai mesmo construir gasodutos até o local. A Petrobras já havia acenado com a possibilidade de fazer uma fábrica de amônia no país, seguindo as diretrizes do governo de reduzir a importação deste insumo, mas sua localização foi disputa de uma guerra federativa que envolveu, além de Minas, os estados de Mato Grosso do Sul e Espírito Santo. Para viabilizar a nova unidade da Petrobras em Minas Gerais, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) deve construir gasodutos até o local Lula ressaltou que o Brasil atualmente importa 80% dos fertilizantes de que precisa e, no caso da ureia, o percentual seria de 100%. Com a produção nacional de fertilizantes, disse o presidente, a tendência é que a agricultura melhore de qualidade. A decisão de levar pelo menos uma das quatro fábricas de fertilizantes estudadas pela Petrobras para Minas Gerais foi tomada a partir do pedido do vice-presidente da República, José Alencar. A decisão desagradou o governo do Mato Grosso do Sul, que contava com a implantação de um grande complexo gás-químico no município de Três Lagoas para produzir ureia e amônia. Agora, o estado ficará apenas com a unidade de ureia. A decisão leva, para Minas Gerais, uma fatia de US$ 2,1 bilhões dos cerca de US$ 4,5 bilhões estimados inicialmente para o complexo gás-químico de Mato Grosso do Sul. ■ Com Reuters 26 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 EMPRESAS R. Donask ALIMENTOS OBRAS 1 Nilza demite funcionários em unidades de Ribeirão Preto (SP) e Itamonte (MG) Vendas de materiais para construção no varejo cresceram 12% em maio sobre 2009 Foram mantidos apenas os trabalhadores para manutenção e vigilância. De acordo com o Sindicato da Alimentação de Ribeirão Preto, somente na cidade paulista, sede da empresa, foram feitas 135 rescisões desde a semana passada. A companhia está parada desde abril, quando suspendeu a captação e o processamento de leite. Para justificar a suspensão da produção, informou que negociava a venda dos ativos. A informação é da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco). Em relação a abril, as vendas aumentaram 8%. No acumulado do ano até maio, o segmento de material de construção cresceu 9,5% sobre o mesmo período do ano passado. Otimista com os resultados, a entidade elevou a expectativa de crescimento do setor no ano de 2010 de 10% para 11%. Projetos sociais visam conquistar a classe C Vivo, Suvinil, Cavalera, Tigre e Votorantim Cimentos vão aplicar R$ 1,8 milhão na reforma do Parque Santo Antônio (SP) Natália Flach [email protected] Sob a regência do designer Marcelo Rosenbaum, diversas empresas estão se unindo para mudar o que hoje é o Parque Santo Antônio, localizado na zona sul da capital paulista. Mas, diferentemente de projetos assistencialistas, o “A gente transforma” é um meio de cada uma das patrocinadoras se comunicar com consumidores das classes C, D e E, moradoras do bairro. Segundo Rosenbaum, será investido R$ 1,8 milhão para pintar as casas da comunidade e construir uma biblioteca, além de outras ações de transformação social. Na lista de patrocinadores estão Vivo, Suvinil, STB, Cavalera, Votorantim Cimentos e Tigre. Rosenbaum acrescenta que estão em negociação uma parceria com uma fabricante internacional de materiais esportivos — para fornecer uniformes a 35 equipes de futebol da região — e com uma siderúrgica, que pretende doar as traves para o campinho, única área de lazer do parque. “Por enquanto, o projeto não é financeiramente sustentável, porque ainda demanda muito investimento. Mas vejo um grande futuro, esse é um caminho necessário e inclusivo.” O projeto chamou atenção do poder público mesmo antes da semana “mão na massa” ser realizada — quando alunos de arquitetura de todo o Brasil e da Inglaterra vão ajudar a pintar as casas da comunidade e a construir a biblioteca. O Ministério da Integração demonstrou interesse em resolver o problema do córrego que perpassa o bairro Campo Limpo, que compreende o Parque Santo Antônio. A partir de um jogo virtual, estão sendo selecionados 30 estudantes universitários que ajudarão nas reformas, durante o “mão na massa”, previsto para ser realizado em julho. Os custos da vinda dos alunos serão financiados pela STB. Segundo Cris Bicalho, diretora executiva da empresa de intercâmbio, além fornecer recursos financeiros, a “ Por enquanto, o programa não é financeiramente sustentável porque ainda demanda grande investimento. Mas vejo um grande futuro. Esse é um caminho necessário e inclusivo Marcelo Rosembaum companhia está contribuindo com expertise. “Vamos preparar os jovens para encarar esse desafio”, diz. “Não estamos fazendo isso porque queremos passar uma imagem de bonzinho. O nosso retorno tem sido o contato com os universitários. Queremos entender ainda mais o jovem e o que ele busca. A classe C, sem dúvida, tem viajado mais, mas ela ainda não é nosso potencial cliente”, afirma Cris. O próximo passo do programa será a transformação de 100 moradores em técnicos da Suvinil, que serão cadastrados em um banco de dados das lojas que vendem os produtos da marca. Segundo Míriam Zancheta, gerente de marketing da fabricante, “todo mundo que vai participar do programa é potencial consumidor”. Ela se refere aos pintores que serão capacitados, aos estudantes de arquitetura e à própria comunidade. “Em 2009, fizemos uma pesquisa de mercado para entender o que as classes C e D queriam. Descobrimos que uma tinta que vendíamos tinha uma cobertura fina demais e que precisava ficar mais consistente”, diz. “Estamos atrás desse contato.” As casas do entorno do campo de futebol vão ganhar novas cores por causa da Suvinil. “Investimos nas tonalidades fortes porque, segundo pesquisas, são as preferidas pelas classes C e D.” A parte tecnológica está por conta da Vivo, que investiu R$ 250 mil em recursos financeiros diretos. “O que nos atraiu foi a possibilidade de criar uma forma diferente de nos relacionar com a comunidade e promover, assim, uma melhoria na vida delas”, afirma Luis Fernando Guggenberger, consultor de responsabilidade socioambiental da Vivo. Por isso, a operadora vai patrocinar a instalação de 20 laptops com placas 3G no telecentro que ficará dentro da biblioteca. “Além disso, fizemos uma parceria com a Motorola e vamos fornecer 30 celulares com câmeras de 5 megapixels para a produção de videoarte.” ■ Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 27 Kate Davison-Greenpeace/Reuters OBRAS 2 PETRÓLEO Redução do IPI e programas do governo aceleraram construção no país, diz estudo BP perfurará em águas profundas da Líbia, mas governo quer garantias de segurança A avaliação é da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco). Para Cláudio Conz, presidente da entidade, a tendência de crescimento tem se confirmado e 2010 tem tudo para ser o melhor ano da história para o setor da construção civil. A redução do IPI foi um fator que influenciou fortemente a recuperação do setor nos últimos 12 meses, em que o crescimento registrado foi de 6,5%. A perfuração acontecerá no Mar Mediterrâneo. “A esta altura nós não estamos suspendendo nada. Vamos iniciar a perfuração em breve e alguns dos trabalhos serão realizados em águas profundas”, disse o chefe da estatal líbia National Oil (NOC), Shokri Ghanem. “Mas eles estão tomando precauções e o que aconteceu no Golfo do México vai ser um processo de aprendizagem.” Antonio Milena Clube vai reformar 1 milhão de moradias Companhias se voltam a famílias com menor poder aquisitivo, com produtos e serviços especiais Trinta e oito organizações — entre elas Banco do Nordeste, Santander, Camargo Corrêa Cimentos, Cimpor, Eternit, Gerdau, Holcim, Lafarge, Votorantim Cimentos e Tigre — se atentaram para o fato de que a maior parte das reformas, no Brasil, são feitas por consumidores denominados “formiguinhas”. A partir da constatação, reuniram-se e desenvolveram o chamado Clube da Reforma, que tem como objetivo ajudar um milhão de famílias de baixo poder aquisitivo a reformar suas moradias nos próximos cinco anos. De acordo com Valter Frigieri Júnior, gerente de Desenvolvimento de Mercado da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), apenas 1% das mudanças em residências são feitas por construtoras. Uma pesquisa da Anamaco/Latin Panel revela que o país tem 56 milhões de moradias e, a cada ano, aproximadamente 25% delas são reformadas. Mas, por causa de entraves como escassez de crédito voltado a esse segmento e a oferta de materiais de construção sem qualidade, este número não é ainda maior. E é este quadro que o Clube da Reforma espera ajudar a reverter. “ Nossos parceiros vão poder nos ajudar a definir qual tipo de crédito é mais adequado e o que fazer para reduzir a burocracia, para que seja algo duradouro Zoltan Geocze, gerente de microcrédito do Santander Contato com o consumidor Segundo Julie Gattaz, gerente de marketing da Votorantim Cimentos, a companhia já teve oportunidade de fazer outras O designer Marcelo Rosenbaum conta que estão em negociação a participação de uma fabricante de materiais esportivos e de uma siderúrgica ações como esta, mas nunca obtiveram tanto sucesso, porque sempre faltava algum ator imprescindível. “As organizações sociais são muito importantes nesse sentido porque muitas vezes não temos informação da ponta, dos consumidores”, afirma. Julie acrescenta que o Clube da Reforma vai possibilitar esclarecer a população acerca da melhor forma de utilização dos produtos. “Vamos motivar as pessoas a comprar o cimento de uma vez só, assim elas ganham mais descontos. Infelizmente, pelo poder aquisitivo menor, elas compram aos pouquinhos. E ao final da compra, parte daquele produto já está vencido.” Para isso, os consumidores precisam ter acesso a novos formatos de microcrédito. E é isso que o Santander pretende ao integrar o Clube da Reforma. “Os nossos parceiros vão poder nos ajudar a definir qual tipo de crédito é mais adequado e o que fazer para reduzir a burocracia”, diz Zoltan Geocze, representante da instituição. “Vai ser um grande aprendizado, que pode resultar, inclusive, no lançamento de novos produtos”, acrescenta Julie. “A gente vai se adequar localmente, porque nem sempre as necessidades são as mesmas em todas as regiões.” Sobre as empresas concorrentes que também integram o Clube, Julie diz que a Votorantim Cimentos não se sente ameaçada. “A informação será igual para todos. O que vai fazer a diferença é a forma com que cada fabricante vai transformá-la em soluções.” ■ ESTADO DAS MORADIAS NOVAS RESIDÊNCIAS O QUE ELES PENSAM 77% dos lares brasileiros 1,5 milhão é quanto o Brasil ganha 69,7% dos moradores que necessitam de algum tipo de reforma ou construção (classes D e E 82%, classe C 77% e classes A e B 71%), de acordo com uma pesquisa Tendências Latin Panel, em 2008. 79% das residências têm apenas um banheiro e 70% possuem no máximo dois dormitórios. de novas casas por ano, de acordo com uma pesquisa realizada pela Anamaco, no ano passado. Algo em torno de 14 milhões de operações de reformas e ampliação são realizadas anualmente no país. E 77% delas são feitas por autogestão, ou seja, pelos próprios moradores. pretendem reformar suas casas disseram que sentiram que gastaram mais do que precisavam, segundo a Anamaco. Entre os principais motivos, estavam a compra equivocada e a mudança de planos no decorrer da obra. A habitação, além de construída, foi financiada pelo próprio morador. 28 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 EMPRESAS Henrique Manreza AUTOMOBILÍSTICO Vendas de veículos importados sobem 171,7% em maio e atingem 7.450 unidades A alta foi registrada na comparação com os emplacamentos de igual intervalo do ano passado. Na comparação com abril, porém, houve ligeiro decréscimo de 0,7%. Os dados se referem ao comércio de veículos de 22 empresas filiadas à associação. Nos primeiros cinco meses do ano, o resultado de emplacamento das 22 marcas indica alta de 190,1%. Foram 34.159 unidades, ante 11.776 veículos de janeiro e maio de 2009. Henrique Manreza APP Brasil busca espaço para atrair capital chinês Diretor-geral da Cathay, Ferreira destaca que o Brasil sempre esteve nos planos da APP, em especial, pela competitividade no custo de produção de celulose Com ativos de US$ 10 bilhões, grupo produz 13 milhões de toneladas de papel Cláudia Bredarioli [email protected] Como prova de que realmente veio ao país para ficar, a Cathay, subsidiária da Asia Pulp&Paper (APP), começa a consolidar os planos para instalar uma fábrica. Geraldo Ferreira, diretorgeral da APP Brasil, planeja receber entre julho e agosto executivos chineses para apresentar projetos e discutir a viabilidade da construção, em um primeiro momento, de uma fábrica de celulose e, posteriormente, uma unidade de papel. “Estamos avaliando várias possibilidades e vendo terrenos que poderão ser comprados para isso. Só que essa iniciativa é mais minha do que da APP globalmente, porque o projeto brasileiro concorre, por exemplo, com vários outros investimentos possíveis na própria China que já estão sob observação da APP”, acrescenta. De qualquer forma, Ferreira destaca que o Brasil nunca saiu do foco da APP globalmente por ser uma região estratégica, em especial por ter o menor custo de produção de celulose do mundo. A APP chegou ao país há pouco mais de três anos. Tem trabalhado, desde então, na inserção de produtos em segmentos nos quais a participação dos importados ainda é pequena. Dentre eles, Ferreira destaca por exemplo que o papel para fotocópia (tipo cut size) ou o papel cartão importados não chegam a alcançar 5% de participação no mercado nacional. “Nossa intenção é trazer uma alternativa estratégica para o consumidor nacional”, diz. Na busca por espaço no mercado brasileiro, a empresa tem “ É preciso fazer um esforço para vender a preços mais baixos no Brasil por causa dos impostos de importação, que