UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO DOUTORADO EM ENSINO DE CIÊNCIAS E MATEMÁTICA Formação inicial de pedagogos para ensinar matemática: constatações, reflexões e desafios do estágio curricular Júlia de Cássia Pereira do Nascimento Orientadora: Profª. Dra. Edda Curi Tese apresentada ao Doutorado em Ensino de Ciências e Matemática, da Universidade Cruzeiro do Sul, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Doutora em Ensino de Ciências e Matemática. SÃO PAULO 2014 AUTORIZO A REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO, PARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE. FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL N195f Nascimento, Júlia de Cássia Pereira do. Formação inicial de pedagogos para ensinar matemática: constatações, reflexões e desafios do estágio curricular / Júlia de Cássia Pereira do Nascimento. -- São Paulo; SP: [s.n], 2014. 312 p. : il. ; 30 cm. Orientadora: Edda Curi. Tese (doutorado) - Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática, Universidade Cruzeiro do Sul. 1. Ensino de matemática 2. Formação de professores 3. Estágio curricular supervisionado 4. Pedagogia – Formação inicial do professor 5. Ensino de matemática – Ensino fundamental. I. Curi, Edda. II. Universidade Cruzeiro do Sul. Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática. III. Título. CDU: 51:37(043.2) UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO Formação inicial de pedagogos para ensinar matemática: constatações, reflexões e desafios do estágio curricular Júlia de Cássia Pereira do Nascimento Tese de doutorado defendida e aprovada pela Banca Examinadora em 06/06/2014. BANCA EXAMINADORA: Profa. Dra. Edda Curi Universidade Cruzeiro do Sul Orientadora Profa. Dra. Cíntia Aparecida Bento dos Santos Universidade Cruzeiro do Sul Profª. Dra. Celi Aparecida Espasandin Lopes Universidade Cruzeiro do Sul Profa. Dra. Vera Maria Jarcovis Fernandes Universidade Cidade de São Paulo Prof. Dr. Rômulo Pereira Nascimento Secretaria Estadual de Educação “... mire, veja: o mais importante e bonito do mundo é isto; que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou.” João Guimarães Rosa. Grande Sertão: Veredas AGRADECIMENTOS Nada disso seria possível se Ele não colocasse Sua mão, sabedoria e proteção em minha vida e meus caminhos. A Deus, portanto o agradecimento maior por me sustentar, iluminar e proteger. Especial agradecimento e carinho à Profª Dra. Edda Curi, por ter abraçado este trabalho juntamente comigo, sempre com paciência e persistência dosando o rigor e a amizade, a razão e o coração, me aceitou com todas as minhas limitações, mostrando enorme competência e segurança, sendo em todos os momentos fonte de conhecimento, estímulo, incentivo e aprendizado, numa orientação tranquila, compartilhada e perfeita na conclusão deste trabalho. Aos professores Dr. Rômulo Pereira Nascimento, Dra.Vera Maria Jarcovis Fernandes, Dra. Cíntia Aparecida Bento da Silva e Dra. Celi Aparecida Espasandin Lopes, membros da banca, pelos comentários e sugestões apontadas no momento da qualificação, que muito contribuíram para a finalização deste trabalho, e por terem aceito participar também deste momento da defesa, com suas experiências, saberes e orientações nas análises e reflexões sobre a constituição deste trabalho. Ao Prof. Dr. Luiz Henrique Amaral, por seu incentivo e acompanhamento no processo de construção deste trabalho, pelas oportunidades e pela confiança em mim depositada. Aos mestres do Programa de Pós-Graduação - Doutorado em Ensino de Ciências e Matemática da Universidade Cruzeiro do Sul, pelas aulas, conversas e contribuições para as reflexões sobre minha formação e pesquisas. À Universidade Cruzeiro do Sul, pela oportunidade de fazer parte de seu corpo docente, pela confiança e pelo crescimento proporcionado. Aos alunos do curso de Pedagogia, que se constituíram no principal motivo para buscar mudanças. Em especial aos meus queridos estagiários, sujeitos desta pesquisa, “MAO”, “TARS”, “EAM”, “LISE” e “VANGRA”. A colaboração de vocês foi essencial para que este trabalho pudesse ser realizado. Aos colegas, professores e alunos que participam do Grupo de Pesquisa CCPPM – Conhecimentos, Crenças e Práticas de Professores que ensinam Matemática, em especial àqueles do Programa Observatório da Educação, em cujos encontros semanais contribuíram com suas discussões, experiências, pesquisas e produções que foram essenciais para o desenvolvimento desta pesquisa. Ao meu esposo Joaquim, companheiro inseparável, paciente, atento às minhas menores necessidades, sempre diligente para que eu tivesse a serenidade necessária para minhas leituras e reflexões. Obrigada pelos muitos momentos solitários em frente à TV, pelos cafezinhos na hora certa, por entender quando eu precisava de silêncio e por me ouvir quando eu precisava conversar. Seu incentivo a cada pequena conquista e descoberta, trouxe força, alegria, amor e ternura para meus dias, permitindo a conclusão deste trabalho. Aos meus filhos Cesar, Felipe e Victor, minhas filhas Lila, Cibele e Cíntia e ao meu irmão Fábio, que embora privados de minha companhia em muitos momentos, foram pacientes e presentes, me apoiando, ajudando e incentivando a conclusão deste trabalho. O caminho foi longo, muitas pessoas estiveram comigo em minha vida, me ajudaram, apoiaram, outras infelizmente partiram e deixaram um grande vazio. Sei que esqueci de várias pessoas, mas a todos que passaram pela minha vida e que comigo viveram os altos e baixos do caminho percorrido até esta conquista, pela força, apoio e alegria compartilhada, os quais de alguma forma contribuíram para a construção de quem sou hoje, o meu muito obrigada. A todos, o meu carinhoso agradecimento. Que Deus abençoe suas vidas. NASCIMENTO, J. C. P. Formação inicial de pedagogos para ensinar matemática: constatações, reflexões e desafios do estágio curricular. 2014. 312 f. Tese (Doutorado em Ensino de Ciências e Matemática)–Universidade Cruzeiro do Sul, São Paulo, 2014. RESUMO O presente trabalho teve como objetivo analisar os portfólios de cinco estudantes do curso de Pedagogia de uma Universidade da cidade de São Paulo, com o propósito de identificar “se” e “como” os estágios podem contribuir para as reflexões destes alunos sobre o aprender a ensinar Matemática. A questão diretriz desta pesquisa é “Que mudanças são necessárias à organização e desenvolvimento dos estágios para melhorar a formação inicial dos pedagogos para ensinar Matemática?”. Por meio de pesquisa de natureza qualitativa, utilizou-se o método de estudo de caso, na análise dos relatos dos sujeitos da pesquisa registrados em seus portfólios, com base em Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011). Nossas discussões embasaram-se nos aportes teóricos de diferentes autores que tratam da formação dos professores, do ensino de Matemática e da importância do estágio nessa formação. Uma pesquisa documental na legislação vigente, nos documentos norteadores da realização do estágio na Universidade em questão, nas ementas das disciplinas relativas à formação para ensinar Matemática, além de um mapeamento sobre as produções existentes sobre o tema, contribuiu para a análise de nossas questões. As considerações finais mostram que os estágios poderão contribuir efetivamente para a formação dos professores que vão ensinar Matemática, se forem realizadas importantes mudanças na organização dos mesmos na Universidade e em seu desenvolvimento nas escolas de Ensino Fundamental; na postura dos professores orientadores de estágio na Universidade e dos professores que acompanham os estagiários nas escolas. As constatações destacadas, os desafios e as contribuições para superá-los evidenciados em nossas conclusões mostram que se o estágio for direcionado em sua organização e desenvolvimento, poderá contribuir para melhorar a formação inicial dos pedagogos para ensinar Matemática. Palavras-chave: Formação de professores, Estágio curricular supervisionado, Ensino de matemática, Educação matemática. NASCIMENTO, J. C. P. Initial training of teachers to teach mathematics: findings, reflections and challenges of the traineeship. 2014. 312 f. Tese (Doutorado em Ensino de Ciências e Matemática)–Universidade Cruzeiro do Sul, São Paulo, 2014. ABSTRACT This study aims to analyze the portfolios of five students of pedagogy students of a University of São Paulo, with the goal of identifying "if" and "how" stages may contribute to these reflections on the students learn to teach Mathematics. We seek to answer the guideline question of this research, which is “What changes are needed to the organization and development stages to enhance the initial training of teachers to teach mathematics?”. Through qualitative research, we used the method of case study to analyze the reports of the subjects recorded in their portfolios, based on Chamoso Sánchez, Caceres Garcia and Azcárate Goded (2011). Our discussions are based on the theoretical contributions of different authors dealing with the training of teachers of mathematics teaching and the importance of this training stage. Documentary research on the current legislation, the guiding documents of the training course at the University in question, on the menu of courses on training to teach mathematics, and a mapping of existing productions on the subject, contributed to the analysis of our questions. The final considerations show that internships can effectively contribute to the training of teachers who will teach mathematics, if major changes are made in the same organization at the University and its development in schools; in the attitude of teachers guiding internship at the University and teachers who accompany trainees in schools. The findings highlighted the challenges and contributions to overcome them evidenced in our findings show that the stage is routed in your organization and development, can contribute to improving the initial training of teachers to teach Mathematics. Keywords: Teacher training, Supervised, Teaching of mathematics, Mathematics education. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 - Gráfico das Observações de Estágio das horas de aulas de Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental .................... 28 Figura 2 - Folha de Atividade: A contagem do Seu João ................................. 150 Figura 3 - Folha de Atividade: Xícara Maluca (A e B) ....................................... 151 Figura 4 - Folha de Atividade: Sobe e desce, desce e Sobe (A e B) ............... 152 Figura 5 - Folha de Atividades: Igual e Diferente ............................................. 153 Figura 6 - Folha de Atividades: Sequência Numérica ...................................... 154 Figura 7 - Folha de Atividades: Ordem Crescente ........................................... 155 Figura 8 - Folha de atividades: Quadros Numéricos ........................................ 158 Figura 9 - Folha de Atividades: Bairros e populações ..................................... 159 Figura 10 - Folha de Atividades: Comparando e ordenando ............................. 160 Figura 11 - Folha de atividade: Eu começo, você termina. ................................ 161 Figura 12 - Folha de atividades: Conjunto .......................................................... 162 Figura 13 - Folha de atividades: Sequência numérica e Conjuntos.................. 163 Figura 14 - Folha de atividades: Ditado de números.......................................... 165 Figura 15 - Folha de atividade: Formando dezenas ........................................... 166 Figura 16 - Folha de atividade: Composição ...................................................... 168 Figura 17 - Folha de atividade: Decomposição .................................................. 169 Figura 18 - Folha de atividade: Trabalhando com unidades e dezenas ........... 170 Figura 19 - Folha de atividade: A fruteira da casa de Lívia ................................ 172 Figura 20 - Folha de atividade: Na barraca de frutas ......................................... 173 Figura 21 - Folha de atividade: Outros cálculos de Daniel ................................ 174 Figura 22 - Folha de atividades: Problemas ........................................................ 175 Figura 23 - Folha de atividade: Problemas do campo aditivo ........................... 176 Figura 24 - Folha de atividade: Resolução Grupo A........................................... 177 Figura 25 - Folha de atividade: Resolução Grupo B........................................... 178 Figura 26 - Folha de Atividade: Resolução Grupo C .......................................... 179 Figura 27 - Folha de atividade: Multiplicações ................................................... 181 Figura 28 - Folha de atividade: Formando palavras com resolução de operações ........................................................................................... 183 Figura 29 - Folha de atividade: Classificação de formas geométricas ............. 185 Figura 30 - Folha de atividade: A forma da melancia ......................................... 186 Figura 31 - Folha de atividade: Geometria e Subtração ..................................... 187 Figura 32 - Folha de atividade: As caixas de presente de Patrícia ................... 189 Figura 33 - Folha de atividade: Hora de ir embora! ............................................ 190 Figura 34 - Folha de atividade: Explicando o caminho ...................................... 191 Figura 35 - Folha de atividade: O quarteirão da escola ..................................... 191 Figura 36 - Folha de atividade: Calendário ......................................................... 193 Figura 37 - Folha de atividade: Dias da semana ................................................. 194 Figura 38- Folha de atividade: Unidade 2 ........................................................... 195 Figura 39 - Folha de atividade: Uma receita muito fácil!.................................... 196 Figura 40 - Folha de atividade: Dúzia .................................................................. 197 Figura 41 - Folha de atividade: É REAL!.............................................................. 198 Figura 42 - Folha de atividade: Calculando......................................................... 199 Figura 43 - Folha de atividade: Arraial Legal ...................................................... 200 Figura 44 - Gráfico das Observações de Estágio das horas de aulas de Matemática no 1º ano do Ensino Fundamental ............................... 262 Figura 45 - Gráfico das Observações de Estágio das horas de aulas de Matemática no 2º ano do Ensino Fundamental ............................... 262 Figura 46 - Gráfico das Observações de Estágio das horas de aulas de Matemática no 3º ano do Ensino Fundamental ............................... 263 Figura 47 - Gráfico das Observações de Estágio das horas de aulas de Matemática no 4º ano do Ensino Fundamental ............................... 263 Figura 48 - Gráfico das Observações de Estágio das horas de aulas de Matemática no 5º ano do Ensino Fundamental ............................... 264 LISTA DE TABELAS E QUADROS Tabela 1 - Conteúdos trabalhados ..................................................................... 147 Tabela 2 - Número de salas e alunos por escola .............................................. 288 Tabela 3 - Variação do IDEB das escolas pesquisadas nas três últimas edições ................................................................................................ 289 Quadro 1 - Registro das Observações de Estágio sobre aulas de Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental .................. 27 Quadro 2 - Os saberes dos professores ............................................................. 46 Quadro 3 - Trabalhos sobre Ensino de Matemática ........................................... 60 Quadro 4 - Resumo dos trabalhos pesquisados: focos e categorias .............. 63 Quadro 5 - Plano de ensino da disciplina Fundamentos Metodológicos do Ensino de Matemática I ................................................................ 86 Quadro 6 - Plano de ensino da disciplina Fundamentos Metodológicos do Ensino de Matemática II ............................................................... 88 Quadro 7 - Plano de ensino da disciplina Prática de Ensino e Orientação de Estágio Curricular Supervisionado nos anos iniciais do Ensino Fundamental .......................................................................... 91 Quadro 8 - Conteúdos: Facilidades e dificuldades .......................................... 120 Quadro 9 - Materiais utilizados no planejamento e desenvolvimento das aulas de Matemática ........................................................................ 124 Quadro 10 - Roteiro para realização do estágio ................................................. 139 Quadro 11 - Parâmetros para análise da dimensão do Conhecimento segundo Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011) .................................................................................... 143 Quadro 12 - Parâmetros para análise da dimensão da Reflexão segundo Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011) ..... 144 Quadro 13 - Parâmetros para análise da dimensão da Criatividade segundo Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011) .................................................................................... 145 Quadro 14 - Categorização dos estagiários: Conhecimento ............................ 222 Quadro 15 - Categorização dos estagiários: Reflexão ...................................... 223 Quadro 16 - Categorização dos estagiários: Criatividade ................................. 223 SUMÁRIO CAPITULO 1 - O INÍCIO DA JORNADA .................................................................. 17 1.1 Introdução ............................................................................................. 17 1.2 Trajetória enquanto professora do curso de Pedagogia e professora de Prática de Ensino ......................................................... 17 1.3 Motivação da Pesquisa ........................................................................ 20 1.4 Inserção no Grupo de Pesquisa.......................................................... 21 1.5 Observações empíricas sobre a realização dos estágios pelos alunos do curso de Pedagogia ........................................................... 24 1.6 Objetivos da Pesquisa ......................................................................... 30 1.6.1 Objetivo Geral ....................................................................................... 30 1.6.2 Objetivos específicos .......................................................................... 30 1.7 Questões de Pesquisa ......................................................................... 31 1.8 Procedimentos da Pesquisa................................................................ 31 1.9 Organização da Pesquisa .................................................................... 36 CAPÍTULO 2 - SOBRE O ESTÁGIO NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR .............. 39 2.1 Introdução ............................................................................................. 39 2.2 Procedimentos Metodológicos ........................................................... 39 2.3 Algumas considerações sobre o estágio ........................................... 41 2.4 Discussão teórica sobre a importância do Estágio na formação do professor ......................................................................................... 43 2.4.1 Contribuições teóricas sobre a formação do professor ................... 43 2.4.2 Contribuições teóricas sobre o estágio na formação do professor ............................................................................................... 51 2.4.3 Contribuições teóricas sobre o estágio na formação do professor que vai ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental ............................................................................ 53 2.5 Contribuições de pesquisas sobre o estágio no curso de Pedagogia e a formação para ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental .......................................................... 59 2.5.1 Análise dos dados ................................................................................ 64 2.6 Considerações sobre o Capítulo ........................................................ 69 CAPÍTULO 3 - CONTEXTUALIZANDO A PESQUISA ............................................. 73 3.1 Introdução ............................................................................................. 73 3.2 Procedimentos Metodológicos ........................................................... 73 3.3 A Legislação Vigente e os Estágios ................................................... 75 3.4 Sobre o estágio no curso de Pedagogia da Universidade pesquisada............................................................................................ 80 3.5 Análise das ementas das disciplinas relativas à formação para o ensino de Matemática ....................................................................... 84 3.6 Os estagiários, as escolas e as professoras envolvidas .................. 93 3.6.1 O perfil dos estagiários ....................................................................... 93 3.6.2 O perfil das escolas que recebem os estagiários ........................... 113 3.6.3 O perfil das professoras que recebem os estagiários .................... 116 3.6.3.1 Escolha da carreira ............................................................................ 118 3.6.3.2 Disciplinas ou áreas de maior interesse .......................................... 119 3.6.3.3 Planejamento e a organização das aulas de Matemática ............... 123 3.6.3.4 Contribuições da graduação para o ensino ..................................... 126 3.6.3.5 Orientação pedagógica para o ensino de Matemática .................... 127 3.6.3.6 Formação continuada ........................................................................ 128 3.6.3.7 Acompanhamento de estagiários ..................................................... 129 3.7 Considerações sobre o Capítulo ...................................................... 131 CAPITULO 4 - OS ESTÁGIOS E OS ESTAGIÁRIOS: O ESTUDO DE CASO ...... 135 4.1 Introdução ........................................................................................... 135 4.2 Procedimentos Metodológicos ......................................................... 136 4.2.1 O portfólio ........................................................................................... 138 4.3 A análise dos dados ........................................................................... 146 4.3.1 Conteúdos trabalhados, atividades desenvolvidas e análise dos estagiários ................................................................................... 146 4.3.1.1 Conteúdos trabalhados ..................................................................... 146 4.3.1.2 Atividades desenvolvidas.................................................................. 149 4.3.1.2.1 Números Naturais e Sistema de Numeração Decimal .................... 149 4.3.1.2.2 Operações ........................................................................................... 171 4.3.1.2.3 Espaço e Forma.................................................................................. 185 4.3.1.2.4 Grandezas e Medidas ......................................................................... 192 4.3.1.2.5 Tratamento da Informação ................................................................ 200 4.3.1.2.6 Outras atividades desenvolvidas ...................................................... 201 4.3.1.3 Algumas observações dos estagiários com relação às experiências vivenciadas nos estágios ........................................... 203 4.4 A análise das dimensões de aprendizagem reveladas pelos estagiários .......................................................................................... 214 4.5 Considerações sobre o Capítulo ...................................................... 226 CAPÍTULO 5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................... 229 5.1 Algumas considerações iniciais ....................................................... 229 5.2 Os gestores e professores da Universidade.................................... 233 5.3 O gestor da escola e o professor que acompanha o estágio ......... 235 5.4 O aluno estagiário .............................................................................. 236 5.5 Considerações e contribuições da pesquisa ................................... 238 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 245 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ............................................................................ 249 APÊNDICES ........................................................................................................... 261 ANEXO ................................................................................................................... 309 17 CAPITULO 1 - O INÍCIO DA JORNADA Daquilo que eu sei Nem tudo me deu clareza Nem tudo foi permitido Nem tudo me deu certeza... Daquilo que eu sei... Nem tudo me foi possível... Não fechei os olhos, Não tapei os ouvidos... (Ivan Lins e Vítor Martins) 1.1 Introdução Uma pesquisa nasce das inquietações ou curiosidades acerca de um tema ou na busca de novas ideias ou caminhos para desenvolvermos nosso trabalho. Fruto de nossa formação e atuação profissional, além de nossas posturas e concepções sobre as práticas do professor, esta pesquisa pretende discutir a formação do professor que vai ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental, que se dá nos cursos de Pedagogia e em outros espaços de formação, aqui por nós ressaltados especialmente o momento da realização do Estágio Curricular Supervisionado. Para a realização da pesquisa, iniciamos apresentando os caminhos percorridos em nossa formação profissional, seja como aprendiz, seja como orientadora e mediadora da aprendizagem dos alunos do Curso de Pedagogia. Relataremos as motivações que nos levaram à pesquisa, destacando nossa preocupação com a formação do professor dos anos iniciais do Ensino Fundamental, as observações empíricas realizadas sobre os estágios e especialmente sobre os estágios na área de Matemática, considerações relativas aos objetivos, à questão da pesquisa, aos procedimentos metodológicos e à organização da pesquisa. 1.2 Trajetória enquanto professora do curso de Pedagogia e professora de Prática de Ensino O momento presente nem sempre é parte da primeira escolha que fazemos 18 no início de nossa trajetória profissional. Minha1 primeira graduação foi em Ciências Contábeis. O gosto e facilidade em cálculos e raciocínio lógico me influenciaram nesta escolha. Logo após a conclusão da graduação fui convidada a lecionar em um curso técnico de Contabilidade. Pensei estar perfeitamente preparada para esta tarefa, porém o que me esperava em sala de aula não era nem de longe algo que eu fosse capaz de desenvolver. Rapidamente percebi que gostar de cálculos e conhecer contabilidade não me conferia competência para ensinar. Busquei então um curso na Faculdade de Tecnologia de São Paulo FATEC-SP, denominado Esquema-l, hoje extinto, que era um curso de licenciatura para bacharéis que habilitava à docência no Ensino Médio ou Técnico. Após esta experiência, identifiquei-me com a área da educação, porém ainda não reconhecia em mim os conhecimentos e as competências necessárias para o exercício da docência. Percebia em muitos de meus alunos falta de conhecimentos matemáticos básicos que os impedia de desenvolver conceitos e atividades referentes à Contabilidade. Foi uma época de muitos estudos e descobertas, pois apesar de perceber a necessidade de ensinar de formas diferentes para que meus alunos pudessem aprender, eu mesma não possuía a formação pedagógica necessária para tal. E nas dificuldades que os alunos apresentavam nos conteúdos matemáticos, também não podia ajudá-los, pois embora conhecesse o conteúdo não encontrava uma maneira de ensiná-los. Ingressei então na graduação em Pedagogia na Universidade Cruzeiro do Sul e paralelamente realizei um curso de Pós-Graduação lato-sensu em Didática, na Universidade São Luis. Desde o início de meus estudos trabalhei com jovens ou adultos. A única experiência que tive diretamente com crianças foi em uma creche da prefeitura, em que assumi o posto de assistente da direção e paralelamente a esta função auxiliava nas tarefas da coordenação pedagógica. Foi um período de grandes descobertas. À 1 a Nesse item utiliza-se a 1 pessoa por se tratar de relatos de experiências e vivências pessoais. 19 época não havia ainda o Ensino Fundamental de nove anos e, portanto as crianças ficavam na creche até completarem cinco anos, quando eram encaminhadas à Escola Municipal de Educação Infantil - EMEI. Além disso, ainda tínhamos as chamadas pajens e a formação das professoras que atendiam às crianças era em nível médio. Também estávamos em um período de transição, com a obrigatoriedade do nível superior para os professores de Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental, porém com um período concedido pelo Ministério da Educação para que os professores procurassem esta formação. Este fato, aliado ao trabalho realizado na creche chamou minha atenção para a formação de professores, dando início à pesquisa e formação direcionada a este foco de trabalho. Dando continuidade à minha formação e pesquisa, ingressei no Mestrado em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie e, antes mesmo de terminá-lo, comecei a lecionar no curso de Pedagogia de uma faculdade localizada na zona norte da cidade de São Paulo. O início do trabalho neste curso veio me colocar em um espaço privilegiado de atuação, pois acreditava que minha colaboração para com a educação seria mais efetiva se eu atuasse na formação de professores e não diretamente com as crianças. Assim pensava por entender que a formação do professor é importante, na medida em que se a mesma não for bem direcionada e mediada, o trabalho com as crianças torna-se repetitivo e infrutífero. Após um ano nesta instituição, desliguei-me para ingressar em 2008 em uma Universidade da zona leste de São Paulo. Já no início de meus trabalhos foi-me atribuída a orientação na disciplina Prática de Ensino e Estágio Curricular Supervisionado em Orientação Educacional, no curso de Pedagogia, que desenvolvi durante um semestre. O foco deste estágio não era a docência, a habilitação dos alunos visava prepará-los para um trabalho de coordenação pedagógica ou orientação educacional. Mas as discussões se direcionavam invariavelmente para a prática do professor, pois o trabalho de coordenação ou orientação pedagógica pode apresentar problemas para o profissional se o mesmo não conhecer a prática do professor em sala de aula, as implicações de seu conhecimento e formação para a docência. 20 A partir do semestre seguinte assumi a orientação da disciplina Prática de Ensino e Estágio Curricular Supervisionado em Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, voltada à formação de professores, função que desenvolvo até o presente momento. Esta disciplina busca propiciar aos alunos a conexão entre teoria e prática, trazendo para a sala de aula as discussões sobre suas observações confrontadas com as teorias desenvolvidas nas diferentes disciplinas. Estes momentos fazem com que as dúvidas dos alunos relacionadas à prática docente se potencializem. Deste confronto surgiram as questões mais específicas quanto ao ensino de Matemática, uma vez que na realização do estágio os alunos percebem as dificuldades dos professores observados em relação a esta disciplina. Vejo como muito importante a disciplina em questão, que juntamente com outras que passei a lecionar no curso de Pedagogia, como Didática, Avaliação Educacional e Gestão Educacional, me permitiram conviver com os medos, problemas e anseios dos alunos relacionados à prática docente e possibilitaram reflexões que me trouxeram até a presente pesquisa. 1.3 Motivação da Pesquisa Sempre entendi que os problemas de aprendizagem tinham que ser antes encarados como prováveis problemas de ensino. E problemas de ensino, em qualquer nível, incluem inicialmente os professores do Ensino Fundamental, formados atualmente nos cursos de Pedagogia, os quais merecem um olhar diferenciado por desenvolverem um trabalho com as crianças ligado a todas as disciplinas, talvez por esse motivo conhecidos como professores polivalentes. Recebemos neste curso alunos com diferentes tipos de formação, com algumas defasagens cognitivas e conceituais, que invariavelmente vão influenciar em sua forma de trabalho com as crianças do Ensino Fundamental. Durante quatro anos consecutivos fui responsável pela maioria das turmas que deve cumprir Estágio Curricular Supervisionado no curso de Pedagogia. No ano de 2012 ao encontrar-me novamente nesta tarefa, pude confirmar a importância desta disciplina como um dos momentos do curso em que temos a possibilidade de 21 propiciar aos alunos a conexão entre teoria e prática, trazendo para a sala de aula as discussões sobre suas observações confrontadas com as teorias desenvolvidas nas diferentes disciplinas. E deste confronto se potencializaram as dúvidas e necessidades dos alunos com relação à formação para ensinar Matemática. Pesquisa de doutorado anterior, de nosso grupo de pesquisa defendida por Fernandes (2012) mostra que a teoria fornecida no curso de formação deixava a desejar e quando na realização do estágio os alunos percebiam o que ocorria quando o professor adentrava uma sala de Ensino Fundamental sem o devido conhecimento e formação para o ensino de Matemática. 1.4 Inserção no Grupo de Pesquisa O ingresso no curso de Pós-graduação em Ensino de Ciências e Matemática, para a realização do doutorado, me propiciou a participação no Grupo de Pesquisa CCPPM - Conhecimentos, Crenças e Práticas de Professores que ensinam Matemática. Com reuniões quinzenais o grupo discute sobre as situações de ensino e aprendizagem de Matemática, realiza leituras, apresentação de seminários, sempre relacionados à prática dos professores e às metodologias do ensino de Matemática. Desde o início de 2011, o grupo de pesquisa desenvolve uma significativa investigação no âmbito do Programa Observatório da Educação, com fomento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes, denominada “Prova Brasil de Matemática: revelações e possibilidades de avanços nos saberes de alunos de 4ª série / 5º ano e indicativos para formação de professores”, com o objetivo de promover estudos e pesquisas focados nos estudos sobre os processos de ensino e aprendizagem de Matemática e na formação de professores. Este programa tem a finalidade de, a partir do trabalho colaborativo, avançar nas pesquisas acadêmicas, analisando o banco de dados de Matemática do Sistema de Avaliação da Educação Básica - SAEB e da Prova Brasil, relativas à 4a 22 série/5°ano, disponibilizado pelo INEP para o Programa Observatório da Educação (Edital 2010). De acordo com Curi (2010), estas ações ampliam os objetivos das pesquisas, visando estender o diálogo entre a comunidade acadêmica, gestores de políticas educacionais e os diversos atores envolvidos no processo, subsidiando a discussão sobre avaliação educacional, ensino-aprendizagem de Matemática e formação de professores. Frutos das pesquisas realizadas no grupo colaborativo, percebemos elementos que contribuem para discussões sobre a avaliação educacional, o processo de ensino-aprendizagem em Matemática e a formação inicial e continuada de professores. O grupo é constituído atualmente de oito alunos do curso de Graduação em Pedagogia e Matemática da Universidade; sete professoras das redes Municipal e Estadual de ensino de São Paulo, que atuam com crianças dos anos iniciais do Ensino Fundamental; cinco mestrandos e um doutorando do Programa de PósGraduação em Ensino de Ciências e Matemática da Universidade, além de mestres e doutores na qualidade de pesquisadores. Dentre os participantes alguns são bolsistas da Capes e outros são colaboradores voluntários. Os dados apresentados e discutidos nas reuniões são coletados no próprio grupo de pesquisa e nas escolas colaboradoras do Programa Observatório. São seis escolas envolvidas, distribuídas entre as redes Municipal e Estadual de São Paulo, as quais se constituem como polos de pesquisa com os alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. Os encontros do grupo ocorrem a cada quinze dias, com reflexões que partem da tematização da prática, embasando as discussões em estudos teóricos que contribuam para que se possa avançar também na prática pedagógica. As ações desenvolvidas permitem que os integrantes do grupo analisem as produções escritas dos alunos, formulando hipóteses sobre as dificuldades apresentadas, a fim de que os mesmos avancem nas aprendizagens. Com isto os professores envolvidos podem incorporar as análises realizadas à sua prática, contribuindo com o desenvolvimento da aprendizagem matemática de seus alunos. 23 Utilizando os dados quantitativos e qualitativos obtidos nas escolas participantes, o grupo trabalha coletivamente na elaboração de questões discursivas que possibilitem a análise das respostas construídas pelos alunos; da forma como tais questões foram desenvolvidas em sala; dos erros e das dificuldades apresentados pelos alunos; da reorganização das questões e de sequências de atividades para o progresso nas aprendizagens dos alunos. Nos anos de 2011 e 2012 o grupo pesquisou e discutiu alguns temas matemáticos do currículo dos anos iniciais do Ensino Fundamental, dentre os quais o Sistema de Numeração Decimal - SND, os problemas do Campo Aditivo e do Campo Multiplicativo. O Programa Observatório da Educação é de grande relevância tanto para o ensino como para a pesquisa, uma vez que promove a integração e o diálogo entre elementos de várias instâncias educacionais. Observa-se que o grupo abriga participantes com diferentes experiências e trajetórias profissionais e acadêmicas, revelando assim diferentes olhares no trabalho coletivo desenvolvido. As contribuições para a pesquisa se revelam nas participações do grupo em encontros e congressos ligados à Educação Matemática, além de publicações em peródicos da área e livros, o que dá visibilidade e credibilidade ao trabalho realizado. O ingresso neste grupo nos trouxe uma nova visão sobre o ensino de Matemática no Ensino Fundamental, agregando grande valor à presente pesquisa, no convívio e discussões com os participantes do grupo, doutores, mestres, docentes da instituição, doutorandos e mestrandos do programa, professoras das redes municipal e estadual, e alunos do curso de Pedagogia da Universidade. Os alunos do curso de Pedagogia que participam do Programa Observatório são bolsistas e serão colaboradores diretos, na qualidade de sujeitos da presente pesquisa. As vivências e observação dos alunos em relação ao estágio, os resultados da sondagem e minha participação no grupo de pesquisa foram as primeiras motivações para esta tese de doutorado. 24 1.5 Observações empíricas sobre a realização dos estágios pelos alunos do curso de Pedagogia A realização do estágio no curso de Pedagogia na referida Universidade em que atuo, ocorre a partir do 4° semestre, com foco na Educação Infantil. No 5° semestre os alunos realizam o estágio de observação nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A partir do 6° semestre o estágio é feito com observações na Gestão Educacional. Embora em todos os estágios realizados os alunos tragam questionamentos, dúvidas e sugestões sobre a resolução de certos problemas observados, é no Ensino Fundamental que se concentram as maiores discussões. Os alunos trazem questionamentos sobre a prática dos professores observados, ressaltando a pouca importância dada à Matemática nas aulas do Ensino Fundamental. Segundo eles durante uma semana de observação nas salas de aula, têm a oportunidade de acompanhar muitas atividades envolvendo leitura e escrita, artes, meio ambiente, enquanto a Matemática é pouco trabalhada. As observações assistemáticas das situações mencionadas nos relatórios de estágio dos alunos e as conversas informais com os próprios apontavam para a pouca importância dada à Matemática nas aulas do Ensino Fundamental, pois às vezes a Matemática era trabalhada uma única vez na semana. Além disso, os alunos apontavam para a falta de preparo e o aparente desconhecimento de conceitos matemáticos por parte de certos professores, o que fazia com que não se esforçassem para trabalhar mais vezes a Matemática. Destas observações surgiu a discussão sobre os conteúdos, conhecimentos e metodologias para ensinar Matemática, recebidos pelos alunos, tanto na disciplina Fundamentos e Metodologia de Ensino de Matemática (FME de Matemática), quanto nos Estágios Curriculares Supervisionados realizados. A partir destas considerações surgiram questionamentos sobre o que estes alunos estavam recebendo no curso de formação para ensinar Matemática, o que me propiciou a oportunidade de oferecer em 2010 na Universidade em questão, uma Disciplina Optativa intitulada "Didática da Matemática". Foram abertas 40 vagas, mas recebi 62 alunos para cursar a disciplina, cujo número não foi maior por falta de espaço na sala de aula. Muitos me procuraram dizendo-se interessados, pois 25 consideravam que a formação para ensinar Matemática propiciada no curso, por meio da disciplina FME de Matemática, era muito aquém das necessidades verificadas nas aulas durante a realização dos estágios, para sua prática docente. As afirmações dos alunos nos levam a pensar sobre o momento de realização do Estágio Curricular por parte deles. Segundo Pimenta (2006) o estágio curricular é o momento da formação em que os alunos desenvolvem atividades nos futuros campos de atuação profissional, estabelecendo comparações e conhecendo a realidade. Este é o momento de sintetizar conteúdos, teorias, experiências pessoais, num processo de reflexão-ação-reflexão. Neste sentido a opinião da autora vem ao encontro do pensamento de Schön (2000) ao propor os movimentos de reflexão-na-ação, reflexão-sobre-a-ação e reflexão-sobre-a-reflexão-na-ação, na formação profissional do professor. Sendo assim, o aluno deve refletir sobre a ação docente que desenvolverá, no ensino de Matemática, a partir da teoria, ou seja, do que foi ensinado e aprendido no curso de formação. Porém, ao cumprir o Estágio Curricular, como parte obrigatória de sua formação, quando o aluno somente observa, não se apoia na própria ação de ensinar quando faz suas reflexões. Disso decorre que o aluno acaba por refletir sobre a ação do outro, o professor observado, o que pode não contribuir para que ele se torne efetivamente um professor que reflete sobre sua prática no ensino de Matemática. Assim, ao observarem a prática do professor os alunos constróem os saberes necessários à sua própria prática, que no entendimento de Tardif (2002) são saberes disciplinares, curriculares e experienciais. É preciso refletir e discutir sobre o papel do Estágio Curricular Supervisionado e da prática do professor observado na formação do aluno de Pedagogia e em sua reflexão sobre a ação deste professor. Os alunos do curso de Pedagogia, via de regra traziam a insatisfação com a maneira como desenvolviam o Estágio, pois o mesmo não lhes trazia acréscimo de conhecimento para exercer a docência. Uma das maiores preocupações relatadas pelos alunos era quanto ao ensino de Matemática. Segundo eles havia poucas aulas de Matemática nas salas que acompanhavam nos anos iniciais do Ensino 26 Fundamental, e quando tinham a oportunidade de acompanhar esta disciplina percebiam a falta de interesse, conhecimento e prática específica para trabalhar os conceitos e conteúdos matemáticos, por parte dos professores observados. Além disso, os alunos colocavam a questão da formação que recebiam no curso de Pedagogia para ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. As queixas e apreensões eram focadas em dois polos: a falta de mais disciplinas que os preparassem para ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental e a inexistência de uma experiência mais aprofundada sobre este ensino na realização do estágio nas escolas, junto às professoras deste nível de ensino. Ainda que estas informações chegassem até nós de forma assistemática e informal, não era possível ignorar a fala destes alunos, futuros professores, sobre a prática que estavam acompanhando e especialmente sobre as reflexões que realizavam a partir da prática do professor observado. A partir dessas observações empíricas, fiquei motivada para realizar uma pesquisa mais intencional para identificar a quantidade de aulas de Matemática e de Língua Portuguesa, em relação ao total de horas observadas em cada sala ou ano do estágio nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o que esperávamos nos trouxesse maiores subsídios para analisar o problema apontado pelos alunos de que havia poucas aulas de Matemática. A escolha da observação somente de Língua Portuguesa e Matemática em relação ao total de horas acompanhadas deu-se em virtude destas duas disciplinas serem consideradas prioridade no Ensino Fundamental, até mesmo em virtude das avaliações externas serem direcionadas para a aprendizagem das crianças nessas áreas. Ao relacionar com o número total de horas observadas temos uma visão do tempo destinado à Matemática em relação a tudo que é ministrado nas demais disciplinas. Assim, solicitamos que os alunos realizassem suas observações no estágio nos anos iniciais do Ensino Fundamental, coletando dados que possibilitassem aferir alguns elementos para refletir sobre nossas inquietações. Neste momento eu era orientadora de estágio nos anos iniciais do Ensino Fundamental, atendendo aproximadamente 500 alunos. Deste total, inicialmente 124 alunos do 5° semestre do curso de Pedagogia colaboraram nesta pesquisa. Nossa 27 ideia era de que os alunos do curso participassem da coleta de dados para a elaboração da nossa pesquisa de doutorado. Para cada sala observada, além das fichas de estágio e relatório exigidos pela Universidade, os alunos preencheriam quadros que demonstravam as observações realizadas em cada um dos anos do Ensino Fundamental, de acordo com a proposta de identificar a quantidade de aulas de Língua Portuguesa e Matemática. Além disso, os estagiários deveriam apontar a justificativa dos professores sobre o número de horas dispensado a cada disciplina e para isso foi proposto o instrumento a seguir: Prof.: Formação: Série/Ano: Total/hs-observadas Disciplina N° de aulas Língua Portuguesa Matemática Justificar o porquê desta divisão de horas: Escola observada: Aluno estagiário: Quadro 1 - Registro das Observações de Estágio sobre aulas de Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental Após o retorno dos instrumentos e relatórios de estágio, num primeiro momento foram tabulados os dados focando na quantidade de aulas de Matemática, Língua Portuguesa e demais disciplinas. Foram elaborados gráficos sendo um para cada ano observado, os quais encontram-se nos anexos2 ao final deste trabalho e um gráfico geral, resumindo as informações sobre o número de aulas de Matemática observados nos estágios, conforme destacamos a seguir: 2 Apêndice A – Gráficos com quantidade de aulas de Matemática observadas por ano de escolaridade. 28 Figura 1 - Gráfico das Observações de Estágio das horas de aulas de Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental Estas informações nos levaram a observar a questão do trabalho com Matemática pelas professoras de cada ano do Ensino Fundamental. Pudemos apreender que no 1º, 2º e 3º ano do Ensino Fundamental a relação entre as aulas de Língua Portuguesa e Matemática é em média de 2 para 1. As justificativas das professoras não mostram incapacidade ou falta de vontade de trabalhar a Matemática. Declaram que seguem um roteiro planejado pela escola e cumprem o estabelecido. Outras ainda justificam a necessidade de reforçar a alfabetização nos primeiros anos do Ensino Fundamental, motivo pelo qual dedicam mais tempo à Língua Portuguesa do que à Matemática. Os resultados de nossa análise davam indícios de que, pelo menos no período em que os alunos realizaram seus estágios, foram observadas menos aulas de Matemática do que de outras disciplinas. Esta primeira análise, ao levarmos em conta somente dados quantitativos e as justificativas das professoras, nos deu indícios de que a contribuição do estágio para o ensino de Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental, assim como relatavam os alunos, pode ser realmente pequena, se levarmos em conta somente o pequeno número de aulas de Matemática observadas. 29 Porém somente a constatação de que há poucas aulas de Matemática para os estagiários assistirem, não nos dava subsídios para responder às nossas questões. A partir deste momento precisávamos de uma observação mais aprofundada e focada no objeto de estudo desta pesquisa de doutorado. Por este motivo, foi solicitada a colaboração dos alunos que auxiliaram com suas observações, para realizar uma pesquisa mais direcionada sobre o ensino de Matemática, com acompanhamento do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, focando na atuação do professor, atividades e conteúdos, relacionando-os com a aprendizagem proporcionada no curso de Pedagogia, nas disciplinas referentes à formação do professor para ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Queríamos entender quais as aprendizagens para ensinar Matemática eram propiciadas a estes alunos na realização do estágio. A disponibilidade para auxiliar em nossa pesquisa foi pouca, em virtude da mesma focar agora somente no ensino de Matemática. Os alunos relatavam problemas para realizar o estágio nos dias em que havia aula de Matemática, uma vez que as professoras justificavam a ausência da disciplina devido à rotina préestabelecida de aulas. Além disso, os alunos justificavam a não participação pela falta de abertura e disponibilidade das escolas em receber os alunos, compartilhar materiais e colaborar com a realização do estágio e especialmente da pesquisa. Diante desta dificuldade e da falta de colaboração dos alunos que participaram da primeira fase da pesquisa, entendemos que seria interessante contarmos com a colaboração de alunos que se comprometessem e se envolvessem com seriedade com este trabalho, escolhendo então cinco alunos do curso de Pedagogia que por serem bolsistas da Capes e estarem engajados no Grupo de Pesquisa CCPPM e em especial no Programa Observatório da Educação, poderiam ter maior disponibilidade para a pesquisa. Estes alunos, na qualidade de bolsistas tinham o compromisso de realizar diferentes atividades solicitadas no grupo, entre elas relatórios de observação e reflexões sobre as discussões desenvolvidas no grupo. Considerou-se que entre estas tarefas, a observação e colaboração seriam desenvolvidas com mais cuidado pelos alunos, além do que facilitaria as discussões e reflexões colaborativas entre os elementos do grupo de pesquisa, uma vez que com o trabalho realizado todos 30 buscamos os mesmos objetivos com relação ao ensino e à aprendizagem de Matemática. 1.6 Objetivos da Pesquisa A partir dessa problemática apresentada construimos o objetivo geral e os objetivos específicos de nossa pesquisa. 1.6.1 Objetivo Geral Esta investigação tem por objetivo analisar portfólios de cinco estudantes do curso de Pedagogia, com o propósito de identificar “se” e “como” os estágios podem contribuir para as reflexões destes alunos sobre o aprender a ensinar Matemática. A composição do portfólio será explicitada nos procedimentos de pesquisa. A partir desse objetivo geral, construímos os objetivos específicos. 1.6.2 Objetivos específicos 1. Identificar o perfil dos alunos da graduação, sujeitos da pesquisa, e sua relação com a Matemática; 2. Identificar o perfil das escolas e dos professores que recebem esses alunos como estagiários; 3. Identificar “se” e “como” o estágio contribui na formação desses alunos para ensinar Matemática; 4. Identificar as aprendizagens e dificuldades desses alunos para ensinar Matemática. Esta investigação pretende contribuir para a formação de professores para ensinar Matemática, propiciada nos cursos de Pedagogia por meio do estágio e disciplinas correlatas. 31 1.7 Questões de Pesquisa Em função desses objetivos construímos a seguinte questão de pesquisa: “Que mudanças são necessárias à organização e ao desenvolvimento dos estágios para melhorar a formação inicial dos pedagogos para ensinar Matemática?” A partir desta questão, estabelecemos questões diretrizes para o encaminhamento da pesquisa: - Qual é a organização da disciplina Estágio Curricular Supervisionado nos anos iniciais do Ensino Fundamental no curso de Pedagogia pesquisado? - Qual é o perfil dos estagiários do curso analisado? Quais são as relações desses estagiários com a Matemática e seu ensino? - Qual é o perfil das escolas e das professoras que recebem os estagiários do curso de Pedagogia em questão? - Que relações com a Matemática e seu ensino têm os professores que recebem os estagiários? - O que revelam as aulas de Matemática desses professores, observadas pelos estagiários? - Que reflexões fazem os estagiários ao observar as aulas de Matemática em relação aos conteúdos abordados e metodologias utilizadas? - Que reflexões fazem os estagiários sobre suas necessidades para ensinar Matemática? 1.8 Procedimentos da Pesquisa Segundo Goldenberg (2004) a pesquisa científica exige diferentes atributos do pesquisador, num constante confronto entre o possível e o impossível, o que é e o que deveria ser. Portanto, a pesquisa não é reduzida somente a procedimentos metodológicos, muito embora necessite destes procedimentos para se constituir como tal. 32 Conforme já abordamos anteriormente, esta investigação contará com a participação de cinco alunos do curso de Pedagogia, bolsistas da CAPES no Programa Observatório da Educação, os quais na qualidade de sujeitos desta pesquisa, colaborarão com suas observações na realização dos estágios e registros das mesmas em portfólios de aprendizagem, cujos relatos devem envolver suas colocações sobre o estágio e reflexões sobre a prática do professor e suas aprendizagens. Esta pesquisa foi realizada de forma qualitativa pelo método de estudo de caso. Para Goldenberg (2004) a utilização da pesquisa qualitativa em ciências sociais dá aos pesquisadores maior liberdade de escolha entre as possibilidades que podem responder aos objetivos da pesquisa. Nossa escolha pela pesquisa qualitativa se deu por entendermos que a mesma é pertinente a este trabalho, uma vez que se pretende observar e compreender a forma como os alunos, no contexto da realização dos estágios, pensam, refletem, experienciam, aprendem e agem com relação à sua formação para ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Destaca-se também que a pesquisa qualitativa segundo Lüdke e André (1986) possui características específicas que nos mostram a sua pertinência para o desenvolvimento deste trabalho. Uma vez que sua principal fonte de dados é o ambiente natural e o pesquisador constitui-se em instrumento da pesquisa, entendemos que as observações dos alunos sujeitos da pesquisa e as análises realizadas nos colocam no ambiente da pesquisa, no caso as escolas e o momento das observações do estágios, fazendo com que sejamos em alguns momentos, os próprios instrumentos da pesquisa. Além disso, as autoras destacam que na pesquisa qualitativa os dados coletados são descritos, o que podemos perceber nos registros das atividades realizadas pelos alunos, permitindo uma análise mais aprofundada e coerente com as observações, que se estabelecem a partir de um olhar diferenciado que podemos ter sobre o processo desenvolvido e a percepção das pessoas que estão envolvidas neste processo, tais sejam a pesquisadora, os alunos e os professores que acompanham estes alunos na realização dos estágios, buscando as aprendizagens 33 evidenciadas sobre o ensino de Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Por se constituir em um método de pesquisa que tem suas bases nas relações entre os participantes da pesquisa, entre pesquisador e pesquisados, entendemos que trará maiores contribuições ao presente trabalho. A partir desta escolha, elegemos o método de Estudo de Caso, na observação da realização do estágio curricular supervisionado pelos cinco sujeitos desta pesquisa; delimitado num determinado contexto (o Estágio Curricular Supervisionado desenvolvido nas escolas); envolvendo tais sujeitos na busca de respostas e soluções para as questões apresentadas. O Estudo de Caso tem como característica descrever a realidade de um determinado contexto, estudando algo singular dos alunos pesquisados, representando suas diferenças, utilizando variedades de fontes de informação através de uma linguagem mais simples. (LÜDCKE; ANDRÉ, 1986). Apoiamo-nos em Yin (2005) para fundamentar a utilização da estratégia do estudo de caso, o que permitirá observar cada um dos alunos, assim como todo o contexto que delineou a realização do estágio, para depois ser feita uma análise dos pontos coincidentes e discordantes dos relatos de cada sujeito. Segundo o autor O estudo de caso é a estratégia escolhida ao se examinarem acontecimentos contemporâneos, mas quando não se podem manipular comportamentos relevantes. O poder diferenciador do estudo de caso é sua capacidade de lidar com uma ampla variedade de evidências – documentos, artefatos, entrevistas e observações – além do que pode estar disponível no estudo histórico convencional. (YIN, 2005. p. 26-27). As características do estudo de caso serão apresentadas no capítulo 4. A fim de levantarmos os dados necessários a esta investigação, determinamos os instrumentos e técnicas a serem utilizados. Com a aceitação dos alunos em participar e colaborar com a nossa pesquisa, com suas observações, solicitamos então que elaborassem portfólios a partir das observações realizadas nos seus estágios. Entrevistas, narrativas, atividades e o perfil das escolas e dos professores que recebem estes alunos para a 34 realização do estágio, serão elementos que constituirão a base para a elaboração de portfólios com dados que após analisados vão incorporar o relatório de nossa pesquisa. Combinamos que eles assistiriam a pelo menos vinte aulas de Matemática. Hernandez (1998) assim define o portfólio: [...] um continente de diferentes tipos de documentos (anotações pessoais, experiências de aula, trabalhos pontuais, controles de aprendizagem, conexões com outros temas fora da escola, representações visuais, etc) que proporciona evidências do conhecimento que foram sendo construídos, as estratégias utilizadas para aprender e a disposição de quem o elabora para continuar aprendendo. (HERNANDEZ, 1998, p. 166). As características dos portfólios e suas contribuições para o estudo de caso são apresentadas no capítulo 4, no qual são realizadas as análises dos portfólios dos alunos. Embora o instrumento principal de coleta de dados de nossa investigação seja o portfólio elaborado pelos alunos, utilizamos outras técnicas para embasar nossa investigação. A primeira delas é a pesquisa bibliográfica, que nos possibilitou a utilização das contribuições de autores que permitam aprofundar nossa investigação sobre a formação do professor para o ensino de Matemática. Segundo Gil (2008) a pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Valemo-nos deste tipo de pesquisa para fundamentar teoricamente as considerações sobre a formação do professor, a formação para ensinar Matemática, conhecimentos e saberes necessários à docência, e o estágio na formação dos professores. Utilizamos esta técnica também no capítulo 2, quando discorremos sobre o estágio na formação do professor e discutimos as contribuições teóricas para esta formação. As características desta pesquisa assim como sua utilização neste trabalho encontram-se no Capítulo 2 e Capítulo 3. 35 Utilizamos ainda no capítulo 3 a pesquisa documental, onde analisamos os documentos da Universidade pesquisada, como Projeto Pedagógico do Curso de Pedagogia, documentos institucionais relativos às orientações para a realização dos estágios e as ementas das disciplinas relativas à formação do professor e ao ensino de Matemática. De acordo com Lüdke e Andre (1986) o objetivo da pesquisa documental é completar as informações obtidas por outras técnicas, ou trazer à tona aspectos relevantes do trabalho. Para Gil (2008) a pesquisa documental é muito parecida com a pesquisa bibliográfica, mas a diferença está na natureza das fontes utilizadas, uma vez que a pesquisa documental utiliza materiais que não receberam ainda um tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetos da pesquisa. O autor destaca que a análise dos documentos pode ser de “primeira mão”, ou seja, aqueles que ainda não foram interpretados, ou uma revisão de documentos que já foram processados, mas podem receber interpretações diferentes do pesquisador, permitindo o tratamento de documentos que ainda não foram utilizados para uma pesquisa. Utilizamos ainda a pesquisa documental na análise das produções publicadas no site da CAPES, presente no capítulo 2, a fim de encontrarmos produções que tratassem do mesmo tema e mostrarmos a relevância desta investigação. Estes documentos foram utilizados para a realização de um mapeamento, cujos dados foram categorizados sob a perspectiva da análise de conteúdo proposta por Bardin (2007). Esse processo pode ser dividido em três fases: pré-análise, exploração dos resultados e interpretação dos mesmos. As características da pesquisa documental e da análise de conteúdo de Bardin, assim como sua utilização neste trabalho encontram-se no Capítulo 2. Os procedimentos de pesquisa utilizados nas ações que darão suporte à análise serão descritos no início de cada capítulo, contextualizando a utilização do método em relação às discussões apresentadas no capítulo. 