DOUGLAS CRIADO RUIZ CONTRIBUIÇÃO AO DESENVOLVIMENTO DE PROCESSOS DE MONTAGEM E SOLDAGEM DE CARROCERIAS AUTOMOTIVAS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo para obtenção do Título de Mestre em Engenharia São Paulo 2005 DOUGLAS CRIADO RUIZ CONTRIBUIÇÃO AO DESENVOLVIMENTO DE PROCESSOS DE MONTAGEM E SOLDAGEM DE CARROCERIAS AUTOMOTIVAS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo para obtenção do Título de Mestre em Engenharia Área de Concentração: Engenharia Automotiva Orientador: Prof. Dr. Gilmar Ferreira Batalha São Paulo 2005 Este exemplar foi revisado e alterado em relação à versão original, sob responsabilidade única do autor e com a anuência do orientador. São Paulo, 20 de Setembro de 2005. Assinatura do autor......................................................................................... Assinatura do orientador................................................................................. Ruiz, Douglas Criado Contribuição ao desenvolvimento de processos de montagem e soldagem de carrocerias automotivas/Douglas Criado Ruiz . -- São Paulo, 2005. p. 124 Trabalho de curso (Mestrado Profissionalizante em Engenharia Automotiva). Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. 1. Carroçarias 2. Processos de montagem 3. Soldagem I. Universidade de São Paulo. Escola Politécnica. II. t. À minha família e a todos que se interessam pelos fascinantes universos da Engenharia e do Automóvel. AGRADECIMENTOS Ao meu orientador Prof. Dr. Gilmar Ferreira Batalha pelo incentivo constante, dedicação e pelas diretrizes dadas, sem as quais o presente trabalho não seria possível. À minha esposa Kátia e minha filha Isabela, pelo sacrifício, paciência, apoio dado e compreensão da importância pessoal e profissional desse trabalho. Aos meus pais Manuel e Laurinda e meu irmão Waster, sem os quais nada disso seria possível. À General Motors do Brasil Ltda, em especial a Luiz C. Peres, Fernando S. Santos e Yezo Costa. Sinceros agradecimentos também a Delcio Martini, Mauro A. Vaz, Cláudio Mizioka, José A. Castillo, João Carlos Rangel, Penélope Barboza, Ivam S. Ferreira, Claudemir Polônio, Roberto Nardim e Marcelo Matos pela ajuda, oportunidade e compreensão inestimáveis. A Adinan Celso Brandão, Carlos Ney R. P. Mendes, Eduardo R. Martins, Mauricio G. Rutkauskas e aos demais colegas de turma pelo companheirismo, compreensão e incentivo. A Daniel R. Barreto Silva pela inestimável ajuda e dedicação. A todos que colaboraram no desenvolvimento e execução desse trabalho e que involuntariamente foram omitidos. RESUMO Esse trabalho se baseia na aplicação de um critério do modo de falha para pontos de solda por resistência que permita o cálculo do diâmetro mínimo do ponto de solda, indicando de modo confiável a ocorrência da falha na área ao redor e próxima ao ponto para o caso da aplicação de cargas de cisalhamento. A resistência e o modo de falha de um ponto de solda são caracterizados em geral como funções da espessura das chapas utilizadas, resistência mecânica dos materiais, diâmetro do ponto e do modo de aplicação da carga sobre o ponto. Foi tomado como base o modelo de Vandenbossche (1977) desenvolvido visando sua utilização em aços de baixo carbono e aços de alta resistência, além da validação de alguns parâmetros de solda utilizados como referência pela General Motors do Brasil, segundo norma WS-1 (2003). No desenvolvimento do presente trabalho foram estudados diversos modelos que relacionam a espessura da chapa e o diâmetro mínimo do botão de solda, como da AWS (1995) e (ISO 2004). Baseando-se na solda feita em chapas de aço com revestimento galvanneal, variou-se a espessura governante de 0,80 mm a 1,60 mm com os respectivos parâmetros indicados para cada situação. Após a realização dos corpos de prova padronizados conforme literatura foram feitos testes de tração, e então os resultados foram compilados para análise e comparação aos resultados obtidos pelo modelo utilizado como referência. Os modelos estudados têm comportamentos diferentes em relação ao modelo de Vandenbossche, para aços BH revestidos com galvanneal. O modelo determinado pela AWS resultou em diâmetros de pontos de solda menores que os valores mínimos considerados, indicando que sua utilização na indústria automotiva não é recomendada. O modelo da ISO, que engloba diversas faixas de diâmetros, atende os requisitos para a falha na ZTA para algumas espessuras na condição d = 6.√t. Foi verificada a aplicabilidade dos parâmetros de solda da tabela de referência, assim como verificado o atendimento ao diâmetro mínimo determinado por Vandenbossche. Os diâmetros reais dos pontos de solda atendem todos os valores mínimos estipulados pelos modelos estudados. Palavras chaves: soldagem, carroceria, montagem, parâmetros de solda e botão (nugget) de solda. ABSTRACT This work is based on a spot weld failure mode criteria application that allows the critical spot weld diameter determination, indicating in a faithful way the failure occurrence in the area close to the nugget, in the case of shear load. The failure mode and spot weld strength are in general characterized as a function of the sheet metal thickness, material mechanical properties, nugget diameter and load application characteristic. The base model used was developed by Vandenbossche (1977), directed for low carbon steel and high strength steel application. This work verified and validate, besides Vandenbossche’s failure mode criteria application in currently materials used nowadays in automotive industries, the initial parameters of one of the welding parameter table used as a reference by General Motors do Brasil. During the work development industrial and standard testing procedures were applied based on a steel sheet welding specimen – galvannealing coated – with governing metal thickness in the range of 0,80 mm and 1,60 mm, with an adjustment of the welding parameters according to each situation. After welding the coupons, a shear tensile test was made in an universal machine and the results were then compared to the original ones reached by the reference model. The models studied in this work have different behavior when compared to Vandenbossche’s model, when used with galvanneal coated BH steel sheets. The use of the AWS model resulted em weld nugget diameters smaller than the minimum values considered, indicating that in automotive industries application it is not recommended. ISO’s model, which refers to a wide range of nugget diameters, reached the required values for HAZ failure mode in several thicknesses in the condition d = 6.√t. It was verified the reliable usage of the initial reference parameters with the materials used in this work, as the weld nuggets have reached Vandenbossche’s minimum diameters. The measured weld nugget complies with the minimum values determined by the studied models. Key words: welding, body, assembling, welding parameters and welding nugget. SUMÁRIO LISTA DE TABELAS LISTA DE FIGURAS LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS LISTA DE SÍMBOLOS 1. INTRODUÇÃO.......................................................................................................1 1.1 Colocação do problema.........................................................................................1 1.2 Objetivos.................................................................................................................6 1.2.1 Objetivo geral......................................................................................................6 1.2.2 Objetivos específicos..........................................................................................6 1.3 Escopo do trabalho................................................................................................6 2. SOLDA A PONTO POR RESISTÊNCIA............................................................7 2.1 Descrição do processo..........................................................................................7 2.2 Parâmetros de referência – General Motors....................................................11 2.3 Formação do ponto de solda por resistência elétrica.......................................17 2.4 Estação de solda a ponto manual.......................................................................20 2.4.1 Máquinas de solda a ponto..............................................................................21 2.4.1.1 Efeitos das características elétricas.............................................................22 2.4.1.2 Efeitos das características mecânicas..........................................................24 2.5 Estação de solda a ponto automática................................................................25 2.6 Descontinuidades na solda por resistência.......................................................26 2.7 Qualidade da solda a ponto................................................................................32 2.7.1 Influência da pressão e sistema de força........................................................35 2.7.2 Influência das condições e geometria do eletrodo.........................................36 2.7.3 Influência da distribuição da corrente na área de solda..............................37 2.7.4 Influência da espessura das chapas a serem soldadas e da espessura governante.......................................................................................................35 2.8. Solda a ponto em aço baixo carbono................................................................39 2.8.1 Influência da temperatura da solda...............................................................39 3. COMPORTAMENTO MECÂNICO E CARACTERIZAÇÃO – CHAPAS DE AÇO REVESTIDAS.................................................................................................42 3.1. Propriedades mecânicas....................................................................................42 3.1.1 Módulo de elasticidade....................................................................................42 3.1.2 Limite elástico..................................................................................................42 3.1.3 Limite de escoamento......................................................................................44 3.1.4 Resistência à tração.........................................................................................44 3.1.5 Resistência à fadiga..........................................................................................45 3.1.6 Ductilidade........................................................................................................46 3.1.7 Propriedades em temperaturas baixas...........................................................46 3.1.8 Propriedades em temperaturas elevadas.......................................................47 3.1.9 Condutividade térmica....................................................................................47 3.1.10 Temperatura de fusão....................................................................................48 3.1.11 Condutividade elétrica...................................................................................48 3.1.12 Propriedades de corrosão..............................................................................48 3.2 Aço baixo carbono – sem revestimento.............................................................49 3.2.1 Efeito dos elementos de liga............................................................................49 3.3 Aço baixo carbono – com revestimento............................................................51 3.3.1 Aços BH (bake hardening)..............................................................................52 3.3.2 Aços galvanizados e galvanneal......................................................................53 3.3.3 Métodos de aplicação de revestimento de zinco por imersão......................54 3.3.3.1 Processo de galvanização por lote...............................................................54 3.3.3.2 Processo de galvanização contínuo..............................................................55 3.3.3.3 Tratamento térmico galvannealing.............................................................56 3.3.3.4 Efeitos do material dos eletrodos.................................................................59 4. PROJETO DA JUNTA SOLDADA....................................................................63 4.1 Engenharia simultânea na soldagem.................................................................63 4.2 Análise dos projetos existentes...........................................................................65 4.3 Determinação das condições de carregamento.................................................65 4.4 Principais fatores de projeto..............................................................................65 4.5 Projetando a junta soldada................................................................................66 4.6 Simbologia de solda............................................................................................67 4.7 Símbolos básicos de solda..................................................................................67 5. MODELAGEM DA FALHA DAS JUNTAS DE SOLDA A PONTO.............70 5.1 Modos de falhas das juntas soldadas.................................................................70 5.2 Modelagem da resistência mecânica do ponto de solda..................................73 6. MATERIAIS E METODOLOGIA EXPERIMENTAL....................................82 6.1 Representação gráfica do critério de Vandenbossche.....................................92 7. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS....................................................................97 8. CONCLUSÕES.....................................................................................................99 9. PERSPECTIVAS E TRABALHOS FUTUROS..............................................100 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................101 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Parâmetros de solda de referência.............................................................12 Tabela 2 – Causas e efeitos de descontinuidades na solda.........................................27 Tabela 3 – Tipos de erros na solda a ponto resistiva..................................................28 Tabela 4 – Atribuições das classes de segurança e dos critérios de qualidade incluindo definições complementares......................................................33 Tabela 5 – Dispositivos de controle de qualidade de solda a ponto incluindo sensores e transdutores...........................................................................................34 Tabela 6 – Tendências dos parâmetros de controle de qualidade na soldagem a ponto.........................................................................................................35 Tabela 7 – Composição média dos aços baixo carbono.............................................49 Tabela 8 – Grau de severidade para solda de chapas metálicas..................................51 Tabela 9 – Tipos de capas de eletrodos utilizadas no ensaio......................................61 Tabela 10 – Parâmetros de solda de referência – divisão dos grupos........................83 Tabela 11 – Materiais utilizados nos testes de solda..................................................83 Tabela 12 – Grupo de testes 1 – diâmetros reais dos pontos de solda........................85 Tabela 13 – Grupo de testes 2 – diâmetros reais dos pontos de solda........................85 Tabela 14 – Grupo de testes 3 – diâmetros reais dos pontos de solda........................86 Tabela 15 – Valores de Vandenbossche – grupo 1.....................................................90 Tabela 16 – Valores de Vandenbossche – grupo 2.....................................................91 Tabela 17 – Valores de Vandenbossche – grupo 3.....................................................91 Tabela 18 – Comparação dos modelos estudados com a tabela 1..............................92 LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Curva de custos para novas tecnologias de junção de carrocerias automotivas..............................................................................................2 Figura 2 – Tipos de processos de solda em uma carroceria automotiva.......................2 Figura 3 – Tendências nos processos de junção em carrocerias automotivas produzidas em série, sem considerar peculiaridades especiais tais como estrutura monobloco em aço, space-frame em liga de alumínio ou peças com concepção multi- material................................................................3 Figura 4 – Técnicas de junção de carrocerias automotivas a)solda por conformação, b) solda sob pressão resistiva - acesso pelos dois lados, c) solda a laser..........................................................................................................4 Figura 5 – Diagrama simplificado dos processos básicos de solda por resistência......7 Figura 6 – Resistências existentes no circuito percorrido pela corrente elétrica..........9 Figura 7 – Causas da diminuição da área de contato dos eletrodos............................11 Figura 8 – Ciclo simples de solda...............................................................................13 Figura 9 – Ciclo completo da solda............................................................................13 Figura 10 – Aplicação da corrente de solda em um ciclo de solda completo.............14 Figura 11 – Gráfico de variação da resistência elétrica com o tempo de soldagem em função da força de soldagem.................................................................14 Figura 12a – Representação esquemática das curvas da resistência dinâmica durante o processo de solda a ponto por resistência para chapas sem revestimento..........................................................................................16 Figura 12b – Representação esquemática das curvas da resistência dinâmica durante o processo de solda a ponto por resistência para chapas revestidas com zinco.......................................................................................................16 Figura 13 – Esquematização de botão e ponto de solda.............................................17 Figura 14 – Curva de crescimento da solda típica para um tempo fixo de solda.......18 Figura 15 – Lóbulo de soldabilidade a uma força de eletrodo constante....................19 Figura 16 – Tempo de soldagem em função da corrente no secundário; espessura 0,8 mm; força de 1,8 kN; diâmetro do eletrodo 5,0 mm.............................20 Figura 17 – Estação de solda a ponto manual típica...................................................21 Figura 18 – Tipos de MSPP’s.....................................................................................21 Figura 19 – Características de força-tempo durante a solda de aços baixo carbono sem revestimento...................................................................................24 Figura 20 – Estação de solda a ponto automática típica.............................................25 Figura 21 – Atributos geométricos da solda a ponto..................................................29 Figura 22 – Cavidades Internas – chapa de espessura ≥ que 1,0 mm.........................31 Figura 23 – Separação excessiva entre as chapas.......................................................32 Figura 24 – Comparação entre as temperaturas preditas e medidas durante a formação da solda..................................................................................40 Figura 25 – Temperaturas no circuito da solda...........................................................41 Figura 26 – Diagrama típico de tensão-deformação no regime elástico.....................43 Figura 27 – Característica do aço