Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Uerj – 5 a 9 de setembro de 2005
APOIO À PESQUISA EM EMPRESAS NO ESTADO DO AMAZONAS : O DESAFIO DO
DIÁLOGO
1
Carlos Victor Montefusco Pereira2
Maria Olívia de Albuquerque Ribeiro3
Andréia Mayumi Niiyama4
Jussara Socorro Cury Maciel5
Resumo
O Programa Amazonas de Apoio à Pesquisa em Empresas - PAPPE é uma ação de
fomento promovida pela FAPEAM em parceria com a FINEP. Este artigo tem como
objetivo avaliar a participação empresarial e de pesquisadores mobilizada pelo Edital
No. 007/2004 – FAPEAM e pela “Rodada de Pesquisa/Negócio”, estratégia adotada para
aproximar os dois setores. Compara-se o estado histórico de articulação desses setores e
o resultado obtido a partir da Rodada. São discutidos ainda, os resultados do Edital,
incluindo o número e tipo de empresas participantes, contrapartida oferecida e
instituições de pesquisa que participaram dessa chamada. A participação empresarial no
Edital é avaliada, apontando-se aspectos críticos face à estratégia adotada pela FAPEAM
para divulgar o Edital e aproximar os setores para participação do PAPPE.
Palavras-chave
1. Diálogo pesquisador/empresário; 2. Divulgação de oportunidades de investimentos; 3.
Inovação Tecnológica na Amazônia; 4. Divulgação de Política de C&T; 5. Pesquisa em
Empresa.
Introdução
A dinâmica do mundo é dedicada à formatação do homem e, conseqüentemente,
do ambiente ao seu redor onde o fator mudança pode significar desenvolvimento. Se a
mudança é característica do mundo em evolução, devido à globalização e outros fatores
de transformação, os setores de inovação tecnológicos têm suas próprias alterações e o
resultado disso seria a competitividade. Neste contexto, há fatores que servem como
indicadores para se verificar essas mudanças no mundo, dentre elas temos: a economia,
1
Trabalho apresentado ao Intercom Júnior.
Trabalho desenvolvido na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas – FAPEAM como
parte do Projeto “Estudo da relação do conhecimento científico gerado no Amazonas com empresas” do
Programa de Gestão em Ciência e Tecnologia PGCT.
2
Aluno de Criação e Produção Publicitária do Centro Federal de Educação Tecnológica do Amazonas CEFET/AM, Bolsista de Apoio Técnico - AT do Projeto “Estudo da relação do conhecimento científico
gerado no Amazonas com empresas”. E-mail: [email protected].
3
Pesquisadora. Chefe do Departamento de Difusão do Conhecimento – DECON/FAPEAM. Rua Recife,
3280. CEP 69.057-002. Manaus – AM. E-mail: [email protected].
4
Jornalista, Bolsista AT do Projeto “Acesso e Popularização do conhecimento em Ciência e Tecnologia”
da FAPEAM. E-mail: [email protected].
5
Mestre e Pesquisadora. Bolsista PGCT do Projeto “Estudo da relação do conhecimento científico gerado
no Amazonas com empresas”. E-mail: [email protected].
1
Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Uerj – 5 a 9 de setembro de 2005
as relações sociais e políticas, a tecnologia, a organização de trabalho e no próprio papel
do elemento humano em contextos social e produtivo.
No setor produtivo, em especial no setor empresarial, a indústria precisa mudar
para obter inovação e tecnologia com investimento em formação do conhecimento e
inovação tecnológica. As instituições de pesquisa precisam cumprir seu papel na
divulgação do saber e das tecnologias geradas para bem e sucesso do setor produtivo, em
especial, a empresa.
Mudar está ligado a inovar que, por sua vez, está acoplado a
antecipar e, portanto, temos que aceitar que sua aplicação ocorre tanto
em questões de ajuste, isto é, adaptar ou renovar algo, quanto de criar
algo novo, ou seja, antecipar ações. (MAÑAS, 2001:19).
As dificuldades para alcançar essas mudanças são visíveis e experimentadas, pois
tudo o que é novo representa antecipada desconfiança na segurança se é ou não uma
solução. O processo de transformação é iniciado com modificações, às vezes, nunca
experimentadas e que irão influenciar na organização por inteiro, mas a possibilidade do
real sucesso acontecer somente ocorrerá com o devido uso do conhecimento como
ferramenta de execução, ou de outro modo, poderá vir a ser um ponto fraco onde todo o
trabalho pode desmoronar. A incorporação de técnicos no trabalho de inovação no setor
produtivo tem sua importância justamente pela eficácia dos resultados e deve ser
incentivada.
