10 UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DA NATUREZA DEPARTAMENTO DE GEOCIÊNCIAS CURSO DE GEOGRAFIA DIAGNÓSTICO GEOGRÁFICO DO MUNICÍPIO DE OURO VELHO - PB Paulo Jorge Fernandes Freitas João Pessoa – Paraíba 11 Junho de 2007 12 Paulo Jorge Fernandes Freitas DIAGNÓSTICO GEOGRÁFICO DO MUNICÍPIO DE OURO VELHO - PB Monografia apresentada ao Curso de Geografia da Universidade Federal da Paraíba, como requisito para obtenção do grau de bacharel em geografia. Orientador MS Paulo Roberto de Oliveira Rosa João Pessoa – Paraíba Junho de 2007 13 FREITAS, Paulo Jorge Fernandes. Diagnóstico geográfico do Município de Ouro Velho-PB FREITAS, Paulo Jorge Fernandes. João Pessoa - PB. UFPB, 2007. Monografia (Graduação em Geografia) Centro de Ciências Exatas e da Natureza. Departamento de Geociências. Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa – Campus I. 14 Paulo Jorge Fernandes Freitas DIAGNÓSTICO GEOGRÁFICO DO MUNICÍPIO DE OURO VELHO - PB Monografia apresentada ao Curso de Geografia da Universidade Federal da Paraíba, como requisito para obtenção do grau de bacharel em geografia, aprovada pela seguinte banca examinadora: ______________________________________ Prof. Ms. Paulo Roberto de Oliveira Rosa Orientador _______________________________________ Ms. Geóg. Maria José Vicente de Barros Examinador – Profissional - CREA ________________________________________ Ms. Geóg. Pablo Rodrigues Rosa Examinador – Profissional - CREA Aprovada em: _____/_____/_____ 15 16 A os meus pais, A ntônio Fernandes e a M aria de Lourdes pela m inha form ação e pelo sacrifício que não se im portaram suportar por seus filhos V aléria, V anúzia, Paulo Jorge e V inícius, carinhosam ente dedicam . 17 18 Agradecimentos O meu orientador, Professor Paulo Roberto de Oliveira Rosa, pelo apoio e dedicação constantes. Os meus amigos e colegas: Elvis Jácome e a Maria Barros, pelo o voto de confiança e auxílios prestados. À minha prima Stela pelo o companheirismo. À Universidade Federal da Paraíba e a todos que propiciaram a concretização deste trabalho. 19 20 Nunca ande pelos caminhos já traçados, pois, eles só o leva onde os outros já chegaram. Albert Einstein Resumo A preocupação com a questão administrativa dos municípios está cada vez mais ligada à questão de um estudo aprimorado do meio natural. Desta forma nota-se a carência por parte dos gestores de um conhecimento acerca do território a ser gerido. Esse trabalho teve por objetivo realizar um diagnóstico do município de Ouro Velho. Ouro velho localiza-se na porção ocidental do cariri paraibano e se destaca pelas potencialidades que possui e que podem ser desenvolvidas. Para tanto foram necessários levantamentos bibliográficos e de campo. Apartir de então se verificou que Ouro Velho possui um potencial bem diversificado tendo destaque a pecuária, de onde pode se expandir através da cadeia produtiva do leite tanto do rebanho bovino quanto do caprino que se estende desde a produção de laticínios derivados do rebanho sendo desenvolvidos no município onde se inicia princípios de industrialização. Além disso, há um vasto espaço para a avicultura que é realidade dispondo de tecnologia de ponta. Quanto à cultura que se desenvolve todo um processo histórico e político que chega a se relacionar como meio e as características de povo, o que se destaca na região por meio do Índice de Desenvolvimento Humano - IDH. A partir do diagnóstico, os gestores podem verificar quais os pontos precisam de maior atenção para o desenvolvimento do município. Palavras chave: Diagnósticos, Gestores, cidade 21 Abstract The concern with the administrative question of the cities is each on time to the question of a improved study of the natural way. In such a way it is noticed lack on the part of the managers of a knowledge concerning the being managed territory. This work had for objective to carry through a diagnosis of the Old Gold city. Old gold bes situated in the portion occidental person of cariri paraibano and if it detaches for the potentialities that it possess and that they can be developed. For they had in such a way been necessary bibliographical surveys and of field. Then Apartir if verified that Old Gold possess a well diversified potential having has detached the cattle one, of where can be become enlarged in such a way through the productive chain of the milk of the bovine flock how much of the goat one that it is extended since the production of developed laticínios derived from the flock being in the city where if initiates industrialization principles. Moreover, it has a vast space for the poultry keeping that is reality making use of tip technology. How much to the culture that if a historical process develops all and politician that arrives if to relate as half and the people characteristics, what it is distinguished in the region by means of the Index of Human Development - IDH. From the diagnosis, the managers can verify which the points need bigger attention for the development of the city. Words key: Disgnostic, Managers, city 22 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Algaroba arrancada por forte ventania Figura 2 - Utilização de altímetro digital e anemômetro, as 09h10min. Figura 3 - Algaroba arrancada por forte ventania Figura 4 - Casarão da Fazenda São Paulo Figura 5 - Mapa do Estado da Paraíba com destaque para a micro-região do Cariri Ocidental onde está localizado o município de Ouro Velho Figura 6 - Imagem de Satélite que corresponde à área natural onde está situado o município de Ouro Velho Figura 7 - Imagem do Estado da Paraíba no que consiste à questão natural e bioclimática Figura 8 - Imagem de Satélite que corresponde à área natural onde está situado o município de Ouro Velho Figura 9 - Diagrama: Intersecção de conjuntos propostos por Artur Strahler (1994) Figura 10 - Mapa da Distribuição bioclimática do Estado da Paraíba Figura 11 - Diagrama - referente à distribuição de precipitações Figura 12 - Precipitação no município de Prata – PB num período de 23 anos Figura 13 - Gráfico demonstrando os dados de precipitação no município de Prata - 1972 Figura 14 - Gráfico demonstrando a precipitação no município da Prata em 1985 Figura 15 - Precipitação no Município de Sumé Figura 16 - Gráfico demonstrando a precipitação em Sumé - 1982 Figura 17 - Gráfico demonstrando a precipitação em Sumé - 1974 Figura 18 - Caatinga seca Figura 19 - Caatinga verde no período de chuva ocasional Figura 20 - Rede de drenagem do município de Ouro Velho Figura 21 - Leito seco do Rio da Jureminha Figura 22 - Solo em processo de degradação Figura 23 - Solo em decomposição Figura 24 - Caatinga seca no período de estiagem Figura 25 - Caatinga verde no período de chuva ocasional Figura 26 - Caatinga verde no período de chuva ocasional Figura 27 - Caatinga de Grande Porte Figura 28 - Imagem de satélite denotando as formas de ocupação do solo municipal Figura 29 - Vaca da raça holandesa Figura 30 - Campineira de capim búffel Figura 31 - Cabra leiteira da raça saanen Figura 32 - Visão aérea da cidade de Ouro Velho Figura 33 - Gráfico demonstrando a diferença populacional nos anos de 1991 e 2000 Figura 34 - Gráfico demonstrando a Taxa de urbanização entre os anos de 1991 e 2000 Figura 35 - Gráfico demonstrando a diferença de faixa etária no município Figura 36 - Mapa referente a diferença entre os municípios do Cariri Ocidental Figura 37 - Mapa demonstrando o índice de pobreza na região do Cariri Ocidental Figura 38 - Secretaria de Desenvolvimento Rural Municipal e Usina leiteira Figura 39 - Cocho asseado para alimentação de gado caprino Figura 40 - Cabras leiteiras no Sítio Boa Vista dos Pedras Figura 41 - Mapa conceitual 1 - arranjo produtivo do leite Figura 42 - Jumento reprodutor Figura 43 - Aviário Dois Irmãos – Sítio Carnaíba 16 16 16 18 20 22 22 22 23 24 25 26 27 27 28 28 29 31 31 32 33 34 35 35 35 36 36 38 40 40 40 41 42 42 43 47 48 50 50 50 52 53 54 23 Figura 44 - Poço tubular no sítio Lava-pé que abastece o Aviário Dois Irmãos Figura 45 - Mapa conceitual 2 – cadeia produtiva da ave Figura 46 - Fabricação de tijolos artesanal Figura 47 - Fabricação de tijolos artesanal Figura 48 - Fabricação de tijolos artesanal 54 56 57 57 57 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - IDH e PIB Quadro 2 - População por Situação de Domicílio, 1991 e 2000 Quadro 3 - Estrutura Etária, 1991 e 2000 Quadro 4 - Indicadores de Longevidade, Mortalidade e Fecundidade, 1991 e 2000 Quadro 5 - Indicadores de vulnerabilidade familiar Quadro 6 - Nível Educacional da População de Jovem, 1991 e 2000 Quadro 7 - Nível Educacional da População Adulta (25 anos ou mais), 1991 e 2000 Quadro 8 - Porcentagem da Renda Apropriada por Extratos da População, 1991 e 2000 Quadro 9 - Desenvolvimento Humano Quadro 10 - Acesso a Serviços Básicos, 1991 e 2000 Quadro 11 - Acesso a Bens de Consumo, 1991 e 2000 Quadro 12 - Indicadores de Vulnerabilidade Familiar, 1991 e 2000 Quadro 13 - Quadro demonstrando as diferenças de IDH Quadro 14 - 100 Maiores - Intensidade da pobreza, 2000 41 41 42 44 44 44 45 45 46 46 46 47 48 49 24 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 10 PRIMEIRA PARTE 1.1 Meta 1.2 Objetivos específicos 1.3 Referencial Teórico-conceitual 1.4 Métodos e Técnicas 11 12 12 12 14 SEGUNDA PARTE 2.1 O contexto