36 1.9 Organização da Pesquisa Nossa pesquisa está organizada da seguinte forma: No Capítulo 1 foi apresentada a trajetória percorrida para que se chegasse ao desenvolvimento da presente pesquisa. Foram relatadas nossas experiências profissionais e as relações estabelecidas com os alunos do curso de Pedagogia; a realização do Estágio Curricular Supervisionado nos anos iniciais do Ensino Fundamental; as observações e os questionamentos oriundos deste estágio e a participação no Grupo de Pesquisa e Programa Observatório como fatores determinantes no estabelecimento das questões e objetivos da pesquisa e da escolha dos sujeitos da pesquisa. Destacamos também os objetivos da investigação, as questões e procedimentos da pesquisa. No Capítulo 2 apresentamos uma análise sobre o estágio na formação do professor. Inicialmente são apresentados os procedimentos metodológicos utilizados para a realização desta análise. Na sequência, partindo das contribuições teóricas que apontam para a discussão sobre a importância do estágio na formação dos professores, discutimos a formação do professor com Shulman (1986), Tardif (2002), e Pimenta ( 2010); a importância da reflexão nesta formação com Schõn (2000) e Alarcão (2003); o estágio na formação do professor com Piconez (2000) e Pimenta (1997, 2006); e a formação de professores que ensinam Matemática sob a perspectiva de Serrazina (2001), Curi (2005, 2006, 2011) e Ball (2008). Um mapeamento sobre as investigações nacionais relacionadas ao nosso tema, demonstra neste capítulo a relevância de nossa pesquisa frente às produções existentes. No Capítulo 3 realizamos a contextualização da pesquisa. São apresentados os procedimentos metodológicos utilizados na apresentação e análise do cenário da pesquisa. Por meio de análise documental estabeleceu-se um estudo da legislação de estágio curricular vigente no país, de documentos que embasam a realização do Estágio na Universidade pesquisada e das ementas das disciplinas oferecidas no curso em questão relacionadas ao ensino de Matemática e à prática de ensino. Estabeleceu-se ainda uma análise do estágio no curso de Pedagogia da Universidade acompanhada com um breve relato da história do estágio neste curso, 37 do percurso e evolução para se alcançar o formato oferecido hoje. Apresentamos considerações sobre o atual Regulamento de Estágio, a forma de realização, orientações e contribuições do estágio para a formação dos alunos do curso para ensinar Matemática e a análise dos planos de ensino das disciplinas FME de Matemática I, FME de Matemática II e Prática de Ensino e Orientação de Estágio Curricular Supervisionado nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Como parte importante deste contexto, apresentamos ainda o perfil dos estagiários, das escolas e dos professores que os receberam na realização do estágio. No Capítulo 4 apresentamos e analisamos os dados coletados por meio dos portfólios. São apresentados os procedimentos utilizados para análise, o aporte teórico para tais análises, assim como os relatos das observações dos cinco estagiários, com suas contribuições, análise de suas observações e conclusões dos mesmos sobre o estágio realizado a partir dos portfólios elaborados. Ao final do capítulo foram feitas as análises interligadas e comparativas dos relatos, observações e considerações dos cinco sujeitos da pesquisa, com as conclusões e reflexões propiciadas pelos estudos. Encerra-se a apresentação da pesquisa no Capítulo 5 em que se encontram as considerações finais, constatações, contribuições, recomendações e desafios para que o estágio dos cursos de Pedagogia propicie aprendizagens que melhorem a formação de professores para ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Destacamos no capítulo a seguir, alguns aportes sobre o estágio na formação do professor dos anos iniciais do Ensino Fundamental que darão subsídios à nossa pesquisa. 39 CAPÍTULO 2 - SOBRE O ESTÁGIO NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR Ninguém começa a ser educador numa certa terça-feira às quatro horas da tarde. Ninguém nasce educador ou é marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma como educador permanente, na prática e na reflexão sobre a prática. (Freire, 1986) 2.1 Introdução Neste capítulo estabelecemos uma discussão sobre o estágio no curso de formação de professores, especificamente no curso de Pedagogia. Esta ação é importante para que possamos refletir sobre os aportes teóricos desta pesquisa, discutindo sobre o estágio, a formação do professor e em especial do professor que ensina Matemática, assim como verificar a relevância da pesquisa com base nas produções existentes sobre o tema. Faremos uma revisão nas contribuições de autores que tratam da formação do professor, assim como da importância do estágio para esta formação e especialmente para a formação para o ensino de Matemática. Destacamos também um levantamento para verificarmos as contribuições das pesquisas existentes sobre o estágio no curso de Pedagogia e a formação para ensinar Matemática. 2.2 Procedimentos Metodológicos Conforme já anunciado em capítulo anterior, vamos utilizar a pesquisa qualitativa no desenvolvimento deste trabalho. Para que possamos entender e analisar a realização do estágio curricular supervisionado, que em complementação à formação propiciada na graduação apresenta-se como importante momento de formação do professor, será feita uma revisão de literatura, valendo-nos da pesquisa bibliográfica. Por meio da pesquisa bibliográfica, buscamos autores que nos tragam fundamentos teóricos que justifiquem ou não nossas colocações sobre as 40 aprendizagens do professor para ensinar Matemática nos anos iniciais e sobre o estágio e sua importância na formação deste professor. A pesquisa bibliográfica possibilita conhecermos as diferentes contribuições científicas disponíveis sobre o tema, nos auxiliando na fundamentação das questões apresentadas. Entendemos que este procedimento está de acordo com nossos objetivos para o presente Capítulo, uma vez que pretendemos discutir a importância do estágio na formação do professor, levantar as contribuições teóricas sobre esta formação e especialmente sobre o professor que vai ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A pesquisa bibliográfica nos levará, portanto, de acordo com Cervo, Bervian e Silva (2007) à busca da explicação do problema apresentado à luz das referências teóricas já produzidas, para conhecer e analisar as diferentes contribuições sobre o tema. A procura por produções sobre o foco de nossa pesquisa de doutorado nos levou ainda à realização de um mapeamento sobre o tema. Para este mapeamento utilizamos uma pesquisa de caráter documental, nas dissertações e teses publicadas pela Capes, no período de 2001 a 2012. Após o levantamento de tais documentos, utilizamos a proposta de análise de conteúdo de Bardin (2007) para a categorização dos mesmos. Segundo Bardin (2007, p. 33) a análise de conteúdo é um conjunto de técnicas de análise das comunicações, que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens. A autora assim descreve cada uma das etapas propostas para a organização da análise de conteúdo: 1. Pré-análise: fase que envolve a preparação do material e a leitura flutuante. Num primeiro contato com os documentos, é feita uma leitura geral e a escolha dos documentos a serem analisados de acordo com os objetivos de investigação. 41 2. Exploração do material: fase que envolve a administração sistemática dos rumos definidos pelo pesquisador, ou seja, momento em que se escolhem a unidade de registro e as categorias das análises. 3. Tratamento dos resultados obtidos e interpretação: fase em que os dados são analisados e confrontados com as teorias que sustentam a pesquisa. Utilizamos os três procedimentos citados por Bardin (2007) para analisar e categorizar as produções existentes sobre o tema, a fim de evidenciarmos a relevância da presente investigação. Para nosso estudo, mostra-se necessário levantar a importância dada ao ensino de Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental e especialmente responder à questão da formação propiciada para este ensino na realização dos estágios curriculares no curso de Pedagogia. 2.3 Algumas considerações sobre o estágio Discutir sobre o estágio na formação do professor é importante na medida em que nesse tipo de atividade os alunos poderão vivenciar situações em seu futuro local de trabalho, realizando reflexões que permitem aliar a teoria desenvolvida na Universidade e a prática observada nas unidades escolares. Porém, resumir o momento do estágio à simples comparação entre teoria e prática, poderia levar à falsa concepção de que o estágio é um momento de cumprimento burocrático de uma determinação legal. Esta ideia fragmentada de alguns alunos, de que na Universidade discute-se a teoria e na escola, no momento do estágio, se vive a prática tem contribuído para que estes dois momentos não se articulem, fazendo com que a principal preocupação dos alunos seja o cumprimento das exigências institucionais, como preenchimento de fichas, tabelas, relatórios, etc. É preciso vivenciar e entender o estágio como uma oportunidade de agir e refletir, na constituição da práxis3, que certamente oferecerá ao futuro professor uma formação mais completa e contextualizada, possibilitando o desenvolvimento de 3 Entendemos “práxis” como Pimenta (2006). Para ela práxis é a atitude (teórico-prática) humana de transformação da natureza e da sociedade. Não basta conhecer e interpretar o mundo (teórico) é preciso transformá-lo (práxis). (MARX, 1986, apud PIMENTA, 2006, p.86). 42 competências pedagógicas e sua inserção no mundo do trabalho. Entendemos por práxis a reflexão e ação dos homens sobre o mundo para transformá-lo, considerando-a então uma ação com reflexão, com retorno. O momento da realização do Estágio Supervisionado é portanto muito importante na constituição da práxis, para que o futuro professor possa adquirir a prática profissional e a competência pedagógica necessárias à formação de sua postura e identidade docentes. Neste sentido Costa (2011) considera que o Estágio é um caminho para que haja uma integração do futuro professor com seu mundo do trabalho, devendo promover o aperfeiçoamento e a qualificação profissional deste professor. Desta forma, a autora entende que o estágio é "um campo significativo de formação, em que se proporciona a construção de conhecimentos, bem como o aprimoramento das atividades didático-pedagógicas de formação docente". (IBID., p. 47). Quando direcionamos o foco de nosso olhar para a formação do futuro professor dos anos iniciais do Ensino Fundamental, no que se refere ao ensino de Matemática, acentua-se a fragilidade deste momento. Vejamos o porque desta fragilidade. De acordo com o art. 5º, inciso VI, da Resolução CNE/CP 1/2006, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Graduação em Pedagogia, licenciatura: O egresso do curso de Pedagogia deverá estar apto a: [...]- ensinar Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, História, Geografia, Artes, Educação Física, de forma interdisciplinar e adequada às diferentes fases do desenvolvimento humano; [...] (CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (CNE), 2006). Se assim deve acontecer, o Estágio Curricular Supervisionado, que é parte integrante do curso de formação de professores, deve também preparar e formar o futuro professor para ensinar, entre outras disciplinas, a Matemática. Para que possamos entender melhor a importância do Estágio na formação do professor e do professor que vai ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos propusemos a estabelecer uma reflexão embasada em alguns teóricos que discutem este tema. 43 2.4 Discussão teórica sobre a importância do Estágio na formação do professor Entendemos que o estágio é um momento importante da formação em que o aluno começa a se perceber como professor, pois está no seu futuro ambiente de trabalho, compartilhando experiências, vivenciando situações que permitem aprimorar ou não sua formação. Porém, esta não é a única ou principal fonte de formação. Existem saberes, conhecimentos e ações que são inerentes à profissão docente e que precisam ser desenvolvidas pelo futuro professor, numa articulação entre a teoria propiciada no curso de graduação e a prática vivenciada nos Estágios Supervisionados. Por este motivo julgamos importante neste momento, antes de focarmos no estágio propriamente dito como fonte de formação, discutirmos urn pouco sobre as contribuições de alguns autores que nos mostram caminhos e pontos importantes da formação do professor. 2.4.1 Contribuições teóricas sobre a formação do professor Espera-se que o curso de formação de professores, no nosso caso o curso de Pedagogia, leve o aluno a perceber a importância da articulação entre a teoria e prática, no sentido de que cada um possa construir, a partir da teoria aprendida e por meio das experiências práticas, novas teorias que sustentarão seu trabalho como docente. Esta articulação demanda reflexão sobre os dois momentos, teórico e prático, no processo de formação do professor. Os estudos de Schön (2000) nos mostram a importância da reflexão na formação profissional. Para este autor as discussões sobre a formação profissional, e especialmente a formação do professor, não podem prescindir de uma reflexão a partir das ações desenvolvidas na prática. Esta reflexão seria a base da construção do conhecimento profissional, que segundo ele é tácito e dinâmico. Tácito porque se mostra na realização da ação, mas nem sempre é passível de ser explicado ou teorizado pelo profissional. E dinâmico, se levarmos em conta que o profissional utiliza em sua profissão diferentes conhecimentos, os quais são construídos e utilizados a partir de seu raciocínio. 44 As ideias centrais do pensamento de Schön (2000) são o conhecimento na ação, a reflexão-na-ação, reflexão-sobre-a-ação e reflexão-sobre-a-reflexão-naação, assim entendidas: • Conhecimento na ação, demonstrado na execução da ação, e que se constitui num saber inteligente, dinâmico, que leva ao aperfeiçoamento da própria ação. • A reflexão-na-ação, que refere-se à reflexão realizada no momento em que a ação é executada, possibilitando intervenção e reformulação da ação no momento mesmo em que é desenvolvida. • A reflexão-sobre-a-ação que leva a uma retrospectiva sobre a ação desenvolvida, para análise e possível reconstrução. Diferentemente da reflexão-na-ação, que ocorre no momento da ação, esta reflexão pede o distanciamento da ação para melhor percebê-la e analisá-la. • A reflexão-sobre-a-reflexão-na-ação que caracteriza-se pela construção pelo profissional de sua forma pessoal de conhecer. Esta reflexão leva ao progresso e desenvolvimento profissional. Levando-se em conta a educação e a formação de professores, as contribuições de Schön (2000) trouxeram uma modificação na forma de se conceituar a formação profissional, estabelecendo a necessidade de se pensar nos professores como profissionais autônomos e capazes de refletir criticamente sobre suas práticas. Esta formação pode e deve ser propiciada não somente dentro da Universidade, mas também e principalmente nos momentos de realização dos Estágios Curriculares Supervisionados. Sobre a reflexão encontramos os estudos de Alarcão (2003) apoiados nas ideias de Schön (2000). Esta autora entende que o professor precisa repensar e ressignificar o seu papel e a reflexão deve ser o ponto chave para si e para a comunidade escolar, servindo de suporte para as decisões do dia a dia, na sala de aula e no contexto escolar. Alarcão (2003) destaca que a noção de professor reflexivo baseia-se na consciência da capacidade de pensamento e reflexo que caracteriza o ser humano 45 como criativo e não como mero reprodutor de ideias e práticas que lhe são exteriores. A formação de professores deve objetivar torná-los seres pensantes intelectuais, capazes de gerir sua ação profissional, contribuindo para mudança e transformação. Este profissional surge como uma pessoa que, nas situações profissionais, atua de forma inteligente e flexível, situada e reativa. Isto implica considerar esta concepção como o produto de uma mistura integrada de ciência, técnica e arte por meio de uma sensibilidade quase artística. Pressupõe também uma supervisão que vise o desenvolvimento de processos facilitadores da interação construtiva entre todos os autores. A autora destaca então a importância do papel do supervisor (entendido aqui como o orientador das práticas reflexivas dos alunos), na sua relação com os professores e os saberes, mostrando que esta supervisão pode contribuir para a construção do conhecimento pedagógico do professor, com seu trabalho de acompanhamento do processo de monitoração avaliativa de situações e desempenho. O acompanhamento resume-se em uma atividade de natureza psicossocial, de construção intra e interpessoal, com vista à formação, ao desenvolvimento de capacidades, atitudes e conhecimentos que contribuem para a competência profissional. Para ela, as estratégias de formação devem levar ao desenvolvimento e à formação de professores reflexivos, competentes para analisarem o seu cotidiano, não permanecendo apenas na solução dos seus problemas imediatos, isolados em suas salas de aula, mas situando-os num horizonte mais amplo que perspectiva a sua função e a de cada escola na sociedade em que vivemos. As informações recebidas no curso de formação são, sem dúvida, muito importantes. Mas só o conhecimento que resulta de sua compreensão, interpretação e reflexão, permitirá a visão e a sabedoria necessárias para mudar a qualidade do ensino e da educação. A formação deste professor na concepção de Alarcão (2003) pode ser incentivada e propiciada na realização dos estágios, onde há o contato e a vivência com a escola como um todo e especificamente com a sala de aula, local de atuação dos futuros professores. Na visão dessa autora o papel do supervisor de estágio é fundamental para a reflexão. 46 Se por um lado a reflexão é necessária para a formação, por outro lado, existem saberes necessários para esta formação que devem ser desenvolvidos para que o professor possa construir sua prática docente. Ressaltamos aqui os estudos de Tardif (2002, p.36) sobre os saberes necessários à prática docente. O autor considera o saber do professor "um saber plural, formado pelo amálgama mais ou menos coerente de saberes oriundos da formação profissional e de saberes disciplinares, curriculares e saberes experienciais". O autor busca explicar quais são os saberes que dão suporte ao trabalho dos professores, mostrando a multiplicidade de saberes necessários à prática docente, o que demonstra a complexidade desta profissão. O quadro a seguir traz a categorização dos saberes realizada por Tardif (2002), com as fontes de aquisição e os modos de integração no trabalho docente. Saberes dos professores Fontes sociais de aquisição Modos de integração no trabalho docente História de vida e socialização primária Saberes pessoais dos professores Família, ambiente de vida, educação Saberes provenientes da formação em escolar anterior; A escola primária e secundária, os estudos pós-secundários não especializados; Formação e socialização préprofissionais; Saberes provenientes da formação profissional para o magistério; Instituição de formação, estágios, cursos de capacitação; Formação e socialização profissionais nas instituições de formação; Saberes provenientes dos programas e dos livros didáticos usados no trabalho; Utilização de programas, livros didáticos, cadernos de exercícios, fichas; Utilização das “ferramentas” de trabalho e adaptação às tarefas; Saberes provenientes de sua própria experiência na profissão, na sala de aula e na escola. Prática do ofício na escola e na sala de aula, a experiência dos pares. Pela prática do trabalho e pela socialização profissional. Quadro 2 - Os saberes dos professores Fonte: TARDIF, 2002, p.63. Seus estudos mostram que se por um lado os saberes inerentes à profissão docente estão categorizados, por outro os mesmos se movimentam numa constante 47 construção de novos conhecimentos, no que o autor chama de mobilização de saberes. Para melhor explicitar a categorização de saberes definida por Tardif, nos valemos de Costa (2011), que destaca os saberes da formação profissional, os saberes disciplinares, os curriculares e os experienciais, definindo-os como: • Saber da formação profissional - conjunto de saberes transmitidos pelas instituições de formação de professores. Não se limitam a produzir conhecimentos, mas procuram também incorporá-los à prática do professor [...] esses conhecimentos se transformam em saberes destinados a formação científica ou erudita dos professores, e, caso sejam incorporados à prática docente, esta pode transformar-se em prática científica, em tecnologia de aprendizagem. [...] A articulação entre essas ciências e a prática docente se estabelece concretamente através da formação inicial ou contínua dos professores. • Saber disciplinar - saberes de que dispõe a nossa sociedade, tais como se encontram hoje integrados nas universidades, sob forma de disciplina [...]. Os saberes disciplinares (por exemplo, matemática, história, literatura, etc.) são transmitidos nos cursos e departamentos universitários independentes das faculdades de educação e dos cursos de formação de professores. • Saber curricular - estes saberes correspondem aos discursos, objetivos, conteúdos e métodos a partir dos quais a instituição escolar categoriza e apresenta os saberes sociais por ela definidos e selecionados como modelos da cultura erudita e de formação para a cultura erudita. Apresentam-se concretamente sob a forma de programas escolares que os professores devem aprender a aplicar. • Saber experiencial - Baseados em seu trabalho cotidiano e o conhecimento de seu meio. Esses saberes brotam da experiência e são por ela validados. (COSTA, 2011, p. 36-39). Além da necessidade de considerarmos os saberes necessários ao professor, há outro ponto importante na constituição do mesmo como profissional: os conhecimentos necessários à prática docente. Shulman (1986) nos traz estudos que evidenciam a necessidade de considerarmos diferentes conhecimentos no trabalho como professores. O autor deixa explícito em sua categorização que um ensino de qualidade requer um conhecimento profissional avançado, que vai além de regras simples. Tais categorias destacam o importante papel do conhecimento do conteúdo e situam-no como base do conhecimento profissional para o ensino. 48 - Conhecimento pedagógico geral, com especial referência aos amplos princípios e estratégias de gestão de sala de aula e organização que parecem transcender o assunto; - Conhecimento dos alunos e as suas características; - Conhecimento de contextos educativos, que vão desde trabalhos em grupo ou em sala de aula, o financiamento do governo e dos distritos escolares, para o caráter de comunidades e culturas; - Conhecimento dos fins educacionais, propósitos e valores, e seus fundamentos filosóficos e históricos; - Conhecimento do conteúdo; - Conhecimento do currículo, com compreensão particular dos materiais e programas que servem como "ferramentas do comércio" para professores; - Conhecimento pedagógico do conteúdo, que é o amálgama especial de conteúdo e pedagogia que é exclusivamente da província de professores, a sua própria forma especial de compreensão profissional. (SHULMAN, 1986, p. 8). Dentre os conhecimentos elencados, três deles se destacam, considerados pelo autor como essenciais ao trabalho do professor: conhecimento do conteúdo da disciplina (content knowledge), conhecimento pedagógico do conteúdo da disciplina (pedagogical content knowledge), conhecimento do currículo (curricular knowledge). O conhecimento do conteúdo da disciplina é entendido pelo autor como o conjunto de conceitos, propriedades e procedimentos do conteúdo a serem ensinados aos alunos e dominados pelo professor. Ressalta ainda que este conhecimento não deve estar preso a regras relativas à aplicação do conteúdo e sim que o professor conheça a natureza do conteúdo a ser ensinado, seu significado e as diferentes formas de organizá-lo para ensinar. Com relação ao conhecimento pedagógico do conteúdo Shulman (1986) ressalta que é o conhecimento que advém da integração entre o conhecimento do conteúdo da disciplina e o conhecimento que o professor deve ter de como ensinar este conteúdo aos alunos de forma que os mesmos possam compreender e aprender. Este tipo de conhecimento é importante na medida em que o professor pode usar conhecimentos e recursos utilizados em outro contexto para planejar ou improvisar uma ação em situação diversa, com o desenvolvimento de novos conhecimentos e prática. 49 É o desenvolvimento de formas mais úteis de representação das ideias, as analogias mais poderosas, ilustrações, exemplos, explicações e demonstrações, ou seja, descobrir e desenvolver formas úteis de representar e formular o assunto para torná-lo compreensível para os alunos. Este conhecimento deve incluir também uma compreensão sobre o que torna a aprendizagem de tópicos específicos, fácil ou difícil: as concepções e preconceitos que os estudantes de diferentes idades e origens trazem com eles para o aprendizado dos temas mais frequentemente ensinados nas aulas. Por fim, ao discorrer sobre o conhecimento do currículo, o autor o apresenta como a compreensão necessária ao professor sobre os programas e documentos curriculares, além de suportes e materiais requeridos para o ensino da disciplina. Além disso, aponta para duas dimensões do conhecimento curricular que são importantes para o ensino, aspectos denominados de conhecimento curricular horizontal e conhecimento curricular vertical. O Conhecimento horizontal refere-se à relação do conhecimento do currículo que deve ser ensinado na disciplina em questão com o currículo que os alunos estão aprendendo em outras disciplinas. O conhecimento horizontal permite que o professor utilize conhecimentos e noções adquiridos em outras disciplinas como facilitadores do ensino de sua disciplina. O Conhecimento vertical inclui a familiaridade com os temas e as questões que foram e serão ministradas na mesma disciplina durante os anos anteriores e, posteriormente, na escola, assim como os materiais que serão utilizados e incorporados neste ensino. A formação do professor está alicerçada nestes conhecimentos, que por sua vez não se separam, uma vez que se ligam e interligam na constituição da prática docente. As considerações e discussões propiciadas pelas leituras nos levam a refletir sobre o conceito defendido por Pimenta (2002) de formação da identidade docente. Segundo a autora a formação docente se dá a partir da mobilização de conhecimentos da teoria da educação e da didática necessários à compreensão do ensino como realidade social. Além disso, o futuro professor deve ser capaz de 50 investigar a própria atividade para, a partir dela, constituir e transformar os seus saberes, num processo contínuo de construção de suas identidades como professores. Pimenta (2002) destaca que a construção da identidade profissional pelos professores se estabelece a partir de diferentes ações. Pelo significado social que cada um dá à profissão e pela revisão constante destes significados; do confronto constante entre teorias e práticas; da análise sistemática de práticas à luz de teorias existentes e da construção de novas teorias. A autora defende que esta identidade é construída também a partir do significado que o professor, como ator e autor do processo educacional, confere à atividade docente no seu cotidiano a partir de seus valores, sua história de vida, suas representações e saberes, suas angústias e anseios, o modo como se situa e se relaciona com seus pares e especialmente do sentido que tem em sua vida o ser professor. Para Pimenta (2002) construir a identidade docente pede o entendimento de que a docência é um campo de saberes específicos, que incluem várias vertentes, tais como: Conteúdos das diversas áreas do saber e do ensino: das ciências, naturais, da cultura e das artes; Conteúdos didático-pedagógicos: diretamente relacionados ao campo da prática profissional; Conteúdos relacionados a saberes pedagógicos mais amplos (do campo teórico da prática educacional); Conteúdos ligados à explicitação do sentido da existência humana (individual, sensibilidade pessoal e social). Entendemos assim como Pimenta (2002) que a docência constitui um campo específico de intervenção profissional, portanto, não é qualquer um que pode ser professor. É preciso formação, comprometimento e conhecimento para organizar 51 e desenvolver um trabalho docente que efetivamente contribua para o crescimento dos alunos, mudanças e transformações na educação e na sociedade. Esta docência não se constitue pela simples formação universitária, pelo diploma. Depende do desenvolvimento dos conceitos, posturas e conhecimentos, ideias que os autores aqui citados trouxeram como contribuições para nossas reflexões sobre a formação do professor. Cremos que neste momento, podemos estabelecer uma reflexão sobre a contribuição do estágio, um dos principais focos de nossa pesquisa, para a formação do professor. 2.4.2 Contribuições teóricas sobre o estágio na formação do professor O estágio é um espaço importante na formação do professor, com foco na aprendizagem, e nos leva a compreender que tudo que é ensinado nas salas de aula da Universidade é fundamental, porém não suficiente no preparo dos alunos para exercerem suas profissões. Há a necessidade de inserir o aluno na realidade profissional que o espera, possibilitando vivenciar as teorias e conhecimentos adquiridos, e isto se torna possível no momento do estágio. De acordo com Pimenta (2010, p. 21) o Estágio Supervisionado engloba "as atividades que os alunos deverão realizar durante o seu curso de formação, junto ao futuro campo de trabalho". Já Piconez (2000, p. 16) afirma que "os estágios são vinculados ao componente curricular Prática de Ensino cujo objetivo é o preparo do licenciamento para o exercício do magistério em determinada área de ensino ou disciplina de 1° e 2° graus". Seja qual for a fundamentação teórica dada à elaboração das normas institucionais para a realização dos Estágios Curriculares Supervisionados, é importante ressaltar que sempre deverá haver uma práxis reflexiva e atuante, que forneça ao licenciando subsídios para desenvolver a prática docente com segurança e competência. 52 Muito embora o estágio seja concebido por muitos profissionais como o momento em que o aluno vivencia a prática e, portanto no local da formação efetiva da prática docente, é preciso entender que o estágio é somente uma das oportunidades em que se reflete sobre a teoria e a prática, reflexão esta fundamental para a ação docente. O ensino como prática reflexiva, segundo Pimenta (2006), apresenta-se como uma tendência nas pesquisas sobre educação, mostrando a importância de se discutir de que forma o saber docente é produzido a partir da prática reflexiva. Ao refletir o professor consegue transformar sua prática e ao pensar em suas ações é capaz de produzir conhecimentos sobre esta prática. No caso dos alunos, que no contato com a escola nos períodos dos estágios estarão refletindo e produzindo saberes que os constituirá como professores, percebemos ainda mais a importância deste momento para esta constituição. Muitas vezes vemos alunos do curso de Pedagogia negarem a validade da teoria aprendida na Universidade, pois alegam que a realidade observada nos estágios ou em seu trabalho é bem diferente de tais teorias, não percebendo a necessidade da reflexão para mudar conceitos e transformar sua prática. Segundo Piconez (2000) a necessária ligação entre os conteúdos aprendidos no curso de formação e o conhecimento da sala de aula deve se dar na realização do estágio. Ressalta que este estágio não pode se limitar a transferência de conhecimentos e sim possibilitar a produção de conhecimento, sendo assim importante instrumento para a formação do professor. Pimenta (2010) entende que ser professor pede preparação, a qual se inicia no curso de formação e é desenvolvida a partir do currículo deste curso. Neste sentido a autora nos mostra de que forma o estágio está inserido na formação do professor. O estágio é um dos componentes do currículo do curso de formação de professores. Currículo que é profissionalizante - isto é, prepara para o exercício de uma profissão. Essa preparação é uma atividade teórica, ou seja, atividade cognoscitiva (conhecer) e teleológica (estabelecer finalidades; antecipar idealmente uma realidade que ainda não existe e que se quer que exista). Para chegar à antecipação ideal de uma realidade, requer que se parta do conhecimento (teórico-prático) da realidade que já 53 existe. Essa realidade que já existe (objetiva, prática), no entanto, não se explica nela mesma, porque enquanto realidade histórico-social, situada, tem sua explicação no movimento da história, da sociedade. Quer dizer, é determinada por fatores sociais que a antecedem e por fatores sociais que lhe são extrínsecos. (PIMENTA, 2010, p. 183, grifo do autor). Com isso consideramos que o estágio é parte integrante do curso de formação de professores e como tal deve ser tratado pelos professores formadores, entendendo que a competência profissional dos futuros professores é estabelecida nas interações que ocorrem entre professor e aluno no curso e entre professor e estagiário na escola, cabendo ao professor na Universidade promover discussões, reflexões e diálogos que permitam aos alunos estabelecerem a necessária ligação entre a teoria e a prática. 2.4.3 Contribuições teóricas sobre o estágio na formação do professor que vai ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental Nos itens anteriores discorremos sobre saberes e conhecimentos necessários ao professor para o exercício da docência. Alguns autores nos mostraram também que para cada disciplina existem saberes e conhecimentos específicos necessários para seu ensino, os quais devem ser desenvolvidos pelo professor. Assim, ao pensarmos na formação do profissional que será professor nos anos iniciais do Ensino Fundamental, egresso do curso de Pedagogia, é necessário analisar e compreender a complexidade deste trabalho, visto que o professor deverá atuar no ensino de diferentes disciplinas, sem ser especialista em nenhuma delas. Esse é um grande ponto para reflexão dos formadores de professores. Se pretendemos discutir sobre as aprendizagens que o estágio propicia para a formação do professor que vai ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental, é preciso primeiro pensar sobre esta formação. Nos propomos a discutir sobre o ensino de Matemática e a formação do professor dos anos iniciais e elegemos Curi (2005, 2011), Serrazina (1999, 2001) e Ball (2008) para nos embasar teoricamente no que diz respeito aos conhecimentos matemáticos necessários aos professores que vão ensinar Matemática e à questão da contribuição do estágio na constituição destes conhecimentos. 54 A formação do professor que ensina Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental, foco de nosso trabalho, se dá nos cursos de graduação em Pedagogia. Porém segundo Curi (2011) esta formação se inicia antes do aluno frequentar o curso de graduação. O professor é o único profissional que vai trabalhar no mesmo ambiente em que foi formado, por esse motivo carrega marcas de toda sua vivência naquele ambiente, incluindo de seus professores (bons ou ruins). Muitas vezes ele se espelha em situações vivenciadas na sua formação anterior ao curso de Graduação. Cada professor possui uma experiência própria de situações de aprendizagem ou de dificuldades com a Matemática e esses aspectos individuais são constitutivos de sua formação, ou seja, os conhecimentos dos professores são provenientes de várias fontes e construídos em tempos diferentes. (CURI, 2011, p. 78). A autora nos mostra que a formação do professor se constitui não somente das experiências vividas e conhecimentos aprendidos na graduação, mas também de experiências e conhecimentos vivenciados na própria escola, uma vez que a formação do professor é constituída em tempos, espaços e fontes diferentes. Este conhecimento adquirido em diferentes fontes será ensinado pelo professor quando estiver formado. Ball (2008) desenvolveu uma pesquisa que nos auxilia nas reflexões sobre a formação do professor que ensina Matemática, abordando a questão do conhecimento pedagógico do conteúdo, conceito introduzido por Shulman (1986). A autora destaca que é preciso discutir e analisar o que os professores precisam conhecer e ser capazes de fazer, a fim de ensinar Matemática de forma eficaz, ou seja, o que um ensino eficaz exige em termos de compreensão de conteúdo? Esta questão coloca a ênfase no uso do conhecimento e no ensino, ao invés de focar nos próprios professores. As colocações de Ball (2008) são interessantes, pois nos levam a pensar na formação do professor que ensina Matemática, mas muito mais que isso, naquilo que este professor precisa saber sobre Matemática e como e onde os professores podem usar o conhecimento matemático, na prática. Destaca ainda que, no passado, o foco naquilo que os professores precisavam saber conduziu a um conjunto de diferentes posições. Hoje prevalece a visão de que os professores precisam saber que a Matemática presente no currículo 55 escolar exige um estudo mais aprofundado da Matemática durante a faculdade. A autora nos mostra que somente a Matemática ensinada e desenvolvida na graduação, no curso de formação de professores, não é suficiente para que o professor a ensine no Ensino Fundamental, é preciso aprofundar o conhecimento com cursos e formação continuada. Esta proposição de Ball (2008) vem ao encontro das reflexões de Curi (2011), no que diz respeito à formação para o ensino de Matemática não estar restrito àquilo que é desenvolvido na Universidade. Certamente essa gama de conhecimentos requer cuidados especiais dos formadores e objetivos bem definidos nos cursos de Licenciatura em Matemática e Pedagogia. Além disso, deve-se ter clareza de que esse conjunto de conhecimentos é constituído em vários períodos de tempo, por meio de várias fontes institucionais ou não e apenas nos cursos superiores. (CURI, 2011, p. 83). Além disso, a autora entende que é preciso repensar a forma como se desenvolve a formação do professor para o ensino de Matemática nos cursos de Licenciatura em Matemática ou em Pedagogia, devido à fragilidade do conhecimento desse professor destacada por ela. A fragilidade da relação com o conhecimento para ensinar Matemática na atividade docente parece constituir um dos mais sérios obstáculos à efetiva profissionalização dos professores e deve ser uma perspectiva desses cursos. (CURI, 2011, p. 79). Muito embora a formação anterior do professor influencie sua formação atual, é no curso de Pedagogia que se espera o aprofundamento dos conteúdos matemáticos, para que haja conhecimento dos conteúdos que deverão ser ensinados nos anos iniciais do Ensino Fundamental. O que se espera é que os professores formadores propiciem esta possibilidade de desenvolvimento de conhecimento. No entanto, esse conhecimento tem especificidades próprias conforme descreve Curi (2011). Mas não um conhecimento superficial e sim aprofundado, de forma que compreendam o significado da Matemática, sua estrutura e importância social, que saibam identificar as dificuldades de seus alunos e que possam intervir de modo que seus alunos superem os obstáculos do processo de aprendizagem. (CURI, 2011, p. 83). Serrazina (1999), pesquisadora portuguesa, também destaca que os conhecimentos matemáticos dos professores que atuam nos anos iniciais, na 56 maioria das vezes restringem-se aos conhecimentos que trazem de seus estudos na escola básica. Desta forma sofrem influências de suas crenças e concepções, na maneira que concebem a Matemática e seu ensino. Assim, a autora entende que para mudar esta concepção e modificar a forma como os professores ensinam Matemática é preciso levar o futuro professor a refletir sobre currículos, práticas e especialmente sobre o significado de ensino e aprendizagem de Matemática. Segundo ela, O professor de Matemática pode ser um agente criativo e inovador no processo de questionamento, característico das práticas reflexivas, mas o foco desse questionamento deve estar enraizado nos problemas que afectam o ensino e a aprendizagem. Não há uma única abordagem no processo de pesquisa ou de questionamento — o professor reflexivo deve estar atento à variedade de possíveis opções. (SERRAZINA, 1999, p. 39). Com relação à formação para ensinar Matemática propiciada no curso de Pedagogia, é preciso que sejam apresentados ao aluno conteúdos que possibilitem construir um conhecimento da Matemática e sobre o ensino da mesma, especialmente com relação aos conteúdos que serão ensinados aos alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental, conforme destaca Curi (2011). É fundamental ao futuro professor de Matemática o domínio do conhecimento matemático, não na forma de "estoque" armazenado, mas como "domínio prático-conceitual", que o torne capaz de levar seus alunos a serem agentes de sua própria formação, aproveitando o máximo a riqueza dos espaços de conhecimento propiciados pelas diversas linguagens (multimídia, Internet, livros, etc). (CURI, 2011, p. 143). Em pesquisas anteriores Curi (2005) mostra que os cursos de Pedagogia não propiciam aos futuros professores os conhecimentos de conteúdos matemáticos que serão necessários em sua atuação como professor dos anos iniciais do Ensino Fundamental, seja com relação a conceitos, procedimentos ou até mesmo a linguagem matemática, itens necessários para a prática docente. Segundo a autora, "parece haver uma concepção dominante de que o professor polivalente não precisa 'saber Matemática' e que basta saber como ensiná-la." (CURI, 2005, p. 62). Em se tratando de ensino, podemos retornar ao trabalho de Ball (2008) cujo foco é o ensino e as exigências que este deve enfrentar para a aprendizagem das crianças. Ela propõe que nos cursos de formação se desenvolvam estudos relacionados a atividades de ensino, necessários à consecução dos objetivos de ensino, trabalhos individuais e coletivos. 57 Em vez de começar com o currículo ou com padrões de aprendizagem para o aluno, estudamos qual o trabalho que está relacionado com a atividade de ensino. [...] Que atividades fundamentais são exigidas pelos grandes objetivos de desenvolvimento de uma sala de aula, em que a matemática é tratada com integridade, as ideias dos alunos são levadas a sério, e matemática é um trabalho coletivo, bem como um esforço individual? (BALL, 2008, p. 395). A autora destaca que entende por "conhecimento matemático para o ensino", o conhecimento matemático necessário para levar a cabo o trabalho realizado e desenvolvido para ensinar matemática. Importante notar novamente que sua definição ressalta o ensino, e não os professores. Sua preocupação volta-se para as tarefas envolvidas no ensino e nas demandas matemáticas dessas tarefas. Porque segundo ela, ensinar Matemática envolve mostrar aos alunos como resolver problemas, responder às suas perguntas, e conferir os trabalhos destes alunos, o que exige uma compreensão do conteúdo do currículo escolar. Se por um lado o trabalho realizado no curso de formação do professor, é importante e serve de base para sua futura atuação docente, conforme já discorremos, este trabalho é complementado na realização do estágio curricular, que deve propiciar a articulação entre teoria e prática. É nos estágios que o aluno do curso de Pedagogia entra em contato com as tarefas matemáticas desenvolvidas, observa como as crianças resolvem problemas, que dificuldades apresentam, como respondem aos professores; o que vai exigir tanto do professor que recebe o estagiário como do próprio estagiário a compreensão dos conteúdos matemáticos desenvolvidos na aula observada. É no estágio que o aluno do curso de Pedagogia constrói o que Ball (2008) denomina de “conhecimento matemático para o ensino”. Defendemos a formação de professores reflexivos, que contextualizem sua prática, revejam e construam novas ações para ensinar Matemática. Como propiciar este desenvolvimento a partir da formação oferecida nos cursos de Pedagogia? Destaca-se aqui a importância do papel do formador no trabalho com conteúdos que realmente preparem o aluno para a docência, mas também e especialmente nas orientações, discussões e reflexões sobre o estágio realizado pelo futuro professor nas escolas. 58 No que se refere à formação para ensinar Matemática, entendemos que é constituida a partir das disciplinas específicas para este ensino, mas também desenvolvida nas observações que o aluno faz do "outro", o professor que acompanha. Alguns alunos gostariam de uma receita, um roteiro para ensinar Matemática, porém, [...] a formação de professores não deve consistir no treino de receitas e métodos que são diretamente aplicáveis na sala de aula, mas deve, em primeiro lugar e acima de tudo, ajudar os futuros professores a desenvolver sua autonomia. Isso implica apoiá-los no sentido de aumentarem o seu conhecimento sobre a matemática, sobre o aprender e ensinar matemática, como as crianças aprendem matemática, sobre a qualidade dos materiais de ensino, etc. (SERRAZINA, 2001, p.12). As pesquisas de Curi (2005) nos mostram a importância do estágio assim como da disciplina Prática de Ensino oferecida no curso de formação, no estabelecimento de um diálogo que fortalece a formação do professor para ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A disciplina Prática de Ensino e Estágio Supervisionado tem como finalidade que as competências de ordem prática ganhassem destaque, pois não basta ao professor conhecer teorias, perspectivas e resultados de investigação como fins em si mesmos - ele deve ser capaz de construir, com base na relação intrínseca existente entre prática e teoria, soluções apropriadas para os diversos aspectos de sua ação profissional, o que requer não só a capacidade de mobilização e articulação de conhecimentos teóricos, como também a capacidade de lidar com situações concretas, competências que devem ser desenvolvidas progressivamente ao longo da sua formação - durante a etapa da formação inicial e ao longo da carreira profissional. (CURI, 2005, p.143). A autora destaca não só a questão das aulas referentes às disciplinas relacionadas ao ensino de Matemática ou ao momento da realização do estágio, mas principalmente a questão das discussões que devem ocorrer nas aulas de Prática de Ensino, momento em que o formador tem a oportunidade de ouvir os alunos com relação à realização do estágio, e encaminhar suas reflexões para problemas de ensino observados ou desenvolvidos. Concordamos portanto com a autora no sentido de que as disciplinas oferecidas no curso de Pedagogia e a realização do estágio pelo aluno, devem ser responsáveis não só pela consolidação e ampliação dos conhecimentos relativos à Matemática, mas especialmente pela aquisição de novos conhecimentos que poderão ser melhor trabalhados e discutidos nas aulas de Prática de Ensino e Orientação de Estágio Curricular Supervisionado. 59 2.5 Contribuições de pesquisas sobre o estágio no curso de Pedagogia e a formação para ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental Pensando na questão do ensino de Matemática e a realização dos estágios nos cursos de Pedagogia, procurou-se aprofundar o conhecimento sobre o tema, na busca de materiais e produções que servissem de fundamentação e comprovação às hipóteses construídas acerca da contribuição do estágio curricular no curso de Pedagogia para a formação dos professores que vão ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A busca de produções acadêmicas esbarra na falta de publicações, que aliem o estágio realizado no curso de Pedagogia com a formação necessária para ensinar Matemática, razão pela qual optamos por delinear um levantamento dessa produção. Consultamos resumos de dissertações e teses coletadas no banco de teses da Capes, nos últimos dez anos, cobrindo o período de 2002 a 2011. Para realizar este mapeamento, a coleta de resumos foi feita a partir das palavras-chave: Estágio, Estágio Pedagogia, Estágio Matemática. Neste primeiro momento foram encontrados 89 resumos de teses e dissertações, sendo 24 teses de Doutorado, 59 dissertações de Mestrado Acadêmico e 6 dissertações de Mestrado Profissionalizante. Os resumos foram lidos sob a perspectiva da análise de conteúdo proposta por Bardin (2007): pré-análise, exploração do material e análise dos dados. A fase da pré-análise foi realizada com a coleta dos resumos a partir da pesquisa com as palavras-chave e a leitura dos mesmos, para encontrarmos convergências ou divergências entre eles, delimitando o foco de nossa pesquisa. Dos 89 resumos encontrados, ainda na realização da leitura flutuante proposta por Bardin (2007), foram encontrados resumos que tratam dos estágios relacionados ao ensino de Matemática, em diferentes cursos de licenciatura, conforme se pode observar no quadro a seguir: 60 Ano 2002 Nº total trabalhos 4 2003 4 2004 8 2005 8 2006 de 1 2 1 3 4 Física Letras Pedagogia Matemática 1 1 2 2 Enfermagem Letras Pedagogia Matemática 1 1 5 4 Letras Pedagogia 1 7 Licenciaturas Matemática 1 3 8 Letras/Inglês Pedagogia 1 4 15 Matemática Educação Física Licenciaturas Pedagogia 2 1 1 7 Matemática 6 Licenciaturas 2 Pedagogia 10 Matemática 3 6 2008 12 2011 Pedagogia Matemática Administração Empresas Pedagogia Matemática Letras Pedagogia Matemática Nº de trabalhos por foco 1 2 1 1 6 10 2010 Curso foco Normal Superior Pedagogia 2007 2009 de 14 Geografia Total de trabalhos encontrados 1 89 Nível Mestrado Mestrado Mestrado Mestrado Mestrado Mestrado Mestrado 3 - Mestrado 1 - Doutorado Mestrado 2 - Mestrado 4 - Doutorado Doutorado Mestrado Mestrado 1-Doutorado 1 – Mestrado Mestrado Mestrado Mestrado 3-Mestrado 1-Doutorado Doutorado 3-Mestrado 2- Doutorado 2- Profissionalizante Doutorado 2 –Mestrado 1-Doutorado Mestrado 3-Mestrado 1-Doutorado Mestrado Doutorado Mestrado 5 – Mestrado 2-Doutorado 3 – Mestrado 1 - Doutorado 2 - Profissionalizante 1 - Mestrado 1 - Doutorado 5- Mestrado 4 – Doutorado 1- Profissionalizante 2 – Mestrado 1 - Doutorado Mestrado 49 - Mestrado 25 - Doutorado 5 - Profissionalizante Quadro 3 - Trabalhos sobre Ensino de Matemática Fonte: Autora A partir da primeira leitura dos resumos, pudemos destacar pesquisas que tratavam do foco de nossa investigação, tal seja o estágio no curso de Pedagogia. 61 Esta leitura nos permitiu elencar 46 resumos, sendo 13 de Doutorado, 30 de Mestrado Acadêmico e 3 de Mestrado Profissionalizante. Para que pudéssemos passar à fase de exploração do material proposta por Bardin (2007), foi feita uma leitura dos resumos com vistas à criação de unidades de registro e de categorias. O quadro a seguir demonstra esta fase, a partir das leituras dos 46 resumos de trabalhos analisados, sobre a realização de estágios nos cursos de Pedagogia: 62 Foco principal (Unidades de Registro) Formação de professores Nº de trabalhos Temas a partir do foco principal (Categorias) 17 Significados vivenciados na formação de professores Contribuições do Estágio na relação teoria e prática Contribuição das disciplinas da graduação para o estágio e formação do professor Estágio como instrumento de integração e treinamento prático Narrativas das experiências dos licenciandos sobre aprendizagem Contribuições do estágio na formação do professor reflexivo para o exercício da docência Contribuições do estágio na formação do Pedagogo Papel do estágio em Gestão Escolar na formação do pedagogo Autores/Ano Silva (2002) Campos (2003); Sousa (2004); Perini (2006); Vincensi (2007); Barillari (2008); Araújo (2009); Araújo (2010); Peternella (2011). Nunes (2005) Barbosa (2006) Galvão (2007) Brasil (2010); Viana (2011) Santos (2010); Corte (2011) Mira (2011) 4 Mobilização de saberes: disciplinas e estágio Papel do estágio na elaboração dos saberes docentes Conhecimentos necessários para o exercício da docência Contribuições do estágio na construção e mobilização de saberes Ponte (2008) Santos (2008) Santos (2009) Soares (2010) Espaços de formação 3 O estágio na educação formal e não formal Aprendizagem do ofício de ensinar nos espaços de formação O estágio no curso de Formação de Professores em Serviço Pierro (2009) Martin (2010) Carvalho (2011) Formação Profissional 5 Profissionalização docente Contribuições do estágio na construção da identidade profissional Lima (2005) Stivanin (2007); Magalhães (2009); Neves (2011). Rosa (2010) Saberes necessários prática docente à Contribuições do estágio e da extensão universitária na formação profissional Continua Continuação Foco principal (Unidades de Registro) Formação do professor no contexto das políticas públicas de educação Nº de trabalhos Temas a partir do foco principal (Categorias) Autores/Ano 6 O estágio e as políticas públicas na formação de professores Fonseca(2004) Reformas curriculares e formação de professores Contribuições do Programa Bolsa Formação na formação do professor Novas Diretrizes para formação de professores: papel do estágio e qualificação da prática pedagógica O estágio nos projetos e programas públicos de educação e formação de professores Aspectos econômicos, políticos, culturais e educacionais do trabalho docente. Estágio como mediador na formação: pesquisa e produção O estágio na perspectiva do ensino, pesquisa e extensão. Hissa (2005) Lazzarin (2011) Raymundo (2011) Sales (2011) Pilonetto (2007) Godoy (2005) Ulhoa (2007) Estágio e Pesquisa 2 Estágio e formadores professores 4 Relações estagiário e professor em exercício Importância da supervisão na realização dos estágios curriculares Interferências do professor em exercício na formação da função docente O estágio e o professor formador França (2005) Silvestre (2008) Sambugari (2010) Cruz (2004) Ensino e Aprendizagem de Matemática 5 Ensino de Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental Contribuição dos estágios na formação de conhecimentos escolares matemáticos do professor que vai ensinar Matemática Conhecimentos relacionados à Matemática presentes nas ementas do curso de formação do professor- Pedagogia Contribuições do estágio e disciplinas relacionadas à Matemática na formação de professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental Concepções em relação à Matemática e o processo de ensino e aprendizagem Bukowitz (2005) Mioto (2008) Total de analisados trabalhos Mello (2008) Costa (2011) Zimer (2008) 46 Quadro 4 - Resumo dos trabalhos pesquisados: focos e categorias Fonte: Autora 63 64 2.5.1 Análise dos dados A organização dos trabalhos coletados nos levou a estabelecer os seguintes focos ou unidades de registro: 1) Formação de professores - 17 trabalhos 2) Saberes necessários à prática docente – 4 trabalhos 3) Espaços de formação – 3 trabalhos 4) Formação Profissional – 5 trabalhos 5) Formação do professor no contexto das Políticas Públicas de Educação – 6 trabalhos 6) Estágio e Pesquisa – 2 trabalhos 7) Estágio e professores formadores – 4 trabalhos 8) Ensino e Aprendizagem de Matemática – 5 trabalhos Em virtude do tema de nossa pesquisa: a contribuição dos estágios no curso de Pedagogia para ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental -, realizamos uma terceira leitura, que nos permitiu selecionar somente os trabalhos que tratavam do estágio no curso de Pedagogia, no que se refere à formação do professor que vai ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Das leituras realizadas pudemos perceber que a unidade de registro que atende aos objetivos de nossa pesquisa é a de número 8 - Ensino e a Aprendizagem de Matemática. Passamos a descrever e analisar os trabalhos pertencentes a este foco por considerarmos mais relevante neste momento direcionarmos nossas considerações para os objetivos deste trabalho. Esta unidade de registro é composta de cinco trabalhos. O primeiro trabalho desta unidade, alocado na categoria “Ensino de Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental”, refere-se ao trabalho de Bukowitz (2005). É uma tese de doutorado que traz discussões sobre o ensino de 65 Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A pesquisa constitui-se a partir do desenvolvimento de oficinas aplicadas aos alunos do curso de Pedagogia de duas instituições privadas do Rio de Janeiro. A autora esperava que as oficinas trouxessem a articulação entre pesquisa e ensino, para que se pudesse intervir sobre práticas dos participantes, em relação à abordagem ao ensino da matemática, nos anos iniciais do ensino fundamental. As situações de aprendizagem propiciadas nas oficinas e especialmente as observações de situações de estágio, levantaram algumas questões problematizadoras que possibilitaram à autora algumas considerações. Ela ressalta a influência de significados afetivos que perpassam concepções dos estudantesprofessores sobre a matemática e sobre o ensino e aprendizado dessa ciência. Demonstra também que é necessário que se mudem as “dinâmicas dos cursos de formação de professores e as das escolas, tanto como a do reconhecimento da viabilidade de propostas semelhantes em variados contextos, visando à humanização do ensino da matemática”. (BUKOWITZ, 2005). O segundo trabalho desta unidade de registro é de Mello (2008), com a categoria “Conhecimentos relacionados à Matemática presentes em um curso de formação do professor - Pedagogia”. Refere-se a uma dissertação de Mestrado Profissionalizante, que num primeiro momento analisou as ementas das disciplinas de Matemática de um curso de Pedagogia de uma instituição privada de ensino da zona oeste da cidade de São Paulo. Num segundo momento acompanhou as aulas de Matemática desse curso, visando perceber de que forma se dá a articulação entre os conhecimentos presentes nas ementas e o desenvolvimento dos mesmos. A autora analisou ainda ementas de trinta cursos de Pedagogia. As considerações finais da autora mostram que os cursos analisados priorizam as questões metodológicas em detrimento de conteúdo matemático. No entanto, no curso que acompanhou ressalta como principais resultados os procedimentos metodológicos adotados pela professora formadora, uma proposta pedagógica adaptada à realidade das alunas que compõem a turma estudada, procurando nas aulas aliar a teoria à prática, na busca de contemplar as três vertentes do conhecimento propostas por Shulman (1986): o conhecimento do conteúdo, o conhecimento didático do conteúdo e o conhecimento curricular. No 66 resumo não há destaque para as contribuições do estágio na formação do professor, pois não era o foco do trabalho dessa pesquisadora. A tese de doutorado de Zimer (2008) é o terceiro trabalho dessa unidade. Trata-se da categoria “Concepções em relação à Matemática e o processo de ensino e aprendizagem”. O objetivo de seu trabalho é “conhecer de que maneira o futuro professor estabelece conexões entre suas concepções e a prática pedagógica pré-profissional de modo a permitir a compreensão sobre o modo como ele aprende a ensinar Matemática.” (IBID., 2008). A obtenção de dados para a pesquisa se deu por meio de questionários aplicados na disciplina Metodologia do Ensino da Matemática e com entrevistas reflexivas realizadas durante o período de desenvolvimento do estágio. Embora a autora destaque os estágios na formação dos professores para o ensino da Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental do curso de Pedagogia, seu foco principal neste trabalho são as concepções que os alunos têm em relação à Matemática e o processo de ensino e aprendizagem. A autora destaca alguns resultados que obteve com suas análises: o futuro professor vincula as próprias experiências com a escolarização como meio de estabelecer conexões entre suas concepções e a prática pedagógica. Além disso, percebeu que o estágio em docência é muito importante na aprendizagem da docência e que o professor formador é elemento mediador entre as concepções pessoais e a prática pedagógica dos futuros professores. Assim, considera-se que a análise da evolução conceitual se constitui em um caminho interessante para as discussões relacionadas à formação de professores que vão ensinar Matemática nos anos iniciais. Os dois últimos trabalhos são as dissertações que tratam do tema das contribuições do Estágio Curricular no curso de Pedagogia, para a formação do professor que vai ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Com o foco “Contribuição dos estágios na formação de conhecimentos escolares matemáticos do professor que vai ensinar Matemática”, Mioto (2008) nos apresenta sua dissertação de Mestrado Profissionalizante cujo objetivo é investigar a formação de conhecimentos escolares matemáticos dos anos iniciais nas atividades 67 de Estágio Supervisionado e Prática como componente curricular. Este trabalho visa também contribuir para que haja um aperfeiçoamento na formação inicial de professores dos anos iniciais. Utilizando-se de um estudo de caso, o autor buscou identificar “as contribuições para a formação de conhecimentos escolares matemáticos para o futuro professor durante sua formação na universidade, no curso de Pedagogia, e na escola onde desenvolve seu estágio”. (MIOTO, 2008). Os dados para análise foram obtidos por meio de análise documental e entrevistas com professoras de um Curso de Pedagogia, uma aluna que realizou estágio e a professora regente da escola campo de estágio. Buscou analisar a investigação, reflexão e crítica sobre o processo de ensino e aprendizagem da Matemática nas atividades de estágio e prática, assim como a forma como a professora regente contribuiu para que a futura professora dos anos iniciais pudesse construir o conhecimento escolar matemático. O autor conclui que há um distanciamento entre a Universidade e a escola, uma vez que é de responsabilidade da estagiária a realização do estágio nos termos dos documentos da instituição, assim como das orientações da professora regente. O autor entende que nesta questão deveria haver mais diálogo, reflexão e investigação por parte dos agentes formadores. Por fim, Costa (2011), com a categoria “Contribuições do estágio e disciplinas relacionadas à Matemática na formação de professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental”, expõe sua dissertação de Mestrado Profissionalizante, referente uma pesquisa relacionada à formação inicial de professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental. O objetivo de seu trabalho é destacar quais contribuições as disciplinas relativas ao ensino de Matemática podem oferecer para formação dos professores em um curso de Licenciatura em Pedagogia. Sua pesquisa utilizou-se das disciplinas ligadas à metodologia e ensino de Matemática, assim como dos relatórios do Estágio Curricular Obrigatório. Os instrumentos utilizados foram questionários e diários de aula dos alunos do curso de Pedagogia. A autora analisou especificamente o Estágio e sua influência no desenvolvimento profissional dos futuros professores que vão ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. 68 Suas conclusões mostram que as abordagens tradicional e tecnicista, fizeram parte da escolaridade dos professores pesquisados, influenciando suas concepções sobre a Matemática e sua prática. Ressalta ainda que, Identificamos a necessidade de reestruturarmos as propostas de formação matemática inicial para o professor dos anos iniciais, a partir da imagem construída da Matemática ao longo da escola básica e das demandas que emergem da sala de aula, como caminho para estreitar a relação professor e a Matemática. (COSTA, 2011). A leitura e análise realizadas nos levaram a duas produções relevantes para nosso trabalho por tratarem do ensino de Matemática no curso de Pedagogia e sobre o estágio. São elas: O professor que ensina matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental: limites e possibilidades do curso de licenciatura em Pedagogia, defendida em 2011 por Shirley Conceição Silva da Costa, na Universidade Cruzeiro do Sul; As inter-relações entre Universidade e escola básica: o estágio e a prática de futuros professores das séries iniciais na construção de conhecimentos pedagógicos da matemática, defendida em 2008 por Rodrigo Mioto, na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Por esse motivo aprofundamos as leituras desses trabalhos. Vale ressaltar que ambas as dissertações que tratam do foco de nossa pesquisa são produções do Mestrado Profissionalizante e oriundas de Universidades particulares da cidade de São Paulo. As conclusões de Mioto (2008) apontam para a necessidade de uma aproximação entre a escola e a Universidade para que a realização do estágio e suas contribuições para a formação do conhecimento matemático não seja responsabilidade única do estagiário. Nesse sentido sugere mais diálogo e reflexão por parte dos formadores destes estagiários, aqui incluídos os professores da Universidade, responsáveis pelas disciplinas ligadas à formação matemática e o professor da escola que acompanha os alunos nas atividades de estágio. 