Estudiosos, como Sommerlattes (2001) e Manãs (2001), crêem que as
organizações necessitam de novos horizontes tais como: 1. Criar e capturar novos valores;
2. Fomentar novos produtos, serviços, processos e negócios; e 3. Criar novas regras e
oportunidades de conseguir vantagem competitiva e resultados pioneiros (MAÑAS, 2001: p.21).
As empresas possuem capitais para serem explorados de diversas formas e opções,
sendo essas tanto para desenvolvimento de produtos ou serviços quanto para a gestão e
pesquisa de Ciência Tecnologia & Inovação – CT&I. Mais uma vez, o assunto é
incrementado com a idéia da integração do conhecimento científico aos processos
empresariais com o intuito de melhorar a produtividade e o monitoramento de produtos.
A inovação resulta de processos de aprendizagem no qual as
empresas interagem com seus clientes, fornecedores e organizações
produtoras de conhecimento como as universidades, institutos
tecnológicos e sistemas de treinamento.(Silva & Melo, 2001)
Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Uerj – 5 a 9 de setembro de 2005
A visão direta e rígida de que as ações inovadoras começariam pelos resultados
comprovativos foi finalmente re-analisada. Essa visão era errada justamente por excluir
a fonte dos resultados que advinde do próprio conhecimento provido exclusivamente dos
responsáveis pelas pesquisas e essas pessoas não estão concentradas nas empresas e sim
organizadas em instituições de ensino e outras localidades detentoras de métodos de
qualidade e metodologia de desenvolvimento de produtos. As parcerias entre
organizações e as empresas definem os primeiros estágios para o pensamento e a
conclusão sobre inovação. Neste sentido é necessária a implementação de um esquema
para o desenvolvimento de políticas para CT&I visando promover novas articulações
entres os setores produtivo e científico, no sentido de fomentar idéias inovadoras e
mercadológicas, como uma das prioridades dessas novas políticas.
Trazendo para áreas mais específicas, a temática de CT&I acaba por ser parte da
caracterização do sistema econômico e das ações e mudanças realizadas na evolução de
mercado para novas empresas e inserção da gestão de tecnologia como alicerce de uma
ótima qualificação empresarial, diferenciando as empresas de base tecnológica com um
conceito real e concreto. Grande parte da gestão de C&T inclui várias tópicos, dentre
eles a Inovação. “As inovações são o principal determinante do aumento da
produtividade e da geração de oportunidades de investimento” (Silva & Melo 2001,
p.119). Tendo como base à frase citada, a política científica atual tem na inovação uma
necessidade de mercado e está investindo na relação pesquisador-empresa.
No país, essas mudanças têm início com as novas ações das instituições
financiadoras como a FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos que é a agência do
Ministério de Ciência e Tecnologia – MCT, somada ao Conselho Nacional de Pesquisa e
Desenvolvimento – CNPq e outras Agências e Fundações de Amparo à Pesquisa –
FAP’s regionais. A FINEP tem como prioridade e objetivo, o financiamento e a
promoção da pesquisa tecnológica em todos os setores da comunidade científica,
promovendo o desenvolvimento do país nessa área. Dentre os programas de apoio à
pesquisa no setor empresarial temos o Projeto INOVAR, ação da Financiadora de
Estudos e Projetos – FINEP, que “visa construir um ambiente institucional que favoreça o
desenvolvimento da atividade de Capital de Risco - CR, de forma a estimular o fortalecimento
das empresas nascentes e emergentes de base tecnológica brasileiras, contribuindo, em última
instância, para o desenvolvimento tecnológico nacional, bem como para a geração de empregos e
Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Uerj – 5 a 9 de setembro de 2005
renda“. (MCT, 2003). Outro importante programa é o Programa de Apoio Tecnológico à
Exportação Nacional - PROGEX que tem a intenção de movimentar os recursos de
instituições de fomento e outras do setor produtivo para que haja projetos que
alavanquem a exportação nacional. Há ainda o Programa de Apoio às Tecnologias
Apropriadas – PTA que pretende desenvolver novos métodos para as Micro e Pequenas
Empresas - MPE’s, no sentido dessas instituições contribuírem para a melhoria da
qualidade de vida das periferias urbanas e comunidade rural. O PTA almeja ainda
investir em capacitação e aperfeiçoamento dessas comunidades e promover a
transferência tecnológica. O Programa de Tecnologia Industrial Básica - TIB e Serviços
Tecnológicos para a Inovação e Competitividade visam a ampliação e consolidação dos
mecanismos e serviços tecnológicos oferecidos a empresas. Esse programa abrange
vários setores da economia e caracteriza TIB como “um conjunto essencial de atividades
de suporte à competitividade da economia brasileira” (BRASIL, MCT, 2003). O
Programa Juro Zero da FINEP oferece empréstimos sem juros e com pagamento de até
100 (cem) parcelas para o financiamento de MPE’s de inovação, reduzindo a burocracia.