histórico da cidade de Ouro Velho 2.1.1 Emancipação Política 2.2 O espaço geográfico de Ouro Velho e seu contexto regional 2.2.1 Microrregião do Cariri Ocidental 2.3 Condições naturais que envolvem o Município 2.3.1 Situação Climática 2.3.2. Precipitação nos municípios visinhos (Prata e Sumé) 2.3.3 Leitura Cultural sobre o Clima Local 2.3.4 A situação da rede de drenagem 2.3.5 Geologia Geomorfologia e Solo 2.3.6 A fitofisionomia municipal 17 18 18 19 21 21 22 25 27 29 30 31 2.4 Estrutura fundiária e produção: meio rural no município de Ouro Velho 36 2.5 A cidade de Ouro Velho e suas rotinas e peculiaridades 2.5.1 Questões referentes à população do município de Ouro Velho 2.5.2 Desenvolvimento Humano 2.5.3 Residências e habitações subnormais 2.6 A Economia de Ouro Velho 37 38 42 43 46 TERCEIRA PARTE 56 Considerações Finais 57 Referências Bibliográficas 58 Anexos 60 25 INTRODUÇÃO O trabalho buscou a produção de um diagnóstico mesmo que seja em nível elementar, porém com caráter geográfico, dos fatos contidos no município de Ouro Velho – PB. Num primeiro momento elegemos o referencial teórico-conceitual para nos pautarmos em um universo de complexidades conceituais e teóricas. Haja vista que a questão relativa ao meio ambiente se refere à estabilidade ambiental no que concerne a relação da sociedade com a natureza. Na segunda parte do trabalho traçou-se o contexto histórico que envolve a cidade e o município de Ouro Velho, lembrando que apenas elencamos algumas situações para que pudéssemos iniciar a leitura mais profunda do território em si. Foi necessária uma leitura mais apurada do espaço geográfico dentro do contexto regional, pois Ouro Velho apesar de estar na Região do Cariri (Ocidental) é contemplado com uma situação climática que a difere dos outros municípios do entorno. A partir dessa leitura foi necessário entrar no contexto natural que envolve o município, haja vista que municípios que se encontram bem próximo são considerados bioclimaticamente como sendo subdeserto, enquanto que Ouro Velho apresenta-se com outra situação climática, ou seja, seu clima predominante é tropical quente de seca acentuada. A relação existente entre a natureza e a sociedade nos remete para uma visão cultural, trazendo para o trabalho algumas situações que são fundamentais serem registradas, pois faz parte do homem do lugar com a própria natureza. Essa natureza nos permite ver que há época em que os rios estão com água, que ocorre no período chuvoso. Em outros momentos os rios não estão com água, mas a vegetação está viçosa. Por isso a vegetação da Caatinga contém um sistema “eficiente e eficaz”, conforme aponta o prof. Albericio do Campus de Areia. (Informação oral). A partir dessas leituras que envolvem o ambiente faz-se presente observar que o lugar apresenta-se praticamente todo ocupado por atividades agropecuárias, sobre solo relativamente restrito, onde não há praticamente latifúndio. Num outro patamar fez-se presente a leitura da cidade em si, de sua população e sua dinâmica, chegando mesmo a nos remeter para o meio econômico e, aí não há como deixar de se fazer um novo olhar para o meio rural. 26 PRIMEIRA PARTE 27 1.1 Meta Produção de diagnóstico elementar com caráter geográfico do município de Ouro Velho PB 1.2 Objetivos específicos • Mostrar alternativas para melhorar o desenvolvimento sócio-econômicoambiental e cultural do município em estudo; • Abordar dados estatísticos que envolvam o município; • Identificar as potencialidades do objeto em questão; • Conceituar economia, meio ambiente e cultura em um contexto social; 1.3 Referencial Teórico-conceitual A pesquisa exploratória tem como finalidade aproximar o pesquisador ainda mais do problema levantado. É de fundamental importância a realização da pesquisa para encontrarmos dados que possam afirmar o problema proposto na temática em questão. A natureza descritiva de um estudo científico exige do pesquisador um prévio conhecimento do que se deseja pesquisar. Seu objetivo é expor fatos e fenômenos de forma exata (TRIVIÑOS, 1992). Gil (1995) afirma que o objetivo principal das pesquisas descritivas é, “[...] a descrição das características de determinada população ou fenômeno, ou então, o estabelecimento de relações entre as variáveis”. E complementando a afirmação, Oliveira (2000, p.115) diz que este é “o tipo de estudo mais adequado quando o pesquisador necessita obter melhor envolvimento a respeito do comportamento de vários fatores e elementos, que, influem sobre determinados fenômenos”. Em se tratando da abordagem qualitativa, Triviños (1992) refere que “[...] tem um tipo de objetividade e de validade conceitual (...), que contribuem decisivamente para o desenvolvimento do pensamento científico”. Ou seja, a preocupação está no aprofundamento e abrangência da compreensão. Ela transforma em números opiniões e informações, por meios de recursos e técnicas estatísticas para classificá-las e analisá-las. Tudo isso associado ao estudo descritivo. Minayo (1994) expõe que a abordagem quantitativa é definida pela população e busca um critério de representatividade numérica que possibilite a generalização dos conceitos teóricos 28 que se quer testar. Ela transforma em números opiniões e informações, por meios de recursos e técnicas estatísticas para classificá-las e analisá-las. Conclui-se então, sobre a pesquisa descritiva que ela exige delimitação de métodos e, conseqüentemente exatidão na interpretação do fenômeno, a depender, obviamente, da visão do pesquisador que, ao iniciar sua pesquisa, já está imbuído de certas idéias e conceitos de forma consciente ou não. Neste sentido, a descrição dos fenômenos está impregnada dos sentidos e dos significados que são repassados pelo meio ao qual o objeto pertence. Quanto à estabilidade do ambiente natural que envolve o município é de grande importância observar as atividades que alteram o meio ambiente, na sua maioria têm a intenção de ser benéficas do ponto de vista humano, onde o grau de inter-relação dos fenômenos naturais a que nos referimos explica que mudanças inesperadas, ou até reações em cadeia, podem resultar daquilo que pretendia ser “benfeitoria” isolada. A intensidade dessas alterações inadvertidas depende em primeiro lugar do esforço (ou tensão) aplicado ao sistema pelo homem e, em segundo lugar, do grau de suscetibilidade à mudança (sensibilidade) do próprio sistema. Efetivamente, os sistemas mudam com o tempo, entretanto isso ocorre em longa duração, como alterações climáticas, abertura de vales, colonização de vegetais, dentre outros. À escala humana de tempo, os sistemas naturais parecem estáticos, na sua maioria, mas até isso é verdadeiro apenas para efeito estatístico, já que na realidade os sistemas oscilam em torno de uma situação média, estado conhecido como equilíbrio dinâmico. Por exemplo, ainda que a flora de um campo possa variar em espécies, tipo e abundância no curso dos anos, em correspondência às flutuações climáticas e pastoreio, de modo geral o caráter da flora permanecerá constante, a menos que uma ou mais das variáveis dominantes (clima, solo, população) imponha uma alteração ambiental perdurável em largas proporções. Entretanto, se aplicar ao sistema um esforço externo suficiente (ímpeto de mudar) então todo ele pode estabelecer um equilíbrio dinâmico, em nível diferente de operação. No exemplo da flora do campo, uma drenagem extensiva do solo poderia alterar de tal forma o caráter e a umidade do solo de modo a provocar o aparecimento de uma vegetação dominante de tipo mais xerófilo (resistente à seca). Todos os sistemas naturais possuem um elo fraco na cadeia de causa e efeito: um ponto em que o mínimo acréscimo de tensão (ímpeto de mudar) traz consigo alterações no conjunto do sistema (Drew, 1986, p.26). 29 Para que se possa ter uma melhor noção aprofundada dos valores que envolvem o município, é de suma importância conceituar Bem, Capital e Patrimônio. Dadas às afinidades entre os três termos, vamos conceituá-los, para que se possa fazer perfeita distinção entre eles. O Bem é um conceito que se pauta em outros instrumentos conceituais por isso é necessário se fazer, também, para conceituação do que seja bem, estabelecer-se à distinção coisa, bem e riqueza. (Franco, 1977, p.20) De acordo com Franco (1977), coisa é o que simplesmente existe na natureza, independente da vontade e da intervenção do homem, como por exemplo, a terra, os rios, o ar. Já o Bem: Para satisfazer as suas necessidades, o homem utiliza-se das coisas, transformando-as em bens. As coisas corpóreas mudam-se em bens, quando recebem destinação útil à satisfação das necessidades humanas. Por exemplo, o fruto silvestre é coisa até que o homem o colha, transfomando-o em utilidades, para satisfazer uma de suas necessidades essenciais, a da alimentação; o rio se transforma em bem quando o homem o utiliza para a navegação ou aproveita suas águas para outras finalidades. (Franco, 1977, p.20) Alguns bens não são conseguidos facilmente, porque sua quantidade é limitada. Esses são chamados bens econômicos, porque é limitação lhes dá valor de troca. São bens desejados e raros, chamados riqueza. Riqueza, portanto, é tudo que é útil, limitado, material e apropriável. (Franco, 1977, p.21) Capital é um conceito que requer um aprofundamento a partir de