69 Costa (2011) conclui seu trabalho mostrando que a formação matemática dos professores dos anos iniciais é influenciada pelas abordagens tradicional e tecnicista, presentes em suas concepções sobre a Matemática e sua prática. Percebemos que ambos os autores acenam com a necessidade de revisão da formação matemática e da contribuição dos professores formadores na Universidade para com os que acompanham os alunos de Pedagogia nas escolas durante o estágio. Nenhum dos dois trabalhos aponta o tipo de tarefa realizada pelos alunos do Ensino Fundamental nem as reflexões dos estagiários sobre essas tarefas. Com este mapeamento pretendíamos encontrar trabalhos que nos dessem subsídios para avançar nas considerações sobre a realização dos estágios no curso de Pedagogia. Pudemos perceber nas leituras, que os autores consideram que a realização de estágios no curso de Pedagogia é importante na medida em que a partir desta atividade os alunos poderão aliar teoria e prática, numa formação mais completa e contextualizada. Objetiva-se que o aluno observe a prática do professor nas aulas de Matemática e alie esta prática ao conhecimento adquirido na Universidade. No entanto, os autores não apresentaram experiências positivas que contribuíssem para a formação dos professores por meio dos estágios realizados, nem pistas que permitam melhorar os estágios. Consideramos que as discussões apresentadas neste levantamento são importantes na medida em que podemos perceber a carência de produções e pesquisas no que diz respeito aos estágios curriculares no curso de Pedagogia, especialmente quanto à formação do professor que vai ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o que reforça a relevância desta pesquisa. 2.6 Considerações sobre o Capítulo Considerando-se nossa preocupação em identificar “se” e “como” os estágios contribuem para as reflexões dos sujeitos da pesquisa, com relação ao 70 aprender a ensinar de Matemática, este capítulo nos trouxe várias reflexões sobre o tema. Podemos perceber como ponto comum nas ideias dos autores que deram suporte às nossas reflexões sobre o ensino de Matemática, a questão de que os professores devem conhecer a disciplina que ensinam, sendo fundamental para a competência deste professor. As contribuições de Schön (2000) e Alarcão (2003) nos mostraram que a formação do professor deve passar pela reflexão sobre sua prática, na constituição do conhecimento profissional e na formação de profissionais autônomos, críticos e capazes de modificar e transformar suas práticas. Esta formação profissional deve estar alicerçada na mobilização de saberes, segundo Tardif (2002) necessários e que não estão somente no curso de formação: são saberes pessoais, saberes oriundos da formação escolar, dos materiais utilizados no trabalho e na própria experiência docente. Os saberes profissionais do professor estão ligados aos conhecimentos necessários à docência, que na concepção de Shulman (1986) relacionam-se ao conhecimento do conteúdo, conhecimento pedagógico do conteúdo e conhecimento do currículo. As contribuições dos autores sobre a formação do professor culminam com Pimenta (2002) e a questão da formação da identidade docente. Em nosso entendimento a autora fecha as discussões dos autores citados anteriormente quando nos mostra que a identidade docente pede a mobilização de conhecimentos da teoria e da didática. Entendemos que esta mobilização vai ao encontro das produções citadas, na questão dos saberes e conhecimentos necessários para a formação docente, assim como na necessidade de reflexão para que estes saberes e conhecimentos possam ser ampliados, tratados e modificados conforme a necessidade dos alunos ou à luz de novas teorias. Concordamos com Pimenta (2002) no que diz respeito à docência ser um campo específico de intervenção profissional, sendo que não é qualquer pessoa que pode ser professor. É preciso formação, comprometimento, escolhas e orientação 71 para ser professor. Esta formação, portanto, não diz respeito somente à parte pedagógica, mas espera-se que o professor conheça os conteúdos que deverá ensinar. Entendemos que se o professor não conhece o conteúdo não será capaz de levar o aluno à aprendizagem deste conteúdo. Porém é também sabido que saber bem sobre um assunto pode não ser suficiente para seu ensino. Os autores nos mostram que a Matemática que os professores trabalham com seus alunos nos anos iniciais do Ensino Fundamental nem sempre tem suporte na Matemática ensinada e aprendida nas aulas da Universidade. Além disso, as dificuldades adquiridas na formação básica em Matemática influenciam a formação para o ensino, conforme ressalta Curi (2011), entendendo que há fragilidades no conhecimento para o ensino sendo que os conteúdos trabalhados na formação na Universidade deveriam ser mais aprofundados. Também Ball (2008) nos mostra que a Matemática aprendida na escola e na graduação não é suficiente para fazer frente às necessidades de ensino do futuro professor. As reflexões que realizamos neste Capítulo nos indicam que a formação do professor acontece também no momento de realização do estágio. Piconez (2000), Alarcão (2003) e Pimenta (2010) nos mostram que o estágio é parte integrante do curso de formação, desenvolvido no futuro local de trabalho dos professores, permitindo que a formação seja estimulada e propiciada no contato direto com a escola e com a sala de aula. Com base nos autores citados nesse Capítulo, apontamos a importância da formação para ser professor e para ensinar Matemática, e a realização do estágio como parte integrante desta formação. Destaca-se que deve haver uma integração entre o aluno estagiário, a Universidade e o professor observado, numa necessária ligação entre a teoria e a prática. Estas reflexões nos levarão, no próximo Capítulo, à contextualização da pesquisa, pensando na forma como o estágio é desenvolvido pelos alunos da Universidade pesquisada e nas contribuições das disciplinas relativas ao ensino de Matemática para a formação do professor. 73 CAPÍTULO 3 - CONTEXTUALIZANDO A PESQUISA Um professor não estará nunca inteiramente formado, por uma ou outra razão. (Arnon Andrade). 3.1 Introdução Neste Capítulo, visando evidenciar o contexto desta pesquisa, vamos apresentar questões relativas ao Estágio Curricular Supervisionado, no que diz respeito à Universidade e à sua realização nas escolas de Ensino Fundamental. Trataremos da legislação que rege o estágio e seu desenvolvimento na Universidade em questão. Vamos ainda abordar a questão das disciplinas oferecidas no curso de Pedagogia, no que se refere ao ensino de Matemática e à prática de ensino. Além disso, apresentaremos as escolas como cenário de realização do estágio, completando o contexto com o perfil dos estagiários, das escolas e das professoras que acompanharam estes estagiários nas referidas escolas. 3.2 Procedimentos Metodológicos Para pesquisar e discutir a questão da realização dos estágios na Universidade em questão, optamos pela utilização da Pesquisa Documental. Segundo Gil (2002, p. 45-47), "a pesquisa documental vale-se de materiais que não receberam ainda um tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetos da pesquisa". Partimos portanto em busca de documentos e não somente de produções disponíveis nas bibliotecas ou em outras formas de publicação. Os documentos analisados foram as leis publicadas e em vigência em relação à formação de professores no curso de Pedagogia e à realização do Estágio Curricular; o Projeto Pedagógico do curso de Pedagogia da Universidade em questão e o Regulamento de Estágio da instituição escolhida para a pesquisa, além 74 dos planos de ensino das disciplinas Fundamentos e Metodologia do Ensino de Matemática I e II e Prática de Ensino e Estágio Curricular Supervisionado nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Neste capítulo a pesquisa documental se constituiu no principal caminho para a obtenção de dados que possam auxiliar o entendimento das bases legais para a realização do estágio, pois permitiu a compreensão da situação dos estágios no curso de Pedagogia da Universidade analisada e até mesmo na produção de novos conhecimentos, além do que os documentos se “constituem fonte rica e estável de dados". (GIL, 2002, p.46). Por outro lado a análise dos planos de ensino contribuiu para a verificação das declarações dos alunos sobre a falta de aprendizagem de Matemática na graduação, o que segundo eles dificulta o futuro ensino da disciplina. A pesquisa documental também foi utilizada para a análise e apresentação de três perfis que a nosso ver se destacam na constituição do contexto da pesquisa: o perfil dos estagiários, da escola e dos professores que acompanharam esses estagiários. Tomando-se por base a individualidade de cada aluno participante, no que diz respeito aos conhecimentos prévios, formação e expectativas de aprendizagem, além do fato de realizarem as observações de estágio em escolas e anos de escolaridade diferentes, fizemos uma análise de cada participante, da escola na qual estagiou e do professor que o recebeu; a partir dos portfólios elaborados pelos estagiários. Conforme já citado quando nos referimos aos procedimentos da pesquisa, os portfólios serão nosso principal instrumento de coleta de dados, os quais são definidos por Hernández (1998), como uma coleção seletiva de itens que revelam, conforme o processo se desenvolve, a reflexão sobre os diferentes aspectos do crescimento e do desenvolvimento de cada aluno, ou de cada grupo de alunos. Além disso, nos portfólios elaborados pelos estagiários encontramos várias fontes de pesquisa, conforme destaca Yin (2005). Cada sujeito da pesquisa elaborou uma narrativa com sua história de vida, relatando suas experiências, trazendo seu 75 caminho acadêmico desde a educação básica, ressaltando suas experiências com a Matemática, o ingresso no curso de Pedagogia e suas expectativas profissionais. Cada um discorreu também sobre a realização do estágio curricular, o ingresso e participação no grupo de pesquisa do Programa Observatório da Educação, com destaque para as aprendizagens propiciadas para o ensino de Matemática. Consideramos que essa narrativa se aproxima do que autores destacam como História de Vida, pois apresenta uma retrospectiva de experiências pessoais e profissionais, fatos significativos para sua vivência e constituição de sua identidade profissional, em consonância com Chizzotti (2006, p. 101): “História de vida é um relato retrospectivo da experiência pessoal de um indivíduo, oral ou escrito, relativo a fatos e acontecimentos que foram significativos e constitutivos de sua experiência vivida”. As histórias de vida são importantes na medida em que, ao nos mostrarem os caminhos percorridos pelo narrador em sua trajetória e formação profissional, permitem analisar e compreender como se deu o processo de formação escolar, em especial com relação à Matemática, até o momento da escolha em se tornar professor, evidenciando a escolha pessoal da profissão. Na realização dos estágios curriculares, solicitamos aos alunos que aplicassem dois questionários, um para a diretora da escola4 e outro para o professor5 que os recebeu, que nos trariam informações importantes sobre o perfil das escolas e dos professores que recebem estes alunos. 3.3 A Legislação Vigente e os Estágios Pode-se conceituar Estágio Curricular Supervisionado como um conjunto de atividades de formação, que deverão ser supervisionadas por docentes da instituição e acompanhadas por profissionais da área, de forma que o aluno possa vivenciar situações de aprendizado profissional. Esta concepção está amparada pelo art. 82 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN nº 9.394/96: 4 5 Apêndice B – “Perfil da escola” Apêndice C – “Perfil do professor” 76 Os sistemas de ensino estabelecerão as normas para a realização de estágios dos alunos regularmente matriculados no ensino médio ou superior em sua jurisdição. Parágrafo único. O estágio realizado nas condições deste artigo não estabelece vínculo empregatício, podendo o estagiário receber bolsa de estágio, estar segurado contra acidentes e ter a cobertura previdenciária prevista na legislação específica. (BRASIL, 1996). As atividades a serem desenvolvidas no Estágio Curricular Supervisionado deverão atender às exigências de formação de cada área de conhecimento, conforme definidas nas respectivas Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação. Nelas estarão detalhados os Parâmetros Curriculares para o Estágio Curricular, como por exemplo, o formato, a abrangência e a carga horária mínima, sem que com isso se contrarie a legislação específica sobre estágio, Lei n° 11.788 de 25 de setembro de 2008, que dispõe sobre o estágio de estudantes: º Art 1 Estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam frequentando o ensino regular em instituições de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos. § 1º O estágio faz parte do projeto pedagógico do curso, além de integrar o itinerário formativo do educando. § 2º O estágio visa ao aprendizado de competências próprias da atividade profissional e à contextualização curricular, objetivando o desenvolvimento do educando para a vida cidadã e para o trabalho. (BRASIL, 2008). Os cursos de licenciatura destinam-se à formação para a docência, porém como reza a lei, cada curso deverá estabelecer suas próprias normas de realização dos estágios. Assim sendo, os cursos, de acordo com as especificidades de seu Projeto Pedagógico, deverá direcionar as atividades exigidas no estágio para a atividade profissional de seus alunos, pensando em sua inserção futura no mercado de trabalho e na sociedade. Alguns procedimentos devem seguir determinação legal, enquanto outros podem ser normatizados por ato institucional, que visa atender às necessidades específicas de cada curso. As considerações a seguir baseiam-se na legislação educacional, especificamente focada no Curso de Licenciatura em Pedagogia6. 6 Lei n° 9.394/96 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Resolução CNE/CP 1; 2006 – Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em 77 O Parecer CNE/21 de 2001, assim define o Estágio Curricular: [...] tempo de aprendizagem que, através de um período de permanência, alguém se demora em algum lugar ou ofício para aprender a prática do mesmo e depois poder exercer uma profissão ou ofício. Assim o estágio supõe uma relação pedagógica entre alguém que já é um profissional reconhecido em um ambiente institucional de trabalho e um aluno estagiário [...] é o momento de efetivar um processo de ensino/aprendizagem que, tornar-se-á concreto e autonomo quando da profissionalização deste estagiário. (CNE, 2001). Este Parecer nos mostra que a realização do estágio pelos licenciandos de Pedagogia deve privilegiar a articulação teoria e prática, voltadas para as áreas específicas de formação docente previstas nesta Resolução, a qual institui as Diretrizes Curriculares para o Curso de Pedagogia. Focando no curso de Pedagogia, encontramos na Resolução CNE/CP n° 1, de 15 de maio de 2006: Art. 4° O curso de Licenciatura em Pedagogia destina-se à formação de professores para exercer funções de magistério na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos cursos de Ensino Médio, na modalidade Normal, de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar, bem como em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos. (CNE, 2006). Este artigo remete à diversidade de funções que o futuro professor poderá exercer e se levarmos em conta o Parecer citado anteriormente, o curso de Pedagogia deveria proporcionar a seus alunos momentos em que fosse possível efetivar o processo de ensino e aprendizagem permitindo a profissionalização e a autonomia do estagiário. No nosso entender torna-se praticamente impossível ao futuro professor se profissionalizar em todas essas funções, sendo que, ou os cursos deveriam focar parte delas, ou os futuros professores deveriam escolher algumas delas. O artigo 7° das referidas Diretrizes destaca as horas destinadas ao estágio e reforça que este deve contemplar a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e outras áreas específicas, de acordo com o Projeto Pedagógico da instituição: Art. 7° O curso de Licenciatura em Pedagogia terá a carga mínima de 3.200 horas de efetivo trabalho académico, assim distribuídas: [...] II - 300 horas dedicadas ao Estágio Supervisionado prioritariamente em Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, contemplando também outras Pedagogia, Licenciatura 78 áreas específicas, se for o caso, conforme o projeto pedagógico da instituição (CNE, 2006). A Resolução CNE/CP n° 1, dá continuidade às instruções referentes ao Estágio Supervisionado, reforçando a ideia de que o futuro professor tenha várias especificidades para exercer diversas funções na escola: Art. 8° Nos termos do projeto pedagógico da instituição, a integralização de estudos será efetívada por meio de: IV - estágio curricular a ser realizado, ao longo do curso, de modo a assegurar aos graduandos experiência de exercício profissional, em ambientes escolares e não-escolares que ampliem e fortaleçam atitudes éticas, conhecimentos e competências: a) na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, prioritariamente; b) nas disciplinas pedagógicas dos cursos de Ensino Médio, na modalidade Normal; c) na Educação Profissional na área de serviços e de apoio escolar; d) na Educação de Jovens e Adultos; e) na participação em atividades da gestão de processos educativos, no planejamento, implementação, coordenação, acompanhamento e avaliação de atividades e projetos educativos; f) em reuniões de formação pedagógica. (CNE, 2006). A leitura e análise dos documentos oficiais que subsidiam a formação do professor para os anos iniciais do Ensino Fundamental, realizadas até aqui, mostram que a formação que se pretende é de um profissional generalista que pode atuar em diferentes funções na Educação Infantil, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, no Ensino Médio (na formação de outros professores) e na Educação de Jovens e Adultos – EJA. No entanto, ao que parece, não têm a preocupação com os objetos de ensino, ou seja, com as áreas do conhecimento que serão desenvolvidas na escolarização das crianças. Em nenhum momento, até aqui, houve indicações de os estágios serem realizados com foco no ensino das áreas. Cabe destacar que, no Estado de São Paulo, desde 2002 não existem mais os cursos de formação de professores de nível médio (as habilitações para o magistério) e que o curso de Pedagogia é o único que objetiva a formação do professor que vai atuar na Educação Infantil ou nos anos iniciais do Ensino Fundamental. 79 Consideramos que não há uma preocupação quanto à formação do professor que vai ensinar várias disciplinas, o aluno do curso de Pedagogia. O mesmo pode realizar o Estágio Curricular com foco em diferentes âmbitos, não havendo determinação de observarem-se os professores atuando com diferentes disciplinas, mas acaba atuando nos anos iniciais do Ensino Fundamental e precisa ensinar diferentes disciplinas. Portanto, muito embora o aluno do curso de Pedagogia será efetivamente um professor que vai ensinar Matemática, não há nas Diretrizes ou em qualquer outra legislação que rege a realização dos Estágios Curriculares Supervisionados, qualquer orientação sobre observações que direcionem para a formação desse professor para ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. O que se percebe é que a legislação ressalta a autonomia da instituição formadora nas orientações e exigências quanto à realização dos estágios pelos futuros pedagogos, com foco nas práticas docentes em geral e na gestão educacional, sem especificar as diferentes disciplinas que deverão ser trabalhadas pelo futuro professor. As Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Pedagogia destacam ainda em seu Art. 8°: Nos termos do projeto pedagógico da instituição, a integralização de estudos será efetivada por meio de: [...] II - práticas de docência e gestão educacional que ensejem aos licenciandos a observação e acompanhamento, a participação no planejamento, na execução e na avaliação de aprendizagens, do ensino ou de projetos pedagógicos, tanto em escolas como em outros ambientes educativos; [...]. (CNE, 2006). Interessante ressaltar que, de acordo com as Diretrizes, caso a Instituição assim determinar, os licenciandos de Pedagogia poderão realizar seus estágios supervisionados em ambientes não escolares, como empresas, classes hospitalares, brinquedotecas, ONGs ou qualquer ambiente em que se necessite de uma ação educativa, prerrogativa especial dos pedagogos. Esta prerrogativa, quando assumida, afasta ainda mais o futuro professor do ensino das diferentes áreas de conhecimento, de suas observações e formação para tal atuação. 80 Os princípios que regem a legislação vigente nos permitem afirmar que a formação propiciada na graduação é importante, mas não suficiente, sendo necessário que o estágio proporcione a vivência na sala de aula e a participação no cotidiano escolar para que os alunos possam se preparar para exercer sua profissão. Dessa forma consideramos que o futuro professor pode encontrar no estágio subsídios que o sustentem na prática docente, no desenvolvimento de um trabalho polivalente, tendo em vista sua atuação nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos diferentes campos do conhecimento, e não uma formação ampla e generalista como a proposta na legislação. 3.4 Sobre o estágio no curso de Pedagogia da Universidade pesquisada Na Universidade pesquisada o Estágio Curricular Supervisionado de todas as licenciaturas tem suas orientações ditadas por um Núcleo de Formação e Estágios. Tais orientações vêm ao encontro do estabelecido em lei, porém semestralmente são realizadas reuniões com representantes de cada curso, para que se possam fazer considerações quanto à operacionalização do Estágio Supervisionado e sobre os procedimentos adotados na sua realização. Todos os procedimentos e orientações são contemplados no "Regulamento do Estágio Curricular Supervisionado e da Prática de Ensino e Orientação de Estágio Curricular Supervisionado das Licenciaturas" da referida instituição, o qual é atualizado a cada ano. Em se tratando da disposição na matriz curricular e da denominação da atividade de estágio, o Regulamento determina que: Art. 2º - O Estágio Curricular Supervisionado (ECS) obrigatório será tratado como atividade e, sob o acompanhamento, na universidade, de professororientador de ECS, estará pedagogicamente articulado à Prática de Ensino, constituindo atividade semestral denominada Prática de Ensino e Orientação de Estágio Curricular Supervisionado. (CNE, 2006). Até 2008 as 300 horas de observação do Estágio Curricular Supervisionado eram assim divididas: 81 a) 100 horas na Educação Infantil, divididas em 50 horas no 3° semestre e 50 horas no 4° semestre; b) 140 horas nos anos iniciais do Ensino Fundamental, divididas em 70 horas no 5° semestre e 70 horas no 6° semestre; c) 60 horas na Administração Escolar ou Orientação Educacional, cumpridas no 7° semestre. Note-se que nesta ocasião o curso tinha a duração de sete semestres. Os alunos ingressantes em 2008 cumpriam a mesma carga horária dividida nos semestres, porém no 7° semestre realizavam estágio de observação em Gestão Escolar. Neste mesmo período os alunos tinham duas disciplinas distintas, com 40h/a cada: a Prática de Ensino (em Educação Infantil, anos iniciais do Ensino Fundamental, Administração Escolar ou Orientação Educacional) e a Orientação de Estágio Curricular (em Educação Infantil, anos iniciais do Ensino Fundamental, Administração Escolar ou Orientação Educacional). A partir de 2009, com a modificação da Matriz Curricular, o curso voltou a ter a duração de seis semestres e a divisão da carga horária a ser cumprida nos estágios passou a ser seguinte: a) 100 horas na Educação Infantil, cumpridas no 4° semestre; b) 100 horas nos anos iniciais do Ensino Fundamental, desenvolvidas no 5° semestre; c) 100 horas na Gestão Educacional, cumpridas no 6° semestre. Embora continuassem a serem cumpridas 300 horas de estágio, nova divisão entre os níveis e elementos de observação foi realizada. Além desta modificação, a alteração da Matriz Curricular trouxe outra novidade para a realização dos estágios. Após 2009, foi implantado o sistema web estágio na Universidade, em que os alunos lançam as atividades em planilhas no sistema, o professor corrige via web e todas as ações referentes à parte burocrática do estágio são assim desenvolvidas, 82 culminando na autorização de impressão pelo professor e a devida entrega de todos os documentos pelos alunos. Com isso, criou-se uma disciplina denominada Prática de Ensino e Orientação de Estágio Curricular Supervisionado (em Educação Infantil, nos anos iniciais do Ensino Fundamental e Gestão Educacional) disciplina esta com 40 horasaula. Desta forma o professor responsável deve discutir as concepções sobre a prática docente relacionada ao estágio realizado naquele semestre e orientar os alunos na realização do estágio, assinando documentos e tirando dúvidas. O cumprimento das 300 horas de estágio pelos alunos da Pedagogia, conforme observado, ocorre a partir do 4° semestre e divide a carga horária destinada à realização do mesmo igualmente entre três semestres, cada um deles com foco em um trabalho: Educação Infantil (4º semestre), anos iniciais do Ensino Fundamental (5° semestre) e Gestão Educacional (6° semestre). Desta forma, o foco desta pesquisa encontra-se no estágio realizado pelos alunos do 5° semestre, quando os mesmos desenvolvem diferentes atividades, acompanhando e observando os professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Cabe destacar que as disciplinas relativas ao ensino de Matemática são desenvolvidas nos 3º e 4º semestres, o que não permite o diálogo entre a teoria aprendida na Universidade e a prática observada pelo estudante nos estágios, conforme pudemos observar na matriz curricular do curso de Pedagogia7, vigente à época desta pesquisa. Os professores responsáveis pelas orientações e acompanhamento da realização dos estágios pelos alunos era chamado até 2009 de "Professor Supervisor de Estágio". Após discussões realizadas em uma comissão criada pelo Núcleo de Estágios, chegou-se à conclusão de que os professores não eram efetivamente Supervisores, uma vez que não acompanhavam os alunos às escolas na realização dos estágios, somente orientavam na Universidade, conforme as dúvidas e colocações trazidas pelos próprios alunos. Desta forma, a partir de 2010 7 Anexo – Matriz Curricular do Curso de Pedagogia - 2008 83 passou-se a denominar "Professor Orientador de Estágio Curricular Supervisionado", o profissional responsável pela disciplina e pelas orientações aos alunos. Ainda de acordo com a legislação e atendendo determinação do Núcleo de Estágios, a Universidade entende que caso o aluno exerça atividade regular de docência, poderá utilizar esta atividade como até 50% da carga total do estágio a ser cumprido. A legislação que embasa tal procedimento é a Resolução CNE/CP n° 2, de 19/02/2002 (D.O.U. 04/03/02), que em seu art. 1°, diz: "Parágrafo único. Os alunos que exerçam atividade docente regular na educação básica poderão ter redução da carga horária do estágio curricular supervisionado até o máximo de 200 (duzentas) horas”. Para esta finalidade, o aluno estagiário do Projeto Ler e Escrever também é beneficiado. Este programa teve início no ano de 2006 no município de São Paulo, com foco na qualidade de ensino, contemplando três projetos: "Toda força ao 1°, Ano - TOF", "Projeto Intensivo no Ciclo l - PIC", e "Ler e escrever em todas as áreas no Ciclo II". O primeiro deles, cujo foco está no ciclo l, tem como meta criar condições adequadas para que todos os alunos leiam e escrevam já ao final do 1° ano do Ciclo I. Para tanto a Secretaria Municipal de Educação (SME) e a Diretoria de Orientação Técnica (DOT), colocaram um estudante universitário de Pedagogia ou Letras, como auxiliar de ensino, junto a cada professor do 1° ano, para ajudá-lo na alfabetização. Entende-se que, em consonância com o art. 8° das Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Pedagogia, este momento de acompanhamento, ensino e participação em projetos pedagógicos, constitui-se em prática que assegura a formação para o exercício profissional. Assim, no Regulamento de Estágios da Universidade, consta no Art. 12 [...] § 1°: O aluno-professor (eventual, substituto, regular em regime de excepcionalidade) e o aluno-pesquisador, do Projeto Ler e Escrever, podem registrar até 50% da carga-horária do Estágio Curricular Supervisionado, conforme prevê a legislação vigente. Para efetivar o registro, essas aulas devem ser alceadas no Grupo de Regência e assinadas pela Coordenação Pedagógica ou Direção da UE, e, ainda, constar do Relatório Final de ECS. 84 § 2° - O aluno-professor deve, também, apresentar uma declaração de docência assinada pela Direção da UE. Cabe aqui uma ressalva quanto à questão de nossa pesquisa. Se o estágio é momento importante de observação da prática docente, momento em que o futuro professor pode analisar a ação do outro, alicerçando assim suas ações, a utilização de sua própria docência como estágio poderia estar privando este aluno de ricas experiências, pois quando assim é feito, metade do período de seu estágio estará sendo cumprido sem as observações que se espera que sejam feitas para sua formação como professor. No entanto, quando o aluno está em exercício, a reflexão sobre a prática propagada por Schön (2000) pode ser desenvolvida. 3.5 Análise das ementas das disciplinas relativas à formação para o ensino de Matemática O Projeto Pedagógico do Curso – PPC de Pedagogia, da Universidade pesquisada, traz como finalidade propiciar aos egressos a formação para a docência na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, além da possibilidade de atuação nas atividades ligadas à Gestão escolar. Esta concepção destacada no PPC visa formar professores, propiciando aos alunos o desenvolvimento do tripé ensino, pesquisa e extensão. Além disso, conforme destaca Fernandes (2012) Almeja-se para a formação do profissional da educação, que tenha domínio do conteúdo e a compreensão crítica daquilo que ensina e faz; conheça as novas tecnologias e que as utiliza segundo projetos políticos de emancipação das classes menos privilegiadas; tenha na sua formação uma especificidade que contribua para o trabalho coletivo e interdisciplinar na escola; tenha a compreensão das relações entre a escola e a sociedade. (FERNANDES, 2012, p. 109). A autora desenvolveu uma investigação significativa na mesma Universidade na qual estamos pesquisando, focando no curso de Pedagogia. Realizou análises comparativas no PPC e nas ementas e bibliografias das disciplinas voltadas ao ensino de Matemática, nos anos de 2005, 2008 e 2011. Nos mostra que a Universidade ampliou a perspectiva de formação de professores de 2005 para 2008, ao determinar a atuação do profissional também na Educação Infantil, porém o foco do curso continuou amplo, com carga horária 85 pequena nas disciplinas que contemplam os objetos de ensino. Destaca também que as ementas de 2008 ficaram mais genéricas e a discussão sobre o ensino de Matemática, antes presente nas ementas de 2005, não aparece nas de 2008, sem destaque para a abordagem de conteúdos matemáticos presentes nos documentos curriculares mais recentes e previstos de serem trabalhados com crianças dos anos iniciais no Ensino Fundamental e da Educação Infantil. Com a participação dos cinco alunos sujeitos de nossa pesquisa, os dados referentes às observações de estágio foram colhidos no ano de 2012, quando os mesmos cursavam o 5º semestre do curso. O PPC em vigor à época ainda era o de 2008. Quanto às disciplinas voltadas ao ensino de Matemática, os alunos cursaram Fundamentos e Metodologia do Ensino de Matemática I durante o 3º semestre do curso, oferecida no 1º semestre de 2011; Fundamentos e Metodologia do Ensino de Matemática II, no 4º semestre do curso, oferecida no 2º semestre de 2011 e Prática de Ensino e Orientação de Estágio Curricular Supervisionado nos anos iniciais do Ensino Fundamental no 5º semestre do curso, oferecida no 1º semestre de 2012. Apresentamos os planos utilizados no ensino dos alunos sujeitos desta pesquisa, datados de 2011 e pautados no PPC de 2008, sobre os quais tecemos algumas considerações. 1º Semestre de 2011 Fundamentos Metodológicos do Ensino de Matemática I Ementa: Subsídios teórico-metodológicos referentes ao ensino da matemática na pré-escola e nos anos iniciais. Análise da inter-relação entre o conteúdo da matemática e as demais áreas do conhecimento. Planejamento e desenvolvimento de atividades e materiais de ensino específicos na área de matemática. Conteúdos Ensino e Aprendizagem da Matemática A História da Matemática - recurso didático; Reconhecimento dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs); Referenciais Curriculares Nacionais para Educação Infantil (RCNEI) de Matemática e Proposta Curricular do Estado de São Paulo; A Construção da ideia de número na educação infantil; Piaget e o construtivismo em Matemática As operações elementares Processos de resolução de problemas (teoria dos campos conceituais de Vergnaud); Os conceitos de adição, subtração, multiplicação e divisão ( sem a utilização do algoritmo); Operações com números naturais; Cálculo mental. Material concreto nas aulas de Matemática Blocos lógicos, material dourado, ábaco, disco de frações e cousinaire. Noções de espacialidade - Educação Infantil Noções geométricas, constituição da espacialidade, jogos de percurso, orientação e sentido ; Relação entre as formas tridimensionais e seu uso no cotidiano. 86 Estratégias de Ensino Aula expositiva e dialogada; Atividades práticas de procedimentos pedagógicos, a serem utilizados no contexto da sala de aula; Leituras; Grupos de discussão; Utilização da ferramenta black board; Visitação à sites relacionados com os temas trabalhados nesta disciplina; Utilização de Bibliotecas presenciais e virtuais; Experimentação de materiais diversos, no ensino de matemática. Bibliografia Básica: CARRAHER, T. N. Aprender pensando: contribuições da psicologia cognitiva para a educação. 18ªed. Petropolis: Vozes, 2005. CENTURION, M. Conteúdo e Metodologia da Matemática: Números e Operações. 2. Ed. São Paulo: Scipione, 2002. DANTE, L. R. Didática da Resolução de Problemas de Matemática. 12ª ed, São Paulo: Ática, 2003. NUNES, T. B. P. Crianças fazendo Matemática. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 1997. Continuação PARRA, C. Didática da matemática: reflexos psicopedagógicas. Porto Alegre: Artmed, 2001. Continua Bibliografia Complementar: BRASIL. MEC .Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil: formação pessoal e social. Brasília: MEC, 1998. BRASIL. SEF. Parâmetros Curriculares Nacionais: (1ª a 4ª série) Matemática: Brasília: Ministério da Educação, 1997. CARAÇA, B. J. Conceitos Fundamentais da Matemática. 5ª ed. Lisboa: Gradiva, 2003. CARRAHER, T. N. O método Clínico: usando os exames de Piaget. 5ª ed. São Paulo: Cortez, 1998. CARRAHER, T. N. Na vida dez na escola zero. 12ª ed. São Paulo: Cortez, 2001. Quadro 5 - Plano de ensino da disciplina Fundamentos Metodológicos do Ensino de Matemática I A ementa do plano de ensino da disciplina FME de Matemática I está voltada para o ensino na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, buscando a relação entre teoria e prática na formação do professor, o que está de acordo com as orientações do PPC do curso. A análise dos conteúdos propostos na disciplina FME da Matemática I, nos mostra a indicação de quatro temas: Ensino e Aprendizagem de Matemática; as operações elementares; material concreto em sala de aula e noções de especialidade – Educação Infantil. A indicação no conteúdo em se trabalhar com os blocos lógicos, material dourado, ábaco, disco de frações e Cousinaire, nos leva a pensar assim como Fernandes (2012), que antes dos PCN entendia-se que o trabalho com estes materiais estaria privilegiando o concreto, cuja utilização facilitaria a aprendizagem da Matemática. A autora observa que os planos de FME de Matemática I, assim como os da disciplina de Conteúdo e Metodologia do Ensino de Matemática I (2005) têm o foco no conhecimento pedagógico mais amplo e genérico e no conhecimento curricular ao destacar o estudo dos Parâmetros Curriculares Nacionais, embora demonstre o 87 trabalho com os conhecimentos matemáticos e conhecimentos pedagógicos dos conteúdos matemáticos. Ao analisarmos as estratégias de ensino propostas para o trabalho dos conteúdos, podemos perceber que não há um direcionamento ao professor responsável sobre a forma de trabalhar estes conteúdos. Aulas expositivas dialogadas, leituras e discussões em grupo e visitas a sites, são orientações muito amplas e podem servir ao trabalho com qualquer tema e não necessariamente com a Matemática. Destaca-se somente a “Experimentação de materiais diversos, no ensino de matemática”, sem porém dar indícios da forma como isso será desenvolvido, quais experimentações ou quais materiais serão utilizados. Quanto à bibliografia, o plano apresenta o PCN juntamente com livros que tratam de conteúdos e também metodologias para o ensino de Matemática. Cabe destacar que os livros apresentados na bibliografia do curso também mostram propostas de trabalho com várias concepções. Além disso, notamos que o plano indica a utilização do RCNEI volume 2 - Formação Pessoal e Social, ao invés do volume 3 – Conhecimento de Mundo, que é o volume no qual são dadas as orientações para o trabalho com Matemática. Apresentamos a seguir o plano de ensino da disciplina FME de Matemática II com a análise realizada. 2º Semestre de 2011 Fundamentos Metodológicos do Ensino de Matemática II Ementa: Estudo crítico dos diferentes métodos de ensino de Matemática, no âmbito do Ensino Fundamental, objetivando a formação docente para atuar nas séries iniciais. Tendências atuais do ensino de Matemática: a resolução de problemas, aulas investigativas, uso de tecnologias da comunicação e da informação. pesquisas sobre o ensino de números e operações, de geometria e medidas. Conteúdos Grandezas e Medidas Identificação de grandezas mensuráveis no contexto diário: massa, comprimento, capacidade, superfície, etc. Utilização de unidades usuais de medida como metro, grama, litro etc. Unidades usuais de tempo e de temperatura. Reconhecimento dos sistemas de medida que são decimais e conversões usuais, estabelecendo relações entre unidades usuais de medida de uma medida. Espaço e Forma Observação e reconhecimento de formas geométricas presentes na natureza e nos objetos criados pelo ser humano. Exploração e criação de situações que envolvam formas geométricas. Reconhecimento de semelhanças e diferenças entre poliedros (como os primas, as pirâmides) e identificação de elementos como ccomo faces, vécomo faces, vértices e arestas. Exploração das planificações de figuras Números Racionais Construção do significado do número racional e de suas representações fracionária e decimal. Estudo de obstáculos da aprendizagem dos números racionais. Uso da calculadora para interpretar o significado das representações decimais. Os diferentes significados das frações: parte-todo, quociente, razão. Cálculo de 88 adição e subtração de números racionais. Operações Operações Significados das operações e procedimentos de cálculo campo aditivo e multiplicativo Pesquisas e oficinas Estratégias de Ensino Aula expositiva e dialogada.;Oficinas.; Apresentação e realização de pequenas pesquisas; Seminários temáticos; Leitura e interpretação de textos; Grupos de discussão; Visitação à sites relacionados com os Continuação temas trabalhados nesta disciplina.; Utilização de Bibliotecas presenciais, virtuais e do ambiente Blackboard. Continua Bibliografia Básica: CARRAHER, T. N. Aprender pensando: contribuições da psicologia cognitiva para a educação. 18ªed. Petropolis: Vozes, 2005. DANTE, L. R. Didática da Resolução de Problemas de Matemática: 1º a 5º Séries. 12. Ed. São Paulo: Ática, 2003. NUNES, T. B. P. Crianças fazendo Matemática. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 1997. Bibliografia Complementar: BRASIL. Programa de Formação Continuada de Professores dos Anos/Séries Iniciais do Ensino Fundamental. Brasília: MEC, 2007. BRASIL. MEC.. Parâmetros Curriculares Nacionais: (1ª a 4ª série) Matemática: Brasília: MEC, 1997. PIRES, C. M. E. A. Espaço & Forma: a construção de noções geométricas pelas crianças das quatro séries. São Paulo: Proem, 2001. SÂO PAULO (ESTADO) SE. Proposta Curricular de Matemática para o Cefam. São Paulo: Imesp, 1992. Quadro 6 - Plano de ensino da disciplina Fundamentos Metodológicos do Ensino de Matemática I A ementa do plano de ensino está voltada para os métodos de ensino utilizados nos anos iniciais do Ensino Fundamental, destacando a necessidade de relacionar teoria e prática na formação do professor. Além disso, acena com a possibilidade de discussões sobre as tendências atuais no ensino de Matemática, ressaltando a resolução de problemas, aulas investigativas e o uso de tecnologias da comunicação e da informação. Encontramos indicação de pesquisas relativas ao ensino de determinados conteúdos, como números naturais e operações, geometria e medidas. O conteúdo a ser trabalhado também é agrupado em quatro temas: Grandezas e Medidas, Espaço e Forma, Números Racionais e Operações. Fernandes (2012) mostra que se percebe no plano da disciplina a apresentação dos conteúdos a serem ensinados, porém no que diz respeito ao ensino de números baseia-se em concepções anteriores aos Parâmetros Curriculares Nacionais, ressaltando a classificação, seriação e sequenciação como fases do desenvolvimento do raciocínio lógico matemático. 89 As ideias de Piaget sobre a construção do número destacavam a importância de se trabalhar as chamadas atividades pré-numéricas para possibilitar a construção do conceito de número pela criança. O trabalho pedagógico com número enfatizava o papel das atividades de seriação, classificação e correspondência termo a termo para construção desse conceito. (FERNANDES, 2012, p. 102). Segundo a autora defendia-se a concepção de que a criança deveria ir além da associação de um símbolo a determinada quantidade. Para tanto eram trabalhadas as noções de conjunto, pertinência e inclusão, sendo de grande importância a distinção que a criança era capaz de fazer entre número e numeral. Mas ressalta que “os PCN, apoiados em pesquisas de Délia Lerner, Michael Fayol e outros apontam para outra direção”. (FERNANDES, 2012, p. 103). Os PCN apontam novas possibilidades para o ensino de Matemática, levando em conta os avanços alcançados com pesquisas sobre a aprendizagem das crianças em Matemática, especialmente sobre os números e o sistema de numeração. Com relação às estratégias de ensino indicadas no plano, repetem-se as estratégias utilizadas na disciplina anterior, com a inclusão de oficinas e realização de pesquisas. A análise da bibliografia da disciplina FME da Matemática II mostra a indicação dos PCN além de outras orientações didáticas, como o documento do MEC do Programa de Formação Continuada de Professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Podemos perceber que embora os conceitos e conteúdos das disciplinas FME da Matemática I e II sejam diferentes, a bibliografia básica é a mesma. Houve apenas a exclusão de duas indicações, porém explica-se pelo fato de que neste semestre houve a indicação institucional de que a bibliografia básica deveria conter três indicações, enquanto a bibliografia complementar teria cinco indicações. Se focarmos nas estratégias de ensino, percebemos que as mesmas se repetem nas duas disciplinas, sem indicação de metodologias específicas para o ensino de Matemática. Esperava-se que as indicações de estratégias estivessem diretamente ligadas aos conteúdos a serem trabalhados, mas não foi o que se observou. 90 Neste plano, em que se destaca o ensino de Espaço e Forma, por exemplo, o que temos é o conteúdo em si, sem direcionamento para a formação do professor, sobre como a criança aprende este conteúdo, o que o professor deve saber para ensiná-lo ou quais estratégias ou atividades seriam facilitadoras do ensino e da aprendizagem no Ensino Fundamental. As contribuições de Curi (2005) corroboram com as análises realizadas, ao nos mostrar que os cursos de Pedagogia, oferecem o ensino de Matemática sem referenciais teóricos adequados ou sem a tematização da prática. Para a autora há ainda que se ressaltar o fato de que as referências bibliográficas apontadas nos planos de ensino dos cursos de Pedagogia favorecem o reforço de concepções e práticas tradicionais. Por este motivo destaca a importância da pesquisa nesta área, que possibilitaria novas formas de trabalho e maior atenção ao aluno e à aprendizagem, tal qual verificamos, por exemplo, no grupo de pesquisa do Programa Observatório. Por fim analisamos o plano de ensino da disciplina Prática de Ensino e Orientação de Estágio Curricular Supervisionado nos anos iniciais do Ensino Fundamental. 1º semestre de 2012 Prática de Ensino e Orientação de Estágio Curricular Supervisionado nos anos iniciais do Ensino Fundamental Ementa: Orientação ao desenvolvimento de estágio curricular supervisionado junto às escolas de Ensino Fundamental (anos iniciais), com ênfase na observação e intervenção nos ambientes escolares e não escolares, com destaque no currículo e aprendizagem do aluno. Conteúdos O Estágio Supervisionado na Formação do Professor de Ensino Fundamental Debate sobre a articulação entre a teoria e a prática na formação do profissional da educação; A articulação entre projetos escolares, consciência política da prática pedagógica e gestão escolar. Propostas e Projetos de Estágio Elaboração de propostas e de projetos de estágio; Depoimentos e relatos de estagiários sobre a sua observação na escola inserida; Colocar em prática algumas intervenções propostas pelos alunos; Sugestões de aprendizagem e intervenções propostas pelos alunos. Possibilidades de participação do professor nas atividades escolares Relatos e depoimentos sobre os educadores escolares e no processo participativo na escola; - Professor participativo; Criatividade na educação. A participação da comunidade externa Relatos e depoimentos sobre os movimentos sociais e a escola; Os condicionantes político-sociais e ideológicos: os interesses dos diferentes grupos dentro da escola; A participação da comunidade externa na escola: limites e possibilidades. Atividade extra-curricular Pesquisa em sites educacionais sobre os diversos temas debatidos relacionados ao estágio supervisionado; Leitura de textos sobre a práxis na gestão escolar; 91 Estratégias de Ensino Aulas expositivas e dialogadas; Debates e discussões sobre o estágio realizado; Elaboração de resenhas de textos; Apresentação de propostas de intervenção; Atividades individuais; Uso do Ambiente Virtual de Aprendizagem - Blackboard. Bibliografia Básica: GADOTTI, M. Escola Cidada: Uma Aula Sobre a Autonomia da Escola. 10. ed. Sao Paulo: Cortez, 2004 GADOTTI, M. Pedagogia da Praxis. 4. ed. Sao Paulo: Cortez, 2004. PIMENTA, S. G. O Estagio na Formacao de Professores: Unidade Teoria e Pratica?. 9. ed. Sao Paulo: Cortez, 2010 Continuação Bibliografia Complementar: Continua CARVALHO, G. T. R. D. Formacao de Professores e Estagios Supervisionados: Algumas Veredas. Sao Paulo: Andross, 2007. FREIRE, P. Educacao Como Pratica da Liberdade. 27. ed. Sao Paulo: Paz e Terra, 2003. FREIRE, P. Professora Sim, Tia Nao: Cartas a Quem Ousa Ensinar. 15. ed. Sao Paulo: Olho D¿agua, 2005. PIMENTA, S. G. O Estagio na Formacao de Professores: Unidade Teoria e Pratica?. 9. ed. Sao Paulo: Cortez, 2010. RIOS, T. A. Compreender e Ensinar: Por Uma Docencia da Melhor Qualidade. 3. ed. Sao Paulo: Cortez, 2002. Quadro 7 - Prática de Ensino e Orientação de Estágio Curricular Supervisionado nos anos iniciais do Ensino Fundamental A ementa do plano ressalta o objetivo de orientar o aluno para a realização do estágio, destacando a observação do currículo e a aprendizagem do aluno. Além disso, orienta a observação e intervenção em ambientes não escolares, porém os alunos não são autorizados a realizar o estágio fora das unidades escolares. Ao analisarmos os conteúdos que serão trabalhados com os alunos não encontramos relação com o que determina a ementa. Dividido em cinco temas, “O Estágio Supervisionado na Formação do Professor de Ensino Fundamental”, “Propostas e Projetos de Estágio”, “Possibilidades de participação do professor nas atividades escolares”, “A participação da comunidade externa” e “Atividade extracurricular”, o plano propõe discussões mais amplas e gerais sobre a formação do professor, a escola, movimentos sociais na escola, participação, política, ideologia. Assim também as atividades extracurriculares preveêm leituras e visitas a sites sobre temas relacionados ao estágio. Não encontramos nos conteúdos, discussões ou orientações para que os alunos possam discutir a prática do professor observado do ponto de vista do ensino das diferentes disciplinas, entre elas a Matemática. Pelo fato da disciplina estar diretamente ligada ao estágio no Ensino Fundamental para, além de orientar a realização do mesmo estabelecer discussões que aliem a teoria propiciada no curso e a prática observada no estágio, 92 esperávamos que fosse levada em conta especificamente a prática do professor do Ensino Fundamental, o professor chamado de polivalente justamente por desenvolver seu trabalho atuando com diferentes disciplinas. Não há na ementa ou nos conteúdos orientações para que o professor da disciplina dirija o olhar dos alunos para as diferentes metodologias, estratégias ou atividades necessárias para ensinar cada disciplina. As estratégias indicadas para serem utilizadas, como aulas expositivas dialogadas, discussões, elaboração de resenhas, apresentação de propostas de intervenção, não dão ao professor um direcionamento para que se discuta a prática de ensino do professor dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Privilegia-se a formação geral do professor e sua atuação no contexto global da escola, sem pensar no espaço da sala de aula ou nas disciplinas dos anos iniciais do Ensino Fundamental, especialmente a Matemática. A bibliografia sugerida apresenta dois títulos que discutem o estágio, com Pimenta (2010) e Carvalho (2007). As demais indicações voltam-se para a formação de professores. A disciplina Prática de Ensino, a nosso ver, deveria propiciar maiores interações e aprendizagens aos alunos sobre a forma de trabalhar tanto na Educação Infantil como no Ensino Fundamental, nas diferentes disciplinas com diferentes conteúdos. Porém as orientações e sugestões que observamos no plano da disciplina não dão os encaminhamentos para tal. Entendemos assim como Curi (2011) que [...] a prática de ensino coerente e competente deve ser a viga mestra do Curso de Licenciatura. Consolidar e ampliar os conhecimentos da Matemática e levar os alunos a adquirir novos conhecimentos nesse campo, com base em temas desenvolvidos durante as aulas de Prática de Ensino e Estágio Supervisionado é, com certeza, o objetivo maior dessa disciplina. (CURI, 2011, p. 146). Vemo-nos, portanto, na possibilidade de alcançar o objetivo da disciplina proposto pela autora, dependendo do professor que assume a disciplina e a orientação do estágio. 93 3.6 Os estagiários, as escolas e as professoras envolvidas Neste subitem apresentaremos o perfil dos estagiários, escolas e professoras como parte do contexto no qual a pesquisa se desenvolveu. 3.6.1 O perfil dos estagiários As fontes utilizadas para traçarmos o perfil dos estagiários foram os registros feitos por cada um deles sobre sua história de vida8. Conforme citado em nossa apresentação, os sujeitos desta pesquisa são cinco alunos do curso de Pedagogia, que participavam como bolsistas do Programa Observatório da Educação com fomento da Capes. Eles participavam do Grupo de Pesquisa coordenado pela Dra. Edda Curi no âmbito desse Programa. A procura voluntária destes alunos por novos conhecimentos e experiências na área, como a participação em tal Programa, sugere preocupação e comprometimento com a própria formação para ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Eles percebiam a importância desse Grupo de Pesquisa e sempre manifestavam as aprendizagens adquiridas nesse grupo. Dos cinco participantes quatro são do sexo feminino e um do masculino, os quais identificaremos por “MAO”, “TARS”, “EAM”, “LISE” e “VANGRA” . À época da realização da pesquisa os estagiários tinham entre 20 e 37 anos. Dois deles cursavam o 4º Semestre do curso de Pedagogia e três deles estavam no 5º Semestre do curso. O perfil destes alunos, sua história de formação e relações com a Matemática baseiam-se nas narrativas de sua vivência registradas em seus portfólios de aprendizagem. A relação destes alunos com a Matemática desde sua formação básica, para alguns era de gosto e facilidade com a disciplina e para outros de dificuldades extremas. Para “MAO”, “TARS” e “VANGRA” a relação com a Matemática era difícil desde o Ensino Fundamental, fazendo com que esta fosse a disciplina da qual menos gostavam. 8 Apêndices D, E, F, G e H – História de vida do estagiário. 94 "MAO" relata que por esse motivo nunca se preocupou em compreendê-la e acha que seus professores da época não contribuíram para que gostasse de Matemática. Dentre as disciplinas que tive na escola regular, a que eu menos gostava e me identificava era a Matemática. Por esse motivo nunca me dediquei a aprender e entender, e alguns professores que tive me ajudaram nisso, pois não ensinavam de uma maneira que os alunos em geral, se interessassem. (“MAO”). Segundo a estagiária, esta dificuldade aliada à postura de seus professores, fizeram com que não se dedicasse muito à própria aprendizagem. O comentário de “MAO” demonstra que para ensinar Matemática é preciso desenvolver saberes específicos para este ensino e também o gosto por essa área de conhecimento, assim como defende Tardif (2002), ao nos trazer o conceito de mobilização de saberes, que mostra a necessidade de construção e constante renovação dos saberes disciplinares, didáticos e pedagógicos, enxergando a totalidade do ser professor. A narrativa de "MAO" relaciona a falta de saberes específicos da profissão de seus professores às suas dificuldades com a Matemática. Para ela, sua aprendizagem da Matemática no Ensino Fundamental e Médio foi deficitária, mudando sua postura frente à disciplina somente no final do Ensino Médio, quando realizou um cursinho pré-vestibular, talvez pela postura dos professores do cursinho que motivam seus alunos a aprender com vistas a ter sucesso no vestibular. Durante toda minha vida tive dificuldades com a Matemática, mas quando entrei em um cursinho pré-vestibular, foi quando mudei minha visão e comecei a entender a Matemática. (“MAO”). Os relatos de “TARS” mostram que suas dificuldades com a Matemática começaram cedo, na educação básica e, com o passar dos anos essas dificuldades só aumentaram. Isto fez com que desenvolvesse aversão à disciplina, “uma espécie de raiva”, que fez com que focasse seus estudos em outras disciplinas e deixasse a Matemática de lado. Desde muito cedo, durante o estudo regular tive muitas dificuldades com a Matemática, e com o passar dos anos escolares essa dificuldade ia somente aumentando. Por isso desenvolvi uma espécie de raiva da Matemática. Direcionei o foco de meus estudos nas outras disciplinas e deixei a Matemática de lado. (“TARS”). 95 Embora “TARS” não destaque a influência de seus professores nesta formação ou no desenvolvimento das dificuldades com a Matemática, podemos inferir que seus comentários mostram que a formação básica é muito importante na constituição dos conhecimentos dos alunos. Leva-nos a pensar também no papel do professor neste nível de ensino, no sentido de propiciar aos alunos, conhecimento e desenvolvimento nas diferentes áreas do saber. Também “VANGRA” mostra em seus relatos que não tem uma experiência muito agradável com a Matemática, ressaltando que boa parte dela foi de grande desespero e incompreensão. Segundo “VANGRA”, na 1ª e 2ª séries não teve grandes dificuldades, pois reproduzia o que era solicitado pelas professoras, como “contas armadas na casinha”, e não tinha grandes dúvidas. A partir da 4ª série, a relação professor-aluno começou a influenciar na aprendizagem da estagiária, o que afetou sua forma de conceber a Matemática. Tinha uma professora muito ruim que chegou a agredir alguns alunos da sala. Naquela época me recordo da Matemática como algo muito vago e sem valor, as atividades eram passadas na lousa, as contas armadas e nada mais, a professora explicava apenas uma vez e tínhamos que fazer. Não havia uma explicação, um diálogo entre o professor e aluno, na verdade não podíamos nem nos comunicar com os outros colegas da sala, nossas dúvidas eram levadas para casa por que a professora não explicava novamente. (“VANGRA”). As recordações de “VANGRA” mostram que os professores que lhe ensinaram Matemática não se preocupavam com a aprendizagem de seus alunos, utilizando inclusive a realização de atividades desta área como castigo. [...] a professora mandava decorar a tabuada que no dia seguinte faria chamada oral. Quando conversávamos ela mandava os alunos fazerem 10 vezes a tabuada do 2 ao 10. Matemática naquela época era castigo das professoras, e então começou meu longo caminho de ensino de Matemática sem compreensão e sem aprendizagem. (“VANGRA”, 2012). Seus comentários nos levam a refletir que saber ensinar Matemática passa pelo conhecimento dos conteúdos, mas também pela necessidade de dominar técnicas e estratégias que possibilitem a qualidade do processo ensinoaprendizagem. Todos os sujeitos revelam que em algum momento de sua formação tiveram professores de Matemática que demonstravam ter conhecimento matemático, porém não sabiam transmitir este conhecimento aos alunos, fato 96 geralmente aliado à falta de paciência dos docentes, que não gostavam quando eram pedidas explicações ou dúvidas eram expostas. Para “VANGRA” esta situação provocou desânimo e criou uma defasagem na aprendizagem, fazendo com que atualmente ela tenha que rever certos conteúdos matemáticos por não ter aprendido no tempo certo. Suas lembranças sobre a Matemática eram sempre de dificuldades. [...] na 5ª série tinha até desânimo ao entrar na sala, minhas notas eram baixas, [...] eu torcia para que a professora ficasse doente para vir outro professor no lugar, e percebi que quando a professora faltava e outro professor a substituía, minha compreensão era melhor, logo, a maneira que a professora explicava era de fato meu maior desafio, ela fazia as contas muito rapidamente, e meu raciocínio não conseguia acompanhar. (“VANGRA”). A estagiária relata que até pedia explicação para suas dúvidas, mas a professora não gostava de repetir mais de uma vez a mesma orientação, então não conseguia acompanhar. Isto fez com que começasse a se questionar, “ou eu sou muito burra ou ela não está sabendo me ensinar de uma maneira mais fácil de compreender”. A falta de compreensão e a impaciência da professora fizeram com que “VANGRA” passasse a detestar a Matemática, afirmando que conseguiu avançar e não ficar retida graças ao auxílio dos colegas que a ensinavam e motivavam a continuar. Mas, nem todos os sujeitos de nossa pesquisa tiveram contatos iniciais traumatizantes com a Matemática e relacionam estas experiências com a qualidade de seus professores. “EAM” nos mostra em seus registros que sempre gostou “da matemática, cálculos, porcentagem e raciocínio lógico”, desenvolvendo sua vida profissional na área administrativa de uma empresa, ligada a estes conhecimentos. Assim como muitos, o estagiário entendia que gostar de Matemática era suficiente para seu desenvolvimento profissional. Seus relatos sugerem que o mesmo não teve problemas com a Matemática em sua formação básica. Por fim, “LISE” nos conta que teve excelentes professores que conseguiram realmente ensinar e promover a aprendizagem de Matemática, por isso ela e a 97 Matemática sempre foram “amigas”, pois desde a educação básica sempre gostou desta disciplina. No período em que cursei o fundamental e o Ensino Médio , tive ótimos professores de Matemática, outros nem tanto. Lembro que na escola algumas amigas me apelidaram de "rata" , por estar sempre acompanhando o raciocínio dos professores. Eu e a Matemática sempre fomos "amigas" , nunca a encarei como um bicho de sete cabeças. Creio que tive sorte por ter aulas com ótimos professores que realmente sabiam ensinar a Matemática, tinham certeza do que estavam falando, o que aumentava mais e mais o meu gosto pela Matemática. (“LISE”). O relato de “LISE” nos mostra que a prática do professor acaba por influenciar as escolhas profissionais de seus alunos, o que no seu caso reforçou o gosto pelo ensino e pela Matemática. A Matemática sempre foi a matéria que eu tive menos dificuldade. É algo que sempre gostei, sempre fui bem. Confesso que prefiro resolver mil expressões a interpretar um texto ou fazer alguma resenha. (“LISE”). Isto, porém não garante uma atuação de qualidade como professora de Matemática. Gostar de cálculos ou ter facilidade de raciocínio são atributos que podem facilitar a formação, porém não são suficientes para que o professor cumpra sua tarefa que é levar o aluno à aprendizagem. As experiências vividas por esses alunos quanto à aprendizagem em Matemática, segundo seus relatos, demonstram pouco crescimento ou envolvimento com a área. Seja pelo ensino desenvolvido pelos professores ou pelo próprio gosto dos alunos pela disciplina, fato é que esta trajetória influencia as escolhas e expectativas profissionais de nossos alunos. O ingresso desses estagiários no curso de Pedagogia à procura de formação profissional se deu por diferentes motivos. “MAO” e “LISE” desde pequenas acalentavam o sonho de serem professoras. Para “MAO” o sonho de ser professora era acalentado desde pequena, mas sua decisão pela profissão se deu quando terminou o Ensino Fundamental. 98 Antes de entrar no 2º grau do ensino regular, foi que realmente decidi que 9 queria ser Professora e com isso tive a ideia de entrar no CEFAM , para estudar o magistério, porém quando entrei na escola do Estado para cursar o Magistério, eu ainda não tinha a idade mínima para isso, e quando completei a idade, o governo cancelou esse projeto e não pude fazer o magistério. (“MAO”). Este fato, somente adiou o sonho de trabalhar com educação. Vários autores destacam o sonho dos jovens em se tornarem professores. Freire (1997, p. 160) nos fala sobre a boniteza do sonho e a boniteza de ser professor, destacando que “ensinar e aprender não podem dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria”. Gadotti (2003) também nos mostra que os professores perseguem este sonho, para dar sentido àquilo que realizam, entendendo que sonho e sentido querem dizer a mesma coisa. Sentido quer dizer caminho não percorrido mas que se deseja percorrer, portanto, significa projeto, sonho, utopia. Aprender e ensinar com sentido é aprender e ensinar com um sonho na mente. A pedagogia serve de guia para realizar esse sonho. (GADOTTI, 2003, p. 2). Como “MAO” não conseguiu fazer o curso de Magistério do CEFAM, terminou o 2º grau e buscou o mercado de trabalho, sem contudo se afastar da área da educação. Seu primeiro contato com a educação foi como inspetora de alunos concursada da Prefeitura da cidade de São Paulo. Nas atividades do dia a dia da escola teve certeza que era esse o caminho que queria seguir, queria mesmo ser professora. Esse sonho a levou a entrar na Universidade para cursar Pedagogia. Embora as experiências vívidas por “MAO” quanto à aprendizagem de Matemática, segundo seus relatos, demonstram pouco crescimento ou envolvimento com a área, seja pelo ensino desenvolvido pelos professores ou pelo próprio gosto da aluna pela disciplina, fato é que esta trajetória influenciou suas escolhas e expectativas profissionais, buscando uma profissão fora da área das ciências exatas. 