ENTREVISTA MINISTRO EDISON LOBÃO: “CRISE COM A BASE FOI PONTUAL” www.revistaviverbrasil.com.br ŨŁŤŢţŤŁŁşũūŁřŧĦŢŢ Ĩ mudança nos horários dos voos e check-in pela internet para se adequar ao trânsito intenso Drama humano dos precatórios Nos tempos do velho oeste ±ĦūŪĦŤŢŢŤťŢŢ ĩ± ĦĨÚĽ bangue e forte apache estão mais do que vivas 9 77198 4 05300 9 Há três anos, Viver Brasil fez o trajeto do centro de BH até o aeroporto e gastou 34 minutos. Hoje, o tempo mínimo, usando três rotas diferentes, foi de 51 minutos ISSN 1984-0535 Confins 00079 Viagem até PESQUISA IBGE: FALTAM LEITOS DE QUALIDADE EM BH NOVOTEL BH SAVASSI: O INVESTIMENTO HOTELEIRO QUE NÃO DEIXA DÚVIDAS Distribuição de leitos em BH Tipos de leitos em Belo Horizonte 12,2% Segmento deficitário no qual o Novotel vai operar. 17,9% 66% 9,6% 38,5% 34% Outros Pousadas Motéis Hotéis 21,3% Luxo/Superior/Muito confortável Turismo/Médio conforto Econômico/Simples A GRANDE BH É A METRÓPOLE QUE MAIS CRESCE NO BRASIL, COM UMA MÉDIA DE 3,1% A 3,2% NOS ÚLTIMOS DOIS ANOS RESPECTIVAMENTE.* INVESTIMENTO HOTELEIRO. A HORA É AGORA. Exclusivo em sua categoria, o Novotel BH Savassi vai atuar em um segmento atualmente deficitário na cidade. Invista com rentabilidade, segurança e garanta uma renda mensal na capital que mais cresce no país.* Em contrapartida, recente pesquisa publicada pelo IBGE**, indica que a cidade não consegue atender a todo hóspede que chega, pois faltam leitos de qualidade. Estamos diante de uma oportunidade única de investimento hoteleiro. Participe de mais um projeto vencedor do grupo de maior tradição neste segmento em Belo Horizonte: o Grupo Maio Paranasa. BH Savassi OBRAS INICIADAS JAN | 2012 ZZZPDLRHPSUHHQGLPHQWRVFRPEU,QIRUPDo}HV CONCLUSÃO | FEV | 2014 31 2552 3000 Desenvolvimento e Incorporação: Construção: Arrendamento: * Fonte: Pesquisa Booking Institute EUA. ** IBGE - Pesquisa de Serviços de Hospedagem - Municípios das Capitais. SITE SAVASSI LF/Mercado VIVER Ł Número 79 - 6 de abril 2012 Entre.... 26 Negócios Como é trabalhar com irmãos? A parceria pode dar certo 88 Especial Agora tem até babá para animais 32 Política Presidente do PT anda pelo país na trilha das eleições municipais 92 Esporte Maratona da Linha Ĩ 34 Recursos humanos Leem e veem você nas redes sociais 38 Empresa Arte e Brilho investe em diversificação 40 Entrevista Edison Lobão: derrotas de Dilma não são nenhuma desgraça 46 Cidade Construção de prédios rende discussão no São Bento 48 Capa Caminho até Confins: 50% a mais no tempo em três anos 56 Trânsito Ciclistas em busca de segurança nas ruas da cidade 64 Brasil Medidas cautelares abrem brechas para a impunidade? 68 Reportagem Histórias de quem vive à espera para receber precatórios 72 Dez perguntas Antônio Andrada: transparência é obrigação dos governos 76 Justiça Presidente da FIA defende ação de advogados fora do país 10 94 Saúde Obesidade infantil: estudiosos veem culpa dos pais 48 98 Turismo Roteiro do faroeste nos Estados Unidos = COLUNISTAS 104 Comportamento Casamento em Las 22 Coluna PCO Paulo Cesar de Oliveira 78 Giro NY Angelina Freitas 90 Viver Melhor Fernando Torres 96 Cantinho do Chef Luciana Avelino 114 Zoom Márcia Queirós 110 Show Axé Brasil 2012 aposta na conscientização ecológica 118 Bate-papo Tutti Maravilha: “Elis Regina adorava cozinhar” 120 Festas Paulo Cesar de Oliveira lança livro em Brasília = ARTICULISTAS 30 Aécio Neves entra no jogo sucessório Paulo Cesar de Oliveira 36 Equilíbrio federativo e gestão fiscal Paulo Paiva 62 Os desafios do crescimento Matheus Cotta de Carvalho 82 O poder dos fracos Fátima Rabelo 87 Prazo de validade Hermógenes Ladeira 103 O nocaute industrial Wagner Gomes 130 O caso do senador Demóstenes Torres Carlos Lindenberg VIVER Abril 6 - 2012 Editorial O que você acha do trânsito de Belo Horizonte? Belo Horizonte está parando! Ao contrário do desenvolvimento econômico e social que de maneira geral avança em vários setores, o trânsito caótico está transformando qualquer movimentação na cidade em um chá de nervos. Ingenuidade achar que o progresso anda pareado com a ordem absoluta. Por mais que haja planejamento, gestão e qualquer tipo de instrumento organizacional, o mundo é feito de oportunidades, criadas ou inesperadas. O prefeito Marcio Lacerda já mostrou várias vezes que o número de carros trafegando na capital mineira só aumenta. E com o turbo ligado! Assim como no resto do país. Tempos atrás as pessoas tinham São Paulo como a único lugar com trânsito realmente inacreditável. Não é mais. Cidades como Salvador têm penado com esta situação. Mesmo com avenidas largas, o caos está instalado também na capital baiana. Em BH, com a transferência dos voos, certamente positiva, para Confins, sair da cidade é penoso. Tenho viajado praticamente todas as semanas a trabalho e parece que as vias vão transbordar. Mesmo sem chuva... Algumas vezes são mais de duas horas para chegar a Confins. Digo que foi positivo e uma visão do ex-governador Aécio Neves, pois transformou um elefante branco em aeroporto movimentado, com conexão para todas as regiões do país e centro de distribuição de passageiros. E no final, olha que maravilha! Ganhamos três viagens: ir para Confins, mínimo uma hora, pegar o avião, mais uma hora e voltar para casa – dependendo do horário, a soma de tudo. Nem inimigo merece tanto nervosismo. Mas este é o preço que a cidade está pagando. Há pouco mais de cinco anos tínhamos menos de 500 mil passageiros por ano, em curto espaço iremos passar de 10 milhões/ano só em Confins. Para melhorar o que verá na reportagem de capa, a BHTrans e todos os órgãos competentes estão buscando soluções que passam desde a oferta de novos serviços de transporte público, a intervenções viárias. Vamos acompanhar ativamente este processo de melhoria e repercutir tudo que possa beneficiar a sociedade. Ainda na Viver Brasil desta quinzena, muitas matérias interessantes, como a da cidade dos caubóis nos Estados Unidos, Fort Worth, e a entrevista com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Questionamentos, críticas e sugestões sobre o trânsito em BH, mande para redação@ revistaviverbrasil.com.br. Muito obrigado a todos e até a próxima! Gustavo Cesar de Oliveira, diretor – [email protected] Diretor-geral Paulo Cesar de Oliveira Diretores Gustavo Cesar de Oliveira Paulo Cesar Alkimim de Oliveira Diretor de redação Homero Dolabella Editora-executiva Silvânia Arriel Chefe de redação Maria Eugênia Lages Subeditora Luciana Avelino Editoras-adjuntas Cláudia Rezende e Raquel Ayres Redação Ana Elizabeth Diniz, Eliana Fonseca, Eliane Hardy, Fernando Torres, Janaína Oliveira, Márcia Queirós e Terezinha Moreira Repórteres colaboradores Flávio Penna e Sueli Cotta Articulistas Carlos Lindenberg, Fátima Rabelo, Hermógenes Ladeira, José Martins Godoi, Lázaro Gonzaga, Matheus Cotta de Carvalho, Olavo Machado, Paulo Paiva e Wagner Gomes Correspondentes internacionais (Paris) Igor Tameirão (Nova Iorque) Angelina Freitas Assistente de web Celso Filho Revisão Maria Ignez Villela Secretária de redação Ana Lúcia Cortez Diretora de arte Oriádina Panicali Machado Editor de arte Renato Luiz Equipe de arte Adroaldo Leal, Gilberto Silva e Luciano Cabral Assistente de fotografia Marizeli Goulart Fotógrafo especial Nélio Rodrigues Fotógrafos colaboradores Pedro Vilela, Tião Mourão, Victor Schwaner Superintendente de finanças Cinthia Portela Superintendente de operações Eliana Paula Coordenadora de marketing Isabel Borges Gerente de eventos Gustavo Serpa Gerente comercial Ana Paula Fadel Departamento comercial (31) 3503-8888 Adélia Salazar, Alessandra Valente, Cristiana Rey, Dária Mineiro, Hevelyne Buzatti, Lívia Bosco, Rigléia Carvalho, Sandra Câmara e Wander Bocelli [email protected] Assinaturas (31) 3503-8670 Impressão Log&Print Gráfica e Logística S.A. Entregas Fast Entregas Distribuição em bancas Disa - Distribuidora Sant’ Anna [email protected] www.revistaviverbrasil.com.br Tiragem quinzenal 60.000 exemplares Viver Brasil é uma publicação da VB Editora e Comunicação Ltda. São Paulo: Jacques Felix, 19, Vila Nova Conceição, São Paulo, SP – CEP: 04509-000 – Tel.: (11) 2127-0000 Minas Gerais: Rodovia MG–030, 8.625, torre 2, nível 4, Vale do Sereno, Nova Lima, MG – CEP: 34.000-000 – (31) 3503-8888 - www.revistaviverbrasil.com.br 12 VIVER Abril 6 - 2012 NOVA FLORENSE BELO HORIZONTE. AINDA MELHOR. COMO VOCÊ MERECE! RUA SANTA CATARINA 605 LOURDES 3287 2040 Fale Conosco Rubens Menin, nas alturas Os mineiros chegaram à lista dos mais ricos da revista Forbes com o empresário Rubens Menin e seus prédios populares. Pelo desenvolvimento do país, valorização do real, nas próximas listas mais mineiros devem estar nelas. Ficou boa a reportagem, senti falta foi de entrevista dele, de falar como conseguiu chegar lá. Despesas em alta velocidade Fiquei chocada ao ler a matéria sobre os custos que temos com carros. São muitas despesas e agora ainda há a dor de cabeça provocada por esse trânsito engarrafado de todo o dia, inclusive nos finais de semana. Depois de ler, dá vontade de andar de transporte coletivo. É uma pena que ele não funcione a contento. Mateus Ramos Conteúdo objetivo e claro da reportagem sobre o empresário Rubens Menin. Acredito que ele deveria investir mais nos projetos sociais, uma forma de retribuir os ganhos. Eliza Rodrigues Muito interessante a reportagem sobre os gastos com carros. Não imaginava que as despesas chegassem a tanto. Parabéns. ele. Afinal hoje as mulheres esquecem de viver e de fazerem os principais papéis para competir com os homens. Isso é ridículo! Nilci Aguiar Pais professores, irmãos colegas Excelente a reportagem sobre o movimento dos pais que dão aulas para os filhos em casa. As razões deles e dos especialistas foram bem dosadas, mas pendi a estes últimos. Avalio que os meninos e os adolescentes têm que conviver com outras pessoas, senão ficam só em casa e perdem esse relacionamento tão vital para qualquer pessoa. Parabéns à repórter Eliana Fonseca. Frederico Oliveira Luciana dos Santos Helena Maria Barros Minha Palavra Zoom Meus parabéns e agradecimentos à jornalista Márcia Queirós pela nota Legado paterno, publicada na coluna Zoom, em que aborda o trabalho de preservação que venho realizando dos trabalhos do meu pai, o artista plástico Petrônio Bax, que faleceu em 2009. O título e texto publicados foram fiéis ao que conversamos. Simone Bax 14 Como grande admirador de Paulo Cesar de Oliveira, gostaria de parabenizá-lo pelo maravilhoso livro. Com certeza será um sucesso! Marcos Calmon de Passos A decisão é radical mesmo dos pais que retiram os filhos da escola para dar aulas em casa. A opinião dos especialistas é muito boa, faz refletir, mas acredito que cada um deve ter a liberdade de dar a educação que queira aos filhos desde que não prejudiquem ninguém. Crônica Li agora há pouco a crônica Mulherzinha, de Bruno Fernandes, e achei fantástico! Apesar de ser mulher, ou melhor mulherzinha, eu concordo plenamente com Geórgia Campos Poder de decisão Quando li a matéria parecia que estava ouvindo meu VIVER Abril 6 - 2012 Rodovia MG–030, 8.625, torre 2, nível 4, Vale do Sereno, Nova Lima, MG – CEP: 34.000-000 E-mail: [email protected] filho. Ele está sempre dando palpites nas nossas aquisições, nem sempre levo em consideração, mas quando o assunto é tecnologia não tem erro. A gente tem que escutálo. Parabéns à revista Viver Brasil que sempre traz reportagens que nos diz respeito. Juliana Reis Desafio é o acesso O Independência será reinaugurado, a BHTrans fez mudanças nas ruas próximas ao estádio, mas será que resolverá a questão? Tomara. Acredito que devem mesmo fazer campanha de conscientização para que as pessoas utilizem o transporte público, melhorando o tráfego na região. Comentários sobre o conteúdo editorial da Viver Brasil, sugestões e críticas a matérias. Cartas e mensagens devem trazer o nome completo e o endereço. Além do nome do autor, o e-mail também poderá ser publicado. Por razões de espaço ou clareza, os textos poderão ser publicados resumidamente ERRATA Ao contrário do informado na matéria Dentro do limite, da edição nº 78, página 50, o Go Inn Hotel não está na orla da Pampulha, mas, sim, na avenida Del Rey, 157, no bairro Caiçara e não faz parte dos empreendimentos em aprovação pelo Conselho Municipal de Política Urbana (Compur). O Go Inn no bairro Caiçara (foto à esq.), fruto de uma parceria entre a Direcional Engenharia e o grupo Atlantica Hotels International, vai contar com 200 unidades distribuídas em um prédio de 12 andares, além de 67 vagas de garagem e restaurante. Reginaldo Andrade Costa Pequenos gigantes Muio interessante e bem escrita a matéria sobre as microempresas. Parabéns. Marina Bittencourt VIVER Abril 6 - 2012 Para anunciar: Tel.: (31) 3503-8888 Fax: (31) 3503-8888 Releases [email protected] Assinaturas: Tel: (31) 3503-8860 15 Leitor Repórter Foto das montanhas em Barão de Cocais Enviada por: Givaldo Teixeira Barbosa 16 “Amor, não chora de sofrimento; Cheguei agora no vento; Eu só voltei pra te contar; Viajei. Fui pra Serra do Luar.” TRECHO DE SERRA DO LUAR, DE WALTER FRANCO É a sua vez de mostrar que tem faro jornalístico. Fo to grafou uma cena inusitada? Visitou um lugar paradisíaco e fez foto digna de cartão-postal? Registrou um momento ím par que me rece ser compartilhado com outras pessoas? Agora você te rá a oportunidade de mostrar seu talen to. Envie sua foto para a re- vista Vi ver Bra sil . As melhores serão publicadas e você terá seu dia como repórter fotográfico. O endereço para en vio é: redacao@ revistaviverbrasil.com.br. As fotos deverão estar em alta resolução. No e-mail, deverão constar os dados do autor (nome, telefone, endereço e RG) e uma breve descrição da foto. VIVER Abril 6 - 2012 www.revistaviverbrasil.com.br POR CELSO FILHO VIVER MINAS ACESSADAS Mulherzinha Pais professores, irmãos colegas MINAS A Viver Minas voltou cheia de novidades este ano. Matérias sobre a economia, a política e a cultura de cada canto do nosso estado, além da coluna Ali e Acolá, um diário de viagem, assinado pela jornalista Ana Elizabeth Diniz. Na última edição, a expedição visitou a região do Norte de Minas e o conteúdo completo pode ser acessado no site da revista Viver Brasil, na aba de Cadernos Especiais. Confira! Região Norte incrementam empre go e renda na região , última fronteira do desenvolvimento em Minas São Francisco Profissionalização muda a cara da no Velho Chico pesca Cerrado Frutos como o pequi e o baru contribuem economia familiarcom a 001.indd 1 Nélio Rodrigues 1 2 www.revistaviv erbrasil.com.br ŁŤŢţŤŁşţţ www.revistaviverbrasil.com.br NO FACEBOOK 3 4 5 Além do Twitter (@pcovb), o Blog do PCO, agora, está no Facebook. Curta a fanpage na rede social e receba diariamente, em seu feed de notícias, informações sobre o universo político, empresarial e eventos da sociedade mineira, assinadas pelo jornalista e colunista Paulo Cesar de Oliveira. Rubens Menin www.facebook.com/blogdopco Desafio é o acesso TUDO NA REDE Siga a Viver no twitter (@viver_brasil) e no Facebook e concorra a promoções exclusivas. O site do Jornal Tudo já está no ar. Distribuído gratuitamente em diversos pontos da cidade, drogarias Araujo e nos aeroportos de Confins e da Pampulha, o semanário ainda pode ser acessado pela web. Confira o conteúdo completo das edições para download, em formatos compatíveis também com tablets e smartphones. Em breve, mais novidades para a página. Estes selos indicam conteúdo extra. www.jornaltudobh.com.br Os romanos entre nós FÉRIAS DE JULHO PRIMUS TURISMO. A MELHOR SAFRA DO TURISMO CHILENO. SANTIAGO + MENDOZA SANTIAGO + SKI ECONÔMICO Blue Tree Fundador (4 noites) Intercontinental (3 noites) "QUPEVQMPt$BGÏEBNBOIÍ 9x R$ 244,60 FRETA FRETA VOO Entrada de R$ 943,50 + DO DE BH 9x R$ 236 ,00 BH Entrada de R$ 913,50 + Saídas: 14, 21 e 28/7 DO DE VOO Saídas: 14, 21 e 28/7 Blue Tree Fundador "QUPEVQMPt$BGÏEBNBOIÍ *ODMVJ4LJ%BZ&M$PMPSBEPt4LJ%BZ-B1BSWBt4LJ%BZ7BMMF/FWBEP *ODMVJ1BTTBHFNBÏSFBJEBFWPMUBFNWPPSFHVMBSQBSB.FOEP[B$JUZ5PVSFN.FOEP[B SANTIAGO + BUENOS AIRES Blue Tree Fundador (4 noites) Solace Puerto Varas (3 noites) "QUPEVQMPt$BGÏEBNBOIÍ Blue Tree Fundador (4 noites) Reconquista Garden (3 noites) "QUPEVQMPt$BGÏEBNBOIÍ *ODMVJ1BTTBHFNBÏSFBJEBFWPMUBFNWPPSFHVMBSQBSB1VFSUP.POUU$JUZ5PVSFN 1VFSUP.POUU/BWFHBÎÍPB1FVMMB *ODMVJ1BTTBHFNBÏSFBJEBFWPMUBFNWPPSFHVMBSQBSB#VFOPT"JSFT$JUZ5PVSFN Buenos Aires. 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Tudo isso ainda é pouco para falar de Christina Carvalho Pinto. “Não me considero uma publicitária apenas, mas estrategista e mente criativa a serviço da nova comunicação”, diz a hoje sócia do Grupo Full Jazz de Comunicação, eleito pela Fundação Dom Cabral como o melhor exemplo de inovação empresarial do país. Paulista, apaixonada por Minas, sobretudo pelo escritor João Guimarães Rosa, ela esteve na Academia de Ideias, em BH, no mês de março para falar sobre o papel da mídia como instrumento de consciência ambiental. A receita? “É preciso visitar a cadeia produtiva das imagens e palavras que estamos gerando, saber se elas fazem bem ou mal. Se curam ou intoxicam, se libertam ou aprisionam, se constroem ou só destroem.” 20 VIVER Abril 6 - 2012 BH OUTLET PLUS, GRANDES GRIFES COM DESCONTOS DE ATÉ 80% O ANO TODO. O BH Outlet Plus é um shopping que traz para BH o conceito outlet, ideia que é sucesso no mundo todo: as melhores marcas, num só lugar, direto dos fabricantes, com descontos inacreditáveis. ZZO S H O P P I N G www.bhoutlet.com.br BREVE Segunda a sábado, das 10h às 22h . Domingos, das 11h às 19h. BR-356, nº 7.515, em BH. Junto ao Leroy Merlin do Belvedere, na saída para o Rio. 31 3288 1818 O presidente da Fiat, Cledorvino Belini, um dos empresários que participou da reunião com a presidente Dilma Rousseff, saiu impressionado com a objetividade da presidente – opinião comungada por vários dos presentes entre eles os presidentes do Bradesco, Luis Carlos Trabuco, e do grupo Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo – em assuntos relacionados ao empresariado. Um dos pleitos é a redução de impostos. Agora vamos ver se a presidente colocará em prática tudo que falou. Infelizmente é outra história... POR PAULO CESAR DE OLIVEIRA Dilma preocupa até PT Impressionante como em Brasília, nos meios políticos, a conversa é sobre a postura da presidente Dilma Rousseff em relação ao Congresso Nacional. À boca pequena, o que se comenta é que com toda a popularidade de Dilma a sua situação política é preocupante na opinião de vários ministros do PT, como ouvi essa semana na capital do país. Fábio Rodrigues-Pozzebom/ABr Briga em Barbacena Se a briga política em Barbacena envolvia os Andrada e os Bias, agora a disputa pela prefeitura local esquenta é no seio familiar dos Andrada. Os irmãos e ex-prefeitos Martim e Toninho Andrada querem disputar pelo PSDB o lugar de Danuza Bias Fortes (PT), que tentará a reeleição. Martim, que se prepara há dois anos para ser o candidato do PSDB, foi surpreendido por Toninho que, munido de um manifesFotos: Tião Mourão to do movimento Volta Toninho, com 10.658 assinaturas de barbacenenses, reforçava o seu desejo de disputar as eleições em 2012. Com a corda toda Depois de receber a notícia da vitória contra o câncer na laringe, Lula garantiu que, muito em breve, voltará à cena política. E já mandou um recado para José Serra (PSDB). A interlocutores, afirmou que estão enganados os que pensam que a campanha do tucano à prefeitura de São Paulo será um passeio. Pelo visto, estará bem disposto para angariar votos para seu apadrinhado, Fernando Haddad (PT).... Só um dia após a boa nova sobre seu estado de saúde, disparou: “Serra é um político de ontem com ideias de anteontem.” 22 Ricardo Stuckert/Instituto Lula VIVER Abril 6 - 2012 Roosewelt Pinheiro - ABr Doce disputa Queijo canastra Os produtores de queijo da serra da Canastra andam em contagem regressiva. A partir de abril, o famoso queijo fabricado artesanalmente há séculos em Minas deve ganhar um selo com certificado de origem, que protegerá a identidade do produto e tende a preservar os métodos tradicionais de fabricação. “Ter que definir apenas um é como ir à sorveteria São Domingos e poder escolher um sabor só”, disse o ex-deputado federal Virgílio Guimarães, comentando o “excesso de bons nomes” que o PT tem para ocupar a vaga de vice na chapa de Marcio Lacerda. Os interessados – inclusive ele – são muitos, já que a cadeira pode render ainda mais frutos em 2014. Voto Presidente da Unimed-BH entre 1998 e 2006, com aclamada gestão, Emerson Fidelis Campos agora recebeu os votos dos médicos para deixar a cooperativa. Foi excluído em assembleia geral na quarta-feira por infração aos estatutos internos e conflito de interesses. Fidelis é diretor regional da Amil. Casas do Brasil O Museu da Casa Brasileira, de São Paulo, vai abrigar em abril a exposição Casas do Brasil – Barraca Cigana, da fotógrafa e pesquisadora Luciana Sampaio. Casas do Brasil é um projeto criado pelo MCB, objetivando fazer um inventário visual das casas brasileiras, celebrando a pluralidade das formas de morar país afora. Convidam para a exposição a Ornare (leia-se Esther e Murilo Schattan), o governo de São Paulo, a Secretaria de Cultura e o Museu da Casa Brasileira. A abertura da mostra será no dia 9 de abril, às 19h30, e fica em cartaz até 3 de junho. Sinal de fumaça A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou por unanimidade projeto que acaba com os 14º e 15º salários aos parlamentares. O texto, no entanto, ainda precisa passar pelo plenário da Casa e, depois, pela Câmara dos Deputados para que os benefícios sejam extintos. Posse de Cármen Lúcia A nova presidente do Tribunal Superior Eleitoral, a ministra mineira Cármen Lúcia Rocha, toma posse no próximo dia 18 de abril em solenidade no TSE em Brasilia. Dilma Rousseff deve comparecer para abraçar Cármen Lúcia. Daqui vai muita gente para prestigiar a conterrânea, como o governador Antonio Augusto Anastasia. VIVER Abril 6 - 2012 Nélio Rodrigues Dia D do PT Em 15 de abril o PT faz encontro, previsto no regulamento, para escolha do candidato a vice de Marcio Lacerda e a chapa de vereadores. Mas o primeiro item de pauta cabe ao PSB que terá que responder, principalmente, se aceita ou não o veto ao PSDB. José Cruz/ABr Falta de respeito “A falta de respeito com o Congresso se transformou em marca registrada do governo. Como nada é tão ruim que não possa piorar, o PAC executou apenas 8% do total de recursos (...) O abandono é regra”, de Aécio Neves da tribuna do Senado. Enterro digno Pedro Vilela “O que acompanha a história da anistia no Brasil é a incompletude. É direito das famílias o retorno dos restos mortais, para dar enterro digno”, de Nilmário Miranda, integrante da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Agraciados com a grande medalha Deiwis Fontes O governador Antonio Augusto Anastasia homenageia 185 personalidades com a Medalha da Inconfidência na tradicional cerimônia de 21 de abril em Ouro Preto. Dentre os 31 homenageados com a grande medalha estão o ministro das Relações Exteriores, embaixador Antônio Patriota; o procurador geral da República, Roberto Gurgel; o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, o presidente do Tribunal de Contas da União, Benjamin Zymler; a presidente da Petrobras, Maria das Graças Silva Foster; o presidente da Usiminas, Julián Alberto Eguren, o presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto; o presidente da Vale, Murilo Pinto de Oliveira Ferreira, e o secretário de Defesa Social, Rômulo de Carvalho Ferraz. Colaboração: Ana Cortez, Eliane Hardy, Dilke Fonseca e Flávio Penna 23 Entre André Fossati Aspas JANAINA OLIVEIRA “O Marcio Lacerda já está eleito. O PMDB não tem força para disputar a prefeitura de Belo Horizonte” Deputado federal Newton Cardoso (PMDB) O Newton já foi um grande líder no PMDB. Já foi” Deputado federal Toninho Andrade, presidente estadual do PMDB, desdenhando da análise eleitoral feita por Newtão “O Marcio Lacerda é pouco perto daquelas mulheres bravas do Palácio do Planalto” Secretário nacional de Atenção à Saúde, Helvécio Guimarães (PT), brincando com o estilo durão do prefeito de BH, da presidente Dilma e da ministra Gleisi Hoffmann Esses penduricalhos só servem para dar dor de cabeça” Vereador Paulinho Motorista (PSL), sobre o fim da verba do paletó Vão querer ser vice de novo para fazer oposição, como fez Roberto Carvalho? ” Presidente do PSDB municipal, deputado João Leite, ironizando as articulações petistas 24 ACONTECEU Em votação apertada, o PT decidiu apoiar a candidatura à reeleição do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), com ou sem o PSDB. A decisão ficou para o prefeito, que tem até 15 de abril para se definir. Mas nem será preciso esperar. Lacerda já deu claros sinais de que vai pactuar com os tucanos. A expectativa agora é sobre quem será o vice. Os interessados são muitos, mas a cadeira é só uma. E deve ficar com o PT. Entre os cotados para compor a chapa estão o ex-deputado federal Virgílio Guimarães e o deputado federal Reginaldo Lopes. Também acalentam o sonho dourado o deputado federal Miguel Corrêa Jr e o deputado estadual André Quintão. A briga é boa, pois pode definir também o candidato de 2016. TWITADAS @Vereador_Heleno: O vereador não deveria receber nenhum salário a mais do que os demais servidores. #maisque13não Vereador da capital, Heleno (PHS) zzz @Jose_de_Abreu: Serra, humilhado por ter que concorrer às previas, sai ainda mais chamuscado com 52% apenas de votos de 20% dos militantes. José de Abreu, ator e produtor zzz @depgeorgehilton: Chove muito em Contagem, não somente as águas de março, mas também boatos da política. Os próximos capítulos prometem. Deputado federal George Hilton (PRB) VIVER Abril 6 - 2012 kits Exclusivos Desodorante Dove Aerossol GANHE 50% DE DESCONTO Ofertas válidas de 28/03/2012 a 24/04/2012 ou enquanto durar o estoque. Fotos ilustrativas. na segunda embalagem, na compra de 2 Loção Hidratante Johnson’s Softlotion Linha regular Exceto Dermo Aclarant e Hair Minimising 150ml / 169ml 10,90 cada A SEGUNDA UNIDADE SAI POR R$ 5,45 GANHE HIPOGLÓS AMÊNDOAS 40g Exceto FPS 15 200ml cada na compra de 1 shampoo 750ml + 1 condicionador 750ml XG c/ 80, G c/ 92 ou M c/ 104 40ml 109,00 cada 28,00 Fralda Pampers Supersec Jumbo Creme Clareador Roc Clarifiant 60 7, LEVE 3 PAGUE 2 DE R$ 35,15 POR R$ na compra de 1 pacote de fraldas Pampers Supersec Jumbo XG c/ 80, G c/ 92 ou M c/ 104 este é novo Produto disponível na Araujo com Espaço Dermocosméticos, pelo Drogatel (31) 3270-5000 ou pelo www.araujo.com.br. 