combinações de outros conceitos, pois quando os bens são utilizados na produção de outros bens, denominamolos capital. Nas entidades com objetivo econômico, isto é, com finalidade de lucro, todos os bens que compõem seu patrimônio têm por fim a produção de outros bens, Por essa razão, o patrimônio dessas entidades recebem a denominação de capital. (Franco, 1977, p.22) Patrimônio é um conjunto de bens, direitos e obrigações vinculadas a uma entidade. Podemos ainda defini-lo como conjunto de bens econômicos, ou conjuntos de bens com fim específico. (Franco, 1977, p.20) 30 1.4 Métodos e Técnicas Para realização da pesquisa foi necessário pesquisa bibliográfica, trabalhos de campo e trabalhos de gabinete. Num primeiro momento, foi feito o levantamento do referencial bibliográfico, já que ele se desenvolve buscando referências em materiais já elaborados, como livros, artigos científicos e internet, facilitando o acesso do pesquisador aos dados ou informações relevantes ao estudo conforme aponta Gil (1995). Apesar de a descrição ser o foco de referência, não fica apenas na descrição conceitual, foi necessária uma intensa pesquisa na Internet, de onde pudemos trazer os dados disponibilizados pelo Atlas do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) em que referencia o IDH (Índici de Desenvolvimento Humano) dos municípios brasileiros e conseqüentemente o do município de Ouro Velho, objeto do estudo. Outra fonte importante e que traz números que nos permite uma variedade muito grande de leituras analíticas vem a serem as informações contidas no site do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Num segundo momento foi realizado trabalhos de campo, onde foram identificadas algumas potencialidades do município, bem como observadas as condições naturais. Na oportunidade foram realizadas algumas leituras, sendo registrados alguns fenômenos naturais tais como um vendaval ocorrido no município dias antes da visita. Esse vendaval passou pelo município deixando algumas situações que puderam ser observadas como árvores arrancadas. Foi feito o registro fotográfico dessa anormalidade, bem como foram feitas medições da velocidade do vento, onde em dias normais podemos observar atinge a máxima de 6.0 m/s e a mínima de 1.8 m/s, a uma altitude de 602 m (fig. 1, 2 e 3). Nesse caso foi utilizado equipamento fotográfico digital, equipamento com elevado grau de qualidade na impressão. Esse material foi trabalhado em laboratório computacional para montagem de mosaicos e assim ampliar o ângulo de visão. 31 Figura 1: Algaroba arrancada por forte ventania. Data: 26.11.2006 Foto: Elvis de Almeida Jacome Figura 2: Utilização de altímetro digital e anemômetro, as 09h10min. Data: 26.11.2006 Foto: Elvis de Almeida Jacome Figura 3: Algaroba arrancada por forte ventania. Data: 26.11.2006 Foto: Elvis de Almeida Jacome Em campo também foram observadas as tipologias vegetais do município, as localizações dos poços artesianos, locais históricos e produção agrícola, o que veio a subsidiar o banco de dados montado do SPRING. De posse dos registros fotográficos e das informações, em gabinete, foi utilizado um SIG (Sistema de Informações Geográficas) para agrupar as diversas informações e realizar o processamento das informações que foram espacializadas através de mapas temáticos. 32 SEGUNDA PARTE 33 2.1 O contexto histórico da cidade de Ouro Velho Tomando como base que toda a região do Cariri teve como sede de comarca a cidade de São João do Cariri, mas com o decorrer do tempo os espaços foram sendo fragmentados e a cidade de Monteiro passou a exercer liderança sobre já então vila e depois cidade da Prata e o município de Ouro Velho. Resta ver que as lideranças políticas baseadas nos grandes fazendeiros locais como por exemplo à família Dantas de considerada influência política que ainda hoje vemos as grandes propriedades e casarões (FIG. 4) a exemplo da fazenda Pedro II, esta propriedade pertenceu aos pais da personagens da história da Paraíba João Dantas. A cidade de Ouro Velho teve seu início na fazenda Izidro de propriedade do Sr. Antônio Pedro de Araújo, em 1884. Logo na implantação, foram construídos uma capelinha e um cruzeiro, oferecidos a Nossa Senhora da Conceição. Ao seu redor, foram surgindo novas casas e, Fig. 4: Casarão da Fazenda São Paulo. Data: 13.01.2007 Foto de Maria Barros em pouco tempo, apresentava-se características às de um florescente povoado. Antônio Pedro de Araújo em 1886 fez doação daquele patrimônio à Igreja, batizando o local com o topônimo de Conceição, modificando pouco depois para Conceição do Mugiqui. PRODER (1997) cita que Dentre os primeiros habitantes do aglomerado urbano que ali formava além dos moradores da fazenda Izidro, são lembrado os nomes de Manoel Rodrigues de Lima, Manoel Antônio, Cel. Sérgio Dantas Correia de Góis, Juvenal da Rocha (primeiro comerciante local), Manoel Fernandes, José Bernardo de Lucena, José Cazumba, Manoel Pequeno e outros. 34 Pelo que se sabe a partir dos esforços dessas pessoas citadas, iniciou-se uma feira livre aos domingos, que mesmo de pequenas dimensões, funcionando em latadas cobertas de palha à sombra de árvores existente no local, foi de grande importância para o estabelecimento do município. É interessante ressaltar trechos do PRODER que denota mais claramente a realidade do município no início de sua formação: Conta-se que, à sombra de um juazeiro, pastava um boi bem velho, que terminou servindo de referência ao povoado que pela Lei nº. 803 de 16 de outubro de 1952, assim passou a distrito de Monteiro com a denominação de Boi Velho. Diz-se que Ouro Velho é decorrente da alusão ao “Boi Velho” e a referência ao preço do animal, que era caro, comparando-o ao ouro. Vale ressaltar que, posteriormente, a padroeira passou a ser Nossa Senhora das Graças, cuja imagem adquirida na França pelo Sr. Juvenal José da Rocha, deu origem a uma igreja, hoje a principal de Ouro Velho. (PRODER, 1997). 2.1.1 Emancipação Política Já a emancipação política de Ouro Velho se deu no Governo de Pedro Gondim através da Lei nº. 2.615 de 12 de dezembro do ano de 1961, sancionada pelo Governador, sendo que sua instalação oficial ocorreu a 15 de janeiro do ano seguinte, onde desmembrando do município de Prata que havia se tornado município em 1959 levando consigo o distrito de Boi Velho, atual Ouro Velho, o primeiro prefeito de Ouro Velho foi o Sr. Gerôncio Ricardo de Lima, que na época foi nomeado e perdurou no Executivo de 1961 a 1962, quando houve uma eleição por voto direto, onde foi eleito prefeito o Senhor Jacinto Dantas Correia de Góis. (PRODER, 1997). No tocante à cultura e a identidade do ourovelhense, esta remonta aos tempos mais distantes à emancipação política. A história não fica apenas nas lideranças políticas, mas também tem como base à musicalidade local e as histórias contadas pelo sujeito popular. Não resta dúvida que as cidades de Prata e de Ouro Velho estiveram sempre unidas pela questão cultural. Zé Marcolino, por exemplo, sujeito pratense, com sua musicalidade compôs letras e músicas que foram cantadas pelo Brasil afora ao som do acordeond e voz de Luiz Gonzaga. As poesias populares também são o forte da região onde melhor destaca-se o saudoso poeta Herasmo Rodrigues, e quanto à parte literária quem retrata as piadas e causos da região 35 tem-se como referência o escritor Joselito Nunes e Assis Paulo, este último, escritor e poeta de Ouro Velho que representa figura importante, tendo em vista ter sido ele o autor da Bandeira do município, bem como o Hino municipal. 2.2 O espaço geográfico de Ouro Velho e seu contexto regional O município está situado a 319 km da capital João Pessoa, na mesorregião da Borborema que se encontra na microrregião do Cariri Ocidental paraibano (FIG. 5). Ouro Velho limita-se ao norte e ao oeste com o município de São José do Egito, Estado de Pernambuco, ao sul com o município de Prata e ao leste, com o município de Amparo e Sumé, no Estado da Paraíba. Figura 5: Mapa do Estado da Paraíba com destaque para a micro-região do Cariri Ocidental – onde está localizado o município de Ouro Velho 36 O acesso é feito a partir de João Pessoa, pelas Rodovias Federais BR 230 e BR 412, e pela Rodovia Estadual PB 250, denominada Rodovia Governador Antônio Mariz. Sua área territorial é de 129 km², que representam 2,38% da área da microrregião a qual pertence, 0,30% da área do Estado e 0,0015% de todo território brasileiro. O município ocupa a seguinte posição geográfica: latitude-S, 07º37’13 e longitude-W. Gr, 37º09’08. Sua altitude é de 561m. De acordo com o IBGE, no ano de 2006 sua população era estimada em 2.821 habitantes. 2.2.1 Microrregião do Cariri Ocidental A microrregião do Cariri Ocidental é uma das microrregiões do estado brasileiro da Paraíba pertencente a mesorregião da Borborema. Sua população foi estimada em 2006 pelo IBGE em 114.164 habitantes e está dividida em dezessete municípios (FIG. 6, 7 e 8). Possui uma área total de 6.982 km2. 37 Município de Ouro Velho Figura 6: Imagem de Satélite que corresponde à área natural onde está situado o município de Ouro Velho. Figura 7: Imagem do Estado da Paraíba no que consiste à questão natural e bioclimática. Fonte: Atlas geográfico da Paraíba – 1985. Figura 8: Imagem de Satélite que corresponde à área natural onde está situado o município de Ouro Velho. 