9 CEFAM - Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério 99 O comentário de “MAO” em sua narrativa mostra que sua relação com a Matemática influenciou sua escolha profissional. No começo do curso planejava atuar apenas na Educação Infantil, porque tinha um certo preconceito com o Ensino Fundamental, justamente pela dificuldade que eu tinha com a Matemática. (“MAO”). Como apresentava dificuldades com a Matemática, pensava em trabalhar somente com a Educação Infantil, entendendo que neste nível de ensino não precisaria ensinar Matemática. Independente desta dificuldade, “MAO” ainda perseguia seu sonho de ser professora. O ingresso no curso de Pedagogia à procura de formação profissional, deu-se pela vontade de trabalhar com educação, e para alcançar o sonho de criança por admirar muito esta profissão. Consideramos este fato muito positivo no início do século XXI, em que muitos jovens não se interessam pela profissão de professor. “LISE” assim como “MAO”, também acalentava o sonho de ser professora, que foi reforçado pelas experiências vividas na Educação Básica, especialmente a influência de bons professores, levando-a a optar pela docência, no momento da escolha por uma profissão. Acredito que o sonho de toda menina, principalmente na infância, é ser professora. No meu caso não foi diferente, minha brincadeira preferida era “escolinha”, juntava minhas bonecas e minhas irmãs e passava a tarde toda brincando. Desde então já havia escolhido o que eu iria ser quando crescesse. (“LISE”). Além de correr atrás do sonho de criança, “LISE” relata que teve o exemplo e a influência dentro de sua família para reforçar esta escolha. “Na minha adolescência acompanhei minha tia que na época fazia Pedagogia, meu interesse foi aumentando, comecei a pesquisar na internet o curso, as funções e áreas de atuação.” A escolha pelo curso de Pedagogia foi, portanto muito natural, mas trouxe para ela reflexões acerca da posição e reconhecimento da profissão em nosso país, levando-a a pensar inclusive em mudar sua escolha. Confesso que me decepcionei um pouco ao ver como o professor não é valorizado no Brasil, percebendo então as dificuldades e desafios que iria encontrar, até pensei em mudar minha escolha, mas resolvi apostar e fazer algo que me interessava. Passei até por preconceito de familiares e amigos que só criticavam minha opinião, mesmo assim bati o pé, e decidi que era Pedagogia o caminho a ser seguido. (“LISE”). 100 Os relatos de “LISE” reforçam que ser professor se inicia muitas vezes com um sonho, assim como nos mostram Freire (2004) e Gadotti (2003), mas é preciso que o futuro professor saiba que para exercer a profissão não basta sonhar. É preciso construir uma identidade docente que segundo Pimenta (2002) abrange não somente posturas mas o conhecimento e desenvolvimento de um campo de saberes específicos, como conteúdos das diferentes áreas do conhecimento, conteúdos ligados à prática profissional, conteúdos do campo teórico desta prática e conteúdos que preparem o professor para trabalhar com seres humanos. Porém enquanto muitos alunos escolhem a Pedagogia por entenderem que assim se afastarão da Matemática, a estagiária relata em sua narrativa que acreditava que poderia se aperfeiçoar nesta área, não só na graduação, mas também após seu término. “Um dia antes de fazer a matrícula na graduação ainda não havia me decidido qual curso fazer, optei por Pedagogia para depois me especializar em Matemática”. Para “EAM” o ingresso na educação e o gosto pela área surgiram devido a uma fatalidade. Uma doença aos 30 anos o afastou do trabalho e em casa se propôs a alfabetizar um sobrinho que cursava a 4ª série do Ensino Fundamental, o que o fez se encontrar e partilhar das escolhas da esposa e de amigos. “Essa oportunidade foi muito gratificante e deu um novo sentido a minha vida, uma vez que minha esposa, formada em Letras, já atuava na área da educação e a maior parte de nossos amigos também”. Presta então, aos 33 anos, o ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio e obtém uma bolsa pelo PROUNI - Programa Universidade para Todos, para cursar Pedagogia na Universidade pesquisada, deixando de lado seus medos e incertezas, dedicando-se a esta formação. O estagiário não relata dificuldades com a Matemática em sua trajetória acadêmica, e sua escolha por Pedagogia se deu pelo gosto que adquiriu ao alfabetizar o sobrinho e pelas infuências das pessoas com as quais convivia. Porém para “TARS” as dificuldades com a Matemática influenciaram o momento da escolha por uma graduação, levando-a a escolher a Pedagogia, pois 101 assim como diversos alunos deste curso, entendia que não precisaria estudar Matemática para ser professora. Quando chegou a hora de escolher uma graduação a primeira opção que me veio em mente foi Letras, mas acabei optando por Pedagogia, por poder dar aula para crianças e é claro no meu ingênuo pensamento inicial, fugir um pouco da Matemática, pois pensava que ensinar Matemática para crianças seria moleza, só dar continhas, adição, subtração, multiplicação e divisão e pronto! Mas logo que iniciei o curso de Pedagogia percebi que não seria tão simples assim. (“TARS”). O pensamento de “TARS” sobre o ensino de Matemática para crianças está ligado ao desconhecimento que muitos professores apresentam quanto aos conteúdos de Matemática que devem ser trabalhados nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Além disso, a ideia de que para ser professor basta ter um conhecimento pedagógico geral relacionado a técnicas, estratégias ou recursos, faz com que alguns alunos optem pela profissão docente, entendendo que o conhecimento do conteúdo adquirido em sua formação básica será suficiente para o ensino. A esse respeito entendemos, assim como Curi (2006), que há uma concepção dominante com relação à formação dos professores que vão ensinar Matemática, de que o professor polivalente não precisa saber Matemática, mas que basta saber como ensiná-la. Desta concepção surgem diferentes pensamentos tanto de alunos quanto de professores formadores. Por fim “VANGRA” relata que escolheu ser professora na busca de maiores oportunidades de trabalho, especialmente para ela que tinha um bebê pequeno. Além disso, ressalta que embora não tenha um bom histórico com a Matemática, sua escolha pela Pedagogia não está ligada ao fato de muitas pessoas entenderem que este curso é mais fácil por não ter muita Matemática. Seu objetivo era realmente conhecer um pouco mais da educação e ampliar suas chances de trabalho. A estagiária relata que esperava que durante o curso pudesse aprender mais e livrar-se do medo e aversão que tinha pela Matemática. As disciplinas do curso de Pedagogia, no que se refere à formação do professor que vai ensinar Matemática, têm o objetivo de subsidiar teoricamente as ações docentes deste futuro professor. Mas nem sempre é o que ocorre na prática. Para “VANGRA” este momento deixou a desejar. 102 No curso de Pedagogia a disciplina relacionada ao conhecimento teórico em Matemática não me deu a visão do olhar do professor. Na verdade é necessário que o professor tenha uma visão diferenciada da prática para que seja comparada com o pensamento teórico. Acredito que a disciplina deveria ser mais bem trabalhada, sobre todas as formas. (“VANGRA”). Como já foi dito, no curso de Pedagogia da Universidade em questão, os alunos têm duas disciplinas denominadas Fundamentos e Metodologia do Ensino de Matemática l e Fundamentos e Metodologia do Ensino de Matemática II, com uma carga horária de 40 horas cada, oferecidas no 3° e 4° semestre do curso. Estas disciplinas têm o objetivo de subsidiar teorica e metodologicamente as ações docentes deste futuro professor para ensinar Matemática. Além destas, há a disciplina Prática de Ensino e Orientação de Estágio Curricular Supervisionado nos anos iniciais do Ensino Fundamental, cujo objetivo também é a formação do professor, porém não especificamente para ensinar Matemática, mas para atuar de forma polivalente em todas as disciplinas e em qualquer um dos anos iniciais do Ensino Fundamental As considerações de “VANGRA” referem-se a tais disciplinas, consideradas por ela muito teóricas, voltadas somente para os conteúdos matemáticos, quando na verdade esperava que fossem discutidas questões práticas do ensino, que pudessem torná-la uma professora diferente daquelas que teve na Educação Básica, que não encontravam formas de ensino que pudessem levar os alunos à aprendizagem. Assim como ela, “LISE” e “MAO” também se manifestam quanto à formação para ensinar Matemática propiciada no curso de Pedagogia. Para alguém que sempre gostou da Matemática e pensava até mesmo numa especialização após a graduação, “LISE” estranhou a importância dada à Matemática no curso e à postura de seus colegas de classe em relação ao ensino e aprendizagem nesta área. Vejo que muitas meninas da minha sala ainda não perderam esse "medo" da Matemática , escolheram Pedagogia por não ter contas, raciocínio lógico e rápido e algumas ficaram perdidas nas disciplinas de FME de Matemática e especialmente de Estatística , com suas fórmulas de tabelas e gráficos. Esse preconceito com a Matemática já é antigo e é passado de geração à geração, as pessoas já vêm com um bloqueio o que dificulta ainda mais a absorção do conhecimento. Não sou nenhuma expert em Matemática apenas gosto dos exercícios, e a encaro como um desafio a ser cumprido. (“LISE”). 103 “MAO” também destaca que na busca da formação para realizar o sonho de ser professora, esbarrou em diversos problemas, entre eles a atuação de alguns professores, na própria Universidade, que não se preocupavam com sua aprendizagem e com disciplinas que não lhe trouxeram o conhecimento esperado. A estagiária esperava que no curso de Pedagogia suas dúvidas fossem sanadas e sua formação acontecesse de forma que pudesse efetivamente ensinar Matemática. Porém, segundo ela a contribuição maior deu-se não especificamente com as aulas na graduação, mas especialmente em um momento de sua formação. Refere-se ao convite que recebeu para participar do Programa Observatório da Educação, já descrito na apresentação dessa tese, desenvolvido na Universidade pesquisada. Relata que no início ficou em dúvida se daria certo, pois sabia de suas limitações e resistências com a Matemática. Para participar do Programa Observatório, no começo fiquei em dúvida se daria certo. Porém a cada encontro que participava, eu ia me identificando e gostando cada vez mais e percebi que essa era a oportunidade que precisava para mudar a minha relação com a Matemática. (“MAO”). A participação neste Programa foi muito importante para todos os sujeitos, uma vez que todos em seus relatos destacam sua participação e aprendizagem nos encontros do grupo. “TARS”, por exemplo, mesmo não gostando de Matemática, começou a perceber, durante o curso de Pedagogia, que precisaria mais conhecimento do que somente o domínio das operações para ensinar no Ensino Fundamental. E segundo ela, a oportunidade de ampliar este conhecimento veio também no convite para participar do já referido Grupo de Pesquisa. Fiquei muito feliz quando fui convidada para participar do grupo. A essa altura eu já sabia que se quisesse realmente ser uma boa professora e fazer a diferença, não bastaria somente cursar a Pedagogia e parar por aí. Na verdade eu precisaria de mais base, buscar mais conhecimento, principalmente na área da Matemática, onde se apresentava minha maior dificuldade. Se eu não sabia os conteúdos e não gostava de Matemática, como iria ensinar os alunos e fazer com que se interessassem em aprender? (“TARS”). Embora entendesse a necessidade de uma formação que agregasse mais valor à formação propiciada no curso de Pedagogia, “TARS” sentia-se insegura em participar do Grupo de Pesquisa, o qual conforme citamos anteriormente, é formado 104 por profissionais de diferentes níveis de ensino, assim como estudantes de graduação e pós-graduação. No primeiro encontro do grupo me senti perdida com todos aqueles termos e nomenclaturas da Matemática. Fiquei ainda mais assustada, achei que não iria dar conta. Eu, no início da graduação sem saber quase nada, trabalhando ao lado de doutores, mestres, professores experientes, me senti fora de contexto. (“TARS”). A insegurança de “TARS” justifica-se pelo fato da mesma ter tido uma formação deficitária no que diz respeito à Matemática e também por ter tomado consciência de que os saberes necessários à docência, conforme nos mostra Tardif (2002) são múltiplos e devem ser mobilizados e articulados entre si pelo professor, no que diz respeito ao saber profissional, saber disciplinar, saber curricular e o saber experiencial, conceitos já discutidos anteriormente. Na busca por estes saberes, a estagiária relata ter percebido que sua participação no Grupo de Pesquisa traria grande contribuição para sua formação. O grupo logo se constituiu como espaço de formação, permitindo que a estagiária começasse a enxergar a Matemática de forma diferente daquela que a acompanhou durante toda sua formação até o momento da pesquisa. Conforme as reuniões iam acontecendo eu ia compreendendo mais do que se tratava, qual era a proposta, qual era o meu papel e ia também tirando dúvidas em relação a Matemática que me cercavam há muito tempo, e também derrubando alguns mitos sobre seu ensino como por exemplo, o da calculadora. Para mim, trabalhar com calculadora fazia com que não se usasse o raciocínio e a criança não aprenderia nada dessa forma. Mas descobri através de experiências no grupo de pesquisa que a calculadora se bem usada auxilia no processo de desenvolvimento do raciocínio, faz pensar, encontrar soluções, buscar métodos de resolução.(“TARS”). “TARS” ressalta ainda que na Universidade, as aulas de FME de Matemática I e II lhe trouxeram alguns conhecimentos, mas realmente só isso não foi suficiente. Participando do Programa Observatório consegui aumentar consideravelmente esse conhecimento, parei de ver a Matemática como algo ruim e em consequência disso, quando tive que escolher uma matéria optativa para cursar, ao invés de fugir da Matemática mais uma vez, fui em busca dela e escolhi Educação Estatística. Era uma aula prática e dinâmica, aprendi muito, foi uma ótima escolha, pois nessa matéria pude aprender formas de aplicação da Matemática para crianças de várias formas diferentes e adaptá-las para diversas idades. (“TARS”). 105 Seu crescimento no que se refere à Matemática e seu ensino é fruto da participação no Programa Observatório da Educação, assim como das relações que consegue estabelecer entre sua aprendizagem e seu trabalho no Projeto Ler e Escrever, da Prefeitura do município de São Paulo, já citado anteriormente. Paralelamente ao Programa Observatório, também participei do Projeto Ler e Escrever e auxiliava uma aluna com muita dificuldade de aprendizagem na alfabetização. Tanto eu quanto a professora da sala achávamos que devíamos trabalhar com essa menina somente a alfabetização de início, pois se ela não sabia ler, nem escrever, não conseguiria aprender matemática. (“TARS”). Porém segundo a estagiária, em um dos encontros do grupo de pesquisa este mito foi derrubado, pois aprendeu que uma coisa independe da outra, mesmo que a criança não seja alfabetizada ela pode fazer cálculos, usar o raciocínio lógico e resolver problemas. Assim eu e a professora começamos a trabalhar Matemática com essa aluna e para nossa surpresa ela se saía muito bem, começou com contagem com os dedinhos e logo avançou para sobre-contagem e quando se tratava de problemas, nós líamos para ela e ela resolvia sem grandes dificuldades, às vezes sendo a primeira da sala a terminar corretamente. Assim comprovei na prática o que aprendi no Programa Observatório. (“TARS”). Em seus relatos “TARS” afirma que as experiências vividas, como fazer parte do grupo de pesquisa entre outras coisas, certamente enriqueceram sua prática pedagógica. “Com as mudanças na minha postura diante da Matemática sei que conseguirei ministrar minhas aulas corretamente sempre buscando me aprimorar em conhecimentos, sem medo e sem preconceitos com esta área.” Para “EAM” sua participação no grupo de pesquisas abriu novas perspectivas e trouxe uma visão diferenciada sobre o ensino e a aprendizagem da Matemática, permitindo que o professor reflita e se coloque no lugar do aluno, conforme reforça em seu relato. O programa não só abre nossos horizontes acadêmicos, como nos traz meios para ensinar e solucionar as dificuldades que temos com a Matemática: o quanto é difícil criar e elaborar questões e descobrir se o aluno vai interpretar aquele enunciado, de que maneira ele resolverá o problema. (“EAM”). De fato, conforme citado anteriormente o Grupo de Pesquisa do Programa Observatório da Educação promove a convivência com profissionais de diferentes níveis de formação propiciando aos envolvidos no grupo uma experiência e 106 crescimento que não seria possível de outra forma. É esta a opinião de “EAM” destacada a seguir: Acredito que este projeto soma muito em minha formação, pois nós estagiários, sentamos e debatemos com doutores, doutorandos, mestres, mestrandos, professores, coordenadores pedagógicos, além de outros estagiários como eu, com foco em aprender como o aluno, nos anos iniciais, pensa a Matemática. Analisamos e elaboramos atividades e avaliações que esses alunos farão no decorrer nos anos iniciais. Além de analisar as avaliações, estudamos as expectativas de aprendizagem do 1° ao 5° ano, debatemos sobre os descritores do Sistema de Numeração Decimal do SAEB: a experimentação; a oralidade e a simbologia (escrita). Ao olharmos as questões podemos ver os erros prováveis que as crianças cometem. (“EAM”). Percebemos que a participação no grupo de pesquisa abriu possibilidades de ampliar seu conhecimento para o ensino de Matemática e sua própria atuação como docente. “LISE” se interessou pelo Grupo de Pesquisa quando conheceu a proposta do Programa Observatório da Educação. Saber sobre as pesquisas que seriam realizadas, o objetivo do programa e especialmente a relação com a Matemática, foi decisivo em sua decisão de aceitar o convite. “O maior interesse na participação no grupo de pesquisa teve relação direta com a Matemática. Acho que a Matemática é praticada todos os dias e em todos os momentos”. Embora relate que sempre gostou de Matemática e sentiu-se motivada a poder aprender mais sobre seu ensino, assim como seus colegas, sentiu certa apreensão no início de sua participação no Projeto. Confesso que no início de minha participação no Programa Observatório fiquei um pouco perdida, pois sou leiga em certos assuntos. No curso de Pedagogia as disciplinas relacionadas à Matemática deixam um pouco a desejar, já que são muito teóricas, muitas vezes nem partem para a realidade. No Programa com o acompanhamento das professoras e demais participantes, com as apresentações das telas como as de Vergnaud, pude aprender como trabalhar com as dificuldades dos alunos, sem isso minha formação seria vaga. (“LISE”). “LISE” mostra a importância das discussões entre os pares para a aprendizagem e desenvolvimento de conceitos que facilitem o ensino e a aprendizagem de Matemática. De fato, no grupo de pesquisa, conforme já citamos anteriormente, a participação de diferentes profissionais permite troca de informações e experiências que agregam valor à formação de cada um dos 107 envolvidos. Encontramos respaldo para nossas afirmações nas contribuições de Curi (2012). O saber docente construído nas reuniões do grupo de pesquisa, é um saber situado na ação coletiva e compartilhada em que cada participante exerce seu papel, conforme sua experiência profissional, mas todos atuam segundo os objetivos da pesquisa, com a finalidade comum de melhorar a prática. (CURI, 2012, p. 27). Notamos que a participação neste grupo nos leva a refletir sobre nossa formação e nos torna multiplicadores de práticas e informações. É o que nos mostra “LISE”, no que diz respeito à sua relação com os demais colegas do curso de Pedagogia. Discuto com meus colegas de classe sobre minha participação no Programa Observatório e tudo que tenho aprendido e elas concordam que na graduação deveríamos ter aulas mais dinâmicas e não fazer apenas uma pesquisa relacionada a tal assunto ou trabalhos de como ensinar a Matemática. (“LISE”). A estagiária entende, assim como nós, que o curso de formação deve preparar o futuro professor para assumir suas aulas, com o conhecimento necessário para desenvolver o ensino e possibilitar a aprendizagem. Seu comentário nos mostra, como afirma Shulman (1986), que para ensinar é necessária a articulação de diferentes tipos de conhecimento, por ele destacados como essenciais ao trabalho do professor: conhecimento do conteúdo da disciplina, conhecimento pedagógico do conteúdo da disciplina, conhecimento do currículo. Podemos perceber a importância dos conteúdos para o ensino de Matemática, os quais, segundo a estagiária não foram aprendidos na formação básica, nem trabalhados nas aulas de FME de Matemática no curso de Pedagogia, mas sim nos encontros do grupo de pesquisa, os quais a ajudaram a superar alguns mitos que trazia de sua formação em Matemática. Acabei com alguns mitos que aprendi na minha formação como a utilização das casinhas de dezena e unidade, a utilização da palavra “numeral”. Aprendi algumas estratégias como a utilização de ditados, bingos, cartas sobrepostas, composição e decomposição de números. São coisas simples que passam “batidas” no curso de Pedagogia e que pelo que eu presencio no Programa traz muitos benefícios e faz uma total diferença quando comparamos as turmas nas quais os professores utilizam esses procedimentos e aquelas que não usam. (“LISE”). Porém, mesmo com esta reflexão, “LISE” não destaca em seus comentários sobre as atividades propostas pela professora, como veremos adiante, a utilização 108 da palavra numeral ao invés de número, conflitante com as orientações curriculares mais recentes. É interessante ressaltar as reflexões realizadas por “LISE”, sempre comparando sua formação básica, as aulas da graduação relativas ao ensino de Matemática e sua participação no Programa Observatório da Educação. O trabalho com problemas desenvolvido no Programa também me impressionou bastante, pois me levou às minhas aulas de Matemática no Ensino Fundamental, entendendo como alguns problemas se tornam um problemão quando é utilizada uma palavra desconhecida ou se passa a ideia de maneira incorreta e acaba se culpando a criança pela dificuldade. (“LISE”). Apoiados nas contribuições de Schön (2000) e Alarcão (2003), podemos entender que a postura de “LISE” ao estabelecer relações entre as aprendizagens propiciadas nos diferentes níveis de seu ensino, mostra um pensamento e uma ressignificação de seu papel, pautados em uma reflexão não somente importante mas necessária para sua atuação no cotidiano escolar e na sala de aula. A estagiária relata entender que sua prática poderá ser efetivamente desenvolvida nos estágios. Após um ano no curso de Pedagogia, “VANGRA” foi convidada para participar do Programa Observatório da Educação e se interessou muito porque queria observar se suas concepções sobre a Matemática mudavam e se o medo e a dificuldade diminuiriam. Porém se perguntava se estava preparada para este desafio, se conseguiria acompanhar o grupo, porém sabia que precisava desta oportunidade para ter base para ensinar Matemática aos seus futuros alunos. “VANGRA” relata considerar o grupo de pesquisa como uma “disciplina” a mais em sua formação, tendo que estudar, rever e realizar as atividades propostas no mesmo. As reuniões, discussões e convivência com outros profissionais propiciadas se constituíram em fonte de aprendizagem e formação para ela. O grupo é composto por professores que pensam e agem diferente da forma que estava acostumada a ver. Muitas vezes quando as professoras do grupo davam exemplos de alunos com dificuldades, eu me via neles, e através disso, pela minha dificuldade do passado, pelo que presenciei no Programa, pelo meu novo olhar em relação às dificuldades das crianças, obtive uma direção bem mais ampla de como ensinar em sala de aula. (“VANGRA”). 109 A estagiária ressalta sua participação no Programa Observatório como um marco em sua formação que lhe permitiu enxergar a Matemática de outra forma, assim como observar a importância da participação e comprometimento dos professores que a ensinam. O Programa me permitiu quebrar o mito de que a Matemática é um bicho de sete cabeças, pois o problema não é a Matemática e sim a forma como os professores vêm e trabalham a mesma. Pude perceber isso no contato com os professores do grupo de pesquisa que se comprometem com a aprendizagem dos alunos e deles mesmos. (“VANGRA”). Além do curso de Pedagogia e da participação no Grupo de Pesquisa do Programa Observatório da Educação, os estagiários destacam em seus relatos os momentos de realização do Estágio Curricular Supervisionado. Conforme já citado, na Universidade na qual desenvolvemos a pesquisa, a grade curricular do curso de Pedagogia em vigência prevê a realização de cem horas de Estágio Curricular, destinadas à observação da prática docente nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Esta fase do estágio é muito importante por estar ligada ao nível de ensino no qual a maioria dos alunos egressos do curso atuarão. Constitui-se em um momento da formação em que o aluno estabelece ligações entre teoria e prática articulando os conhecimentos adquiridos nas disciplinas do curso e as observações da prática docente realizadas no estágio. O saber profissional do professor deve partir das reflexões realizadas sobre seu conhecimento e ações e sua formação profissional deve ser alicerçada na reflexão a partir da realidade, para que o professor possa ressignificar e reelaborar sua prática. Ao chegar às escolas para a realização do estágio, os alunos têm a expectativa de aprendizagem da prática, do como fazer, com base na atuação do professor acompanhado. Portanto suas reflexões estão alicerçadas nas ações destes professores. Schön (2000) nos mostra a necessidade do aluno refletir sobre a ação docente que desenvolverá. Entendemos então que esta reflexão deverá subsidiar novas ações no ensino de matemática, a partir da teoria, da prática e da consciência da necessidade de mudanças. 110 Quando se trata do professor de Matemática, os alunos presenciam diferentes situações, que quando analisadas nos mostram que crenças e mitos quanto a esta disciplina estão muito presentes na ação docente. Para “MAO” o período de realização do Estágio Curricular Supervisionado nos anos iniciais do Ensino Fundamental, a ajudou a mudar de ideia em relação ao preconceito que tinha sobre trabalhar no Ensino Fundamental e os problemas com a Matemática. Se antes pretendia atuar somente na Educação Infantil devido sua dificuldade com a Matemática, agora percebe a importância de sua atuação também no Ensino Fundamental. No que se refere à formação do professor para ensinar Matemática, a estagiária nos mostra que as observações realizadas no Estágio Curricular Supervisionado, trouxeram aprendizagem e crescimento, porém alicerçados mais em sua participação no Programa Observatório da Educação, embora tenha percebido que um momento complementava o outro. Depois que comecei a fazer o estágio, percebi o quanto foi importante estar participando do Programa Observatório, porque algumas dúvidas que eu tinha, foram respondidas e alguns mitos que acreditava foram quebrados, como por exemplo, o uso da calculadora no ensino de Matemática durante o Ensino Fundamental, pois não acreditava que havia uma forma de usar a calculadora em sala de aula, fazendo os alunos aprenderem a resolver problemas e aprender a pensar de maneira lógica. (“MAO”). Percebemos que “MAO”, embora não tenha vivenciado boas situações de aprendizagem de Matemática em sua formação, entende a necessidade de desenvolver competências que a preparem para o ensino de Matemática, competências estas que em nossa opinião deverão ser desenvolvidas pelo futuro professor nas aulas do curso de formação, nas observações realizadas nos estágios curriculares e especialmente nas reflexões e discussões que se estabelecem da articulação entre ação e teoria. De fato, encontramos apoio nas contribuições de Pimenta (2002), que entende que no desenvolvimento destas competências o professor constrói uma identidade docente própria, com base em seus valores, crenças, sonhos, seu modo de situar-se no mundo, sua história de vida, seus saberes e sua visão do que é ser professor. Esta construção se dá em diferentes tempos e espaços, dentre eles a 111 Universidade, o momento de realização do estágio e outros espaços de formação, como por exemplo o Grupo de Pesquisa. A afirmação de “MAO” corrobora nossos comentários. Tenho a certeza que tanto o estágio como o projeto, me ajudarão a tornarme uma profissional melhor, porque tenho a oportunidade de mudar minha visão para me tornar uma pesquisadora. Com isso estou tirando algumas dúvidas que me acompanharam durante toda a minha vida escolar e estou quebrando vários mitos que tinha. (“MAO”). “EAM” destaca que após seu ingresso no Grupo de Pesquisa do Programa Observatório da Educação, dois momentos marcaram sua vida acadêmica e contribuíram para sua formação: sua participação como estagiário no CEFAI – Centro de Formação e Acompanhamento à Inclusão e a realização do Estágio Curricular Supervisionado. Porém destaca muito mais o trabalho realizado no CEFAI, com momentos de grande aprendizado, pois pôde vivenciar em sala de aula os conhecimentos adquiridos na Universidade, como o trabalho sob uma abordagem mais construtivista e menos tradicional como um dos caminhos de uma aprendizagem mais significativa. “EAM” ressalta então a utilização do construtivismo e da contextualização não somente na alfabetização mas também no ensino de Matemática. Passei a entender que com o construtivismo o ensino de Matemática é mais fácil por relacionarmos o cotidiano com a aprendizagem do aluno. Desta maneira passei a ver que um aluno não precisa saber de cor uma tabuada, por exemplo: 3X4=12. Quando eu estudava era fácil para mim entender, mas hoje a criança precisa e quer a explicação dentro do contexto, com um problema que traga a realidade para aquela operação. Por exemplo: tenho três carros com quatro rodas cada. Quantas rodas tenho no total? Desta forma o aluno consegue trazer o resultado mesmo sem saber a tabuada. (“EAM”). Ao acompanhar as aulas de Matemática desenvolvidas pelo professor em seu estágio no CEFAI, ficou muito clara para ele, a postura de alguns professores com os quais teve contato. Algumas atividades de Matemática eram utilizadas para preencher o tempo ou punir alunos. Muitos professores ao verem que alguns alunos terminavam a lição passavam a eles números de 1 a 100 e assim por diante. Com isso a Matemática acabava sendo uma punição para aqueles que terminavam primeiro suas atividades, acarretando certo desconforto e quando esses alunos tinham a aula de Matemática já falavam: “De novo números”! (“EAM”). 112 O estagiário relata que entende que esta postura do professor funcionava como punição para os alunos, criando já na infância um certo bloqueio, ao invés de aprender a contextualizar a sua vivência com os números. Quanto à realização do Estágio Curricular Supervisionado, “EAM” declara somente que teve a oportunidade de aprender, observando e vivenciando em sala de aula cada ação do professor que o recebeu na escola. Já os relatos de “VANGRA” enaltecem as contribuições do grupo de pesquisa do Programa Observatório da Educação em sua formação, mas não se refere à realização do estágio curricular. Estranhamos este fato, pois o estágio é parte obrigatória da grade curricular do curso de Pedagogia e além disso, neste momento ela realizava uma investigação durante a realização do mesmo que colaboraria com esta pesquisa. Maior surpresa quanto à falta de comentários neste ponto, está ligada às características da escola e da professora que a estagiária acompanhou, conforme veremos a seguir. Chamou nossa atenção o fato de também as estagiárias, “TARS” e “LISE” não se manifestarem especificamente sobre a realização do Estágio Curricular Supervisionado. Para “LISE” sua aprendizagem no curso de Pedagogia não a prepara para a prática em sala de aula, pois “a prática só acontece depois, nos estágios ou quando partimos realmente para a sala de aula”. Porém para haver prática é preciso partir da teoria, e segundo a estagiária sua prática poderá ser mais bem desenvolvida a partir dos estágios. Apesar disso não cita a realização do estágio. Embora afirme a importância do conhecimento matemático para o ensino e ressalte as contribuições recebidas no Projeto Ler e Escrever e especialmente no grupo de pesquisa do Programa Observatório da Educação, “TARS” não se manifesta em seus registros sobre a importância ou não do estágio curricular para sua formação para ensinar Matemática. Os relatos das experiências e expectativas de cada sujeito desta pesquisa, com relação ao ensino e aprendizagem da Matemática, permitiram delinear um perfil comum a todos, apresentado a seguir. 113 São alunos que tiveram dificuldades com a Matemática na Educação Básica, especialmente pela postura de seus professores. Os alunos que não tiveram dificuldades devem este fato nem tanto à boa atuação dos docentes, mas especialmente à própria competência e habilidade com o raciocínio lógico, o que facilitou a aprendizagem e não os fez sentir a defasagem no ensino na disciplina. Seja por um sonho, uma oportunidade de trabalho ou uma descoberta de vocação, os cinco estagiários escolheram ser docentes. O curso de Pedagogia foi uma escolha consciente que os levaria a exercer a profissão de professores. Para tanto, todos colocavam grandes expectativas de aprendizagem e formação no curso escolhido, principalmente no que diz respeito ao ensino de Matemática. Destacam, porém que as disciplinas do curso que deviam prepará-los para tal ensino deixaram a desejar, pois todos esperavam algo mais prático e menos teórico. Também quanto à decisão de participar do grupo de pesquisa do Programa Observatório da Educação os alunos mostram o mesmo perfil. Todos vislumbraram uma oportunidade de aprendizagem e crescimento que somente o curso de Pedagogia não seria capaz de proporcionar. E são unânimes em ressaltar a importância de suas participações em tal grupo, estabelecendo relações entre a aprendizagem propiciada no grupo, o trabalho que realizam e as observações realizadas no Estágio Curricular. 3.6.2 O perfil das escolas que recebem os estagiários Entendemos que o local de realização do estágio curricular supervisionado e a forma como os estagiários são recebidos pela gestão da escola, podem influenciar na formação dos futuros professores e na concepção de ensino que os mesmos desenvolverão para sua atuação como professores. Por este motivo, parte dos relatos registrados nos portfólios de aprendizagem dos estagiários incluiu um perfil da escola na qual realizaram suas observações, traçado a partir de um questionário, já citado anteriormente, respondido pela direção das escolas. Neste questionário procuramos identificar a comunidade atendida, número de alunos, o IDEB10 alcançado e a disponibilidade da 10 Índice criado em 2007 pelo INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio 114 direção em realizar parcerias com as Universidades e receber estagiários em sua escola. As respostas e colocações das diretoras11, bases de nossa análise para traçar o perfil das escolas, estão inseridas nos apêndices ao final deste trabalho. Estes dados nos deram indícios do ambiente em que foram coletados os dados para esta pesquisa e a contribuição ou não da direção para que tanto o estágio quanto a coleta de dados pudessem se realizar com vistas à aprendizagem dos estagiários. As escolas nas quais os alunos realizaram seus estágios e as observações sobre o foco de nossa pesquisa são escolas públicas municipais, localizadas na Zona Leste da cidade de São Paulo, as quais identificaremos como “E-MAO”, “ETARS”, “E-EAM”, “E-LISE” e “E-VANGRA”. Das cinco EMEF - Escola Municipal de Ensino Fundamental - pesquisadas, três estão organizadas com Ensino Fundamental de nove anos e duas ainda trabalham com Ensino Fundamental de oito séries. As escolas “E-TARS”, “E-LISE” e “E-VANGRA” oferecem Ensino Fundamental de nove anos, e “E-EAM” e “E-MAO” funcionam com Ensino Fundamental de oito séries, não possuindo portanto salas de 5° ano. Destacamos que a escola “E-VANGRA” é colaboradora da Universidade em questão na realização das pesquisas, aplicação de atividades e intervenções do Programa Observatório da Educação. O perfil destas escolas, traçado pelas próprias diretoras mostra que as mesmas se encontram em localidades carentes, evidenciando a importância de sua atuação para o crescimento da comunidade e dos alunos. Os relatos das diretoras em seus questionários nos mostram que estas escolas pesquisadas atendem número médio de 600 alunos nos anos iniciais do Teixeira, buscando representar a qualidade da educação a partir da observação de dois aspectos: o fluxo escolar e o desenvolvimento e aprendizado dos alunos. Calculado a partir dos dados sobre aprovação escolar, obtidos no Censo Escolar, e médias de desempenho nas avaliações do Inep, o Saeb – para as unidades da federação e para o país, e a Prova Brasil – para os municípios. 11 Apêndices I, J, K, L, M – Respostas das diretoras sobre o “Perfil da Escola” 115 Ensino Fundamental. Uma tabela com estes números por escola e pelo total encontra-se no final deste trabalho12. A partir das informações fornecidas pela direção de cada escola, observamos o IDEB - Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, referente às três últimas avaliações - 2007, 2009 e 2011. Consideramos importante apresentar a variação do IDEB das escolas em questão, uma vez que este índice é calculado a partir do aprendizado dos alunos, que se refere à média do desempenho dos alunos em Português e Matemática na Prova Brasil13. Embora a Prova Brasil seja realizada somente pelos alunos da 4a série e 5° ano, entendemos que a forma como o ensino de Matemática é desenvolvido nos anos iniciais do Ensino Fundamental tem reflexos na avaliação dos alunos e consequentemente no IDEB da escola. Estes índices encontram-se nos apêndices14 ao final do trabalho. Observamos que com relação à quantidade de alunos e ao IDEB as escolas em questão são escolas de médio porte e juntas apresentam uma média de 4,4 no IDEB. Interessamo-nos de forma mais específica, com relação ao apoio e contribuição da direção na realização do estágio e nas aprendizagens dos estagiários, razão pela qual perguntamos no questionário aplicado se a mesma gostaria de fazer algum comentário ou sugestão sobre a pesquisa ou sobre o trabalho realizado pela estagiária. Somente a diretora da “E-LISE” destacou a postura da estagiária, citando que “A estagiária mostrou interesse e teve um bom desempenho durante o estágio”. Quanto a sugestões ou comentários todas as diretoras responderam que não gostariam de acrescentar nada, somente a responsável pela escola “EVANGRA” afirmou que “A escola tem interesse em dialogar com a Universidade para melhorar o atendimento aos estagiários e, ainda, apresentar sua disposição em atender pesquisadores na área da educação”. 12 Apêndice N – Tabela: Número de alunos atendidos A Prova Brasil faz parte do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) e avalia duas competências dos alunos: a de leitura e interpretação de textos (português) e a resolução de problemas matemáticos (matemática). 14 Apêndice O – Tabela IDEB por escola. 13 116 Conforme citamos anteriormente a escola é colaboradora da Universidade no desenvolvimento do Programa Observatório da Educação, e as afirmações da diretora e da estagiária nos mostram a importância do diálogo escola e Universidade e da participação das escolas nos projetos educacionais, especialmente voltados para o ensino de Matemática, pois funcionam como formação continuada para os professores, além de aprimorar a aprendizagem dos alunos. 3.6.3 O perfil das professoras que recebem os estagiários Os alunos sujeitos desta pesquisa acompanharam cinco professoras15 durante a realização desta pesquisa. Consideramos importante conhecer e delinear o perfil destas professoras que os receberam, pois suas contribuições extrapolam os limites da escola ou da sala de aula onde o estágio está sendo realizado, uma vez que as reflexões propiciadas ao aluno farão com que o mesmo procure rever suas ações e estabelecer a própria prática alicerçada no modelo que lhe foi passado pelo professor que o recebeu. Para conhecer este perfil foi solicitado que as professoras respondessem a um questionário, já citado anteriormente, com algumas questões relacionadas a dados pessoais e à sua formação. Foram formuladas questões abertas focando em dois pontos que consideramos importantes na formação do professor: a identidade profissional e a prática pedagógica. Ao focarmos na identidade profissional nos baseamos em Pimenta (2002), por entendermos assim como a autora que a identidade docente se constrói [...] pelo significado que cada professor, enquanto ator e autor conferem à atividade docente no seu cotidiano a partir de seus valores, de seu modo de situar-se no mundo, de sua história de vida, de suas representações, de seus saberes, de suas angústias e anseios, do sentido que tem em sua vida: o ser professor. (PIMENTA, 2002, p. 19). Por este motivo, tratar da identidade profissional destes professores nos levou a estabelecer uma linha de pensamento que mostrou de que forma esta docência foi e continua a ser construída, assim como de que forma esta identidade 15 Para preservar a identidade dos professores acompanhados pelos estagiários, os mesmos serão aqui chamados de “P-MAO”,” P-TARS”, “P-EAM”,” P-LISE” e “P-VANGRA”. 117 pode contribuir para as reflexões dos alunos estagiários na constituição de sua própria identidade. No que se refere à prática pedagógica do professor, pretendíamos ressaltar a influência do professor observado o estágio, na constituição da prática dos alunos estagiários e futuros professores. De acordo com Shulman (1986), a atuação do professor precisa estar alicerçada no conhecimento do conteúdo da disciplina (o que ensinar), no conhecimento didático do conteúdo da disciplina (como ensinar) e no conhecimento do currículo (com o que ensinar). Desta forma, a concepção que as professoras têm sobre o ensino de Matemática, com seus conteúdos, o desenvolvimento de suas aulas, os materiais utilizados e até mesmo suas crenças sobre o ensino, são importantes no delineamento do perfil das mesmas. Os pontos de análise do perfil das professoras, focando na identidade profissional e prática docente foram os dados pessoais; a escolha da carreira, disciplinas ou áreas de maior interesse; planejamento e organização das aulas de Matemática e os materiais utilizados; contribuições da formação inicial ou graduação para o ensino de Matemática; orientações pedagógicas para o ensino de Matemática; formação continuada; e o acompanhamento de estagiários. As respostas e colocações dos professores16, estão inseridas nos apêndices ao final deste trabalho, os quais passamos a analisar. A análise dos dados pessoais mostra que as cinco professoras acompanhadas têm idade variando entre 35 e 49 anos. Três delas são casadas e duas são solteiras. Todas são formadas em nível superior, tendo cursado a graduação em Pedagogia em Universidades particulares. “P-VANGRA” declarou possuir duas graduações: Pedagogia e Matemática. “P-MAO” declarou possuir graduação em Matemática e à época da pesquisa cursava Pedagogia. O tempo de atuação das professoras no Ensino Fundamental varia entre 10 e 27 anos. Quanto ao enquadramento profissional das professoras, todas são efetivas por concurso no município de São Paulo, sendo que “P-VANGRA” é também contratada para trabalhar na rede Estadual. 16 Apêndices P, Q, R e S – Respostas das professoras sobre o “Perfil da Professora” 118 3.6.3.1 Escolha da carreira A escolha da carreira profissional se dá por diferentes motivos: por afinidade, interesse, influências recebidas ou conhecimento da área. Os relatos das professoras nos mostram que embora algumas já trouxessem da infância o desejo de exercer a docência, outras tiveram influências familiares ou até mesmo falta de opção na hora da escolha. Para “P-TARS”, “P-EAM” e “P-VANGRA”a escolha pela profissão não foi aleatória, pois fundamenta-se no início da vida escolar, especialmente no convívio familiar, assim como nas influências de seus professores “Meu pai era professor. Sempre fui boa aluna e gostei de ensinar. O curso de graduação me preparou para trabalhar com crianças, principalmente por meio do estágio” (P-TARS). Nos relatos sobre sua formação, “P-LISE” nos conta que sua escolha pela profissão de professora foi determinada pelas alternativas de estudos que se apresentaram ao sair do Ensino Fundamental. “Como morava em uma cidade do interior, onde havia apenas os cursos de Magistério e Técnico de Contabilidade, fui fazer Magistério e logo me interessei pela área.” A professora “P-MAO” não se posicionou quanto às suas escolhas, afirmando somente que procurou na graduação uma forma de preparação para a docência. Percebemos que as professoras declararam ter escolhido a docência por motivos diversos, seja pela oportunidade, falta de opções, influência familiar ou o gosto pela docência. Todas ressaltam porém, que após esta escolha se envolveram com a área e não trocariam de profissão. Podemos considerar que os motivos que levaram os sujeitos de nossa pesquisa a escolherem a carreira de professor se assemelham aos das professoras que os estão recebendo. 119 3.6.3.2 Disciplinas ou áreas de maior interesse O conhecimento prático e teórico desenvolvido na graduação, faz com que os professores tenham preferências quanto à sua atuação, muitas vezes ligadas à experiência positiva ou negativa propiciada na formação. Um conteúdo que domina melhor, um ano de escolaridade com o qual se identifica mais ou menos, e estabelece-se um vínculo que vai determinar suas escolhas ou até mesmo seu desempenho. Conforme podemos entender a partir das contribuições de Curi (2006), somente gostar de ensinar Matemática, ter preferência por determinados conteúdos ou mesmo achar gratificante trabalhar com crianças de determinado ano não forma um professor. Existem conhecimentos e competências a serem desenvolvidos, que são específicos da formação para ensinar Matemática. Também Serrazina (2001) nos alerta sobre o fato do conhecimento necessário para o ensino de Matemática estar ligado a diferentes fatores: [...] o conhecimento da Matemática dos professores do 1° ciclo é difícil de distinguir do conhecimento da Matemática que ensinam aos seus alunos, e está muito ligado às suas crenças e concepções sobre a Matemática e seu ensino. Ela considera como fatores que influenciam a forma como os professores do 1° ciclo encaram o ensino da Matemática: o conhecimento da Matemática, o interesse e gosto por ensinar Matemática, as crenças sobre a importância da Matemática e as expectativas sobre o que os alunos conseguem fazer [...] (SERRAZINA. 2001, p. 32). Por este motivo entendemos que conhecer as escolhas e preferências das professoras com relação ao ensino de Matemática e seus conteúdos, as facilidades e dificuldades que as mesmas apresentam em suas aulas e especialmente aquilo que em sua visão é necessário para ensinar Matemática, nos mostrará a forma como as professoras desenvolvem este ensino, o que pode influenciar a formação dos estagiários. Com relação ao ano de escolaridade no qual preferem atuar, quatro professoras indicam como preferência os 4º e 5º anos. Somente “P-MAO” tem preferência pelo 1° ano. Chamou nossa atenção as justificativas das professoras sobre seus interesses para atuação, uma vez que as mesmas não se referem à suas 120 preferências no que diz respeito aos conteúdos a serem trabalhados, à sua prática ou à aprendizagem de seus alunos. Parece que se sentem satisfeitas, confortáveis e aceitas na sala de aula dos alunos mais velhos, pois destacam a "maturidade e independência dos alunos" , o que nos leva a pensar em falta de preparo para trabalhar com crianças menores que demandam maior atenção. Somente “PVANGRA” faz alusão às atividades desenvolvidas no 5º ano, mas não explica quais são elas, a qual área se referem e porque gosta de trabalhar com elas. Duas professoras, “P-EAM” e “P-LISE” preferem trabalhar com a alfabetização, e justificam esta preferência devido às suas dificuldades com a Matemática e o ensino de Matemática. As demais professoras declaram gostar de trabalhar com a Matemática. As professoras mostram também em seus relatos as suas preferências no que se refere ao ensino de Matemática, citando conteúdos que trabalham com mais facilidade e mais dificuldade, os quais apresentamos no quadro a seguir: Professora Mais facilidade Mais dificuldade “P-MAO” Situações problema Interpretação do texto do problema “P-TARS” Quatro operações Raciocínio lógico “P-EAM” Gráficos e tabelas Divisão e frações “P-LISE” Situações problema Áreas e perímetros Cálculo mental “P-VANGRA” Tabelas e gráficos Não especifica Quadro 8 - Conteúdos: Facilidades e dificuldades Embora “P-MAO” declare que tem facilidade com o ensino de situações problema e ressalte em seus relatos a importância da contextualização, como veremos adiante a professora não contextualiza suas atividades e nem propõe situações problema, utilizando somente folhas avulsas, sem indícios de que utilize a Matemática como forma de inserção dos alunos na realidade e na sociedade. 121 Podemos confirmar a preferência de “P-TARS” pelo ensino das quatro operações, nas atividades apresentadas no portfólio da estagiária “TARS” envolvendo este conteúdo. Porém encontramos uma contradição em suas afirmativas, pois ressalta que o mais trabalhoso ou mais difícil para ensinar Matemática é o raciocínio lógico e depois afirma lhe atrair estimular o raciocínio lógico. Isto nos leva a refletir sobre o que seria raciocínio lógico para esta professora. Ao estudar o raciocínio lógico-matemático, Piaget nos mostra que o mesmo é muito importante na escola e no ensino da Matemática, mas é algo que não se ensina, porque depende da estrutura de conhecimento da criança e do estágio de desenvolvimento no qual a mesma se encontra. Portanto, as dificuldades da professora em ensinar o raciocínio lógico deveriam ser repensadas para encontrar atividades que favoreçam este desenvolvimento, de acordo com a idade e estágio de desenvolvimento de cada criança. A professora “P-EAM” relata que suas dificuldades estão relacionadas a "como" ensinar a Matemática, declarando defasagem nessa área. Embora goste de trabalhar com gráficos e tabelas, considera mais trabalhoso ou mais difícil ensinar divisão e frações. Entretanto não encontramos nos registros das atividades o trabalho com nenhum dos conteúdos citados pela professora. “P-LISE” afirma gostar de ensinar Matemática, principalmente situações problema e cálculo mental e, com efeito, encontramos nos registros das atividades várias atividades que envolvem sua preferência por problemas e cálculo mental. Apesar de “P-VANGRA” relatar sua preferência pelas atividades envolvendo tabelas e gráficos, não encontramos registro de seu trabalho com este tema. As professoras revelam lacunas de sua formação referentes às metodologias de ensino de Matemática. Não se referem à falta de formação nos conteúdos matemáticos que devem ensinar, mas apontam o que gostariam de ter aprendido. 122 “P-EAM” declara que faltou contextualização no ensino de Matemática em sua formação desde o início no Ensino Fundamental, pois aprendeu somente as operações descontextualizadas ensinadas mecanicamente, o que hoje reflete em dificuldades no ensino. A professora “P-LISE” ressalta a falta de utilização de material “concreto” em sua formação, conforme seu relato: “Acredito que para ensinar Matemática às crianças é preciso utilizar material concreto, mas em minha formação inicial houve esta lacuna, precisaria ter sido trabalhado mais esta utilização em meu curso”. Sabemos que o uso de material “concreto” no ensino de Matemática hoje apresenta muitas críticas, no entanto segundo Ponte e Serrazina (2000, p. 116) "Convenientemente orientada, a manipulação de material pelos alunos pode facilitar a construção de certos conteúdos". Mas somente sua utilização pelo professor não garante a construção de conceitos ou a aprendizagem. Os autores acima discorrem sobre o uso de material “concreto”: A primeira regra de ouro é que estes sejam de facto usados pelo aluno. A segunda regra de ouro é que o aluno saiba realmente qual a tarefa para a qual é suposto usar o material. É tão ineficaz ser o professor a usar o material, com o aluno a ver, como ter o aluno a mexer no material sem saber o que está a fazer. (PONTE; SERRAZINA, 2000, p. 116). A professora “P-MAO” também destaca a necessidade do “concreto” para a aprendizagem. Desde sua graduação esperava que aprendesse a ensinar Matemática focando no uso de materiais, o que nos faz pensar que talvez sua concepção de “concreto” esteja ligada somente a manipulação de objetos, sem pensar nas ligações que podemos estabelecer com as crianças na utilização dos conceitos matemáticos para situações concretas e reais. Nas questões relacionadas à aprendizagem para o ensino de Matemática, “P-VANGRA” relata que gosta de ensinar Matemática, muito embora não se recorde das disciplinas e conteúdos relativos a este ensino desenvolvidas no curso de formação. Percebemos que embora a professora declare ter formação em Pedagogia e Matemática, seus relatos se direcionam mais para a Pedagogia e a formação propiciada neste curso, não se referindo em nenhum momento à sua 123 graduação em Matemática, que a nosso ver poderia contribuir muito para o ensino que desenvolve com as crianças no Ensino Fundamental, especialmente quando articulados à formação pedagógica propiciada no curso de Pedagogia. Os relatos sobre as facilidades e dificuldades das professoras quanto aos conteúdos matemáticos e seu ensino se confirmam nas demais observações e análises sobre o perfil destas professoras. 3.6.3.3 Planejamento e a organização das aulas de Matemática Pretendíamos conhecer a forma como cada professora planeja suas aulas de Matemática, como organiza e distribui estas aulas em sua rotina, quais materiais utiliza, incluindo os livros didáticos. Segundo Haydt (2002) o planejamento é importante e necessário porque evita improviso e auxilia na prevenção e superação de dificuldades, contribui para que os objetivos propostos sejam alcançados com eficiência. Além disso, ao planejar didaticamente suas aulas o professor pode prever quais conteúdos vai trabalhar para que os alunos adquiram determinados conhecimentos, organizando atividades que levem o aluno à aprendizagem. As cinco professoras declaram se organizar e trabalhar com base em um planejamento que permita apresentar os conteúdos de forma que os alunos se interessem a aprendam. Embora ressaltem a utilização do planejamento diariamente, pudemos perceber nos relatos dos estagiários que as mesmas não apresentam ou discutem o planejamento com os mesmos e nem o consultam durante as aulas. Com relação aos materiais previstos no planejamento e utilizados no desenvolvimento das aulas, destacamos suas declarações no quadro a seguir: 124 Professora Livro Caderno de Apoio e Outros Didático Aprendizagem materiais “P-MAO” “P-TARS” X X “P-EAM” “P-LISE” X “P-VANGRA” X X X X X X Quadro 9 - Materiais utilizados no planejamento e desenvolvimento das aulas de Matemática Percebemos que três professoras declararam utilizar o livro didático adotado pela escola e duas delas não o utilizam. Dentre as três que utilizam, duas delas, “PTARS” e “P-VANGRA”, afirmam complementar o planejamento das atividades com os Cadernos de Apoio e Aprendizagem17. Chama nossa atenção o relato de “P-VANGRA” sobre a utilização não só do Livro Didático adotado na escola em suas aulas. Utiliza vários livros para planejar suas aulas, dentro da rotina estabelecida e também o Caderno de Apoio e Aprendizagem, material utilizado por todos os alunos. Não há em seus relatos uma especificação de quais outros materiais utiliza para as aulas ou de quais livros tira as atividades. Temos a hipótese de que a professora “P-VANGRA” provavelmente utiliza os materiais e atividades que são propostos no Programa Observatório para desenvolvê-los com as crianças, os quais além de serem objetos de ensino e aprendizagem são instrumentos de investigação. Mas a professora não cita tais atividades, nem as relaciona entre os materiais que utiliza na preparação de suas aulas. A professora “P-LISE” afirma utilizar o Livro Didático adotado na escola em suas aulas. Porém ao ser questionado se complementa esta utilização com outros 17 Os Cadernos de Apoio e Aprendizagem, destinados aos estudantes dos nove anos do Ensino Fundamental, têm como finalidade contribuir para o trabalho docente visando à melhoria das aprendizagens dos alunos. São distribuídos a alunos e professores da rede municipal de ensino da cidade de São Paulo.Na área de Matemática, os blocos de conteúdos contemplados são: espaço e forma, grandezas e medidas, números, operações, tratamento da informação. Fonte: http://portalsme.prefeitura.sp.gov.br/Projetos/BibliPed/Anonimo/Cadernosdeapoio.aspx 125 materiais de apoio, responde que sim, com tampinhas e palitos. A estagiária “LISE” também não relata em seus registros o uso do Livro Didático ou dos materiais citados pela professora. Cabe destacar que de acordo com Masetto (1996) recursos didáticos ou de ensino são componentes do plano de ensino e são os materiais à disposição do professor para a organização do ensino, desde um simples giz até multimeios complexos e sofisticados. Com relação ao material de apoio, constituem-se em apoio efetivo ao desenvolvimento do ensino, propiciando informações corretas, que serão apresentadas pelo professor de forma adequada às necessidades educacionais dos alunos. Aqui se incluem desde o Livro Didático adotado pela escola, apostilas, atividades impressas, materiais fornecidos pelo governo, até consultas a bibliotecas físicas ou digitais e e-books. Portanto, no caso em questão o Livro Didático e Caderno de Apoio da SME são materiais de apoio e as tampinhas e palitos são recursos de ensino. As professoras “P-EAM” e “P-MAO” declararam que não utilizam o Livro Didático no planejamento de suas aulas. A professora “P-EAM” usa raramente o Livro Didático e por opção faz pesquisas de atividades em outros livros e na internet, conforme seu relato: Raramente uso o Livro Didático utilizado na escola, prefiro pesquisar atividades, com base nas avaliações externas que os alunos fazem durante o ano. Utilizo o Caderno de Apoio e Aprendizagem de Matemática, além de outros livros que pesquiso. (“P-EAM”). “P-MAO” por sua vez, relata que não utiliza o Livro Didático adotado pela escola em suas aulas, pois a mesma não recebeu livros e Cadernos de Apoio suficientes para todos os alunos. Desta forma desenvolve suas aulas e seu trabalho, retirando atividades do livro didático “Aprender Juntos”, do “Projeto Buriti” e também da internet. Não esclarece porém se as atividades selecionadas se apoiam nos conteúdos indicados no Livro Didático da escola, no Caderno de Apoio e Aprendizagem, no seu próprio planejamento ou se ela mesma seleciona a partir de outro critério. 126 3.6.3.4 Contribuições da graduação para o ensino Neste ponto da pesquisa pretendíamos levantar a questão da contribuição das disciplinas oferecidas no curso de Pedagogia, ligadas ao ensino de Matemática, na formação dos professores participantes da pesquisa. No entanto as respostas mostram que esse curso pouco contribuiu para sua formação para ensinar Matemática. Todas as professoras declararam que o curso de Pedagogia deixou lacunas na sua formação para ensinar Matemática. Quatro professoras consideraram o curso de Magistério mais importante para sua formação do que o curso de Pedagogia, pois o primeiro estava mais voltado à prática e o segundo mais à teoria. Para “P-LISE” houve pouca contribuição do curso de Pedagogia para trabalhar nas diferentes áreas do conhecimento. O curso de Magistério foi muito importante para minha formação, já o curso de Pedagogia pouco contribuiu. Só se aprende a trabalhar com crianças trabalhando com crianças, e o curso não ajudou nesse sentido, pouco contribuindo ou preparando nas diferentes áreas do conhecimento, como Alfabetização, Ciências ou Matemática. (“P-LISE”). A professora “P-MAO” entende que o Magistério trouxe mais prática que o curso de Pedagogia, o que a auxilia em suas aulas. O curso de Magistério me deu suporte para desenvolver minha didática e com o tempo fui consolidando-a. Este curso me preparou para ensinar as crianças no Ensino Fundamental porque o 4º ano do curso é voltado para a prática de ensinar. A faculdade deixou a desejar pois desenvolve uma didática mais teórica. (“P-MAO”). No entanto, a professora “P-EAM” comenta que o momento da graduação foi importante, mas segundo ela o fato de já estar atuando na educação durante o curso de Pedagogia facilitou sua aprendizagem. No curso tive aulas teóricas, com vídeo conferência e ótimas referências bibliográficas que pautam meu trabalho até hoje. Tínhamos aulas práticas onde vivenciávamos a prática de uma sala de aula com oficinas. No meu caso foi muito mais fácil, pois eu já estava na rede de ensino e podia aplicar as oficinas na minha própria sala de aula. (“P-EAM”). Esses depoimentos mostram deficiências do curso de Pedagogia na formação do professor para ensinar Matemática. O fato de uma professora não se 127 recordar do que aprendeu revela a pouca contribuição desse curso na sua formação, pois mesmo afirmando que o curso de Pedagogia lhe trouxe conhecimento, o qual foi reforçado com sua prática, a professora “P-TARS” assim relata: Não me recordo das aulas no curso de Pedagogia no que diz respeito ao ensino de Matemática, seja das estratégias, seja dos assuntos tratados. Por isso não trabalho em minha prática diária com algo que aprendi na formação inicial. (“P-TARS”). Com isso nos perguntamos, se a formação inicial não traz contribuições efetivas para o ensino de Matemática desenvolvido pelas professoras em suas aulas, onde as mesmas buscam este conhecimento? De que forma se preparam e suprem esta defasagem? 3.6.3.5 Orientação pedagógica para o ensino de Matemática A formação do professor pode ser complementada com a formação continuada e com a formação em serviço, aqui entendida como a forma que a Matemática é discutida nas escolas, seja entre os próprios professores, seja no nível de coordenação. É importante que se saiba das professoras em questão, se o que ensinar e como ensinar em Matemática é assunto de destaque nas orientações pedagógicas, se há uma preocupação da escola com este ensino. Sobre este ponto apenas a professora “P-LISE” declara não ter na escola um acompanhamento para o ensino de Matemática. “Não tenho orientação pedagógica para ensinar Matemática aos meus alunos. Não há discussões na escola, em nenhuma instância sobre o que ensinar e como ensinar”. Embora as escolas municipais da cidade de São Paulo adotem a JEIF Jornada Especial Integral de Formação, um momento de formação e discussão sobre a prática pedagógica que envolve não somente como ensinar, mas também o que ensinar, com orientações pedagógicas e indicação de materiais de apoio, a professora não se manifesta a este respeito. Três professoras ressaltam as discussões realizadas nos encontros na própria escola, como base para suas práticas em sala de aula, conforme podemos verificar no relato de “P-MAO”: 128 18 No grupo de formação JEIF- Jornada Especial Integral de Formação , é discutido o ensino de Matemática com outros professores e coordenadores, e o documento de Orientações Curriculares de Expectativas de Aprendizagem para o Ensino Fundamental – ciclo I. (“P-MAO”). A professora “P-EAM” revela sua necessidade de acompanhamento e formação para o ensino de Matemática, reforçada na resposta dada à última pergunta do questionário. Quando indagamos se gostaria de fazer algum comentário ou acrescentar algo que julgasse interessante para o tema discutido, afirma que: “Gostaria de acrescentar que nós professores necessitamos muito de formação em Matemática”. Esta foi a única professora a reconhecer suas limitações na formação para ensinar Matemática. Entende que os professores precisam de formação específica para ensinar Matemática, falando inclusive em “Alfabetização Matemática”. 