INSTITUTO DE PESQUISAS AMBIENTAIS E TECNOLÓGICAS – IPAT
UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC
Readequação do Projeto de Reabilitação
Ambiental de Áreas Degradadas pela
Atividade Extrativa de Carvão Mineral
Mina Coréia II
Carbonífera Catarinense
Lauro Müller - Santa Catarina
Criciúma, Março de 2007
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UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC
UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE
Prof. Antônio Milioli Filho
Reitor
Prof. Gildo Volpato
Vice-Reitor
Prof. Eduardo de Oliveira Nosse
Diretor do Instituto de Pesquisas Ambientais e Tecnológicas
Geólogo Renato de Souza Júnior
Coordenador do Projeto
Eng° Ambiental Paulo Mello
Carbonífera Catarinense
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Março/2007
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TÉCNICOS E COLABORADORES

Geólogo Renato de Souza Júnior - IPAT/UNESC (Coordenador)

Eng°. Ambiental M.Sc. Sérgio Luciano Galatto - IPAT/UNESC

Química M.Sc. Nadja Zim Alexandre - IPAT/UNESC

Biólogo Jader Lima Pereira - IPAT/UNESC

Eng° Agrônomo M.Sc. Ronaldo Remor - IPAT/UNESC

Acadêmico em Engenharia Civil Bruno Machado - IPAT/UNESC
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SUMÁRIO
1.
APRESENTAÇÃO ................................................................................ 8
2.
OBJETIVOS DO PROJETO ................................................................ 10
3.
DIAGNÓSTICO AMBIENTAL ............................................................. 11
4.
READEQUAÇÃO DO PROJETO DE REABILITAÇÃO AMBIENTAL ......... 15
4.1 INTRODUÇÃO ...................................................................................... 15
4.2 AMBIENTE TERRESTRE ........................................................................... 16
4.2.1 Reconformação topográfica.......................................................... 17
4.2.1.1 Sistemas de Drenagens Superficiais ........................................ 17
4.2.1.1.1 Índices técnicos da bacia hidrográfica de contribuição para o
canal de desvio ............................................................................ 17
4.2.1.1.2 Dimensionamento do canal de desvio ................................ 20
4.2.1.1.3 Índices técnicos da bacia hidrográfica de contribuição para o
canal A ........................................................................................ 23
4.2.1.1.4 Dimensionamento do canal “A” ........................................ 25
4.2.1.1.5 Dimensionamento dos bueiros do canal “A” ........................ 28
4.2.1.1.6 Projeto de drenagem superficial da Mina Coréia III ............. 29
4.2.1.1.7 Projeto de drenagem superficial auxiliar da Mina Coréia II ... 30
4.2.2 Adição de alcalinidade aos estéreis ............................................... 32
4.2.3 Cobertura com argila .................................................................. 35
4.2.4 Correção das características físicas, químicas e microbiológicas do solo
construído ......................................................................................... 36
4.2.4.1 Calagem .............................................................................. 37
4.2.4.2 Adubação orgânica ............................................................... 37
4.2.4.3 Aplicação de turfa ................................................................. 37
4.2.4.4 Adubação química ................................................................ 37
4.2.4.4.1 Plantio ........................................................................... 37
4.2.4.4.2 Cobertura ...................................................................... 37
4.1.5 Revegetação .............................................................................. 38
4.1.5.1 Plantio de espécies herbáceas ................................................ 39
4.1.5.2 Plantio de espécies arbustivas e arbóreas ................................ 46
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4.1.5.3 Plantio das pioneiras arbóreas em linhas ................................. 47
4.1.5.4 Plantio de mudas em “ilhas de diversidade” ............................. 49
4.1.5.5 Poleiros artificiais ................................................................. 57
4.1.5.6 Espécies exóticas.................................................................. 61
5.
QUANTIDADES DE MATERIAIS ........................................................ 63
6.
PLANOS DE MONITORAMENTO ........................................................ 65
6.1 OBJETIVOS DO PROGRAMA DE MONITORAMENTO ............................................ 65
6.2 PLANO DE MONITORAMENTO DAS ÁGUAS SUBTERRÂNEAS .................................. 66
6.3 PLANO DE MONITORAMENTO DAS ÁGUAS SUPERFICIAIS .................................... 67
6.4 PLANO DE MONITORAMENTO DOS SOLOS ..................................................... 68
6.5 PLANO DE MONITORAMENTO GEOLÓGICO E GEOTÉCNICO................................... 69
6.6 PLANO DE MONITORAMENTO DA VEGETAÇÃO ................................................. 69
6.6.1 Acompanhamento do desenvolvimento das espécies introduzidas e da
regeneração natural ............................................................................ 69
6.7 PLANO DE MONITORAMENTO DA FAUNA ....................................................... 71
6.7.1 Espécies indicadoras ................................................................... 71
7.
USO FUTURO DA ÁREA REABILITADA ............................................. 73
8.
CRONOGRAMA DE IMPLATAÇÃO DO PROJETO DE REABILITAÇÃO ... 74
9.
CRONOGRAMA DE IMPLANTAÇÃO DO PLANO DE MONITORAMENTO 75
9.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................... 76
Anexo I - Mapa das Obras na Área de Estudo
Anexo II - Laudos de análises físico-químicas n° 371/2007, n° 372/2007 e n°
373/2007
Anexo III - Laudos de caracterização química n° 130/2007 e n° 131/2007
Anexo IV - Laudos de caracterização química n° 128/2007 e n° 129/2007
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Indice de Figuras
Figura 1 - Mapa de localização da área do projeto. Recorte da fotografia aérea –
DNPM, 2002 ......................................................................................... 9
Figura 2 - Falhas na vegetação herbácea ao longo da área da Mina Coréia II .... 11
Figura 3 - Processos erosivos atuantes na área da Mina Coréia II ................... 12
Figura 4 - A: Córrego que atravessa a área da Mina Corréia II. B: Exposição de
estéreis próximo ao córrego ................................................................. 12
Figura 5 - Presença de eucaliptos no entorno da área .................................... 14
Figura 6 - Definição dos blocos na área de estudo. Recorte da fotografia aérea –
DNPM, 2002 ....................................................................................... 15
Figura 7 - Seção esquemática do canal de desvio.......................................... 23
Figura 8 - Seção esquemática do canal “A” .................................................. 28
Figura 9 - Seção das drenagens superficiais (Canaletas) ................................ 30
Figura 10 - Esquema de plantio das espécies arbóreas pioneiras utilizando o
agrupamento de Anderson (detalhe), disposto em linhas, modelo quincôncio
........................................................................................................ 48
Figura 11 - Esquema do plantio de bracatinga em linhas, com covas intercaladas
– quincôncio, nas margens do canal “A” ................................................ 49
Figura 12 - Distribuição das espécies arbóreas a serem plantadas nas ilhas de
diversidade (SI = espécies secundárias iniciais; ST = espécies secundárias
tardias; C = espécies climácicas). Os números colocados ao lado dos
símbolos correspondem às espécies listadas para cada ilha ...................... 50
Figura 13 - Distribuição da ilhas de diversidade nas áreas de APP dos Blocos 1 e
2 ...................................................................................................... 52
Figura 14 - Esquema mostrando a disposição de varas de bambu para confecção
de poleiros secos ................................................................................ 59
Figura 15 - Esquema mostrando a disposição de varas de bambu para confecção
de poleiros secos ................................................................................ 60
Figura 16 - Distribuição dos poleiros artificiais nas áreas dos Blocos 1, 2 e 3 .... 61
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Indice de Quadros
Quadro 1 - Características das águas superficiais na área da Mina Coréia II,
coleta realizada em 08/03/07 ............................................................... 13
Quadro 2 - Valores aproximados das intensidades máximas de chuva (I), em
mm/h-1, possíveis de ocorrerem em diferentes durações ou tempos de
concentração, num período de segurança (período de retorno) de 5 e 10
anos ................................................................................................. 19
Quadro 3 - Cálculos para dimensionamento do canal de desvio ...................... 20
Quadro 4 - Cálculos para dimensionamento do canal A .................................. 25
Quadro 5 - Valores de K ............................................................................ 28
Quadro 6 - Valores de X para cálculo do espaçamento entre terraços .............. 31
Quadro 7 - Características do estéril disposto na área da Mina Coréia II, Lauro
Müller, SC .......................................................................................... 33
Quadro 8 - Espécies a serem utilizadas nos Blocos 1, 2 e 3 na área da Mina
Coréia II ............................................................................................ 42
Quadro 9 - Condicionantes e sementes necessárias para a revegetação das áreas
com relevo remodelado, exceto covas e mudas para implantação de Ilhas de
Diversidade ........................................................................................ 44
Quadro 10 - Número de mudas e condicionantes necessários ao plantio de mudas
em Ilhas de Diversidade nos Blocos 1 e 2 .............................................. 51
Quadro 11 - Discriminação das espécies (PI = pioneira; SI = Secundária Inicial;
ST = Secundária Tardia e C = Climácica) que comporão cada ilha de
diversidade a ser implantada nas áreas de APP, conforme a Fig 13 ........... 52
Quadro 12 - Quantitativos dos materiais necessários para implantação do PRAD
da Mina Coréia II ................................................................................ 63
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1. APRESENTAÇÃO
A extração de carvão a céu aberto na Mina Coréia II, situada na localidade
de Baixo Capivaras, no bairro Lajeado, em Lauro Müller-SC (Fig. 1), ocorreu em
2002, sob cargo da empresa Vale Beneficiamento de Carvão Ltda, em área de
concessão da Carbonífera Barro Branco S.A. A remoção da camada de carvão
Barro Branco foi realizada através do método de “lavra em tiras” e atingiu cerca
de 12,50 metros de profundidade máxima.
O método extrativo utilizado era de equipamentos de terraplanagem e
convencional, tais como, trator de esteiras, escavadeira hidráulica e caminhões.
O planejamento da lavra compreendia inicialmente na definição de módulos de 1
hectare para serem lavrados em períodos distintos, o que facilitaria a
reabilitação ambiental quase que concomitante à mineração. Cada módulo era
preparado e decapeado visando aproveitar o substrato da cobertura de solo
orgânico. A espessura de solo orgânico decapeada era de aproximadamente 0,50
metros, sendo que a camada de estéril sobre a camada de carvão minerável era
de 10,50 metros, em média, permanecendo cerca de 1,50 metros de ROM.
Após o encerramento das atividades de lavra, a área foi recuperada
conforme o PRAD apresentado pela empresa, o qual previa a recomposição
topográfica, recomposição do solo, correção da fertilidade e revegetação com
gramíneas.
Entretanto,
parte
dos
18,44
hectares
que
sofreram
influência
da
mineração a céu aberto, e posterior reabilitação ambiental, necessitam ser
novamente reabilitados, devido a falhas na cobertura vegetal o que acarretou na
instalação de processos erosivos no local. Dentre essa área, estão 7,60 hectares
que deverão ser reabilitados a partir da neutralização dos estéreis, seguidos da
implantação de obras de drenagens superficiais, reconstrução da camada de solo
e cobertura vegetal, permanecendo o restante, cerca de 10,83 ha apenas para a
reconstrução da camada de solo e introdução de cobertura vegetal em porções
isoladas (vide Anexo I - Mapa das Obras na Área de Estudo).
Assim, a Readequação do Projeto de Reabilitação Ambiental de Áreas
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Degradadas ora apresentado foi elaborado com o intuito de apresentar à
Carbonífera Catarinense e aos Órgãos Públicos competentes, as características
químicas e físicas da Mina Coréia II, e as medidas de reabilitação que promovam
o equilíbrio ambiental do local. Dessa forma, pretende-se atender às exigências
formuladas pelo Ministério Público Federal, após análise do Projeto Técnico de
Aditamento Mina Coréia II e das Informações Técnicas 172/06, 175/06 e 177/06
expedidas pelos analistas Ítalo Lopes Borges e Ivar de Miranda Kohmann
referente ao processo n° 2004.72.04.007672-6, anteriormente protocolados pela
Procuradoria da República no Município de Criciúma.
A fragilidade do ambiente que será reconstruído faz com que o uso futuro
do local após a reabilitação, seja voltado à pastagens ou reflorestamento,
conforme informações obtidas sobre os usos preteridos pelos proprietários
superficiais e tenha um período de monitoramento de cinco anos.
Por outro lado, as margens do córrego que circunda a área de estudo
serão destinadas a Área de Preservação Permanente, conforme estabele o Código
Florestal, Lei Federal n° 4771/1965 e a Resolução CONAMA Nº 303/2002.
Figura 1 - Mapa de localização da área do projeto. Recorte da fotografia aérea –
DNPM, 2002
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2. OBJETIVOS DO PROJETO
Fundamentado nas informações geradas a partir do parecer técnico
expedido pelo Ministério Público Federal, através da Procuradoria da República de
Criciúma-SC, bem como nas visitas de campo durante a elaboração deste
projeto, o Projeto de Readequação ao PRAD da Mina Coréia II objetiva:
o
Apontar os locais que sofrerão a remodelagem topográfica;
o
Indicar os quantitativos de reagentes químicos para neutralização dos
estéreis;
o
Definir obras de drenagens superficiais necessárias à reabilitação
ambiental da área;
o
Definir a maneira de como deve ser conduzida a reconstrução do solo;
o
Definir áreas a serem revegetadas com gramíneas e aquelas onde a
vegetação deve ser incrementada com arbóreas e arbustivas;
o
Elaborar planos de monitoramento ambiental.
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3. DIAGNÓSTICO AMBIENTAL
De acordo com o Levantamento Topográfico realizado pela Carbonífera
Catarinense na área de estudo da Mina Coréia II, apresenta cerca de 18,44 ha
minerada a céu aberto e recuperada no ano de 2002. A sua recuperação foi
realizada através da reconformação topográfica do terreno, reconstrução da
camada de solo e da introdução de vegetação herbácea, sendo que foi
introduzida apenas uma espécie (Brachiaria sp.).
Devido ao uso da área para pastoreio pelos proprietários, a falta de
monitoramento ambiental das medidas implantadas e consequentemente a
ausência de manutenção, acarretaram em falhas na vegetação (Figs. 2A e 2B) e
na instalação de processos erosivos, ocasionando a perda do material de
cobertura e o afloramento dos estéreis ali dispostos em pontos localizados (Figs.
3A e 3B).
Também pode ser observado que no entorno do córrego existente na área
(Fig. 4A), devido a falta da cobertura vegetal adequada (mata ciliar) associada
ao
substrato
argiloso,
bem
como
de
drenagens
superficiais
para
o
disciplinamento das águas, houve a exposição do estéril (Fig. 4B) e o seu contato
com o corpo d’água.
A
A
B
B
Figura 2 - Falhas na vegetação herbácea ao longo da área da Mina Coréia II
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B
B
A
A
Erosões laminares
Sulco erosivo
Figura 3 - Processos erosivos atuantes na área da Mina Coréia II
B
B
A
A
Córrego existente
Estéril em exposição
Figura 4 - A: Córrego que atravessa a área da Mina Corréia II. B: Exposição de
estéreis próximo ao córrego
O córrego que drena a área a ser reabilitada, é afluente da margem
esquerda do rio Oratório, pertencente à bacia hidrográfica do rio Tubarão. Para
caracterização das águas superficiais, realizou-se a coleta em 03 pontos: PCA 01
- córrego afluente do rio Oratório, a montante da área minerada; PCA 02 - lagoa
formada em antiga cava de mineração a céu aberto, localizada na área do PRAD;
e PCA 03 - córrego afluente do rio Oratório na área de estudo e a jusante da
antiga cava de mineração (PCA 02). O mapa das obras na área de estudo, anexo
1, mostra a localização dos pontos de coleta de água superficial.
O Quadro 01 e o Anexo II apresentam os resultados laboratoriais obtidos
na coleta do dia 08/03/07.
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Quadro 1 - Características das águas superficiais na área da Mina Coréia II,
coleta realizada em 08/03/07
Conama 357/05 –
Parâmetros
PCA 01
PCA 02
PCA 03
água doce Classe 2
Temperatura da água
22,6
33,0
27,0
na
pH
4,8
3,0
3,7
6a9
Acidez Total (mg.L-1)
14,8
62,9
27,5
na
Condutividade (mS.cm-1)
0,025
0,328
0,112
na
Alumínio total (mg.L-1)
0,1
4,2
0,7
0,1 (Al dissolvido)
Ferro total (mg.L-1)
0,36
2,61
0,13
0,3 (Fe dissolvido)
-1
Manganês total (mg.L )
0,09
0,34
0,21
0,1
Sulfatos (mg.L-1)
15
214
123
250
De acordo com os dados do quadro 1, observa-se que no ponto localizado
a montante da área minerada (PCA 01), o valor de pH encontra-se abaixo do
limite fixado pela resolução 357/05 do CONAMA para água de classe 2,
provavelmente em função da proximidade deste ponto com área degradada com
estéreis de mineração a céu aberto expostos. Os demais parâmetros encontramse de acordo com as condições de qualidade fixadas pela resolução, lembrando
que a análise para ferro e alumínio foi realizada na fração total da amostra,
enquanto a resolução fixa valores para a fração solúvel para estes metais, ou
seja, após filtração da amostra em 0,45m. Desta forma, espera-se que os
valores de ferro e alumínio dissolvidos sejam menores do que aqueles lidos na
fração total da amostra.
Nos
resultados
obtidos
nos
pontos
localizados
na
área
minerada,
codificados como PCA 02 e PCA 03, fica evidenciada a influência que a atividade
de mineração ainda exerce na qualidade das águas, bem provavelmente em
função da lixiviação da parcela de material estéril que ainda se encontra sem
cobertura na área da Mina Coréia II e seu entorno. Verifica-se a redução nos
valores de pH e o aumento na concentração dos metais analisados, acidez,
sulfatos e condutividade, em desacordo com os limites estabelecidos pela
Resolução 357/05 do CONAMA.
A baixa diversidade vegetal se deve ao plantio de uma única espécie
durante o processo de recuperação, Brachiaria sp., esta espécie tem como
principal característica a grande capacidade de adaptação e seu caráter invasivo
e dominante, impedindo que outras espécies venham a se desenvolver no local.
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Aliado a este fato pode-se mencionar também a presença de plantios de
eucalipto no entorno da área em questão (Figs. 5A e 5B).
B
B
A
A
Figura 5 - Presença de eucaliptos no entorno da área
Focos de erosão, baixa biodiversidade e comprometimento da qualidade
das águas superficiais, através da lixiviação dos estéreis, além da ausência da
mata ciliar ao longo do córrego denunciam a necessidade de readequação da
reabilitação implantada no local. Essas características persistem, embora nesta
área tenham sido implementadas medidas de recuperação de áreas degradadas,
baseadas no conhecimento e tecnologia dominadas na época em que foi
elaborado o DIA/PRAD.
Cabe ressaltar, que a área “Mina Coréia II”, objeto deste estudo, faz parte
do TAC - Processo n° 2004.72.04.007672-6 e que as áreas degradadas limítrofes
são objetos de Ação Civil Pública - Processo n° 2000.72.04.002543-9 que
deverão
ter
seus
projetos
de
reabilitação
detalhados
e
executados
posteriormente. Assim, após a reabilitação das áreas de entorno, é que alguns
indicadores ambientais, principalmente a qualidade das águas superficiais
apresentarão resultados satisfatórios as medidas implantadas na área.
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4. READEQUAÇÃO DO PROJETO DE REABILITAÇÃO AMBIENTAL
4.1 Introdução
O projeto aqui detalhado prevê o zoneamento da área em três blocos (Fig.
6), o que facilita a adoção de soluções específicas para cada local e favorece a
execução dos trabalhos em etapas independentes, definidas de acordo com a
necessidade de intervenção em função da condição ambiental de cada bloco
(IPAT/UNESC, 2002a; 2002b e 2003a).
Figura 6 - Definição dos blocos na área de estudo. Recorte da fotografia aérea –
DNPM, 2002
Assim, o projeto poderá ser executado em módulos sem, no entanto,
comprometer a qualidade dos trabalhos de reabilitação.
A execução do projeto de readequação do PRAD demandará o prazo
estimado de 2 meses para ser concluído e deverá cumprir as seguintes etapas:
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 Remodelagem da topografia em cerca de 4 ha;
 Aplicação e incorporação de calcário com objetivo de neutralizar
parte
do
potencial
de
geração
de
acidez
dos
estéreis
que
encontram-se expostos;
 Recobrimento do substrato de estéreis com espessura mínima de
0,3 m de argila - reconstrução do solo;
 Aplicação e incorporação de calcário dolomítico (PRNT 75%), cama
de aviário, turfa de raspagem estabilizada e fertilizante ao solo
reconstruído;
 Construção dos sistemas de drenagens superficiais e dos canais
principais;
 Readequação da via de acesso a área, com instalação de canaletas
de drenagem em suas margens;
 Introdução
de
vegetação
herbácea
e
arbórea,
por
meio
de
semeadura a lanço, logo após o preparo do solo;
 Abertura de covas, correção do solo e plantio de mudas de espécies
pioneiras, nas áreas de APP’s;
 Monitoramento das águas, do solo, das características geológicas e
geotécnicas, da fauna e da flora, após a reabilitação da área, num
período total de 60 meses.
4.2 Ambiente terrestre
A metodologia aplicada na caracterização da área de 18,44 ha da Mina
Coréia II permitiu a sua divisão em três blocos com aspectos ambientais
específicos, para os quais serão adotadas propostas de reabilitação distintas.
 Bloco 1 com 4,50 ha, onde será incorporado calcário aos estéreis
nas áreas com estéril exposto, cobertura com argila, correção do
solo, instalação de sistema de drenagem superficial e revegetação;
 Bloco 2 com 3,10 ha, onde será efetuada a revitalização do córrego
existente,
aterramento
da
cava,
remodelagem
topográfica,
alcalinização dos estéreis, cobertura com argila, correção do solo,
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instalação de sistema de drenagem superficial e revegetação;
 Bloco 3 com 10,84 ha, onde serão instaladas curvas de níveis e
reforço na revegetação em pontos localizados.
4.2.1 Reconformação topográfica
A reconformação topográfica se dará principalmente no Bloco 2, onde o
lago existente no local (antiga cava da mineração a céu aberto) será aterrada
com os estéreis depositados no seu entorno possibilitando que o córrego retorne
ao seu curso original.
Esta etapa visa suavizar o relevo existente e direcionar as águas
superficiais para os sistemas de drenagens instalados, minimizando a entrada de
poluentes no córrego devido a percolação pelos estéreis e extravasamento da
lagoa. Assim, a reconstrução do solo no local poderá ser realizada sem que haja
perdas significativas do material silte-argiloso de cobertura, de corretivos do solo
e mesmo de sementes em decorrência de erosão pela água de chuva (EMBRAPA,
2006).
4.2.1.1 Sistemas de Drenagens Superficiais
4.2.1.1.1 Índices técnicos da bacia hidrográfica de contribuição para o
canal de desvio
Para os cálculos do tempo de concentração foi utilizada a fórmula de
Kirpich (Carvalho, 2005), e depende do comprimento de rampa e do desnível:

L3 
TC   0,87 
H

0 , 385
Onde:
Tc = tempo de concentração (h)
L = comprimento de rampa (km)
H = desnível entre o ponto mais alto e o ponto considerado (m)
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Sendo que o comprimento da rampa é de 2,2 km e o desnível de 40 m, a
inclinação da Bacia é igual a 0,018 m/m, o que corresponde a uma declividade
de 1,8%, numa área de 144,50 ha. Os valores encontrados para a área em
questão, foram de: Tc = 0,57 h ou Tc = 34,2 min.
O escoamento superficial varia em função da declividade, tipo de solo
(textura), cobertura vegetal e intensidade das chuvas. Para sua estimativa,
existe um método universal chamado de Método Racional desenvolvido por
Ramser (1927), que calcula a vazão máxima escoada para áreas inferiores a 500
hectares, a partir de evento de chuva de intensidade máxima com um
determinado tempo de concentração.
Q
CIA
360
Onde:
Q = vazão do escoamento superficial (m3s-1)
C = cobertura do solo
I = intensidade da precipitação pluviométrica (mm/h-1)
A = área de contribuição (ha)
Para a definição do Coeficiente de Escoamento (C), considerou-se o valor
de 0,40, que corresponde à cobertura de solo (pastagens limpas), tipo de solo
(argiloso) e declividade (suave-ondulada a ondulada), conforme Pires & Souza
(2003).
Esses mesmos autores ressaltam que chuvas de mesma duração podem
apresentar diferentes intensidades, e quanto maior ela for, menor é a sua
ocorrência. Assim, foi estabelecido a intensidade máxima de chuva que pode
ocorrer em função do tempo de concentração e o período de retorno (Quadro 2).
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Quadro 2 - Valores aproximados das intensidades máximas de chuva (I), em
mm/h-1, possíveis de ocorrerem em diferentes durações ou tempos de
concentração, num período de segurança (período de retorno) de 5 e 10 anos
Regiões com precipitação
Regiões com precipitação
Duração da
média anual inferior
média anual superior
chuva ou
a 1400 mm
a 1400 mm
tempo de
Freqüência
Freqüência
Freqüência
Freqüência
concentração
de 5 anos
de 10 anos
de 5 anos
de 10 anos
(min)
mm h-1
0,5
263
290
320
350
0,7
255
281
310
341
1
246
270
300
330
1,5
230
257
382
310
2
220
247
272
297
3
203
225
252
275
5
177
200
223
250
7
160
180
205
225
10
141
160
181
202
15
117
137
155
173
20
104
120
138
155
30
85
98
115
130
40
72
85
100
114
50
64
77
89
101
60
58
68
80
93
80
49
58
68
79
100
43
51
60
69
120
38
46
54
63
Fonte: Pires & Souza (2003)
Considerando, que apresentou um tempo de concentração de 0,86 min,
em uma região com precipitação média anual inferior a 1400 mm, e período de
segurança considerado de 5 anos, para calcular o valor de I será necessário fazer
a interpolação dos valores:
40’ - 72 mm/h-1
50’ - 64 mm/h-1
50’ - 40’=10’
72 mm/h-1 - 64 mm/h-1 = 8 mm/h-1
40’ - 34,2’ = 5,8’
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10’--------8 mm/h-1
5,8’-------x
x = 4,64 mm/h-1
72mm/h-1 - 4,64mm/h-1
67,36 mm/h-1 = I
Assim, o escoamento superficial será:
Q
Q
CIA
360
0,4 x67,36 x144,5
360
Q = 10,81m3/s
O Quadro 3 apresenta os dados utilizados para dimensionamento do canal
de desvio.
Quadro 3 - Cálculos para dimensionamento do canal de desvio
Bacia
A (ha)
L (m)
H (m)
i (m/m) Tc (min)
Coréia
144,50
2.200
40
0,018
34,2
II*
*Bacia de contribuição definida a partir do mapa
(digitalizado), Folha Orleans do IBGE - escala 1:50.000
I
-1
(mm/h )
C
Q
(m³/s)
67,36
0,4
10,81
topografico
planialtimétrico
4.2.1.1.2 Dimensionamento do canal de desvio
Utilizando a vazão de cálculo para o período de retorno de 5 anos, Q =
10,81 m³/s; e adotando uma velocidade de escoamento de v < 3,00 m/s, temse:
Para uma seção trapezoidal, e adotando-se a largura do leito (b) igual a
1,5 m, altura de água (b) de 1,5 m e inclinação dos taludes (m) de 1,0x1,5,
calculam-se:
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Secão do canal (A):
A = h . (b + m . h)
A = 1,5 . 3,75
A = 5,62 m2
Perímetro Molhado (P):
P = b + 2 . h . (1 + m2)1/2
P = 1,5 + 3,0 . 1,8
P = 6,90 m
Calculando o Raio Hidráulico (R):
R=A/P
R = 5,62 / 6,90
R = 0,81 m
Para a verificação se a vazão do canal de desvio (Q1) atende a vazão da
área (Q), utilizou-se a Fórmula de Manning:
QA
2
1
1
R  3 I  2
n
Onde
Q1 = vazão transportada pelo canal (m3/s)
A = seção do canal (m2)
n = coeficiente de Manning (adotado n=0,03)
R = raio hidráulico (m)
I = declividade do canal (adotada=0,007 m/m)
Q1 = 5,62 . 1/0,03 . ( 0,81 )
2/3
x ( 0,007 )
½
Q1 = 13,68 m3/s
Como Q1 é maior que Q = 10,81 m3/s, verifica-se a condição adotada.
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A seção livre do Canal de Desvio será trapezoidal com largura do fundo de
1,5 metros e altura de 1,5 metros, revestidos com seixos rolados, com
dimensões menores que 30 cm de diâmetro na sua maior seção e adotando-se
uma declividade no entorno de 0,7%.
Usando a Fórmula de Manning para canais abertos, de Azevedo Neto
(1998), tem-se:
v
2
1
1
R  3 I  2
n
Onde :
v = velocidade
n = coeficiente de Manning (adotado n=0,03 )
R = raio hidráulico
I = declividade
v = 1/0,03 x ( 0,81 ) ²/³ x ( 0,007 ) ½
v = 2,42 m/s
Calculando a velocidade, pela Fórmula de Manning, com a declividade
adotada obtêm-se v = 2,42 m/s. Este valor é perfeitamente admissível para
canais abertos com revestimentos convencionais, como: concreto, erocamento
ou gabião.
A seção esquemática do Canal de Desvio é apresentado na Fig. 7 e
conforme Anexo I - Mapa das Obras na Área de Estudo.
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Figura 7 - Seção esquemática do canal de desvio
4.2.1.1.3 Índices técnicos da bacia hidrográfica de contribuição para o
canal A
Para os cálculos do tempo de concentração foi utilizada a fórmula de
Kirpich (Carvalho, 2005), e depende do comprimento de rampa e do desnível:

L3 
TC   0,87 
H

0 , 385
Onde:
Tc = tempo de concentração (h)
L = comprimento de rampa (km)
H = desnível entre o ponto mais alto e o ponto considerado (m)
Sendo que o comprimento da rampa é de 0,255 km e o desnível de 7 m, a
inclinação da Bacia é igual a 0,027 m/m, o que corresponde a uma declividade
de 2,74%, numa área de 10,76 ha. Os valores encontrados para a área em
questão, foram de: Tc = 0,092 h ou Tc = 5,54 min.
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O escoamento superficial varia em função da declividade, tipo de solo
(textura), cobertura vegetal e intensidade das chuvas. Para sua estimativa,
existe um método universal chamado de Método Racional desenvolvido por
Ramser (1927), que calcula a vazão máxima escoada para áreas inferiores a 500
hectares, a partir de evento de chuva de intensidade máxima com um
determinado tempo de concentração.
Q
CIA
360
Onde:
Q = vazão do escoamento superficial (m3s-1)
C = cobertura do solo
I = intensidade da precipitação pluviométrica (mm/h-1)
A = área de contribuição (ha)
Para a definição do Coeficiente de Escoamento (C), considerou-se o valor
de 0,40, que corresponde à cobertura de solo (pastagens limpas), tipo de solo
(argiloso) e declividade (suave-ondulada a ondulada), conforme Pires & Souza
(2003).
Pires & Souza (2003), ressaltam que chuvas de mesma duração podem
apresentar diferentes intensidades, e quanto maior ela for, menor é a sua
ocorrência. Esses autores criaram um Quadro com intensidade máxima de chuva
que pode ocorrer em função do tempo de concentração e do período de retorno
(Quadro 3).
Considerando, que apresentou um tempo de concentração de 5,54 min,
em uma região com precipitação média anual inferior a 1400 mm, e período de
segurança considerado de 5 anos, para calcular o valor de I será necessário fazer
a interpolação dos valores:
5’ – 177 mm/h-1
7’ – 160 mm/h-1
7’ - 5’ = 2’
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177 mm/h-1 - 160 mm/h-1 = 17 mm/h-1
5,54’ - 5’ = 0,54’
2’--------17mm/h-1
0,54’-------x
x=18,36 mm/h-1
177 mm/h-1 - 18,36 mm/h-1 = 158,64 mm/h-1 = I
O escoamento superficial será:
Q
Q
CIA
360
0,4 x158,64 x10,76
360
Q= 1,87 m3/s
Quadro 4 - Cálculos para dimensionamento do canal A
Bacia
A (ha)
L (m)
H (m)
Canal A*
10,76
255
7
i (m/m) Tc (min)
0,027
I
-1
(mm/h )
c
Q
(m³/s)
158,54
0,4
1,87
5,54
*Bacia de contribuição definida a partir do mapa topografico planialtimétrico cadastral
fornecido pela Carbonífera Catarinense – escala 1:1.000
4.2.1.1.4 Dimensionamento do canal “A”
Utilizando a vazão de cálculo para o período de retorno de 5 anos, Q =
1,87 m³/s; e adotando uma velocidade de escoamento de v < 3,00 m/s, tem-se:
Para uma seção trapezoidal, e adotando-se a largura do leito (b) igual a
1,5 m, altura de água (b) de 1,0 m e inclinação dos taludes (m) de 1,0 x 1,5,
calculam-se:
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Secão (A) do canal:
A = h . (b + m . h)
A = 1,0 . 3,0
A = 3,00 m2
Perímetro Molhado (P):
P = b + 2 . h . (1 + m2)1/2
P = 1,5 + 3,6
P = 5,10 m
Calculando o Raio Hidráulico (R):
R=A/P
R = 3,00 / 5,10
R = 0,58 m
Para a verificação se a vazão do canal de desvio (Q1) atende a vazão da
área (Q), utilizou-se a Fórmula de Manning:
QA
2
1
1
R  3 I  2
n
Onde:
Q1 = vazão transportada pelo canal (m3/s)
A = seção do canal (m2)
n = coeficiente de Manning (adotado n=0,03)
R = raio hidráulico (m)
I = declividade do canal (adotada=0,0007 m/m)
Q1 = 3,0 . 1/0,03 . ( 0,58 )
2/3
x ( 0,007 )
½
Q1 = 5,81 m3/s
Como Q1 é maior que Q = 1,87 m3/s, verifica-se a condição adotada.
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A seção livre do Canal A será trapezoidal com largura do fundo de 1,50
metros e altura de 1,0 metros, revestidos com seixos rolados, com dimensões
menores que 30 cm de diâmetro na sua maior seção e adotando uma declividade
no entorno de 0,7%.
Usando a Fórmula de Manning para canais abertos, de AZEVEDO NETO
(1998):
v
2
1
1
R  3 I  2
n
Onde :
v = velocidade
n = coeficiente de Manning (adotado n=0,03 )
R = raio hidráulico
I = declividade
v = 1/0,03 x ( 0,58 ) ²/³ x ( 0,007 ) ½
v = 1,93 m/s
Calculando a velocidade, pela Fórmula de Manning, com a declividade
adotada obtêm-se v = 1,93 m/s. Este valor é perfeitamente admissível para
canais abertos com revestimentos convencionais, como: concreto, erocamento
ou gabião.
A Fig. 8 ilustra a seção esquemática do Canal A juntamente com intercção
das canaletas e conforme Anexo I - Mapa das Obras na Área de Estudo.
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Figura 8 - Seção esquemática do canal “A”
4.2.1.1.5 Dimensionamento dos bueiros do canal “A”
O dimensionamento dos bueiros do canal A, sob a estrada existente no
local, foi calculado através da fórmula de Manning para condutos circulares
parcialmente cheios.
A fórmula de Manning é bastante utilizada para o dimensionamento de
drenos e bueiros. Neste caso utiliza-se a equação abaixo:
 Q.n 
D   1/ 2 
 k.i 
0,375
O Quadro 5 apresenta dados sobre K extraídos da altura e diâmetro de
tubos recomendados.
Quadro 5 - Valores de K
h/D
0,5
0,6
K
0,156
0,209
0,7
0,8
0,9
0,95
1,0
0,260
0,304
0,331
0,334
0,311
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D
h
Utilizando-se um valor de h/D de 0,8, ou seja 80% da capacidade do
dreno, chegou-se ao seguinte valor:
Q = 5,81 m3/s;
n = coeficiente de Manning (adotado n=0,016);
K = 0,304;
I = declividade do canal (adotada=0,007 m/m)
O diâmetro necessário para se atender à vazão do canal A (Q1), seria de
1,30 m, ou seja, 2 drenos com 0,80 m de diâmetro atendem plenamente a vazão
de projeto.
4.2.1.1.6 Projeto de drenagem superficial da Mina Coréia III
A área de estudo da Mina Coréia II, corresponde a 18,44 ha, com uma
declividade máxima no entorno de 10%. Portanto, além do Canal de Desvio e o
Canal “A”, estão sendo indicadas drenagens periféricas (Valetas) que captam e
direcionam as águas provenientes do escoamento superficial, para estes canais.
Estas drenagens são executadas junto ao acesso (Canaletas) existente na
área e preferencialmente, seguindo-se as curvas de nível do terreno, mas
apresentando um pequeno desnível que conduz as águas para as laterais,
encaminhando para aos canais principais. As dimensões destas drenagens são de
aproximadamente 0,4 x 0,4 m, escavadas no terreno em forma de calha, sendo
que o material retirado é colocado abaixo da canaleta, formando uma berma
para
aumentar
a
sua
eficiência,
cobertas
com
argila,
compactadas
e
revegetadas. Nos locais, que estas drenagens apresentarem declividades maiores
que 3%, estes locais deverão ser revestidos com seixos rolados, com diâmetro
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máximo de 0,15 m, na sua seção maior. Sempre na intersecção das drenagens
superficiais com os canais principais, estes locais deverão ser protegidos com
escadarias e enrocomentos com seixos rolados com diâmetro máximo de 0,15 m,
na sua seção maior.
A Fig. 9 e o Anexo I - Mapa das Obras na Área de Estudo ilustram o
detalhe da seção das drenagens superficiais junto a estrada principal.
Figura 9 - Seção das drenagens superficiais (Canaletas)
4.2.1.1.7 Projeto de drenagem superficial auxiliar da Mina Coréia II
Com a finalidade de evitar erosão na superfície final já remodelada e
revegetada, foram
indicadas as
drenagens superficiais
(Curva
de
Nível)
principalmente no Bloco 3 e junto aos taludes existentes na área. As dimensões
destas drenagens são de aproximadamente 0,4 x 0,4 m, escavadas no terreno
em forma de calha, sendo que o material retirado é colocado abaixo da canaleta,
formando uma berma para aumentar a sua eficiência, cobertas com argila,
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compactadas e revegetadas.
Dessa forma, e utilizando a metodologia de Pires e Souza (2003), o
espaçamento vertical pode ser calculado por várias fórmulas, mas a mais
utilizada é a de Bentley:
%D 

EV  2 
x0,305
X 

Onde:
EV = espaçamento vertical (m)
%D = declividade (percentagem)
X = valor obtido no Quadro 6
Quadro 6 - Valores de X para cálculo do espaçamento entre terraços
Prática Física
Terraços
Cordões em Contorno
Culturas
Culturas
Culturas Anuais
Permanentes
Permanentes
Em
Em
Em
Em nível
Em nível
Em nível
desnível
desnível
desnível
Argilosa
Média
Arenosa
Argilosa
Média
Arenosa
Argilosa
Média
Argilosa
Arenosa
Argilosa
Média
Média
Arenosa
Argilosa
Arenosa
Média
Arenosa
Valores
de X
1,5
2,0
2,5
3,0
3,5
4,0
4,5
5,0
5,5
6,0
Fonte: Pires & Souza (2003) com modificações
Como o objetivo do projeto de reabilitação é de captar e escoar as águas
de provenientes da precipitação, serão adotados curvas de níveis em desnível,
recomendados para áreas com menor permeabilidade como aquelas encontradas
na área de estudo.
Assim, utilizando a fómula de Bentley, tem-se:
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%10 

