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João Laet
TERÇA-FEIRA, 15 DE JUNHO, 2010 | ANO 2 | Nº 202 | DIRETOR RICARDO GALUPPO | DIRETOR ADJUNTO COSTÁBILE NICOLETTA
Publicidade Martin Sorrell,
diretor-geral da WPP, planeja
novas aquisições no Brasil. ➥ P32
Seleção brasileira
faz o primeiro
jogo na Copa
da África do Sul
rumo ao hexa
Aeroportos O Brasil precisa
de R$ 30 bilhões para melhorar
a infraestrutura até 2030. ➥ P15
R$ 3,00
Celulose Eldorado, da JBS, projeta
três fábricas em MS com aportes
de mais de R$ 10 bilhões. ➥ P33
Governo pode subir
juros do BNDES para
esfriar a economia
Convencida de que o crescimento do PIB já deve ultrapassar os 7%, a
equipe econômica estuda encarecer a taxa de crédito para a compra de
máquinas pela indústria como medida para conter o superaquecimento. ➥ P4
Marcelo Regua/O Dia
Dissídios vão injetar cerca de
R$ 10 bilhões no consumo
Negociações de reajustes das principais categorias de trabalhadores vão engordar em
30% a massa salarial no segundo semestre. Renda extra vai para consumo de bens
e serviços, mas ainda não é vista como um fator de pressão inflacionária este ano. ➥ P12
Pão de Açúcar planeja
lucrar também com fretes
Henrique Manreza
Rede varejista deve lançar,
no segundo semestre,
serviço de transporte
para seus fornecedores.
A ideia é usar a capacidade
ociosa da frota para
oferecer preços mais
atraentes à indústria.
Segundo Carlos Eduardo
Botana, gerente-geral
de distribuição do Pão de
Açúcar, a empresa quer
conquistar pelo menos 10%
dos 1,8 mil fornecedores.
Comprar caminhões ou
fazer sinergia com a Casas
Bahia estão em análise. ➥ P22
Equipe comandada pelo técnico
Dunga enfrenta hoje, às 15h30,
a Coreia do Norte, em Joanesburgo.
Dúvidas no time durante o período
de preparação, o meia Kaká, o
goleiro Júlio César e o atacante Luis
Fabiano estão confirmados entre os
titulares na estreia do Brasil. ➥ P46
BM&FBovespa revisa
fundo que indeniza
investidor em caso
de erro da corretora
Bolsa contratou a FGV para determinar qual
deve ser o patrimônio máximo do Mecanismo
de Ressarcimento de Prejuízos. O fundo,
cujos recursos vêm das corretoras, tem hoje
R$ 356 milhões, mas pagou indenizações de
apenas R$ 848 mil no ano passado inteiro. ➥ P36
INDICADORES
▼
▼
▲
▲
▼
■
▼
▼
▲
▲
▼
▲
TAXAS DE CÂMBIO
Dólar Ptax (R$/US$)
Dólar comercial (R$/US$)
Euro (R$/€)
Euro (US$/€)
Peso argentino (R$/$)
JUROS
Selic (a.a.)
BOLSAS
Bovespa
Dow Jones
Nasdaq
FTSE 100
S&P 500
Hang Seng
14.6.2010
COMPRA VENDA
1,8030
1,8022
1,8080
1,8060
2,2081
2,2070
1,2247
1,2246
0,4596
0,4586
META EFETIVA
10,15%
10,25%
VAR. % ÍNDICES
-0,11 63.532,85
-0,20 10.190,89
0,02 2.243,96
5.202,13
0,74
1.089,63
-0,18
0,90 20.051,91
2 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
NESTA EDIÇÃO
Henrique Manreza
Em alta
Aeroportos precisam de R$ 30 bilhões
É o que revela estudo encomendado pelo BNDES
à McKinsey & Company. Entre os 20 principais aeroportos
brasileiros, 13 apresentam algum tipo de gargalo. ➥ P15
Henrique Manreza
O atraente mercado da projeção digital
Centauro Cinema, especializada em instalações de
salas de exibição, entra na disputa pelo fornecimento
de tecnologia digital aos cinemas de todo o país. ➥ P20
Editoras distribuem livro eletrônico
Empresa de frete do Pão de
Açúcar atenderá fornecedor
A rede varejista irá oferecer o serviço
a seus fornecedores, disponibilizando
uma frota terceirizada de 1.350 caminhões
que prestam serviços de entrega com
exclusividade para o grupo. “É comum
que um caminhão faça sua entrega e volte
vazio para se abastecer novamente. Em vez
de retornar sem mercadoria, pode passar
em um fornecedor próximo e retornar
abastecido”, exemplifica Carlos Eduardo
Botana, gerente-geral de distribuição
da rede. Ele acredita que a venda de frete
para 180 fabricantes, do total de 1.800
que fornecem produtos para o grupo,
já garantirá alguma rentabilidade. ➥ P22
Pré-sal pode provocar
fusões na cadeia petrolífera
APP projeta fábrica de celulose no país
Divulgação
Até agosto, Geraldo Ferreira, diretor-geral da Cathay,
subsidiária no Brasil, apresenta o projeto aos executivos
chineses. Posteriormente, haveria uma fábrica de papel. ➥ 28
Cidade Limpa não vale para candidatos
Advogado Alberto Rollo, especialista em direito eleitoral,
alerta que, por ser de âmbito municipal, a Lei Cidade Limpa
perde para as legislações estadual e federal. ➥ P11
Dissídios injetam R$ 10 bi na economia
Metalúrgicos, comerciários e bancários estão entre
as categorias com reajuste no segundo semestre.
Na construção civil, houve aumento real de 2,4%. ➥ P12
Estudo da consultoria Ernst & Young
constata que boa parte dos negócios
acontecerá entre companhias já presentes
no mercado brasileiro, envolvendo
fornecedores de bens e serviços, com
a liderança das empresas estrangeiras
interessadas em nacionalizar a produção.
Carlos Alberto de Assis, especialista
em energia da consultoria, lembra que
o setor brasileiro de petróleo receberá
investimentos diretos de US$ 190 bilhões
até 2013, incluindo os desembolsos
da Petrobras e demais petrolíferas do
país e fornecedores de bens e serviços.
Os negócios serão em menor número mas
com maiores volumes de recursos. ➥ P16
Vivo, Suvinil, STB, Cavalera, Votorantim
Cimentos e Tigre engrossam a lista de
empresas patrocinadoras do projeto A
gente transforma idealizado pelo arquiteto
Marcelo Rosenbaum, e cuja primeira ação
de grande porte será desenvolvida no
Parque Santo Antônio, zona sul da capital
paulista. Com a ajuda direta das empresas,
estão sendo investidos R$ 1,8 milhão para
pintar as casas da comunidade e construir
uma biblioteca. “É uma ação coletiva
rentável para todo mundo. Não queremos
dar algo pronto, existe uma troca com as
pessoas da comunidade, que expressam
seus desejos”, explica Rosenbaum, que
vê na iniciativa “um grande futuro”. ➥ P26
BM&FBovespa tenta atrair empresas
Leandro Ferreira
Meta, de acordo com Edemir Pinto, presidente da bolsa,
é levar 200 novas empresas para o pregão em cinco anos,
elevando em 43% o número atual de 467 listadas. ➥ P36
Uberaba terá fábrica de amônia
A viabilização do empreendimento da Petrobras
dependerá da construção de um gasoduto até a cidade
do Triângulo Mineiro, pela estatal estadual Cemig. ➥ P25
Intelig e Diveo reforçam estratégia
A operadora e a fornecedora de infraestrutura de
telecomunicações têm como arma pacotes competitivos
para conquistar a pequena e média empresa. ➥ P30
Antonio Milena
Projeto A gente transforma
inclui comunidade e empresas
Objetiva, Sextante, Rocco e Planeta criam uma
distribuidora de livros digitais e firmam o primeiro contrato
com a Livraria Cultura, disponibilizando 100 títulos. ➥ P24
Softway a caminho do mercado externo
WPP elege o Brasil como prioridade
Criador, em 1996, da empresa de TI de gerenciamento
de importação e exportação, o professor Israel Geraldi
planeja aquisições e fortalecer vendas no exterior. ➥ P18
Com expansão de 2% em 2009, país foi um dos poucos em
que a receita do grupo publicitário cresceu. Após comprar
a Mídia Digital e i-Cherry, pensa em mais aquisições. ➥ P32
Lula deve vetar 7,7% para aposentados
Cheques compensados com rapidez
Presidente foi convencido pelos ministros Guido
Mantega, da Fazenda, e Paulo Bernardo, do Planejamento.
O anúncio coincide com a estreia do Brasil na Copa. ➥ P14
A transmissão desses documentos de forma eletrônica
entre instituições financeiras deve levar à redução dos
prazos de compensação, que chegam a quatro dias. ➥ P41
Jochen Eckel/Bloomberg
A FRASE
“A Rússia precisa de uma nova glasnost”
Mikhail Gorbachev, ex-primeiro-ministro soviético, responsável pela
glasnost (abertura) do regime comunista na antiga União das Repúblicas
Socialistas Soviéticas (URSS). O ex-líder acrescentou que, se o país não
se tornar mais democrático, sua modernização não será bem-sucedida.
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 3
EDITORIAL
Nacho Doce/Reuters
GISELE BÜNDCHEN, MODELO
Banho de água
fria na economia
superaquecida
O rápido crescimento da economia brasileira começa a preocupar a equipe
econômica do governo. Para amainar a
recuperação e, principalmente, afastar
a possibilidade de uma subida incômoda da inflação, o governo estuda algumas medidas, digamos, de desestímulo.
Uma delas, segundo confidenciou ao
BRASIL ECONÔMICO um representante do
alto escalão da equipe econômica, é aumentar os juros cobrados pelo Programa
de Sustentação do Investimento (PSI).
Criado em julho do ano passado, justamente como uma medida de estímulo para
a economia, o PSI foi um sucesso. Com juros baratos, de 4,5% ao ano, a produção de
máquinas e equipamentos, assim como a
venda de caminhões, incluídos no programa como bens de capital, subiu bastante.
No primeiro trimestre deste ano, a fabricação de máquinas e equipamentos cresceu 25,6% quando comparada à de igual
período de 2009. As vendas de caminhões
pesados e semipesados devem bater recordes este ano, estimam as montadoras.
Criado em julho do ano
passado como medida de
estímulo, o PSI com juros
de 4,5% foi um sucesso
Os empresários, claro, opõem-se ao
aumento dos juros, que devem subir acima
dos 5,5% previstos para julho. “O melhor
meio de combater o superaquecimento do
consumo é aumentar o investimento”, diz
Julio Gomes de Almeida, ex-secretário de
Política Econômica do Ministério da Fazenda. “Pela primeira vez, o Brasil tem taxas semelhantes ao resto do mundo para
financiar investimento”, afirma Carlos
Nogueira, diretor de financiamentos da
Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
O governo, no entanto, tem mostrado sinais de que realmente está disposto
a frear a economia. Eliminou as medidas que haviam relaxado os depósitos
compulsórios, subiu duas vezes a taxa
Selic e agora propõe mudar os juros do
PSI. Sua expectativa, como publicamos
a partir da página 4, é controlar o aumento da atividade econômica. Oficialmente, a estimativa para o crescimento
do Produto Interno Bruto (PIB) deste
ano ainda está em 5,5%, mas o Ministério da Fazenda já assumiu publicamente
que deve chegar a 6,5%. ■
Garota-propaganda da Colcci, Gisele Bündchen foi a atração máxima da São Paulo
Fashion Week no domingo. “Para não estagnar, estamos criando novos produtos, como a linha
juvenil”, diz Alexandre Menegotti, dono da AMC Têxtil, detentora da marca Colcci. ➥ P34
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4 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
DESTAQUE CONJUNTURA
Alta nos juros do BNDES tenta
Temor de superaquecimento da economia e de descontrole da
inflação leva governo a reavaliar crédito para bens de capital
Simone Cavalcanti
e Carla Jimenez
[email protected]
O governo estuda mudar algumas condições do Programa
para a Sustentação do Investimento (PSI) com o objetivo de
ajudar a resfriar mais um pouco
a economia. Uma das ideias que
começa a ser discutida dentro
da área econômica é encarecer
a linha de empréstimos para
um patamar além dos 5,5% já
previstos para julho. Atualmente o Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES) cobra juro
4,5% ao ano para financiamentos à produção e aquisição
de bens de capital. Uma taxa
negativa vez que a inflação oficial em 12 meses encerrados em
maio é de 5,22%.
Muito embora funcionem
como injeção na veia para a
ampliação da capacidade instalada e, consequentemente
da produção –o que é fundamental para reduzir pressões
inflacionárias – integrantes
do governo julgam que a reação ao estímulo dado foi forte
demais e a economia já está
tremendo no ritmo atual. “Não
dá para manter esse ritmo de
aquecimento. Se pensarmos
que é preciso arrefecer para
chegar aos 6%, pois temos sérios gargalos de infraestrutura, ou vamos diminuir o financiamento ou aumentar
mais um pouco o juro dele”,
disse ao BRASIL ECONÔMICO integrante do primeiro escalão
do governo para quem a capacidade ocupada da indústria
está em um bom nível, o que
significa que há um pouco de
folga. “Ainda é possível usar o
banco de horas ou aumentar
os turnos de produção”.
A alta de 9% no Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro
trimestre do ano em relação
ao mesmo período de 2009
surpreendeu a tal ponto a área
econômica que fez o Ministério da Fazenda externar a projeção de expansão do produto
de 6,5%. Esse percentual, até
antes da divulgação das contas nacionais pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), era discutido
apenas internamente.
Alavanca forte
Criado em julho do ano passado
como parte de um conjunto de
medidas para levantar a economia brasileira, que patinou
em razão da crise financeira in-
Integrantes do
governo julgam
que a reação
ao estímulo dado
foi forte demais
e a economia
já está tremendo
no ritmo atual
ternacional, o PSI foi um sucesso. O financiamento barato
fez com que a produção de máquinas e equipamentos no Brasil se recuperasse de forma rápida e disseminada, crescendo
25,6% no primeiro trimestre de
2010 ante igual etapa de 2009.
Os desembolsos do BNDES nos
primeiros quatro meses do ano
só para esse fim foram de R$
15,6 bilhões, 133% a mais do
que de janeiro a abril do ano
passado.
Um ponto que está sendo
destacado por integrantes do
governo e que também pode
ser modificado é o financiamento para a compra de ônibus, caminhões, carretas e outros que, por força da conjuntura à época, também entraram
no PSI para bens de capital.
Pelo cronograma ajustado no
início deste ano, a taxa de juro
de 4,5% ao ano para esses tipos
de empréstimos seguiria neste
nível até o final de 2010. Hoje a
avaliação é outra: “No caso de
automóveis já passamos muito
de simples recuperação. No de
caminhões, A Mercedes-Benz
está vendendo mais aqui do
que na Alemanha”, observou a
mesma fonte.
As mudanças ainda serão discutidas com o presidente do
BNDES, Luciano Coutinho, que
estava fora do país até o final de
semana passado. A conversa englobará também os integrantes
do Tesouro Nacional, que equaliza os juros e ainda tem gerado o
funding ao banco público. “O
problema não é dinheiro. Isso
tem para mais um tempo”, enfatiza um técnico do governo. “A
questão é o aquecimento econômico que está muito forte”. ■
Governo avalia que país já passou da fase
de recuperação e precisa ajustar o crédito
para diminuir apetite das indústrias
TRÊS PERGUNTAS A...
Felipe Rau/AE
dificilmente será impactado por
medidas do governo, na avaliação
do especialista Amir Khair.
Para ele, mesmo a alta de juros
conduzida pelo Banco Central
terá pouco efeito, dado
o aumento da confiança e da
concorrência entre bancos.
...AMIR KHAIR
Especialista em contas públicas
Poucas saídas para
conter o crescimento
Por estar fortemente ligado
ao consumo das famílias, o
crescimento econômico brasileiro
O que o governo
pode fazer para reduzir
o crescimento?
É preciso reprimir a demanda,
que é composta por 20% de
investimentos e o restante em
consumo. Quando se fala em
investimento, 90% é privado
e vem crescendo acima do PIB.
Em se tratando de consumo,
as famílias respondem por 75% e
o restante é do governo.
Do total gasto pelo governo, 57%
vem da União, e o restante
dos estados e municípios.
A União tem pouca margem
de manobra, porque 90%
de seus gastos são praticamente
engessados pela Constituição
ou já contratados anteriormente.
Então só restam 10% para cortar.
Isso representaria1,4% da
demanda do país e teria pouco
efeito sobre o crescimento.
É possível conter o
consumo das famílias?
Depende de dois fatores: massa
salarial e oferta de crédito. Os
salários crescem junto com a
economia e dificilmente o
governo deve abandonar
a política de valorização salarial
e a constituição estabelece a
irredutibilidade dos salários.
Já a oferta de crédito deve
crescer 20% neste ano por causa
da confiança dos bancos. Tudo
contribui para o forte crescimento
do consumo das famílias.
Seria possível, ou até
desejável, conter o
crescimento baseado nas
expectativas?
É inevitável que o investimento
cresça porque as empresas não
vão perder essa oportunidade.
Os estrangeiros estão entrando e
tudo contribui para mais entrada
de capital no país. Paulo Justus
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 5
LEIA MAIS
A agricultura familiar
continua contando com
juros mais baixos que no PSI, o
que motivou a Case IH, da Fiat,
a nacionalizar a produção
de tratores de baixa potência.
No mercado, juros para a
compra de máquinas estão
na casa dos 20% ao ano. Para
Abimaq, forte alta dos juros do
PSI poderia derrubar retomada
de investimento em produção.
Montadoras devem
bater recorde de vendas
de caminhões, principalmente
de pesados e semipesados.
Um dos setores que puxaram
a alta foi o de mineração.
esfriar a indústria
OUTRO LADO
Henrique Manreza
Empresas
querem manutenção
do benefício
As taxas de juros mais amigáveis
responderam por cerca de
20% do faturamento de R$ 70
bilhões do setor de máquinas
e equipamentos no ano passado,
segundo a Associação Brasileira
da Industria de Máquinas
e Equipamentos (Abimaq).
O Programa de Sustentação
do Investimento (PSI) contratou
em um ano, até junho de 2010,
R$ 62,2 bilhões para venda
de máquinas, equipamentos,
ônibus, caminhões e projetos
de exportações, pesquisa e
desenvolvimento, sendo que
R$ 31,3 bilhões foram somente
para bens de capital. Agora
o governo pretende mudar o
programa, e não é o que querem
os empresários, que pedem sua
prorrogação para além de 2010.
O vice-presidente da Abimaq,
Carlos Nogueira, disse que
vai haver pressão para ampliar
a duração do financiamento.
“Nossa avaliação é que, se não
houvesse o PSI, muitas empresas
estariam em dificuldades muito
sérias. Muitas estão investindo
exclusivamente porque temos
taxas de juros humanas”. Mas,
como o juro do PSI chega a no
máximo 9% ao ano, o governo
paga mais caro para se endividar,
já que a taxa Selic é de 10,25%.
Teve de aumentar a emissão
de títulos da dívida pública,
atrelados à Selic, para custear
os empréstimos do PSI. Mesmo
com o consumo doméstico
aquecido, os mecanismos para
esfriar a demanda não são
consenso. O economista Julio
Gomes de Almeida, ex-secretário
de política econômica do
Ministério da Fazenda, diz que
incentivar o investimento, como
faz o PSI, é uma forma de
combater a inflação, então não há
razão para alterar esse benefício.
“O melhor meio de combater o
superaquecimento do consumo
é aumentar o investimento”, diz.
Estimativas para o PIB não param de subir
Governo e mercado elevam
suas projeções de crescimento
O fim das medidas que haviam
relaxado os depósitos compulsórios, as duas altas consecutivas da taxa Selic e a proposta de
mudança no patamar de juro do
Programa de Sustentação do Investimento (PSI) são variações
sobre o mesmo tema: a expectativa de controlar o aumento da
atividade econômica, diante de
uma inércia favorável ao consumo desde o ano passado.
Embora a projeção oficial do
governo - usada para estimar receitas e despesas da União em
2010- ainda seja de 5,5% de crescimento do Produto Interno Bruto
(PIB), o Ministério da Fazenda já
assumiu publicamente 6,5%. O
Banco Central, por sua vez, anunciou que também elevará sua estimativa, atualmente em 5,8%.
Diante dos indicadores industriais que apontam para a
utilização da capacidade instalada em 85%, e excesso de otimismo com o futuro por parte
dos empresários, integrantes de
outras pastas da área econômica
já consideram até uma alta de
7% para o PIB em linha com
analistas do mercado financeiro
- ontem a pesquisa Focus elevou
Integrantes do
governo já falam
em alta de 7%,
enquanto pesquisa
Focus aumenta
pela 13ª vez
sua estimativa,
para 6,99%
pela décima terceira vez a projeção de alta do PIB, para 6,99%.
Carlos Eduardo Gonçalves,
professor da FEA-USP, avalia
que a alta de juros é insuficiente para atenuar o consumo
acelerado. “Não é aí que precisa apertar o ‘torniquete’. É necessário retirar os estímulos
excessivos ao crédito do
BNDES, com juros até negativos”, diz. “É crédito barato
que aquece a economia.”
Os integrantes do governo
ainda julgam como incertos
alguns movimentos tanto internos quanto externos. Não se
sabe ao certo qual o impacto de
resfriamento que o fim das desonerações pode gerar, da
mesma forma que, no ano passado, não era possível mensurar o potencial de reação que
teria a injeção governamental
na economia.
Incerteza igual existe em
relação à crise europeia e seus
efeitos, quanto pode arrefecer
as exportações. Seja como for,
Gonçalves explica que o déficit
externo, grande preocupação
do mercado, é inevitável no
contexto atual, quando os
emergentes estão em crescimento e o resto do mundo,
não. ■ C.J. e S. C.
6 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
DESTAQUE CONJUNTURA
Trator mais barato para produtor
familiar muda foco do grupo Fiat
Com juros inferiores aos do PSI, programa Mais Alimentos respondeu por 60% das máquina vendidas
no país em 2009 e motivou subsidiária Case IH a antecipar nacionalização de modelos de baixa potência
Divulgação
Luiz Silveira
O Farmall 80 cavalos é o primeiro trator de
pequeno porte nacionalizado pela Case IH:
agricultura familiar passa à margem de mudanças
no PSI porque já tinha taxas mais atraentes
[email protected]
Os programas de juros subsidiados para a compra de máquinas agrícolas pelos produtores familiares estão alterando as estratégias da Case IH,
uma das marcas de máquinas
agrícolas do grupo Fiat. Focada
em grandes máquinas e tratores de alta potência, a companhia quer crescer no mercado
de tratores pequenos.
Não é para menos. No ano
passado, o programa Mais Alimentos, que financia tratores de
até 80 cavalos para a agricultura
familiar, representou nada menos que 60% das unidades vendidas no país, pelas contas do
gerente comercial da Case, César Di Luca. Foram 28 mil dos 47
mil tratores de 2009.
Os juros do Programa de
Sustentação de Investimento
(PSI) foram atraentes para os
grandes e médios produtores
rurais, mas a agricultura familiar já contava com taxas de juros inferiores aos 4,5% oferecidos no PSI. O Mais Alimentos, por exemplo, tem taxa de
2% ao ano, com carência de até
três anos e prazo de pagamento
de até uma década.
Considerando que as taxas de
juros para a agricultura não sofrerão aumento, como garantiu
no último dia 7 o ministro da
Agricultura, Wagner Rossi, o
programa continua atrativo. “O
aumento do juros do PSI não
terá efeito nenhum sobre as
compras da agricultura familiar
e tende a afetar pouco o agronegócio”, prevê Di Luca.
gir os 60% até o fim do ano.
Apenas tratores de até 80 cavalos entram no programa.
Divulgação
Plano estratégico
César Di Luca
Gerente comercial
da Case IH
Avanço
A Case, que até o ano passado só
vendia tratores acima de 130 cavalos no Brasil, nacionalizou a
produção da sua linha de potência inferior, a Farmall, para poder participar dessa festa dos
juros baixos. No mês passado, o
Farmall 80 cavalos foi aprovado
no Mais Alimentos. “Nosso plano era nacionalizar a produção
em dois anos, mas antecipamos
para um ano ao perceber o aumento da participação dos tratores de baixa potência nas vendas do setor”, diz o executivo.
Na realidade, o Farmall 80
ainda tem apenas 45% de índice
de nacionalização, quando o
mínimo exigido pelo Finame é
de 60%. Mas a Case conseguiu
se enquadrar no chamado Finame Progressivo, no qual começa
a comercializar as máquinas
dentro do Mais Alimentos agora, com o compromisso de atin-
“Nosso trator foi aprovado no
Mais Alimentos em maio e deve
representar 30% das vendas
em 2010. O mercado vendeu
28 mil tratores no programa
em 2009, mas o universo
é de 300 mil compradores”
Entrar no segmento de tratores
pequenos representa avançar
em um mercado totalmente
novo para a Case no Brasil, mas
também no maior mercado de
máquinas agrícolas do país. “Até
agora atuávamos em apenas
30% do mercado de tratores, e
agora temos produtos para 80%
dele”, calcula Di Luca.
A expectativa da Case IH é
ampliar sua participação no
mercado de tratores de 1,5% em
2009 para 2,5% em 2010. Só o
Farmall 80 representará 30%
das vendas da companhia.
O plano estratégico de cinco
anos da Case é ocupar 10% do
mercado latino-americano de
tratores até 2014. Hoje, essa
participação é de apenas 3,5%.
Nos tratores pequenos, a principal marca do grupo Fiat no Brasil até agora era a New Holland.
Pela análise de Di Luca, o universo de potenciais compradores
de trator na linha Mais Alimentos
está entre 260 mil e 300 mil produtores familiares. “Ainda há
muito mercado”, diz. ■
APOIO
NEGÓCIO
2%
ao ano
é a taxa de juros do programa
30%
é o que o Farmall 80 deverá
Mais Alimentos, que tem carência
de até 3 anos e prazo de 10 anos.
representar nas vendas
de tratores Case em 2010.
EMPRÉSTIMO SALGADO
Mercado cobra 20% de juros, diz Abimaq
Um pequeno aumento nos juros
do PSI/Finame, de um ponto
percentual, teria impacto limitado
na demanda por financiamentos do
BNDES para a compra de máquinas
e equipamentos. O retorno aos
níveis pré-PSI, porém, poderia
derrubar no Brasil os investimentos
em ampliação de capacidade
instalada. É a avaliação de Carlos
Nogueira, diretor de financiamentos
da Associação Brasileira da
Indústria de Máquinas e
Equipamentos (Abimaq), do que
poderia acontecer em uma eventual
alta dos juros cobrados pelo BNDES
para investimentos em bens de
capital. “Nenhum país paga 15%
ao ano, como era o Finame, antes
do PSI. Isso não é taxa viável
para financiar investimento”, diz.
A Abimaq atribui ao PSI/Finame
boa parte da recuperação das
vendas registradas no primeiro
quadrimestre deste ano. No ano
passado, o faturamento do setor
ficou 20% abaixo do de 2008.
Não à toa, segundo Nogueira,
a Abimaq já teria planos de se
mobilizar pra estender o PSI
até 2011. “Pela primeira vez, o
Brasil tem taxas semelhantes ao
resto do mundo para financiar
investimento”, diz o dirigente.
Ele afirma que hoje cerca de
metade das vendas de máquinas no
país são financiadas pelo BNDES.
A outra metade ou é feita com
recursos próprios ou de terceiros
tomado no mercado nacional a
juros de 20%. É possível captar
lá fora, mas normalmente apenas
para importação de máquinas.
Dubes Sonego e Daniel Haidar
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 7
8 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
DESTAQUE CONJUNTURA
Vendas da Scania no Brasil devem
superar 2009, o melhor ano para
a companhia sueca no mercado local
Economia e juros baixos aquecem
vendas da Scania, Iveco e Mercedes
Montadoras registram até maio números melhores que os de 2009 e preveem recorde no ano
Ana Paula Machado
[email protected]
As medidas de incentivo do governo às vendas de máquinas e
caminhões estimularam — e
muito — o comércio. De janeiro
a maio, as vendas de veículos
comerciais dispararam, com
66,72 mil caminhões comercializados, ante 39,89 mil unidades em 2009, com crescimento de 67,2%. O que puxou
essa reação foi o segmento de
pesados e semipesados, com
21,16 mil e 21,23 mil unidades
respectivamente.