BH.........................................................................53 Figura 28 – Camada de revestimento galvanizado, composição e dureza..................54 Figura 29 – Esquema de uma linha de galvanização contínua hot-dip.......................56 Figura 30 – Crescimento do eletrodo durante teste de vida........................................58 Figura 31 – Formação de liga no eletrodo na soldagem de chapa revestida por zinco por imersão (hot-dip).............................................................................60 Figura 32 – Pontos soldados com capa de eletrodo tipo A.........................................62 Figura 33 – Cenário dos pilares-base para o projeto da junta soldada........................63 Figura 34 – Determinação do lóbulo de solda no projeto da junta soldada................66 Figura 35 – Símbolos básicos de solda.......................................................................68 Figura 36 – Localização padrão dos elementos em um símbolo de soldagem...........69 Figura 37 – Curva força em função do deslocamento – modos de falha A e B..........70 Figura 38 – Curva força em função do deslocamento – modos de falha C, D e E.....71 Figura 39 – Comparação das dimensões existentes de referência – corpos de prova para ensaio de tração..............................................................................72 Figura 40 – Corpos de prova de tração axial..............................................................74 Figura 41 – Botão de solda, carga resultante P e tensões médias...............................75 Figura 42 – Corpo de prova por sobreposição para ensaio de tração por cisalhamento.............................................................................................76 Figura 43 – Formação da rótula plástica.....................................................................77 Figura 44 – Diagrama das forças existentes nos corpos.............................................78 Figura 45 – Distribuição de tensões no botão de solda a ponto..................................78 Figura 46 – MSPP 360008-02.....................................................................................82 Figura 47 – Corpos de prova após ensaio de tração....................................................84 Figura 48 – Micrografia dos pontos de solda nº2, 17, 27 e 39....................................87 Figura 49 – Estrutura granular dos pontos de solda analisados..................................88 Figura 50 – representação gráfica do Modelo AWS (1995) para as espessuras utilizadas nesse trabalho.............................................................................92 Figura 51 – representação gráfica dos Modelos de Vandenbossche (1977), ISO (2004) e dos pontos medidos nesse trabalho..............................................93 Figura 52 – Comparação entre dados dos testes e desempenho predito.....................94 Figura 53 – Razão diâmetro-espessura predita x real.................................................95 Figura 54 – Carga de falha dos pontos de solda predita x real...................................96 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ANSI American National Standards Institute ASME American Standard of Mechanical Engineering AWS American Welding Society BGA Bobina zincada a quente ferro - zinco BH Bake Hardening BZ Bobina zincada EPMC Engenharia de Processos de Montagem de Carrocerias GMB General Motors do Brasil IACS International Annealed Cooper Standard ISO International Organization for Standardization LASER Light Amplificated by Stimulated Emission of Radiation MAG Metal Active Gas MIG Metal Inert Gas MSPP Máquina de Solda a Ponto Portátil RWMA Resistance Welding Manufacturers Association TSP Transformador de Solda a Ponto ZTA Zona Termicamente Afetada LISTA DE SÍMBOLOS SÍMBOLO DESCRIÇÃO UNIDADE a coeficiente de det. diâm. crítico botão d diâmetro do ponto de solda [mm] dc diâmetro crítico do botão [mm] E módulo de elasticidade [MPa] I Corrente de Solda [A] L carga limite de falha para a solda [MPa] L comprimento do corpo de prova [mm] N Componente arrancamento - carga máx. normalizada [N] P Carga Máxima de Cisalhamento Normalizada [N] Q calor gerado na solda .[J] r raio do botão de solda [mm] R Resistência elétrica [Ω] S Componente cisalhamento da carga máx. normalizada [N] SyMB limite de escoamento metal base [MPa] SyMS limite de escoamento meta soldado [MPa] SyZTA limite de escoamento ZTA [MPa] t espessura da chapa [mm] t fator “t” de Student t tempo de aplicação da corrente [ciclos] ta tempo de aplicação da força [ciclos tad tempo de ocorrência de oscilações [ciclos] U limite de resistência à tração [MPa] w largura do corpo de prova [mm] Α angula de rotação da rótula plástica [º] Ø ângulo de aplicação da força [°] ε deformação após aplicada a tensão [mm] σ tensão aplicada [MPa] σeI tensão equivalente na interface [MPa] σeZTA tensão equivalente na ZTA [MPa] 1 1. INTRODUÇÃO 1.1 Colocação do problema Nesse princípio de século uma das principais diretrizes é a redução de custos, qualquer que seja o ramo de atividade, dimensão da empresa ou complexidade do produto fabricado. Em grandes empresas e grandes volumes de produção, encontramse os maiores impactos dessa redução. Considera-se a fabricação de um veículo algo bastante complexo e oneroso, não apenas pela estrutura necessária, mas também pela tecnologia envolvida, onde a redução de custos possui um papel de vital importância e a sua busca deve ser constante. O processo de funcionamento de uma indústria automobilística pode ser dividido de maneira simplificada em: Design, Engenharia de Produtos, Engenharia de Manufatura, Compras, Finanças, Marketing, Qualidade, Produção e Serviços. A Engenharia de Produtos define as características a serem atendidas pelo produto (vêm dos requisitos de segurança, legislação, Design e Marketing) e a Engenharia de Manufatura planeja, projeta e executa os processos para que tais características sejam atendidas com a melhor relação entre custo e qualidade. A Engenharia de Manufatura pode ser subdividida em Estamparia (Press Shop), Funilaria (Body Shop), Pintura (Paint Shop) e Montagem Final (Final Assembly). O desenvolvimento deste trabalho foi concentrado na área de Funilaria, onde as peças metálicas são posicionadas em dispositivos e soldadas entre si formando subconjuntos (ex.: longarinas, reforços das laterais, painel interno das portas, cofre). Os subconjuntos são soldados formando conjuntos (ex.: assoalho, laterais, portas) e esses por sua vez formam a carroceria. Conforme já citado, pela complexidade do processo de produção o investimento necessário é grande, e a redução de custos assume extrema importância. Na realização da solda podem ser utilizados diversos processos, como solda por resistência, solda a Laser e solda a arco (MIG/MAG). 2 Dentre esses processos a solda a ponto por resistência é o mais utilizado em virtude da maior simplicidade (Ruiz & Batalha, 2004), facilidade de controle e menor investimento necessário, resultando em um produto com qualidade, conforme mostrado na Figura 1. Figura 1 – Curva de custos para as novas tecnologias de junção de carrocerias automotivas. (Standring 2004) Para exemplificação, um automóvel possui cerca de 4.800 pontos de solda, diversos cordões de solda MIG/MAG e em casos específicos cordões ou pontos de solda a LASER (Figura 2). Solda a ponto Solda MIG/MAG Solda a LASER Figura 2 – Tipos de processos de solda em uma carroceria automotiva (General Motors, 2004) 3 A Figura 3 mostra as tendências no uso das diversas técnicas de junção de carrocerias no decorrer das últimas décadas. Pode ser visto um aumento no uso da junção por conformação (clinch), em parte pelo crescente uso do alumínio. Não obstante, um decréscimo da importância da solda a ponto resistiva, em virtude de suas Importância Relativa, [%] características e qualidade, ela ainda é dominante na indústria automotiva. Figura 3 – Tendências nos processos de junção em carrocerias automotivas produzidas em série, sem considerações especiais de construção tais como estrutura monobloco em aço, “space-frame” em liga de alumínio ou peças com concepção multi-material (IWU – Fraunhofer Institute, 2003) Entretanto, o uso da solda a laser tem aumentado consideravelmente nos últimos anos e algumas montadoras visualizam a possibilidade de produção de um veículo 100% soldado a laser em curto prazo (apesar do custo ainda alto desse tipo de solda). Diversas empresas consideram o processo de solda a laser uma evolução do processo de solda a ponto, portanto difícil de ser evitada. Uma das vantagens do processo da solda a LASER é o fato dele não necessitar acesso pelos dois lados da peça, o que implica na diminuição do número de reforços da carroceria para uma mesma resistência. Como as peças não possuem aberturas ou furos para o acesso da máquina de solda, diminui-se o número de peças e, assim, tem-se a diminuição do peso da carroceria. 4 A resistência e o modo de falhas de um ponto de solda são caracterizados como funções da espessura das chapas, resistência mecânica do material, diâmetro do ponto aplicado e do modo de aplicação das cargas sobre esse ponto segundo Chao, (2003) apud Ruiz & Batalha (2004). A Figura 4 mostra as técnicas de junção utilizadas na indústria automobilística. (a) (b) (c) Figura 4 – Técnicas de junção de carrocerias automotivas (a) solda por conformação (b) solda sob pressão resistiva, acesso pelos dois lados; (c) solda a laser. (Batalha, G., notas de aula) Conforme já relatado, a carroceria de um veículo necessita atender diversos requisitos, e os testes físicos para essa aprovação são dispendiosos, complexos e demorados, características não desejadas e determinantes na direção do sucesso ou não de um produto na condição atual de competição de mercado. Uma das ferramentas utilizadas para amenizar a quantidade destes testes é a análise estrutural virtual (ou Simulação Virtual), onde as forças que atuam em um veículo em situação real são aplicadas via software, e uma simulação do comportamento do veículo é feita. Durante a simulação é também avaliado o número de pontos de solda, cordões ou pontos de laser e cordões de MIG/MAG a serem requeridos pela Engenharia de Produtos. A partir da aplicação dos esforços os pontos de solda são distribuídos nos diversos conjuntos que compõem a carroceria para que sejam evitadas torções, trincas e quebras. A partir dos resultados é possível a visualização das áreas com potenciais problemas e revisar a especificação das peças envolvidas antes de sua montagem nos veículos de testes ou liberação dos desenhos. Isso permite minimizar os custos e diminuir o tempo necessário ao desenvolvimento de um veículo. 5 Entretanto, os valores envolvidos ainda são elevados já que os equipamentos e o próprio software são bastante sofisticados ao mesmo tempo em que a simulação completa, englobando todas as variáveis atuantes no processo real é praticamente impossível. Em virtude disso vários trabalhos foram publicados, sempre buscando o desenvolvimento de um critério de falhas que permitisse a obtenção teórica do comportamento do ponto de solda sob a ação de cargas. Segundo Chao (2003) apud Ruiz & Batalha (2004) – de maneira análoga ao comentado sobre a simulação virtual – a grande dificuldade em se determinar um critério com essa finalidade (e que atinja o nível de confiabilidade exigido) para a solda a ponto se deve ao grande número de variáveis envolvidas no processo, como os parâmetros da solda, a espessura e o material das chapas envolvidas, o tamanho do botão (nugget) ou cordão de LASER. Além disso, a necessidade da construção de um complexo banco de dados englobando os resultados colhidos dessas variações o tornaria igualmente oneroso. Em geral o modo de falhas de um ponto de solda, conforme estudado por Heuschkel (1952), Sawhill et al (1981) e Lin et al (2001), sob carga deveria ser indicado baseado nas condições do carregamento, propriedades do material, diâmetro do botão de solda, espessura de chapa e parâmetros do processo de solda. Esse trabalho foi desenvolvido tendo como base o modelo de critério de falhas de Vandenbossche (1977), criado visando sua utilização em aços de baixo carbono e aços de alta resistência. Nesse caso, porém, de acordo com os motivos já mencionados, foram utilizados materiais atualmente em uso pela indústria automobilística. Foram seguidos procedimentos já consagrados da prática industrial, com a validação de algumas linhas da tabela de referência, baseando-se na solda feita em chapas de aço com revestimento galvanneal, variando-se a espessura governante de 0,80 mm a 1,60 mm, com os respectivos parâmetros indicados para cada situação. 6 1.2 Objetivos 1.2.1 Objetivo geral Proceder a revisão do processo de solda a ponto resistiva e da influência do revestimento em chapas de aço na solda a ponto. 1.2.2 Objetivos específicos 1. Estudar modelos que permitam predizer o diâmetro mínimo de um ponto de solda para que este seja considerado bom e para que a falha ocorra na ZTA, conforme exemplos da ISO (2004) e AWS (1995). Compará-los então ao modelo de Vandenbossche, numérica e graficamente. Tais modelos serão aplicados em aços BH (endurecimento na estufa de pintura) revestidos com galvanneal, utilizado atualmente na indústria automotiva brasileira. 2. Verificar a aplicabilidade dos parâmetros de solda iniciais de uma das tabelas de referência utilizadas pela General Motors nos materiais citados, através dos modelos estudados. 1.3 Escopo do trabalho O capítulo 2 mostra a Solda a ponto por resistência, o capítulo 3 se refere ao Comportamento mecânico e caracterização – chapas de aço revestidas, e o capítulo 4 o Projeto da junta soldada. O capítulo o 5 mostra a Modelagem da falha das juntas de solda a ponto e o capítulo 6 os Materiais e metodologia experimentais. O capítulo 7 mostra a Discussão dos resultados, o capítulo 8 as Conclusões, o capítulo 9 As Perspectivas e trabalhos futuros e o capítulo 10 as Referências bibliográficas. 7 2. SOLDA A PONTO POR RESISTÊNCIA Solda, segundo a RWMA (1989), consiste na junção de duas ou mais peças de metal através da aplicação de calor e às vezes de pressão, e solda por resistência indica o campo da solda onde o calor de solda nas peças a serem soldadas é gerado pela resistência oferecida por essas peças à passagem de uma corrente elétrica. A solda por resistência difere dos processos de solda por fusão pela aplicação de força mecânica para garantir a união das peças aquecidas. O efeito dessa força é o refino dos grãos da estrutura, e uma solda com propriedades físicas iguais ou superiores aos metais que a deram origem. 2.1 Descrição do processo Segundo a AWS (1995), a força de soldagem deve ser sempre aplicada antes, durante e após a passagem da corrente elétrica para garantir boa área de contato entre as superfícies e o contato entre as chapas durante o resfriamento. Dentre os processos de solda por resistência, pode-se citar a solda a ponto, por costura e por projeção. A figura 5 exemplifica tais processos. Figura 5 – Diagrama simplificado dos processos básicos de solda por resistência (AWS, 1995) A solda por resistência envolve uma complexa interação entre as propriedades físicas e metalúrgicas do material a ser soldado e dos fenômenos elétricos e mecânicos do processo ou da máquina de solda. 8 Na solda a ponto, o botão (ou nugget) do metal soldado é produzido na área de contato dos eletrodos e dois ou mais botões podem ser produzidos simultaneamente usando-se conjuntos múltiplos de eletrodos. A solda a ponto (assim como por costura e projeção) envolve a aplicação coordenada de corrente elétrica e pressão mecânica de magnitudes e durações apropriadas. A corrente de solda deve passar dos eletrodos para as peças e sua continuidade deve ser assegurada pelas forças aplicadas aos eletrodos, ou por projeções feitas nas peças, com formas que forneçam a densidade de corrente e pressão necessárias. A ordem das operações deve ser: produzir calor suficiente para permitir a fusão do material a ser soldado. Do mesmo modo, a densidade da corrente e a pressão devem ser suficientes para que seja formado o botão de solda, tomando-se o cuidado para que não haja excesso, pois isso pode causar a expulsão do metal fundido. A duração da corrente de solda deve ser suficientemente curta para prevenir excesso de calor nos eletrodos, pois isso reduz drasticamente sua vida útil. Em virtude do curto caminho que a corrente percorre e pelo tempo de solda limitado, altas correntes são necessárias para o desenvolvimento do calor requerido. Um fator importante durante a solda a ponto é que um par de eletrodos pode realizar menor quantidade de pontos em chapas revestidas em comparação às chapas nuas. Conforme o número de pontos de solda dados com o mesmo par de eletrodos aumenta, ocorrem deformações nos eletrodos em conseqüência das altas pressões e densidades de corrente agindo na face do eletrodo, fazendo com que a área de contato dos eletrodos aumente. Além disso, na solda de chapas revestidas pode ocorrer a formação de ligas na face dos eletrodos, aumentando a taxa de crescimento desses eletrodos. A combinação desses fatores causa uma redução na vida dos eletrodos, além de outros fatores que podem também interferir, como a configuração dos eletrodos, os parâmetros de solda e as características da máquina de solda. A corrente de solda é gerada pelo TSP, que trabalha com corrente de entrada de alta voltagem (440 V) e baixa amperagem (100 A – 2000 A) e a transforma em uma corrente de baixa voltagem (3 – 30 V) e alta amperagem (6 kA – 100 kA). 9 A corrente elétrica parte de um eletrodo atravessa as chapas a serem soldadas e chega ao outro eletrodo, e em virtude das resistências existentes nesse caminho (eletrodo, material das chapas, face de contato entre as chapas – mostradas na Figura 6) ocorrerá a geração do calor da solda. Figura 6 – Resistências existentes no caminho percorrido pela corrente elétrica, General Motors (1996) São quatro diferentes formas de fornecimento de energia para a solda a ponto, segundo a AWS (1995): • Fontes de corrente alternada (60 Hz) modificada através do TSP; • Fontes por descarga de capacitores, que fornecem um curto pico de energia, tipicamente na faixa de 100 W/s a 850 W/s, onde a energia de solda pode ser ajustada, mas o tempo do pulso é alterado apenas em faixas pré-definidas, usualmente divididas em pulso curto (6 ms), médio e longo (15 ms); • Fontes inversoras que fornecem um pulso controlado de média freqüência, tipicamente 1000 Hz (embora já existam pulsos com mais de 26 kHz) para o TSP. A corrente é então retificada para uma corrente de solda direta que pode ser utilizada em forma de pulso ou rampa para suavizar sua aplicação. 10 A seleção do tipo de fonte de potência é baseada nos materiais (condutividade elétrica, térmica, dimensão, etc) a serem unidos, velocidade de produção e custos. Uma boa revisão sobre o assunto fontes para a solda a ponto resistiva pode ser encontrada em Furlanetto (2005). A solda a ponto é um processo bem estabelecido que tem sido usado em altos volumes de produção por muitos anos. Os principais tipos de fontes de potência têm permanecido basicamente iguais, com modificações para melhorar a consistência da corrente de saída. Muitos utilizam malhas de controle do tipo looping (malha fechada) que monitoram a corrente e a voltagem fornecidas durante a solda e fornecem correções em tempo real. Outros desenvolvimentos têm aparecido na forma de projetos do cabeçote de solda (ou máquina de solda) e operação. Controles eletromagnéticos da força e posição dos eletrodos estão disponíveis, oferecendo maior precisão do processo em relação aos sistemas com molas convencionais ou acionamento pneumático, e a maior vantagem desse sistema é que o controle (tipo looping) das funções do cabeçote de solda pode ser incorporado aos parâmetros de solda. Isso possibilita a inclusão de fatores como o escalonamento da força, que pode ser programado para diferentes valores em pontos diferentes, como aperto pré-solda, força de solda e aperto pós-solda para controlar e garantir o resfriamento do botão. O sistema de controle fechado pode ser utilizado em conjunto com softwares de controle estatístico do processo, permitindo um controle de qualidade do processo também em tempo real. A pressão é fornecida normalmente por um cilindro pneumático, e está estritamente relacionada à força aplicada e a área de contado dos eletrodos. A ocorrência da diminuição da área de contato dos eletrodos por desalinhamento, apontamento incorreto e deformações na face de contato, conforme mostrado na Figura 7, resultará na diminuição da resistência à passagem da corrente elétrica, e conseqüentemente um aumento da pressão de solda (considerando-se a força constante). 