EV  2 
x0,305
4,5 

EV = 1,28
De posse do valor de EV para determinada condição, e juntamente com a
declividade do terreno, pode ser calculado o espaçamento horizontal (EH) entre
os canais através da fórmula abaixo:
EH 
EVx100
D
EH 
1,28 x100
10
EH = 12,8 m
Tendo em vista que estas curvas de níveis serão revegetadas, pode-se
admitir um aumento do espaçamento entre elas adicionando-se ao valor
encontrado pela fórmula, a metade desse valor. Com isso a quantidade de curvas
de nível a ser construída será menor reduzindo os custos e mantendo
praticamente a mesma eficiência. Assim, como EH = 12,8 m temos: (12,8 + 6,4)
= 19,24 ou aproximadamente 20 metros de distância entre os terraços.
O Anexo I - Mapa das de Obras na Área de Estudo apresenta os terraços
projetados.
4.2.2 Adição de alcalinidade aos estéreis
A principal fonte de contaminação identificada na área são estéreis e
material de cobertura do carvão, especialmente os arenitos, depositados quando
da mineração a céu aberto. Estes materiais quando expostos às condições
atmosféricas sofrem lixiviação e liberam acidez e metais em concentrações tóxica
ao ambiente. Assim, é fundamental que as ações de reabilitação do local sejam
direcionadas à neutralização do potencial de geração de acidez desses estéreis,
bem como ao controle da exposição dessas litologias ao contato com a água e o
oxigênio.
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As áreas com estéreis expostos, seja pela ação de processos erosivos
existentes nos locais que já sofreram intervenções para reabilitação ou pelas
atividades de implantação das readequações ao PRAD, serão neutralizadas
através da incorporação de calcário.
A necessidade de adição de alcalinidade aos estéreis presentes na Mina
Coréia II, decorre do fato desses materiais - coletados para caracterização em
dois pontos na área conforme pode ser observado no Anexo I – Mapa das Obras
na Área de Estudo - possuírem enxofre em sua composição e poder de
neutralização (PN) negativo - de acordo com os resultados das análises químicas
realizadas no Laboratório de Solos do IPAT, conforme mostram os laudos n°
130/2007 e n° 131/2007 em Anexo III.
A quantidade de CaCO3 necessária para neutralizar os estéreis é calculado
subtraindo o potencial de geração de acidez (PA) da amostra (calculado a partir
do teor de enxofre). O Quadro 7 apresenta os dados que caracterizam o
potencial de geração de acidez das 2 amostras coletadas na área.
Quadro 7 - Características do estéril disposto na área da Mina Coréia II, Lauro
Müller, SC
S-98
S-99
Nº da amostra
Ponto 2
Ponto 1
Material ensaiado: estéril de mineração a céu aberto da Mina Coréia II.
pH em água (1:2,5)
3,5
3,4
Stotal (%)
0,56
0,41
Poder neutralização (tCaCO3/1000t estéril)
-18,9
-15,9
Potencial de acidez (tCaCO3/1000t estéril)
17,5
12,8
Necessidade de neutralizante (tCaCO3/1000t estéril)
36,4
28,7
onde: Potencial de Acidez = enxofre total * pela constante 32; e
Necessidade de Neutralizante = Potencial de Acidez - Poder de neutralização
A análise dos dados que constam do quadro 6 demonstra que para
neutralizar 1.000 t de estéreis presentes na área da Mina Coréia II, tomando
como base as duas amostras ensaiadas, seriam necessárias de 28,7t a 36,4t de
CaCO3.
Como a necessidade de neutralizante nas duas amostras apresentaram
valores dentro de uma mesma unidade de grandeza, decidiu-se adotar a média
entre os dois valores obtidos em laboratório, visando facilitar a operacionalidade
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dos trabalhos de reabilitação. Assim, passa-se a considerar a necessidade de
32,6 toneladas de CaCO3 para cada 1000 toneladas de estéril exposto (sem
cobertura) na área.
Considerando
que
efetivamente
é
possível
neutralizar
a
camada
superficial de estéril, uma vez que a área encontra-se parcialmente com sua
topografia reconformada e revegetada, optou-se por adicionar uma camada de
calcário suficiente para reagir com 0,1 metro de estéril exposto (sem cobertura
argilosa). A adoção dessa medida irá reduzir a geração de drenagem ácida a
partir da infiltração das águas de chuva no estéril, e associada às demais
medidas de controle, como implantação e reconstrução do solo e posterior
revegetação, minimizarão a geração de drenagem ácida da área em reabilitação.
Assim, calculou-se o volume de material a ser neutralizado, ou seja, 2.000
3
m no Bloco 1 e 3.100 m3 no Bloco 2. Considerando a densidade do estéril de 1,5
t/m3 (IPAT/UNESC, 2002a; 2002b; 2003a), foi determinado a quantidade de 98t
de CaCO3 para neutralização dos estéreis do bloco 1 e 152t de CaCO3, para
neutralizar os estéreis do bloco 2.
Recomenda-se a utilização de calcário com PRNT mínimo de 75%, sendo
que a sua incorporação aos estéreis que encontram-se expostos na área da Mina
Coréia II, poderá ser feita com o auxílio de grade de disco dentada, permitindo a
incorporação necessária para que se promova a formação de uma “camada de
reação”. Outra forma de incorporação é a utilização de escarificador fixo em
trator de esteira ou de pneus tomando cuidado para que a profundidade de
penetração fique entre 5 e 10 cm. O processo de incorporação será definido em
função das características dos estéreis (quantidade e tamanho das pedras) após
a reconformação da topografia.
A aplicação do calcário deverá ser feita logo após a regularização da área e
em seguida deve ser realizado o recobrimento com material argiloso. A
quantidade de calcário calculada para neutralização de estéreis não substitui a
necessidade deste material para correção da acidez do substrato que servirá
como base para a reconstrução do solo.
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4.2.3 Cobertura com argila
A natureza do uso da terra após a mineração dependerá de vários fatores,
inclusive o potencial ecológico do ambiente minerado e os anseios da sociedade.
As opções de uso de terra podem cobrir amplo espectro e dependem dos
procedimentos empregados durante a mineração e a reabilitação. Assim, o
processo de reabilitação poderá envolver a implantação de pastagens, o
estabelecimento de cultivos agrícolas ou mesmo de reflorestamentos.
A diferença existente entre as áreas não mineradas e aquelas onde os
solos foram alterados pela mineração está na necessidade maior de intervenção
técnica e por um período mais longo para o restabelecimento de condições
mínimas de estrutura e fertilidade dos solos modificados, tendo como objetivo
promover uma nova cobertura vegetal. Portanto, a responsabilidade
do
minerador não termina simplesmente com a recuperação topográfica do local.
Tornar um solo fértil implica em fazer com que suas condições químicas,
físicas e microbiológicas sejam tais que possibilitem o desenvolvimento da
vegetação. Tal estágio é atingido quando, além de estável fisicamente e com
acidez ou alcalinidade adequadas, o solo ofereça suficientes teores de matéria
orgânica e micronutrientes que possam ser absorvidos pelas plantas.
A reconstrução do solo - importante não só como substrato para a
vegetação mas também como camada capaz de dificultar a infiltração de água e
a passagem de oxigênio para as camadas inferiores de estéreis - juntamente
com obras civis, como a construção de drenagens superficiais e do canal de
desvio de águas de montante, são necessárias ao sucesso do projeto uma vez
que visam propiciar o isolamento e/ou a eliminação das fontes poluidoras.
Na área em questão, as principais fontes de contaminação são os estéreis,
que expostos às condições atmosféricas sofrem lixiviação e liberam acidez e
metais tóxicos ao ambiente. Assim, é fundamental que as ações de reabilitação
do local sejam direcionadas ao controle da exposição dessas litologias ao contato
com a água e o oxigênio.
Dessa forma, recomenda-se a cobertura do substrato reconformado
topograficamente com a aplicação de uma camada de 0,30 m de material
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argiloso, com vistas a produzir um solo construído que tenha estabilidade.
4.2.4
Correção
das
características
físicas,
químicas
e
microbiológicas do solo construído
As características físicas dos solos a serem utilizados para cobertura dos
estéreis, foram determinadas a partir da coleta e análise em dois pontos junto a
jazida de empréstimo, conforme segue adiante. Para coleta, manuseio e
armazenagem das amostras de solo seguiram-se as orientações da Comissão de
Química e Fertilidade do Solo do RS/SC (CQFS-RS/SC, 2004). O Anexo IV
apresenta os Laudos de Fertilidade nº 128/2007 e nº 129/2007 das amostras de
solo coletadas na jazida de empréstimo.
Na interpretação dos resultados de fertilidade do solo utilizaram-se os
critérios definidos pela Comissão de Química e Fertilidade do Solo do RS/SC
(CQFS-RS/SC, 2004).
Os teores de matéria orgânica (M.O.) do material argiloso a ser utilizado
neste trabalho de reabilitação estão qualificados como “baixo”, verificando-se
portanto, a necessidade de incorporação de nitrogênio (N) cujas fontes são:
cama de aviário, turfa e fertilizantes.
Para suprir as necessidades nutricionais de fósforo e potássio do solo será
utilizado como fonte de nutriente, fertilizante mineral formulado.
Para este projeto recomenda-se o uso intensivo de adubação orgânica
(cama de aviário estabilizada e turfa) como fontes de M.O., condicionantes da
estruturação física do solo.
Os materiais turfosos serão empregados com o objetivo de melhorar as
características físicas, químicas e microbiológicas do substrato. Adicionalmente a
turfa proverá um banco de sementes para iniciar o processo de revegetação na
área em questão, diminuindo dessa forma, o risco de erosão após o
remodelamento do terreno. Resultados obtidos nos monitoramentos das áreas
em reabilitação Campo Malha II Leste e Malha II Oeste (IPAT/UNESC 2004 a e b;
2005 a, b e c; 2006 a, b, c, d, e) demonstraram o importante papel exercido por
este insumo no processo de reconstiuição do solo e revegetação, sendo que até o
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momento não foi identificado um substituto com as mesmas características. Para
tanto são indicados os seguintes corretivos para compor o solo reconstruído:
4.2.4.1 Calagem
Deverão ser aplicados 20 toneladas de calcário dolomítico (PRNT 75 %)
por hectare.
Esta quantidade deverá ser aplicada de forma parcelada, ou seja, deve-se
aplicar a metade, lavrar, aplicar o restante, lavrar e gradear.
4.2.4.2 Adubação orgânica
Aplicar 2.000 kg/hectare de esterco de aves curtido, juntamente com o
calcário e incorporá-lo ao solo construído.
4.2.4.3 Aplicação de turfa
Aplicar 12.000 kg/hectare (2 cm de espessura por metro quadrado) de
turfa com objetivo de revegetar o mais rápido possível a área a ser recuperada.
4.2.4.4 Adubação química
4.2.4.4.1 Plantio
Aplicar na semeadura ou plantio das herbáceas, 3 sacos de 50 Kg da
fórmula 05-20-10 e mais 1 saco de 50 kg de uréia por hectare.
4.2.4.4.2 Cobertura
Aplicar a adubação de cobertura em duas épocas, uma aos 45 dias e a
segunda aos 70 dias após a semeadura. Utilizar em cada aplicação de cobertura
3 sacos de uréia (50 kg) por hectare.
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4.1.5 Revegetação
O processo de revegetação da Mina Coréia II foi planejado de maneira que
este possa auxiliar na estabilização do solo reconstruído, evitando processos
erosivos e possibilitando o desenvolvimento de espécies vegetais dos diferentes
estádios sucessionais de forma a transformar a área degradada em um sistema
ecológico estável.
Segundo Almeida (2000) entende-se como sucessão natural, o processo
de desenvolvimento de uma comunidade em função de modificações das
composições no ambiente considerado, culminando no estágio clímax. Este
processo de colonização inicia-se com espécies pioneiras, que criam condições
adequadas de microclima e solo, secundárias e climácicas como o final da
sucessão.
Segundo Kageyama e Gandara (2000) o uso da sucessão ecológica na
implantação de florestas é a tentativa de dar à regeneração artificial, um modelo
seguindo as condições com que ela ocorre naturalmente.
Para que haja o maior êxito durante o processo de reintrodução da
vegetação,
é
necessário
que
se
leve
em
consideração
as
interações
interespecíficas, entre, a vegetação e a fauna silvestre local. A interação entre
animais e plantas em florestas é muito intensa e determinante para a
estruturação do ecossistema, pois envolve fundamentos, tais como polinização,
dispersão de sementes e herbívoria (KAGEYAMA e GANDARA, 2000).
A sequência da revegetação descrita adiante favorecerá o aumento de
habitats para a fauna, propiciando o retorno da mesma à área recomposta.
Dessa forma, a seleção de sementes e mudas privilegiam espécies nativas,
escolhidas em função: a) da capacidade de adaptação em solos com as condições
dos encontrados no campo; b) da ocorrência nos remanescentes do entorno da
área; e c) da capacidade de produção de frutos em forma de bagas, as
chamadas “bagueiras” (REIS et al. 1999; REIS et al. 2003), que são espécies
com frutos carnosos, atrativos para a fauna. Como exemplo, podemos citar as
figueiras (Ficus spp.), a grandiúva (Trema micrantha Blume), o tucum (Bactris
setosa Mart.), a capororoca (Myrsine coriacea (Sw.) R. Br.), o palmiteiro
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(Euterpe edulis Mart.), entre outras.
A forma como será conduzida a revegetação foi definida em função das
características da área da Mina Coréia II, sendo assim, está prevista a introdução
de:

Espécies herbáceas - gramíneas e leguminosas, por semeadura, na
porção remodelada, nos Blocos 1 e 2, em função do futuro uso a ser
dado para a área;

Espécies herbáceas - gramíneas e leguminosas, por semuadura, nas
áreas com falhas de vegetação no Bloco 3;

Espécies
arbóreas
pioneiras
-
preferencialmente
bracatinga,
associadas a outras espécies arbóreas e herbáceas, todas por
semeadura, nos Blocos 1 e 2 nas áreas de preservação permanente
(APP’s);