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São famosas as brigas entre os Gallagher – Liam e Noel – do Oasis; ou de Abílio e seu falecido irmão Alcides Diniz pelo controle do Pão de Açúcar; ou ainda a que ocorreu no ano passado, quando, em pleno show, Luciano, da dupla com Zezé di Camargo, subiu ao palco para jogar luz, e publicidade, a um desentendimento íntimo entre ambos. Essas e outras brigas refletem um assunto que suscita curiosidade: como é fazer dupla, ter negócio, estar lado a lado no trabalho com um irmão. Os números são incertos, mas a estimativa é que 90% das empresas hoje existentes no país são familiares.Viver Brasil conversou com irmãos que decidiram montar um negócio juntos. Eles falam sobre o lado positivo e Irmãos & sócios Família, família; negócios à parte. Essa deve ser uma das regras nas empresas onde os donos têm o mesmo sangue correndo nas veias Nélio Rodrigues 26 VIVER Abril 6 - 2012 também como lidam com as controvérsias e, principalmente, qual a estratégia para conseguir conviver com as desavenças. Tudo isso, com foco não só no crescimento de lucros, mas no equilíbrio de uma relação que, independentemente do sucesso do negócio, é para a vida toda. Eles trabalhavam no ramo de atacado e eletroeletrônico e quando resolveram, há oito anos, se unir, Gleno Márcio da Silva, 46, e Paulo Sérgio da Silva, 55, pularam para a área de cosméticos, como um foco especializado, produtos para uso profissional. Nascia a Glynett. O que no início era negócio de risco – Paulo e Márcio confessam a pouca intimidade com o assunto – transformou-se na grande paixão de ambos quando se encontraram com o químico Jean Glynett e passaram a comercializar os produtos. A primeira regra clara – cada um cuidaria de um setor da indústria. Gleno é o diretor comercial e Paulo, o de produção. O porém é que mais de 200 km separam o local de trabalho um do outro, já que a fábrica da Glynett fica em Lavras e o escritório, em Belo Horizonte. Mas Gleno logo adianta, não é a distância que garante o sucesso da empresa.“Pelo menos de 15 em 15 dias, nos encontramos cara a cara, no restante nos falamos através de outros meios. E o tempo todo fazemos o balanço de tudo o que está ocorrendo, prestando conta um para o outro de nossas respectivas áreas, mas sempre com autonomia”, afirma. Algumas regras também foram estabelecidas. Parentes na empresa, Não me recordo de nenhuma briga séria entre a gente porque nos conhecemos tão bem, já sabemos as manias um do outro” Leonardo Siqueira (à esq.) só os dois. Gleno, que já teve outros negócios, afirma que viveu a experiência há algum tempo, quando tinha outro sócio e a lembrança não é boa. “Pode haver constrangimentos, problemas, o melhor é evitar a contratação de parentes e isso foi o combinado com o Paulo à época da abertura da empresa”, diz. O consultor e coaching Ricardo Melo afirma que negócios com irmãos, como tudo na vida, têm pontos positivos e negativos. Para o bem do empreendimento, não há ponto melhor do que a confiança estabelecida num relacionamento de quem se conhece a vida toda. “É VIVER Abril 6 - 2012 a união nos negócios de duas pessoas que se amam, se conhecem, e isso faz uma diferença muito grande”, observa Melo. Essa proximidade garante outros pontos como conhecer melhor a personalidade. “E o relacionamento nos negócios fica mais fácil porque a pessoa conhece a dinâmica da outra.” Empresários do ramo da noite, os donos da boate Cinco, os irmãos Lucas e Bruno Vereza afirmam que foi natural trabalhar juntos por terem os mesmos interesses. A intimidade ajuda, e muito, na opinião de Lucas: “A tomada de decisões por vezes nem é preciso um consultar o outro. Já sabemos a opinião e a resposta”. São raras as discussões, mas quando elas ocorrem todas as controvérsias são resolvidas dentro da empresa. Fora dela, avisa Lucas, a relação volta ao normal. “As controvérsias são decididas com a conversa. Mas cada um é responsável por uma área, o que facilita as decisões”, diz. Essa é uma das regras caras ao sucesso do negócio e à saúde do relacionamento, observa Ricardo Melo. Para ele, é preciso haver uma separação muito clara do relacionamento profissional e do pessoal, se não, podem ocorrer problemas de relacionamento graves, com brigas, desacertos. “Já ajudei a resgatar uma empresa em que as pessoas chegaram a se odiar”, conta. E nada de pedir opinião ou ajuda de outros familiares que não estão no negócio quando há algum problema. Melo ensina que o melhor é colocar uma redoma quando a questão for a empresa. “Nenhum parente de fora do negócio deve interferir, porque pode ocorrer de alguém tomar partido de um dos sócios e isso acabar gerando problemas.” Se houver controvérsia e ficar difícil administrar com o sócio-irmão, Melo ensina que o melhor 27 N E G Ó C I OS Divulgação é um intermediador de fora, solução bem-vinda independentemente do tamanho, porte, tempo da empresa. E os combinados, como fizeram Paulo e Gleno, também são importantes. “O melhor a fazer, quando se abre um negócio, é já estipular as cláusulas e as regras para preservar não só a empresa, como também a relação entre irmãos.” Ambiente altamente criativo, em que as ideias são a alma do negócio, a agência de publicidade Fala! tem como proprietários os irmãos e sócios Leonardo e Rodrigo Siqueira. Antes eles eram três, mas Kiko Siqueira está morando em outro país. Leonardo conta que, apesar da intimidade e do amor que os unem, quando estão na empresa o lado sócio sobrepõe o do irmão. Ou quase. Depois de anos trabalhando juntos, ele afirma que nunca teve problema e que a mesma união que têm em casa pode ser vista também no escritório. “Não me recordo de nenhuma briga séria entre a gente porque nos conhecemos tão bem, já sabemos as manias um do outro”, afirma Leonardo. E se alguém tem um pensamento diferenciado, o negócio é procurar o equilíbrio. “Eu e o Rodrigo temos pensamentos parecidos, mas tem hora que é o momento de ceder e isso acontece naturalmente. Usamos o bom senso.” Há casos que além de ter o irmão como sócio, há ainda o amigo, que é considerado irmão de alma. Esse foi o caso dos sócios da Sava Móveis, Rafael Mendes, Daniel Mendes e Bruno Guerra, que juntos resolveram abrir o negócio há cinco anos, quando Rafael tinha 26 e Bruno e Daniel, 24. No começo, eram só os três trabalhando na Sava, hoje são 170 funcionários. Apesar de extremamente novos, o combinado entre os três foi respeitar o espaço do outro, delimi28 Cada um é responsável por uma área da empresa, o que facilita as decisões” Lucas Vereza (à dir.) Nélio Rodrigues Sempre fomos amigos e acredito que a expertise de um complementa a do outro” Daniel Cataldo VIVER Abril 6 - 2012 Nélio Rodrigues O tempo todo fazemos o balanço de tudo o que está ocorrendo, prestando conta um para o outro (...)” Gleno Márcio (à dir.) Pedro Vilela Estamos sempre trocando ideias, respeitando um ao outro, e isso dá certo em nossa empresa” Rafael Mendes VIVER Abril 6 - 2012 tando muito bem a função de cada um dentro da empresa. Lógico que sem perder o contato juntos, tanto que Rafael afirma que, apesar de terem salas separadas, em cada uma delas há espaço para os três trabalharem juntos. “É um grande prazer esse negócio. Estamos sempre trocando ideias, respeitando um ao outro, e isso dá certo em nossa empresa”, diz. Há empresários que primeiro procuram um sócio complementar e têm a feliz descoberta de ter o irmão como essa pessoa. Esse foi o caso de Daniel, 33, e Felipe Cataldo, sócios da Sydle, que sempre foram muito unidos e quando nasceu a ideia de criar a empresa de produtos de softwares e gerenciamento de processos, resolveram trabalhar juntos. “Sempre fomos amigos e acredito que a expertise de um complementa a do outro. Eu sou da área técnica e o Felipe, da administrativa. Por isso temos dado muito certo juntos.” Daniel afirma que já teve experiências de negócios com outros sócios, mas nada se compara à confiança e dedicação que sente ao trabalhar com o irmão. A Sydle começou pequena, com cinco funcionários, hoje são 150. Para o consultor Ricardo Melo escolher irmão como sócio é apenas coincidência porque o ponto primordial é querer um negócio com uma pessoa de confiança, em que se tenha liberdade, vontade de trabalhar e transparência para falar tudo aquilo que está incomodando na gestão. Outro ponto importante é a formação gerencial dos sócios. “O que vale para os outros empresários que não têm laços consanguíneos serve também para os irmãos. É preciso um constante aperfeiçoamento e reuniões constantes para analisar os pontos fortes e fracos da empresa”, ensina. 29 Paulo Cesar de Oliveira Aécio Neves entra no jogo sucessório A presidente Dilma Rousseff iniciou muito bem o seu governo e conquistou popularidade no seu primeiro ano de mandato maior do que seu padrinho e antecessor Lula, e mesmo o ex-presidente Fernando Henrique atingiram. Até mesmo aqueles que não votaram nela passaram a admirar e elogiar o seu governo. A continuidade do crescimento econômico que herdara e a forma pela qual enfrentou as primeiras crises, com as descobertas de malfeitos de seus ministros, impulsionaram a sua popularidade. Dilma assumiu o papel de moralizadora, feito que Lula não conseguiu. Bem ao contrário, perdeu a áurea de político sério e correto e só não naufragou politicamente, puxado pelo mensalão, pelo sucesso da política econômica e o avanço dos programas sociais e distribuição de renda. O mineiro foi firme ao dizer que Dilma instituiu o regime do improviso, ao contrário do que muita gente pensava... Dilma, malgrado a repetição dos escândalos na equipe, ainda consegue manter sua popularidade. No entanto, nos últimos 30 dias, deu uma derrapada na área política que pode custar-lhe caro, inclusive com uma queda na aceitação popular. Nenhum presidente – como Jânio Quadros e Collor – que peitou o Congresso se deu bem. Dizem que o seu conselho político tem alertado, mas dizem também que ela não gosta de ouvir ninguém. É só ver as escolhas que fez recentemente que desagradaram a muitos e em especial à sua base parlamentar. Com isto a oposição, que andava sem discurso, começa um trabalho de desmonte do governo tendo à frente o senador Aécio Neves. O mineiro é hoje, sem dúvida, o grande líder da oposição e das melhores figuras do Congresso. Já não restam dúvidas de ser ele o candidato à Presidência da República pelo PSDB, levado a 30 esta posição pelos seus companheiros e não apenas por decisão própria. Ele mesmo diz que uma candidatura presidencial emerge de um desejo popular e de lideranças políticas. Sua candidatura ganhou musculatura com a afirmativa de Fernando Henrique de que ele é o candidato óbvio do partido. FHC é um padrinho forte na legenda, principalmente pela liderança que exerce sobre os tucanos paulistas. Aécio se retrai sobre o assunto, mas com absoluta certeza é o mais bem preparado da oposição para disputar a cadeira de Dilma, depois de fazer dois bons governos em Minas. Até agora, estrategicamente, o senador vinha mantendo uma oposição discreta, como é o seu feitio, dando uma chance a Dilma governar o país.Chegou a ser criticado por esta postura branda. No entanto, a presidente vem abrindo espaço e dando motivos para uma ação mais contundente dos oposicionistas, diga-se já com o apoio de parcelas da base de apoio do governo. O discurso que Aécio fez há alguns dias no Senado, com criticas rasgadas ao governo federal e, consequentemente, a Dilma, sinalizou o tom da fala da oposição daqui para frente. O mineiro foi firme ao dizer que Dilma instituiu o regime do improviso, ao contrário do que muita gente pensava sobre seu governo. Para Aécio o governo não tem projetos, há um imobilismo político e uma total paralisia nos programas de infraestrutura. Aécio não está enxergando a imagem da gestora impecável que foi vendida na campanha pelo ex-presidente Lula. Ao que dizem, a presidente está completamente perdida. Já se sabe que dentro de pouco tempo o senador mineiro vai viajar pelo país, ver como andam as obras do decantado PAC e mostrar aos brasileiros que, apesar de ter sido intitulada mãe do PAC, Dilma não está conseguindo avançar com as obras do programa. O governo que se cuide. Aécio é um dos maiores articuladores da política brasileira na atualidade. Aprendeu com o avô e sabe, como poucos, pescar nas águas do adversário. Paulo Cesar de Oliveira, jornalista VIVER Abril 6 - 2012 A GENTE SABE DO QUE VOCÊ PRECISA. Você precisa da tranquilidade que décadas de tradição oferecem. Você precisa de um gerente pessoal de verdade, que seja próximo. Você precisa do seu banco a qualquer hora e em qualquer lugar. Você precisa de muitas coisas, e é por isso que a gente tem o Mercantil do Brasil que você precisa. Abra sua conta | mercantildobrasil.com.br | Gente Fone: 4004 1044 Capitais e regiões metropolitanas - 0800 70 70 389 Demais localidades. P O L Í T I CA Por um PT amplo Presidente do partido percorre o país em busca de diálogo e promete que direção nacional não fará intervenção em BH JANAÍNA OLIVEIRA R ui Falcão, 68 anos, nasceu em Pitangui, no Centro-Oeste de Minas. Formou-se em direito pela USP, mas optou pelo jornalismo. Acumula no currículo passagens por diversos veículos, como Folha de S.Paulo, Notícias Populares, Jornal da Tarde e chegou a diretor de redação da revista Exame. Já foi deputado federal e hoje é deputado estadual de São Paulo. Desde abril de 2011, no entanto, sua vida mudou bastante. Devido ao afastamento por motivos de saúde de José Eduardo Dutra, Rui Falcão foi o escolhido para ser o presidente do PT, partido que governa o Brasil há nove anos. De lá pra cá, ele tem se desdobrado em viagens pelo país afora. Com o intuito de fazer uma gestão nacional, ampliando o foco até então concentrado em território paulista, intensificou o contato com a militância em plenárias realizadas em cada um dos estados. “O objetivo é dialogar”, diz. Com mandato até 2013, especialmente neste ano, Rui Falcão tem a missão de conduzir o PT nas eleições municipais. Segundo maior colégio eleitoral do país, Minas é destino certo em seu roteiro. Neste ano, já desembarcou em Belo Horizonte e cidades do interior algumas vezes. A próxima visita acontece no dia 13 de abril, quando será o palestrante do Conexão Empresarial. O evento, que já virou referência de políticos e empresários mineiros, é promovido pela VB Comu32 nicação, patrocinado pela Usiminas e com o apoio da Embratel, MRB, Anglo American, Safe Security, Rádio Itatiaia e Jchelby. Em um país governado por uma mulher, que, como faz questão de ressaltar, tem a maior aprovação que qualquer presidente na história do país, Rui Falcão adotou como uma de suas plataformas o aumento da participação feminina nas eleições. “Temos no parlamento brasileiro menos mulheres do que, por exemplo, no Irã. Queremos facilitar as formas de participação popular.” O presidente do PT aposta que o corpo a corpo dará certo. “Na última eleição, nós crescemos 34% em relação a 2004. Das principais cidades, aquelas que têm mais de 150 mil eleitores, nós governamos 30% delas. Essas 117 cidades representam, hoje, 47% do eleitorado, 52% do PIB nacional. A nossa meta é manter o que temos, reconquistar o que perdemos, e conquistar algumas dessas cidades estratégicas, entre as quais, naturalmente, se en- contra a capital de São Paulo”, avisa. Sobre Belo Horizonte, num momento em que o prefeito Marcio Lacerda (PSB) quer reeditar a aliança com PT e PSDB, Rui Falcão afirma que o partido não deve “pensar no imediato” e fazer alianças com qualquer partido nas eleições municipais de outubro. “Há uma tendência muito grande de alianças diferenciadas. No caso da capital mineira, a direção nacional acompanha com interesse, está presente e não fará nenhum tipo de intervenção seja qual for o resultado desse processo”, diz. RUI FALCÃO: “Nossa meta é reconquistar o que perdemos” Nélio Rodrigues VIVER Abril 6 - 2012 VERBOCRIATIVA A ARQUITETA MYRNA PORCARO TAMBÉM LÊ. VIVER CASA. A REFERÊNCIA DE QUEM É REFERÊNCIA. ASSINE: 31 3503.8888 www.vbcomunicacao.com.br Arte: Paulo Werner R E C U R S OS H U MAN O S Estão de olho Páginas nas redes sociais são cada dia mais visitadas por recrutadores na hora de escolher candidatos a um emprego SILVÂNIA ARRIEL S into um certo embaraço ao começar a escrever, como se pusesse minha alma a nu”, registra o narrador logo no início do livro Cemitério de Praga, de Umberto Eco. Ele, lá com pudores na história ambientada no final dos anos 1880, tão diferente de quem vive neste tempo virtual, onde as pessoas se expõem sem receio na escrita, nas fotos. Desnudam-se, tiram a máscara social na janela aberta pela internet e atraem 34 a cada toque mais leitores e, junto, a turma dos recursos humanos atenta a quem procura emprego. Todo mundo quer saber como se é, sem rótulos, e nas redes sociais há como. “As pessoas se expressam de forma tranquila. Falam o que querem”, diz David Braga, gerente geral da Dasein Executive Search. Deixam-se à mostra e por que não dar uma espiada, bisbilhotar quem está à procura de trabalho? A janela está aberta. Não que tudo à vista possa interferir na hora da decisão por este ou aquele candidato, mas ajuda a somar ou a diminuir. “O santo das contratações é o Google”, lembra David Braga. Ele leva às pessoas em um simples toque, diminui as distâncias de tempos passados, em que os recrutadores tinham que ligar para ex-empregos e obter informações sobre o candidato. Hoje é mais fácil: está aí na tela do computador, do telefone, do tablet, a qualquer hora. “São um VIVER Abril 6 - 2012 O MUNDO NA WEB apoio, permitem observar o candidato, como é seu comportamento. Excluem informações passadas antes, por exemplo, por quem trabalhou com ele há cinco, 20 anos. As pessoas mudam”, afirma Lara Castro, diretora de Associação Brasileira de Recursos Humanos, seção Minas. Vê com mais clareza, sem avaliação de terceiros. O que se lê lá, nas redes sociais, se soma à conversa no mundo real, testes psicológicos, dinâmicas. “Às vezes na entrevista a pessoa não fica tão espontânea, faz um personagem”, diz Lara Castro. “Elas vão tão preparadas que ficam encantadoras”, acrescenta David Braga. Aí, é verificar o que se fala e o que está escrito, exposto em fotos nas mídias sociais. Buscam mais informações para decidir quem contratar. “Serve como uma ferramenta, mas não é o critério final para o processo seletivo”, opina Sandra Marotta Neves, gerente de recrutamento e seleção da Prestarh. Há quem coloque nos currículos as redes sociais de que participa. “Eles disponibilizam as páginas e as empresas também podem pedir”, informa a diretora Lara Castro. Se houver recusa? “Quando fica resistente, aí é que desperta a curiosidade. O que está lá? Será que fala mal do chefe, dos clientes?” Podem até pedir para o candidato abrir a sua página e navegar enquanto o avaliador o observa. A rede social é pública, lembram os especialistas, e quem se mostra na janela é que tem que se cuidar como cidadão, das fotos que posta, das comunidades de que participa, das discussões: você está sendo visto. Não há privacidade. “O candidato a uma vaga de emprego deve ter total consciência e comprometimento com o que posta nas redes”, diz Carolina Stilhano, gerente de comunicaVIVER Abril 6 - 2012 Élcio Paraíso MAIS DE 50 MÍDIAS SOCIAIS Quase 1 bilhão de pessoas no Facebook, mais de 200 milhões no Twitter, acima de 100 milhões no Linkedin COMO SE PORTAR NAS REDES SOCIAIS CURTIR Fotos de viagens, de festas familiares Grupos de discussões com temas relacionados à profissão QDiscrição em comentários que possam ser polêmicos QPágina bem cuidada, com atualização constante das informações QZelo com português Q Q NÃO CURTIR Fotos em que se está com sinais de embriaguez, com roupas de banho, falta de postura. Tudo que possa denegrir a sua imagem QComentários inadequados, discriminatórios. Falar mal de empresas, de chefes, colegas de trabalho QErros de gramática, português QComunidades como odeio segundafeira, odeio acordar cedo. QComentários preconceituosos Q QUANTO PESA UM CANDIDATO Confira o que mais impacta na escolha do funcionário em pesquisa da Catho Online, de 2011 QDesempenho nas entrevistas 7,5 QCompetências comportamentais 7,3 QExperiência anterior relacionada ao cargo 6,7 QFormação acadêmica 6,2 QReputação das empresas que trabalhou 6,0 QDesempenho nos testes 5,9 QEstabilidade empregatícia 5,6 QDesempenho nas dinâmicas 5,3 QResultados e promoções anteriores 4,5 QAtividades extracurriculares 4,5 QPerfil, comportamento nas redes sociais 3,1 QTrabalhos voluntários 2,9 QFluência em inglês ou outro idioma 2,5 Fontes: Catho Online, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos, seção Minas, Lara Castro, gerente de recrutamento e seleção, Sandra Marotta Neves, gerente geral da Dasein Executive Search, David Braga LARA CASTRO: “Às vezes na entrevista a pessoa não fica tão espontânea” ção da Catho Online. É preciso ter bom senso: não postar fotos com sinais de embriaguez, vocabulários inadequados, exposição de intimidade, falar mal do emprego ou do chefe, se mostrar preconceituoso. “Participar de comunidades como odeio segunda-feira, odeio acordar cedo podem ser questões de humor, mas são informações que somam ou diminuem. A imagem é que está sendo vendida. Vale o quanto parece ser”, argumenta David Braga. Polir o que se mostra, medir as palavras. “É a sua vitrine.” Clara e iluminada vitrine, na visão da turma de recursos humanos, cada dia alargada nas mais de 50 mídias sociais, segmentadas para uso profissionais ou não. “Muito irá depender do usuário de tornar a rede social uma inimiga ou aliada”, diz Sandra Marotta Neves. Ter certo embaraço, nestes tempos virtuais, do que se escreve, porque está todo mundo de olho em você no mercado de trabalho. 35 Paulo Paiva Equilíbrio federativo e gestão fiscal As reformas fiscais que ocorreram no Brasil nas últimas décadas se basearam em dois pilares: transparência e equilíbrio orçamentário. Um novo regime fiscal foi construído da criação da Secretaria do Tesouro à adoção de regras e indicadores que permitem o acompanhamento de metas, culminando, em 2000, com a promulgação da lei complementar 101, que estabeleceu normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade fiscal. Esse novo regime fiscal emergiu com os esforços para conter a inflação, exigindo maior controle no uso dos recursos públicos. Nesse difícil processo prevaleceu um elevado grau de centralismo na gestão fiscal que, de certa forma, conflita com os princípios federativos estabelecidos na Constituição de 1988. Em um país grande e heterogêneo como o Brasil a relação entre disciplina fiscal e autonomia federativa requer profundo amadurecimento político, isonomia de responsabilidades entre os entes federados e sólidos compromissos comuns. A capacidade dos estados de se manterem nos limites da LRF está se esgotando por falta de compatibilidade... A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) estabeleceu rígidos critérios para estados e municípios no que tange à gestão de suas receitas, ao grau de endividamento e ao comprometimento da receita líquida com despesas de pessoal. Os efeitos positivos da LRF sobre a gestão fiscal de estados e municípios aparecem não somente nos resultados, mas com igual importância na mudança no comportamento dos gestores. Por que ao longo dos anos a autonomia dos estados para gerir suas finanças vem diminuindo? De um lado crescentes parcelas da receita tributária passaram a se concentrar no governo federal através de criação de contribuições que não são distribuídas a estados e municípios. Ademais, as transferências à União, decorrentes do acordo da dívida, comprometem até 13% da receita líquida. Como o saldo devedor dessa dívida cresce em média 6% acima da inflação, os poucos anos que ainda restam 36 no contrato de financiamento não serão suficientes para liquidá-lo. Assim, no final da próxima década em alguns estados haverá uma dívida impagável. De outro lado há uma crescente vinculação de despesas em razão da legislação federal. Ainda recentemente ao sancionar a lei que regulamenta a EM 29, a presidente vetou dispositivo que escalonaria no tempo o seu cumprimento. Ferindo o princípio da isonomia, ela vetou também a obrigatoriedade da União aplicar em saúde um percentual mínimo de sua receita, como estabelecido para estados e municípios. Quanto aos gastos com pessoal o Executivo estadual não pode comprometer mais do que 49% da receita líquida. Todavia, parte considerável da variação dessas despesas é decidida na esfera federal, como o aumento do salário mínimo, que este ano chegou a 14%, e a atualização anual do piso salarial dos professores, que é definida por portaria ministerial não levando em consideração a estrutura de gastos dos estados. Para 2012 o acréscimo no piso do magistério será de 22% contra uma inflação de 6,5% no ano passado. Assim, a capacidade dos estados de se manterem nos limites da LRF está se esgotando por falta de compatibilidade entre as imposições de gastos tomadas em Brasília e a evolução das receitas tributárias estaduais que não acompanham o crescimento da carga tributária total. Não está longe o tempo em que estados estarão sujeitos à intervenção federal por não cumprirem a LRF; o tempo em que estados dependerão exclusivamente de transferências voluntárias da União para exercerem suas atribuições básicas; o tempo em que Federação será apenas um sonho sonhado. Para garantir a estabilidade política urge restabelecer a autonomia e a isonomia federativas. Além da transparência e do equilíbrio orçamentário, a autonomia federativa deve ser outro pilar do regime fiscal brasileiro. Não considerá-la coloca em risco tanto o equilíbrio federativo quanto o fiscal. Paulo Paiva, professor da Fundação Dom Cabral, ex-ministro do Trabalho e do Planejamento e Orçamento no governo FHC VIVER Abril 6 - 2012 E M P R E SA MOBILIÁRIO e decoração da Arte e Brilho Fotos Divulgação Divina festa MÓVEIS E AMBIENTAÇÃO feitos por designer de interiores 38 Arte e Brilho, especializada em locação de móveis, adornos e vasilhames, investe em diversificação e dobra o faturamento VIVER Abril 6 - 2012 JANAÍNA OLIVEIRA A veia empreendedora surgiu por acaso. Mas não poderia ter dado mais certo. Engenheira por formação, com quase uma década de trabalho como consultora na área de gestão empresarial – experiência que lhe rendeu dois anos de estadia nos Estados Unidos, outros dois em Luxemburgo, seis meses na Espanha e um na China –, a empresária Sílvia Nogueira Vidal deu uma guinada na vida em junho de 2009. Exatamente nesta data, ela assumiu a Arte e Brilho Festas, no bairro Anchieta, em Belo Horizonte. Largou as planilhas e foi cuidar de encantar, satisfazer sonhos. AltaVila, Província e Mix Garden”, detalha Sílvia, que normalmente atende ao público A e B. São batizados, bodas, aniversários, noivados, casamentos, coffee breaks, brunches, almoços, jantares, eventos empresariais, casamentos, festas de 15 anos e confraternizações em família ou empresariais. Momentos mágicos, enfim. E não é que desde que Sílvia Vidal assumiu a Arte e Brilho o negócio prosperou? De 2009 para cá, o quadro de funcionários subiu de 18 para 21. Um novo caminhão e nova moto foram incorporados à frota, que anteriormente contava com três veículos Pedro Vilela SÍLVIA NOGUEIRA: das planilhas para as festas Essa é a proposta da empresa, especializada em locação de móveis, adornos, toalhas e guardanapos, vasilhame e peças de decoração para quase todos os bolsos, mas só para um tipo de gosto: o bom, de qualidade. “Fazemos desde churrascos com mesas de plásticos até casamentos chiquérrimos para 400, 500 pessoas, em lugares como VIVER Abril 6 - 2012 para fazer a entrega ou coleta do material com a equipe devidamente treinada – só nas sextas-feiras, são 30 entregas, em média, fora o que o freguês busca na porta. Um segundo galpão, no bairro Floresta, também foi alugado para comportar os novos mobiliários. “Investimos muito para diversificar o portfólio. Além disso, contra- tamos uma designer de interiores, que não só cuida dos projetos de ambientação das festas como também desenha móveis. Os desenhos viram mesas e cadeiras dobráveis, tudo bonito e prático para transportar e armazenar”, diz ela, que aposta na praticidade sem abrir mão da elegância. “Para que o cliente tenha tranquilidade, cuidamos da entrega, da busca e da limpeza de todo material.” A equipe, que conhece a fundo o mercado de festas, ainda indica os melhores profissionais para realizar cada detalhe do evento, seja bufê, iluminação, ornamentação, DJ ou barman. É certo que a ex-consultora só virou dona de loja porque queria ficar mais tempo perto do marido e do filho, de 9 meses. E a oportunidade chegou de maneira bem despretensiosa, inusitada até, em uma barraca de praia. “Já tinha olhado várias empresas, de segmentos diversos. Mas nada me brilhava os olhos. Até que fiquei sabendo, por meio de amigos, que o casal proprietário da Arte e Brilho estava de mudança para Vitória. Foi paixão à primeira vista”, conta. O negócio caiu como uma luva. Sílvia sempre preferiu um estofado a uma roupa nova, uma louça a um par de sapatos recém-saído da caixa. Com tanta vontade, talento, dedicação, atendimento primoroso, gosto apurado e ótima relação custo-benefício, o resultado foi que a carteira de clientes cresceu e o faturamento chegou a dobrar. “Superamos as expectativas e as perspectivas são ainda melhores para 2012”, confidencia Sílvia, para quem o lema é crescer, mas sempre encantando. “Nosso objetivo é tornar a Arte e Brilho referência no mercado. Quando falar em festa, o mineiro certamente se lembrará da gente”, acredita. 