2.3 Condições naturais que envolvem o Município 2.3.1 Situação Climática Tomando como referência Strahler (1989), que significa que os conjuntos naturais que constituem a paisagem são os conjuntos atmosféricos, hídricos e o topográfico (FIG. 9), e 38 estes quando intersectados, permitem o surgimento de outro, que é o biológico, passamos a correlacionar a paisagem típica do semi-árido com as situações climáticas, hídricas e topográfica. Climático Hidrografia CONJUNTOS DE ELEMENTOS NATURAIS PAISAGEM Relevo VIDA Figura 9: Diagrama: Intersecção de conjuntos propostos por Artur Strahler (1994). A partir dessas colocações, percebe-se que a distribuição do clima (pertencente ao conjunto atmosférico) interfere de forma acentuada sobre a vida, principalmente a vegetal. A partir do que é apresentado pelo mapa bioclimático do Estado da Paraíba (FIG. 10), o clima predominante no município de Ouro Velho, e da região do entorno, é definido como sendo o “quente de seca acentuada contemplando de 7 a 8 meses de estiagem”, onde se caracteriza essa região como pertencente a Mesorregião do Cariri paraibano. 39 Município de Ouro Velho Clima tropical quente de seca acentuada Subdeserto Figura 10: Mapa da Distribuição bioclimática do Estado da Paraíba Fonte: Atlas do Estado da Paraíba, 1985 A partir do destaque dado ao conjunto climático, mais especificamente a sua combinação com a vegetação, não há como não se destacar que o Cariri é uma região próxima à área denominada de subdeserto, cuja precipitação é a menos favorecida no contexto estadual, por isso podemos inferir que o Cariri é uma zona de cujas populações vegetais e animais estão afeitas a estiagens prolongadas. Strahler ainda aponta que tanto flora como fauna são subconjuntos biológicos corroborando sua dependência direta da matriz ambiental “água”. Apesar de que o lugar em que Ouro Velho se encontra, está estabelecido num clima que apresenta uma estiagem de sete a oito meses, segundo o Atlas Geográfico da Paraíba, é conveniente salientar que o outro grande conjunto formador da paisagem é o hidrográfico, e que este, nessa altitude em torno de 591 m, não conta com escoamento perene, ou seja, essa é uma região de rios ainda intermitentes, pois estão sobre o Planalto da Borborema cuja cumeada é a Serra dos Cariris Velhos. A partir da observação da intermitência dos canais de escoamento, mais uma vez percebemos que a disponibilidade da matriz climática, que incide no conjunto hídrico, não pode 40 deixar de ser vista com certo aprofundamento para vias de um planejamento os recursos da região. Apresentamos um diagrama que define o nível pluviométrico e sua classificação (FIG. 11). Podemos observar as diferenças entre o clima semi-árido e o sub-úmido, no tocante à disponibilidade hídrica. Ambas as manifestações climáticas estão presentes no entorno do município em questão. Nesse diagrama podemos observar os limiares que classificam climaticamente uma região a partir da sua disponibilidade hídrica. Figura 11: Diagrama - referente à distribuição de precipitações para classificação climática. Fonte: Strahler, 1994. 41 2.3.2 Precipitação nos municípios vizinhos: Prata e Sumé Demonstração visual do comportamento climático do período anual dentro do lapso de 23 anos nos municípios de Prata e Sumé. No entanto se pode comparar tais resultados dos municípios analisados uma vez que a pesquisa nos dá um suporte referencial com relação a Ouro Velho tendo o visto que o mesmo não tem os mesmos dados no período pesquisado. Após a observação dos dados podemos fazer a comparação das figuras 12, 13, 14, 15, 16 e 17, onde observou-se a precipitação máxima, média e mínima. Prata Dados coletados no município da Prata entre os anos de 1963 e 1985, onde se registrou a precipitação máxima de 1.434 mm, média de 748 mm e a mínima de 385 mm (FIG. 12). Figura 12: Precipitação no município da Prata – PB num período de 23 anos. 42 1972, ano de menor precipitação no período estudado com relação aos dados coletados no município de Prata, onde se registrou a precipitação anual de 385 mm. (FIG. 13). Figura 13: Gráfico demonstrando os dados de precipitação no município de Prata - 1972 1985, ano de maior precipitação no período estudado com relação aos dados coletados no município de Prata, onde se registrou a precipitação anual de 1.434 mm. (FIG. 14). Figura 14: Gráfico demonstrando a precipitação no município de Prata em 1985 43 Sumé Dados coletados no município de Sumé entre os anos de 1963 e 1985, onde se registrou precipitação máxima de 1.568 mm, média de 825,5 mm e a mínima de 168 mm. (FIG. 15). Figura 15: Precipitação no Município de Sumé 1982, ano de menor precipitação no período estudado com relação aos dados coletados no município de Sumé, onde se registrou a precipitação anual de 168 mm, (FIG. 16). Figura16: Gráfico demonstrando a precipitação em Sumé - 1982 44 1974, ano de maior precipitação no período estudado com relação aos dados coletados no município de Sumé, onde se registrou a precipitação anual de 1.568 mm, (FIG. 17). Figura 17: Gráfico demonstrando a precipitação em Sumé - 1974 2.3.3 Leitura Cultural sobre o Clima Local É de suma importância fazer o registro dos fatos históricos, no tocante ao clima e previsões que norteiam o homem nordestino em especial o caririzeiro ourovelhense (espaço e objeto de estudo), que com sua experiência e munido de um dom observador do lugar e espaço em que vive e convive, faz suas previsões tendo como seus instrumentos os movimentos do tempo, da fauna e da flora e o mais importante à vasta experiência dos seus conterrâneos que é passada de geração a geração tendo como auxílio à natureza e seus fenômenos. Aqui surge a preocupação de registrar estes fatos, uma vez que não são encontrados no meio científico mais sim na cultura popular e no nosso dia-a-dia. Podemos destacar adágios populares, contos, histórias e costumes que de forma crítica e cultural revela a identidade de um povo com raízes e características próprias, que quase sempre estão relacionados com a estiagem e servindo de inspiração a musicalidade regional. A exemplo de alguns trechos de músicas e dizeres populares que remetem à experiência cultural: • Mandacaru quando fulora na seca (um bom sinal de inverno); • Juá só cai na lama (juá: fruto do juazeiro), (um bom sinal de inverno); 45 • Jarita quando carrega os filhotes para um lugar alto (jarita ou ticaca: gambá), (um bom sinal de inverno); • O pássaro fura-barreira quando constrói o ninho serve de referência, pois é o nível da enchente nas barreiras dos rios e riachos; • Maribondo quando procura abrigo para fazer sua casa (um bom sinal de inverno); • A barra do dia quando vem nascendo se estiver muito amarela é um bom sinal; • Formiga cortando ou carregando os filhos (um bom sinal de inverno); • Caibeira quando flora (um bom sinal de inverno); • Experiência do dia 13 de dezembro (dia de Santa Luzia) nas pedras de sal; • Garoa no primeiro dia do ano é um mau sinal, prova que ano é seco; • A Lua cheia do dia dez de janeiro; • A Estrela Dalva no poente (o planeta Vênus quando visto a olho nu a luz do dia no oeste) sinal que o ano vindouro vai ser bom de inverno; • Seriema quando canta e o pássaro carão (um bom sinal de inverno); • Ovelha quando enjeita o borrego (é um mau sinal tudo leva a crer que vem um longo período de estiagem); • O sapo cururu, a rã e o grilo quando estão cantando na seca (é um bom sinal de inverno); • Notícias de chuva no sertão do Piauí é inverno com certeza; • Sapinho novo na garoa, sinal de um bom inverno. Após estes relatos culturais, que servem de referência para quem vive no município1 é de extrema importância registrar fatos ou fenômenos naturais que ocorrem de forma localizada, como longos e curtos períodos de estiagens e de estações chuvosas ou trovoadas de maneira isolada. A título de coincidência pode-se ter como prova o temporal ocorrido entre as quinze e dezesseis horas no dia vinte de fevereiro do ano de dois mil e sete, onde apenas em uma hora, de forma localizada, teve a ocorrência de aproximadamente 80 milímetros de chuva. Ou seja, não se tem registro de ocorrência igual. Também podemos registrar outros fenômenos que se observa na natureza com relação à paisagem, é o limite entre e vegetação (caatinga) seca e a verde em um mesmo momento do ano onde houve a ocorrência de chuva ocasional localizada. Observando-se que a fotografia com um dia de diferença e em local muito próximo (FIG. 18 e 19). 1 Refiro-me à Região. 46 Figura 18: Caatinga seca Data: 13.01.07 Foto de Maria Barros Figura 19: Caatinga verde no período de chuva ocasional. Data: 12.01.07 Foto de Maria Barros 2.3.2 A situação da rede de drenagem Tomando a rede de drenagem como um dos elementos conjunturais importantes do cenário geográfico, pois se deve correlacioná-lo a outros importantes conjuntos que combinados entre si, como é a relação do clima com o relevo, solo e vegetação, permitem o surgimento da drenagem, segundo o CPRM (Serviço Geológico do Brasil, 2005) o município de Ouro Velho encontra-se inserido nos domínios da bacia hidrográfica do Rio Paraíba, na região do Alto Paraíba. Seus principais tributários são os riachos: da Jureminha, da Borboleta, dos Oitis, Soberba, Betânia, Pantaleão, dos Zuzas e dos Barões. Os principais corpos de acumulação são: as lagoas do Luís, Pau do Leite, da Pimenta e Grande. Todos os cursos d’água no município têm regime de escoamento Intermitente e o padrão de drenagem é o dendrítico (FIG, 20). 