Espécies arbóreas secundárias e climácicas, por meio de mudas,
dispostas em ilhas de diversidade nos Blocos 1 e 2 nas áreas de
preservação permanente (APP).
4.1.5.1 Plantio de espécies herbáceas
O uso de espécies herbáceas durante o processo de reabilitação é muito
importante, pois estas, são de fundamental importância para controlar processos
erosivos, fixar nutrientes melhorando as características físico-químicas do solo.
Para o processo de revegetação foram escolhidas leguminosas e gramíneas para
serem semeadas nas áreas que foram remodeladas.
O uso destas espécies se deve, principalmente, as características de cada
um destes dois grupos. As leguminosas são plantas capazes de fixar nitrogênio
no solo. Além disso, apresentam raízes com arquitetura e profundidade que
permitem estabilizar solos com pouca instabilidade.
Já as gramíneas, são plantas que apresentam caráter pioneiro, sendo de
fundamental importância do ponto de vista ecológico, auxiliando na reabilitação,
revitalização e proteção do solo.
Sendo assim, o uso de leguminosas em consorciação com gramíneas é
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muito importante durante o processo de revegetação de áreas degradadas,
favorecendo o desenvolvimento da vegetação através da incorporação de
nitrogênio ao solo.
O plantio das espécies herbáceas (gramíneas e leguminosas) relacionadas
na quadro 7, deverá ser realizado nos Blocos 1, 2 e 3, totalizando 18,44ha. No
Bloco 3 será implantada vegetação apenas nas áreas que apresentam falhas na
vegetação herbácea existente, com o intuito de reforçar a cobertura vegetal.
A semeadura, à lanço, deverá ocorrer após a correção do solo, com as
espécies
sendo
plantadas
em
consorciação
respeitando-se
a
época
de
semeadura. Esse procedimento tem por finalidade oferecer ao solo proteção
contra a erosão superficial, uma vez que as espécies selecionadas apresentam
emergência e desenvolvimento rápidos.
No preparo do solo para o plantio serão empregados 12 t/ha (0,02 m de
espessura por metro quadrado) - de turfa nas áreas remodeladas. Embora esta
quantidade esteja abaixo da recomendada por Zimmermann (2001) (no mínimo
0,05 m de espessura por m2, ou seja, 300.000 kg/ha), é suficiente para o
suprimento de nutrientes ao solo. Além disso, a turfa representa um banco de
sementes considerável, as quais estão perfeitamente adaptadas às condições
presentes na região turfeira, tipicamente ácida.
Para a indicação das sementes a serem utilizadas foram consideradas as
origens (se nativa ou exótica), as informações sobre a ecologia e capacidade de
cobertura, assim como a disponibilidade de sementes no mercado.
Atualmente o padrão mínimo de pureza estabelecida por lei para sementes
de forrageiras é de 40%. Esta lei de sementes forrageiras se encontra em
transição por conta da nova Lei n° 10.711 de 05/08/2003 que regulamenta todo
o setor da produção até a comercialização garantindo a identidade e a qualidade.
Já a Instrução Normativa nº 15 de 12 de julho de 2005, estabelece que a
garantia e o padrão mínimo de germinação ou viabilidade será de inteira
responsabilidade do produtor pelos prazos contados a partir do recebimento da
semente, comprovado por meio de nota fiscal, observado o prazo de validade do
teste: até trinta (30) dias para sementes de leguminosas forrageiras, até
quarenta (40) dias para gramíneas forrageiras de clima temperado e até
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sessenta (60) para gramíneas forrageiras de clima tropical. A qualidade da
semente forrageira é verificada por meio da análise de pureza, germinação,
viabilidade e presença de outras espécies. Deverá ser feita em laboratórios
especializados, pois uma das principais características destas sementes é a sua
dormência (paralisação fisiológica da semente).
A quebra da dormência permite a germinação (retomada da atividade
fisiológica da semente). Recomenda-se, além das técnicas já conhecidas e
específicas para cada espécie para a quebra de dormência, expor as sementes
dormentes também ao sol por cerca de 10 h, antes do plantio.
Um dos itens mais importantes é saber qual o Valor Cultural (VC) das
sementes, pois serve como indicativo de qualidade. Quanto maior o valor cultural
melhor a qualidade das sementes e conseqüentemente menor será a quantidade
necessária no plantio.
Valor Cultural (%) = [Pureza (%) x Germinação (%)]/100
O Valor Cultural indica a quantidade de sementes puras que germinam em
uma determinada amostra de semente, sendo utilizado também para calcular a
quantidade necessária de sementes no plantio.
Recomenda-se que seja exigido do fornecedor a disponibilização de um
laudo com os valores de pureza e germinação, juntamente com instruções sobre
o armazenamento e quebra de dormência para cada lote de sementes adquirido.
Assim como na compra dos lotes das sementes seja inserido na nota fiscal o
Valor Cultural (VC) das mesmas. O Quadro 8 apresenta as espécies sugeridas
para uso na revegetação da área da Mina Coréia II.
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Quadro 8 - Espécies a serem utilizadas nos Blocos 1, 2 e 3 na área da Mina
Coréia II
Valor
Espécies
Nome
Densidade cultural
Período
Hábito
sugeridas
popular
de plantio indicado
%
set – out –
nov
(primavera)
dez – jan –
fev
(verão)
Axonopus
compressus
Axonopus
affinis
Gramamissioneira
10 kg/ha*
89
Gramínea, herbácea
com crescimento
rizomatoso.
Paspalum
saurae
Paspalum
10 kg/ha*
54
Gramínea perene,
herbácea com
crescimento cespitoso.
Arachis pintoi
Amendoim forrageiro
13 kg/ha*
40
Leguminosa, herbácea
com crescimento
rizomatoso.
Calapogonio
muconoides
Calapogonio
3 kg/ha*
57
Leguminosa,
herbácea, trepadeira,
semi-perene.
Hyparrhenia
rufa
Capimjaraguá
7 kg/ha*
10
Gramínea perene de
porte ereto.
Paspalum
dilatatum
Gramacomprida
14 kg/ha*
21
Gramínea perene,
herbácea com
crescimento cespitoso.
Estilosantes
campo
2,5 kg/ha*
grande
60
Stylosanthes
capitata + S.
macrocephala
mar – abr –
mai
(outono)
jun – jul –
ago
(inverno)
Leguminosa, herbácea
cespitosa.
Sesbania
virgata
Sesbânia
3,33
kg/ha*
75
Leguminosa, arbórea,
muito ramificada,
porte de 4-8 metros.
Mimosa
scabrella
Bracatinga
0,33
kg/ha*
75
Leguminosa, arbórea.
Schinus
terebinthifolius
Aroeira
0,33
kg/há*
75
Arbórea.
Paspalum
saurae
Paspalum
13 kg/ha*
54
Gramínea, herbácea
com crescimento
cespitoso.
Vicia sativa
Ervilhaca
50 kg/ha*
68
Leguminosa,
decumbente e
trepador.
Lolium
multiflorum
Azevém
30 kg/ha*
68
Gramínea, herbácea
com crescimento
cespitoso.
Avena sativa
Aveia-preta
60kg/ha*
71
Gramínea, herbácea
de porte ereto.
Sesbania
virgata
Sesbânia
10 kg/ha*
75
Leguminosa, arbórea,
muito ramificada,
porte de 4-8 metros.
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Período
Valor
Densidade cultural
de plantio indicado
%
Espécies
sugeridas
Nome
popular
Mimosa
scabrella
Bracatinga
1 kg/ha*
75
Leguminosa, arbórea.
Schinus
terebinthifolius
Aroeira
1 kg/ha*
75
Arbórea.
Hábito
*Valores indicados para consórcio com outras duas plantas herbáceas e/ou arbóreas considerando o valor
cultural mínimo indicado.
Obs.: A revegetação das áreas que não fazem parte da APP deve ser feita exclusivamente com plantas de
hábito herbáceo.
Deverão ser aplicados 2 t/ha de cama de aviário, fonte de matéria
orgânica (M.O.) para o solo, e 150 kg/ha de adubo químico (05-20-10) para
garantir macronutrientes suficientes ao desenvolvimento da vegetação. Aplicar
20 t de calcário dolomítico (PRNT 75 %) por hectare. Esta quantidade deverá ser
aplicada de forma parcelada, ou seja, deve-se aplicar a metade, lavrar, aplicar o
restante, lavrar e gradear.
No estabelecimento das forragens recomenda-se a aplicação de 150 kg/ha
de uréia como adubação de cobertura, realizada em duas épocas: 150 kg/ha 45
dias após a semeadura e mais 150 kg/ha 70 dias após o plantio.
No
Quadro
9
são
apresentados
os
cálculos
de
necessidade
de
condicionantes e de sementes para a reintrodução de espécies herbáceas e
arbóreas, exceto as mudas e covas para implantação das Ilhas de Diversidade.
Os quantitativos por hectare, a partir dos quais obteve-se os valores da quadro 8
são os seguintes:

Calcário = 20 t/ha;

Turfa = 12 t/ha;

Cama de aviário = 2 t/ha;

Fertilizante (05-20-10) = 150 kg/ha;

Uréia = 350 kg/ha;

Sementes Bracatinga (Mimosa scabrella) = 1 kg/ha;

Sementes de Aroeira (Schinus terebinthifolius) = 1 kg/ha;

Sementes de Sesbânia (Sesbânia virgata) = 10 kg/ha;
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
Sementes de Grama-missioneira (Axonopus compressus, A. Affinis) =
10 kg/ha;

Sementes de Paspalum (Paspalum saurae) = 10 kg/ha;

Sementes de Calapogônio (Calogonio muconoides) = 3 Kg/ha;

Sementes de Estilosante (Stylosanthes capitata + S. macrocephala) =
2,5 kg/ha;

Sementes de Ervilhaca (Vicia sativa) = 50 kg/ha;

Sementes de Azevém (Lolium multiflorum) = 30 kg/ha;

Sementes de Aveia-preta (Avena sativa) = 60 kg/ha;

Sementes de Capim Jaraguá (Hypharrhenia rufa) = 7 kg/ha;

Sementes de Grama-comprida (Paspalum dilatatum) = 14 kg/ha;

Sementes de Amendoim forrageiro (Arachis pintoi) = 13 kg/ha
(primavera/verão).
Quadro 9 - Condicionantes e sementes necessárias para a revegetação das
áreas com relevo remodelado, exceto covas e mudas para implantação de Ilhas
de Diversidade
Materiais
Blocos
Total
1
2
3
4,50
3,10
10,84
18,44
0,77
2,00
0,00
2,77
0,14
0,00
0,00
0,14
4,50
3,10
0,40
8,00
Turfa (t)
54,00
37,20
4,80
96,00
Calcário (t)
90,00
62,00
8,00
160,00
675,00
465,00
60,00
1.200,00
9,00
6,20
0,80
16,00
1.350,00
930,00
140,00
2.420,00
0,91
2,00
0,00
2,91
0,77
2,00
0,00
2,77
7,70
20,00
0,00
27,70
Área total (ha)
Área de preservação
permanente (APP) (ha)
Área com plantio de
Bracatinga nas margens do
canal “A” (ha)
Revegetação herbácea (ha)
Fertilizante (05-20-10) (kg)
Cama de aviário (t)
Uréia (kg)
Sementes Bracatinga
(Mimosa scabrella) (kg)
Sementes de Aroeira
(Schinus terebinthifolius) (kg)
Sementes de Sesbânia
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Materiais
Blocos
Total
1
2
3
45,00
31,00
4,00
80,00
45,00
31,00
4,00
80,00
13,50
9,30
1,20
24,00
11,25
7,75
1,00
20,00
225,00
155,00
20,00
400,00
135,00
93,00
12,00
240,00
270,00
186,00
24,00
480,00
31,50
21,70
2,80
56,00
63,00
43,40
5,60
112,00
58,50
40,30
5,20
104,00
(Sesbania virgata) (kg)
Sementes
de
Gramamissioneira
(Axonopus compressus, A.
affinis) (kg)
Sementes de Paspalum
(Paspalum saurae) (kg)
Sementes de Calapogônio
(Calogonio muconoides) (kg)
Sementes
de
Estilosante
campo grande (Stylosanthes
capitata + S. macrocephala)
(kg)
Sementes de Ervilhaca*
(Vicia sativa)
Sementes de Azevém*
(Lolium multiflorum)
Sementes de Aveia-preta*
(Avena sativa)
Sementes de Capim Jaraguá
(Hypharrhenia rufa) (kg)
Sementes de Grama-comprida
(Paspalum dilatatum) (kg)
Sementes
de
Amendoim
forrageiro (Arachis pintoi) (kg)
*Serão utilizadas três espécies exóticas de outono/inverno, devido a falta de sementes nativas no mercado.
OBS: Os quantitativos para as plantas de caracter herbáceo são relativos à consorciação no verão e no inverno.
O sucesso do processo de revegetação com herbáceas nos Blocos 1 e 2
dependerá de alguns cuidados adicionais a serem tomados, como:

Isolamento das áreas para evitar o acesso de bovinos que possam
fazer uso do local como pastagem;

Roçada periódica de duas vezes por ano, na época chuvosa, com
objetivo de incorporar matéria orgânica (M.O.) ao solo, inibir o
crescimento de espécies arbustivas arbóreas e evitar a propagação de
fogo. Esta roçada, entretanto, não poderá ser realizada quando o solo
estiver encharcado, pois como é construído, a utilização de maquinário
agrícola (trator e roçadeira) poderá degradá-lo. Em solos encharcados
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os pneus tendem a formar trilhas que potencializam os processos
erosivos e ainda podem levar à degradação da vegetação;

A roçada não deve ser realizada em nenhuma época do ano, nas áreas
de APP, as margens do rio, nem nas áeras que correspondem as
margens do canal “A”, pois nestas áreas haverá a introdução de
espécies arbustivo-arbóreas;

Instalação dos poleiros artificiais, visando acelerar o processo se
reabilitação da área em estudo;

Monitoramento do desenvolvimento vegetação herbácea e arbustivoarbórea por um período mínimo de cinco anos, nas áreas de APP;

Monitoramento por um período mínimo de cinco anos, quanto à
concentração
de
metais
pesados
nas
plantas
(gramíneas
e
leguminosas) e no solo. Após este período, conforme os resultados e a
estruturação do solo, a área poderá ser avaliada quanto à possibilidade
de liberação para pastagem.
4.1.5.2 Plantio de espécies arbustivas e arbóreas
Na área em processo de reabilitação da Mina Coréia II serão introduzidas
espécies arbustivas e arbóreas apenas nos Blocos 1 e 2 na faixa que corresponde
aos 30 m de mata ciliar de acordo com o Código Florestal Brasileiro (Lei 4.771 de
15 setembro de 1965). No restante da área pertencente aos Blocos 1 e 2 serão
implantadas espécies arbóreas, apenas em uma faixa de 3 m no entorno do
canal “A”. Nas áreas remanescentes dos Blocos 1 e 2 não serão implantadas
espécies arbustivo-arbóreas devido ao uso futuro desta área, que segundo
informações, será uzadada para pastagens ou silvicultura.
A revegetação com espécies arbustivas e arbóreas será feita de duas
formas distintas nos Blocos 1 e 2:

Inicialmente serão introduzidas nas áreas de APP, as espécies arbóreas
indicadas (sesbânia, bracatinga e aroeira, como espécies pioneiras,
concomitante ao plantio das herbáceas, na forma de sementes, em
linhas, por meio de saraquá ou a lanço, com grupos de covas distantes
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0,5 m uma das outras, conforme o método de Anderson, intercaladas
no sistema quincôncio;

Nas faixas de entorno do canal “A” que correspondem 3 m de largura
para cada lado do canal serão introduzidas apenas bracatinga, na
forma de sementes, em linhas, por meio de por meio de saraquá ou a
lanço, com grupos de covas distantes 1,0 m uma das outras,
intercaladas no sistema quincôncio;