39 Entrevista Edison Lobão Ministro de Minas e Energia, que chegou a ser cogitado como líder do governo no Senado para acalmar a base aliada, diz que as derrotas sofridas pela presidente Dilma “não são nenhuma desgraça” Aliado nas crises SUELI COTTA As frequentes derrotas sofridas pela presidente Dilma Rousseff no Congresso acendeu a luz vermelha no Palácio do Planalto e deixa os principais interlocutores do governo em alerta. Um dos nomes frequentemente lembrado para socorrer o governo é o do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB). O senador licenciado e ex-governador do Maranhão chegou a ser cogitado como líder do governo no Senado para acalmar os ânimos da base aliada, em especial do PMDB, mas Lobão acabou sendo mantido no cargo. De olho no que acontece no Congresso, nas demandas do empresariado e dos problemas no setor energético, Lobão é hoje um dos ministros que começaram na chamada era Lula e têm sobrevivido às crises e denúncias de corrupção no governo. A presidente, segundo ele, é firme, tem vocação política, e consegue contornar esses sobressaltos e esse comportamento da base, segundo ele, não é o normal. As derrotas sofridas por ela “não são nenhuma desgraça”. A presidente Dilma foi derrotada no Senado e no Congresso houve demonstrações de insatisfação em relação ao governo. O PMDB e os partidos aliados têm razão ao reclamar? Essa insatisfação foi pontual e não significa o normal do comportamento da base política da presidente 40 Fábio Rodrigues-Pozzebom/ABr VIVER Abril 6 - 2012 Dilma Rousseff. Os partidos têm se comportado muito bem com o governo. Em quase todas as matérias tem sido assim. No caso da rejeição de Bernardo Figueiredo para a Agência Nacional de Transportes Terrestres foi um episódio em que o candidato recebia restrições de várias origens e isso pode ter motivado essa posição dos parlamentares de todos os partidos, não só do PMDB. Eu não atribuo a um sentimento oposicionista, muito pelo contrário, o governo continua tendo a sua sólida base parlamentar. O governo enfrenta problemas para atender a demandas dos parlamentares, liberação das emendas, ou até para recebê-los em audiência? As dificuldades que possam eventualmente ter hoje são as mesmas que sempre existiram. Recorde-se que no governo Lula, por exemplo, na votação da principal matéria submetida ao Congresso, a renovação da CPMF, ele foi amplamente vitorioso na Câmara e derrotado no Senado. Deixou de arrecadar por ano cerca de 40 bilhões de reais. Quero com isto dizer que incidentes ocorrem em todos os governos. Em ano eleitoral eles acontecem com frequência maior? Talvez realmente ocorra em anos eleitorais. Eu não tenho um levantamento a respeito disso, mas é provável que seja assim. O presidente nacional do PMDB, Valdir Raupp, endureceu as críticas em relação ao avanço do PT no governo. O senhor concorda que o partido se esforça para ter um espaço maior? O PT tem um espaço maior no governo. Ele fez o presidente da República e tem a maioria dos ministérios, não digo a maioria, mas tem 12 ministérios além de outros órgãos importantes nessa administração. Isso é natural. As queixas não são apenas do PMDB, VIVER Abril 6 - 2012 os demais partidos que compõem a aliança também reclamam desse avanço. Mas ao longo do tempo o governo, que tem apenas um ano de exercício, irá reajustar e rearrumar essas questões. O fato que aconteceu no Senado (a derrota da presidente Dilma) não é nenhuma desgraça que possa pôr em confronto a base aliada com o próprio governo. Entrevista Edison Lobão Foi o sinal de que o governo precisa mudar o relacionamento com a base? É um sinal de alguma insatisfação, mas isso se corrige prontamente. A presidente da República tem vocação política. Ela sabe lidar também com os políticos e com facilidade e rapidez ela corrigirá tudo isto. Qual a diferença do ex-presidente Lula e da Dilma em relação a essas questões? Há sempre diferenças entre um governo e outro, quaisquer que eles sejam. O presidente Lula foi a vida inteira um político, desde que ele se lançou na vida pública como candidato pela primeira vez e até antes de ser candidato ele já o era porque tinha vocação. Ele tem seus métodos, habilidade para lidar com a política. A presidente Dilma nunca foi candidata antes, mas ela lidava com os políticos também. O senhor teve problema em Brasília com um blecaute, que pegou a população de surpresa e esses apagões vêm ocorrendo em outros lugares como em Belo Horizonte. Existe o risco de novo apagão, de faltar energia elétrica? Houve uma interrupção temporária de energia em Brasília. Não foi a primeira e não será a última e esses episódios ocorrem em todas as partes do mundo. Nós temos que conviver com eles. Posso garantir que eles não acontecem no Brasil em grau mais elevado do que nos demais países desenvolvidos. Não posso dizer que jamais haverá um episódio semelhante, haverá sim, mas estão dentro das estatísticas. “O fato que ocorreu no Senado (a derrota da presidente Dilma) não é nenhuma desgraça que possa pôr em confronto a base aliada com o próprio governo” Fotos Tião Mourão 41 Entrevista Edison Lobão “Nós temos energia sobrando hoje no Brasil e temos condições de acudir a todas as necessidades prontamente” Fotos Tião Mourão 42 O Brasil está em processo de crescimento, vai receber grandes eventos como a Copa do Mundo de 2014. A estrutura atual comporta isto? Não há expansão econômica sem o fornecimento farto de energia elétrica. Nós temos energia sobrando hoje no Brasil e temos condições de acudir a todas as necessidades prontamente. Não há, portanto, nenhuma preocupação por parte do povo brasileiro em matéria de fornecimento de energia e à medida que o consumo cresce, nós também aumentamos a produção. Nosso planejamento contempla a necessidade de dobrar a produção, o estoque de energia elétrica nos próximos 10 anos. O que fizemos ao longo de 150 anos teremos que repetir em apenas 10 e estamos preparados. Nosso planejamento estabeleceu as linhas mestras para a solução desse problema. Não tenha dúvida de que nós atenderemos, com presteza, a todas as necessidades de novos consumos. Além da usina de Belo Monte, que outras alternativas há para atender a essa demanda e como a iniciativa privada tem participado desse processo? Temos centenas de hidrelétricas grandes e pequenas sendo construídas neste momento. Belo Monte é apenas a maior delas. Temos Jirau, Estreito... e estarão prontas para entrar em funcionamento dentro de muito pouco tempo. O planejamento que temos prevê exatamente a construção de todas as hidrelétricas e termoelétricas, além das eólicas, energia provida da biomassa, solar. Em qual tecnologia o governo deve investir mais nos próximos anos? Nós investimos fortemente na energia eólica. Ela era muito cara e tornouse barata com o desenvolvimento de tecnologia dos aerogeradores. Temos ainda a biomassa, que se expressa mais fortemente com o aproveitamento do bagaço da canade-açúcar. As térmicas a gás, que são as mais baratas e pouco poluentes. Temos a energia nuclear, que também é firme e limpa. E quanto o governo pretende investir? Vamos investir cerca de 80 bilhões de reais nos próximos cinco anos, o próprio governo participa dos leilões e a iniciativa privada em caráter até majoritário. Nós entramos como reguladores do processo. O fato é que construiu-se um modelo energético no Brasil, que está sendo posto em prática e que é da melhor qualidade, considerado até por entidades especializadas no exterior. Para este ano, com qual orçamento o senhor trabalha e quais áreas prioriza? Em energia elétrica estamos investindo neste ano, iniciativa privada e governo, cerca de 15 bilhões de reais. Em matéria de energia, petróleo e minério, nos próximos 10 anos, 1 trilhão de reais. O senhor acha que com essa questão do pré-sal, discutida no Congresso, os recursos devem ficar concentrados no Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, como querem esses estados? O que se discute é a distribuição dos royalties oriundos do petróleo. No momento, esses royalties têm sido distribuídos basicamente para esses três estados, que são os confrontantes com as plataformas produtoras de petróleo em alto mar. Mas a Constituição estabelece que os recursos do mar, hídricos e do subsolo pertencem à União. Então, o que se discute hoje no Congresso é a elaboração de nova lei, que também possibilite a distribuição dos recursos com todos os estados. Essa é a posição do governo federal? Nós vamos examinar o que for aprovado em caráter final pelo Congresso. A presidente da República, como se trata de legislação ordinária, tem a prerrogativa de vetar ou sancionar. Não veta emenda constitucional, mas pode vetar leis VIVER Abril 6 - 2012 BRASÍLIA EM QUATRO TEMPOS DE CONFORTO E SATISFAÇÃO Estilo, elegância e requinte são palavras que descrevem o Kubitschek Plaza, o hotel referência da capital federal, que tem a excelência de seus serviços como marca registrada. [email protected] Conforto, decoração moderna e atendimento ágil descrevem perfeitamente o Manhattan Plaza, ideal para atender ao cliente que vem a Brasília para negócios, eventos ou lazer. [email protected] Localização e conforto tornam o St. Paul Plaza uma excelente opção para quem procura um hotel da categoria econômica. [email protected] Projetado por Oscar Niemeyer, o hotel foi a primeira grande obra inaugurada por Juscelino Kubitschek na capital federal. Hospedar-se no Brasília Palace Hotel é vivenciar a harmonia entre o passado e o presente. [email protected] *LU[YHSKLYLZLY]HZ! ^^^WSHaHIYHZPSPHJVTIY Entrevista Edison Lobão ordinárias. Nós faremos um estudo daquilo que for em caráter final aprovado pelo Poder Legislativo e proporemos, no âmbito do ministério, soluções para a presidente. O desabastecimento em São Paulo devido à greve dos distribuidores de combustível e em Minas houve tentativa de paralisação, essa situação preocupa o governo federal? O governo na questão da greve acompanhou com preocupação, principalmente com o abastecimento dos aeroportos de São Paulo, que foram abastecidos com ajuda da polícia. Estamos examinando sobre o que fazer para a hipótese de acontecimentos futuros. Esperamos que eles não ocorram, mas, se vierem, teremos plano de contingência. “A crise externa, que poderá nos afetar, será aquela que mobilize os interesses da China, que mais importa minério do Brasil” Fotos Tião Mourão 44 Isso não mostra que o governo está refém de infraestrutura frágil com essa dependência do transporte rodoviário? A questão do transporte é interna, da cidade. O que ocorreu é que o produto chega à capital de São Paulo distribuído em cada um dos postos em virtude da greve dos motoristas e isso não é solução de infraestrutura. Nós não podemos estabelecer um oleoduto ou um gasoduto direto das centrais de abastecimento para os postos de combustível, em cada rua. Isso é impossível. Nós temos que contar é com uma legislação que possibilite à Justiça decidir, em tais casos, a favor do interesse popular. O setor de minérios tem sido dos mais afetados com a crise internacional. Que medidas o governo adota para minimizar essas perdas? O preço do minério, sobretudo o de ferro, que é o que nós mais exportamos, cresceu muito nos últimos anos. A crise externa, que poderá nos afetar, será aquela que mobilize os interesses da China, que é outro dos que mais importa minério do Brasil. A Europa também importa. Nós exportamos nosso minério diretamente de São Luiz, do Maranhão, para o porto de Roterdã, que o redistribui por toda a Europa, mas até o momento não fomos gravemente afetados. A previsão de crescimento menor da China neste ano afeta diretamente as mineradoras, Veja bem, em 2008, quando houve uma grande crise mundial da economia, a China não precisava do minério, mas estava importando, acumulava, estocava e até ganhou dinheiro com isso. Imagino que, com as dificuldades de hoje, não são da China e sim da Europa, ela possa proceder do mesmo modo. O senhor acha que a crise não vai afetar o Brasil? Não vai nos afetar tão gravemente. Minas produz 45% de todo o minério brasileiro e as exportações do estado vão provavelmente além de 50% de toda exportação brasileira. Chegamos a mais de 20 bilhões de dólares de exportações em 2011. O governo federal investe fortemente em Minas e somente no setor de petróleo e gás até 2014,o nosso investimento é de 2 bilhões de reais. Temos programação que vai a 4 bilhões de reais , com construção de uma grande fábrica de fertilizantes em Uberaba, que será um grande avanço para o Brasil, porque nós importamos hoje cerca de 60% do que usamos na agricultura e esta indústria vai nos desafogar bastante, quando ela estiver produzindo. E o gasoduto naquela região. O gasoduto terá que vir de outro estado, provavelmente de São Paulo. Essa é uma questão que está sendo analisada pela Petrobras. O fato de o governador Antonio Anastasia ser do PSDB pesa nessa decisão? Absolutamente. Ele foi eleito pelo povo e o governo federal atua com todos os estados, sem olhar a procedência partidária de nenhum deles VIVER Abril 6 - 2012 Fotos: Pedro Vilela C I DA D E HERMES EVARISTO DOS REIS: “A verticalização pode comprometer as estruturas” Moradores do São Bento questionam construção de edifícios no bairro; empresas alegam que obras são em bairro vizinho Prédios da discórdia FERNANDO TORRES E m tempos de contestação sobre verticalização em Belo Horizonte, as vozes dos moradores do bairro São Bento, na região Centro-Sul, também começam a fazer barulho. A causa da polêmica é a construção de quatro edifícios na rua Abel Araújo e um na Ivon Magalhães. Com o regulamento do loteador em mãos, a vizinhança afirma que os prédios são ilegais, pois a região foi planejada para casas térreas e sobrados. As construtoras, por sua vez, admitem a afirmação, 46 mas alegam que os lotes dos empreendimentos se localizam no bairro vizinho, o Santa Lúcia, e, portanto, estão dentro da lei. Para as mais de 400 famílias habitantes do São Bento 3, a questão vai além da verticalização e dos transtornos que ela pode trazer. “A raiz do problema é o desrespeito às normas do loteamanto, averbadas pela prefeitura no início da década de 1970. Nosso objetivo é o cumprimento do contrato”, afirma o presidente da As- sociação de Moradores da Parte 3ª do São Bento e Adjacências, o arquiteto Mário Wiliam, que mora no bairro há quatro anos. Os advogados do órgão, criado em 2011, entraram na Justiça para o embargo de duas obras na rua Abel Araújo. O juiz deferiu o pedido em ambas as ações, mas os responsáveis por um dos empreendimentos, o Condomínio Cedro, obtiveram efeito suspensivo. O edifício em pauta tem sete andares e está em nome de Marcelo Borges VIVER Abril 6 - 2012 Horta. “A vizinhança acredita que o proprietário agiu de má-fé, pois, ao adquirir os lotes, afirmou que iria construir uma casa”, diz Wiliam. Segundo o advogado do empreendimento, João Antônio de Lima Castro, Horta não é mais o dono. “Ele decidiu interromper o projeto e vendeu a área a novos proprietários que optaram por erguer o prédio. A ação está vinculada a Horta porque a obra ainda não foi concluída”, explica. A localização do imóvel, segundo ele, é perfeitamente legal, embora os advogados da Associação de Moradores possuam um mapa que identifica a rua como parte do São Bento 3. “Eu tenho um mapa oficial da prefeitura que demonstra que a região pertence ao bairro Santa Lúcia. O limite são dois ou três lotes posteriores”, rebate Lima Castro. A construtora La Mar Engenharia responde pelo Residencial Manata, edifício de 16 pavimentos na rua Abel Araújo, que teve as obras embargadas por liminar na Justiça em janeiro. A empresa já obteve liberação no tribunal para operações de contenção e utiliza o mesmo argumento. “O prédio está no Santa Lúcia, não no São Bento. Além disso, foi aprovado dentro das normas legais e atende aos requisitos das leis de ocupação do solo de Belo Horizonte”, diz o advogado do empreendimento, Júlio de Carvalho Lima. Ele também questiona a validade e a eficácia do regulamento. “O laudo técnico demonstra que as normas estabelecidas pela empresa loteadora deixaram de ser respeitadas. As próprias casas dos associados, em sua grande maioria, têm mais de dois pavimentos e não observam o recuo mínimo da construção”, contrapõe. Não é o que diz a aposentada Darcy Ferreira Almeida, moradora da rua Abel Araujo, há poucos metros do Condomínio Cedro. Ela teve a construção de sua casa embargada, porque a altura da caixa-d’água excedia VIVER Abril 6 - 2012 DARCY ALMEIDA: “Sou obrigada a conviver com um prédio ao lado da minha casa” os cinco metros do alinhamento da rua previstos no regulamento. “Tive que refazer o projeto por causa de centímetros, mas sou obrigada a conviver com um prédio ao lado da minha casa. Parece que o poder das construtoras é absoluto. É revoltante”, desabafa. Darcy diz ter escolhido morar no São Bento justamente por ser um bairro só de casas. “Tive oportunidade de adquirir lote no Santa Lúcia, mas não comprei por que lá não há essa restrição”, recorda. Outro morador descontente é o engenheiro civil Hermes Evaristo dos BREVE HISTÓRICO Bairro residencial Fundado nos anos 1970, o bairro São Bento foi impulsionado pela criação da avenida Raja Gabaglia e o povoamento de Belo Horizonte para além dos limites da avenida do Contorno. A empresa Pampulha S/A, detentora dos lotes, estabeleceu o regulamento de construções em 4 de abril de 1973, proibindo não apenas a edificação de prédios, mas também a instalação de indústrias, comércios, colégios, hospitais, clínicas, templos, cinemas, teatros, hotéis ou pensões. O objetivo era constituir um bairro residencial verdadeiramente construído dento de moderna concepção urbanística, com toda preocupação de conforto, beleza e harmonia” Reis. Além das questões de contrato, ele teme que o adensamento prejudique a topografia do terreno. “O projeto do bairro adaptou as ruas e quarteirões às condições geológicas locais para evitar escorregamento do solo, que se constitui basicamente de filito, uma rocha laminar muito frágil. A verticalização pode comprometer as estruturas, semelhante ao que aconteceu no bairro Buritis”, prevê. Outro problema apontado é o aumento do tráfego de veículos, que já é intenso, devido ao bairro ter se tornado área de estacionamento de quem trabalha na avenida Raja Gabaglia e imediações. A insatisfação é tanta que as famílias do São Bento preveem até uma ação demolitória para os prédios já concluídos – um deles, inclusive, já tem moradores. “Não se trata de elitismo. As famílias que se mudaram para lá buscavam um bairro unifamiliar, direito que está resguardado em contrato. A prefeitura de Belo Horizonte precisa zelar por isso”, frisa o tesoureiro da Associação de Moradores, o empresário Claúdio Manoel Frade. Caso a demolição não seja aprovada, a ideia é que as construtoras revertam a indenização em ação compensatória para o bairro, a exemplo da preservação da área verde e da reserva ambiental. “Tenho medo de que as construtoras queiram adquirir os lotes ainda vagos e erguer edifícios lá”, preocupa-se Frade. 47 ES PEC IAL CA PA O TEMPO GASTO DO CENTRO DE BELO HORIZONTE ATÉ O AEROPORTO DE CONFINS AUMENTOU CERCA DE 50% EM TRÊS ANOS, É O QUE REVELA O TESTE REALIZADO PELA REPORTAGEM DA VIVER BRASIL DUAS VIAGENS TEREZINHA MOREIRA U ma coisa é certa: quem compra passagem aérea com embarque pelo Aeroporto Internacional Tancredo Neves, Região Metropolitana de Belo Horizonte, faz duas viagens. Uma de avião, propriamente dita, e a outra, bem mais cansativa, do trajeto até o aeroporto. A cada ano é evidente o maior tempo gasto para se chegar até Confins, seja em carro próprio, táxi ou ônibus. A reportagem da Viver Brasil fez o teste, cronometrou o tempo gasto por três rotas diferentes: avenida Cristiano Machado, Antônio Carlos e Anel 48 Rodoviário (confira infografia nas páginas seguintes). O menor tempo, 51 minutos, foi 50% acima do registrado em fevereiro de 2009, dois meses após a inauguração da Linha Verde, quando a reportagem cronometrou 34 minutos da praça Sete e seguindo pela Cristiano Machado. Três anos depois, são vários os motivos para essa perda de tempo. Um deles é o aumento significativo da frota de veículos de Belo Horizonte, que foi ampliada em 93,8% nos últimos 10 anos, passando de 744.202 car- r o s em 2003 para 1.442.566 até janeiro deste ano, segundo o Denatran. Some-se a isso a elevação da quantidade de usuários do aeroporto de Confins. De acordo com a Infraero, em 2009 passaram 5.617.171 passageiros pelo local. Em apenas dois anos este número saltou para 9.359.033, registrando aumento de 66,5% em função da queda dos preços das passagens aéreas que fez com que muita gente trocasse o ônibus pelo avião nas viaVIVER Abril 6 - 2012 Arte Paulo Werner gens de lazer. Esse é apenas um dos lados da moeda. O outro é que as obras de infraestrutura, principalmente nas vias de acesso à Linha Verde, não acompanharam o ritmo de crescimento da demanda pelo aeroporto de Confins, nem pelo vetor norte de uma forma geral, que nos últimos anos tornou-se a menina dos olhos do governo do estado. A construção da Cidade AdmiVIVER Abril 6 - 2012 nistrativa fez com que aumentasse muito o tráfego nas vias de acesso à sede do governo. Somente o funcionalismo ultrapassa 20 mil pessoas, sem contar os cidadãos que precisam se dirigir diariamente ao local. O fato é que não há no horizonte de curto prazo solução para melhorar o trânsito nas vias de acesso à Linha Verde. Cansado das viagens até Confins, o diretor-presidente da Web Consult, Leonardo Bortoletto, adotou nova rotina. “Escolho voos em horários diferenciados justamente pela dificuldade do acesso ao aeroporto. Também passei a priorizar viagens pelas companhias aéreas que me oferecem o mobile check-in porque isso diminui as chances de perder o voo caso haja problema no trânsito.” Bortoletto diz que passou a viajar nos voos que decolam 8 da manhã para fugir do trânsito pesado do Anel Rodoviário. Ele sempre sai de casa duas horas antes do horário da partida e, mesmo assim, chega ao aeroporto cerca de 40 minutos do horário da decolagem. A estratégia de voos matutinos também foi adotada pelo presidente da Unimed BH Helton Freitas, que viaja semanalmente a São Paulo. Mesmo assim, ele diz que o trajeto do bairro Anchieta até Confins nunca dura menos de uma hora. “Quando vou nos horários de pico, gasto muito mais tempo até Confins do que no voo a São Paulo”, contabiliza. Para Freitas, o trânsito ruim significa falta de planejamento urbano. Ele julga fundamental novas formas de acesso mais rápidas ao aeroporto. “É evidente o estrangulamento da infraestrutura de BH. A Linha Verde já está saturada nos horários de pico e a única forma de acesso a Confins é rodoviária”, critica, lembrando que o estacionamento no aeroporto também já não consegue atender a toda a demanda. “Por tudo isto, ainda não consegui entender por que não se tem metrô de superfície para Confins”, desabafa Leonardo Bortoletto. Já para Renato Guimarães Ribeiro, doutorando em Engenharia de Transporte e professor do Cefet, é melhor que os investimentos no transporte sobre trilhos sejam direcionados primeiro para a região da Savassi, passando pelo centro da cidade, porque a demanda por estas áreas é maior do que para o vetor norte. “Além disso, metrô para Confins ficaria muito mais caro porque não há nenhuma infraestrutura para lá. O metrô na Savassi/ centro atrairia pessoas que trafegam de carro pela Cristiano Machado, o que melhoraria o trânsito por lá e desafogaria um pouco o trajeto para o aeroporto”, analisa. No entanto, o professor do Cefet reconhece que o metrô demanda investimentos altíssimos e que o Bus Rapid Transit (BRT), por enquanto, aliviaria um pouco o trânsito, se conseguir atrair motoristas para o transporte público. E é justamente essa a proposta 49 A Viver Brasil foi ao aeroporto de Confins por três trajetos em dias e horários diferentes. Confira o que a reportagem encontrou nos caminhos E S P E C IA L CAPA CONFINS Movimentação de passageiros Terça-feira, 20/3 via Cristiano Machado O18h08: saída da Cristiano Machado. Trânsito flui bem no túnel e mais lento na saída Viaduto da Silviano Brandão com Jacuí. Velocidade máxima de 15 km/h Foram gastos 6 minutos em um trecho que poderia ser feito em 1 minuto. As quatro faixas lotadas de veículos Ano Quantidade 2009 2010 2011 5.617.171 7.261.064 9.359.033 + 66,5% Fonte: Infraero VEÍCULOS Evolução da frota de BH nos últimos 10 anos* Ano Frota 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 744.202 783.529 817.168 860.440 930.537 1.026.999 1.127.040 1.230.370 1.341.648 1.442.566 Aumento de 93,8% de 2003 a 2012 *Os dados referem-se a janeiro de cada ano O18h15: entrada no bairro Cidade Nova. Obras no canteiro central deixam o trânsito ainda mais lento, com velocidade máxima de 15 km/h em uma pista de 60 km/h Gastamos 17 minutos para percorrer 5 km, do túnel da Cristiano Machado ao Minas Shopping. Após o shopping: trânsito melhor. Foi possível, por alguns segundos, andar a 60 km/h Bairro 1º de Maio: trânsito muito lento, com média de 10 km/h até o viaduto Paulo Mendes Campos. Por incrível que pareça, a pista da direita estava mais rápida Com velocidade de 70 km/h no Floramar foi possível seguir a 40 km/h. Isso pode ser considerado trânsito muito bom O18h48: fim da