11 Figura 7 – Causas da diminuição da área de contato dos eletrodos (General Motors, 1996) 2.2 Parâmetros de referência - General Motors Os parâmetros iniciais da solda (corrente, tempo de solda, força aplicada, etc) são definidos em função da espessura e revestimento das chapas a serem soldadas. Por exemplo, cita-se a norma General Motors (WS-1, 2003) com os parâmetros de referência mostrados na Tabela 1. Essa tabela será utilizada para a verificação de aplicabilidade do modelo de Vandenbossche (1977) para chapas com revestimento galvanneal, e as condições destes ensaios serão descritas em capítulo específico. 12 Tabela 1 – Parâmetros de Solda de Referência (Fisher Body Division, 1967) Dist. min entre pontos Condição da Superfície de Colaspo Nual com Nua SC = N x N Condição da Superfície de Colaspo Galvanizada com Nua SC = G x N Condição da Superfície de Colaspo Galvanneal com Galvanneal SC = Gn x Gn Condição da Superfície de Colaspo Galvanizada com Galvanizada SC = G x G Diâmetro mínimo do botão Flange mínima Eletrodo Pausa Corrente de Solda I Solda Força Requerida F Retenção Espessura Governante EG Compressão Tempo Total d d1m Dmi Ciclo = 1/60 seg mm mm mm mm mm mm mm 13,5 16 14 2 14 19,0 6,4 16,0 6,5 18,0 8,0 16,0 1000 15,0 18 16 2 14 19,0 6,4 16,0 7,5 18,0 8,0 16,0 1200 18,0 20 21 2 18 26,0 7,8 16,0 8,8 18,0 9,4 16,0 6360 1400 19,5 20 24 5 20 35,0 7,8 16,0 8,5 21,0 9,4 19,0 1,81 - 2,10 7270 1600 21,5 25 28 5 25 38,0 9,7 18,0 9,0 21,0 11,3 19,0 2,11 - 2,40 9090 2000 23,0 25 32 5 25 32,0 9,7 18,0 9,5 22,0 11,3 19,0 0,75 - 1,10 2937 660 10,5 9 10 3 7 18 5,6 14,3 7,2 16,5 7,4 14,3 1,11 - 1,35 2937 660 11,0 11 11 3 9 29 5,6 17,6 8,3 19,8 7,4 17,6 1,36 - 1,60 3916 880 13,2 13 13 3 11 35 7,0 17,6 9,7 19,8 8,8 17,6 1,61 - 1,80 4403 990 14,3 15 15 6 17 39 7,0 17,6 9,4 20,9 8,8 17,6 1,81 - 2,10 5382 1210 16,0 20 20 6 17 42 8,6 17,6 9,9 22,0 10,3 17,6 2,11 - 2,40 6360 1430 17,1 22 23 6 17 45 8,6 19,8 10,5 24,2 10,3 20,9 0,75 - 1,10 2670 600 11,4 12 10 2 8 16,0 5,1 13,0 6,5 15,0 6,7 13,0 1,11 - 1,35 3560 800 12,0 14 12 2 8 26,0 5,1 16,0 7,5 18,0 6,7 16,0 1,36 - 1,60 4448 1000 14,4 16 14 2 10 32,0 6,4 16,0 8,8 18,0 8,0 16,0 1,61 - 1,80 4893 1100 15,6 18 18 5 15 35,0 6,4 16,0 8,5 19,0 8,0 16,0 1,81 - 2,10 5782 1300 17,4 22 21 5 15 38,0 7,8 16,0 9,0 20,0 9,4 16,0 2,11 - 2,40 7117 1600 18,6 24 24 5 15 41,0 7,8 18,0 9,5 22,0 9,4 19,0 0,75 - 1,10 2670 600 9,5 8 9 2 6 16,0 4,0 13,0 6,5 15,0 5,6 13,0 1,11 - 1,35 2670 600 10,0 10 10 2 6 19,0 4,5 16,0 7,5 18,0 6,1 16,0 1,36 - 1,60 3560 800 12,0 12 12 2 8 26,0 5,0 16,0 8,8 18,0 6,6 16,0 1,61 - 1,80 4003 900 13,0 14 14 5 10 29,0 5,3 16,0 8,5 19,0 6,9 16,0 1,81 - 2,10 4893 1100 14,5 18 18 5 12 32,0 5,7 16,0 9,0 19,0 7,3 16,0 2,11 - 2,40 5782 1300 15,5 20 21 5 14 35,0 6,0 16,0 9,5 20,0 7,6 16,0 mm N Lb KA 0,75 - 1,10 3640 800 1,11 - 1,35 4550 1,36 - 1,60 5450 1,61 - 1,80 ami e fmi lm Os valores mostrados na tabela são apenas referência, podendo-se alcançar boa qualidade de solda com outras combinações. Para um melhor entendimento dos valores citados, deve-se conhecer a definição de cada uma das etapas de um ciclo simples de solda (mostrado na Figura 8). 13 • Compressão – tempo em que os eletrodos comprimem as peças até o início da passagem da corrente; • Tempo de Solda – intervalo de tempo durante o qual ocorre a passagem da corrente elétrica, mantendo-se a compressão; • Retenção – tempo em que a compressão é mantida, após a passagem da corrente, para garantir o resfriamento e solidificação do botão de solda; • Pausa – tempo durante o qual os eletrodos não estão em contato com as peças. Entretanto, para as condições atuais de materiais e revestimentos, um ciclo de solda simples não atende as necessidades de soldagem. Figura 8 – Ciclo simples de solda (AWS, 1995) Para tanto, é necessária a utilização de um ciclo de solda completo (Figura 9), com programações do tempo de solda, da aplicação da corrente elétrica (Figura 10) e da força de soldagem. Figura 9 – Ciclo completo de solda (AWS, 1995) 14 Figura 10 – Aplicação da corrente de solda em um ciclo de solda completo (AWS, 1995) A relação entre a somatória das resistências e o tempo, medido em ciclos (1/60 s), é mostrada na Figura 11 (com a aplicação de força constante). Figura 11 – Gráfico de variação da resistência elétrica com o tempo de soldagem em função da força de soldagem (General Motors, 1996) 15 Segundo Williams & Parker (2004) a resistência de contato é formada das resistências interfaciais que existem antes da iniciação do fluxo da corrente, e tem uma importante função na determinação de primeiro se o fluxo de corrente entre os eletrodos é possível, e segundo qual o valor da corrente é necessário para a formação e crescimento do botão de solda. Se a resistência de contato for muito alta, a interface age como uma isolação e a passagem da corrente é inibida. Como a resistividade elétrica do material é dependente da temperatura, esse fator é também variante do tempo durante a formação da solda. Essa característica é chamada de resistência dinâmica. A área de contato entre duas superfícies durante a aplicação de carga tem sido bastante investigada, em virtude de sua influência em aplicações como os contatos elétricos e a solda por resistência. Sabe-se que quando duas superfícies são pressionadas em contato, este ocorrerá primeiro nas rugosidades existentes nessa área. Essa minimização da área de contato causa uma resistência à passagem de qualquer corrente elétrica. Essa resistência adicional recebe o nome de resistência de contato, que é influenciada por diversos fatores. Diversos estudos foram feitos na tentativa de quantificar essa resistência de modo matemático e experimental, conforme Sheppard (1994). É geralmente concluído que, na solda por resistência, o contato inicial tem uma forte influência na magnitude da corrente de solda requerida. Entretanto, a resistência dinâmica é mais importante na determinação do que acontece durante o processo de solda. A forma da curva da resistência dinâmica tem sido bem documentada em relação a formação da solda para chapas sem revestimento, e diversos trabalhos investigaram essa variação, como inicialmente Orts (1967), depois Dickenson et al (1980) e Kaiser et al (1982). Esses estudos culminaram na representação das curvas dinâmicas para aços baixo carbono sem revestimento, conforme Figura 12a. Gedeon (1984) estudou e esquematizou essa curva para chapas revestidas por zinco, mostrada na Figura 12b. 16 Figura 12a – Representação esquemática das curvas da resistência dinâmica durante o processo de solda a ponto por resistência para chapas sem revestimento (Dickenson, 1980) Figura 12b – Representação esquemática das curvas da resistência dinâmica durante o processo de solda a ponto por resistência para chapas revestidas por zinco (Gedeon, 1984) 17 Tomando-se o uso de aços baixo carbono sem revestimento, pode-se dividir a curva da resistência dinâmica em 5 estágios: • Estágio 1: colapso das rugosidades da superfície levando a uma queda da resistência até o valor mínimo; • Estágio 2: colapso final das rugosidades com o aquecimento do material devido ao aumento da resistividade do metal base – quando essa resistividade é maior que o colapso das rugosidades, a resistência total dos eletrodos aumenta; • Estágio 3: aumento da resistência, com o predomínio do aquecimento do material até atingir o valor de pico (chamado pico ß); • Estágio 4: aquecimento do material leva ao caldeamento na interface; • Estágio 5: queda da resistência devido à diminuição do caminho da corrente, que por sua vez ocorre devido à indentação da chapa. 2.3 Formação do ponto de solda por resistência elétrica O ponto de solda é formado pelo botão de solda e pela ZTA, conforme mostrado na Figura 13. Figura 13 – Esquematização de botão e ponto de solda Para a realização de uma solda consistente, dois critérios devem ser considerados, segundo Williams & Parker (2004): - parâmetros de solda dimensionados para a produção da solda com as propriedades desejadas; 18 - devem ser implementados controles para garantia de boa qualidade da solda durante o volume de produção. Os principais parâmetros, que podem ser controlados pela máquina de solda, são a corrente de solda, o tempo de solda e a força dos eletrodos. A habilidade na realização da solda, baseada nesses parâmetros, é mais bem definida como lóbulo de solda. O lóbulo de solda define as tolerâncias disponíveis para a produção de soldas de qualidade definida. Os limites superiores são definidos geralmente em termos de expulsão do botão de solda. Para atender esses requisitos, o lóbulo de solda pode ser um gráfico bi ou tridimensional, indicando uma relação entre o tempo de solda, a corrente de solda e a força do eletrodo. Esses lóbulos são geralmente construídos a partir das curvas do crescimento da solda determinadas em diversos tempos de solda, conforme mostrado na Figura 14. Figura 14 – Curva de crescimento da solda típica para um tempo fixo de solda (Williams & Parker, 2004) Enquanto o conceito de lóbulo de solda tem sido usado por mais de 20 anos, novos procedimentos têm sido normalizados para a determinação de lóbulos de soldabilidade bidimensionais, como por exemplo, norma ISO 14327 (2001), onde: - corrente de solda e tempo de solda a uma força de eletrodo constante (Figura 15); - corrente de solda e força de eletrodo a um tempo de solda constante. 19 Figura 15 – Lóbulo de soldabilidade a uma força de eletrodo constante (ISO 14327, 2001) Muitos trabalhos foram publicados sobre as relações entre a corrente de solda, o tempo de solda e a força dos eletrodos, como Ganowski & Williams (1972), Krause & Simon (1981) e Dickenson (1981), os quais estabeleceram que os principais fatores que influenciam a posição e forma do lóbulo de soldabilidade são: • Força do eletrodo: quanto maior a força do eletrodo, mais largo o lóbulo, e aumentando-se essa força move-se o lóbulo no sentido de maiores correntes de solda; • Espessura da chapa: aumentando-se a espessura aumenta-se a largura do lóbulo, como por exemplo: chapas de 0,4 – 0,6, 0,7 – 1,5, e acima de 1,5 mm têm uma largura de lóbulo de ~1000, ~ 1500 – 2000, e acima de 2000 A, respectivamente. • Propriedades do material: quanto maior a resistividade do material base, maior o limite do lóbulo; • Revestimento da superfície: a presença de revestimento afeta a resistência de interface, e com assim, a corrente necessária. Uma representação do efeito do revestimento superficial afetando a resistência e a diferença de corrente necessária para a soldagem de chapas sem revestimento e chapas revestidas com zinco puro (BZ) ou galvannealing (BGA) pode ser vista na Figura 16. 20 Figura 16 – Tempo de soldagem em função da corrente no secundário, espessura 0,8 mm; força – 1,8 kN, diâmetro ponta do eletrodo–5,0 mm (ASM, Metals Handbook) 2.4 Estação de solda a ponto manual Uma estação de solda a ponto manual típica utilizada na indústria automobilística é composta por: - TSP/Programador de solda/Unidade auxiliar/Cabo secundário/MSPP/Estruturas de sustentação. A Figura 17 ilustra uma estação típica de solda a ponto portátil, desde a estrutura de sustentação fixada no prédio até a máquina de solda a ponto portátil. Existem variações, de acordo com a necessidade de produção, layout e tipo de prédio disponível. 21 Figura 17 – Estação de solda a ponto manual típica (General Motors, 1996) 2.4.1 Máquinas de solda a ponto As máquinas de solda a ponto utilizadas nas plantas da General Motors são na grande maioria de acionamento pneumático para obtenção da força de solda. Entretanto, existe a possibilidade de se adotar máquinas acionadas por motores elétricos (servos) chamadas de Servo-gun. As MSPP’s pneumáticas utilizam um cilindro para acionamento da parte móvel, e podem ser classificadas como ação direta (tipo C) e ação basculante (tipo X ou “pinça”). A Figura 18 mostra os tipos das MSPP’s. Tipo C Tipo X Figura 18 – Tipos de MSPP’s – (Catálogo técnico – OBARA Corp. – Japão) 22 As condições necessárias para se atingir um tamanho aceitável da solda é geralmente especificada em termos bastante simples: por exemplo, no caso de aços baixo carbono, parâmetros típicos de solda são dados em diversas normas nacionais ou internacionais, como a ISO 14373 (2004). Esses parâmetros são comumente feitos em relação à corrente de solda, tempo de solda, força dos eletrodos e diâmetro do eletrodo. Um fator muito importante na prática para a realização dessa solda não é normalmente levado em consideração: as características da máquina de solda. Tais características podem ser consideradas em duas áreas separadas: - Características elétricas – definidas pela configuração do transformador, forma de onda da corrente elétrica e propriedades do transformados; - Características mecânicas – definidas em termos de desempenho do cabeçote de montagem dos eletrodos. Parâmetros importantes são indicados na ISO 669 (2000). 2.4.1.1 Efeitos das características elétricas • Forma de onda da corrente Muitas operações de soldagem são feitas utilizando-se uma corrente alternada (ou CA) de freqüência de 50 Hz ou 60 Hz, dependendo do local (Furlanetto, 2005). Corrente direta (ou contínua – ou CC) para sistemas de solda por resistência tem sido limitada às aplicações específicas onde maiores potências são requeridas, e onde há a necessidade de um equilíbrio entre o fornecimento da corrente trifásica da linha para a estação de solda. Algumas formas de onda típicas de corrente de saída para diversas fontes de potência foram calculadas e medidas por Nishigushi & Matsuyama (1985). Para valores fixos de corrente rms e tempo, a energia total fornecida para a área de solda é maior para a CC que a fornecida pela CA, pois existe um longo tempo do aumento do valor da corrente durante os instantes iniciais do fluxo da corrente no caso da corrente direta, e há um valor mais estável da corrente fornecida durante todo o tempo no caso da CC, ao passo que na CA esse valor se alterna do valor máximo para zero a cada meio ciclo do fluxo da corrente. 23 Como resultado, o crescimento do botão de solda se inicia antes e cresce a uma taxa maior no uso da CC em comparação a CA. Assim, um menor valor de corrente pode ser utilizado para atingir-se o mesmo tamanho de botão de solda. Os resultados mostraram também que com o aumento da espessura das chapas diminui-se a diferença entre as correntes de solda para CC e CA. • Influência do controle de aquecimento O controle de aquecimento na solda a ponto por resistência, segundo Williams & Parker (2004), pode ser afetado de três maneiras: • Grandes mudanças na corrente podem ser conseguidas através de alterações na parametrização do circuito secundário do TSP, alterando a relação de espiras. • Um controle acurado da corrente pode ser conseguido pela alteração da forma de onda da corrente, quando esta passa pelos tiristores. Isso é feito geralmente por um circuito de controle baseado em retificadores de silício (SCR’s) em máquinas mais modernas. • Uma combinação dos métodos citados acima, sendo esse o procedimento mais comumente utilizado para parametrização de máquinas de solda. O controle do aquecimento/corrente típica de solda da maioria das máquinas de solda permite a geração dos mesmos valores de corrente rms, mas utilizando diferentes controles de parâmetros na mesma máquina de solda. Sob tais condições, de acordo com Gould & Stotler (1990), o mesmo valor nominal de corrente pode resultar em diferentes tamanhos de botão. É possível que uma mesma corrente rms de valor 8000 A, definida mais de uma máquina de solda, resulte em diferentes taxas de crescimento de solda devido a diferentes formas de onda, por sua vez resultado de diferentes características dos TSP’s. 24 2.4.1.2 Efeitos das características mecânicas Ganowski & Williams (1972) indicaram que as características de soldagem de aços revestidos com zinco são influenciadas pela máquina de solda. Foram comparados os desempenhos de doze diferentes máquinas de solda e concluído que a corrente requerida para se produzir um tamanho mínimo de solda, a faixa de corrente disponível e a vida do eletrodo são dependentes do tipo da máquina, utilizados no mesmo material. Krause & Lehmkuhl (1984) classificaram os tipos de máquina de solda em termos de características de força – tempo para o eletrodo durante a aplicação da força de solda (Figura 19). Baseado nesse trabalho, Williams (1996) determinou quais os fatores causadores de alterações nas condições necessárias para a formação da solda de um determinado tamanho: • Peso do cabeçote do eletrodo; • Características entre o cabeçote do eletrodo e a montagem dos cilindros; • Rigidez da estrutura da máquina; • Velocidade de aproximação do cabeçote do eletrodo. Figura 19 – Características de força-tempo durante a solda de aços baixo carbono sem revestimento, onde tad – tempo de ocorrência de oscilações e ta – tempo de aplicação da força (Krause & Lehmkuhl, 1984) 25 Karagoulis (1994) notou que a força do eletrodo é uma variável significante, afetando tanto o tamanho quanto a posição do lóbulo de soldabilidade. Ele concluiu que as características de carregamento, determinadas pelo tipo de máquina de solda, deveriam ser também controladas. Observa-se que quando o fluxo de corrente entre os eletrodos é iniciado, a força do eletrodo aumenta. Williams (1996) determinou que o valor acrescido ao valor previamente definido da força é função da rigidez da estrutura da máquina de solda e das propriedades do cabeçote do eletrodo. Em máquinas de solda portáteis, a força parametrizada e a força real são similares, devido à baixa rigidez da sua estrutura, por sua vez devido às características de montagem da máquina. 2.5 Estação de solda a ponto automática A máquina de solda pode também ser acoplada a um robô, eliminando-se problemas de ergonomia e pontos de operação sem visibilidade (pontos cegos). Existe a configuração da máquina de solda fixada em pedestal com o robô manipulando a peça para a solda através de garra, normalmente pneumática. A figura 20 ilustra o robô com a máquina de solda em linha automática. Figura 20 – Estação de solda a ponto automática típica (http://www.seesaipa.com/Robotics, acesso:5/Fev/2004) 26 2.6 Descontinuidades na solda por resistência A qualidade requerida para a solda depende primeiramente da sua aplicação. Ela pode ser afetada pela composição química e condições do metal base, projeto da junção e das peças, condição dos eletrodos e equipamentos de solda. Em algumas aplicações, cada solda deve atender os requisitos mínimos de uma especificação em particular (aviões e veículos espaciais). Outras aplicações podem ter normas para soldas satisfatórias, assim como permitir uma determinada porcentagem de defeitos (componentes automotivos). Os requisitos de projeto devem incluir aparência superficial, resistência mínima e parâmetros de solda, além de serem monitorados por um sistema de controle de qualidade, incluindo inspeção visual e exame destrutivo da solda. Os fatores mais importantes da qualidade da solda são: aparência superficial, tamanho da solda, penetração, resistência e ductilidade, descontinuidades internas, separação de chapas, expulsão de material e consistência da solda. • Aparência superficial Não é uma indicação infalível da resistência ou tamanho da solda, apenas indica as condições sob as quais a solda foi feita (ex.: grupo de pontos de solda na mesma condição deve ter aparência superficial idêntica). A segunda e as sucessivas soldas podem ter tamanho menor (desde que dentro do especificado) em virtude da fuga de corrente para os pontos já soldados (efeito shunting). • Tamanho da solda e profundidade de fusão O diâmetro ou largura da zona de fusão deve atender os requisitos de uma determinada especificação ou critério de projeto. 