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UM LUGAR PARA MORAR, UM LUGAR PARA TRABALHAR, UM LUGAR PARA
VENDER: a experiência da Associação de Produção Mulheres Perseverantes,
Parque Eliane, Teresina, Piauí
Hérica Gabriela Rodrigues de Araújo1
Jaíra Maria Alcobaça Gomes2
Thiago Pires de Lima Miranda3
RESUMO
Analisou-se o associativismo como forma de empoderamento de um
grupo de mulheres de uma comunidade carente na periferia de
Teresina-PI, a partir dos obstáculos e benefícios de um pequeno
empreendimento solidário para gerar renda e se inserir no mercado.
Utilizou-se como metodologia a pesquisa-ação, tendo como sujeitos
as
Mulheres
Perseverantes.
Verificou-se
uma
evolução
organizacional, a partir da troca de experiências pessoais e da
capacitação, e geração renda. Há ainda obstáculos a serem
superados: inserção no mercado, elevação da capacidade produtiva e
a consolidação da identidade da associação.
Palavras-chave: Associativismo. Empoderamento. Parque Eliane.
ABSTRACT
This study analyzed the associations as a way of empowering a group
of women from a poor community on the outskirts of Teresina-PI, from
the obstacles and benefits of a sympathetic small business to
generate income and to enter in the market. It used as methodology
the action-research, with the Mulheres Perseverantes as subject.
There was an organizational development, from the exchange of
personal experiences and training, and income generation. There are
still obstacles to be overcome: integration in the market, increase the
production capacity and consolidate the identity of the association.
Keywords: Associativity. Empowerment. Eliane Park.
1 INTRODUÇÃO
A cidade de Teresina vem experimentando um acelerado crescimento
desde a década de 1970, sofrendo impactos do seu processo de urbanização,
provocado, sobretudo, pelo movimento migratório campo-cidade. O rápido
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Graduando.
Dep.
de
Economia;TROPEN
Universidade
Federal
do
Piauí.
mail:[email protected]
2
Doutorado em Economia Aplicada. Universidade Federal do Piauí. E-mail:[email protected].
3
Graduando
Dep.
de
Economia;TROPEN
Universidade
federal
do
Piauí.
mail:[email protected]
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E-
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crescimento e empobrecimento da cidade, com o aumento das favelas, impuseram
traços e questionamentos sobre o modo de vida urbana. O Parque Eliana é um
exemplo desse crescimento demográfico desordenado. Ele é resultado de uma
ocupação irregular provocada pela grande demanda por habitação.
Com sete anos de existência, o Parque Eliane ainda carece de melhorias
na infra-estrutura básica. A situação dos moradores é precária, especialmente pela
ausência de serviços básicos como coleta do lixo, que é deixado a céu aberto,
calçamento das ruas, escola, posto de saúde e creche. Esse quadro mostra
claramente as limitações à promoção de um desenvolvimento local sustentável, que
garanta a satisfação de – pelo menos – as suas necessidades básicas.
Na expectativa da melhoria das condições de vida das famílias do Parque
Eliane, no ano de 2004 foi constituído o Grupo de Produção Mulheres
Perseverantes, incentivado, inicialmente, pela Fundação Viver com Dignidade.
Posteriormente, no ano de 2005, a comunidade passou a contar com o apoio projeto
“Sujeitos e Saberes na Mediação Social e Educativa: Auto-ativação de Comunidades
Locais”, desenvolvido pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e Universidade de
Verona (UNIVR/Itália).
Diversas ações foram implementadas, por meio de oficinas qualificação
para geração de renda até que fosse inaugurada a Casa de Produção, em 2007, em
parceria com a Associação Piauiense de Cultura Superior (SOCULTURAS) e outras
instituições. Essas estratégias vêm contribuindo para que as mulheres tenham voz
ativa e aumentem o bem-estar da sua família, Num processo evolutivo de
organização social, no ano de 2008, deu-se a constituição da Associação de
Produção Mulheres Perseverantes. A busca do protagonismo mescla uma trajetória
de consolidação do grupo de artesãs com dificuldades de organização produtiva e
inserção no mercado.
A base metodológica deste estudo foi a pesquisa-ação, contando com a
efetiva participação das mulheres artesãs do Parque Eliane por meio de oficinas,
que se constituíram em espaços de formação e capacitação, além da partilha de
conhecimentos e experiências de vida, e na efetivação de uma capacidade produtiva
apoiada na autogestão. Objetiva-se compreender os obstáculos de acesso à renda
de um pequeno empreendimento solidário, baseados na cooperação, na satisfação
e valorização das mulheres e do meio ambiente.