Cristiano Machado. Percorremos os 12 km da avenida em 40 minutos. Início da Linha Verde: em direção a Confins, trânsito maravilhoso. No lado oposto, da Cidade Administrativa até a Cristiano Machado, um caos. Durante toda a avenida, muitos caminhões e centenas de motoqueiros se aventurando por entre os veículos O19h04: chegada à ala de embarque do aeroporto de Confins Resumo do trajeto: 56 minutos gastos para percorrer os 38,5 km do início da Cristiano Machado até Confins O19h15: Saída de Confins. Enfrentamos trânsito muito ruim a partir da Cidade Administrativa, chegando a gastar 20 minutos para percorrer 3 km O20h07: fim da Cristiano Machado Resumo do trajeto: 38,5 km em 52 minutos Fonte: Denatran 50 VIVER Abril 6 - 2012 Quarta-feira, 21/3/2012 via Antônio Carlos O8h54: chegada a Confins O8h04: saída da Antônio Carlos. Resumo do trajeto: 39 km percorridos em 51 minutos Trânsito bom. Direção bairro/centro: trânsito muito lento O8h55: saída de Confins, com O8h17: fim da Antônio Carlos e início da Pedro 1º. Os 8,1 km da Antônio Carlos foram percorridos em 13 minutos na velocidade máxima da pista, de 60 km/h. Enfrentamos trânsito ruim nas proximidades da Vila Olímpica, com velocidade máxima média de 10 km/h e muitas paradas ao longo de 1 km O8h30: início da Linha Verde, com trânsito excelente nos dois sentidos, apesar de alguns caminhões na pista central trânsito excelente na Linha Verde. No lado oposto, trânsito muito lento próximo à entrada para Vespasiano O9h11: chegada à Cidade Administrativa O9h17: início da Pedro 1º. Trânsito bom, com possibilidade de se fazer 60 km/h, velocidade máxima da pista O9h23: Antônio Carlos, com trânsito lento após a lagoa da Pampulha, em função das obras nas laterais e na pista central da avenida, com 20 km/h Av. Cristiano Machado O9h29: campus da UFMG. Velocidade máxima: 40 km/h em pista de 60 km/h. Nas proximidades do viaduto Moçambique trânsito muito lento por causa de uma carreta carregada de refrigerante que teve problemas e ficou parada no meio da avenida O9h38: trânsito muito ruim nas proximidades do Centro de Formação Profissional Renê Gianetti, do Sesi, com velocidade máxima de 10 km/h O9h41: trânsito parado próximo ao viaduto da Lagoinha por causa de um carro que estragou na pista O9h47: fim da Antônio Carlos Resumo do trajeto: 39 km percorridos em 57 minutos Anel Rodoviário e av. Antônio Carlos Av. Antônio Carlos Sexta-feira, 23/3/2012 via Anel Rodoviário e Antônio Carlos 12h23: saída do Anel Rodoviário, km. Durante a avenida, conseguimos velocidade média de 50 km/h. Trânsito bom 13h11: entramos na Linha Verde. no bairro Olhos d’água, com bom desenvolvimento de velocidade Trânsito muito bom, fluindo bem nos dois sentidos 12h37: chegamos nas proximidades 13h30: chegamos a Confins Resumo do trajeto: os 56 km foram percorridos em 1h7 do Shopping Del Rey, onde o trânsito estava superlento e era impossível passar dos 15 km/h. Vendedores ambulantes aproveitavam as paradas dos veículos para garantir uma graninha com a venda de guloseimas, como pipoca doce, amendoim torrado e goiabas 12h57: fim do Anel. Entramos na avenida Antônio Carlos. Foram gastos 34 minutos para percorrermos 18,8 VIVER Abril 6 - 2012 14h31: saída de Confins, com trânsito muito bom na Linha Verde 14h45: chegamos à Cidade Administrativa. Trânsito mais lento 14h49: entramos na Pedro 1º, que estava com trânsito fluindo bem 14h55: início da Antônio Carlos, onde a velocidade média foi de 45 km/h 15h15: entramos no Anel Rodoviário, onde o trânsito fluiu bem até a entrada do Alípio de Melo, onde foi possível fazer, no máximo, 50 km/h 15h23: na altura da via expressa começou um longo congestionamento 15h39: nos aproximamos do acesso à avenida Amazonas, onde a situação estava crítica. Gastamos 16 minutos para percorrer 1,7 km 15h44: chegamos ao bairro Olhos d’água Resumo do trajeto: os 56 km foram percorridos em 1h03 51 E S P E C IA L CAPA da BHTrans, principalmente nas avenidas Cristiano Machado e Antônio Carlos, com a implantação do BRT, cujas obras estão sendo executadas nas duas vias, o que também contribui para a lentidão do trânsito. Para além do BRT, segundo o diretor de Planejamento da empresa de trânsito da capital, Celio Freitas, outras obras na Cristiano Machado em pontos críticos prometem agilizar o tráfego na avenida. “O cruzamento da rua Jacuí com a Cristiano Machado, que é um gargalo, será eliminado. E, juntamente com isso, melhoraremos a circulação naquelas imediações, inclusive após o Minas Shopping”, diz. Também haverá ligação da avenida dos Andradas à José Cândido da Silveira e Cristiano Machado. A previsão é de que essas obras comecem este ano e sejam finalizadas no primeiro trimestre de 2013. Enquanto as obras não vêm, as pessoas que trafegam pela Cristiano Machado continuam precisando de sorte para enfrentar um trânsito cada vez mais complicado. No fim da avenida, onde está sendo construído um shopping, próximo da estação Vilarinho, há estreitamento de pista. “Isto reduz em 1/3 a capacidade de fluidez da via. Há afunilamentos na Cristiano Machado que prejudicam o trânsito e dificultam fazer o percurso do centro a Confins em menos de uma hora”, diz Renato Ribeiro. Para ele, quando isto ocorre, a pessoa está em um dia de sorte. Segundo Celio Freitas, as imediações da Vilarinho são consideradas como um gargalo também e para resolvê-lo o viaduto da Pedro I será duplicado e há projeto para a construção de trincheira na Cristiano Machado. “Com estas ações queremos dar velocidade ao trânsito e, com o BRT, também eliminaremos muitas linhas de ônibus no centro, principalmente as metropolitanas.” Com todas as variáveis apresentadas até aqui seria possível prever um tempo bem próximo da realidade para 52 se chegar até Confins? “Impossível”, afirma Márcio Aguiar, engenheiro civil especialista em transporte e professor da Fumec. “Essa imprevisibilidade ocorre porque o nosso sistema de macroacessibilidade é ruim. Há muito discurso de que as coisas vão melhorar, mas nada é feito. BH está ficando inviável quando se trata de trânsito”, critica. Em sua opinião, apesar do alto investimento, há necessidade de se criar rotas de fuga na cidade. É o que espera a advogada paulista Carolina Cintra, que vem a Belo Horizonte uma vez por mês e sempre tem problema para chegar a Confins. “Nunca gasto menos de uma hora.” Ela diz que o trânsito da capital mineira é mais desorganizado do que o de São Paulo. “As pessoas daqui ainda não estão acostumadas a trânsito sempre congestionado como em São Paulo e por isso ainda fecham cruzamentos, não dão passagem, o que complica ainda mais a situação.” Situação recorrente enfrentada pelo executivo Cesar Cavalcante. Até por isso ele toma precauções sempre que precisa viajar. Uma delas é marcar os horários das partidas dos voos em função de seus compromissos. “Em Pedro Vilela HELTON FREITAS: falta planejamento uma metrópole é preciso saber que poderá haver retenção no tráfego. No geral, sempre pego trânsito bom e gasto, em média, 50 minutos do bairro Lourdes a Confins”, diz o executivo que viaja pelo menos uma vez por semana. Obras O doutor em engenharia de transportes e diretor da Impraff Consultoria e Projetos de Engenharia, Frederico Rodrigues, afirma que duas das principais vias de acesso ao aeroporto, avenidas Cristiano Machado e Antônio Carlos, passam por obras e são eixos estruturantes da capital mineira, que levam ao vetor norte, onde a cidade mais se desenvolve. Isso aumenta significativamente a demanda por transportes para a região, onde também existe forte adensamento populacional. “E ainda há o fato de a porção norte do município ser muito segregada por barreiras físicas: o aeroporto da Pampulha, a lagoa e o zoológico. São Victor Schwaner CESAR CAVALCANTE: viagem toda semana VIVER Abril 6 - 2012 Belo Horizonte . (31) 2102-8600 – Anel Rod. Celso Mello Azevedo, 14.815 – Engenho Nogueira Betim . (31) 3594-8610 – Rua Mirafiori, 150 – Distrito Industrial Paulo Camilo Pena Juiz de Fora . (32) 3225-6890 – Av. Antônio Simão Firjan, 2309 – Distrito Industrial Pouso Alegre . (35) 3422-6766 – Av. dos Alecrins, s/n – lotes 06,07 e 08 – Distrito Industrial Patos de Minas . (34) 3822-5757 . (34) 9811-6492 – Av. Juscelino Kubitscheck de Oliveira, 4300 - Planalto Montes Claros . (38) 3215-1190 – Anel Rod. Dr. Mário Tourinho, 1700 – Chácara Recanto dos Araçás Muriaé . (32) 3996-4680 – Av. Rio Bahia KM 713,4.300 – Santa Helena Veículos vendidos sem implementos. Algumas versões, itens opcionais e cores estão sujeitos à disponibilidade de estoque, podendo variar seu prazo de entrega. Garantia de 4 anos válida para os modelos Iveco Stralis NR com pedidos realizados nas concessionárias Iveco a partir do dia 1º de maio de 2011. Tal garantia contempla o 1º ano de cobertura total e demais anos (2º, 3º e 4º) de cobertura de peças do trem de força (motor, transmissão e eixo traseiro), expirando em 48 meses a partir da emissão do certificado de garantia ou no momento em que o veículo completar 500.000 quilômetros. As indicações de coberturas e exclusões dessa condição de garantia estão expressas no livro de garantia que acompanha o veículo. Para mais informações, consulte a Rede de Concessionárias Iveco ou o Centro de Atenção ao Cliente Iveco – 08007023443. E S P E C IA L CAPA barreiras de 18 km que têm de ser atravessadas por meio da Cristiano Machado e Antônio Carlos. Se existissem mais vias estruturantes que ligassem à porção norte, as coisas melhorariam um pouco”, aponta. Melhorar um pouco apenas não seria suficiente para o diretor regional da Totus, Arnaldo Xavier. “O acesso a Confins é o pior de todas as capitais que rodo Brasil afora. A dificuldade para se chegar lá é muito grande.” Ele conta que perde, em média, três horas por dia quando precisa viajar, o que acontece com muita frequência. Xavier sempre sai da avenida Raja Gabaglia e nunca gasta menos de uma hora e 40 até Confins. “Das capitais que visito, Porto Alegre, São Paulo e Brasília, Belo Horizonte é a primeira quando se trata da demora para se chegar ao aeroporto.” Ele diz que a situação deverá piorar, apesar das obras prometidas, quando a Catedral Cristo Rei e o shopping, que estão sendo construídos próximos à estação Vilarinho, estiverem funcionando. “O jeito é rezar para não ter missa.” Se alguns fazem piadas, outros não estão nem um pouco para brincadeira com a situação atual. “O trânsito para se chegar a Confins é simples- mente desestimulante. Sempre gasto pelo menos duas horas até o aeroporto”, esbraveja o economista e consultor de empresas carioca Sérgio Braga, que sempre vem a Belo Horizonte e já perdeu vários compromissos por causa de atrasos no trajeto até Confins. Para ele, a solução seria o metrô, que, além de melhorar o trânsito, baratearia o acesso ao aeroporto, que passou a receber quantidade maior de voos após o veto da Anac à Pampulha para aeronaves que comportam mais de 50 pessoas. “Esta decisão foi muito sábia. O problema é que a infraestrutura não acompanhou o aumento da demanda, lamentavelmente.” Lamentável também é o sério estrangulamento do Anel Rodoviário, cujas melhorias vêm sendo postergadas há anos. “O resumo da ópera toda é que o governo vem tendo muita boa vontade nos projetos, mas eles ainda não saíram do papel. Os investimentos totais do governo nos últimos anos não passam de 2% do PIB. O que me preocupa é que todos os modelos mais avançados do mundo, como o Heathrow, em Londres, o aeroporto de Toronto, o JFK em Nova Iorque e o de Cingapura foram pensados com conceito de cidade-aeroporto (terminal, Pedro Vilela Victor Schwaner BORTOLETTO: “Horários diferenciados” 54 SÉRGIO BRAGA: “É desestimulante” pista, serviços no entorno), mas especialmente com mobilidade urbana”, diz Hugo Ferreira Braga Tadeu, professor de Logística da Faculdade IBS/FGV. Ele lembra que nas economias desenvolvias prioriza-se o transporte sobre trilhos e que aqui é sempre o rodoviário. “Com isto, em um horizonte de três, quatro anos, Belo Horizonte poderá parar porque temos mais problemas do que soluções”, alerta. A Copa do Mundo, precedida pela Copa das Confederações, já no ano que vem, poderia ser a grande oportunidade para que a capital mineira e as outras cidades-sede repensassem e investissem, de fato, na infraestrutura de maneira bem planejada, priorizando meios de transporte que resolvam os problemas de mobilidade dos grandes centros. “A Copa não traz lucros, mas em outros países, deixa obras de infraestrutura. Só que nem isto ficará para BH porque as coisas não estão acontecendo como deveriam”, lamenta Márcio Aguiar. “Além disto, há muitos semáforos, faltam viadutos, o que inviabiliza trafegar na velocidade máxima das pistas que levam a Confins. E, se não tiver sistema de trilho subterrâneo, o problema somente aumentará”. Outro erro, segundo Aguiar, é de se pensar somente em Belo Horizonte em detrimento de toda a região metropolitana. Em se confirmando o crescimento econômico brasileiro, a tendência é de a frota nacional aumentar cada vez mais já que, teoricamente, ter um carro significa independência de um sistema ruim de transporte público. Com mais dinheiro no bolso, as pessoas também viajam mais. Resultado: a médio prazo é ilusão se pensar em um trânsito bom no caminho até Confins. VIVER Abril 6 - 2012 SOU GASTRONOMIA a em i c n ê efer re tivemos r s o m p So . Sem m também a i m no obra astro ora s g or, ag curar o r p o sab ta s. Bas e õ rto. ç p o ar ce g no lu ARIA IVO F CHEF *DVWURQRPLDť0¼VLFDť&LQHPDť3URPR©·HVť6KRZVť%DODGDVť7HDWUR www.soubh.com.br T R N S I TO GUILHERME TAMPIERE, que ensina a andar de bicicleta na cidade Cuidado, ciclista Eles estão nas ruas e dividem espaço nas vias de trânsito caótico com motoristas. É possível uma convivência pacífica? ELIANA FONSECA A sensação de pedalar uma bicicleta para Guilherme Lara Camargos Tampieri é única. Todos os ângulos da cidade ficam diferentes, é possível enxergar melhor as pessoas, sair do ritmo acelerado, testar os limites do corpo, contribuir para minimizar o tráfego. Mas é também quando está em sua bike que Tampieri testa outro lado de Belo Horizonte – é possível que ciclistas e motoristas dividam a mesma via sem causar danos 56 à parte mais frágil? Ainda sem números do ano passado, o Detran divulgou que ocorreram na capital, em 2009, 598 acidentes com ciclistas, com nove mortes, e, em 2010, foram 498, com três vítimas fatais. Por essa insegurança no trânsito, um ainda pequeno número de ciclovias (34 km); e relação conflitante entre motoristas e ciclistas, pode-se dizer que a bicicleta não se popularizou. O que não quer dizer que ciclistas da cidade não apostem em torná-lo uma alternativa num trânsito cada vez mais caótico. Tampieri faz parte do grupo Bike Anjos, um projeto voluntário ambiental e social, que ensina aqueles que ainda não sabem andar de bicicleta e também os inexperientes em como fazer esse transporte nos horários de picos pelas principais ruas de BH. Ciclistas têm se organizado nos chamados Rolés Urbanos, em que além de ocupar as ruas, também contribuem VIVER Abril 6 - 2012 PEDALANDO COM SEGURANÇA Q Não pedale na contramão: embora enxergar os carros de frente possa dar uma sensação de segurança, ela é ilusória, porque numa colisão frontal a velocidade é a do carro mais a da bicicleta Q Pedale sempre de forma visível e previsível: ande pelo canto direito da rua (ou pelo esquerdo, quando for convergir à esquerda), sem ziguezaguear, e use o braço para sinalizar sua intenção (convergir ou seguir em frente) Q Não pedale pelas calçadas: ali é lugar de pedestre, e é preciso respeitar para ser respeitado Q Respeite os semáforos: o que vale para os automóveis, vale para as bicicletas. Pela lei, elas também são veículos Q À noite, use roupas claras e luzes piscantes: vermelha na traseira e branca na frente Q Use equipamentos de segurança, como luvas e capacete Q Prefira ruas e avenidas mais tranquilas. Muitas vezes vale a pena alongar o caminho para evitar uma via de trânsito rápido Q Monitore sempre o trânsito atrás de você, olhando rapidamente por cima do ombro, mas sem descuidar do que está à sua frente. Evite usar fone de ouvido: sua audição faz parte do seu radar Q Tenha bom senso, pedale defensivamente (mas sem esquecer o seu direito de uso das ruas), seja respeitoso e cordial, procure negociar sempre, aproveite a simpatia que a bicicleta recebe por parte de quase todo mundo, mantenha o bom humor e lembrese que estresse com trânsito é algo que diz respeito a motoristas engarrafados – congestionamentos não afetam ciclistas O QUE DIZ A LEI Q O ciclista desmontado empurrando a bicicleta equipara-se ao pedestre em direitos e deveres Q São obrigatórios o uso de campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo Q É infração média o motorista deixar de guardar a distância lateral de 1,50 m ao passar ou ultrapassar bicicleta Q É infração grave o motorista deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do trânsito ao ultrapassar ciclista Q É infração média sujeita a multa e remoção da bicicleta conduzi-la em passeios onde não seja permitida a circulação desta, ou de forma agressiva CICLISTAS do Rolé Urbano nas ruas de Belo Horizonte para construir uma melhor relação com pedestres e motoristas. No meio dessa construção, quanto mais em evidência estiverem os ciclistas, mais os problemas e dificuldades começam a aparecer. Para o presidente do grupo Mountain Bike BH, Lucas Moreira, a partir do momento em que as pessoas começam a colocar bicicletas nas ruas, é natural que mais acidentes apareçam na mídia. A boa notícia é que o aumento também significa mudança positiva para os ciclistas. “Creio que é só uma questão de tempo para as pessoas enxergarem que bicicleta na rua é um carro a menos ou uma pessoa ocupando espaço no transporte público.” Atualmente, BH engatinha quando o assunto são as ciclovias. Há dois anos, eram 24 km. A meta é atingir 120 km e, segundo a BHTrans, já foram contratados 114 km de projetos executivos para as novas ciclovias. Essa não é a única falta sentida pelos ciclistas. Integrante do Rolé Urbano das Terças (Ruts), o engenheiro Geraldo Belvino diz que é preciso preparar a sociedade para o aumento de ciclistas. “Faltam campanhas educativas que enfatizem que nós somos parte do trânsito, com direitos e deveres e, principalmente, que devemos ser protegidos e respeitados.” Atropelado em 2004, o estudante Vinícius Mundim diz que essa negociação é fundamental. Oito anos depois do acidente, ele afirma que era inexperiente e credita também falhas à motorista. Atualmente, se locomove com bicicleta para ir ao trabalho, faculdade, passeios, e diz que é fundamental que o ciclista sinalize bem, respeite as normas de trânsito, fique atento para ter certeza de que está sendo visto. “É um círculo virtuoso em que, quanto mais gente pressionar, mais ciclovias e segurança teremos.” Em 2007, o estado promulgou a lei 16.939 para incentivar o uso de bicicleta. Ainda há muito a fazer na opinião de Lucas Moreira, que deseja ver a lei em prática. Ele enumera a falta de estacionamento e de ações mais eficazes de segurança. “Quanto às ciclovias, grande parte delas está sem pé nem cabeça, o que dificulta para algumas pessoas – sobretudo as que se sentem inseguras de compartilhar as vias.” A insegurança é, aliás, uma das grandes inimigas. Para isso, Guilherme Tampieri faz às vezes, literalmente, de um protetor. O projeto Bike Anjos BH tem voluntários para ensinar a andar de bicicleta. Sim, se você não sabe, é a chance. E também a enfrentar o trânsito com tranquilidade e segurança. Fonte: Mountain Bike VIVER Abril 6 - 2012 Fotos: Victor Schwaner 57 Tiradentes. Descubra lugares. Descubra pessoas. Descubra novas histórias. Na dúvida entre ótimos atrativos e culinária saborosa, leve os dois. Se você tem instalado em seu celular um aplicativo de leitura de QR Code, aponte a câmera para o código impresso nesta página e comece a viajar agora mesmo por Tiradentes. Aproveite e conheça também mais sobre Minas Gerais. Matheus Cotta de Carvalho Os desafios do crescimento O papel de protagonista do desenvolvimento econômico pertence às empresas privadas, por mais relevante que seja a função desempenhada pelo estado. Afinal, caberá a essas organizações, após considerar os fatores do cálculo econômico-empresarial, a decisão de investir ou não. Em função dessa importância no ciclo da criação de riqueza, é imprescindível que as empresas privadas cresçam e desenvolvam-se. Apenas dessa forma será possível ampliar os investimentos e gerar mais empregos e renda no país. As políticas públicas deveriam estar alinhadas ao projeto de expansão das empresas. Pode-se mencionar, por exemplo, a necessidade de uma legislação tributária que estimule a transformação de nossas pequenas empresas em organizações cada vez maiores. Além disso, a falta de infraestrutura, a complexidade da legislação trabalhista e o excesso de burocracia são fatores que dificultam o crescimento das empresas. Embora o Brasil não disponha de um ambiente que incentive o crescimento das empresas, essa é, ainda assim, condição essencial para nosso progresso econômico Quanto às empresas privadas, a despeito das dificuldades, devem ambicionar alcançar o porte de grande empresa. Para viabilizar esse objetivo, é fundamental adotar, preferencialmente desde o seu nascimento, os princípios, propósitos, procedimentos e práticas da boa governança corporativa. 62 O conceito de governança corporativa é bastante amplo e complexo, pois abarca desde a estrutura de poder da empresa até seu sistema de valores e relações com os seus públicos. Para avançar na constituição de um modelo mais avançado de governança é primordial vencer resistências e estilos de gestão patrimonialista, que ainda subsistem em nosso universo empresarial. Como prêmio, após aderir às modernas práticas de governança, além dos evidentes benefícios da profissionalização da gestão, as empresas aumentam enormemente suas possibilidades de financiamento por meio do mercado financeiro e de capitais. E o acesso ao crédito mais barato permite a melhoria e o avanço da competitividade e da eficiência das empresas. O acesso facilitado ao mercado financeiro e de capitais decorre de que, no momento em que as empresas adotam práticas avançadas de governança, os investidores têm uma maior garantia de transparência no processo decisório interno e de confiança na perenidade das empresas. Isto reduz os riscos de aplicações de recursos nestas empresas e, consequentemente, o custo do capital. Estudo realizado em Minas Gerais pela Fundação Dom Cabral, com apoio da Fiemg e da Bovespa, mostrou que mais de um terço (36%) das médias empresas que compuseram a amostra da pesquisa revela disposição à abertura de capital. Além dessas, outras poderiam, com poucos investimentos em práticas de governança, credenciar-se a essa iniciativa. Em suma, embora o Brasil não disponha de um ambiente que incentive o crescimento das empresas, essa é, ainda assim, condição essencial para nosso progresso econômico. Portanto, cabe ao próprio segmento empresarial o desafio de avançar e criar as condições para que isso ocorra. E a trilha a ser seguida, indubitavelmente, é a da boa governança corporativa. Matheus Cotta de Carvalho, presidente do BDMG VIVER Abril 6 - 2012 Shutterstock B RAS I L Comete crime, fica solto Lei prevê que, no lugar de prisão preventiva, o acusado cumpra deveres. Há quem aprove e os que veem mais impunidade CLÁUDIA REZENDE U ma pessoa é presa, vai para a delegacia. Chega lá, o crime não é dos mais assustadores, daqueles em que a pena não chega a quatro anos, se há condenação. O juiz decide o que vai ser feito, e o suspeito não fica preso. É liberado e tem que cumprir deveres, estabelecidos pela Justiça conforme o crime que praticou e a legislação. É mais ou menos assim que funciona a lei 12.403/2011, que estabelece medi64 das cautelares para determinados casos de prisão. Ela está em vigor desde julho do ano passado e ainda gera discussões. Quando se leva em conta o sistema prisional brasileiro, a aplicação de medidas cautelares parece ser uma boa solução, já que reduz o número de pessoas que vai para trás das grades. “A prisão é uma instituição falida. Não justifica manter uma pessoa não condenada presa. A lei deu opções para o juiz, que, antes, ou prendia ou não prendia”, diz Rogério Flores, professor de direito penal do Centro Universitário Newton Paiva. Com a lei 12.403, no lugar de decretar a prisão preventiva do suspeito, o juiz pode deixá-lo em liberdade, mas com deveres como comparecer frequentemente ao juiz para informar e justificar suas atividades; não se aproximar de determinadas pessoas ou lugares; não se ausentar da comarca; ficar em recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga – se a pessoa estiver trabalhando –; ter suspenso o exercício de função pública ou de atividade econômica ou financeira; pagar fiança; ou ficar sob monitoramento eletrônico. VIVER Abril 6 - 2012 “A lei é uma inovação. Tem que ser isso mesmo. A prisão tem de ser o último recurso. Quem é condenado a até quatro anos não é bandido, é gente que pratica furto, lesão corporal”, observa o professor. Segundo Rogério Flores, a lei até levanta o questionamento sobre o porquê da prisão. “Será que a pena alternativa não tem mais efeito que a prisão? Você não pode colocar uma pessoa que furta bicicleta com um traficante”, diz. Para ele, a chance de uma pessoa se recuperar e não cometer novo crime é muito maior caso ela não vá para o sistema penitenciário. O presidente da Comissão de Assuntos Penitenciários da OAB-MG, Adilson Rocha, compartilha da opinião do professor. Segundo ele, no mundo inteiro, o indivíduo só vai preso após a sentença transitada em julgado, mas, no Brasil, 44% dos detentos não têm sentença condenatória. “Para dizer que a pessoa cometeu crime, é preciso esgotar todas as possibilidades. A Constituição garante o princípio da presunção da inocência.” Conforme o representante da OAB, existe uma orientação da ONU para que os países diminuam a quantidade de presos provisórios. O advogado lembra que quem decide se uma pessoa vai ser solta ou não é o juiz, a partir do histórico e da análise do caso. “O juiz não é louco de soltar qualquer pessoa, de deixar bandido solto”, afirma. Segundo Adilson Rocha, a lei só veio a acrescentar à sociedade. Diretor jurídico do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais (Sindpol-MG), o delegado Christiano Xavier acredita que a lei das medidas cautelares não ajuda em nada o combate à violência. “O que combate a violência é Judiciário mais ágil. Vejo as medidas cautelares como paliativos para que os juízes ganhem tempo”, afirma. Para ele, a aplicação dessas diretrizes auVIVER Abril 6 - 2012 menta a sensação de impunidade. “Às vezes, o bandido sai da cadeia antes mesmo da vítima ou junto com ela”, conta. Segundo Christiano Xavier, isso só faz com que as pessoas que podem depor, favorecendo uma investigação, fiquem mais amedrontadas. “Isso desestimula as vítimas e estimula os autores a fazer outros crimes, porque eles sabem que podem fazer e não vão ser presos.” Christiano Xavier acredita que as leis brasileiras têm se tornado mais favoráveis para quem pratica delito. “As coisas só vão se afrouxando para o lado dos bandidos”, diz. Saindo um O que combate a violência é Judiciário mais ágil. Vejo as medidas cautelares como paliativas” Christiano Xavier Victor Schwaner pouco dos casos em que as medidas cautelares são aplicáveis – o que não é o caso de homicídios e tráfico de drogas, por exemplo –, o delegado conta que, em sua delegacia, que é de homicídios, no ano passado indiciou mais de 80 pessoas, prendeu 50 e menos de duas delas foram a júri. “O Judiciário não consegue absorver a demanda. Noventa por cento dos delinquentes estão nas ruas por excesso de prazo.” Ele aponta, ainda, como problemas relacionados à lei, o fato de ela provocar frustração nos policiais, que fazem a investigação, prendem e, no final, veem o suspeito ser solto. O desembargador José Osvaldo Corrêa Furtado de Mendonça, da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, avalia que as medidas cautelares foram instituídas para dar opção aos juízes, que, antes de decretarem a prisão preventiva, passaram a ter outros mecanismos para evitar a prisão. Para ele, em tese, as medidas são muito boas, mas existe um problema por trás delas. “A crítica que eu faço é a respeito do cumprimento delas. A Polícia Militar não dá conta das demandas que tem, como é que vai fazer essa fiscalização?”, questiona. Para Furtado de Mendonça, o não cumprimento das medidas cautelares pode até reforçar o sentimento de impunidade em casos cujo o indivíduo sob essas medidas entra e sai de um ambiente a que não poderia ir e nada acontece. “Sabe que vai poder fazer isso sempre, porque não tem fiscalização. Mesmo se alguém chamar a polícia, até ela chegar, já deu tempo de a pessoa ir embora”, diz. O magistrado observa também que é pouco provável que a lei vá ajudar a desafogar o sistema penitenciário brasileiro, porque “o número de presos por tráfico é impressionante”, crime em que não se enquadra medida cautelar. 