O crescimento foi tão bom
que a Scania, que obteve participação de 28,2% no mercado,
prevê recorde de vendas para
este ano, superando o desempenho de 2009, o melhor ano
para a montadora no país. “Vamos crescer muito. O mercado
está muito aquecido, todos os
setores da economia demandam
caminhões”, afirmou o diretor
de vendas para o Brasil, Roberto
Leoncini. Segundo dados da
Scania, de janeiro a maio foram
comercializadas 5.959 unidades. Em 2009, durante todo o
ano, as vendas da empresa totalizaram 8.324 caminhões.
Roberto Leoncini
Diretor de
vendas para o
Brasil da Scania
“Hoje, a compra não é
mais sazonalizada. Tanto o
agronegócio está demandando
mais caminhões como
o setor industrial. Por isso,
as vendas dispararam nos
cinco meses deste ano”
“Hoje, a compra já não é mais
sazonalizada. Tanto o agronegócio está demandando mais
como o setor industrial. Por
isso, as vendas dispararam nos
cinco meses deste ano”, acrescentou Leoncini.
Outra montadora que acredita que este ano deve ser o melhor para o segmento é a Iveco
Latin America. O vice-presidente da empresa, Antonio Dadalti, diz que em 2010 as vendas
devem chegar a 150 mil unidades. A companhia estima que a
sua participação deverá ser de
10%. “O segmento de caminhões é um termômetro da economia. Observamos que o crescimento do país esta acelerado,
o que causa uma demanda forte”, disse Dadalti.
Segundo dados da Associação Nacional de Fabricantes de
Veículos Automotores (Anfavea), de janeiro a maio as vendas de caminhões da Iveco totalizaram 4.676 unidades,
crescimento de 78,7% no comparativo com o mesmo período
do ano passado. Como na Scania, o que puxou o bom desempenho da marca no mercado
interno foi o segmento de pesados. No período, a Iveco vendeu 1.940 caminhões deste
tipo, um aumento de 82,7% no
comparativo com as vendas de
janeiro a maio em 2009. “As
grandes obras de infraestrutura
demandam muitos equipamentos e isso tem impulsionado as vendas de caminhões pesados. No segundo semestre,
esperamos trabalhar com nossa
capacidade máxima de produção.”A empresa prevê fabricar
20 mil caminhões neste ano.
A Mercedes-Benz também aumentou suas vendas nos cinco
meses do ano. No período foram
comercializados 18.963 veículos.
Segundo o vice-presidente de
vendas, Joachim Maier, a manutenção do ritmo crescente da economia do país reflete positivamente nas vendas de caminhões.
Apesar da economia aquecida,
qualquer aumento nas taxas de
juros do Programa de Sustentação
de Investimento (PSI) afetarão
negativamente as vendas de caminhões, avalia o presidente da
Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Sérgio Reze. “Trata-se
de um produto muito mais sensível aos juros do que os automóveis”, afirma. Segundo o dirigente,a projeção de 150 mil unidades
neste ano fica “prejudicada”
com a mudança na taxa do PSI. ■
PRODUÇÃO TOTAL
PESADOS
SEMIPESADOS
73,4
mil
é o volume de caminhões
24,14
mil
foi a produção de veículos
23,7
mil
é o volume produzido
produzido de janeiro a maio
deste ano pelas montadoras
instaladas no país.
O crescimento foi de 67%.
pesados no acumulado
do ano, segundo dados
da Anfavea. No período,
o avanço foi de 105%.
de caminhões semipesados
de janeiro a maio deste
ano. O crescimento
no período foi de 63,3%.
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 9
Fotos: Divulgação
Mineradoras podem renovar
40% da frota em 18 meses
A frota de caminhões pesados
das minas, de 8x4, é de
cerca de 1,2 mil unidades
Um dos setores que mais demandaram o crescimento das
vendas de caminhões foi a mineração. Atualmente, segundo
o diretor de vendas da Scania,
Roberto Leoncini, há nas mineradoras brasileiras cerca de 1,2
mil caminhões da categoria 8x4
em operação, e entre 30% e
40% dessa frota deve ser renovada nos próximos 18 meses.
“Com isso, abre-se um mercado enorme para a empresa.
As negociações já começaram
e entramos forte nesse segmento”, disse Leoncini. A Scania tem pesada atuação nessa
área. Segundo o executivo,
grande parte da frota de caminhões 8x4 que roda dentro das
minas brasileiras são da montadora. As entregas desse tipo
de caminhão ocorrem entre
dois a três anos depois da realização do pedido.
As mineradoras estão trocando sua frota de caminhões
fora de estrada pelos veículos
com tração 8x4 em função da
possibilidade de revenda. Os
modelos fora de estrada não podem rodar nas rodovias brasileiras, já que são veículos com dimensões superiores às estabelecidas pela legislação do país.
“Esses caminhões têm capacidade para tracionar até 50 toneladas. É um modelo com valor
de revenda, que não será descartado ao final de sua vida útil.”
Operação 24 horas por dia
Na operação em uma mina de
extração de minério de ferro, os
caminhões trabalham 24 horas
por dia e sua vida útil é de aproximadamente 18 mil horas, o
que representa cerca de três
anos de utilização intensiva, segundo informa o executivo.
“A negociação com as montadoras não implica somente na
venda do caminhão. Vendemos
também serviços e soluções
para as empresas, isso porque
temos que instalar uma unidade
de manutenção onde são usados
esses equipamentos. São luga-
OPERAÇÃO MINERAL
● Cada caminhão 10x4 pode
custar cerca de R$ 1 milhão,
sendo R$ 850 mil relativos ao
cavalo e R$ 150 mil à carroceria.
● Como o equipamento não
pode rodar nas estradas,
segundo a legislação, a solução
é dar uma segunda vida a ele
dentro na operação de mina.
● Uma das alternativas para
o 10x4 é utilizá-lo como
caminhão-tanque para molhar
a pista das minas de minério.
res geralmente de difícil acesso
e que não contam com concessionárias Scania por perto”,
afirmou o executivo.
Dentro desta estratégia de
venda de soluções, a Scania
desenvolveu um modelo específico para as operações da mineradora Vale do Rio Doce. São
caminhões com tração 10x4,
cuja capacidade de transporte
supera as 50 mil toneladas. O
desenvolvimento do equipamento aconteceu em 2008.
A Scania, segundo Leoncini, fez a entrega de 20 unidades do modelo para a mineradora em 2008. “Estamos entregando o segundo lote de 33
caminhões, que deve entrar
em operação em pelo menos 20
dias”, disse o executivo, acrescentando que os caminhões
são específicos para operações
fora de estrada.
“Já apresentamos o caminhão em feiras internacionais e
a aceitação foi tamanha que
estamos negociando a exportação para pelo menos três
países.” ■ A.P.M.
10 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
OPINIÃO
Michel Temer
Murillo de Aragão
Antonio Carlos Guimarães
Presidente da Câmara dos Deputados
Cientista político, advogado,
doutor em sociologia pela UnB e
presidente da Arko Advice Pesquisas
Presidente da Syngenta Proteção
de Cultivos América Latina
As respostas da ética
Melhor em 2011
Novo modelo para 2050
Para Aristóteles, a virtude é uma questão de hábito,
tem de ser cultivada para gerar bons frutos. O cidadão que trata os outros eticamente e aplica normas
morais à sua vida pessoal, tende a repetir este procedimento em sua atividade profissional. Na busca de
consolidar posturas éticas, independente do potencial individual de seus funcionários, muitas empresas
forjam códigos internos de conduta, nos quais estabelecem regras separando os campos do lícito e do
ilícito. Essa preocupação está alicerçada no fato de
que o procedimento ético de um profissional acaba se
refletindo na empresa onde trabalha, na comunidade, na cidade etc. Tanto no mundo dos negócios
como na política, a evolução vem sendo respaldada
por padrões éticos. Vem se forjando na ética a solução
para muitos problemas da humanidade. Este postulado está presente em toda a história, consagrando
modelos universais de conduta, lastreados por alguns
princípios básicos, como a observância da lei e as opções éticas fundamentadas em conceitos subjetivos,
como justiça, honestidade, lealdade, responsabilidade, credibilidade, integridade, entre outros.
A ética se manifesta no campo privado, mas há
quem reconheça na democracia uma forma pública
de expressão da ética. O Brasil, através de dois episódios da CPI do PC e CPI do Orçamento, agudizou uma
demanda social por mais ética na esfera política. Não
se pode negar que, nesse período, o país evoluiu eticamente. A cada denúncia e apuração de fraudes, os
brasileiros deram um passo à frente no campo da moralidade pública. A corrupção no Estado prejudica a
todos os cidadãos. A falta de ética nas corporações
privadas tem um efeito igualmente devastador.
Mesmo o mais amargo dos críticos deve reconhecer
que o Brasil vive um importante ciclo de desenvolvimento econômico, fundamentado na credibilidade
econômica e fiscal, carga tributária alta, complexa e
injusta e expansão do crédito e do mercado interno.
O Estado brasileiro, em especial na era Lula, foi protagonista. Mas não o único destaque, como muitos
pensam. O setor privado foi importante para alavancar o ciclo de desenvolvimento que estamos vivendo,
assim como o sistema financeiro público e privado e a
boa gestão do Banco Central. Para 2011, temos boas
perspectivas. Não apenas na economia, mas também
em dois outros vetores relevantes: a política e a sociedade. Não devemos esperar que estes últimos
avancem no mesmo ritmo da economia. Continuaremos a ver os índices de aperfeiçoamento desta pontificando sobre os demais. Porém, não podemos deixar
de considerar avanços significativos.
O aumento contínuo da população mundial, a evolução das economias emergentes como China e Índia e a
demanda por biocombustíveis criaram um cenário no
qual a demanda por alimentos é crescente. Hoje já somos 6,8 bilhões de pessoas no mundo e a previsão da
FAO (Food and Agriculture Organization) é que seremos 9 bilhões em 2050. Em 40 anos, portanto, a população mundial será 30% maior e, se não mudarmos a
forma que produzimos alimentos hoje, serão necessários dois planetas Terra para que tenhamos água, solo e
clima adequados para atender à demanda por alimentos, ração e energia. O lado bom é que esse crescimento vai gerar bilhões de consumidores que vão demandar alimentos, imóveis, carros e energia. O risco é que
essa aceleração econômica pode impactar os recursos
naturais, alterando o clima e limitando a capacidade
da população manter os padrões de conforto atuais.
A conclusão faz parte do relatório “Visão 2050: A
Nova Agenda Para o Negócio”, elaborado pelo World
Business Council for Sustainable Development
(WBCSD) — entidade que reúne 29 empresas de 14
setores diferentes e situadas em 20 países. Representantes dessas companhias dialogaram com as instituições públicas e governos para analisar como será a
vida em 2050. Como os recursos naturais não crescerão em proporção à demanda, o relatório alerta para a
necessidade de mudanças no modelo econômico. O
princípio básico será explorar os recursos com racionalidade e investir em fontes renováveis de energia.
Estudiosos apontam que o século
que se finda foi dominado pela
técnica e que o próximo será
marcado pelo império da ética
Se a ética é fundamental na política, é igualmente
importante em qualquer outro campo profissional.
Os administradores de empresas, por exemplo, tomam decisões com impactos morais, porque elas irão
se refletir sobre a vida de um universo de pessoas.
Um profissional ético busca sempre mensurar quais
são suas responsabilidades para com sua empresa,
seus clientes, fornecedores, distribuidores e a comunidade onde trabalha. Toda empresa que busca o lucro justo, paga salários dignos, garante a segurança e
formação de seu pessoal e arca com os impostos está
tendo um procedimento ético.
Um profissional ético busca sempre orientar toda
tomada de decisão com base em valores morais. É
com a argamassa da ética que vimos consolidando os
alicerces da confiabilidade, sem a qual as relações
econômicas, sociais e políticas não perduram. Estudiosos apontam que o século que se finda foi dominado pela técnica e o próximo, que se aproxima, será
marcado pelo império da ética, quando se buscarão
respostas éticas para todos os grandes problemas humanos, principalmente os de cunho social. Esse é um
discurso que deverá ser pregado à exaustão sempre
que os políticos retornam à arena política no período
eleitoral. A ética nunca deve ser deixada de lado. E
neste momento político faz-se essencial. ■
Os vetores de avanços são positivos
e devem apontar para um país
melhor em 2011, mesmo que ainda
convivamos com inconsistências
No campo da política, apesar da profusão de escândalos que marcou o cenário nacional, temos avanços: ação do Poder Judiciário sobre os políticos de
comportamento inadequado; maior rigor na aplicação das normas de fidelidade partidária e as regras do
Ficha Limpa. Outros dois aspectos merecem nota. No
âmbito da Câmara, uma nova interpretação reduziu a
possibilidade de medidas provisórias travarem as
pautas de votação. Outra iniciativa, também de Michel Temer, foi a de limitar o contrabando de temas
estranhos no corpo das medidas provisórias.
O entendimento entre PT e PMDB — no segundo
mandato de Lula – apontou para um modelo de coalizão mais claro e de corresponsabilidade na gestão
pública. Comparando com o modelo anterior de
mensalão, onde a compra de apoio no varejo prevalecia, a situação representa um avanço. Em um país
como o Brasil, a existência de coalizões claras é um
imperativo para a estabilidade. Ainda que tenha
como efeito colateral a diluição das plataformas presidenciais para contemplar a média do pensamento
da aliança. No campo da sociedade, as novidades positivas decorrem tanto do crescimento e melhor distribuição de renda quanto do avanço de práticas de
interação com a sociedade civil. A emergência de
uma nova classe C é uma realidade auspiciosa. Não é
o fim do processo, mas uma etapa importante na
construção de uma sociedade mais justa.
Em termos de participação da sociedade, sou testemunha de um processo interessante. Participo do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e lá presencio atores relevantes do capital e do trabalho debatendo o interesse público. Divergindo, como é natural.
Mas, sobretudo, construindo consensos. Vejo avanços
no campo da informação. Embora a mídia ainda seja
superficial, vemos a internet como um processo saudável de ampliação dos horizontes da informação. Combinando tudo, os vetores de avanços são positivos e devem apontar para um país melhor em 2011. Mesmo que
ainda convivamos com inconsistências e contradições
típicas de um país paradoxal como o nosso. ■
Precisamos pensar na demanda
global de alimentos e nos meios
de produzi-los em quantidade
suficiente para que sejam acessíveis
A necessidade de aumento de produção agrícola
terá que coexistir com um novo modelo de negócio
sustentável. Esse é um desafio para o setor e uma
oportunidade para governos, indústrias e pesquisadores. Nesse aspecto, o Brasil vem cumprindo seu
papel, preparando uma agricultura forte e respeitando o meio ambiente para “produzir mais com menos
recursos naturais”. Para isso, a indústria está focando em inovação e alcançando produtos de altos níveis
tecnológicos. Novas técnicas, sementes mais produtivas e fertilizantes mais eficientes são iniciativas que
se tornarão frequentes. Se a produção agrícola não
acompanhar o aumento da demanda por alimentos,
os preços subirão e mais pessoas passarão fome. Hoje
já há 1 bilhão de pessoas subnutridas no mundo.
Muitos países olham para a agricultura no curto
prazo, dificultando a inserção de novas tecnologias.
Outros taxam as exportações, impedindo que os
agricultores se capitalizem e produzam mais. Por
fim, há governos que não valorizam a propriedade
intelectual, reduzindo os incentivos para a indústria.
Cada um destes governos acaba focando os desafios
imediatos dos habitantes, esquecendo que somos
parte de um planeta que, em apenas 40 anos, necessitará dobrar a sua produção. Precisamos pensar na
demanda global de alimentos e nos meios de produzi-los em quantidade suficiente para que sejam baratos e acessíveis. Assim, em um mundo globalizado
como vivemos hoje, o preço dos alimentos será condizente em todos os países de economia aberta. ■
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 11
André Lessa/AE
Número de eleitores passa de 134 milhões
As eleições de outubro deste ano devem ter mais de 134 milhões de
eleitores, um número mais de 7% maior do que o registrado há quatro
anos, em abril de 2006. A data-limite para o alistamento eleitoral foi
o último dia 5 de maio. Os dados são do site do TSE (Tribunal Superior
Eleitoral). São 30 milhões inscritos em São Paulo (22,4% do total),
14,3 milhões de eleitores em Minas Gerais (10,7%) e 11,4 milhões
no Rio de Janeiro (o equivalente a 8,5% do total de inscritos).
Henrique Manreza
CIDADE LIMPA, ASSEMBLEIA SUJA
No dia seguinte à convenção do PSDB, na Assembleia Legislativa de São Paulo, uma faixa ainda permanecia na frente do prédio, lembrança
da invasão de propaganda eleitoral feita no local no domingo. As ruas próximas amanheceram sujas de folhetos. Apesar desse tipo de ação
ser autorizada durante convenções (a propaganda eleitoral será liberada somente a partir do próximo dia 6), a limpeza já deveria ter sido
feita. “Quando os faxineiros chegam, começam pela limpeza interna e depois passam para a limpeza externa. Agora já está tudo limpo”,
garantiu, durante a tarde de ontem, Antônio Denardi, diretor de Comunicação Social da casa. “A rigor é propaganda antecipada”, afirmou
Augusto Eduardo de Souza Rossini, do Ministério Público Eleitoral. “Mas precisamos ser razoáveis. Esperamos que a limpeza seja feita até
amanhã [hoje]”, disse. A assessoria de imprensa do PSDB informou que o partido não tem conhecimento da faixa. “De qualquer maneira,
[o partido] vai providenciar a retirada de faixas levadas pela militância e que eventualmente tenham ficado no local.”
ENTREVISTA ALBERTO ROLLO Advogado especializado em direito eleitoral
Lei eleitoral se sobrepõe à Cidade Limpa
Determinação que proíbe faixas
e cartazes em São Paulo não vale
no caso de propaganda política
Maeli Prado
[email protected]
A Lei Cidade Limpa, que entrou
em vigor na cidade de São Paulo
em 2007 e que proíbe faixas e
cartazes nas ruas, não vale para
a distribuição de folhetos e afixação de faixas, já que é “sobreposta” pela legislação eleitoral
federal. Apesar disso, a propa-
ganda no prédio da Assembleia
Legislativa de São Paulo (veja
foto acima), permitida por conta da convenção do PSDB, já deveria ter sido retirada hoje, observa o advogado Alberto Rollo,
especialista em direito eleitoral.
O que prevê a legislação eleitoral
para propagandas como as
realizadas na Assembleia?
É permitido fazer propaganda
nos gabinetes, sempre do lado
de dentro. Ou seja, o gabinete
pode ser usado para fazer cam-
Divulgação
“Em São
Bernardo a
prefeitura
proibiu
outdoors,
mas como a
lei é federal a
proibição caiu”
panha sem problemas. Só não
pode do lado de fora, nos corredores, enfim, nas áreas comuns. No dia da convenção a
propaganda pode ser feita também fora do prédio.
Hoje [ontem] isso já deveria ter
sido limpo, já que a convenção
ocorreu no domingo?
Sim. Como todos os partidos
têm o mesmo direito, todos precisam comunicar o presidente
da Assembleia solicitando que a
limpeza seja feita. A obrigação
de limpar o prédio é da Assembleia. O deputado pode sujar,
mas não tem que limpar.
A autorização da legislação
eleitoral não esbarra
na Lei Cidade Limpa?
A Cidade Limpa é uma lei municipal, e perde para a legislação
estadual e federal. Para você ter
ideia, em São Bernardo do Campo [Grande ABC] a prefeitura
proibiu a instalação de outdoors,
mas como a legislação é federal
essa proibição caiu. ■
12 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
BRASIL
Dissídios vão
injetar R$ 10 bi
na economia
Negociações das principais categorias apontam para
injeção de 30% extra da massa salarial até o fim do ano
Elaine Cotta e Marcelo Cabral
[email protected]
Os trabalhadores da construção
civil foram os primeiros da fila:
conseguiram um reajuste salarial de 8%, que está em vigor
desde 1º de maio e que representa um aumento real de 2,4%,
além da inflação. Mas ainda faltam os metalúrgicos, os comerciários e os bancários, para citar
outras três categorias que apenas começaram a negociar quanto terão de reajuste salarial a
partir do segundo semestre deste ano. Se cada uma delas, numa
estimativa conservadora, conseguir repor a inflação e obter
1% de reajuste real no salário,
significa que serão injetados
cerca de R$ 1,6 bilhão por mês
na economia até o final do ano.
A projeção foi calculada pelo
B RASIL E CONÔMICO e levou em
consideração qual seria o impacto de uma reposição inflacionária
sobre o rendimento médio real
dos trabalhadores no mês de
abril, calculado pela Pesquisa
Mensal de Emprego (PME) do
Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE). Só nos primeiros quatro meses do ano, também
com base em dados do IBGE, já
foram injetados R$ 2 bilhões na
economia — fruto do aumento
médio da renda registrado no período, mais os salários que são resultado das novas contratações.
Mas, é importante levar em consideração que boa parte dos dissídios entra em vigor no final de
terceiro trimestre — o dissídio
dos bancários, por exemplo, é a
partir de 1º de setembro.
Em 2009, de acordo com o
Dieese, 80% das negociações salariais realizadas por 692 categorias de trabalhadores brasileiros ou 553 instrumentos firmados conquistaram aumento real de
salários e outros 88 (quase 13% do
total) asseguraram, no mínimo, a
reposição da inflação com base no
Índice Nacional de Preços ao
Consumidor (INPC), do IBGE. Os
reajustes salariais foram pouco
afetados pela crise econômica in-
Expectativa é que
pelo menos 80%
das negociações
sejam bem-sucedidas
com aumento real
de salários, a exemplo
do ano passado
ternacional deflagrada nos últimos meses de 2008. Mesmo com
o Produto Interno Bruto (PIB)
apresentando variação negativa
de -0,2% — fruto do desaquecimento econômico do último
trimestre de 2008 e dos primeiros meses de 2009 — a proporção de categorias com reajustes
salariais no mínimo equivalentes ao INPC-IBGE atingiu 93%.
“Foi a sexta vez consecutiva
que no mínimo 80% das categorias conquistaram reajustes em
percentual no mínimo igual à
inflação oficial”, afirma José Silvestre Prado de Oliveira, coordenador de Relações Sindicais
do Dieese. Ele lembra que há
duas variáveis importantes nas
negociações. Do lado positivo,
temos um PIB forte, crescendo a
cerca de 6%, maior do que no
ano passado, quando houve recuo de 0,2%. Mas do negativo, a
inflação também deve ser um
pouco mais elevada que no ano
passado. “Mesmo assim, o primeiro fator deve pesar mais que
o segundo, então acredito que
em 2010 a tendência seja que
tenhamos mais categorias com
ganho real, que deve ficar acima dos cerca de 1,5% do ano
passado”, conclui.
Projeção para 2011
O impacto dos reajustes salariais na economia e consumo
virá, de fato, a partir de 2011.
Considerando os reajustes já
efetuados e os que poderão vir, a
estimativa é que a partir de dezembro de 2010 sejam injetados
cerca de R$ 21,6 bilhões extras isso sem considerar novas contratações. Se a geração de novos
postos de trabalho seguir no
mesmo ritmo da média dos últimos 12 meses, devem ser injetados pelo menos R$ 12 bilhões na
economia ao longo do ano que
vem — considerando que sejam
contratados mais 670 mil trabalhadores até dezembro de 2010.
Seriam R$ 31,6 bilhões a mais
para estimular o consumo, o
crescimento e, elevar as pressões sobre a inflação. ■
Crédito farto
Aumentos salariais vão
estimular consumo de bens e
serviço, mas não representam
grandes pressões inflacionárias
A injeção de mais dinheiro na
economia que virá com os reajustes salariais já está entre as
preocupações do governo e de
alguns economistas do mercado financeiro. “Seguramente,
esse aumento na renda irá estimular o consumo de bens e de
serviços, o que pode sim ter
impactos sobre a inflação neste
e no próximo ano”, afirma Ricardo Denadai, economistasenior do banco Santander.
Fábio Romão, da LCA Consultoria, acredita que a econo-
mia continuará crescendo,
mas num ritmo menos acelerado do que o verificado no
primeiro semestre. “Houve alguma antecipação de consumo
no início do ano pela facilidade
que havia com a redução da
alíquotas de impostos”, diz,
lembrando que por isso a tendência é de consumo mais baixo nos próximos meses, o que
deve segurar um aumento mais
agudo da inflação. “Os reajustes salariais impactam o custo
de vida, mas não é algo desmedido”, conclui.
Pressões extras
O economista Hélio Zylberstajn,
presidente do Instituto Brasilei-
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 13
Marcela Beltrão
Menos imposto para aço
A Câmara de Comércio Exterior (Camex) deve decidir na reunião
marcada para quinta-feira a redução do imposto de importação para
alguns tipos de aço. A equipe econômica está monitorando a elevação
dos preços domésticos e deve sugerir zerar o imposto para dois
ou três tipos de aço. O governo quer evitar que o reajuste dos
preços, provocado pelo aumento internacional do minério de ferro,
seja abusivo a ponto de provocar uma pressão inflacionária.
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Agencia Petrobras
Petroleiros negociam
reajuste para o
segundo semestre
NEGOCIAÇÕES
Metalúrgico
Os metalúrgicos tiveram em 2009
reajuste real de 2,26% mais a
reposição da inflação do período.
Neste ano, os metalúrgicos
do estado do Mato Grosso do Sul,
que têm data-base em maio,
conseguiram fechar um reajuste
de 6,45%. Esse deve ser
o parâmetro das negociações
no segundo semestre.
Construção
A construção civil chegou
a um acordo de reajuste de
8% dos salários com validade
a partir de 1º de maio.
Descontada a inflação de 5,49%
em 12 meses até abril, a categoria
conseguiu um ganho real de
2,39%. O reajuste contemplou
em torno de 300 mil
trabalhadores em todo o Brasil.
Bancários
A categoria dos bancários, com
data-base no mês de setembro,
reivindica reposição da inflação
acumulada nos últimos 12 meses,
mais um reajuste real de
salário. Em 2009, os bancários
conseguiram negociar
2% de aumento real, além
da reposição das perdas
acumuladas no período.
Comerciários
Os comerciários têm data-base
em setembro e devem reivindicar
aumento real de salário mais as
perdas da inflação acumulada no
período. Em 2009, a categoria
conseguiu 3% de aumento real
mais a reposição de perdas.
Esse deve ser o parâmetro das
discussões com os empregadores
no segundo semestre.
pressiona mais inflação que reajustes
ro de Relações de Emprego e
Trabalho (Ibret) não vê os reajustes salariais como risco inflacionário. “Os gastos do governo pressionam mais os preços do que o reajuste salarial
dos trabalhadores”, diz.
Rogério de Souza, economista do Instituto de Estudos
para o Desenvolvimento da Indústria (Iedi) complementa:
“mais que os salários, as facilidades de acesso ao crédito são
um fator de pressão inflacionária muito maior que a melhora da renda”, diz. Para Souza, somente elevar juros não
resolve. “A Selic maior não necessariamente segura o consumo, pois boa parte dos traba-
Apesar dos ganhos
salariais, consumo
deve ser mais
baixo nos próximos
meses, devido
à antecipação
das compras
de bens de consumo
lhadores acaba optando por
pagar mais juros, desde que a
prestação caiba no bolso. O
risco de altas agressivas na
taxa de juros é o um possível
desestímulo do investimento.
E é o investimento que vai garantir que se tenha oferta para
atender esse aumento da demanda que pode surgir com a
injeção de novos recursos na
economia”, afirma Souza.
Sazonalidade
“Não há risco dos aumentos salariais alimentarem a inflação.
Se isso fosse verdadeiro, já teri
acontecido em anos anteriores”, lembra Clemente Ganz,
diretor técnico do Dieese, lem-
brando que os reajustes salariais
acima da inflação não são uma
novidade e que aconteceram
também nos últimos anos.