Ainda temos ProInovação que procura incentivar as empresas que sigam diretrizes,
como: aumentar a Política Industrial, Tecnológica e do Comércio Exterior – PITCE;
aumentar as atividades de pesquisas; contribuir para as cadeias de tecnologia; e firmar
parcerias com universidades. No Amazonas com a criação da FAPEAM inicialmente
vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico - SEDEC, e com a instituição da
Secretaria de Ciência e Tecnologia - SECT pela Lei nº. 2.783, a Fundação ficou
vinculada a esta secretaria, iniciando suas atividades em maio de 2003 e tendo o PAPPE
como sua primeira ação específica de apoio à pesquisa em empresas. Pelo exposto
vemos os vários eixos de incentivo governamental para aproximar a pesquisa das
empresas brasileiras.
O Programa de Apoio a Pesquisa em Empresas – PAPPE foi idealizado pela
FINEP para o apoio direto aos pesquisadores que se dedicam a pesquisas que em
parceria com uma empresa de base tecnológica com a geração de produto ou processo de
inovação tecnológica pronto para inserção no mercado no prazo de dois anos. No
Amazonas, essa ação foi viabilizada a partir do convênio da FINEP com a FAPEAM que
resultou na publicação de edital público (Edital 001/2004 – FAPEAM) para o
investimento de R$ 4 milhões, sendo R$ 2 milhões da FINEP e R$ 2 milhões do
Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Uerj – 5 a 9 de setembro de 2005
Governo do Estado, por intermédio da FAPEAM. Os recursos federais são oriundos dos
Fundos Setoriais de C&T, a saber: Saúde, Biotecnologia, Energia, Agronegócios e
Verde-Amarelo. O edital está embasado nas diretrizes gerais da FINEP para o programa
e nos demais editais de FAPs do país que já possuíam o Programa em atividade. O
PAPPE foi uma das primeiras estratégias do Estado do Amazonas na aproximação de
pesquisadores e empresas do Estado como parte integrante dos programas de apoio à
pesquisa da FAPEAM. O PAPPE no Amazonas teve a incorporação das características
do estado refletidas também no nome, sem alterar a sigla, tornando-se PAPPE –
Programa Amazonas de Apoio à Pesquisa em Empresas.
As parcerias são essenciais para a evolução do país em ciência, seguindo o
exemplo de outros países com mais experiência na inovação e nos caminhos que se
precisa percorrer para se atingir a meta de inovar. Os conceitos mudaram, assim como a
sociedade, e as parcerias foram sendo expostas e principalmente reforçadas. No caso da
área de pesquisa, uma união forte é a relação universidade-empresa, onde os fatores
conseqüentes são positivos tanto para um quanto para outro e o PAPPE tem como
objetivo justamente incentivar essa relação e estimular empresas de bases tecnológicas a
investirem naquilo que será um de seus mecanismos de sucesso. É claro que as
mudanças não atingirão somente as empresas e os pesquisadores e, sim a população em
geral, pois a sociedade é receptora de toda essa inovação. O PAPPE também amplia a
visão dos empresários e da área de atuação dos profissionais da pesquisa, qualificando o
mercado e tornando-o mais seletivo e “intelectual”.
Um dos grandes desafios para o desenvolvimento do PAPPE no Estado era a
pouca existência de parcerias entre as empresas de diferentes setores e as instituições de
pesquisa e mesmo o baixo número de pesquisadores no corpo técnico das empresas no
Amazonas. As instituições de ensino e pesquisa do estado têm algumas parcerias, porém
em setores específicos, e como o investimento oferecido a cada projeto aprovado no
âmbito do PAPPE era de R$ 200 mil, atraia principalmente as MPEs que na sua maioria
não têm a cultura de pesquisa. As MPE’s possuem grande importância e possibilidade de
crescimento se realmente houver o investimento requerido, e mesmo com menor porte
não faltam com o dever de contribuir para os fatores mercadológicos, como aumento do
número de empregos e exportação. Segundo Silva & Melo (2001 p.149-150) “o desafio
para Ciência, Tecnologia e Inovação na próxima década é contribuir para a expansão
Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Uerj – 5 a 9 de setembro de 2005
quantitativa do setor e melhorar seu padrão de competitividade, inclusive no setor de
exportações”. É claro que as dificuldades fazem parte da rotina das MPE’s, primeiro
para manter a própria rotina e os obstáculos no desenvolvimento da competitividade.
