Resolução de situações-problema Situação-problema Redigir uma notícia para o jornal da escola a propósito do Dia da Europa (9 de maio): “A ideia de Nação e o nacionalismo europeu, de meados do século XIX às vésperas da Primeira Guerra Mundial” (1) (1) Esta notícia poderá ser a primeira de uma série sobre a formação e evolução da Comunidade Europeia no século XX, de molde a acompanhar o programa de 12.° ano. Saber Saber-fazer – Conhecer as vagas de revoluções nacionais que irromperam, na Europa, na primeira metade do século XIX (assunto estudado na Unidade 3 do Módulo 5) – Analisar fontes de natureza diversa, distinguindo afirmação implícita e explícita – Mostrar a submissão das nacionalidades nos estados autoritários, na segunda metade do século XIX – Pesquisar informação relevante, organizando-a segundo critérios de pertinência – Explicar o processo de unificação nacional levado a cabo por italianos e alemães na segunda metade do século XIX – Elaborar sínteses com correção linguística, estabelecendo traços definidores, distinguindo situações de rutura e de continuidade, utilizando, de forma adequada, terminologia específica – Relacionar a exaltação dos nacionalismos com o imperialismo de finais do século XIX, inícios do século XX – Comparar diferentes perspetivas – Utilizar as tecnologias de informação e comunicação Documentação doc A A Europa das Nações (1848) A República universal, democrática e social, litografia de Georges Sorrieu, 1848 (gravura alusiva às rebeliões nacionalistas então em curso). Nas bandeiras, partindo do início do cortejo, leem-se os nomes de: França, Alemanha, Áustria, Duas-Sicílias, Lombardia, România (incluída nos Estados do Papa). TEHA11-P3 © Porto Editora Saberes a mobilizar Resolução de situações-problema doc B Mapa humorístico da Europa em 1870 Transformados em personagens ou animais, os Estados europeus adotam entre si atitudes de grande valor simbólico, relacionadas com o contexto histórico do momento. doc C Duas ideias de Nação (1870) TEHA11-P3 © Porto Editora Em plena guerra franco-prussiana, e com a Alsácia-Lorena prestes a cair nas mãos da Prússia, levanta-se uma vigorosa polémica entre intelectuais dos dois países, a propósito do conceito de Nação: […] A Alsácia será da França ou da Alemanha? A Prússia conta bem resolver esta questão pela força; mas a força não lhe basta: ela quer também ser5 vir-se do Direito. Assim, enquanto os seus exércitos invadem a Alsácia e bombardeiam Estrasburgo, esforçais-vos por provar que ela [a Prússia] está no seu direito e que a Alsácia e Estrasburgo lhe pertencem legitimamente. Em vossa opinião, a Alsácia é um país alemão; portanto, ela deve pertencer à Alemanha. Como nela estava integrada outrora deve, agora, ser-lhe restituída. […] Invocais o princípio das nacionalidades, mas tendes dele uma diferente compreensão da restante 10 Europa. Na vossa opinião, tal princípio autorizaria um Estado poderoso a ocupar uma província pela força, com a única condição de que ela fosse habitada pela mesma raça que esse Estado. Segundo a Europa e o bom senso […] o princípio das nacionalidades não permitiu ao Piemonte conquistar pela força Milão e Veneza; permitiu sim, a Milão e a Veneza libertarem-se da Áustria e entregarem-se voluntariamente ao Piemonte. Vedes a diferença. Esse princípio pode bem dar à Alsácia um direito mas, a vós, não 15 dá nenhum sobre ela. […] Credes ter provado que a Alsácia é de nacionalidade alemã porque a sua população é de raça germânica e porque a sua língua é alemã. Mas eu espanto-me que um historiador como vós pareça ignorar que não são a raça nem a língua que fazem a nacionalidade. Resolução de situações-problema Fustel de Coulanges, historiador francês (1830-1889), L´Alsace est-elle allemande ou française? Réponse à T. Mommsen, professeur à Berlin, Paris, 27 de outubro de 1870 doc D As nações europeias vistas por Eça de Queirós (1888) Nunca na Europa se falou com tanta segurança, como hoje, de «fraternidade, de concórdia entre os povos, de fusão das raças numa simpatia»; e ainda há pouco em Paris, num congresso, um moralista, um sábio, predizia, entre aclamações, que bem cedo da linguagem purificada dos homens desapareceria este vetusto e bárbaro termo – o estrangeiro. De facto, porém, nunca entre as nações