deixam o custo final do produto muito alto Geraldo Ferreira atuado tanto na linha de produto massivo para ampliar a participação dos importados quanto para oferecer itens diferenciados, como papeis com resistência à umidade para embalagens ou papeis digitais offset (ainda sem fornecedores no Brasil, segundo Ferreira). “Só que para isso é preciso fazer um esforço para realizar vendas com preço mais baixo por causa dos impostos de importação”, afirma o executivo. Mas o foco de atuação da APP, via Cathay, no Brasil por enquanto está centralizado no mercado editorial, com possibilidade de inserção, no longo prazo, no segmento de embalagens finas. Segundo Ferreira, um grande passo para esses projetos deslancharem foi a ligação direta entre a Cathay brasileira e a APP em Xangai, mas ainda há muito a ser feito para alcançar uma boa inserção dos produtos asiáticos no mercado brasileiro. “Há aqui um certo preconceito contra o produto asiático, especialmente o chinês”, disse. PELO MUNDO ● A APP afirma que tem política de tolerância zero para madeira ilegal, tanto em suas unidades quanto por parte de fornecedores. ● Tem cerca de 500 mil hectares de florestas nativas destinadas à preservação no planeta. ● Emprega diretamente cerca de 120 mil pessoas somente na China e na Indonésia. A intenção agora é aproximar ainda mais o Brasil dos produtos oferecidos pela APP. “Temos muito a crescer. Vamos mostrar também os esforços das fábricas do grupo quanto à certificação florestal”, diz Ferreira. A APP é uma das maiores fabricantes de celulose e papel no mundo, com ativos de mais de US$ 10 bilhões e produção anual de mais de 13 milhões de toneladas globalmente. Pertencente ao Sinar Mas Group, conta com unidades na China, na Indonésia e em outros 63 países. ■ Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 29 Wolfgang von Brauchitsch/Bloomberg AVIAÇÃO SIDERURGIA EADS nega rumores de parceria com Embraer para produzir jatos pequenos ThyssenKrupp deve reajustar preços de aço em até € 100 para entrega no 3º trimestre “Não está acontecendo nada”, disse Louis Gallois à emissora de televisão LCI. “Não é realidade”, acrescentou, referindo-se à especulação de que as duas empresas estão em negociações concretas para cooperação. O executivo afirmou que os rumores surgiram de comentários que ele fez anteriormente, ao elogiar o trabalho da Embraer. No domingo, Gallois repetiu que estava impressionado com a Embraer. A informação é de uma fonte ligada a empresa, que afirmou ainda que os clientes que estão fazendo cotações de preços da bobina a quente, usada na produção de automóveis, por exemplo, estão recebendo valores de € 50 a € 100 mais altos que os cobrados no trimestre de abril a junho. A variação de preço deve depender da qualidade do aço. A ThyssenKrupp não comentou o assunto. TRÊS PERGUNTAS A... Henrique Manreza ...IAN LIFSHITZ Gerente de sustentabilidade da APP “Não há mais escolha a não ser atuar de forma sustentável” Em visita ao Brasil para a divulgação de novos produtos, o gerente de sustentabilidade Ian Lifshitz falou com o BRASIL ECONÔMICO, após apresentação aos clientes da APP. Que pontos podem ser destacados na atuação global da APP em sustentabilidade? Como conciliar interesses da comunidade local e de uma empresa global? Quando fui visitar esses projetos pela primeira vez, foi emocionante ver tudo aquilo com meus próprios olhos. Não há como não ficar orgulhoso de participar desse tipo de projeto quando vemos seus resultados. Vemos a floresta tropical preservada, as comunidades ganhando para sua sobrevivência e a APP conseguindo fornecimento e mão de obra de qualidade. Em geral, mantemos 60% de área para plantio e 40% de área de mata para ser preservada para biodiversidade, para cuidado dos animais e para pesquisa pelas universidades. Isso demonstra claramente que a empresa não está só focada em cortar árvores para produzir papel e já o faz há muito tempo. O trabalho que fazemos na China é um pouco diferente daquele que é desenvolvido na Indonésia. Quando se fala em sustentabilidade é preciso pensar nas culturas locais, em como as comunidades se organizam. Atuamos em escolas, igrejas, hospitais... Há um programa que reúne em cooperativa vários pequenos fazendeiros locais. Damos mudas de árvores a eles, ensinamos as técnicas de plantio e depois compramos deles a madeira de reflorestamento. Isso é sustentabilidade. “ Especialmente em um país em desenvolvimento, como é o caso da Indonésia, a atuação de uma empresa global exige comprometimento social E isso também é uma maneira de a empresa ganhar mais? A maioria das empresas investe em meio ambiente e sustentabilidade e hoje isso já tem tanta importância quanto questões econômicas e sociais especialmente com o acirramento do processo de globalização. Lógico que as empresas operam para ganhar dinheiro e não é possível evitar isso. Mas é preciso ter clareza que temos também responsabilidade em relação às sociedades nas quais atuamos. Especialmente se tratamos de China e Indonésia. A Indonésia especialmente é um país em desenvolvimento, é muito novo, não é como o Brasil, ou Canadá. E, em um país em desenvolvimento, a atuação de uma empresa global exige comprometimento social. Então, sim, nós ganhamos dinheiro com nossas ações lá, mas também investimos em desenvolvimento social. Esse será o caminho de todas as empresas. Não há mais escolha. Conheça as inovações tecnológicas e cases de sucesso do mercado de Call Center e CRM. No congresso e nos workshops serão apresentadas soluções inovadoras e tendências do mercado para a sua empresa melhorar o relacionamento com seus clientes. Participe! CASES DE SUCESSO: s"2!$%3#/ s(3"# s!:5,,).(!3!»2%!3 Keynote Speakers internacionais já confirmados: s2ANDY"RASCHE, Alcatel-Lucent (EUA) - diretor de marketing de produtos Genesys s%LIZABETH5SSHER, Avaya (EUA) - diretora global de Demo Programs s3ERGE(YPPOLITE, Aspect (EUA) - diretor de produtos de Gerenciamento de Interação s7ILLIAM$URR, Verint (EUA) - consultor s+IRK-OSHER, Oracle (EUA) - vice-presidente de marketing de produtos de CRM Patrocínio Silver Paineis, palestras e workshops com profissionais das empresas: s)"-"RASIL s&ROST3ULLIVAN s!3-#ONSULTORIA s4-+43ERVIÀOSDE -ARKETING s!LMAVIVA"RASIL s4)- s#ONSULTORIA"RETZKE -ARKETING s-ICROSOFT"RASIL s0LUSOFT s.EO!SSIST s/RACLEDO"RASIL s2ODRIGUEZY2ODRIGUEZ Patrocínio Bronze Patrocínio VIP 22 e 23 de junho de 2010 CENTRO DE CONVENÇÕES FREI CANECA, SÃO PAULO, SP INSCRIÇÕES 0800 77 15 028 [email protected] WWWCONVERGECOMCOMBR Parceiros de Mídia IN Apoio Assessoria de Imprensa Promoção Organização GARANTA JÁ A SUA VAGA COM 10% DE DESCONTO*! IDENTIFIQUE-SE COM O CÓDIGO PROMOCIONAL PROMOBR 30 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 EMPRESAS Daniel Acker/Bloomberg VIDEOGAME CONSOLIDAÇÃO Microsoft batiza de Kinect o sensor de movimentos do Xbox 360 IBM negocia Storwize, de armazenamento, por US$ 140 milhões O nome oficial do sensor de movimentos do Xbox 360, console de videogames da Microsoft, é Kinect. A marca foi lançada do último domingo, quando a empresa aproveitou para exibir títulos compatíveis com o sistema na tentativa de revigorar sua plataforma, que já vendeu 40 milhões de unidades. A empresa não anunciou que companhias distribuirão os jogos para o Kinect, antes conhecido como Natal. A IBM está avaliando a compra da empresa de armazenamento de dados americano-israelense Storwize por US$ 140 milhões, informou o site de notícias financeiras de Israel TheMarker. A Storwize, que desenvolve software para compressão de dados on-line, aumentando a capacidade de armazenamento em ambientes de rede, levantou US$ 40 milhões em investimentos desde sua fundação, em 2004. Pequenas e médias serão tratadas como grandes por Intelig e Diveo Empresas pretendem ofertar pacotes a preços competitivos para desbancar Embratel, Telefônica e Oi Felipe O’Neill Fabiana Monte COMO SÃO AS OFERTAS [email protected] As operadoras de telefonia Intelig e Diveo querem ganhar terreno entre as pequenas e médias empresas. No caso da Intelig, o foco são negócios que têm entre 100 e 500 funcionários e que, de acordo com pesquisas internas da operadora, representam 28% do mercado potencial. Na Diveo, os clientes-alvo são aqueles com mais de 30 funcionários. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2008, o Brasil tem 4,1 milhões de empresas ativas, das quais 88,7% são microempresas (até nove empregados) e 0,7% grandes (com mais de 100 empregados). A Intelig, embora não divulgue metas referentes a faturamento ou número de clientes para os novos produtos, admite que tem uma expectativa boa de aceitação das ofertas. “Hoje o mercado é dominado por Embratel, Telefônica e Oi e os clientes não estão bem atendidos”, afirma o diretor de vendas da operadora, Rivo Manhães Soares. A estratégia, segundo Soares, é oferecer um atendimento semelhante ao prestado a grandes clientes, aliado a ofertas simples. Desde a compra da empresa pela Tim, esta é a primeira ação que a Intelig anuncia para este segmento do mercado. 1 Intelig É possível contratar serviços de voz com mensalidades entre R$ 1 mil e R$ 2,6 mil das quais são descontadas as ligações realizadas pelo cliente. Há três tarifas: para chamadas aos telefones fixos, móveis ou celulares Tim. Ligações DDD, com o código 23 e locais têm o mesmo preço e chamadas para celulares Tim são gratuitas. Já para serviços de acesso à internet, o cliente pode escolher planos de 2 Megabits por segundo (Mbps) a 30 Mbps, a partir de R$ 1,5 mil. 2 Diveo O preço das duas ofertas criadas pela Diveo é informado apenas sob consulta. Para atingir empresas com quadro de empregados a partir de 30 pessoas, o provedor de infraestrutura de telecom e tecnologia aposta nos chamados pacotes com mais de uma solução. No caso da Diveo, a primeira alternativa reúne voz e internet; já a segunda inclui a aplicação de e-mail Microsoft Exchange Server e internet. DDD com preço local A oferta de voz envolve a contratação de um plano com custo mensal entre R$ 1 mil e R$ 2,6 mil que pode ser usado para ligações locais e de longa distância nacional (DDD), para telefones fixos e móveis. Segundo Soares, o trunfo da oferta é uma tarifa única para ligações locais e DDDs (com o código 23). “Longa distância nacional é o maior percentual da conta de telefone. Quando você tem a tarifa de DDD igual à local, a redução de gastos chega a 50%”, estima. Outra vantagem é a gratuitade de ligações feitas para celulares Tim. Já a oferta de internet, por sua vez, conta com duas soluções: a tecnologia sem fio Wi-Max e fibra óptica. No Rivo Manhães Soares, diretor de vendas da Intelig, diz que o trunfo da estratégia é uma tarifa única para ligações locais e DDD ■ PESQUISA Segundo o Sebrae-SP, o faturamento das micro e pequenas empresas do estado em 2009 totalizou R$ 262 bi primeiro caso, a velocidade é de até 3 megabits por segundo (Mbps); a fibra tem opções entre 2Mbps e 30Mbps, com banda garantida, a partir de R$ 1,5 mil. Soares planeja também ofertas para pequenas e médias empresas que permitam o acesso à internet por meio da rede elétrica, nos moldes do acordo anunciado, em março, com a AES Eletropaulo Telecom para o mercado residencial paulista. Pacote Para atrair o novo segmento, a Diveo, que provê infraestrutura de telecomunicações e tecnologia, criou duas ofertas do tipo pacote, que reúnem mais de uma solução. A primeira engloba internet e telefonia, por meio da tecnologia de voz sobre IP (VoIP), e promete economias de 30% em média. A segunda reúne acesso à internet e o Exchange, plataforma de e-mail corporativo da Mi- crosoft. O aplicativo é oferecido no modelo de serviço, no qual o usuário paga uma mensalidade e utiliza a solução sem ter de comprar e instalar licenças e servidores. “Se aumentarmos nossas vendas entre 10% e 20%, vou considerar um sucesso”, diz o vice-presidente executivo de telecomunicações da Diveo, Luiz Dutra. A empresa espera conquistar 50 clientes para os novos pacotes até o fim de junho. ■ Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 31 32 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 EMPRESAS Paulo Fridman/Bloomberg INQUÉRITO SUSTENTABILIDADE Investigação de suicídios na Foxconn será pública, diz governo chinês Bradesco ganha prêmio por sistema de gestão de água e energia com CPqD A China vai divulgar os resultados de uma investigação oficial sobre os recentes suicídios ocorridos na fábrica de eletrônicos da Foxconn, no sul do país, afirmou um representante do governo. Zhang Xiaojian, vice-ministro de Recursos Humanos e Seguridade Social, também afirmou que recentes episódios de greves em fábricas controladas por estrangeiros no polo de exportação não representam uma “onda” de revoltas. O Sistema de Gestão de Água e Energia Elétrica do Bradesco, que visa o controle do consumo, renegociação de contratos e identificação de erros de fatura e leitura, além da diminuição de desperdício, acaba de ganhar o Prêmio eFinance 2010, na categoria Sustentabilidade, anunciado durante o CIAB Febraban. O programa existe há dois anos e foi implementado em parceria com o CPqD sobre uma plataforma de integração de informações. ENTREVISTA MARTIN SORRELL Diretor-geral e fundador da WPP Valor inferior dos anúncios na web não vai durar para sempre Presidente do maior conglomerado mundial de publicidade busca aquisições e crescimento de 5% no país João Laet Daniel Haidar, do Rio de Janeiro [email protected] Ser um país emergente dá ao Brasil maior vantagem comparativa para receber investimentos estrangeiros. Em outras palavras, a bola da vez para ganhos em publicidade e promoção é a nação verde-amarela. Quem afirma isso é o diretorgeral e fundador da Wired Plastic Products (WPP), Martin Sorrell, o maior conglomerado de publicidade do mundo, que esteve no Brasil para falar com clientes. Não foi sua primeira vez em território