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2 DESENVOLVIMENTO LOCAL SUSTENTÁVEL E EMPODERAMENTO
A mudança para um novo modelo de desenvolvimento ou a passagem e
formação para tal, se realiza motivada pelas observações e inovações das idéias
criadoras do homem, ou seja, pelas consciências das sociedades, que não se
formam de repente. A idéia ou conceito de desenvolvimento sustentável vem sendo
construída a partir das críticas que se faziam às propostas e aos resultados
alcançados com os modelos de desenvolvimento implementados no decorrer da
evolução capitalista, baseados no crescimento econômico, independente dos efeitos
que causassem ao longo dos anos.
Buaque (2002) diz que os debates, críticas e reflexões que vêm
ocorrendo em todo espaço político e técnico-científico internacional sobre os
modelos alternativos de desenvolvimento, os quais são capazes de enfrentar os
desafios e problemas econômicos, sociais e ambientais contemporâneos, são
potencialmente capazes de levar à formulção de novas concepções
de
desenvolvimento - endógeno, humano, local - entre os quais se destaca a proposta
do desenvolvimento sustentável.
E como bem esclarece Cavalcanti (2003), o desenvolvimento sustentável
sublima a interligação entre economia, tecnologia, sociedade e política e chama
também atenção para uma nova postura ética, caracterizada pela responsabilidade
tanto entre as gerações quanto entre os membros contemporâneos da sociedade
atual.
A manutenção da diversidade e a promoção cultural, a valorização da
população, seus saberes, conhecimentos, práticas e valores étnicos devem ser
observados para a preservação da identidade cultural e social da comunidade
(BELLEN, 2005).
Nesse contexto de busca de uma nova organização social, verifica-se que
o capitalismo dependente do Brasil alarga e aprofunda as discriminações e
exclusões. Daí, convém observar o papel da mulher, um agente social muitas vezes
submetido a múltiplas formas de violência dentro e fora de casa. Nessa perspectiva,
o Documento “Empoderamento das Mulheres: Avaliação das Disparidades Globais
de Gênero” (FÓRUM, 2005) definiu cinco dimensões importantes para o
empoderamento das mulheres: participação econômica, oportunidade econômica,
empoderamento político, avanço educacional e saúde e bem-estar.
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Sen (2000) destaca dois direitos básicos da mulher: bem-estar e a livre
condição de agente e comenta que essas duas características constam da pauta
dos movimentos feministas, sendo que a primeira tem sido priorizada. Entretanto, o
enfoque “welfarista” está se ampliando, com a incorporação do papel ativo da
condição de agente da mulher. O aspecto do bem-estar e o aspecto da condição de
agente dos movimentos feministas apresentam uma interseção substancial, mas são
diferentes em um nível básico: pessoa como agente e pessoas como paciente. A
concepção da mulher como pessoa que reconhece e sente bem-estar é muito
restrita, por isso ela precisa compreender que pode agir ou recusar, e pode agir de
um modo e não de outro.
Trabalhos empíricos recentes mostram que o bem-estar da mulher pode
ser modificado pela sua capacidade de auferir renda independente, encontrar
emprego fora de casa, ter direitos de propriedade, ser alfabetizada, participar de
decisões dentro e fora da família. Esses aspectos têm em comum o fortalecimento
da voz ativa e a condição de agente da mulher. Eles desempenham o papel
unificado de dar poder às mulheres, traduzido em independência econômica e
emancipação social.
Esses intitulamentos das mulheres podem transformar a relação entre o
homem e a natureza, definindo prioridades para o meio ambiente. A emancipação
da mulher (educação e emprego) é fator preponderante para melhoria da
sobrevivência das crianças e redução das taxas de fecundidade, que implicam em
atenuar a relação entre a natureza e gravidade do crescimento da população
mundial, que afeta homens e mulheres e pressiona a utilização dos recursos
naturais.