47 Figura 20: Rede de drenagem do município de Ouro Velho 48 Sendo a região do município marcada por clima que apresenta uma estiagem prolongada, cujos períodos de precipitação ficam concentrados em poucos meses do ano, o que nos permite ainda anunciar que essa precipitação fica concentrada em pequenos períodos, denotando assim elevada intensidade. Essa situação permite anunciar que a precipitação logo satura o solo devido a este estar sobre uma estrutura cristalina e um solo pouco poroso, por isso a absorção da água não é elevada. Com o solo saturado imediatamente a água inicia seu movimento de escoamento para os níveis de menor energia, ou seja, iniciam sua descida para as partes inferiores do relevo. Logo após o período de abastecimento pela precipitação o escoamento superficial tende a diminuir o fluxo d’água imputando ao lugar a falta de um estoque de água no lençol freático que Figura 21: Leito seco do Rio da Jureminha Data: 13.01.07 Foto: Maria Barros possa permitir o escoamento perene, assim sendo a drenagem toma as feições intermitentes (FIG. 21). 2.3.5 Geologia, Geomorfologia e solo A geologia do município de Ouro Velho é considerada do período Arqueozóico; composto pelo complexo gnáissico migmatítico granodiorito (Atlas Geográfico do Estado da Paraíba, 1985, p.23). Ou seja, segundo a Escala Geológica do Tempo, pertence à Era Arqueozóica, pertencendo ao Período Arqueano (Início da Terra), tempo decorrido em mais ou menos 4,5 bilhões de anos. (LEINS, 1980, p.27). 49 A partir dessa estrutura geológica o relevo acima fica estabelecido como um Planalto Cristalino, sendo ele ainda denominado de Borborema. A dissecação da superfície se dá pela ação climática, pois conforme pudemos ver e constatar que há fortes aguaceiros na estação chuvosa que ocorre entre os meses de março e maio. Nesse período a captação das águas pelas micro e sub-bacias hidrográficas é relevante, pois tomando como base que o terreno é relativamente pouco inclinado e com uma geologia de estrutura cristalina, o solo que vai sendo formado na superfície pode ser lixiviado quando da presença dos aguaceiros. No entanto a vegetação de Caatinga arbórea e também arbustiva passa a fazer a contenção dos eluviões1 que estão sendo formados sobre as rochas (FIG. 22). Quanto à questão referente ao solo que predomina no município, são de coloração castanha ou brunos, pouco Figura 22: Solo em processo de espessa e pedregosa (solos brunos não-cálcicos), (Atlas degradação. Geográfico do Estado da Paraíba, 1985, p 33), é um solo Data: 26.1107 mineral pouco profundo ou raso, não hidromórfico, com Foto de Elvis Jácome argila de atividade alta, eutrófico, horizonte A fraco ou moderado, de consistência dura ou muito dura, quando seco, de estrutura maciça ou em blocos fracamente desenvolvido, seguido por um horizonte B textural pouco espesso realçado pela cor vermelha ou avermelhada, usualmente com mudança textural abrupta, e estrutura em blocos modernos a fortemente desenvolvidos (Classes gerais de solos do Brasil, 1942, p112). 2.3.6 A fitofisionomia municipal Observando a questão de combinação da situação climática com a pedológica e edafológica e topográfica, podemos anunciar que a vegetação é a resultante dessa combinação. O 1 Eluvião – depósito detrítico ou simples capa de detritos resultantes da desintegração da rocha matriz permanecendo in situ. O termo elúvio ou eluvião é o oposto do material transportado pelas águas dos rios, isto é, alúvio ou aluvião. 50 território municipal ourovelhense, apesar de abrigar cabeceiras de riachos e rios tributários da bacia de drenagem local, estes escoam procurando seus níveis de menor energia no sentido ao rio determinante que é o Rio Paraíba, mais ao Sul do território. Assim sendo, a vegetação apresentase com mais vigor que a dos municípios vizinhos dentro da micro-região do Cariri. Uma das referências é o limiar estabelecido pela Serra de Sumé no Município do mesmo nome. Há ainda a situação mais a Oeste e ao Norte, as cabeceiras da bacia do Rio Pajeú – PE, afluente do Rio São Francisco, o que exerce forte influência sobre o clima local e conseqüentemente sobre a vegetação. Assim como ressaltado anteriormente o município de Ouro Velho não está inserido dentro das isoietas que delineiam a área bioclimática denominada de subdeserto, e apresenta boa parte do município com área conservada de caatinga (FIG. 28). Conforme citado anteriormente, a região topográfica planáltica cuja estrutura geológica é do arqueozóico com predominância do gnaisse já em fase de desgaste (FIG. 23), abriga também uma Caatinga arbórea sendo que esta constitui a mata decídua (FIG. 24), que perde suas folhas durante o período de estiagem. No entanto ela aparece na paisagem com sua cor verde durante o inverno ou quando ocorrem chuvas ocasionais em outras épocas do ano ou devido à fertilidade do solo e a forte resistência da vegetação (FIG. 25). A predominância na fitofisionomia do território municipal é de caatinga arbustiva caducifólia, espinhosas, com folhas pequenas ou lâminias subdivididas existindo, inclusive algumas sem folhas (áfilas) para reduzir ao máximo a perda de água por transpiração, caracteriza-se por uma máxima adaptação dos vegetais à carência hídrica (FIG. 26 e 27), embora ocorra também a caatinga arbórea. Figura 23: Solo em decomposição Data: 26.11.06 Foto de Elvis Jácome Figura 24: Caatinga seca no período de estiagem. Data: 13.01.07 Foto: Maria Barros Figura 25: Caatinga verde no período de chuva ocasional. Data: 13.01.07 Foto: Maria Barros 51 Figura 26: Caatinga verde no período de chuva Figura 27: Caatinga de Grande Porte ocasional. Data: 13.01.07 Data: 12.01.07 Foto: Maria Barros Foto: Maria Barros Assim sendo temos a floresta caducifólia com as principais espécies vegetais, arbustiva-árbórea que compõe a flora do Município, onde se destacam as principais espécies segundo o nome vulgar e o nome científico respectivamente: • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • Anjico-manjola (Piptadenia zehntneri Harms); Aroeira (Astronium urundeuva Engl); Baraúna (Schinopsis brasiliensis Engl); Canafístula (Cássia martiana Bnth); Catingueira (Caesalpinia pyramidalis Tul); Coroa-de-frade (Neoglaziovia variegata); Favela (Cnidosculos phyllanthus); Feijão-de-boi ou feijão brabo (Capparis flexuosa L.); Juazeiro (Ziziphus joazeiro Mart); Jucá (Caesalpinia férrea Mart. Ex Tul.); Jurema-preta (Mimosa hostilis Banth); Macambira (Bromélia lasinosa Mart. Ex Schult); Mandacaru (Cereus jamacaru DC); Maniçoba (Manihot gloaziovii Muell. Arg.); Malva (Gaya aure St. Hil.); Marmeleiro (Crotonsonderinus Muell. Arg.); Mororó (Bauhinia cheilantha (Bong.) Steud.); Oiticica (Licania rídia); Pereiro (Aspidosperma pyrifolium Mart); Pinhão (jatropha mutabilis (Poh) Baill); Quixabeira (Bumelia sortorum Mart); 52 • • • • • Rabo-de-raposa (Arrojadoarhodana); Saia-de-ariú (serjania comata Radlk); Umburana-de-cheiro (amburana cearensis (Arr, Cam) A.C. Smith); Umbuzeiro (Spondias tuberosa Arr. Cam.); Xique-xique (Pilosocereus goullei Weber). A partir de uma leitura da área do município com ferramentas mais sofisticadas é possível ter uma visão sobre como está ocupada a superfície municipal (FIG. 28). A maior ocupação é ainda a Caatinga arbustiva, seguido tanto pela Caatinga arbórea como também pela ocupação de gramíneas, devido à “campinas” para a atividade de pastagem pertencente à pecuária. O solo exposto também aparece na imagem, denotando, talvez, áreas que estão sendo preparadas para plantio ou alguma atividade ligada à agricultura bem como áreas de leitos de rios. 53 Figura 28: Imagem de satélite denotando as formas de ocupação do solo municipal 54 2.4 Estrutura fundiária e produção: meio rural no município de Ouro Velho Não há como fugir da leitura sobre a estrutura fundiária que está implementada no território do Estado da Paraíba, pois como a ocupação desse território remonta o início da colonização e como o lugar é de natureza difícil para a produção em decorrência do sistema climático que costuma castigar o lugar com estiagens prolongadas e para ampliar as dificuldades, o município em questão encontra-se sobre a borda de um Planalto de estrutura geológica cristalina com solos pouco profundos e relativamente jovens apresentando pedregosidade o que dificulta em parte as condições de agricultura, daí então a maior vocação do município se encontra na atividade pecuária. No tocante às propriedades pode-se observar a partir do que está apresentado nas tabelas referentes às Estatísticas Cadastrais do INCRA1 (Anexo A) que o município não está contemplado com latifúndios e sim com um grande volume de minifúndios, estes sendo chamados vulgarmente de Sítios. Dos 161 imóveis cuja área soma em 8.938,0 ha, com 159 imóveis com exploração somando ao todo 7.309,3ha e 98 imóveis contêm 1.490,0ha de área não explorada. Podemos notar que 84,79% dos imóveis são minifúndios, ou seja, dos 161 imóveis 139 são minifúndios, onde a principal atividade é a pecuária de subsistência, onde se destaca a pecuária leiteira, tanto bovina quanto caprina (FIG. 29 e 30), também outra atividade que predomina na paisagem são as campineiras de capim búffel que serve tanto para engorda quanto para a criação extensiva do gado bovino (FIG. 31). Outro fator que se destaca no Município é a grande quantidade de pequenas propriedades com até 0,5 hectares, ou seja, perfazendo um total de 177 imóveis que constitui 1.280,0 hectares. 