ENTREVISTA MINISTRO EDISON LOBÃO: “CRISE COM A BASE FOI PONTUAL”
www.revistaviverbrasil.com.br
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mudança nos horários
dos voos e check-in pela
internet para se adequar
ao trânsito intenso
Drama humano dos precatórios
Nos tempos do velho oeste
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bangue e forte apache estão mais do que vivas
9 77198 4 05300 9
Há três anos, Viver Brasil fez o trajeto do
centro de BH até o aeroporto e gastou 34
minutos. Hoje, o tempo mínimo, usando
três rotas diferentes, foi de 51 minutos
ISSN 1984-0535
Confins
00079
Viagem até
PESQUISA IBGE:
FALTAM LEITOS DE QUALIDADE EM BH
NOVOTEL BH SAVASSI:
O INVESTIMENTO HOTELEIRO
QUE NÃO DEIXA DÚVIDAS
Distribuição de leitos em BH
Tipos de leitos em Belo Horizonte
12,2% Segmento deficitário no
qual o Novotel vai operar.
17,9%
66%
9,6%
38,5%
34%
Outros
Pousadas
Motéis
Hotéis
21,3%
Luxo/Superior/Muito confortável
Turismo/Médio conforto
Econômico/Simples
A GRANDE BH É A METRÓPOLE QUE MAIS CRESCE NO BRASIL,
COM UMA MÉDIA DE 3,1% A 3,2% NOS ÚLTIMOS DOIS ANOS
RESPECTIVAMENTE.*
INVESTIMENTO HOTELEIRO. A HORA É AGORA.
Exclusivo em sua categoria, o Novotel BH Savassi vai atuar em um segmento atualmente
deficitário na cidade. Invista com rentabilidade, segurança e garanta uma renda mensal
na capital que mais cresce no país.* Em contrapartida, recente pesquisa publicada pelo
IBGE**, indica que a cidade não consegue atender a todo hóspede que chega, pois
faltam leitos de qualidade. Estamos diante de uma oportunidade única de investimento
hoteleiro. Participe de mais um projeto vencedor do grupo de maior tradição neste
segmento em Belo Horizonte: o Grupo Maio Paranasa.
BH Savassi
OBRAS INICIADAS JAN | 2012
ZZZPDLRHPSUHHQGLPHQWRVFRPEU‡,QIRUPDo}HV
CONCLUSÃO | FEV | 2014
31 2552 3000
Desenvolvimento e
Incorporação:
Construção:
Arrendamento:
* Fonte: Pesquisa Booking Institute EUA. ** IBGE - Pesquisa de Serviços de Hospedagem - Municípios das Capitais.
SITE SAVASSI
LF/Mercado
VIVER
‘–‘ƒ’ƒŁ‡†”‘‹Ž‡Žƒ
Número 79 - 6 de abril 2012
Entre....
26 Negócios
Como é trabalhar com irmãos?
A parceria pode dar certo
88 Especial
Agora tem até
babá para animais
32 Política
Presidente do PT anda pelo país
na trilha das eleições municipais
92 Esporte
Maratona da Linha
‡”†‡Ĩ‘˜‘•’‡”…—”•‘•
34 Recursos humanos
Leem e veem você
nas redes sociais
38 Empresa
Arte e Brilho investe
em diversificação
40 Entrevista
Edison Lobão: derrotas de Dilma
não são nenhuma desgraça
46 Cidade
Construção de prédios rende
discussão no São Bento
48 Capa
Caminho até Confins: 50% a
mais no tempo em três anos
56 Trânsito
Ciclistas em busca de
segurança nas ruas da cidade
64 Brasil
Medidas cautelares abrem
brechas para a impunidade?
68 Reportagem
Histórias de quem vive à espera
para receber precatórios
72 Dez perguntas
Antônio Andrada: transparência
é obrigação dos governos
76 Justiça
Presidente da FIA defende
ação de advogados fora do país
10
94 Saúde
Obesidade infantil: estudiosos
veem culpa dos pais
48
98 Turismo
Roteiro do faroeste
nos Estados Unidos
= COLUNISTAS
104 Comportamento
Casamento em Las
‡‰ƒ•ƒ–”ƒ‹„”ƒ•‹Ž‡‹”‘•
22 Coluna PCO
Paulo Cesar de Oliveira
78 Giro NY
Angelina Freitas
90 Viver Melhor
Fernando Torres
96 Cantinho do Chef
Luciana Avelino
114 Zoom
Márcia Queirós
‡Ž‡••ƒ†”ƒƒŽ‡–‡
110 Show
Axé Brasil 2012 aposta na
conscientização ecológica
118 Bate-papo
Tutti Maravilha: “Elis
Regina adorava cozinhar”
120 Festas
Paulo Cesar de Oliveira
lança livro em Brasília
= ARTICULISTAS
30 Aécio Neves entra no
jogo sucessório
Paulo Cesar de Oliveira
36 Equilíbrio federativo e
gestão fiscal
Paulo Paiva
62 Os desafios do
crescimento
Matheus Cotta de Carvalho
82 O poder dos fracos
Fátima Rabelo
87 Prazo de validade
Hermógenes Ladeira
103 O nocaute industrial
Wagner Gomes
130 O caso do senador
Demóstenes Torres
Carlos Lindenberg
VIVER Abril 6 - 2012
Editorial
O que você acha do trânsito
de Belo Horizonte?
Belo Horizonte está parando! Ao contrário do desenvolvimento econômico e social que de maneira geral
avança em vários setores, o trânsito caótico está transformando qualquer movimentação na cidade em um chá de
nervos. Ingenuidade achar que o progresso anda pareado
com a ordem absoluta. Por mais que haja planejamento,
gestão e qualquer tipo de instrumento organizacional, o
mundo é feito de oportunidades, criadas ou inesperadas.
O prefeito Marcio Lacerda já mostrou várias vezes que o
número de carros trafegando na capital mineira só aumenta. E com o turbo ligado! Assim como no resto do país.
Tempos atrás as pessoas tinham São Paulo como a único
lugar com trânsito realmente inacreditável. Não é mais.
Cidades como Salvador têm penado com esta situação.
Mesmo com avenidas largas, o caos está instalado também na capital baiana. Em BH, com a transferência dos
voos, certamente positiva, para Confins, sair da cidade é
penoso. Tenho viajado praticamente todas as semanas a
trabalho e parece que as vias vão transbordar. Mesmo sem
chuva... Algumas vezes são mais de duas horas para chegar a Confins. Digo que foi positivo e uma visão do ex-governador Aécio Neves, pois transformou um elefante
branco em aeroporto movimentado, com conexão para
todas as regiões do país e centro de distribuição de passageiros. E no final, olha que maravilha! Ganhamos três viagens: ir para Confins, mínimo uma hora, pegar o avião,
mais uma hora e voltar para casa – dependendo do horário, a soma de tudo. Nem inimigo merece tanto nervosismo. Mas este é o preço que a cidade está pagando. Há
pouco mais de cinco anos tínhamos menos de 500 mil
passageiros por ano, em curto espaço iremos passar de 10
milhões/ano só em Confins. Para melhorar o que verá na
reportagem de capa, a BHTrans e todos os órgãos competentes estão buscando soluções que passam desde a oferta de novos serviços de transporte público, a intervenções
viárias. Vamos acompanhar ativamente este processo de
melhoria e repercutir tudo que possa beneficiar a sociedade. Ainda na Viver Brasil desta quinzena, muitas matérias
interessantes, como a da cidade dos caubóis nos Estados
Unidos, Fort Worth, e a entrevista com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Questionamentos, críticas e
sugestões sobre o trânsito em BH, mande para redação@
revistaviverbrasil.com.br.
Muito obrigado a todos e até a próxima!
Gustavo Cesar de Oliveira, diretor – [email protected]
Diretor-geral
Paulo Cesar de
Oliveira
Diretores
Gustavo Cesar
de Oliveira
Paulo Cesar
Alkimim de
Oliveira
Diretor de redação Homero Dolabella
Editora-executiva Silvânia Arriel
Chefe de redação Maria Eugênia Lages
Subeditora Luciana Avelino
Editoras-adjuntas Cláudia Rezende e
Raquel Ayres
Redação Ana Elizabeth Diniz, Eliana Fonseca,
Eliane Hardy, Fernando Torres, Janaína
Oliveira, Márcia Queirós e Terezinha Moreira
Repórteres colaboradores Flávio Penna e
Sueli Cotta
Articulistas Carlos Lindenberg, Fátima
Rabelo, Hermógenes Ladeira, José Martins
Godoi, Lázaro Gonzaga, Matheus Cotta de
Carvalho, Olavo Machado, Paulo Paiva e
Wagner Gomes
Correspondentes internacionais
(Paris) Igor Tameirão
(Nova Iorque) Angelina Freitas
Assistente de web Celso Filho
Revisão Maria Ignez Villela
Secretária de redação Ana Lúcia Cortez
Diretora de arte Oriádina Panicali Machado
Editor de arte Renato Luiz
Equipe de arte Adroaldo Leal, Gilberto Silva e
Luciano Cabral
Assistente de fotografia Marizeli Goulart
Fotógrafo especial Nélio Rodrigues
Fotógrafos colaboradores
Pedro Vilela, Tião Mourão, Victor Schwaner
Superintendente de finanças Cinthia Portela
Superintendente de operações Eliana Paula
Coordenadora de marketing Isabel Borges
Gerente de eventos Gustavo Serpa
Gerente comercial Ana Paula Fadel
Departamento comercial
(31) 3503-8888 Adélia Salazar, Alessandra
Valente, Cristiana Rey, Dária Mineiro, Hevelyne
Buzatti, Lívia Bosco, Rigléia Carvalho, Sandra
Câmara e Wander Bocelli
[email protected]
Assinaturas (31) 3503-8670
Impressão Log&Print Gráfica e Logística S.A.
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[email protected]
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Tiragem quinzenal
60.000 exemplares
Viver Brasil é uma publicação da VB Editora e Comunicação Ltda.
São Paulo: Jacques Felix, 19, Vila Nova Conceição, São Paulo, SP – CEP: 04509-000 – Tel.: (11) 2127-0000
Minas Gerais: Rodovia MG–030, 8.625, torre 2, nível 4, Vale do Sereno, Nova Lima, MG – CEP: 34.000-000 – (31) 3503-8888 - www.revistaviverbrasil.com.br
12
VIVER Abril 6 - 2012
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AINDA MELHOR. COMO VOCÊ MERECE!
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Rubens Menin, nas alturas
Os mineiros chegaram à lista
dos mais ricos da revista
Forbes com o empresário
Rubens Menin e seus
prédios populares. Pelo
desenvolvimento do país,
valorização do real, nas
próximas listas mais mineiros
devem estar nelas. Ficou boa
a reportagem, senti falta
foi de entrevista dele,
de falar como conseguiu
chegar lá.
Despesas em alta
velocidade
Fiquei chocada ao ler a
matéria sobre os custos que
temos com carros. São muitas
despesas e agora ainda há
a dor de cabeça provocada
por esse trânsito engarrafado
de todo o dia, inclusive nos
finais de semana. Depois de
ler, dá vontade de andar de
transporte coletivo. É uma
pena que ele não funcione
a contento.
Mateus Ramos
Conteúdo objetivo e claro
da reportagem sobre o
empresário Rubens Menin.
Acredito que ele deveria
investir mais nos projetos
sociais, uma forma de retribuir
os ganhos.
Eliza Rodrigues
Muito interessante a
reportagem sobre os gastos
com carros. Não imaginava
que as despesas chegassem a
tanto. Parabéns.
ele. Afinal hoje as mulheres
esquecem de viver e de
fazerem os principais papéis
para competir com os homens.
Isso é ridículo!
Nilci Aguiar
Pais professores,
irmãos colegas
Excelente a reportagem sobre
o movimento dos pais que dão
aulas para os filhos em casa. As
razões deles e dos especialistas
foram bem dosadas, mas pendi
a estes últimos. Avalio que os
meninos e os adolescentes
têm que conviver com
outras pessoas, senão ficam
só em casa e perdem esse
relacionamento tão vital para
qualquer pessoa. Parabéns à
repórter Eliana Fonseca.
Frederico Oliveira
Luciana dos Santos
Helena Maria Barros
Minha Palavra
Zoom
Meus parabéns e
agradecimentos à jornalista
Márcia Queirós pela nota
Legado paterno, publicada na
coluna Zoom, em que aborda
o trabalho de preservação
que venho realizando dos
trabalhos do meu pai, o artista
plástico Petrônio Bax, que
faleceu em 2009. O título e
texto publicados foram fiéis ao
que conversamos.
Simone Bax
14
Como grande admirador
de Paulo Cesar de Oliveira,
gostaria de parabenizá-lo pelo
maravilhoso livro. Com certeza
será um sucesso!
Marcos Calmon de Passos
A decisão é radical mesmo dos
pais que retiram os filhos da
escola para dar aulas em casa.
A opinião dos especialistas é
muito boa, faz refletir, mas
acredito que cada um deve ter
a liberdade de dar a educação
que queira aos filhos desde que
não prejudiquem ninguém.
Crônica
Li agora há pouco a crônica
Mulherzinha, de Bruno
Fernandes, e achei fantástico!
Apesar de ser mulher, ou
melhor mulherzinha, eu
concordo plenamente com
Geórgia Campos
Poder de decisão
Quando li a matéria parecia
que estava ouvindo meu
VIVER Abril 6 - 2012
Rodovia MG–030, 8.625, torre 2, nível 4,
Vale do Sereno, Nova Lima, MG – CEP: 34.000-000
E-mail: [email protected]
filho. Ele está
sempre dando
palpites nas nossas
aquisições, nem
sempre levo em
consideração, mas
quando o assunto
é tecnologia não
tem erro. A gente
tem que escutálo. Parabéns à
revista Viver Brasil
que sempre traz
reportagens que
nos diz respeito.
Juliana Reis
Desafio é o
acesso
O Independência
será reinaugurado,
a BHTrans fez
mudanças nas ruas
próximas ao estádio,
mas será que resolverá a
questão? Tomara. Acredito
que devem mesmo fazer
campanha de conscientização
para que as pessoas utilizem
o transporte público,
melhorando o tráfego
na região.
Comentários sobre o conteúdo editorial da
Viver Brasil, sugestões e críticas a matérias. Cartas
e mensagens devem trazer o nome completo e o
endereço. Além do nome do autor, o e-mail também
poderá ser publicado. Por razões de espaço ou clareza,
os textos poderão ser publicados resumidamente
ERRATA
Ao contrário do
informado na
matéria Dentro do
limite, da edição
nº 78, página 50, o
Go Inn Hotel não
está na orla da
Pampulha, mas,
sim, na avenida
Del Rey, 157, no
bairro Caiçara e
não faz parte dos
empreendimentos
em aprovação
pelo Conselho
Municipal de
Política Urbana
(Compur). O Go
Inn no bairro
Caiçara (foto à
esq.), fruto de
uma parceria
entre a Direcional
Engenharia e o grupo
Atlantica Hotels International,
vai contar com 200
unidades distribuídas em
um prédio de 12 andares,
além de 67 vagas de garagem
e restaurante.
Reginaldo Andrade Costa
Pequenos gigantes
Muio interessante e bem
escrita a matéria sobre as
microempresas. Parabéns.
Marina Bittencourt
VIVER Abril 6 - 2012
Para anunciar:
Tel.: (31) 3503-8888
Fax: (31) 3503-8888
Releases
[email protected]
Assinaturas: Tel: (31) 3503-8860
15
Leitor
Repórter
Foto das montanhas
em Barão de Cocais
Enviada por:
Givaldo Teixeira
Barbosa
16
“Amor, não chora de sofrimento;
Cheguei agora no vento;
Eu só voltei pra te contar;
Viajei. Fui pra Serra do Luar.”
TRECHO DE SERRA DO LUAR, DE WALTER FRANCO
É a sua vez de mostrar que tem
faro jornalístico. Fo to grafou uma
cena inusitada? Visitou um lugar paradisíaco e fez foto digna
de cartão-postal? Registrou um momento ím par que me rece ser compartilhado com outras pessoas? Agora
você te rá a oportunidade de mostrar
seu talen to. Envie sua foto para a re-
vista Vi ver Bra sil . As melhores
serão publicadas e você terá seu
dia como repórter fotográfico. O
endereço para en vio é: redacao@
revistaviverbrasil.com.br. As fotos deverão estar em alta resolução. No e-mail, deverão constar os dados do
autor (nome, telefone, endereço e RG)
e uma breve descrição da foto.
VIVER Abril 6 - 2012
www.revistaviverbrasil.com.br
POR CELSO FILHO
VIVER MINAS
ACESSADAS
Mulherzinha
Pais professores,
irmãos colegas
MINAS
A Viver Minas voltou cheia de novidades este ano.
Matérias sobre a economia, a política e a cultura de
cada canto do nosso estado, além da coluna
Ali e Acolá, um diário de viagem, assinado pela
jornalista Ana Elizabeth Diniz. Na última edição,
a expedição visitou a região do Norte de Minas e o
conteúdo completo pode ser acessado no site da
revista Viver Brasil, na aba de Cadernos Especiais. Confira!
Região
Norte
‘˜‘•‹˜‡•–‹‡–
incrementam empre ‘•
go
e renda na região
,
última fronteira
do
desenvolvimento
em Minas
São Francisco
Profissionalização
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erbrasil.com.br
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4
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Além do Twitter (@pcovb), o Blog do PCO, agora,
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informações sobre o universo político, empresarial
e eventos da sociedade mineira, assinadas pelo
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e da Pampulha, o semanário ainda pode ser
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Inclui: Passagem aérea ida e volta em voo regular para Ilha de Páscoa.
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para reais ao câmbio do dia na data da compra (câmbio referencial do dia 26/3/2012: US$ 1,00 = R$ 1,92). Pagamento em 10 x sem
juros no cheque, sendo 30% de entrada e o restante em até 9 parcelas. Lugares limitados.
Em
Destaque
MÁRCIA QUEIRÓS
Bruno Fernandes
Dama
das boas
ideias
Ela foi a primeira mulher da
América Latina a presidir o megagrupo multinacional Young &
Rubican. Coleciona títulos, premiações e destaques em publicações
internacionais, como a revista Forbes, que a elegeu a mais influente
do Brasil no setor de publicidade e
marketing. Tudo isso ainda é pouco para falar de Christina Carvalho
Pinto. “Não me considero uma publicitária apenas, mas estrategista
e mente criativa a serviço da nova
comunicação”, diz a hoje sócia do
Grupo Full Jazz de Comunicação,
eleito pela Fundação Dom Cabral
como o melhor exemplo de inovação empresarial do país. Paulista,
apaixonada por Minas, sobretudo pelo escritor João Guimarães
Rosa, ela esteve na Academia de
Ideias, em BH, no mês de março
para falar sobre o papel da mídia
como instrumento de consciência ambiental. A receita? “É preciso visitar a cadeia produtiva das
imagens e palavras que estamos
gerando, saber se elas fazem bem
ou mal. Se curam ou intoxicam, se
libertam ou aprisionam, se constroem ou só destroem.”
20
VIVER Abril 6 - 2012
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O presidente da Fiat, Cledorvino Belini, um dos
empresários que participou da reunião com a
presidente Dilma Rousseff, saiu impressionado
com a objetividade da presidente – opinião
comungada por vários dos presentes entre
eles os presidentes do Bradesco,
Luis Carlos Trabuco, e do grupo
Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo
– em assuntos relacionados ao
empresariado. Um dos pleitos
é a redução de impostos. Agora
vamos ver se a presidente
colocará em prática tudo que
falou. Infelizmente é
outra história...
POR PAULO CESAR DE OLIVEIRA
Dilma
preocupa até PT
Impressionante como em Brasília, nos meios políticos, a conversa é sobre a postura da presidente Dilma
Rousseff em relação ao Congresso Nacional. À boca
pequena, o que se comenta é que com toda a popularidade de Dilma a sua situação política é preocupante
na opinião de vários ministros do PT, como ouvi essa
semana na capital do país.
Fábio Rodrigues-Pozzebom/ABr
Briga em Barbacena
Se a briga política em Barbacena envolvia os Andrada e os Bias, agora a disputa pela prefeitura local esquenta é no seio familiar dos Andrada. Os irmãos e ex-prefeitos Martim e Toninho Andrada querem
disputar pelo PSDB o lugar de Danuza Bias Fortes (PT), que tentará a
reeleição. Martim, que se prepara há dois anos para ser o candidato
do PSDB, foi surpreendido por Toninho que, munido de um manifesFotos: Tião Mourão
to do movimento
Volta Toninho, com
10.658 assinaturas de barbacenenses, reforçava
o seu desejo de
disputar as eleições em 2012.
Com a corda toda
Depois de receber a notícia da vitória contra o câncer na laringe,
Lula garantiu que, muito em breve, voltará à cena política. E já
mandou um recado para José Serra (PSDB). A interlocutores, afirmou que estão enganados os que pensam
que a campanha do tucano à prefeitura
de São Paulo será um passeio.
Pelo visto, estará bem disposto
para angariar votos para seu
apadrinhado, Fernando
Haddad (PT).... Só um dia após
a boa nova sobre seu estado
de saúde, disparou: “Serra
é um político de ontem
com ideias de anteontem.”
22
Ricardo Stuckert/Instituto Lula
VIVER Abril 6 - 2012
Roosewelt Pinheiro - ABr
Doce disputa
Queijo canastra
Os produtores de queijo da serra da Canastra
andam em contagem regressiva. A partir de
abril, o famoso queijo fabricado artesanalmente há séculos em Minas deve ganhar um
selo com certificado de origem, que protegerá
a identidade do produto e tende a preservar
os métodos tradicionais de fabricação.
“Ter que definir apenas um é como ir à sorveteria São Domingos e poder escolher um sabor
só”, disse o ex-deputado federal Virgílio Guimarães, comentando o “excesso de bons nomes” que o PT tem para ocupar a vaga de vice
na chapa de Marcio Lacerda. Os interessados
– inclusive ele – são muitos, já que a cadeira
pode render ainda mais frutos em 2014.
Voto
Presidente da Unimed-BH entre 1998 e 2006,
com aclamada gestão, Emerson Fidelis Campos agora recebeu os votos dos médicos para
deixar a cooperativa. Foi excluído em assembleia geral na quarta-feira por infração aos estatutos internos e conflito de interesses. Fidelis é diretor regional da Amil.
Casas do Brasil
O Museu da Casa Brasileira, de São Paulo, vai
abrigar em abril a exposição Casas do Brasil
– Barraca Cigana, da fotógrafa e pesquisadora Luciana Sampaio. Casas do Brasil é um
projeto criado pelo MCB, objetivando fazer
um inventário visual das casas brasileiras,
celebrando a pluralidade das formas de morar país afora. Convidam para a exposição a
Ornare (leia-se Esther e Murilo Schattan), o
governo de São Paulo, a Secretaria de Cultura
e o Museu da Casa Brasileira. A abertura da
mostra será no dia 9 de abril, às 19h30, e fica
em cartaz até 3 de junho.
Sinal de fumaça
A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou por unanimidade projeto que
acaba com os 14º e 15º salários aos parlamentares. O texto, no entanto, ainda precisa
passar pelo plenário da Casa e, depois, pela
Câmara dos Deputados para que os benefícios sejam extintos.
Posse de Cármen Lúcia
A nova presidente do Tribunal Superior Eleitoral,
a ministra mineira Cármen Lúcia Rocha, toma
posse no próximo dia 18 de abril em solenidade no TSE em Brasilia. Dilma Rousseff deve
comparecer para abraçar Cármen Lúcia. Daqui
vai muita gente para prestigiar a conterrânea,
como o governador Antonio Augusto Anastasia.
VIVER Abril 6 - 2012
Nélio Rodrigues
Dia D do PT
Em 15 de abril o PT faz encontro, previsto no
regulamento, para escolha do candidato a
vice de Marcio Lacerda e a chapa de vereadores. Mas o primeiro item de pauta cabe ao
PSB que terá que responder, principalmente,
se aceita ou não o veto ao PSDB.
José Cruz/ABr
Falta de respeito
“A falta de respeito com o Congresso se transformou em marca registrada do governo.
Como nada é tão ruim que não possa piorar, o
PAC executou apenas 8% do total de recursos
(...) O abandono é regra”, de Aécio Neves da
tribuna do Senado.
Enterro digno
Pedro Vilela
“O que acompanha a história da anistia no
Brasil é a incompletude. É direito das famílias
o retorno dos restos mortais, para dar enterro digno”, de Nilmário Miranda, integrante da
Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.
Agraciados com a grande medalha
Deiwis Fontes
O governador Antonio Augusto Anastasia homenageia
185 personalidades com a Medalha da Inconfidência
na tradicional cerimônia de 21 de abril em Ouro Preto.
Dentre os 31 homenageados com a grande medalha
estão o ministro das Relações Exteriores, embaixador
Antônio Patriota; o procurador geral da República, Roberto Gurgel; o governador de Pernambuco, Eduardo
Campos, o presidente do Tribunal de Contas da União,
Benjamin Zymler; a presidente da Petrobras, Maria das Graças Silva Foster; o
presidente da Usiminas, Julián Alberto Eguren, o presidente da Eletrobras,
José da Costa Carvalho Neto; o presidente da Vale, Murilo Pinto de Oliveira Ferreira, e o secretário de Defesa Social, Rômulo de Carvalho Ferraz.
Colaboração: Ana Cortez, Eliane Hardy, Dilke Fonseca e Flávio Penna
23
Entre
André Fossati
Aspas
JANAINA OLIVEIRA
“O Marcio Lacerda já
está eleito. O PMDB não
tem força para disputar
a prefeitura de Belo
Horizonte”
Deputado federal Newton Cardoso (PMDB)
O Newton já foi um grande líder
no PMDB. Já foi”
Deputado federal Toninho Andrade,
presidente estadual do PMDB, desdenhando
da análise eleitoral feita por Newtão
“O Marcio Lacerda é pouco
perto daquelas mulheres bravas
do Palácio do Planalto”
Secretário nacional de Atenção à Saúde,
Helvécio Guimarães (PT), brincando com
o estilo durão do prefeito de BH, da presidente Dilma e da ministra Gleisi Hoffmann
Esses penduricalhos só servem
para dar dor de cabeça”
Vereador Paulinho Motorista (PSL), sobre o
fim da verba do paletó
Vão querer ser vice de novo
para fazer oposição, como fez
Roberto Carvalho? ”
Presidente do PSDB municipal,
deputado João Leite, ironizando as
articulações petistas
24
ACONTECEU
Em votação apertada, o PT decidiu apoiar
a candidatura à reeleição do prefeito de Belo
Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), com ou sem o
PSDB. A decisão ficou para o prefeito, que tem até 15
de abril para se definir. Mas nem será preciso esperar.
Lacerda já deu claros sinais de que vai pactuar com
os tucanos. A expectativa agora é sobre quem será o
vice. Os interessados são muitos, mas a cadeira é só
uma. E deve ficar com o PT. Entre os cotados para
compor a chapa estão o ex-deputado federal Virgílio
Guimarães e o deputado federal Reginaldo Lopes.
Também acalentam o sonho dourado o deputado
federal Miguel Corrêa Jr e o deputado estadual André
Quintão. A briga é boa, pois pode definir também o
candidato de 2016.
TWITADAS
@Vereador_Heleno: O vereador não deveria
receber nenhum salário a mais do que os demais
servidores. #maisque13não
Vereador da capital, Heleno (PHS)
zzz
@Jose_de_Abreu: Serra, humilhado por ter que
concorrer às previas, sai ainda mais chamuscado
com 52% apenas de votos de 20% dos militantes.
José de Abreu, ator e produtor
zzz
@depgeorgehilton: Chove muito em Contagem,
não somente as águas de março, mas também
boatos da política. Os próximos capítulos
prometem.
Deputado federal George Hilton (PRB)
VIVER Abril 6 - 2012
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ELIANA FONSECA
N
ão são poucos os irmãos que
trabalham juntos e tornam uma
relação – por vezes conturbada – pública. São famosas as brigas
entre os Gallagher – Liam e Noel – do
Oasis; ou de Abílio e seu falecido irmão Alcides Diniz pelo controle do
Pão de Açúcar; ou ainda a que ocorreu no ano passado, quando, em pleno show, Luciano, da dupla com Zezé
di Camargo, subiu ao palco para jogar
luz, e publicidade, a um desentendimento íntimo entre ambos. Essas e
outras brigas refletem um assunto
que suscita curiosidade: como é
fazer dupla, ter negócio, estar
lado a lado no trabalho com
um irmão. Os números são
incertos, mas a estimativa é
que 90% das empresas hoje
existentes no país são familiares.Viver Brasil conversou
com irmãos que decidiram
montar um negócio juntos. Eles falam sobre o
lado positivo e
Irmãos
&
sócios
Família, família;
negócios à parte.
Essa deve ser uma
das regras nas
empresas onde
os donos têm o
mesmo sangue
correndo nas veias
Nélio Rodrigues
26
VIVER Abril 6 - 2012
também como lidam com as controvérsias e, principalmente, qual
a estratégia para conseguir conviver com as desavenças. Tudo isso,
com foco não só no crescimento de
lucros, mas no equilíbrio de uma
relação que, independentemente do sucesso do negócio, é para a
vida toda.
Eles trabalhavam no ramo de
atacado e eletroeletrônico e quando resolveram, há oito anos, se unir,
Gleno Márcio da Silva, 46, e Paulo
Sérgio da Silva, 55, pularam para a
área de cosméticos, como um foco
especializado, produtos para uso
profissional. Nascia a Glynett. O
que no início era negócio de risco –
Paulo e Márcio confessam a pouca
intimidade com o assunto – transformou-se na grande paixão de ambos quando se encontraram com o
químico Jean Glynett e passaram
a comercializar os produtos. A primeira regra clara – cada um cuidaria de um setor da indústria. Gleno
é o diretor comercial e Paulo, o
de produção. O porém é que
mais de 200 km separam
o local de trabalho um do outro, já
que a fábrica da Glynett fica em Lavras e o escritório, em Belo Horizonte. Mas Gleno logo adianta, não é a
distância que garante o sucesso da
empresa.“Pelo menos de 15 em 15
dias, nos encontramos cara a cara,
no restante nos falamos através de
outros meios. E o tempo todo fazemos o balanço de tudo o que está
ocorrendo, prestando conta um
para o outro de nossas respectivas
áreas, mas sempre com autonomia”, afirma.