65 O INVESTIMENTO QUE SUPERA TODAS AS EXPECTATIVAS. Administração: Incorporação: Construção: Vendas: r*OWFTUJNFOUP EJGFSFODJBEP QBSUF EPWBMPSJOWFTUJEPTFSÃQBHPDPNB QSÓQSJBSFOEB r*OÎDJPEBTPQFSBÉ×FTFSFOEJNFOUP OPQSJODÎQJPEF Spa Internacional r&YDFMFOUFSFOUBCJMJEBEFNFOTBM r"ENJOJTUSBÉÈP IPUFMFJSB USBOTQBSFOUF F DPN SFNVOFSBÉÈP CBTFBEB FN SFTVMUBEPT r4VÎUFTFTQBÉPTBTDPNÃSFBQSJWBUJWB EJGFSFODJBEBFNFMIPSDVTUPCFOFGÎDJP EPNFSDBEP Restaurante com vista panorâmica r&NQSFFOEJNFOUP DPN P NFMIPS mix EFQSPEVUPTFTFSWJÉPTHFSBOEPBMUB UBYB EF PDVQBÉÈP F SFOUBCJMJEBEF QBSBPJOWFTUJEPS Suíte Standard Sucesso de vendas. C e n t r a l d e Ve n d a s (31) 3014-3400 www.goldentulipbh.com.br “Sem dúvida, o melhor investimento em hotelaria.” Roberto Justus - Um investidor Golden Tulip Belo Horizonte Um novo horizonte para seus investimentos. R E P O R TAG E M O drama dos precatórios Dona Maria José, 98 anos, e tantos outros esperam receber dívidas do poder público JANAÍNA OLIVEIRA inda era moça quando tornou-se professora e começou a lecionar. Quase 36 anos depois, assumiu a função de delegada de ensino, a primeira de Ponte Nova, na Zona da Mata mineira, carreira que lhe rendeu até condecoração no Palácio da Liberdade, na época ocupado pelo governador Eduardo Azeredo. Por aquelas ironias do destino, foi justamente aquele que a homenageou que a levou a procurar a A Justiça, quando no poder cortou gratificações incorporadas às remunerações dos servidores. Hoje, muitos anos mais tarde, quase uma centenária, dona Maria José Gomes já não tem mais esperança de resgatar seu precatório – dívida do poder público já reconhecida em juízo. Às vésperas de completar 99 anos, vai fechar acordo com o governo e embolsar menos da metade do valor a que tem direito. “Quero receber em vida. Não posso esperar mais”, desabafa dona Petita, como é conhecida Maria José Gomes. A decisão favorável à ex-professora ocorreu em 2002. Mas só em 2007, ela entrou na fila dos credores. O valor, à época, era de 314 mil reais. “Esperamos que o dinheiro dê para reformar a casa onde moramos, que é antiga, ainda com forro”, conta o sobrinho de dona Petita, o auxiliar administrativo Carlos Henrique Silva. “Quero ter essa alegria”, sonha ela, que gasta mais de 1,5 mil reais com despesas médicas e passa a maior parte do tempo na cama. “Ela só não perde o apetite”, brinca Carlos, que mora com a tia desde menino. O drama de dona Petita é co- 68 mum a milhares de brasileiros. Só em Minas, há pelo menos 13 mil precatórios a serem pagos. E como um precatório pode ter vários credores, fica difícil calcular o exército de gente que vive à espera. “Tem precatório aqui com 700 pessoas”, confirma o juiz Ramon Tácio de Oliveira, da Central de Conciliação de Precatórios do Tribunal de Justiça VIVER Abril 6 - 2012 Fotos: Victor Schwaner DONA MARIA JOSÉ GOMES: “Não posso esperar mais” de Minas Gerais (TJMG). Pelas suas contas, juntos, os mineiros esperam receber um dia 3,6 bilhões de reais. Já para os credores, a dívida é ainda maior. “Calculamos pelo menos 5,5 bilhões de reais. Só os precatórios do Departamento de Estradas de Rodagem somam 1,6 bilhão de reais corrigidos”, contesta Oto Lopes, 76, ex-vice-diretor geral do DER, que VIVER Abril 6 - 2012 com outros companheiros tenta criar uma associação mineira de credores. No país, a estimativa é de que dívida do poder público com precatórios ultrapasse os 100 bilhões de reais. O descontentamento de quem vive em compasso de espera só piorou ao longo dos anos. Vice-presidente da Comissão Especial de Precatórios da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Minas Gerais (OAB-MG), Leonardo Carneiro Assumpção Vieira lembra que a cultura do devo não nego, pago quando puder começou no regime militar. “Houve a crise do petróleo e o governo atrasava o pagamento para que a inflação engolisse o valor”, diz. Anos depois, relembra Vieira, o Judiciário começou a mandar que os valores fossem corrigidos. Mas como não eram disponibilizados recursos, o efeito foi uma bola de neve. Com a Constituição, em 1988, ficou estabelecido o pagamento dos precatórios em oito anos. “O que não foi atendido”, explica o advogado. Já em 2002, com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de número 30, criou-se novo parcelamento, dessa vez, em 10 anos. MARLY MOISÉS ARAÚJO: “Há viúvas que vivem em estado de miséria” 69 R E P O R TAG E M Fotos: Victor Schwaner REUNIÃO: credores de precatórios planejam fundar uma associação em Minas A emenda foi julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e não vingou. E não é que, em 2009, veio a emenda de número de 62, que possibilita a ampliação do prazo da dívida para 15 anos? “Essa PEC, com certeza, foi ainda pior que a anterior”, define o vice-presidente da comissão especial da OAB-MG. Para quem espera, foi mais um balde de água fria. Para quem paga, um alento. “É a luz no fim do túnel. Sem ela, é a escuridão”, defende o juiz Ramon Tácio, referindo-se ao fato de o estado não ter recursos para pagar o que deve. “Se tem, não aparece aqui.” Como benesse, ele cita ainda a preferência sobre os maiores de 60 anos e portadores de doenças graves para receber o teto de 33 mil reais. Longe de ser uma unanimidade, a proposta que ganhou o apelido de PEC do calote, por permitir que dívidas atrasadas fossem novamente jogadas, por prefeitos e governadores, para frente, foi con70 testada pela OAB. Novamente, o imbróglio está nas mãos do Supremo. Relator das ações que contestam a PEC 62, o ministro Carlos Ayres Britto votou em outubro do ANA MARIA BELO: “Ganhava pouco e aceitei vender” ano passado pela inconstitucionalidade formal e material da emenda. Para ele, “as normas contrariam a autoridade das decisões judiciais”. Ayres Britto chegou, ainda, a considerar a referência ao ato impugnado como a emenda do calote, uma vez que a ela “fere o princípio da moralidade administrativa e leva muitos titulares de créditos a leiloarem seu direito à execução de sentença judicial transitada em julgado.” Após o voto do relator, entretanto, o ministro Luiz Fux pediu vistas dos autos, suspendendo o julgamento, que até hoje não foi retomado, aumentando ainda mais a angústia de quem nem dispõe de tanto tempo mais para esperar. Enquanto isso, os leilões correm solto. Funciona assim: o detentor do precatório que aceita o maior deságio recebe o pagamento na frente. Para participar, é preciso oferecer, no mínimo, 50% de desconto. “Por desespero, muitos já venderam seus precatórios a preço de banana, por VIVER Abril 6 - 2012 Fotos: Victor Schwaner TEREZINHA COSTA: “Ainda tenho esperança” menos 30% do valor. Esse leilão é pernicioso, um desrespeito à Justiça e aos cidadãos”, decreta Oto Lopes, que perde as contas de quantos amigos, por necessidade, já abriram mão do valor integral. E se entristece ao falar dos 14 companheiros do seu grupo – de 41 pessoas - que morreram sem ver a cor do dinheiro. “Há viúvas que vivem em estado de miséria, sem assistência médica e uma velhice digna”, lamenta Marly Moysés Araújo, servidora pública estadual aposentada, cuja espera completa oito anos em 2012. O calendário é o mesmo para Maria Edna Costa Ferreira Leite, 67. “Ganhei na Justiça em 2004, mas até hoje nada aconteceu. Queria ter mais tranquilidade nessa fase da vida”, diz a mãe de quatro filhos e avó de dois netos. “Fui da primeira turma a ganhar, mas nunca recebi um centavo”, reclama Sebastiana Vieira Tavares, 90, cujo sonho era receber o dinheiro para pagar uma casa de repouso e ter sossego e assistência na velhice. “Ainda tenho esperança. Quem sabe?”, diz. A amiga Terezinha Dias Costa, 69, conta que recebeu uma proposta indecorosa. “Meu precatório é de 2005. Só que a informação que me deram é que, sem acordo, dinheiro só a partir de 2015. Acham que vou desistir. Mas estão muito enganados.” Ana Maria Belo, 65, não seguVIVER Abril 6 - 2012 SEBASTIANA VIEIRA: “Fui a primeira a ganhar, mas não recebi” Ganhei na Justiça em 2004, mas até hoje nada aconteceu. Queria ter mais tranquilidade nessa fase da vida” Maria Edna Leite rou as pontas. Desesperançosa e com muitas contas pra pagar, acabou negociando. “Ganhava pouco e aceitei vender. Dos 18 mil reais a que tinha direito, fiquei com apenas 7 mil reais. E mesmo assim fui iludida, pois demoraram quase três anos para pagar”, recorda. Vítimas da lentidão dos governos e prefeituras, os credores de precatórios também tornaram-se presa fácil para aqueles que atuam no mercado paralelo. “Já fui assediado várias vezes por bancos e, principalmente, por profissionais de escritórios da área tributária. Eles oferecem uma pechincha pelo nosso precatório, compram e depois vão até o estado para quitar dívidas com impostos não pagos. Chega a ser indecente, pois penaliza o credor e beneficia o sonegador”, afirma Elton Evangelista Corrêa Lima, 70. O juiz Ramon Tácio garante que, atualmente, estão sendo pagos os precatórios referentes ao ano de 2004. Até dezembro de 2012, 283 milhões de reais serão pagos – o equivalente a 1/ 13 avos da dívida. Metade do dinheiro será destinado ao pagamento referente à ordem cronológica. A outra vai para os acordos. Uma quantia ínfima para quem vive há tanto tempo o drama de esperar pelo que é seu, por direito. 71 Divulgação perguntas para 10 Antônio Andrada Presidente do Tribunal de Contas do Estado diz que a maioria das irregularidades cometidas pelas prefeituras é de natureza formal e não causa danos ao erário. “Mas, se permanecer, pode gerar perdas.” Ele pretende montar estrutura para monitorar em tempo real os atos dos municípios SUELI COTTA C ontas rejeitadas, convênios irregulares, licitações fraudulentas. Essas palavras passaram a fazer parte dos pesadelos da maioria dos prefeitos brasileiros, que enfrentam dificuldades em ajustar suas contas às regras impostas constitucionalmente. Em Minas Gerais, desde a última eleição, 29 prefeitos perderam mandatos devido a irregularidades detectadas em suas administrações. Para evitar situações como essas, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) decidiu dar uma mãozinha aos prefeitos, com a assinatura de um termo de ajustamento de conduta (TAG). O presidente do TCE, Antônio Carlos Andrada, pretende montar um sistema informatizado onde será possível acompanhar, em tempo real, todos os atos dos 72 municípios, numa espécie de big brother, que deve ser implantado até 2013. Antônio Carlos Andrada, ou Toninho Andrada, conhece bem os problemas dos prefeitos, cargo que ocupou em 1993, em Barbacena. Ele também foi deputado estadual pelo PSDB, por dois mandatos. Em que bases foi estabelecido o termo de ajustamento de gestão entre o TCE e os municípios? O TAG é um instrumento legal através do qual o Tribunal de Contas poderá ajustar, com seus jurisdicionados, novas práticas de gestão que visem corrigir, em determinado prazo, irregularidades verificadas em denúncias, representações ou processos administrativos. Antes da instituição do 1 TAG pela lei complementar 120, de dezembro de 2011, o tribunal era dotado de forte instrumental punitivo, mas tinha dispositivos de ações preventivas frágeis e de pouca eficácia. Quais os principais equívocos cometidos pelas prefeituras? A maioria das irregularidades cometidas pelos gestores municipais é de natureza formal, que não geram dano ao erário, e em geral são punidas com multas. Mas em muitos casos, apesar da multa, a irregularidade pode permanecer e, assim, continuar a gerar perdas à sociedade. Com o TAG, em vez de se privilegiar a punição com multa, o tribunal desenvolverá com o gestor um ajuste para que a prática irregular seja 2 VIVER Abril 6 - 2012 NEM MINEIRÃO, NEM INDEPENDÊNCIA. A NOVA CASA DO FUTEBOL MINEIRO É AQUI. Assista ao Golasô. Um programa de esportes como você nunca viu. Letícia Renna, Éder Aleixo, Serginho, Mário Brito e Tino Gomes. De segunda a sexta, das 12h30 às 13h15. OLHO NO ESPORTE. OLHO NA BAND. 10 P E R G U N TAS PA RA alterada em benefício direto à população. É um novo enfoque que se dá ao controle externo. Diante das limitações de recursos orçamentários dos municípios quais as alternativas os prefeitos têm para garantir o cumprimento desse ajuste? O tribunal não interfere nas escolhas das políticas públicas a serem implementadas. São decisões discricionárias do gestor municipal, que é eleito democraticamente para cumprir determinado programa de governo. O controle do tribunal está focado na maneira da execução de tais políticas, se elas estão sendo colocadas em prática da forma prevista pela legislação e em conformidade com princípios constitucionais. A capacidade orçamentária para a implementação ou não de determinada política pública é matéria que antecede à sua execução. 3 Falta transparência nas administrações? A Constituição da República consagra o princípio da publicidade e da transparência dos atos públicos de forma taxativa. A própria existência do Tribunal de Contas como órgão de controle da administração pública é uma das garantias de que a transparência tem que ser observada uma vez que todos que manuseiam dinheiro público estão obrigados a prestar contas. A transparência é uma obrigação e quem tentar impedi-la estará cometendo grave irregularidade, com repercussões criminais até. 4 5 74 Muitos prefeitos reclamam que passam quatro anos administrando o município e 20 respondendo à Justiça devido ao excesso de regras e limites e que é praticamente inviável se gerir atualmente. O senhor concorda com esse argumento? As regras existem para garantir a transparência e a impessoalidade dos atos públicos. Há casos em que o ordenamento jurídico peca pelo excesso de formalidades que acabam dificultando a gestão pública, mas não acredito que chegue ao ponto de inviabilizá-la. O senhor, que foi deputado estadual, acredita que é possível corrigir algumas distorções com aprovações de leis mais realistas nas Assembleias Legislativas? Aperfeiçoar a legislação deve ser meta constante dos poderes legislativos, mesmo porque a sociedade evolui cultural e tecnicamente, e as leis devem absorver tais transformações. Mas a maioria dos textos legais que tratam da gestão pública tem origem no parlamento federal, no Senado e na Câmara dos Deputados. 6 O TCE está devidamente equipado com pessoal e técnicos para fiscalizar os municípios? O Tribunal de Contas mineiro tem boa estrutura funcional e um corpo técnico de elevado nível, mas como todo órgão público tem limitações orçamentárias e financeiras. Especificamente com relação aos municípios, o tribunal está colocando em prática um sistema informatizado muito sofisticado, o Sicom, que já está em operação em caráter experimental e será efetivado em 2013. Este novo sistema possibilitará que o tribunal acompanhe em tempo real todos os atos municipais relativos às despesas, num verdadeiro big brother. Será uma ferramenta excepcional de acompanhamento 7 e de controle das despesas públicas municipais. Muitos prefeitos reclamam do excesso de regras e intervenções do Ministério Público. Estão ocorrendo excessos? Não tenho dados nem elementos para opinar sobre esta matéria, que não afeta ao Tribunal de Contas. O que posso afirmar é que temos desenvolvido com o Ministério Público estadual parcerias muito positivas e um diálogo construtivo visando potencializar as ações de controle para coibir atos de corrupção e práticas irregulares nas gestões públicas. 8 Atualmente as leis facilitam mais para prefeitos com perfil técnico do que político? A gestão pública requer os dois elementos, o político e o técnico. A política deve sempre estar pautada na legitimidade das decisões e no favorecimento do diálogo. A técnica diz respeito a como fazer, e isto também é fundamental, porque requer planejamento e o conhecimento científico de determinados assuntos. Para lidar com questões públicas entendo que a política e a técnica são lados da mesma moeda, e a nossa legislação indica claramente essa visão. 9 A administração pública mudou muito nos últimos anos? Acredito que sim. A globalização econômica e cultural impôs novos conceitos e o avanço tecnológico, como a cibernética, possibilitou ganhos extraordinários para a qualidade das gestões públicas. O mundo mudou muito e exigiu que a administração pública avançasse também. 10 VIVER Abril 6 - 2012 J U S T I ÇA O direito de agir Divulgação ANDRÉ ALMEIDA: “A Laba propõe discussões muito amplas e lutas diárias” SUELI COTTA André Almeida, presidente da Federação Interamericana de Advogados, atua na defesa do trabalho dos profissionais fora do Brasil A globalização tem obrigado os profissionais a se especializarem cada vez mais, seja qual for a área de atuação. Por isso as escolas têm adequado seus currículos para essa nova ordem mundial. Mas não basta estar bem preparado. Em muitos países, a situação política, econômica e social impedem o avanço das instituições e consequentemente da sociedade, limitada aos mandos e desmandos dos governantes. Os advogados, juristas e magistrados brasileiros conhecem bem essa realidade. Há mais de 70 anos profissionais têm acompanhado e buscado melhorar as condições de trabalho no continente, com a Inter American Bar Association (Laba), que funciona como uma espécie de OAB internacional. O quinto presidente brasileiro da instituição, conhecida no Brasil como Federação Interamericana de Advogados (FIA), o mineiro André Almeida, especialista em direito internacional, financeiro e mercado de capitais, assumiu a administração da entidade no início de 2011 e conhece bem as dificuldades dos advogados que trabalham fora. Em muitos casos, sem ter entidades fortes como a OAB para assegurar a atuação, os profissionais se viram como podem. A Laba ou FIA também tem atuado como órgão fiscalizador e observador de eleições em países onde os processos eleitorais são polêmicos, como Haiti, Honduras 76 VIVER Abril 6 - 2012 e El Salvador, e promovido debates e encontros para fortalecer a categoria. “A FIA participa de perto dos acontecimentos na política e na economia”, afirma André Almeida. A FIA conta com aproximadamente 100 ordens de advogados associadas e mais de 12 mil membros inscritos de todos os países da América, incluindo Cuba. Com assento na Organização dos Estados Americanos (OEA), também acompanha as discussões em defesa das prerrogativas desses profissionais. “A Inter American Ban Association propõe discussões muito amplas e lutas diárias”, diz Almeida, que lidera a Laba até 2013. Com um escritório em Washington e com pelo menos duas viagens internacionais por mês, ele acompanha o que vem ocorrendo com os profissionais do Canadá à Argentina. A credibilidade chamou a atenção de alguns países da comunidade europeia, que também decidiram aderir à entidade, como Espanha, Portugal e França. Os três países participam, inclusive, das decisões da FIA. Alguns advogados brasileiros conseguem autorização para trabalhar em Portugal, devido a um convênio assinado entre os dois países. Mas as limitações para atuar em outros lugares do continente são grandes e na maior parte das vezes os advogados brasileiros só conseguem atuar como consultores. Em território brasileiro, também é praticamente impossível para um advogado estrangeiro atuar. As diferenças econômicas e culturais são os principais entraves para universalizar a atuação desses profissionais em outros mercados. Essa diversificação cultural entre os países é refletida também na formação dos profissionais, de acordo com o ex-presidente da entidade Paulo Lins e Silva. Ele afirma que apenas Canadá, Estados Unidos e Brasil têm a advocacia bem organizada com os profissionais se submetendo aos exames antes de VIVER Abril 6 - 2012 A Bolívia estava com um processo avançado, mas os advogados perderam força com a eleição de Evo Morales” Paulo Lins e Silva entrar no mercado. No restante, não existem entidades fortes que regulem a profissão e os advogados que atuam no mercado de trabalho. Em alguns países eles sequer conseguem se organizar em entidades de classe, ficando à mercê das instabilidades políticas e sociais. “No México são pelo menos quatro ordens de advogados”, diz Paulo Lins e Silva, o que torna praticamente impossível regulamentar o profissional dentro dos parâmetros estabelecidos nos Estados Unidos, Canadá e Brasil. Desde a criação da FIA, busca-se o fortalecimento e uma melhor preparação dos advogados no continente americano, mas essa tem se mostrado uma tarefa árdua e quase inglória. “A Bolívia estava com um processo avançado, mas os advogados acabaram perdendo a força com a eleição de Evo Morales, em 2005, que fechou as portas para a organização dos profissionais bolivianos. Na época foi um grande golpe”, lembra Lins e Silva. Apesar dos atropelos, a FIA promove o intercâmbio cultural, a troca de informações e a jurisprudência para tentar diminuir essa distância acadêmica, institucional e de informação. “O objetivo desse trabalho também é a geração de negócios, de divulgação de trabalhos acadêmicos e, principalmente, a proteção do estado de direito”, afirma André Almeida. São programados vários eventos para discutir temas relacionados a economia, a política e a dinâmica social dos países que integram a entidade. Em junho, por exemplo, será realizada a 48ª Conferência Anual JIA’S Isla Margarita, na Venezuela, que colocará em debate os desafios da democracia nas américas, tecnologia da comunicação e acesso à Justiça. Essa desorganização na maioria dos países que integra a FIA é o principal fator que inibe e interfere na atuação dos profissionais em direito além das suas próprias fronteiras. Consequentemente, os que conseguem atuar fora de seus países de origem só o fazem informalmente, segundo Lins e Silva. “A atuação se dá apenas como consultoria.” Essa é uma das muitas bandeiras que André Almeida tem para trabalhar até o final do seu mandato, que termina em 2013. Antes dele, apenas quatro brasileiros presidiram a Laba. Os mandatos ocorreram nos anos 1940, 1960 e 1990. O último foi Paulo Lins e Silva. A FIA tem, ainda, dois órgãos diretivos, com um conselho de membros individuais e a assembleia geral, onde todas as representações, as ordens têm assento. Esses dois órgãos centrais escolhem um vice-presidente, por voto direto. Ele normalmente sucede o presidente, sem a possibilidade de reeleição. “A alternância de poder é benéfica e essencial para a democracia”, defende André Almeida. 77 POR A N G E L I N A F R E I TA S Fotos: Divulgação Serafina É uma das pizzarias mais famosas de Nova Iorque, onde nobres e plebeus ficam sentados lado a lado. Bem frequentada, mas sem pretensão. Tem comida ótima, e os preços são justos. O ambiente é bem divertido, e é impossível vir a NY e não comer um dia no Serafina. O sucesso é tanto que já existem várias filiais do restaurante dentro da cidade. Uma delas acabou de ser inaugurada no novo espaço no west side, na Broadway, esquina com a 77th street. Os donos italianos, Victorio e Fabio, junto com outros sócios brasileiros abriram um Serafina em São Paulo, na rua Alameda Lorena 1.705, Jardins. Esse restaurante vale a pena conhecer. Plastic dreams A Melissa está arrasando em NY. O grupo Greendene inaugurou a Galeria da Melissa, no Soho. Ela fica situada na Greene Street, em espaço grande, todo em branco, bem minimalista. A cada três meses será exibido trabalho de um artista plástico: as obras ficam expostas na vitrine e no interior da galeria junto com os sapatos. Por todos os lados pode-se ver propaganda da galeria, nos táxis, no metrô, nas revistas. Os nova-iorquinos estão conhecendo o plastic dreams, esse é o nome que eles chamam a Melissa. “Foram gastos em torno de 5 milhões de dólares na criação da loja. E é o primeiro investimento do grupo no exterior. O próximo passo será Londres”, diz o criador, Edson Matsuo. A Melissa fez parcerias com alguns designers estrangeiros – Jason Wu, Vivienne Westwood, Karim Rashid entre outros. Ao ser perguntado por que Nova Iorque, Matsuo responde: “Vamos onde estão aqueles que gostam da Melissa, e tinha que ser Nova Iorque, porque aqui está cheio de brasileiros”. 78 Brasileiros no New Museum O New Museum está com uma mostra incrível, que reúne artistas de vários lugares do mundo, inclusive dois brasileiros, Cinthia Marcelle, de Belo Horizonte, e Jonathan de Andrade, de Recife. A exibição se chama The Ungovernables. O nome diz muita coisa. Eles são críticos, fazem apologia aos tempos modernos, são jovens que nasceram entre os anos 1970 e 80. São pessoas que fizeram parte de movimentos revolucionários, viveram a didatura militar e são contra o mundo capitalista. Os artistas são emergentes e nunca tinham exibido nada nos Estados Unidos, até então. A mostra ocupa os quatro andares do prédio do museu e fica exposta até o dia 22 de abril. O endereço é Bowery 235, em downtown. VIVER Abril 6 - 2012 CHEGOU O NIKEiD. O Nike que você faz. Misture. Combine. Só na Os modelos disponíveis para o iD são: Dunk Low e Dunk High. Fátima Rabelo O poder dos fracos “Há algo na infelicidade dos nossos amigos que não nos desagrada completamente.” Kant Não é de hoje que a sabedoria popular receita os seus remédios para proteger as pessoas de determinados sentimentos e ações de outras, frente ao sucesso que alcançaram em suas vidas. Figa, espada de são Jorge, amuletos de toda a sorte, são usados na crença contra os poderes da inveja, que não só vem de tempos remotos como também é universal. Não ter alcançado algo almejado é sentido como responsabilidade do outro que consegue. São pessoas que dedicam a vida a contabilizar o crescimento de outros, sentem-se vítimas do sucesso alheio Considerada pecado capital, a inveja faz parte da complexidade da alma humana e manifesta-se através do sentimento e da ação. É um sentimento raivoso, gerado pelo fato de outra pessoa possuir e desfrutar algo desejável. No impulso invejoso, ocorre a ação de tentar tirar esse algo, prejudicar. São Tomás de Aquino fala da inveja como uma tristeza, um sentimento de infelicidade diante da felicidade alheia ou da felicidade diante da infelicidade alheia. É inegável que, diante dos valores da sociedade contemporânea, nada incomoda mais do que ser bem-sucedido, principalmente na profissão. Alcançar uma posição de destaque tem preço, o que, muitas vezes, é cobrado através de punições por parte, inclusive, daqueles que menos se espera. Ser bem-sucedido, em qualquer área da vida, pode incomodar, e muito. 