1 http://www.incra.gov.br/arquivos/0365801041.txt 55 Figura 29: Vaca holandesa Data: 26.11.2006 Foto: Elvis de Almeida Jacome. Figura 30: Campineira de capim búffel. Data: 26.11.2006 Foto: Elvis de Almeida Jacome. Figura 31: Cabra leiteira da raça saanen. Data: 26.11.2006 Foto: Elvis de Almeida Jacome. 2.5 A cidade de Ouro Velho e suas rotinas e peculiaridades Tomando como postulado de que o ser humano é o principal agente geográfico, pois organiza o espaço imprimindo-lhe sua marca, a cidade de Ouro Velho (FIG. 32) é relativamente pequena em relação às demais cidades paraibanas, no entanto, esse pequeno aglomerado já imprime sua marca como povo que lutou para adquirir o status personalizado conforme ficou registrado na sua história. A cidade conta, segundo o IBGE no censo 2000, com uma população estimada de 2.823 habitantes, ou seja, pessoas residentes. Quanto à densidade demográfica o município encontra-se com a distribuição de 21,8 hab./km² (Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil). 56 2.5.1 Questões referentes à população do município de Ouro Velho No tocante a qualidade de vida o Indicador de IDH e o PIB, estão assim estabelecidos pelos órgãos que observam essa questão (Quadro 1). No tocante à população por situação domiciliar em 1991 e 2000 obteve uma taxa média de crescimento negativo anual de 0,01%, passando de 2.826 em 1991 para 2.823 em 2000. Nesse caso pode-se observar Figura. 32: Visão aérea da cidade de Ouro Velho Data: 2005 Foto: Arquivo da Prefeitura que a taxa de urbanização cresceu 19, 56, passando de 56,44% em 1991 para 67,48% em 2000 (quadro 2 e fig. 33 e 34). Quadro 1: IDH e PIB do município de Ouro Velho IDH 0, 633 PENUD PIB R$: 5.902,00 IBGE/2003 Quadro 2: População por Situação de Domicílio, 1991 e 2000 do município de Ouro Velho População Total Urbana Rural Taxa de Urbanização 1991 2.826 1.595 1.231 56,44% 2000 2.823 1.905 918 67,48% 57 Figura 33: Gráfico demonstrando a diferença populacional nos anos de 1991 e 2000 Figura 34: Gráfico demonstrando a Taxa de urbanização entre os anos de 1991 e 2000 Observando o crescimento populacional, esse fato nos remete a outra situação que permite um adentramento na dinâmica populacional nesse, sentido nos deparamos com a Estrutura Etária, 1991 e 2000 (Quadro 3 e FIG. 35). Quadro 3: Estrutura Etária, nos anos de 1991 e 2000 no município de Ouro Velho. Faixa etária Menos de 15 anos 15 a 64 anos 65 anos e mais Razão de Dependência 1991 1.054 1.543 229 83,1% 2000 857 1.711 255 65,0% 58 Figura 35: Gráfico demonstrando a diferença de faixa etária no município Nesse quadro fica demonstrado que no intervalo de uma década a população jovem diminuiu de maneira acentuada, pois houve um decréscimo aproximado de 18% na população jovem em relação ao período anterior. Já a população mais adulta teve um crescimento aproximado de 10% e a população em fase de envelhecimento um crescimento aproximado de 10%. Observando os valores para a população geral contido no quadro 2 referentes a essa mesma década, podemos atestar que a população ourovelhense está com o crescimento populacional negativo, o que nos faz pensar que houve migração da população não em termos etários mais sim de mobilidade geográfica, pois a diferença entre a população até quinze anos decresceu, denotando assim que houve uma retirada de parte dessa população do efetivo populacional. Podemos inferir que a população que está pronta para o trabalho após os quinze anos está migrando, o que poderá acarretar um problema para a estrutura econômica da cidade. A estrutura populacional ainda apresenta certas peculiaridades que nos despertam a atenção como estão demonstrados pelo quadro 4, em que são apresentados nos indicadores de longevidade, mortalidade e fecundidade. Esses dados são interessantes, pois se nota que a mortalidade infantil diminuiu no intervalo da década pesquisada, pois houve um decréscimo caindo de 86,7 % para 52,8%, ou seja uma queda de aproximadamente 60%, o que aumentou de forma significativa a expectativa de vida ao nascer. Podemos verificar ainda que houve uma queda acentuada na taxa de fecundidade, pois caiu de 5,0% para 2,5% o número de filhos por 59 mulher, essa situação passa a ser um novo indicativo cultural na questão da sociedade ourovelhense (quadro 4). Quadro 4: Indicadores de Longevidade, Mortalidade e Fecundidade, 1991 e 2000 Mortalidade até 1 ano de idade (por 1000 nascidos vivos) Esperança de vida ao nascer (anos) Taxa de Fecundidade Total (filhos por mulher) 1991 86,7 56,2 5,0 2000 52,8 62,1 2,5 No quadro 5 poderemos atestar a questão da Vulnerabilidade Familiar, pois por época da coleta dos dados em 1991, não havia na sociedade ourovelhense nenhum nascimento de mãe com menos de 14 anos, porém a situação não se repetiu na década seguinte quando houve a outra coleta de dados, no ano de 2000. Quadro 5: Indicadores de vulnerabilidade familiar % de mulheres de 10 a 14 anos com filhos % de mulheres de 15 a 17 anos com filhos % de crianças em famílias com renda inferior à 1/2 salário mínimo % de mães chefes de família, sem cônjuge, com filhos menores 1991 ND 20,9 91,0 7,9 2000 0,3 6,0 77, 0 6,5 Ainda em se tratando de qualidade vida, não se pode deixar de ver a situação educacional (quadro 6 e 7) da população ourovelhense. Há uma escola pública da esfera municipal para o ensino médio, enquanto que no sentido de escolas de ensino pré-escolar existem nove instaladas, sendo uma da esfera estadual e oito na esfera municipal. No ensino fundamental há duas unidades da esfera estadual e oito municipais. Quadro 6: Nível Educacional da População de Jovem, 1991 e 2000 Faixa etária (anos) 4 a 14 10 a 14 15 a 17 18 a 24 Taxa de analfabetismo 1991 2000 46,8 13,9 34,2 7,2 20,9 6,0 27,8 14,4 % com menos de 4 anos de estudo 1991 2000 ─ ─ 84,0 62,0 51,4 22,9 47,4 29,0 % com menos de 8 anos de estudo 1991 2000 ─ ─ ─ ─ 90,4 79,3 78,4 64,4 % freqüentando a escola 1991 2000 74,4 96,2 77,1 96,0 57,6 78,7 ─ ─ 60 Quadro 7: Nível Educacional da População Adulta (25 anos ou mais), 1991 e 2000 Taxa de analfabetismo % com menos de 4 anos de estudo % com menos de 8 anos de estudo Média de anos de estudo 1991 49,2 73,0 89,7 89,7 2000 33,2 53,0 79,5 4,0 A renda per capita média do município cresceu 85,91%, passando de R$52,68 em 1991 para R$97,94 em 2000. A pobreza (medida pela proporção de pessoas com renda domiciliar per capita inferior a R$75, 50, equivalente à metade do salário mínimo vigente em agosto de 2000) diminuiu 27,69%, passando de 84,5%em 1991 para 61,1% em 2000. A desigualdade cresceu: o Índice de Gini passou de 0,50 em 1991 para 0,53em 2000 (quadro 8). Quadro 8: Porcentagem da Renda Apropriada por Extratos da População, 1991 e 2000 20% mais pobres 40% mais pobres 60% mais pobres 80% mais pobres 20% mais ricos 1991 4,1 13,4 27,8 50,5 49,5 2000 2,8 9,8 23,1 46,0 54,0 2.5.2 Desenvolvimento Humano A partir desses dados vamos encaminhando para uma leitura do Desenvolvimento Humano, pois no período referente a 1991-2000, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Ouro Velho cresceu 24,12%, passando de 0, 510 em 1991 para 0, 633 em 2000. A dimensão que mais contribuiu para este crescimento foi a Educação, com 45,3%, seguida pela Renda, com 27,8% e pela Longevidade, com 27,0%. Neste período, o hiato de desenvolvimento humano (à distância entre o IDH do município e o limite máximo do IDH, ou seja, 1 - IDH) foi reduzido em 25,1%. Se mantivesse esta taxa de crescimento do IDH-M, o município levaria 15,0 anos para alcançar São Caetano do Sul (SP), o município com o melhor IDH-M do Brasil (0, 919), e 8,5 anos para alcançar João Pessoa (PB), o município com o melhor IDH-M do Estado (0, 783). 