Algumas regras também foram
estabelecidas. Parentes na empresa,
Não me recordo de
nenhuma briga séria
entre a gente porque
nos conhecemos tão
bem, já sabemos as
manias um do outro”
Leonardo
Siqueira (à esq.)
só os dois. Gleno, que já teve outros
negócios, afirma que viveu a experiência há algum tempo, quando tinha outro sócio e a lembrança não
é boa. “Pode haver constrangimentos, problemas, o melhor é evitar a
contratação de parentes e isso foi o
combinado com o Paulo à época da
abertura da empresa”, diz.
O consultor e coaching Ricardo Melo afirma que negócios com
irmãos, como tudo na vida, têm
pontos positivos e negativos. Para
o bem do empreendimento, não há
ponto melhor do que a confiança
estabelecida num relacionamento
de quem se conhece a vida toda. “É
VIVER Abril 6 - 2012
a união nos negócios de duas pessoas que se amam, se conhecem, e
isso faz uma diferença muito grande”, observa Melo. Essa proximidade garante outros pontos como
conhecer melhor a personalidade.
“E o relacionamento nos negócios
fica mais fácil porque a pessoa conhece a dinâmica da outra.”
Empresários do ramo da noite,
os donos da boate Cinco, os irmãos
Lucas e Bruno Vereza afirmam que
foi natural trabalhar juntos por terem os mesmos interesses. A intimidade ajuda, e muito, na opinião
de Lucas: “A tomada de decisões
por vezes nem é preciso um consultar o outro. Já sabemos a opinião
e a resposta”. São raras as discussões, mas quando elas ocorrem todas as controvérsias são resolvidas
dentro da empresa. Fora dela, avisa Lucas, a relação volta ao normal.
“As controvérsias são decididas
com a conversa. Mas cada um é responsável por uma área, o que facilita as decisões”, diz.
Essa é uma das regras caras ao
sucesso do negócio e à saúde do
relacionamento, observa Ricardo
Melo. Para ele, é preciso haver uma
separação muito clara do relacionamento profissional e do pessoal,
se não, podem ocorrer problemas
de relacionamento graves, com brigas, desacertos. “Já ajudei a resgatar uma empresa em que as pessoas
chegaram a se odiar”, conta. E nada
de pedir opinião ou ajuda de outros
familiares que não estão no negócio quando há algum problema.
Melo ensina que o melhor é colocar uma redoma quando a questão
for a empresa. “Nenhum parente
de fora do negócio deve interferir,
porque pode ocorrer de alguém tomar partido de um dos sócios e isso
acabar gerando problemas.”
Se houver controvérsia e ficar
difícil administrar com o sócio-irmão, Melo ensina que o melhor
27
N E G Ó C I OS
Divulgação
é um intermediador de fora, solução bem-vinda independentemente do tamanho, porte, tempo da
empresa. E os combinados, como
fizeram Paulo e Gleno, também
são importantes. “O melhor a fazer,
quando se abre um negócio, é já estipular as cláusulas e as regras para
preservar não só a empresa, como
também a relação entre irmãos.”
Ambiente altamente criativo,
em que as ideias são a alma do negócio, a agência de publicidade
Fala! tem como proprietários os irmãos e sócios Leonardo e Rodrigo
Siqueira. Antes eles eram três, mas
Kiko Siqueira está morando em outro país. Leonardo conta que, apesar da intimidade e do amor que os
unem, quando estão na empresa o
lado sócio sobrepõe o do irmão. Ou
quase. Depois de anos trabalhando
juntos, ele afirma que nunca teve
problema e que a mesma união que
têm em casa pode ser vista também
no escritório.
“Não me recordo de nenhuma
briga séria entre a gente porque nos
conhecemos tão bem, já sabemos
as manias um do outro”, afirma Leonardo. E se alguém tem um pensamento diferenciado, o negócio é
procurar o equilíbrio. “Eu e o Rodrigo temos pensamentos parecidos,
mas tem hora que é o momento de
ceder e isso acontece naturalmente.
Usamos o bom senso.”
Há casos que além de ter o irmão como sócio, há ainda o amigo, que é considerado irmão de
alma. Esse foi o caso dos sócios da
Sava Móveis, Rafael Mendes, Daniel Mendes e Bruno Guerra, que
juntos resolveram abrir o negócio
há cinco anos, quando Rafael tinha 26 e Bruno e Daniel, 24. No começo, eram só os três trabalhando
na Sava, hoje são 170 funcionários.
Apesar de extremamente novos,
o combinado entre os três foi respeitar o espaço do outro, delimi28
Cada um é responsável
por uma área da empresa,
o que facilita as decisões”
Lucas Vereza (à dir.)
Nélio Rodrigues
Sempre fomos
amigos e acredito
que a expertise de um
complementa a do outro”
Daniel Cataldo
VIVER Abril 6 - 2012
Nélio Rodrigues
O tempo todo
fazemos o balanço de tudo o
que está ocorrendo, prestando
conta um para o outro (...)”
Gleno Márcio (à dir.)
Pedro Vilela
Estamos sempre trocando
ideias, respeitando um ao
outro, e isso dá certo em
nossa empresa”
Rafael Mendes
VIVER Abril 6 - 2012
tando muito bem a função de cada
um dentro da empresa. Lógico que
sem perder o contato juntos, tanto
que Rafael afirma que, apesar de terem salas separadas, em cada uma
delas há espaço para os três trabalharem juntos. “É um grande prazer esse negócio. Estamos sempre
trocando ideias, respeitando um ao
outro, e isso dá certo em nossa empresa”, diz.
Há empresários que primeiro
procuram um sócio complementar e têm a feliz descoberta de ter o
irmão como essa pessoa. Esse foi o
caso de Daniel, 33, e Felipe Cataldo, sócios da Sydle, que sempre foram muito unidos e quando nasceu
a ideia de criar a empresa de produtos de softwares e gerenciamento
de processos, resolveram trabalhar
juntos. “Sempre fomos amigos
e acredito que a expertise de um
complementa a do outro. Eu sou da
área técnica e o Felipe, da administrativa. Por isso temos dado muito
certo juntos.”
Daniel afirma que já teve experiências de negócios com outros sócios, mas nada se compara à
confiança e dedicação que sente ao
trabalhar com o irmão. A Sydle começou pequena, com cinco funcionários, hoje são 150.
Para o consultor Ricardo Melo
escolher irmão como sócio é apenas
coincidência porque o ponto primordial é querer um negócio com
uma pessoa de confiança, em que se
tenha liberdade, vontade de trabalhar e transparência para falar tudo
aquilo que está incomodando na
gestão. Outro ponto importante é a
formação gerencial dos sócios. “O
que vale para os outros empresários
que não têm laços consanguíneos
serve também para os irmãos. É preciso um constante aperfeiçoamento
e reuniões constantes para analisar
os pontos fortes e fracos da empresa”, ensina.
29
Paulo Cesar de Oliveira
Aécio Neves entra
no jogo sucessório
A presidente Dilma Rousseff iniciou muito bem
o seu governo e conquistou popularidade no seu primeiro ano de mandato maior do que seu padrinho e
antecessor Lula, e mesmo o ex-presidente Fernando
Henrique atingiram. Até mesmo aqueles que não votaram nela passaram a admirar e elogiar o seu governo. A
continuidade do crescimento econômico que herdara
e a forma pela qual enfrentou as primeiras crises, com
as descobertas de malfeitos de seus ministros, impulsionaram a sua popularidade. Dilma assumiu o papel
de moralizadora, feito que Lula não conseguiu. Bem ao
contrário, perdeu a áurea de político sério e correto e só
não naufragou politicamente, puxado pelo mensalão,
pelo sucesso da política econômica e o avanço dos programas sociais e distribuição de renda.
O mineiro foi firme ao dizer
que Dilma instituiu o
regime do improviso, ao
contrário do que muita
gente pensava...
Dilma, malgrado a repetição dos escândalos na
equipe, ainda consegue manter sua popularidade. No
entanto, nos últimos 30 dias, deu uma derrapada na
área política que pode custar-lhe caro, inclusive com
uma queda na aceitação popular. Nenhum presidente
– como Jânio Quadros e Collor – que peitou o Congresso se deu bem. Dizem que o seu conselho político tem
alertado, mas dizem também que ela não gosta de ouvir
ninguém. É só ver as escolhas que fez recentemente que
desagradaram a muitos e em especial à sua base parlamentar. Com isto a oposição, que andava sem discurso,
começa um trabalho de desmonte do governo tendo à
frente o senador Aécio Neves. O mineiro é hoje, sem dúvida, o grande líder da oposição e das melhores figuras
do Congresso. Já não restam dúvidas de ser ele o candidato à Presidência da República pelo PSDB, levado a
30
esta posição pelos seus companheiros e não apenas por
decisão própria.
Ele mesmo diz que uma candidatura presidencial
emerge de um desejo popular e de lideranças políticas.
Sua candidatura ganhou musculatura com a afirmativa
de Fernando Henrique de que ele é o candidato óbvio
do partido. FHC é um padrinho forte na legenda, principalmente pela liderança que exerce sobre os tucanos
paulistas. Aécio se retrai sobre o assunto, mas com absoluta certeza é o mais bem preparado da oposição para
disputar a cadeira de Dilma, depois de fazer dois bons
governos em Minas. Até agora, estrategicamente, o
senador vinha mantendo uma oposição discreta, como
é o seu feitio, dando uma chance a Dilma governar o
país.Chegou a ser criticado por esta postura branda.
No entanto, a presidente vem abrindo espaço e dando
motivos para uma ação mais contundente dos oposicionistas, diga-se já com o apoio de parcelas da base de
apoio do governo.
O discurso que Aécio fez há alguns dias no Senado,
com criticas rasgadas ao governo federal e, consequentemente, a Dilma, sinalizou o tom da fala da oposição
daqui para frente. O mineiro foi firme ao dizer que Dilma instituiu o regime do improviso, ao contrário do que
muita gente pensava sobre seu governo. Para Aécio o
governo não tem projetos, há um imobilismo político e
uma total paralisia nos programas de infraestrutura. Aécio não está enxergando a imagem da gestora impecável
que foi vendida na campanha pelo ex-presidente Lula.
Ao que dizem, a presidente está completamente perdida. Já se sabe que dentro de pouco tempo o senador
mineiro vai viajar pelo país, ver como andam as obras
do decantado PAC e mostrar aos brasileiros que, apesar
de ter sido intitulada mãe do PAC, Dilma não está conseguindo avançar com as obras do programa. O governo
que se cuide. Aécio é um dos maiores articuladores da
política brasileira na atualidade. Aprendeu com o avô e
sabe, como poucos, pescar nas águas do adversário.
Paulo Cesar de Oliveira, jornalista
VIVER Abril 6 - 2012
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P O L Í T I CA
Por um PT amplo
Presidente do partido percorre o país em
busca de diálogo e promete que direção
nacional não fará intervenção em BH
JANAÍNA OLIVEIRA
R
ui Falcão, 68 anos, nasceu em
Pitangui, no Centro-Oeste de
Minas. Formou-se em direito pela USP, mas optou pelo jornalismo. Acumula no currículo passagens
por diversos veículos, como Folha de
S.Paulo, Notícias Populares, Jornal da
Tarde e chegou a diretor de redação
da revista Exame. Já foi deputado federal e hoje é deputado estadual de São
Paulo. Desde abril de 2011, no entanto,
sua vida mudou bastante.
Devido ao afastamento por motivos de saúde de José Eduardo Dutra,
Rui Falcão foi o escolhido para ser o
presidente do PT, partido que governa
o Brasil há nove anos. De lá pra cá, ele
tem se desdobrado em viagens pelo
país afora. Com o intuito de fazer uma
gestão nacional, ampliando o foco até
então concentrado em território paulista, intensificou o contato com a militância em plenárias realizadas em
cada um dos estados. “O objetivo é
dialogar”, diz.
Com mandato até 2013, especialmente neste ano, Rui Falcão tem a
missão de conduzir o PT nas eleições
municipais. Segundo maior colégio
eleitoral do país, Minas é destino certo
em seu roteiro. Neste ano, já desembarcou em Belo Horizonte e cidades
do interior algumas vezes. A próxima visita acontece no dia 13 de abril,
quando será o palestrante do Conexão
Empresarial. O evento, que já virou
referência de políticos e empresários
mineiros, é promovido pela VB Comu32
nicação, patrocinado pela Usiminas e
com o apoio da Embratel, MRB, Anglo
American, Safe Security, Rádio Itatiaia
e Jchelby.
Em um país governado por uma
mulher, que, como faz questão de
ressaltar, tem a maior aprovação que
qualquer presidente na história do
país, Rui Falcão adotou como uma
de suas plataformas o aumento da
participação feminina nas eleições.
“Temos no parlamento brasileiro
menos mulheres do que, por
exemplo, no Irã. Queremos
facilitar as formas de participação popular.”
O presidente do PT
aposta que o corpo a corpo dará certo. “Na última
eleição, nós crescemos
34% em relação a 2004.
Das principais cidades,
aquelas que têm mais
de 150 mil eleitores,
nós governamos 30%
delas. Essas 117 cidades representam, hoje,
47% do eleitorado, 52% do PIB
nacional. A nossa meta é manter
o que temos, reconquistar o que
perdemos, e conquistar algumas
dessas cidades estratégicas, entre as quais, naturalmente, se en-
contra a capital de São Paulo”, avisa.
Sobre Belo Horizonte, num momento em que o prefeito Marcio Lacerda (PSB) quer reeditar a aliança
com PT e PSDB, Rui Falcão afirma que
o partido não deve “pensar no imediato” e fazer alianças com qualquer
partido nas eleições municipais de outubro. “Há uma tendência muito grande de alianças diferenciadas. No caso
da capital mineira, a direção nacional
acompanha com interesse, está presente e não fará nenhum tipo de intervenção seja qual for o resultado desse
processo”, diz.
RUI FALCÃO:
“Nossa meta é
reconquistar o
que perdemos”
Nélio Rodrigues
VIVER Abril 6 - 2012
VERBOCRIATIVA
A ARQUITETA
MYRNA PORCARO
TAMBÉM LÊ.
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QUEM É REFERÊNCIA.
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Arte: Paulo Werner
R E C U R S OS H U MAN O S
Estão de olho
Páginas nas redes sociais são cada dia mais visitadas por
recrutadores na hora de escolher candidatos a um emprego
SILVÂNIA ARRIEL
S
into um certo embaraço ao começar a escrever, como se pusesse minha alma a nu”, registra
o narrador logo no início do livro Cemitério de Praga, de Umberto Eco.
Ele, lá com pudores na história ambientada no final dos anos 1880, tão
diferente de quem vive neste tempo
virtual, onde as pessoas se expõem
sem receio na escrita, nas fotos. Desnudam-se, tiram a máscara social na
janela aberta pela internet e atraem
34
a cada toque mais leitores e, junto, a
turma dos recursos humanos atenta a
quem procura emprego. Todo mundo
quer saber como se é, sem rótulos, e
nas redes sociais há como. “As pessoas se expressam de forma tranquila.
Falam o que querem”, diz David Braga, gerente geral da Dasein Executive Search. Deixam-se à mostra e por
que não dar uma espiada, bisbilhotar
quem está à procura de trabalho?
A janela está aberta. Não que tudo
à vista possa interferir na hora da decisão por este ou aquele candidato, mas
ajuda a somar ou a diminuir. “O santo das contratações é o Google”, lembra David Braga. Ele leva às pessoas
em um simples toque, diminui as distâncias de tempos passados, em que
os recrutadores tinham que ligar para
ex-empregos e obter informações sobre o candidato. Hoje é mais fácil: está
aí na tela do computador, do telefone,
do tablet, a qualquer hora. “São um
VIVER Abril 6 - 2012
O MUNDO NA WEB
apoio, permitem observar o candidato, como é seu comportamento.
Excluem informações passadas antes, por exemplo, por quem trabalhou com ele há cinco, 20 anos. As
pessoas mudam”, afirma Lara Castro, diretora de Associação Brasileira de Recursos Humanos, seção
Minas. Vê com mais clareza, sem
avaliação de terceiros.
O que se lê lá, nas redes sociais,
se soma à conversa no mundo real,
testes psicológicos, dinâmicas. “Às
vezes na entrevista a pessoa não
fica tão espontânea, faz um personagem”, diz Lara Castro. “Elas vão
tão preparadas que ficam encantadoras”, acrescenta David Braga. Aí,
é verificar o que se fala e o que está
escrito, exposto em fotos nas mídias sociais. Buscam mais informações para decidir quem contratar.
“Serve como uma ferramenta, mas
não é o critério final para o processo seletivo”, opina Sandra Marotta
Neves, gerente de recrutamento e
seleção da Prestarh.
Há quem coloque nos currículos as redes sociais de que participa. “Eles disponibilizam as páginas
e as empresas também podem pedir”, informa a diretora Lara Castro.
Se houver recusa? “Quando fica resistente, aí é que desperta a curiosidade. O que está lá? Será que fala
mal do chefe, dos clientes?” Podem
até pedir para o candidato abrir a
sua página e navegar enquanto o
avaliador o observa. A rede social é
pública, lembram os especialistas,
e quem se mostra na janela é que
tem que se cuidar como cidadão,
das fotos que posta, das comunidades de que participa, das discussões: você está sendo visto. Não há
privacidade.
“O candidato a uma vaga de
emprego deve ter total consciência e comprometimento com o
que posta nas redes”, diz Carolina
Stilhano, gerente de comunicaVIVER Abril 6 - 2012
Élcio Paraíso
MAIS DE 50 MÍDIAS SOCIAIS
Quase 1 bilhão de pessoas no Facebook,
mais de 200 milhões no Twitter, acima
de 100 milhões no Linkedin
COMO SE PORTAR NAS REDES SOCIAIS
CURTIR
Fotos de viagens, de festas familiares
Grupos de discussões com temas relacionados à profissão
QDiscrição em comentários que
possam ser polêmicos
QPágina bem cuidada, com atualização
constante das informações
QZelo com português
Q
Q
NÃO CURTIR
Fotos em que se está com sinais de
embriaguez, com roupas de banho,
falta de postura. Tudo que possa
denegrir a sua imagem
QComentários inadequados,
discriminatórios. Falar mal de
empresas, de chefes, colegas de
trabalho
QErros de gramática, português
QComunidades como odeio segundafeira, odeio acordar cedo.
QComentários preconceituosos
Q
QUANTO PESA UM CANDIDATO
Confira o que mais impacta na escolha
do funcionário em pesquisa da Catho
Online, de 2011
QDesempenho nas entrevistas 7,5
QCompetências comportamentais 7,3
QExperiência anterior relacionada ao
cargo 6,7
QFormação acadêmica 6,2
QReputação das empresas que
trabalhou 6,0
QDesempenho nos testes 5,9
QEstabilidade empregatícia 5,6
QDesempenho nas dinâmicas 5,3
QResultados e promoções anteriores 4,5
QAtividades extracurriculares 4,5
QPerfil, comportamento nas redes
sociais 3,1
QTrabalhos voluntários 2,9
QFluência em inglês ou outro idioma 2,5
Fontes: Catho Online, presidente da Associação Brasileira de
Recursos Humanos, seção Minas, Lara Castro, gerente de
recrutamento e seleção, Sandra Marotta Neves, gerente geral
da Dasein Executive Search, David Braga
LARA CASTRO: “Às vezes na entrevista a
pessoa não fica tão espontânea”
ção da Catho Online. É preciso ter
bom senso: não postar fotos com
sinais de embriaguez, vocabulários inadequados, exposição de
intimidade, falar mal do emprego
ou do chefe, se mostrar preconceituoso. “Participar de comunidades como odeio segunda-feira,
odeio acordar cedo podem ser
questões de humor, mas são informações que somam ou diminuem. A imagem é que está sendo
vendida. Vale o quanto parece
ser”, argumenta David Braga. Polir o que se mostra, medir as palavras. “É a sua vitrine.”
Clara e iluminada vitrine, na
visão da turma de recursos humanos, cada dia alargada nas mais
de 50 mídias sociais, segmentadas para uso profissionais ou não.
“Muito irá depender do usuário de
tornar a rede social uma inimiga ou
aliada”, diz Sandra Marotta Neves.
Ter certo embaraço, nestes tempos
virtuais, do que se escreve, porque
está todo mundo de olho em você
no mercado de trabalho.
35
Paulo Paiva
Equilíbrio federativo e gestão fiscal
As reformas fiscais que ocorreram no Brasil nas últimas décadas se basearam em dois pilares: transparência
e equilíbrio orçamentário. Um novo regime fiscal foi
construído da criação da Secretaria do Tesouro à adoção
de regras e indicadores que permitem o acompanhamento de metas, culminando, em 2000, com a promulgação da lei complementar 101, que estabeleceu normas de
finanças públicas voltadas para a responsabilidade fiscal.
Esse novo regime fiscal emergiu com os esforços para
conter a inflação, exigindo maior controle no uso dos
recursos públicos. Nesse difícil processo prevaleceu um
elevado grau de centralismo na gestão fiscal que, de certa
forma, conflita com os princípios federativos estabelecidos na Constituição de 1988. Em um país grande e heterogêneo como o Brasil a relação entre disciplina fiscal e
autonomia federativa requer profundo amadurecimento
político, isonomia de responsabilidades entre os entes
federados e sólidos compromissos comuns.
A capacidade dos estados de
se manterem nos limites da
LRF está se esgotando por
falta de compatibilidade...
A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) estabeleceu
rígidos critérios para estados e municípios no que tange
à gestão de suas receitas, ao grau de endividamento e ao
comprometimento da receita líquida com despesas de
pessoal. Os efeitos positivos da LRF sobre a gestão fiscal
de estados e municípios aparecem não somente nos
resultados, mas com igual importância na mudança no
comportamento dos gestores.
Por que ao longo dos anos a autonomia dos estados
para gerir suas finanças vem diminuindo? De um lado
crescentes parcelas da receita tributária passaram a se
concentrar no governo federal através de criação de contribuições que não são distribuídas a estados e municípios. Ademais, as transferências à União, decorrentes do
acordo da dívida, comprometem até 13% da receita líquida. Como o saldo devedor dessa dívida cresce em média
6% acima da inflação, os poucos anos que ainda restam
36
no contrato de financiamento não serão suficientes para
liquidá-lo. Assim, no final da próxima década em alguns
estados haverá uma dívida impagável.
De outro lado há uma crescente vinculação de despesas em razão da legislação federal. Ainda recentemente
ao sancionar a lei que regulamenta a EM 29, a presidente
vetou dispositivo que escalonaria no tempo o seu cumprimento. Ferindo o princípio da isonomia, ela vetou
também a obrigatoriedade da União aplicar em saúde
um percentual mínimo de sua receita, como estabelecido
para estados e municípios.
Quanto aos gastos com pessoal o Executivo estadual não pode comprometer mais do que 49% da receita
líquida. Todavia, parte considerável da variação dessas
despesas é decidida na esfera federal, como o aumento
do salário mínimo, que este ano chegou a 14%, e a atualização anual do piso salarial dos professores, que é definida por portaria ministerial não levando em consideração
a estrutura de gastos dos estados. Para 2012 o acréscimo
no piso do magistério será de 22% contra uma inflação de
6,5% no ano passado.
Assim, a capacidade dos estados de se manterem
nos limites da LRF está se esgotando por falta de compatibilidade entre as imposições de gastos tomadas em
Brasília e a evolução das receitas tributárias estaduais
que não acompanham o crescimento da carga tributária
total. Não está longe o tempo em que estados estarão
sujeitos à intervenção federal por não cumprirem a LRF;
o tempo em que estados dependerão exclusivamente
de transferências voluntárias da União para exercerem
suas atribuições básicas; o tempo em que Federação
será apenas um sonho sonhado. Para garantir a estabilidade política urge restabelecer a autonomia e a isonomia federativas. Além da transparência e do equilíbrio
orçamentário, a autonomia federativa deve ser outro
pilar do regime fiscal brasileiro. Não considerá-la coloca
em risco tanto o equilíbrio federativo quanto o fiscal.
Paulo Paiva, professor da Fundação Dom Cabral, ex-ministro do Trabalho e
do Planejamento e Orçamento no governo FHC
VIVER Abril 6 - 2012
E M P R E SA
MOBILIÁRIO e
decoração da
Arte e Brilho
Fotos Divulgação
Divina
festa
MÓVEIS E
AMBIENTAÇÃO
feitos por
designer
de interiores
38
Arte e Brilho,
especializada
em locação de
móveis, adornos e
vasilhames, investe
em diversificação e
dobra o faturamento
VIVER Abril 6 - 2012
JANAÍNA OLIVEIRA
A
veia empreendedora surgiu
por acaso. Mas não poderia ter
dado mais certo. Engenheira
por formação, com quase uma década de trabalho como consultora na
área de gestão empresarial – experiência que lhe rendeu dois anos de
estadia nos Estados Unidos, outros
dois em Luxemburgo, seis meses na
Espanha e um na China –, a empresária Sílvia Nogueira Vidal deu uma
guinada na vida em junho de 2009.
Exatamente nesta data, ela assumiu
a Arte e Brilho Festas, no bairro Anchieta, em Belo Horizonte. Largou as
planilhas e foi cuidar de encantar, satisfazer sonhos.
AltaVila, Província e Mix Garden”,
detalha Sílvia, que normalmente
atende ao público A e B.
São batizados, bodas, aniversários, noivados, casamentos, coffee
breaks, brunches, almoços, jantares,
eventos empresariais, casamentos,
festas de 15 anos e confraternizações em família ou empresariais.
Momentos mágicos, enfim. E não é
que desde que Sílvia Vidal assumiu
a Arte e Brilho o negócio prosperou?
De 2009 para cá, o quadro de funcionários subiu de 18 para 21. Um
novo caminhão e nova moto foram
incorporados à frota, que anteriormente contava com três veículos
Pedro Vilela
SÍLVIA
NOGUEIRA:
das planilhas
para as festas
Essa é a proposta da empresa, especializada em locação de
móveis, adornos, toalhas e guardanapos, vasilhame e peças de decoração para quase todos os bolsos,
mas só para um tipo de gosto: o
bom, de qualidade. “Fazemos desde
churrascos com mesas de plásticos
até casamentos chiquérrimos para
400, 500 pessoas, em lugares como
VIVER Abril 6 - 2012
para fazer a entrega ou coleta do
material com a equipe devidamente
treinada – só nas sextas-feiras, são
30 entregas, em média, fora o que o
freguês busca na porta. Um segundo galpão, no bairro Floresta, também foi alugado para comportar os
novos mobiliários.
“Investimos muito para diversificar o portfólio. Além disso, contra-
tamos uma designer de interiores,
que não só cuida dos projetos de ambientação das festas como também
desenha móveis. Os desenhos viram
mesas e cadeiras dobráveis, tudo bonito e prático para transportar e armazenar”, diz ela, que aposta na
praticidade sem abrir mão da elegância. “Para que o cliente tenha tranquilidade, cuidamos da entrega, da
busca e da limpeza de todo material.”
A equipe, que conhece a fundo o mercado de festas, ainda indica os melhores profissionais para realizar cada
detalhe do evento, seja bufê, iluminação, ornamentação, DJ ou barman.
É certo que a ex-consultora só
virou dona de loja porque queria
ficar mais tempo perto do marido e
do filho, de 9 meses. E a oportunidade chegou de maneira bem despretensiosa, inusitada até, em uma
barraca de praia. “Já tinha olhado
várias empresas, de segmentos diversos. Mas nada me brilhava os
olhos. Até que fiquei sabendo, por
meio de amigos, que o casal proprietário da Arte e Brilho estava de
mudança para Vitória. Foi paixão
à primeira vista”, conta. O negócio
caiu como uma luva. Sílvia sempre
preferiu um estofado a uma roupa
nova, uma louça a um par de sapatos recém-saído da caixa.
Com tanta vontade, talento,
dedicação, atendimento primoroso, gosto apurado e ótima relação custo-benefício, o resultado foi
que a carteira de clientes cresceu
e o faturamento chegou a dobrar.
“Superamos as expectativas e as
perspectivas são ainda melhores
para 2012”, confidencia Sílvia, para
quem o lema é crescer, mas sempre encantando. “Nosso objetivo é
tornar a Arte e Brilho referência no
mercado. Quando falar em festa, o
mineiro certamente se lembrará da
gente”, acredita.
39
Entrevista
Edison Lobão
Ministro de Minas e Energia, que chegou a ser cogitado como líder do
governo no Senado para acalmar a base aliada, diz que as derrotas
sofridas pela presidente Dilma “não são nenhuma desgraça”
Aliado
nas crises
SUELI COTTA
As frequentes derrotas sofridas pela
presidente Dilma Rousseff no Congresso
acendeu a luz vermelha no Palácio do
Planalto e deixa os principais interlocutores
do governo em alerta. Um dos nomes
frequentemente lembrado para socorrer o
governo é o do ministro de Minas e Energia,
Edison Lobão (PMDB). O senador licenciado
e ex-governador do Maranhão chegou a ser
cogitado como líder do governo no Senado
para acalmar os ânimos da base aliada,
em especial do PMDB, mas Lobão acabou
sendo mantido no cargo. De olho no que
acontece no Congresso, nas demandas do
empresariado e dos problemas no setor
energético, Lobão é hoje um dos ministros
que começaram na chamada era Lula
e têm sobrevivido às crises e denúncias
de corrupção no governo. A presidente,
segundo ele, é firme, tem vocação política, e
consegue contornar esses sobressaltos e esse
comportamento da base, segundo ele, não
é o normal. As derrotas sofridas por ela “não
são nenhuma desgraça”.