existiu, como neste decli5 nar dos velhos regímenes, tanta desconfiança, tanta malquerença, ódios tensos apesar de tão vagos. Não se encontra hoje na Europa povos genuinamente fraternais: e nos países cujos interesses mais se entreligam, as almas permanecem separadas. O Alemão detesta o Russo. O Italiano abomina o Austríaco. O Dinamarquês execra o Alemão. E todos aborrecem o Inglês – que os despreza a todos. São estes antagonismos, irracionais e violentos, tanto ou mais que as rivalidades de Estado, que forçam as nações a essa 10 rígida atitude armada em que elas se esterilizam e se enervam: e hoje, diferentemente dos tempos antigos, o amor e o cuidado da paz está nos reis e nos povos o impulso para a guerra. […] Por toda a parte assistimos assim ao desenvolvimento exaltado do indivíduo nacional. E, com o advento definitivo das democracias, haverá na Europa, não a universal fraternidade que os idealistas anunciam, mas talvez um vasto conflito de povos, que se detestam porque se não compreendem [...]. 15 Bristol, 1888 Eça de Queirós, artigo publicado em Anátema, Coimbra, maio de 1890, em Maria Filomena Mónica, 2003 – Eça de Queiroz, Jornalista, Principia Atividades 1. Observe a imagem do doc. A: 1.1. Como é simbolizada a presença de várias Nações europeias? Em que situação particular se apresenta a Itália? Justifique. 1.2. Que grupos sociais é possível distinguir? Que significado atribuir à presença de mulheres e crianças? 1.3. Quem representa a figura que segura a placa dos Direitos do Homem? Preste atenção à sua indumentária e ao conjunto de objetos que jazem no chão, em primeiro plano. TEHA11-P3 © Porto Editora Não é a raça […]. As conveniências geográficas, os interesses políticos ou comerciais são aquilo que 20 agrupou as populações e fundou os estados. […]. Se as nações correspondessem às raças, a Bélgica seria da França, Portugal da Espanha, a Holanda da Prússia […]. A língua, de igual modo, não é o sinal característico da nacionalidade. Falam-se cinco línguas na França e, todavia, ninguém se atreve a duvidar da nossa unidade nacional. Falam-se três línguas na Suíça; direis que a Suíça não é uma nação, direis que lhe falta o patriotismo? […] O que distingue uma 25 nação não é a raça nem a língua. Os homens sentem no seu coração que eles são um mesmo povo quando possuem uma comunidade de ideias, de interesses, de afetos, de recordações e de esperanças. Eis o que faz a Pátria. Eis porque os homens querem marchar juntos, trabalhar juntos, combater juntos, viver e morrer uns pelos outros. A Pátria é aquilo de que se gosta. Pode ser que a Alsácia seja alemã pela raça e pela língua; mas pela nacionalidade e pelo sentimento de pátria, ela é francesa. […] Resolução de situações-problema 1.4. Que significa a árvore? 1.5. Caracterize o ambiente que envolve a cena. 1.6. Que mensagem quis o artista difundir, a propósito das Nações europeias? (tenha em atenção o título da litografia). 2. Observe o mapa humorístico (doc. B): 2.1. Identifique atitudes de passividade, submissão, agressão, revolta, desespero por parte das potências europeias. 2.2. Como se apresenta a Grã-Bretanha? E a Itália? 2.3. Quem ameaça a Península Balcânica? 2.4. Que diferença revela a caricatura, sobre a Europa das Nações, relativamente à litografia? 2.5. Dê um título ao mapa. 3. Leia o texto do doc. C: 3.1. Caracterize os dois conceitos de Nação e identifique os respetivos autores. 3.2. Qual deles se opõe à mensagem do doc. A? Qual deles se aproxima? Porquê? 3.3. O texto ajuda a explicar a descrição da França e da Prússia na caricatura? Porquê? 4. Leia o texto de Eça de Queirós (doc. D): 4.1. O texto confirma ou desmente a visão manifestada na caricatura do doc. B? Justifique. 4.2. Como se explica a situação relatada no texto? 4.3. Evidencie o carácter premonitório da última frase de Eça de Queirós. 5. Que diferenças existem entre o movimento das nacionalidades/nacionalismo em 1848 e nos finais do século XIX? 6. Esclareça as dúvidas que tiver: TEHA11-P3 © Porto Editora – recorra ao seu professor; – consulte a Internet. 7. Mobilize, agora, os saberes apreendidos. Redija uma notícia para o jornal da escola com o título: “A ideia de Nação e o nacionalismo europeu, de meados do século XIX às vésperas da Primeira Guerra Mundial”.