nacional. No último Réveillon, Sorrell assistiu à virada do ano na Praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, e passou também por Búzios, litoral fluminense. No ano anterior, brindou o Ano Novo em Itacaré, na Bahia. Como se percebe, o britânico ama o Brasil, onde empresas como a J.W. Thompson, Young & Rubicam e Ogilvy estão sob o guarda-chuva do grupo. Mais do que ponto turístico, porém, Sorrell aposta no potencial de crescimento dos negócios no país, o mais importante na operação da América Latina. No Brasil, a WPP faturou US$ 500 milhões no ano passado, e a projeção é crescer mais 5% este ano. Em 2009, o Brasil foi um dos poucos países em que a receita do grupo cresceu 2%, enquanto ocorria queda global de 8%. Após comprar as brasileiras Mídia Digital e i-Cherry, Sorrell fala em outras aquisições. Quais são os objetivos para as agências digitais adquiridas no Brasil? Se você olhar ao redor do mundo, os clientes têm gastado 12% dos orçamentos em propaganda on-line. Nós passamos 20% do nosso tempo conectados na internet, portanto os orçamentos devem alcançar naturalmente esses 20%. No Brasil, o mercado digital não absorve nem perto desses 12% dos orçamentos de publicidade. A expansão dos telefones celulares no Brasil é “ No ano passado, o Brasil foi um dos poucos países onde a receita do grupo cresceu 2%, enquanto a queda global foi de 8% muito significativa e é o meio mais barato de acesso à internet. O Reino Unido foi o segundo país onde a internet superou os anúncios feitos pela televisão. Está demorando no Brasil, mas a internet também vai ultrapassar o espaço da televisão. No entanto, o maior erro dos sites foi dispor de notícias gratuitas, pois isso provocou uma pressão pela diminuição de preços na mídia tradicional. A internet vai ser mais cara para se anunciar? É mais barata por enquanto, mas isso não deve durar muito, porque os modelos de internet também estão sob pressão econômica. Da maneira como funcionam esses novos modelos, as pessoas têm a tendência de pensar em audiência, mas não em lucratividade. Os anúncios online vão ganhar mais valor, mas ainda é um longo caminho. Quais são as oportunidades para desenvolver a imagem do Brasil na Copa do Mundo de 2014 e na Olimpíada de 2016? O Brasil tem uma oportunidade similar à da China na Olimpíada de Pequim. Esses dois even- tos vão ser o teste de que o Brasil é uma potência mundial. Todos os dados que temos mostram o Brasil crescendo em credibilidade, imagem e todos os atributos estão mais positivos. Os atributos mais fracos do Brasil são inovação e qualidade, porém, este conceito melhorou de ano 2000 para cá, pois passou a ser visto como mais progressista. Mas acho que Copa do Mundo e Olimpíada darão ao país uma oportunidade de se fazer isto melhor. Se esses eventos forem bem executados, será uma confirmação da sua capacidade. A marca Brasil está evoluindo. ■ GANHOS 20% É o potencial de receita que as agências podem alcançar com as receitas vindas da internet, pois é a média de tempo que as pessoas passam conectadas à rede. ORÇAMENTO 12% É a porcentagem do montante gasto atualmente no mercado digital e no momento o Brasil está longe desse número. Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 33 André Penner AVIAÇÃO 1 AVIAÇÃO 2 Tráfego aéreo de passageiros no Brasil cresce 20,17% em maio, afirma Anac Demanda nos voos internacionais operados por companhias brasileiras sobe 21,03% O resultado foi alcançado na comparação com o mesmo período de 2009, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A taxa média de ocupação dos aviões nos voos domésticos ficou em 60,31%, o que representa um aumento de 1,12 ponto porcentual ante a taxa de 59,19% de maio do ano passado. A TAM respondeu no mês passado por 40,88% do mercado. O grupo Gol/Varig teve participação de 40,18%. O resultado foi registrado em maio na comparação anual. De janeiro a maio, a alta acumulada foi de 11,69%, segundo a Anac. Em maio, a TAM ficou com 87,93% dos passageiros que voaram ao exterior, enquanto a Gol apresentou participação de 12,07%. A ocupação nas aeronaves das brasileiras no segmento internacional em maio atingiu 74,20%, alta de quase 12 pontos percentuais sobre um ano antes, quando foi de 62,36%. Divulgação Plantio de eucalipto para produção de celulose de fibra curta ganha cada vez mais mercado no exterior. Unidades da JBS terão capacidade para 4,5 milhões de toneladas por ano JBS projeta três fábricas de celulose Investimento total previsto para Três Lagoas (MS) supera os R$ 10 bilhões e projeto deve ser concluído em 2020 Domingos Zaparolli [email protected] Hoje às 11 horas, quando os irmãos Batista, donos da JBS, o maior processador de carnes do mundo, e seu sócio, o advogado e fazendeiro Mario Celso Lopes, dono da MCL Empreendimentos, assentarem a pedra fundamental da Eldorado Celulose em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, será iniciada a construção não apenas de uma fábrica, mas de um empreendimento composto por três unidades produtoras de celulose que exigirão investimentos superiores a R$ 10 bilhões e que somará uma capacidade produtiva de 4,5 milhões de toneladas em 2020. “Estamos entrando no negócio para sermos representativos. Há uma demanda crescente de celulose no mundo e nós estamos dispostos a suprir parte dessa necessidade”, diz Lopes. Os planos da Eldorado são de agilizar ao máximo os investimentos. A decisão dos sócios em entrar no setor ocorreu no final do ano passado. Imediatamente contrataram um estudo de via- bilidade econômica e a consultoria Pöyry para desenvolver o projeto industrial. Paralelamente, contrataram profissionais experientes no mercado de celulose para colocar de pé o projeto. A licença ambiental foi conseguida agora em maio e a expectativa é de a primeira unidade, com capacidade de produzir 1,5 milhão de toneladas anuais, a maior do mundo, entre em operação em 7 de setembro de 2012. “Estamos levantando uma fábrica em tempo recorde”, diz o diretor comercial Sérgio Almeida. Segundo o executivo, a rapidez tem uma razão. Os investidores detectaram que deverá haver um déficit produtivo de celulose nos anos de 2012 e 2013. O motivo é simples. A demanda mundial cresce em 1,5 milhão de toneladas anuais. Mas, em 2008 e 2009, devido à crise financeira internacional, vários projetos de novas fábricas foram postergados. Além disso, fábricas que não usam eucalipto em seus processos produtivos foram fechadas por Grandes consumidores de celulose, principalmente asiáticos, já procuram a empresa, que prevê iniciar a produção em 2012 com 80% da capacidade comercializada falta de competitividade na Europa, nos EUA e na China. “Haverá um hiato produtivo e isto está gerando a preocupação de grandes consumidores, principalmente asiáticos, que já estão nos procurando. Acreditamos que vamos entrar em operação com 80% da nossa produção comercializada com preços muito atraentes”, diz Almeida. O investimento na primeira unidade é estimado em R$ 4,8 bilhões. A estrutura financeira ainda não está completamente definida. A idéia inicial é captar aproximadamente R$ 3 bilhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), outros R$ 900 mi- lhões com agentes financeiros internacionais associados ao fornecimento de equipamentos e o restante dos recursos serão divididos entre os sócios. A Eldorado adquiriu 40 mil hectares de florestas de eucalipto. Precisará de 100 mil hectares por ano apenas para a primeira fábrica e de 450 mil hectares quando as três unidades estiverem produzindo. A avaliação de Celso Lopes é que a expansão florestal será favorecida pela grande oferta de terras de pastagem na região de Três Lagoas. “Aqui, a criação de gado era extensiva, agora é confinada, o que está liberando grandes lotes de terra para outras finalidades”, diz o empresário. ■ ATUAL FUTURO PRODUÇÃO R$ 4,8 bi é o investimento para a primeira R$ 3 bi é o investimento em cada uma 4,5 milhões de toneladas de celulose por fábrica de celulose que deverá entrar em operação em setembro de 2012 com capacidade de 1,5 milhão de toneladas anuais. das novas fábricas, que serão erguidas no mesmo terreno da primeira e se beneficiarão da estrutura que já estará criada. ano é a capacidade produtiva projetada para 2020. Serão necessários 450 mil hectares de floresta por ano. 34 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 EMPRESAS Divulgação MEIO AMBIENTE SUSTENTABILIDADE Brasil receberá US$ 13 mi para conservar Cerrado Braskem cria selo para identificar produtos de matérias-primas renováveis A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, participou ontem da assinatura de acordo de doação de US$ 13 milhões entre o Banco Mundial, o ministério, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e os governos de Goiás e do Tocantins para quatro projetos de preservação do Cerrado. O recurso será doado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente ao Programa Iniciativa Cerrado Sustentável, do ministério. A Braskem está lançando o selo I’m Green, cujo objetivo é criar valor e identificar todos os seus polímeros produzidos a partir de matérias-primas renováveis, entre eles o polietileno verde, a partir do etanol de cana-de-açúcar, que a empresa deve produzir comercialmente no próximo semestre. A companhia pretende definir com os seus clientes as condições para que eles possam estampar o selo em seus produtos. Tricia Vieira/AE Modelos turbinam lucros da Colcci Empresário Alexandre Menegotti diz que desfile estrelado vale cada centavo e garante exposição no Brasil e no exterior Alexandra Farah [email protected] “Fala com a Gisele (Bündchen), eu não sou bom nisto de dar entrevista”, diz um dos maiores empresários da moda brasileira, Alexandre Menegotti, dono do conglomerado AMC Têxtil que detém as marcas Colcci, Sommer, Carmelitas, licenciamento da linha Coca-Cola Clothing, Tufi Duek, Forum Tufi Duek, Forum e Triton e a Malhas Menegotti. Gisele Bündchen é a garotapropaganda da Colcci desde 2004 e, como acontece em todo dia de desfile da marca, o prédio da Bienal, onde ocorreu até ontem o São Paulo Fashion Week, para à espera da modelo. Para o desfile também veio do Chile a modelo e atriz Lorenza Izzo Parsons, que, como Gisele, faz parte do plano de internacionalização da marca. A Colcci, que entre lojas multimarcas e franquias tem mais de dois mil pontos de venda no Brasil, está em busca de novos mercados. A marca tinha 1,2 mil pontos de venda na Europa e, com a crise, perdeu 400. Dentro da nova estratégia, a primeira loja no Chile acaba de ser aberta, o que justifica a vinda da celebridade ao país. “O Chile vai bem, mas a saída é crescer mais ainda no mercado interno”, diz Menegotti. “Para não estagnar, estamos criando novos produtos, como a linha juvenil.” “ Gisele é a única modelo com quem trabalhei que me pergunta quanto crescemos nesta estação Alexandre Menegotti, presidente do grupo AMC Têxtil Investimentos O cachê da supermodelo é milionário, mas a cada estação, o empresário está mais satisfeito. “Ela é a única modelo com quem trabalhei que me pergunta: ‘quanto crescemos nesta estação?’”, diz Menegotti. Além de garotas propaganda internacionais, o empresário investe cerca de R$ 500 mil para fazer um desfile, segundo estimativas de mercado. O valor não é confirmado por Menegotti. Mas ele dá pistas de que não poupa em exposição. “Fazer desfile vale cada centavo. Se aplicasse a mesma quantia em compra de espaço publicitário, teria apenas 20% do espaço que consigo no SP Fashion Week.” E Menegotti começa a usar a mesma fórmula na Triton: uma coleção de moda jovem, de gosto bastante popular e com um nome internacional à frente no caso a socialite americana Paris Hilton. Paris, que desfilou para a marca no segundo dia do evento, foi a primeira garotapropaganda da Colcci, há sete anos, quando a grife fez seu primeiro desfile no Fashion Rio. E provou ser pé quente. Em agosto faz dez anos que Menegotti adquiriu a Colcci, na época, cheia de dívidas. “A gente é rápido, espera só para ver o que vai acontecer com a Fórum nos próximos meses”, afirma, referindo-se à marca de jeans comprada do estilista Tufi Duek em 2008. A base da Colcci, cujo público é 70% feminino, é o jeans para consumidores em torno de 21 anos. Com a crise do algodão no mundo, o preço da fibra subiu 40% em dois meses, mas Menegotti, dono da malharia fundada pelos seus pais nos anos 1980, não parece muito preocupado. “Por enquanto, não vou repassar este valor para o consumidor final. Eu vendo marca, não vendo só produto”, afirma. A Colcci tem preço médio de R$ 200 por peça e uma fábrica de sapatos apenas para confeccionar os calçados da marca. Ao todo, o grupo AMC Têxtil tem cinco fábricas, quase 3 mil funcionários, e não pretende transferir esse volume para a internet. “Na web, ninguém te atende, não tem a música nem decoração, não tem o charme da loja”, afirma Menegotti, negando qualquer plano de venda on-line. ■ PONTOS DE VENDA INVESTIMENTO 2 mil lojas, entre multimarcas e R$ 500 mil é o custo estimado pelo mercado próprias, vendem peças da grife no Brasil. No exterior, há cerca de 800 pontos de venda. Eram 1,2 mil antes da crise mundial. de um desfile da Colcci. O valor não inclui o cachê da modelo Gisele Bündchen. A marca não confirma o investimento. Gisele Bündchen, em desfile da Colcci no último domingo Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 35 Nasa AMPLIAÇÃO PESQUISA Neoris contrata funcionários para acompanhar crescimento no país Marte teve ciclo hidrológico semelhante ao terrestre Até o final do ano, a Neoris, consultoria global de negócios e de TI, deverá dobrar o número de funcionários no Brasil, chegando a cerca de 400 pessoas. A expansão visa atender ao crescimento da demanda gerada por novos projetos no país, especialmente na área de implementação e integração de soluções SAP — empresa da qual a Neoris é uma das principais