Romão da LCA diz que o número de categorias com reajuste acima da inflação deve crescer neste ano, mas o ganho real
médio deve ser mais reduzido.
Para este ano, a estimativa da
consultoria é que o ganho real
dos salários deve ficar em torno
de 1,9%, enquanto a massa salarial total deve crescer porque
o estoque de ocupados também
está aumentando bastante graças à acentuada redução da taxa
de desemprego registrada nos
últimos anos — veja quadro ao
lado. ■ E.C. e M.C.
QUEDA
Em 2010, desemprego deve ser
menor do que no período pré-crise
10,0
10%
9,3%
8,8
7,9%
8,1%
7,6
7%
6,4
5,2
4,0
2006
2007
2008
Fonte: Banco Santander
2009
*projeção
2010*
14 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
BRASIL
Igo Estrela
OPERAÇÃO PLUTO
PÚBLICO
PF reprime saques fraudulentos de
precatórios, com 10 casos em Minas Gerais
Ministério da Cultura lança consultas
para a revisão da Lei de Direitos Autorais
Agentes da PF em Minas realizaram ontem a Operação Pluto, para
cumprir 10 mandados de busca e apreensão, visando reprimir saques
fraudulentos de precatórios creditados na CEF principalmente em Juiz
de Fora. Os precatórios podiam ser sacados em qualquer agência da Caixa
no país e seus valores variam entre R$ 200 mil e R$ 700 mil, já havendo,
notícias de tentativas de saque de precatórios de mais de R$ 1 milhão.
O ministro da Cultura, Juca Ferreira, disse que a lei de direitos autorais
não atende às necessidades da sociedade brasileira, por não garantir
o direito do autor e não dialogar com o mundo digital. “Não é suficiente,
é um entrave para o desenvolvimento cultural do Brasil, um entrave para
a economia da cultura e não atende o objetivo principal, que é o direito do
autor”, disse o ministro, ao lançar a consulta pública para a revisão da lei.
Governo avisa que não se deixará seduzir
por extravagâncias em ano eleitoral,
sinalizando que o reajuste dos aposentados
estará mais próximo dos 6,14%
Lula vetará reajuste a aposentado de
Convencido pelos ministros da área econômica, presidente vai anunciar hoje que decidiu rejeitar o reajuste
Sílvio Ribas, de Brasília
[email protected]
O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva deverá anunciar hoje, dia
da estreia do Brasil na Copa do
Mundo, seu veto ao reajuste
concedido pelo Congresso de
7,72% para 8 milhões de aposentadorias e pensões acima de
um salário mínimo. Convencido
pelos ministros Paulo Bernardo
(Planejamento) e Guido Mantega (Fazenda), Lula vai editar em
seguida medida provisória (MP)
que concede no lugar do aumento um abono de 6,14%, índice proposto originalmente
pelo governo e acordado com as
centrais sindicais. A diferença
entre os dois percentuais representa impacto extra de R$ 1,6
bilhão por ano nas contas da
União, além dos R$ 7 bilhões
garantidos. Em defesa da política fiscal, o presidente deverá
também vetar o fim do fator
previdenciário, aprovado pela
Câmara no começo de maio.
“Não pensem que me deixarei seduzir por qualquer extravagância por conta do processo
eleitoral”, disse Lula ontem, em
Queluzito (MG), onde inaugurou um gasoduto. Ele garantiu
que a decisão sobre o aumento
Ceder ao embalo do
calendário eleitoral
e confirmar o índice
inflado por deputados
e senadores geraria
despesa anual extra
de mais R$ 1,6 bilhão
aos cofres da União
dos aposentados e o fim do fator
previdenciário já estava tomada, para ser anunciada hoje, dia
limite para tomar posição, depois de vários adiamentos. Ainda assim, o presidente tem
marcada a última reunião com
os ministros da Previdência,
Planejamento e Fazenda para
tratar do assunto. Ele avalia que
não terá prejuízos nas urnas
com os vetos nem “estragará”
suas relação com os aposentados, porque faz “o que for melhor para o Brasil” no longo
prazo. “O reajuste de 6,14% significa reposição da inflação,
mais 2,6% de aumento real.
Ninguém pode dizer que o governo está maltratando os velhinhos”, afirmou Bernardo no
fim de semana. Lula planeja assistir à partida da Seleção Brasileira, às 15h30, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB),
sede provisória da Presidência.
No mesmo embalo do Mundial da África do Sul, a Câmara
tentará colocar em votação na
tarde de hoje, numa sessão extraordinária — uma forma de
driblar o trancamento da pauta
por MPs —, minutos após o jogo
Brasil e Coreia do Norte, o polêmico projeto de distribuição
igualitária dos royalties do pe-
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 15
Patricia Santos/AE
PESQUISA
MBA em IFRS (Normas Internacionais de Contabilidade)
Rio de Janeiro é a cidade mais cara
para se viver no continente americano
O Rio é a cidade mais cara para se viver no continente americano, diz
pesquisa divulgada ontem em Paris pela consultoria britânica ECA,
segundo a qual Tóquio é a mais cara do mundo para os estrangeiros. O
estudo mede os preços de bens de consumo e serviços como moradia,
alimentação, transporte, vestimenta, lazer, etc. A grande surpresa foi
Londres, que ficou em 78º lugar não está entre as 50 cidades mais caras.
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Uanderson Fernandes/O Dia
Aeroportos precisam de R$ 30 bilhões
Estudo encomendado
pelo BNDES mostra
que 13 dos 20 principais
terminais do país
apresentam gargalos
7,7%
dado pelo Congresso
tróleo, vindo do Senado. Apesar
da pressão do governo de votar a
matéria, a expectativa dos próprios deputados é de que só
amanhã o funcionamento do
Congresso se normalize. Há
ainda o risco de obstrução dessa
votação liderada pela bancada
do Rio, em protesto às perdas de
receita com royalties. Lula sinalizou ontem que deverá vetar.
Pela manhã, está prevista
ainda a discussão e votação na
Câmara do parecer do relator,
deputado Aldo Rebelo (PCdoBSP), do também polêmico projeto de lei que muda o código florestal. ■ Com agências
O Brasil deverá investir cerca
de R$ 30 bilhões em sua infraestrutura aeroportuária até
2030. Quem aponta isso é o
Estudo do Setor Aéreo do Bra-
sil realizado pela McKinsey &
Company e encomendado pelo
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES). Segundo o levanta-
DESAFIOS DO BRASIL
1
2
3
Preparação para
Copa e Olimpíada
Guerra fiscal
no combustível
Superaeroporto
de Viracopos
De acordo com o estudo da
McKinsey&Company, os eventos
esportivos deverão aumentar
em 2% a 4% a demanda de
passageiros no Brasil. No ano
passado, pelos 20 principais
aeroportos do Brasil passaram
110 milhões de passageiros. Hoje,
a capacidade desses terminais
é de 120 milhões de pessoas por
ano. “O sistema já esta saturado,
por isso a necessidade de mais
investimentos e melhoria da
capacidade desses aeroportos.”
O diferencial de alíquotas de
Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS)
sobre combustível — por exemplo,
25% em São Paulo, contra 3%
em Minas Gerais e 4% no Rio de
Janeiro, leva as empresas aéreas
a prática de abastecerem as
aeronaves em locais onde
o imposto é menor. Com isso,
essa operação os custos para
as companhias aumentam e
isso poderia ser reduzido se se
praticasse tarifa única de ICMS.
Com o trem ligando São Paulo
a Campinas, Viracopos será
uma alternativa viável, segundo
o estudo. O terceiro aeroporto
na capital não é a medida mais
acertada, pois não há locais para
se implantar um aeroporto com
capacidade para mais de 30
milhões de passageiros por ano.
Viracopos é o único lugar com
espaço para contemplar as
mudanças propostas pelo estudo.
Em 2009, em Viracopos passaram
4 milhões de passageiros.
mento, com esse valor os 20
principais aeroportos do país
terão capacidade para movimentar 310 milhões de passageiros por ano em 2030. Conforme dados da pesquisa, no
mercado brasileiro são realizadas em média 50 milhões de
viagens por ano.
O coordenador do estudo,
Arlindo Eira Filho, explica que
o trabalho contemplou os 20
principais aeroportos do país,
e verificou que 13 já estão com
algum tipo de gargalo, seja ele
em pista ou terminal de passageiros. “A pior situação é realmente em São Paulo. Os três
maiores aeroportos do estado,
Congonhas, Guarulhos e Viracopos, em Campinas, carecem
de investimentos emergenciais para melhorar a operação”, disse.
De acordo com o levantamento, hoje, nos três principais aeroportos de São Paulo,
em um determinado horário
do dia a capacidade já está saturada e por isso, há propostas
do governo de reduzir os slots
(espaços para pousos e decolagens). “E um dos impactos
imediatos seria o aumento das
passagens e a falta de oferta de
assentos nesses horários mais
concorridos em São Paulo”,
ressaltou o coordenador.
No curto prazo, o estudo
aponta para obras emergenciais em 2010 e 2011 como
mais tótens de check-in, o
que diminuiria as filas nos
balcões das companhias.
Além disso, há também propostas estruturantes, como a
construção de terminais de
passageiros provisórios que
poderiam aumentar a capacidade dos aeroportos. Em Guarulhos já há intenção de se
construir essas estruturas
para dar mais vazão ao aeroporto até que o terceiro terminal de passageiros saia
realmente do papel. Pela proposta da Empresa Brasileira
de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), concluídas as
obras em Cumbica, a capacidade do aeroporto seria aumentada para até 35 milhões.
Hoje, são realizadas 25 milhões de viagens.
No longo prazo, para equalizar o gargalo em São Paulo, o
estudo propõe que sejam investidos R$ 5 bilhões em Viracopos, para torná-lo um “superaeroporto”, com capacidade para 60 milhões de passageiros por ano em 2030. ■ Ana
Paula Machado
16 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
BRASIL
Daniel Acker/Bloomberg
IMPORTAÇÕES
ANP
Balança comercial tem déficit de US$ 166
milhões na segunda semana de junho
Etanol tem preço competitivo em
relação à gasolina em 13 estados e no DF
A balança comercial brasileira registrou um déficit de US$ 166 milhões
na semana de 7 a 13 de junho, segundo o Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior (MDIC). As exportações somaram US$ 3,767
bilhões no período e as importações, US$ 3,933 bilhões. Com o resultado
da semana, o superávit acumulado no mês caiu para US$ 979 milhões.
As exportações somam US$ 6,969 bilhões, aumento de 26,4% ante 2009.
Os preços do etanol aumentaram sua competitividade nos postos para
13 estados e também no Distrito Federal em relação à gasolina, de acordo
com a Agência Nacional de Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis (ANP),
na semana encerrada a 11 de junho. O etanol está competitivo em Alagoas,
Bahia, Ceará, Goiás, Rio, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul,
Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, São Paulo e Tocantins, além do DF.
Onda de parcerias
do pré-sal atrairá
US$ 190 bilhões
Litoral de Macaé, uma das
cidades produtoras de petróleo:
oportunidades de investimentos
Estudo da Ernst & Young projeta uma série de fusões,
aquisições e joint ventures entre empresas do setor até 2013
Ricardo Rego Monteiro, do Rio
[email protected]
Praticamente aprovado o novo
marco regulatório do pré-sal, o
Brasil deverá assistir já nos próximos meses uma nova onda de
fusões, aquisições, joint ventures e parcerias em toda cadeia
do setor. Estudo da consultoria
Ernst & Young sobre as perspectivas da indústria petrolífera
brasileira revela que boa parte
dos negócios se dará entre as
companhias já presentes no
mercado brasileiro, mas uma
fatia significativa das fusões e
aquisições ocorrerá entre fornecedores de bens e serviços,
que precisam se qualificar para
atender as exigências de conteúdo local do país.
Para o especialista em Energia
da Ernst & Young, Carlos Alberto
de Assis, o processo, entre os fornecedores, será liderado por
companhias estrangeiras com interesse em nacionalizar a produção. Embora evite projetar um
volume total de recursos envolvidos nas fusões, Assis lembra que o
setor brasileiro de petróleo deverá
receber investimentos diretos de
US$ 190 bilhões até 2013. Tal volume, projeta o executivo, inclui
não só os desembolsos previstos
pela Petrobras e demais petroleiras no país, mas também de fornecedoras de bens e serviços.
Com periodicidade trimestral,
o levantamento engloba o primeiro trimestre deste ano. Não
leva em consideração, portanto,
episódios recentes da indústria
petrolífera mundial, como o vazamento no Golfo do México da
plataforma Deepwater Horizon,
operada pela Transocean a serviço da British Petroleum (BP),
do Reino Unido. De qualquer
forma, o executivo avalia que o
acidente, no curto prazo, deverá
ter impacto sobre os investimentos do setor, que deverão ser
elevados como consequência do
encarecimento dos custos com
seguros e novas normas de se-
Uma característica
identificada pelo
estudo nesse novo
processo é que,
ao contrário de outros
ciclos semelhantes,
desta vez os
negócios serão
menos numerosos,
mas deverão
envolver um volume
maior de recursos
gurança. Entre 2015 e 2012, pondera Assis, esses mesmos custos
deverão se estabilizar.
Para o executivo, independentemente do impacto do acidente
no Golfo, as transações no Brasil
deverão se intensificar nos próximos meses, como consequência
direta de definições como o novo
marco regulatório do pré-sal.
“Embora ainda persista uma certa insegurança quanto aos rumos
da regulação brasileira, a aprovação do novo marco abre uma
perspectiva positiva para as empresas interessadas”, avalia o
executivo, ao lembrar que, embora o novo sistema de partilha
não represente o melhor modelo
para os investidores, muito pior
seria a indefinição de regras.
Além das reservas do pré-sal,
que são muito grandes comparativamente com outras províncias petrolíferas, a atratividade
também se justifica, de acordo
com o executivo, por um conjunto de fatores resumido por
estabilidade econômica, segurança institucional e respeito às
regras. Assis lembra, no entanto, que o tamanho das reservas
amplia proporcionalmente a
quantidade de oportunidades
para novas empresas no país.
Para a Ernst & Young, os negócios deverão ocorrer em duas
etapas. Na primeira, por meio
de associações entre petrolíferas estrangeiras e a Petrobras,
com objetivo de explorar as reservas do pré-sal.
Paralelamente, uma segunda
frente de negócios será aberta
por meio de parcerias e fusões,
tanto por fornecedoras estrangeiras quanto nacionais, em busca de adequação aos padrões nacionais de conteúdo local. “Uma
característica identificada pelo
estudo nesse novo processo de
fusões e aquisições é que, ao contrário de outros ciclos semelhantes, desta vez os negócios serão
menos numerosos, mas deverão
envolver um volume maior de
recursos”, avalia Assis. ■
Mão de obra e
“Velhos gargalos”, como tributo
excessivo e burocracia, são
alguns dos obstáculos listados
Apesar das boas perspectivas
abertas pelo pré-sal, nem tudo
são flores no setor brasileiro de
petróleo. Logo após voltar de
encontro com investidores americanos em Houston, no Texas,
o sócio de Advisory Services da
Ernst & Young, Carlos Alberto
de Assis revela que muitos empresários manifestaram preocupação com alguns dos velhos
problemas do país. Além dos
gargalos logísticos, também foram enumeradas a carência de
mão-de-obra qualificada e a
barafunda de impostos e contribuições como alguns obstáculos para o bom andamento
dos negócios no Brasil.
“A questão tributária do país
é crítica para os investimentos”,
afirma Assis. “Durante encontro com investidores, em Houston, muitos se mostraram preocupados com a complexidade
do sistema tributário brasileiro.
Esse, no entanto, não é o único
motivo para a dor de cabeça no
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 17
DISPUTA
TRABALHO
Publicadas as diretrizes do leilão de
energia produzida por fontes alternativas
Amorim discursa na OIT e defende
mercado interno e comércio Sul-Sul
O Ministério de Minas e Energia publicou ontem portaria com as diretrizes
e a sistemática do leilão de energia produzida por fontes alternativas,
que o governo realizará nos dias 18 e 19 de agosto. Participarão da disputa
centrais eólicas, usinas de biomassa e Pequenas Centrais Hidrelétricas
(PCHs). Os empreendimentos eólicos vencedores, por exemplo, poderão
ampliar o parque gerador instalado para reduzir o risco contratual.
O Brasil valoriza o fortalecimento do mercado interno e o comércio
Sul-Sul para avançar no desenvolvimento, disse ontem em Genebra
o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em discurso
na Conferência Internacional do Trabalho (OIT). “E os trabalhadores não
são apenas promotores da justiça social, mas também instrumentos de
correção dos desequilíbrios da globalização”, afirmou o ministro Amorim.
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ROYALTIES
STF
Municípios fluminenses
ameaçam entrar com mandado de
segurança no Supremo Tribunal
Federal contra a decisão do
Senado sobre a partilha dos
royalties, que muda a dinâmica
de repartição dos recursos
do petróleo – e das áreas
a serem concedidas com o pré-sal.
A mudança reduz os ganhos
dos estados produtores. A
expectativa é que o mandado seja
expedido entre hoje e amanhã.
PESSIMISMO
Sem
volta
O prefeito de Armação
dos Búzios, Mirinho Braga,
diz que é impossível reverter
na Câmara uma decisão que foi
tomada pelo Senado – o projeto
voltou para a Câmara depois
do Senado ter aprovado
a mudança na partilha.
A expectativa, segundo ele, é de
que qualquer decisão favorável
ao estado do Rio de Janeiro, terá
de ser tomada por meios judiciais.
PRESIDENTE
Veto
Ainda há a chance de
o presidente Lula vetar a decisão
do Senado. E mesmo que ele seja
favorável à emenda Ibsen, sempre
há possibilidade de derrubada
do veto pela Câmara. Prefeitos
de municípios fluminenses
entendem que o presidente
está se comprometendo
a vetar a emenda Ibsen.
A decisão em ano eleitoral
complica o cenário dos dois lados.
logística preocupam investidores
setor. Também podem ser listados os gargalos logísticos e a carência de mão-de-obra.”
Embora tais fatores representem o que o executivo classifica
de “grande preocupação para investidores”, a Ernst & Young trabalha com uma perspectiva de
crescimento médio do país, até
2030, de 4% ao ano. Em um cenário de longo prazo, projetado
por outro estudo da consultoria –
dessa vez voltado para o setor
energético como um todo -, o
país deverá apresentar um crescimento da demanda de energia
Expectativa
da consultoria
é de crescimento
de 3,3%ao ano
da demanda
de energia no
Brasil até 2030
de 3,3% ao ano, na média, nesse
mesmo período. Ao decompor tal
indicador, o estudo projeta um
aumento do consumo médio de
petróleo de 2,5% ao ano; 4,4% ao
ano de eletricidade; e 3,6% ao
ano de carvão e biocombustíveis.
Assis reconhece as dificuldades de traçar cenários de tão
longo prazo, mas nem por isso
deixa de recorrer ao estudo para
prever, que até 2030, os preços
do barril de petróleo no mercado internacional deverão manter-se em uma média de US$ 65
a US$ 70. Tal projeção, explica o
executivo, embute picos de alta
e oscilações para baixo nas cotações, ao longo do tempo, influenciadas por fatores macroeconômicos e pontuais.
O estudo já leva em conta,
por exemplo, a crise europeia,
mas Assis lembra que também
considera contrapartidas como
o provável bom desempenho
dos Brics, nos próximos anos,
impulsionado principalmente
pelo crescimento da China.
Diante de tais perspectivas,
não precisa ser especialista em
petróleo para saber que os garga-
los não inviabilizam os investimentos no setor, mas reduzem os
ganhos não só das empresas, mas
do país como um todo. Ao reduzir
a produtividade da economia
brasileira, obstáculos de ordem
logística e tributária diminuem a
renda potencial do setor. O cenário se agrava com a escassez de
mão-de-obra. Além de contribuir para atrasar projetos, leva o
país a exportar parte da renda gerada pelo setor - ao obrigar empresas a contratar engenheiros e
outros profissionais especializados no exterior. ■ R.R.M.
18 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
INOVAÇÃO & EMPREENDEDORISMO
QUARTA-FEIRA
QUINTA-FEIRA
GESTÃO
SUSTENTABILIDADE
Intuição leva professor a exportar
Licenciado da PUC-Campinas, Israel Geraldi criou a Softway em 1996. Seu objetivo agora é crescer com aquisições
João Paulo Freitas
[email protected]
A Softway, que tem como principais produtos sistemas que
ajudam companhias a gerenciar suas atividades de importação e exportação, deu seus
primeiros passos em 1996,
quando Israel Geraldi , professor
licenciado do curso de Análise de
Sistemas e Engenharia de Computação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, convidou quatro de seus melhores
alunos para trabalhar com ele em
um novo empreendimento.
No ano passado, o negócio
faturou de R$ 40 milhões, montante que, caso as previsões de
Geraldi se confirmem, chegará a
R$ 45 milhões neste ano. O valor não leva em consideração as
aquisições que a empresa planeja fazer ainda este ano.
O resultado significativo diz
pouco sobre o início do empreendimento, quando o objetivo era oferecer treinamento
em banco de dados e desenvolver pequenos sistemas. O fato é
que logo Geraldi percebeu, graças a sua atuação como consultor, que muitas empresas necessitavam de uma solução para
lidar com seus processos de importação e exportação.
A percepção virou negócio
quando o empreendedor ofereceu um sistema com essa finalidade à unidade brasileira da
americana HP, que fabrica equipamentos eletrônicos como calculadoras e notebooks. A solução satisfez a companhia, que a
levou para suas operações em
outros países latino-americanos, como México e Colômbia.
Nascia ali o principal negócio da
Softway, que hoje responde por
95% do seu faturamento.
Oportunidade
O empreendedor conseguiu fisgar a HP porque havia prestado
alguns serviços de consultoria à
multinacional. Em uma de suas
visitas à companhia, notou que
o gerenciamento das informações de comércio exterior precisava ser melhorado. Foi então
que decidiu oferecer um sistema
à empresa. “Naquela época, não
tínhamos um grande cliente.
Mesmo assim, a HP apostou no
nosso trabalho, até porque o
segmento de gerenciamento de
importação era pouco explorada
pelo mercado”, afirma Geraldi.
“Mas havia um enorme potencial. A própria Receita Federal
estava se informatizando. No
começo dos anos 1990 havia
lançado o Siscomex [Sistema
Integrado de Comércio Exterior]. Antes, tudo era feito com
papel”, conta. A iniciativa gerou frutos. Hoje, a Softway
atende Motorola, Volkswagen,
“
As faculdades,
em geral, são
muito carentes
no que diz respeito
ao ensino do
empreendedorismo.
Nunca tive
nenhuma disciplina
sobre o tema.
Na Softway, usei a
minha intuição
GM, Embraer, Honda, Toyota e
Volvo, entre outros. A lista conta com cerca de 220 clientes.
Aquele primeiro sistema,
desenvolvido para a HP, lidava
apenas com gerenciamento de
importações. Em seguida, a
empresa criou outras soluções
voltadas para exportações,
operações de câmbio e ao Regime Aduaneiro de Entreposto
Industrial sob Controle Informatizado, o Recof.
Cautela
Geraldi conta que não fazia o
tipo do empreendedor destemido, que larga tudo para perseguir uma ideia No início na
Softway, manteve seu emprego
de professor e sua atuação como
consultor. “Fui conservador.
Mas a empresa dobrava de tamanho anualmente. Fui então
me dedicando cada vez mais ao
negócio”, afirma. “Eu imaginava que pudesse ter um negócio
um dia, mas jamais do porte da
Softway”, acrescenta.
Hoje, o empreendedor está
mais agressivo. Além de adquirir empresas este ano, a
Softway abrirá, até outubro,
uma filial em Buenos Aires. A
expansão conta com o respaldo do aporte de capital que a
empresa recebeu do Fundo de
Participação e Consolidação
(Fipac), em março do ano passado, quando a gestora DGF
Investimentos passou a controlar cerca de 30% do empreendimento. O valor do negócio não foi revelado. ■
RESULTADO
R$ 40 mi
foi quanto a Softway faturou
em 2009. As soluções
de comércio exterior da
empresa são responsáveis
por 95% desse total. A meta é
atingir neste ano R$ 45 milhões.
EQUIPE
380
É o total de funcionários
da empresa. Com sede em
Campinas, a Softway possui
filiais em Jaguariúna, São José
dos Campos, São Paulo, Rio
de Janeiro e Belo Horizonte e
planeja abrir neste ano outras três.
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 19
SEXTA-FEIRA
SÁBADO
SEGUNDA-FEIRA
TECNOLOGIA
EDUCAÇÃO
ENGENHARIA
MARA SAMPAIO
software
Psicóloga e especialista
em cultura empreendedora
e fortalecer as vendas ao exterior
Leandro Ferreira
Geraldi: conservadorismo
deu lugar a metas de
crescimento mais agressivas
Rumo à Copa de 2014, o futuro é agora
DESENVOLVIMENTO
Empresa investiu cerca de R$ 1,5 milhão
em sistema de rastreamento
Em 2003, Israel Geraldi, presidente da Softway, vislumbrou uma
nova oportunidade de negócio e iniciou o desenvolvimento de
um sistema de rastreamento de bovino. Ele conta que a solução
não decolou inicialmente devido a resistências dos pecuaristas,
mas que ao poucos eles têm aceitado mais essa exigências
do mercado. Hoje, a Softway tem informações de cerca de
3 milhões de cabeças de gado armazenadas no seu datacenter.
“É preciso procurar oportunidades sempre. Não havia muitos
sistemas de rastreamento. As pessoas estavam preocupadas
com a parte do hardware, não com o software”, conta.
Em 2006, a Softway foi contemplada com cerca R$ 500 mil
em subvenção econômica da Financiadora de Projetos (Finep)
para continuar desenvolvendo seu sistema de rastreamento.
Além do recurso governamental, a empresa já investiu cerca
de R$ 1,5 milhão na solução. O objetivo é controlar 80%
desse mercado no Brasil em um prazo de quatro a cinco anos.
Com a abertura da Copa do Mundo, na semana passada, jornais e
audiência não falam de outra coisa. Mas, diferentemente do restante
do público e da mídia, os empreendedores não querem saber deste
mundial. Eles só pensam na Copa de 2014. Algumas reuniões que
ocorreram no último fim de semana não tiveram por finalidade assistir aos jogos nem fazer apostas. A meta era identificar oportunidades para a edição brasileira do evento: o que pode gerar novos negócios? Que estratégias adotar para ampliar as atividades? Como
conquistar novos mercados para a próxima Copa?
Para as pessoas que possuem atitude empreendedora, o futuro se
antecipa. Elas são capazes de se projetar anos à frente, delinear o
que desejam e o que pretendem como resultado, além de estipular
um prazo para cumprir o plano. Em seguida, fazem um caminho de
volta ao presente: começam a montar a operação e colocar a empresa para se mover em busca do objetivo traçado. Por isso, os empreendedores são chamados de visionários.
Outra característica importante de um empreendedor é a capacidade de identificar, agarrar uma oportunidade e transformá-la
em um negócio. Quando ela se une a uma paixão nacional como futebol, o cenário só pode ser de muitos negócios, ainda mais diante
das condições socioeconômicas em que o Brasil se encontra, de
massa salarial em alta e muitos investimentos. E, como os brasileiros, os estrangeiros também não param de pensar nas oportunidades que aparecem dentro das nossas fronteiras. Belo Horizonte,
Goiânia, Cuiabá e as outras cidades que irão sediar os jogos de futebol de 2014 viraram ponto de encontro de empreendedores italianos, portugueses e de outros países. Todos estão atrás de uma boa
oportunidade, de um negócio inovador e rentável.
Identificar oportunidades faz parte do “pacote empreendedor”,
não importa a nacionalidade. Ela se caracteriza pela predisposição
de uma pessoa em estar atenta
aos desejos e necessidades de
um determinado grupo de consumidores, existente ou potencial. É enxergar algo novo,
onde ninguém viu uma chance
de ter lucro ou sucesso. Ter
ideias novas que possam se
transformar em produtos desejados e que satisfaçam o público acaba sendo um dos grandes
diferenciais das pessoas com
atitude empreendedora.
O álbum de figurinhas da
Copa de 2010, lançado pela
Editora Panini, sintetiza bem
todas essas características.