3.6.3.6 Formação continuada A profissão de professor para muitas pessoas confunde-se com dom ou vocação, o que não exclui a necessidade de formação constante. Os comentários das professoras sobre a formação inicial não ter atendido às expectativas quanto às necessidades do conhecimento para o ensino, nos leva a pensar sobre a importância de uma formação que ultrapasse a Universidade e que traga ao professor a possibilidade de discutir com seus pares sobre o ensino e a aprendizagem, o que é propiciado em encontros de estudo na própria escola; em grupos de estudo e pesquisa, tal como ocorre no grupo de pesquisas do Programa Observatório ou na formação continuada. Embora as professoras que receberam os estagiários reconheçam a necessidade de aperfeiçoamento na docência, quatro delas acreditam que a formação inicial e o dia a dia da sala de aula são suficientes para a constituição de sua prática, não demonstrando necessidade de ir além na busca de cursos ou atualizações. 18 A JEIF dos professores da Rede Municipal de Ensino da cidade de São Paulo corresponde a 40 h/aulas semanais, sendo 25 h/aulas de regência e 15 h/aulas adicionais, sendo 11 h a serem cumpridas obrigatoriamente na escola e 4hs em local de livre escolha (Portaria nº 647/2008, Art. 2º, § 4º). 129 Dentre elas ressaltamos a professora “P-VANGRA” que mesmo com as lacunas observadas na formação inicial e a dificuldade com o conteúdo específico de Sistema de Medidas, relata que não tem feito cursos de formação continuada nem está atualmente fazendo algum curso de formação. Somente a professora “P-EAM” declara que sua formação inicial lhe proporcionou uma ótima base quanto à alfabetização, mas encontra muita dificuldade com a Matemática, pois apesar da formação que tem e ainda busca, os cursos de alfabetização nunca deram muita ênfase para essa área do conhecimento. Por este motivo percebe a necessidade de continuar estudando para poder ensinar com maior conhecimento e propriedade aos seus alunos, afirmando que “no momento não tenho feito curso de formação continuada fora da escola, mas sinto a necessidade de um curso de alfabetização em Matemática”. O reconhecimento da professora “P-EAM” acerca de sua limitação no ensino de Matemática é importante pois mostra uma reflexão sobre a própria prática, que Schön (2000) denomina de reflexão-sobre-a-ação, uma vez que reflete e argumenta após suas ações em sala de aula. Não há nos relatos da professora algo que nos mostre a ampliação desta reflexão conforme o autor defende, para reflexãosobre-a-reflexão-na-ação, o que caracterizaria seu conhecimento pessoal, levando ao desenvolvimento profissional. 3.6.3.7 Acompanhamento de estagiários O período do estágio, conforme já citamos, é esperado com ansiedade pelos alunos da Pedagogia, uma vez que entendem ser este o momento de finalmente colocar em prática tudo que aprenderam na Universidade. Por este motivo é extremamente importante que o professor que os recebe tenha uma postura de mestre, que orienta, encaminha e os ajuda a se constituírem em suas próprias práticas. Esses alunos nos relatam que as diretoras ou coordenadoras não têm muita disponibilidade em abrir as portas da escola para a realização de estágios. Quando os recebem, o professor muitas vezes os deixa no fundo da sala e os ignora, não compartilhando conhecimentos importantes para a formação destes alunos. Um 130 programa de orientação dentro da escola, para receber os estagiários seria de grande valia, pois conforme já citamos, os professores aprendem pelo compartilhamento de informações e práticas, o que beneficiaria não somente os estagiários, mas também os professores em questão. Concordamos com Pimenta e Lima (2004) quando destacam que o professor é um profissional que ajuda o desenvolvimento pessoal e intersubjetivo do aluno, sendo um facilitador de seu acesso ao conhecimento. Dentre as cinco professoras “P-LISE” e “P-VANGRA” mostraram-se totalmente desinteressadas em formação específica para orientar os estagiários. “PLISE” declara que “recebo estagiários algumas vezes, mas não tenho e não me interesso em ter uma formação para recebê-los”. Duas professoras indicam ter orientação para receber os estagiários em sua sala. A professora “P-MAO” relata que tem orientações sobre como receber os estágiários na escola. Nos conta que está acostumada a receber estagiários em sua sala todos os anos, sendo que isto já tornou-se rotina, mas não nos fala sobre quais são estas orientações, quem as passa ou de que forma ocorrem. Declara ainda que “Quando recebo um estagiário, proponho que fique atento a didática e à prática pedagógica”, mas não esclarece o que entende por tais conceitos. A professora afirma também que não tem interesse em uma formação mais específica para receber e acompanhar os estagiários em sua sala, “porque o contato com o estágio acontece todos os anos”. Duas professoras declararam que não recebem orientação para a formação dos estagiários, mas que gostariam de ter orientações mais específicas sobre como auxiliá-los. Uma delas é “P-TARS”, conforme podemos observar em seu relato. Estou acostumada a receber estagiários em minha sala, mas não tenho orientações de como recebê-los. Proponho que observem a aula e às vezes peço para ajudarem os alunos para adquirirem prática e conhecimento. Tenho interesse numa formação mais específica para receber e acompanhar os estagiários em minha sala. (“P-TARS”). A outra professora é “P-EAM”, que mostra iniciativa e comprometimento, pois embora não tenha por parte da escola ou da Universidade nenhuma orientação 131 sobre como receber os estagiários, suas ações neste sentido, vêm de sua própria iniciativa, assim como nos relata. Quando recebo estagiários em minha sala, proponho que ajudem as crianças com mais dificuldade. Discutimos sobre as dificuldades que nós professores temos no ensino e como podemos sanar estas dificuldades, que materiais podemos utilizar no nosso trabalho. Tenho grande interesse em uma formação específica para receber e acompanhar os estagiários em minha sala. (“P-EAM”). Este relato nos leva a refletir sobre a necessidade, assim como defende Alarcão (2003), de uma supervisão ao estagiário, em sua formação, no acompanhamento e contribuição na construção do conhecimento pedagógico do professor. Podemos concluir que é preciso reforçar a questão da importância das orientações do professor na formação dos estagiários que orienta e acompanha. Entendemos assim como Ponte (2006) que a formação do professor sofre influências do contexto no qual a mesma se constitui. As reflexões sobre a prática docente, à falta da própria prática, levam os estagiários a refletirem e se espelharem na prática do professor que acompanham. 3.7 Considerações sobre o Capítulo Nas considerações deste Capítulo levantamos, a nosso ver, um importante questionamento sobre a forma como é desenvolvido o Estágio Curricular Supervisionado, no que diz respeito a propiciar aos alunos aprendizagens para ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Este questionamento refere-se à forma como a Universidade na qual estamos realizando a pesquisa orienta a realização dos estágios no curso de Pedagogia. Percebe-se que não há no regulamento de estágios um direcionamento para a realização do mesmo. Os alunos devem cumprir determinada carga horária, em determinado nível de ensino, observando determinadas ações dos professores. Após organizarem suas planilhas de estágio, com os lançamentos de todas as atividades realizadas dia a dia, elaboram um Relatório de Estágio onde devem emitir suas opiniões, críticas e sugestões sobre a prática do professor observado e eventualmente fundamentar teoricamente suas opiniões. 132 O professor orientador, muitas vezes em virtude da dificuldade enfrentada pelos alunos para encontrar uma escola que os aceite para realizar o estágio, não cobra a observação em todas as disciplinas. Vemos alunos que só têm tempo para realizar o estágio no horário de seu almoço ou no final do dia, o que faz com que sempre observem o horário do lanche, do intervalo ou atividade de cópia da lição de casa. Nos questionamos onde fica a observação da ação do professor nestes casos. Além disso, percebemos na análise dos planos de ensino das disciplinas FME de Matemática I e II que os mesmos não apresentam contribuições significativas para que os alunos aprendam a ensinar Matemática. Os planos não direcionam também as estratégias para trabalhar os conteúdos, o que se fosse feito daria oportunidade aos alunos de vivenciarem a prática deste professor e refletir sobre ela na construção de aprendizagens e de suas próprias práticas. Por outro lado, como não há espaço disponível para as discussões tão importantes quanto necessárias em sala de aula, sobre as articulações entre a disciplina de FME de Matemática I e II e o estágio, as observações ficam restritas à didática do professor, sua postura, relações pessoais na escola, entre outros aspectos. Além disso, na disposição da grade curricular não há sincronia entre as disciplinas relativas ao ensino de Matemática desenvolvidas nos 3º e 4º semestres e o estágio no Ensino Fundamental realizado no 5º semestre, o que não possibilita integração e diálogo, tampouco maiores discussões sobre o estágio nas aulas de FME de Matemática ou vice-versa. Estas discussões poderiam ocorrer nas aulas de Prática de Ensino, mas o plano desta disciplina revela a falta desta articulação, sem preocupação direta com a prática de ensino das diferentes disciplinas, com maior foco na formação geral do professor. Compreendemos que a Universidade analisada, tanto em seu Projeto Pedagógico quanto no regulamento de estágio obedece à legislação vigente, porém não propõe o foco no ensino de Matemática nas observações realizadas no estágio. 133 Entretanto, professores que desenvolvem trabalhos ou pesquisas em determinadas áreas, como Matemática, Ciências ou Língua Portuguesa, por exemplo, costumam ser orientadores que reforçam com seus estagiários a necessidade de observações específicas que vão auxiliar em sua formação como professores chamados de polivalentes. No que diz respeito à alfabetização, por exemplo, os alunos que participam do Projeto Ler e Escrever têm momentos de reflexão sobre a prática do professor em seu dia a dia, no desenvolvimento de seu próprio trabalho. Porém com relação à Matemática, foco de nosso olhar, não temos estes importantes momentos de trabalho. É certo que é preciso ter bom senso e análise individual dos problemas que possam ocorrer, pois cada aluno pode apresentar uma particularidade, um problema diferenciado na unidade escolar, uma necessidade específica. É preciso que se cumpram as leis e as normas da instituição, mas nossa preocupação é especialmente com a aprendizagem destes alunos para o ensino de Matemática e a contribuição que o estágio supervisionado traz para sua formação. A pequena contribuição teórica das disciplinas oferecidas no curso de Pedagogia sobre o ensino de Matemática dificulta a observação e análise no momento do estágio, o que poderia de alguma forma possibilitar maior aprendizagem ao futuro professor sobre este tema. Percebemos que as possibilidades de aprendizagem sobre o ensino de Matemática no estágio só existem quando o professor orientador de estágios tiver a preocupação de direcionar as observações e reflexões para este ensino, vislumbrando aos alunos sua atuação futura, como professores ditos polivalentes. Mas somente isto não é suficiente, pois ficamos na dependência do comprometimento desse professor orientador com a formação integral do aluno que deverá ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Quanto ao perfil dos estagiários, percebemos que todos tiveram dificuldades na formação inicial em Matemática, o que não influenciou a escolha da profissão. Destacam também a falta de preparo para o ensino de Matemática propiciado no curso de Pedagogia, no que diz respeito não só aos conteúdos, mas especialmente 134 à prática de ensino. Este perfil, como veremos nas análises de seus portfólios, é marcante em seus relatos e comentários.. Quanto às escolas, percebemos diretoras que focam mais na dimensão administrativa de seu trabalho do que na dimensão pedagógica, com destaque para apenas uma diretora que mostra interesse em parcerias com a Universidade como forma de elevar o nível do ensino de seus professores. Esta postura também revela falta de comprometimento com a formação dos professores, em especial dos estagiários do curso de Pedagogia, que atuarão no Ensino Fundamental. As contribuições das professoras para a formação e prática docente dos estagiários que receberam, não aparecem de forma efetiva em seus relatos ou nos registros dos alunos. Consideramos relevante que cada professor perceba a importância de sua atenção e colaboração na formação dos estagiários que acompanham em suas aulas. As experiências e reflexões propiciadas nos estágios, a partir da prática do professor observado permitem que os estagiários reflitam sobre a própria prática, apoiando-se na prática e ações deste professor. Neste Capítulo delineamos o contexto no qual esta pesquisa se realizou: o curso de Pedagogia e a realização dos estágios. Quanto ao curso, revimos a legislação pertinente aos estágios, o Projeto Pedagógico do Curso de Pedagogia, as ementas das disciplinas relativas ao ensino de Matemática, a Prática de Ensino e os documentos norteadores da Universidade para a realização dos estágios. Quanto à realização efetiva dos estágios nas escolas de Ensino Fundamental mostramos o perfil dos estagiários, das escolas e das professoras que os acompanham. Este contexto nos dará base para as discussões propostas no próximo Capítulo, onde será apresentado o estudo de caso, a partir das contribuições dos cinco sujeitos da pesquisa e seus registros nos portfólios de aprendizagem, a respeito das observações feitas na realização do estágio curricular supervisionado. 135 CAPITULO 4 - OS ESTÁGIOS E OS ESTAGIÁRIOS: O ESTUDO DE CASO O conhecimento exige uma presença curiosa do sujeito em face do mundo. Requer uma ação transformadora sobre a realidade. Demanda uma busca constante. Implica em invenção e em reinvenção. (Paulo Freire) 4.1 Introdução Neste capítulo apresentaremos a análise das observações dos cinco alunos sujeitos desta pesquisa, a partir de suas experiências no desenvolvimento do estágio curricular supervisionado, registradas nos portfólios de aprendizagem. Tais análises objetivam identificar as reflexões, os dilemas, as interações e as necessidades dos estagiários com relação ao ensino de Matemática. Conforme discutimos em capítulo anterior, na Universidade pesquisada o Estágio Curricular Supervisionado nos anos iniciais do Ensino Fundamental, é realizado no 5° semestre do curso de Pedagogia. É neste momento que os estudantes poderão acompanhar a prática do professor observado, estabelecendo relações entre a teoria aprendida no curso de formação e a prática do professor em questão, o que permitirá ampliar a própria formação e o conhecimento da Matemática. Como parte obrigatória da formação, os alunos se dirigem às escolas para cumprir a carga horária de estágio estabelecida legalmente, esperando que neste momento, em seu futuro ambiente de trabalho, vivenciando o dia a dia escolar, no contato com o professor atuante, possam realizar observações e interações que lhes tragam conhecimentos, práticas e atividades para ensinar Matemática. No nosso caso, ressaltamos as observações feitas no capítulo anterior, em que pudemos perceber nos relatos dos estagiários a necessidade de maior disponibilidade das escolas em recebê-los ; professoras que se dizem abertas em receber e orientar estagiários, mas que no entanto apenas uma delas sente a necessidade de formação ou orientação para recebê-los; falta de articulação entre 136 teoria e prática, sem discussões na Universidade sobre os conteúdos trabalhados e as observações realizadas no estágio. É neste contexto que observamos e analisamos a questão proposta nesta tese de doutorado. 4.2 Procedimentos Metodológicos Para que pudéssemos obter mais informações sobre cada atividade desenvolvida pelos sujeitos de nossa pesquisa na realização do estágio, entendemos que o método a ser adotado para esta pesquisa, que melhor atenderia às nossas expectativas seria o Estudo de Caso, conforme destaca Ponte: Um estudo de caso visa conhecer uma entidade bem definida como uma pessoa, uma instituição, um curso, uma disciplina, um sistema educativo, uma política ou qualquer outra unidade social. O seu objectivo é compreender em profundidade o “como” e os “porquês” dessa entidade, evidenciando a sua identidade e características próprias, nomeadamente nos aspectos que interessam ao pesquisador. (PONTE, 2006, p. 2). Com efeito, Yin (2005, p. 28) também ressalta a importância da questão expressa na investigação, no caso o “como” e o “porque”, que permitem observar uma vantagem distinta na utilização do estudo de caso. Para o autor esta vantagem ocorre quando “faz-se uma questão do tipo ‘como’ ou ‘por que’ sobre um conjunto contemporâneo de acontecimentos, sobre o qual o pesquisador tem pouco ou nenhum controle” (YIN, 2005, p. 28). Podemos então identificar a pertinência do método em questão para esta pesquisa, por entendermos que a contribuição ou não do estágio para a formação do professor que vai ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental é um caso significativo, que pode levar a análises diferenciadas. Além disso o conjunto de acontecimentos é delineado no decorrer da pesquisa, durante as observações dos estagiários no estágio supervisionado, sem nosso controle sobre estes acontecimentos ou resultados apresentados pelos alunos. As vivências e experiências de cada um dos participantes, assim como o contexto diferenciado no qual o estágio é realizado, são fatores que interferem na formação e atuação destes futuros professores. Concordamos com Ponte (2006) quando o mesmo defende que, 137 Em qualquer das situações, um caso constitui uma entidade bem definida, necessariamente inserida num certo contexto. O que explica que o caso seja como é, são sempre as determinantes internas, a sua história, a sua natureza, as suas propriedades próprias, bem como as influências externas, próximas e distantes, directas e indirectas que recebe do seu com texto. Por isso, no estudo de um caso, seja ele qual for, é sempre preciso dar atenção à sua história (o modo como se desenvolveu) e ao seu contexto (os elementos exteriores, quer da realidade local, quer de natureza social e sistémica que mais o influenciaram). (PONTE, 2006, p. 5, grifo do autor). As contribuições de Yin (2005, p. 32) reforçam nossa escolha, quando o mesmo descreve que “o estudo de caso é um estudo empírico que investiga um fenômeno atual dentro do seu contexto de realidade, quando as fronteiras entre o fenômeno e o contexto não são claramente definidas.” O que podemos acompanhar durante o trabalho devido aos pontos estudados a partir dos registros dos estagiários a respeito de suas observações verificadas nos estágios. Realizamos um estudo de caso, com a colaboração dos cinco alunos sujeitos desta pesquisa, cada qual focando nas atividades, produções, reflexões e possíveis aprendizagens para ensinar Matemática relatadas em um portfólio de aprendizagem, discutido mais à frente, elaborado durante a realização do estágio curricular supervisionado. Yin (2005) sugere que sejam utilizadas várias fontes de pesquisa indicando a análise de documentos, entrevistas abertas e fechadas, análise quantitativa de dados e observações diretas. No caso desta investigação foram utilizadas diferentes fontes, tais como narrativas, questionários, atividades realizadas, dados, todas organizadas no portfólio de cada estagiário. Entendemos portanto a pertinência da utilização do método de estudo de caso, conforme nos mostra Yin (2005), pois nos permitirá compreender de que maneira se dá a formação do professor para ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental a partir de diferentes momentos desta formação, especialmente no momento da realização do Estágio Curricular Supervisionado, analisando os dados obtidos a partir das observações dos cinco estagiários e sujeitos da pesquisa. A análise do caso nos mostrou a vivência de cada sujeito da pesquisa, alicerçada nas considerações que tecemos sobre a formação do professor que vai 138 ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Nossa fundamentação para as observações dos alunos se apoia portanto na formação do professor, no conhecimento para ensinar Matemática, na importância da realização do estágio e a articulação entre teoria e prática na constituição da docência. 4.2.1 O portfólio Conforme citamos em nossa apresentação, a análise dos dados desta investigação será feita a partir dos portfólios elaborados pelos sujeitos da pesquisa. A opção pela utilização do portfólio como instrumento de coleta de dados se deu em virtude do mesmo possibilitar ao aluno trabalhar num processo denominado por Hernández (1998) de construção e reconstrução da própria aprendizagem. A utilização de portfólios vem sendo divulgada nos meios educacionais como ferramenta de avaliação. Porém Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011) nos alertam que os portfólios vão além de uma avaliação do avanço e aprendizagem dos alunos pelo professor. Ele se constitui em instrumento de reflexão, construção de saberes e desenvolvimento dos alunos, permitindo que os mesmos possam perceber seus próprios avanços. Hérnandez (1998) descreve ainda os componentes e todos os passos que devem ser seguidos para a realização de um portfólio, que são: o estabelecimento do objetivo do portfólio por parte do docente; o estabelecimento das finalidades de aprendizagem por parte de cada estudante; a integração das evidências e experiências de aprendizagem; a seleção das fontes que comporão o portfólio e a reflexão do estudante acerca de seu próprio desenvolvimento. Estas colocações vêm ao encontro de nossas orientações aos estagiários e nossos objetivos na utilização deste importante instrumento de coleta de dados. Além disso, Hérnandez (1998) ressalta que o estudante deve ter um propósito, ou seja, criar, recolher e organizar todo material que evidencie o seu progresso, de tal forma que demonstre sua avaliação em relação às finalidades estabelecidas. 139 Durante as aulas, os alunos foram orientados a seguir um roteiro de observação, que serviria de suporte para os registros de suas atividades e obvervações. Esse roteiro está apresentado a seguir. Roteiro de observação de estágio e elaboração de relatório para alunos estagiários do Programa Observatório da Educação Realização do estágio curricular supervisionado nos anos iniciais do Ensino Fundamental Observação de pelo menos 20 horas de Matemática no Grupo 1 Elaboração de Portfólio contemplando os seguintes itens: 1) História de vida do aluno, suas relações com a Matemática, como concebe o ensino de matemática, como aprendeu Matemática e sua participação no grupo de pesquisa. 2) Campo – análise a ser realizada aula por aula 2.a Narrativa da observação da aula, destacando o que observou no professor, na participação dos alunos, os materiais utilizados. Esta narrativa deverá enfocar o antes, o durante e o depois da atividade. 2.b Acrescentar cópia das atividades realizadas 2.c Análise da atividade em função dos conteúdos aprendidos na disciplina FME de Matemática I e II 2.d Análise da reação dos alunos e professores durante a realização da atividade, na correção da professora, na devolutiva aos alunos. 2.e Se você fosse o professor, que mudanças faria na atividade e na aplicação e correção da mesma. 3) Conclusão final Destacar de que forma as observações realizadas no Estágio Curricular Supervisionado nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nas aulas de Matemática, aliadas ao conhecimento adquirido nas aulas de FME de Matemática, contribuíram para sua aprendizagem para ensinar Matemática. Quadro 10 - Roteiro para realização do estágio Adotamos Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011) como referencial teórico para a análise dos portfólios elaborados pelos alunos participantes da pesquisa, em suas observações na realização dos Estágios Curriculares, focando no ensino e aprendizagem da Matemática. Os autores discutem a formação de professores de Matemática ressaltando a importância da reflexão sobre a sua prática como um dos aspectos mais importantes na 140 capacitação profissional. Nesse sentido as ideias dos autores vem ao encontro da perspectiva da reflexão defendidas por Schön (2000) e Alarcão (2003), discutidas no Capítulo 2 deste trabalho, que discorreu sobre a formação dos professores. Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011) desenvolveram uma pesquisa acompanhando alunos em um curso de formação de professores e orientaram que os alunos elaborassem portfólios individuais destacando o conhecimento profissional dos mesmos, a partir de suas reflexões sobre o processo ensino-aprendizagem que ocorre na aula de formação, como forma de avaliação. Esta avaliação deveria se relacionar depois, com seu conhecimento matemático e criatividade. Entendemos assim como os autores, que os portfólios de aprendizagem são importantes instrumentos para coletarmos evidências do pensamento reflexivo dos alunos, por evidenciarem a construção do pensamento e do conhecimento ao longo da elaboração dos mesmos. Além disso, Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011) entendem que os registros dos alunos fornecem indícios sobre seu conhecimento, habilidades, disponibilidade e reflexão sobre seu trabalho assim como sobre sua evolução. Assim como os autores entendemos que a utilização de portfólio traz a possibilidade de conhecer o progresso da aprendizagem do aluno, as responsabilidades que assume, de que forma participa do processo de diagnóstico e avaliação, suas atitudes, seus hábitos de independência e de reflexão, e suas habilidades na resolução de problemas como na comunicação, raciocínio e análises. Os autores consideram três dimensões da aprendizagem dos alunos, que podem ser destacadas no portfólio, que julgam necessárias à formação do professor: Conhecimento, Reflexão e Criatividade. Na dimensão do “Conhecimento” que os alunos devem possuir, os autores consideram o Conhecimento do Conteúdo Matemático e Conhecimento Pedagógico para o ensino de Matemática. Entendem que é preciso que o aluno encare cada conteúdo específico do programa e se aprofunde nele, tanto do ponto de vista matemático como de sua aplicação no ensino. No que se refere ao ensino de Matemática, os autores destacam a reflexão sobre a prática como ponto importante 141 para a superação da carência de qualquer tipo de conhecimento, seja teórico ou metodológico. Na pesquisa realizada pelos autores, a questão da “Reflexão” é discutida, pois perceberam que os alunos não tinham experiência anterior que lhes possibilitasse refletir sobre sua formação. Segundo eles seu trabalho propiciou o desenvolvimento da reflexão de duas formas. A primeira delas feita pelos próprios alunos, em conjunto na sala de aula, com escrita e apresentação posterior de suas reflexões. A segunda, com sessões de formação que abrangiam a reflexão pessoal do professor relacionada a diferentes aspectos, complementando as contribuições dos alunos e discutindo a importância da reflexão para os professores, assim como de que forma desenvolvê-la. Com isto os autores pretendiam que os alunos exercitassem a reflexão sobre seus próprios conhecimentos e práticas. Por fim, a terceira dimensão da aprendizagem descrita pelos autores é a “Criatividade”, entendida como capacidade de criar em situações imprevistas. Esta dimensão é importante na medida em que cabe ao professor saber conduzir sua aula de forma flexível, podendo tomar decisões que facilitarão a aprendizagem dos alunos, mudando o ritmo ou o rumo da aula conforme as necessidades de aprendizagem dos mesmos. Num segundo momento, a partir destas três dimensões: Conhecimento, Reflexão e Criatividade, os autores estabeleceram uma categorização geral, comum para todas as dimensões observadas, estabelecendo assim três níveis de categorização em função do seu aprofundamento, da qualidade no desenvolvimento do tópico considerado e sua implicação no processo de ensino-aprendizagem. Estes níveis foram fixados para avaliar a aprendizagem dos alunos levando-se em conta a profundidade do envolvimento de cada aluno com a própria aprendizagem. Eles são assim definidos: Nível 1 - Descrição: Quando o estudante está envolvido no processo, com uma visão externa. Nível 2 - Argumentação: Quando o aluno está ativamente envolvido no processo. 142 Nível 3 - Contribuição: Quando o estudante, além de participar e se envolver no processo, toma suas próprias decisões. As contribuições de Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011) nos direcionam para nossa própria investigação, pois assim como eles, pretendemos analisar os portfólios dos estagiários, no que diz respeito à sua formação para ensinar Matemática, focando nas contribuições que as observações realizadas no estágio curricular propiciam para esta formação. Entendemos que os estudos desses autores a partir da análise dos portfólios de estudantes do curso de formação de professores, são apropriados para esta pesquisa, uma vez que nos preocupamos com os relatos dos estagiários em seus portfólios no que se refere ao ensino de Matemática, analisando o nível de reflexão dos alunos nas suas observações, o conhecimento que eles têm dos conteúdos matemáticos e do ensino de Matemática, assim como de que forma analisam a prática dos professores observados e sua própria prática, do ponto de vista da motivação e criatividade. Além disso, preocupa-nos a maneira como os alunos se envolvem com a própria formação, entendendo que os níveis Descrição, Argumentação e Contribuição descritos pelos autores poderão colaborar sobremaneira com nossas análises. Apresentamos a seguir os quadros elaborados por Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011) que sintetizam os parâmetros que serão utilizados para análise dos portfólios dos cinco estagiários. Dimensão Análise CONHECIMENTO Analisar a ampliação dos conteúdos matemáticos Conhecimento do conteúdo matemático Níveis desenvolvidos 1 (Descrição) Indicadores gerais Quando o aluno apresenta o conteúdo de pelos maneira linear, propõe exemplos e atividades alunos para sua aplicação na aula dos que exigem a aplicação direta do conceito anos iniciais do Ensino Fundamental explicado sem distinguir a quais níveis do Ensino Fundamental se destinam. Conhecimento metodológico para 2 (Argumentação) o ensino de Matemática Quando o aluno relaciona conteúdos, usa exemplos ou atividades motivadoras como uma introdução que permita a relação entre eles, os relaciona com outras áreas ou com a vida cotidiana, segue uma sequência lógica em sua explicação ou distingue sua aplicação a diferentes níveis do Ensino Fundamental. 3 (Contribuição) Quando o estudante explica os conteúdos com seus próprios argumentos, usa exemplos e atividades motivadoras adequadas, propõe exemplos e atividades variadas e originais que facilitam a sua criatividade ou aplica esses conteúdos em diferentes níveis do Ensino Fundamental. Quadro 11 - Parâmetros para análise da dimensão do Conhecimento segundo Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011) Fonte: Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011, tradução nossa). 143 144 Dimensão Análise Níveis REFLEXÃO Analisar as reflexões dos alunos sobre 1 (Descrição) Indicadores gerais Quando o estudante relacionados Sobre a formação e como forma durante aprendizagem sem envolver-se, ou seja, limita- de Curricular Supervisionado, a partir de se seus desenvolvimento de uma atividade. carência de conhecimento teórico e metodológico. a realização registros aprendizagem. no do Estágio portfólio de 2 (Argumentação) a rever numa análise pessoal foi feito ensino- durante o sobre o processo de ensino- aprendizagem, ou seja, participa do processo do compreendendo o sentido da atividade. 19 professor que de Quando o estudante argumenta, justifica ou tira conclusões Em conjunto na sala de aula ou o processo aspectos os diferentes encontros nas aulas, superar ao descreve 3 (Contribuição) Quando o estudante traz suas próprias contribuições com o objetivo de melhorar o processo de ensino-aprendizagem, ou seja, além de compreender, se envolve com o desenvolvimento e aperfeiçoamento de suas atividades. Quadro 12 - Parâmetros para análise da dimensão da Reflexão segundo Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011) Fonte: Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011, tradução nossa). 19 Em nossa pesquisa consideramos as reflexões pessoais realizadas no portfólio. Dimensão Análise CRIATIVIDADE Analisar a relação dos conteúdos matemáticos Capacidade de criar em situações imprevistas Flexibilidade, tomada decisões redirecionar para de com Níveis o 1 (Descrição) contexto Indicadores gerais Quando o aluno demonstra conhecer os conteúdos, mas não os relaciona entre si. Tanto o observado no trabalho de cada desenvolvimento aluno, adaptando e sugerindo atividades são os normalmente encontrados no novas formas de trabalho. livro didático. 2 (Argumentação) o do conteúdo quanto as Quando o aluno relaciona conceitos e segue uma sequência lógica que explica o desenvolvimento ensino e a aprendizagem. global do trabalho com gráficos e desenhos, ou seja, adapta as atividades de forma que tenham relação com o contexto, ainda que não decorram do mesmo. 3 (Contribuição) Quando o aluno utiliza seus próprios argumentos e cria modelos originais para explicar os conteúdos, o completo desenvolvimento do trabalho com gráficos e desenhos, ou seja, as atividades surgem do contexto, sem adaptá-las. Quadro 13 - Parâmetros para análise da dimensão da Criatividade segundo Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011) Fonte: Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011, tradução nossa). 145 146 4.3 A análise dos dados Tomando por base os registros realizados, em que os alunos apresentam o que pensam, sentem, sabem e produzem, foi feita a análise de cada portfólio, verificando as contribuições do processo como um todo para a aprendizagem do ensino de Matemática. Todas as informações que serviram de base para a análise do caso, encontram-se nos relatos e contribuições registrados nos portfólios de aprendizagem de cada um dos sujeitos da pesquisa. Ao realizar as análises constatamos muitas similaridades, com relação aos relatos dos estagiários com relação às observações, atividades e aprendizagens. Estas coincidências nos levaram a optar pela comunicação de forma que pudéssemos interligar os comentários e análises, sem se tornar repetitivo e cansativo para a leitura, uma vez que neste momento já podemos inclusive estabelecer relações entre as observações dos cinco estagiários. Assim agiremos a partir do próximo subítem. 4.3.1 Conteúdos trabalhados, atividades desenvolvidas e análise dos estagiários Como já citado em nosso trabalho, as orientações dadas aos sujeitos da pesquisa para a realização do estágio foram de que suas observações se direcionassem para o conteúdo e atividade trabalhada pelas professoras, tecendo seus comentários sobre a postura das mesmas antes, durante e depois da realização da atividade. Além disso, deveriam procurar estabelecer relações entre as atividades observadas e os conteúdos aprendidos nas disciplinas relacionadas ao ensino de Matemática que foram desenvolvidos na Universidade. Com isto os estagiários deveriam se colocar perante as observações tecendo seus comentários sobre a prática de professora, os conteúdos trabalhados e sua própria formação. 4.3.1.1 Conteúdos trabalhados Nos dias em que acompanharam as professoras, os estagiários puderam observar diferentes atividades envolvendo conteúdos diversificados. 147 Todos os estagiários relatam que algumas atividades eram apresentadas aos alunos em folhas avulsas, mas a grande maioria encontrava-se nas orientações do Livro Didático adotado pela escola ou no Caderno de Apoio e Aprendizagem. Os estagiários ressaltaram o uso dos Cadernos de Apoio e Aprendizagem, pois o mesmo é distribuído aos alunos da rede e discutido com professores nas capacitações realizadas pela Secretaria Municipal de Educação. Somente a professora “P-MAO” declarou que não utiliza estes materiais por falta de quantidade suficiente para todos os alunos, selecionando as atividades a serem trabalhadas e entregando-as em folhas avulsas aos alunos. Apresentamos a seguir uma tabela, elaborada a partir dos registros dos estagiários em seus portfólios, com os temas e conteúdos trabalhados pelas professoras, destacando o número de vezes em que tal tema foi trabalhado. Tabela 1 - Conteúdos trabalhados Número de atividades observadas por estagiário Conteúdo LISE 1º ano MAO 1ª série/ 2º ano VANGR A 3º ano EAM 4ª série/ 5º ano TARS 5º ano TOTAL 12 8 7 - 4 31 3 1 - - - 4 5 6 1 3 7 22 Operações (Campo multiplicativo) - - 2 3 4 9 Espaço e Forma (Formas geométricas) 2 1 - - 1 4 Espaço e Forma (Relações espaciais) 1 - - - 1 2 1 1 1 - 3 6 Números Naturais/Sistema de Numeração Decimal (Contagem; ordem crescente e decrescente; Ditado de números; Valor posicional; dezena e unidade; Composição; Decomposição; Agrupamento) Números Naturais (Abodagens) (Conjunto; Função Ordinal) Operações (Campo aditivo) Grandezas (Calendário; tempo) e Medidas Medidas de Continua 148 Continuação Grandezas e Medidas (Medidas de capacidade; dúzia; Sistema Monetário) Tratamento da informação (Gráficos) 1 1 2 - 1 5 - 1 1 - - 2 A análise da tabela acima nos mostra que independente do ano observado, os conteúdos mais trabalhados pelas professoras foram as Operações com destaque para o campo aditivo e o SND - Sistema de Numeração Decimal. Observamos ainda que o trabalho com SND se concentra nos três primeiros anos o que prejudica a sistematização e a ampliação dos conhecimentos das crianças sobre esse tema. Chamou nossa atenção a falta de atividades no que se refere ao conteúdo de Espaço e Forma. Como podemos observar na tabela, no 1º ano “P-LISE” desenvolveu quatro atividades com os alunos, trabalhando formas geométricas e relações espaciais. No 2º ano há uma atividade de formas geométricas desenvolvida por “P-MAO” e depois somente uma atividade de formas geométricas no 5º ano, trabalhada por “P-TARS”. No 3º e 4º ano as professoras não trabalharam este tema com os alunos. Ao analisarmos os temas abordados podemos inferir que os mesmos têm relação com as preferências das professoras destacadas em seus relatos. Os conteúdos abordados por “MAO” confirmam a declaração da professora sobre os temas de Matemática que considera mais importantes para trabalhar em suas aulas, como o reconhecimento dos números, operações, ditado e escrita de números. Com base nos relatos da professora “P-TARS” sobre sua preferência pelo ensino das quatro operações, constatamos essa opção nos conteúdos desenvolvidos nas aulas observadas pela estagiária. Com relação às preferências de “P-EAM”, destacam-se as atividades relacionadas às situações problema e interpretação das mesmas envolvendo situações concretas vividas pelos alunos. As atividades observadas por “EAM” na realização do estágio estão relacionadas ao tema que a professora considera mais 149 importante. Porém não foram observados nas atividades apresentadas, gráficos e tabelas que a professora afirma gostar de trabalhar, assim como divisão e frações – conteúdos do 5º ano - considerados pela mesma difíceis de ensinar. Por outro lado, em virtude de “EAM” ter observado somente seis aulas com atividades, esse fato não nos permite inferir que a professora não trabalhe estes conteúdos ou privilegie aqueles em que se sente mais confortável. Nas atividades observadas por “LISE” confirma-se a preferência da professora no trabalho com atividades ligadas a situações problema e cálculo mental, pois das 26 atividades apresentadas, 17 referem-se aos conteúdos citados pela professora. A professora reconhece fragilidades em sua formação com relação ao ensino de áreas e perímetros e efetivamente não há atividades relacionadas a este conteúdo, muito embora sua atuação seja no 1º ano, em que este conteúdo ainda não é trabalhado. A análise da tabela com os conteúdos trabalhados nas atividades observadas e descritas por “VANGRA” não permite confirmar as declarações da professora sobre as atividades nas quais tem mais facilidade de trabalhar com seus alunos (tabelas e gráficos). Por outro lado também não há atividades com o tema sistemas de medidas, conteúdo que a professora reconhece ter dificuldades. Entendemos que talvez, pelo pequeno número de aulas acompanhadas por “VANGRA” ou pelo período em que o estágio foi realizado, os conteúdos citados acima não estavam incluídos no planejamento, o que não nos permite afirmar que não foram trabalhados pela dificuldade da professora em trabalhar tais temas. 4.3.1.2 Atividades desenvolvidas Realizaremos a seguir nossa análise relativa às atividades trabalhadas pelas professoras e as respectivas reflexões dos estagiários. 4.3.1.2.1 Números Naturais e Sistema de Numeração Decimal No que se refere ao trabalho com Números Naturais e Sistema de Numeração Decimal, foram totalizadas vinte atividades envolvendo contagem e ordem crescente e decrescente (sequência numérica, maior ou menor, igual e 150 diferente); três com atividades de conjuntos, uma com função ordinal e quatro atividades com ditado de números, valor posicional e dezena e unidade. Além disso, sete atividades versavam sobre composição, decomposição e agrupamento. As atividades de contagem estão mais concentradas no 1º ano, com contagem por agrupamento, contagem com conjuntos, ordem crescente e decrescente (sequência numérica, igual e diferente e maior ou menor). A estagiária “LISE”, que acompanhou o 1º ano, relata que no desenvolvimento da atividade de contagem por agrupamento, os alunos não apresentaram dificuldades. Para ela, a atividade está de acordo para o ensino deste conteúdo às crianças, pois aprendeu nas aulas de FME de Matemática que é importante trabalharmos a contagem e uso de símbolos para identificar quantidades. Destacamos uma atividade apresentada pela professora “P-LISE” aos alunos do 1º ano, extraída do Caderno de Apoio e Aprendizagem. Figura 2 - Folha de Atividade: A contagem do Seu João Fonte: Cadernos de Apoio e Aprendizagem, 2010. 151 Segundo a estagiária a professora lê a atividade e aguarda as crianças resolverem. Quanto aos alunos, “LISE” entende que “não apresentam dificuldades na contagem. Notei que algumas crianças usaram como auxílio as próprias mangas da ilustração”. A estagiária comenta que o recurso de desenhar ou usar o desenho oferecido na própria atividade para poder realizar a contagem é muito utilizado pelas crianças. Não há registro se a professora desenvolveu a última atividade (oral) da sequência. A estagiária observou que a professora “P-LISE” aplica diversas atividades extraídas do Caderno de Apoio e Aprendizagem de Matemática. Segundo a estagiária “os Cadernos de Apoio são bem ilustrados, com uma linguagem fácil para o entendimento das crianças e sempre trabalham com o cotidiano”. Ela afirma que talvez este seja o motivo de as crianças gostarem bastante da sequência de atividades a seguir que apresentam como contexto o Parque de Diversões. A Figura 3 - Folha de Atividade: Xícara Maluca (A e B) Fonte: Cadernos de Apoio e Aprendizagem, 2010. B 152 A B Figura 4 - Folha de Atividade: Sobe e desce, desce e sobe (A e B) Fonte: Cadernos de Apoio e Aprendizagem, 2010. Os relatos de “LISE” mostram que a professora inicia a atividade pedindo que alguns alunos que já são alfabetizados leiam o enunciado. Em seguida a própria professora lê novamente o que deveriam fazer em cada atividade, e solicita o registro da resolução. Para a estagiária a atividade foi bem entendida e acompanhada pelos alunos. A maioria da sala acompanhou e respondeu corretamente. Por ser um exercício simples e divertido, as crianças não apresentaram dificuldades. A professora explica o que é para fazer, aguarda uns minutos para que respondam e então passa para o seguinte. Todos participaram da roda de contagem, sugerida no último exercício. (“LISE”). Os comentários da estagiária relacionam a facilidade das crianças ao tipo de propostas que considera simples e divertidas. A estagiária relata que pode relacionar a atividade com sua aprendizagem na disciplina de FME de Matemática, onde viu que a criança precisa utilizar símbolos numéricos e criar associações. Com relação à postura da professora depois da atividade, “LISE” relata ainda que “a professora corrigiu com eles contando cada objeto, acompanhando todos tanto na realização da atividade quanto na correção”. 153 Ainda no 1º ano, a professora “P-LISE” aplicou outras atividades com os números destacando o trabalho com os sinais e o conceito de igual e diferente. A atividade foi distribuída em folhinhas avulsas e coladas no caderno de cada aluno. Figura 5 - Folha de Atividades: Igual e Diferente Fonte: Portfólio da estagiária. De acordo com os registros de “LISE”, antes de iniciarem a atividade, a professora explicou os sinais de igual (=) e diferente (≠), contando com a participação dos alunos na resolução das propostas. Alguns entenderam rapidamente o que era para ser feito, mas outros não. A professora decidiu então resolver junto com eles, iniciando no primeiro quadrinho como exemplo. Contavam cada elemento do conjunto de bexigas e depois de petecas. A professora perguntava se o resultado era de igual ou diferente. (“LISE”). “LISE” não se recorda de ter aprendido como ensinar este conteúdo nas aulas da disciplina FME de Matemática. Também não relata como a professora 154 encerrou a atividade, se precisou resolver as duas atividades com os alunos ou se as crianças resolveram e depois houve correção. A estagiária não percebeu que a folhinha usada pela professora deveria ser de material mais antigo, pois usa a palavra Numeral ao invés de Número e se refere a elementos de conjuntos. Certamente por se tratar de uma abordagem de décadas anteriores não foi discutida nas aulas de FME de Matemática20. Entretanto, “LISE” comenta anteriormente sobre sua aprendizagem no grupo de pesquisa a respeito da utilização das palavras Numeral e Número. As atividades envolvendo especificamente ordem crescente e decrescente foram trabalhadas somente pela professora “P-MAO”, que atua no 2º ano. Destacamos duas atividades relacionadas a este conteúdo para analisarmos com base nos registros da estagiária. Figura 6 - Folha de Atividades: Sequência Numérica Fonte: Portfólio da estagiária 20 Na década de 70, por conta da influência do Movimento Matemática Moderna, havia uma distinção entre Número (o objeto matemático) e Numeral (a representação do objeto). Nos currículos atuais não há essa distinção. 155 Figura 7 - Folha de Atividades: Ordem Crescente Fonte: Portfólio da estagiária Em ambos os momentos “MAO” percebeu um bom desenvolvimento da maioria dos alunos, sendo que aqueles com mais dificuldade tiveram auxílio e nova explicação por parte da professora. Pensa que apesar de algumas dúvidas, este bom desempenho se deve aos números trabalhados serem baixos e ainda na ordem das dezenas. A estagiária ressalta que não faria nenhuma mudança na aplicação das atividades, pois gostou do desenvolvimento das mesmas pela professora e pelos alunos. Entende que este tipo de atividade precisa ser aplicado durante o ano todo, para reforçar o que já foi aprendido e dar oportunidade de desenvolvimento àqueles que ainda não aprenderam. Destaca ainda que a forma de correção da professora, passando e dando visto nos cadernos, poderia ser modificada para trazer mais resultados para os alunos. “MAO” sugere que talvez se a correção fosse coletiva, com a participação dos alunos na realização na lousa, respondendo e explicando todos aprenderiam melhor. 156 A estagiária também não percebeu que as folhinhas usadas pela professora eram de materiais mais antigos que usava Numeral ao invés de Número. Ainda no trabalho com números, “MAO”, “TARS” e “VANGRA” trazem relatos em seus portfólios relacionados a atividades de sequência numérica desenvolvidas pelas professoras. A professora “P-MAO” trabalhou com sua turma do 2º ano com sequência numérica em diversas aulas, com diferentes atividades. Na primeira atividade destacada foi feito um trabalho com um quadro numérico, no qual os alunos teriam que completar no caderno as lacunas de uma sequência de números de 100 em 100, no intervalo de 100 a 10000. A estagiária relata que a explicação dada pela professora para a realização da atividade foi colocar na lousa, como exemplo, a sequência de 100 a 2000. Para “MAO” esta atividade tem um ótimo propósito, porém entende que o quadro numérico entregue aos alunos estava com números muito altos para a compreensão e idade dos mesmos, e talvez este fator tenha prejudicado o bom desenvolvimento dos alunos. Segundo ela, trabalharia com outro quadro numérico até o número 1000, por exemplo, colocando na parede da sala um quadro numérico grande, para que os alunos pudessem consultar diariamente até aprenderem e não precisarem mais desse suporte, conforme seu relato. A atividade desenvolvida tem um ótimo propósito, porém o quadro numérico estava com números muito altos para a idade dos alunos, acredito que esse fator tenha prejudicado o bom desenvolvimento da atividade. Precisava ser feita outro quadro com números até o mil, por exemplo, e ser colocado na parede da sala um quadro numérico grande, para que os alunos a consultem diariamente até aprenderem e não precisarem mais desse suporte. (“MAO”). Entendemos que esta atividade propiciou uma boa análise de “MAO” pois a mesma reflete sobre o contexto e o nível de conhecimento dos alunos, sugerindo inclusive uma nova forma de trabalho que facilitasse o entendimento e aprendizagem das crianças sobre o conteúdo. No entanto, ela não relata como a professora fez e se fez a correção e o que foi discutido. Em outra atividade com sequência numérica, os alunos deveriam escrever no caderno do número 200 ao número 250. “MAO” relata que não conseguiu 157 perceber o objetivo da realização desta atividade e o que a professora pretendia com ela, pois além da professora não deixar isto claro, os alunos ainda tinham dificuldades com sequência numérica, portanto a maioria não conseguiu fazer esta atividade. Muitos alunos procuraram sua ajuda, pois não estavam conseguindo completar a atividade sozinhos. A estagiária relata ter percebido que muitos ainda não conheciam os números a partir de 200, fazendo com que confundissem , por exemplo, o duzentos com o doze. Por este motivo, a estagiária sugere que nesta atividade a professora deveria trabalhar com eles apenas com números até o cem, reforçando estes números e fazendo a sequência numérica desde o começo, utilizando para consulta o quadro numérico grande colocado na parede, que indicou anteriormente para auxiliar a consulta. Os comentários de “MAO” sobre o trabalho com quadro numérico, demonstram suas aprendizagens sobre o assunto destacado nos Cadernos de Apoio e Aprendizagem e nos encontros do grupo do Programa Observatório da Educação, o que corrobora a afirmação da estagiária de que aprendeu muitos conteúdos e formas de trabalho no ensino de Matemática em sua participação no Programa Observatório. Com o 5º ano a professora P-TARS trabalhou com sequência numérica, utilizando o quadro numérico disponível no Caderno de Apoio e Aprendizagem. Segundo a estagiária a atividade foi desenvolvida sem problemas, “os alunos resolvem sem apresentar dificuldades. A professora faz a correção na lousa, os alunos vão dando as respostas e ela escrevendo e fazendo intervenções.” 158 Figura 8 - Folha de atividades: Quadros Numéricos Fonte: Cadernos de Apoio e Aprendizagem, 2010. A estagiária percebeu que a atividade envolve números na ordem da dezena de milhar, mas mesmo assim os alunos atendem à solicitação da atividade sem problemas. Outra atividade destacada por “TARS” envolvia os números na ordem de dezena de milhar, em que os alunos deveriam fazer comparações entre os números. A atividade do Caderno de Apoio contextualiza a utilização dos números mostrando aos alunos em quais situações são utilizados os números dessa ordem. Além disso, trabalha a comparação desses números, solicitando que o aluno explique o caminho percorrido para chegar às suas respostas. 159 Figura 9 - Folha de Atividades: Bairros e populações Fonte: Cadernos de Apoio e Aprendizagem, 2010. Segundo a estagiária, “os alunos respondem à atividade com tranquilidade, mas encontram dificuldade quando é pedido para explicarem como chegaram às respostas ( alternativa “c” da questão 1 e questão 3).” E revela que na atividade seguinte a professora tem a mesma postura quanto às suas explicações: “Nesta atividade a mesma coisa acontece, a professora lê para a sala e pede para resolverem, dessa vez relembra o significado dos símbolos > e <.” 160 Figura 10 - Folha de Atividades: Comparando e ordenando Fonte: Cadernos de Apoio e Aprendizagem, 2010. Para “TARS”, segundo suas observações o desenvolvimento da atividade pelos alunos mostra que aparentemente parecem gostar de trabalhar com a Matemática e com esse material didático. Por fim, destacamos a atividade registrada por “VANGRA” em seu portfólio, que acompanhou a professora que atua no 3º ano, envolvendo sequência numérica. 161 Figura 11 - Folha de atividade: Eu começo, você termina. Fonte: Portfólio da estagiária Segundo a estagiária, antes de iniciar a atividade a professora segue sua dinâmica de aulas, explicando e discutindo com os alunos o uso dos números no cotidiano. A professora começa discutindo o uso dos números em seu cotidiano, por exemplo, os números da chamada, número do calçado, número da casa , sua idade, dia do calendário etc. Foi feita a sequência numérica nas folhinhas leram os números e escreveram por extenso no caderno. As crianças não tiveram dificuldades e efetuaram a atividade com bastante rapidez. (“VANGRA”, 2012) A estagiária percebe que a professora demonstra não aplicar a atividade pela atividade, contextualizando e discutindo o tema e conteúdo matemático inseridos na atividade para melhor compreensão e aprendizagem de seus alunos. 162 A professora “P-LISE” trabalhou o conteúdo de conjuntos com sua turma do 1º ano e desenvolveu uma atividade tratava especificamente deste conteúdo. Nela a estagiária notou que as crianças mostraram muito interesse quando a professora começou a explicar , pois haviam desenhos na atividade. Figura 12 - Folha de atividades: Conjunto Fonte: Portfólio da estagiária “LISE” relata não ter observado nenhuma dificuldade nesta atividade, citando inclusive que na disciplina de FME de Matemática foi explicada a necessidade da utilização de símbolos para a representação numérica. A estagiária não observou que esse tipo de abordagem é conflitante com as orientações curriculares recentes, que focalizam o número com base na sua função social e que não utiliza a nomenclatura ligada à Teoria de conjuntos exposta em currículos da década de 70. 163 Já em outra atividade apresentada pela professora, coletada de materiais de sua preferência, a estagiária observa a utilizção da Teoria dos Conjuntos. Figura 13 - Folha de atividades: Sequência numérica e Conjuntos Fonte: Portfólio da estagiária Os relatos de “LISE” sugerem que a linguagem proposta na atividade 3 provocou dificuldades nas crianças. A palavra conjunto e elemento criou o maior reboliço. Os alunos não sabiam o significado. A professora explicou mas senti um ar de dúvida entre eles e ela também sentiu. Para ajudá-los desenhou na lousa um exemplo e pediu apenas para que eles mudassem os desenhos.(LISE). E continua com comentários. Como em toda turma sempre tem alunos que participam mais, respondem, mesmo que seja errado. Mas algumas crianças não estavam colaborando. A professora explica , espera eles fazerem e recolhe os cadernos. Senti falta da correção com todos, porque novamente não houve a devolutiva. Nem a estagiária nem a professora “P-LISE”, percebem a mistura de concepções de ensino no que se refere aos números e sequências numéricas. A 164 professora usa, ao mesmo tempo, as atividades do Caderno de Apoio, construídas com base em pesquisas recentes sobre a função social dos números (Delia Lerner, Michael Fayol e outros) e os procedimentos de contagem (Tall, Curi) com outras retiradas de livros didáticos da década de 70/80, anteriores às Orientações Didáticas veiculadas em documentos curriculares. A estagiária não faz nenhum comentário a esse respeito. O uso de numerais ao invés de números e de conjuntos, revela a época da publicação desses livros. Nota-se tnos relatos de “LISE” que a própria professora não havia percebido que aquela atividade continha noções matemáticas que ela não havia trabalhado e que não tinha se preparado para desenvolvê-las. Esse fato vem ao encontro do que os teóricos como Tardif (2002) apontam sobre a influência do que aprendeu no que vai ensinar, pois provavelmente em seu tempo de estudante a professora trabalhou com noções de conjunto, elementos, pertinência e inclusão e não se deu conta que os materiais atuais não trabalham com esses conteúdos matemáticos. No que se refere ao trabalho com números por meio de ditado, valor posicional e dezena e unidade, destacamos os relatos sobre atividades das professoras “P-MAO” e “P-VANGRA" que atuam no 2º e 3º ano respectivamente. A professora “P-MAO” apresenta uma atividade de ditado de números, para colocá-los nas “casinhas” da dezena e da unidade. 165 Figura 14 - Folha de atividades: Ditado de números Fonte: Portfólio da estagiária “MAO” relata que percebeu que os alunos não tiveram muita dificuldade, até porque eram números “baixos”, trabalhando apenas até a casa da dezena. Além disso, a professora já havia desenvolvido algumas atividades com o mesmo tema, o que facilitou seu desenvolvimento. A estagiária destaca, o que no seu entender são os objetivos da atividade. Esta atividade pode ter duas funções: uma é ajudar os alunos a entenderem melhor e reforçar a aprendiagem, e outra função é avaliar o que eles já sabem, para analisar se é preciso trabalhar mais neste conteúdo ou se os alunos já compreenderam bem. (“MAO”) O comentário de “MAO” demonstra que a mesma está refletindo sobre a proposta da atividade e sobre os objetivos de aplicação da mesma, pensando no ensino e na aprendizagem dos alunos. No entanto, a professora não explicita com qual objetivo propõe a atividade. Em outra aula a professora “P-MAO” realizou outro ditado de números, porém como uma avaliação diagnóstica. A estagiária teve acesso a um certo número de avaliações e relata que alguns alunos apresentaram dificuldades para representar os números ditados. Ela comenta que com os números até cem os alunos não tiveram problemas, porém com os números acima de cem eles já se atrapalhavam. “MAO” declara que esta avaliação é importante, para analisar o 166 conhecimento das crianças sobre o conteúdo que está sendo trabalhado, assim como verificar a continuidade deste trabalho ou a necessidade de modificação ou amplicação do conteúdo. O trabalho com números focando no valor posicional foi desenvolvido por “P-VANGRA” em uma atividade desenvolvida destacando a dezena e unidade. Figura 15 - Folha de atividade: Formando dezenas Fonte: Portfólio da estagiária A estagiária “VANGRA” comenta que a “aula foi participativa e prazerosa, com uns alunos terminando mais rápido do que outros, pedindo inclusive que tivessem mais atividades desse tipo”. A estagiária comenta ainda que a professora também ficou satisfeita, e que ela “observou que a maioria dos alunos obteve sucesso na aplicação da atividade, mas alguns deles tiveram dificuldade no valor posicional dos números, registrando a inversão dos valores posicionais”. No entanto, “VANGRA” apresenta sugestões para melhorar a aplicação da atividade e aprendizagem dos alunos, em seu portfólio: “A participação e atuação dos alunos foi bastante produtiva e como gostaram, proporia um gráfico feito por eles com os aniversariantes da turma que seria uma atividade bastante semelhante”. 167 O comentário da estagiária não deixa claro para nossa análise, sobre a dinâmica de construção deste gráfico e seus objetivos. Seriam registrados os aniversariantes de cada mês? Neste caso o gráfico seria elaborado com uma coluna para cada mês do ano e como resultado uma contagem dos aniversariantes de cada mês. Se o gráfico devesse retratar os aniversariantes em gráfico de colunas, a atividade em nada se assemelha ao objetivo daquela proposta pela professora. A sugestão da estagiária mostra um certo desconhecimento nesta área, uma vez que o registro dos aniversariantes pressupõe o trabalho com gráficos que não é semelhante às colunas montadas para que as crianças possam trabalhar o valor posicional dos números. A mesma não destaca sobre qual a semelhança encontrada entre as duas atividades. Para “VANGRA” as aulas de FME de Matemática não lhe prepararam para trabalhar o conteúdo desta atividade. Destacamos ainda uma atividade que envolve a composição de números da ordem das centenas, aplicada pela professora P-VANGRA, com os alunos do 3º ano. 168 Figura 16 - Folha de atividade: Composição Fonte: Portfólio da estagiária 169 A estagiária relata que neste trabalho, por se tratar de composição, a professora resgatou novamente os valores posicionais na realização das operações de adição. Alguns alunos apresentaram novamente dificuldades no posicionamento dos números, fazendo com que a professora fizesse a correção individual em sua mesa, para orientá-los em suas dúvidas. Sua sugestão para a atividade seria “trabalhar adição com dinheiro de papel”. Ao que parece a estagiária não observou o objetivo da atividade que trabalha a composição de um número e o valor posicional. Trabalhar com dinheiro dificultaria o alcance do objetivo da atividade. No entanto, a estagiária somente sugere, não explica o que gostaria de fazer. “VANGRA” destaca que nas aulas de FME de Matemática não aprendeu como intervir nas dificuldades dos alunos. A segunda atividade era de decomposição e foi desenvolvida com uma tabela com palitinhos representando quantidade de centenas, de dezenas e de unidades. Figura 17 - Folha de atividade: Decomposição Fonte: Portfólio da estagiária A estagiária relata que a maioria dos alunos conseguiu alcançar o objetivo, determinando a quantidade de unidades, dezenas e centenas que formariam o 170 número. Na mesma atividade, após a primeira etapa a professora trabalhou a contagem de 10 em 10, 20 em 20, 50 em 50. Destaca novamente que as aulas na Universidade não lhe ensinaram de que forma trabalhar este conteúdo com os alunos. “Nas aulas de FME de Matemática não tive discussões sobre como abordar a matéria através do conhecimento prévio da criança e como intervir após isso” Seu comentário é pertinente pois no trabalho do professor que ensina Matemática não pode ser esquecida a discussão sobre o que a criança já sabe, quais conhecimentos já traz acumulados e a partir de onde o professor deve iniciar ou dar continuidade ao ensino. Entretanto, nesta atividade não há registros de que a professora tenha identificado antes os conhecimentos prévios de seus alunos para depois iniciar a atividade, o que não nos permite estabelecer uma relação entre a atividade e o comentário de “VANGRA”. O último conteúdo envolvendo números naturais refere-se a agrupamentos e trocas por unidade de ordem superior, desenvolvido pela professora “P-VANGRA” com uma atividade com unidades e dezenas. Figura 18 - Folha de atividade: Trabalhando com unidades e dezenas Fonte: Portfólio da estagiária 171 Para a estagiária esta atividade “valorizou o cálculo mental, as crianças apresentaram boa produtividade, foi trabalhado o entendimento de quantas dezenas estão contidas em determinado número”. “VANGRA” relata que após a atividade, como em todas as anteriores, a professora explica e corrige, desta vez coletivamente e na lousa. A sugestão da estagiária para modificar ou melhorar a atividade seria trabalhar com reagrupamento e sequência numérica de 10 em 10. Notamos que embora “VANGRA” se preocupe para, conforme solicitado, sugerir o que faria diferente em cada atividade, é preciso que se leve em conta os objetivos propostos na aplicação das atividades, pois o professor pode ao trabalhar diferentes temas ao mesmo tempo, confundir e dificultar a aprendizagem do aluno. 