parceiras na América Latina. A recente descoberta de gelo em Marte reforça a teoria de que o planeta teve um passado muito menos árido do que o atual. Agora, segundo uma nova pesquisa, o planeta teve água — muita água. O estudo, feito por dois pesquisadores da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, indica que Marte teve, há cerca de 3,5 bilhões de anos, um ciclo hidrológico semelhante ao existente atualmente na Terra. Visual exótico e brasilidade dominam coleções A cantora americana Lady Gaga foi inspiração para várias peças, de vestidos de vinil a óculos A cantora americana Lady Gaga é uma das grandes influências nas coleção do verão 2011 vistas no São Paulo Fashion Week, que terminou ontem, na Bienal do Parque Ibirapuera, depois de 39 desfiles. Os elementos que compõem o figurino sempre exótico da loira estavam todos na passarela: os óculos espelhados e a maquiagem carregada das modelos de Alexandre Herchcovich, as pe- ças de plástico da grife Neon, os brincos gigantes da Colcci, além de colants e hot pants (shorts que mais parecem lingerie), presentes em todas as passarelas. E não para por aí. O visual da cantora ainda inspirou microvestidos e leggings de vinil do estilista Samuel Cirnansck e a máscara prateada de Fause Haten, que cantou a trilha de seu próprio desfile. A autoestima do brasileiro também está em alta, e o país virou referência de estampas tropicais que enaltecem, por exemplo, a Amazônia, e em temas de Os saltos altíssimos das últimas estações começam a baixar. Outra tendência que desponta é a do visual monocromático, especialmente em bege, azul, preto e branco coleções como a da coloridíssima Amapô, inspirada no forró. O esporte permeia boa parte das coleções e dá um toque prático, usável e moderno às roupas. Reinaldo Lourenço, por exemplo, fez um desfile repleto de organzas, recortes e flores inspirado no automobilismo. Os anos 1960 e 1990 são as duas décadas que se misturam nas passarelas, como fica representado nas muitas sobreposições, típicas da década passada, e nas saias muito curtas. E os saltos altíssimos das últimas estações começam a bai- xar. Outra tendência que desponta é a do visual monocromático, especialmente em bege, azul, preto e branco. Mas listras, recortes, transparências, sobreposições e patchworks também se destacam. Para o produtor de moda Paulo Martinez, esta edição do São Paulo Fashion Week é antes de tudo democrática. “Não tem regra de nada”, diz. E, como falta algodão no mercado, os tecidos sintéticos que dominaram o inverno estão de volta no verão. Para quem é fã da fibra natural, o linho é o caminho. ■ A.F. Tricia Vieira/AE Flávio Moraes/AE Robson Fernandjes/AE Flavio Moraes/AE TENDÊNCIAS Tricia Vieira/AE Animale Neon João Pimenta Adriana Degreas Reinaldo Lourenço Sobreposições e recortes apareceram em vários desfiles desta edição do SP Fashion Week. Grife investe nas peças de plásticos e neoprene, inspiradas no mundo do surfe. Visual monocromático é tendência do verão 2011. Além do bege, azul, branco e preto estão em alta. Shorts com cara de lingerie apareceram no desfile de Adriana Degreas e de outros estilistas. Estilista inspirou-se no automobilismo e ainda usou organzas, recortes e flores. 36 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 FINANÇAS FGV revisa fundo que indeniza investidores Objetivo da BM&FBovespa é determinar qual precisa ser o patrimônio máximo do MRP, que hoje tem R$ 356 milhões Mariana Segala [email protected] O Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos (MRP) — mantido pela bolsa para indenizar investidores por perdas em função da ação dos participantes do mercado — está sob revisão. Administradora do MRP, a BM&FBovespa Supervisão de Mercado (BSM) contratou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para calcular qual precisa ser o patrimônio máximo do fundo, de forma a assegurar que haja recursos para ressarcir os investidores que sejam vítimas de erros de agentes autônomos, operadores ou outros prepostos das corretoras. Ao mesmo tempo, a bolsa tenta evitar recolher mais dinheiro do que o necessário e manter dinheiro parado no MRP. A revisão é motivo de grita antiga das corretoras. É delas, afinal, que saem os recursos do MRP. Elas recolhem mensalmente para o fundo o equivalente a 0,0012% do volume total que negociaram no mês anterior (deduzidas as operações relativas à carteira própria), dinheiro “morto” que não volta para o caixa. Com os recolhimentos mensais, o MRP chegou a abril com patrimônio de R$ 356 milhões. “É muito dinheiro”, lembra o diretor de autorregulação da BSM, Luis Gustavo Matta Machado. E parece ser ainda mais se comparado a quanto, efetivamente, a BSM paga na forma de indenizações aos investidores. Os ressarcimentos somaram R$ 848 mil em 2009, ano em que 134 novas reclamações de aplicadores chegaram ao MRP. Somadas às 121 que então já estavam em andamento, 255 demandas passaram pelo MRP em 2009, das quais 49 foram arquivadas e 37, finalizadas. Com isso, 2010 começou com um “estoque” de 169 reclamações. Neste ano, até a semana passada, os ressarcimentos somavam apenas R$ 181,3 mil. Reclamações “Mais de 90% das reclamações terminam sem o ressarcimento”, Entenda O que é o Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos O MRP tem a finalidade de assegurar aos investidores o ressarcimento de prejuízos decorrentes da ação ou omissão de participantes do mercado. Pode ser acionado em situações que envolvam, por exemplo, execução infiel de ordens, uso inadequado dos recursos dos investidores ou até encerramento das atividades da corretora. A reposição é limitada a R$ 60 mil por operação. Os negócios realizados no mercado de balcão da bolsa não contam com a proteção do MRP. As reclamações — que podem ser apresentadas até 18 meses depois do fato gerador do prejuízo — são isentas de custo e não exigem representação por advogado. calcula Matta Machado. Ocorre que a apuração dos casos pela BSM geralmente indica que o investidor dispunha das condições para saber exatamente o que se passava com seus investimentos. Sempre que uma indenização é paga, lembra o executivo, a corretora alvo da reclamação precisa repor o valor ao fundo. “É saudável ter o MRP, mas ele já possui capital suficiente para cobrir muita coisa”, diz o diretor de Produtos da WinTrade, Roberto Lee. As contribuições, ao fim e ao cabo, são renda perdida para as corretoras. Para Lee, além de monernizar o MRP, seria positivo para o mercado brasileiro avançar para modelos semelhantes aos usados em outros países, onde as corretoras contratam coberturas adicionais com entidades privadas, mantidas por elas, que atuam como uma espécie de seguradora. Machado acredita que as primeiras conclusões da FGV saiam até julho. A expectativa é de que o patrimônio máximo necessário para o MRP seja inferior ao já acumulado. “Mas é difícil precisar.” Se esse for o caso, parte dos valores recolhidos — que, em função da revisão, estão sendo destinados a um fundo separado (MRP2) desde o início do ano — será restituída às corretoras. Se não, elas seguirão com as contribuições até que o valor seja alcançado. Serão considerados pela FGV dados como número de investidores na bolsa, volumes negociados, média histórica de ressarcimentos, entre outros. A ideia é chegar a um modelo matemático que possa ser periodicamente recalibrado. Os recursos do MRP são, basicamente, aplicados em títulos públicos, pelo quais a BSM é remunerada em 5% ao ano. Segundo o regulamento, o patrimônio mínimo que precisa ser mantido é de R$ 7,2 milhões, sendo R$ 3,6 milhões para cobrir eventuais problemas no segmento Bovespa e o restante para o segmento BM&F. ■ FGV calculará o valor do novo fundo, que tem como objetivo proteger investidores contra erros cometidos por corretoras ou agentes do mercado de capitais Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 37 Seokyong Lee/Bloomberg Planos anticrise custam US$ 1 tri ao G-20 As políticas anticrise elaboradas pelos governos do G-20, fórum dos países desenvolvidos e das potências emergentes, custaram até agora mais de US$ 1 trilhão, segundo um estudo publicado ontem pela OCDE e pela agência Cnuced. “Treze países continuam contabilizando ativos e passivos relacionados aos planos de emergência”, afirma o relatório. “A soma total dos compromissos públicos — por meio de ações, empréstimos e garantias, fechada em 20 de maio de 2010 — supera US$ 1 trilhão.” Murillo Constantino AGENDA DO DIA ● A Serasa divulga o indicador de perspectiva de inadimplência de junho. ● Nos EUA, às 9h30, sai o índice de preços de importados nos Estados Unidos referente a maio. ● Às 10h, saem as compras de Treasuries nos Estados Unidos. BM&FBovespa quer mais 200 empresas Alvo dos próximos cinco anos é levar ao pregão as pequenas e médias, atingidas por convênio com o Parque Tecnológico de São José dos Campos A BM&FBovespa incluiu no rol de prioridades fazer crescer a quantidade de empresas listadas. A meta é trazer 200 novas companhias para o pregão nos próximos cinco anos. Significa elevar o número atual de empresas listadas — 467 — em aproximadamente 43%. O foco está centrado nas pequenas e médias empresas que, pelas contas do diretor-presidente da bolsa, Edemir Pinto, poderão representar metade da meta, ou 100 empresas. “Vamos atacar todas as frentes possíveis e imagináveis para poder atrair a pequena e a média empresa”, afirmou ontem. “É um momento único que o Brasil vive, não podemos desperdiçá-lo.” O primeiro passo foi firmar um convênio, anunciado ontem, com o Parque Tecnológico de São José dos Campos, no interior de São Paulo, celeiro de empresas nascentes focadas em alta tecnologia. A bolsa vai abrir um escritório do Instituto Educacional BM&FBovespa no parque que, criado em 2006, está instalado em uma área de 12,5 milhões de metros quadrados. Além disso, a BM&FBovespa também estuda uma parceria com o Banco do Brasil, por meio da qual a área de banco de investimentos da instituição atuaria no apoio à trilha das pequenas e médias empresas rumo ao mercado de capitais. Uma das dificuldades para abrir o capital de empresas menores está, justamente, no pouco interesse dos bancos de investimentos por estruturar ofertas pequenas. “Estamos conversando com o BB para que ele estruture um módulo mais agressivo com que possa, junto da bolsa, visitar as pequenas e médias empresas e ajudá-las a se preparar para entrar no mercado”, afirmou Pinto. Procurado pela reportagem, o BB não retornou as ligações. Empresas Na visão do executivo, há uma cesta de empresas pequenas e médias já em condições de serem listadas. A BM&FBovespa, aliás, vem se reunindo semanalmente com duas a três delas. Companhias de pequeno e mé- Também está em estudo uma parceria com o Banco do Brasil para que a instituição, junto com a BM&FBovespa, ajude a preparar as pequenas empresas para entrar no mercado dio porte não faltam no Brasil. “Estudos indicam que há 15 mil empresas com faturamento anual de R$ 100 milhões a R$ 400 milhões no país”, repetiu Pinto. Na BM&FBovespa, apenas 61 das 467 companhias listadas estão nessa faixa de faturamento, segundo levantamento da consultoria Economática para o BRASIL ECONÔMICO. “Todo mundo quer só filé mignon”, disse o presidente da bolsa. “Mas a empresa que hoje é pequena amanhã será grande.” Um dos objetivos da bolsa ao firmar o convênio com o Parque Tecnológico é servir como indutora dos participantes do mercado (bancos, investidores, corretoras) no fomento à pequena e média empresa. A parceria prevê que a equipe da BM&FBovespa instalada no local realize cursos, palestras e treinamentos para os empreendedores sobre o mercado de capitais e as alternativas de financiamento, além de promover o contato deles com grandes investidores. Também é interesse da bolsa revitalizar o Bovespa Mais, segmento especial de listagem criado em 2005 e voltado a pequenas empresas, com a negociação das ações ocorrendo no balcão organizado. Trata-se de um mercado de acesso, com a flexibilização de algumas regras de governança corporativa — ao contrário do Novo Mercado, no Bovespa Mais se permite, por exemplo, que as ações da empresa em circulação (free float) atinjam 25% do total em até sete anos. Para Pinto, é neste segmento que devem se listar as 100 novas pequenas e médias empresas incluídas na meta da bolsa. Até hoje, apenas a Nutriplant abriu o capital no Bovespa Mais, levantando R$ 20,7 milhões em 2008. ■ M.S. Marcos Rosa A FRASE “Vamos atacar todas as frentes imagináveis para atrair a pequena empresa” Edemir Pinto, presidente da bolsa 38 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 FINANÇAS Kirill Iordansky/Reuters BANCOS MERCADOS Taxa média de juros volta a subir em junho, segundo Procon Índice europeu de ações fecha no maior nível em um mês As taxas médias de juros do empréstimo pessoal e do cheque especial voltaram a subir em junho, segundo o Procon-SP. Esta foi a segunda alta seguida, depois de um período de estabilidade. Entre os bancos pesquisados, a taxa média do empréstimo pessoal foi de 5,28% ao mês em junho, superior aos 5,21% ao mês registrados em maio. No caso do cheque especial, a taxa média passou de 8,83% para 8,90%. O principal índice de ações europeias fechou ontem no maior patamar em um mês, com destaque para bancos e mineradoras, em meio ao otimismo com a recuperação econômica global e à cobertura de posições vendidas. O índice FTSEurofirst 300 subiu 1,05%, para 1.029 pontos. É o maior nível de fechamento desde 13 de maio. Para analistas, dados econômicos positivos foram a razão para o avanço das ações. Cresce interesse em abrir fundo Levantamento da Previc mostra que 92 patrocinadoras ingressaram no mercado, enquanto em 2009, o Vanessa Correia [email protected] O número de empresas interessadas em patrocinar fundos de pensão cresce ano após ano. De acordo com levantamento da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), em 