Uma ideia simples que se
transformou em uma excelente
oportunidade de negócios.
Completar um álbum de figurinha, principalmente de futebol,
faz parte da cultura nacional.
Em todo mundial, a venda de
figurinhas é expressiva no país.
Este ano, porém, o fenômeno conquistou, além de crianças e adolescentes, homens e
mulheres de todas as idades,
que reviveram uma parte muito
prazerosa da infância. As vendas surpreenderam e o álbum
virou febre. Não foram poucos
os colecionadores que tiveram
de percorrer muitas bancas de
jornais em São Paulo para conseguir completar o seu álbum.
A questão agora é: qual será a
boa ideia para a próxima Copa?
O futuro é agora. É hora de colocar as chuteiras e entrar em
concentração rumo a 2014. ■
Para as pessoas
com atitude
empreendedora,
o futuro se antecipa.
Elas são capazes
de se projetar anos
à frente, delinear
o que desejam
e o que pretendem
como resultado
20 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
ENCONTRO DE CONTAS
LURDETE ERTEL
Pascal Guyot/AFP
Digitais no
escurinho
Febre da vez no
mercado de cinema,
a projeção digital
(incluindo 3D) deve ganhar
novo foco no Brasil.
A Centauro Cinema®,
tradicional empresa
nacional de serviços e
instalações de cinema,
está colocando em
cartaz uma dobradinha
comercial com a gigante
global Barco, fabricante
de equipamentos
de projeção digital.
Com 74 anos e 500 salas
de cinema e teatro
no portfólio, a Centauro
é a única empresa
em atividade que
produziu projetores
cinematográficos
no mercado brasileiro.
Agora, a companhia
entra na briga pelo
fornecimento de
tecnologia digital a
exibidores e donos
de salas no país — um
mercado estimado em
1,2 mil projetores nos
próximos quatro anos.
Turismo em pétalas
Gramado, cartão-postal da serra
gaúcha, prepara nova munição na disputa
com Campos do Jordão, no interior de
São Paulo, pela preferência dos turistas.
A cidade está regando uma nova —
e belíssima - atração: um parque
temático de orquídeas.
O primeiro passo para a criação do
empreendimento foi dado neste mês
com a assinatura da escritura de uma
área no centro da cidade, que passou
para propriedade da prefeitura.
Orquídeas já são estrelas do turismo
de Gramado há alguns anos, com a
realização de exposições itinerantes.
Com cerca de 30 mil espécies diferentes,
a orquídea é considerada das flores
mais belas da natureza. Abençoado
por sua flora, o Brasil tem a sorte
de ser um dos países mais ricos
na quantidade e diversidade
desta família de plantas. Já foram
registradas cerca de 2,3 mil variedades
da flor em território brasileiro.
Miguel Medina/AFP
Malas prontas
Ruim para os europeus, bom para
os brasileiros.
A depressão da cotação do euro
que veio no rastro da crise
financeira deflagrada pela Grécia
está gerando uma corrida de
turistas do Brasil à Europa.
O site de viagens Mundi verificou
um crescimento de 37% na busca
de brasileiros por voos para
países europeus desde maio.
O aumento diz respeito à
comparação com a média de
buscas dos primeiros quatro
meses do ano - que também já
não foi pequena.
Camarão às pencas
O Ceará deve passar o
Rio Grande do Norte e se
tornar o maior produtor de
camarão do Brasil neste ano.
O Estado projeta para 2010 um
aumento de 36% na produção
do crustáceo em cativeiro.
Existem mais de 180 fazendas de
cultivo de camarão no Ceará, que
devem produzir 40 mil toneladas.
Recorde na cabeça
Um lance anônimo, por telefone, fez soar
ontem a maior cifra já desembolsada
em um leilão de arte na França.
O recorde foi para a escultura Cabeça
(foto), do artista Amedeo Modigliani,
vendida pela Christie’s de Paris por
US$ 52,8 milhões. Foi também o valor
mais alto já pago por uma obra de
Modigliani. Mais famoso por suas
pinturas do que pelas esculturas,
o italiano viveu entre 1884 e 1920
e, depois de trocar a Itália pela
França, se tornou um dos principais
integrantes da famosa Escola de Paris.
Esculpida entre 1910 e 1912, a peça
de 65 centímetros de altura mostra
uma cabeça alongada com olhos
amendoados e cabelos soltos.
A obra fazia parte da coleção
reunida por Gaston Levy, empresário
que fundou a rede Monoprix.
“Da mesma
forma que a visão
sobre nossas
vulnerabilidades
e nossa política
externa foi
profundamente
moldada pelo
11 de Setembro,
eu acredito que
esse desastre vá
moldar a maneira
como pensamos
sobre o meio
ambiente e
a energia por
muitos anos”
Barack Obama, dimensionando
os efeitos do vazamento de
petróleo no Golfo do México
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 21
Reprodução
MARCADO
Máquina de PVC
O artista austríaco Hannes Langeder recriou o modelo GT3
Ferdinand RSX, em tamanho natural, com tubos de plástico, papel
alumínio e fita adesiva. Para construir o carro amigo da natureza,
Hannes trabalhou cerca de mil horas, ao longo de dois anos e meio.
A construção básica é feito de aço, a carroceria é feita de tubos
de plástico PVC e a pintura exterior é feita com fita dourada.
O veículo se movimenta através de pedais.
● Será dia 17, em São Paulo, o
evento Cultura Organizacional
impactando nos resultados
das empresas, realizado
pela Torres Associados.
Carolyn Taylor, uma das melhores
especialistas do mundo no
assunto, já confirmou presença.
[email protected]
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Banana boat
GIRO RÁPIDO
O grupo turístico espanhol
Loro Parque está jogando
âncora no Rio Grande do Norte.
Dona da mais assediada atração
turística das Ilhas Canárias,
a empresa planeja investir
US$ 80 milhões na construção
de um parque aquático de
18 hectares no litoral norte
do estado. O endereço ainda
está sendo definido.
Tiro longo
Maior fabricante de armas do
Brasil, a Taurus já engatilhou
investimentos de calibre para
a demanda por segurança a
ser gerada pelas Olimpíadas
Militares de 2011, pela Copa de
2014 e pela Olimpíada de 2016.
A empresa está desenvolvendo
uma nova plataforma
para fabricação de armas
semiautomáticas, que devem
ser as mais procuradas
pela segurança nacional.
Para produzir os novos produtos,
a Taurus prepara desembolso
de de R$ 14 milhões.
Prato cheio
Com os incentivos tributários
do governo do estado do
Rio de Janeiro, que reduziram
a zero o ICMS para carne, aves,
pescado e todos os seus derivados,
a indústria Landim inaugurou em
Barra do Piraí, no sul fluminense,
uma fábrica de carne processada.
A nova unidade terá
capacidade de produção de
200 toneladas por mês e vai
gerar 300 empregos diretos.
A agropecuária no estado é
responsável pela geração de
mais de 700 mil empregos.
Energia em Copa
Plástico dos
pés à cabeça
A Aggreko está fornecendo
3,6 MW de energia para
o palco brasileiro do
Internacional Fifa Fan Fest,
na praia de Copacabana.
Ao todo estão sendo utilizados
cerca de 10 mil metros de cabos
e 100 mil litros de biodiesel.
A empresa possui contrato de
US$ 45,3 milhões para fornecer
30 MW de energia para a
Copa do Mundo Fifa 2010.
O casal Peter e Charlotte Fiell
lança mundialmente, em
julho, o Plastic Dreams, a
primeira publicação sobre
as melhores criações do
mundo em design de plástico.
A marca brasileira Melissa brilha
entre as 120 peças selecionadas.
O modelo Ultra Coral, a
sapatilha Zig Zag dos irmãos
Campana e as co-criações
de Zaha Hadid e Karim Rashid
aparecem em destaque.
Além de ser a responsável pela
sobrecapa exclusiva do livro,
a marca brasileira também
inspirou o título da publicação,
já que Plastic Dreams faz
parte do slogan da campanha
internacional da marca,
veiculada em mais de 30 países.
Na cidade de Gaudí
O Bankpime, do Banif, acaba
de inaugurar uma sede
corporativa em Barcelona.
A localização representa
o início de uma nova etapa
para o banco catalão.
Selecionada
Depois de passar por um
processo seletivo, que
durou três meses, a Fábrica
Comunicação Dirigida foi
a escolhida pela BlackRock,
para cuidar do marketing
direto no Brasil.
Selecionada
Rasante histórico
Depois de quase dois anos de
obras de ampliação, o Museu
da Tam, em São Carlos (SP), está
voltando a embarcar visitantes.
O empreendimento reabriu
ao público com mais do dobro
da área original projetada pelos
irmãos comandantes Rolim e
João Francisco Amaro em 1993.
Maior museu mantido por uma
empresa aérea na América
Latina, o endereço tem no acervo
96 aeronaves
históricas, das quais
72 estão expostas.
Entre as estrelas
está o Lockheed
L-049 Constellation
da Panair do Brasil,
primeiro a ligar
continentes. Quase
metade dos aviões
expostos está em
condições de voo.
A Samsung vai oferecer
para o público do show de
lançamento do novo álbum
do Capital Inicial, no dia 19,
no Rio de Janeiro, um card
de download MusicTicket+.
O cartão permite que o
usuário escolha cinco
músicas do novo disco
da banda, Das Kapital, e
uma versão acústica exclusiva
de Depois da meia-noite
para serem baixadas por meio
da Samsung Music Store.
Com Karen Busic
[email protected]
22 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
EMPRESAS
Pão de Açúcar inova com frete
Nos Estados Unidos, o
Walmart também transportará
mercadorias de seus fabricantes
Cintia Esteves
[email protected]
Nos últimos anos, o grupo Pão
de Açúcar tem demonstrado ao
mercado seu apetite por aquisições. Junto com a vocação de
colecionar empresas, nada impede a companhia de enxergar
oportunidades em criar unidades de negócios internamente,
aproveitando sua escala de negócios. Foi assim, por exemplo, com a GPA Mall & Properties, braço imobiliário. Agora é
a vez de a logística atrair os
olhares do grupo.
Atualmente, 1,35 mil caminhões de 153 transportadoras
prestam serviços com exclusividade ao Pão de Açúcar. A ideia é
esta frota também se encarregar
de transportar as mercadorias
dos fabricantes até a varejista nos
horários em que ficaria ociosa.
“Temos condições de cobrar do
“
O transporte
colaborativo, ou seja,
quando as empresas
cooperam entre si
para melhorar a
eficiência na logística,
é uma tendência
Maria Fernanda Hijjar,
diretora do Ilos
fornecedor um frete menor do
que ele pagaria no mercado”, diz
Carlos Eduardo Botana, gerente
geral de distribuição do Pão de
Açúcar. “É comum um caminhão fazer sua entrega e voltar
vazio para ser carregado novamente. Em vez de retornar sem
mercadoria, ele pode passar em
outro fornecedor e voltar abastecido”, diz o executivo.
Levantamento feito pelo Instituto de Logística e Supply Chain
(Ilos) revela que no Brasil os caminhões circulam 30% do tempo
vazios ou com espaços livres.
“Uma empresa consegue economizar até 8% no total gasto com
transporte se realizar uma gestão
eficiente como, por exemplo,
compartilhar a frota com outras
companhias”, afirma Maria Fernanda Hijjar, diretora de inteligência de mercado do Ilos.
De um total de 1,8 mil fornecedores, o estudo comandado
por Botana concluiu ser rentável
vender frete a 180 fabricantes.
“Esta é a quantidade de indústrias que estão nas rotas já feitas
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 23
Divulgação
Passaportes terão chip eletrônico
A partir de dezembro, os passaportes comuns emitidos pela
Polícia Federal terão chip eletrônico, tecnologia já adotada por
países da União Europeia, Japão, Austrália e Estados Unidos.
O novo documento será mais seguro que o atual, emitido desde
dezembro de 2006. Por dia, a Casa da Moeda emite de 5 mil a 6 mil
passaportes comuns. O passaporte com chip vai custar quase
o dobro para a PF, segundo o gerente de logística, Rogério Galoro.
Henrique Manreza
CIRCULAÇÃO
1,3
mil
caminhões de 153 diferentes
transportadoras fazem as
entregas do grupo Pão
de Açúcar, cuja operação
logística abrange 16 estados.
TRANSPORTE
55
mil
reboques e 6,5 mil caminhões
compõem a frota própria do
Walmart, nos Estados Unidos.
No Brasil, a varejista
terceiriza o transporte.
FROTA
3,5
mil
veículos próprios cuidam
das entregas da Casas Bahia
que, desde dezembro do ano
passado, negocia fusão com
o grupo Pão de Açúcar.
ATACADO
936
veículos próprios e outros
560 terceirizados são
responsáveis pelas entregas
do Martins, maior atacadista
de distribuição do Brasil.
“
É comum um caminhão fazer sua
entrega e voltar vazio para ser carregado
novamente. Em vez de retornar sem
mercadoria, ele pode passar em outro
fornecedor e voltar abastecido
Carlos Eduardo Botana,
gerente-geral de distribuição do Pão de Açúcar
compartilhado
por nossos caminhões.” Ele
acrescenta que a empresa está
trabalhando com 32 fornecedores para o compartilhamento do
frete e tem condições de vender
este serviço ao mercado.
Ainda sem nome, a nova empresa, chamada por Botana de
“filial transportadora”, deve sair
do papel neste segundo semestre. A aquisição de uma frota
própria de caminhões está sendo
avaliada, bem como uma possível utilização de veículos da Casas Bahia, cuja negociação de
fusão com o Pão de Açúcar continua em andamento. “Existe a
possibilidade de comprarmos
caminhões ou de fazermos uma
sinergia com os veículos da Bahia, mas ainda não há nada certo. Esta é uma questão estratégica do grupo”, diz o executivo.
A Casas Bahia é uma exceção
entre as grandes varejistas brasileiras. Enquanto a maioria prefere trabalhar com frota terceirizada, a rede dos Klein mantém 3,5
mil veículos próprios para transportar mercadorias. “O trans-
porte colaborativo, ou seja,
quando as empresas cooperam
entre si para melhorar sua eficiência logística, é uma tendência”, diz Maria Fernanda, do Ilos.
Nos Estados Unidos, a rede
Walmart vai usar a mesma estratégia, segundo a Bloomberg
BusinessWeek . Dono de 6,5
mil caminhões e 55 mil reboques, o varejista está conversando com seus fornecedores
para assumir a entrega dos
produtos em troca de redução
nos preços pagos por eles. ■
Pontualidade
é desafio do
grupoMartins
Compartilhar a frota de caminhões traz às empresas um aumento da eficiência, além de demonstrar preocupação com o
meio ambiente, diz Maria Fernanda Hijjar, diretora de inteligência de mercado do Instituto
de Logística e Supply Chain
(Ilos). No entanto, a especialista
alerta para as dificuldades que
este tipo de estratégia pode acarretar às empresas. “Trata-se de
uma operação muito complexa,
pois é necessário ter informações
sobre a logística de diversas
companhias”, diz. “A dificuldade está, justamente, em combinar estas informações”, afirma.
O Martins, maior atacadista
de distribuição do país, conhece
bem as pedras deste caminho. A
empresa usa sua frota própria de
936 veículos mais 560 terceirizados para transportar mercadorias de cerca de 10% de seus 600
fornecedores. “Fazemos este
transporte há alguns anos, mas
não pensamos em ampliá-lo.
Nosso foco não é logística e, sim,
venda de alimentos”, diz Flávio
Borges Martins, diretor da empresa que, apesar do sobrenome
coincidir, é profissional contratado pela companhia. “Matematicamente é bastante interessante. Mas na prática não é tão fácil”,
diz. O executivo explica que o
principal desafio desta estratégia
é o risco de atrasar as entregas aos
clientes. “Quando meu caminhão volta vazio, ele retorna para
o centro de distribuição pronto
para ser reabastecido e, na sequência, seguir para o próximo
cliente. Se ele voltar cheio, primeiro precisa descarregar para
depois receber novas mercadorias e fazer a entrega ao varejista”, afirma Martins.
“
Fazemos o transporte
compartilhado
há alguns anos,
mas não pensamos
em ampliá-lo.
Nosso foco é a
venda de alimentos
Flávio Martins,
diretor do Martins
GANHOS
8%
de economia no total gasto
com transporte é quanto
uma empresa pode ganhar
compartilhando seus veículos
com outras companhias.
OCIOSIDADE
Mercado
Maria Fernanda, do Ilos, explica
que quando uma empresa vende
frete para um fornecedor ela
consegue cobrar um preço menor do que uma transportadora.
“De qualquer forma, o caminhão
iria fazer uma viagem sem carga.
Então, se a empresa cobrar, por
exemplo, metade do valor gasto
com combustível naquele trajeto, ela já estará lucrando”. O
problema, diz ela, é que algumas
transportadoras que trabalham
na rota poderiam quebrar, pois
não suportariam uma concorrência tão desigual. ■ C.E.
30%
de seu tempo é quanto,
em média, cada caminhão
que circula no Brasil fica
vazio ou com algum espaço
vago durante suas viagens.
INDÚSTRIA
1,8
mil
é a quantidade de fornecedores
do grupo Pão de Açúcar, maior
varejista do país. O Martins,
primeiro no ranking atacadista,
trabalha com 600 fabricantes.
24 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
EMPRESAS
Jack Plunkett/Bloomberg
RECICLAGEM
INVESTIGAÇÃO
Brasil é líder no descarte
de embalagens de agrotóxicos
AT&T vai cooperar com investigação
de falha de segurança no iPad
No período de 2002 a 2008, a cadeia produtiva agrícola nacional retirou
do meio ambiente 108 mil toneladas de embalagens de defensivos
agrícolas ou agrotóxicos. O Brasil é, atualmente, líder mundial no processo
de descarte correto desse tipo de embalagens, considerado um centro
de excelência e está se tornando referência, afirmou o presidente
do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias.
A AT&T afirmou no sábado (12) que vai cooperar com autoridades dos
Estados Unidos em qualquer investigação sobre a violação de segurança
do iPad, da Apple, que expôs informações pessoais de usuários do
equipamento que são clientes da operadora. A AT&T disse, em carta, que
“os infratores serão processados em toda extensão da lei”. Na semana
passada, o FBI abriu um inquérito para investigar a falha de segurança.
Editoras
investem
em e-books
Distribuidora de livros digitais
(DRD) firma primeiro contrato de
distribuição com a Livraria Cultura
Ruy Barata Neto
[email protected]
A distribuidora de livros digitais
(DRD), constituída por joint venture entre as editoras Objetiva,
Sextante, Record, Rocco e Planeta, firmou ontem seu primeiro
contrato de fornecimento de títulos para o mercado brasileiro com
a Livraria Cultura. A distribuidora, cujo sócios faturam em média
R$ 50 milhões no ano, deverá
disponibilizar no mercado cerca
de 100 títulos digitais nos próximos 30 dias, segundo o presidente da Objetiva, Roberto Feith.
A expectativa dos editores é
investir R$ 1,6 milhão na plataforma até o final de 2011 e lucrar
com a cobrança pela prestação de
serviço de distribuição no formato para outras editoras que ainda
não entraram no mundo digital.
O custo médio de digitalização de um livro é de R$ 400 e este
mercado, ainda em formação,
não garante retorno. O diretor
comercial da Livraria Cultura,
Fabio Herz, diz que o preço do livro digital é 30% menor que o físico, mas as vendas no país ainda
são incipientes. “Este mercado
só irá deslanchar com a massificação de e-books”, diz.
Record, Sextante
e Objetiva lideram
a joint venture que
terá R$ 1,6 milhão de
investimentos até 2011
Os editores e varejistas estão
agindo rápido para garantir espaço. Com o acordo, a Cultura vai
disponibilizar um total de 800 livros digitais nacionais, adquiridos
também por um serviço próprio
de digitalização de títulos, e mais
120 mil importados, vendidos por
conta de uma parceria com a distribuidora americana Over Drive.
No Brasil, a editora Jorge Zahar,
principal parceria da loja on-line
Gato Sabido, deverá concorrer
com a DLD com uma plataforma
de distribuição a ser anunciada. A
Companhia das Letras ainda não
tem um projeto e por enquanto
distribui seus e-books por meio
da Livraria Cultura e da Saraiva. ■
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 25
Paulo Fridman/Bloomberg
EXPLORAÇÃO 1
EXPLORAÇÃO 2
Lupatech e Petrobras assinam contrato
de cinco anos no valor de R$ 123 milhões
Estatal fecha acordo para monitoramento
sísmico em Jubarte, na Bacia de Campos
O contrato abrange serviços de preservação e reparo geral de
equipamentos, de ferramentas e de materiais destinados às operações
de completação de poços, wireline, de avaliação, de perfuração e para
serviços especiais. Os serviços serão executados pela subsidiária
integral da companhia, Lupatech Equipamentos e Serviços para
Petróleo (antiga Gasoil Serviços), nas bases onshore da Petrobras.
O acordo foi fechado entre a Petrobras e a Petroleum
Geo-Services (PGS). Segundo os termos do negócio, a PGS deverá
fornecer e instalar seu sistema de fibra óptica “OptoSeis” e realizar
o registro sísmico e processamento de dados. O projeto inicial
abrange uma parte do campo de Jubarte de cerca de 245 quilômetros
quadrados, em águas com profundidade entre 1.240 e 1.350 metros.
Uberaba
terá fábrica
da Petrobras
Lula anunciou cidade mineira
como sede da nova unidade da
estatal para produção de amônia
Ricardo Rego Monteiro, do Rio
[email protected]
O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva confirmou que a fábrica de amônia que será construída pela Petrobras ficará na
cidade de Uberaba, Minas Gerais, e que para viabilizá-la a
Cemig vai mesmo construir
gasodutos até o local. A Petrobras já havia acenado com a
possibilidade de fazer uma fábrica de amônia no país, seguindo as diretrizes do governo
de reduzir a importação deste
insumo, mas sua localização foi
disputa de uma guerra federativa que envolveu, além de Minas, os estados de Mato Grosso
do Sul e Espírito Santo.
Para viabilizar a
nova unidade da
Petrobras em Minas
Gerais, a Companhia
Energética de
Minas Gerais (Cemig)
deve construir
gasodutos até o local
Lula ressaltou que o Brasil
atualmente importa 80% dos
fertilizantes de que precisa e, no
caso da ureia, o percentual seria
de 100%. Com a produção nacional de fertilizantes, disse o presidente, a tendência é que a agricultura melhore de qualidade.
A decisão de levar pelo menos uma das quatro fábricas de
fertilizantes estudadas pela
Petrobras para Minas Gerais foi
tomada a partir do pedido do
vice-presidente da República,
José Alencar. A decisão desagradou o governo do Mato
Grosso do Sul, que contava
com a implantação de um
grande complexo gás-químico
no município de Três Lagoas
para produzir ureia e amônia.
Agora, o estado ficará apenas
com a unidade de ureia.
A decisão leva, para Minas Gerais, uma fatia de US$ 2,1 bilhões
dos cerca de US$ 4,5 bilhões estimados inicialmente para o complexo gás-químico de Mato Grosso do Sul. ■ Com Reuters
26 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
EMPRESAS
R. Donask
ALIMENTOS
OBRAS 1
Nilza demite funcionários em unidades
de Ribeirão Preto (SP) e Itamonte (MG)
Vendas de materiais para construção no
varejo cresceram 12% em maio sobre 2009
Foram mantidos apenas os trabalhadores para manutenção e vigilância.
De acordo com o Sindicato da Alimentação de Ribeirão Preto, somente
na cidade paulista, sede da empresa, foram feitas 135 rescisões desde
a semana passada. A companhia está parada desde abril, quando
suspendeu a captação e o processamento de leite. Para justificar a
suspensão da produção, informou que negociava a venda dos ativos.
A informação é da Associação Nacional dos Comerciantes de
Material de Construção (Anamaco). Em relação a abril, as vendas
aumentaram 8%. No acumulado do ano até maio, o segmento
de material de construção cresceu 9,5% sobre o mesmo período
do ano passado. Otimista com os resultados, a entidade elevou a
expectativa de crescimento do setor no ano de 2010 de 10% para 11%.
Projetos sociais visam
conquistar a classe C
Vivo, Suvinil, Cavalera, Tigre e Votorantim Cimentos vão aplicar
R$ 1,8 milhão na reforma do Parque Santo Antônio (SP)
Natália Flach
[email protected]
Sob a regência do designer Marcelo Rosenbaum, diversas empresas estão se unindo para mudar o que hoje é o Parque Santo
Antônio, localizado na zona sul
da capital paulista. Mas, diferentemente de projetos assistencialistas, o “A gente transforma”
é um meio de cada uma das patrocinadoras se comunicar com
consumidores das classes C, D e
E, moradoras do bairro.
Segundo Rosenbaum, será investido R$ 1,8 milhão para pintar
as casas da comunidade e construir uma biblioteca, além de outras ações de transformação social. Na lista de patrocinadores
estão Vivo, Suvinil, STB, Cavalera,
Votorantim Cimentos e Tigre. Rosenbaum acrescenta que estão em
negociação uma parceria com
uma fabricante internacional de
materiais esportivos — para fornecer uniformes a 35 equipes de
futebol da região — e com uma siderúrgica, que pretende doar as
traves para o campinho, única
área de lazer do parque.
“Por enquanto, o projeto não é
financeiramente sustentável,
porque ainda demanda muito investimento. Mas vejo um grande
futuro, esse é um caminho necessário e inclusivo.”
O projeto chamou atenção do
poder público mesmo antes da
semana “mão na massa” ser realizada — quando alunos de arquitetura de todo o Brasil e da Inglaterra vão ajudar a pintar as
casas da comunidade e a construir a biblioteca. O Ministério
da Integração demonstrou interesse em resolver o problema do
córrego que perpassa o bairro
Campo Limpo, que compreende
o Parque Santo Antônio.
A partir de um jogo virtual,
estão sendo selecionados 30 estudantes universitários que ajudarão nas reformas, durante o
“mão na massa”, previsto para
ser realizado em julho. Os custos
da vinda dos alunos serão financiados pela STB. Segundo Cris
Bicalho, diretora executiva da
empresa de intercâmbio, além
fornecer recursos financeiros, a
“
Por enquanto,
o programa não
é financeiramente
sustentável porque
ainda demanda
grande investimento.
Mas vejo um grande
futuro. Esse é um
caminho necessário
e inclusivo
Marcelo Rosembaum
companhia está contribuindo
com expertise. “Vamos preparar
os jovens para encarar esse desafio”, diz. “Não estamos fazendo isso porque queremos passar
uma imagem de bonzinho. O
nosso retorno tem sido o contato
com os universitários. Queremos
entender ainda mais o jovem e o
que ele busca. A classe C, sem
dúvida, tem viajado mais, mas
ela ainda não é nosso potencial
cliente”, afirma Cris.
O próximo passo do programa será a transformação de 100
moradores em técnicos da Suvinil, que serão cadastrados em
um banco de dados das lojas que
vendem os produtos da marca.
Segundo Míriam Zancheta, gerente de marketing da fabricante, “todo mundo que vai participar do programa é potencial
consumidor”. Ela se refere aos
pintores que serão capacitados,
aos estudantes de arquitetura e à
própria comunidade.
“Em 2009, fizemos uma pesquisa de mercado para entender
o que as classes C e D queriam.
Descobrimos que uma tinta que
vendíamos tinha uma cobertura
fina demais e que precisava ficar
mais consistente”, diz. “Estamos atrás desse contato.” As
casas do entorno do campo de
futebol vão ganhar novas cores
por causa da Suvinil. “Investimos nas tonalidades fortes porque, segundo pesquisas, são as
preferidas pelas classes C e D.”