A presidente Dilma foi derrotada
no Senado e no Congresso houve
demonstrações de insatisfação em
relação ao governo. O PMDB e os partidos
aliados têm razão ao reclamar?
Essa insatisfação foi pontual e não
significa o normal do comportamento
da base política da presidente
40
Fábio Rodrigues-Pozzebom/ABr
VIVER Abril 6 - 2012
Dilma Rousseff. Os partidos têm
se comportado muito bem com o
governo. Em quase todas as matérias
tem sido assim. No caso da rejeição
de Bernardo Figueiredo para a
Agência Nacional de Transportes
Terrestres foi um episódio em que o
candidato recebia restrições de várias
origens e isso pode ter motivado
essa posição dos parlamentares de
todos os partidos, não só do PMDB.
Eu não atribuo a um sentimento
oposicionista, muito pelo contrário, o
governo continua tendo a sua sólida
base parlamentar.
O governo enfrenta problemas para
atender a demandas dos parlamentares,
liberação das emendas, ou até para
recebê-los em audiência?
As dificuldades que possam
eventualmente ter hoje são as
mesmas que sempre existiram.
Recorde-se que no governo Lula, por
exemplo, na votação da principal
matéria submetida ao Congresso,
a renovação da CPMF, ele foi
amplamente vitorioso na Câmara
e derrotado no Senado. Deixou de
arrecadar por ano cerca de 40 bilhões
de reais. Quero com isto dizer que
incidentes ocorrem em todos
os governos.
Em ano eleitoral eles acontecem com
frequência maior?
Talvez realmente ocorra em
anos eleitorais. Eu não tenho um
levantamento a respeito disso, mas é
provável que seja assim.
O presidente nacional do PMDB, Valdir
Raupp, endureceu as críticas em relação
ao avanço do PT no governo. O senhor
concorda que o partido se esforça para
ter um espaço maior?
O PT tem um espaço maior no
governo. Ele fez o presidente da
República e tem a maioria dos
ministérios, não digo a maioria,
mas tem 12 ministérios além de
outros órgãos importantes nessa
administração. Isso é natural. As
queixas não são apenas do PMDB,
VIVER Abril 6 - 2012
os demais partidos que compõem
a aliança também reclamam desse
avanço. Mas ao longo do tempo
o governo, que tem apenas um
ano de exercício, irá reajustar
e rearrumar essas questões. O
fato que aconteceu no Senado (a
derrota da presidente Dilma) não é
nenhuma desgraça que possa pôr
em confronto a base aliada com o
próprio governo.
Entrevista
Edison
Lobão
Foi o sinal de que o governo precisa
mudar o relacionamento com a base?
É um sinal de alguma insatisfação,
mas isso se corrige prontamente. A
presidente da República tem vocação
política. Ela sabe lidar também com
os políticos e com facilidade e rapidez
ela corrigirá tudo isto.
Qual a diferença do ex-presidente Lula
e da Dilma em relação a essas questões?
Há sempre diferenças entre um
governo e outro, quaisquer que
eles sejam. O presidente Lula foi a
vida inteira um político, desde que
ele se lançou na vida pública como
candidato pela primeira vez e até
antes de ser candidato ele já o era
porque tinha vocação. Ele tem seus
métodos, habilidade para lidar com a
política. A presidente Dilma nunca foi
candidata antes, mas ela lidava com
os políticos também.
O senhor teve problema em Brasília com
um blecaute, que pegou a população
de surpresa e esses apagões vêm
ocorrendo em outros lugares como em
Belo Horizonte. Existe o risco de novo
apagão, de faltar energia elétrica?
Houve uma interrupção temporária
de energia em Brasília. Não foi a
primeira e não será a última e esses
episódios ocorrem em todas as
partes do mundo. Nós temos que
conviver com eles. Posso garantir
que eles não acontecem no Brasil
em grau mais elevado do que nos
demais países desenvolvidos. Não
posso dizer que jamais haverá um
episódio semelhante, haverá sim,
mas estão dentro das estatísticas.
“O fato que ocorreu no
Senado (a derrota da
presidente Dilma) não
é nenhuma desgraça
que possa pôr em
confronto a base
aliada com o
próprio governo”
Fotos Tião Mourão
41
Entrevista
Edison
Lobão
“Nós temos energia
sobrando hoje
no Brasil e temos
condições
de acudir
a todas as
necessidades
prontamente”
Fotos Tião Mourão
42
O Brasil está em processo de
crescimento, vai receber grandes
eventos como a Copa do Mundo de
2014. A estrutura atual comporta isto?
Não há expansão econômica sem
o fornecimento farto de energia
elétrica. Nós temos energia sobrando
hoje no Brasil e temos condições
de acudir a todas as necessidades
prontamente. Não há, portanto,
nenhuma preocupação por parte
do povo brasileiro em matéria
de fornecimento de energia e à
medida que o consumo cresce, nós
também aumentamos a produção.
Nosso planejamento contempla a
necessidade de dobrar a produção,
o estoque de energia elétrica nos
próximos 10 anos. O que fizemos ao
longo de 150 anos teremos que repetir
em apenas 10 e estamos preparados.
Nosso planejamento estabeleceu as
linhas mestras para a solução desse
problema. Não tenha dúvida de
que nós atenderemos, com presteza,
a todas as necessidades de novos
consumos.
Além da usina de Belo Monte, que outras
alternativas há para atender a essa
demanda e como a iniciativa privada
tem participado desse processo?
Temos centenas de hidrelétricas
grandes e pequenas sendo
construídas neste momento. Belo
Monte é apenas a maior delas. Temos
Jirau, Estreito... e estarão prontas para
entrar em funcionamento dentro de
muito pouco tempo. O planejamento
que temos prevê exatamente a
construção de todas as hidrelétricas
e termoelétricas, além das eólicas,
energia provida da biomassa, solar.
Em qual tecnologia o governo deve
investir mais nos próximos anos?
Nós investimos fortemente na energia
eólica. Ela era muito cara e tornouse barata com o desenvolvimento
de tecnologia dos aerogeradores.
Temos ainda a biomassa, que se
expressa mais fortemente com o
aproveitamento do bagaço da canade-açúcar. As térmicas a gás, que são
as mais baratas e pouco poluentes.
Temos a energia nuclear, que
também é firme e limpa.
E quanto o governo pretende investir?
Vamos investir cerca de 80 bilhões
de reais nos próximos cinco anos, o
próprio governo participa dos leilões
e a iniciativa privada em caráter até
majoritário. Nós entramos como
reguladores do processo. O fato é que
construiu-se um modelo energético
no Brasil, que está sendo posto em
prática e que é da melhor qualidade,
considerado até por entidades
especializadas no exterior.
Para este ano, com qual orçamento o
senhor trabalha e quais áreas prioriza?
Em energia elétrica estamos
investindo neste ano, iniciativa
privada e governo, cerca de 15 bilhões
de reais. Em matéria de energia,
petróleo e minério, nos próximos 10
anos, 1 trilhão de reais.
O senhor acha que com essa questão
do pré-sal, discutida no Congresso, os
recursos devem ficar concentrados
no Rio de Janeiro, Espírito Santo e São
Paulo, como querem esses estados?
O que se discute é a distribuição
dos royalties oriundos do petróleo.
No momento, esses royalties têm
sido distribuídos basicamente
para esses três estados, que são os
confrontantes com as plataformas
produtoras de petróleo em alto mar.
Mas a Constituição estabelece que
os recursos do mar, hídricos e do
subsolo pertencem à União. Então, o
que se discute hoje no Congresso é a
elaboração de nova lei, que também
possibilite a distribuição dos recursos
com todos os estados.
Essa é a posição do governo federal?
Nós vamos examinar o que for
aprovado em caráter final pelo
Congresso. A presidente da
República, como se trata de legislação
ordinária, tem a prerrogativa de
vetar ou sancionar. Não veta emenda
constitucional, mas pode vetar leis
VIVER Abril 6 - 2012
BRASÍLIA EM QUATRO TEMPOS
DE CONFORTO E SATISFAÇÃO
Estilo, elegância e requinte são palavras que
descrevem o Kubitschek Plaza, o hotel referência
da capital federal, que tem a excelência de seus
serviços como marca registrada.
[email protected]
Conforto, decoração moderna e atendimento
ágil descrevem perfeitamente o Manhattan
Plaza, ideal para atender ao cliente que vem a
Brasília para negócios, eventos ou lazer.
[email protected]
Localização e conforto tornam o St. Paul
Plaza uma excelente opção para quem
procura um hotel da categoria econômica.
[email protected]
Projetado por Oscar Niemeyer, o hotel foi a primeira
grande obra inaugurada por Juscelino Kubitschek na
capital federal. Hospedar-se no Brasília Palace Hotel
é vivenciar a harmonia entre o passado e o presente.
[email protected]
*LU[YHSKLYLZLY]HZ! ‹^^^WSHaHIYHZPSPHJVTIY
Entrevista
Edison
Lobão
ordinárias. Nós faremos um estudo
daquilo que for em caráter final
aprovado pelo Poder Legislativo e
proporemos, no âmbito do ministério,
soluções para a presidente.
O desabastecimento em São Paulo
devido à greve dos distribuidores de
combustível e em Minas houve tentativa
de paralisação, essa situação preocupa
o governo federal?
O governo na questão da greve
acompanhou com preocupação,
principalmente com o abastecimento
dos aeroportos de São Paulo, que
foram abastecidos com ajuda da
polícia. Estamos examinando sobre
o que fazer para a hipótese de
acontecimentos futuros. Esperamos
que eles não ocorram, mas, se vierem,
teremos plano de contingência.
“A crise externa, que
poderá nos afetar, será
aquela que mobilize
os interesses da China,
que mais importa
minério do Brasil”
Fotos Tião Mourão
44
Isso não mostra que o governo está
refém de infraestrutura frágil com essa
dependência do transporte rodoviário?
A questão do transporte é interna,
da cidade. O que ocorreu é que o
produto chega à capital de São Paulo
distribuído em cada um dos postos
em virtude da greve dos motoristas e
isso não é solução de infraestrutura.
Nós não podemos estabelecer um
oleoduto ou um gasoduto direto das
centrais de abastecimento para os
postos de combustível, em cada rua.
Isso é impossível. Nós temos que
contar é com uma legislação que
possibilite à Justiça decidir, em tais
casos, a favor do interesse popular.
O setor de minérios tem sido dos mais
afetados com a crise internacional.
Que medidas o governo adota para
minimizar essas perdas?
O preço do minério, sobretudo
o de ferro, que é o que nós mais
exportamos, cresceu muito nos
últimos anos. A crise externa, que
poderá nos afetar, será aquela que
mobilize os interesses da China,
que é outro dos que mais importa
minério do Brasil. A Europa também
importa. Nós exportamos nosso
minério diretamente de São Luiz, do
Maranhão, para o porto de Roterdã,
que o redistribui por toda a Europa,
mas até o momento não fomos
gravemente afetados.
A previsão de crescimento menor
da China neste ano afeta diretamente
as mineradoras,
Veja bem, em 2008, quando houve
uma grande crise mundial da
economia, a China não precisava do
minério, mas estava importando,
acumulava, estocava e até ganhou
dinheiro com isso. Imagino que,
com as dificuldades de hoje, não são
da China e sim da Europa, ela possa
proceder do mesmo modo.
O senhor acha que a crise não vai
afetar o Brasil?
Não vai nos afetar tão gravemente.
Minas produz 45% de todo o minério
brasileiro e as exportações do estado
vão provavelmente além de 50% de
toda exportação brasileira. Chegamos
a mais de 20 bilhões de dólares de
exportações em 2011. O governo
federal investe fortemente em Minas
e somente no setor de petróleo e gás
até 2014,o nosso investimento é de 2
bilhões de reais. Temos programação
que vai a 4 bilhões de reais , com
construção de uma grande fábrica de
fertilizantes em Uberaba, que será um
grande avanço para o Brasil, porque
nós importamos hoje cerca de 60%
do que usamos na agricultura e esta
indústria vai nos desafogar bastante,
quando ela estiver produzindo.
E o gasoduto naquela região.
O gasoduto terá que vir de outro
estado, provavelmente de São Paulo.
Essa é uma questão que está sendo
analisada pela Petrobras.
O fato de o governador Antonio
Anastasia ser do PSDB pesa
nessa decisão?
Absolutamente. Ele foi eleito
pelo povo e o governo federal
atua com todos os estados,
sem olhar a procedência
partidária de nenhum deles
VIVER Abril 6 - 2012
Fotos: Pedro Vilela
C I DA D E
HERMES EVARISTO DOS
REIS: “A verticalização
pode comprometer
as estruturas”
Moradores do São
Bento questionam
construção de
edifícios no bairro;
empresas alegam
que obras são em
bairro vizinho
Prédios da
discórdia
FERNANDO TORRES
E
m tempos de contestação sobre verticalização em Belo Horizonte, as vozes dos moradores
do bairro São Bento, na região Centro-Sul, também começam a fazer
barulho. A causa da polêmica é a construção de quatro edifícios na rua Abel
Araújo e um na Ivon Magalhães. Com
o regulamento do loteador em mãos, a
vizinhança afirma que os prédios são
ilegais, pois a região foi planejada para
casas térreas e sobrados. As construtoras, por sua vez, admitem a afirmação,
46
mas alegam que os lotes dos empreendimentos se localizam no bairro vizinho, o Santa Lúcia, e, portanto, estão
dentro da lei.
Para as mais de 400 famílias habitantes do São Bento 3, a questão vai
além da verticalização e dos transtornos que ela pode trazer. “A raiz do
problema é o desrespeito às normas
do loteamanto, averbadas pela prefeitura no início da década de 1970.
Nosso objetivo é o cumprimento do
contrato”, afirma o presidente da As-
sociação de Moradores da Parte 3ª do
São Bento e Adjacências, o arquiteto
Mário Wiliam, que mora no bairro há
quatro anos.
Os advogados do órgão, criado em
2011, entraram na Justiça para o embargo de duas obras na rua Abel Araújo. O juiz deferiu o pedido em ambas
as ações, mas os responsáveis por um
dos empreendimentos, o Condomínio
Cedro, obtiveram efeito suspensivo.
O edifício em pauta tem sete andares
e está em nome de Marcelo Borges
VIVER Abril 6 - 2012
Horta. “A vizinhança acredita que o
proprietário agiu de má-fé, pois, ao adquirir os lotes, afirmou que iria construir uma casa”, diz Wiliam.
Segundo o advogado do empreendimento, João Antônio de Lima
Castro, Horta não é mais o dono. “Ele
decidiu interromper o projeto e vendeu a área a novos proprietários que
optaram por erguer o prédio. A ação
está vinculada a Horta porque a obra
ainda não foi concluída”, explica. A
localização do imóvel, segundo ele,
é perfeitamente legal, embora os advogados da Associação de Moradores possuam um mapa que identifica
a rua como parte do São Bento 3. “Eu
tenho um mapa oficial da prefeitura
que demonstra que a região pertence ao bairro Santa Lúcia. O limite são
dois ou três lotes posteriores”, rebate
Lima Castro.
A construtora La Mar Engenharia
responde pelo Residencial Manata,
edifício de 16 pavimentos na rua Abel
Araújo, que teve as obras embargadas por liminar na Justiça em janeiro.
A empresa já obteve liberação no tribunal para operações de contenção e
utiliza o mesmo argumento. “O prédio está no Santa Lúcia, não no São
Bento. Além disso, foi aprovado dentro das normas legais e atende aos requisitos das leis de ocupação do solo
de Belo Horizonte”, diz o advogado
do empreendimento, Júlio de Carvalho Lima. Ele também questiona a validade e a eficácia do regulamento. “O
laudo técnico demonstra que as normas estabelecidas pela empresa loteadora deixaram de ser respeitadas. As
próprias casas dos associados, em sua
grande maioria, têm mais de dois pavimentos e não observam o recuo mínimo da construção”, contrapõe.
Não é o que diz a aposentada
Darcy Ferreira Almeida, moradora da
rua Abel Araujo, há poucos metros do
Condomínio Cedro. Ela teve a construção de sua casa embargada, porque a altura da caixa-d’água excedia
VIVER Abril 6 - 2012
DARCY ALMEIDA: “Sou obrigada a conviver com um prédio ao lado da minha casa”
os cinco metros do alinhamento da
rua previstos no regulamento. “Tive
que refazer o projeto por causa de centímetros, mas sou obrigada a conviver com um prédio ao lado da minha
casa. Parece que o poder das construtoras é absoluto. É revoltante”, desabafa. Darcy diz ter escolhido morar no
São Bento justamente por ser um bairro só de casas. “Tive oportunidade de
adquirir lote no Santa Lúcia, mas não
comprei por que lá não há essa restrição”, recorda.
Outro morador descontente é o
engenheiro civil Hermes Evaristo dos
BREVE HISTÓRICO
Bairro residencial
Fundado nos anos 1970, o bairro
São Bento foi impulsionado pela
criação da avenida Raja Gabaglia
e o povoamento de Belo Horizonte
para além dos limites da avenida do
Contorno. A empresa Pampulha S/A,
detentora dos lotes, estabeleceu
o regulamento de construções em
4 de abril de 1973, proibindo não
apenas a edificação de prédios, mas
também a instalação de indústrias,
comércios, colégios, hospitais,
clínicas, templos, cinemas, teatros,
hotéis ou pensões. O objetivo era
constituir um bairro residencial
verdadeiramente construído dento
de moderna concepção urbanística,
com toda preocupação de conforto,
beleza e harmonia”
Reis. Além das questões de contrato,
ele teme que o adensamento prejudique a topografia do terreno. “O projeto
do bairro adaptou as ruas e quarteirões às condições geológicas locais
para evitar escorregamento do solo,
que se constitui basicamente de filito, uma rocha laminar muito frágil. A
verticalização pode comprometer as
estruturas, semelhante ao que aconteceu no bairro Buritis”, prevê. Outro
problema apontado é o aumento do
tráfego de veículos, que já é intenso,
devido ao bairro ter se tornado área de
estacionamento de quem trabalha na
avenida Raja Gabaglia e imediações.
A insatisfação é tanta que as famílias do São Bento preveem até uma
ação demolitória para os prédios já
concluídos – um deles, inclusive, já
tem moradores. “Não se trata de elitismo. As famílias que se mudaram
para lá buscavam um bairro unifamiliar, direito que está resguardado em
contrato. A prefeitura de Belo Horizonte precisa zelar por isso”, frisa o
tesoureiro da Associação de Moradores, o empresário Claúdio Manoel Frade. Caso a demolição não seja
aprovada, a ideia é que as construtoras revertam a indenização em ação
compensatória para o bairro, a exemplo da preservação da área verde e da
reserva ambiental. “Tenho medo de
que as construtoras queiram adquirir
os lotes ainda vagos e erguer edifícios
lá”, preocupa-se Frade.
47
ES PEC IAL
CA PA
O TEMPO GASTO
DO CENTRO DE BELO
HORIZONTE ATÉ O
AEROPORTO DE
CONFINS AUMENTOU
CERCA DE 50%
EM TRÊS ANOS, É O
QUE REVELA O TESTE
REALIZADO PELA
REPORTAGEM DA
VIVER BRASIL
DUAS
VIAGENS
TEREZINHA MOREIRA
U
ma coisa é certa: quem compra
passagem aérea com embarque
pelo Aeroporto Internacional
Tancredo Neves, Região Metropolitana de Belo Horizonte, faz duas viagens.
Uma de avião, propriamente dita, e a
outra, bem mais cansativa, do trajeto
até o aeroporto. A cada ano é evidente
o maior tempo gasto para se chegar até
Confins, seja em carro próprio, táxi ou
ônibus. A reportagem da Viver Brasil
fez o teste, cronometrou o tempo gasto
por três rotas diferentes: avenida Cristiano Machado, Antônio Carlos e Anel
48
Rodoviário (confira infografia nas páginas seguintes). O menor tempo, 51
minutos, foi 50% acima do registrado
em fevereiro de 2009, dois meses após
a inauguração da Linha Verde, quando
a reportagem cronometrou 34 minutos da praça Sete e seguindo pela Cristiano Machado.
Três anos depois, são vários os
motivos para essa perda de tempo.
Um deles é o aumento significativo da
frota de veículos de Belo Horizonte,
que foi ampliada em 93,8% nos últimos 10 anos, passando de 744.202 car-
r o s
em 2003
para 1.442.566 até
janeiro deste ano, segundo o Denatran. Some-se a isso a elevação da
quantidade de usuários do aeroporto
de Confins. De acordo com a Infraero,
em 2009 passaram 5.617.171 passageiros pelo local. Em apenas dois anos
este número saltou para 9.359.033, registrando aumento de 66,5% em função da queda dos preços das passagens
aéreas que fez com que muita gente
trocasse o ônibus pelo avião nas viaVIVER Abril 6 - 2012
Arte Paulo Werner
gens de lazer.
Esse é apenas um dos lados da
moeda. O outro é que as obras de infraestrutura, principalmente nas vias
de acesso à Linha Verde, não acompanharam o ritmo de crescimento da demanda pelo aeroporto de Confins,
nem pelo vetor norte de uma forma
geral, que nos últimos anos tornou-se
a menina dos olhos do governo do estado. A construção da Cidade AdmiVIVER Abril 6 - 2012
nistrativa fez com que
aumentasse muito o
tráfego nas vias de
acesso à sede do governo. Somente o
funcionalismo ultrapassa 20 mil pessoas, sem contar os
cidadãos que precisam se dirigir
diariamente ao local. O fato é que
não há no horizonte de curto prazo solução para
melhorar o trânsito
nas vias de acesso à
Linha Verde.
Cansado das viagens até Confins, o diretor-presidente da Web
Consult, Leonardo Bortoletto, adotou nova rotina.
“Escolho voos em horários diferenciados justamente pela dificuldade do acesso ao aeroporto.
Também passei a priorizar viagens
pelas companhias aéreas que me oferecem o mobile check-in porque isso
diminui as chances de perder o voo
caso haja problema no trânsito.” Bortoletto diz que passou a viajar nos voos
que decolam 8 da manhã para fugir do
trânsito pesado do Anel Rodoviário.
Ele sempre sai de casa duas horas antes
do horário da partida e, mesmo assim,
chega ao aeroporto cerca de 40 minutos do horário da decolagem.
A estratégia de voos matutinos
também foi adotada pelo presidente
da Unimed BH Helton Freitas, que viaja semanalmente a São Paulo. Mesmo
assim, ele diz que o trajeto do bairro
Anchieta até Confins nunca dura menos de uma hora. “Quando vou nos horários de pico, gasto muito mais tempo
até Confins do que no voo a São Paulo”, contabiliza. Para Freitas, o trânsito
ruim significa falta de planejamento
urbano. Ele julga fundamental novas
formas de acesso mais rápidas ao aeroporto. “É evidente o estrangulamento
da infraestrutura de BH. A Linha Verde
já está saturada nos horários de pico e a
única forma de acesso a Confins é rodoviária”, critica, lembrando que o estacionamento no aeroporto também já
não consegue atender a toda a demanda. “Por tudo isto, ainda não consegui
entender por que não se tem metrô de
superfície para Confins”, desabafa Leonardo Bortoletto.
Já para Renato Guimarães Ribeiro,
doutorando em Engenharia de Transporte e professor do Cefet, é melhor
que os investimentos no transporte
sobre trilhos sejam direcionados primeiro para a região da Savassi, passando pelo centro da cidade, porque a
demanda por estas áreas é maior do
que para o vetor norte. “Além disso,
metrô para Confins ficaria muito mais
caro porque não há nenhuma infraestrutura para lá. O metrô na Savassi/
centro atrairia pessoas que trafegam
de carro pela Cristiano Machado, o
que melhoraria o trânsito por lá e desafogaria um pouco o trajeto para o
aeroporto”, analisa. No entanto, o
professor do Cefet reconhece que o
metrô demanda investimentos altíssimos e que o Bus Rapid Transit (BRT),
por enquanto, aliviaria um pouco o
trânsito, se conseguir atrair motoristas
para o transporte público.
E é justamente essa a proposta
49
A Viver Brasil foi ao aeroporto
de Confins por três trajetos
em dias e horários diferentes.
Confira o que a reportagem
encontrou nos caminhos
E S P E C IA L
CAPA
CONFINS
Movimentação de passageiros
Terça-feira, 20/3
via Cristiano Machado
O18h08: saída da Cristiano Machado.
Trânsito flui bem no túnel e mais lento na
saída Viaduto da Silviano Brandão com Jacuí.
Velocidade máxima de 15 km/h
Foram gastos 6 minutos em um trecho que
poderia ser feito em 1 minuto. As quatro
faixas lotadas de veículos
Ano
Quantidade
2009
2010
2011
5.617.171
7.261.064
9.359.033
+ 66,5%
Fonte: Infraero
VEÍCULOS
Evolução da frota de BH nos últimos 10 anos*
Ano
Frota
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
744.202
783.529
817.168
860.440
930.537
1.026.999
1.127.040
1.230.370
1.341.648
1.442.566
Aumento de 93,8% de 2003 a 2012
*Os dados referem-se a janeiro de cada ano
O18h15: entrada no bairro Cidade Nova. Obras
no canteiro central deixam o trânsito ainda mais
lento, com velocidade máxima de 15 km/h em
uma pista de 60 km/h
Gastamos 17 minutos para percorrer 5 km, do
túnel da Cristiano Machado ao Minas Shopping.
Após o shopping: trânsito melhor. Foi possível,
por alguns segundos, andar a 60 km/h
Bairro 1º de Maio: trânsito muito lento,
com média de 10 km/h até o viaduto Paulo
Mendes Campos. Por incrível que pareça,
a pista da direita estava mais rápida
Com velocidade de 70 km/h no Floramar
foi possível seguir a 40 km/h. Isso pode ser
considerado trânsito muito bom
O18h48: fim da Cristiano Machado.
Percorremos os 12 km da avenida em 40 minutos.
Início da Linha Verde: em direção a Confins,
trânsito maravilhoso. No lado oposto, da Cidade
Administrativa até a Cristiano Machado, um caos.
Durante toda a avenida, muitos caminhões e
centenas de motoqueiros se aventurando por
entre os veículos
O19h04: chegada à ala de embarque do
aeroporto de Confins
Resumo do trajeto: 56 minutos gastos para
percorrer os 38,5 km do início da Cristiano
Machado até Confins
O19h15: Saída de Confins. Enfrentamos
trânsito muito ruim a partir da Cidade
Administrativa, chegando a gastar
20 minutos para percorrer 3 km
O20h07: fim da Cristiano Machado
Resumo do trajeto: 38,5 km em 52 minutos
Fonte: Denatran
50
VIVER Abril 6 - 2012
Quarta-feira, 21/3/2012
via Antônio Carlos
O8h54: chegada a Confins
O8h04: saída da Antônio Carlos.
Resumo do trajeto: 39 km percorridos
em 51 minutos
Trânsito bom. Direção bairro/centro:
trânsito muito lento
O8h55: saída de Confins, com
O8h17: fim da Antônio Carlos
e início da Pedro 1º. Os 8,1 km da
Antônio Carlos foram percorridos em
13 minutos na velocidade máxima
da pista, de 60 km/h. Enfrentamos
trânsito ruim nas proximidades da
Vila Olímpica, com velocidade máxima
média de 10 km/h e muitas paradas ao
longo de 1 km
O8h30: início da Linha Verde,
com trânsito excelente nos dois
sentidos, apesar de alguns
caminhões na pista central
trânsito excelente na Linha Verde.
No lado oposto, trânsito muito lento
próximo à entrada para Vespasiano
O9h11: chegada à Cidade
Administrativa
O9h17: início da Pedro 1º. Trânsito
bom, com possibilidade de se fazer
60 km/h, velocidade máxima da pista
O9h23: Antônio Carlos, com trânsito
lento após a lagoa da Pampulha, em
função das obras nas laterais e na pista
central da avenida, com 20 km/h
Av. Cristiano Machado
O9h29: campus da UFMG.
Velocidade máxima: 40 km/h
em pista de 60 km/h.
Nas proximidades do viaduto
Moçambique trânsito muito lento por
causa de uma carreta carregada de
refrigerante que teve problemas e
ficou parada no meio da avenida
O9h38: trânsito muito ruim nas
proximidades do Centro de Formação
Profissional Renê Gianetti, do Sesi, com
velocidade máxima de 10 km/h
O9h41: trânsito parado próximo ao
viaduto da Lagoinha por causa de um
carro que estragou na pista
O9h47: fim da Antônio Carlos
Resumo do trajeto: 39 km
percorridos em 57 minutos
Anel Rodoviário e av. Antônio Carlos
Av. Antônio Carlos
Sexta-feira, 23/3/2012
via Anel Rodoviário
e Antônio Carlos
12h23: saída do Anel Rodoviário,
km. Durante a avenida, conseguimos
velocidade média de 50 km/h.