Um dos aspectos centrais no processo de desenvolvimento em muitos
países do mundo atual é o ganho de poder das mulheres, o que envolve educação,
padrão de propriedade, oportunidades de emprego e funcionamento do mercado de
trabalho, natureza das disposições empregatícias, as atitudes da família e da
sociedade com respeito às suas atividades econômicas. Sen (2000) diz que nada
atualmente é tão importante na economia política do desenvolvimento quanto um
reconhecimento adequado da participação e da liderança política, econômica e
social das mulheres, constituindo-se em aspecto crucial do “desenvolvimento como
liberdade”.
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Desenvolvimento requer a realização dos desejos das pessoas, requer
cuidar do meio ambiente. Cuidar do meio ambiente implica em criar novas relações
entre as pessoas e a natureza, definir novos comportamentos, inovar tendo como
prioridade o aproveitamento das capacidades do ser humano, e nisso a mulher tem
sua função especial ao educar seus filhos dentro de novas relações com o
ecossistema natural.
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GRUPO
DE
PRODUÇÃO
MULHERES
PERSEVERANTES:
DO
ASSISTENCIALISMO A CONSTRUÇÃO DE SABERES E DE OPORTUNIDADES
EMANCIPATÓRIAS
No ano de 2004, marco inicial de formação do Grupo de Produção
Mulheres Perseverantes, a Fundação Viver com Dignidade vinha empregando um
programa assistencialista em comunidades carentes como a do Parque Eliane. Essa
fundação tinha o acompanhamento de freiras ligadas à Paróquia São João
Evangelista, localizada no bairro Parque Piauí, em Teresina. Naquele ano, as freiras,
objetivando dar maiores oportunidades à pessoas mais humildes, buscaram
encontrar na comunidade, mulheres que dominassem alguma técnica de trabalho
manual, tipo crochê ou bordado, para que pudessem compartilhar seu conhecimento
com outras mulheres.
Assim, um pequeno grupo de mulheres passaram a ensinar a confecção
de panos de prato e pintura em tecido, ao mesmo tempo em que incentivavam
relações de cooperação. Inicialmente, o grupo compunha-se por aproximadamente
17 mulheres, que trabalhavam com os materiais (linhas e tecidos) fruto de doação.
Em razão de sua determinação, o grupo foi denominado Mulheres Perseverantes.
Em 2005, o grupo de produção foi apoiado pelo projeto “Sujeitos e
Saberes na mediação sócio-educativa: auto-ativação de comunidades locais”, uma
parceria da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e Universidade de Estudos de
Verona (UNIVR/Itália).
Com a submissão de um projeto de construção do Centro de Vivência no
Parque Eliane junto à Caixa Econômica Federal, ainda em fase de negociação,
surgiu a necessidade de se constituir legalmente uma personalidade jurídica – a
Associação de Produção Mulheres Perseverantes – o que ocorreu em maio de 2008,
com 17 membros, concretizando o que já era um desejo antigo do grupo.
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As razões que levaram essas mulheres a pertencer ao grupo são
variadas, contudo, têm uma singularidade: difíceis experiências de vida, solidão,
depressão e isolamento. Por outro lado, elas apontaram que a solidariedade,
necessidade de interação e sociabilidade como motivadores do engajamento na
associação.
As Mulheres Perseverantes relatam, sob diferentes tipos de experiência,
que mantinham uma vida solitária e triste em casa, seja por causa de filhos
envolvidos com drogas, companheiros alcoólatras ou violentos, seja por causa das
condições financeiras ou por que viviam puramente em função dos serviços
domésticos.
O grupo de produção é unânime em reconhecer que uma das grandes
vantagens da casa de produção foi a de sair do ‘pé do fogão’, antes as associadas
preenchiam o dia basicamente cozinhando e trabalhando em serviços domésticos,
sem contar a sensação de solidão. As mulheres reconhecem que estão se
capacitando e aprendendo a serem independentes.
O grupo de produção é composto por mulheres com idade entre 24 e 63
anos, sendo que as mesmas apresentam as seguintes características: todas vivem
no Parque Eliane desde a sua ocupação; a maioria das mulheres apresenta baixo
índice de escolaridade, muitas vezes não chegando a concluir o ensino básico; a
maioria das famílias possui mais de quatro membros, sendo que, geralmente,
apenas um, ou no máximo dois, possui renda; em média, os casais possuem três
filhos; a renda familiar, em média, é de um salário mínimo; em alguns casos parte
dessa renda se origina de transferências do Governo Federal, a outra parcela é
oriunda do trabalho dos companheiros, em atividades de pedreiro, motorista,
serviços gerais, vigilantes, etc.