82 O sujeito é visto como alguém que tem tudo, como se isso fosse possível. E o que é pior: não importa se trabalhou anos a fio para chegar onde chegou. Será visto, na grande maioria das vezes, como alguém que usufrui de algo indevido. Não ter alcançado algo almejado, às vezes, é sentido como culpa do outro que consegue. A inveja requer uma comparação entre o eu e o outro e implica o desejo de suprimir diferenças. É uma maneira de nivelar por baixo: se eu não posso ter, não suporto que o outro tenha. No fundo, revela-se em uma questão de impotência. Ao tentar quebrar a reputação de alguém bem- sucedido e com méritos para tanto, produz-se um alívio. Funciona como um bálsamo, um emplasto para acalmar e dissimular a própria ira. Em tempos de alta performance, nada mais atual. É aqui que entra o poder dos fracos, pessoas que se comportam como se o outro lhe devesse alguma coisa. Não ter alcançado algo almejado é sentido como responsabilidade do outro que consegue esse algo. São pessoas que dedicam a própria vida a contabilizar o crescimento de outros, sentem-se vítimas do sucesso alheio. Para o homo sapiens, é tão raro reconhecer o outro em sua capacidade e valor quanto é comum compartilhar de críticas e ataques destrutivos. Basta observar. Santo Agostinho já dizia que não é sem dor ou inveja que uma criança pequena assiste ao seu irmão recém-nascido mamar no peito da mãe. Por tratar-se de um sentimento bastante arcaico, a passagem da inveja para uma condição mais evoluída ocorre quando há a reparação, ou seja, reconhecimento de um outro menos idealizado. Enquanto isso, haja espada de são Jorge! Fátima Rabelo, psicóloga VIVER Abril 6 - 2012 CELEBRE O AMOR DE SUA MÃE COM PRESENTES COOK ELETRORARO! 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Encontrar um produto com validade vencida, em qualquer estabelecimento comercial, é o suficiente para uma grave denúncia em defesa do consumidor. Diante disso tenho pensado sobre a conveniência de se implantar também o prazo de validade para as pessoas. Assim como alguns produtos recomendam seu consumo em tantos dias, as pessoas teriam o seu prazo de validade para determinado número de horas ou dias. Tenho certeza que você já passou pelo dissabor de ter um interlocutor em uma mesa de bar ou, pior ainda, de pé em uma recepção, e não saber como dar o fora. São os chamados espalha roda. Alguns se tornam tão conhecidos que só os desavisados se aproximam. Existem casais tambem. Seu prazo de validade é de alguns minutos, ou já vencido, e se você não tiver alguém para lhe salvar foi-se embora sua festa. Existem ainda aqueles que lhe fazem uma visita inesperada. “Viemos sem avisar porque queríamos lhes fazer uma surpresa.” E como fazem. Inexoravelmente aproveitam a surpresa para lhe fazer um pedido. Habitualmente de difícil atendimento. O problema que enfrento é como expor a todos esse prazo. Não dá para imprimir na testa de cada um, ainda que a vontade seja essa E existem ainda aqueles absolutamente cara de pau. Por incrível que pareça comparecem a recepções, especialmente de casamentos, sem terem sido convidados. Já vi alguns que marcaram presença até na igreja. Cumprimentam os pais dos noivos, um dos dois eles naturalmente conhecem, os próprios noivos e se aboletam numa mesa sempre perto do bufê. Falam, bebem e comem a se fartar. E como em geral são conhecidos deixam a dúvida: quem os convidou ? Os pais da noiva ou do noivo? E tem também os verdadeiros profissionais, estes dediVIVER Abril 6 - 2012 cados a eventos comerciais, grandes coquetéis ou até mesmo, acreditem, jantares comemorativos. A mesma dúvida se instala. Quem convidou? E, por favor, não imaginem que a necessidade de convite os possa constranger. Muito ao contrário. Como, lamentavelmente, os mineiros não têm o cuidado de confirmar previamente sua presença, como solicitado, eles são o primeiro a fazê-lo. Tomam conhecimento do evento pelas colunas sociais. Surpreendem a muitos com seu pretenso grau de relacionamento. E costumam ser tão cuidadosos que, se houver antes da recepção uma solenidade, eles cuidam de a esta comparecer também. E em lugar bem visível. Mas nada se compara ao hóspede que estende sua presença por dias, semanas até. Nos primeiros momentos apresenta-se solícito, colaborando com os anfitriões nas providências de manter a casa em ordem. Arruma sua cama e só bebe o que lhe é oferecido. Mas sua resistência é curta. Em pouco tempo já está dando ordens à empregada doméstica e solicitando ao anfitrião seu uísque preferido, mesmo que não seja o mesmo deste. Na cozinha já sugere o cardápio e a intimidade se estabelece numa velocidade inacreditável. E insuportável também. Surgem também nas viagens. Ninguém sabe quem sugeriu sua presença e poucos têm a coragem de indagar aos demais companheiros sobre isso. Ocupam o maior espaço e se a viagem é de casais, você realmente jamais irá se esquecer desses dias. Certamente existe um número enorme de oportunidades para você desfrutar da companhia dessas pessoas com prazo de validade vencido. O problema que enfrento é como expor a todos esse prazo de validade. Não dá para imprimir na testa de cada um, ainda que a vontade seja essa. Nem tampouco etiquetá-los, como seria desejável. A solução mais viável é a transmissão pessoal. Com algum cuidado, mas sem grandes cerimônias. Trata-se afinal de uma medida preventiva e de interesse coletivo. Evita, para muitos, um mal-estar insuportável, dor de cabeça e até mesmo enjoos. Faça sua avaliação pesssoal e repasse. Finalmente, como medida de precaução, peça a um amigo para fazer a avaliação de seu prazo de validade. Não se surpreenda se você estiver sendo mais otimista consigo mesmo que os demais. É da vida. Hermógenes Ladeira, empresário 87 ES PEC IAL Babá pro Totó Animais viraram membros da família e agora conquistaram o serviço de pet sitter para reforçar ainda mais a humanização Fotos: Nélio Rodrigues ELIANA FONSECA N ão restou quase nada do tempo em que totó era apenas o cão que comia o resto dos donos e dormia num reles canto do terreiro. A força do mercado pet no Brasil está nos números. Em 2011, foram 12,2 bilhões de dólares de investimentos no setor e a constatação de que a chamada humanização dos animais por parte de donos chegou a um patamar em que o animal doméstico – algo em torno de 100 milhões no Brasil – virou mais um membro da família e, como tal, precisa ter supridas várias de suas necessidades. E como a correria é a pior inimiga do homem moderno, sobra pouco tempo para os cães, os gatos, os pássaros e o que mais houver. Quer dizer, faltava. Não é uma profissão recente em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, mas o chamado pet sitter, ou babá de animais, chega a Belo Horizonte com força total prometendo um cuidado que inclui desde a socialização do animal até zelo com higiene e saúde. Não é um serviço barato, mas a promessa é a de menos estresse para o bicho, tratamento personalizado e a manutenção da rotina criada pelo proprietário. Apesar de já ser possível encontrar vários profissionais pet sitter em Belo Horizonte, ainda não há uma escola 88 PRISCILA QUEIROZ: “Estou apostando na profissão” VIVER Abril 6 - 2012 especializada na nova função. A estudante Priscila Michele Queiroz, 23, resolveu, no ano passado, se transformar em pet sitter. Primeiro procurou um curso para especialização. Como não encontrou nenhum específico, já economiza dinheiro para fazer curso em São Paulo. A história de se transformar em cuidadora de animais começou com o incentivo do namorado, médico veterinário, somado a um momento de desemprego e a paixão da moça pelos animais. Ela é dona de um cão, uma gata e uma calopsita. Para cada saída – em que pode dar banho, comida, cuidar da higiene, levar para passear e também ao veterinário, Priscila pode cobrar até 32 reais, mas é possível, se houver um pacote, diminuir esse preço. Por enquanto, ela diz que o retorno financeiro é pequeno, mas o investimento é na divulgação do trabalho. “Estou apostando na profissão de pet sitter. Acredito que, para ser uma boa profissional, é preciso carinho, atenção para com os animais e principalmente o aperfeiçoamento para aprender mais sobre o comportamento deles.” Na nova profissão, há aquelas que têm dedicação em tempo integral, o que pode acabar não sendo uma melhor solução para o pet sitter. Este foi o caso de Jaqueline Rosária Neto, 28, LUIZA MAYRINK: “Espero que as pessoas vejam os benefícios” VIVER Abril 6 - 2012 que foi babá de cachorros por nove meses e chegou a ganhar, mensalmente, média de 2 mil reais (salário, mais extra por finais de semana) para cuidar exclusivamente de três cockers. O problema é que começou a não ter finais de semana já que a proprietária dos cachorros viajava muito e como Jaqueline era a única para esses cuidados, acabava tendo folgas limitadas. “Comecei a viver, literalmente, a vida FIQUE LIGADO Confira o que faz o pet sitter Q Q Q Q O que faz: alimenta, leva para passeios e ao veterinário, brinca, limpa e recolhe os dejetos do animal Sempre procure referências já que o profissional terá acesso à sua casa quando você não estiver nela Esteja atento quando o pet sitter for passear com o animal: é preciso utilizar uma boa coleira e pedir que ele identifique o animal. Em casos de bichos mais velhos ou doentes, procure um veterinário que dará todas as instruções sobre os passeios Preços: variam e podem ser combinados de acordo com o número de dias de visita do pet sitter. A média é de 30 reais por visita, que pode chegar a até 18 reais se o dono do cão fechar um pacote com o profissional dos cães. Não podia fazer nada.” A pet sitter e dog walker – que leva animais para passear – Luiza Mayrink cuida de cães há três anos e diz que seu serviço é mais requisitado nos períodos de férias ou nas viagens a trabalho dos proprietários. Por enquanto, considera o ganho mensal com a profissão apenas uma ajuda de custo, já que mesmo tendo a média de seis clientes, os recursos não são suficientes. Mesmo assim, não desiste. Diz que decidiu-se pela profissão porque adora animais e é a oportunidade de dar conforto num ambiente conhecido e seguro, evitando latidos e choros indesejados. “Espero que, futuramente, as pessoas vejam os benefícios em deixar seu animal com um profissional de confiança”, diz. Luiza cobra em média 25 reais nos dias de semana e 30, nos finais de semana, por hora. A nova profissão é vista com bons olhos por especialistas em comportamento animal. A veterinária Fernanda Kerr, da ONG Arca Brasil, afirma que o pet sitter é um profissional interessante, principalmente para cães e gatos que não se adaptam fora do ambiente da casa e se estressam muito quando o proprietário precisa se ausentar. “O pet sitter talvez seja o melhor serviço para esse tipo de espécie porque ele vai ser cuidado num ambiente em que se sente seguro.” Para quem não tem disponibilidade financeira para arcar com exclusividade e pensa em contratá-lo por visitas, a veterinária diz que o sinal amarelo só deve acender quando se tratar de segurança, já que o profissional terá acesso à casa do dono. Por isso, Fernanda afirma que é essencial ter referências de quem já usou o serviço. “É preciso estabelecer primeiro um vínculo de confiança. Outro ponto é que, apesar de o pet sitter prestar um serviço para o bem-estar mental e físico do animal, ele não substitui o dono. Ele também precisa participar da rotina do animal”, avisa. 89 POR FERNANDO TORRES ORGÂNICO AMARGO, DA CHOKOLAH *162 KCAL Utiliza amêndoas orgânicas da variedade brasileira híbrido trinitário, livres de agrotóxicos, fertilizantes e gordura trans. É o único chocolate do país certificado pela Ecocert CHIA, DA GENEVY *139 KCAL A semente hipernutritiva – rica em ômega 3, fibras, antioxidantes e proteínas – se infiltrou nas camadas deste ovo de Páscoa. Com 54% de cacau, a iguaria ainda promete potencializar o emagrecimento ALFARROBA COM BANANA, DA CAROBHOUSE *136 KCAL Parece chocolate, mas não é. Tipo de vagem mediterrânea, a alfarroba possui menos gordura que o cacau (0,7% ante 23%), não tem cafeína, é rica em minerais e concentra 40% de açúcares naturais, dispensando os cristais refinados Páscoa saudável Já se foi o tempo em que a Páscoa era a vilã das dietas. Hoje, é possível degustar ovos de chocolate sem alterar os ponteiros da balança. Confira aqui uma seleção de opções leves, pouco calóricas e, ainda por cima, saborosas. Mas vá com calma: consuma até 30 g por dia. Fotos: Divulgação DIET, DA GOLD PREMIUM SWEET *133 KCAL Substitui o açúcar pelo adoçante sucralose, sem restrições de uso. Embora seja pouco calórico, a principal indicação é para diabéticos: como todos os chocolates diet, a receita leva um pouco mais de gordura que o normal CHOCOSOY (SOJA), DA OLVEBRA *164 KCAL * Totais de calorias em 30 g ESTÁ LIBERADO Quer emagrecer? Coma chocolate. “O consumo moderado e frequente ajuda na redução da deposição de gordura, contrabalanceando as calorias adicionadas”, diz estudo da Universidade da Califórnia (EUA). O benefício só vale para as versões com maior concentração de cacau, o responsável pelo milagre. Alternativa para quem tem intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite, o chocolate de soja contém ainda isoflavonas (compostos que aliviam os sintomas da menopausa), aminoácidos essenciais e proteínas de alto valor biológico Pedro Vilela 90 BANHO DE CHOCOLATE AÇÃO NA PELE Nada mais justo que os prazeres da Páscoa se estendam para a beleza. Pensando nisso, a Clínica de Estética e Spa Renata Fontany, no bairro Cidade Nova, criou um ritual à base de chocolate. “O banho une aroma e hidratação e é especialmente indicado para peles ressecadas”, afirma a terapeuta Renata Fontany. Dividida em quatro etapas, o tratamento de 70 minutos inclui esfoliação corporal, máscara facial, relax na banheira e massagem aromatizante. É para chocólatra nenhum botar defeito. z Vitaminas A, C e E z Ferro z Polifenóis antioxidantes z Ácido oleico (combate o estresse e o envelhecimento) VIVER Abril 6 - 2012 Uns querem emagrecer; outros, ganhar peso. O fato é que 39% dos adolescentes entre 13 e 15 anos de Belo Horizonte estão insatisfeitos com o próprio corpo, segundo o IBGE. “O alto índice é decorrente da pressão da sociedade de alcançar um corpo perfeito. Os meninos querem ser musculosos, e as meninas, esguias e magras”, analisa a endocrinologista Maria Edna de Melo, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade da Síndrome Metabólica (Abeso). Pais e educadores precisam ficar alertas quando a preocupação com o físico ultrapassa os limites, como pular refeições, vomitar e usar medicamentos ou suplementos sem orientação. “A família deve proporcionar um estilo de vida saudável e equilibrado, sem excessos. ”, frisa. Shutterstock Falso reflexo PERFIL DOS ADOLESCENTES EM BH 18,4% 20,9% se acham muito gordos se acham muito magros 8,1% já tomaram 13,6% fazem algo remédios para emagrecer para ganhar peso Fonte: IBGE Aposente a cadeira do escritório. Utopia? Pelo menos, tente ficar mais tempo em pé. O hábito de permanecer 11 horas ou mais por dia sentado coloca sua vida em perigo, avisa estudo da Universidade de Sidney, na Austrália. Mas dá para driblar as consequências desse mau hábito moderno. “Interrompa o trabalho pelo menos de duas em duas horas para se alongar e caminhar um pouco. Isso ajuda a evitar dores nas costas e no pescoço, problemas de postura e lesões por esforço repetitivo”, orienta o médico Breno Figueiredo Gomes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM-MG). E nada de voltar para a cadeira nos momentos de lazer. “Use o tempo livre para se exercitar, em vez de ficar em frente a TV e ao videogame”, sugere. VIVER Abril 6 - 2012 Shutterstock Levante-se! Quem permanece muito tempo sentado tem 40% a mais de risco de morte * Índice calculado para pessoas acima de 45 anos Pedro Vilela ESPORTE MARATONA: largada da Cidade Administrativa como nos anos anteriores Agora são 42 km Maratona da Linha Verde dobra percurso e programa duas corridas menores para quem ainda não tem fôlego de profissional CELSO FILHO O calendário dos corredores já possui uma data consolidada em Belo Horizonte: o dia da Maratona da Linha Verde. Neste ano, as provas acontecem no dia 29 de abril. Em sua sexta edição, o evento traz novidades, com três corridas para diferentes tipos de competidores e níveis de dificuldade. Para quem tem fôlego, o percurso dobrou e conta agora com 42 km. Já para os mais iniciantes, as tradicionais meia-maratona, de 21 km, e a Corrida da Família, com 6 mil metros, continuam sendo opção para quem quer participar, mas não possui o pique de corredor profissional. Com duas subidas significativas e outros desnivelamentos, a maratona exige fôlego do atleta e um preparo de 92 até oito meses. Dada a largada na Cidade Administrativa, o percurso principal desce pela Linha Verde e avenida Antônio Carlos, quando alcança a Tereza Cristina e a segue até a altura do bairro Coração Eucarístico. Em seguida, faz o sentido inverso, passando pela avenida dos Andradas, até a Copasa, e voltando, por fim, para a praça da Estação. Para quem quer se esforçar menos, a meia-maratona passa por metade do caminho – da Cidade Administrativa até a praça da Estação. Já a Corrida da Família, para os iniciantes, sai da praça, vai até o Boulevard Shopping e volta para o ponto inicial, em uma pista plana. Com três percursos e expectativa de 7 mil competidores, a By Japão Promoções e Eventos, organizadora das provas, declara estar tomando todas as medidas necessárias para a segurança dos participantes e para não atrapalhar o trânsito da capital, que já se agrava com as obras para a Copa de 2014. “BH está um canteiro de obras. Mas temos acertado com os órgãos competentes, como o DER, Dnit e as polícias, e já foi traçada uma estrutura para não comprometer o desempenho dos atletas ou a rotina da cidade”, explica Japão, organizador do evento. Além disso, as provas estão marcadas para começar às 6h30, horário de pouco fluxo. Com cinco anos de história, a prova conta, majoritariamente, com atletas entre 25 e 30 anos de idade, sendo VIVER Abril 6 - 2012 PREPARE-SE Japão, consultor-técnico e organizador do evento, dá dicas para quem planeja participar da Maratona da Linha Verde ou de outras corridas: 1. Toda maratona exige preparação longa. Inicie com treinos de volume (largas distâncias), acompanhados da musculação. Somente nos últimos meses concentre-se em um treino de velocidade 2. Para se vestir, use tecidos mais leves e que facilitam a transpiração, abaixando, assim, a temperatura corporal 3. O calçado deve ser um tênis que você já está acostumado a treinar. Nada de experimentar algo novo no dia da prova 4. Na semana da maratona, não fuja da dieta balanceada que você já faz. Na manhã da prova, a alimentação deve ser feita uma hora e meia ou duas horas antes da competição. Dê preferência para sucos, frutas e pães 5. Durma bem a semana toda, com rotina de oito horas diárias, especialmente no dia da prova 6. Na Maratona da Linha Verde, haverá postos de hidratação a cada 2,5 km, com isotônicos em seis destes locais. A cada ponto, tome um pouco de água e jogue na cabeça para refrescá-lo 7. Utilize bonés e viseiras apenas se você já tem o costume 8. Na noite anterior, faça checklist do que vai levar para a prova, programando-se para chegar uma hora antes da largada. Vale procurar saber como vai ser o transporte até o local aéreo + hospedagem + alimentação + traslados + seguro de viagem DIA DO TRABALHO SERHS NATAL (Natal - RN) 7 noites + Café + City Tour c/ Litoral Sul A partir de R$ 2.340, ou R$ 585, + 9x R$ 195, SAUÍPE CLASS (Sauípe - BA) 7 noites + Café e Jantar A partir de R$ 2.347, ou R$ 592, + 9x R$ 195, BEACH CLASS RESORT (P. de Galinhas - PE) 7 noites + Café e Jantar A partir de R$ 3.135, ou R$ 786, + 9x R$ 261, DESTINOS INTERNACIONAIS SANTIAGO & SKI 4 noites + Café + Visita à estação de ski A partir de R$ 2.279, ou R$ 578, + 9x R$ 189, (BASE US$ 1.187,) VIVER Abril 6 - 2012 SANTIAGO & SKI 7 noites + Café + Visita à estação de ski A partir de R$ 2.851, ou R$ 718, + 9x R$ 237, (BASE US$ 1.485,) BARILOCHE E BUENOS AIRES 7 noites + Café + City Tour A partir de R$ 3.679, ou R$ 925, + 9x R$ 306, (BASE US$ 1.916,) JAPÃO: estrutura para ajudar os atletas Nélio Rodrigues profissionais ou não. Neste ano, as provas terão presença de atletas de diversas partes do Brasil e do exterior, como Quênia e Tanzânia. Para isto, a By Japão oferece pacotes com hospedagem e transporte para o local da prova. Além disso, para os belo-horizontinos, maioria na competição, a organização, em parceria com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), oferece tíquete do metrô para os participantes se locomoverem até a Cidade Administrativa. Para mais informações e inscrições, acesse www.meiamaratonalinhaverde.com.br. Compre com seu agente de viagens e peça por pacotes da Viagens Master. Consulte também outras datas, destinos e quantidades de noites. Preços por pessoa, em apto duplo e sujeitos a reajuste sem prévio aviso. Preços dos destinos internacionais válidos para saidas em julho (favor consultar). Preços GRVGHVWLQRVQDFLRQDLVYiOLGRVSDUDVDtGDHP$pUHR&RQÀQVGHVWLQR &RQÀQV 7UDVODGRV DHURSRUWRKRWHODHURSRUWR 1mR LQFOXL WD[D GH HPEDUTXH )LQDQFLDPRV FRP FDUW}HV GH FUpGLWR H FKHTXHV 3UHoRV FRQYHUWLGRV FRQIRPH FkPELR YLJHQWH HP 86 5 H VHUmR UHFDOFXODGRV QD GDWD GDFRPSUD&RQÀUPDomRGHUHVHUYDVVXMHLWDjGLVSRQLELOLGDGH0DWHULDO/LEHUDGR SDUDSXEOLFDomRHP SAÚ D E Culpa dos pais? FERNANDO TORRES D e quem é a responsabilidade pela crescente epidemia de crianças e adolescentes rechonchudos? Para o pediatra David Ludwig e a advogada Lindsey Murtag, pesquisadores da Universidade de Harvard (EUA), a principal responsável é a família, que não consegue controlar o cardápio dos filhos. Os estudiosos vão mais além: defendem que os pais de crianças obesas devem perder a guarda dos filhos. A drástica medida, aliás, já saiu do papel em alguns países da Europa. Em Dundee, na Escócia, por exemplo, um casal com seis filhos perdeu a guarda dos dois mais novos. A justificativa do estado foi de que as duas crianças caminhavam para a obesidade mórbida, da mesma forma que os irmãos mais velhos – o primogênito, de 12, pesava 100 quilos. Para efeito de comparação, o caçula, de 3 anos, já acumulava 25 quilos. Mas antes da punição, o serviço social do governo escocês investiu em tratamento avaliado em 350 mil reais, que incluía acompanhamento médico, nutricional e rotina de atividade física. Sem sucesso. No Brasil – onde uma em cada três crianças entre 5 e 9 anos está com Aumento do peso de crianças é visto por especialistas como responsabilidade da família. Há quem defenda a perda da guarda dos filhos excesso de peso, segundo o IBGE (veja quadro na página ao lado) –, a medida também é considerada legal. “Tanto o Código Civil quanto o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) preveem que o direito à vida e à saúde da criança é fundamental. Ao ser ameaçado de alguma forma, e a obesidade é uma ameaça, o estado pode intervir para tentar resolver a questão”, analisa o advogado Rodrigo Catanema, professor de Direito da Família no Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). Porém, a intervenção só é válida em casos de obesidade mórbida e jamais como primeira medida. “Antes, devem ser tentados outros meios, como tratamento ambulatorial, médico e psicológico”, completa. Mas e quando a família busca tratamento e não obtém sucesso? É o que acontece com o pequeno Bernardo Figueiredo, de Três Corações, no Sul de Minas. Com apenas 10 anos, ele pesa 65 quilos, divididos em 1,48 metros. Isso equivale a 29 kg/m2 de Índice de Massa Corporal (IMC), caracterizando obesidade. “Há quatro anos, ele faz tratamento com nutricionis- Shutterstock 94 VIVER Abril 6 - 2012 ta. Consegue perder uns três quilos, mas logo recupera novamente”, conta a mãe, Maria Olímpia. Ela diz controlar a alimentação: evita biscoitos, frituras e doces. Refrigerantes? Só no fim de semana e sempre sem açúcar. Embora não coma muitas guloseimas, Bernardo tem hipotireoidismo, é ansioso e come o tempo todo e em grandes quantidades. “Um dia desses, o peguei assaltando a geladeira à noite, com um pratão de arroz, feijão, angu e carne moída”, relata. Outro problema é o sedentarismo. A família já tentou matricular Bernardo em aulas de tênis, hipismo, natação... “Ele fica no máximo dois meses e desiste. Estou me sentindo cada vez mais incapaz.” Mesmo assim, Maria Olímpia não acharia justo se, porventura, viesse a perder a guarda de Bernardo. “É muito fácil apontar a família como culpada, mas não ver o esforço que ela tem no dia a dia para controlar o peso dos filhos, especialmente quando eles ficam um pouco mais velhos”, diz. Os hábitos alimentares são formados nos primeiros anos de vida. Nesse aspecto, os pais são exemplos das crianças. “Não é raro ver uma criança gordinha ao lado de um familiar obeso”, relaciona o pediatra Antônio José das Chagas, presidente do Comitê de Endocrinologia Pediátrica da Sociedade Mineira de Pediatria. Outro problema é que as famílias têm percepção errada do peso das crianças. “Mesmo em níveis sociais elevados, os pais acham que o menino mais cheinho é mais bonito, especialmente nos primeiros quatro anos. Só depois, é que eles se dão conta do problema. Mas aí pode ser tarde”, aponta Chagas. A rotina das crianças, especialmente nas grandes cidades, também não ajuda. “Na maioria dos lares, elas trocam as atividades físicas pela TV ou o computador e tem alimentação baseada em produtos industrializados, pobres em nutrientes”, afirma a nutricionista Joyce Batista, diretoraVIVER Abril 6 - 2012 DE OLHO NA BALANÇA Como está o índice de gordura de nossas crianças: 5 a 9 anos Meninos Meninas Excesso de peso 34% 32% A partir de 10 anos Excesso de peso Meninos 21,15% Meninas 19,4% FIQUE LIGADO Aprenda a calcular seu Índice de Massa Corporal (IMC). É ele que determina o nível de obesidade: Peso do corpo em kg Altura x altura Resultado Igual ou menor que 18 kg/m²: abaixo do peso Entre 19 kg/m² e 24 kg/m²: peso normal Entre 25 kg/m² e 26 kg/m²: sobrepeso Entre 27 kg/m² e 39 kg/m²: obesidade Igual ou acima de 40 kg/m²: obesidade mórbida -secretária do Conselho Regional de Nutrição de Minas Gerais. Ela não concorda com a intervenção do estado na guarda dos filhos, mas acredita que crianças com distúrbios alimentares precisam de acompanhamento permanente. “O correto seria a inserção de políticas públicas voltadas para os pais, com acompanhamento psicológico”, opina. Boa notícia: o problema não está invisível aos olhos do Ministério da Saúde. A redução da obesidade infantil é um dos temas tratados no Plano de Ações Estratégicas para Obesidade 16,6% 11,8% SXC Obesidade 5,8% 4% Fonte: Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada pelo IBGE em 2010 Enfrentamento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis 2011-2012. A meta pretende reduzir em 8,8% o índice de obesidade entre crianças de 5 a 9 anos. Para isso, várias medidas serão necessárias. Entre elas, o governo pretende instalar 5 mil polos de academias de saúde gratuitas no Brasil até 2014, promover ações nas escolas com profissionais de saúde, publicar guias alimentares e controlar os teores de algumas substâncias nos alimentos industrializados, como açúcar, sódio e gordura trans – biscoitos, por exemplo, terão 19,5% menos sódio até 2014. Mas isso não tira a responsabilidade da família em controlar a balança dos pimpolhos. Mineira de Belo Horizonte, Lorena Oliveira já chegou a pesar 53 quilos, com 1,40 metros, o que lhe rendeu IMC de 27 kg/m2, início de obesidade. “Quando vi que ela começou a engordar mais do que a crescer, aos 5 anos, levei ao endocrinologista”, lembra a mãe, Maria José. Pelo exame de sangue, a garota foi diagnosticada até com colesterol alto. Mas a família decidiu virar a mesa, literalmente, neste caso. Refrigerantes e doces, que já não eram frequentes, ficaram ainda mais raros, em reduzidas quantidades. A garota também iniciou atividade física. Primeiro veio a natação; depois o balé. Hoje, adolescente, Lorena pesa 60 quilos, mede 1,69 metros e tem IMC de 21 kg/m2, caracterizado como peso normal. Final feliz. 