A parte tecnológica está por
conta da Vivo, que investiu R$ 250
mil em recursos financeiros
diretos. “O que nos atraiu foi a
possibilidade de criar uma forma diferente de nos relacionar
com a comunidade e promover, assim, uma melhoria na
vida delas”, afirma Luis Fernando Guggenberger, consultor de responsabilidade socioambiental da Vivo. Por isso,
a operadora vai patrocinar a
instalação de 20 laptops com
placas 3G no telecentro que ficará dentro da biblioteca. “Além
disso, fizemos uma parceria
com a Motorola e vamos fornecer 30 celulares com câmeras
de 5 megapixels para a produção de videoarte.” ■
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 27
Kate Davison-Greenpeace/Reuters
OBRAS 2
PETRÓLEO
Redução do IPI e programas do governo
aceleraram construção no país, diz estudo
BP perfurará em águas profundas da Líbia,
mas governo quer garantias de segurança
A avaliação é da Associação Nacional dos Comerciantes de Material
de Construção (Anamaco). Para Cláudio Conz, presidente da entidade,
a tendência de crescimento tem se confirmado e 2010 tem tudo para
ser o melhor ano da história para o setor da construção civil. A redução
do IPI foi um fator que influenciou fortemente a recuperação do setor
nos últimos 12 meses, em que o crescimento registrado foi de 6,5%.
A perfuração acontecerá no Mar Mediterrâneo. “A esta altura
nós não estamos suspendendo nada. Vamos iniciar a perfuração
em breve e alguns dos trabalhos serão realizados em águas profundas”,
disse o chefe da estatal líbia National Oil (NOC), Shokri Ghanem.
“Mas eles estão tomando precauções e o que aconteceu
no Golfo do México vai ser um processo de aprendizagem.”
Antonio Milena
Clube vai reformar
1 milhão de moradias
Companhias se voltam a
famílias com menor poder
aquisitivo, com produtos
e serviços especiais
Trinta e oito organizações —
entre elas Banco do Nordeste,
Santander, Camargo Corrêa
Cimentos, Cimpor, Eternit,
Gerdau, Holcim, Lafarge, Votorantim Cimentos e Tigre — se
atentaram para o fato de que a
maior parte das reformas, no
Brasil, são feitas por consumidores denominados “formiguinhas”. A partir da constatação, reuniram-se e desenvolveram o chamado Clube da
Reforma, que tem como objetivo ajudar um milhão de famílias de baixo poder aquisitivo a reformar suas moradias
nos próximos cinco anos.
De acordo com Valter Frigieri Júnior, gerente de Desenvolvimento de Mercado da
Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), apenas 1% das mudanças em residências são feitas por construtoras. Uma pesquisa da
Anamaco/Latin Panel revela
que o país tem 56 milhões de
moradias e, a cada ano, aproximadamente 25% delas são
reformadas.
Mas, por causa de entraves
como escassez de crédito voltado a esse segmento e a oferta
de materiais de construção
sem qualidade, este número
não é ainda maior. E é este
quadro que o Clube da Reforma
espera ajudar a reverter.
“
Nossos parceiros
vão poder nos
ajudar a definir
qual tipo de crédito
é mais adequado
e o que fazer para
reduzir a burocracia,
para que seja
algo duradouro
Zoltan Geocze,
gerente de microcrédito
do Santander
Contato com o consumidor
Segundo Julie Gattaz, gerente
de marketing da Votorantim
Cimentos, a companhia já teve
oportunidade de fazer outras
O designer Marcelo
Rosenbaum conta que
estão em negociação a
participação de uma
fabricante de materiais
esportivos e de
uma siderúrgica
ações como esta, mas nunca
obtiveram tanto sucesso, porque sempre faltava algum ator
imprescindível. “As organizações sociais são muito importantes nesse sentido porque
muitas vezes não temos informação da ponta, dos consumidores”, afirma.
Julie acrescenta que o Clube
da Reforma vai possibilitar esclarecer a população acerca da
melhor forma de utilização
dos produtos. “Vamos motivar
as pessoas a comprar o cimento de uma vez só, assim elas
ganham mais descontos. Infelizmente, pelo poder aquisitivo menor, elas compram aos
pouquinhos. E ao final da
compra, parte daquele produto já está vencido.”
Para isso, os consumidores
precisam ter acesso a novos
formatos de microcrédito. E é
isso que o Santander pretende
ao integrar o Clube da Reforma.
“Os nossos parceiros vão poder
nos ajudar a definir qual tipo de
crédito é mais adequado e o que
fazer para reduzir a burocracia”, diz Zoltan Geocze, representante da instituição.
“Vai ser um grande aprendizado, que pode resultar, inclusive, no lançamento de novos
produtos”, acrescenta Julie. “A
gente vai se adequar localmente, porque nem sempre as
necessidades são as mesmas
em todas as regiões.”
Sobre as empresas concorrentes que também integram o
Clube, Julie diz que a Votorantim Cimentos não se sente
ameaçada. “A informação será
igual para todos. O que vai fazer a diferença é a forma com
que cada fabricante vai transformá-la em soluções.” ■
ESTADO DAS MORADIAS
NOVAS RESIDÊNCIAS
O QUE ELES PENSAM
77%
dos lares brasileiros
1,5
milhão
é quanto o Brasil ganha
69,7%
dos moradores que
necessitam de algum
tipo de reforma ou construção
(classes D e E 82%, classe C
77% e classes A e B 71%),
de acordo com uma pesquisa
Tendências Latin Panel,
em 2008. 79% das
residências têm apenas um
banheiro e 70% possuem
no máximo dois dormitórios.
de novas casas por ano, de
acordo com uma pesquisa
realizada pela Anamaco,
no ano passado. Algo em torno
de 14 milhões de operações
de reformas e ampliação
são realizadas anualmente
no país. E 77% delas são
feitas por autogestão, ou seja,
pelos próprios moradores.
pretendem reformar suas
casas disseram que sentiram
que gastaram mais do que
precisavam, segundo a Anamaco.
Entre os principais motivos,
estavam a compra equivocada
e a mudança de planos no
decorrer da obra. A habitação,
além de construída, foi
financiada pelo próprio morador.
28 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
EMPRESAS
Henrique Manreza
AUTOMOBILÍSTICO
Vendas de veículos importados sobem
171,7% em maio e atingem 7.450 unidades
A alta foi registrada na comparação com os emplacamentos de igual
intervalo do ano passado. Na comparação com abril, porém, houve ligeiro
decréscimo de 0,7%. Os dados se referem ao comércio de veículos
de 22 empresas filiadas à associação. Nos primeiros cinco meses do ano,
o resultado de emplacamento das 22 marcas indica alta de 190,1%.
Foram 34.159 unidades, ante 11.776 veículos de janeiro e maio de 2009.
Henrique Manreza
APP Brasil
busca espaço
para atrair
capital chinês
Diretor-geral da Cathay, Ferreira destaca
que o Brasil sempre esteve nos planos da
APP, em especial, pela competitividade
no custo de produção de celulose
Com ativos de US$ 10 bilhões, grupo
produz 13 milhões de toneladas de papel
Cláudia Bredarioli
[email protected]
Como prova de que realmente
veio ao país para ficar, a Cathay,
subsidiária da Asia Pulp&Paper
(APP), começa a consolidar os
planos para instalar uma fábrica. Geraldo Ferreira, diretorgeral da APP Brasil, planeja receber entre julho e agosto executivos chineses para apresentar projetos e discutir a viabilidade da construção, em um primeiro momento, de uma fábrica
de celulose e, posteriormente,
uma unidade de papel.
“Estamos avaliando várias
possibilidades e vendo terrenos
que poderão ser comprados para
isso. Só que essa iniciativa é
mais minha do que da APP globalmente, porque o projeto brasileiro concorre, por exemplo,
com vários outros investimentos possíveis na própria China
que já estão sob observação da
APP”, acrescenta.
De qualquer forma, Ferreira
destaca que o Brasil nunca saiu
do foco da APP globalmente
por ser uma região estratégica,
em especial por ter o menor
custo de produção de celulose
do mundo.
A APP chegou ao país há
pouco mais de três anos. Tem
trabalhado, desde então, na inserção de produtos em segmentos nos quais a participação dos
importados ainda é pequena.
Dentre eles, Ferreira destaca
por exemplo que o papel para
fotocópia (tipo cut size) ou o
papel cartão importados não
chegam a alcançar 5% de participação no mercado nacional.
“Nossa intenção é trazer uma
alternativa estratégica para o
consumidor nacional”, diz.
Na busca por espaço no mercado brasileiro, a empresa tem
“
É preciso fazer
um esforço para
vender a preços
mais baixos no
Brasil por causa
dos impostos de
importação, que
deixam o custo
final do produto
muito alto
Geraldo Ferreira
atuado tanto na linha de produto massivo para ampliar a participação dos importados quanto
para oferecer itens diferenciados, como papeis com resistência à umidade para embalagens
ou papeis digitais offset (ainda
sem fornecedores no Brasil, segundo Ferreira). “Só que para
isso é preciso fazer um esforço
para realizar vendas com preço
mais baixo por causa dos impostos de importação”, afirma
o executivo.
Mas o foco de atuação da
APP, via Cathay, no Brasil por
enquanto está centralizado no
mercado editorial, com possibilidade de inserção, no longo
prazo, no segmento de embalagens finas.
Segundo Ferreira, um grande
passo para esses projetos deslancharem foi a ligação direta
entre a Cathay brasileira e a APP
em Xangai, mas ainda há muito
a ser feito para alcançar uma
boa inserção dos produtos asiáticos no mercado brasileiro.
“Há aqui um certo preconceito
contra o produto asiático, especialmente o chinês”, disse.
PELO MUNDO
● A APP afirma que tem política
de tolerância zero para madeira
ilegal, tanto em suas unidades
quanto por parte de fornecedores.
● Tem cerca de 500 mil hectares
de florestas nativas destinadas
à preservação no planeta.
● Emprega diretamente cerca
de 120 mil pessoas somente
na China e na Indonésia.
A intenção agora é aproximar
ainda mais o Brasil dos produtos
oferecidos pela APP. “Temos
muito a crescer. Vamos mostrar
também os esforços das fábricas
do grupo quanto à certificação
florestal”, diz Ferreira.
A APP é uma das maiores fabricantes de celulose e papel no
mundo, com ativos de mais de
US$ 10 bilhões e produção anual
de mais de 13 milhões de toneladas globalmente. Pertencente
ao Sinar Mas Group, conta com
unidades na China, na Indonésia e em outros 63 países. ■
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 29
Wolfgang von Brauchitsch/Bloomberg
AVIAÇÃO
SIDERURGIA
EADS nega rumores de parceria com
Embraer para produzir jatos pequenos
ThyssenKrupp deve reajustar preços de aço
em até € 100 para entrega no 3º trimestre
“Não está acontecendo nada”, disse Louis Gallois à emissora de
televisão LCI. “Não é realidade”, acrescentou, referindo-se à especulação
de que as duas empresas estão em negociações concretas para
cooperação. O executivo afirmou que os rumores surgiram de
comentários que ele fez anteriormente, ao elogiar o trabalho da Embraer.
No domingo, Gallois repetiu que estava impressionado com a Embraer.
A informação é de uma fonte ligada a empresa, que afirmou
ainda que os clientes que estão fazendo cotações de preços da
bobina a quente, usada na produção de automóveis, por exemplo,
estão recebendo valores de € 50 a € 100 mais altos que os cobrados
no trimestre de abril a junho. A variação de preço deve depender
da qualidade do aço. A ThyssenKrupp não comentou o assunto.
TRÊS PERGUNTAS A...
Henrique Manreza
...IAN LIFSHITZ
Gerente de sustentabilidade da APP
“Não há mais escolha
a não ser atuar
de forma sustentável”
Em visita ao Brasil para a
divulgação de novos produtos,
o gerente de sustentabilidade
Ian Lifshitz falou com o BRASIL
ECONÔMICO, após apresentação
aos clientes da APP.
Que pontos podem ser
destacados na atuação global
da APP em sustentabilidade?
Como conciliar interesses
da comunidade local e
de uma empresa global?
Quando fui visitar esses
projetos pela primeira vez, foi
emocionante ver tudo aquilo
com meus próprios olhos. Não
há como não ficar orgulhoso
de participar desse tipo de projeto
quando vemos seus resultados.
Vemos a floresta tropical
preservada, as comunidades
ganhando para sua sobrevivência
e a APP conseguindo
fornecimento e mão de obra de
qualidade. Em geral, mantemos
60% de área para plantio
e 40% de área de mata para ser
preservada para biodiversidade,
para cuidado dos animais e para
pesquisa pelas universidades.
Isso demonstra claramente que
a empresa não está só focada
em cortar árvores para produzir
papel e já o faz há muito tempo.
O trabalho que fazemos na
China é um pouco diferente
daquele que é desenvolvido na
Indonésia. Quando se fala em
sustentabilidade é preciso pensar
nas culturas locais, em como
as comunidades se organizam.
Atuamos em escolas, igrejas,
hospitais... Há um programa
que reúne em cooperativa vários
pequenos fazendeiros locais.
Damos mudas de árvores a eles,
ensinamos as técnicas de plantio
e depois compramos deles
a madeira de reflorestamento.
Isso é sustentabilidade.
“
Especialmente
em um país em
desenvolvimento,
como é o caso
da Indonésia,
a atuação de uma
empresa global exige
comprometimento
social
E isso também é uma maneira
de a empresa ganhar mais?
A maioria das empresas
investe em meio ambiente
e sustentabilidade e hoje isso
já tem tanta importância quanto
questões econômicas e sociais
especialmente com o acirramento
do processo de globalização.
Lógico que as empresas
operam para ganhar dinheiro
e não é possível evitar isso.
Mas é preciso ter clareza que
temos também responsabilidade
em relação às sociedades nas
quais atuamos. Especialmente
se tratamos de China e Indonésia.
A Indonésia especialmente
é um país em desenvolvimento,
é muito novo, não é como
o Brasil, ou Canadá. E, em
um país em desenvolvimento,
a atuação de uma empresa
global exige comprometimento
social. Então, sim, nós ganhamos
dinheiro com nossas ações lá,
mas também investimos
em desenvolvimento social.
Esse será o caminho de todas as
empresas. Não há mais escolha.
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30 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
EMPRESAS
Daniel Acker/Bloomberg
VIDEOGAME
CONSOLIDAÇÃO
Microsoft batiza de Kinect o sensor
de movimentos do Xbox 360
IBM negocia Storwize, de
armazenamento, por US$ 140 milhões
O nome oficial do sensor de movimentos do Xbox 360, console de
videogames da Microsoft, é Kinect. A marca foi lançada do último
domingo, quando a empresa aproveitou para exibir títulos compatíveis
com o sistema na tentativa de revigorar sua plataforma, que já vendeu
40 milhões de unidades. A empresa não anunciou que companhias
distribuirão os jogos para o Kinect, antes conhecido como Natal.
A IBM está avaliando a compra da empresa de armazenamento
de dados americano-israelense Storwize por US$ 140 milhões, informou
o site de notícias financeiras de Israel TheMarker. A Storwize, que
desenvolve software para compressão de dados on-line, aumentando
a capacidade de armazenamento em ambientes de rede, levantou
US$ 40 milhões em investimentos desde sua fundação, em 2004.
Pequenas e médias serão tratadas
como grandes por Intelig e Diveo
Empresas pretendem ofertar pacotes a preços competitivos para desbancar Embratel, Telefônica e Oi
Felipe O’Neill
Fabiana Monte
COMO SÃO AS OFERTAS
[email protected]
As operadoras de telefonia Intelig e Diveo querem ganhar terreno entre as pequenas e médias
empresas. No caso da Intelig, o
foco são negócios que têm entre
100 e 500 funcionários e que, de
acordo com pesquisas internas
da operadora, representam 28%
do mercado potencial.
Na Diveo, os clientes-alvo são
aqueles com mais de 30 funcionários. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2008, o Brasil
tem 4,1 milhões de empresas
ativas, das quais 88,7% são microempresas (até nove empregados) e 0,7% grandes (com
mais de 100 empregados).
A Intelig, embora não divulgue metas referentes a faturamento ou número de clientes
para os novos produtos, admite
que tem uma expectativa boa de
aceitação das ofertas. “Hoje o
mercado é dominado por Embratel, Telefônica e Oi e os clientes não estão bem atendidos”,
afirma o diretor de vendas da
operadora, Rivo Manhães Soares. A estratégia, segundo Soares, é oferecer um atendimento
semelhante ao prestado a grandes clientes, aliado a ofertas
simples. Desde a compra da empresa pela Tim, esta é a primeira
ação que a Intelig anuncia para
este segmento do mercado.
1
Intelig
É possível contratar serviços
de voz com mensalidades entre
R$ 1 mil e R$ 2,6 mil das quais são
descontadas as ligações realizadas
pelo cliente. Há três tarifas: para
chamadas aos telefones fixos,
móveis ou celulares Tim. Ligações
DDD, com o código 23 e locais têm
o mesmo preço e chamadas para
celulares Tim são gratuitas. Já
para serviços de acesso à internet,
o cliente pode escolher planos
de 2 Megabits por segundo (Mbps)
a 30 Mbps, a partir de R$ 1,5 mil.
2
Diveo
O preço das duas ofertas
criadas pela Diveo é informado
apenas sob consulta. Para
atingir empresas com quadro
de empregados a partir
de 30 pessoas, o provedor
de infraestrutura de telecom
e tecnologia aposta nos
chamados pacotes com mais de
uma solução. No caso da Diveo,
a primeira alternativa reúne voz
e internet; já a segunda inclui
a aplicação de e-mail Microsoft
Exchange Server e internet.
DDD com preço local
A oferta de voz envolve a contratação de um plano com custo
mensal entre R$ 1 mil e R$ 2,6
mil que pode ser usado para ligações locais e de longa distância nacional (DDD), para telefones fixos e móveis. Segundo
Soares, o trunfo da oferta é uma
tarifa única para ligações locais
e DDDs (com o código 23).
“Longa distância nacional é o
maior percentual da conta de
telefone. Quando você tem a tarifa de DDD igual à local, a redução de gastos chega a 50%”,
estima. Outra vantagem é a gratuitade de ligações feitas para
celulares Tim. Já a oferta de internet, por sua vez, conta com
duas soluções: a tecnologia sem
fio Wi-Max e fibra óptica. No
Rivo Manhães Soares,
diretor de vendas da Intelig,
diz que o trunfo da estratégia
é uma tarifa única para
ligações locais e DDD
■ PESQUISA
Segundo o Sebrae-SP,
o faturamento das micro
e pequenas empresas do
estado em 2009 totalizou
R$
262
bi
primeiro caso, a velocidade é de
até 3 megabits por segundo
(Mbps); a fibra tem opções entre
2Mbps e 30Mbps, com banda
garantida, a partir de R$ 1,5 mil.
Soares planeja também ofertas
para pequenas e médias empresas que permitam o acesso à internet por meio da rede elétrica,
nos moldes do acordo anunciado, em março, com a AES Eletropaulo Telecom para o mercado residencial paulista.
Pacote
Para atrair o novo segmento, a
Diveo, que provê infraestrutura
de telecomunicações e tecnologia, criou duas ofertas do tipo pacote, que reúnem mais de uma
solução. A primeira engloba internet e telefonia, por meio da
tecnologia de voz sobre IP (VoIP),
e promete economias de 30% em
média. A segunda reúne acesso à
internet e o Exchange, plataforma de e-mail corporativo da Mi-
crosoft. O aplicativo é oferecido
no modelo de serviço, no qual o
usuário paga uma mensalidade e
utiliza a solução sem ter de comprar e instalar licenças e servidores. “Se aumentarmos nossas
vendas entre 10% e 20%, vou
considerar um sucesso”, diz o
vice-presidente executivo de telecomunicações da Diveo, Luiz
Dutra. A empresa espera conquistar 50 clientes para os novos
pacotes até o fim de junho. ■
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 31
32 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
EMPRESAS
Paulo Fridman/Bloomberg
INQUÉRITO
SUSTENTABILIDADE
Investigação de suicídios na Foxconn
será pública, diz governo chinês
Bradesco ganha prêmio por sistema
de gestão de água e energia com CPqD
A China vai divulgar os resultados de uma investigação oficial sobre
os recentes suicídios ocorridos na fábrica de eletrônicos da Foxconn,
no sul do país, afirmou um representante do governo. Zhang Xiaojian,
vice-ministro de Recursos Humanos e Seguridade Social, também afirmou
que recentes episódios de greves em fábricas controladas por estrangeiros
no polo de exportação não representam uma “onda” de revoltas.
O Sistema de Gestão de Água e Energia Elétrica do Bradesco, que visa
o controle do consumo, renegociação de contratos e identificação de erros
de fatura e leitura, além da diminuição de desperdício, acaba de ganhar
o Prêmio eFinance 2010, na categoria Sustentabilidade, anunciado durante
o CIAB Febraban. O programa existe há dois anos e foi implementado em
parceria com o CPqD sobre uma plataforma de integração de informações.
ENTREVISTA MARTIN SORRELL Diretor-geral e fundador da WPP
Valor inferior dos anúncios na
web não vai durar para sempre
Presidente do maior conglomerado mundial de publicidade busca aquisições e crescimento de 5% no país
João Laet
Daniel Haidar, do Rio de Janeiro
[email protected]
Ser um país emergente dá ao
Brasil maior vantagem comparativa para receber investimentos estrangeiros. Em outras
palavras, a bola da vez para ganhos em publicidade e promoção é a nação verde-amarela.
Quem afirma isso é o diretorgeral e fundador da Wired Plastic Products (WPP), Martin
Sorrell, o maior conglomerado
de publicidade do mundo, que
esteve no Brasil para falar com
clientes. Não foi sua primeira
vez em território nacional. No
último Réveillon, Sorrell assistiu à virada do ano na Praia de
Ipanema, no Rio de Janeiro, e
passou também por Búzios, litoral fluminense. No ano anterior, brindou o Ano Novo em
Itacaré, na Bahia.
Como se percebe, o britânico
ama o Brasil, onde empresas
como a J.W. Thompson, Young
& Rubicam e Ogilvy estão sob o
guarda-chuva do grupo. Mais
do que ponto turístico, porém,
Sorrell aposta no potencial de
crescimento dos negócios no
país, o mais importante na operação da América Latina. No
Brasil, a WPP faturou US$ 500
milhões no ano passado, e a
projeção é crescer mais 5% este
ano. Em 2009, o Brasil foi um
dos poucos países em que a receita do grupo cresceu 2%, enquanto ocorria queda global de
8%. Após comprar as brasileiras
Mídia Digital e i-Cherry, Sorrell
fala em outras aquisições.
Quais são os objetivos
para as agências digitais
adquiridas no Brasil?
Se você olhar ao redor do mundo, os clientes têm gastado 12%
dos orçamentos em propaganda
on-line. Nós passamos 20% do
nosso tempo conectados na internet, portanto os orçamentos
devem alcançar naturalmente
esses 20%. No Brasil, o mercado
digital não absorve nem perto
desses 12% dos orçamentos de
publicidade. A expansão dos
telefones celulares no Brasil é
“
No ano passado,
o Brasil foi um
dos poucos países
onde a receita do
grupo cresceu 2%,
enquanto a queda
global foi de 8%
muito significativa e é o meio
mais barato de acesso à internet. O Reino Unido foi o segundo país onde a internet superou
os anúncios feitos pela televisão. Está demorando no Brasil,
mas a internet também vai ultrapassar o espaço da televisão.
No entanto, o maior erro dos sites foi dispor de notícias gratuitas, pois isso provocou uma
pressão pela diminuição de
preços na mídia tradicional.
A internet vai ser mais
cara para se anunciar?
É mais barata por enquanto,
mas isso não deve durar muito,
porque os modelos de internet
também estão sob pressão econômica. Da maneira como funcionam esses novos modelos, as
pessoas têm a tendência de pensar em audiência, mas não em
lucratividade. Os anúncios online vão ganhar mais valor, mas
ainda é um longo caminho.
Quais são as oportunidades
para desenvolver a
imagem do Brasil na
Copa do Mundo de 2014
e na Olimpíada de 2016?
O Brasil tem uma oportunidade
similar à da China na Olimpíada de Pequim. Esses dois even-
tos vão ser o teste de que o Brasil é uma potência mundial.
Todos os dados que temos mostram o Brasil crescendo em
credibilidade, imagem e todos
os atributos estão mais positivos. Os atributos mais fracos do
Brasil são inovação e qualidade, porém, este conceito melhorou de ano 2000 para cá, pois
passou a ser visto como mais
progressista. Mas acho que Copa
do Mundo e Olimpíada darão ao
país uma oportunidade de se fazer isto melhor. Se esses eventos
forem bem executados, será uma
confirmação da sua capacidade.
A marca Brasil está evoluindo. ■
GANHOS
20%
É o potencial de receita que as
agências podem alcançar com as
receitas vindas da internet, pois é
a média de tempo que as pessoas
passam conectadas à rede.
ORÇAMENTO
12%
É a porcentagem do montante
gasto atualmente no mercado
digital e no momento o Brasil
está longe desse número.
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 33
André Penner
AVIAÇÃO 1
AVIAÇÃO 2
Tráfego aéreo de passageiros no Brasil
cresce 20,17% em maio, afirma Anac
Demanda nos voos internacionais operados
por companhias brasileiras sobe 21,03%
O resultado foi alcançado na comparação com o mesmo período de 2009,
segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A taxa média
de ocupação dos aviões nos voos domésticos ficou em 60,31%, o que
representa um aumento de 1,12 ponto porcentual ante a taxa de 59,19%
de maio do ano passado. A TAM respondeu no mês passado por 40,88%
do mercado. O grupo Gol/Varig teve participação de 40,18%.
O resultado foi registrado em maio na comparação anual. De janeiro a
maio, a alta acumulada foi de 11,69%, segundo a Anac. Em maio, a TAM
ficou com 87,93% dos passageiros que voaram ao exterior, enquanto
a Gol apresentou participação de 12,07%. A ocupação nas aeronaves das
brasileiras no segmento internacional em maio atingiu 74,20%, alta de
quase 12 pontos percentuais sobre um ano antes, quando foi de 62,36%.
Divulgação
Plantio de eucalipto para produção de celulose de fibra curta
ganha cada vez mais mercado no exterior. Unidades da JBS
terão capacidade para 4,5 milhões de toneladas por ano
JBS projeta três fábricas de celulose
Investimento total previsto para Três Lagoas (MS) supera os R$ 10 bilhões e projeto deve ser concluído em 2020
Domingos Zaparolli
[email protected]
Hoje às 11 horas, quando os irmãos Batista, donos da JBS, o
maior processador de carnes do
mundo, e seu sócio, o advogado e
fazendeiro Mario Celso Lopes,
dono da MCL Empreendimentos,
assentarem a pedra fundamental
da Eldorado Celulose em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, será
iniciada a construção não apenas
de uma fábrica, mas de um empreendimento composto por três
unidades produtoras de celulose
que exigirão investimentos superiores a R$ 10 bilhões e que
somará uma capacidade produtiva de 4,5 milhões de toneladas
em 2020. “Estamos entrando no
negócio para sermos representativos. Há uma demanda crescente de celulose no mundo e nós
estamos dispostos a suprir parte
dessa necessidade”, diz Lopes.
Os planos da Eldorado são de
agilizar ao máximo os investimentos. A decisão dos sócios em
entrar no setor ocorreu no final
do ano passado. Imediatamente
contrataram um estudo de via-
bilidade econômica e a consultoria Pöyry para desenvolver o
projeto industrial. Paralelamente, contrataram profissionais experientes no mercado de
celulose para colocar de pé o
projeto. A licença ambiental foi
conseguida agora em maio e a
expectativa é de a primeira unidade, com capacidade de produzir 1,5 milhão de toneladas
anuais, a maior do mundo, entre em operação em 7 de setembro de 2012. “Estamos levantando uma fábrica em tempo
recorde”, diz o diretor comercial Sérgio Almeida.
Segundo o executivo, a rapidez tem uma razão. Os investidores detectaram que deverá
haver um déficit produtivo de
celulose nos anos de 2012 e
2013. O motivo é simples. A demanda mundial cresce em 1,5
milhão de toneladas anuais.
Mas, em 2008 e 2009, devido à
crise financeira internacional,
vários projetos de novas fábricas foram postergados. Além
disso, fábricas que não usam
eucalipto em seus processos
produtivos foram fechadas por
Grandes
consumidores
de celulose,
principalmente
asiáticos, já
procuram a empresa,
que prevê iniciar a
produção em 2012
com 80% da
capacidade
comercializada
falta de competitividade na Europa, nos EUA e na China. “Haverá um hiato produtivo e isto
está gerando a preocupação de
grandes consumidores, principalmente asiáticos, que já estão
nos procurando. Acreditamos
que vamos entrar em operação
com 80% da nossa produção
comercializada com preços
muito atraentes”, diz Almeida.