4.3.1.2.2 Operações Os registros dos estagiários contêm 31 atividades com operações desenvolvidas pelas professoras que os receberam do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental. Estas atividades se dividiram em operações relacionadas ao campo aditivo e ao campo multiplicativo21, com grande predominância do campo aditivo. No que se refere à subtração, “MAO” detecta as dificuldades apresentadas pelos alunos do 2º ano, na resolução de operações propostas em uma atividade, com alguns deles resolvendo os mesmos como se fossem de adição. Comenta que outros ainda não sabiam “armar” as contas para resolvê-las. Além disso relata que vários alunos foram até a professora para tirar dúvidas, porque não conseguiam resolver as contas e a professora tentou explicar até que resolvessem, porém não descreve se compreenderam a operação. Em seus registros “MAO” ressalta os conteúdos e a maneira como a atividade foi apresentada pela professora, sugerindo uma forma diferente de trabalhar com os alunos. 21 Entendemos por Campo multiplicativo um conjunto de situações que para sua resolução necessitam de uma multiplicação, uma divisão ou a combinação de ambas. 172 Esta atividade estava com dois temas muito diversos, acredito que se reformulada, seria melhor desenvolvida pelos alunos, deveria ser abordado um único tema e focar nele. Se fosse escolhido o tema das contas de subtração, deveriam ser escolhidos números menores e sem dividir os números na casa das dezenas, porque isso confundiu muito as crianças. (“MAO”) A atividade relatada pela estagiária continha na primeira parte uma abordagem de formas geométricas e na segunda parte as operações de subtração. Em sua opinião, baseada na observação da postura dos alunos na resolução da atividade, a mesma deveria ser reformulada, pois seria melhor desenvolvida por eles, se os temas fossem separados em folhas distintas: Geometria e Subtração. Chamou nossa atenção a postura de “LISE”, no que se refere a duas atividades envolvendo subtração, aplicadas pela professora aos alunos do 1º ano. No início de seu relato, diz ter sentido falta da operação de subtração. As duas atividades a seguir trabalham com as noções de subtração, porém a estagiária não faz menção a este fato, nem registra como foi o desenvolvimento da atividade pelas crianças. Figura 19 - Folha de atividade: A fruteira da casa de Lívia Fonte: Caderno de Apoio e Aprendizagem, 2010. 173 Figura 20 - Folha de atividade: Na barraca de frutas Fonte: Caderno de Apoio e Aprendizagem, 2010. Destacamos também a atividade proposta pela professora P-TARS, com os alunos do 5º ano, sobre cálculos de adição. A atividade, retirada do Caderno de Apoio e Aprendizagem, propunha aos alunos formas diferentes de calcular, a partir da decomposição de números. 174 Figura 21 - Folha de atividade: Outros cálculos de Daniel Fonte: Caderno de Apoio e Aprendizagem, 2010. Embora preferisse que os alunos pudessem discutir entre si sobre a resolução das questões, a opinião de “TARS” sobre a atividade e seu desenvolvimento é favorável. A atividade foi ótima em minha opinião. Segundo aprendi nas aulas de FME de Matemática, esse tipo de atividade de decompor e compor desenvolve o raciocínio do aluno de como se resolve e o que se está fazendo, tirando o aluno do “automático” arme e efetue. A devolutiva é feita com correção na lousa. A professora explica várias vezes e tira dúvidas. Aprovei também essa devolutiva, eu faria da mesma forma. (“TARS”). A estagiária “VANGRA” relata sobre uma atividade que apresenta problemas do campo aditivo. Os dois primeiros problemas envolviam adição e o terceiro tratava da subtração. 175 Figura 22 - Folha de atividades: Problemas Fonte: Portfólio da estagiária Para “VANGRA” foi difícil o entendimento e vários alunos apresentaram dificuldades. A professora apresentou as atividades de resolução de problemas na lousa e explicou aos alunos uma das operações. Pela observação os alunos compreenderam a ideia do problema mas alguns não conseguiram acertar a operação; outros não compreenderam a ideia mas acertaram a operação e outros ainda não compreenderam a ideia e também não acertaram a operação. (“VANGRA”) Conforme podemos observar na atividade e levando-se em conta o comentário da estagiária, as crianças muitas vezes confundem a operação de adição com a de subtração e ambas as operações juntas podem dificultar a resolução. Não há nos relatos da estagiária a informação de trabalho anterior da professora com estas operações. Como os alunos estão no 3º ano, podemos inferir que os problemas do campo aditivo estão sendo trabalhados, o que não exclue a falta de entendimento e aprendizagem. 176 O estagiário “EAM” relata várias atividades envolvendo problemas do campo aditivo. Em uma delas a professora forneceu aos alunos algumas “contas montadas”, pedindo que desenvolvessem um problema que pudesse ser resolvido com cada uma dessas operações. A ideia era que criassem cada qual do seu jeito e entendimento o enunciado do problema. A atividade foi desenvolvida novamente em grupos. Escreva numa folha de papel um problema que se resolva com o cálculo abaixo. Depois a troque com a de outro grupo. 1) 1.345 + 222 2) 146 - 54 3) 234 + 212 Figura 23 - Folha de atividade: Problemas do campo aditivo Fonte: Portfólio do estagiário Cabe destacar que o enunciado da tarefa está mal formulado, pois para cada cálculo deviam compor um enunciado de problema e a comanda diz para escrever “um problema”. Durante a realização da atividade, o estagiário comenta que percorreu os grupos para verificar a forma como trabalhavam e faz a seguinte observação. Observei atentamente circulando entre os grupos de alunos, pois achei muito interessante a forma com que eles se respeitavam e davam as ideias para criarem os problemas. Após elaborarem os problemas, chegavam a votar entre si para decidir qual problema seria colocado na folha a ser entregue para a professora. (“EAM”). Ao término da atividade, o estagiário relata que a professora recolheu as atividades e leu para a classe o que produziram e “todos adoraram a atividade e principalmente esta leitura da professora, já que eles criaram e puderam colocar eles ou nós professores na contextualização das situações criadas”. Esta forma de trabalho, segundo “EAM”, permite a criação e desenvolvimento da autonomia, pois a professora relata que alguns alunos que eram 177 mais inibidos, haviam mudado muito com esta forma de trabalho e tinham se desenvolvido acima de suas expectativas. Após a atividade, o estagiário pode conversar com a professora e teve acesso a várias produções, dentre as quais destacamos algumas para ilustrar os comentários. Resoluções Grupo A 1) Na doceria existem 1.345 balas. E Seu José comprou mais 222 balas. Quantas balas tem na doceria? 1.345 + 222 1.567 R: Tem 1.567 balas na doceria 2) No parquinho existem 146 gangoras o prefeito tirou 54 gangorras. Quantas gangorras tem o parquinho? 146 - 54 092 R: No parquinho a 92 gangorra. 3) Leonardo foi a feira e comprou 234 bananas. No caminho encontrou o Diogo que comprou 212 abacaxis. Quantas frutas são juntando as frutas do Leonardo com as do Diogo? 234 + 212 446 R: São 446 frutas no total. Figura 24 - Folha de atividade: Resolução Grupo A Fonte: Portfólio do estagiário Os alunos este grupo, embora tentem utilizar situações de seu cotidiano, elaboram um enunciado distante do mundo real, pois normalmente ninguém vai a uma feira e compra 212 abacaxis ou 244 bananas; assim como não encontramos em um parquinho da cidade 146 gangorras. 178 No entanto, o estagiário não faz nenhum comentário sobre o assunto e pela descrição da aula assistida parece que a professora apenas fez a leitura dos enunciados sem nenhuma discussão de sua pertinência ou não. Grupo B: 1) Ana ganhou uma bicicleta nova do tio que custa R$ 1.345 e ela ganhou outra da mãe que no valor 222,00. Qual foi o total do valor da bicicleta? 1.345 + 222 1.567 R: O total da bibicleta deu 1.567 2) Patricia foi ao mercado comprou 5 k de arroz que custava 146,00 R$. Ana comprou 10 k de feijão que custava 54,00 R$. Quanto deu o total? 146 - 54 092 R: As duas juntas deu 92,00. 3) Juan foi para natação no sábado ele nadou 234 quilometros e no domingo ele nadou 212 quilometros. Quantos quilometros ele nadou? 234 + 212 446 R: Ele nadou 446 quilometros Figura 25 - Folha de atividade: Resolução Grupo B Fonte: Portfólio do estagiário Os enunciados elaborados por este grupo chamam a atenção pelo fato de utilizarem unidades de medida nos três problemas. Mas demonstram falta de conhecimento no que se refere ao contexto nos números e valores utilizados. Ressaltamos o problema 3, em que Juan nada 234 quilometros no sábado e mais 121 no domingo. Este enunciado sugere desconhecimento da medida de um quilometro. Podemos perceber também que a questão do primeiro enunciado não está de acordo com o texto do problema, pois o algoritmo apresentado não se referia ao sistema monetário. 179 Também com relação aos enunciados desse grupo, o estagiário não faz nenhuma análise. Grupo C: 1) Paulo tem 1.345 cards e Susana tem 222 juntando tudo. Quantas dá ao total? 1.345 + 222 1.567 R: Ao total os dois juntos têm 1.567 cards. 2) Bruna tem 146 balas e Lidiane tem 92. Quantas balas faltam para Lidiane chegar até a mesma quantia de Bruna? 146 - 54 092 R: Elas teve que tirar 92 balas. 2) Vitória tem 234 bombons e Alessandra tem 212. Quantos tem juntando tudo ao total? 234 + 212 446 R: Deram ao total 446 bombons. Figura 26 - Folha de Atividade: Resolução Grupo C Fonte: Portfólio do estagiário Este grupo utilizou como contexto para elaboração dos enunciados coisas de seu dia a dia, brincadeiras, balas e bombons. Mas novamente o contexto é ruim, na questão dos bombons por exemplo, uma vez que dificilmente alguém tem consigo 234 ou 212 bombons. Também nesse grupo de problemas não houve comentários do estagiário. “EAM” relata que ao analisar esta aula percebeu algo muito interessante, o fato de que todos os alunos têm o hábito de contextualizar a resposta do problema, não colocando apenas números para responder. Comentou esse fato com a professora e relatou o que ela disse sobre isso: É muito raro ter que pedir a resposta, é um hábito que eles adquiriram, porque desta maneira eles compreendem melhor. Quando elaboram a resposta o problema faz mais sentido e trabalho não só a Matemática, mas melhora também a escrita em todas as matérias. Além dos pontos já citados por nós em relação à elaboração dos enunciados dos problemas, as produções dos alunos nos mostram outros pontos que poderiam 180 ter sido discutidos, mas que o estagiário não comenta, voltando sua atenção somente para o trabalho em grupo e a autonomia dos alunos. O Grupo B, por exemplo, contextualiza as operações criando problemas que envolvem o sistema monetário e não quantidade, embora o algoritmo fornecido não se relacione com valor monetário. Como não observou este ponto, também não há comentários do estagiário sobre a postura da professora, se comentou este fato, se corrigiu ou se considerou correta esta abordagem por parte das crianças. O Grupo C elabora o enunciado do problema 2 invertendo a informação, e já fornecendo o resultado: “Lidiane tem 92 balas”. Não há comentários de “EAM” sobre a produção dos alunos, quando poderia inclusive sugerir outros enunciados utilizando contextos mais adequados. A falta de envolvimento com o conteúdo e com o ensino de Matemática propriamente dito por parte de “EAM”, limitando-se a comentar e descrever o desenvolvimento da aula, sem se ater ao conteúdo ou estabelecendo novas formas de trabalhar, nos mostra pouco conhecimento, reflexão e criatividade em sua aprendizagem. Com relação às operações envolvendo o campo multiplicativo foram observadas somente pelos estagiários que acompanharam as professoras “PTARS” e “P-EAM”, ambas atuando no 5º ano. No 5º ano, dentre as quatro atividades em que a professora “P-TARS” trabalhou a multiplicação, três delas foram de cálculo, cujas operações foram passadas na lousa para que os alunos copiassem no caderno e as resolvessem. No primeiro momento do trabalho com a multiplicação “TARS” observou que a professora distribuiu aos alunos folhinhas com a tabuada do 1 ao 10. Segundo a estagiária eles resolvem os cálculos sem dificuldade consultando a tabuada. “TARS” relata que os alunos resolvem e não têm um retorno de seus acertos ou erros, e faz alguns comentários. 181 Não há correção, nem devolutiva aos alunos. Acho necessária a devolutiva, se eu fosse a professora mudaria isso, pois pelo que aprendi na disciplina FME de Matemática e outras disciplinas no curso de Pedagogia, acredito que nesse momento em que o professor corrige e devolve os trabalhos, os alunos podem expor suas dúvidas e aprendem mais. (“TARS”). Dentre as atividades envolvendo multiplicação, “TARS” nos traz vários exemplos das operações trabalhadas pela professora. 1) 206 x 4 = 2) 186 x 3 = 3) 117 x 5 = 4) 141 x 24 = 5) 121 x 38 = Figura 27 - Folha de atividade: Multiplicações Fonte: Portfólio da estagiária Podemos perceber que a professora trabalhou a multiplicação com centenas, inicialmente por unidade e depois por dezena. “TARS” comenta que nesta atividade a professora orientou que utilizassem a folhinha distribuída anteriormente com as tabuadas. Em seus relatos a estagiária observa que este tipo de exercício faz com que os alunos fiquem dispersos, não se concentrem na resolução. Descreve que enquanto os alunos resolviam as operações, a professora trabalhava com alguns papéis em sua mesa, sem atender às dúvidas dos alunos, o que os tornou mais dispersos ainda. Comenta que alguns alunos estavam sem a folha de apoio da tabuada e se sentiram perdidos na atividade. Para “TARS”, a postura nesta atividade deveria ser diferente. Ela descreve: Penso que não é bom para a aprendizagem essa dependência da tabuada. Seria melhor se as atividades fossem mais voltadas para que os alunos se apropriassem da multiplicação. Não decorando, mas aprendendo a calcular e o significado, sabendo que 2x3 é o mesmo que 3+3, por exemplo. Acho que a aula deveria estar sendo mais participativa. (“TARS”). 182 O comentário de “TARS” mostra que a mesma está se apropriando de conteúdos e posturas discutidas nas aulas de FME de Matemática, em que se ressalta a importância da aprendizagem e não da memorização. A estagiária descreve que não houve devolutiva por parte da professora. Para a estagiária este exercício pareceu-lhe mecânico, sem propiciar a utilização do raciocínio, uma vez que copiavam o resultado na folha da tabuada. Eu daria devolutiva e ao invés de somente passar as operações, elaboraria um problema de multiplicação e sem a utilização da folha de apoio da tabuada. Sei que é importante que o aluno raciocine para chegar ao resultado. (“TARS”). O comentário de “TARS” mostra reflexão, pois o relato da professora nas considerações feitas no questionário ressalta a questão do raciocínio lógico, da necessidade de desenvolvê-lo e suas dificuldades em trabalhar este conceito com as crianças. Percebemos que a estagiária também sente falta do trabalho com o raciocínio, porém nos dá uma alternativa de trabalho, se envolvendo com o processo de aprendizagem dos alunos com sugestões sobre o ensino de Matemática. Esta estagiária parece participar mais diretamente do processo durante a realização do estágio, destacando inclusive uma atividade com multiplicação que mais chamou sua atenção. 183 Figura 28 - Folha de atividade: Formando palavras com resolução de operações Fonte: Portfólio da estagiária Segundo “TARS” a atividade envolve multiplicação e escrita. A professora inicia resolvendo a primeira multiplicação como exemplo. Logo após forma duplas para que os alunos trabalhem juntos na atividade. A estagiária comentou sobre o interesse dos alunos: Os alunos se interessaram pela atividade, discutiram os resultados e encontraram as palavras através da multiplicação. Para mim a atividade foi bem interessante, pois os alunos achavam divertido, fizeram as multiplicações com empolgação para alcançar o objetivo de formar as palavras. Usaram formas diferentes de resolução, tabuada decorada, cálculo mental, adição e como estavam em duplas podiam trocar idéias. (“TARS”). Nas aulas assistidas não há comentários da estagiária sobre a resolução de problemas do campo multiplicativo e sobre estratégias de cálculos. Na atividade relatada por “EAM” relativa ao campo multiplicativo foi entregue em uma folha avulsa aos alunos contendo cinco questões de divisão, que embora relatada, infelizmente não foi inserida no portfólio pelo estagiário. 184 Os relatos de “EAM” mostram que a professora deixa os alunos resolverem por si as operações, numa dinâmica que para ele foi novidade: Observei algo totalmente diferente do que já presenciei em sala de aula os alunos sentam-se em grupos de quatro ficando todos de lado para a frente. Soube depois que foram divididos pela professora para que possam ajudar uns aos outros e vencer os obstáculos, suprindo as lacunas e dúvidas que surgem em todas atividades. Durante a atividade percebi que nenhum aluno ia até a mesa da professora e eles tiravam as dúvidas em relação as atividades entre si, existindo uma democracia rara: um perguntava ao outro se queria acrescentar algo e se estavam todos de acordo. (“EAM”). O trabalho em grupos é defendido por muitos autores que entendem que o mesmo propicia o que denominam de aprendizagem colaborativa, fazendo com que as discussões que se estabelecem sejam caminhos de reflexão e de novas construções de conhecimento. Entendemos que, embora “EAM” desconhecesse a realização de trabalho em grupos na sala de aula do Ensino Fundamental, este se constitui em momento de troca de experiências e conhecimentos, possibilitando não a transmissão do conhecimento, mas a construção do mesmo. Talvez por sua pequena vivência no Ensino Fundamental, o estagiário se surpreendeu com o trabalho em grupo, embora no curso de Pedagogia esta estratégia fosse constantemente utilizada, ressaltando-se sua importância na construção de saberes. “EAM” relata uma atividade onde os alunos deviam resolver uma operação de multiplicação: 4 x 4 = ?. A maioria deles apresentou a resposta correta efetuando a multiplicação e resultando em 16. Porém ao efetuar a correção da atividade, o estagiário relata que a professora convida os alunos a irem a lousa para apresentarem a resolução e contarem para a turma se alguém tinha resolvido de forma diferente daquela. Na quinta questão uma aluna se apresentou e explicou que ela não havia utilizado a multiplicação como todos: 4X4 =16. Para ela foi mais fácil somar 4+4+4+4 =16 , chegando à resposta do problema proposto, onde para que cada personagem ficasse com 4 sorvetes precisaria de 16 sorvetes no total. (“EAM”). Embora destaque que a aluna resolve a multiplicação aditivamente, o estagiário não faz reflexões sobre esse fato. 185 4.3.1.2.3 Espaço e Forma O conteúdo Espaço e Forma apresenta seis atividades, envolvendo Formas Geométricas e Relações Espaciais. Somente as professoras “P-LISE”, do 1º ano, “P-MAO”, do 2º ano e “PTARS”, do 5º ano, desenvolveram algum tipo de atividade envolvendo formas geométricas. No 1º ano a professora “P-LISE” apresentou duas atividades às crianças envolvendo o conteúdo em questão. A primeira delas pedia que as crianças classificassem as formas geométricas. Figura 29 - Folha de atividade: Classificação de formas geométricas Fonte: Portfólio da estagiária Ao descrever a postura da professora antes, durante e depois da atividade, “LISE” assim relata: 186 Primeiro a professora foi escolhendo algumas crianças para falarem o nome da figura geométrica . Depois pediu para que pensassem em algo que tinham visto em casa , na escola ou na rua que parecesse com aquela figura. As que tiveram menor dificuldade foram o círculo , triângulo e quadrado . A professora escreveu o nome na lousa e elas copiaram. (“LISE”). O comentário de “LISE” mostra que a professora nomeou as figuras, escrevendo seus nomes na lousa para que as crianças copiassem. Ao que parece as crianças tiveram facilidade em encontrar objetos de seu cotidiano cujas formas se assemelhassem às figuras da atividade. O relato da estagiária mostra uma conduta interessante da professora e sugere que a mesma trabalha as formas tridimensionais, no que diz respeito à aparência de cada uma, relacionando-as com objetos do cotidiano dos alunos e com suas experiências para que fixem cada uma das formas. Não ficou claro se ao pedir que as crianças nomeassem as formas geométricas, a professora já havia trabalhado este tema e, portanto esperava que os alunos pudessem nomeá-las. Na segunda atividade desenvolvida pela professora “P-LISE”, a estagiária relata que a professora além de perguntar às crianças quais frutas tinham o mesmo formato da melancia, perguntou também se havia algo na sala, nas ruas, ou em casa com a mesma forma. Houve grande participação das crianças. Figura 30 - Folha de atividade: A forma da melancia Fonte: Caderno de Apoio e Aprendizagem, 2010. 187 Esta participação reforça a importância da contextualização no ensino de Matemática, cujo recurso traz mais significado à aprendizagem. Porém a estagiária não comenta a resposta da criança para a segunda questão da atividade, atribuída como certa pela professora. Ao ser questionada sobre o que há de parecido entre a melancia e as frutas desenhadas na questão 1, a criança responde: “Ela usou balança, xícara e o copo”. Em virtude de na sequência, o material usado pela professora apresentar uma atividade com receita de bolo com unidades de medida e algumas questões para que o aluno respondesse, nos faz pensar que talvez a resposta tenha sido dada pela professora e o aluno copiou na página errada e colocou como correto. O trabalho com formas geométricas desenvolvido pela professora “P-MAO” com as crianças do 2º ano, foi destacado pela estagiária, com comentários pela atividade apresentar três partes, sendo duas de Geometria e uma de Subtração. Figura 31 - Folha de atividade: Geometria e Subtração Fonte: Portfólio da estagiária Percebemos que não há um título na atividade, que possa confirmar que nas duas primeiras atividades a professora trabalharia realmente Geometria. Estamos 188 nos baseando no relato da estagiária sobre a realização da atividade, e não há em seus registros, relatos sobre as explicações dadas pela professora antes da realização e durante seu desenvolvimento. “MAO” observou que nos dois primeiros itens da atividade, que segundo ela se referiam a Geometria, os alunos não tiveram problemas para resolver. Embora ela não comente, podemos perceber que nesta parte da atividade não há alusão aos conceitos ou propriedades das figuras, com a atividade limitando-se ao reconhecimento das formas, com tracejamento e pintura das mesmas. Como a estagiária não descreveu o que a professora fez antes e depois da atividade, ficanos o entendimento de que não houve efetivamente o trabalho com Geometria. Inferimos que os poucos comentários da estagiária podem ser atribuídos aos seus conhecimentos geométricos precários destacados por ela nos instrumentos de pesquisa. A análise realizada pela estagiária a respeito da atividade que a professora desenvolveu com os alunos, destaca que houve a abordagem de diferentes conteúdos na mesma sequência de atividades, o que segundo ela pode ter se constituido em um problema para as crianças. A estagiária “TARS”, ao acompanhar a sala de 5º ano, relata o desenvolvimento de uma atividade de Geometria. 189 Figura 32 - Folha de atividade: As caixas de presente de Patrícia Fonte: Caderno de Apoio e Aprendizagem, 2010. “TARS” registra apenas que “A professora explicou cada forma e fez a atividade junto com os alunos, explicando como fazer.” Não temos como saber como a professora explicou estas formas, se nomeou, discutiu sobre suas propriedades ou se simplesmente se ateve ao que a atividade mostra e solicita. Por outro lado, a estagiária declara não ter aprendido ou visto algo sobre Geometria em suas aulas de FME de Matemática no curso de Pedagogia, o que nos leva a entender que talvez sua falta de comentários sobre a atividade seja devido à falta de conhecimento desse conteúdo matemático. Com relação ao trabalho com Relações Espaciais, somente as estagiárias “LISE”, no 1º ano e “TARS” no 5º ano, acompanharam uma atividade com este tema. 190 O relato de “LISE” mostra que ao trabalhar com relações espaciais, a professora aplicou duas atividades do Caderno de Apoio e Aprendizagem de Matemática. A mesma anunciou o que trabalhariam e indicou no caderno a atividade a ser realizada. A estagiária relatou que “A professora leu o enunciado e cada criança descreveu seu caminho, alguns sem sentido, outros na brincadeira, perdendo totalmente o foco da atividade”. Figura 33 - Folha de atividade: Hora de ir embora! Fonte: Caderno de Apoio e Aprendizagem, 2010. Em várias atividades “LISE” relata a falta de atenção e foco na atividade, além de brincadeiras que considera que dificultam a aprendizagem, mas não faz nenhuma reflexão sobre esse fato. Já a estagiária “TARS” refere-se a este trabalho, relatando que a professora orientou aos alunos que desenvolvessem duas atividades do Caderno de Apoio e Aprendizagem. 191 Figura 34 - Folha de atividade: Explicando o caminho Fonte: Caderno de Apoio e Aprendizagem, 2010. Figura 35 - Folha de atividade: O quarteirão da escola Fonte: Caderno de Apoio e Aprendizagem, 2010. 192 A estagiária relatou que a forma como a professora iniciou a atividade proporcionou muita animação entre os alunos: “A professora explica e a sala fica animada com a atividade diferente.” Ela observou também que “Os alunos conversavam e trocavam informações para desenhar e explicar o caminho da escola e da padaria.” Embora o início da atividade tenha sido explicado e comentado, “TARS” relatou que sentiu falta de uma discussão posterior sobre as produções dos alunos, especialmente para mostrar aos mesmos como os caminhos eram diferentes entre si, embora partissem do mesmo ponto e levassem ao mesmo destino. No entanto, a estagiária não identificou o objetivo da atividade nem sua relaçao com a Matemática, mostrando desconhecer as orientações curriculares recentes. Ela relata: “A atividade é interessante, mas achei que não tem nada a ver com o que se estava trabalhando antes. Não vi no que essa atividade pode intervir em Matemática”. Percebemos ainda que em seus comentários sobre estas atividades, a estagiária não nomeia os conteúdos trabalhados pela professora. Embora no plano de ensino da disciplina FME de Matemática II haja conteúdos relativos à Geometria e seu ensino e, portanto ligados às relações espaciais, a estagiária mostra poucos conhecimentos sobre esse tema. 4.3.1.2.4 Grandezas e Medidas No trabalho com conteúdo Grandezas e Medidas, dividimos as atividades aplicadas com os temas Calendário e Medidas de Tempo; e Medidas de capacidade, dúzias e Sistema Monetário. “LISE” relata o trabalho da professora no 1º ano com o calendário. 193 Figura 36 - Folha de atividade: Calendário Fonte: Portfólio da estagiária A estagiária assim relatou suas impressões a respeito da atividade. A professora entregou um calendário para cada criança colar em seu caderno. Primeiro ela explicou a diferença entre dia e semana. Explorou totalmente o calendário contando os sábados, os domingos , o total de dias, quando começava o mês , quando terminava o mês , os dias das semana. A cada dia do mês ela voltava no calendário e as crianças localizavam o dia , e desenhavam conforme o tempo, frio, chuva ou sol. (“LISE”). Os relatos de “LISE” sobre esta atividade sugerem que a professora não aplicou simplesmente a atividade. Neste tema a mesma explica o porque do calendário, mostra sua utilização e inicia uma discussão sobre as questões do tempo. A professora “P-VANGRA”, que atua no 3º ano, desenvolveu uma atividade com calendário e um gráfico de barras. Antes de realizar a atividade, a estagiária relata que a professora fez uma leitura sobre a origem do calendário, sua importância, interpretação e compreensão. “VANGRA” destaca ter sido bem interessante a preparação da professora para desenvolver a atividade, tendo trabalhado algumas curiosidades e o contexto diário dos alunos em relação ao calendário. 194 Mostrou a partir dos punhos e contagens dos meses do ano correspondentes aos ossos que ligam os dedos como introdução do calendário. Em seguida foram trabalhados os dias da semana com questionamentos como : quais são os dias de aula; quais dias da semana em que os alunos passeiam com seus pais; quantos dias da semana têm aula de Matemática. Estes questionamentos levaram ao diálogo e explicação de quais seriam os dias úteis e não. (“VANGRA”). Somente após estas discussões e explicações “P-VANGRA” entrega a atividade para os alunos. Figura 37 - Folha de atividade: Dias da semana Fonte: Portfólio da estagiária Nos relatos da estagiária, ela destaca a interação promovida pela professora e a participação das crianças e considera essa aula bastante produtiva. Comenta que os alunos tiveram êxito na resolução da atividade, que consistia na leitura de um gráfico de barras. Destaca que as dificuldades surgidas foram solucionadas quando a professora fez a correção coletiva na lousa. 195 Ressaltamos que embora a atividade tratasse da leitura de um gráfico, a criança escreve “esta tabela mostra...”, o que nos faz pensar na forma como a atividade foi apresentada aos alunos: como gráfico ou como tabela? No entanto a estagiária não faz reflexões mais elaboradas em seus comentários. “VANGRA” comenta em seu relatório que as aulas de FME de Matemática “não lhe deram base para que pudesse ter percepção do que estava ocorrendo na sala de aula e como poderia intervir nas dificuldades dos alunos”. Ainda assim sugere que nesta atividade acrescentaria “elaborações de resolução de problemas com o tema calendário”. Sua sugestão não veio acompanhada de uma explicação sobre a forma que seria desenvolvida esta nova atividade. A estagiária “TARS” relata o trabalho com medidas de tempo realizado com o 5º ano, pela professora “P-TARS”, que foi iniciado com uma discussão proposta na atividade inserida no Caderno de Apoio e Aprendizagem. Figura 38- Folha de atividade: Unidade 2 Fonte: Caderno de Apoio e Aprendizagem, 2010. 196 A estagiária assim relata o início da discussão sobre medida de tempo: Na atividade há duas perguntas que a professora responde junto com a sala, fazendo uma espécie de roda de conversa. Vários alunos deram opiniões, alguns já tinham ido a uma feira de artesanato e aos que nunca foram foi explicado o que é e como funciona. Fizeram um cálculo de quantos anos tem a feira de artesanato da Praça da República, chegando ao resultado correto aprendendo que subtraindo 1956, ano do início da feira, de 2012, ano em que estamos, obteriam o resultado. (“TARS”). “TARS” considera o trabalho com medida de tempo foi importante para as crianças, porque puderam se localizar no espaço e tempo, fazendo cálculos que levaram a comparações em relação às próprias idades ou idades de seus pais e avós, quando perceberam que a feira já funcionava há 56 anos. Já a estagiária “LISE” descreve uma atividade de medidas de capacidade desenvolvido pela professora “P-LISE” com os alunos do 1º ano. Segundo a estagiária, “A professora explicou a necessidade de usarmos as medidas, exemplificou cada uma delas, perguntou onde encontramos medidas e pediu para cada criança trazer uma receita”. Figura 39 - Folha de atividade: Uma receita muito fácil! Fonte: Caderno de Apoio e Aprendizagem, 2010. A estagiária não faz mais nenhum comentário sobre o desenvolvimento da atividade. Não há também explicações da estagiária sobre o que será feito com a receita que a professora pediu que as crianças trouxessem no início das explicações 197 sobre a atividade, nos deixando sem saber se a professora não anunciou o que seria feito ou se a própria estagiária não se envolveu nesta questão. “TARS” destaca ainda uma atividade realizada envolvendo resolução de problemas com o conceito de dúzia. Figura 40 - Folha de atividade: Dúzia Fonte: Portfólio da estagiária A estagiária relata que dessa vez a professora usa uma atividade em folhinha avulsa. Ela comenta que a professora distribuiu as folhas com a atividade, explicando como devia ser feita e revendo o conceito de dúzia. Comentou que mesmo com a revisão, alguns alunos ainda tiveram dificuldade em encontrar o resultado. Nesta atividade a estagiária destaca que a postura da professora na devolutiva da atividade foi diferente daquela normalmente apresentada.. A professora recolhe, corrige e entrega para colarem nos cadernos. Em seguida faz a correção na lousa, explicando mais detalhadamente. Alguns não tinham compreendido que uma dúzia é 12 e houve também alguns erros na multiplicação. Mas a professora retomou as explicações. (“TARS”). 198 Embora relate não se lembrar de ter aprendido como trabalhar com o conceito de dúzia com os alunos, em suas aulas de FME de Matemática na graduação, “TARS” considera esta atividade produtiva para a aprendizagem dos alunos, pois nas referidas aulas foi enfatizada a importância de trabalhar com problemas para desenvolver o pensamento e o raciocínio. A estagiária comentou em seus relatos que a professora utiliza sempre o Caderno de Apoio e Aprendizagem para a realização das atividades. Ela percebeu que em algumas delas não há uma discussão sobre o conteúdo que será trabalhado ou uma explicação mais detalhada de como desenvolver as questões, mostrando uma reflexão sobre suas observações. Destacamos então o trabalho com Sistema Monetário. Os registros de “VANGRA” trazem duas atividades envolvendo o sistema monetário. A primeira atividade foi realizada com a utilização de cédulas brasileiras. Figura 41 - Folha de atividade: É REAL! Fonte: Portfólio da estagiária Os relatos da estagiária destacam que a atividade foi muito interessante e que as crianças se envolveram bastante, surgindo novas propostas de aplicação deste conteúdo. 199 Foi apresentado o projeto mercadinho com panfletos trazidos pelos alunos. Discutiram produtos de sua preferência que iriam comercializar no projeto. A professora trouxe dinheiro de papel, trabalhando o concreto. Nessa atividade surgiu a proposta de comparação, diferença e agrupamento das notas de mesmo valor para fazer a contagem do dinheiro. Os alunos apresentaram interesse na atividade e gostaram de poder participar com as escolhas dos produtos e com o manuseio do dinheiro de papel. (“VANGRA”) A sugestão de “VANGRA” para esta atividade seria “além da atividade de compra e venda exploraria também a contagem de 2 em 2 , 5 em 5 , 10 em 10 etc. dos valores”. Ressalta ainda que nas aulas da Universidade, nas disciplinas relativas ao ensino de Matemática, não houve a abordagem deste tema, nem com exemplos sobre as cédulas, nem com formas de trabalhá-lo. Consideramos muito interessante a sugestão da estagiária sobre uma nova forma de desenvolver o trabalho com o sistema monetário e com cédulas. Na segunda atividade, a professora reforçou as operações com dinheiro, desta vez contextualizando com uma visita ao circo. Figura 42 - Folha de atividade: Calculando Fonte: Portfólio da estagiária 200 “VANGRA” entende que a professora teve êxito na aplicação desta atividade, atingindo seus objetivos no sentido de envolver as crianças com problemas de seu cotidiano, como a utilização de dinheiro, cálculo, troco, etc. A professora explorou com seus alunos a quantidade de dinheiro necessária na compra de ingressos e produtos no circo, com a contagem de cédulas, discriminação dos produtos, preço unitário e valor total. Após a atividade anterior na aula do mercadinho, pude perceber que a maioria das crianças teve sucesso na atividade algumas se utiliazaram das figuras contidas na atividade para que ficasse mais fácil de concluir. (“VANGRA”). A estagiária relata que ao término da atividade a professora fez a correção na lousa , fornecendo outros exemplos para explicar e tirar dúvidas sobre o sistema monetário. 4.3.1.2.5 Tratamento da Informação O último bloco de conteúdos refere-se ao Tratamento da Informação, com duas atividades com Gráficos, as quais foram desenvolvidas por “P-MAO”, no 2º ano e por “P-VANGRA” no 3º ano, na atividade com dias da semana já comentada por nós. Destacamos os comentários de “MAO” para esta atividade com gráficos. Figura 43 - Folha de atividade: Arraial Legal Fonte: Portfólio da estagiária 201 A estagiária relata que a atividade foi bem elaborada, porque os alunos a realizaram facilmente. Não há em seus comentários uma descrição sobre como a professora trabalhou este conteúdo por meio desta atividade. Cabe destacar que a estagiária não observou um erro dessa atividade, que apresenta duas variáveis de natureza distina no mesmo eixo (sexo e tipos de brincadeiras) Nesta atividade “MAO” relata que pôde perceber que as crianças, embora entendessem o conceito e a atividade a ser desenvolvida, se dispersavam na realização, tendo que se concentrar para não errar. Pensando no contexto da sala, ela sugere uma nova forma de trabalhar estas noções com a criança. “No caso desta aula, eu acrescentaria uma atividade, fazendo com as crianças um gráfico de barras tridimensional (com caixas de sapatos, por exemplo) para elas visualizarem melhor.” Embora analise e dê sugestões de trabalho, a estagiária declara não conhecer o conteúdo ou a forma de trabalhá-lo com as crianças, afirmando que “não tenho base para desenvolver este conteúdo com os alunos, pois não tive este conteúdo durante a disciplina e nem a metodologia.” Podemos perceber que a estagiária demonstra estar envolvida com esta atividade, refletindo sobre o trabalho realizado e além disso, procurando o aperfeiçoamento da atividade. Propõe também a criação de um novo modelo para explicar o conteúdo, procurando adaptar ao contexto e necessidades da sala. 4.3.1.2.6 Outras atividades desenvolvidas Os estagiários “VANGRA” no 3º ano e “TARS” e “EAM” no 5º ano, assistiram e relataram suas observações em outras aulas, em que acompanharam a aplicação de avaliações de Matemática. Todas as professoras aplicaram avaliações com base em conteúdos já trabalhados. “EAM” acompanhou a aplicação da Prova da Cidade. Os relatos dos estagiários mostram que as três professoras assumem posturas diferentes no antes e no depois da aplicação das avaliações. 202 Segundo os relatos de “TARS”, durante a aplicação da avaliação, a professora assume uma postura diferente em relaçõa às aulas. Ela comenta que “PTARS” não se envolve com o desenvolvimento da atividade e não tira dúvidas dos alunos, justificando que por ser avaliação não pode ajudar. Além disso a estagiária destaca que não há devolvutiva por parte da professora, não havendo correção ou informação das notas, o que só ocorre no final do bimestre. “EAM” relata em seus registros que a professora conversa com os alunos que a procuram com dúvidas durante a prova, orientando e sugerindo que pensem e reflitam sobre a resposta correta. Também ressalta que a professora “P-EAM” corrige individualmente e depois coletivamente para tirar todas as dúvidas sobre os conteúdos. A estagiária “P-VANGRA” relata que a professora aplicou a avaliação com conteúdos que já haviam sido propostos em aula. A professora corrigiu coletivamente a prova em aula posterior, com os alunos acompanhando a correção com suas provas em mãos, já corrigidas e devolvidas pela professora. Entendemos que a avaliação é importante momento do processo de aprendizagem. A revisão dos conteúdos que serão tratados na avaliação é importante para que os alunos possam resolver as atividades propostas com mais segurança e conhecimento. A devolutiva das provas, com correção e acompanhamento permite não só o reforço da aprendizagem do aluno mas também um novo direcionamento na prática do professor, a partir das aprendizagens já desenvolvidas pelos alunos. As análises e comentários dos estagiários registrados em seus portfólios, durante toda a realização do estágio supervisionado e acompanhando as professoras em suas atividades e práticas, nos permitem observar o grau de envolvimento, conhecimento e reflexão sobre a própria formação, assim como as aprendizagens manifestadas no desenvolvimento do estágio e da elaboração dos portfólios. 203 4.3.1.3 Algumas observações dos estagiários com relação às experiências vivenciadas nos estágios Os registros dos estagiários em seus portfólios sobre a postura das professoras que acompanharam seus estágios, mostram alguns pontos importantes para análise. Quatro estagiários abordam a postura das professoras. No entanto, “EAM” foca mais a participação dos alunos e as expectativas dos mesmos com relação ao desenvolvimento das aulas e menos na postura da professora, não nos mostrando especificamente como a professora se posiciona nos diferentes momentos da aula. Embora cada professora tenha uma forma própria de desenvolver seu trabalho, percebemos nos relatos dos estagiários, nos que se refere à postura antes da atividade, que todas seguem uma dinâmica parecida em suas aulas: é feita a correção de alguma atividade que foi passada para os alunos realizarem em casa, individualmente por meio de visto nos cadernos ou coletivamente na lousa, tirando as eventuais dúvidas. Logo após as professoras iniciam as atividades propostas para o dia, sem nenhum diálogo com os alunos, distribuindo a atividade em folha avulsa ou reproduzindo a atividade na lousa para que os alunos copiem em seus cadernos. A maioria das professoras exemplifica o que está sendo solicitado resolvendo a primeira parte de cada questão proposta para que depois os alunos deêm continuidade. Não há nos registros analisados alusão ao que já tinha sido trabalhado com os alunos em relação aos conteúdos ou às atividades apresentadas, nem sobre o planejamento da professora e o uso que a mesma faz desse planejamento. Porém “TARS” destaca que a professora em muitos momentos preocupa-se com o conteúdo desenvolvido nas atividades, explicando, relembrando os conceitos e propondo a resolução pelos próprios alunos. Podemos confirmar esta situação em dois relatos de seus registros. 204 A professora distribui as folhinhas com a atividade que tem como objetivo trabalhar dúzias. Ela explica a atividade revendo o que é dúzia e explicando como fazer as atividades da folhinha. [...] Lê para a sala e pede para resolverem, lembrando a todos o significado dos símbolos > e <. (“P-TARS”). Não há destaque nos relatos dos estagiários para a existência de diálogo da professora com a classe procurando contextualizar o assunto ou fazer uma sondagem dos conhecimentos de seus alunos sobre o tema a ser trabalhado, exceto nos relatos de “VANGRA”, que destaca a preocupação da professora nesta contextualização. Antes de iniciar a atividade a professora em alguns momentos lê a atividade para explicar o que será trabalhado; em outras ocasiões traz o conceito matemático que pretende trabalhar antes de oferecer a atividade para os alunos; em outros ainda resgata um tema já trabalhado para só depois distribuir as atividades ou indicar o Caderno de Apoio. Esta postura não foi relatada pelos demais estagiários. Entendemos que a professora “P-VANGRA” incorporou em sua prática questões sobre o papel do professor que ensina Matemática, preocupando-se com a aprendizagem de seus alunos, com seus conhecimentos prévios e com a importância da contextualização no ensino e aprendizagem da Matemática. Além disso resgata em suas aulas a importância dos materiais de apoio para o ensino de Matemática. Também a estagiária “LISE” destaca na descrição das atividades que a professora faz com as crianças, a preocupação da mesma com a sondagem, quando faz ditado de números e a ampliação dos conhecimentos numéricos das crianças com jogo de bingo, cartelas sobrepostas e quadros numéricos. Todas essas atividades foram destacadas no grupo de pesquisa e vem sendo discutidas a partir de pesquisas recentes sobre o ensino de números. Sobre a postura das professoras durante as atividades, os estagiários relatam que as mesmas observavam a resolução e atendiam às dúvidas dos alunos que apresentavam dificuldades. “MAO” destaca que a professora passava de carteira em carteira para observar como estavam desenvolvendo a atividade e tirando as dúvidas dos alunos 205 que apresentavam dificuldades. Em algumas atividades, se mesmo com sua explicação os alunos ainda apresentavam dúvidas, a professora retomava as orientações para que eles continuassem na resolução. Tanto “MAO” quanto “LISE” fazem comentários que sugerem que as professoras demonstram atenção aos alunos, preocupando-se em retomar a explicação para que continuem a resolução do problema ou atividade. Porém a forma como desenvolvem as aulas, nos leva a analisar o trabalho de ambas as professoras pautado em uma abordagem tradicional de ensino, que segundo Mizukami (1987) se traduz em “dar lição e tomar lição”, entendendo que a aprendizagem ocorre quando o aluno reproduz de forma correta os conteúdos e conhecimentos transmitidos pelo professor. Não há destaque nos relatos para a explicação de um novo conteúdo, o que parece sugerir que o conteúdo é desenvolvido por meio de atividades que os alunos desenvolvem a partir das explicações e correções das professoras. Os registros de “MAO” e “LISE” sugerem que o foco maior é a realização da atividade em si e não o conteúdo a ser trabalhado na mesma. Os relatos de “VANGRA” sobre a postura da professora, entretanto, mostra que a mesma não centra a atenção somente na resolução da atividade e sim nos conceitos contidos na mesma e nas discussões propiciadas a cada atividade. Ao que parece a professora não apresenta respostas prontas aos alunos, permitindo que os mesmos reflitam e raciocinem na resolução dos problemas e atividades propostas. “TARS” e “EAM” ressaltam em seus relatos a questão dos trabalhos em grupos durante a realização das atividades. Segundo “TARS”, em várias atividades a professora agrupa os alunos em duplas ou trios, para que possam discutir e resolver as questões propostas. Este recurso pedagógico é interessante por permitir trocas, discussões e construção colaborativa de novos conhecimentos. “EAM” também relata que a professora deixa os alunos resolverem por si as operações, numa dinâmica que para ele foi novidade. 206 O trabalho em grupos é defendido por muitos autores que entendem que o mesmo propicia o que denominam de aprendizagem colaborativa, fazendo com que as discussões que se estabelecem sejam caminhos de reflexão e de novas construções de conhecimento. Entendemos que, embora “EAM” desconheça o trabalho em grupos na sala de aula do Ensino Fundamental, este se constitui em momento de troca de experiências e conhecimentos, possibilitando não a transmissão do conhecimento, mas a construção do mesmo. Talvez por sua pequena vivência no Ensino Fundamental, o estagiário se surpreendeu com o trabalho em grupo, embora no curso de Pedagogia esta estratégia fosse constantemente utilizada, ressaltando-se sua importância na construção de saberes. Também após a aplicação das atividades as professoras mantém uma postura semelhante. Na maioria das vezes os alunos corrigem suas próprias atividades a partir da correção feita na lousa pela professora. “TARS” resume a postura da professora após a aplicação da atividade, que se repete nas observações dos demais estagiários: A professora recolhe a atividade, corrige e entrega aos alunos para colarem nos cadernos. Em seguida faz a correção na lousa, explicando mais detalhadamente. Em várias atividades não há correção, nem devolutiva. (“PTARS”). A falta de devolutiva por parte da professora também é reforçada por “LISE”, ao analisar que a prática da professora acompanhada propiciava a participação e aprendizagem dos alunos, mas podia ser mais bem direcionada. Nas aulas de Matemática a professora deixa as crianças bem a vontade, atende as dúvidas, explica uma, duas vezes, ou sempre que necessário. Porém não tem o hábito de corrigir as atividades junto com os alunos. As próprias crianças se perguntavam “Será que eu acertei?” “Quantas eu errei?” Então acho necessário a correção para uma devolutiva, a criança deve saber se errou, porque errou. Seria interessante a própria criança também explicar como chegou a tal resultado, aprendendo assim diferentes processos de raciocínio e resolução. (“LISE”). Apenas “VANGRA” nos mostra que a professora acompanhada não deixava os alunos sem uma correção ou devolutiva da atividade. Relata que após a atividade, as correções eram desenvolvidas conforme o momento: a professora corrigia individualmente em sua mesa, coletivamente na lousa, levava para corrigir 207 fora da aula e devolvia posteriormente. Mas na maioria das atividades a correção era feita na lousa, com explicações e outros exemplos diferentes do exercício aplicado. Entendemos que a devolutiva das atividades, seja qual for a forma utilizada pela professora para a correção, é muito importante para os alunos, no que diz respeito a situarem-se no processo de aprendizagem, podendo tirar dúvidas e avançarem neste processo. Por outro lado, a avaliação feita a cada atividade serve de retorno para o professor verificar se os objetivos propostos em seu planejamento estão sendo alcançados, se os alunos estão aprendendo, o que deve reforçar, o que pode ampliar, enfim como deve atuar para que seu ensino propicie realmente a aprendizagem do aluno. Ao falarmos sobre avaliação, consideramos importante ressaltar os comentários “TARS” e “VANGRA” a respeito da participação de ambas em um momento específico, uma aula em que foi aplicada a avaliação de Matemática. “TARS” destaca que a postura da professora se modifica durante a avaliação. A professora avisa sobre a avaliação e coloca a atividade na lousa. Alguns alunos reclamam, mas todos copiam e iniciam a prova. Na avaliação é pedido prova real, as operações são de adição e subtração. Os alunos dizem ter dificuldade nas “contas de emprestar ”. A professora diz que não pode explicar porque é prova. Alguns terminam rápido, outros demoram muito e a prova leva o dia todo. (“TARS”). Como podemos perceber a professora parece entender a avaliação como um momento único e individual dos alunos, momento este em que não deve realizar intervenções que venham a colaborar com o desempenho dos mesmos. Mesmo com as dificuldades apresentadas pelos alunos nas operações de subtração, a professora justifica que não explicará por ser o momento da prova. Por outro lado não estabelece um tempo para a realização da avaliação. Como relata “TARS”, a prova dura todo o período da aula, o que deixou os alunos cansados e sem paciência para pensar e resolver as atividades solicitadas. Segundo a própria professora, ela não corrige a prova nem passa a nota para os alunos. A devolutiva acontece somente no final do bimestre. Estas ações podem levar as crianças a construírem o mito de que a avaliação e a Matemática 208 são ruins, o que dificulta a participação e não possibilita a aprendizagem, além de levá-los a associar a avaliação a castigos. Além disso, conforme já comentamos, a devolutiva serve de estímulo ao aluno para construir novos conhecimentoe e corrigir possíveis erros conceituais. Destacamos as considerações de “VANGRA” sobre a postura da professora no momento em que é aplicada uma avaliação aos alunos. Esta avaliação é unificada e aborda conteúdos de todo o primeiro semestre do ano. A estagiária comenta este momento como se esta fosse uma atividade comum e sem caráter avaliativo, não nos mostrando como a professora preparou os alunos, de que forma aplicou a avaliação, se explicou algo, se foi rígida no atendimento às dúvidas durante a prova, enfim não destaca a postura da professora durante a prova. Seus comentários dizem respeito aos conteúdos abordados na avaliação e à correção que a professora realizou na lousa em aula posterior, quando já havia devolvido as provas corrigidas aos alunos. Por fim, ao comentar a postura das professoras frente à própria prática e ao desenvolvimento das aulas, destacam-se as análises de “TARS” sobre um momento importante por ela relatado, referente à realização de uma atividade que pedia o uso de calculadora para sua resolução. Como não havia calculadora disponível os alunos não realizaram a atividade. Este fato se repetiu em outras duas aulas. Para a estagiária este momento foi difícil para os alunos que estavam motivados para utilização da calculadora, um recurso diferente, sendo que segundo ela a professora deveria ter se programado para esta realização, especialmente na segunda vez em que a situação se repetiu. Podemos perceber que “TARS” mostra ter entendido a importância de planejamento nas aulas de Matemática, assim como na utilização de recursos que auxiliem o desenvolvimento do raciocínio e conhecimento, como é o caso do uso da calculadora. Isto denota reflexão sobre a prática da professora na constituição da própria prática. Os registros e análises dos estagiários acerca das observações realizadas durante o estágio curricular supervisionado focando na postura das professoras 209 sugerem que mesmo com práticas e metodologias diferentes entre si, as mesmas se interessam pela aprendizagem de seus alunos. Pudemos perceber também que o trabalho destas professoras é desenvolvido com pouco uso do material institucional ou de livros didáticos, privilegiando a utilização de folhinhas avulsas para o ensino. Há também pouco diálogo com os alunos, seja para atender suas dúvidas, antecipar dificuldades com o conteúdo, ou mesmo para contextualizar novos conteúdos com outros já trabalhados ou com a vida dos alunos. As análises dos estagiários relatadas em seus portfólios mostram observações sem muita participação. Este fato sugere que talvez seja por conta da falta de diálogo das professoras com os mesmos ou falta de conhecimento tanto pedagógico quanto matemático para se colocar em uma discussão sobre as formas de trabalho das professoras observadas. Com isso encontramos mais relatos do que propriamente análises sobre a postura das professoras. Sendo assim, pudemos perceber nos relatos registrados nos portifólios, pouca ampliação das aprendizagens dos estagiários, no que se refere ao ensino de Matemática, com a análise da postura observada nas professoras. Entretanto cabe destacar os relatos dos estagiários a respeito das experiências vividas durante a realização dos estágios, com relação às próprias aprendizagens propiciadas neste momento. A estagiária “MAO” cita o estágio como momento integrante de sua formação. Coloca a formação oferecida na Universidade em segundo plano, pois segundo ela não houve nas aulas de FME de Matemática I e II ou na disciplina de Prática de Ensino, a aprendizagem de conceitos ou metodologias que a preparassem para atuar como professora de Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Entretanto, “MAO” não se pronuncia explicitamente a respeito da contribuição ou não do estágio para sua aprendizagem e formação para o ensino de Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Porém ressalta a importância 210 deste momento, assim como a participação no Programa Observatório para sua formação, descobrindo na pesquisa uma forma de crescimento. Tenho a certeza que tanto o estágio como o projeto, ajudarão a me tornar uma profissional melhor, porque tenho a oportunidade de mudar minha visão e me tornar uma pesquisadora. Com isso estou tirando algumas dúvidas que me acompanharam durante toda a minha vida escolar e estou quebrando vários mitos que tinha. (MAO). Por outro lado, um ponto importante de suas reflexões relaciona-se ao entendimento de que precisa continuar estudando, se atualizando e construindo sempre novas práticas de ensino. Espero ter outras oportunidades, como essa que tive com o Projeto, pois acredito que para me tornar uma ótima professora, não posso parar na graduação, vou ter que sempre buscar mais fontes de conhecimento, para conseguir alcançar o meu objetivo que é fazer a diferença em sala de aula e ser lembrada pelos meus alunos como uma fonte de inspiração, para futuros professores. (MAO). Podemos perceber que “TARS” ao término de suas observações, realizadas na sala de 5º ano, mostra que o estágio colaborou de alguma forma com sua formação para ensinar Matemática. Acho que quando se trata de Matemática ainda há muito que aprender, mas com certeza esse estágio foi uma grande experiência. Aprendi algumas formas de ensinar observando como a professora explica a atividade. Vi algumas coisas interessantes e outras que não dão tão certo. Existe muita coisa que provavelmente eu só vou saber como é, se dá certo ou não na prática. Mas com certeza muitas coisas eu já pude perceber o resultado bom ou ruim observando a prática da professora em sua sala. (TARS). “TARS” considerou o estágio uma experiência muito importante para sua formação, mostrando nos registros do portfólio que sua participação no estágio não se limitou às observações, pois reflete sobre a prática da professora estabelecendo relações com sua futura prática. Neste sentido encontramos nas contribuições de Schön (2000) o aporte para estas afirmações, quando o mesmo destaca a importância da reflexão na formação do professor, reflexão esta estabelecida a partir das ações que são desenvolvidas na prática. O estagiário “EAM” relata que a realização do estágio foi muito produtiva para sua formação, especialmente nas reflexões que pode fazer na articulação entre a teoria aprendida da Universidade e a prática verificada no estágio. Destaca a participação da professora nesta formação, conforme seu relato a seguir. 211 A convivência e observação do trabalho da professora, durante a realização do estágio, contribuiu e muito para minha formação ao refletir, pois senti falta na disciplina FME de Matemática de discussões sobre como e de que forma ensinar. Ao vivenciar a prática e as técnicas que a professora utiliza no cotidiano, como levantar a auto- estima do aluno, como vivenciar o construtivismo em sala de aula com os alunos colaborando buscando construir o conhecimento sentados agrupados. (EAM). Ao fazer sua análise a respeito das disciplinas de FME de Matemática I e II, oferecidas na Universidade com carga de 40 horas/aula em cada semestre, o estagiário mostra-se frustrado e sem base para o ensino. Fica uma sensação de frustração pois aprendi somente embasamentos teóricos que não contemplavam o ensino- aprendizagem. Os professores frisavam que nós tínhamos obrigação de saber a Matemática, então a disciplina acabou focando nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática e nas tabelas de competências que os alunos têm que aprender no decorrer do ano letivo. Mas não levava em conta como ensinar e de que maneira ensinar. Tivemos somente no campo de ensino aprendizagem geometria e as nomenclaturas de figuras com bases e vértices diferentes. (EAM). Com efeito, conforme comentamos no capítulo em que foi feita a análise dos planos de ensino das referidas disciplinas, apoiados nas contribuições de Fernandes (2012), ao privilegiar o conhecimento pedagógico mais amplo, a ênfase volta-se mais para o conhecimento curricular com destaque para os PCN de Matemática, sem uma orientação específica para o professor que vai desenvolver estas disciplinas no sentido de prepará-lo não só na aquisição dos conhecimentos matemáticos mas também na formação pedagógica para o ensino destes conteúdos, justamente o que “EAM” relata sentir falta. A conclusão de “EAM” sobre a realização do estágio é de realização e agradecimento, especialmente à professora que acompanhou. Destaca novamente a franqueza da mesma no reconhecimento de suas dificuldades com a Matemática e seu comprometimento em desenvolver seu trabalho não só com o Livro Didático e Caderno de Apoio, mas buscando outras fontes para as atividades. Em sua análise sobre a realização do estágio, o mesmo entende que aprendeu bastante e que certamente vai utilizar muito do que viu no estágio quando estiver ensinando Matemática nos anos iniciais. Podemos perceber nos relatos da estagiária “LISE” uma certa preocupação com a forma como vai atuar quando estiver à frente de uma sala de aula. Neste 212 sentido, o estágio aparentemente lhe trouxe oportunidade de aprendizagem e reflexão. A realização do meu estágio foi diferente de todos os meus colegas de classe. No curso de Pedagogia, o estágio não é levado a sério por muitos alunos, alguns fazem por fazer. Em minhas observações diárias com um olhar crítico, pude ter a noção de como é a rotina de uma classe escolar com trinta crianças na fase de aifabetização. (LISE). Seu comentário vem ao encontro de nossa observação e relatos anteriores, sobre a questão da realização do estágio apenas como o cumprimento burocrático de um requisito do curso, o que segundo a estagiária não foi o seu caso. Por outro lado não conseguimos visualizar a postura crítica descrita pela mesma em seu relato, pois ela não se coloca a cada atividade apresentada. Segundo a estagiária, a vivência no estágio fez com que percebesse a fragilidade do conhecimento adquirido para ensinar Matemática, nas aulas da graduação . As aulas de FME de Matemática não contribuiram muito para ensinarmos a Matemática. Primeiro porque a carga horária não é compatível, é pequena e segundo que tudo é muito teórico. Vi coisas nestas aulas que não são mais utilizadas em sala como o CAVALU e as "casinhas" de unidade, dezena e centena. (LISE). Reconhecendo que precisa se envolver com a própria formação e buscar alternativas e aprendizagem, “LISE” enfatiza em seus registros a importância do Programa Observatório da Educação para a formação do professor. Destaca ainda que as aulas de FME de Matemática poderiam ter seu formato alterado para auxiliar melhor a formação para o ensino de Matemática, opinião que corrobora nossas análises feitas no Capítulo 3 sobre a organização e desenvolvimento de tal disciplina. Embora entenda que o estágio foi importante para sua formação, a estagiária não se manifesta a respeito das aprendizagens propiciadas ou não na realização do estágio, assim como as contribuições da professora que acompanhou para sua prática como professora que vai ensinar Matemática no Ensino Fundamental. Por fim, as conclusões de “VANGRA” sobre a realização do estágio mostram que, do seu ponto de vista, este período foi produtivo para seu 213 desenvolvimento. Embora não se manifeste explicitamente sobre a contribuição do estágio em sua formação, ou sobre as aprendizagens propiciadas neste momento, destaca em seus registros que o olhar pedagógico utilizado para observar e analisar as atividades e postura da professora, enriqueceram seu conhecimento e seu trabalho como futura professora. Com efeito, no momento e ambiente do estágio o aluno pode comparar as teorias aprendidas com as práticas observadas, desenvolvendo a criticidade e a reflexão; assim como nos mostra Freire (1998) ao destacar que o professor adquire sua prática e identidade docentes no cotidiano da escola e da sala de aula, nas vivências propiciadas por este cotidiano e nas relações interpessoais que se estabelecem neste ambiente. Neste sentido “VANGRA” relata que as relações que estabeleceu com outros professores acrescentaram muito à sua formação, porque nestas relações “podemos ver os vícios que fomos agregando ao longo de uma educação autoritária”. A estagiária ainda traz consigo a carga de uma educação tradicional, com professores que não se preocupavam com sua aprendizagem, o que se reforça em seu comentário, não especificamente sobre o estágio e a professora que acompanhou, mas sobre os professores em geral. Infelizmente muito professor ainda se acha o dono da verdade, agindo como se fosse o detentor de todo o poder, não considera o conhecimento prévio que os alunos trazem consigo, tanto que se surpreende quando em nossas observações nos deparamos com crianças que tem raciocínio lógico e opinião. (“VANGRA”). A estagiária destaca em seus comentários a postura da professora acompanhada, que a seu ver tem uma visão e atenção direcionadas para cada um de seus alunos, reconhecendo seus conhecimentos prévios e valorizando sua aprendizagem. Quanto às aprendizagens propiciadas nas disciplinas FME de Matemática I e II, “VANGRA” critica em diversos momentos a forma como estas disciplinas são oferecidas, focando muito nos conteúdos e não trabalhando com os alunos, que ensinarão Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental, a questão do ensino destes conteúdos. O que ensinar é importante, mas segundo a estagiária é preciso saber como ensinar. 