61 Em 2000, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de Ouro Velho é 0, 633. Segundo a classificação do PNUD, o município está entre as regiões consideradas de médio desenvolvimento humano (IDH entre 0,5 e 0,8). Em relação a outros municípios do Brasil, Ouro Velho apresenta uma situação ruim: ocupa a 4053ª posição, sendo que 4052 municípios (73,6%) estão em situação melhor e 1454 municípios (26,4%) estão em situação pior ou igual. Em relação aos outros municípios do Estado, Ouro Velho apresenta uma situação boa: ocupa a 32ª posição, sendo que 31 municípios (13,9%) estão em situação melhor e 191 municípios (86,1%) estão em situação pior ou igual (quadro: 9, 10, 11, 12, 13 e 14 e Fig. 36 e 37). Quadro 9: Desenvolvimento Humano Índice de Desenvolvimento Humano Municipal Educação Longevidade Renda 1991 0, 510 0, 575 0, 519 0, 435 2000 0, 633 0, 743 0, 619 0, 538 2.5.3 Residências e habitações subnormais Dando continuidade à leitura sobre a qualidade de vida do cidadão ourovelhense passa-se a observar alguns elementos que quando combinados nos permitem verificar como é que está a população em relação a equipamentos e outras situações relativas ao desenvolvimento humano (quadro 10) Quadro 10: Acesso a Serviços Básicos, 1991 e 2000 Água Encanada Energia Elétrica Coleta de Lixo¹ ¹ Somente domicílios urbanos 1991 41,3 56,7 81,3 2000 68,9 94,6 96,0 Quadro 11: Acesso a Bens de Consumo, 1991 e 2000 Geladeira Televisão Telefone Computador 1991 16,3 34,3 3,2 ND 2000 60,1 86,5 14,9 1,1 62 Quadro 12: Indicadores de Vulnerabilidade Familiar, 1991 e 2000 % de mulheres de 10 a 14 anos com filhos % de mulheres 15 a 17 com filhos % de crianças em famílias com renda inferior à ½ salário mínimo % de mães chefes de família, sem conjugue, com filhos menores 1991 ND 20,9 91,0 7,9 Figura 36: Mapa referente a diferença entre os municípios do Cariri Ocidental 2000 0,3 6,0 77,0 6,5 63 Quadro 13: Quadro demonstrando as diferenças de IDH Ordem Município 1º Monteiro (PB) 2º Serra Branca (PB) 3º Sumé (PB) 4º Ouro Velho (PB) 5º Prata (PB) 6º Zabelê (PB) 7º Coxixola (PB) 8º São Sebastião do Umbuzeiro (PB) 9º Congo (PB) 10º Assunção (PB) 11º Parari (PB) 12º São José dos Cordeiros (PB) 13º Amparo (PB) 14º Camalaú (PB) 15º Taperoá (PB) 16º São João do Tigre (PB) 17º Livramento (PB) Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil Índice de Desenvolvimento Humano Municipal-Renda, 2000 0, 563 0, 560 0, 544 0, 538 0, 534 0, 523 0, 520 0, 519 0, 509 0, 509 0, 501 0, 496 0, 495 0, 490 0, 486 0, 475 0, 459 Figura 37: Mapa demonstrando o índice de pobreza na região do Cariri Ocidental 64 Quadro 14: 100 Maiores - Intensidade da pobreza, 2000 Municípios da Microrregião Cariri Ocidental - PB Ordem Município 1º São João do Tigre (PB) 2º Livramento (PB) 3º Taperoá (PB) 4º Camalaú (PB) 5º São José dos Cordeiros (PB) 6º Assunção (PB) 7º São Sebastião do Umbuzeiro (PB) 8º Parari (PB) 9º Coxixola (PB) 10º Amparo (PB) 11º Prata (PB) 12º Monteiro (PB) 13º Ouro Velho (PB) 14º Congo (PB) 15º Zabelê (PB) 16º Sumé (PB) 17º Serra Branca (PB) Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil Intensidade da pobreza, 2000 63,03 62,26 58,52 57,66 55,05 54,32 53,28 52,65 51,67 51,54 51,21 51 50,81 50,18 48,1 46,66 45,22 2.6 A Economia de Ouro Velho A população ourovelhense tem sua base econômica na agropecuária, mas fundamentalmente da pecuária. A cidade possui uma usina leiteira (de gado bovino e caprino) integrada à Secretaria de Desenvolvimento Rural Municipal em que a coleta é realizada pela Associação dos Criadores de Ouro Velho (FIG. 38). 65 Apesar de pequena produção, os mini-produtores leiteiros em sua maioria são associados à referida Associação que dispõe o leite produzido normalmente em tempo diário sendo duas vezes diariamente: uma vez pela manhã e outra à tarde. As propriedades produtoras têm sua produção artesanal, ou seja, de forma manual, no entanto, as exigências sanitárias têm que ser observadas, Figura 38: Secretaria Desenvolvimento Rural Data: 26/11/2006 Foto: Elvis de Almeida Jácome. de haja vista que há uma fiscalização rotineira buscando atender os padrões de qualidade estabelecidos pela empresa coletora do leite que é a Leite Cariri, lembrando que essa empresa tem sobre ela a fiscalização da vigilância sanitária vinculada ao Ministério da Agricultura. Conforme podemos verificar na questão da produção leiteira caprina, o produtor Edson de Freitas no Sítio Boa Vista dos Pedras, que tem seguido orientações de órgãos como a Secretaria do Desenvolvimento Rural do Município, o SEBRAE e a EMATER e está com o plantel adequado para a produtividade organizada para atender as exigências estabelecidas pelo mercado leiteiro (FIG. 39 e 40). Figura 39: Cocho asseado para alimentação de gado Figura 40: Cabras leiteiras no Sítio Boa Vista dos caprino. Pedras. Data: 12/01/2007 Data: 12/01/2007 Foto de Maria Barros Foto de Maria Barros 66 Alguns produtores, na questão da ovinocaprinocultura, assessorados pelo SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) procuram ir adaptando a atividade aos procedimentos empreendedores de alto desempenho. Nesse sentido todo aparato referente à saúde animal tem que ser observado, como por exemplo, a vacinação correta, observação da alimentação adequada à corrente leiteira tanto para os bovinos quanto para os caprinos. Torna-se fundamental que os produtores tenham um espírito empreendedor mais competitivo para atingir toda a cadeia produtiva do leite e busquem a produção com diferencial apropriado e procurem atingir os mercados consumidores (FIG. 41). 67 Figura 41: MAPA CONCEITUAL 1, ARRANJO PRODUTIVO DO LEITE 68 Fatos curiosos também acontecem na região, pois há uma grande população de eqüino, muares e asininos, este último é considerado apenas como animal reprodutor (FIG. 42), pois não é mais um animal considerado bom para o trabalho devido à moto-mecanização do campo. Figura 42: Jumento reprodutor Data: 12/01/2007 Foto: Maria Barros Um outro elemento, talvez o que esteja se sobressaindo como grande atividade produtiva é o tamanho da população de aves para corte. Como é uma atividade relativamente recente e que tem crescido demais na região, pois a empresa que dá suporte e também estabelece toda a cadeia produtiva de base para o plantel crescer é uma empresa sediada em São José do Egito - PE. denominada Serrote Redondo. Essa fábrica de beneficiamento já está sendo considerada pela literatura especializada como sendo uma das maiores em qualidade de produção, pois o nível de investimento nos setores de informatização e robótica tem sido elevado. Os aviários têm crescido em quantidade para abastecer a indústria que cresce bastante, isso devido ao nível de excelência e qualidade na relação com os produtores que abastecem a linha de produção. A empresa Serrote Redondo tem procurado influenciar uma boa parte da microrregião do Cariri atingindo praticamente toda a borda fronteiriça do Estado da Paraíba com Pernambuco. A avicultura hoje, no município já conta aproximadamente com doze aviários de grande porte, ou seja, com capacidade mínima de 5.000 e máxima de 19.000 aves. Os de grande porte, considerados aviários que chegam a abrigar mais de 10.000 aves, esses são dotados de tecnologia automatizada, diminuindo sensivelmente a relação de grandes populações de trabalhadores. Essas tecnologias aumentam a produtividade, pois o contato das aves com as pessoas pode acarretar uma diversidade de situações que diminuem a qualidade do crescimento das aves. Um processo produtivo de grande porte da avicultura requer investimento de aproximadamente R$125.000,00 (Junho/2007). A indústria Serrote Redondo faz as exigências 69 para que o produtor avícola tenha uma relação direta com a empresa, pois, a empresa firma contratos de parceria em que determina o produtor entrar com a estrutura e a mão de obra e a empresa deverá fornecer o “pintinho”, a ração e a assistência veterinária. A estrutura do aviário considerado como de grande porte requer uma área cuja largura é de 10 mts com 150 mts de comprimento, totalizando uma área coberta de 1500m2 (FIG. 43). É interessante observar que a cobertura do galpão normalmente é feita com telhas de barro (argila), haja vista que o lugar é de clima quente o ano todo e para amenizar os momentos cuja temperatura se eleva, é necessário colocar um sistema de refrigeração a água, que dispara automaticamente quando o termômetro atinge a temperatura de 25º a 28º. A água para refrigeração desses aviários normalmente vem de poços tubulares de profundidade média de 45 a 50 mts, cuja vazão média varia em torno de 1000 litros por hora (FIG. 44). Figura 43: Aviário Dois Irmãos – Sítio Carnaíba Data: 2004. Figura 44: Poço tubular no sítio Lava-pé que abastece o aviário Dois Irmãos. Data: 21/11/2006 Foto: Élvis Jácome A forma relativa ao criatório significa que os pintinhos são trazidos da empresa com um dia de nascido e deverão permanecer no galpão por aproximadamente 45 dias. Esses indivíduos ficarão despertos pelo tempo de crescimento e sobre um lugar que os acomode para que fiquem equilibrados sobre o assoalho. Esse assoalho é constituído de vegetais oriundos de gramíneas (capim elefante, palha de milho, sorgo, palha de arroz, dentre outros) que são ali depositados para acomodação dos pintinhos. Esse material do assoalho, após a retirada desses indivíduos que vão para o abate na empresa Serrote Redondo em Afogados da Ingazeira – PE 70 servirá como alimento para os rebanhos (gado bovino), pois é um material rico em proteínas e amplia a qualidade da alimentação dos mesmos, tanto para a subsistência quanto para engorda, sendo conhecido popularmente como cama-de-galinha ou de frango, e de um valor economicamente significante chegando às épocas de estiagens ao valor de R$ 0,30 (trinta centavos) o quilo, ou seja, em um galpão de grande porte chega a produzir em média vinte toneladas, rendendo ao avicultor uma média de R$ 6.000,00 (seis mil reais) (FIG. 45). 71 Figura 45: MAPA CONCEITUAUL 2, CADEIA PRODUTIVA DA AVE 72 Outra atividade econômica que se desta no município, principalmente no período de estiagem é o beneficiamento da argila, ou seja, a fabricação de tijolos de forma artesanal destinada à construção civil da região (FIG. 46, 47 e 48). Figura 46: Fabricação de tijolos artesanal. Data: 26.11.2006 Foto: Elvis de Almeida Jácome. Figura 47: Fabricação de tijolos artesanal. Data: 26.11.2006 Foto: Elvis de Almeida Jácome. Figura 48: Fabricação de tijolos artesanal. Data: 26.11.2006 Foto: Elvis de Almeida Jácome. 