O investimento na primeira
unidade é estimado em R$ 4,8
bilhões. A estrutura financeira
ainda não está completamente
definida. A idéia inicial é captar
aproximadamente R$ 3 bilhões
junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), outros R$ 900 mi-
lhões com agentes financeiros
internacionais associados ao fornecimento de equipamentos e o
restante dos recursos serão divididos entre os sócios. A Eldorado
adquiriu 40 mil hectares de florestas de eucalipto. Precisará de
100 mil hectares por ano apenas
para a primeira fábrica e de 450
mil hectares quando as três unidades estiverem produzindo. A
avaliação de Celso Lopes é que a
expansão florestal será favorecida pela grande oferta de terras de
pastagem na região de Três Lagoas. “Aqui, a criação de gado era
extensiva, agora é confinada, o
que está liberando grandes lotes
de terra para outras finalidades”,
diz o empresário. ■
ATUAL
FUTURO
PRODUÇÃO
R$
4,8 bi
é o investimento para a primeira
R$
3 bi
é o investimento em cada uma
4,5
milhões
de toneladas de celulose por
fábrica de celulose que deverá
entrar em operação em setembro
de 2012 com capacidade de
1,5 milhão de toneladas anuais.
das novas fábricas, que serão
erguidas no mesmo terreno da
primeira e se beneficiarão da
estrutura que já estará criada.
ano é a capacidade produtiva
projetada para 2020. Serão
necessários 450 mil hectares
de floresta por ano.
34 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
EMPRESAS
Divulgação
MEIO AMBIENTE
SUSTENTABILIDADE
Brasil receberá US$ 13 mi
para conservar Cerrado
Braskem cria selo para identificar
produtos de matérias-primas renováveis
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, participou ontem da
assinatura de acordo de doação de US$ 13 milhões entre o Banco Mundial,
o ministério, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e
os governos de Goiás e do Tocantins para quatro projetos de preservação
do Cerrado. O recurso será doado pelo Fundo Global para o Meio
Ambiente ao Programa Iniciativa Cerrado Sustentável, do ministério.
A Braskem está lançando o selo I’m Green, cujo objetivo é criar valor e
identificar todos os seus polímeros produzidos a partir de matérias-primas
renováveis, entre eles o polietileno verde, a partir do etanol de
cana-de-açúcar, que a empresa deve produzir comercialmente no
próximo semestre. A companhia pretende definir com os seus clientes
as condições para que eles possam estampar o selo em seus produtos.
Tricia Vieira/AE
Modelos turbinam
lucros da Colcci
Empresário Alexandre Menegotti diz que desfile estrelado
vale cada centavo e garante exposição no Brasil e no exterior
Alexandra Farah
[email protected]
“Fala com a Gisele (Bündchen),
eu não sou bom nisto de dar entrevista”, diz um dos maiores
empresários da moda brasileira,
Alexandre Menegotti, dono do
conglomerado AMC Têxtil que
detém as marcas Colcci, Sommer,
Carmelitas, licenciamento da linha Coca-Cola Clothing, Tufi
Duek, Forum Tufi Duek, Forum
e Triton e a Malhas Menegotti.
Gisele Bündchen é a garotapropaganda da Colcci desde
2004 e, como acontece em todo
dia de desfile da marca, o prédio
da Bienal, onde ocorreu até ontem o São Paulo Fashion Week,
para à espera da modelo.
Para o desfile também veio do
Chile a modelo e atriz Lorenza
Izzo Parsons, que, como Gisele,
faz parte do plano de internacionalização da marca. A Colcci, que
entre lojas multimarcas e franquias tem mais de dois mil pontos
de venda no Brasil, está em busca
de novos mercados. A marca tinha 1,2 mil pontos de venda na
Europa e, com a crise, perdeu
400. Dentro da nova estratégia, a
primeira loja no Chile acaba de
ser aberta, o que justifica a vinda
da celebridade ao país. “O Chile
vai bem, mas a saída é crescer
mais ainda no mercado interno”,
diz Menegotti. “Para não estagnar, estamos criando novos produtos, como a linha juvenil.”
“
Gisele é a única
modelo com
quem trabalhei
que me pergunta
quanto crescemos
nesta estação
Alexandre Menegotti,
presidente do grupo AMC Têxtil
Investimentos
O cachê da supermodelo é milionário, mas a cada estação, o empresário está mais satisfeito. “Ela
é a única modelo com quem trabalhei que me pergunta: ‘quanto
crescemos nesta estação?’”, diz
Menegotti. Além de garotas propaganda internacionais, o empresário investe cerca de R$ 500
mil para fazer um desfile, segundo estimativas de mercado. O
valor não é confirmado por Menegotti. Mas ele dá pistas de que
não poupa em exposição. “Fazer
desfile vale cada centavo. Se
aplicasse a mesma quantia em
compra de espaço publicitário,
teria apenas 20% do espaço que
consigo no SP Fashion Week.”
E Menegotti começa a usar a
mesma fórmula na Triton: uma
coleção de moda jovem, de gosto bastante popular e com um
nome internacional à frente no caso a socialite americana
Paris Hilton. Paris, que desfilou
para a marca no segundo dia do
evento, foi a primeira garotapropaganda da Colcci, há sete
anos, quando a grife fez seu primeiro desfile no Fashion Rio. E
provou ser pé quente.
Em agosto faz dez anos que
Menegotti adquiriu a Colcci, na
época, cheia de dívidas. “A
gente é rápido, espera só para
ver o que vai acontecer com a
Fórum nos próximos meses”,
afirma, referindo-se à marca
de jeans comprada do estilista
Tufi Duek em 2008.
A base da Colcci, cujo público é 70% feminino, é o jeans
para consumidores em torno de
21 anos. Com a crise do algodão
no mundo, o preço da fibra subiu 40% em dois meses, mas
Menegotti, dono da malharia
fundada pelos seus pais nos
anos 1980, não parece muito
preocupado. “Por enquanto,
não vou repassar este valor
para o consumidor final. Eu
vendo marca, não vendo só
produto”, afirma. A Colcci tem
preço médio de R$ 200 por
peça e uma fábrica de sapatos
apenas para confeccionar os
calçados da marca.
Ao todo, o grupo AMC Têxtil
tem cinco fábricas, quase 3 mil
funcionários, e não pretende
transferir esse volume para a
internet. “Na web, ninguém te
atende, não tem a música nem
decoração, não tem o charme
da loja”, afirma Menegotti,
negando qualquer plano de
venda on-line. ■
PONTOS DE VENDA
INVESTIMENTO
2
mil
lojas, entre multimarcas e
R$
500 mil
é o custo estimado pelo mercado
próprias, vendem peças da grife
no Brasil. No exterior, há cerca
de 800 pontos de venda. Eram
1,2 mil antes da crise mundial.
de um desfile da Colcci. O valor
não inclui o cachê da modelo
Gisele Bündchen. A marca
não confirma o investimento.
Gisele Bündchen,
em desfile da Colcci
no último domingo
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 35
Nasa
AMPLIAÇÃO
PESQUISA
Neoris contrata funcionários para
acompanhar crescimento no país
Marte teve ciclo hidrológico
semelhante ao terrestre
Até o final do ano, a Neoris, consultoria global de negócios e de TI,
deverá dobrar o número de funcionários no Brasil, chegando a
cerca de 400 pessoas. A expansão visa atender ao crescimento
da demanda gerada por novos projetos no país, especialmente na
área de implementação e integração de soluções SAP — empresa
da qual a Neoris é uma das principais parceiras na América Latina.
A recente descoberta de gelo em Marte reforça a teoria de que o
planeta teve um passado muito menos árido do que o atual. Agora,
segundo uma nova pesquisa, o planeta teve água — muita água.
O estudo, feito por dois pesquisadores da Universidade do Colorado, nos
Estados Unidos, indica que Marte teve, há cerca de 3,5 bilhões de anos,
um ciclo hidrológico semelhante ao existente atualmente na Terra.
Visual exótico e brasilidade dominam coleções
A cantora americana Lady Gaga
foi inspiração para várias peças,
de vestidos de vinil a óculos
A cantora americana Lady
Gaga é uma das grandes influências nas coleção do verão
2011 vistas no São Paulo Fashion Week, que terminou ontem, na Bienal do Parque Ibirapuera, depois de 39 desfiles. Os
elementos que compõem o figurino sempre exótico da loira
estavam todos na passarela: os
óculos espelhados e a maquiagem carregada das modelos de
Alexandre Herchcovich, as pe-
ças de plástico da grife Neon,
os brincos gigantes da Colcci,
além de colants e hot pants
(shorts que mais parecem lingerie), presentes em todas as
passarelas. E não para por aí. O
visual da cantora ainda inspirou microvestidos e leggings
de vinil do estilista Samuel
Cirnansck e a máscara prateada de Fause Haten, que cantou
a trilha de seu próprio desfile.
A autoestima do brasileiro
também está em alta, e o país virou referência de estampas tropicais que enaltecem, por exemplo, a Amazônia, e em temas de
Os saltos altíssimos
das últimas estações
começam a baixar.
Outra tendência que
desponta é a do visual
monocromático,
especialmente
em bege, azul,
preto e branco
coleções como a da coloridíssima
Amapô, inspirada no forró.
O esporte permeia boa parte
das coleções e dá um toque prático, usável e moderno às roupas. Reinaldo Lourenço, por
exemplo, fez um desfile repleto
de organzas, recortes e flores
inspirado no automobilismo.
Os anos 1960 e 1990 são as
duas décadas que se misturam
nas passarelas, como fica representado nas muitas sobreposições, típicas da década passada,
e nas saias muito curtas.
E os saltos altíssimos das últimas estações começam a bai-
xar. Outra tendência que desponta é a do visual monocromático, especialmente em bege,
azul, preto e branco. Mas listras,
recortes, transparências, sobreposições e patchworks também
se destacam. Para o produtor de
moda Paulo Martinez, esta edição do São Paulo Fashion Week
é antes de tudo democrática.
“Não tem regra de nada”, diz.
E, como falta algodão no
mercado, os tecidos sintéticos
que dominaram o inverno estão de volta no verão. Para
quem é fã da fibra natural, o linho é o caminho. ■ A.F.
Tricia Vieira/AE
Flávio Moraes/AE
Robson Fernandjes/AE
Flavio Moraes/AE
TENDÊNCIAS
Tricia Vieira/AE
Animale
Neon
João Pimenta
Adriana Degreas
Reinaldo Lourenço
Sobreposições e recortes
apareceram em vários desfiles
desta edição do SP Fashion Week.
Grife investe nas peças
de plásticos e neoprene,
inspiradas no mundo do surfe.
Visual monocromático é tendência
do verão 2011. Além do bege,
azul, branco e preto estão em alta.
Shorts com cara de lingerie
apareceram no desfile de Adriana
Degreas e de outros estilistas.
Estilista inspirou-se no
automobilismo e ainda usou
organzas, recortes e flores.
36 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
FINANÇAS
FGV revisa fundo
que indeniza
investidores
Objetivo da BM&FBovespa é determinar qual precisa ser
o patrimônio máximo do MRP, que hoje tem R$ 356 milhões
Mariana Segala
[email protected]
O Mecanismo de Ressarcimento
de Prejuízos (MRP) — mantido
pela bolsa para indenizar investidores por perdas em função da
ação dos participantes do mercado — está sob revisão. Administradora do MRP, a BM&FBovespa
Supervisão de Mercado (BSM)
contratou a Fundação Getúlio
Vargas (FGV) para calcular qual
precisa ser o patrimônio máximo
do fundo, de forma a assegurar
que haja recursos para ressarcir os
investidores que sejam vítimas de
erros de agentes autônomos, operadores ou outros prepostos das
corretoras. Ao mesmo tempo, a
bolsa tenta evitar recolher mais
dinheiro do que o necessário e
manter dinheiro parado no MRP.
A revisão é motivo de grita antiga das corretoras. É delas, afinal,
que saem os recursos do MRP.
Elas recolhem mensalmente para
o fundo o equivalente a 0,0012%
do volume total que negociaram
no mês anterior (deduzidas as
operações relativas à carteira própria), dinheiro “morto” que não
volta para o caixa.
Com os recolhimentos mensais, o MRP chegou a abril com
patrimônio de R$ 356 milhões. “É
muito dinheiro”, lembra o diretor
de autorregulação da BSM, Luis
Gustavo Matta Machado. E parece
ser ainda mais se comparado a
quanto, efetivamente, a BSM paga
na forma de indenizações aos investidores. Os ressarcimentos somaram R$ 848 mil em 2009, ano
em que 134 novas reclamações de
aplicadores chegaram ao MRP.
Somadas às 121 que então já estavam em andamento, 255 demandas passaram pelo MRP em 2009,
das quais 49 foram arquivadas e
37, finalizadas. Com isso, 2010
começou com um “estoque” de
169 reclamações. Neste ano, até a
semana passada, os ressarcimentos somavam apenas R$ 181,3 mil.
Reclamações
“Mais de 90% das reclamações
terminam sem o ressarcimento”,
Entenda
O que é o Mecanismo de
Ressarcimento de Prejuízos
O MRP tem a finalidade de
assegurar aos investidores
o ressarcimento de prejuízos
decorrentes da ação ou omissão
de participantes do mercado.
Pode ser acionado em situações
que envolvam, por exemplo,
execução infiel de ordens, uso
inadequado dos recursos dos
investidores ou até encerramento
das atividades da corretora.
A reposição é limitada a
R$ 60 mil por operação.
Os negócios realizados
no mercado de balcão da bolsa
não contam com a proteção
do MRP. As reclamações —
que podem ser apresentadas
até 18 meses depois do fato
gerador do prejuízo — são
isentas de custo e não exigem
representação por advogado.
calcula Matta Machado. Ocorre
que a apuração dos casos pela
BSM geralmente indica que o investidor dispunha das condições
para saber exatamente o que se
passava com seus investimentos.
Sempre que uma indenização é
paga, lembra o executivo, a corretora alvo da reclamação precisa
repor o valor ao fundo.
“É saudável ter o MRP, mas
ele já possui capital suficiente
para cobrir muita coisa”, diz o
diretor de Produtos da WinTrade, Roberto Lee. As contribuições, ao fim e ao cabo, são renda
perdida para as corretoras. Para
Lee, além de monernizar o MRP,
seria positivo para o mercado
brasileiro avançar para modelos
semelhantes aos usados em outros países, onde as corretoras
contratam coberturas adicionais
com entidades privadas, mantidas por elas, que atuam como
uma espécie de seguradora.
Machado acredita que as primeiras conclusões da FGV saiam
até julho. A expectativa é de que
o patrimônio máximo necessário para o MRP seja inferior ao já
acumulado. “Mas é difícil precisar.” Se esse for o caso, parte
dos valores recolhidos — que,
em função da revisão, estão
sendo destinados a um fundo
separado (MRP2) desde o início
do ano — será restituída às corretoras. Se não, elas seguirão
com as contribuições até que o
valor seja alcançado.
Serão considerados pela FGV
dados como número de investidores na bolsa, volumes negociados, média histórica de ressarcimentos, entre outros. A
ideia é chegar a um modelo matemático que possa ser periodicamente recalibrado. Os recursos
do MRP são, basicamente, aplicados em títulos públicos, pelo
quais a BSM é remunerada em 5%
ao ano. Segundo o regulamento,
o patrimônio mínimo que precisa
ser mantido é de R$ 7,2 milhões,
sendo R$ 3,6 milhões para cobrir
eventuais problemas no segmento Bovespa e o restante para
o segmento BM&F. ■
FGV calculará o valor do novo fundo, que tem como
objetivo proteger investidores contra erros cometidos
por corretoras ou agentes do mercado de capitais
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 37
Seokyong Lee/Bloomberg
Planos anticrise custam US$ 1 tri ao G-20
As políticas anticrise elaboradas pelos governos do G-20, fórum dos
países desenvolvidos e das potências emergentes, custaram até agora
mais de US$ 1 trilhão, segundo um estudo publicado ontem pela OCDE
e pela agência Cnuced. “Treze países continuam contabilizando ativos
e passivos relacionados aos planos de emergência”, afirma o relatório.
“A soma total dos compromissos públicos — por meio de ações, empréstimos
e garantias, fechada em 20 de maio de 2010 — supera US$ 1 trilhão.”
Murillo Constantino
AGENDA DO DIA
● A Serasa divulga o
indicador de perspectiva
de inadimplência de junho.
● Nos EUA, às 9h30, sai o índice
de preços de importados nos
Estados Unidos referente a maio.
● Às 10h, saem as compras
de Treasuries nos Estados Unidos.
BM&FBovespa quer
mais 200 empresas
Alvo dos próximos cinco anos
é levar ao pregão as pequenas
e médias, atingidas por convênio
com o Parque Tecnológico
de São José dos Campos
A BM&FBovespa incluiu no rol
de prioridades fazer crescer a
quantidade de empresas listadas. A meta é trazer 200 novas
companhias para o pregão nos
próximos cinco anos. Significa
elevar o número atual de empresas listadas — 467 — em
aproximadamente 43%. O foco
está centrado nas pequenas e
médias empresas que, pelas
contas do diretor-presidente
da bolsa, Edemir Pinto, poderão representar metade da
meta, ou 100 empresas.
“Vamos atacar todas as frentes possíveis e imagináveis
para poder atrair a pequena e a
média empresa”, afirmou ontem. “É um momento único
que o Brasil vive, não podemos
desperdiçá-lo.”
O primeiro passo foi firmar
um convênio, anunciado ontem, com o Parque Tecnológico
de São José dos Campos, no interior de São Paulo, celeiro de
empresas nascentes focadas em
alta tecnologia. A bolsa vai abrir
um escritório do Instituto Educacional BM&FBovespa no parque que, criado em 2006, está
instalado em uma área de 12,5
milhões de metros quadrados.
Além disso, a BM&FBovespa
também estuda uma parceria
com o Banco do Brasil, por
meio da qual a área de banco
de investimentos da instituição atuaria no apoio à trilha
das pequenas e médias empresas rumo ao mercado de capitais. Uma das dificuldades para
abrir o capital de empresas
menores está, justamente, no
pouco interesse dos bancos de
investimentos por estruturar
ofertas pequenas.
“Estamos conversando com
o BB para que ele estruture um
módulo mais agressivo com que
possa, junto da bolsa, visitar as
pequenas e médias empresas e
ajudá-las a se preparar para entrar no mercado”, afirmou Pinto. Procurado pela reportagem,
o BB não retornou as ligações.
Empresas
Na visão do executivo, há uma
cesta de empresas pequenas e
médias já em condições de serem listadas. A BM&FBovespa,
aliás, vem se reunindo semanalmente com duas a três delas.
Companhias de pequeno e mé-
Também está em
estudo uma parceria
com o Banco do
Brasil para que a
instituição, junto
com a BM&FBovespa,
ajude a preparar
as pequenas
empresas para
entrar no mercado
dio porte não faltam no Brasil.
“Estudos indicam que há 15 mil
empresas com faturamento
anual de R$ 100 milhões a R$ 400
milhões no país”, repetiu Pinto.
Na BM&FBovespa, apenas 61
das 467 companhias listadas estão nessa faixa de faturamento,
segundo levantamento da consultoria Economática para o
BRASIL ECONÔMICO. “Todo mundo
quer só filé mignon”, disse o
presidente da bolsa. “Mas a empresa que hoje é pequena amanhã será grande.”
Um dos objetivos da bolsa ao
firmar o convênio com o Parque Tecnológico é servir como
indutora dos participantes do
mercado (bancos, investidores,
corretoras) no fomento à pequena e média empresa. A parceria prevê que a equipe da
BM&FBovespa instalada no local realize cursos, palestras e
treinamentos para os empreendedores sobre o mercado
de capitais e as alternativas de
financiamento, além de promover o contato deles com
grandes investidores.
Também é interesse da bolsa
revitalizar o Bovespa Mais, segmento especial de listagem criado em 2005 e voltado a pequenas
empresas, com a negociação das
ações ocorrendo no balcão organizado. Trata-se de um mercado
de acesso, com a flexibilização
de algumas regras de governança corporativa — ao contrário do
Novo Mercado, no Bovespa Mais
se permite, por exemplo, que as
ações da empresa em circulação
(free float) atinjam 25% do total
em até sete anos.
Para Pinto, é neste segmento
que devem se listar as 100 novas pequenas e médias empresas incluídas na meta da bolsa.
Até hoje, apenas a Nutriplant
abriu o capital no Bovespa
Mais, levantando R$ 20,7 milhões em 2008. ■ M.S.
Marcos Rosa
A FRASE
“Vamos atacar
todas as frentes
imagináveis
para atrair
a pequena
empresa”
Edemir Pinto, presidente da bolsa
38 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
FINANÇAS
Kirill Iordansky/Reuters
BANCOS
MERCADOS
Taxa média de juros volta a
subir em junho, segundo Procon
Índice europeu de ações fecha
no maior nível em um mês
As taxas médias de juros do empréstimo pessoal e do cheque especial
voltaram a subir em junho, segundo o Procon-SP. Esta foi a segunda
alta seguida, depois de um período de estabilidade. Entre os bancos
pesquisados, a taxa média do empréstimo pessoal foi de 5,28%
ao mês em junho, superior aos 5,21% ao mês registrados em maio.
No caso do cheque especial, a taxa média passou de 8,83% para 8,90%.
O principal índice de ações europeias fechou ontem no maior patamar
em um mês, com destaque para bancos e mineradoras, em meio
ao otimismo com a recuperação econômica global e à cobertura de
posições vendidas. O índice FTSEurofirst 300 subiu 1,05%, para 1.029
pontos. É o maior nível de fechamento desde 13 de maio. Para analistas,
dados econômicos positivos foram a razão para o avanço das ações.
Cresce interesse em abrir fundo
Levantamento da Previc mostra que 92 patrocinadoras ingressaram no mercado, enquanto em 2009, o
Vanessa Correia
[email protected]
O número de empresas interessadas em patrocinar fundos de
pensão cresce ano após ano. De
acordo com levantamento da
Superintendência Nacional de
Previdência Complementar
(Previc), em 2002, 92 patrocinadoras ingressaram no mercado, enquanto em 2009, esse
número foi de 211.
Porém, o avanço não é seguido pelo número de fundos
de pensão com gestão própria,
já que em 2009, apenas duas
entidades receberam autorização para iniciar suas operações. “Não cresceu nos últimos
anos e não vai crescer no mesmo ritmo, porque boa parte
das empresas que optam por
abrir um fundo de pensão dá
preferência às entidades já
existentes. Ou seja, o crescimento será via fundos multipatrocinados”, diz Carlos de
Paula, diretor da área de análise técnica da Previc.
Segundo ele, o movimento
não é negativo. “Independentemente do modo como os fundos
de pensão são constituídos, o
importante é que as empresas
entendam a importância do benefício para suas políticas de
gestão de pessoas”, completa.
Uma das principais
reclamações do
mercado é o alto
custo administrativo,
que impede
um avanço maior
do sistema
tar), Anapar (Associação Nacional dos Participantes de
Fundos de Pensão) e outras entidades no sentido de desonerar
os fundos de pensão. Essa é
uma das prioridades da Previc e
estamos trabalhando para
isso”, afirma Carlos de Paula.
Ainda segundo diretor da
área de análise técnica da Previc, a intenção é elaborar um
documento com as propostas e
submetê-lo à audiência pública,
embora não haja uma previsão
de quando isso ocorrerá.
Desafio
Uma das principais reclamações do mercado é o alto custo
administrativo, que impede um
avanço mais significativo do
sistema. “Estamos conversando
com a Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas
de Previdência Complemen-
Avanço
Agilidade nos processos de autorização também era uma demanda do setor, mas que a
Previc (antiga Secretaria de
Previdência Complementar,
SPC) trabalhou para aprimorar. Em 2009, a implantação da
análise preliminar por meio
eletrônico, bem como a eliminação do envio inicial dos requerimentos por meio-papel,
trouxe benefícios para o sistema de previdência complementar, tal como a celeridade
no envio e tramitação emergencial dos pedidos, com consequente diminuição no prazo
de respostas das demandas.
No que se refere aos prazos
de análise, o tempo médio de
atendimento dos processos de
autorização (EFPC, planos de
benefícios, convênio de adesão, retiradas, fusão e transferência) da SPC em 2009 foi de
20 dias úteis. “Caso uma empresa queira aderir a um fundo
multipatrocinado, o prazo de
aprovação é de sete dias úteis.
Isso se for um plano pré-aprovado”, explica o diretor. ■
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 39
Peter Foley/Bloomberg
RATING
PRESTÍGIO
Moody’s reduz nota da
Grécia para grau especulativo
Leilão anual promovido por Buffett
arrecada o recorde de US$ 2,63 milhões
A agência de classificação de risco Moody’s reduziu ontem a nota
da dívida soberana da Grécia para grau especulativo, citando
os riscos associados ao pacote de ajuda da Zona do Euro e do
Fundo Monetário Internacional (FMI). A agência reduziu a nota
da Grécia em quatro pontos, de A3 para Ba1, um degrau dentro
do grau especulativo. A perspectiva para a nota é estável.
O leilão anual de caridade, promovido por Warren Buffett, atingiu
o recorde de US$ 2,63 milhões, um ano depois que o bilionário
desafiou a recessão e aumentou os lucros de sua financeira,
Berkshire Hathaway. Os recursos serão doados para a Glide
Foundation, a instituição favorita de Susan, a primeira mulher
de Buffet. O nome do vencedor será mantido no anonimato.
Bruno Stuckert
Multipatrocinado
avança com juro menor
Tendência é de empresas
com fundos próprios migrarem
para fundos multipatrocinados
O aumento da demanda por
fundos multipatrocinados se
deve, sobretudo, ao maior desafio de elevar a rentabilidade em
um cenário de queda da taxa de
juros. “Os fundos podem aumentar a rentabilidade se expondo mais ao risco ou reduzindo suas despesas administrativas. É aqui que entram os fundos multipatrocinados”, explica
Jair de Almeida Lacerda Júnior,
diretor executivo do MultiPensions Bradesco e da Bradesco
Vida e Previdência.
Atualmente, o MultiPensions
Bradesco administra os planos
de 22 entidades com um patrimônio de R$ 850 milhões. Outras duas entidades estão em
análise na Superintendência
Nacional de Previdência Complementar (Previc) — que somariam patrimônio de R$ 1,2
bilhão. “Acredito que a maior
demanda virá de empresas que
possuem fundos próprios e que
migrarão para fundos multipatrocinados, seja por conta da redução dos juros, seja por medo
de se expor mais ao risco”,
completa o executivo.
Mas o crescimento não virá
só de fundos de pensão já constituídos. Novos entrantes também devem engordar as carteiras dos multipatrocinados.
“Independente do patrimônio
acumulado pelo fundo de pensão, o custo fixo é o mesmo. Em
uma empresa que parte do zero,
os custos são arcados por ela.
Então compensa você iniciar
um fundo de pensão com um
multipatrocinado”, ressalta o
diretor executivo do MultiPensions Bradesco.
Carlos de Paula,
da Previc: tendência é
de crescimento menor
de pensão
número total atingiu 211 empresas
MERCADO
211
foi o número de patrocinadoras
2
entidades
receberam autorização
que ingressaram no sistema no
ano passado, segundo a Previc.
da autarquia para entrarem
em funcionamento.
FUNDO DE PENSÃO
Entrada
10
2002
175
Saldo
161
119
113
50
0
163
139
90
82
22
■ HSBC
Quantidade de fundos de
pensão geridos pelo banco
209
Robustez
O maior fundo de pensão multipatrocinado, do HSBC, também registra crescimento consistente no número de novas
patrocinadoras. “Registramos,
em média, 10 entrantes por
ano, sendo sete já constituídos
e três estreantes. Mas essa
proporção já foi diferente. Em
2002, para cada 10 entrantes,
oito eram novos e dois já possuíam fundos próprios”, explica Rogério Aguirre, diretor
da HSBC Seguros.