95 POR LUCIANA AVELINO Fotos: Pedro Vilela Bacalhau na crosta de amêndoas (porção individual) Ingredientes 270 g de filé de bacalhau 150 g de amêndoas torradas 20 ml de azeite 170 g de tagliatelle al dente 30 g de minitomate italiano Modo de preparo: zzz Passar o bacalhau nas amêndoas torradas e fritá-lo no azeite bem aquecido zzz Faça o macarrão tagliatele al dente e reserve zzz Em seguida, faça o molho com creme de leite, reduzido em 50%, acrescentando os tomates, o manjericão e as azeitonas zzz Envolva o tagliatelle. Na montagem, disponha o bacalhau no centro do prato. Coloque a massa em volta e finalize com pimenta rosa (suit grape) 5 g de manjericão 15 g de azeitonas verdes picadas 200 ml de creme de leite 5 g de pimenta rosa 96 CÁSSIA CASTRO A chef mineira, de 21 anos, comanda a cozinha do Antonucci desde sua inauguração em outubro do ano passado, na Savassi. Para compor o menu da casa, ela elaborou pratos da culinária internacional e manteve a maior parte das pizzas que eram servidas no endereço. Formada em gastronomia, fez estágio no Vecchio Sogno e trabalhou como auxiliar na Fabbrica Spaghetteria. VIVER Abril 6 - 2012 e mais... Rio Verde, Victor Schwaner Delícia maciça Chocólatros com certeza vão ao delírio nas páscoas da vida. Também não é para menos. A cada ano, o mercado lança mais e mais modelos deliciosos. Ao contrário da maioria que rende recheios tão quão atraentes, a fábrica mineira Qoy, das empresárias e irmãs Andrea e Flávia Falci, produz ovos de chocolate totalmente maciços. São dois sabores de dar água na boca: trufa e marshmallow. Para potencializar o pecado da gula, a chocolatier Andrea sugere colocar o ovo trufado oito minutos no micro-ondas e servir com sorvete de creme. paixão pelos vinhos de terroir Vinhos de terroir são aqueles que expressam as características peculiares de sua terra natal. É a perfeita combinação dos fatores naturais e humanos: o solo, clima, meio ambiente, as técnicas de produção criadas pelo homem e que são transmitidas de geração em geração. A Rio Verde acredita nisto. Para nós, um grande vinho é somente aquele que reflete em sua cor, aroma e sabor toda a geografia, história e cultura de seu terroir. WWW.CASARIOVERDE.COM.BR Fotos: Pedro Vilela Festival Para quem gosta mesmo do peixe mais popular desta época do ano, o bacalhau, o restaurante internacional Quinto do Ouro, do Hotel Ouro Minas, preparou menu especial. Até o final do mês de abril, o cardápio elaborado pelo chef Juliano Marques, que comanda a cozinha local, disponibiliza quatro pratos principais e entradas à base da pedida. “Por ser versátil, o bacalhau rende receitas criativas.” Pelo cardápio individual, com entrada, prato principal e sobremesa, será cobrado o valor de 89 reais. Para arrematar a refeição, sobremesas que, claro, têm tudo a ver com os ingredientes tradicionais do período, como o semifredo de chocolate, feito com chocolate meio amargo e crocante de castanhas. VIVER Abril 6 - 2012 NOSSAS LOJAS SAVASSI AV. DO CONTORNO, 5816 – 31 3282.1249 PRUDENTE AV. PRUDENTE DE MORAIS, 616 – 31 3296.5950 BRASIL AV. BRASIL, 653 – 31 3224.2611 SION AV. URUGUAI, 835 – 31 3225.1185 LOURDES RUA CURITIBA, 2.039 – 31 3275.1237 GUTIERREZ RUA ANDRÉ CAVALCANTI, 388 – 31 3337.4730 CONTORNO AV. DO CONTORNO, 5795 – 31 3282.1249 STOP CENTER BR 040, JD. CANADÁ – 31 3541.5956 BREVE NOVA LOJA LOURDES PRAÇA MARÍLIA DE DIRCEU, 104 FALE CONOSCO 31 3116.2300 TU R ISMO STOCK YARDS: shopping a céu aberto com temática country Cenário de faroeste Fort Worth, no Texas, mantém viva a tradição do velho oeste. E faz questão de ser assim CLÁUDIA REZENDE, DE FORT WORTH H oje quase ninguém ouve falar no assunto. Já não é tema das grandes produções de Hollywood, não estampa as revistas nas bancas, não tem os maiores galãs do planeta como protagonistas. Mas, lá, no coração do Texas, a cultura do western, dos filmes de bangue-bangue que fizeram tanto sucesso até os anos 1970, está viva, presente, forte, enraizada. Fort Worth é o nome da cidade. Mais que a famosa Dallas, ela sustenta, orgulha-se, expõe, valoriza a cultura caubói. Está nas 98 VIVER Abril 6 - 2012 BASS PERFORMANCE HALL: exemplo de arquitetura da cidade reau r ’s Bu Visito & n entio Conv orth Fort W : s o t Fo ruas, nas lojas, nas lanchonetes caubói, no saloon. Em tudo: bota, cinto, chapéu, camisa quadriculada, calça jeans. Estando lá, tudo isso, você vai ver. E não é pouco. Assim, impressionada com esse retorno aos tempos do velho oeste, é que a reportagem da Viver Brasil mergulhou nesse mundo tão distante do urbano das cidades. Fort Worth é a rival de Dallas no quesito cultura caubói. Quem é de lá garante que a cidade é a verdadeira defensora do patrimônio do velho oeste. Dizem que, do outro lado, em Dallas, a versão é outra. Quem mora na cidade mais famosa afirma: ela é que sustenta a tradição. Para saber, é preciso passar uma temporada em cada uma e chegar à conclusão. Não foi esse o caso. Por enquanto, aqui, só se pode falar de Fort Worth. E concluir que, lá, realmente, o espírito caubói domina a cena. De Belo Horizonte, para chegar a Fort Worth, é uma viagem fácil. Há voos diretos para Miami. De lá, pega-se outro para Fort Worth/Dallas: mais ou menos três horas. O aeroporto das duas cidades é o mesmo. Aliás, merece um parêntese o Dallas Fort Worth (DFW). Estar lá é se sentir pequeno diante da estrutura que o Brasil não tem no setor aeroportuário. São cinco terminais e área – somando a que ainda está disVIVER Abril 6 - 2012 ponível para futuros projetos – maior que a ilha de Manhattan. Dá para visualizar? O local já possui amplas dimensões e gama de serviços e apoio ao usuário. Isso utilizando 60% de sua área. Ou seja, ainda há 40% do terreno para que o aeroporto se expanda. O DFW tem capacidade para 150 mil passageiros por dia, sendo que o setor de migração pode receber de 2 a 3 mil pessoas por hora. Há voo direto para 145 destinos, é o maior do país em tamanho e é o que tem o segundo custo mais baixo por passageiro. Além da capacidade operacional, o aeroporto tem outros atrativos, como 120 restaurantes, fácil localização de lojas (com painéis touch screen em vários pontos), decoração personalizada (com obras de arte em mosaico, no piso, ou instalações de arte contemporânea) e um sistema de locomoção funcional: metrô que leva os passageiros de um terminal a outro. No Texas, existe um sistema de Tax Free nas lojas, não todas, mas muitas. A pessoa compra e recebe de volta parte do que pagou como taxa/imposto. É no aeroporto que ela vai pegar esse valor de volta. Mas é preciso estar com as notas em mão. Voltando para Fort Worth, a primeira vista da cidade é muito agradável. Plana, boa de caminhar e tem aquela paisagem que, de cara, em qualquer foto, você pensa: isso não é no Brasil. Culpa da arquitetura rústica, amadeirada, com tons terrosos – ainda preserva muito do original, do meio do século 19. E também do clima, bem frio, com ventos. O primeiro lugar que a reportagem conheceu foi o Reata Restaurant, uma casa aberta em 1995 e que já tem filiais espalhadas pelo Texas. O nome foi copiado de um rancho do filme Giant, dos anos 1950, estrelado por James Jean e Elizabeth Taylor. Por dentro e por fora, a decoração é rústica, remete ao velho oeste mesmo. No interior, vários animais empalhados, cabeças de cervos e de búfalos, selaria, coletes de couro, tudo em couro, aliás. Quando você entra no local, sente bem o cheiro do material. Nas paredes, muitos quadros em preto e branco com referências a personagens do mundo do western, por exemplo, índios comanches, típicos do estado de Oklahoma. Há também flechas e outras armas penduradas. O menu da casa é bem texano – isso quer dizer, com influência espanhola, ou melhor, mexicana. É picante, forte, pesado e até um pouco exótico. Uma das entradas para a refeição principal foi o tenderloin (tenderloin tamales with pecan mash, 11,95 dólares). 99 Fotos: Divulgaç ão TU R ISMO SAIBA MAIS Sobre Fort Worth 16ª maior cidade dos Estados Unidos Foi fundada em 1849 Tem população de 732mil pessoas BILLY BOB’ S: baile, country music, cerveja KIMBELL ART: peças de renascentistas Recebe 5,5milhões de turistas por ano Sabem o que é? Testículos de boi. Eles são servidos empanados e fritos e têm gosto parecido com o de nuggets. Dá para comer, é só não pensar. Havia também pãozinho, bem quente, que fica embrulhado em um pano branco, dentro de um cesto. O sabor é temperado, também surpreende. Como prato principal, o stacked chiken enchiladas with tomatilhos cream sauce (10,95 dólares), também uma especialidade da casa. Duas coisas assustaram: o tamanho da refeição e o da faca. Um molho de frango envolto em queijo derretido, acompanhado por feijão e arroz, mais guacamole, tomate picadinho e salada de folhas. Muito picante. Agora, a faca... Enorme, com cabo de madeira. Nada a ver com as facas de mesa que se usa aqui no Brasil. Dava para matar um touro com ela. É essa a etiqueta lá. Estranho, mas é. Para paladares mineiros, menos acostumados a pratos picantes, a sobremesa foi a melhor parte do almoço. As três opções degustadas – tacos with caramelized 100 banana and chocolat, west texan pie e molten chocolate cake with drunken berries and vanilla cream (qualquer uma a 7,25 dólares) – eram perfeitas. O Reata fica na Sundance Square, uma área da cidade que foi restaurada, dentro dos padrões da estética vitoriana. Saindo do restaurante, vale conhecer o entorno. Lá estão lojas, teatros, museus e galerias. Nem tudo é rústico. Tem também prédios de arquitetura moderna. Um dos espaços interessantes, especialmente para os amantes do velho oeste, é o Sid Richardson Museum. Ele guarda rica coleção de pinturas e desenhos dos artistas Frederic Remington e Charles M. Russel. Ambos nasceram na segunda metade do século 19 e morreram no início do século 20. Na obra dos dois, as cenas típicas dos filmes de faroeste: lindos cavalos, índios em volta de fogueiras, carruagens, batalhas e por aí vai. Mais cultura do velho oeste está na Fire Station Nº 1, um museu de história e ciência. Possui exposição perma- nente com quadros, fotos, utensílios, roupas e outros materiais indígenas e de caubóis, tudo do século 19. Um dos vídeos da mostra é o depoimento de um caubói, Charlie Bell, sobre o Texas daquele período. Tudo é feito com o objetivo de valorizar esse passado do oeste norte-americano. Até casinhas pequeninas reproduzem a arquitetura da época. Fort Worth tem um distrito cultural sofisticado fora da Sundance Square. Nele, estão instituições, como o Kimbell Art Museum, conhecido como o melhor museu de pequeno porte das Américas. Na coleção, peças de Michelangelo e Donatello e antiguidades das culturas de todos os continentes, como peças do império Huari, do Peru, datadas de 600 a 1.000 anos depois de Cristo. Bem perto do Kimbell, está o Amon Carter Museum of American Art, que tem uma das mais importantes coleções de fotografia da América do Norte. Além disso, há esculturas, pinturas, desenhos e ilustrações. São mais de VIVER Abril 6 - 2012 40 mil figuras, desde meados do século 19. O passeio cultural por Fort Worth não é completo se não contemplar a Stok Yards Station, um grande shopping a céu aberto com temática country. Lá estão saloons, arena para rodeio, lojas com produtos típicos, restaurantes. O mais incrível, no entanto, é ver, por volta das 17h30, cavaleiros vestidos a caráter, passando pela larga rua tocando a boiada. É um ritual. Dentre os oito caubóis, uma única mulher. Sim, eles vivem para manter a tradição! E não dá para ir embora de Fort Worth sem conhecer um baile country. A reportagem foi para lá logo depois de jantar no Risckey’s Barbeque. E já dá para imaginar como era o sabor da comida, não? Claro, picante. Em qualquer lugar de comida típica, é preciso cuidado ao fazer os pedidos. O risco de vir algo apimentado é alto. A refeição também foi entre selas, cordas, couro, muita madeira. A porta que dá acesso ao banheiro é daquelas que abrem e fecham com a passagem do corpo entre as duas bandas. Sensações de filme de bangue-bangue em tudo! O baile foi no Billy Bob’s Texas. É onde se vive o Honky Tonk. Isso é um conceito, explica Buddy, o garçom que atendeu a reportagem no Reata. Esse conceito, ele diz, é a mistura de dança, country music, cerveja, festa, bar. “Nada de problemas.” E a vida parece que caminha assim para quem vai à maior casa de Honky Tonk do mundo. Lá, cabem 6 mil pessoas. Há uma pista de dança e, de frente para ela, em um micropalco, um locutor/dançarino passa as coordenadas dos passinhos para os aprendizes. Todo mundo tenta acompanhar. Quem é da klus.com.br terra consegue muito bem. Bom, os de fora... Nem tanto. Depois da aula, o espaço fica livre para os bailarinos mesmo. Casais, crianças, solteiros. Quem sabe dança e curte a noite inteira assim. Os que não são pé de valsa ficam vendo, sentados nos bancos altos, tomando a gelada. Há outras diversões também, como a foto no touro. Você vai lá, paga um valor a partir de 12 dólares e tira foto em cima do touro, com cenário de rodeio ao fundo. Fica pronta na hora e você tem uma bela recordação desse mundo country. É, o western pode não ter vingado no resto do mundo após os anos 1980, mas, em Fort Worth, ele não deixou de existir. Não por acaso ainda hoje a cidade é cenário para produções de filmes do gênero. (*) A reportagem viajou a convite da American Airlines e do Fort Worth Convention & Visitors Bureau É, notícia voa mesmo. Jornal Tudo. Agora também no Aeroporto da Pampulha. Inteligente, rápido e gratuito. Wagner Gomes O nocaute industrial O diagnóstico taxativo foi emitido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), logo na terceira página do último número de sua Conjuntura em Foco: “Não restam dúvidas, também, de que a indústria brasileira enfrenta problemas sistêmicos de competitividade, os quais, por sua vez, limitariam a capacidade de expandir as exportações de seus produtos mesmo no caso de um cenário benigno”. E o próprio Ipea dá, como sua receita para enfrentar esses problemas, a elevação do ritmo de crescimento dos investimentos industriais na economia, desde que essa elevação seja amparada por políticas públicas que criem condições para o aumento desses investimentos, estabelecendo uma estrutura de incentivos direcionados à produção de bens manufaturados para exportação. Essa constatação é robustecida pelo fato de que, entre 2005 e 2011, o peso dos manufaturados em nossa pauta de exportações declinou de 55,1% para 36,0%. Em recente encontro da presidente Dilma com 28 grandes empresários do país – articulado por Jorge Gerdau – houve consenso de que a indústria brasileira perdeu competitividade. Não por outro motivo, Dilma se comprometeu em buscar medidas eficazes de incentivo às empresas, incluindo a expansão do processo de desoneração da folha de pagamento, que hoje contempla apenas 10 setores. Segurar o câmbio, reduzir o custo do capital de giro, ampliando esse financiamento aos níveis compatíveis com a demanda e, sobretudo, enfrentar, de uma vez por todas, os problemas estruturais que alavancam o custo Brasil, tornaram o discurso da presidente palatável aos pesos pesados da economia brasileira. Voltando ao estudo do Ipea, que pode ser lido em sua VIVER Abril 6 - 2012 íntegra no link http://miud.in/1bPU, registramos, ipsis litteris, que “nossa falta de competitividade está relacionada à taxa de câmbio e aos diversos fatores domésticos que afetam os custos de produção e de comercialização do país – como qualidade da infraestrutura, a magnitude e a composição da carga tributária, o grau de qualificação da mão de obra e os níveis de entraves burocráticos, entre outros”. O que o estudo não mostra e que cada vez mais se torna gritante é o fato de que, devido a fatores internos e externos, o empresário tem deixado de investir por uma razão muito simples: sua lucratividade ao final do processo produtivo deixou de ser compensatória. Ademais, estimulada pelo câmbio baixo, uma importação maciça de manufaturados fomentou a febre de consumo por importados, chutando para escanteio a competitividade industrial. Com a perceptível possibilidade de que a economia chinesa venha a ser desacelerada substancialmente, anuvia-se esse cenário. Temos que fugir da política populista, que se alimenta de apelos para que os empresários parem de importar, invistam em novas fábricas na conjuntura atual e criem mais empregos. Para que o desejo do governo, expresso na reunião com o empresariado – que, segundo avaliação do presidente da CNI, Robson Andrade, quer que as empresas brasileiras concorram com as estrangeiras em igualdade – se materialize, ele deverá deixar a retórica e passar à ação, fazendo, efetivamente, sua parte. Caso contrário, a vaca pode ir para o brejo. Wagner Gomes, administrador de empresas 103 C O M P O R TAM E NTO Casamento em Vegas Na onda das cerimônias que fogem dos padrões tradicionais, uma das opções procuradas por brasileiros é a de celebrar na capital mundial do jogo com direito a Elvis Presley no palco, ou melhor, no altar LEO PINHEIRO F oi-se o tempo em que Las Vegas era um reduto de prostituição e jogatina, procurada por jovens norte-americanos e do resto do mundo para realizar suas mais loucas fantasias. Cenário da despedida de solteiro do personagem central do filme Se Beber, Não Case (The Hangover, de 2009), na vida real as 55 capelas da cidade não re104 alizam casamentos entre garotas de programa e turistas acidentais em alto teor alcoólico. Casar em Vegas é uma coisa muito séria igual a qualquer outro lugar do mundo e, como no Brasil, é preciso tirar licença em cartório. Lá existe apenas um, o Clark County Marriage License Bureau, que abre todos os dias das 8 horas até a meia-noite. Com o passaporte, uma testemunha e 55 dólares você sai do local casado em menos de meia hora. A certidão aceita em qualquer capela, no entanto, é válida apenas no estado de Nevada. Para o casamento ser considerado legal no Brasil é preciso que o casal valide o documento no consulado brasileiro de Vegas, ou, assim que retornar VIVER Abril 6 - 2012 Fotos: Divulgação SOLUMAR e Ronald no casamento em Las Vegas: acima das expectativas ao país, o registre em um cartório de sua cidade. Para fazer a renovação de votos é mais fácil ainda. Basta o casal escolher o tipo de cerimônia e correr para os beijos e abraços. Na Viva Las Vegas Wedding Chapel, por exemplo, os preços das cerimônias custam a partir de 260 dólares, incluindo decoração, uma música VIVER Abril 6 - 2012 cantada por Elvis , buquê de duas rosas, 15 fotos, DVD com gravação da cerimônia, cópia da certidão de casamento de Elvis e Priscila, certificado de casamento, e nome do casal no letreiro da capela. Por 400 dólares, o ministro Elvis canta três músicas, a noiva recebe buquê de três rosas, o noivo ganha uma rosa de lapela e as fotografias (dentro e fora da capela) pulam para 24. Com 440 dólares você faz a mesma cerimônia, com direito a ir e vir de qualquer ponto da cidade para a capela em uma luxuosa limusine. A Viva Las Vegas tem outras modalidades de casamento básicas que chegam a custar 777 dólares. Além das celebrações realizadas por Elvis , as mais inusitadas são os 105 CO M P O R TAM E NTO casamentos Havaiano e Star Trek, com direito a fantasia de capitão Kirk ou doutor Spock para o noivo. Mas lembre-se, você está em Vegas, baby. Assim sendo o céu é o limite... Literalmente! Você pode ser casado dentro de um balão, por 1.500 dólares. Se quiser uma experiência mais radical ainda, terá que pagar caro – mas ainda assim mais barato do que uma festa de casamento no Brasil. Por 4.300 dólares é possível se casar no Grand Canyon, sendo transportado de helicóptero. Está incluso no pacote o helicóptero privado para os noivos e mais três convidados por quatro horas e meia, o celebrante, 100 fotos, DVD, limusine para buscar os noivos e convidados no hotel e levá-los de volta, buquê para noiva e flor de lapela para o noivo, um minibufê, champanhe e, até, bolo de noiva. A empresa Maverick Helicopters oferece a opção de a cerimônia ser realizada no pôr do sol, acrescendo 500 dólares no preço do pacote. Das quase 10 mil cerimônias realizadas por mês em Las Vegas, centenas são entre brasileiros que estão de férias nos Estados Unidos. Dentre os que aderiram à novidade estão três casais de Curitiba, que juntos estão escrevendo uma grande história de amor e amizade. Tudo começou em um happy hour no qual o trio Rogério Ferreira, Ronald Borchardt Júnior e André Pinterich fizeram para combinar a primeira viagem internacional em conjunto, depois de quase 20 anos de amizade dos casais. Quando decidiram que o destino seria Las Vegas, os amigos pensaram que era uma ótima oportunidade para Rogério casar, já que ele era o único do trio que ainda 106 CAPELAS Na capital de Nevada, existem 55 capelas ao todo. O maior número per capita do mundo, levando-se em consideração os 2 milhões de habitantes. Dentre elas, as mais famosas são: Q Viva Las Vegas Wedding Chapel www.vivalasvegas.com Q Graceland Chapel www.gracelandchapel.com Q A Little White Chapel www.alittlewhitechapel.com ALUGUEL DE ROUPAS Além dos tradicionais trajes para noivos, padrinhos e damas de honra para aluguel; a maioria das lojas em Las Vegas oferece roupas para o primeiro aluguel, ou seja, que nunca foram usadas antes. Nelas podem-se encontrar vestidos e ternos com a assinatura de grandes estilistas internacionais, como Calvin Klein, Giorgio Armani, John Galliano Duas boas opções para aluguéis de roupas são a Jerry’s Tux Shop (www.jerrystuxshop. com) e a Jeenaleighs (www. jlbridal.com) Q Fantasias: Com acervo de mais de 50 mil fantasias, máscaras e trajes para alugar e vender, a Star Costume & Theatrical Supply é a principal loja de figurinos em Las Vegas. Lá é possível encontrar de vestidos de noiva (usados) à fantasia de princesa Lea (Star Wars), passando pelos tradicionais ternos azul bebê, com camisa de babados e gravata borboleta para os noivos. www.starcostume. yolasite.com Q VIVER Abril 6 - 2012 www.blogdopco.com.br CO M P O R TAM E NTO Fotos: Divulgação Em 2012 é a vez do terceiro casal, André e Helaine Pinterich, renovarem os votos, combinam os amigos. “A cerimônia com o Elvis foi sensacional. Ele é extremamente performático, além de ter dito as palavras que esperamos ouvir em um casamento”, diz André, adiantando a sua escolha pela mesma capela e ministro que realizou a cerimônia dos casais amigos. Para muitos nubentes brasileiros a viagem de casamento a Las Vegas é uma opção divertida, prática e barata em relação às festas realizadas no Brasil. Pelo preço de uma recepção apenas razoável, o casal realiza o casamento fora do país e ainda paga a lua de mel. Na cidade pela segunda vez, o ator Airam Pinheiro, acaba de decidir se juntar ao ROGÉRIO E VALDELÂNIA FERREIRA: cerimônia realizada por sósia de Elvis em Las Vegas: time dos que em Vegas por amor, não tinha oficializado a união no cativou a todos.” paixão, emoção e conscientes da O casamento de Rogério e Val- seriedade da resolução. “Vale a Brasil. A partir de então, Rogério, que delânia, em abril de 2010, transfor- pena casar em Vegas por ser uma vive com Valdelânia Ferreira há 20 mou os amigos Ronald e Solumar coisa diferente e inusitada. É dianos, começou a idealizar uma ce- de expectadores a protavertido, mas pode ser rimônia tipicamente de Vegas, ce- gonistas desta história. luxuoso também. Finanlebrada por um sósia de Elvis, com Casados de papel passaceiramente vale muito a limusine, champanhe e tudo o que do há 25 anos, com direipena. Você pode passetinha direito. “Sempre tive muito to a cerimônia religiosa e ar, casar e ter uma lua de NÚMERO fascínio pelo Elvis, provavelmente festa para muitos amigos mel, tudo junto, por muiinfluenciado pelos meus pais que e parentes, o casal se emto menos do que gastaria Das quase eram fãs. Quando surgiu a viagem a polgou tanto com a atuapara realizar a cerimônia Vegas, essa ideia já surgiu em minha ção do Elvis que celebrou aqui no Brasil”, diz Airam. cabeça, mas não sabia se seria sim- o casamento dos amigos Para ele, a única desples ou mesmo se iríamos nos em- que resolveu comemorar vantagem é não poder cerimônias polgar em realizar este sonho sem a as bodas de prata na mesconvidar todos os famirealizadas família”, recorda Rogério. ma capela (Viva Las Vegas liares e amigos. Porém, por mês em Ele lembra que, apesar das dúvi- Wedding Chapel) e com o segundo o ator, que vive Las Vegas, das e da pressa, a celebração de seu mesmo ministro. com Renata Gutierres há centenas são de Então, Ronald e Solucasamento superou todas as expecbrasileiros sete anos, isso não será tativas dele e sua esposa, e manteve mar fizeram a renovação empecilho. O casal, que o encanto de um casamento formal de votos. A cerimônia do ano passado viajou por na Igreja Católica, no Brasil. “Foi sim, no entanto, teve um grande di- um mês a Los Angeles e Las Vegas, melhor do que imaginávamos. A ca- ferencial para ambos: a presença de faz planos de voltar a Nevada nespela, embora escolhida às pressas, seus quatro filhos. “Entrar na cape- te ano para se casar na presença, é linda, exatamente como gostarí- la de braços dados com meu filho ao menos, de pais, filhos, enteados. amos que fosse. E como prêmio- foi um momento único! Ele estava “Estão todos convidados! Contan-surpresa escolhemos um Elvis que com muito orgulho em me entregar to que cada um pague a sua passatambém era ministro, cuja simpatia ao pai dele”, emociona-se Solumar. gem”, brinca o ator. 10mil 108 VIVER Abril 6 - 2012 Fred Pontes S H OW Axé ecológico Festival de música baiana na Grande Belo Horizonte levanta a bandeira verde para conscientizar os micareteiros FERNANDO TORRES A onda verde contagiou o axé. Com atrações como Ivete Sangalo, Cláudia Leitte e Alexandre Peixe, a 14ª edição do festival Axé Brasil 2012 aposta na bandeira ecológica para agitar mais de 80 mil micareteiros. “Nosso objetivo é orientar e sensibilizar os jovens a valorizar a responsabilidade social”, diz o diretor da DM Produções, Léo Dias, responsável pela festa da música baiana, que acontece na Cidade da Folia (Mega Space), em Santa Luzia, na região metropolitana. 