Ainda com o apoio do projeto “Sujeitos e Saberes na mediação sócioeducativa”, na perspectiva de dar melhores condições de vinculação ao grupo, foi
instalada a Casa de Artes e Culturas para abrigar os filhos e filhas das associadas.
Essa casa tem como finalidade possibilitar o acesso a uma melhor qualidade
educativa para essas crianças, priorizando atividades educativas e lúdicas, a
exemplo da leitura, pintura e desenho.
A importância dessa casa para as Mulheres Perseverantes é significativa,
sem esta, as mães teriam que deixar seus filhos com parentes ou vizinhos, ou em
casa, sem assistência, sujeitas a situações de risco. A Casa de Artes e Culturas
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contribui para que essas mães permaneçam na casa de produção de uma forma
mais tranqüila. Assim sendo, o grupo de produção, além da essencial finalidade de
gerar oportunidades de trabalho e renda, significou para essas mulheres
perseverantes uma oportunidade de transformação de vida.
3.1 Formação e Capacitação
Para a formação e capacitação das mulheres, o projeto “Sujeitos e
Saberes na mediação sócio-educativa” financiou os seguintes cursos abertos à
comunidade do Parque Eliane, considerando as necessidades e sugestões das
integrantes do Grupo: Confecção de Bijuteria (18 participantes); Produção de
Material de Limpeza (20 paticipantes); Corte e Costura (22 participantes); Confecção
de Redes em Brim (20 participantes).
Quando são oferecidos cursos de capacitação, verifica-se uma elevação
no número de artesãs que freqüentam a casa de produção semanalmente. A
explicação para isso é que nem sempre todas as mulheres têm possibilidades de
conciliar o trabalho doméstico com a responsabilidade da produção diária. A dupla
jornada de trabalho – no lar e na produção artesanal – não está equacionada, o que
compromete as metas de produção.
3.2 Produzindo futuro, superando dificuldades de comercialização
A comercialização sempre foi o maior desafio para o artesanato, tanto no
que se refere ao acesso ao mercado quanto a fazer com que o resultado financeiro
deste processo seja apropriado pelo artesão. Ou seja, é necessário estabelecer
mecanismos que viabilizem ao artesão o acesso direto ao consumidor final ou ao
comprador atacadista, o que lhe proporciona uma melhoria significativa de sua
renda.
Atualmente, as
Mulheres Perseverantes atuam em três
núcleos
produtivos: o de redes, que vem constituindo-se como sua principal atividade
produtiva, apesar da relativa lentidão do processo produtivo, visto que a confecção
das varandas feitas em crochê e o alinhamento dos punhos são feitos de forma
totalmente manual, o que demanda mais tempo de trabalho, e conseqüente,
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limitação da produção mensal. A produção de bijuterias e a confecção de panos de
prato são menos representativas.
Os canais de comercialização utilizados são, basicamente, o consórcio
das redes, as vendas diretas e as feiras. No primeiro semestre de 2008, dois
consórcios foram constituídos: um com professores da UFPI; outro com técnicos da
Secretaria Estadual da Assistência Social e Cidadania (SASC). Geralmente, estes
grupos são formados por 10 (dez) consorciados. Essa forma de comercialização é
viável tanto para as artesãs quanto para o comprador já que as artesãs passam a ter
venda garantida durante os meses do consórcio, e os consorciados podem, além de
escolher as características de sua rede, parcelar sua compra.
Apesar de o parcelamento por meio de consórcio ser conveniente, o
grupo de produção das artesãs também realiza vendas diretas de suas redes,
geralmente, através destas mesmas instituições. No Parque Eliane, dada as
limitações financeiras da comunidade, não é comum as vendas das redes devido ao
seu preço elevado.
Por ter cadastro no Programa de Desenvolvimento do Artesanato
Piauiense (PRODART), eventualmente as artesãs são convidadas a participar de
feiras e eventos em Teresina onde podem expor e vender seus produtos. Nem
sempre estas vendas são significativas, mas servem como instrumento de
divulgação à sociedade dos seus produtos além de apresentar as atividades
produtivas do grupo.
As vendas diretas e os consórcios são os principais canais de
comercialização da associação, ambos representando 40% do valor total das
vendas compreendidas entre os meses de agosto de 2008 e janeiro de 2009. Já as
feiras representam apenas 20% do valor total das vendas no mesmo período.