O fundo multipatrocinado
do HSBC administra os recursos
de 209 entidades fechadas de
previdência complementar,
que somam R$ 4,5 bilhões em
patrimônio. Desse total, entre
60% e 65% estão alocados em
um perfil moderado (até 20%
em renda variável), e menos de
10% está no perfil agressivo,
sendo, principalmente, empresas com participantes jovens,
que trabalham no setor de tecnologia. “Somos grandes porque também somos o fundo
multipatrocinado privado mais
antigo do país”, conta.
O executivo entende que o
fundo multipatrocinado é a incubadora de novos fundos de
pensão. “Você tem ganho de escala no retorno dos investimentos, bem como pulverização dos
custos”, diz Aguirre.
Para agilizar o processo de
aprovação pela autarquia, o
HSBC oferece 18 portfólios de
investimento diferenciados. “A
entidade fechada de previdência
complementar também pode
optar por um portfólio exclusivo. Porém, indicamos essa opção para empresas que já possuam um volume de recursos
acumulados”, completa o diretor da HBSC Seguros. ■ V.C.
28
2003
2004
COMUNICADO
84
37
2005
157
116
75
23
CNPJ nº 61.383.584/0001-16 - NIRE 35300050681
Extrato da Ata da AGO Realizada em 30/04/2010
Em 30/04/10, às 14 hs, em sua sede social com a totalidade do capital social. Mesa: Eduardo Guarnieri - Presidente
e Marcos Helvadjian - Secretário. Deliberações: 1) Aprovação do Rel. da Diretoria, do Bal. Patrimonial, Dem. de
Resultados, Dem. do Fluxo de Caixa, Dem. das Mutações do Patrim. Líquido e das Notas Explicativas do
exercício findo em 31/12/2009. Nada mais. Eduardo Guarnieri - Presidente e Marcos Helvadjian - Secretário.
JUCESP nº 199.114/10-9 em 09/06/2010. Kátia Regina Bueno de Godoy - Secretária Geral.
211
200
194
00
00
Saída
245
50
92
Número de entidades
geridas pelo MultiPensions
RCN Indústrias Metalúrgicas S.A.
Entrada e saída de patrocinadores nos últimos oito anos
50
■ BRADESCO
2006
59
2007
54
2008
2009
O Centro Automotivo FN Ltda.-ME, CNPJ: 74.303.272/0001-05 e
CCM: 2.251.099-0, comunica o roubo de 03 (três) notas fiscais de
serviços Série “A” de números: 0729, 0730 e 0731 todas as vias.
40 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
FINANÇAS
Dani Simmonds
EXPANSÃO DO CRÉDITO
CÂMBIO
Banco Mercedes-Benz libera R$ 369,4 mi
em financiamento em maio, alta de 27%
Dólar reduz queda no fim do pregão
e fecha cotado acima de R$ 1,80
O Banco Mercedes-Benz liberou no mês passado R$ 369,4 milhões em
novos créditos, valor 27% superior ao registrado em maio de 2009. Desse
total, 91% foram financiados por meio de repasses do Finame, programa
do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
O total da carteira de crédito do banco era de R$ 6,2 bilhões ao final
de maio e a expectativa é de que chegue a R$ 7,1 bilhões em dezembro.
O dólar diminuiu a queda no final da tarde ontem e fechou acima
de R$ 1,80, em uma sessão de poucos indicadores e orientada pelo
mercado internacional. A moeda americana caiu 0,50%, para R$ 1,807.
No começo do dia, predominava o otimismo com a produção industrial
na Zona do Euro. Em abril, o indicador registrou o maior crescimento
anual desde o início da série histórica, em 1991.
Aumentam os sinistros dos seguros
vendidos em grande quantidade
Pedidos de indenização de massificados aumentam no mesmo ritmo que as carteiras das seguradoras
Henrique Manreza
Thais Folego
[email protected]
As seguradoras têm encontrado
no varejo e em empresas de
prestação de serviços, como
energia elétrica e telefonia, um
bom canal para vender seus
produtos de forma massificada.
Em geral, são apólices de baixo
custo distribuídas para uma
grande base de clientes. Mas
engana-se quem acha que, por
conta do baixo ticket, o número
de acionamento das apólices em
caso de sinistro é pequeno.
A divisão de massificados da
corretora Marsh fez um levantamento em sua carteira para ver se,
de fato, o consumidor aciona o
seguro. E o resultado foi positivo.
No primeiro trimestre deste ano,
houve um crescimento de 36%
no número de pedidos de indenização, o equivalente a R$ 13,1 milhões em sinistros pagos.
A maior parte das ocorrências
foi de seguros prestamistas —
apólices que cobrem o pagamento
de financiamentos feitos pelo segurado em caso de morte, invalidez e perda de renda por doença
ou desemprego, dependendo da
cobertura. Esse seguro é uma
proteção financeira para empresas que vendem a crédito e para o
consumidor que não fica inadimplente no caso de invalidez.
Mas se as taxas de desemprego já caíram em relação à crise
do ano passado, por que os sinistros em prestamistas continuam crescendo? “A carteira de
prestamista mais do que dobrou
no primeiro trimestre, ante o
ano passado, registrando um
crescimento de 105%. Com o
aumento da carteira, cresce o
número de sinistros”, explica
Paulo Kudler, gerente executivo
da Marsh Affinity.
Prestamista
Na época da crise, a Cardif, seguradora do grupo BNP Paribas,
viu a sinistralidade de sua carteira de prestamista crescer 50% no
primeiro trimestre de 2009. “A
frequência de sinistros acompanha o número de apólices vigentes. No ano passado, a frequência
de sinistros cresceu mais rapidamente do que o nível de negócios”, comenta o presidente da
Alta do crédito
e do consumo
alavanca a compra
de seguros,
principalmente
do prestamista.
A sinistralidade
cresce por conta
do maior volume
de apólices
Cardif do Brasil, Alexandre Boccia. A seguradora só atua com
canais de distribuição alternativos, por meio de parcerias para
distribuição de seguros.
Segundo Boccia, outro produto que também apresentou um
bom crescimento foi o seguro residencial e o de garantia estendida, na esteira do aumento do
consumo. “No varejo, o carro chefe é o produto de proteção financeira”, diz Rogério Alves,
vice-presidente da Aon para a
América Latina. “E agregamos
outros produtos, como a garantia
estendida e agora também temos
garantia para usados”, completa.
“A frequência de pedidos de
indenização tende a aumentar,
pois é natural que as pessoas
usem cada vez mais e melhor o
seguro”, diz Boccia. Ele explica
que é comum, no canal massificado, um produto ter mais de
uma cobertura, que às vezes não
é usada, como uma assistência
atrelada à apólice.
Kudler, da Marsh Affinity, explica, porém, que a evolução dos
sinistros não é preocupante para
as seguradoras, pois os valores
são pequenos e o risco é diluído
no total da carteira de massificados, que na Marsh tem um total
de 5,5 milhões de segurados. ■
Seguro prestamista e garantia estendida
são os que mais crescem no varejo
CONTRAPONTO
Canal mais utilizado no Brasil, porém, ainda é o corretor e bancos
Pesquisa realizada pela
Accenture com mais de 3,5 mil
consumidores em cinco países,
incluindo Brasil, mostra que,
entre os principais canais
utilizados para a contratação
de seguros, a internet ganhou
espaço significativo. No Brasil,
porém, esse canal ainda é
pouco utilizado, os bancos
e os corretores ainda são os
preferidos. O levantamento
aponta que, enquanto no Reino
Unido a compra ou renovação
de seguros pela internet é feita
por 70% dos clientes, no Brasil
são apenas 19%. A proporção se
inverte no canal banco e corretor:
54% dos clientes no Brasil e 14%
no Reino Unido. Segundo Raphael
de Carvalho, o pouco volume de
contratações on-line é pequeno
porque a oferta de seguros por
meio desse canal, tanto pelas
seguradoras quanto corretores,
é pequena. “Adotar a oferta
on-line vai da estratégia de cada
seguradora, mas vemos que
as de maior sucesso estão
presentes em todos os canais.”
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 41
Miraflores Palace/Reuters
CONSUMO
AMÉRICA LATINA
Venda de consórcios sobe 38,5%
de janeiro a abril, segundo Abac
Venezuela decreta intervenção
em banco por falta de liquidez
A venda de consórcios em todo o Brasil cresceu 38,5% entre janeiro
e abril, em relação ao mesmo período do ano passado, alcançando
um volume total de negócios de R$ 18,7 bilhões, segundo dados
da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac),
considerando os segmentos de veículos automotores em geral
(pesados, leves, motos), imóveis, eletroeletrônicos e serviços.
O ministro de Estado para Bancos Públicos da Venezuela, Humberto
Ortega Díaz, anunciou ontem a intervenção do Banco Federal por até 60
dias. A instituição de médio porte tem como um dos principais acionistas
um diretor da TV Globovisión - empresa de comunicação que faz oposição
ao governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez. As informações são
da imprensa oficial da Venezuela, Agência Bolivariana de Notícias (ABN).
Fernando Moraes/Folhapress
Avanço na compensação
por imagem poderá
reduzir prazos de
liquidação de cheques
Captura por imagem pode reduzir
prazos de compensação de cheques
Grandes bancos já possuem sistemas internos para transformar documento físico em eletrônico. Próxima etapa,
que depende de prazo a ser estipulado pela Febraban, é fazer a transmissão das informações eletronicamente
Ana Paula Ribeiro
[email protected]
Os bancos brasileiros já começam a fazer internamente a
captura dos cheques por imagem e se preparam para que a
transmissão desses documentos
a outras instituições financeiras
seja feita integralmente de forma eletrônica. A redução no
tempo desse transporte, feito fisicamente, poderá contribuir
para a redução dos prazos de
compensação de cheques, que
hoje chegam a quatro dias. “É
possível pensarmos em um padrão único. Hoje esses prazos
variam de acordo com os valores e as praças”, diz o vice-presidente do Banco do Brasil (BB),
José Luís Salinas.
A expectativa é de que a partir de setembro os bancos comecem a fazer a transmissão
por imagem desses documentos. Na fase de transição entre os
dois sistemas, será feito também
o transporte físico do cheque até
Transmissão de
cheques por imagem
deve ter início
em setembro.
Maior benefício
para bancos será a
redução dos custos
com transporte
a câmara de compensação, que
está sob responsabilidade do BB.
Após essa fase de adaptação, o
transporte físico será abolido.
“Esperamos que até meados de
2011 tenhamos grande avanço
nesse sistema”, afirma Salinas.
É a partir desse avanço que o
Banco Central (BC) poderá ajustar a regulação e permitir que os
prazos de compensação de cheques sejam reduzidos, segundo
explicou o executivo. Para isso,
os correspondentes bancários
também terão que ser incluídos
nesse sistema, já que alguns
aceitam depósitos.
Outro benefício, dessa vez
para os bancos, do fim do transporte físico dos cheques é a redução dos custos, que em média
deve ser de 50%. “Além de um
menor gasto, evita também o
extravio, perda e roubo do documento”, afirmou Salinas.
No Bradesco, a expectativa é
que os custos com transporte
de cheques sejam praticamente
eliminados, segundo o vice-
presidente Laércio Albino Cezar. “O processo de transporte
é muito custoso”, diz. A expectativa é que a economia no
banco fique entre R$ 35 milhões e R$ 40 milhões.
Embora a transmissão por
imagens deva começar apenas
em setembro, os bancos já investem nesses sistemas há alguns anos. No Bradesco, desde
2008 os clientes já podem acessar pela internet os documentos
compensados. BB e Santander
também têm o mesmo serviço.
O HSBC é outro banco que já
tem a captura por imagens.
As empresas de tecnologia
também se preparam para melhorar o suporte aos bancos. O
diretor comercial da M2Sys e Veros, Gian Franco Nercolini, espera que o número de documentos
processados pela empresa, que
hoje é de 150 milhões, tenha um
incremento de 200% até o final
de 2011 e com isso o faturamento
da empresa chegue a R$ 350 milhões, expansão de 150%. ■
ESPERA PARA RECEBER
Prazos para compensação de cheques*
VALOR-LIMITE: R$ 299,99
1
DENTRO DO SISTEMA LOCAL E SISTEMA
INTEGRADO REGIONAL (SIRC)
Até o valor-limite
Acima do valor-limite
2
2 dias úteis
1 dia útil
DENTRO DO SISTEMA NACIONAL
DE COMPENSAÇÃO COM PRAÇA DO DEPÓSITO
INTEGRADA À SIRC DE SÃO PAULO
Praça sacada integrada
2 dias úteis até
valor-limite e 1 dia útil
acima do valor-limite
Praça sacada não integrada
3 dias úteis
3
DENTRO DO SISTEMA NACIONAL
DE COMPENSAÇÃO COM PRAÇA DO DEPÓSITO
NÃO INTEGRADA À SIRC DE SÃO PAULO
Praça sacada integrada
Praça sacada não integrada
3 dias úteis
4 dias úteis
*Contado a partir do dia útil seguinte ao do depósito
Fonte: Banco Central
42 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
INVESTIMENTOS
Conrado Mazzoni
[email protected]
“Cisne negro” da BP e o potencial de
mudar o tabuleiro do setor petrolífero
Os desdobramentos do desastre ocorrido no
Golfo do México impõem um caminho cada
vez mais tortuoso para as ações da British
Petroleum (BP). Desde o início do problema
de vazamento em um poço há dois meses, a
petrolífera anglo-holandesa já perdeu 45%
do valor de mercado na bolsa de Londres. O
derretimento leva consigo outros componentes do setor, obedecendo a premissa de
finanças sobre transferência de riscos.
Ontem, ganhou força a dúvida quanto à
possibilidade de a empresa conseguir honrar
seus dividendos trimestrais. Uma pressão
adicional para quem ainda não tem conseguido reparar o dano ambiental do poço danificado. “A empresa está sob uma faca de
dois gumes. Por um lado, tem os vencimentos de dividendos, e ela é ótima pagadora no
mercado inglês. De outro, há o fluxo de caixa
sendo afetado”, observa o economista Ricardo Jacomassi, perito em commodities. Os
papéis da petrolífera perderam mais 10%,
antes se recuperarem no final do pregão.
A avaliação é que o mercado está incorporando uma punição dura para a BP. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama,
deve se encontrar nesta semana com os
principais executivos da companhia e dará
um pronunciamento sobre o assunto hoje. A
magnitude do evento vem fomentando análises sobre o futuro da empresa, com potencial de alterar as peças do tabuleiro do setor.
“Considerando o tamanho do prejuízo e
uma ação do governo americano, vemos a
possibilidade de a BP ser adquirida. Mas como
é uma empresa originária de uma região importantíssima, há o viés político, que poderia
vetar essa alternativa”, considera Jacomassi.
Esse ideia combinaria com a hipótese discutida de cisão das operações da BP. “Aí, talvez, houvesse um movimento de fusão e
aquisição no futuro para adquirir outro segmento, como distribuição ou exploração. É
um imbróglio muito grande, um arranjo institucional novo”, comenta Osmar Camilo,
analista da Socopa.
Petrobras
A transmissão da catástrofe protagonizada
pela anglo-holandesa para os fatores de
risco do setor de petróleo não é completamente palpável. Para boa parte dos analistas, o evento merece status de “Cisne negro”, ou seja, algo com baixíssima possibilidade de acontecer. “Por ora, não vamos assumir nenhuma premissa de risco
para os fundamentos da Petrobras. Não há
uma forma de precificar esse tipo de risco
operacional. Além disso, a Petrobras tem
um know how muito grande em exploração de petróleo em águas profundas”, interpreta Camilo.
Para Erick Hood, da corretora SLW, o problema reitera a necessidade de investimento
em tecnologia e pode elevar o prêmio de risco das seguradoras envolvidas no setor. Ele
concorda que a situação pode estimular uma
realocação de recursos no setor, com a Petrobras angariando investidores.
Sem conhecer o tamanho e a estrutura final da oferta do processo de capitalização da
estatal, analistas levam em conta essa hipótese ao olhar para demanda. “A operação
pode representar uma oportunidade para
quem quer se repor no setor diante do revés
na BP”, comenta o analista da Socopa. ■
DESEMPENHO DE PETROLÍFERAS NA BOLSA
Há dois meses, ações da BP assumiram tendência de queda, diante do vazamento
no Golfo do México; papéis da Petrobras se recuperam
Shell
Exxon
Petrobras
BP
115
103
102,32
91
90,00
79
67
80,33
Para analistas, parte dos investidores que saíram
da BP pode ter migrado fatia do portfólio para
Petrobras, que é bem posicionada entre os players
do setor do ponto de vista da exploração
60,33
55
31/DEZ/09
Índices - base: 31/DEZ/09 = 100,00
14/JUN/10
Fontes: Economatica, BM&FBovespa, Bolsas de Nova York, Londres e Amsterdã e Brasil Econômico
Cosan
Santander
Lucro acima das expectativas
reforça otimismo do BES
Recomendação para ações
é de “em linha com o mercado”
Para o analista Leonardo Ricci
Scutti, da área de análise do
Banco Espírito Santo (BES),
o lucro líquido mostrado
nos resultados financeiros
da safra 2009/2010 confirma
a expectativa de um forte
resultado, com a surpresa
de um lucro líquido acima
das expectativas, graças a um
ganho com hedge (proteção) de
commodities. Sob a expectativa
de reação positiva das ações, a
recomendação de “compra” foi
reiterada, com um preço-alvo
de R$ 27,40 por papel CSAN3,
representando um potencial
de valorização de cerca de 31%.
“Com ganhos de hedge de
R$ 168,8 milhões, a Cosan reportou
lucro líquido de R$ 309 milhões,
muito acima de nossa estimativa
de R$ 141 milhões”, destaca o
relatório. Scutti também ressaltou
que a Cosan passou a reportar
maiores detalhes da operação
“Rumo Logística”, embora ainda
pouco relevantes no consolidado.
O lucro antes de juros, impostos,
depreciação e amortização
(Ebitda) da divisão de açúcar
e álcool somou R$ 491 milhões,
2,6% abaixo da projeções do BES,
com margem operacional de
25,7%, 0,7 ponto percentual menor
que as estimativas. Além disso,
“entendemos que a conclusão da
joint venture com a Shell também
poderá contribuir no desempenho
da ação”, acrescentou o analista.
A Cosan comunicou que o processo
de diligência da parceria deverá
encerrar nos próximos dias,
caminhando para a conclusão.
Incorporando os resultados do
primeiro trimestre e atualizando
as premissas macroeconômicas
e operacionais, a Bradesco
Corretora elevou as estimativas
para as units do Banco Santander
(SANB11) para R$ 26,10, o que
equivale a um potencial de
valorização de cerca de 28%.
A recomendação, contudo,
permanece de ”em linha com
o mercado”, conforme relatório
assinado pelos analistas Carlos
Firetti e Rafael Frade. “Confiamos
na capacidade do banco de trazer
seus níveis de retorno para os
patamares de seus concorrentes,
embora isso só deva se
materializar no final de 2012 ou,
mais provavelmente, no início de
2013”, avaliam. De uma maneira
geral, a análise traz uma visão
positiva sobre o Santander.
Porém os analistas apontaram
que o banco pode ter dificuldades
de crescer mais que seus pares
no curto prazo, apesar dos sinais
de crescimento consistente na
carteira de crédito. Os motivos
principais são as despesas com
reestruturação e alguns gastos
ainda consequentes da fusão
com o Banco Real, que ainda
deve absorver uma energia
significativa do banco. Outro
ponto se refere ao contexto da
crise europeia, dada a fraqueza
da economia espanhola
“Apesar da independência
operacional da unidade brasileira
em circunstâncias normais,
acreditamos que isso se torna
limitado em um cenário de
estresse na Espanha”, dizem.
COPA 1
COPA 2
Promoção
Horários
A corretora Link Trade lançou
uma promoção para estimular
os investidores a operar na bolsa
mesmo em tempos de Copa.
Nos dias em que houver jogos
do Brasil — como hoje, quando
a seleção enfrentará a Coreia
do Norte (às 15h30) — a corretora
não cobrará taxa nas 6 primeiras
ordens de compra executadas,
em alusão ao hexacampeonato
perseguido pela equipe de Dunga.
Se a seleção tiver sorte, a
promoção “Você Rumo ao Hexa”
terminará apenas quando os
brasileiros levantarem o caneco.
A BM&FBovespa informou ontem
que as negociações de dólar
pronto serão interrompidas nos
dias de jogo do Brasil na Copa.
Quando os jogos forem às 15h30,
as operações ocorrerão das 9h às
13h30 e quando forem às 11h, das
9h às 10h e das 14h30 às 16h15.
A clearing de câmbio da bolsa
também funcionará em horário
especial. A Comissão de Valores
Mobiliários (CVM) informou que
encerrará o expediente às 14h
em dias de jogo às 15h30 e
o interromperá das 10h30 às
14h30 em dias de jogo às 11h.
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 43
BOLSA
JURO
Giro financeiro
Contrato futuro
R$ 4,3 bilhões 11,17%
foi o volume financeiro registrado ontem no segmento acionário
da BM&FBovespa. O principal índice da bolsa brasileira fechou
o dia com variação negativa de 0,12%, aos 63.529 pontos.
foi a taxa de fechamento de ontem do contrato futuro de DI com
vencimento em janeiro de 2011, o mais negociado da BM&FBovespa.
O volume financeiro foi de R$ 24,7 bilhões, em 262 mil contratos.
IBOVESPA
RENDA FIXA
Ação
Código
Mínima
AGRE EMP IMO ON
ALL AMER LAT UNT N2
AMBEV PN
B2W VAREJO ON
BMF BOVESPA ON
BRADESCO PN
BRADESPAR PN
BRASIL ON
BRASIL TELEC PN
BRASKEM PNA
BRF FOODS ON
CCR RODOVIAS ON
CEMIG PN
CESP PNB
CIELO ON
COPEL PNB
COSAN ON
CPFL ENERGIA ON
CYRELA REALTY ON
DURATEX ON
ECODIESEL ON
ELETROBRAS ON
ELETROBRAS PNB
ELETROPAULO PNB
EMBRAER ON
FIBRIA ON
GAFISA ON
GERDAU PN
GERDAU MET PN
GOL PN
ITAUSA PN
ITAUUNIBANCO PN
JBS ON
KLABIN S/A PN
LIGHT S/A ON
LLX LOG ON
LOJAS AMERIC PN
LOJAS RENNER ON
MMX MINER ON
MRV ON
NATURA ON
NET PN
OGX PETROLEO ON
P.ACUCAR-CBD PNA
PDG REALT ON
PETROBRAS ON
PETROBRAS PN
REDECARD ON
ROSSI RESID ON
SABESP ON
SID NACIONAL ON
SOUZA CRUZ ON
TAM S/A PN
TELEMAR ON
TELEMAR PN
TELEMAR N L PNA
TELESP PN
TIM PART S/A ON
TIM PART S/A PN
TRAN PAULIST PN
ULTRAPAR PN
USIMINAS ON
USIMINAS PNA
VALE ON
VALE PNA
VIVO PN
IBOVESPA
AGEI3
ALLL11
AMBV4
BTOW3
BVMF3
BBDC4
BRAP4
BBAS3
BRTO4
BRKM5
BRFS3
CCRO3
CMIG4
CESP6
CIEL3
CPLE6
CSAN3
CPFE3
CYRE3
DTEX3
ECOD3
ELET3
ELET6
ELPL6
EMBR3
FIBR3
GFSA3
GGBR4
GOAU4
GOLL4
ITSA4
ITUB4
JBSS3
KLBN4
LIGT3
LLXL3
LAME4
LREN3
MMXM3
MRVE3
NATU3
NETC4
OGXP3
PCAR5
PDGR3
PETR3
PETR4
RDCD3
RSID3
SBSP3
CSNA3
CRUZ3
TAMM4
TNLP3
TNLP4
TMAR5
TLPP4
TCSL3
TCSL4
TRPL4
UGPA4
USIM3
USIM5
VALE3
VALE5
VIVO4
IBOV
14,46
178,51
31,51
11,91
29,80
35,40
26,91
12,20
11,67
24,30
37,06
24,90
23,07
16,32
33,13
20,62
38,25
19,77
15,66
0,85
22,75
27,01
32,50
9,65
29,00
11,36
25,13
31,27
21,25
11,25
34,35
7,67
5,05
21,00
7,40
13,14
45,02
11,51
12,30
37,00
18,41
16,36
58,40
15,85
33,67
29,02
27,54
13,86
34,36
27,17
66,40
24,77
36,51
28,91
53,56
38,61
7,11
4,97
44,72
83,10
44,90
46,31
48,02
41,53
52,37
63.529
Cotação (R$)
Máxima
Fechamento
14,89
181,16
32,15
12,14
30,48
36,30
27,64
12,57
12,05
24,87
37,58
25,14
23,69
16,86
33,74
21,14
38,70
20,97
15,95
0,90
23,22
27,41
33,15
9,85
30,43
11,77
25,75
32,16
21,85
11,56
35,34
7,80
5,22
21,38
7,62
13,33
45,95
11,85
12,65
37,78
18,72
16,57
59,11
16,38
35,00
29,94
27,93
14,44
35,29
27,92
67,67
25,36
37,84
29,62
54,99
39,37
7,28
5,09
45,60
85,00
46,03
47,35
49,35
42,47
54,25
64.295
14,65
180,00
31,94
11,91
29,80
35,40
27,50
12,42
12,00
24,58
37,29
24,90
23,60
16,80
33,26
20,90
38,46
20,80
15,75
0,86
23,05
27,01
33,00
9,67
29,15
11,39
25,13
31,56
21,32
11,25
34,35
7,80
5,08
21,35
7,54
13,30
45,65
11,51
12,39
37,28
18,65
16,36
58,82
15,99
33,67
29,05
27,90
13,90
34,60
27,30
66,40
24,90
37,50
29,28
54,99
39,37
7,14
4,99
45,60
84,90
45,75
46,50
48,22
41,70
52,70
63.532
Variação (%)
No dia
No ano
-0,68
0,56
0,28
-0,67
-1,16
0,00
2,23
1,80
2,56
0,78
0,24
-0,40
1,51
2,75
-0,72
0,48
0,03
3,64
0,96
0,00
0,79
-0,07
0,61
-0,92
-2,57
-0,09
0,48
-0,09
-1,30
-1,75
-1,60
1,96
-0,59
1,18
2,45
2,07
0,33
-0,52
0,65
-0,32
1,36
0,00
-0,54
0,88
-2,55
-1,92
0,47
-1,21
-0,37
0,04
-0,75
-0,44
2,68
1,07
2,04
0,46
-1,52
-0,80
1,79
1,07
3,02
1,06
0,06
0,10
-2,04
-0,11
-10,06
4,19
-33,00
-0,76
-9,58
-6,93
-3,90
-25,85
-14,77
8,35
-5,96
-8,99
-1,23
13,55
-9,41
-18,36
13,02
-13,16
-2,76
-21,10
-9,90
-9,37
7,57
2,43
-25,43
-18,50
-13,35
-9,16
-15,60
-2,90
-9,71
-16,04
-3,13
-10,82
-25,42
-14,02
18,40
14,87
-10,63
5,21
-22,29
-4,33
-8,78
-6,59
-18,10
-19,64
-0,33
-7,75
1,14
0,71
18,63
-31,43
-8,47
-12,66
-11,61
-2,35
-0,14
0,30
-6,49
7,51
-8,44
-5,59
-1,89
-0,37
0,96
-7,37
*Em pontos. Fonte: Economatica
IBOVESPA
IBRX-100
(Em pontos)
64.400
64.100
63.800
Máxima
64.295,85
Mínima
63.529,36
Fechamento 63.532,85
63.500
63.200
Fonte: BM&FBovespa
11h
12h
13h
14h
15h
16h
17h
Data
BB R FIX LP PREMIUM 50 MIL FICFI
ITAU PERS MAXIME RF FICFI
BB RENDA FIXA LP 50 MIL FICFI
BB RENDA FIXA LP ESTILO FICFI
BB RENDA FIXA 25 MIL FICFI
BRADESCO FIC DE FI RF MERCURIO
BB RF MIL FICFI
BB RENDA FIXA 50 FIC FI
ITAU PREMIO RENDA FIXA FICFI
BB RENDA FIXA LP 100 FICFI
11/JUN
14/JUN
11/JUN
11/JUN
14/JUN
14/JUN
14/JUN
14/JUN
14/JUN
11/JUN
Rent. (%)
12 meses No ano
8,51
8,44
8,44
8,43
7,21
6,64
6,06
5,45
5,13
4,96
Fundo
Data
BB REFERENCIADO DI ESTILO FICFI
ITAU PERS MAXIME REF DI FICFI
BB REFERENCIADO DI 10 MIL FICFI
NOSSA CAIXA REFERENCIADO DI
BB REFERENCIADO DI 200 FIC FI
HSBC FIC REF DI LP POUPMAIS
REAL FIQ REF DI EXTRA
ITAU PREMIO REF DI FICFI
BRADESCO FIC DE FI REF DI HIPER
SANTANDER FIC FI CLAS REF DI
14/JUN
14/JUN
14/JUN
11/JUN
14/JUN
14/JUN
14/JUN
14/JUN
14/JUN
14/JUN
Rent. (%)
12 meses No ano
8,02
7,98
6,41
6,06
5,81
5,05
4,87
4,74
4,40
4,05
Fundo
Data
BB ACOES VALE DO RIO DOCE FI
ITAU ACOES VALE FUNDO DE INV
BRADESCO FIC DE FIA
BRADESCO FIC DE FIA IV
BRADESCO FIC DE FIA MAXI
ITAU ACOES FI
SANTANDER FIC FI ONIX ACOES
ALFA FIC DE FI EM ACOES
MB FUNDO DE INV EM ACOES
BB ACOES PETROBRAS FIA
3,46
3,44
2,76
2,63
2,50
2,27
2,06
2,06
1,83
1,72
Rent. (%)
12 meses No ano
11/JUN
11/JUN
11/JUN
11/JUN
11/JUN
11/JUN
11/JUN
11/JUN
11/JUN
11/JUN
50.000
80.000
50.000
5.000
5.000
200
50
300
100
Taxa
Aplic. mín.
adm. (%) (R$)
1,00
1,00
2,50
2,47
3,00
4,00
4,20
4,00
4,50
5,00
ND
80.000
5.000
100
200
30
100
1.000
100
100
24,16
22,95
13,90
12,83
12,51
10,96
10,86
3,05
2,33
(15,05)
(2,34)
(3,14)
(8,56)
(8,67)
(8,67)
(12,02)
(10,84)
(13,37)
(7,14)
(17,11)
Taxa
Aplic. mín.
adm. (%) (R$)
2,00
3,00
4,00
ND
4,00
4,00
2,50
8,50
7,00
2,00
200
1.000
1.000
100
100
200
MULTIMERCADOS
Fundo
Data
REAL CAP PROT VGOGH 3 FI MULTIM
SANTANDER CAP PROT 3 FI MULT
ITAU PERS K2 MULTIM FICFI
BB MULTIM TRADE LP ESTILO FICFI
ITAU PERS MULT AGRESSIVO FICFI
CAPITAL PERF FIX IB MULT FIC
ITAU PERS MULTIE MULT FICFI
ITAU PERS MULT ARROJADO FICFI
ITAU PERS MULT MODERADO FICFI
SANTANDER FIC FI ESTRAT MULTIM
Rent. (%)
12 meses No ano
11/JUN
11/JUN
11/JUN
11/JUN
11/JUN
11/JUN
11/JUN
11/JUN
11/JUN
11/JUN
13,75
10,29
8,78
8,62
8,59
8,57
8,26
7,90
7,55
3,30
4,44
3,96
3,11
3,34
(1,49)
3,69
3,22
0,28
1,07
1,54
Taxa
Aplic. mín.
adm. (%) (R$)
2,50
2,50
1,50
1,50
2,00
1,50
1,25
2,00
2,00
2,00
10.000
5.000
50.000
5.000
20.000
5.000
5.000
5.000
50.000
*Taxa de performance. Ranking por número de cotistas.