214 Consideramos que, embora em diferentes níveis, os cinco estagiários mostram em seus relatos que o estágio contribuiu de alguma forma para seu crescimento e para sua formação como professores que vão ensinar Matemática. 4.4 A análise das dimensões de aprendizagem reveladas pelos estagiários Levando em conta o foco de nossa pesquisa, que é a contribuição do estágio para a melhoria da formação pra ensinar Matemática, manifestada no portfólio, percebemos que no que diz respeito à elaboração do portfólio, todos os estagiários demonstraram comprometimento, alguns revelando inclusive a importância deste momento para sua formação. “TARS” mostrou também que se envolveu com este momento não somente para realizar o estágio ou nos auxiliar na investigação, mas especialmente enxergando a importância do estágio na constituição de sua identidade docente, sendo que em alguns momentos mostra inclusive crescimento e aprendizagem em seus relatos, no que diz respeito à sua formação e a realização do estágio. Embora “EAM” tenha mostrado capricho e comprometimento na elaboração do portfólio, não cumpriu todas as orientações dadas para tal. Conforme já explicado, o mesmo apresentou treze atividades, sendo somente duas de acompanhamento de aula com ensino de Matemática, todas as demais se referiam a avaliações, com revisão e correção. Com isso entendemos que ficou muito limitada a oportunidade de observações e contribuições por parte do estagiário. A partir do referencial teórico adotado, nas contribuições de Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011), as análises realizadas nos direcionam para as três dimensões propostas pelos autores: “Conhecimento”, “Reflexão” e “Criatividade”. Além disso, levamos em conta os níveis de desenvolvimento em cada uma destas dimensões, ainda conforme os aportes dos autores: “Descrição”, quando o aluno se envolve com o processo com uma visão externa; “Argumentação”, quando o aluno se envolve ativamente no processo e “Contribuição”, quando o aluno participa, se envolve e toma decisões próprias. Ao analisar a dimensão do “Conhecimento” pretendíamos observar o conhecimento do conteúdo matemático e o conhecimento metodológico para o 215 ensino do conteúdo matemático desenvolvido pelos estagiários a partir da realização do estágio. Além disso, esperávamos observar se, como entendem os autores, os estagiários encarariam os conteúdos desconhecidos, buscando um aprofundamento tanto do ponto de vista matemático como de sua aplicação no ensino. Nesta dimensão os estagiários apresentaram diferentes posturas e níveis de desenvolvimento. Em seus registros, em algumas atividades analisadas, “MAO” apresenta os conteúdos trabalhados, argumenta ou sugere atividades diferenciadas que possibilitem desenvolver estes conteúdos. Muitos de seus registros são descritivos e a estagiária não demonstra aprofundamento na questão dos conteúdos matemáticos a serem trabalhados no Ensino Fundamental ou das metodologias necessárias para este ensino. Embora tenha se organizado na questão das atividades, não destaca a forma como os conteúdos referentes às atividades foram trabalhados. Seus comentários limitam-se à rotina da professora e não especificamente sobre como a professora se coloca, para cada atividade, antes, durante e após a aplicação da mesma. Porém isto nos leva a pensar que a própria ausência deste tipo de comentário seja um indício de que a professora efetivamente não se posiciona, limitando-se a distribuir as folhinhas, ler a atividade, dar um exemplo e deixar que as crianças resolvam. Com isso não temos parâmetros para analisar o que e como a professora ensina com relação à Matemática e de que forma este ensino propicia a aprendizagem dos alunos. Além disso, “MAO” deveria estabelecer relações entre as atividades e os conteúdos aprendidos nas disciplinas relacionadas ao ensino de Matemática que foram desenvolvidos na Universidade. Neste quesito também não houve interação ou esclarecimentos sobre esta aprendizagem, pois na maioria das atividades a estagiária respondia da mesma forma, ou seja, não havia aprendido o conteúdo ou a metodologia para seu ensino na Universidade. Com esta análise entendemos que a estagiária “MAO” encontra-se no nível 1 – Descrição, com relação à dimensão do Conhecimento. 216 “TARS” mostra conhecimento dos conteúdos com exemplos e relacionandoos com o dia-a-dia e com outras áreas. Percebe também o conhecimento adquirido nas aulas da graduação e sua ampliação na participação no Programa Observatório. As orientações para a realização do estágio e da investigação foram seguidas e descritas por “TARS”. Em seus registros faz considerações e análises sobre as atividades e prática da professora, em alguns momentos mais descritivos, em outros reflete e faz sugestões. Isto permite afirmar que a mesma encontra-se no nível 2 – Argumentação na dimensão analisada. Tomando por referência os estudos de Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011), considerando-se a dimensão Conhecimento, “EAM” mostra certo desconhecimento dos conteúdos matemáticos que serão trabalhados no Ensino Fundamental, uma vez que não faz comentários e observações sobre as atividades neste sentido, embora estabeleça algumas relações entre o conhecimento obtido nas aulas no curso de graduação e o conhecimento que julga necessário para ensinar Matemática. No que se refere ao conhecimento metodológico, não aponta relação entre o conteúdo e a metodologia em seus relatos, pautando suas considerações num caráter mais pessoal nesta dimensão. Registra desconhecer e se admira com uma estratégia utilizada pela professora, o trabalho em grupo, sendo que foi ensinada sua utilização na Universidade e no grupo de pesquisa e, utilizada também como estratégia nos dois espaços. Consideramos que o estagiário pode ter aprendido como poderia fazer a gestão da sala de aula, pois a impressão que fica na leitura de seus relatos é que nunca havia pensado nisso. Com isso entendemos que o estagiário se encontra no nível 1 – Descrição nesta dimensão. A estagiária “LISE” não mostra em seus registros e comentários sobre as atividades acompanhadas no estágio conhecer os conteúdos trabalhados pela professora, se equivocando em alguns conceitos, numa manifestação de desconhecimento dos conteúdos matemáticos que serão trabalhados no Ensino Fundamental. Ao analisarmos o conhecimento metodológico, a estagiária aceita as atividades propostas pela professora, sem sugerir diferentes intervenções ou mudanças, o que remete a falta de articulação entre o conteúdo trabalhado e a metodologia adequada para seu ensino. Com estas considerações, podemos dizer que “LISE” encontra-se no nível 1 – Descrição nesta dimensão. 217 Por fim “VANGRA” não apresenta registros de domínio ou desenvolvimento dos conteúdos trabalhados pela professora, confundindo inclusive alguns conceitos, mostrando desconhecer os conteúdos matemáticos que devem ser trabalhados no Ensino Fundamental. Quanto ao conhecimento metodológico, suas intervenções sobre as mudanças que faria em cada atividade proposta pela professora, mostram que embora apresente exemplos e atividades, ainda não consegue relacionar o conteúdo com a metodologia adequada. Com isso entendemos que nesta dimensão a estagiária encontra-se no nível 1 – Descrição, proposto pelos autores. Podemos perceber que dentre os cinco estagiários, quatro deles encontramse no nível 1 – Descrição, o que significa que nos portfólios por eles elaborados apresentam os conteúdos trabalhados e algumas atividades desenvolvidas, mas de forma descritiva, havendo em seus relatos indícios de uma tentativa de aprofundamento com relação aos conteúdos matemáticos ou metodologias utilizadas para o ensino dos mesmos, no que se refere ao ensino de Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Somente a estagiária “TARS” encontra-se no nível 2 – Argumentação, apresentando em seu portfólio os conteúdos trabalhados, as atividades desenvolvidas e em muitos momentos argumentações sobre as ações da professora. Embora seus registros se apresentem descritivos em algumas atividades, mostra uma tentativa de aprofundamento na questão dos conteúdos matemáticos e das metodologias necessárias para o ensino de Matemática no Ensino Fundamental. Com relação à dimensão da “Reflexão”, os autores levam em conta a reflexão pessoal sobre a própria formação e a reflexão sobre a prática do professor. Como os estagiários não têm experiência anterior que lhes possibilite refletir sobre a própria formação, esperávamos observar se havia reflexão nos relatos dos portfólios sobre a prática dos professores que os receberam, exercitando a reflexão sobre seus próprios conhecimentos e práticas. No que se refere a esta dimensão, “MAO” estabelece comentários nos quais pudemos perceber que existe reflexão e uma preocupação com o trabalho que está sendo desenvolvido pela professora que a recebeu e com os conteúdos e 218 atividades trabalhadas. Em suas considerações a estagiária chega a demonstrar a possibilidade de utilizar a reflexão como instrumento de sua formação ou a preocupação em desenvolvê-la, mas não destaca a importância da reflexão para a própria formação como futura professora que vai ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Ressalte-se que “MAO” demonstra conhecer a necessidade de complementar sua formação, citando sua participação no Programa Observatório da Educação como grande oportunidade de aperfeiçoamento na área da Matemática. Cita também o estágio como momento integrante de sua formação. Coloca a formação oferecida na Universidade em segundo plano, pois segundo ela não houve nas aulas de FME de Matemática I e II ou na disciplina de Prática de Ensino, a aprendizagem de conceitos ou metodologias que a preparassem para atuar como professora de Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Isto mostra que “MAO” reflete sobre sua própria formação. A reflexão, de acordo com Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011) pode fortalecer a formação e auxiliar na superação de carências do conhecimento tanto teórico quanto pedagógico, daí nossas expectativas quanto aos comentários registrados pela estagiária sobre as atividades desenvolvidas, sobre a postura da professora acompanhada e sobre a própria postura, aprendizagem e desenvolvimento. Sua postura e comentários acerca da prática da professora e sua futura prática, nos mostra que “MAO” encontra-se no nível 2 – Argumentação, na dimensão da Reflexão. Com relação à Reflexão, entendemos que “TARS” se posiciona em vários momentos questionando a prática da professora e refletindo sobre sua própria prática, o que nos permite dizer que a mesma está no nível 2 – Argumentação, também nesta dimensão. Já “EAM” seja sobre a prática da professora, ou seja, sobre sua própria prática, fica no campo da descrição de posturas, não se aprofundando ou questionando as ações observadas. Também com relação às atividades, não analisa de forma reflexiva, se posicionando em vários momentos de forma superficial em seus questionamentos. Os comentários que faz sobre a prática da professora são 219 embasados no questionário que a mesma respondeu e não nas observações de suas aulas. Observa-se que o estagiário registra sua preocupação com a própria prática, ao argumentar sobre a formação recebida nas aulas de FME de Matemática oferecidas na Universidade e sua participação no grupo de pesquisa do programa Observatório da Educação. De certo modo então, se envolve com o processo e reflete sobre sua formação na tentativa de transpor as dificuldades encontradas no conhecimento matemático e na metodologia para o ensino do mesmo. Suas observações estão pautadas em uma prática mais geral da didática, como por exemplo, do relacionamento da professora com os alunos, da surpresa com a questão do trabalho em grupo, da cumplicidade entre professoras e alunos. Embora não relacione especificamente os conteúdos apresentados pela professora com suas aprendizagens nas aulas do curso de Pedagogia, houve sua reflexão a respeito das aulas de FME de Matemática, sua formação para o ensino de Matemática e a participação nas discussões do grupo de pesquisa do Programa Observatório da Educação. Por estes motivos, entendemos que “EAM”, na dimensão da Reflexão, está no nível 1 – Descrição. A estagiária “LISE” transita entre o nível 1 - Descrição e o nível 2 – Argumentação na dimensão da Reflexão. Isto porque embora no que diz respeito às reflexões sobre a prática da professora tenha se manifestado muito pouco, somente descrevendo as ações desenvolvidas, quando se trata da própria formação a fala da estagiária denota preocupação, envolvimento e busca pelo crescimento, muito embora estas considerações não se reflitam nas observações diárias em seu estágio. Portanto, no que se refere aos registros e relatos acerca das atividades observadas e à realização do estágio, a estagiária não se envolve, limitando-se a descrever o que foi desenvolvido e contar sobre a postura da professora e dos alunos, não realizando uma análise da prática da professora. Ressaltamos que “LISE” tem consciência da necessidade de aprofundar sua formação para que possa atuar como professora com conhecimento e prática adequados. Encontramos em seus registros sobre a realização do estágio e as contribuições para sua formação, a importância do Programa Observatório e a 220 necessidade das aulas de FME de Matemática trazerem maiores contribuições, assim como a importância da realização deste estágio. Mas esta postura não aparece no cotidiano da escola, durante o acompanhamento da professora. A estagiária “VANGRA” embora não faça reflexões sobre a prática da professora que acompanhou em seu estágio, reflete e discute a própria formação para o ensino, estabelecendo relações entre a sua formação matemática na Educação Básica, a formação matemática propiciada nas aulas de FME de Matemática oferecidas na Universidade e a formação recebida no grupo de pesquisa do programa Observatório da Educação, que segundo ela supera e muito as aprendizagens no curso de Pedagogia. Reflete, portanto, sobre sua formação e sobre como superar as carências que possui com relação ao conhecimento, entendendo o Programa Observatório como forma de alcançar esta superação. Por este motivo, neste ponto de nossa análise permite inferir que a estagiária está no nível 2 – Argumentação, da dimensão Reflexão. Esta dualidade de análise deve-se ao fato de que Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011) destacam dois pontos da Reflexão a serem analisados: reflexão pessoal sobre a própria formação, na qual a estagiária se destacou e a reflexão sobre a prática do professor, cujos comentários e reflexões não se revelaram. No que se refere à dimensão da Reflexão, pudemos perceber que todos os estagiários trazem em seus relatos ideias e considerações que sugerem a preocupação com a prática da professora e com a própria prática, muito embora nem todos mostrem entender a importância desta reflexão para a constituição da identidade docente e da prática pedagógica para o ensino de Matemática. Somente o estagiário “EAM” não mostra reflexão em seus registros, descrevendo as atividades da professora e tecendo suas considerações na observação da postura dos alunos e não da professora, focando o antes, durante e depois da atividade em quase todos os encontros nas ações das crianças. No que se refere à dimensão da “Criatividade”, proposta por Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011), pretendia-se verificar se os estagiários são capazes de criar diante de situações imprevistas, sua flexibilidade e a capacidade de tomar decisões que possam redirecionar o processo ensino- 221 aprendizagem para alterar sua prática e melhorar o aproveitamento dos alunos. Observamos também se os mesmos relacionam os conteúdos matemáticos com o contexto no qual se inserem suas observações. Em nossas análises sobre o desenvolvimento de “MAO”, no que se refere à dimensão da Criatividade, percebemos que na maioria das atividades, a estagiária demonstra conhecer os conteúdos, mas não estabelece relações entre eles ou sugere novas formas de trabalhar, o que nos mostra que a mesma não toma decisões ou faz sugestões que permitam aprimorar seu ensino e melhorar a aprendizagem de seus alunos. As atividades apresentadas pela professora “PMAO”, disponíveis no livro didático ou na internet, parecem ser adequadas para o desenvolvimento da prática de “MAO”, no que se refere ao ensino de Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Porém faz sugestões sobre os materiais utilizados em algumas atividades ou mesmo sobre a prática da professora. Mostra ainda que percebe suas carências, mas não reflete sobre formas de superá-las nem toma decisões sobre sua percepção. Por este motivo entendemos que MAO encontra-se no nível 1 – Descrição nesta dimensão. Na análise da dimensão da Criatividade proposta pelos autores, “TARS” mostra em seus relatos no portfólio que se coloca e dá sugestões alternativas para o ensino de determinados conteúdos ou desenvolvimento de algumas atividades. Nesta dimensão entendemos que a estagiária se encontra no nível 3 – Contribuição. Ao observarmos a capacidade do estagiário “EAM” em criar, inovar ou propor ações que aproximem o ensino e o conteúdo do contexto, não há nos registros de seu portfólio sugestões para o ensino da Matemática de forma diferenciada, assim como propostas de mudanças na prática da professora. Pelo exposto, entendemos que nesta dimensão o estagiário encontra-se no nível 1 – Descrição. Entendemos que “LISE”, na análise da dimensão Criatividade, não consegue se posicionar para uma mudança naquilo que está sendo trabalhado, propondo novas atividades. A estagiária não demonstra flexibilidade ou capacidade de criar em situações imprevistas para contextualizar novas formas de abordar os 222 conteúdos, Com isso entendemos que a mesma se encontra no nível 1 – Descrição, com relação a esta dimensão. Por fim, percebemos que “VANGRA” não relaciona os conteúdos entre si, não adapta e não cria novas atividades a partir do contexto. Suas tentativas de criar atividades diferenciadas foram equivocadas, o que a coloca no nível 1 – Descrição, com relação a esta dimensão. Na dimensão da Criatividade somente a estagiária “TARS” alcançou o nível 3 – Contribuição, ficando os demais alunos no nível 1 – Descrição, uma vez que não conseguiram sugerir mudanças ou tomar decisões que redirecionassem o ensino e a aprendizagem de Matemática a partir das observações. Analisando os portfólios, com todas as questões solicitadas no início do trabalho, e avaliando os registros realizados pelos estagiários em todas as atividades, concluímos que cada um deles adotou uma postura diferente na realização do estágio e na elaboração do portfólio, que nos permite analisar individualmente os resultados e confrontar com os objetivos propostos. Nos quadros a seguir é possível observar a categorização de cada um dos estagiários, de acordo com as dimensões estabelecidas nas contribuições de Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011). Dimensão Conhecimento Estagiário “MAO” Nível 1 Nível 2 Nível 3 Descrição Argumentação Contribuição X “TARS” X “EAM” X “LISE” X “VANGRA” X Quadro 14 - Categorização dos estagiários: Conhecimento 223 Dimensão Reflexão Estagiário Nível 1 Nível 2 Nível 3 Descrição Argumentação Contribuição “MAO” X “TARS” X “EAM” X “LISE” * X “VANGRA” X Quadro 15 - Categorização dos estagiários: Reflexão *Fase de transição do nível I para o nível 2 na dimensão Reflexão. Dimensão Criatividade Estagiário “MAO” Nível 1 Nível 2 Nível 3 Descrição Argumentação Contribuição X “TARS” X “EAM” X “LISE” X “VANGRA” X Quadro 16 - Categorização dos estagiários: Criatividade “MAO” mostra um envolvimento e participação que a colocam nos dois níveis – Descrição e Argumentação, em diferentes momentos, levando em conta as três dimensões: Conhecimento, Reflexão e Criatividade. A análise do todo, entretanto nos mostra que a mesma encontra-se no nível 1 – Descrição, nas três dimensões, uma vez que a mesma se envolveu com o processo, porém com uma visão externa do mesmo, cujas argumentações ou contribuições estavam pautadas nos relatos e não no aprofundamento do pensamento da estagiária para o desenvolvimento de sua prática docente. A estagiária “TARS” mostra uma tomada de posição com relação à prática da professora, se envolvendo e comentando, na tentativa de superar suas limitações para o ensino de Matemática, o que ao levarmos em conta as dimensões estabelecidas por Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011), tais sejam o Conhecimento, a Reflexão e a Criatividade, nos permite afirmar que, 224 embora as análises individuais de cada dimensão a coloquem nos três níveis, uma análise geral mostra que “TARS” se encontra no nível 2 - Argumentação, bem próxima de alcançar o nível 3 - Contribuição. Embora “EAM” considere que a realização do estágio trouxe a ele muita aprendizagem, entendendo que vai utilizar esta aprendizagem quando estiver ensinando Matemática nos anos iniciais. Mas estas considerações não se refletem nos registros feitos no portfólio ao longo do estágio em relação à Matemática. Assim, não há em seus registros, relatos que nos permitam afirmar que houve ampliação dos conhecimentos matemáticos. No entanto, as observações sobre as dinâmicas das aulas podem contribuir para sua prática pedagógica a partir da realização do estágio. Com estas análises entendemos que, levando-se em conta as três dimensões propostas por Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011), “EAM” encontra-se no nível 1 – Descrição, em cada uma das dimensões analisadas. A análise do portfólio de “LISE” mostra que a análise do todo nos permite entender que ela está no nível 1 – Descrição nas três dimensões, uma vez que se envolveu com o processo, observando, cumprindo as orientações, dando suas opiniões em vários momentos, mas seus registros são descrições sem aprofundamento, suas argumentações e contribuições eram relatos descritivos e não havia aprofundamento que possa contribuir com sua formação e com sua prática docente. Por fim, a análise do portfólio de “VANGRA”, levando-se em conta as dimensões propostas pelos autores, mostra a inserção da mesma nos níveis Descrição e Argumentação em diferentes momentos. Porém uma análise geral mostra que a estagiária encontra-se no nível 1 – Descrição nas três dimensões, pois embora tenha se envolvido com o processo, na observação e elaboração do portfólio, suas argumentações e contribuições foram relatos descritivos, alguns comentários equivocados e não havia aprofundamento que permitisse a formação de sua prática como professora. Com relação ao nosso objetivo, tal seja verificar as contribuições do estágio para ensinar Matemática, esperávamos observar um crescimento maior destes 225 alunos no que diz respeito aos conteúdos e práticas que serão utilizadas em sua futura atuação docente. Nos relatos dos estagiários “MAO”, “EAM”, “LISE” e “VANGRA” não há subsídios, a partir da análise realizada, que sugiram a ampliação dos conhecimentos matemáticos adquiridos na realização do estágio que possam ser utilizados futuramente, o que certamente será um dificultador na atuação dos mesmos como professores que ensinam Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Em virtude de “VANGRA” realizar o estágio em uma escola colaboradora do Programa Observatório e acompanhando uma professora bolsista participante do mesmo programa, nossas expectativas com relação às aprendizagens que se manifestariam a partir da realização do estágio para o ensino de Matemática, seriam muito grandes. Mas infelizmente não observamos nos relatos da estagiária, aspectos que pudessem indicar uma interação maior entre estagiária e professora, que trouxessem maior contribuição na realização do estágio. Desta forma, consideramos que a realização do Estágio Curricular Supervisionado, mesmo focando no ensino de Matemática e tendo nossa orientação direta, como professora orientadora do Estágio Curricular Supervisionado, possibilitou pouca aprendizagem ou crescimento nesta área para “MAO”, uma vez que a estagiária revela observações pontuais em seu relatório que permitem detectar algumas aprendizagens significativas em seu portfólio para o ensino de Matemática, mas não há sinais de ampliação dos conhecimentos necessários para ensinar Matemática. Analisamos que “EAM” revela crescimento aparente das reflexões sobre o gerenciamento da sala de aula e mostra pouca aprendizagem de conteúdos matemáticos relativos ao ensino de Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Consideramos que, em virtude de “LISE”, assim como “VANGRA” pouco revelarem em seus relatórios, não podemos afirmar que o estágio realizado trouxe contribuição para as estagiárias ensinarem Matemática, pois pouco revelam sobre seu crescimento. No entanto “LISE” aponta problemas na prática da professora que certamente lhe servirão de exemplo do que não deve fazer quando no exercício da profissão. 226 Os registros de “TARS” trazem relatos que apontam para uma ampliação de conceitos e adoção de posturas que facilitarão sua atuação como professora, mas não podemos afirmar se seus conhecimentos matemáticos foram ampliados com a realização do estágio, ampliação necessária para sua profissão. Aparentemente houve certo crescimento para “TARS” no que se refere às reflexões necessárias para o ensino, porém pouca aprendizagem com relação aos conteúdos matemáticos relativos ao ensino de Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Consideramos que as contribuições de Chamoso Sánchez, Cáceres Garcia e Azcárate Goded (2011) foram valiosas para nossa análise, especialmente no que diz respeito à necessidade da reflexão na constituição da docência, uma vez que os autores entendem que se o professor não refletir sobre sua prática não poderá superar a carência de qualquer tipo de conhecimento, seja teórico ou metodológico. 4.5 Considerações sobre o Capítulo O estudo de caso envolvendo as observações de cinco estagiários, aqui descrito e analisado, com base na elaboração dos portfólios de aprendizagem pelos mesmos nos trouxeram algumas reflexões que julgamos importantes. Ainda que, de acordo com o referencial teórico por nós adotado para tais análises, os estagiários mostrem pouco envolvimento, diálogo e reflexão sobre a prática da professora e sobre a própria prática, nos levando a colocá-los quase sempre no nível Descrição. Os registros também nos permitem supor que talvez esta falta de diálogo não deva ser unicamente atribuída aos estagiários. Em muitos momentos percebemos que, se havia somente a descrição da ação, esta estava de acordo com a postura que a professora adotava, sem comprometer-se com a formação deste aluno que estava sob sua orientação. Quando comentamos sobre as contribuições de Alarcão (2003), a respeito do papel de um supervisor que acompanhe e dê suporte prático e teórico para a formação dos estagiários, entendemos que quando na Universidade este acompanhamento é feito pelo orientador de estágios, porém quando na escola, este 227 papel deve ser atribuído ao professor que acompanha o aluno em seu estágio na escola. Talvez por este motivo também, todos os estagiários mostraram pouca aprendizagem em seus relatos sobre a realização do estágio, pois embora tivéssemos muitas afirmações sobre a aprendizagem, sobre a importância de terem realizado o estágio ou sobre a contribuição do mesmo para sua formação como professor que vai ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental, estas não se refletiam nas análises das atividades ou da postura da professora. Por outro lado, a pouca aprendizagem no que se refere ao ensino de Matemática propiciada na Universidade, evidenciada nos comentários dos alunos, pode ter sido o motivo das reflexões ficarem num nível mais superficial, em virtude dos estagiários não possuírem conhecimentos matemáticos que lhes possibilitasse comentar e fazer sugestões a respeito do que estava sendo trabalhado pela professora. Estas observações nos dão subsídios para um novo olhar e direcionamento para nossas considerações finais, numa revisão dos objetivos e das questões colocadas no início de nosso trabalho, nos fazendo repensar os caminhos da formação e os fatores que influenciam e proporcionam esta formação. Pudemos perceber muitas convergências e divergências entre os cinco portfólios, na postura dos estagiários, na forma dos relatos, na qualidade das análises e reflexões. A análise destas reflexões e das questões de pesquisa será o foco do próximo capitulo em que teceremos nossas considerações finais. 229 CAPÍTULO 5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS O inesperado surpreende-nos. É que nos instalamos de maneira segura em nossas teorias e ideias, e estas não têm estruturas para acolher o novo. Entretanto, o novo brota sem parar. Não podemos jamais prever como se apresentará, mas deve-se esperar sua chegada, ou seja, esperar o inesperado. (MORIN, 2000, p.30) 5.1 Algumas considerações iniciais Os caminhos percorridos na presente investigação levaram a diferentes momentos de reflexões, constatações e novas indagações. Ao nos propormos investigar se os estágios curriculares supervisionados permitiam que os alunos pudessem desenvolver conhecimentos em Matemática que lhes desse suporte para atuar como professores desta área, nossa visão se direcionava para as ações do aluno e sua participação ou observação realizada nestes estágios. Embora tivéssemos a consciência de que “Daquilo que eu sei, nem tudo me deu clareza”, embora soubéssemos que não havia certezas e que devíamos estar de olhos e ouvidos abertos às informações que esta investigação nos traria, imaginávamos de antemão que o pouco envolvimento dos alunos com os estágios não permitia que houvesse aprendizagem para o ensino de Matemática. Nossa veia de pesquisadora, na busca constante pelo novo e por respostas, nos levou a “Não fechar os olhos e não tapar os ouvidos” às nossas incertezas e estabelecemos os objetivos e questões que direcionariam esta pesquisa. Assim, ao estabelecer as questões que pretendíamos responder com esta procura, chegamos aos estágios e a formação do professor que vai ensinar Matemática nos anos iniciais do Ensino Fundamental. É certo que a participação, envolvimento e responsabilidade do aluno durante a realização do estágio são fatores indispensáveis para sua formação, porém as pesquisas foram se delineando de modo a nos mostrar outros atores e 230 contextos que, de forma direta ou indireta também têm grande peso na constituição deste professor. Ao solicitarmos que os cinco alunos sujeitos desta pesquisa elaborassem portfólios de aprendizagem, com os registros de suas observações, seus comentários, possíveis intervenções nas atividades acompanhadas, além das relações estabelecidas entre o estágio e suas aprendizagens no que se refere ao ensino de Matemática na Universidade, estabelecemos uma linha de pesquisa e raciocínio que, como dissemos anteriormente, focava no aluno e sua ação. Embora Schön (2000) nos dê suporte para entendermos que as reflexões realizadas por estes alunos durante o estágio se constituem em formação para a prática, uma vez que refletem sobre a prática do professor acompanhado, ainda assim nosso entendimento era de que a responsabilidade por esta formação estava com grande prevalência nas mãos deste aluno. Porém, “Ninguém nasce educador ou é marcado para ser educador, a gente se forma como educador na prática e na reflexão sobre a prática”. As pesquisas bibliográficas iniciais nos trouxeram contribuições de autores que mostravam o perfil do professor que atua nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos levando a estabelecer relações entre este perfil e o que os alunos estagiários mostravam em seus relatos e na realização do estágio. A leitura de Tardif (2002), que discute os saberes necessários à prática do docente, estabelecendo a nosso ver, inclusive, os momentos nos quais estes saberes podem ser desenvolvidos, nos mostrou que ao longo de sua formação estes estagiários puderam desenvolver e vivenciar cada um destes saberes. Ao contribuírem com os relatos sobre sua história de vida, destacando a formação básica e as experiências com a Matemática neste período, os estagiários nos mostraram que carregam em sua bagagem profissional os diferentes tipos de saberes destacados pelo autor, os quais se devidamente mobilizados e articulados trarão uma prática mais eficiente ao professor. Vejamos as relações que estabelecemos entre os saberes descritos por Tardif (2002) e os relatos dos estagiários. 231 No que se refere aos “saberes pessoais dos professores” destacados pelo autor, os estagiários mostram em seus relatos as influências familiares e do ambiente em que viveram ou vivem na escolha da profissão, na constituição de sua prática e na educação que desenvolvem. A seguir sua prática é formada também pelos “saberes provenientes da formação em escola anterior”, desenvolvido na Educação Básica, cuja influência na aprendizagem da Matemática e consequentemente em seu ensino, foi fortemente citada nos relatos dos cinco estagiários. Nesta constituição destacou-se a atuação dos professores deste nível de ensino, com relação à Matemática, que para uns se constituiu em facilidade de aprendizagem e escolhas futuras, enquanto que para outros foi motivo de aversão a esta área, levando a escolhas profissionais que aparentemente não tinham ligação com a Matemática. Especial atenção deve ser dada aos “saberes provenientes da formação profissional para o magistério”. Segundo o autor, estes saberes são adquiridos em diferentes espaços da formação do professor, tais como a instituição formadora, os estágios e cursos de capacitação e socialização profissional. Aqui encontramos o foco desta investigação, o qual já citamos, a princípio voltado para o aluno e sua aprendizagem. Podemos entender que o estagiário participante de nossa pesquisa desenvolve seus saberes para o ensino de Matemática na instituição, em seu curso de graduação, especialmente nas aulas que se referem a este ensino, onde surge mais um elemento articulador desta aprendizagem que é o professor que ministra estas aulas na Universidade. Ao realizar os estágios, observar a prática do professor acompanhado e estabelecer relações entre a teoria aprendida na Universidade e a prática desenvolvida nas escolas, novamente não depende mais somente do aluno, mas da contribuição do professor do Ensino Fundamental, sua prática, seus conhecimentos e disponibilidade para auxiliar este estagiário em seu desenvolvimento. E por fim, a formação em cursos de capacitação, que podemos entender como espaços de discussão e revisão de conhecimentos e práticas, o que certamente em nosso caso podemos relacionar com o grupo de Pesquisa do Programa Observatório da Educação, do qual os estagiários participavam e podiam agregar valor à própria formação. 232 Destacamos ainda a importância dos “saberes provenientes dos programas e dos livros didáticos usados no trabalho”, que se constituem a partir de leituras, reflexões, sínteses de materiais que podem ser os usados no trabalho ou os indicados tanto na Universidade quanto no grupo de pesquisa, mas especialmente aqueles que o próprio aluno busca na complementação do conhecimento. E por fim, mas muito relevante para nossa investigação, os “saberes provenientes de sua própria experiência na profissão, na sala de aula e na escola”. Os alunos que se dirigem às escolas para a realização do estágio esperam aprender com a prática do professor observado, uma vez que ainda não têm desenvolvidos os saberes de suas experiências em sala de aula, conforme destaca Tardif (2002). Conforme já citamos anteriormente Schön (2000) destaca que a formação do professor se dá pelas reflexões realizadas a partir das ações desenvolvidas em seu trabalho. Ocorre que este aluno, por ainda não exercer a docência, vai refletir sobre a ação do outro, do professor observado, se baseando nesta prática para constituir seu saber proveniente das ações em sala de aula. Neste ponto de nossas reflexões, entendemos que não há como analisar se o estágio propicia aprendizagens aos alunos, que os prepare para o ensino de Matemática no Ensino Fundamental, se não estabelecermos uma relação entre os diferentes atores que fazem parte desta formação. Atribuir a responsabilidade unicamente ao aluno não nos deu as respostas que procurávamos com esta investigação, o que nos levou a pensar e considerar outros fatores. As contribuições de Tardif (2002) nos ajudaram a considerar que, embora a formação dos estagiários na Universidade, no estágio ou nos grupos colaborativos, seja de responsabilidade dos mesmos, não podemos atribuir exclusividade à mesma. Enxergamos aqui a necessária articulação entre os professores e gestores da Universidade, o gestor da escola onde o estágio é realizado e o professor que acompanha o estágio, e finalmente os alunos estagiários, na análise desta formação. Este é o caminho que se delineia para nossas considerações finais sobre este trabalho, apresentando a seguir nossas constatações, contribuições e desafios. 233 5.2 Os gestores e professores da Universidade Espera-se que no curso de Pedagogia, as disciplinas oferecidas tenham um foco mais direcionado para os conhecimentos necessários à prática e à formação de professores. Porém, entendemos que “Um professor não estará nunca inteiramente formado, por uma ou outra razão”. Seja pela forma como o ensino é oferecido, seja pela matriz curricular do curso, pelo comprometimento dos professores formadores, fato é que a graduação por si, não garante formação adequada para o ensino. No caso desta investigação pudemos perceber que, embora defendamos, assim como vários autores citados ao longo deste trabalho, que o estágio é um dos momentos de formação, em que o aluno vivencia experiências em seu futuro local de trabalho, observando a prática de outros professores, este também não tem dado conta das necessidades formativas dos alunos de Pedagogia. A pesquisa documental realizada nesta investigação nos mostrou que na Universidade pesquisada os alunos não têm um direcionamento específico na realização do estágio. Entendemos que os gestores responsáveis pelo Projeto Pedagógico do Curso deveriam direcionar esta formação para a atuação do professor polivalente. Por outro lado os professores que atuam nos cursos de Pedagogia, local de formação dos professores polivalentes, deveriam orientar os alunos na busca dos conhecimentos necessários para o ensino, em especial da Matemática. Talvez a fragilidade apresentada na formação para o ensino de Matemática durante o estágio pudesse ser superada com uma integração maior da disciplina FME de Matemática com as demais disciplinas do curso, especificamente com o estágio, o que pede mudanças no PPC e no trabalho entre os pares dentro da Universidade. Ressaltamos que a forma como a Universidade em questão orienta a realização dos estágios no curso de Pedagogia, embora dentro das exigências legais, não apresenta um direcionamento aos alunos para a realização dos mesmos, 234 além de não propor que as observações realizadas no estágio tenham seu foco no ensino de Matemática. Esta postura abre um leque de possibilidades, inclusive da realização do estágio apenas como cumprimento burocrático, uma vez que não se cobra do aluno a observação em todas as disciplinas. Esta questão é muito importante, pois o aluno da Pedagogia será um professor polivalente e como tal deveria observar a atuação dos professores em todos os momentos e no trabalho com as diferentes disciplinas. A análise dos planos de ensino e ementas das disciplinas relacionadas ao ensino de Matemática mostra que não há formação específica para o ensino, focando mais nos conteúdos em si. Percebemos na análise dos planos de ensino das disciplinas FME de Matemática I e II que os mesmos não apresentam contribuições significativas para que os alunos aprendam a ensinar Matemática. A disciplina integrada ao estágio, tal seja Prática de Ensino também se mostra insuficiente na formação para o ensino de Matemática, em virtude de focar na formação geral do professor, postura e identidade docente. Não há articulação destas disciplinas com o estágio, as observações ficam restritas à didática do professor, sua postura, relações pessoais na escola, entre outros aspectos. E aqui se potencializa a responsabilidade do professor formador na Universidade, no sentido de reforçar com os alunos a questão do trabalho polivalente que será desenvolvido por eles e da necessidade de observações direcionadas para todas as disciplinas que deverão ser trabalhadas. Nossas observações e conversas informais com os professores do curso mostram que os mesmos não se sentem responsáveis por este tipo de orientação, entendendo que isto cabe especificamente ao professor orientador de estágio e nas discussões estabelecidas na disciplina Prática de Ensino. Neste caso fica totalmente nas mãos do professor formador o direcionamento dos alunos nas observações ou reflexões sobre o ensino de Matemática na realização do estágio. Constatamos na análise das grades e planos das disciplinas oferecidas no curso de Pedagogia da Universidade em questão, no que se refere à formação do professor e o ensino de Matemática, e a realização dos estágios, que a forma como 235 são oferecidas não propicia as reflexões esperadas e a necessária articulação entre teoria e prática. Esta constatação baseia-se no fato de que as disciplinas Fundamentos e Metodologia do Ensino de Matemática I e II são oferecidas no 3º e 4º semestre do curso e o Estágio nos anos iniciais do Ensino Fundamental ocorre somente no 5º semestre. Desta forma não há como os professores discutirem os conteúdos matemáticos trabalhados nas disciplinas com base nas observações verificadas nos estágios ou vice versa, discutirem o que estão observando sobre ensino de Matemática nas escolas em que realizam o estágio de acordo com o que estão aprendendo na Universidade. A nosso ver este é um desafio a ser superado pela própria Universidade, uma vez que as queixas dos alunos sobre a falta de contribuição teórica das disciplinas oferecidas no curso de Pedagogia sobre o ensino de Matemática poderiam ser minimizadas com uma revisão dos planos de ensino e uma maior interação entre os professores das diferentes disciplinas. Por outro lado, destacamos a constatação da necessidade de parcerias para a realização dos estágios que reforcem os objetivos formativos da Universidade e as necessidades educacionais das escolas. Não encontramos na análise do Projeto do Curso de Pedagogia ou nos planos de ensino dos Estágios indícios de discussão no sentido de estabelecer parcerias entre Universidade e Escolas para a realização dos estágios. 5.3 O gestor da escola e o professor que acompanha o estágio As informações coletadas a partir das contribuições da direção da escola e das professoras que acompanharam os estagiários trouxeram diferentes perfis destes profissionais. No que diz respeito à direção, somente uma das diretoras se mostrou aberta à parceria escola-Universidade com o intuito de contribuir com a formação dos futuros professores assim como propiciar formação em serviço para seus professores. Destacamos que a escola em questão é parceira da Universidade no 236 Programa Observatório da Educação, o que já demonstra comprometimento com a educação e formação de professores. Com relação às professoras que acompanharam os estagiários, pudemos perceber que em sua maioria não apresentam comprometimento com a formação dos estagiários que recebem, tampouco com sua própria formação para recebê-los, conforme já relatado no capítulo anterior. Uma vez que se espera grande contribuição do estágio na formação dos alunos de Pedagogia, especialmente no que diz respeito ao ensino de Matemática, percebemos que não há um trabalho em sala que permita esta formação. Observouse que as professoras não dialogam ou explicam aos estagiários as ações que direcionam sua prática; não explicam aos alunos os objetivos desta prática e com relação aos conteúdos muitos deles não são mais bem trabalhados por desconhecimento, inclusive relatados pelas próprias professoras nos questionários aplicados. Consideramos como importante contribuição deste trabalho, a constatação de que é fundamental o envolvimento dos professores que recebem os estagiários com o processo de formação dos mesmos, no desenvolvimento de práticas reflexivas e na construção do conhecimento pedagógico do professor. Sem isso o estágio torna-se espaço de simples observação, sem reflexão, sem articulação entre teoria e prática e sem formação para a docência, o que se delineia como grande desafio para os formadores e professores que acompanham os estagiários. 5.4 O aluno estagiário Os cinco estagiários foram unânimes em relatar a importância da formação para o ensino de Matemática, seja nas aulas de FME de Matemática e na Prática de Ensino ou nos estágios. Se no início de nossa investigação tínhamos como certo que cabia ao estagiário a maior responsabilidade pela formação e aprendizagem durante a realização do estágio, pudemos perceber ao longo das análises que em muitos 237 momentos a falta de comentários ou posicionamentos era devido à postura das professoras que os recebiam e o pouco envolvimento dos mesmos com os estagiários. Entendemos que “O conhecimento exige uma presença curiosa do sujeito em face do mundo, [...] demanda uma busca constante”. Nossos estagiários mostraram em seus relatos, ainda que de forma por vezes superficial, que se colocam por meio da curiosidade na busca do conhecimento e formação. Todos os estagiários estabeleceram relações entre os conteúdos vistos nas aulas de FME de Matemática e as observações no estágio, embora a grande maioria de forma negativa, destacando que não haviam trabalhado estes conteúdos no curso de Pedagogia. Isso reforça nossa análise anterior sobre a necessidade de revisão dos conteúdos presentes nos planos de ensino das disciplinas ligadas ao ensino de Matemática e a integração Universidade-Escola. As análises por nós realizadas levam à constatação de que o foco do curso de Pedagogia não está relacionado à aprendizagem de conhecimentos de áreas específicos e seu ensino. As disciplinas e metodologias desenvolvidas neste curso estão voltadas para discussões sobre a educação e textos com reflexões sobre a formação geral do professor, sua postura e suas escolhas pedagógicas. Talvez as reflexões mais superficiais dos estagiários em seus relatos, sejam decorrentes do pouco conhecimento matemático para ensinar essa área, fruto do próprio foco do curso de Pedagogia que não se preocupa com a formação para as diferentes áreas com as quais o professor do Ensino Fundamental, por este motivo chamado de professor polivalente, deverá trabalhar. Consideramos essencial que a Universidade reveja o foco do curso de Pedagogia e que o mesmo seja voltado para a formação do professor. Parece-nos que não está sendo levado em conta que o curso de Pedagogia é atualmente, o único curso que forma professores para os anos iniciais do Ensino Fundamental, o que pede uma formação que ultrapasse a formação geral e direcione os conhecimentos dos alunos para a formação específica. 238 Esta formação a nosso ver, em se tratando do ensino de Matemática, deve focar nos conhecimentos matemáticos e para o ensino de Matemática discutidos nas disciplinas FME de Matemática; nos conhecimentos para o ensino desenvolvidos e nas articulações entre teoria e prática propiciadas nas aulas de Prática de Ensino; e nas orientações estabelecidas para a realização do Estágio com relação à Matemática e nas observações feitas a partir destas orientações. E com relação à realização do estágio, percebemos que a postura do estagiário depende também da postura do professor que acompanha. Se o conhecimento “requer uma ação transformadora e implica em invenção e em reinvenção”, o aluno necessita de supervisão e orientação nesta ação, para que o momento do estágio propicie aprendizagens significativas para o ensino de Matemática. 5.5 Considerações e contribuições da pesquisa Consideramos que o objetivo geral desta investigação, tal seja analisar portfólios de cinco estudantes do curso de Pedagogia, com o propósito de identificar “se” e “como” os estágios contribuem para estes alunos ensinarem Matemática, a partir dos registros nesses portfólios, foi alcançado. Pudemos perceber que os estágios têm grande potencial formativo, dependendo de diferentes variantes que influenciam esta formação, conforme citamos, não somente o próprio estagiário, mas todo o contexto relacionado a este estágio, como as normas estabelecidas pela instituição formadora, os professores do curso de Pedagogia, o professor orientador do estágio, a gestão das escolas que recebem os estagiários e por fim os professores que os acolhem em suas aulas. Mas o estágio, embora importante, não pode ser o único responsável pela formação do professor. Há necessidade de a Universidade estabelecer parceria com as escolas, nas orientações para esta realização tanto nas observações dos estagiários quanto na postura e contribuições dos professores que os recebem. A identificação do perfil dos alunos da Pedagogia, sujeitos da pesquisa, e suas relações com a Matemática nos mostraram que, embora a maioria deles tenha uma história de dificuldade com esta disciplina, este fato não influencia a busca pelo 239 conhecimento e a consciência da necessidade de aprendizagem para o ensino. No entanto, constatamos um avanço pequeno e atribuimos este fato à formação inadequada. Por outro lado, o perfil das escolas e dos professores que recebem esses alunos como estagiários indicam que somente uma diretora se mostrou acessível a parcerias e à abertura da escola para diálogo com a Universidade a fim de colaborar com a formação dos estagiários e de seus próprios professores. Com relação às professoras, também somente uma delas admite suas fragilidades no ensino de Matemática e mostra-se interessada em cursos de formação para aperfeiçoar sua prática. Esta professora também foi a única que se interessou por uma formação mais específica para receber os estagiários, citando inclusive que por sua conta procura orientá-los em sua formação. Percebemos que embora os alunos mostrem dificuldades no acompanhamento e análises das atividades matemáticas apresentadas nas aulas observadas, houve aprendizagens no estágio, na medida em que procuravam estabelecer relações entre o que aprenderam no curso de Pedagogia e nos encontros do Programa Observatório da Educação, com os conteúdos desenvolvidos pelas professoras no estágio. Nesse sentido podemos afirmar que o estágio contribuiu para a formação desses alunos. Ao iniciarmos esta investigação, tínhamos estabelecidas sete questões diretrizes que pretendíamos responder: - Qual é a organização da disciplina Estágio Curricular Supervisionado nos anos iniciais do Ensino Fundamental no curso de Pedagogia pesquisado? - Qual é o perfil dos estagiários do curso analisado? Quais são as relações desses estagiários com a Matemática e seu ensino? - Qual é o perfil das escolas e das professoras que recebem os estagiários do curso de Pedagogia em questão? - Que relações com a Matemática e seu ensino têm os professores que recebem os estagiários? 240 - O que revelam as aulas de Matemática desses professores, observadas pelos estagiários? - Que reflexões fazem os estagiários ao observar as aulas de Matemática em relação aos conteúdos abordados e metodologias utilizadas? - Que reflexões fazem os estagiários sobre suas necessidades para ensinar Matemática? Entendemos que as questões diretrizes estabelecidas para o encaminhamento da pesquisa foram respondidas ao longo deste trabalho, nas pesquisas realizadas, nas leituras e análises dos portfólios dos estagiários e em nossas reflexões finais. E a partir das respostas a estas questões, encontramos subsídios para responder nossa questão da pesquisa: “Que mudanças são necessárias à organização e ao desenvolvimento dos estágios para melhorar a formação inicial dos pedagogos para ensinar Matemática?” Entendemos que as mudanças devem ter início nos cursos de Pedagogia, a partir dos conteúdos trabalhados nas disciplinas ligadas ao ensino de Matemática e da organização da grade curricular deste curso. Na Universidade em questão, as disciplinas FME de Matemática I e II devem propiciar aos alunos a oportunidade de dominar tanto os conteúdos que deverão ensinar às crianças no Ensino Fundamental como os processos e métodos para o ensino desses conteúdos. Em suma, é preciso que o desenvolvimento destas disciplinas possibilite que os alunos se apropriem dos conhecimentos dos conteúdos matemáticos, mas também do conhecimento para o ensino do conteúdo matemático. Além disso, ainda na Universidade, é preciso que haja um direcionamento da realização do estágio para as disciplinas que farão parte da atuação do professor polivalente, e não só para observações da postura dos professores, focando nos conteúdos, atividades e prática docente. Também os planos de ensino da disciplina Prática de Ensino e Estágio devem ser revistos, a fim de que se privilegie a reflexão como importante 241 componente da formação docente. Além disso, conforme citamos anteriormente, a localização de tais disciplinas na grade com relação às disciplinas de FME de Matemática I e II, não favorece a reflexão e articulações entre teoria e prática. Estas mudanças institucionais devem vir acompanhadas de mudanças na postura dos professores orientadores, que deveriam na disciplina Prática de Ensino e nas orientações do Estágio focar na formação do professor polivalente e direcionar as observações do estágio para esta formação. No que diz respeito ao professor orientador, ressaltamos as atividades burocráticas que devem ser cumpridas na aula de Prática de Ensino, as quais dificultam momentos de maior discussão sobre a formação dos alunos. Relembramos que são atribuídas 40 horas para a disciplina Prática de Ensino, as quais devem ser utilizadas também para orientações do estágio, recebimento e conferência de documentos, e orientações sobre a elaboração do Relatório de Estágio. Estas orientações, em sua grande maioria não podem ser generalizadas para todos os alunos, demandando tempo para atendimento individual, o que especialmente pelo número de alunos alocados em cada sala de aula, diminui sensivelmente as horas disponíveis para as discussões de Prática de Ensino. Entendemos ainda que deve haver também um diálogo entre a Universidade e as unidades escolares que recebem os estagiários, no estabelecimento de ações e posturas que transformem o estágio em momento real de formação, conforme já discutimos sobre a parceria Universidade-Escola. Neste caso, a necessidade de cursos de formação para receber os estagiários propostos aos professores, só foi reconhecida por um deles. Este seria mais um caminho efetivo para a melhoria da formação inicial dos pedagogos, o que pode ser proposto a partir de uma parceria entre Universidade e escolas no oferecimento de tais cursos. Constatamos que os professores que receberam os estagiários não realizaram cursos de capacitação para ensinar Matemática nos últimos anos e muitas vezes propõem atividades indicadas em currículos das décadas e 70/80. 242 Entendemos, assim como Freire (2004) que “Ninguém começa a ser educador numa certa terça-feira às quatro horas da tarde [...] A gente se faz educador; a gente se forma como educador permanente, na prática e na reflexão sobre a prática”. Portanto, ainda que todas as nossas sugestões sejam colocadas em prática, ainda assim é preciso a reflexão constante dos professores e de cada estagiário, que não têm data marcada para começar a ser educador, mas devem estar em constante reflexão sobre sua prática num processo permanente de formação. As constatações verificadas nesta pesquisa, assim como a busca por contribuições para superar os desafios apresentados, nos proporcionaram momentos de alegrias, tristezas, indignações, surpresas, esperanças e desesperanças, nas leituras e análises das situações descritas por nossos estagiários e em nossas próprias reflexões. Aprendemos muito com este trabalho e esperamos que o mesmo proporcione a todos que o lerem uma nova perspectiva, reflexões e novas aprendizagens acerca da realização dos estágios e da formação do professor dos anos iniciais. Esperamos continuar aprendendo na busca de novos conhecimentos e desafios na constituição de nossas ações como educadora. Nossas reflexões nos levam ao trecho (MORIN, 2000) que define nosso sentimento diante das constatações reveladas nesta investigação. Somos constantemente surpreendidos pelo inesperado. Surpreendidos porque “nos instalamos de maneira segura em nossas teorias e ideias, e estas não têm estruturas para acolher o novo”. “Não podemos jamais prever como (o novo) se apresentará”, razão pela qual no decorrer desta pesquisa encontramos novos caminhos que nos levavam a mudanças de rumos, de focos, de visão. Abrimo-nos às novas ideias, nos reestruturamos em nossas convicções para acolher as constatações verificadas neste trabalho. “Entretanto, o novo brota sem parar... mas deve-se esperar sua chegada, ou seja, esperar o inesperado”. 243 Desta forma, nosso desafio, como educadora e formadora de professores no curso de Pedagogia continua ainda mais intenso a partir desta pesquisa, direcionado agora não só ao fortalecimento de nosso próprio trabalho, mas à socialização com os demais formadores deste curso e ao diálogo com a Universidade, para que possamos discutir teorias e renovar ideias e ações que possam acolher o novo no momento em que este se apresentar, esperar pelo inesperado e melhorar cada vez mais o conhecimento, a aprendizagem e a formação dos professores que ensinam Matemática. 245 REFERÊNCIAS ALARCÃO, Isabel. Professores reflexivos em uma escola reflexiva. São Paulo: Cortez, 2003. BALL, Deborah Loewenberg. Content knowledge for teaching: what makes it special? 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Acesso em: 01dez. 2012. 261 APÊNDICES 262 APÊNDICE A - QUANTIDADE DE AULAS DE MATEMÁTICA POR ANO DE ESCOLARIDADE Ver pág.24 Figura 44 - Gráfico das Observações de Estágio das horas de aulas de Matemática no 1º ano do Ensino Fundamental Figura 45 - Gráfico das Observações de Estágio das horas de aulas de Matemática no 2º ano do Ensino Fundamental 263 Figura 46 - Gráfico das Observações de Estágio das horas de aulas de Matemática no 3º ano do Ensino Fundamental Figura 47 - Gráfico das Observações de Estágio das horas de aulas de Matemática no 4º ano do Ensino Fundamental 264 Figura 48 - Gráfico das Observações de Estágio das horas de aulas de Matemática no 5º ano do Ensino Fundamental 265 APÊNDICE B – QUESTIONÁRIOS ESCOLA E PROFESSORES: PERFIL DA ESCOLA Ver pág. 77 Caro Diretor, venho solicitar sua colaboração para obtenção de dados descritivos de sua escola, com a finalidade específica de elaboração de pesquisa no programa de Doutorado. As informações aqui registradas são de suma importância para o desenvolvimento desta pesquisa. Escola: _______________________________________________________ Localização: __________________________________________________ Número de alunos atendidos: ________________________________ Organização da escola: 8 séries ou 9 anos Breve descrição da situação sócio econômica das famílias dos alunos atendidos em sua escola: __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ ___________________________________________________________ IDEB da escola 2007: _________________ 2009: _________________ 2011: _________________ Sobre o número de salas e alunos para o Ensino Fundamental ANO/SÉRIE Nº DE SALAS Nº DE ALUNOS 1º 2º 3º 4º 5º Sobre o número total de professores ANO/SÉRIE PROFESSORES PROFESSORES FORMAÇÃO FORMAÇÃO NÍVEL MÉDIO NÍVEL SUPERIOR 1º 2º 3º 4º 5º QUANTIDADE POR ÁREA PEDAGOGIA ....................... PEDAGOGIA ....................... PEDAGOGIA ....................... PEDAGOGIA ........................ PEDAGOGIA ....................... 266 Gostaria de fazer algum comentário ou acrescentar algo que julgue interessante para o tema que discutimos? Obrigada por sua atenção e colaboração com minha pesquisa. 267 APÊNDICE C – QUESTIONÁRIOS ESCOLA E PROFESSORES: PERFIL DO PROFESSOR Caro professor, venho solicitar sua colaboração para obtenção de dados sobre sua formação e prática pedagógica, com a finalidade específica de elaboração de pesquisa no programa de Doutorado. As informações aqui registradas são de suma importância para o desenvolvimento desta pesquisa. DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Nome: ______________________________________________Idade_______ Estado Civil __________________________ Nº de Filhos_________________ Formação _______________________________Tempo de atuação ________ Instituição e ano em que se formou ___________________________________ Tempo de atuação no Ensino Fundamental ____________________________ Enquadramento Funcional: ( ) Contratado ( ) Efetivo por concurso Trabalha quantos períodos? (Especifique série/ano) _____________________ _______________________________________________________________ Série/Ano em que gosta de atuar ____________________________________ Por quê? _______________________________________________________ PARTE A – FORMAÇÃO – IDENTIDADE PROFISSIONAL 1) Conte um pouco da sua história, como foi sua vida escolar, onde você estudou? Enfim, conte como você chegou ao Magistério e por quê escolheu ser professor(a)? 2) O que você achou de sua formação? Seu curso lhe formou para trabalhar com crianças? 3) Como este curso lhe preparou para ensinar as crianças do Ensino Fundamental? 4) Em que série/ano você se sente mais à vontade para atuar? 5) Em relação às áreas do conhecimento, por exemplo, Alfabetização, Ciências, Matemática entre outros, no que seu curso lhe preparou melhor? Por quê? 6) Qual área você mais gosta de ensinar? Por quê? 7) Você gosta de ensinar Matemática? Poderia citar um exemplo do que você mais gosta na área da Matemática? 8) Em sua opinião, o que é mais trabalhoso ou mais difícil para ensinar Matemática? 9) O que você acredita ser preciso para ensinar Matemática para as crianças? 10) Que lacunas você sente em sua formação inicial para ensinar Matemática, ou seja, o que precisaria ter sido trabalhado mais durante sua formação? Por quê? 11) Você tem feito, ou sente necessidade de fazer algum curso de formação continuada? Em qual área? 12) O que lhe atrai e o que lhe dificulta em sua profissão? 13) Se tivesse chance mudaria de profissão? O que lhe faz permanecer nela? 268 14) O que lhe atrai e o que dificulta no ensino de Matemática? 15) Você conhece o IDEB de sua escola? 16) Você já viu em que nível de proficiência em Matemática encontram-se os alunos da escola? 17) Quais são as metas propostas para melhoria da proficiência em Matemática? PARTE B – PRÁTICA PEDAGÓGICA 1) Você pode me descrever sua rotina diária, seu trabalho, como organiza as aulas de Matemática, quantas vezes por semana ensina Matemática, durante quanto tempo? 