São cinco as barreiras, elas têm a ver com a capacidade das MPE’s em: 1. investimento:
custo do capital e formas de financiamento tradicionais; 2. gerenciamento e de
qualificação profissional da mão-de-obra; 3. barganha e negociação com fornecedores e
canais de distribuição; 4. inovação do produto, tecnológica ou não (como, por exemplo,
design); 5. melhoria de processo produtivo com forte enfoque em “qualidade”.
Grandes auxílios as MPE’S já funcionam hoje, na verdade, desde a década de 80.
Esses incentivos são compostos por articulações de instituições capacitadas desde
auxílios mais diretos como as incubadoras até incentivos indiretos e gerais como os
distritos industriais e parques tecnológicos. Isso acontece não somente no Brasil, mas em
todo o mundo que através dessas parcerias atingem a possibilidade de ter crescimento no
setor. Esse processo promove, especificadamente, cadeias sinérgicas de inovação, onde
as empresas são beneficiadas como um todo, superando problemas de desenvolvimento
das atividades relativamente tratadas como prioridades para a sociedade empresarial e
conglomerados contribuindo claramente para a participação das MPE’s no contexto
regional. Aliás, é da própria da região que são obtidas as inovações absorvendo essa
participação de um contexto real e mais próprio onde se vive e se reflete a inovação
utilizada. O potencial regional tem de ser enfatizado no processo de desenvolvimento na
inovação, sendo até mesmo um importante diferencial. A regionalização da inovação
somente poderá ocorrer com o entendimento das necessidades locais, procurando
articular novas políticas e melhorar as já existentes, tudo na caracterização da região. As
políticas têm fundamento nos estímulos promovidos por CT&I, englobando diversas
ações nacionais e conseqüentemente regionais, como as citadas pelo Ministério de
Ciência e Tecnologia (Silva & Melo 2001): formação, capacitação e fixação de mão-deobra especializada para dar suporte às ações; movimentação por parte do Estado no
desenvolvimento econômico e social; e impactos ambientais ligados à atividade
econômica nas novas regiões de sustentabilidade.
Assim, foi necessário desenvolver estratégias de aproximação dos setores para
garantir a participação qualificada no Edital, obter um diagnóstico da demanda reprimida
Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Uerj – 5 a 9 de setembro de 2005
em pesquisa para o setor produtivo e oportunizar o desenvolvimento do Programa no
Amazonas.
A inovação em Empresas no Amazonas: Novos empreendedores
A caracterização da inovação seria bem definida como algo inédito ou algo já
conhecido que foi revisto de uma forma diferente e que ninguém havia pensado
anteriormente. É claro que para o processo de inovação fluir é necessário uma equipe de
pessoas que saibam da realidade da tecnologia da área inovadora e principalmente que
tenha visão ampliada e tão sonhadora para com os novos empresários (empreendedores)
em seus verdadeiros empreendimentos. O fazer acontecer, o empreender é um risco, um
questionamento, algo diferente. Um fator de importância que explica a mudança é a
competitividade na economia. Há limites que não mais existem graças à capacidade dos
empreendedores em arriscar e gerenciar da melhor forma para a ótima execução da
tarefa proposta. Essa ação traz benefícios realmente significativos, incluindo a
eliminação de “barreiras comerciais e culturais, encurtando distâncias, globalizando e
renovando os conceitos econômicos, criando novas relações de trabalho e novos empregos,
quebrando paradigmas e gerando riqueza para a sociedade” (Dornelas, 2001:21).
A época atual possui um favorecimento propício à era do empreendedorismo no
Amazonas. Tudo depende de certas variantes para o desenvolvimento da situação, entre
elas estão “as boas idéias de inovação, know-how, um bom planejamento e
principalmente, uma equipe competente e motivada” (Dornelas, 2001). Com o capital há
a possibilidade do crescimento de negócios e isso não era visado antigamente. O período
atual movimenta bastante capital do conhecimento, o que provê o surgimento de novas
pessoas responsáveis para com um empreendimento. Mencionando a citação de Joseph
Schumpeter (1949) no livro de José Carlos Dornelas, Empreendedorismo: transformando
idéias em negócios, define-se o empreendedor:
É aquele que destrói a ordem econômica existente pela
introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas formas
de organização ou pela exploração de novos recursos e materiais.