Fonte: Anbima. Elaboração: Brasil Econômico
SMALL CAP - SMLL
MIDLARGE CAP - MLCX
895
20.100
1.131
890
20.000
1.127
885
19.900
1.123
880
1.120
17h
1,00
1,00
1,00
1,00
2,00
2,50
3,00
3,50
4,00
4,00
AÇÕES
1.135
10h
3,56
3,67
3,54
3,54
3,08
2,81
2,58
2,37
2,16
2,13
Taxa
Aplic. mín.
adm. (%) (R$)
DI
20.200
19.800
10h
Fundo
875
10h
17h
10h
17h
44 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
MUNDO
Jim Young/Reuters
Para Moody’s,
desastre afeta
todo o setor
Primeira escala da visita de dois dias de Obama à região foi
em Gulfport, no Mississippi, onde ele garantiu que seu governo
fará todo o possível para proteger os moradores do Golfo
A maré negra causada pelo
vazamento na plataforma
Deepwater Horizon, da British
Petroleum (BP), terá
consequencias sem precedentes
para as companhias petrolíferas
no Golfo de México, estima
a agência de qualificação
de riscos Moody’s em texto
divulgado ontem em Nova York.
Para a companhia britânica,
os maus resultados foram
confirmados ontem, com nova
queda de 9% em suas ações.
A empresa afirma que
“A maré negra que continua no
Golfo do México criou uma crise
financeira, jurídica, ambiental
e de regulamentação sem
precedentes para as companhias
(de petróleo presentes na
região)”, segundo a nota da
Moody’s. “O acidente também
poderia ter um impacto
internacional se outros governos
que supervisionam a produção
petrolífera nas costas adotassem
normas mais severas (que serão
promulgadas nos EUA)”, adiciona.
“A moratória americana de seis
meses sobre a perfuração em
águas profundas no Golfo durará
até novembro de 2010 para
as companhias que operam
na região”, conclui a Moody’s,
que não descarta que
o prazo aumente. Agências
Obama exigirá que a BP crie
fundo para limpar o Golfo
Presidente visitou ontem pela quarta vez a região e comparou o acidente a um “11 de Setembro ecológico”
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, comparou o
desastre causado pela mancha de
petróleo no Golfo do México a
um “11 de setembro ecológico”,
na sua quarta visita à zona afetada pelo vazamento de petróleo.
Segundo o jornal britânico Financial Times, Obama exigirá da
BP investimento de US$ 20 bilhões para limpar a região. Amanhã ele recebe na Casa Branca o
presidente da BP, Carl-Henric
Svanberg, quando deve propor a
criação de um fundo especial.
O presidente prometeu “fazer todo” o possível para proteger o modo de vida dos moradores da região afetada pelo derramamento e anunciou uma grande iniciativa para ajudar a indústria pesqueira.
O governo está comprometido em fazer tudo o que estiver
ao alcance para proteger o modo
de vida no Golfo, “para que ele
se mantenha para nossos filhos,
netos, e nossos bisnetos”, afirmou Obama após se reunir com
autoridades dos estados costeiros de Mississippi e Alabama.
Como o ataque
Da mesma forma com que os
ataques do 11 de setembro modificaram profundamente a política externa dos Estados Unidos, este desastre ecológico “vai
nos levar a repensar nossa política ambiental e energética”,
estimou Obama, em entrevista
concedida ao jornal Politico.
A tragédia mostra que é tempo de “fazer a transição” para
“Creio que este
desastre vai modificar
por muitos anos
nossa visão sobre
o ambiente e a
energia”, afirmou
Obama, prometendo
dedicar-se à busca
de uma política
energética com
visão de futuro
novas fontes de energia, completou Obama, cuja administração tenta fazer aprovar no Congresso lei de redução das emissões de gases de efeito estufa.
Mais de oito semanas após a
explosão da plataforma Deepwater Horizon, administrada pela
BP, na costa de Louisiana, a prioridade imediata continua sendo
fechar o poço de onde escoa petróleo a mais de 1,5 km de profundidade — objetivo que deve
ser atingido em meados de agosto, quando poços secundários
estarão prontos.
A BP, que conseguiu captar
parte do fluxo, 15 mil barris por
dia, através de um “funil” com
eficácia limitada, anunciou ontem em resposta a um pedido do
governo Obama, que prevê au-
mentar o número de barris para
50 mil por dia (8 milhões de litros) até o fim de junho. As autoridades não conseguiram avaliar com precisão a quantidade
de óleo que vaza, de cerca de 20
a 40 mil barris por dia.
Obama fica dois dias nos estados de Mississippi, Alabama e
Flórida. Na primeira escala, em
Gulfport (Mississippi), reuniu-se
com o chefe da guarda-costeira
encarregado de coordenar as
operações que tentam impedir o
vazamento e recuperar o petróleo despejado, Almirante Thad
Allen. De acordo com um alto
funcionário da Casa Branca, o
presidente participará de “uma
mesa redonda com moradores da
região, que vivem da pesca e do
turismo. ■ Agências
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 45
Dani Pozo/AFP
Espanhóis prometem nova greve
Os principais sindicatos da Espanha convocarão uma greve geral contra
o plano do governo de reformar as leis trabalhistas, afirmou ontem
um porta-voz sindical. “As datas (para a greve) serão decididas amanhã
(hoje)”, afirmou Fernando Lezcano, porta-voz do Comisiones Obreras,
o maior sindicato do país. O governo espanhol deve aprovar por decreto
amanhã uma reforma nas leis trabalhistas do país, pois após meses
de negociações, sindicatos e empregadores não chegaram a um acordo.
AGENDA DO DIA
● Primeiro-ministro irlandês Brian
Cowen enfrenta voto de confiança.
● Governo francês anuncia
reforma das aposentadorias.
● Londres divulga relatório
sobre a morte de 13 civis
na Irlanda do Norte, em 1972,
o chamado “Bloody Sunday”.
Reservas afegãs chegam a US$ 1 trilhão
Empresas chinesas já investem
na região, e riqueza mineral do
país atrai também Índia e Rússia
Os depósitos minerais inexplorados do Afeganistão podem
valer mais de US$ 1 trilhão, disse o Pentágono ontem, numa
descoberta que pode alterar a
economia do país e contribuir
com os esforços dos EUA para
fortalecer o governo afegão.
O coronel David Lapan, porta-voz do Pentágono, disse que
uma força-tarefa encarregada
de estudar os recursos do país
descobriu jazidas significativas
de cobre, ferro, ouro, mercúrio,
enxofre, cromo, talco-magnesita e carbonato de potássio,
além da presença de fluorita,
berílio e lítio, entre outros.
“É certamente uma boa notícia em potencial, especialmente
para o Afeganistão”, disse Lapan. “Se pudermos assistir os
afegãos no desenvolvimento
desses recursos, isso certamente tem potencial para agregar
muito à economia deles.”
Mas especialistas alertam
que superar os desafios na exploração desses recursos é algo
que pode levar décadas. O país
tem pouca infraestrutura, está
imerso numa guerra violenta e
tem fama de possuir autoridades corruptas.
A riqueza mineral está espalhada por todo o país, inclusive
no sul e no leste, regiões onde a
presença da guerrilha Taliban é
mais intensa.
A força-tarefa que avaliou os
recursos minerais afegãos foi
composta por membros do Pentágono, do Departamento de
Estado e do Departamento de
Pesquisas Geológicas dos EUA,
em conjunto com funcionários
do ministério afegão das Minas.
O trabalho foi parte de um
esforço mais amplo para identificar o potencial econômico do
Um memorando do
Pentágono diz que
o país pode vir a ser
“a Arábia Saudita do
lítio”, matéria-prima
de baterias de
produtos eletrônicos
A RIQUEZA MINERAL DO AFEGANISTÃO
Recursos incluem ferro, cobre, cobalto, ouro e lítio
TURCOMENISTÃO
Teerã
TADJIQUISTÃO
CHINA
Cabul
IRÃ
AFEGANISTÃO
PAQUISTÃO
Iraque e do Afeganistão, e ajudar os respectivos governos a
atrair investimentos para desenvolver seus recursos.
Lapan disse que esse trabalho é parte da “estratégia de
contrainsurgência.” “Esse é o
braço econômico do qual falamos, mas que recebe pouquíssima atenção.” A análise sobre
o Afeganistão abordou todos
os setores, dos recursos minerais à produção agrícola e à fabricação de tapetes e outros
ÍNDIA
itens. A força-tarefa de avaliação econômica existe desde
2006, inicialmente com mais
foco no Iraque. Duas firmas
chinesas já decidiram investir
US$ 4 bilhões na mina de cobre de Aynak. ■ Reuters
46 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
MUNDIAL 2010
Extra faz ação
com prêmio
de R$ 500 mil
UM BELO JOGO, FORA DE CAMPO
Marca quer aproveitar patrocínio da seleção
brasileira para reforçar atuação com os clientes
Fábio Suzuki
[email protected]
Até o dia 2 de agosto, os brasileiros terão a oportunidade de
ganhar de uma só vez R$ 500
mil, uma viagem com a família
para Punta del Leste e sair em
uma revista de celebridades.
Essa é a iniciativa do Grupo Pão
de Açúcar para a promoção da
marca Extra durante a Copa do
Mundo na África do Sul.
“A idéia dessa ação é para o
consumidor viver a experiência
de um jogador de futebol, com
todo o glamour proporcionado
pelo mundo do futebol”, afirma
Elen Osne, gerente de trade
marketing do Extra.
Patrocinadora oficial da seleção brasileira, a marca visa como
objetivos na iniciativa a divulgação da parceria com a CBF, aumentar as vendas de seus estabelecimentos e reforçar a parceria estratégica com as marcas
Seara e Itaú, que também têm
contrato com a entidade brasileira de futebol e participam indiretamente da promoção.
Além desta ação, o Extra
também está como cotista máster do Parque da Copa, realizado
no Jockey Club, na capital paulista, além de realizar outras
iniciativas que tem levado seus
clientes até a África do Sul. “São
Com a Copa do
Mundo, expectativa
de crescimento
para o segmento
varejista é de 10%
neste ano, segundo
projeção da
Associação brasileira
de Supermercados
mais de 40 pessoas que estamos
levando para a Copa através de
nossas promoções”, diz Elen.
Mais supermercado
Para animar a torcida pela seleção brasileira, a rede varejista
Comper dará aos seus clientes
um desconto de 15% em produtos ligados ao churrasco, como
carne e cerveja. De acordo com
a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a expectativa de crescimento do segmento neste ano é de 10% contra 6,5% de 2009. Muito desse
aumento deve-se à realização
da Copa do Mundo. ■
SEIS PERGUNTAS A...
Divulgação
...RENATO GAÚCHO
Técnico e ex-jogador, foi convocado
para o Mundial de 1990
“O nível da Copa está
baixo. O futebol vem
caindo no mundo todo”
O ex-atacante Renato Gaúcho
jogou em diversos clubes,
tornou-se ídolo de Grêmio
e Flamengo e foi convocado
para a Copa de 1990. De férias
do comando do Bahia até
a próxima quinta-feira, ele
assistiu às primeiras partidas
da Copa do Mundo no
Rio de Janeiro. E não gostou
muito do que viu até aqui.
Qual é a sua expectativa
para a estreia do Brasil?
A expectativa é sempre grande.
Seleção brasileira sempre
mexe com os nossos corações,
ainda mais em uma Copa do
Mundo. Vou reunir os amigos
aqui em casa (no Rio de Janeiro)
para ver a partida. Não quero
arriscar um placar, mas
o Brasil vai vencer o jogo.
O time do Dunga te agrada
ou falta alguma coisa?
Respeito a opinião do Dunga,
mas acho que o grupo que
ele escolheu tem muito
jogador de marcação no
meio-campo e poucos homens
de ligação. Se tivermos algum
problema com o Kaká, que eu
torço para que não aconteça,
ele vai ter dificuldades para
dar criatividade ao time.
Como avalia o nível dos
jogos da Copa até aqui?
Alguma seleção te
impressionou positivamente?
Pelo que eu vi até agora, o nível
está baixo. Mas o futebol no
mundo inteiro caiu e vem caindo
de nivel nos últimos anos.
Até agora, gostei do time da
Alemanha, que jogou um futebol
rápido, de muitos deslocamentos
e boa qualidade, e a da Holanda.
Mas nenhuma me surpreendeu
demais. A decepção foi
a França, que fez um jogo
muito ruim contra o Uruguai.
Falta um pouco de coragem,
disposição para arriscar, não?
Um pouco não, está faltando
muito. Poucos são os jogadores
que possuem essas características
hoje em dia. Messi, Káká, Cristiano
Ronaldo e mais uns dois ou três
são atletas diferentes e que, nos
dias atuais, não aparecem todo
dia. Na minha época de jogador a
oferta de talentos era muito maior.
Pelo desempenho das outras
equipes, o Brasil é favorito?
Ainda é muito cedo para
dizer. Mas o Brasil é sempre
favorito. Seja em Copa do
Mundo ou qualquer outra
competição que for disputar.
Terça-feira, 15 de junho, 2010 Brasil Econômico 47
Marcelo Regua/O Dia
RUMO AO HEXA
“Time está 100%”, garante médico da seleção
O Brasil não terá problemas para estrear hoje contra a Coreia do Norte,
no estádio Ellis Park, em Joanesburgo. Segundo José Luiz Runco, Luis
Fabiano, Júlio César e Kaká estão recuperados e prontos para entrar
em campo. O meia brasileiro, porém, disse que não sabe se irá aguentar os
90 minutos. Ontem, os brasileiros fizeram o reconhecimento do local do
jogo. Em treino recreativo, o time de Robinho goleou o de Kaká por 8 a 4.
R$
21,5
milhões
é o valor somado de todos os jogadores da Coreia do Norte,
segundo levantamento do site alemão Transfermarkt,
especializado em tranferência de jogadores. A seleção nortecoreana é a mais barata entre as 32 equipes da Copa do Mundo.
David Gray/Reuters
Vovô dos estádios foi inaugurado em 1903
Em um jogo de pouca
inspiração, Holanda e
Dinamarca estrearam
ontem na Copa do
Mundo e frustraram
aqueles que esperavam
um futebol bonito e
ofensivo, pelo menos
por parte da Laranja.
Beleza, mesmo, só se
viu nas arquibancadas
do estádio Soccer City,
em Joanesburgo, graças
à presença das torcedoras
dos dois países. Fora
de campo, as belas
dinamarquesas tentaram
incentivar sua seleção,
que chegou a ameaçar
no primeiro tempo,
mas não tiveram sucesso.
Sem seu principal craque,
Robben, os holandeses
jogaram bem menos
do que se esperava
deles e dependeram
de um gol contra
do zagueiro Simon
Poulen para construir
o placar de 2 a 0.
Charmoso, confortável e
excelente para assistir jogos. Esse
é o estádio sul-africano Loftus
Versfeld, em Pretória, inaugurado
em 1903 e que passou a ser a
arena mais antiga já utilizada em
Copas do Mundo na partida entre
Gana e Sérvia. Para ficar apto a
receber as partidas do Mundial,
o local passou por uma pequena
reforma com investimento de
R$ 23 milhões, valor que equivale
a menos de 10% do que será
gasto para reformar a maioria
dos estádios brasileiros para
a Copa de 2014. Características
que marcam sua longevidade é a
bela fachada de tijogos artesanais
e as quatro torres externas
de iluminação do estádio.
A capacidade atual da arena
é de 51 mil espectadores.
Euroluftbild/AFP
FIQUE DE OLHO
Copa do Mundo para americano ver
Fenômeno de popularidade
em todo o mundo, a Copa está
ganhando espaço até entre os
americanos, que não costumam
dar muita atenção ao evento.
A audiência do jogo entre Estados
Unidos e Inglaterra foi a maior no
país desde 1994, quando os EUA
enfrentaram o Brasil nas oitavas
de final. Segundo o canal ESPN,
cerca de 13 milhões de pessoas
assistiram ao honroso empate
com os ingleses, no sábado.
A média de espectadores nos
cinco primeiros jogos dobrou em
relação a 2006. A baixa qualidade
do futebol não parece estar
incomodando os fãs de beisebol.
Paulistanos acreditam no hexa da seleção brasileira
Em pesquisa feita pelo Instituto
DataPopular e a Associação
Comercial de São Paulo (ACSP),
65,1% dos moradores da cidade
de São Paulo afirmam que o
Brasil conquistará a Copa do
Mundo pela sexta vez. Dos 400
entrevistados entre os dias 7
e 8 de junho deste ano, 88,9%
disseram que iriam acompanhar
“Ele passava por necessidade
e tava precisando de dinheiro”
Pelé, sobre ser técnico de futebol igual a Maradona.
os jogos do Brasil sendo que
54,5% serão dispensados por
suas empresas e outros 44,1%
terão que trabalhar no horário
da partida. O evento também
é visto pelos torcedores como um
momento de confraternização e
lazer, sendo que 60% das pessoas
afirmaram que irão assistir
aos jogos com seus familiares.
● Sem Ronaldinho Gaúcho
e P.H. Ganso, o meia Kaká
será o grande responsável
em armar as jogadas da
seleção brasileira. O
problema é que o atleta
chega à Copa do Mundo se
recuperando de uma
contusão que lhe tirou de
grande parte das partidas
neste ano. Além disso, o
jogador ainda não conseguiu
mostrar no Real Madrid, onde
joga desde o ano passado, o
excelente futebol apresentado
no Milan que lhe rendeu o
título de melhor jogador do
mundo em 2007. Aos 28 anos,
esse é o terceiro Mundial
que o craque disputa.
1ª FASE DA COPA
RESULTADOS
ONTEM
GRUPO E
Holanda
2x0
Dinamarca
Japão
1x0
Camarões
1x1
Paraguai
GRUPO F
Itália
PRÓXIMOS JOGOS
HOJE
GRUPO F
Nova Zelândia
x
Eslováquia
8h30 - Rustenburgo
Frases foram ditas pelo
Rei do Futebol em
evento realizado ontem
pela operadora Vivo,
na capital paulista
GRUPO G
Costa do Marfim
x
Portugal
11h - Porto Elizabeth
Brasil
“Não sei o que ele falou, mas
deve me amar, pois sempre
lembra de mim”
respondendo ao comentário de Maradona, que falou que
“um senhor moreno disse que não haveria Copa na África do Sul”.
“Na minha época não tinha vuvuzela
e nem chuteira cor-de-rosa”
sobre o barulho das cornetas sul-africanas.
x Coreia do Norte
15h30 - Joanesburgo
BOLA NA REDE
RECORDE
MUNDIAL 1998
GOLS
Até 14/06/10
Editada por
Fábio Suzuki e Gabriel Penna
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48 Brasil Econômico Terça-feira, 15 de junho, 2010
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ÚLTIMA HORA
Lucio Tavora/Folha Imagem
PT pede que PF
investigue dossiê
Ricardo Galuppo
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Diretor de Redação
O Partido dos Trabalhadores protocolou ontem, na Polícia Federal, um pedido de instauração de inquérito para
investigar a suposta quebra de sigilo financeiro do vicepresidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira. O
partido já havia divulgado nota na qual afirma que “nem
o PT nem a coordenação da pré-campanha autorizaram,
orientaram, encomendaram, solicitaram, ordenaram ou
tomaram conhecimento de qualquer ação dessa natureza”. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo publicada no sábado, um grupo de “inteligência” da pré-campanha de Dilma Rousseff teria em mãos dados sigilosos
de Eduardo Jorge. Entre eles estaria o Imposto de Renda
e comprovantes de depósitos no valor de R$ 3,9 milhões
em sua conta. O chamado “escândalo do dossiê” começou há duas semanas, quando reportagem da revista
Veja revelou que o jornalista Luiz Lanzetta, da campanha de Dilma, tinha se reunido com arapongas ligados a
serviços secretos oficiais. ■ Pedro Venceslau
Medidas impopulares
durante a Copa?
Antonio Milena
CSN, Usiminas e Cosipa
condenadas por cartel
Geraldo Alckmin visita
prefeito de Nova York
O candidato tucano ao governo de São Paulo aproveitou o clima de Copa de Mundo para fazer sua primeira
viagem internacional da campanha. Ele deve chegar
hoje de amanhã a Nova York, onde tem encontro marcado com o prefeito Michael Bloomberg. O ex-governador pretende trocar experiências sobre educação e
segurança. ■ Pedro Venceslau
A 6ª Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região condenou ontem, por unanimidade, a siderúrgicas
CSN, Usiminas e Cosipa por prática de cartel. Em 1999, o
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)
havia feito a condenação, mas as empresa recorreram em
primeira e, agora, segunda instância, mas foram multadas em 1% de seu faturamento de 1996, o que totaliza R$
51 milhões (R$ 22 milhões para a CSN, R$ 16 milhões para
a Usiminas e R$ 13 milhões para a Cosipa). A Cosipa foi
incorporada pela Usiminas no ano passado.
O procurador-geral do Cade, Gilvandro Araújo, afirmou que os valores das multas serão atualizados pela taxa
Selic. Segundo ele, essa atualização deve ser feita ainda
esta semana. “Esta decisão foi de um caso muito emblemático, um dos primeiros de cartel julgados pelo Cade.”
Os advogados das empresas não têm permissão para
falar com a imprensa sobre o resultado do julgamento.
Em comunicado oficial, a Usiminas informou que se
pronunciará após ter acesso à íntegra da decisão do
Tribunal Regional Federal. ■ AE
Se tudo der certo e a seleção do Dunga conseguir
chegar à final da Copa do Mundo, o Brasil passará
um mês inteiro com os olhos voltados para a África
do Sul. Será o momento perfeito, na lógica do governo, para tomar decisões de ajuste capazes de
evitar o crescimento exagerado da economia. Impopulares pela própria natureza, tais medidas podem
incluir, por exemplo, a elevação das taxas de juros,
os cortes de investimentos e outras providências
parecidas. Por mais justificáveis e necessárias que
sejam, elas podem acabar por enxovalhar a imagem
de um governo que prometeu o crescimento a qualquer preço — e é justamente aí que entra a conveniência proporcionada pela data. Afinal, postas sob
o tapete proporcionado pela Copa do Mundo, essas
medidas talvez não prejudiquem a imagem da candidata do governo à Presidência, Dilma Rousseff.
Uma das medidas de contenção da economia, por
sinal, já está em curso, conforme mostra a reportagem em destaque nesta edição. O BNDES pretende
aumentar acima do que já estava previsto as taxas de
juros para financiamento de máquinas agrícolas, caminhões e bens de capital em geral. Todas essas linhas de montagem estão superaquecidas. Ao colocar
um freio sob a forma de juros elevados, o governo
pretende evitar um colapso capaz de tirar a economia dos eixos. É o mais sensato. O problema é justamente esse: o governo fez tantas promessas de crescimento a qualquer preço que agora dá a impressão
de precisar se esconder para fazer a coisa certa.
Uma das medidas de contenção, por
sinal, já está em curso: o aumento
acima do que estava previsto das
taxas de juros para bens de capital
Antonio Milena
ISS recomenda a venda da Vivo
O grupo de aconselhamento a investidores Institutional Shareholder Services (ISS) recomendou aos acionistas da Portugal Telecom que vendam a Vivo
à Telefónica. “Recomendamos um voto favorável à deliberação sobre a venda
da Vivo, tendo em conta o valor da proposta, as implicações em termos de
governança corporativa e a ausência de uma alternativa”, informa relatório
do ISS citado pela agência Bloomberg. Ontem, o grupo Ongoing, que é o
quarto maior acionista da PT, com 6,8% do capital, informou à mesma agência que votará contra a realização do negócio. ■ Diário Económico
O mar de rosas prometido ao Brasil por Lula e por
sua candidata não combina com medidas de austeridade. No discurso eleitoral do PT, o dinheiro é farto,
as dificuldades não existem e as medidas impopulares são vistas como herança de um tempo que já vai
longe. O problema está aí. Medidas impopulares,
como se sabe, nunca são desejadas, mas às vezes fazem parte do repertório de qualquer governo. Se não
forem tomadas agora, poderão, mais tarde, ser tachadas de tentativa de estelionato eleitoral. ■
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A mineradora está conseguindo baixar seus custos de
financiamento em relação à BHP Billiton com a redução
de sua dependência da China. Os bônus com cupom de
5,625% e vencimento em 2019 vendidos pela Vale
rendem 1 ponto percentual a mais quando comparados
com as notas de prazo similar da BHP Billiton.
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ENQUETE
A economia
brasileira
está preparada
para crescer
acima de 7%
em 2010?
Sim
62%
Não
38%
Fonte: BrasilEconomico.com.br
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