Trânsito bom
13h11: entramos na Linha Verde.
no bairro Olhos d’água, com bom
desenvolvimento de velocidade
Trânsito muito bom, fluindo bem nos
dois sentidos
12h37: chegamos nas proximidades
13h30: chegamos a Confins
Resumo do trajeto: os 56 km foram
percorridos em 1h7
do Shopping Del Rey, onde o trânsito
estava superlento e era impossível
passar dos 15 km/h. Vendedores
ambulantes aproveitavam as paradas
dos veículos para garantir uma
graninha com a venda de guloseimas,
como pipoca doce, amendoim torrado
e goiabas
12h57: fim do Anel. Entramos na
avenida Antônio Carlos. Foram gastos
34 minutos para percorrermos 18,8
VIVER Abril 6 - 2012
14h31: saída de Confins, com
trânsito muito bom na Linha Verde
14h45: chegamos à Cidade
Administrativa. Trânsito mais lento
14h49: entramos na Pedro 1º,
que estava com trânsito
fluindo bem
14h55: início da Antônio Carlos, onde
a velocidade média foi de 45 km/h
15h15: entramos no Anel Rodoviário,
onde o trânsito fluiu bem até a entrada
do Alípio de Melo, onde foi possível
fazer, no máximo, 50 km/h
15h23: na altura da via expressa
começou um longo congestionamento
15h39: nos aproximamos do acesso
à avenida Amazonas, onde a situação
estava crítica. Gastamos 16 minutos
para percorrer 1,7 km
15h44: chegamos ao bairro
Olhos d’água
Resumo do trajeto: os 56 km
foram percorridos em 1h03
51
E S P E C IA L
CAPA
da BHTrans, principalmente nas avenidas Cristiano Machado e Antônio
Carlos, com a implantação do BRT,
cujas obras estão sendo executadas
nas duas vias, o que também contribui
para a lentidão do trânsito. Para além
do BRT, segundo o diretor de Planejamento da empresa de trânsito da capital, Celio Freitas, outras obras na
Cristiano Machado em pontos críticos
prometem agilizar o tráfego na avenida. “O cruzamento da rua Jacuí com a
Cristiano Machado, que é um gargalo,
será eliminado. E, juntamente com
isso, melhoraremos a circulação naquelas imediações, inclusive após o
Minas Shopping”, diz. Também haverá ligação da avenida dos Andradas à
José Cândido da Silveira e Cristiano
Machado. A previsão é de que essas
obras comecem este ano e sejam finalizadas no primeiro trimestre de 2013.
Enquanto as obras não vêm, as
pessoas que trafegam pela Cristiano
Machado continuam precisando de
sorte para enfrentar um trânsito cada
vez mais complicado. No fim da avenida, onde está sendo construído um
shopping, próximo da estação Vilarinho, há estreitamento de pista. “Isto
reduz em 1/3 a capacidade de fluidez
da via. Há afunilamentos na Cristiano
Machado que prejudicam o trânsito e
dificultam fazer o percurso do centro a
Confins em menos de uma hora”, diz
Renato Ribeiro. Para ele, quando isto
ocorre, a pessoa está em um dia de sorte. Segundo Celio Freitas, as imediações da Vilarinho são consideradas
como um gargalo também e para resolvê-lo o viaduto da Pedro I será duplicado e há projeto para a construção
de trincheira na Cristiano Machado.
“Com estas ações queremos dar velocidade ao trânsito e, com o BRT, também eliminaremos muitas linhas de
ônibus no centro, principalmente as
metropolitanas.”
Com todas as variáveis apresentadas até aqui seria possível prever um
tempo bem próximo da realidade para
52
se chegar até Confins? “Impossível”,
afirma Márcio Aguiar, engenheiro civil
especialista em transporte e professor
da Fumec. “Essa imprevisibilidade
ocorre porque o nosso sistema de macroacessibilidade é ruim. Há muito
discurso de que as coisas vão melhorar, mas nada é feito. BH está ficando
inviável quando se trata de trânsito”,
critica. Em sua opinião, apesar do alto
investimento, há necessidade de se
criar rotas de fuga na cidade.
É o que espera a advogada paulista
Carolina Cintra, que vem a Belo Horizonte uma vez por mês e sempre tem
problema para chegar a Confins.
“Nunca gasto menos de uma hora.”
Ela diz que o trânsito da capital mineira é mais desorganizado do que o de
São Paulo. “As pessoas daqui ainda
não estão acostumadas a trânsito sempre congestionado como em São Paulo e por isso ainda fecham cruzamentos,
não dão passagem, o que complica
ainda mais a situação.”
Situação recorrente enfrentada
pelo executivo Cesar Cavalcante. Até
por isso ele toma precauções sempre
que precisa viajar. Uma delas é marcar
os horários das partidas dos voos em
função de seus compromissos. “Em
Pedro Vilela
HELTON FREITAS: falta planejamento
uma metrópole é preciso saber que poderá haver retenção no tráfego.
No geral, sempre pego trânsito bom e gasto, em média, 50
minutos do bairro Lourdes a
Confins”, diz o executivo que viaja
pelo menos uma vez por semana.
Obras
O doutor em engenharia
de transportes e diretor da
Impraff Consultoria e Projetos de Engenharia, Frederico Rodrigues, afirma
que duas das principais
vias de acesso ao aeroporto, avenidas Cristiano
Machado e Antônio Carlos, passam por obras e
são eixos estruturantes da
capital mineira, que levam ao
vetor norte, onde a cidade mais se
desenvolve. Isso aumenta significativamente a demanda por transportes
para a região, onde também existe forte adensamento populacional. “E ainda há o fato de a porção norte do
município ser muito segregada por
barreiras físicas: o aeroporto da Pampulha, a lagoa e o zoológico. São
Victor Schwaner
CESAR CAVALCANTE: viagem toda semana
VIVER Abril 6 - 2012
Belo Horizonte . (31) 2102-8600 – Anel Rod. Celso Mello Azevedo, 14.815 – Engenho Nogueira
Betim . (31) 3594-8610 – Rua Mirafiori, 150 – Distrito Industrial Paulo Camilo Pena
Juiz de Fora . (32) 3225-6890 – Av. Antônio Simão Firjan, 2309 – Distrito Industrial
Pouso Alegre . (35) 3422-6766 – Av. dos Alecrins, s/n – lotes 06,07 e 08 – Distrito Industrial
Patos de Minas . (34) 3822-5757 . (34) 9811-6492 – Av. Juscelino Kubitscheck de Oliveira, 4300 - Planalto
Montes Claros . (38) 3215-1190 – Anel Rod. Dr. Mário Tourinho, 1700 – Chácara Recanto dos Araçás
Muriaé . (32) 3996-4680 – Av. Rio Bahia KM 713,4.300 – Santa Helena
Veículos vendidos sem implementos. Algumas versões, itens opcionais e cores estão sujeitos à disponibilidade de estoque, podendo variar seu prazo
de entrega. Garantia de 4 anos válida para os modelos Iveco Stralis NR com pedidos realizados nas concessionárias Iveco a partir do dia 1º de maio
de 2011. Tal garantia contempla o 1º ano de cobertura total e demais anos (2º, 3º e 4º) de cobertura de peças do trem de força (motor, transmissão e
eixo traseiro), expirando em 48 meses a partir da emissão do certificado de garantia ou no momento em que o veículo completar 500.000 quilômetros. As indicações de coberturas e exclusões dessa condição de garantia estão expressas no livro de garantia que acompanha o veículo. Para mais
informações, consulte a Rede de Concessionárias Iveco ou o Centro de Atenção ao Cliente Iveco – 08007023443.
E S P E C IA L
CAPA
barreiras de 18 km que têm de ser atravessadas por meio da Cristiano Machado e Antônio Carlos. Se existissem
mais vias estruturantes que ligassem à
porção norte, as coisas melhorariam
um pouco”, aponta.
Melhorar um pouco apenas não
seria suficiente para o diretor regional
da Totus, Arnaldo Xavier. “O acesso a
Confins é o pior de todas as capitais
que rodo Brasil afora. A dificuldade
para se chegar lá é muito grande.” Ele
conta que perde, em média, três horas
por dia quando precisa viajar, o que
acontece com muita frequência. Xavier sempre sai da avenida Raja Gabaglia e nunca gasta menos de uma hora
e 40 até Confins. “Das capitais que visito, Porto Alegre, São Paulo e Brasília,
Belo Horizonte é a primeira quando se
trata da demora para se chegar ao aeroporto.” Ele diz que a situação deverá
piorar, apesar das obras prometidas,
quando a Catedral Cristo Rei e o shopping, que estão sendo construídos
próximos à estação Vilarinho, estiverem funcionando. “O jeito é rezar para
não ter missa.”
Se alguns fazem piadas, outros
não estão nem um pouco para brincadeira com a situação atual. “O trânsito
para se chegar a Confins é simples-
mente desestimulante. Sempre gasto
pelo menos duas horas até o aeroporto”, esbraveja o economista e consultor de empresas carioca Sérgio Braga,
que sempre vem a Belo Horizonte e já
perdeu vários compromissos por causa de atrasos no trajeto até Confins.
Para ele, a solução seria o metrô, que,
além de melhorar o trânsito, baratearia o acesso ao aeroporto, que passou a
receber quantidade maior de voos
após o veto da Anac à Pampulha para
aeronaves que comportam mais de 50
pessoas. “Esta decisão foi muito sábia.
O problema é que a infraestrutura não
acompanhou o aumento da demanda,
lamentavelmente.”
Lamentável também é o sério estrangulamento do Anel Rodoviário,
cujas melhorias vêm sendo postergadas há anos. “O resumo da ópera toda
é que o governo vem tendo muita boa
vontade nos projetos, mas eles ainda
não saíram do papel. Os investimentos
totais do governo nos últimos anos
não passam de 2% do PIB. O que me
preocupa é que todos os modelos mais
avançados do mundo, como o Heathrow, em Londres, o aeroporto de Toronto, o JFK em Nova Iorque e o de
Cingapura foram pensados com conceito de cidade-aeroporto (terminal,
Pedro Vilela
Victor Schwaner
BORTOLETTO: “Horários diferenciados”
54
SÉRGIO BRAGA: “É desestimulante”
pista, serviços no entorno), mas especialmente
com mobilidade urbana”,
diz Hugo Ferreira Braga Tadeu, professor de Logística da
Faculdade IBS/FGV. Ele lembra
que nas economias desenvolvias
prioriza-se o transporte sobre trilhos
e que aqui é sempre o rodoviário.
“Com isto, em um horizonte de
três, quatro anos, Belo Horizonte poderá parar porque
temos mais problemas do
que soluções”, alerta.
A Copa do Mundo,
precedida pela Copa das
Confederações, já no
ano que vem, poderia ser
a grande oportunidade
para que a capital mineira
e as outras cidades-sede repensassem e investissem, de
fato, na infraestrutura de maneira
bem planejada, priorizando meios
de transporte que resolvam os problemas de mobilidade dos grandes centros. “A Copa não traz lucros, mas em
outros países, deixa obras de infraestrutura. Só que nem isto ficará para
BH porque as coisas não estão acontecendo como deveriam”, lamenta
Márcio Aguiar. “Além disto, há muitos
semáforos, faltam viadutos, o que inviabiliza trafegar na velocidade máxima das pistas que levam a Confins. E,
se não tiver sistema de trilho subterrâneo, o problema somente aumentará”. Outro erro, segundo Aguiar, é de
se pensar somente em Belo Horizonte
em detrimento de toda a região metropolitana. Em se confirmando o
crescimento econômico brasileiro, a
tendência é de a frota nacional aumentar cada vez mais já que, teoricamente, ter um carro significa
independência de um sistema ruim
de transporte público. Com mais dinheiro no bolso, as pessoas também
viajam mais. Resultado: a médio prazo é ilusão se pensar em um trânsito
bom no caminho até Confins.
VIVER Abril 6 - 2012
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T RÂ N S I TO
GUILHERME
TAMPIERE, que
ensina a andar de
bicicleta na cidade
Cuidado, ciclista
Eles estão nas ruas e dividem espaço nas vias de trânsito caótico
com motoristas. É possível uma convivência pacífica?
ELIANA FONSECA
A
sensação de pedalar uma bicicleta para Guilherme Lara Camargos Tampieri é única. Todos
os ângulos da cidade ficam diferentes,
é possível enxergar melhor as pessoas,
sair do ritmo acelerado, testar os limites do corpo, contribuir para minimizar o tráfego. Mas é também quando
está em sua bike que Tampieri testa
outro lado de Belo Horizonte – é possível que ciclistas e motoristas dividam a mesma via sem causar danos
56
à parte mais frágil? Ainda sem números do ano passado, o Detran divulgou
que ocorreram na capital, em 2009,
598 acidentes com ciclistas, com nove
mortes, e, em 2010, foram 498, com
três vítimas fatais. Por essa insegurança no trânsito, um ainda pequeno número de ciclovias (34 km); e relação
conflitante entre motoristas e ciclistas,
pode-se dizer que a bicicleta não se
popularizou. O que não quer dizer que
ciclistas da cidade não apostem em
torná-lo uma alternativa num trânsito
cada vez mais caótico.
Tampieri faz parte do grupo Bike
Anjos, um projeto voluntário ambiental e social, que ensina aqueles que
ainda não sabem andar de bicicleta
e também os inexperientes em como
fazer esse transporte nos horários de
picos pelas principais ruas de BH. Ciclistas têm se organizado nos chamados Rolés Urbanos, em que além de
ocupar as ruas, também contribuem
VIVER Abril 6 - 2012
PEDALANDO
COM SEGURANÇA
Q Não pedale na contramão: embora
enxergar os carros de frente possa dar
uma sensação de segurança, ela é ilusória,
porque numa colisão frontal a velocidade é
a do carro mais a da bicicleta
Q Pedale sempre de forma visível e
previsível: ande pelo canto direito da rua
(ou pelo esquerdo, quando for convergir à
esquerda), sem ziguezaguear, e use o
braço para sinalizar sua intenção
(convergir ou seguir em frente)
Q Não pedale pelas calçadas: ali é lugar de
pedestre, e é preciso respeitar para ser
respeitado
Q Respeite os semáforos: o que vale para
os automóveis, vale para as bicicletas.
Pela lei, elas também são veículos
Q À noite, use roupas claras e luzes
piscantes: vermelha na traseira e
branca na frente
Q Use equipamentos de segurança, como
luvas e capacete
Q Prefira ruas e avenidas mais tranquilas.
Muitas vezes vale a pena alongar o caminho
para evitar uma via de trânsito rápido
Q Monitore sempre o trânsito atrás de
você, olhando rapidamente por cima do
ombro, mas sem descuidar do que está à
sua frente. Evite usar fone de ouvido: sua
audição faz parte do seu radar
Q Tenha bom senso, pedale defensivamente
(mas sem esquecer o seu direito de uso
das ruas), seja respeitoso e cordial, procure
negociar sempre, aproveite a simpatia que
a bicicleta recebe por parte de quase todo
mundo, mantenha o bom humor e lembrese que estresse com trânsito é algo que
diz respeito a motoristas engarrafados –
congestionamentos não afetam ciclistas
O QUE DIZ A LEI
Q O ciclista desmontado empurrando a
bicicleta equipara-se ao pedestre em
direitos e deveres
Q São obrigatórios o uso de campainha,
sinalização noturna dianteira, traseira,
lateral e nos pedais, e espelho retrovisor
do lado esquerdo
Q É infração média o motorista deixar de
guardar a distância lateral de 1,50 m ao
passar ou ultrapassar bicicleta
Q É infração grave o motorista deixar de
reduzir a velocidade do veículo de forma
compatível com a segurança do trânsito
ao ultrapassar ciclista
Q É infração média sujeita a multa e
remoção da bicicleta conduzi-la em
passeios onde não seja permitida a
circulação desta, ou de forma agressiva
CICLISTAS do Rolé Urbano nas ruas de Belo Horizonte
para construir uma melhor relação
com pedestres e motoristas.
No meio dessa construção, quanto mais em evidência estiverem os
ciclistas, mais os problemas e dificuldades começam a aparecer. Para o
presidente do grupo Mountain Bike
BH, Lucas Moreira, a partir do momento em que as pessoas começam
a colocar bicicletas nas ruas, é natural que mais acidentes apareçam na
mídia. A boa notícia é que o aumento
também significa mudança positiva
para os ciclistas. “Creio que é só uma
questão de tempo para as pessoas enxergarem que bicicleta na rua é um
carro a menos ou uma pessoa ocupando espaço no transporte público.”
Atualmente, BH
engatinha quando o
assunto são as ciclovias. Há dois anos,
eram 24 km. A
meta é atingir
120 km e, segundo a BHTrans,
já foram contratados 114 km de
projetos executivos para as
novas ciclovias.
Essa não é a única
falta sentida pelos
ciclistas. Integrante do Rolé Urbano
das Terças (Ruts), o
engenheiro Geraldo Belvino diz que
é preciso preparar
a sociedade para o aumento de ciclistas. “Faltam campanhas educativas
que enfatizem que nós somos parte do
trânsito, com direitos e deveres e, principalmente, que devemos ser protegidos e respeitados.”
Atropelado em 2004, o estudante
Vinícius Mundim diz que essa negociação é fundamental. Oito anos depois do acidente, ele afirma que era
inexperiente e credita também falhas
à motorista. Atualmente, se locomove com bicicleta para ir ao trabalho,
faculdade, passeios, e diz que é fundamental que o ciclista sinalize bem,
respeite as normas de trânsito, fique
atento para ter certeza de que está
sendo visto. “É um círculo virtuoso em
que, quanto mais gente pressionar,
mais ciclovias e segurança teremos.”
Em 2007, o estado promulgou a lei
16.939 para incentivar o uso de bicicleta. Ainda há muito a fazer na opinião
de Lucas Moreira, que deseja ver a lei
em prática. Ele enumera a falta de estacionamento e de ações mais eficazes de segurança. “Quanto às ciclovias,
grande parte delas está sem pé nem
cabeça, o que dificulta para algumas
pessoas – sobretudo as que se sentem
inseguras de compartilhar as vias.” A
insegurança é, aliás, uma das grandes
inimigas. Para isso, Guilherme Tampieri faz às vezes, literalmente, de um
protetor. O projeto Bike Anjos BH tem
voluntários para ensinar a andar de
bicicleta. Sim, se você não sabe, é a
chance. E também a enfrentar o trânsito com tranquilidade e segurança.
Fonte: Mountain Bike
VIVER Abril 6 - 2012
Fotos: Victor Schwaner
57
Tiradentes.
Descubra lugares. Descubra pessoas. Descubra novas histórias.
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conheça também mais sobre Minas Gerais.
Matheus Cotta de Carvalho
Os desafios do crescimento
O papel de protagonista do desenvolvimento econômico pertence às empresas privadas, por mais relevante que seja a função desempenhada pelo estado.
Afinal, caberá a essas organizações, após considerar
os fatores do cálculo econômico-empresarial, a decisão de investir ou não. Em função dessa importância
no ciclo da criação de riqueza, é imprescindível que
as empresas privadas cresçam e desenvolvam-se.
Apenas dessa forma será possível ampliar os investimentos e gerar mais empregos e renda no país.
As políticas públicas deveriam estar alinhadas ao projeto de expansão das empresas. Pode-se
mencionar, por exemplo, a necessidade de uma legislação tributária que estimule a transformação de
nossas pequenas empresas em organizações cada
vez maiores. Além disso, a falta de infraestrutura, a
complexidade da legislação trabalhista e o excesso de
burocracia são fatores que dificultam o crescimento
das empresas.
Embora o Brasil
não disponha de
um ambiente que
incentive o crescimento
das empresas,
essa é, ainda
assim, condição
essencial para
nosso progresso
econômico
Quanto às empresas privadas, a despeito das dificuldades, devem ambicionar alcançar o porte de
grande empresa. Para viabilizar esse objetivo, é fundamental adotar, preferencialmente desde o seu nascimento, os princípios, propósitos, procedimentos e
práticas da boa governança corporativa.
62
O conceito de governança corporativa é bastante
amplo e complexo, pois abarca desde a estrutura de
poder da empresa até seu sistema de valores e relações com os seus públicos. Para avançar na constituição de um modelo mais avançado de governança
é primordial vencer resistências e estilos de gestão
patrimonialista, que ainda subsistem em nosso universo empresarial. Como prêmio, após aderir às modernas práticas de governança, além dos evidentes
benefícios da profissionalização da gestão, as empresas aumentam enormemente suas possibilidades de
financiamento por meio do mercado financeiro e de
capitais. E o acesso ao crédito mais barato permite a
melhoria e o avanço da competitividade e da eficiência das empresas.
O acesso facilitado ao mercado financeiro e de
capitais decorre de que, no momento em que as empresas adotam práticas avançadas de governança,
os investidores têm uma maior garantia de transparência no processo decisório interno e de confiança
na perenidade das empresas. Isto reduz os riscos de
aplicações de recursos nestas empresas e, consequentemente, o custo do capital.
Estudo realizado em Minas Gerais pela Fundação
Dom Cabral, com apoio da Fiemg e da Bovespa, mostrou que mais de um terço (36%) das médias empresas que compuseram a amostra da pesquisa revela
disposição à abertura de capital. Além dessas, outras
poderiam, com poucos investimentos em práticas de
governança, credenciar-se a essa iniciativa.
Em suma, embora o Brasil não disponha de um
ambiente que incentive o crescimento das empresas,
essa é, ainda assim, condição essencial para nosso
progresso econômico. Portanto, cabe ao próprio
segmento empresarial o desafio de avançar e criar
as condições para que isso ocorra. E a trilha a ser
seguida, indubitavelmente, é a da boa governança
corporativa.
Matheus Cotta de Carvalho, presidente do BDMG
VIVER Abril 6 - 2012
Shutterstock
B RAS I L
Comete
crime, fica solto
Lei prevê que, no lugar de prisão preventiva,
o acusado cumpra deveres. Há quem
aprove e os que veem mais impunidade
CLÁUDIA REZENDE
U
ma pessoa é presa, vai para a
delegacia. Chega lá, o crime
não é dos mais assustadores,
daqueles em que a pena não chega a quatro anos, se há condenação.
O juiz decide o que vai ser feito, e o
suspeito não fica preso. É liberado e
tem que cumprir deveres, estabelecidos pela Justiça conforme o crime
que praticou e a legislação. É mais
ou menos assim que funciona a lei
12.403/2011, que estabelece medi64
das cautelares para determinados
casos de prisão. Ela está em vigor
desde julho do ano passado e ainda
gera discussões.
Quando se leva em conta o sistema prisional brasileiro, a aplicação de medidas cautelares parece
ser uma boa solução, já que reduz o
número de pessoas que vai para trás
das grades. “A prisão é uma instituição falida. Não justifica manter uma
pessoa não condenada presa. A lei
deu opções para o juiz, que, antes, ou
prendia ou não prendia”, diz Rogério
Flores, professor de direito penal do
Centro Universitário Newton Paiva.
Com a lei 12.403, no lugar de
decretar a prisão preventiva do
suspeito, o juiz pode deixá-lo em
liberdade, mas com deveres como
comparecer frequentemente ao juiz
para informar e justificar suas atividades; não se aproximar de determinadas pessoas ou lugares; não
se ausentar da comarca; ficar em
recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga – se
a pessoa estiver trabalhando –; ter
suspenso o exercício de função pública ou de atividade econômica ou
financeira; pagar fiança; ou ficar sob
monitoramento eletrônico.
VIVER Abril 6 - 2012
“A lei é uma inovação. Tem que
ser isso mesmo. A prisão tem de ser
o último recurso. Quem é condenado a até quatro anos não é bandido,
é gente que pratica furto, lesão corporal”, observa o professor. Segundo Rogério Flores, a lei até levanta o
questionamento sobre o porquê da
prisão. “Será que a pena alternativa não tem mais efeito que a prisão?
Você não pode colocar uma pessoa
que furta bicicleta com um traficante”, diz. Para ele, a chance de uma
pessoa se recuperar e não cometer
novo crime é muito maior caso ela
não vá para o sistema penitenciário.
O presidente da Comissão de Assuntos Penitenciários da OAB-MG,
Adilson Rocha, compartilha da opinião do professor. Segundo ele, no
mundo inteiro, o indivíduo só vai
preso após a sentença transitada
em julgado, mas, no Brasil, 44% dos
detentos não têm sentença condenatória. “Para dizer que a pessoa cometeu crime, é preciso esgotar todas
as possibilidades. A Constituição garante o princípio da presunção da
inocência.”
Conforme o representante da
OAB, existe uma orientação da ONU
para que os países diminuam a quantidade de presos provisórios. O advogado lembra que quem decide se uma
pessoa vai ser solta ou não é o juiz, a
partir do histórico e da análise do caso.
“O juiz não é louco de soltar qualquer
pessoa, de deixar bandido solto”, afirma. Segundo Adilson Rocha, a lei só
veio a acrescentar à sociedade.
Diretor jurídico do Sindicato dos
Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais (Sindpol-MG), o delegado Christiano Xavier acredita que a
lei das medidas cautelares não ajuda em nada o combate à violência.
“O que combate a violência é Judiciário mais ágil. Vejo as medidas cautelares como paliativos para que os
juízes ganhem tempo”, afirma. Para
ele, a aplicação dessas diretrizes auVIVER Abril 6 - 2012
menta a sensação de impunidade.
“Às vezes, o bandido sai da cadeia
antes mesmo da vítima ou junto com
ela”, conta. Segundo Christiano Xavier, isso só faz com que as pessoas
que podem depor, favorecendo uma
investigação, fiquem mais amedrontadas. “Isso desestimula as vítimas
e estimula os autores a fazer outros
crimes, porque eles sabem que podem fazer e não vão ser presos.”
Christiano Xavier acredita que as
leis brasileiras têm se tornado mais
favoráveis para quem pratica delito.
“As coisas só vão se afrouxando para
o lado dos bandidos”, diz. Saindo um
O que combate a
violência é Judiciário
mais ágil. Vejo as
medidas cautelares
como paliativas”
Christiano Xavier
Victor Schwaner
pouco dos casos em que as medidas
cautelares são aplicáveis – o que não
é o caso de homicídios e tráfico de
drogas, por exemplo –, o delegado
conta que, em sua delegacia, que é
de homicídios, no ano passado indiciou mais de 80 pessoas, prendeu 50
e menos de duas delas foram a júri.
“O Judiciário não consegue absorver
a demanda. Noventa por cento dos
delinquentes estão nas ruas por excesso de prazo.” Ele aponta, ainda,
como problemas relacionados à lei,
o fato de ela provocar frustração nos
policiais, que fazem a investigação,
prendem e, no final, veem o suspeito ser solto.
O desembargador José Osvaldo
Corrêa Furtado de Mendonça, da 6ª
Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, avalia que as
medidas cautelares foram instituídas para dar opção aos juízes, que,
antes de decretarem a prisão preventiva, passaram a ter outros mecanismos para evitar a prisão. Para ele,
em tese, as medidas são muito boas,
mas existe um problema por trás delas. “A crítica que eu faço é a respeito
do cumprimento delas. A Polícia Militar não dá conta das demandas que
tem, como é que vai fazer essa fiscalização?”, questiona.
Para Furtado de Mendonça, o
não cumprimento das medidas cautelares pode até reforçar o sentimento de impunidade em casos cujo o
indivíduo sob essas medidas entra e
sai de um ambiente a que não poderia ir e nada acontece. “Sabe que vai
poder fazer isso sempre, porque não
tem fiscalização. Mesmo se alguém
chamar a polícia, até ela chegar, já
deu tempo de a pessoa ir embora”,
diz. O magistrado observa também
que é pouco provável que a lei vá ajudar a desafogar o sistema penitenciário brasileiro, porque “o número de
presos por tráfico é impressionante”,
crime em que não se enquadra medida cautelar.
65
O INVESTIMENTO
QUE SUPERA TODAS
AS EXPECTATIVAS.
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R E P O R TAG E M
O drama dos
precatórios
Dona Maria José, 98 anos, e tantos outros
esperam receber dívidas do poder público
JANAÍNA OLIVEIRA
inda era moça quando tornou-se professora e começou a lecionar. Quase 36
anos depois, assumiu a função de
delegada de ensino, a primeira de
Ponte Nova, na Zona da Mata mineira, carreira que lhe rendeu até
condecoração no Palácio da Liberdade, na época ocupado pelo
governador Eduardo Azeredo.
Por aquelas ironias do destino, foi
justamente aquele que a homenageou que a levou a procurar a
A
Justiça, quando no poder cortou
gratificações incorporadas às remunerações dos servidores. Hoje,
muitos anos mais tarde, quase
uma centenária, dona Maria José
Gomes já não tem mais esperança de resgatar seu precatório
– dívida do poder público já reconhecida em juízo. Às vésperas
de completar 99 anos, vai fechar
acordo com o governo e embolsar
menos da metade do valor a que
tem direito.
“Quero receber em vida. Não
posso esperar mais”, desabafa dona
Petita, como é conhecida Maria José
Gomes. A decisão favorável à ex-professora ocorreu em 2002. Mas
só em 2007, ela entrou na fila dos
credores. O valor, à época, era de
314 mil reais. “Esperamos que o dinheiro dê para reformar a casa onde
moramos, que é antiga, ainda com
forro”, conta o sobrinho de dona Petita, o auxiliar administrativo Carlos
Henrique Silva. “Quero ter essa alegria”, sonha ela, que gasta mais de
1,5 mil reais com despesas médicas
e passa a maior parte do tempo na
cama. “Ela só não perde o apetite”,
brinca Carlos, que mora com a tia
desde menino.
O drama de dona Petita é co-
68
mum a milhares de brasileiros. Só
em Minas, há pelo menos 13 mil
precatórios a serem pagos. E como
um precatório pode ter vários credores, fica difícil calcular o exército de gente que vive à espera. “Tem
precatório aqui com 700 pessoas”,
confirma o juiz Ramon Tácio de Oliveira, da Central de Conciliação de
Precatórios do Tribunal de Justiça
VIVER Abril 6 - 2012
Fotos: Victor Schwaner
DONA MARIA
JOSÉ GOMES:
“Não posso
esperar mais”
de Minas Gerais (TJMG). Pelas suas
contas, juntos, os mineiros esperam
receber um dia 3,6 bilhões de reais.
Já para os credores, a dívida é ainda
maior. “Calculamos pelo menos 5,5
bilhões de reais. Só os precatórios
do Departamento de Estradas de
Rodagem somam 1,6 bilhão de reais
corrigidos”, contesta Oto Lopes, 76,
ex-vice-diretor geral do DER, que
VIVER Abril 6 - 2012
com outros companheiros
tenta criar uma associação
mineira de credores. No país, a
estimativa é de que dívida do poder público com precatórios ultrapasse os 100 bilhões de reais.
O descontentamento de quem
vive em compasso de espera só
piorou ao longo dos anos. Vice-presidente da Comissão Especial
de Precatórios da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Minas Gerais
(OAB-MG), Leonardo Carneiro Assumpção Vieira lembra que a cultura do devo não nego, pago quando
puder começou no regime militar.