110 A micareta está marcada para 13 e 14 de abril, mas os projetos de conscientização começaram bem antes. Toda a estrutura do evento está sendo feita com materiais reutilizáveis, como latas de alumínio, pneus e garrafas PET. Ao trocar os ingressos por abadás no Shopping Cidade, no centro, o público poderá levar pilhas e baterias usadas e descartá-las sem prejudicar o meio ambiente. Para chegar ao Mega Space, nada de usar automóvel particular: o Axé Brasil fez parceria com a em- presa Me Leva Folia, que oferece ônibus executivos e vans que saem de vários pontos da capital. “Além de diminuir o tráfego de carros e a poluição, também vamos evitar que as pessoas dirijam alcoolizadas no retorno”, antecipa Dias. As ações sustentáveis também incluem reciclagem do lixo, uso de gerador menos poluente e cálculo de emissão de gases causadores do efeito estufa. “O resultado será convertido ao plantio de árvores em Santa Luzia para compensar o VIVER Abril 6 - 2012 FESTA Confira as principais atrações DIA 14 Q Cláudia Leitte Q Alexandre Peixe Q Tomate Q Psirico Q Asa de Águia Q Tuca Fernandes DIA 13 Q Ivete Sangalo Q Banda Eva Q Cheiro de Amor Q Chiclete com Banana Q Parangolé Q Timbalada Rafa Mattei Fred Pontes PLATAFORMA VERDE Ações sustentáveis do Axé Brasil 2012 Ênfase na divulgação eletrônica, para economia de papel Q Descarte de pilhas e baterias na troca do ingresso pelo abadá Q Transporte coletivo Me Leva Folia e carona solidária Q Coleta e separação de lixo Q Recolhimento e reprocessamento de óleo utilizado nos alimentos Q Cálculo de emissão de CO² e plantio de árvores de acordo com o resultado Q Espaço cenográfico Rua da Sustentabilidade Q SERVIÇO Q Axé Brasil 2012: de 13 e 14 de abril, na Cidade da Folia (avenida das Indústrias, 3.000), Santa Luzia VIVER Abril 6 - 2012 Q Ingressos: de R$ 90 (pista) a R$ 340 (Camarote Contigo!). O acesso aos dois dias vai de R$ 150 (pista) a R$ 590 (Camarote Contigo!) impacto ambiental causado pelo evento”, aponta. Os próprios artistas estão empenhados com o apelo ambiental da micareta. “A ideia de passar a mensagem da sustentabilidade durante o show é muito boa. E pode ser feita de forma simples, como vestir uma camiseta sobre o tema para suscitar o debate”, aprova o cantor e compositor Alexandre Peixe, que se apresenta no dia 14. Em seu Twitter, o músico também dá o recado ecológico aos quase 50 mil seguidores. “Recentemente, tuitei sobre a poluição na praia da Barra, em Salvador, e alertei a galera para não poluir o meio ambiente”, conta. Outra ação diferenciada do Axé Brasil é a Rua da Sustentabilidade. A atração, espécie de espaço cenográfico, vai montar um quarteirão onde tudo convive em harmonia. Canteiros bem cuidados, arborização, separação das cestas de lixo e frases que remetem à preservação ambiental são algumas das instalações artísticas, realizadas pelas cooperativas de reciclagem, como a Asmare. Mas de nada adiantam todas essas ações se os foliões não aderirem à onda verde. “Admito que não tenho muitas atitudes sustentáveis no dia a dia, mas a festa é o gancho para rever muitos conceitos de ecologia e passar a contruibuir para o meio ambiente”, raciocina o estudante universitário Eduardo Saraiva, 22. Fã de música baiana há 10 anos, ele frequenta o Axé Brasil desde 2005, com sede ainda no Mineirão, e já viajou para micaretas regionais em várias cidades mineiras, como Lavras e Divinópolis. Este ano, o micareteiro vai marcar presença nas duas noites no Camarote Contigo!, com a namorada Luana Alves, 25. “Não dá para escolher só um dia. A música baiana tem uma energia incrível, me motiva para aguentar o tranco do dia a dia.” 111 Foi a sua curiosidade que nos fez chegar até aqui. Jornal O TEMPO - 15 anos. otempo.com.br LIGUE E ASSINE: (31) 2101-3838 MÁRCIA QUEIRÓS ALESSANDRA VALENTE Trinta anos da Vide Bula Quem viveu a juventude nos anos 1980, na certa, vestiu ou sonhou com uma roupa da Vide Bula, a grife mineira que encantou Cazuza e Rod Stewart, no primeiro Rock in Rio, em 1985. O mercado da moda deu reviravoltas, sobretudo com o surgimento de novas marcas, mas a Vide Bula se mantém firme. Completa em outubro três décadas de história. Dos antigos proprietários, Giáco114 mo e Roberta Lombardi, a marca passou em 2009 para as mãos do grupo têxtil PW Brasil S.A., presidido pelo empresário Paulo Vieira. “A fábrica funciona em Colatina, Espírito Santo, mas o DNA é mineiro”, garante o diretor comercial Clovis Cezario, que coordena, em Belo Horizonte, a Casa de Moda e Cultura da Vide Bula. O espaço, no Santo Antônio, além de ponto de vendas de atacado, conserva Victor Schwaner acervo com roupas que marcaram a história da Vide Bula. A grife conta hoje com 1.200 pontos de vendas em todo país e duas lojas próprias – uma no BH Shopping, na capital mineira, e outra em Vitória. Mas os planos são mais ambiciosos para 2012. “Vamos abrir mais quatro lojas em BH e inaugurar uma rede de franquias”, avisa Cezario. O investimento será de 25 milhões de reais. VIVER Abril 6 - 2012 Joias de encantar Nélio Rodrigues A joalheira Rosália Nazareth brindou com as clientes, no dia 29 de março, o lançamento da coleção de joias outono-inverno 2012. Colares longos, com mix de pérolas nobres, em várias tonalidades, ou aqueles bem chegadinhos no pescoço com esmeraldas, rubis e turmalinas Paraíba, marcam a nova coleção. “Trabalho sempre com pérolas. E cada vez mais elas vêm encantadoras na minha coleção, em colares longos e detalhes em pedras para dar um tom menos clássico”, diz Rosália. Outro must da coleção são grandes anéis e as pulseiras com balangandãs e as rivieras coloridas, bem ao gosto das brasileiras. “Procuro seguir a tendência mundial, mas tento ser assertiva com o gosto das clientes. Afinal, joais são feitas para encantar”, conclui. Divulgação Palco solidário O espetáculo Morte e Vida Severina volta em cartaz no dia 13 de abril, no Teatro da Cidade, com uma ação do bem. Toda a renda da reestreia será doada ao Hospital da Baleia, instituição filantrópica referência no estado. “A parceria prevê a sensibilização dos artistas para que conheçam a luta pela vida e dignidade empreendida há décadas na Guto Muniz instituição e possam contribuir com o hospital”, diz o diretor do espetáculo, Pedro Paulo Cava. Diretora presidente do Baleia, Tereza Guimarães Paes, agradece. “Vamos destinar os recursos ao projeto de radioterapia, que dará tratamento integral a pacientes com câncer. É um presente do Pedro Paulo, pois a peça é de grande beleza, uma forma de convidar novos parceiros para o hospital”, afirmaTereza. Os ingressos podem ser adquiridos na Associação dos Amigos do Baleia. VIVER Abril 6 - 2012 115 Nos pés Brinde ao Lucas Nélio Rodrigues Pedro Vilela A diretora de marketing do grupo Equipage, Joana Mourão, está com novidades nas prateleiras. Ela acaba de lançar a coleção outono-inverno da marca Capodarte, que traz a amazona Luiza Almeida como garota propaganda. “Foi tudo inspirado em hipismo. Muita bota e cores que remetem ao mundo equestre”, diz a moça, que lançou também a revista Capodarte. Divulgação O restaurateur Antônio Edmar Roque celebra os 50 anos da Cantina do Lucas, no edifício Arcângelo Maletta, conhecido não apenas pela gastronomia, mas como reduto de artistas e intelectuais. Sorteios de viagens, souverniers e lançamentos gastronômicos integram as comemorações. A casa deverá inaugurar também um busto em homenagem a seu Olympio, imortalizado no Guiness Book como o garçom que permaneceu por mais tempo em atividade no Brasil. Edmar Roque, que adquiriu a cantina em 1983, diz que sua felicidade é ter percebido a importância do Lucas. A casa é tombada pelo Patrimônio Histórico e Cultural de BH. “Na época tiveram receio que não fosse gostar. Pelo contrário, me posicionei firme para manter o espaço viável, pois faz parte da memória afetiva de BH.” 116 Rodeio na rede social O Pedro Leopoldo Rodeio Show, um dos maiores eventos do gênero do país, que acontece de 6 a 10 de junho, já está bombando no mundo virtual. Um mês após o lançamento, na rede, a página da festa no Facebook contava com 17 mil seguidores. No Twitter, havia mais de 1,5 mil ligados nas novidades do Pedro Leopoldo Rodeio Show 2012, entre eles famosos como Gusttavo Lima, Fernando & Sorocaba, Fred & Gustavo, Jammil e os DJs Fatduo. “As redes sociais se tornaram ferramentas fundamentais na divulgação e promoção do Pedro Leopoldo Show. As mídias sociais são reflexo real do que é o evento. Se os comentários são positivos, é bom sinal”, diz Tiago de Brito, presidente da Rope Eventos, empresa promotora do rodeio. VIVER Abril 6 - 2012 Plotagem em alta Pedro Vilela Marcelo Cravez (à esq.), dono da Viniltec, acaba de voltar de uma feira de comunicação visual nos EUA e arruma as malas para outra, em maio, na Alemanha. Motivo: vai em busca de novidades, sobretudo de plotagem de veículos. “Estamos capacitados e temos tecnologia de ponta. Usamos tintas ecológicas, por exemplo”, diz. Ele afirma que a procura por serviços de personalização de carros cresceu e tende a se expandir mais com a chegada das eleições, já que são proibidos outdoors de campanha. Na foto, Marcelo com o gerentegeral da empresa, Tiago Cruvinel. Tramas femininas Em visita a Tiradentes, para participar do festival de fotografia Foto em Pauta, a fotógrafa Déia Quintino se encantou com outra arte. “Conheci os xales da artesã Paula Spivak e não me contive em fazer um ensaio”, conta. O resultado é uma exposição, na loja da própria Paula, de imagens das tramas com as várias faces femininas. “Mostro a mulher pura, oculta, misteriosa e elegante, que existe dentro de nós.” Divulgação Bate-papo com Tutti Maravilha POR MÁRCIA QUEIRÓS Nélio Rodrigues Saudades de Elis Nos anos 1970, a cantora Elis Regina veio várias vezes incólume para Belo Horizonte. “Ela chegava de óculos escuros e peruca para encontrar amigos, como o escritor Roberto Drummond. Gostava de caipirinha e do restaurante Verde Gaio, em Lourdes. Tomava porres homéricos”, lembra o jornalista mineiro Tutti Maravilha, amigo e exprodutor de Elis. A amizade e a saudade da Baixinha, como ele se refere à cantora gaúcha, são tão grandes que Tutti executa no seu programa diário, na rádio Inconfidência, duas músicas de Elis. O programa Bazar Maravilha completa 25 anos e a cantora gaúcha deixou a vida há 30. Para marcar as datas, Tutti prepara série de atrações. Não à toa, ele foi escolhido para apresentar, dia 8 de abril, o show em que Maria Rita presta homenagem à mãe, Elis, no parque das Mangabeiras, em Belo Horizonte. Leia a seguir: 118 Como você conheceu Elis? Foi em 1972 por meio do irmão dela, o Rogério, que fazia o som do grupo Quinteto Violado. Eu cuidava da produção e disse a ele que era aficionado pela Elis. Algum tempo depois, o Rogério me ligou dizendo que estava trabalhando com a Elis e que ela gostaria de fazer um show em Belo Horizonte. Fiz o trabalho de produção aqui por uma semana e depois fui passar um fim de semana na casa da Elis em São Paulo. Aí ficamos juntos para sempre. Foi trabalhar em São Paulo? Sim. Fui morar na casa dela e montar um espetáculo. Fiquei lá por um ano e meio. Acompanhava Elis em tudo, desde a compra dos vestidos para os shows. Tínhamos quatro anos de diferença de idade e descobrimos o mundo juntos. Ela chegou a dizer para o escritor Roberto Drummond que gostaria que eu fosse um perfume na bolsa dela. Como foi a convivência com Elis? Elis era dona de casa, como qualquer outra. Na época, o filho mais velho, João Marcelo Bôscoli, tinha quatro anos, o segundo, Pedro Mariano, havia acabado de nascer e a Maria Rita nem existia. Elis adorava cozinhar. Fazia uma lula maravilhosa e até o arroz dela era gostoso. Lavava roupas e cuidava da gente: o marido, César Camargo Mariano; o irmão, Rogério; e eu. Fui a única pessoa fora da família dela que morou em sua casa. Depois, ela me ligava sempre após todos os shows que fazia, até no exterior. Me ligava de madrugada e já sabia que era ela. Contam que era temperamental. É verdade? Saquei que ela ficava na defesa, porque começou muito nova, foi muito explorada no início da carreira. Por isso, tinha muito cuidado. Era, na verdade, muito profissional. Chegava ao teatro duas horas antes de começar o espetáculo, para ver se estava tudo legal e relaxar. E cobrava qualidade dos músicos. Era perfeccionista e sou um pouco graças a ela. Reclamava, mas daí a pouco estava beijando. Como serão as comemorações dos 25 anos do seu programa? Meu projeto foi aprovado na Lei de Incentivo à Cultura estadual e estou em busca de patrocínio para lançar programas ao vivo de calouros. Quero reviver o rádio antigo. Desejo fazer também uma exposição de fotos e discos autografados, pois meu programa lançou muita gente bacana, como Skank, Uakti e Patu Fu. Em 17 de março, fiz um programa especial em homenagem a Elis. O Bazar Mulher Maravilha, em que mineiras cantaram músicas de Elis. Foi lindo. Meu programa há anos fica entre os primeiros em maior índice de audiência, das 14h às 16h. Temos ouvintes até no exterior. VIVER Abril 6 - 2012 O quê 6Lançamento Onde 6Brasília Para coroar o sucesso de sua estreia na literatura, Paulo Cesar de Oliveira escolheu Brasília, cidade onde fez muitos amigos ao longo de sua carreira de jornalista, para lançar seu livro autobiográfico Minha Palavra (editora José Olympio). Autoridades e figuras ilustres dos meios político, empresarial e social da capital federal, além da grande colônia mineira, foram prestigiar no restaurante Carpe Diem a noite de autógrafos do autor, que já pensa em um segundo livro. Fotos: Paulo Lima 6 PCO e Luiza Lanna 6 Ivan Trilha, PCO, Garibaldi Alves e Gustavo Cesar de Oliveira 6 Paulo Tarso Flecha de Lima e Mara Amaral 6 Robson Andrade e Marcos Montes 6 Renato Riella e Márcia Lima 6 José Braz, Renzo Braz e Sinval Ferreira 120 6 Walter Alvarenga, Toninho Pinheiro, Bernardo Vasconcelos e Fernando Coura 6 Bernardo Antunes, Renato Bernardes e Marcelo Amaral 6 José Carlos Neto, Reginaldo Arcuri e José Maria Tolentino VIVER Abril 6 - 2012 6 Tatiana dos Mares Guia e Jack Corrêa 6 Joel Araújo e Eugênio Andrade 6 Eduardo Fernandez e Luiz Cascão 6 Celso Martins e Moema Leão 6 Marcelo Chaves e Marco Aurélio Costa 6 Déa e Carlos Murilo Felício dos Santos 6 Glorinha Malta e Gláucia Gussoni 6 Paulo Paiva e Maria Tereza de Fátima 6 Gilberto Amaral e Ivan Trilha VIVER Abril 6 - 2012 6 PCO, Rosália e Lourenço Peixoto 6 Heloísa e João Marques 6 Carlos Lindenberg e Vítor Penido 121 O quê 6Lançamento Onde 6São Paulo Depois do sucesso das noites de autógrafos no Rio de Janeiro e Belo Horizonte, o jornalista mineiro Paulo Cesar de Oliveira, diretor-geral da VB Comunicação, movimentou a Livraria da Vila, na capital paulista, com o lançamento de sua autobiografia Minha Palavra, pela editora José Olympio. Fartamente ilustrada com fotografias, a obra reúne depoimentos de familiares e amigos e histórias pessoais vividas por PCO, que está completando 50 anos de jornalismo. Fotos: Conrado Ferrato 6 Vera Arantes Campos e Luiza Lanna 6 PCO e Orlando Marques 6 PCO, Nelson e Adriana Oliveira 6 PCO e Helton Freitas 6 Josué Augusto Pancini 6 PCO e Christina Carvalho Pinto 6 André de Almeida e Iky Montealegre 6 André de Almeida, PCO e Luiz Carlos Trabuco 122 6 PCO e Karen Marraccini VIVER Abril 6 - 2012 6 Equipe Robb Report 6 PCO e Guilherme Afif Domingos Alexandre + Cristina Lima Fotografia 6 Ana Lúcia Ventorim 6 PCO e Luiz Cuin 6 PCO e Cíntia Carvalho 6 Ivan Cenci 6 PCO e Aparecida Liberato VIVER Abril 6 - 2012 De petit comités a grandes comemorações. (31) 2127.7000 | www.flambart.com.br Av. Contorno, 7461 . Lourdes . Belo Horizonte O quê 6Casamento Onde 6Far East Emporium A advogada mineira Isabela Dolabella Andrade casou-se com o paulista Fernando Fatureto Pucci em bonita cerimônia na igreja de São José, ao som do coral Del Chiaro, de São Paulo. Depois, ao lado de seus pais Eliana e Pedro Gustavo de Andrade, Maria Antônia e Francisco Pucci Neto, os noivos brindaram a união com os 400 convidados em alinhada recepção, com bufê assinado pelo chef Cantídio Lanna e fundo musical com a cantora de jazz Maíra Labanca e banda. Fotos: Tião Mourão 6 Isabela Dolabella Andrade e Fernando Fatureto Pucci 6 Eliana e Pedro Gustavo de Andrade, Isabela e Fernando, Maria Antônia e Francisco Pucci Neto 6 Fernando e Isabela ladeando Maria Regina Lanna Dolabella 6 Francisco e Isabela com os irmãos do noivo: Maria Antônia, Flávio e Marcelo Fatureto Pucci 6 Rosana e Ronan Horta 6 Fernanda Dolabella, Bernardo Dolabella Andrade e Marina Dolabella 6 José Luiz dos Mares Guia e Tatiana Pinheiro, Ray Tamm e Fifina 6 Vanessa, Fernando Lopes e Eduardo Ferreira Alves 124 6 Glória Lanna, Júlia Lanna, Maria de Lourdes Lanna e Antônio Anastásio 6 Sílvia e Cristiana Lanna VIVER Abril 6 - 2012 O quê 6Confraternização Onde 6Bairro Sion Solange Sampaio abriu sua bonita cobertura para uma noite de confraternização em torno de turma superanimada de Itabirito. Depois do show da banda Gárgulas no primeiro andar do apartamento, os convidados subiram para a cobertura com vista privilegiada para a cidade e a festa continuou sem hora para terminar sob o comando de um DJ. Fotos: Uarlen Valério Para os melhores momentos da vida 6 Ângela Andrade, Marco Aurélio Drumond, Leila e Bernadino Magalhães 6 Geraldo e Ângela Sardinha e Solange Sampaio 6 Maura e Juarez Alvarenga 6 Antônio Carlos Moreira e Glória Gil VIVER Abril 6 - 2012 6 Agostinho Magalhães, Solange Sampaio e Mariza Horta Rua Jacuí, 2060 - BH MG - 31 3444-8133 www.luzziabuffet.com.br O quê 6Inauguração Onde 6Bairro da Serra 6 Paula Paleta, Lea Alkimim, Maria Aparecida Paleta As sócias Maria Thereza, Lea Alkimim Souza e Cláudia Gama promoveram coquetel de inauguração do showroom da Leclanté Pâtisserie, uma casa especializada em doces finos e exclusivos, feitos sob encomenda e com ingredientes de primeira qualidade. A responsável pela criação dos doces é a sócia Maria Thereza, pâtissier com curso no Le Cordon Bleu de Paris. A produção do coquetel foi da Nouveau. Fotos: Tião Mourão 6 Marco Antônio Rocha Souza, Lea Alkimim, Rosália Mendonça e Ricardo Rocha Souza 6 Eduarda Cortez Mourão e Daniela Portela O quê 6Kart Onde 6Vespasiano 6 Caroline e Alexandre Siffert, José Eustáquio e Pedro Greco 6 Mariana Reis, Letícia Zica, Camila Magalhães e Marcela Carvalho 6 Letícia Bhering, Letícia Nelson de Senna e Consuelo Máximo Os motores roncaram na pista do Kartódromo RBC Racing com a realização do GP Nacional de Kart, promovido pela RBC Preparações de Motores, com supervisão da Federação Mineira de Automobilismo. Pilotos de todo o país participaram das corridas. O campeonato teve o patrocínio da Honda, Iame, RM Racing Events, ART, Birel, CRG, Kart Mini, Techspeed, Thunder, MG Tires, Ipiranga, Motul e Mega Kart. Fotos: Uarlen Valério 6 Rafael Cançado e Rodrigo Piquet 6 Guildner e Yuri Carvalho 6 Rafael e Lúcio Cançado 126 6 Vitória, Túlio Pires, Ana Florença 6 Mel e Leonardo Lanza VIVER Abril 6 - 2012 O quê 6Aniversário Onde 6Em Lourdes No Patuscada, deliciosas combinações de frutos do mar, peixes e bacalhau. A bem relacionada Nathália Pettersen escolheu a Speciali Pizza Bar para comemorar com uma turma de amigos e familiares o seu aniversário. Muita gente conhecida passou por lá para abraçar a aniversariante e curtir a noite regada a pizza, chope gelado e muita animação. Fotos: Tião Mourão 6 Hermano Pettersen, Cacilda Moreira, Nathália e Patrícia Pettersen 6 Flávia Rocha e Sérgio Pereira 6 Mariana Gontijo, Luciana Rennó e Geórgia De Lacqua 6 Roberta Coelho, Olívia Fialho, Fernanda Bacha e Nathália Pettersen VIVER Abril 6 - 2012 Mondodesign MargaretMarinho 6 Nathália Pettersen, Carolina Robson e Ricardo Rezende Av. Bernardo Monteiro, 1548 Funcionários BH Reservas 31-32139296 Serviço de manobrista www.patuscada.com.br O quê 6Posse Onde 6Alphaville Lagoa dos Ingleses O professor Wagner Furtado Veloso tomou posse na presidência executiva da Fundação Dom Cabral (FDC) durante almoço anual do conselho curador da instituição. Ele substitui o professor Emerson Almeida, que assumiu a presidência da recém-criada diretoria estatutária. No evento foi apresentada a trajetória dos 35 anos da FDC. Participaram do encontro o governador Antonio Anastasia, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, além de empresários e gestores públicos. Fotos: Tião Mourão 6 Marcio Lacerda, Henrique Salvador Silva e Angela Gutierrez 6 Emerson Almeida, dom Serafim Fernandes de Araújo e o prefeito Marcio Lacerda 6 Emerson Almeida, governador Antonio Anastasia e Wagner Furtado Velloso 6 Abílio Santos, Ângela Alvarenga e Ivan Ribeiro 6 Roberto Luciano Fagundes e Wagner Velloso 128 6 Lázaro Luiz Gonzaga, Emerson Almeida e Sílvio Nazaré 6Roberto Muller, Sônia Hess e Murilo Araújo 6 Sílvio Nazaré, Carlos Alberto Teixeira de Oliveira, Jacques Gontijo e Sérgio Bruno Zech Coelho 6 Milton Viana Dias, Emerson Almeida, Romeu Scarioli e Ítalo Gaetani 6 Emerson Almeida, Wagner Velloso e dom Serafim Fernandes de Araújo 6 Rodrigo Palhares Guerra, Miguel Safar, Elismar Álvares e Alberto Soares 6 Ricardo Siqueira e Carlos Lindenberg VIVER Abril 6 - 2012 O quê 6Entrega das chaves Onde 6Ilustríssimo O grupo português Design Resorts, à frente o empresário José Miguel Martins, fez a entrega das chaves do Hípica Reserva Real, o primeiro condomínio a ficar pronto no empreendimento residencial de luxo Reserva Real, que está sendo construído em Jaboticatubas, no Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Com toda a infraestrutura urbana concluída, o condomínio contará também com um centro hípico completo, megaestrutura de comércio e campo de pouso e decolagem. Fotos: Tião Mourão 6 José Miguel Martins e Adriana Guedes 6 José Miguel Martins e Celestino Cardoso 6 Geraldo Marques, José Orlando, Luiz Malto Faria, José Miguel Martins e Carlos Roberto 6 Luiz Caldas, Fernando Antunes e Ronaldo Oliveira 6 Ernani Campos, Mauro Abreu, comandante Edson Myrha e comandante Paolielo 6 Bráulio Quintino e Juliana, Rodrigo Ratton e Manuela 6 Marcos Rabello, Ana Cristina Lara, Juliene 6 Leonora Bernardi e Eduardo Dias e Sérgio França e Ana Carolina Pessoa VIVER Abril 6 - 2012 6 Oscar Ferreira, Rogério Gontijo e Ana Amélia, Andréa e Ariano Cavalcanti e Rodrigo Capanema 6 Alexandre Carneiro, Ana Engler, José Miguel Martins, Rita e Paulo Carneiro 6 Marcelo Terra, Janeth Valnegri, Magdi Schaat e Liliane Carneiro Costa 129 Carlos Lindenberg O caso do senador Demóstenes Torres As acusações contra o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), contidas em investigações da Polícia Federal, pegaram o Senado de surpresa. Ninguém poderia supor que o senador, até então um arauto da moralidade pública, pudesse prevaricar e muito menos juntar-se a um contraventor da estampa do sr. Carlinhos Cachoeira, seu aparentemente sócio em Goiás. É de lembrar que o senador goiano se destacou, por exemplo, como um dos principais algozes do peemedebista Renan Calheiros, assistindo com aplauso a sua queda da presidência do Senado. Por ironia, cabe agora a Renan Calheiros ser uma espécie de tábua de salvação do senador goiano, graças a sua influência na casa. Quem poderia imaginar o sempre elegante e loquaz senador Demóstenes Torres, um ex-promotor de Justiça, passando de acusador a réu? As acusações contra Demóstenes Torres são, de resto, graves. É de se dar ao parlamentar de Goiás o benefício da dúvida, desde que o processo a que responderá no Supremo Tribunal Federal sequer começou. Mas a essa altura o mesmo castigo que foi imposto a Renan é dado também a Demóstenes Torres – a exposição da mídia. Desse açoite ninguém escapa, ainda que mais adiante se conclua que o castigo foi injusto ou além da conta. O senador Demóstenes foi grampeado por tabela meses a fio. Na verdade, a Polícia Federal gravava o contraventor Carlinhos Cachoeira quando o senador caiu na rede. Os dois travaram horas e horas de conversas dos mais variados tipos, ao que se diz. Muitas delas falando de dinheiro, cifras altas. Numa delas, o senador, até então líder do Democrata, pedia a Cachoeira para pagar um voo de táxi aéreo. Noutra 130 pedia dinheiro emprestado ou algo equivalente e em determinado momento obteve-se o registro de que o senador Demóstenes, ao casar-se, depois de um tratamento para perda de peso, recebeu presentes valiosos do contraventor, de quem se confessa amigo – como se fosse absolutamente normal, aceitável, que um senador da República tenha na sua roda de amizades um contumaz descumpridor das leis. As coisas não param ai. O senador foi presenteado e fez uso de um sistema de telefonia cuja configuração não se faz no Brasil, mas no exterior – um sistema ilegal, portanto, vejam só, de uso de um senador da República. Fez bem o Democratas em destituir o senador goiano da liderança do partido no Senado, ainda que a troca tenha sido negociada. Fez bem o PSol em pedir o enquadramento de Demóstenes Torres no Conselho de Ética e melhor fez, ainda que com atraso, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que o Supremo investigue o senador por Goiás. E tudo isso quando se imaginava que o que deveria ser visto já havia sido visto no Senado. Coube ao senador Demóstenes Torres mostrar que a casa é inesgotável na sua capacidade inventiva. E com requintes. Quem poderia imaginar o sempre elegante e loquaz senador Demóstenes Torres, um ex-promotor de Justiça, passando de acusador a réu? Quando Renan Calheiros poderia imaginar que a qualquer tempo seu algoz de três ou quatro anos atrás iria à sua procura em busca de salvação para seu mandato? Provavelmente, jamais. Mas aí estão Demóstenes e Renan, juntos. O episódio patrocinado pelo senador goiano impele o Senado a não tergiversar na aplicação das penas mais duras a tantos quanto Demóstenes por ventura forem encontrados no exercício do mandado. Mas sem dúvida, em se tratando de quem era, o paladino da seriedade e da honradez, o espanto do país foi maior. E sua ira não deverá ser menor na punição do falso moralista. Carlos Lindenberg, jornalista VIVER Abril 6 - 2012 /DQ§DPHQWR 8VHHRIXVTXH 0800 884 0800 ODFTXDGLŹRULFRPEU solution