2002, 92 patrocinadoras ingressaram no mercado, enquanto em 2009, esse número foi de 211. Porém, o avanço não é seguido pelo número de fundos de pensão com gestão própria, já que em 2009, apenas duas entidades receberam autorização para iniciar suas operações. “Não cresceu nos últimos anos e não vai crescer no mesmo ritmo, porque boa parte das empresas que optam por abrir um fundo de pensão dá preferência às entidades já existentes. Ou seja, o crescimento será via fundos multipatrocinados”, diz Carlos de Paula, diretor da área de análise técnica da Previc. Segundo ele, o movimento não é negativo. “Independentemente do modo como os fundos de pensão são constituídos, o importante é que as empresas entendam a importância do benefício para suas políticas de gestão de pessoas”, completa. Uma das principais reclamações do mercado é o alto custo administrativo, que impede um avanço maior do sistema tar), Anapar (Associação Nacional dos Participantes de Fundos de Pensão) e outras entidades no sentido de desonerar os fundos de pensão. Essa é uma das prioridades da Previc e estamos trabalhando para isso”, afirma Carlos de Paula. Ainda segundo diretor da área de análise técnica da Previc, a intenção é elaborar um documento com as propostas e submetê-lo à audiência pública, embora não haja uma previsão de quando isso ocorrerá. Desafio Uma das principais reclamações do mercado é o alto custo administrativo, que impede um avanço mais significativo do sistema. “Estamos conversando com a Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complemen- Avanço Agilidade nos processos de autorização também era uma demanda do setor, mas que a Previc (antiga Secretaria de Previdência Complementar, SPC) trabalhou para aprimorar. Em 2009, a implantação da análise preliminar por meio eletrônico, bem como a eliminação do envio inicial dos requerimentos por meio-papel, trouxe benefícios para o sistema de previdência complementar, tal como a celeridade no envio e tramitação emergencial dos pedidos, com consequente diminuição no prazo de respostas das demandas. No que se refere aos prazos de análise, o tempo médio de atendimento dos processos de autorização (EFPC, planos de benefícios, convênio de adesão, retiradas, fusão e transferência) da SPC em 2009 foi de 20 dias úteis. “Caso uma empresa queira aderir a um fundo multipatrocinado, o prazo de aprovação é de sete dias úteis. Isso se for um plano pré-aprovado”, explica o diretor. ■ Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 39 Peter Foley/Bloomberg RATING PRESTÍGIO Moody’s reduz nota da Grécia para grau especulativo Leilão anual promovido por Buffett arrecada o recorde de US$ 2,63 milhões A agência de classificação de risco Moody’s reduziu ontem a nota da dívida soberana da Grécia para grau especulativo, citando os riscos associados ao pacote de ajuda da Zona do Euro e do Fundo Monetário Internacional (FMI). A agência reduziu a nota da Grécia em quatro pontos, de A3 para Ba1, um degrau dentro do grau especulativo. A perspectiva para a nota é estável. O leilão anual de caridade, promovido por Warren Buffett, atingiu o recorde de US$ 2,63 milhões, um ano depois que o bilionário desafiou a recessão e aumentou os lucros de sua financeira, Berkshire Hathaway. Os recursos serão doados para a Glide Foundation, a instituição favorita de Susan, a primeira mulher de Buffet. O nome do vencedor será mantido no anonimato. Bruno Stuckert Multipatrocinado avança com juro menor Tendência é de empresas com fundos próprios migrarem para fundos multipatrocinados O aumento da demanda por fundos multipatrocinados se deve, sobretudo, ao maior desafio de elevar a rentabilidade em um cenário de queda da taxa de juros. “Os fundos podem aumentar a rentabilidade se expondo mais ao risco ou reduzindo suas despesas administrativas. É aqui que entram os fundos multipatrocinados”, explica Jair de Almeida Lacerda Júnior, diretor executivo do MultiPensions Bradesco e da Bradesco Vida e Previdência. Atualmente, o MultiPensions Bradesco administra os planos de 22 entidades com um patrimônio de R$ 850 milhões. Outras duas entidades estão em análise na Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) — que somariam patrimônio de R$ 1,2 bilhão. “Acredito que a maior demanda virá de empresas que possuem fundos próprios e que migrarão para fundos multipatrocinados, seja por conta da redução dos juros, seja por medo de se expor mais ao risco”, completa o executivo. Mas o crescimento não virá só de fundos de pensão já constituídos. Novos entrantes também devem engordar as carteiras dos multipatrocinados. “Independente do patrimônio acumulado pelo fundo de pensão, o custo fixo é o mesmo. Em uma empresa que parte do zero, os custos são arcados por ela. Então compensa você iniciar um fundo de pensão com um multipatrocinado”, ressalta o diretor executivo do MultiPensions Bradesco. Carlos de Paula, da Previc: tendência é de crescimento menor de pensão número total atingiu 211 empresas MERCADO 211 foi o número de patrocinadoras 2 entidades receberam autorização que ingressaram no sistema no ano passado, segundo a Previc. da autarquia para entrarem em funcionamento. FUNDO DE PENSÃO Entrada 10 2002 175 Saldo 161 119 113 50 0 163 139 90 82 22 ■ HSBC Quantidade de fundos de pensão geridos pelo banco 209 Robustez O maior fundo de pensão multipatrocinado, do HSBC, também registra crescimento consistente no número de novas patrocinadoras. “Registramos, em média, 10 entrantes por ano, sendo sete já constituídos e três estreantes. Mas essa proporção já foi diferente. Em 2002, para cada 10 entrantes, oito eram novos e dois já possuíam fundos próprios”, explica Rogério Aguirre, diretor da HSBC Seguros. O fundo multipatrocinado do HSBC administra os recursos de 209 entidades fechadas de previdência complementar, que somam R$ 4,5 bilhões em patrimônio. Desse total, entre 60% e 65% estão alocados em um perfil moderado (até 20% em renda variável), e menos de 10% está no perfil agressivo, sendo, principalmente, empresas com participantes jovens, que trabalham no setor de tecnologia. “Somos grandes porque também somos o fundo multipatrocinado privado mais antigo do país”, conta. O executivo entende que o fundo multipatrocinado é a incubadora de novos fundos de pensão. “Você tem ganho de escala no retorno dos investimentos, bem como pulverização dos custos”, diz Aguirre. Para agilizar o processo de aprovação pela autarquia, o HSBC oferece 18 portfólios de investimento diferenciados. “A entidade fechada de previdência complementar também pode optar por um portfólio exclusivo. Porém, indicamos essa opção para empresas que já possuam um volume de recursos acumulados”, completa o diretor da HBSC Seguros. ■ V.C. 28 2003 2004 COMUNICADO 84 37 2005 157 116 75 23 CNPJ nº 61.383.584/0001-16 - NIRE 35300050681 Extrato da Ata da AGO Realizada em 30/04/2010 Em 30/04/10, às 14 hs, em sua sede social com a totalidade do capital social. Mesa: Eduardo Guarnieri - Presidente e Marcos Helvadjian - Secretário. Deliberações: 1) Aprovação do Rel. da Diretoria, do Bal. Patrimonial, Dem. de Resultados, Dem. do Fluxo de Caixa, Dem. das Mutações do Patrim. Líquido e das Notas Explicativas do exercício findo em 31/12/2009. Nada mais. Eduardo Guarnieri - Presidente e Marcos Helvadjian - Secretário. JUCESP nº 199.114/10-9 em 09/06/2010. Kátia Regina Bueno de Godoy - Secretária Geral. 211 200 194 00 00 Saída 245 50 92 Número de entidades geridas pelo MultiPensions RCN Indústrias Metalúrgicas S.A. Entrada e saída de patrocinadores nos últimos oito anos 50 ■ BRADESCO 2006 59 2007 54 2008 2009 O Centro Automotivo FN Ltda.-ME, CNPJ: 74.303.272/0001-05 e CCM: 2.251.099-0, comunica o roubo de 03 (três) notas fiscais de serviços Série “A” de números: 0729, 0730 e 0731 todas as vias. 40 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 FINANÇAS Dani Simmonds EXPANSÃO DO CRÉDITO CÂMBIO Banco Mercedes-Benz libera R$ 369,4 mi em financiamento em maio, alta de 27% Dólar reduz queda no fim do pregão e fecha cotado acima de R$ 1,80 O Banco Mercedes-Benz liberou no mês passado R$ 369,4 milhões em novos créditos, valor 27% superior ao registrado em maio de 2009. Desse total, 91% foram financiados por meio de repasses do Finame, programa do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O total da carteira de crédito do banco era de R$ 6,2 bilhões ao final de maio e a expectativa é de que chegue a R$ 7,1 bilhões em dezembro. O dólar diminuiu a queda no final da tarde ontem e fechou acima de R$ 1,80, em uma sessão de poucos indicadores e orientada pelo mercado internacional. A moeda americana caiu 0,50%, para R$ 1,807. No começo do dia, predominava o otimismo com a produção industrial na Zona do Euro. Em abril, o indicador registrou o maior crescimento anual desde o início da série histórica, em 1991. Aumentam os sinistros dos seguros vendidos em grande quantidade Pedidos de indenização de massificados aumentam no mesmo ritmo que as carteiras das seguradoras Henrique Manreza Thais Folego [email protected] As seguradoras têm encontrado no varejo e em empresas de prestação de serviços, como energia elétrica e telefonia, um bom canal para vender seus produtos de forma massificada. Em geral, são apólices de baixo custo distribuídas para uma grande base de clientes. Mas engana-se quem acha que, por conta do baixo ticket, o número de acionamento das apólices em caso de sinistro é pequeno. A divisão de massificados da corretora Marsh fez um levantamento em sua carteira para ver se, de fato, o consumidor aciona o seguro. E o resultado foi positivo. No primeiro trimestre deste ano, houve um crescimento de 36% no número de pedidos de indenização, o equivalente a R$ 13,1 milhões em sinistros pagos. A maior parte das ocorrências foi de seguros prestamistas — apólices que cobrem o pagamento de financiamentos feitos pelo segurado em caso de morte, invalidez e perda de renda por doença ou desemprego, dependendo da cobertura. Esse seguro é uma proteção financeira para empresas que vendem a crédito e para o consumidor que não fica inadimplente no caso de invalidez. Mas se as taxas de desemprego já caíram em relação à crise do ano passado, por que os sinistros em prestamistas continuam crescendo? “A carteira de prestamista mais do que dobrou no primeiro trimestre, ante o ano passado, registrando um crescimento de 105%. Com o aumento da carteira, cresce o número de sinistros”, explica Paulo Kudler, gerente executivo da Marsh Affinity. Prestamista Na época da crise, a Cardif, seguradora do grupo BNP Paribas, viu a sinistralidade de sua carteira de prestamista crescer 50% no primeiro trimestre de 2009. “A frequência de sinistros acompanha o número de apólices vigentes. No ano passado, a frequência de sinistros cresceu mais rapidamente do que o nível de negócios”, comenta o presidente da Alta do crédito e do consumo alavanca a compra de seguros, principalmente do prestamista. A sinistralidade cresce por conta do maior volume de apólices Cardif do Brasil, Alexandre Boccia. A seguradora só atua com canais de distribuição alternativos, por meio de parcerias para distribuição de seguros. Segundo Boccia, outro produto que também apresentou um bom crescimento foi o seguro residencial e o de garantia estendida, na esteira do aumento do consumo. “No varejo, o carro chefe é o produto de proteção financeira”, diz Rogério Alves, vice-presidente da Aon para a América Latina. “E agregamos outros produtos, como a garantia estendida e agora também temos garantia para usados”, completa. “A frequência de pedidos de indenização tende a aumentar, pois é natural que as pessoas usem cada vez mais e melhor o seguro”, diz Boccia. Ele explica que é comum, no canal massificado, um produto ter mais de uma cobertura, que às vezes não é usada, como uma assistência atrelada à apólice. Kudler, da Marsh Affinity, explica, porém, que a evolução dos sinistros não é preocupante para as seguradoras, pois os valores são pequenos e o risco é diluído no total da carteira de massificados, que na Marsh tem um total de 5,5 milhões de segurados. ■ Seguro prestamista e garantia estendida são os que mais crescem no varejo CONTRAPONTO Canal mais utilizado no Brasil, porém, ainda é o corretor e bancos Pesquisa realizada pela Accenture com mais de 3,5 mil consumidores em cinco países, incluindo Brasil, mostra que, entre os principais canais utilizados para a contratação de seguros, a internet ganhou espaço significativo. No Brasil, porém, esse canal ainda é pouco utilizado, os bancos e os corretores ainda são os preferidos. O levantamento aponta que, enquanto no Reino Unido a compra ou renovação de seguros pela internet é feita por 70% dos clientes, no Brasil são apenas 19%. A proporção se inverte no canal banco e corretor: 54% dos clientes no Brasil e 14% no Reino Unido. Segundo Raphael de Carvalho, o pouco volume de contratações on-line é pequeno porque a oferta de seguros por meio desse canal, tanto pelas seguradoras quanto corretores, é pequena. “Adotar a oferta on-line vai da estratégia de cada seguradora, mas vemos que as de maior sucesso estão presentes em todos os canais.” Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 41 Miraflores Palace/Reuters CONSUMO AMÉRICA LATINA Venda de consórcios sobe 38,5% de janeiro a abril, segundo Abac Venezuela decreta intervenção em banco por falta de liquidez A venda de consórcios em todo o Brasil cresceu 38,5% entre janeiro e abril, em relação ao mesmo período do ano passado, alcançando um volume total de negócios de R$ 18,7 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), considerando os segmentos de veículos automotores em geral (pesados, leves, motos), imóveis, eletroeletrônicos e serviços. O ministro de Estado para Bancos Públicos da Venezuela, Humberto Ortega Díaz, anunciou ontem a intervenção do Banco Federal por até 60 dias. A instituição de médio porte tem como um dos principais acionistas um diretor da TV Globovisión - empresa de comunicação que faz oposição ao governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez. As informações são da imprensa oficial da Venezuela, Agência Bolivariana de Notícias (ABN). Fernando Moraes/Folhapress Avanço na compensação por imagem poderá reduzir prazos de liquidação de cheques Captura por imagem pode reduzir prazos de compensação de cheques Grandes bancos já possuem sistemas internos para transformar documento físico em eletrônico. Próxima etapa, que depende de prazo a ser estipulado pela Febraban, é fazer a transmissão das informações eletronicamente Ana Paula Ribeiro [email protected] Os bancos brasileiros já começam a fazer internamente a captura dos cheques por imagem e se preparam para que a transmissão desses documentos a outras instituições financeiras seja feita integralmente de forma eletrônica. A redução no tempo desse transporte, feito fisicamente, poderá contribuir para a redução dos prazos de compensação de cheques, que hoje chegam a quatro dias. “É possível pensarmos em um padrão único. Hoje esses prazos variam de acordo com os valores e as praças”, diz o vice-presidente do Banco do Brasil (BB), José Luís Salinas. A expectativa é de que a partir de setembro os bancos comecem a fazer a transmissão por imagem desses documentos. Na fase de transição entre os dois sistemas, será feito também o transporte físico do cheque até Transmissão de cheques por imagem deve ter início em setembro. Maior benefício para bancos será a redução dos custos com transporte a câmara de compensação, que está sob responsabilidade do BB. Após essa fase de adaptação, o transporte físico será abolido. “Esperamos que até meados de 2011 tenhamos grande avanço nesse sistema”, afirma Salinas. É a partir desse avanço que o Banco Central (BC) poderá ajustar a regulação e permitir que os prazos de compensação de cheques sejam reduzidos, segundo explicou o executivo. Para isso, os correspondentes bancários também terão que ser incluídos nesse sistema, já que alguns aceitam depósitos. Outro benefício, dessa vez para os bancos, do fim do transporte físico dos cheques é a redução dos custos, que em média deve ser de 50%. “Além de um menor gasto, evita também o extravio, perda e roubo do documento”, afirmou Salinas. No Bradesco, a expectativa é que os custos com transporte de cheques sejam praticamente eliminados, segundo o vice- presidente Laércio Albino Cezar. “O processo de transporte é muito custoso”, diz. A expectativa é que a economia no banco fique entre R$ 35 milhões e R$ 40 milhões. Embora a transmissão por imagens deva começar apenas em setembro, os bancos já investem nesses sistemas há alguns anos. No Bradesco, desde 2008 os clientes já podem acessar pela internet os documentos compensados. BB e Santander também têm o mesmo serviço. O HSBC é outro banco que já tem a captura por imagens. As empresas de tecnologia também se preparam para melhorar o suporte aos bancos. O diretor comercial da M2Sys e Veros, Gian Franco Nercolini, espera que o número de documentos processados pela empresa, que hoje é de 150 milhões, tenha um incremento de 200% até o final de 2011 e com isso o faturamento da empresa chegue a R$ 350 milhões, expansão de 150%. ■ ESPERA PARA RECEBER Prazos para compensação de cheques* VALOR-LIMITE: R$ 299,99 1 DENTRO DO SISTEMA LOCAL E SISTEMA INTEGRADO REGIONAL (SIRC) Até o valor-limite Acima do valor-limite 2 2 dias úteis 1 dia útil DENTRO DO SISTEMA NACIONAL DE COMPENSAÇÃO COM PRAÇA DO DEPÓSITO INTEGRADA À SIRC DE SÃO PAULO Praça sacada integrada 2 dias úteis até valor-limite e 1 dia útil acima do valor-limite Praça sacada não integrada 3 dias úteis 3 DENTRO DO SISTEMA NACIONAL DE COMPENSAÇÃO COM PRAÇA DO DEPÓSITO NÃO INTEGRADA À SIRC DE SÃO PAULO Praça sacada integrada Praça sacada não integrada 3 dias úteis 4 dias úteis *Contado a partir do dia útil seguinte ao do depósito Fonte: Banco Central 42 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 INVESTIMENTOS Conrado Mazzoni [email protected] “Cisne negro” da BP e o potencial de mudar o tabuleiro do setor petrolífero Os desdobramentos do desastre ocorrido no Golfo do México impõem um caminho cada vez mais tortuoso para as ações da British Petroleum (BP). Desde o início do problema de vazamento em um poço há dois meses, a petrolífera anglo-holandesa já perdeu 45% do valor de mercado na bolsa de Londres. O derretimento leva consigo outros componentes do setor, obedecendo a premissa de finanças sobre transferência de riscos. Ontem, ganhou força a dúvida quanto à possibilidade de a empresa conseguir honrar seus dividendos trimestrais. Uma pressão adicional para quem ainda não tem conseguido reparar o dano ambiental do poço danificado. “A empresa está sob uma faca de dois gumes. Por um lado, tem os vencimentos de dividendos, e ela é ótima pagadora no mercado inglês. De outro, há o fluxo de caixa sendo afetado”, observa o economista Ricardo Jacomassi, perito em commodities. Os papéis da petrolífera perderam mais 10%, antes se recuperarem no final do pregão. A avaliação é que o mercado está incorporando uma punição dura para a BP. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deve se encontrar nesta semana com os principais executivos da companhia e dará um pronunciamento sobre o assunto hoje. A magnitude do evento vem fomentando análises sobre o futuro da empresa, com potencial de alterar as peças do tabuleiro do setor. “Considerando o tamanho do prejuízo e uma ação do governo americano, vemos a possibilidade de a BP ser adquirida. Mas como é uma empresa originária de uma região importantíssima, há o viés político, que poderia vetar essa alternativa”, considera Jacomassi. Esse ideia combinaria com a hipótese discutida de cisão das operações da BP. “Aí, talvez, houvesse um movimento de fusão e aquisição no futuro para adquirir outro segmento, como distribuição ou exploração. É um imbróglio muito grande, um arranjo institucional novo”, comenta Osmar Camilo, analista da Socopa. Petrobras A transmissão da catástrofe protagonizada pela anglo-holandesa para os fatores de risco do setor de petróleo não é completamente palpável. Para boa parte dos analistas, o evento merece status de “Cisne negro”, ou seja, algo com baixíssima possibilidade de acontecer. “Por ora, não vamos assumir nenhuma premissa de risco para os fundamentos da Petrobras. Não há uma forma de precificar esse tipo de risco operacional. Além disso, a Petrobras tem um know how muito grande em exploração de petróleo em águas profundas”, interpreta Camilo. Para Erick Hood, da corretora SLW, o problema reitera a necessidade de investimento em tecnologia e pode elevar o prêmio de risco das seguradoras envolvidas no setor. Ele concorda que a situação pode estimular uma realocação de recursos no setor, com a Petrobras angariando investidores. Sem conhecer o tamanho e a estrutura final da oferta do processo de capitalização da estatal, analistas levam em conta essa hipótese ao olhar para demanda. “A operação pode representar uma oportunidade para quem quer se repor no setor diante do revés na BP”, comenta o analista da Socopa. ■ DESEMPENHO DE PETROLÍFERAS NA BOLSA Há dois meses, ações da BP assumiram tendência de queda, diante do vazamento no Golfo do México; papéis da Petrobras se recuperam Shell Exxon Petrobras BP 115 103 102,32 91 90,00 79 67 80,33 Para analistas, parte dos investidores que saíram da BP pode ter migrado fatia do portfólio para Petrobras, que é bem posicionada entre os players do setor do ponto de vista da exploração 60,33 55 31/DEZ/09 Índices - base: 31/DEZ/09 = 100,00 14/JUN/10 Fontes: Economatica, BM&FBovespa, Bolsas de Nova York, Londres e Amsterdã e Brasil Econômico Cosan Santander Lucro acima das expectativas reforça otimismo do BES Recomendação para ações é de “em linha com o mercado” Para o analista Leonardo Ricci Scutti, da área de análise do Banco Espírito Santo (BES), o lucro líquido mostrado nos resultados financeiros da safra 2009/2010 confirma a expectativa de um forte resultado, com a surpresa de um lucro líquido acima das expectativas, graças a um ganho com hedge (proteção) de commodities. Sob a expectativa de reação positiva das ações, a recomendação de “compra” foi reiterada, com um preço-alvo de R$ 27,40 por papel CSAN3, representando um potencial de valorização de cerca de 31%. “Com ganhos de hedge de R$ 168,8 milhões, a Cosan reportou lucro líquido de R$ 309 milhões, muito acima de nossa estimativa de R$ 141 milhões”, destaca o relatório. Scutti também ressaltou que a Cosan passou a reportar maiores detalhes da operação “Rumo Logística”, embora ainda pouco relevantes no consolidado. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da divisão de açúcar e álcool somou R$ 491 milhões, 2,6% abaixo da projeções do BES, com margem operacional de 25,7%, 0,7 ponto percentual menor que as estimativas. Além disso, “entendemos que a conclusão da joint venture com a Shell também poderá contribuir no desempenho da ação”, acrescentou o analista. A Cosan comunicou que o processo de diligência da parceria deverá encerrar nos próximos dias, caminhando para a conclusão. Incorporando os resultados do primeiro trimestre e atualizando as premissas macroeconômicas e operacionais, a Bradesco Corretora elevou as estimativas para as units do Banco Santander (SANB11) para R$ 26,10, o que equivale a um potencial de valorização de cerca de 28%. A recomendação, contudo, permanece de ”em linha com o mercado”, conforme relatório assinado pelos analistas Carlos Firetti e Rafael Frade. “Confiamos na capacidade do banco de trazer seus níveis de retorno para os patamares de seus concorrentes, embora isso só deva se materializar no final de 2012 ou, mais provavelmente, no início de 2013”, avaliam. De uma maneira geral, a análise traz uma visão positiva sobre o Santander. Porém os analistas apontaram que o banco pode ter dificuldades de crescer mais que seus pares no curto prazo, apesar dos sinais de crescimento consistente na carteira de crédito. Os motivos principais são as despesas com reestruturação e alguns gastos ainda consequentes da fusão com o Banco Real, que ainda deve absorver uma energia significativa do banco. Outro ponto se refere ao contexto da crise europeia, dada a fraqueza da economia espanhola “Apesar da independência operacional da unidade brasileira em circunstâncias normais, acreditamos que isso se torna limitado em um cenário de estresse na Espanha”, dizem. COPA 1 COPA 2 Promoção Horários A corretora Link Trade lançou uma promoção para estimular os investidores a operar na bolsa mesmo em tempos de Copa. Nos dias em que houver jogos do Brasil — como hoje, quando a seleção enfrentará a Coreia do Norte (às 15h30) — a corretora não cobrará taxa nas 6 primeiras ordens de compra executadas, em alusão ao hexacampeonato perseguido pela equipe de Dunga. Se a seleção tiver sorte, a promoção “Você Rumo ao Hexa” terminará apenas quando os brasileiros levantarem o caneco. A BM&FBovespa informou ontem que as negociações de dólar pronto serão interrompidas nos dias de jogo do Brasil na Copa. Quando os jogos forem às 15h30, as operações ocorrerão das 9h às 13h30 e quando forem às 11h, das 9h às 10h e das 14h30 às 16h15. A clearing de câmbio da bolsa também funcionará em horário especial. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou que encerrará o expediente às 14h em dias de jogo às 15h30 e o interromperá das 10h30 às 14h30 em dias de jogo às 11h. Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 43 BOLSA JURO Giro financeiro Contrato futuro R$ 4,3 bilhões 11,17% foi o volume financeiro registrado ontem no segmento acionário da BM&FBovespa. O principal índice da bolsa brasileira fechou o dia com variação negativa de 0,12%, aos 63.529 pontos. foi a taxa de fechamento de ontem do contrato futuro de DI com vencimento em janeiro de 2011, o mais negociado da BM&FBovespa. O volume financeiro foi de R$ 24,7 bilhões, em 262 mil contratos. IBOVESPA RENDA FIXA Ação Código Mínima AGRE EMP IMO ON ALL AMER LAT UNT N2 AMBEV PN B2W VAREJO ON BMF BOVESPA ON BRADESCO PN BRADESPAR PN BRASIL ON BRASIL TELEC PN BRASKEM PNA BRF FOODS ON CCR RODOVIAS ON CEMIG PN CESP PNB CIELO ON COPEL PNB COSAN ON CPFL ENERGIA ON CYRELA REALTY ON DURATEX ON ECODIESEL ON ELETROBRAS ON ELETROBRAS PNB ELETROPAULO PNB EMBRAER ON FIBRIA ON GAFISA ON GERDAU PN GERDAU MET PN GOL PN ITAUSA PN ITAUUNIBANCO PN JBS ON KLABIN S/A PN LIGHT S/A ON LLX LOG ON LOJAS AMERIC PN LOJAS RENNER ON MMX MINER ON MRV ON NATURA ON NET PN OGX PETROLEO ON P.ACUCAR-CBD PNA PDG REALT ON PETROBRAS ON PETROBRAS PN REDECARD ON ROSSI RESID ON SABESP ON SID NACIONAL ON SOUZA CRUZ ON TAM S/A PN TELEMAR ON TELEMAR PN TELEMAR N L PNA TELESP PN TIM PART S/A ON TIM PART S/A PN TRAN PAULIST PN ULTRAPAR PN USIMINAS ON USIMINAS PNA VALE ON VALE PNA VIVO PN IBOVESPA AGEI3 ALLL11 AMBV4 BTOW3 BVMF3 BBDC4 BRAP4 BBAS3 BRTO4 BRKM5 BRFS3 CCRO3 CMIG4 CESP6 CIEL3 CPLE6 CSAN3 CPFE3 CYRE3 DTEX3 ECOD3 ELET3 ELET6 ELPL6 EMBR3 FIBR3 GFSA3 GGBR4 GOAU4 GOLL4 ITSA4 ITUB4 JBSS3 KLBN4 LIGT3 LLXL3 LAME4 LREN3 MMXM3 MRVE3 NATU3 NETC4 OGXP3 PCAR5 PDGR3 PETR3 PETR4 RDCD3 RSID3 SBSP3 CSNA3 CRUZ3 TAMM4 TNLP3 TNLP4 TMAR5 TLPP4 TCSL3 TCSL4 TRPL4 UGPA4 USIM3 USIM5 VALE3 VALE5 VIVO4 IBOV 14,46 178,51 31,51 11,91 29,80 35,40 26,91 12,20 11,67 24,30 37,06 24,90 23,07 16,32 33,13 20,62 38,25 19,77 15,66 0,85 22,75 27,01 32,50 9,65 29,00 11,36 25,13 31,27 21,25 11,25 34,35 7,67 5,05 21,00 7,40 13,14 45,02 11,51 12,30 37,00 18,41 16,36 58,40 15,85 33,67 29,02 27,54 13,86 34,36 27,17 66,40 24,77 36,51 28,91 53,56 38,61 7,11 4,97 44,72 83,10 44,90 46,31 48,02 41,53 52,37 63.529 Cotação (R$) Máxima Fechamento 14,89 181,16 32,15 12,14 30,48 36,30 27,64 12,57 12,05 24,87 37,58 25,14 23,69 16,86 33,74 21,14 38,70 20,97 15,95 0,90 23,22 27,41 33,15 