27 Na falta destes, pode-se considerar que pontos de solda em condições normais de produção devem ter de 3,0 a 4,0 vezes a espessura da chapa mais fina (mínimo). A tabela 2 mostra os principais tipos, causas e efeitos de algumas condições indesejadas na solda. Tabela 2 – Causas e efeitos de descontinuidades na solda (AWS, 1995) Tipo de Falha 1 Endentação profunda do eletrodo 2 Fusão superficial, (seguida de endentação) 3 Solda com formato irregular 4 Depósito de eletrodos na peça 5 Trincas e cavidades profundas Causas Efeitos Montagem incorreta dos eletrodos e falta de controle da força, geração excessiva de calor (alta resistência de contato ou baixa força no eletrodo); Sujeira no metal, baixa força nos eletrodos, alta corrente de solda, montagem incorreta dos eletrodos, seqüência imprópria de corrente e pressão; Perda da resistência da solda devido à redução da espessura do metal na periferia da área de solda, má aparência; Desalinhamento do trabalho, montagem incorreta dos eletrodos, mau contato entre as chapas; Sujeira no material, baixa força no eletrodo ou alta corrente de solda, manutenção imprópria do eletrodo, material impróprio do eletrodo; Remoção da força dos eletrodos antes do resfriamento da solda, geração excessiva de calor resultando na expulsão de metal fundido; Soldas pequenas devido à expulsão do metal fundido, grande cavidade na zona de solda, aumento do custo de remoção das rebarbas, baixa vida do eletrodo , perda de produção (troca dos eletrodos); Resistência reduzida da solda devido às mudanças na área de contato e expulsão de material; Má aparência, redução da resistência à corrosão, redução da resistência da solda (expulsão de material), redução da vida do eletrodo; Redução da resistência à fadiga (caso exista tensão na solda ou imperfeições na periferia da área soldada, aumento da corrosão); A norma DIN 8524 (1979) também apresenta uma tabela com os tipos de erros na solda a ponto resistiva, como mostrado na tabela 3. 28 Tabela 3 – Tipos de erros na solda a ponto resistiva (DIN 8524, 1979) possível causa parâmetros de solda a ponto condições do eletrodo peça soldada observações corrente tempo força diâm. & ponta superfície material/resfriam.superfície ajuste ponta muito muito muito muito grosso ou suja ruim resistência insuficiente suja/deforma reduzida curto grande ponta rombuda da defeito expulsão interna muito elevada muito pequena suja muito longo expulsão externa suja resfriam. suja ou insuficiente, mat. revestida inadequado profunda identação do eletrodo ou exagerada descoloração do ponto diâm.muito pequeno da indentação do eletrodo muito elevada muito longo muito pequena muito fino ou ponta aguda muito reduzida muito curto muito grande muito fino suja diâm.muito grande da indentação do eletrodo muito elevada muito longo muito pequena muito fino suja desvio de forma do ponto de solda de um círculo muito elevada muito longo muito pequena trincas na ZTA muito elevada muito longo muito pequena canais ou poros no interior do ponto muito elevada muito longo muito pequena abertura da chapa junto ao ponto muito elevada muito longo muito pequena muito fino muito fino ruim inércia muito grande no sistema de força ruim posic / desalinhamento dos eletrodos resfriamento insuficiente muito ponta deformada pequena formação de liga no eletrodo ou na peça ruim programa de corrente não adequado, tempo de ajuste insuficiente suja suja resfriam. suja ou insuficiente, mat. revestida inadequado tempo insuf, inércia muito grande no sistema de força resfriam exagerado taxa de resfriamento muito elevada resfriam exagerado programa de corrente e força não adequados ruim Profundidade de fusão é a espessura na qual o botão de solda penetra nas peças que estão em contato com os eletrodos (a Figura 21 mostra os atributos geométricos de uma solda a ponto, através da secção transversal de uma junção de solda a ponto, investigados por Zhou et al, 2003). A profundidade mínima de fusão é aceita geralmente como sendo 20 % da espessura da chapa mais fina (chamado de indentação). 29 Figura 21 – Atributos geométricos da solda a ponto (Zhou et al, 2003) Se menor que 20% a solda é chamada “solda fria”, pois o calor gerado foi muito baixo. Variações normais na corrente, tempo e força dos eletrodos causam alterações indesejáveis na resistência da solda fria e em casos extremos não há a formação do botão de solda. Entretanto, a profundidade de fusão não deve exceder 80 % da espessura da chapa mais fina, o que resultaria em indentação excessiva e expulsão do material. • Resistência e ductilidade Estruturas que utilizam pontos de solda são projetadas normalmente para que a solda receba carregamento de cisalhamento quando sob tensão ou compressão. Em alguns casos, a solda pode ser tensionada quando a direção do carregamento for normal ao plano da junção ou pode ser tensionada com a combinação tensão e cisalhamento. Em aços de baixo carbono, por exemplo, a média da tensão de cisalhamento calculada em uma boa solda no momento da sua ruptura varia de 69 – 414 MPa. Valores baixos são aplicados a soldas relativamente grandes e valores altos a soldas pequenas; nos dois casos a tensão de tração real é próxima ao limite de resistência à tração. Esses fatos tendem a causar uma variação da resistência ao cisalhamento linear ao diâmetro. Um ponto de solda não tem grande resistência à torção quando o eixo de rotação é perpendicular ao plano das peças soldadas. Essa resistência varia com o cubo do diâmetro do botão, e uma pequena deformação torsional surge antes da falha. 30 Os deslocamentos angulares variam de 5 a 180 graus dependendo da ductilidade do material soldado, e a ductilidade de uma solda por resistência é determinada pela composição do metal base e o efeito de altas temperaturas, além de um resfriamento rápido do metal base logo em seguida. Infelizmente os métodos padrões para a medição da ductilidade não são adaptáveis ao ponto de solda, e o que mais se aproxima é o teste de dureza, pois a dureza é usualmente o inverso da ductilidade. Para uma dada liga, a ductilidade usualmente diminui com o aumento da dureza. Outro método para a indicação da ductilidade de um ponto de solda é a determinação da relação entre a resistência à tração e a resistência à tensão de cisalhamento. Uma solda com boa ductilidade possui alto valor para essa relação; com baixa ductilidade tem-se um baixo valor para a relação. Para minimizar os efeitos do resfriamento rápido, podemos utilizar alguns métodos como usar tempo de solda relativamente alto, para fornecimento de calor à peça; pré-aquecer a área a ser soldada e revenir a solda, a ZTA e o conjunto soldado. Tais métodos, porém, não são sempre práticos, uma vez que o primeiro produz grande distorção no conjunto, o segundo requer máquinas de solda com controle das características citadas e o terceiro envolve a adição de uma operação (e conseqüente adição de custo). • Descontinuidades internas Descontinuidades internas incluem trincas, porosidades, cavidades e em alguns casos de revestimento, inclusões metálicas no botão de solda. Segundo Radaj (1990), essas descontinuidades não afetarão a resistência à fadiga se estiverem localizadas inteiramente na porção central da solda; por outro lado é extremamente importante que não ocorram defeitos na periferia da solda onde as tensões de carregamento são altamente concentradas. Pontos de solda em chapas de espessura de 1,0 mm ou maiores podem ter pequenas cavidades no centro da solda. Essas cavidades são menos pronunciadas em alguns metais que em outros, devido a diferenças na força exercida pelos eletrodos no metal quente. 31 Tais cavidades não são prejudiciais em situações normais, entretanto, quando ela resulta em expulsão de metal fundido (Figura 22) pode haver diminuição da área fundida e nesse caso a cavidade torna-se extremamente prejudicial. Figura 22– Cavidades internas – chapa de espessura ≥ 1,0 mm (AWS, 1995) É esperado certo número de cavidades na produção, mas sua aceitação deve ser baseada nas especificações da solda. O melhor método para verificação da aderência dos pontos de solda é através de um programa de controle de qualidade estatístico, com corpos de prova e testes destrutivos. Defeitos internos são causados geralmente por baixa força dos eletrodos, alta corrente, ou outra condição que produza calor excessivo. Podem ser causados também pela remoção da força no eletrodo muito rapidamente após o término da corrente. • Separação das chapas e expulsão interna e externa A separação das chapas ocorre na superfície de contato como resultado da expansão e contração do metal soldado e do efeito de forjamento aplicado pelos eletrodos no botão de solda quente. A quantidade da separação varia com a espessura do metal base, aumentando com o aumento dessa espessura. A separação excessiva das chapas resulta das mesmas causas da indentação da superfície, e a montagem imprópria dos eletrodos pode agir como punção durante a aplicação da força. Isso tende a diminuir a espessura da junção, forçando as chapas para cima ao redor dos eletrodos (Figura 23). 32 Figura 23 – Separação excessiva entre as chapas (AWS, 1995) Expulsão é o resultado de excesso de calor, geralmente causado pelo excesso de corrente, e resulta em cavidades internas e usualmente reduz a resistência da solda. Isso é ainda pior quando existe a combinação de alta corrente com força inadequada e faceamento incorreto dos eletrodos. Esta tendência é tão pronunciada que a máxima corrente é normalmente limitada ao valor em que a expulsão não ocorrerá (ainda). 2.7 Qualidade da solda a ponto Qualidade, segundo a norma DIN 55 350 (1986) apud Polrolniczak (1986), é a condição de uma unidade concernente a sua capacidade ou adequação em atender ou cumprir requisitos ou exigências pressupostos e estabelecidos. Para cada tipo de indústria, podem ser definidos critérios únicos de qualidade, mas em todos os casos a consistência e a resistência do ponto de solda é o critério decisivo da qualidade, em conjunto com algumas características adicionais, como penetração do eletrodo na superfície do ponto, pressão e corrente. A Tabela 4 mostra que as exigências de consistência e resistências podem ser diferenciadas de acordo com classes de segurança. Ao assegurar-se a qualidade de um ponto, é necessária a definição dos termos “defeito” e “falha” (DIN 8524, 1979). Uma falha no sentido de engenharia de qualidade é o não atendimento de um dado requisito ou característica exigida. Dentro do termo defeito estão incluídas algumas irregularidades da representação da solda, e as diferenças estão classificadas em 6 grupos de erros, que podem prejudicar a consistência ou a aparência do ponto. Estes grupos abrangem as trincas, furos, rugosidades, erros de forma, entre outros. 33 Tabela 4 – Atribuições das classes de segurança e dos critérios de qualidade incluindo definições complementares (DIN 8524, 1979) Classes de segurança efeito da falha A risco da vida humana B inutilização do produto C utilização penalizada diâm. Mínimo do ponto diâm. Mínimo do botão profundidade de indentação no botão (*) ou mínima força de tração por cisalhamento (**) exemplos de requisitos complementares - mínima força de tração normal - tolerânicia para o ponto 0 - tipo de fratura - penetração do eletrodo - penetração unilateral do eletrodo - nenhuma expulsão interna - nenhuma expulsão externa - máxima folga permitida entre as chapas - ienção de poros e canais - não foração de liga na superfície da chapa (*) para combinaç~eos de espessuras de chapas 1:3 a profundidade de indentação deve corresponder de 40%....60% das espessuras respectivas das respectivas chapas. (**) a mínima força de tração por cisalhamento determinada pelo fabricante em função do diâmetro do ponto ou do botão e do valor mínimo normalizado para o material (valor mínimo do material conforme DIN 1623 parte 1) Segundo norma ISO 18278 (2002) os procedimentos normalizados para a otimização dos parâmetros de solda consistem na avaliação de atributos físicos da solda, como exemplo fraturas aparentes, resistência da solda, propriedades torsionais ou mais comumente, o diâmetro do botão como mostrado na Figura 22. Em geral, o intuito é produzir um ponto de solda como o diâmetro requerido para a geração de uma falha por destacamento do botão no teste de arrancamento (peel test). Essa falha constitui na fratura do metal base, na ZTA ou no botão de solda deixando o botão de solda em uma das chapas a serem soldadas após o teste. Na maioria dos casos o diâmetro requerido é especificado conforme a norma ISO/DIS 14373 (2004), conforme a equação 1. d = 5.√t (1) Onde d é diâmetro do ponto de solda e t é a espessura da chapa mais fina (mm). Essa equação é baseada na premisa de que o tamanho ideal do botão de solda seria igual ao diâmetro do eletrodo, que é determinado pela equação 1. Essa filosofia tem funcionado bem para a solda de aços baixo carbono com e sem revestimento, já que a resistência ao cisalhamento é proporcional ao tamanho da solda. 34 Segundo Deng et al (2000), a resistência do ponto de solda é diretamente proporcional ao quadrado do diâmetro do botão, sendo boa a prática de especificar a resistência da solda maior que a utilizada em soldas com recomendação mínima de tamanho do botão, não excedendo 150 %. A tensão média diminui em virtude da tendência crescente da falha ocorrer nos limites do botão, conforme ele aumenta de tamanho. A ISO/DIS 14373 (2004) mostra que o coeficiente dessa equação pode variar seu valor de 3,5 até 6. A General Motors do Brasil utiliza a equação 2 como uma referência. d = 4.√t (2) Para as pessoas, assegurar treinamento adequado e utilizar suas habilidades mais eficientemente é um dos maiores problemas. A qualidade da solda é afetada por vários fatores e variáveis, que ocorrem durante a produção. Os entendimentos desses fatores e seus efeitos são ações importantes (Jou, M., 2003). A Tabela 5 mostra dispositivos de controle de solda a ponto incluindo sensores e transdutores de medição. Tabela 5 – Dispositivos de controle de qualidade de solda a ponto incluindo sensores e transdutores (DIN 8524, 1979) Sistema de medição e controle Fabricante País parâmetro de parâmetro comando comandado sistema Sensores & transdutores preço (UM) corrente transdutor tensão no corrente préIntegrado Separado acelerômetros transf. ultrassom eletrodo secundária amplificador Primário x x 7 - 10 - A RFA resistência tempo (a) Var 1 B RFA tensão tempo (a) Var 1 x - x - - - - - C GB tensão tempo (a) Var (2) (c) x - - - - - 7-8 5 D Tchec resistência tempo (a) / corrente (c) Var 2 (d) x x - - - - 7-8 - E RFA deslocamento do eletrodo corrente (c) - - - x x - - - F EUA ultrassom tempo (a) expulsão - - x x - x - - EUA ultrassom tempo (a) energia G (a) ajuste do tempo de interrupção da corrente de soldagem (b) ajuste do tempo de disparo dos tiristores (c) outro tipo de medição do sinal que p do fabricante B - - x x - x - - 35 Tabela 6 – Dispositivos de controle de qualidade de solda a ponto incluindo sensores (DIN 8524, 1979) Pos. Constatações fundamentais Aço St 14 ; espessura = 1 + 1 mm Tipos de dispositivos de controle de qualidade de solda A B C D E +++ 1 Alteração das espessuras até 1:3 +++ +++ +++ +++ 2 Alteração no número de chapas até 4 ++ ++ ++ ++ + 3 Derivações até s=2.d ++ ++ ++ ++ ++ 4 Distância de bordo reduzida até v=0,5.d + + + + + 5 Ajuste ruim das chapas 6 Queda da tensão primária até 30 % +++ +++ +++ +++ +++ 7 Maior massa de aço, janela secundária +++ +++ +++ +++ +++ 8 9 Aumento da força no eletrodo até 100 % Redução na força no eletrodo até 30 % 10 Troca por chapa zincada +- +- +- +- ++ 11 Troca do aço St 14 por Aço Inox CrNi18 8 12 Aumento da área de contato do eletrodo 13 Reação durante a expulsão 14 Desalinhamento dos eletrodos + + + + + + ++ Simbologia - sem efeito + - efeito positivo ++ - melhora significativa +++ - melhora bastante significativa +- - não nítida, dependente da espessura e tipo da camada zincada - efeito negativo - prejuízo significativo - prejuízo bastante significativo Os dispositivos A até D permitem variações do tempo de soldagem de até 5.t 2.7.1 Influência da pressão e sistema de força O sistema de pressão do equipamento de solda é normalmente hidráulico ou pneumático. A força de solda é gerada pela pressão de um cilindro, onde está fixado o eletrodo móvel de força. O efeito de uma força imprópria do eletrodo pode ser ilustrado em função da equação usada na resistência de soldagem: Q = I2.R.t (3) 36 Baixa força no eletrodo aumentará o fator de resistência R nessa equação, onde I é a corrente elétrica, t o tempo de aplicação dessa corrente e Q o calor gerado. Uma alta resistência (baixa força, por exemplo) gerará mais calor, e tem-se efeitos negativos como expulsão de metal, solda porosa, baixa vida dos eletrodos e sola de baixa resistência. A força do eletrodo influencia a magnitude da resistência de contato estática, e assim a geração de calor inicial na interface eletrodo/chapa e chapa/chapa. A força determina a área de contato nas interfaces e por conseqüência a densidade de corrente, que por sua vez determina a taxa de geração de calor. Lavery & Williams (1970) sugeriram que as várias resistências interfaciais durante a solda de aços revestidos por zinco por imersão são menos sensíveis a alterações na força dos eletrodos que a solda de aços sem revestimento. Tendências diferentes são obtidas com outros tipos de revestimentos, dependendo da resistividade desse revestimento. Por exemplo, no caso de aços revestidos com a liga Fe-Zn (galvannealing) a resistência da superfície é alta, fazendo, entretanto que o revestimento seja mais suscetível a alterações na força dos eletrodos. 2.7.2 Influência das condições e geometria do eletrodo: A geometria do eletrodo é considerada a maior causadora de não-conformidades no fluxo da corrente. Kim & Eager (1988) desenvolveram um modelo para investigar o efeito da forma do eletrodo na formação da solda. Eles concluíram que, no caso de eletrodos em forma de domo, a área de caminho da corrente na superfície de contato entre as chapas (superfície de colapso) e a relação entre o raio dos eletrodos e a espessura das chapas são importantes na formação do botão de solda. Foi sugerido que a área de contato entre as chapas (superfície de colapso) é 1,3 vezes maior que área de contato entre o eletrodo e a chapa. No caso de aços revestidos com zinco, o revestimento aumenta essa área de contato, que em parte é responsável pela maior corrente de solda necessária para esses tipos de materiais. Devem-se trocar os eletrodos assim que qualquer alteração na sua forma e geometria seja verificada. 37 2.7.3 Influência da distribuição da corrente na área de solda A distribuição da corrente entre os eletrodos é o fator de maior influência na formação da solda. Nied (1984) concluiu que o maior valor da distribuição da densidade de corrente ocorre na periferia da área de contato entre o eletrodo e a chapa de aço, em parte por causa das altas pressões nesse local, causadas pela deformação na chapa em virtude da força do eletrodo. 