“Houve a crise do petróleo e o governo atrasava o pagamento para
que a inflação engolisse o valor”, diz.
Anos depois, relembra Vieira, o Judiciário começou a mandar que os valores fossem corrigidos. Mas como
não eram disponibilizados recursos,
o efeito foi uma bola de neve.
Com a Constituição, em 1988, ficou estabelecido o pagamento dos
precatórios em oito anos. “O que
não foi atendido”, explica o advogado. Já em 2002, com a Proposta
de Emenda à Constituição (PEC) de
número 30, criou-se novo parcelamento, dessa vez, em 10 anos.
MARLY
MOISÉS
ARAÚJO: “Há
viúvas que
vivem em
estado de
miséria”
69
R E P O R TAG E M
Fotos: Victor Schwaner
REUNIÃO: credores de precatórios planejam fundar uma associação em Minas
A emenda foi julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal
(STF) e não vingou. E não é que, em
2009, veio a emenda de número de
62, que possibilita a ampliação do
prazo da dívida para 15 anos? “Essa
PEC, com certeza, foi ainda pior que
a anterior”, define o vice-presidente
da comissão especial da OAB-MG.
Para quem espera, foi mais um
balde de água fria. Para quem paga,
um alento. “É a luz no fim do túnel. Sem ela, é a escuridão”, defende o juiz Ramon Tácio, referindo-se
ao fato de o estado não ter recursos para pagar o que deve. “Se tem,
não aparece aqui.” Como benesse,
ele cita ainda a preferência sobre os
maiores de 60 anos e portadores de
doenças graves para receber o teto
de 33 mil reais.
Longe de ser uma unanimidade, a proposta que ganhou o apelido de PEC do calote, por permitir
que dívidas atrasadas fossem novamente jogadas, por prefeitos e
governadores, para frente, foi con70
testada pela OAB. Novamente, o
imbróglio está nas mãos do Supremo. Relator das ações que contestam a PEC 62, o ministro Carlos
Ayres Britto votou em outubro do
ANA MARIA
BELO:
“Ganhava
pouco e
aceitei
vender”
ano passado pela inconstitucionalidade formal e material da emenda. Para ele, “as normas contrariam
a autoridade das decisões judiciais”. Ayres Britto chegou, ainda, a
considerar a referência ao ato impugnado como a emenda do calote,
uma vez que a ela “fere o princípio da moralidade administrativa
e leva muitos titulares de créditos
a leiloarem seu direito à execução
de sentença judicial transitada em
julgado.” Após o voto do relator,
entretanto, o ministro Luiz Fux pediu vistas dos autos, suspendendo
o julgamento, que até hoje não foi
retomado, aumentando ainda mais
a angústia de quem nem dispõe de
tanto tempo mais para esperar.
Enquanto isso, os leilões correm
solto. Funciona assim: o detentor do
precatório que aceita o maior deságio recebe o pagamento na frente.
Para participar, é preciso oferecer,
no mínimo, 50% de desconto. “Por
desespero, muitos já venderam seus
precatórios a preço de banana, por
VIVER Abril 6 - 2012
Fotos: Victor Schwaner
TEREZINHA COSTA: “Ainda tenho esperança”
menos 30% do valor. Esse leilão é
pernicioso, um desrespeito à Justiça e aos cidadãos”, decreta Oto Lopes, que perde as contas de quantos
amigos, por necessidade, já abriram
mão do valor integral. E se entristece ao falar dos 14 companheiros do
seu grupo – de 41 pessoas - que morreram sem ver a cor do dinheiro. “Há
viúvas que vivem em estado de miséria, sem assistência médica e uma
velhice digna”, lamenta Marly Moysés Araújo, servidora pública estadual aposentada, cuja espera completa
oito anos em 2012.
O calendário é o mesmo para
Maria Edna Costa Ferreira Leite, 67.
“Ganhei na Justiça em 2004, mas
até hoje nada aconteceu. Queria
ter mais tranquilidade nessa fase
da vida”, diz a mãe de quatro filhos
e avó de dois netos. “Fui da primeira turma a ganhar, mas nunca recebi um centavo”, reclama Sebastiana
Vieira Tavares, 90, cujo sonho era
receber o dinheiro para pagar uma
casa de repouso e ter sossego e assistência na velhice. “Ainda tenho
esperança. Quem sabe?”, diz. A amiga Terezinha Dias Costa, 69, conta
que recebeu uma proposta indecorosa. “Meu precatório é de 2005. Só
que a informação que me deram é
que, sem acordo, dinheiro só a partir de 2015. Acham que vou desistir.
Mas estão muito enganados.”
Ana Maria Belo, 65, não seguVIVER Abril 6 - 2012
SEBASTIANA VIEIRA: “Fui a primeira a ganhar, mas não recebi”
Ganhei na Justiça em
2004, mas até hoje
nada aconteceu.
Queria ter mais
tranquilidade nessa
fase da vida”
Maria Edna Leite
rou as pontas. Desesperançosa e
com muitas contas pra pagar, acabou negociando. “Ganhava pouco
e aceitei vender. Dos 18 mil reais a
que tinha direito, fiquei com apenas 7 mil reais. E mesmo assim fui
iludida, pois demoraram quase três
anos para pagar”, recorda.
Vítimas da lentidão dos governos e prefeituras, os credores de
precatórios também tornaram-se
presa fácil para aqueles que atuam no mercado paralelo. “Já fui assediado várias vezes por bancos
e, principalmente, por profissionais de escritórios da área tributária. Eles oferecem uma pechincha
pelo nosso precatório, compram e
depois vão até o estado para quitar dívidas com impostos não pagos. Chega a ser indecente, pois
penaliza o credor e beneficia o sonegador”, afirma Elton Evangelista
Corrêa Lima, 70.
O juiz Ramon Tácio garante que, atualmente, estão sendo
pagos os precatórios referentes
ao ano de 2004. Até dezembro de
2012, 283 milhões de reais serão
pagos – o equivalente a 1/ 13 avos
da dívida. Metade do dinheiro será
destinado ao pagamento referente à ordem cronológica. A outra vai
para os acordos. Uma quantia ínfima para quem vive há tanto tempo
o drama de esperar pelo que é seu,
por direito.
71
Divulgação
perguntas para
10 Antônio Andrada
Presidente do Tribunal de
Contas do Estado diz que a
maioria das irregularidades
cometidas pelas prefeituras
é de natureza formal e não
causa danos ao erário.
“Mas, se permanecer, pode
gerar perdas.” Ele pretende
montar estrutura para
monitorar em tempo real
os atos dos municípios
SUELI COTTA
C
ontas rejeitadas, convênios
irregulares, licitações fraudulentas. Essas palavras
passaram a fazer parte dos pesadelos da maioria dos prefeitos
brasileiros, que enfrentam dificuldades em ajustar suas contas
às regras impostas constitucionalmente. Em Minas Gerais, desde a última eleição, 29 prefeitos
perderam mandatos devido a irregularidades detectadas em suas
administrações. Para evitar situações como essas, o Tribunal de
Contas do Estado (TCE) decidiu
dar uma mãozinha aos prefeitos, com a assinatura de um termo de ajustamento de conduta
(TAG). O presidente do TCE, Antônio Carlos Andrada, pretende
montar um sistema informatizado
onde será possível acompanhar,
em tempo real, todos os atos dos
72
municípios, numa espécie de big
brother, que deve ser implantado
até 2013. Antônio Carlos Andrada, ou Toninho Andrada, conhece
bem os problemas dos prefeitos,
cargo que ocupou em 1993, em
Barbacena. Ele também foi deputado estadual pelo PSDB, por dois
mandatos.
Em que bases foi estabelecido o termo de ajustamento de gestão entre o
TCE e os municípios?
O TAG é um instrumento legal
através do qual o Tribunal de Contas poderá ajustar, com seus jurisdicionados, novas práticas de
gestão que visem corrigir, em determinado prazo, irregularidades
verificadas em denúncias, representações ou processos administrativos. Antes da instituição do
1
TAG pela lei complementar 120, de
dezembro de 2011, o tribunal era
dotado de forte instrumental punitivo, mas tinha dispositivos de
ações preventivas frágeis e de pouca eficácia.
Quais os principais equívocos cometidos pelas prefeituras?
A maioria das irregularidades cometidas pelos gestores
municipais é de natureza formal,
que não geram dano ao erário, e
em geral são punidas com multas. Mas em muitos casos, apesar
da multa, a irregularidade pode
permanecer e, assim, continuar a
gerar perdas à sociedade. Com o
TAG, em vez de se privilegiar a punição com multa, o tribunal desenvolverá com o gestor um ajuste
para que a prática irregular seja
2
VIVER Abril 6 - 2012
NEM MINEIRÃO,
NEM INDEPENDÊNCIA.
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10 P E R G U N TAS PA RA
alterada em benefício direto à população. É um novo enfoque que
se dá ao controle externo.
Diante das limitações de
recursos orçamentários
dos municípios quais as
alternativas os prefeitos
têm para garantir o cumprimento
desse ajuste?
O tribunal não interfere nas escolhas das políticas públicas a serem
implementadas. São decisões discricionárias do gestor municipal,
que é eleito democraticamente
para cumprir determinado programa de governo. O controle do tribunal está focado na maneira da
execução de tais políticas, se elas
estão sendo colocadas em prática
da forma prevista pela legislação e
em conformidade com princípios
constitucionais. A capacidade orçamentária para a implementação
ou não de determinada política
pública é matéria que antecede à
sua execução.
3
Falta transparência nas
administrações?
A Constituição da República consagra o princípio
da publicidade e da transparência
dos atos públicos de forma taxativa. A própria existência do Tribunal de Contas como órgão de
controle da administração pública é uma das garantias de que
a transparência tem que ser observada uma vez que todos que
manuseiam dinheiro público estão obrigados a prestar contas. A
transparência é uma obrigação e
quem tentar impedi-la estará cometendo grave irregularidade,
com repercussões criminais até.
4
5
74
Muitos prefeitos reclamam
que passam quatro anos
administrando o município
e 20 respondendo à Justiça
devido ao excesso de regras e limites e que é praticamente inviável se
gerir atualmente. O senhor concorda com esse argumento?
As regras existem para garantir a
transparência e a impessoalidade dos atos públicos. Há casos em
que o ordenamento jurídico peca
pelo excesso de formalidades que
acabam dificultando a gestão pública, mas não acredito que chegue ao ponto de inviabilizá-la.
O senhor, que foi deputado
estadual, acredita que é
possível corrigir algumas
distorções com aprovações de leis mais realistas nas Assembleias Legislativas?
Aperfeiçoar a legislação deve ser
meta constante dos poderes legislativos, mesmo porque a sociedade
evolui cultural e tecnicamente, e as
leis devem absorver tais transformações. Mas a maioria dos textos legais
que tratam da gestão pública tem
origem no parlamento federal, no
Senado e na Câmara dos Deputados.
6
O TCE está devidamente
equipado com pessoal e
técnicos para fiscalizar os
municípios?
O Tribunal de Contas mineiro tem boa estrutura funcional e
um corpo técnico de elevado nível, mas como todo órgão público
tem limitações orçamentárias e financeiras. Especificamente com
relação aos municípios, o tribunal está colocando em prática um
sistema informatizado muito sofisticado, o Sicom, que já está em
operação em caráter experimental e será efetivado em 2013. Este
novo sistema possibilitará que o
tribunal acompanhe em tempo
real todos os atos municipais relativos às despesas, num verdadeiro
big brother. Será uma ferramenta
excepcional de acompanhamento
7
e de controle das despesas públicas municipais.
Muitos prefeitos reclamam do excesso de regras
e intervenções do Ministério Público. Estão ocorrendo excessos?
Não tenho dados nem elementos para opinar sobre esta matéria, que não afeta ao Tribunal de
Contas. O que posso afirmar é que
temos desenvolvido com o Ministério Público estadual parcerias
muito positivas e um diálogo construtivo visando potencializar as
ações de controle para coibir atos
de corrupção e práticas irregulares
nas gestões públicas.
8
Atualmente as leis facilitam mais para prefeitos
com perfil técnico do que
político?
A gestão pública requer os dois
elementos, o político e o técnico.
A política deve sempre estar pautada na legitimidade das decisões
e no favorecimento do diálogo.
A técnica diz respeito a como fazer, e isto também é fundamental,
porque requer planejamento e o
conhecimento científico de determinados assuntos. Para lidar com
questões públicas entendo que a
política e a técnica são lados da
mesma moeda, e a nossa legislação indica claramente essa visão.
9
A administração pública
mudou muito nos últimos
anos?
Acredito que sim. A globalização econômica e cultural
impôs novos conceitos e o avanço
tecnológico, como a cibernética,
possibilitou ganhos extraordinários para a qualidade das gestões
públicas. O mundo mudou muito e
exigiu que a administração pública
avançasse também.
10
VIVER Abril 6 - 2012
J U S T I ÇA
O direito de agir
Divulgação
ANDRÉ ALMEIDA:
“A Laba propõe
discussões
muito amplas e
lutas diárias”
SUELI COTTA
André Almeida,
presidente da Federação
Interamericana
de Advogados, atua na
defesa do trabalho
dos profissionais
fora do Brasil
A
globalização tem obrigado os profissionais a se especializarem cada vez
mais, seja qual for a área de atuação.
Por isso as escolas têm adequado seus currículos para essa nova ordem mundial. Mas
não basta estar bem preparado. Em muitos
países, a situação política, econômica e social impedem o avanço das instituições e
consequentemente da sociedade, limitada
aos mandos e desmandos dos governantes.
Os advogados, juristas e magistrados
brasileiros conhecem bem essa realidade.
Há mais de 70 anos profissionais têm acompanhado e buscado melhorar as condições
de trabalho no continente, com a Inter American Bar Association (Laba), que funciona
como uma espécie de OAB internacional.
O quinto presidente brasileiro da instituição, conhecida no Brasil como Federação Interamericana de Advogados (FIA), o
mineiro André Almeida, especialista em direito internacional, financeiro e mercado de
capitais, assumiu a administração da entidade no início de 2011 e conhece bem as dificuldades dos advogados que trabalham fora.
Em muitos casos, sem ter entidades fortes
como a OAB para assegurar a atuação, os
profissionais se viram como podem.
A Laba ou FIA também tem atuado
como órgão fiscalizador e observador de
eleições em países onde os processos eleitorais são polêmicos, como Haiti, Honduras
76
VIVER Abril 6 - 2012
e El Salvador, e promovido debates e
encontros para fortalecer a categoria.
“A FIA participa de perto dos acontecimentos na política e na economia”,
afirma André Almeida.
A FIA conta com aproximadamente 100 ordens de advogados associadas e mais de 12 mil membros
inscritos de todos os países da América, incluindo Cuba. Com assento na
Organização dos Estados Americanos
(OEA), também acompanha as discussões em defesa das prerrogativas
desses profissionais. “A Inter American Ban Association propõe discussões muito amplas e lutas diárias”, diz
Almeida, que lidera a Laba até 2013.
Com um escritório em Washington e
com pelo menos duas viagens internacionais por mês, ele acompanha o
que vem ocorrendo com os profissionais do Canadá à Argentina.
A credibilidade chamou a atenção
de alguns países da comunidade europeia, que também decidiram aderir
à entidade, como Espanha, Portugal e
França. Os três países participam, inclusive, das decisões da FIA.
Alguns advogados brasileiros conseguem autorização para trabalhar
em Portugal, devido a um convênio
assinado entre os dois países. Mas as
limitações para atuar em outros lugares do continente são grandes e na
maior parte das vezes os advogados
brasileiros só conseguem atuar como
consultores. Em território brasileiro,
também é praticamente impossível
para um advogado estrangeiro atuar.
As diferenças econômicas e culturais são os principais entraves para
universalizar a atuação desses profissionais em outros mercados. Essa diversificação cultural entre os países
é refletida também na formação dos
profissionais, de acordo com o ex-presidente da entidade Paulo Lins e Silva.
Ele afirma que apenas Canadá, Estados Unidos e Brasil têm a advocacia
bem organizada com os profissionais
se submetendo aos exames antes de
VIVER Abril 6 - 2012
A Bolívia estava com
um processo
avançado, mas os
advogados perderam
força com a eleição
de Evo Morales”
Paulo Lins e Silva
entrar no mercado.
No restante, não existem entidades fortes que regulem a profissão e os
advogados que atuam no mercado de
trabalho. Em alguns países eles sequer
conseguem se organizar em entidades
de classe, ficando à mercê das instabilidades políticas e sociais.
“No México são pelo menos
quatro ordens de advogados”, diz
Paulo Lins e Silva, o que torna praticamente impossível regulamentar o
profissional dentro dos parâmetros
estabelecidos nos Estados Unidos,
Canadá e Brasil. Desde a criação da
FIA, busca-se o fortalecimento e uma
melhor preparação dos advogados
no continente americano, mas essa
tem se mostrado uma tarefa árdua e
quase inglória.
“A Bolívia estava com um processo avançado, mas os advogados acabaram perdendo a força com a eleição
de Evo Morales, em 2005, que fechou
as portas para a organização dos profissionais bolivianos. Na época foi um
grande golpe”, lembra Lins e Silva.
Apesar dos atropelos, a FIA promove o intercâmbio cultural, a troca de
informações e a jurisprudência para
tentar diminuir essa distância acadêmica, institucional e de informação.
“O objetivo desse trabalho também é
a geração de negócios, de divulgação
de trabalhos acadêmicos e, principalmente, a proteção do estado de direito”, afirma André Almeida.
São programados vários eventos para discutir temas relacionados
a economia, a política e a dinâmica
social dos países que integram a entidade. Em junho, por exemplo, será realizada a 48ª Conferência Anual JIA’S
Isla Margarita, na Venezuela, que colocará em debate os desafios da democracia nas américas, tecnologia da
comunicação e acesso à Justiça.
Essa desorganização na maioria
dos países que integra a FIA é o principal fator que inibe e interfere na
atuação dos profissionais em direito além das suas próprias fronteiras.
Consequentemente, os que conseguem atuar fora de seus países de
origem só o fazem informalmente,
segundo Lins e Silva. “A atuação se
dá apenas como consultoria.”
Essa é uma das muitas bandeiras
que André Almeida tem para trabalhar
até o final do seu mandato, que termina em 2013. Antes dele, apenas quatro
brasileiros presidiram a Laba. Os mandatos ocorreram nos anos 1940, 1960 e
1990. O último foi Paulo Lins e Silva. A
FIA tem, ainda, dois órgãos diretivos,
com um conselho de membros individuais e a assembleia geral, onde todas as representações, as ordens têm
assento. Esses dois órgãos centrais escolhem um vice-presidente, por voto
direto. Ele normalmente sucede o presidente, sem a possibilidade de reeleição. “A alternância de poder é benéfica
e essencial para a democracia”, defende André Almeida.
77
POR
A N G E L I N A F R E I TA S
Fotos: Divulgação
Serafina
É uma das pizzarias mais famosas de Nova Iorque, onde nobres
e plebeus ficam sentados lado a lado. Bem frequentada, mas
sem pretensão. Tem comida ótima, e os preços são justos. O
ambiente é bem divertido, e é impossível vir a NY e não comer um
dia no Serafina. O sucesso é tanto que já existem várias filiais do
restaurante dentro da cidade. Uma delas acabou de ser inaugurada
no novo espaço no west side, na Broadway, esquina com a 77th
street. Os donos italianos, Victorio e Fabio, junto com outros sócios
brasileiros abriram um Serafina em São Paulo, na rua Alameda
Lorena 1.705, Jardins. Esse restaurante vale a pena conhecer.
Plastic dreams
A Melissa está arrasando em NY. O grupo Greendene
inaugurou a Galeria da Melissa, no Soho. Ela fica situada
na Greene Street, em espaço grande, todo em branco,
bem minimalista. A cada três meses será exibido trabalho
de um artista plástico: as obras ficam expostas na vitrine
e no interior da galeria junto com os sapatos. Por todos
os lados pode-se ver propaganda da galeria, nos táxis,
no metrô, nas revistas. Os nova-iorquinos
estão conhecendo o plastic dreams,
esse é o nome que eles chamam a
Melissa. “Foram gastos em torno de 5
milhões de dólares na criação da loja.
E é o primeiro investimento do grupo no
exterior. O próximo passo será Londres”,
diz o criador, Edson Matsuo. A Melissa
fez parcerias com alguns designers
estrangeiros – Jason Wu, Vivienne
Westwood, Karim Rashid entre outros.
Ao ser perguntado por que Nova Iorque,
Matsuo responde: “Vamos onde estão
aqueles que gostam da Melissa, e tinha
que ser Nova Iorque, porque aqui está
cheio de brasileiros”.
78
Brasileiros no New
Museum
O New Museum está com
uma mostra incrível,
que reúne artistas de
vários lugares do mundo,
inclusive dois brasileiros,
Cinthia Marcelle, de Belo
Horizonte, e Jonathan
de Andrade, de Recife.
A exibição se chama
The Ungovernables. O
nome diz muita coisa. Eles são críticos, fazem
apologia aos tempos modernos, são jovens
que nasceram entre os anos 1970 e 80. São
pessoas que fizeram parte de movimentos
revolucionários, viveram a didatura militar e
são contra o mundo capitalista. Os artistas
são emergentes e nunca tinham exibido
nada nos Estados Unidos, até então. A
mostra ocupa os quatro andares do prédio
do museu e fica exposta até o dia 22 de abril.
O endereço é Bowery 235, em downtown.
VIVER Abril 6 - 2012
CHEGOU O NIKEiD.
O Nike que você faz.
Misture. Combine.
Só
na
Os modelos disponíveis para o iD são: Dunk Low e Dunk High.
Fátima Rabelo
O poder dos fracos
“Há algo na infelicidade dos nossos amigos que não
nos desagrada completamente.”
Kant
Não é de hoje que a sabedoria popular receita os
seus remédios para proteger as pessoas de determinados sentimentos e ações de outras, frente ao sucesso
que alcançaram em suas vidas. Figa, espada de são
Jorge, amuletos de toda a sorte, são usados na crença
contra os poderes da inveja, que não só vem de tempos
remotos como também é universal.
Não ter alcançado algo
almejado é sentido como
responsabilidade do outro
que consegue. São pessoas
que dedicam a vida a
contabilizar o crescimento
de outros, sentem-se
vítimas do sucesso alheio
Considerada pecado capital, a inveja faz parte da
complexidade da alma humana e manifesta-se através
do sentimento e da ação. É um sentimento raivoso, gerado pelo fato de outra pessoa possuir e desfrutar algo
desejável. No impulso invejoso, ocorre a ação de tentar
tirar esse algo, prejudicar.
São Tomás de Aquino fala da inveja como uma
tristeza, um sentimento de infelicidade diante da felicidade alheia ou da felicidade diante da infelicidade
alheia. É inegável que, diante dos valores da sociedade
contemporânea, nada incomoda mais do que ser bem-sucedido, principalmente na profissão.
Alcançar uma posição de destaque tem preço, o que,
muitas vezes, é cobrado através de punições por parte, inclusive, daqueles que menos se espera. Ser bem-sucedido,
em qualquer área da vida, pode incomodar, e muito.
82
O sujeito é visto como alguém que tem tudo, como
se isso fosse possível. E o que é pior: não importa se trabalhou anos a fio para chegar onde chegou. Será visto,
na grande maioria das vezes, como alguém que usufrui
de algo indevido.
Não ter alcançado algo almejado, às vezes, é sentido como culpa do outro que consegue. A inveja requer
uma comparação entre o eu e o outro e implica o desejo de suprimir diferenças. É uma maneira de nivelar
por baixo: se eu não posso ter, não suporto que o outro
tenha. No fundo, revela-se em uma questão de impotência.
Ao tentar quebrar a reputação de alguém bem- sucedido e com méritos para tanto, produz-se um alívio.
Funciona como um bálsamo, um emplasto para acalmar e dissimular a própria ira. Em tempos de alta performance, nada mais atual.
É aqui que entra o poder dos fracos, pessoas que
se comportam como se o outro lhe devesse alguma
coisa. Não ter alcançado algo almejado é sentido
como responsabilidade do outro que consegue esse
algo. São pessoas que dedicam a própria vida a contabilizar o crescimento de outros, sentem-se vítimas do
sucesso alheio.
Para o homo sapiens, é tão raro reconhecer o outro
em sua capacidade e valor quanto é comum compartilhar de críticas e ataques destrutivos. Basta observar.
Santo Agostinho já dizia que não é sem dor ou inveja
que uma criança pequena assiste ao seu irmão recém-nascido mamar no peito da mãe.
Por tratar-se de um sentimento bastante arcaico, a
passagem da inveja para uma condição mais evoluída
ocorre quando há a reparação, ou seja, reconhecimento
de um outro menos idealizado. Enquanto isso, haja espada de são Jorge!
Fátima Rabelo, psicóloga
VIVER Abril 6 - 2012
CELEBRE O AMOR DE SUA MÃE COM PRESENTES COOK ELETRORARO!
ILHA
PAREDE
INOX
INOX
VIDRO
COIFA JADE
‡ Sucção: 960m 3 /h
‡ 3 velocidades
‡ 4 luminárias
‡ Dupla filtragem
90CM
2.299
À VISTA R$
,00
OU 4X 574,75 S/ JUROS
COIFA AMETISTA
‡ 3 velocidades
‡ Dupla filtragem
‡ Sucção: 1.100 m³/h
‡ Visor LCD
90CM
1.599
À VISTA R$
,00
OU 4X 399,75 S/ JUROS
PAREDE
INOX
INOX
VIDRO
COIFA CRISTAL
‡ Sucção: 820m 3 /h
‡ 3 velocidades
‡ 2 luminárias
‡ Dupla filtragem
DEPURADOR ÓRION
INOX
‡ 3 velocidades
‡ dupla filtragem
‡ luminária
‡ Máscara captadora de ar
90CM
1.299
À VISTA R$
,00
OU 4X 324,75 S/ JUROS
60CM
299
À VISTA R$
,00
OU 4X 74,75 S/ JUROS
80CM
379
À VISTA R$
,00
OU 4X 94,75 S/ JUROS
COIFA TOPÁZIO
‡ Sucção: 820m 3 /h
‡ 3 velocidades
‡ 2 luminárias
‡ Funciona também como depurador
DEPURADOR ANTARES
BRANCO
‡ Exclusivo Sistema Biturbo com maior
capacidade de sucção e filtragem
‡ 3 velocidades
‡ Luminária
90CM
799
À VISTA R$
,00
OU 4X 199,75 S/ JUROS
60CM
289
À VISTA R$
,00
00
OU 4X 72,25 S/ JUROS
80CM
319
À VISTA R$
,00
OU 4X 79,75 S/ JUROS
TRIPLA CHAMA
LATERAL
VIDRO
TEMPERADO
TRIPLA
CHAMA
75CM
VIDRO
TEMPERADO
MENTO
LANÇA
COOK TOP 5 QUEIMADORES
COOK TOP 5 QUEIMADORES
‡ Acendimento automático
‡ Trempes em ferro fundido
‡ Botões multicontrol removíveis
‡ Acendimento automático
‡ Trempes antideslizantes
‡ Mesa sem furação
TRIPLA
CHAMA
999
À VISTA R$
,00
OU 4X 249,75 S/ JUROS
INOX
599
À VISTA R$
,00
OU 4X 149,75 S/ JUROS
VIDRO
TEMPERADO
COOK TOP 5 QUEIMADORES
COOK TOP 4 QUEIMADORES
‡ Grade em ferro fundido
‡ Botões multicontrol removíveis
‡ Mesa sem furação
‡ Acendimento superautomático
‡ Trempes antideslizantes
‡ Mesa sem furação
699
À VISTA R$
,00
OU 4X 174,75 S/ JUROS
399
À VISTA R$
,00
OU 4X 99,75 S/ JUROS
INOX
INOX
220V
GRILL
FORNO ELÉTRICO
DE EMBUTIR 56 LITROS
‡ Timer digital
‡ Turbo grill
‡ Revestimento interno antiaderente
1.599
À VISTA R$
,00
OU 4X 399,75 S/ JUROS
FORNO ELÉTRICO
DE EMBUTIR 46 LITROS
‡ Timer 120 min. c/ alarme
‡ Corpo interno autolimpante
‡ Abertura vertical da porta
899
À VISTA R$
,00
OU 4X 224,75 S/ JUROS
CHURRASQUEIRA
A GÁS
‡ 3 queimadores
‡ Bandeja p
para retirada
gordura
de gordu
‡
Termômetro
‡ Termômet
‡
‡ Funciona também a bafo
CHURRASQUEIRA A GÁS
‡ 3 queimadores
‡ Acendedor automático
‡ Grelhas
‡ Termômetro
1.899
À VISTA R$
,00
OU 4X 474,75 S/ JUROS
CARRINHO
INOX
2.799
À VISTA R$
$
,00
OU 4X 699,75
S/ JUROS
699,
INOX
ADEGA TOULOUSE
‡ Ausência de vibrações
‡ Iluminação interna com LEDS
‡ Refrigeração por compressor
‡ Seletor de temperatura
28
GARRAFAS
BANCADA
ADEGA LYON
‡ Display digital
‡ Iluminação interna com LEDS
‡ Refrigeração por compressor
‡ Seletor de temperatura
13
GARRAFAS
INOX
INOX
1.099
À VISTA R$
,00
OU 4X 274,75 S/ JUROS
799
À VI
VISTA R$
,00
OU 4
4X 199,75 S/ JUROS
MÁQUINA DE GELO
PA SSADEIRA
PROFISSIONAL
‡ Display digital
‡ Faz 15kg de gelo/dia
‡ Gelo em 3 tamanhos
‡‡ Hi
Higieniza sua roupa
‡‡ Pa
Passa suas roupas
‡‡ Re
Retira odores
299
BRANCA
Á VISTA R$
,00
OU 4X 74,75 S/ JUROS
999
À VISTA R$
,00
OU 4X 249,75 S/ JUROS
ANTIADERENTE
GRILL &
SANDUICHEIRA INOX
59,90
À VISTA R$
TORRADEIRA INOX
À VISTA R$
59,90
‡ 3 funções: descongela,
reaquece e cancela
‡ 6 níveis de tostagem
‡ Coletor de migalhas
‡ Ideal para grelhados
e sanduíches
‡ Revestimento antiaderente
‡ Trava de segurança
300W
DIÂMETRO
36CM
INOX
3
VELOCIDADES
139
GRILL SABOR
‡ Aquece, assa, tosta e grelha
‡ Chapa antiaderente removível
‡ Seletor de temperatura
BATEDEIRA BATPLUS
À VISTA R$
,00
OU 4X 34,75 S/ JUROS
‡ 2 pares de batedores
‡ Tigela inox com giro
automático e capacidade
para 2,5 litros
119
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,00
OU 4X 29,75 S/ JUROS
500W
CAFETEIRA
20 XÍCARAS
JARRA
TÉRMICA
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5
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‡ 3 funções na tampa:
aberta, fechada
e com filtro
‡ Filtro para sementes
e bagaço
‡
‡ Placa aquecedora: café
sempre quente
‡
‡ Filtro permanente
‡
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DO CLIENTE. NOS RESERVAMOS O DIREITO A ERROS GRÁFICOS. FOTOS MERAMENTE ILUSTRATIVAS.