9,85 30,43 11,77 25,75 32,16 21,85 11,56 35,34 7,80 5,22 21,38 7,62 13,33 45,95 11,85 12,65 37,78 18,72 16,57 59,11 16,38 35,00 29,94 27,93 14,44 35,29 27,92 67,67 25,36 37,84 29,62 54,99 39,37 7,28 5,09 45,60 85,00 46,03 47,35 49,35 42,47 54,25 64.295 14,65 180,00 31,94 11,91 29,80 35,40 27,50 12,42 12,00 24,58 37,29 24,90 23,60 16,80 33,26 20,90 38,46 20,80 15,75 0,86 23,05 27,01 33,00 9,67 29,15 11,39 25,13 31,56 21,32 11,25 34,35 7,80 5,08 21,35 7,54 13,30 45,65 11,51 12,39 37,28 18,65 16,36 58,82 15,99 33,67 29,05 27,90 13,90 34,60 27,30 66,40 24,90 37,50 29,28 54,99 39,37 7,14 4,99 45,60 84,90 45,75 46,50 48,22 41,70 52,70 63.532 Variação (%) No dia No ano -0,68 0,56 0,28 -0,67 -1,16 0,00 2,23 1,80 2,56 0,78 0,24 -0,40 1,51 2,75 -0,72 0,48 0,03 3,64 0,96 0,00 0,79 -0,07 0,61 -0,92 -2,57 -0,09 0,48 -0,09 -1,30 -1,75 -1,60 1,96 -0,59 1,18 2,45 2,07 0,33 -0,52 0,65 -0,32 1,36 0,00 -0,54 0,88 -2,55 -1,92 0,47 -1,21 -0,37 0,04 -0,75 -0,44 2,68 1,07 2,04 0,46 -1,52 -0,80 1,79 1,07 3,02 1,06 0,06 0,10 -2,04 -0,11 -10,06 4,19 -33,00 -0,76 -9,58 -6,93 -3,90 -25,85 -14,77 8,35 -5,96 -8,99 -1,23 13,55 -9,41 -18,36 13,02 -13,16 -2,76 -21,10 -9,90 -9,37 7,57 2,43 -25,43 -18,50 -13,35 -9,16 -15,60 -2,90 -9,71 -16,04 -3,13 -10,82 -25,42 -14,02 18,40 14,87 -10,63 5,21 -22,29 -4,33 -8,78 -6,59 -18,10 -19,64 -0,33 -7,75 1,14 0,71 18,63 -31,43 -8,47 -12,66 -11,61 -2,35 -0,14 0,30 -6,49 7,51 -8,44 -5,59 -1,89 -0,37 0,96 -7,37 *Em pontos. Fonte: Economatica IBOVESPA IBRX-100 (Em pontos) 64.400 64.100 63.800 Máxima 64.295,85 Mínima 63.529,36 Fechamento 63.532,85 63.500 63.200 Fonte: BM&FBovespa 11h 12h 13h 14h 15h 16h 17h Data BB R FIX LP PREMIUM 50 MIL FICFI ITAU PERS MAXIME RF FICFI BB RENDA FIXA LP 50 MIL FICFI BB RENDA FIXA LP ESTILO FICFI BB RENDA FIXA 25 MIL FICFI BRADESCO FIC DE FI RF MERCURIO BB RF MIL FICFI BB RENDA FIXA 50 FIC FI ITAU PREMIO RENDA FIXA FICFI BB RENDA FIXA LP 100 FICFI 11/JUN 14/JUN 11/JUN 11/JUN 14/JUN 14/JUN 14/JUN 14/JUN 14/JUN 11/JUN Rent. (%) 12 meses No ano 8,51 8,44 8,44 8,43 7,21 6,64 6,06 5,45 5,13 4,96 Fundo Data BB REFERENCIADO DI ESTILO FICFI ITAU PERS MAXIME REF DI FICFI BB REFERENCIADO DI 10 MIL FICFI NOSSA CAIXA REFERENCIADO DI BB REFERENCIADO DI 200 FIC FI HSBC FIC REF DI LP POUPMAIS REAL FIQ REF DI EXTRA ITAU PREMIO REF DI FICFI BRADESCO FIC DE FI REF DI HIPER SANTANDER FIC FI CLAS REF DI 14/JUN 14/JUN 14/JUN 11/JUN 14/JUN 14/JUN 14/JUN 14/JUN 14/JUN 14/JUN Rent. (%) 12 meses No ano 8,02 7,98 6,41 6,06 5,81 5,05 4,87 4,74 4,40 4,05 Fundo Data BB ACOES VALE DO RIO DOCE FI ITAU ACOES VALE FUNDO DE INV BRADESCO FIC DE FIA BRADESCO FIC DE FIA IV BRADESCO FIC DE FIA MAXI ITAU ACOES FI SANTANDER FIC FI ONIX ACOES ALFA FIC DE FI EM ACOES MB FUNDO DE INV EM ACOES BB ACOES PETROBRAS FIA 3,46 3,44 2,76 2,63 2,50 2,27 2,06 2,06 1,83 1,72 Rent. (%) 12 meses No ano 11/JUN 11/JUN 11/JUN 11/JUN 11/JUN 11/JUN 11/JUN 11/JUN 11/JUN 11/JUN 50.000 80.000 50.000 5.000 5.000 200 50 300 100 Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) 1,00 1,00 2,50 2,47 3,00 4,00 4,20 4,00 4,50 5,00 ND 80.000 5.000 100 200 30 100 1.000 100 100 24,16 22,95 13,90 12,83 12,51 10,96 10,86 3,05 2,33 (15,05) (2,34) (3,14) (8,56) (8,67) (8,67) (12,02) (10,84) (13,37) (7,14) (17,11) Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) 2,00 3,00 4,00 ND 4,00 4,00 2,50 8,50 7,00 2,00 200 1.000 1.000 100 100 200 MULTIMERCADOS Fundo Data REAL CAP PROT VGOGH 3 FI MULTIM SANTANDER CAP PROT 3 FI MULT ITAU PERS K2 MULTIM FICFI BB MULTIM TRADE LP ESTILO FICFI ITAU PERS MULT AGRESSIVO FICFI CAPITAL PERF FIX IB MULT FIC ITAU PERS MULTIE MULT FICFI ITAU PERS MULT ARROJADO FICFI ITAU PERS MULT MODERADO FICFI SANTANDER FIC FI ESTRAT MULTIM Rent. (%) 12 meses No ano 11/JUN 11/JUN 11/JUN 11/JUN 11/JUN 11/JUN 11/JUN 11/JUN 11/JUN 11/JUN 13,75 10,29 8,78 8,62 8,59 8,57 8,26 7,90 7,55 3,30 4,44 3,96 3,11 3,34 (1,49) 3,69 3,22 0,28 1,07 1,54 Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) 2,50 2,50 1,50 1,50 2,00 1,50 1,25 2,00 2,00 2,00 10.000 5.000 50.000 5.000 20.000 5.000 5.000 5.000 50.000 *Taxa de performance. Ranking por número de cotistas. Fonte: Anbima. Elaboração: Brasil Econômico SMALL CAP - SMLL MIDLARGE CAP - MLCX 895 20.100 1.131 890 20.000 1.127 885 19.900 1.123 880 1.120 17h 1,00 1,00 1,00 1,00 2,00 2,50 3,00 3,50 4,00 4,00 AÇÕES 1.135 10h 3,56 3,67 3,54 3,54 3,08 2,81 2,58 2,37 2,16 2,13 Taxa Aplic. mín. adm. (%) (R$) DI 20.200 19.800 10h Fundo 875 10h 17h 10h 17h 44 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 MUNDO Jim Young/Reuters Para Moody’s, desastre afeta todo o setor Primeira escala da visita de dois dias de Obama à região foi em Gulfport, no Mississippi, onde ele garantiu que seu governo fará todo o possível para proteger os moradores do Golfo A maré negra causada pelo vazamento na plataforma Deepwater Horizon, da British Petroleum (BP), terá consequencias sem precedentes para as companhias petrolíferas no Golfo de México, estima a agência de qualificação de riscos Moody’s em texto divulgado ontem em Nova York. Para a companhia britânica, os maus resultados foram confirmados ontem, com nova queda de 9% em suas ações. A empresa afirma que “A maré negra que continua no Golfo do México criou uma crise financeira, jurídica, ambiental e de regulamentação sem precedentes para as companhias (de petróleo presentes na região)”, segundo a nota da Moody’s. “O acidente também poderia ter um impacto internacional se outros governos que supervisionam a produção petrolífera nas costas adotassem normas mais severas (que serão promulgadas nos EUA)”, adiciona. “A moratória americana de seis meses sobre a perfuração em águas profundas no Golfo durará até novembro de 2010 para as companhias que operam na região”, conclui a Moody’s, que não descarta que o prazo aumente. Agências Obama exigirá que a BP crie fundo para limpar o Golfo Presidente visitou ontem pela quarta vez a região e comparou o acidente a um “11 de Setembro ecológico” O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, comparou o desastre causado pela mancha de petróleo no Golfo do México a um “11 de setembro ecológico”, na sua quarta visita à zona afetada pelo vazamento de petróleo. Segundo o jornal britânico Financial Times, Obama exigirá da BP investimento de US$ 20 bilhões para limpar a região. Amanhã ele recebe na Casa Branca o presidente da BP, Carl-Henric Svanberg, quando deve propor a criação de um fundo especial. O presidente prometeu “fazer todo” o possível para proteger o modo de vida dos moradores da região afetada pelo derramamento e anunciou uma grande iniciativa para ajudar a indústria pesqueira. O governo está comprometido em fazer tudo o que estiver ao alcance para proteger o modo de vida no Golfo, “para que ele se mantenha para nossos filhos, netos, e nossos bisnetos”, afirmou Obama após se reunir com autoridades dos estados costeiros de Mississippi e Alabama. Como o ataque Da mesma forma com que os ataques do 11 de setembro modificaram profundamente a política externa dos Estados Unidos, este desastre ecológico “vai nos levar a repensar nossa política ambiental e energética”, estimou Obama, em entrevista concedida ao jornal Politico. A tragédia mostra que é tempo de “fazer a transição” para “Creio que este desastre vai modificar por muitos anos nossa visão sobre o ambiente e a energia”, afirmou Obama, prometendo dedicar-se à busca de uma política energética com visão de futuro novas fontes de energia, completou Obama, cuja administração tenta fazer aprovar no Congresso lei de redução das emissões de gases de efeito estufa. Mais de oito semanas após a explosão da plataforma Deepwater Horizon, administrada pela BP, na costa de Louisiana, a prioridade imediata continua sendo fechar o poço de onde escoa petróleo a mais de 1,5 km de profundidade — objetivo que deve ser atingido em meados de agosto, quando poços secundários estarão prontos. A BP, que conseguiu captar parte do fluxo, 15 mil barris por dia, através de um “funil” com eficácia limitada, anunciou ontem em resposta a um pedido do governo Obama, que prevê au- mentar o número de barris para 50 mil por dia (8 milhões de litros) até o fim de junho. As autoridades não conseguiram avaliar com precisão a quantidade de óleo que vaza, de cerca de 20 a 40 mil barris por dia. Obama fica dois dias nos estados de Mississippi, Alabama e Flórida. Na primeira escala, em Gulfport (Mississippi), reuniu-se com o chefe da guarda-costeira encarregado de coordenar as operações que tentam impedir o vazamento e recuperar o petróleo despejado, Almirante Thad Allen. De acordo com um alto funcionário da Casa Branca, o presidente participará de “uma mesa redonda com moradores da região, que vivem da pesca e do turismo. ■ Agências Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 45 Dani Pozo/AFP Espanhóis prometem nova greve Os principais sindicatos da Espanha convocarão uma greve geral contra o plano do governo de reformar as leis trabalhistas, afirmou ontem um porta-voz sindical. “As datas (para a greve) serão decididas amanhã (hoje)”, afirmou Fernando Lezcano, porta-voz do Comisiones Obreras, o maior sindicato do país. O governo espanhol deve aprovar por decreto amanhã uma reforma nas leis trabalhistas do país, pois após meses de negociações, sindicatos e empregadores não chegaram a um acordo. AGENDA DO DIA ● Primeiro-ministro irlandês Brian Cowen enfrenta voto de confiança. ● Governo francês anuncia reforma das aposentadorias. ● Londres divulga relatório sobre a morte de 13 civis na Irlanda do Norte, em 1972, o chamado “Bloody Sunday”. Reservas afegãs chegam a US$ 1 trilhão Empresas chinesas já investem na região, e riqueza mineral do país atrai também Índia e Rússia Os depósitos minerais inexplorados do Afeganistão podem valer mais de US$ 1 trilhão, disse o Pentágono ontem, numa descoberta que pode alterar a economia do país e contribuir com os esforços dos EUA para fortalecer o governo afegão. O coronel David Lapan, porta-voz do Pentágono, disse que uma força-tarefa encarregada de estudar os recursos do país descobriu jazidas significativas de cobre, ferro, ouro, mercúrio, enxofre, cromo, talco-magnesita e carbonato de potássio, além da presença de fluorita, berílio e lítio, entre outros. “É certamente uma boa notícia em potencial, especialmente para o Afeganistão”, disse Lapan. “Se pudermos assistir os afegãos no desenvolvimento desses recursos, isso certamente tem potencial para agregar muito à economia deles.” Mas especialistas alertam que superar os desafios na exploração desses recursos é algo que pode levar décadas. O país tem pouca infraestrutura, está imerso numa guerra violenta e tem fama de possuir autoridades corruptas. A riqueza mineral está espalhada por todo o país, inclusive no sul e no leste, regiões onde a presença da guerrilha Taliban é mais intensa. A força-tarefa que avaliou os recursos minerais afegãos foi composta por membros do Pentágono, do Departamento de Estado e do Departamento de Pesquisas Geológicas dos EUA, em conjunto com funcionários do ministério afegão das Minas. O trabalho foi parte de um esforço mais amplo para identificar o potencial econômico do Um memorando do Pentágono diz que o país pode vir a ser “a Arábia Saudita do lítio”, matéria-prima de baterias de produtos eletrônicos A RIQUEZA MINERAL DO AFEGANISTÃO Recursos incluem ferro, cobre, cobalto, ouro e lítio TURCOMENISTÃO Teerã TADJIQUISTÃO CHINA Cabul IRÃ AFEGANISTÃO PAQUISTÃO Iraque e do Afeganistão, e ajudar os respectivos governos a atrair investimentos para desenvolver seus recursos. Lapan disse que esse trabalho é parte da “estratégia de contrainsurgência.” “Esse é o braço econômico do qual falamos, mas que recebe pouquíssima atenção.” A análise sobre o Afeganistão abordou todos os setores, dos recursos minerais à produção agrícola e à fabricação de tapetes e outros ÍNDIA itens. A força-tarefa de avaliação econômica existe desde 2006, inicialmente com mais foco no Iraque. Duas firmas chinesas já decidiram investir US$ 4 bilhões na mina de cobre de Aynak. ■ Reuters 46 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 MUNDIAL 2010 Extra faz ação com prêmio de R$ 500 mil UM BELO JOGO, FORA DE CAMPO Marca quer aproveitar patrocínio da seleção brasileira para reforçar atuação com os clientes Fábio Suzuki [email protected] Até o dia 2 de agosto, os brasileiros terão a oportunidade de ganhar de uma só vez R$ 500 mil, uma viagem com a família para Punta del Leste e sair em uma revista de celebridades. Essa é a iniciativa do Grupo Pão de Açúcar para a promoção da marca Extra durante a Copa do Mundo na África do Sul. “A idéia dessa ação é para o consumidor viver a experiência de um jogador de futebol, com todo o glamour proporcionado pelo mundo do futebol”, afirma Elen Osne, gerente de trade marketing do Extra. Patrocinadora oficial da seleção brasileira, a marca visa como objetivos na iniciativa a divulgação da parceria com a CBF, aumentar as vendas de seus estabelecimentos e reforçar a parceria estratégica com as marcas Seara e Itaú, que também têm contrato com a entidade brasileira de futebol e participam indiretamente da promoção. Além desta ação, o Extra também está como cotista máster do Parque da Copa, realizado no Jockey Club, na capital paulista, além de realizar outras iniciativas que tem levado seus clientes até a África do Sul. “São Com a Copa do Mundo, expectativa de crescimento para o segmento varejista é de 10% neste ano, segundo projeção da Associação brasileira de Supermercados mais de 40 pessoas que estamos levando para a Copa através de nossas promoções”, diz Elen. Mais supermercado Para animar a torcida pela seleção brasileira, a rede varejista Comper dará aos seus clientes um desconto de 15% em produtos ligados ao churrasco, como carne e cerveja. De acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a expectativa de crescimento do segmento neste