(Dornelas, 2001).
O PAPPE apóia a pesquisa em empresa investidora em tecnologia e,
principalmente, estrutura a pesquisa em empresas incubadas (ou em criação) e trazem a
inovação mais perto destas empresas, como forma de atribuir mais valia a seus produtos
e a inserção em novos mercados. Com esse estímulo, há uma maior concretização de
Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Uerj – 5 a 9 de setembro de 2005
pesquisas já apoiadas pelas agências de fomento, provendo um novo estágio, o
empresarial. As ações de parceria entre as empresas e instituições de C&T para que
ocorra a pesquisa de um produto e toda sua caracterização, de forma que incentive P&D
(Pesquisa e Desenvolvimento) e desenvolva confiabilidade em Inovação é um dos
macro-objetivos da Política Estadual de C&T no Amazonas.
A Lei da Inovação (Lei nº. 10.973 de 2 de dezembro de 2004) incentiva ações de
inovação em regiões menos desenvolvidas no país, atende a projetos que estimulem a
economia, favorece pequenas empresas e dá oportunidade de aquisição de bens e
serviços do Poder Público para pequenas empresas. O apoio oferecido pelo PAPPE
possui certa peculiaridade, ou seja, esse auxílio existe para que haja empreendedorismo e
principalmente, a divulgação, manufatura e desenvolvimento de um produto de micro e
pequena empresa (MPE). Algumas condições são exigidas e isto se aplica a quase todas
as ações dessa natureza, dentre as condições estão o Estudo de Viabilidade Técnica e
Econômica (EVTEC) e o Plano de Negócios. O EVTEC, como o próprio nome indica, é
um
mecanismo
de
verificação
da
viabilidade
tanto
técnica
quanto
científica,
acompanhando a facilidade e maleabilidade que o projeto pode ter e, assim, seguir em
frente. O Plano de Negócios dará uma melhor visão aos empresários sobre a situação
atual da empresa e o preparará para eventuais mudanças, tais como a inovação. O
fomento fornecido pelo PAPPE busca todo esse encaminhamento de ciência e tecnologia
nas empresas e para que isso disponibiliza recursos da ordem de R$ 50 mil para
financiamento desses instrumentos.
PAPPE o Desafio do Diálogo
O principal ingrediente para a promoção de um programa dessa natureza é o
estabelecimento de uma parceria entre empresa e pesquisador para a viabilização da
pesquisa em todas as suas fases. Quando a FAPEAM iniciou a discussão técnica para a
estruturação do Programa PAPPE no Amazonas ficou claro a necessidade de se associar
a instituições com tradição na atuação com empresas para facilitar a visualização do
perfil das empresas que poderiam se interessar e onde o programa pudesse se
desenvolver. Assim uma das primeiras decisões estratégicas consistiu na formação de
um Grupo de Trabalho – GT governamental envolvendo técnicos da FAPEAM, da
Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Uerj – 5 a 9 de setembro de 2005
SECT e da Secretaria de Planejamento – SEPLAN para mapear o setor e elaborar
estratégias de articulação dos setores envolvidos.
O primeiro passo consistiu no estabelecimento do contato com organizações que
tratam diretamente com o âmbito empresarial, ou seja, que têm contato direto com uma
das esferas que se pretendia atingir, a empresa de base tecnológica, principalmente micro
e pequena empresa6 . A partir daí inicia-se o trabalho de visita e de acesso a homepages
das empresas foram mapeadas e o contato por meio eletrônico e telefônico para
divulgação do Edital e o envio de informações referentes ao programa. Da mesma
forma, as instituições de pesquisa foram contatadas principalmente por meio das Próreitorias de Pesquisa ou órgãos similares e em algumas delas com os Núcleos de
Negócios recém implantados. Para dar visibilidade e apresentar o PAPPE como uma
ação de governo, a primeira estratégia adotada foi à realização do Evento de Lançamento
PAPPE no estado, em 4 de fevereiro de 2004, com a presença do Excelentíssimo
Governador do Estado e da Secretária de Estado de Ciência e Tecnologia se tornando um
marco político do apoio a pesquisa em empresas no Estado. Estiveram presentes nesse
encontro 14 dirigentes e representantes das Instituições de Pesquisa, 28 de instituições
representantes do setor empresarial, 51 pesquisadores e 16 empresários, com ampla
divulgação nos jornais locais. Esse evento marca o inicio da Fase I – de cadastro.