2.7.4 Influência da espessura das chapas a serem soldadas e da espessura governante Para compreender o efeito da espessura das chapas no crescimento da solda são necessários conceitos das contribuições relativas entre as resistências dos materiais, da interface chapa/chapa, e da interface eletrodo/chapa em relação à resistência total entre os eletrodos de solda. A espessura governante é a base para a determinação dos parâmetros de uma solda, definida como a chapa mais fina (na solda de duas chapas) e a média das duas mais grossas (na solda de três chapas), segundo norma General Motors (1996). Bentley et al (1963) mostrou que, no caso de aços baixo carbono, o calor é gerado nas interfaces eletrodo/chapa e chapa/chapa. Nicholson & Apps (1970) encontraram que a formação de zonas de altas temperaturas na interface eletrodo/chapa é maior na solda de chapas de espessuras ≥ 3,28 mm. Hutchings et al (2000) observou tendências similares, e sugeriu que o aquecimento da superfície é um requisito essencial para o crescimento da solda e foi observada sua ocorrência inclusive em chapas finas, de espessura 1,2 mm. Grande parte das pesquisas e trabalhos publicados trata da solda de duas chapas de igual espessura. Entretanto, na solda de carrocerias automotivas a grande maioria das combinações de chapas são de espessuras diferentes, além das condições de solda de três chapas. Em todos os casos, a configuração do eletrodo possui um importante papel, já que as dimensões da face dos eletrodos especificadas nas normas podem ser diferentes para cada uma das chapas a serem soldadas. Isso significa que, em uma célula de produção, as dimensões do eletrodo devem ser de modo a atender todas as espessuras de chapa utilizadas. 38 Do ponto de vista da transferência de calor, a combinação das espessuras da chapas pode ser dividida em dois grupos, simétrica e assimétrica, definidas pela quantidade de material existente entre a interface eletrodo/chapa e o centro geométrico da espessura total compreendida entre os eletrodos (Damasco et al, 1996). Na solda de combinação simétrica de duas chapas de espessuras iguais, o crescimento do botão de solda começa na interface chapa/chapa e o crescimento ocorre simetricamente nessa interface, como resultado do aumento progressivo da quantidade de calor gerado. Era considerado que a maior parte do calor gerado na zona de solda seria conseqüência da alta resistência na interface chapa/chapa, mas Nicholson & Apps (1970) observaram que o aquecimento, no caso de chapas sem revestimento, se iniciava na interface eletrodo/chapa. Na solda de duas chapas de iguais espessuras, o aquecimento ocorre inicialmente nas interfaces eletrodos/chapas, e então também na interface chapa/chapa. As temperaturas medidas com a utilização de imagens térmicas indicam picos na interface eletrodo/chapa durante os instantes iniciais do fluxo da corrente. A influência das temperaturas será discutida posteriormente. Na solda de três chapas de espessuras iguais, a geração de calor é similar, e modelos de fluxo foram observados por Hutchings et al (2000), exceto que o aquecimento inicial ocorre tanto na interface chapa/chapa como na interface eletrodo/chapa. Esse calor é conduzido à região central da chapa do meio da combinação, causando o caldeamento nesse local, no centro geométrico da espessura total entre os eletrodos. Com o aumento da espessura das chapas tem-se uma alteração no local de início do caldeamento para o interior das chapas externas da junta, resultando na formação inicial de dois botões de solda. Harlin et al (2002) observou que uma grande quantidade de calor é requerida para atingir-se um determinado crescimento da solda, para a soldagem de três chapas. Adicionalmente, o tempo necessário para o início da formação da solda também é maior para três chapas, atribuído ao fato da maior massa existente entre os eletrodos, que influencia a condução do calor. Essas tendências foram observadas por Hutchings et al (2000) também para a solda de três chapas de espessuras diferentes. Para a solda de duas chapas de diferentes espessuras (assimétricas), Hutchings et al (2000) notou algumas tendências na solda de aços sem revestimento com os eletrodos de igual diâmetro. 39 Para uma espessura de 1,0 mm ou menor, o aquecimento foi notado inicialmente nas interfaces eletrodo/chapa e chapa/chapa. O caldeamento inicial ocorre na interface chapa/chapa e então se move para o interior da chapa mais fina, mas numa região próxima à sua superfície. A extensão desse movimento aumenta com o aumento da espessura da chapa. 2.8 Solda a ponto em aços baixo carbono A resistência ao cisalhamento de um ponto de solda é dependente de um grande número de variáveis incluindo a qualidade da solda, seu tamanho e a concentração de tensões. A resistência ao cisalhamento de um ponto de solda feito corretamente deve ser igual à do metal base e maior que uma junção por rebites ou parafusos na mesma área. Utilizando-se o tempo de solda apropriado, o resfriamento sob a força dos eletrodos aparenta ser benéfica na redução de trincas e na produção de uma estrutura de qualidade. A resistência dos pontos de solda depende também da resistência do material, por sua vez dependente da composição, tratamento térmico e grau de trabalho a frio. O ponto de solda bom resulta do equilíbrio entre o aumento da resistência e o controle da simultaneamente. Isso é um indicativo do valor correto da corrente de solda. Correntes de solda que não permitem a produção de calor suficiente para as chapas atingirem a temperatura da fase plástica (incluindo-se as perdas de calor) não produzirão boas soldas (Savage & Kaplan, 1994). Para o maior valor da corrente, pode-se usar como limite a referência do início da expulsão de metal. Outro teste para a avaliação dos valores limites da corrente pode ser o ponto em que ocorre grande aumento na indentação, como exemplo, de 2% para 10%. 2.8.1 Influência da temperatura da solda Bentley et al (1963) e depois Cho & Cho (1989) relataram alterações metalúrgicas em relação a temperatura na região de solda, observada durante diferentes tempos do ciclo de solda. 40 Esses trabalhos confirmaram que durante os estágios iniciais do fluxo da corrente, o aquecimento está confinado na interface eletrodo/chapa e as temperaturas nessa região estão em torno de 700° C. Isso foi confirmado por Lee & Nagel (1988), através de um experimento mesclando os resultados obtidos com filmagens de alta velocidade do processo de solda, pintado com tinta termo-sensível. Os modelos de temperaturas obtidos com a solda de aços revestidos com zinco indicam temperaturas de 800° C na periferia da interface eletrodo/chapa (Suzuki & Trevisan, 1996). Han et al (1989) mediu as temperaturas desenvolvidas perto do centro da superfície de colapso, usando corpos de prova com sensores térmicos posicionados na ZTA. As temperaturas medidas dentro da faixa de 3,8 mm do centro da solda indicam um pico de 1000° C (após 20 ciclos de corrente). Attorre et al (1997) mediu a distribuição de temperaturas utilizando técnicas de imagens infravermelhas e concluiu que inicialmente as temperaturas são maiores nas interfaces eletrodo/chapa, e após cerca de 6 ciclos há um grande aumento na temperatura superfície de colapso, conforme mostrado na Figura 24. Figura 24 – Comparação entre as temperaturas preditas e medidas durante a formação da solda (Cho & Cho 1989) 41 As temperaturas existentes no processo de solda são influenciadas diretamente pela condição de refrigeração dos eletrodos, e os valores dessas temperaturas podem ser vistos na Figura 25. Diversas empresas já utilizam água de refrigeração na temperatura inicial de 0°C (Scott, A., comunicação pessoal, 2005). Isso ajuda inclusive a garantir uma condição de resfriamento satisfatória mesmo quando ocorrerem problemas com os componentes ou com a tubulação. Figura 25 – Temperaturas no circuito de solda (www.cvm.com.br/importsoldas, acesso em 12/02/2004) 42 3. COMPORTAMENTO MECÂNICO E CARACTERIZAÇÃO – CHAPAS DE AÇO REVESTIDAS 3.1 Propriedades mecânicas Os metais são os materiais mais utilizados para construções, pois são normalmente fortes, resistentes e dúcteis (combinação de propriedades não comumente encontrada em materiais não-metálicos). Além disso, a resistência, rigidez e ductilidade dos metais podem ser alteradas individualmente com a seleção de ligas ou o tipo de tratamento térmico. A aplicação de calor, razão de resfriamento, metal de adição e estrutura metalúrgica são alguns dos fatores que afetam as propriedades mecânicas. 3.1.1 Módulo de elasticidade Uma maneira conveniente de medirmos a habilidade do metal de resistir à deformação sob a aplicação de tensões na fase elástica é através da relação E entre a tensão e a deformação correspondente. Essa relação é conhecida como Módulo de Young ou Módulo de elasticidade, e é comumente expresso pela fórmula: E= σ ε (4) O Módulo de Young (E) é uma característica constante medida em metais policristalinos, durante testes padrões de engenharia (tração, compressão, dobra, etc) onde exista a correlação tensão x deformação. Essa é uma propriedade independente, não sendo afetada pelo tamanho dos grãos ou tratamento térmico. 3.1.2 Limite elástico O comportamento elástico do metal alcança o limite em um determinado nível de tensão chamado de limite elástico. 43 Esse limite é uma propriedade sensitiva e dependente da razão da deformação. Ele é o máximo valor em que o elemento consegue retornar às suas dimensões originais após a liberação do carregamento. Quando o limite elástico é excedido, o elemento se deforma permanentemente. Um engenheiro normalmente necessita conhecer a capacidade de carga de um metal sem deformação plástica, e para isso diversas propriedades altamente relacionadas ao limite elástico foram definidas. Essas propriedades podem ser facilmente determinadas a partir de um diagrama tensão – deformação (Figura 26). Figura 26 – Digrama típico de tensão-deformação no regime elástico (AWS, 1995) A curva tensão x deformação é inicialmente uma linha reta, A – A’. O aclive da curva é o módulo de elasticidade para o metal em teste. Conforme a linha prossegue no sentido ascendente é alcançado um ponto onde a deformação excede o valor previsto pela relação com o aclive da reta. É difícil definir o ponto exato onde termina a proporcionalidade entre a tensão e a deformação, pois a interpretação da curva pode variar. O limite elástico (ou limite proporcional) na Figura 26 é de cerca de 190 MPa. Essa é a máxima deformação em que a proporcionalidade se mantém e deformações abaixo do limite elástico são corrigidas com a retirada da carga. Quando o metal é tensionado além do limite elástico a deformação adicional é de natureza plástica e resulta em deformação permanente. 44 Como exemplo, se o corpo de prova mostrado na Figura 26 for carregado com 220 MPa (ponto S1), o corpo se alonga 0,03 mm/mm do comprimento. Com a retirada do carregamento, o corpo de provas não retornaria às suas dimensões originais, mas permaneceria com a deformação. 3.1.3 Limite de escoamento O limite de escoamento do metal é o nível de tensões na qual esse metal exibe um desvio específico na proporcionalidade entre tensão e deformação. Um método prático para a sua determinação é mostrado ainda na Figura 26. A linha C-C’ é desenhada paralelamente à linha elástica A-A’ a partir de um ponto na abscissa representando um alongamento de 0,2 % (0,508 mm/mm). A linha C-C’ terá um ponto de intersecção (S2) na curva tensão x deformação onde o nível de tensão é de cerca de 260 MPa, que é o limite de tração do metal testado. Enquanto o valor de 0.2 % do limite de escoamento é comumente utilizado nos projetos de engenharia, podem-se ter valores de 0,1 % e 0,5 % para determinados metais. Os aços de baixo carbono mais comercialmente usados exibem uma característica na curva tensão X deformação chamada de ponto de escoamento. É a primeira tensão no material, menor que a tensão máxima possível, onde um aumento na deformação ocorre sem um aumento na tensão. 3.1.4 Resistência à tração A razão entre a máxima carga suportada por um corpo de prova de tração e a área da sua seção transversal original é chamada de limite de resistência à tração, que é o valor normalmente mostrado como a resistência do material. O limite de resistência à tração representa um valor calculado a partir de um teste padrão de engenharia, sendo que o valor verdadeiro desse limite é maior que o mostrado. Os valores mostrados são influenciados por diversos fatores. O limite é dependente da composição química, microestrutura, e tamanho do grão. O tamanho e a forma do corpo de prova e a taxa de carregamento podem também afetar o resultado. 45 Por essas razões, o limite de resistência à tração da ZTA pode ser diferente daquele do metal base antes de ser afetado termicamente. 3.1.5 Resistência à fadiga O comportamento sob carregamento cíclico é um aspecto importante da resistência dos metais e juntas soldadas. Fraturas por fadiga se desenvolvem para cada caso de aplicação da tensão de tração mesmo em tensões nominais abaixo da crítica. A taxa de avanço de uma fratura por fadiga aumenta com a diminuição da área da secção imediatamente à frente da fratura durante a aplicação da carga até que a fratura atinja um tamanho crítico. A fissura instável se inicia e de repente a falha completa ocorre. O crescimento da fratura não ocorre quando a tensão líquida aplicada nas bordas da falha é compressiva, e pode iniciar-se devido à alta tensão residual da tração. Caso a tensão aplicada seja compressiva a rachadura não crescerá até o comprimento crítico. A tensão que um metal pode suportar sem fraturas diminui com o aumento das repetições da aplicação de tensão. A resistência à fadiga é geralmente definida como a máxima tensão que pode ser suportada por um número de ciclos sem falhas e quando o número de ciclos desejados aumenta a resistência à fadiga correspondente diminui. Para o aço, a resistência à fadiga é usualmente quase constante abaixo de dois milhões de ciclos. Milhões de ciclos adicionais são requeridos para causar uma significativa redução na resistência à fadiga. O limite à fadiga, entretanto, torna-se praticamente a tensão máxima com a qual o metal suportará um número infinito de ciclos sem fraturas. Os valores reportados para metais nos livros de engenharia usualmente são determinados com corpos de prova circulares, polidos e testados no ar. Tais informações são válidas para projetos em aplicações como eixos em máquinas, etc. Entretanto devem ter pequena importância no projeto de junções soldadas porque essas são caracterizadas por mudanças abruptas na seção transversal, descontinuidades geométricas e metalúrgicas, e tensões residuais. A vida de uma estrutura soldada submetida a repetidas variações de tração ou tração e compressão alternadamente dentro do regime elástico do material é dependente primeiramente da tensão e da configuração da solda. 46 Essa vida é definida como o número de vezes a que uma estrutura pode ser sujeitada a uma carga específica até que uma fratura seja iniciada e cresça de modo a causar falha no componente. Soldas estruturais normalmente incluem detalhes que resultam em diferenças significantes nas seções da espessura, que por sua vez criam concentrações de tensões, e a falha por fadiga ocorre usualmente nesses locais. Em virtude disso, projetistas de juntas soldadas necessitam entender profundamente as características de fadiga dos metais a serem utilizados, pois o caso mais comum de fratura em solda é por fadiga. 3.1.6 Ductilidade A quantidade de deformação plástica que um corpo de provas suporta em um teste mecânico é considerada a medida da ductilidade do metal ou da solda. Valores expressando ductilidade em vários testes mecânicos são significativos apenas para a geometria e tamanho do corpo de provas utilizado. A ductilidade é uma propriedade estrutural sensitiva e é afetada por diversas condições no teste, como o tamanho e forma, temperatura ambiente, a taxa de deformação, a micro estrutura e as condições de superfície. Os valores da ductilidade não são usados diretamente em projetos, pois a maioria das estruturas é projetada para operar com tensões abaixo do limite de resistência. 3.1.7 Propriedades em temperaturas baixas Diminuindo-se a temperatura de um metal se afeta profundamente as características da fratura, particularmente se o metal possuir uma estrutura cristalina de corpo centrado (ex. aço carbono). A resistência, ductilidade e outras propriedades são alteradas em todos os metais e ligas conforme a temperatura diminui. O projetista deve considerar as propriedades dos metais em temperaturas muito baixas, como no caso de vasos de pressão e outros produtos soldados. Temperaturas muito baixas são utilizadas em serviços criogênicos, que compreendem o armazenamento e uso de gases industriais líquidos, como o oxigênio e nitrogênio. 47 Com a diminuição da temperatura diversas alterações nas propriedades ocorrem nos metais, como o aumento do módulo de elasticidade. Em geral a resistência dos metais e ligas tende a diminuir, porém alguns metais e ligas retêm ductilidade considerável em temperaturas muito baixas. Os principais fatores que determinam o comportamento em baixas temperaturas durante testes mecânicos são: estrutura cristalina, composição química, tamanho e forma dos corpos de testes, condições de fabricação e tratamento térmico, e o carregamento aplicado. 3.1.8 Propriedades em temperaturas elevadas O desempenho de um metal em alta temperatura durante trabalho é influenciado por outros fatores além da resistência e ductilidade. O tempo se torna um fator, pois os metais se deformam em altas temperaturas e essa deformação na seção sob carga continua a aumentar mesmo que a carga se mantenha constante. A razão da deformação sofrida por metais e ligas difere consideravelmente. Se a temperatura e tensão são altas, o metal se deforma antes da ocorrência da ruptura. As propriedades físicas dos metais raramente recebem as atenções dadas às propriedades mecânicas, em relação à solda, apesar de possuírem um aspecto importante das características dos metais. Valores constantes são usualmente fornecidos para metais e ligas e servem satisfatoriamente para a maioria das propostas da engenharia. 3.1.9 Condutividade térmica A taxa de transmissão do calor por condução através de um material é chamada de condutividade térmica. Metais são melhores condutores térmicos que não metais e metais com alta condutividade elétrica geralmente têm alta condutividade térmica. O cobre e o alumínio, por exemplo, são excelentes condutores térmicos, o que os torna muito difíceis de serem soldados utilizando-se fontes de temperaturas relativamente baixas, como uma chama de oxiacetileno. 48 3.1.10 Temperatura de fusão Quanto mais alto o ponto de fusão maior a quantidade de calor necessária para fundir um dado volume de metal. Portanto a temperatura da fonte de calor para a solda deve ser bem maior que a temperatura de fusão do metal. Entretanto duas peças de um metal (ex. ferro), podem ser unidas com um metal de ponto de fusão mais baixo (ex. bronze), e o material de enchimento deve se fundir e aderir às faces do material ao qual está sendo aplicado. A solda de dois metais de composição não similares tornase cada vez mais difícil conforme a diferença entre os pontos de fusão aumenta. 3.1.11 Condutividade elétrica Os metais são bons condutores de eletricidade. Aumentando-se a temperatura de um metal cria-se uma interferência no fluxo de elétrons diminuindo a condutividade elétrica. Adicionando-se elementos de liga ou trabalhos a frio aos metais também se diminui a condutividade elétrica. 3.1.12 Propriedades de corrosão As propriedades de corrosão de um metal determinam seu modo e taxa de deterioração por reações químicas ou eletroquímicas com o meio que o envolve. Metais e ligas diferem enormemente na resistência à corrosão, que é uma importante consideração no planejamento e fabricação de soldas para determinado propósito. O projetista deve possuir conhecimentos sobre o comportamento de juntas soldadas sob condições corrosivas, pois essas juntas freqüentemente mostram propriedades corrosivas diferentes do restante da solda. Essas diferenças podem ser observadas entre o metal soldado e o metal base, e algumas vezes entre a ZTA e o metal não afetado. Mesmo os efeitos produzidos na superfície pela solda podem ser fatores importantes no comportamento da corrosão em um metal, inclusive soldas feitas entre metais não similares ou com metal de enchimento não similar podem estar sujeitas à corrosão eletroquímica. 