Hermógenes Ladeira
Prazo de validade
Alguns anos são passados desde que a legislação específica estabeleceu a exigência para que as embalagens de
diversos produtos de consumo passassem a exibir o prazo
de validade de seu conteúdo. Todos fomos nos acostumando e hoje já nem percebemos o quanto esta informação
trouxe de benefício para todos os consumidores. Encontrar
um produto com validade vencida, em qualquer estabelecimento comercial, é o suficiente para uma grave denúncia
em defesa do consumidor.
Diante disso tenho pensado sobre a conveniência de
se implantar também o prazo de validade para as pessoas.
Assim como alguns produtos recomendam seu consumo
em tantos dias, as pessoas teriam o seu prazo de validade
para determinado número de horas ou dias. Tenho certeza
que você já passou pelo dissabor de ter um interlocutor em
uma mesa de bar ou, pior ainda, de pé em uma recepção, e
não saber como dar o fora. São os chamados espalha roda.
Alguns se tornam tão conhecidos que só os desavisados se
aproximam. Existem casais tambem. Seu prazo de validade
é de alguns minutos, ou já vencido, e se você não tiver alguém para lhe salvar foi-se embora sua festa. Existem ainda
aqueles que lhe fazem uma visita inesperada. “Viemos sem
avisar porque queríamos lhes fazer uma surpresa.” E como
fazem. Inexoravelmente aproveitam a surpresa para lhe
fazer um pedido. Habitualmente de difícil atendimento.
O problema que enfrento
é como expor a todos esse
prazo. Não dá para imprimir
na testa de cada um, ainda
que a vontade seja essa
E existem ainda aqueles absolutamente cara de pau.
Por incrível que pareça comparecem a recepções, especialmente de casamentos, sem terem sido convidados. Já
vi alguns que marcaram presença até na igreja. Cumprimentam os pais dos noivos, um dos dois eles naturalmente
conhecem, os próprios noivos e se aboletam numa mesa
sempre perto do bufê. Falam, bebem e comem a se fartar. E
como em geral são conhecidos deixam a dúvida: quem os
convidou ? Os pais da noiva ou do noivo?
E tem também os verdadeiros profissionais, estes dediVIVER Abril 6 - 2012
cados a eventos comerciais, grandes coquetéis ou até mesmo, acreditem, jantares comemorativos. A mesma dúvida
se instala. Quem convidou? E, por favor, não imaginem que
a necessidade de convite os possa constranger. Muito ao
contrário. Como, lamentavelmente, os mineiros não têm o
cuidado de confirmar previamente sua presença, como solicitado, eles são o primeiro a fazê-lo. Tomam conhecimento do evento pelas colunas sociais. Surpreendem a muitos
com seu pretenso grau de relacionamento. E costumam
ser tão cuidadosos que, se houver antes da recepção uma
solenidade, eles cuidam de a esta comparecer também. E
em lugar bem visível.
Mas nada se compara ao hóspede que estende sua
presença por dias, semanas até. Nos primeiros momentos
apresenta-se solícito, colaborando com os anfitriões nas
providências de manter a casa em ordem. Arruma sua
cama e só bebe o que lhe é oferecido. Mas sua resistência é
curta. Em pouco tempo já está dando ordens à empregada
doméstica e solicitando ao anfitrião seu uísque preferido,
mesmo que não seja o mesmo deste. Na cozinha já sugere
o cardápio e a intimidade se estabelece numa velocidade
inacreditável. E insuportável também.
Surgem também nas viagens. Ninguém sabe quem
sugeriu sua presença e poucos têm a coragem de indagar
aos demais companheiros sobre isso. Ocupam o maior espaço e se a viagem é de casais, você realmente jamais irá se
esquecer desses dias.
Certamente existe um número enorme de oportunidades para você desfrutar da companhia dessas pessoas
com prazo de validade vencido. O problema que enfrento
é como expor a todos esse prazo de validade. Não dá para
imprimir na testa de cada um, ainda que a vontade seja
essa. Nem tampouco etiquetá-los, como seria desejável.
A solução mais viável é a transmissão pessoal. Com algum cuidado, mas sem grandes cerimônias. Trata-se afinal
de uma medida preventiva e de interesse coletivo. Evita,
para muitos, um mal-estar insuportável, dor de cabeça e
até mesmo enjoos. Faça sua avaliação pesssoal e repasse.
Finalmente, como medida de precaução, peça a um amigo para fazer a avaliação de seu prazo de validade. Não se
surpreenda se você estiver sendo mais otimista consigo
mesmo que os demais. É da vida.
Hermógenes Ladeira, empresário
87
ES PEC IAL
Babá pro Totó
Animais viraram
membros da família
e agora conquistaram
o serviço de pet sitter
para reforçar ainda
mais a humanização
Fotos: Nélio Rodrigues
ELIANA FONSECA
N
ão restou quase nada do tempo
em que totó era apenas o cão
que comia o resto dos donos e
dormia num reles canto do terreiro.
A força do mercado pet no Brasil está
nos números. Em 2011, foram 12,2 bilhões de dólares de investimentos no
setor e a constatação de que a chamada humanização dos animais por
parte de donos chegou a um patamar
em que o animal doméstico – algo em
torno de 100 milhões no Brasil – virou
mais um membro da família e, como
tal, precisa ter supridas várias de suas
necessidades. E como a correria é a
pior inimiga do homem moderno, sobra pouco tempo para os cães, os gatos, os pássaros e o que mais houver.
Quer dizer, faltava. Não é uma profissão recente em cidades como São
Paulo e Rio de Janeiro, mas o chamado
pet sitter, ou babá de animais, chega
a Belo Horizonte com força total prometendo um cuidado que inclui desde a socialização do animal até zelo
com higiene e saúde. Não é um serviço
barato, mas a promessa é a de menos
estresse para o bicho, tratamento personalizado e a manutenção da rotina
criada pelo proprietário.
Apesar de já ser possível encontrar
vários profissionais pet sitter em Belo
Horizonte, ainda não há uma escola
88
PRISCILA QUEIROZ: “Estou
apostando na profissão”
VIVER Abril 6 - 2012
especializada na nova função. A estudante Priscila Michele Queiroz, 23, resolveu, no ano passado, se transformar
em pet sitter. Primeiro procurou um
curso para especialização. Como não
encontrou nenhum específico, já economiza dinheiro para fazer curso em
São Paulo. A história de se transformar
em cuidadora de animais começou
com o incentivo do namorado, médico veterinário, somado a um momento de desemprego e a paixão da moça
pelos animais. Ela é dona de um cão,
uma gata e uma calopsita.
Para cada saída – em que pode
dar banho, comida, cuidar da higiene, levar para passear e também ao
veterinário, Priscila pode cobrar até
32 reais, mas é possível, se houver um
pacote, diminuir esse preço. Por enquanto, ela diz que o retorno financeiro é pequeno, mas o investimento
é na divulgação do trabalho. “Estou
apostando na profissão de pet sitter.
Acredito que, para ser uma boa profissional, é preciso carinho, atenção para
com os animais e principalmente o
aperfeiçoamento para aprender mais
sobre o comportamento deles.”
Na nova profissão, há aquelas que
têm dedicação em tempo integral, o
que pode acabar não sendo uma melhor solução para o pet sitter. Este foi
o caso de Jaqueline Rosária Neto, 28,
LUIZA MAYRINK:
“Espero que as pessoas
vejam os benefícios”
VIVER Abril 6 - 2012
que foi babá de cachorros por nove
meses e chegou a ganhar, mensalmente, média de 2 mil reais (salário, mais
extra por finais de semana) para cuidar exclusivamente de três cockers. O
problema é que começou a não ter finais de semana já que a proprietária
dos cachorros viajava muito e como
Jaqueline era a única para esses cuidados, acabava tendo folgas limitadas.
“Comecei a viver, literalmente, a vida
FIQUE LIGADO
Confira o que faz o pet sitter
Q
Q
Q
Q
O que faz: alimenta, leva para
passeios e ao veterinário, brinca,
limpa e recolhe os dejetos do animal
Sempre procure referências já que
o profissional terá acesso à sua casa
quando você não estiver nela
Esteja atento quando o pet sitter
for passear com o animal: é preciso
utilizar uma boa coleira e pedir que
ele identifique o animal. Em casos
de bichos mais velhos ou doentes,
procure um veterinário que dará todas
as instruções sobre os passeios
Preços: variam e podem ser
combinados de acordo com o
número de dias de visita do pet
sitter. A média é de 30 reais por
visita, que pode chegar a até 18
reais se o dono do cão fechar um
pacote com o profissional
dos cães. Não podia fazer nada.”
A pet sitter e dog walker – que leva
animais para passear – Luiza Mayrink
cuida de cães há três anos e diz que
seu serviço é mais requisitado nos períodos de férias ou nas viagens a trabalho dos proprietários. Por enquanto,
considera o ganho mensal com a profissão apenas uma ajuda de custo,
já que mesmo tendo a média de seis
clientes, os recursos não são suficientes. Mesmo assim, não desiste. Diz que
decidiu-se pela profissão porque adora animais e é a oportunidade de dar
conforto num ambiente conhecido e
seguro, evitando latidos e choros indesejados. “Espero que, futuramente,
as pessoas vejam os benefícios em deixar seu animal com um profissional de
confiança”, diz. Luiza cobra em média
25 reais nos dias de semana e 30, nos
finais de semana, por hora.
A nova profissão é vista com bons
olhos por especialistas em comportamento animal. A veterinária Fernanda
Kerr, da ONG Arca Brasil, afirma que o
pet sitter é um profissional interessante, principalmente para cães e gatos
que não se adaptam fora do ambiente
da casa e se estressam muito quando
o proprietário precisa se ausentar. “O
pet sitter talvez seja o melhor serviço
para esse tipo de espécie porque ele
vai ser cuidado num ambiente em que
se sente seguro.”
Para quem não tem disponibilidade financeira para arcar com exclusividade e pensa em contratá-lo
por visitas, a veterinária diz que o sinal amarelo só deve acender quando
se tratar de segurança, já que o profissional terá acesso à casa do dono. Por
isso, Fernanda afirma que é essencial
ter referências de quem já usou o serviço. “É preciso estabelecer primeiro
um vínculo de confiança. Outro ponto
é que, apesar de o pet sitter prestar um
serviço para o bem-estar mental e físico do animal, ele não substitui o dono.
Ele também precisa participar da rotina do animal”, avisa.
89
POR FERNANDO TORRES
ORGÂNICO AMARGO,
DA CHOKOLAH
*162 KCAL
Utiliza amêndoas orgânicas
da variedade brasileira híbrido
trinitário, livres de agrotóxicos,
fertilizantes e gordura trans.
É o único chocolate do país
certificado pela Ecocert
CHIA, DA GENEVY
*139 KCAL
A semente hipernutritiva
– rica em ômega 3,
fibras, antioxidantes e
proteínas – se infiltrou nas
camadas deste ovo de Páscoa.
Com 54% de cacau, a iguaria ainda
promete potencializar o emagrecimento
ALFARROBA COM
BANANA,
DA CAROBHOUSE
*136 KCAL
Parece chocolate, mas não é.
Tipo de vagem mediterrânea,
a alfarroba possui menos
gordura que o cacau (0,7%
ante 23%), não tem cafeína,
é rica em minerais e
concentra 40% de açúcares
naturais, dispensando os
cristais refinados
Páscoa
saudável
Já se foi o tempo em que a
Páscoa era a vilã das dietas.
Hoje, é possível degustar ovos
de chocolate sem alterar os
ponteiros da balança. Confira
aqui uma seleção de
opções leves, pouco
calóricas e, ainda por
cima, saborosas.
Mas vá com calma:
consuma até 30 g por dia.
Fotos: Divulgação
DIET, DA GOLD
PREMIUM SWEET
*133 KCAL
Substitui o açúcar
pelo adoçante
sucralose, sem
restrições de uso.
Embora seja pouco
calórico, a principal
indicação é para
diabéticos: como
todos os chocolates
diet, a receita leva
um pouco mais de
gordura que o normal
CHOCOSOY (SOJA), DA OLVEBRA
*164 KCAL
* Totais de calorias em 30 g
ESTÁ LIBERADO
Quer emagrecer? Coma chocolate. “O consumo moderado e frequente ajuda na
redução da deposição de gordura, contrabalanceando as calorias adicionadas”,
diz estudo da Universidade da Califórnia (EUA). O benefício só vale para as
versões com maior concentração de cacau, o responsável pelo milagre.
Alternativa para quem tem
intolerância à lactose ou alergia
à proteína do leite, o chocolate
de soja contém ainda isoflavonas
(compostos que aliviam os
sintomas da menopausa),
aminoácidos essenciais e
proteínas de alto valor biológico
Pedro Vilela
90
BANHO DE CHOCOLATE
AÇÃO NA PELE
Nada mais justo que os prazeres da Páscoa se estendam
para a beleza. Pensando nisso, a Clínica de Estética e Spa
Renata Fontany, no bairro Cidade Nova, criou um ritual à
base de chocolate. “O banho une aroma e hidratação e é
especialmente indicado para peles ressecadas”, afirma a
terapeuta Renata Fontany. Dividida em quatro etapas, o
tratamento de 70 minutos inclui esfoliação corporal, máscara
facial, relax na banheira e massagem aromatizante. É para
chocólatra nenhum botar defeito.
z Vitaminas A, C e E
z Ferro
z Polifenóis
antioxidantes
z Ácido oleico
(combate o estresse
e o envelhecimento)
VIVER Abril 6 - 2012
Uns querem emagrecer; outros,
ganhar peso. O fato é que 39% dos
adolescentes entre 13 e 15 anos de
Belo Horizonte estão insatisfeitos
com o próprio corpo, segundo o
IBGE. “O alto índice é decorrente
da pressão da sociedade de
alcançar um corpo perfeito. Os
meninos querem ser musculosos,
e as meninas, esguias e magras”, analisa a endocrinologista Maria
Edna de Melo, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade
da Síndrome Metabólica (Abeso). Pais e educadores precisam ficar
alertas quando a preocupação com o físico ultrapassa os limites,
como pular refeições, vomitar e usar medicamentos ou suplementos
sem orientação. “A família deve proporcionar um estilo de vida
saudável e equilibrado, sem excessos. ”, frisa.
Shutterstock
Falso reflexo
PERFIL DOS ADOLESCENTES EM BH
18,4%
20,9%
se acham muito gordos
se acham muito magros
8,1% já tomaram
13,6% fazem algo
remédios para emagrecer
para ganhar peso
Fonte: IBGE
Aposente a cadeira do escritório. Utopia? Pelo
menos, tente ficar mais tempo em pé. O hábito de
permanecer 11 horas ou mais por dia sentado coloca
sua vida em perigo, avisa estudo da Universidade
de Sidney, na Austrália. Mas dá para driblar as
consequências desse mau hábito moderno.
“Interrompa o trabalho pelo menos de duas em
duas horas para se alongar e caminhar um pouco.
Isso ajuda a evitar dores nas costas e no
pescoço, problemas de postura e
lesões por esforço repetitivo”, orienta
o médico Breno Figueiredo Gomes,
presidente da Sociedade Brasileira
de Clínica Médica (SBCM-MG).
E nada de voltar para a cadeira nos
momentos de lazer. “Use o
tempo livre para se exercitar,
em vez de ficar em frente a
TV e ao videogame”, sugere.
VIVER Abril 6 - 2012
Shutterstock
Levante-se!
Quem permanece
muito tempo
sentado tem
40%
a mais de risco de morte
* Índice calculado para pessoas
acima de 45 anos
Pedro Vilela
ESPORTE
MARATONA: largada da
Cidade Administrativa
como nos anos
anteriores
Agora
são 42 km
Maratona da Linha Verde dobra percurso e programa duas corridas
menores para quem ainda não tem fôlego de profissional
CELSO FILHO
O
calendário dos corredores já
possui uma data consolidada
em Belo Horizonte: o dia da Maratona da Linha Verde. Neste ano, as
provas acontecem no dia 29 de abril.
Em sua sexta edição, o evento traz novidades, com três corridas para diferentes tipos de competidores e níveis
de dificuldade. Para quem tem fôlego, o percurso dobrou e conta agora
com 42 km. Já para os mais iniciantes,
as tradicionais meia-maratona, de 21
km, e a Corrida da Família, com 6 mil
metros, continuam sendo opção para
quem quer participar, mas não possui
o pique de corredor profissional.
Com duas subidas significativas e
outros desnivelamentos, a maratona
exige fôlego do atleta e um preparo de
92
até oito meses. Dada a largada na Cidade Administrativa, o percurso principal desce pela Linha Verde e avenida
Antônio Carlos, quando alcança a Tereza Cristina e a segue até a altura do
bairro Coração Eucarístico. Em seguida, faz o sentido inverso, passando
pela avenida dos Andradas, até a Copasa, e voltando, por fim, para a praça
da Estação. Para quem quer se esforçar
menos, a meia-maratona passa por
metade do caminho – da Cidade Administrativa até a praça da Estação. Já
a Corrida da Família, para os iniciantes, sai da praça, vai até o Boulevard
Shopping e volta para o ponto inicial,
em uma pista plana.
Com três percursos e expectativa de 7 mil competidores, a By Japão
Promoções e Eventos, organizadora
das provas, declara estar tomando todas as medidas necessárias para a segurança dos participantes e para não
atrapalhar o trânsito da capital, que já
se agrava com as obras para a Copa de
2014. “BH está um canteiro de obras.
Mas temos acertado com os órgãos
competentes, como o DER, Dnit e as
polícias, e já foi traçada uma estrutura para não comprometer o desempenho dos atletas ou a rotina da cidade”,
explica Japão, organizador do evento.
Além disso, as provas estão marcadas
para começar às 6h30, horário de pouco fluxo.
Com cinco anos de história, a prova conta, majoritariamente, com atletas entre 25 e 30 anos de idade, sendo
VIVER Abril 6 - 2012
PREPARE-SE
Japão, consultor-técnico e organizador do evento,
dá dicas para quem planeja participar da Maratona
da Linha Verde ou de outras corridas:
1. Toda maratona exige
preparação longa. Inicie com
treinos de volume (largas
distâncias), acompanhados
da musculação. Somente nos
últimos meses concentre-se
em um treino de velocidade
2. Para se vestir, use tecidos
mais leves e que facilitam
a transpiração, abaixando,
assim, a temperatura
corporal
3. O calçado deve ser um
tênis que você já está
acostumado a treinar. Nada
de experimentar algo novo
no dia da prova
4. Na semana da maratona,
não fuja da dieta balanceada
que você já faz. Na manhã
da prova, a alimentação
deve ser feita uma hora e
meia ou duas horas antes da
competição. Dê preferência
para sucos, frutas e pães
5. Durma bem a semana toda,
com rotina de oito horas
diárias, especialmente no
dia da prova
6. Na Maratona da Linha Verde,
haverá postos de
hidratação a cada 2,5 km,
com isotônicos em seis
destes locais. A cada ponto,
tome um pouco de água
e jogue na cabeça para
refrescá-lo
7. Utilize bonés e viseiras
apenas se você já tem o
costume
8. Na noite anterior, faça checklist do que vai levar para a
prova, programando-se para
chegar uma hora antes da
largada. Vale procurar saber
como vai ser o transporte
até o
local
aéreo + hospedagem + alimentação
+ traslados + seguro de viagem
DIA DO TRABALHO
SERHS NATAL (Natal - RN)
7 noites + Café + City Tour c/ Litoral Sul
A partir de R$ 2.340, ou R$ 585, + 9x R$
195,
SAUÍPE CLASS (Sauípe - BA)
7 noites + Café e Jantar
A partir de R$ 2.347, ou R$ 592, + 9x R$
195,
BEACH CLASS RESORT (P. de Galinhas - PE)
7 noites + Café e Jantar
A partir de R$ 3.135, ou R$ 786, + 9x R$
261,
DESTINOS INTERNACIONAIS
SANTIAGO & SKI
4 noites + Café + Visita à estação de ski
A partir de R$ 2.279, ou R$ 578, + 9x R$
189,
(BASE US$ 1.187,)
VIVER Abril 6 - 2012
SANTIAGO & SKI
7 noites + Café + Visita à estação de ski
A partir de R$ 2.851, ou R$ 718, + 9x R$
237,
(BASE US$ 1.485,)
BARILOCHE E BUENOS AIRES
7 noites + Café + City Tour
A partir de R$ 3.679, ou R$ 925, + 9x R$
306,
(BASE US$ 1.916,)
JAPÃO:
estrutura
para
ajudar os
atletas
Nélio Rodrigues
profissionais ou não.
Neste ano, as provas terão presença de atletas de
diversas partes do Brasil e do
exterior, como Quênia e Tanzânia. Para isto, a By Japão
oferece pacotes com hospedagem e transporte para o local
da prova. Além disso, para os
belo-horizontinos, maioria na
competição, a organização, em
parceria com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU),
oferece tíquete do metrô para os
participantes se locomoverem até
a Cidade Administrativa.
Para mais informações e inscrições, acesse www.meiamaratonalinhaverde.com.br.
Compre com seu agente de viagens
e peça por pacotes da Viagens Master.
Consulte também outras datas,
destinos e quantidades de noites.
Preços por pessoa, em apto duplo e sujeitos a reajuste sem prévio aviso. Preços
dos destinos internacionais válidos para saidas em julho (favor consultar). Preços
GRVGHVWLQRVQDFLRQDLVYiOLGRVSDUDVDtGDHP$pUHR&RQÀQVGHVWLQR
&RQÀQV 7UDVODGRV DHURSRUWRKRWHODHURSRUWR 1mR LQFOXL WD[D GH HPEDUTXH
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SAÚ D E
Culpa
dos pais?
FERNANDO TORRES
D
e quem é a responsabilidade pela
crescente epidemia de crianças e
adolescentes rechonchudos? Para o
pediatra David Ludwig e a advogada Lindsey Murtag, pesquisadores da Universidade
de Harvard (EUA), a principal responsável
é a família, que não consegue controlar o
cardápio dos filhos. Os estudiosos vão mais
além: defendem que os pais de crianças
obesas devem perder a guarda dos filhos.
A drástica medida, aliás, já saiu do papel em alguns países da Europa. Em Dundee, na Escócia, por exemplo, um
casal com seis filhos perdeu a
guarda dos dois mais novos. A
justificativa do estado foi de
que as duas crianças caminhavam para a obesidade
mórbida, da mesma forma que os irmãos mais
velhos – o primogênito,
de 12, pesava 100 quilos.
Para efeito de comparação, o caçula, de 3 anos,
já acumulava 25 quilos.
Mas antes da punição, o
serviço social do governo escocês investiu em
tratamento avaliado em
350 mil reais, que incluía
acompanhamento médico,
nutricional e rotina de atividade física. Sem sucesso.
No Brasil – onde uma em cada
três crianças entre 5 e 9 anos está com
Aumento do peso de
crianças é visto por
especialistas como
responsabilidade da
família. Há quem
defenda a perda da
guarda dos filhos
excesso de peso, segundo o IBGE (veja
quadro na página ao lado) –, a medida
também é considerada legal. “Tanto o
Código Civil quanto o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) preveem que
o direito à vida e à saúde da criança é
fundamental. Ao ser ameaçado de alguma forma, e a obesidade é uma ameaça,
o estado pode intervir para tentar resolver a questão”, analisa o advogado Rodrigo Catanema, professor de Direito da
Família no Centro Universitário de Belo
Horizonte (UNI-BH). Porém, a intervenção só é válida em casos de obesidade
mórbida e jamais como primeira medida. “Antes, devem
ser tentados outros meios,
como tratamento ambulatorial, médico e psicológico”, completa.
Mas e quando
a família busca tratamento e não obtém sucesso? É o que
acontece com o pequeno Bernardo Figueiredo, de Três
Corações, no Sul de
Minas. Com apenas 10 anos, ele pesa
65 quilos, divididos em
1,48 metros. Isso equivale a 29 kg/m2 de Índice de Massa Corporal
(IMC), caracterizando
obesidade. “Há quatro anos,
ele faz tratamento com nutricionis-
Shutterstock
94
VIVER Abril 6 - 2012
ta. Consegue perder uns três quilos,
mas logo recupera novamente”, conta
a mãe, Maria Olímpia. Ela diz controlar a alimentação: evita biscoitos, frituras e doces. Refrigerantes? Só no fim de
semana e sempre sem açúcar.
Embora não coma muitas guloseimas, Bernardo tem hipotireoidismo,
é ansioso e come o tempo todo e em
grandes quantidades. “Um dia desses,
o peguei assaltando a geladeira à noite,
com um pratão de arroz, feijão, angu
e carne moída”, relata. Outro problema é o sedentarismo. A família já tentou matricular Bernardo em aulas de
tênis, hipismo, natação... “Ele fica no
máximo dois meses e desiste. Estou
me sentindo cada vez mais incapaz.”
Mesmo assim, Maria Olímpia não
acharia justo se, porventura, viesse a
perder a guarda de Bernardo. “É muito
fácil apontar a família como culpada,
mas não ver o esforço que ela tem no
dia a dia para controlar o peso dos filhos, especialmente quando eles ficam
um pouco mais velhos”, diz.
Os hábitos alimentares são formados nos primeiros anos de vida. Nesse aspecto, os pais são exemplos das
crianças. “Não é raro ver uma criança
gordinha ao lado de um familiar obeso”, relaciona o pediatra Antônio José
das Chagas, presidente do Comitê de
Endocrinologia Pediátrica da Sociedade Mineira de Pediatria. Outro problema é que as famílias têm percepção
errada do peso das crianças. “Mesmo em níveis sociais elevados, os pais
acham que o menino mais cheinho é
mais bonito, especialmente nos primeiros quatro anos. Só depois, é que
eles se dão conta do problema. Mas aí
pode ser tarde”, aponta Chagas.
A rotina das crianças, especialmente nas grandes cidades, também
não ajuda. “Na maioria dos lares, elas
trocam as atividades físicas pela TV
ou o computador e tem alimentação
baseada em produtos industrializados, pobres em nutrientes”, afirma a
nutricionista Joyce Batista, diretoraVIVER Abril 6 - 2012
DE OLHO NA BALANÇA
Como está o índice de gordura de nossas crianças:
5 a 9 anos
Meninos
Meninas
Excesso de peso
34%
32%
A partir de 10 anos
Excesso de peso
Meninos
21,15%
Meninas
19,4%
FIQUE LIGADO
Aprenda a calcular seu Índice de
Massa Corporal (IMC). É ele que
determina o nível de obesidade:
Peso do corpo em kg
Altura x altura
Resultado
Igual ou menor que 18 kg/m²:
abaixo do peso
Entre 19 kg/m² e 24 kg/m²:
peso normal
Entre 25 kg/m² e 26 kg/m²:
sobrepeso
Entre 27 kg/m² e 39 kg/m²:
obesidade
Igual ou acima de 40 kg/m²:
obesidade mórbida
-secretária do Conselho Regional de
Nutrição de Minas Gerais. Ela não
concorda com a intervenção do estado na guarda dos filhos, mas acredita
que crianças com distúrbios alimentares precisam de acompanhamento
permanente. “O correto seria a inserção de políticas públicas voltadas para
os pais, com acompanhamento psicológico”, opina.
Boa notícia: o problema não
está invisível aos olhos do Ministério da Saúde. A redução da obesidade infantil é um dos temas tratados
no Plano de Ações Estratégicas para
Obesidade
16,6%
11,8%
SXC
Obesidade
5,8%
4%
Fonte: Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada pelo IBGE em 2010
Enfrentamento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis 2011-2012. A
meta pretende reduzir em 8,8% o índice de obesidade entre crianças de 5
a 9 anos. Para isso, várias medidas serão necessárias. Entre elas, o governo
pretende instalar 5 mil polos de academias de saúde gratuitas no Brasil
até 2014, promover ações nas escolas
com profissionais de saúde, publicar
guias alimentares e controlar os teores
de algumas substâncias nos alimentos
industrializados, como açúcar, sódio
e gordura trans – biscoitos, por exemplo, terão 19,5% menos sódio até 2014.
Mas isso não tira a responsabilidade da família em controlar a balança
dos pimpolhos. Mineira de Belo Horizonte, Lorena Oliveira já chegou a pesar 53 quilos, com 1,40 metros, o que
lhe rendeu IMC de 27 kg/m2, início de
obesidade. “Quando vi que ela começou a engordar mais do que a crescer,
aos 5 anos, levei ao endocrinologista”,
lembra a mãe, Maria José. Pelo exame
de sangue, a garota foi diagnosticada
até com colesterol alto.