Introdução de “ilhas de diversidade”, que consiste no plantio de mudas
de espécie clímax, cercadas de secundárias iniciais e tardias, espaçadas
2,0 (dois) metros uma das outras.
4.1.5.3 Plantio das pioneiras arbóreas em linhas
Logo após a incorporação dos condicionantes ao solo, serão plantadas,
juntamente com a semeadura das herbáceas, de 4 a 6 sementes de bracatinga,
sesbânia e aroeira, por cova aberta pela plantadeira manual (saraquá). Esse
procedimento garantirá uma cobertura vegetal densa a partir do estabelecimento
das plantas em linhas, seguindo as curvas de nível.
Cada grupo de covas (método de Anderson) é composto por nove covas,
espaçadas 0,5 m entre elas. Cada um dos grupos de ser disposto em linhas com
um espaçamento de 2,0 m entre os grupos e 2,0 m entre linhas (sistema
quincôncio). A primeira fila deverá ser alocada a pelo menos 1,0 m acima do
nível mais alto atingido pela água do rio.
Os agrupamentos de Anderson, visa a implantação de um grupo de nove
espécies arbóreas nativas (Fig. 10), em áreas em reabiliatação objetivando
aumentar sua biodiversidade.
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Figura 10 - Esquema de plantio das espécies arbóreas pioneiras utilizando o
agrupamento de Anderson (detalhe), disposto em linhas, modelo quincôncio
No entorno do canal “A” serão plantadas além das espécies herbáceas,
uma espécie arbórea (bracatinga) na faixa que compreende os 3 m para cada
margem do canal. Esta deve deve ser plantada, por cova aberta pela plantadeira
manual (saraquá) com um espaçamento de 1,0 m entre covas e 1,0 entre linhas,
intercaladas no sistema quincôncio (Fig. 11).
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Figura 11 - Esquema do plantio de bracatinga em linhas, com covas intercaladas
– quincôncio, nas margens do canal “A”
Um ano após sua implantação deverá ser feito um raleio, isto é, a retirada
dos exemplares raquíticos de forma a possibilitar o bom desenvolvimento dos
exemplares mais robustos.
4.1.5.4 Plantio de mudas em “ilhas de diversidade”
Quando as pioneiras atingirem cerca de 5m de altura, deverá ser realizada
a introdução das espécies secundárias e climácicas por meio de Ilhas de
Diversidade (ID), que consiste na introdução de uma espécie clímax cercada de
secundárias iniciais e tardias espaçadas 2,0 (dois) metros uma das outras (Fig.
12). As mudas utilizadas deverão possuir no mínimo 0,50 m de altura.
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Figura 12 - Distribuição das espécies arbóreas a serem plantadas nas ilhas de
diversidade (SI = espécies secundárias iniciais; ST = espécies secundárias
tardias; C = espécies climácicas). Os números colocados ao lado dos símbolos
correspondem às espécies listadas para cada ilha
As covas para implantação das ilhas deverão ter as dimensões de 0,50 m x
0,50 m x 0,50 m. Após a abertura, as covas serão preenchidas com argila e com
os condicionantes do solo adequados para um bom desenvolvimento vegetativo,
garantindo sua estabilização. Os materiais a serem aplicados nas covas e o
número de mudas por blocos estão relacionados no Quadro 10.
Recomenda-se a aplicação de 5 kg de fertilizante orgânico curtido (cama
de aviário) colocado no fundo de cada cova misturado a um pouco de solo para
evitar que as raízes da muda entrem em contato com o fertilizante. Completa-se
a cova com no mínimo 0,05 m³ de solo, após o plantio da muda, aplicar-se-á a
uma distância de 0,10 m ao redor do caule da muda e a 0,05 m de profundidade,
incorporado ao solo, cerca de 0,05 kg de fertilizante químico na formulação 0520-10.
O Quadro 10 apresenta as quantidades de mudas e condicionantes para as
covas nas ilhas de diversidade.
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Quadro 10 - Número de mudas e condicionantes necessários ao plantio de
mudas em Ilhas de Diversidade nos Blocos 1 e 2
Materiais
Blocos
Total
1
2
Área total (t)
4,50
3,10
7,60
Área de preservação permanente (APP)
(ha)
0,77
2,00
2,77
N° de mudas secundárias iniciais
34,00
88,00
122,00
N° de mudas secundárias tardias
34,00
88,00
122,00
N° de mudas espécies climácicas
8,00
22,00
30,00
76,00
198,00
274,00
Cama de aviário (kg)
380,00
990,00
1.370,00
Adubo (05-20-10) (t)
3,80
9,90
13,70
Número de covas
Obs: N° de Ilhas = 11/ha;
N° de plantas/Ilha = 04 secundárias iniciais; 04 sec. Tardias; e 01 climácica;
Argila = 0,05 m³/cova;
Cama de aviário = 5 kg/cova;
Adubo (05-20-10) = 0,05 kg/cova
Nos Blocos 1 e 2 (3,9 ha) deverão ser implantadas as ilhas de diversidade
após a vegetação arbórea atingir cerca de 5m de altura, as mesmas deverão ser
introduzidas no período mais chuvoso do ano (entre os meses de junho e
setembro), 11 ilhas de diversidade por hectare, o que corresponde introduzir 44
secundárias iniciais (SI), 44 secundárias tardias (ST) e 11 espécies climácicas,
totalizando o plantio de 99 espécies por hectare. A distribuição das ilhas de
diversidade nesses Blocos deverá se dar conforme a Fig. 13.
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Figura 13 - Distribuição da ilhas de diversidade nas áreas de APP dos Blocos 1 e
2
O Quadro 11 relaciona 20 ilhas de diversidade distintas, as quais, deverão
ser sorteadas aleatoriamente para serem distribuídas no campo, nos blocos que
receberão o plantio de bracatinga e herbáceas.
Quadro 11 - Discriminação das espécies (PI = pioneira; SI = Secundária Inicial;
ST = Secundária Tardia e C = Climácica) que comporão cada ilha de diversidade
a ser implantada nas áreas de APP, conforme a Fig 13
Identificação Código das
Nome Popular
Espécies
da Ilha
Espécies
Ilha 1
1 SI
Inga marginata
Ingá-feijão
2 ST
Allophylus edulis
Chal-chal
3 SI
Luhea divaricata
Açoita-cavalo
4 ST
Campomanesia guaviroba
Gabirobeira
5 SI
Tibouchina sellowiana
Quaresmeira
6 ST
Eugenia uniflora
Pitanga
7 SI
Alchornea triplinervea
Tanheiro
8 ST
Psidium cattleyanum
Araçazeiro
9C
Aspidosperma parviflorum
Peroba
1 SI
Schinus terebinthifolius
Aroeira vermelha
2 ST
Myrsine umbellata
Capororocão
3 SI
Alchornea triplinervea
Tanheiro
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Identificação Código das
da Ilha
Espécies
Ilha 2
Ilha 3
Ilha 4
Ilha 5
Espécies
Nome Popular
4 ST
Tibouchina sellowiana
Quaresmeira
5 SI
Piptadenia gonoacantha
Pau-jacaré
6 ST
Eugenia uniflora
Pitangueira
7 SI
Inga sessilis
Ingá-macaco
8 ST
Campomanesia guaviroba
Gabirobeira
9C
Cabralea cangerana
Cangerana
1 SI
Guapira opposita
Maria-mole
2 ST
Casearia silvestris
Chá-de-bugre
3 SI
Piptadenia gonoacantha
Pau-jacaré
4 ST
Psidium cattleyanum
Araçazeiro
5 SI
Schinus terebinthifolius
Aroeira vermelha
6 ST
Cuppania vernallis
Camboatá-vermelho
7 PI/SI
Aegyphilla sellowiana
Gaioleiro
8 ST
Xylopia brasiliensis
Pindaíba
9C
Cedrela fissilis
Cedro
1 SI
Schizolobium parahyba
Guapuruvu
2 ST
Syagrus romanzzofiana
Jerivá, coqueiro
3 SI
Vitex megapotamica
Tarumã-escuro
4 ST
Eugenia uniflora
Pitangueira
5 SI
Cytarexylum myrianthum
Tucaneira
6 ST
Matayba guianensis
Camboatá
7 SI
Allophylus edulis
Chal-chal
8 ST
Psidium catlleianum
Araçá
9C
Esembeckia grandiflora
Pau-de-cutia
1 PI/SI
Aegiphylla sellowiana
Gaioleiro
2 ST
Campomanesia guaviroba
Gabirobeira
3 PI/SI
Alchornea triplinervia
Tanheiro
4 ST
Tibouchina sellowiana
Quaresmeira
5 PI/SI
Casearia silvestis
Chá-de-bugre
6 ST
Syagrus rommanzoffiana
Goiabeira
7 PI/SI
Jacaranda puberola
Caroba
8 ST
Eugenia brasiliensis
Grumixama
9C
Euterpe edulis
Palmiteiro
1 SI
Inga marginata
Ingá-feijão
2 ST
Eugenia uniflora
Pitanga
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Identificação Código das
da Ilha
Espécies
Ilha 6
Ilha 7
Ilha 8
Ilha 9
Espécies
Nome Popular
3 SI
Inga sessilis
Ingá-macaco
4 ST
Plinia tunciflora
Jaboticaba
5 SI
Luehea divaricata
Açoita-cavalo
6 ST
Syagrus romanzoffiana
Coqueiro, Jerivá
7 SI
Piptadenia gonoacantha
Pau-jacaré
8 ST
Psidium cattleyanum
Araçazeiro
9C
Euterpe edulis
Palmiteiro
1 SI
Schinus terebinthifolius
Aroeira-vermelha
2 ST
Rollinia sericea
Araticum-do-mato
3 SI
Citarexillum myrianthum
Tucaneira
4 ST
Cabralea cangerana
Cangerana
5 SI
Psidium guajava
Goiaba
6 ST
Tabebuia umbellata
Ipê-amarelo
7 SI
Tibouchina sellowiana
Quaresmeira
8 ST
Eugenia brasiliensis
Grumixama
9C
Bactris setosa
Tucum
1 PI/SI
Bahinia forficata
Pata-de-vaca-branca
2 ST
Campomanesia guazumaefolia
Sete capotes
3 PI/SI
Aegiphylla sellowiana
Gaioleiro
4 ST
Myrocarpus frondosus
Cabreuva
5 PI/SI
Jacaranda puberola
Caroba
6 ST
Cabralea cangerana
Cangerana
7 PI/SI
Casearia sylvestris
Chá-de-bugre
8 ST
Hyeronima alchorneoides
Licurana
9C
Ficus organensis
Figueira-da-folha-miuda
1 SI
Schizolobium parahyba
Guapuruvu
2 ST
Syagrus romanzzofiana
Jerivá, coqueiro
3 SI
Vitex megapotamica
Tarumã-escuro
4 ST
Eugenia uniflora
Pitangueira
5 SI
Cytarexylum myrianthum
Tucaneira
6 ST
Matayba guianensis
Camboatá
7 SI
Allophylus edulis
Chal-chal
8 ST
Plinia edulis
Cabeludinha
9C
Garcinia gardneriana
Bacopari
1 SI
Myrsine ferruginea
Capororoquinha
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Identificação Código das
da Ilha
Espécies
Ilha 10
Ilha 11
Ilha 12
Ilha 13
Espécies
Nome Popular
2 ST
Casearia silvestris
Chá-de-bugre
3 SI
Piptadenia gonoacantha
Pau-jacaré
4 ST
Psidium cattleyanum
Araçazeiro
5 SI
Schinus terebinthifolius
Aroeira vermelha
6 ST
Cuppania vernallis
Camboatá-vermelho
7 SI
Aegyphilla sellowiana
Gaioleiro
8 ST
Plinia trunciflora
Jabuticabeira
9C
Matayba guianensis
Camboatá-branco
1 SI
Schinus terebinthifolius
Aroeira-vermelha
2 ST
Inga marginata
Ingá-feijão
3 SI
Aegephila sellowiana
Gaioleiro
4 ST
Cytharexyllun myrianthum
Tucaneira
5 SI
Tibouchina sellowiana
Quaresmeira
6 ST
Psidium guajava
Goiabeira
7 SI
Luehea divaricata
Açoita-cavalo
8 ST
Mataiba guianensis
Camboatá-branco
9C
Nectandra opositifoloia
Canela-amarela
1 SI
Allophyllus edulis
Chal-chal
2 ST
Myrsine umbellata
Caporocão
3 SI
Jacaranda puberola
Carobinha
4 ST
Inga marginata
Ingá-feijão
5 SI
Casearia silvestris
Chá-de-bugre
6 ST
Inga sessilis
Inga-macaco
7 SI
Rollinia silvatica
Cortiça-amarela
8 ST
Tabebuia umbellata
Ipê-amarelo
9C
Posoqueria latifolia
Baga-de-macaco
1 SI
Aegiphylla sellowiana
Gaioleiro
2 ST
Tabebuia Chrizotricha
Ipê-amarelo
3 SI
Hyeronima alchorneoides
Licurana
4 ST
Eugenia brasiliensis
Grumixama
5 SI
Schinus terebinthifolius
Aroeira-vermelha
6 ST
Tibouchina sellowiana
Quaresmeira
7 SI
Sena multijuga
Pau-de-cigarra
8 ST
Cabralea cangerana
Cangerana
9C
Talauma ovata
Baguassu
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Identificação Código das
da Ilha
Espécies
Ilha 14
Ilha 15
Ilha 16
Ilha 17
Espécies
Nome Popular
1 SI
Rollinia silvatica
Cortiça-amarela
2 ST
Bauhinia forficata
Pata-de-vaca-branca
3 SI
Luehea divaricata
Açoita-cavalo
4 ST
Eugenia uniflora
Pitangueira
5 SI
Casearia silvestris
Chá-de-bugre
6 ST
Plinia trunciflora
Jaboticaba
7 SI
Cytarexyllum myrianthum
Tucaneira
8 ST
Psidium cattleyanum
Araça-amarelo
9C
Virola bicuhyba
Bicuiba, bicuva
1 SI
Inga marginata
Inga-feijão
2 ST
Piptadenia gonoacantha
Pau-jacaré
3 SI
Alchornea triplinervea
Tanheiro
4 ST
Ficus enormis
Figeira-vermelha
5 SI
Myrsine ferruginea
Capororoquinha
6 ST
Myrsine umbellata
Capororocão
7 SI
Schinus terebinthifollius
Aroeira vermelha
8 ST
Eugenia brasiliensis
Grumixama
9C
Syagrus romanzoffiana
Coqueiro, Jerivá
1 SI
Rollinia silvatica
Cortiça-amarela
2 ST
Tabebuia umbellata
Ipê-amarelo
3 SI
Ficus enormis
Figueira-vermelha
4 ST
Syagrus romanzoffiana
Coqueiro, Jerivá
5 SI
Aegephylla sellowiana
Gaioleiro
6 ST
Eugenia uniflora
Pitangueira
7 SI
Jacaranda puberola
Caroba
8 ST
Psidum catleyanum
Araçá-amarelo
9C
Duguetia lanceolata
Pindabuna
1 SI
Inga marginata
Inga-feijão
2 ST
Piptadenia gonoacantha
Pau-jacaré
3 SI
Alchornea triplinervea
Tanheiro
4 ST
Ficus enormis
Figeira-vermelha
5 SI
Myrsine ferruginea
Capororoquinha
6 ST
Myrsine umbellata
Capororocão
7 SI
Schinus terebinthifollius
Aroeira vermelha
8 ST
Eugenia brasiliensis
Grumixama
9C
Aniba firmula
Canela-sassafraz
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Identificação Código das
da Ilha
Espécies
Ilha 18
Ilha 19
Ilha 20
Espécies
Nome Popular
1 SI
Aegiphylla sellowiana
Gaioleiro
2 ST
Tabebuia Chrizotricha
Ipê-amarelo
3 SI
Hyeronima alchorneoides
Licurana
4 ST
Eugenia brasiliensis
Grumixama
5 SI
Schinus terebinthifolius
Aroeira-vermelha
6 ST
Tibouchina sellowiana
Quaresmeira
7 SI
Sena multijuga
Pau-de-cigarra
8 ST
Cabralea cangerana
Cangerana
9C
Nectandra membranacea
Canela-branca
1 SI
Rollinia silvatica
Cortiça-amarela
2 ST
Bauhinia forficata
Pata-de-vaca-branca
3 SI
Luehea divaricata
Açoita-cavalo
4 ST
Eugenia uniflora
Pitangueira
5 SI
Casearia silvestris
Chá-de-bugre
6 ST
Plinia trunciflora
Jaboticaba
7 SI
Cytarexyllum myrianthum
Tucaneira
8 ST
Psidium cattleyanum
Araça-amarelo
9C
Nectandra megapotamica
Canela-imbuia
1 SI
Schinus terebinthifolius
Aroeira vermelha
2 ST
Myrsine umbellata
Capororoca
3 SI
Alchornea triplinervea
Tanheiro
4 ST
Tibouchina sellowiana
Quaresmeira
5 SI
Piptadenia gonoacantha
Pau-jacaré
6 ST
Eugenia uniflora
Pitangueira
7 SI
Inga sessilis
Ingá-macaco