49 3.2 Aço baixo carbono – sem revestimento Para os propósitos de estudo das características da solda por resistência, o aço pode ser classificado em aços baixo carbono, aços alto carbono e baixa liga e aços alta liga. Os aços baixo carbono se referem ao grupo onde a quantidade de carbono não ultrapasse 0,50% conforme a Tabela 7 (RWMA, 1989), e nenhum outro elemento de liga esteja em quantidade acima de 1,0%. Esse grupo é ainda classificado como aço comum, quando a quantidade de carbono presente está entre 0,15% e 0,30%, e aço médio, onde essas porcentagens estão entre 0,30% e 0,50%. Tabela 7 – Composição Média dos Aços Baixo Carbono (% peso) (RWMA, 1989) Composição média dos aços Baixo Carbono Carbono 0,010 – 0,050 Manganês 0,300 – 1,000 Enxofre 0,050 Máx. Silício 0,050 Máx. Fósforo 0,040 Máx. Ferro Balanceado O aço alto carbono e o grupo de aço de baixa liga incluem as ligas onde o conteúdo de carbono é maior que 0,50%, ou qualquer elemento de liga exceda 1,0%, mas não mais de 5,0%. 3.2.1 Efeitos dos elementos de liga A maior parte de peças e produtos soldados pelos processos de solda por resistência são feitos de aços baixo carbono, e a solda é satisfatória desde que todas as condições (equipamentos, cuidados e precauções) sejam observadas. Nesse tipo de aço, o carbono está sempre associado a quantidades definidas de manganês, e qualquer efeito no ciclo de calor utilizado para a solda pode ser atribuído o carbono e ao manganês, ambos contribuindo para o aumento da resistência. 50 De modo geral, podemos dizer que se aumentando o carbono ou o manganês aumenta-se a dureza do aço. Com o aumento do carbono e outros elementos de liga cresce também a suscetibilidade do aço a grandes variações na sua microestrutura e nas propriedades mecânicas, de acordo com a taxa de resfriamento do aço a partir do seu estado líquido. Os principais elementos de liga nos aços baixo carbono são: • Carbono É o elemento com maior potencial de endurecimento. A dureza do aço aumenta com a quantidade de carbono. Entretanto, se o carbono não exceder 0,20% praticamente não afeta a resistência da solda. • Manganês Aumenta a dureza e a resistência à tração. Mais de 0,60% de conteúdo, em conjunto com um teor relativamente alto de carbono aumentará a tendência para trincas. Se menor que 0,30% em quantidade, pode aumentar a suscetibilidade a porosidades internas e trincas. • Enxofre Deve ser mantido abaixo de 0,035% se possível, e não mais que 0,050%. Acima dessa quantidade o metal tende a ter fragilidade a quente, ou seja, com trincas na solda e na ZTA em virtude de não possuir a resistência necessária em altas temperaturas. Aços AISI de liga com denominação B11XX e C11XX têm enxofre entre 0,080% e 0,330% para aumento de sua estampabilidade. É essa quantidade de enxofre que os torna indesejáveis para operações de solda por resistência. • Fósforo É considerado uma impureza, não tem efeito benéfico para a solda e deve ser mantido na menor quantidade possível. 51 3.3 Aço baixo carbono – com revestimento A maioria dos aços revestidos podem ser soldados a ponto por resistência, embora com diferentes dificuldades dependendo da sua composição e da espessura do revestimento. O revestimento em aços é utilizado para aumentar a resistência à corrosão, estampabilidade, decoração ou uma combinação desses fatores. Desse modo, a aplicação de pontos de solda deve ser feita dentro de procedimentos que assegurem a preservação do revestimento assim como a resistência requerida da solda. Os requisitos de resistência indicam quais os tipos de ajustes serão necessários para a solda assim como é feito para a solda da chapa sem revestimento. A espessura do revestimento é a variável mais importante em relação a soldabilidade do aço e em virtude de grandes variações existentes em aços comerciais não existe uma recomendação em particular. Experiências mostram que quando a aplicação de pontos de solda em determinado tipo de aço revestido não apresenta resultados satisfatórios pode-se conseguir uma melhora da solda diminuindo-se a espessura da camada de revestimento. Pode-se concluir que os parâmetros ideais para a solda de um determinado aço revestido devem ser encontrados de maneira experimental. A Tabela 8 mostra o grau de severidade para a solda de chapas revestidas ou não. Tabela 8 – Grau de severidade para solda de chapas metálicas (AWS, 1995) SC CONDIÇÃO DA SUPERFÍCIE DE COLAPSO / (PROGRAMAÇÃO) GRAU DE SEVERIDADE DO REVESTIMENTO PARA SOLDA BB NUA x NUA (BARE TO BARE / (N x N) 1 BN NUA x GALVANNEAL (BARE TO GALVANNEAL / N x Gn) 2 BG NUA x GALVANIZADA (BARE TO GALVANIZED / N x G) 3 NN GALVANNEAL TO GALVANNEAL / (G x Gn) 4 NG GALVANNEAL x GALVANIZADA (GALVANNEAL TO GALVANIZED / Gn x G) 5 GG GALVANIZADA x GALVANIZADA (GALVANIZED TO GALVANIZED / G x G) 6 Utilizando-se uma maior corrente elétrica, maior força e menor tempo de solda (comparadas a uma chapa nua de mesma espessura) pode-se obter um ponto de solda com o tamanho desejado sem afetar de modo drástico a superfície da solda. 52 Um alto valor de força e bom contato dos eletrodos tendem a proteger o revestimento da superfície e reduzir a tendência de que o material da chapa venha aderir nos eletrodos. No intuito de produzir uma solda aceitável, é necessário que a geração do calor seja a máxima na área de contato entre as chapas a serem soldadas. Um pequeno tempo de solda favorece um resultado perto do ideal, pois não permite que o revestimento, que é fundido primeiro, se misture com o aço formando uma espécie de liga. Do mesmo modo, baixos tempos de solda evitam que o revestimento se una ao eletrodo. Existe uma tendência quando da solda de aço galvanizado de que o zinco se combine com o material do eletrodo formando uma liga de baixa condutividade, o que faz com que as soldas sejam progressivamente mais pobres em qualidade e exista a necessidade de troca dos eletrodos com maior freqüência. Outra característica do revestimento galvanizado é possuir uma superfície irregular, tornando necessário o uso de altos valores de pressão para garantir condições uniformes de contato entre as chapas. 3.3.1 Aços BH (bake hardening) Segundo especificação Usiminas (2005), esse tipo de aço tem como principal característica o aumento da resistência mecânica após o tratamento de cura da pintura e utiliza o mecanismo de envelhecimento por deformação. Esses aços apresentam uma adequada conformabilidade para suportar estampagem de moderada a profunda, sendo internacionalmente conhecidos como aços Bake Hardenable. O endurecimento do aço é avaliado pela elevação do limite de escoamento após deformação de 2% seguindo-se a simulação do tratamento de cura da pintura a 170º C por 20 minutos. As principais características desses aços são as de proporcionar boa resistência a pequenos amassados (denting) nas peças finais, mesmo quando submetidos a baixos níveis de conformação na sua fabricação, e redução de peso das peças. A Figura 27 mostra o comportamento do aço BH através da relação força versus alongamento. 53 Figura 27 – Característica do aço BH (Zimmer, P., 1994) 3.3.2 Aços galvanizados e galvanneal (Marder, 2000) A geração do revestimento de zinco e das ligas de zinco em chapas de aço é uma das mais importantes técnicas de processo comercialmente utilizadas para a proteção de componentes de aço expostos à ambientes corrosivos. Do ponto de vista tecnológico, os princípios da galvanização têm se mantido desde o início desse procedimento, a mais de 200 anos. Entretanto, em virtude das novas aplicações automotivas e da indústria de construção, uma quantidade considerável de pesquisas têm ocorrido recentemente sobre todos os aspectos do processo de galvanização e dos novos tipos de revestimentos zincados. Conforme já visto, o revestimento de zinco é utilizado para aumentar a proteção à corrosão do aço de duas maneiras, como barreira de proteção e proteção galvânica. Na primeira, o revestimento de zinco, que separa o aço do ambiente, irá corroer antes que o aço seja atingido pelo ambiente. Na segunda, sendo o zinco menos nobre ou anódico ao ferro nessas condições ambientais ele irá ser corroído no lugar do aço. Em geral, antes da imersão no banho de zinco líquido o aço a ser galvanizado deve ser limpo para eliminar quaisquer óxidos da superfície que possam reagir com o banho. Após o mergulho no banho quente (hot-dip), o aço é retirado, seco e às vezes recebe tratamento térmico. 54 3.3.3 Métodos de aplicação do revestimento de zinco por imersão (hot-dip) 3.3.3.1 Processo de galvanização por lote No processo de galvanização por lote o aço a ser galvanizado é limpo e direcionado para a imersão. O material é desengraxado, mergulhado em água, passa por uma solução de aço sulfúrico e é novamente mergulhado, dessa vez em água corrente. Os dois tipos de práticas convencionais usadas atualmente são: processo úmido e processo seco. O processo úmido envolve a passagem do aço através de uma cobertura de sais fundidos na superfície do banho de zinco para remoção das impurezas e para manter a porção dessa superfície do banho, onde o aço terá contato, livre de óxidos. O processo úmido requer menor área e uma quantidade menor de equipamentos na planta, e em virtude da forte ação de limpeza da cobertura do banho é responsável por revestimentos com camadas mais finas e um menor número de peças com má galvanização. As camadas resultantes do processo são mostradas na Figura 28. Metal base Fe Camada α 150HV Camada Γ 500HV δ 450HV Camada ζ 270HV Camada η 37HV Camada Revestimento Zn Figura 28 – Camada de revestimento galvanizado a quente, microestrutura e dureza (Sauvage & Kaplan, 1994) 55 No processo seco o aço (após sua limpeza) é passado em uma solução, seco e então mergulhado no banho de zinco. A temperatura da varia ambiente até cerca de 80 ºC. É essencial que o aço seja bem seco antes do mergulho no banho de zinco; a temperatura de secagem é de cerca de 120ºC, por até cinco minutos. Nos dois processos (úmido e seco) o banho de zinco é mantido em temperaturas de 445ºC até 455ºC e o tempo de imersão varia de 3 a 6 minutos, baseado na espessura da chapa. O revestimento predominante produzido é o galvanizado, apesar de uma pequena quantidade de galfan (5% Al) e galvalume (55% Zn) (não serão estudados nesse trabalho). O tempo de imersão é controlado e pode ser variado para controlar a espessura do revestimento (liga ferro-zinco na interface e cobertura de zinco puro). 3.3.3.2 Processo de galvanização contínuo No processo de imersão (hot-dip) contínuo, rolos de aço soldado são revestidos em velocidades de até 200 m/min. O fluxo do processo (Figura 29) é similar ao de galvanização por lote, com a limpeza do aço antes da imersão e é conhecido como método da linha fria. O processo se baseia em uma limpeza antes do mergulho (utilizando uma solução desengraxante) e então o aço entra na seção de limpeza propriamente dita, a uma temperatura de 500 ºC a 760 ºC, e uma atmosfera de N2/H2 que deverá reduzir as contaminações orgânicas e os óxidos superficiais. Após isso o aço entra na zona de aquecimento da caldeira onde é levado perto da temperatura de recristalização (cerca de 700 ºC, dependente do aço). Nesse ponto o aço está suficientemente aquecido para entrar no banho de zinco sem afetar a temperatura do banho. Na saída da caldeira, a chapa passa através de um jato de gás capaz de resfriála a até 460 ºC (a uma taxa de 50 º C/s) antes do revestimento pelo banho de imersão. Conforme a chapa deixa o banho a espessura do filme de metal fundido é controlada através de jatos de gás que removem o excesso do revestimento. Após o revestimento, a chapa é resfriada por ar forçado ou sujeitada a uma linha de tratamento térmico, chamado galvannealing. 56 Figura 29 – Esquema de uma linha de galvanização por imersão contínua (Marder, 2000) 3.3.3.3 Tratamento térmico Galvannealing Os revestimentos do tipo galvanneal são revestimentos de difusão que expõem o aço galvanizado a uma temperatura de cerca de 500 ºC para produzir um revestimento de liga Fe-Zn com fases intermetálicas. Isso é conseguido através da inserção de aquecimento e resfriamento sobre o recipiente de zinco líquido no intuito de tornar o processo de galvannealing contínuo. As variáveis envolvidas e suas propriedades são complexas. Um bom controle do processo requer que os efeitos da taxa de aquecimento, temperatura e tempo e a taxa de resfriamento da liga Fe-Zn sejam bem entendidas para que o melhor revestimento para as propriedades desejadas seja conseguido. Além das variações do processo, a composição do substrato e variações do banho químico também contribuem para a microestrutura final. No processo contínuo, após o aquecimento e resfriamento da chapa existem jatos de ar para controle da espessura da camada de revestimento. Uma caldeira a gás ou uma bobina de indução são utilizadas para o aquecimento e em alguns casos uma área de espera é utilizada antes do resfriamento. 57 Em geral, a microestrutura do revestimento consiste em um substrato, um nível interfacial de liga e uma estrutura de cobertura. Dependendo do tipo de revestimento a microestrutura e a composição desses componentes controlarão as propriedades desejadas. As propriedades importantes que resultam do uso do revestimento de zinco são primeiramente a corrosão e a estampagem. Outras propriedades envolvem a solda e a pintura do material, e a resistência à corrosão do galvanneal pode ser reduzida em virtude do aumento de Fe no revestimento a partir das fases da liga FeZn. A soldabilidade do revestimento é muito importante, já que a maioria dos produtos galvanizados é unida dessa maneira. A solda a arco de chapas galvanizadas pode produzir defeitos como cavidades gasosas e expulsão de material. Estudos indicam que isso ocorre devido à vaporização do zinco, e alguns métodos para a redução desse problema foram desenvolvidos (Matsui & Oikawa, 1998). Isso leva a uma maior resistência, calor localizado e aumento de erosão nos eletrodos, e como resultado direto aumenta-se os custos de manufatura uma vez que a menor vida resulta em maior tempo de parada para torça ou fresagem dos eletrodos. A degradação do eletrodo se deve ao fato de que a temperatura na interface entre o eletrodo e o revestimento (800º C) é maior que a temperatura de fusão do zinco (419 ºC) (Gobez, 1992). A ligação do zinco com o cobre dos eletrodos forma uma camada de latão, que possui propriedades mecânicas inferiores ao cobre ocorrendo então o achatamento dos eletrodos, que por sua vez resulta em diminuição da densidade da corrente e do botão de solda. A soldabilidade do galvanneal é maior que a do galvanizado já que é mais difícil para a liga Fe-Zn reagir com o eletrodo, aumentando inclusive a vida dos eletrodos. Na soldagem de chapas revestidas com zinco a vida dos eletrodos é bastante reduzida devido à reação entre o zinco e o cobre dos eletrodos. No caso de chapas galvanizadas o impacto pode ser a redução da vida do eletrodo para 1500 a 2000 pontos, pouco se comparados aos de cerca de 10.000 (*) pontos quando da utilização de chapas nuas (Kelley, 1988). (*) valor discutível, na prática industrial se encontra entre 3000 e 4000 pontos de solda. 58 Williams (1972) sugeriu que diversos danos ao processo podem ser acarretados pela degradação dos eletrodos de solda durante a solda de chapas revestidas com zinco, como por exemplo: • Amolecimento da superfície do eletrodo; • Recristalização do material do eletrodo sob sua superfície • Achatamento do eletrodo (conhecido como mushrroming); • Ligação entre o revestimento e o eletrodo; • Aparecimento de cavidades na superfície do eletrodo. A soma desses fatores leva ao aumento do diâmetro da face do eletrodo. Para uma corrente de solda constante, isso resulta em uma diminuição do diâmetro do botão de solda, até que o botão tenha um tamanho abaixo do inaceitável. O crescimento do eletrodo pode ser aproximado a, na maioria dos casos, a um processo de dois estágios, embora três estágios de crescimento possam ser definidos em certas instâncias (Figura 30). Figura 30 – Crescimento do eletrodo durante teste de vida (Williams & Parker, 2004) Mais recentemente, Parker et al (1998) propuseram que o amolecimento dos eletrodos, quando soldando com parâmetros simples de solda, é resultado dos processos de recuperação que reduzem a dureza na face do eletrodo. Quando um metal ou liga é trabalhado a frio, como na construção dos eletrodos de solda, a maior proporção da energia usada no processo é dissipada na forma de calor. 59 Entretanto, uma pequena porção de energia é armazenada no material, na forma de pontos defeituosos, que possuem a tendência ao retorno do metal à sua forma original. A recuperação é definida como alteração nas propriedades produzida por trabalho a frio, afetando a microestrutura do material. 3.3.3.4 Efeitos do material dos eletrodos O material mais utilizado para os eletrodos de solda são ligas de cobre, em virtude de apresentarem a melhor combinação de alta resistência e dureza combinadas com boa condutividade elétrica e térmica (mínimo 80% IACS – International Annealed Cooper Standard). Das ligas de cobre utilizadas, as mais populares são Cu-Cr, Cu-CrZr e Cu. Kimchi et al (1992) e Gedeon (1984) propuseram que alguns materiais de eletrodos têm melhores resultados para a vida do eletrodo. Connel (1981) indicou que eletrodos de Cu-Cr-Zr têm melhores resultados na solda de chapas com revestimento de zinco que eletrodos de Cu-Cr. Isso é atribuído à segregação do zircônio aos limites do grão, limitando assim a formação de liga entre o eletrodo e o revestimento. Entretanto, os resultados obtidos são dependentes das condições de solda (Chang & Zhou, 2003), por exemplo, a utilização de condições “quentes” de solda, que resultam em altas temperaturas na interface eletrodo/chapa, são obtidos melhores resultados com a liga Cu-Cr. Segundo Williams (1978) o uso de correção de corrente (stepper) pode aumentar a vida do eletrodo. Recentemente, Waddel & Williams (1997) demonstraram que o uso do stepper resulta em um maior número de pontos de solda dados por um determinado par de eletrodos, de cerca de 1600 para 5000 pontos, no caso de eletrodos Cr-Zr. Parker et al (1998) indicaram que, em geral, ligas formadas em eletrodos de Cu-Cr-Zr usados na soldagem chapas revestidas por zinco por imersão (hot-dip) há a formação de três camadas, conforme Figura 31. 60 Figura 31 – Formação de liga nos eletrodos na soldagem de chapas revestidas de zinco por imersão (hot-dip) (Williams & Parker, 2004) Uma camada relativamente fina, de cerca de 15 µm de espessura, tem a aparência da face conforme os limites dos grãos. A camada mais espessa, intermediária, tem aparência similar com espessura de 40 µm, enquanto a camada mais externa aparenta ter uma morfologia granular, de espessura de ~ 20 µm.. A diferença no comportamento do zinco por eletrodeposição em relação ao zinco por imersão não é muito clara, e alguns investigadores, como Dickinson (1981), defendem uma maior vida do eletrodo no caso de zinco por eletrodeposição, ao passo que outros como Natale (1986) não encontraram grandes diferenças. 