Mas a família decidiu virar a mesa,
literalmente, neste caso. Refrigerantes
e doces, que já não eram frequentes, ficaram ainda mais raros, em reduzidas
quantidades. A garota também iniciou
atividade física. Primeiro veio a natação; depois o balé. Hoje, adolescente,
Lorena pesa 60 quilos, mede 1,69 metros e tem IMC de 21 kg/m2, caracterizado como peso normal. Final feliz.
95
POR LUCIANA AVELINO
Fotos: Pedro Vilela
Bacalhau
na crosta de
amêndoas
(porção individual)
Ingredientes
270 g de filé de bacalhau
150 g de amêndoas torradas
20 ml de azeite
170 g de tagliatelle al dente
30 g de minitomate italiano
Modo de preparo:
zzz Passar o bacalhau nas amêndoas torradas e fritá-lo no azeite
bem aquecido
zzz Faça o macarrão tagliatele al dente e reserve
zzz Em seguida, faça o molho com creme de leite, reduzido em 50%,
acrescentando os tomates, o manjericão e as azeitonas
zzz Envolva o tagliatelle. Na montagem, disponha o bacalhau no
centro do prato. Coloque a massa em volta e finalize com pimenta rosa
(suit grape)
5 g de manjericão
15 g de azeitonas verdes picadas
200 ml de creme de leite
5 g de pimenta rosa
96
CÁSSIA CASTRO
A chef mineira, de 21 anos, comanda a cozinha do
Antonucci desde sua inauguração em outubro do ano
passado, na Savassi. Para compor o menu da casa, ela
elaborou pratos da culinária internacional e manteve a
maior parte das pizzas que eram servidas no endereço.
Formada em gastronomia, fez estágio no Vecchio Sogno
e trabalhou como auxiliar na Fabbrica Spaghetteria.
VIVER Abril 6 - 2012
e mais...
Rio Verde,
Victor Schwaner
Delícia
maciça
Chocólatros com certeza vão
ao delírio nas páscoas da
vida. Também não é para menos. A cada ano, o mercado
lança mais e mais modelos
deliciosos. Ao contrário da
maioria que rende recheios
tão quão atraentes, a fábrica
mineira Qoy, das empresárias
e irmãs Andrea e Flávia Falci,
produz ovos de chocolate
totalmente maciços. São dois
sabores de dar água na boca:
trufa e marshmallow. Para potencializar o pecado da gula, a chocolatier
Andrea sugere colocar o ovo trufado oito minutos no micro-ondas e servir
com sorvete de creme.
paixão pelos
vinhos de terroir
Vinhos de terroir são aqueles que
expressam as características peculiares de
sua terra natal. É a perfeita combinação
dos fatores naturais e humanos: o solo,
clima, meio ambiente, as técnicas de
produção criadas pelo homem e que são
transmitidas de geração em geração.
A Rio Verde acredita nisto. Para nós, um
grande vinho é somente aquele que
reflete em sua cor, aroma e sabor toda a
geografia, história e cultura de seu terroir.
WWW.CASARIOVERDE.COM.BR
Fotos: Pedro Vilela
Festival
Para quem gosta mesmo do peixe
mais popular desta época do ano, o
bacalhau, o restaurante internacional
Quinto do Ouro, do Hotel Ouro Minas,
preparou menu especial. Até o final
do mês de abril, o cardápio elaborado pelo chef Juliano Marques, que
comanda a cozinha local, disponibiliza quatro pratos principais e
entradas à base da pedida. “Por ser
versátil, o bacalhau rende receitas
criativas.” Pelo cardápio individual,
com entrada, prato principal e
sobremesa, será cobrado o valor de
89 reais. Para arrematar a refeição,
sobremesas que, claro, têm tudo a
ver com os ingredientes tradicionais
do período, como o semifredo de
chocolate, feito com chocolate meio
amargo e crocante de castanhas.
VIVER Abril 6 - 2012
NOSSAS LOJAS
SAVASSI AV. DO CONTORNO, 5816 – 31 3282.1249
PRUDENTE AV. PRUDENTE DE MORAIS, 616 – 31 3296.5950
BRASIL AV. BRASIL, 653 – 31 3224.2611
SION AV. URUGUAI, 835 – 31 3225.1185
LOURDES RUA CURITIBA, 2.039 – 31 3275.1237
GUTIERREZ RUA ANDRÉ CAVALCANTI, 388 – 31 3337.4730
CONTORNO AV. DO CONTORNO, 5795 – 31 3282.1249
STOP CENTER BR 040, JD. CANADÁ – 31 3541.5956
BREVE NOVA LOJA
LOURDES PRAÇA MARÍLIA DE DIRCEU, 104
FALE CONOSCO 31 3116.2300
TU R ISMO
STOCK YARDS:
shopping a
céu aberto com
temática country
Cenário de
faroeste
Fort Worth, no Texas, mantém viva a tradição
do velho oeste. E faz questão de ser assim
CLÁUDIA REZENDE, DE FORT WORTH
H
oje quase ninguém ouve falar no assunto. Já não é tema das grandes produções de Hollywood, não estampa as revistas nas bancas, não tem os maiores
galãs do planeta como protagonistas. Mas, lá, no coração do Texas, a cultura do western, dos filmes de bangue-bangue que fizeram tanto sucesso até os anos
1970, está viva, presente, forte, enraizada. Fort Worth é o nome da cidade. Mais que
a famosa Dallas, ela sustenta, orgulha-se, expõe, valoriza a cultura caubói. Está nas
98
VIVER Abril 6 - 2012
BASS
PERFORMANCE HALL:
exemplo de arquitetura
da cidade
reau
r ’s Bu
Visito
&
n
entio
Conv
orth
Fort W
:
s
o
t
Fo
ruas, nas lojas, nas lanchonetes caubói,
no saloon. Em tudo: bota, cinto, chapéu, camisa quadriculada, calça jeans.
Estando lá, tudo isso, você vai ver. E não
é pouco. Assim, impressionada com
esse retorno aos tempos do velho oeste, é que a reportagem da Viver Brasil
mergulhou nesse mundo tão distante
do urbano das cidades.
Fort Worth é a rival de Dallas no
quesito cultura caubói. Quem é de lá
garante que a cidade é a verdadeira defensora do patrimônio do velho oeste.
Dizem que, do outro lado, em Dallas, a
versão é outra. Quem mora na cidade
mais famosa afirma: ela é que sustenta
a tradição. Para saber, é preciso passar
uma temporada em cada uma e chegar
à conclusão. Não foi esse o caso. Por
enquanto, aqui, só se pode falar de Fort
Worth. E concluir que, lá, realmente, o
espírito caubói domina a cena.
De Belo Horizonte, para chegar
a Fort Worth, é uma viagem fácil. Há
voos diretos para Miami. De lá, pega-se
outro para Fort Worth/Dallas: mais ou
menos três horas. O aeroporto das duas
cidades é o mesmo. Aliás, merece um
parêntese o Dallas Fort Worth (DFW).
Estar lá é se sentir pequeno diante da
estrutura que o Brasil não tem no setor aeroportuário. São cinco terminais
e área – somando a que ainda está disVIVER Abril 6 - 2012
ponível para futuros projetos – maior
que a ilha de Manhattan. Dá para visualizar? O local já possui amplas dimensões e gama de serviços e apoio
ao usuário. Isso utilizando 60% de sua
área. Ou seja, ainda há 40% do terreno
para que o aeroporto se expanda.
O DFW tem capacidade para 150
mil passageiros por dia, sendo que o
setor de migração pode receber de 2 a
3 mil pessoas por hora. Há voo direto
para 145 destinos, é o maior do país em
tamanho e é o que tem o segundo custo
mais baixo por passageiro. Além da capacidade operacional, o aeroporto tem
outros atrativos, como 120 restaurantes, fácil localização de lojas (com painéis touch screen em vários pontos),
decoração personalizada (com obras
de arte em mosaico, no piso, ou instalações de arte contemporânea) e um sistema de locomoção funcional: metrô
que leva os passageiros de um terminal
a outro. No Texas, existe um sistema de
Tax Free nas lojas, não todas, mas muitas. A pessoa compra e recebe de volta
parte do que pagou como taxa/imposto. É no aeroporto que ela vai pegar
esse valor de volta. Mas é preciso estar
com as notas em mão.
Voltando para Fort Worth, a primeira vista da cidade é muito agradável. Plana, boa de caminhar e tem
aquela paisagem que, de cara, em
qualquer foto, você pensa: isso não é
no Brasil. Culpa da arquitetura rústica,
amadeirada, com tons terrosos – ainda preserva muito do original, do meio
do século 19. E também do clima, bem
frio, com ventos.
O primeiro lugar que a reportagem
conheceu foi o Reata Restaurant, uma
casa aberta em 1995 e que já tem filiais
espalhadas pelo Texas. O nome foi copiado de um rancho do filme Giant, dos
anos 1950, estrelado por James Jean e
Elizabeth Taylor. Por dentro e por fora,
a decoração é rústica, remete ao velho
oeste mesmo. No interior, vários animais empalhados, cabeças de cervos
e de búfalos, selaria, coletes de couro,
tudo em couro, aliás. Quando você entra no local, sente bem o cheiro do material. Nas paredes, muitos quadros em
preto e branco com referências a personagens do mundo do western, por
exemplo, índios comanches, típicos do
estado de Oklahoma. Há também flechas e outras armas penduradas.
O menu da casa é bem texano –
isso quer dizer, com influência espanhola, ou melhor, mexicana. É picante,
forte, pesado e até um pouco exótico.
Uma das entradas para a refeição principal foi o tenderloin (tenderloin tamales with pecan mash, 11,95 dólares).
99
Fotos: Divulgaç
ão
TU R ISMO
SAIBA MAIS
Sobre Fort Worth
16ª
maior cidade
dos Estados
Unidos
Foi fundada em
1849
Tem população de
732mil
pessoas
BILLY BOB’ S: baile,
country music,
cerveja
KIMBELL ART: peças
de renascentistas
Recebe
5,5milhões
de turistas por ano
Sabem o que é? Testículos de boi. Eles
são servidos empanados e fritos e têm
gosto parecido com o de nuggets. Dá
para comer, é só não pensar. Havia
também pãozinho, bem quente, que
fica embrulhado em um pano branco,
dentro de um cesto. O sabor é temperado, também surpreende.
Como prato principal, o stacked
chiken enchiladas with tomatilhos cream sauce (10,95 dólares), também uma
especialidade da casa. Duas coisas assustaram: o tamanho da refeição e o da
faca. Um molho de frango envolto em
queijo derretido, acompanhado por
feijão e arroz, mais guacamole, tomate picadinho e salada de folhas. Muito
picante. Agora, a faca... Enorme, com
cabo de madeira. Nada a ver com as facas de mesa que se usa aqui no Brasil.
Dava para matar um touro com ela. É
essa a etiqueta lá. Estranho, mas é. Para
paladares mineiros, menos acostumados a pratos picantes, a sobremesa foi a
melhor parte do almoço. As três opções
degustadas – tacos with caramelized
100
banana and chocolat, west texan pie e
molten chocolate cake with drunken
berries and vanilla cream (qualquer
uma a 7,25 dólares) – eram perfeitas.
O Reata fica na Sundance Square,
uma área da cidade que foi restaurada,
dentro dos padrões da estética vitoriana. Saindo do restaurante, vale conhecer o entorno. Lá estão lojas, teatros,
museus e galerias. Nem tudo é rústico.
Tem também prédios de arquitetura
moderna. Um dos espaços interessantes, especialmente para os amantes do
velho oeste, é o Sid Richardson Museum. Ele guarda rica coleção de pinturas e desenhos dos artistas Frederic
Remington e Charles M. Russel. Ambos
nasceram na segunda metade do século 19 e morreram no início do século 20.
Na obra dos dois, as cenas típicas dos
filmes de faroeste: lindos cavalos, índios em volta de fogueiras, carruagens,
batalhas e por aí vai.
Mais cultura do velho oeste está na
Fire Station Nº 1, um museu de história e ciência. Possui exposição perma-
nente com quadros, fotos, utensílios,
roupas e outros materiais indígenas e
de caubóis, tudo do século 19. Um dos
vídeos da mostra é o depoimento de
um caubói, Charlie Bell, sobre o Texas
daquele período. Tudo é feito com o
objetivo de valorizar esse passado do
oeste norte-americano. Até casinhas
pequeninas reproduzem a arquitetura
da época.
Fort Worth tem um distrito cultural
sofisticado fora da Sundance Square.
Nele, estão instituições, como o Kimbell Art Museum, conhecido como o
melhor museu de pequeno porte das
Américas. Na coleção, peças de Michelangelo e Donatello e antiguidades das
culturas de todos os continentes, como
peças do império Huari, do Peru, datadas de 600 a 1.000 anos depois de Cristo. Bem perto do Kimbell, está o Amon
Carter Museum of American Art, que
tem uma das mais importantes coleções de fotografia da América do Norte. Além disso, há esculturas, pinturas,
desenhos e ilustrações. São mais de
VIVER Abril 6 - 2012
40 mil figuras, desde meados do século 19.
O passeio cultural por Fort Worth
não é completo se não contemplar a
Stok Yards Station, um grande shopping a céu aberto com temática country. Lá estão saloons, arena para rodeio,
lojas com produtos típicos, restaurantes. O mais incrível, no entanto, é ver,
por volta das 17h30, cavaleiros vestidos
a caráter, passando pela larga rua tocando a boiada. É um ritual. Dentre os
oito caubóis, uma única mulher. Sim,
eles vivem para manter a tradição!
E não dá para ir embora de Fort
Worth sem conhecer um baile country.
A reportagem foi para lá logo depois
de jantar no Risckey’s Barbeque. E já
dá para imaginar como era o sabor da
comida, não? Claro, picante. Em qualquer lugar de comida típica, é preciso
cuidado ao fazer os pedidos. O risco de
vir algo apimentado é alto. A refeição
também foi entre selas, cordas, couro,
muita madeira. A porta que dá acesso
ao banheiro é daquelas que abrem e fecham com a passagem do corpo entre
as duas bandas. Sensações de filme de
bangue-bangue em tudo!
O baile foi no Billy Bob’s Texas. É
onde se vive o Honky Tonk. Isso é um
conceito, explica Buddy, o garçom que
atendeu a reportagem no Reata. Esse
conceito, ele diz, é a mistura de dança, country music, cerveja, festa, bar.
“Nada de problemas.” E a vida parece
que caminha assim para quem vai à
maior casa de Honky Tonk do mundo.
Lá, cabem 6 mil pessoas.
Há uma pista de dança e, de frente para ela, em um micropalco, um locutor/dançarino passa as coordenadas
dos passinhos para os aprendizes. Todo
mundo tenta acompanhar. Quem é da
klus.com.br
terra consegue muito bem. Bom, os de
fora... Nem tanto. Depois da aula, o espaço fica livre para os bailarinos mesmo. Casais, crianças, solteiros. Quem
sabe dança e curte a noite inteira assim.
Os que não são pé de valsa ficam vendo,
sentados nos bancos altos, tomando a
gelada. Há outras diversões também,
como a foto no touro. Você vai lá, paga
um valor a partir de 12 dólares e tira foto
em cima do touro, com cenário de rodeio ao fundo. Fica pronta na hora e
você tem uma bela recordação desse
mundo country.
É, o western pode não ter vingado
no resto do mundo após os anos 1980,
mas, em Fort Worth, ele não deixou de
existir. Não por acaso ainda hoje a cidade é cenário para produções de filmes do gênero.
(*) A reportagem viajou a convite da American Airlines e do Fort Worth
Convention & Visitors Bureau
É, notícia
voa mesmo.
Jornal Tudo. Agora também no Aeroporto da Pampulha.
Inteligente, rápido e gratuito.
Wagner Gomes
O nocaute industrial
O diagnóstico taxativo foi emitido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), logo na terceira página do
último número de sua Conjuntura em Foco: “Não restam
dúvidas, também, de que a indústria brasileira enfrenta
problemas sistêmicos de competitividade, os quais, por sua
vez, limitariam a capacidade de expandir as exportações de
seus produtos mesmo no caso de um cenário benigno”. E o
próprio Ipea dá, como
sua receita para enfrentar esses problemas, a
elevação do ritmo de
crescimento dos investimentos industriais
na economia, desde
que essa elevação seja
amparada por políticas
públicas que criem condições para o aumento
desses investimentos,
estabelecendo uma estrutura de incentivos direcionados à produção
de bens manufaturados
para exportação. Essa
constatação é robustecida pelo fato de que,
entre 2005 e 2011, o
peso dos manufaturados em nossa pauta de
exportações declinou de
55,1% para 36,0%.
Em recente encontro da presidente Dilma com 28 grandes empresários do
país – articulado por Jorge Gerdau – houve consenso de
que a indústria brasileira perdeu competitividade. Não por
outro motivo, Dilma se comprometeu em buscar medidas
eficazes de incentivo às empresas, incluindo a expansão do
processo de desoneração da folha de pagamento, que hoje
contempla apenas 10 setores. Segurar o câmbio, reduzir o
custo do capital de giro, ampliando esse financiamento aos
níveis compatíveis com a demanda e, sobretudo, enfrentar,
de uma vez por todas, os problemas estruturais que alavancam o custo Brasil, tornaram o discurso da presidente
palatável aos pesos pesados da economia brasileira.
Voltando ao estudo do Ipea, que pode ser lido em sua
VIVER Abril 6 - 2012
íntegra no link http://miud.in/1bPU, registramos, ipsis
litteris, que “nossa falta de competitividade está relacionada à taxa de câmbio e aos diversos fatores domésticos que
afetam os custos de produção e de comercialização do país
– como qualidade da infraestrutura, a magnitude e a composição da carga tributária, o grau de qualificação da mão
de obra e os níveis de entraves burocráticos, entre outros”.
O que o estudo não
mostra e que cada vez
mais se torna gritante é
o fato de que, devido a
fatores internos e externos, o empresário tem
deixado de investir por
uma razão muito simples: sua lucratividade
ao final do processo
produtivo deixou de ser
compensatória.
Ademais, estimulada pelo câmbio baixo, uma importação
maciça de manufaturados fomentou a
febre de consumo por
importados, chutando
para escanteio a competitividade industrial.
Com a perceptível
possibilidade de que
a economia chinesa
venha a ser desacelerada substancialmente, anuvia-se esse cenário. Temos que
fugir da política populista, que se alimenta de apelos para
que os empresários parem de importar, invistam em novas fábricas na conjuntura atual e criem mais empregos.
Para que o desejo do governo, expresso na reunião com o
empresariado – que, segundo avaliação do presidente da
CNI, Robson Andrade, quer que as empresas brasileiras
concorram com as estrangeiras em igualdade – se materialize, ele deverá deixar a retórica e passar à ação, fazendo,
efetivamente, sua parte. Caso contrário, a vaca pode ir
para o brejo.
Wagner Gomes, administrador de empresas
103
C O M P O R TAM E NTO
Casamento em
Vegas
Na onda das cerimônias
que fogem dos padrões
tradicionais, uma das
opções procuradas
por brasileiros é a de
celebrar na capital
mundial do jogo com
direito a Elvis Presley
no palco, ou melhor,
no altar
LEO PINHEIRO
F
oi-se o tempo em que Las Vegas era um reduto de prostituição e jogatina, procurada por
jovens norte-americanos e do resto
do mundo para realizar suas mais
loucas fantasias. Cenário da despedida de solteiro do personagem
central do filme Se Beber, Não Case
(The Hangover, de 2009), na vida
real as 55 capelas da cidade não re104
alizam casamentos entre garotas de
programa e turistas acidentais em
alto teor alcoólico.
Casar em Vegas é uma coisa
muito séria igual a qualquer outro
lugar do mundo e, como no Brasil,
é preciso tirar licença em cartório.
Lá existe apenas um, o Clark County Marriage License Bureau, que
abre todos os dias das 8 horas até a
meia-noite. Com o passaporte, uma
testemunha e 55 dólares você sai
do local casado em menos de meia
hora. A certidão aceita em qualquer
capela, no entanto, é válida apenas no estado de Nevada. Para o casamento ser considerado legal no
Brasil é preciso que o casal valide o
documento no consulado brasileiro de Vegas, ou, assim que retornar
VIVER Abril 6 - 2012
Fotos: Divulgação
SOLUMAR e Ronald
no casamento em Las
Vegas: acima das
expectativas
ao país, o registre em um cartório de
sua cidade.
Para fazer a renovação de votos é mais fácil ainda. Basta o casal escolher o tipo de cerimônia e
correr para os beijos e abraços. Na
Viva Las Vegas Wedding Chapel,
por exemplo, os preços das cerimônias custam a partir de 260 dólares,
incluindo decoração, uma música
VIVER Abril 6 - 2012
cantada por Elvis , buquê de duas
rosas, 15 fotos, DVD com gravação
da cerimônia, cópia da certidão de
casamento de Elvis e Priscila, certificado de casamento, e nome do
casal no letreiro da capela. Por 400
dólares, o ministro Elvis canta três
músicas, a noiva recebe buquê de
três rosas, o noivo ganha uma rosa
de lapela e as fotografias (dentro e
fora da capela) pulam para 24. Com
440 dólares você faz a mesma cerimônia, com direito a ir e vir de qualquer ponto da cidade para a capela
em uma luxuosa limusine.
A Viva Las Vegas tem outras modalidades de casamento básicas que
chegam a custar 777 dólares. Além
das celebrações realizadas por Elvis , as mais inusitadas são os
105
CO M P O R TAM E NTO
casamentos Havaiano e Star Trek,
com direito a fantasia de capitão
Kirk ou doutor Spock para o noivo.
Mas lembre-se, você está em Vegas,
baby. Assim sendo o céu é o limite...
Literalmente! Você pode ser casado
dentro de um balão, por 1.500 dólares. Se quiser uma experiência mais
radical ainda, terá que pagar caro –
mas ainda assim mais barato do que
uma festa de casamento no Brasil.
Por 4.300 dólares é possível se casar
no Grand Canyon, sendo transportado de helicóptero.
Está incluso no pacote o helicóptero privado para os noivos e
mais três convidados por quatro
horas e meia, o celebrante, 100 fotos, DVD, limusine para buscar os
noivos e convidados no hotel e levá-los de volta, buquê para noiva
e flor de lapela para o noivo, um
minibufê, champanhe e, até, bolo
de noiva. A empresa Maverick Helicopters oferece a opção de a cerimônia ser realizada no pôr do sol,
acrescendo 500 dólares no preço
do pacote.
Das quase 10 mil cerimônias realizadas por
mês em Las Vegas, centenas são entre brasileiros que estão de férias nos
Estados Unidos. Dentre os
que aderiram à novidade
estão três casais de Curitiba,
que juntos estão escrevendo
uma grande história de amor
e amizade. Tudo começou
em um happy hour no qual o
trio Rogério Ferreira, Ronald
Borchardt Júnior e André Pinterich fizeram para combinar a
primeira viagem internacional
em conjunto, depois de quase
20 anos de amizade dos casais.
Quando decidiram que o destino
seria Las Vegas, os amigos pensaram que era uma ótima oportunidade para Rogério casar, já que
ele era o único do trio que ainda
106
CAPELAS
Na capital de Nevada,
existem 55 capelas ao todo.
O maior número per capita
do mundo, levando-se em
consideração os 2 milhões
de habitantes. Dentre elas, as
mais famosas são:
Q
Viva Las Vegas
Wedding Chapel
www.vivalasvegas.com
Q
Graceland Chapel
www.gracelandchapel.com
Q
A Little White Chapel
www.alittlewhitechapel.com
ALUGUEL DE ROUPAS
Além dos tradicionais trajes para
noivos, padrinhos e damas de
honra para aluguel; a maioria
das lojas em Las Vegas oferece
roupas para o primeiro aluguel,
ou seja, que nunca foram
usadas antes. Nelas podem-se
encontrar vestidos e ternos com a
assinatura de grandes estilistas
internacionais, como Calvin Klein,
Giorgio Armani, John Galliano
Duas boas opções para
aluguéis de roupas são a Jerry’s
Tux Shop (www.jerrystuxshop.
com) e a Jeenaleighs (www.
jlbridal.com)
Q
Fantasias: Com acervo
de mais de 50 mil fantasias,
máscaras e trajes para alugar
e vender, a Star Costume
& Theatrical Supply é a
principal loja de figurinos
em Las Vegas. Lá é possível
encontrar de vestidos de
noiva (usados) à fantasia
de princesa Lea (Star
Wars), passando pelos
tradicionais ternos azul
bebê, com camisa de
babados e gravata
borboleta para os noivos.
www.starcostume.
yolasite.com
Q
VIVER Abril 6 - 2012
www.blogdopco.com.br
CO M P O R TAM E NTO
Fotos: Divulgação
Em 2012 é a vez do terceiro casal,
André e Helaine Pinterich, renovarem os votos, combinam os amigos.
“A cerimônia com o Elvis foi sensacional. Ele é extremamente performático, além de ter dito as palavras
que esperamos ouvir em um casamento”, diz André, adiantando a
sua escolha pela mesma capela e
ministro que realizou a cerimônia
dos casais amigos.
Para muitos nubentes brasileiros a viagem de casamento a Las Vegas é uma opção divertida, prática
e barata em relação às festas realizadas no Brasil. Pelo preço de uma
recepção apenas razoável, o casal
realiza o casamento fora do país e
ainda paga a lua de mel. Na cidade
pela segunda vez, o ator Airam Pinheiro, acaba de decidir se juntar ao
ROGÉRIO E VALDELÂNIA FERREIRA: cerimônia realizada por sósia de Elvis em Las Vegas:
time dos que em Vegas por amor,
não tinha oficializado a união no cativou a todos.”
paixão, emoção e conscientes da
O casamento de Rogério e Val- seriedade da resolução. “Vale a
Brasil.
A partir de então, Rogério, que delânia, em abril de 2010, transfor- pena casar em Vegas por ser uma
vive com Valdelânia Ferreira há 20 mou os amigos Ronald e Solumar coisa diferente e inusitada. É dianos, começou a idealizar uma ce- de expectadores a protavertido, mas pode ser
rimônia tipicamente de Vegas, ce- gonistas desta história.
luxuoso também. Finanlebrada por um sósia de Elvis, com Casados de papel passaceiramente vale muito a
limusine, champanhe e tudo o que do há 25 anos, com direipena. Você pode passetinha direito. “Sempre tive muito to a cerimônia religiosa e
ar, casar e ter uma lua de
NÚMERO
fascínio pelo Elvis, provavelmente festa para muitos amigos
mel, tudo junto, por muiinfluenciado pelos meus pais que e parentes, o casal se emto menos do que gastaria
Das quase
eram fãs. Quando surgiu a viagem a polgou tanto com a atuapara realizar a cerimônia
Vegas, essa ideia já surgiu em minha ção do Elvis que celebrou
aqui no Brasil”, diz Airam.
cabeça, mas não sabia se seria sim- o casamento dos amigos
Para ele, a única desples ou mesmo se iríamos nos em- que resolveu comemorar
vantagem é não poder
cerimônias
polgar em realizar este sonho sem a as bodas de prata na mesconvidar todos os famirealizadas
família”, recorda Rogério.
ma capela (Viva Las Vegas
liares e amigos. Porém,
por mês em
Ele lembra que, apesar das dúvi- Wedding Chapel) e com o
segundo o ator, que vive
Las Vegas,
das e da pressa, a celebração de seu mesmo ministro.
com Renata Gutierres há
centenas são de
Então, Ronald e Solucasamento superou todas as expecbrasileiros
sete anos, isso não será
tativas dele e sua esposa, e manteve mar fizeram a renovação
empecilho. O casal, que
o encanto de um casamento formal de votos. A cerimônia do
ano passado viajou por
na Igreja Católica, no Brasil. “Foi sim, no entanto, teve um grande di- um mês a Los Angeles e Las Vegas,
melhor do que imaginávamos. A ca- ferencial para ambos: a presença de faz planos de voltar a Nevada nespela, embora escolhida às pressas, seus quatro filhos. “Entrar na cape- te ano para se casar na presença,
é linda, exatamente como gostarí- la de braços dados com meu filho ao menos, de pais, filhos, enteados.
amos que fosse. E como prêmio- foi um momento único! Ele estava “Estão todos convidados! Contan-surpresa escolhemos um Elvis que com muito orgulho em me entregar to que cada um pague a sua passatambém era ministro, cuja simpatia ao pai dele”, emociona-se Solumar. gem”, brinca o ator.
10mil
108
VIVER Abril 6 - 2012
Fred Pontes
S H OW
Axé ecológico
Festival de música baiana na Grande Belo Horizonte levanta a
bandeira verde para conscientizar os micareteiros
FERNANDO TORRES
A
onda verde contagiou o axé.
Com atrações como Ivete Sangalo, Cláudia Leitte e Alexandre Peixe, a 14ª edição do festival
Axé Brasil 2012 aposta na bandeira ecológica para agitar mais de 80
mil micareteiros. “Nosso objetivo
é orientar e sensibilizar os jovens a
valorizar a responsabilidade social”,
diz o diretor da DM Produções, Léo
Dias, responsável pela festa da música baiana, que acontece na Cidade
da Folia (Mega Space), em Santa Luzia, na região metropolitana.
110
A micareta está marcada para
13 e 14 de abril, mas os projetos de
conscientização começaram bem
antes. Toda a estrutura do evento
está sendo feita com materiais reutilizáveis, como latas de alumínio,
pneus e garrafas PET. Ao trocar os
ingressos por abadás no Shopping
Cidade, no centro, o público poderá
levar pilhas e baterias usadas e descartá-las sem prejudicar o meio ambiente. Para chegar ao Mega Space,
nada de usar automóvel particular:
o Axé Brasil fez parceria com a em-
presa Me Leva Folia, que oferece
ônibus executivos e vans que saem
de vários pontos da capital. “Além
de diminuir o tráfego de carros e a
poluição, também vamos evitar que
as pessoas dirijam alcoolizadas no
retorno”, antecipa Dias.