Durante o evento e a partir dos contatos estabelecidos, era visível a insipiente
experiência na relação pesquisa-empresa para a maioria das instituições. Segundo
declarações dos empresários a comunidade científica era considerada fechada e
conservadora no sentido de dividir o conhecimento adquirido e estabelecer parecias por
ter segundo eles, preocupações com a possibilidade de perder o direito ao fruto de sua
pesquisa para a empresa. As primeiras empresas que se interessaram pelo PAPPE foram
às empresas de propriedade de alguns pesquisadores que atuam nas duas frentes, e
montaram seus próprios negócios a partir da identificação de possibilidade de
comercialização dos produtos oriundos de suas pesquisas. Nas instituições de pesquisa
contatadas verificou-se que em algumas delas, como é o caso da Faculdade de
Tecnologia da Universidade Federal do Amazonas - UFAM, já existe uma estreita
relação com o Pólo Industrial de Manaus – PIM. Porém na grande maioria dos
6
Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA; Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas - SEBRAE/AM; Centro de Incubação e Desenvolvimento Empresarial - CIDE; Agência de Fomento do
Estado do Amazonas - AFEAM; Federação das Indústrias do Estado do Amazonas – FIEAM.
Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Uerj – 5 a 9 de setembro de 2005
Departamentos de Pesquisa das instituições essa relação é bastante insipiente. Assim era
necessário uma estratégia de aproximação dos setores a fim de melhor delimitar a
proposta e consolidar as parcerias necessárias para o desenvolvimento do projeto.
Desta forma o GT inicia a discussão de estratégias alternativas para a divulgação
do Edital e incentivo aos setores empresarial e científico para concorrer ao PAPPE. Um
anúncio nos jornais impressos de Manaus também foi utilizado para divulgar e atrair os
interessados para a participação do Edital. A “Rodada de Pesquisa/Negócio” foi o evento
estratégico realizado com a parceria do SEBRAE para a atração e aproximação de
pesquisadores e empresários. O evento foi dividido em duas etapas distintas, a primeira
uma reunião conjunta com todos os participantes onde foi apresentado o objetivo do
programa, a origem dos recursos financeiros, as formas de aplicação dos recursos, as
vantagens desse tipo de parceria para o futuro da empresa. Todo o material apresentado
buscava mostrar o ponto de interesse em comum entre empresários e pesquisadores,
detectado durante o contato prévio com esses atores: a vontade de ver um novo produto
ou processo no mercado. A linguagem adotada durante a apresentação foi a simples e de
fácil entendimento visando facilitar o entendimento mesmo daqueles micro-empresários
que não haviam tido contato com o mundo científico e da inovação, mas que se
manifestaram dispostos a conhecer esse novo universo e ver como isso poderia ajudar na
atuação de suas MPE’s. Em seguida foi solicitado o preenchimento de uma ficha
cadastral, distribuída no momento da inscrição. O segundo momento consistiu em
múltiplas salas organizadas por área de atuação, a saber: Agronegócio, Energia, Saúde,
Informática e, Biotecnologia. Nesses ambientes foram distribuídas várias mesas de
reunião onde os empresários identificados pela área de atuação de sua empresa
aguardavam pesquisadores para conversar. Depois de um tempo de indução da
distribuição dos pesquisadores por área de atuação das empresas, a equipe deixou os
grupos atuando de forma autônoma e verificou-se inúmeros rearranjos, passando
empresários de uma sala para contato com outros empresários e os pesquisadores se
aproximando de mais de uma sala sendo verificado um clima de negociação. Os
primeiros contatos foram estabelecidos e registrados pela equipe técnica de organização
do evento para contatos futuros no sentido de favorecer a concretização das parcerias
para participação do Edital.
Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Uerj – 5 a 9 de setembro de 2005
A linguagem simples, passível de entendimento pelos grupos envolvidos e o
desenvolvimento de um ambiente motivador, empolgante e positivo são os principais
ingredientes necessários para a promoção do diálogo proposto entre o setor produtivo e a
comunidade científica. A adoção dessas estratégias incentivou a formação de novos
espaços para a reunião de empresas, instituições de pesquisa, e demais interessados na
discussão de ações inovadoras em certas áreas tecnológicas resultando na elaboração de
projetos de parcerias e a realização de eventos de divulgação da cultura da inovação
tecnológica nas MPE’s, principalmente, em favor do aumento da competitividade das
empresas do Amazonas.