61 Dupuy et al (1998) sugeriu que durante a solda, a camada de zinco eletro depositada, localizada sob o eletrodo de solda, é convertida em uma liga Fe-Zn, reduzindo assim a possibilidade de reações entre o revestimento e o eletrodo. Branco & Okimoto (2005) investigaram a influência do desgaste dos eletrodos na qualidade do ponto de solda, na soldagem de chapas galvanizadas por imersão, em experimento com quatro tipos de capas de eletrodos, conforme especificação mostrada na Tabela 9 abaixo. Tabela 9 – Tipos de capas de eletrodos utilizadas no ensaio (Branco & Okimoto, 2005) Capa Composição % Elementos Processo de Fabricação A B C D CuZr CuCrZr CuZr CuAl2O3 Classe RWMA RWMA 1 (classe 1) RWMA 2 (classe 2) 0,15 - 0,20 % Zr 1 % Cr - 0,25 % Zr 0,15 - 0,20 % Zr 1,1 % Al2O3 Descrição Cobre - Zircônio CuZr (0,15 % - Zr) Cobre - Cromo CuCr (1% - Cr) estampado a frio usinado estampado a frio estampado a frio Condutividade Dureza Mecanismo (I.A.C.S.) (HB) envelhecimento 90% 70HB precipitação 85% 83HB precipitação RWMA 2 (classe 2) Cobre Cromo Zircônio (1% Cr - 0,25% Zr) 85% 83HB precipitação RWMA 20 (classe 20) A1-60 Cobre Resistente por dispersão CuAl2O3 (1,1% Al2O3) 85% 75HB precipitação Branco & Okimoto (2005) concluíram que as capas D (Cu-Al2O3) e C (Cu-Zr – classe 1) apresentaram os melhores resultados de soldagem quanto o número de pontos que estas capas conseguem soldar antes de atingirem um diâmetro mínimo do ponto de solda. As capas de composição Cu- Al2O3 mostraram-se extremamente eficientes, sendo isto atribuído ao endurecimento por dispersão, que garante manutenção da dureza nas temperaturas atingidas durante as soldagens e como conseqüência um menor aumento no diâmetro da ponta do eletrodo. 62 Além disso, as condições a que ficam expostas as capas na soldagem de chapas galvanizadas promovem o seu desgaste, com formação de crateras e uma camada contínua de latão na sua superfície. A cratera causa impressões no ponto de solda e foi observado em todas as capas. Após o aparecimento das crateras (a partir dos 300 pontos de solda), os pontos de solda formados tendem a serem formados sob a área delimitada pelas crateras formadas. Um exemplo da degradação da capa de eletrodo tipo A pode ser visto na Figura 32. Figura 32 – Pontos soldados com capa de eletrodo tipo A (Branco & Okimoto, 2005) 63 4. PROJETO DA JUNTA SOLDADA 4.1 Engenharia simultânea na soldagem A junta soldada pode ser definida como uma montagem onde os componentes são unidos por solda, segundo a RWMA (1989). Como exemplos têm-se pontes, estruturas metálicas, elementos de máquinas, carrocerias de automóveis. O objetivo básico do projeto da junta soldada é garantir que: esta atenda os requisitos de funcionalidade e a confiabilidade e segurança requeridas e seja capaz de ser fabricada, inspecionada, transportada e posta em trabalho com os menores custos possíveis. O projeto de uma junta soldada deve ser baseado em alguns pilares como base, como por o material, o projeto e a montagem e o processo. Esse cenário em que deve ser desenvolvido o projeto da junta soldada é mostrado na Figura 33. Figura 33 – Cenário dos pilares base para o projeto da junta soldada (Batalha, G., notas de aula) 64 Como podem ser visto, os três pilares têm uma ligação entre si. O projeto e o material devem resultar em uma peça soldada com qualidade e segurança; o material e o processo devem ser pensados para que os materiais possam ser soldados nas condições atuais de tecnologia e máquinas. E finalmente, o projeto e o processo devem ser feitos de maneira que exista um processo disponível para esse determinado projeto, sem a necessidade de invenções ou soluções de altos custos. Esses custos incluem: projeto; materiais; fabricação; inspeção; operação; reparos; manutenção do produto. O projetista da junta soldada deve possuir certo conhecimento e experiência em algumas áreas (adicionais aos conhecimentos do produto ou estrutura): corte e estampabilidade de metais; montagem de componentes; preparação e fabricação de junções de solda; critérios de aceitação; inspeção; testes mecânicos e avaliação da solda. Além dos requisitos citados, noções e conhecimentos gerais são necessários em: • Propriedades mecânicas e físicas dos metais; • Processos de solda, custos e variações nos procedimentos de soldagem; • Metais de enchimento e efeitos térmicos da solda; • Efeitos da concentração de tensões e restrições; • Controle de distorções; • Comunicação entre o projeto e o cliente (inclusive simbologia de solda); • Normas de soldagem e segurança aplicáveis. Engenheiros responsáveis por projetos da junta soldada de estruturas e elementos de máquinas devem possuir e aplicar continuamente conceitos de uso eficiente de aço, alumínio e outros metais na solda, projeto para flexibilidade ou rigidez apropriadas em cordões de solda ou estruturas; projetos com resistência torsional e considerações práticas da solda e seleção apropriada, de acordo com a necessidade da aplicação, conforme o Welding Manual da AWS (1995). Uma forma de minimização dos custos e aproveitamento de soluções já desenvolvidas é a verificação de projetos existentes, e assim de uma variedade de itens conforme listados abaixo. (Matayoshi, C., 2005) 65 4.2 Análise de projetos existentes No projeto de uma estrutura ou máquina nova devem ser obtidas informações sobre unidades similares e de outros fabricantes, e caso o novo projeto seja a substituição de um existente as resistências e pontos falhos do projeto existente devem ser primeiramente determinados. 4.3 Determinação das condições de carregamento Os requisitos de funcionamento da solda e as condições de trabalho que resultem em sobrecarga devem ser averiguadas. 4.4 Principais fatores de projeto No desenvolvimento do projeto o projetista deve considerar como as decisões tomadas afetarão as operações de produção, custos de manufatura, desempenho do produto, aparência, e aceitação do consumidor. Muitos fatores são considerados de relevância no projeto, como: • O projeto deve satisfazer apenas os requisitos de resistência e rigidez, pois o superdimensionamento causa perda de material e aumento dos custos de produção; • O coeficiente de segurança deve ser realístico; • Boa aparência pode ser necessária (apenas em áreas visíveis); • Seções simétricas devem ser utilizadas para aumentar a resistência à flexão; • Seções tubulares devem ser utilizadas para carregamentos de torções; • Acessos para manutenção devem ser previstos; • Devem ser especificados componentes padronizados e comercialmente disponíveis. A partir dos requisitos do produto em relação ao diâmetro dos pontos de solda e sua resistência requerida, é possível a determinação do lóbulo de solda, tomando-se como base os diâmetros críticos de expulsão (limite superior) e solda fria (limite inferior), como mostrado na Figura 34. 66 Corrente de solda, kA Expulsão t Y t1 Y1 Solda fria Solda fria t1 dfrio t2 tempo de solda [ciclos] Expulsão dexpulsão Diâmetro da solda Figura 34 – Determinação do lóbulo de solda no projeto da junta soldada (Batalha, G., comunicação pessoal) 4.5 Projetando a junta soldada (AWS, 1995) Para um projetista familiarizado com fundidos e forjados o projeto da solda pode parecer complexo em virtude das muitas possibilidades de escolha. Entretanto uma das vantagens do projeto da solda é justamente sua flexibilidade. Alguns pontos podem ser seguidos: • Projeto para um fácil manuseio de materiais, ferramental com custo otimizado e acessibilidade das junções para uma solda confiável; • Estabelecer tolerâncias realísticas baseadas em uso e serviços; • Minimizar o número de peças. O projeto da junção deve ser selecionado primeiramente com base nos requisitos de carregamento. Entretanto, variáveis em projeto e lay out podem substancialmente afetar custos. Geralmente podemos aplicar as seguintes regras: • Selecionar a junção que requer a menor quantidade de metal de solda; • Usar, quando possível, junções com penetração parcial de solda; • Projetar a montagem e a junção com bom acesso para a soldagem. 67 4.6 Simbologia de solda Símbolos normalizados são usados universalmente para indicar a informação da solda desejada em desenhos de engenharia. Um símbolo de solda, por exemplo, pode ser usado para especificar o tipo da solda, a forma da junção, o tamanho da solda, o processo de soldagem, a seqüência de operações, o comprimento da solda e outras informações. Existem ainda casos em que todas as informações não podem ser mostradas em um único símbolo, e notas suplementares ou detalhes dimensionais (ou ambos) são às vezes necessários. Os requisitos dos testes de solda não destrutivos também podem ser indicados por símbolos, assim como determinado método de inspeção. 4.6.1 Símbolos básicos de solda Os termos símbolo de solda e símbolo de soldagem têm significados diferentes. Um símbolo de solda indica o tipo de solda requerida, conforme mostrado na Figura 35. 68 Figura 35 – Símbolos básicos de solda (Okumura & Taniguchi, 1982) O símbolo de soldagem indica, além da solda requerida, informações suplementares, conforme podemos na Figura 36. 69 Figura 36 – Localização padrão dos elementos em um símbolo de soldagem (Okumura & Taniguchi, 1982) Um símbolo completo de soldagem contém informações sobre as dimensões da solda, linhas de referência, setas, símbolos básicos de solda, símbolos suplementares, símbolos de acabamento, especificações e processos ou outras referências. 70 5. MODELAGEM DA FALHA DAS JUNTAS DE SOLDA A PONTO 5.1. Modos de falhas das juntas soldadas Zhou et al (1999) estudaram os modos de falha em testes estáticos, constatando a existência de cinco diferentes modos, conforme mostrado nas Figuras 37 e 38. Figura 37 – Curva força em função do deslocamento, modos de falha A e B (Zhou et al, 1999) Os modos de falha A e B representam uma falha no material base, portanto é um modo indesejável, pois essas curvas poderiam ser conseguidas em um ensaio de tração comum. Esses resultados são encontrados geralmente em corpos de prova estreitos. 71 Figura 38 – Curva força em função do deslocamento, modos de falha C, D e E (Zhou et al, 1999) Os modos C, D e E de falha são resultados do destacamento do ponto de solda, rasgamento da chapa na ZTA ou ainda do cisalhamento do ponto na superfície de colapso, sendo desejáveis para a maioria das aplicações da solda por resistência (Damasco et al, 1996). 72 Ainda segundo Zhou et al, (1999), a dimensão que mais afeta a resistência da junta no caso de cisalhamento por tração é a largura do corpo de solda, e após uma comparação entre as dimensões existentes através de diversas normas chegou-se à representação da Figura 39. Figura 39 – Comparação das dimensões existentes de referência – corpos de prova para ensaio de tração (Zhou et al, 1999) Lin et al (2002) e Lin et al (2003) estudaram o comportamento do ponto de solda sob a ação de carregamentos combinados de cisalhamento e tração. Foi verificado que para um carregamento próximo ao limiar do teste de tração a falha ocorre na ZTA, ao longo da borda do botão. Para o caso do carregamento combinado (cisalhamentotração) a falha ocorre próxima à borda do botão, na região do metal base. Birch & Alves (2000) investigaram o comportamento da junta soldada em um corpo de prova sob carregamento de tração (cisalhamento). Mantendo-se os parâmetros geométricos, a velocidade de tracionamento pode gerar diferentes modos de falha na junta, conhecidas como: 73 • Falha por rasgamento simples ou single shearing T (modo D da Figura 38), em que o ponto de solda permanece intacto e é produzido um rasgo alongado em uma das chapas; • Falha por cisalhamento do ponto de solda ou shear plugging P (modo E da Figura 38), em que há a fratura do ponto de solda, e cada porção do botão permanece em uma chapa; • Falha por rasgamento duplo ou double tearing D (uma variação do modo D na Figura 38) que se assemelha ao rasgamento simples com a diferença de que as duas chapas são rasgadas. Zhang et al (2001) mediram as grandezas obtidas em um ensaio de tração com taxas de deslocamento próximas ao cenário de teste de impacto. Observou-se que a resistência do ponto à carga de impacto aumenta com o diâmetro do botão (Aslanlar, 2004), que a orientação do ponto tem pouca influência na forma de ocorrência da falha e que as descontinuidades totalmente internas ao botão de solda não deterioram a resistência do ponto (Markiewicz & Drazétic, 2003). Para a fadiga do ponto, Sevim (2004) mostrou que a vida em fadiga é expressa normalmente em termos de densidade de tensões, ou intensidade dos fatores de tensões. 5.2 Modelagem da resistência mecânica do ponto de solda Segundo Williams & Parker (2004), alguns fatores necessitam ser considerados no desenvolvimento de um modelo: • As alterações que ocorrem de maneira contínua nas áreas de contato entre os eletrodos e as chapas durante o ciclo de solda, devido à deformação dos eletrodos como conseqüência da força aplicada e/ou tipo de eletrodo. Esses efeitos alteram a densidade de corrente média através das interfaces, influenciando a taxa de geração de calor; • A diminuição da resistência de contato conforme se aumenta a força aplicada. A resistência de contato depende da forma do eletrodo e de alterações na distribuição da temperatura entre os eletrodos. • A distribuição da corrente nos eletrodos de solda. 74 Combescure et al (2003) apud Nakano (2005) propuseram uma formulação para a identificação e aplicação de modelo do comportamento a junta quando submetida a carregamento simulando uma colisão veicular. Tal modelo propõe-se a prever um tipo dúctil de falha, com o modo de rasgamento da chapa no material base ao redor do ponto de solda. Como critério de falha adotou-se uma formulação baseada na mecânica do dano, cujo comportamento do material é elasto-plástico. A modelagem e a experimentação foram executadas e correlacionadas para as situações de carregamento de rasgamento, cisalhamento e descascamento. Lin et al (2002) investigaram as cargas de falha em pontos de solda sob condições de carregamento combinado, e os resultados experimentais mostraram que sob carga apenas de arrancamento a falha de cisalhamento ocorre na ZTA, ao longo da fronteira do botão e no caso de carregamento combinado ocorre próxima ao botão, na área deformada plasticamente do metal base. O modo de falha é expresso em função do limite de resistência do metal base, do tamanho do botão de solda, da espessura da chapa, do ângulo de carregamento e de um coeficiente empírico para um dado programa de solda. Após uma análise do limite inferior de carregamento para investigar os efeitos da combinação da carga, da espessura da chapa e do raio do botão de solda na falha foi proposta uma fórmula de engenharia caracterizando a capacidade de carga dos pontos de solda. Os corpos de prova foram feitos conforme Wung (2001), e mostrados na Figura 40. Figura 40 – Corpo de provas de tração axial (Wung, 2001), apud Lin et al (2002) 75 Foram estudados quatro ângulos de aplicação da carga: 0°, 22°, 45° e 60°, e em o pico de carga decresce com o aumento do ângulo de carregamento, tanto para 1,0 mm como para 1,5 mm. Segundo Lin et al (2002), mm geral a falha deveria ser expressa em função das condições de carregamento, propriedades do material, diâmetro do botão, espessura das chapas, e parâmetros da solda. Foi analisada apenas a metade inferior do botão de solda, com a decomposição da carga máxima normalizada ( P ) em uma componente de arrancamento e uma de cisalhamento ( N e S , respectivamente), conforme mostrado na Figura 41. Figura 41 – Botão de solda, carga resultante P e tensões médias (Lin et al, 2002) (Lin, S-H., Pan, J., Tyan, T, Prasad, P, 2003) A investigação culminou com a proposta de uma equação para caracterizar as cargas de falhas em função resistência a tração do metal base, mostradas nas equações 3 e 4. Para 1,0 mm de espessura: P = 2π .r.t.U . 1 1 + 0,203.sen 2φ Para 1,5 mm de espessura: (5) 76 P = 2π .r.t.U . 1 1 + 0,333.sen 2φ (6) Onde r é o diâmetro do botão, t a espessura da chapa, U o limite de resistência do metal de base e φ o ângulo de aplicação da carga. Os autores verificaram, através de um exame na micrografia de corpos de prova, que a falha no ponto de solda se inicia com uma trinca que cresce sob uma condição de carregamento plástico. Vandenbossche (1977) estudou um corpo de prova por sobreposição, com um ponto de solda de diâmetro d aplicado no centro dessa sobreposição, conforme Figura 42. Figura 42 – Corpo de prova por sobreposição para ensaio de tração por cisalhamento (Vandenbossche, 1977) Esse modelo será aplicado em aços BH e comparado com outros modelos que relacionam a espessura e o diâmetro mínimo do ponto. Foi aplicada uma força F nas extremidades do corpo de prova, e essa aplicação resulta em uma rótula plástica, onde o eixo do ponto de solda é rotacionado para que a linha de força passe sobre o ponto, como mostrado na figura 43. 77 Foram consideradas as seguintes propriedades: SyMB = tensão de escoamento do metal base SyMS = tensão de escoamento do metal soldado SyZTA = tensão de escoamento na ZTA Fp α d t d α = arcsen Este trabalho Fp Figura 43 – Formação da rótula plástica (Vandenbossche, 1977) O modo de falha depende das tensões relativas entre a interface de solda e a ZTA, e os dois níveis podem ser comparados através do critério de Máxima energia de distorção de Henky – Huber - Von Mises (Vandenbossche, 1977) para o cálculo da tensão equivalente, que é então comparada com as tensões requeridas para falhar. Para a determinação da tensão na interface foi construído um diagrama das forças atuantes nos corpos (Figura 44), com a decomposição das forças em carga de tração e carga de cisalhamento. 78 Onde : P = F .senα (7) V = F . cos α (8) t d (9) α = arcsen Figura 44 - Diagrama das forças atuantes nos corpos (Vandenbossche, 1977) A tensão equivalente na interface da solda é: (para a relação 0< t/d ≤1/3) σ el = 3. F d2 (10) Se a solda falha na ZTA, certo volume de metal é empurrado para fora de uma ou das duas chapas, com a forma aproximada de um cilindro, conforme foi utilizado nos cálculos, e mostrado na Figura 45. Figura 45 - Distribuição de tensões no botão de solda a ponto (Vandenbossche 1977) 79 A tensão na ZTA é dada por: σ eZTA = Sy PM .w.t d 1 . + 2.d 2 t 2 (11) A distorção de energia prevê que a falha ocorrerá quando a tensão equivalente em um ponto determinado exceder o critério limite. Se for escolhido o limite na interface ou na ZTA como o critério de falha do ponto de solda as equações 11 e 12 podem ser usadas para prever onde a falha ocorrerá primeiro. σ e interface = σ e ZTA = 3.Sy MB .w.t 2.d 2 Sy MB .w.t d 1 . + 2.d 2 t 2 (11) (12) Substituindo SyMS por σeI e SyZTA por σeZTA e rearranjando os termos tem-se duas equações que relacionam a razão diâmetro da solda – espessura do metal com as propriedades independentes do corpo de prova.. A equação 11 se torna: 2 d 3.SyMB .w = 2.SyMS .t t (11A) E a equação 12: 2 d t = Sy MB .w d 1 2.Sy ZTA .t + t 2 (12A) 80 Combinando as duas equações chega-se à faixa de variações da relação d/t: Sy .w d Sy MB .w 1 1,5. MB ≤ ≤ + Sy . t t 2 . Sy . t 2 MS ZTA (13) Conclui-se que o diâmetro crítico da solda para a razão de espessuras está mostrado na equação 14: Sy .w d = 1,5. MS Sy MS .t t c 1 2 (14) Vandenbossche (1977) concluiu então que caso o valor de SyMS seja constante ou uma função de SyMB, então a razão crítica d /t deve ser diretamente proporcional ao limite de escoamento do metal base. O diâmetro mínimo requerido para falha na ZTA é função também da resistência do metal, espessura e largura da junção, e isso resulta em uma equação que permite relacionar a razão diâmetro-espessura com a carga de ruptura de um ponto de solda. 1 2 Sy MB d w = 0,54. . + 3,0 t 1,54.Sy MB + 572 MPa t (15) A carga limite de falha para a solda é determinada pela relação: L= Sy MB .w.t 2 (16) 81 A AWS (1995) propõe um modelo de correlação entre o diâmetro mínimo do ponto de solda e a espessura da chapa, para aços baixo carbono, conforme se pode ver na equação 17. d=3.t - 1,5 mm (17) Para a indústria automotiva, os valores determinados por esse modelo são menores que os mínimos requeridos para as espessuras (de 0,5 mm a 3,0 mm). Entretanto, para poder-se comparar e analisar esses valores, serão feitos os cálculos para as espessuras utilizadas nesse trabalho e comparados aos valores determinados por esse modelo, assim como aos valores de Vandenbossche (1977). Como modelo final a ser considerado nesse trabalho tem-se conforme norma ISO/DIS 14373 (2004) a relação descrita pela equação 18. d = a. t (18) O coeficiente a pode variar de 3,5 a 6, e as curvas feitas com esses valores e com as espessuras utilizadas nesse trabalho serão igualmente comparadas com os demais modelos, e inseridos graficamente no modelo de Vandenbossche. 