ano é de 10% contra 6,5% de 2009. Muito desse aumento deve-se à realização da Copa do Mundo. ■ SEIS PERGUNTAS A... Divulgação ...RENATO GAÚCHO Técnico e ex-jogador, foi convocado para o Mundial de 1990 “O nível da Copa está baixo. O futebol vem caindo no mundo todo” O ex-atacante Renato Gaúcho jogou em diversos clubes, tornou-se ídolo de Grêmio e Flamengo e foi convocado para a Copa de 1990. De férias do comando do Bahia até a próxima quinta-feira, ele assistiu às primeiras partidas da Copa do Mundo no Rio de Janeiro. E não gostou muito do que viu até aqui. Qual é a sua expectativa para a estreia do Brasil? A expectativa é sempre grande. Seleção brasileira sempre mexe com os nossos corações, ainda mais em uma Copa do Mundo. Vou reunir os amigos aqui em casa (no Rio de Janeiro) para ver a partida. Não quero arriscar um placar, mas o Brasil vai vencer o jogo. O time do Dunga te agrada ou falta alguma coisa? Respeito a opinião do Dunga, mas acho que o grupo que ele escolheu tem muito jogador de marcação no meio-campo e poucos homens de ligação. Se tivermos algum problema com o Kaká, que eu torço para que não aconteça, ele vai ter dificuldades para dar criatividade ao time. Como avalia o nível dos jogos da Copa até aqui? Alguma seleção te impressionou positivamente? Pelo que eu vi até agora, o nível está baixo. Mas o futebol no mundo inteiro caiu e vem caindo de nivel nos últimos anos. Até agora, gostei do time da Alemanha, que jogou um futebol rápido, de muitos deslocamentos e boa qualidade, e a da Holanda. Mas nenhuma me surpreendeu demais. A decepção foi a França, que fez um jogo muito ruim contra o Uruguai. Falta um pouco de coragem, disposição para arriscar, não? Um pouco não, está faltando muito. Poucos são os jogadores que possuem essas características hoje em dia. Messi, Káká, Cristiano Ronaldo e mais uns dois ou três são atletas diferentes e que, nos dias atuais, não aparecem todo dia. Na minha época de jogador a oferta de talentos era muito maior. Pelo desempenho das outras equipes, o Brasil é favorito? Ainda é muito cedo para dizer. Mas o Brasil é sempre favorito. Seja em Copa do Mundo ou qualquer outra competição que for disputar. Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 47 Marcelo Regua/O Dia RUMO AO HEXA “Time está 100%”, garante médico da seleção O Brasil não terá problemas para estrear hoje contra a Coreia do Norte, no estádio Ellis Park, em Joanesburgo. Segundo José Luiz Runco, Luis Fabiano, Júlio César e Kaká estão recuperados e prontos para entrar em campo. O meia brasileiro, porém, disse que não sabe se irá aguentar os 90 minutos. Ontem, os brasileiros fizeram o reconhecimento do local do jogo. Em treino recreativo, o time de Robinho goleou o de Kaká por 8 a 4. R$ 21,5 milhões é o valor somado de todos os jogadores da Coreia do Norte, segundo levantamento do site alemão Transfermarkt, especializado em tranferência de jogadores. A seleção nortecoreana é a mais barata entre as 32 equipes da Copa do Mundo. David Gray/Reuters Vovô dos estádios foi inaugurado em 1903 Em um jogo de pouca inspiração, Holanda e Dinamarca estrearam ontem na Copa do Mundo e frustraram aqueles que esperavam um futebol bonito e ofensivo, pelo menos por parte da Laranja. Beleza, mesmo, só se viu nas arquibancadas do estádio Soccer City, em Joanesburgo, graças à presença das torcedoras dos dois países. Fora de campo, as belas dinamarquesas tentaram incentivar sua seleção, que chegou a ameaçar no primeiro tempo, mas não tiveram sucesso. Sem seu principal craque, Robben, os holandeses jogaram bem menos do que se esperava deles e dependeram de um gol contra do zagueiro Simon Poulen para construir o placar de 2 a 0. Charmoso, confortável e excelente para assistir jogos. Esse é o estádio sul-africano Loftus Versfeld, em Pretória, inaugurado em 1903 e que passou a ser a arena mais antiga já utilizada em Copas do Mundo na partida entre Gana e Sérvia. Para ficar apto a receber as partidas do Mundial, o local passou por uma pequena reforma com investimento de R$ 23 milhões, valor que equivale a menos de 10% do que será gasto para reformar a maioria dos estádios brasileiros para a Copa de 2014. Características que marcam sua longevidade é a bela fachada de tijogos artesanais e as quatro torres externas de iluminação do estádio. A capacidade atual da arena é de 51 mil espectadores. Euroluftbild/AFP FIQUE DE OLHO Copa do Mundo para americano ver Fenômeno de popularidade em todo o mundo, a Copa está ganhando espaço até entre os americanos, que não costumam dar muita atenção ao evento. A audiência do jogo entre Estados Unidos e Inglaterra foi a maior no país desde 1994, quando os EUA enfrentaram o Brasil nas oitavas de final. Segundo o canal ESPN, cerca de 13 milhões de pessoas assistiram ao honroso empate com os ingleses, no sábado. A média de espectadores nos cinco primeiros jogos dobrou em relação a 2006. A baixa qualidade do futebol não parece estar incomodando os fãs de beisebol. Paulistanos acreditam no hexa da seleção brasileira Em pesquisa feita pelo Instituto DataPopular e a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), 65,1% dos moradores da cidade de São Paulo afirmam que o Brasil conquistará a Copa do Mundo pela sexta vez. Dos 400 entrevistados entre os dias 7 e 8 de junho deste ano, 88,9% disseram que iriam acompanhar “Ele passava por necessidade e tava precisando de dinheiro” Pelé, sobre ser técnico de futebol igual a Maradona. os jogos do Brasil sendo que 54,5% serão dispensados por suas empresas e outros 44,1% terão que trabalhar no horário da partida. O evento também é visto pelos torcedores como um momento de confraternização e lazer, sendo que 60% das pessoas afirmaram que irão assistir aos jogos com seus familiares. ● Sem Ronaldinho Gaúcho e P.H. Ganso, o meia Kaká será o grande responsável em armar as jogadas da seleção brasileira. O problema é que o atleta chega à Copa do Mundo se recuperando de uma contusão que lhe tirou de grande parte das partidas neste ano. Além disso, o jogador ainda não conseguiu mostrar no Real Madrid, onde joga desde o ano passado, o excelente futebol apresentado no Milan que lhe rendeu o título de melhor jogador do mundo em 2007. Aos 28 anos, esse é o terceiro Mundial que o craque disputa. 1ª FASE DA COPA RESULTADOS ONTEM GRUPO E Holanda 2x0 Dinamarca Japão 1x0 Camarões 1x1 Paraguai GRUPO F Itália PRÓXIMOS JOGOS HOJE GRUPO F Nova Zelândia x Eslováquia 8h30 - Rustenburgo Frases foram ditas pelo Rei do Futebol em evento realizado ontem pela operadora Vivo, na capital paulista GRUPO G Costa do Marfim x Portugal 11h - Porto Elizabeth Brasil “Não sei o que ele falou, mas deve me amar, pois sempre lembra de mim” respondendo ao comentário de Maradona, que falou que “um senhor moreno disse que não haveria Copa na África do Sul”. “Na minha época não tinha vuvuzela e nem chuteira cor-de-rosa” sobre o barulho das cornetas sul-africanas. x Coreia do Norte 15h30 - Joanesburgo BOLA NA REDE RECORDE MUNDIAL 1998 GOLS Até 14/06/10 Editada por Fábio Suzuki e Gabriel Penna [email protected] [email protected] 48 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010 BRASIL ECONÔMICO é uma publicação da Empresa Jornalística Econômico S.A, com sede à Avenida das Nações Unidas, 11.633, 8º andar - CEP 04578-901 - Brooklin - São Paulo (SP) - Fone (11) 3320-2000 Central de atendimento e venda de assinaturas: 4007 1127 (capitais), 0800 6001127 (demais localidades) [email protected] É proibida a reprodução total ou parcial sem prévia autorização da Empresa Jornalística Econômico S.A. ÚLTIMA HORA Lucio Tavora/Folha Imagem PT pede que PF investigue dossiê Ricardo Galuppo [email protected] Diretor de Redação O Partido dos Trabalhadores protocolou ontem, na Polícia Federal, um pedido de instauração de inquérito para investigar a suposta quebra de sigilo financeiro do vicepresidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira. O partido já havia divulgado nota na qual afirma que “nem o PT nem a coordenação da pré-campanha autorizaram, orientaram, encomendaram, solicitaram, ordenaram ou tomaram conhecimento de qualquer ação dessa natureza”. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo publicada no sábado, um grupo de “inteligência” da pré-campanha de Dilma Rousseff teria em mãos dados sigilosos de Eduardo Jorge. Entre eles estaria o Imposto de Renda e comprovantes de depósitos no valor de R$ 3,9 milhões em sua conta. O chamado “escândalo do dossiê” começou há duas semanas, quando reportagem da revista Veja revelou que o jornalista Luiz Lanzetta, da campanha de Dilma, tinha se reunido com arapongas ligados a serviços secretos oficiais. ■ Pedro Venceslau Medidas impopulares durante a Copa? Antonio Milena CSN, Usiminas e Cosipa condenadas por cartel Geraldo Alckmin visita prefeito de Nova York O candidato tucano ao governo de São Paulo aproveitou o clima de Copa de Mundo para fazer sua primeira viagem internacional da campanha. Ele deve chegar hoje de amanhã a Nova York, onde tem encontro marcado com o prefeito Michael Bloomberg. O ex-governador pretende trocar experiências sobre educação e segurança. ■ Pedro Venceslau A 6ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região condenou ontem, por unanimidade, a siderúrgicas CSN, Usiminas e Cosipa por prática de cartel. Em 1999, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) havia feito a condenação, mas as empresa recorreram em primeira e, agora, segunda instância, mas foram multadas em 1% de seu faturamento de 1996, o que totaliza R$ 51 milhões (R$ 22 milhões para a CSN, R$ 16 milhões para a Usiminas e R$ 13 milhões para a Cosipa). A Cosipa foi incorporada pela Usiminas no ano passado. O procurador-geral do Cade, Gilvandro Araújo, afirmou que os valores das multas serão atualizados pela taxa Selic. Segundo ele, essa atualização deve ser feita ainda esta semana. “Esta decisão foi de um caso muito emblemático, um dos primeiros de cartel julgados pelo Cade.” Os advogados das empresas não têm permissão para falar com a imprensa sobre o resultado do julgamento. Em comunicado oficial, a Usiminas informou que se pronunciará após ter acesso à íntegra da decisão do Tribunal Regional Federal. ■ AE Se tudo der certo e a seleção do Dunga conseguir chegar à final da Copa do Mundo, o Brasil passará um mês inteiro com os olhos voltados para a África do Sul. Será o momento perfeito, na lógica do governo, para tomar decisões de ajuste capazes de evitar o crescimento exagerado da economia. Impopulares pela própria natureza, tais medidas podem incluir, por exemplo, a elevação das taxas de juros, os cortes de investimentos e outras providências parecidas. Por mais justificáveis e necessárias que sejam, elas podem acabar por enxovalhar a imagem de um governo que prometeu o crescimento a qualquer preço — e é justamente aí que entra a conveniência proporcionada pela data. Afinal, postas sob o tapete proporcionado pela Copa do Mundo, essas medidas talvez não prejudiquem a imagem da candidata do governo à Presidência, Dilma Rousseff. Uma das medidas de contenção da economia, por sinal, já está em curso, conforme mostra a reportagem em destaque nesta edição. O BNDES pretende aumentar acima do que já estava previsto as taxas de juros para financiamento de máquinas agrícolas, caminhões e bens de capital em geral. Todas essas linhas de montagem estão superaquecidas. Ao colocar um freio sob a forma de juros elevados, o governo pretende evitar um colapso capaz de tirar a economia dos eixos. É o mais sensato. O problema é justamente esse: o governo fez tantas promessas de crescimento a qualquer preço que agora dá a impressão de precisar se esconder para fazer a coisa certa. Uma das medidas de contenção, por sinal, já está em curso: o aumento acima do que estava previsto das taxas de juros para bens de capital Antonio Milena ISS recomenda a venda da Vivo O grupo de aconselhamento a investidores Institutional Shareholder Services (ISS) recomendou aos acionistas da Portugal Telecom que vendam a Vivo à Telefónica. “Recomendamos um voto favorável à deliberação sobre a venda da Vivo, tendo em conta o valor da proposta, as implicações em termos de governança corporativa e a ausência de uma alternativa”, informa relatório do ISS citado pela agência Bloomberg. Ontem, o grupo Ongoing, que é o quarto maior acionista da PT, com 6,8% do capital, informou à mesma agência que votará contra a realização do negócio. ■ Diário Económico O mar de rosas prometido ao Brasil por Lula e por sua candidata não combina com medidas de austeridade. No discurso eleitoral do PT, o dinheiro é farto, as dificuldades não existem e as medidas impopulares são vistas como herança de um tempo que já vai longe. O problema está aí. Medidas impopulares, como se sabe, nunca são desejadas, mas às vezes fazem parte do repertório de qualquer governo. Se não forem tomadas agora, poderão, mais tarde, ser tachadas de tentativa de estelionato eleitoral. ■ www.brasileconomico.com.br DESTAQUE MAIS LIDAS ONTEM Dependência da China reduz custo de captação da Vale ● Moody’s reduz nota da Grécia para grau especulativo A mineradora está conseguindo baixar seus custos de financiamento em relação à BHP Billiton com a redução de sua dependência da China. Os bônus com cupom de 5,625% e vencimento em 2019 vendidos pela Vale rendem 1 ponto percentual a mais quando comparados com as notas de prazo similar da BHP Billiton. ● Ativa recomenda a compra de cinco ações na semana ● Lula anuncia fábrica de amônia da Petrobras em MG ● Real passa euro, mas fica atrás do dólar em derivativos ● Ultrapar contrai empréstimo de R$ 900 milhões do BB Acompanhe em tempo real www.brasileconomico.com.br Leia versão completa em www.brasileconomico.com.br ENQUETE A economia brasileira está preparada para crescer acima de 7% em 2010? Sim 62% Não 38% Fonte: BrasilEconomico.com.br Vote em www.brasileconomico.com.br