Resultados Positivos do Edital
O edital está embasado nas informações fornecidas pela FINEP e por outras
FAP’s que já haviam implantado o Programa. As propostas teriam de ser apresentadas
em forma de projeto e dentro das áreas de interesse do Estado, sendo as prioridades:
Saúde, Biotecnologia, Energia, Agronegócios e Informática, com o apoio do Fundo CT
Verde-Amarelo. Nas regras gerais do Programa PAPPE estabelecidas pela FINEP, sua
realização está dividida em duas Fases de execução (Fases I e II) e uma Fase PréOperacional, tendo sido adaptadas no edital da FAPEAM, de forma que o PAPPE – AM
está sendo desenvolvido em três Fases, cumprindo as exigências da FINEP. A Fase I do
PAPPE – AM caracteriza-se por ser a Fase de Cadastro, ou seja, o registro de todas as
empresas tecnológicas com interesse no Programa e ao mesmo tempo oferecer a visão
do setor empresarial de inovação tecnológica no Amazonas. Essa fase teve a duração de
um mês, favorecendo a realização dos eventos de interação e a negociação entre os
setores de interesse.
A Fase II é caracterizada pela realização do Estudo de Viabilidade Técnica,
Econômica e Comercial – EVTEC e tem duração de até 6 (seis) meses. Nessa fase, a
empresa tem de firmar compromisso com a execução do projeto em suas dependências e,
conseqüentemente, com a Fundação para a execução e apoio à proposta. As empresas
em fase de criação devem estar constituídas e legalizadas ao final desta fase. A parte
principal da ação de pesquisa começa na Fase III com duração de até 18 (dezoito) meses
para a realização da fase de desenvolvimento do projeto. Para a qualificação e
recebimento dos recursos referentes à Fase III é necessário ter a aprovação do EVTEC e
Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Uerj – 5 a 9 de setembro de 2005
a apresentação de um Plano de Negócios onde apresenta-se a estratégia de comércio e
marketing do produto ou processo, assim como as conseqüências e os resultados para as
empresas e para o mercado.
Em resposta ao Edital para a Fase I, 113 (cento e treze) propostas foram
apresentadas sendo possível visualizar a falta de vinculação dos cientistas e as empresas
tecnológicas participantes do processo de articulação proposto, um dos requisitos para a
concretização de um dos interesses do programa. Das propostas cadastradas, após uma
análise documental, foram aprovadas 60 (sessenta) delas que estavam de acordo com as
exigências do Edital.
Após a fase de registro, com base nos resultados alcançados tornou-se necessário
abrir espaço para os pesquisadores e à comunidade científica para sua manifestação
sobre a temática e o fortalecimento das parcerias para a elaboração do projeto necessário
para a apresentação para a avaliação na Fase II do programa. Assim foi realizado o
Encontro de Aproximação entre Empresas e Pesquisadores do Programa Amazonas de
Apoio
à
Pesquisa
em
Empresas
–
PAPPE
denominada
de
“Rodada
de
Pesquisa/Negócio”. O evento funcionou para o melhoramento da relação de empresas
com pesquisadores e cientistas e, possibilitou a concretização dos objetivos do PAPPE
de modo a vivenciar como seria, na prática, a convivência desses dois atores para o
desenvolvimento do projeto e o investimento em CT&I.
Em abril de 2004 foi lançado o Edital para a apresentação de propostas para a
Fase II do programa. Com a apresentação das propostas foram realizadas a análise
administrativa e a avaliação por consultores ad hoc especialistas das áreas dos projetos
apresentados e na área econômica de várias partes do país. A avaliação foi criteriosa de
acordo com os critérios estabelecidos pela FINEP resultando na recomendação e
implementação de 23 (vinte e três) projetos que foram considerados de alta relevância
tecnológica, social e comercial. As áreas das empresas que receberam o apoio do PAPPE
são apresentadas no quadro a seguir (Quadro 1). Refletindo uma das vocações do
Estado, o maior número de empresas que se apresentou no edital é da área de
Agronegócios.
Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Uerj – 5 a 9 de setembro de 2005
Setor
CT AGRO
Projetos
Recebidos Projetos aprovados
Total
demanda atendida
31
9
2
CT Biotecnologia
4
3
CT Verde Amarelo
TOTAL
Agronegócio
4
Alimentos
2
Pesca
3
Artesanato
2
Saúde
4
Biotecnologia
2
Energia
3
Informática
2
Gestão de
Qualidade /
Construção Civil
3
11
CT Saúde
CT Energia
Subsetor
Número de Projeto
Aprovados por
Subdivisão de Setor
8
4
8
5
52
25
25
Quadro 1 – Comparativo demanda inicial de empresas, demanda atendida e demanda aprovada
pelo Edital PAPPE.
O PAPPE encontra-se no término da Fase II, mas já é possível verificar o sucesso
e os resultados parciais dos projetos, juntamente com a grande repercussão junto à mídia
local e nacional. Um pesquisador e uma das empresas vinculadas ao Programa PAPPE
receberam recentemente premiações no setor de Gestão em C&T, a saber: a empresa
Pharmako’s da Amazônia – Prêmio FINEP de Inovação Tecnológica 2004, categoria
Pequena Empresa e o Dr. Nilson Luiz de Aguiar Carvalho – Prêmio Samuel Benchimol.
A partir da implantação do PAPPE foi possível visualizar as empresas com
atuação ou interesse em atuar na gestão de C&T. Essa iniciativa deu a Fundação e ao GT
interinstitucional
formado,
a
possibilidade
de
programar
atividades
e
novas
oportunidades de engajamento do setor produtivo do Estado do Amazonas na produção
de conhecimento e tecnologias visando imprimir maior competitividade do setor, a
Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
XXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Uerj – 5 a 9 de setembro de 2005
inserção desses produtos em novos mercados, e em última análise, no incremento de
empregos e renda no Estado do Amazonas.
Referências Bibliográficas
BUENO, W. da C. Jornalismo Científico. Apud MAGALHÃES, Hélio Augusto de. Jornalismo
Científico em Instituição de Pesquisa: O dilema entre o segredo e a divulgação. Agronline –
Artigos, 2002. Disponível em <http://www.agronline.com.br/artigos/artigo.php?id=76&pg=1&n
=2>. Acesso em: 8 mar. 2005.
BRASIL. Lei 10.973, de 2 dezembro de 2004. Dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa
científica e tecnológica no ambiente produtivo e dá outras providências. In: Diário Oficial da
União, Brasília, 3 dezembro de 2004.
DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando idéias em negócios. Rio de
Janeiro: Campus, 2001.
FINANCIADORA DE ESTUDOS E PROJETOS – FINEP. O que é a FINEP? – Empresa.
Disponível em: < http://www.finep.gov.br/o_que_e_a_finep/a_empresa.asp?codSessaoOquee
FINEP=2>. Acesso em: 2 mai. 2005.
_________________________________________________. Programa - PAPPE. Disponível
em: <http://www.finep.gov.br/programas//pappe.asp>. Acesso em: 2 mai. 2005.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia do trabalho científico:
procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório, publicações e trabalhos
científicos. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2001.
MAÑAS, Antônio Vico. Gestão de Tecnologia e Inovação. São Paulo: Érica, 2001.
MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA. 2003. Secretaria de Política Tecnológica
Empresarial SEPTE. Instrumentos e Programas de Apoio à Inovação nas MPEs. Rio de Janeiro.
Disponível em <www.desenvolvimento.gov.br/arquivo/sdp/proAcao/micPeqEmpresa/insApoIno
Mpme/InstrApoioInovaMPME.pdf>. Acesso em: 10 abr. 2005.
NOGUEIRA, Cláudio L. Q. 2003. Recursos do Governo do Amazonas para o Fomento à
Ciência, Tecnologia, Inovação e Capital Humano no Amazonas. Amazonas. Proposta de Tese Doutorado em Engenharia de Produção. Universidade Federal do Amazonas. Artigo não
publicado.
SILVA, Cylon, Gonçalves; MELO, Lúcia Carvalho Pinto. Ciência, Tecnologia e Inovação:
Desafio para a sociedade brasileira – Livro Verde. Ministério da Ciência e Tecnologia,
Academia Brasileira de Ciências. Brasília, DF. 2001
Agradecimentos
Aos membros do Grupo de Trabalho de Articulação do PAPPE: Dra. Marly Guimarães
(SECT); Wellington Sampaio (SECT); Vicente Schetinni (SEPLAN); Suely Marinho
(SEPLAN); Marcos Hervé (SEPLAN).
Download

Carlos Victor Montefusco Pereira Maria Olívia de