As ações sustentáveis também
incluem reciclagem do lixo, uso de
gerador menos poluente e cálculo de emissão de gases causadores
do efeito estufa. “O resultado será
convertido ao plantio de árvores
em Santa Luzia para compensar o
VIVER Abril 6 - 2012
FESTA
Confira as principais atrações
DIA 14
Q Cláudia Leitte
Q Alexandre Peixe
Q Tomate
Q Psirico
Q Asa de Águia
Q Tuca Fernandes
DIA 13
Q Ivete Sangalo
Q Banda Eva
Q Cheiro de Amor
Q Chiclete com Banana
Q Parangolé
Q Timbalada
Rafa Mattei
Fred Pontes
PLATAFORMA VERDE
Ações sustentáveis do Axé Brasil 2012
Ênfase na divulgação eletrônica,
para economia de papel
Q Descarte de pilhas e baterias
na troca do ingresso pelo abadá
Q Transporte coletivo Me Leva Folia e
carona solidária
Q Coleta e separação de lixo
Q
Recolhimento e reprocessamento
de óleo utilizado nos alimentos
Q Cálculo de emissão de CO²
e plantio de árvores de acordo
com o resultado
Q Espaço cenográfico Rua da
Sustentabilidade
Q
SERVIÇO
Q
Axé Brasil 2012:
de 13 e 14 de abril, na Cidade
da Folia (avenida das Indústrias,
3.000), Santa Luzia
VIVER Abril 6 - 2012
Q
Ingressos: de R$ 90 (pista) a R$
340 (Camarote Contigo!). O acesso
aos dois dias vai de R$ 150 (pista)
a R$ 590 (Camarote Contigo!)
impacto ambiental causado pelo
evento”, aponta.
Os próprios artistas estão empenhados com o apelo ambiental da
micareta. “A ideia de passar a mensagem da sustentabilidade durante o show é muito boa. E pode ser
feita de forma simples, como vestir uma camiseta sobre o tema para
suscitar o debate”, aprova o cantor e
compositor Alexandre Peixe, que se
apresenta no dia 14. Em seu Twitter,
o músico também dá o recado ecológico aos quase 50 mil seguidores.
“Recentemente, tuitei sobre a poluição na praia da Barra, em Salvador,
e alertei a galera para não poluir o
meio ambiente”, conta.
Outra ação diferenciada do Axé
Brasil é a Rua da Sustentabilidade. A
atração, espécie de espaço cenográfico, vai montar um quarteirão onde
tudo convive em harmonia. Canteiros bem cuidados, arborização,
separação das cestas de lixo e frases que remetem à preservação ambiental são algumas das instalações
artísticas, realizadas pelas cooperativas de reciclagem, como a Asmare.
Mas de nada adiantam todas essas ações se os foliões não aderirem
à onda verde. “Admito que não tenho muitas atitudes sustentáveis no
dia a dia, mas a festa é o gancho para
rever muitos conceitos de ecologia
e passar a contruibuir para o meio
ambiente”, raciocina o estudante
universitário Eduardo Saraiva, 22.
Fã de música baiana há 10 anos, ele
frequenta o Axé Brasil desde 2005,
com sede ainda no Mineirão, e já
viajou para micaretas regionais em
várias cidades mineiras, como Lavras e Divinópolis. Este ano, o micareteiro vai marcar presença nas
duas noites no Camarote Contigo!,
com a namorada Luana Alves, 25.
“Não dá para escolher só um dia. A
música baiana tem uma energia incrível, me motiva para aguentar o
tranco do dia a dia.”
111
Foi a sua curiosidade que nos fez chegar até aqui.
Jornal O TEMPO - 15 anos.
otempo.com.br
LIGUE E ASSINE: (31) 2101-3838
MÁRCIA QUEIRÓS
ALESSANDRA VALENTE
Trinta anos da Vide Bula
Quem viveu a juventude
nos anos 1980, na certa, vestiu
ou sonhou com uma roupa da
Vide Bula, a grife mineira que encantou Cazuza e Rod Stewart, no
primeiro Rock in Rio, em 1985. O
mercado da moda deu reviravoltas, sobretudo com o surgimento
de novas marcas, mas a Vide Bula
se mantém firme. Completa em
outubro três décadas de história.
Dos antigos proprietários, Giáco114
mo e Roberta Lombardi, a marca
passou em 2009 para as mãos do
grupo têxtil PW Brasil S.A., presidido pelo empresário Paulo Vieira.
“A fábrica funciona em Colatina,
Espírito Santo, mas o DNA é mineiro”, garante o diretor comercial
Clovis Cezario, que coordena, em
Belo Horizonte, a Casa de Moda
e Cultura da Vide Bula. O espaço,
no Santo Antônio, além de ponto
de vendas de atacado, conserva
Victor Schwaner
acervo com roupas que marcaram
a história da Vide Bula. A grife
conta hoje com 1.200 pontos de
vendas em todo país e duas lojas
próprias – uma no BH Shopping,
na capital mineira, e outra em
Vitória. Mas os planos são mais
ambiciosos para 2012. “Vamos
abrir mais quatro lojas em BH e
inaugurar uma rede de franquias”,
avisa Cezario. O investimento será
de 25 milhões de reais.
VIVER Abril 6 - 2012
Joias de encantar
Nélio Rodrigues
A joalheira Rosália Nazareth brindou
com as clientes, no dia 29 de março,
o lançamento da coleção de joias
outono-inverno 2012. Colares
longos, com mix de pérolas nobres,
em várias tonalidades, ou aqueles
bem chegadinhos no pescoço com
esmeraldas, rubis e turmalinas
Paraíba, marcam a nova coleção.
“Trabalho sempre com pérolas. E
cada vez mais elas vêm encantadoras
na minha coleção, em colares longos
e detalhes em pedras para dar um
tom menos clássico”, diz Rosália.
Outro must da coleção são grandes
anéis e as pulseiras com balangandãs
e as rivieras coloridas, bem ao gosto
das brasileiras. “Procuro seguir a
tendência mundial, mas tento ser
assertiva com o gosto das clientes.
Afinal, joais são feitas para
encantar”, conclui.
Divulgação
Palco solidário
O espetáculo Morte e Vida Severina volta em cartaz no dia
13 de abril, no Teatro da Cidade, com uma ação do bem.
Toda a renda da reestreia será doada ao Hospital da Baleia,
instituição filantrópica referência no estado. “A parceria
prevê a sensibilização dos artistas para que conheçam
a luta pela vida e dignidade empreendida há décadas na
Guto Muniz instituição e possam contribuir
com o hospital”, diz o diretor
do espetáculo, Pedro Paulo
Cava. Diretora presidente do
Baleia, Tereza Guimarães Paes,
agradece. “Vamos destinar
os recursos ao projeto de
radioterapia, que dará tratamento
integral a pacientes com câncer.
É um presente do Pedro Paulo,
pois a peça é de grande beleza,
uma forma de convidar novos
parceiros para o hospital”,
afirmaTereza. Os ingressos
podem ser adquiridos na
Associação dos Amigos do Baleia.
VIVER Abril 6 - 2012
115
Nos pés
Brinde
ao Lucas
Nélio Rodrigues
Pedro Vilela
A diretora de marketing
do grupo Equipage,
Joana Mourão, está com
novidades nas prateleiras.
Ela acaba de lançar a
coleção outono-inverno da
marca Capodarte, que traz
a amazona Luiza Almeida
como garota propaganda.
“Foi tudo inspirado em
hipismo. Muita bota e
cores que remetem ao
mundo equestre”, diz a
moça, que lançou também
a revista Capodarte.
Divulgação
O restaurateur Antônio Edmar
Roque celebra os 50 anos da
Cantina do Lucas, no edifício
Arcângelo Maletta, conhecido não
apenas pela gastronomia, mas como
reduto de artistas e intelectuais.
Sorteios de viagens, souverniers
e lançamentos gastronômicos
integram as comemorações. A casa
deverá inaugurar também um busto
em homenagem a seu Olympio,
imortalizado no Guiness Book como
o garçom que permaneceu por mais
tempo em atividade no Brasil. Edmar
Roque, que adquiriu a cantina em
1983, diz que sua felicidade é ter
percebido a importância do Lucas.
A casa é tombada pelo Patrimônio
Histórico e Cultural de BH. “Na época
tiveram receio que não fosse gostar.
Pelo contrário, me posicionei firme
para manter o espaço viável, pois faz
parte da memória afetiva de BH.”
116
Rodeio na rede social
O Pedro Leopoldo Rodeio Show,
um dos maiores eventos do gênero
do país, que acontece de 6 a 10 de
junho, já está bombando no mundo
virtual. Um mês após o lançamento,
na rede, a página da festa no
Facebook contava com 17 mil
seguidores. No Twitter, havia mais
de 1,5 mil ligados nas novidades do
Pedro Leopoldo Rodeio Show 2012,
entre eles famosos como Gusttavo
Lima, Fernando & Sorocaba, Fred &
Gustavo, Jammil e os DJs Fatduo.
“As redes sociais se tornaram
ferramentas fundamentais na
divulgação e promoção do Pedro
Leopoldo Show. As mídias sociais
são reflexo real do que é o evento. Se
os comentários são positivos, é bom
sinal”, diz Tiago de Brito, presidente
da Rope Eventos, empresa
promotora do rodeio.
VIVER Abril 6 - 2012
Plotagem em alta
Pedro Vilela
Marcelo Cravez
(à esq.), dono
da Viniltec,
acaba de voltar
de uma feira de
comunicação
visual nos EUA
e arruma as
malas para
outra, em maio,
na Alemanha.
Motivo: vai em busca de novidades, sobretudo de
plotagem de veículos. “Estamos capacitados e temos
tecnologia de ponta. Usamos tintas ecológicas, por
exemplo”, diz. Ele afirma que a procura por serviços de
personalização de carros cresceu e tende a se expandir
mais com a chegada das eleições, já que são proibidos
outdoors de campanha. Na foto, Marcelo com o gerentegeral da empresa, Tiago Cruvinel.
Tramas
femininas
Em visita a Tiradentes, para participar do festival de
fotografia Foto em Pauta, a fotógrafa Déia Quintino
se encantou com outra arte. “Conheci os xales da
artesã Paula Spivak e não
me contive em fazer um
ensaio”, conta. O
resultado é uma
exposição, na loja
da própria Paula, de
imagens das tramas
com as várias faces
femininas. “Mostro
a mulher pura,
oculta, misteriosa
e elegante, que
existe dentro de
nós.”
Divulgação
Bate-papo com
Tutti Maravilha
POR MÁRCIA QUEIRÓS
Nélio Rodrigues
Saudades
de Elis
Nos anos 1970, a cantora
Elis Regina veio várias vezes
incólume para Belo Horizonte.
“Ela chegava de óculos escuros
e peruca para encontrar
amigos, como o escritor
Roberto Drummond. Gostava
de caipirinha e do restaurante
Verde Gaio, em Lourdes.
Tomava porres homéricos”,
lembra o jornalista mineiro
Tutti Maravilha, amigo e exprodutor de Elis. A amizade
e a saudade da Baixinha,
como ele se refere à cantora
gaúcha, são tão grandes que
Tutti executa no seu programa
diário, na rádio Inconfidência,
duas músicas de Elis. O
programa Bazar Maravilha
completa 25 anos e a cantora
gaúcha deixou a vida há 30.
Para marcar as datas, Tutti
prepara série de atrações. Não
à toa, ele foi escolhido para
apresentar, dia 8 de abril, o
show em que Maria Rita presta
homenagem à mãe, Elis, no
parque das Mangabeiras, em
Belo Horizonte. Leia a seguir:
118
Como você conheceu Elis?
Foi em 1972 por meio do irmão
dela, o Rogério, que fazia o som
do grupo Quinteto Violado. Eu
cuidava da produção e disse
a ele que era aficionado pela
Elis. Algum tempo depois, o
Rogério me ligou dizendo que
estava trabalhando com a Elis
e que ela gostaria de fazer um
show em Belo Horizonte. Fiz
o trabalho de produção aqui
por uma semana e depois fui
passar um fim de semana na
casa da Elis em São Paulo. Aí
ficamos juntos para sempre.
Foi trabalhar em São Paulo?
Sim. Fui morar na casa dela
e montar um espetáculo.
Fiquei lá por um ano e meio.
Acompanhava Elis em tudo,
desde a compra dos vestidos
para os shows. Tínhamos
quatro anos de diferença de
idade e descobrimos o mundo
juntos. Ela chegou a dizer para
o escritor Roberto Drummond
que gostaria que eu fosse um
perfume na bolsa dela.
Como foi a convivência com Elis?
Elis era dona de casa, como
qualquer outra. Na época, o
filho mais velho, João Marcelo
Bôscoli, tinha quatro anos,
o segundo, Pedro Mariano,
havia acabado de nascer e a
Maria Rita nem existia. Elis
adorava cozinhar. Fazia uma
lula maravilhosa e até o arroz
dela era gostoso. Lavava roupas
e cuidava da gente: o marido,
César Camargo Mariano; o
irmão, Rogério; e eu. Fui a única
pessoa fora da família dela que
morou em sua casa. Depois, ela
me ligava sempre após todos os
shows que fazia, até no exterior.
Me ligava de madrugada e já
sabia que era ela.
Contam que era temperamental.
É verdade?
Saquei que ela ficava na defesa,
porque começou muito nova,
foi muito explorada no início da
carreira. Por isso, tinha muito
cuidado. Era, na verdade, muito
profissional. Chegava ao teatro
duas horas antes de começar o
espetáculo, para ver se estava
tudo legal e relaxar. E cobrava
qualidade dos músicos. Era
perfeccionista e sou um pouco
graças a ela. Reclamava, mas
daí a pouco estava beijando.
Como serão as comemorações
dos 25 anos do seu programa?
Meu projeto foi aprovado na Lei
de Incentivo à Cultura estadual
e estou em busca de patrocínio
para lançar programas ao vivo
de calouros. Quero reviver
o rádio antigo. Desejo fazer
também uma exposição de fotos
e discos autografados, pois meu
programa lançou muita gente
bacana, como Skank, Uakti
e Patu Fu. Em 17 de março,
fiz um programa especial em
homenagem a Elis. O Bazar
Mulher Maravilha, em que
mineiras cantaram músicas de
Elis. Foi lindo. Meu programa
há anos fica entre os primeiros
em maior índice de audiência,
das 14h às 16h. Temos ouvintes
até no exterior.
VIVER Abril 6 - 2012
O quê 6Lançamento
Onde 6Brasília
Para coroar o sucesso de sua estreia na literatura, Paulo Cesar de Oliveira escolheu Brasília, cidade onde fez muitos amigos ao longo de sua
carreira de jornalista, para lançar seu livro autobiográfico Minha Palavra
(editora José Olympio). Autoridades e figuras ilustres dos meios político,
empresarial e social da capital federal, além da grande colônia mineira,
foram prestigiar no restaurante Carpe Diem a noite de autógrafos do
autor, que já pensa em um segundo livro. Fotos: Paulo Lima
6 PCO e Luiza Lanna
6 Ivan Trilha, PCO,
Garibaldi Alves e Gustavo
Cesar de Oliveira
6 Paulo Tarso Flecha de
Lima e Mara Amaral
6 Robson Andrade
e Marcos Montes
6 Renato Riella
e Márcia Lima
6 José Braz, Renzo Braz
e Sinval Ferreira
120
6 Walter Alvarenga,
Toninho Pinheiro, Bernardo
Vasconcelos e Fernando Coura
6 Bernardo Antunes,
Renato Bernardes e
Marcelo Amaral
6 José Carlos Neto,
Reginaldo Arcuri e
José Maria Tolentino
VIVER Abril 6 - 2012
6 Tatiana dos Mares
Guia e Jack Corrêa
6 Joel Araújo e
Eugênio Andrade
6 Eduardo Fernandez
e Luiz Cascão
6 Celso Martins e
Moema Leão
6 Marcelo Chaves e
Marco Aurélio Costa
6 Déa e Carlos Murilo
Felício dos Santos
6 Glorinha Malta
e Gláucia Gussoni
6 Paulo Paiva e Maria
Tereza de Fátima
6 Gilberto Amaral
e Ivan Trilha
VIVER Abril 6 - 2012
6 PCO, Rosália e
Lourenço Peixoto
6 Heloísa e
João Marques
6 Carlos Lindenberg
e Vítor Penido
121
O quê 6Lançamento
Onde 6São Paulo
Depois do sucesso das noites de autógrafos no Rio de Janeiro e Belo
Horizonte, o jornalista mineiro Paulo Cesar de Oliveira, diretor-geral da
VB Comunicação, movimentou a Livraria da Vila, na capital paulista,
com o lançamento de sua autobiografia Minha Palavra, pela editora
José Olympio. Fartamente ilustrada com fotografias, a obra reúne depoimentos de familiares e amigos e histórias pessoais vividas por PCO,
que está completando 50 anos de jornalismo. Fotos: Conrado Ferrato
6 Vera Arantes Campos
e Luiza Lanna
6 PCO e Orlando Marques
6 PCO, Nelson e
Adriana Oliveira
6 PCO e Helton Freitas
6 Josué Augusto Pancini
6 PCO e Christina
Carvalho Pinto
6 André de Almeida
e Iky Montealegre
6 André de Almeida, PCO
e Luiz Carlos Trabuco
122
6 PCO e Karen Marraccini
VIVER Abril 6 - 2012
6 Equipe Robb Report
6 PCO e Guilherme Afif Domingos
Alexandre + Cristina Lima Fotografia
6 Ana Lúcia Ventorim
6 PCO e Luiz Cuin
6 PCO e Cíntia Carvalho
6 Ivan Cenci
6 PCO e Aparecida
Liberato
VIVER Abril 6 - 2012
De petit comités
a grandes comemorações.
(31) 2127.7000 | www.flambart.com.br
Av. Contorno, 7461 . Lourdes . Belo Horizonte
O quê 6Casamento
Onde 6Far East
Emporium
A advogada mineira Isabela Dolabella Andrade casou-se com o paulista
Fernando Fatureto Pucci em bonita cerimônia na igreja de São José,
ao som do coral Del Chiaro, de São Paulo. Depois, ao lado de seus pais
Eliana e Pedro Gustavo de Andrade, Maria Antônia e Francisco Pucci
Neto, os noivos brindaram a união com os 400 convidados em alinhada
recepção, com bufê assinado pelo chef Cantídio Lanna e fundo musical
com a cantora de jazz Maíra Labanca e banda. Fotos: Tião Mourão
6 Isabela Dolabella Andrade
e Fernando Fatureto Pucci
6 Eliana e Pedro Gustavo de Andrade, Isabela e
Fernando, Maria Antônia e Francisco Pucci Neto
6 Fernando e Isabela ladeando
Maria Regina Lanna Dolabella
6 Francisco e Isabela com os irmãos do noivo:
Maria Antônia, Flávio e Marcelo Fatureto Pucci
6 Rosana e Ronan Horta 6 Fernanda Dolabella, Bernardo
Dolabella Andrade e Marina Dolabella
6 José Luiz dos Mares Guia e
Tatiana Pinheiro, Ray Tamm e Fifina
6 Vanessa, Fernando Lopes
e Eduardo Ferreira Alves
124
6 Glória Lanna, Júlia Lanna, Maria de
Lourdes Lanna e Antônio Anastásio
6 Sílvia e Cristiana Lanna
VIVER Abril 6 - 2012
O quê 6Confraternização
Onde 6Bairro Sion
Solange Sampaio abriu sua bonita cobertura para uma
noite de confraternização em torno de turma superanimada de Itabirito. Depois do show da banda Gárgulas no
primeiro andar do apartamento, os convidados subiram
para a cobertura com vista privilegiada para a cidade e a
festa continuou sem hora para terminar sob o comando
de um DJ. Fotos: Uarlen Valério
Para os melhores momentos da vida
6 Ângela Andrade, Marco Aurélio Drumond,
Leila e Bernadino Magalhães
6 Geraldo e Ângela Sardinha
e Solange Sampaio
6 Maura e Juarez Alvarenga
6 Antônio Carlos Moreira e Glória Gil
VIVER Abril 6 - 2012
6 Agostinho Magalhães, Solange
Sampaio e Mariza Horta
Rua Jacuí, 2060 - BH MG - 31 3444-8133
www.luzziabuffet.com.br
O quê 6Inauguração
Onde 6Bairro da Serra
6 Paula Paleta, Lea Alkimim,
Maria Aparecida Paleta
As sócias Maria Thereza, Lea Alkimim Souza e Cláudia Gama
promoveram coquetel de inauguração do showroom da Leclanté
Pâtisserie, uma casa especializada em doces finos e exclusivos,
feitos sob encomenda e com ingredientes de primeira qualidade.
A responsável pela criação dos doces é a sócia Maria Thereza,
pâtissier com curso no Le Cordon Bleu de Paris. A produção do
coquetel foi da Nouveau. Fotos: Tião Mourão
6 Marco Antônio Rocha Souza, Lea Alkimim,
Rosália Mendonça e Ricardo Rocha Souza
6 Eduarda Cortez Mourão e Daniela Portela
O quê 6Kart
Onde 6Vespasiano
6 Caroline e Alexandre Siffert,
José Eustáquio e Pedro Greco
6 Mariana Reis, Letícia Zica, Camila
Magalhães e Marcela Carvalho
6 Letícia Bhering, Letícia Nelson
de Senna e Consuelo Máximo
Os motores roncaram na pista do Kartódromo RBC Racing com
a realização do GP Nacional de Kart, promovido pela RBC Preparações de Motores, com supervisão da Federação Mineira de Automobilismo. Pilotos de todo o país participaram das corridas. O
campeonato teve o patrocínio da Honda, Iame, RM Racing Events,
ART, Birel, CRG, Kart Mini, Techspeed, Thunder, MG Tires, Ipiranga,
Motul e Mega Kart. Fotos: Uarlen Valério
6 Rafael Cançado e Rodrigo Piquet
6 Guildner e Yuri Carvalho 6 Rafael e Lúcio Cançado
126
6 Vitória, Túlio Pires, Ana Florença
6 Mel e Leonardo Lanza
VIVER Abril 6 - 2012
O quê 6Aniversário
Onde 6Em Lourdes
No Patuscada,
deliciosas combinações
de frutos do mar,
peixes e bacalhau.
A bem relacionada Nathália Pettersen escolheu a
Speciali Pizza Bar para comemorar com uma turma
de amigos e familiares o seu aniversário. Muita gente
conhecida passou por lá para abraçar a aniversariante
e curtir a noite regada a pizza, chope gelado e muita
animação. Fotos: Tião Mourão
6 Hermano Pettersen, Cacilda
Moreira, Nathália e Patrícia Pettersen
6 Flávia Rocha
e Sérgio Pereira
6 Mariana Gontijo, Luciana
Rennó e Geórgia De Lacqua
6 Roberta Coelho, Olívia Fialho,
Fernanda Bacha e Nathália Pettersen
VIVER Abril 6 - 2012
Mondodesign MargaretMarinho
6 Nathália Pettersen, Carolina
Robson e Ricardo Rezende
Av. Bernardo Monteiro, 1548
Funcionários BH
Reservas 31-32139296
Serviço de manobrista
www.patuscada.com.br
O quê 6Posse
Onde 6Alphaville
Lagoa dos Ingleses
O professor Wagner Furtado Veloso tomou posse na presidência executiva da Fundação Dom Cabral (FDC) durante almoço anual do conselho
curador da instituição. Ele substitui o professor Emerson Almeida, que
assumiu a presidência da recém-criada diretoria estatutária. No evento
foi apresentada a trajetória dos 35 anos da FDC. Participaram do encontro o governador Antonio Anastasia, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio
Lacerda, além de empresários e gestores públicos. Fotos: Tião Mourão
6 Marcio Lacerda, Henrique
Salvador Silva e Angela Gutierrez
6 Emerson Almeida, dom Serafim Fernandes
de Araújo e o prefeito Marcio Lacerda
6 Emerson Almeida, governador Antonio
Anastasia e Wagner Furtado Velloso
6 Abílio Santos, Ângela
Alvarenga e Ivan Ribeiro
6 Roberto Luciano
Fagundes e Wagner Velloso
128
6 Lázaro Luiz Gonzaga, Emerson
Almeida e Sílvio Nazaré
6Roberto Muller, Sônia
Hess e Murilo Araújo
6 Sílvio Nazaré, Carlos Alberto Teixeira de Oliveira,
Jacques Gontijo e Sérgio Bruno Zech Coelho
6 Milton Viana Dias, Emerson Almeida,
Romeu Scarioli e Ítalo Gaetani
6 Emerson Almeida, Wagner Velloso e
dom Serafim Fernandes de Araújo
6 Rodrigo Palhares Guerra, Miguel
Safar, Elismar Álvares e Alberto Soares
6 Ricardo Siqueira
e Carlos Lindenberg
VIVER Abril 6 - 2012
O quê 6Entrega das
chaves
Onde 6Ilustríssimo
O grupo português Design Resorts, à frente o empresário José Miguel Martins, fez a entrega das chaves do Hípica Reserva Real, o primeiro condomínio a ficar pronto no empreendimento residencial de luxo Reserva Real, que
está sendo construído em Jaboticatubas, no Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Com toda a infraestrutura urbana concluída, o
condomínio contará também com um centro hípico completo, megaestrutura de comércio e campo de pouso e decolagem. Fotos: Tião Mourão
6 José Miguel Martins e Adriana Guedes
6 José Miguel Martins e Celestino Cardoso
6 Geraldo Marques, José Orlando, Luiz Malto
Faria, José Miguel Martins e Carlos Roberto
6 Luiz Caldas, Fernando
Antunes e Ronaldo Oliveira
6 Ernani Campos, Mauro Abreu, comandante
Edson Myrha e comandante Paolielo
6 Bráulio Quintino e Juliana,
Rodrigo Ratton e Manuela
6 Marcos Rabello, Ana Cristina Lara, Juliene
6 Leonora Bernardi e Eduardo Dias
e Sérgio França e Ana Carolina Pessoa
VIVER Abril 6 - 2012
6 Oscar Ferreira, Rogério Gontijo e Ana Amélia,
Andréa e Ariano Cavalcanti e Rodrigo Capanema
6 Alexandre Carneiro, Ana Engler, José
Miguel Martins, Rita e Paulo Carneiro
6 Marcelo Terra, Janeth Valnegri,
Magdi Schaat e Liliane Carneiro Costa
129
Carlos Lindenberg
O caso do senador Demóstenes Torres
As acusações contra o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), contidas em investigações da Polícia
Federal, pegaram o Senado de surpresa. Ninguém
poderia supor que o senador, até então um arauto
da moralidade pública, pudesse prevaricar e muito
menos juntar-se a um contraventor da estampa do
sr. Carlinhos Cachoeira, seu aparentemente sócio em
Goiás. É de lembrar que o senador goiano se destacou,
por exemplo, como um dos principais algozes do peemedebista Renan Calheiros, assistindo com aplauso a
sua queda da presidência do Senado. Por ironia, cabe
agora a Renan Calheiros ser uma espécie de tábua de
salvação do senador goiano, graças a sua influência
na casa.
Quem poderia imaginar o
sempre elegante e loquaz
senador Demóstenes
Torres, um ex-promotor
de Justiça, passando de
acusador a réu?
As acusações contra Demóstenes Torres são, de
resto, graves. É de se dar ao parlamentar de Goiás
o benefício da dúvida, desde que o processo a que
responderá no Supremo Tribunal Federal sequer começou. Mas a essa altura o mesmo castigo que foi imposto a Renan é dado também a Demóstenes Torres
– a exposição da mídia. Desse açoite ninguém escapa,
ainda que mais adiante se conclua que o castigo foi
injusto ou além da conta.
O senador Demóstenes foi grampeado por tabela
meses a fio. Na verdade, a Polícia Federal gravava o
contraventor Carlinhos Cachoeira quando o senador
caiu na rede. Os dois travaram horas e horas de conversas dos mais variados tipos, ao que se diz. Muitas
delas falando de dinheiro, cifras altas. Numa delas,
o senador, até então líder do Democrata, pedia a
Cachoeira para pagar um voo de táxi aéreo. Noutra
130
pedia dinheiro emprestado ou algo equivalente e em
determinado momento obteve-se o registro de que o
senador Demóstenes, ao casar-se, depois de um tratamento para perda de peso, recebeu presentes valiosos
do contraventor, de quem se confessa amigo – como
se fosse absolutamente normal, aceitável, que um
senador da República tenha na sua roda de amizades
um contumaz descumpridor das leis.
As coisas não param ai. O senador foi presenteado
e fez uso de um sistema de telefonia cuja configuração não se faz no Brasil, mas no exterior – um sistema
ilegal, portanto, vejam só, de uso de um senador da
República. Fez bem o Democratas em destituir o senador goiano da liderança do partido no Senado, ainda que a troca tenha sido negociada. Fez bem o PSol
em pedir o enquadramento de Demóstenes Torres no
Conselho de Ética e melhor fez, ainda que com atraso,
o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que
o Supremo investigue o senador por Goiás.
E tudo isso quando se imaginava que o que deveria ser visto já havia sido visto no Senado. Coube
ao senador Demóstenes Torres mostrar que a casa é
inesgotável na sua capacidade inventiva. E com requintes. Quem poderia imaginar o sempre elegante e
loquaz senador Demóstenes Torres, um ex-promotor
de Justiça, passando de acusador a réu? Quando Renan Calheiros poderia imaginar que a qualquer tempo
seu algoz de três ou quatro anos atrás iria à sua procura em busca de salvação para seu mandato? Provavelmente, jamais. Mas aí estão Demóstenes e Renan,
juntos. O episódio patrocinado pelo senador goiano
impele o Senado a não tergiversar na aplicação das
penas mais duras a tantos quanto Demóstenes por
ventura forem encontrados no exercício do mandado.
Mas sem dúvida, em se tratando de quem era, o paladino da seriedade e da honradez, o espanto do país foi
maior. E sua ira não deverá ser menor na punição do
falso moralista.
Carlos Lindenberg, jornalista
VIVER Abril 6 - 2012
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Viagem até - Revista Viver Brasil