Estuda-se a possibilidade de criação de uma estrutura de distribuição do
artesanato para venda direta dentro dos hotéis, pousadas e restaurantes, em
regiões de grande fluxo de turistas, implementado mais uma estratégia de vendas. E
ainda, o aproveitamento de espaços tradicionais e novos, tais como o Centro de
Artesanato Mestre Dezinho, o Shopping do Artesão, feiras e eventos, o Shopping da
Cidade, o Mercado Central e a Rua Climatizada, por exemplos.
Além disso, é indispensável preparar o artesanato para adentrar no
mercado de compra atacadista, para isso a divulgação da produção em sites
especializados de venda na internet, pode se converter num poderoso canal de
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comercialização, expandir significativamente o mercado que o grupo atualmente
dispõe.
É imprescindível, no entanto, a superação de gargalos como a falta de um
estoque mínimo de produtos acabados, a falta de conhecimento de técnicas de
vendas eficientes, e a ausência de um local adequado para expor seus produtos. A
construção da sede própria, ampla e aberta às novas associadas, a oferta de novos
cursos, a produção de novas mercadorias, são fatores que deverão contribuir para
uma maior autonomia e mudança de vida dessas mulheres.
Esse processo já se evidencia na grande satisfação externada pela
existência e evolução do Grupo. Com a efetivação e venda da produção, e
conseqüente incremento na renda familiar, as mulheres sentem-se mais capazes e
realizadas. Além disso, considera-se a importância deste projeto e do grupo de
produção enquanto semente a novas gerações. A consolidação de capacidades e
geração de oportunidades proporciona uma melhor qualidade de vida aos
indivíduos, o que contribui para a formação de meio social mais eqüitativo e
sustentável.
4 CONCLUSÃO
As Mulheres Perseverantes vêm consolidando-se uma identidade
produtiva, alcançando os objetivos aspirados e superando gradativamente as
dificuldades circunstanciais, sociais e financeiras. Desde o início do grupo e com a
implementação do projeto “Sujeito e Saberes”, através da pesquisa-ação, essas
mulheres têm aproveitado todas as oportunidades que lhes são apresentadas. Os
diálogos, a troca de experiências, os cursos ofertados; a produção efetivada, as
oportunidades de trabalho e aquisição de renda, as expectativas de crescimento,
todos esses elementos vêm contribuindo decisivamente para o empoderamento
dessas mulheres.
A Associação de Produção Mulheres Perseverantes precisa avançar em
direção a integração em rede de cooperativas populares. Os desafios ainda
permanecem como a necessidade de estimular mais a união entre as mulheres e
entender melhor o significado da solidariedade. Na dimensão produtiva, a formação
e capacitação do processo produtivo, disseminação de novos processos de tomada
de decisão de produção e comercialização são requisitos a serem fortalecidos para
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garantir a sustentabilidade da associação de produção numa perspectiva de inclusão
na economia solidária, que vem se colocando como uma nova ótica de autogestão
de empreendimentos populares.
A inserção numa rede de economia solidária se apresenta como uma
alternativa plausível para o desenvolvimento dessa comunidade, uma vez que o
significativo crescimento dos empreendimentos solidários vem chamando a atenção
das universidades e dos poderes públicos estaduais e municipais, que passam a
apoiá-los.
O
grupo
de
produção
vem se
constituindo
como
um desses
empreendimentos solidários, com finalidade de gerar oportunidades de trabalho e
renda, possibilitando a transformação da vida dessas Mulheres Perseverantes,
concretizando, gradativamente, novos caminhos para o seu desenvolvimento
humano.
REFERÊNCIAS
BELLEN, Hans M. van. Indicadores de sustentabilidade: uma análise comparativa.
Rio de Janeiro: Editora FGV, 2005.
BUARQUE, Sergio. Construindo o desenvolvimento local
metodologia de planejamento. Rio de Janeiro, Garamond, 2002.
sustentável:
CAVALCANTI, Clóvis. Breve introdução à economia da sustentabilidade. In
CAVALCANTI, Clóvis (Org.). Desenvolvimento e Natureza: estudos para uma
sociedade sutentável. 3 Ed. São Paulo, Cortez, 2003.
FÓRUM Econômico Mundial. Empoderamento das Mulheres: Avaliação das
Disparidades Globais de Gênero. 2005.
SEN, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. Companhia das Letras. Record.
2000.
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