8 ST
Campomanesia guaviroba
Gabirobeira
9C
Nectandra rigida
Canela-ferrugem
4.1.5.5 Poleiros artificiais
Um dos passos para acelerar a sucessão vegetal, com o objetivo de
restaurar áreas degradadas ou alteradas por ações antrópicas, é utilizar poleiros
artificiais como foco de recrutamento de sementes. A grande vantagem desta
técnica, quando comparada com as tradicionais de recobrimento vegetal, esta no
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fato de que a composição florística da vegetação que cobrirá a área será
semelhante à das áreas adjacentes, pois os propágulos serão provenientes
dessas áreas (MELO, 1997).
As aves e morcegos são os animais mais efetivos na dispersão de
sementes, principalmente quando se trata de transporte entre fragmentos de
vegetação. Propiciar ambientes para que estes animais possam pousar, constitui
uma das formas mais eficientes de atrair sementes em áreas degradadas (REIS
et al, 2003).
Neste sentido recomenda-se a implantação de poleiros artificiais nas áreas
onde será implantada a APP, visando acelerar e aumentar a biodiversidade do
local, já que esta técnica de nucleação resulta em núcleos de diversidade ao
redor dos poleiros.
Para a revegetação da área de APP da Mina Coréia II, recomenda-se o uso
de no mínimo dois tipos de poleiros artificiais, os poleiros secos e os poleiros
vivos, formando torres de cipó.
Os poleiros secos devem ser constituídos de três varas de bambu,
dispostas conforme mostra a Fig. 14. Este tipo de poleiro imita galhos secos de
árvores para que as aves os utilizem principalmente como locais de observação
para o forrageamento, principalmente de insetos (REIS et al, 2003).
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Figura 14 - Esquema mostrando a disposição de varas de bambu para confecção
de poleiros secos
Os poleiros vivos imitam os galhos das árvores com folhagem, sendo que
as aves podem usá-lo para repouso, visualização da caça e também para
alimentação. Estes podem ser feitos da mesma forma que os poleiros secos,
realizando-se na base, o plantio de espécies lianosas de crescimento rápido, de
preferência zoocórica ou que exerça outro tipo de nucleação, como as lianas
associadas com bactérias fixadoras de nitrogênio (REIS et al, 2003).
Já as torres de cipó (Fig. 15) devem ser constituídas por três varas de
bambu, sendo que na base destes devem ser implantados através de estacas ou
mudas de espécies de trepadeiras (lianas). Esta técnica, segundo Reis et al.
(2003) imita árvores dominadas por cipós em bordas de mata que têm papel de
abrigo para aves e, principalmente, morcegos, além de propiciar um microclima
favorável no interior de sua estrutura para a implantação de espécies esciófitas,
ou seja, espécies que apresentam melhor desenvolvimento em sombra.
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Março/2007 59
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Figura 15 - Esquema mostrando a disposição de varas de bambu para confecção
de poleiros secos
Obs.: a forma e disposição das varas de bambu podem variar podendo estas ser
instaladas em forma de círculos, formas lineares ou em forma de V
Por ser uma área em processo de reabilitação, sugere-se então o uso de
espécies nativas, e que são observadas em área antropizadas pela mineração,
evidenciando
o
caráter
pioneiro
dessas
espécies
e
importância
para
a
revegetação e atração da fauna, como: maracujá azedo (Passiflora edulis), guaco
(Mikania glomerata), ipoméia (Ipomoea purpurea), cipó-de-são-joão (Pyrostegia
venusta).
O plantio das lianas poderá ser feito por meio de mudas na densidade de 2
indivíduos por poleiro, alternando as espécies ao longo de cada um dos poleiros.
Os poleiros artificiais devem ser dispostos de forma diversa, sendo
utilizados todos os tipos de poleiros apresentados acima (poleiros secos, poleiros
vivos e torres de cipó). Estes modelos devem ser distribuídos de maneira
alternada e juntos devem somar 6 poleiros/ha (Fig. 16).
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Março/2007 60
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Figura 16 - Distribuição dos poleiros artificiais nas áreas dos Blocos 1, 2 e 3
4.1.5.6 Espécies exóticas
Espécies exóticas como eucalipto (Eucalyptus sp.) e pinus (Pinus sp.) são
indesejáveis em áreas onde a recomposição dos solos está em andamento. Os
resultados dos programas de monitoramento nas áreas em reabilitação Campo
Malha II Leste e Campo Malha II Oeste (IPAT/UNESC 2004 a e b; 2005 a, b e c;
2006 a, b, c, d, e) demonstraram que o anelamento destas espécies não tem
sido efetivo para sua eliminação.
O
capim-gordura
(Melinis
minutiflora)
é
outra
espécie
que
vêm
comprometendo o processo de sucessão ecológica nas áreas em monitoramento,
principalmente por ser uma gramínea exótica que apresenta característica de
alta flamabilidade na estação menos chuvosa, pelo acúmulo de matéria seca e
conteúdo de resina. Incêndios causados por essa espécie tendem a apresentar
temperaturas mais elevadas do que incêndios naturais em função da resina, o
que implica elevado poder de eliminação de plantas nativas e posterior
favorecimento da expansão do processo invasor pela espécie.
No processo de invasão, a planta cresce ainda por cima da vegetação
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herbácea nativa causando sombreamento e morte dessa vegetação e até mesmo
de
espécies
arbóreas
pioneiras, como
de
Bracatinga (Mimosa scabrella)
observados nos monitoramentos. Portanto é recomendado que estas e outras
espécies exóticas que porventura venham ser classificadas como indesejáveis,
sejam arrancadas ou derrubadas. Cabe à equipe de monitoramento a indicação
de quais plantas e quando devem ser eliminadas.
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5. QUANTIDADES DE MATERIAIS
O Quadro 12 apresenta os quantitativos dos materiais para execução do
PRAD na Mina Coréia II.
Quadro 12 - Quantitativos dos materiais necessários para implantação do PRAD
da Mina Coréia II
QUANTIDADE
MATERIAL
UN.
Movimentação de Estéreis
01 – Canal Desvio (Erro aceitável de 20% para mais ou para
m³
menos)
02 – Canal A (Erro aceitável de 20% para mais ou para menos)
m³
Recuperação do Solo
03 – Substrato argiloso
m³
04 – Turfa ambiental
t
05 – Cama de aviário
t
06 – Calcário em pó PRNT 75%
t
07 – Fertilizante 05-20-10 (N – P – K)
t
08 – Uréia
t
Sementes
09 – Bracatinga (Mimosa scabrella)
kg
10 – Aroeira (Schinus terebinthifolius)
kg
11 – Sesbânia (Sesbania virgata)
kg
12 – Grama-missioneira (Axonopus compressus, A. affinis)
kg
13 – Paspalum (Paspalum saurae)
kg
14 – Calapogônio (Calogonio muconoides)
kg
15 – Estilosante Campo Grande (Stylosanthes capitata + S.
kg
macrocephala)
16 – Capim Jaraguá (Hypharrhenia rufa)
kg
17 – Grama-comprida (Paspalum dilatatum)
kg
18 – Ervilhaca (Vicia sativa)
kg
19 – Azevém (Lolium multiflorum)
kg
20 – Aveia-preta (Avena sativa)
kg
21 – Amendoim forrageiro (Arachis pintoi)
kg
Mudas
22 – Secundárias iniciais
mudas
23 – Secundárias tardias
mudas
24 – Climácicas
mudas
Poleiros Artificiais
25 – Varas de bambu com 7 m de altura
un.
Obras de Engenharia
26 – Canaleta
m
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1.248,00
1.009,80
24.000,00
96,00
16,00
160,00
1,20
2,42
2,91*
2,77*
27,70*
80,00*
80,00*
24,00*
20,00*
56,00*
112,00*
400,00*
240,00*
480,00*
104,00*
122
122
30
51
308
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MATERIAL
27 – Valeta
28 – Dreno-circular (Diâmetro de 80 cm)
29 – Enrocamento – Seixos
UN.
m
m
m³
QUANTIDADE
464
16
647
*Os quantitativos para as plantas são relativos à consorciação de três plantas.
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6. PLANOS DE MONITORAMENTO
O processo de reabilitação de uma determinada área degradada envolve
não só a proposição de medidas que venham a melhorar as condições do local
debilitado, mas também o acompanhamento ou monitoramento das medidas
propostas visando a compreensão da evolução do processo de reabilitação do
local. Para tanto, deve-se definir, levando em conta principalmente o diagnóstico
da área, quais são os pontos mais críticos e quais são os indicadores ambientais
que deverão ser monitorados.
Embora ainda pouco usado como parte fundamental de projetos de
reabilitação ou recuperação de áreas degradadas, o monitoramento, quando
planejado adequadamente, possibilita não só uma avaliação da eficiência dos
métodos aplicados, mas também a correção de rumos do processo.
A negligência desta medida representa um grande desperdício do principal
capital destes programas que é a informação disponível. A geração de dados de
acompanhamento de cada método é o principal instrumento para a progressiva
melhoria de sua eficiência e conseqüentemente dos resultados da reabilitação
(Gandolfi e Rodriges, 1996).
Dada à importância que o programa de monitoramento assume como
parte indissociável no sucesso do projeto de reabilitação, este deverá ter duração
prevista de sessenta meses.
O monitoramento efetivo se dará após o término das atividades de
reabilitação no local e podendo ser interrompidas antes da conclusão do referido
prazo desde que, em pelo menos quatro campanhas de monitoramento, fique
comprovado que os teores analisados estão de acordo com os padrões
ambientais definidos pela Legislação Ambiental específica.
6.1 Objetivos do programa de monitoramento
O programa de monitoramento tem como objetivo principal acompanhar a
evolução da qualidade ambiental da área pesquisada, a partir da análise de
parâmetros
pré-selecionados,
bem
como
gerar
um
banco
de
dados
técnicos/científicos, obtidos a curto, médio e longo prazo, que deêm suporte à
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tomada de decisões acerca da condução do processo de reabilitação.
O programa propõe:
o
Avaliar parâmetros físicos, químicos e biológicos, nos ambientes aquáticos,
após a implementação dos trabalhos de reabilitação;
o
Acompanhar o desenvolvimento das comunidades vegetais nas áreas
reabilitadas;
o
Monitorar a evolução da qualidade física e química do solo das áreas
reabilitadas;
o
Verificar a ocorrência de processos erosivos após a complementação dos
trabalhos de reabilitação, indicando medidas corretivas quando necessário;
o
Acompanhar o retorno da fauna às áreas reabilitadas;
o
Avaliar a efetividade dos projetos de reabilitação propostos;
o
Subsidiar relatórios de qualidade ambiental;
o
Constituir banco de dados que dê suporte à proposição de medidas
corretivas.
6.2 Plano de monitoramento das águas subterrâneas
O acompanhamento da evolução da qualidade das águas subterrâneas,
especialmente do lençol freático, visa avaliar qual a contribuição das fontes
poluidoras superficiais e subsuperficiais à degradação dos recursos hídricos do
local. Para tanto, deverão ser instalados no mínimo quatro piezômetros na área,
sendo um a montante, dois na área reabilitada e um a jusante.
A coleta de informações deverá ter frequência semestral e iniciar após a
conclusão dos trabalhos de reabilitação. Dependendo das respostas obtidas nos
dois
primeiros
anos,
a
frequência
poderá
passar
a
ser
anual
para
acompanhamento das águas subterrâneas.
Os indicadores de qualidade de água subterrânea a serem utilizados são:
o
Temperatura;
o
pH;
o
Condutividade elétrica;
o
Sólidos dissolvidos;
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o
Alcalinidade;
o
Acidez;
o
Manganês total e solúvel;
o
Ferro total e solúvel;
o
Alumínio total e solúvel;
o
Potencial redox;
o
Sulfato;
o
Cálcio;
o
Magnésio;
o
Nível estático.
A coleta das amostras deve ser feita no dia seguinte após o esvaziamento
(purga) do poço por bombeamento ou com o auxílio de caçambas, promovendo
dessa forma, uma amostragem representativa da qualidade da água do aqüífero.
Deverá ser realizada duas leituras do nível do freático em cada campanha: a
primeira deverá ser obtida antes da purga ou limpeza do piezômetro e, a
segunda deverá ser realizada concomitante à coleta de água.
6.3 Plano de monitoramento das águas superficiais
A
qualidade
das
águas
superficiais
será monitorada, qualitativa e
quantitativamente, ou seja, concomitante às coletas de água para análises
laboratoriais, será medida a vazão no córrego existente na área da Mina Coréia
II. A coleta será realizada em duas estações de monitoramento, devendo uma
ser localizada a montante da área a ser reabilitada e outra, a jusante da mesma,
conforme apresentado no Anexo I - Mapa das Obras na Área de Estudo. As
medidas de vazão permitirão avaliar redução da carga poluidora da área.
O monitoramento das águas superficiais deverá ter início após a
implantação das medidas propostas para reabilitação da área, devendo se
estender por um período de 60 meses.
A periodicidade das coletas nos pontos especificadas deverá ser semestral,
sendo que as variáveis ambientais a serem monitoradas serão:
o
Vazão;
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o
Temperatura do ar e da água;
o
pH;
o
Condutividade elétrica;