2) Como você planeja suas aulas de Matemática, quais materiais utiliza? Tem seu planejamento em mãos? 3) Dentre as atividades matemáticas propostas para seus alunos, o que você considera mais importante? Por quê? 4) Seus alunos se interessam pelas aulas de Matemática? O que você faz para que eles se interessem? 5) Você se recorda de suas aulas no curso de Pedagogia (ou formação inicial), nas disciplinas ligadas ao ensino de Matemática? Como eram essas aulas? Quais assuntos eram tratados? 6) Você trabalha em sua prática com algo que aprendeu na formação inicial? Poderia exemplificar? 7) Você tem alguma orientação pedagógica para ensinar Matemática a seus alunos? De quem? Em alguma instância discute o que ensinar e como ensinar? De que forma são feitas as orientações pedagógicas para ensinar Matemática? Essas orientações auxiliam ou não sua prática em sala de aula? Como? 8) Você usa o Livro Didático adotado na escola em suas aulas? Complementa com outros materiais de apoio? Quais? 9) Quais são suas maiores dificuldades para trabalhar Matemática com as crianças? 10) Você gostaria de fazer algum comentário sobre nossa conversa, ou acrescentar algo que julgue interessante para o tema que discutimos? 11) Você está acostumada(o) a receber estagiários em sua sala? 12) Você recebe alguma orientação sobre como receber os estagiários? 13) O que propõe como atividades aos estagiários? O que é discutido em termos de formação? 14) Você tem interesse numa formação específica para receber e acompanhar os estagiários em sua sala? 269 Gostaria de fazer algum comentário ou acrescentar algo que julgue interessante para o tema que discutimos? Muito obrigada por sua atenção. 270 APÊNDICE D - HISTÓRIA DE VIDA: “MAO” Ver pág. 89 - Histórias de vida dos estagiários Meu nome é “MAO”, tenho 23 anos e estou no 5º semestre de Pedagogia, na Universidade. Participo como estagiária bolsista do Programa Observatório da Educação PROVA BRASIL DE MATEMÁTICA: REVELAÇÕES E POSSIBILIDADES DE AVANÇOS NOS SABERES DE ALUNOS DE 4ª SÉRIE/5º ANO E INDICATIVOS PARA FORMAÇÃO DE PROFESSORES. Desde criança tinha o sonho de ser professora, por admirar essa profissão. Durante a minha vida escolar tive vários tipos de professor, alguns foram essenciais para me ajudar a decidir o caminho que iria trilhar, outros por sua vez, analisando hoje, vão me ajudar a saber como não agir em sala de aula. Dentre as disciplinas que tive na escola regular, a que menos eu gostava e me identificava era a Matemática. Por esse motivo nunca me dediquei a aprender e entender, e alguns professores que tive me ajudaram nisso, pois não ensinavam de uma maneira que os alunos em geral, se interessassem. Antes de entrar no 2º grau do ensino regular, foi que realmente decidi que queria ser Professora e com isso tive a ideia de entrar no CEFAM, para estudar o magistério, que era um curso de formação de professores em período integral, com bolsa para os alunos. Porém quando entrei na escola do Estado para cursar o magistério, eu ainda não tinha a idade mínima para isso, e quando completei a idade, o governo cancelou esse projeto e não pude fazer o magistério. Durante toda minha vida tive dificuldades com a Matemática, então ainda não tinha certeza se era a carreira de professora mesmo que queria seguir, por causa da dificuldade com a Matemática. Mas quando entrei em um cursinho pré – vestibular mudei minha visão e comecei a entender a Matemática. Depois desse cursinho percebi que ainda dava tempo de aprender e vencer essa dificuldade. No ano de 2008, passei em um concurso da Prefeitura de São Paulo, para trabalhar como inspetora de alunos em uma escola. A partir daí, com o dia-a-dia da escola, tive certeza que era esse o caminho que queria seguir, queria ser professora, foi quando decidi entrar na Universidade e cursar Pedagogia. No começo do curso, planejava atuar apenas na Educação Infantil, porque tinha um certo preconceito com o Ensino Fundamental, justamente com a dificuldade com a 271 Matemática, Foi então que conversando com minha professora Vera, ele me propôs participar do Projeto Observatório, mas no começo fiquei em dúvida se daria certo. Porém a cada encontro que participava, eu ia me identificando e gostando cada vez mais e percebi que essa era a oportunidade que precisava para mudar a minha relação com a Matemática. Outro fator que me ajudou muito a mudar de ideia em relação ao preconceito sobre atuar no Ensino Fundamental e os problemas com a Matemática, foi o estágio no Ensino Fundamental. Depois que comecei a fazer esse estágio, percebi o quanto foi importante estar participando do Projeto Observatório, porque algumas dúvidas que eu tinha, foram respondidas e alguns mitos que acreditava foram quebrados, como por exemplo, o uso da calculadora no ensino de Matemática durante o ensino fundamental, pois não acreditava que não tinha uma forma de usar a calculadora em sala de aula, e fazer os alunos aprenderem a resolver problemas e aprender a pensar de maneira lógica. Tenho a certeza que tanto o estágio como o projeto, ajudarão a me tornar uma profissional melhor, porque tenho a oportunidade de mudar minha visão e me tornar uma pesquisadora. Com isso estou tirando algumas dúvidas que me acompanharam durante toda a minha vida escolar e estou quebrando vários mitos que tinha. Espero ter outras oportunidades, como essa que tive com o Projeto, pois acredito que para me tornar uma ótima professora, não posso parar na graduação, vou ter que sempre buscar mais fontes de conhecimento, para conseguir alcançar o meu objetivo que é fazer a diferença em sala de aula e ser lembrada pelos meus alunos como uma fonte de inspiração, para futuros professores. 272 APÊNDICE E - HISTÓRIA DE VIDA: “TARS” Meu nome é “TARS”, tenho 23 anos, sou aluna do 4º semestre do curso de Pedagogia da Universidade, bolsista e estagiária do grupo de pesquisa do Programa Observatório da Educação. Durante o ensino regular tive muitas dificuldades com a Matemática, desde muito cedo e com o passar dos anos escolares essa dificuldade ia somente aumentando. Por isso desenvolvi uma espécie de raiva da Matemática. Foquei meus estudos nas outras matérias e deixei a Matemática de lado. Quando chegou a hora de escolher uma graduação a primeira opção que me veio em mente foi Letras, queria dar aula de Língua Portuguesa, então fui verificar os cursos e as universidades. Mas acabei optando por Pedagogia, por poder dar aula para crianças e é claro no meu ingênuo pensamento inicial, fugir um pouco da Matemática, pois pensava que dar aula de Matemática para crianças seria moleza, só dar continhas, adição, subtração, vezes e dividir e pronto! Mas logo que iniciei o curso de Pedagogia percebi que não seria tão simples assim. Foi então que tive a oportunidade de participar do grupo de pesquisa em Matemática do Programa Observatório da Educação. Quando fui chamada para o grupo fiquei muito feliz porque a essa altura já sabia que se quisesse realmente ser uma boa professora e fazer a diferença, não bastaria somente cursar a Pedagogia e parar por aí. Na verdade eu precisaria de mais base, buscar mais conhecimento, principalmente na área da Matemática, onde se canalizava minha maior dificuldade. Se eu não sabia e não gostava desta disciplina, como iria ensinar aos alunos e fazer com que se interessassem em aprender? No primeiro encontro do grupo me senti perdida, todos aqueles termos e nomenclaturas da Matemática. Fiquei ainda mais assustada, achei que não iria dar conta. Eu ali, no início da graduação sem saber quase nada, trabalhando ao lado de doutores, mestres, professores experientes, me senti fora de contexto. À medida que as reuniões iam acontecendo eu ia compreendendo mais do que se tratava, qual era a proposta, qual era o meu papel e ia também tirando dúvidas em relação a Matemática que me cercavam há muito tempo, e também derrubando alguns mitos sobre seu ensino como por exemplo, o da calculadora. Para mim, trabalhar com calculadora fazia com que não se usasse o raciocínio e a criança não aprenderia nada dessa forma. Mas descobri através de experiências no grupo 273 que a calculadora, se bem usada, auxilia no processo de desenvolvimento do raciocínio, faz pensar, encontrar soluções, buscar métodos de resolução. Outra coisa que descobri é que não adianta tentar fugir da Matemática, pois ela está presente em todo lugar, é algo necessário no nosso cotidiano e é preciso deixar isso claro aos alunos. Na universidade tive aulas de Fundamentos Metodológicos do Ensino de Matemática em dois semestres e foi possível adquirir alguns conhecimentos a respeito, mas realmente só isso não seria suficiente. Participando do Programa consegui aumentar consideravelmente esse conhecimento, parei de ver a Matemática como algo ruim e em consequência disso, quando tive que escolher uma disciplina optativa para cursar, ao invés de fugir da Matemática mais uma vez, fui em busca dela e escolhi Educação Estatística. Nessa disciplina pude aprender sobre a aplicação da Matemática para crianças de várias formas diferentes e adaptá-las para diversas idades. Era uma aula prática e dinâmica, aprendi muito, foi uma ótima escolha. Atualmente tenho na grade do curso de Pedagogia, a disciplina Estatística Aplicada a Educação, com outro professor e consigo aproveitar ao máximo essas aulas para melhorar, como professora que já sabe que terá essa grande responsabilidade nas mãos tenho curiosidade de aprender tanto para meu crescimento quanto para poder ensinar aos meus alunos. Paralelamente ao Projeto Observatório no ano passado também participei do Projeto Ler e Escrever e auxiliava uma aluna com muita dificuldade de aprendizagem na alfabetização, e tanto eu quanto a professora da sala achávamos que devíamos de início, trabalhar com essa menina somente a alfabetização, pois se ela não sabia ler, nem escrever não conseguiria aprender Matemática. Em um dos encontros do grupo de pesquisa esse mito também foi derrubado, aprendi que uma coisa independe da outra, mesmo que a criança não seja alfabetizada ela pode fazer cálculos, usar raciocínio lógico e resolver problemas. Assim começamos a trabalhar Matemática com essa aluna e para nossa surpresa ela se saía muito bem, começou com contagem com os dedinhos e logo avançou para sobre-contagem e quando se tratava de problemas, nós líamos para ela e ela resolvia sem grandes dificuldades, sendo que às vezes era a primeira da sala a terminar corretamente. Assim comprovei na prática o que aprendi no Projeto. Essas experiências, como cursar Pedagogia, fazer parte do Projeto Ler e Escrever, e participar do grupo de pesquisa entre outras coisas, com certeza enriqueceram minha prática pedagógica. Com as mudanças na minha postura diante a Matemática sei que conseguirei ministrar minhas aulas corretamente, sempre buscando novos conhecimentos e aprimoramentos, sem medo e sem preconceitos com a matéria. 274 APÊNDICE F - HISTÓRIA DE VIDA: “EAM” Meu nome é “EAM”, tenho 36 anos e sou casado. Estou no 5º semestre do curso de Pedagogia e participo como estagiário bolsista do PROJETO OBSERVATÓRIO DA EDUCAÇÃO “Prova Brasil de Matemática: revelações, possibilidades de avanços nos saberes de alunos de 4ª série/5º ano e indicativos para a formação de professores”, coordenado pela Profª Drª Edda Curi e financiado pela CAPES. Venho de família humilde e tenho mais três irmãos. Terminei meus estudos da educação básica com 17 anos; trabalhei dos 14 aos 34 anos no ramo voltado ao comércio e ao RH - na parte administrativa. Sempre gostei da Matemática: cálculos, porcentagem e raciocínio lógico. Aos 30 anos tive um câncer no mediastino (entre pulmão e coração) e neste período, afastado da empresa, ajudei a alfabetizar um sobrinho com 9 anos, que estava no 4º ano do Ensino Fundamental. Essa oportunidade foi muito gratificante e deu um novo sentido a minha vida, uma vez que minha esposa, formada em Letras, já atuava na área da educação e a maior parte de nossos amigos também. Prestei o ENEM aos 33 anos (já curado do câncer, após quimioterapia) e consegui uma bolsa pelo PROUNI para cursar Pedagogia - algo que me enche de orgulho, porque após 16 anos afastado dos estudos, eu tinha vencido um trauma dentro de mim, já que tenho um problema de dislexia, um caso raro fonético, cujo entrave é pronunciar palavras com “r” no meio da palavra. Acreditava que se entrasse na área da educação os alunos iriam caçoar deste problema (que trouxe traumas na minha infância), mas percebi que venci este trauma ao conseguir alfabetizar um aluno que acompanho no estagio pelo CEFAI . Percebi ainda que as crianças não notam este pequeno problema. Após entrar e cursar o primeiro semestre na Universidade, destaquei-me não só porque sou representante de uma sala com 114 alunos, mas, acredito que, principalmente por minhas notas e trabalhos e por conta disto fui convidado por uma professora do curso a participar de uma entrevista com a professora Dra. Edda Curi, que me selecionou para ocupar uma das seis vagas, dentre aproximadamente 40 candidatos , disponíveis no Projeto Observatório da Educação Ao vivenciar em sala de aula as teorias do construtivismo quebrei meu primeiro mito, já que eu fui alfabetizado a partir do método tradicional de ensino e acreditava que esse sistema de educação era o ideal, porque não conhecia amigos analfabetos; porém passei a acreditar que no construtivismo é mais fácil por relacionarmos o nosso cotidiano à aprendizagem do aluno, desta maneira passei a ver que um aluno não precisa saber de cor uma tabuada, por exemplo: 3X4=12. Para mim era fácil entender, mas hoje a criança precisa 275 do contexto. Por exemplo: Tenho três carros com quatro rodas quantas rodas tenho no total? O aluno consegue trazer o resultado sem saber a tabuada. Primeiro mito derrubado. O segundo mito surgiu ao estar estagiando e vivenciando em sala de aula cada ação do professor que ministra as aulas. Muitos professores ao verem que alguns alunos terminavam a lição passavam a eles numerais de 1 a 100 e assim por diante. Com isso a Matemática acabava sendo uma punição para aqueles que terminavam primeiro suas atividades, acarretando um certo desconforto e quando esses alunos tinham a aula de Matemática eles falavam: “De novo numerais”. Descobri que isso era uma punição para os alunos, criando já na infância certo bloqueio, ao invés de aprender a contextualizar a sua vivência com os números. O projeto não só abre nossos horizontes acadêmicos, como nos traz meios para ensinar e solucionar os nós que temos na Matemática: o quanto é difícil criar e elaborar questões e descobrir se o aluno vai interpretar aquele enunciado, de que maneira ele resolverá o problema. Acredito que este projeto soma muito em minha formação, pois nós, estagiários, sentamos e debatemos com doutores, doutorandos, mestres, mestrandos, professores, coordenadores pedagógicos, com foco em aprender como o aluno, nos anos iniciais, pensa a Matemática. Analisamos cada avaliação que esses alunos fazem no decorrer dos anos iniciais. Além de analisar as avaliações, estudamos as expectativas de aprendizagem do 1º ao 5º ano, debatemos sobre os descritores do Sistema de Numeração Decimal do SAEB: a experimentação; a oralidade e a simbologia (escrita). Ao olharmos as questões podemos ver os erros prováveis que as crianças cometem. A coordenadora do Projeto nos passou um pouco de seu conhecimento sobre as orientações didáticas do Sistema de Numeração Decimal, explicando de forma clara e objetiva esses possíveis erros que os alunos cometem. Finalizo externando a gratidão por estar vivenciando esta oportunidade. 276 APÊNDICE G - HISTÓRIA DE VIDA: “LISE” Meu nome é “LISE”, tenho 20 anos e estou no 4º semestre do curso de Pedagogia. Acredito que o sonho de toda menina, principalmente na infância, é ser professora. No meu caso não foi diferente, minha brincadeira preferida era “escolinha”, juntava minhas bonecas e minhas irmãs e passava a tarde toda brincando. Desde então já havia escolhido o que eu iria ser “quando crescer”. Na minha adolescência acompanhei minha tia que na época fazia Pedagogia e meu interesse foi aumentando. Comecei a pesquisar na internet o curso, as funções e confesso que me decepcionei um pouco em ver como o professor não é valorizado no Brasil, as dificuldades e desafios que iria encontrar, até pensei em mudar, mas resolvi apostar e fazer algo que me interessava. Passei até por preconceito de familiares e amigos que só criticavam minha opinião, mesmo assim bati o pé, e decidi que Pedagogia era o caminho a ser seguido. Na escola eu e a Matemática sempre fomos “amigas”, tive professores excelentes que conseguiam realmente passar a Matemática, outros nem tanto. Confesso que prefiro resolver mil expressões do que interpretar um texto ou fazer alguma resenha. Lembro que no Ensino Médio meu apelido na sala de aula era de “rata” pois conseguia acompanhar o raciocínio da professora. A Matemática sempre foi a matéria que eu tive menos dificuldade. Minha participação no Projeto Observatório, aconteceu através de uma professora do curso, que explicou o que seria esse projeto, o objetivo, a relação com a Matemática, me interessei e participei da seleção. No início confesso que fiquei um pouco perdida no Projeto, pois sou leiga em certos assuntos. No curso de Pedagogia as disciplinas relacionadas a Matemática deixam um pouco a desejar, já que são muito teóricas, muitas vezes nem partem para a realidade, a prática só acontece depois, nos estágios ou quando partimos para a sala de aula, se não fosse o Projeto com o acompanhamento das professoras, as apresentações das telas como a de Vergnaud, aprender a trabalhar diretamente com as dificuldades dos alunos, minha formação seria vaga. Comento com minhas colegas de classe sobre o projeto e elas concordam que deveríamos ter aulas mais dinâmicas e não fazer apenas uma pesquisa relacionada a tal assunto ou trabalhos de como ensinar a Matemática. Acabei com alguns mitos que aprendi na minha formação como a utilização das casinhas de dezena e unidade, a utilização da palavra numerais. Aprendi algumas 277 estratégias como a utilização de ditados, bingos, cartas sobrepostas, composição e decomposição de números. São coisas simples que passam batidas no curso de Pedagogia e que pelo que eu presencio no Projeto traz muitos benefícios e fazem uma total diferença quando comparamos as turmas que utilizam esses procedimentos e aquelas que não usam. O trabalho com problemas também me impressionou bastante, pois me levou às minhas aulas de Matemática no Ensino Fundamental, como alguns problemas se tornam um problemão quando utilizamos uma palavra ou passamos a ideia de maneira incorreta e acabamos culpando a criança. Creio que minha participação no Projeto me auxiliará muito quando estiver assumindo uma sala de aula, já vejo esse resultado com as professoras que fazem parte do Projeto. Como já mencionei o curso de Pedagogia não dá a assistência necessária que realmente precisamos e para isso é necessário mudarmos a base para quando chegarmos à prática sabermos trabalhar de maneira correta. 278 APÊNDICE H - HISTÓRIA DE VIDA: “VANGRA” Meu nome é “VANGRA”, tenho 27 anos e estou no 5º semestre do curso de Pedagogia. Sou estagiária bolsista do Programa Observatório da Educação há 2 anos e meio. Minha história na área da Matemática não foi uma experiência agradável, pelo menos uma boa parte dela, foi de grande desespero e incompreensão. Não tenho lembranças ruins da 1ª série. A Matemática naquele momento não me dava dor de cabeça, acredito que conseguia atender os objetivos propostos pela professora. Na 2ª série me lembro da professora passar contas armadas fazendo aquela casinha, o que para mim não tinha dificuldade, não tinha problema. Mas a professora tinha, eu observava que na sala de aula a professora bebia café e comia, não passando muita coisa na aula. Da 4ª série em diante me recordo com alguns detalhes. Na 4ª série tinha uma professora carrasca que não dava moleza, ela chegou a agredir alguns alunos da sala. Naquela época me recordo da Matemática como algo muito vago e sem valor, as atividades eram dadas na lousa, as contas armadas e nada mais. A professora explicava apenas uma vez e tínhamos que fazer, me recordo que não havia uma explicação um diálogo entre o professor e aluno, na verdade não podíamos nem nos comunicar com os outros colegas da sala, se tínhamos dúvidas, levávamos para casa por que a professora não explicava novamente. Ela mandava decorar a tabuada que no dia seguinte faria chamada oral, quando conversávamos ela mandava os alunos fazerem 10 vezes a tabuada do 2 ao 10 , então Matemática naquele época era castigo das professoras, e então começou meu longo caminho de ensino de matemática sem compreensão. Na 5ª serie me lembro de que já havia um professor para cada aluno, e tive uma professora que me deu aula na 5ª e 6ª série. A professora podia ter o conhecimento matemático, porém não sabia transmitir, não conseguia compreender os problemas, para mim era tudo muito difícil: as regras, ordens, aquelas contas enormes. Pedia explicação, porém na terceira vez que estava na mesa dela, ela já estava com cara feia, quando comecei a me questionar: “Meu Deus, ou eu sou muito burra ou ela não está sabendo me ensinar de uma maneira mais fácil de compreender”. A falta de compreensão e a impaciência da professora me fizeram detestar a Matemática, tinha até desânimo ao entrar na sala, minhas notas eram baixas. Minha 5ª série foi um terror de 100% aprendia 30% e esses trinta agradeço aos colegas que davam uma ajuda. 279 Na 6ª série descobri que a professora seria a mesma, quase chorei , eu torcia para que ela ficasse doente para vir outro professor no lugar, e percebi que nas vezes que a professora faltava e outro professor substituía a minha compreensão era melhor, logo, a maneira que a professora explicava era de fato meu maior desafio. Ela fazia as contas muito rapidamente, e meu raciocínio não conseguia acompanhar, no mesmo ano a professora ficou de licença maternidade e foi meu alívio. Aprendi mais dentro desse período, porém muita coisa ficou defasada, sempre tinha que rever certas regras da Matemática por não ter compreendido no tempo certo. Minhas lembranças de Matemática são de que a maior parte do tempo eu estava sempre com dificuldades. No ano de 2007 ganhei uma bolsa de estudo de 100% para fazer o curso de Pedagogia, porém fiz somente três meses e abri mão, pois meu filho tinha 2 meses na época e estava ficando doente, então tive que parar. Dentro do período que estive na universidade passei a gostar do curso, e quando houve a oportunidade comecei novamente. O curso de Pedagogia é um curso que não envolve muita Matemática, por isso alguns escolhem a Pedagogia e optam por fazer, porém não foi o meu caso, apesar de meu histórico com a Matemática a escolha pelo curso foi mesmo pelas oportunidades de conhecer um pouco da Pedagogia e gostar disso. Após um ano de curso a professora Dra. Edda Curi foi à sala para anunciar o Projeto Observatório da Educação e me interessei muito, queria fazer para poder ver se minhas concepções sobre a Matemática, o medo e a dificuldade diminuíssem. Então após entrar no projeto, no começo fiquei assustada e me perguntei se estava preparada para aquele desafio, eu pensava se iria conseguir acompanhar o grupo, mas eu tinha que dar essa oportunidade para mim e para poder mais para frente também ter subsídios quando estiver ensinando Matemática. O projeto foi uma disciplina a mais para minha formação. O grupo é composto por professores que pensam e agem diferente da forma que estava acostumada a ver, muitas vezes quando as professoras davam exemplos de alunos com dificuldades, me via neles, e através disso, pela minha dificuldade do passado e pelo que presenciei no projeto meu olhar em relação as dificuldades das crianças me deu uma direção bem mais ampla de como ensinar em sala. No curso de pedagogia a disciplina de conhecimento teórico em Matemática não foi algo que me deu a visão que tive no projeto, o olhar do professor, na verdade é necessário que o professor tenha uma visão diferenciada da prática para que seja comparada com o pensamento teórico, acredito que a disciplina deve ser mais bem trabalhada, sobre todas as formas. 280 Durante esse período que estou no projeto minha visão com relação a Matemática mudou, o ensino que tive no passado foi defasado mas superei e aprendi, porém o projeto me deu chances de compreender e como irei proceder em sala da forma que irei ensinar Matemática para as crianças. O projeto me permitiu quebrar o mito de que a Matemática é um bicho de sete cabeças, pois o problema não é a matemática e sim a forma como os professores vêm e trabalham a mesma. Pude perceber isso no contato com os professores do projeto que se comprometem com a aprendizagem dos alunos e deles mesmos. 281 APÊNDICE I - QUESTIONÁRIOS RESPONDIDOS PELAS DIRETORAS: PERFIL DA ESCOLA “E-MAO” Ver pág. 110 PERFIL DA ESCOLA “E-MAO” Escola: “E-MAO”22 Localização: Cidade A.E. Carvalho Número de alunos atendidos: 1.647 Organização da escola: 8 séries x ou 9 anos Breve descrição da situação sócio econômica das famílias dos alunos atendidos em sua escola: R: A maioria é de migração nordestina, tem como rendimento menos de um salário mínimo com apoio do governo de bolsa-família. IDEB da escola23 2007: 3,9 2009: 4,3 2011: 5,0 Sobre o número de salas e alunos para o Ensino Fundamental ANO/SÉRIE Nº DE SALAS Nº DE ALUNOS 1º 03 30 cada – T= 90 2º 05 32 cada – T= 160 3º 05 35 cada – T= 175 4º 05 158 5º 05 35 cada – T= 175 Sobre o número total de professores ANO/SÉRIE PROFESSORES PROFESSORES FORMAÇÃO FORMAÇÃO NÍVEL MÉDIO SUPERIOR 1º 2º 3º 1 4º 1 5º - QUANTIDADE POR NÍVEL ÁREA PEDAGOGIA PEDAGOGIA PEDAGOGIA PEDAGOGIA PEDAGOGIA Gostaria de fazer algum comentário ou acrescentar algo que julgue interessante para o tema que discutimos? R: 22 Para preservar a identidade da diretora e escola, não reproduzimos o nome e endereço da escola, optando pelo termo “E-MAO” e somente o bairro no qual se localiza. 23 A diretora não informou os índices do IDEB da escola. À época de nossa pesquisa apuramos nas fontes oficiais do governo os valores que constam no questionário. 282 APÊNDICE J - QUESTIONÁRIOS RESPONDIDOS PELAS DIRETORAS: PERFIL DA ESCOLA “E-TARS” PERFIL DA ESCOLA “E-TARS” Escola: “E-TARS”24 Localização: Vila Jacuí Número de alunos atendidos: 1581 Organização da escola: 8 SÉRIES OU 9 ANOS X Breve descrição da situação sócio econômica das famílias dos alunos atendidos em sua escola: R: São na maioria famílias de baixa renda IDEB da escola 2007: 4,3 2009: 4,2 201125: Sobre o número de salas e alunos para o Ensino Fundamental ANO/SÉRIE Nº DE SALAS Nº DE ALUNOS 1º 6 163 2º 5 147 3º 4 127 4º 6 148 5º 6 199 Sobre o número total de professores ANO/SÉRIE PROFESSORES PROFESSORES FORMAÇÃO FORMAÇÃO NÍVEL MÉDIO SUPERIOR 1º 11 2º 1 3º 24 8 8 QUANTIDADE POR NÍVEL ÁREA PEDAGOGIA - 6 Ed.Física – 1 Informática – 1 Leitura – 1 Inglês - 1 PEDAGOGIA - 5 Ed.Física – 1 Informática – 1 Leitura – 1 Inglês - 1 PEDAGOGIA - 4 Para preservar a identidade da diretora e escola, não reproduzimos o nome e endereço da escola, optando pelo termo “E-TARS” e somente o bairro no qual se localiza. 25 À época desta pesquisa obtivemos a informação de que o valor do IDEB da escola em 2011 foi de 4,8. 283 4º 10 5º 10 Ed.Física – 1 Informática – 1 Leitura – 1 Inglês - 1 PEDAGOGIA - 6 Ed.Física – 1 Informática – 1 Leitura – 1 Inglês - 1 PEDAGOGIA - 6 Ed.Física – 1 Informática – 1 Leitura – 1 Inglês - 1 Gostaria de fazer algum comentário ou acrescentar algo que julgue interessante para o tema que discutimos? R: 284 APÊNDICE K - QUESTIONÁRIOS RESPONDIDOS PELAS DIRETORAS: PERFIL DA ESCOLA “E-EAM” PERFIL DA ESCOLA “E-EAM” Escola: “E-EAM”26 Localização: São Miguel Paulista Número de alunos atendidos: Aproximadamente 1600 Organização da escola: 8 SÉRIES X 9 ANOS Breve descrição da situação sócio econômica das famílias dos alunos atendidos em sua escola: R: A grande maioria das famílias encontra-se na faixa média de salários, renda familiar de 01 a 05 mínimos, as crianças em sua maioria encontram-se na faixa de média vulnerabilidade e alguns casos de grande vulnerabilidade. IDEB da escola 2007: 4,6 2009: 5,1 2011: ainda não temos o resultado27 Sobre o número de salas e alunos para o Ensino Fundamental ANO/SÉRIE Nº DE SALAS Nº DE ALUNOS 1º Ano 05 150 2º Ano 05 175 3º Ano 04 140 4º Ano 07 245 5º Série 05 175 Sobre o número total de professores ANO/SÉRIE PROFESSORES PROFESSORES FORMAÇÃO FORMAÇÃO NÍVEL MÉDIO SUPERIOR 1º Todos 2º Todos 3º Todos 4º Todos 5º Todos QUANTIDADE POR NÍVEL ÁREA PEDAGOGIA PEDAGOGIA PEDAGOGIA PEDAGOGIA PEDAGOGIA. Gostaria de fazer algum comentário ou acrescentar algo que julgue interessante para o tema que discutimos? R: 26 Para preservar a identidade da diretora e escola, não reproduzimos o nome e endereço da escola, optando pelo termo “E-EAM” e somente o bairro no qual se localiza. 27 À época desta pesquisa obtivemos a informação de que o valor do IDEB da escola em 2011 foi de 4,6. 285 APÊNDICE L - QUESTIONÁRIOS RESPONDIDOS PELAS DIRETORAS: PERFIL DA ESCOLA “E-LISE” PERFIL DA ESCOLA “E-LISE” Escola: “E-LISE”28 Localização: Jardim Imperador Número de alunos atendidos: 822 alunos Organização da escola: 8 SÉRIES 9 ANOS X Breve descrição da situação sócio econômica das famílias dos alunos atendidos em sua escola: R: Os alunos são de classe média baixa, muitos dos responsáveis trabalham na informalidade, poucos trabalham registrados. Na reunião de pais há uma boa frequência. IDEB da escola 2007: 5,2 2009: 4,9 2011: 5,4 Sobre o número de salas e alunos para o Ensino Fundamental ANO/SÉRIE Nº DE SALAS Nº DE ALUNOS 1º 3 76 2º 3 76 3º 3 87 4º 4 127 5º 3 108 Sobre o número total de professores ANO/SÉRIE PROFESSORES PROFESSORES FORMAÇÃO FORMAÇÃO NÍVEL MÉDIO SUPERIOR 1º 3 2º 3 3º 3 4º 4 5º 10 QUANTIDADE POR NÍVEL ÁREA PEDAGOGIA PEDAGOGIA PEDAGOGIA PEDAGOGIA PEDAGOGIA Gostaria de fazer algum comentário ou acrescentar algo que julgue interessante para o tema que discutimos? R: A estagiária mostrou interesse e teve um bom desempenho durante o estágio. 28 Para preservar a identidade da diretora e escola, não reproduzimos o nome e endereço da escola, optando pelo termo “E-LISE” e somente o bairro no qual se localiza. 286 APÊNDICE M - QUESTIONÁRIOS RESPONDIDOS PELAS DIRETORAS: PERFIL DA ESCOLA “E-VANGRA” PERFIL DA ESCOLA “E-VANGRA” Escola: “E-VANGRA”29 Localização: Jardim Matarazzo Número de alunos atendidos: 840 Organização da escola: 8 SÉRIES 9 ANOS X Breve descrição da situação sócio econômica das famílias dos alunos atendidos em sua escola: R: A EMEF “E-VANGRA” está situada em um local de baixo IDH, grande parte das pessoas ocupam moradias legalizadas há pouco tempo em razão da organização das pessoas no entorno do movimento de moradia. Encontramos um pequeno comércio local organizado, os meios de transporte mais utilizados são os ônibus e trens da CPTM. No entorno da unidade existem poucas áreas de lazer e poucos espaços culturais. É perceptível que muitas mulheres assumem a responsabilidade pela manutenção da família e, ainda, que as avós possuem uma grande importância para a organização da mesma. Frequentemente são as mães que acompanham a vida escolar das crianças e adolescentes. IDEB da escola 2007: *30 2009: 4,1 / 3,831 2011: 4,7 / 3,8 Sobre o número de salas e alunos para o ensino fundamental ANO/SÉRIE Nº DE SALAS Nº DE ALUNOS 1º 3 83 2º 3 92 3º 3 103 4º 4 114 5º 3 102 Sobre o número total de professores ANO/SÉRIE PROFESSORES PROFESSORES FORMAÇÃO FORMAÇÃO NÍVEL MÉDIO SUPERIOR 1º * 3 2º * 3 3º * 3 4º * 4 5º * * 29 QUANTIDADE POR NÍVEL ÁREA PEDAGOGIA PEDAGOGIA PEDAGOGIA PEDAGOGIA PEDAGOGIA Para preservar a identidade da diretora e escola, não reproduzimos o nome e endereço da escola, optando pelo termo “E-VANGRA” e somente o bairro no qual se localiza. 30 A escola começou a funcionar em 2008, razão pela qual não foi avaliada em 2007. 31 Os dois valores mencionados pela diretora referem-se ao IDEB alcançado e à meta proposta. 287 Gostaria de fazer algum comentário ou acrescentar algo que julgue interessante para o tema que discutimos? R: A escola tem interesse em dialogar com a Universidade para melhorar o atendimento aos estagiários e, ainda, apresentar sua disposição em atender pesquisadores na área da educação. 288 APÊNDICE N - TABELA NÚMERO DE ALUNOS ATENDIDOS Ver pág. 111 Tabela 2 - Número de salas e alunos por escola Escola N° de Salas N° de Alunos E-EAM 21 710 E-MAO 18 583 E-TARS 27 784 E-LISE 16 469 E-VANGRA 16 494 Totais 98 2510 289 APÊNDICE O - VARIAÇÃO IDEB POR RESCOLA Ver pág. 112 Tabela 3 - Variação do IDEB das escolas pesquisadas nas três últimas edições Variação IDEB das escolas pesquisadas Escola E-EAM E-MAO E-TARS E-LISE E-VANGRA 2007 4,6 3,9 4,3 5,2 - 2009 5,1 4,3 4,2 4,9 4,1 2011 4,6 5,0 4,8 5,4 4,7 Ano 290 APÊNDICE P - RESPOSTAS PERFIL DAS PROFESSORAS: PERFIL DA PROFESSORA “P-MAO” Ver pág. 114 PERFIL DA PROFESSORA “P-MAO” DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Nome: “P-MAO”32 Idade: 37 Estado Civil : Solteira Nº de Filhos: 01 Formação: Superior Tempo de atuação 15 anos Instituição e ano em que se formou Universidade C.C.B.33 – 2004 Tempo de atuação no Ensino Fundamental: 15 anos Enquadramento Funcional: ( ) Contratado ( X ) Efetivo por concurso Trabalha quantos períodos? (Especifique série/ano) – 1º/2º Ano Série/Ano em que gosta de atuar: 4º e 5º ano R: Por quê? Porque os alunos são mais independentes e tem mais maturidade. PARTE A – FORMAÇÃO – IDENTIDADE PROFISSIONAL 1) Conte um pouco da sua história, como foi sua vida escolar, onde você estudou? Enfim, conte como você chegou ao Magistério e por que escolheu ser professor(a)? R: Estudei no Centro Educacional A.D.34, na Bahia. Escolhi ser professora e após o período de estágio descobri a minha vocação. 2) O que você achou de sua formação? Seu curso lhe formou para trabalhar com crianças? R: O curso de Magistério me deu suporte para desenvolver minha didática e com o tempo fui consolidando-a. A faculdade deixou a desejar, pois desenvolve uma didática teórica. 3) Como este curso lhe preparou para ensinar as crianças do Ensino Fundamental? R: Magistério, porque o 4º ano é voltado para a prática de ensino. 32 Para preservar a identidade da professora, a mesma será identificada como “P-MAO” Para preservar a Universidade, utilizamos a sigla C.C.B. 34 Utilizamos a sigla A.D. para preservar a instituição. 33 291 4) Em que série/ano você se sente mais à vontade para atuar? R: 4º e 5º ano do Ensino Fundamental. 5) Em relação às áreas do conhecimento, por exemplo, Alfabetização, Ciências, Matemática entre outros, no que seu curso lhe preparou melhor? Por quê? R: Português, porque a alfabetização é o início da aprendizagem. 6) Qual área você mais gosta de ensinar? Por quê? R: Todas porque é o início do processo que vai dar condições do crescimento intelectual do aluno. 7) Você gosta de ensinar Matemática? Poderia citar um exemplo do que você mais gosta na área da Matemática? R: Gosto, pois tenho formação em Matemática. Situações problemas, onde concretiza o raciocínio e a lógica. 8) Em sua opinião, o que é mais trabalhoso ou mais difícil para ensinar Matemática? R: A interpretação. 9) O que você acredita ser preciso para ensinar Matemática para as crianças? R: Desenvolver atividades que incorporam a realidade dos alunos. 10) Que lacunas você sente em sua formação inicial para ensinar Matemática, ou seja, o que precisaria ter sido trabalhado mais durante sua formação? Por quê? R: No curso Superior, a didática. 11) Você tem feito, ou sente necessidade de fazer algum curso de formação continuada? Em qual área? R: Estou cursando Pedagogia. 12) O que lhe atrai e o que lhe dificulta em sua profissão? R: Depois de 15 anos de prática os desafios que foram surgindo foram superados, surgirão outros que terei que superá-los. 13) Se tivesse chance mudaria de profissão? O que lhe faz permanecer nela? R: Não, eu escolhi ser professora, o que me faz permanecer é a vocação. 292 14) O que lhe atrai e o que dificulta no ensino de Matemática? R: Matemática é a realidade de uma construção de sociedade. Mesmo não sendo alfabetizado o ser humano aprende a lidar com os números. 15) Você conhece o IDEB de sua escola? R: Sim 16) Você já viu em que nível de proficiência em Matemática encontram-se os alunos da escola? R: Nos 4ºs anos atinge o índice, nas 8ªs séries o índice está abaixo da média. 17) Quais são as metas propostas para melhoria da proficiência em Matemática? R: A escola atende os alunos com a recuperação paralela, procurando assim atingir o nível ou seja, a meta. PARTE B – PRÁTICA PEDAGÓGICA 1) Você pode me descrever sua rotina diária, seu trabalho, como organiza as aulas de Matemática, quantas vezes por semana ensina Matemática, durante quanto tempo? R: Leitura do quadro de 1 a 100, ditado de números, escrita dos números, operações e situações problemas / gráficos. Acontecem 3 vezes na semana ( utilizo duas aulas quando necessário três). 2) Como você planeja suas aulas de Matemática, quais materiais utiliza? Tem seu planejamento em mãos? R: Sim, jogos lúdicos; cartazes expostos em sala de aula. 3) Dentre as atividades matemáticas propostas para seus alunos, o que você considera mais importante? Por quê? R: Reconhecer os números, realizar operações de adição e subtração. 4) Seus alunos se interessam pelas aulas de Matemática? O que você faz para que eles se interessem? R: Sim, desenvolvo atividades voltadas para a realidade do aluno. 5) Você se recorda de suas aulas no curso de Pedagogia (ou formação inicial), nas disciplinas ligadas ao ensino de Matemática? Como eram essas aulas? Quais assuntos eram tratados? 293 R: Sim. No Magistério confeccionávamos jogos com materiais recicláveis. 6) Você trabalha em sua prática com algo que aprendeu na formação inicial? Poderia exemplificar? R: Confecção de dominós com caixas de fósforos; exposição de tabela de números na sala de aula. 7) Você tem alguma orientação pedagógica para ensinar Matemática a seus alunos? De quem? Em alguma instância discute o que ensinar e como ensinar? R: Temos. Discutimos no grupo de formação JEIF com o grupo de professores e coordenadores. De que forma são feitas as orientações pedagógicas para ensinar Matemática? Essas orientações auxiliam ou não sua prática em sala de aula? Como? R: Trabalhamos com o Caderno de Orientações Curriculares de expectativas de aprendizagem para o Ensino Fundamental – Ciclo I. 8) Você usa o Livro Didático adotado na escola em suas aulas? Complementa com outros materiais de apoio? Quais? R: Não, a escola não recebeu número suficiente de Livro Didático e Caderno de Apoio de Matemática para todos os alunos. Retiro atividades do Livro Didático Aprender Juntosd, Projeto Buriti, inernet, etc. 9) Quais são suas maiores dificuldades para trabalhar Matemática com as crianças? R: A falta de interpretação dos alunos. 10) Você gostaria de fazer algum comentário sobre nossa conversa, ou acrescentar algo que julgue interessante para o tema que discutimos? R: 11) Você está acostumada(o) a receber estagiários em sua sala? R: Sim, todos os anos. 12) Você recebe alguma orientação sobre como receber os estagiários? R: Sim, o estagiário na escola tornou-se rotina. 294 13) O que propõe como atividades aos estagiários? O que é discutido em termos de formação? R: Proponho que o estagiário fique atento à Didática e à prática pedagógica. 14) Você tem interesse numa formação específica para receber e acompanhar os estagiários em sua sala? R: Não, porque o contato com o estágio acontece todos os anos. Gostaria de fazer algum comentário ou acrescentar algo que julgue interessante para o tema que discutimos? R: 295 APÊNDICE Q - RESPOSTAS PERFIL DAS PROFESSORAS: PERFIL DA PROFESSORA “P-TARS” PERFIL DA PROFESSORA “P-TARS” DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Nome: “P-TARS”35 Idade: 45 Estado Civil : Casada Nº de Filhos: 03 Formação: Nível Superior Tempo de atuação 24 anos Instituição e ano em que se formou: Universidade “U”36 Tempo de atuação no Ensino Fundamental: 20 anos Enquadramento Funcional: ( ) Contratado ( X ) Efetivo por concurso Trabalha quantos períodos? (Especifique série/ano) – 1 / 4º série Série/Ano em que gosta de atuar: 3ª e 4ª séries Por quê? R: Acho mais gratificante PARTE A – FORMAÇÃO – IDENTIDADE PROFISSIONAL 1) Conte um pouco da sua história, como foi sua vida escolar, onde você estudou? Enfim, conte como você chegou ao Magistério e por quê escolheu ser professor(a)? R: Sempre fui boa aluna e sempre gostei de ensinar. Meu pai era professor. 2) O que você achou de sua formação? Seu curso lhe formou para trabalhar com crianças? R: Na época sim. O sistema de ensino sofreu modificações que trouxeram algumas questões que dificultam o processo de ensino aprendizagem de hoje. 3) Como este curso lhe preparou para ensinar as crianças do Ensino Fundamental? R: Através do estágio 4) Em que série/ano você se sente mais à vontade para atuar? R: 4ª e 3ª 5) Em relação às áreas do conhecimento, por exemplo, Alfabetização, Ciências, Matemática entre outros, no que seu curso lhe preparou melhor? Por quê? 35 36 Para preservar a identidade da professora, a mesma será identificada como “P-TARS” Para preservar a Universidade, utilizamos a sigla “U”. 296 R: A teoria trouxe algum conhecimento, mas somente a prática trouxe o conhecimento. 6) Qual área você mais gosta de ensinar? Por quê? R: Português e Matemática. Domino melhor. 7) Você gosta de ensinar Matemática? Poderia citar um exemplo do que você mais gosta na área da Matemática? R: Sim, as quatro operações. 8) Em sua opinião, o que é mais trabalhoso ou mais difícil para ensinar Matemática? R: Raciocínio lógico 9) O que você acredita ser preciso para ensinar Matemática para as crianças? R: Raciocínio lógico 10) Que lacunas você sente em sua formação inicial para ensinar Matemática, ou seja, o que precisaria ter sido trabalhado mais durante sua formação? Por quê? R: Como ensinar raciocínio lógico 11) Você tem feito, ou sente necessidade de fazer algum curso de formação continuada? Em qual área? R: Não 12) O que lhe atrai e o que lhe dificulta em sua profissão? R: O que dificulta é a violência, me atrai poder ensinar. 13) Se tivesse chance mudaria de profissão? O que lhe faz permanecer nela? R: Eu gosto de dar aula, mas mudaria porque me sinto impotente perante as dificuldades que encontro. 14) O que lhe atrai e o que dificulta no ensino de Matemática? R: Me atrai estimular o raciocínio lógico, dificulta às vezes não chegar ao aluno, não conseguir ensinar. 15) R: Não Você conhece o IDEB de sua escola? 297 16) Você já viu em que nível de proficiência em Matemática encontram-se os alunos da escola? R: Não 17) Quais são as metas propostas para melhoria da proficiência em Matemática? R: Trabalhar o caderno de apoio e ir fazendo algumas intervenções. PARTE B – PRÁTICA PEDAGÓGICA 1) Você pode me descrever sua rotina diária, seu trabalho, como organiza as aulas de Matemática, quantas vezes por semana ensina Matemática, durante quanto tempo? R: Ensino matemática duas vezes por semana, na terça só matemática e na quarta uma ou duas aulas. Organizo a rotina na JEIF 2) Como você planeja suas aulas de Matemática, quais materiais utiliza? Tem seu planejamento em mãos? R: Planejo com a turma da série na JEIF, tenho o planejamento na mão. 3) Dentre as atividades matemáticas propostas para seus alunos, o que você considera mais importante? Por que? R: Raciocínio lógico 4) Seus alunos se interessam pelas aulas de Matemática? O que você faz para que eles se interessem? R: Sim, uso assunto que chama atenção deles. 5) Você se recorda de suas aulas no curso de Pedagogia (ou formação inicial), nas disciplinas ligadas ao ensino de Matemática? Como eram essas aulas? Quais assuntos eram tratados? R: Não 6) Você trabalha em sua prática com algo que aprendeu na formação inicial? Poderia exemplificar? R: Não 7) Você tem alguma orientação pedagógica para ensinar Matemática a seus alunos? De quem? Em alguma instância discute o que ensinar e como ensinar? De que forma são 298 feitas as orientações pedagógicas para ensinar Matemática? Essas orientações auxiliam ou não sua prática em sala de aula? Como? R: Sim, Prefeitura e JEIF. 8) Você usa o Livro Didático adotado na escola em suas aulas? Complementa com outros materiais de apoio? Quais? R: Sim. Complemento com outras atividades. 9) Quais são suas maiores dificuldades para trabalhar Matemática com as crianças? R: Trabalhar raciocínio lógico 10) Você gostaria de fazer algum comentário sobre nossa conversa, ou acrescentar algo que julgue interessante para o tema que discutimos? 11) Você está acostumada(o) a receber estagiários em sua sala? R: Sim 12) Você recebe alguma orientação sobre como receber os estagiários? R: Não 13) O que propõe como atividades aos estagiários? O que é discutido em termos de formação? 14) R: Observar e às vezes ajudar os alunos para adquirir prática e conhecimento 15) Você tem interesse numa formação específica para receber e acompanhar os estagiários em sua sala? R: Sim. Gostaria de fazer algum comentário ou acrescentar algo que julgue interessante para o tema que discutimos? R: 299 APÊNDICE R - RESPOSTAS PERFIL DAS PROFESSORAS: PERFIL DA PROFESSORA “P-EAM” PERFIL DA PROFESSORA “P-EAM” DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Nome: “P-EAM”37 Idade: 35 Estado Civil : Solteira Nº de Filhos: 0 Formação: Pedagogia Tempo de atuação 13 anos Instituição e ano em que se formou: “U.A”38 Tempo de atuação no Ensino Fundamental: 10 anos Enquadramento Funcional: ( ) Contratado ( X ) Efetivo por concurso Trabalha quantos períodos? (Especifique série/ano) – Trabalho em um período com uma sala de 5º ano (4ª série) Série/Ano em que gosta de atuar: 5º ano (4ª série) Por quê? R: Porque nessa idade já são mais maduros e independentes, gosto dessa faixa etária. PARTE A – FORMAÇÃO – IDENTIDADE PROFISSIONAL 1) Conte um pouco da sua história, como foi sua vida escolar, onde você estudou? Enfim, conte como você chegou ao Magistério e por quê escolheu ser professor(a)? R: Minha vida escolar foi tranquila, não tinha dificuldades em assimilar os conteúdos e tive bons professores que me recordo ainda hoje apesar de ter recebido um ensino tradicionalíssimo. Venho de uma família de professores e desde crianças sempre fui encantada com a profissão, nunca tive dúvidas do que eu gostaria de “ser” quando crescesse. A minha escolha pelo magistério veio desde criança, adorava brincar de escolinha e claro, eu sempre era a professora da brincadeira. Fiz todo o ensino fundamental em escola pública e já me preparava para o vestibulinho para entrar no tão sonhado Magistério. Iniciei o Magistério em 1993 em uma escola estadual e terminei em 1997, em outra escola que oferecia o CEFAM, realizando assim meu grande sonho de ser professora. 37 38 Para preservar a identidade da professora, a mesma será identificada como “P-EAM” Para preservar a Universidade, utilizamos a sigla “U.A”. 300 2) O que você achou de sua formação? Seu curso lhe formou para trabalhar com crianças? R: Minha formação foi muito boa tanto no magistério quanto na universidade. Tive ótimos professores, mas aprendi mesmo a trabalhar com as crianças na prática de sala de aula e nos cursos de formação que faço até hoje, e com os encontros para estudo na EMEF em que trabalho (JEIf – Jornada especial integrada de formação. 3) Como este curso lhe preparou para ensinar as crianças do Ensino Fundamental? R: No curso tive aulas teóricas, vídeo conferencia e com ótimas referências bibliográficas que pautam meu trabalho até hoje. Tínhamos aulas práticas onde vivenciávamos a prática de uma sala de aula com oficinas, no meu caso foi muito mais fácil, pois eu já estava na rede de ensino e podia aplicar as oficinas na mi nha própria sala de aula. 4) Em que série/ano você se sente mais à vontade para atuar? R: Adoro atuar no 5º ano do ensino fundamental (4ª serie). Me sinto mais a vontade com eles porque são mais independentes e mais maduros. 5) Em relação às áreas do conhecimento, por exemplo, Alfabetização, Ciências, Matemática entre outros, no que seu curso lhe preparou melhor? Por quê? R: Creio que tive uma ótima formação quanto à alfabetização, pois além do magistério e da universidade, fiz cursos de formação como o PROFA, Educação transversal e multidisciplinar entre outros oferecidos pela SME. Por outro lado tenho que admitir muita dificuldade com a matemática, pois apesar da formação que tenho, os cursos de alfabetização nunca deram muita ênfase para essa área do conhecimento. 6) Qual área você mais gosta de ensinar? Por quê? R: Gosto mais da alfabetização, português, ciências, história e geografia relaciono todas essas áreas entre si com mais facilidade do que com a matemática. Sempre gostei mais da área de humanas do que de exatas. 7) Você gosta de ensinar Matemática? Poderia citar um exemplo do que você mais gosta na área da Matemática? R: Não gosto muito por conta da minha dificuldade de "como" ensinar a matemática. Tenho consciência da minha defasagem nessa área. Gosto de trabalhar com gráficos e tabelas. 8) Em sua opinião, o que é mais trabalhoso ou mais difícil para ensinar Matemática? 301 R: O mais trabalhoso em minha opinião é divisão e frações. 9) O que você acredita ser preciso para ensinar Matemática para as crianças? R: Acredito que muito estudo e uma formação específica de alfabetização em matemática na Universidade e para os professores que já estão em sala de aula. 10) Que lacunas você sente em sua formação inicial para ensinar Matemática, ou seja, o que precisaria ter sido trabalhado mais durante sua formação? Por quê? R: Percebo que faltou contextualização no ensino de matemática na minha formação desde o inicio no ensino fundamental, aprendi somente as operações descontextualizadas ensinadas mecanicamente, e hoje tenho dificuldades em ensinar as crianças por conta dessa falha na minha formação. 11) Você tem feito, ou sente necessidade de fazer algum curso de formação continuada? Em qual área? R: No momento não tenho feito curso de formação continuada fora da escola mas sinto a necessidade de um curso de alfabetização em matemática. 12) O que lhe atrai e o que lhe dificulta em sua profissão? R: Atrai-me o desafio, a magia da troca com os alunos à construção do conhecimento junto deles o dia a dia e a relação que estabelecemos uns com os outros. O que dificulta é o pouco tempo que temos com os alunos na sala de aula, a falta de cursos específicos por área fora do horário de trabalho para nos aperfeiçoar. 13) Se tivesse chance mudaria de profissão? O que lhe faz permanecer nela? R: Jamais mudaria de profissão, estar na educação é o que eu quero, permaneço porque sou cada dia mais apaixonada pelo que faço e busco todos os dias ajudar na formação dos meus alunos, mesmo com as dificuldades diárias. 14) O que lhe atrai e o que dificulta no ensino o de Matemática? R: 15) Você conhece o IDEB de sua escola? R: R: Sim 16) Você já viu em que nível de proficiência em Matemática que se encontra os alunos da escola? R: 302 17) Quais são as metas propostas para melhoria da proficiência em Matemática? R: PARTE B – PRÁTICA PEDAGÓGICA 1) Você pode me descrever sua rotina diária, seu trabalho, como organiza as aulas de Matemática, quantas vezes por semana ensina Matemática, durante quanto tempo? R: Iniciamos as aulas com a leitura compartilhada, do livro que leio com as crianças em seguida dou sequência às aulas do dia. Tenho uma tabela onde dividi as matérias diárias e sigo o horário diário abaixo: SEGUNDA TERÇA QUARTA QUINTA SEXTA Português Matemática Português Ed. Física Inglês Português Matemática Ed. Física Ciências Matemática Matemática História Português Ciências Português Matemática Informática Português Geografia Sala de leitura Inglês Historia Ciências Geografia Artes 2) Como você planeja suas aulas de Matemática, quais materiais utiliza? Tem seu planejamento em mãos? R: Planejo as aulas com base no planejamento anual. Faço pesquisas de atividades e de métodos de ensino, utilizo livros didáticos. 3) Dentre as atividades matemáticas propostas para seus alunos, o que você considera mais importante? Por que? R: Considero mais importante atividades de situações problemas que contextualizam o raciocínio matemático porque percebo que as crianças tem dificuldade na interpretação dos problemas mesmo sendo situações concretas vividas por eles. 4) Seus alunos se interessam pelas aulas de Matemática? O que você faz para que eles se interessem? R: Sim eles se interessam pelas aulas, é uma sala que tem facilidade em matemática, como pude observar em minhas avaliações na prova da Cidade de matemática do primeiro semestre. 303 5) Você se recorda de suas aulas no curso de Pedagogia (ou formação inicial), nas disciplinas ligadas ao ensino de Matemática? Como eram essas aulas? Quais assuntos eram tratados? R: Na faculdade, tínhamos oficinas matemáticas e aulas expositivas. Fazíamos seminários com aulas práticas. 6) Você trabalha em sua prática com algo que aprendeu na formação inicial? Poderia exemplificar? R: Não. Principalmente porque na minha formação inicial tudo era descontextualizado e eu busco contextualizar a matemática. 7) Você tem alguma orientação pedagógica para ensinar Matemática a seus alunos? De quem? Em alguma instância discute o que ensinar e como ensinar? R: Tenho orientação da Coordenação pedagógica. De que forma são feitas as orientações pedagógicas para ensinar Matemática? Essas orientações auxiliam ou não sua prática em sala de aula? Como? R: Nos estudos de formação dos professores (JEIF) peço orientações a coordenação pedagógica e a professores da área mas nada sistematizado. 8) Você usa o Livro Didático adotado na escola em suas aulas? Complementa com outros materiais de apoio? Quais? R: Raramente uso o livro didático prefiro pesquisar atividades, com base nas avaliações externas que os alunos fazem durante o ano, utilizo o caderno de apoio e aprendizagem de matemática e outros livros que pesquiso. 9) Quais são suas maiores dificuldades para trabalhar Matemática com as crianças? R: Como já havia dito anteriormente a minha dificuldade por conta da minha formação inicial. 10) Você gostaria de fazer algum comentário sobre nossa conversa, ou acrescentar algo que julgue interessante para o tema que discutimos? R: Gostaria de acrescentar que nós professores necessitamos muito de formação em matemática. 11) R: Você está acostumada (o) a receber estagiários em sua sala? R: Sim 304 12) Você recebe alguma orientação sobre como receber os estagiários? R: Não R: 13) O que propõe como atividades aos estagiários? O que é discutido em termos de formação? R: Proponho que ajude as crianças com mais dificuldade e discutimos sobre as dificuldades que temos e como podemos sanar, que materiais podemos utilizar no nosso trabalho. 14) Você tem interesse numa formação específica para receber e acompanhar os estagiários em sua sala? R: Sim Gostaria de fazer algum comentário ou acrescentar algo que julgue interessante para o tema que discutimos? R: Não 305 APÊNDICE S - RESPOSTAS PERFIL DAS PROFESSORAS: PERFIL DA PROFESSORA “P-LISE” PERFIL DA PROFESSORA “P-LISE” DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Nome: “P-LISE”39 Idade: 49 Estado Civil : Casada Nº de Filhos: Formação: Superior Completo Tempo de atuação 27 anos Instituição e ano em que se formou: Universidade “U.C”40 Tempo de atuação no Ensino Fundamental: 27 anos Enquadramento Funcional: ( ) Contratado ( X ) Efetivo por concurso Trabalha quantos períodos? (Especifique série/ano) – 2 períodos 1º ano em ambos Série/Ano em que gosta de atuar: 1º ano Por quê? R: Tenho satisfação em alfabetizar PARTE A – FORMAÇÃO – IDENTIDADE PROFISSIONAL 1) Conte um pouco da sua história, como foi sua vida escolar, onde você estudou? Enfim, conte como você chegou ao Magistério e por quê escolheu ser professor(a)? R: Como morava em uma cidade do interior, onde havia apenas os cursos de Magistério e Técnico de Contabilidade, fui fazer Magistério e logo me interessei pela área. 2) O que você achou de sua formação? Seu curso lhe formou para trabalhar com crianças? R: O curso de magistério foi muito importante para minha formação, já o curso de Pedagogia pouco contribuiu. 3) Como este curso lhe preparou para ensinar as crianças do Ensino Fundamental? R: Só se aprende a trabalhar com crianças trabalhando com crianças, e o curso pouco ajudou nesse sentido. 4) Em que série/ano você se sente mais à vontade para atuar? R: No primeiro ano 39 40 Para preservar a identidade da professora, a mesma será identificada como “P-LISE” Para preservar a Universidade, utilizamos a sigla “U.C”. 306 5) Em relação às áreas do conhecimento, por exemplo, Alfabetização, Ciências, Matemática entre outros, no que seu curso lhe preparou melhor? Por quê? R: Pouco contribuiu 6) Qual área você mais gosta de ensinar? Por quê? R: Alfabetização 7) Você gosta de ensinar Matemática? Poderia citar um exemplo do que você mais gosta na área da Matemática? R: Sim. Situações problema, cálculo mental. 8) Em sua opinião, o que é mais trabalhoso ou mais difícil para ensinar Matemática? R: Áreas e perímetros 9) O que você acredita ser preciso para ensinar Matemática para as crianças? R: Material concreto 10) Que lacunas você sente em sua formação inicial para ensinar Matemática, ou seja, o que precisaria ter sido trabalhado mais durante sua formação? Por quê? R: O uso do material concreto 11) Você tem feito, ou sente necessidade de fazer algum curso de formação continuada? Em qual área? R: Já fiz “A criança de seis anos no Ensino Fundamental” 12) O que lhe atrai e o que lhe dificulta em sua profissão? R: O que atrai prazer em ensinar. O que dificulta a falta de compromisso dos pais. 13) Se tivesse chance mudaria de profissão? O que lhe faz permanecer nela? R: Não. Gosto do que faço. 14) O que lhe atrai e o que dificulta no ensino de Matemática? R: Não tenho dificuldades nessa área. 15) R: Não Você conhece o IDEB de sua escola? 307 16) Você já viu em que nível de proficiência em Matemática encontram-se os alunos da escola? R: Não 17) Quais são as metas propostas para melhoria da proficiência em Matemática? R: Não sei PARTE B – PRÁTICA PEDAGÓGICA 1) Você pode me descrever sua rotina diária, seu trabalho, como organiza as aulas de Matemática, quantas vezes por semana ensina Matemática, durante quanto tempo? R: Quatro vezes por semana, durante 1 h/aula 2) Como você planeja suas aulas de Matemática, quais materiais utiliza? Tem seu planejamento em mãos? R: De acordo com o nível dos alunos – palitos, desenhos, livros didáticos. Sim. 3) Dentre as atividades matemáticas propostas para seus alunos, o que você considera mais importante? Por que? R: Situações problema e cálculo mental. 4) Seus alunos se interessam pelas aulas de Matemática? O que você faz para que eles se interessem? R: Acredito que sim. Proponho desafios. 5) Você se recorda de suas aulas no curso de Pedagogia (ou formação inicial), nas disciplinas ligadas ao ensino de Matemática? Como eram essas aulas? Quais assuntos eram tratados? R: Não havia nada de interessante. 6) Você trabalha em sua prática com algo que aprendeu na formação inicial? Poderia exemplificar? R: Não. 7) Você tem alguma orientação pedagógica para ensinar Matemática a seus alunos? De quem? Em alguma instância discute o que ensinar e como ensinar? 308 De que forma são feitas as orientações pedagógicas para ensinar Matemática? Essas orientações auxiliam ou não sua prática em sala de aula? Como? R: Não. Não tenho orientações a esse respeito. 8) Você usa o Livro Didático adotado na escola em suas aulas? Complementa com outros materiais de apoio? Quais? R: Sim. Sim, tampinhas e palitos. 9) Quais são suas maiores dificuldades para trabalhar Matemática com as crianças? R: Nenhuma 10) Você gostaria de fazer algum comentário sobre nossa conversa, ou acrescentar algo que julgue interessante para o tema que discutimos? R: Não 11) Você está acostumada(o) a receber estagiários em sua sala? R: Algumas vezes 12) Você recebe alguma orientação sobre como receber os estagiários? R: Não 13) O que propõe como atividades aos estagiários? O que é discutido em termos de formação? R: Não. Nada. Apenas acompanho e proponho atividades para a “aluna pesquisadora”. 14) Você tem interesse numa formação específica para receber e acompanhar os estagiários em sua sala? R: Não. Gostaria de fazer algum comentário ou acrescentar algo que julgue interessante para o tema que discutimos? R: 309 ANEXO 310 ANEXO – MATRIZ CURRICULAR DO CURSO DE PEDAGOGIA Ver pág. 80 Curso de Pedagogia Fundamento Legal: LDB n° 9394/96, de 20/12/1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação; Parecer CNE/CP 05/2005, aprovado em 13/12/05; Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia; Parecer CNE/CP 3/06, aprovado em 21/02/06 – Reexame do Parecer CNE/CP 05/2005; Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia; Resolução CNE/CP 01/2006, de 15/05/06 - Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Pedagogia, licenciatura. Ingressantes 2010 C/H Semanal 1º Semestre História da Educação e da Pedagogia Políticas Públicas e Educação Infantil Legislação da Educação Nacional e Políticas Educacionais (EAD) Psicologia da Educação Educação, Jogos e Brincadeiras C/H/A Semestral 04 04 04 04 04 C/H/R Semestral 80 80 80 80 80 - Estudos Dirigidos Total 20 320 80 Total em horas-relógio C/H Semanal C/H/A Semestral C/H/R Semestral 2º Semestre História da Educação no Brasil Língua Portuguesa (EAD) Educação Infantil: Currículo Pensamento, Linguagem e Desenvolvimento Humano Corpo, Movimento e Psicomotricidade 04 04 04 04 04 80 80 80 80 80 - Disciplina Optativa 04 80 - 24 400 80 Estudos Dirigidos I Total Total em horas-relógio 311 C/H Semanal C/H/A Semestral C/H/R Semestral Organização do Trabalho Docente Alfabetização e Letramento Fundamentos Metodológicos do Ensino da Arte e da Música I Fundamentos Metodológicos do Ensino de Matemática I Fundamentos Metodológicos do Ensino da História e Geografia I Fundamentos Metodológicos do Ensino de Ciências Tecnologias da Informação e da Comunicação na Educação (EAD) Disciplina Optativa Estudos Dirigidos II 04 04 02 02 02 02 80 80 40 40 40 40 - 04 - 80 04 80 - Total 24 400 80 C/H Semanal C/H/A Semestral C/H/R Semestral Sociologia (EAD) Filosofia da Educação LIBRAS Fundamentos Metodológicos do Ensino da Arte e da Música II Fundamentos Metodológicos do Ensino da História e Geografia II Fundamentos Metodológicos do Ensino de Matemática II Prática de Ensino e Orientação de Estágio Curricular Supervisionado em Educação Infantil Estudos Dirigidos III 04 04 02 02 02 02 80 40 40 40 40 80 - 02 40 - Subtotal 18 280 80 - - 100 18 280 180 3º Semestre Total em horas-relógio 4º Semestre Estágio Curricular Supervisionado em Educação Infantil Total Total em horas-relógio 312 C/H Semanal C/H/A Semestral C/H/R Semestral Metodologia de Pesquisa (EAD) Escola, Currículo e Sociedade Gestão Educacional e Organização do Trabalho Pedagógico I Educação de Jovens e Adultos Avaliação Educacional Educação e Saúde Estatística Aplicada à Educação Prática de Ensino e Orientação de Estágio Curricular Supervisionado nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental Educação Inclusiva Estudos Dirigidos IV Subtotal Estágio Curricular Supervisionado nos anos iniciais do Ensino Fundamental 04 02 02 02 02 02 02 40 40 40 40 40 40 80 - 02 40 - 02 40 - 20 320 80 - - 100 Total 24 320 180 C/H Semanal C/H/A Semestral C/H/R Semestral 04 02 02 02 02 04 40 40 40 40 80 80 - 02 40 - 02 40 - 18 - 320 - 80 100 20 320 180 5º Semestre Total em horas-relógio 6º Semestre Diversidade Étnico-Cultural (EAD) Educação, Movimentos Populares e Transformação Educação não Formal Gestão Educacional e Organização do Trabalho Pedagógico II Economia da Educação Dificuldades de Aprendizagem Prática de Ensino e Orientação de Estágio Curricular Supervisionado em Gestão Educacional Escola, Família e Comunidade Estudos Dirigidos V Subtotal Estágio Curricular Supervisionado em Gestão Educacional Total Total em horas-relógio