73 TERCEIRA PARTE 74 Considerações Finais Apesar de o Município encontrar-se num cenário geográfico de clima rigoroso com estiagens prolongadas e, vizinha bem próxima da região bioclimática denominada de subdeserto, o território municipal ainda contém atrativos para que a economia da população não esmoreça. Apesar de que o cenário aparentemente não é favorável, quando se olha apenas para a estiagem valorizando-a acima da capacidade de empreendimento da sociedade. A população em idade produtiva cresceu, ampliou-se a taxa de urbanização, indicando assim que os investimentos na área urbana poderão crescer, pois o campo apesar de grande fornecedor da produção que alimenta o município está focando sua produção em dois grandes tipos de negócios o da produção leiteira e da produção avícola. O Município criou estrategicamente a Secretaria de Desenvolvimento Rural construindo a usina de tratamento de leite, entretanto fica faltando uma política mais agressiva no tocante ao arranjo produtivo dos laticínios, ou seja, a transformação da Usina em Pólo de produção de produtos derivados do leite e assim poder entrar no mercado competitivo, haja vista que a cidade já conta com grande produção de manteiga, doce de leite e queijo. Essa política mais agressiva fará com que o produtor artesanal crie confiança e organize-se para ampliar a produção, procurando o SEBRAE para iniciar o empreendimento. 75 Referências Bibliográficas ATLAS DO DESENVOLVIMENTO HUMANO NO BRASIL. Site acessado em Dezembro de 2006: www.pnud.org.br/atlas/ ATLAS GEOGRÁFICO DO ESTADO DA PARAÍBA. João Pessoa, Grafset, 1985. Bancos de dados hidroclimatologicos do nordeste, SUDENE/DPG/HME. Sistema de pluviometria. Pluviometria mensal, Edição em 22/01/90. Posto - Prata, Estado - Paraíba Latitude 07-41. Número - 3855383 Municípios - Prata Longitude 37-06. Cód. Nacional: 007377004 Instalado em 1962 p/ SUDENE. BRASIL. Ministério do Interior. Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste. Departamento de Recursos Naturais. Dados Pluviométricos. Paraíba. Período 1963-1971. BRASIL. Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA. Acesso ao site e Dezembro de 2006: http://www.incra.gov.br/arquivos/0365801041.txt CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A. 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São Paulo: Atlas, 1992. 77 ANEXOS 78 Quadro 1: Distribuição das médias mensais durante o lapso de 23 anos no município de Prata -PB Ano jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Total 1963 14,8 130 156,3 165 9,7 30 3,3 0 1,2 0 0 279 789 1964 62,8 140 230,3 116 85 86,5 58,2 2,8 28,2 0 8,7 0 818 1965 62,8 0 237,7 498 49,6 149 13 34,9 8,1 11 0 0 1064 1966 27,4 284 2,7 90,2 75,6 67,3 57,5 0 0 0 27 0 632 1967 0 244 147,1 474 175 10 5,4 5,6 0 0 0 70,2 1131 1968 87,5 161 316,4 114 189 61,7 0 6,6 0 0 0 13 949 1969 187 0 325,5 160 34,3 112 158,1 7,5 0 0 0 0 984 1970 5,1 50,2 115,6 116 8,2 3,8 45,8 18,8 0 12,2 39 0 414 1971 24,8 44,2 397,3 289 87,3 53,5 9,9 20,8 38,6 38,9 0 0 1004 1972 0 80,5 12,8 37 29,5 31,8 16,4 107 1,4 0 0 68,7 385 1973 12,2 53,6 69,3 127 125 10,5 31,3 5 4,5 47,5 0 0,1 486 1974 169 204 241,2 195 58,2 34,3 46 2,5 6,4 0 41 14,5 1011 1975 5 67,2 270,5 153 52 19,4 96,7 11,4 6 0 2 20 703 1976 6,5 235 100,0G 71,6 60,9 1,3 6,1 0 0,8 38,7 17 18,8 557 1977 128 24 134,7 133 212 25,2 90,4 1,3 0 0 1 31,4 782 1978 0 137 197,5 124 73,4 58,7 20,5 8 15,5 0,5 7,5 2 645 1979 133 116 209 26,5 135 25,6 23,5 0 1 0 37 0 706 1980 10,2 167 50,3 68,5 7,3 32 8,8 0 0 4 39 0 387 1981 64,7 18,7 399,3 10,2 19,9 9,5 0,6 1,3 0,3 0 41 22,4 587 1982 8,6 29,7 75,6 146 96,5 8,4 17 1,2 2,5 0 0 7,8 393 1983 127 139 69,4 23,1 24,8 6,1 1,1 41,1 0 1 0 0 433 1984 18,4 26,4 191,3 333 166 16 55,9 70,6 5,9 6,4 24 0 914 1985 104 422 336,7 357 20,3 65,2 13,8 23,1 15,2 0 0 76,3 1434 média 54,7 121 186,3 166 78 39,8 32,4 15,7 5,8 6,6 13 26,3 máxima 187 422 399,3 498 212 149 158,1 107 38,6 47,5 41 279 mínima 0 0 2,7 10,2 7,3 1,3 0 0 0 0 0 0 Fonte: Dados pluviométricos mensais do Nordeste – Paraíba – SUDENE, Recife, 1990. 748 1434 385 79 Gráfico 1: Distribuição das médias mensais durante o lapso de 23 anos no município de Prata – PB. 80 Quadro 2:Distribuição das médias mensais durante o lapso de 23 anos no município de Sumé - PB Ano 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 Média Máxima Mínima Jan 28,2 61,9 36,5 99,1 8,5 0 190 44,6 0 5 0 101 0 0 80,2 0 95,2 4,3 96,5 0 40,5 0 128 51,3 190 0 Fev 25 25,3 25 78,3 130 23,6 37 8,3 0 35,2 3,5 230,4 65 120,5 43,2 55 157,9 290 0 0 134,3 0 260,2 90 290 0 Mar 189 107 65 0 223,7 303 219,3 49,5 28,8 1 5 346,8 415,1 200,9 255,3 262,2 41,3 33,5 311 25,6 68,6 161,3 401,1 Abr 18,2 61 256,8 154 190,8 159,9 265,5 45 252,4 33,9 28 423,8 858,1 55,3 443 372 89,9 0 51,3 84,6 0 194 490,9 Mai 2,4 90,7 87 86,1 211,5 53,9 174 0 11,5 79,1 31,2 99,5 446,4 3,3 281,9 369,1 67,1 0 13 41,6 0 90 56 175 176,1 97,6 401 490,9 369,1 0 0 0 Jun Jul Ago Set Out Nov 0 3,7 0 0 0 0 1,3 0,3 43 0 0 54,3 15 0 0 0 0 122 178,6 16,1 0 0 0 189,5 75,3 13,2 38,2 0 0 18,2 15,3 0 0 0 0 220,2 187,6 101,4 0 0 0 0 11,4 0 8,2 0 17,1 23,1 7 1 11 0 115,2 81 113 0 0 0 7 4 4,5 0 4,5 4,2 140,6 105,5 30,2 0 0 0 173,3 309,7 41,2 0 0 0 0 0 0 0 0 261,3 286,4 0 0 0 0 254,9 9,3 1 0 0 0 0 0 0 80 0 0 69,9 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 16,3 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 11 0 65 10,1 0 0 124 10 0 0 0 0 89,6 261,3 0 47,7 286,4 0 18,5 113 0 8,4 0,8 80 11 0 0 Fonte: Dados pluviométricos mensais do Nordeste – Paraíba – SUDENE, Recife, 1990. 0,1 4,2 0 Dez 39,2 10 12,6 12,1 38,6 0 10,6 10,6 0 12 0 90,3 103,5 0 0 0 0 Total 600 850 900 746 1119,3 700 1405,9 480 750 475,4 680 1567,7 920 560 950 1323,5 531,4 0 0 0 43 168,1 243 531,4 1513,1 14,1 825,5 90,3 1567,7 0 168,1 81 Gráfico 2: Distribuição das médias mensais durante o lapso de 23 anos no município de Sumé PB 82 Gráficos dos 23 anos de precipitação no município de Prata – PB 1963 a 1985 83 84 85 86 1972 ano de menor precipitação no município de Prata, 384,9 mm. 87 88 89 90 91 92 93 1985 ano de maior precipitação no município de Prata, 1.434 mm. 94 -------------------------------------- MUNICÍPIO=OURO VELHO CÓDIGO DO MUNICÍPIO=208124 UF=PARAÍBA ------------------------------------INCRA: ESTATÍSTICAS CADASTRAIS - SITUAÇÃO EM 1998 --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------TABELA 1.2 ÁREA TOTAL E DISTRIBUIÇÃO DAS ÁREAS EXPLORÁVEIS --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------| TOTAL | ÁREA | EXPLORÁVEL CATEGORIA DE IMÓVEL | | | | | |-----------------------------------------------------------------------------| | | TOTAL | EXPLORADA | NÃO UTILIZADA E | DE | TOTAL | | | | | |---------------------------+---------------------------+---------------------| | | | | | | | CLASSES DE NÚMERO DE | | | IMÓVEIS | ÁREA | IMÓVEIS | ÁREA | IMÓVEIS | ÁREA MÓDULOS FISCAIS DE | IMÓVEIS | -ha.| | | | | | ÁREA TOTAL | | | | -ha| | -ha| | -ha--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------TOTAL GERAL............... 161 8.938,0 161 8.799,3 159 7.309,3 98 1.490,0 MINIFÚNDIO................ PEQUENA TOTAL............. PEQUENA PRODUTIVA......... MÉDIA TOTAL............... MÉDIA PRODUTIVA........... GRANDE TOTAL.............. GRANDE PRODUTIVA.......... NÃO CLASSIFICADA.......... 139 13 2 6 5 3 0 0 2.139,0 1.069,0 126,0 2.400,0 1.700,0 3.330,0 0,0 0,0 139 13 2 6 5 3 0 0 2.108,3 1.053,0 110,0 2.344,0 1.644,0 3.294,0 0,0 0,0 137 13 2 6 5 3 0 0 1.612,3 679,0 101,0 2.124,0 1.624,0 2.894,0 0,0 0,0 81 13 2 3 2 1 0 0 496,0 374,0 9,0 220,0 20,0 400,0 0,0 0,0 ATÉ MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS MAIS 117 22 12 0 1 3 0 2 1 2 1 0 0 0 1.280,0 859,0 869,0 0,0 200,0 804,0 0,0 896,0 700,0 1.730,0 1.600,0 0,0 0,0 0,0 117 22 12 0 1 3 0 2 1 2 1 0 0 0 1.250,3 858,0 853,0 0,0 200,0 786,0 0,0 858,0 700,0 1.699,0 1.595,0 0,0 0,0 0,0 115 22 12 0 1 3 0 2 1 2 1 0 0 0 960,3 652,0 599,0 0,0 80,0 766,0 0,0 858,0 500,0 1.299,0 1.595,0 0,0 0,0 0,0 64 17 12 0 1 2 0 0 1 1 0 0 0 0 290,0 206,0 254,0 0,0 120,0 20,0 0,0 0,0 200,0 400,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,5.................. DE 0,5 A 1........... DE 1 A 2............. DE 2 A 3............. DE 3 A 4............. DE 4 A 5............. DE 5 A 6............. DE 6 A 10............ DE 10 A 15........... DE 15 A 20........... DE 20 A 50........... DE 50 A 100.......... DE 100 A 200......... DE 200 A 400......... 95 MAIS DE 400 A 600......... 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 MAIS DE 600............... 0 0,0 0 0,0 0 0,0 0 0,0 --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- IMÓVEIS INCONSISTENTES EXLUÍDOS: 11 96 FOTOGRAFIAS ANTIGAS DO MUNICÍPIO DE OURO VELHO/PB Arquivo da Igreja Matriz da Cidade de Monteiro Festa da Padroeira de Nossa Senhora das Graças, 1975 Festa da Padroeira de Nossa Senhora das Graças, 1967 97 Um dos primeiros automóveis (GMC/28) no do povoado na década de 20 Emancipação do Município de Ouro Velho em 15 de janeiro do ano de 1961 98 Emancipação do Município de Ouro Velho em 15 de janeiro do ano de 1961 99 Arquivo Pessoal do Dr. Paulo Dantas da Fazenda São Paulo Praça Coronel Sérgio Dantas Prefeitura Municipal de Ouro Velho 100 Local da atual Praça Marcilon Dantas Casa Paroquial 101 Praça Coronel Sérgio Dantas Mercado Público do Município de Ouro Velho 102 Rua Franklin Dantas Rua Antônio Izidro 103 Praça Coronel Sérgio Dantas