o
Oxigênio dissolvido;
o
Sólidos totais;
o
Sólidos em suspensão;
o
Acidez total;
o
Manganês total;
o
Ferro II, III e total;
o
Alumínio total;
o
Potencial Redox;
o
Sulfato.
6.4 Plano de monitoramento dos solos
O monitoramento da qualidades físicas e químicas do solo, terá início após
a finalização do processo de reabilitação, deverá ter freqüência anual e estar
atrelado aos blocos identificados no diagnóstico ambiental. As amostras
coletadas,
baseadas
em
no
mínimo
dez
subamostras
por
bloco,
serão
homogeneizadas e quarteadas compondo, dessa forma, uma única amostra por
bloco, que será encaminhada para análises com os seguintes parâmetros:
o
pH;
o
Textura;
o
Índice SMP;
o
Matéria orgânica;
o
Fósforo (P);
o
Potássio (K);
o
Alumínio trocável (Al);
o
Magnésio (Mg);
o
Cálcio (Ca);
o
Ferro (Fe);
o
Sódio (Na);
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o
H + Al;
o
pH - CaCl2;
o
Soma de bases;
o
Saturação de bases;
o
Capacidade de Troca Catiônica (CTC);
o
Permeabilidade.
6.5 Plano de monitoramento geológico e geotécnico
O monitoramento de aspectos geológico-geotécnicos é necessário para
determinar o impacto que as medidas de reabilitação ambiental estão tendo
sobre os processos erosivos que naturalmente ocorrem no local.
O acompanhamento da ocorrência de processos erosivos na área em
questão deverá ser feito da seguinte forma:
o
Verificação dos sistemas de drenagens construídos;
o
Identificação das feições erosivas no local reabilitado;
o
Dimensionamento do problema: determinação da profundidade,
largura e comprimento da erosão;
o
Classificação do problema baseado na sua dimensão;
o
Sugestão de técnicas para contenção da erosão.
O levantamento dos aspectos físicos que envolvem a reabilitação deve ser
realizado em todos os blocos que já tiverem com seus processos de reabilitação
finalizados, com periodicidade semestral.
6.6 Plano de monitoramento da vegetação
O monitoramento da vegetação se dará pelo acompanhamento do
desenvolvimento das espécies introduzidas e naturalmente regeneradas.
6.6.1
Acompanhamento
do
desenvolvimento
das
espécies
introduzidas e da regeneração natural
O desenvolvimento das espécies introduzidas e aquelas em regeneração
natural serão monitoradas do estudo florístico e fitossociológico da regeneração
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natural, utilizando-se o método de parcelas (Mueller-Dombois e Ellenberg, 1974)
com o emprego de parcelas fixas no campo, avaliadas periodicamente,
fornecendo informações sobre o aporte de novas espécies na área. Quando
possível, serão medidos os diâmetros dos indivíduos e com ele calculados os
parâmetros fitossociológicos usuais para as espécies encontradas, ou seja,
freqüências (F), densidades (D), e dominâncias (Do) absolutas (A) e relativas
(R), valores de importância (VI) e valores de cobertura (VC) de acordo com
Mueller-Dombois e Ellenberg (1974).
Para o estudo quantitativo da vegetação herbácea terrícola utilizar-se-á o
método de parcelas, proposto por Mueller-Dombois e Ellenberg (1974), onde
serão traçadas 30 parcelas com objetivo de buscar a suficiência amostral das
espécies encontradas na área a ser monitorada. Serão amostradas todas as
espécies presentes nas parcelas, registrando-se principalmente características
quanto ao hábito, cor das flores, etc., das novas espécies que ocuparam a área
pela sucessão ecológica secundária. Para o levantamento da vegetação herbácea
terrícola será estimado a cobertura das espécies com base na escala de
cobertura proposta por Causton (1988).
Onde:
1 = até 5 % de cobertura da parcela
2 = 6 - 12 % de cobertura da parcela
3 = 13 - 25 % de cobertura da parcela
4 = 26 - 50 % de cobertura da parcela
5 = 51 - 100 % de cobertura da parcela
Calcularam-se as freqüências (F) e coberturas (C), absolutas (A) e
relativas (R), índices de valores de importância (IVI) de acordo com Causton
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(1988), com as seguintes fórmulas:
FA 
Pi
 100
P
CA  C1 M1 C2  M2  ...  C5  M5
IVI 
FR 
FA
 100
 FA
CR 
CA
 100
 CA
CR  FR
2
onde:
Pi = número de parcelas com ocorrência da espécie i.
P = número total de parcelas.
C1... C5 = número de estimativas de cobertura da espécie i nos intervalos de
classes de 1 a 5.
Como indicadores de diversidade biológica serão utilizados os índices de
diversidade de Shannon (H’) e de eqüabilidade (E) de Pielou descrito em
Magurran (1988), baseados na freqüência de cada espécie vegetal.
O monitoramento do desenvolvimento da vegetação introduzida servirá
inclusive para identificar e, se necessário for, propor a substituição das mudas
que não vingarem dentro das ilhas de diversidade. Devendo ter o seu início após
o término dos trabalhos de reabilitação.
6.7 Plano de monitoramento da fauna
O monitoramento da reintegração de vertebrados no ambiente em
reabilitação do presente projeto, serve como indicação dos resultados das
metodologias
empregadas
na
reabilitação
ambiental,
com
relevância
principalmente para os fatores de vegetação e qualidade d’água.
6.7.1 Espécies indicadoras
Os melhores indicadores para este projeto são as aves e peixes (avifauna
e ictiofauna). Aves funcionam como bioindicadores, ou seja, são "termômetros
biológicos" que ajudam a identificar a evolução e o estágio de reabilitação das
regiões impactadas pela mineração. Além disso, são importantes disseminadoras
de sementes, o que também favorece a recomposição da flora local.
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A ictiofauna é o grupo mais influenciado pelas alterações na qualidade da
águas existentes no local. Restabelecendo o equilíbrio ecológico das áreas
alteradas pela mineração, aproximando-as ao máximo de suas características
originais, a população original de peixes pode restabelecer-se por migração ou
repovoamento.
Devem ser avaliadas quais as espécies de aves e peixes, que representam
melhor a comunidade original da região, além da sua sensibilidade à alterações
ambientais. Eleitas as espécies indicadoras, escolhe-se a metodologia mais
apropriada para o levantamento. São avaliados o comportamento das espécies, a
interação dos animais com o meio ambiente, a composição, a estrutura e a
biodiversidade das comunidades. A escolha das espécies indicadoras será feita no
primeiro ano de monitoramento através de observações em campo; a execução
do monitoramento das espécies eleitas será feita nos anos subseqüentes.
O monitoramento de peixes e aves deverá ser semestral após a conclusão
dos trabalhos de reabilitação, de forma a garantir dados estatísticos a respeito da
dinâmica de populações e do repovoamento do local.
Para os demais grupos zoológicos, serão registradas as ocorrências ad
libitum, e por meio de registros indiretos como a presença de artefatos (ninhos,
tocas, atividades de alimentação), pegadas, carapaças, bolo fecal, mudas, etc.
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7. USO FUTURO DA ÁREA REABILITADA
O sucesso do processo de reabilitação a ser empregado em qualquer área
alterada depende em grande parte do uso futuro a que se dá ao local. Da forma
como foi concebido o projeto de “Readequação” do PRAD da Mina Coréia II,
recomenda-se que o terreno seja, destinado à preservação nas áreas de APP, por
se tratar de uma área extremamente frágil em função da reconstrução do solo e
da reintrodução de vegetação, e que no restante das áreas seja utilizado como
áreas de pastagens desde que a vegetação herbácea esteja completamente
instalada. Nesse caso é fundamental que o sistema entre em equilíbrio antes que
possa ser utilizado para este fim.
Por outro lado, embora o uso futuro pretendido seja de pastagens, existe a
possibilidade de contaminação da cadeia alimentar, por meio da absorção e
trans-locação de metais pesados pelas plantas. A acumulação de metais pesados
em certas plantas pode ocorrer nas raízes, nas folhas ou nos ramos e sementes.
Embora
muitos
metais
sejam
considerados
como
micronutrientes
no
metabolismo animal e vegetal, tais como o Fe, Mn, Zn, Cr, Ni e Pb, por exemplo,
dependendo da concentração passam a ser considerados como elementos
tóxicos. Portanto, a área reabilitada pode ser utilizada para gado bovino,
excetuando-se os caprinos e ovinos, pois estes se alimentam das raízes das
plantas (Zocche, 2005).
Além de pastoreio por gado bovino, a área poderá ser utilizada na
produção de mel o que poderá coexistir com as áreas de preservação existentes
no local.
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8. CRONOGRAMA DE IMPLATAÇÃO DO PROJETO DE REABILITAÇÃO
ATIVIDADES
Reconformação topográfica
Construção do canal de desvio
SEMANAS
1
2
3
4
X
X
X
X
X
X
X
Construção do canal “A”
Drenagens superficiais
Adição de alcalinidade aos estéreis
X
Recobrimento dos estéreis com argila
Correção das características do solo construído
6
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
7
X
X
Março/2007
8
X
X
Revegetação
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5
X
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9. CRONOGRAMA DE IMPLANTAÇÃO DO PLANO DE MONITORAMENTO
ANO/TRIMESTRE
MONITORAMENTO
AMBIENTE TERRESTRE
Geológico e geotécnico
ANO I
1
2
X
3
ANO II
4
X
1
2
X
Solos
3
ANO III
4
X
1
2
X
X
3
ANO IV
4
X
1
2
X
X
3
ANO V
4
X
1
2
X
X
3
X
X
Desenvolvimento da vegetação
introduzida e da regeneração
espontânea
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Avifauna
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Ictiofauna
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Outros grupos animais
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
AMBIENTE AQUÁTICO
1
2
3
4
1
2
3
4
1
2
3
4
1
2
3
4
1
2
3
Águas subterrâneas
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
Águas superficiais
X
X
X
X
X
X
X
X
X
X
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Março/2007
4
4
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9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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ALMEIDA, D.S. de. Recuperação ambiental da Mata Atlântica. Ilhéus: Editus,
2000. 130p
CARVALHO, D. F. de. Notas de aula. Disciplina de Hidráulica. Universidade
Federal Rural do Rio de Janeiro. p.51. 2005.
CAUSTON, D.R. 1998. Introduction to vegetation analysis. Unwin Hyman.
London
CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE - CONAMA. Resolução do CONAMA
n° 303, de 20 de março de 2002. p.4
CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE - CONAMA. Resolução do CONAMA
n° 357, de 17 de março de 2005. Dispões sobre a classificação dos corpos de
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as condições e padrões de lançamento de efluente e dá outras providências.
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CQFS-RS/SC (COMISSÃO DE FERTILIDADE DO SOLO – RS/SC). Manual de
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GANDOLFI, S.; RODRIGUES, R. R. Recomposição de florestas nativas:
algumas perspectivas metodológicas para o Estado de São Paulo. In:
Reabilitação de áreas degradadas: Curso de Atualização, 3. Curitiba, 1996
KAGEYAMA, P.Y.; GANDARA, F.B. Recuperação de áreas degradadas. In:
RODRIGUES, R.R.; LEITÃO-FILHO, H.F. (Orgs.). Matas Ciliares: conservação e
recuperação. São Paulo: Edusp-Fapesp, 2000. 249-269.
IPAT/UNESC. Instituto de Pesquisas Ambientais e Tecnológicas – Universidade do
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Extremo Sul Catarinense. Projeto Reabilitação Ambiental de Áreas
Degradadas pela atividade extrativa de carvão mineral Campo Malha II
Leste Siderópolis – Santa Catarina. Instituto de Pesquisas Ambientais e
Tecnológicas - Universidade do Extremo Sul Catarinense. Relatório técnico.
Criciúma, 2002a, 59p
____Projeto de reabilitação Ambiental de Áreas Degradadas pela
atividade extrativa de carvão mineral Campo Malha II Oeste Siderópolis
- Santa Catarina. Instituto de Pesquisas Ambientais e Tecnológicas Universidade do Extremo Sul Catarinense. Relatório técnico. Criciúma, 2002b,
57p
____Projeto Reabilitação Ambiental de Áreas Degradadas pela extração
de carvão mineral Campo Morozini Treviso – Santa Catarina. Instituto de
Pesquisas Ambientais e Tecnológicas - Universidade do Extremo Sul Catarinense.
Relatório técnico. Criciúma, 2003a, 82p
____Programa de Monitoramento do Projeto de Recuperação Ambiental
- Campo Malha II Leste -1° Relatório de Monitoramento. p. 47, 2004a
____Programa de Monitoramento do Projeto de Recuperação Ambiental
- Campo Malha II Leste - 2° Relatório de Monitoramento. p. 62, 2004b
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Readequação do Projeto de Reabilitação Ambiental da Mina Coréia II
Março/2007 77
INSTITUTO DE PESQUISAS AMBIENTAIS E TECNOLÓGICAS – IPAT
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Cricúma, 20 de março de 2007
Geólogo Renato de Souza Júnior
Coordenador do Projeto
Readequação do Projeto de Reabilitação Ambiental da Mina Coréia II
Março/2007 78
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