82 6. MATERIAIS E METODOLOGIA EXPERIMENTAL Para os testes de solda foi escolhida uma MSPP tipo “C”, modelo 360008-02 (Figura 46), instalada na planta da General Motors em São Caetano do Sul, São Paulo. Figura 46 – MSPP 360008-02 – [General Motors do Brasil] A MSPP está instalada em um TSP marca Roman, modelo F466170JL5335WX, de 170 kVA de potência, montado em painel de solda marca Bosch, modelo PSS5100115 C-I/O –ethernet wire. Para a calibração dos parâmetros de solda foram utilizados um equipamento para inclusão dos parâmetros desejados marca REXROTH, modelo BT-6, e um equipamento para a verificação dos parâmetros reais na MSPP, marca MIYACHI. Em seguida, os parâmetros da tabela de referência (Tabela 10) foram divididos em três grupos, abrangendo até uma espessura governante de 1,60 mm, valor que engloba cerca de 80% da chapas soldadas em uma carroceria automotiva. 83 Tabela 10 – Parâmetros de Solda de Referência – divisão dos grupos pause total time hold Welding current weld Required Squeeze Governing thickness EG force F Group mm N Lb Ka cycle = 1/60 seg 1 2 3 4 5 6 0,75 - 1,10 1,11 - 1,35 1,36 - 1,60 1,61 - 1,80 1,81 - 2,10 2,11 - 2,40 2937 2937 3916 4403 5382 6360 0 0 0 990 1210 1430 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0 0 0 0 0 0 I 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 min dist spots min. nugget diam. a mm d mm 0 0 0 0 0 0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 electrode minimum flange i e i mm f i mm mm mm mm 0 0 0 0 0 0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0 0 0 0 0 0 A partir da definição dos grupos e consequentemente das espessuras governantes, foram realizados os testes de solda utilizando-se os materiais mostrados na Tabela 11 cujos certificados podem ser vistos no Anexo 1. Tabela 11 – Materiais utilizados nos testes de solda Tipo BGA OL GM 45A45 GMB EMS 1508 EMS - ME - 1508 - 45A45 EMS - ME - 1508 - EEP EMS - ME-1508 - 210 BH - 45A45A EMS - ME - 1508 - 180 BH EMS - ME- 1508 - EEP - PC Ensaio de revestimento (BGA) 2 2 mm LE [MPa] LR [Mpa] Superior [g/m ] Inferior [g/m ] Espessura [MM] 0,80 164 310 51 51 1,00 155 284 52 52 1,20 162 300 61 66 1,30 248 343 54 54 1,50 221 327 66 59 2,00 164 297 61 59 BF OU BFF Bobina sem revestimento BZ Bobina zincada a quente zinco puro nos 02 lados BGA Bobina zincada a quente zinco + ferro nos 02 lados BEG Bobina zincada eletrolítica zinco puro em 01 lado ou 02 lados BEG(50G00GU) Bobina zincada em 01 lado 50 Camada de revestimento = 50 g/m2 G Zinco puro no revestimento U Acabamento para peça interna BEG(50G50GE) Bobina zincada nos 02 lados E Acabamento para peça externa BGA(54A54AE) Bobina zincada nos 02 lados 54 Camada de revestimento = 54 g/m2 A Liga zinco+ferro no revestimento FS Acabamento de superfície fosco Em Adequada para estampagem média EP Adequada para estampagem profunda EEP Adequada para estampagem extra profunda EEP-PC Adequada para estampagem de peça crítica IF Adequada para estampagem de peça super crítica 84 Preparados os materiais dos testes e definidos o local e a MSPP a serem utilizada, cada grupo foi detalhado em função de combinações de espessuras usuais em carrocerias e o equipamento programado com os parâmetros correspondentes. Foi feito um total de 48 corpos de prova com um ponto de solda no centro da superposição das chapas, identificados e separados por Grupo. Os corpos de prova após o teste de tração são mostrados na Figura 47. Figura 47 – Corpos de prova após o ensaio de tração 85 Os diâmetros dos botões foram medidos com paquímetro digital TESA, modelo 8H268106, e os valores médios calculados (e então corrigidos pelo fator t de Student). O valor desse fator para uma confiabilidade de 95% é 2,015. A compilação desses valores pode ser vista nas Tabelas 12 e 13. Esse fator corrige o erro dos resultados, por tratar-se de uma amostra pequena de corpos de prova. Tabela 12 – Grupo de Testes 1 – diâmetros reais dos pontos de solda Diâm. Mín. do botão Grupo 1 Espessura (mm) Corpo n°. Teórico Real 0,80 x 0,80 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 5.53 7.05 6.86 6.32 6.03 6.49 6.70 6.67 6.38 6.98 6.25 6.85 6.68 6.80 6.78 6.39 6.95 6.87 6.75 6.83 6.59 0,80 x 1,00 0,80 x 1,20 0,80 x 1,50 Diâmetro mínimo médio 6.36 6.58 6.70 6.80 σ t.σ x±t.σ 0.42 0.35 0.25 0.02 0.17 0.04 0.05 0.04 0.09 0.18 0.15 0.08 0.01 0.05 0.04 0.16 0.08 0.04 0.03 0.02 0.11 0.85 0.71 0.50 0.04 0.34 0.08 0.10 0.08 0.18 0.36 0.30 0.16 0.02 0.10 0.08 0.32 0.16 0.08 0.06 0.04 0.22 7.21 - 5.51 7.07 - 5.65 6.86 - 5.86 6.40 - 6.32 6.70 - 6.02 6.66 - 6.50 6.68 - 6.48 6.66 - 6.50 6.76 - 6.40 6.94 - 6.22 6.88 - 6.28 6.78 - 6.62 6.71 - 6.69 6.75 - 6.65 6.74 - 6.64 6.86 - 6.54 6.88 - 6.72 6.84 - 6.76 6.83 - 6.77 6.82 - 6.78 6.91 - 6.69 Tabela 13 – Grupo de Testes 2 – diâmetros reais dos pontos de solda Diâm. Mín. do botão Grupo 2 Espessura (mm) 1,20 x 1,20 1,20 x 1.30 1,30 x 1,50 1,30 x 2,00 corpos Teórico Real 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 6.85 6.80 6.60 6.86 7.12 6.99 7.01 7.23 7.05 6.94 6.97 7.10 6.68 7.59 7.53 7.67 6.90 7.29 7.84 7.64 7.62 Diâmetro mínimo médio 6.85 7.03 7.31 7.46 Desvio padrão 0.00 0.03 0.13 0.01 0.14 0.02 0.01 0.09 0.01 0.04 0.03 0.11 0.32 0.14 0.11 0.18 0.28 0.09 0.19 0.09 0.08 t.σ x±t.σ 0.00 0.06 0.26 0.02 0.28 0.04 0.02 0.18 0.02 0.08 0.06 0.22 0.64 0.28 0.22 0.36 0.56 0.18 0.38 0.18 0.16 6.85 6.91 - 6.79 7.11 - 6.59 6.87 - 6.83 7.13 - 6.57 7.07 - 6.99 7.05 - 7.01 7.21 - 6.85 7.05 - 7.01 7.11 - 6.95 7.09 - 6.97 7.42 - 7.20 7.63 - 6.99 7.45 - 7.17 7.42 - 7.20 7.49 - 7.13 8.02 - 6.90 7.64 - 7.28 7.84 - 7.08 7.64 - 7.28 7.62 - 7.30 86 Para o Grupo 3 decidiu-se pela utilização dos mesmos parâmetros do grupo 2, no intuito de verificar e confirmar a importância do uso correto dos parâmetros de solda para cada tipo de espessura governante. Os valores são mostrados na Tabela 14. Tabela 14 – Grupo de Testes 3 – diâmetros reais dos pontos de solda Diâm. Mín. do botão Grupo 3 Espessura (mm) 1,50 x 1,50 2,00 x2,00 Corpo Força Corrente n°. 43 660 11.0 44 660 11.0 45 660 11.0 46 660 11.0 47 660 11.0 11.0 48 660 Compressão Solda Retenção Pausa Teórico Real 11.0 11.0 11.0 11.0 11.0 11.0 11.0 11.0 11.0 11.0 11.0 11.0 2.2 2.2 2.2 2.2 2.2 2.2 6.6 6.6 6.6 6.6 6.6 6.6 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 - Como já citado, após os testes de solda os corpos de prova foram submetidos a um teste de tração feito no laboratório da área de Qualidade de Peças de Fornecedor da GMB. O ensaio foi feito em uma máquina INSTRON, MODELO 4482, capacidade de 10 toneladas, a uma velocidade de 10 mm/min. Os resultados foram colhidos e impressos através do software Instron Series IX Automated Materials Tester – version 8.08.00 e os valores obtidos por cada grupo de parâmetros estão mostrados no Anexo I. Foram feitas as micrografias de alguns corpos de prova, com diferentes combinações de espessuras de chapa, como segue: - C.P. n° 2: 0,80 mm x 0,80 mm; - C.P. n° 17: 0,80 mm x 1,50 mm; - C.P. n° 27: 1,20 mm x 1,30 mm; - C.P. n° 39: 1,30 mm x 2,00 mm. As micrografias dos corpos de prova estão mostradas na Figura 48. 87 CP 2 CP 27 CP 17 CP 39 Figura 48 – Micrografia dos corpos de prova n° 2, 17, 27 e 39 Pode-se ver a boa penetração do botão de solda, apesar da visível indentação (que pode ser minimizada com o ajuste dos parâmetros de solda). Houve entrelaçamento granular, com estrutura da chapa de perlita com ferrita no contorno de grão (conforme Figura 49), com transformação na região aquecida. Notou-se a presença de trincas na região de rompimento da chapa, devido ao esforço causado pelo teste de tração. 88 Figura 49 – Estrutura granular dos pontos de solda analisados Com o valor de referência dos diâmetros mínimos retirados da Tabela 1 e os reais medidos, restaram os valores calculados pelo modelo de Vandenbossche para que os resultados dos ensaios pudessem ser devidamente analisados, baseando-se na Tabela 6. Usando-se a Equação 15 já descrita, tem-se para uma espessura governante de 0,80 mm e SyMB = 164 MPa. 1 2 0,54.Sy MB dc w = . + 3,0 t 1,54.Sy MB + 572 MPa t 89 1 0,54.164 dc 40 2 . = + 3,0 0,80 1,54.164 + 572 MPa 0,80 Tem–se: dc = 4,25 mm. Para a espessura de 1,00 mm temos que SyMB = 155 MPa. 1 0,54.155 dc 40 2 . = + 3,0 1,00 1,54.155 + 572 MPa 1,00 Tem–se: dc = 5,03 mm. Para a espessura de 1,20 mm temos que SyMB = 162 MPa. 1 2 dc 0,54.162 40 = . + 3,0 , 1,20 1,54.162 + 572 MPa 1,20 Tem–se: dc = 5,86 mm. Para a espessura de 1,30 mm temos que SyMB = 248 MPa. 1 dc 0,54.248 40 2 = . + 3,0 1,30 1,54.248 + 572 MPa 1,30 Tem–se: dc = 6,22 mm. 90 Para a espessura de 1,50 mm temos que SyMB = 221MPa. 1 2 dc 0,54.221 40 = . + 3,0 1,50 1,54.221 + 572 MPa 1,50 Tem–se: dc = 7,30 mm. Finalmente, para a espessura de 2,00 mm temos que SyMB = 164 MPa. 1 dc 0,54.164 40 2 = . + 3,0 2,00 1,54.164 + 572 MPa 2,00 Tem–se: dc = 8,93 mm. Tem-se então o complemento das Tabelas 15, 16 e 17. Tabela 15 – Valores de Vandenbossche – Grupo 1 Diâm. Mín. do botão Grupo 1 Espessura (mm) 0,80 x 0,80 0,80 x 1,00 0,80 x 1,20 0,80 x 1,50 Teórico Real VandenBossche 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 4.4 5.53 7.05 6.86 6.32 6.03 6.49 6.70 6.67 6.38 6.98 6.25 6.85 6.68 6.80 6.78 6.39 6.95 6.87 6.75 6.83 6.59 4.25 4.25 4.25 4.25 4.25 4.25 4.25 4.25 4.25 4.25 4.25 4.25 4.25 4.25 4.25 4.25 4.25 4.25 4.25 4.25 4.25 91 Tabela 16 – Valores de Vandenbossche – Grupo 2 Diâm. Mín. do botão Grupo 2 Espessura (mm) 1,20 x 1,20 1,20 x 1.30 1,30 x 1,50 1,30 x 2,00 Teórico Real VandenBossche 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 5.0 6.85 6.80 6.60 6.86 7.12 6.99 7.01 7.23 7.05 6.94 6.97 7.10 6.68 7.59 7.53 7.67 6.90 7.29 7.84 7.64 7.62 5.86 5.86 5.86 5.86 5.86 5.86 5.86 5.86 5.86 5.86 5.86 6.22 6.22 6.22 6.22 6.22 6.22 6.22 6.22 6.22 6.22 Tabela 17 – Valores de Vandenbossche – Grupo 3 D iâ m . M ín . d o b o tã o G ru p o 3 E s p e s s u ra (m m ) 1 ,5 0 x 1 ,5 0 2 ,0 0 x 2 ,0 0 T e ó ric o Real VandenBossche 5 .0 5 .0 5 .0 5 .0 5 .0 5 .0 - 7 .3 0 7 .3 0 7 .3 0 8 .9 3 8 .9 3 8 .9 3 Os dados mostrados nas Tabelas 14, 15 e 16, podem ser comparados aos valores determinados pelos modelos da AWS, ISO e Vandenbossche, e ainda pelos diâmetros reais medidos nos pontos de solda feitos com os valores de referência da tabela da General Motors. Essa comparação pode ser vista na Tabela 18. 92 Tabela 18 – Comparação dos modelos estudados com a Tabela 1 PREDITOS ISO [mm] AWS [mm] VandenBossche [mm] Tabela GM MEDIDOS ESPESSURA GOVERNANTE [mm] 4√t 5√t 6√t 3.t -1,5 0,54.SyMB dc w 2 = . + 3,0 t 1,54.SyMB + 572MPa t teórico 0,8 3,6 4,5 5,4 0,9 4,3 4,4 6,4 1,0 4,0 5,0 6,0 1,5 5,0 4,4 6,4 1,2 4,4 5,5 6,6 2,1 5,9 5,0 6,9 1,3 4,6 5,7 6,8 2,4 6,2 5,0 7,3 1,5 5,1 6,3 7,6 3,0 7,3 5,5 7,3 1 5,7 8,5 7,1 4,5 8,9 6,3 7,3 2,0 * valores de referência para a EG de 1,3 mm, pois não foi possível medir esses valores nos testes, em virtude da utilização dos parâmetros do grupo anterior da tabela. Os dados do Modelo da AWS (1995) estão mostrados graficamente nas Figuras 50. espessura da chapa [mm] Modelo AWS 2,5 ponto 1 2,0 ponto2 1,5 ponto3 1,0 ponto4 ponto5 0,5 ponto6 0,0 0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 diâmetro do botão de solda [mm] Figura 50 – Representação gráfica do Modelo AWS (1995) para as espessuras utilizadas nesse trabalho. 93 A Figura 51 mostra os modelos de Vandenbossche (1977), ISO (2004) e dos pontos medidos desse trabalho. ISO / Vandenbossche / Medidos 10,0 Vandenbossche 6√t espessura de chapa [mm] 8,0 5√t Medidos 6,0 4√t 4,0 2,0 0,0 0,0 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 √t [mm] Figura 51 – Representação gráfica dos Modelos ISO (2004), Vandenbossche (1977) e os pontos medidos. Pode-se observar que os pontos medidos, resultado da aplicação dos parâmetros da Tabela 1, atendem totalmente os requisitos indicados pelo Modelo ISO (2004) até 5√t e parcialmente o Modelo de Vandenbossche, até a espessura de 1,3 mm. A Referência utilizada pela General Motors (4√t.) é totalmente atingida (considerandose o atributo diâmetro do botão de solda). 94 6.1 – Representação gráfica do critério de Vandenbossche Para análise e comparação das informações obtidas nos ensaios em relação ao desempenho predito pelo modelo de Vandenbossche para os pontos de solda foram então inseridos nas figuras desenvolvidas conforme modelo. E esta comparação pode ser vista na Figuras 52, 53 e 54. Influência do Limite de Escoamento do Metal de Base ● Razão Prevista com Fator de Peso 10 Pontos Experimentais VandenBossche ------ Pontos com Regresão Esponencial para Sywm 9 8 7 ___ Pontos com Regressão Linear para Sywm ▲ Pontos Bons Neste Trabalho ▲ Pontos Falhos Neste Trabalho 6 5 4 3 2 1 0 0 100 200 300 400 500 600 700 Limite de Escoamento do Metal de Base [MPa] Figura 52 – Comparação entre dados dos testes e desempenho predito. Sy MS = f lin ( Sy MB ) =1,54.SyMB + 572 MPa Sy MS = f log ( Sy MB ) = ln Sy MB − 3,92 1,69.10 −3 (19) (20) 95 A Figura 52 mostra uma tendência e um direcionamento de resultados no trabalho original na região dos pontos de 200 MPa a 400 MPa, podendo ser a princípio interpretada como equívoco. Tal fato é proveniente do trabalho ter sido feito para determinados tipos de materiais, no caso aços de alta resistência. Comparação das Razões Previstas e Experimentais 10 Razão Medida (d/t) m 9 8 7 6 5 ● 4 Pontos Experimentais VandenBossche ------ Se (d/t)m=(d/t)c 3 ___ Regressão Linear dos Pontos VandenBossche 2 ▲ Pontos Bons Neste Trabalho 1 ▲ Pontos Falhos Neste Trabalho 0 0 2 4 6 8 10 Razão Prevista (d/t)c Figura 53 – Razão diâmetro-espessura predita x real. d d = t M t c d d = 0,6. + 1,7 t C t M (21) (22) 96 Carga de falha medida (L) [N] 40000 30000 20000 10000 0 0 10000 20000 30000 40000 Carga de falha mínima predita (Fp) [N] Figura 54 – Carga de falha dos pontos de solda predita x real. L = Fp (23) L =1,08.Fp − 351 N (24) 97 7. DICUSSÃO DOS RESULTADOS O desenvolvimento deste trabalho permitiu primeiramente a verificação da aplicação dos parâmetros iniciais de solda conforme indicados na Tabela 1. Poucos testes são feitos com esses parâmetros antes de sua alteração e refino de acordo com as condições reais das máquinas de solda, das peças a serem soldadas e dos demais equipamentos utilizados na célula de produção (TSP, painel de solda, cabos, entre outros). Como normalmente não são realizados ensaios e medições dos diâmetros dos botões de solda nas condições iniciais e sim nas condições de aprovação da solda no conjunto soldado, o presente trabalho visa preencher essa necessidade, comprovando a confiabilidade dos parâmetros iniciais. Os resultados dos testes de tração dos são comparáveis aos modos de falhas mostrados nas Figuras 24 e 25. Os corpos de prova do Grupo 1 e do Grupo 2 apresentaram modos de falhas do tipo D, onde a chapa de espessura mais fina se deforma, atinge a fase plástica e se rompe, sendo então um tipo de falha aceitável. Não foi possível analisar o modo de falha dos corpos de prova, já que os pontos de solda simplesmente se soltaram no teste. Isso porque os corpos de prova do Grupo 3, assim como os corpos de prova extras feitos com as chapas de espessuras de 2,00 mm mostraram o real perigo na utilização de parâmetros subdimensionados. Tais corpos não resistiram à metade da carga suportada pelos demais. É importante frisar que nesse trabalho os estudos se limitam exclusivamente ao diâmetro mínimo dos pontos de solda, ficando para trabalhos futuros estudar outros parâmetros não menos importantes para a obtenção de uma solda de boa qualidade, como a profundidade da solda (indentação), compressão, o efeito da corrente e do tempo de solda, entre outros. 98 De posse dos resultados obtidos nesse trabalho, pode-se dizer que os parâmetros contidos na tabela 1 são efetivamente parâmetros iniciais de programação, devendo ser refinados e alterados de acordo com as peculiaridades existentes em cada célula de produção. Ainda sobre a Tabela 1, a utilização de seus parâmetros como ponto de partida para a solda a ponto mostrou-se eficaz e válida, como indicam os resultados dos testes de tração e as medidas dos diâmetros dos botões reais, após os testes de tração. Os diâmetros críticos (mínimos) calculados para que o modo de falha ocorra na ZTA foram atendidos em todos os Grupos de corpos de solda e nas situações onde foi possível realizar a medição dos diâmetros reais dos botões de solda. Desse modo pode ser feita uma analogia entre o Modelo de Vandenbossche (1977) e a Tabela de Parâmetros de Referência (Tabela 1), pois os parâmetros iniciais atendem os valores mínimos para que a solda sofra o modo de falha corretamente. O modelo de Vandenbossche (1977) indica também a grande importância das propriedades do material utilizado versus a espessura da chapa. Diante do estudo dos diferentes modelos apresentados, pode-se questionar sobre a utilização de parâmetros que resultem em um diâmetro mínimo de botão de solda maior que todos os valores requisitados. Isso é possível, entretanto torna-se inviável em uma linha de produção, pois devem ser utilizados valores maiores de tempo de solda (resultando em perda de volume de produção), valores maiores de corrente (resultando em maior custo de energia), entre outros. Desse modo, faz-se necessário a utilização dos lóbulos de solda, que determinam os valores máximos e mínimos dos parâmetros de solda para que os pontos de solda tenham boa qualidade. 99 8. CONCLUSÕES Após o desenvolvimento do trabalho, pode-se chegar às seguintes conclusões: 1) Os modelos estudados têm comportamentos diferentes em relação ao modelo de Vandenbossche, para aços BH revestidos com galvanneal. O modelo determinado pela AWS resultou em diâmetros de pontos de solda menores que os valores mínimos considerados, indicando que sua utilização na indústria automotiva não é recomendada. O modelo da ISO, que engloba diversas faixas de diâmetros, atende os requisitos para a falha na ZTA para algumas espessuras na condição d = 6.√t. Na condição de d = 4√t, utilizada pela General Motors, os valores ficam próximos, mas abaixo dos considerados mínimos pelo modelo de Vandenbossche. Isso não garante que a falha ocorra na ZTA, mas atende os requisitos da Engenharia de Produtos, não comprometendo o produto final. 2) Foi verificada a aplicabilidade dos parâmetros de solda iniciais utilizados pela General Motors nos materiais estudados, assim como verificado o atendimento ao diâmetro mínimo determinado por Vandenbossche. Os diâmetros reais dos pontos de solda são maiores que os do modelo nas espessuras de 0,8 mm, 1,0 mm, 1,2 mm e 1,3 mm, já que nas espessuras de 1,5 mm e 2,0 mm foram utilizados propositalmente parâmetros inferiores que não permitiram a medição dos botões, já que o botão foi rompido nos testes de tração. Os diâmetros reais dos pontos de solda atendem todos os valores mínimos estipulados pelos modelos estudados. 100 9. PERSPECTIVAS E TRABALHOS FUTUROS Novos trabalhos devem ser feitos estudando a influência dos demais parâmetros de solda, não apenas como parâmetros iniciais, mas também para uma validação após os ajustes de início de programação. Novas combinações de revestimentos devem ser analisadas sob o ponto de vista da soldabilidade, inclusive dando-se ênfase em aços de alta resistência, em virtude do aumento de estudos sobre a utilização desse tipo de material na indústria automotiva. Uma comparação entre a resistência e o modo de falha da solda a ponto resistiva e a solda a laser deve ser feita, assim como a utilização dos modelos. 101 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Aslanlar,S. The effect of nucleous size on mechanical properties in electrical resistance spot welding of sheets used in automotive industry, Materials and Design, submetido para publicação, 2004. 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